Episódios de Lidercast Café Brasil

LíderCast 424 - Carla Nórcia - Mulheres com a AMMA

13 de agosto de 20261h6min
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A convidada de hoje é Carla Nórcia, que construiu uma carreira de mais de 30 anos em Comunicação e Marketing, boa parte dela ligada ao mercado automotivo. Hoje é CEO da Insight, agência especializada em comunicação estratégica para o aftermarket. É também fundadora e investidora das plataformas Movenews e VagasAutomotivas, além de comandar diferentes podcasts do setor. Ao longo da trajetória, passou por empresas como Tintas Coral, TRW, Dana, Dayco e Editora Novo Meio. Carla acredita na comunicação como ferramenta para construir reputações, transformar negócios e abrir espaço para mais inovação e diversidade. Carla também preside a AMMA, Associação Brasileira das Mulheres do Mercado Automotivo. 

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Participantes neste episódio2
L

Luciano Pires

Host
C

Carla Nórcia

ConvidadoCEO da Insight, Presidente da AMMA
Assuntos7
  • Associação Brasileira das Mulheres do Mercado Automotivo· NegociosAssociação Brasileira das Mulheres do Mercado Automotivo·Diversidade e inclusão·Empoderamento feminino·Mercado automotivo·NAIFE
  • Desafios e Objetivos da AMMA· SociedadeCapacitação feminina·Pertencimento e acolhimento·Oportunidades de negócio·Parceria com homens·Caravana AMA
  • Carreira de Locutor· EntretenimentoInício na comunicação e marketing·Mercado automotivo·Empreendedorismo·Vale·Freios Varga
  • Fundação Insight· NegociosAgência de comunicação estratégica·Mercado automotivo·Soluções 360·Insight
  • Mercado Automotivo· NegociosDesafios para mulheres·Atitude e comportamento·Freios Varga
  • Empreendedorismo e Autonomia Econômica· NegociosTransição de carreira·Visão de negócio·Inteligência hormonal
  • Experiência na Dana· NegociosExpansão e inovação·Gestão de equipe·Vale
Transcrição197 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindo, bem-vinda a mais um Lidercast, o podcast que trata de liderança e empreendedorismo com gente que faz acontecer. A convidada de hoje é a Carla Nórcea, que construiu uma carreira de mais de 30 anos em comunicação e marketing, boa parte dela ligada ao mercado automotivo. Hoje, Carla é CEO da Inside, agência especializada em comunicação estratégica para o aftermarket. É também fundadora e investidora das plataformas Move News e Vagas Automotivas, além de comandar diferentes podcasts do setor.

Ao longo da trajetória, passou por empresas como Tintas Coral, TRW, Dana, Dayco e Editora Novo Meio. Carla acredita na comunicação como ferramenta para construir reputações transformar negócios e abrir espaço para mais inovação e diversidade. Carla também preside a AMA, Associação Brasileira das Mulheres do Mercado Automotivo. Muito bem, mais um Lidercast. Eu sempre começo contando como é que a minha convidada veio parar aqui.

História longa, né? Que é longa, mas a gente vai desenrolar ao longo do Ela veio porque eu convidei, né? Fiz um convite, consegui acertar a agenda dela. Eu sempre começo com 3 perguntas que são as únicas que você não pode errar, o resto você pode chutar à vontade. Uma dessas perguntas eu tinha parado de fazer para mulheres, né, porque teve uma que reclamou, mas depois me chamaram de machista, então eu voltei a fazer, né? Seu nome, sua idade e o que que você faz?

CNCarla Nórcia

Eu sou a Carla Norsa, tô com 60 anos, esse ano eu completei 60 anos de idade. E eu sou uma profissional que conecta pontos, eu construo pontes na área de comunicação e estratégia para o mercado automotivo.

?Voz A

Acho que eu conheço essa história há bastante tempo aí, né? Mas você nasceu onde, Carla?

CNCarla Nórcia

Eu sou caipira, eu sou de Presidente Prudente.

?Voz A

Eita, pô, tá longe, hein, cara?

CNCarla Nórcia

Lá no norte.

?Voz A

Carla Núrcia. Você tem irmãos?

CNCarla Nórcia

Tenho, eu tenho mais 4. Um irmão e mais 3 irmãs.

?Voz A

Você tá onde na escada?

CNCarla Nórcia

Sou caçula, eu sou a raspa do tacho, como sempre ouvi dizer. Ah, essa é a raspa do tacho, é a última. Foi a última.

?Voz A

Seu pai e sua mãe faziam, fazem o quê?

CNCarla Nórcia

Meu pai era fiscal de rendas lá em Prudente, acompanhava gado, começou acompanhando gado, e minha mãe toda a vida dona de casa. Sim, construíram uma família linda, né?

?Voz A

Você, quando era criança, o apelido qual é que era?

CNCarla Nórcia

Cuca.

?Voz A

Cuca. Cuca era a mais novinha, era Cuca.

CNCarla Nórcia

Eu era Cuca, minha mãe chamava de Cuca.

?Voz A

O que que a Cuca queria ser quando crescesse?

CNCarla Nórcia

A Cuca achava que ia ser uma atriz, né? Ou professora.

?Voz A

Professora, tá certo, tá dentro dos profissionais.

CNCarla Nórcia

Eu acho que tá em casa um pouco, que o ator não deixa de ser um né? Ele leva um recado, né?

?Voz A

Impactando pessoas, né?

CNCarla Nórcia

Impactando pessoas. Eu achava que eu ia ser professora, porque cada vez que, cada ano, agora você é professora de 2ª série, agora você é da 3ª, agora você, cada ano que passava. E eu sempre me encantei com essa coisa. Nunca nenhum professor que eu fui tendo foi me desencantar dizendo, não, da 6ª série eu não quero ser. Eu sempre quis ser, sempre quis ser.

?Voz A

Vai se meter assim hoje, porque você vê alguma pessoa hoje em dia.

CNCarla Nórcia

Melhor não.

?Voz A

Mas e aí, você foi estudar para ser professora?

CNCarla Nórcia

Eu fui professora sem estudar, foi ao contrário. A faculdade me levou para esse lugar, né? Eu fiz ESPM aqui em São Paulo, a gente mudou, vim de Prudente para Caquetica. Eu tinha 7 para 8 anos, os 8 anos já fiz em São Paulo. Aí fui fazendo um monte de escola bacana, eu estudei Fiz um colégio numa escola que não existe mais, que é o Galileu Galilei, que era um negócio muito legal, muito diferenciado. Fiz ESPM e quando eu me formei, me formei cedo, me formei com 21 para 22, eu recebi uma proposta para dar aula, para substituir um amigo.

?Voz A

Na verdade, eu fui realmente, eu fui ensinar para valer, registrada na escola, tudo professora. Não tinha que ter um Naquela época não tinha essa coisa, não tinha.

CNCarla Nórcia

Hoje tem, para você ser professor você tem que estar, tem que fazer mestrado. Naquela época não tinha isso. E eu tinha um amigo que tava, que era orientador, sabe essa coisa de TCC? Orientador de TCC. Então foi, ele tava machucado, não vou poder. E você pode, tô precisando cobrir, eu acho que você vai se virar bem lá e tal. Fui. Peguei uma turma de oitavo semestre.

?Voz A

Deixa eu pegar seu telefone que ele tá vibrando aí perto, capaz dele vibrar ali.

CNCarla Nórcia

Pronto, tá pronto. E aí eu fui, fiz, gostei. Eu falei, esse negócio eu gostei, achei bacana, mas achei pouca gente, quero mais gente. E aí comecei a substituir uma professora.

?Voz A

Aula de quê?

CNCarla Nórcia

Planejamento estratégico. Você acredita?

?Voz A

Acredito. Que ano era isso?

CNCarla Nórcia

Puxa vida, já tava formada, 1988, 1990, uns quebradinho, sei lá, alguma coisa assim.

?Voz A

Você deve ter se formado em 87, tipo isso, era final da década de 80, 90, alguma coisa.

CNCarla Nórcia

Gostei, acho que eu nunca estudei estudei tanto na minha vida, nunca estudei tanto, nem quando tava na faculdade eu não estava, até porque eu não, para mim era muito complicado alguém me fazer alguma pergunta, eu não consegui responder, sabe? Então eu estudava demais e muito, muito, muito. E aí me interessei demais pela coisa. Nessa época eu tava na Frei Zwarga, já tava na Frei Zwarga, então trabalhava de manhã, de tarde, de noite, ia para a UNIP E dava aula na UNIP.

E eu cheguei a dar uma coisa que na UNIP eles chamavam de Vaticano, que é quando você junta várias salas de aula. Lembra disso? Cursinho tinha, né?

?Voz A

Cursinho tinha aquela aula para todo mundo, para um monte de gente.

CNCarla Nórcia

Tinha 200 alunos dentro da sala de aula.

?Voz A

E o professor era um showman.

