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03.05.26 - Lealdade: Escolhendo o Reino como Jesus | Outra Via – Marcelo Berti

07 de maio de 202643min
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Todos os dias, nos vemos em situações que nos empurram para extremos. Opiniões polarizadas. Caminhos opostos. Pressões para escolher lados.

Mas, ao longo dessa série, vamos descobrir que existe uma outra via. Uma via que não é guiada pelos extremos da sociedade, mas por Cristo Jesus. Uma via que olha para Ele como o nosso Norte.  Como a referência que orienta, sustenta e direciona a nossa vida.

Em um mundo que insiste em nos dividir, Jesus nos chama para o centro. E nos convida a viver como ele viveu: com sensibilidade, gentileza, inclusão e lealdade ao evangelho.

Essa série é um convite para ajustarmos a nossa direção. Para deixarmos de ser levados pelos extremos e começarmos a ser guiados por Cristo.

Participantes neste episódio1
M

Marcelo Berti

Host
Assuntos6
  • Reino de DeusEscolha entre filiação política e apatia · Lealdade exclusiva a Cristo como Rei · Prioridade do Reino de Deus
  • Perigos da Idolatria PolíticaDar a César o que é de Deus · Priorização de divisões políticas humanas · Contaminação por fake news e redes sociais · Exemplo de assembleianos e presbiterianos
  • Cessar-fogoA pergunta capciosa de fariseus e herodianos · A resposta genial de Jesus · Dêem a César o que é de César · Dêem a Deus o que é de Deus
  • Revelação e Salvação em Jesus CristoLidar com a hipocrisia dos opositores · Identificação da imagem e inscrição na moeda
  • Imagem de Deus no Ser HumanoA moeda com a imagem de César · O ser humano criado à imagem de Deus · Lealdade exclusiva a Deus
  • Caminho do coraçãoCaminho guiado por Cristo · Sensibilidade, gentileza e inclusão · Lealdade ao Evangelho
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Agora, vamos para a mensagem. Fonte São Paulo, inspirando transformação pelo Evangelho.

Bom dia, nós estamos numa série de mensagens chamada Outra Via, uma série na qual nós estamos observando aquilo que o Senhor nos ensina a respeito dos dilemas, de vários dos dilemas que nós estamos encontrando na nossa sociedade. Essa é uma série curta de quatro mensagens.

É uma série de quatro mensagens na qual nós falamos sobre a sensibilidade que nós precisamos ter para falar sobre o Evangelho de Cristo Jesus, lembrando, ao mesmo tempo, os anseios e as idolatrias do coração das pessoas do nosso mundo. A gentileza que devemos ter para tratar pessoas como Cristo Jesus trata.

E na semana passada nós falamos sobre ter hospitalidade. Nós usamos um exemplo de Cristo Jesus. E nós o vimos como alguém aberto, com a sua mesa aberta a outras pessoas. E um dos princípios que nós apresentamos é que a nossa mesa deve estar aberta a pessoas que são diferentes a nós.

Eu fico muito feliz em dizer pra vocês que essa foi uma das mensagens com aplicação mais rápida na vida da igreja que eu vi, porque assim que acabou o culto, alguém me chegou pra mim e falou, me perguntando se eu tinha um lugar pra almoçar. Aí eu falei, não, eu não tenho. Ele falou, bom, você falou que tinha que chamar gente esquisita pra almoçar, eu queria te convidar. Aí eu falei, eu acho que eu falei diferente. Ele falou, é a mesma coisa.

Mas é importante que a gente tenha essa visão de Cristo Jesus como alguém que é completamente aberto à mesa, tanto ao religioso e ao pecador. Mas hoje nós vamos entrar na mensagem que talvez seja a mais difícil de toda a série, por isso eu deixei ela para o final. Nós vamos falar sobre a nossa lealdade, sobre a nossa escolha para o reino. Nós fomos convidados, desde o momento em que nós começamos a celebrar como comunidade hoje, a olharmos para Cristo Jesus como nosso rei, de olhar para o seu reino.

E nessa mensagem nós vamos falar sobre temas difíceis da nossa sociedade contemporânea e vamos observar mais uma história de Cristo Jesus, no qual ele vai nos ensinar que nem mesmo a filiação e nem a revolução são opções para nós. O Senhor nos convida a escolher o reino. E ao invés de adotarmos essa ou aquela visão, nós somos convidados a priorizar o reino em tudo o que nós fazemos.

Por isso, eu queria convidar você a ficar de pé para que a gente pudesse ler a passagem. Nós vamos ler o texto de Marcos. Evangelho de Marcos, a partir do versículo 13. Nós vamos lê-lo juntos, uma passagem curta, mas muito profunda, do Evangelho. O texto começa assim, mais tarde...

