#131 ECONOMIA DO PERTENCIMENTO
Sábado, seis e meia da manhã, um grupo de corrida se aquecendo no parque. Gente que três meses atrás não se conhecia e que hoje percebe quando alguém falta. Neste episódio, eu parto dessa cena para entender por que, depois de duas décadas de tecnologia prometendo nos conectar com todo mundo, as pessoas estão acordando cedo, pagando taxa e lendo livro inteiro para pertencer a algo pequeno, presencial e recorrente.
A gente passa pelo relatório da OMS que trata a solidão como questão de saúde pública, pela leitura da WGSN sobre comunidade como direção de marca para 2027 e pelo paradoxo de um país que perde leitores enquanto os clubes de leitura crescem. Também falo do boom dos grupos de corrida no Brasil, dos jantares com desconhecidos e do papel da curadoria num futuro em que cada vez mais escolhas vão ser delegadas a algoritmos.
Nos cases, entram a Olympikus e sua cocriação com os crews de corrida, a The Hardest Run aqui de Curitiba e outras marcas que entenderam que comunidade não se compra, se hospeda. E, como sempre, tem leitura crítica: a comunidade de fachada, o pertencimento que vira privilégio de quem pode pagar e a comunidade que cansa mais do que acolhe.
Para quem trabalha com marketing, branding e estratégia, o episódio termina com perguntas práticas para levar para a próxima reunião, e com uma que vale para a marca e para a vida: onde alguém notaria a sua ausência se você não aparecesse?