Carla Barbosa,
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- Oncologia em Cabo VerdePrograma de Prevenção e Controle das Doenças Oncológicas · Capacitação de profissionais de saúde · Diagnóstico e tratamento do cancro · Desafios da doença oncológica · Fundação Carlos Gulbenkian
- Desafios no Diagnóstico e Tratamento OncológicoLimitações no diagnóstico preciso · Necessidade de estudos imunohistoquímicos e moleculares · Dificuldades em exames de imagem · Ausência de radioterapia · Evacuação de doentes para tratamento
- Prevenção e Rastreio OncológicoReconhecimento de sinais precoces · Programas de rastreio organizados · Rastreios oportunísticos · Financiamento sustentável para rastreios
- Registro Oncológico em Cabo VerdeImplementação do registro · Reconhecimento internacional · Apoio à Guiné-Bissau
- Estigma e Percepção do CancroDiagnóstico tardio · Baixa literatura sobre doenças oncológicas · Medo associado à doença · Cancro não é sentença de morte
- Vacinação contra HPVIntrodução em Cabo Verde · Taxa de cobertura vacinal
- Cuidados paliativosImportância para doenças oncológicas · Melhoria da qualidade de cuidados
- Telemedicina em Cabo VerdeServiço de telepatologia · Evacuações internas prévias
- Prevalência de Cancros em Cabo VerdeCancro da próstata · Cancro da mama · Cancro do colo do útero · Cancros gastrointestinais · Fatores de risco (álcool, tabaco)
Começamos esta conversa pelas pessoas de Cabo Verde. Na verdade, o seu trabalho também é uma aposta no bem-estar dos homens e das mulheres de Cabo Verde. Este tem sido um caminho determinado deste jovem país, senhora doutora. Olá, muito boa tarde. Agradecer aqui a oportunidade de poder partilhar um bocadinho daquilo que tem sido o meu trabalho em Cabo Verde, nesta visão clara também de que...
Aposta é nas pessoas. Estou aqui hoje na Fundação Carlos Gulbenkian, que é um parceiro de Cabo Verde na área da Oncologia. Eu tenho coordenado o Programa de Prevenção e Controle das Vemissas Oncológicas em Cabo Verde desde 2019 e tenho tido a oportunidade de trabalhar projetos estruturantes para a melhoria de diagnóstico e tratamento do cancro no nosso país.
E a nossa visão é clara, o caminho era e é a capacitação dos nossos profissionais de saúde para poderem cada vez mais diagnosticar de forma adequada no nosso país e poder tratar os caboverdianos em Cabo Verde.
Tem sido vários desafios, porque realmente a doença oncológica tem sido uma doença crescente, muito também porque há um aumento da esperança de vida em Cabo Verde, há um envelhecimento que traz a carga das doenças crónicas não transmissíveis e neste também está.
O cancro, então, traz um desafio enorme para os sistemas de saúde que ainda não têm todas as ferramentas para fazer frente a esta doença que sabemos que tem sido um problema de saúde pública, não só em Cabo Verde, mas também no mundo em geral.
Portanto, é ir já para estas especialidades e isso é, como disse, um desafio enorme, não só na formação, capacitação e permanente atualização dos recursos humanos, mas também financeiramente implica todo um investimento do país. Como é que isso tem sido traçado? Por onde é que começaram?
A Capo Verde começamos por uma boa governância, no sentido que hoje em dia, desde 2013, temos um programa de prevenção e controle das doenças oncológicas com um plano estratégico e encontrarmos parceiros que nos permitissem desenvolver as nossas estratégias. E é neste ponto que a Fundação Carlos Glebenkana aparece.
Há mais de 10 anos que temos tido projetos que denominamos como projetos Onco-CV, inicialmente projetos virados a rasteiros de passo populacional do cancro de colo doutor, com a capacitação de todos os ginecologistas do país e com a melhoria do diagnóstico a nível da patologia do colo, não só no hospital central, mas também nos hospitais regionais.
