Episódios de Programa Português

Programa Português para África 04.05.2026

04 de maio de 202627min
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Participantes neste episódio4
D

Dulce Araújo

HostJornalista
F

Filomeno Lopes

Host
I

Inácio Saúri

ConvidadoArcebispo
T

Tony Neves

ConvidadoPadre
Assuntos6
  • Terremoto nas Filipinas50 anos do terremoto em Friuli · Reconstrução e resiliência · Papa Leão XIV e mensagem de solidariedade · Dom Ricardo Lamba · Dom Matteo Zuppi · Proteção Civil Nacional
  • Prêmio Ambiental Goldman 2026Juveles Morales Blanco e a luta contra o fracking · Impacto do fracking na Colômbia · Defesa da biodiversidade e do território · Ativistas ambientais mulheres · Prêmio Goldman
  • Ataque a pastores NigériaAtaque na diocese de Pemba · Destruição de infraestruturas · Mensagens de ódio contra cristãos · Dom Inácio Saúri · Cremildo Alexandre · Convivência pacífica entre religiões
  • Segunda década dos afrodescendentesCrescimento da população negra e parda no Brasil · Diminuição da população branca · Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua · Consciência racial no Brasil
  • Visita canónica do Padre Tony Neves ao MéxicoComunidades espiritanas em Tampico e Uasteca Potosina · Cultura e culinária mexicana · Desafios das comunidades indígenas · Padre Tony Neves
  • Tragédia de migrantes no MediterrâneoResgate de imigrantes nas Canárias · Detenção de pescadores em Ceuta · Acidente de barco no Canal da Mancha
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Laudetur Iesus Christus. Senhoras e senhores ouvintes, as nossas melhores saudações estáis sintonizados com a Rádio Vaticano na sua emissão do dia 4 de maio de 2026. Apresentação de Filomeno Lopes e Dulce Araújo.

A Apaleão XIV recorda num telegrama os 50 anos de terremoto na região italiana de Friuli, que fez 990 vítimas. Em Moçambique, o arcedispo metropolitano de Nampula e presidente da Conferência Episcopal de Moçambique, Dom Inácio Saúri, manifestou para o fundador e condenação face ao recente ataque contra a missão católica de São Luís Maria de Monfort,

na diocese de Pemba, província de Cabo Delgado. Ainda em destaque a rubrica deste dia da semana, segunda década dos afrodescendentes, e a crónica do padre Tony Neves, conselheiro-geral dos espiritanos, que se encontra em visita canónica ao México.

O Papa Leão XIV recebeu, na manhã desta segunda-feira, dia 4 de maio, em audiências sucessivas no Vaticano, o cardeal Luiz António Tagle, prefeito do Dicastério para a Evangelização, secção para a primeira evangelização em novas igrejas particulares.

Dom Inácio Cefalia, arcibispo titular de Fiorentino e nuncio apostólico em Belarus, os membros da presidência da Confederação Latino-Americana de Religiosos, a senhora Hala Tomagdotir, presidente da República da Islândia, o senhor Carlo Monticelli, governador da Banca de Desenvolvimento do Conselho da Europa, com o séquito.

os membros da presidência da Conferência Episcopal de Venezuela e, finalmente, a delegação de Catholic Charities Network. O frio-lhe região nordeste da Itália, que soube-se reerguer após um grande terremoto, continua a ser um exemplo duradouro do que significa reconstruir juntos o bem comum.

Ao destacar como os friolanos souberam recomeçar, o Papa Leão XIV fala de modelo de renascimento civil na mensagem assinada pelo secretário-estado cardeal Pietro Parolin enviada ao arcebispo de Udne, Dom Ricardo Lamba, por ocasião do aniversário de 50 anos do Orcolat.

como o chamam os habitantes locais, o devastador terremoto que, em 6 de maio de 1976, causou 990 vítimas, mais de 400 somente em Gemona, que foi o local mais atingido.

Na tarde deste domingo, dia 3 de maio, em Gemona del Friuli, mais de 5 mil fiéis participaram da missa presidida pelo presidente da Conferência Episcopal Italiana, Dom Matteo Zuppi, na área externa do quartel Goi Pantanali.

O Papa Leão XIV, são as palavras lidas no início por Dom Lamba, une-se espiritualmente à celebração eucarística em sufragio das numerosas vítimas e em agradecimento a todos aqueles que, de diversos países, prestaram socorro, apoiando a incansável diligência das comunidades locais, que permitiu uma rápida retomada da vida e uma reconstrução exemplar, modelo de renascimento civil.

