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Cirão do Master, névoas eleitorais e a viagem de Lula

08 de maio de 20261h6min
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Episódio postado em 08 de maio de 2026.

No Foro de Teresina desta semana, Fernando de Barros e Silva, Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros analisam a nova fase da operação Compliance Zero, que colocou o senador Ciro Nogueira no centro das investigações sobre o caso Master e revelou detalhes do esquema de corrupção e lavagem de dinheiro ligado ao banco. No segundo bloco, o trio discute o cenário eleitoral em estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, onde as disputas seguem indefinidas e marcadas por instabilidade política. No terceiro bloco, os apresentadores tratam do encontro entre Lula e Donald Trump, na Casa Branca, seus bastidores e os efeitos políticos e diplomáticos da reunião.

Escalada: 00:00
1º bloco: 05:00
2° bloco: 28:02
3º bloco: 48:50
Kinder Ovo: 1:01:39
Correio Elegante: 01:03:21
Créditos: 01:05:36

Acesse a transcrição e os links citados nesse episódio: https://piaui.co/ft111

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Leia “A simbiose”, reportagem de Ana Clara Costa sobre as conexões entre crime organizado, sistema financeiro e a Faria Lima: https://piaui.uol.com.br/revista/236/crime-financas-faria-lima/

No dia 16 de maio, o Museu do Amanhã será palco do festival livro é companhia no rio, que celebra a literatura como ferramenta essencial para imaginar e construir o amanhã.

O evento gratuito é organizado pela Companhia das Letras em comemoração aos seus 40 anos, em parceria com a Janela Livraria e o Museu do Amanhã. Para saber mais e retirar os ingressos, acesse o link: http://www.sympla.com.br/companhiadasletras

Envie uma mensagem – ou um áudio de até 1 minuto – para o Correio Elegante pelo e-mail (forodeteresina@revistapiaui.com.br) ou por nossas redes sociais.

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Ficha técnica:

Apresentação: Fernando de Barros e Silva, Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros
Coordenação geral: Bárbara Rubira
Direção: Mari Faria
Edição: Bárbara Rubira e da Mariana Leão
Produção e distribuição: Maria Júlia Vieira
Finalização e mixagem: Pipoca Sound
Intérpretes da nossa música tema: João Jabace e Luis Rodrigues
Identidade visual: Maria Cecília Marra com arte de Amandadrafts
Coordenação digital: Bia Ribeiro e Juliana Jaeger
Checagem: Ethel Rudnitzki
Gravado no Estúdio Rastro
Redes Sociais: Fábio Brisolla, Emily Almeida e Isa Barros.
Vídeos: Isa Barros e Fernanda Catunda
Participantes neste episódio3
A

Ana Clara Costa

HostJornalista
C

Celso Rocha de Barros

HostJornalista
F

Fernando de Barros e Silva

HostJornalista
Assuntos6
  • Operação Compliance Zero e Ciro NogueiraInvestigações sobre o Banco Master · Emenda Master e FGC · Pagamento de mesada e despesas pessoais · Relação com Fernandinho OG e Carbono Oculto · Davi Alcolumbre e o caso Master
  • Cenário eleitoral no Rio de JaneiroCandidatura de Eduardo Paes · Candidatura de Douglas Ruas · Candidatura de Anthony Garotinho · Renúncia de Cláudio Castro · Eleição indireta e intervenção do STF
  • Encontro Lula e TrumpCombate ao crime organizado · Comércio internacional e tarifas · Repercussão política interna no Brasil · Mediação de Joesley Batista · Ausência de discussão sobre o PIX
  • Cenário eleitoral em Minas GeraisCandidatura de Rodrigo Pacheco · Candidatura de Cleitinho · Candidatura de Flávio Roscoe · Candidatura de Matheus Simões · Candidatura de Alexandre Calil
  • Cenário eleitoral em São PauloCandidatura de Tarcísio de Freitas · Candidatura de Kim Kataguiri · Candidatura de André do Prado · Candidatura de Guilherme Derrite · Candidatura de Simone Tebet · Candidatura de Marina Silva
  • Kinder Ovo e Correio EleganteAniversário de Mari Faria · Mensagens de ouvintes
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Há de Piauí.

Olá, sejam muito bem-vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da revista Piauí. E pode ter toda a certeza que o povo do Piauí, se surgir algum dia na vida, alguma denúncia que seja comprovada quando o senador sirva, eu renuncio o meu mandato. Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo, tenho a alegria de conversar com os meus amigos Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros, no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Olá, Ana, bem-vinda!

Oi, Fernando. Oi, pessoal. Todo mundo vem com essa lata da INC te falar que se acabar com a escala 6x1, que é o problema do país. O problema do país está aqui. A fonte de despesa está aqui. Diga lá, Celso Casca de Bala. Fala aí, Fernando. Fala aí, todo mundo. Estamos aí. Mais uma sexta-feira.

Sabe aquela história, amor à primeira vista, aquele negócio da química? É isso que aconteceu e eu espero que continue assim. Mais uma sexta-feira, semana quente. Vamos então aos assuntos da semana.

A gente abre o programa com a operação da Polícia Federal, deflagrada nessa quinta-feira, que teve como personagem principal o senador Ciro Nogueira, do PP do Piauí, alvo de mandados de busca e apreensão, na quinta fase da Compliance Zero, que investiga corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master.

A Polícia Federal apontou Ciro Nogueira como destinatário central das vantagens indevidas de Daniel Vorcaro. Muitas vantagens, muito indevidas. Entre elas, pagamentos mensais ao senador, uma mesada mesmo, inicialmente de 300 mil reais, com indícios de que teriam aumentado para 500 mil reais. Era uma forma de remunerar os serviços prestados por Nogueira, entre os quais a chamada emenda master, que propunha aumentar.

O limite de cobertura do FGC de 250 mil para 1 milhão de reais. Descobriu-se ontem que o texto da emenda foi feito pelo Master e enviado num envelope ao senador que lhe deu encaminhamento. De acordo com a PF, Ciro tinha sua vida custeada por Vorcaro, usava imóveis luxuosos, hospedava-se em hotéis nababescos e tinha as despesas pessoais pagas pelo esquema do banqueiro.

Além de Ciro Nogueira, estão entre os alvos da operação de ontem Raimundo Nogueira, irmão do senador, que sofreu buscas e passará a usar tornozeleira eletrônica. E Felipe Forcaro, primo de Daniel, que foi preso temporariamente. A gente vai discutir as implicações políticas da operação e as suas motivações neste momento, é claro.

No segundo bloco, a gente vai tratar das eleições em alguns estados do país. Vamos falar de disputas no Sudeste, onde as coisas estão bastante nebulosas. É o caso de Minas, em que as candidaturas não estão definidas. Rodrigo Pacheco, que teria o apoio de Lula, concorrendo pelo PSB, pediu mais tempo para se definir.

E o líder das pesquisas, senador Cleitinho, do Republicanos, não tem o apoio dos Bolsonaro, embora seja bolsonarista. O clã por hora aposta no empresário Flávio Roscoe, que se filiou ao PL para concorrer. Pior que isso, só no Rio de Janeiro, onde a questão é de outra magnitude. Não se tem segurança nem sobre quem estará no governo até outubro. E o Celso vai nos explicar melhor o tamanho da bagunça. Por fim, no terceiro bloco, a gente trata do encontro entre Lula e Trump na Casa Branca.

A reunião entre os dois se estendeu por quase três horas, incluindo o almoço, extrapolando em muito o prazo previsto inicialmente. A entrevista no Salão Oval foi cancelada e Lula, no lugar disso, concedeu uma longa entrevista coletiva na Embaixada Brasileira em Washington. Trump, por sua vez, publicou em suas redes sociais que a reunião com, abre aspas, o presidente muito dinâmico do Brasil, correu muito bem. Citou comércio e especificamente tarifas entre os diversos temas discutidos.

Lula foi acompanhado a Washington por cinco ministros, Mauro Vieira, das Relações Exteriores, Wellington, César Lima e Silva, da Justiça, Dário Dúringa, da Fazenda, Márcio Elias Rosa, da Indústria e Comércio e Alexandre Silveira, das Minas e Energia. Todos falaram à imprensa antes do presidente, fazendo uma coreografia eficaz para frisar que a conversa tinha sido muito positiva.

E foi essa a sensação que Lula transmitiu. Ele disse que Trump não tocou no assunto PIX, disse também que as classificações das facções criminosas como grupos terroristas não fez parte da conversa, apesar de terem avançado na discussão de temas, segundo Lula, considerados tabus, como o combate ao crime organizado e ao narcotráfico. Ana Clara vai nos atualizar sobre os pontos principais e os bastidores deste encontro. É isso. Vem com a gente.

Muito bem, Ana Clara, vamos começar com você. Estávamos todos preparados na noite de quarta-feira para fazer o programa Começando com Lula e Trump. Eis que a Polícia Federal entra em cena para pegar o senador Ciro Nogueira de calças curtas, ou bolso cheio, é melhor dizer.

