Episódios de Papo de Cinema

#264 :: Eclipse

07 de maio de 202639min
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Já em cartaz nos cinemas brasileiros, Eclipse chega cercado de interesse após passagem pela 49ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Dirigido e estrelado por Djin Sganzerla, o longa propõe um thriller que articula temas como violência contra a mulher, ancestralidade e resistência, explorando as tensões entre ciência, intuição e espiritualidade a partir de uma perspectiva feminina. O elenco ainda reúne nomes como Sérgio Guizé, Selma Egrei, Helena Ignez, Luís Melo, Clarisse Abujamra, Gilda Nomacce, Pedro Goifman e Julia Katharine.

Na trama, Cleo, uma astrônoma de 43 anos, grávida e emocionalmente fragilizada, tem sua rotina transformada pela chegada de Nalu, sua meia-irmã de origem indígena. O reencontro faz emergir segredos e memórias fragmentadas, conduzindo ambas por uma investigação marcada por elementos sombrios.

Neste episódio do podcast Papo de Cinema, o editor do site Robledo Milani recebe a própria Djin Sganzerla para conversar sobre Eclipse!

Assuntos8
  • Eclipses e reverberaçãoViolência contra a mulher · Ancestralidade e resistência · Ciência, intuição e espiritualidade · Perspectiva feminina · Machosfera e fóruns online
  • Finitude e fragilidade humanaAbuso e violência doméstica · Dualidade do agressor · Ternura e amor em meio ao trauma · A alma humana e suas contradições
  • Eclipse como Thriller e Denúncia SocialTensão e suspense psicológico · Equilíbrio entre denúncia e entretenimento · O espectador como parte da narrativa · Imaginação e sugestão visual
  • Elenco e AtuaçõesHelena Ignez e a influência materna · Sérgio Guizé e a versatilidade · Leanne Gaia e a representatividade indígena · Participações afetivas e de apoio · Luiz Melo e a sutileza em cena · Selma Egrei e a construção de personagem
  • Cinema BrasileiroValorização do cinema nacional · Retorno do público às salas de cinema · Qualidade técnica e artística · Experiência sensorial, estética e política
  • A Trajetória de Djin SganzerlaDireção, roteiro e atuação · Influência familiar no cinema · Busca pela autenticidade e liberdade criativa · Primeiros trabalhos e evolução artística
  • Recepção de Eclipse em FestivaisMostra Internacional de Cinema de São Paulo · San Diego Latino Film Festival · Receptividade do público brasileiro e internacional · Comunicação e reflexão geradas pelo filme
  • Simbolismo da Onça no FilmeAnimal sagrado na cultura indígena · Conexão entre o céu e a terra
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Seja bem-vindo ao podcast Papo de Cinema, programa oficial do portal papodecinema.com.br. Aqui a gente conversa sobre filmes, séries, festivais e tudo o que movimenta o universo audiovisual. Prepare-se, porque o nosso Papo de Cinema já vai começar.

Olá pessoal, estamos começando mais uma edição do podcast Papo de Cinema e hoje a gente está muito feliz porque a gente vai falar de cinema brasileiro. Você sabe que a gente torce muito para o cinema nacional, nós apoiamos o cinema brasileiro e melhor do que falar de cinema brasileiro é falar com quem...

faz cinema brasileiro. E eu tô com a Jean Gazella, que é diretora, protagonista, roteirista, é assim, ó, tá por todas as frentes de Eclipse, filme nacional que tá chegando hoje aos cinemas do dia 7 de maio. Jean, prazer tá aqui contigo. Prazer todo meu. Alegria estar aqui com você.

Que maravilha. Vamos falar de Eclipse, então, que é um filme que já vinha há algum tempo participando de alguns festivais, esteve na Mostra Internacional de Cinema do ano passado, em São Paulo, em festivais não só no Brasil, mas no exterior. Dá uma sensação de alívio, quando a gente finalmente vê o filme na tela em cartaz e entregue para o público.

É uma sensação de missão cumprida, né? Você realmente faz tudo isso para esse momento, para o público ter acesso a essa obra, refletir, mergulhar e ter essa experiência que é única dentro do cinema. A gente tem falado muito sobre esse resgate dessa experiência, desse momento de, poxa, as pessoas precisam voltar para as telas, as pessoas precisam voltar para as salas, curtir esse prazer da sala escura.

descobrir um filme, dessa experiência coletiva compartilhada. Tu acha que o cinema brasileiro está num bom momento para isso? Então estou falando só desses... Parece que são episódios singulares, esses fenômenos que a gente teve ali do Agente Secreto, do Ainda Estou Aqui, mas eu acho que é mais um momento contínuo, que a gente tem visto tanta coisa boa que merece atenção. Sem dúvida. Eu acho que o cinema brasileiro esteve muito bem há muitos anos, está muito bem há muitos anos.

Talvez, como você mesmo mencionou, a gente teve esses momentos de estrelas, de obras que pipocaram, que tiveram esse espaço de reconhecimento mais do que merecido. Mas o cinema brasileiro está fazendo um trabalho muito bonito. Realmente, eu fico orgulhosa. Acho que tem filmes de...

excelente temática, excelente qualidade técnica, excelentes atores, eu acho que nossos atores estão no nível dos melhores atores do mundo. Então, você tem realmente uma chance de ter uma experiência cinematográfica, de ir lá e se transportar para aquela tela, ter uma viagem sensorial, estética, política, ou nada, só um puro entretenimento durante uma tarde ou uma noite. Eu acho que é incrível, é único, para mim é uma coisa única ir ao cinema.