Depois tivemos outros projetos que visavam bem melhor a capacitação de todas as áreas na oncologia, quer de médicos, enfermeiros, farmacêuticos, na perspectiva de ter equipas multidisciplinares a nível dos hospitais centrais para melhor abordagem do cancro.
Tivemos aquisição também de alguns equipamentos que nos permitiu melhorar o diagnóstico e o tratamento dos cancros mais incidentes no país, que são eles o cancro da próstata no homem, o cancro da mama na mulher e o cancro do colo do uterino.
E também, no último projeto que trabalhamos com a Fundação Carlos Gulbenkian, a visão clara da descentralização dos cuidados e com a criação do polo oncológico no Hospital Batista de Sousa, para responder também a outra área em Cabo Verde. Porque, até então, o Hospital Agostinho Neto era o único hospital...
com um hospital de oncologia, ou seja, com tratamento oncológico. No entretanto, Cabo Verde ainda tem vários desafios, apesar de termos alguns ganhos, se calhar posso começar por um ganho que acho que é muito importante, porque nos permitiu perceber melhor.
a realidade do cancro, que é o registro oncológico. Nós conseguimos implementar o registro oncológico em Cabo Verde a partir de 2022 e em pouco tempo temos um registro que já é reconhecido a nível internacional. Nós já somos membros do Cancer Network.
Neste momento, temos apoiado também a Guiné-Bissau na capacitação e na criação do seu registro. Acho que é uma base muito importante porque, se a gente não tiver os dados, não conseguimos realmente traçar as estratégias para a melhoria das ações que nós temos que fazer.
Outro ganho também muito importante aqui foi a introdução da vacinação da HPV, que a Cape Verde já introduziu desde o ano 2021 e que tem uma taxa de cobertura vacinal superior a 90%. E com os projetos da Fundação Carlos Gulbenkian, hoje posso dizer que diagnosticamos melhor e tratamos melhor os cancros mais incidentes no país.
Mas não temos todo o arsenal de tratamento, claro, temos os desafios quer na área do diagnóstico. Eu sou patologista e sinto algumas limitações no diagnóstico preciso, quando precisamos de estudos imunócito químicos ou de patologia molecular.
que ainda nós não temos em Cabo Verde, precisamos de mandar os casos às vezes para consulta, temos alguma dificuldade em alguns exames de imagilogia, no setor público principalmente, e ainda o país não conta com radioterapia. Este, se calhar, é também um dos grandes desafios e que faz com que, muitas vezes, temos que evacuar os doentes para fora para poderem fazer esse tratamento e contamos com o protocolo.
com Portugal, que tem recebido os nossos doentes e tem feito aqui a radioterapia. Mas Cabo Verde, quer dizer, é um arquipélago, ele é insular, é ilhas, então é claro que o desafio do acesso equitativo é uma realidade.
Os grandes centros já conseguem ter uma rapidez atempada de um diagnóstico, mas se calhar quando fugimos dos grandes centros já não é assim tão bem a realidade. Mas têm recorrido, por exemplo, à telemedicina? Nós temos. Isso, por acaso, é uma grande valia que o país tem, porque tem bem organizado um serviço de telepatologia e as evacuações internas têm que ter sempre prévias uma consulta de telemedicina.
e as pessoas são evacuadas internamente para irem a hospitais centrais para poderem fazer o seu diagnóstico. O diagnóstico tardio, infelizmente, ainda é também uma realidade. Grande parte dos casos às vezes chegam a nós já nos tardio 3, 4.
reconhece ainda uma baixa literatura em relação a doenças oncológicas, algum estigma associado à doença, algum medo associado que às vezes faz com as pessoas que ficam a protelar a consulta. Querem não saber, não é?
