Como soa a língua portuguesa, uma magnífica viagem com Fernando Venâncio.
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- Língua PortuguesaComparação com o Castelhano · Ditongos decrescentes e vocábulos curtos · Queda de L e N intervocálicos · Formação de ditongos e vocábulos compactos · Pronúncia do ditongo 'ão' · Vogais átonas e fechamento vocálico · Diferenças entre Português Europeu e Brasileiro · Aberturas pretónicas e pós-tónicas
- Paula Jacob e seu trabalhoFernando Venâncio · Assim Nasceu uma Língua · Festival Literário de Porto Santo (FLIPS) · Luís de Camões · Aquilino Ribeiro
- Gírias obsoletas da língua portuguesaInfluência do Latim · Fenômenos de transformação linguística · Período de formação da língua
- Natureza da LinguagemRelação entre som e significado · Percepção de palavras 'bonitas' e 'feias' · Projeção de sentimentos em palavras
- Sotaque e fala regionalPronúncia do 'R' · Qualidade da voz (radiofônica vs. não educada) · Diferenças entre Norte e Sul de Portugal
A Ronda da Noite Com Luís Caetano
Boa noite. A ronda neste 5 de maio, o Dia Mundial da Língua Portuguesa, assim consagrado pela Unesco em 2019, por uma iniciativa de uma década antes já da Cplp, Comunidade de Países.
de Língua Portuguesa, a Ronda deixa o convite para escutar como soa a língua portuguesa. Foi uma proposta de reflexão que Fernando Venâncio levou ao Festival Literário de Porto Santo, o Filipe, em 2022, onde este programa esteve presente, participando e recolhendo memória como a desta intervenção do linguista e escritor Fernando Venâncio.
Brilhante, animada, cultíssima, sensível. Como era Fernando Venâncio na sua ação pública, um homem extraordinário que nos deixou há um ano. O Festival de Porto Santo tinha por tema a voz e a literatura. Fernando Venâncio segue aqui por uma fascinante incursão, pela sonoridade das palavras. Uma partilha feita de vasto conhecimento e com um sempre natural sorriso.
Fernando Venâncio é o autor do livro Assim Nasceu uma Língua, que foi um fenómeno de vendas no nosso país, autor de muitos outros livros entre o ensaio e a ficção. Vamos aos passos do Conselho de Porto Santo, em 2022, recordar Fernando Venâncio e ouvir como soa a língua portuguesa. Vai ser assim a ronda.
No ano de 1555, Luís de Camões está no Oriente, aonde chegara pouco antes. Escreve então uma écluga, género pastoril, muito do seu gosto, que canta os amores e as desventuras de pastores e pastoras.
Desta vez, são protagonistas os pegodeiros, pegodeiros são pastores, mas chiques, claro, Combrano e Frondélio. Eles também arranjavam sempre estes nomes, assim, muito para a feitax na altura. Através desses dois pastores, recorda Camões, dois amigos do peito já desaparecidos.
Vai já longa a écluga quando Frondélio se dispõe a passar a palavra a uma ninfa, a ónia de seu nome. Muda o interveniente, muda também o idioma. Diz a passagem. Morreu-lhe o excelente e poderoso, que a isso está sujeito à vida humana,
Doce aónio, de aónia caro esposo, Ah, lei dos fados, áspera e tirana, Mas o som peregrino e piadoso Com que a formosa ninfa a dor engana, Escuta um pouco, nota e vê um brano, Quão bem que soa o verso castelhano.
E é realmente em castelhano que, agora, a desventurada ninfa, a ónia, chorará o seu amado. Alma e primeiro amor da alma mía. Espírito dichoso em cuia vida, a minha estudo enquanto Deus queria. Sombra gentil de suprisão salida.
que del mundo a la patria te volviste, donde fuiste engendrada y procedida. E por aí vai, chorando e lamentando-se, a desditosa jovem e bela viúva. Com esta página, em língua estrangeira, se acertará também essa écluga oitava de Camões.
Caros amigos, dói em tudo nada vermos este possivelmente primeiro elogio em texto português à sonoridade de um idioma, ter, essa primeira vez, ter tido por objeto uma língua estranha. Nota e vê um brano quão bem que soa o verso castelhano. Mas guardemos de líquido isto, que os idiomas soam.
E alguns até soam bem. Faltaria agora saber como soa o nosso. Sim, podemos perguntar-nos qual a sonoridade agradável ou não da língua portuguesa. Ao certo, só poderíamos sabê-lo se conseguíssemos sair dela. Ouvindo-a de fora, não nos será fácil.
Mas poderemos tentar um exercício aproximado. Ora, ouçam. Quando, nesse dia, a grande zorata se escambujou, faixona e escampada, lastraram-se os marcanjos, não os mais cotinachos.