É uma grande experiência, realmente. O bacana é que é uma experiência tão particular, mas tão múltipla, né? Porque a gente pode ir sozinho, tu pode ir de turma, mas é a tua relação com aquele filme e, ao mesmo tempo, tu compartilhando isso, esse momento. Nós vamos falar agora do Eclipse, que é um filme, como eu já falei, que está entrando em cartaz agora, então muita gente ainda não assistiu ao filme.

Ao contrário de muitos episódios aqui do podcast, a gente costuma aqui, Jim, pra tu saber, como são dois blocos, a gente costuma ficar mais na ambientação, dando uma ideia mais ou menos do filme no primeiro, e no segundo bloco a gente abre a porteira, fala dos spoilers, revela, revira a volta, esmiúça tudo.

dessa vez a gente vai se conter um pouquinho mais, né? Pra guardar as grandes surpresas do filme. Porém, uma coisa a gente não pode ignorar. Nós estamos falando de um filme brasileiro, de um filme brasileiro que tá repercutindo bacana no Brasil e no exterior. Só que, e a gente tá falando num momento muito bacana do cinema brasileiro, mas também num momento muito urgente do debate dessa temática que o filme fala.

Eu acho que o Eclipse fala essa questão de timing desse filme tá sendo muito preciosa. Eu assisti ao filme recentemente agora, e enquanto a história ia se desdobrando na tela, eu fui ficando surpreso. Sério que um filme que já tá há uns seis, sete meses circulando, já tá falando um tema que agora parece que tá pegando fogo, mas as pessoas estão finalmente acordando pra esse debate. Eu queria saber como é que Eclipse surge pra ti? Como é que tu percebeu que tá pegando fogo?

Não, esse é um assunto que a gente não pode mais ignorar, não pode mais evitar. Tem que botar em cima da mesa, no centro das discussões, e vamos falar sobre isso. Eu queria que tu se debruçasse um pouco sobre a origem do eclipse.

É curioso você dizer isso, porque eu acho que os artistas, quando eles estão realmente mergulhados em conceber sua obra, às vezes umas anteninhas da intuição, da percepção, estão abertas. Então, o que eu quero dizer com isso? Tem muita pesquisa, muito mergulho no meu trabalho, eu vou contar um pouco como é que foi essa criação, mas ao mesmo tempo tem essa sincronicidade, como é que as coisas vão acontecendo e a gente não entende como, e o universo vai falar, nossa, está tudo conspirando ao mesmo tempo.

Eclipse nasceu de uma história muito curiosa. Eu escrevi junto com a Vana Medeiros, ela é co-roteirista comigo, junto com o meu primeiro longa-metragem, que foi Mulher e Oceano, que a gente teve uma trajetória, tivemos 15 prêmios com o filme. E pensando no que a gente ia falar, as temáticas do filme, eu queria falar sobre o universo feminino mais uma vez, ela também, esse mergulho nesse tema para mim tão precioso. E nos caiu em mãos uma matéria que já tem mais ou menos...

12 anos, de uma americana, vou tentar não contar muito aqui, ela era casada com um policial, porque a gente deixa pra segunda parte contar os detalhes, pra não entregar demais sobre o filme. Isso. Um casamento maravilhoso, e de repente, por acaso, ela era uma mulher que não era muito ligada tanto às redes sociais, às mídias, e aos fóruns, e de repente ela se debruça com um novo marido, através de um...

pequeno mergulho que ela dá no computador dele. Então ela descobre uma personalidade nova, um homem que tinha pensamentos estranhíssimos, que ela nunca imaginou que ele teria ao lado dela, pelo contrário, ele era muito romântico, cuidadoso, e ela começa a ficar apavorada de ver que aquele homem não era o mesmo homem que ela tinha ao lado dela. E ela pede a separação e vai até a justiça e diz, olha, sem eu contar os detalhes aqui, porque eu vou entregar um pouco do filme, esse rapaz...

algo tem que ser punido, tem que ser processado. Ele destilava ódio em relação às mulheres, e não só a mulher dele. E a justiça, de uma forma muito americana, disse não, como é um espaço para fantasias, vocês podem destilar o que quiserem. Os homens podem destilar todo o ódio, dizer como matar uma mulher, como executá-la, como cortá-la, esquartejá-la.

como eles vão estuprá-la, se ser uma fantasia, desde que não venha para a realidade. Que disse que não vai vir para a realidade, né? E ela mesma argumentou isso.

Que absurdo, nossa. E aí a mulher seguiu, apavorada, se separaram, e aquilo me chamou muito a atenção. Eu falei, como assim a justiça protege essa defesa, esse ódio, essa possibilidade de você destilar todo o seu ódio contra as mulheres em diversas formas, como isso está disseminando a favor.

desse pensamento, sem contar muito, aquilo me chamou atenção, eu falei, não, isso é a parte do caldo da minha história. E ao mesmo tempo pipocava muitas histórias.

dos jogadores de futebol. Se você pensar de uma forma feita, são rapazes que têm tudo. Conseguiram a fama, as melhores condições sociais e financeiras. Tem tudo. E por que esses rapazes têm interesse em dominar uma mulher? Forçar a mulher a fazer sexo com ele? Não por uma livre despontânea vontade da mulher, mas através do domínio. O sexo vira uma coisa como um domínio.