E os meus desejados tiramos a palavra primária em alguma coisa que ele excesse. Este é aproximado e esse serviço. Mestre, sabemos que és íntegro e que não te deixas influenciar por ninguém, porque não te prendes a aparência dos homens, mas ensinam a caminha de Deus conforme a verdade. É certo pagar imposto a César do Domão.

Devemos pagar por ou não? Jesus, porém, conhecendo e convenciam eles, perguntou, Por que vocês estão em conta própria? Carácter e liberaram para a igreja de Jesus. Eles nos trouxeram a palavra e eles nos perguntam, De quem é essa imagem e essa inscrição? De César respondeu. Então Jesus lhe disse,

Venha a César, que é de César, e a Deus, que é de Deus, e ficaram adivinados com eles. Pode sentar. Senhor Deus, essa é a Tua Palavra, lida na Tua comunidade. Esse é o exemplo de Cristo Jesus.

Esse é o exemplo que nós queremos seguir. Essa é a mensagem que nós queremos viver. Pedimos que o teu Santo Espírito nos ilumine nessa manhã, para que essa palavra lida na tua comunidade, seja a palavra recebida nos nossos corações. Guarda a nossa atenção, guarda o nosso coração, guarda os nossos anseios, nos livra de nós mesmos, enquanto nós estudamos a tua palavra. Nós oramos em nome de Jesus.

Nós estamos em ano eleitoral e todo ano eleitoral nós temos convites nos sendo feitos a todos os lados para uma tomada de postura. Nós somos convidados por todos os lados para tomarmos partido em todas as posições. Nós vivemos em um mundo profundamente politizado e um mundo completamente polarizado.

Nós precisamos aderir a algum tipo de perspectiva, nós precisamos aderir a algum tipo de proposição, mas de alguma maneira nós precisamos estar associados a algum time. Nós temos times disputando por poder. Nós temos grupos, preferências, ideias, ideologias que são opostas, completamente antagônicas.

E num ambiente polarizado como o nosso, é impossível não tomar partido. E não dizer qual é a nossa posição, não dizer onde é que nós temos que chegar. E as igrejas estão cheias de pastores se levantando nesse período pra dizer às suas congregações quais são os partidos que eles devem tomar, quais são as opções que devem ter e quais são os votos que os cristãos devem oferecer. E nesse período de polarização,

conturbada que nós estamos vivendo. Nós vamos fazer diferente, nós queremos uma outra via. Nós não queremos adotar nem mesmo a filiação política, como alguns querem propor pra gente, como a única alternativa, muito menos nós queremos adotar a apatia ou a fuga. Nós queremos uma outra via, nós queremos olhar pra Cristo Jesus.

e o seu ensino, e entender que o que ele espera de nós é uma lealdade que não aceita ser dividida. Nós somos convidados por Cristo Jesus para um novo reino, nós somos súditos do rei, nós temos um novo rei, existe um novo reinado sobre nós, e nossa lealdade deve ser exclusiva ao nosso rei.

Nós servimos, sim, nesse país, com certeza. Nós somos cidadãos brasileiros, sim, com certeza. Nós participamos das nossas responsabilidades, sim, com certeza.

Mas a nossa lealdade não será oferecida a ninguém mais senão o nosso Senhor. E se eu pudesse começar essa mensagem com a conclusão, como eu tenho feito em todas as mensagens até aqui, eu diria o seguinte, que o objetivo de hoje é entender o que Cristo Jesus ensina em Mateus capítulo 6, quando ele diz, busquem em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça.

A prioridade das nossas vidas deve ser o reino. O reino deve ter prioridade e primazia nas nossas vidas. O nosso rei deve ser prioritário nas nossas vidas. Nós devemos priorizar o reino. Mas nós sabemos que isso não é fácil. Nós sabemos que isso é muito difícil. Mas é por isso que eu escolhi essa passagem para estudarmos nessa manhã. O texto de Marcos nos conta a história de Cristo Jesus em uma situação difícil, improvável.

O lugar onde ele estava, o momento onde ele vivia, era profundamente aquecido politicamente. As pessoas tomavam seus partidos, elas faziam seus grupos, se organizavam e brigavam entre si. Não muito diferente do que nós vemos nos nossos dias. E no meio de toda essa situação, tinha um problema específico que era a questão do imposto. Um imposto específico que dividia as opiniões.

E dependendo do modo como você respondesse a uma pergunta, devemos ou não devemos pagar, as pessoas colocariam você em um desses grupos. Existiam duas alternativas. Alguns que diriam, sim, nós devemos pagar e devemos aliançar esse reino. Outros diriam, não, nós não devemos pagar porque nós não devemos aliançar esse reinado.

