LíderCast 417 - Marcelo Schmid - Floresta em pé vale mais
O convidado de hoje é Marcelo Schmid, engenheiro florestal, advogado e especialista em transformar recursos naturais em negócios sustentáveis. Há mais de 25 anos, atua nos mercados de base florestal, liderando projetos de estratégia, investimentos, fusões e aquisições, serviços ambientais e créditos de carbono. À frente dessas áreas no Grupo Index, Marcelo também participa de fóruns nacionais e internacionais e leva sua experiência para a sala de aula. No LíderCast de hoje, vamos conhecer sua trajetória e entender como é possível conciliar preservação, desenvolvimento e valor econômico.
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- Desenvolvimento sustentável versus desenvolvimento predatórioEquilíbrio entre preservação e desenvolvimento econômico · Reserva Legal e Área de Preservação Permanente (APP) · Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) · Ciclo de uso da terra no Brasil · Deserto Verde (crítica a monocultura) · Geopolítica ambiental
- Produção Industrial BrasileiraMercado de florestas plantadas · Eucalipto e Pinus no Brasil · Indústria de celulose e papel · Mecanização do plantio · Desafios de mão de obra · Produção de celulose · Suzano · Klabin
- Legislação e Regulamentação AmbientalCódigo Florestal Brasileiro · Revisão da legislação ambiental · Enforcement da lei · Insegurança jurídica para investimentos · Processo de licenciamento ambiental · Impacto ambiental e compensação · Aldo Rebelo · CMPC
- Trajetória de Alfredo PrettoInfância e paixão por aviação · Experiência com violino · Decisão pela Engenharia Florestal · Formação em Direito · Carreira em consultoria · Grupo Índex
- Conservação ambiental e florestalTimberland Investment Management Organization (TIMO) · Fundos de investimento em florestas · Investimento de impacto · ESG (Environmental, Social, and Governance) · Tokenização de árvores · Mercado futuro de árvores · Harvard endowment fund
Eu trabalhei duro, cara, muito tempo, mais de 40 anos, fiz sacrifícios, abri mão do tempo com a minha família, passei anos construindo meu patrimônio e agora eu olho para o Brasil, vejo essa instabilidade política, mudanças a todo momento nas regras, tudo imprevisível e olho para isso e falo: "Cara, e meu patrimônio?" Pra onde é que ele vai? Bom, eu descobri que eu posso me proteger em moeda forte investindo no exterior. Encontrei a Guardian Global Investments, que é o primeiro escritório brasileiro 100% focado em gestão patrimonial internacional.
Eles entendem que a gente não pode ficar refém da estabilidade do nosso país. Sabe qual é o diferencial? Você não precisa se preocupar com nada da burocracia. A Guardian cuidou de todo o planejamento estratégico, abriu minhas contas, Faz a gestão ativa, sucessão patrimonial, cara, tudo 100% legal e estruturado, com o respaldo de quem realmente entende do mercado global. A gente mantém controle total, mas com a tranquilidade de saber que o nosso patrimônio está diversificado, protegido e em moeda forte.
Pare de apostar no incerto, meu caro. Seu futuro financeiro merece mais segurança. Eu sei, já botei meus caraminguás com eles, cara. Converse agora com os especialistas da Guardian acessando guardepatrimonio.com.br. Vou repetir: guardepatrimonio.com.br. Bom dia, boa tarde, boa noite, bem-vindo, bem-vinda a mais um Lidercast, o podcast que trata de liderança e empreendedorismo com gente que faz acontecer. O convidado de hoje é Marcelo Schmid, engenheiro florestal, advogado e especialista em transformar recursos naturais em negócios sustentáveis.
Há mais de 25 anos atua nos mercados de base florestal, liderando projetos de estratégia, investimentos, fusões e aquisições, serviços ambientais e créditos de carbono. À frente dessas áreas no Grupo Index, Marcelo também participa de fóruns nacionais e internacionais e leva sua experiência para a sala de aula. No Lidercast de hoje, vamos conhecer sua trajetória e entender como é possível conciliar preservação, desenvolvimento e valor econômico.
Muito bem, mais um Lidercast, sempre informando como é que o meu convidado veio parar aqui, né? A gente recebia uma... como é que foi? Foi um e-mail de uma assessoria de vocês. Ah, pô, só que tinha uma palavrinha lá no meio que eu falei: "Opa!" Quando eu li me chamou atenção. Floresta? Que história é essa? Batei um papo e... Pra quem tá ouvindo a gente aqui, é assim que funciona, tá? Tem várias fontes que podem trazer pessoas até aqui.
Normalmente é uma escolha editorial, né? Mas há uma opção que é o Café... Aliás, é o Lidercast Business, que a gente conversa com as empresas e vê se adequa aqui ao nosso formato, né? No teu caso foi um convite. Eu vou fazer 3 perguntas para começar o programa. Essas 3 você não pode errar. Dali para frente chute à vontade, as 3 tem que acertar, tá bom? É o seu nome, a sua idade e o que você faz.
Importante saber essas 3. Maravilha! Então primeiro obrigado pelo convite, Luciano. É uma satisfação estar aqui conversando contigo. Meu nome então é Marcelo Leone Schmidt, tenho 49 anos, eu sou engenheiro florestal, advogado E sou diretor de uma empresa de consultoria chamada Grupo Índex, que atua na consultoria de base florestal. Então, o Grupo Índex é a consultoria mais tradicional do Brasil de atuação na base florestal. A gente atua desde 1971. Eu gosto de falar que não fui eu que fundei, eu sou segunda geração.
Mas tem que ser, né?
Exato. Então, a consultoria já tem 55 anos e ela evoluiu de uma empresa para uma holding, que hoje são 5 empresas que no final do dia atuam como se fossem 5 departamentos de uma grande.
Impreso. Vou te contar porque chamou minha atenção. Eu, em 2014, eu fui convidado para fazer o circuito de palestras do Circuito AproSoja no Mato Grosso inteiro. Fiz duas vezes. E aquilo mudou minha visão completamente sobre o agronegócio. Mas virei fã do agro, virei um defensor do agro. E uma vez, numa conversa, numa leitura qualquer, não me lembro onde foi, eu ouvi alguém dizer ou escrever o seguinte, que a A questão ambiental vai estar resolvida o dia que alguém entender que a floresta em pé vale mais do que deitada.
Perfeito.
Eu falei: pô, cara, que legal, né? E aí depois eu descobri que tinha um monte de gente fazendo, trabalhando a respeito, gente fazendo de floresta, né? Fazendo de água. Falei: cara, que coisa legal! Mas eu nunca mergulhei no assunto, né? Aí quando apareceu o material de vocês, eu bati o olho e falei: ih, cara, esses caras estão trabalhando com floresta, deixa eu trocar uma ideia com ele. Então foi por isso que eu te trouxe aqui, né? Você nasceu onde?
Curitiba, Curitiba, Paraná.
Curiboca, cara!
Tava frio lá? Tava frio demais.
Poxa, aqui tava 16, imagina lá o que tava lá, né?
Eu tô feliz aqui.
Sim, sim. Como é que era o apelido quando você era criança?
Ah, tinha vários. Você sabe que Curitiba, a gente tem aquele, a fama, né, de não falar muito com desconhecido, né, com o cara do lado. Então vem daí, mas era Marcelinho, Celo, Vou escolher o Celo. Celo é bom, né?
Eu faço essa pergunta porque cada vez aparece cada história aqui com apelido, que é uma coisa maravilhosa, né? Aliás, o que eu gravei ontem, tem um apelido que eu olhei que é Sapo.
Sapo?
Por que Sapo, cara? Porque a gente era de Patos de Minas e meu irmão era o Pato. Já que ele era o Pato, na lagoa tem um sapo, então virei Sapo.
Cada um.
Mas o que que o Celo queria ser quando crescesse, cara?
Então, já passei por várias coisas. Piloto de avião. Quando a gente é criança, a gente quer ser jogador de futebol, piloto de avião, astronauta, mas eu tinha uma Uma paixão total por avião, desenhava avião por tudo, né? E curiosamente, quando a vida começa a dar sinais que vai ficar séria, a gente precisa, né, chegar naquele momento de decisão, né, que é uma coisa cruel, né? Vou decidir agora o que que eu vou ser para o resto da minha vida.
17 anos de idade, que maldade!
Então eu tinha ali uns 15, 16 anos, comecei a pensar, e eu gostava muito de— olha que maluquice— de publicidade. Pensava, não sei porque eu botei na minha cabeça publicidade, propaganda, ou alguma coisa vinculada ao direito mesmo, sempre gostei de ler e tal. Mas aí vieram dois fatos, né? O primeiro, que o meu pai, ele é engenheiro civil, já falecido, e ele era um calculista estrutural, e ele deu aula a vida inteira de cálculo estrutural, e ele dava aula na engenharia florestal de estruturas de madeira.
E ele sempre, né, destacou a beleza da profissão de engenheiro florestal, etc., mas não o suficiente para me seduzir. E quando eu fui fazer inscrição para o vestibular na UFPR, Universidade Federal do Paraná, foi um ano que, um ano, o ano seguinte a um ano que teve uma baixíssima adesão ao curso de Engenharia Florestal. Então a coordenação do curso decidiu colocar um folder junto com o material de inscrição do vestibular para todos os candidatos.
E olha só que coisa mais aleatória, eu fui com aquele folder para casa uma semana antes da inscrição "Ah, eu vou fazer engenharia florestal." Por quê? Porque na época também eu era montanhista, gostava de andar em mato, pensei: "Pronto, vou passar a vida fazendo aquilo que eu gosto, andar no mato, escalar, né, por aí." E depois a gente entra no curso, tem cálculo, tem física, tem química, tem química analítica, não tinha nada, me enganaram, né. Então foi por isso que eu caí na engenharia florestal.