Então, tudo aquilo começou... Eu comecei a repensar sobre isso. E escrevemos esse roteiro, foi ao longo de um ano e dois meses. Foi um processo super meticuloso. A gente teve uma consultoria de roteiro com um cara fantástico. Então, foi um processo lindo. Quando eu comecei a filmar, ainda não sabia de muitos casos, de repente, eu me deparo com a Gisele Pelicô.

que me tocou muito. Eu ia mencionar, exatamente, por isso que eu falei questão de timing, porque o livro dela, O Hino à Vida, para quem não sabe, eu acho que é super importante a gente estar atento a esse tipo de coisa, está sendo lançado agora no Brasil. Então, por isso que eu pensei, nossa, o livro há um mês atrás, dois, que chegou às livrarias brasileiras, um episódio muito trágico que aconteceu na França durante décadas da vida dessa mulher, como tu mencionaste. E a gente teve ainda o...

O filme teve um documentário também que estreou há pouco tempo na Netflix, que é por dentro da machosfera, que é sobre esses ambientes virtuais dos homens. E daí a gente teve o outro episódio de uma semana, de um ator brasileiro promovendo o curso de como ser homem. Ou seja, tudo acontecendo quase simultâneo. E daí chega o eclipse. A impressão que eu tive assistindo o filme era assim, cara, era a peça que estava me faltando nesse quebra-cabeça para a gente ter essa visão completa de que, olha, toda ação precisa ter uma reação. O eclipse está ocupando esse espaço.

É isso aí. E, então, eu... Foi... Quando eu li a...

Quando eu soube do caso da Gisele, lágrimas caíram no meu rosto. Que tristeza essa coincidência. E, ao mesmo tempo, eu vi uma similaridade muito grande com o personagem que eu escrevi. Porque ela, relatando na biografia, ela fala que, para quem não sabe da história, o cara destuprou a mulher. Enfim, não quero entrar nesses detalhes, porque eu vou perder o nosso tempo de falar do filme, mas depois você conte um pouco sobre a Gisele, do estupro, do que o marido fez com ela, dos abusos. Mas eu vou falar do que me chamou muita atenção, que ela dizia...

Claro que ele fez tudo isso. Foi o primeiro amor da vida dela. Eu li bastante sobre ele. Foi o primeiro amor da vida dela. E tem dois filhos. E por conta das monstruosidades, que a gente sabe que a imprensa trouxe a tona do que ela sofreu, mas ela fala também no livro sobre a ternura, a delicadeza.

que ela não perdeu isso por ele até hoje, que ela continuava vendo aquele homem também. Então, o que me interessava tanto era isso. Não era simplesmente retratar um monstro e pronto, e os homens são uns monstros, não é isso. E sim a complexidade também emana. Porque como é que você é capaz, ao mesmo tempo, de ser um gentleman, como ela fala, um cara carinhoso.

amoroso, e ao mesmo tempo botar uma mulher com quase 50 homens, estuprá-la, sedá-la, que é a história da Gisele, sedá-la, vendá-la, machucá-la, encharcá-la, fazendo com que ela achasse que estava com problemas sérios, psíquicos, de remédios que ela tomava para poder dopá-la.

Então é uma coisa assim, de uma monstruosidade que o cara fez, de uma coisa assim, você não consegue ter palavras para definir. E ao mesmo tempo ela fala em ternura. Então tudo isso para dizer que me interessa também a alma humana. Como é que o ser humano é capaz de tudo?

Eu acho, Jim, ainda mais do que isso, eu foquei muito na personagem da Cleo, que é a tua personagem, a protagonista do filme. Me chamou muito a atenção, porque a Cleo, obviamente, quando ela começa a ter essa suspeita...

em relação ao companheiro dela, ela procura ajuda, ela vai falar com outras pessoas, e é engraçado como as outras pessoas é muito prático, não, te afasta, te separa, investiga, tira o celular, sai correndo, mas é um embate, é um conflito...

O psíquico me chamou a atenção, porque é muito forte para ela. Ela não vai fazer isso, não é um 880, é um abrir e fechar a porta. É uma ruptura muito grande, não só eu estar aqui ou estar lá, mas em toda uma ideia de vida que ela construiu. E esse é o embate que ela tem que passar durante o filme. E a maneira como essa personagem atravessa essa questão, para mim, é o mais rico do filme.

Que bonito. E é exatamente isso, a dificuldade dela de conseguir enxergá-la. Ela tá enxergando, porque ela tá vendo com os olhos, mas é o mesmo tempo, como é que eu aceito? E eu coloquei esse dilema que ela tava grávida, que é um momento muito difícil pra mulher. E no fundo, é pra falar de todas nós, que a gente tá sujeito a isso, todas nós, a qualquer momento, em qualquer situação. Então é uma reflexão sobre tudo isso.