Se fala que a mesada dele foi de 300 mil, depois teria evoluído, como diz o Celso, para 500 mil, né Celso? Exato. Todo mundo gostaria que o salário evoluísse dessa maneira também. Ô rapaz, meu salário é pouco evoluído. Enfim, temos uma série de assuntos pra tratar. Era uma bola cantada, né Ana? Cantadíssima, né? Era inevitável.

É, assim, a surpresa não é o envolvimento dele em nada, e sim que a polícia tenha feito uma operação de busca e apreensão contra ele. Porque o que se sabe do Ciro há anos, é curiosíssimo que só agora alguém tenha feito alguma coisa, né?

Ele aparece aqui em todo episódio, né? Exato. Agora, essa aprovação dessa operação, eu acho que a gente pode começar por isso, porque é um assunto que, de certa forma, está conectado com os desdobramentos da semana passada, da votação que rejeitou o Messias no Senado. A PGR e a Polícia Federal tinham feito um pedido de busca e apreensão, um pedido para que essa operação acontecesse, né?

ao André Mendonça, que é o relator do caso, no início de abril. E o André Mendonça não deliberou nada sobre isso. E, curiosamente, depois que o Messias é rejeitado, o que foi considerado uma derrota para o André Mendonça, ele, de fato, dá a decisão. E um outro ponto interessante disso é que o Ciro falou publicamente várias vezes que votaria...

a favor do Messias, o que é uma contradição, dado que ele é um bolsonarista e que os bolsonaristas todos estavam muito fechados contra, né? Então ele estar a favor significava alguma coisa. Eu não quero colocar um ar de revanche aqui, necessariamente, nessa atitude do André Mendonça.

Mas assim, o fato é que os acontecimentos acabam se encadeando num contexto em que alguém estava sendo poupado, digamos, né? Alguém estava sendo poupado de uma operação até determinado momento e depois deixou de ser poupado. E curiosamente essa operação acontece antes dos pontos da delação do Vorcaro virem à tona, né? O que acaba levando a gente a crer que se a delação do Vorcaro não contempla os achados da Polícia Federal...

ela não vale nada, né? E aparentemente, pelos bastidores do que se lê na imprensa, a PGR não achou que a delação acrescenta muita coisa. Inclusive, há coisas na operação de hoje que a delação do Vorcaro não conta. A própria mesada que o Vorcaro dava ao Ciro Nogueira não estaria na delação, né? Nessa segunda versão da delação, é bom que se diga, ele já tinha feito uma primeira que tinha sido rejeitada.

É, eles fazem uma proposta, né, de pontos. E aí, uma vez que a proposta é aceita, aí sim que ele começa a delatar de fato, né? É um cardápio, digamos. É, há uma coincidência, a proposta do Vorcaro, da defesa do Vorcaro, chegou para apreciação da PGR e do André Mendonça, né?

Sim, também. Chegou essa semana. Exato, chegou a proposta e ele decidiu fazer a operação. Agora tem um outro ponto que foi revelado pela Malu Gaspar no Globo, que também ajuda a compor esse cenário de conexão entre o que aconteceu semana passada e o caso Master e as coisas que estão acontecendo essa semana. Que foi uma conversa que o Davi Alcolumbre teve com o presidente Lula.

Quando José Guimarães tomou posse como ministro das relações institucionais, em que o Alcolumbre pede para o Lula, segundo a reportagem da Malu, proteção em relação às investigações, porque ele estava considerando que ele estava sendo alvo de injustiças. E o mesmo Alcolumbre que fala...

que estava sendo alvo de injustiças, é o Alcolumbre, cuja família está envolvida nos desvios do fundo de pensão do estado do Amapá, que investiu em ativos podres do Master sem poder investir. Que a gente já sabe que não é investimento, né? É desvio de dinheiro mesmo, né? É, o dinheiro morreu, né? O dinheiro sumiu.

E é o mesmo Alcolumbre que pedia caneta Munjaro pro Beto Louco trazer pra ele, o Beto Louco, que é esse sujeito investigado na Carbono Oculto, entre outras coisas, envolvimento com o PCC. E é o mesmo Alcolumbre que, segundo reportagem da Piauí, do Breno Pires, pediu pro Beto Louco pagar um show do Roberto Carlos pra população lá em Macapá.

Então, assim, esse é o Davi Alcolumbre que pediu para o Lula ajudar a impedir que injustiças fossem cometidas contra ele, né? E a Malu revela que, coincidentemente, depois dessa conversa, o Davi Alcolumbre começa a articular para derrubar o nome do Messias. Porque, vamos voltar aqui um pouco...

cerca de três semanas mais ou menos antes da rejeição do Messias, o próprio Davi sinalizava que ele seria aprovado. O Valdemar Costa Neto falou publicamente que ele seria aprovado. A oposição, conversei com os senadores da oposição depois da rejeição do nome do Messias e eles próprios falaram que eles achavam também que ele ia ser aprovado porque eles todos votariam contra, mas eles não tinham os votos para derrubar.

e que só a articulação do Alcolumbre que permitiu que essa rejeição acontecesse. Não vou aguentar esse trocadilho infame, que se o Messias tiver entrado para Cristo em benefício do andamento da investigação do Master, as coisas não deveriam funcionar assim, né? Mas eu tô quase achando bom que ele tenha sido reprovado.

Se ele destravou o funcionamento das investigações, as investigações alcançarem a realidade na sua quase plenitude ou de maneira mais ampla, o Messias para Cristo pode ter sido uma boa troca para o Brasil.

Eu acho que vale a gente relembrar as inúmeras razões para que, inclusive, ele deveria ter sido alvo de uma operação muito antes, né? Das mais recentes, tá? No caso do Master, bom, a gente tem a emenda Master que o Celso vai destrinchar aqui, que é um assunto que ele toca já faz tempo.

Mas a despeito da emenda Máster, a gente tem o pagamento de despesas pessoais, de hotel cinco estrelas, de cartão de crédito, de jantares em restaurantes. Eles se locupletam mesmo, né? Assim, o Ciro e qualquer familiar dele que também tenha participado disso, é uma situação realmente de desaforo total, né?

E as reportagens mencionam também, porque a PF menciona a disponibilização de um cartão de crédito para a cobertura de gastos pessoais do senador. Exato. E tem uma coisa curiosa nessa decisão que fala dessa parceria entre a empresa do Vorcário e a empresa do Ciro, porque é por meio dessas duas empresas que os pagamentos são feitos com esse Felipe cansado.

que foi preso nessa operação também, que é o primo do Vorcaro, e ele que fazia intermediação do pagamento. Curiosamente, o Felipe Cansado era um dono de uma assessoria de investimento ligada ao BTG Pactual em Goiânia.

que a reportagem da Consuelo Jaggs na Piauí, ainda em 2024, a primeira reportagem sobre o Master, revelou o modus operandi dessa assessoria de investimento, revelou faturamentos absurdos que eles tinham vendendo o CDB do Master por meio da plataforma do BTG e é esse cara que também era um dos intermediários de pagamentos para o Ciro Nogueira.

Esse modus operandi, né, dessa sociedade entre empresas, é o que parece ser a prática do Ciro em outros casos também. Apenas para dizer dois casos revelados pela Piauí. O relacionamento dele com o Fernandinho OG, que a gente falou no programa passado, do fato de as bagagens de um voo em que o Ciro estava com o Fernandinho e outros próceres da nossa república, e que tiveram a bagagem desviada do raio-x, né, da Receita. E o presidente da Câmara.

Hugo Mota, também no voo. Exato, Hugo Mota. Para além disso, há compras de imóveis em edifícios no Piauí de empresas de familiares do Ciro Nogueira, feitas pela empresa do Fernandinho OG. O Ciro Nogueira, que era suplente da CPI das Betis, mesmo sendo suplente, foi em uma das sessões da CPI para defender publicamente o Fernandinho OG. Foi de carona com o Fernandinho OG para o GP de Mônaco.

A empresa do Fernandinho OG fez pagamentos de mais de 600 mil reais pro ex-assessor parlamentar do Ciro Nogueira, o Vitor Linhares de Paiva. Agora falando do envolvimento do Ciro em outro esquema, que é o da Carbono Oculto, é a mesma turma que comprou o Monjaro pro Davi Alcolumbre.

O Ciro, segundo uma reportagem do Breno Pires, ele tinha um grupo de WhatsApp com vários alvos da Carbono Oculto, em que eles falam sobre adulteração de combustível, falam que o Ciro vai ajudar, falam que o Ciro é um grande amigo. A mesma coisa que o Vorcaro falava do Ciro, a turma da Carbono Oculto falava do Ciro nesse grupo. Então, assim, ele era o grande amigo de todo mundo, né?

Então, assim, o Ciro tem um longo inventário de participação em tudo que é podre, assim, nessa relação do setor privado com a política, do que tem de podre no setor privado, né? Então, assim, o banco fraudador, né? A máfia dos combustíveis, a máfia do tigrinho, né? Que movimentou várias forças da República para aprovar a regulamentação desse setor.

