EP 18 - POLÊMICAS
Polêmica ou preconceito disfarçado de opinião?
Nesta edição, Sarah Mascarenhas parte das recentes repercussões envolvendo Anitta, Xuxa e Neymar para discutir intolerância religiosa, controle sobre o corpo das mulheres, envelhecimento, liberdade artística e maturidade diante das críticas.
O programa recebe ainda Leffs na coluna Seguindo os Antúrios e apresenta Natália Carreira e AZU no quadro Pitacos Musicais.
Na seleção musical: Leffs, Jenni Mosello feat Xênia França, BUHR, Bella Maria, Clarice Senna, Eva, Juliana Linhares, Joyce Alane feat Agnes Nunes, BRIÊ e Érika Ribeiro.
Escute até o final e conte nos comentários: quando a crítica é legítima — e quando ela apenas reproduz preconceitos?
Fortaleça a comunicação independente e feminista:
apoia.se/horadosabbat
Sarah Mascarenhas
Leffs
Luiza Abbe
Natália Carreira
- Pressões sobre mulheresXuxa · O Último Voo da Nave · Controle sobre o corpo feminino · Envelhecimento feminino · Sensualidade feminina
- Manifestações culturais e memória ancestralAnitta · Equilibrium 2 · Intolerância religiosa · Religiões de matriz africana · Apropriação cultural
- Processo CriativoLeffs · A Atravessada · Comunicação artística · Artista independente
- Crise da MasculinidadeNeymar · Reação à crítica · Agressividade masculina · Liberdade de expressão
- Azul - Aonde Vamos DaquiAzul · Onde estamos hoje · Duo musical · Relacionamentos
- Carreira e Realização PessoalNatália Carreira · Tomada de Decisão · Amor próprio · Relações românticas
A roda gira, a ciranda se forma. É tempo de escuta, de fala, de conexão. Vozes femininas que reverberam resistência e criação. Espaço de expressão, visibilidade e conexão das mulheres arteiras e fazedoras. A única revista radiofônica colaborativa feminista do Brasil. O som é ancestral, o eco é nosso.
Começa agora a Hora do Sabá. Ouvintes da Hora da Sabá, eu, Sara Mascarenhas, peço licença para entrar na casa de vocês mais uma semana trazendo deidades, mulheridades. A gente tá começando mais uma edição desse programa que é feito para multiplicar a música e o trabalho realizado por mulheres. Hoje eu quero conversar com vocês sobre algumas polêmicas que movimentaram as redes sociais nos últimos dias. E não se preocupem, A Hora do Sabá não virou um programa de fofoca.
A polêmica, ela é apenas uma porta de entrada para pensarmos no que essas discussões revelam sobre a intolerância religiosa, o envelhecimento, a liberdade artística e a maneira como mulheres e homens famosos reagem às críticas. Eu vou começar falando de Anitta e o Equilibrium 2, um trabalho que aprofunda a relação da artista com a música brasileira, com a ancestralidade e as religiões de matriz africana. Desde o lançamento surgiram acusações de apropriação cultural, mas quem é do Paranauê, quem conhece o candomblé e a Umbanda, sabe que existe uma diferença enorme entre usar símbolos religiosos como enfeite e construir uma obra respeitando os fundamentos.
Anitta é praticante do candomblé. A espiritualidade apresentada no disco não apareceu agora porque combina com a estética de uma nova fase profissional dela. Faz parte de uma experiência pessoal da artista. E nem tudo foi mostrado, nem tudo foi explicado, nem tudo precisa ser revelado. Respeitar os fundamentos significa compreender aquilo que pode ser compartilhado, aquilo que deve permanecer resguardado. Outro aspecto que considero muito importante foi a escolha das participantes.
Anitta poderia ter convidado somente artistas gigantes para ampliar os números do lançamento. Em vez disso, ela colocou sua visibilidade a serviço de encontros com artistas como MC Tá, Letícia Fialho, Grupo Ofá, Katumirim, Brows MC, que já constroem suas trajetórias atravessadas pela ancestralidade, pela espiritualidade e pela cultura brasileira. E isso também é uma escolha artística e política. É claro que também podemos analisar criticamente qualquer obra.
Nenhuma artista está acima da crítica, mas também precisamos perceber quando a intolerância religiosa aparece disfarçada de preocupação cultural. Talvez uma parte do Brasil aceite as religiões de matriz africana quando elas aparecem no passado, no folclore ou dentro de um museu. O incômodo começa quando essa espiritualidade aparece viva, contemporânea e ocupando o centro da cultura pop. Quem pode falar sobre essa ancestralidade?
