Viver como filhos da luz | Efésios 4.17-32 | Pr Gabriel Neres
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Pr Gabriel Neres
- Exposição de Efésios 4.17-32Viver como filhos da luz · Antiga maneira de viver · Novo homem
- Moda e EstiloCompromisso com a verdade · Senso de comunidade · Senso de pertencimento · Mudança de moralidade · Qualidade das palavras · Mudança dos afetos
- Metáfora das vestesVestes do velho homem · Vestes do novo homem · Alfaiate celestial
- Etimologia de Velhaco e VelhoPensamentos inúteis · Entendimento obscurecido · Coração petrificado · Desejos enganosos
- Alegria na Casa do SenhorMemória do sacrifício de Jesus · Corpo de Cristo · Sangue de Cristo · Intimidade com Deus
- As Crônicas de NárniaC.S. Lewis · Eustáquio · Transformação em dragão · Aslan
Boa noite, meus queridos irmãos, minhas queridas irmãs. É muito gostoso estar com vocês nessa noite fria para nós continuarmos a nossa exposição aqui no livro de Efésios. E para isso eu queria convidar você a abrir a sua Bíblia no capítulo 4 de Efésios.
Você que está acompanhando aqui desde o início a nossa saga de mensagens expositivas no livro de Efésios, sabe que hoje termina o capítulo 4. Então a gente vai ler a partir do versículo 17. Então eu quero que você abra a sua Bíblia em Efésios 4, 17.
Enquanto você vai abrindo aí, eu tenho um desafio para fazer para você. Talvez você não tenha conseguido acompanhar toda essa série desde o início, mas graças à tecnologia, aos recursos que Deus tem nos dado, a gente consegue disponibilizar isso para vocês. Irmãos queridos da nossa comunidade, qualquer pessoa no mundo, isso para que você possa ouvir novamente, ver novamente nesses canais de streaming todos que existem por aí. Então, faz uma maratona.
Se você só vem aos cultos da noite, faça uma maratona da série de neemias que está acontecendo de manhã. E se você vem de vez em quando no culto da noite, por quê? Porque isso é alimento para a sua alma. Assim como tem sido para as nossas almas, nós que somos pastores dessa igreja. Amém, meus irmãos? Obrigado, Janu. Efésios, Janu, ele dá aquele apoio moral, né? Efésios capítulo 4, versículos 17 em diante diz assim.
Assim eu digo a vocês, e no Senhor insisto, que não vivam mais como gentios na inutilidade de seus pensamentos. Eles estão obscurecidos no entendimento e separados da vida de Deus pela ignorância em que estão por causa do endurecimento do seu coração. Tendo perdido toda a sensibilidade, eles se entregam à devassidão, cometendo com avidez toda espécie de impureza.
Todavia, não foi isso que vocês aprenderam de Cristo. De fato, vocês ouviram falar dele e nele foram ensinados de acordo com a verdade que está em Jesus. Quanto à antiga maneira de viver, dispão-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, para serem renovados no modo de pensar e se vestirem do novo homem.
Criados para ser semelhante a Deus em justiça e santidade provenientes da verdade. Versículo 25. Portanto, cada um de vocês deve abandonar a mentira e falar a verdade uns aos outros. Pois todos nós somos membros de um mesmo corpo.
Quando ficarem irados, não pequem. Não permitam que o sol se ponha enquanto dura a ira de vocês. E não deem lugar ao diabo.
O que furtava, não furte mais. Antes, trabalhe fazendo o que é bom com as suas próprias mãos para que tenha o que repartir com quem estiver em necessidade. Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês, mas apenas o que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que transmita graça aos que ouvem.
Não entristeçam o Espírito Santo de Deus com o qual vocês foram selados para o dia da redenção. Livrem-se de toda amargura, indignação, ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade.
Por fim, versículo 32, sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente como Deus os perdoou em Cristo. Senhor, nós agradecemos pela tua palavra lida nessa noite e pedimos para que o teu Espírito nos ilumine.
Ilumine o nosso coração e a nossa mente, fazendo de nosso interior um solo fértil, para que essa mensagem possa ser semeada e frutifique em nós, para que possamos abençoar todo e qualquer contexto no qual o Senhor nos colocar. Nós oramos assim, em nome de Jesus. Amém.
Um autor britânico muito conhecido entre os cristãos, chamado C.S. Lewis, tem provavelmente como uma de suas obras mais emblemáticas, a mais famosa, a mais impactante de todas, um livro chamado As Crônicas de Nárnia.
que é uma coleção de alguns livros que contam a trajetória de algumas crianças que são inseridas em um universo fantástico. E essa foi a forma como o C.S. Lewis escolheu para falar sobre os princípios do Evangelho para crianças.