CNCarla Nórcia

Eu era um toco de gente, 1,5m de pessoa, recém-formada, e eu segurava essa galera aí. Porque assim, a minha faculdade, aquela época de faculdade foi monstruosa, né, Luciano? Eu peguei o Astor Oliveto, peguei essa turma toda, eu aprendi com os grandes. Era Ricardo Ramos, era Fontenelle, eram os grandes. Então eu saí preparada, sabe? Eu saí com o estofo, vamos dizer, o estofo teórico tava, tava adquirido. E com quem construiu como a publicidade no Brasil?

Eu peguei esses caras, eles já estavam com anos de experiência, sim, e todos os leões de ouro nas costas. Exatamente. Eu peguei eles quando eles estavam prontos para ensinar. Eu não peguei eles em treinamento, eles estavam treinando e eu fui uma treinanda. Então eu tive aula com essas feras aí. Então eu já gostava da coisa, já falar nunca foi um problema para mim, e eu me interessei, comecei a me dar bem com o negócio. Só que aí não dava certo porque era, eu assumi muitas aulas e aí não dava.

Então uma coisa, outra coisa, você tava de dia trabalhando na Varga, no marketing, eu já era gerente lá. Tinha 22 anos de idade, eu já era gerente, tinha um time de mais ou menos umas 20, 25 pessoas na promoção de vendas, né? A gente chamava de propaganda e promoção e propaganda. E já tinha um timão de colaborador no mercado.

?Voz A

A Varga tava nas cabeças, propaganda para todo lado, fazia barulho, a marca super anúncio em televisão, agências fortes, né?

CNCarla Nórcia

Naquela época era o Denis Jacometti, Ricardo Guimarães, galera super top, e anunciando, né? Imagina uma empresa de autopeça anunciando, era Globo, né? Era horário nobre. Então era uma outra pegada essa época aí, né? E não, mas eu não dava. Então uma coisa eu tive que largar. Como eu tinha muito prazer em dar aula, eu era uma coisa que me divertia, mas não me remunerava como deveria pela entrega. Então falei, não, é outro endereço que eu tenho que ficar.

Então parei de dar aula, mas dei lá uns 3, 4 anos, dei aula uns 3, 4 anos, e foi extraordinário, foi uma baita de uma experiência. Depois eu nunca mais me conectei com as escolas de novo, né? Mas ali eu acho que eu resolvi uma parte do desejo da criança, sabe, que era de ser professora.

?Voz A

Quem sabe quando chegar a hora você volta lá. Se bem que agora tem que ter outros predicados, o negócio é mais complicado lá. Mas aí na vaga, aí foi na vaga que você entrou no segmento da automotiva, autopeças, reposição.

CNCarla Nórcia

Foi muito legal, eu fui fazer uma entrevista, um amigo, e sempre com amigo dizendo, olha, vai ali. Aí fui, fiz uma entrevista com o gerente nacional, ele falou, legal, só que você tem que passar pelo diretor. Diretor, diretor, tinha um negócio com diretor. Falei, tá, imagina eu com 21 anos de idade ainda fazendo faculdade. Só que eu tava importando com isso. Bravo para mim era meu pai, não tinha ninguém mais bravo do que ele. E bom, bora, pode botar, chama o diretor, né?

Não, vem aqui, você tem que vir aqui e tal. Aí entrei lá na sala onde ia ser a reunião, a cadeira ali, sabe essas cadeiras gigantescas assim? A pessoa, o trono, era um trono. E aí começamos a bater papo, foi super interessante, mas ele não me poupou, né? Quantos anos você tem? O que que você tá fazendo? Por que que você quer trabalhar aqui? Eu falei, eu não sei se eu quero trabalhar aqui, vocês que me convidaram para participar do processo seletivo.

Quando meu amigo me convidou, eu falei, qual é a empresa? Ele falou, Freitas Vargas. Eu falei, não vai dar certo. Foi a primeira coisa que eu respondi. Ele falou, por que que não vai dar certo? Esse negócio de carro, eu não entendo nada de carro. Não entendo nada, não sei o que que é, só entro no carro para ir daqui para lá, só isso. E o máximo que eu sei de carro é trocar pneu. Quando fura, peço ajuda. Então não vai dar certo.

Ele falou, vai lá. Fui lá, então fui parar nesse tal desse diretor, fiz entrevista, beleza. Eu achei que ele tinha gostado de mim. Aí ele manda assim, por que que você quer trabalhar aqui? Eu falei, eu não tenho certeza, eu quero trabalhar aqui, eu tô começando a minha vida profissional, não sei se aqui eu tava fazendo montagem na tintas Coral nessa época. Então não sei, o Carlos me chamou, ele falou vai lá, que ele achava que encaixava nesse negócio.

Então eu vim, tá? Então é o seguinte, ó, já vou te falar, isso foi no meu, lá ainda não tava contratada ainda. O mercado automotivo é muito complicado para mulher, já não, já é complicado para o fato de ser mulher qualquer mercado. Se você não quiser tomar conta da sua casa, qualquer mercado vai ser complicado. Aí eu tenho uma esposa que trabalha, ela é uma pesquisadora, ela trabalha muito e ganha muito menos. E você vai encontrar muitos pepinos.

Eu lembro dessa palavra, ele era italiano. Você vai encontrar muitos pepinos. E o que você tem a me dizer sobre isso? Gente, eu tenho uma inocência, Luciano, desconcertante. Eu falei, olha, como eu te disse, Disse para você, não disse para ele lá no dia. Quem me botava medo era meu pai. Aquele diretor que tava lá e uma porta era a mesma coisa para mim. Aí eu falei, olha, eu acho que tudo é uma questão de como você se comporta.

Foi a resposta que eu dei para ele. Tudo é atitude, tudo é como você vai se comportar na frente daquilo que tá se apresentando. Meu pai corria. Mas dele lá, gente, que que esse cara, que autoridade ele tem sobre mim? Zero, ele não tem nenhuma. Aí eu falei, bom, tá isso. Isso foi numa quinta-feira. Na sexta-feira ainda saí da sala, fui na sala do meu amigo, eu falei, por que que você me chamou para isso? Esse cara é estranho, né?

Imagina, ficou assim, parecia um enfrentamento, né? Parece que ele tava discutindo comigo e não me me testando, porque não foi essa só, essa pergunta. Ele realmente me colocou contra a parede, assim, ele queria me testar. E aí eu falei assim, não me chama mais para coisas assim. Dei uma bronca no amigo, inclusive, e fui embora. Sexta-feira de manhã me ligaram, você pode começar segunda? Eu falei, então passei? Passou. Vou ver qual que é, então eu venho. E fui.

?Voz A

Daí inaugurou o caminho Que nunca mais saía.

CNCarla Nórcia

Eu nunca mais saí.

?Voz A

Foi uma coisa. Quando foi isso?

CNCarla Nórcia

1988, talvez por aí, né? Coincide com a época que eu comecei a dar aula também. Foi tudo meio junto, foi uma turbulência nessa época. E foi quase que comecei nesse mercado.

?Voz A

Em 88, o mercado automotivo era brabo o negócio.

CNCarla Nórcia

Era brabo, né?

?Voz A

Era época do calendário de mulher pelada nas borracharias, né? Exato.

CNCarla Nórcia

E eu me lembro que você me ligou Quem ligou? Você.

?Voz A

Eu tava na Freios Varga, mas você tava gerenciando uma loja em Alphaville, não era coisa assim?

CNCarla Nórcia

Essa foi a segunda vez que a gente conversou. A primeira vez que você me ligou: ô, tudo bem? Como é que vai? Aquela Luciana, eu trabalho na Álvarez. Tudo bom? Então eu tinha um mailing, eu já tinha construído um mailing, a gente construiu 0800 da Freios Varga. E assim a gente fazia tudo, só não fazia o cafezinho lá naquela época. Tocava o telefone, a gente saía correndo de onde a gente tava para atender. Queria usar energia e não sei o quê.

E essa coisa de telefone, quero usar o 800, que ninguém nunca teve, fez a gente construindo um mailing. Então eu tinha um mailing. E aí você falou assim para mim, esse mailing, né, como é que é e tal? Será que a gente não pode fazer alguma coisa junto e tal? Aí eu falei, isso aqui E fica protegido debaixo da minha asa. Não posso, não vou fazer isso. Eu já tinha, não tinha noções de LGTB na época lá atrás.

?Voz A

Eu nem me lembro nada disso.

CNCarla Nórcia

Ah, então tá.

?Voz A

Provavelmente eu tava, eu fui atraído pelo 0800, que devia ser, ó, qual é o que funciona? É o da Varga? Então vai saber como é que é para a gente montar o nosso time.

CNCarla Nórcia

Mais ou menos isso, mais ou menos isso. Foi o primeiro contato que eu tive com você. Aí depois eu tava, aí já tava na área de franquia e expansão lá da da franquia da Freios Vargas, da Vargas Serviços Automotivos, que aí essa já é uma outra história.