Quem pode transformá-la em música, imagem e criação artística? E por que uma mulher que pertence a esse território religioso precisa comprovar o tempo inteiro que tem autorização para falar da própria fé? É a partir dessas perguntas que começamos o programa de hoje. Mas antes da gente seguir com outras polêmicas, vamos abrir espaço para a única coluna desta edição, que é a coluna Seguindo os Antúrios, de Lefse, que ela vai compartilhar pra gente as angústias e os caminhos do seu lançamento e nos aproxima dos processos e das escolhas.
Quais os desafios que atravessam a trajetória de uma artista independente? Vamos escutar agora Seguindo Antúrios com Lefz. E depois da coluna, a gente segue ouvindo a própria Lefz com a música Antúrios. E na sequência, mais música para vocês.
Começa agora Seguindo os Antúrios, uma coluna por Lefz. Hora do Sabá, ano 8, temporada 11.
A única revista feminista colaborativa pelas ondas do rádio.
Oi, mores e monas, tão bem? Aqui quem fala é Lefz. Eu tô aqui para mais um Seguindo os Antúrios na Hora do Sabá, com a missão de trocar uma ideia sobre a dor e a delícia dos processos criativos. E hoje o que tá rondando os meus pensamentos criativos é como lidar com as angústias e a celebração de comunicar um projeto artístico. Nesse mês eu lancei meu primeiro álbum, um processo que vem me acompanhando durante o primeiro semestre de 2026 todinho, mas que em julho chegou na íntegra pro público.
E dentre as demandas de colocar as músicas no mundo, uma das que tem um aspecto peculiar pra mim é a comunicação. Pra além de lidar com uma lógica predatória do mercado nos canais de mídias que a gente tem disponível, Comunicar também é sempre revisitar todo o caminho percorrido até aqui, mediar aquilo que foi produzido com o público que tem o primeiro contato com a obra, além de lidar com a mudança de dinâmica de controle que existe entre artista e obra, já que agora o que foi produzido é mais do mundo do que seu.
Isso e muito mais permeiam o processo de comunicação, e como artista independente são necessárias algumas elaborações e alguns recursos para lidar com tudo isso. Como organizar essa comunicação, mediação, de forma benéfica pra artista e pra obra? Pra nós, pessoas criativas, via de regra, o controle é a nossa casca pra lidar com as opiniões do mundo. A gente estuda técnica, a gente passa um bom tempo olhando pros detalhes de como trazer um conceito pro mundo real, e a gente faz disso, em certa medida, a nossa obsessão.
Afinal de contas, é todo esse rigor que protege a gente de fazer algo ruim, de críticas, retaliações. E aí divulgar esse trabalho passa pela dor de abrir mão de tudo isso, porque todo esse rigor técnico ainda pode passar despercebido, toda elaboração conceitual pode ser incompreendida, porque o público faz o que quiser com aquilo que você lançou. A comunicação, então, pode ser vista como um luto, uma perda. Por muito tempo eu enxerguei assim.
Mas pro lançamento do meu álbum, A Atravessada, eu queria olhar por uma perspectiva diferente. Porque esse drama todo tem um fundo de melancolia que não me cabia mais. Em vez de perder, comecei a pensar em compartilhar. Como quem conta uma notícia boa pras amigas, como alguém que explica as origens de uma fofoca numa mesa de bar. Com esse olhar, comunicar pode ter um tom celebratório. E por que não fazer uma festa com aquilo que você produziu?
Seguindo na metáfora da festa, dependendo do tamanho dessa festa, vai ser bem difícil você fazer tudo sozinha, mona. Inclusive, essa angústia toda, essa relutância em celebrar, pode ter a ver com essa sobrecarga de quem não sabe pedir ajuda. Delegar. Claro, às vezes por falta de recurso. Mas assim, construir parcerias é fundamental pra fazer uma festa bonita. Escolher a dedo quem é que vai estar nessa festa com você também faz toda a diferença.
