Episódios de Inteligência Ltda.

1885 - EL SALVADOR É MODELO PARA O BRASIL?: FERRUGEM, PALUMBO E BASSON

17 de julho de 20262h1min
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LUCAS FERRUGEM é diretor e roteirista, DEL. PALUMBO é delegado de polícia e LEANDRO BASSON é vereador em Jundiaí-SP. Eles vão bater um papo sobre o que precisamos fazer para vencer a guerra da segurança pública. O Vilela é o tipo de pessoa que pergunta se falta segurança no Brasil e depois diz “então segura aqui!”.Cadeira é Elements, e o desconto pra vocês tá liberado. Acesse e garanta a sua: https://loja.elements.com.br/?utm_source=youtube&utm_medium=legenda&utm_campaign=inteligencia

Participantes neste episódio4
R

Rogério Vilela

HostApresentador
D

Del. Palumbo

ConvidadoDelegado de polícia
L

Leandro Basson

ConvidadoVereador
L

Lucas Ferrugem

ConvidadoDiretor e roteirista
Assuntos10
  • Segurança pública em São PauloEl Salvador como país mais perigoso do mundo · Bukele e sua ascensão política · Estado de exceção contra facções · Prisão em massa e novo presídio · Tatuagens como identificação de facções · Impacto na economia
  • Sistema Prisional BrasileiroNúmero de presos e facções no Brasil · Dificuldade de implementar estado de exceção no Brasil · Protecionismo com bandidos no Brasil · Audiência de custódia e sua ineficácia · Progressão de regime e penas brandas · Auxílio-reclusão e auxílio-vítima · Trabalho obrigatório para presos
  • Copa do Mundo e Seleção BrasileiraFalta de esperança da população brasileira · Oportunidade de aprendizado para o Brasil · Risco de radicalismo em resposta ao crime
  • Crime OrganizadoPacificação do crime pelo PCC · Enterros clandestinos e manipulação de estatísticas · Influência do PCC em outras regiões · Policiamento em comunidades e UPPs · Comércio ilegal de peças de moto
  • Forcas Armadas BrasilEnfraquecimento das forças de segurança · Falta de equipamento e treinamento · Pressão de chefes e corregedoria · Escalas de trabalho desumanas · Letalidade policial e guerra contra o crime
  • Redução da Maioridade PenalDebate sobre redução da maioridade penal · Regalias do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) · Uso de menores pelo crime organizado
  • Relações entre Crime Organizado e Poder PúblicoFinanciamento de campanhas políticas · Voto de presos e provisórios · Diferença de votos em eleições presidenciais
  • O Papel da Crítica e do PúblicoCríticas a políticos e a falta de fiscalização · Apetite por radicalismo em resposta ao crime · Percepção de segurança e o impacto no voto
  • Competência legislativa versus judiciáriaLobby e pressão de bancos contra leis · Dificuldade de aprovação de leis mais rígidas · Resistência na integração de forças de segurança
  • Relação Brasil-EUA e EleiçõesIndependência financeira e modelo de assinatura · Documentário sobre El Salvador · Diagnóstico sobre segurança pública no Brasil · Objetivo de melhorar o debate público
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RVRogério Vilela

Olá, terráqueos, como é que vocês estão? Eu sou o Rogério Vileira, tá começando mais um Inteligência Limitada, o programa onde a limitação da inteligência acontece somente por parte do apresentador que vos fala. Sempre trago pessoas mais inteligentes, mais interessantes e com a vida muito mais segura do que a minha, do que a sua, cara.

?Voz B

Pois é, rapaz.

RVRogério Vilela

Você já fez sexo seguro?

?Voz B

Acho que já.

RVRogério Vilela

Como que é o seu sexo seguro?

LFLucas Ferrugem

Acho que já.

?Voz B

Sério que você me pegou assim?

RVRogério Vilela

Leva uma padroeira, né? Ó, aqui nós estamos seguros.

?Voz B

Leva o santinho, né, cara? Leva o santinho.

RVRogério Vilela

Mas é o seguinte, vamos falar de segurança pública. A gente tem falado muito sobre esse assunto, né?

?Voz B

É verdade.

RVRogério Vilela

Sobre segurança pública, sobre bets. A gente tem colocado assuntos aí que tá todo mundo pedindo pra gente.

?Voz B

É verdade.

RVRogério Vilela

Vamos falar de El Salvador, vamos falar de como tá a situação no Brasil, porque é ano de eleição. E esse programa vai servir aqui para servir de base para fazer as perguntas para os candidatos. Já vieram como pré-candidatos, tá faltando Lula e Caiado só, e depois como candidatos também. Pois é, se possível a gente pega a pergunta desses caras para jogar para o pessoal.

?Voz B

Com certeza vai servir.

RVRogério Vilela

Pessoal do chat, como vai ser?

?Voz B

Bom, já começa já deixando o seu like, se inscrevendo no canal, torne-se membro, compartilha, né, essa live maravilhosa com toda a sua patotinha e mande sua pergunta.

RVRogério Vilela

É isso aí. Tá tudo certo aí, André? Não? Então enquanto isso vamos apresentar o povo aqui. Quem quer? Você já é velho de casa, né? Então tua câmera aquela, se apresenta para quem não te conhece.

DPDel. Palumbo

Bom, prazer estar aqui mais uma vez. Acho que é a terceira ou quarta vez que eu venho. Muito feliz e grato, Vilela.

RVRogério Vilela

Obrigado demais, cara.

DPDel. Palumbo

Tô com meu amigo Leandro Basson, meu amigo de longa data.

RVRogério Vilela

Ele parece alguém, algum ator, hein? Ele é uma mistura do cara que fazia o Hulk nos anos 80.

DPDel. Palumbo

Ele é galãzão, né?

RVRogério Vilela

É galãzão, cara.

DPDel. Palumbo

Tem 1,95m, cara, gigantesco. E obrigado, prazer estar ao lado dessa fera, né?

RVRogério Vilela

Que mesa que a gente montou hoje, mas a mesa legal, hein?

DPDel. Palumbo

Vai dar muito bacana, um assunto muito bacana. Convidado extremamente corajoso, porque não é fácil entrar numa cadeia. Eu me lembro a primeira vez que entrei numa cadeia, quem fala que não trava é mentira, trava. Eu nunca entrei, cara, não tem como. Quem que é policial que fica em podcast falando que não tem medo, que é corajoso, que fez, eu já escuto com certa cautela, entendeu? Tem muito loroteiro em podcast, mas é um prazer estar aqui com vocês mais uma vez.

RVRogério Vilela

E Ferrugem já entrou em cadeia, então a gente vai contar sobre a experiência e sobre o que você faz, sobre o Brasil Paralelo. Tua câmera, aquela qual câmera?

LFLucas Ferrugem

Aquela lá, aquela lá. Então, meu nome é Lucas Ferrugem, sou um dos fundadores da Brasil Paralelo e ultimamente dirigi o documentário sobre El Salvador, o país que era o mais violento do mundo e agora é um dos mais seguros. E a gente foi lá visitar, entrou em cadeia, viu todo o sistema e lançou de graça lá no YouTube da BP.

RVRogério Vilela

Quero entender muito isso daí, cara. E você é um novato. Além de se apresentar, falaram que você me dá presente, né?

LBLeandro Basson

Eu tenho, tá aqui.

RVRogério Vilela

A câmera é essa e eu quero meu presente.

LBLeandro Basson

Com muito amor e carinho.

RVRogério Vilela

Tá bom, vai ficar aqui, você sabe, né? Se apresenta para o povo.

LBLeandro Basson

Leandro Basson, sou policial civil há 28 anos. Hoje estou vereador na cidade de Jundiaí.

RVRogério Vilela

Ô, ô, Homer, alguém trouxe aqui, Homer? Homer, Homer, isso daqui sumir aqui daqui não dá ideia, cara. Ou é Leia ou é Eleni que levou embora isso aqui.

LBLeandro Basson

Você não sabe nem onde eu comprei isso para você.

LFLucas Ferrugem

Onde?

LBLeandro Basson

Fui no sex shop.

RVRogério Vilela

Sabia, porque veio com a chave aqui, ó. A chave é levinho, ó.

LBLeandro Basson

E as meninas estão assistindo aqui.

RVRogério Vilela

Faltaram só, faltou só aquela pelúcia aqui, né?

LBLeandro Basson

Não, eu tirei. Tirou? Deve estar no carro, não tá?

RVRogério Vilela

Eu trago para você também uma suspense se sumir, hein?

LBLeandro Basson

Eu trago a pelúcia, eu trago a pelúcia.

RVRogério Vilela

Vamos pendurar aqui no cenário. Pô, obrigado demais aí. Imagina, seja bem-vindo.

LBLeandro Basson

É isso aí, sou policial civil há 28 anos, trabalho em Jundiaí, já trabalhei aqui em São Paulo, sou vereador eleito em Jundiaí, né, na cidade lá. Minha atuação na área de segurança pública, sou empresário também, né, tenho, luto no Brasil para pagar imposto e sobreviver. E tamo aí lutando e indo para cima.

RVRogério Vilela

Antes da gente começar, eu queria, pô, eu admiro para caramba o trabalho da Brasil Paralelo pelo tamanho, pela dificuldade que vocês têm e pelos ataques frequentes que vocês sofrem, né? Antes de mais nada, da onde vem o dinheiro da Brasil Paralelo? Em algum momento teve Vorcaro, né? Todo mundo tem Vorcaro. Eu quero saber porque eu nunca participei de festa, nunca pingou nada para mim. Tem master, tem dinheiro público, como funciona? Resume como apareceu a Brasil Paralelo e como ela sobreviveu.

LFLucas Ferrugem

Eu percebi que eu sou muito pouco importante, porque eu não sabia quem era o Vokar antes de tudo isso.

RVRogério Vilela

Você não andou no jatinho dele?

LFLucas Ferrugem

E ele ofereceu uma quantidade de dinheiro tão grande para todo mundo.

RVRogério Vilela

Não, para um filme, cara.

LFLucas Ferrugem

Eu pensei, caramba, nada?

LBLeandro Basson

Nada?

RVRogério Vilela

Algum filme de vocês, algum documentário custou mais de R$150 milhões, R$180 milhões?

LFLucas Ferrugem

Não. A Brasil Paralelo é uma empresa totalmente independente, apartidária, nunca se relacionou com dinheiro público. Nunca recebeu dinheiro público, nunca vai receber dinheiro público, que eu tô botando no futuro essa também, para ser independente. Nosso dinheiro vem da assinatura que a gente vende para os membros que gostam do nosso trabalho, querem consumir conteúdo exclusivo e apoiam a casa.

RVRogério Vilela

Tipo o quê, uma Netflix?

LFLucas Ferrugem

Isso, isso é uma plataforma de streaming com conteúdos exclusivos, e o cara que paga uma assinatura vira membro e tem acesso lá. Hoje são 800 mil assinantes.

RVRogério Vilela

Eu não pago, eu ganhei, tá? Não vão tirar minha assinatura, eu paguei. Ah, você pagou?

LBLeandro Basson

Eu paguei, trouxa, eu ganhei. Eu só pedi, tá vendo a cara de otário?

RVRogério Vilela

É, pede para ele, cara. Por isso que eu falo que eu não sei se vou me cancelar depois daqui, tá?

DPDel. Palumbo

Que ele já pagou e você ganhou, então me apresenta aí.

LBLeandro Basson

Quando eu falei que era empresário, eu continuo sendo otário. Vai tomando tombo e vai tomando.

LFLucas Ferrugem

É uma empresa privada, a gente tá aí há 10 anos. Esse ano a gente completa 10 anos.

RVRogério Vilela

10 anos já?

LFLucas Ferrugem

10 anos. Começou em Porto Alegre, viemos para São Paulo em 19. Muito esforço, empreendedorismo, gente trabalhando. Não tem mistérios sobre isso.

LBLeandro Basson

Parabéns!

RVRogério Vilela

Empreende, fazem eventos também. Aquele evento do Jordan do Jordan Peterson.

LFLucas Ferrugem

Sim, sim, ajudamos no Jordan Peterson no Brasil. Cara, ele tá muito mal. Então você sabe que a gente tava de divulgador.

RVRogério Vilela

Para explicar, pessoal, ele não veio por causa que ele tava doente, né, cara? Então, o que que é? Uma coisa meio bizarra, não é?

LFLucas Ferrugem

Essa história, sabe que essa é uma das histórias que me fez ser injusto durante 3 horas com uma pessoa?

RVRogério Vilela

Porque você ficou brigando achando que era—

LFLucas Ferrugem

Cara, eu tava de vendedor de ingresso, a Brasil Paralelo tava de vendedor de ingresso.

RVRogério Vilela

Eu achei que era call também, eu achei que ele tava dando migué.

LFLucas Ferrugem

Eu tô no evento Eu tava naquele evento também, mas a gente fez todo o compliance, que é, pede os contratos e tal. Então racionalmente era para eu estar seguro. Só que eu vou jantar no primeiro dia do evento, daqui a pouco o Henrique me liga, meu sócio, fala assim, ó, cara, tem como dar um pulo aqui no camarim que eu tô com o cara que tá organizando o evento? E eu falei assim, o que que houve? Pô, tava num jantar com umas pessoas legais ali.

Não, o que que houve? Senti a voz estranha, né? E ele, quando a pessoa não quer falar, já fica, cara, o Jordan Peterson não vai vir. Aí ele já falou assim, e era no outro dia. E eu fui.

RVRogério Vilela

Não, e parece que estavam enrolando para falar quando ele vem, que hora o voo, não sei o quê.

LFLucas Ferrugem

Cara, isso era tipo 8 da noite. Eu fui até o tal do camarim rasgando, pensando assim, cara, de quem que eu estou tomando um golpe? O que eu faço agora?

DPDel. Palumbo

Pois é.

LFLucas Ferrugem

Quando eu cheguei lá, estava o cara que estava organizando o evento e ele estava apavorado. E ele, por estar meio apavorado, sabe quando eu falei, não, mas cara, me mostra o email aí. Aí começou aquele clima, né?

RVRogério Vilela

Cara, me mostra.

LFLucas Ferrugem

Aí eu falei, pô, só me mostra aí. E ele, não, já te mostro, mas o importante agora é falar. Cara, tem como a gente começar pelo meio? Começou esse climão, né? E o cara achou que eu tava desconfiando dele e a coisa começou a ficar meio tensa. Cara, no fim do dia, vimos os emails, a mulher do Jordan Peterson gravou o vídeo, enviou pra gente, a gente comunicou todo mundo meia-noite, etc. e tal, botou embaixo pra reembolso, obviamente, né? Só que, cara, realmente o cara deu um piriri, realmente, até agora.

RVRogério Vilela

Então, mas não é uma coisa assim, é uma coisa meio...

LFLucas Ferrugem

Não, cara, é uma doença com nome bem raro lá. É uma doença com nome bem raro.

RVRogério Vilela

Não sei se tem a ver com fungo, com esporos, com alguma coisa meio estranha.

LFLucas Ferrugem

Eu não lembro para dizer, mas eu sei que é um negócio bem raro, um nome que se eu falasse aqui ninguém ia saber o que que é. E o cara tá doente até agora. Até agora. Isso. Eu tava lá em Londres agora que a gente foi palestrar no ARC Conference, que é um negócio fundado por ele até, e ele não tava lá. Tava a mulher dele lá explicando para todo mundo que ele tava doente e tal. O cara não veio.

RVRogério Vilela

Eu achei que ele simplesmente tinha desmarcado também assim.

LFLucas Ferrugem

Porque dá essa sensação, né? Falar, pá, para, uma doença gravíssima agora, eu vou ficar sabendo 8 da noite.

LBLeandro Basson

Exato.

LFLucas Ferrugem

Acho que ele tava na época, a gente foi o primeiro evento que ele falhou por causa disso. Era a segunda vez no Brasil, né? Mas foi o primeiro evento que ele falhou e a gente tava só de parceiro ali de divulgação desse evento. Mas a sensação que dá é, cara, não ia avisar às 8 da noite. Acho que ele tava tentando vir e não deu. E era verdade, e era verdade, cara. Tem que ver a minha cara. Pensa que eu fui pressionando o cara até falei, pô, desculpa, cara. Depois você viu que era desconfiar de você para caramba.

DPDel. Palumbo

Mas é normal também, né?

RVRogério Vilela

Como um evento desse tamanho, imagina.

LFLucas Ferrugem

É porque ali quando começou a te reembolsar, eu sabia que ia ser séria a coisa.

LBLeandro Basson

É sério. Senti na pele isso.

RVRogério Vilela

Sim, total.

LFLucas Ferrugem

Evento, né?

LBLeandro Basson

Evento.

LFLucas Ferrugem

Imagina.

RVRogério Vilela

Senhores, vou pedir um tempinho para dar um recado pessoal. A gente aí, eu não sei se você aí de casa, mas aqui eu imagino que todo mundo que está aqui na mesa também, a gente gosta de performance e a gente vive otimizando as coisas. Só na alimentação, rotina, ferramenta, método. Mas tem um ponto cego que a maioria deixa passar, que é a cadeira. Os convidados aqui que já vieram já notaram que a gente trocou a cadeira aí, né? Ó, você pode ter o melhor método do mundo e mesmo assim tá pagando um custo físico enorme por sentar errado horas por dia.

E eu sei porque eu fico horas aqui. Hoje já gravei 3 aqui, esse é o terceiro. Então são umas 10 horas, 8 horas que eu fico sentado. Então eu vi essa diferença quando eu comecei a usar a cadeira da Elements. Eu entendi o que tava deixando na mesa. Apoio lombar ajustável, braços 4D, Apoio de cabeça e reclinação. É a cadeira que pensa junto com você. Ou melhor, cuida do corpo para você pensar muito melhor. Toca no link que está na descrição.

?Voz B

É isso? Está na descrição.

RVRogério Vilela

QR code na tela também.

?Voz B

É isso aí.

DPDel. Palumbo

É isso.

RVRogério Vilela

E o cupom INTELIGÊNCIA. A cadeira é Elements. Vamos falar também do pessoal que é empresário.

DPDel. Palumbo

Vou dar um recado aqui.