E, sobretudo, o principal interesse desse setor era pagar menos imposto, né?

Bom, eu vou querer ouvir o Celso agora sobre essa história, mas pelo relato da Ana aqui, a gente já fica, Celso, com a nítida sensação de que o senhor Antônio Carlos de Almeida Castro, o Cacai, advogado do Ciro, vai ter que provar que o senador não é bandido. Talvez seja mais fácil ele convencer alguém de que ele é poeta, ele e Cacai, como ele gosta de difundir do que o Ciro não é bandido. Mas enfim, vamos falar da emenda.

da PEC, que o Ciro Nogueira queria... Recebeu, né? Agora ficamos sabendo disso. Recebeu pronta. Papel timbrado, quase, do Master falando, é assim que você vai apresentar. É isso? Exatamente. Bom, os ouvintes do foro já devem estar até cansados de me ouvir falar aqui da Emenda 11, a PEC 65 de 2023, apresentada pelo Ciro Nogueira, esse amigão aí que a Polícia Federal pegou hoje.

e que propunha aumentar a cobertura do FGC, o Fundo Garantidor de Crédito, de 250 mil para 1 milhão. Só para ter uma ideia do que é isso, o ecossistema Master deu um rombo mais ou menos de 50 bilhões de reais no FGC, com o teto de 250 mil. Não dá para calcular o que teria acontecido com o sistema financeiro?

se a emenda Márcia tivesse passado. Se o Márcia ganhasse uma sobrevida de todo mundo poder botar até um milhão lá e depois quebrasse, como certamente teria quebrado de qualquer maneira. Então, não dá pra calcular o tamanho do desastre que teria acontecido na economia brasileira. Talvez seja até interessante, Celso, pra parte como esse assunto tá muito central, explicar um pouco como é que funciona o FGC, né?

É, o fundo garantidor de crédito é basicamente um pote de dinheiro que os bancos botam lá, dada a proporção entre os bancos, para cobrir rombos no sistema financeiro até um determinado limite. Para quê? Para evitar contágios sistêmicos. Então, por exemplo, quebra um banco lá, se todo mundo perde, pode ter uma crise de confiança. E aí, se aquele pessoal todo perde, os clientes dos outros bancos podem também ficar com medo. E eles cobrem aplicações de renda fixa, não é só.

E poupança, né? É, poupança. E aí a cobertura estava em 250 mil. Por CPF. Por CPF, exato. O teto é de 250 mil. E se a pessoa tiver 500 mil, 250, ela perde. Exatamente. Por isso que tinha vários agentes do mercado financeiro dizendo, não, vai lá no Master e bota teu dinheiro, porque o retorno é alto, mas só até 250 mil. Porque quando quebrar, que todo mundo sabe que vai quebrar, você vai lá e tira o seu 250 mil.

É possível até que haja uma revisão das regras do FGC depois do Master pra tentar dificultar esse tipo de manobra. Então, mas o que o Ciro Nogueira queria fazer aqui era o contrário dessa revisão, entendeu? Ele queria aumentar a cobertura do FGC. Então eu queria dizer assim, pode botar um milhão no Master que o FGC cobre se quebrar.

Então, novamente, é difícil calcular o tamanho do rombo que isso teria causado, entendeu? E certamente é uma das emendas constitucionais mais nocivas que algum maluco já apresentou no Congresso até hoje. Delinquentes mesmo. Exato, bandidagem 100%. E nas mensagens que o Vorcar manda pra noiva, né, pra Marta Greff, ele fala, né, o Ciro acabou de soltar uma bomba atômica. É, exatamente, que vai aumentar várias vezes o tamanho do Mastra.

E teria aumentado mesmo, quer dizer, o Mastra... Que vai prejudicar os bancos grandes. Exato.

E por que praticariam os bancos grandes? Porque os bancos grandes contribuem desproporcionalmente para o FGC. Então, quando o Master quebrasse, os outros bancos iam ter que botar dinheiro para cobrir esse rompo no FGC. E esse dinheiro é dinheiro que ia deixar de circular na economia brasileira. Esse dinheiro que os bancos botam lá é dinheiro que não vai ser emprestado para ninguém. Não vai ser investido em nada, entendeu? Vai ter que ficar parado lá. E em algum momento a conta chega para o correntista.

Para o contribuinte, para o cliente dos bancos, enfim, para a gente que não tem nada a ver e nem vai saber que perdeu o emprego por causa do Master, entendeu? Porque vai perder o emprego porque aí o rombo virou alguma movimentação de juros que prejudicou certas decisões de investimento, enfim. Esses picaretas, como o Vorcar, contam muito com o fato de que o sistema financeiro é complicado e de que ninguém vai entender exatamente como é que aquilo bate na vida deles, entendeu?

E o Ciro Logueira apresentou essa emenda para garantir que essa mutreta continuasse. E é bom dizer, ele não fez sozinho. O senhor Felipe Barros, do PL do Paraná, tentou fazer a mesma coisa com o projeto de lei 4395 de 2024. Felipe Barros agora é o candidato ao Senado na chapa de Sérgio Moro. Olha que coisa bonita, entendeu? Grande Sérgio Moro, paladino da luta contra a corrupção.

Felipe Barros deve ter uns amigos bons aí, porque ele não é tão citado nessa história quanto é o Ciro Nogueira, entendeu? Então ele deve ser muito bem relacionado. E quanto deveria, né? Pois bem, essa mutreta do Ciro Nogueira é difícil de punir como crime, porque evidentemente ele e o Felipe Barros vão dizer não, eu estava honestamente equivocado. Eu achava que a gente devia aumentar a cobertura aos pequenos investidores e vai inventar uma mutreta como essa.

Até que alguém descubra que o Master pagou ele para fazer isso. E agora a Polícia Federal descobriu. Descobriu que o Master pagava uma mesada para ele. Além de despesas outras. Isso, dava uma grana violentíssima para ele. E entregou o projeto da emenda Master na mão do Ciro e falou entregue isso aqui, como você faz com o seu funcionário, certo?

Que era exatamente o que o Ciro Nogueira era. O Ciro Nogueira era um funcionário do Borcário pra fazer mutreta no Congresso. É isso que a polícia descobriu hoje. Porque se a gente tivesse ficado só no estágio de saber que ele apresentou a emenda, ele certamente ia se safar com isso. Ele ia dizer, como talvez o Felipe Barros se safa, ele ia dizer, não, é uma emenda que eu achava que devia ter maior cobertura. Alguém me aconselhou a isso. Pode ser que eu estivesse honestamente equivocado.

Mas se você descobre que o cara ganhava uma mesada gigantesca do Picareta, que seria beneficiado por isso, se você tem as mensagens dele para a Marta Graef dizendo olha só, o cara apresentou uma emenda que vai ser maravilhosa, etc. E se você descobre que foi o Master que fez a emenda, bom, acabou o assunto meritíssimo, entendeu? O senhor Nogueira fez a emenda Master em troca de dinheiro. Aos poucos vai ficando mais claro quem era mesmo a turma da política que trabalhou com o Vorcaro, que trabalhou com o Master esse tempo todo.

Porque se você estava até agora achando que o Master era só uma história entre os banqueiros e o STF, e novamente, não é para passar pano para Alexandre de Moraes, para Toffoli, para Cassio Mendes, para ninguém, entendeu? Se tiver que prender os três, prende os três. Não tem nada a ver com isso. Ema, ema, ema, cada um com o seu problema. Agora, se você tentar contar essa história só com uma história do STF com o Master...

Você não vai entender isso aqui que está acontecendo. Você não vai entender a rejeição do Messias, entendeu? Exato. Por que de repente tem uma aliança entre o bolsonarismo e o Alexandre de Moraes? Porque justamente é essa turma aí da direita do Congresso que roubava junto com o Márcio, entendeu? E que tentou salvar o Márcio de qualquer maneira. Primeiro com essas propostas de aumentar a cobertura do FGC, depois teve aquele projeto, aquele pedido de urgência.

o requerimento 365.1 de 2025 pra tentar aprovar um projeto que permitiria ao Congresso demitir diretores do Banco Central. E é esse pessoal que tava roubando pro Master esse tempo todo. E que vamos ver se agora aparece, né? Inclusive concordo com o Fernando. Se o Messias tiver ido pra Cristo pra que tudo isso apareça, o Brasil pode sair ganhando desse episódio. Eu não tenho esse otimismo todo por enquanto. Porque, cara, se o Ciro não fosse pego no escândalo do Master, é porque ninguém seria. É.

A gente já falou isso. Se você fosse pegar uma lista, assim, de graus de pizza pro Master, se a pizza do Master incluísse o Ciro Nogueira, seria a pizza X-Tudão, entendeu? Seria a pizza que realmente todo mundo se livrou. Não prenderam ninguém. Porque se for pra prender um, é pra prender o Ciro Nogueira. E, pelo menos, desse sabor de pizza, aparentemente, a gente tem uma boa chance de se livrar agora porque pegaram o Ciro Nogueira.

