Debate Africano
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- Crise dos fertilizantes e segurança alimentar na ÁfricaImpacto dos conflitos Ucrânia e Irão · Aumento dos preços dos fertilizantes · Insegurança alimentar grave · Quebra da produtividade agrícola · Impactos sociais e económicos · Banco Mundial · FMI
- Liberdade de ImprensaPior patamar em 25 anos · Jornalistas como alvos · Silenciamento da imprensa · Repórteres Sem Fronteiras (RSF) · Índice de liberdade de imprensa · Portugal · Noruega · Países Baixos · Estónia · Dinamarca · Suécia · Finlândia · Guiné-Bissau · Cabo Verde · Moçambique · África do Sul
- Respostas africanas à dependência externa e crises globaisAutossuficiência na produção de fertilizantes · Grupo OCP (Marrocos) · Dangot Fertilizer (Nigéria) · Produção local e adaptação aos solos · Redução de custos de transporte · Experiências locais em Moçambique, Angola, Tanzânia, Uganda, Quénia, Namíbia · Investimento em conhecimento local e capacitação · Produção por proximidade · Projetos angolanos de exportação · Custo logístico e distribuição ineficaz · Modelo português de produção de tomate · Organização de produtores (OPS) · Impacto dos fertilizantes nos custos operacionais · Indústria de fertilizantes em Angola · Estado angolano e subsídio a agricultores · Mecanização agrícola · Soluções verdes e biodiversidade
- Sistema internacional e geopolíticaConflito Ucrânia-Rússia · Conflito no Médio Oriente · Encerramento do Estreito de Hormuz · Líderes de guerra (Netanyahu, Trump) · Relações EUA-Irão · Encontro Lula-Trump · Encontro Trump-Xi Jinping · Papel da China nas relações com o Irão · Imprevisibilidade dos líderes · Guerra no Líbano · Hezbollah · Democracia e Estado de Direito em ataque
A análise dos principais assuntos da semana.
Hoje vamos olhar para os impactos que a esquecez e o consequente aumento dos preços dos fertilizantes estão e vão ter em África, devido a dois conflitos, Ucrânia e Irão, e para a liberdade de imprensa que anda por estes dias pelas ruas da amargura, tema para escutar apenas em podcast. Bem-vindos então a mais um debate africano com Sheila Khan, Tony Tcheca e Abílio Neto, assistência técnica de Diogo Axel, produção de Isabel Leonor e apoio de Paula Seixas Nunes.
Como se não bastasse o conflito entre a Ucrânia e a Rússia, o conflito no Médio Oriente com o encerramento do Estreito de Hormuz trouxe complicações acrescidas ao continente africano na aquisição de fertilizantes. O Banco Mundial fala num aumento médio de 30% dos preços ao longo deste ano.
O FMI diz que a atual situação pode colocar milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar grave em todo o mundo e a África está bem no centro. Tony Tchek, há três consequências que surgem em grande plano. A quebra da produtividade agrícola, insegurança alimentar e os consequentes impactos sociais e económicos. A África consegue dar a volta a este problema?
Bom, sou o dos rádio ouvintes e aos colegas. A questão que se coloca aqui, eu lembro que há uma máxima dos mais velhos, o mal nunca vem só. Acontece que em 2025...
sobretudo da ponta final do ano, os países da África subsaariana entraram em 2026 com uma capacidade, com um poder de encaixe, com uma série de conquistas do ponto de vista económico e social, que dava uma...
toda uma perspectiva de um tempo diferente para vencer as dificuldades. E a verdade é que isso foi acontecendo e os números falam por si.
A região tinha registrado o seu crescimento rápido para aí já há uma década, 10 anos, que chegou a uma escala 4.5 em 2025 e, portanto, vinha impulsionado e com aqueles desequilíbrios macroeconómicos foram acontecendo, mas houve toda uma gestão que foi permitindo que esses obstáculos pudessem ser demovidos.
E do ponto de vista da ação política, do ponto de vista de perseverança e um programa de base forte, permitiu que a inflação mediana tivesse caído aproximadamente 3,5%. Não é brincadeira, tendo em conta aquilo que era o panorama dos países africanos, sobretudo da África subsariana. E esta tendência foi se mantendo até que veio a guerra no Médio Oriente.
E com o conflito do Médio Oriente, toda aquela perspectiva, toda aquela visão que se tinha de haver a luz no fundo do túnel e que os programas estavam senzillamente implementados e que havia toda uma tendência favorável e uma ação política coerente.
começou, portanto, a desmaiar, começou a perder fogo. E isso tudo porque o conflito, portanto, do Mério Oriente, que muita gente, incluindo eu, chegou a pensar que seria sol de pouca dura, a verdade é que ganhou uma dimensão tal que ainda hoje continua e continuamos sem saber, sem perceber.
Até quando? A verdade é que toda aquela perspectiva, toda aquela força, toda aquela capacidade e as linhas políticas, portanto, registadas, foram caindo uma a uma ao ponto de não se conseguir, hoje, em 2026, debelar os problemas. E os números voltam a ser assustadores.
Assustador e de tal maneira que vai ser difícil, porque ninguém sabe até quando, como eu disse há bocado, até quando vai durar esta tragédia e se não haverá inclusive mais e mais países a serem envolvidos neste caso. É um caso difícil que atinge todos os vetores da economia.
e não há realmente uma conexão, mesmo a nível mundial, não há uma conexão com os países amigos, com as organizações internacionais, que já estão inclusive a lançar alertas, o Fundo Monetário Internacional, por aí fora, que estavam bastante otimistas e tinham feito leituras positivas de toda a ação da condução da linha política na África subsaariana, com ganhos enormes, inclusive a inflação a cair sucessivamente.
De repente surge esta tragédia, uma tragédia que é difícil de perspectivar. Qualquer analista, por mais habilitado que esteja, por mais experiência que tenha de lidar com os assuntos africanos, com os assuntos de economia, de desenvolvimento, neste momento, tendo em conta os atores principais.
tendo em conta, portanto, uma certa ação que vai contra linhas normais de condução, de direção política, a verdade é que não se sabe, ninguém sabe, nem os próprios atores que estão por detrás desta tragédia, desta guerra, que não tem fim e que...
Alvoir, desde há poucas horas atrás, voltou a ganhar uma outra dimensão, quando tudo fazia querer que, fazendo fé nas palavras do presidente, inclusive, norte-americano, que haveria condições para uma normalização da situação, a verdade é que, desde ontem, nós estamos com uma dorzinha aqui a apertar-nos na barriga porque estamos a prever que vamos estar.
numa situação de tragédia. E aí, os elementos mais fracos, os atores mais fracos, são aqueles que vão sofrer mais. Portanto, tudo o que vinha sendo feito, o êxito conseguido na ponta final de 2025, que foi bastante elogiado pelos analistas, pelos especialistas em assuntos africanos e também do desenvolvimento mundial, estavam...
Estava perfeitamente em sintonia e de acordo, dando luz verde à ação, que devia continuar. E estava a continuar até esse momento, esse malfadado momento. E hoje, não sabemos, ninguém sabe, é difícil, de facto, fazer qualquer tipo de análise para concluir que daqui a um mês, daqui a um ano ou dois anos, vamos estar numa situação de normalidade. É difícil. É completamente imprevisível.
A imprevisibilidade total, até porque, percebendo pela linha discursiva dos principais atores, há um senhor da guerra, um senhor que está bem porque está na guerra, enquanto estiver em guerra comandando e dirigindo as suas forças, não vai ser chamado, portanto, aos tribunais, que é o líder israelita.
por detrás vai jogando. Ele não estava nada satisfeito. É dos elementos, mais que o próprio Trump, esteve de sintonia total com o que estava a acontecer neste preciso momento de finais de 2025 e todo este período de 2026. Portanto, ele sabe que isto não pode ser.
Para ele não lhe interessa, ele sabe que um ambiente de paz, de concertação, vai ser, portanto, uma tragédia, uma dificuldade para ele próprio, porque poderá ser chamado a qualquer altura para responder perante a justiça. Muito bem. Sheila, a África ainda tem capacidade de encaixe de mais este problema?