Para a ocasião, o pontífice que confia à Virgem e aos santos padroeiros, Hermacora e Fortunato, toda a população do Frülli, garante sua oração por aqueles que perderam a vida, dirigindo palavras de consolo às famílias que ainda carregam os sinais daquela separação dos seus entes queridos.

O sumo pontifes espera que a memória de um evento tão trágico suscite um renovado compromisso na promoção dos valores da fraternidade e da caridade. Eram 21 horas daquele 6 de maio, há 50 anos, quando um violento tremor.

de 6,5 graus, destruiu Gemona e atingiu dezenas de municípios do Friuli. Foi uma tragédia absoluta. Devastação, morte e dor, mas também capacidade de resistir e recomeçar. O Friuli demonstrou um apego especial à sua terra, unidade de propósitos, vontade de futuro.

Foram reconstruídas as empresas, depois as casas e, por último, as igrejas, mesmo as mais belas, como a Catedral de Gemona e a de Vensone, onde foram contadas e reorganizadas nada menos que 12 mil pedras. Milhares de voluntários se empenharam. Nasceu a Proteção Civil Nacional. A política soube cumprir da melhor forma o seu dever, deixando de lado as divisões.

Num prazo relativamente curto, os locais devastados pelo terremoto ressurgiram e a vida voltou a fluir. A celebração foi, portanto, uma oportunidade para relembrar a destruição, mas também para expressar gratidão a todos aqueles da Itália e do exterior.

Graças também à igreja, com nada menos que 81 dioceses irmãs, se mobilizaram para prestar socorro e ajuda. O terremoto, disse o cardeal Zupp, foi um grande momento de solidariedade. Muitos jovens que partilharam para dar uma mãozinha voltaram para casa transformados e continuaram a se empanhar pelos outros. O cardeal destacou ainda que ajudar não é apenas trabalhar, é pensar juntos.

Após o terremoto, houve uma grande sintonia e participação popular. A Igreja soube interpretar o vínculo com a sua comunidade. Ainda hoje há muito a ser construído, a olhar para o futuro. Ainda hoje são necessárias sinergias diante dos desafios deste tempo. Devemos compreender que não se pode pensar apenas na emergência.

Não devemos esperar por outras catástrofes para compreender e prevenir, assim como não devemos esperar por outros conflitos para construir a paz neste mundo. Concluiu dizendo o cardeal Mateus Zuppi.

Em Moçambique, o arcebispo metropolitano de Nampula e presidente da Conferência Episcopal do país, Dom Inácio Saúre, manifestou para o fundador e condenação face ao recente ataque contra a missão católica de São Luís Maria de Montfort, na diocese de Pemba, província de Cabo Delgado. Promenores com o nosso correspondente, Cremildo Alexandre.

O ataque, ocorrido no final de abril, resultou na destruição de infraestruturas religiosas e sociais, incluindo a igreja paroquial, residências missionárias e uma escolinha comunitária, deixando a missão praticamente reduzida à cinza. Do Inácio Saúr denunciou a difusão de mensagens de ódio contra os cristãos, alertando que tais atos contrariam a convivência pacífica entre diferentes religiões em Moçambique.

E como se esta bárbara destruição de infraestruturas ao serviço religioso e social da comunidade não bastasse, os atacantes voltaram a difundir clara e fortemente mensagens de ódio contra os cristãos. Ora, isto contaria completamente a nossa cultura de convivência pacífica entre as pessoas diferentes, crenças religiosas em Moçambique. O nosso saber ser, o nosso saber fazer e o nosso saber viver em paz.

Ao tomar posição face a mais este condenável acontecimento como moçambicano, como cristão e presidente da Conferência Episcopal de Moçambique, quero manifestar o meu mais veemente repúdio à violência contra os cristãos e o meu mais vigoroso apelo ao respeito mútuo e ao amor entre aqueles que se reclamam filhos de Deus e, em nosso caso em particular, entre crentes das religiões abrahâmicas.

como o cristianismo e o islã. Pois o Deus de Abraão, o Deus de Muhammad e o Deus de Jesus Cristo, não é um Deus do ódio e do crime, mas um Deus do amor. O arcebispo apelou o fim da violência e rejeitou qualquer forma de extremismo religioso, sublinhando que os muçulmanos não são inimigos, mas irmãos, reforçando a necessidade de convivência harmoniosa entre todos.