Mas só pra lembrar, esse aqui é o grau mínimo de pegar alguém. A pizza que tá sendo cozinhada ainda livra muita gente. E vamos torcer porque a Polícia Federal continua indo atrás. O Davi Alcolumbre é um também dos que estão ali em cima. Não, o Alcolumbre, exato. A Ana falou que a matéria do Malu Gaspar dizendo que o Alcolumbre, antes de vetar o Messias, pediu blindagem pro Lula. O Alcolumbre é enroladíssimo lá com a Previdência do Amapá. A Previdência do Amapá...

não colocou tanto dinheiro de aposentado no Master quanto a Previdência do Rio, porque o Amapá é bem menor que o Rio. Mas como proporção das contas lá da Previdência do Amapá, a proporção é maior do que a Previdência do Rio botou.

A situação do Davi Alcolumbre, se você pega esses últimos acontecimentos, todas as tramóias que são reveladas no perfil dele, que a Camille Lichotti e o Alan de Abreu publicaram algum tempo atrás na Piauí, é coisa para as pessoas estarem na rua, entendeu? Exatamente. Em outros tempos estariam, né?

Você ter esse presidente do Senado hoje é inédito, porque a época do Eduardo Cunha como presidente da Câmara era um pouco esse sentimento, né? Como que esse cara é presidente da Câmara, que sabidamente é um bandido, né? E o caso do Davi Alcolumbre talvez seja um pouco pior, porque ele parece conseguir se movimentar de uma forma um pouco menos espalhafatosa que o Eduardo Cunha, embora seja tão ou mais perigoso que o Eduardo Cunha.

Ele vinha sendo mais ou menos discreto até pegarem ele, basicamente. Quando o Master estourou, ele pensou, tô ferrado. Porque justamente, você pode não saber o que ele fez, mas ele sabe, certo? Então, assim... É, não é o caso de fazer ranking aqui entre o Columbre e Eduardo Cunha e tal, mas repulsivo por repulsivo, eu acho que o Eduardo Cunha é praticamente imbatível.

Eu acho imbatível também. Mas é porque realmente a gente está comparando com o melhor. É que nem o Pelé na discussão de que é o melhor jogador de todos os tempos. Você discute do segundo em diante. E com ele que começou todo esse movimento e a primeira formatação que foi resultar no orçamento secreto. Orçamento secreto que foi operado.

pelo Ciro Nogueira, enquanto ministro da Casa Civil, junto com Arthur Lira, presidente da Câmara. O orçamento secreto atingiu a sua plenitude na gestão Bolsonaro com o Ciro Nogueira jogando de dobradinha com o Congresso, certo? Exatamente. E eu só queria completar mais uma coisa, que acabou não entrando no programa passado, porque foi no dia seguinte da gravação. No dia seguinte do veto ao Messias, o Congresso encerrou a sua atividade pizzaiola da semana.

Derrubando o veto do Lula ao projeto de dosimetria, ou seja, eles reduziram o tempo de regime fechado dos golpistas do 8 de janeiro ao tempo que leva para gravar uma temporada da série Tremembé. E no mesmo dia...

Como parte do acordão pra votar esse negócio, os bolsonaristas foram ao Columbre, o Jorge Seif, senador do PL, levou lá uma lista de assinatura de senadores da oposição, da direita lá, dizer pro Columbre, não precisa ler o requerimento de abertura da CPI do Master não, só fazer a dosimetria.

Então todo mundo saiu feliz. Quer dizer, menos o Brasil. Mas enfim, ninguém ali se importa com isso. Então os bolsonaristas ganharam a revisão de dosimetria e ganharam o fim da CPI do Márcio. Porque essa história do bolsonarista apoiar a CPI do Márcio é tudo mentira, é tudo sacanagem. Essa CPI do Márcio que os bolsonaristas defendem não é pra evitar uma pizza, é pra entregar uma pizza no sabor que eles querem. A pizza que os bolsonaristas querem é uma em que todos eles, bolsonaristas, se livram da cadeia, porque eles estão enroladíssimos com o Márcio.

É uma pizza em que os aliados dele no centrão se livram da cadeia, o centrão tá enroladíssimo com o master, mas o Alexandre Moraes se ferra. Sim, exatamente. É sabor xandão com borda de catupiry, né? Exatamente, exatamente. É isso que eles querem fazer. Mas mesmo essa CPI, que seria também uma pizza, né?

O pessoal do Central acha arriscado, porque tem o velho adagio de Brasília que CPI você sabe como começa, mas não sabe como termina. Então vocês começam uma CPI só para entregar ao Alexandre de Moraes, no meio da história a imprensa publica uma denúncia. Você não sabe o que vai acontecer. Então o pessoal todo lá chegou à conclusão, gente, vamos fazer mesmo CPI de pizza, não vamos fazer não. Vamos fazer uma pizza mais x-tudão. E entregaram a pizza x-tudão.

Muito bem. Já tô até pensando aqui numa pizzaria, tem aquelas pizzas com o nome, né? A pessoa que inspirou a pizza e tal. Tem várias pizzarias que usam o nome. Exatamente. Mas olha, o Daniel Vorcaro, até ser preso, ele dizia a vários interlocutores que o Ciro era irmão dele, que ele não ia delatar o Ciro. Amigo da vida. De vida.

Isso nas mensagens, mas para as fontes com quem eu conversei... A amizade é um negócio bonito, né? Era meu irmão. Bom, a gente encerra o primeiro bloco do programa por aqui. Fazemos um rápido intervalo. Na volta, nós vamos falar da campanha eleitoral em alguns estados do país. Já voltamos.

Muito bem, estamos de volta. Celso, vou começar com você. A gente vai jogar a luz, discutir um pouco o quadro eleitoral em alguns estados importantes do país, como Rio de Janeiro e Minas Gerais. Talvez possa começar por Minas Gerais, onde as candidaturas não estão ainda definidas a essa altura. Há muitos candidatos.

O líder das pesquisas confiáveis é inclusive o senador Cleitinho, que está avulso por enquanto, não tem nenhum padrinho nacional e os candidatos com padrinho ainda não estão definidos. Essa que é a verdade. As candidaturas ainda estão em discussão a essa altura do campeonato, o que não é comum a essa altura. Como Minas é um estado estratégico, por várias razões. Vamos falar disso um pouco.

É isso mesmo, Fernando. Falando aqui em ordem crescente de caos, eu vou começar por Minas e terminar com Rio de Janeiro. Em Minas Gerais você tem uma confusão bastante grande, porque a gente já está em maio do ano de eleição e a gente ainda não sabe quem são os candidatos. E não é aquela coisa não sabe formalmente, porque ainda não teve convenção, a gente realmente não sabe quem vão ser os candidatos.

Quem está em primeiro lugar é o Cleitinho, que é um senador de perfil semelhante a esses candidatos de fora do sistema que cresceram com o Bolsonaro, mas que tem luz própria. Ele não depende do Bolsonaro. Os caras que gostam do Cleitinho gostam do Cleitinho. Vão votar no Cleitinho independente do Bolsonaro dizer para eles votarem ou não.

E ele está com uma boa vantagem nas pesquisas. Então, o que você imaginaria é que o bolsonarismo correria para apoiar o Cleitinho. Mas não é isso que está acontecendo. No momento, o que a imprensa vem noticiando é que o PL do Bolsonaro está tentando lançar o Flávio Roscoi, que é um empresário lá bolsonarista. E, por enquanto, é praticamente traço nas pesquisas. Não está aparecendo em lugar nenhum.

E aí você vai dizer, mas por que esses imbecis não fecham com o Cleitinho? Que, enfim, tá muito melhor colocado, tá no momento parece favorito. Aparentemente eles não levam muita fé no fôlego do Cleitinho. Eles acham que o Cleitinho pode estar aí um pouco como o Russomano sempre aparecia em pesquisa de São Paulo, que ele começava liderando tudo e no final não ia nem pro segundo turno. Cleitinho que é do Republicanos, né? Ele é do Republicanos, exatamente.

Então, primeiro, aparentemente, tem Bolsonaro, isso que não acredita muito no fôlego dele. Acho que o Cleitinho tem muita visibilidade, ele é um cara com uma presença de rede gigantesca, então ele teria essa vantagem inicial, mas talvez não se garantisse. A outra questão relevante é que o Nicolas Ferreira é contra o Cleitinho.

O Nicolas aparentemente encara o Cleitinho meio como rival nesse ecossistema virtual da política de Minas Gerais. Os dois são fenômenos de rede. E, como eu disse, o Cleitinho é aliado à direita, em geral, mas não é um cara que está sob ordens do bolsonarismo, necessariamente. Então, ele já apoiou projetos de esquerda em outras questões. Ele já falou mal da jornada 6x1, por exemplo.

