LíderCast 425 - Ingo Plöger - Escolhas e o futuro no agro
Boas-vindas a mais uma série especial do LíderCast Congresso Andav. O convidado de hoje é Ingo Plöger, empresário, conselheiro e mentor. É presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), e costuma dizer que seu legado é “prospectar futuros” — e é exatamente isso que faz ao estudar tendências, cenários e transformações. Ingo é daqueles que puxam conversa na fila do pão e, às vezes, se distraem tanto que esquecem até de comprar o pão. Uma boa prosa sobre futuro, Brasil e escolhas.
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Ingo Plöger
- Geopolítica da IAAlimento, fertilizante e energia como poder·Nova ordem mundial·Brasil como potência geopolítica
- Agricultura Tropical e EconomiaPrevisões econômicas errôneas·Produtividade dos fatores·Just-in-time no agro·Desafios de conectividade no campo
- Desenvolvimento do Agronegócio BrasileiroEvolução histórica·Mulheres no agronegócio·Crescimento da classe média rural·Pioneirismo e incompreensão
- Futuro do AgronegócioTendências e transformações·Pioneirismo no Brasil tropical·Inovação e tecnologia no campo
- Congresso AndaveAndave·Modernização do agronegócio·Integração e visão de futuro
- Talento Brasileiro no AgroTerroir no Pantanal·Terroir de café gourmet·Produção agrícola em ciclos curtos
Boas-vindas a mais uma série especial do Lidercast, Congresso Andave. O convidado de hoje é Ingo Plugger, empresário, conselheiro e mentor. Ele costuma dizer que seu legado é prospectar futuros, e é exatamente isso que fez ao estudar tendências, cenários e transformações. Ingo é daqueles que puxam conversa na fila do pão e às vezes se distraem tanto que esquecem até de comprar o pão. Uma boa prosa sobre futuro Brasil e escolhas.
Muito bem, bom dia, boa tarde, boa noite, diretamente aqui do estúdio construído dentro do Congresso Andave, terceiro ano consecutivo que o Lidercast é o podcast oficial do evento. Eu não paro de me espantar cada vez que eu venho aqui, o evento tá maior, tá mais bonito, e vamos inaugurar com alto estilo aqui hoje, né? A gente começa com 3 perguntas que são as únicas que você não pode errar. Dali para frente você pode chutar à vontade, essas 3 tem que ser na lata, tá? Que é o seu nome, a sua idade e o que é que você faz.
Meu nome é Ingo Plogger, sou brasileiro e a minha idade, eu sou um jovem de 27 anos com 50 de experiência.
Você nasceu no Brasil? Não, você nasceu—
Olha a minha cara, olha o meu nome, né? Tá bom, tá bom. Nasci no Brasil, na mais paulista das avenidas. Opa! E sou presidente da Associação Brasileira do Agronegócio, ABAG.
Que bom, que bom. Satisfação tê-lo aqui. 15º Congresso Andave. Você já veio em outros anteriormente?
Sim.
Todos eles?
Não, em vários deles.
Como é que você avalia essa, porque caminhar por essas ruas aqui é uma loucura. Isso aqui não dá, a gente fica, eu costumo dizer o seguinte, isso aqui é um antídoto ao mau humor brasileiro. Se você tiver de mau humor, dá uma volta aqui dentro, você sai daqui com a cabeça nas nuvens, né?
Tem toda a razão, Luciano. Deixa eu te comentar como é que eu cheguei. Vamos. Eu entrei no Congresso e vi uma série de coisas, falei, nossa, como é que esse pessoal da Andave se modernizou? Eu não imaginava cyber, segurança, era isso, era aquilo. Aí eu descobri que eu entrei no Congresso errado, fui do outro lado, eu fui do outro lado. Mas eu falei, a Andave é isso, ela surpreende a gente. Aí eu liguei para a Gisleine, nossa diretora, falei, me salve.