Esse é o contexto em que Jesus está, sendo convidado a tomar partido e a tomar uma decisão. E o que nós vamos ver é que o nosso Senhor oferece uma alternativa completamente inesperada. Uma alternativa que eu e você podemos adotar nas nossas vidas. Nessa mensagem nós vamos ver três aspectos do ensino de Jesus. Nós vamos ver a perspicácia de Cristo Jesus ao lidar com o problema. Nós vamos ver a sua proposta, o que é que ele propõe com a resposta que ele oferece.

E por fim, nós vamos ver perigos que nós temos e que nós podemos enfrentar nos nossos dias se nós não entendemos a chamada de Cristo Jesus.

Vamos começar com a perspicácia de Cristo Jesus. A história é apresentada de uma maneira muito curiosa. Se você prestou atenção na leitura, nós vemos que pessoas foram enviadas até Jesus Cristo para fazerem uma pergunta capciosa. A essa altura do ministério de Jesus, os opositores estão a todo vapor. Eles querem encontrar defeito em Cristo Jesus porque eles querem que Cristo seja eliminado.

Eles já não estão mais naquele momento de tentar entender quem ele é. Eles querem Jesus Cristo fora. Ele é uma ameaça para a religião. Ele é uma ameaça para a política. Ele é uma ameaça no mundo onde ele está. E é curioso que o texto começa dizendo que quem aparece nesse propósito são fariseus e herodianos. Fariseus e herodianos não eram amigos, meus irmãos.

Os fariseus seriam uma classe religiosa, eles seriam da alta religiosidade, eles seriam pessoas respeitadas e o zelo que eles tinham pela lei era tão grande que eles não conseguiam imaginar estarem debaixo do domínio de uma outra nação. Eles se entendiam como povo escolhido, livres. E eles não aceitariam a dominação romana de maneira nenhuma. O que dirá da dominação de César?

Os herodianos eram mais pragmáticos. Os herodianos, eles estavam no time daqueles que estavam dispostos a jogar. Dependendo do caso, eles jogariam a favor do Estado, dependendo do caso, a favor dos religiosos. Muito provavelmente, nesse caso, eles jogariam a favor do Estado, porque o imposto dado a César daria poder para Herodes, que era o governante naquela região, e eles se sentiriam, então, validados.

Fariseus e Herodianos tinham uma visão completamente diferente sobre como o imposto deveria ser usado e quem tinha o direito de fazê-lo. Entretanto, o inimigo do seu inimigo é seu amigo. Eles formam uma aliança de dois extremos da sociedade para tentarem pegar Jesus Cristo.

A história começa dividida e polarizada. A narrativa já apresenta uma aliança improvável entre inimigos, que tinham Jesus Cristo como um inimigo em comum. Jesus Cristo importunava herodianos e fariseus. Os fariseus nós sabemos. O ensino de Jesus ressaltava sua hipocrisia. Jesus combateu os fariseus com muita clareza. Os herodianos parecem estar incomodados com a mensagem do reino de Jesus.

E ele vai ser, se ele é um problema para Roma, ele pode ser um problema para Herodes. Dois times, dois grupos, duas visões polarizadas em guerra, chegando para perguntar a respeito de Jesus. E eles dizem o seguinte, ao se aproximarem de Jesus, estes se aproximaram e disseram, mestre, sabemos que és íntegro, que não te deixa influenciar por ninguém, que não te prende a aparência dos homens, mas ensinam o caminho de Deus conforme é verdade.

Nós não precisamos saber nada de grego para saber que esse texto está recheado de ironia. A gente sabe que essas lisonjas são vazias. Nós não precisamos saber crítica literária. Esse é o tipo de frase que a gente ouve dos nossos políticos. O excelentíssimo, que acabou de falar, nós ouvimos essa linguagem. Nós percebemos que o que está sendo dito aí não é verdadeiro no lábio de quem fala. Ele não acredita naquilo que diz.

Mas a ironia do evangelista é que tudo o que é dito é verdadeiro. Nosso Senhor de fato não se deixa influenciar por ninguém. Ele é íntegro, ele não olha a aparência das pessoas, ele ensina a verdade. A ironia é que a mentira proclamada por lábios impuros era verdadeira. Eles começam com o dolo. O cenário está sendo montado para pegar Jesus Cristo no contrapé.

Eles estão levantando um contexto, propondo um contexto onde Jesus Cristo vai ter que tomar uma decisão muito importante. Baseado nessa apresentação maravilhosa, então vem a pergunta difícil. É certo pagar imposto a César ou não? Devemos pagar ou não?