As rósgas, ainda malfurricadas de um chambri sem galilé, perluchavam todas mursangas e rasulhas debaixo do mezuneiro.
Perto esbagoavam-se as caiporas no seu ousio brejo e solerte, empasinando o mandio das sedas mais cainhas, enquanto o bom do girifalte, cada dia mais zambro e sumítigo, entroncava zarcamente o bajoujo. Eu vou continuar a sofrer um bocadinho.
Onde se entroncava a soncadilha? Onde? Empazirava ela com os pegamaços ainda cóscuros ou alapardava-se nos pelos anos do Galarós? Malditas búzeras, a que nem os piores malcatrefes refretavam. O jagodes soltou novamente as rópias do seu já velho taró e engabelou-se no rolão do cadarço.
Nunca mais se esvaloiraram as langóias. E desde esse dia, aquele atroz esmoeu toda a cirga que matejara nos olharapos ladravazes da pandorga. Este texto nunca existiu. Nunca existiu fora daqui. Estes verbos, estes substantivos e adjetivos foram recolhidos aqui e ali na obra de Aquilino Ribeiro.
Poucos deles vos terão suado conhecidos e o mesmo vale para mim. Mas desde que fiz este exercício, e já levou mais de 40 anos, porque eu vejo isto pela batida da máquina de escrever do meu sogro, tem mais de 40 anos, desde então tive a oportunidade de aprender várias dessas palavras, como sumítego, galarós, jagodes.
Mas é exatamente uma genérica inocência perante estes materiais o que nos permite uma impressão, mas também só isso, de como o português soa. Haverá outro processo, mais exato, mas também mais trabalhoso. Seria construir uma sequência de efeitos sonoros destituídos de significado, mas estatisticamente fiéis às sonoridades da nossa língua.
Eu não o fiz, basta que o imaginemos. Comparado com o castelhano, e já vereis os motivos deste paralelo, o português tem duas características bem nítidas. Ele brilha pela abundância de ditongos decrescentes e de vocábulos extremamente curtos. Essas duas realidades, havemos de compreendê-lo, também estão intimamente ligadas.
Exemplos disso, exemplos corredivos, são o substantivo pai, a forma verbal sai e o pronome plural tais. A forma patrimonial pai conviveu longo tempo com a de padre. Ainda hoje falamos em Deus padre ou ouvimos rezar o padre nosso.
pai tenha vingado, bate certo, em todo o caso, com aquela tendência do idioma para o ditongo e para a corteza de vocábulos. Os casos de sai e tais tocam um facto estrutural e histórico de português da primeira grandeza. Aí, a formação do ditongo foi antecedida da queda de uma consoante, neste caso um L.
consoante entre duas vogais. Os primitivos sale e tales, ainda muito latinos, perderam esse L, passando a sae e taes, com duas sílabas cada um, que acabaram nos monossílabos sai e taes. Pois bem, o que aqui vemos em miniatura deu-se centenas de vezes, talvez milhares mesmo, na história do idioma.
Caíam os Ls intervocálicos. Caíram também os Ns nessas circunstâncias. Vejam-se os latinos arena, lunare e sonare, que se tornaram area, luar e soar. Mais tarde, a area, patentemente um hiato, adquiriu um I breve de transição, dando areia.
O que aconteceu em todos os casos semelhantes e também a razão é porque ouvimos, por exemplo, a Iágua, ou uma pessoa, uma pessoa Ientra, ou Alberto Caieiro. Ainda há, creio que não uma semana, Luís Marcos Mendes, na SIG, dizia, em África.
E se ouvirem bem o José Milhazes, vão ver que ele usa bastantes desses is de transição e é sobretudo no norte, o Marcos Mendes também é do norte do continente. Podemos perguntar-nos, de onde proveio essa sistemática eliminação de L's e N's intervocálicos que acarretou uma tão extensa e tão profunda subversão da economia silábica do nosso idioma?
Não sabemos ao certo, mas tudo indica que no território em que se criou a nossa língua existia um idioma, hoje desconhecido, mas falado então socialmente, idioma que não admitia um L ou um N entre vogais. Ignoramos também o exato momento em que esses ingentes fenómenos se deram, mas é possível um cálculo aproximado.
Eu fio no livro, assim nasceu uma língua, nesse livro partiu de uma série de fatores para saber quando é que aqueles fenómenos do L e do N se teriam dado a sua queda. E são fatores aduzidos por vários outros autores e, aliás, noutros contextos também.
E coloquei essa imensa transformação por volta do ano 600 a.C. Portanto, numa fase puramente oral da língua e, portanto, também meio milénio antes de a pátria e o reino de Portugal surgirem. Meio milénio, 500 anos.