Ela falou, ah, você tem que sair, entrar. Aí eu entrei na Andave e a surpresa foi que essa magnitude é uma generosidade, sim, é dos estandes, e você vê modernidade Você vê o campo, você vê integração, e é uma simbologia de ponta a ponta inacreditável, não é? Quando eu entrei no congresso, na plenária, eu vi esse mapa que aqui a gente vê e me emocionei, porque é um mapa que simboliza tantas coisas dentro da da colocação principal da agroeconomia, uma visão de futuro.
Esse é o agro, essa é a agroindústria. Você vê a família, um homem e uma mulher, né? O agro é família. Então são os filhos, são os pais, né? Aquela turma toda. E eles estão caminhando, e você vê a simbologia, eles estão caminhando de sul a norte, desbravando esse Brasil. E você vê uma simbologia, você vê o trator, Você vê as árvores, você vê as águas, você vê a caminhada e você não vê o final da caminhada, que é luz, né, que é esperança, é para onde a gente quer estar no Brasil lá na frente. Ah, é muito forte isso aí.
Eu costumo dizer que a matéria-prima do agro é vida, né, porque o que eles fazem? Criam vida, né? Então criando vida o tempo todo. Então isso é muito estimulante. Agora me fala uma coisa aqui, da Avenida Paulista para o agro. E você com 77, você deve ter assistido bastante o desenvolvimento do agro ao longo do tempo. Quanto tempo faz que você entrou nesse segmento do agronegócio?
O meu pai me levou no agro desde que eu fui criança, e não me lembro o primeiro dia que ele já me levou na fazenda, né? E ali na fazenda a gente tinha um, que até hoje nós temos, uma área de reflorestamento, só que porque naquela época era pasto. E a gente começou a reflorestar, preservando aquilo que a gente tinha. O meu avô nunca deixou abater o mar de lá. Nós temos quase 50% de nativa sul de Minas. E desde criança, minha mãe já me colocava em cima do cavalo.
Eu caía, ela segurava. Então, nas patas do cavalo, eu conhecia as propriedades, que eram grandes. E mexer com gado, marcar, castrar, laçar, e pegar chuva, pegar pó, plantar. E aí hoje na silvicultura eu tenho um fascínio por árvores. Então isso veio do berço praticamente. E então enquanto estava na escola eu tava na cidade, depois eu queria logo sair porque ficar aí para o campo de novo, né? Então essa, essa parte da natureza tá no meu sangue, tá no DNA, né? Tá no DNA.
Me fala uma coisa, você assistiu o desenvolvimento do agro no Brasil? Quando você era criança tinha uma agricultura, né? Não era, não tinha agronegócio, né? O agronegócio começa a despontar bem à frente lá. Você assistiu de camarote isso, né? Como é que você avalia quando você olha isso aqui hoje? Essa loucura toda aqui e lembra dessa história de como essa coisa cresceu. Você tá envolvido na organização desse segmento também, né? Como é que é uma avaliação tua?
Olha, tem coisas assim que eu acho fascinante. Eu fico fascinado com o que se apresenta dentro do Água. Eu conheço só uma pequena parte e eu tô reconhecendo o Brasil cada dia mais. A Nina e eu, a Nina é minha esposa, ela é presidente do Agro na Forbes, Agro Mulheres na Forbes. Aí você já vê a tonalidade. Outro dia eu tava com o camarote, eu perguntei para ele, vem cá, tem outros Forbes do mundo que tem agro? Ele falou, não, imagina, se você vai para a França, agro não é luxo, não é nada disso.
Se você perguntar mulher do agro, coitadinha, né? E aqui não, aqui é o contrário. Isso aqui é a pujança. A mulher no agro é a liderança, ela tá tocando uma vida diferenciada, diferente, né, conjugada, inteligente. E hoje nós temos aí no Brasil central uma classe média que Cresce a olhos vistos. Impressionante quando você vai para novas cidades nossas, né, que nem no Tocantins, né, vai para Palmas, cidade traçada junto com a Nova Constituinte.
