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LíderCast 423 - Karina Kapazi - Carreira na empresa familiar

06 de agosto de 20261h14min
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A convidada de hoje é Karina Kapazi, que construiu sua trajetória no encontro entre o rigor da governança e a complexidade das relações humanas. Há mais de duas décadas na Kapazi, empresa familiar, atua com Governança Corporativa, Sustentabilidade, Compliance e Gestão de Pessoas, dedicando especial atenção aos desafios da sucessão e do comportamento nas organizações. Formada em Direito, estuda Governança, ESG e Análise Transacional. É autora do livro Trem, pesquisadora, mentora voluntária, mãe e corredora de rua. Sua jornada parte de uma convicção: empresas são feitas de pessoas, pessoas são feitas de histórias, e nenhuma estrutura permanece sólida sem consciência, ética e humanidade.

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LPLuciano Pires

Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindo, bem-vinda a mais um Lidercast, o podcast que trata de liderança e empreendedorismo com gente que faz acontecer. A convidada de hoje é Karina Capazzi, que construiu sua trajetória no encontro entre o rigor da governança e a complexidade das relações humanas. Há mais de duas décadas na Capase, empresa familiar, Karina atua com governança corporativa, sustentabilidade, compliance e gestão de pessoas, dedicando especial atenção aos desafios da sucessão e do comportamento nas organizações.

Formada em Direito, estuda governança, ESG e análise transacional. É autora do livro Trem, pesquisadora, mentora voluntária, mãe e corredora de rua. Sua jornada parte de uma convicção: empresas são feitas de pessoas, pessoas são feitas de histórias, e nenhuma estrutura permanece sólida sem consciência, ética e humanidade. Muito bem, mais um Lidercast. Eu sempre começo contando como é que a minha convidada veio para aqui. Esse aqui foi muito bom, esse esquema, né?

É um ouvinte de longa data, leitor de longa data, que me acompanha no LinkedIn. Manda uma mensagem para mim, Luciano, vou te fazer uma recomendação, minha esposa tá lançando um livro assim, assim, assado. Cara, gostei muito da proposta que ele colocou ali, falei, vamos marcar. Cá estamos, né? Depois de— não demorou muito não, foi rapidinho, te deu o toque. Ah, vamos lá, vamos lá. Aí recebi, recebi o livro pelo correio, um capricho aqui, a gente vai falar dele.

Mas começa com 3 perguntas que você não pode errar. Você já sabe, né, as 3 que é aquelas, né? Então, seu nome, sua idade e o que que você faz.

KCKarina Capazzi Siqueira

Me chamo Karina Capazzi Siqueira, tenho 41 anos. Hoje eu sou diretora de pessoa jurídica ESG da empresa da minha família, uma empresa familiar que tem quase 50 anos já, Capazzi, e tô lá desde que eu me conheço por gente. A empresa tem 50 anos, eu tenho 41, então o meu mundo foi dentro daquele trem.

LPLuciano Pires

Que legal! Capaze, né? Isso aí, que origem que é?

KCKarina Capazzi Siqueira

Libanesa.

LPLuciano Pires

Libanesa?

KCKarina Capazzi Siqueira

Libanesa. É um nome, na verdade, ele mudou, né? Quando normalmente vinham para cá, na hora de fazer o registro, mudava, era Rabes, e ficou Capaze, que significa aquele que faz pão.

LPLuciano Pires

De Rabes virou Capaze?

KCKarina Capazzi Siqueira

Virou.

LPLuciano Pires

Como é que se explica isso?

KCKarina Capazzi Siqueira

Olha, não conseguimos mais perguntar para quem conseguiu traduzir dessa forma.

LPLuciano Pires

Ontem eu trouxe aqui o Ari que é dono de uma rede de churrascaria, o cara é sensacional, baita. Ele me contando que o pai dele é alemão, chegou para registrar e falou, o nome, deixa eu ver, é Ari. E o alemão com aquele escândalo, falou, meu nome é Ari. E o cara com dois R's, ele virou, em vez de Ari, virou Ari. E o nome dele é Ari. Então eu falei, cara, com nome desse você não precisa de apelido. Ele falou, nunca precisei, né? Mas legal, Karina. Você nasceu onde?

KCKarina Capazzi Siqueira

Curitiba.

LPLuciano Pires

Curitiba?

KCKarina Capazzi Siqueira

É, Curitiba.

LPLuciano Pires

Tá lá desde que nasceu?

KCKarina Capazzi Siqueira

Sempre Leite Cake.

LPLuciano Pires

E na empresa do Leite que Entra? Empresa do Leite Cake. Você tem irmãos?

KCKarina Capazzi Siqueira

Nós somos em 3 irmãos, então todos também na empresa. Somos literalmente uma empresa familiar dentro de uma família empresária dentro de uma empresa familiar.

LPLuciano Pires

O que faz a empresa?

KCKarina Capazzi Siqueira

A gente faz tapetes, capacho, grama sintética, piso vinílico.

LPLuciano Pires

Pô, que legal! Seu pai e sua mãe fazem o quê? Seu pai deve ser o fundador da empresa.

KCKarina Capazzi Siqueira

Ele é o fundador da empresa. E a gente faz, começou com lapagem de sofá, carro, estofado de forma geral, para depois a gente passou a impermeabilizar. E a empresa que a gente representava na época dos impermeabilizantes começou a trazer esse produto que é o capacho, aquele de vinil das portas que tem ali personalizado. E ele começou a vender isso, começou a vender importando isso. Era uma fábrica aqui, uma empresa grande que fazia essa, ele era um distribuidor, né?

E passou ali um período com eles e depois passou a importar. Eles tiveram uma turbulência aí no meio do caminho e depois ele passou a importar. Em 2004, mais ou menos, a gente passou a fabricar. Então a gente abriu uma indústria em Mariporã, depois a gente levou ela para Almirante Tamandaré, que é região metropolitana de Curitiba. E hoje estamos com duas plantas, uma ali em Almirante e outra em Marechal Deodoro, Alagoas, que onde um dos meus irmãos mora lá hoje.

LPLuciano Pires

Alagoas?

KCKarina Capazzi Siqueira

Alagoas.

LPLuciano Pires

Caramba, do outro lado do Brasil. Legal. Qual era o seu apelido quando você era pequena?

KCKarina Capazzi Siqueira

Olha, o meu irmão mais velho é que tinha o apelido e o resto derivou disso. O do meu irmão era Tchutchão.

LPLuciano Pires

Tchutchão, você é a Tchutinha.

KCKarina Capazzi Siqueira

Bingo! Mas era, era na verdade era só derivação do dele, né? Então dele era muito forte, daí a gente era só irmão do Tchutchão. E tu deve aqui com a mesma história.

LPLuciano Pires

O apelido era do meu irmão e o meu é derivação. A gente era de Patos de Minas, então o apelido dele era Pato e eu virei Sapo, porque os dois estão na lagoa, né? Ótimo. Tutinha, né? Tutinha, Tutinha, Tutinha. O que que a Tutinha queria ser quando crescesse?

KCKarina Capazzi Siqueira

Eu queria ser artista plástica e queria muito mesmo assim. E daí um dia meu pai falou assim, ó, só que daí para ganhar dinheiro só depois que você porque depois que isso vai ter valor. Aí não quero não. Aí mudei de ideia. Mas a infância toda eu queria virar, fazer quadro, achava aquilo o máximo. Fiz aula de pintura.

LPLuciano Pires

E curtiu? Você era boa nisso?

KCKarina Capazzi Siqueira

Acho que não, não, não, que eu sou muito ansiosa, né? Muito assim ansiosa no sentido de eu gosto de movimento, gosto. Então pensar em ficar ali paradinha pintando, acho que não ia estar muito boa.

LPLuciano Pires

E aí você foi fazer o quê? Foi estudar o quê?

KCKarina Capazzi Siqueira

Eu fiz Direito, sou formada em Direito, depois fiz pós em Pessoas, Governança, enfim, ali tudo muito ligado à empresa.

LPLuciano Pires

Seu pai já preparou você sabendo que ia aproveitar na empresa?

KCKarina Capazzi Siqueira

Eu conto um pouco disso até, Luciano, assim, ó, não existe outro mundo na empresa familiar a não ser a empresa. Então a gente cresce em torno daquilo mesmo, né? A primeira fase do meu livro é que eu nasci num trem em movimento. E acho que é isso mesmo. Então assim, quando você fala, por que que teus irmãos fizeram lá um comércio exterior, outro fez administração, você fez direito? Porque é justamente para responder essa tua pergunta.

Tinha que servir para empresa, senão não fazia sentido. A gente tinha que ser útil para empresa, a gente tem que ser útil para empresa, né, numa empresa familiar.

LPLuciano Pires

Então não é todo mundo assim não. Você sabe que eu converso com um monte de gente aqui, os cara fala, cara, meu filho não quer saber de dar continuidade naquilo que eu fiz, eu tô com problema, profissionalizei a empresa, profissionalizei porque os filhos foram cada um para um lugar, né. Tem um monte de histórias assim. Então vocês devem—

KCKarina Capazzi Siqueira

eu acredito muito, e eu ouvi uma vez disso de um rapaz que trabalhava com a gente, ele era da Fundação do Cabral, ele trabalhou muitos anos na fundação, e ele falou, Karina, tem uma pesquisa, ele sempre pode me mandar essa pesquisa, nunca me mandou, que o sentimento que o fundador leva para casa é aquilo que acaba meio permeando os filhos. Então para o meu pai o negócio sempre foi assim, sabe, o propósito a paixão, a coisa. E meu pai é muito positivo, então ele sempre vê o lado bom das coisas assim.

Então acho que ele carregou aquilo para a gente. Então ir para empresa era continuar aquilo que ele trazia para dentro de casa, sabe? Não era aquela coisa do— você imagina um pai chegando hoje, ainda mais hoje em dia do jeito que a gente vive, ah, que saco, né? Só, né, amanhã outra batalha, hoje eu quero aproveitar. Não, ele vinha com aquilo assim de do quanto aquilo construía para o meu pai o negócio meio que um ecossistema assim, sabe?

Ele carrega muitas outras coisas, não só o negócio mesmo. E eu acreditei nisso quando ele me contou. Falei, cara, para mim faz total sentido. Meu irmão mais velho, ele fala isso, ele fala, eu não me lembro o momento em que eu decidi ir para empresa. Aquilo era natural, sabe?