Foi quando se deram essas transformações. E no livro eu entro por menor também sobre isso. Se eu não os convencer aqui, podem ser convencidos no livro. Insista-se, esses dois fenómenos foram eles que conferiram ao nosso idioma uma feição única e irredutível. Mais ainda, conclui-se que essas quedas do L e do N se deram num período historicamente curtíssimo.
digamos, em duas gerações. Quer isso tenha ocorrido na época que eu proponho, portanto, no século VII d.C., quer numa época anterior que ficará sempre impossível de determinar.
Para nós, aqui, o mais relevante é isso. Foi o desaparecimento dessas duas consoantes que esteve na origem, por um lado, de muitos dos nossos mais correntes de tongos, e por outro, desses nossos vocábulos tão compactos. Comecemos por estes últimos. A cada duelo latino conduziu a formas como SO, MO, DO, MA.
Pá. Vocês sabem o que é uma pá e sabem o que é uma pessoa má. Portanto, não preciso dar exemplos. Está também a queda do L latino, também está na origem de cor, de dor, de formas como dói, moi, soi, soi dizer-se. A queda do N latino, por seu lado, originou lan, ran, san, van, canx.
Bom, tom, som e ainda ter e vir e muitos mais, mas são só exemplos. Todas estas palavras têm em castilhano não uma, mas duas sílabas. Solo, muela, duelo, mala, pala, color, dolor, etc. Não vou amassá-los. E todas estas formas castilianas têm, como se vê, os L e os N em su sitio.
O outro efeito das iluminações de Eliane foi a formação de ditongos. E também ela é espetacular. Vemo-lo sobretudo em formas de plural, como sinais, principais, anéis, fiéis, sóis, ou em mãos, pães, razões, e com eles muitos, muitos e muitos, milhares e milhares.
Existem depois o que chamaríamos acumulações de ditongos. Vêmo-los em saien, que soa saien, caien, caien, portanto dois ditongos, em tenien, que são dois ditongos nasais que repetimos, e em venien. Não há mais nenhuma língua que eu conheço que tenha isto.
E pode parecer chinês, mas chinês não é isto. Mas parece, não é? Esse I, não escrito, mas pronunciado, acha-se igualmente em desejo, que rima com beijo, com igreja, com fecho e desfecho, em que não está um I escrito.
E um bom número de outros casos. E do mesmo modo inserimos um i em texto, êxito, êxtase, externo, ex-marido e semelhantes. Na realidade, onde quer que possamos, introduzimos um l criando ditongos. Umas vezes, como vimos, esse i não é escrito. Outras vezes acabou por escrever-se. Como no caso de areia. Em galego, areia...
Tem às vezes esse I de transição, mas esse I não é escrito. Em Portugal, acabou por ser escrito, tal como em seio, em peixe, em veiga e em muitos outros casos. Em que não havia nenhum I inicial, mas que foi introduzido e que se manteve. Mas fomos mais longe ainda. Onde não havia um I que formasse ditongo, arranjá-mo-lo. Vejam-se, por exemplo, mãe e põe.
escritos com um E que soa I. Outortanto se dá com Caetano, que soa Kai. O mesmo acontece nos ditongos nasais, determinações plurais, já citados no caso de razões e bens, ainda grafados com E, original, mas de há muito pronunciados com I. Eles eram todos hiatos, que foram resolvidos criando ditongos.
E temos ainda os casos especialmente curiosos de homofonias do tipo de ósseo e ósseo. Ósseo. E ósseo de ossos, que se escreve dois S e um E. Mas soa exatamente igual.
Ainda há pouco tempo eu pus isto no Facebook e houve quem dissesse não, não sou igual, porque ósseo de ossos é um pouco mais longo. Não há vogais longas ou curtas em português. Mas era uma resistência para aceitar que soava da mesma maneira. E da mesma maneira soam também cereal e cereal. Cereal de série e cereal de comer, que estão muito caros atualmente.
A propósito do é-átono, que soa I, permitam-me uma breve digressão autobiográfica. Quando, a partir dos dez anos, este inocente infante alentejano lisboeta se instalou num seminário em Braga, viu-se submetido a várias e humilhantes torturas linguísticas. Uma delas tirava a pretexto da minha pronúncia do é-átono em I.
Eu dizia, perdoe, como no fado de Amália, que Deus me perdoe. Arrimar aí no fado com, e nada me dói. Pois não, senhores, a pronúncia correta, a deles, claro, era, perdoe. Com o breve anti-iático, perdoe. E o conjunto de animais especializados em roer eram roedores e não roedores, como nós.
Dizemos que era a ridícula pronúncia deste bárbaro. Eu hoje verifico que o dicionário da academia lhes dá razão, aduzindo, efetivamente, ruedores. Mas confesso-me, incapaz de assim articular, e que Deus me perdoe.