Bem, antes de mais nada, os meus cumprimentos aos nossos ouvintes e à equipa do debate africano. Eu estava a escutar o Tony Tchek e antes de ir diretamente à sua pergunta, eu acho que aqui é importante também caracterizarmos um pouco os dois conflitos, para também compreendermos
essa capacidade do continente africano de resposta a estes conflitos. Um que diz respeito à Ucrânia, 2022, e outro que diz respeito a este ano, 2026. Enquanto que o conflito, a invasão, a operação especial, como foi dito inicialmente, apelidada, exatamente, e que depois se tornou, obviamente e claro para toda a gente, uma invasão,
teve um impacto mais regional e teve um impacto mais ao nível dos fertilizantes, também das exportações de cereais. Ao passo que o que está a acontecer neste momento com o bloqueio dos treitormos tem um impacto, obviamente e claro, e todos nós estamos a sentir, global, 20% do petróleo passa por este...
por este estreito e, portanto, tudo aqui está concentrado neste pequeno nó, que é um circuito essencial para o mundo. E, portanto, essencial para o mundo ao nível do gás natural, do petróleo e também dos fertilizantes. E a África tem sido um continente que vai se... ...
renovando na sua capacidade de sobrevivência. Obviamente que, enquanto que durante a guerra, e que ainda continua, infelizmente, da invasão à Ucrânia, houve a possibilidade, e isso é importante dizer-lhe, de criar outros corredores e outros fornecedores. Estou aqui a pensar, por exemplo, na Índia, que conseguiu...
por colocar, encaixar em África o trigo, embora com restrições temporárias para exportação, França dentro do espaço da União Europeia, Estados Unidos e Canadá, Argentina e Brasil com o milho, Austrália com o trigo, especialmente para o leste africano. Neste momento, este estreito-tormos é efetivamente um bloqueio, um bloqueio terrível.
Agora, como eu estava a dizer, o continente africano é um continente que tem sido, pela sua estrutura, pela sua experiência histórica, um continente de se reinventar constantemente. Porque, obviamente, nós temos visto, ao longo dos tempos históricos, que é um continente que sofre.
e talvez seja um dos continentes que mais sofre com as alterações globais, com as alterações sistémicas, com as alterações climáticas. Dito isto, é importante também ver que o continente em si tem...
propostas. E eu, por acaso, tive esse cuidado para não olhar também para o continente como um continente passivo e, de certa maneira, parado no tempo. E o continente africano tem ali países que estão a trabalhar já há algum tempo numa tentativa de fugir à dependência externa. Dependência externa da Rússia, dependência externa e, de certa forma,
do Irão e dependência externa, obviamente, de outros países ocidentais. Quero, por exemplo, lembrar, Marrocos tem o grupo OCP, que é o maior exportador mundial de fosfatos. Isto é importante. E tem sido um motor enormíssimo e muito importante.
ao nível da autossuficiência no continente. Este grupo tem construído mega fábricas na Nigéria, na Etiópia, para efetivamente produzir fertilizantes. Um dos fertilizantes que são essenciais para a agricultura.
e para a vida agrícola no continente africano, que é a oreia, que tem em si este particular, esta característica essencial que é o azoto. O azoto é essencial para a agricultura.
E, portanto, não... E toda esta... Eu vou chamar a promoção dos gigantes de produção africanos têm tentado suplantar estas insuficiências que vêm, efetivamente, destas características e destas vivências de dependência externa. E, como eu estava a dizer, portanto, são a construção de megafábricas na Nigéria, na Etiópia, para produzir...
fertilizantes, isto é importante, adaptados especificamente aos solos locais, reduzindo, obviamente, e aqui isto é importante, os custos de transporte e, para não cair numa redundância, mas vou ter de cair, da dependência para mercados externos, como os mercados árabes, neste caso, e outros países. Também queria ressaltar...
um outro país, que é a Nigéria, que tem a Dangot Fertilizer, que é uma fábrica inaugurada, curiosamente, em 2022, e o governo gerente tem incentivado a produção de ureia, que é um outro elemento importantíssimo, como estava a dizer, local para substituir importações da Rússia e do Irão. A pergunta aqui é...
Isto é suficiente? Não Temos também outras experiências locais Que têm tentado aproveitar recursos locais Como o gás natural e minerais Como Moçambique e entre outros países Angola A Tanzania e Uganda Também têm trabalhado muito na questão da biodiversidade E soluções verdes Juntamente com o Quénia e Namíbia Agora há aqui uma questão importante Isto chega Aqui
Nós estamos a barrar aqui com uma situação que eu vou voltar a repetir-me, que é a questão da demografia, porque nós estamos a falar de um continente em que o peso demográfico é enorme, estamos a falar também de um continente cuja diversidade das suas realidades é enormíssima e diferente, e muitos países estão a lidar, obviamente, com as suas próprias situações internas de guerra, de conflitos, de corrupção.
E, portanto, quando juntamos esta experiência e todo este enquadramento global com aquilo que está a acontecer em muitos destes países, nós temos, de alguma forma, como alguns analistas chamam, a tempestade perfeita. Agora, nós também sabemos que o homem, a humanidade, é capaz de se renovar e de se reinventar. Quando foi o Covid, todos nós caímos numa espécie de...
de uma apatia e de uma ideia de fim trágico da humanidade, que não éramos capazes de nos recapacitarmos para dar resposta às nossas necessidades, e conseguimos fazê-lo. E o Tony Tchek bem o disse e mapeou e caracterizou muito bem.
E portanto, nós vamos, obviamente, todas estas crises, e os chineses dizem isso muito bem, as crises são uma forma, ou uma fórmula, de nos ajudar a repensar, a refletir criticamente sobre quais os passos a seguir e como fazer para não cair nos mesmos erros e nas mesmas armadilhas. Eu vou só aqui...
iniciar um pensamento que é importante, que é a questão de parceiros e daquilo que está a acontecer neste momento e que pode ser, talvez, uma janela de alguma esperança não querendo eu ser otimista. É o encontro entre Lula e Donald Trump. Ontem, que, pelos vistos, Donald Trump não teve nenhum tipo de...
atitude espalhafatosa e isso claramente percebe-se, porque Donald Trump está a perder, e está a perder quer em casa, com os americanos, e está a perder também na sua arrogância e na sua soberba, no que diz respeito à ideia de que Irã era um país menor e um país menos capaz.
E por outro lado, vamos ter no dia 14 e 15 de maio um encontro entre Donald Trump e Xi Jinping. E nós sabemos que a China tem estado de uma forma nos bastidores, mas a atuar como sempre faz, muito vigilante, muito atenta. E a China tem aqui um papel e uma relação muito forte com o Irã. E portanto nós temos aqui dois encontros que podem ajudar-nos também.
a criar uma espécie de um novo contexto, de um enquadramento que possa abrir o Estreito de Hormuz e efetivamente ajudar-nos a repensar novos horizontes e boas perspetivas nos próximos tempos.
Abílio, pegando aqui algumas palavras da Sheila, a dependência externa é um fator que agrava este problema dos fertilizantes. Há capacidade para quebrar este ciclo de dependência? Sim, há capacidade. Há capacidade e já começam a haver respostas desde a crise.
ocorrida por via da guerra ou da invasão da Rússia à Ucrânia, melhor dizendo. O mercado teve que se ajustar. As respostas foram muito rápidas. O nível de projetos, alguns deles estavam...
em stand-by e que foram acelerados, de certa forma. Para isso houve uma injeção de capital fortíssima. E interessa-me, para contextualizar o assunto e para se compreender mais ou menos o impacto, personalizar um pouco a minha abordagem ao tema e depois tentar...
ir buscar algumas especificidades que é para compreendermos a dimensão do que está aqui em causa. Eu vivo no Ribatejo e, é verdade, numa zona agrícola, a lesíria do Tejo, aqui a partir da alverca para cima, invade Santarém, Almarim, Alpiarce, etc.
as torres e já à beira de Tomar, é uma lesíria enorme e é, muita gente não sabe, um polo tremendo de desenvolvimento e de investigação agrícola em Portugal. É, tradicionalmente, por via da Escola de Agricultura de Santarém, mas também por via do Politécnico de Tomar e outros centros de...
de produção de conhecimento agrícola em Portugal. Mas para dizer o quê? Todos os dias estou com agricultores. Tenho ali a minha pequena tortulha em que falamos de futebol, mas também falamos da vida deles, da agricultura e da campanha agrícola. É quase constante na vida daquelas pessoas.
