Episódios de De Carona na Carreira

268. Empreender depois da maternidade - Mariana Cunha Leão

07 de maio de 202647min
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Neste episódio do De Carona na Carreira, Thaís Roque conversa com Mariana Cunha Leão, fundadora da Etui Home, sobre a decisão de deixar o mundo corporativo para construir uma marca no mercado de decoração de luxo. Mariana compartilha como a maternidade mudou sua relação com o trabalho, como encontrou espaço em um nicho pouco explorado e quais foram os primeiros passos para transformar sensibilidade estética em negócio. Um episódio sobre empreendedorismo, posicionamento de marca e os desafios de se destacar no mercado de luxo sendo um pequeno empreendedor.

Vambora entender como esse sucesso aconteceu?

Toda semana tem novo episódio no ar, pra não perder nenhum, siga: 

Link da Etui:

Mala de viagem:

Equipe que faz acontecer:

  • Criação, roteiro e apresentação: Thais Roque
  • Consultoria de conteúdo: Beatriz Fiorotto
  • Produção: José Newton Fonseca
  • Sonorização e edição: Felipe Dantas
  • Identidade Visual: João Magagnin
Participantes neste episódio2
T

Thaís Roque

HostApresentadora
M

Mariana Cunha Leão

ConvidadoFundadora da Etui Home
Assuntos6
  • Conciliação carreira e maternidadeTransição do mundo corporativo para empreender · Impacto da maternidade na carreira · Desafios de conciliar trabalho e família · Transformação de paixão em negócio
  • Criação e desenvolvimento da Etui HomeIdentificação de oportunidade de mercado · Desenvolvimento de produtos e fornecedores · Lançamento e divulgação da marca · Estratégia de catálogo enxuto
  • Mercado de LuxoPosicionamento de marca no mercado de luxo · Estratégias de empreendedorismo no nicho de decoração · A importância do tailor-made no luxo · Construindo identidade de marca sofisticada
  • Desafios do EmpreendedorismoMedo da instabilidade financeira · Superação de erros e frustrações · Importância da gestão de processos · Definição de sucesso pessoal e profissional
  • Posicionamento de marcaUso de redes sociais para divulgação · Colaborações com outras marcas e pessoas · Humanização da marca e aparição do fundador · Importância do atendimento ao cliente
  • Decoração e objetos pessoaisInfluência da família na formação do gosto estético · A busca por qualidade e acabamento · A relação entre consumo e trabalho
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Eu sou a Thais Roque e esse é o De Carona na Carreira, um podcast que apresenta as mais incríveis jornadas profissionais de executivos a celebridades. Juntos, nós vamos passear pelos caminhos percorridos por pessoas de sucesso e eu vou te mostrar que o impossível é só uma questão de ponto de vista. Vambora?

Existe um momento na vida em que aquilo que parecia ser o caminho certo começa a perder o sentido. Não porque deu errado, mas porque a vida mudou. A Mariana Leão, convidada de hoje, construiu uma carreira sólida no mundo corporativo. Viveu anos intensos de trabalhos, metas e responsabilidades.

Até que a maternidade, o cansaço e um olhar mais atento para a própria vida trouxeram uma pergunta difícil. Será que tudo aquilo ainda fazia sentido? Foi nesse momento de transição que ela decidiu ver algo que sempre teve dentro dela. O fascínio pela estética, por objetos bem feitos e por casas que contam histórias.

Hoje ele é fundador da Etui Home, que traduz delicadeza em peças de decoração, navegando em um mercado onde o bom gosto, a estratégia e a sensibilidade caminham juntas. A gente vai falar sobre o mercado de luxo, empreendedorismo, maternidade e sobre como transformar um olhar apurado em um negócio de sucesso. Apertem o Sintes que a Estrada da Mari já começou.

Mari, seja bem-vinda ao Te Carona na Carreira. Quer dar um oi para os nossos caroneiros? Oi, caroneiros. Que honra estar aqui com você. Ai, eu sou super caroneira desde o começo. Ai, que bom. Me alimento dos seus episódios, adoro as trocas aqui, os aprendizados. Obrigada pela oportunidade. Ah, imagina. Obrigada a você. Obrigada. Mari, você começou no corporativo sentindo que aquele era o seu caminho. Uhum.

O que te encantava tanto no universo CLT? Ai, então, eu comecei a trabalhar desde o meu primeiro ano na faculdade. Eu fiz administração na FAAP e aí desde o meu primeiro ano comecei a trabalhar. Eu fui no mercado financeiro, fui marketing e terminei no trade marketing.

E essa cenourinha do corporativo, ela é muito maravilhosa. Você entrega, você é recompensado por isso. Então, você ganha time, você ganha bônus, você sobe, você ganha outras áreas. Então, assim... Quando a empresa é justa, né? Quando a empresa é justa, exato. Eu tive a sorte de ter trabalhado em empresas muito boas, que eu aprendi muito. Onde você trabalhou? Eu fui a HSBC, eu fui a Allergan.

Eu fui hipermarcas, Mondelez, Hectbankser. Então, assim, empresas muito estruturadas e muito competitivas também, né? Que trabalham muito bem essa questão da meritocracia. Isso é essencial. Eu acho que se uma empresa é bacana e cumpre com as regras...

E tem uma estrutura de crescimento de carreira legal. Eu acho que vale muito a pena o CLT. As pessoas pensam que eu sou inimiga do CLT, mas eu não sou. Eu acho realmente que existem pessoas que se adaptam melhor, que querem a segurança no final do mês e que gostam dessa escadinha, que é uma coisa que não é linear no empreendedorismo. Não, de jeito nenhum.

Mas assim, em que momento? Você passou quantos anos no corporativo? Nossa, quase 20 anos, é muita coisa. Quase 20 anos? É muita coisa. É muita coisa. E eu amava, tá? As coisas começaram a mudar pra mim quando eu fui mãe. Tá, por quê? Mas mudaram porque eu não tava conseguindo fazer o meu papel muito bem, eu sou muito perfeccionista. Então a entrega que eu fazia no corporativo eu não tinha em casa.

