6ª Temporada EP.12 - Recomeços
As quedas são inevitáveis, mas é importante se levantar e continuar caminhando na direção correta.
Thiago Gouveia
Tiago Gouveia
- Recomeços e Restauração com DeusA dificuldade de não pecar após confissões · A frustração com a própria fraqueza · A importância da renúncia em Cristo · Pequenas mortificações diárias · A construção da santidade nas pequenas fidelidades
- A perspectiva divina sobre as quedasDeus observa a permanência, não a velocidade · O demônio prefere o desânimo à queda
- RenúnciaRenúncia como libertação · Desejo por paz sem combate interior
- A Fé e a Prática CristãCristo chamou homens imperfeitos · O Evangelho como história de paciência divina
- Pequenas vitórias e fidelidadesControle da língua e do celular · Cumprir deveres sem reclamar · Interromper desejos proibidos · Pequenos atos de caridade
- Obstáculos ao caminho de DeusO pecado como hábito · Negociações por egoísmo e prazer imediato
Olá, damas e cavalheiros, sejam muito bem-vindos ao Móteo e Podcast. Meu nome é Thiago Gouveia e hoje nós falaremos sobre recomeços. Nos últimos episódios, nós falamos sobre culpa, justiça, misericórdia. E nesse episódio, eu decidi abordar como nós podemos recomeçar e restaurar nossa relação com Deus.
Quando a gente faz uma confissão, nós fazemos também um ato de contrição. E nesse ato, nós declaramos que faremos um esforço sincero para não mais pecar. Mas quando a gente menos percebe, cai novamente. Quando isso acontece, fica uma tristeza silenciosa em perceber que, mesmo depois de tantas promessas, de tantas confissões e tantas quedas, nós continuamos voltando aos mesmos erros.
como alguém que dá volta em torno da própria prisão e já conhece de memória o caminho da cela. A pior parte nem sempre é o pecado em si, mas às vezes é o cansaço de olhar para si mesmo e pensar, de novo, cair nisso aqui de novo. A frustração acontece porque nós somos soberbos demais para aceitar que na verdade nós somos fracos.
E por nossa própria força, não conseguimos lutar contra as nossas más inclinações. A vida em Cristo não começa quando nos tornamos fortes na fé ou irrepreensíveis no modo de viver. Ela começa quando finalmente nós paramos de fingir que somos fortes.
Cristo nunca chamou os impecáveis. Ele chamou homens instáveis, impulsivos, medrosos, orgulhosos. Olhe para Pedro, por exemplo, que prometeu fidelidade e o negou na primeira fogueira. Ou Tomé, que precisou tocar para acreditar. Pense nos discípulos que dormiram enquanto eles sangravam no Getsemane. O Evangelho não é uma história de pessoas admiráveis. É a história da paciência de Deus e de corações abertos à restauração.
Mas mesmo com a abertura de coração, ainda existem obstáculos que vez ou outra nos afastam do caminho certo. Porque o pecado não é apenas uma escolha isolada. Ele vai criando a sua morada. Vai formando hábitos, afetos desordenados, zonas de conforto espiritual.
Existe uma parte nossa que realmente deseja Deus, mas existe uma outra parte que negocia pequenas compensações por egoísmo, para vaidade, por prazer imediato, para preguiça, ou tudo o que nos impede de amar a Deus de verdade. E é aqui que entra algo que a maioria de nós não gosta, a renúncia. E nós odiamos renunciar a alguma coisa porque nós consideramos isso como uma perda.
quando para Cristo isto é a própria libertação. Jesus não disse, quem quiser me seguir, se ame primeiro. Ele disse, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Como bem disse São João Batista, é necessário que eu diminua e ele cresça. A questão é que queremos um Cristo sem renunciar a nada.
Queremos paz sem combate interior. Queremos santidade sem disciplina. Queremos profundidade de oração, mantendo intactos todos os nossos vícios de estimação. Para sair desse caminho de vícios e egoísmo, é necessário fazer pequenas mortificações diárias e constantes.
A mudança começa em coisas aparentemente insignificantes, como controlar a língua, largar o celular um pouco, cumprir um dever sem reclamar, interromper um desejo proibido que a gente alimenta há anos, parar de procurar a validação o tempo todo. Isso acontece muito na internet hoje em dia.
Aprender a permanecer em silêncio diante de Deus. Todas essas coisas ajudam a educar as vontades e, consequentemente, educam a alma. Os santos entenderam isso e nos ensinam como viver uma vida agradável a Deus. São José Maria Escrivá dizia que quem não consegue dizer não às pequenas vontades, dificilmente conseguirá dizer não às grandes tentações. Já Santa Teresinha entendeu que as pequenas coisas eram a via que a levava a Deus.
Ela não buscava feitos grandiosos, ela buscava pequenas vitórias de amor, um gesto escondido, uma paciência oferecida a quem a aborrecia, um sofrimento suportado sem drama, um ato de caridade quando ninguém perceberia, como guardar algo que você não deixou jogado. A configuração a Cristo, também chamada de santidade, é construída na repetição humilde das pequenas fidelidades.
Mas nós queremos as grandes coisas, as grandes vitórias. Acreditamos em mudanças imediatas. Mas Deus normalmente trabalha em profundidade. Nós contamos nossas quedas, Deus observa a permanência. Nós olhamos para a velocidade, Deus olha para a direção.
Existe uma diferença enorme entre alguém que cai e alguém que desistiu de levantar. O demônio gosta muito mais do desânimo do que da queda. Porque uma alma ferida ainda pode voltar para Deus. Mas uma alma convencida de que nunca vai mudar, começa a parar de lutar. Talvez hoje existam vícios que aprisionam você. Pecados repetidos, fragilidades antigas. E talvez você já tenha até normalizado algumas delas.
Mas Cristo não se acostuma com essas nossas correntes. Ele continua entrando nos lugares mais fechados da nossa alma, dizendo, vem pra fora. Só que a liberdade espiritual tem um preço. Renunciar não é perder, é como podar uma árvore. É necessário remover aquilo que impede que a verdadeira vida floresça.
Portanto, mesmo com quedas constantes, se levante, recomece a lutar, eduque suas vontades, corte o que te afasta de Deus e seja fiel nas pequenas coisas. A plenitude em Cristo não nasce quando finalmente nos tornamos perfeitos, nasce quando deixamos de cultivar aquilo que nos impede de pertencer integramente a Ele. Paz e bem, fique com Deus.
Feliz dia das mães a todas as mães, em especial a minha esposa e a minha mãe. Um grande abraço, até o próximo episódio. Até lá.