Isso é um traçado de uma cidade grande, generosa. Você vê edifícios junto ao Tocantins, naquela represa gigantesca. Vai ser uma Miami daqui a 15, 20 anos, não tenha dúvida sobre isso. Lojas modernas, as pessoas felizes, alegres, você não vê carro velho lá, é impressionante, né? Então esse Brasil que se desponta é um Brasil muito diferenciado, é um Brasil aonde o pioneirismo ainda é recente. Tive em Dom Eliseu, fica no Pará, perto de Paragominas.
Ali havia um congresso, eu acompanhei aí a Nina no congresso de mulheres do agro, e você precisa ver o entusiasmo dessas mulheres dentro do agro, que eles estavam fazendo e não fazendo, etc. e tal. E alguns depoimentos assim deixam reflexões. Tinha uma que eu nunca me esqueço, uma empreendedora que diz assim: olha, eu vim com meu pai do Paraná Aqui para Paragominas nós abrimos essa área, hoje estamos com soja, sorgo, milho, etc.
e tal.
E há 10 anos a gente era acusado que a gente fez, digamos, a mata daqui, porque na época era um heroísmo fazer isso na Transamazônica, etc. e tal. E hoje a gente é bandido porque a gente derrubou árvores. O que que eu vou fazer hoje? Que história eu conto para os meus filhos? Foi emocionante. E são pessoas do bem, né, que fizeram as coisas dentro daquele parâmetro daquela época. Eu falei para ela, olha, a história ela pode ser brutal, mas nunca você será julgada por aquilo que você fez de bem na história, né?
Então quando eu falo disso, é um pioneirismo que que hoje a gente ainda vê em muitas áreas. E você vê mais modernidade, você vê mais progresso, mas você vê mais incompreensão. Você vê dentro desse diálogo mais difícil, né, muitas dores desnecessárias.
E tem uma coisa muito ruim que é você olhar o passado com as lentes de hoje, né? Você olha para trás e acusa lá atrás, e ele esquece que sei lá, 30 anos atrás, o governo incentivava: vá para o interior, derrube, bota uma cerca que o título é seu, porque nós temos que conquistar esse ouro aí. Passou o tempo, a gente muda de estrutura. Eu fui, você falando dessas áreas separadas, eu fui para Bahia, eu fui para Luiz Eduardo Magalhães, né?
Tem ali um clientaço do coração, Minhas Sementes Oilema. E eu fui lá fazer o dia de campo das Sementes Oilema. Que basicamente eles levam clientes potenciais, gente da região e tudo mais, para conhecer as propostas e sementes deles lá. Eu cheguei lá, falei, bom, vou chegar lá 30, 40 pessoas, vou fazer uma palestra para os cara. Eu chego lá, o evento com 3 mil pessoas o dia inteiro, aquela coisa espetacular, gigantesca. E eu não conhecia a região, né?
E conversando com eles, cara, mas como é que é aqui? Fala, não, aqui está simplesmente A concessionária BMW mais, que mais vende no Brasil fica aqui. São polos, né, fora do eixo Rio-São Paulo, que representam bem isso que você mostrou aqui, cara. Esse é o DNA do Brasil, né?
Esse é o Brasil.
Você falou das mulheres, né? E eu andei investigando um pouco, eu vi que tem um artigo teu muito interessante, você escreveu junto com a Letícia. Aliás, a Letícia é uma, tive com ela várias vezes também. Coração desde o nascimento do movimento delas lá do material escolar e tudo mais, né? E vocês falaram de uma nova ordem mundial, eu até anotei aqui, ó, menos previsível, que tem a ver com agronegócio, né? Agronegócio é alimento, fertilizante, energia, logística, tudo isso passa a ser instrumento de poder nesse jogo aqui, é poder, né?
O Brasil ainda enxerga o agro apenas como setor econômico, ou você acha que já entendeu que nesse mundo que tá fragmentado aí, essa capacidade de produzir alimentos é um ativo geopolítico de primeira. Como é que você enxerga?