LPLuciano Pires

Assim, aquilo era o caminho.

KCKarina Capazzi Siqueira

É, esse era o caminho assim. Mas acho que muito disso assim, muito daquela forma de do amor que meu pai tem pelo negócio, tem até hoje, né? Meu pai tá com 76 anos, meu pai vai todo dia na empresa.

LPLuciano Pires

Mas isso eu ia perguntar, ele deve ter uma felicidade brutal de ver os filhos tocando o negócio que ele fez nascer ali, né? Mas você vai e nunca te deu uma coceirinha para ir trabalhar em outro lugar? Aquilo para você era natural? Você sabia que você ia para lá e que era lá que—

KCKarina Capazzi Siqueira

Eu durante muito tempo sim, muitos anos, muitos anos eu comecei na empresa, na loja, né? A gente tem uma indústria, então a gente tinha loja. Depois fui financeiro, fui fazendo outras coisas assim, andando pela empresa, né, trabalhando. Ela era pequena, então era tudo junto, né? Era secretária, era a gerente financeira, era tudo junto. Era quem pagava a nossa, que dava dinheiro para a gente gastar na escola, né? Ela que ia lá ajudar o cincandão para nós passar o período tal.

Então aquilo era muito, sabe, muito a minha casa mesmo, extensão da minha casa. Então durante muito tempo foi assim, sabe, eu me formei, aí eu comecei, depois que eu me formei eu voltei para empresa, eu falava, não quero atuar como advogada mesmo da empresa assim, minha tia advogada da empresa. Então aquela coisa bem, é, e você pensa que eu te falei que é uma empresa libanesa, né?

LPLuciano Pires

Então falando comigo, eu tô tentando me lembrar aqui de alguém que eu tenha conversado aqui nesses 400 e tantos programas que não precisou um dia procurar emprego. Você não procurou, você tava com ele já definido, né? Bom, vamos lá, é aqui que é o teu caminho. Então você não foi mandar currículo para lugar, só procurar. Você tava definido ali, né? Mas deixa eu pegar uma coisa que é meio fofoca, sabia?

KCKarina Capazzi Siqueira

Fofoca.

LPLuciano Pires

Como é que é trabalhar numa empresa grande?

KCKarina Capazzi Siqueira

É, acho que é 650 funcionários.

LPLuciano Pires

Quando você entrou lá, quantos tinham?

KCKarina Capazzi Siqueira

Ah, nem 200, mais de 200 ou pouco, 200 funcionários. Vamos pensar que no máximo acho que 200 funcionários.

LPLuciano Pires

Como é que é começar na loja, depois subindo sendo filha do dono? Quando você entra caminhando assim, que olhares vem para filha do dono? Como é que é isso?

KCKarina Capazzi Siqueira

É um peso. E eu acho muito, quando eu comecei a estudar, me deixa até dar um passo atrás, se você me permitir. Eu comecei a cuidar das pessoas e tal, e a gente é muito Caxias assim de— eu sou muito cachias, eu acho, nesse sentido de eu acho que eu tenho que ser competente porque eu tô fazendo. Então você me põe alguma coisa para fazer, no mínimo eu vou dar uma estudada e dar uma lida para entender o que eu tô fazendo. E quando meio que caiu no meu colo o negócio do RH, eu falei, preciso estudar, gente.

Fui fazer uma formação de análise transacional com foco em organização, organizacional era. Quando eu fui fazer isso, eu comecei a perceber, porque assim, tem aquela coisa tradicional de se você se entender, entender tua família e tal, para falar de liderança, para daí você ser um bom líder, aquele caminho que a gente conhece. Só que ela me trouxe um olhar muito profundo. Então o começo, primeiro ano da formação, era basicamente para falar da família.

Em nenhum momento eu consegui separar o que era família do que era profissional. Então aquilo me dava, sabe, quase que uma agonia assim. Você tá falando do quê, Luciana? Você tá falando da empresa, você tá falando da minha casa? Porque desse que você tá falando, que causa o impacto lá dentro de casa, o pai que é brabo, que é exigente, enfim, enfim, eu, o dono da empresa que eu trabalho é meu pai, é o presidente, que é exigente, que sabe, que tem uma conduta que para ele é certo, é certo, errado, errado.

Então eu não conseguia separar, e aquilo me deu um, sabe, quando você fala, meu Deus, que que loucura, que momento que eu, que eu perdi alguma coisa aqui, porque para mim só tinha aquilo, era só o trem, sabe? Era antes e depois. Então pensar nesse, nesse cenário assim de continuidade, sabe? Uma vez me perguntaram assim, você lembra o primeiro dia que você começou a trabalhar? Eu falei, eu não tenho a mínima ideia, porque aquilo era extensão da minha casa.

Então o ser filha do dono, como eu cresci numa empresa, empresa não é mais antiga do que, é mais antiga do que eu, eu não sou mais antiga da empresa eram as pessoas que estavam na minha casa, era a secretária do meu pai, que foi minha madrinha de casamento. As pessoas dali, elas eram da minha família, entende? Então assim, durante um bom período, enquanto a empresa era um pouco menor, aquelas pessoas, no livro eu até trato elas ainda como a tripulação mesmo.

É a pessoa que pode acontecer o que for dentro da empresa, ela não vai descer do trem, ela vai permanecer. Então naquele período eu nunca senti o peso da filha, do, sabe, da filha do dono, daquela cadeira. Quando começou a entrar o pessoal, sabe, executivo, gente de mercado, consultor, conselheiro e tal, aí eu comecei a sentir esse peso. E eu sempre tentei dizer, e por isso que eu fui fazer essa formação, assim, muito foi por isso.

Como que eu explico para você o peso dessa cadeira se você não conhece a cadeira que eu tenho? Eu sim, eu não tenho medo de perder o emprego. Eu acordo de manhã, mesmo que eu brigue com o presidente, no outro dia eu tenho emprego. As coisas não têm uma estabilidade, né? Mas eu também entrei na empresa, eu já tinha 200 funcionários que dependiam do meu trabalho. Eu tenho uma folha de pagamento, quando veio a pandemia, de milhões.

E que que eu vou fazer com aquilo? Aí eu sou os filhos do dono que tem que resolver, é o dono que tem que resolver. Então tem um peso aqui que eu falava, é muito fácil para vocês falarem que o filho do dono é uma cadeira tranquila e que para a gente tá aqui, ah, você não precisa ser competente para estar naquela cadeira. Só que se eu não estiver naquela cadeira de uma forma robusta e sustentada, eu levo 600 famílias comigo para o chão, né?

Então assim, você no momento, se eu brigar com você, você é meu executivo, você é meu diretor comercial, e a gente tem um desentendimento aqui Você fala, Karina, ó, tô indo, filha, e vira as costas e vida que segue. E eu não posso descer. Eu não, não é que eu não tenho essa escolha, eu tenho essa escolha, mas ela arrasta muito mais coisa do que os profissionais que estão ali. Então falava assim, você, a hora que você tem um problema aqui dentro, e aqui eu tô falando de qualquer um, tá, consultora, executivo, qualquer um, você pega sua malinha, pega, né, suas coisas e vai embora.

Eu fico, eu permaneço. Então eu preciso que isso daqui dê certo. Você me conhece, fala, pô, a Karina deve ganhar um monte, deve, pô, filha do dono. E se der um ruim lá na empresa e acontecer alguma coisa ruim, eu vou chegar para você e falar, arruma emprego para mim. Fala, cara, como que eu vou oferecer um salário mínimo para essa menina? E mesmo que um salário mínimo seja suficiente para mim, então se meus amigos não vão me dar emprego se der ruim.

Então talvez assim, ah, eu não tenho medo de perder meu emprego, sim, mas se eu perder, lascou para mim esse recomeçar, né?

LPLuciano Pires

Você disse que o peso de ser filha do dono é maior do que a vantagem de ser filha do dono nessa perspectiva.

KCKarina Capazzi Siqueira

Eu não acho que não, eu acho que não. Eu só acho que a gente desenvolve a partir disso um sentimento pelo negócio Que é muito intrínseco à família empresária, esse sentimento que eu tô te falando. E assim, a gente pensa nesse peso diariamente? Não vou dizer para você que sim, porque a vida segue. A gente não tá, né, o tempo todo olhando. Eu tenho muito bônus, eu não tenho só ônus, né? Eu tenho muita coisa boa nesse processo. E o amor pelo negócio, pelas coisas darem deu certo, por um, sabe, por um dia de trabalho que, pô, um pedido grande, uma venda boa, uma produção que deu tudo certo, uma auditoria que deu, aprovou ouro.

Então você fala, nossa, que legal, né? Um funcionário que forma uma filha, que compra um carro novo, que vai viajar.

LPLuciano Pires

Você tem um componente aí que os outros não têm, né? Tudo isso que tá acontecendo é parte do legado do seu pai. Então se deu certo, cara, além de Pô, legal, deu certo, nosso desempenho foi muito bom, mas, cara, isso aqui é a história do meu pai, o legado dele. Tem um peso que você carrega aí que é importante.

KCKarina Capazzi Siqueira

Do meu, eu faço mentoria faz quase 2 anos, 1 ano e pouco, eu acho, uns quase 2 anos.

LPLuciano Pires

Você é mentorada?

KCKarina Capazzi Siqueira

Eu sou mentor e mentorada. Ok. E eu faço com diretor que foi um diretor de uma grande empresa de de ônibus e de pessoas, né? Ele era gerente, diretor de RH. E ele falou para mim, Karina, assinatura do— a gente tava falando sobre isso, sobre legado, sobre continuidade, enfim. E ele falou assim, assinatura do sucessor é a continuidade. Então talvez a gente fique muito naquele que sabe, isso é um negócio do meu pai, é o sonho dele, é o propósito, é empresa dele, é o valor dele, a história dele.

Que que é meu nisso? Nada. E daí eu falei para ele, eu falei assim, acho que talvez muitas sucessões, ou assim, até a entrada dos filhos no negócio assim, isso meio que carrega um peso, porque você é filho do dono e você tem o poder do dono, mas o negócio é do dono, é a cara do dono, quem manda lá é aquela pessoa, né? Mas se aquilo continuar, aquilo é sinal de que você é bom. Sabe, aquilo é sua assinatura de competência, né? Eu não vou fazer o que meu pai fez.