Essa é uma pergunta muito capciosa. E se você aprendeu alguma coisa sobre entrevistas políticas nos nossos dias, você sempre faz perguntas de sim ou não. Você faz perguntas para que a pessoa diga sim ou não. Você apresenta dois lados, duas possibilidades. E se você diz sim, você se associa a um dos times. Se você diz não, você consequentemente está do outro lado. Pense da seguinte maneira, se Jesus dissesse sim, devemos pagar, os herodianos talvez dissessem, é isso.

Mas os fariseus ficariam ofendidos. Se dissesse não, os fariseus diriam, é isso. E os erudianos ficariam ofendidos. Era uma pergunta capciosa. Era para promover divisão. Ela era mal intencionada. O texto diz que eles chegaram com a Jesus com essa postura de lisonja, mas o interesse deles não é a verdade. Não é a integridade de Jesus.

Eles estão perguntando, Jesus, qual é o teu partido? Toma a tua decisão. E esse contexto é um pouquinho pior, porque 25 anos, 30 anos antes de Jesus, eles tinham passado, os judeus tinham passado uma rebelião com um homem chamado Judas o Galileu. E ele tinha proclamado a suprema autoridade de Deus como o único rei soberano.

E baseado na sua teologia, teocrática, então ele diz para os seus irmãos, não paguem nenhum tributo a César. Ele se levanta em uma rebelião e convence os seus irmãos a não pagarem esse tributo específico, que não era um tributo sobre a compras, não era um tributo sobre vendas, não era um tributo oferecido para produtos ou serviços.

Era o tributo que permitia ao indivíduo o direito de dizer, eu sou de César, eu sou romano. Era o direito de dizer que ele está de acordo com a autoridade de César. Era um denário por ano, por pessoa, não era um absurdo. Mas o símbolo era um símbolo de aceitação de um domínio estrangeiro.

que não era nem um pouquinho aceitável para Judas o Galileu. E agora os fariseus chegam para Jesus o Galileu e perguntam, qual é o teu time? Qual é o teu time? A revolta de Judas o Galileu foi interessante porque ela aconteceu de uma maneira muito rápida. Ao se negar a pagar os impostos, a rebelião nasceu e foi exterminada.

Os romanos entraram e mataram todos, inclusive Judas, o Galileu. Se Jesus diz, não é lícito pagar, com quem Jesus Cristo seria associado? O Galileu rebelde, o revolucionário. O contexto exigia uma tomada de decisão.

E as pessoas estão esperando, Jesus, e aí é sim ou é não? Vamos ou não vamos? Mas Jesus, meus irmãos, o nosso Senhor, ele é surpreendentemente genial. Ele percebeu de longe a hipocrisia desses caras. E o texto diz, Jesus, conhecendo a hipocrisia deles, por que vocês me põem à prova?

E eu acho muito interessante a opção que Jesus Cristo fez para descrever essa prova acontecendo aqui. O termo usado para descrever essa prova é o mesmo termo utilizado pelo evangelista para falar sobre a tentação de Jesus no deserto feita por Satanás. Jesus entendeu o ímpeto dos caras. Esse é um tipo de questionamento que eu sei de onde vem. Eu conheço a fonte.

Por que vocês querem me pôr à prova? Por que vocês estão me testando? E ele diz, tragam-me um denário para que eu o veja. E aqui a genialidade de Jesus começa a aparecer. Porque ao invés de responder diretamente, nosso Senhor Jesus Cristo vai ilustrar a hipocrisia, especialmente dos fariseus, dizendo, me dá uma dessas moedas, eu quero ver uma dessas moedas. Porque os fariseus se opunham.

a pagar esse tributo específico, especialmente porque as moedas utilizadas, as moedas romanas, tinham inscrições que eram ofensivas, eram consideradas heréticas. E, de alguma maneira, as pessoas que estavam ali se repelando contra o imposto, tinham a moeda para oferecer.

Se o problema era a moeda, se o problema era a inscrição, se o problema era a blasfêmia, por que você carrega essa moeda no seu bolso? Por que você carrega ela com você? E aqui nós começamos a observar que o nosso Senhor Jesus Cristo está pontuando de maneira muito calma a hipocrisia dessas pessoas. E aí vem a pergunta, de quem é essa imagem e esta inscrição?

Se você estivesse nos dias de Jesus, você saberia exatamente a imagem de quem estaria lá e você sabia exatamente o que está inscrito lá. Nós não sabemos disso, mas graças à arqueologia nós temos acesso a muitas dessas moedas que sobreviveram e esse é um desses exemplares. De um lado você pode perceber que nós temos a face do César, a imagem apresentada.