RVRogério Vilela

Deixa eu dar um recado para você que está assistindo e tem uma empresa. O que mais trava o crescimento de um negócio hoje no Brasil não é a falta de vontade ou de mercado. É a falta de método de processo redondo. Ô, Romero, deixa eu te fazer uma pergunta, presta atenção, hein? Se o rendimento aqui cair pela metade do que a audiência, audiência caiu, rendimento ferrou, aperta o caixa aqui, qual é o plano exato que eu tenho que fazer aqui para no primeiro minuto? O que que eu tenho que fazer para recuperar?

?Voz B

Ih, rapaz, você vai me culpar com certeza, você vai me culpar, tá vendo?

RVRogério Vilela

E não é porque você é ruim não. Que é, mas não é. Nesse ponto, eu e você somos ruins. É porque ninguém deu processo pra gente. E a maioria dos donos de empresa vive assim, no improviso, apagando incêndio todo santo dia. É exatamente aí que o G4 entra. É o que eu mais gosto deles, que eles não te jogam mais um monte de curso na cara. Eles pegam a tua empresa, fazem um diagnóstico e te falam exatamente onde apertar o parafuso. Tem monitoria mensal com gente que constrói empresa de verdade do outro lado, te dando direção.

E aí isso muda o jogo. Olha o time, o G4 tá disponibilizando a Bússola, um curso gratuito de gestão e inteligência artificial aplicada e focada para donos de empresa. Para de operar no amadorismo agora, cara. Escaneia o QR code que tá na tela ou clica no link da descrição e garanta o seu acesso, não é?

?Voz B

É isso aí.

RVRogério Vilela

G4, para quem quer mais, muito mais. E também vou falar para o pessoal que tá em casa, e tá naquela dúvida de negócio de emprego, o que fazer? Vocês conseguem ter ideia do tamanho do que tá rolando esse ano nos concursos públicos? Pois é, os órgãos públicos vão contratar muito ainda em 2026. Tem concurso para todo canto do Brasil, os editais estão previstos para o país inteiro. INSS abrindo com 10 mil vagas, CGU com 60 vagas autorizadas, Bacen com 140 vagas no novo concurso, TCU com 100 vagas.

E tem ainda Polícia Rodoviária Federal, Banco do Brasil, Petrobras, Receita Federal, Tribunal de Justiça em vários estados. Ó, eu tenho amigos que mudaram de cidade, mudaram de carreira e dobraram o salário em menos de 2 anos estudando para concurso. Não é exagero não, é o que tá acontecendo. A hora para começar é essa e não dá para adiar quando tem tanto edital em cima da mesa com salário inicial que pode passar de R$30 mil em alguns cargos, estabilidade, um emprego e previsibilidade no final do mês.

Você pode ganhar muito mais do que ganha hoje. Ô, Romero, não fica escutando isso que eu tô falando agora, não é para você, tá? Não, não, você tem um futuro aqui, cara, tá? O Estratégia Concurso é para outras pessoas, não para você nem para o Lenny, tá?

DPDel. Palumbo

Você ficou aqui.

RVRogério Vilela

O Estratégia Concurso, nosso parceiro aqui no podcast, responsável por preparar 7 em cada 10 aprovados em concursos públicos no Brasil, e agora tá com lote U da Semana Nacional dos concursos públicos. Esse é o momento para você entrar na assinatura Premium e estudar para todos esses concursos na mesma plataforma, com mais de quantos cursos?

?Voz B

Mais de 25 mil cursos.

RVRogério Vilela

É muita coisa disponível, com até 47% de desconto. Mas é só até dia 22 de julho. Que dia que é hoje?

?Voz B

Hoje é dia 16.

RVRogério Vilela

Tem pouco tempo, né? Clique no link da descrição do vídeo, acesse o QR code e libere sua assinatura Premium. Agora e comece o seu caminho para virar servidor público ainda esse ano, tá certo?

?Voz B

Tá certo.

RVRogério Vilela

Vamos falar então agora de segurança pública. Vou começar aqui com o Ferrugem sobre El Salvador, é a minha maior dúvida, e o cenário atual do Brasil. O que que a gente pode aprender com os caras, cara?

LFLucas Ferrugem

O que esse negócio de segurança pública de El Salvador nos deixou maluco, porque é muito estranho, né? Porque El Salvador, por que que a gente vai falar de El Salvador, um paizinho pequeno no meio da América Central que ninguém acerta na prova de geografia?

RVRogério Vilela

Exatamente.

LFLucas Ferrugem

Marca aí, coloca aí no mapa onde A dica é El Salvador. Tá certo aí, bolão, né? Tá aqui tudo em branco, você bota El Salvador.

RVRogério Vilela

Panamá o pessoal sabe que tem um canal lá. E El Salvador?

LFLucas Ferrugem

E eu gosto que nem a dica é boa. Você fala, não, é ali do lado de Honduras, do lado de Guatemala.

RVRogério Vilela

O cara fala, ah, tá, beleza.

LBLeandro Basson

Vou achar mesmo.

LFLucas Ferrugem

Não ajuda. Então, pô, 6 milhões de pessoas, mais ou menos do tamanho do Sergipe. Por que a gente vai falar de um negócio desse? Cara, porque El Salvador era o país não em guerra mais perigoso do mundo. Tinha mais de 100 homicídios a cada 100 mil habitantes. Era um negócio completamente—

RVRogério Vilela

da América Central era um dos mais perigosos?

LFLucas Ferrugem

Não só da América Central, do mundo, do mundo, do mundo, do mundo. Então não em guerra era o mais perigoso, não tinha nenhum lugar mais perigoso para viver do que El Salvador, a não ser um lugar que tivesse em guerra. Então, cara, era um negócio escandaloso. Isso já fazia mais de 10 anos que tava assim. Esse é um primeiro motivo. Segundo motivo, era um país polarizado em direita e esquerda, que os dois tinham perdido a esperança.

RVRogério Vilela

Olha lá, ele fica encravado lá, né? Eu tive na Costa Rica e eu não sabia, é para cima da Costa Rica, né?

LFLucas Ferrugem

É ali embaixo de Guatemala e Honduras.

RVRogério Vilela

Então o Panamá tá aqui para baixo, Costa Rica, Nicarágua.

LFLucas Ferrugem

É difícil acertar, né?

RVRogério Vilela

Difícil total.

LFLucas Ferrugem

Então, mas ele era o mais perigoso do mundo e tinha uma polarização de direita e esquerda que os dois tinham perdido a esperança. Cara, 10 anos governando a direita no país deu errado, uma direita mais antigona, sabe? Aí 10 anos governando a esquerda, deu errado. Aí começaram o revezamento, direita, esquerda, direita, esquerda. Então a população ficou num clima meio, cara, quer saber? Não muda nunca, nada dá certo. E chegou esse tal de Bukele. Esse Bukele era um publicitário, tinha feito uma agência de publicidade.

RVRogério Vilela

Não era político, então de fora.

LFLucas Ferrugem

Empresário. Tinha feito uma agência de publicidade, já tinha feito nessa agência de publicidade, tinha vendido algumas campanhas políticas para partidos e tudo mais, até para partido de esquerda e tal. Era um cara assim empresário, vendeu essa agência de publicidade, fez algum dinheiro, começou a ser bem-sucedido, tinha bons relacionamentos e tal. E ele decide entrar na política, vira prefeitinho de uma cidade chamada Novo Cuscatlán, mini microcidade lá.

E ele traz muito do que ele aprendeu na publicidade como prefeito. Então ele bota alguns slogans maneiros, tipo, cara, eu faço poucas coisas e boas. E publicitárias. Então, coisas que ele tentou fazer, cara, eu vou trocar a luz da cidade. Não tem muito dinheiro para fazer nada, né? Então vou trocar a luz, porque trocar a luz é uma coisa que todo mundo vê. Então ele, como publicitário, entendeu essa dinâmica e teve aprovação pública.

E nada gigante, mas começou a ser um cara falado, sabe? E aí dali ele saiu logo em 2 anos para a Prefeitura de São Salvador, a capital de El Salvador. Aí ele, na Prefeitura de São Salvador, fez mais publicidade, ganhou mais visibilidade. E se candidatou à presidência com discurso que era inovador na época, mas que um monte de país viu o mesmo discurso: o outsider, sou o cara de fora, não vota nos políticos, vota em mim, etc. e tal.

E ele ganhou, que nem ganhou um monte de gente por aí. Ganhou, ganhou no Brasil, ganhou na Argentina, ganhou nos Estados Unidos, ganhou na Europa. Esse discurso pegou depois. É a mesma onda, não, porque ele teve uma coisa diferente, cara, que é ele começou a tentar botar o plano dele em prática.

RVRogério Vilela

Mas ele já falava sobre essa parte de tolerância zero, falava.

LFLucas Ferrugem

Mas se tu visse o discurso, tu ia achar que nada demais, cara. Tu ia achar que é mais um que vai tentar a mesma coisa de sempre, mas talvez esse cara dê certo, sabe, no máximo. E acho que a galera meio sem empolgação. Eu vi todas as peças de campanha dele e tal para estudar o case, cara.

RVRogério Vilela

Beleza, acha isso na internet, vê se acha alguma coisa aí no nosso documentário.

LFLucas Ferrugem

Na verdade, eu também apareço, tem algumas coisas, não todas, né, mas tem alguma coisa. Cara, e ele ganha de presidente, só que ele começou com o discurso assim, ganha fácil, ganha com 50 e pouquinho por cento, que é para primeiro turno ali, primeira volta deu certo, ganha o primeiro turno, cara. E ele botou o discurso assim, ó, eles são a direita e a esquerda, sentam nos dois lados da mesa enquanto a gente morre de fome, eles são os mesmos de sempre, vem comigo.

Ganhou. Só que, cara, ele passou a campanha inteira chamando todo mundo de corrupto, né? Então quando ele ganhou e vira presidente, ele não tem maioria para governar, tudo trava no Congresso, tudo, ninguém quer apoiar o cara que te chamou de corrupto durante a campanha inteira. E aí, que nem tem aqui em outros países, tem eleição legislativa, e ele vai tentando fazer uns negócios, não vai dando certo, não, não emplaca. E aí na eleição legislativa ele faz uma campanha, aí sim começa a ser um negócio diferente, que é uma campanha falando, eu vim aqui para pedir voto para deputado deputado.

Alguma vez na sua vida, porque ele queria ganhar a maioria no Congresso, né? Alguma vez na sua vida já funcionou votar nos políticos que você votou? Você já se orgulha de algum voto que você deu? Aí ele fazia um silêncio, aí falou assim: se a resposta é não, eu peço para não votar em nenhum político nessa eleição e vote no meu partido, que era um partido novo, inclusive o nome era Novas Ideias. E aí era um partido novo que ele chamou em geral os brother dele para dentro.

Não era uma galera da política, era tipo, para ter maioria, cara, eu conheço o Vilela. O Vilela, a gente viu no Vilela, quer ser candidato? Tá bom, cara, me bota aí, sei lá, se tu ganhar, entendeu? E ele fez um partido com amigos conhecidos, etc., gente da comunicação, influenciador online, gente da política, das empresas, e montou esse partido, pediu voto no partido, cara, e ganhou maioria esmagadora na Câmara. E aí, quando ele ganhou maioria esmagadora nas câmaras, ele mostrou uma face do Bukele que ninguém esperava, que era na verdade um grande estrategista, né, para dentro dos planejamentos dele.

Ele endureceu um pouco a voz e fez impeachment de todos os ministros da Suprema Corte no primeiro dia que ele ganhou maioria. Então, na verdade, abriu o Congresso só para dizer o seguinte: bem-vindo esse ano, parabéns para quem ganhou, quem não ganhou. Era só um dia de protocolo, primeiro dia depois eleição. E aí o presidente da Câmara, porque como ele tinha maioria, era um amigo dele que tinha sido até sócio dele, padrinhos de casamento um do outro, e ele tava de presidente da Câmara.

Esse cara nos contou, tá lá no documentário, que ele tava presidindo a sessão solene e o Bukele mandou um WhatsApp para ele: bota em votação impeachment de todos os ministros da Suprema Corte. Efeito surpresa. Porque qual é o argumento do governo? Ele não tinha como articular isso aí, porque se ele articulasse, ia ser a cabeça dele, entendeu, cara? Botou em votação e passou. E aí ele derrubou todos os ministros da Suprema Corte.

E aí que dá toda— aí nasce a polêmica, Bukele, porque aí ele alinhou: o Executivo era ele, o partido era dele, a maioria esmagadora no Congresso era tudo amigo dele. E se o cara não quisesse fazer o que ele queria, ele trocava também. Porque ele que botou lá dentro, ninguém. Os deputados até fala, cara, eu não tenho voto nenhum, quem me botou aqui foi o Bukele. E os ministros da Suprema Corte, eles nomeiam de novo, tudo dentro das regras da Constituição de El Salvador, mas tudo bem polêmico, né, assim jogando no limite, dentro da regra, mas jogando no limite.

E aí ele usou todo esse alinhamento para declarar estado de exceção contra as facções criminosas, declarou as facções criminosas terroristas e foi para cima dos cara, cara, prendeu 40 e tantas mil pessoas. Construiu um presídio de segurança máxima, que é o presídio mais seguro do mundo, em tempo recorde, menos de 6 meses, construiu o presídio, botou todo mundo lá dentro. E El Salvador saiu daquele país que era o mais perigoso do mundo para um dos mais seguros.

RVRogério Vilela

E a parte da economia?

LFLucas Ferrugem

Não, não decolou. A economia não decolou. O case dele é de segurança pública. Ele fala que vai fazer coisa na economia, mas de fato o governo não é uma referência hoje. Tentou fazer um monte de coisa de Bitcoin e tal, mas isso não é um assunto que mexe El Salvador assim. A expectativa é cura a segurança pública, depois atende educação e depois economia. Essa é a lógica dele no programa. Faz tudo meio ao mesmo tempo, mas tem essa racional.

Então, cara, esse é um case que despertou todas as perguntas internacionais. Primeiro é, pô, a gente vive no Brasil numa sensação de que não vai ter solução. Eu não sei vocês, mas eu tenho essa sensação. Vocês acham que durante o tempo de vida de vocês a gente um dia vai poder pegar um ônibus às 3 da manhã com notebook no colo sem nenhuma preocupação.

RVRogério Vilela

Cara, não, difícil. O ruim não é não saber o que vai acontecer, o ruim é saber o que não vai acontecer, que é isso.

LFLucas Ferrugem

Só que ao mesmo tempo, do outro lado despertou outras perguntas que começaram a chamar o cara de ditador. Tem motivo, cara? Ele fez tudo dentro da— depende como você entende a palavra democracia. Se você entende democracia como vontade da maioria, ele tá fazendo tudo e seguir a Constituição Ele fez tudo na regra, seguiu a Constituição, fez tudo que tinha que fazer. Se você entende a democracia como um sistema de freios e contrapesos mais complexos para não deixar que uma pessoa se perpetue no poder, aí ele, ele tá demolindo esse sistema.

DPDel. Palumbo

Ele tem apoio popular, 90%, total, velho.

LBLeandro Basson

Quem manda é o povo.

LFLucas Ferrugem

Mas porque você entende a democracia como vontade da maioria. Essa discussão eu nem, eu tô pensando o assunto, não acho tão fácil, né?

DPDel. Palumbo

Não sei, eles são muito do direito penal do inimigo, né? Usou como direito penal do inimigo. Para o cidadão que não é convencional, que não é, que faz do crime uma profissão igual tem muito aqui no Brasil, tudo bem, vai ter seus direitos. Mas para aquele que não quer sair, que é contumaz, que é faccionado, que joga uma pessoa dentro de um micro-ondas, por exemplo, cheio de pneu, põe fogo, eu acho que esse cara não tem que ter as mesmas garantias do que um moleque que vai lá e quebra um vidro e pega um celular.

RVRogério Vilela

Ele tinha isso na cabeça dele ou ele pegou o modelo?

LFLucas Ferrugem

Não, cara, ele tinha, ele tinha um ministro da Justiça suíça que passou a vida inteira lutando contra o crime e montou essa teoria para ele. Esse aí já existe, é Jünter Jacobs, o cara que fez isso, é um europeu. E só que nunca foi aplicado em larga escala. E o cara trouxe exatamente essa teoria que você explicou, falou, ó, Albuquerque, a gente precisa fazer isso aqui, ó. O cara que vai lá e rouba alguém ou mata alguém ou briga, sei lá, esse cara é um tipo de criminoso, segue o normal para ele.

O cara que tá a vida inteira numa facção criminosa, esse cara tá competindo com o Estado. O Estado tem que declarar ele terrorista e tirar os direitos dele para conseguir pegar. E tem vários detalhes, óbvio, mas o cara aplicou isso. Por isso estado de exceção, por isso declarar as facções terroristas, suspender alguns direitos constitucionais individuais deles dentro da lei do terrorismo. E aí ele conseguiu pegar os cara. Mas eu não preciso nem te dizer a polêmica.

Qual é a polêmica? Se eu posso te declarar terrorista e tirar teus direitos, pegar o meu inimigo político de fazer isso?

LBLeandro Basson

Posso. Mas existe alguma reclamação nesse sentido lá?

LFLucas Ferrugem

Tem um caso muito polêmico de um jornal chamado El Faro que acusou ele de fazer um acordo com as facções criminosas durante o início do governo, que é, cara, olha só, não incomoda os líderes e vocês param de matar na rua. E não, e não foi bem-sucedido, né, esse acordo de paz do Bukele com a galera. O jornal acusou ele de fazer isso, e esse jornal, esses jornalistas estão exilados. Eu falei com eles. Alguns estão morando na Espanha, outros estão morando em outros lugares, mas o governo condenou eles.

Aí que vem a complexidade dessas coisas, né? Onde eu consegui ir, até onde eu fui na investigação, o governo condenou eles por receber dinheiro do tráfico e servir como proxy do tráfico de drogas.

DPDel. Palumbo

Mas houve o devido processo legal, tudo certinho?

LFLucas Ferrugem

Acho que não. Eles dizem, isso é mentira do governo, Nós não recebemos dinheiro do tráfico, nós fizemos uma acusação e fomos perseguidos pelo que nós falamos. O governo se defende dizendo, porque eu fiquei fazendo esse ping-pong, né? O governo se defende dizendo: não, mas só um pouquinho, se isso que eles estão falando é verdade, por que que outros jornais que falaram isso e falam isso até hoje não foram perseguidos? É verdade isso, é verdade, e faz sentido.