Não dá pra se rodear de gente baixo astral ou de gente que diz que vai levar um bolo e chega lá com a farinha e com os ovos, sabe? Bora escolher direitinho quem é que vai festar com você. Comunicar exige compartilhar as notícias e as tarefas. Ter as pessoas certas do seu lado é o que vai impulsionar você para mais perto dos seus objetivos. Para a atravessada, eu tive o prazer e a sorte de, junto comigo, ter algumas pessoas para diferentes etapas da comunicação do projeto.
E foram elas que me ensinaram a celebrar. E no meio dessa celebração Algumas coisas novas aconteceram. Eu tive um fluxo de entrevistas bem mais intenso do que antes. Muitos questionamentos. Muitas oportunidades de celebrar o projeto de forma mais aprofundada. E foi nesse processo que eu entendi de verdade a coisa de celebrar. Celebrar é revisitar. É relembrar. As entrevistas que respondi esse mês foram grandes oportunidades de organizar a narrativa de Atravessada.
Lembrar de coisas que foram importantes no início do projeto e fazer novas conexões com o que eu tô vivendo agora. Apresentar esse universo para o público de uma forma mais aberta. Contar essa história. No fim, comunicar virou para mim uma grande roda de contação de histórias. Um espaço em que a gente olha no olho e permite que te olhe de volta. A gente tá chegando no final do episódio. E eu espero muito que vocês tenham gostado.
Por favor, comenta no grupo da escuta participativa, nas minhas redes sociais, o que vocês acharam, se teve alguma reflexão, se ficou alguma nóia, porque o objetivo do Seguindo os Antúrios é começar conversas. As minhas redes sociais, se você quiser ver o que eu tô aprontando por lá, são todas @lefz, com 4 Fs, mas se você procurar @lefz, só com 2, você também já acha. A gente se encontra mês que vem pra mais um Seguindo os Antúrios aqui na Hora do Sabá.
Até lá, que tal criar uma relação mais celebratória com a comunicação? É isso, até mais!
Entrei e te percebo aqui, teu jeito singelo, discretamente fazendo ar, percorro tudo Para na parede no tom do antúrio. Não foi acidente, teu nome é terra sólida. Saudade que escorre nos olhos, entope os poros, não vai sair. Me sinto mais vivão te tendo perto, mesmo que etéreo. Teu abraço é forte. Você deixa todo feliz. Você deixa todo feliz. Aponta pro certo, cegamente posso confiar. Fica próxima de mim, meu amor, é tu. Me guia.
Saudade que escorre nos olhos Stopem os poros, não vai sair. Me sinto mais viva ao te ter por perto, mesmo que etéreo, teu abraço é forte. Entre o verde e o amarelo, um caindo blue. Entre o certo e o errado, eu sou nenhum. Tudo e nada é tão confuso, culpa do fuso. Desculpas guardei no passado, hoje eu sou do mundo. Tome liberdade num copo alto, uma Mas já é quentada com meu delirar. Como falar da real, gostava muito bem treinado.
Sou rica de peço, meu bom gosto não se compra nem tem endereço. Nunca tente copiar quem sabe inverter a roda. Na dúvida é sempre melhor fazer. Nunca confunda necessidade com prazer. Sou tantas que fica difícil prever. Qual delas vai querer conhecer? De garingole tomo juízo, deixo inebriar. Minha vontade é hereditária, não consigo evitar. De garingole tomo juízo, deixo contagiar. Minha verdade hereditária não sabe caber no sofá.
Tô entre encruzilhado, assombro, mas me permito. Sigo a luz do som do sonho, meu paraíso. Encontro em Narciso abrigo pra aceitar que a minha realeza é coisa de DNA. Num copo alto, uma média requintada com meu delirar. Uma palavra é aguçada, muito bem treinada. Sou rica de peças, sou boa, sou moça e compra, nem tem endereço. Nunca tente copiar quem sabe ir agora. De gole em gole tomo juízo, deixo-me beber. Minha vontade é hereditar, eu não consigo evitar.
De gole em gole tomo juízo, Eu corro em cima da brasa acesa, no medo onde ninguém mergulha. Pedaço do fervente nos dedos dos pés e nas mãos a chuva, mas nem uso. Aonde ninguém vai, não tenho medo de ir. Eu não tenho medo de ir. A vida cai no chão feito podre, um rasgo por cima, galho seco nos olhos que molham, mas não sei Eu coroo a cabeça de sangue, coroo a cabeça de sangue. Feche de fogo, pulso quente. Feche de fogo, pulso quente.