Eles levavam também a mal pronúncias como, por exemplo, o rio Douro, que é, claro, o rio Douro. Rio, com duas sílabas, e depois com o ditongo. E, a respeito de tudo isto, os meus queridos condiscípulos esgrimiam uma argumentação inquestionável. Portugal tinha sido fundado ali. E aquela era, portanto, a única pronúncia portuguesa admissível.
O argumento era puxado pelos cabelos, mas eu, na altura, confessava-me sem resposta. Os hiatos são situações incómodas em todas as línguas. E todas as línguas atendem a resolvê-los. E já vimos algumas soluções.
Uma delas consiste em criar, a partir de duas vogais em sílabas diferentes, um ditongo. Dou mais dois exemplos. Estes clássicos, vaidade, que nós hoje pronuncemos vaidade, portanto com um ditongo, ai, e saudade, que assim era pronunciado na Idade Média, e que nós ditongamos.
E recordo-se também aquela canção açoriana que diz Oh tirana saudade, saudade, oh minha saudadinha. E senão não batia certo com a música. Em todos estes casos, trata-se, convém lembrá-lo, de ditongos decrescentes. São de longe os mais abundantes em português, em contraste com o castelhano em que predominam os ditongos crescentes. Quiero, puedo.
O titongo EI, um dos mais frequentes, é pronunciado em Coimbra e Lisboa como EI.
Assim, dizemos, sei, falei, beijo, texto, extra. Poderia supor-se recente esta realização, mas não é. Já por 1820, ela foi assinalada e foi criticada também. E possivelmente é ainda anterior a isso, porque muitas vezes estas coisas levam muito tempo a ser assinaladas por escrito.
Dá-se mesmo o caso de, no português europeu, rimarem bem e mãe. Como no caso clássico também do menino de sua mãe, de pessoa. Agora que idade tem o menino de sua mãe? Que volte cedo e bem o menino de sua mãe. Não voltou.
E temos aquela canção que eu conhecia já, ainda miudinho, Porto Santo, o teu nome fica bem, por isso eu te quero tanto como o quero à minha mãe. É uma canção que eu conheço há 70 anos. Não sei se ainda...
Sim? Ainda bem, ainda bem. E recordo este propósito que certos pares de palavras tendem a ser indistinguíveis na nossa pronúncia atual, como lenho e lenho. Mas um escrito com A, lenho, e outro escrito com E, lenho.
E o mesmo está com senha e senha, portanto, com A e com E. E há uma edição de um romance de Lobo Antunes, e é um exemplo autêntico, em que lemos lenho com E, onde claramente deveria estar lenho com A. Vemos, por vezes, afirmado que a pronúncia brasileira das vogais seria a pronúncia do tempo de Camões.
E dão-nos um exemplo. O do verso. E se vires que pode merecer-te. Aquela alma minha gentil. Partiste. Temos aí um decasílabo. Montamos dez sílabas. Não se conta a sílaba final. Quer dizer, quando ela for pós-tónica. Mas a nossa pronúncia europeia reduz essas dez sílabas a quatro. E se vires que pode merecer-te.
E se vires que pode merecer-te. Quatro sílabas. Portanto, a primeira também. E se vires que pode merecer-te. O resto são tudo consoantes. Mais nada.
Faço aqui uma observação. Nós falamos muito em fechamento e apagamento. São noções propriamente impressionistas, não são propriamente linguísticas. Traz-se, num dos casos, de elevação vocálica e, noutros, de eliminação de um som. Por exemplo, a sílaba inicial do verbo estar. Podemos pronunciar e estar.
E aí dá-se uma elevação, o E torna-se I, I é uma vogal mais alta. Ou então podemos deixar cair o E totalmente e dizer estar, o que muita vez acontece quando não dizemos cimentar. E nesse caso, então, temos realmente uma eliminação de um som vocálico. De resto, o nosso E revela-se uma vogal imensamente versátil em português. Observemos uma palavra como esqueceste.
Tem quatro Es e todos os quatro soam diferentemente. I-S-K-E-S-E-R-T.
E serviria bem como um shibolet. Um shibolet é uma palavra passe, é uma palavra hebraica, que os hebreus diziam a um estrangeiro, e se ele não pronunciasse bem shibolet, que eu não sei se estou a pronunciar bem, sabiam se era judeu ou não. E nós podíamos usar esse esqueceste, para ver se alguma vez um estrangeiro é capaz de nos imitar dessa maneira.
Existe uma generalizada convicção de que esse apagamento ou fechamento do E pré-tónico e pós-tónico e a própria elevação do vocalismo átono se teriam dado em português em momento posterior ao período camoriano. Eu não compartilho essa opinião. Eu tenho para isso duas razões. Uma é de tipo simples e a outra um tanto mais trabalhosa de explicar.