Exato. Dino, não sei se tu lembra, tem uma história, vou dar uma volta, mas vou voltar para o Eclipse. Alguns anos atrás, algumas décadas atrás, lá no final dos anos 80, início dos 90, a gente teve uma atriz em Hollywood que surgiu meio que do nada e se tornou um fenômeno mundial.

todos nós conhecemos, a Julia Roberts. Julia Roberts era uma menina que fazia algumas pontas e tal, dela fez Uma Linda Mulher, boom, explodiu o mundo inteiro. E um dos filmes que ela faz logo em seguida, depois de Uma Linda Mulher, é um filme que na época foi visto tipo, ai, que exagero, ai, que absurdo. Por que ela foi se meter nesse tipo de filme e tal?

que é o Dormindo com o Inimigo. Eu não sei se tu lembra desse filme, desse thriller. E é curioso porque naquela época esse filme foi visto como uma coisa exagerada, uma coisa absurda, uma coisa só de fantasia. E agora a gente vê esses casos, agora voltando para o eclipse. A Cleo literalmente está dormindo com o inimigo. Ela está com essa pulsão do lado dela, que ela não sabe se acredita ou não, se é verdade ou não, por mais que os fatos vão surgindo e durante todo o...

Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, Hã, H

Ou seja, o Eclipse mantém ainda essa aura de thriller, né? Tem quase um... É um thriller, exatamente. Tu vê aquilo, quando tu vai te envolvendo com essa personagem, tu vai torcendo. Em algum momento lá no filme, tu quer reagir como as amigas e as colegas e tal. Não, sai fora, enfrenta, luta. Mas a medida que tu vai simpatizando com a personagem, vendo o drama que ela tá enfrentando...

tu vai perceber também o quão complexo é tomar esse tipo de atitude. Então, esse equilíbrio entre denúncia social e entretenimento, porque cinema é entretenimento também, né? De thriller, de gênero, de trabalhar com a relação com o espectador, tudo. É muito bem equilibrar no filme. Isso foi o que mais me despertou. Cara, eu tô ligado aqui, mas tô ligado ali também. Eu tô refletindo sobre o que tá acontecendo, mas eu tô curioso pra saber o próximo desdobramento da ação.

Que demais você dizer isso, porque essa era a minha intenção desde o início. Ao mesmo tempo que você constrói, eu estou falando de um filme de gênero, então você constrói todas essas pistas, essa tensão, essa angústia que o espectador quer quase suspender da cadeira, será que vai acontecer? Antecipando as expectativas, ao mesmo tempo trazer uma reflexão, trazer um pensamento por trás, então tudo isso casado.

Como é que é? Tu usou a analogia, tu citaste agora como exemplo os jogadores de futebol, e daí eu vou fazer essa analogia. Como é que é jogar em todas as posições do campo, Jim? Porque tu tá à frente, tu tá atrás das câmeras, tu tava meses antes lá fazendo o texto, tu tá cuidando do resultado. Tu é a diretora do filme, tu é co-roteirista, tu é a protagonista. Como é que é jogar em todas as frentes?

de uma forma muito ampla e maravilhoso, porque eu acho que como ser humano eu aprendo em todos os aspectos, assim, agora eu tô à frente, acompanhando essa distribuição, então eu falo, gente, que incrível que é, porque você pergunta sobre, ah, eu sou capaz de responder, mas em relação a esses temas, né, mas ao mesmo tempo é muita entrega, sabe, Robledo, dizendo de uma forma muito sincera, é muita entrega, muita paixão e muito cansaço, muito, muito, muito cansaço.

Porque são coisas muito distintas dirigir e atuar. Muito distintas. Eu comecei como atriz, então, para mim, estava dentro de mim. O processo de atuar é uma extensão do meu corpo. É algo que eu faço muito orgânico, muito natural e eu amo. Então, eu escrevi o roteiro. Primeiro, eu pensei em atuar, mas estava um pouco distante, porque eu sabia...

entre aspas, o perrengue que eu ia me meter, mas... Aí depois eu falei, como não? Porque eu me apaixono enquanto eu estou escrevendo, eu vivo aqueles personagens, eu penso em cada um falando seus textos, tanto Tony, Danaluda, Cléo, personagens menores, então eu vivencio cada personagem quando a gente está construindo aquele diálogo. Bom, passando aí, eu falei, agora eu vou para a direção. E aí, só que a direção junto com a atuação, a direção é algo que...

ela demanda outro processamento completamente diferente dentro de você. Por mais que seja muito criativo, tem um lado de logística, de organização, de metodologia, de fazer a coisa funcionar e, ao mesmo tempo...

Criação como ator é delicada, ela é sutil, ela requer preservação, o ator tem que estar com uma boa saúde, se ele está exausto, acabado, claro que dependendo do personagem até cabe, mas você tem que preservar a energia do ator.

E a direção, você vai, vai, vai, vai, tá tudo bem, você tá por trás. Então como é que você guarda duas energias tão opostas? Toda vez que eu termino, eu falo, eu quase morro, é uma coisa assim, um parto, literalmente igual ela, pare lá no filme. Eu lembro em planos que eu exausto, situações mais difíceis, eu falo, gente, dá de tudo, porque esse take pode ser pro resto da vida, esse, você não sabe se é o outro, então a entrega tá dentro de mim, então eu já tinha essa consciência que vai.

Vai, vai, vai, vai com todas, porque vai ficar pra sempre. Gente, você sabe por que a Jean aprendeu desde muito cedo que o cinema é pra sempre? A gente vai falar sobre isso no segundo bloco. E agora eu vou deixar vocês, então, com um pouco de eclipse. Vamos assistir algumas cenas do filme, agora, num breve intervalo, e depois a gente volta pra esmiuçar mais e mergulhar de vez em eclipse. Curioso você aparecer assim, sabe? Minha irmã. É um presente? Pode abrir.