?Voz A

Aí eu fui lá te buscar.

CNCarla Nórcia

Aí você foi lá, eu fiz uma entrevista com você, cheguei a fazer uma entrevista uma época, não deu certo, que acho que não era para ser. E aí depois você foi lá em Alphaville, falou, bora. Você tava machucado, você inclusive tava com o pé quebrado, acho.

?Voz A

Lembro disso, eu me arrebentei jogando bola.

CNCarla Nórcia

Então eu lembro disso, que você tava com o pé quebrado, você subiu com dificuldade as escadas, tava se recuperando ainda, foi lá com o pé quebrado.

?Voz A

Nem lembrava nada disso ainda.

CNCarla Nórcia

Não lembrava.

?Voz A

Aí você mudou de Ares e veio para— aí fui para Álvares, fui para Álvares, fui para Álvares. Nós estávamos montando lá uma área de marketing.

CNCarla Nórcia

Aquilo foi uma loucura, né? Aí foram 16 quase 17 anos, de muitas empresas.

?Voz A

É, aí foi uma época de expansão, de muitas empresas em uma, né? Você que tá ouvindo a gente aí que não é do segmento, né, a Alboroz era a empresa que eu trabalhava. Eu entrei lá em 82 e ela tinha uma característica que era da empresa mãe norte-americana, né, que era crescer por aquisição. Então dava um tempinho, ela comprava alguém, comprava. E a gente, cada compra dessa, trazia para dentro do barco um treco novo. Era, e ela comprou Anacata, trazia Anacata inteirinha para dentro.

E comprou o Brosol Urba, foi uma loucura aquilo, né? E a gente tava numa expansão para novos produtos, para inclusão de produto. Eu tinha que ampliar a área de marketing lá e não tava dando certo. Aí eu falei, deixa eu buscar a gente do do ramo, né? Eu não me lembro como é que devia ter se encontrado em reuniões.

CNCarla Nórcia

Celso Greco.

?Voz A

Ah, então foi o Celso.

CNCarla Nórcia

O Celso era meu fornecedor na Freios Vargas, tocava a criação de campanha, tinha casa de marketing. E aí vocês conversaram, porque acho que você contratou a casa de marketing também, você deve ter conversado com ele, ele fez Você tava lá no Baila Comigo? Não, né? Não tava, eu cheguei depois do Baila Comigo.

?Voz A

Então foi lá depois, eu cheguei um pouco depois do Baila Comigo, eu peguei o fim assim do Baila Comigo, que era quando a gente começou a aloprar, a gente começou a aloprar, enfiar no mercado coisas de outros mercados, né? Olhava o que tava acontecendo e falava, vamos botar aqui dentro também. E aí foi uma loucura porque foi uma expansão e foram anos, cara, a gente aprontou lá, meu Deus do céu. Nossa, é, precisa de um uísque aqui para a gente falar a respeito.

CNCarla Nórcia

Nossa, foi muita coisa, muita coisa.

?Voz A

Mas ali fizemos, você assumiu ali, ficou como supervisora de uma área, como promoção, e depois veio assistência técnica. Sim, aí chegou numa época lá que você ficou cuidando de toda a parte de contato com clientes, né?

CNCarla Nórcia

Eu era o delivery, né? A gente tinha uma tríade montada, que era você, que era o estratégico, que a gente se enxergava desse jeito, você na liderança e como estratégico da coisa, o Pedro na gestão de conteúdo, na geração de conteúdo, e eu era, tinha que fazer a coisa chegar no mercado. Promotores, a gente chamava de delivery mesmo, né? Então eu sou o iFood da Dana, então agora o iFood da Dana, time de promotores bravo, 44 pessoas no campo, era um monstro, né?

?Voz A

Bons tempos, né?

CNCarla Nórcia

Aí juntou promotor com assistente técnico.

?Voz A

A gente causou, a gente causou. Até hoje a turma fala.

CNCarla Nórcia

Sim, até o mercado tem memória ainda.

?Voz A

E aí o legal lá foi que a gente não tinha medo de inovar, né, cara? Vamos inventar, vamos fazer loucura, vamos. A gente ia fazer a loucura e vamos lá. E marcamos, foi um negócio bem marcante lá, né? Bom, mas aí passa tempo, passou um monte de tempo, 17 anos de dano. A Dona, depois vendeu áreas dela, vendeu, mas foi embora junto com a área que foi vendida para Finia, né? Eu fui para Finia, fiquei um tempo, ficou lá na outra empresa e foi cuidar da sua vida. Bom, mas eu te chamei aqui hoje para falar de uma coisa específica aí, né?

CNCarla Nórcia

Legal.

?Voz A

Bom, mas eu me lembro, você saiu de São Paulo, foi morar na Bahia, 2 anos em Itacaré, na Bahia, com uma pousada.

CNCarla Nórcia

Todo mundo fala, um dia eu vou montar uma pousada, vou me aposentar e vou montar uma pousada. Eu fiz isso antes de me aposentar. Sim, eu fiz isso com 45 anos. Montei uma pousada e montei uma loja lá também, que era um sucesso, tá? A loja era uma graça. Meu primeiro ano de Itacaré foi a coisa mais gostosa do mundo, que tudo era novo, né? Tudo era novo, era legal. Tinha uma coisa que eu tava podendo usufruir, que era da minha família.

Tava pertinho de marido, de filhas e tudo mais. A caçula bem pequenininha ainda, fralda. Então ir para um lugar desse é um sonho, né? Isso foi no primeiro ano. Segundo ano, eu quero ir embora assim, não sei o que que eu vim fazer aqui. Começou a me dar um negócio, me estressar. Falei assim, não, aqui não, não, não, ainda tenho, acho que eu ainda tenho mais para entregar. Eu vim possivelmente, eu acho que eu tava no lugar certo, talvez nas condições de estar corretas na hora errada.

Eu fui muito cedo, então não funcionou. E essa até é uma dica que eu dou: você quiser fazer um phase-out e ir embora, tem que olhar o momento, né?

?Voz A

Tem que olhar a hora que você tá rodando a 220 por hora, não dá para você meter o pé no freio e virar 30 por hora de uma hora para outra. Você não começa, você pode até falar, ufa, né, tá tranquilo. Daqui a pouco começa a sentir falta da demanda de informação.

CNCarla Nórcia

Eu acho que o que eu precisava precisava não era mudar tudo, eu precisava de férias.

?Voz A

Tirou um ano de sabático e montou uma pousada.

CNCarla Nórcia

Tirei um ano de sabático, eu arrumei coisa para fazer. Aí não, mas não era bem isso. Bora, vamos embora, bora para casa de voo, vamos voltar. Aí voltando, comecei tudo de novo. Foi para o mercado automotivo, mercado automotivo, mercado. Eu vou, eu tava lá, eu já recebi um chamado, alguma pessoa me ligou e falou assim, você não acha que tá na hora de voltar. Quanto tempo faz que você tá aí? Falo, 2 anos. Volta? Tá na hora de voltar.

Voltei empregada no mercado automotivo. Aí eu tive uma experiência de 1 ano numa empresa, outro ano na outra. Não conseguia mais, não conseguia mais trabalhar para alguém, não conseguia mais. E era uma efervescência mental muito forte. E aí eu não encontrei como a gente tinha junto na Dana, né, que era um espaço para fazer as coisas, essa coisa que você falou, muita inovação, muita coisa. Eu não encontrei mais esses espaços, né? E aí bati um papo com o Salibe, sabe, o West do HH FM.

?Voz A

A Mari me apresentou ele, já sentou aí nessa cadeira.

CNCarla Nórcia

É uma pessoa muito legal. E ele me deu um clique assim, ele falou assim, você montou uma loja, né? Eu falei, é. Quem comprava as coisas?

?Voz A

Eu.

CNCarla Nórcia

Quem vendia? Eu. Quem administrava? Eu. E quem, sei lá, fazia a gestão da coisa toda, quem montava calendário, tudo? Eu. Quem conversava com advogado?

?Voz A

Eu.

CNCarla Nórcia

Tudo eu, eu, eu, eu. Então tá bom, e por que que você quer trabalhar para os outros se você já aprendeu a fazer? Falei, eu não tinha pensado em ser empreendedora. Porque na verdade eu fui conversar com ele para ver se eu me recolocava. Ele falou, você não vai conseguir não. Não porque você não tenha potencial, não é isso, é porque você não vai conseguir ser uma colaboradora, sabe?

?Voz A

Assim, entrar no lugar, sentir o gostinho de ser dona da firma.

CNCarla Nórcia

Você não vai conseguir mais aquela coisa do ser o colaborador. É o que que você é aí? Eu sou funcionário, eu sou um colaborador. Você não vai conseguir demais.