A razão simples é esta. Esse fechamento das vocais átonas dá-se também, e de modo muito semelhante, no galego genuíno, aquele que ouvimos em recuadas aldeias na Galiza. Ora, isso só pode significar que nós, ao herdarmos a língua criada na Galiza, porque isso foi o que aconteceu, leiam, assim nasceu uma língua, herdámos também a sua sonoridade.
há uma consideração paralela e é de carácter negativo, e é esta. Se a pronúncia portuguesa quinhentista tivesse sido essa...
que não o fechamento das vogais átomos, portanto, esse vírus que pode merecer-te, portanto, se os portugueses de há 400 ou 500 anos pronunciassem assim, então deveria haver no território europeu alguma reminiscência disso, alguma pronúncia local do tipo de desesperar. Para dar um exemplo extremo. Ora, não há nenhuma aldeia portuguesa onde se diga desesperar.
Portanto, isto é uma prova negativa de que alguma vez isso tenha sido uma pronúncia portuguesa. Eu disse que também havia uma explicação mais trabalhosa. Vamos a ela. Conhecem o verbo de uma cantiga alentejana que diz Sei feio de que andasse à calma.
Acalma, ai, ceifando o trigo, ceifas pendas da minha alma, ceifas e levas contigo. Estes dois últimos versos são preciosos. Eles soam, quando cantados, ceifas pendas da minha alma, ceifas e levas contigo. Ceifas. É uma palavra portuguesa? Não parece, mas é.
que temos aqui um A aberto pela fusão de dois A fechados, fecha-as e leva-as contigo, que é um resultado normalíssimo, também chamado crase. E isso dá-se, portanto, esse A aberto aparece numa sílaba atuna. E isso não é nada normal em português, e nós temos isso também com toda a normalidade.
E assim pronunciamos também, por exemplo, a minha amiga mora aqui. E ninguém diz, a minha amiga mora aqui. Até os robôs modernos já pronunciam melhor do que isto. E também dizemos, má como as cobras. Nunca ouvi, nunca ouvi. Deixou falar. É como o outro. Vocês nunca tinham reparado nisso, talvez.
Estas aberturas pré-tónicas e pós-tónicas são estranhas à economia silábica do português europeu e, por isso, significativas, inclusive em perspectiva histórica. Repare-se no primeiro A de cadeira, de cavalo, de pradaria. É um A fechado. É a situação normal, portanto. Mas repare-se no primeiro A de padaria e no primeiro A de padeiro.
aberto. Ele resultou da fusão, uma classe também, dois as que ficaram em contacto direto após a queda do N. De panadaria e de panadeiro. O N caiu, ficou pá-adeiro, pá-aderia e passados 1500 anos nós ainda dizíamos padaria de pradaria. Nós não dissemos pradaria e nem dissemos padaria.
Há 1500 anos que os portugueses andam a distinguir... Não os portugueses, os portugueses só existem há mil. Mas os falantes a nossa língua, há 1500 anos que andam a distinguir isso. Portanto, a conservar estes as abertos, pretónicos, que são contra a economia silábica do idioma, a conservá-los muito bem conservados. Isto é quase um milagre.
Existem mesmo pares de palavras em que aquilo que as distingue é essa abertura pretónica. Pensemos em pegada, uma pegada, foi pegada, e uma pegada. Em pregar e pregar. Em corretor, que os teus estão lá na bolsa, e corretor. Entre colar.
E corar. Não há propriamente uma coincidência perfeita do resto da palavra, mas em todo caso nós dizemos colar, não dizemos colar, mas escrevemos com O. E dizemos corar, pôr a roupa a corar. Em português brasileiro...
Pegada e pegada, pregar e pregar, corretor e corretor, são homófonos. Eles não distinguem isso. Assim são, em princípio, os es e os pretónicos em português brasileiro. E e o. Isto vale igualmente para aquecer...
Creador e vedor, que nós abrimos. Brasileiros não. Aquecer, credor e vedor. Eles não distinguem. Esse é pretónico de qualquer outro é. E na norma brasileira, o pré-á pretónico soa A. Pelo que o primeiro A de pradaria e de padaria soa aberto. Nós é que fazemos essas distinções. E essas distinções não podem ser de há 500 anos. Têm que ser muito mais antigas.
No livro eu explico porquê. Porque se não fossem tão antigas, teria havido muitas confusões. E nunca houve confusões.
O que é absolutamente milagroso. Não tem outra palavra. É necessário insistir. Estas pronúncias abertas em sílaba átona e mais exatamente pretónica vão em contramão da nossa norma europeia. E mesmo assim mantêm-se de pedra e cal. Isso faz-nos admitir de serem pronúncias antiquíssimas. Elas mantiveram-se precisamente por contrastarem com o generalizado fechamento de A, E e O pretónicos.