Falo diariamente com técnicos, com investidores, com produtores E para dizer o quê? Por exemplo, a produção de tomate aqui no Ribatejo Para nós compreendermos como é que as coisas funcionam
Os custos operacionais, enfim, estão divididos em... Começam logo pelas sementes, depois pelos fertilizantes, a mão de obra, os fitofármacos ou fitossanitários e terminam na energia. Estes são os cinco elementos para se conceber uma produção agrícola.
com custos já a pensar numa produção agrícola modernizada, muito contemporânea e aqui, de parte, põe-se toda a cadeia logística, que é a cadeia de abastecimento, que normalmente são divididos esses custos por fornecedores e pelos produtores.
Eu estou aqui a tentar ser o mais básico possível para chegar a uma conclusão e já vão perceber onde eu quero chegar. Portugal é o terceiro maior produtor de tomates para a indústria da Europa. 85% dessa produção está no Ribatejo, 90% é para exportação, concentra-se nesse mesmo Ribatejo seis polos industriais só para a transformação do tomate.
industrial, que vão desde empresas multinacionais japonesas, alemãs, americanas e depois também uma grande empresa portuguesa, como é a Sugal, que é uma multinacional portuguesa e que nem sequer se ouve falar da sua existência e nem sequer se tem a noção do impacto que ela tem no mercado de tomate para a indústria. Portugal fatura 250 milhões só com a produção de tomate na Lesíria do Ribatejo. 250 milhões de euros.
O volume, 2 milhões de toneladas produzidas de média por ano nos últimos 10 anos. O interessante aqui é perceber como é que era 30 anos atrás. E olhar para Portugal há 30 anos atrás, que tem uma espécie de perfil de produção agrícola, de produtor agrícola, de investidor agrícola, muito parecido com o nosso perfil atual.
92% dos produtores eram fundamentalmente famílias, pequenas empresas familiares, que nem sequer eram empresas, eram no essencial produção para consumo e para venda local, nem sequer pensado em projeção, a dimensão nem regional nem sequer nacional, isto era assim há 30 anos.
Com a entrada de capital e de investidores, e sobretudo com o estímulo da localização do agronegócio na zona ribeirinha do Tejo, tudo se transformou. Passou-se a fazer uma produção altamente moderna.
virada efetivamente para uma indústria que existe e para a exportação. No entanto, olhando para a região e também para o todo nacional. O que importa aqui perceber é que existindo esse polo, que é um polo naturalmente de excelência, que é classificado até pela União Europeia,
rapidamente a multiplicação de negócios fez. Foi-se ampliando pela região, foi-se ampliando pelo Sequeiro no Alentejo e foi subindo até para zonas mais próximas do Mondego. Isso é interessante perceber como é que essas dinâmicas funcionam e como é que elas se organizam. E a partir de determinado momento houve a necessidade dos produtores se organizarem.
E o essencial, para se compreender, a razão da junção dos produtores e organizações de produtores, como chamam aqui na zona do Ribatejo, as OPS, foi fundamentalmente para custear aquilo que não existia em quantidade suficiente dentro dos custos operacionais em Portugal, que eram os fertilizantes.
que eram os fertilizantes. Para se ter a noção do impacto dos fertilizantes nesses custos operacionais, que são 5,6 euros de média por hectare, para fazer uma campanha, o investimento que um produtor tem que fazer para fazer uma campanha agrícola de tomates de transformação, ou de tomates para a indústria, aqui na zona do Ribatejo.
Desde a guerra da Rússia, por causa do OREIA, acresceu-se só em fertilizantes mais de 1.200 e 1.500 euros, os custos de produção fixos são de 5.600. Está bem a dimensão de quase um terço dos custos a serem levados pela indústria de fertilizantes.
O que é que isto quer dizer na perspectiva dos nossos países? Tentando olhar para Angola, que está a fazer um esforço tremendo, e eu vou ser específico para não fugir da conclusão a que eu quero chegar e o panorama que eu quero, de alguma forma, ilustrar e partilhar com os nossos ouvintes, o caso angolano é um caso muito interessante.
Porque uma das preocupações estratégicas de Angola, já de algum tempo por aqui, é tentar instalar uma indústria de fertilizantes no país. Nesta altura tem uma que está em funcionamento a meio gás, na zona do corredor de Lubito, que faz todo sentido e compreende-se porquê ela está ali. E porquê são investidores internacionais, com parceiros nacionais angolanos, a fazer esse investimento. E outra na zona do Zaire, que também na zona ribeirinha do corredor de Lubito, que é uma segunda...
de maior dimensão e que está projetada para iniciar a sua produção em 2027. Angola só tem instalado a capacidade de produção de fosfatos para fertilização, 3% daquilo que é a sua necessidade de consumo de fertilizantes que tem, 3%, tudo o resto é importado.
E é preciso compreender, e aqui é interessante pensarmos nisso, isso é já olhando para o todo da agricultura angolana e lendo os relatórios da ADRA, mas também os relatórios do Instituto Nacional de Estatísticas, e a Angola trabalha muito bem esses dados, e eu tenho que estar desde aqui os parabéns a essas duas instituições por trabalharem de forma tão...
essa dimensão, já olhando para a pertinência de produção de dados para a indústria e para o investimento, e dizer que, nesta altura, já entrando uma das fábricas em funcionamento...
a Angola consegue cobrir 20% das suas necessidades, antecipando a entrada em funcionamento da outra fábrica, Desair, cobrir mais de 32% a partir de 2028 em diante. Ainda assim, fica a 49% de possibilidades para impactar as necessidades que tem.
O importante aqui é perceber o seguinte. O Estado angolano, de média nos últimos 10 anos, de média, estou-me referindo a uma média, somei e dividi, gasta qualquer coisa como 110 milhões de dólares por ano para aquisição e depois entrega a pequena produção.
de fertilizantes fosfatados fundamentalmente, de oreia nem se fala, porque aí os custos ainda vão mais longe, para entrega de forma subsidiada aos pequenos agricultores, que é o tecido, que caracteriza o tecido industrial, o tecido agrícola e agroindustrial ainda assim angolano.
Estamos a falar de quase 92% de produtores que têm esse perfil, agricultura familiar, alguma de média dimensão já, a pedir e a solicitar projetos para investimento e ampliação do negócio, expansão do negócio. Isto tudo está a ser feito com base numa estrutura interessante que o governo angolano criou para redimensionar a sua agricultura e torná-la, de certa forma, modernizada e industrializada.
E o interessante é perceber que este processo está a ser feito desde há 10 anos para aqui com mais intensidade. Os resultados pecam e pecam muito. E pecavam muito porquê? Exatamente por falta de mecanização, problemas com o xitofármacos que têm que ser naturalmente importados e, sobretudo, os custos de fertilização. Portanto, Angola está a trabalhar no sentido de ultrapassar essa situação e era isso que eu queria ilustrar para percebermos como é que, numa altura em que o mundo está a ser pressionado,
com alta de custos em quase todas as áreas, os países africanos começam a ter a consciência que a produção por proximidade resulta. E não resulta só ao nível ou na dimensão do espaço territorial que lhe compete.
Vai um pouco mais longe. Os dois projetos angolanos pressupõem exatamente essa ideia, que é a ideia de produzir não só localmente, mas muito rapidamente ampliar o negócio no sentido de poder exportar para os países limítrofos. Porque o custo, o outro custo que nós aqui não falámos, acho que a Sheila abordou levemente, é o custo de transporte, o custo logístico. Eu abordei, eu abordei. O que vem daquelas zonas, que são zonas distantes do continente de alguma forma,
Mas mais do que isso também é a distribuição dentro dos nossos territórios, que é uma distribuição tremendamente ineficaz, por uma série de razões que os nossos ouvintes compreenderão e entenderão, e também pela incapacidade de constituir reservas antecipando esse tipo de impactos. Não temos essa capacidade, não temos instalações, não temos infraestruturas para dar esse tipo de resposta.