Feche de fogo, pulso quente. Eu corro em cima da brasa acesa, no medo de ninguém. Ninguém mergulha. Pedaço do fervente nos dedos dos pés e nas mãos a chuva, mas nem o Uhuu. Lá onde ninguém vai, não tenho medo de ir. Eu não tenho medo de ir. A vida cai no chão feito podre, o rasgo por cima, galho Seco nos olhos que molham, mas não sentem. Eu coroo a cabeça de sangue, coroo a cabeça de sangue. Flash de fogo, pulso quente, flash de fogo, pulso quente, flash de fogo, pulso quente.
Coroa a cabeça de si. Feche de fogo, pulso quente. Feche de fogo, pulso quente. Feche de fogo, pulso quente.
Ô, ô, ô, ô, ô, que bloco, gente! Adoro! Esse programa ficou— tá ficando muito especial e muito bonito. A gente ouviu aí Pooh com Feixe de Fogo, Geni Mozelo feat. Shania França com De Gole em Gole e Lefz com Antúrio. Seguimos na Hora do Sabá falando sobre polêmicas que começam nos palcos e ganham as redes sociais e acabam revelando muito mais sobre o olhar da sociedade do que sobre as próprias artistas. A Xuxa estreou a turnê O Último Voo da Nave e um dos figurinos usados no espetáculo provocou uma enxurrada de comentários.
Disseram que que o body era cavado demais, que ela teria mostrado as partes íntimas. E rapidamente apareceu uma multidão disposta a decidir quanto do próprio corpo uma mulher de 63 anos tem permissão pra mostrar. Também surgiu o argumento de que a Xuxa dos programas infantis não era sensual daquela maneira. Será mesmo? A Xuxa sempre usou maiôs, bodies, botas, transparências e figurinos curtos. Durante décadas, a sensualidade daquela mulher jovem foi utilizada e comercializada pela própria indústria do entretenimento.
Agora, quando ela aparece madura, ativa e ainda dona do próprio corpo, querem decretar que chegou a hora de se cobrir. A indústria exige que as mulheres permaneçam jovens, magras, mas se incomodam profundamente quando uma mulher envelhece sem desaparecer. Ninguém é obrigado a gostar do figurino. Gosto pessoal é uma coisa, controle sobre o corpo alheio é outra. O problema começa quando o eu não usaria se transforma em ela não deveria usar.
Xuxa respondeu às críticas com humor e seguiu ocupando o palco. E fez muito bem. O corpo dela não pediu aposentadoria. A sensualidade feminina não tem data de validade. E Xuxa tá aí pra provar isso. Agora a gente vai seguir por um quadro criado por mim pra apresentar artistas quando o tempo do programa não permite uma entrevista completa. São os Pitacos Musicais. No Pitaco Musical, eu compartilho— eu não, eu convido as artistas pra apresentar o seu som e caminhos pra conhecer novas mulheres, ampliando a circulação e chegar a novas escutas.
Hoje temos dois Pitacos Musicais. E agora vocês vão ouvir Natália Carreira e na sequência música para vocês.
Começa agora Pitaco Musical, um espaço de descobertas e provocações sonoras. Hora do Sabá, ano 8, temporada 11, a única revista feminista colaborativa pelas ondas do rádio. E aí, ouvintes da Hora do Sabá! Aqui quem fala é Natália Carreira.
Eu sou uma artista independente vinda de Brasília e quando me perguntam eu gosto de dizer que faço MTB, música triste brasileira.
O meu som traz referências do pop rock, indie, emocore, lo-fi e até música popular brasileira.
Agora você vai ouvir minha música Se Escolher Primeiro, que fala sobre colocar o seu amor próprio acima de uma relação romântica. E se você curtir, eu te convido a me acompanhar nas plataformas e nas redes sociais. É só procurar por Natália Carreira e você consegue encontrar todas as minhas músicas na sua plataforma de preferência. É isso, espero te encontrar por aqui.
Um beijo! Ela quer as mesmas coisas que eu. Vou admitir, quando eu percebi, doeu. Não foi culpa minha nem dela. Foi só o que deu pra ser. E não se fala muito sobre a dor de ter, que ainda inteiro por saber se escolher. Primeiro, primeiro, eu nunca gostei de ficar até depois. Depois do fim. Eu não vejo graça em catar os cacos das coisas que querem cair. Ela acha que é fácil, que pra mim é só um passo. Ela não vê como é difícil me manter de fora disso.