A liberdade de imprensa existe lá, tá? Eu vi todo dia no jornal, não tá todo mundo criticando, tá? Critico ele para caramba, tá? Não é um problema criticar. Não fiquei com a sensação, falando com jornalistas, vendo imprensa e tal, de que existe isso. Mas tem esse caso do Alfaro. O problema é, num estado, seguir o devido processo legal, eles vão dizer que sim. O problema é, a PGR foi ele que nomeou, os ministros da Suprema Corte foi ele que nomeou, a Câmara foi ele que nomeou, ele é o presidente.

DPDel. Palumbo

E se não tivesse nomeado, não faria nada.

LFLucas Ferrugem

Sim, sim, sim. É uma face de dois lados.

DPDel. Palumbo

Continuaria a violência.

LBLeandro Basson

É o que a gente falou, a população está apoiando ele. Mas aí a gente fala dos outros, Judiciário, Legislativo e Executivo também não são respeitados no Brasil, entendeu? E o que que a população quer? Que nada do que aqui funciona, nada que funciona, entendeu?

DPDel. Palumbo

Brasileiro gostaria de ter a mesma coisa, só que aqui é um país de 6 milhões de habitantes, muito maior, metade da população tá aqui na Grande São Paulo.

LBLeandro Basson

Olha, é uma coisa simples de pensar. Nós temos facções no Brasil, várias.

RVRogério Vilela

Eu quero até depois saber a comparação das facções lá com aqui, se tem alguma semelhança.

LBLeandro Basson

Morreu muita gente, os homicídios lá era uma barba. Todo mundo amanhecia morto todos os dias, não era isso?

RVRogério Vilela

Não só a briga entre eles, mas também o civil também.

LFLucas Ferrugem

É, a hora que não tem nada, cara, que a facção, as facções lá eram muito grandes, né? Mais de metade, bem mais de metade do território de El Salvador já tava no controle territorial deles. Inclusive sendo a cidade.

LBLeandro Basson

E eu vou trazer para o Brasil, sei lá, como extremamente corrupta.

LFLucas Ferrugem

Sim, e ele fez alguma trégua com a polícia. O discurso interno foi mais ou menos o seguinte: daqui para frente, zero. Daqui para trás, não vou olhar.

LBLeandro Basson

Aquele plano das 5 fases, né, que ele fez. Ele fez um plano lá que é nervoso. O que acontece no Brasil? Vamos só colocar uma coisa aqui, ó. São no Brasil, são 960 mil presos. Presos no Brasil, e a maioria pertence a facções, né, divididas, né, delegado Palumbo? A maioria é que são divididos. Então é o seguinte, por que não declarar? A gente não precisa dos Estados Unidos para declarar os caras terroristas no Brasil. Nós podemos declarar os terroristas aqui dentro do Brasil.

Só que se você fizer um cálculo de a cada 3 familiares de presos, são 3 milhões de pessoas. E o Bolsonaro perdeu para o Lula por 2 milhões e pouco na última eleição, certo? E quem tem esse interesse hoje de mexer com as facções criminosas no Brasil? Eu não tô falando de esquerda, eu tô falando de direita. Ele enfrentou isso lá com a Arena e com outro partido, que ninguém queria mexer com as facções criminosas justamente por isso.

E quando vem o estado de exceção, minha pergunta, tá, Palumbo, daria para fazer esse regime de exceção no Brasil hoje?

DPDel. Palumbo

No atual cenário político, impossível.

LBLeandro Basson

É isso que eu tô dizendo, impossível.

DPDel. Palumbo

Gostaria, essa foto é famosa, eu gostaria, mas é impossível. Então você sabe o que que lembra isso aí? O Dakar 3, antigo Pinheirão aqui da cidade de São Paulo. Quando eu trabalhava no grupo de operações especiais, a gente deixava o preso assim. Hoje eu nem sei se é possível deixar o preso assim, porque vai vir um bando de mimizento falar que a gente tá torturando ou acontecendo qualquer coisa. Que era a única forma de controlar uma cadeia.

Nós entrávamos em 20 ou 18 no máximo. Hora que o bicho pegava, metade desses policiais se acovardava, porque quem fala que o policial não tem medo tá mentindo. Todo policial em algum momento da sua profissão tem um certo receio. E a cadeia com 1.500, 1.800 presos era controlada com 15 policiais, 10 policiais que ficavam na linha de frente. E é lógico, a gente tinha que usar munição antiletal, muitas vezes tinha que usar munição real.

Só que a gente só conseguia controlar essa cadeia, que era controlada na época pela Polícia Civil, deixar os presos assim de Guruja, fica só de cueca, porque a gente entrava com uma certa energia que não era tortura, estava muito longe de ser tortura. Mas hoje em dia eu não sei se é possível fazer isso, porque os policiais penais do Brasil sofrem, e sofrem muito, nas mãos inclusive de pessoas que denunciam eles o tempo todo por apenas falar com o preso.

Então fica uma situação muito difícil. Aqui no Brasil tem um protecionismo com bandido que é uma coisa fora de série.

RVRogério Vilela

Eu não sei, eu tivesse isso com vítima, já pensou?

DPDel. Palumbo

Pois é, eu não sei se eu conseguiria hoje. Eu tô licenciado da polícia porque exercitava deputado federal. Se eu sair da política, eu volto a ser policial. Eu não sei se eu conseguiria trabalhar na polícia mais porque eu venho de uma escola mais antiga. Conversando com um sargento da Polícia Militar do Guarujá, ele falou hoje, recente, agora fui para o Guarujá recentemente, 2, 3 meses, ele falou assim, não dá mais para trabalhar na polícia.

E não é só porque tá difícil, porque tem uma câmara corporal, porque tá difícil lidar com corregedoria, com Ministério Público, que sempre vê muitas vezes o lado do bandido. É porque a própria geração de hoje em dia tá complicada. Ele falou assim, se eu der uma bronca mais pesada no policial, ele vai embora, ele deixa a farda lá e vai embora. Eu falei, não, sargento, não é possível que você tá falando isso para mim, cara. Meu bigode é branco, tô falando para você.

Tá difícil trabalhar, eu não posso pegar pesado. E o sistema na polícia é bruto, não adianta, não tem muito mimimi hoje em dia, você não consegue fazer mais nada. Agora, como que essa geração daqui para frente vai entrar na polícia, vai conseguir controlar a criminalidade com governo, com maioria dos governos frouxos que não apoiam a polícia? A polícia se matando de fazer bico com uma câmera aqui filmando tudo. Por isso que eu Deu a mão palmatória ao caiado. Não vai ter câmara no meu estado e pronto, acabou.

LBLeandro Basson

E não tem câmara no meu estado, você entendeu?

DPDel. Palumbo

Chamou para o peito, teve, foi macho. Essa que é a verdade, foi macho. Aqui em São Paulo não, fizeram uma promessa e depois foram recuando, recuando, recuando. Não tô fazendo, tô fazendo uma crítica assim ao governador do Estado de São Paulo. Sou de direita, apoiei o governador, continuo apoiando, mas eu sou independente. E no sossego. Por isso que eu tenho muito problema com partidos políticos. Quando eu migrei para o partido que eu estou hoje, que é o Podemos, eu pedi uma coisa para minha presidente: autonomia e independência.

Eu vou votar no que eu quiser. E logo quando eu fui, assinei, já teve as votações. Eu votei tudo quanto partido, porque não era o que eu me interessava. Ninguém reclamou. Quando eu tava no MDB, me tiravam da comissão de segurança. Eu ia fazer votação, não estava mais meu nome lá. Ficava até com vergonha muitas vezes. Foi, não foi uma vez, não, foram duas vezes, nunca me deram uma relatoria. Então eles vão te pressionando, te pressionando, te pressionando.

Por quê? Porque eles querem soldados ali fazendo exatamente o que eles mandam. E eu me recuso a fazer esse tipo de política. É por isso que muitas vezes, você sabe disso, que quando eu faço qualquer crítica a qualquer político de direita, ah, você tá virando, não tô virando a casaca, eu tô mantendo a minha independência. Não fui eleito nas costas de ninguém. Mas é complicadíssimo esse tipo de situação porque a polícia está amarrada Estão amarradas policiais no Estado de São Paulo comprando fardamento, policial científico comprando papel.

É verdade isso. Policial penal numa situação e a gente vê uma propaganda que não condiz. Só que eu saí de lá, eu não posso esquecer de onde eu saí, eu tenho que ter gratidão. E a maioria dos políticos policiais que entra, que são de direita, eles ficam cegos porque o governador vai dar um cargo aqui, o prefeito dá outro cargo acolá. E o cara simplesmente se cala.

LBLeandro Basson

É complicado a situação. É que enfraqueceram as forças de segurança a ponto do policial tá de saco cheio também.

DPDel. Palumbo

Ninguém aguenta mais, né?

LBLeandro Basson

Ninguém tá querendo trabalhar na polícia. Meu pai foi da rota, policial militar, minha mãe coronel, eu entrei na polícia civil. E aí ninguém aguenta mais. O Palumbo sabe disso aí. Quanto tempo você leva um cara na delegacia e o cara muitas vezes sai bem antes que a gente. Você não pode nem tocar porque tem audiência de custódia no dia seguinte. E aí o juiz pergunta pra ele, como foi sua prisão? Não se o mérito do cara é vagabundo ou não.

Você acha que o cara que tomou um escorrega antes num flagrante, que que ele vai falar na frente do juiz? Nossa, foi, ah, me trataram muito bem, ai, que carinho, não sei o quê. Aí o cara sai na audiência de custódia. Aí quando ele não sai na audiência de custódia, ele fica preso, a gente vai para uma audiência, o vagabundo vira o policial que prendeu o cara.

DPDel. Palumbo

Então a palavra do policial hoje no Brasil, parar várias vezes na corregedoria por causa da audiência de custódia, então várias vezes. Eu tenho certeza que você também, sim, pela palavra. E aí os juízes acabam cometendo um erro, na minha opinião, porque se você acusa alguém falsamente de cometer um crime, geralmente eles acusam de tortura, de corrupção, ele tem que também instaurar concomitantemente uma denunciação caluniosa contra o cara, mas é sempre contra o policial.

Então o policial às vezes vai se desmotivando. Antigamente tinha concurso, tinha 100 mil candidatos. Hoje em dia você não consegue fazer o mínimo de candidato Tem provas que são, vão para outros estados, né? Você pode prestar concurso, por exemplo, na Bahia, no Distrito Federal, e vir trabalhar em São Paulo. Ninguém mais quer ser policial. Aí fala assim, não, estamos fazendo ação delegada, que é o bico oficial. O cara não quer pegar ocorrência, tem um negócio ali, ele vira para cá porque ele quer ter um mínimo de descanso.

LBLeandro Basson

Mas tem que explicar o porquê, porque chega na delegacia, meu, você tá levando o cara em flagrante, você vira o bandido. Eu tô falando ali da rua, que a gente vive na rua.

DPDel. Palumbo

E não é culpa do delegado.

RVRogério Vilela

Explica para o pessoal por que que acaba virando bandido policial.

LBLeandro Basson

Porque é o mimimi, tudo não pode, tudo. Às vezes você pega um delegado que lá que vai, um moleque novo que tá lá, cara, do jeito que um antigão da PM apresenta uma ocorrência e o cara vai falar, porra, apanhei, pô, eu tive ali na ocorrência, usaram uma força que para mim foi excessiva.

RVRogério Vilela

Pô, audiência de custódia.

DPDel. Palumbo

Não, não, isso pode acontecer na própria delegacia.

LBLeandro Basson

Na delegacia, quando você apresenta ocorrência, depois você sai de lá Você sai de lá, muitas vezes você tem que ficar o tempo maior e o cara é dispensado porque ele foi ouvido antes. Mas quando ele fica preso, no outro dia ele tem a custódia. Se por Deus do céu ele ficar preso ainda, ele vai no processo legal, você vai ser intimado. Então tem muitas coisas hoje, a legislação nossa ela é grande, arcaica. Trabalho para prender o cara, perde o tesão, perde o tesão, você perde tesão trabalhando.

DPDel. Palumbo

Um diretor que é excelente Marco Antônio Pereira Novaes de Paula Santos, foi um dos melhores diretores que eu já trabalhei. E eu trabalhava no grupo de operações especiais, ele tava tendo muito quebra-vidro, muito quebra-vidro, mas muito assim na 23, na Arial. Ele falou assim, Palumbo, eu preciso que você monte uma operação, tira os uniformes dos policiais porque eu tô sofrendo muita pressão e a gente precisa dar uma resposta, me ajuda.

Tá bom. Aí eu coloquei policial de skate, de táxi quebrado ali no meio do fio, de mendigo, de pipoqueiro. É sério, sério, abriu o Jornal Nacional. E na época você abrir um Jornal Nacional é porque a ocorrência foi top. Prendemos mais de 30 e conseguimos filmar, conseguimos filmar tudo isso. Só que naquela época não tinha audiência de custódia, o cara não ia bater na delegacia, ia para audiência de custódia, ia sair.

LBLeandro Basson

Bater a bunda, sair fora, né?

DPDel. Palumbo

Ele ficava pelo menos ali 3, 4, 5, 6 meses preso. Agora não, agora não. O que que essa molecada, entre aspas, entendeu? Cara, compensa, porque se eu roubar um celular de 10 pau, eu vendo ele por 2. Se eu fizer 10 celulares e se eu for preso furtando, eu vou sair na audiência de custódia. Naquela época não saía. Tanto é que quando começou a audiência de custódia Eu me lembro como se fosse hoje, eu tava numa ocorrência, aí o ladrão que a gente prendeu falou assim: eu não cometo mais crime na sexta-feira. Eu falei: por quê, ladrão? A gente chama qualquer preso de ladrão.

LBLeandro Basson

Isso é vagabundo.

RVRogério Vilela

Vou chamar você de ladrão. Fala aí, ladrão.

DPDel. Palumbo

É assim mesmo, já tô preso aqui no setorão, né?

RVRogério Vilela

Vocês ficam preso aqui.

DPDel. Palumbo

Eu não sei como que é em El Salvador, mas aqui você chega numa cadeia, você fala: ladrão, cola na grade. É normal isso. Chamou faxina. Isso é normal e eles não se ofendem porque eles acham que isso é bonito para eles. Então tá tudo certo, né? E aí o cara falou assim, eu não cometo mais crime de sexta-feira. Eu falei, por quê, ladrão? Porque de sábado não tem audiência de custódia, não tinha sido implementado, não tinha sido implementado audiência de custódia.

Então ele ia ficar preso, ele ia ficar preso. Aí quando foi implementado final de semana, feriado, sábado, domingo, eles tocaram foda-se. Mas eu me lembro como se fosse hoje. E hoje eu acompanho os trabalhos policiais, até hoje eu acompanho. A maioria dos presos que a gente pergunta, que eu gosto de conversar com preso, eu pergunto: se você soubesse que ia ficar preso 30 anos, 40 anos, você cometeria esse crime? Não, 100%, não, não cometeria.

Menor, a mesma coisa, não cometeria. Então quer dizer, o Brasil é o paraíso dos ladrões.

LBLeandro Basson

A gente volta depois em El Salvador, que essa brincadeira aqui— não, mas eu digo, essa brincadeira O cara entra, sai, entra, sai, entra, sai.

DPDel. Palumbo

Aí fala assim, pô, mas você é deputado, você é deputado. Só que a população também não entende que para você aprovar uma lei aqui é o sistema bicameral, tem que passar metade da Câmara dos Deputados, metade do Senado. Se alguém fizer alguma mudança no Senado, volta para Câmara, passa. E aí nós temos o presidente da República que pode vetar ou sancionar. Não é só um deputado que vai fazer uma lei, você sabe bem disso. E a gente fica lutando.

E vou dizer mais, se não fosse os poucos deputados de direita deste país raiz mesmo, que quer que bandido vá para puta que pariu, se ferre, cara, a situação estaria muito pior, mas muito pior mesmo. Eu lembro no começo do mandato, eles estavam fazendo um projeto de lei, você não poderia sacar um celular, enfiar na cara de um político, eles queriam colocar o cara na cadeia. E aí, claro que nós fomos contra isso, porque é direito da população, qualquer um pode parar na rua, ligar a câmera do celular e fazer qualquer tipo de pergunta para mim.

É direito do cidadão. Não pode ficar me xingando, falando um monte, ofendendo minha honra, mas ele pode pegar o celular: me responde aqui, o vereador tal, por que que você votou a favor do aumento de IPTU? Eles queriam proibir até isso. Então fica muito, é difícil a situação. A gente precisa colocar mais gente que realmente lute por vítima e cidadão do bem. E aí tem outro problema: a gente vê um monte de gente esbravejando em rede social, os nervosos, né, esbravejando porque é matador de podcast, porque fez, porque aconteceu.

Aí você vai lá e pesquisa os vereadores de São Paulo, os vereadores, qual deles teve peito de não votar o aumento do IPTU? Tá cheio de cara de direita que agora vai ser deputado que votou a favor do aumento do IPTU. Qual que é a justificativa? Ah, porque cargo, emenda, subprefeitura, você entendeu? Tem vereador, Marcos, sem cargos. Se o cara vota contra, perde os cargos, perde os cargos. É assim que funciona. Então o cara é de direita só no podcast, porque na hora de ser macho, de peitar o prefeito, não peita, não peita.

E o que acontece com a população brasileira? Não fiscaliza. O cara vai lá e grita no podcast, faz um corte, é o brabão matador, não sei o quê. Mas se pesquisar o cara, o cara votou aumento de IPTU numa cidade que tem um orçamento de mais de R$100 bilhões.

LFLucas Ferrugem

Mas tu sabe que a gente tá falando, eu tô pensando aqui no que vocês estão falando, enfim, experiência da rua, cada um conta a sua, mas ela é mais ou menos a mesma, né? Você fala com, que agora dizer o seguinte, você fala com centenas de policiais, gente que tem experiência, o cara vai vai botar histórias diferentes que contam a mesma história, né? O cara viveu a história dele, mas é sempre a mesma coisa, né? A catraca giratória, não consegue prender e tal, tal, tal, tal, tal, tal.

