Laura Reis
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Laura Reis
- Conferência Mulheres na TecnologiaDesigualdade de gênero na área de tecnologia · Incentivo cultural para mulheres em áreas STEM · Percurso de empreendedorismo de Laura Reis · Startup Chitec e seu papel na inclusão feminina · Prêmio Mulheres na Tecnologia nos Cabo Verde Digital Awards
- Empoderamento FemininoInvestimento em talento feminino na tecnologia · Apoio a mulheres empreendedoras e negócios informais · Equidade de gênero em Cabo Verde
- Energia RenovavelFundação da startup PV Serviços · Potencial de Cabo Verde em energias renováveis · Conexão entre energia e benefício para comunidades femininas
Geração Digital Porquê que somos tão poucas? Perguntou-se a dada altura Laura Reis ao constatar que na área das tecnologias as mulheres estavam em minoria. Laura licenciou-se em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores. Interessou-se pela área da energia e logo aí fundou uma empresa.
Mais recentemente, na gala dos Cabo Verde Digital Awards, ganhou o prémio Mulheres na Tecnologia e viu a startup de que é cofundadora, a Chitec, ganhar outros três. Hoje, fala-nos deste percurso de empreendedorismo e desta startup empenhada em abrir novos horizontes às mulheres em Cabo Verde.
A questão do género, ela foi se impondo naturalmente ao longo do meu percurso. Quando comecei a trabalhar na área de tecnologia em Cabo Verde, apercebi-me de que muitas vezes nas salas era a única mulher.
No início, acho que fiz com o que todas fazem, é tentar ignorar. Mas com o tempo foi tornando um pouco impossível não ver o padrão. Nas reuniões, nas decisões, nas oportunidades, sempre estavam mais homens do que mulheres.
E foi esse desconforto que trouxe a sensação de que algo estava erado e me fez parar para perguntar porque é que somos tão poucas e o mais importante, o que é que podemos fazer para mudar isso?
Chegou a algumas conclusões? Fui vendo que culturalmente as mulheres são incentivadas mais a ir para as áreas de cuidado, medicina, enfermagem, professores. Então, creio que um dos problemas era realmente isso. Estava a faltar o incentivo às meninas para participarem nas áreas tecnológicas.
Quando escolheu licenciar-se em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, como é que fez para encontrar o seu incentivo para ir para uma área onde há tão poucas mulheres? Eu sempre gostei de trabalhar com computadores, desde a época do liceu. Então foi isso que me levou para a área. Foi num dia da apresentação. Estávamos a ter o que antigamente era chamado de orientação profissional.
Tivemos apresentações de várias profissões, então me identifiquei muito mais com a área de Engenharia Eletrotécnica. E é esta área em que trabalha e, entretanto, é cofundadora da Citec, uma startup que se dedica exatamente a isto, a tentar levar as mulheres a perceber o que é que há também para elas nesta área das tecnologias, não é?
como é que como é que vos surgiu a outra cofundadora que também já esteve aqui na geração digital esta ideia é isto que vamos fazer desta forma
Foi justamente por causa da primeira questão. Ficamos a observar o padrão de ter muitos homens e poucas mulheres na tecnologia e às vezes víamos mulheres incrivelmente capazes a ficarem fora do ecossistema digital justamente pela falta de informação do que é que podem fazer, do que é que não é possível fazer e pela informação errada que...
Acho que muitas meninas que fazem parte da STEC tiveram inicialmente que a tecnologia é uma área para homens porque exige muito tempo, as mulheres não têm tempo para dedicar e etc. Daí surgiu a ideia de criar um espaço justamente para quebrar esses tabus e para incentivar as meninas a entrarem na tecnologia. Como é que acha que tem estado a funcionar? Como imaginaram?
está no percurso que queríamos. E acredito que tanto para mim como para as minhas outras colegas está a trazermos muito orgulho. Um orgulho ainda com um pouco de inquietação porque sentimos que ainda falta muito a se fazer, mas...
Estamos a conseguir ver muitas meninas que passaram pela CITEC a liderar projetos, a trabalhar em empresas e isso com certeza está a trazer-nos muito orgulho. Este prémio para si, este prémio dos Digital Awards de Cabo Verde, este prémio Mulheres na Tecnologia.
