Para rezar o Evangelho do 5º Domingo da Páscoa
Jesus Ressuscitado, o Caminho que nos conduz à Verdade e à Vida
Texto do Pe. Adroaldo Palaoro, SJ, como sugestão para rezar o Evangelho do 5º Domingo da Páscoa (Ano A - 2026).
Texto: https://blogamareservir.blogspot.com/2026/05/jesus-ressuscitado-o-caminho-que-nos.html
Texto bíblico: João 14,1-12
Eduardo Palauro
- Caminho, verdade e vidaUnidade entre Jesus e o Pai · Promessa do Espírito da verdade · Busca da verdade · Interdependência da vida
- Páscoa
Jesus ressuscitado, o caminho que nos conduz à verdade e à vida. Eu sou o caminho, a verdade e a vida. João capítulo 14, versículo 16. Texto do padre Eduardo Palauro, jesuíta, para rezar o quinto domingo da Páscoa.
No tempo pascal, os primeiros três domingos nos situam diante do ressuscitado para saborear a vida nova que ele nos traz. O quarto domingo é dedicado ao tema do bom pastor. Temos agora dois outros domingos centrados no discurso de despedida ou testamento espiritual de Jesus, que abarca os capítulos 13 ao 17 de São João.
Nele, o autor do quarto evangelho insiste em temas que são particularmente reveladores neste domingo. O tema destacado refere-se à profunda unidade entre Jesus e o Pai. No quarto evangelho, Jesus vive na consciência clara de ser uno com o Pai. E essa fonte de seu amor, sua confiança, sua paz e sua alegria.
É o que todos nós também já somos, em nossa essência, mas com frequência ignoramos esta realidade. Ser um com o Pai não é uma crença, nem é fruto da vontade. Não é algo que poderíamos alcançar depois de ter cumprido determinados requisitos. Quem me vê, vê o Pai. É válido para todos nós.
Se soubermos olhar, poderemos ver o Pai em todos os seres, em todas as pessoas. E o sentiremos também em nós mesmos. O termo Pai, na boca de Jesus, refere-se à presença providente, o fundamento que tudo sustenta, a graça que tudo envolve. A experiência e a palavra de Jesus constituem, portanto, um apelo para que saibamos descobrir o Pai em tudo.
E, para além das inércias que nos fazem viver na superfície de nós mesmos, nos reencontremos com a verdade mais profunda que nos habita. Só ali é possível experimentar a plenitude. É neste contexto que podemos compreender a afirmação lapidar de Jesus. Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Esse é o ponto de partida da vivência crista.
Cristão ou cristã é um homem ou uma mulher que em Jesus vai descobrindo o caminho mais acertado para viver, a verdade mais segura para orientar-se e o segredo mais claro para a plenitude e o sentido da vida. Caminho, verdade e vida expressam as nossas grandes carências existenciais, mas ao mesmo tempo elas apontam para o sentido da existência.
deixam transparecer as três grandes buscas do ser humano, ou três dimensões que nos humanizam. Não são necessidades periféricas, passageiras, ligadas ao imediato, mas existenciais, mobilizadoras e que revelam nossa verdadeira identidade.
Jesus se apresenta como resposta a essas buscas. Ele se faz presente no meio dessas carências da humanidade e se apresenta como caminho, a verdade e a vida. Quem o segue faz caminho com ele, abre-se à verdade e entra no fluxo da ressurreição ou vida plena. A aliança dessas três expressões, caminho, verdade e vida,
nos revela que a essência do Evangelho não é uma doutrina que nos fecha, nem um dogma a defender. Ela é muito mais um percurso vital, uma passagem aberta na vida, na qual Cristo nos encontra para nos transmitir sua vida de ressuscitado. Em primeiro lugar, o Evangelho é um constante apelo a caminhar. E Jesus é o caminho.
Mas um caminho não é para ser conhecido, e sim percorrido. É certo que podemos decidir não caminhar, optar por instalarmos neste mundo e esquecer nosso destino. Mas é evidente que a longo prazo, essa atitude vai gerar vazio e angústia, porque não podemos ignorar o eterno que há em nós.
Nessa linha devemos acrescentar que Jesus fez o caminho para que pudéssemos percorrê-lo com ele. Chegando inclusive mais longe, descobrindo verdades e realizando atividades que ele não pôde realizar em seu tempo.
Jesus não fez caminho para deixar-nos atrás, sempre atrás, mas para lançar-nos a novas metas, abrindo nossos olhos e nosso coração para as moradas novas de amor, porque Deus é sempre maior. Nos Evangelhos de São João, o caminho não é uma doutrina, é uma pessoa, é o próprio Jesus.
Nós, seus discípulos, somos sua imagem, aqueles que garantem sua presença hoje. Jesus não diz, sou o templo, diz, sou o caminho. Caminho sempre aberto, mobilizador de nossos recursos internos e que nos faz sair de nós mesmos, de nossas seguranças e crenças e nos coloca para as periferias existenciais.
