Programa Português para África 06.05.2026
Dulce Araújo
Filomeno Lopes
Maria Jaguraba
- Mudanças sociais no BrasilConsciência racial e orgulho · Racismo institucional e leis · Educação como ferramenta de ascensão · Papel da Igreja na conscientização · Maria Jaguraba
- Papa e Conselho Vaticano IILumen Gentium e dimensão escatológica · Reino de Deus como fim da Igreja · Igreja como sacramento universal da salvação · Comunhão entre Igreja terrena e celeste
- Surto de vírus em navio em Cabo VerdeNavio MV Rondius · Medidas de isolamento e assistência · Divergências com a Espanha · Acompanhamento da OMS
- Papa Francisco e Donald TrumpCríticas de Trump ao Papa · Posição do Papa sobre armas nucleares · Diálogo com Marco Rubio
- Juramento dos Guardas SuíçosCerimônia de juramento · História do evento (Saque de Roma) · Homilia do Cardeal Parolin
- Segurança e cooperação Moçambique-África do SulVisita de Daniel Chapo · Violência contra imigrantes na África do Sul · Reforço de cooperação econômica e social
- Lançamento de livro no VaticanoLivro 'Livre Sob a Graça' · Participantes da apresentação
- Nomeação de Bispo em HonoluluRenúncia de Dom Clarence Silva · Nomeação de Michael Castori · Formação acadêmica de Castori
Laudetur Iesus Christus
A Igreja é o sacramento universal da salvação, disse o Papa na audiência geral, em que retomou o ciclo de catequeses sobre o Conselho Vaticano II. A Igreja anuncia o Evangelho. Se alguém me quiser criticar, que o faça com sinceridade, disse Leão XIV, ao responder aos jornalistas acerca das palavras do presidente Trump em relação ao pontífice.
Esta tarde, o Papa presencia o juramento de novos recrutas dos guardas suíços na aula Paulo VI. E esta manhã, o cardeal Parolin presidiu a missa, nesta ocasião na Basílica de São Pedro. Na homilia, recordou aos guardas a sua ligação a Deus mediante uma vida de humildade e serviço.
Estes e outros, os principais temas para desenvolver já, já, nesta nossa edição de hoje. Fica então connosco, boa e serena audição. Estes e outros, os principais temas para desenvolver já, já, nesta nossa edição de hoje. Fica então connosco, boa e serena audição.
Na audiência geral desta quarta-feira, Leão XIV retomou, perante cerca de 30 mil fiéis e turistas presentes na Praça de São Pedro, a sua catequese sobre o Conselho Vaticano II, mais precisamente sobre a Lumen Gentium e a sua dimensão escatológica, ou seja, a meta final da Igreja, que é a Pátria Celeste. Uma dimensão, disse o Papa, muitas vezes minimizada, porque andamos muito concentrados nas coisas...
imediatas e concretas da comunidade cristã. Leão XIV recordou que o caminho da Igreja, povo de Deus, na história, tem o reino de Deus como fim de todo o seu agir. Jesus deu início à Igreja, anunciando o reino do amor, da justiça e da paz.
Somos, portanto, chamados a considerar a dimensão comunitária e cósmica da salvação em Cristo e a elevar o olhar para este horizonte final, para medir e avaliar tudo nesta perspectiva. A promessa do Reino de Deus é anunciada pela Igreja através da celebração dos sacramentos.
de modo particular da Eucaristia. A Igreja é o lugar onde a união com Cristo se realiza. Ela, a Igreja, reconhece que a salvação pode ser dada por Deus através do Espírito Santo, mesmo fora dos seus confins visíveis. A Lumen Gentium afirma que a Igreja é o sacramento universal da salvação, ou seja, instrumento da plenitude da vida e da paz prometidas por Deus.
Isto significa que ela não se identifica perfeitamente com o reino de Deus, mas é germen e início, pois o cumprimento definitivo do reino de Deus ocorrerá somente no fim dos tempos. Por isso, os crentes caminham na história terrena, marcada pela maturação do bem, mas também por injustiças e sofrimentos, sem se iludir nem se desesperar.
A Igreja realiza sua missão entre um já do início do reino de Deus em Jesus e um ainda não da concretização prometida e esperada. Sinal e sacramento do reino, a Igreja é o povo de Deus em peregrinação na terra.
que, partindo da promessa final, lê e interpreta a dinâmica da história a partir do Evangelho, denunciando o mal em todas as suas formas e anunciando, por palavras e ações, a salvação que Cristo deseja realizar para toda a humanidade e o seu reino de justiça, amor e paz. A Igreja, portanto, não anuncia a si própria. Pelo contrário, tudo nela deve apontar para a salvação em Cristo.