Ah, não entendi a dor de ter que ir ainda inteiro saber se escolher primeiro, primeiro. E eu tenho que aprender que nem tudo dá pra consertar. E às vezes deixar ser é o melhor jeito de amar. Sou doce, dengosa, polida, fiel como um cão. Tudo de novo, você gosta desse ciclo vicioso, gosta de saber que vai me ter de novo, que na minha boca ainda tem seu gosto. É conforto, mas eu cansei, preciso de certeza para entregar afeto. Tudo que eu te passo tem que ser decreto.
Não quero migalhas de um quase certo. E pra dar certo eu te inventei. Mas só meu rei, a minha lei você tem que saber. Baby, que eu nasci pra amar demais. Não me solte, não me prenda nesse amor de tanto faz. Sabe bem do quê? Eu sou capaz. Você tira o meu juízo e eu tiro a sua paz. Baby, que eu nasci pra amar demais. Não me solte, não me prenda nesse amor de tanto faz. Sabe, baby, do que eu sou capaz. Você tira o meu juízo e eu tiro a sua paz.
O simples já não me convence. Eu faço e não me satisfaz. Eu quero mais, eu quero mais e mais e mais e mais. Não me jure o que não sente, não prometa o que não faz. Eu já tenho fé demais e nunca sei voltar atrás. Te querer bagunça minha vida. Tenho sido teu placebo quando você me precisa. Já deixo ensaiada a despedida em caso de desamor. Amor, eu parto logo, que é pra não me ver partida. Doce, dengosa, polida. Baby, que eu nasci pra amar demais.
Não me solte e não me prenda nesse amor de tanto faz. Sabe bem do que eu sou capaz. Você tira o meu juízo e eu tiro a sua paz. Baby, que eu nasci pra amar demais. Não me solte, não me prenda nesse amor de tanto faz. Sabe bem do que eu sou capaz. Você tira o meu juízo e eu tiro a sua paz.
Andei pelo mundo tentando entender onde é que eu me encaixo e acho que não sei rodar no modo padrão. Mas todo mundo sabe rodar no modo padrão e todo mundo sabe ser um investimento padrão. E sabe todo mundo compor um hit padrão. E todo mundo sabe que pra tocar na rádio padrão de qualidade do Brasil, só se for de um Brasil padrão do padrão. E todo mundo sabe. Você não é todo mundo, mas tem o mundo inteiro dentro dessa cabeça. Bota essa boca no mundo, traz essa linguagem pra fora, vocaliza pelo avesso.
Todo esse som que mora na sua cabeça. E por favor, não enlouqueça sua alma sonora. Tenha respeito por você, expresse sua loucura para não ter saudável essa cuca.
Bota para fora a boca no mundo, bota essa boca no mundo. Paraça do touro, paraça do touro, paraça do touro.
Um mundo pra gente construir, aprender a escutar sem ninguém lhe dizer o que é bom.
Lambéria, vou ganhar Som pra degustar e saber qual instrumento quer você. Dá pra sentir esse som em cada poro, em cada arrepio, partilhar sensações, deixar o corpo inteiro tocar as canções e sentir em cada poro, em cada arrepio, partilhar sensações. Deixar um comentário, tocar as canções.
Ande pelo mundo tentando entender onde é que eu me encaixo e acho que não sei rodar no modo padrão. Mas todo mundo sabe, você não é todo mundo, mas tem um mundo inteiro dentro dessa cabeça.
Bota essa boca no mundo, traz Faça sair o coágulo pra fora, vocaliza pelo avesso todo esse som que mora na sua cabeça. E por favor, não enlouqueça sua alma sonora, tenha respeito por você, expresse sua loucura. Para manter saudável essa cuca, bota pra fora a boca no mundo. Bota essa boca no mundo, a boca no mundo, bota essa boca no mundo. Hoje eu fiz um ritual, botei num papel tudo que não queria mais. Na chama da vela, o desamor Queimou, com as cinzas a pele pintei.
Uou, hoje eu fiz um ritual, escrevi cartas mas não enviei. O silêncio das palavras não existe mais, nas ervas os pés escaldei. Cuspi os sapos que engoli, dancei com as sombras que encontrei. Com as sobras renasci, da minha vida sou rainha e rei. Cuspi os sapos que engoli, dancei com as sombras que encontrei. Com as sobras renasci, da minha vida sou Eu preciso me lembrar que não estou só. Tenho os meus discos, corpo e libido. Eu tenho sangue correndo nos olhos e o coração batendo na voz.