Resumindo e voltando a Portugal, o grande salto português na questão do tomate ali no Ribatejo foi, de facto, de repente, três ou quatro empresas de transformação de fulfatos em fertilizantes terem-se instalado exatamente na região a coisa de 25 a 26 anos atrás. Portanto, todo um conjunto de elementos propícios e fundamentais para modernizar a produção agrícola aconteceram num...
com investimento, grande parte dele, feito por privados, mas com a consciência do Estado e do público da necessidade de apostar muito na formação. Lembro que a escola agrícola de Santarém estava praticamente desativada em determinado momento.
que tinha ficado para trás. O Politécnico do Mar, exatamente a mesma coisa. Abrantes não tinha sequer um Politécnico e todos esses três polos urbanos passaram a ter Politécnicos a fazer investigação de ponta e a apostar muito no empreendedorismo local. É um modelo que nós não temos que replicar nenhum. O que nós temos que fazer é perceber o que é que os outros modelos resultam e criarmos nós as nossas soluções adaptando-as à nossa realidade.
Eu realmente Esta abordagem do abrilho Deixa-me de facto satisfeito E encantado É um bom retrato Uma fotografia bonita E há elementos que eu Confesso que Não conhecia Agora
Este quadro, numa situação de normalidade, mesmo com as nossas anormalidades... Pede toda a normalidade possível. Mesmo com as nossas anormalidades e o vício de improvisos, de toda uma improvisação que nós fazemos na nossa vida, no geral e colino, na vida política...
não encaixa. E não encaixa porque nós estamos no dialbar de uma situação de todo desconhecido e que os atores principais e secundários já para não falar portanto da prebe da grande massa
não estão preparados, psicologicamente não estão preparados e, quiçá, do ponto de vista de conhecimentos, de capacidade de encaixe e de solucionar o problema, também não.
Veja-se que Abebe, a Emo, o que todos nós conhecemos, menos do nome, o diretor do FNI, ele tem estado a fazer vários trabalhos frutos da sua preocupação perante os perigos que pairam sobre toda a humanidade, não é só sobre a África.
E a nossa capacidade de país, as nossas capacidades a nível de países é uma coisa e essa perspectiva de uma produção melhorada, com mais capacidade e um mercado muito mais funcional, anima, anima e criamos uma perspectiva diferente, um certo conforto. Agora, no quadro daquilo que se vislumbra, eu vejo pessoas como a MSRACI.
preocupadíssima a lançar SOS por tudo que é canto com trabalhos muito sérios e uma das coisas que eu disse é a seguinte eu vou citar, desculpa lá mas ele diz que
Este ano prevê-se que o crescimento abrande 4,3%, cerca de 0,3 pontos percentuais, abaixo das previsões efetuadas, o que já é uma situação complicada. Depois, os países importadores de petróleo, muitos de quais são estados frágeis ou de baixos rendimentos, eles sublinham-se duas vezes, deparam-se com uma deterioração da balança comercial com aumento de custo de vida.
Os países exportadores de petróleo poderão beneficiar dos preços do petróleo mais elevados, mas continuam expostos à volatilidade e à tentação de despesas pró-cíclicas. Portanto, além de sanear a situação que vinha atrás, que não era boa, mas que, como eu dizia há bocado, na ponta final de 2025, conseguiu-se criar ferramentas e inspirar-nos em projetos para debelar, ou pelo menos...
compactar as contrariedades. A verdade é que, neste momento, o que está a acontecer, e a previsão do nosso AMO Serassié, ele diz que um aumento de 20% dos preços internacionais dos produtos alimentares poderá colocar mais de 20 mil milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar e deixar 2 milhões de crianças com menos de 5 anos de idade muito importante.
em situação de malnutrição grave. Os choques climáticos agravam ainda mais a pressão. As recentes ceias de Moçambique, Madagascar e por aí fora evidenciam a profunda vulnerabilidade nas regiões e as perturbações climáticas que se avizinham. Agora, no quadro desta guerra, que ninguém sabe qual é a dimensão que vai ter, nem sabe, portanto, o tipo de armamento que vai ser utilizado, a mortandade que vai haver, mercados fechados...
Claro, mas isto é só o princípio, Becerra. Exatamente, é o princípio. Agora, quando realmente as proporções se dimensionarem à escala que vai acontecer e tendo em conta que nós sabemos que do outro lado há pelo menos há um elemento fundamental, que é o presidente dos Estados Unidos da América, que é imprevisível. O outro, que é o outro líder da guerra...
A sua imprevisibilidade é tão grande porquanto ele está precisamente a fugir do Corralaba Seringa. Ele quer que permaneça esta situação e que ele saia desta grande guerra, das muitas grandes guerras que podem vir daí.
como herói e não ser levado à barra dos tribunais. Nós podemos continuar a ter uma série de elementos, porque o estudo, eu recomendo o estudo do Abeb, a Emo, Seracier, porquanto é bastante abrangente, dá elementos, frutos do estudo.
Isso chama a atenção exatamente para problemas reais e para problemas que o ser humano, que todas as sociedades modernas de hoje não estão preparadas. E se tivermos em conta que nós não temos os Estados Unidos da América como já tivemos no passado, com os seus ques e porquês, mas com capacidade em termos organizacionais de perceber o andamento da humanidade e de perceber o papel, inclusive de assumir a liderança dos Estados Unidos em prol da paz e do desenvolvimento.
Neste momento, tudo o que vai acontecer, como pode acontecer, a tragédia real que vai ser, é algo que nós não conseguimos codificar. Portanto, daí o perigo, daí é que é bom que realmente os dados que tu apresentaste aqui são bastante encorajadores, são interessantes, mas, na verdade, como eu dizia, para uma situação normal, mesmo com as nossas anormalidades...
Pode dar. Agora, numa situação em que tudo vai mudar e o processo da mutação vai ser tão enorme e de uma durabilidade que nós não conseguimos prever...
Que Deus nos acuda. Eu estou espantada hoje com o Tony Tcheca e ele costuma ser o mais esperançoso de nós todos. Mas eu estou preocupadíssimo. Eu sei, eu sei. Mas há aqui uma questão importante, Tony Tcheca, que também nos obriga a ir um pouco às realidades que estamos a viver.
é que os dois senhores da guerra, que tu falavas, Donald Trump de um lado, e Benjamin Netanyahu do outro, os dois não têm a mesma intenção e os mesmos objetivos nesta guerra. E nós sabemos muito bem isso. De tal maneira que Benjamin Netanyahu...
já nem sequer dá ouvidos a Donald Trump, porque ele continua, não obstante os vários, se dar fogo, continua a invadir e a bombardear o sul do Líbano. E já vi, desculpa, Sra. Mas já vimos que ele agora, nas últimas 24 horas, conseguiu outra vez influenciar o Trump. Já tinha resolvido a coisa de outra maneira. Desculpa, continua. Nada, nada.
Ontem ouvimos o Marco Rubio Na sua... Não com o Papa Antes dele ir para o Papa A sua viagem catártica Estratégica também, diriam outros Mas nós ouvimos Marco Rubio Dizendo que
Israel efetivamente não tem nada contra o Líbano, tanto pelo contrário. Israel e Líbano querem fazer tudo para que haja paz. O problema é o Hezbollah e nós percebemos que para Benjamin Netanyahu esta guerra que continua e que permaneça porque faz todo o sentido para ele e faz todo o sentido para lhe dar efetivamente esse espaço e todo este tempo de manobra que tu falaste há pouco.