Do outro lado nós temos uma homenagem feita a ele. E em volta dessa moeda, do lado onde nós vemos o seu rosto, nós vemos Tibério César. Divino, Augusto, filho de Augusto. Do outro lado, sumo sacerdote. A moeda que era usada para pagar esse tributo era uma moeda que dizia, aqui está o filho de Deus, o sumo sacerdote. Outra ironia da história.

Enquanto a moeda tinha aquela imagem, o Filho de Deus e o sumo sacerdote estavam com eles ali. Jesus Cristo pergunta, cadê a imagem? De quem é essa imagem e de quem é essa inscrição? Eles vão dizer, é de César.

E aí vem a genialidade de Cristo. Ele diz, então dêem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. E a ideia de Cristo Jesus não é assim. Dar, ele usa um verbo que talvez seria melhor traduzido como devolver. Devolvam a César o que é dele. Se a moeda é dele, devolvam a ele aquilo que pertence a ele. Simples.

E Jesus usa de uma genialidade tão incrível que se a pessoa que escutou ou não prestou atenção, ele fica com a impressão que Jesus Cristo é favorável ao pagamento dos impostos. Talvez os herodianos diriam, ahá! Mas ele diz, não, mas vocês têm que dar a Deus o que é de Deus. E os fariseus diriam, ahá! Nós não podemos dar esse imposto porque isso não pertence a ele. Todo dinheiro é de Deus.

Jesus, ao mesmo tempo, afirma o que eles falam e nega o que eles falam. E ele é contrário aos dois ao mesmo tempo. Cristo Jesus é tão genial que numa pergunta de sim ou não, ele apresenta uma outra via. Uma outra via inesperada. Dizendo, não é nem pra lá, nem pra cá. É pro reino.

Ao mesmo tempo Jesus afirma e rejeita os opositores. De uma maneira muito interessante e genial, ele rejeita ao mesmo tempo tanto a rebelião quanto a complacência a César. Ele está dizendo, eu não estou no time de Judas o Galileu. Nós não vamos nos rebelar. Eu não estou no time dos fariseus, que estão prontos para se rebelar.

Mas nós também não estamos com os erodianos, que estão prontos a se submeter cegamente. Enquanto os fariseus diriam, nós não daremos nada, e os erodianos pudessem dizer, nós daremos tudo, Cristo Jesus está dizendo, existe um Deus muito maior, onde eu devo focar a minha atenção. Não é à toa que todos ficam admirados com Ele.

O que Jesus Cristo está fazendo é inesperado para todas as pessoas que o ouvem naquele dia, porque ninguém esperava essa diferenciação. Os romanos diziam que eles eram reis, que eles eram imperadores, e eles eram representantes de Deus para fazê-lo. E o mundo antigo associava de uma maneira muito profunda e íntima a ideia de autoridade e divindade. Eram os deuses que colocavam os reis.

E Jesus está dizendo, César é uma coisa, Deus é outra coisa. Se nós pudéssemos traduzir Jesus Cristo nos nossos dias, numa linguagem de hoje, nós diríamos, uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa. E nós sabemos que isso é fácil para nós, porque nós vivemos em um mundo ocidental onde essas coisas são separadas. Mas nos dias de Cristo Jesus isso não existia.

Exceto que o rei que veio trazer o reino está dizendo para os seus súditos, para mim e para você, que nós não podemos permitir nem rebeliões, nem a complacência, César. Porque nós não fomos chamados para esse reino, nós fomos transportados deste mundo para um novo mundo do seu amor. É um outro império, é um outro reino, é um outro reinado, é uma outra vida.

Essa não é a coisa mais importante para nós. Jesus é extremamente perspicaz na sua resposta. Mas o que ele propõe aqui é muito mais profundo do que isso. A proposta de Cristo Jesus com esse texto, com essa expressão, exige atenção.

Porque observe o que ele diz, existem duas partes no dito de Jesus, a primeira diz em relação a César. Vocês devem devolver a César o que é de César. E se nós somos súditos desse rei, nós temos que concordar com Cristo Jesus de que ele está correto e de que nós precisamos usar o padrão dele para as nossas vidas. E nós devemos dar a César aquilo que é devido a César. E Jesus afirma ao mesmo tempo a legitimidade e a limitação de César.

Qualquer judeu poderia olhar para um império e dizer, esse império é ilegítimo sobre nós. Por quê? Porque eles perderam acesso às suas próprias propriedades, porque o império os dominou. Eles foram vencidos em uma guerra. Eles vão dizer, esse é um governo ilegítimo. E Jesus Cristo não está negando a legitimidade de César.