É um ativo de geopolítica de primeira. E eu vou falar através da Letícia. A Letícia é uma liderança feminina que ela vai, ela vai longe ainda, ela vai longe. É dessas lideranças aonde o amor tem duas facetas, né? Tem uma que é da paixão e tem a outra da consternação. É aquilo que quando você gosta muito uma coisa e ela não tá correta, tá, você fica consternado, injuriado. Aconteceu com ela. Ela tava na COVID e tava com os filhos cuidando da educação e percebeu que o material escolar que estavam dando para os filhos— e ela é produtora em várias áreas do Brasil— Que é nada a ver, era um horror.
Ela ficou tão indignada, a indignação pelo amor aos filhos e à terra, ela foi na escola, falou assim: não, isso aqui não é possível. Falou: não, olha, desculpe, mas é uma diretriz da escola. Foi falar com a diretora, diretora falou: olha, desculpe, isso aqui vem do município. Foi falar com o município: não, desculpe, isso aqui é uma situação de país, eu recebo isso porque, porque, porque. Aí Ela falou, isso não pode acontecer, eu tô educando uma nova geração por critérios completamente difusos, obtusos e assim por diante.
E a marcha dela foi até o Congresso, ela conseguiu barrar no Congresso há 2 anos uma legislação que não tava baseada em ciência, em tecnologia, chamou a Embrapa e conseguiu transformar isso. Lá no Ministério da Educação teve brigas homéricas em relação a isso. E pasmem, de repente outras instituições começaram a se mexer e dizer assim: meu, o que eles estão falando do direito constitucional não é isso que tá escrito aqui, o que estão falando da indústria não é isso que estão falando aqui, então a história não é a história que a gente tem.
Então de repente há um movimento de você trazer a uma educação baseada em fatos, em ciência, em tecnologia, assim por diante. Então, por que que eu te cito a Letícia com essa forma? Porque nós temos várias mulheres e vários homens que estão à frente dessa nova fronteira do Brasil tropical. E o congresso aqui da Andave, ele traz um lema muito interessante que chama da economia, agroeconomia, a perspectiva para o futuro. Nós dizemos que a agricultura tropical induz uma economia tropical.
Luciano, vou te dar um pequeno exemplo. De 4, 5 anos para cá, chega em janeiro, existem as previsões do Focus e de outros do crescimento do PIB brasileiro. E de 4 a 5 anos para cá, sistematicamente erram todos. E não é porque eles são, chutam, não. Eles erram sistematicamente e para baixo. Porque errar para cima ou para baixo é natural, uma previsão. Mas só para baixo, aí alguns dizem, ah, isso aqui é tendência, porque eles querem.
Não, não é tendência. É erro, é erro sistêmico. Não é induzido, é sistêmico, porque ele pega pelas tecnologias que ele tem, pelas metodologias econômicas que ele tem, e não dá certo. Aí a minha pergunta para muitos deles: falaram, bom, erramos, tá? E o que que a gente aprendeu desse erro? E aí vem respostas que não são boas. Não porque o governo fez isso, não porque a gente teve a precatória. Falei, Você nunca soube da precatória?
Claro que sabia.
Você nunca sabia disso?
E no ano, é básico nos projetos nossos de planejamento, você quando faz, você faz pior cenário, cenário possível e o melhor cenário.
Eles fazem isso.
Pois é, mas erram os três.
Eles fazem isso.
Erram os três.
Eles fazem isso, Luciano. E aí a pergunta é: por que que nós somos diferentes? Sim, essa é a pergunta. Então nós somos diferentes porque A agricultura tropical induz um outro tipo de elemento econômico que a gente desconhece. Então, quando a gente fala em produtividade dos fatores, a gente pega aquilo que em 1950 todos os livros econômicos propuseram. A faixa 100 é Estados Unidos, é monetizado a produtividade e a gente apanha para caramba.
Agora, O agro, que representa 11% de crescimento e tem quase 25%, 30% do PIB, claro que ele induz mais para cima. E qual é a metodologia que a gente tá errando? Então, o que eu quero sinalizar é o seguinte: essa parte tropical, ela tem umas coisas que a gente ainda não soube entender bem. Então, como é que a gente vai entender o agro se nem isso a gente não tá interpretando bem? Entendeu? Então essa maneira de enxergar o agro, que é um bicho diferente no tropical, e para mim cada vez mais agro e indústria estão ligados.
