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O Fim da Autonomia Médica? O Papel do CBO e o Futuro da Oftalmologia | Dr. Frederico Pena #284

06 de maio de 20261h42min
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A Verdade Sobre a Gestão Médica e a Relação com os Planos de Saúde | Dr. Frederico Pena | Fala Doutores #284

No episódio #284 do Fala Doutores, recebemos o Dr. Frederico Pena, Diretor Tesoureiro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), Diretor do Hospital de Olhos Niterói e especialista em catarata e refrativa pela UNIFESP. 🩺📊👁️

Com uma trajetória que une a excelência cirúrgica à alta gestão e à defesa de classe, o Dr. Frederico traz uma visão lúcida e necessária sobre o momento crítico que a medicina vive hoje. Ele explica como a relação médico-paciente, que sempre foi o "santo graal" da profissão, está sendo ameaçada pela força desproporcional dos intermediários (planos de saúde) e pela falta de preparo dos próprios médicos para lidar com o mercado.

Neste episódio, você vai descobrir:

➤ Como a estabilidade do Plano Real nos anos 90 mudou a economia da saúde e a relação com as operadoras.

➤ O papel fundamental do CBO na defesa profissional e na negociação com a saúde suplementar.

➤ Por que o modelo atual de remuneração (focado apenas no preço e no volume) é insustentável a longo prazo.

➤ A importância da transparência, da meritocracia e da "accountability" individual do médico.

➤ Como a tecnologia e a saúde baseada em valor (VBHC) podem ser a saída para equilibrar o sistema.

Se você é médico e sente que a sua autonomia está sendo cerceada, ou se quer entender como jogar o jogo da gestão sem perder a essência do cuidado, este episódio é obrigatório!

Tópicos abordados:

00:00 - Introdução: O episódio que demorou 6 anos para acontecer

03:10 - A "cobrança" ao vivo: Por que o Dr. Frederico foi no Ophthalmo Expert antes?

09:03 - A influência do pai oftalmologista e o valor da relação médico-paciente

10:55 - O "ruído" no sistema: Quando o intermediário começou a atrapalhar a medicina

15:51 - As raízes em Niterói: Uma infância de classe média baixa e a ética do trabalho

26:15 - O intercâmbio nos EUA aos 17 anos e a visão de mundo

34:24 - A escolha pela medicina e a entrada na UERJ

37:14 - Como a oftalmologia entrou na vida do Dr. Frederico

01:08:09 - A entrada no CBO e a luta pela defesa de classe na saúde suplementar

01:12:41 - Onde está o real desalinhamento do sistema de saúde hoje?

01:16:45 - A força do intermediário e a perda da autonomia de escolha do paciente

01:21:45 - A falta de diálogo histórico entre médicos e operadoras

01:25:10 - O Fórum dos Residentes: Preparando a nova geração para o mercado

01:29:23 - O perigo de focar apenas no preço e esquecer o cuidado a longo prazo

01:34:43 - Saúde Baseada em Valor (VBHC) e a responsabilidade do médico

01:39:14 - A importância da família e a transmissão de valores para os filhos

01:44:45 - Ping-Pong Final: Hábitos, medos, livros e a definição de sucesso

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🎙️ Novo episódio toda terça-feira, às 19h.

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Assuntos8
  • O Desalinhamento do Sistema de Saúde BrasileiroForça do intermediário · Falta de autonomia do paciente e médico · Necessidade de concorrência justa · Imaturidade do capitalismo brasileiro · Redução de desperdícios no sistema
  • Autonomia Médica e Planos de SaúdeRelação médico-paciente · Intermediários (planos de saúde) · Remuneração focada em preço e volume · Saúde Baseada em Valor (VBHC) · Accountability individual do médico
  • Trajetória de Frederico PenaInfluência do pai oftalmologista · Formação médica e residência · Intercâmbio nos EUA · Escolha pela medicina · Início da carreira em Niterói · Experiência em São Paulo (Unifesp) · Retorno ao Rio de Janeiro · Participação no Hospital de Olhos Niterói
  • Oftalmologia como especialidadeDefesa profissional · Negociação com a saúde suplementar · Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO)
  • Gestão e Mercado na MedicinaEstabilidade do Plano Real e economia da saúde · Transparência e meritocracia · Desafios da intermediação no sistema de saúde · Importância da gestão para a prática médica · Mercado de saúde suplementar
  • Valores familiaresÉtica cristã e generosidade · Importância da família na carreira · Transmissão de valores para os filhos · Legado dos pais
  • O que é Sucesso para um MédicoFazer o melhor para cada paciente · Impacto na vida dos pacientes · Contribuição para a sociedade
  • A Importância da União e do Diálogo na OftalmologiaMovimento Coeso · Relação entre SBO e CBO · Superação de divisões internas · Fortalecimento da oftalmologia brasileira
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Se o médico residente hoje, o médico que está entre 25 e 30 anos de idade, não conseguir enxergar essas mudanças, dificilmente a gente vai conseguir participar efetivamente da evolução do mercado. Nós vamos ficar recentes cada vez mais. E aí eu estou falando o seguinte, é propor fazer a nossa parte.

Depois de quase 6 anos, 283 episódios conversando com alguma das maiores nomes da medicina, hoje eu percebi que nunca tinha falado isso de forma tão clara. Esse não é só um podcast, é uma busca. E esse episódio de hoje é um daqueles que fecham um ciclo e começa outro.

Fala, doutores! Sejam muito bem-vindos ao maior podcast de desenvolvimento e carreira médica do Brasil. Hoje eu quero começar diferente. Esse espaço aqui não é sobre conversa, entrevistas, é sobre a tentativa de entender, entender o que faz o médico dar certo.

O que diferencia quem constrói uma carreira sólida de quem se perde no meio do caminho? E eu venho tentando fazer isso há quase seis anos. São hoje 284 episódios que nós vamos gravar hoje.

Centenas de histórias e uma inquietação que nunca saiu de mim. Existe algum padrão? Existe algo que conecta médicos que conseguem construir uma carreira com propósito, resultado e equilíbrio? Esse podcast é feito de médico.

para médicos e para profissionais de saúde que não querem só sobreviver no sistema, querem entender o jogo, querem jogar melhor e, se possível, mudar esse jogo de alguma forma. Então, antes da gente começar, se inscreve aqui no canal, se essa conversa de alguma forma faz algum sentido para a tua vida, toca no sininho, compartilha esse episódio para a gente conseguir crescer cada vez mais e divulgar esses conhecimentos de verdade, porque essa discussão precisa...

realmente chegar mais gente. E o episódio de hoje tem um significado especial para mim, porque lá atrás, o nosso convidado de hoje, que vocês já estão vendo aí na câmera, ele é para ter sido o primeiro convidado do Fala Doutores.

Bruno Fernandes, que não... Pera, deixa eu falar. Bruno Fernandes, que foi meu primeiro convidado diretamente do Canadá, que não se sinta desprestigiado, que foi uma super participação do Brunão, porém, Frederico, que era para ter sido meu primeiro convidado.

Quando esse projeto ainda só era uma ideia, tinha um nome, eu queria trazer esse cara, que é uma referência para mim. E ele me disse não. Várias vezes ele falou, vários amigos em comum. Então aqui eu cito nosso querido amigo Adriano Londres, que hoje me fez uma ligação dizendo, Ricardo Valente, eu estou super feliz e lisonjeado de ter participado mais uma vez do Fala Doutores.

ter conseguido que o grande Frederico Pena conseguisse aceitar o seu convite. E tenho mais um ponto a ser falado. Essa introdução aqui já explodiu. Todo mundo até me largou aqui, porque eu nunca falei dentro de uma introdução. Já não pode ter uma parada de engajamento, mas eu não estou nem aí.

Eu tenho aqui que citar minha frustração e meus ciúmes com as duas grandes amigas, Vivi e Cecília, do Thalma Expert. Se vocês não conhecem, se inscrevam lá. Super canal, super trabalho que elas estão fazendo. Mas elas conseguiram levar o doutor Frederico para lá antes de mim. E quando eu... Faz aqui um foto. Eu acho que eu para com isso. Deixa eu acabar da minha... Você vai falar uma hora.

além que eu ia desabafar tudo isso em cima de você ao vivo. As duas conseguiram. Frederico fala que é meu amigo pessoal. Só que ele me enrola há seis anos pra fazer essa participação aqui, dizendo que ele não tava preparado e isso, isso e a tudo. Aí as duas chamam ele.

E ele vai lá gravar com elas. Vocês veem como é que são os amigos que a gente tem. Mas, talvez esse episódio tenha demorado demais, porque precisava ser no momento certo, no momento de Deus. E graças a ele, esse momento chegou. Fala, doutor Frederico. Tudo bem?

Pô, cara, é isso aí. Eu acho que eu fecho com você, né? Tudo tem um motivo, uma razão de ser e as coisas demoram a acontecer por uma razão maior. E se uma coisa que eu tenho certeza que desde que você começou esse projeto, eu sempre admirei projeto. E às vezes que eu me excusei, não topei, como eu já te disse, era muitas vezes porque a minha vida no mundo digital é quase inexistente, né, cara? Aí eu ficava pensando assim, pô, cara...

praticamente não tenho relação com o mundo digital. Minha vida está tão isolada no meu mundo concreto, no mundo real.

Poxa, eu vou participar disso, me encargo, eu não vou ter lá muita interação depois e tal. Mas, assim, o tempo vai passando e a gente vai refletindo, inclusive, sobre o quanto o mundo muda, o universo vai nos apontando, a necessidade de você se adequar, até mesmo às novas formas de comunicação, que chega a ser ridículo alguém falar isso, que são as novas formas de comunicação. Aos 54 anos de idade, 33 anos de idade, eu falo 54 em agosto, mas a alegria de poder estar aqui contigo, porque eu...

eu vejo em você exatamente o desejo de fazer a medicina, o sistema de saúde funcionar bem para os pacientes, né? E de forma equilibrada. Acho que isso a gente tem em comum, a gente comunga muito esse desejo. E se eu fui lá no Hospital Móexpert, foi meio que sem entender onde eu estava indo, tá, cara? Porque Vivi mandou uma missão, você pode falar, posso, hein? Vivi é um ferro, né, Frederico?

Eu não sabia, ela não me conhece menos, né? Então ela falou assim, marca lá uma hora. Falei, tudo bem, vou entrar no computador. Eu achei que eu fosse conversar com ela sobre algum assunto. Quando eu vi, ela era um estudo de podcast. Eu falei, caramba, é um podcast?

vamos lá, né, quer dizer, eu não tinha nem de ter intimidade pra ela, pra dizer peraí, cara, para, para, eu não posso fazer isso sem antes fazer com o Ricardo, né foi a minha primeira o meu primeiro pensamento cara, eu não posso fazer isso sem antes falar, e não falar doutores, mas eu fui lá e agora estou aqui

Eu já assumi isso pra você e eu tenho que falar publicamente que eu fiquei muito enciumado com o Vivi, mas, por outro lado, Vivi foi a grande responsável por Frederico estar aqui hoje comigo.

As duas, então, mais uma vez, vão lá no Oftalma Expert, se inscrevam, curtam, vejam o episódio do Fred lá e muitos outros episódios do pessoal da Oftalma, que elas estão fazendo um trabalho magnífico. Mas, Frederico, vamos a nós aqui. Primeira coisa, já de cara, em que momento desses teus 54 anos de vida que você percebeu ou teve os primeiros insights que ser um bom médico...

não era suficiente. Olha, Ricardo, eu tive a sorte, acho que foi um presente que Deus me deu, de nascer num lar e ter um pai oftalmologista que é um indivíduo que... Um super pai, diga-se de passagem. Que merece todas as suas glórias e toda a sua gratidão.