E a gente fica aqui no Brasil falando que isso é coisa de direita e esquerda, porque ninguém é burro. O cara olha e fala: não, a esquerda tende a ser mais a favor de dizer que o cara tá sofrendo criminalidade, que o cara tá no crime por causa da desigualdade, o cara tá no crime por causa da pobreza, o cara tá no crime por causa disso, daquilo, daquilo. E quem é de direita fala: pô, tá vitimizando criminoso. E a direita fala: vamos pegar os cara, não sei o quê, porque eu faço, porque eu aconteço.

Quem é de esquerda fala: esse cara aí tem inclinação ditatorial. Esse é mais ou menos o jogo político aqui. Curiosidade: isso é um pouco território da América Latina, tá? A esquerda, no que cortar aqui a linha do Equador e for para cima, a esquerda já mudou esse discurso há muito tempo. A gente tá para trás, mesmo se falar em discurso de esquerda e direita. Bill Clinton Mudou esse negócio na esquerda americana, por exemplo. Ele entendeu o seguinte, cara, não combater o crime não dá voto. Eu preciso combater o crime, quebrar o crime, ver o voto.

RVRogério Vilela

A esquerda é burra nesse sentido, cara. Por que que ela tá diminuindo?

DPDel. Palumbo

Muitas vezes conivente.

RVRogério Vilela

Não, mas ela tá diminuindo, ela tá perdendo o espaço por causa disso. Mas tem um debate da segurança pública. Quando vierem aqui e rolar os debates, se eles não— o próprio Lula tá mudando o discurso em relação a roubo de celular. Nem sabia o que ele falou e o que ele tá falando agora, se isso vai virar alguma coisa ou uma coisa.

LFLucas Ferrugem

Sim, o discurso já começa a mudar.

RVRogério Vilela

Ele sabe que tá...

LFLucas Ferrugem

A Noruega, cara, Noruega tem leis extremamente rígidas para qualquer tipo de crime cometido, criado pela esquerda. A China, que talvez é um exemplo complexo, assim, né? A gente sabe toda aquela... Tem um debate de centenas de milhares de páginas sobre o que é a China. Mas pulando isso, que é talvez a maior referência de quem tá na esquerda hoje, Cara, você não pode fazer nada na China, nada. Então isso é um discurso de América Latina.

E meu ponto aqui é o seguinte, a gente até vai— por que a gente gosta de fazer isso aí? É meu viés, né? Eu não tenho essa experiência de rua, então meu viés é ali através da BP a gente fazer esses documentários, essas pesquisas, para tentar explicar, pô, mas por que que tá assim? Porque a América Latina participou de um fenômeno, cara, muito específico, que é o trauma. E aí mostra um pouco o risco do longo prazo desse negócio de El Salvador.

Que tem um risco de longo prazo, que é a gente viveu o trauma das ditaduras militares. O que que aconteceu quando a gente passou por ditadura militar? A ditadura militar aqui na Argentina, em todo lugar, tinha um discurso de quebrar para cima dos cara. Vamos quebrar, vamos quebrar, vamos quebrar. Criava polícia de emergência, fazia, acontecia, e conseguia até um determinado momento conter muita criminalidade. No indicador tava bom, tava bom.

A segurança no Brasil nos anos 70, ela, tirando para quem não tava quebrando o pau com o governo, ela era uma coisa diferente de hoje. Mas quando cai a ditadura militar, os cara— olha que interessante, quem são os advogados dos caras que estavam presos? Presos políticos, advogados dos presos políticos. Esses caras vão ser os grandes juízes dos próximos 20 anos. Eram eles os presos. Quem é que tava de advogado do, sei lá, do Caetano Veloso?

Era um cara que era importante e ele vai ter protagonismo nos próximos anos, porque os casos eram políticos importantes internacionais. Então ali tu tem esses advogados. E o que que tava rolando no mundo em 1989? Tem um cara criando um negócio chamado garantismo penal, que talvez alguém já tenha escutado falar. Que o garantismo penal é um negócio que surge na Itália com o trauma da polícia de exceção do Mussolini. Os cara fala, cara, como é que a gente desmancha esse aparato que a ditadura criou para perseguir opositor político?

E o garantista penal, que a gente tem muita gente que vai dizer que garantismo penal é uma coisa de esquerda, tá? Não é, é uma crítica liberal ao totalitarismo, liberal iluminista. Tem algumas pinceladas de esquerda, mas eu acho que todo mundo concorda com garantismo penal que esse italiano falou. O que que é o garantismo penal lá do cara? Cara, olha só, o Estado tem muita força, muita força. Então quando ele resolver dar porrada em alguém, é bom a gente saber que ele tá seguindo certos limites.

Que limites são esses? Não são esses da saidinha, do não sei o quê, da audiência de custódia. Eram outros, os limites eram devido ao processo legal. Se não tá na lei, não é crime. Se não tá previsto em lei, não é crime. Tu não pode dar uma tergiversada ali para punir o cara. Um monte de coisa que se tu ler, cara, tu vai dizer assim, ó, ok, nada, o mínimo de uma democracia. América Latina, a gente importou isso, chegou junto isso aqui no Brasil.

Isso é sério, os cara realmente estudaram isso na academia. Chegou nos anos 90 aqui na academia isso aí. Misturado com outro discurso que não era bem esse, que é o que a gente chama de garantismo hoje. Chegou meio tudo junto, que é da teoria marxista desse negócio, teoria marxista de conformismo crítico, que era o seguinte, cara, não, o Estado é uma estrutura desigual de poder e ele usa o Estado para dar porrada em pobre. Quando o Brasil misturou todo esse negócio, saiu um negócio que ganhou um nome na crítica de garantismo monocular.

Que é um nome todo bonitão e elegante, mas é para dizer o seguinte: a gente criou uma tradição de pessoas formadas nas faculdades que ocuparam postos importantes na justiça, que aprenderam o seguinte, cara, o Estado é um poder desigual, e em países que tem muita desigualdade, que é muito pobre, etc., ele tende a dar porrada no mais pobre. Então toda a ótica do Estado Democrático de Direito é defender o mais pobre desse Estado policialesco, que é uma estrutura de perpetuação das elites.

Cara, tu vai dizer assim, mas, Lucas, tem certeza que isso aconteceu? Eu falo, então olha os concursos para juiz de todo esse período. Esses caras, Barata, Ferrajoli, os autores todos desse negócio, eles são os caras que são pedidos nesses concursos, que são citados, que são estudados, doutorados, mestrados, etc. E a gente com trauma da ditadura militar, a gente tá importando isso porque a gente tá com trauma. A gente precisa destruir esse Estado policialesco.

Isso soa como música no ouvido do cara que passou 20 anos lutas lutando contra a ditadura.

RVRogério Vilela

Era das últimas eleições, precisamos desmilitarizar a polícia, né?

LBLeandro Basson

Vamos, vamos, vamos inversão para pegar um discurso, para pegar um discurso contemporâneo.

RVRogério Vilela

Plebiscito e não segue o que dá o plebiscito.

LFLucas Ferrugem

Para não parecer que eu tô contando uma história lá atrás de livros e tal, vamos pegar contemporaneamente. Não tem uma ala expressiva da direita que fala que é perseguida pelo Supremo Tribunal Federal?

RVRogério Vilela

Claro.

LFLucas Ferrugem

Então se um dia eles conseguirem mudar isso, eles não vão Não vai soar como música no ouvido alguma coisa que garante para eles que o Supremo Tribunal Federal não vai mais poder fazer isso com eles? Imagina que na ditadura militar é a mesma coisa. O cara tava o tempo inteiro lá contra os caras, os caras dando porrada, os caras apavorados. Aí daqui a pouco muda a conjuntura, tu fala, cara, a gente tem que impedir isso de acontecer de novo.

E esse negócio chega caindo como uma luva. E a gente institucionalizou. Então o que que acontece? Dos anos 85 aos anos 2000 e alguma coisa, a gente meio que institucionalizou criou como regra uma série de negócios bem difícil de mudar. Não é fácil mudar as coisas que a gente criou. Tem coisa que tá na Constituição, tem coisa que tá em ato normativo, tem coisa que tá na lei, tem coisa que tá, cara, é bastante coisa, tá, que tá em jurisprudência.

É bem difícil uma reforma, é bem difícil, é bastante coisa que via que o maior risco do Brasil, o que tava por trás de todo o pensamento, o maior risco do Brasil é ter um Estado policialesco que persegue opositores. E a consequência foi que no vácuo dessa preocupação institucional, que talvez nem fosse incorreta, a gente pode discutir e tal, explodiu as facções, que era um outro negócio. Sabe quando você quer matar um negócio e aparece outro?

Explodiu facção. Então se você pegar anos 90, explode facção criminosa no Brasil, explode criminalidade, explode porte de arma ilegal, explode tráfico de um monte de coisa. E o Brasil reagiu tarde. Tarde ao ponto da gente institucionalizar facções que ficaram bem grandinhas.

LBLeandro Basson

São as maiores que Cali, maiores que, maiores que os cartéis do México. Hoje, hoje é o primeiro comando da capital, tudo passa pela mão dele, que sai da América do Sul para Europa.

LFLucas Ferrugem

Ficou transnacional esse negócio, tá muito forte.

DPDel. Palumbo

E aí agora, aí tá mais de 20 países, né?

LFLucas Ferrugem

E agora, e aí a dúvida que a gente tem agora, a gente tentou corrigir um problema criou outro, tá tudo muito institucionalizado, difícil mudar.

LBLeandro Basson

É difícil mudar, não tão, não tão. A gente vai sentar aqui, pode discutir isso, não é tão difícil.

RVRogério Vilela

Eu acho que para mim parece super difícil.

LBLeandro Basson

Eu acho que o primeiro combate que tem que ser feito para dar um alerta seria o das facções criminosas. Se nem o Brasil agora— não tô falando de Trump, esquece Estados Unidos, vamos cuidar do nosso quintal aqui. Quando você ataca um cara que foi delegado-geral da Polícia Civil, executa ele no meio da rua, quando você faz ataques a promotores, que foi o pessoal de Campinas que impediram os ataques, quando você mata juiz de direito, quando você mata mais de 83 policiais em 2006, um ataque, você quer desestabilizar o Estado, certo? Trazer o terror. Isso para mim é terrorismo.

LFLucas Ferrugem

Trouxeram, você quer proibir o Estado de combater?

LBLeandro Basson

Não, então você quer proibir? Por que não? Por que não classificar os caras como terroristas? Porque qual que é o interesse disso? Eu acabei de falar, os caras são 960 mil detentos, ali é 3, 4 milhões de votos, você entendeu?

RVRogério Vilela

O discurso é outro, é por causa da intervenção dos Estados Unidos aqui.

LBLeandro Basson

Não, não, então, mas vamos começar a pensar quem financia muita coisa hoje. Falar que o Primeiro Comando da Capital, Comando Vermelho, etc., os caras não estão, não são uma empresa S.A., Porra, na Faria Lima os caras estavam lavando dinheiro. Então vamos, vamos começar a pensar, Marco. Se a gente pensar só desse jeito, a gente não muda nada. Então esquece estado de exceção, beleza? É radicalizar demais, é radicalizar demais. É, o problema é o seguinte: a gente vive uma ditadura aqui, é minha opinião, porra.

Você não pode falar nada, o que tá na Constituição não conta, o processo legal ele não é seguido. Promotor, juiz, eu não vou falar nomes aqui, mas a gente vê cada absurdo que é para um lado e para o outro não é. Você entendeu? Eu sou policial civil há 28 anos, tô ralando, tô lutando. Você vai nos presídios aí, são resortes no Brasil, sabe? Mistura os faccionados. Por que esse carinho com facção? Se eles se matarem, que se matem na cadeia.

RVRogério Vilela

Dá para misturar hoje?

DPDel. Palumbo

Não pode, porque só para o policial penal. Olha lá, tá vendo? Porque ele é entrevistado quando ele chega numa cadeia, ele é entrevistado, né? Faz parte de uma facção? Faço, eu faço parte do 3º Comando Puro. Eu não posso ficar na cadeia do Comando Vermelho. Policial penal tem que colocar ele no seguro. E depois, quando começou isso? Olha, não saberia te dizer. Quando começou a surgir várias facções aqui no Brasil, por exemplo, tem o PCC que tem a hegemonia do Estado de São Paulo.

Aqui só não tem mais mortes porque quando eu vejo o governo falando de acabou com os homicídios, que diminuiu, que o Estado de São Paulo é fantástico, é o menor índice de homicídio— quem diminuiu os homicídios no Estado de São Paulo foi o primeiro comando da capital pela pacificação, né? Não, olha, eu trabalhava no Capão Redondo no ano 2001, tá?

LFLucas Ferrugem

Era conhecido, era o lugar mais perigoso aqui, né?

DPDel. Palumbo

Era o local, era o local mais perigoso, um dos lugares mais perigosos do mundo. Era conhecido como Triângulo da Morte: Capão Redondo, Parque Santo Antônio e Jardim Ângela. Então eu cheguei lá como delegado novinho, tinha 26 anos, não sabia nem chegar lá, que vim de Ribeirão Preto. Fui me apresentar na sexta-feira na seccional Aí o seccional falou assim, um de vocês aí tinha medo dos delegados, tá de plantão hoje à noite. Eu senti que era eu.

Aí assim, é você? Aí eu falei, tá bom. Naquela época não tinha Waze, não tinha nada, era guia. Aí eu falei assim, eu não sei nem chegar lá, onde fica isso? Eu saí da seccional que ficava ali perto da represa de Guarapiranga, ali na Robert Kennedy, e uma viatura foi me levando até lá. É aqui, tá bom. Chegando lá, 200 presos, 200. No primeiro plantão eles colocaram uma tábua na porta para fechar, aquelas portas de vidro, sabe, que tem as grades.

Colocaram. Mas por que que vocês estão fechando a delegacia? Porque tem 200 presos aqui atrás, tá bom. No meio do plantão, um carcereiro chamado João Banana, primeiro era João Banana, fala assim: delegado, chamava de doutor, né, doutor, Tem que entrar na cadeia e bater grade. Que porra é essa de bater grade? Eu falei, tá bom, vamos lá bater grade. Ah, tem que deixar a arma aqui do lado de fora. E eu, cara, você não teve medo? Tive.

Covarde o homem que não fala, não enfrenta seus medos. Beleza. Aí começaram a bater o chão assim. Que porra esse cara tá fazendo? Meu Deus do céu! É para ver se não tem buraco, tatu. Aí começou a bater o mesmo ferro assim na grade. Para que isso aí? Porque pelo barulho o carcereiro João Banana identificava se tinha trinco. Eles pegavam jacarezinho para serrar, para serrar. Beleza, fiz isso, voltei, coloquei minha arma, entramos lá, plantão correndo solto.

No outro dia fizeram isso com outro delegado também do interior. Ele pediu exoneração e foi embora. Foi embora, sentiu, foi embora. E nessa época era 10, 12 locais de homicídio por final de plantão de 12 horas, sexta para noite, era homicídio para caramba. Você tinha que ir lá no local, voltar. Chegou o plantão que eu fiz 10 locais de homicídio, 10 locais. Que que o crime começou a perceber? Toda vez que tem um local de homicídio, vem o DHPP, vem a polícia científica preservando, a viatura fica preservando aqui, outra ferra as biqueiras.

Negócio, o negócio, as biqueiras. Que que o partido PCC começou a entender? Tá proibido matar. E proibiram de matar, despencou. Então hoje, para se matar qualquer pessoa, seja rival ou não, você tem que entrar lá na facção, você tem que ser um faccionário e você tem que pedir autorização para matar. Tem um protocolo, tem um protocolo. Aí autorizou matar, eles matam, mas eles não largam lá, eles pegam o corpo, enterra em cemitérios clandestinos.

Os familiares, que o preso tem família, mãe, pai, tia, mulher, vai lá na delegacia e faz um BO do quê? Desaparecimento de pessoa, não entra na estatística de homicídio. E aí despencou. Então é mentira do governo quando fala que ele diminuiu, que o Estado de São Paulo diminuiu tropa. Não foi.

LFLucas Ferrugem

Lembra do Tropa de Elite? Morte na praia, afogamento, pô.

DPDel. Palumbo

É isso, é isso, é isso aí, pô.

LFLucas Ferrugem

Pô, mas o cara, o corpo tá perfurado, capitão, bota afogamento nessa porra, entendeu?

DPDel. Palumbo

Então aí, quando acha esses cemitérios clandestinos, é isso aí. Passaram pelo tribunal do crime, foram sentenciados, mataram, tirar do local. Para quê? Porque o PCC quer vender drogas nas biqueiras, nas lojinhas.

LFLucas Ferrugem

Eles chamam de lojinha. Você com essa experiência entende que hoje o São Paulo é um dos estados mais seguros do Brasil. Você acha que isso é porque o PCC pacificou dentro do crime, não um mérito de eventuais governos que, na verdade, na questão do homicídio, tá, foi o crime, foi o PCC que disciplinou, porque matava bandido, era ladrão matando ladrão.

DPDel. Palumbo

Tinha os pé-de-pato na Zona Sul, tinha muito pé-de-pato na área do Campo Limpo. Pé-de-pato são justiceiros que matam bandido. Até hoje tem lá, que eu me lembro quando eu fui fazer minha campanha para deputada, primeira deputada, né, eu fui, tá, não, aqui era de pé-de-pato, aqui não tem tráfico, tem porra nenhuma não.

LFLucas Ferrugem

Eu já entendi que ali se pacificaram, que os caras sentavam ali, sentava a morrer.

DPDel. Palumbo

É isso aí, matava todos ladrão.

LBLeandro Basson

A diferença do Rio da Milícia lá, que eles não cobravam a taxa de gás, taxa de nada. Os cara tipo cuidava do bairro, tipo aqueles cara de rua. Tipo a gente fala pirro de rua assim, que o crime percebeu.

