Episódios de Hora do Sabbat

EP 21 - RECONHECIMENTO

21 de agosto de 20261h3min
0:00 / 1:03:58

Reconhecer também é dar nome às coisas.

Nesta edição da Hora do Sabbat, a gente acompanha a luta da família de Julieta Hernández para que seu assassinato seja reconhecido como feminicídio, celebra a nova vitória judicial de Helena Lahis e fala sobre a recente ampliação do alcance das medidas protetivas da Lei Maria da Penha.

Em Santos, o Banco Vermelho pelo Feminicídio Zero ocupa mais um espaço da cidade e transforma memória em ação.

Vitória Pacheco recebe a multiartista Mariza Parizotto no Elas no Espectro para uma conversa sobre diagnóstico tardio de autismo, altas habilidades e dupla excepcionalidade — e sobre o que acontece quando uma descoberta permite reler a própria história.

No Versos em Voz, Seles Gonçalves mergulha na escrita e no processo criativo de Clarice Lispector.

Tem ainda as entrevistas recentes do blog, eleições 2026 e uma pergunta que vai acompanhar a Hora do Sabbat até outubro: Que mulheres queremos nos espaços onde serão tomadas as decisões sobre o Brasil?

Tudo isso atravessado por uma seleta musical feita por mulheres.

Escute o EP 21 da Hora do Sabbat.

Escute Mulheres. Leia Mulheres. Contrate Mulheres. Vote Mulheres.

Participantes neste episódio5
S

Sara Mascarenhas

HostApresentadora
S

Seles Gonçalves

HostApresentadora
V

Vitória Pacheco

HostPsicóloga
M

Mariza Parizotto

ConvidadoMultiartista
P

Poeta de Vênus

ConvidadoPoeta
Assuntos7
  • Vitória Judicial Helena Laís· SociedadeInternação forçada·Clínica Cliffs·Fernando Henrique
  • Banco Vermelho pelo Feminicídio Zero· SociedadeFeminicídio·Lei Maria da Penha·Agosto Lilás·Santos
  • Ampliação Medidas Protetivas Lei Maria da Penha· SociedadeViolência de gênero·Supremo Tribunal Federal·Julieta Hernández
  • Autismo e Altas Habilidades· SociedadeDiagnóstico tardio·Dupla excepcionalidade·Luciano Pires·TEA
  • Eleicoes e Representatividade Feminina· PoliticaViolência política de gênero·Candidaturas femininas·Tribunal Superior Eleitoral
  • Processo Criativo de Clarice Lispector· CulturaFluxo de consciência·Clarice Lispector·Poeta de Vênus
  • Música de Amanda Magalhães· CulturaCanção para Te Amar no Fim do Mundo·Amores Vêm e Vão·Saiba
Transcrição85 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

A roda gira, a ciranda se forma. É tempo de escuta, de fala, de conexão. Vozes femininas que reverberam resistência e criação. Espaço de expressão, visibilidade e conexão das mulheres arteiras e fazedoras. A única revista radiofônica colaborativa feminista do Brasil. O som é ancestral. O eco é nosso. Começa agora a Hora do Sabá.

SMSara Mascarenhas

Olá, olá, ouvintes da Hora do Sabá. Eu, Sara Mascarenhas, peço licença mais uma semana para entrar na casa de vocês. E a gente começa aqui mais uma edição dessa revista feminista colaborativa que coloca mulheres no centro da conversa, da música e principalmente da escuta. Hoje a gente tem Versos em Voz com Célis Gonçalves mergulhando na obra e no processo criativo de Clarice Espectro. Vitória Pacheco com Elas no Espectro conversando com a multiartista Marisa Parisotto, que recebeu em 2024 diagnóstico tardio de autismo e altas habilidades, e conta como compreender a dupla excepcionalidade permitiu ressignificar toda a própria história.

Eu também vou atualizar dois casos que a gente acompanha por aqui: Julieta Hernandes e Helena Laís. E olha, olha, olha, tem eleição em outubro, mas quem acompanha A Hora do Sabá já sabe, a gente gosta de olhar um pouquinho adiante. E eu já tô olhando pras mulheres que estarão disponíveis pra receber o nosso voto faz tempo. E falando de Santos, amanhã, dia 22 de agosto, a cidade ganha mais um banco vermelho pelo Feminicídio Zero.

E desta vez, no Parklet, em frente à Livraria Realejo Livros, no bairro do Gonzaga. A programação começa às 3 horas da tarde, a inauguração oficial acontece às 5. Numa ação realizada pelo coletivo feminista, classista e antirracista Maria Vai com as Outras, com a Livraria Realejo. A intervenção artística é de Michele Rocha e Adriana Carranca, além de Eliana Alves Cruz e Márcia Tiburi, que são madrinhas desta instalação. E eu fui atrás da história do Banco Vermelho pra contar pra vocês.

O movimento nasceu na Itália em 2016. No Brasil, começou em 2023 pelas obras das mãos pernambucanas de Andréia Rodrigues e Paula Limonge, que transformaram o luto por amigas vítimas de feminicídio em mobilização. Hoje já são mais de 200 bancos espalhados pelas 5 regiões do país. E desde 2024, o projeto Banco Vermelho integra, por lei federal, as ações do Agosto Lilás. A proposta é justamente instalar bancos em locais de grande circulação, acompanhado de mensagens de conscientização e informações sobre os canais de proteção às mulheres, como o Ligue 180.

Em Santos, já temos um Banco Vermelho na UNIFESP, outro foi inaugurado na Unidos da Zona Noroeste, e agora primeira vez da Livraria Realejo lá no espaço público do Gonzaga. Eu gosto muito da potência desse gesto, porque ele coloca a violência contra as mulheres onde essa conversa precisa estar: na rua, na cidade, no cotidiano e diante dos olhos de todo mundo. Feminicídio é sim uma questão social. A frase escolhida para o banco daqui resume bem o movimento: sentar e refletir, levantar e agir.