?Voz A

Então você construiu uma carreira CLT de verdade, com empresa boa, com benefício, que a Dana era fantástica, né? O que ela dava de suporte era um negócio impressionante ali. Então era um CLT de respeito, de respeito. Deu uma parada, um sabático de 2 anos, virou dona da lojinha.

CNCarla Nórcia

Isso.

?Voz A

E aí voltou para cá, voltei, e tentou voltar para o CLT, o negócio não funcionou muito bem, foi montar teu próprio negócio.

CNCarla Nórcia

Exatamente.

?Voz A

Muito bem. Você tinha ideia do tamanho da bronca?

CNCarla Nórcia

Zero. E eu vou te dizer que assim, tem umas fichas que vão caindo, né, a partir de determinadas jornadas que você vai vivendo, né. Eu agora me caiu uma ficha que, como eu fiz, né, como é que eu não pensei nisso antes? Meu pai não me ensinou para se empreender. Trabalhadora. Ele me ensinou para ser uma pessoa certa, correta, fazer as coisas direito, para me dedicar. Vai, não sei o que você vai fazer, você vai fazer direito. Minha mãe também, né?

Eles achavam também que eu ia mexer com papéis. Na Dana, ou por onde eu passei de corporação, eu fui forjada, fui treinada para ser uma executiva de alta performance, tá? Porque eu tinha que entregar, né? Você tem isso aqui, vai. Isso aqui que a gente quer fazer, independente do volume de criatividade, criação, inovação que você tivesse que colocar ali em prática. E você era um estimulador para isso. Eu não aprendi a tocar nada, eu aprendi a ser uma executiva. E aí, quando você chega no mundo de empreender, não tive essa escola.

?Voz A

A gente era intraempreendedores, que a gente inventava moda, mas tinha um backup Maravilhoso, né?

CNCarla Nórcia

Tinha um jurídico, tinha uma contabilidade, coisa linda, não é?

?Voz A

Deu merda, o jurídico resolve, chama eles aí. Agora sozinha não tinha nada disso.

CNCarla Nórcia

Não. Aí, que que você se descobre? Você se descobre o gerente da empresa. Você não é o dono da empresa, você é o cara que tá tocando departamento dentro. Você trata sua empresa como se fosse um departamento, sem tudo isso aí que você falou. Sem esse, a estrutura matricial, sem o, como é que era, o back office, é, services, como é que é, os serviços compartilhados, serviços compartilhados, não tem nada disso. Eu consigo compartilhar, compartilho, só como tratar, não tem compartilhar nada.

Então aí você fala, tá, então você tem que encontrar essa órbita, você tem que construir, mas demora para essa ficha cair. Sim, né? E eu acho que assim, de alguma maneira eu fui abençoada, porque mesmo demorando para esse negócio acontecer, para eu entender que eu sou empresária, que eu sou dona de um troço, esse, essa luz me veio muito recentemente. Eu acho que só hoje eu me sinto, não, eu tô tocando um negócio mesmo, que é assim que funciona.

Eu sou uma empresária, né? Eu não sou a gerente da empresa, não sou gerente de um departamento que tem um nome, tem um CNPJ, né? E aí, quando você se toca disso, você vai buscar alguém que é melhor que você para fazer, para estar com você. Demora, porque você pode até se tocar disso antes, mas às vezes você não tem o recurso para trazer aquela pessoa que é carimbadinha, que vai funcionar bem para você naquilo.

?Voz A

E aí você passa a lidar com um problema sério, que é como a pessoa que você tá ali não é a pessoa que vai performar como deveria, você acaba criando um ranço, né? Pô, ninguém vai conseguir fazer do jeito que eu faço, cara. Não adianta botar, tá vendo? Botei, puta trabalheira, não sai de uma incomodação, ainda tenho que dar colo para pessoa, tudo, que isso não vai funcionar nunca, né?

CNCarla Nórcia

Ah, mas pô, é verdade o que você tá falando. E aí nessa você vai, contrata, erra, troca, troca, troca, troca, troca. São um custo absurdo de treinamento, tempo de desperdício, né? Mas isso, na minha cabeça, tudo tem a ver com a percepção do tal do empresário. Se ele consegue perceber antes que não adianta, ele não tá tocando um departamento, ele tá tocando um negócio. E se ele tiver o recurso para trazer nem que seja um bom, traz um bom, sabe?

É muito trabalhoso, você perde tempo, você perde, e sem contar isso que você falou aí, o ranço, sim, o ranço que você vai criando, né?

?Voz A

Eu sei o que você tá falando. Você está ouvindo o Lidercast, um podcast voltado para liderança e empreendedorismo. De onde veio este, tem muito mais. Por exemplo, a minha mentoria MLA, Master Life Administration, um programa de treinamento contínuo em que reunimos pessoas interessadas em conversar sobre temas voltados ao crescimento pessoal e profissional. Comunidades online oferecem conexão, compartilhamento, apoio, aprendizado e segurança.

O Emelei é mais do que isso, é um mastermind para profissionais com encontros mensais presenciais e online, promovendo uma sensação de comunidade e uma troca muito valiosa de experiências. Olha, tem vagas disponíveis. Se você se interessa em estar comigo, acesse mundocafebrasil.com e clique no link para saber mais. Bom, mas vamos lá, e aí você volta para o mercado automotivo, monta tua própria empresa que passa a ser uma prestadora de serviço para empresas do segmento.

Como você já era conhecida, a turma já sabia quem era a Carla, acho que você teve muita porta aberta ali para começar a se colocar. E você montou uma empresa na área de marketing, não foi? Marketing, comunicação e tudo mais, né? Mas ela evoluiu, ela, essa empresa mudou com o tempo, né?

CNCarla Nórcia

Mudou. Começou numa sala, numa sala pequenininha, a Insight mesmo começou dentro do Cinco Peças São Paulo, numa sala pequenininha, que Francisco falou: vem que eu quero que você faça um negócio aqui para mim. Aí de lá, de dentro daquela sala, eu comecei a atender mais 2, 3 clientes. Eu falei: agora não dá mais para ficar aqui, ficou feio, tá deselegante esse negócio. Fui para uma casa, cresci nessa casa, fui para outra casa, cresci na outra casa.

Eu tô na terceira já, na quarta. São 26 pessoas hoje, 18 estão lá comigo, os outros são—

?Voz A

o que que é Insight?

CNCarla Nórcia

É um É uma, eu não é uma agência de comunicação, é uma, é um hub que conecta os elos da cadeia através das entregas da comunicação. Então, na verdade, o nosso pensar é um pensar estratégico, né? É um pensar estratégico com foco em crescimento do cliente que a gente tem. A primeira pergunta que eu faço para o cliente: onde você quer ir? Para entender se nessa jornada, onde você quer, onde você quer estar? Ah, eu quero estar na liderança.

Ah, eu quero ocupar tal lugar, eu quero entrar nesse mercado, eu não sei conversar com mecânico, eu não sei conversar com o balcão, eu nunca, ou eu tô trazendo esse produto de fora, preciso introduzir no mercado, não sei como é que faz. E eu vou dar essa solução. E eu sou uma agência 360, né, empresa 360. Então uma solução para um não significa que a solução para o outro, mas ao longo do tempo, e já são 20 e tantos anos de agência, a gente entende nichado, 100% nichado no mercado automotivo.

Então eu aciono uma frente, aciono outra, outra, todas elas dentro de casa, não terceirizo nada, zero terceirização, zero, tudo lá.

?Voz A

Um mercado que é complicado, né? Porque o mercado, quando a gente fala mercado automotivo, o cara imagina a Ford, a GM, a Fiat. Não é disso que nós estamos falando, nós Eu tô falando de fabricantes de autopeças que ganham dinheiro mal e porcamente vendendo para montadora e ganham dinheiro bom no mercado de reposição.

CNCarla Nórcia

Isso.

?Voz A

E esse povo não gosta de marketing, né? Porque marketing é despesa, né? Então eles sabem que marketing, quando chega lá, lá vem uns cara gastar o dinheiro que a gente ganha. Então sempre é uma luta, sempre foi uma luta tá ali naquele grupo. Mas você tem, você passou a atuar Aliás, até quando tava nadando, sempre assim, tava muito perto dos sindicatos, né? O sindicato, associação, associação dos— é o Sindirepa, que é dos mecânicos, né?

Era o Sindipeças, que é dos fabricantes de peças. É a ANDAP, que é dos distribuidores automotivos, né? Quem mais? Tem mais algum?

CNCarla Nórcia

O CONARI, que é do pet shop.

?Voz A

Então, para cada um, para cada um tem uma associação. Que fazia muito evento, fazia muita coisa. A gente teve muito contato com essa turma toda aí. Eu entendo que quando você montou teu negócio, você foi lá, né?