Ele é um cara mais populista no sentido mais amplo da coisa do que um cara orgânico ali do bolsonarismo. Então, aparentemente, o bolsonarismo não considera ele muito confiável. Não considera muito que ele seguiria o que os bolsonaristas mandariam.

E os bolsonares também não querem apoiar o Matheus Simões, que é o candidato do Zema, por considerar ele fraco. Então, por exemplo, vocês devem ter visto, algum tempo atrás, teve aquela controvérsia de que tiraram fotos de umas anotações do Flávio Bolsonaro sobre o planejamento das alianças estaduais. E, aparentemente, do lado do nome do Simões estaria a frase me puxa para baixo.

dizendo que ele seria um candidato ruim. O Simões ainda tem um inconveniente para os bolsonaristas de ser do PSD do Kassab. Ele foi eleito vice-governador do Zema pelo Partido Novo, pelo que eu vi, e depois se filiou ao PSD no ano passado para justamente viabilizar a sua reeleição. Quando o Zema saísse, enfim, ele assumiu o governo agora, é o governador desse final de mandato.

Então, enfim, de um lado, o bolsonarista, eles até poderiam fechar com o cara que está em primeiro lugar na pesquisa, mas por uma série de motivos, eles até agora preferiram não fazer isso. Eu, pelo menos, acho surpreendente eles não fazerem. Para a minha lógica, seria eles fecharem com o Cleitinho, mas até agora não sinalizaram interesse em fazer isso, senão muito pelo contrário.

E do lado do Lula, o Lula vem insistindo na história de lançar o Rodrigo Pacheco para candidato ao governo de Minas. Aí vocês vão perguntar, o mesmo Rodrigo Pacheco que na semana passada foi citado aqui como o cara que o Alcolume queria emplacar no STF e por isso não aprovou o Messias? Exatamente, o mesmo Rodrigo Pacheco. Então, eu disse que estava confuso, está confuso.

Só que o Pacheco, dando mostra da sua estatura como estadista, não dá sinal de vida, não diz que quer ser candidato, que não quer ser candidato, e resolveu estabelecer um prazo até o final de maio para decidir se ele vai ser candidato. E aí as especulações estão selvagens aqui. Se ele está fazendo isso porque ainda acha que pode ser indicado para o STF, o que eu não acredito.

Ou se ele acha isso pra saber se o Cleitinho vai desistir, se os bolsonaristas vão conseguir fazer o Cleitinho desistir, porque, de fato, se os bolsonaristas conseguirem derrubar o Cleitinho, a eleição é outra, né? E Pacheco, que também mudou de partido, ele era do PSD e do Kassab. Como o governador que assumiu o Simões também é do PSD e do Kassab, o Pacheco foi para o PSB do Alckmin pra obter a legenda pra ser candidato ao governo do Estado, justamente. Exatamente.

E aí, resultado, as pesquisas de Minas Gerais que a gente está vendo até agora, portanto, são mais instrumentos para essa briga em cada um dos campos do que propriamente para prever o resultado da eleição, porque pode ser que nenhum dos candidatos que estão aparecendo competitivos aqui sequer sejam candidatos.

Só pra pôr mais um nome que é importante nesse jogo, é o do Alexandre Calil, que tá no PDT hoje em dia, que foi ex-prefeito de BH, e que pode vir a ser apoiado pelo Lula, porque o PT propriamente não tem candidato. Exato. Então o PT até agora, pelo menos, optou por não ter candidato. Então aí surge a questão. O que você faz se o Pacheco não topar? Teve...

ruídos na direção de gente fazendo sinalizações pro Cleitinho. O Edinho Silva do PT chegou a falar que não, não, não é pra fazer aliança, mas gostaríamos muito de conversar com o Cleitinho, conversar com essa base social, não sei o que lá, entendeu? Porque, enfim, é o que eu disse, o Cleitinho tá liderando as pesquisas. Mas isso tem uma chance pequena de prosperar. A opção plano B natural seria apoiar o Calil, que é do PDT.

Tem dúvidas dentro do PT sobre a viabilidade eleitoral do Calil para ganhar a eleição. Mesmo que ele tenha um bom desempenho, a chance dele entregar para o Lula os votos que o Lula precisa em Minas Gerais, mesmo que ele não ganhasse, mas, enfim, tivesse, sei lá, uma votação muito alta e entregasse muito voto para o Lula em Minas Gerais, já serviria. Mas tem gente que tem dúvidas sobre isso.

E uma outra opção seria lançar a Marília Campos, prefeita petista de contagem, um candidato do PT mesmo. Ela é um nome forte, ela tem bons resultados lá em contagem, é bem avaliada, mas ainda tem muita incerteza também sobre a viabilidade dela para o Estado. Então, Minas Gerais está um quadro completamente indefinido no momento. Agora, se vocês acharam isso confuso, vocês precisam ver como é que está a situação no Rio de Janeiro. No Rio de Janeiro?

O Eduardo Paes está com uma vantagem bastante razoável nas pesquisas. Aposta segura que o Eduardo Paes vai ganhar essa eleição. Mas por que a gente não pode também cravar isso com muita certeza? Porque, no momento, a principal questão da campanha eleitoral do Rio de Janeiro é quem vai ser governador do Rio de Janeiro até a eleição.

Por quê? Porque o segundo colocado nas pesquisas é o Douglas Ruas, o candidato dos bolsonaristas. A gente falou alguns programas lá atrás do momento em que o Cláudio Castro, que era o governador bolsonarista do Rio de Janeiro, esse mesmo cara que botou um bilhão lá no Master, ele renunciou e foi tornado inelegível pelo TSE. Por quê?

Porque ele ganhou em 2022 basicamente inventando emprego para todo mundo na máquina de Estado. Ele criou 27 mil empregos fantasmas na máquina de Estado e distribuiu para os seus aliados. O plano dos bolsonaristas é que o Douglas Ruas, que é o candidato deles esse ano, assuma o governo como presidente da Alerja.

E possa fazer a mesma coisa. E possa ficar os próximos meses todos inventando emprego fantasma, distribuindo dinheiro, distribuindo bondades para empresários aliados, para políticos do interior que são aliados, etc. De maneira a se viabilizar como candidato. E eu conheço gente que apoia o Eduardo Paes, que disse que se o Douglas Júlio estivesse entrado logo no começo...

Isso talvez acontecesse. O cara ia ter de fato a máquina pra quebrar até a eleição e aí depois quando quebrasse ele inventava qualquer coisa depois de ganhar. Foi secretário do Castro e é um policial civil, né? São Gonçalo. Isso mesmo. Então aí a dúvida é o seguinte.

já explicou aqui no programa passado o caos que é no Rio, porque o Castro renunciou, o vice dele foi para o Tribunal de Contas, a linha de sucessão uma confusão, de modo que está no STF para decidir como é que vai ser esse mandato tampão até a eleição. Os bolsonaristas querem uma eleição indireta que colocaria o Douglas Ruas com certeza no governo, e aí ele poderia sair distribuindo dinheiro para todo mundo e comprar a eleição, como o Cláudio Castro fez na eleição passada.

A turma do Eduardo Paes, obviamente, briga com todos os seus recursos para que isso não aconteça. O que o Eduardo Paes gostaria é de uma outra possibilidade constitucional, que era ter uma eleição direta antecipada, ainda em junho, provavelmente, e essa o Eduardo Paes ganharia no primeiro turno, com certeza. Se a eleição fosse hoje, ele levaria a essa, sem a menor dúvida.

Os bolsonaristas já conseguiram atrasar o processo o suficiente para essa alternativa estar meio inviável. Está muito em cima da hora, ninguém mais acredita muito que vai ter eleição direta antecipada. Então, o que parece ser uma solução de compromisso é o STF, que, como vocês já notaram pelos últimos programas, anda tendo seus próprios problemas, né? Não se meter nesse negócio e deixar o interino lá, que é o desembargador Ricardo Couto, governando o Rio de Janeiro até o dia da eleição. O desembargador Ricardo Couto...

aparentemente está fazendo um trabalho razoável. Ele é certamente o melhor governador que o Rio de Janeiro teve em muito tempo, mesmo se ele não tiver feito nada. Mas ele até que fez algumas coisas. Por exemplo, ele já extinguiu 1.600 cargos públicos no governo do estado do Rio de funcionários fantasmas, alguns dos quais não tinham nem crachá e nem senha para usar o sistema. Ou seja, esse cara é um funcionário fantasma tão vagabundo que não foi nem lá tomar posse para fazer um crachá, registrar o nome dele lá e pegar uma senha...

voltar pra casa. Se vocês acham que a história não tá bizarra o suficiente, o Otávio Guedes, da Globo News, revelou que tem gente na Assembleia Legislativa que diz que se o desembargador não parar de caçar fantasma, eles vão divulgar as amantes de desembargadores que são funcionários fantasmas na Assembleia Legislativa. Então vocês veem que realmente pra esse ano pra competir com o Rio de Janeiro em termos de caos institucional, a coisa tá difícil.