Nesta perspectiva, a Igreja é chamada a reconhecer humildemente a fragilidade humana e a transitoriedade das suas instituições, que, embora sirvam o reino de Deus, transportam a imagem fugaz deste mundo. Nenhuma instituição eclesial pode ser absolutizada, recordou Leão XIV. Pelo contrário, já que vivem na história e no tempo, são chamados à conversão contínua.
à renovação das formas e à reforma das estruturas, à regeneração constante das relações para que possam verdadeiramente corresponder à sua missão. No contexto do reino de Deus, outro ponto a ser compreendido é a relação entre os cristãos que cumprem a sua missão hoje e aqueles que já concluíram a sua existência terrena e se encontram em estado de purificação ou beatitude.
A Lumen Gentium, de facto, afirma que todos os cristãos formam uma só igreja, que existe uma comunhão e partilha dos bens espirituais fundada na união de todos os fiéis com Cristo. Uma fraterna solicitude entre a Igreja terrena e a Igreja Celeste.
Ao rezarmos pelos defuntos e ao seguirmos os passos daqueles que já viveram como discípulos de Jesus, também nós somos amparados na nossa caminhada e fortalecemos a nossa adoração a Deus. O Papa concluiu sugerindo que sejamos gratos aos padres conciliares por nos terem recordado essa dimensão tão importante e bela do ser cristãos e procuremos cultivá-la nas nossas vidas.
Ouçamos agora a saudação do Papa em italiano aos peregrinos de língua portuguesa. Um cordial saluto a todos os peregrinos de língua portuguesa. A nossa pátria definitiva é o cielo. Mentre caminhamos neste mundo, não dimentichamos de pregar para os nossos fratelhos e sorelhos defuntos e de recorrer à intercessão dos santos.
Unite a questi e a quelli formiamo una sola chiesa. Dio me benedica. Uma cordial saudação a todos os peregrinos de língua portuguesa. A nossa pátria definitiva é o céu. Enquanto caminhamos neste mundo, não esqueçamos de rezar pelos nossos irmãos e irmãs defuntos e de recorrer à intercessão dos santos.
Unidos a estes e aqueles, formamos uma única igreja. Deus vos abençoe. Nesta quinta-feira, antes da audiência geral, o Papa recebeu em audiência Dom Paulo Borja, anúncio apostólico no Líbano, e o Sr. Gui Parmelan, presidente da Confederação Helvética, com a esposa e o séquito.
Esta tarde, às 17h, na aula Paulo VI, o Leão XIV assiste à cerimónia de juramento dos guardas suíços pontifícios. A data, de 6 de maio, recorda os 147 guardas suíços mortos no ano de 1527, em defesa do Papa Clemente VII, durante o saque de Roma. E, precisamente, na tarde deste dia 6 de maio de 2026,
28 novos recrutas prestam juramento como defensores do pontífice. Numa celebração eucarística esta manhã, na Basílica de São Pedro, para os guardas, o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano,
Depois de saudar, entre outros, o comandante do corpo, Christoph Graf, e as autoridades civis e militares ali reunidos, recordou-lhes que a vida se torna fecunda se permanecermos unidos ao Senhor, entregando-nos assim plenamente a ele.
Exortou-os, então, a lerem frequentemente a palavra de Deus para conhecerem profundamente. Assim como o ramo dá frutos, o vosso serviço diário, tanto em locais importantes como humildes, é uma expressão de fazer o bem gratuitamente, sem esperar recompensa, porque é mais bem-aventurado dar do que receber.
Leia mais, amiga, amigo ouvinte, sobre a humilha do Cardeal Parolin na nossa página web em www.vaticanews.va.pt. E hoje, às 17h, será apresentada na aula magna do Pontifício Instituto Patrístico Agustiniano.
próximo da Praça de São Pedro, o livro que recolhe textos de Robert Francis Prevost, aos tempos em que era prior da congregação agostiniana. O volume intitula-se Livre Sob a Graça. Tem a curadoria da Ordem Agostiniana e é uma publicação da Livraria Editora Vaticana.
Na apresentação, intervém, entre outros, o cardeal-secretário de Estado, Pietro Parolin, o prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paulo Ruffini, e o prior-geral da Ordem dos Agostinianos, padre Josef Farel. Andréa Tornielli, diretor editorial dos Média do Vaticano, será o moderador.