Mas o cancro já não é uma sentença de morte, é importante que as pessoas percebam isso? É verdade, é verdade e nós tentamos trabalhar sempre com essa noção clara, que o cancro já não é uma vertente de morte, principalmente se nos diagnosticarmos cedo. Então as nossas forças têm sido muito viradas neste sentido.
no sentido de fazer as pessoas entenderem quais são os sinais mais frequentes e estarem alertas a alterações e chegarem atempadamente aos profissionais de saúde, de forma a termos um diagnóstico mais precoce possível, porque realmente quando a gente chega cedo, há.
grandes possibilidades de cura, às vezes dependendo de cancro, mas há cancro que mais de 90% vão ser doenças que vão ser curáveis. Por isso é importante apostarmos nesse reconhecimento dos sinais mais precoces da doença, mas também em programas de rastreios mais organizados. Em Cabo Verde temos rastreios mais oportunísticos, não temos ainda um rastreio.
organizado de base populacional, mas há muita consciência, quer dos profissionais de saúde, mas também da população em geral, em procurar os exames de rastreio e quando não têm condições, geralmente podem fazer os exames mostrando o atestado, porque existe um atestado para as pessoas que não têm condições de pagar pelos seus exames.
Esse também acaba por ser um desafio que pouco a pouco temos que assumir, arranjar formas de financiamento sustentáveis para podermos ter aqui rastreios de bases populacionais organizadas. São desafios de monta, porque todas estas doenças, as oncológicas, as cardiovasculares, vieram somar-se a outras doenças que eram mais características de Cabo Verde. Portanto, é lidar com todo este cocktail.
É verdade, isto é um desafio enorme para qualquer sistema. E a Betos também, não é? É verdade. Isto é um desafio enorme para qualquer sistema de saúde em qualquer parte do mundo. Imagina então para países que não têm tantos recursos, não é? E por isso nós temos que realmente organizar da melhor forma possível e trabalhar em todas as frentes e apostar.
fortemente na promoção da saúde, na prevenção da doença e no diagnóstico cada vez mais precoce. Porque quanto já temos doenças mais instaladas, com comodidades, sem dúvida que vai ser muito mais pesado para o sistema e para a pessoa.
Neste sentido, também acho que a AVE tem dado alguns passos em relação aos cuidados paliativos, que acho que era muito importante frisar aqui também, não só para doença oncológica, mas para as doenças que são necessárias, os cuidados continuados e paliativos.
e que vem fazer diferença na qualidade de tratamento dos cuidados oncológicos que nós podemos oferecer, mesmo tendo aqui, como eu disse anteriormente, grande parte das nossas doenças chegam a nós já num estádio avançado. Acho que é apostar fortemente na melhoria da qualidade de cuidados oncológicos que nós prestamos.
A Sra. Zora já mencionou alguns dos núcleos que mais preocupam, que são mais prevalentes. Penso que a próstata também, a mama, mas outros que vos preocupem particularmente pela prevalência também no arquipélago?
Sim, eu já disse próstata, mama, colotrino, mas nós temos também aqui os cancros gastrointestinais, que já são aqui também de alguma preocupação. E neste sentido temos trabalhado muito nos fatores de risco associados. Um deles sabemos que é o álcool.
O quenor também é. O quenor é, e nós usamos o quenor, as goias, a comida tem que ter aquele gosto, aquele tempero e essas coisas. Isso não é bom para a saúde? Não é nada, não é nada bom para a saúde. Sem dúvida, essas doenças estão associadas aos hábitos que infelizmente nós temos e alterar hábitos não é fácil.
E então temos que apostar aqui em tentar trazer também uma sociedade cada vez mais saudável para que diminuamos os fatores de risco que sabemos que vai comandar mais tarde com as doenças crónicas não transmissíveis, hipertensão, que já também tinha dito aqui, e os cancros. Por isso é muito importante trabalhar nessa parte da prevenção antes que tenhamos esses cancros.
Comprar equipamentos é oneroso, mas formar profissionais é muito mais difícil. Não se compra, não é? Não se compra assim e leva tempo. O caminho tem sido percorrido. Neste momento, quantos oncologistas têm e conseguem responder a todos? Imagino que não consigam, não é? Exige muita especialização.
