EP 19 - ARMADILHAS
Quem sustenta a mulher que sustenta tudo?
Esta semana, a nova edição da Hora do Sabbat investiga algumas das armadilhas que mantêm mulheres cansadas, isoladas e desconfiadas umas das outras: a violência disfarçada de cuidado, a fabricação da rivalidade feminina e a glorificação daquela que “sempre dá conta”.
Às vésperas dos 20 anos da Lei Maria da Penha, explicamos por que agosto é lilás e refletimos sobre as violências físicas, psicológicas, sexuais, morais, patrimoniais e institucionais que ainda ameaçam a autonomia das mulheres. Também abordamos o caso da escritora Helena Lahis, cuja internação psiquiátrica contra a própria vontade expõe uma antiga estratégia patriarcal: transformar a lucidez de uma mulher em suspeita quando ela tenta recuperar a liberdade.
Em Contos Sagrados, Camila Genaro apresenta uma narrativa sobre a força da memória e aquilo que nenhuma violência consegue apagar. Em Diário de uma Bruxa, coluna escrita e produzida por Alessandra Xavier, a personagem Amanda atravessa as culpas, escolhas e incertezas da vida adulta.
Com músicas de La Muchacha, Ekena, Nina Oliveira, Flaíra Ferro, Kynnie, Pitty, Antonia Medeiros, Rita Lee e The Breeders.
Porque sororidade não é gostar de todas as mulheres.
É recusar a lógica que nos obriga a destruir outra mulher para provar o próprio valor.
E força jamais deveria ser sinônimo de abandono.
O ecossistema Hora do Sabbat é uma revista eletrônica feminista, no rádio e pelas letras publicadas no blog, uma produção de Sabbazeira Comunicação.
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Escute mulheres.
Confie em mulheres.
Conte com mulheres.
A roda gira, a ciranda se forma. É tempo de escuta, de fala, de conexão. Vozes femininas que reverberam resistência e criação. Espaço de expressão, visibilidade e conexão das mulheres arteiras e fazedoras. A única revista radiofônica colaborativa feminista do Brasil. O som é ancestral. O eco é nosso. Começa agora a Hora do Sabá.
Bem-vindos a mais uma Hora do Sabá. Eu, Sara Mascarenhas, peço licença para entrar na casa de vocês. Quero trazer de novo deidades, mulheridades, ideias, reflexões, provocações e discussões sobre o feminismo na prática. O tema do nosso programa hoje é armadilhas, e é muito importante falar disso hoje, inclusive porque eu tô gravando agora no dia 6 de agosto e Estamos às vésperas dos 20 anos da Lei Maria da Penha, que foi sancionada em agosto de 2006.
E é por causa dessa lei que o agosto se tornou lilás. O Agosto Lilás é uma campanha de conscientização e enfrentamento à violência contra mulheres. Foi criada em 2016, quando a Lei Maria da Penha completava os primeiros 10 anos. A campanha tornou-se nacional em 2022. Mas o lilás não pode ser apenas uma cor bonita iluminando prédios públicos. Postos lilás precisa significar informação, prevenção, acolhimento, orçamento, rede de proteção e responsabilização dos agressores.
A Lei Maria da Penha reconhece 5 formas de violências: física, psicológica, sexual, moral e patrimonial. Violência também é humilhar, ameaçar, perseguir, controlar o dinheiro, vigiar o celular, destruir documentos, impedir uma mulher de trabalhar, afastá-la das pessoas que ela ama, tentar convencê-la de que ela está louca. E talvez uma das grandes armadilhas da violência seja justamente esta: impedir que a mulher consiga chamar de violência aquilo que ela tá vivendo.
O controle pode chegar disfarçado de amor, o ciúme pode parecer cuidado, a vigilância pode ser chamada de preocupação e a proibição pode ser apresentada como proteção. A violência cresce dentro daquilo que foi normalizado. A Lei Maria da Penha Maria da Penha carrega o nome de uma mulher que precisou lutar durante quase 20 anos para que o Estado brasileiro reconhecesse as violências que ela sofreu. Maria da Penha Maia Fernandes sobreviveu a duas tentativas de feminicídio praticadas pelo então marido, e a impunidade foi tão prolongada que o Brasil acabou responsabilizado internacionalmente por negligência e omissão.
Essa lei não foi uma concessão gentil do Estado, foi uma conquista produzida pela resistência de uma mulher pela mobilização feminista e pela denúncia de uma estrutura que tratava a violência dentro de casa como um assunto particular. Não era e nunca foi. A violência contra as mulheres é violação dos direitos humanos. E celebrar 20 anos dessa lei não significa dizer que o problema tá resolvido. Significa reconhecer uma conquista histórica e perguntar por que tantas mulheres ainda precisam morrer pra serem creditadas.
