‘Mais grande’ existe?
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Professor Pasquale
Tatiana
- Obras maioresComparação de qualidades do mesmo ser · Comparação entre elementos distintos · Uso em linguagem formal vs. estética
- Uso de 'mais pequeno'Uso em Portugal · Uso no Brasil · Exemplo em Manuel Bandeira
- Canção 'Ao Teu Ouvido'Temática: jovem que não sai de casa · Conceito 'Imamone' na Itália · Letra e significado
- Canção 'Coisa Mais Maior de Grande'Uso estético e poético · Diferença de linguagem formal
- Diferença entre PT-BR e PT-EUTermo 'PT-BR' · Diferenças lexicais e gramaticais
- Significado de 'Rapariga'Significado em Portugal · Significado no Brasil
A nossa língua de todo dia, com o professor Pasquale. Oi, professor, boa tarde. Tatiana, boa tarde. Ouvintes, boa tarde. Eu adoro quando você diz segundona brava.
Que às vezes é, né? Essa escala 4x3 que teve na semana passada, né? Por causa do feriado. Dá aquela relaxadinha, tá? Às vezes pode ser mais difícil acordar na segunda-feira. Mas pra alguns só, né? Nem pra todos.
É verdade, é verdade. Vamos lá, vamos lá saber se mais grande existe. Lá vem o Kleber Dourado, nosso ouvinte profissional. Ele é de Curitiba. Lê alguns jornais em Lisboa, ou jornais feitos em Lisboa, jornais lisboetas. Encontrou a expressão mais grande e está perguntando se é correto aplicar no PT-BR, professor.
Vamos traduzir, PT-BR é o português brasileiro, que se contrapõe, é uma denominação para diferenciar do português europeu. É engraçado isso, português europeu. Português português, português de Portugal, com esse sentido do segundo português. Sabemos todos que há muitas diferenças entre o português de Portugal e o português do Brasil.
Mas eu confesso ao nosso ouvinte, aliás, vou pedir a ele, Kleber, que todo mês comparece aqui, e como eu já disse, se eu fosse atender a todas as dúvidas dele, só ele apareceria. E eu não acho isso ruim, não, viu, Kleber? Mande sempre quantas você quiser, só que você tem que ter paciência, uma por mês.
Então, essa coisa que ele diz aí, que ele viu em jornais lisboetas mais grande, eu quero exemplos, Kleber, por favor mande, porque isso nunca vi, nunca vi no português de Portugal o mais grande, a não ser num caso que também é comum no português do Brasil. Qual é o caso?
Quando a gente compara dois elementos, por exemplo, esta casa é maior do que aquela, estou comparando esta casa com aquela casa, este carro é maior do que aquele, eu vou dizer maior e não mais grande. Agora, quando eu comparo duas qualidades de um mesmo ser, você imagina, por exemplo, um carro.
Daqueles americanos de antigamente, horrorosos, aqueles carros imensos. Mas aí a gente ia entrar e mal cabia uma pessoa, um carro mal desenhado, sem espaço, com todo mundo com joelho na boca. Então o que a gente diz? Que esse carro é mais grande do que confortável.
mais grande do que espaçoso. Ele é grande, ele não é espaçoso. Então, ele é mais grande do que espaçoso. Isso existe, tanto no português de lá, quanto no português de cá. Está certo? Agora, o mais pequeno, e é claro que quando a gente fala de mais grande, a gente tem que...
Falar do mais pequeno, o mais pequeno se usa em Portugal e já se usou no Brasil. Eu me lembro de um poema de Manuel Bandeira em que ele usa mais pequeno, mas eu não consegui achar esse poema. Veja como são as coisas, né? Eu até já escrevi sobre esse poema e eu procurei loucamente. Eu consultei-me a mim mesmo.
E não me achei. Não achei o que escrevi sobre esse texto, não lembro qual é o texto. Mas eu vou tocar aqui uma canção portuguesa muito interessante.
que se chama Ao Teu Ouvido. Foi composta por Bárbara Tinoco, Tios e Feodor Bivol e vai ser cantada por Bubba Espinho e por Bárbara Tinoco. É uma canção muito interessante que fala de uma coisa muito comum no mundo de hoje, que é o jovem que não vai embora de casa. O jovem que...
que não sai de casa. Na Itália há um nome para isso, chamam-se Imamone. Não tem tradução literal isso. Mamone é plural, Mamone é o cara que depende da mãe, da mamma. Ou seja, o sujeito fica em casa, completa 30 anos, 40 anos e não sai de casa. Então vamos ouvir e ver o que acontece nessa canção ao teu ouvido? Vamos lá?
Onde está o óleo dos livros que eu li à tarde com o meu irmão? O meu irmão. Onde estão os copos de vinho que o pai deixava provar, mas a mãe não? A mãe não. Onde está a rapariga que eu gostava mais que a vida? Onde está a minha avó que me ensinou esta canção?