A empresa tem 50 anos, eu não preciso. Se meu pai subiu 50 anos a escada de costas, não necessariamente eu consigo, preciso continuar subindo de costas.

LPLuciano Pires

Mas se eu continuar subindo, sim, ele vai passar a tocha para você, você tem que continuar levando, levando adiante.

KCKarina Capazzi Siqueira

Exatamente. Então assim, acho que essa assinatura da continuidade, e eu falei para ele, cara, genial isso, é isso mesmo. E às vezes a gente quer colocar um molho diferente. Eu brinco, a gente conta essa história assim, né, metaforicamente aqui, usando uma historinha para dar um exemplo aqui. É que nem se eu herdasse um restaurante e as pessoas vão naquele restaurante por causa do molho. O molho é maravilhoso, sabe? O molho da mama.

Pessoas atravessam a cidade para comer aquele macarrão. E a hora que aquilo vem para mim, eu digo assim, não, vou botar um pouquinho mais de sal, que eu sempre achei que faltava para dar um punch. E às vezes aquilo desanda o molho, as pessoas perdem o interesse, né? Então assim, eu não quero mexer no molho, eu quero congelar para mandar mais longe, eu quero fazer delivery, eu quero fazer um salão mais bonito de restaurante.

LPLuciano Pires

Eu quero ter o discernimento para saber onde é que dá para mexer, onde é que não dá para mexer, né? Como é que eu posso manter Isso que é o nosso valor, e melhorar não necessariamente mudando os ingredientes aqui, mas que em volta tem uma porção de coisa para ser feita ali.

KCKarina Capazzi Siqueira

E você pensa que isso aí, ó, é ego, né? A gente lida, acho que o sucessor lida muito com ego, né? Porque eu vou te levar na empresa lá para você conhecer, eu vou te mostrar o negócio do meu pai, mesmo que ele vá lá, dê uma volta. Meu pai faz isso todo dia, ele chama de via crucis. Ele chega cedo, aí ele dá uma volta. Então ele sabe absolutamente tudo que tá acontecendo. Ele dá uma volta na planta, vai na manutenção, vai na logística, vai no estoque dele, conversa com o pessoal do financeiro.

Ele sabe quanto vendeu no dia anterior, ele entra no aplicativo, vê quanto vendeu no dia anterior, sabe quanto tem no caixa, ele sabe quantos funcionários tem, ele sabe. E de pronto assim, só, nossa, a gente tava olhando os custos de frete, ele falou, deve ser uns X 100%. E é isso mesmo.

LPLuciano Pires

Ele tem função na empresa ou ele se afastou? Ele tem função lá, presidente, presidente do conselho, alguma coisa assim? Ele tá—

KCKarina Capazzi Siqueira

o meu pai, ele é o decisor, ok? Ele é o cara que as coisas ainda correm jeito dele assim, sabe? Meu pai sempre foi o comercial, a empresa é muito comercial. Então meu pai ainda viaja visitar cliente, fazer feira, nessas feiras grandes que a gente faz material de construção, por exemplo, Feicom, fica na feira o tempo todo assim. Então ele tem um, sabe, um amor naquilo que faz assim, só que ele bem bíblico assim, sabe? O trabalho dignifica o homem.

LPLuciano Pires

Ele é brasileiro?

KCKarina Capazzi Siqueira

Meu pai é brasileiro, nasceu aqui, filho de libaneses, filho de libanês. Então ele tem esse amor, sabe? Então tá lá para ele. Então a gente dá férias coletivas no final do ano. Eu dei risada esses tempos que ele tava contando E ele falou assim, daí eu acordei, não tinha nada pra fazer, eu fui lá na empresa. Meu Deus, eu tinha manutenção trabalhando, sabe? Não tem nada pra fazer, eu vou pra empresa. Cara, quem que faz isso?

LPLuciano Pires

Não, mas é uma coisa interessante que é, você quando ama um negócio que você faz, né? As pessoas pensam que você tá trabalhando. Eu costumo fazer, acontece muito comigo, eu vou, ah, vamos sair pra passar o final de semana, não sei aonde. Eu levo o livro comigo, levo laptop comigo, e vira e mexe lá vem, pô, cara, você vai passar o dia trabalhando? Quem disse que eu tô trabalhando? Eu tô curtindo aqui. Eu sentar e escrever é uma curtição, entendeu?

Eu tô— isso aqui para mim é uma curtição, né? Então quando você faz isso, é natural, cara. Tô parado aqui, eu vou lá, eu vou lá porque eu vou lá para curtir. Isso não é uma— não é um grilhão, não tô preso nisso. Isso para mim é a razão de viver, né? E ligado ao trabalho, então faz mais— faz muito mais sentido, né? Você passou pela tua cabeça que sendo a filha do dono Vou, bom, vamos lá, vamos lá. Você é mulher, já, pô, vou ter que ir dobrado, né?

Porque eu sou mulher, sou filha do dono, vai estar todo mundo andando para te ver se essa fedelha aí desempenha ou não. Passou pela tua cabeça que você tinha que, cara, eu vou ter que performar além do que uma menina da minha idade que viesse trabalhar aqui não teria a responsabilidade que eu tenho, porque eu carrego essa Passou pela tua cabeça isso? Você conscientemente, você viu isso todos os dias?

KCKarina Capazzi Siqueira

Todos os dias. Acho que como mulher, eu brinco, quem fala que ser mulher não é tão difícil assim não é mulher, né? Não é uma mulher que falou isso, né? Não pode ser. É mais difícil. Eu sou então mulher de uma família libanesa, então isso também tem simbolicamente Isso também é importante, relevante. Eu sou a mais nova, né? Então eu sou a caçula, eu sou quase uma temporã, porque para um irmão é 7 anos, para outra é 5. Então tem aquela distância de— eu tenho 41 anos, às vezes eu tenho sensação que eu tenho 20, que eu não cresci ainda, sabe?

Da maneira com que hoje uma preocupação, qualquer coisa do Tipo assim, você fala, eu tenho 41 anos, tenho duas filhas, então eu tô quase 20 anos casado, né?

LPLuciano Pires

Meu filho fez 42 ontem.

KCKarina Capazzi Siqueira

Ah, parabéns para ele!

LPLuciano Pires

E eu conversando com ele, é uma criança, cara. Na minha cabeça, aí é onde eu parei para pensar, falei, cara, eu tô, eu tava trocando mensagem com ele, falei, eu tô trocando mensagem com um homem de 42 anos, cara, não é com um garoto. Mas na minha cabeça Era um menino de 16 ali, né? Então acho que como pai a gente não consegue nunca. E eu imagino que irmão é uma coisa, né? O irmão tá vivendo, a irmãzinha menorzinha, ele não consegue dissociar isso nunca, né?

Por mais que fique você com 90, teu irmão mais velho vai dizer você é a menininha.

KCKarina Capazzi Siqueira

E acho que até assim a régua de competência, né? Eu conheço os meus irmãos desde sempre, eles são mais velhos do do que eu. Então eu nasci, eles já existiam. Então a gente carrega essa informação. Então talvez historicamente, até quando eu na análise transacional, isso a gente falava bastante assim: você pega teu filho e quando ele era criança, ele era mais novinho, ele não gostava de ir para escola, ele era mais bagunceiro, ele sabe, era aquela criança assim mais agitada, não queria nada com nada, se bobear estava no canto ficava dormindo.

De tarde ele gostava de ver TV e dormir e tal. Esquecer deste filho por um filho que assume aqui uma posição com você, ah, ele vem editar vídeo, ele vai cuidar da iluminação, enfim. Se você entra nesse lugar e fala e vê que as coisas não estão bem limpas ou bem organizadas, os arquivos dele estão um pouco bagunçados, desde criança você era assim, você sempre foi assim. Então Não tem como separar, entende? Então assim, agora você imagina isso dentro de uma empresa e com uma família lá dentro. Que momento que eu separo o que aconteceu lá dentro de casa?

LPLuciano Pires

Quebrei o pau com meu irmão e eu não vou para minha casa, ele vai para dele. Eu vou voltar e vou encontrar com ele lá de novo, porque a gente vai jantar junto, a gente vai acordar junto, eu não tenho separar uma coisa da outra. Algumas semanas eu trouxe aqui o Fred, que passou muito por isso. Então ele fala, ele fala, cara, essa história de que você consegue separar a vida pessoal da profissional, isso não existe. Não tem, não existe duas vidas, é a mesma vida, cara.

O que acontecer com você num lado vai contaminar o outro e não tem como, né? Você não tem como separar. Pô, quebrou o pau hoje de manhã com a minha esposa, vou para o trabalho, eu vou chegar emburrado, vou ficar puto da vida, e o dia inteiro eu vou estar com a cabeça lá preocupada com. Então não tem separação, né?

KCKarina Capazzi Siqueira

Não, não tem separação.

LPLuciano Pires

E ele discute muito essa coisa de como você faz, você leva para casa, né? Quebrou o pau na empresa, levei para minha casa, chego lá, eu sou duro com a minha turma que tá lá, que não tem culpa nenhuma, né? Vou dormir, não como direito, tudo por algo. Então não tem separação, a vida é uma só, né? A questão toda é você, como é que eu equilibro para tentar evitar que um lado vá para o outro? Que eu posso evitar o seguinte, tá bom, eu não vou abrir o laptop na minha casa, mas na minha cabeça Tá tudo lá, cara, não tem como separar, né?

KCKarina Capazzi Siqueira

Não. E essa mistura é muito importante. E quando eu comecei até o estudo da análise, quando eu fui escrever o livro, então assim que eu tava te contando lá, eu não conseguia separar uma coisa da outra. E até hoje eu não consigo separar uma coisa da outra. As pessoas que estão trabalhando na empresa, elas não consideram isso como uma verdade. Então você é meu irmão, você é diretor comercial, sou diretora de pessoas, e eu preciso te dar uma informação ruim, eu Pelo contrário, Karina, vai lá e fala para o Luciano e acabou, é isso, não tem o que fazer.