Mas eu vou voltar às palavras do Abílio, que me parecem muito, muito importantes e interessantes, nomeadamente, e usar este exemplo do Abílio para quem nos está a ouvir e que são os mais novos. Porque um dos grandes problemas dos nossos jovens, futuros adultos, é perceber o que é que vão fazer com os conhecimentos e como é que as escolas, os politécnicos e as universidades têm o impacto.
ou têm um contributo para a comunidade envolvente. E isso é que é importante. E isso é que os países africanos devem investir nesta ideia de conhecimentos situados, recursos humanos especializados naqueles espaços de onde eles são, porque são eles que melhor conhecem.
as vulnerabilidades, a força dos recursos naturais e a forma como podem lidar com as populações. Eu vou dar aqui um exemplo que me parece que vai ao encontro daquilo que o Abilo estava a dizer. Não vou dar nomes, obviamente, e não vou tornar a coisa muito fácil porque a pessoa pode ser identificada. Mas quando nós estamos a estudar determinadas realidades, e eu estou a falar de uma situação, de uma tese de doutoramento,
E quando nós estamos a estudar determinadas realidades e nós não fazemos parte dessas realidades e estamos dependentes dos, digamos, interlocutores principais, esses que conhecem bem os sujeitos que nós queremos estudar e analisar e até os tradutores.
Há toda uma tensão enorme. E é nesse sentido, Tony Tcheca, que eu acho que esta análise do Abilo é importante. E é importante também... Importantíssimo. Para os nossos jovens que nos ouvem e para os nossos governantes, que também há alguns que nos ouvem, e para os decidores que também nos escutam, e eu aqui mudei de verbo, é importante investir, investir no conhecimento local, investir exatamente...
na capacitação de pessoas, na capacitação de mão de obra e, sobretudo, na transferência desse conhecimento, não apenas para as necessidades locais, mas multiplicar esses contributos e essas vantagens que deixam de ser locais para serem regionais.
e para passarem a ser interregionais e depois para passarmos a ser nós próprios, que é uma coisa que, por exemplo, neste exemplo que dei com Marrocos, sermos sujeitos de exportações, sujeitos não de importação líquida, mas sujeitos de exportação e que outros mercados nos possam vir procurar. Mas muitas vezes nós saímos de um entendimento maior.
esquecemos-nos e descuramos e ignoramos que muitas vezes é preciso ir às realidades, ir ao chão dessas realidades, ir às populações, ao conhecimento local, aos saberes locais, para mapear, construir e perceber criticamente as nossas realidades. E não cairmos muito nesta armadilha de...
Eu não chamaria vitimização, mas vulnerabilização das nossas possibilidades. E eu acho que, Tony Tcheca, não querendo cair em tragédias, não estamos aqui nisso, mas nós temos potencial, o continente africano tem potencial. Eu vou dar aqui um exemplo e termino. Basta ver o trabalho do Miguel de Barros. Ele muitas vezes faz trabalho de comunidades. Como é que estas comunidades, no teu país, de inebição,
trabalham as terras, criam a sua própria autossuficiência, não obstante todos os riscos de falta, carências de todo o nível, mas este conhecimento das comunidades é essencial. E penso que esta reflexão do Abílio, para mim, foi...
muito importante, nomeadamente para os nossos jovens perceberem como o conhecimento local e as parcerias locais podem ser um aqueduto e uma fonte de inspiração para experiências maiores e para outras experiências que vão para além dos nossos países.
Sheila, eu senti-me tonificado com a exposição e as boas novas que o Abilo nos deu e que deu aos nossos ouvintes. Sobretudo neste tempo difícil, neste tempo até para estar agueirado. Agora, a verdade é esta. É que eu também abri um parênteses para dizer que, numa situação de... o avanço da normalidade, um processo normal...
Isto realmente é uma espécie de maná dos céus, fruto de um trabalho organizado naturalmente e que merece todo o nosso aplauso e a nossa satisfação. Porque muitas vezes as coisas falam exatamente por ausência desse aspecto, dessa ferramenta. Agora, a verdade é que nós estamos a falar de uma situação de tragédia que se vislumbra.
Nós estamos a falar, estamos a analisar todo um processo, toda uma complexidade, a partir de mentes perfeitamente terríveis. Eu não quero dizer doentias, mas, portanto, que nos podem surpreender a cada momento.
Cada minuto, a cada segundo, eu temo, portanto, que as coisas possam acontecer. Quando nós pegamos, eu peguei no Abebe, Sra. Assiê, mas podemos pegar noutros pensadores, noutros analistas, muito mais habituados, que já apresentaram os seus trabalhos, e que lançam alertas muito concretas em relação àquilo que está a passar. Sra. Assiê ainda dizia, em 21 países, os déficits orçamentais cedem os níveis necessários para estabilizar a dívida.
A subida dos encargos com juros e a redução de financiamento em condições concessionais estão a agravar os encargos com o serviço da dívida e a reduzir a margem outrora disponível para despesas prioritárias em prol do desenvolvimento. Alguns casos, acrescentando para rematando,
O crescente recurso à contração de empréstimos internos aprofundou os vínculos entre a dívida pública e os balanços dos bancos, levando o risco da instabilidade financeira. Isto faz-me lembrar o quê? Ainda há pouco tempo aqui em Portugal, com aqueles tornados índios que apareceram, o caos que criaram...
Parecia que tudo ia cair O céu Queria desabar Porque na verdade até hoje Passado já bastante tempo Aqueles problemas estão lá Grande parte deles estão lá Deixa-me só dizer uma coisa Já me calo e não falo mais Continuo aí presente E esse é o meu problema Aí é que vai o meu pensamento E para aí o meu oriento Não sendo pessimista Continuo a ser um otimista Vincade
Deixa-me só dizer-te uma coisa. Recorda-te como é que eu comecei a minha reflexão. Não, não, não, precisamente. Nós não estamos em contradição. Caracterizando um conflito do outro. Exatamente. E sendo as características de um conflito e do outro, isso permite-nos, como eu disse, o conflito na Ucrânia...
O impacto foi no momento e houve, havia alternativas, corredores alternativos. Este conflito, os analistas sabem, o estudo deles sabem, é duradouro, é persistente, é muito mais complexo e denso. A consciência e o conhecimento destes dois conflitos e de como eles estão a desenvolver-se vai nos permitir criar e ir um pouco ao encontro das reflexões do Abílio, respostas e construir...
projetos, parcerias capazes de responder. Mas qual é a questão aqui? A questão aqui é preciso conhecer as características de cada conflito. Porque às vezes nós dizemos, é o conflito, mas não estamos a falar de duas realidades completamente diversas. Obviamente os impactos estão ali.
Mas estamos a falar de realidades diferentes. E é importante discernir, diferenciar essas realidades e perceber a natureza e as características dos conflitos, porque é isso que nos vai dar essa capacidade e essas possíveis respostas que tu estavas a dizer contra essa tragédia.
Muito bem, o nosso tempo está a escutar-se. Vamos agora tentar perceber os números do relatório dos Repórteres Sem Fronteiras, divulgado no passado dia 30 de abril deste ano. O índice de liberdade de imprensa, segundo este relatório, atingiu o pior patamar dos últimos 25 anos. Em cerca de 52,2% dos países, a liberdade de imprensa encontra-se atualmente em situação considerada difícil.
ou muito grave. Tony Tcheca, se dúvidas houvessem, o jornalismo e os jornalistas passaram a ser alvos. O objetivo é o silêncio. Sem sombra de dúvidas. E a liberdade de imprensa, como tu dizias e muito bem, atingiu o nível mais baixo dos últimos 25 anos. É um sinal dos tempos. É um sinal dos tempos. Tem muito a ver com o mundo que nós temos hoje.
Tem muito a ver com perspectivas bastante sombrias. E tem muito a ver também com o tipo de pessoas que estão a dirigir muitos dos nossos países e não são. A liberdade de imprensa global está a um nível mais baixo, como eu disse, nos últimos 25 anos. E os alertas vão surgindo cada vez mais.