E é justamente no mês em que a Lei Maria da Penha completa 20 anos, uma decisão Um julgamento muito recente do Supremo ampliou o alcance das medidas protetivas previstas pela lei. E isso conversa diretamente com as histórias que eu vou trazer hoje. Daqui a pouco a gente chega lá. Mas agora a gente vai trazer Célis Gonçalves pra nossa ciranda com a coluna Versos em Voz, onde a Célis mergulha na obra e no processo criativo de Clarice Lispector.

Ela destaca o fluxo de consciência e recebe a poeta de Vênus para uma conversa sobre escrita e inspiração, além de lançar um desafio criativo pra quem escuta. Com vocês, Celis Gonçalves.

?Voz A

Começa agora Versos em Voz, uma coluna por Celis Gonçalves. Hora do Sabá, ano 8, temporada 11, a única revista feminista colaborativa pelas ondas do rádio.

SGSeles Gonçalves

Olá, ouvintes da Hora do Sábia. Eu sou Célis Gonçalves e esta é a coluna Versos em Voz. Aqui lemos poesia, falamos sobre processos criativos e damos protagonismo a mulheres escritoras. Abro o jogo, só não conto os fatos da minha vida. Sou secreta por natureza. Há verdades que nem a Deus eu contei e nem a mim mesma. Sou segredo fechado às sete chaves. Por favor, me poupem. Clarice Lispector é uma das escritoras e jornalistas mais importantes do Brasil.

De origem ucraniano-judaica, radicou-se no país aos 2 anos junto à família, que fugiu da perseguição dos judeus durante a Guerra Civil Russa. Formou-se em Direito e dedicou sua vida à literatura e ao jornalismo. Escrevia romances, contos, crônicas e literatura infantil. Seu processo criativo desconstrói a linguagem, desafia convenções, explora e reinventa a palavra. Ela tinha o dom de analisar pensamentos, emoções humanas, revelando assim as mais densas camadas da complexidade da mente.

Criava imagens inesperadas e explorava sentidos de maneira muito singular. Sempre atenta ao cotidiano, valorizava sutilezas e o uso do fluxo da consciência, que é uma técnica literária que simula o ritmo natural do pensamento humano. A autora adotava o método de anotações imediatas, registrando frases, sensações e ideias em pedaços de papel ou cadernos, a qualquer hora do dia ou da noite. Ela via a escrita como um contato direto com a tecitura de viver.

Guardava fragmentos e pensamentos que depois serviam como matéria-prima para construir suas obras, misturando ficção com suas experiências mais íntimas. Ao revisar seus textos, Clarice cortava excessos, removia adjetivos brilhantes e palavras consideradas modismas, buscando uma linguagem mais direta e essencial. Clarice é simplesmente genial. Tem muita gente que se inspira em Clarice Lispector. Por isso, hoje eu converso com a poeta de Vênus, mineira, formada em Gestão Tecnológica e Recursos Humanos, com pós em marketing digital.

Atualmente é professora de línguas portuguesa e inglesa, está finalizando uma licenciatura em letras com habilitação nos dois idiomas. Ela tem uma página no Instagram onde publica seus textos. É uma pessoa questionadora, voltada para a área de pesquisas sociais e que duvida de muitas coisas que estão impostas como ordem. Oi, Poeta de Vênus, seja bem-vinda!

?Voz D

Bem-vinda.

PDPoeta de Vênus

Oi, Sol, obrigada.

SGSeles Gonçalves

Pra gente começar, me diz quais as escritoras que te inspiram.

PDPoeta de Vênus

Então, Clarice Lispector, quando ela fala que ela escreve porque tem raiva. Hilda Hirsch, quando ela diz que estão terrivelmente sozinhos os doidos, os tristes e os poetas. A Lígia Fagundes Telles, eu gosto mais dos contos, o meu favorito é Venha Ver o Cor do Sol. E também a Cecília Meirelles e a Dília Lopes, mas a Cecília Meirelles eu não tenho lido ela ultimamente, eu li muito quando eu era criança.

SGSeles Gonçalves

E para que você escreve?

PDPoeta de Vênus

Então, eu escrevo para colocar para fora sentimentos, escrevo quando eu tenho raiva, escrevo para fugir de mim mesma e também porque eu tenho um perfil muito de melancólica. Então, quando eu tô triste e quando eu sinto que preciso colocar para fora e não tem com quem conversar, aí eu escrevo. Mas também, para mim, a escrita é uma fonte de arte criativa. Então eu vejo uma forma de expor a minha criatividade por meio da escrita também.

SGSeles Gonçalves

Quando um texto seu está pronto para o mundo?

?Voz F

Depende.

PDPoeta de Vênus

Eu acho que um texto assim, ele nunca fica pronto para o mundo. Se for um texto acadêmico, ele nunca tá pronto. A gente sempre precisa fazer alterações. E quando é um texto que vem da arte criativa, daquilo que você sente na alma, que você tá colocando para fora, ele, se for avaliar em questão de sentimentos, o que que você tá passando ali, ele fica pronto assim que você escrever, e eu não me preocupo muito com questões gramaticais.

Eu só escrevo o que está passando no momento, porque depois também eu esqueço. Então assim, o que eu tenho vontade de colocar para fora, se eu tiver uma caneta e um papel na mão, acontece naquele momento, depois some. Então eu escrevo poemas assim de uma forma bem fluida, bem livre mesmo. Gosto de diversos livros.

SGSeles Gonçalves

Eu fiquei curiosa e quero saber como foi a escolha do seu pseudônimo.