Sou aquela, sou esférica, me visto de E arruma casa pro caos instaurar. Cuspi os sapos que engoli, dancei com as sombras que encontrei. Com as sobras renasci, da minha vida sou rainha. Cuspi os sapos que engoli, dancei com as sombras que encontrei. Com as sobras renasci, da minha vida sou rainha.
Eu tô simplesmente amando esse programa. Vocês ouviram agora Ritual da cantora Eva, A Boca no Mundo de Clarice Sena, Doce, Dengosa e Polida de Bela Maria. Clarice Sena e Eva tem uma entrevista que eu fiz com elas lá no blog da Hora do Sabá, horadosabá.com.br/blog. Clarice Sena é uma cantora incrível que é PCD e ela constrói sonoridades e imagens. Nossa, vai lá ler o conteúdo, ficou muito legal. Adorei conhecer essa cantora. Anitta viu a própria fé ser colocada sob suspeita.
Xuxa teve o corpo analisado como se estivesse disponível para fiscalização pública. Enquanto isso, o Neymar voltou ao centro de uma polêmica após responder às críticas com um vídeo no qual ele mostrava que estava treinando e mandava as pessoas cuidarem da própria vida dando tapa na câmera. E aqui me interessa observar a postura profissional diante da crítica. Uma pessoa com a visibilidade do Neymar será analisada, questionada e criticada.
Isso faz parte da dimensão pública do trabalho que ele exerce. O futebol movimenta paixões, contratos, publicidade e muito dinheiro. A imprensa esportiva existe justamente para acompanhar e avaliar o desempenho dos profissionais envolvidos. Isso não significa que toda crítica seja justa. Existem comentários oportunistas, análises ruins e ataques que ultrapassam qualquer limite aceitável. Mas o profissional precisa avaliar o que recebeu.
Se houver fundamento, toma uma atitude. Senão, segue o trabalho. Vai viver a vida, vai trabalhar. Mas o que chama atenção é como a agressividade masculina costuma receber outros nomes. A explosão vira personalidade forte, a grosseria vira sinceridade, a incapacidade de lidar com uma crítica é tratada como demonstração de paixão. Se Anitta tivesse respondido daquela maneira, provavelmente seria chamada de arrogante. Se Xuxa partisse para o ataque, diriam que ela não sabe envelhecer ou que ela não aceita opiniões.
Não acho que as mulheres sejam naturalmente mais maduras, não é sobre isso, porque isso é outro clichê machista. Eu acho que as mulheres aprenderam que qualquer reação será utilizada contra elas mesmas. Por isso, muitas vezes precisam calcular cada palavra, enquanto homens poderosos batem na mesa ou na tela do celular e ainda recebem aplausos. Seguimos agora com mais uma edição do Pitaco Musical, mas dessa vez a gente vai receber a cantora Azul. Escuta o que ela tem para dizer para gente aí.
Começa agora Pitaco Musical, um espaço de descobertas e provocações sonoras. Hora do Sabá, ano 8, temporada 11, a única revista feminista colaborativa pelas ondas do rádio. Oi, ouvintes da Hora do Sabá! Aqui é a cantora Luiza Abbe e eu venho apresentar o single Aonde Vamos Daqui, novo lançamento do Azul, meu duo ao lado do Rodrigo Zanettini. Essa faixa abre os caminhos para o nosso primeiro disco de estúdio e pode ser vida aqui na hora do sabá.
Você ficou tão longe que a terra ficou perto. Você ficou tão fundo que o foco deu defeito. Você distante, longe. Feito de afeto. Você foi uma ponte pra um caminho incerto. Aonde vamos daqui se quando era a hora a gente só pensava em fingir? E agora? Você não sei de onde, o sonho mais concreto. Você feito de vento, você É fogo, é fato. Você que se esconde de um mundo tão direto. Você foi um segundo que se torna todo, todo tempo.
Aonde vamos daqui se quando era hora a gente só pensava em fingir? E agora, aonde vamos daqui? Se quando era hora a gente só pensava em fingir, e agora?
Aonde vamos daqui se quando era hora a gente só pensava em fingir?