É, é. O desafio de recursos humanos, a semelhança de praticamente os nossos irmãos aqui na África, é uma realidade em Cabo Verde. Os recursos humanos que nós temos, eles não são suficientes para fazer passe.
a carga que nós temos hoje da doença oncológica no país. Em número de oncologistas, neste momento temos duas oncologistas nacionais, posso dizer que temos duas patologistas nacionais, meia dúzia de cirurgiões, mas depois realmente são números que são poucos e que estão.
neste momento centrados nos hospitais centrais. Então, a nossa estratégia também vai de encontro na descentralização dos cuidados oncológicos, passando para a descentralização do diagnóstico, mas também da quimioterapia. E, neste sentido, a Fundação Carlos Gulbenkian...
Temos trabalhado passo a passo cada um desses projetos para irmos nesta direção. Vamos ter um outro projeto que vai começar, que também terá a parceria não só da Fundação, mas também do Instituto Camões e que vai nos permitir reforçar a capacidade da nossa atenção primária, do sistema de atenção primária e também dos hospitais regionais perante a doença oncológica.
Estamos aqui a falar com a doutora Carla. Há poucas semanas falámos aqui com outra médica, também Carla, de Moçambique, também reforçando, como a senhora doutora acaba de fazer, o papel transformador da Fundação Globem, que é nesta aposta muito determinada em algumas áreas, sobretudo nesta área da doença oncológica, outras áreas da saúde, numa intervenção que tem sido verdadeiramente estruturante e de capacitação, é assim que a vê?
É assim que eu vejo. A Fundação realmente tem nos permitido trabalhar as áreas que são fundamentais. A capacitação tem também permitido a investigação. Há alguns projetos em Cabo Verde, quer no Hospital Agostinho Neto e quer também na Universidade de Cabo Verde, que trabalham os cancros mais incidentes, o cancro da mama e o cancro da próstata.
e que tem gerado dados, dados nacionais, onde nós temos tido a possibilidade de conhecer melhor a realidade do país e traçar estratégias também mais direcionadas a esses problemas. Eu acho que a parceria com a associação tem sido fundamental para acelerar os passos que nós temos dado em caber nos últimos anos na área da oncologia, sem dúvida.
Essa capacitação e também o trabalho mesmo no terreno, de que forma é que tem sido feito em coordenação com especialistas de outros países, nomeadamente de Portugal e também da diáspora um pouco por todo o mundo, onde há cabo-verdianos? A capacitação dos nossos profissionais, elas têm sido feitas em vertentes de estágios para Portugal e capacitação in loco, que vem equipas de Portugal e não só.
em Cabo Verde. A maioria dos nossos estágios em Portugal tem tido a oportunidade dos colegas estarem no IPO do Porto, mas também em outros IPOs do Coimbra e de Lisboa e outros hospitais. E a diáspora cabo-verdiana também tem tido um papel muito importante na capacitação local.
Temos tido regularmente equipas de colegas que estão fora do Cabo Verde, que vão a Cabo Verde e que operam situações complexas, que muitas vezes eram situações que eram para ser evacuados, porque falta às vezes não só recursos humanos, mas também alguns recursos de alguns equipamentos ou de materiais.
que trazem com eles e se conseguem fazer cirurgias mais complexas no ambiente hospitalar, que acaba por capacitar também toda aquela equipa que está a vivenciar essas cirurgias, que muitas vezes são primeiras cirurgias feitas no país, lembrando que há dias...
fez-se uma cirurgia com reconstrução de uma mama numa jovem e que também deu muito que falar numa equipa dessas que veio. E por isso nós gostamos e queremos preservar as nossas pertencerias, porque sem dúvida é um fortalecimento grande.
para o país e para os profissionais que conseguem estar com outros profissionais que em outros centros têm mais recursos e que possam nos transmitir um melhor ensinamento in loco na nossa realidade. E na Forja estão mais oncologistas para Cabo Verde e como é que conseguem fixar também estes profissionais qualificados quando há tanta procura também noutros países e neste mundo global?