PDPoeta de Vênus

Então, Poeta de Vênus, eu acho que é porque eu me sentia não compreendida. Aí, por me sentir não compreendida, eu precisei colocar algo que fosse fora do nosso sistema, tipo alguma coisa intergaláctica. Aí eu optei por Marte. Mas aí eu vi que alguém tinha, já tinha um Poeta de Marte. Aí depois eu falei, ah, vou colocar Poeta de Vênus, porque Vênus significa amor em alguns contextos. E eu comecei a escrever porque eu acreditava bastante no amor, e atualmente eu até me arrependo de algumas coisas que eu escrevi. Mas enfim, já está posta a 1, então é o que temos, é o que há.

?Voz G

Muito legal!

SGSeles Gonçalves

Onde a gente te encontra?

PDPoeta de Vênus

No @poetadevenus, eu escrevo no Instagram. Atualmente eu não tenho me dedicado muito à página porque eu estou me dedicando mais ao meu projeto de apresentação final, né, do curso. Mas eu pretendo voltar a escrever no próximo ano, em dezembro. Eu estou marcando tudo para dezembro.

SGSeles Gonçalves

Isso mesmo, vamos trabalhar com metas. Foi muito bom o nosso papo, eu quero te agradecer. Muito obrigada pela sua presença e a gente se encontra por aí.

PDPoeta de Vênus

Obrigada, Célice. Aliás, Sol, né?

SGSeles Gonçalves

Na última coluna lancei o desafio: escreva sobre uma vivência. O texto escolhido foi da Paula Nunes. Já fui embora sem sair do lugar, deixei versões minhas em portas que se fecharam e recolhi coragem das frestas. Hoje caminho devagar, mas caminho. Próximo desafio para você, escritora da Hora do Sabá, ou você ouvinte, é: escreva um verso utilizando fluxo de consciência, envie no direct da página @usolmefalou. Eu vou escolher uma para ler no próximo episódio.

Não deixe de enviar seu texto, corre lá, @usolmefalou. Acabamos por hoje e até o nosso próximo encontro. Eu te vejo no @usolmefalou. Obrigada por estar aqui. Eu sou Celis Gonçalves e esta foi a coluna Versos em Voz. A poeta que habita em mim saúda a poeta que habita em você. Em você.

?Voz D

Ficar com outras pessoas, mas eu só me encaixo em você. Tanto fica longe, mas bate saudade e não dou pra esquecer.

?Voz H

Achei que não fosse ficar tão ruim, tão ruim pra mim. E se o tempo passa, eu sinto mais vontade de estar com você.

?Voz F

Amar você é tão fácil, saiba.

SMSara Mascarenhas

Amar você é tão fácil.

?Voz F

Saiba, amar você é tão fácil. Saiba, amar você é tão fácil.

?Voz D

Saiba, saiba. Insider, Insider, amar você é tão fácil. Insider, amar você é tão Eu vou sair com a minha panda por aí pra ver o sol, me misturar com gente que eu nunca vi, ver a ciência e sua nova invenção. Ver eu voar, parar no mar sem tirar onda, me engolir, bolar mil planos pra subir num avião, sem dar notícia, sem querer direção. E quando você chegar, te pegar pela mão, não me faça promessas, amores vêm e vão. Opus, Dio, pra tocar, escancar o portão.

Não me beije de perto, amores meimão. Amores meimão. Amores meimão. Eu vou sair pegar o rabo Tudo cometa pela mão e vasculhar no mundo tudo que não vi e me encantar por uma nova ilusão. Quero voar pela cidade com vontade de subir no céu de estrelas como um grande guardião, pular de pé sem querer ter razão. E quando você chegar, te pegar pela mão, não me faça promessas, amores vêm e vão. Óculos deu pra tocar, escancar o portão, não me beije de perto, amores vêm e vão.

E quando você chegar, te pegar pela mão, não me faça promessas, amor, e joiozão. Cruzil pra tocar, esquentar o portão. Dá-me beijo de perto, amores meus. No fim do mundo, sem rumo, sem plano B. No meio da falha elétrica, no olho do fuso E. Se o futuro for um grito na boca do mundaréu, te amarei como quem dança Pensa no desmoronar do céu.

?Voz H

E quando o globo se fundir diante de tudo que vê, engolirá tua boca com minha pressa de te querer. Hoje sei que tenho tudo que dinheiro não faz ter. Vou te amar na beira do mundo e dar um salto com você. E dar um salto com você. E dar um salto com você. Vou te amar na beira do mundo e dar um salto com você. E dar um salto com você, e dar um salto com você. Vou te amar na beira do mundo e dar um salto com você. Eu vou te amar no fim do mundo, sem rumo, sem plano B, no meio da falha elétrica, no olho do fuzoeiro.

Se o futuro for um grito na boca do mundaréu, te amarei como quem dança no desmoronar do céu. E quando o corpo se fundir diante de tudo que vê, engolir a tua boca com minha pressa de tigre. Hoje sei que tenho tudo que dinheiro não faz ter. Vou te amar na beira do mundo e dar um salto com você, e dar um salto com você, e dar um salto com você. Vou te amar na beira do mundo e dar um salto com você, e dar um salto com você, e dar um salto com você. Vou te amar Na beira do mundo e dar um salto com você.

?Voz I

Em meio ao caos eu quero saber como você tá, em meio ao corre e persistir quer saber como eu tô. Me fortaleço com a importância que a gente se dá, ficando Rica do que nenhum a grana comprou. Facilita nossa vida quando não tem dor. Pra saciar minha alma, me alimento dela. Visto o tecido máfia que faz lembrar ela. Ritmo e poesia pra falar de amor. Liberdade pra sentir e ser sem ter pudor. Me embriago dos teus fundos sem moderação.

Da geração que não chama oficial de senhor. Eu ando de cabeça erguida e você me dá a mão. Não tem greve se o acordo é pra gente se ter. E se a treta vir em nossa direção, ok. Te amo na Beira do Mundo e salto com você.

?Voz H

E dar um salto com você, e dar um salto com você. Vou te amar na beira do mundo e dar um salto com você. E dar um salto com você, e dar um salto com você. Vou te amar na beira do mundo e dar um salto com você.