DPDel. Palumbo

Agora São Paulo tem um grande amigo lá, Sargento Portugal. Ele me conta absurdos comprovados por vídeo. Que você fala, não é possível. Eu só acreditei porque eu vi o vídeo. A viatura vai subir o morro, ele tira a barricada, policial sai, tira a barricada, passa com a viatura, volta a barricada no local para ir para UPP. Aí ele sobe, aí vai um traficante, põe a cabeça dentro da viatura. Não, é os mesmos policiais de sempre, é o Ferrugem, a Vilela.

Pode subir, sobe. Aí o cara fica recluso dentro da UPP. Recluso lá dentro, cheio de bala. Se ele quiser ir até uma padaria comer um lanche, ele levanta a mão, traficante tá lá com o fuzil, ele fala: quer, mano? Eu quero ir na padaria ali comer. Vai lá, ele vai, come. Ah, por que que não acaba com a unidade de polícia pacificadora? Porque a maioria das unidades de polícia pacificadora fica por, fica em áreas dominadas pelo Comando Vermelho.

Se o Terceiro Comando vier invadir A briga não é só com o Comando Vermelho, é com o Estado também. Aí mantém esses policiais lá, você entendeu?

RVRogério Vilela

Para manter o território dos caras.

DPDel. Palumbo

E aí os cara perceberam, não é só droga que dá dinheiro. Você quer montar uma padaria lá? A farinha você vai comprar do trigo. Você quer comprar uma barbearia lá?

LBLeandro Basson

Legalizado.

DPDel. Palumbo

Você vai comprar a gilete lá. Você quer parar o teu caminhão aqui? 100 conto. Você quer parar o teu carro? 50 conto. Os cara tão deitando e rolando. Agora, num estado aonde a polícia tem que pedir permissão para o traficante entrar, já perdeu a soberania.

LBLeandro Basson

Eu tava assistindo aqui, Vilela, outro dia, você aqui tava, o Batata, respeito, achei legal. Ele tem rede social dele, falou do Rio de Janeiro e falou, é, mas lá tem que ser, mas eu respeito os policiais do outro estado que falam tal, tal, tal. Mas eu vou dar o recado, em São Paulo não chegou ao nível do Rio, desculpa. Porque lá eles ficam, a geografia é complicada, é diferente, mas muitos anos, muitos anos, a cultura, o Rio de Janeiro, ele foi deixando.

Aqui em São Paulo eu posso falar para você, porque em São Paulo a geografia, os cara não, a dar tiro, que ele deu exemplo de dar tiro, quando entra uma troca de tiro, a polícia entra na favela e lá toma tiro o dia inteiro. Depois que chega num certo ponto, se não mata no ninho, aí, gente, Mimimi do cacete, tá tudo bem. Se você não mata no ninho e vai onde que tem que ir, na ferida, a coisa cresce, gente. E aí fica difícil de conter mesmo.

E se você aí depois, ainda para ajudar o Rio, teve toda uma legislação que proibia você subir, você tinha que avisar para subir o morro e tal, né? Beleza. Então desculpa, gente, ó, eu tenho que chamar aqui o, para o meu lado aqui, porque eu sei que a Polícia de São Paulo, quando começa a crescer muito, vai para cima também, né?

DPDel. Palumbo

Não, aqui em São Paulo não tem local onde a polícia não entra.

LFLucas Ferrugem

Desculpa, meu, não tem controle territorial, não tem controle territorial.

DPDel. Palumbo

E aqui tem barricada, por exemplo, pegar uma viatura do GER, uma viatura do GAR, uma viatura do BAEP, eles entram em qualquer comunidade aqui. Sim, entre qualquer comunidade, qualquer lugar, qualquer lugar. Não tem local onde a polícia não tem barricada que nem lá. Não, até tem uns lugares, tem lugar que tem, mas eles entram. Até em Jundiaí tem barricada.

LBLeandro Basson

Eu tiro, eu tiro.

DPDel. Palumbo

Tipo, não, mas não é igual no Rio de Janeiro, né? O cara compra, você sabe por quê?

LBLeandro Basson

Porque enquanto o cara está fritando para colocar, que ele não coloca da noite para o dia. É, não é, a população tá, por mais que a gente fale, o pessoal que vive em comunidade, ele sabe que quando o cara começa a construir uma barricada, ele vai avisar. Pelo fato da polícia circular em todos os lugares, ela vai ver a barricada sendo construída, você entendeu? Não que tenha policial que não passe, não tira barricada. Tem São Paulo, tem no Rio, tem Los Angeles e Miami, tem qualquer lugar.

DPDel. Palumbo

Polícia.

LBLeandro Basson

Só que se você não agir rápido, a coisa cresce, domina, a coisa cresce, velho. Os cara tem fuzil lá desde a década de 80. Quando que você via no começo, quando você entrou na polícia, fuzil para polícia?

DPDel. Palumbo

Não tinha nem no grupo de operações especiais.

LBLeandro Basson

Então, aí, ladrão que tem em São Paulo com fuzil era pouco, cara, entendeu?

LFLucas Ferrugem

Isso aí eu chego, tento tirar uma conclusão aqui pensando em voz alta, cara. O Brasil, ele tortura o policial porque ele pega o cara e joga em guerra.

LBLeandro Basson

Guerra.

LFLucas Ferrugem

E ele joga em guerra, fala assim, ó, qual é a tua missão? Tua missão é ir lá combater os cara, fechou? Fechou, é minha missão. Valeu, tá aí, tá aqui teu salário para fazer isso aí. Tá bem, mas tá que nem o cara. Calma aí, calma aí, que agora eu vou brincar no jogo. Eu vou, pera aí, tira isso aqui dele, bota isso aqui, não sei o quê, bota essa nova lei aqui. Tu fica tipo o mesmo estado que paga a polícia com a missão de vai lá e defende, é o mesmo estado, é o mesmo estado.

Ele do outro lado fala assim, ó, Agora fode a polícia ali, sim, para não deixar eles fazerem.

DPDel. Palumbo

Agora solta o cara para pegar de volta. Bolete vencido no estado de São Paulo, é o mesmo estado que eu fui para o interior esse final de semana, vieram policiais de outras cidades. Eu não vou falar da onde que é porque senão vão foder o oficial que veio falar comigo, que não dá botas, gandolas e equipamento, farda para o policial há muitos anos. Eles vêm pedir, pelo amor de Deus, para mandar uma verba de emenda para comprar. É o mesmo estado que não oferece treinamento contínuo contra o crime, que o policial tem que treinar, mas ele não treina.

Que para quem não acredita em mim, chega para um policial civil do interior de São Paulo, no meio de São Paulo, e pergunta quando foi a última vez que ele treinou com munições ofertadas pelo estado. É o mesmo estado que depois se vangloria: olha, estamos abaixando os índices criminais, mas que deixa o policial à míngua. Que ferra o policial, que pune o policial, que ferra na corregedoria, que se ferra na audiência de custódia.

LFLucas Ferrugem

Cara, isso é de uma maldade institucional, entendeu?

DPDel. Palumbo

E ganhando um salário desse tamanho, desse tamanho. E aí fala: não, tem ação delegada que ele vai ganhar muito mais. Quando que o policial descansa? E a saúde mental desse policial, como fica? Você sabe qual que é a dor de você não ir no aniversário do seu filho de 2 anos? Eu sei qual que é a dor, porque Eu fui no aniversário do meu filho de 2 anos, mas tudo bem, pode ser filho de médico, filho de enfermeiro, é a mesma coisa. Só que a gente nunca teve na história aqui da— que pelo menos que eu me conheço como policial, você nunca teve uma escala digna.

Eu cheguei para o governador Tarcísio e falei assim: pelo amor de Deus, não tem cabimento. O cara quer ser sargento, o cara quer ser sargento no Estado de São Paulo e ele é cabo do HPM, Hospital da Polícia Militar. Ele é cabo da Polícia Militar e enfermeiro, mas ele quer ser sargento para ganhar uma merrequinha a mais. Aí vocês pegam esse cara, isso é caso real contado por um oficial médico, pega esse cara para fazer o curso de sargento, ele faz curso de sargento, em vez dele voltar, o cara, para o ambiente natural dele onde ele vai exercer um puta de um papel de enfermeiro como sargento enfermeiro, o cara joga o cara para comandar uma tropa.

Você mata o cara, velho, não precisa ser muito inteligente para entender isso. Aí eu falo, falei também, você pega um cabo que tá lá em Presidente Prudente, na puta que pariu, qualquer lugar, Ribeirão Preto, quero ser sargento para ganhar uma merrequinha a mais, faz um curso preparatório em São Paulo, fica um ano lá, você fode a vida do cara, você arrebenta com a vida do cara. A família dele tá lá, o biquinho dele tá lá, a vida dele tá lá, e o custo de vida de ser comparado Ribeirão Preto com São Paulo é muito maior São Paulo.

Para que fazer isso com o policial? Porque ele é militar, ele tem que ir para qualquer lugar. Pô, você não pode ajudar o cara, pelo amor de Deus? Parece que tem prazer em ficar fodendo a vida do coitado do praça, velho. É prazer de foder o cara. São regras que você poderia mudar. O cara é enfermeiro do HPM, ele fizer curso para sargento, ele não vai para rua. Você vai matar o cara, você vai tirar um bom enfermeiro e vai colocar um cara que não sabe mais comandar a tropa.

Ele sabe ser enfermeiro, porra. Mas é coisa tão simples, os cara não fazem. Escala de trabalho, que agora a gente conseguiu aprovar, já foi para o Senado. Pelo menos 12 por 48, 12 por 36, 12 por 36. O cara não tem um final de semana livre, velho, não tem um final de semana livre. Eu falei, governador, dá uma canetada, ajuda esses policiais, não precisa passar esse projeto em Brasília. Agora a gente conseguiu avançar. Eu sou um dos autores junto com Sargento Portugal, Faúr.

A gente tá lutando, mas pô, não faz, velho, não faz, velho. Parece que tem prazer. Ou a escala 12 por 36, 33, 36, é um lixo. O cara não tem, ou o cara trabalha no sábado ou o cara trabalha no domingo. Aí fica na dependência de folga. Então quer dizer, o salário de merda, pico, e uma escala de trabalho horrorosa, que se fosse na iniciativa privada era a Justiça do Trabalho, pau no empresário. Mas na polícia parece que pode tudo, inclusive isso daí, escala de trabalho desumana com policial.

LBLeandro Basson

Não, desculpa, de interromper.

RVRogério Vilela

Mas você viu, depois você vai ver jornalista comentando, falando assim: vocês não acham estranho? Morreram tantos bandidos e só 3 policiais. Você viu isso, né?

LBLeandro Basson

Aquela mina é louca, eu nem vou falar dela, da Amanda.

RVRogério Vilela

Desculpa, pessoal torce.

LFLucas Ferrugem

A letalidade policial no Brasil, ela é alta, mas tem que colocar o número dentro da proporção da guerra, que é o Brasil, ele tem 3% da população mundial e mata 10% dos assassinatos do mundo. Brasil é o país em número absoluto que mais mata. Atualmente, em per capita, é 14º, mas já foi bem pior também em per capita.

DPDel. Palumbo

Cara, mata porque tem bandido atirando na polícia.

LFLucas Ferrugem

E tu tá pegando, e tu tá pegando, não, e tu tá pegando uma execução, é troca de tiro. Tu tá botando guerra, cara. Isso aqui é uma situação de guerra. Vamos passar o dia inteiro aqui em guerra.

LBLeandro Basson

Sim, pô. Mas se a gente quiser, vamos, eu acho que é legal a gente pensar na solução, né, e usar um pouquinho lá de El Salvador. Será que a gente não pode entrar no estado de exceção, que todo mundo fala que só então A primeira ideia, que que é? Vamos, vamos colocar a polícia nos lugares, não é o primeiro plano dele? Ocupar lugares onde não tem polícia. Foi tentado já, né?

LFLucas Ferrugem

Os lugares que mais tem crime, bota a polícia.

?Voz B

Legal.

LBLeandro Basson

A segunda: vamos tirar as regalias das facções criminosas dos presídios e misturar os caras, não tem? Vamos tornar os caras terroristas, beleza? Beleza. Eu duvido se a gente não vai ter o problema que ele teve com o Judiciário lá.

LFLucas Ferrugem

Você acha?

DPDel. Palumbo

Vai ter, lógico que vai ter.

LBLeandro Basson

Ele não teve? Ele não chegou nesse ponto? Ele chegou sem fazer estado de exceção. No Brasil, quando a gente chegar, você pode ter certeza. Fala, Palumbo.

DPDel. Palumbo

No Rio de Janeiro, o juiz, o cara foi preso 80 vezes. 80.

LFLucas Ferrugem

Aí parece meme, piada.

DPDel. Palumbo

O juiz sentenciou, mandou soltar, perdão, dizendo que não tinha certeza que ele ia voltar a delinquir. Se o cara foi preso 80 vezes, significa que o Estado deu 79 chances para o cara se regenerar. O cara não quis se regenerar. Aí o juiz vai lá e solta com esse argumento, casado com aquela abençoada que falou que vê lógica no assalto, cara.

LFLucas Ferrugem

Mas não tem uma, não tem chance de já tá assim, tem corrupção, tem tudo, mas não tem chance também de já tá deixa todo mundo meio refém por causa do negócio é grande. Porque eu lembro, eu não vou lembrar os detalhes da história aqui, mas vou dar em highlights assim. Teve uma história que aconteceu, acho que ano passado, retrasado, aqui no Brasil, que basicamente o seguinte: um juiz foi lá e condenou um cara desse de facção à cadeia, sentenciou o cara, tá?

E aí meio que entrou com recurso, trocaram o juiz, pegaram umas férias dele. Eu não lembro os detalhes, mas eu sei que teve uma substituição burocrática ali para julgar o recurso, soltaram o cara. E mataram o juiz e a família. Eu li isso na CNN Brasil faz um ano, um ano e meio. E eu li esse negócio, falei assim, ó, olha a situação. O cara foi lá e falou assim, meu, vou cumprir meu dever, vou sentenciar o cara. Sentenciou. O sistema que era para dar retaguarda para ele fez uma manobra, trocou.

Os caras soltaram o cara, os cara voltaram e pegaram o cara que sentenciou. Aí tu olha um negócio desse, tu fala assim, ó, Cara, o incentivo de fazer o certo tá ruim, né?

DPDel. Palumbo

É, o cara fica com medo.

LFLucas Ferrugem

Então todo mundo tem medo, pô.

DPDel. Palumbo

O cara já foi preso, o cara matou um juiz.

LFLucas Ferrugem

Não, só um pouquinho, bota 3 filhos na tua casa, tudo bem.

DPDel. Palumbo

Sem rosto, não precisa saber quem sentenciou. Mas tudo bem, aí a gente vai partir para outro campo. Agora veja bem, a segurança pública ela se faz não é só com a polícia, é um legislativo que esteja todo mundo em comum acordo de tornar leis mais difíceis, mais pesadas. Para o bandido sem regalia, obrigar ele a trabalhar já quando ele é provisório, que ninguém tem que ficar sustentando vagabundo. Só o preso condenado que é obrigado a trabalhar.

O provisório não é obrigado, ele faz trabalho se quiser. Então já começa, você vai trabalhar, meu irmão, tu tá preso aqui, você vai pagar tua comida.

LFLucas Ferrugem

Um parênteses rápido aqui, quando a gente fez o filme de El Salvador lá, muita gente fica falando só de Secote, que é o presídio lá que os cara passa muito trabalho, mas esse presídio é para faccionado. Nos outros presídios, visitei outros presídios, É a galera trabalhando. Isso, tem que trabalhar. E tem regressão, isso é uma coisa que às vezes passa batido.

DPDel. Palumbo

Tem que trabalhar, isso é obrigatório.

LFLucas Ferrugem

E tem regressão de pena, eu falei, essa regressão de pena é maneira.

DPDel. Palumbo

1 por 3, 10 anos.

LFLucas Ferrugem

Explico o porquê. Não, porque primeiro assim, não vai ter, se o cara tomou, ah, roubei o Vilela, sou sócio do Vilela, roubei o Vilela, toma 14 de cadeia. Ah, eu fui aqui e matei o cara, toma 40 de cadeia. Então é essa a pena. Se tu trabalhar e for promovido e fizer tudo certinho, Porque é bem grande as empresas que os caras trabalham, tá? É tipo plantação grande, fábrica grande, os caras fazem imóvel de escola, pinta favela. Ótimo. É coisa pra caraca, tá? Cara, cada 3 dias de trabalho reduz 1.

RVRogério Vilela

Perfeito.

LFLucas Ferrugem

Um bom comportamento. Então, 3 dias de trabalho reduz 1 dia de pena. Ou seja, o cara pode tirar 1/3 da pena dele. Se o cara for promovido a uma espécie... Eles não chamam de gerente lá, o cara é o líder da fábrica. Cada 2, tira 1. O cara vai... Então, tu criou um incentivo.

DPDel. Palumbo

Ótimo.

LFLucas Ferrugem

E olha que loucura, tinha uns caras... Cara, são presos de menor periculosidade, então tem que entender isso, né? Não é faccionado, não é... Não é um criminoso semiaberto, cara. Chegou no final, tem um bem específico que era meio que o case deles, vitrine. Chega no final, era tipo uma fazenda de plantação para comida, essas coisas assim. O cara terminava o dia dele de trabalho, ele voltava sozinho para cela. O cara voltava sozinho, sabe por quê?

Porque ele tá lá 8 anos, ele tá no final da pena dele, ele tá de— ele vai correr o risco, cara.

?Voz B

Ele não.

LFLucas Ferrugem

E outra coisa, tá de diretor da fazenda, o cara aprendeu a trabalhar, o cara criou relação lá, não sei o quê. Policial tá tratando ele bem porque o cara, sei lá, foi ladrão, cara, beleza, tá 8 anos aí, tu vai sair daqui a pouco. E o cara tá voltando, o cara não quer confusão, o cara quer sair dali, tocar a vida dele. Falei, pô, tá aí, não é, não é reabilitação social que fala?

LBLeandro Basson

Sim, mas se ele sair, sabe, ele vai para o CECOT.

LFLucas Ferrugem

Se ele virar faccionado, você tem para onde ir, por exemplo.

LBLeandro Basson

Qual que é a consequência disso aqui no Brasil?