Um livro atemporal, se você já teve oportunidade de ler ou assistir os filmes, você percebe como cada elemento simbólico, cada história, cada trajetória dessa narrativa ilustra o que nós conhecemos como a história da redenção. Explicitamente comunicada por meio das escrituras, efetivamente realizada por meio da encarnação do Filho de Deus.
E dentro dessa história toda, dessa narrativa fantástica toda, existe uma história que me chama muito a atenção. Se você for lá no livro sínclus das Crônicas de Narnia, no capítulo 6 e 7, você vai ler ali as aventuras de Eustáquio. Quem é Eustáquio e por que esse personagem é tão importante para nós hoje?
Predominantemente a história das crônicas de Narnia tem crianças como protagonistas. Duas dessas crianças chamam-se Lúcia e Edmundo, são irmãos que conhecem sobre as escrituras, conhecem sobre esse mundo descrito pelo C.S. Lewis em suas fábulas. E esses jovens têm um primo chamado Eustáquio.
Que é o oposto deles. Se você ler o livro até esse momento que eu falei para você, você vai perceber que Eustáquio é uma criança resmungona, egoísta, incrédula, inimigo dos outros, embora tenha sido transportado para o mundo de Nárnia, passa toda a jornada questionando se aquilo de fato existe ou não, expressando sua animosidade para todos os que estão ao seu redor.
Até que C.S. Lewis decide, através da vida desse personagem fictício, ilustrar um dos princípios fundamentais do Evangelho. A aventura de Eustáquio começa logo após uma tempestade onde todos estão dentro de um navio e conseguem passar por essa tempestade e chegar até uma terra desconhecida. Todos juntos, alegres porque superaram a tempestade, começam a se recompor, se alimentar.
E C.S. Lewis começa a narrar, a partir desse momento, a aventura de Eustáquio. Desprendendo-se do grupo, ele começa a olhar ao redor e percebe que existia um lugar distante que passou a chamar a sua atenção. Eustáquio, a jovem criança, começa então a ir em direção àquele lugar misterioso.
E ele percebe que diante dele existia um vale profundo e ao invés de ter medo, Eustáquio começa a andar em direção ao fundo daquele abismo. E quanto mais ele descia na pequena estrada que existia, narrada por C.S. Lewis, mais a coisa ficava esquisita.
Começava a ficar escuro. Não existia vida. Não existia inseto algum. E ele continua descendo. E em seu coração dizendo. Ainda bem que eu consegui encontrar esse lugar. Agora não tem mais ninguém por perto. Agora sou só eu e eu mesmo. Quando ele chega ao fundo daquele abismo. Ele começa a ouvir alguns sons. Alguns barulhos. Imediatamente fica com medo. Sem saber o que se tratava.
Até que ele percebe que o que existia no fundo era um monstro, um dragão. E junto desse dragão existia uma série de tesouros ali, dispostos naquela região. Imediatamente o jovem Eustáquio pensa, me dei bem, cheguei a este lugar cheio de tesouros, eu vou ficar rico, vou voltar para minha terra e vou comprar tudo que existe lá. Tendo sono, deitou sobre os tesouros.
e acordou algumas horas depois. Para sua surpresa, quando se olha diante de um espelho d'água, percebe que ele havia sido transformado em um dragão. Pele de dragão, olho de dragão, nariz de dragão, asas de dragão.
E no primeiro momento ele fica cheio de si. Agora eu sou invencível. Ninguém me destruirá. Além do tesouro eu tenho poder ilimitado. A grande questão é que o tempo vai passando e ele percebe que sua condição de monstro não é tão boa quanto ele pensou que fosse. E a aventura de Eustáquio, em resumo, é ele lutando para despir-se de sua pele de dragão.
Quando nós olhamos para esse texto que nós acabamos de ler, o apóstolo Paulo usa como metáfora central a ideia de estar vestido com uma roupa inadequada e se despir sendo vestido com uma roupa adequada. Quais são as consequências daquilo que nos veste, daquilo que nos caracteriza, daquilo que determina o que somos e o que fazemos no contexto onde estamos?
Nessa noite eu queria explorar esse texto com vocês, meus irmãos, entendendo as características de uma roupa ruim. Quem é que realiza em nós a oferta de uma nova roupa e quais são as características dessa nova veste? Em primeiro lugar, o texto nos apresenta as vestes de um velho homem e quais são as suas características.
É interessante que quando a gente pensa em vestimenta, embora seja um objeto, ela às vezes caracteriza quem nós somos. Hoje no culto pela manhã, encontrei um jovem da nossa igreja que veio ao culto de ceia com a camisa do Corinthians. Olha que sacrilégio. Obviamente que ele disse, aqui pastor, hoje é... A gente sabe pela roupa que usa.