SMSara Mascarenhas

Gente, que bloco! Eu sou fã da Amanda Magalhães. Essa semana eu fiz uma entrevista com ela e eu decidi, logo que eu tava montando o programa para gravar aqui para vocês hoje, fazer um bloco dedicado à Amanda Magalhães. É, acho que é inédito eu fazer isso no programa. Tô até pensando em tocar o disco dela todo aqui, o novo disco Era Uma Vez, mas resolvi tocar um bloco com algumas peças que fazem sentido para mim. A gente ouviu aí Amanda Magalhães, uma participação do Chico César e Bione, que eu adoro, lá de Pernambuco, com Canção para Te Amar no Fim do Mundo.

Antes ouvimos Amores Vêm e Vão, que eu adoro, e Saiba, que eu amo também, que é um feat com Seu Jorge. Adoro ela com Seu Ela tem feat com Black Hill, ela tem feat com muita gente legal, Rubia Divino, tem Lineker em Talismã. Escutem Amanda Magalhães, sigam Amanda Magalhães que ela faz uns memix também memoráveis, inesquecíveis. E vamos seguir o programa aí. Bom, voltando para as notícias dessa semana, na quarta-feira, dia 19 de agosto, agora anteontem, o Supremo Tribunal Federal decidiu por unanimidade ampliar o alcance das medidas protetivas da Lei Maria da Penha.

A partir dessa interpretação interpretação, essas medidas podem ser aplicadas diante de qualquer violência contra a mulher baseada em gênero, mesmo quando não existe relação doméstica, familiar ou afetiva entre aquela mulher e o agressor. Então, a proteção acompanha a violência de gênero para além da casa. E isso me leva ao caso de Julieta Hernández, a Jujuba. Julieta era artista, palhaça, cicloviajante venezuelana, e foi assassinada em dezembro de 2023 no Amazonas.

Duas pessoas foram condenadas pelo crime no ano passado, com penas superiores a 41 e 37 anos. A condenação, porém, foi por latrocínio e ocultação de cadáver. A família de Julieta e amigos seguem lutando para que sua morte seja reconhecida como feminicídio, posição que já recebeu também manifestação favorável do Ministério das Mulheres. Essa nova decisão do Supremo não altera automaticamente a sentença de Julieta, mas reforça uma compreensão fundamental: a violência de gênero existe também fora das relações domésticas e afetivas.

E a maneira como o Estado nomeia essa violência também constrói memória, memória daquelas mulheres, de Julieta e de tantas outras. E assim a gente segue em luta.

?Voz J

A volta é o ponto do entorno que a Terra torce em torno do Sol. A volta é o ponto do entorno que a Terra torce em torno do Sol. O ponto é o tempo, o tempo é a volta, a volta em torno do que qualquer alguém nota.

?Voz F

Todo santo dia tem um voltar, toda Semana Santa, amém.

?Voz J

Todo dia morre uma puta, toda noite nasce também.

?Voz F

Toda verdade, todo engano.

?Voz J

Todo carnaval e todo São João, todo atalho, toda estrada, todo sim e todo não. A volta é o ponto do entorno que a Terra torce em torno do Sol. A volta é o ponto do entorno que a Terra torce em torno do Sol. O ponto é o tempo, o tempo é a volta, a volta. Volta em torno do que qualquer alguém nota. Dá voltas em torno da vida, e quando acontece a saída, a gente às vezes nem se toca. Quando a canção terminou Às vezes a gente nem nota quando a volta passou.

?Voz K

Quantas vezes eu tentei te ligar pra te dizer como foi o meu dia. Faço um monólogo cada vez que atendes, mas tu não ouvis e finge presente. O que fazer para ter você, para ter a tua atenção? Será que eu posso te ter de corpo e alma na paixão? Amor, que eu te quero todo mundo ver. Eu tô tentando chamar tua atenção. Me aceitou, me manda ir embora, que já deu a minha hora. Amor, que eu te quero todo mundo vê. Eu tô tentando chamar tua atenção, eu tenho a chama e o sangue é quente.

Vai que outro me toque, o corpo sente. Quantas vezes eu tentei te ligar pra te dizer como foi o meu dia. Faço um monólogo cada vez que atendes, mas tu não ouvis e finges presente. O que fazer pra ter você, pra ter a tua atenção? Será que eu posso te ter de corpo e alma na paixão? Amor, que eu te quero todo mundo vê, eu tô tentando chamar tua atenção. Me aceitou, me manda ir embora que já deu a minha hora. Amor, que eu te quero, todo mundo vê, eu tô tentando chamar tua atenção.

Eu tenho a chama e o sangue é quente, vai que outro me toque o corpo sem Cabeça virando pro meu caminhar, se entrar na minha mira.

?Voz H

Acabou com a tua graça, vinho na taça, é dia de caça, pronta pra atacar.

SMSara Mascarenhas

Cuidado comigo, essa beira rasga.

?Voz H

Latina demais pra ser básica, carinha de eu sou bem grossa.

SMSara Mascarenhas

Dá-me, dá-me gasolina, as bonecas são fogosas. Alta tensão, fúria e desejo na sua versão, acendo o seu medo. Peligrosa, perigosa, perigosa, perigosa.

?Voz H

Quando eu faço assim, calha, te lhe ama, tu queen. Minha história nunca terá fim.

?Voz F

No conto que conta uma noite, la peligrosa é fêmea queen.

?Voz H

No conto que conta uma noite, la peligrosa é fêmea queen.

SMSara Mascarenhas

Peligrosa, tá vendo? Peligrosa, tá vendo?

?Voz L

Peligrosa, fala que sou puta louca, a moça que manda com graça.