LFLucas Ferrugem

O desincentivo ao crime é, cara, na real é o seguinte, né, meu, porque que o cara vai pensar 10 vezes entrar numa facção? Claro, por que que a gente não comete crime na vida? Só por 3 motivos. O primeiro deles é ético e moral. Isso aí vem através de educação, família, etc. e tal. Leva 25 anos para mudar, se tu quiser melhorar, se fizer tudo certo. Até nesses 25 anos, o que a gente faz? Sou super a favor, mas leva 25. O segundo é: qual é a chance de eu ser pego?

E o terceiro é: o quão ruim é ser pego? Se não for muito ruim ser pego e a chance de ser pego for muito baixa, e a minha moral não vetar, cara, o cara não tem medo da punição.

DPDel. Palumbo

Cadeia foi feita para punir. E aí, se ele quiser se regenerar, ele vai se regenerar. Agora, aqui no Brasil, cara, é audiência de custódia. 40% vai embora, 40%. Progressão de regime.

RVRogério Vilela

O cara que metralhou o pessoal no cinema tá na rua. Pois é, eu tenho uma cinema num shopping passeando.

DPDel. Palumbo

Olha para você, entrou no shopping, não conhecia ninguém, com uma metralhadora saiu atirando. A progressão de pena, a a progressão de pena. Eu tenho uma proposta de emenda constitucional, somente em caso de crimes hediondos. Eu nem coloquei, eu nem coloquei outro crime porque eu sei que não ia passar de jeito nenhum. E muita gente fala que é inconstitucional. Vamos lá, cometeu crime hediondo, você pegou 40 anos, você vai cumprir 40 anos.

Crimes hediondos, crime gravíssimo. E aí eu vejo parte da esquerda, a maioria deles, falando que tem que acabar com contra o feminicídio, que nesse país aqui 4 pessoas morrem, 4 mulheres morrem por dia. De cada 5 medidas protetivas, um arranca a tornozeleira, vai lá e mata a mulher. Não tem nenhuma assinatura do PT e do PSOL. Então eles não defendem as mulheres, eles defendem da boca para fora. E eu fui conversar com um por um lá, eu não tenho problema de conversar com ninguém.

Eu falei assim, meu, assina isso para mim. Eu fui pedir para um vereador que foi que eu paro um deputado federal que foi vereador comigo aqui, do PT. Ele falou assim: você dá sua palavra que você não conta para ninguém se eu falar por que que eu não vou assinar? Dei minha palavra para ele, e não vou falar o nome, que eu dei minha palavra, eu vou cumprir. Ele falou assim: eu não posso ir contra o meu eleitorado. É, cara, é isso que a gente passa lá.

Então o cara grita que defende as mulheres, aí quando você tem um projeto para ferrar, inclusive esse feminicida, O cara não volta. O cara mata uma mulher com 22 anos, ele pega 40, não vai pegar 40, já começa por aí. Ele vai sair com 30 anos, vai pegar 8, 10, 12 anos, vai cumprir, vai para rua. 30 anos, moleque novo, ele vai arrumar outra namorada e vai matar novamente. Agora, se ele soubesse, puta, eu vou ficar preso 50 anos, meu irmão, não faz.

LFLucas Ferrugem

Eu vou sair da cadeia, a chance de ser preso é 90%, não precisa nem ser 100%. A chance de ser preso menos 90% no Brasil, aqui 30%, é o subsídio, né?

DPDel. Palumbo

Agora, é, não, não é baixo. Sabe por que que é baixo? Se você for nas delegacias agora de São Paulo, agora, 8:44, Perdizes, área nobre, fechado. Lapa, área nobre, fechada. 4º DP, centro de São Paulo, do lado da Augusta, fechado. Posso dar outros exemplos para você? Não tem policial nem para fazer BO. Não tem policial para fazer BO. Pô, mas a gente tá abrindo um monte de concurso. Não adianta você abrir concurso e pagar uma merreca, porque se você abre concurso como teve para delegado de polícia de R$530, R$540, vai embora na academia para ser delegado no Paraná, no Rio de Janeiro, que ganha mais, no Mato Grosso, que ganha mais.

O cara não fica aqui. Então você investe no cara, faz academia, faz concurso. Soldado da Polícia Militar O cara falou, vou ganhar 5 conto.

LBLeandro Basson

5 no começo não é 5, né? Na academia, 6, 8,5.

DPDel. Palumbo

Vocês vai para depois passar tudo que passa. Aí o cara vê lá, pô, meu, eu vou ser assessor do Basson lá de vereança lá que eu vou ganhar 10, que o cara vai embora. O cara não fica, sai fora. Ele vai embora. Você tem que pagar bem o policial e dar uma escala de trabalho decente. Eu lembro que você não tem nem escala, nem salário, nem nada.

LFLucas Ferrugem

2017, em Porto Alegre, a gente tava no escritório trabalhando e roubaram uma moto do Felipe, meu sócio. E a gente viu os cara roubar porque dava para avenida. E aí deu um barulhão, os cara encostaram uma Kombi e meteram a moto para dentro. E a gente viu aquela porra e o Felipe saiu correndo atrás. E cara, pegaram o cara tipo na outra quadra ali, não foi nem a gente que chamou, não foi ele que chamou, pegaram o cara, sentiram que tinha coisa estranha.

Isso, pegou a PM, pegou o cara. Aí levou, entregou a moto para o canto ali, levou o Felipe para o canto e falou assim, ó, E aí, vai querer dar parte? E aí o Felipe, é, em dúvida, né? Tipo, o que você acha?

DPDel. Palumbo

Não devia nem perguntar, né?

LFLucas Ferrugem

Cara, mas eu acho que eu vou até te falar, o cara tava dando a dica na moral. O que que você acha? Não sei o quê. Olha a frase do cara, porra, Brasil é muito maravilhoso, cara. Olhou e falou assim, ó, eles vão sair antes da gente de lá da delegacia, cara.

RVRogério Vilela

Os cara vão sair antes da gente, vão estar preenchendo papel, os cara já estão na rua.

DPDel. Palumbo

Mas por que isso? Porque o Executivo com bons policiais, bons salários, polícia enérgica, firme e legalista, perfeito. Vai para o Judiciário, o juiz não pode dar um cafezinho para o ladrão, mandar servir, e uma jaquetinha. Já começa por aí. Ou outro soltar com 79 passagens, o cara soltar porque ele tem livre-arbítrio, discricionariedade para fundamentar. E aí fica difícil. Executivo, Judiciário e Legislativo. Se não tivesse esses três unidos, filho, A gente vai passar 40 anos, você vai estar com 60 aqui, eu vou estar com 110, e a gente vai estar discutindo isso aqui.

LFLucas Ferrugem

A gente fica investigando esses negócios lá porque tem que ter uma saída que não destrua o país. Tem que ter, cara, tem que ter. Então, mas aí o remédio que a gente falou, só o crime tá seguro no Brasil? Todo mundo não tá seguro? Só o crime tá seguro? Tem que ter uma saída.

LBLeandro Basson

Pergunta para a mocinha que morava na favela no El Salvador, aquela que tomou no busão um monte de tiro, o que que ela fala?

RVRogério Vilela

É que parte dos políticos faz pensa que é a classe rica que tá sofrendo, e não. A classe rica tem dinheiro mais para comprar carro blindado, para ter segurança, condomínio. É a mulher que comprou um celular em 12 prestações e perdeu, que comprou alguma coisa para filha e perdeu, cara. O pessoal não entende, que é por isso que eles estão perdendo voto.

DPDel. Palumbo

Exatamente isso, isso mesmo, exatamente. Quem que se roubarem o celular de todo mundo aqui, ó, você compra outro, nós vamos comprar outro. Agora, e se roubarem da dona Margarida que tá, é, trabalhou como diarista e que depois um parcelamento de 10 meses para comprar? Quem vai sofrer mais?

RVRogério Vilela

Pois é.

LBLeandro Basson

Não, e aí a gente fala assim, depois de tudo, de tudo que a gente falou, e o cara conseguiu pegar regime fechado, pô, ele conseguiu tá no fechado. Ele na vida dele, ele recolheu 2 aninhos de INSS. Legal, ele tem direito ao auxílio-reclusão, meu amigo. Você que é pior pena, o regime fechado, ele tem direito a R$1.500. Não ele, a família. Então ele tá preso no pior crime, no fechado, ele tem direito a R$1.500 do Estado, né? Ele não trabalha porque, como disse o Palomba, ele tem que trabalhar, devia pagar sua pena, para ressarcir a vítima, para tudo.

Não, ele ainda ganha um pau e meio, e se tiver filho, mais uns 300. Beleza? Aí o pessoal fala assim para mim, mas é a família que ganha. Mas pera aí, cara, e aí, cara? E aí você tá entendendo onde a gente tá indo? Eu sou a favor do estado de exceção, eu sou a favor.

LFLucas Ferrugem

É senso de proporção, cara. Eu não tenho nenhum problema se, sei lá, a Suécia resolver pagar o auxílio-reclusão para família do preso, porque tá tudo resolvido. E pô, às vezes o cara engana a família, a família, a mulher escolheu errado o cara, como é que vai cuidar da criança? Porra, é o problema da Suécia, entendeu? Mas aqui, cara, aqui não dá, aqui não é nosso problema, né? Metade do país sem saneamento básico, homicídio para cacete, não sei o quê, tal, tal, tal, tal, tal, tal. Não dá para começar por aí a solução das coisas, entendeu?

LBLeandro Basson

Tem 5 refeições aqui, pô, é um resort, é um resort, é um resort. O cara tem 5 refeições, tem um banho de sol, direito à educação física, ele pode ler, cara, é um resort, ele tem livros, ele pede reduz a pena.

DPDel. Palumbo

Então, pô, qual brasileiro que tem tempo para ficar lendo livro? Trabalhador assalariado, pelo amor de Deus.

LBLeandro Basson

Por isso que eu, eu sou a favor da exceção. Bukele, gente boa, porque nem proteína ele dá. Por que que ele não dá proteína? Você sabe que ele não dá. Conta para nós aqui hoje.

LFLucas Ferrugem

Eu tenho duas respostas, né? Quando eu tava no sequestro lá no documento, tá lá no documentário essa cena, e o cara fala que eles não comem proteína, né? Na verdade, o cara me mostra a comida dos cara e é arroz, feijão e não sei o quê. Eu falo: e carne, né, e proteína? Não, não come. Por que não? Aí o cara me respondeu uma off record, eu botei as duas no filme. E outra dentro, aí ele falou assim, ó: não, a justificativa que ele me deu, aquele não, primeiro ele me deu de bate-pronto.

Falei: e carne não come? Ele me olhou e falou: para quê, para ficar forte? Aí eu fiquei olhando para ele, eu não ri muito assim, eu fiquei olhando, eu fiquei olhando para ele.

RVRogério Vilela

Eu sei, você sabe, mas você falou isso mesmo.

LFLucas Ferrugem

Eu escutei, eu fiquei meio que olhando para ele assim. Aí ele voltou: não, a resposta oficial é a seguinte.

LBLeandro Basson

Ele mudou, o cara teve que mudar, né?

RVRogério Vilela

Porque é tão óbvio, né?

LFLucas Ferrugem

A resposta oficial é o seguinte, mas também faz sentido: quando todo cidadão de El Salvador comer carne todos os dias, quantas vezes quiser, aí a gente vai pensar em mandar carne para o presídio.

LBLeandro Basson

Perfeito.

LFLucas Ferrugem

Eu falei: olha, as duas fazem algum sentido, né?

LBLeandro Basson

Então Essa que é a diferença aqui, cara. O cara come bem melhor que eu e você, para lá.

DPDel. Palumbo

A gente acompanha o trabalho da Polícia Civil lá de Ribeirão Preto. Prenderam um menor, o cara chegou e falou para mim: agora eu vou engordar na cadeia e vou jogar bola. Eu vi esse vídeo aí. Não, eu lá vou comer 7 vezes por dia, vou engordar, vou jogar bola, mas vou ficar fortão, depois eu saio.

LFLucas Ferrugem

Vocês devem saber falar melhor, né, mas pela, pelo que eu já ouvi falar e tal, o problema às vezes é que o cara vê até como uma profissionalização dele na carreira aí para cadeia. Porque ele pode conviver com os cara da facção que ele é parte. Às vezes o cara, tentando usar o linguajar dos cara aqui, às vezes o cara não tem contexto suficiente, só que lá dentro ele pega contexto com os cara, ele aprende mais, ele anda junto e sai maior do que entrou.

DPDel. Palumbo

Sim, sim, aqui no Brasil qualquer ladrãozinho pé de chinelo fala que é do PCC, diferente de El Salvador, porque o cara se fode. E lá a própria facção já mata, né? Isso. Agora aqui não, é porque você perde o pé de chinelo, não é bosta nenhuma.

LFLucas Ferrugem

O cara em El Salvador tinha que andar tatuado para mostrar que era da facção, e se fizesse a tatuagem sem ser da facção ia morrer.

LBLeandro Basson

Mas, por exemplo, salvo engano, se eu errar, lá, pelo fato dos caras saírem, entrarem, como tinha aqui no Brasil, eles tinham orgulho. Porque no Brasil o cara chega na hora que foi ladrão, você é do quê? Ah, eu sou. Que cadeia você vai?

DPDel. Palumbo

Aí eu já dá matrícula dele, ele não sabe a RG dele, mas sabe a matrícula da cadeia.

LBLeandro Basson

Eu sou do primeiro comando. Então você vai para cadeia do primeiro comando. Lá o cara falou isso no começo, então eles ficaram todos classificados nas facções. Quando veio exceção, que eles prenderam 40, que teve só 150 que reagiu, que foi para o saco, não é isso? Eles já estavam identificados, comandado de prisão, porque tinham assinado esse BO. E aqui, aqui o cara já assinou o BO. Por que que o cara fala assim, ó, eu sou do, da facção tal, eu sou da facção tal?

Ele já assinou o BO. Quando ele tá no presídio, que só entra primeiro comando da capital e não morreu, Eles assinou que ela é da facção, você entendeu? E por quê, gente? Vamos falar, a gente tem que resolver isso aqui. Nós 4 temos Ferrugem, Vilela e Palumbo. Se a gente fosse resolver hoje, qual seria o que a gente tinha que resolver? Tem camadas: Executivo, Judiciário, Legislativo, e tem nós. Tem que mexer na estrutura inteira, mas não podemos começar o plano de baixo entrando nas cadeias, fazendo isso, misturando os caras do comando, identificando todo quem é de fascinação.

E se possível, que o Palumbo tenta, ele é um dos únicos que tenta mudar as leis ali para ferrar os caras, e vai ser difícil passar. Mas quem for considerado faccionado, pegar pena máxima, não ter direito a saidinha, não ter direito.

DPDel. Palumbo

Já acabou, né? Mas a progressão de regime é fundamental que acabe com isso, né? O mais rápido possível. Não, mas tudo bem, não tem que ser mais faccionar. Não precisa ser faccionado. O cara que rouba um celular, ele pega uma pena de 10 anos, ele tem que entender que ele vai ficar 10 anos, porque senão o cara vai, ah, vou ficar só 2 e 4, fiquei 2 e 4. Porra, meu, 2 e 4.

RVRogério Vilela

Eu queria só voltar para El Salvador, que ficou faltando umas questões. O lance das tatuagens lá, lembra que ficou, se falava que o cara tem a tatuagem de facção, já ia preso?

LFLucas Ferrugem

É real isso daí, ou, cara, é que acontece lá para Tinha duas grandes facções, que era Mara Salvatrucha, MS-13 e Bairro 18. Tinha duas grandes facções. As duas eram identificadas por tatuagem, bem aquelas tatuagens GTA San Andreas, sabe? Bem aquelas tatuagens bem agressivas mesmo. Tinha maluco que botava na cara de tão autoconfiante que tava, mas a maioria botava peito, barriga e tal, grandona. E tá escrito o nome da facção: B-18, MS-13.

Isso eles chamavam de plaqueta. Para ser plaquetado, tinha cada uma das duas grandes facções tinha uma série de rituais. Em geral era matar um cara durante um tempo. Na Bairro 18 foi matar 3 caras que a facção mandasse fazer o pacto de sangue ali, tomar 18 segundos de surra da liderança. Uma era 13 segundos, a outra era 18 segundos. O cara jogava no chão e te chutava para caramba para mostrar que tu aguenta e faz o ritual. E aí tu passava todo esse ritualzinho aí, tu ganhava a tatuagem da facção, pode fazer a tatuagem da facção.

Se tu não fizesse a tatuagem da facção, se tu fizesse tatuagem da facção e tu não tivesse participado disso, isso, tu ia tomar, a facção ia te matar, certo? Porque tu tá desonrando a facção ali, etc. e tal. Só que, pô, convenhamos, isso deu uma facilitada para os cara quando quiseram prender. Quando eu fui para El Salvador, eu tenho uma tatuagem, né? Quando eu fui para El Salvador, eu fiquei já, pera aí, onde é que eu— não, nada a ver.

LBLeandro Basson

Em vez de SMS, não é CV não.

LFLucas Ferrugem

E aí, quando eu desci lá, eu pensei assim, esse papo aí, porque eu tava filhando matéria, né, bem grande aqui. Eu fui estudando, eu fui estudando, me informando. E aí eu vi assim, ó, pô, porque autorizou prender por tatuagem. Falei, pô, só o que me faltava. Não, não cheguei a ficar com medo, mas achei, pô, estranho isso aí, né, cara. Desci, aí já no aeroporto vi um monte de gente tatuada. Falei, ué, tá todo mundo tatuado na rua, que que tá acontecendo?

Aí eu fui entender melhor, né, porque, pô, o jeito que as notícias chegam às vezes, então prendendo em El Salvador porque tu tem tatuagem, essa É o meme, né? Não, cara, é assim, ó, é uma tatuagem bem específica. Eu vi os malucos com a tatuagem, não deixa muita dúvida do que que tu tá falando, tá? É a tatuagem que é plaqueta da facção. E aí o que ele botou, uma lei junto com esse estado de exceção dizendo, ó, se tu tiver tatuado pela facção, só a tatuagem já é um crime em si mesmo, 20 anos de cadeia.

?Voz B

Porra!