Os repórteres sem fronteiras fizeram um trabalho magnífico que mostra, constata a realidade e mostra até que ponto que vários países que eram confiáveis e que era uma espécie de esperança ou marco para o desenvolvimento do jornalismo, da comunicação social, da elevação do nível dos conhecimentos e da socialização.
da informação, do conhecimento para aí fora, estão postos em causa. Sr. Fronteiras, a RSE, diz que Portugal caiu, portanto, dois lugares, passou para décimo lugar. Portanto, isto mostra, é só o princípio da realidade que temos pela frente e que nós temos que ter em conta quando pensamos exatamente na liberdade de imprensa.
Na classificação da RSF, Repórter Sem Fronteiras, a organização assinala que a pontuação média de 180 países analisados nunca foi tão baixa neste último quarto do século. No caso de Portugal, em termos comparativos, desceu dois lugares, passando do oitavo para décimo, com a classificação de satisfatório para 83,71 em 100.
Vejam só. No topo da lista, mais um ano, mais uma vez, está a Noruega, que nos tira, portanto, a cara da vergonha. É o único país a fazer uma classificação de excelente, continua a ser o líder.
92,72% em 100%, seguida de países baixos, Estónia, Dinamarca, Suécia e Finlândia. Os habituês. Agora, os demais, aquela grande fila que se vem arrastando, que vem arrastando a comunicação social, o jornalismo para um ambiente lamacente...
É, na verdade, lamentável e faz-se crer que, mais uma vez, e ao contrário do que vem acontecendo da tendência dos tempos presentes, é preciso que a classe dos jornalistas, é preciso que a classe das pessoas que fazem parte, os técnicos que fazem parte da comunicação social, se organizem e que dê o seu contributo de uma forma...
organizada, com ideias, com propostas, que ajudem, portanto, a fazer com que o trabalho tenha impacto e que, na verdade, não haja áreas...
proibidas, que não haja proibições e que a censura, de facto, não regresse. Porque há essa possibilidade. Há muitos estudos que têm sido feitos e que alertam para a possibilidade, através da questão financeira, de desbloqueamento ou não de verbas, de financiamento ou não de organizações, de permitir que haja espaços de...
profissionais, espaços para debate dos problemas e que têm expressão nas sociedades possa continuar a evoluir. Durante muito tempo faça-se justiça. Portugal foi um espaço em que depois do 25 de abril se criaram as condições e as premissas necessárias
para o desenvolvimento da comunicação social. E, de facto, há que reconhecer também que houve um contributo enorme em termos de mesas redondas, debates, congressos, onde jornalistas não só portugueses, mas no espaço da lusofonia, no espaço da língua portuguesa, se encontravam...
para discutir os seus problemas, fazer permutas e, sobretudo, desenhar todo um quadro de formação de reciclagem. Não só para os aspirantes, mas também para jornalistas encartados, jornalistas profissionais, poderem, portanto, atualizar os seus conhecimentos. Isso foi muito bom porque houve uma altura em que o Sindicato de Jornalistas Portugueses tinha toda uma...
uma ligação com a Organização Internacional de Jornalistas, que eu pertencia, fui membro do Conselho Executivo da Organização Internacional de Jornalistas, a OIJ, e realmente isso foi excelente porque a permuta de ideias e a sensibilidade que, entre nós, profissionais, prejudiu os debates, perspectivou programas e intercâmbios.
criou um ambiente propício, de facto, para quebrar aquela tendência, aquela ideia que já estava em bandeira, de que há assuntos que são assuntos dos políticos, há assuntos que são assuntos dos experts na área do desenvolvimento. E os jornalistas não podem ser tudo. Nós ouvimos isso tudo, nós ouvimos isso tudo. Mas a verdade é que, havendo toda uma ação, havendo toda uma capacidade organizacional...
e todo um intercâmbio de ideias e de conhecimentos, foi possível mudar esse quadro horrendo que vinha existindo até a década de finais de 60, 70, e abriu, portanto, as portas para um jornalismo feito, portanto, com responsabilidade.
porque não se trata de anarquia, mas sim de responsabilidade, responsabilizando, portanto, quem escreve, quem recode, mas também o que está do outro lado lá e que está a vender as suas informações e que está a analisar os acontecimentos, nomeadamente todos os processos de evolução que exigem que eles cheguem à sociedade. E isso foi feito, é verdade.
Isso foi feito, a verdade é que permitiu com que a sociedade fosse muito mais igual, permitiu com que as próprias pessoas do poder, os senhores do poder, os senhores e as senhoras do poder tivessem algum respeito pela comunicação social. Aquela história, aquela ideia dos rapazes da caneta, dos rapazes da rádio, dos rapazes dos jornais.
Foi dissipando e passou a haver, portanto, profissionais da comunicação social com capacidade e com poderes precisamente para não substituir nada nem ninguém, mas o processo foi criar um espaço que permitisse...
contribuir para uma opinião pública mais atenta, muito mais capaz e muito mais habilitada de informação. Quanto mais nós formos capazes de, na comunicação social, no jornalismo, de ir aos pontos certos, à matéria certa...
Recolher a informação, tratar a informação, deixar com que o parceiro do outro lado fale e se explique, mais e melhor teremos as sociedades, teremos uma sociedade civil muito mais atenta, muito mais ativa e com capacidade e com os elementos de todo um traquejo para poder participar no desenvolvimento do seu país.
Abílio, quando olhamos para os argumentos, as justificações utilizadas para criar certas leis, o combate à desinformação, a segurança nacional e segredo de Estado, a preservação da ordem pública, a proteção da honra e reputação e por aí fora, é preocupante.
Sim, preocupa. Preocupa porque é uma forma muito subtil, e às vezes não tão subtil, de intimidar. De intimidar e de criar obstáculos à imprensa plural, independente e livre. Tom Tchek é jornalista e sobre isso dá-nos e deve dar-nos lições de muita da sua história.
no exercício da sua profissão, dele e dos colegas. E, portanto, está a conviver com muita atenção, mas também com todo cuidado, o que os jornalistas têm para dizer hoje. E os jornalistas, de uma forma geral, é preciso ouvi-los nessa altura. A coisa do mês e algumas coisas, e alguns dias, no dia da RDP África, se não me engano, no programa que fizemos na Gulbenkian,
falámos muito sobre a democracia e sobre a liberdade de imprensa e falámos sobre o contexto e eu lembro de ter falado do VDEM, variedades da democracia, desse índice internacional que faz avaliação das democracias no mundo e falei do relatório 2025. Não vou voltar a repetir o que lá diz, mas há duas ideias.
e sim, vou repetir, que atravessam todo esse relatório. E vou repetir para se entender que é algo que vai muito para lá da liberdade de imprensa e da liberdade de expressão, da liberdade de informação que estão a ser colocados em causa, que é a questão da democracia em si e do Estado de Direito em si.
que estão em ataque cerrado e compreende-se hoje que esse ataque vem de todos os lados, inclusive dos lados mais, se calhar menos, insuspeitos. E é preciso reagir efetivamente a isso. E a melhor forma de reagir a isso...
No caso africano, e eu não vou voltar outra vez ao Afrobarómetro e voltar ao relatório de Repórter Céu Fronteiras, RSF, mas quero fazer aqui só um pequeno preâmbulo para situarmos a história da imprensa livre em África a partir de determinado momento.
O dia da imprensa livre, que é o dia 3 de maio, que é o dia internacional da imprensa livre, ou da imprensa, se quisermos, muita gente não sabe, mas surge de um evento feito no continente africano. E que, daquele evento, que era um seminário da Unesco, feito na Namíbia, cujo título era Promovendo a imprensa independente plural em África, saiu uma declaração, que é a declaração de Vinduque.
E é com base nessa declaração que se propõe na Assembleia Geral das Nações Unidas seguinte, ou seja, em setembro, na sessão ordinária, que se crie esse dia da imprensa livre. Portanto, custa muito ver gente, sobretudo africanos, porque isto foi feito a partir de África por africanos, proposto por africanos na Assembleia das Nações Unidas, votado por africanos na Assembleia das Nações Unidas. Ninguém nos obrigou a fazer.