Ele só está dizendo que o reinado de César é limitado. Ele não tem a palavra final. Por exemplo, quando nós olhamos para o Novo Testamento, nós percebemos que em relação a César nós devemos dar honra aos nossos governantes. Nós lemos em 1 Pedro, todos, tratem todos com devido respeito, amem os irmãos, temam a Deus e honrem ao rei. Nós devemos honra às autoridades? Sim.

Nós devemos honra ilimitada às nossas autoridades? De modo nenhum. Pedro está escrevendo sobre Nero. Pedro está escrevendo a respeito do mais vil dos opositores do cristianismo. Nero foi quem perseguiu a igreja que nesse momento estava matando seus irmãos. E que anos mais tarde, depois de ter escrito essa mesma carta, ele mesmo foi morto. Por esse mesmo império.

Devemos deixar de honrar um Estado que nos oprime, nos persegue, nos mata? Não. Nós honramos os nossos reis. De maneira final e legítima? Não. Claro que não. Governo pode ser legítimo no seu termo de autoridade mediada, mas é limitado na sua esfera de influência.

Em relação a César, nós devemos orar pelas nossas autoridades? É claro que nós devemos orar pelas nossas autoridades. É Paulo que nos instrui. Antes de nada, peça que façam súplicas, orações e intercessões, ações de graças por todos os homens, inclusive reis e todos que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica. Nós estamos sendo perseguidos e mortos. Paulo vai morrer pouco tempo depois dessa carta. E ele diz, orem para que a gente tenha vida pacífica.

Em relação a César, nós oramos por eles. Em relação a César, nós nos submetemos. Paulo é quem diz, todos devem se sujeitar às autoridades governamentais, porque não há autoridade que não venha de Deus. A autoridade instituída do Estado é uma autoridade mediada, ela é limitada. Nós somos submissos e sujeitos a essa autoridade? Sim, mas não de maneira absoluta.

Se esse Estado exigir de nós aquilo que o Senhor não nos permite, ou peça para que a gente faça aquilo que o Senhor não aprova, ou se esse Estado peça para que eu deixe de fazer aquilo que meu Deus exige de mim, eu não faço. Por quê? Porque eu sou súdito do reino. A minha vida como súdito do reino é de resposta a esse Deus. Existe legitimidade, mas existe limitação. Devemos pagar impostos? Paulo diz, devemos sim.

Vocês devem pagar as autoridades porque elas estão a serviço de Deus. Sonegação de imposto não é coisa de gente que anda com Jesus. Nós pagamos os nossos empalhados, mas a carga é pesada. É. É difícil, é, é difícil. É bem melhor que morar na Galileia nos dias de Jesus. Quando você não tinha acesso a nada. E era cobrado por tudo.

Muito mais difícil que no Império Romano, onde os cristãos que pagam os seus tributos estão sendo executados pelas suas crenças. A nossa carga tributária é injusta? É. Ela é indevida? É. É. Mas a nossa relação com César é. Nós honramos os nossos compromissos.

E nós vivemos pelo bem comum. Pedro é quem vai dizer, por causa do Senhor, sujeitem-se a toda autoridade instituída entre os homens. Não é por causa das autoridades. Nós não nos submetemos por causa dos partidos e das suas opiniões ideológicas. Por causa do Senhor, nós somos submissos. Mas ele diz, como enviar, mas essa é a vontade de Deus, que pela prática do bem, vocês silenciem a ignorância dos insensatos.

Vocês vão viver debaixo de um poder que os quer destruir. Mas vocês vão viver pelo bem comum. Vocês vão viver pelo bem da sua sociedade. Vocês vão desempenhar bem suas profissões, suas funções sociais. Vocês vão criar seus filhos com integridade. E vocês vão formar cidadãos que sejam seguidores de Cristo Jesus. E que vivam em plenitude do Evangelho, inclusive para serem bons cidadãos onde eles estão.

No que se refere a César, dar a César é dar a ele aquilo que nós devemos a ele. Nós temos responsabilidades diante de César e nós devemos cumpri-las. Mas a segunda parte da frase de Jesus é um pouco mais intensa, porque ele diz, nós vamos dar a Deus aquilo que é devido a Deus.

Existem responsabilidades nossas que devem ser dadas a Deus. E aqui Cristo Jesus apresenta um princípio muito importante. Existe uma primazia, uma superioridade do reino sobre César. É Deus quem vem primeiro, é primeiro o reino dele. Nós somos cidadãos dos céus, nós aguardamos a nossa pátria celestial. Nós vivemos na cidade dos homens, mas a nossa esperança e expectativa A CIDADE NO BRASIL

É a chegada da cidade de Deus, o seu reino, a sua vontade sendo feita na terra. É por isso que os apóstolos quando saíram pregando Cristo Jesus ressurreto e foram perseguidos e convidados a ficarem calados, eles disseram, é mais importante obedecer a Deus que aos homens. Eles entenderam os limites do Estado.