Cara, olha que legal, bicho, a decisão de alguém de botar um folder no meio do material Mudou tua vida?
Mudou minha vida.
Mudou tua vida?
Mudou a vida completamente.
A minha mudou com um anúncio do Mackenzie no Diário de São Paulo, uma coisa assim. Eu lá em Bauru, toda minha, eu fiz colégio técnico de eletrônica, né, e na hora terminou, o que agora? Agora engenharia elétrica. Todo mundo foi para lá. E eu, pô, mas minha praia não é bem essa aí. Eu prestei vestibular lá para engenharia elétrica, e aí olhando o jornal apareceu uma tal de comunicação visual no Mackenzie aqui em São Paulo. Olha só, cara, vou lá, vou ver o que é isso aí.
Vim para cá, prestei aqui, passei lá e aqui. Daí meu pai fez a chantagem, né? Você ficar aqui, te dou um carro, você vai ficar bem. Daí você vai para São Paulo, é por tua conta. Eu quero ir para São Paulo. Virou minha vida um anúncio publicado no jornal, cara.
E sabe, Luciano, tem um outro capítulo anterior assim que vale a pena, já que a ideia é trazer umas curiosidades. Eu, desde os 9 anos, dos 8 anos de idade, que eu tocava violino. E modéstia à parte, eu fui um grande violinista, eu era bom, sabe, levava jeito para coisa. E eu tinha um conjunto que era um conjunto clássico que tocava jazz, tocava MPB, e a gente rodava o Paraná tocando. E era um quinteto, e os 4, meus 4 amigos, eram e são até hoje músicos de profissão.
Aí quando nós tínhamos ali, quando eu tinha 17 anos, eles me colocaram na parede, falaram assim É, não, minto, quando eu tinha uns 18 e meio assim, eu tava no segundo ano da faculdade, eles me colocaram na parede e falaram: olha, você é o único que não é só músico e a gente tá querendo investir, a gente tá querendo mais longe e tal, né? Faltava aula para caramba, viajava para tocar aí no interior do estado. Aí eu fiquei uma semana meio doente, pensando, pensando, pensando, falei com meu pai e tal, falei: olha, infelizmente, infelizmente com letras maiúsculas, eu vou largar mão, porque a carreira de músico, sobretudo músico clássico, ela é muito difícil no Brasil.
Ela é muito difícil no Brasil, é pior ainda, né? Então aí eu larguei a música, né, e resolvi me concentrar na engenharia.
Vou fazer uma pergunta para o teu coração: você se arrepende?
Coração, ok. Eu me arrependo de ter largado a música não como profissão, mas como um side business, assim, um side business não, como um hobby. Porque ela me deu um conhecimento de história, de artes, é uma cultura muito grande.
Se eu botar o violino na tua mão hoje, você toca?
Não, consigo tocar, mas assim, é que nem uma ferrugem, é uma micro ginástica, né, que você tem que colocar o dedo no lugar certo. Mas eu confesso para você que até uma boa parte da minha faculdade eu tava arrependido. Até a hora que eu comecei a trabalhar, fazer estágio, E aí sair daquele mundo acadêmico e ver o mundo prático, aí pensei: "Pronto." Aí um dia você comparou a facilidade com que você pagava um boleto contra o teu amigo músico pagando um boleto.
Aí você virou e falou: "Puta puta." Felizmente tem essa idade, tem esse fato, né?
É complicado.
Faz parte da vida, né?
Eu tive muitos amigos músicos, moramos junto até, né? E músico profissional, mas era músico de banda, né? Tocar em banda, tocar em show, baile e tudo mais. E, cara, a dificuldade dos caras era um...
É difícil.
E não mudou. Continua igual, continua. Aliás, eu diria pra você que tá até mais triste hoje em dia.
Eu acho que sim, com a digitalização e...
Eu me mudei de apartamento há um ano atrás, mais ou menos um ano atrás. No processo de mudança, no apartamento meu que era maior, tudo, tinha um piano. E aí eu falei: pô, o que que eu vou fazer com esse piano? Vender o piano? Eu fui ver, cara, custava mais caro mandar o piano pro cara do que vender o piano. Aí eu falei: quer saber de uma coisa? Mandei pro meu filho. Levou pra casa dele. Tive que chamar um cara de transporte de piano.
Aí vieram 4 caras, o dono e o cara dos 40 anos de idade. Eu tava lá embaixo botando no carro deles e tudo mais, e comecei a conversar com ele. E aí, cara, o que você faz? Ah, pô, eu sou músico profissional, sou pianista profissional. E era carnaval, mais ou menos carnaval. Sou músico profissional, meu negócio é o piano e tudo mais, tem uma banda e tudo mais. E olha, eu falei, e aí, como é que tá o mercado? Ele falou, bicho, 5 anos atrás, nessa época aqui, eu não conseguia parar em casa, entendeu?
Não tinha agenda, cara, era uma loucura. Hoje eu tô aqui carregando piano. Eu falei: "O que aconteceu?" Ele falou: "Cara, acabou. Não se contrata mais banda, não se contrata mais músico, o negócio ficou muito complicado e o negócio tá ruim. Então eu tenho essa empresa e trabalho nela." Eu falei: "E aí, como é que tá o negócio de piano?" Ele falou: "Tá péssimo. Não vende piano, não vende piano." Então ele falou: "O que aconteceu, cara?
O negócio da música deu uma destrambelhada e o músico profissional tá complicado, cara. Tem uma sobrinha que canta na noite, cachema, é complicado, né?" Mas demos a nossa voltinha aqui. Sim, interessante. Mas e aí, então a gente já descobriu que você foi parar na faculdade de... Como é que chama? De engenharia florestal. O que faz o engenheiro florestal, cara?
Bem, essa é uma pergunta que já me fizeram muitas vezes, lá na faculdade até hoje. Então assim, e aí eu preciso explicar um pouquinho o que é atividade para os olhos gerais da sociedade que não sabe o que existe por trás. Isso é muito importante, sabe, Luciano? E eu acho que foi isso que talvez tenha chamado a atenção. Floresta, você pensou nessa questão da floresta em pé, a questão da Amazônia, mas existe assim um mundo que se divide em duas grandes áreas.
Uma área muito pequena é isso que você tá falando, que é a floresta nativa, Amazônia, Mata Atlântica, e um mundo muito grande é um mercado no qual o Brasil é muito forte, é o mercado de florestas plantadas, cuja principal espécie que todo mundo conhece muito bem, e depois é o eucalipto, exato, e depois o pinus, e aí muito menos outras espécies, né. Mas o eucalipto, ele cresce no Brasil muito melhor que cresce no seu país de origem, que é Austrália, tá.
Assim como pinus cresce no Brasil melhor que em qualquer outro país, né, onde ele é natural. Então isso fez o Brasil alavancar e crescer essa indústria de base florestal de uma forma fabulosa. E aí vem uma questão muito normal de ouvir, e de qualquer um que seja leigo, isso é natural, né? Afinal, eu não entendo nada de motor de Kombi porque eu entendo de floresta, não preciso entender. Mas atrás do setor florestal, atrás de vários produtos, veja, a gente tá cercado aqui de porta de madeira, de batente de madeira, né, mesa de madeira, né?
A gente usa todo santo dia o papel higiênico, que vem da onde? Vem da madeira, né? Tem gente que não usa todo dia, eu uso todo dia. E atrás através disso está essa indústria, né? Então eu lembro direitinho, uma vez, quando tinha meus 20 e poucos anos, tava num bar lá, nha-nha-nha numa menina que tava no balcão, e eu já tava, já não tinha mais nada a perder na noite, né? Quando ela falou, quando eu falei que era engenheiro florestal, ela falou: ai, que lindo os passarinhos e Amazônia!
Eu falei: sabe qual que é a maior emoção que eu já tive na minha, naquela época curta carreira? É ver uma castanheira de 500 anos sendo cortada e caindo para dar origem a um monte de madeira serrada. Ela falou: credo, você é horroroso, né? Eu falei: minha filha, o que que você acha esse balcão que está encostado aí, do que que é? Esse chão que está pisando, do que que é feito?
É de madeira.
Algum lugar tem que vir essa madeira, né, cara?
Essa discussão é maravilhosa. Você acompanha o Richard Rasmussen? Você viu aquela discussão que ele teve? Acho que tava o Serjão também, alguém tava no que ele tava contando. Ele falou: cara, a melhor forma de você salvar uma floresta é cortando a madeira.
Os cara: que absurdo!
Aí ele vai, ele explica, né, falar aqui, ó, Quando você tem aquilo, a transformação, você começa a cuidar. E ele dá um monte de exemplo, inclusive com animais, né? Fala: "Caramba, onde é que o animal floresce? Onde é que ele tá ameaçado de extinção?" É onde não tem uso. Quando você começa a usar... E ele deu um exemplo muito legal que ele falou, a questão do... Acho que era do jegue. Eu não lembro se era o jegue. O jegue tava morrendo, tava acabando o jegue.
Ele falou: "Sabe como é que você salva o jegue?" "Como?" 'Como é comer carne de jegue?' 'Que isso?' Aí ele explica e fala: 'Floresta é a mesma coisa.' 'Ah, porque o carbono.' 'Cara, uma árvore abatida é carbono, cara. Tudo isso aqui é carbono.' Mas é uma discussão cheia de paixões.
Eu tinha um ex-chefe que ele tinha uma metáfora um pouco menos elegante, mas muito bacana. Na época ele falava assim: 'Cara, é que nem casar com a Gisele Bündchen. Você conseguiu, você é o cara que conseguiu casar com a Gisele Bündchen.' Que na época, né, era, né, ainda é, mas ainda na época era o top, top, top. Top. Aí foi tão difícil, foi uma conquista maravilhosa, que assim, tranca ela no quarto e não encosta o dedo nela para preservar.