Então isso me deixava muito abalada. E aí eu vivia me chicoteando assim, nossa, não mereço ter um tempo pra mim, preciso ficar com meu filho. O pouco tempo que eu tinha, eu me dedicava a isso, eu vivia exausta, vivia reclamando, vivia, sabe, assim...

Não estava leve, bem, feliz. Sim, e são papéis, você sabe que as mulheres tendem até dois anos depois da maternidade sair dos próprios empregos. Porque elas não se reconhecem mais como as pessoas de antes. Então, por exemplo, eu lembro que eu tinha uma amiga que ela era a rainha de nos jantares corporativos.

Depois da maternidade, isso acabou pra ela. Acabou. Assim, ela quer dar cinco horas, tchau. É isso. Tchau e bem. E o corporativo tem uma agenda, vinha gringo, tinha que levar gringo pra jantar. Tinha que cumprir a agenda do corporativo. Eu não podia ter a flexibilidade de, obviamente, fazer a agenda que eu achava que...

Que ia me atender. Ainda que eu ficasse trabalhando de madrugada e tudo mais, eu também tinha que aparecer durante o dia. Eu não tinha essa flexibilidade, sabe? Tinha que ir na viagem tal, tinha que apresentar tal. Então, eu acho que isso pra mulher é difícil, é complicado. E quanto tempo seu filho tinha quando você decidiu sair? Então, eu fiquei bastante. Eu fiquei quatro anos depois que eu saí quando o meu segundo nasceu. Tá.

Então, demorou. Eu não tive coragem. Eu não tive coragem. Eu não estava feliz, mas eu não tive coragem. Porque eu acho que também tem uma coisa. Como eu era muito 80, e eu pensava, nossa, eu não posso ser 8 agora. O que eu vou fazer? Eu ficava tentando ter uma ideia. Eu me lembro de eu viajar várias vezes. Falava, nossa, o que tem aqui fora? O que eu posso levar para o Brasil? O que eu posso fazer? O que eu vou fazer?

Eu não tinha uma ideia do que fazer, então eu não tinha coragem de largar. E eu falava, nossa, eu cheguei até aqui, eu tenho a minha independência, eu tenho tudo, e aí eu vou largar isso, eu também não vou ficar feliz, eu vou encher o soco de alguém, sabe? E como a ideia da E2? E2 foi logo o seu primeiro negócio. Foi o meu primeiro negócio. E como surgiu a ideia? Surgiu na pandemia, quando meu segundo nasceu, meu segundo filho nasceu, e quando eu estava para voltar a trabalhar, eu estava na Rect.

o mais velho sem escola, eu fazendo homeschooling e tal, eu falei eu não tenho coragem de voltar eu tava assim, mais estressada mais com os cabelos em pé do que antes eu amamentando, tinha seis meses e meu chefe, eu lembro direitinho como se fosse ontem ele me ligou um mês antes, falou e aí, tudo certo, olha, e eles não tinham feito o meu replacement da vaga, então eles estavam assim, dando uma ajuda pro time e não tinham feito, esperando eu voltar

E aí eu falei assim, o Pedro sabe, eu não vou conseguir voltar. Ele, como assim? Eu falei, eu não tenho condições. Assim, minha casa tá desmoronando, eu não tenho condições. Eu mais velho com aqueles ciúmes, o dia inteiro em casa. Porque quando a criança vai pra escola, você consegue...

distribuir melhor a questão, não, é o dia inteiro em casa, todo mundo o dia inteiro em casa, eu não tenho condições, aí eu falei assim, será que não rola eu ficar um ano aqui fazendo as minhas coisas, e aí você não precisa me pagar nada e tal, daqui um ano vocês não tem essa política na empresa, daqui um ano eu volto.

para a posição que tiver, movimentação lateral e tal, ele falou, não, as portas abertas, você entregou um bom plano, eu acho que também para a empresa, que quer dar esse suporte, esse apoio para a mulher é importante, então eles toparam, e nem todo mundo faz isso. A gente tem uma participante do TR, que era para voltar de licença maternidade, agora...

dia 10 de março, voltou e entrou para as estatísticas. Foi demitida no primeiro dia. Então é muito complicado, porque nem sempre o mercado e a empresa têm esse acolhimento e essa percepção.

E daí eles toparam, então. É, aí ele falou, não, a gente se fala daqui um tempo, e a gente vê qual posição em aberto tem. Também tinha uma coisa, lá, a rotatividade, por ser uma empresa muito competitiva e tal, a rotatividade era alta, eles estavam com mudança de liderança, então também fazia parte deles, não tá saindo por outro, tá saindo por esse motivo, contar essa história. Então, acho que juntou tudo.

E no final, eu me lembro até ter encontrado ele um tempo depois, ele ainda falou assim, e aí, como é que tá a brincadeira? Não dando crédito pro seu trabalho. Tá ótimo, nunca estive tão feliz. Inclusive agora estou voltando da aula de tênis. Você falou? Falei.

Tudo bem, mas como surgiu a ideia da Etui? Então, aí tá uma coisa, né? Eu sou de uma família mineira, e eu venho de uma família super tradicional, assim, de uma mãe que gosta de uma mesa bem posta, do guardanapo engomado, da prata linda, maravilhosa. E eu, por muito tempo, eu terceirizei isso pra minha mãe. A minha casa tentava...

seguia um pouco o que eu tinha lá, mas minha mãe vinha, ela organizava, ela treinava, funcionária, era tudo terceirizado por ela, e ela também, as duas filhas morando em São Paulo, ela adorava fazer isso.

na pandemia, eu tava um tempo ocioso, né? Não assim, mas eu tinha um tempo ali pra organizar minhas coisas e tal. Aí eu falei, quer saber? Eu quero mudar essas coisas aqui. Eu tinha muita coisa, eu casei muito nova, eu tinha muita coisa que eu ganhei assim, de família e tal. Eu quero dar uma modernizada nessa casa. E aí eu comecei a fazer umas misturas, assim, pegar um couro, misturar com com, sei lá, um linho, tirar um pouco do que eu tinha, assim, de coisas mais antigas.