Ninguém nos pressionou a fazer. Fizemos porque é assim que entendemos que devemos estar e devemos conviver entre nós. E fizemos de forma madura, sabendo o que é que estava em causa naquele momento das transições democráticas no nosso continente e de como é fundamental para que essas transições funcionem, que existe uma imprensa plural e livre, porque só ela está capaz de condicionar o poder, sendo o quarto poder.
Só ela está capaz de escrutinar juntamente com toda a cidadania, dando-lhe informação suficiente e dados suficientes para analisar as decisões de poder e condicioná-las e se for preciso reagir a elas resistindo. Sem essa impressa não é possível. Agora, eu acho estranho que de repente veja africanos a bater palmas.
políticos dizem coisas, como se disse no meu parlamento, e eu tenho que voltar a repetir aquele parlamento cheio de lumpens ouvir pessoas lhe dizer o seguinte e eu passo a citar, temos que fazer como a Guiné-Bissau temos que fechar a RDP África fiz citação ou ouvir ainda um líder muito querido no continente africano hoje em dia dizer o seguinte, não precisamos de impressa livre para nada eu não vou dizer quem é esse líder, portanto nós conseguimos saber onde eles estão mas como é que se pode apoiar gente a dizer barbaridades dessas muito importante
e depois pedir que a imprensa faça o seu papel. Não é possível simplesmente. Sheila. Eu estava a ouvir o Tony Tchek e estava a ouvir o Abílio. Para alguns dos nossos ouvintes, eu sou professora na universidade de duas licenciaturas. Uma licenciatura em Ciências da Comunicação e outra licenciatura em Comunicação Aplicada.
Os da comunicação, ciências da comunicação, querem muito o jornalismo e os da comunicação aplicada, muito as relações públicas, o marketing, a publicidade. E uma questão que eu trabalho muito com eles é que não há um entendimento de como se comunica e por que se comunica e o que é que se decide comunicar se não formos estudar os contextos. E todo este...
Este índice dos reportes sem fronteiras, este índice da liberdade da imprensa, obriga-nos, e eu vou aqui falar como socióloga, perdome os nossos ouvintes, a estudar as circunstâncias e a relação entre a comunicação e aquilo que está a acontecer numa dimensão política, histórica, social.
cultural. Se nós quisermos trabalhar um país ou a história de um país e estudar, podemos claramente perceber a relação desse país com, vou aqui só dar o exemplo, com jornalistas, com jornalismo e com a imprensa. Tenho aqui só três exemplos antes de passarmos também para o nosso continente africano.
E para as nossas realidades Lembrando que mais uma vez Abilo, Santo Meio Príncipe Não aparece neste relatório Como sempre Há uma ausência que me parece insultuosa Insultuosa Insultuosa, mas pronto Já cheguei a mandar todos os anos Envio um mail para a RSF Para eles tentarem Para obter uma explicação E nunca consegui obter explicação nenhuma
Isso também dá muito para pensar, em termos metodológicos, também dá muito para pensar, mas não estamos aí. Mas é importante olhar para os contextos sociais e políticos para compreender a relação com a comunicação. Vou dar aqui um exemplo. O Tony Checa falou na Noruega.
Mas países como a Polónia, que antes tinha uma relação de grande tensão com a comunicação, hoje, com a mudança de governo, isso já passou. E, portanto, já há uma realidade mais dinâmica, mais fluida. Um outro país que, de acordo com... Estou a ir pelos repórteres sem fronteiras. A Eslováquia, que muda de governo, muda de perspectiva de enquadramento.
Temos uma relação completamente diferente. O mesmo acontece com a Argentina. Uma questão muito importante que me chamou a atenção é, por exemplo, Cabo Verde que desceu 10 lugares. Cabo Verde que brilha sempre no leque dos nossos países lusófonos caiu 10 lugares. Obviamente, eu fui logo a correr saber e porquê.
O que é que se está a passar social, sociologicamente, com Cabo Verde? Porque 10 lugares para um país como Cabo Verde, que tem sempre uma avaliação bastante satisfatória e positiva, quando colocado ao lado de Moçambique, Guiné-Bissau, não falando da Guiné-Equatorial, porque hoje em dia a Guiné-Equatorial é outra coisa que a mim me cria uma alguma...
Algum frisson dentro de mim, mas isto sou eu, a Guinéqua, quando falamos dos países lusófonos, mas isto são decisões que não me dizem respeito. Mas quando colocamos Cabo Verde ao lado de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, percebemos porque é que Cabo Verde brilha. E, de repente, percebemos que neste relatório, Moçambique subiu dois lugares, é importante dizer, e Cabo Verde desceu dez lugares. A pergunta é, o que é que está a acontecer em Cabo Verde para que isto tivesse acontecido? É uma queda expressiva.
É uma queda expressiva, é uma queda retumbante, como se costuma dizer. Primeira questão, estamos em ano eleitoral e, portanto, há um maior cuidado e um maior controle das narrativas mediáticas. Depois, há um domínio do Estado, porque é o Estado que nomeia os diretores dos meios de comunicação, isto também é importante. E, por outro lado, obviamente...
em termos pecuniários, em termos de um orçamento económico, 70% dos meios de comunicação estão na mão do Estado. E, portanto, nós só efetivamente... E eu fiz esse trabalho, se a minha memória não me falha.
quando há uns tempos atrás, semanas atrás, trabalhámos aqui no debate africano a nova lei da comunicação social em Moçambique. E eu fiz questão de detalhar, em termos de contextos históricos e de datas e de governos, como era a relação dos meios de comunicação com os determinados governos. O Kinshissan, o Armando Gebuza, o Filipe Niussi e hoje Daniel Chapo. Portanto, eu acho que é importante não esquecer, e quero só dizer isto.
Há uma relação cada vez maior E Tony Tcheca, corrija-me se eu estiver errada Vê-se que há uma relação cada vez maior Também entre o jornalismo E outros saberes Nomeadamente os saberes científicos Nomeadamente os saberes que vêm de comentadores Que vêm das universidades De...
de centros de pensamento porque os próprios meios de comunicação perceberam que o jornalismo já não pode ser um espaço e uma bolha fechada preciso efetivamente assim como o meio académico também percebeu mesmo não estou aqui a dizer será que percebeu? percebeu, percebeu, tu não vês RTP? esta é uma boca
Uma provocação. Se visse RTP, ao Sr. Dr. Abelio... Isto estava a ser muito morno. Se visse RTP, tu dava-me e ias razão. Pronto. O que eu estou a dizer é que, efetivamente, nós temos de abrir, quando fazemos uma reflexão sobre estes índices, temos de abrir
para uma análise maior, uma análise em que várias dimensões, os contextos, as circunstâncias, os vários sujeitos dentro destas realidades, para poder efetivamente dar um entendimento e fazer um mapeamento e uma compreensão mais lúcida, diria, inteira e mais cabal para percebermos porque é que os meios de comunicação, os órgãos de comunicação sofrem tanto.
e sobretudo o jornalismo independente, que é uma área que eu acho que merece a nossa atenção. Só vou terminar dizendo que há aqui um país nosso, africano, África do Sul, que resiste e resiliente. Porquê? Porque tem uma sociedade civil, como dizia há pouco o Tony Tcheca, e bem, uma sociedade civil forte e que está, obviamente, sempre...
paralela atrás desta consciência maior de uma cidadania que é preciso ter órgãos de comunicação fortes, porque a verdade é que
muito do que também acontece em muitos países, é que há uma criminalização dos jornalistas, perseguição dos jornalistas e uma perceção que os jornalistas são uma menos-valia ou um outro, um estranho que vem colocar suspeitas, colocar más interferências e más influências. E, portanto, acho que a África do Sul deveria ser um caso, é um exemplo, parece-me a mim, importante para também que a África do Sul deveria ser um caso,
pelo menos no meu entender, para terminar esta ideia da relação entre órgãos de comunicação, sociedade civil, contextos e cidadania. Tony, já que um minuto para terminar. Vou ser muito rápido e vou falar do caso da Guiné-Bissau, onde o sindicato Sinjotex volta a carga denunciando as perseguições, as ameaças, esse encerramento de órgãos de comunicação social.