De qualquer maneira, como a solução mais provável é o desembargador ficar lá até o dia da eleição, o Douglas Juiz não deve poder contar com a máquina estadual para fazer a campanha dele, o Eduardo Paes é franco favorito para ganhar a eleição no Rio de Janeiro. Isso quer dizer que o Douglas Juiz não vai ter função nenhuma? Não vai. O que ele provavelmente vai fazer nessa campanha é tentar...

atacar ao máximo o Eduardo Paes pela proximidade dele com o Lula para tentar impedir o Eduardo Paes de fazer campanha para o Lula. O Rio é um dos territórios mais contestados da eleição. Então, se o Eduardo Paes ganha no Rio com grande folga e entregando voto para o Lula, o Lula tem grande chance de ganhar a eleição presidencial. Então, provavelmente, a função do Douglas Ruiz vai ser impedir que o Eduardo Paes feche demais com o Lula, tentar atacar o Eduardo Paes como petista, sei lá, defensor de ideologia de gênero.

Alguma palhaçada dessa, um negócio desse Pra ver se freia A aproximação do Paes com o Lula Mas o quadro é esse E o quadro é o caos

Ô Celso, e tem mais um personagem aí que tá habilitado agora novamente, que é o garotinho, que tá no Republicanos. É, pois é, porque se você achou que não tava ruim o suficiente a história, chegou o garotinho. Ele tava inelegível, porque o TSE tinha mantido a condenação dele por corrupção eleitoral, associação criminosa. E mais tudo que tinha lá no Código Penal.

relativas à eleição de 2016 em Goitacazes, né? Em 2016, eleição municipal. Mas o Cristiano Zanin anulou a condenação no final de março agora. Que beleza. Por considerar as provas ilícitas. Isso habilita o garotinho, ele volta a ser ficha limpa, oficialmente, perante a justiça. Pois é. E pode ser candidato a governador também. O garotinho é um personagem que tem voto.

Ele tem voto, ele tem uma base no interior, ele tem, enfim, um pessoal que gosta dele. Ele é uma... virou uma figuraça de internet, assim, ele faz uns vídeos denunciando todo mundo, inclusive umas coisas que ninguém sabe se é verdade, mas enfim. É. Então, assim, eu acho que o principal efeito do garotinho provavelmente seria dificultar uma vitória do Paz no primeiro turno.

porque se ele consegue uma votação expressiva ele pode dificultar isso e aí vender apoio no segundo mas a princípio a eleição tá mesmo com cara de ser meio nacionalizada mesmo de ser o Eduardo Paes como candidato do Lula e o Douglas Jus como candidato do Flávio

Muito bem. Ana Clara, você tem o desafio agora, depois dessa entropia crescente que vai de Minas ao Rio de Janeiro apenas. Vamos falar da minha choupana, do estado que você abandonou. Você sabe que a minha candidata a governadora é você, né? Qual estado for? Todo mundo me quer, né? No Rio, em São Paulo, nossa. Vamos falar de São Paulo, Ana.

Bom, São Paulo hoje está numa situação bem particular, que é essa possibilidade de vitória do Tarcísio no primeiro turno e que está neste momento nas mãos do Kim Kataguiri. Se o Kim Kataguiri, por um acaso, desistir de se lançar candidato ao governo pelo Missão, que é o partido deles, o recém-criado.

ou desidratar fortemente, as chances de o Tarcísio ganhar no primeiro turno são grandes. É curioso que uma das principais questões na cidade de São Paulo, principalmente, no estado como um todo, mas sobretudo na cidade,

seja a sensação de insegurança, né? Embora o governo ostente números de que houve queda de homicídios, de que há uma baixa histórica, de que houve queda no latrocínio, nos roubos e tal, a sensação de insegurança da população é muito grande, sobretudo por esses roubos de celular, de aliança, né? O roubo de aliança tem ganhado muito espaço na mídia recentemente.

Então, embora haja essa sensação de insegurança muito patente, isso não se converte em popularidade para o Tarcísio, que é o responsável pela segurança pública. E aí eu não estou falando nem da matança que ele promoveu desde o início do mandato dele em regiões periféricas, mas o que é um enigma é entender como que a população não associa ao Tarcísio a sensação de insegurança que ela sente, né?

Ele não deve isso necessariamente ao ex-secretário de Segurança Pública dele, Guilherme de Ritchie, que se tornou deputado federal quando o bolsonarismo ascendeu, né? Era um PM da rota, enfim, daquela turma mais violenta, com várias mortes não explicadas nas costas.

e se tornou secretário de Segurança Pública do Tarcísio, fez uma política de segurança pública totalmente deturpada e saiu, voltou para a Câmara dos Deputados. Na verdade, além de ter voltado para a Câmara, ele mudou de partido, foi para o PP, o partido do Ciro Nogueira, se aproximou muito dessa turma do PP e quer se candidatar ao Senado, mas o Tarcísio não quer apoiá-lo.

Numa indicação de que o PP e o PL não estão na mesma página nessa eleição em São Paulo, o PP deve lançar o The Hit e o PL vai lançar o candidato dele, que é o André do Prado, que é o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo. O André do Prado é um cara que se aproximou muito do Tarcísio e tem o apoio do Tarcísio para o Senado.

A relação entre o Derrite e o Tarcísio se desgastou muito ao longo do governo e o Tarcísio não tem nenhuma intenção de colocar o nome dele junto com o do Derrite. Ele quer o André do Prado, que é o candidato do PL agora, o pré-candidato do PL. E quer o candidato do Eduardo Bolsonaro também, da família Bolsonaro. Exato, não, ele fechou a candidatura dele com a bênção do Eduardo Bolsonaro.

Esse André do Prado está em quarto mandato de deputado estadual. É um cara que fez carreira como deputado estadual ali. Ninguém conhecia, não tinha relevância nenhuma. Foi vereador e prefeito de Guararema, no interior de São Paulo e tal. E é um político estadual que agora virou o preferido dos bolsonaristas numa disputa interna grande ali, né, Ana? No campo dos bolsonaristas. É, e ele teve muito apoio do Tarcísio nesse caso. Essa dupla diminui muito as pretensões do Ricardo Salles, por exemplo.

Sem dúvida. A questão é que o André do Prado, parte relevante desse apoio que ele teve para ser o candidato dos Bolsonaro, tem a ver com o Tarcísio também. Porque o Tarcísio apoiaria o André do Prado, o que dá na urna uma certa vantagem para ele, já que o cara corre o risco de ganhar no primeiro turno.

Isso foi um fator preponderante para o PL escolhê-lo, porque mostra que o bolsonarismo não está junto com o The Hit nesse momento. Agora, o André do Prado é um cara do Tarcísio há vários anos já, desde o início do governo. Tanto que quando estava naquela situação, será que o Tarcísio vai ou não vai sair candidato a presidente? Será que ele vai peitar o Bolsonaro ou não? Naquele momento...

a vaga de governador de São Paulo estava gerando disputas na direita, né? Sobre quem seria o candidato do Tarcísio ao governo do Estado, caso ele fosse. E já naquela época, o candidato do Tarcísio ao governo de São Paulo, se ele fosse para a candidatura presidencial, seria o André do Prado do PL. Então, em São Paulo, está se consolidando aquelas primárias da direita que a gente já falou no âmbito da eleição presidencial, com o derrite em desvantagem.

E assim, a desvantagem do Derrite não é pelas razões corretas, né? Não é por ele ter sido um secretário de Segurança Pública incompetente, mortífero, que deturpou a hierarquia na polícia militar e na polícia civil. É um fascínora, desde a época da rota. Foi expulso da rota por excesso de... Não é por isso que ele não está sendo apoiado pelo bolsonarismo, tá? Isso eu já estava dando de barato que não era.

A questão é que não consideram ele um cara confiável. E ele, em pouco tempo, no executivo, ele acumulou alguns esqueletos. Entre os esqueletos, a casa de 3 milhões de reais que ele está construindo num condomínio de luxo em São Paulo. Vive por aí de helicóptero, de jatinho, com os caciques do PP.

e se distanciou, de certa forma, do bolsonarismo em razão dessa nova turma que ele arrumou, né? Então, é por isso que ele está em desvantagem, não é pelo que ele deixou na Secretaria de Segurança Pública. A grande vantagem dele, a meu ver, é o discurso do policial linha dura.

que pega na população. Hoje, tudo que as pessoas querem ouvir é bandido bom, bandido morto, essas coisas que ele entrega. E pelo lado do Lula, do PT e do Haddad, a gente deve ter duas candidaturas fortes também. A da Simone Tebbit, que inclusive aparece liderando as pesquisas nesse momento, embora as pesquisas pro Senado devam ser vistas com muitas ressalvas tão antes da eleição, que é o cargo mais difícil de você...

acertar antes, ainda mais quando tem duas vagas, mas tem duas candidatas fortes, que é a Simone Teviti e a Marina, que é da rede, ex-ministra do meio ambiente, então você vai ter uma eleição grande, faz muita diferença São Paulo eleger a Marina ou eleger o Derrite, e é disso que nós estamos falando.