É meu irmão, ele é mais velho que eu, eu não posso, entende? Ele vai olhar para mim e falar assim, Karina, isso, sabe, você tá maluca, guria? Separar as coisas é muito difícil. Então esses laços e essas coisas que elas, elas não estão escritas em lugar nenhum, elas não estão Sabe, isso é tudo muito percebido assim. Então, ah, eu tenho que tomar uma decisão a respeito de comprar alguma coisa, demitir alguém, contratar alguém. Hoje a Karina não tá muito legal, acho que eu vou no irmão dela, que hoje ele tá mais fácil.

E daí eu— e a empresa, ela sente, como sabe como a gente se movimenta, esse balançar dos trilhos aqui com o vagão andando, com a locomotiva puxando. As pessoas, elas entendem esse movimento. É, então o meu marido é conselheiro, então ele tem uma confraria lá que eles fazem reuniões e tal. Quando ele leu, ele falou assim, nossa, as pessoas não conseguem ter esse, sabe, esse sentimento, esse feeling de entender que sim, é o pai que tá sentado ali, é o irmão, e eles vão quebrar o pau, eles vão para casa, eles vão jantar juntos, e amanhã é aniversário da filha de um deles e vai ter que estar todo mundo lá sorrindo.

Então, sabe, separar essas coisas é muito difícil. E para quem lida com isso é muito difícil, porque se eu tenho consciência, eu considero, sabe, tudo isso que a gente tá tratando aqui parece até muito óbvio, né? Porque a gente começou do contrário, a gente começou falando assim, ah, como que você não me fez uma pergunta? Como que é a empresa? Como que vocês, né, trabalham juntos? Você é o quê? Teu irmão é o quê? Como que hierarquicamente vocês são?

Como é que é o organograma? Da empresa, como é que é a política, como é que não. A gente começou do contrário e parece muito óbvio, mas as pessoas elas começam desse lugar, começam das políticas da empresa, como é que ela funciona. Você vai lá me visitar, você não sabe que é irmão, você não percebe que aquilo tá acontecendo, sabe? Às vezes uma lealdade que é assumida lá quando é na infância, ele falava, pô, meu pai lá quando eu era criança era assim que funcionava.

LPLuciano Pires

A gente tem impressão olhando de fora que empresas familiares são menos, é mais fácil do que uma empresa profissionalizada, né? E não é.

KCKarina Capazzi Siqueira

Eu acho que é mais difícil justamente por isso, porque eu não vejo isso, eu não percebo.

LPLuciano Pires

Como é que eu mando embora meu filho? Exato. Mandar embora é forte, tá? Como é que eu dispenso meu filho? Como é que eu digo meu filho, falo você não serve para esta função que está fazendo, o teu resultado foi muito ruim, vou botar alguém mais competente no teu lugar.

KCKarina Capazzi Siqueira

Quem vai dar feedback para o meu irmão?

LPLuciano Pires

Viu, meu filho, você não é bom nisso, meu filho, vou tirar você e botar um cara mais competente que você, meu filho. Cara, dói, doloroso, né?

KCKarina Capazzi Siqueira

E tem tudo isso, né? Tem o amor, tem o respeito, tem o legado, tem essa coisa que a gente falou do mais velho, do mais novo, tem aquele que, ah, não estudava quando era novo, então todo mundo acha que ele é o mais tonto. Mas às vezes é o cara que se esforçou mais.

LPLuciano Pires

Exatamente.

KCKarina Capazzi Siqueira

Mas às vezes, por ser do fundo da sala, durante o período em que foi crescendo, ele correu atrás disso, ele tem a sacada. E às vezes o que era mais inteligente, ele é folgado. Ele é inteligente, mas ele é folgado. Então ele ficou com aquele conhecimento. E tem uma coisa da empresa familiar que eu acho curioso, que é disso que você tá falando, da filha do dono e tal. Você só trabalhou aqui? Sim, você não conhece outro lugar. Por isso que aí você fala, puta, eu sou filha do dono, eu sempre estive aqui, eu não conheço outro lugar.

Então assim, a sua cadeira ela não é muito vista como uma— não tem uma competência nata, tem um poder nato, mas não tem uma competência. Ah, por que que você é diretora? Ela é filha do dono, por isso que ela é diretora. E se ela quiser virar head, se ela quiser, se ela quiser trocar a nomenclatura dela, ela troca e tá tudo bem. Então demonstrar isso, e às vezes eu tenho, para quem que eu vou demonstrar isso? Para o presidente, que é meu pai, para os outros diretores que são meus irmãos.

Então que momento que eu vou olhar e vou falar, cara, meu irmão é um diretor incrível, até o dia que azedar alguma coisa, a gente brigar e aquilo se desentender. Esses tempos eu tava falando com meu irmão mais velho E não me lembro, uma reunião que, sabe, que teve uma briga, uma discussão mais acalorada. E daí ele me ligou, era no começo do ano, no começo de um ano, né, não foi esse ano aqui. E ele falou, tô cansado porque a gente se esforça tanto e tal, tal, tal, tal, tal.

Eu falei, ah, é assim mesmo, né? Ele falou, pô, Karina, ainda é janeiro. Eu falei, Rafa, a gente tira férias em família. Vai todo mundo para casa do meu pai nas férias. Então a gente trabalha o ano todo junto e a gente tira as férias junto. Aí ele começou a rir, ele falou, a gente é louco, né? A gente é maluco porque a gente não se separa. Então assim, sabe, eu preciso tirar descanso de você, eu preciso cansar. Que que nós vamos fazer?

Vamos viajar, vamos viajar, entendeu? Sim, é muito curioso porque daí tem aquela coisa de como que eu não vou estar no Natal com meu pai? Sim, como que eu não vou passar o Ano Novo com meu pai? Então tem um respeito à família, né? E ele falou assim, ah, eu tô cansado. Falei, lógico, nós passamos férias juntos, sabe? Nós estamos juntos numa casa, todas as famílias, né? A família toda, de todo mundo junto. Então você imagina, minhas filhas, meus sobrinhos, e aquela folia, cachorro, todo mundo tem cachorro.

LPLuciano Pires

Tudo aquilo é esquema de família, você tem que tentar manter harmonia na família. E aí você estende para algo ruim que acontece com os dois filhos ali que brigaram, dois primos brigaram, bateu no outro, sobra para o pai, para mãe, que depois vai sobrar na empresa. É um negócio complicado. Você está ouvindo o Lidercast, um podcast voltado para liderança e empreendedorismo. De onde veio este, tem muito mais. Por exemplo, a minha mentoria MLA, Master Life Demonstration, um programa de treinamento contínuo em que reunimos pessoas interessadas em conversar sobre temas voltados ao crescimento pessoal e profissional.

Comunidades online oferecem conexão, compartilhamento, apoio, aprendizado e segurança. O MLA é mais do que isso, é um mastermind para profissionais com encontros mensais presenciais e online, promovendo uma sensação de comunidade e uma troca muito valiosa de experiências. Olha, tem vagas disponíveis. Se você se interessa em estar comigo, acesse mundocafebrasil.com e clique no link para saber mais. Deixa eu perguntar uma coisa: quando é que você imaginou que tinha um livro aí?

KCKarina Capazzi Siqueira

Quando eu fiz a formação de análise e ela mexeu muito comigo mesmo.

LPLuciano Pires

Quando foi? Que ano foi isso?

KCKarina Capazzi Siqueira

Foi, eu terminei ano passado. Ano passado, então 2 anos antes, 2025, 23 eu comecei, eram 2 anos de formação em análise transacional, transacional formal. Você fez um curso formal, é uma formação em analista transacional, e ele começa a partir disso, da nossa infância, os nossos comportamentos. Então o que que ela trata basicamente, de uma maneira muito grosseira, mas bem simples. Tudo que você viveu até os 7 anos diz sobre os seus comportamentos de hoje.

Ali criaram-se necessidades e que você supre, e você demonstra, você exterioriza através dos teus comportamentos. E durante o primeiro ano, que a gente, eles chamam de espiral, né, essa primeira espiral ali, a gente tratava disso. Eu falava, mas isso acontece lá na empresa, isso é com meu irmão, então por isso que meu irmão é assim. E aquilo me deixou muito incomodada. E eu gosto, sempre gostei de escrever. E eu comecei a, sabe, eu escrevia coisas a respeito, só que eu não conseguia separar uma coisa da outra.

Aí eu comecei fazendo a análise e depois eu comecei a fazer uma, era uma mentoria de comunicação, alguma coisa assim, não me lembro exatamente o que que era. E ela disse assim, então faz um pitch aí, se apresenta, Karina. Eu sou Karina Capazes, trabalho na Capazes. Eu quero saber de você, não da empresa. Ah não, tá bom. Eu sou Karina Capaz e eu sou mãe. E ela falou assim, ali me deu um, fale de você sem falar da empresa, sem falar da empresa.

É isso, não consigo. E daí aquilo me deu, claro, porque tá tudo amarrado, tudo é uma coisa só. Então tinha esse monte de ficava cunha dessas coisas que a gente ia aprendendo e eu não conseguia separar. Então eu justificava muita coisa assim, ah, então por isso que eu tenho dificuldade com meu irmão. Quando a gente era pequeno, a minha avó, o meu vô, o meu pai, a minha mãe, eles faziam isso, eles faziam aquilo. Então eu entendia muito, sabe, desse disso que eu tô te falando, que é invisível aos olhos das pessoas dentro da empresa, sabe, do que aquela família carrega para dentro da empresa e que ninguém vê, ninguém sabe.

Então por que que seu irmão é mais fechado, é mais briguento? Lá atrás aconteceu tal coisa, depois daquilo ali. Então esse é um assunto que não fale para ele assim, porque isso pega. Então são essas, essas.

LPLuciano Pires

E você falou um negócio importante aí, quer dizer, a tua identidade tá completamente amarrada, misturada. Se amanhã você perder a empresa, o que que sobra?

KCKarina Capazzi Siqueira

O que que sobra?

LPLuciano Pires

Sobra uma mãe. Que mais que sobra? Eu, sabe, tirei o cargo, não sou mais aquilo. Eu só sou aquilo enquanto eu tiver ali dentro, naquele ambiente, na minha empresa, com meu cargo e tudo mais. Quando me tiram isso, o que que sobrou?

KCKarina Capazzi Siqueira

Sobrou, eu não sei te responder mesmo. Eu acho que tem uma mistura de papéis mesmo, sabe? De, acho que aqui a nossa identidade ela é, ela é adaptada a isso, né?