SMSara Mascarenhas

Não vai se convidar aqui hoje de noite, não vai se enganar. E esse bloco revolucionário, adorei! A gente acabou de ouvir Left Strava da Fronteira, perigrosa. Ouvimos também Já Deu Minha Hora com High Doll e abrimos com a diva, rainha, master, a Sucena, com Ad Aeternum. Agora eu tenho que falar para vocês sobre duas coisas. Tem uma vitória importante que marca aí a história do feminismo e a luta pelas mulheres por uma vida digna e de liberdade, que é a história da Helena Laís, que conseguiu que a Clínica Cliffs fosse condenada em segunda instância pela sua internação forçada.

E o diretor técnico da instituição também foi condenado, e a decisão foi unânime em primeira e segunda instância. A justiça manteve também a indenização para Helena Laís por danos morais e por danos materiais, apesar de ainda acaber recursos. O ex-marido da Helena, Paulo Henrique de Lima, que é presidente da Universal Music, não é réu nessa ação cível. Ele é réu em outra, ele responde a um processo criminal separado por acusações relacionadas à privação de liberdade de Helena, a invasão de dispositivo informático, e esse processo corre sob sigilo.

Mas fica aqui meu apelo a todas as mulheres que têm contrato com a Universal Music de rever o posicionamento de suas carreiras estando aliadas a um abusador abusador, agressor, criminoso. Eu sei que eu corro muito risco ao falar isso publicamente, mas é preciso se posicionar nessas horas. Mas uma coisa realmente me chamou atenção nessa nova decisão: o julgamento aplicou uma perspectiva de gênero para analisar aquela internação e o contexto em que uma mulher teve a sua autonomia retirada.

Helena vem há anos contando o que aconteceu, e agora existe uma decisão judicial confirmada em duas instâncias reconhecendo que aquela internação não cumpriu as exigências legais para uma medida tão extrema. E eu volto à decisão do Supremo dessa semana: a proteção precisa acompanhar a mulher dentro de casa, fora dela, nas relações afetivas e de trabalho, na rua, e principalmente na política. Esse ano é ano eleitoral e eu já vou chegar nesse assunto também, mas agora eu vou chamar a Vitória Pacheco com Ela no Espectro, trazendo a convidada Marisa Parisotto, multiartista que recebeu há 2 anos o diagnóstico tardio de autismo e altas habilidades.

Marisa vem contar para gente como descobriu a dupla excepcionalidade e ofereceu uma nova chave para compreender experiências, comportamentos, relações e memórias de uma vida inteira. Com vocês então Marisa Parisotto, a convidada da Vitória Pacheco no Elas no Espectro.

?Voz A

Começa agora Elas no Espectro, uma coluna por Vitória Pacheco.

?Voz M

Olá, olá, queridos ouvintes! Peço licença para entrar na sintonia de vocês com mais um episódio da coluna Elas no Espectro aqui na Hora do Sabá. Eu sou Vitória Pacheco e hoje abrimos outro episódio com uma história de arte arte, sensibilidade e autodescoberta. Nossa convidada é a artista Marisa Parisotto, cantora, atriz, dançarina, produtora e empreendedora também. Eu tive o prazer de conhecer a Marisa através da minha irmã, para quem a Marisa já prestou serviços de cuidados como cat sitter lá em São Paulo.

Ao saber que ela acompanhava a nossa coluna e que recebeu recentemente, né, alguns anos, os seus diagnósticos aí de TEA e altas habilidades, superdotação, eu fiz questão de convidá-la para compartilhar da sua jornada conosco. Lembrando que altas habilidades e superdotação não é um transtorno, né? É uma variação neurobiológica aí do desenvolvimento humano. No relato a seguir, a Marisa nos conta sobre o impacto do seu diagnóstico tardio em 2024, que foi um divisor de águas que veio após aí um momento, momentos difíceis de crise.

Ela nos mostra como a arte, as máscaras sociais, o masking, a protegeram de certa forma por anos, e como entender sua neurodivergência se tornou uma verdadeira libertação. Preparem os ouvidos para essa escuta, vamos lá.

MPMariza Parizotto

Eu sou a Marisa Parisotto, eu Eu tenho 41 anos, eu sou cantora e artista performática, também tenho uma empresa de cat sitters e comportamento felino. Bom, o diagnóstico para mim foi, eu recebi ele em 2024 depois de ter uma crise muito profunda mesmo onde eu me machuquei, enfim, pensei até em desviver e tal. E aí a minha médica de família me aconselhou depois de de ter me dado todo apoio. Eu já tinha começado a fazer a psicoterapia, mas ela me aconselhou a fazer, me encaminhou para fazer avaliação neuropsicológica.

Daí eu desconfiava que era borderline por conta dessas crises, né, que tem alguma coisa parecida, mas é diferente. E eu fui também fazer avaliação porque eu não tava conseguindo focar nas coisas, tava tendo esquecimento, e eu comecei a desconfiar de TDAH. E eu sempre que eu entro num assunto, eu entro muito profundo e vou pesquisar e vou investigar, sou muito investigativa, né.

?Voz G

Aí na avaliação neuropsicológica psicológica.

MPMariza Parizotto

Então deu que eu era autista, autista nível de suporte, e indicou para bipolaridade também por conta das mudanças de humor. Não foi uma surpresa tão grande, mas é claro que foi um choque quando eu recebi ali a avaliação. Levei para minha psiquiatra, e então depois de algumas sessões ela confirmou. E aí veio também o diagnóstico de altas habilidades, que eu assim, a princípio eu não imaginava, né? Isso realmente para mim foi uma surpresa, porque eu sempre me achei abaixo da média, sempre com aquela sensação de estar fora do padrão, de tá, de não conseguir estar nos grupos, se sentir uma estranha mesmo, um ET.

A minha infância assim foi muito caótica porque eu venho de uma família totalmente disfuncional, então eu não tinha apoio nenhum. A infância, adolescência foi extremamente difíceis, né? Eu não tinha amigos, enfim. E a partir de todo esse histórico a gente chegou na conclusão, né? Então eu recebi meu diagnóstico formal ali pela psiquiatra. A relação com a arte para para mim era, sempre fui muito desafiadora, porque eu sofria demais quando eu ia entrar para cantar.