O que é que significa para si? Acha que tem potencial para mudar alguma coisa na sua vida ou no fundo é uma validação e não mais do que isso? Acredito que tem muito potencial para mudar muitas coisas na minha vida porque é um reconhecimento do trabalho que temos vindo a fazer, é um pouco de responsabilidade acrescida.
E como é que eu posso dizer? É um prêmio que para mim não é apenas meu, mas representa todo o trabalho que nós mulheres da comunidade CITEC temos vindo a fazer na área de tecnologia em Cabo Verde. E também muda muita coisa, como estava a dizer atrás, um pouco de visibilidade para o contexto de mulheres que trabalham com tecnologia.
E quem sabe, como é que eu vou dizer isso, traz um pouco de uma abertura um pouco maior para Cabo Verde, para ver que tem talentos na área da tecnologia e talentos femininos. Senta às vezes que não há muito na sociedade cabo-verdiana essa facilidade em ver o talento feminino, é isso?
Antigamente existia mais, mas agora, nos últimos dois anos, tem vindo a se investir bastante no talento feminino, na tecnologia em Cabo Verde. Ainda é um pouco discreto, ainda não tem todo o espaço que os homens têm.
na tecnologia, mas tem vindo a se investir. A Laura Reis é uma pessoa com um espírito empreendedor inato, como aliás tantas mulheres têm. E foi esse espírito que a levou a fundar também uma outra startup em tempos virada para a energia.
Sim, foi a PV Serviços. Foi um capítulo muito importante na minha vida como empreendedora. As energias renováveis sempre me fascinaram. Acredito que o Cabo Verde tem um potencial enorme nessa área e queria fazer parte desta transformação. Daí criei a empresa PV Serviços, que trabalhava com energias renováveis.
E como costumo dizer, o caminho de empreendedores são raramente lineares e esse projeto acabou por me abrir portas para a área da tecnologia, que é onde estou hoje, mas ele continua ativo, só que agora é dirigida por uma outra pessoa e tem um outro nome. E o seu interesse pela energia ficou um bocadinho de lado, mas existe.
Sim, existe sim, até porque é uma parte da minha área de formação. Então, eu estudei parte de eletricidade e energias renováveis e gosto muito, mas sou mais apaixonada por tecnologias, por isso acabei por deixar essa parte de lá.
E esta questão da qualidade de género em Cabo Verde, verifico que é também muito importante para si, porque mesmo nessa atividade relacionada com a energia, estava a tentar beneficiar comunidades de mulheres que não têm acesso muito fácil à energia, até porque o custo da energia muitas vezes é impeditivo. Está confiante na evolução desta questão em Cabo Verde?
Em Cabo Verde eu estou otimista em relação a esse ponto porque temos vindo a ter bastantes incentivos para as mulheres, tanto para a área do empreendedorismo, áreas tecnológicas e também para áreas ligadas a energias. Atualmente tem vindo a ter várias formas de acesso a investimentos para projetos criados por mulheres.
Então, Cabo Verde está mesmo a investir para a equidade dos géneros. Quais são os seus desejos em relação à CITEC para este ano?
Bom, para este ano, o meu desejo é que continuemos no mesmo caminho. Como escola, estamos a criar cada vez mais formações para as mulheres. Inclusive, terminamos uma ontem, que é para mulheres empreendedoras. Temos vários projetos para o ano de 2026 e desejo que consigamos concretizar todos eles.
Quero destacar um ou outro. Para este ano temos uma formação que será com um parceiro internacional que vamos lançar para trabalhar com mulheres empreendedoras que têm um negócio informal, que são as que chamamos em Cabo Verde e Rabidantes.
Elas não utilizam nada de tecnologia nos seus trabalhos, o pagamento é em dinheiro, então vamos fazer um trabalho com elas para morar isso. Laura Reis, distinguida em Cabo Verde, nos Digital Awards, em março, na categoria Mulheres na Tecnologia. A G-Tech, de que é cofundadora, foi tripla vencedora, ganhou em Melhor Projeto de Inclusão Digital, Escola Digital e Startup Promessa.
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