Neste agosto lilás, também recebemos uma nova informação sobre o caso da escritora Helena Helena Laís, internada contra a vontade durante o processo de separação do então marido Paulo Henrique de Lima, atual presidente da Universal Music Brasil. Helena permaneceu 21 dias na clínica psiquiatra Espaço Cliff, incomunicável, e só conseguiu sair depois de uma ordem de habeas corpus. Segundo informações divulgadas por uma pessoa próxima a Helena, a condenação da clínica em uma das ações relacionadas ao caso foi mantida por unanimidade.
Na segunda instância. E como ainda não temos acesso ao inteiro teor do acordo, não vamos atribuir à decisão detalhes que não estão publicamente confirmados. Mas o caso expõe uma armadilha patriarcal muito antiga: transformar a lucidez da mulher em suspeita quando ela tenta romper uma relação e recuperar a própria autonomia. A pergunta nunca deveria ser apenas: por que ela não foi embora? A pergunta correta é: que armadilhas emocionais, materiais, familiares e institucionais foram construídas para impedir que essa mulher saísse?
O agosto lilás serve para iluminar essas armadilhas. E é também sobre memória que fala a história de Camila Genaro na coluna Contos Sagrados. Diante de uma pergunta simples: o que há de melhor nesta vida? Deusas e fadas oferecem suas respostas, até que uma pequena flor roxa revela que a força aquilo que nenhuma violência deveria conseguir apagar, porque a morte só existe onde não há histórias. Agora vocês vão escutar a história da Camila na coluna Contos Sagrados.
Começa agora Contos Sagrados, uma coluna por Camila Genaro. Olá, minha gente, eu sou a Camila Genaro e eu tô aqui mais um dia para contar histórias para vocês e para a gente pensar juntos acerca dessas histórias que eu conto. Aliás, hoje a história que eu trouxe é exatamente para a gente não, não esquecer de quem somos, da onde viemos, para a gente não sucumbir ao esquecimento, sabe? Eu acho que narrar histórias, rememorar, conversar sobre é uma forma de não sucumbir ao esquecimento.
E aí eu trouxe uma história que fala, que faz uma pergunta: o que há de melhor nessa vida? E ela começa mais ou menos assim: houve um tempo em que o mundo era habitado apenas por mulheres, e foi nessa época, bem no centro do mundo, que um dia o vento da preocupação chegou bem forte e pousou no ombro da deusa da sabedoria. E quando ele pousa, vocês sabem como é, fica ali pesando, nos deixa atordoadas em busca de um caminho, de uma solução, de uma resposta.
Pois com a deusa da sabedoria não foi diferente. Ela mergulhou em uma reflexão muito profunda e parecia não ter força para sair dali, tanto que convocou outras deusas, fadas e todos os seres para se juntarem a ela. Então ela chamou a deusa do amor e perguntou: Seja você nossa orientadora, nos diga o que há de melhor nessa vida. Ora, eu penso ser o próprio amor, respondeu. Ah, mas nessa mesma hora, a deusa da beleza, que trançava seus longos cabelos enrolados, pediu a palavra e foi logo dizendo: ah não, ah não, o melhor da vida é o charme, a graça.
E dessa maneira, muitas outras deusas e também as fadas pediram para dar cada uma a sua opinião sobre aquela pergunta que tanto afligia a deusa da sabedoria. Não se sabe quanto tempo passou, Mas a deusa da sabedoria ia ficando cada vez mais preocupada. Olhou para um lado, olhou para o outro e chamou a única deusa que ainda não tinha dito nada e a convidou para ajudar. Deusa da morte, nos diga você o que há de melhor nessa vida.
E ela, com suas vestes escuras e compridas, se aproximou vagarosamente e olhou da maneira sombria e bela para todos que estavam ali presentes. Depois de alguns instantes de silêncio, pediu que todas passassem por ela e ficassem bem à sua frente, uma a uma. A primeira foi a deusa do amor. Com passos acanhados, caminhava e deixava cair seu longo vestido vermelho milhares de rosas perfumadas que cobriam a terra. Logo depois, a própria deusa da sabedoria caminhou até ela e enquanto caminhava espalhava margaridas brancas e quase sem perfumes que caíam de suas longas saias.
Então veio a deusa da tristeza andando cabisbaixa e deixando cair flores de lis por toda a terra. Também parou em frente à deusa da morte e seguiu. A deusa dos sonhos também fez o seu caminho, um pouco mais esbelta, com uma túnica amarela, deixando um rastro imenso de cravos pela terra. E assim foi durante todo o dia e a noite, até o momento em que nada mais restava naquela terra com flores lindas, porém pisadas e esmagadas. Todas perceberam que uma florzinha roxa com um miolo dourado teimava em florescer.
Quem as deixou cair foi uma pequena deusa vestida com um vestido lilás e perfumado. E nesse momento, a deusa da morte, olhando novamente nos olhos de todas, virou-se para a deusa da sabedoria e disse: o que há de melhor nessa vida Eu não sei, mas sei o que há de mais forte. E essas flores foram semeadas pela deusa da memória. E dizem que foi naquele momento que a deusa da sabedoria passou a chamar aquelas flores de Perpétua. E é por isso que até hoje se diz que a morte só existe onde não há história.
