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O Mundo Particular de Rúbia Faria

05 de maio de 20266min
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Uma mente inquieta, um mundo só dela. Entre silêncio, pensamentos e descobertas, Rúbia aprende a existir do seu jeito mesmo quando ninguém entende.

Participantes neste episódio1
R

Rúbia

Convidado
Assuntos2
  • O mundo particular de RúbiaSensibilidade a barulho e excesso de interações · Organização pessoal e o quarto como refúgio · Fase de transição entre infância e vida adulta · Intuição e percepções extrasensoriais · A busca por autenticidade e autoaceitação
  • Identidade e AutoestimaA dificuldade em se encaixar em padrões sociais · Lidar com erros e culpas em solidão · A imaginação como refúgio e forma de expressão · A intensidade e a lentidão do mundo interior
Transcrição14 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Rúbia não gosta de barulho, não do tipo que vem da rua, mas daquele que as pessoas fazem quando tentam entrar demais. Ela sempre preferiu ficar perto daquilo que entende, do que faz sentido, do que ela pode controlar, pelo menos até mudar de ideia.

O quarto dela é o melhor exemplo disso. Bagunçado, mas organizado do jeito dela. Cada objeto tem um lugar que só ela sabe. Cada papel jogado, cada livro aberto, cada coisa fora do lugar. Faz sentido. Para ela, ninguém mexe, ninguém entende. E ela também não faz questão de explicar.

Rúbia está naquela fase estranha, em que você não é mais criança, mas também não sabe ser adulto. A adolescência bate na porta e ela não sabe se abre. Ela observa mais do que fala, escuta mais do que responde e pensa demais. Ela gosta de aprender coisas aleatórias, coisas que ninguém perguntou, coisas que talvez nunca use.

Mas aquilo ocupa a mente dela. E de certa forma, protege. Porque pensar distrai. E distrair evita sentir. Tem dias que ela sabe coisas sem ninguém ter contado. Intuições. Sensações. Como se o mundo falasse com ela. Em códigos. Mas também tem dias em que ela não entende nem a si mesma.

O rádio relógio no quarto dela está sempre errado. Nunca é sobre o horário. É sobre o tempo. Ela vive no tempo dela. Rúbia não gosta de visitas. Não gosta de gente entrando no mundo dela sem pedir licença. E mesmo quando pedem, ela pensa duas vezes. Porque o mundo dela é fechado.

Não por orgulho, mas por proteção. Ela já tentou se encaixar, já tentou ser mais normal. Mas sempre parecia que estava usando uma roupa que não era dela. E então ela decidiu. Se for pra ser, vai ser do jeito dela. Rúbia erra. E quando erra, ela sente. Mas não mostra. Ela resolve sozinha. Corta os próprios excessos. Carrega as próprias culpas. E segue.

Ninguém pergunta depois, porque ela não deixa. Ela vê a vida como um filme pausado, parando em detalhes que ninguém percebe, criando histórias dentro da cabeça, imaginando casas, lugares, vidas, e depois esquecendo tudo, como se nunca tivesse existido.

Às vezes dá preguiça, uma sensação estranha, como se estivesse em areia movediça. Quanto mais ela tenta sair, mais afunda nos próprios pensamentos. E mesmo assim, ela volta pra lá. Porque no fundo, ela gosta. Ela mora num lugar que não existe. Um cenário meio real, meio imaginário. Onde ela entra e sai quando quer.

E talvez esse seja o único lugar onde ela se sente completamente ela. As noites são longas para a rúbia, claras demais, cheias demais. Mas quando o dia nasce, alguma coisa muda, pequena, quase imperceptível. Mas muda. Ela começa a entender, não tudo, mas o suficiente.

Coisas que antes ela não sabia, coisas que antes não faziam sentido, agora fazem. E mesmo sem dizer em voz alta, mesmo sem explicar para ninguém, ela sente. Agora ela sabe. Eu sei que às vezes pareço distante, como se estivesse sempre em outro lugar. Mas a verdade é que eu nunca soube existir de outro jeito.

O mundo aqui fora é alto demais, rápido demais. E dentro de mim, tudo é mais lento, mais intenso, mais confuso, mas também mais verdadeiro. Eu não me escondo porque quero. Eu me recolho porque é onde eu consigo me entender. Talvez eu nunca seja fácil de decifrar. Talvez eu nunca me encaixe completamente. Mas tudo bem, porque nesse meu jeito meio estranho, meio...

Eu aprendi a sentir coisas que muita gente deixa passar. E mesmo que ninguém veja, mesmo que ninguém entenda, esse mundo que eu carrego aqui dentro, ainda é o lugar mais honesto que eu conheço. E de alguma forma triste e bonita, isso basta.

e aí

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