E aí eu comecei a ver que não tinha tanta coisa acessível, assim. Ou eram coisas marcas importadas, muito caras, ou eram materiais muito cor ecológico. Não tinham coisas nesse meio. E aí eu acompanhava o segmento, era o que mais crescia de organização e decoração. Porque tava todo mundo olhando pra casa. Tendo a segunda casa no interior, né? Aquela movimentação de sair do apartamento pra ir pra casa. E era o que mais crescia.

Falei, gente, aí eu fiquei com isso e com isso na minha cabeça. Falei, pode ser uma boa. Aí eu comecei a organizar meu armário, desapegos e tal, e eu tinha umas caixas muito feias, porque eu nem olhava. De repente, quando você começa a olhar, né, praquilo, você tá vivendo ali, você fica em casa, você tá conversando com o seu closet.

você começa a achar defeito. E aí, eu também procurava caixas, coisas legais, nada. Ou era plástico, ou era cor ecológico, não tinha. Até tinham poucas possibilidades de um linho bem feito e tal, mas eu via que tinha um espaço pra isso. Falei, quer saber? Eu acho que aí também tem um espaço. E aí, eu fui...

Colocando isso assim de uma forma mais organizada na minha cabeça. Eu não sabia desenhar, porque eu sempre fui na planilha. Sim. Né, eu não sabia. Aí eu chamei uma amiga, prima minha, a Paulinha, que é arquiteta. Eu falei, pelo amor de Deus, me ajuda. Eu preciso desses desenhos, eu quero começar a testar. Fui atrás perguntando pra um, pergunta pra outro. Fui testando alguns fornecedores e fiz umas peças pra mim. Tá.

E eu aprovei. E eu sou chata com estética, com acabamento, com textura, com tecido. E eu aprovei. Eu falei, quem sabe? Eu não posso fazer isso. E aí, aos pouquinhos, eu fui...

evoluindo, aí eu me lembro de contar pro meu marido, pro Gustavo, ele falou assim, calma, você acabou de falar que você não vai voltar, que você já tá arrumando coisa, eu falei, é isso, eu não queria ter a ideia, aparentemente eu tive, eu acho que eu vou, ele falou, não, mas vai com calma, e todo mundo muito preocupado, vai com calma, vai com calma, e aí eu fui com calma, mas você sabe que, até, eu tava refletindo isso outro dia, E aí

O meu terapeuta, todo mundo me encorajou muito. O meu terapeuta foi o único que me desencorajou. Você tá brincando. Juro por Deus. Ele falou o quê? Ele falou que eu ia trocar seis por meia dúzia. Que eu tinha que resolver a intensidade interna. Porque ele falou assim, você vai só trocar. Toda a sua intensidade que você tem no corpo parotipo, você vai colocar no...

na sua empresa. E assim, isso foi pra mim um freio, porque eu comecei super devagar. E até hoje, lembra a gente tava falando do shopping, depois até dou um, contando um pouquinho aqui, até hoje isso pra mim é uma, eu tenho muito medo de voltar até a vida que eu tinha. De ter a intensidade e a rotina que você tinha.

Tá. Foram 20 anos, assim, puxados e acho que hoje, pela primeira vez... Você tem qualidade de vida. Eu tenho uma qualidade de vida. Eu faço esporte. Eu consigo buscar um filho na escola, levar. Se você ainda usa toner pra imprimir, tá na hora de você saber que o principal componente é o plástico. Um ano de impressão com toner em todo o mundo equivale a 20 bilhões de sacolas plásticas. É muito plástico, não é? Chegou a hora de reduzir o plástico nas suas impressões e ainda diminuir também o consumo de energia.

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Eu acho isso muito importante Porque muitas das mulheres que nos assistem Elas estão buscando Um novo caminho profissional Então assim, o seu caminho, vamos lá Partiu da observação Você observar a necessidade Que você tinha E você chegou a rodar uma pesquisa de mercado Para entender, não? Mas o que eu fiz? Eu mostrei para as minhas amigas Um grupo pequeno de amigas O que eu estava imaginando E o que eu tinha feito E então E então

E aí todo mundo fala, nossa, que lindo. Eu mostrei, mandei, sabe? Uma amostra. Vocês gostam? Vocês acham que o acompanhamento tá bom? Essa costura no couro tá bonita? Eu fiz uma coisa super... Petit comitê. Enfim, formal. Não, mas eu acho importante... Uma dica que eu daria, quando eu fui fazer o Terry Circle, minha aceleradora...

Eu montei um primeiro formato e ele estava tendo baixa renovação. O que eu fiz? Eu rodei uma pesquisa de mercado, eu contratei um pesquisador para ouvir todas as mulheres e entender o que elas sentiam falta. E daí a gente reformulou o produto, reformulou o TR e o TR virou uma aceleradora, então para ajudar mulheres a faturarem mais.

Então, nesse momento, foi crucial uma entrevista, uma pesquisa de mercado. Então, fica essa dica para vocês, porque sempre ouvir as pessoas de forma gratuita, você pode fazer no Google Forms. Então, eu acho um caminho simples e seguro. Com certeza, eu faria se eu lançasse. Agora, obviamente, a gente olhando o caminho, né? A gente vê o que você faria diferente. Com certeza eu faria.

É, e o seu se posiciona no mercado de luxo. Hoje, o tailor-made, que é o feito à mão, ele se posiciona muito no mercado de luxo. E eu acho importante a gente contar um pouquinho, você já lançou sabendo que seria uma marca de luxo ou acabou sendo categorizado pelas pessoas como luxo?

Eu lancei já, como sendo, porque como o custo da minha produção é caro, eu só estou usando materiais nobres, não tem como eu colocar num range de preço que não seja do luxo, porque daí eu não ia nem conseguir competir com outras empresas que têm o produto mais acessível, e eu ia ficar meio perdida nesse meio.

E daí você começou, qual foi o primeiro passo? Vamos lá. Quero abrir um negócio. Achei os fornecedores. Achei os fornecedores. Tá, esse foi o primeiro passo. Fiz as primeiras peças. Tá. Dividi com as minhas amigas, com a família, o que eu tava fazendo. Aí todo mundo, nossa, isso é legal, putz, isso aqui pode melhorar e tal. Aí eu falei, tá, como que eu vou fazer isso? Então eu pedi uma produção maior.