LPLuciano Pires

Adaptado. Eu tive um link, alguém fez um comentário essa semana no LinkedIn, eu botei um, eu comentei o post do cara lá, deu bastante gente lá, ele fala de etarismo, né, então ele vai comentando, eu não me lembro em detalhes o que era lá, eu sei que eu entrei e botei um comentário, eu falei, cara, etarismo é burrice e tem de montão por aí, mas eu quero comentar sobre outro ponto de vista aqui, né, que é a gente entender que tem um equilíbrio lá e que eu não posso deixar que eu me torne aquilo que meu cargo é, porque um dia eu vou perder esse cargo, a empresa não é família minha, a empresa não vai se preocupar comigo, ela Vai chegar uma hora, ela vai dizer, ó, você ficou velho, tá caro, tchau, vou botar um cara mais novo aqui, você vai se virar da sua vida.

Ela vai me tratar assim. E se eu entregar para ela a minha identidade, cara, a hora que ela tirar isso de mim, o que que sobrou, cara, né? Então, e ali eu faço um comentário, falei, cara, o cara tem que estar antenado. Enquanto eu tiver ali dentro, olha, eu vou dar para empresa 90% do meu, da minha capacidade, 10 eu vou guardar para mim, porque eu tenho que construir o eu. Então, o dia que eu perder meu emprego aqui, tem eu sobrando lá.

E eu sou um case para isso, né? Eu trabalhei 26 anos numa indústria de autopeças, comecei como desenhista de catálogo com 26 anos, saí de lá com 52 como diretor de comunicação corporativa, aquela coisa toda. Construí uma baita carreira lá dentro, cartão de visita, eu tirava o cartão onde eu botava aquilo, as portas se abriam e tudo mais. E aos 52 anos eu saí da empresa, no dia seguinte eu não tenho cartão, não tenho cargo, não tenho uma porra nenhuma.

Descubro que se eu ligar para alguém já não serei mais atendido, né? Se eu for em tal lugar, vão me deixar esperando na sala de espera junto com outro.

KCKarina Capazzi Siqueira

Você perde o sobrenome, né? Porque o teu sobrenome assim, eu sou Luciano da empresa, né?

LPLuciano Pires

Esse era o ponto. E aí eu vi acontecer com um monte de gente que eu conhecia que saiu da empresa, perdeu o sobrenome, aí falou, ah, vou fazer o quê? Então agora eu vou montar um escritório, vou contratar uma secretária. Vou pedir para o meu sobrinho fazer um site, vou sentar lá e agora sou um consultor, os clientes vêm. E não vem, não vem mais merda nenhuma, cara, não tem nada. E eu tomei uma providência quando eu percebi que um dia isso ia inevitavelmente acontecer, eu comecei a construir eu, né?

Então o dia que eu perdi o sobrenome meu, que era Dana, Luciano da Dana, o Luciano Pires já tava consolidado. Então quando eu saí, cara, eu sou Luciano Pires, um monte de gente me conhecia, já tinha livro lançado, palestra para todo lado, Então eu tomei um cuidado para não deixar essa barriga acontecer. Mas o que eu vi de caras que eu conheço que não se prepararam para isso e o dia que perderam o cargo, perderam a identidade, ela é brutal.

Então tem uma lição importante para a gente tocar ali, não deixar que, sabe, que ainda eu carrego assim, o meu sobrenome permanece, né?

KCKarina Capazzi Siqueira

O meu sobrenome é o nome da empresa. Além disso, então assim, o que acontece lá dentro eu carrego depois. Eu carrego o tempo todo comigo, né? Então essa, acho que essa confusão de papel, né? E é, eu sou mãe, eu sou esposa, eu sou diretora, eu sou irmã, eu sou sócia, então eu sou filha. Então eu tenho uma relação ali dentro que carrega muita coisa, né? Que carrega muito de mim. E que momento que eu me descolo disso? Se eu te disse que assim, eu eu tiro férias com a minha família, né?

Não só a minha família, meu marido, minhas filhas, com meus irmãos, com meu pai. A gente vai viajar junto.

LPLuciano Pires

No meio das férias vai tocar um celular ali, alguém falar: Karina, deu um problema de logística terrível, tô com o cara, aconteceu um rolo lá, vamos nos virar no meio das férias, entendeu?

KCKarina Capazzi Siqueira

E só que daí, se eu não fizer isso, eu vou dizer para o meu irmão falar: não vou atender o celular, deixa que se lasque. Aí ele vai falar: oi, como é que é? O que que você pensou em fazer? E daí aquilo diz sobre você, né? Então assim, eu, parece, a gente falou bastante aqui como um peso, né? E eu, eu não gosto de tratar como isso, porque eu talvez, né, se nessa crise de identidade e de olhar a referência como, né, o fundador tem essa coisa dele deu certo, ele é um mito, ele é uma lenda, né?

As pessoas respeitam tudo que ele fez, a figura. Meu pai é um cara muito carismático, ele dá a mão para todo mundo, ele fala com todo mundo, ele tá na planta todo dia, ele é uma pessoa muito acessível, muito disponível, e tem um coração muito bom. E sabe, essa é minha referência lá fora, aqui dentro, e o que eu sou quando as pessoas dizem assim, ah, que ela é diferente dele, ela pensa de outro jeito, não sei se vai dar certo aqui, não comporta esse tipo de pensamento, enfim.

Então sempre tem aquela Vamos chamar de uma sombra aqui. E a partir do momento que eu entendi que eu precisava só trazer perenidade para o molho, eu não precisava mexer no molho, eu não tinha que brigar com aquela imagem, com aquela sombra, aquilo. E eu passei a ver aquilo com muito mais gratidão e valor, de dizer assim, puta, olha que massa, eu nasci com uma cadeira, sabe? Eu nasci com crachá. Que é meu, eu levo ele para casa, eu trago ele, ninguém me tira aquele crachá.

LPLuciano Pires

É Argentina jogando, tem um Messi ali, cara, e o resto do time, cara, eu seria o melhor lateral do mundo, sabe por quê? Porque eu sou o cara que serve o Messi, e o Messi faz o gol, a gente ganha o jogo.

KCKarina Capazzi Siqueira

Meu marido falou isso durante a Copa, ele falou, cara, se o Brasil assumisse que ele precisa de uma pessoa, né, de um cara que— e jogar a bola para o cara e deixar o cara jogar, né? Então assim, E isso é, eu acho que é descolar um pouco do nosso ego. E eu preciso assim, ah, tem que dar certo porque deu certo até agora, então tem que dar certo, tem que continuar dando certo. Eu quero imprimir a minha identidade nesse negócio porque diz também sobre mim.

E hoje talvez até com a maturidade, né, então já faz mais de 20 anos que eu tô na empresa, de entender que a minha assinatura é a continuidade, porque eu honro aquilo que foi feito e foi feito tudo numa maneira muito genuína. Eu falo assim, ó, a Capaz nasceu do amor do meu pai pelo meu irmão mais velho. Quando meu irmão nasceu, mais velho, a condição financeira deles era muito ruim. Então assim, uma condição muito difícil. Então aquela coisa de ser maltratada no hospital, não ter fralda para tirar meu irmão do hospital, sabe, não saber como aquilo ia correr, eram recém-casados, né, toda dificuldade se põe num pacotão aí, eles tinham.

E meu pai fez uma promessa para o meu irmão quando meu irmão nasceu, e só nunca mais você, nem tua mãe, nem se vierem os teus irmãos vão passar por isso. Então assim, ele, e eu acho muito bonito que ele falou assim, eu fui, ele conta essa história, a gente escreveu um livro do meu pai e ele conta essa história, e ele fala assim, quando ela tava ali, né, minha mãe ficou horas em trabalho de parto, horas em trabalho de parto, e E ele falou, eu fui para igreja e eu pedi para Deus, falei, Deus, eu, né, me ajuda, eu preciso, me dá trabalho, eu não tenho preguiça.

Eu falei, você entende por que que Deus te abençoou? Você não pediu assim, ó, faz eu ganhar na Mega. Ele pediu trabalho. Olha que genuíno isso assim, sabe? Então assim, o amor do meu irmão, assim, eu brinco com meu irmão, tipo assim, a gente tem que ser grato ao amor que meu pai tem por você, porque foi isso que fez aquilo, aquela força motora da empresa. E é muito perceptível até hoje isso. Eu tenho que dar continuidade a isso, é isso que eu preciso dar continuidade.

A gente é muito mais que uma fábrica de tapete, sabe? A gente é uma empresa que ajuda a transformar a vida das pessoas, que faz você realizar teus sonhos, que faz você levar tua família para viajar, que consegue pagar uma escola legal.

LPLuciano Pires

650 famílias, 650 famílias, 1.500 pessoas pelo menos ali, pelo menos depende daquilo lá, né? Vamos ao livro, vamos ao livro. Estou com o livro na minha mão. Aliás, eu perguntei para você quando é que você reparou que tinha um livro ali, a gente acabou divagando ali, você não botou. Mas eu tô com o livro em mãos, deixa eu ver se eu consigo mostrar ele aqui, ó. Aqui tá a capa dele, ó. O livro chama-se Trem, super bem produzido, muito legal.

Chegou numa caixinha linda com uma sacolinha com marcador, com uma dedicatória super gentil aqui, que legal. E o livro chama-se Trem no Movimento dos Trilhos, né? Foi legal essa, essa, até ter uma locomotiva na capa, né? E você fazer essa analogia da empresa com o trem em movimento, né? Começa assim, ó: há um trem que percorre a mesma rota há décadas. Quem o colocou nos trilhos pela primeira vez sempre esteve ali. Atravessando paisagens, tempestades, silêncios e manhãs douradas.

O maquinista atual conhece cada curva como se fosse parte do próprio corpo, mas carrega a inquietação de que em algum momento precisará ensinar alguém a assumir o seu lugar. Conta disso aqui, como é que foi? Como é que pintou essa analogia?

KCKarina Capazzi Siqueira

Como é que isso— como eu escrevia bastante ali no curso de análise transacional, e isso me causou esse conflito que a gente falou de identidade e tal. Eu fiz uma formatura, assim, são duas partes da formação, uma que é teórica, que são de 2 anos, e depois uma prática, que é um relato de caso, um projeto, enfim, para daí uma prova oral, que eu tô nessa segunda parte. E para finalizar essa primeira parte, eu tinha que fazer ali, construir um trabalho a respeito do que eu aprendi aplicado à parte organizacional.