E agora, aonde vamos daqui se quando era hora a gente só pensava em fingir? Aonde vamos daqui se quando era hora a gente só pensava em fingir? E agora, aonde vamos daqui? No eninhado emaranhado por dentro, cordão por dentro, do lado, do outro lado, passando dedo por dedo, formando novo quadrado, losango feito de elástico, risco de amar no mínimo. O risco de amar no máximo. O sol não acende vela, singela flor na sacada. Só ela, somente ela, grafita minha calçada, janela da minha cela, cartela já premiada.
Metade de tudo é tudo, metade de nada é nada. Me empreste seu arquipélago, eu juro que te devolvo. Nem tudo que a onda leva merece voltar de novo. Tem sal que talvez adoça e açúcar que às vezes salga. Palavra que é feito língua, tem língua que é feito faca. Comida que não enjoa, viagem que não tem mala. Tem grito que não ecoa, silêncio que às vezes fala. No emaranhado da rede Medida deverá ser drástica, alguém que matasse a sede com gole de soda cáustica.
Lá no emaranhado, antenas por sobre os prédios, pessoas nos formigueiros doentes dos seus remédios, fios desencapados, fagulhas nos seus palheiros. Os sonhos ficam guardados na fronha dos travesseiros de Só se sai a nada. Nó cego dando em cabelo de um jeito tão complicado. Quem saberá desfazê-lo? Quem é que encontraria a ponta do seu novelo? A dor de um milhão de dores doendo no cotovelo. Se tudo que assanha é sonho, nem tudo que ata desata.
Se tudo que jorra é jorro, nem toda conta é exata. Se todo X é tesouro, nem todo abraço é Às vezes parece ouro, mas na verdade é de prata. Comida que não enjoa, viagem que não tem mala, tem grito que não ecoa, silêncio que às vezes fala. No emaranhado da rede, medida deveras drástica, alguém que matasse a sede com um gole de soda cáustica. Meu olho no seu ferrolho, seu dente na jugular. Da vida só vale um molho e a chuva para se molhar.
Espero de sobremesa na falta de boasa. Que o vento e a correnteza me levem de volta pra casa. Sabe, eu andei distraída chamando o que você me dava de amor. Eu passava o dia vendo onde é que tava o erro, já que nada tava bom. Eu demorei pra enxergar, mas uma hora a vista vai desembaçando. Depois de tanto me espezinhar, finalmente posso contar onde é que eu tava errando. Difícil achar demais, meu Deus, quem é você pra me dizer? Que se for embora eu não vou mais viver.
Um beijo além do seu, posso ter por aí. O cheiro que me deu, outros podem me dar. Quando você piscar eu não vou tá mais só. O mundo gira, eu hei de achar alguém melhor. Um beijo além do seu, posso ter por aí. O cheiro que me deu, outros podem me dar. Quando você piscar eu não vou tá mais só. O mundo gira, eu hei de achar alguém melhor. Um beijo além do seu, posso ter por aí. O cheiro que me deu, outros podem me dar. Quando você piscar eu não vou tá mais só.
O mundo gira, eu hei de achar alguém melhor. Sabe, eu andei distraída chamando o que você me dava de amor. Eu passava o dia vendo onde é que tava eu, já que nada tava bom. Eu demorei pra enxergar, mas uma hora a vista vai desembaçando. Depois de tanto me espezinhar, finalmente posso contar onde é que eu tava errando. Difícil achar demais, meu Deus. Quem é você pra me dizer que se for embora eu não vou mais viver? Um beijo lindo seu, passo o tempo por aí.
O cheiro que me deu, outros podem me dar. Quando você piscar, eu não vou mais só. O mundo gira, eu hei de achar alguém melhor. Um beijo além do seu posso ter por aí. O cheiro que me deu outros podem me dar. Quando você piscar, eu não vou estar mais só. O mundo gira, eu hei de achar alguém melhor. Lindo! Eita, ficou ótimo! Não tente me dizer o que devo fazer, se atente, as palavras podem ofender. Já me mordeu demais e ainda estou pegando fogo, ouça minha voz.
Trago verdades no meu corpo, faço chover, sou um temporal de ódio e Eu sinto tanto não ter pena de você. Assim, pecado e pecado vou morrer. Não deixe-me domar, eu tenho pele deslizante. Eu sou dona de mim, trago verdades excitantes, faço chover. Sou um temporal de ódio e amor. Me tornei alguém, alguém que quer mais do que um alguém. Que não me traz paz. O que me feriu eu já matei, matei com amor que eu me dei. Eu sou insana demais, insana, insana, insana demais, insana, insana.