Sei lá, me lembro que foram dez peças de cada uma dessa pequena coleção que eu tinha feito.

E aí tem até uma coisa, né? Na hora de buscar esses artesãos, que é uma coisa, assim, é super difícil ter uma profissionalização nesse segmento de artesãos. Você tem que pegar na mão, você tem que checar toda hora como é que tá indo, se teve algum problema de família, uma coisa muito grande família mesmo, assim, de você não pode descuidar. E eu não tinha essa experiência, eu tava acostumada com outro ritmo. E aí eu deixei.

Quando eu recebi a primeira produção dessa quantidade, veio assim de qualquer jeito. Porque eu não sei se eles tinham muitas coisas pra fazer, eles subterceirizaram, eu não sei o que aconteceu até hoje. Eu sei que eu fiz uma doação dessas primeiras peças que eu mandei fazer, não serviu, não passou. E eu fiz uma doação, aí eu fui pra segunda leva já com outros fornecedores. Só que eu tive um tempo até achar esses novos fornecedores.

E aí eu fiz essa pequena coleção, e eu me lembro que nessa época, tava tendo aquele It Brands lá na Joaquim Antunes, que a Eva e a Lu faziam, organizavam. Que eram todas as lojas da rua, porque os shoppings, né, tinha aquela questão da restrição, recebiam marcas. E aí eu conversei com elas e eu lancei a Etui neste evento.

Então, eu chamei todo mundo. Então, o meu lançamento foi num evento. Num bazar de multimarcas. Num bazar de multimarcas, exatamente. E como foi a recepção do público? Foi ótima. Foi muito bom. Eu me lembro, assim, de sair feliz na vida. Muito feliz. Muito feliz.

Foi muito boa. Então, vamos lá. Primeiro passo, a gente achou os fornecedores. Fez os desenhos com a prima, a arquiteta. Foi atrás dos fornecedores, fez o primeiro teste, não deu certo, voltamos. Lançamos num bazar. E como você começou a divulgar o seu trabalho nas redes sociais? Tá, isso é uma coisa que desde o começo, como eu não sou muito boa no Instagram, desde o começo eu chamei uma pessoa para cuidar do meu Instagram. Isso nunca foi feito por mim.

Então, ela me demandava, ah, preciso dessa foto, preciso disso. Eu dava o mood que eu queria, né? Eu ajudei aí nesse direcional, porque essa questão de estética, realmente eu gosto, mas eu não sou boa pra criar conteúdo. Então, o Instagram me ajudou muito a divulgar.

Tanto que você não é a cara da Itui. Aham. Mas agora o plano é começar a aparecer. Exatamente. Eu comecei a reparar que mesmo assim, os vídeos muito, ai, olha essa caixa, olha isso, são os que vendem. Eu acho que isso acontece com muita gente, né? E eu tinha uma timidez, porque como eu fiquei muito tempo usando um crachá.

E aí eu fazia umas apresentações, não era Mariana, né? Eu estava, era a cadeira da Mariana para um time, então tinha uma outra questão, diferente do Instagram, de falar de uma caixa no Instagram. Então, por algum motivo, eu fiquei muito tempo tímida e não apareci. E agora eu acho que eu preciso dar essa mudança, porque, assim, minha agência me cobra. Quando eu apareço num vídeo, vende tudo.

Olha que interessante, essa humanização da marca, hoje cada vez mais é essencial. Então as pessoas falam muito disso, de você ser a alma, ser a cara. E você trabalha muito com colaborações. Para que são as colaborações? Eu sei que elas ajudam no posicionamento, mas o que mais?

Tá, vamos lá, sabe como é que isso tudo surgiu? É depois de um ano e pouco que eu tinha começado a Itui, uma amiga minha me falou assim, nossa, eu já tenho a Itui inteira na minha casa. Uhum.

E assim, aí tu vê uma marca de slow fashion, né? Uma marca temporal, minimalista e tal. E eu fiquei pensando, como é que eu vou vender novidades pras minhas amigas? Eu não quero que elas troquem a caixa. A caixa foi feita pra durar a vida toda. Como é que eu vou trazer novidades, sendo que eu me posicionei dessa forma? E aí foi na época que eu comecei a pesquisar, olhar marcas lá fora e tal. E eu comecei a ver essa movimentação de colaborações.

E eu falei, quem sabe? Isso não vira um formato. E aí eu comecei a fazer algumas tentativas e começaram a dar super certo. Sempre com relacionamentos meus, pessoas que têm a ver comigo e com a marca. Eu não vou, assim, friamente numa collab sem conhecer, sem ver que tem fit com a marca. Entendi. E comigo. Você busca sempre marcas do mercado de luxo. De luxo.

Eu acho que esse é um caminho muito legal da gente falar para os caroneiros que quando você quer posicionar uma marca, você pode pegar emprestado o posicionamento de algumas pessoas. Então, por exemplo, se eu quisesse me posicionar no mercado de luxo, eu chegaria para você e falaria, Mari, vamos fazer uma collab? Porque a E-Twee já tem um posicionamento de luxo.

Então, caroneiros, você se associar a pessoas e marcas que têm o posicionamento que você deseja são muito importantes para te ajudar a se posicionar no mercado, para as pessoas entenderem o caminho que você está indo.

Por exemplo, quando uma fast fashion, uma, sei lá, C&A, Riachuelo, faz uma colaboração, ela tá chamando e pegando emprestado o posicionamento daquela pessoa. Então, eu acho muito legal falar que você só faz com marcas de luxo. Só de marcas de luxo e pessoas que têm a ver com a filosofia da marca, têm a ver comigo também, porque como a marca é muito eu, então tem que ter esse fit.

O que mais te assustava na ideia de empreender? Ai, você sabe que como dia 30 e dia 15 eram os dias mais felizes da minha vida, essa segurança. Do salário. Do salário, que é maravilhosa. Isso me dava muita insegurança de não conseguir ter essa estabilidade. E de fato, não tem. Mas não é tão ruim como eu pensava. Desde o primeiro mês, você tira salário? Não do primeiro mês, mas assim, do primeiro ano sim.