Assim, todo mundo tem aquele frio no estômago, frio na barriga que dá, né? Mas a minha questão era muito tempo antes e muito tempo depois. Então ensaiando muito as coisas dentro da minha cabeça, e eu tinha pavor mesmo, era pavor. Só que eu gostava tanto de fazer aquilo que eu me jogava, ia com pavor mesmo. Em determinado momento eu comecei a cantar, eu vim da dança, né? Quando eu comecei a cantar ali em meados de 2006, 16 eram personagens, né?

Então eu usava peruca, a peruca me protegia. Então não era eu, era uma personagem. Mas eu não gostava muito de ter que saber que eu ia ter que falar com alguém lá antes ou depois. Eu tinha pavor de falar com as pessoas assim, já com meus 21 anos. Então assim, mesmo com esses desafios, ainda assim continuei. Depois do diagnóstico, eu ouvia muito as pessoas dizerem, ah, as mulheres, né, que eu acompanhava em vídeos e tal. Porque quando eu comecei a desconfiar, eu comecei a ver vídeo de tudo quanto coisa de autismo e de altas habilidades depois que eu recebi o diagnóstico.

Tudo assim casa perfeitamente. Até hoje assim tem coisas que eu tô descobrindo ainda, né, que é recente. Diagnóstico em 2024, então tem menos de 2 anos. Mas eu achava um exagero as pessoas falarem que era uma libertação. Tem aquela história, ai, mas é um rótulo. Cara, é muito, muito diferente de que um rótulo não é um rótulo. Olha, literalmente o diagnóstico salvou a minha vida, Porque a partir disso eu pude entender as minhas dificuldades, os meus desafios, mas também as minhas potencialidades.

Porque eu era, até então, uma pessoa tímida. Depois eu descobri que não era timidez. Eu não sou uma pessoa tímida. Era dificuldade social, né, de socializar. E com a terapia, com a terapia certa, com os remédios, agora eu consigo focar nos meus projetos. Então eu tô me relançando, descobrindo a minha identidade artística, tentando entender. Porque eu também entrei numa crise de que... Eu não existia sem aquela identidade artística.

Quando eu parei um tempo de cantar, eu dei um, né, fiquei um tempo ali só me dedicando à empresa dos gatos, eu tive muitas crises assim de, tá, e isso sou eu? Então eu sempre fui assim de tentar entender quem eu sou, de tentar me investigar. Então assim, realmente depois do diagnóstico e estudando sobre, porque assim, eu não paro, a gente nunca para de estudar e entender sobre, acho que todo mundo tem que aprender a entender sobre a neurodivergência, consciência, porque vários lugares a gente vê, ai, agora tá comum, virou moda ser autista.

Mas, cara, é que agora se tem esse conhecimento. O autismo em mulheres, ele é muito diferente, ainda mais tardio, porque a gente fica uma vida mascarando, né? A gente passa uma vida ali tentando se adequar, e não é uma coisa assim consciente, é tipo, ah, é assim que é viver, então eu vou fazer assim. O meu processo de autoconhecimento, ele deu assim um salto anos-luz, depois do que eu recebi o diagnóstico. Então é claro que eu vivi momentos de crise, vivi momentos difíceis, eu ainda tenho momentos muito difíceis, mas eu entendo os meus limites.

Eu sei que eu não preciso ser forte, que eu achava que era ser forte era aguentar, né? Eu não preciso. Então o que eu falaria assim para as pessoas que estão ouvindo, para as mulheres que estão, que desconfiam ou que de alguma forma não conseguem se encaixar assim bem nos círculos sociais ou tem dificuldades, tenta fazer uma avaliação neuropsicológica para você se entender melhor. Eu sei que é caro. Hoje em dia tem algumas opções mais acessíveis, tem gente trabalhando para isso.

Acho que deveria ser colocado de uma forma gratuita, né, para toda a população, mas a gente ainda não tem. Mas tenta fazer, porque a partir dessa avaliação você vai conseguir entender como que você usa as suas ferramentas internas, o que você já tem como potência, e como você, aquilo que você tem de desafio desafio e de dificuldade você consegue superar. E entender também que você não precisa ser perfeito em tudo. A gente tem limite, a gente precisa respeitar os nossos limites, as nossas características.

Temos, temos um cérebro um pouco diferente da grande maioria, mas não por isso a gente vai deixar de viver e deixar de fazer. Muito pelo contrário. E outra coisa, meditar, tentar meditar e respirar. É isso.

?Voz M

Que depoimento forte e necessário da Marisa. Ouvir sobre como diagnóstico tardio permitiu que ela ressignificasse suas dificuldades sociais, suas e sua própria caminhada artística nos lembra que o autoconhecimento, ele não é sobre descobrir o nosso rótulo, né, mas ele é um ato de libertação e é um processo contínuo. Como ela bem lembrou, o autismo em mulheres muitas vezes é mascarado ao longo de toda a vida, e ter acesso a esse diagnóstico é fundamental para aprender a respeitar os próprios limites e acolher as nossas potencialidades.

Marisa, muitíssimo obrigada por compartilhar uma história tão íntima e inspiradora. Sua voz é essencial para que outras mulheres também se sintam E aí, você que nos ouviu hoje, como essa história ressoou por aí? Elas no Espectro é um espaço de acolhimento e afeto, e a sua escuta faz parte disso. Sigam A Hora do Sabá nas redes sociais, no Spotify, e acompanhem o meu perfil profissional no Instagram, @psi.vitoriapacheco. E compartilhe esse episódio com quem precisa saber que não está sozinha. Nos encontramos no próximo episódio. Um abraço e até lá!