As intenções, os desejos, as vontades. Pecaminosa, estou brincando. E se a gente olhar no contexto mais amplo, a gente percebe que, de modo geral, isso também marca um pouquinho de quem somos e onde estamos. Você não vai ao Alasca de bermuda e camiseta regata, por exemplo, porque aquele ambiente exige um tipo de veste muito peculiar.
O que o apóstolo Paulo tem em mente é justamente isso. E no contexto onde ele vive, a roupa, as roupas marcam exatamente não só quem somos, mas também o que fazemos. Naquele contexto você bate o olho e reconhece um soldado romano. Você vê um fariseu, um saduceu e reconhece quem eles são. Um cobrador de impostos e reconhece o que mais entrega esse pacote chamado eu. É a roupa.
Por isso que o apóstolo Paulo usa isso como metáfora para falar sobre nós em nossa dimensão espiritual. Esse velho homem, ele está vestido. Sua natureza pecaminosa. E nós começamos a perceber características desta vestimenta cascuda, ruim, reprovável, a partir do que ela gera em nós.
Versículo 17 vai nos dar o primeiro traço, a primeira característica dessa roupa. Assim eu digo a vocês e no Senhor insisto que não vivam mais como os gentios, na inutilidade de seus pensamentos. A primeira coisa que nós podemos observar é que a roupa do velho homem, a roupa de quem vive numa condição de pecado, ela afeta os nossos pensamentos.
Pensamento diz respeito à forma como eu pondero na minha mente aquilo que se coloca diante de mim. Deixa eu me dar um exemplo. Nesse caso, dessa história inicial que eu acabei de contar para vocês, Eustáquio olha para um buraco e diz, olha, eu acho que vai ser legal entrar aí. Um pensamento inútil. Um pensamento imprudente.
O apóstolo Paulo está nos dizendo, portanto, que este pensamento que marca este homem vestido de sua velha natureza, ele é desprovido de verdade, ele é desprovido de sentido e tem como principal característica o desejo, a autossatisfação. O ser humano até pode pensar, pode avaliar racionalmente as coisas, mas quando vestido com essas vestes de pecado,
Ele pensa o que é mal. Seu pensamento se torna inútil. E começa a considerar que viver sem Cristo não é problema. Que fazer o que desagrada ao Senhor não é problema algum. Isso são características da vida daqueles que vivem separados, alienados do Senhor Jesus. As vestes velhas afetam a nossa forma de pensar.
Mas não apenas isso, as vestes velhas, características do velho homem, também afetam o nosso entendimento. Se o pensamento é a ideia de imaginar uma possibilidade, o entendimento é o significado que se atribui ao que se pensou.
Versículo 18 diz assim, eles estão obscurecidos no entendimento e separados da vida de Deus pela ignorância que estão por causa do endurecimento do seu coração. Eustáquio quando chega e vê o tesouro pensa, esse aqui é o melhor lugar do mundo. Não existe melhor lugar do que esse. É atribuir algo que é ruim a característica de algo que é bom.
É atribuir valor ao que não tem valor. O que é isso? Uma afetação do entendimento. E o texto bíblico vai usar uma metáfora do corpo humano para dizer o que é isso. Ele vai dizer que esse entendimento obscurecido é como um coração petrificado. É como se você, por causa das vestes do velho homem, não conseguisse mais discernir as coisas de Deus.
Você não sente mais aquilo que o Senhor fez, não consegue considerar. Porque seu coração está petrificado. Esse coração petrificado faz com que o velho homem ande no escuro. E ele atribui sentido às coisas da escuridão, como se fossem coisas boas.
E não percebe que a escuridão leva à destruição, não à vida. Que o entendimento obscurecido leva ao engano, não ao acerto. O texto continua e vai nos dizer também que as vestes do velho homem afetam os nossos desejos. O versículo 19 diz assim, Tendo perdido toda sensibilidade,
Eles se entregaram à devassidão, cometendo com avidez todo tipo de impureza. Isso se manifesta na vida do jovem Eustáquio quando ele olha para sua condição de dragão e diz, é melhor ser assim. Estou mais forte, eu vou. Cuspo fogo pela boca. O coração endurecido.
Uma mente obscurecida nos faz nos inclinarmos ao que é reprovável. Ao que é desagradável aos olhos do Senhor. Essas características todas são características das roupas velhas.
como a casca do dragão nos torna monstros. O monstro é a desfiguração de algo. Se você olha para a história do cinema, a história do teatro, os monstros sempre são relatados como a desfiguração de algo que existe.