Porque a Itui tem uma coisa assim, até o site eu fui ter depois de um ano, que eu já estava com a marca, antes eu fazia a venda só pelo Instagram e pelo WhatsApp. O que eu entendi? Existem alguns formatos, medidas padrão, que a maioria das pessoas gostam, que encaixam nas casas, nos closets. Então, eu determinei esses tamanhos e coloquei no site de uma forma em escala.

Mas a grande maioria da minha venda é feita sob medida. Numa cor específica, num tamanho específico. Às vezes eu mando uma caixa para uma organizer testar no closet da cliente, ela fala, ficou ótima, mas eu preciso desse tamanho. Então, não é a caixa que eu mandei.

Então, eu tenho isso, sabe? Então, o meu investimento em produto, ele é uma parte do negócio. O resto é sob demanda. Entendi. Então, isso também me dá uma ajuda na questão do investimento, mas eu também perco na escala. O que você acha que é essencial para um pequeno empreendedor começar bem?

Eu acho que ter a ideia e ter a coragem, porque a ideia perfeita, o processo perfeito, você não vai ter, mas eu acho que você ter uma ideia e ter para onde começar...

Vai. Mas é difícil essa questão da ideia. Eu fiquei por muito tempo, desde que meu primeiro filho nasceu, o que eu vou fazer, o que eu vou fazer, eu não tinha ideia, eu não tinha coragem, eu ficava engessada, não sabia para onde eu ia. Não, eu acho que é a observação do mundo afora. Eu acho que a ideia vem muito de você observar e de ouvir as pessoas ao seu redor. De você falar, ver o que as pessoas estão buscando, o que elas sentem falta.

Mas você acha que é primeiro, o que a gente investe? Produto, marca ou divulgação?

Ah, eu acho que primeiro o produto, né? Porque também se você não tiver o produto, como é que você vai fazer os outros passos? Sim. Então, eu acho que você tendo um produto bem feito, você até pode fazer uma comunicação bem conservadora, que foi o meu caso, assim, basicamente eu divulgava no Instagram, eu comecei a fazer tráfego pago muito recentemente, então o crescimento até agora foi basicamente orgânico, e aí depois uma coisa vai levando à outra, sabe? Agora as três coisas, talvez, num primeiro momento, eu vou...

você não tenha, mas isso também não pode não te deixar.

E para a ideia. O mercado de luxo é mais sobre uma percepção do que sobre o preço em si. O que você acha que define uma marca sofisticada? Eu acho que é a qualidade e o atendimento. O atendimento, assim, ele pode ser via WhatsApp, mas ele tem que ser muito humanizado, né? Muito humanizado. E tem uma coisa, assim, que eu faço desde o começo. Eu não tenho loja física, né? Mas eu faço muito evento.

E nesses eventos eu tenho uma gama de relacionamentos que eu estreito, que eu priorizo, que eu retribuo. Então esses eventos me ajudam muito a manter esses relacionamentos e manter meu cliente com esse atendimento, sabe? Então eu entendo a história, lembrei disso, fez isso. Eu consigo conectar tudo e dar andamento com isso.

Eu acho muito legal a gente falar disso também porque, assim, uma marca, quando ela começa pequena, você sente também que você tem que olhar para os pequenos ou você olhava para grandes players? Eu olhava para os pequenos. Você olha para os pequenos que são sua concorrência, você foi descobrindo. Você perguntava para as pessoas, porque às vezes existe o desafio de entender quem é a nossa concorrência. Sim, inclusive eu tinha coisas da concorrência.

Legal. E eram coisas bem legais, não tiro mérito. Eu também, né, antes de eu ter, eu também tinha, porque eu consumia algumas coisas. Então, eu já tinha feito até meu... eu era consumidora. Não era uma coisa totalmente nova pra mim. Isso é legal de você falar. E o pequeno empreendedor, o que ele precisa entender sobre o comportamento de consumo do mercado de luxo?

Então, assim, eu tô nesse mundo, né? Então, assim, por eu ter essa coisa da estética, eu ser uma consumidora de coisas bacanas e tudo mais, eu não tive dificuldade.

encontrar esse caminho, porque já faz parte do meu repertório, já faz parte da minha pesquisa, o Pinterest é só isso, já faz parte do... Então, eu acho que primeiro entender se você já está nesse universo, e aí você já meio que é o caminho andado, como foi para mim, agora se você não é, você tem que buscar as referências, aonde você consegue se posicionar da forma...

Como você quer chegar. E o seu amor pela estética. Ele vem de muito antes. Vem de muito antes.

De quando? Ah, então, minha mãe fala que eu sempre fui uma pentelha. Que eu sempre gostei, assim, da coisa impecável, das combinações diferentes, que eu ficava procurando coisa lá fora, que eu sempre tive isso. E eu me lembro dela contar, quando eu era pequena, eu fazia pulseirinha pra vender, né? Então, gente... Geais nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa nessa

Vendia coisa e tal. E aí eu sempre gostei de comprar. E aí eu me lembro dela falar assim, minha filha, você tem que gostar muito de trabalhar, porque você gosta de gastar, você gosta de comprar. Então acho que, né, no fundo tá tudo ligado, porque se você gosta de consumir uma coisa bonita ou bela, você também não vai aceitar uma outra coisa, e pra isso você tem que trabalhar. Então acho que tá tudo conectado. A Etui tem um catálogo enxuto.

É uma estratégia? É uma estratégia. Eu aumento esse catálogo quando eu tenho as collabs, mas elas têm começo, meio e fim. Ah, elas saem também? Saem. Entendi. E por que apostar em poucos produtos? Tem muitas empresas que a gente conversa aqui que são monoprodutos. A Etui não é mono, mas é um catálogo enxuto. É enxuto. Por quê? Ah, é para eu não perder o foco. Tá.