E uma indústria, ela trabalha em just-in-time, então ela trabalha num ritmo que é 24 por 7 e manda brasa, e os insumos têm que entrar no sentido contrário, etc. E veja que curiosidade, o agrotropical ele tem até 3 safras. Então você tem os 12 meses fatiados em 4 meses, 4 meses e 4 meses. Isso já é um just-in-time, porque quando você acabou de preparar, de cuidar e de colher o milho, já entra a soja, pá pá pá, daqui a pouco entra o sorgo, né, e vai assim.
Então um empurra o outro, é uma sequência. É um just-in-time, é muito parecido com aquilo que é indústria. Então uma produtividade, e se um dos insumos não chega em tempo, já atrapalha tudo. O agricultor americano, ele tem uma safra, ele olha para o céu e fala, não, vai chover, não vou meter a fábrica lá, as minhas colheitadeiras vão ficar encalhadas, vou ficar de fora. E ele tem o tempo da de vida para fazer. O nosso, perdeu uma semana, meu, já era. Você já não sabe como é que vai fazer lá atrás.
Porque você imagina o seguinte, quando você faz a comparação com uma indústria, a indústria você tem um bom controle do ambiente, da situação, você controla, né? Eu tô coberto, eu tô com minhas máquinas funcionando aqui dentro, tem energia entrando, tá tudo tranquilo. Quando você vai para o agro, é o imponderável. Será que vai chover, Luciano?
A gente tá chamando exatamente isso, sabe de quê? De uma fábrica a céu aberto. Sim, porque isso que você descreveu, quando você coloca suas máquinas que custam cada uma entre 800 a 3 milhões de dólares, e são várias delas, você tem um CAPEX, um investimento maior no campo do que no galpão. Sim, e tá a céu aberto. Altamente digitalizados e outra, mas muito mal conectados.
E por picos, né?
E por picos.
Essa máquina que você falou de, vamos chutar baixo, de R$2 milhões, ela trabalha 90 dias no ano?
Não, ela trabalha mais.
Não, quando você faz a colheita, você vai uma colheitadeira de algodão, deu a safra, ela é recolhida até a próxima safra. Aí você, R$2 milhões investidos, paradinho no lugar, Quer dizer, quando você traz isso para fazer uma comparação com a indústria, fica até injusto, né? Porque o ativo da indústria tá todo ele sendo aproveitado.
No agro, pura verdade, pura verdade. É que você tem algumas safras, você tem equipamentos completamente diferentes, você tem similares, né? Então concordo com você. E os insumos são diferenciados também, porque se você tá colocando sorgo, você tem com outro elemento de fertilizante como se tiver no milho, né? A receita é diferente. Tudo bem, você consegue trabalhar isso diferenciadamente. Na mesma coisa é no defensivo e por aí vai.
O grande tema é que essa digitalização ela tá aí e essa digitalização o campo tá absorvendo bem. E tá indo bem nessa parte. O problema é conectividade. Então eu tô com um equipamento muito grande, ele escaneia 1 metro por 1 metro por 1 metro e diz assim: aqui eu sei que é erva-daninha, aqui é a soja que tá subindo, aqui eu vou fazer uma aspersão. Então ele tem essa parte toda digitalizada, ele tá falando em giga informações. Ele não consegue levantar isso porque o satélite é o Musk.
É muito pesado, ele pega algumas coisas e sobe. Então ele tá trabalhando muito em offline. Imagina uma indústria totalmente automatizada trabalhando em offline, é um horror, né? Ele tem que fazer seleções, etc. e tal. E online ele pega só algumas coisas, ou quando ele chegar no percurso onde ele pode fazer a descarga. Então nas nossas dimensões, você tem fazendas de 10 mil hectares, 15, 20 mil hectares, Vê isso em metro quadrado, o que você está tendo como um grande, um grande desafio.