Insana, insana. Posso até lhe desejar ir mais fundo para além de mim, de você na minha cabeça. Mas me afasto mesmo assim, não merece espiritar. Cada dia é tão azul, azul. Me tornei alguém, alguém que quer mais do que um alguém que não me traz paz. O que me feriu eu já matei, matei com amor. E eu me sanei mais. Insana, insana demais. Insana, insana, insana, insana. Eu tô no fundo da noite cheia de calor, você dá beijos bem gentis.
Gente, a gente ouviu agora Briê com Insana. Briê é uma mulher incrível, contou me ouvindo agora. Que sacanagem! Insana, é lá de Recife. Eu a conheci no corpo de baile da Dora Alice no Carnaval de 2024. Ouvimos também Joyce Alane e Agnes Nunes com Alguém Melhor e Juliana Linhares com Emaranhada. Quero fazer uma correção aí, é o Duo Azul que veio para o Pitaco Musical e quem falou com a gente foi Luísa Aze. Obrigada aí pela audiência de hoje, gente, que a gente já tá chegando no final do programa e A gente trouxe para vocês aí 3 diferentes polêmicas, mas que revelam algo em comum: a maneira como determinadas figuras públicas são autorizadas a ocupar espaço, reagir às críticas e exercer a sua liberdade.
Falamos sobre Anitta e sobre a diferença entre utilizar símbolos religiosos como adereços e construir uma obra atravessada pela própria fé, respeitando fundamentos e convidando artistas que também pertencem a esses territórios. Falamos sobre Xuxa e sobre a insistência da liberdade em determinar como uma mulher deve apresentar o próprio corpo a qualquer idade. No caso dela, depois dos 60, porque quando ela era jovem também lhe era permitido ser sexualizada e objetificada, porque isso era um resultado bom para o entretenimento.
E falamos sobre o Neymar para observar como a agressividade masculina ainda recebe uma tolerância que dificilmente seria concedida a uma mulher. A polêmica nunca é apenas uma polêmica. Por trás acusações dirigidas à Anitta, existe uma disputa sobre quem pode apresentar as culturas e sexualidades afro-brasileiras no centro da música pop. Por trás dos ataques ao figurino da Xuxa, existe o controle sobre o corpo, a sensualidade e o envelhecimento das mulheres.
E por trás da reação do Neymar, existe uma cultura que ainda confunde masculinidade com a incapacidade de escutar críticas. Ser uma figura pública não significa aceitar violência, invasão de agressividade ou ataques pessoais. Existe uma diferença fundamental entre crítica profissional e agressão, mas ocupar um espaço de enorme visibilidade também significa compreender que o próprio trabalho será observado, analisado e questionado.
Talvez maturidade profissional seja justamente saber separar as duas coisas, avaliar se existe algo relevante naquela crítica, tomar uma atitude quando for necessário. Quando ela não trouxer nada de construtivo, simplesmente seguir o baile, segue em frente. Nem toda provocação merece resposta. Às vezes o silêncio não é submissão, é inteligência, estratégia, preservação de energia. Afinal, discutir com cada pessoa indignada na internet é um emprego de tempo integral.
E felizmente, Anitta e Xuxa já tem uma carreira. Polêmica pode gerar comentários, manchetes e deixar os algoritmos bastante satisfeitos. Mas se ficarmos somente no escândalo, significa que a gente não aprendeu nada. E aqui na Hora do Sabá, ela é apenas um ponto de partida. E o que nos interessa de fato é compreender os preconceitos, as desigualdades e as disputas escondidas por trás daquilo que viralizou. Porque escutar mulheres também significa respeitar o direito de criar, envelhecer, viver a própria espiritualidade, exercer a própria sensualidade e continuar ocupando o espaço público sem precisar se explicar o tempo inteiro.
A gente encerra o programa de hoje com Érica Ribeiro e viva o Carnaval! Eu, Sara Mascarenhas, agradeço por vocês permitirem que eu entre na casa de vocês trazendo tanta deidade, tanto sobre a mulheridade. Essa foi mais uma Hora do Sabá. Obrigada pela escuta, pelo carinho, por abrir casa de vocês para nossa ciranda. E não esquece, a campanha Apoia.se tá rolando, é só você acessar lá apoia.se/horadosabá. Até a próxima! E não esquece, escute mulheres, que a mulherada tem voz.
Hora do Sabá
Apoio ao programa