Então assim, eu tenho as caixas e aí dentro dessa gama de caixas eu tenho vários formatos de caixas, eu tenho as bandejas com vários materiais, né? Acrílico, couro, linho, eu tenho cestos, eu tenho os quadros e eu tenho algumas peças decorativas ligadas às colabs. E como que a gente constrói uma identidade forte no mercado de luxo sem ostentar?

É, você sabe que até essa parte aí da ostentação, eu tenho muita dificuldade de aparecer também, porque muitas vezes eu falo, nossa, eu não quero ostentar, eu não quero ficar mostrando uma coisa que eu não sou. Porque no fundo, assim, eu gosto de uma estética, eu gosto de uma coisa boa, mas eu não quero ficar...

Passando uma outra imagem que eu quero mostrar isso, eu quero mostrar aquilo, sabe? No sentido de show off. Sim. Então, eu acho que quando você mostra de uma forma natural, você consegue transmitir isso. Mas é muito difícil e eu tô nesse caminho. Me mostrando, aparecendo nos conteúdos, tentando mostrar um pouco do meu dia a dia. Mas sem ir pra esse caminho do show off.

O que te barra, você acha, em aparecer? Porque muita gente tem esse medo. Então, eu acho que é essa questão de parecer uma coisa que eu não sou. Entendi. Entendi.

Não, mas você sabe que eu comecei e eu não aparecia. O podcast era só áudio e eu tinha uma grande trava em aparecer. Então, eu falava, encontrei o meu meio de comunicação, que é o podcast, que eu não preciso dar as caras. As pessoas falavam muito pra mim assim, quem você era só áudio? Era só áudio? Eu lembro.

As pessoas falavam pra mim assim, quem você é no ao vivo, você não passa no Instagram. Porque você é muito espontânea, você é muito desbocada. Você faz super bem. E daí eu falei, vou pro podcast que eu não preciso aparecer. E daí no Instagram eu comecei a fazer assim, um vídeo com filtro, que era o que me dava mais liberdade.

Eu fazia de óculos escuro para me sentir menos exposta. E daí eu criei os close friends, que são os meus seguidores que pedem para entrar. E alguns amigos. E eu sinto que lá eu posso ser completamente eu. Eu vou criando filtros em que eu consiga me deixar numa zona de conforto maior. Então eu acho que fica a dica para as pessoas. E fazendo da maneira que você consegue.

Eu acho que isso é muito importante, a gente se respeitar também nesse momento, né, Mar? E eu acho que tem um outro ponto, que até outro dia você falou no TR Circle, que eu sou... Que você faz parte. Já, que eu faço parte, que eu amo de paixão. Que você falou também pra gente tirar um pouco dessa questão do julgamento, né? Então, assim, se permita também. Se você fez alguma coisa que também não foi bem vista pela lente do outro, tá tudo bem também. Então, é um trabalho que a gente também tem que se fazer, né?

Porque senão você também não tem muitas possibilidades de se movimentar. É, a gente tem muito medo da crítica. A gente fica muito... Não, eu não posso ser criticado. E quando você se expõe, você está na arena da vida, como diria Brenna Brown. Você está ali sujeito a críticas. E às vezes críticas falam mais sobre o outro do que sobre você. Exatamente, falam sobre o outro, a lente do outro. É a lente do outro, da vivência do outro. Então ontem eu entrevistei a Didi Wagner.

E eu falei pra ela que eu vi um comentário na página dela que o cara chegou e falou assim, quando você era VJ da MTV, um dia você debochou das pessoas que punham luzes de Natal. Você falou que era feio e exagerado. Eu não gostei do seu comentário. 20 anos atrás.

O comentário de 20 anos atrás. Daí a Didi virou e falou, olha, eu não lembro porque eu falei isso, mas você tem que olhar todo o cenário. Às vezes era realmente algo exagerado e por isso que eu me posicionei.

Só que, gente, uma pessoa que vai te cobrar de algo que você falou há 20 anos. Exatamente. Sabe? Exatamente. Então, eu fico olhando, às vezes, as críticas são 100% da pessoa que está emitindo. Então, eu acho muito, assim, que faz parte, mas a gente não precisa levar tanto para o pessoal. Sim, mas é um trabalho de formiguinha, né? Como você mesma trouxe. Então, aí você vai para o Close Friends, aí você vai aos pouquinhos. Então, eu acho que esse é um movimento que...

Quem tem esse freio de mão puxado, tem que acontecer. Sim, é exatamente isso. Vamos falar suas redes sociais? Onde que eu te encontro? Onde que é a E-TWI tá? É o E-TWI Home, arroba. E o meu, Mari Cunha Leão, arroba. Mas é fechado. Tá, então vamos só dar a E-TWI. Estou avaliando essa. Eu abro ou não abro.

Vamos no Daytui, que lá é o caminho de ver as suas peças maravilhosas. Eu acho muito legal porque você tem um cuidado muito grande com o fornecedor, com a mão de obra justa. Você quer oferecer um atendimento de excelência para as pessoas. Então, eu acho que a sua marca é o puro luxo.

Sim, você sabe que isso me tira o sono. Se eu sei que eu tenho um cliente insatisfeito, que ele comprou uma coisa, que não atendeu a expectativa dele, que por algum motivo deu erro, isso me tira o sono. Eu faço o que tiver que fazer pra devolver o dinheiro, faço de novo. O que eu tiver que fazer, eu...

A excelência é um dos seus pilares. Eu tenho certeza disso, eu conheço você bem e eu sei da sua busca pelo melhor, para oferecer o melhor produto. Então, em questão de decoração de casa, você inclusive foi convidada por um shopping a abrir uma loja. Sim.

E você decidiu que não era o momento. Você sabe que foi a segunda vez. A primeira vez, eu tinha um ano de empresa. E aí, eu não tinha site. Foi aí que eu comecei a ter site. Porque aí o shopping me falou assim, então, mas qual que é o seu site? Eu falei, eu não tenho site. E eu falei, gente, primeiro eu não estava pronta, obviamente. Porque eu não tinha nem site. Então, nossa, eu tenho um longo percurso até poder estar posicionada num shopping. E eu fui atrás disso.