A missão da Igreja é anunciar o Evangelho, pregar a paz. Se alguém me quiser criticar por anunciar o Evangelho, que o faça com a verdade, disse Leão XIV, terça-feira, aos jornalistas que, no final do seu dia de repouso em Castelgandolfo, lhe pediram um comentário sobre as críticas que lhe são endereçadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Há anos, a Igreja se pronuncia contra todas as armas nucleares.
Portanto, não há dúvida alguma a esse respeito, disse o Papa, respondendo às afirmações de Trump, segundo as quais o pontife se consideraria aceitável que o Irã possua armas nucleares, pondo em risco todos os católicos.
Espero simplesmente ser ouvido pelo valor da palavra de Deus, disse o Papa, que acrescentou. Já falei desde o primeiro momento em que fui eleito e agora estamos próximos do aniversário. Eu disse que a paz esteja convosco.
Sobre o encontro com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, encontro marcado para amanhã, quinta-feira, 7 de maio, o Papa disse estar esperançoso de que seja um bom diálogo para que, com confiança e com abertura, seja possível nos entendermos bem.
Acho que os temas pelos quais ele vem não são os de hoje. Vamos ver, rematou Leão XIV, referindo-se mais uma vez às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O Santo Padre aceitou a renúncia ao governo pastoral da arquidiocese de Honolulu, nos Estados Unidos, apresentada por Dom Clarence Silva, e nomeou como bispo dessa diocese o padre Michael Castori, sacerdote jesuíta.
membro da província ocidental dos Estados Unidos da Companhia de Jesus, atualmente reitor da residência jesuíta Arrupe, em Seattle. O agora arcebispo Michael Castori nasceu em outubro de 1960, em Sacramento, na Califórnia, na diocese do mesmo nome. É bacharela em línguas clássicas pela Universidade de Harvard.
Mestre em Filosofia pela Universidade de Fort Ham e Mestre em Divindade pela Escola Jesuíta de Teologia em Berkeley. Ele doutorou-se também em Religiões do Médio Oriente pela Universidade da Califórnia. Corria o ano de 2008.
Ele foi ordenado sacerdote, 13 de junho de 1998, pela Companhia de Jesus e já ocupou diversos cargos, entre os quais o de reitor da residência jesuíta Arupe, em Seattle, desde 2025, como referimos.
O presidente de Moçambique, Daniel Chapo, visitou ontem o seu homólogo sul-africano para tratar de assuntos relacionados com a segurança dos cidadãos. Recorde-se que a África do Sul tem sido palco nos últimos dias de violência contra imigrantes de outros países da África.
A reunião dos dois chefes de Estado terá vertido igualmente sobre o reforço da cooperação existente, bem como impulsionar parcerias estratégicas em áreas-chave de desenvolvimento econômico e social dos dois países para a promoção de um ambiente seguro e estável para as comunidades. O governo de Cabo Verde anunciou, segundo o jornal de Angola Online, que cita a Africa News, neste dia 6 de maio.
a criação de uma área de isolamento e de uma equipa multidisciplinar para prestar assistência ao navio de cruzeiro MV Rondius devido ao surto de rantavírus. O navio, com quase 150 pessoas a bordo, aguardava socorro na costa cabo-verdiana desde segunda-feira, após três mortes e vários casos graves associados ao vírus a bordo.
Segundo a diretora nacional de saúde, Ângela Gomes, médicos especialistas em doenças infecciosas, enfermeiros e técnicos de laboratório foram mobilizados para dar suporte aos pacientes em terra ou a bordo.
Apesar disso, o Ministério da Saúde informou que o navio não terá autorização para atracar por precaução sanitária. A situação gerou divergências com a Espanha, que inicialmente anunciou a recessão do navio nas Ilhas Canárias, mas viu o governador regional, Fernando Clavirro, opor-se à medida, alegando falta de garantias para a segurança pública.
A Organização Mundial da Saúde acompanha o caso e confirmou dois diagnósticos positivos, incluindo um britânico em estado crítico na África do Sul. O surto continua sob investigação enquanto cresce a tensão entre as autoridades locais e regionais sobre a gestão da crise, escreve o Jornal de Angola Online.
África Global.
E agora, a palavra ao colega Filomeno Lopes, que, na rubrica África Global de hoje, em conversa com a pedagoga brasileira Maria Jaguraba, enfrenta diversos aspectos da vida social do Brasil e, de modo particular, a situação dos afrodescendentes naquele país latino-americano.
É, não vou dizer para você que seja fácil, não, mas é interessante. A gente hoje, a gente vê isso aí com outra, eu vejo isso aí hoje, que eu tenho uma consciência totalmente diferente.