E aí indústrias como uma John Deere, uma CNH, como outras, uma Bosch, Bayer, tudo que estão por aqui, elas vêm e implantam o seu centro de competência no Brasil, não é nos Estados Unidos. Não é na Europa, não é na China, é aqui, porque aqui existe a escala. Então essa parte tropical de várias circunstâncias dessa parte tá acontecendo aqui. Esse pessoal falou, opa!
E você falou uma coisa interessante lá atrás que eu não quero perder essa. Você falou, tem algo que a gente não sabe o que é na agricultura tropical, existe alguma coisa que quando você traz lá a fórmula que vem da França, a fórmula que vem do, que funciona lá e põe aqui, dá um negócio diferente, que tem um algo aqui, né? Eu tô fazendo um paralelo com o que você tá falando. Eu sou, eu venho de autopeças, né, na indústria automotiva, né?
Trabalhei com multinacional também, empresa americana, né? E eles vinham para cá para estudar o que acontecia aqui. Falava o seguinte: se der certo no Brasil, dá em qualquer lugar do mundo, cara, porque aqui é o seguinte, se vira, tem que dar um jeito, tem que fazer a coisa acontecer. E como você falou muito bem, né, o ciclo se repete 3, 4 vezes por ano. Então não é, não é aquela calma, né? Não tem neve para acalmar as coisas, né?
Aqui, aqui nós estamos o tempo todo produtivos. Eu fiz um trabalho que eu levei uma especialista em vinho, conhece vinho do mundo todo. Ela falou, cara, vocês do Brasil tem um negócio que é inacreditável. Vocês conseguem pegar um uma gleba de terra, dividir em 4, e vocês pela poda e irrigação vocês conseguem fazer primavera, verão, outono, inverno ao mesmo tempo. Isso é loucura, não tem outro lugar no mundo que consiga fazer isso, né?
Então é uma tecnologia que cresce algo mais, que você falou, que não dá para entender o que é.
Não dá para entender, Luciano. Vamos pegar essa parte do vinho. Vamos. Você já podia imaginar na sua vida, no seu imaginário, ter um terroir no Pantanal? Não dá, né? Se dissesse assim, não, pega um pouquinho, põe um pouquinho no Pantanal, em qualquer lugar do mundo eu posso até pensar um terroir, Pantanal não vai. Aí você chega perto de Aquidauana, você tem um terroir Pantanal, um primor. Eles pegaram cepas do Rio Grande do Sul, de cepas de vinho tinto, vinho rosé e outros, um espetáculo.
E é dentro, como se fosse de uma área vulcânica, onde a temperatura é diferente, aonde as chuvas, precipitações são diferentes do que 5 km para o outro lado. Ninguém sabe bem por quê, mas é o que acontece. E o cara identificou, tá lá e é um sucesso. Você vai dizer, meu, aí você vai para outras áreas, você vem entrar no café, você vai para o sul de Minas e pega o café. Eles estão fazendo terroirs de café com conjugações onde eles pegam um café arábica e fazem algumas adicionalidades com catiguá, com acauã, etc., e fazem dali um café gourmet. E tem uma explicação que só no vinho você tem.
Aquele especialista mostrou, botou um mapamundi para gente e fez duas faixas. Falou, olha, uva boa para vinho está nessas duas faixas. Tem uma faixa aqui em cima, Califórnia, Itália, França, aquela faixa, e outra faixa aqui embaixo Argentina, África do Sul, essas são as duas faixas onde tem uva boa. Vocês estão fazendo uva aqui no meio, não tem lógica. Na região ali de Petrolina, o que vocês estão fazendo em Petrolina é um negócio impressionante.
Então eu acho que tem uma coisa do talento do brasileiro para lidar com essa situação. A gente tá colocado num lugar do mundo que, voltando para essa pergunta que eu te fiz da do ativo geopolítico. Eu acho que a gente ainda não atentou o potencial que nós temos de força geopolítica por causa dessas, desses instrumentos.