Malu, não tô entendendo, querida. Pode me odiar. Porque eu te odiei muito. Durante muito tempo. Nunca vi te tratando mal uma mulher. Léo, ele não era seu pai também. Eu acho um absurdo ela vir falar isso agora. Você tá grávida, meu amor. Você tá me dando o melhor presente da minha vida. Sua história tá bem esquisita. Será que eu não tenho outras intenções? Já ouviu falar num site chamado 227-chan? Já.

Uma espécie de fórum anônimo. É o esgoto da internet. Alô, eu quero fazer uma demoração. Estamos de volta aqui com o podcast do Papo de Cinema. Hoje nós estamos falando sobre Eclipse. Eu tenho um prazer imenso de estar aqui comigo. A diretora, protagonista, co-roteirista do filme é Jeans Gansela. Mas antes da gente começar a falar desse filme. Gente, se você está nos acompanhando até agora. Não esqueça de seguir o Papo de Cinema. Arroba Papo de Cinema em todas as redes.

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de eternizar o trabalho do artista que o cinema tem. E isso está muito neste sobrenome que você carrega, nesses genes que você tem aí contigo. Nós temos a maravilhosa Helena Inês, a tua mãe, fazendo uma participação no filme, que é sempre de emocionar quando a gente vê a V em cena.

Todo o aprendizado que tu teve com teu pai, aliás, um dos primeiros filmes que tu fizeste foi com ele, né? Como é que é carregar essa responsabilidade, toda essa responsabilidade parental que vem junto contigo? É incrível, mas, ao mesmo tempo, é sempre...

Tento me libertar dela da forma mais amorosa possível. Ao mesmo tempo, eu só sei ser assim porque nasci assim, nasci dentro dessa família. Então, são duas figuras incríveis, muito particulares, muito amorosas e, ao mesmo tempo, que me deram espaço para ser quem eu sou. De certa forma, acho que...

Eles pregavam essa liberdade no trabalho deles e, de alguma forma, eu acho que eu fui cada vez mais introjetando isso dentro de mim também. Eu acho que eu sou muito diferente dos dois. É uma filha que fui muito apegada, amamei até cinco anos, olha só, Roberto. Então, muito apegada a minha mãe. Imagina que uma artista, uma atriz, deu de mamar cinco anos a uma menina, imagina. E muito igual a meu pai, meu pai digitando, fazendo roteiro, na época era para a máquina de escrever, mas me dava...

com o bebê pequenininho, então foram muito amorosos, ao mesmo tempo pessoas, figuras, pensadores, artistas, né, à frente do seu tempo, com muitos e muitos aspectos, e eu acho que disso eu aprendi a ser, buscar ser eu mesma, que no fundo, parece uma coisa simples, mas não é, é você e eu encontro.

de quem a gente verdadeiramente quer ser, ser protagonista da minha própria existência. É buscar os meus sonhos, a minha forma de me expressar no mundo, como eu entendo o cinema de uma forma muito minha e não através do olhar deles, mas, ao mesmo tempo, isso tudo é uma escola para mim, o tempo todo.

Deixa eu fazer um quiz aqui contigo. Tu sabe qual é o primeiro crédito da tua filmografia no IMDB, o Internet Movie Database, que é o maior banco de dados da internet do mundo? Sabe qual é o primeiro filme que consta a tua participação? Deve estar errado, não sei. Um Lobisomem na Amazônia, do gigante Ivan Cardoso. Começou bem antes disso, né? Sim.

Exatamente, meu primeiro filme foi com meu pai, eu fiz o Signo do Caos, eu tinha ali 18 anos. O filme do Ivan Cardoso, eu já tinha feito...

três longas. Já tinha protagonizado um longa inteiro, que Meu Nome é Dindi, já tinha feito, acho que Falsa Loura, do Carlão Raixê Bá, mas não tinha feito temas. É isso que eu ia dizer. O meu primeiro encontro contigo nas telas, acho que foi com Falsa Loura. Eu me lembro desse filme, da expectativa que foi de voltar a ver o Carlão, um baita filme, um filme que movimentou muito o meio naquela época, e um baita elenco, também tudo reunido. E outro mestre, Carlão, Poxa!

Poxa, que saudades todos temos, né? Foi incrível. E ele me deu esse privilégio de ganhar o prêmio de Melhor Atriz com a Adjurvante, que foi o prêmio do filme, foi o meu prêmio no Festival de Brasília. Ah, que lindo, que lindo. Demais. Carlão era uma figura sensacional. Outro dia eu pensei nele, que honra que eu teria de tê-lo na minha pré-estreia, sabe? Porque que ser humano lindo. Fora um grande editor, enfim.

E nós temos, assim, eu vejo que, apesar da... Porque, às vezes, alguns realizadores querem agregar. A gente sabe que cinema é uma atividade também de turma, né? Tu tem, assim, as pessoas que tu confia, tu quer estar por perto e tal. E como é muito trabalhoso, leva muito tempo, é bom a gente ter junto as pessoas que a gente trabalha e tudo.

mas a gente percebe muitas participações carinhosas, até afetivas. São personagens meio que estão passando, mas meio que dando seu aval também. A gente tem a Júlia Nomás, a gente tem o Gustavo Vinagre, Luiz Melo, a Júlia Caterina. Tem tanta gente bacana envolvida no filme. Como é que foi trazer todo esse povo? Gente, é um papel minúsculo. Vocês nem vão falar, mas eu quero ter o registro de vocês junto comigo nesse momento.