Cessem de semear a destruição e a morte. Cessem a incitação à cristianofobia e que nunca apareça a islamofobia, porque os muçulmanos não são nossos inimigos, eles são nossos irmãos muito amados. E mais do que isso, confesso que o meu maior pecado é de crer firmemente que todos os homens, crentes ou não, não só podem Cessem de semear.

mas devem conviver em harmonia e em paz. Aquele que tiver ouvidos, ouça. Enquanto isso, jovens católicos de Arquidossal e Dinampula também reageram com tristeza à violência no norte do país.

e daqui chama-se Henrique Esmagasso, como jovem e mais como católico, é de lamentar. Isso quer dizer que a humanidade cada vez mais está afastada de Deus. O que incentivo mais é voltarmos para Deus, ouvir a palavra de Deus e procurar cultivar, colocar dentro do nosso coração. E nós também temos que fazer, temos que orar para as pessoas que esta maldade, esta prática, não seja positiva, para que eles se encontrem, voltem para Deus.

Nilza, Manuel, Carlos e Antônio. Muita força aos irmãos que conseguiram escapar. E não desistam. Porque aconteceu o que aconteceu. Não desistam. Sempre vão orando a Deus. Deus está a ver e Deus vai resolver. Eu sou Marito João. Então nós esperamos que as pessoas que fazem isso possam mudar o coração. Por isso, rezamos todos os dias. Continuamos a repudiar todo o mal que apagenta a sociedade. Não importa ser católico. Se existe todo o mal, estamos contra.

Num contexto marcado pela violência persistente em Cabo Delgado, a Igreja Católica Moçambique reafirma, através dos seus líderes e jovens, o compromisso com a paz, o diálogo interreligioso e a defesa da dignidade humana.

40 imigrantes africanos foram neste domingo resgatados ao largo da ilha espanhola de Fuerteventura, nas Canárias, depois de serem localizados numa embarcação insuflável que seguia para aquele arquipélago. De acordo com as autoridades espanholas, todos os imigrantes resgatados encontram-se aparentemente bem de saúde.

Entretanto, em Ceuta, dois pescadores detidos na quinta-feira pela Guarda Civil Espanhola ficaram em prisão preventiva por alegado auxílio à imigração ilegal depois de terem sido interceptados numa embarcação de pesca que transportava quatro imigrantes marroquinos.

Segundo fontes judiciais citadas pela agência EFE, o juiz considerou o perigo para a vida dos imigrantes, aos quais o suspeito terá alegadamente ordenado que saltassem ao mar para evitar a detenção. Num outro incidente, um pequeno barco que transportava imigrantes que tentavam atravessar o canal de Mancha

encalhou numa praia no norte da França e o acidente provocou dois mortos e 16 feridos, incluindo três com queimaduras graves, segundo anunciaram as autoridades. A quilómetros a sul do porto de Boulogne-sur-Mer, mas o motor falhou e começou a derribar, disse o secretário-geral da Prefeitura da Pâ de Calais, Christophe Max, aos jornalistas e citado pelo jornal Angola Online.

Segunda década dos afrodescendentes. 2025-2034.

A quantidade de brasileiros que se identificam como negros, pretos ou pardos, está a crescer, enquanto a percentagem de pessoas que se declaram brancas diminui gradualmente no Brasil. É o que revela a edição mais recente da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas.

e divulgada na sexta-feira, 17 de abril, estando incluída pelo Boletim Alari no seu rol de notícias no mês de abril. O Boletim Alari é uma newsletter sobre estudos afro-latino-americanos produzido na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Entre 2012 e 2025, houve no Brasil um aumento notável do número de pessoas.

que afirmam ser pretas. Segundo especialistas, isto reflete uma maior consciência racial, além da mistura de raças, que é característica do Brasil. Em 2025, 10,4% da população declarou-se preta, uma elevação significativa em comparação com os 7,4% registados em 2012.

Quanto à população que se declara parda, a variação foi pequena, passando de 45,5% para 45,8% no mesmo período.

Contudo, esses dados confirmam que a maioria dos brasileiros, 55,5%, é negra, somando pretos e pardos. Por outro lado, o número de brasileiros que se declaram brancos caiu de 46,4% para 42,6% entre 2012 e 2023, uma redução de 3,8 pontos percentuais.

Esta diminuição foi mais intensa entre 2012 e 2017, tendo uma redução mais leve depois desse período. Na região sudeste, pela primeira vez, menos da metade da população se declarou branca, 49,8%, uma queda de 5,6 pontos percentuais em relação a 2012. No sul, embora os brancos ainda formem a maioria,

72,3%, houve uma queda significativa em relação aos 78,8% registados em 2012.

Tchau, tchau.