Agressão a jornalistas, raptos dos jornalistas e jornalistas silenciados que não têm autorização de participar na própria comunicação social. Na sua mensagem, os sindicatos jornalistas da Guiné-Bissau, o Sinslotex, denuncia a situação, perseguição, impedimento de liberdade de expressão, órgãos fechados, jornalistas perseguidos.
e a própria Repórteres Sem Fronteiras, já estou com a rádio, Repórteres Sem Fronteiras, fizeram um comunicado só sobre a Guiné-Bissau, denunciando a situação calamitosa, um relível de perseguição grosseira que contra os jornalistas, contra os órgãos de comunicação social, muitas das portas foram mandadas a encerrar e neste momento não há espaço de impacto para um trabalho de jornalismo livre.
centram os princípios deontológicos, nada disto. Tudo é impedido, tudo é seguido a par e passo e qualquer coisa que este poder que deu golpe de Estado e que impediu que o resultado das últimas eleições fossem tornadas públicas e implementadas as decisões do povo que é soberano, não deixa que a comunicação social atue como deve ser.
A televisão funciona porque é o órgão realmente onde as mãos, os pés e o poder forte deste grupo que está a exercer a magistratura suprema da nação controla.
De resto, tudo mais está impedido e acabam por ir à falência, acabam por ser perseguidos e sovados de uma forma violenta na Guiné-Bissau. Vamos então às nossas habituais sugestões culturais, Abílio. Bem, eu, alguns eventos...
E alguns livros da semana passada, não sei se terei tempo para os propor. A lista é grande. A lista é grande, é enorme. Mas primeiro, vou pelo prioritário, porque tem a ver com a agenda da próxima semana. Lulendo, essa livraria atípica, mas muito interessante, que se instalou ali no bairro de Benfica, aqui em Lisboa. Love, que é o seu festival de livros e de cultura, ler, ouvir, ver e escutar.
Festival Africano, enfim, de divulgação cultural, do dia 15 a dia 18, no Palácio de Baldaia, aqui em Benfica, com muita gente que eu gosto, desde a Linda Beija, a Branca das Neves, uma série de gente que eu gosto muito. Vou ver se consigo estar em alguma das apresentações e em alguns momentos também de conversa sobre literatura, partilho, mesas redondas e etc.
e também à gastronomia. Vou ver se consigo estar num dos dias e achei interessantíssimo o programa com alguma homenagem a muita gente que ama e que divulga os livros. Depois, Euclides das Neves vai apresentar o seu livro, Nina de Água e Zé pela editora Novembro no dia 11 do 5, lançamento em São Tomé.
no Instituto Guimarães Rosa. Eu quero, desde já, dizer aos São Tomenses que aprirem essa apresentação e para comprarem esse livro. Eu tive a oportunidade de apresentá-lo aqui umas semanas atrás em Lisboa. Eu tenho uma concentração enorme pelo Euclides.
Ele que era um dinamizador e um divulgador de livros Passa também agora a ser um escritor E um escritor que promete muito Porque tem ideias muito claras Sobre o que é que ele quer fazer com a sua criação literária E depois, 100 anos Estamos a comemorar 100 anos De Miles Davis De nascimento de Miles Davis e de John Coltrane
e também 100 anos do nascimento de Aldo Espírito Santo. E acontece que a sessão solene na Assembleia Nacional de São Tomé e Penínsito, do nosso Parlamento, foi suspensa porque alguém se ausentou do país e não podia estar presente naquela sessão. Eu devo dizer aos lumpens santomensos, que ainda assim mantém, temos a infelicidade de tê-los, muitos deles, no poder.
que devem brincar com muita coisa, mas que não brincam com coisas sérias. Já estamos habituados que eles brinquem com quase tudo, com a Constituição, com a ética, com as ideologias, com a postura, com a atitude, com a imagem, com a reputação do país. Eles brincam com isso tudo, mas há coisas que os lumpens devem saber que não devem brincar com elas. Tony Tcheca.
Deixa a Sheila. Muito bem. Eu tenho três sugestões, mas vou ser muito breve. A primeira sugestão, que também é muito relacionada com o nosso trabalho de hoje, que é um livro de Malkin Ferdinand. É um livro que eu vou comprar e ler. Uma Ecologia de Colonial. De Orfeu Negro. Eu vou brevemente ler só um pouco das reflexões deste autor.
A exemplo da personagem Calibanda peça a tempestade Shakespeare, caraíba significaria uma entidade desprovida de razão, cuja fiscalização pelas colonizações europeias e as suas ciências faria emergir lucros económicos e saberes objetivos.
Isto é, como os recursos naturais de outros países e de países e terras colonizadas exploradas são também um espaço que merece a nossa reflexão e vale a pena, efetivamente, ler Malcom Ferdinand. Eu li a crónica da Lisa Semedo no público sobre ele e interessou-me logo.
E ela é maravilhosa neste aspecto. Ela é uma pessoa, uma das grandes estudiosas das questões ambientais. No dia 12 de maio, teremos no ISCTE um seminário em torno do documentário de Joana Gourjão Henriquez.
Racismo à Descolonização em Curso, às 14h, seguido de conversa com o investigador Paulo Raposo. Finalmente, um livro que eu aconselho os nossos jovens e os nossos menos jovens a ler, que é o livro da Lídia Jorge, que se chama O Céu Cairá Sobre Nós.
que é um livro em torno das várias crónicas que ela escreveu para o El País, jornal castelhano. Eu não vou dizer espanhol porque algumas pessoas matam-me. Seguido... Eu teria dito espanhol. Seguido do seu discurso...
brilhante, eu diria brilhante, do dia 10 de junho. E é um discurso que, efetivamente, todos nós devíamos ler, reler e pensar sobre este discurso. Portanto, é um livro, para mim, incontornável e que, obviamente, os meus alunos vão ler um bocadinho do livro comigo.
Deixa-me só dizer o seguinte, 20 segundos, para dizer o seguinte a posse da homenagem não feita na São Selene no Parlamento de São Tomé e Príncipe. Dizer que em Lisboa, entretanto, e nas escolas de São Tomé e Príncipe, vamos estando todo o ano a celebrar esse nascimento.
Todos. Mesmo aqueles que têm dúvidas sobre a componente política da vida da Alda Espírito Santo. Mas há uma coisa que nós sabemos, que é respeitar a sua obra, no mínimo isso, e respeitar o facto de ela ter feito uma reflexão a partir da sua poesia, da sua poética, uma reflexão sobre o país e entregou produção da sua criatividade ao país. Isso nós não podemos diminuir.
E toda a gente sabe que eu tenho um problema político e ideológico com a Aldo Espírito Santo, mas esse problema é meu, não é dela. O dela já foi e o que me interessa é reter a produção que ela fez, é reter os contributos que ela deu para criar uma ideia do país.
e de nação, e isso é inevitável que se tenha que celebrar. E, portanto, vai-se celebrar aqui em Lisboa, vai-se celebrar nas escolas de São Tomé, e, por isso, tem-se celebrado em muitos dos suplementos literários e culturais de muita publicação internacional. Só, e eu volto a repetir e termino já, só os lumpens dos políticos santomenses não percebem nada disto.
Eu vou ser muito rápido, eu sei que o tempo urge. Eu queria propor para a leitura a apresentação do livro da Regina Correia, que vai ser 19 de maio no Centro Cultural de Cabo Verde, às 18h30. Este silêncio quer relâmpagos de despacho. Essa gente que nós gostamos. E vamos ter no dia 19 de maio, isso é a terra ali do nosso amigo...
que acabou de falar agora e falou bem. 19 de maio, às 18h30, no Centro Cultural de Cabo Verde, na Rua São Bento. Não, ninto. Estou a falar agora de 14 de maio, Africando, Santo Meio Príncipe, uma obra que vale a pena comprar. Está sendo na Úcla, em João. Muito bem. E assim se fez mais um debate africano, já se sabe. Para a semana estamos de volta. Até lá. Fiquem bem.
Debate Africano. Análise dos principais assuntos da semana.