Exato. E eu via sempre, o que eu mais via, a forma de meu pai conduzir a vida profissional dele, isso desde criança, era o valor que ele dava à relação médico-paciente, às amizades que ele fazia através da medicina. Meu pai sempre contou muito mais sobre as pessoas que ele tinha o privilégio, a responsabilidade de atender.

Eu sempre ouvi muito mais ele contando o quanto a medicina trazia para ele através dos pacientes do que falando propriamente sobre conhecimento. Meu pai foi fundador e presidente da Soblec, escreveu livros na área de contatologia, uma pessoa que ensinou muita gente, mas eu sempre vi meu pai me estimulando a pensar no paciente e ser um médico que estivesse aberto a uma relação de troca. E...

Quando eu terminei a formação na residência, fiz dois anos de residência na UF, depois fui para São Paulo, tive a alegria de poder conhecer lá a Unifesp em 2000, fui para lá, fiquei na Unifesp dois anos e meio. E quando eu volto para Niterói e começo a me inserir na realidade da assistência, em uma estrutura que a gente vai falar sobre isso ao longo do episódio, eu, depois de uns dois, três anos, comecei a perceber, peraí, cara, que existe aqui um ruído, então...

nesse universo, que eu acho que está começando a atrapalhar isso que para mim é tão nobre, que é a boa relação médico-paciente. E eu acho que, à medida que eu fui entendendo a interferência que o intermediário poderia ter, isso que para mim sempre foi o...

o norte da minha vida profissional, eu comecei a ver, cara, peraí, estou aqui tentando fazer o melhor para o meu paciente, tem alguém dizendo que não posso fazer isso, vai me pagar menos por isso. Eu acho que foi ali que eu vi que eu tinha que enxergar a complexidade do sistema de saúde e tentar ajudar a melhorá-lo, pensando, em última instância, em preservar aquilo que foi sempre o meu norte.

inspirado no meu pai, de ter a melhor relação médico-paciente. Então, sinceramente, foi muito assim que, instintivamente, talvez assim, dando passos que não eram tão conscientes, eu fui me aproximando de pessoas que, naquela ocasião, nós vamos poder falar sobre isso também, estavam debruçados sobre isso, tentando melhorar a relação dos oftalmologistas, das empresas oftalmológicas, com um complexo que...

sistema de saúde suplementar, principalmente, onde a gente estava bem inserido aqui no Hospital Jorge, em Terói, que vinha já mudando bastante em franco crescimento nos anos 2000, começo dos anos 2000, surfando os seis anos de estabilidade da moeda, o que mudou totalmente o processo da economia na saúde. Então, quem estava no mercado na década de 90 mundial,

conseguiu ter ali uma onda de prosperidade motivada pela estabilidade da moeda do plano real.

E, ao mesmo tempo, você criava mais oportunidades, porque havia uma expansão do número de vidas na operadora, mas você também criava mais dificuldades no relacionamento. E aí foi assim que eu comecei a me dedicar a ler como autodidata e procurar pessoas e interagir.

Você lembra de algum caso específico ou você acha que foram vários que foram se acumulando e essa relação médico-paciente se desgastou um pouco por algum momento para você e você percebeu que precisava reformular?

não lembro de nenhum caso específico. O que eu percebi, eu nem posso dizer que talvez na minha vida eu estava a preservar ao máximo esse santo grau da medicina, mas eu vi que a coisa estava se perdendo. Ao meu redor, o acelerar do atendimento.

as restrições de práticas, eventualmente. Você começa a perceber isso acontecendo e, ao mesmo tempo, enxergando também atitudes inadequadas do nosso lado também, assim como médico. O médico precisa também ter uma noção de responsabilidade sobre a viabilidade do sistema. Então, não teve um episódio marcante. Acho que é uma soma. Eu acho que, principalmente, eu via pessoas também, mais sênios do que eu,

Eu ali estava com 32 anos, pessoas com 50, 60, preocupadas demais com isso. E aquilo despertou em mim um momento que estava todo mundo mais pensando em, talvez, melhorar currículo, melhorar, fazer sua pós-graduação, eu até estava inscrito ali na pós-graduação.

da Unifesp, eu ia no doutorado, depois até, por circunstâncias, eu acabei não concluindo, mas eu fui focando nisso, me aproximando do universo da gestão dentro da estrutura do Hospital de Ordem de Terói, trocando informação com as pessoas que lidavam com a gestão da empresa e fui achando que fazia todo sentido para viabilizar a boa prática médica eu entender do universo da gestão.

ajudar aqueles que estavam imbuídos desse objetivo de melhorar essa relação entre a oftalmologia e o mercado, que era o que estava acontecendo, principalmente ali, o movimento coeso, que mudou a história da oftalmologia e da relação da oftalmologia com a saúde suplementar, principalmente. E quem era Frederico antes da medicina? Você nasce em Caraí mesmo?

Eu nasci em Niterói, numa maternidade no bairro de Santa Rosa. Eu vivi a minha primeira infância numa casa, numa rua, num bairro chamado Santa Rosa. É uma bairro de quase média baixa, assim.

Meu pai é um cara que batalhou, veio de baixo. Meu pai veio do interior de Minas para fazer vestibular aqui, na boléia do caminhão, com toda a diversidade. Conseguiu, com muito esforço, morar numa pensão aqui na região de Caraí, perto da UF, fez aqui o pré-vestibular e conseguiu entrar na Universidade Federal Fluminense. E, sim, começou uma vida do zero. Filho de um comerciante. Um comerciante. Meu alvo era um mascate, era alguém que teve uma refação de café.

Fer, no interior de Minas, lutou, vindo praticamente um indivíduo que tinha um primeiro grau, ele e minha avó, lutaram muito para criar sete filhos e sempre com um foco muito grande na evolução da educação que eles não tiveram. Meu pai e seus irmãos, uma boa parte deles, quase todos, conseguiram através até de um pouco de influência da cultura presbiteriana na época,

uma missão presbiteriana que chegou no interior de Minas Gerais, uma cidade pequena, uma cidade, uma vila de 2 mil pessoas, 3 mil pessoas. Um determinado reverendo que veio dos Estados Unidos para fazer uma missão aqui começou a trazer uma visão diferente até da ética cristã aplicada ao desenvolvimento dos negócios. Meu avô, um cara que teve um certo ciclo de prosperidade na vida,

com muita luta, influenciado pela ética cristã, através da influência desse missionário. E nesse ciclo, meu pai conseguiu uma bolsa num colégio missionário perto de onde ele morava, já duas, três horas de distância, e foi para o colégio interno, graças a essa missão de um americano, de um pastor americano. E de lá ele fez uma base e conseguiu fazer o vestibular e vir para o Rio.

E aqui, a mão na frente, eu estou atrás. Então, quando ele ingressa na vida profissional aqui, não tinha nada. Minha mãe é uma professora também do interior do estado do Rio de Janeiro, na região de Pé-de-Araruano, uma família também de poucas posses, e os dois começaram a viver uma luta aqui. Eu nasci em 72, eles se casaram em 71.

e com muito esforço, casa alugada, uma casa simples. Eu vivia esse contexto, claramente. Eu era o filho do médico numa rua que tinha o dono da venda, a professora primária. Não tinha na minha rua o desembargador, o empresário, o dono do grande... Eu vivi muito a vida dessa classe média baixa.

A vida é de verdade. Exatamente. Morava numa casa de rua, eu e meus dois irmãos, e com muita liberdade para interagir com... É curiosíssimo isso. Eu interagia desde... O meu vizinho de muro era um professor universitário, mas eu tinha o vizinho do outro lado da rua, era uma costureira.

E, a quatro quadras, eu já estava no pé de uma comunidade, de um morro, onde eu ia soltar pipa. E interagia, na minha casa, eu recebia as pessoas que moravam na comunidade. Então, eu me forjei nessa interação de culturas de uma classe média.

que interagia muito bem com quem estudava na escola pública. Era assim que funcionava. Uma boa parte dos meus amigos da rua estudavam na escola pública, ali nos anos 70 ainda. Uma parte já estudava na escola privada. Então, é uma batalha muito grande que eu vi meu pai tendo para conseguir nos educar. E a gente foi. Eu, meu irmão Rafael, meu irmão Marguerite. Qual é a diferença de vocês três?

Eu sou de 72, Rafa é de 74. O Rafa também é oftalmologista, faz a maioria de retina. E o Bruno é de 77. Então, a diferença de um ano e meio, dois anos, depois de um ano e meio, o Bruno, cinco anos. Mas, você se imagina o que era essa casa de três crianças, três meninos, uma casa de rua, com meu pai batalhando 14 horas por dia para conseguir pagar a escola. Minha mãe era professora primária e depois assistente social.

E ela também tinha uma carreira Trabalhava e sim E aí você vê Um primeiro momento da minha vida Que eu tive a dádiva de ter uma segunda mãe Que até hoje está na nossa vida Uma pessoa que veio nos ajudar E dedicou a sua vida A minha família, até hoje está com a gente Com uma mãe, uma segunda mãe

Eu vim desse Brasil da batalha, vindo de baixo, com muita humildade, num contexto de uma cidade que tinha uma estrutura razoável já, nos anos 70, 80. E meu pai batalhando, e a vida dele foi prosperando devagar, com muita luta.

muito trabalho e muita simplicidade, sabe? E, principalmente, muita conexão com a essência das pessoas. Então, na minha infância, meus melhores amigos, da minha turma, dos meus pessoal de rua, hoje um é professor de história numa escola pública.

e está tocando a vida dele. Então, são pessoas que, algumas conseguiram subir no estrato social, mas eu mantenho a conexão e, principalmente, uma gratidão enorme pelos valores que foram forjados em mim através daquela cultura de rua, num bairro simples de Iterói. E quem te transformou em vascaíno, cara?

Cara, essa história, meu pai, meu pai é vascaíno, ele fala que ele foi muito influenciado pelo meu avô, o Expresso da Vitória, do Vasco, na década de 50, era um time que viajava o Brasil inteiro, e meu pai, criança, foi influenciado por isso, meu avô vascaíno, outros irmãos também, e morava no interior de Minas, a referência do futebolista era dos times do Rio de Janeiro.

Então, naquela ocasião, as pessoas se identificavam em Minas Gerais e se identificavam mais com os times do Rio de Janeiro. Meu pai era América Mineiro e Vasco da Gama. E foi uma das coisas que ele me trouxe, que eu carrego no peito com muita alegria. Tá. Essa tua adolescência de se espancar com teus dois irmãos aí, voltar...

voltar com o joelho, botar mertiolate, vamos para o jogo e tudo mais. O que era teu lazer? Como é que era? O teu objetivo era o quê? Você queria ser jogador de futebol? Você queria ser professor de história? Não, eu sempre fui uma criança muito ativa. Eu fui alguém que talvez hoje tivesse sido classificado com TDAH ou coisa parecida.

Eu tinha uma hiperatividade que eu soltava muito essa energia. Eu sei que um bom aluno nunca foi aquele aluno super CDF, mas eu nunca tive problema para passar e tirar boas notas. Mas a minha energia era muito intensa, então eu jogava futebol, andava de bicicróides, andava de skate. Você quebrava a ponta de janela, né?