Como eu nunca consegui descolar uma coisa da outra, eu queria deixar isso claro: não tem como descolar de uma família empresária o que é empresa, o que é pessoa. É a mesma coisa, né? Ah, embolado, certo, errado, mas é a mesma coisa. E daí eu escrevi um artigo ali, né? Escrevi um, fiz um trabalho de conclusão, o primeiro. E daí minha orientadora olhou e falou: Karina, muito legal, muito bacana, mas Isso aqui é um desabafo de uma história de vocês, assim, isso, né, é muito bacana, mas é material para um livro, não é o que a gente precisa nesse momento.

Falei, ah, tá bom, né? E remodelei ali e tal, virou um artigo científico, eu publiquei, bacana. E daí fiquei com essa pulga ali atrás da orelha, puxa, será que eu não escrevo mesmo? Mas eu não queria me expor, não queria expor minha família, né? Porque assim, ah, será que eu escrevo? Será que eu não escrevo? Então vou escrever metaforicamente. E criei aqui a ideia do trem e de uma família que vive num trem, e as pessoas subindo e descendo, o que acontece ali dentro, a tripulação, quem é passageiro, essa coisa de incluir mais um vagão, melhorar a locomotiva, que trilho que eu escolho, quem que escolhe, quando para, quando, né?

Então aí vai contando essa história. E o que eu queria deixar muito claro, Karina, eu vou ler aqui um livro de gestão, de administração, acho que não. Acho que talvez você vai identificar aqui dentro isso que a gente falou bastante até agora, assim, sem até nem citar o livro, o que a gente não enxerga, sabe? Essas lealdades que são invisíveis, esses acordos, esses combinados que são feitos entre a família e que permeiam a cultura da empresa.

Então, que a cultura de uma família é quase sempre, e eu não vou te dizer sempre porque eu não gosto muito do que é generalizado, mas quase sempre é a cultura da empresa. Então quando você, quando eu estudava lá no curso, meu pai, eu falava, essa é a cultura da minha empresa, por isso que é assim lá, por isso que as coisas funcionam desse jeito. E daí escrevi metaforicamente assim, era um terço do que é hoje, escrevi ali, tá, tá.

E daí para o meu marido, mas para mim, tá, eu vou escrever, vou colocar para fora, acho que é interessante para mim as para eu poder assimilar as coisas, eu gosto de escrever. E daí ele no sofá ali, era, acho que tinha umas 20 páginas de folha sulfite ali, ele leu, ele falou, Karina, como conselheiro e como executivo, como os papéis que eu já tive dentro desse negócio assim, né, de empresas, eu nunca ouvi a voz do sucessor desta forma.

Eu nunca ouvi talvez a liberação de um sucessor de falar disso, de falar, sabe, por que que você faz o que você faz lá dentro? Talvez eu não consiga te dizer porque é uma coisa da nossa casa, da nossa família. Eu não vou expor meu pai, não vou expor meus irmãos, não vou falar da minha mãe, mas é por isso. Então assim, é assim aqui, é assim e acabou. E às vezes o é assim e acabou é para não romper um não desonrar meu pai, não sabe, aquela cultura, aquilo que eu aprendi, eu só continuo, eu só dou perenidade dentro da empresa.

Eu falei, ele falou, nunca ouvi a voz do sucessor desta forma, nunca ouvi. A gente sempre escuta o fundador, escuta talvez o sucessor depois de uma governança, né? Ah, como é que foi e tal, mas muito da parte burocrática daquilo. Ele falou, cara, descreve mais. É legal, é muito. E ele assim, ele deu aquela pirada porque ele é muito legal. E me empolguei ali e comecei a estruturar a ideia do livro. Quando eu terminei, ele falou assim, a gente precisa, as pessoas precisam ler isso, isso é muito importante.

A gente tá falando, Luciana, 90% das empresas do Brasil são familiares, sabe? Então a gente carrega.

LPLuciano Pires

Eu tava falando com você que tava imaginando se tem essa, para quantas pessoas que que nós estamos falando aqui, que ela tá se identificando, né? Ouvindo, cara, eu tô aí. Ou eu sou fundador e tô com todo mundo pendurado aqui, ou eu sou o sucessor, tô vendo chegar a minha hora de assumir.

KCKarina Capazzi Siqueira

E era essa, esse era o meu medo. Eu falei, Fernando, isso serve para mim, sabe? Eu sou uma pessoa que nasci numa empresa familiar e que, né, sou a mulher mais nova, talvez coisas que você me falou assim, que momento você decidiu ficar na empresa ou ser útil para empresa? Eu não decidi isso, Luciano. Em nenhum momento eu falei eu vou. Quem decidiu, quem bateu o martelo na minha faculdade, vai fazer direito, foi meu pai. E tudo bem.

Aí você fala assim, porra, então você fez direito por causa do teu pai? Não, eu fazia sentido para mim. Que que eu faço para te ajudar? Eu sou sua filha, você tem um estúdio, você fala com bilhões de pessoas, você Como que eu posso te ajudar? Ah, Karina, vai fazer comunicação, vai fazer publicidade. Então aquilo não tem nem aqui uma obrigação, entende? Então quando eu conto isso, as pessoas falam: nossa, coitada, ela não conseguiu nem escolher o curso dela.

Não, não é isso. Então esses, sabe, esses pormenores, essas coisas que são invisíveis, só nós que somos da família sabemos, né? Só nós carregamos isso. E daí essa começou essa história, eu falei: ah, vamos publicar, vamos falar, porque serve não só para você. Ele falou: para mim serve. Eu como conselheiro, quando eu entro numa empresa, eu vou estabelecer aqui uma forma de governança, uma estrutural, conselho. Eu preciso olhar quem é o pai, eu preciso olhar quem são os filhos, se tem genro, se tem nora, se os filhos já estão, se estão pensando em colocar os netos.

Nesta família, os netos são bem vistos? Faz faz sentido pensar em trazer eles ou não. Vamos criar uma regra aqui que essa piada aí não serve. Então esses pormenores que é muito da família. Eu aqui, ó, eu tô, já te falei, mais de 20 anos na empresa. Eu nunca ouvi uma empresa, uma empresa de consultoria, de qualquer coisa que você possa falar aqui que presta serviço para empresa, considerar isso. Então qual é o seu papel? O que que você faz?

Papéis responsabilidades, você faz não sei o quê, você faz não sei o quê. Olha, não vai funcionar, não vai funcionar, porque aqui não, caramba, você não é diretora de tal coisa, então esse é seu papel, você tem que fazer, sabe? E daí é isso que você falou, tem o etarismo, tem a coisa do feminismo, tem a coisa— não, não é nada disso, é o que é familiar, é o que é nosso, né, o que permeia a família. E o quão importante é isso, porque são o quê, ó, 90%, 65% da mão de obra trabalhadora tá atrelada a essas empresas.

Então, um PIB altíssimo que carrega isso. Então, ah, Karina, se vocês não querem trazer perenidade, vocês como filhos, que nós vamos pensar? Mas eu tô pensando só, se os executivos da minha empresa não estiverem preocupados com meu negócio, são no mínimo 650 pessoas que que amanhã depois pode entrar na rua. Então quantas empresas também estariam nesse lugar? Então acho que assim, é para pessoas que estão no meu lugar e diz assim, puxa, eu também nasci num trem, eu também, sabe? O negócio toca a nossa vida, né?

LPLuciano Pires

Escrever livro, escrever livro não, escrever além de ser uma terapia é uma forma sensacional de você organizar ideias e deixar as coisas mais claras, né, de começo, meio e fim. Na hora da leitura, fala, pô, falei um negócio aqui que lá atrás não tava batendo, deixa eu ver. Puta, tive que rever esse conceito. Cheguei a uma conclusão, eu comigo, né. Então, para mim, eu quando eu tô mal, eu sento e escrevo, né. E o escrever é um, é meio que exercitar, né, exorcizar as coisas ali, né.

Você, quando foi fazendo o livro, é o teu primeiro livro, então você é uma escritora do primeiro livro, né? Ninguém te ensinou como escrever o livro, você não foi fazer um curso para escrever livro, não. Se sentou e lá vou eu, né? Como é que foi essa experiência?

KCKarina Capazzi Siqueira

Foi transformadora para mim. E eu, e como você, eu acho que exorcizava pensamentos e reflexões escrevendo. Mas eu tinha comigo assim, era só colocar para fora de alguma forma, sabe? Que nem terapia. O que que você faz na terapia? Você paga alguém para te ouvir. É isso, né? Você fala e você se escuta ali.

LPLuciano Pires

Você quer melhor? Como é que faz quando eu paro esvazialmente? Você quer uma meditação melhor do que sentar e escrever um texto em um livro? Então, que eu, meu primeiro livro, O Meu Everest, eu escrevi em 2002. Eu fiz a viagem para Everest, voltei e botei um site. O site fez um puta sucesso. Eu falei, cara, o conteúdo dele foi muito bem aceito. Acho que isso aqui dá um livro, porque eu tô tendo um ângulo de visão que ninguém que tinha feito um livro como esse tinha tido.

Eu comecei a escrever e eu me lembro, cara, eu sentado no chão num aeroporto qualquer nos Estados Unidos, não me lembro onde que era, em Atlanta, eu sentado com meu laptop aberto e, cara, o mundo em volta de mim. Aqui em São Paulo, lembra do apagão? O apagão aéreo que teve, cara. Eu no aeroporto, o mundo acabando, milhões de pessoas, todo mundo, aquela gritaria. Eu sentado no chão, encostado num pilar, com laptop aberto, escrevendo, nem aí com o que tava acontecendo em volta de mim.

O mundo tava caindo lá em volta, né? É um momento de profunda introspecção, é a tua meditação ali. Você sai diferente do que entrou se você encara o ato de escrever com com seriedade, né?