E essa história teve um começo, um meio e chegou ao seu final. Muito obrigada pelos ouvidos atentos. Hora do Sabá, ano 8, temporada 11. A única revista feminista colaborativa pelas ondas do rádio.
Não estamos solas, não estamos solas. Usa a diagonal, baila, muchacha, em la consola. No, no, no me toques mal. No, no, no me toques, no me toques mal. No, no, no me toques mal. No, no, no me toques, no me toques mal. Quítame esa mirada de cerdo sediento tras mis espaldas, que cuando me canso del mundo no quiero saberte queriéndome comer, queriéndome comer, queriéndome comer, queriendo. Y no, no, no me toques mal, no, no, no me toques, no me toques mal.
No, no, no me toques mal. No, no, no me toques, no me toques mal. Tengo una cicatriz de hace siglos, tengo mil heridas en el ombligo y soy una bruja rebelde que ya no se traga el olvido. Quiero caminarme la selva entera sin miedo a la oscuridad, devorarme tus carreteras, juntar en mi grito el grito de mis Muertas para tumbarte la guerra. Y no, no, no me toques mal. No, no, no me toques, no me toques mal. No, no, no me toques mal.
No, no, no me toques, no me toques mal. Toro bom bom bom bom bom Perei Toro bebê Toro bom bom bebê Ta para para ta ta ta ta ta ra ta ra ta ra ra Y deja de pararte en mi tierra, deja de devorar mi confianza, deja de pararte en las aceras moviendo las manos pa levantar faltas. Y deja de pararte en mi tierra, deja de devorar mi confianza, deja de pararte en las aceras moviendo las manos pa levantar faltas. Y deja de pararte en mi tierra, deja de devorar mi confianza, deja de pararte en las aceras moviendo las manos pa levantar faltas.
Deja de demorar mi confianza, deja de pararte en las aceras moviendo las manos pa' levantar faldas. Porque quiero mis piernas libres, quiero mis tetas libres, quiero que no me quieras siempre para desvestirme. Quiero mi cara libre, quiero mi culo libre, quiero que no me quieras siempre para desvestirme. Quiero mi cuerpo libre, quiero mi útero libre, quiero que no me quieras siempre para desvestirme. Que hambre y sueño es lo que usted tiene hambre y sueño, lo que usted tiene hambre y sueño, lo que usted tiene.
No, no, no me toques mal. No, no, no me toques, no me toques mal. Não, não, não me toques mais. Não, não, não me toques. Não me toques mais.
Quem você tá pensando que é pra falar que eu sou louca, que a minha paciência anda pouca pra você?
Para de me mentir.
Quem você tá pensando que é pra falar da minha roupa, do jeito que eu corto o meu cabelo. Se olha no espelho, você não andava lindo esfolado do meu joelho esquerdo. Eu tenho pressa, eu quero ir pra rua, quero ganhar a luta que eu travei. Eu quero andar pelo mundo afora vestida de brilho e flor. Mulher, a culpa que tu carrega não é tua. Divide o fardo comigo dessa vez, que eu quero fazer poesia pelo corpo e afrontar as leis que o homem criou pra dizer.
Quem cê tá pensando o quê pra falar pra eu não usar batom vermelho? Quem cê tá pensando o quê pra maldizer até os amigos que eu tenho? Vai procurar tua turma e o que fazer? E de gente como você o mundo anda cheio.
Quem cê tá pensando que é?
Quem cê tá pensando que é? Eu tenho pressa, eu quero ir pra rua. Quero ganhar a luta que eu travei. Eu quero andar pelo mundo afora, vestida de brilho e flor. Mulher, a culpa que tu carrega não é tua. Divide o fardo comigo dessa vez. Eu quero fazer poesia pelo corpo e aprontar as leis que o homem criou pra dizer que se usa decote é puta e se a saia tá curta é puta. E se dá no primeiro encontro, é puta. Se raspa o cabelo, é sapa.
E se deixa crescer os pelos, é zoada. Se tem pau entre as pernas, é trava. Mas se bota salto alto, é santa. E se usa 44, é gorda. Mas se usa 38, é muito magra. Se sai depois das 11, vai voltar arrombada. Porque ela pediu, né?
Tava na cara.
Olha a roupa que ela saiu de casa. E todo o discurso machista continua: menina, você devia usar uma roupa menos curta. Eu tenho pressa, eu quero ir pra rua. Quero ganhar a luta que eu travei. Eu quero andar pelo Mundo afora, vestida de brilho e flor. Mulher, a culpa que tu carrega não é tua. Divide o fardo comigo dessa vez. Eu quero fazer poesia pelo povo e afrontar as leis que o homem criou pra te maldizer. E o homem criou pra te maldizer.