Você vai virar corno, porque alguém vai usar sustentavelmente. Aí você vai ficar feliz, ela vai ficar feliz e você feliz para sempre.
Sim, que legal, cara. Quando você se forma, bom, você se encontrou na engenharia florestal?
Eu me encontrei Praticamente nesse último ano aonde eu comecei a trabalhar, comecei a fazer as taxas.
Durante o curso você entrou lá, trombou com aquele monte de conta, com cálculo, e falou: "Cara, cadê os passarinhos? Cadê a montanha? Cadê a árvore?" Não tinha. Mas em algum momento você...
Eu demorei bastante para me encontrar, tanto é que a taxa de evasão no primeiro curso é 60%.
60%?
60%. Então entram 100, entram 100, se formam 15, 10. Hoje tá pior ainda, sabe? Isso é um problema que a gente pode falar mais para frente. Mas por conta dos tempos modernos e tecnologia tal, ninguém mais quer fazer curso que precisa ir para o interior.
Você fala que formam 10 ou 15, não é pela dificuldade do curso, é porque o cara desiste no meio do caminho, vou fazer outra coisa aqui.
Que são caras talvez como eu, um pouco menos persistentes, que entraram pensando que iam andar no mato, que era só isso, né? E aí você tem 3 disciplinas de cálculo, tem 3 ou 4 de química. Eu lembro que lá quando eu estava escolhendo o curso, eu odiava tanto química do colégio, que eu pensei: "Eu vou escolher um curso que não tem nenhuma química." Eu fiz um que tem 4 químicas: a química geral, analítica, bioquímica, química orgânica.
Quando você se forma e pegou o seu certificado de engenheiro florestal, o que você pensou, cara? "Eu vou construir minha vida por aqui?" O que você falou? "Agora eu vou arrumar um emprego." Já estava trabalhando? O que você fez?
Já, eu já estava trabalhando, fazendo estágio em consultoria. E eu acho que a consultoria, Luciano, foi a grande sacada da minha vida. Porque talvez se eu fosse trabalhar numa empresa, por exemplo, é normal lá em viveiro, para produzir muda, para produzir árvore. É uma coisa muito mecânica e repetitiva, né? Ou na colheita, que é outra grande disciplina, né? Hoje existem máquinas fabulosas de colheita, é uma grande ciência. Então, na consultoria, cada dia é uma coisa nova, cada dia é um cliente novo com um problema novo. E desde que eu me formei, eu trabalho com isso, trabalho com consultoria.
Então você optou para ir para consultoria, você não foi trabalhar para ninguém, você não foi ser CLT de empresa nenhuma?
Não, eu fui ser CLT de uma empresa de consultoria, na qual eu trabalhei 10 anos. Essa empresa, curiosamente, além de ser meu concorrente, hoje é meu cliente, porque existem alguns processos que ela não pode ser contratada por razão de impedimento ou de conflito de interesse. Então ela me indica, me contrata. E hoje, desde 2009, que eu me juntei aos meus atuais sócios e a gente tem o Grupo Índex.
Te chamaram então para aquela empresa de 1971?
Exatamente.
Convidou você para ir lá?
Foi também uma outra história curiosa. Quando começou essa história do carbono, crédito carbono, E eu tava na outra, na primeira consultoria, e um dia lá o meu chefe, era bem típico dele, era um chefe mais das antigas, hoje em dia essa coisa não cola mais, mas ele chegou na sexta assim, jogou um monte de coisa em cima da mesa e falou: "Ó, eu quero que você estude isso daqui e faça uma palestra que eu preciso fazer na próxima quarta-feira, nunca vi falar disso e eu preciso aprender, tá?" E ainda falou: "Não faça durante a semana na hora do trabalho, faça no final de semana." Aí fui ver tal de crédito carbono, pensei: "Cara, isso aqui é uma coisa legal pra eu mergulhar de cabeça." É porque ninguém sabe.
Mergulhei de cabeça, estudei tudo, né? Fiquei muito, virei especialista no tema. E isso que me levou a conhecer meu sócio, porque eu comecei a dar vários cursos sobre o tema, e o meu sócio tava lá como aluno num desses cursos. E aí trocou cartão e tal, deu uns meses, eu saí da minha empresa, né, ainda sem saber exatamente o que fazer, pensando em abrir uma empresa própria e tal. Ele falou: cara, vem aqui comigo. Vamos junto. Legal.
E aí a coisa aí, você tá lá quanto tempo?
Tá lá, rapaz, fazem 16, 17 anos.
Pô, cara, é tempo, viu? Você tá aí 2000, ano 2010, entrou lá, 2010, 2009, pegou uma revolução.
Sim, revolução. Peguei no final da crise ali, né?
Não sai, né, cara? Não tem, não tem ano sem crise aqui, né? Atrás do outro.
E tem um detalhe assim que é importante demais, né? Importância para minha carreira. É, antes de sair de lá, é quando eu não sei, tava assim nos últimos 2, 3 anos, eu era solteiro, morava com meus pais, caçula de 7 filhos, 7 filhos, né? O filho do meu pai, ou mais um parente dentro do parente aqui na faculdade, é Pinto Louco.
Pinto Louco.
E a melhor explicação que eu vi de todos os meus ex-professores que foram ex-alunos dele foi por causa dos 7 filhos em em 9 anos, em 10 anos, em 10 anos. Mas nessa época eu morava com eles e eu percebi que seria bacana para minha carreira diversificar e ter um segundo curso. Aí eu voltei lá aos 16, 17 anos e resolvi estudar o direito, né, que eu já tinha na minha cabeça, porque eu também sempre trabalhei muito por conta do carbono e de um outro assunto que eu sempre trabalhei muito, que é certificação florestal.
Trabalhei com legislação ambiental. Então eu pensei: eu vou estudar Direito. Então eu passei no vestibular e estudei à noite durante 5 anos Direito.
Eu diria numa avaliação meio superficial que você acertou na mosca, cara. Juntando essas duas, Direito com essa área aí, é uma área que está muito em alta, muito em voga. Mas vamos devagar um pouco aqui, vamos trocar uma ideia aqui. Vamos falar daquela floresta em pé e floresta deitada. Maravilha. Eu tenho visto uma porção de estudos, os caras mostrando: "Ah, o manejo natural, o agronegócio, a monocultura pra lá, outra aqui, tem maneiras de você não transformar o lugar numa monocultura, mas também tirar o seu sustento e de manter a..." Cara, é uma confusão sem tamanho e cada um tem seu argumento, cada lado tem uma pegada lá, né?
Vamos pro tema econômico, tá? Na questão econômica, né? Quando eu tenho um lugar, um país em que as coisas não estão resolvidas, metade da população não tem esgoto, né? Eu chegar pra um cara e falar: "Meu, não corta essa árvore não, não mata esse bicho pra comer não." É complicado, né? Tem regiões do Brasil em que você, se o cara não fizer aquilo, se não traficar madeira, ele morre. Não tô nem falando do banditismo, tô falando de sobrevivência em si, né?
E de repente aparece um discurso da preservação, aquela coisa toda, e começam a criar regra em cima de regra, cara, vira um inferno, né? E eu conheço muita gente do agronegócio, cara, quando os cara me mostra, eu falo: "Cara, olha o que eu tenho que respeitar." Se um morador de um apartamento em São Paulo tivesse que botar no apartamento dele o que eu tenho que botar na minha floresta, ele desistia de morar no apartamento dele lá, né? Como é que é? A tua atuação nessa bagunça, essa bagunça toda, cara?
Então, eu brincava também, piada parecida com aquela que eu fiz para menina no bar, no balcão de madeira. Quando perguntavam: o que que você faz? Eu falo: eu ajudo meus clientes a destruir o meio ambiente sem ir para cadeia. Mas obviamente que isso é uma brincadeira, não é bem assim. Nossa Senhora!
Tem um cara esperando você lá fora.
Exato! Não, não é isso. O fato é que a gente O Brasil, ele se notarizou globalmente por ter a legislação ambiental mais rigorosa do mundo. Até 2009, quando um movimento liderado pelo ex-deputado Aldo Rebelo, sim, ele começou um processo de revisão da nossa maior lei florestal ambiental, que chama o Código Florestal, que era uma lei de uma época onde se amarrava cachorro com com linguiça. E ela lá atrás, né, quando ela nasceu na década de 60, 65, para ser mais exato, ela era uma lei 100% utilitarista.
Ela falava de utilizar recursos naturais. Aí, com o passar do tempo, é, 70, vieram as grandes conferências internacionais de meio ambiente, ela foi se tornando uma lei ambiental. E aí teve uma, tem 3 páginas assim de emendas, né, de modificações na lei. E ela se tornou uma lei ambientalista, é muito completa, mas tão completa que ela se tornou um gesso para o produtor rural. E pior, Luciano, ela se tornou uma lei muito grande cuja o que a gente chama de enforcement, que é a lei sair do papel e ir para a vida real, é pequeno, porque ela é muito complicada.
Você, produtor, não conseguia cumprir e o órgão ambiental fiscalizador não conseguia fiscalizar. Então o que se propôs ali a partir de 2009 foi uma lei mais branda, que o tamanho dela é 10 e se cumpre 10, e não o tamanho dela é 1000 e se cumpre 10. Então foi feito um processo de revisão, ela hoje é muito mais interessante, mas essa discussão continua, e essa discussão ela é bastante inglória, muito embora o Brasil pela sua dimensão fantástica, continental, Você tem vocações específicas para cada área.