O Estado não pode exigir de nós aquilo que o Senhor... Não podem nos proibir de fazer aquilo que o nosso Senhor exige de nós e espera de nós. No que se refere a Deus, nós precisamos entender a diferença que existe entre aquilo que é devido a César e que nós faremos, e aquilo que é devido a Deus e que nós seremos. Mas existem perigos aqui.

Os perigos no ensino de Jesus Cristo são muito... Eles estão muito perto de nós nos nossos dias. E o principal perigo do ensino de Cristo Jesus que nós estamos vendo é dar a César aquilo que é de Deus. E meus irmãos, nós brasileiros evangélicos somos condenáveis aqui. Nós estamos dando a César o que é de Deus.

Nós estamos oferecendo as nossas idolatrias. Nós estamos oferecendo a nossa lealdade. E nós estamos priorizando divisões políticas, humanas. Porque nós estamos esquecendo que não podemos dar a César aquilo que pertence a Deus. Quando nós vemos os nossos irmãos se levantarem para dizer votem A ou votem B.

Quando nós vemos os nossos irmãos dizendo sobre bancadas evangélicas, ou quando nós vemos os nossos irmãos defendendo pastores, nos seus jatinhos, fazendo campanhas para que evangélicos tenham um voto unificado, nós não estamos vendo as prioridades do reino. Nós estamos vendo um tipo de subserviência que o Senhor não aprova. Nós estamos vendo sobre um tipo de lealdade que não é de Cristo Jesus.

Nós vamos cumprir as nossas funções sociais? É claro que nós vamos. Nós vamos dar a César o que é devido a César. Mas nós não podemos dar a ele o que nós devemos exclusivamente a Deus. Como você observa o modo como Jesus disse, ele separou muito bem as coisas. Uma coisa é pra César, outra coisa é pro Senhor. E nós não podemos confundir essas coisas. Se o reino de Deus é prioridade, está acima dos Césares desse mundo, e aí

O que nós devemos a Deus tem precedência, tem prioridade, é mais importante pra nós. Isso não significa que você não possa tomar as suas decisões de como votar e como participar. Você deve fazer isso, você deve isso a César. Essa é a democracia que você vive.

Mas não permita que os seus compromissos se tornem compromissos de idolatria. Porque Jesus Cristo rejeita toda forma de idolatria política. E eu sei, você sempre acredita que quem faz idolatria política é o outro. Não, nós não somos assim. Quem tem idolatria é o outro. Nós não. Nós somos santos. Nós estamos do lado do time certo. Do lado certo da história. E meus irmãos, isso não é verdade.

Como é que você sabe que você tem entregado idolatrias políticas, você tem nutrido idolatrias políticas no seu coração? Pense na seguinte questão, quando você pensa no seu time, entre aspas, no seu time político, você consegue ser crítico contra ele? Ou errados são sempre os demais? Você consegue falar sobre os defeitos do seu partido? Você consegue falar sobre os erros e criticar suas ações ruins? Ou você já caiu na narrativa de que o errado é sempre o outro?

Porque se você pensa dessa maneira, meu irmão, a idolatria já chegou no seu coração. Seguidores de Cristo Jesus falam a verdade, vivem a verdade, não promovem fake news, não adotam fake news, não criam listas de transmissão no WhatsApp para defender partidos A ou B.

Nós estamos sendo contaminados com essa idolatria política que está muito perto de nós. Está nas nossas mídias sociais. Está nos nossos filmes, nos nossos jornais preferidos. Nos nossos influenciadores de preferência. Nós não podemos oferecer a César aquilo que é exclusivo do Senhor. Nós não podemos fazer nenhum tipo de idolatria, cometer nenhum tipo de idolatria política.

Pense uma outra forma. Quem são as pessoas que andam perto de você quando você pensa em alianças políticas? Pense por um momento nas pessoas que você quer ter na sua casa, pessoas que você convidaria para o seu convívio pessoal. E considere quem são as pessoas que não entrariam na sua casa ou no seu convívio pessoal por causa de opiniões políticas. Pense no Natal na sua família. Quem que você não gostaria que fosse? Será que você está olhando para aquela pessoa?

Como um idólatra? Alguém que não concorda com a sua sabedoria? Meus irmãos, a idolatria política é algo corrosivo na nossa sociedade, especialmente entre nós, evangélicos brasileiros. Se eu fosse escrever uma paródia dessa história de Jesus, eu diria, então chegaram a Cristo Jesus, um assembleiano e um presbiteriano.