Dandara do meu quilombo me faz me voar, rainha do meu povo me dá forças para lutar. É Dandara, Dandara do meu quilombo me faz me voar, rainha do meu povo me dá forças Vai, meu guerreiro, leva a liberdade pra lutar. Bota a cangalha de roupa pra lavar, bota o mandigá no seu patuar. Você vai pra guerra, nego, eu espero você voltar. Vai, meu guerreiro, leva a libertação, leva coragem no peito e na mão o meu coração. E toda vez que ele vai, não vai com ele a aflição.
Espero ver-te de novo voltando. Andando em seu ala, camarada do meu quilombo, me faz livre voar. Rainha do meu pombo, me dá forças para lutar. Lá vai o rei novamente, corajosamente, amargamente segura as mãos de Dandara, promete mais uma volta e Dandara chora. Pois seu guerreiro não volta, anuncio. Os ventos a emboscar. Sinto no peito assim cruzilhada. Ela mandou dizer, mamãe mandou dizer, criança anunciou, a morte chega. Bandana do meu quilombo me faz livre voar, rainha do meu combo me dá forças pra É dançar, dançar, dançar do meu quilombo.
Me faz vibrar, rainha do meu povo. Me dá forças pra lutar, me dá forças pra lutar, me dá forças pra lutar.
Que bloco! Esse bloco tem só música que eu adoro. Já acabou de ouvir Dandara, de Nina Oliveira, que eu acho essa música assim, letra pulsante e uma sonoridade vibrante, alegre. Todas Putas, de Ekenna, uma poesia que para mim, a frase que me querer continuar sempre a Hora do Sabá é: mulher, a culpa que tu carrega não é tua, divide o fardo comigo dessa vez. E La Muchacha, um feat com Santiago Navas, com Não Me Toques Malo, uma outra música que fala muito sobre violência contra a mulher.
Hoje o nosso tema é armadilhas, e esse tema nasceu de uma situação concreta. Dia 26 de julho deveria ter acontecido uma reunião da equipe da Hora do Sabá, mas eu esqueci. E outras mulheres também esqueceram, e ninguém puxou o encontro. Aí depois alguém me perguntou se a reunião tinha acontecido, e quando eu respondi, a volta foi: que pena, porque é tão legal os encontros. E os encontros são muito gostosos mesmo, quando a gente pode se olhar, trocar ideias, falar sobre o que que a gente vai trazer aqui ao longo do mês.
Mas eu respondi com uma sinceridade atravessada pelo cansaço. É legal demais, Mas as mulheres não estão aderindo aos encontros. Eu me preparo, reservo domingo à noite para reunião, e eu também quero descansar, cuidar das minhas plantas, assistir uma série e não pensar em pauta, prazo ou problema. Mesmo assim, eu abro esse tempo para o coletivo, só que eu estou abrindo para todo mundo e nem sempre todo mundo está aberto. E eu não digo isso como uma acusação, porque eu também esqueci da reunião.
Eu digo isso como uma reflexão sobre a distância entre gostar da ideia de estarmos juntas juntas e de assumir o trabalho necessário para permanecermos juntas. Em 8 anos de Hora do Sabá, eu aprendi que desejar uma rede e sustentar uma rede são coisas bem diferentes. Uma rede precisa de presença, compromisso e reciprocidade. Precisa que alguém convoque, mas também que as outras pessoas respondam. Precisa que alguém abra a roda, mas não pode depender sempre da mesma mulher para continuar existindo.
E foi daí que surgiu a Se falamos tanto sobre união feminina, por que que a gente tem tanta dificuldade para construí-la na prática? Uma das respostas está no mito que as mulheres são naturalmente rivais. Nós não somos. Fomos colocadas diante de espaços escassos e ensinadas a acreditar que somente uma de nós poderia ocupá-los. Quando existe lugar para apenas uma mulher, todas as outras parecem ameaça. A rivalidade não nasce do gênero, ela é alimentada pela escassez de oportunidades, reconhecimento, dinheiro e poder.
Mulheres podem discordar, disputar uma vaga, estabelecer limites e até não gostar uma das outras. Sororidade não é gostar automaticamente de toda mulher. Sororidade é recusar a lógica que manda destruir outra mulher para provar o próprio valor. Quando uma mulher abre uma porta, ela não pode ser tratada como a última mulher autorizada a entrar. Uma porta sinceramente aberta precisa permitir a passagem de muitas.
Se é uma briga para mostrar quem tem mais força, ouça, não faço muita questão.
Sou magra de corpo, sem músculos fortes, minha alma é arma, não tens esse porte. E não que eu me importe, mas vou te dizer, eu tenho suporte.
Eu suporto perder.
Se é uma briga pra mostrar quem tem mais força, ouça, não faço muita questão.
Sou magro de corpo, sem músculos fortes, minha alma é a arma, não tens esse porte. E não que eu me importe, Mas vou te dizer, eu tenho suporte, eu suporto perder. E não que eu me importe, mas vou te dizer, eu tenho suporte, eu suporto perder. É chegado o tempo da inocência partir, filha, fé, discernimento. Vou virar minha raiz, não me perder no vento da emoção, da preguiça. É chegado o tempo de ampliar a ciência sobre o que Quer ser feliz.