Toda a razão. E uma das grandes discussões que nós tivemos é numa discussão é sobre o posicionamento do Brasil na nova geopolítica, exatamente ali. Quer dizer, hoje você tem disrupturas gigantescas nas relações internacionais. O que que vai sobrar ali na frente? Provavelmente, provavelmente, como sou engenheiro, digo assim: quando você aumenta a entropia, você rasga toda a tua estrutura, vira um caos e depois congela numa nova estrutura.
Qual é essa nova estrutura a ser congelada? Ela vai existir. Provavelmente vamos ter umas Américas bastante juntas, por N razões. Você vai ter uma área tropical muito similar, muito similar. Você vai ter uma parte norte que está em uma posição até diferenciadora, porque a gente esquece que China é norte. A gente fala, ah, o Grande Sul, não, a gente, sul, porque no imaginário, mas no geográfico China é norte, certo? E com um baita de um deserto no meio.
Então, como é que isso vai acontecer e qual é a nossa posição lá dentro? Então, no que que a gente tá se batendo? Quando você vai pela vocação, você traz forças internas que você muitas vezes não sabe como explicar, mas elas te puxam, empurram com um investimento muito mais baixo do que se não fosse na vocação. Essa é a vocação nossa, agroindustrial, de inovação, de serviço. A nossa cultura, que é na diversidade, a gente é unido na diversidade.
Essa é uma cultura forte. Então a gente tá muito mais se ocupando conosco mesmo, que a gente é diverso, né? Você fala uma coisa, outro vai aqui. Quer dizer, imagina o gaúcho que sobe o Brasil afora, né? Não é fácil lidar com gaúcho, só o mineiro, né? Ele deixa, ele ouve, depois ele passa no senhor. Aí o capixaba fala, opa, né? Já tá com gaúcho aqui de novo. A gente adora fazer isso, a gente gosta de fazer isso, né? Isso é uma ocupação de presente dentro dessa tensão.
Por isso, dentro do imaginário, vamos falar 2050, eu acredito que nesse mundo maluco, que é polarizado, radicalizado, vai haver uma saudade para se poder falar das diferenças em paz, com alegria, com humor. Isso é Brasil, isso é brasileiro, isso nós somos bons, nós somos bons nisso, a gente é muito bom nisso.
Quem olha de fora, eu fiz um, publiquei um podcast recentemente sobre o orgulho de ser brasileiro. Eu falava assim, você num século passado desse uma olhada para o Brasil, ia falar, cara, isso não pode dar certo. Não vai dar certo essa loucura não. E a gente dessa mistura fez esse país que tá aqui, né? Meu caro amigo, você é muito bom de papo, viu, cara? Dá para a gente ficar aqui numa conversa até altas horas, né? Mas nós temos um prazo rapidinho aqui.
Depois eu vou te convidar para você gravar comigo no estúdio e a gente ali não tem problema de tempo. A gente vai lá fora porque acho que dá uma conversa muito boa, né? Quero te agradecer aí pelos—
mas posso fazer o final, por favor? Eu acho que esse emblema, ele é muito forte, que a Adapta tá usando, né? E ela começou com uma orquestra, a orquestra daquela, tocou para nós. E orquestra, ela vai por uma partitura, porque se cada um tocar, a gente não aguenta. E o que precisamos no Brasil é uma partitura comum para o futuro. Né? Então, se a gente espelha um pouco essas coisas que a Andave tá fazendo e essa potência que a gente tem, mas também a gente tem que ter mais tolerância, a gente tem que ter mais paciência um com o outro. Concordo contigo.
E o maestro talentoso para fazer cada um na sua diferença produzir.
Aí eu tô torcendo muito pelo Brasil achar o seu maestro.
Vamos sim, meu caro.
Muito obrigado, Luciano.
Obrigado, viu?
Você é ótimo. Não viu o tempo Eu também não.
O pessoal tá preocupado, ele tem que sair. Mas vamos lá, muito obrigado, viu? Obrigado. Vamos em frente aí. Espero te encontrar de novo, não só aqui, mas lá no estúdio, para a gente gravar um programa bem falado com ele. Obrigado.