A vida sem Deus, a vida na condição do pecado, nos torna indivíduos distorcidos. E isso é evidente para todo mundo que está ao nosso redor. Os traços dessas vestes estão diante não só dos nossos olhos, mas também diante dos olhos daqueles que nos cercam. Nós damos valor ao que é reprovável.
Nós agimos de forma egoísta, entendendo que o outro é alvo do meu domínio. Isso tudo são características de quem vive vestido como velho homem. Mas a mensagem do apóstolo Paulo é uma mensagem de esperança. É uma mensagem para cristãos.
A carta aos Efésios foi escrita para cristãos, considerando o dilema de cristãos no mundo real. Por isso ele não acaba o seu relato sobre essa vestimenta metafórica, dizendo que não há jeito. Ele começa a mostrar para nós a direção de um novo jeito de viver.
É como se ele estivesse dizendo, olha ok, existe essa condição e todos estão nela desde que nasceram. Mas há uma alternativa.
E essa alternativa tem pouco a ver com o que você faz. E mais a ver com o que Jesus faz. Como se de certa forma ele estivesse apresentando aos seus leitores. Jesus como esse alfaiate celestial. Que vai nos dar uma nova veste na medida adequada do seu plano salvífico. Por isso que ele começa dizendo versículo 20. Todavia.
Não foi isso que vocês aprenderam de Cristo. De fato, vocês ouviram falar dele e nele foram ensinados de acordo com a verdade que está em Jesus. Se a mentira, o engano, a trapaça, o egoísmo, é a medida da roupa do velho homem. A verdade é a medida das roupas do novo homem.
E verdade não é um conceito abstrato no Evangelho. Verdade é uma pessoa. Caminho, verdade e vida. Por isso que o apóstolo Paulo faz questão de destacar isso. Olha, essa nova roupa que vocês estão vestindo tem pouco a ver com o que vocês fizeram. Mas muito a ver com o que Cristo fez por meio de vocês. Por isso aprendam dele. Aprendam nele.
Jesus é a mensagem que nos instrui, mas também a escola que nós habitamos. Como novos homens e mulheres. Isso é uma consequência da graça do Senhor. É como se o apóstolo Paulo estivesse nos dizendo o seguinte, olha, vocês estavam andando com uma roupa toda esquisita, toda fora de tamanho, do plano do alfaiate celestial e agora chegou o momento de vocês vestirem roupas adequadas.
Quando eu era adolescente, tinha na minha época uma moda muito forte de skate entre os adolescentes. Eu nasci na década de 80. E uma das características, não sei se é assim ainda hoje, mas era quanto mais larga a vestimenta, mais skatista você era. Aí o que eu fazia? Com os meus 12, 13 anos. Eu abria o guarda-roupa do meu pai, que pesava cento e tantos quilos, pegava a calça dele tamanho 46 e usava. No meu corpinho tamanho 34.
E achava aquilo o máximo. Pena que não tem foto para mostrar para vocês aqui. Mas muito provavelmente quem olhava aquilo e falava assim, que coisa ridícula. Essa criança com uma calça 46, aquele cinto, todos os botões apertados. Porque é inadequado. Não é para mim aquilo.
Quando o apóstolo Paulo nos mostra Jesus como esse afaiate que nos dá aquilo que sob medida deveria ser a nossa veste. Ele está dizendo, olha vocês estão vestindo uma roupa que não é adequada. Que vai fazer vocês tropeçarem, caírem. E por isso ele expressa com tanto poder, com tanta autoridade. Que a verdade é a medida que faz as nossas roupas novas.
Que nos restaura. O texto continua. E vai expressar. Dos versículos 22 a 24. A mudança de tudo que a gente viu. Que é característica. Das vestes velhas.
Se você lembrar um pouquinho do que eu disse há pouco, você vai perceber que as vestes velhas afetam o nosso pensamento, afetam o nosso entendimento e afetam os nossos desejos. É uma roupa por si só desproporcional ao plano de Deus para as nossas vidas. Nos deforma. Agora quando nós olhamos o que este alfaiate celestial por meio do seu sacrifício fez,
É colocar tudo em ordem novamente. No seu devido tamanho, no seu devido lugar. Versículo 22 diz assim. Quanto a antiga maneira de viver, dispão-se do velho homem que se corrompe por desejos enganosos. A primeira restauração, restauração dos desejos. Aquilo que eu desejava, não desejo mais. Porque o que me caracteriza é outra coisa.
Não um coração petrificado, mas um coração restaurado. O texto continua. Para serem renovados no modo de vocês pensarem. Não apenas os meus desejos, quando visto essa roupa nova, são restaurados, regenerados, mas os meus pensamentos. E o texto continua.