É o que você falou, no fundo são pessoas que a gente adora, admira e são amigos, né? Então quando eu escrevi esse roteiro, pensei só nos personagens e depois... Junto com a Patrícia Faria, que ela cuida da parte do casting, ela ajudou a pensar em alguns atores, me sugeri. O Gustavo, por exemplo, que você citou, ele é tão querido que ele falou, Dinho, eu quero fazer uma figuração no seu filme. Como é que eu posso fazer uma figuração? O Gustavo, se tu piscar, tu perde o Gustavo, é uma coisa... ...

Ele me pediu, e eu fiquei tão honrada, porque era uma festa de aniversário, que era do filme, e aí eu convidei, foi uma coisa linda. A Júlia, eu queria muito, tem poucos personagens, fora os três centrais, tem poucos personagens com uma história muito grande, né?

pontuam, que passam, né? Mas dentro da trajetória tem um importante significado, mas são curtos, são breves. E a Júlia eu queria sim que tivesse ali do lado como uma mulher que é da academia, uma pensadora, uma mulher que também está defendendo seus direitos, ajudando ela. Com voz, né? Exatamente. O Melo é um ator que eu admiro muitíssimo, um grande amigo, uma pessoa muito querida. E aí

E aí, quando eu pensei naquele homem que é o dono da fazenda, é um cara do Pantanal, como não pensar no Mello, no estatão extraordinário, que se multiplica, que se transforma em tantos, no sentido que ele se transfigura o tempo todo. Sim.

O Melo é tão incrível que ele tem uma cena no filme e ali é o primeiro momento que tu te dá conta do qual pode ser o tema do filme, né? Quando ele vem por trás dela e já põe as mãos, tu pensa assim, opa, tem alguma coisa. Ele é tão sutil, tão...

tão delicada a situação, mas objetivo no que tenha sido dito ali, que é o acordar do espectador. É perfeito tê-lo ali naquele momento. Exatamente isso. Ele é o pai do menino que dali tudo começa a acontecer. E aí pensei no Pedro Goffman, que é filho de cineastas também. É um cineasta, é um ator jovem, maravilhoso, promissor. Então eu fui procurando também atores pelas suas sutilezas, pelas suas características como atores, sabe? A Gilda é uma amiga que eu tenho há quase 30 anos. Maravilhosa.

E é uma pessoa incrível, uma atriz maravilhosa. Então, ela tem uma participaçãozinha. Você vê que o público, toda vez que na edição a gente via reagir, eu encantava vendo a reação dela, como ela guardava aquele papelzinho, como ela reage ao bilhetinho da amiga. Então, são detalhes. E aproveitam cada segundo. Isso é uma inteligência cênica que eu acho incrível. Além de tudo, eu me deleito vendo esses atores. Bom, a gente está falando dessas todas...

Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães, Hães

A tua mãe, a Selma, a Selma também, claro. Ela está maravilhosa. E ela faz a mãe dele, a mãe do personagem central, do Tony, essa mulher que, de uma forma, você percebe que também tudo vem da criação. Eu não vou dar demais expósitos, porque você vai ver que o pai aparece lá na frente. E a mãe está bem do leite, vem daquele olhar dela. Que mulher é essa? Que pensamentos são esses? Que forma de educar um filho? Você vai dando pistas do que é o universo daquele cara.

Mas vamos falar, então, desse trio, como tu mencionaste, porque Eclipse baseia a relação desses três personagens, e são três personagens responsáveis por reviravoltas no filme. O filme já começa com uma grande surpresa, que é a descoberta. Isso nem chega a ser um grande spoiler, mas essa personagem da Cleo, a tua personagem, logo no começo do filme, descobre segredos familiares que estavam enterrados há muito tempo, e isso já vem à tona.

E é só o início da família original para a família atual, da família de onde ela veio para a família que ela está construindo. Tem vários laços paralelos que vão se estabelecendo. Fala um pouco da Lian Gaia, que é essa atriz...

eu não conhecia e estou deparando com ela nesse filme e já meio que encantado como é que ela faz tudo isso, porque ela também é protagonista de muitas sequências, de toda uma trama do filme, que eu acho que tu é muito generosa nesse teu trabalho como diretora, porque tu abre espaço pra eles.

E nesse trabalho também do Sérgio Guizet, que é um ator consagrado, um ator protagonista de novela, de outros filmes, e que aceitou se colocar nesse lugar desse homem para que pudesse toda essa reflexão crítica a respeito da posição masculina hoje em dia. Então fala um pouco desses dois, como é que foi trazê-los para o filme?

A Leanne foi uma descoberta, na verdade. Eu queria muito uma atriz de origem indígena, não queria uma atriz que se passasse por uma atriz de origem indígena, sabe? Boa. E quando eu filmo, eu procuro realmente seguir os lugares. Eu filmei numa casa de uma aldeia indígena, não queria fazer de conta, construir uma casinha. Claro, às vezes você precisa disso. É uma exigência, porque as circunstâncias não te permitem. Mas se podem, eu prefiro de fato o que é, o que existe.

para manter a tradição mesmo. E, no caso, eu filmei com uma avó, ela é uma mulher indígena, falando em Guarani. Então, eu busquei a Alian dentro do universo de atrizes de origem indígena. Foram muitos testes. Ela foi a atriz que foi escolhida.