CNCarla Nórcia

Eu fui em um deles. Na verdade, eu não fui no sindicato, eu fui por causa do Francisco Della Torre, que era um cara que para mim sempre teve uma cabeça diferente, uma cabeça boa. E aí eu fui perguntar, o que que você acha desse mercado ainda? Entrega vale? Tá aqui. Depois da conversa com o Salibe, né? Vale? Tá aqui. Gente acha que é, porque eu podia, eu tava no momento que eu podia mudar o mercado. Eu vou fazer o que eu sei fazer.

Mas aí eu juntei as energias, juntei as forças. Francisco, não, você vai fazer para mim, né? E eu tava no momento bom, eu também não vou jogar, amassar o que eu aprendi aí durante anos, os contatos, né? Então tá, então vou ver qual que é. Deu certo, funcionou.

?Voz A

E aí você olhou para isso tudo, começou a participar dos eventos, tudo. Nós vamos chegar na razão de eu ter chamado você aqui, né? Um dia você olha para aquilo, começa a olhar em volta. No começo você via pouquíssimas mulheres, né? Eram muito poucas, né?

CNCarla Nórcia

Nada, né? Quando você veio, era eu e mais umas 3, 4, sei lá, se tanto, né?

?Voz A

Raríssimo, raríssimo mulher. Até porque aquela coisa do calendário da mulher pelada Não se põe mulher visitando lugares onde tem aquela ideia de mulher pelada. E a gente lutou para quebrar esse paradigma, né? Lembra a Kombi dos Anéis de Pistão? O que a gente aprontou de loucura e botando mulher. A equipe que eu tinha lá era uma equipe, no mínimo era meia-meia, né? Sempre contratei bastante mulheres lá, né? E a gente foi quebrando esse paradigma e levando para o mercado.

Mas aí você sentiu que tinha que ter mais uma O que que é? O que que foi? Qual foi?

CNCarla Nórcia

Aconteceu?

?Voz A

O que aconteceu?

CNCarla Nórcia

Aí nós vamos falar da AMA. Vamos lá, tá? A AMA nasceu, ela, a MMA, a MMA, Associação Brasileira das Mulheres do Mercado Automotivo. Depois eu vou dizer por que associação, porque que não é um grupo, porque que não é uma confraria, uma comunidade, e sim uma associação. Mas ela nasceu lá muito tempo atrás, ela nasceu, eu tava na Dana Porque eu entrava nas reuniões, lembra aquela reunião, aquela sala de reunião lá do, sei lá, que o quinto andar, quinto, uma reunião, uma sala imensa, um tampo de mármore gigante.

Todas as vezes todas as cadeiras estavam ocupadas por homens e eu de mulher. Na Frei Osvaldo, não preciso nem dizer que era eu de mulher, eu garota, eu era uma garota, tinha 21 para 22 anos. E assim, na Frei Osvaldo tinha 150 gerentes, eu era a única mulher.

?Voz A

Na Adana, eu não lembro quantos gerentes tinha, mas era eu, a Carmen, a Carmen Pettini, sim, tinha uma outra lá no financeiro, sei lá, Maria, Maria, Maria, acabou, talvez 4 mulheres.

CNCarla Nórcia

E no Brasil, quantos funcionários você acha que tinha? Hoje chegou até 8 mil no pico, 8 mil, 3 mulheres gerentes, depois começou a ter mais. Então era uma solidão Todo mundo fala da solidão do empresário, eu tinha uma solidão do gênero. Sim. Eu falei, eu vou montar um negócio aqui, tá bom esse negócio. Olhar para o lado e aí o gerente, o gerente, o gerente, o gerente, todos eles homens. Falei, uma hora eu vou conversar com uma mulher, trocar uma ideia.

E a Carmen ainda ficava gravata aí, a Maria também. E aí eu falei, eu vou montar. Eu falei, eu falei para você, vamos montar um negócio de mulher aqui. Ele falou, monta e eu ainda vou ajudar. Falou, a gente ainda ajuda, vê o que que é que tem que fazer. Aí comecei a procurar aqui no Brasil, não encontrei nada, nada, tinha nada, zero, zero referência, zero grupos, eu não tinha nada, nada, nada, nada. Eu falei, eu vou ver lá fora.

Aí descobri a NAIFE, a National Association for Female Executives, me inscrevi, falei, achei um negócio assim lá e tal, eu vou trazer para o Brasil. E você ainda falou, traz, né, tal. Falei para o Pedrão, pô, que legal e tal. Comecei a conversar com elas, elas já eram extremamente evoluídas, elas eram departamentalizadas, tinham jurídico, tinham não sei o quê. E elas tinham uma coisa muito bacana que era interseccionalidade. Não era só o gênero mulher, era mulher, a mulher negra, a mulher latina, mulher, tudo isso com estatística, tudo isso cruzado, a mulher no mercado.

Mas lá era tudo, né, não era o a executiva, independente do nicho de mercado. E eu falei, puxa, isso é legal. Comecei as tratativas para virar um tipo de filial, vamos dizer assim, brasileira da Neife. Aí eu fui promovida, aí virei gerente, além da promoção, da assistência técnica. Fui para Dana, lembra? Eu tive uma experiência lá fora, fiquei um tempo lá e engravidei. Tudo isso meio que ao mesmo tempo assim, no intervalo de 3, 4 meses.

Falei, não vai dar. Abri a gaveta, coloquei o projeto da Neiva. Vou ser mãe, você tocar esse time aqui e vou entender o que que é, como é melhor essa empresa aqui. Ficou lá guardado 20 e 4, 25 anos na gaveta. Em 2, no final de 2024, me deu um, sabe, não sei por quê aconteceu, foi uma, um estalo passando dentro de casa. Passei pelo Diego dentro de casa, falei, eu vou montar um negócio de mulher. Ele falou, você tá esperando o quê? Faz. Falei, então tá.

?Voz A

Em 24 anos não apareceu zero, nada. Do que você imaginava?

CNCarla Nórcia

Não, não, não apareceu uma entidade no mercado automotivo, não. Aí começaram a surgir, sabe, todo mundo tem iniciativas maravilhosas, Mulheres do Brasil, tem um monte. O próprio Sebrae tem uma iniciativa que é o Sebrae Delas, a Scania tem uma iniciativa legal, a Mercedes-Benz tem uma iniciativa legal, mas no aftermarket não tinha nada. Zero, nada. O máximo que tinha era um grupo de mulheres do Ceará mais organizadas, né? E que além de— e elas têm uma vertente ali que é uma vertente de serem representantes comerciais, mulheres que trabalham com a representação comercial.

Então assim, meio, tudo bem, no nicho, mas nem tanto. Eu falei, vou montar. E aí conversei com uma amiga, amiga falou, você vai me arrumar mais uma coisa para fazer? Mais uma coisa para você fazer? Para de fazer, calma, né? Então olha as coisas. Eu falei, eu vou fazer, porque agora já não é mais o fazer CNPJ, é o fazer por propósito, né? Conversei com outra, ela falou, o que que é para fazer? Eu falei, ah, tô pensando em montar isso.

Ela falou, tô dentro, pera aí que eu vou trazer uma outra que precisa estar aqui também, que hoje são as minhas duas parceiras na AMA, que a Talita Pérez que é da Marketing Soul, tem uma agência de comunicação, e a Simone da Mobenzani, a Simone de Azevedo Franso, que é da Mobenzani, que entenderam prontamente do que se tratava. Já tinham tido, não tem uma mulher no mercado automotivo que não tenha sentido a necessidade de ser representada, não existe isso, né?

É um mercado muito machista ainda, né? Tem mulher nesse mercado? Tem, mas ela, do mesmo jeito que em outros mercados, ela também escuta coisas do: você pode chamar o gerente? Ou você pode chamar o responsável? Não, responsável sou eu, pode perguntar para mim. Não, mas você entende de mecânica? Eu mesma fui fazer um curso uma vez pela, pela Dana, comecei pela Dana, não, pela Friso Arca. Comecei a falar de freio, ele virou para mim engenheira?

Assim, olha, nem para falar tecnicamente, muito menos uma mulher falando, né? Então calma lá, né? Quem é você aqui nessa caixa? E aí montamos, a gente apresentou a AMA na AutoMec. Foi uma coisa, 2025, foi extraordinário. A gente ocupou o espaço que deram que foi a Arena de Conhecimento. Tinha, sei lá, 200 cadeiras, todas foram ocupadas, gente sentada no chão. A Globo foi filmar, a gente apareceu no Autoesporte. Colocamos para aquele bate-papo, foram alguns painéis que a gente fez ali, pessoas que entenderam o princípio da AMA, que Não é ser o oposto do— não é isso.

É, a gente tem que ser complementar, homem e mulher trabalhar junto. Quando a gente consegue trabalhar em paz, né, quando dá liga, você deixa acontecer, vai dar fruto para caramba. Você não tem o que discutir, vai funcionar, né. Mulher tem uma porção de qualidades que são atávicas, não adianta. Ela consegue fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Homem tem mais foco e é uma qualidade também, né? Só que a gente tem que parar de ver as qualidades da mulher como um defeito apropriado, né?