E se vestirem do novo homem. Criado para ser semelhante a Deus. Em justiça e santidade provenientes da verdade. Senhor Jesus é o único que pode dar a nós vestes adequadas. Para que possamos ser seres plenos. E ser pleno significa esvaziar-se para que Cristo se expresse através da vida de vocês.
Essa nova veste nos torna adequados novamente. O meu filho mais velho vai fazer 11 anos. E há umas duas semanas atrás ele apareceu lá na sala, tomou banho e tal. Aí apareceu lá na sala com um short apertando a coxa, camisetinha aqui no ombro que ele não conseguiria nem baixar os braços assim. A hora que eu bati o olho, ele falou assim, Benja, não dá mais para você usar essa roupa, filho. Você cresceu.
Não é mais adequado, não cabe mais em você. Seu crescimento, sua transformação exige que você vista roupas adequadas. A salvação em Cristo Jesus provoca profunda transformação em nós, que já não faz mais sentido usar as roupas velhas, porque somos novos homens e novas mulheres para a honra e glória do Senhor Jesus.
Nova vida, novas vestes, novo jeito de pensar, novo jeito de agir, novo jeito de desejar, novo jeito de ponderar sobre as coisas do mundo. Isso só é possível porque Cristo nos dá a nova vida. Nos dá um novo jeito de viver. E isso é um processo, meus irmãos.
Quando a gente dá os primeiros passos na fé, é natural que as pessoas desconfiem da gente. Você, você virou crente de jeito nenhum. Vamos olhar para as escrituras, o apóstolo Paulo, grande mestre da lei. Deus o transforma, ele tem uma conversão arrebatadora. E qual é a consequência imediata da igreja? Você, crente, de jeito nenhum.
Manda ele lá para um lugar para ele ficar um pouquinho quietinho lá. Para a gente ver se é de verdade isso aí ou não. Porque faz parte de um processo. Despir-se das velhas roupas e vestir a nova roupa. É um processo que dura enquanto nós vivermos nessa terra. Há uma luta que se instaura em nós. Mas o texto não acaba aí.
O apóstolo Paulo também vai nos dar, assim como fez no início, dando as características dessa velha veste. O apóstolo Paulo vai nos dar as características dessas novas vestes que Jesus, esse alfaiate celestial, nos dá. Versículo 25 diz assim, portanto cada um de vocês deve abandonar a mentira e falar a verdade uns aos outros.
Pois todos nós somos membros de um só corpo. Essas novas vestes restauram em nós um senso de comunidade. Por isso que não mentimos mais.
O vínculo de confiança de uma comunidade, seja uma família, uma relação conjugal, uma relação entre parentes, uma relação dentro do ambiente de trabalho, ele é fortalecido quanto mais verdadeiro é e ele rui quanto mais falso é.
Quanto mais mentira se estabelece numa relação mais precária e deteriorada, ela se instaura. O que o apóstolo Paulo está dizendo é, se a verdade transforma vocês, o compromisso de vocês precisa ser com a verdade. Por quê? O exercício da verdade nos une. Essas novas vestes dão a nós um senso de comunidade maior do que nós tínhamos antes.
Na história que eu contei a vocês, Eustáquio estava feliz por se distanciar da sua comunidade. Mas a partir do momento que Deus nos transforma, o nosso coração é transformado. Nós nos entendemos agora, não mais como unidades independentes, mas como parte de um corpo. É por isso que ao longo de todo o Novo Testamento, a igreja do Senhor é mencionada, é referida como se fosse um corpo.
E a grande característica de um corpo é a unidade das partes. Por isso que o apóstolo Paulo vai dizer, olha, as vestes novas, elas são vestes que precisam ser fortalecidas pela verdade. Por isso não mintam. O compromisso com a verdade é um compromisso com o discurso, mas também com a atitude.
Porque não adianta nada você falar com os seus lábios e suas atitudes. Reprovarem o que você faz. O texto continua. Versículo 26 e 27 dizem assim. Quando ficarem irados, não pequem. Não permitam que o sol se ponha enquanto durar a ira de vocês. E não deem lugar ao diabo.
Assim como essas novas vestes restauram o nosso senso de comunidade, elas também restauram o nosso senso de pertencimento. Nós passamos a ter consciência a quem pertencemos e respondemos a esse senso de pertencimento.
Quando você olha grupos na sociedade humana em que tem um forte senso de pertencimento, você vai perceber o quê? Que há uma correspondência no jeito de falar, no jeito de agir, no jeito de se comportar. Eu sou professor de colégio. E em colégio é o melhor lugar para você perceber isso. Tem um grupo que se identifica, por exemplo, com olimpíadas matemáticas. E se você olha para a galera, tem o mesmo jeitão, fala do mesmo jeito, se empolga com as mesmas coisas.