Então, se você for lá, fala, o negócio é conservar, não é para todo lugar, né? Tem lugar que tem que ser mesmo realmente plantar, né, e ter um mínimo, né, necessário, né, para você manter a qualidade ambiental. E o resto tem que plantar, né? Por exemplo, Mato Grosso do Sul, que se tornou uma meca de plantação de eucalipto, era tudo degradado, já era tudo pasto degradado, né, sem valor algum quase. Com pouquíssimas cabeças de gado, a gente transformou tudo o quê?
Em eucalipto. E hoje tem 4 grandes fábricas de celulose lá que geram uma enormidade de desenvolvimento e tal.
Quer dizer, a área verde lá cresceu, aumentou?
Cresceu, cresceu. Qual que é melhor, né? O pasto degradado ou o eucalipto? Sim. A questão da Amazônia, a questão da Amazônia eu concordo plenamente contigo com o que você falou. Você tem que ter uma alternativa de uso sustentável Não é desmatar, mas também não é preservar. E aí vem um conceito muito importante: existe preservação, que é a intocabilidade, existe a conservação, que é usar sem destruir. Então quando a gente fala em Amazônia, eu gosto de falar de conservação de meio ambiente, onde você está realmente proporcionando um uso, tirando— existe técnicas para isso, você tirar recurso madeireiro e não madeireiro da Amazônia, da floresta, de modo que ela continue lá.
Você não vai tirar todas as árvores, vai tirar algumas árvores selecionadas e com técnica e com planejamento. Além do quê? Além de vários outros produtos que estão lá dentro. Aí vem a história da floresta em pé. A gente está tirando talvez só madeira, mas o que mais tem lá? Tem carbono, tem biodiversidade, tem água, tem solo. Abaixo da floresta tem muita riqueza, minerais.
Minerais, terras raras agora, né?
Que é a pauta do momento. Então realmente existe muito mais coisa do que simplesmente o valor da madeira em pé naquela floresta.
E é um engenheiro florestal que faz essa análise?
O engenheiro florestal, sim. O engenheiro florestal, ele é...
Por exemplo, deixa eu usar a minha ignorância genuína aqui, né? Comprei terras, não sou do ramo, tá? Tenho dinheiro para investir, comprei terras no Tocantins. Tô lá com X acres no Tocantins, vou resolver o que eu tenho que fazer lá. Tá florestado tudo, eu tenho, está cercado, eu não sei por onde eu começo. Eu devo começar com engenheiro florestal?
Sim.
Ou ele é consequência de alguma decisão que vem depois?
Ele vai te ajudar a decidir o que se pode fazer naquela área.
O que que tem lá?
O que que tem lá? De repente é uma área que legalmente você consegue fazer pouca coisa. De repente é uma área que é tecnicamente, por questões de solo, tal, você não consegue plantar nada. Então toda essa análise o engenheiro florestal consegue te ajudar a fazer.
Sim, sim, interessante. Trabalho não falta então.
Trabalho não falta, felizmente, Luciano.
E você falou que tá formando pouca gente, cara. Tá formando poucos técnicos, né?
Tá formando pouquíssima gente. Isso é um problema em toda cadeia produtiva, não é só um problema de engenheiros. E aí engenheiro vai formar pouco cara tomador de decisão, pouco gerente, pouco diretor. Mas é um problema também lá da base, do pessoal que trabalha em campo, né, o trabalhador mais braçal. Por quê? Porque hoje ninguém mais quer trabalhar de sócio, tá? Ninguém quer trabalhar longe dos grandes centros. A gente tem um exemplo muito, muito curioso de um cliente nosso.
Já aconteceu faz uns— foi depois ali do final da pandemia, uns Uns 3, 4 anos atrás, ele tava contratando um coordenador de colheita. Então, colheita, veja só, você tem as árvores plantadas e aí você tem máquinas fabulosas que fazem a colheita. E tem, nós estamos falando de colheita de árvore, né? Então tem um trator que faz a colheita da árvore. E aí ele precisava de um cara para coordenar esse processo. Você que é leigo, eu não preciso explicar que esse cara, ele tá em campo Todo tempo.
Então, quando esse nosso cliente tava entrevistando, e tava entrevistando um cara online, né, o cara perguntou para ele: mas o trabalho é presencial? Ele falou: o quê? Como que você pretende coordenar a colheita online? Então, mas isso é emblemático dessa nova geração, né? Eu não tô aqui fazendo uma crítica não, mas é a característica, né? Então, isso que tá tornando difícil, sabe?
E não é só na engenharia florestal, mas eu tenho escutado assim outras engenharias também, tanto As conversas que eu falo no agro lá, o pessoal está com uma carência de mão de obra que é um negócio brutal. Mas você falou, cara, não é só lá não, não é só na floresta e no agro não, é todo lugar que está faltando mão de obra, especialmente quando você qualifica.
Isso.
Você qualifica um pouquinho dela, então tem um desbalanço geral no Brasil. Tem gente ultra qualificada que não consegue emprego por causa da qualificação e um monte de emprego que precisa de alguma qualificação que não tem gente preparada para ir.
E aí tem um detalhe, tem uma parte da operação de cultivo de florestas, e agora falando das florestas plantadas, do eucalipto, que ele demanda muita mão de obra, que é a silvicultura, que é plantar, né? Você faz as mudas no viveiro, leva isso para campo e planta. E aí tá tendo uma corrida de todas as grandes marcas que fazem implementos, né, florestais, é John Deere, Komatsu, Tiger Cat, Ponsse, essas marcas, é pela mecanização do plantio.
Então hoje existem plantadeiras, elas custam R$6, R$7 milhões, que elas plantam 1.200 árvores por hora. Então é uma máquina com dois braços que vai andando na linha, né? Ela é alimentada por mudas e o braço vai plantando as mudas aqui, ali, aqui, ali, já irriga, já aduba. É uma coisa fabulosa.
Cara, bem interessante essa perspectiva de tempo. Eu venho do mercado automobilístico, onde você fabrica um automóvel em Não sei quanto tempo leva de começar a ficar pronto, deve levar algumas horas, né? É tudo muito rápido lá, né? Outro dia eu fui fazer uma palestra para Embraer e eu tava conversando com eles lá, o planejamento estratégico, eles estavam me contando, falou: cara, o processo do avião aqui é o seguinte, eu vendo hoje o que eu tô entregando daqui a 7 anos, certo?
Entendeu? Olha só, então se eu pisar na bola hoje, eu vou colher a minha cagada de hoje daqui a 7 anos. Então tem uma Uma janela, né? Então eu tenho que trabalhar aqui para o que vem lá na frente. Até desenvolver é muito longe, né? Que nem um prédio, né? Eu vendo hoje um prédio que eu vou entregar daqui a 4, 5 anos, né? No caso da árvore, cara, perfeito. Como é que é esse negócio do timing, cara? Que eu morava em Bauru, tava em São Paulo, e tem uma extensão depois de Bauru ali, Agudos, cara, aquelas grandes empresas tinham lá, era muito.
E eu ficava fascinado porque às vezes eu passava, tava tudo no chão. Depois tava um pouco alto, aí um dia tava alto, né? Fala, cara, como é que os caras, né? Como é que sempre tem madeira, né?
Você sabe que eu nunca tinha pensado nisso, não sabia disso da aviação, mas você descreveu, só trocar a palavra, exatamente o setor florestal de base plantada. Exatamente a nossa dor é essa. O agro se planta para colher no outro semestre. Floresta você planta, na melhor das hipóteses, para colher daqui a 6, 7 anos. Na melhor das hipóteses. Então você tem que ter uma visão muito boa de como é que vai estar o mercado daqui a 6, 7 anos, senão você pode se quebrar.
E muita gente se quebra. É bem isso, é muito característico da soja, né? Soja tem um up, todo mundo planta soja, aí cai, um monte de aventureiro quebra e fica aquelas empresas tradicionais. No nosso setor isso também acontece.
É muito pior no teu setor, né? Porque soja, cara, espera um pouquinho, não dá soja, aí tira, bota o milho, dá para fazer uma galinha. Com árvore não tem como, tira e bota outra coisa, tem que esperar ela "Tem que esperar." Está madura, né? E aí levou 7 anos.
Levou 7 anos.
E outra, como é que você vai saber o mercado daqui a 7 anos? Quer dizer, como é que você lida com preço? Tem essa coisa de você, preço futuro e tudo mais?
Tem, tem. Então, a gente, graças a isso, Luciano, a gente criou uma startup, a gente pensando em viver mais 50 anos a nossa consultoria, a gente criou uma startup para trazer algumas soluções de tecnologia. E uma delas é tokenizar, não sei se você está familiarizado com tokenização, blockchain. Tokenizar a árvore para você vender árvore no mercado futuro, né? Porque não existe, como existe para boi, para soja, o mercado futuro de árvores no Brasil.
Então a gente tá já há 3 anos, né, se organizando tecnologicamente, legalmente, estruturando para criar esse mercado futuro, né? E aí você plantou a tua árvore, e esse é um grande problema, né? Teve uma evasão muito grande de pequenos e médios produtores que não aguentam 7 anos para ter uma receita. Você planta tua árvore, Ela é transformada numa representação digital, que é o token. Aí você vai lá para um investidor ou para uma empresa consumidora e vende isso, né?
Obviamente por um preço, um deságio, né? Sim, mas você vende isso e o cara vai saber que daqui a 7 anos ele tem uma garantia de supply disso, de fornecimento.
Cara, que isso é um negócio muito arriscado. Você está ouvindo o Lidercast, um podcast voltado para finanças e empreendedorismo. De onde veio este? Tem muito mais. Por exemplo, a minha mentoria MLA, Master Life Administration, um programa de treinamento contínuo em que reunimos pessoas interessadas em conversar sobre temas voltados ao crescimento pessoal e profissional. Comunidades online oferecem conexão, compartilhamento, apoio, aprendizado e segurança.