E agora, recentemente, aconteceu novamente. O que acontece? Eu faço muita produção para os arquitetos e para os organizers. E assim, o meu ateliê, que é onde eu coloco todo o esforço, ele está todo montado, ele está todo estruturado para eu produzir essas peças.

Eu ainda não estou pronta, não me vejo pronta para ter uma loja no shopping agora, para rodar 24 por 7, num fluxo que talvez eu não atenda o meu cliente, que hoje basicamente é o consumidor final e também eu tenho os intermediários, que são os decoradores e as organizers. Então eu fico, nossa, eu não vou atender uma coisa, entendeu? Então eu ainda estou nessa fase avaliando. E já não tira um shopping mega de luxo, tá?

Sim, saber dizer não também é muito importante para um negócio dar certo, né? Sim, mas isso corporativa ajuda e muito. Eu sou ótima para falar não. Jura? Ótima.

Eu aprendi muito, eu tive que aprender. Por quê? Meus pares, senão eu seria devorada pelos meus pares, pelos meus chefes, pelo meu time. Eu tive que aprender. Eu sou ótima para falar não. E eu falo não bonitinho, mas eu falo não. Isso é essencial que você está trazendo. Senão a gente não sobrevive.

É verdade. E assim, você deixar o seu ego de lado e saber que esse crescimento vai ser muito bom, porém não é pra agora. Exatamente. Exatamente. Já aconteceu de uma collab parecer promissora e não ser? Já. E você fica com estoque e não vende. E aí você começa a fazer milhões de conteúdos e não vai. Já sim.

É frustrante essa parte. É muito frustrante. E principalmente quando você escolhe o produto, quando você escolhe o que você acredita que vai vender e não vende. Quando é uma escolha nossa. Exato, exatamente. Principalmente. Errar no empreendedorismo custa. No CLT a gente não percebe tanto esses erros. Mas o empreendedorismo sai do nosso bolso. Sai do nosso bolso, exatamente.

E aí, ao mesmo tempo, você fala, nossa, mas será que eu já vou promocionar agora? Eu acabei de lançar também? Não, também não vai ficar bem visto. Quanto tempo eu vou levar esse estoque? O que eu faço com esse estoque? Se é pra ser uma collab, é começo, meio e fim. Então, bem, bem difícil, bem mais difícil do que errar num produto de linha, que aí depois você pode descontinuar, enfim. É um produto de linha, né? Agora, uma collab teve um peso, teve um evento, teve um investimento.

Quando você olha para o futuro Day Tui, você pensa em manter esse formato boutique customizado com as peças sob medida? Penso, penso e eu avalio também que essa questão, né, se eu devo ter esse ateliê no formato ateliê mesmo, num ponto físico, numa rua, num shopping, ainda não está muito claro para mim. Mas sim, esse mesmo formato boutique.

Você gosta e é o que te dá qualidade de vida. Sim, me dá qualidade de vida, eu consigo entregar o meu melhor. Em que momento você investiu em branding? Olha, tem um ano, mais ou menos, que eu comecei a investir em branding. Até agora foi no orgânico. E conseguiu se posicionar com o mercado de luxo mesmo sem branding? Eu acho que muito pelas pessoas certas usando, pela estética.

Eu acho que foi um casamento ali que deu certo. Eu acho muito legal a gente falar isso, porque às vezes a pessoa sente que ela precisa investir muito. Sim. Num branding, numa papelaria, em tudo. Mas assim, também tem um lado. Se eu tivesse investido antes, talvez eu estivesse em outro lugar agora.

É, a gente não sabe. A gente não sabe, mas provavelmente. Talvez eu estivesse em outro lugar agora, mas eu também estou feliz com o lugar que eu estou. Sim, eu acho, eu vejo muito isso. E agora você está contratando uma gestão de processos. Exatamente. Que é algo que a gente trouxe do TR, que eu bati nessa tecla, gente, gestão de processos. Eu falei, Mari, você tem que ter.

E é uma coisa que até você ficou um pouco assim, mas você falou, vamos embora. É, o que você falou, tá falado. Não, mas é porque traz muita segurança e estabilidade para o negócio. A gente tem uma gestão maior de estoque, conseguir estruturar tudo até para você sair do front do operacional. Exatamente. E também tem a questão do CRM, né? Do relacionamento da, assim...

Se a pessoa sai, ter o histórico, ter esse processo bem definido, isso não mudar de uma cadeira para outra, né? Esse é o processo da Ituí e ele vai ser levado para a próxima pessoa que assumir a cadeira do atendimento. Exato. Gente, assim, o que eu sugeriria para vocês investirem em um novo negócio? Fazer registro de marca, que eu acho muito importante. Ter um financeiro bacana, assim, para fazer uma precificação boa do seu produto e serviço.

Eu também falaria para vocês investirem em estruturação de projetos. São coisas que eu acho que vêm muito antes de um branding. Com certeza. Eu acho que assim, você estruturar o negócio, que é o que a gente faz muito na aceleradora, mas estruturar de forma que o seu preço esteja certo, porque se o preço está errado, você não consegue nem trabalhar tráfego. Não, não consegue.

Então, assim, claro, você olha a sua concorrência para saber do preço, mas você também tem que estar ali ligada de quanto custa realmente o que você faz. Então, eu acho que esses são os passos, né Mari? Exatamente. Teria alguma coisa que você acrescentaria? Ah, eu acho que é basicamente isso, mas nesse momento que eu estou nesse pilar do processo...

Eu tô muito feliz. Sim. Porque dá uma paz de espírito. Dá mesmo. E aí você consegue olhar pra outras coisas no negócio. Você vê que a coisa vai. Sim. Você não precisa estar ali fazendo follow-up, olhando o detalhe. Claro, detalhes e detalhes, mas tem coisas que o processo consegue. Sim. E o que é sucesso pra você? Essa questão do financeiro é uma questão difícil de falar, que a gente conversa bastante no TR, né? Que é um pouco tabu.

Mas você sabe que agora, eu fazendo o que eu faço, do jeito que eu faço, gostoso, sendo bem remunerada, pra mim eu tô muito feliz. Sim. Sabe? Com certeza. Porque também não adianta eu só fazer e não ser remunerada por isso. Não seria um sucesso pra mim. Gente, a remuneração é um tabu. As pessoas...