Isso, eu fazia, eu mesmo tempo me envolvia com essas atividades, aquela comunidade simples da rua ali em Santa Rosa. Então, a minha vida era muito difícil. Depois de um certo tempo, eu comecei a pegar onda, que é uma coisa que eu gostei de fazer muito tempo. E durante um bom tempo, eu pegava onda de bodyboard. É, um pouquinho de tacuatiada. Pegava onda de bodyboard, foi uma coisa que marcou minha vida também durante o ciclo da minha vida.

dos 12 até os 20. Mas você pegava direto mesmo o negócio que você gostava de fazer? Sim, sim, gostava. Você se dedicava para isso? Sim, sim, a ponto de começar a pensar em competir, mas aí a coisa caiu de outra forma. E aí foi ele... E onde aparece o Viseu? ...vivendo muito isso.

Eu tive também uma influência familiar de um contexto que passa até por essa raiz da influência da cultura americana na vida da minha família paterna. Meu pai sempre falou da importância da gente buscar...

compreender outras culturas, especialmente ele reverenciava muito a história da cultura meritocrática americana, com suas bases firmes na sociedade de livre mercado, a ética cristã e a meritocracia. E eu tinha alguns primos mais velhos, eu sou dos 35 primos que eu tenho com a fase paterna, eu sou um dos mais novos. Eu tive alguns primos que foram fazer intercâmbio na época que só o Rothery fazia, década de 70, 80, década de 80.

E aí, quando eu estava nessa reta de terminar o segundo grau, e meio ainda nessa minha, diria, confusão, de ser uma pessoa muito agitada e muito interessada por muitas coisas ao mesmo tempo, que até hoje eu continuo sendo assim, eu não tive muito esse foco de o que eu ia fazer, a não ser buscar fazer um intercâmbio. E aí, isso é uma conversa que eu tive com o meu pai. Isso não era estimulado pelo teu pai, é estimulado mais pelos teus primos.

Meu pai me dava um apoio, minha mãe tinha um certo receio, eu diria que o mundo da minha mãe era o mundo mais restrito, em termos de visão. Então, meu pai tinha alguma conexão com essa cultura que ele viu dos intercambistas americanos que vinham para a casa dos meus tios lá em Minas, que na época era assim também. Então, eu tive alguns primos emprestados, italiano, americano, e aquilo me despertou interesse em fazer intercambio. E aí, com 17 anos, eu fui para os Estados Unidos. Ah, o teu pai recebia?

Nós não, os meus tios em Minas Gerais. E aí, em função... Você estava viajando e... Eu ia para lá, frequentemente, eu ia para Minas Gerais, na região do Vale do... ali do... Coronel Fabriciano, Vale do Aço, que chama, que é onde está majoritariamente a minha família hoje, a paterna. Eu convivia, e isso me despertou interesse. Aí eu fui conversando com meu pai, e falei, pai...

Não sei, estou querendo fazer intercâmbio, mas me deu muita força. Eu tinha um amigo que tinha voltado da Austrália, eu corria atrás sozinho, não envolvi muito minha mãe, porque eu não queria que ela sofresse, antecipadamente. Era outro mundo, né, irmão? Eu escrevia por carta, né, cara? Meu pai brigava comigo quando eu ligava mais de cinco minutos no telefone, que era uma grana pela Embrapel. Então, eu vivi uma outra realidade de intercâmbio, em 1989, isso. E aí, isso mudou, né? Diga-se de passagem que era maravilhosa, né, Fred?

maravilhosa cara, o outro dia eu tava atendendo um paciente que falou pra mim, que mandou o filho era um paciente com terceiro ou segundo casamento e tinha um filho mais jovem que tava, sei lá, com 15, 16 anos ele tava mandando pros Estados Unidos e o filho tava lá três semanas doido pra voltar porque o filho só ficava vendo só as postagens dos amigos nas festas aqui no Rio e não tinha relação com ninguém lá e ele não falava nem só, falava português com todo mundo em todo momento e tava revoltado que tava lá preso e aí

É uma tristeza, né, cara? Acaba que você perde a... É, mas é uma realidade, né, Fred? Acaba sendo uma tristeza pelo que você viveu. O que você sofria lá, né? Sim. Sei. Vamos lá. Está aí a natureza de cada um, né? Uma coisa curiosa que eu lembrei agora aqui. Sabe quem foi do mesmo avião que eu para fazer intercâmbio com a mesma agência, cara? Flavinho Rezende. Mentira, sério?

Sim, cara. A gente foi no meio... Cara, é tipo uma coincidência absurda. Vou ter que fazer um corte disso daqui e te marcar.

Cara, o Flavinho Erzende foi pro Illinois, eu acho que ele foi. Não lembro exatamente onde ele foi. E ele foi, não, não, cara. Chegou uma hora do embarque lá, tá lá a família do Dr. Flavio, né? E eu embarquei com o Flavinho e eu acho que isso também mudou muito a vida dele. E eu lembro que ele teve até uns contratempos lá, depois já se ajustou e foi uma experiência muito rica. Nós fomos pelo YFU, Youth for Understanding. Mas assim, falando sobre essa questão da... Quanto tempo você fica lá?

Fiquei um ano Um ano e fiz uma relação muito Um ano, um ano, fiz uma relação muito profunda Com a família Com quem eu tenho laços até hoje Vieram no Brasil várias vezes Ano passado tiveram aqui minhas duas irmãs Infelizmente o meu pai americano faleceu já Vieram aqui com seus filhos Mas enfim Foi uma coisa que deu uma guinada na minha vida Quando você me pergunta Quando eu me pensei em ser médico Até nesse momento eu era alguém tentando entender Que você me pergunta

o mundo e não tinha esse foco. Mesmo com a convivência com o meu pai, acho que a minha interação com o mundo, naquele mundo ainda meio disperso, não me levou a olhar para o meu pai como uma referência profissional naquele momento da minha vida com 17 anos. Eu tinha interesse em jogar bola, em conhecer o mundo.

em fazer outras coisas. Eu joguei bola nos Estados Unidos, fui MVP, entendeu? Para de contar a mentira, hein? É verdade, cara. Eu gosto de você, cara. Mostra a foto, hein, cara? Mas o que eu vou te mostrar mesmo é o gol que eu fiz esse ano já no Ario. Isso você não tem, não. Mentira. Eu fiz um gol e sou um Januário. Quando a Brahma fez aquele... Não, não. A Brahma fez uma época...

Pode ser claro aqui, cara. Não, fala. Agora tem que falar, cara. Vai ter que falar. Mas se você tiver um vídeo ou uma foto, vai ter que me arrumar. Eu vou botar para ilustrar o episódio, cara. Eu joguei, cara. Eu joguei futebol no intercâmbio. No intercâmbio. Foi muito legal. A experiência foi rica. Meu técnico era um técnico dinamarquês. Fiz amizade com um sueco, que era o centroavante. Fiz um grande time. Eu morei em West Virginia.

Na Virginia Ocidental, que é o Piauí dos Estados Unidos. Ih, pô, desculpa falar isso. Vou ser cancelado aqui. O Piauí dos Estados Unidos é maravilhoso, tá, gente?

o Cielo Corta. Frederico ficou uma confusão pra mim, né, cara? Mas, enfim, fui pra um estado menor, que foi muito rico, porque é uma cidade de 35 mil habitantes com muitas possibilidades de interação. Mas aí, eu joguei bola lá e tive uma experiência muito rica jogando futebol. Cheguei a ter duas opções de bolsa, cara, pra fazer faculdade lá. Tô falando isso tudo, porque, assim, a medicina não tava no meu radar, né?

estava no meu radar. E eu me conectei muito com a cultura americana, com a família, e ainda fiquei muito em dúvida se eu voltaria para fazer a universidade lá. O que não seria uma universidade focada em medicina, porque isso não tinha despertado para isso. E aí eu vou, termino esse processo, depois eu falo do Vasco, do Gol de São Januário, que eu vou te mostrar depois.

Mas aí quando eu volto, eu volto meio desajustado, cara. Você vê todo mundo fazendo vestibular, né? E eu ali tive que terminar o segundo grau, mas todo mundo naquela corrente de vestibular e aquilo não fazia muito sentido para mim, porque eu fiquei muito dividido. Tive aquela síndrome de adaptação, né? Desconectei um pouco do grupo de pessoas com as quais eu convivia antes.

E aí depois fui me aprumando devagar, me aprumando, aí fiz o vestibular por fazer, assim, sem foco, meus pais compreenderam, ainda definido o que eu ia fazer. E no ano seguinte eu falei, cara, comecei a me assentar no Brasil, reconectei com as pessoas. Mas quando você faz vestibular sem foco, você faz pra medicina? Não, fiz pra, acho que eu me inscrevi pra agências sociais, olha isso. Podia estar hoje escrevendo... Não vem atrapalhando o meu voto.

Eu gosto de ler e naquela época eu estava lendo muito nesse contexto desse mix cultural dos Estados Unidos.

e Brasil, tentando ler, também, porque eu tinha lido Gilberto Freire, aí li uns livros que estavam achando interessante essa coisa da miscigenação do povo brasileiro, eu não tinha lido Gilberto Freire até então, e ali eu fiquei um pouco movido por essa questão de compreender as nações e como elas se formam. Eu acho que por isso que eu botei lá Ciências Sociais, mas, cara, estava ali a passeio para terminar o segundo grau. E no ano seguinte eu comecei a sentar e comecei a pensar no mundo.

buscar profissão. E fui para vestibular, fui para vestibular, que já tinha terminado. Comecei a focar no estudo, mas sem saber o que ia fazer. E entrei numa de estudar. Falei, cara, vou fazer um belo vestibular aqui. Aí foi um ano de estudo, e no meio do ano, assim...

eu falei, cara, eu vou fazer medicina. E aí, de novo, a conexão com meu pai, o universo da relação humana, eu sempre gostei de biologia, não tenho uma cabeça muito matemática, gosto muito das ciências sociais, mas gostaria de alguma coisa prática. E aí eu fui juntando as casinhas, e aí fiz vestibular, passei para a UERJ.

e fiquei de 92 a 97 morando em Niterói passei pra UF também, mas eu tenho que ir pra UERJ porque na época tinha muita... como é que você ia? era barca? não, ônibus, cara cara, eu tinha um ponto de ônibus perto da minha casa até o segundo ano eu ia de ônibus e às vezes a gente tinha um grupo de carona depois eu comecei a usar o carro que a minha mãe tinha até que meu pai ele se aproxima E aí

deixou o carro comigo, né? E a gente tinha uns sete, oito colegas, que até hoje somos muito amigos, de Niterói, que faziam o ERG, a gente tinha grupos de carona, né? Mas tinha um ônibus, 703. Achei que vocês andassem de barca direto, pô.

Não, a barca não era tão comum, porque eu tinha que saltar no centro e dali pegar outro ônibus. Só pegava a barca quando tinha algum problema mais grave na ponte. Não era o ônibus 703. Viação Garcia. Tá vendo? E seus seis anos de faculdade. Você está vendo meu currículo, é complicado, hein, cara? Olha isso.

Essas cidades... Esses seus seis anos de faculdade, tem algum evento emblemático para você que você lembra de uma forma diferente? E como é que aparece a oftalmologia para você? Foi natural? Olha, eu não fiz na faculdade para fazer oftalmologia. Meu pai é uma pessoa que...

pela personalidade dele, ele nunca abriu a boca para falar faz oftalmologia. Nunca. Eu nunca ouvi isso do meu pai. Meu pai, ele me motivava pela paixão que ele tinha pela profissão, pelo exemplo. Mas ele nunca analisou, ah, isso pode ser mais fácil para você, vai por esse caminho. Jamais ele falou isso para mim. E tenho certeza que jamais ele falou isso para o Rafa também, meu irmão.