O MLA É mais do que isso, é um mastermind para profissionais, com encontros mensais presenciais e online, promovendo uma sensação de comunidade e uma troca muito valiosa de experiências. Olha, tem vagas disponíveis. Se você se interessa em estar comigo, acesse mundocafebrasil.com e clique no link para saber mais. Me conta uma coisa, como é que é quando você fala um pequeno produtor? Imagino que esse cara é complicado, ele não tem muita área para isso, mas vamos lá.
"Vamos ver um produtor legal." Eu trouxe para fazer uma palestra, eu tenho um mastermind que é o MLA, é o nome dele, eu trouxe uma italiana, uma especialista em vinho. Cara, a mulher sabe tudo de vinho, né? E eu levei ela para falar para a gente, eu falei: "Só que eu não queria que você fosse lá fazer uma palestra de vinho italiano, cara." Ela: "Posso falar de vinho brasileiro?" Eu: "Pelo amor de Deus, claro que pode." E ela foi lá e deu uma aula de vinho que foi uma coisa maravilhosa e contou coisas lá que a gente não fazia a menor ideia, né?
Amarrar com as árvores aí. E uma delas, ela contou, ela falou o seguinte: cara, vocês têm um negócio no Brasil que é inacreditável. Que então ela botou o mapa mundo e falou: ó, tem uma faixa de vinho aqui em cima, Toscana, Califórnia, aquela coisa. Tem uma faixa de vinho aqui embaixo, Austrália, Argentina, aquela coisa. Esses são os dois lugares onde se produz o melhor vinho do mundo. E vocês vieram fazer vinho aqui no meio, Petrolina, não sei o quê.
Vocês estão fazendo vinho no lugar, cara, que não é para dar vinho. E tá dando vinho. E ela explicou o que que vocês conseguiram fazer. Vocês têm o tipo de solo e de ambiente de vocês, ele permite que através de uma técnica de poda e irrigação você consegue recriar as 4 estações do ano no mesmo lugar. Então ela fala: você pega um terreno grande, divide o terreno em 4, primavera, verão, outono, inverno, vocês imitam isso ao mesmo tempo, o que significa que você tem colheita O ano inteiro, em todas...
Quando eu vou para aqueles lugares frios, é colheita é uma, duas vezes por ano. Aqui tem três, tem quatro, porque vocês conseguiram. E o podador, eu não tinha a menor ideia, o podador brasileiro vale ouro no mundo, cara. Os caras querem porque a técnica que a gente desenvolveu aqui de podar é uma coisa única e conseguiu recriar. Então, se eu pego essa ideia e levo para árvore e pego um cara que tem uma área muito grande, uma empresa que tem uma área muito grande, Como é que ela faz?
Ela fatia essa área para enquanto eu tô plantando aqui, eu tô colhendo lá. A hora que eu terminar de colher, eu começo a plantar, de forma que quando eu termino de fazer aqui, a outra já tá madura. Como é que é? Como é que é isso?
Sim, a gente faz isso, mas por uma razão diferente. A gente faz isso porque, veja, se eu plantar tudo que uma indústria precisa consumir no mesmo ano, eu vou ter 6 anos sem nada. Então eu escalono Isso, eu vou escalonando de modo que eu tenha uma produção contínua. Então uma indústria faz essa conta: eu preciso de x mil metros cúbicos de madeira em um ano, multiplico isso por 7 e planto isso ao longo de 7 anos. Então esse é o raciocínio para você ter um fluxo constante de madeira.
Quer dizer, ela podia plantar tudo, vender de uma vez, fazer um monte de grana e ficar 7 anos no vazio.
Podia.
Então não quero isso, eu vou fazer um pedaço de cada vez.
Mesmo porque custa caro plantar, então ela dilui isso. Custa hoje... Custa R$15.000 a R$16.000 por hectare para você plantar uma floresta de eucalipto. Então multiplica isso por 1.000, por 10.000, por 100.000, uma indústria de celulose precisa de 200.000 hectares de área plantada. Então realmente é uma fábula de dinheiro. A gente está falando aí de 30 bilhões.
Mas a rentabilidade disso deve ser uma maravilha. A rentabilidade deve ser um negócio...
A rentabilidade é boa, já foi melhor. Já foi melhor, aí tem um problema também de custo pós-guerra, né? Alto custo de insumo, mão de obra, diesel, né? Mas ela é boa e ela segue uma lógica de outras commodities no Brasil, que se você agregar valor, ela se torna muito melhor. Então você vender— nós temos muito, muitas, muitos clientes que vendem floresta, vende madeira em pé. Então vendo para você, você vai lá, pega a tua máquina de colheita, colhe, leva para onde quiser.
Agora, as indústrias celulósicas transformam isso em um outro produto e exportam em dólar, aí sim realmente a margem é muito fabulosa.
Sim, eu dei uma olhadinha no trabalho de vocês, olhei o teu site lá, na hora que eu estava vendo, será que vale a pena chamar, e eu vi uma coisa interessante lá, muito próximo da Faria Lima, de bolsa de valores, você acabou de falar que você foi hoje, você estava lá com uma reunião com fundos e tudo mais, né? O que que é, cara? Que moeda é essa? O que que é isso que você tá trabalhando com?
Legal, isso é uma coisa bem importante ter perguntado. O que que aconteceu? O Brasil, ele imitou um processo que aconteceu no maior produtor florestal do mundo, que é os Estados Unidos. E eu gosto de contar essa história, que saiu da minha cabeça, para a ilustração sair da minha cabeça. Mas eu penso que um belo dia, um cara que era diretor-presidente de uma empresa de celulose, ele olhou pela janela e pensou: cara, o meu negócio é fazer papel, papel higiênico, papel de escrita.
"Por que diabos que eu tenho que ter milhares de hectares de mato plantado e trator, caminhão, pionzada e governo me enchendo o saco? Sabe o que eu vou fazer? Eu vou separar as coisas. Eu vou vender isso aqui para alguém e eu vou comprar essa madeira desse cara e vou focar só no meu core business, que é fazer celulose e o papel." Aí começou um processo nos Estados Unidos de verticalização. E surgiram empresas especializadas em fazer floresta.
Cara, você é bom para fazer floresta, faz floresta, e eu sou bom fazer celulose, e eu compro de você. Então esse foi o negócio que foi feito, né? E aí surgiu no meio desse negócio, ou atrás desse negócio, uma instituição de investimento que a sigla é TIMO, é Timberland Investment Management Organization. Então é uma instituição que gerencia investimento voltado à floresta. E os caras começaram a olhar no mundo, pô, onde é que a gente pode fazer isso?
Brasil. Aí vieram para o Brasil, atrás dos times tão grandes, fundos. Aí tem fundo de pensão, tem fundo de endowment, fundo de Harvard, por exemplo, que é um fundo de 300 bilhões, ele já teve investimento no Brasil, né? E tem outros, tem fundos nacionais também. Esses caras viram que a floresta é uma alternativa bacana de alocar uma parte do recurso, porque é um negócio estável, com risco baixo, bem conhecido, né? Não tem um retorno fabuloso, mas é interessante.
Então eles começaram a trazer dinheiro para fazer essa locação aqui. Isso começou a dar muito certo, foi bem na virada do milênio que começaram a vir os fundos para cá, né? 2000 até 2010, Luciano. Isso é muito interessante, é quando a Advocacia-Geral da União reinterpretou uma lei de 1971 proibindo novamente aquisição de terra por estrangeiro no Brasil. Então deu um balde de água fria nessa movimentação. E aí as empresas, a partir de 2010, não puderam mais adquirir terra.
E elas tiveram que achar outras alternativas jurídicas para poder continuar. Então poderia ter ido muito mais longe isso. Alternativas jurídicas, por exemplo, elas podem adquirir desde que ela tenha uma empresa cujo o sócio, um sócio brasileiro, é dono de 51%. Aí vem uma questão de governança, né? Não é todo mundo que quer isso. E a maioria das empresas que fazem isso, o sócio brasileiro tem a maioria, mas não tem a maioria, é só um laranja comum.
Esses fundos servem para o greenwashing? Vamos explicar o que é o greenwashing, né? Tem toda uma legislação, tem ESG, aquela coisa toda, e a empresa para mostrar que ela está imbuída da boa vontade de não desmatar, proteger o meio ambiente, ela vai e faz algumas ações lá e pinta de verde a fachada dela e todo mundo: "Ah, que empresa maravilhosa!" maravilhosa, tudo. Na verdade, ela não comprou o projeto, ela tá ali porque tem que fazer, então ela dá uma enganada lá e todo mundo acha que tá lá, né?
Esses fundos é um caminho para— eu não digo greenwashing, quando eu falo assim é ruim, né? É mau. Eu quero dizer o seguinte: eu tenho a minha empresa e eu quero dedicar uma parte para um investimento que tenha a ver com proteção ao meio ambiente, etc. e tal. Esses fundos servem para isso? Eu posso usar um fundo desse e botar no meu ESG?
Sim. Olha só que a tua pergunta é... Você falou que não conhecia do setor, mas eu acho que você está mentindo. Se há uns 6, 7 anos atrás, Luciano, eu fosse um desses fundos para falar de projeto de carbono, de crédito carbono, o cara ia me mandar embora e falar: "Cara, vai abraçar uma árvore, porque o meu negócio é produzir madeira." Mudou completamente. Hoje os fundos globalmente estão super sensibilizados A isso que eles chamam de investimento de impacto.
Então todos os fundos americanos e europeus que estão no Brasil, que continuam olhando madeira para fazer celulose e tal, eles também olham investimentos para fazer florestas que vão ficar em pé gerando outros benefícios. Então hoje está uma coisa combinada, né? Por quê? Porque o cara lá atrás, lá na Europa, lá no, não sei, no family office, ele exige que o fundo tenha essa pegada ESG, que tenha essa pegada ambiental, não somente madeira ou qualquer coisa produtiva. Então realmente isso hoje está em cima da mesa fortemente.