Deixa eu explicar pra vocês que a senhora não tinha jeito, não podia ser feliz. Toda casca rompendo a ganhar cicatriz. Não tem mão na cabeça, não tem mimo ou juiz. Sou só eu. Eu em meu centro descascando verniz, toda casca rompendo pra entender onde habita minha força amor. Se é uma briga para mostrar quem tem mais força, ouça, não faço muita questão. Sou magra e fraca, sem músculos fortes. Viral é a arma, não pensa Esporte, e não que eu me importe, mas vou te dizer, eu tenho suporte, eu suporto perder. E não que eu me importe, mas vou te dizer, eu tenho suporte, eu suporto perder.
E não que eu me importe, mas vou te dizer, eu tenho suporte, eu suporto perder.
E não que eu me importe, mas vou te dizer, eu tenho suporte, eu suporto perder. E não que eu me importe, mas vou te dizer, eu tenho suporte, eu suporto perder. Baby, eu não nasci pra agradar você. Agora já sei qual é o meu lugar. A porta da casa tá aberta se a minha presença te incomodar. Quando eu chegar no rolê, bate palma Quando me vê, minha beleza abala, bebê. Acordei assim, linda, chique, sexy, braba. Linda, chique, deixa quem quiser falar.
Linda, chique, sexy, braba. Linda, chique, Ninguém vai me parar. Baby, se você duvida, tô brilhando mais que antes. Olha como eu tô bonita, rara como um diamante. Madrugada, tô na pista tipo Ariana Grande. Olha, muita na revista, que tu ficou gigante. Tô melhor assim. A pede se foi, os meus contatinhos tão dizendo oi. Quando eu chegar no rolê, bate palma quando me vê. Minha beleza abala, bebê, a todo dia assim. Linda, chique, sexy, blá blá.
Linda, chique, deixa quem quiser falar. Linda, chique, sexy, blá blá. Linda, chique, ninguém vai me parar porque ninguém, porque ninguém, porque ninguém vai me parar porque ninguém, porque ninguém, porque ninguém vai me parar porque ninguém, porque ninguém, porque ninguém vai me parar. Linda, chique, sexy, braba. Linda, chique, deixa quem quiser falar. Linda, chique, sexy, braba. Linda, chique, ninguém vai me parar. Já é tarde, tudo está certo, cada coisa posta em seu lugar.
Filho dorme, ela arruma o uniforme. Dorme tudo pronto pra quando despertar. Com o ensejo, a festa empreendada, ela foi educada pra cuidar e servir. De costume esquecia-se dela, sempre a última a sair. Disfarça e segue em frente, todo dia Até cansar. E eis que de repente ela resolve então mudar. Cabeça assume o jogo, faz questão de se cuidar. Nem serva nem objeto, já não quer ser um outro, hoje ela é um também. A despeito de tanto mestrado, ganha menos que o namorado e não entende o porquê.
Tem talento de Equilibrista, ela é muita, se você quer saber. Hoje aos 30 é melhor que aos 18, nem Balzac poderia prever. Depois do lar, do trabalho e dos filhos, ainda vai pra night ferver. Disfarçar e segue em frente todo dia. Dia até cansar. E eis que de repente ela resolve então mudar, da mesa assume o jogo, faz questão de se cuidar. Nem serva nem objeto, já não quer ser um outro Ô, já vai um também. Disfarça e segue em frente todo dia até cansar.
E eis que de repente ela resolve então mudar. Cabeça assume o jogo, faz questão de se curvar. Nem cega nem Rock com Pitty desconstruindo Amélia.
Esse bloco também ficou bem bom, hein, gente? Ouvimos também Kini com Linda, Chique, Sexy e Braba. E Flaira Ferro, um feat com Chico César, a música Suporto Perder. Você está ouvindo A Hora do Sabá, a única revista radiofônica colaborativa feminista do rádio brasileiro. Hoje a gente tá falando sobre armadilhas. A gente já desmontou o mito de que as mulheres são naturalmente rivais. Agora a gente chega numa outra armadilha que ainda é mais traiçoeira, porque ela costuma aparecer disfarçada de elogio: você é forte, você dá conta, você sempre resolve.
O problema começa quando a força deixa de ser uma possibilidade e se transforma numa obrigação. Mulher que resolve tudo parece poderosa, mas muitas vezes está profundamente abandonada. Como ela dá conta, ninguém pergunta se precisa de ajuda. Como ela sempre resolve, as outras pessoas deixam de assumir responsabilidades. Quanto mais competente essa mulher demonstra ser, mais trabalho ela vai receber. A competência vira punição.
A mulher indispensável não pode descansar, adoecer, errar, esquecer, que seja uma reunião, ou simplesmente dizer: hoje eu não consigo. Existe uma diferença enorme entre autonomia e abandono. Autonomia é ter condições para escolher e agir. Abandono é perceber que se você parar, tudo desaba, porque ninguém está verdadeiramente disposto a sustentar a estrutura do seu lado. E isso acontece em casa, quando a mulher precisa saber onde tudo está, o que falta na geladeira e quais contas precisam ser pagas.