De entre as numerosas notícias que o Boletim Alar e de Abril difunde, e que são sobretudo acerca da luta dos afro-latino-americanos contra o racismo e por um lugar digno na sociedade, entre essas notícias há uma relativa à premiação da jovem colombiana Juveles Morales Blanco, de 24 anos.

com o Prémio Ambiental Goldman 2026, o chamado Nobel do Ambiente. O prémio reconhece o seu papel fundamental na interrupção do chamado fracking na região do Médio Magdalena, uma área estratégica no coração da Colômbia, e na sensibilização para os riscos desta técnica, que envolve a injeção de água a alta tensão.

misturada com produtos químicos para fraturar rochas e extrair hidrocarbonetos. Descendente de três gerações de pescadores, Juvelles Natalia Morales Blanco, cresceu nas margens do Grande Rio, em Puerto Wilches, região de Santander, Colômbia, onde as secas, a poluição e os derrames de petróleo já faziam parte do cotidiano da sua comunidade.

Esta profunda ligação ao território foi o que a motivou, com apenas 18 anos e enquanto estudava Engenharia do Ambiente, a deixar os livros e a ir para a rua quando soube que as empresas Ecopetrol e ExxonMobil e a ir para a rua quando soube que as empresas Ecopetrol e ExxonMobil

planeavam implementar projetos piloto de fracking na região. A luta não foi fácil. Em 2018, um enorme derrama de petróleo teve um tremendo impacto na região, desalojando cerca de 100 mil famílias, matando milhares de animais e provocando a morte em massa de peixes.

Isso marcou um ponto de viragem na sua vida. E o Vélez e a sua comunidade sentiram na pele esses riscos. Água contaminada, perda de meios de subsistência e ameaças constantes. Então, ela e alguns amigos...

participaram em reuniões promovidas pela Aliança Colômbia Livre de Fracking no município e, mais tarde, fundaram juntos a AguaWil, Comitê de Defesa da Água, da Vida e do Território. Estas organizações tornaram-se aquilo a que ela chama de uma rede de educadores, garantindo que os mais de 30 mil residentes de Puerta e Wilches compreendam o que é o fracking.

Aos 19 anos, ela foi ameaçada de morte. Em 2022, após uma operação policial na sua casa e constantes intimidações, foi forçada a exilar-se em França, mas não demorou a regressar ao país, pois o seu inabalável empenho na proteção ambiental revelou-se mais forte do que o exílio.

Nesse mesmo ano, a Ecopetrol suspendeu os seus projetos piloto de fraturação hidráulica. Em agosto de 2024, o Tribunal Constitucional confirmou que os projetos violavam o direito ao consentimento livre, prévio e informado da comunidade afrocolombiana de Puerto Wilches, tornando-se um exemplo global de resistência comunitária e de defesa do seu território.

Laudato si, mi signore, con tutte le tue creature, specialmente frate sole, che dà la luce al giorno e che ci illumina per tua volontà. Raggiante e bello, con grande splendore, di te l'immagine altissima, altissima.

O Prémio Ambiental Goldman foi fundado em 1989 pelos líderes cívicos estadunidenses Richard e Rhoda Goldman para reconhecer os líderes comunitários que geralmente não são devidamente valorizados.

O prémio é uma forma de demonstrar a natureza internacional dos problemas ambientais e de chamar a atenção do público para a necessidade global de ação. O prémio Goldman acredita que um movimento ambiental forte requer talentos, perspetivas e lideranças diversas. Todos os anos, o prémio homenageia seis ou sete heróis ambientais de base.

cada um representando uma das seis regiões habitadas do mundo. África, Ásia, Europa, Islândia e nações islandesas, América do Norte e América Central e do Sul.

que te ilumina a noite e desse bello, robusto e forte Este ano, para além da colombiana Juvelis Natália Morales Blanco, foram também premiadas Yoro Tanshi, da Nigéria, Teolinda Roca Matbob, da Papoásia Nova Guiné, Alana Akak Harli, do Alaska, Borim Kim, da Coreia do Sul e Sara Finch, do Reino Unido.

Foram reconhecidas pelas suas campanhas e processos judiciais em defesa da biodiversidade, da terra e do clima. Apoiaram causas, lançaram campanhas, mobilizaram comunidades, mostrando-lhes ferramentas para defender as suas terras e, com elas, todo o planeta. A 22 de abril, Dia Mundial da Terra,

As seis, provenientes das seis principais regiões do mundo, celebraram juntas. Mas o seu espírito combativo levou-as a regressar imediatamente para as suas lutas. Com a força adicional de que este ano, pela primeira vez desde a sua criação em 1989, todas as seis ativistas premiadas são mulheres. O prémio consiste na entrega de um valor de 200 mil dólares para as suas lutas.

a cada uma das premiadas e serve para apoiar as suspetivas causas e atividades.

que dá a luz ao dia e que nos ilumina por tua vontade. Reggente e bello com grande splendor, de te l'immagine altíssima, altíssima, oh Senhor.