É uma mudança cultural que acaba mudando a maneira até como a gente faz negócio, né?
Exatamente.
Quando esses fundos vêm aqui olhar para o Brasil, ele olha, ele vê, olha, tem uma área muito interessante lá que é de eucalipto, né? Como é que chama? De reflorestamento, eucalipto lá, produção de madeira para mão de obra. E tem a Amazônia, cara, que tem um lugar lá que não é pra botar a mão, entendeu? Ou até bota a mão pra conservar, mas não é o lugar pra reflorestamento, é um lugar onde a exuberância da floresta vai dar dinheiro por se manter exuberante assim, mas dá pra ver no mapa isso?
Eles falam: olha, dá pra botar dinheiro lá, dá pra botar dinheiro aqui, se investe em todos esses pontos, eu posso escolher onde eu vou investir?
Dá pra ver perfeitamente. A maioria dos fundos, sendo, corre da região amazônica, né? Porque eles já sabem que é muito mais difícil fazer qualquer coisa lá. Tanto é que às vezes a gente traz para— eu vou dar um exemplo aqui— traz para discussão, ah, mas uma possibilidade de fazer um plantio de eucalipto no Maranhão. Não, nosso fundo não investe Maranhão, Maranhão já tá dentro, né, da Amazônia Legal. E aí a gente entende nosso compliance aqui, às vezes nem tão muito certos, mas ele entende que é muito mais difícil por isso, por por isso aquilo.
E lógico, eu não tô falando em desmatar, tô falando numa área que já tá desmatada, mas está dentro da região da Amazônia Legal.
Esse é um ponto legal que você levantou e eu vi essa discussão sendo repetida aí, porque quando você cai na caixa da ideologia aí vira uma loucura, né, cara? Que é aquela história de você: eu não fui derrubar pra replantar, eu fui numa área que já tinha sido derrubada, que tava lá degradada, e ali eu vou utilizar. E tem alguns lances que a turma não entende, não conhece. 71, o que acontecia em 71, cara? 71 tinha o governo que era o governo militar, havia um incentivo para ir para o interior.
Qual era o conceito dos militares lá? Se a gente não tomar conta da nossa terra, alguém vai entrar e vai pegar. Então vamos entrar. E aí começou a incentivar o pessoal, se você for lá para os Cufundel do Juda, "Olha, você tá lá no meio de Goiás", 1970, hein? "Você tá lá no meio de Goiás. Se você vier aqui desmatar, botar tua terrinha, tudo, nós te damos o título". E aí famílias do Sul, os gaúchos, todo mundo subiu e foi lá e começou a desbravar.
E a ideia qual é que é? Chega, derruba a floresta, cerca e bota alguma coisa lá, planta, bota gado, faz isso aqui. Então acaba nascendo um ciclo, né? Eu chego lá, desmato, vira Pasto, bota o boi, o boi fica lá um tempo, degrada aquilo tudo, chega uma hora alguém vai lá, olha e fala: "Pera um pouquinho." Trata aquela terra, começa a plantar alguma coisa, então tem todo um ciclo que vai acontecendo lá, né? E no final das contas, quando começa a plantação, é monocultura uma coisa, é culturas diversas é outra coisa, então tem... O fato é que há um ciclo ali rolando, né?
Sim. E eu acho importante, sabe, Luciano? Você falou da ideologia e eu gosto sempre de lembrar da questão do desenvolvimento sustentável. Desenvolvimento sustentável, na sua concepção, é você desenvolver todos os lados da moeda: o ambiental, o social e o econômico. Então você não consegue desenvolver 100% econômico sem prejudicar alguma coisa ambiental, assim como você não consegue preservar 100% sem prejudicar o econômico. Então quando você bota a ideologia e olha só um Aí realmente é difícil de resolver.
Que é aquele caso que eu já ouvi as autoridades sempre falando, eu falo: "Cara, tem 20 e tantos milhões de pessoas vivendo na Amazônia." Exato. Se eu não der pra esse cara o que comer, ele vai derrubar árvore, cara. Exato. Ele vai derrubar floresta, né? E aí como é que você faz? Ah, Bolsa Família resolve? Não, não resolve, cara. Isso não é sustentável, né? Então tem que ter um... Mas isso exige uma... De novo, se você botar ideologia dentro...
Não. Aquela... Locura, né? Vocês têm enfrentado dificuldades com essas legislações, essa coisa que a cada momento aparece uma ameaça aí de que vou proibir mais isso, mais aquilo, né? Vou perseguir os caras agora, porque... Deixa eu contar um lance. Eu tive numa das visitas que eu fiz lá para o Mato Grosso, o Sal me contou a história de um fazendeiro. E é engraçado, porque quando a gente fala da fazenda aqui em São Paulo, né? Eu falo "Como é que é a fazenda?" Cara, fazenda em São Paulo, eu abro a minha janela, olho e minha fazenda vai até aquela cerca, tá vendo?
Puta que é grande, né? Lá você abre e não tem fim. Então uma das que eu visitei, nós ficamos 2 horas andando de carro para ver a fazenda, né? Então o cara não tem como controlar, que ele é tão grande que não tem controle. E entraram os caras e roubaram madeira, entraram e fizeram roubo de madeira. O satélite pegou e caiu no colo dele uma multa de R$2 milhões da madeira que foi roubada da fazenda dele. Ele teve que pagar. Ele falou: "Cara, a culpa não é minha, eu fui roubado." Não interessa, cara, a fazenda é tua, tu tem que cuidar.
Não cuidou, se ferrou. Então, não basta ter rolo com índio, com a onça, com a chuva, com o sol, ainda tem o bandido e ainda tem o satélite lá em cima que pega você, né? É, como é que é isso, cara? Isso não cria um cenário de incerteza, cara, de jurídico? Você que é advogado, né? Um gringo chega aqui e fala: "Pô, investi nesse lugar, cara, daqui a pouco alguém muda a regra do jogo, aí eu dancei." Como é que é?
Completamente, completamente. Isso, a insegurança jurídica nessa área é sem dúvida uma das principais causas e explicações do porquê que a gente não tem, em vez desse lado dos 10, 12 fundos aqui não tem 100 fundos investindo, porque fora do Brasil tem muito mais fundo investindo em floresta. Então ainda o pessoal vê o Brasil, né, como um ambiente não estável o suficiente para poder investir. Eu vou te dar um exemplo que não tem a ver com meio ambiente, mas talvez os ouvintes aqui já tenham acompanhado também bastante a questão, uma questão que se arrastou por 8 anos, que foi uma batalha judicial entre o grupo JIF e uma empresa internacional chamada Paper Excellence pela propriedade de uma fábrica de celulose, Eldorado.
E isso, a Paper Excellence, os estrangeiros ganharam em todas as instâncias, ganharam em todas as instâncias. E lá no final do jogo, por uma questão meramente política, né, eu falo isso é bem tranquilo porque isso já é amplamente sabido, né, virou o jogo e o grupo nacional ficou com a empresa. Então, JBS, exato.
Então isso traz o dono, pega o telefone e manda o Trump receber o Lula.
Exato. É, caras que, caras que mandam no mundo, né, estão acima deles, estão acima de quem manda. Aí de nós, né? Então realmente existe esse ambiente de segurança e a questão jurídica. Eu sempre falo assim, quando chega um cara aqui, um gringo, não conhece o Brasil, como é que é a legislação? Falei, não é a legislação do Brasil, cada estado tem a sua peculiaridade. Infelizmente começa assim, é uma colcha de retalhos. Tem, por exemplo, Rio Grande do Sul, é o estado mais restritivo de todos.
Mato Grosso do Sul é o estado que soube deixar isso mais flexível, tanto é que você tem 4, 5 grandes indústrias lá e um baita desenvolvimento graças a essa movimentação de Mato Grosso do Sul.
Você lembra quando a BMW botou uma fábrica no Paraná?
Sim, lembro.
Eu era fornecedor dos caras na época lá, né? E no dia do anúncio, da abertura toda lá, o presidente da BMW tava aí, ele foi lá fazer uma palestra com a imprensa toda lá, e o primeiro chart que ele botou era um chart que mostrava só facsímile de boleto, lei. Ele falou: "Cara, olha o que nós tivemos que fazer do ponto de vista da burocracia para conseguir meter uma fábrica aqui." Tem que ser muito teimoso, cara, para conseguir, né?
Ele falou: "A dificuldade burocrática foi tão grande que a gente pensou em algumas vezes em desistir." Olha isso aqui. Aí você olha para aquilo e fala: "Meu Deus do céu, cara, esse cara tiveram que montar uma estrutura gigantesca." Só me lembrei de uma outra história. Eu, no final da minha carreira lá na empresa que eu tava, a gente tinha feito algumas ações junto com os Fittipaldi, com o carro do Fittipaldi e tudo mais. Um belo dia o Emerson me chamou e eu peguei e fui lá no escritório dele e ele contou uma história.
Ele falou: "Cara, o pessoal vem aqui no Brasil, pô, tem uns nomes da Fórmula 1 maravilhosos, quando chega aqui no Brasil não tem nada pra ver. Não tem um museu da Fórmula 1, não tem um museu do Senna." "Não tem nada aqui." Cara, a ideia é construir um museu do automobilismo ali no Autódromo de Interlagos. Fazer como fizeram lá em Daytona, aquela coisa toda lá, né? Bom, então vamos fazer um projeto, aí chamamos lá o, aliás, outro paranense que foi governador e prefeito lá, o Jaime Lerner.