Acontece no trabalho, quando ela executa sua função, organiza a equipe, lembra prazos e ainda precisa acolher emocionalmente todo mundo. Acontece nos coletivos, coletivos, quando uma mulher convoca, escreve, organiza, publica, cobre, resolve os conflitos. Esse trabalho de pensar por todas é trabalho e cansa, e cansa muito. Eu mesma precisei olhar para minha centralização na hora do sabá muitas vezes e dizer para mim mesma ou para todas: deixa que eu faço.
Isso parece uma solução mais rápida, mas aquilo que resolve o problema hoje pode fabricar uma sobrecarga de amanhã. Se tudo depende de uma mulher, não existe uma rede, existe uma mulher sustentando uma estrutura inteira. Ao mesmo tempo, descentralizar não é apenas distribuir tarefas e esperar com alguma mágica feminista. Não, compartilhar exige acordo, comunicação, retorno e responsabilidade. A gente precisa parar de confundir força feminina com capacidade infinita de suportar o abandono.
Mulher forte também precisa de descanso, reciprocidade e rede. E agora a gente vai escutar uma história sobre decisões, culpa e a obrigação de acertar sempre. Amanda é uma personagem ficcional que tá no Diário de uma Bruxa, coluna escrita e produzida por Alessandra Xavier.
Começa agora Diário de uma Bruxa. Uma coluna por Ale Xavier.
Querido diário, eu me recuso a acreditar que toda a finalidade da vida gire em torno de coisas que nos levem a um único resultado final: pagar boletos. Pra mim, é inconcebível que todo aquele rolê lá do espermatozoide com óvulo aconteça pra esse fim. Mas o fato de eu acreditar ou não, não muda a realidade. E a fatura do meu cartão chegou.
Bom dia!
Só se tá bom pra você.
Nossa, mas que mau humor é esse? Fatores de hormônio.
Fatura do cartão. Eu não sei se cada vez que eu acordo é um novo dia ou mais uma parcela.
É, tá complicado nem ficar em casa assistindo TV de graça.
Porra, eu tô precisando fazer pesquisa de mercado para comprar hidratante.
É, eu poderia ficar aqui horas filosofando sobre o sistema, sobre toda a subversão de valores que o ser humano tá vivendo, mas a minha fatura também chegou e negar essa realidade não vai fazer com que ela mude.
Falando sério, Júlia, eu preciso de muito equilíbrio interno esse mês, porque não vai dar nem para afogar as minhas mágoas.
E a minha crise existencial do mês passado, que me trouxe uma linda cura emocional, mas abriu feridas profundas na minha conta?
É curso, academia, streaming, terapia, mil farmácias. Que coisa que mulher gastar tanto com farmácia se nem tempo para ficar doente a gente tem? E ainda tem lá uma compra misteriosa de R$58 que eu não faço ideia do que que é.
Ai, eu preciso voltar para minha vida metódica. Super sob controle, ela é bem mais barata.
Mas o que que aconteceu realmente mês passado? Eu vi a saia de paetê.
Eu não quero falar sobre isso.
Aí não vale, amiga que é amiga não conta só vitória não, vai. Qual foi a merda?
Não foi merda, foram escolhas. Escolhas de merda, eu diria.
Escolhas ou compras?
As duas.
Desembucha, Júlia, eu tô sentindo que te ouvir vai aliviar minha culpa.
Ai, me matriculei em uma aula de dança.
Ah, eu achei isso o máximo! E aí, como é que tá as aulas?
Eu só fui em duas e eu não tô gostando. Só que eu comprei um monte de roupa mais específica, digamos, e eu não sei se eu vou usar tudo que eu comprei.
Isso é grave.
Também comprei um monte de telas e aquarela para pintar.
Eu não sabia que você pintava.
Nem eu. E pior, comprei tudo e continuo não pintando.
Maravilhoso!
Comprar e não usar?
Não. Pela primeira vez na vida eu tô me achando a pessoa mais madura do mundo com a minha E aí, tem mais?
Ah, só bicicleta.
A sua quebrou?
Não, mas eu queria uma mais, ai, sei lá, mais moderna. Aquela cestinha não combina mais com a minha nova versão saia de paetê.
É, amiga, muito profundo tudo isso.
Ai, sabe o que mais me incomoda na minha fatura, além dos dígitos?
O quê?
Que eu gastei comigo.
Como assim?
Se é com a geladeira, com o carro, com a livraria, não me dá tanto desconforto.
Os gurus da internet podiam falar mais sobre isso, né? Porque eu acho super lindo aquele tenha uma vida próspera. Mas o que que acontece no meio do caminho? Quem é que paga?
Será que alguém consegue ter paz real com boleto vencido e sem dinheiro para cortar o cabelo quando a alma grita, repica, repica, repica? Ai, mas eu vou te contar um segredo: pior do que tudo que eu comprei, tem coisa pior do que querer virar o Van Gogh. Tem.