Mas, assim, eu comecei, eu gostava da área cirúrgica, não queria fazer uma coisa que não tivesse algum foco cirúrgico, isso é uma das primeiras visições que eu tive. Tem um momento que eu adorei psiquiatria, eu gostava de ciências sociais, psiquiatria foi uma cadeira que me atraiu muito.

e aí você começa a dar uns plantões começa a ver a realidade da clínica médica que eu também gostava e cara, eu fui um estudante de medicina meio solto nesse universo plantão em emergência, não foquei pra oftalmologia o hospital não existia? não, o hospital não existia o teu pai tinha consultório tinha consultório isso, consultório de UF

No quinto ano, eu comecei, cara, agora eu tenho que me definir. Fiz um internato na UERJ, consegui fazer um internato opcional na oftalmologia, rodei lá um período, e já que aí sim, no quinto ano, comecei a acompanhar meu pai, os transplantes de córtex, minhas cirurgias.

Poxa, essa cirurgia é linda. E aí eu fui juntando as coisas. E realmente eu falei, cara, eu gosto da parte... Eu adorava a relação médico-paciente do consultório oftalmológico nos moldes que meu pai fazia, naquilo que eu falei no início. Isso que eu queria te perguntar. Você adorava a relação e o modelo de consultório da oftalmologia ou do teu pai na oftalmologia?

do meu pai na oftalmologia, com toda certeza. Eu acho que a minha referência, que talvez, por isso a minha resposta lá atrás, talvez a minha grande...

meta era não perder a minha relação médica e paciente ao longo da minha vida, que eu busco até o que fazer. Então, eu acho que sim, eu acho que mais muito o que eu vi no consultório do meu pai, no universo que ele criou de amigos através da medicina, com os pacientes, em uma cidade pequena, onde hoje a gente, todo mundo já se conhece, você imagina em 1990, talvez tivesse aqui 200 mil habitantes, naquela ocasião.

Mas hoje, a gente tem que ir com o tempo. E ainda é muito provinciano. Então, acho que ali, no quinto ano, eu vi que a hospital não é legal, tem a cirurgia que eu gosto, tem o aspecto da relação médico-paciente que eu vi acontecer, sim.

E falei, vamos nessa. Adoro o que eu faço e realmente me encontrei muito na especialidade. Gosto muito de ter os dois lados. Sou cirurgião, adoro operar, mas eu adoro aprender também. Eu realmente gosto de fazer consultório oftalmológico até hoje. Eu te perguntei se você lembrava de alguma passagem emblemática dentro dos seus seis anos de faculdade, mas vou mudar aqui meu foco de pergunta. Qual foi o momento mais difícil desses seis anos?

Foi tranquilo? Não teve nenhum momento de tipo, pô, isso aqui não tá sendo bom pra mim? Não teve nenhuma crise durante a faculdade? Não. Eu sempre fui entusiasta do que eu tava fazendo ali, como estudante. Sempre fui muito dedicado dentro do que eu podia. Eu sempre tive uma relação maravilhosa com a minha turma.

de faculdade, sempre me senti muito bem, muito acolhido no Pedra Ernesto, ter muita gratidão pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Encontrei um ambiente onde realmente eu desenvolvi ali meus desafios de estudantes sem grandes tropeços e grandes crises existenciais, vamos pensar assim. E por que você não fica na UES da PAUF? Cara, aí vem o seguinte, aí já é um cenário em que naquele momento, quando eu fiz as provas de residência, também passei nas duas,

E aí, vendo o cenário naquele momento, eu pensei que fosse mais fácil desenvolver a minha vida na residência e também já conseguir ter alguma conexão com a oftalmologia na estrutura privada de Terói. Porque ali eu já tinha uma clínica sendo estruturada, o Hospital de Olhos ali...

coincide mais ou menos com a minha formatura, a abertura da primeira unidade, que era uma unidade menor, que era o Centro de Olhos da Vim da Sete. Ali eu falei, cara, acho que eu vou poder assistir cirurgia, vou poder estar mais perto. Foi o que eu pensei. Também tinha um staff muito bom na UF, assim como a UF também tinha na ocasião.

Acho que foi muito momento ali de eu analisar o que a UFEM me oferecer e talvez essa conveniência de estar perto da estrutura, não só do meu lar, mas também da estrutura profissional que meu pai já tinha criado com seus sócios.

de alguma forma, avançando e progredindo. Foi isso, foi isso. E naquela época, por exemplo, eu não cheguei a pensar em ir para São Paulo, alguns colegas da minha geração ali, Renatinho e outros, foram fazer São Paulo, mas eu realmente não tinha essa visão. Vocês tinham conexão?

Não, quem? É a Renato Flávio que você está falando. O doutor Flávio, teu pai, tipo, PC, essa galera aí, depois, pró-coeso, já fazia parte da tua vida ou ainda não? Não, assim, amizade, mas não havia convívio intenso. Acho que eram nomes que eu ouvia, especialmente a família do Renato Ambrósio tem uma relação.

de raiz, favela Ambrose, lá na região também de Minas. Meu pai conhecia a família do Renato já da época, na remota, de Minas Gerais. Mas a gente nunca teve muito convívio. Meu pai viveu em Terói, né, cara? Então, ele tinha um universo dele profissional muito focado na contatologia. Então, ele teve algumas conexões de amizade nesse universo da contatologia, que eram os mais presentes na minha casa.

E a gente não fazia como família, como filho, eu não fazia muita imersão no mundo da oftalmologia como acompanhando meu pai em congresso, essas coisas não eram uma coisa real. Foi, óbvio, tenho memórias de alguns, mas...

Acho que meu pai tinha a vida dele, a gente tinha a nossa, e isso convergiu mais depois que eu já estava ali na residência. E para quem foi São Paulo? Mas eram nomes muito recorrentes, pessoas queridíssimas, perfil profissional exemplar, citados como referência pelo meu pai. Mas não é um convívio de todas essas pessoas, não é muito do nosso convívio. Aí você vê, São Paulo foi um momento que você começa a entender.

que naquele instante... Quando é que você termina, Fred? Que ano que você termina a residência? Fez dois anos, né? Se não eram três ainda. É, 9899 a residência, 9899. E aí já tinha essa questão de fazer um terceiro ano, fazer um felo. E a Unifed ofereceu o R3, uma prova para fazer o R3 na ocasião.

E aí eu vi, aí você começa a entender onde você vai conseguir ter um ciclo de desenvolvimento maior pela estrutura, pelas referências, a referência da maravilhosa escola da Unifesp, liderada pelo Rubinho, por toda uma escola consagrada no Brasil, já era naquele momento, acho que talvez fizesse um grande momento de ascensão, e aí conversando e vendo as opções,

fiz a prova para o R3 e fui morar em São Paulo, fiquei lá dois anos e meio aproximadamente. Fiz o R3, depois fiquei na refrativa com o Mauro Campos, que foi onde eu comecei meu doutorado, o Wallace Chamon, o Paulo Chores, o pessoal todo já começando a refrativa, e na catarata, Eduardo Soriano, peguei um pouco do Lincoln ainda.

E foi na doença externa, na córnea, com esse grupo que até hoje está muito forte na córnea, Denise, José Álvaro, enfim, todo esse pessoal que foi onde eu fiquei ali dois anos e meio, rodando nesses três setores. Você fica dois anos e meio em São Paulo? É, eu fico o R3 e aí depois eu faço um ano direto de Felo, que eu fico direto lá no Felo. Depois eu reduzo a minha carga horária e começo a ir e voltar.

Então, o Tote, o Tote, o Tote já apareceu nessa história? Não, foi mais pra frente um pouco. Mas foi quando eu tava voltando de São Paulo. Quando eu tava voltando de São Paulo. Eu ali em 2001, por aí.

Nós já éramos amigos desde a época do pré-vestibular. São coisas que a gente não consegue compreender bem. Eu acho que a Renata é uma pessoa com quem eu estabeleci um grau de empatia que não é muito comum com 18 anos, 17 anos, você criar uma amizade com mulheres. Não é tão comum. E ela foi uma pessoa com quem eu criei uma amizade, um carinho, uma identificação muito grande. E aí, eu faço isso.

teve seus ciclos, e quando eu volto para o Rio, a gente se encontra, nunca deixamos de ser amigos, mas eu passei a namorar uma amiga, vamos dizer assim. E foi aí em 2001. E ela então é responsável real por você não ter ficado em São Paulo? É, provavelmente sim.

Vamos dar todos os créditos para ela, meu irmão. O que deu certo na minha vida... Ficando em São Paulo, você já estava com o pé lá, pô. É, mas aí você já tinha também, já começava a participar um pouco do dia a dia aqui, do hospital já sendo desenvolvido, consultório do meu pai. Já tinha também essa visão de que eu poderia... A minha visão é, você não perdeu um pouco de espaço? Desse ciclo do pai, do hospital. Cara, dois anos e meio é um tempo significante. Não, não, não.

É que você não tinha construído clientela nenhuma ainda, né? Exato. É totalmente diferente. Naquele momento ali, isso falia. Eu penso... Outro dia alguém me perguntou, me fez uma pergunta, um jovem oftalmologista, me gateando, quanto eu ganhava nos meus... Quando eu tinha...

Foi isso que ele me perguntou. Eu não tinha 30 anos. Acho que foi isso que ele me perguntou. Eu falei, rapaz, que pergunta difícil. Eu ganhava o suficiente para sobreviver, cara. Você pode dizer, por 30 anos, eu casei com 31 ali, 30, cara. Eu lembro de eu alugando apartamento com o Renata, se sentia apertado. Tinha um carrinho que meu pai tinha me ajudado. Cara, o que eu tinha no banco, já certamente era algo que dava pagar uma ida para a Buse, entendeu?

Então, cara, eu trabalhava com a meta de adquirir conhecimento e criar a minha relação no universo profissional através da relação com meus pacientes. E foi com essa construção que me imprimiu. Tomé até um susto de você. Porra, cara, é módulo, cara.

Uma luz de repente aí, cara. Eu há pouco tempo gravei com o Paulo César, fructuoso, e aí me aparece uma luz de repente assim no meio da gravação. Eu falei, temos aqui ao vivo... Rapaz, estou gravando. Sabe quem mandou mensagem aqui? Vou cacheta, cara.

Cris é outro responsável. Pode falar ao vivo aí. Eu não vou cortar isso aqui. Isso aqui vai ficar ao vivo. Cris é outro responsável por Frederico estar gravando aqui hoje. São os dois maiores. Três. Três, não. Quatro. Vivi e Cecília. Adriano Londres e Cristiano Cacheta são os maiores responsáveis por Frederico Pedro estar aqui participando do Fala Doutores hoje. Agradecimentos, viu, a todos eles.

Verdade. Eu queria ficar de perturbar o coitado do meu convidado, que já não queria participar. Você ainda está querendo te chamar ele, mandando mensagem. Aí foi o dia da noite, poxa vida. A gente tem uma reunião nove horas daqui a pouco. Tá bom. A gente cancela antes. A gente cancela antes. Mas olha, mas aí você vê, cara, essa pergunta que me fizeram, né? E aí eu me volto no tempo e vejo que a gente realmente, pela minha história, de vir ali de uma família ir lá.

tinha muita essa expectativa de acumular, ganhar dinheiro. Era muito a coisa de acumular conhecimento e capacidade para entregar para os pacientes. Esse era o drive que a gente tinha. Não estou dizendo que está certo ou errado, mas o planejamento da minha vida foi muito centrado nisso. Eu tenho que ser capaz de entregar a boa qualidade assistencial e estabelecer bons vínculos com os meus pacientes.