KCKarina Capazzi Siqueira

Eu sempre gostei de escrever. Para mim sempre foi, eu sempre gostei de transformar sentimento em palavra. Então meu pai sempre brincou, quando eu era novinha assim, quando eu era criança, eu escrevia. Então, sabe, para o meu pai escrevia carta, sabe, cartinha assim de Dia dos Pais, escrevi uma carta. E ele gostava, ele sempre falava, nossa, como você escreve bem, que bonitinho assim! Ele achava aquilo o máximo. E eu achava, sabe, coisa de criança, né?

Eu achei E eu fui me aprimorando naquelas cartinhas para ele, assim. Aquilo para mim era importante, sabe? Escrever aquelas cartinhas era ali que eu conseguia dizer o que eu não conseguia falar, né? Eu sempre fui muito assim, talvez mais fechada, assim, mais reflexiva antes de conseguir colocar em palavras aquilo que eu realmente estava sentindo. E para mim é muito mais fácil escrever do que falar. Então às vezes eu saio daqui, eu te digo, Luciano, obrigado pela oportunidade de conversar que eu te conheci e tal, tal.

Eu chego no aeroporto, fala, puta, mas eu devia ter falado para ele. Daí eu tô, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tem, possivelmente você vai receber uma mensagem minha hoje, porque para mim aquilo fecha, para mim faz sentido. E escrever o livro foi muito isso assim. Eu me lembro a primeira vez ler e escrever, para mim assim, tanto ler, eu tenho esse mesmo sentimento, sabe, de eu devia ter uns 8 anos. Eu me lembro que eu tava na escola E a gente tinha aula na biblioteca antigamente.

Hoje eu nem sei se tem aula na biblioteca ainda. E eu lembro que eu peguei um livrinho, mas acho que, sei lá, eu devia ter uns 8 anos no máximo, mas no máximo. E eu sentei na biblioteca ali com o livrinho, era daqueles dos Irmãos Grimm, que eram contos, né? E eu fui ali. Eu me lembro dessa experiência até hoje, assim, muito claramente. E eu fui ali embora, entrei entrando no flow. E bateu o sinal, as crianças saíram, e eu ali não vi nada disso.

E de repente, acho que eu me dei conta que acabou o barulho, não sei o que aconteceu. E a hora que eu olhei, não tinha ninguém, tava só a professora na porta ali me esperando assim. Acho que ela respeitou o meu flow, sabe? E ela na porta. E eu falei, nossa, ali para mim, eu me lembro até hoje assim, foi, sabe quando abre um portal? E eu tava longe dali, eu não vi nada, não vi ela. Imagina, e era para o recreio ainda.

LPLuciano Pires

E olha, você tá tá falando um negócio aqui, tem uma molecada ouvindo a gente aqui, tem uns ex ouvindo a gente aqui que vive numa sociedade onde, cara, para, bicho, o negócio rola a tela aí, em 15 segundos você vai ter mil impactos de dopamina. Não tem essa de que textão, para com isso. O negócio é cor, imagem, vai, 3 segundos para pegar tua atenção. Não tem mais tempo, breca, para tudo e faz o que você fez, mergulha aqui. Reserva um tempo para mergulhar aqui, desliga tudo em volta, mergulha aqui.

Essa experiência é transformadora, cara. E eu tô vendo a molecada meio que abrir mão disso, sabe? Para eu ter uma experiência desse tipo, eu tenho que estar no videogame com fone de ouvido, completamente absorto no videogame. Mas não é a minha imaginação que tá ali, é, são impulsos de luz que foram construídos para segurar minha atenção de áudio. Aquilo tudo não é a mesma coisa que o que você fez ali no livro, cara. Alguém descreveu uma cena, eu tô imaginando ela inteirinha, e é minha.

KCKarina Capazzi Siqueira

É tua.

LPLuciano Pires

Quando terminar, quando terminar, o autor e você construíram alguma coisa em conjunto ali, né?

KCKarina Capazzi Siqueira

Eu lembro que eu sempre ficava muito decepcionado quando saía filme dos livros que eu tinha lido, que eu gostava, que eu falava: não é assim essa pessoa, essa pessoa não é aquela que eu Inventei na minha cabeça.

LPLuciano Pires

Agora essa é até boa de contar. A gente tem um podcast chamado Café com Leite, né, que é para crianças, né? E dentro dele tem a personagem que é a Babica. A Babica é o avatar da Bárbara que apresenta o podcast. E a Babica é uma menina de 9 anos de idade que mora dentro do celular da Bárbara. E o podcast é um podcast de áudio. Então a Babica existe há 4 anos no áudio com a vozinha dela e a molecada escrevendo e mandando mensagem, bababá.

E um belo dia uma criança mandou para mim um desenho da Babica negra. A Bárbara, além de ser branca, na época é loira, né? Então o avatar dela teoricamente é uma menininha loirinha, né? E a menininha mandou o desenho da Bárbara negra. Aí quando a gente olhou, falou, cara, que demais! E chegou a hora de fazer a Babica. A Babica tinha que virar um personagem. E aí bateu, cara, como é que eu vou, como é que nós vamos criar alguém para chegar para uma menininha que daria?

KCKarina Capazzi Siqueira

Ela falou, cara, não tem nada a ver, não é essa menina que eu imaginava, né?

LPLuciano Pires

O negócio. Então tem esse lance que de um lado você tem a absoluta riqueza da imaginação, que é o que tá no livro, né? O livro serve para isso, né? O livro me carrega. E do outro lado você tem o óbvio, né, que é aquele vídeo estampado na tua cara com as imagens que um diretor criou, né, com a cara de um cara, com a voz de um cara, com a nave espacial, tá tudo desenhado, alguém fez aquilo. Então eu tô sentado ali apreciando o que alguém fez. No livro eu tô criando, não, e é maravilhoso.

KCKarina Capazzi Siqueira

Eu, a gente recebe ainda, recebeu muitas críticas. As minhas filhas não têm celular, uma uma tem 13, outra tem 11. E foi muito difícil durante um período assim, ah, porque tem que dar, não pode. Eu falo, cara, ela tem que aprender a lidar com tédio, ou sabe, ócio criativo. Tem que ela gerar distração para ela, não tem que ficar distraindo uma criança, sabe? E eu achei o máximo esses dias, quando eu era, então, quando eu era adolescente, ali uma série de livros, era uma série de livros, acho que era até evangélicos, E eu falei para minha filha, vou comprar, porque eram muito legais aqueles livros.

É uma série, chama Série Cris, acho que é. E eu falei, vou comprar para mais novinha. Eu falei, compra, vou comprar e você vai adorar. E eu comprei, ela não leu, aquilo não gerou muito interesse nela. Lia outros livros, livros que ela queria, mas tudo bem. Aí a gente foi viajar esses dias, ela levou. Eu falei, ó mãe, peguei o primeiro da série, são 12. E eu me lembro da cena assim, ó, ela falou, a hora que ela terminou Ela terminou o livro, ela falou, mãe, é demais!

E eu falei, cara, eu li há 30 anos atrás esse livro e eu tive esse mesmo, essa mesma sensação, sabe? E eu possivelmente criei um outro mundo diferente do que ela criou, mas ela foi para o mesmo lugar que eu de êxtase assim. Falar, cara, é muito legal, quero muito ler o 2, quero muito ler o 3. A gente tirou das nossas crianças essa possibilidade, sabe, de imaginar, de criar.

LPLuciano Pires

A maravilha da tecnologia, ao mesmo tempo, ela captura de uma forma tal que ela elimina certas inteligências, né? Que tem uma baita discussão. Eu tenho escrito muito a respeito, tenho discutido muito a respeito, né? E é muito fácil você cair numa bobagem de dizer, ah, a culpa é da tecnologia. Não, tecnologia tá aí. A história da humanidade sempre foi salto saltos tecnológicos que foram destruindo o que existia para construir alguma coisa nova.

E sempre foi para melhor, nunca piorou, né? A vida que nós levamos hoje é mil vezes melhor do que era dos nossos pais em 1950. Você não tem como comparar. Quer voltar para 1950 sem TV a cores, sem geladeira, sem Pix, sem automóvel? Não, eu não quero, né? Eu quero como tá hoje aqui. Mas tudo isso tem um custo, né? Você entrega alguma coisa. Cada vez que essa tecnologia vem, ela vem facilitando a tua vida de um lado, mas te meio que escravizando do outro, né?

Você recebe como um benefício, cara, como ficou fácil fazer isso aqui. De repente, puta, vira escravo, cara. Eu não consigo mais sair de casa sem o Waze, não consigo ir para lugar nenhum porque eu desaprendi a ler mapa. Não tenho mais o mapa, eu desaprendi, abandonei aquela inteligência, né, que Alguém pode chegar e perguntar, mas, cara, tendo o Waze na mão, para que que você quer ler um mapa? Não se trata de ler mapa, se trata o seguinte: que inteligência que eu tive que desenvolver para conseguir ler um mapa?

Então tira o mapa da jogada. Essa inteligência vai me ajudar a tomar uma decisão complexa lá na frente relacionada ao fluxo de caixa da minha empresa. Eu preciso dela. Como eu não tenho mais, eu vou usar o quê? Vou ter que recorrer alguém, vou ter que, vai ter que ter uma lacuna, né? Então acho que o problema da gente lidar com a tecnologia é entender quando ela é minha ferramenta e quando é que ela tá me, me, olha, só para amarrar com nossa conversa aqui, aí chegou e a turma tá usando aí para escrever.

Eu não escrevo, eu vou lá na IA e falo assim, eu quero um texto que fale sobre a menina de dedo verde que encontrou um papagaio morto no chão. Aí faz o texto, gostei, assina embaixo, acabou.

KCKarina Capazzi Siqueira

E eu, quando eu escrevi o artigo, a Fanny que trabalha comigo, ela falou assim, Karina, olha que legal, o teu, o que você pensa, as tuas divagações, elas estão para história. E agora você falou isso, eu fiquei pensando nisso, falei, puxa, a gente vai deixar o que a IA pensa para história, né? A gente não fica. E sobre distração. Eu fiz uma uns 2, 3 meses atrás, eu fiz uma peregrinação. A gente andou 105 km. Então assim, uma das regras da peregrinação era sem celular, sem interação, sem nada.