?Voz A

Floripa, ano 8, temporada 11. A única revista feminista colaborativa pelas ondas do rádio.

?Voz L

Sai do meu pensamento. Desfaz esse feitiço, por favor. Não acho graça você aí me confundindo, me chamando pro perigo, achando que me tem na sua mão. Admito, eu gosto desse jogo e gosto Me tanto que eu me envolvo, jurando que não vai me machucar. Aceitar nosso amor não vale a pena mais, mas de fato eu aceito essa de eu me apaixonar. Eu vou guardar você a um palmo de distância do meu querer, perto o suficiente Suficiente pra me atazanar, longe o bastante pra me proteger.

Eu vou guardar. Você é um palmo de distância do meu querer, perto o suficiente pra me atazanar, longe o bastante pra me proteger. Pra me atazanar, pra me proteger. Sai! Do meu pensamento. Desfaz esse feitiço, por favor. Não acho graça você aí me confundindo, me chamando pro perigo, achando que me tem na sua mão. Admito, eu gosto Gosto desse jogo e gosto tanto que eu me enfofo jurando que não vai me machucar. Aceitar nosso amor não vale a pena, mas de fato é uma sentença de eu me apaixonar.

Eu vou guardar você um pouco de distância do do meu querer, perto o suficiente para me atazanar e longe o bastante para me proteger. Eu vou guardar você a um palmo de distância do meu querer, perto o suficiente para me atazanar e longe o bastante para me proteger, para me proteger. Para me proteger, para me proteger, para me proteger, para me proteger, para me proteger, para me proteger, para me proteger.

?Voz O

Você quer do mal, mal. Mar é pra você que é do mar, mar é do mar. Mar é pra você que é do mar, mar é. Quase na batida, vou seguindo o coração. Ainda sou bem forte, vou te dar a direção. Vai andando norte e sul, a pé na contramão. Pega o rumo e a sorte vai buscar quem é do mar. E canta e vai buscar quem é do mar. Bravo, você quer do mar, mar é bravo, você quer do mar, mar é do mar, mar é bravo, você quer do mar, mar é Mais um dia salvo para tentar a solução.

Não sou indestrutível nem a dona da razão, só mais um segundo na esperança de viver seguindo a saudade. Do calor, do sol, do mar. Pra você que é do mar, mar é pra você que é do mar. Mar é do mar, mar é pra você que é do mar.

?Voz D

Original, Flash.

?Voz F

Não deixe que digam, que pensem, que falem por você. Não deixe a liberdade morrer.

SMSara Mascarenhas

Não deixa a liberdade morrer.

?Voz F

Não deixe que a malha do outro e a falta dos sonhos te façam enlouquecer.

?Voz D

Não deixa a liberdade morrer. Não deixa a liberdade morrer.

SMSara Mascarenhas

Tenho asas dentro, a praça e o concentro me deixa sentir. Defesas em montão, estamos Me deu um gole de coragem pra seguir. Algumas não vidas pra quem soube dizer não.

?Voz F

Na casa da desordem mora a revolução.

?Voz K

Dar passos para trás não me parece uma opção.

?Voz F

Sou empecilho pro seu plano de dominação.

?Voz H

Só se tiver chegado o povo, eu tava dando um order pra eu seguir.

SMSara Mascarenhas

Larados como eu já sou, tu põe a mão pro alto. Não te querem vivo, só Salvar sua prima, não deixa cair, não deixa cair.

?Voz F

Ali onde não morre a liberdade, ali no coração nasce toda manhã, toda noite, toda tarde, um sentimento de amor não deixa liberar.

?Voz D

Não deixe que digam, que pensem, que falem por você.

?Voz F

Não deixe a liberdade morrer, não deixe a liberdade morrer. Não deixe que a malha do outro e a volta de sonhos te façam enlouquecer. Não deixe a liberdade morrer.

?Voz D

Liberdade morrer, não deixa, não deixa a liberdade morrer. Não diga que não, na casa da desordem mora a revolução. Não, não diga que não, na casa Na casa da desordem mora a revolução, não diga que não. Na casa da desordem mora a revolução, não diga que não.

SMSara Mascarenhas

Tá na casa da desordem mora a revolução.

?Voz D

Revolução, revolução.

SMSara Mascarenhas

Salve, salve! Voltamos agora com esse programa incrível e esse bloco que tinha só mulheres começando com M. E eu vou falar, hein, o Chico César é o queridinho da mulherada para fazer feat. A gente acabou de escutar aí Marina Peralta, que que eu adoro, um feat com Chico César com a música Não Deixa a Liberdade Morrer. Nós ouvimos Magaliere, participações de Marcelo Males, Jefferson Caetano, Elias Jó, Derel Soares, Demerson Fernandes com a música Maré.

E um feat maravilhoso entre Marina Volker e Raquel Reis com a música Feitiço. Antecedendo, ouvimos aí o quadro Elas no Espectro, da Vitória Pacheco, com Marisa Parisotto trazendo um depoimento emocionante interessante e super informativo para gente. Obrigada, Marisa, pela sua participação. A Magaliere também passou pelo blog nas últimas semanas, e esse foi um dos parâmetros da minha seleta. Vou trazer para vocês cada vez mais as mulheres que eu entrevisto no blog, porque o blog é um espaço onde eu posso aprofundar mais a conversa com as mulheres.

E vocês perceberam que eu parei de trazer entrevistas aqui nesse final do primeiro semestre, segundo, começo do segundo semestre, mas eu pretendo trazer para vocês aí mais entrevistas até o final do ano. Bom, vamos a um tópico extremamente importante, porque quando a gente fala de não deixar a liberdade morrer, para mim, de cara, a gente tá no ano eleitoral, e falar de eleição é um ponto extremamente importante, já que a gente quer ter mais vida, ter vida com qualidade, né?