E aí você está bem com o Renato em Niterói, você começa a crescer o consultório, o hospital de óleos em plena expansão, você começa a ter um posicionamento provavelmente bom em Niterói, com mão cirúrgica. Você começa a operar pacientes do teu pai ou você vai fazendo uma clientela tua, Fred? Como é que foi isso? Não, as duas coisas ao mesmo tempo. Eu já começo a ter meus pacientes e operando com meu pai também.

Eu diria que rapidamente a minha clientela já era bem maior do que os pacientes. Eu trabalhava muito com pacientes particular, né? Já não era uma coisa de um N tão grande assim, né? Não, mas você que atendia convênio no consultório e teu pai não?

O consultório que a gente tem de particular, a gente tinha um Unimed, que segurava um pouco... Mas era um hospital de óbito. Isso, isso. Meu pai não tinha Unimed naquela ocasião, só eu tinha Unimed. Então, no consultório, foi alguma coisa que deu uma atração no consultório Unimed, porque você não chega ali e consegue fazer consulta particular com meu pai fazendo consulta particular, evidentemente, eu criei essa...

essa rota via Unimed, na ocasião, e no hospital as carteiras de convênios crescendo e você atendia as pessoas jurídicas, a carteira da pessoa jurídica, como um médico do Estácio aqui. E você pegou tudo como você tinha colocado já, você pegou um momento econômico de crescimento e de estabilidade e depois um crescimento dentro das operadoras.

Sim, sim, sim. Um time bom, né? Um time muito bom. Não gosto muito da sorte, né? Acho que você estava preparado no lugar certo, na hora certa, mas tem um benefício do acaso, né? Sem dúvida, sem dúvida. E principalmente por eu ter tido a sorte também, que meu pai, nos encontros de vida que ele teve, meu pai nunca foi um homem empreendedor no sentido...

comercial, empresarial, ele sempre foi uma pessoa focada no universo dele da oftalmologia, no consultório, na relação médico-paciente. E o encontro dele com o André Patrão, que é alguém de uma geração abaixo dele, que tinha sido aluno do Adalmir Dantas, e os três que tomaram essa decisão de juntos começarem muito movidos pela visão que o André

tinha, de que havia um mercado se abrindo e os pacientes começavam a precisar ter alguma alternativa para ser atendido através de operadores de plano de saúde, ele tem essa visão e meu pai conheceu o perfil para entender que aquela sinergia poderia ser positiva, ele acredita na ideia. Ah, hoje está o Diores inicialmente, então são três sócios?

Sim, o Adão Mirna, o André e meu pai. Eles são os três que formam o primeiro grupo, chamava Centro de Olhos Avenida 7. Logo em seguida já entra o Rio Tiro, depois o Zé Borges Neto, e fica um grupo de cinco por um período, no primeiro ciclo de expansão. Sem centro cirúrgico? Sim. Aí tinha uma casa com centro cirúrgico pequeno, quatro consultórios, duas salas de exame, e uma sala de centro cirúrgico.

E ali eles começam a ver que havia uma demanda e uma possibilidade de crescimento e no ciclo de desenvolvimento de investimento numa estrutura maior.

feita por esses cinco, eles viram que não adiantava também montar a estrutura um tamanho maior sem ter novos talentos. E aí foi a ideia de expandir uma sociedade para 20 na ocasião. Foi como o hospital começou ali, acho que eram 16 no início, se não me engano. Foram quatro vendidas para aqueles médicos que já tinham alguma afinidade com o grupo.

trabalhavam no C&A 171, eram pessoas com alguma conexão com essas lideranças, com boas referências. E ali enxerga-se que era melhor unir mais pessoas, porque não havia grande capital para o investimento, era necessário ter o capital vindo em cotas, e também para que esse capital humano se tornasse a grande força motriz para o desenvolvimento.

E aí tem esse novo ciclo, que é a criação do prédio do hospital, uma inauguração de uma estrutura maior, já com médicos mais jovens entrando. E aí eu entro como cotista nesse momento. Porque... Cara, é de 2002. Foi 2002, se não me engano. Quase tá errando o ano, mas acho que é 2002. Quando há uma expansão da sociedade.

E ali, na expansão da sua cidade... Mas em 2002 você já voltou de São Paulo? Já, já. Mas eu... Não, eu estava lá, estava lá. Eu estava lá e cá. Eu fiquei indo e voltando por um período. Entendeu? Eu fiquei um ano direto, depois um ano... Quase um ano todo direto lá, e depois comecei a ficar três dias lá e três dias aqui. E aí era quando, provavelmente, estava acontecendo o desenvolvimento desse projeto, da segunda fase. Aqui eu estou conseguindo mostrar para o Rubinho por que você não continuou o doutorado.

entendeu? Então aqui são todas as justificativas, tem Renata, tem a questão da cota que você entra, começa a arrumar mais trabalho, é assim. Isso, família. Eu estou até sendo um álibi pra você aqui, depois de tanto tempo, entendeu? Essa aqui é a verdade.

É verdade. Mas, em parte, era isso. Em parte, também, em circunstâncias, ele teve um contratempo que a gente teve na tese, na época. Era uma tese que a gente fazia num equipamento de silva de refrativa. A gente precisou fazer um reset do equipamento. E aquele meu N, que eu tinha acumulado... Mauro Campos, que ele disse pro Mauro Campos. Mauro tem que trazer aqui. Eu trouxe o Mauro aqui. E aí, acabou que assim, eu conversei com o Mauro e falei, com o Mauro Campos.

estou nesse momento, vou dar uma parada, e, cara, na verdade, eu fui caminhando e fui me vendo muito mais com essa essência de um médico de assistência, e aí, rapidamente, eu já comecei a envolver com a gestão. Então, eu não me via como um acadêmico, não me vejo até hoje como um acadêmico, não é muito a minha essência.

Eu sou mais um aplicador de conhecimento. Isso deve ter sido ruim para você, porque hoje o que você é se transformou em ouro. Mas nessa época a glória estava na academia. Mas eu admiro muito até hoje as referências da academia, que são fundamentais. Mas eu percebia a importância do mundo privado da situação.

não vinculado à academia. Eu percebia isso pela dinâmica da estruturação do mercado da oftalmologia. E o meu próprio pai, que é alguém que tem mestrado, doutorado, foi na UF há muito tempo, meu pai sempre comentou que a academia realmente tem coisas muito legais, mas é bom que a pessoa... Meu pai, ao lado, ele sempre falou que tem que fazer a questão do doutorado, ele fala de vez em quando assim.

Mas ele sempre também falou que o mais importante é você com seus pacientes, você com...

com o seu conhecimento, que não necessariamente a chancela é necessária para todos os perfis de médico. Tem muita gente super talentosa para a academia que jamais deveria ter deixado de fazer. Eu diria que eu sou uma pessoa que tem um foco muito mais assistencial e prático. Poderia ter esse título, mas isso não teria me levado a me tornar um acadêmico. E aí eu acho que às vezes tem coisas que...

Eu sou muito coerente. Se eu já me enxergo como não acadêmico, por que eu vou para a academia fazer um título e tentar fazer alguma coisa talvez para...

dizer que eu tenho, né? Sabe, eu comecei a viver um pouco isso naquele momento, né? Eu falei assim, eu vou traçar minha vida com o meu instinto, né? E com todo o carinho, adivinhar, gratidão, gratidão aos grandes acadêmicos da oftalmologia, tá? Vamos lá, para de ser político. Onde é que eu tô falando aqui com você? Olha aqui, meu ponto é o seguinte.

Isso, para mim, te dá muito mais credibilidade e valor. Por quê? O que eu estou querendo dizer? E aí, sem puxar o teu saco. No momento em que a glória estava na academia e todo mundo... O caminho, óbvio, era você ir para esse ciclo. Aí você não vai para manter a sua coerência e, muito provavelmente, isso, de alguma forma, te levou a conflitos.

E hoje, por ter respeitado e seguido a sua coerência, você vem colhendo frutos, porque o sistema e o mercado mudou. E você acaba hoje tendo uma importância dentro do nosso ecossistema, e aí você não precisa falar que você tem, eu que estou afirmando, que caso você tivesse ficado...

incoerente dentro do que todo mundo queria que você fizesse, você não teria o nível de satisfação que você tem hoje? Muito provavelmente. Não dá pra gente afirmar isso. Então, assim, só lhe agradeço e lhe parabenizo por ter tomado a decisão coerente. Eu acho que foi muito instintivo e movido por questões circunstanciais, em parte, e essa é a percepção da sua natureza. Porque, olha, um acadêmico precisa de certas características, precisa de fazer realmente o ambiente.

carreira acadêmica, que eu naturalmente não tenho. Eu sou uma pessoa com... Eu não sou um homem extremamente analítico, eu gosto de ver diversidade de assuntos, eu me embrenho em certas jornadas de conhecimento, mas a multiplicidade me interessa muito mais.

Tanto é que esse meu braço da gestão, desse processo de depois o mundo associativo, ele me atraiu muito mais do que o apelo naquele momento para a academia, porque eu acho que eu me enxergava muito mais como alguém que estava na luta daquele dia a dia, atendendo, operando, produzindo, lutando pela empresa.

mas admiro, adoro e penso até considerando talvez agora com 54 anos reconsiderar isso lá vem o velhinho meu Deus do céu como amadurecimento deixa eu fazer a virada porque eu já fui tenso aqui que você está me pressionando que o Cris já está falando que eu tenho que terminar meu episódio como é que é que eu já estou me pressionando

É...

andou toda a questão de consultório, posicionamento, você já falou da Unimed, falou de importância do posicionamento de Renata, o hospital crescendo, você cotista, começou a traduzir, começou, como você falou, a ser empurrado pelo sistema e não foi totalmente uma decisão consciente da obrigatoriedade de ter que buscar soluções para aquilo ali que estava se direcionando para um caminho que não era dentro do teu perfil, que você viu o teu pai construir a vida dele, que você admirava.

Como é que inicia aí a tua vida associativa, coeso, esbalto? Como é que é esse momento de transição? Aí foi, cara. Aí vem o mérito de quem, naquele momento, com mais experiência do que eu, enxergou que era necessário unir um número maior de pessoas em torno dessas questões. E eu, já como sócio e ainda médico aqui, eu comecei a ver os movimentos de IPC, Nelson Lousada.

João Fernandes, estamos fazendo reuniões entre as clínicas para estimular as pessoas a ter esse trabalho de associação em torno de uma boa gestão e da divulgação da boa prática oftalmológica, o movimento coeso. Eu fui a uma dessas reuniões e aqui o pessoal mais sênior da empresa naturalmente atendeu esse chamado.

o André, na época que ele estava na diretoria, não estava na diretoria ainda. Aquele pessoal viu que aquilo era importante, ele acreditando muito na liderança de pessoas com tanta credibilidade, empenhadas em fazer um trabalho como esse. E toda aquela estruturação da ideia, de você ter um manual de conduta, de você tentar estabelecer uma diretriz de negociação baseada em critérios de transparência.

e estimular um entendimento, porque a gente precisava organizar também a nossa prática para que o plano de saúde pudesse entendê-la e melhorar essa relação. Isso foi sendo visto como algo importante por parte de integrantes da nossa gestão aqui. E isso me levou a participar de algumas reuniões. E nessas reuniões eu comecei a me interessar pelo tema.