LFLucas Ferrugem

Ah, mas e se tu matou? Bom, é um segundo crime, vamos começar pelo da tatuagem. Que é: tu não pode ser parte de uma facção criminosa. Então ele arranca, arranca em 20. Então 20 por causa da tatuagem. A gente sabe que tu matou, então toma mais 40. Os cara me chamaram, a gente botou no filme lá, tá no YouTube de graça para quem quiser ver. Esse aqui, 800 anos de cadeia, não vai retroagir nenhum dia. Esse aqui tá com 500, ó. Se ler muito livro vai ficar mais culto.

Então, pô, cara, mas é retrato de uma sociedade. De novo, quando deixa a situação ir muito longe, acontece esse tipo de coisa, cara. Por que que o cara aqui tá esbravejando de raiva do crime? Porque tem que ter no Brasil, não tem o que fazer. O cara tá numa situação absurda. Se tu deixa a situação chegar tão longe, chega uma hora, cara, que a civilização quer qualquer coisa extrema para resolver esse negócio, desde que resolva, entendeu?

E se a gente deixar chegar mais longe, por exemplo, ah, mas essas medidas para resolver o crime, elas são elas têm muito risco democrático. É uma objeção que pode se ter frequentemente. Beleza, então vamos sentar o mais rápido possível, urgente, todo mundo junto com uma pauta em comum de resolver o crime e tentar. Ah, não é possível. Beleza, então o crime vai continuar piorando, a população vai querer um negócio mais radical ainda, porque a população não vai parar de querer que resolva o crime, cara.

População não vai parar de querer. Quanto mais tempo demorar para a gente sentar, se acertar e começar a resolver, mais o apetite ao radicalismo vai crescer. Não tem como fugir dessa fórmula, entendeu? Porque, cara, como é que tu explica para o cara ali que tá sendo roubado que não é para ser radical? Com a mulher empregada doméstica, um caso que eu conheço, empregada doméstica que pararam ela na parada de ônibus. Ela tá 6 da manhã indo para fazer faxina, pararam na parada de ônibus, roubaram aliança de casamento dela.

LBLeandro Basson

Ainda que ela sobreviveu, entendeu?

LFLucas Ferrugem

Empregada doméstica, cara, tá na parada de ônibus numa periferia, cara, indo uma hora de ônibus para ir trabalhar. O maluco Não para, me dá dor de cabeça.

DPDel. Palumbo

Morador de periferia, de quebrada, não gosta de bandido. Aonde eu fui mais votado: Brasilândia, Capão Redondo, Jardim Ângela, Cidade Tiradentes, tudo quebrada. Onde eu fui menos votado: Jardins, Pinheiros. Eles não gostam de bandido.

?Voz B

Por quê?

DPDel. Palumbo

Porque a maioria é gente do bem. Aí você rouba uma mulher dessa aí que tá com celularzinho lá parcelado em 10 vezes, roba aliança.

LBLeandro Basson

Então, mas e agora começaram a matar por causa de uma aliança, né?

DPDel. Palumbo

O cara tá cuspindo na mão das— porque não sai aliança, eles cospem na mão. Deram um pau numa médica, chutaram a costela dela, não saía aliança, começaram a chutar a costela dela.

LBLeandro Basson

Aí eu pergunto, o pessoal de El Salvador lá, né, a economia não vai bem, mas não ia bem com violência. Agora é que eu tô dizendo, é melhorou, né? É Só nós aqui, a satiazinha do ponto de ônibus.

LFLucas Ferrugem

Essa não é exatamente a pauta do nosso filme lá, mas claro que a gente acabou ouvindo. Falei com o ministro da Economia e tudo mais, cara. Isso tem uma lógica, é o seguinte, ó, é as coisas primeiro. Lembra que eu falei do buquê lá no começo, né? As coisas primeiro, primeiro. As pessoas estão morrendo, não pode morrer. As pessoas estão sendo assaltadas, não pode assaltar. Resolvemos isso aqui, cara. Tá bom. Educação, tem que focar em educação porque educação tá muito ruim.

Ele falou assim, não, não vai ter economia daqui a muito tempo também. Então agora ele tá muito focado nas crianças, e tudo mais. E assim vai indo, entendeu? Ele tenta dar umas tacadas, tipo fazer a Ilha do Bitcoin, tenta fazer uns negócios diferentão assim para chamar atenção.

DPDel. Palumbo

Você se sentiu seguro lá?

LFLucas Ferrugem

100%, não tem como.

DPDel. Palumbo

É isso, não tem preço.

LFLucas Ferrugem

Tava com as Arri Alexa, as câmeras, Arri Alexa ali, cara, para caramba, tudo junta, tudo centenas de milhares de dólares em equipamento, né? Porque são vários kits de câmera e tal, cara. Andando de noite em favela para filmar.

DPDel. Palumbo

Você se sente seguro em São Paulo?

RVRogério Vilela

Não, tive na China, o lugar que eu mais me senti seguro foi na China.

LFLucas Ferrugem

E é um alívio andar no lugar seguro.

DPDel. Palumbo

Nossa, cara, é um alívio você andar, pegar um celular e fazer uma selfie. No meu bairro tem muito, no meu bairro, perdi, tem muito ladrão de celular.

RVRogério Vilela

Na Paulista, muito ladrão pegando.

DPDel. Palumbo

E aí eu vi os moleque de bicicleta, um cavalão, ele tava procurando alguém para roubar. Eu tava atravessando para entrar no Shopping Bourbon, eu fiz assim para ele, ó.

LBLeandro Basson

Vem buscar, filho, vem buscar.

DPDel. Palumbo

Ele olhou, ele me reconheceu, fez assim, ó, vai tomar chumbo, né, velho? Não veio. Quer dizer, eles ficam o tempo todo porque sabe que vai sair na audiência de custódia, vai sair. O cara que toma o celular de alguém, ele vai sair na audiência de custódia. Agora você pega um cavalo desse que rouba o celular, deixa o cara preso, obriga ele a trabalhar já como preso provisório, o cara, o quê, meu? Cadeia ruim demais. Agora o cara vai lá, come 5 refeições por dia, sai na audiência de custódia, sai rapidamente, ele sai com currículo. Ah, eu sou, eu já tenho passagem, caramba! Ele faz do crime uma profissão.

LBLeandro Basson

Ele faz. Hoje a gente tava falando aqui, a gente pode entrar no assunto que vai, o que que são os dependentes químicos que furta e rouba para manter o vício, que aumenta muito os índices penais daqui. Tem muita gente que é furtada e roubada por dependente químico, tá? Aí no Brasil você também não pode fazer internação compulsória, que você vai contra os direitos humanos. Aí ele tem direito de fazer. Então no Brasil você pode ser roubado, você pode ser assaltado, você pode consumir droga, você pode fazer tudo, você pode fazer tudo, mas tentar tratar, tentar cuidar, não pode.

Então você não pode ter internação compulsória para cuidar desses caras e diminuir o crime. Você não pode fazer o cara puxar de ponta a ponta a pena dele, não pode. Você não pode meter, acabar com as facções e soltar a cadeia para todo mundo, não pode. Você não pode incentivos para quem tá preso, auxílio-reclusão, vai, vamos falar audiência de custódia, não pode. Agora você pode dar Bolsa Família para morador de rua, você entendeu?

A gente sai da segurança, vai para o assistencialismo, tá? E a que ponto que a gente chega no Brasil hoje? Nada pode e pode tudo de um certo lado. Então, para o lado do cara que é ruim, que tá na correria, pode. Por causa de bem, não pode.

DPDel. Palumbo

Você conhece bem São Paulo?

LFLucas Ferrugem

Acho que sim. A Boca das Motos ali, não sou paulista.

DPDel. Palumbo

Boca das Motos, centro de São Paulo.

LFLucas Ferrugem

Não sei.

DPDel. Palumbo

Centro de São Paulo é um monte de loja, não são todos que vende peças de motos roubadas, que não tem identificação, mas a gente sabe que é roubado. Não são todos comerciantes. Aí vira e mexe a polícia vai lá. E uma grande frustração minha quando eu tava na polícia, que eu combati muito desmanche, fechava a loja, mandava o cara para cadeia por receptação. Ou roubo, no outro dia a loja tava aberta. Eu falei, não é possível um negócio desse.

No outro dia a loja aberta com as mesmas peças. Em vez de ter tolerância zero, arrancar todas aquelas peças de moto, não, deixava lá. Como vereador eu fiz a mesma coisa, a gente ia lá, identificava as lojas, cana. Agora como deputado federal fiz duas vezes. Eles, o Detran vai, fecha a loja, põe barricadas lá de concreto Loja lacrada, escreve na porta loja lacrada pelo Detran. Cara, eu passo com a minha equipe lá, a gente fala que tá funcionando.

Os cara mixa a porta, pega a loja do lado, enfia um monte de peça roubada e sai vendendo. Por quê? Porque não tem a tolerância zero. Se o Detran fiscalizasse, todo mundo fiscalizasse, no centro de São Paulo já teria acabado. Mas ninguém fiscaliza. Então isso é uma vergonha, são peças manchadas de sangue lá. Detran, pelo amor de Deus, eu tô mostrando para vocês como deputado federal, fui duas vezes lá junto com a polícia, prendi.

Vocês põem um negócio de concreto lá, depois vocês deixam para lá e os cara faz vocês de otário. Ou não, né? Será que— não sei o que que tá por trás disso. Quer dizer, até sei o que tá por trás disso, mas pelo amor de Deus, pô.

RVRogério Vilela

O Ferrugem tem que sair. Tem alguma pergunta para ele para responder rapidinho e ele já se despedir? Temos também, me falaram.

LFLucas Ferrugem

Então eu tenho, trouxe presentes para vocês.

?Voz B

A Rosângela Gabriela, ela mandou o seguinte: durante a sua visita em El Salvador, teve alguma coisa que se assemelha com o Brasil? O que o Brasil poderia aprender com eles na questão de segurança?

LFLucas Ferrugem

Várias coisas, né? Primeira, mas a que mais me marcou foi a falta de esperança que eu vi que a população estava antes, que eu acho que tá muito parecido com o Brasil. Cada vez menos tem esperança que o negócio vai mudar, porque a gente já tá tentando bastante coisa, né? E aí, aí, cara, e vai, dessa vez vai, o Brasil vai ser o país do futuro, e não é o país do futuro. Aí agora fez o impeachment da Dilma, então vai dar certo, não deu certo.

Agora elogiou o Bolsonaro, Bolsonaro vai dar certo, não deu certo. Ó, voltou o Lula, puta merda, de repente o Lula era bom, não sei, não lembro direito, também não deu certo. Agora vai voltar, puta, o filho do cara, meu filho do cara, não sei o quê. Mas, cara, vai, vai cansando a população, diferente Tu pode me dizer, ah, mas que tu não tá vendo, cara, esquece a tua opinião, eu tô falando do fenômeno público geral. Então El Salvador tava assim, eu acho bem impressionante que tenha dado certo até aqui, né?

Importante, importante. Nunca sabemos o dia de amanhã. Recados aí, cara. Obrigado, prazer tá aqui. Eu sei que o Vilela é o especialista máximo do Brasil em cárcere privado.

RVRogério Vilela

É, eu tô achando que uma hora e meia só, ele arranjou alguma coisa para a gente.

LFLucas Ferrugem

Os meus sócios estão me cobrando aqui que eu tenho que correr para uma comemoração de 10 anos de aniversário da nossa empresa, da Brasil Paralelo. Quem quiser conhecer a Brasil Paralelo, tá aí no YouTube, no Instagram, em todas as redes sociais, brasilparalelo.co.br, onde você quiser você nos acha. São muitos.

DPDel. Palumbo

Festa?

RVRogério Vilela

Ele vai sair daqui para ir para festa?

LFLucas Ferrugem

Eu vou para uma live, velho.

RVRogério Vilela

Ah, tá.

LFLucas Ferrugem

Festa, a festa é vindoura, você tá convidado.

RVRogério Vilela

Vocês passou no horário de live, cara. Ah, cara, mas dá para terminar aí, dá para terminar aí para lá.

LFLucas Ferrugem

Claro, bora lá. Então a gente tá comemorando 10 anos de empresa, acabamos de lançar El Salvador. El Salvador é um desses conteúdos que a gente lança 100% gratuito. Então você pode ir lá no YouTube procurar El Salvador Brasil Paralelo e assistir gratuitamente toda a investigação que a gente fez lá, porque a gente entende que ajuda o Brasil saber tudo isso aí. E agora no final do mês estamos lançando outra totalmente gratuita, que é um diagnóstico sobre a situação da segurança pública no Brasil, Entre Lobos 2026.

São coisas gratuitas que você assiste na Brasil Paralelo. Então não tô nem pedindo venda. Se você depois gostar do conteúdo, se envolver, achar que o Brasil Paralelo faz sentido, vai conhecer. E eu tenho certeza que é o nosso único objetivo, é melhorar o debate, a cultura brasileira com tudo isso aí, tá? Não, não temos candidato, não temos patrocinadores, não temos o cara que tá pagando a conta. A gente só tá tentando entender o que acontece.

Muita gente me pergunta, mas afinal, o que que tu acha desse negócio do Bukele? Não sei, cara, não me importo com Bukele também, não me importo, não me importo com nada disso. Eu só quero saber, ó, isso aqui funciona, isso aqui é meio polêmico, Isso aqui dá errado, isso aqui só tô tentando entender as coisas que pode ser aplicado, cara. Pode isso. E aí, e o nosso filme lá bota lá todas as complicações que tem para fazer isso aí.

Não é um troço copy-paste, vai que dá. Não, não é assim. Mas tanta desesperança, tem um cara que resolveu em 6 anos esse negócio. É bem interessante a gente estudar isso aí, saber o que que a gente quer, que que a gente não quer, como a gente quer. Valeu, muito obrigado, prazer estar aqui com você. Sempre bom ouvir quem tem experiência real, porque a gente fica atrás da mesa.

RVRogério Vilela

Volte, te encontro lá então. Depois da festa eu passo lá.

LFLucas Ferrugem

E para fechar, eu trouxe um presentinho aí para vocês.

RVRogério Vilela

Boa!

LFLucas Ferrugem

Aí, ó, para honrar a presença dos meus amigos queridos aqui.

DPDel. Palumbo

Obrigado, muito obrigado.

RVRogério Vilela

Aqui, olha aqui.

LFLucas Ferrugem

Fechou, pessoal, valeu, muito obrigado, hein?

?Voz B

Tchau, viu?

RVRogério Vilela

Valeu, vai lá, aproveita que eu tenho que ir ao banheiro também. Manda uma pergunta para o pessoal enquanto isso, Romero.

?Voz B

Vamos lá, tem a pergunta aqui do Duque Biscoito de Barangalha. Ele mandou o seguinte: retomar o pacote anticrime em sua integralidade seria um ponto favorável ao sistema de segurança?

LBLeandro Basson

Você?

DPDel. Palumbo

Eu acho que tudo que for para prejudicar a vida de bandido é válido. O problema é que este governo federal infelizmente não quer isso. Eles combatem o crime só da boca para fora, eles não desejam que bandido realmente perca benefício. Eles falam uma coisa e acabam fazendo outra. Tanto é que o presidente atual, ele vetou o fim da saidinha, aí voltou para o Congresso, nós conseguimos derrubar este veto. Ele colocou facção privilegiada para tentar não prejudicar a vida de faccionado.

Depois também foi derrubado no Congresso nacional. Então agora, às vésperas das eleições, ele fala que tá combatendo o crime. Outro dia eu fiquei até revoltado que eu vi numa propaganda eleitoral do governo federal falando sobre que é um governo que combate as facções. Eu falei: aonde que ele combate? Ficou mais de 10 anos no poder, retomou agora, nunca combateu, nunca quis combater, né? Sempre foi favorável a bandidos. Foi aplaudido na cadeia quando ele votou ao poder, né?

Então a gente vê que, como a segurança é um dos calcanhares de Aquiles dele, ele tá falando que vai combater, mas ele não quer combater, nunca quis, e na minha opinião, opinião, nunca vai querer.

?Voz B

O João Pedro da Silva, ele mandou o seguinte: hoje eu tenho muito medo de ser assaltado. Como a gente esse ponto do cidadão se sentir cada vez mais vulnerável?

RVRogério Vilela

Quem não tem?

LBLeandro Basson

Por causa do enfraquecimento tanto das forças de segurança, as leis elas ficaram brandas, todo esse mimimi que a gente vive de direitos humanos, que na verdade é só para beneficiar os vagabundos. Essa que é a verdade. Qual que é o interesse de beneficiar vagabundo? Eu não vou falar de A e B, não tenho político de estimação, mas é da esquerda. A esquerda vive de assistencialismo, vive da proteção de vagabundo. A gente chegou no ponto por causa disso.

Hoje a polícia não pode fazer nada, irmão. Tudo que ela fizer vai sobrar. Eu falo por mim mesmo, trabalhei 28, trabalho na polícia 28 anos. Eu já fui para corregedoria, já fui eu para corregedoria, meu pai, minha mãe, minha mulher, Todo mundo já foi para corregedoria, fora as perseguições internas, né? Nossa, é terrível!

DPDel. Palumbo

Vocês, a sua população não imagina o que que os policiais passam com chefes. Não são líderes, são chefes. Além disso, tem que lutar contra isso também, né? O Basson recentemente tava sendo perseguido lá em Jundiaí. Sim, é um absurdo atrás do outro. Aí muitos policiais são perseguidos por chefes, e quem trabalha, líderes, né? Gente que nunca prendeu nem o dedo na porta.

LBLeandro Basson

Não, que não sabe nem, caga um regra o tempo todo e não deixa o policial trabalhar, e não sabe nem o calor da rua, né?

DPDel. Palumbo

Nunca prenderam nem o dedo na porta.

LBLeandro Basson

Então, enfraqueceram as forças de segurança, as leis são brandas, é só regalia para vagabundo, incentivo para o cara continuar no crime. E é isso aí, ó, quem tá financiando tudo hoje, tem muita gente séria na polícia também, né, que é da Polícia Federal, tá identificando aí. É só ir na Faria Lima lá, que a cada 3 escritórios um é dos caras do primeiro comando.

?Voz B

Tem uma pergunta aqui do Jesus Cristo Santo Santo.