E desde sempre eu queria uma mulher que não fosse óbvia, sabe? Eu queria uma personagem, consequentemente uma atriz, que saísse de qualquer estereótipo da mulher indígena submissa, doce, delicada, frágil.

sempre ao lado, né? Não, e sim uma mulher, volta a usar essa mesma expressão, protagonista da sua própria história. Uma mulher forte, corajosa, poderosa, misteriosa, enigmática, que você não completamente decifrasse. E essa mulher, eu não queria que fosse uma branca, eu queria que fosse justamente a mulher indígena.

Então, todos esses atributos que eu acho tão incríveis numa mulher, mesmo passando por momentos de dor, de dificuldade de superação, ela não caía numa autocomiseração, ela não caía na dorzinha convencional, e sim uma mulher que acha forças dentro dela mesmo para superar e continuar vivendo.

Então foi um personagem que eu achei, não era fácil, é complexo, tem cheio de belezas, cheio de mistérios, foi um dos personagens mais importantes do filme, eu falei, bem que eu vou achar. Exato, até porque a Gaia, essa personagem, ela é quase como um Yin e Yang da Cleo, é um outro lado, as duas meio que se complementam, o que falta numa tem na outra, então assim, tu tinha que conseguir estabelecer esse jogo cênico entre as duas de uma maneira muito efetiva, para que a própria história andasse. É um teste, né?

Exatamente. E é esse pequeno quebra-cabeça muito importante, esse pirâmide, né? Cléo, Tony e Nalu. E o Tony, quando eu comecei a escrever o roteiro com a Vanna, eu tinha visto o Gizé, um bom tempo antes, no teatro.

Conhecia o trabalho dele, mas quando eu o vi no teatro, para mim foi uma experiência, essa expressão que eu uso tanto. Foi algo que eu falei, gente, que ator extraordinário, sabe? Que ator cheio de sutileza, cheio de verdade, cheio de frescor, cheio de fúria, cheio de doçura, tudo junto num momento só e ao mesmo tempo muito bem controlado. Tinha uma inteligência cênica muito incrível, muito incrível.

E eu saí estupefato, falei, nossa, que ator. Daí quando eu comecei a escrever a trama, eu falei, ele vai ser o cara ideal para fazer o Tony, porque ele tem as duas características, ele pode ser esse homem romântico, delicado, amoroso, ele é bonito, ele tem todas as características do galã, e ao mesmo tempo ele é essa sombra, ele pode ser esse homem estranho, que tem um mundo obscuro, que é um mundo cheio de véus, e que você não...

decifra e que transmitia muito perigo. Só que eu não queria um perigo óbvio do grito que bate, nada disso. A inteligência, para mim, teria que ser usada. Então, a gente tem que fazer o terror na cabeça do espectador, a imaginação do espectador, não bater, mostrar a violência contra a mulher de forma alguma. É um filme que trabalha com a sua imaginação e você imaginar o que ele é capaz de fazer. E numa primeira exibição...

do filme, ainda pra equipe e tal, me disseram, nossa, tem uma cena de uma pizza, né? Eu achei que ali ia ter um feminicídio. Eu sei que não tem, porque eu já li o roteiro, mas a tensão que vai criando, algo ali vai acontecer. Então é mais isso que era pra mim interessante do que de fato...

a violência óbvia e explícita, sabe? De forma alguma eu quis usar isso. É impressionante. É impressionante porque eu acho que todo artista quer ter um personagem maior que a vida, né? Aqueles Larger Than Life, aquela grande personagem que meio que tu acaba sendo reconhecido. Tu não quer ficar preso ao personagem, mas tu quer ser aquela popularidade, né? Aquela identificação. E o Sérgio Gizê tem um personagem assim, né? Com o Candinho de Eta Mundo Melhor, né? Que é um...

A novela até ganhou continuação, ele voltou com o mesmo personagem. Foi um personagem muito popular, muito querido. Agora, quem for ver Eclipse querendo ver um outro lado do Candinho, não, não, não, vamos deixar bem claro. Porque é um personagem bem diferente, mostra muito a versatilidade dele como intérprete. E em certo aspecto, mostra também a tua ousadia na escolha dele, né? De chamar ele, ó, vem cá, mas eu quero uma coisa, vamos fazer uma quebra radical, vamos para um outro lado, vamos para um outro conceito aqui.

Exatamente, e ele amou, foi incrível, ele simplesmente agradeceu muito o personagem, e são os grandes atores, eles percebem a oportunidade de se expressar, de mergulhar numa nova história, num novo universo, e ele agradeceu muitíssimo, e se dedicou e fez um trabalho que eu acho lindíssimo, acho que ele está arrasando no filme, os dois. E nos Estados Unidos...

um mês e pouco atrás. É isso que eu ia te perguntar, porque o filme recentemente teve no San Diego Latino Film Festival, nos Estados Unidos. Eu sei que essa carreira por festivais já vem acontecendo há alguns meses. Eu citei antes a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Como é que tem sido essa recepção do filme? É diferente no Brasil? É diferente lá fora? Como é que você tem percebido esses primeiros encontros de eclipse com o público?

Fiquei muito feliz. A primeira exibição foi aqui no Cine SESC, em São Paulo, na Mostra Internacional de Cina. Como é o meu segundo filme, eu poderia estar candidata a competir ao prêmio, porque são só os primeiros diretores de primeiro e segundo filme que podem concorrer.