E como um integrante da Coeso, representando o Hospital de Olhos de Interói, várias clínicas da cidade também participavam. Era um momento que as pessoas tiveram a noção da importância de haver um diálogo entre os concorrentes, correr junto, não correr contra o outro.

E aí foi ali que eu comecei a ver a importância daquilo. Aí sim, eu comecei a estudar, ler melhor, entender a importância. Comecei a ter o interesse de entender a lógica do que o Nelson Rosada, junto com o PC, estava montando. Eu tive uma aproximação maior com eles. E em algum momento eles me chamaram.

eu, Renato, Gros e outros mais jovens da minha geração. Se a gente vai precisar de pessoas mais jovens aqui, eu continuei nesse processo de participar das reuniões de negociação, comecei a ler sobre a técnica de negociação, porque eu via que era preciso estabelecer um diálogo num outro patamar. Então, fui a muitas reuniões antes de passar a ser presidente da Coeso, diretor da Coeso.

E aquilo foi realmente tomando um parte de mim de forma muito espontânea. Eu falei, cara, isso aqui é uma luta por aquilo que eu amo. E também colegas que comungam desse objetivo de fazer uma oftalmologia decente, digna. E essas pessoas estão embolidas de algo que a mim...

Eu me envolvi com a Coeso, fui presidente da Coeso, e aí comecei a participar mais dos temas de gestão, eventualmente palestrando em congresso sobre isso, até que de repente surge uma oportunidade de ser presidente da Esbau, e seguir nessa caminhada, e foi isso que me levou para o CBO também, porque eu chego no CBO em função do movimento que foi feito no Rio de Janeiro, que depois se espalhou pelo Brasil inteiro.

com a FECOESO, quando sabiamente era necessário que houvesse uma integração de todo esse movimento no Brasil. A COESO nasce dentro da SDO, mas com...

a relevância e a importância do CDO estar envolvido com esse tema e os próprios CDO, na época, os presidentes da ocasião ali, enxergam a importância do trabalho do Nelson, do PC, e nessa aproximação cria-se um núcleo de trabalho no CDO em torno da temática da saúde suplementar.

e isso vira primeiro para ser coeso, depois o CBO vem com apoio total ao movimento coeso, cria-se uma comissão de saúde suplementar, onde esses líderes, principalmente o Nelson, atuam, e eles foram me chamando para ajudar. E eu tive muito trabalho de bastidor.

E isso foi tomando o vulto que tomou. E foi por isso que eu acabei participando das diretoria de CBO através de um trabalho de defesa de classe ou de relação com o mercado. E o próprio CBO entendeu que, dentro desses pilares tradicionais, da academia, do ensino...

havia uma demanda por parte dos oftalmologistas para que esses temas práticos que impactam tanto na nossa vida fossem abraçados também pela instituição mãe da oftalmologia

Isso até hoje está em andamento, se você conhece bem, o quanto ao longo dos últimos 15, 20 anos o CBO foi se tornando, dentro do ambiente do associativismo médico, uma instituição que se desenvolveu dentro desse tema, se tornou até uma referência, e eu tive a honra de participar desse trabalho conjunto com muitas outras pessoas, sempre um trabalho muito mais de bastidor,

um trabalho de abrigação, você sabe o quanto é... Você acha que você foi muito responsável, Fred, de conectar o Rio com o CBO? Vou te botar uma roubada aqui. A gente teve um momento...

de certo distanciamento de SBO, CBO, Rio era mais SBO, São Paulo era mais CBO, e eu vejo que o CBO acabou ocupando o espaço, que acho que era dele, nacional e de liderança como toda, como especialidade, e parou de ter.

Essa briga, é a minha percepção, posso ser que eu esteja completamente errado, mas como é que você vê essa liderança que o CBO começou a adquirir na oftalmologia nacional? Eu não acho que eu sou responsável por nenhuma atenuação dessas eventuais rugas, mas eu concordo com você que elas existem historicamente. Ali o próprio... O CBO faz uma...

movimento de aproximação com o movimento coeso. E aí, o Nelson Falouzada, a EPC e alguns outros colegas que lideravam isso. E aquilo que eu acho que é o braço de conexão da comunidade do Rio de Janeiro com o CDO, antes de eu chegar.

ali você começa a voltar a ter uma conexão maior. Lógico que o Rio de Janeiro, o Serial já teve presidente do Rio de Janeiro. E eu acho que sim, essa proximidade aumentou através desse trabalho do mercado, do defesa profissional. Acho que foi uma conexão muito grande que se fez com uma parte da uframologia do Rio de Janeiro. Mas eu entendo com esse processo já em andamento. E sempre que posso...

A minha palavra é sempre para que a gente se una e tenha uma soma, né? Porque essa divisão atrapalha a oftalmologia.

e vejo que e acho que quem está hoje na liderança da SBO tem essa visão, o Diaco, o pessoal mais novo, acho que o pessoal enxerga que a gente tem que somar forças para lutar pela oftalmologia para ela se tornar ainda mais relevante em todas as praças do Brasil. Deixa eu continuar com polêmicas, vou te tirar dessa aí vou te botar na outra. Não, não sou da polêmica não.

Você passou a vida inteira nessa luta, luta de certa forma ingrata, mas a gente vê hoje um sistema com os médicos completamente cansados, super mal remunerados, um sistema que movimenta bilhões, onde na tua visão está o real desalinhamento desse sistema e o que precisa mudar na prática.

Olha, existe uma máxima que, na economia de livre mercado, como idealizada, ela não foi idealizada, na verdade, ela é um fenômeno espontâneo descrito.

por Adam Smith, ele não parou e pensou e sonhou o mercado, ele observou como as trocas ocorriam e como as pessoas buscavam prosperar, sendo mais úteis e com serviços melhores e produtos melhores umas às outras, através de trocas espontâneas. Mas isso que foi descrito por Adam Smith, ele vem sofrendo ao longo do tempo um desafio que é dentro do contexto da complexidade das sociedades modernas.

como você preservar a autonomia de quem exerce o serviço e quem compra o serviço. O Brasil é um país, e nos Estados Unidos tem inúmeros conflitos relacionados a isso, tanto é que existe um prêmio Nobel de um americano da Escola de Chicago, que é o Stigler, que foi alguém que trabalhou com o Milton Friedman.

que ele falou exatamente sobre o quanto, desde o final do século XIX, a ideia de agências reguladoras ou de estruturas estatais para tentar evitar as assimetrias do mercado, por causa das concentrações, por exemplo, nas ferrosinhas americanas.

por exemplo, ainda lá no final do século XIX, começo do século XX, isso é um problema que é comum a uma sociedade próspera onde você começa a ter concentração. Então, o que eu enxergo é que esse conflito da dificuldade do intermediário valorizar alguns elementos essenciais para a boa prestação de serviço é o problema maior que a gente tem.

Você tira a autonomia de quem consome, começa a restringir um pouco a capacidade de autonomia da forma de quem pratica. E a gente luta no mundo inteiro para conseguir ter melhor relação entre agências reguladoras, políticas de Estado e estruturas de sistemas, para conseguir a eficiência, o melhor custo-efetividade.

sem perder a essência que é ter a boa relação médico-paciente que eu lá atrás falei. Então, cara, eu enxergo que é uma questão de maturidade de uma sociedade muito imatura que é a nossa, do ponto de vista até mesmo da participação jurídica, do entendimento das regras, do respeito às regras, do accountability individual, cada um assumir sua responsabilidade de uma forma realmente republicana.

Uma sociedade é feita por indivíduos que assumam seus papéis, tanto no protagonismo de produção como nas suas responsabilidades, seja na profissão, seja no que for. Então, o problema que a gente tem, que não é só no Brasil, é que realmente a gente ficou com um desequilíbrio muito grande, com uma força muito grande do intermediário.

Esse intermediário, com poder econômico e uma capacidade de fazer o negócio ficar muito eficiente para os acionistas, mais uma vez, sou totalmente a favor do mercado, mas quando o mercado começa a ter certos elementos de excessiva concentração, isso ocorreu em vários mercados e ocorre aqui em mercados, e entra, surge o antitruste, que é um capítulo que está por trás disso que eu falei, do produto.

E a teoria, por exemplo, da captura descrita pelo Stieger lá em 82, um prêmio Nobel que ele ganhou em 82, ele começa a estudar isso em 1971. Então, cara, o que eu vejo, Ricardo, que é uma questão da gente conseguir trabalhar

de forma mais responsável, com os médicos tendo mais responsabilidade no que vão entregar, com uma concorrência mais justa e atenuando a intermediação que não, dentro do possível, que não está associada a critérios de qualidade assistencial, que tem algum nível de mensuração.

de resultado para o paciente, a satisfação do paciente pode ser medida assim. Então, eu acho que esse é o desafio que a gente tem, que está na mesa. Como a gente vai resolver isso? É complexo. Eu acho que a tecnologia pode ser um grande fator para isso. Hoje, a capacidade de você trocar informação é muito maior, mas antes de você pensar em ferramentas, você tem que ter uma predisposição, um desejo de acertar esse mercado.

voltando para um ponto de equilíbrio em que pacientes e profissionais possam ter um pouco mais de relevância na forma como o mercado é moldado. E aí não é qualquer profissional, estou falando de luta de classe aqui.

Vazia, não. Estou falando do profissional que tem que entender que ele tem que se meter a certos padrões de excelência, que ele tem que ser cobrado, que ele tem que ter meta, que ele tem que concorrer, baseado num esquema meritocrático. Enfim, eu acho que o Brasil é um capitalismo imaturo, em parte um capitalismo de compadrio, se a gente for analisar como a sociedade se organiza.

Isso é mais difícil num ambiente como esse. E não adianta a gente ficar demonizando pessoas nem entidades. Pelo contrário, eu sou muito grato a muitas empresas que fizeram esse mercado ser o que ele é hoje. Você é grato, eu sou grato, como usuário e como médico, como empresário. Mas o ciclo de prosperidade no aspecto financeiro...

práticas de qualidade essencial com autonomia para o paciente. Todo mundo gosta de escolher quando vai escolher o seu próprio médico.

mas cada vez mais o mercado cerceia as escolhas. Então, se você me perguntar, é possível ter um mercado onde haja mais escolha do que o atual? E aí eu estou me referindo aqui aos dois mercados principais que intermedia são no Brasil. O próprio sistema único de saúde é um sistema onde há pouca escolha. E eu acho que isso acaba prejudicando a evolução do sistema. E acho que o sistema de saúde suplementar já teve mais...

oportunidade de escolha. Eu, apesar de saber que muitas vezes o consumidor é impossuficiente quando ele está na posição de paciente na saúde, mas eu diria que o bom senso prevalece e dificilmente escolhas erradas levam, feitas por pacientes.

não gera algum preço para o profissional ou para a empresa. Então, se o ambiente é mais aberto, a competição vai levar a uma melhor qualificação do sistema. Isso traz benefício para o usuário, para o profissional e para quem paga a conta como empregador. Então, no fundo, acho que a gente tem que buscar inteligência para permitir que a liberdade de escolha volte um pouco mais para o centro.

Você vê hoje o cerceamento grande do reembolso, por exemplo, sabemos as razões pelas quais isso acontece, e cada vez mais a estrutura trabalhando num padrão de enquadramento para...

mensure os efeitos disso, até porque são efeitos muitas vezes que não são vistos no curto prazo. Você sabe que são efeitos muitas vezes de médio e longo prazo. Infelizmente, a gente voa no escuro. Acho que a gente tem muito pouco dado para poder trabalhar esse modelo que eu aqui em 10 minutos, esse produto tentei resumir para você.

você persegue, eu persigo, o CBO persegue, muitas empresas, até agentes do sistema de saúde suplementar também estão querendo. Mas a falta de diálogo, que é histórica por tantos anos...

levou a um nível muito grande de força do intermediário que tem pouco compromisso com esses pontos cruciais da qualidade assistencial. Mas, Fred, de verdade, cara, assim, você sabe que eu corroboro dessa ideia e acho que a gente está vivendo um momento muito delicado, de muita fragilidade.