Bom, a gente vai voltar a esse assunto daqui em diante, vamos falar de outros estados, vamos acompanhar agora cada vez mais com lupa as eleições. Para os executivos e para o Senado principalmente, para o Legislativo, estamos com esse compromisso até...

outubro com vocês. A gente encerra o segundo bloco do programa. Faz um rápido intervalo. Na volta, vamos falar do encontro entre Trump e Lula nesta quinta na Casa Branca. Já voltamos.

Muito bem, estamos de volta. Ana Clara, vamos começar com você. O encontro entre o Trump e o Lula ainda ocorre enquanto nós estamos gravando o programa, mas você tem várias apurações de bastidores, de como foi preparado o encontro, do que ocorreu nessa preparação feita às pressas. E eu quero te ouvir sobre isso.

Bom, Fernando, a intenção para que esse encontro acontecesse já tem alguns meses, porque a gente precisa lembrar que a última vez que eles se encontraram foi na Malásia, no final do ano passado, e ficaram de se encontrar que houvesse uma visita do presidente Lula à Casa Branca. O governo brasileiro pediu para que esse encontro acontecesse em março. Como em março foi quando eclodiu toda a situação no Irã?

A pauta, sobretudo dos Estados Unidos, virou completamente e o assunto meio que ficou engavetado. E aí a gente volta para agora, né? O assunto ter sido desengavetado neste momento tem mais a ver com o Brasil do que com os Estados Unidos. Houve um esforço da diplomacia brasileira.

para que esse encontro fosse viabilizado agora, meio de bate-pronto, não havia uma expectativa de que fosse agora. E no indicativo de que o Brasil queria esse encontro para agora, o Joesley Batista, segundo a apuração da agência Reuters,

intermediou parte das negociações para que esse encontro acontecesse agora. O Joesley tem uma proximidade com o governo Trump, que é, enfim, acho que nenhum empresário brasileiro chega perto disso. Ele já foi recebido pelo Trump no ano passado. A JBS comprou a Pilgrim's Pride, que é uma das maiores empresas dos Estados Unidos, que doou 5 milhões de dólares para a cerimônia de posse do Trump.

A JBS Estados Unidos emprega 70 mil pessoas. Eu, quando estava em Washington no ano passado, apurando uma reportagem que eu fiz sobre o tarifácio, sentei para conversar com um presidente de um sindicato de funcionários do varejo, do comércio lá em Washington, que inclusive é americano, mas já morou no Brasil. E ele me disse que do sindicato dele, a JBS era a maior empregadora dos filiados ao sindicato dele, por exemplo.

Então ele tem todo um ativo ali para negociar e ele se aproximou muito da chefe de gabinete do Trump, que é a Suzy Wiles, e o Joesley foi recrutado nesse momento para interceder para que esse encontro acontecesse. E eu acho que a gente tem que posicionar esse encontro...

dentro da nossa agenda interna, porque ele não é um encontro só de agenda externa. Pelo contrário, ele hoje é um encontro mais de agenda interna do que qualquer outra coisa. A pauta principal de discussão entre os Estados Unidos e o Brasil, segundo o governo brasileiro, é a questão do crime organizado. Óbvio que é um assunto de interesse nacional, enfim, não é um assunto lateral para a gente. Mas, coincidentemente, esse tema é um tema fundamental de campanha, né?

de percepção da população é um tema fundamental da direita. E você pegar um governo como o governo Trump e um governo como o governo Lula. Quais são os pontos de intersecção entre esses dois governos? São poucos. E um dos pontos que o governo encontrou foi esse. Então é esse ponto que eles querem explorar.

Agora, essa reunião ter acontecido na ressaca de uma derrota importante que o governo teve na semana passada, talvez a principal derrota que ele tenha tido nesses quatro anos. Sem dúvida. Esse crescimento do Flávio nas pesquisas, né?

Você querer virar a agenda para uma agenda em que o Brasil está propondo algo com os Estados Unidos, em que você está intensificando laços com os Estados Unidos para tentar neutralizar a atuação da família Bolsonaro lá, porque a gente sabe que eles continuam lá, enfim, o Eduardo continua lá articulando. Então, assim, nesse cenário que a gente se encontra hoje na política interna,

A política externa entra quase como uma boia de salvação. Agora, tem alguns outros pontos que fogem dessa pauta do combate ao crime organizado. E é a pauta do comércio internacional, que também é de interesse dos dois governos.

Nos últimos dias, houve uma desavença do Brasil com os Estados Unidos na OMC sobre uma questão tarifária sobre comércio eletrônico. É uma questão bem técnica e que houve uma divergência grande do Brasil o representante de negócios dos Estados Unidos, que é o Jameson Greer.

que atuou muito nessa discussão do tarifácio, foi pessoalmente na reunião da OMC, coisa que não acontece sempre, porque os Estados Unidos não estão mais nem aí para a OMC. Ele foi pessoalmente no encontro, então assim, ele ficou extremamente irritado com o fato do Brasil ter divergido e nos bastidores até ameaçou voltar a atacar o Pix e tudo mais. Então assim, tem essa pequena rusga ali que está acontecendo e que é recente e que o governo quer tentar atenuar.

E ainda nesse âmbito do comércio internacional, embora o tarifácio tenha acabado para o Brasil, para a maior parte dos setores da economia brasileira, tem a sessão 301 ainda sobre o Brasil, que fala sobre tópicos que os Estados Unidos listaram como anticoncorrenciais, no caso do Brasil. Então a questão da 25 de março, a questão do Pix, enfim, etanol, que é uma briga antiga.

Então, tem esse assunto também, que é um assunto importante para o Brasil, porque essa investigação pode ser usada para causar algum prejuízo, sobretudo no caso do PIX, né? Que a gente já viu que tudo que se relaciona ao PIX pode causar um estrago imenso. A gente vai saber exatamente o que aconteceu mais tarde e a gente volta aqui para falar para vocês.

Oi, pessoal, estou voltando rapidinho aqui para falar um pouco sobre o que foi conversado na reunião entre o Lula e o Trump. Eles falaram sobre acordos de cooperação para debater o combate ao crime organizado. Eles falaram sobre a questão das tarifas e possíveis acordos comerciais. De terras raras também chegaram a conversar até sobre a Copa, mas não falaram sobre o PIX, porque o Trump não trouxe esse assunto à mesa, segundo o Lula disse depois numa coletiva.

Depois desse encontro, tanto o Hula quanto o Trump publicaram declarações nas redes sociais muito positivas em relação ao que foi discutido. E o governo parece que saiu muito satisfeito com esse encontro. Não teve nenhuma intercorrência, nenhuma saia justa. E é isso. Ficou tudo na paz. Tchau, pessoal. Celso, deixa eu te ouvir sobre esse encontro.

Pois é, como disse a Ana, esse encontro com o Trump pode ser uma boa chance para o Lula se apresentar como governante, como estadista depois da derrota do Senado. Afastar a impressão de que ele virou pato manco, ele virou refém do Congresso e que não consegue mais fazer nada e pronto. A política externa não depende do Alcolumbre, certo? Então é uma área em que ele tem maior margem para atuar livremente.

As pesquisas eleitoras até agora indicam que o apoio do Trump atrapalha mais do que ajuda um candidato. Mas isso aí tem que tomar um certo cuidado com isso. Primeiro, o Lula não está buscando o apoio do Trump, que também é a possibilidade dele conseguir o apoio do Trump, e ele não quer mesmo de qualquer maneira. Ele só quer uma conversa e a normalização das relações depois da tentativa de golpe por tarifácio. Tem o objetivo de neutralizar possíveis sabotagens ao processo político brasileiro.

Exato, e aparentemente todo mundo aí no establishment brasileiro resolveu esquecer que teve tarifácio, que o bolsonarismo organizou aquilo, e todo mundo resolveu tratar a candidatura bolsonarista como uma coisa perfeitamente normal, como um negócio legítimo, etc.

Agora, o efeito do Trump apoiar o Flávio, poderia ser ruim para o Flávio, mas o efeito do Lula conversar com o Trump pode ser completamente diferente. Porque para o Flávio receber apoio do Trump, é você se associar ao tarifácio e, sobretudo, você aparecer como um cara ultra radical, como um cara que é apoiado por essa...

essas questões de extrema-direita internacional, etc. Como o Lula é insuspeito de participar da direita internacional, para ele conversar com o Trump sinaliza o contrário, sinaliza a moderação, a abertura ao diálogo, esse tipo de coisa. Muita gente que não gosta do Lula elogia a atuação dele diante do tarefaço.

que ele bancou não ceder, né? Que tinha muita gente pedindo pra ele ceder, que não sei se todo mundo se lembra disso. Mas tinha um monte de gente reclamando que o Lula não tomava a iniciativa de oferecer uma coisa qualquer pro Trump, de ligar pra ele antes de qualquer coisa. O Tarcísio foi um dos primeiros a falar isso. Foi um dos primeiros a falar isso, todo mundo na direita falava, o pessoal meio isentão também falava. A estratégia do Lula acabou se mostrando acertada.