Mas ao mesmo tempo também tem o grupo do futebol. Que se veste do mesmo jeito, que fala do mesmo jeito, que participa das mesmas atividades. Por outro lado, existe um outro grupo, que é o grupo dos aficionados por cinema. E se unem, discutem filmes.
Um outro grupo, o grupo dos alunos que escrevem o jornal do colégio. O que eu estou querendo dizer com isso? Quanto mais nós pertencemos a um grupo, mais as características desse grupo são evidenciadas em nós. O que o apóstolo Paulo está dizendo é justamente isso. Olha, vocês não podem mais dar lugar ao diabo.
Vocês não podem mais fazer com que as suas atitudes os identifiquem como filhos das trevas e não filhos da luz. Não faz mais sentido isso. Porque o senso de pertencimento de vocês foi profundamente transformado.
Eustáquio, o jovem, ao se transformar em dragão, passa a não encontrar mais correspondência na humanidade. Ele para de falar, ele não consegue escrever. Porque as vestes com que estava vestido aproximavam de monstros que cospem fogo e voam, diferente de humanos.
E aqui é interessante que o apóstolo Paulo deixa claro que a transformação que Jesus Cristo gera em nós, não amputa, não tira de nós a nossa humanidade. Olha o que diz o texto. Quando ficarem irados, não pequem. O irar-se continua fazendo parte da nossa natureza.
E a ira muitas vezes pode ser um sentimento que move para uma transformação da realidade. Foi porque homens e mulheres se iraram ao ver a condição de escravidão de outros homens e mulheres. Que aconteceu a emancipação da escravidão. Como foi o caso da Inglaterra com William Wilbiforce. Que lutou para a abolição da escravatura não por uma questão política, mas por uma questão de consciência de fé.
Nosso chamado é para nos colocarmos no mundo. Expressando integralmente a que grupo pertencemos. Ao grupo dos salvos e redimidos pelo sangue de Jesus. O texto continua mostrando mais características dessa vestimenta.
nova que nos é dada. Versículo 28. Os que furtavam, não furtem mais. Antes, trabalhem fazendo o que é bom com as próprias mãos, para que tenham que repartir com quem estiver em necessidade. Uma das dinâmicas essenciais daqueles indivíduos que foram transformados é mudar a lógica de sua atividade no mundo.
Ao invés da busca pela acumulação, buscamos o bem comum. Entender aquilo que Deus nos dá, nos dispõe a sermos gratos, a sermos generosos. A lógica do acúmulo em detrimento.
da necessidade, passa a ser abominável aos nossos olhos. E aqui o apóstolo Paulo, de modo algum, fala que é pecado enriquecer. Ele está nos estimulando a termos um coração transformado por essa veste nova, entendendo que se tem os recursos dados por Deus, isso precisa ser utilizado para a bênção dos nossos irmãos ao nosso redor. A lógica do Evangelho transforma isso. A individualidade dá lugar ao bem comum.
Eustáquio, o jovem, quando percebeu que virou um dragão, que aquela riqueza toda daquele tesouro não fazia sentido, ele começou a notar que a felicidade só é real quando ela é compartilhada. Outra característica que o apóstolo Paulo nos coloca sobre essas novas vestes.
Além de mudar esse nosso senso de moralidade. Diz respeito a mudança da qualidade daquilo que dizemos. Versículo 29 e 30. Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês.
mas apenas a que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade para que transmita graça aos que ouvem. Não entristeçam o Espírito Santo de Deus com a qual vocês foram selados para o dia. Aqui é interessante a expressão que o apóstolo Paulo usa, traduzido por palavra torpe, é uma expressão que vem do mundo dos alimentos.
que pode ser traduzida literalmente como estragado. Palavra estragada. É como se ele estivesse dizendo, olha, você não dá a ninguém um peixe podre, um pão mofado, um leite azedo, por quê? Você sabe que isso faz mal. Você na sua casa, quando abre um leite e sente o cheiro azedo, você não dá para o teu filho. Você joga fora.
O que o apóstolo Paulo está dizendo é que uma das características dessa nova veste é melhorar a qualidade das nossas palavras. Nós oferecemos aos outros não mais o que gera morte, o que está em decomposição, o que destrói. Mas nós oferecemos aos outros um alimento saudável, fresco, que gera vida.