E às vezes também criados esses encontros vocálicos criados por L e N que caíram, mas também por D. Algumas vezes foi o D a cair que causou isso. Sendo assim, a pronúncia portuguesa de 500, na época dos Lusíadas, era já de um generalizado fechamento. Calma-me, que me perdoem.
Perdoe-me, um fechamento das vogais, mesmo quando Camões escreve essas vogais todas. Portanto, seria muito semelhante à nossa pronúncia de hoje. Sim, um ouvinte quinhentista terá tido, como nós, dificuldade em distinguir, por exemplo, basta querer e basta querer. Uma vez é querer e outra vez é querer. E nós...
Nós entendemos, o interessante também, e o milagroso também da língua, desculpem o linguista estar a falar em milagres, mas é que nós nos entendemos. Em princípio, dois robôs não se entenderiam, e nós entendemos. Portanto, há alguma coisa mais aqui dentro do que só a capacidade de falar.
Importa, pois, não ceder a uma interpretação da história como avançar rumo a uma decadência. Antigamente é que era bom, mesmo quando esse antigamente nunca existiu. Pelo contrário, a história é habitualmente a de uma conservação, a de uma estabilidade, não a de convulsões, de catástrofes, de cenários muito românticos, mas enganadores.
Não, as coisas deram-se há muito mais tempo. Esse aquecer, esse credor, esse corar, são autênticos fósseis num cenário generalizado já de fechamento e muito antigo. Aquele que reinava no espaço do nosso idioma há pelo menos 1500 anos. Essas aberturas foram passadas de geração em geração e nós acabámos por fechar também esse...
É de geração, porque dizemos geralmente e geral, etc. Mas há sítios do continente, em todo caso, em que se pronuncia geração. Tal como no norte do país se fala em maior e se fala em vacina. A vacina? Já te basta vacina? Já é sobretudo no norte.
Em matéria de ex-átonos, tanto pré como pós-tónicos, a geral imagem sonora do português, e realmente eu ia falar-vos de como sou o português, é a do marcado fechamento.
Tomemos palavras todas monossilábicas como feliz, levar, pedir. Nós estamos convencidos de que têm duas sílabas. Não têm. Dizemos que têm duas sílabas, se descreve. Mas se pronuncia, não. Têm só uma sílaba. Melindre, velhice, despedir, repelir. Tudo. Uma só sílaba. Escritas em três. Este bizarro monossilabismo português europeuriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosriosrios
Pode ir bem mais longe. Veja-se uma palavra como desesperante. Contamos cinco sílabas. Desesperante. Mas essa é uma abordagem laboratorial. Na realidade, a nossa pronúncia espontânea, não vigiada, desesperante, tem uma só sílaba. O resto são tudo consoantes. E o número de sílabas é igual a das...
Vogais pronunciadas. Ora, se nós pronunciamos só o an, desesperante, só tem uma sílaba. O mesmo se verifica em predecessores. Um brasileiro não tem a mínima ideia de que isto é a mesma linha que a deles. Se eu digo os meus predecessores, os meus quê? Predecessores! Predecessores. Mas ninguém fala assim.
Uma situação de veras extrema foi assinalada pelo meu amigo e excelente colega gramático brasileiro, Marcos Banho. Ele confrontou-nos uma vez com a sequência. A necessidade de dedicar-se. A necessidade de dedicar-se. A necessidade de dedicar-se.
Mas também não falamos assim. A necessidade de dedicar-se. E nós entendemos. Portanto, até que ponto o fechamento das nossas vogais conduz a uma sequência imensa de consoantes, algumas das quais nem as pronunciamos todas. Aqui há quatro Ds e nós só pronunciamos dois deles.
Ou seja, bastantes vocábulos nossos são uma sequência, por vezes longa, de sons consonânticos, com um esparso som vocálico, o da sílaba tónica. E o próprio O final, que nós pensamos que é articulado em U, tende a apagar-se. Não se apaga tanto, mas tende a apagar-se. Por exemplo, dizemos, vamos todos juntos.
E é interessante ver que nos Açores, em todo caso, esta é uma profissão muito marcada. Vamos todos juntos. E eu tenho alguma impressão de que neste arquipélago também há alguma coisa assim. E, portanto, nós não dizemos tenho quatro lindos netos, mas dizemos tenho quatro lindos netos.
E há um anúncio recente em que há uma voz off que diz estamos todos a tempo de fazer melhor. Estamos todos a tempo de fazer melhor. E, no entanto, uma voz off, que em geral é a voz do anúncio, que fala aqui como fala o Luís Caetano, pronuncia desta maneira tão legítima, tão autêntica nossa. Isto mesmo num anúncio. Portanto, é o cúmulo.