Isso que você tava falando, e eu vivi muito, para mim foi assim uma, um momento de conexão com Deus muito forte. Eu tenho essa, para mim isso é primordial na minha vida. E ali para mim foi muito interessante. E as coisas que você deixa de perceber nisso Isso, sabe? Então, o tempo que você tá ali de cabeça baixa olhando no celular ou fazendo qualquer coisa distraído, o que acontece em volta e você não percebe, sabe? E eu tô te falando de coisa assim, ó, bobeira de ter na estrada, no chão, pedrinhas brilhantes assim, pareciam uns diamantinhos, coisa mais linda.

Cara, você passa aqui e não vê, e sabe, tá preocupado em tirar uma selfie, entendeu?

LPLuciano Pires

Eu fui num show, não me lembro mais que show que era, puta show, E tava comentando com alguém, pô, que legal, cara, você filmou o show? Eu falei não. Por quê? Porque eu tava assistindo o show, cara. Eu tava assistindo aquilo embevecido, maravilhado. Tudo que eu não queria naquele momento era pegar e me preocupar com registrar aquilo. Eu queria viver aquilo. Então dane-se. Mas você não bateu uma foto? Não, não bati. Você foi para outro lugar, encontrou?

Não fiz, não fiz a foto, cara. Por quê? Porque eu não tava preocupado Eu tava vivendo aquilo, eu tava ali, aquilo era o momento. E para mim, o que vou levar para o resto da vida não foi aquela foto, é o que eu vivi ali. E só vivi porque eu tava focado na experiência que eu tava vivendo lá. Então é muito fácil.

KCKarina Capazzi Siqueira

Eu fiz, e na peregrinação eu fiz uma, isso que você tá falando, e me marcou muito. A gente tinha um café da manhã durante a peregrinação num rancho, então era uma família que assumiu a administração de um rancho. Então lá tinha bicho e tal, tal, tal. E eles faziam café da manhã assim, que eu nunca vi um café da manhã igual aquele. No Paraná, no— agora você me pegou, perto de Fênix, Barbosa Ferraz, ali. Eu vou me lembrar.

LPLuciano Pires

Tem uma trilha, tem um caminho lá que o pessoal faz.

KCKarina Capazzi Siqueira

Na verdade é uma— esse é um caminho de Santiago de Compostela iniciático. E então a gente faz esse caminho. Durante esse caminho a gente tinha essa parada no Rancho do Caçaco e eles faziam esse café da manhã com coisas assim muito raízes, sabe? Coisas que a gente comia antigamente. E tinha um bolinho chuva, a minha avó fazia bolinho chuva, e minha avó já é falecida. E eu me lembro que a hora que eu comi aquele bolinho chuva, e eu agora fui me remetendo, né, cabeça de quem escreve assim, né, vai linkando uma coisa com a outra, E eu me lembro quando eu comi aquilo, fiquei super emocionada porque eu não me lembrava, eu não me lembro a última vez que eu comi o bolinho de chuva da minha avó.

E se eu tivesse distraída, isso ia estar mais longe ainda do que uma memória só, sabe? Se eu tivesse num celular enquanto a minha avó tava ali fazendo algo para mim, não, mas eu tava lá, eu tava presente com a minha avó comendo aquele bolinho de chuva, mas ainda assim eu não me lembro disso. Eu não me lembro. Falei, gente, quando foi a última vez que comer. Eu não sabia que, se eu, como eu queria saber que aquele era o último bolinho de chuva da minha avó e que eu comi o último bolinho de chuva da minha avó.

Então eu falo para minhas filhas isso, vocês estão na casa do vô, da vó, estejam lá, porque a gente não sabe a última vez das coisas. A gente não sabe se essa daqui é a última vez que a gente vai se ver.

LPLuciano Pires

Eu vi uma postagem essa semana que me, cara, tomei uma porrada, porque eu nunca tinha pensado assim. Quando você fatia o tempo, né, A postagem diz o seguinte: você só vai ter um verão na sua vida com teu bebê no colo. Você só vai ter 2 verões com uma criancinha no colo. Você só vai ter 4 verões com um garotinho. Você só vai ter mais 4 com adolescente. Quando você põe em verões, você fala: cara, é verdade, bicho, só tive uma vez na praia com criança de colo, nunca mais.

A próxima ela já não é mais de colo, já cresceu. Então quando você vê a perspectiva assim, as as coisas vão mudando.

KCKarina Capazzi Siqueira

E escrever um pouco disso, né? Mas é isso aí, o livro ele retrata um pouco disso do que a gente tá falando, do que a gente não enxerga, sabe? Então talvez assim, ó, quando você lê, eu realmente espero que você perca seu tempo comigo aqui, é isso que você vai ler, sabe? A relação de pai e filha, não naquele cenário atrás de máquina de computador e tal. O que é construído lá quando a gente é criança?

LPLuciano Pires

O que tá aqui é história, são personagens reais, você conta casos reais, você faz reflexões.

KCKarina Capazzi Siqueira

Não, eu faço uma metáfora. Então eu conto a nossa história através da metáfora da família no trem, e ao final disso eu faço uma revelação a respeito dessa metáfora. Então o que que acontece durante aquele processo da história que eu tô contando e que reflete sim aí lá no dia a dia da empresa e que daí pode sim servir para mim ou para você. Mas e o que eu acho mais interessante, isso que a gente tava falando aqui sobre a divagação de quem lê, né?

Quando você lê o meu livro, você carrega tudo que você viveu. Então nenhuma pessoa é igual, o meu trem vai ser diferente do teu. Exatamente. E daí assim, vai pegar em algum momento que você fala, cara, a hora que você fala da menina com maquinista, eu me lembrei que o meu pai tinha essa, sabe, essa, esse momento comigo e tal, mesmo assim que lá na empresa a gente tem esse distanciamento do, né, aqui nós somos dois executivos e você tem que se portar de tal forma.

LPLuciano Pires

Esse é o sonho, esse é o sonho do escritor. O sonho do escritor é alguém que fala assim, cara, eu li teu texto, peguei a referência, cara, e aquela referência eu saquei o que você queria dizer lá, me bateu, entendeu? Esse é o sonho do escritor, é quando, cara, eu fiz alguma metáfora aqui e pau, bater na pessoa. Vem cá, o livro tá disponível à venda? Tá na Amazon?

KCKarina Capazzi Siqueira

Tá na loja da editora GPCom e tá na Amazon também disponível para compra.

LPLuciano Pires

Essa editora é do Paraná?

KCKarina Capazzi Siqueira

É do Paraná, de lá. Cara, que capricho!

LPLuciano Pires

Olha que capricho!

KCKarina Capazzi Siqueira

E o Fred foi uma dessas pessoas assim, ó, que tem uma, talvez essa, esse sentimento que a gente tá falando aqui, que faz dar os cliques quando lê. E ele tava, eu conto numa das histórias, essa é uma, todas as passagens são quase reais, algumas bem reais, e essa é real, de uma, do momento em que eu fui com meu pai para praia de manhã no inverno. A gente via alguns finais de semana e tava frio, ele me acordou de manhã bem cedo para a gente ver o sol nascer, e eu enrolada na coberta e tal, e a gente ali até algumas algumas lições a partir disso, do que eu tô te dizendo assim, que criam laços e a gente não consegue explicar, sabe?

E aquilo é verdadeiro. E daí ele falou assim, Karina, daí quando eu peguei ali o projeto do teu livro e eu não tinha conseguido ler e tal, fui carregando ele durante o período, mas não conseguia ler. E daí eu fui passar um final de semana com a minha filha na praia e falei, agora vou ler o livro da Karina para ver se vale o investimento. E ele falou, e eu na praia com a minha filha. E ele leu o capítulo da filha, né, daquele. E falou, cara, aquilo me pegou de um jeito.

Ele falou, é isso, eu vou junto. E é isso, sabe, a hora que você fala qual é o peso de trazer o seu filho para o negócio, sabe, para o seu filho, o que que é isso, cara? Essas coisas são do meu pai. Você gosta, mas é dele. Eu não tenho que opinar, isso daqui é dele. Mas, cara, isso dá certo, isso daqui carrega minha família, isso daqui paga nossas contas, isso daqui realiza, isso aqui faz.

LPLuciano Pires

É minha raiz, me trouxe até aqui. Posso até não gostar, mas eu sou fruto disso tudo que tá aí.

KCKarina Capazzi Siqueira

A lucidez e a maturidade de dizer assim, ó, dar honra ao que merece honra. Eu tenho um peso de uma cadeira, eu tenho uma sombra de fundador, eu tenho talvez uma necessidade de provar minha competência a todo momento, ok, mas eu tenho isso, sabe? Eu tenho alguém que construiu, alguém que fez, alguém—

LPLuciano Pires

você não pode renegar quem trouxe você até aqui, sabe? Então tá aqui porque alguém te trouxe até aqui.

KCKarina Capazzi Siqueira

Então sim, eu quero preservar esse molho dessa forma e ajudar outras pessoas a olhar isso, sabe, Luciano?

LPLuciano Pires

Quem quiser te encontrar, vamos lá, quem quiser encontrar o livro então Tá na Amazon, acho, né? O livro chama-se O Trem do Movimento nos Trilhos, da Karina Capazzi Siqueira. Quem quiser te encontrar, mandar um oi para você, você tá no Instagram?

KCKarina Capazzi Siqueira

Eu tô no Instagram, @cafersiqueira. @cafersiqueira.

LPLuciano Pires

Da onde vem cafer? Não consegui entender.

KCKarina Capazzi Siqueira

Eu e meu crush.

LPLuciano Pires

Ah, cafer siqueira.

KCKarina Capazzi Siqueira

E eu no LinkedIn.

LPLuciano Pires

É o K, letra K? K-A-F-E-R, Caffer Siqueira. Isso, K-A-F-E-R, Caffer Siqueira.

KCKarina Capazzi Siqueira

E no LinkedIn, Karina Capazes Siqueira.

LPLuciano Pires

Karina Capazes, a Karina é com K, Capazes é com K, Siqueira é com S. Bem-vinda ao Lídercast, sucesso no livro. Obrigada, adorei o nosso papo aqui. Acho que a coisa vai servir para muita gente aqui.

KCKarina Capazzi Siqueira

Amém, fico muito feliz.

LPLuciano Pires

Obrigada, obrigada. Muito bem, Termina aqui mais um Lidercast. A transcrição deste programa você encontra no lidercast.com.br. Você ouviu o Lidercast com Luciano Pires, mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portal cafebrasil.com.br.

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