Mas sabe que eu estou super animado, com as mudanças que têm a perspectiva? E o animado não quer dizer que as coisas vão dar certo ou vão ficar boas. É que eu acho que a gente está chegando num ponto muito grande de inflexão. E sabemos bem que os sistemas não quebram, eles são redesenhados. Eu acho que a gente está vivendo...

uma reconstrução de um sistema de saúde. E o que eu acho mais legal, Fred, eu acho que a gente está conseguindo botar o grãozinho de areia e participar disso, cara. É, também acho. Concordo. Eu sou otimista, tá? Acho que eu fiz uma fala um pouco longa aqui sobre o cenário que não tem nada a ver. Em parte não tem a ver nem com a medicina. Estou falando com o amadurecimento de uma sociedade, né?

o que afeta também a medicina. Mas, cara, eu, como assim, o meu objetivo é contribuir dentro do que eu posso para que nós, médicos, empresários, que estamos na ponta da prestação de serviço, façam a sua parte. Não, e queria pegar até esse canjo com você, do teu positivismo, que eu sei que você é. E esse episódio aqui...

É o 284. Eu estava até olhando aqui quando você estava agora falando, eu estava vendo aqui no calendário. Ele vai sair daqui a quatro semanas. Então, vai ter acontecido o Fórum dos Residentes. E aí eu estava querendo saber como é a tua visão da importância.

da gente informar e educar essas novas gerações, e da importância hoje, vou puxar até um pouco a barava para o meu lado também, e indiretamente do teu, que você é totalmente corresponsável, até por eu estar na Esbau hoje, e da importância dessa parceria CBO-Esbau para a gente trazer uma consciência dessa parte toda que você estuda tanto e luta tanto.

dentro dos jovens oftalmologistas. Como é que está sendo aí essa tua motivação e animação, que eu sei que o Cris quer falar com você sobre isso aí depois. Como é que está sendo aí? Espero que dê tudo certo e que a gente consiga aqui passar uma imagem que foi um sucesso o evento. Não vou deixar de dar depois.

É isso, né? Se você ver, é tudo um crescente, né? A gente falou desses conflitos que germinaram o desejo do movimento do... Desejo, não, mas a percepção da necessidade que lá o Nelson, o PC e outros tiveram. E a gente está no time disso. O que existe hoje, em 2026, estou falando de 25 anos de evolução disso.

Mostra que a gente já tem mais gente antenada com isso, mas a gente vai precisar ter um exército maior de pessoas e aí eu acho que não é nem mais só o representante, associativista, o líder, não. A gente tem que realmente levar um número maior de médicos para compreender o quanto importa ele saber ter essa governança, essas boas práticas, essa transparência, essa troca de informação do dia a dia. Num modelo que ainda não estimula para isso.

Mas eu acredito que o modelo vencedor vai ser esse, em que você se dispõe a se utilizar da transparência para ser avaliado e num contexto...

em tom da virtude, que os melhores sejam premiados e que você estimule quem não está fazendo o melhor para avançar. Então, o fórum é uma sequência de trabalho que começa há 25 anos e o Cris, já que você citou ele aqui, a gestão dele, ele trabalhou muito com isso, foi uma gestão até em que a gente teve uma aproximação boa com a Esbal ali.

Ainda na gestão do BNI, já houve, e do presidente das BAU, a gente conseguiu fazer algumas coisas juntos. Se o médico residente hoje, o médico que está entre 25 e 30 anos de idade, não conseguiria enxergar essas mudanças,

Dificilmente a gente vai conseguir participar efetivamente da evolução do mercado. Nós vamos ficar reféns cada vez mais. E aí eu estou falando o seguinte, é propor fazer a nossa parte. Ter coragem de dizer, olha, nós vamos fazer dessa forma, mas eu posso também pedir que você faça dessa forma do seu lado.

Se eu estou propondo entregar um serviço de qualidade com custo razoável, um custo baseado em premissas de economia de saúde, eu também gostaria que quem está compagando o meu serviço estivesse me remunerando dignamente para isso, para o bem do paciente. Não deixando a coisa fluir só para quem fez a proposta mais agressiva para ganhar um market share.

que faz parte do jogo, o mercado é assim, mas que acaba fazendo drives negativos para a qualidade essencial e piorando a dinâmica de mercado que vai sendo cada vez mais baseada só no preço.

Então, saber compartilhar resultado, eu estou falando de uma coisa bem complexa, mas que a gente vai ter que encarar, saber trabalhar com indicadores, ter a abertura do seu próprio serviço, do seu próprio consultório, para eventuais trocas de dados dentro de um patamar definido cientificamente como adequado.

eu acho que é um passo importante. Se você não faz o jovem médico entender que ele se voluntariar a participar disso pode ser um... Ou melhor, é o único trunfo que ele terá para cobrar algum nível de...

governança baseada nessa virtude do outro lado, se você não fizer isso, cara, é o que está o nosso alcance. Eu não consigo mudar o mercado indo para um fórum de executivos de saúde e fazendo essa fala. Eu tenho que mudar a cultura dentro da nossa tribo. Tentar estimular as pessoas a darem esse passo.

de mais transparência, mensurações reais, alinhadas com a boa ciência definida pelo CBO, petrolações, sociedades filiadas de especialidade, que está em linha com a melhor prática do mundo. Feito isso, isso é bem, mas tem um cara que está fazendo muito bem, está botando preço lá embaixo. Ele sustenta a assistência oftalmológica on the long run, quer dizer,

Ou ele está só ali se beneficiando de uma agressividade maior para um determinado evento? A gente está pensando aqui em cuidar bem do glaucoma, ter a boa assistência da oftalmologia pediátrica, saber acompanhar uma retina com doenças que exigem um acompanhamento de longo prazo. Então, se a gente não souber...

mostrar a importância de se redimensionar a distribuição dos recursos nas diversas, entre aspas, linhas de cuidado da oftalmologia e fazer o colega entender que ele é tão importante quando ele faz a catarata, ele fazer o cuidado desse paciente numa refração posterior e estar pronto para atender esse paciente daqui a três, quatro, cinco anos. E aí é um estímulo que você tem que dar para o próprio mercado no sentido de fidelização, porque hoje os próprios planos de saúde rodam a carteira loucamente ir para o próprio mercado.

porque o mercado não está estruturado em premiar o incentivo em quem segura, cuida do paciente no longo prazo. Então, isso é uma mudança de cultura que a gente tem que fazer. Ah, mas isso não é instintivo, Fred? Todo médico quer cuidar bem do seu paciente? Era instintivo.

está se perdendo. Se a gente olhar só o evento vertical de uma cirurgia, de uma ação única, infelizmente, esse contexto de mercado pouco equilibrado está até tirando a percepção do papel do médico no cuidado da saúde de médio e longo prazo. Então, cadê nós? O fórum está sendo feito para isso.

Nós vamos levar para lá cerca de 400 residentes. É uma iniciativa apoiada pela Ciência Parlamentar da Medicina. A gente tem a sorte de contato com o senador que luta também pela medicina. O Irã Gonçalves é um guerreiro nesse sentido, que está nos apoiando nisso. Com apoio também da União Tínica, que é uma empresa que enxergou a importância desse tema ser debatido. Eu vejo isso. A indústria também enxergando que essa cultura tem que ser desenvolvida dos médicos para que o sistema melhore.

Eu acho que isso tem que ser até mais ressaltado, Fred, porque eu acho que esse trabalho que a Genom está fazendo de parceria junto, aqui não ganhou um real para falar isso, mas eu acho que precisa ser elogiado, até para que o mercado, a indústria e os outros players vejam valor também nessa geração de valor para o sistema.

É isso aí. Todos querem o quê? Um sistema onde se possa ter a boa qualidade assistencial e negócios, e eu estou falando da vida, a carreira do médico, o negócio da pessoa jurídica, o negócio da indústria, se sustentando, prosperando em cima de bons resultados. Não em cima de um processo desviado, de uma venda que permitiu que o lucro fosse sensacional em um determinado momento por uma nega licitação. Não.

Transparência em tudo vai levar todo mundo para o meu caminho. Margem justa de resultados bem remunerados para que você tenha uma carreira profissional, que a essência do cuidado médico é o profissional médico. A IA não vai nos substituir nessa essência jamais. Ela vai permitir que a gente se concentre nessa essência se a gente preservar isso dentro da gente.

E esse preservar faz parte dessa educação que vem junto com toda a coleção do CDO que fala sobre o que há de mais refinado o conhecimento oftalmológico, mas fundamental para a oftalmologia nacional ser o que ela é. Mas esse capítulo do entendimento dos mecanismos de mercado e do quanto a gente pode ter formação do que a gente pode ter formação

também entre os médicos, para que cada um consiga, na sua relação com operadoras de plana saúde, com gestor municipal, mudar um pouco a forma de agir, é um papel institucional que o CEDEU abraçou.

E esse fórum é mais um capítulo dessa história que vem sendo reconhecida de novo aqui, não estou sendo cabotino, nem fazendo nenhuma autologia, até porque nós somos um pedacinho disso. O OCDE hoje é reconhecido como uma instituição diferente nessa forma de lidar tanto com o poder público, no estilo do desenvolvimento de políticas públicas adequadas para a população dependente do SUS.

como também na relação com a saúde suplementar, tentando criar marcos, diálogos, referências.

para mudar o cenário. E aí, isso vem a questão da VBHC, essa saúde baseada em valor que você também enxerga como uma possível rota de morte para nós. Não é fácil colocar isso em prática, mas eu acho que ali há princípios muito importantes para remodelar o sistema de saúde. E parte por isso, passa dessa...

esse accountability de cada um de nós, seja você como médico, você como dono de uma clínica, de um consultório, dono de uma empresa grande, seja como executivo numa empresa de saúde. Se todo mundo tiver...

em um ambiente em que os incentivos estão corretos nessa direção, a eficiência do sistema, com uma lógica tentativa de redução do custo de saúde, que é muito pesada para a população. Os Estados Unidos gastam 18% do PIB, a gente gasta 10% do PIB, o envelhecimento, as demandas que a saúde traz, são desafios para o equilíbrio dos gastos públicos.

E a gente tem que estar focado em eliminar desperdício, não premiar quem está fazendo o mal feito e tentar estimular critérios bem transparentes para estimular e premiar quem está fazendo aquilo que é reconhecido pela ciência e pelos pacientes. Os pacientes têm a sua percepção dessa qualidade. E, de novo, não é uma qualidade de um único evento. Multidão de catarata, pô, perô, sumiu. Não, cara.

Não é esse o modelo que a gente quer para o nosso pai, para a nossa mãe, para o nosso avô. A gente quer um modelo que haja um acolhimento do paciente em todas as jornadas necessárias na vida de alguém que precisa de cuidado oftalmológico. A coisa é complexa, mas a gente tem que achar o norte, isso não faz sentido. Os movimentos são meio pendulares, como você falou, às vezes a coisa é meio pendular, vai muito para um lado, a gente para, pensa, vamos ajustar aqui.