Vestir-se com essas vestes santas que o Senhor Jesus nos deu ao morrer por nós, significa ser agentes que geram vida, ao invés de gerar morte. O grande problema é que no contexto cristão, muitas vezes, as palavras podres, as palavras que matam, vêm com um verniz de espiritualidade. Você viu o que aconteceu com aquele irmão? Só estou falando para a gente orar por ele, tá? Você viu o que ele fez?
Pondere no seu coração, se aquilo que você lança numa conversa, falando de outro que não está presente, gera morte ao invés de vida, isso é palavra torpe. Isso é palavra podre, que gera morte ao invés de vida. E por último, a última característica dessas vestes santas que Jesus nos dá, é a mudança dos nossos afetos.
Versículo 31 e 32 dizem assim. Livrem-se de toda amargura, indignação, ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade. Sejam bondosos e compassivos uns com os outros, perdoando-se mutuamente, como Deus os perdoou em Cristo.
A palavra livre em si significa desprender-se totalmente de algo. O contexto do primeiro século significa levantar a âncora de um barco e deixar ele partir. Vestir a roupa do velho homem nos leva para as profundezas. Mas vestir a roupa do novo homem.
Nos faz empurrar as profundezas para distante de nós. Por isso não mais nos indignamos, não mais somos amargos, não mais nos iramos. Não mais gritamos, não mais caluniamos, não mais fazemos maldade contra o outro. E se você perceber a sequência que o apóstolo Paulo usa aqui, parece que ela descreve o nosso movimento de humanidade.
Um estudo recente aponta que a cada hora, em média, morrem cinco pessoas por briga no trânsito. Cinco pessoas por hora no nosso país. É que quando você olha como é o processo, começa mais ou menos assim, né? Uma amargura. Me fechou. Uma indignação. Ele não podia ter feito isso. Uma ira. Eu vou pegar esse cara. E começa um a correr atrás do outro. Abre o vidro e começa a gritar e xingar. Calunia.
Até que em um determinado momento alguém faz uma maldade contra outro. Percebe? O ciclo descrito pelo apóstolo Paulo é o ciclo de descer no abismo. Como o Eustáquio desceu, nós também descemos. Mas o contrário disso é exercitarmos a bondade, a compassividade e o perdão. E isso não tem a ver com o que nós fazemos, meus irmãos. Mas tem a ver com o que Cristo fez em nós.
No final do conto das aventuras de Eustáquio, Eustáquio está completamente deprimido. Ele consegue, por meio do aceno de cabeça, fazer os seus amigos entenderem que aquele dragão era no fundo Eustáquio. E a crise se instaura e Eustáquio pensa que não vai conseguir sair daquela condição, quando de repente na história aparece um leão. E esse leão convida Eustáquio para ir para um lugar sublime.
E dragão e leão sobem uma grande montanha, onde eles conseguem testemunhar a beleza de tudo que há. E quando pisam nesse lugar sublime, o leão diz ao dragão, Dispa-se de suas roupas, essa pele de monstro.
Eustáquio enfia as patas de dragão e tenta tirar. E no primeiro momento entende que conseguiu, mas imediatamente as escamas voltam. Depois de tentar por quatro vezes tirar as roupas de monstro que o cobriam. O leão vira para ele e diz, deite-se com a barriga para cima.
E as patas do leão atingem em primeiro lugar o coração dele. Gerando profunda dor. Mas ao mesmo tempo alívio. E aquele ato doloroso de despir-se do velho eu. Acontece ao mesmo tempo em que a satisfação de ser feito novamente humano iria acontecendo.
Na história de Lewis, o leão tem nome. Ele chama Aslan. E é uma figura intencionalmente colocada para se referir a Jesus Cristo. Por si, nós não conseguiremos remover a pele do dragão. Mas o leão de Judá. O filho de Deus. O rei dos reis.
finca suas garras em nós e nos tira todas as escamas, nos fazendo ser novos seres, a sua imagem e semelhança. Senhor, obrigado. Porque o Senhor faz por nós aquilo que nós não conseguimos fazer.
Obrigado porque essa veste nova só é possível porque o Senhor nos tornou novos homens e mulheres. A minha oração nessa noite é para que o Senhor traga a nossa consciência essa verdade tão profunda.
De que o novo homem é consequência daquilo que o Senhor fez na cruz. Fica conosco, essa é a nossa oração. Em nome do teu Filho amado Jesus. Amém. Sim, eu amo a mensagem da cruz.
Levarei eu também minha cruz. De por uma coroa troca. Sim, eu amo a mensagem da...
Até por uma coroa troca. Quando nós pensamos nesse ato de Jesus, nos despindo.
E nos dando vestes novas. Nós precisamos também nos lembrar que Ele nos convida à mesa com esse ato. Hoje é o dia no qual nós lembramos daquilo que foi feito por nós. Esse sacrifício que nos transforma, nos regenera e nos acolhe. A presença de Deus.