Que nós falemos entre nós assim, é uma coisa. A hora que a voz off de um anúncio fala também assim, é realmente um outro extremo. Falamos assim e falámos já demoradamente de ditongos. Mas deixámos esquecido o mais frequente deles em português. O ditongo-ão.
Ele é a nossa imagem de marca, tanto visual como sonora. E é a que mais identifica o nosso idioma. E o curioso é ele ser pronunciado quando se escreve, gostarão, e quando não se escreve, gostaram e gostavam. Acaba também no ditongo, mas ele não é escrito assim. É de facto um ditongo omnipresente, uma espécie invasiva.
É uma autêntica praga que se apoderou da língua portuguesa. Mas tem também, é verdade, uma história apaixonante. Esse ditongo apareceu ao longo da história onde podia esperar-se, por exemplo, em razão, e onde não podia esperar-se, por exemplo, em mão ou em pão. Porque essas formas latinas não o permitiriam. Nada mais espetacular...
tão bem do que a relação dos portugueses com esse ditongo-ão. O autor do século XVII, Álvaro Ferreira do Vera, escrevia em 1631 que tinha sido esse ditongo a granjear à língua portuguesa a fama de grosseira, injustamente, dizia ele. Em 1728, o grande lexicógrafo Rau-Britot considera tratar-se de um âm algo rude e algo áspero, mas ele dizia que os...
Idiomas precisavam disso para a sua consonância. E esse mesmo Bruton recordava que havia um certo bacharel que, uns anos antes, em 1710, tinha publicado um livro, realmente um calhamaço de 400 páginas, que esse José Macedo publicou a ensinar os portugueses. Chama-se o antídoto da língua portuguesa, o antídoto, portanto, aquilo que nos cura do veneno. O veneno é o bom.
E ele arranjava maneiras de nos libertar desse ão, de todas as maneiras. Não vou entrar por menores, mas ele dava muitas maneiras de nós eliminarmos, abolirmos completamente o ão. Baldado as 400 páginas, belamente impressas, em Amsterdão, onde eu vivi. E baldado o esforço também, porque o problemático de Tonco continua de pedra e cal.
E a verdade é que o incómodo não amainou. Ainda no século de 700 havia quem se dissesse muito incomodado com o ã e até mesmo no século XX um autor falava nesse monossílabo como um canino monossílabo, ã, ã, só seria para os cães.
A meu ver, existe uma perda histórica em sonoridade. E eu refiro-me às formas verbais da segunda pessoa do plural, correspondente a voz. Hoje, sobrevivente, praticamente só no entre Douro e Minho. E todos nós conhecemos essas formas, porque as aprendemos na escola. Esses andais, falais, passais, andáveis, faláveis, passáveis, andai, falai, passai.
Como os miotos, como o José Campinho, que é um autêntico mioto, ainda dirá ou já não dizes. Ainda dizes. Que bom. Mantém-se. Ainda uma observação, rematando esta breve prospecção de como sou a língua portuguesa. Repares na seguinte série.
Azeia, Bera, Caturra, Cegueta, Chalupa, Choninha, Empata, Estroina, Fatela, Forreta, Lorpa, Maneta, Pilantra, Pelintra, Pulha, Rasca, Sacana, Safardana, Trafulha.
que mostram eles em comum estes termos, que todos terminam num átono, que têm uma semântica pouco elogiosa e que se aplicam predominantemente a indivíduos masculinos. Não é tudo ainda. Reparemos agora em Pacóvio, Palerma, Papalvo, Parolo, Pascácio.
Paspalho, Patarata, Patego. E poderíamos continuar. Que observamos aqui, de novo, uma predominância do género gramatical masculino, uma semântica pouco elogiosa e um início em P-A, pronunciado P, portanto átomo.
Pareceria existir, assim, uma correlação entre sonoridades e uma data de significação. Disse-ia, mais concretamente, que o português explora determinados sons iniciais ou finais como formas de depreciação. Como se essas sonoridades fossem, por si mesmas, detentoras de significado.
É uma constatação de certo tentadora, mas não menos perigosa, pois daria aval a uma concepção essencialista dos signos linguísticos e nós aprendemos que eles são arbitrários, que as formas não têm em si mesmas uma significação, que não há palavras que pela sua própria forma fossem mais ou menos adequadas para significar isto ou aquilo.
Este princípio, o de que as formas não são em si mesmas adequadas ou deixam de sê-lo, contém uma vantagem. Deixam de ver palavras feias ou bonitas. Deixam de ter sentido lamentos como Ai, vocês é tão feio. Ou dum, num. Ou dois que seguidos. Tudo tão feio. O idioma deixa, assim, de ser um campo de flores risonhas e de cardos espinhosos.