É desafiador, é complexo, às vezes as pessoas acham que a gente está por ter uma conversa aqui de loucos, mas eu vejo muita gente séria no mundo inteiro, pessoas com aceluportas mesmo, um gênio, principalmente do mercado de competição e concorrencial de nível de gestão, e que ele se debruçou sobre isso e não foi baseado em achismo que ele...

inaugurou a Melhor Gênio, começaram o ciclo de maior implementação dessas ideias no sistema de saúde no mundo. Temos mais um responsável por você estar aqui, aproveitar aqui o teu gancho, o nosso grande sábado do valor, o doutor César Abicalaf, também sempre lutou para o Frederico estar aqui no Fala Doutores, então mais um aqui que você está falando de valor, temos que citar aqui todo o trabalho que ele faz. Mas olha aqui, Frederico, você, com toda a respiração, pilantra em cá.

Pô, olha aqui, você fala pra caramba, eu tenho aqui até a dificuldade de terminar meu episódio pra te liberar com o Cris, e você não tava querendo participar do episódio. Um episódio maravilhoso, que você contou toda a tua jornada com uma facilidade absurda, e aí achando que o negócio ia ser difícil. Mas peraí que não acabou ainda, não. Pô, mas o César... Peraí, deixa eu falar, o César realmente é um cara que... Eu...

adoro a forma como ele consegue se mover nesse cenário e tem sido um grande amigo da oftalmologia brasileira, nos ensinando a como achar o caminho. É difícil, né? Às vezes ele perde um pouco a paciência com a gente, que a coisa não anda no ritmo que ele gostaria, mas ele também nos perdoa.

Ele briga assim, vamos acelerar isso, vamos no nosso passo, mas está indo, está indo. E a gente vai construir coisas boas agora, em breve, até com esse novo capítulo da ANS, no projeto que o Ibravis assumiu, a gente vai participar disso. O César era um craque, um idealista, um cara que quer fazer o bem para todos, para o sistema. Qual é a importância

da tua família em toda essa jornada. Renata e teus três filhos aí, teu núcleo. Dois filhos fazendo medicina. Como é que é isso, Fred? Cara, a minha vida é centrada na minha família. E eu, muitas vezes, até tive que ajustar a minha vida para conseguir manter esse pilar saudável da minha família. Eu digo assim, sempre tudo que eu faço na minha vida é para honrar meu pai e minha mãe.

as tradições das nossas famílias, tradições baseadas numa ética cristã e também nessa coisa da generosidade, da bondade, do trabalho honesto. E foi isso que eu aprendi na minha família. E é isso que eu ensino para os meus filhos e felizmente consegui encontrar na minha vida uma companheira Renata que...

tem origens parecidas e nós fazemos o nosso hub de desenvolvimento de recursos humanos, que é a nossa casa, o máximo que a gente pode para fazer desses três seres humanos, pessoas que sigam esse ciclo, que não é meu, não é seu, é o ciclo virtuoso da humanidade, um ciclo baseado em fazer o bem, um ciclo que realmente faz a humanidade avançar, você cuidar.

se dedicar, se doar, olhar para a pessoa que está ali sendo atendida por você, o que é o seu concorrente, entender a realidade dele da melhor forma para que você consiga estimulá-lo a fazer o melhor que ele está fazendo. Então, a minha família é tudo, cara. Renata é uma parceira e tanto.

Meus filhos me inspiram muito. Maria Júlia no Direito, que ela acabou indo para a área do Direito. Acabou de fazer até um LLM lá na London School of Economics. E fez até na área concorrencial. Ela milita hoje nessa área do regulatório e do concorrencial. Eu digo, filha, será que você ficou me ouvindo falar tanto disso que eu te influenciei? Você não sendo médico, eu te influenciei.

e a Beatriz, assim, tem todo um perfil pra medicina, e muitas vezes eu falo pra eles, vocês têm que se preparar pra um desafio muito maior do que eu enfrentei, mas nada, assim como o Felipe também, que tá começando, mas o que não pode faltar na vida deles é esse amor ao próximo, né, essa vontade de fazer pra cada paciente como se fosse o primeiro e o último, e pra sociedade, cara, porque a gente tá aqui pra quê? E o...

Valente, para acumular moedas, você é muito pouco, você pode olhar para trás e ver que as pessoas que realmente marcaram a humanidade deixaram obras que estão centradas nos valores humanos.

na literatura, nas artes, seja no desenvolvimento de ideias corretas para o progresso da humanidade focada nas virtudes, seja no contexto religioso, filosófico. Isso são ideias que você claramente consegue separá-las. O desenvolvimento humano e a sociedade centrada na virtude

Isso é centrado no conflito. A vida, quando você escolhe o conflito, o repúdio, o embate, você acaba diminuindo a potencialidade de todos. Eu acredito muito que a gente precisa ter um eixo na vida baseado nesse princípio do amor ao próximo, que está na filosofia cristã. Eu sou católico e vivo isso na minha vida, tive esse exemplo na minha família.

E tem as grandes filosofias que mudaram a face da Terra para o bem, desde o hinduísmo, do budismo, dos grandes filósofos humanistas. Eu tenho muito apreço pela filosofia conservadora inglesa, Edmund Burke.

Chesterton. E o Chesterton fala uma coisa que é incrível, que é, quanto mais eu vivo, mais eu aprendo. Vamos cuidar bem do nosso cercadinho. Se cada um cuidar bem do seu cercadinho, o conjunto melhora. Então, você cuidar primeiro dos seus conflitos interiores, buscando evoluir como ser humano, pensando no outro, não só em você. Isso é um problema.

O egoísmo te leva para um ciclo complicado de vaidade. Isso vai se afastando da verdadeira prosperidade humana que é centrada na generosidade. Então, grandes inventores, grandes desenvolvedores de soluções, capitalistas, vamos falar assim, eles estão focados em resolver o problema. E, lógico, eles estão pensando em ganhar o dinheiro. Então, a solução de problema, o desafio de olhar o que o outro tem como...

um problema é que deve nos mover como médico. E é por isso que eu sigo aqui, agora semeando um pouco disso no coração da Bia e do Felipe, que são médicos também. Minha família é tudo, cara. Minha família foi onde eu aprendi isso, e eu tenho muito orgulho de ser filho de pessoas simples e que sempre botaram isso em primeiro lugar, nunca me fizeram cultuar o dinheiro, o ter.

Sempre que me fizeram olhar para esse aspecto do ser. E eu procuro evoluir assim, com muita humildade, não sou melhor que ninguém, trabalhando dia após dia para a gente evoluir aos poucos. Se cada um evoluir, a sociedade evolui. Vamos para o nosso ping-pong final para eu te liberar. Que vier na tua cabeça. Um hábito inegociável para você. Leitura. Médico que te inspira.

Doutor Ayrton Souza Pena. Medo atual. Cara, eu tenho medo da gente não conseguir seguir esse ciclo da virtude. Eu tenho medo da sociedade não recuperar o eixo do desenvolvimento baseado nisso que eu acabei de citar. Livro que vem na tua cabeça aí pra gente.

A Revolta de Atlas é um livro que mudou a minha vida. Mudou a minha vida também. É, assim, eu acho incrível. Banalidade do Mal, da Ana Ares. Nunca li. É um livro que eu gosto muito. Eu acho que o livro do... Aí vi falando um pouco, né, assim, de...

Eu falecitei aqui o Gilberto Freire, eu acho que a obra dele é importante para entender o Brasil. Eu lamento a gente estar perdendo a compreensão dessa linda miscigenação que nós temos com o país. Eu acho que a gente tinha naturalmente aqui um melting pot que está no caminho certo. Eu acho que a gente pode retomar isso.

Um livro que eu gosto muito, que também acaba tendo conexão com isso, Milan Kundera, Insustentável Livro de Ser, é um livro que eu li também. Eu gosto muito dessa literatura. Cara, é da literatura russa. Eu acho incrível você entender o quanto...

Dostoiévski, Tostoi, esses caras tiveram capacidade de produzir tudo o que produziram sob tanta adversidade. Esses caras ensinaram muito a humanidade a não se perder em coisas erradas. Então, sei lá, eu gosto de ler. Não sou um bem citador, mas... Não, esses seus exemplos são bons exemplos para diminuir o teu medo.

É verdade, é verdade. É uma das principais virtudes. A coragem é uma virtude essencial. Pergunta, Patrícia, quando fala, doutores, o que é o sucesso para você? Cara, eu tenho certeza que eu fiz o meu melhor por cada pessoa que cruzou o meu dia naquele dia. Assim, eu acho que é isso, cara. Eu... ...

Não mensuro de outra forma, não sei, o que me enlustia quando, de alguma forma, eu acho que eu não fiz o máximo que eu pude ali. Então, em cada interação humana, em cada situação, eu vou tentar fazer o meu melhor. Meu amigo, doutor Frederico, conclui.

com super êxito. E aí, esse episódio aqui deixa claro uma coisa para mim. Não basta ser bom tecnicamente. Em algum momento, todo médico vai precisar decidir se vai apenas sobreviver dentro do sistema ou se vai ajudá-lo como o doutor Frederico a transformá-lo.

Talvez essa seja a grande busca por trás de tudo isso, a busca por uma medicina.

que realmente faz sentido para a gente. Meu amigo, obrigado. Eu falo para as pessoas que amam fazer isso daqui e muitas vezes eu gravo episódios, infelizmente não são todas, mas que vocês fazem meu dia valer a pena e você conseguiu fazer isso hoje. Te agradeço de coração por você ter aceitado participar depois de tantos pedidos. Então, depois de 283 episódios,

O número 284 era para ter sido o primeiro, mas pelo menos ele chegou, espero, no bom Deus, na hora correta e na hora certa, e que você continue brilhando e trilhando essa sua trajetória de luz para iluminar a nossa rota dentro do futuro melhor na medicina, Fred.

Obrigado, irmão. Eu que agradeço. Ricardo, parabéns pelo Fala Doutores e desculpem minhas hesitações e falar. Uma das coisas que eu te disse que minha existência digital é bem limitada, eu tenho até pensado em rever um pouco isso. Vamos mudar isso. Eu chego no final e falo os endereços de bio de todo mundo. Doutor, eu não tenho endereço nenhum pra eu falar pra vocês. Então a gente tem que... Vocês façam um hashtag, por favor, abram o LinkedIn.

É isso, a gente vai aprendendo com os amigos e vendo que muitas vezes as posições têm que ser revistas também. Mas, cara, parabéns, obrigado por me receber aqui. A gente fica à vontade de estar falando coração aberto e a gente comula do mesmo desejo, cara. Realmente é...

estimular os jovens, o pessoal e as cabeças brancas também a entender que a gente não pode desistir. A gente tem que acreditar que é possível fazer melhor e sem jamais esquecer que com todas as diversidades, nossa profissão é profissão que nos dá uma posição muito diferenciada.

tanto na escala, se você for ver, fócio-econômica do Brasil. O país é um país com muitas diferenças e os médicos se engajarem nesse processo de discussão do sistema de saúde.

pode gerar não só boa medicina, como também uma riqueza lá para a nação. Esse ambiente pode gerar muita prosperidade e soluções para os pacientes. E quanto mais a gente se aproximar da virtude de ser um bom médico, mais chances teremos de ter um sistema de saúde do jeitinho que a gente gostaria para os nossos pais. Caravilha. Pessoal, fica com Deus, que Jesus acompanhe vocês. Terça-feira nos encontramos de novo. Fui.

O Fim da Autonomia Médica? O Papel do CBO e o Futuro da Oftalmologia | Dr. Frederico Pena #284 | Castnews Index — Castnews Index