E disseram, Jesus, você que não é movido por nada, exceto ser bolsonarista. Meus irmãos, assembleianos e presbiterianos não costumam andar juntos. Presbiteriano é reformado, cessacionista, amilenista. Assembleiano talvez seja pentecostal, herminiano, continuista, dispensacionalista. Se você fizer um evento teológico,

Eles não vão no mesmo evento. Eles não compram livros da mesma editora. Se eles forem em um evento juntos, eles não sentam juntos à mesa para conversar. Mas sabe onde você os encontra juntos? Na rua. Gritando. Coisas relacionadas a partidos políticos específicos. Não é assustador que a única coisa que um presbiteriano e um assembleano têm em comum é o seu amor pelo Bolsonaro. Não é assustador.

Que eles têm mais condição de andar juntos por um partido político do que por Cristo Jesus. Que eles conseguem formar alianças para estarem na rua gritando nome de político, mas não conseguem se juntar para falar de Jesus no mesmo evento. Meus irmãos, isso é idolatria política.

Isso é oferecer a César o que é de Deus. Nós estamos destruindo a comunidade cristã por causa de perspectivas políticas. Isso é inaceitável. O Evangelho de Cristo Jesus não pode ser maculado dessa maneira. A comunidade de Cristo Jesus não pode ser dividida dessa maneira. Nós temos um reino, nós temos um Senhor, nós temos um reino, nós temos uma mensagem. Isso é muito mais importante. Meus irmãos, isso é muito mais importante.

E por fim, Cristo Jesus oferece mais um princípio nesse texto, que precisa de um pouquinho de atenção. Mas é um princípio que a gente precisa adotar para a nossa vida. Jesus exige lealdade e entrega total exclusiva a Deus.

Quando você lê o texto, você observa que Jesus Cristo faz questão de mencionar a imagem. Ele diz de quem é esta imagem e inscrição. A palavra usada para descrever imagem é a mesmíssima palavra que nós encontramos em Gênesis. Capítulo 1, quando Deus fala que façamos o homem a nossa imagem e semelhança. É a mesma palavra.

E quando ele diz, dêem a César o que é de César, ele está dizendo, aquela moeda que tem a imagem de César, pertence a César. Mas você que tem a imagem de Deus, você pertence a Deus. Existe uma lealdade sendo colocada aqui de maneira absoluta por Cristo Jesus. Você que tem a imagem de Deus.

Você que está sendo transformado à imagem de Cristo Jesus, você pertence a Cristo Jesus. A sua vida tem que ser para Cristo Jesus. Essa lealdade é última. Essa lealdade é final. Essa lealdade não pode ser negociada. Essa é a lealdade que Jesus Cristo espera dos seus seguidores. O que nós aprendemos com Cristo Jesus nessa mensagem?

Nós aprendemos que o reino de Deus deve ser a nossa prioridade. Nós devemos buscar em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça. Nós somos chamados para isso. Nós somos convidados pelo rei para vivemos assim. Nós somos súditos de Cristo Jesus. Ele é o nosso rei. Mas nós temos que ansiar por esse reino.

Nós temos que orar, Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome, venha o teu reino, seja feita a tua vontade, na terra como no céu. É esse o anseio que tem que morar no nosso coração. Nós não podemos permitir que as conversas políticas, as inflamações que nós vamos ouvir por todos os lados, seja maior que o nosso anseio pela volta do nosso Senhor, pela chegada do reino.

Esse é o reino, esse é o nosso lar, essa é a nossa casa, é isso que nós esperamos. O que nós estamos vendo aqui é importante, mas de uma segunda categoria. Nós precisamos responder, oferecendo a César aquilo que é devido a ele. Mas o nosso coração está em outro lugar. A nossa lealdade está em outro lugar.

Nós escolhemos o reino de Deus como prioridade nas nossas vidas, como Cristo nos ensinou. Vamos orar? Senhor Deus, essa é a mensagem que nós ouvimos da tua palavra, a mensagem que é confrontadora para nós, Senhor.

Tem misericórdia do nosso coração idólatra, tem misericórdia do nosso coração fraco, frágil, falido. Mas não permita, Senhor, que ele seja manipulado por alianças políticas, não permita que ele seja conduzido aos extremos, às polarizações, às brigas e divisões.

que nós vemos na nossa sociedade. Senhor, nos ajuda a entender que o Senhor nos chama para uma outra vida, uma outra forma de viver, uma forma que é centrada no Senhor e no Teu Evangelho. Nos ajuda a escolher o reino todos os dias. É isso que nós oramos em nome de Jesus. Amém.