É um tabu falar que você gosta de ganhar dinheiro. Exato. E assim, gente, é muito justo você ser paga e remunerada pelo que você faz. Exato, quer prazer maior que isso, quer orgulho maior que isso, ser remunerada por uma coisa que eu faço bem. Exatamente. E eu faço bem uma coisa que eu gosto, eu faço no ritmo que eu dei, no ritmo que eu quero.

Eu acho que sucesso nesse momento, e o sucesso também, ele muda de fases, né? Sim. Então hoje, pra mim, eu tô nessa equação que tá funcionando. A gente tem um quadro aqui que chama Pneu Furado. Aham. Que toda história tem um erro profissional. Só que hoje você olha e fala, putz, quer saber que bom que aconteceu?

Que erro da sua trajetória hoje você agradece por ter acontecido? Você sabe que no começo, na seleção dos meus fornecedores, eu não tinha muita noção desse mundo dos artesãos. Então eu fiz um teste aqui, um teste ali, achei que funcionava e eu deleguei.

E eu entendi que eu não posso delegar, que eu tenho que ficar ali, que no fundo é como se fosse o meu time no corporativo. É uma, como é que fala, são os meus braços que não estão em alguns momentos aqui fisicamente comigo, mas eu tenho que coordenar tudo isso, eu tenho que fazer a gestão, eu tenho que ir lá, eu tenho que ver se tá certo, se não tá.

Eu entendi que se eu não fizer dessa forma, esse controle assim minucioso, a coisa não vai sair na qualidade que eu preciso. Então eu precisei fazer uma doação inteira de um lote que eu pedi no começo, por conta desse erro de não ter esse acompanhamento. Exatamente. Na sua mala de viagem, um livro, um filme, um documentário.

Olha, um livro que eu li agora, que eu gostei muito, é aquele do Goggins.

Nada Pode Dar Errado, eu acho que é esse o nome. Ah, não li. Nossa, muito bom. Em alguns momentos ele é um pouco maçante, porque a história dele vai te dando até um pouco de aflição, sabe? Mas assim, é uma história de superação, uma história de resiliência, de garra, de assim, qualquer coisa que você faz, você fala, gente, isso não é nada perto do que esse cara passou. E eu tava num momento super difícil na Ituí, com várias mudanças, e aí eu olhava essa história, gente, é isso que eu, é isso.

Olha a história dele, é o que eu preciso agora. Então, eu gostei muito. É um livro recente, por isso que a memória está... Está... Fresca. É, fresca. Exato. É um filme...

Pode ser um TED Talk. Ah, é da Brené. Da Brené. Maravilhoso. É um divisor de águas quando você escuta. Sim, com certeza. E ela tem um livro que se chama Coragem de Liderar. Está na minha listinha também. Leia, leia, que é muito bom. Eu li muito livro de business e tal, e agora eu estou lendo romance. Comecei um romance agora, mas eu quero voltar.

antes eu tava no Gogs, agora eu tô mas eu quero voltar e tá na minha lista boa Mari, a gente chega ao fim da nossa carona muito obrigada eu amei te entrevistar, eu admiro muito o seu negócio, eu acho que você pegou um nicho ali do mercado de luxo muito bom você consegue posicionar um produto assim

Sem ter excesso de, sabe, assim, de ostentação. Você faz tudo com muita delicadeza. Por isso que eu admiro muito o seu negócio. Obrigada. E é recíproco. E, aliás, até uma coisa do TR, né? Que eu acho que eu ainda não te falei isso. Do quê? Uma das coisas que mais me chamou atenção no comecinho, assim, quando a gente começou a ter os nossos encontros e tudo mais, a sua abundância.

Que coisa maravilhosa a sua abundância. Juro? Juro, a troca, o movimento que você faz no TR, sabe? A questão de ter espaço pra todo mundo tem muito a ver comigo, assim, de pegar na mão, ajudar. Todo mundo vai brilhar, tem sol pra todo mundo. Sim, eu sou muito crente disso e eu misturo muito as pessoas. Eu, ai, senta aqui com a fulana, vocês vão se dar super bem, eu sou boa nisso, assim. Sim. Então, muito obrigada. Parabéns. Ai, obrigada. Sou mais fã ainda. Ai, obrigada. Ai, eu queria...

Ai, gente, eu sou muito fã da E-TWI. Você já deve ter visto, mas eu tenho certeza que você não tem. Eu sei o que você tem da E-TWI. Você sabe o que eu tenho, gente. Tá, assim, na minha sala de estar, na minha sala de TV. Então, eu tenho uns bonequinhos dentro de uma caixa de acrílico da E-TWI, linda. Vamos mostrar. Dantas, filma aqui. Peraí. Peraí, Dantas, corta essa parte.

Tem um cartão aqui depois. Que lindo. Não, não tenho. Espera aí. Vamos mostrar, gente, o que eu estou ganhando. Nossa, que lindo. Me explica, como que eu posso usar? É uma caixa para você organizar o que você quiser. Óculos, acessórios, o que você quiser.

Ela é feita em linho, em madeira, né? Com linho. Ela tem um puxador de couro. E tem essas divisórias. A gente faz ela com divisória, sem divisória. Mil possibilidades. Mas ela é muito boa pra você colocar naquele nicho, embaixo de camisas. Sim. Naquele buraco que... Do armário. É, exato. Que tem possibilidade de crescer o armário. Ai, amei!

E deem uma olhada no Insta da Etui. É maravilhoso. Obrigada. Obrigada a você. Obrigada.

O Ticarana na Carreira tem a consultoria de conteúdo da Beatriz Fiorotto, a produção do José Newton Fonseca, a sonoplastia edição do Felipe Dantas e a identidade visual do João Magalhães. Todas as dicas que a gente abordou aqui estão no descritivo e na plataforma que você nos escuta. Bora lá no Instagram falar mais sobre o episódio de hoje. A gente volta na próxima semana com mais um Ticarana na Carreira. Um beijo grande.

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