Mas quem elege isso é o público. Aqui em São Paulo funciona assim. Depois que eu vim saber do número, são 118 filmes que podem participar dessa premiação. Os números da mostra são superlativos. 118 filmes, e dentro desses 118, só 12 concorrem.

E pra você chegar a concorrer, é o público que elege. E Eclipse foi o único filme brasileiro de ficção que entrou em competição. Isso já diz muito como é que foi a receptividade. Foi muito... Uma noite belíssima, a gente teve debate no final e o retorno do público. Foi muito tocante, assim.

E eu vi que fala para mulheres, para homens, para várias faixas etárias, então eu falei, acho que a missão está mais ou menos sendo cumprida aí, tá? Ele comunica mesmo, sabe? E elogiaram muito essa questão da delicadeza, da delicadeza que eu abordo o tema, então de uma forma panfletária, de uma forma agressiva, pelo contrário, você se toca e você reflete e embarca de uma forma muito excepcional, assim, e eu acho que terminar com a Elza, que eu não vou dizer muito, é muito forte.

Quem for lá vai ver o que é terminar com a Elza, quem assistiu. Eu me arrepiei, porque eu li a biografia da Elza, o livro, e depois tem muito material audiovisual, tem uma série sobre a relação dela com o Garrinche, e vendo tudo que essa mulher passou, e a última, quando tu põe a Elza no filme, não vamos falar muito, nossa, eu me arrepiei, eu tipo, cara, é a peça que faltava aqui.

E dou também um presentinho para quem gosta. A gente filmou muito várias onças. Então, agora que eu soube que é, eu vejo que a onça é um animal que é considerada pelos ameríndios, pela cultura indígena da América Latina.

o animal sagrado, o jaguar é o ser mais elevado, então é um animal que comunica entre lá e cá, entre o céu e a terra. Então, para quem ama esse bicho, tem ele como um fetiche, a gente tem muitas onças, e essa onça costura muito essa...

Ela é um fio vermelho que costura a trama de uma forma muito sutil, que eu acho que, de alguma forma, ela traz aí, simboliza... Eu não quero dizer muito para deixar o público ter essa experiência, mas a dignidade, a força, a resiliência e a capacidade da mulher de existir. E no exterior, lá dos Estados Unidos, de outros festivais, como é que o povo se lidou com o filme?

E é isso que eu achei muito encantador, porque eu falei, ah, rola legenda, né, então isso já distancia muito mais, esfria, e não. Foi a mesma coisa, depois de uma Q&A, assim, pessoas bem idosas na plateia, eu falei, gente, uma senhora de 80 e poucos anos falando e conversando, e a Q&A acabou, foi tão legal que as pessoas me esperaram lá fora, aquela fila, foi muito, muito legal, assim. Realmente eu fiquei muito feliz. Tem sido um...

Agora vamos deixar o público quando o filme lançar. Daqui a pouquinho, né? Dia 7. É isso, é isso, Dinho. O filme está entrando em cartaz agora. 7 de maio, lançamento nacional. Vamos torcer agora para o filme chegar ao maior número de espectadores possíveis. Tem uma expressão que tu usou agora, né? Há pouco, dizendo essa sensação de missão cumprida. Tu é esse tipo de cineasta que está ok? Esse era o filme que eu queria tudo? Ou é daquela, assim, que o parto tem que ser radical?

Do tipo, assim, que se ficar olhando mais, vai querer mexer mais, vai querer alterar mais, vai querer...

Como é que tu lida com isso? Tipo, agora não é mais meu, é do espectador o filme. Claro que se eu voltasse lá pra trásão, digamos assim, você vai sempre mexer, porque você está em constante evolução, né? Você está sempre... Aquilo é vivo. Então, meu pai que dizia que, quem não sabe, meu pai dirigiu e montou, né? O Bandido da Luz Vergelha. E ele dizia, se deixar... Vou parar de montar até o final. Então...

Ele era um desses cineastas que completamente... Workaholic e ao mesmo tempo a criação e ebulição o tempo todo. Eu não sou assim, não, bem diferente, mas é claro que se eu voltasse, talvez filmasse outras coisas de outras formas, mas estou feliz com a obra. Hoje a obra é essa e estou feliz com ela. Eu acho que está missão cumprida.

também fiquei muito feliz vendo o filme e mais feliz ainda de te ter aqui nesse episódio do podcast Papo de Cinema. Jim, muito obrigado por ter aceito o nosso convite e ter dividido essas ideias, essa percepção, toda essa tua experiência, vou pegar essa tua palavra agora, toda essa experiência que foi eclipse pra ti, agora compartilhada com o público do Papo de Cinema. Muito obrigado mesmo. Prazer foi todo meu, foi uma grande delícia, viu?

É isso aí, pessoal. O Eclipse está em cartaz já nos cinemas brasileiros. Vamos assistir, vamos valorizar. Quanto antes assistir faz muita diferença para significar continuidade do filme deste e de outros filmes brasileiros para a gente fomentar toda essa indústria do audiovisual nacional. Foi um prazer gigantesco a gente estar falando de Eclipse, novo filme brasileiro encartado nos cinemas. E semana que vem a gente volta com mais conteúdo aqui no Papo de Cinema. Jim, muito obrigado e até a próxima. Até.