Tô com medo. Que que é?
Apesar do incômodo, eu não me arrependo de nada. Eu passei muito tempo investindo dinheiro em sobreviver, a responsável, a certinha, a controlada, olhando só para o que era necessário. Mas a minha vida mudou, eu mudei, e eu gastei tentando descobrir quem eu tô me tornando agora.
Você não cansa de me surpreender.
Eu virei especialista em responsabilidade, mas eu tava precisando era de novidade.
A vida podia ter garantia, né? Deu ruim, a gente vai lá, troca, frete grátis, ou então reembolso. Verdade.
Olha, se eu te falar que a fatura não tá fritando na minha cabeça, é mentira. Mas meu passado controlador me deixou uma poupança, e a minha aventura desse mês vai ser mexer nela.
É isso, amiga, eu não tô gastando, eu tô financiando a minha existência, a minha liberdade, né?
E eu não passei anos guardando dinheiro para o futuro, então ele chegou.
E eu que sempre achei que autonomia financeira era não precisar de ninguém para pagar minhas contas.
Ué, e é o quê?
Eu acho que é poder fazer escolhas, tentar, arriscar, sem medo de pagar por elas, sem medo de acertar na primeira tentativa. Porque a gente sempre precisa de alguém para pagar as nossas contas, alguém que vai comprar o nosso produto, que vai pagar pelo nosso serviço.
Ah, brilhou! Esse papo de que eu não preciso de ninguém tá mais falido que a minha poupança.
Dinheiro pode até não comprar felicidade, mas me permite disponibilidade, compra experiência, aprendizado, e paga a oportunidade de descobrir que você odeia aula de dança, o que também é um conhecimento muito importante.
Exatamente. Imagina se eu passasse o resto da vida achando que o meu destino era ser dançarina.
A humanidade escapou por pouco.
É, agora eu preciso ter certeza que eu não sou a reencarnação da Frida Kahlo.
Talvez ser bruxa seja isso: entender que os boletos fazem parte parte da viagem, mas não são o nosso destino. Planejar continua sendo importante, guardar dinheiro também, mas viver talvez seja encontrar coragem para ousar de vez em quando aquilo que a gente passou tanto tempo construindo. Porque o futuro chega e às vezes ele tá numa saia de paetê, e quando ele chega a gente precisa estar disposto a dançar, nem que seja para ter certeza de que a próxima parada não Tá lá, e assim seguir em paz.
Hora do Sabá, ano 8, temporada 11. A única revista feminina colaborativa pelas ondas do rádio.
Sempre nos incentivaram a brigar por um homem que nem vai nos amar. Até hoje eu não entendi por quê. Querem muito que sejamos inimigas, mas sem saber nada das nossas vidas, me explica a razão desse querer. Falam que ela quer cantar na minha roda e que a presença dela me incomoda. Mas eu nunca disse isso nenhuma vez.
No samba sempre tem espaço pra mais um, e pra que esse teu preconceito sumo?
Eu te explico em claro e bom português: a história dela é dela e a minha história é a minha. Pra que rivalizar se eu nunca andei sozinha? Juntas nos fortalecemos, crescemos Tecemos novas linhas, estendo minha mão para ela e unidas a gente caminha. Sempre nos incentivaram a brigar por um homem que nem vai nos amar, até hoje eu não entendi por quê. Querem muito que sejamos inimigas, mas sem saber nada das nossas vidas me explica a razão.
Mais um desse querer. Falam que ela quer cantar na minha roda e que a presença dela me incomoda, mas eu nunca disse isso nenhuma vez. No samba sempre tem espaço pra mais um, e pra que esse teu preconceito suma? Te explico em claro e bom português: a história dela é dela e a minha história é a minha. Pra que rivalizar se eu nunca andei sozinha. Juntas nos fortalecemos, crescemos, tecemos novas linhas. Estendo minha mão para ela e unidas a gente caminha.
A história dela é dela, a minha história é a minha. Pra que rivalizar se eu nunca andei sozinha? Juntas nos Crescemos, crescemos, crescemos, novas linhas. Estendo minha mão para ele, unidas a gente caminha. Estendo minha mão para ele, unidas a gente caminha. Estendo minha mão para ele, unidas a gente caminha.
Disseram que o palco não era mais aquele lugar, mas do jeito que a gente me olha de frente, como eu vou parar? Pois eu sou Vigorista num grupo de rock que vem pra valer. Um ponto de vista que não se limita de ser ou não ser. Prefiro ser os dois. Prefiro ser os dois. Não venha me dizer do meu compromisso com isso ou aquilo, se o que a gente quer não deixa de ser um belo motivo pra se festejar de modo indiscreto. O que vai nascer?
De todas as histórias que o mundo imagina pra sobreviver, prefiro não saber. Prefiro não saber. O que eu era ou sou por enquanto é tudo aquilo que eu digo e canto. O que eu era ou sou por enquanto é tudo aquilo que eu digo e canto com um pouco de esforço. O que eu era ou sou por enquanto é tudo aquilo que eu digo e canto com um pouco de Crash on the last splash. I'll be your whatever you want. The bar is reggae song.