Mas naquela época, por exemplo, a criança dentro de sala de aula, igual eu lembro quando eu estava, por exemplo, no ginásio, então quando o professor ia tocar no assunto, chegava na parte de falar do escravo, por exemplo, a gente ficava com vergonha, como se a gente aqui fosse... Atingida. É, você vê, nós é que éramos os...
os ofendidos, os oprimidos, e a gente ficava com vergonha, mas pela forma como o professor tocava no assunto. Ele tocava no assunto de uma maneira pejorativa, então fazia o aluno afrodescendente se sentir diminuído, porque, na verdade, eles criticavam mesmo o nosso cabelo.
criticavam o nosso nariz, criticavam os nossos lábios. Ou seja, tudo. Então, você se sentia assim diminuído. Hoje, já é tratar de uma forma totalmente diferente. Porque, inclusive, também você, o aluno hoje, ele não aceita do professor falar, por exemplo, da raça dele.
da forma como alguns, não estou dizendo também todos, mas da forma como alguns falavam em relação à raça. Então, o aluno afrodescendente, ele não tinha aquela consciência do orgulho da raça. Hoje, a gente já ensina isso.
Eu ensino isso aí para os meus netos, entendeu? As minhas filhas passam isso aí para os filhos. Então, a criança já sente aquele orgulho de ser afrodescendente, de ter contribuído para a formação do povo brasileiro e não aceitar de ser discriminado. Não aceita hoje. O afrodescendente hoje está assim com uma outra consciência.
Mas, nessa época, a parte do afrodescendente, por exemplo, como era contada, o racismo institucionalizado, porque o próprio Estado não existe igual existe hoje uma punição.
Por exemplo, para quem fizer cometer algum ato de racismo. Hoje, por exemplo, no Brasil, se ficar comprovado, se você comprovar que foi ofendida nessa parte aí da raça, do racismo, aí você pode entrar com o processo.
A pessoa realmente é processada. Então, quer dizer, hoje existem leis nessa parte aí que nos dão pelo menos alguma proteção. Mas naquela época, quando eu comecei, por exemplo, quando eu estudava, não existiam essas leis. Então, quer dizer, se a pessoa podia fazer o que quisesse, porque não tinha nenhuma punição.
Podia te chamar de macaco, igual não sei o quê, que não ia acontecer, igual aconteceu agora há pouco tempo, que você ficou sabendo no Brasil, naquele jogo de futebol, o jogador que, a câmera, focalizou a moça chamando ele de macaco. E aí ele pôde tomar as providências.
Mas naquela época não tinha isso. Então você podia ser ofendida. Como eu te disse antes, o próprio professor falava dentro de sala do escravo, falava do nosso cabelo, do nosso nariz, etc. De uma maneira pejorativa e não acontecia nada.
Porque você não ia sair dali e ia reclamar no diretor que o professor estava falando assim. Porque mesmo se você falasse também, acho que você ainda seria punido. Como foi possível construir família e educar filhos neste contexto?
Olha, Filomena, é igual, por exemplo, igual eu estou falando da consciência da criança, porque os nossos pais, por exemplo, os meus pais, os meus avós, os meus antepassados, né? Então, quer dizer...
Eles, na cabeça deles, porque para eles também, lógico que foi muito mais difícil, foi muito mais difícil porque eu, por exemplo, o meu tetravô foi escravo. Então, eu acredito, para eles foi muito mais difícil e assim, na cabeça deles, olha, você veja bem, hoje ainda, nesse período, nós estamos no século XXI, e ainda tem...
E é na parcela ainda de pessoas afrodescendentes que acham, eles acham assim, eu estudei, então eu sou diferente. Não sei por quê. Então a filha, eu tenho, por exemplo, uma amiga, então eu converso muito com ela, mas eu acho que também o histórico de vida dela é muito conturbado.
Porque ela ainda acha que, ah, não, mas negro ter carro? Ah, mas a minha filha, ela quer fazer, a filha dela quer fazer enfermagem, quer fazer, não é o técnico, quer fazer enfermagem mesmo a nível superior.
Ah, mas isso aí não é para nós, não. Eu falo com ela, falo, minha filha, que isso, acorda. Eu falo, que isso, acorda, pelo amor de Deus, em que mundo. É que você está vivendo, você tem coragem. Falei assim, ah, não, você não está me falando isso, não, né? Você não está falando isso aí para mim, não. Ela falou assim, não, com você, eu tenho coragem de falar e tudo. Falei, minha filha, mas você não pode ficar pensando assim.