Então assim, ó, ah, ela cuida de muitas coisas ao mesmo tempo, ela não tem foco. Não, ela sabe cuidar de muitas coisas ao mesmo tempo. Ela tá aqui, tá escutando o que tá acontecendo ali, ela foi treinada para isso. Por isso ela consegue ser mãe, né? A natureza entregou de presente uma porção de qualidades para ela e a gente nega essas qualidades, Né? Então o mundo tem várias pessoas negam essas qualidades que são da natureza, muitas são da natureza, outras são aprendidas, outras são por sobrevivência.

Muitas ela acaba aprendendo porque ela tem que sobreviver nos espaços, porque tem que caber, né? Enfim, e a AMA é isso, é esse lugar de contar para as mulheres e para os homens, porque para falar de mulheres você tem que conversar com um homem. A mulher só tem que colocar no lugar de pertencimento, de acolhimento, pertencimento e de capacitação, de preparar a mulher. Mas, ó, você quer se destacar? Você tá preparada? Não, não tô.

Então vamos te preparar. Esse é o ponto. Tanto que a gente tem o Homem Edu, né? E a gente tem que conversar com o homem para entender quantos casos a gente não tem de homens que levam suas esposas para trabalhar nos seus negócios elas apenas trabalham nos negócios, elas não fazem parte do contrato social, elas não têm uma remuneração. Então é só mais uma tarefa.

?Voz A

Você tá, vocês estão, é só no mercado automotivo? É mercado automotivo, mas em toda a cadeia. Quer dizer, uma mulher que trabalha na montadora com o marido numa oficina mecânica dele, a que tá na montadora também tá ali.

CNCarla Nórcia

Também tá ali.

?Voz A

E o que que a AMA faz? Ela promove reuniões, eventos, encontros? O que ela faz?

CNCarla Nórcia

A gente tem encontros além das comunidades que estão no WhatsApp. A gente tem um grupo aberto, tem comunidades que são fechadas, que são para as associadas, e uma comunidade que é aberta que a gente chama de Entre Amas. Então tem o Entre Amas, Entre Amas, todo mundo entre, estamos entre. E aí tem as comunidades, tem a comunidade do livro, tem a da leitura, tem a comunidade das associadas, das influencers, mulheres influenciadoras também estão lá dentro.

E a gente usa, usa no bom sentido, as que são influenciadoras para levar informação também para quem não conhece a Ama, entender o que que a gente faz. Então a gente montou um ecossistema, sabe? Homens são bem-vindos, sempre super bem-vindos. Nos dois últimos Aliás, no último evento que a gente fez, que teve lá 12 mil pessoas mais ou menos, que foi o Conecta Oficina Brasil, a gente teve um painel de sucessão, que é esposa, filho, marido, esposa, filho.

Teve um outro painel de casal que tá trabalhando junto, que é muito comum nesse mercado da reparação automotiva, o marido e a mulher. O marido tá ali na frente técnica A esposa tá na administração, muito comum, e como é que é isso, como é que é tocar um negócio desse. E as experiências compartilhadas são extraordinárias, né? Como quando o casal consegue se encaixar, o negócio vai e alinha e tem sintonia, o casal vai longe no negócio, viu? É impressionante.

?Voz A

Então eu consigo ver uma ação bem efetiva em empresas pequenas, aí dá você pintar e bordar. E quando você pega as mulheres que estão dentro das grandes corporações, deixa eu até dar uma cutucada aqui, que é interessante isso, né? Tem uma conversa aí de que mulher ganha menos que o homem por ser mulher. Fim. Porque a mulher ganha menos, né? Outro dia eu trouxe aqui uma VP do Bradesco, Petikov, sentou aí, eu perguntei para ela como é que era no Bradesco, ela falou: de jeito nenhum.

No Bradesco não, é cargo igual, salário igual, não me interessa se homem ou mulher. No Bradesco não. Eu tava falando com uma mulher que comandava, sei lá, 30, 40, 50, 80 mil pessoas lá, né? Ela, de jeito não. Eu me lembro que na Dana também não, na Dana não tinha isso. Na Dana você ia subindo, eu lembro de uma escala de, né, de que era quartil, né? Então você ficava um tempo, vamos mudando. E mudava todo mundo junto, não era porque não tinha, eu não me lembro, aliás, se tivesse era a revelia da política da empresa, né?

Eu duvido, tem que ter um puta cuidado em falar essas coisas, eu duvido que ainda a Volkswagen tenha, você chegar na Volkswagen ela vai dizer, não, aqui mulher ganha menos que homem, entendeu? Acho que grandes empresas que estão bem organizadas, elas sabem que isso é uma bomba-relógio que Pode ser um terror. Qualquer coisa, você pega uma empresa aí que não tá tão organizada, pode ter esse atropelamento todo, né? Como é que é quando você pega mulheres que estão dentro de uma organização que já tá toda definida?

Você não consegue ir lá e botar a mão num pepino como esse numa organização grandona. Uma empresa pequena você vai, senta com o dono lá, ô meu, tô com vergonha na cara, arruma aí, né? E numa organização grande— falei muita besteira aqui?

CNCarla Nórcia

Eu acho que são leituras, são recortes, né? Um recorte é quase um recorte político, vai, político não, vamos dizer que tá relacionado com a remuneração. O outro tá relacionado com, como é que eu vou, é, por exemplo, a VP do Bradesco, lógico, porque ela chegou na liderança, então ela tá no comando, ela ela passa na frente dela, ela vai dizer sim isso, não isso, sim isso, não isso. E ela sendo mulher, mais um ponto para ela fazer valer, né, a cultura do 50/50, né.

Então tá, é missão dela. Volkswagen, você citou como exemplo, eles têm um segmento maravilhoso que não é só para o recorte de gênero, mas é da diversidade como um todo, né. Mas Um número sobre o mercado automotivo, esse das grandes empresas, o aftermarket não está mapeado, então não posso dizer é tanto por cento. Esse é um dos compromissos da AMA. AMA tem um ano, só tem um ano.

?Voz A

Então separa, quando você fala aftermarket, você tá falando do quê?

CNCarla Nórcia

Eu tô falando do distribuidor, do varejo, da oficina mecânica, do que tá nessa órbita. E agora eu vou falar do, isso que você tá falando, essa mulher que tá numa grande empresa, numa corporação, etc. Etc. e tal. Bom, hoje essa pesquisa do AB Diversidade, da Paula Braga lá, que tem um trabalho lindo com a Tânia Macriani, elas têm isso mapeado desde 2017. A gente tem mais ou menos 20% do contingente dos colaboradores dessas grandes corporações é feminino, então 80% é homem, 20% é mulher, das grandes indústrias. 0,6% tá na liderança.

?Voz A

É isso. Ok, então nós estamos falando de ocupação de espaço aí, não estamos falando de remuneração, ocupação de espaço, tá? Que aí eu concordo, qualquer lugar que você olhar, dependendo do segmento, é muito menos mulher do que homem.

CNCarla Nórcia

A gente tem 20%, um pouco mais eu diria, né? Hoje o Brasil tá empregando 4,3 2 milhões de colaboradores no aftermarket, 1,5, muito, 1,3 é mulher, mais ou menos são mulheres, é composto por mulheres.

?Voz A

Então sim, talvez por causa da mesma coisa, o tipo de trabalho que é feito ali, aquela coisa toda que você não é um— vamos voltar para aquele paradigma, o ambiente da oficina mecânica cheio de sujeira, de pauleira, de levantar peça, de peso, de porrada, tudo, não é o lugar onde eu quero chegar lá e vou achar que é normal eu ver uma mulher andando ali dentro. Agora, se eu for no escritório, é a coisa mais normal do mundo, tá cheio de mulher.

Por quê? Porque lá ela vai tomar porrada, vai se sujar e tudo, cara. Não chega no posto de gasolina, vê a frentista, vê uma mulher me atendendo no posto de gasolina, cara, eu pergunto para ela, cara, como é que você faz com a tua mão? Como é que você cuida da tua mão? Porque ela tá sendo agredida o dia inteiro, é gasolina, é óleo, cara, tua mão vai acabar. Ah, tem que passar creme e tudo mais, porque para mim aquele não é o lugar para uma mão delicada estar ali, né?

E eu não vejo, eu não acho que isso é machismo, é uma questão de, assim como eu tenho lugar que eu olho e falo, o cara não podia ser um homem, tinha que ser uma mulher colocada aqui. Por quê? Por aquilo que você falou lá atrás, preciso de certos atributos que são inatos à mulher aqui. A mulher funciona muito bem aqui. E você tá falando com um cara que contratou uma mulher a vida inteira, você lembra, né? Eu sempre contratei mulheres, sempre falo, cara, ali tem que ser uma mulher, homem não vai dar certo ali.