Cannonball, Cannonball. Essa música pra mim tem muito sentido nesse programa e na vida. Ela é da banda The Breeders, na década de 90, meados dos anos 90 lá. Ouvimos também Rita Lee do disco Entradas e Bandeiras. Rita Lee Tutti Frutti, corista de rock. Eu amo essa letra, eu amo esse disco. Antônia Medeiros, que abriu o bloco com a canção Novas Linhas. Eu não conhecia Antônia, eu tava aqui escutando músicas para trazer para o programa e achei que essa música tinha tudo a ver com a temática de hoje.
E hoje a gente falou sobre duas armadilhas que dificultam a construção de relações verdadeiramente cooperativas entre mulheres. Uma delas nos ensina a desconfiar umas das outras, a outra nos convence de que a mulher forte precisa resolver tudo sozinha. Uma produz A outra produz sobrecarga. As duas terminam no mesmo lugar: mulheres isoladas, cansadas e com pouca força coletiva. Dizer que mulheres devem se unir é muito fácil, mas construir essa união exige prática, método e disposição para atravessar conflitos.
Cooperação não é uma emoção bonita que surge automaticamente quando a gente reúne muitas mulheres numa sala. Não, cooperação é prática, é criar acordos claros e cumpri-los, é compartilhar tarefas e decisões e assumir responsabilidades, é dar retorno inclusive quando a gente não pode participar, é reconhecer o trabalho da outra, é pedir ajuda antes do colapso, é oferecer ajuda sem tomar o lugar da outra, é reparar quando a gente erra, é permitir que a liderança circule, é compartilhar não apenas o trabalho, mas também o reconhecimento.
Gostamos de repetir que juntas somos mais fortes, e somos. Mas juntas também precisamos aprender a conversar, a negociar, a discordar, a estabelecer limites e a reconhecer os nossos erros. Cooperação não significa ausência de conflito, gente. Significa atravessar o conflito sem transformar automaticamente a outra mulher em inimiga. Em 8 anos de Hora do Sabá, eu aprendi que muitas mulheres desejam uma rede, mas entre a intenção e a prática existe muitos nós, mas muitos nós que precisam ser desatados.
Feridas, medo da escassez, necessidade de reconhecimento, dificuldade de confiar, centralização e hábitos de sobrevivência que a gente aprendeu muito antes de chegar à roda. Nós queremos estar reunidas, mas ainda temos muitos nós para desatar. Esses nós não provam que as mulheres são incapazes de cooperar, revelam tudo aquilo que uma sociedade patriarcal nos ensinou e que agora é preciso desaprender. Uma reunião esquecida talvez parece uma coisa pequena.
Pessoas se cansam, as agendas apertam, os domingos chegam. Ninguém precisa estar permanentemente disponível. Cooperação também não é exploração coletiva com nome bonito. Descansar também é um ato político, uma necessidade natural. Mas podemos usar esses acontecimentos para perguntar: quem tá sustentando os encontros? Quem provoca? Quem responde? Quem abre espaço? Quem está verdadeiramente disposta a ocupar esses espaços? Uma rede não pode existir apenas quando alguém nos chama.
Nós também precisamos chamar. Não pode depender apenas de quem abre a roda. Todas precisam cooperar para manter a fogueira acesa. E isso significa construir acordos honestos sobre o que cada uma pode oferecer e assumir responsabilidade pelo que foi combinado. Talvez a nossa tarefa seja substituir a mulher indispensável por uma rede responsável, uma rede no qual nenhuma precisa adoecer para que percebam o tamanho do trabalho que ela realizava, no qual nenhuma precisa desaparecer para que outras assumam a responsabilidade, na qual todas tenham direito à voz, ao reconhecimento e também o descanso essencial.
As armadilhas nos ensinaram a sobreviver sozinhas, a cooperação pode nos ensinar a nos transformar juntas. Escute mulheres, confie em mulheres, vote mulheres, compartilhe o trabalho com mulheres, reconheça mulheres, porque juntas a gente não precisa dar conta de tudo. Precisamos aprender a contar umas com as outras. E não esquece, passa lá no blog ler que tem uma ciranda de mulheres mulheres potentes, sobrecarregadas e dispostas, produzindo conteúdos incríveis.
Obrigadas que estão participando aqui comigo no programa de rádio, obrigadas que estão sustentando a Ciranda comigo. E A Hora do Sabá é uma produção da Sabazeira Comunicação. Visite a nossa loja, conheça o nosso blog e ajude a sustentar esse projeto independente pelo Apoia.se, apoia.se/horadosabá. Eu sou Sara Mascarenhas e agradeço a sua escuta, a sua presença, e você permitir que eu chegue na sua casa toda semana acompanhada de deidades de muitas mulheres para acender a chama dessa fogueira. Até a próxima, beijo!