A Cabo Verde já tem essa consciência clara que é prioridade começar a formar especialistas no país. E temos o plano estratégico para a formação especializada, que foi elaborado este ano, onde uma das áreas prioritárias para a formação está.
a área da oncologia, da cirurgia, da anatomia patológica, mesmo com esta noção clara que é preciso reforçar, não só em termos de especialidades, mas em termos de números de pessoas, para podermos ter equipas multidisciplinares, para fazermos, então, uma melhor abordagem à doença oncológica no país.
Desde a abertura ao multipartidarismo tem havido uma alternância democrática em Cabo Verde, mas sente, Sra. Doutora, que houve sempre que, apesar das suas divergências, os diversos partidos no Governo têm determinado para onde é que querem ir e com menores ou maiores desvios têm levado também, tanto MPD como PA e ICV, a que este caminho vá sendo construído?
Sim, claramente. Eu acho que, pelo menos na área da saúde, há um compromisso com o Cabo Verdeano. E tem sido, quer um, quer outro, uma visão muito clara que nós queremos melhorar a equidade em saúde em Cabo Verde, que não é fácil, porque o país insular é o que é, é os desafios, costumo brincar, que é multiplicado por nove, não é?
E então nós temos que traçar objetivos claros e que não devem ter muitos desvios e não têm tido. E a aposta tem sido de todos, claramente, nas pessoas de Cabo Verde.
Uma pergunta mais pessoal, como é que a jovem Carla chega à medicina e porquê? E porquê oncologia? Há uns tempos em conversa com uma adolescente, à procura da sua vocação, dizia, não acho que quer medicina, mas oncologia é capaz de ser um pouco pesado. É pesado a oncologia?
É verdade. Olha, a jovem Carla veio para Portugal, depois de ter terminado a secundária, com 18 anos, fazer medicina em Coimbra. Medicina foi sempre a minha única opção. E Coimbra também. Eu lembro quando fui lá escrever as opções, a senhora disse, tem que pôr três lugares diferentes. Eu disse, eu não tenho.
Então, pronto, e nem medicina, é medicina, é medicina, é medicina. E depois de fazer a medicina, a minha primeira opção, por acaso, nem era patologia. A anatomia patológica era pediatria. Então, depois eu fui para cá, tive um ano lá, fazer voluntariado num hospital, e rapidamente percebi que eu não conseguia conviver com o sofrimento das caras das pessoas.
Então, decidi por anatomia patológica, porque na altura percebi que era de uma das maiores dificuldades do país, porque só tínhamos uma patologista e tive um caso pessoal que precisava de um diagnóstico, mas a patologista estava de férias e complicou-se. Então, decidi que seria patologia. Fiz a patologia sempre com o intuito de voltar e voltei e trabalho ainda no serviço de anatomia patológica, com todo o esforço de melhorar o diagnóstico.
do cancro, mas depois percebi que os problemas ultrapassavam-se a melhoria do diagnóstico. E acabei por abraçar a coordenação do programa nessa tentativa de dar o melhor de mim para podermos trabalhar todas as áreas que são precisas de melhorar para realmente.
melhorarmos as pessoas sentirem essa diferença. Então foi assim que cheguei aqui, a coordenação, com uma missão clara, que é preciso fazermos mais para que as pessoas sentem-se um bocadinho melhor com um diagnóstico de cancro, porque não é fácil.
E é construir também essa rapidez, como já disse, essa rapidez e assertividade do diagnóstico para que se consiga resolver mais depressa, porque essa certeza de que muitos de nós vão conviver com o cancro ou na primeira pessoa ou com uma pessoa muito próxima, não é? É verdade, eu costumo também dizer isso sempre, se não for a nós vai tocar alguém.
Muito próximo. E então é isso, é trabalhar muito na sensibilidade de mostrar às pessoas que nós não podemos escolher se vamos ter a doença ou não, mas cabe a nós entender que se chegarmos o mais cedo possível, grande maioria dessa doença vai ser uma doença crónica. Nós vamos depois curar essa doença e não chegar a um fim de morte.
Muito obrigada, doutora Carla.