Na realidade, quando percorremos essas listas das 10 ou 20 palavras mais bonitas ou mais feias da língua portuguesa, e no Google existem várias dessas listas, verificamos uma constante. Bonitas são aquelas que diziam realidades agradáveis. Amor, saudade, céu, pôr do sol. E feias, aquelas que nos recordam realidades incómodas ou repulsivas. Escroque, furúnculo, nauseabundo, conspurcar.
Estes são exemplos autênticos. Estamos aqui perante raciocínios circulares. Projetamos sobre inocentes palavras o agradável ou o desagradável daquilo que elas designam. O meu amigo e colega linguista e tradutor, Marco Neves, convidou o frequentador do seu blog, Certas Palavras, a aduzirem vocábulos que achassem feios. Encontram-se ali, entre outros, picheleiro.
Pena para os pistoleiros. Cônjuge, pena para os cônjuges. Sobrancelha, pena para quem tem sobrancelhas. Coima, repudiar, contabilidade.
Noutras litagens, estamos com fulano, padrasto, escaravelho, goela, alavancagem. É incrível. Essas são consideradas palavras feias. E um horror de outras. E o cúmulo acha-se em empoderamento. Desculpem. Consta de duas listas. Do mesmo autor, uma das palavras mais feias e outra das palavras mais poderosas da língua portuguesa.
Tudo isto são projeções. Tudo isto são questões perfeitamente irracionais. Mas nós pensamos que estamos a ser muito autênticos quando dizemos que a palavra saudade é muito bonita. Não, a saudade é bonita. A palavra é aquela. Podia ser uma outra que não fosse tão adequada para dizer saudade. E mesmo assim nós teríamos-la tornado adequada.
Porque a coisa é assim mesmo. Nós conseguimos tudo aquilo que queremos. Meus senhores e amigos, viemos assim dar ao sítio onde frequentemente acabam estes debates. A conversa de café. Essa onde saem vitoriosas as afirmações primárias, falhas de rigor, quando não irracionais. Gosto, não gosto, mas não me perguntem porquê.
O nosso tema aqui era como soa a língua portuguesa. As várias respostas que viemos dando pretendiam ser genéricas, válidas para qualquer falante do português europeu. Posamos de parte, tanto quanto possível, diferenças regionais, ou sociais, ou outras mais dificilmente classificáveis. E um exemplo banal. Metade dos portugueses...
pronunciam o R, tal como eu o pronuncio, a pronuncia sul-europeia, do R forte, italiano, espanhol. Aquele que se ouve em roda, em carro. Assim pronuncia, por exemplo, o presidente Marcelo. Os restantes, a maioria, serve-se hoje do R, que se diria parisiense, dizendo roda e dizendo carro.
Isto não sem consequências. Certa vez estava eu a ser entrevistado e a senhora da produção bichanou em redor que eu estava a falar dialeto. Existe depois outra diferença, aquela que nasce da qualidade da voz, que umas vezes é cultivada, bem timbrada, quente, cheia de nervuras, de insinuações.
Numa palavra, a voz radiofónica, a voz do Luís Caetano, de que ele é tão bom exemplo. Essa voz quente, essa voz sonora, essa voz insinuante.
E o caso de nós, os restantes, uma voz não educada, aflautada, que nada lembra de quenturas, nada insinua. É que também esta circunstância pode ser decisiva na sensação de um idioma ser mais ou menos agradável ao ouvido.
E eu espero que o ponto de partida aqui, esse de como soa a língua portuguesa, se tenha revelado de suficiente sentido e até, quem sabe, proveitoso.
Nisto, ainda assim, importará que nos mantenhamos comedidos e discretos. Mas, nestas coisas, nunca fará mal mostrar-nos um tudo-nada ousados e, sobretudo, curiosos. Muito obrigado.
Como soa a língua portuguesa? A intervenção de Fernando Venâncio, que gravei em 2022 no Festival Literário de Porto Santo, recuperada neste Dia Mundial da Língua Portuguesa, assim o 5 de maio consagrado pela Unesco, senhor de uma espantosa voz e de uma refinada dicção, de um grande humor, Fernando Venâncio tinha também um imenso conhecimento que com generosidade e alegria gostava de partilhar.
num permanente desafio à curiosidade e à descoberta. Faz-nos falta, deixou-nos há um ano, recordámo-lo hoje.
A CIDADE NO BRASIL
H 37 37
A CIDADE NO BRASIL
O que é o Senhor?
A CIDADE NO BRASIL
Amém.
O Kyria, do Réquiem à memória de Luís de Camões. João Domingos, Bom Tempo. Na interpretação do Coro e Orquestra Globenquian, a direção de Michel Corbus. Está feita a ronda. Assim, obrigado por estar com a rádio. Boa noite.
A Ronda da Noite. Com Luís Caetano.
Cplp
Comunidade de Países de Língua PortuguesaUnesco
Dia Mundial da Língua Portuguesa