É exatamente aquilo que ele está querendo resgatar, né? Essa imagem de um cara que lidou com uma crise dificílima como um estadista hábil. Então ele sabe que isso foi um ponto forte do governo dele e está tentando voltar a lucrar com isso, no mínimo, por relembrar a opinião pública de que isso tudo aconteceu e dos resultados que tiveram, né?

E a outra questão principal que a Ana falou é o combate ao crime organizado, que é algo que para o Trump é muito importante. Ele vive falando, por exemplo, contra os cartéis mexicanos, que dizem que estão os caras que estão botando fentanil lá nos Estados Unidos, que estão enchendo os Estados Unidos de drogas, etc. Foi um ponto importantíssimo da campanha dele. Então, o Brasil entregando para ele, olha aqui, tem mais uns cartéis aqui para você combater, isso pode valer para o Trump. E...

Para o Brasil também é bom, porque sejamos honestos, essa questão de crime organizado internacional realmente vai ter que ser combatida internacionalmente. Essas quadrilhas não se limitam às fronteiras de um país só, então realmente vai ter que ter alianças desse tipo e não só com os Estados Unidos, para controlar o fluxo internacional de drogas, para controlar o fluxo internacional de dinheiro, sobretudo. De modo que isso tudo pode ser, em tese, equacionado de uma maneira satisfatória. A grande questão é a seguinte, e se o Trump surtar?

Porque eu acho que esse era o medo de todo mundo na esquerda. Tinha gente na esquerda que tava até meio ok com isso, porque se surtar o Lula reage e sai como antiimperialista e tal. Mas eu não acredito muito nisso não. Porque de fato, assim, o Trump não é o cara mais estável que a gente conhece, né? Então, assim, tem casos daquele que ele emboscou gente na Casa Branca, como ele fez com Zelensky ou com Ramaphosa da África do Sul.

Alguns desses episódios parecem ter sido planejados, mas os elencos, sobretudo, a coisa parece ter escalado ali no meio da hora. E aí o risco do Lula seria, naturalmente, passar por um vexame desse tipo. Mas isso parece ter sido afastado, porque a imprensa concordou em não assistir a reunião dele com o Trump. Houve uma mudança de protocolo, que normalmente essas reuniões são feitas na frente do...

dos jornalistas e não está sendo, nesse caso. E seja lá qualquer discordância que tenha sido feita, se não for transmitida ao vivo e com margem a virar meme ou coisa que valha, pode ser melhor administrada. De modo que, enfim, não é pra ninguém ter expectativa que isso aqui vai virar eleição ou que vai não sei o que lá, política externa não vira eleição. Esse caso de política externa é um caso muito específico, porque a gente está vindo do tarifácio, que era uma questão que afetava bastante a população brasileira, que poderia ter causado um dano econômico gigantesco ao Brasil, então não é um episódio qualquer de política externa.

Mas assim, eu acho que a questão é menos o Lula achar que isso aqui vai fazer ele disparar nas pesquisas, porque obviamente não vai, e mais voltar a fazer o governo dele voltar a funcionar como governo normal, né? Exato, é num horizonte de contenção de danos, né? A expectativa realista é essa. Se você conseguir fazer com que o Trump não barbarize demais, ou não barbarize, o que eu já, daí já acho que é um otimismo do qual eu não participo, mas você sai ganhando.

Agora, desde o tarifácio, que a gente vê uma mudança consistente do uso da política externa pelo governo Lula, que no início do governo usou a política externa muito para projetar o seu governo e projetar a própria imagem do Lula como um player da discussão global, dos temas globais, e enfim, falar da Ucrânia, falar de tudo que estava acontecendo no mundo, para uma política externa com função interna, né? Desde o tarifácio, parece que...

É muito claro essa transição Faz todo sentido Do uso da diplomacia, né? Nesse caso Agora é hora do Lula, depois dessa viagem Voltar e cuidar do seu jardim aqui Bom, a gente encerra O terceiro bloco Vamos fazer um rápido intervalo Na volta Já voltamos

Muito bem, estamos de volta. E hoje é um Kinder Ovo com aniversário, que a diretora faz aniversário, ouvintes. Hoje, quinta-feira, quando gravamos. Mari Faria, parabéns a você. Parabéns, Mari. Parabéns. Diretora trabalhando aqui, duro no batente, no dia do aniversário. Não é todo dia que a gente faz 25 anos, diretora. E a gente dando trabalho pra ela. Vamos lá, pode soltar.

Eu intervi em relação a Débora. Para que você transforme o caos e a oportunidade nos dias mais tristes, nos capítulos mais importantes, não se posiciona como vitimista. Até brinquei com ela. Faça do limão uma limonada. Se você escreveu, usou um batom, por que você não monta uma linha de batom e sobreviva? Que bolsonarista é esse aí? É possível. Eu sei quem é.

Jorge Seif. É que não parece o Luciano Huck, mas pelo tipo de raciocínio, faz do batom uma batonada. Vamos ganhar dinheiro com o batom. Não poderia ser. Ah, desisto. Quem é, Fernando? Ah, eu não ia adivinhar.

Pré-candidato à presidência da República pelo Avante, Augusto Cury. Puta que... Entrevista à CNN. Augusto Cury é esse... Escritor, é. Esse pertalhão da autoajuda, né? Faz uma empresa de batom. Tá vendo, Celso? Meu Deus do céu. Débora também, desse jeito, vai evoluir no salário. É. Tudo bem, derrota. Porra. Diretora, foi pra você ganhar, né? Tudo bem. A gente perdoa porque é seu aniversário. Feliz aniversário, Marfalia.

Bom, vamos agora para o melhor momento do programa, o momento das cartinhas, o momento de vocês. Eu começo então com a mensagem da Rosemary dos Santos. Havia tempo que não ouvia o foro, não pelo foro, mas por considerar que a minha saúde mental deveria se afastar da insanidade instaurada no Brasil e no mundo.

Porém, para entender o porquê da rejeição de Jorge Messias, resolvi ouvir, e como sempre, sem arrependimento. Ana Clara maravilhosa nas suas colocações esclarecedoras. Celso e Fernando na mesma admiração. Resumindo, amo vocês, apesar de às vezes preferir me alienar. Parabéns, foro.

Obrigada, Rosemary. Valeu, Rosemary. Muito obrigado. Eu também preferia me alienar, Rosemary. Mas eles não me deixam. Celso e Ana não me deixam me alienar. Tenho que ouvir coisas horríveis ao longo de duas horas de programa. Vocês só tem uma. A gente grava duas.

O Vitor Piazzarolo comentou, depois de ouvir o episódio passado, estava em êxtase pelo show da Shakira em Copacabana. Agora estou em depressão, pensando no futuro do Brasil. Poxa, Vitor. A gente também. Pelo menos viu o show legal. Eu estava lá no show e vi o Hugo Mota. Que tal? Olha só. Ai, pelo amor de Deus.

Também sobre o programa passado, o Eduardo Marcelino escreveu. Galera que foram difícil de escutar. A luz no fim do túnel está cada vez mais longe, mas não vamos nos deixar abater. A única forma de não ficar triste é ficar puto. Cara, é exatamente minha filosofia de vida, Eduardo. É exatamente isso que eu acho. Em Putecidos seguimos então. Fortes abraços. Adoro vocês. É isso aí, Eduardo. Você fica puto mesmo e que vai fazer bem para a sua saúde mental.

O problema é que estamos todos pós-putos já, né? Ah, pô, então tem que ficar mais ainda. Putos, estávamos na pandemia. Sim. Bom, o que é bom termina, o que não é tão bom também acaba. E assim a gente vai encerrando o programa de hoje por aqui. Se você gostou...

Não deixe de seguir e dar 5 stars pra gente no Spotify. Segue no Apple Podcast, na Amazon Music, favorita na Deezer e se inscreva no YouTube. Você encontra a transcrição do episódio no site da Piauí. O Foro de Teresina é uma produção do Estúdio Novelo pra revista Piauí. A coordenação geral é da Bárbara Rubira. A direção é da Mari Faria, com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira. A checagem é da Ethel Rudnitsky. A edição é da Bárbara Rubira e da Mariana Leão. A identidade visual é da Amanda López.

A finalização e mixagem são do João Jabás e do Luiz Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabás e Rodrigues, que também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emília Almeida e do Fábio Brizola. O programa de hoje foi gravado aqui na minha casa, na minha showpana em São Paulo e no Estúdio Rastro do Grande Dani D no Rio de Janeiro. Eu me despeço dos meus amigos. Tchau, Ana. Tchau, Fernando. Tchau, pessoal.

Tchau Celso. Tchau Fernando. Tchau pessoal. Abração pra todo mundo. É isso gente. Uma ótima semana a todos. E até semana que vem.

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