Isso aqui não é um rito vazio, mas sim uma memória. Que nós somos incentivados a viver. Lembrando das consequências de Jesus para as nossas vidas. É estar diante dessa mesa.
Que nos faz lembrar que nós um dia fomos velhos homens e mulheres. E que através desses elementos que simbolizam esse ato de Jesus. Que não com uma garra, mas com uma cruz. Nos despiu de nós mesmos. É essa lembrança que nos mantém de pé.
Que nos mobiliza quando no meio da jornada a gente fraqueja. A gente perde de vista as características dessa nova veste. O evangelho nos ensina que esse momento solene é um momento de profunda intimidade com Deus também.
Por isso que quando somos convidados a estar à mesa, somos convidados também a sondar o nosso coração. Entendendo quais são os aspectos do velho homem que ainda perpassam a nossa história. Por isso, antes de a gente começar a nossa celebração, eu queria convidar você a abaixar a sua cabeça. Avaliar o teu coração. A tua história. As tuas vestes.
Diante do Senhor. Você e Deus. Nesse momento de contrissão. Eu vou dar um tempo para vocês. Terem esse momento com o Senhor.
Senhor, sonda o nosso coração e a nossa vida. Perdoa os nossos pecados, as nossas ofensas contra o Senhor.
Aquilo que nos faz parecer mais com o velho homem do que com o novo homem. O que expressa mais características das velhas vestes e não das novas vestes. Nos põe de pé, Senhor. O Senhor não só nos salva, mas também nos santifica. Por isso oramos para que nesse momento em que estamos diante da mesa.
possamos ceiar todos juntos dignamente, para a honra e glória do teu santo nome. Amém. Senhor Jesus, na noite em que foi traído, pouco antes de experimentar em seu corpo toda a violência que lhe fora imposta, tomou o pão, partiu e disse aos seus discípulos, amém.
Esse é o meu corpo. Um símbolo de um corpo real. De um rei. Um símbolo de um corpo real. De um rei. Que foi massacrado como um bandido. Por causa de nós. Por isso todas as vezes que nós pegamos esse pedacinho de pão.
Nós precisamos trazer a nossa memória um evento histórico e ao mesmo tempo espiritual. Que é responsável pela nossa transformação, pela nova vida que somos habilitados a viver. Portanto, convido você, meu irmão e minha irmã, a comer desse pão em memória de Cristo. Na sequência, você pode agradecer aí no seu lugar.
Senhor, obrigado pelo teu corpo. Que sofreu em nosso favor. Que foi violentado com chicotadas, com coroa de espinho, com sol ardente, com pregos entre as mãos e os pés. Obrigado porque esse sofrimento todo.
Nos tira do nosso estado de sofrimento eterno. Obrigado, Deus, por ter enviado o Seu Filho para morrer em nosso favor. Nós somos gratos, porque o Senhor fez por nós o que ninguém mais poderia fazer. Mesmo sendo esse um caminho de dor. Obrigado pelo Teu sacrifício, Senhor Jesus.
Da mesma forma, o Senhor Jesus tomou o cálice e disse aos seus discípulos, esse cálice representa o meu sangue. Fico pensando muitas vezes em como estava a mente daqueles que participaram daquela ser especificamente. Para nós isso faz todo sentido hoje.
Mas para aqueles homens que estavam ali, a coisa não era compreensível. Mas Jesus sabia de fato o que iria acontecer. E sabia que o sangue seria vertido e não pouco sangue. Tanto sangue ao ponto de quando foi perfurado, vazar de sua lateral a água.
Esse é o tamanho do amor do Senhor Jesus por nós. Vertendo o máximo de seu sangue. Para nos purificar. Por intermédio de seu sacrifício. Nenhum sacrifício mais é necessário. Porque Jesus se tornou o sacrifício suficiente. E o seu sangue tem poder para lavar os nossos pecados. E nos salvar.
Por causa disso, eu convido você, meu irmão e minha irmã, a tomar esse cálice em memória de Jesus. Obrigado pelo teu sangue vertido na cruz, Senhor. Obrigado por esse sacrifício que é fruto da tua graça.
É algo feito por nós que não merecemos. Mas o Senhor decidiu nos salvar. Nos lavar de nossos pecados por meio do teu sangue. Por isso nós somos gratos. Somos gratos porque reconhecemos a tua graça. Por intermédio do seu sacrifício. Oramos assim. Em teu nome. Amém.
Convido você a cantar mais essa canção antes da gente encerrarmos e irmos todos juntos para as nossas casas.