O Jaime fez um projeto, aquela coisa toda, pô, montamos um projeto, era um negócio de 40 milhões de dólares, né? Ia ficar maravilhoso, ia ficar lá no meio, ia mexer no entorno, ia mexer no acesso, que era uma coisa maravilhosa, um puta de um projeto. E a ideia foi assinada na prefeitura, era o Serra, estivemos todo mundo presente lá, porra, maravilha toda. E aí cabia a mim, na empresa que eu tava, a gente tava bancando, nós éramos uma espécie de um seed money, era um primeiro investimento pra poder o projeto ficar pronto, e aí então sair pra pegar dinheiro.
Grande e construir aquilo que foi colocado ali, né? E a gente foi, pegou uma empresa que é uma empresa especializada em fazer museus aqui em São Paulo, cara, os caras no mundo inteiro, né? Sentamos com os cara lá, o cara: "Pô, maravilha, dá para fazer, pá pá pá, como é que é a saída?" "A primeira coisa que tem que fazer, nós vamos ter que contratar uma banca de advocacia para montar uma estrutura jurídica E antes de começar a fazer, porque a hora que esse projeto entrar na Câmara de Vereadores aqui, ele vai ser bombardeado e vocês não vão nem passar da ideia.
Então tem que ter toda uma estrutura. Quando chegou o preço da estrutura, acabou o projeto, cara. Morreu. Não nascente. A hora que apareceu quanto custaria fazer uma estrutura que protegesse aquilo tudo, e aí, cara, você pode imaginar o que não vinha, né? Ele falou: "Cara, vocês vão ser bombardeados de todas as formas." Cara, mas é um puta projeto, vai revigorar a Renata. Não interessa, cara, isso vai bater em interesses mobiliário, poder, e se você não cercar isso aí, você vai dançar. Por isso, daquilo, a gente pode fazer.
Entendi.
Então, eu imagino o trabalho de vocês deve trombar com isso a cada momento.
Demais, demais. Existe um caso agora que está em cima da mesa, né, que aconteceu 10 dias atrás, Luciano, existe uma empresa de celulose chilena que tem uma fábrica em Guaíba, do lado do Rio Grande do Sul, que é a CMPC. E a CMPC, puxa, acho que é duas décadas que ela fala do desejo dela de ampliar, né, no Brasil. E ela, em 2025, a legislação do estado do Rio Grande do Sul deu uma afrouxadinha, e eu acho que ela ficou com medo que alguém chegasse lá.
Ela já anunciou, né, que ela faria uma segunda fábrica de celulose no município de Barra do Ribeiro, É um pouco para o sul, né, no litoral também. E ela daí, ela se movimentou para isso, ela comprou muita área já, né, foi comprando, comprando, comprando. E agora no processo de licenciamento, e um processo de licenciamento ambiental de uma fábrica dessas, ele é muito, muito complicado, né. Você tem que fazer um estudo, né, que a gente chama de estudo de impacto ambiental, um EIA, muito detalhado, né, que demora aí um ano, né, custa um caminhão de dinheiro, se envolve uma dezena especialistas.
E o Ministério Público agora, nos 48 segundos do tempo, chegou com uma nova quantidade de exigências, né, relacionados a levantamento social dos, do povo de pescadores, de ribeirinhos, coisa que já tinha sido feito. Agora eles pediram um nível de detalhamento que o presidente da empresa falou: é impossível, eu vou tirar a indústria daqui e vou levar para o Paraguai. Então foi anunciado Foi um horror assim. Rio Grande do Sul não vai mais receber esse investimento de R$20 bilhões, vai para o Paraguai. Eu não sei até onde isso, ele não tá trocando mesmo, mas é uma ameaça, né?
Ford 2 é missão.
Exato.
Ford 2, a missão.
Exato. Então pode ser que o estado do Rio Grande do Sul perca. E o estado do Rio Grande do Sul, um estado pobre industrialmente, né, tem pouquíssimas indústrias. Pode ser que ele perca esse grande investimento por conta dessa teimosia e essa falta de aquilo que eu falei anteriormente, de visão do todo, né? Porque é normal qualquer coisa. Nós dois conversamos aqui, conversando, a gente tá gerando algum tipo de impacto ambiental.
Uma fábrica vai gerar impacto para os pescadores, vai gerar. Mas dentro do processo de licenciamento, ela tem que fazer o quê? Ela tem que tentar ou eliminar o impacto, que é muito difícil, minimizar, mitigar.
Exato.
E terceiro, você não tem nada, compensar. Então isso daí já é algo que é plenamente É possível. E tem que ser feito, porque se você não fizer isso, você não vai prejudicar aqueles 100 caras que estão lá, mas você vai prejudicar centenas de milhares que estão do outro lado e podem ganhar muito em desenvolvimento, emprego, etc., com a fábrica.
Como é que o trabalho de vocês contribui para uma cultura da floresta como um valor? Floresta em pé e não deitada. Sim. Como é que eu trabalho?
Vocês, então, veja, quando a gente fala de floresta em pé, a gente hoje trabalha muito com alguns tipos de projeto que não tem mais a ver só com madeira, né? Então vamos de novo falar da Amazônia, floresta nativa, que tem a ver com madeira. Existe uma forma legal de você explorar madeira na Amazônia que chama um plano de manejo florestal sustentável, aonde se faz um planejamento e tira algumas árvores por ano que já é suficiente para se movimentar uma operação industrial, serraria e tal.
Mas existe a questão do carbono. O carbono é o primeiro dos serviços ambientais prestados por uma floresta que está precificado. A gente tem biodiversidade, tem água, ainda não existe um mercado definido, vai chegar lá, eles estão começando a ser desenhados, mas o mercado de carbono ele já existe e você já consegue agregar esse valor na floresta.
São os tais dos créditos de carbono.
Crédito de carbono. Então existe o que que tá, isso daria material para mais muitas horas de conversa, mas atrás disso está o principal problema ambiental do século 21, que é a mudança do clima, e criou-se nessa ideia de você compensar as emissões de gases efeito estufa com floresta, né, que é um mecanismo que tira CO2 da atmosfera e transforma isso em em carbono, né, e fixa isso durante muitos anos, senão a vida inteira. Então hoje esse é um tipo de projeto que tá sendo desenvolvido muito no Brasil, né, a gente faz isso bastante, né.
E além disso, Luciano, o setor de base florestal plantada, e voltando agora para o eucalipto, ele é um setor que conserva muita área nativa. Por quê? Porque se você plantar, se tirar tudo tudo e plantar, aquela área vai se tornar pobre. Então, se for olhar hoje as áreas das empresas florestais, Suzano, Clabin, as grandes, né, você vai ver que a quantidade de área nativa preservada por área plantada é muito relevante, muito acima da lei.
Mas como é que funciona isso? Eu, por exemplo, eu sei que numa fazenda, se eu quero, eu tenho um percentual, dependendo da região do Brasil, se eu for para Amazônia, 80% da minha área tem que ser fazenda, tem que ser floresta Nativa preservada lá. Eu só posso trabalhar em 20% dessa área, né? Quando pinta essas regiões aí que você vai, de novo, qual é o termo? Reflorestamento, né? É igual, tem que ter uma área nativa também, porque quando você fala, eu olho aquela, eu lembro de eu ali em Bauru, na estrada dirigindo, aquilo é uma monocultura, cara, é pinus que não acaba mais, mas tudo igual.
Tudo, não tem uma castanheira no meio, é só pinus, né? Isso de certa maneira não é bom para o meio ambiente, conforme prezam o senso comum, né? Como é que funciona?
Então, da mesma forma que na Amazônia você tem que manter 80%, aqui você tem que manter 20%, né? Então o percentual aqui no Sudeste, como um todo, né? Existem algumas variações mas é mais ou menos ao contrário. Então, de uma forma muito rápida e simples, tem duas coisas que uma propriedade rural precisa manter. É o que a gente chama de, primeiro, reserva legal, que são os 20%. Então toda propriedade precisa ter 20% de área conservada a título de reserva legal.
Ah, mas a minha área não tem nada. Então você tem várias formas de, tem que ter os 20% Você pode recuperar a floresta nativa, ou isso é uma novidade legislativa, é relativamente novo isso na legislação. Você pode plantar no 100%, mas você vai lá no teu vizinho e compra os 20% dele. O teu vizinho que tem os 20% dele mais 20% para ceder, ele cede onerosamente para você, né? Isso é uma coisa muito interessante porque aquele cara vai parar de pensar: porra, eu fui o trouxa que não desmatei essa área aqui enquanto meu vizinho desmatou e plantou ele vai ganhar para manter.
40% da área dele tá reflorestado, só que 20 é para ele, 20 para o vizinho que não tá.
E existe daí um segundo, mas infelizmente ali da rodovia a gente não consegue ver. Existe uma segunda, é, Instituto Legal chamado área de preservação permanente, que são as faixas marginais dos rios, nas nascentes. Aí existe sim realmente uma obrigação, aí é uma vaca sagrada, você não pode mexer mesmo, né? E se não tem, tem recuperar, né, isso tem que ser mantido. Então hoje o que eu tô falando, que o setor florestal somado à reserva legal com área de preservação, provavelmente ele consegue ir além ainda, né, do que ele teria que manter.
Olha que conta interessante que você fez aí, vamos trazer para o ambiente urbano. Você mora no apartamento de 90 metros quadrados, significa que 18 metros você não pode mexer. Exato. Tem que ser uma área sagrada e é a mesma coisa, né. Não posso mexer em 18 metros, dá um quarto de 3 por 6, cara. É grande, é grande.
É um belo quartão.
Você não pode pôr a mão nele. O cara da fazenda tem que fazer isso, né? E essas indústrias também. Então é uma indústria dessa que tem uma área gigantesca com pinos, colada nela ou em algum lugar vai ter que ter uma área de floresta nativa.