É por isso que a Igreja deve sempre propor esse caminho de liberdade no qual se encontra uma multidão de mulheres e homens com sua história e verdade. E realidade. Não cabe, pois, à Igreja levantar muros doutrinários ritualistas e legalistas que travam a vida das pessoas e as impedem de caminhar?
Cabe a ela, no entanto, construir pontes para facilitar o acesso à estrada e para atravessar as torrentes da vida. A igreja não é dona da estrada, ela deve ajudar as pessoas a caminhar e a avançar.
Em segundo lugar, o autor do quarto evangelho põe na boca de Jesus a promessa do Espírito, a quem define como Espírito da verdade, que haverá de conduzir os discípulos até a verdade plena.
Na história da humanidade e das religiões, tem sido recorrente o afã de levar aos outros a própria verdade, na convicção de que se trata da verdade absoluta. A partir da crença de estar em posse dessa verdade, inclusive de serem depositárias da verdade divina ou revelada pelo mesmo Deus, as religiões se envolveram na tarefa de estendê-la por todo o mundo.
acreditando fazer o melhor serviço à humanidade. Essa crença que identifica o grupo com a verdade absoluta se encontra na origem do proselitismo e fanatismo em qualquer de suas formas.
Ao longo da história, a atitude proselitista se apresenta desde uma certa tolerância até a condenação e a perseguição daqueles que, resistindo a adotar a crença oficial, são taxados de hereges ou blasfenos. Habitualmente, confundimos a verdade com as crenças, dogmas, doutrinas, sejam elas quais forem.
E, em nossa ignorância, não é raro que nos surpreendamos dizendo Esta é a verdade, ou eu tenho a verdade. Esquecemos que a verdade não é para ser agarrada pela mente. Não pode ser pensada, nem pode ser pronunciada. Tudo o que é pensado e falado são construções mentais.
Na realidade, a verdade nunca pode ser um conceito, uma crença, um dogma ou uma doutrina. Ela não cabe na nossa mente e nem pode ser possuída por ninguém. A verdade é o que é. A verdade é o que somos. Não se trata, portanto, de transmitir crenças, mas de oferecer possibilidade para que cada pessoa descubra a verdade que é.
Somos verdade, ou melhor, a verdade nos sustenta e nos constitui. Ela é a nossa essência. Mesmo envelada e inclusive obscurecida por múltiplos fatores, continua presente em toda a sua luminosidade. Só precisamos desejá-la apaixonadamente e assumir uma atitude de deixá-la transparecer em nossa vida.
As crenças buscam impor-se, a verdade se mostra. As crenças separam, a verdade une, as crenças dividem. As pessoas entre crentes e não-crentes. A verdade faz com que nos encontremos mais além das ideias, muito mais além do ego, mais além da religião.
Na busca da verdade, cessa o proselitismo e cada um vive como parteira, que através das perguntas ajuda a dar à luz a verdade que já está presente no seu interior.
Das afirmações que fez Jesus, talvez a mais luminosa seja essa. Eu sou a vida. É uma expressão plena de sabedoria que nos convida a sair de nossa ignorância básica e a deixar-nos impactar pela sua verdade profunda aplicada a todos nós. Na essência, somos todos vida e nunca poderemos deixar de ser.
Nossa ignorância radical está no fato de reduzir nossa identidade ao meu periférico, fazendo-nos crer que somos um eu particular, separado dos outros e desconectado da vida. Essa crença errônea é a fonte de todo sofrimento para nós e para os demais.
A sabedoria consiste em reconhecer que não existe nada separado de nada. Tudo está interligado. Há uma interdependência e que não há nada que não seja manifestação e expressão da única vida. Tudo é vida que se expande em infinitas formas. O nascer e o morrer. A saúde e a enfermidade. O êxito e o fracasso. O bem e o mal.
Nós mesmos somos a vida que se manifesta de uma forma particular na personalidade concreta que temos, com os dons que possuímos na missão que realizamos. Jesus é vida frente às forças de morte que causam terror. Jesus dá sentido à vida, se revela como o Senhor da vida e vencedor da morte.
E nele estão todos os que apostam em favor de um projeto de vida de verdade e amor, como horizonte que pode salvar a humanidade do caos, da injustiça, da exclusão e da maldade.
na oração. Texto bíblico, Evangelho de São João, capítulo 14, versículo 1 ao 12. Somos chamados a ser um caminho alternativo junto com outros caminhos alternativos representados por outras pessoas e comunidades inspiradas por outras religiões em meio a um mundo desorientado.
que com frequência não encontra o sentido da existência. Somos testemunhas da verdade, presente em nosso interior e no mais profundo de cada pessoa, frente a uma cultura da pós-verdade, povoada de tantas mentiras e fake news, que só alimentam conflitos e divisões.
Somos servidores da vida, mesmo em meio à morte que o egoísmo humano semeia, que não entra, quando não entra em sintonia com a sabedoria da vida, plena que procede do coração daquele que é fonte vital. Boa oração!