Porque senão o que vai ser dos seus netos, dos seus bisnetos? Como é que vai ser? Você tem que passar para eles uma postura diferente. Nós temos direito a tudo que os outros têm direito também. Então é isso que eu estou te falando. Criar filhos naquele contexto e tudo é...
Era mais complicado para os nossos avós, bisavós, porque eles não tinham a consciência que passava para eles. Era aquela consciência mesmo de que o negro não tinha direito, não podia entrar no tal clube, porque era um clube para branco. Então, você não tinha direito, você não tinha direito nem de ficar olhando muito para lá, porque lá não era seu lugar, entendeu?
Então, assim, para eles era muito mais difícil. Eu acho que, assim, no meu tempo foi muito mais fácil, né? É um outro período. Então, foi muito mais fácil você...
Não é possível já ter uma consciência, mostrar, ver que você tem tanto direito quanto os outros. Então, eu acredito que hoje em dia, para as famílias, é muito mais fácil. Aí tem uma coisa assim, eu sempre falava para os alunos lá da escola, que gostavam muito de rap, de funk, não sei o quê. Eu falava assim, não, gente, quando eu era orientadora, eu conversava muito com eles, sempre tive.
Graças a Deus, acho que por isso eu me considero, e na minha cidade também todos me consideram uma ótima educadora. Sempre fui uma profissional muito respeitada, porque eu sempre falei muito com isso. Gente, vocês podem gostar de funk, podem gostar de rap, podem gostar do que vocês quiserem. Futebol. Futebol, seja do que for, mas tem que estudar. Claro, sim, sim. Vocês têm que estudar, não podem ficar só nisso aí. Isso é um problema quase que todos os negros têm.
Exatamente Barack Obama disse a mesma coisa também A gente tem que estudar Você pode gostar de futebol Pode gostar de música Você pode gostar do que você quiser Mas você tem que estudar Não tem um outro jeito De mudar A mentalidade De abrir os horizontes Amém
Se você enxerga assim, a educação vai te ampliar. Então, tem que estudar. Eu sempre falei muito isso aí com eles. Eu sempre bati nessa tecla. Porque a gente sabe que é o caminho. E em termos de conscientização, qual é a sua ideia sobre o que tem sido feito pelos próprios afrodescendentes para acabar com o racismo institucional no Brasil?
em particular, e na América Latina em geral, a semelhança, por exemplo, daquilo que foi feito nos Estados Unidos da América. Olha, Filomena, eu lembro que há um tempo atrás a própria igreja, ela sim, trabalhava muito nessa parte de conscientizar em relação ao povo negro ou afrodescendente.
Então, os próprios padres, eu me lembro, que eles levavam aqueles projetos comunitários para trabalhar essas questões. Então, não só no dia da consciência negra, porque lá no Brasil é 20 de novembro, então não fazer só aquele trabalho no dia 20 de novembro ou próximo ao 20 de novembro.
mas fazer um trabalho de todo dia. É um trabalho diário. Então, eles tinham muito... Eu lembro que há uns anos atrás, por exemplo, lá na minha comunidade, aí tinham muito esses projetos de encontro de negros, que a gente chamava assim.
encontros afrodescendentes, para a gente discutir as questões que estavam acontecendo, os casos que aconteciam. Então, a gente debatia, lia, estudava, conhecia as literaturas que estavam saindo em relação ao assunto.
Então, antes tinha mais. Depois, com o passar do tempo, ainda existe ainda no Brasil, lá em Juiz de Fora, por exemplo, ainda existem alguns grupos, né? Mas eles ficam assim, mais voltados para quando chega novembro.
Não é um trabalho assim que é feito. Sistemático. É um trabalho sistemático de sempre, a não ser quando acontece algum caso de racismo. Isso. Aí aquilo vem à tona, aí volta a se falar sobre isso e tudo. Mas eu penso assim, isso aí é uma coisa...
E tem que ser falado sempre, não é só numa data, numa época específica. Tudo bem, você pode até dar mais ênfase nessa época, na data específica, mas, assim, falar sempre.
A escola hoje em dia, por exemplo, tem mais professores afrodescendentes do que na minha época. Você podia contar nos dedos quantos professores negros tinham. Agora hoje você já vê, já tem bem mais professores afrodescendentes.
Os professores já têm dentro do currículo, dentro de algumas matérias, já têm também nos que a gente chama de educação extracurricular, a gente já tem debate, já tem encontros sobre esses assuntos. Mas a própria igreja antes trabalhava, ela tinha um trabalho mais voltado para conscientizar.