Então eu acho que tem coisas que são muito claras. E quando você fala do mercado automotivo, é um mercado que é muito bruto, né? Ele é bruto. Então para mim é natural que vá sempre haver uma quantidade menor de mulheres, por ser um mercado bruto. Se eu fosse para o mercado de moda, deve ter muito mais mulher do que homem ali, porque não é um mercado bruto, né? E aí, quando eu falo do bruto, é só pela compleição física mesmo, cara.

Não vai levantar o motor na retífica. O homem vai, levanta, né? Então tem que ter um bruto a mão de trabalho. Hoje em dia nenhum homem, nenhum motor, nenhum homem, nenhuma mulher tão levantando o motor. As máquinas já tão fazendo isso mudar. Se for apertar botão, pode ser qualquer um, né?

CNCarla Nórcia

É esse ponto que você tá falando, é interessante, né? O que eu acho que assim, quando você vai contratar alguém, você tem que dizer o que é necessário para o exercício daquela tarefa, daquelas tarefas, né?

?Voz A

Né?

CNCarla Nórcia

E não o gênero, sabe? Então assim, eu aqui eu preciso de alguém para levantar uma coisa que é pesada. Tanto faz se é um homem, se é uma mulher, se tiver um equipamento, se você tiver o equipamento, se for uma mulher forte, ora bolas, por que não, entendeu? Então assim, você precisa ter muito claro o que vai acontecer.

?Voz A

Eu vi uma matéria muito interessante interessante. Era uma seleção para uma orquestra sinfônica, filarmônica, sei lá o quê, acho que na Alemanha, é uma coisa assim. E tinha uma seleção e os caras fizeram o seguinte: a seleção era feita só pelo som. Os caras que iam fazer seleção, tava, tinha uma cortina e do lado da cortina tinha alguém tocando um instrumento. Então o pessoal fazia toda avaliação pelo som do instrumento. Depois de aprovar, que eles vão saber se era mulher ou se era homem.

E a cortina foi colocada para tirar qualquer tipo de distinção com a qualidade o perfeito era homem, era mulher, não faz nenhuma importância. Então teve um outro trabalho interessante, esse tema é legal, que foi feita uma pesquisa com Uber nos Estados Unidos, acho que Nova York, fizeram uma pesquisa com Uber e a avaliação era em cima do automóvel. Então eles pegaram automóveis, sei lá, mil e tantos Uber, e fizeram uma pesquisa qual andava mais, andava menos, qual Qual ganhava mais, que tipo de carro é que fazia.

Quando terminaram aquilo, fizeram toda avaliação, eles colocaram no carro quem tava dirigindo, se era homem ou mulher, e deu que mulheres ganham muito menos do que homem no Uber. E aí os cara foram analisar, por quê? Se não tava, porque, porque, cara, os cara que ganha mais era o Uber que rodava de madrugada, que ia para puta que pariu, que se enfiava no meio dos buracos, que era um negócio horroroso, era muito ruim, né?

CNCarla Nórcia

Né?

?Voz A

E as mulheres não iam lá. A mulher não vai andar de madrugada de Uber, homem vai. Então eles rodavam mais e faziam mais dinheiro ali. Isso só apareceu depois de ter feito. Então para mim é muito claro que tem coisa que é natural, que vai ser. E eu fico meio incomodado quando vejo o pessoal forçando a barra, sabe? Não, tem que botar, cara. Talvez não. Ou pergunta se ela quer enfrentar essa, essa bomba.

CNCarla Nórcia

Tem que ter, eu acho que os dois lados, você ter claro o que você precisa precisa para o exercício daquilo. E o outro, quem que tá interessado, quem se candidata àquilo. E aí não interessa o gênero, interessa quem é, quem tá disposto a encarar aquilo. Agora, você tocou num ponto interessante, né? Por que que não vai a mulher no Uber fazer isso que o homem faz? Por que será que não vai uma mulher?

?Voz A

Porque de madrugada é perigoso, porque tá exposta, se acontecer alguma coisa ela vai estar, possivelmente ela vai estar, pode ser atacada, etc. e tal. E E é de se entender. Eu aposto que você fala para tua filha isso, fala: pelo amor de Deus, não vai sair com essa roupa de noite aí. Para o que você tá querendo? Quero protegê-la. Por quê? Porque tá cheio de predador em volta lá. É só por isso.

CNCarla Nórcia

Mas nós desviamos aqui, vamos voltar, porque isso dá briga na cama.

?Voz A

Mas não, você tava me contando da ama lá. Então, então, o que que é? O que que— qual é o resultado desse trabalho? O que que você busca? Para que que existe a AMA?

CNCarla Nórcia

Muito bem, vamos lá. E já tá acontecendo, né? Tem muitas mulheres no nosso mercado que não foram ouvidas ainda, né? E tem aquela coisa do não ter voz, é muito comum isso, né? Não tem voz, sempre alguém que ocupa o espaço, ela tem que fazer alguma coisa para caber naquele lugar. O que a gente tá procurando é capacitar as mulheres para elas se sentirem melhores profissionalmente, melhores como um ser, para não precisar fazer coisa para caber, para fazer coisas para exceder naquilo, para encontrar prazer naquilo, sempre sem se submeter, sabe?

Para ela se sentir— eu detesto a palavra empoderamento, eu não gosto dessa palavra, mas é para ela se sentirem tranquilas lugar onde estão. Então assim, é uma vendedora de balcão, ela é tão, pode estar tão capacitada quanto um homem. Não tem a ver com gênero, tem a ver com habilidade, habilidade e capacidade, né? As duas coisas nessas frentes que a gente trabalha, levar conhecimento e levar uma coisa que nesse mercado, quando a gente apertou esse botão, a gente viu que isso é sério, que é pertencimento.

Quando a gente já, se existe um espaço que é teu, que é para você, vem. Assistiu O Campo dos Sonhos?

?Voz A

Claro.

CNCarla Nórcia

E o que que aconteceu? Elas estão vindo, elas estão vindo. Então a gente faz um evento, primeiro evento teve 10, no segundo teve 20, no terceiro teve 40, teve 60, e tá assim. E mais legal do que tudo, porque virou uma uma grande comunidade, elas conectam entre elas. Então a gente dá oportunidade de negócio, a gente apresenta o que uma faz, o que a outra faz. É um, não vou dizer que é um clube de negócios porque não é um clube de negócios, mas tem esse DNA delas conectarem entre elas, encontrarem oportunidades.

Tanto que já tem subgrupos já por afinidade. Então a da mecânica, a do balcão, elas já foram se encontrando entre elas e já se conectaram, já estão fazendo negócios e já estão trocando figurinha, já fazem viagem juntas, já fazem treinamentos juntas. Tudo isso através de eventos que a gente faz, de podcast. A gente vai fazer agora no final do ano um evento bem grande que a gente faz sempre na FAESP. Nós estamos em todos os eventos do Brasil, todos, todos, todos, todos.

?Voz A

Tá lá como? Tem um estandezinho, tem o quê?

CNCarla Nórcia

Sempre tem um estande, sempre tem talks. A gente faz talks, convidamos pessoas que são especialistas em determinadas áreas. Então vem um falar de sucessão, vem outro falar de IA, o outro vem falar de comportamento, outro vem falar de esgotamento, outro vem falar de saúde hormonal, outro tudo, todas as frentes que tem, que tem a pertinência da mulher e na relação com o homem, do sócio. O marido, o filho, esses temas também são trazidos.

Então elas estão vindo cada vez mais e a gente também vai aprendendo com elas, sabe? Elas mesmas vão dizendo, olha, eu sinto falta disso, disso, disso. A gente trata como tema.

?Voz A

E vocês atraíram já atenção de congêneres, de outras entidades parecidas, de outras áreas? Como é que é isso?

CNCarla Nórcia

A gente chama de entidades irmãs. Então tem a Suí, que é uma entidade é um tipo de uma associação de engenheiros, tem 60 mil participantes, uma potência. A Infra Woman, que é de mulheres que trabalham na infraestrutura, na construção civil. Eu acho que essas duas são as mais fortes. E sim, a gente conversa. Então tem agora mesmo, vai acontecer em Campinas um evento da SUI, e nós vamos lá. A gente já foi ano passado, vamos de novo.

Ela Jota, como é que vocês estão fazendo tal coisa? A gente vai sempre trocando as figurinhas e aprendendo. Porque tem uma coisa que assim, não adianta, a gente não vai construir uma coisa bacana se a gente não criar conexões. Isso serve para qualquer coisa, né? Você tem que criar conexão. E assim, ó, de novo, é importante que fique super claro: homens são bem-vindos o tempo inteiro.

?Voz A

A gente chama, a gente tem padrinho Não é feminista a organização, é feminina, é de mulheres.