E o verão que todos os anos fica mais pequeno, prometo para o ano temos mais tempo. Agarro-te e saímos daqui. Quando é que eu fiquei demasiado crescido?
Prometo te saímos daqui. Que bonito. É bonito a beça, né? Onde está o óleo ali dos livros que eu li à tarde com o meu irmão? Onde estão os copos de vinho que o pai deixava provar, mas a mãe não? Onde está a rapariga que eu gostava mais que a vida? Atenção, no Brasil rapariga tem um sentido, em Portugal tem outro. Rapariga em Portugal é moça.
É simplesmente feminino de rapaz. E o verão que todos os anos fica mais pequeno. Está vendo? Mais pequeno. Em Portugal esse mais pequeno é super comum, usadíssimo. No Brasil já foi, hoje em dia nem tanto. E há exemplos, como eu disse aqui, o Bandeira, por exemplo, na literatura brasileira e tal.
Agora, o mais grande, eu vou ler para vocês o que está escrito no dicionário da Academia das Ciências de Lisboa. Cadê, cadê? Meu Deus do céu, eu tirei uma foto para não perder. Observação. Mais grande só se usa em certos contextos, quando em correlação com outro adjetivo.
uma cômoda mais grande do que espaçosa, foi aquilo que eu disse. Fora isso, não. Agora, no nosso guia de usos do português, da professora Maria Helena Moura Neves, ela faz uma observação interessante, que é assim, para, cadê, cadê, cadê, onde é que está, onde é que está, não é tradicionalmente recomendada a forma analítica que é o...
mais grande, né? Do superlativo relativo de grande, mais grande. Ela pode servir, porém, a obtenção de determinados efeitos. Era uma casa mais forte e mais grande que o barulho do carnaval. Porque já temos o adjetivo forte com o mais, né? Era uma coisa mais forte e mais grande do que o barulho do carnaval. É o lugar mais grande do mundo.
ênfase, né? Obtenção de determinados efeitos, como diz ela aqui. E a gente vai ver isso com o Gonzaga Jr., Luiz Gonzaga Jr., numa canção, cujo nome eu não vou dizer para não dar spoiler, que está no disco X, tem o mesmo nome da música, de 1981. Vamos ouvir o Gonzaguinha.
Enquanto eu acredito Que a pessoa é a coisa Mais maior de grande Que na sua riqueza Revoluciona Ensina Pelas aulas do tempo Aprendi e vai voltar Por cima Eu vou cantar
Por aí Eu vou cantar Por aí
E ver que gente é sempre assim tão diferente de gente Assim como a voz que ecoa não é mais daquele que grita E essa beleza nada de semelhança me aguça A cabeça me agita e eu vou cantar Por aí
Bonito demais também. Você viu o que diz o Gonza aqui? Caprichou nos auxílios. Como é que é? O senhor caprichou nos auxílios hoje. Tudo lindo. Obrigado. Eu sempre tento. É não, o senhor sempre capricha. É que hoje me tocou pessoalmente, especialmente aqui. Achei bonito demais.
Você viu, né, essa letra e essa beleza na dissemelhança me aguça, me aguça a cabeça, me agita. Bonito é que gente é sempre assim, tão diferente de gente. Olha que bonito demais, né? Mas então, a letra começa, Enquanto eu acreditar que a pessoa é a coisa mais maior de grande...
eu vou cantar por aí. É óbvio que o Gonzaguinha aqui usou esse coisa mais maior de grande para criar um efeito muito forte. Isso é poesia, isso é literatura, é linguagem com finalidade estética, com a linguagem que quer tocar, que quer tocar fundo. Eu não vou escrever num relatório técnico.
que o mercado do país X é mais grande ou mais maior de grande do que o do país Y. Aí não, aí na linguagem formal a gente vai usar maior e não mais grande, nem mais maior de grande. Mas fora disso...
Se a criatividade exigir e permitir, a gente vai como foi o Gonzaguinha, cujo, vou dizer o nome da música, não tinha dito, é Coisa Mais Maior de Grande. E o disco se chama Coisa Mais Maior de Grande traço pessoa.
Bonito, né? Então, respondendo ao nosso ouvinte, primeiro, mande provas. Eu nunca vi isso em Portugal, como diz o personagem da escolinha, eu quero provas, eu quero provas, lembra? Segundo, o mais pequeno se usa em Portugal e já se usou no Brasil muito, ainda se usa, mas um pouco menos do que já se usou.
E o mais grande, em linguagem formal, só quando se tratar de comparação de duas qualidades do mesmo ser.
Este carro é mais grande do que espaçoso. De resto, maior. Esta casa é maior do que aquela. Em linguagem padrão. É isso. Muito bom. Se você tem dúvidas, quer mandar a sua pergunta para o professor Pasquale, a nossa língua, tudo junto sem acento, a nossa língua, arroba cbn.com.br. Obrigada, professor. Um beijo. Até amanhã.
Tati, querida, beijo, beijo pro Fernando que tá vendo por aí alguma coisa e beijo pros ouvintes.
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