Vai, vai ter. Você sabe que é, eu durante muitos anos eu 3 cursos dele de ação ambiental aqui na Associação dos Advogados de São Paulo, a ASP, no centro. E eu lembro direitinho, no curso que a gente tava tendo um debate, ele era presencial e transmitido, a gente tava tendo um debate muito ferrenho sobre isso, né, sobre a obrigatoriedade do produtor rural conservar x que seja em qual região. Aí eu falei para um rapaz, eu falei, cara, Antes de você falar, lembre-se que nós estamos aqui em cima de uma bacia hidrográfica que já foi floresta e foi totalmente desmatada para a gente poder estar aqui nesse prédio bonito, eterninho, né, no ar-condicionado.
Então é complicado de falar, cara, a conta dele, a conta do cara que tá lá no Goiás, Tocantins, no Pará, Mato Grosso, e eu aqui, ó, não tenho conta nenhuma.
Que em termos de geopolítica é a discussão mundial, né? A Alemanha vem aqui cagar regra E já destruiu tudo que tinha lá, né? Noruega vem aqui dizer como é que tem que ser e já destruiu tudo lá.
Por isso que esse—
como é que é? É "farmers here, forests there".
Por isso que esse mecanismo que é muito novo da legislação, que é chamado pagamento por serviços ambientais, ele é uma coisa muito interessante, porque ele fala o seguinte: eu tenho a floresta, tá na minha área, e segundo a lei eu tenho que manter. "Mas essa floresta não tá gerando benefício só para mim, tá gerando benefício para todo mundo que tá em volta. Então nada mais justo que todo mundo me ajudar a pagar e manter essa floresta." Então hoje o mundo tá desenhando mecanismos, é muito difícil ainda de você, né, conseguir operar isso, né, por uma série de razões, mecanismos para fazer isso acontecer, para que a coletividade pague manutenção daquela floresta.
Vamos voltar para o início da nossa conversa aqui. Vamos lá. Mas mais vale ela em pé do que deitada. Exatamente. E aí é legal, se eu encontrar uma forma de ganhar dinheiro e você deu uma dica aí, aquele cara que tem os 20 dele e pega mais 20, trata aquilo, deixa direitinho e aluga, compensa, mas ele está recebendo para isso, tem dinheiro entrando lá dentro.
Isso hoje é previsto em lei e isso funciona.
Só não tem um mercado ainda, já tem um mercado quantificado disso?
Já deveria ter, tudo no Brasil vai sendo sendo empurrado, né? O timing da lei já deveria estar plenamente, mas ainda tá sendo empurrado, ainda tá muito embrionário isso, mas já funciona, já funciona.
Bom, meu cara, esse tema é sensacional, bicho. E nós nem entramos na ideologia, hein? Felizmente, se entrar na ideologia vai dar briga que não acaba mais, né? Vocês têm enfrentado?
Era uma para viver.
Vocês têm enfrentado isso, cara? Esse problema de aparecerem os elementos, entrar na reunião, entrou um elemento lá e... Eu adoro contar as histórias, cara. Estou lá em Mato Grosso, me levaram numa cidadezinha e nessa cidade, que eu não vou me lembrar o nome porque eram muitas, eu visitei muita coisa lá. Ali era onde começaria a hidrovia que ia mudar a história do Mato Grosso, né? E eu fui lá, peguei um senhor que morava lá, tinha um restaurante ali, a gente conversando, né?
E ele contando para mim como é aquela história. Ele me falou: "Luciano, tá vendo aquele pátio ali? Eu vi esse pátio entupido de tratores, motoniveladeira, niveladora, aquela coisa toda." E o olho dele vai enchendo de lágrimas, né? "Nos anos 70, aí vem aqui o presidente da República, chega aqui e lança O início das obras que iam pintar a hidrovia, pá pá pá, cara, botaram tudo aqui, ia começar a obra, uma entidade ambientalista entra com um processo lá em Brasília e para tudo por causa, sei lá, de um peixe, de um macaco, sei lá o quê, apareceu alguma coisa qualquer que parou.
E ele falou, aí o olho dele cheio de lágrima, ele falou: "Eu vi todo aquele equipamento apodrecer nesse pátio que você tá vendo aqui." E não foi que levaram embora, ficou aqui, na chuva, no sol, aquilo tudo estragou, apodreceu, tudo aquilo se perdeu, nunca mais saiu e eu estou falando de 30 anos, 40 anos que esse processo ficou parado, agora vão retomar, mas por uma ação ambientalista a coisa não andou, né? A realidade lá seria diferente se tivesse rodado a hidrovia.
Vamos falar do ponto de vista mais simples, cara? Talvez tivesse menos caminhão na estrada, muito menos caminhão na estrada, né? Muito menos caminhão, menos diesel, menos acidente, menos fumaça, menos tudo. Teria um benefício ali, menos custo. Poderia ter sido muito melhor para o meio ambiente se aquilo tivesse acontecido, né? Mas isso é trombocuíço toda hora, desde sempre, toda hora, desde sempre.
É de novo a questão de ideologia. Existe inclusive um movimento que chama as florestas plantadas de deserto verde, e assim chama por ignorância, e ignorância por não conhecer mesmo, né? Porque realmente quando você passa, você descreveu bem, você passa na rodovia, você vê que o tempo só tem isso, não é, né? Existe é formas de fazer aquilo, né? Existe Existe toda uma lei, existe uma legislação ambiental que é cumprida, né? E aí tem outro detalhe importante: por que que o setor florestal cumpre tão rigorosamente a legislação?
Porque ele tá lá por 7 anos. Obviamente não tô aqui acusando o agro, mas o agro é uma ação cultural. Mas se ele quiser fazer tudo, sai fora, beleza. É difícil de você fiscalizar o cara, não. O cara fazendo a dele, tá lá. 7 anos eu falo pelo menos, porque as grandes indústrias celulares estão por muitas décadas, né, se não mais de século já estão lá. Então realmente é difícil de você olhar isso de perto. Mas eu sempre lembro, Luciano, de uma— quando comecei minha carreira, eu fui para uma cidadezinha também, teve uma das primeiras fábricas no Espírito Santo, primeiras fábricas celulares do Brasil, em Aracruz.
E lá tinha uma história famosa que diz que uma vez um desses movimentos pichou no muro da empresa: "O eucalipto não mata a fome." Aí deu alguns dias, alguém pichou embaixo: "E alface não limpa a bunda." Então é assim, a gente precisa dos dois, a gente tem que conviver com o eucalipto e com a alface.
É, esse equilíbrio aí vai ser um desafio. Muito bem, meu caro, o que vem pela frente aí? Bem, o que vem pela frente?
Pela frente vem o quê? O mundo não para de consumir madeira e papel. As pessoas acham que, ah, mas agora isso é tudo digital, tal. Não, porque o grande motor propulsor dessa economia é o papel de higiene, né? Papel higiênico, é absorvente, fralda, etc. e tal.
Você falou que os Estados Unidos é o primeiro produtor do mundo, é o primeiro produtor de floresta do mundo. O Brasil tá onde?
O Brasil, ele é o quarto, né? Mas ele, por exemplo, é o maior produtor de celulose, né? Ele é um país de destaque. E assim, ele poderia facilmente, facilmente, se tivesse um pouquinho de ajuda assim, organização institucional, ser o maior produtor. Porque a gente tem terra, a gente tem capacidade de produção, a gente tem produtividade muito acima de qualquer outro país, sobretudo incluindo os Estados Unidos. Então a gente poderia ser realmente o maior produtor e tornar o Brasil uma economia de base florestal.
Quer dizer, a turma tá de olho pra cá. Quando eu falo você, o que vai ser do futuro, essa ideia do valor da floresta, isso você vê como, e não é pra pegar e desmatar e transformar em deserto, não, é pra reciclar.
Eu vejo, Luciano, e aqui já tá já um papo mais de boteco assim, mas eu vejo que o Brasil, e a gente sabe que o Brasil perdeu lá a Revolução Industrial, né, Ele ficou para trás. Eu vejo que o Brasil poderia usar o meio ambiente, as florestas, para recuperar isso e vender qualidade ambiental para o mundo, sabe? Os nossos governos tinham que investir, olhar isso mais seriamente, sabe? Porque é uma possibilidade. Venha para cá, traga essa indústria para cá, a gente consegue, sabe, lidar com isso, absorver isso e ainda ser um país verde.
Cara, sensacional essa área que você trabalha. Eu vejo com muito muito otimismo, sabe? Quanto mais, inclusive eu conheci uns caras que são advogados já para essa área, né? Advogados já voltados para a questão ambiental, tem toda uma lei aparecendo aí, isso só vai aumentar, cara, né?
Tomara!
Você tá numa área quente aí. Tá aí, tem algum livro saindo aí? Tem alguma publicação? Tem alguma?
O que eu vou deixar de uma sugestão aqui para o pessoal que gosta do tema, a gente segue aquela máxima que a mulher de César, além de ser honesto, tem que parecer honesto, né? Todo mundo tem que saber. Então eu escrevo muito sobre isso, né? Então tem um LinkedIn, como você já viu, né, bastante rico em artigos. Então vou sugerir para o pessoal dar uma olhada lá, Marcelo Schmidt, procura meu nome.
Só que seu Schmidt é diferente, é diferente, é dado no final. Cuidado, não tem T, não tem nenhum, nenhum nem dois T, nenhum nem dois T. Então é SCH M-I-D, Schmid. Marcelo Schmid, tudo junto, tudo junto. Tá no Instagram também? Tá no Instagram também, @marceloschmid. Isso, exatamente. Maravilha, cara. Bem-vindo ao Lidercast, grande papo aí, valeu a conversa.
Um abraço, oportunidade, abraço.
Até mais. Muito bem, termina aqui mais um Lidercast. A transcrição deste programa você encontra no www.leadercast.com.br.
Você ouviu o Lidercast com Luciano Pires, mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portal cafeabrasil.com.br.
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