Então aí enfrentando os efeitos do El Niño, do super El Niño. Eu vivo aqui em Santos, a gente tá em alerta de vendavais mais uma vez. O estado de São Paulo, a cidade de Ribeirão Preto também em alerta, o Enfim, e o calor intenso no meio do inverno. Agosto, que é um mês que para os estados que ficam mais ao sul do país sentem frio, sentem a mudança de temperatura, diferente do Nordeste. E nesse ano de eleição, eu já tenho perguntado para todas as entrevistadas da Hora do Sabá como que elas esperam ver essas mudanças acontecerem, quais são as perspectivas delas em torno do ano eleitoral, da política em torno do ano eleitoral.

O prazo das candidaturas terminou no último dia 15 de de agosto. E a fotografia brasileira de candidaturas mostra uma coisa bastante diferente e importante. As mulheres representam 52,84% do eleitorado brasileiro, são mais de 83 milhões de eleitoras, mas as candidaturas de mulheres permanecem em torno de 35% do total. Somos a maioria entre quem escolhe e seguimos sendo cerca de um terço entre as quem podem ser escolhidas. E eu comecei a fazer essa pergunta que que eu quero carregar até outubro.

Quem são as mulheres disponíveis para receber o nosso voto? Comecei a olhar especialmente para as candidaturas de mulheres no campo progressista. E aqui existe um cuidado jornalístico. Tribunal Superior Eleitoral não classifica uma candidatura como progressista ou conservadora. Então a nossa leitura exige uma pesquisa mais desmiuçar mesmo os dados: partido, trajetória, alianças, propostas, atuação pública, financiamento. São critérios super importantes para olhar para os seus candidatos.

E quem são as candidatas no seu estado? O que que elas fizeram antes de pedir seu voto? O que elas defendem para as mulheres e para cultura, população negra, educação, clima, trabalho, direitos humanos e democracia? Quais são as propostas? Quem financia essas campanhas? Porque votar mulheres nunca significou abrir mão do político. Pelo contrário, votar em mulheres conhecendo— vote em mulheres conhecendo essas mulheres. Tem mais um ponto daquela decisão do Supremo sobre a Lei Maria da Penha que conversa diretamente com essa eleição, que é o seguinte: o STF deixou explícito que as medidas protetivas também podem alcançar os casos de violência política de gênero.

Isso importa porque aumentar a presença feminina na política também significa criar condições para que essas mulheres mulheres possam disputar e exercer o poder. Ameaças, perseguições e ataques dirigidos a uma mulher justamente por ela ocupar a vida pública também fazem parte dessa discussão. Então eu termino aqui deixando uma pergunta pra gente carregar daqui até outubro: que mulheres queremos sentadas nas mesas onde serão tomadas as decisões sobre o Brasil nos próximos 4 anos?

A Hora do Sabá vai acompanhar. E passa lá, horadosabá.com.br, leia as nossas entrevistas, as nossas escritoras e acompanhe tudo que tá acontecendo nessa ciranda, nesse ecossistema. E se você acredita, e se você acredita na importância de manter um veículo independente comprometido em pesquisar, publicar, tocar mulheres, fortalecer, A Hora do Sabá é esse veículo. Vai lá em apoia.se/horadosabá e participe da campanha Eu eu escuto, eu apoio.

Eu, Sara Mascarenhas, agradeço por vocês permitirem eu entrar na casa de vocês através das ondas do rádio web. Escute mulheres, leia mulheres, contrate mulheres, vote mulheres, porque a gente tem muita voz. Eu deixo vocês agora com uma última música, a música Respeito é Bom.

?Voz F

Abram alas pro meu samba, que o meu bloco vai passar. E o enredo é coragem na vida, e toda verdade é bem-vinda. E a fé no que virá, e a fé no que virá. Abram alas pro meu samba, que o meu bloco vai passar. E uma enreda coragem na vida e toda verdade é bem-vinda e a fé no que virá e a fé no que virá.

SMSara Mascarenhas

Toda maldade do mundo é blindada por causa da nossa união.

?Voz F

Sem preconceito pra ser perfeito, respeito é bom e a gente gosta.

SMSara Mascarenhas

Deixa brilhar o arco-íris Diz que a felicidade não é opção e só o amor é condição.

?Voz F

Respeito é bom e a gente gosta. Abram asas pro meu samba que o meu bloco vai passar. E o enredo é coragem na vida e toda a verdade é bem-vinda. E a fé no que virá, e a fé no que virá. Abram alas pro meu samba, que o meu bloco vai passar. E o enredo é coragem na vida, e toda verdade é bem-vinda. E a fé no que virá, e a fé no que virá.

?Voz G

Fé de que nossas vozes serão ouvidas e legitimadas numa sociedade que insiste em nos matar e atacar os nossos direitos. Fé na justiça, fé na união, fé na resistência e na resiliência. Respeite nossas histórias, respeite nossas trajetórias, nossos traços, nossa identidade e nosso gênero. Respeite a caminhada que traçamos até aqui na busca por justiça social, equidade, paz e liberdade. Viva a diversidade, vivas LGBTs!

?Voz K

Toda maldade do mundo é blindada por causa da nossa união.

SMSara Mascarenhas

Sem preconceito pra ser perfeito.

?Voz F

Respeito é muito bom, é bom, e a gente gosta. Deixa brilhar o arco-íris, que a felicidade não é opção e só o amor é condição.

?Voz D

Respeito!

?Voz F

Isso é bom e a gente gosta, a gente gosta. Abram alas pro meu samba, que o meu bloco vai passar, e o minuto agora vem na vida. Toda mesa será bem-vinda e a fé no que virá, e a fé no que virá. Abram alas pro meu samba. Que o meu bloco vai passar, que o meu bloco vai passar, que o guerreiro agora é dinamita e toda verdade é bem-vinda. E a fé no que virá, e a fé no que virá, e a fé no que virá, e a fé no que virá.

EP 21 - RECONHECIMENTO | Castnews Index — Castnews Index