A palavra agora vai ao padre Tony Neves, conselheiro-geral da Congregação do Espírito Santo, que se encontra no México em visita canónica aos seus confrados naquele país da América Latina. Ouçamos. México lindo e querido é uma canção folclórica do México em língua castelhana dos estilos ranchera e mariachi. Foi escrita por Chuchu Monge e popularizada por Jorge Negrete.

É amplamente conhecida no mundo hispânico como uma canção do México e nesse país como uma canção de orgulho patriótico e nostalgia da pátria. É isto que nos garanta a Wikipédia e eu senti que os mexicanos estão de acordo.

A minha visita apostou em duas geografias onde os missionários espiritanos vivem e trabalham, a do Golfo do México, em Tampico e no Evo Progresso, e a da Uasteca Potosina, nas áreas dos povos Nahuatl e Tenec, onde visitei as comunidades de Pujal, São António, Talarrás e Coscatlan, todas situadas nas montanhas do estado de São Luís de Potosí.

A viagem de Lisboa para Tampico demorou umas 30 horas, entre tempo de voo e de espera, pois fiz escala em Frankfurt e Cidade do México. Cheguei noite dentro e levaram uma taqueria e esses vários restaurantes de rua onde se comem os famosos tacos, carne prensada e sempre a cozer em lume brando, condimentados com picantes que lhe dão o sabor. E depois são servidos enrolados em tortilhas que substitui o pão em todas as refeições.

embora me garantam sempre que não têm chile, picante, sempre que os como, tenho vontade de chamar os bombeiros. Andei sete horas para trás, o que me virou o dia do avesso, mas não havia tempo a perder e iniciei logo a visita canónica à comunidade espiritana de Tampico, que anima a grande paróquia de São David Roldão e o Centro de Desenvolvimento Espiritual dos Missionários Espiritanos, o CDME.

situado num dos bairros periféricos de Altamira, cidade satélite de Tampico. Foram dois dias muito marcantes que deu para perceber o ritmo acelerado desta cidade do golpe do México. A etapa seguinte levou Manoevo Progresso, uma comunidade a 150 km de Tampico, que ganhou recentemente o Estatuto de Paróquia.

Situada numa das estradas que leva aos Estados Unidos, foi muito atingida pela seca, que nos últimos dez anos destruiu colheitas, matou gado e deslocou as pessoas para as cidades. Os espiritanos são os primeiros párocos, não têm residência paroquial e devem animar uma longa geografia, montanhas adentro, lá onde as populações indígenas continuam a remar contra ventos e marés. Felizmente as chuvas regressaram o ano passado e o povo está mais esperançado.

num futuro melhor. O que mais me marcou foi acompanhar o padre Leo numa visita a El Plomo, a aldeia mais distante, mesmo encaixada nas montanhas. A missa a que presidi, na capela da aldeia, permitiu-me encher os olhos de uma paisagem de sonho.

Mas as conversas ajudaram a ver as dificuldades de um povo isolado e abandonado à sua má sorte. Nesta área, contava-me um líder da comunidade, o gado é atacado por jaguares e ainda naqueles dias tinham apanhado uma cobra cascavel de muitos guizos.

O povo vive sobretudo do carvão que produz, queimando as árvores das florestas e ganhando doenças pulmonares graves. Também apostam no gado. Regressado a Tampico, iniciei uma viagem mais longa rumo à Osteca, Potosina, terra de Nahuatos e Téneques, povos indígenas que teimam em manter vivas as suas culturas ancestrais. Foi por aqui que, há 55 anos, espiritanos vindos do norte da América,

iniciaram a missão por terras mexicanas. A estrada que nos leva ao Azteca vai-nos descobrindo uma paisagem que muda constantemente. Ou vemos extensas plantações de cana-de-açúcar ou ganaderias em ranchos cuja propriedade se perde na linha do horizonte. E não deixa de ser interessante e assustador olhar para as placas da estrada que avisam o perigo de chocar contra iguanas, crocodilos ou mesmo jaguares.

Para falar a verdade, apenas vimos um coiote morto no meio da via, vitimado por algum caminhão que o passou a ferro. Dizia-me um padre na viagem, para os ganadeiros menos um coiote é mais paz para vacas e bois. Sobre esta marcante visita às comunidades indígenas da Uasteca Potosina, partilharei na próxima crónica.

E com isto terminamos por hoje esta emissão da Rádio Vaticano. A todas e todos, obrigada pela atenção e até amanhã, se Deus quiser. Laudetur Jesus Christus.