CNCarla Nórcia

Ela é feminista, é feminista, ela é uma feminista de última onda, ela é uma feminista de última geração. Eu não posso dizer que usar esses discursos que a gente usa sem dizer que a gente é feminista, mas a gente não é feminista de brigar na praça, a gente já passou isso daí, né? Casa a gente conversa sobre os espaços que a mulher pode estar. Enquanto eu tô conversando com você porque pode ser uma mulher e não especificamente, unicamente um homem, eu tenho que colocar um discurso que é do feminismo em cima da mesa, porque eu tô criando um espaço de conquista para uma mulher.

?Voz A

Militância, tá tudo bem.

CNCarla Nórcia

Não é militância. Essa é a diferença. As pessoas confundem o feminismo com militância. O feminismo nasceu com uma pauta muito legal, era uma pauta: vamos votar. Isso é, isso é sério.

?Voz A

Ao longo do tempo virou ferramenta, ele virou ferramenta de manipulação.

CNCarla Nórcia

Mas vamos considerar que fomos votar, fomos tomar anticoncepcional, fomos decidir se a gente queria ter um sobrenome ou não, entendeu? Eu nem acho que essa coisa do sobrenome é relevante, mas se eu decidir, se eu decidir se eu quero ser mãe nesse momento ou no outro momento, eu ter esse poder, tem que ter esse poder.

?Voz A

Está nos ouvindo aqui uma moça de 27 anos que trabalha na padaria do pai dela. Ela gerencia alguma coisa na padaria do pai dela. Ela ficou encantada com essa história, mas ela tá na padaria, certo? Não é automotivo. Eu não posso fazer nada? Ela pode se aproximar de vocês? Ela tem algum licenciamento?

CNCarla Nórcia

A hora que ela quiser. Ela pode, todo mundo pode se aproximar a hora que quiser.

?Voz A

Então não é fechado no mercado automotivo?

CNCarla Nórcia

Hoje a gente começou no automotivo, mas eu não consigo entender essa conversa como uma conversa específica de um segmento. Não dá para um troço nascer com esse tipo de princípio e ficar fechado na caixa dele. Não tem, impossível.

?Voz A

Até porque os processos é, você não vai tratar mulheres com juntas homocinéticas, né? A mulher e a junta homocinética, que a mulher e o trabalho, e a mulher e o trabalho é qualquer produto que você botar ali, a relação de chefia, qualquer lugar.

CNCarla Nórcia

E se a gente tá falando de abertura de espaço, porque não faz sentido, não tem cabimento ficar fechado, entende? Então é isso. E a gente aceita muita opinião, a gente troca ideia. Então a AMA é isso. A gente tem um ano de existência, estamos todo canto que você puder imaginar abrindo operações regionais. Minas Gerais, Ceará, Goiás, Santa Catarina, Paraná. Já tem uma operação em cada lugar, já tem uma operação regional.

?Voz A

Não tem uma sede, nada disso.

CNCarla Nórcia

É uma sede, já tem uma sede, tem uma sede.

?Voz A

Onde é?

CNCarla Nórcia

Fica no Ipiranga, tem uma que a gente chama de Casa Ama.

?Voz A

Legal.

CNCarla Nórcia

Tem uma que é onde a gente faz os nossos eventos, os nossos, uma vez por mês tem um evento que acontece lá.

?Voz A

Vamos então ao ponto que interessa. Quero me aproximar, como é que eu faço? Onde é que eu acho vocês?

CNCarla Nórcia

Você acha a gente no Instagram como @ama.oficial, ama.oficial_, porque tem outra Ama com 2 M. Ama.oficial_. O site, a mesma coisa, amaoficial.com.br. No LinkedIn a gente tá com o mesmo perfil, que é o Ama, sempre Ama Oficial. Aí dentro do Instagram você pode acessar a comunidade que é aberta, tá lá no Linktree todo, todas as coisas que a gente tem feito, né, que a Ama tá fazendo. E para falar com a Carla, @carlanorsa pelo Instagram, tudo junto, tudo junto.

?Voz A

Carla Nórcia, com C, Carla Nórcia, tudo com C.

CNCarla Nórcia

Carla, Carla Nórcia.

?Voz A

Que legal, grandes, grandes projetos, grandes planos aí. Espero que a coisa frutifique, porque isso que você falou é fundamental, sabe? As mulheres se encontram. Eu tinha um história deliciosa. Eu tinha um médico, eu preciso até encontrar ele de volta, cara. Ele escreve sobre mulheres, é um médico, você deve ter até conhecido. Berenstein, Manuel Berenstein, não era isso?

CNCarla Nórcia

Não, não é Manuel.

?Voz A

Meu Deus, você lembra da história?

CNCarla Nórcia

Ele tem um livro, chama Inteligência Hormonal.

?Voz A

Então eu não acho mais a gente conversou com ele.

CNCarla Nórcia

Um encontro com executivos de montadora para falar de saúde hormonal, que ele conta a história da experiência que ele faz com os caras no evento. Você lembra daquela história? Qual que era?

?Voz A

Ele me contou isso depois, eu não me lembro se foi, eu tô tentando lembrar quando foi, mas ele conta que ele chega lá no evento só de homens, né, homem, pá, vamos começar o evento, não sei o quê, quero 3 voluntários aí, tá, voluntários vem comigo, vai com os cara no banheiro, pega um absorvente grande, molha o absorvente, vai, enfia no meio das pernas aí. E os caras põe na cueca o absorvente úmido, volta, vamos para reunião. E ficam 3 caras sentados lá com aquele teco vazando, incomodando.

E ele faz o evento, chega no final do evento, ele chama os 3: vamos contar a experiência aí, como é que é? Pô, esse negócio aqui, cara. Ele falou: pois é, cara, isso a mulher passa por isso todo mês. Eu acho que era, eu não me lembro do nome dele, mas ele me contando, ele fala, cara, aqui é um impacto tão grande, porque aí você entendeu por que que ela tá de mau humor? Ele falou assim, agora você entendeu por que que tua mulher fica mal-humorada, cara?

Como é que foi você sentado aqui com esse treco incomodando e, pô, isso aqui é horrível todo mês e você não faz ideia do que uma mulher passa? Você acha que tá tudo normal e não tá, por isso ela tá brava, mal-humorada, né? Mas ele vai, ele vai fazendo esse paralelo e é muito legal, é muito legal a pegada dele. Ele tinha um termo que ele usava, eu vou ter que me lembrar, tem que achar ele. Não, ele tinha um termo que ele usava, não era feminista, ele falava alguma coisa que era do feminino, mas que era especialidade dele. Ele fala de mulher, só de mulher.

CNCarla Nórcia

É um ginecologista ele?

?Voz A

Eu acho que era um ginecologista.

CNCarla Nórcia

Então esse cara, como é que era o nome dele? Albert Einstein? A gente teve livro também dele.

?Voz A

Tava em Higienópolis lá, ficava em Higienópolis.

CNCarla Nórcia

Agora não tô com, puxa vida, não tá vindo o nome dele. Mas eu me lembro, o baixinho de olho bem claro.

?Voz A

Ele fez um evento para nós, acho que foi lá na WTC. Muito legal, muito bom. Dona Carla, sucesso na AMA. O nome é muito sugestivo, o nome é muito bom.

CNCarla Nórcia

E aí as meninas que fazem parte são as Amadas.

?Voz A

As Amadas da AMA. Manda para mim as informações aí, deixa eu fazer barulho também, porque assim, se tem o coração, mas tem o coração aberto para para mulher de todas as áreas, tem mais aqui.

CNCarla Nórcia

Fazer barulho, somos um abraço. O símbolo da AMA é um abraço, né? E o que eu acho que a gente mais tá falando no mercado agora, que tem que amplificar. Então assim, não basta que eu fale. Então vem, vamos trazer outra, outra. E eu, no meu lugar de AMA, eu entendo que é de novo aquela história de criar espaço para elas Né? E a gente tá criando. Eu tenho notado que elas próprias aproveitam as oportunidades e fazem negócios e criam amigos, relacionamento. A gente tem um negócio que chama Caravana.

?Voz A

Caravana, Caravana.

CNCarla Nórcia

A gente enche um ônibus de meninas que estão interessadas em conhecer uma fábrica e vai um grupo de mulher todo cor-de-rosa fazer uma visita na fábrica, receber uma aula técnica, ter um evento topar lá no Rio Grande do Sul, no Curitiba, Curitiba, né, ali Paraná, vai uma caravana para lá cheia de mulheres. Então tá assim, maravilha, é muito legal.

?Voz A

Grande grupo, bem-vinda, bem-vinda ao Lídercast, viu? Tanto tempo passou, mas sucesso, estamos juntos.

CNCarla Nórcia

Muito bom.

?Voz A

Muito bem, termina aqui mais um Lídercast. A transcrição deste programa você encontra no leadercast.com.br. Você ouviu o Lídercast com Luciano Pires, mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portal cafebrasil.com.br.

LíderCast 424 - Carla Nórcia - Mulheres com a AMMA | Castnews Index — Castnews Index