LBLeandro Basson

Glória a Deus, irmão!

?Voz B

Pois é, ele mandou a seguinte pergunta: por que não tem o número de WhatsApp da polícia para fazer denúncias?

DPDel. Palumbo

Porque tem o 90, tem o 81. Isso, você pode fazer pelo 181. E muita gente, algumas delegacias usam WhatsApp lá na Diz de Ribeirão Preto, que é a delegacia que combate o tráfico de drogas. Eles acabam utilizando este número porque é específico para combater o tráfico de drogas. Aliás, um abraço para o meu amigo Eduardo Martinez, um grande amigo meu de infância, delegado de polícia lá de Ribeirão Preto.

LBLeandro Basson

E tem online, né, Palomo, também, né?

DPDel. Palumbo

Sim, você pode fazer a denúncia por 181, é segura, você não precisa se identificar, entendeu? Você pode fazer essa denúncia com segurança total porque ninguém vai te identificar.

?Voz B

Tem a pergunta aqui da Marília Teodoro Brás, ela tá perguntando por que não temos leis mais rígidas contra os jovens infratores que fazem tantas atrocidades e nunca ficam presos?

LBLeandro Basson

Que a gente falou, né, a fim da maioridade penal, né, redução da maioridade penal. Você é a favor disso, Paloma?

DPDel. Palumbo

Também sou a favor de reduzir a maioridade penal, colocar esses menores para trabalharem, né. Eu tenho até um projeto, né, porque é tão difícil diminuir a maioridade penal. Então tá bom ficar prendido 15 anos, porque no fundo é tudo cadeia, né. Mas é uma dificuldade tremenda para passar. Fiscalize o seu político, veja se ele fala uma coisa e vota outra, como eu falei aqui no começo do podcast, que a gente começa a melhorar um pouco esse sistema.

Tem muitos que sentam lá Eu me lembro uma entrevista que eu dei no programa Pânico. Ah, agora o Congresso é direito. Não se enganem, vai ter muita gente que vai se vender, como teve delegado, teve policial militar que se vendeu e se rendeu ao sistema, que chega pesado.

LBLeandro Basson

A molecada pode, 16 anos pode roubar, mas com 16 anos, coitadinha, não pode, pode votar. Com 16 anos pode votar, mas 16 anos não pode ir para cadeia porque não sabe o que faz. Então ele não pode escolher para escolher um governante, não pode se responsabilizar pelas leis criminais no Brasil. É isso, meu, é isso aí.

?Voz B

A Camila Rocha, ela mandou a seguinte pergunta: teve uma fala do presidente que ele falou que vai suspender o direito à reclusão. Se isso acontecer, vai ter alguma diferença no impacto da criminalidade?

DPDel. Palumbo

Eu acho que ela quiser auxílio-reclusão, né? Olha, eu tenho um projeto de lei para tornar o auxílio-reclusão auxílio-vítima. Ele não quer fazer isso. Se ele quisesse, já teria feito. Ele não quer fazer isso. Ele fala uma coisa que nós estamos às vésperas das eleições. Se quisesse, é só ele mandar um projeto de lei vindo do Executivo para Câmara dos Deputados, né, para o Congresso Nacional falar, porque eu tenho certeza que a direita vai apoiar em peso isso para acabar com auxílio. Mas ele não quer.

LBLeandro Basson

Vou fazer uma aposta aqui, Vilela, 500 pau, 500 pau, como ele até eleição dele não acaba com auxílio conclusão. Isso aí é só pauta de eleição dele. Quer apostar?

RVRogério Vilela

Ah, não aposto, mas vou ficar esperto.

LBLeandro Basson

Não, ele não vai, ele não vai acabar isso aí. Ele virou, ele virou agora o— ah, eu não posso.

DPDel. Palumbo

Agora ele virou o cara que combate o crime. É o Batman agora que quer combater o crime.

LBLeandro Basson

Que papo furado! Ô Lula, cai na real, filho. Não sei se alguém cai nesse seu papo furado ainda.

?Voz B

E a pergunta da Renata Lopes. Ela tá perguntando se existe alguma pressão de pessoas poderosas no meio político que impedem o combate efetivo contra a criminalidade.

DPDel. Palumbo

Claro que existe. Me lembro bem quando eu era vereador aqui em São Paulo, a pedido dos policiais da delegacia de roubo a bancos, eu fiz um projeto de lei que se tornou lei para obrigar as agências bancárias a colocar cofre para os seguranças poderem colocar suas armas lá, que é arma da empresa. Mas como assim? É porque eles estavam entrando nas agências de finais de semana, à noite e feriado, não para estourar o cofre com maçarico, isso demora muito tempo, mas para estourar o armário dos seguranças e levar as armas de fogo.

Aí esse pedido veio da delegacia de roubo a bancos. Meu, tão furtando arma todo final de semana nas agências. Eu fiz esse projeto Veio lobistas de Brasília, de bancos, né, de instituições financeiras, para não querer aprovar isso daí. E aí a gente lutou, lutou, lutou. Inclusive vereadores não queriam, cujo pai, não vou falar o nome, era deputado federal, e o cara vereador não queriam aprovar. Mas a gente foi para imprensa, foi para mídia, porque se a delegacia, os policiais da delegacia de roubo estão pedindo isso, é porque aí tava cada vez mais armas indo para rua, porque os vigilantes, por incrível que pareça, muita gente não sabe disso, ele trabalha armado o dia inteiro, só que ele não tem direito ao porte de arma de fogo.

Nós estamos lutando em Brasília para dar o porte para esses profissionais, porque imagine você trocar tiro, aí você tem que deixar a arma da empresa na empresa e você não poder comprar a tua, nem que for um 38, um um cãezinho para você, um mudoguinho para você poder andar. Então fica, é complicado isso. Essa categoria de profissionais, eles teriam que ter esse porte permanente de arma de fogo, mas não tem. E eu sofri um tremendo lobby para não deixar aprovar.

Foi gente de banco falar assim, meu, vai custar R$2 milhões para colocar, não é nada para vocês. Brigamos, brigamos, falei com o prefeito, virou lei. Toda agência aqui em São Paulo tem que ter um cofre para deixar as armas vigilantes, para não correr o risco de entrar lá final de semana, estourar aquela porta giratória que É muito fácil entrar, levar 5, 6 armas embora.

LBLeandro Basson

E outra coisa, o cara para ser vigilante hoje, ele passa num curso, ele tem que ser preparado num curso da Polícia Federal. Não é qualquer cara que é vigilante. Você dá porte de arma permanente, ele não pode ter passagem na polícia, tem que ter pré-requisitos. Aí que ele se torna um vigilante, tem o direito de portar essa arma trabalhando, você entendeu? Aí o cara fica o dia inteiro combatendo com segurança, na hora de ir embora ele vai lá com estilingue. Nem estilingue tem porque os caras matam ele.

RVRogério Vilela

Tem a pergunta aqui, só fala para Vânia que tá me chamando aí que eu vou responder ela, tá?

?Voz B

Ah, tá.

RVRogério Vilela

Então, Vânia, aí essa Vânia é amiga minha que fecha minhas passagens. Ela tá falando, me responde no WhatsApp. Falei, eu tô ao vivo, né? Ela, Vilela, pode ver aí no chat, é ela.

DPDel. Palumbo

Responde ela aí, Vilela.

RVRogério Vilela

Tá, vou responder aqui.

?Voz B

Responde ela aí, ela me ajuda a te ajudar. E a pergunta aqui da Cida Amaranto, ela falou o seguinte: minha vizinha foi assaltada no ponto de ônibus indo para o trabalho às 5:30 da manhã. O que o Estado tem feito para combater essas ondas de crime?

DPDel. Palumbo

Quer que eu responda?

LBLeandro Basson

Pode, pode. O que eu vou responder?

DPDel. Palumbo

O que o Estado tem feito? O que que o Estado tem feito? Não tem delegacia aberta, não tem patrulhamento. Não é por culpa de soldado, cabo e sargento. Tenente, o delegado de plantão, não é culpa deles. A culpa é dos gestores que não dá um salário decente, prometeu os melhores aumentos e não deu. Então você vai na delegacia, tá fechada, não tem patrulhamento, não tem bosta nenhuma. E aí fica gente trabalhadora que acorda de madrugada sendo roubada, esculachada em ponto de ônibus de madrugada.

A verdade é essa. Aliado a isso a ineficiência do governo, que não fez o que foi prometido durante a época de campanha, tem o governo federal que não quer acabar com benefício de preso, que não quer acabar com regalia de preso, que não quer endurecer as leis. Aliado a isso tem o Judiciário, que quando a polícia prende, solta na audiência de custódia.

?Voz B

Tem uma pergunta aqui do Delima Valdemar Júlio. Ele fez a seguinte pergunta: Levando em conta o estado da pessoa humana em desenvolvimento menor de 18 anos, não seria melhor as medidas atuais do ECA ao invés do cárcere?

LBLeandro Basson

Responde você, nem vou responder.

DPDel. Palumbo

O ECA é um estatuto que dá o salvo conduto para vagabundo cometer crime. Esses vagabundos, eu trabalho desde 14 anos, aliás, virei delegado porque trabalhei para comprar um skate porque minha família não tinha dinheiro. Comprei, fui roubado. Ali nasceu minha raiva contra essa raça de vagabundo. Então, no ECA, eles têm 5 a 6 refeições por dia, não pode ser chamado de preso, tem que falar menor infrator, não pode ser algemado e é tratado com todas as regalias.

Coloca esse bando de vagabundo para trabalhar e deixa eles enjaulados, que você vai ver que vai pensar 10 vezes. É igual castigo de pai e mãe. Por que que eu tinha medo da minha mãe? Primeiro porque eu sempre amei minha mãe, mas se eu não obedecia, o pau torava, meu irmão, o pau torava. E assim que tem que ser. Agora, se você tem um estado frouxo, uma lei frouxa, o moleque 16, 17 anos vai cagar na cabeça de todo mundo e vai achar que ele pode fazer o que quer, como acontece nos dias atuais.

LBLeandro Basson

E se o moleque de 16, 17 anos matar alguém, matar, assassinar, quando ele fizer 18 ele tá livre, né?

DPDel. Palumbo

Ele tá livre com a ficha limpa, né? Porque você sai zerado, sai zerado. Você não pode falar que ele teve passagem, ele sai zerado, você entendeu? Então é isso o incentivo que a gente dá.

LBLeandro Basson

E mais, né, o crime organizado procura justamente esse tipo, os menores, para cometer crimes hediondos, porque sabe que os caras é uma mão de obra que vai estar na rua com 18 anos, só pode ser preso ficar apreendido 3 anos, né, prorrogado por algum período, sai com a ficha limpinha, limpinha, limpinha. Pode tocar o terror até os 18, porque hoje o marmanjo de 15, 16, 17 anos hoje aí é fera, hein.

?Voz B

E isso vai de encontro com a pergunta do John. Ele quer saber se a redução da maioridade penal resolveria algo no combate contra a criminalidade.

LBLeandro Basson

É que ajudaria, né? Se o cara com 15, 16, 17 anos tá metendo bronca sabendo que ele vai com 18 ter a ficha limpa, É lógico que ajuda, porque é o seguinte, é o que, apesar do que a gente discutiu isso o tempo todo aqui, o pessoal não tem medo muito de cometer crimes. Mas de certa forma isso ajuda, porque inibe, né?

DPDel. Palumbo

O que que o bandido tem que ter medo? Se ele enfrentar a polícia, ele vai morrer.

LBLeandro Basson

Mas sentar no colo do capeta, é isso.

DPDel. Palumbo

Se ele cometer um crime, ele vai ficar preso 10, 15, 20 anos, obrigando esse vagabundo a trabalhar para pagar parte do prejuízo que a vítima deu e para pagar o seu sustento, as 4, 5 refeições, e sem tolerância. É isso que tem que fazer com preso. Ah, mas coitado, ele vai ter que se regenerar. Coitado? Coitado da vítima. Coitado dessa senhora que você acabou de falar, que é roubada no ponto de ônibus. O bandido, ele teve livre-arbítrio.

LBLeandro Basson

Coitada daquela criança de 11 meses que foi violentada por 2 marmanjos, 11 meses, e morreu. É, enquanto a mãe tava com a cara cheia.

DPDel. Palumbo

Um de 22, outro de 26 anos.

LBLeandro Basson

22, 26.

DPDel. Palumbo

O que que vai acontecer com eles? Vai ficar 10 anos preso. Se ficar, vai sair jovem e vai cometer outros tipos de delito.

LBLeandro Basson

Mataram um bebê de 11 meses, violentaram.

DPDel. Palumbo

Não vamos nem falar a palavra aqui para não tomar punição, podcast, que eles fizeram.

?Voz B

Tem mais uma pergunta aqui do Duque Biscoito de Barangalha.

LFLucas Ferrugem

Oi, que animação é essa, cara?

RVRogério Vilela

Você vê, ele tá quase dormindo, cara. Animação, rapaz, vamos lá!

?Voz B

Então vamos lá, vamos falar de alegria.

DPDel. Palumbo

Isso aqui engorda para cacete, velho.

RVRogério Vilela

Olha lá, olha, olha a prova lá.

DPDel. Palumbo

Você tá nas canetas emagrecedoras? Não pode comer isso aí não, velho.

RVRogério Vilela

Ele é a prova que jujuba engorda.

DPDel. Palumbo

Olha só, engorda quem come.

RVRogério Vilela

O quê?

?Voz B

Juba não engorda, engorda quem come.

RVRogério Vilela

É a juba mesmo. Não, aqui eu vou te falar, viu, cara, temos que mudar o cardápio aí, cara.

DPDel. Palumbo

É fácil, não é fácil não. Deixa eu comer alguma coisa boa, que lá em casa só tem mato. Sério? Minha mãe é doida, né? Só não é vegana? Não, não é, ela é crossfiteira, acha que todo mundo tem que comer o que ela come. Então ela faz bolo de—

RVRogério Vilela

ela é amiga da Fabi, que também é crossfiteira. A Fabi come de tudo, né?

DPDel. Palumbo

Não é, minha mulher não deixa comer. O regime lá é, o regime lá é duro, é igual de El Salvador.

LBLeandro Basson

Ela é vegana e você engana, né? Tá louco, mano.

?Voz B

Ô vegano, o Duque Biscoito de Barangalha mandou mais uma pergunta aqui e ele quer saber por que há tanta resistência na integração e troca de informações entre as forças de segurança nacional.

DPDel. Palumbo

Porque as polícias têm rixa uma com a outra. Não é a rixa no chão de histórica entre o soldado e o tira que tá na rua, o sargento que tá na rua, o delegado tá na rua, com o tenente na rua. Não, mas a cúpula da Polícia Militar tem rixa com a cúpula da Polícia Civil, que tem rixa com a polícia, com a GCM. Por isso que a maior resistência da Polícia Municipal, a nossa GCM se tornar polícia municipal, vem da cúpula de outras polícias, entendeu?

Então tem essa rixa E aí não querem passar informação. Eu sou favorável de que ladrão não tem dono. Então, se puder compartilhar o máximo de informação para que sejam presos, seria melhor. Mas tem esse problema. Por exemplo, se tiver uma viatura da Polícia Militar parada aqui na frente, tiver uma da Polícia Civil também parada aqui na frente, uma da Polícia Penal e uma da Guarda Civil, se cantar um roubo para a Polícia Militar, cantar que eu digo foi irradiado um roubo para Polícia Militar, na esquina de baixo a viatura da Polícia Civil, da Polícia Penal e da Polícia Municipal, da GCM, não vão ficar sabendo.

Só se os policiais falarem: tá tendo roubo ali, acabou de catar no rádio. Porque não tem essa comunicação entre todas as polícias.

?Voz B

Tem a pergunta da Maressa Fidalgo.

RVRogério Vilela

Da o quê?

?Voz B

Maressa Fidalgo. Ela quer saber, ela quer saber se vocês acham que as facções já influenciam na política mais do que as pessoas imaginam.

DPDel. Palumbo

Tão bancando campanha, tem prefeito, tem deputado.

RVRogério Vilela

Depois eles vão descobrir que estão por trás de algumas bets, você acha não?

DPDel. Palumbo

Tem para caramba, porque a campanha você faz com muita popularidade ou com muito dinheiro.

LBLeandro Basson

Eu acabei de falar, olha, eu vou falar, é a minha opinião, hein, Vilela. Supostamente, tá bom, é isso aí mesmo, é melhor usar o supostamente. Supostamente, quando O nosso presidente ganhou, teve uma festa terrível.

DPDel. Palumbo

Nossa, era uma festa na cadeia!

LBLeandro Basson

Nossa, parecia que o Brasil tinha ganhado a Copa do Mundo, tá? E eu acabei de falar, a diferença entre um e outro foi de 2 milhões e 100 votos, 100 mil votos.

RVRogério Vilela

Pequena diferença.

LBLeandro Basson

É, são 960 mil faccionados presos, faccionados. Então, se você tá dizendo que não tem, não, é porque as pessoas, as pessoas, mas aí você tem 1 milhão de margem.

DPDel. Palumbo

Tem gente que fala que preso não vota, é colocado urna dentro da cadeia, o preso provisório vota, tá aí.

LBLeandro Basson

Então, então, desse, independente da esquerda e da direita, do que é, o que não é, eu vou dizer uma coisa para vocês: tem influência na eleição. 3 milhões de votos fazem a diferença, tanto que 2 foi, 2 milhões foi a diferença de um presidente para o outro.

?Voz B

E o seu Luquinhas, ele mandou aqui o seguinte: Mediante o desfalque da corporação, podemos falar que o crime organizado está mais forte hoje do que a polícia?

DPDel. Palumbo

É uma pergunta difícil de se responder, só que na facção lá se cumpre a regra, porque senão você paga com a vida. A polícia tem a corregedoria, tem que ter corregedoria, tem que ter, tem o Ministério Público, e muitos policiais são punidos por superiores, tanto delegados quanto oficiais, que nunca prenderam nem o dedo na porta e que não sabe o que é uma rua. Então o sistema da polícia, como o próprio falou o Luca, muitas vezes é uma tortura para o policial, porque ele ganha mal, uma escala de trabalho horrorosa, reveza colete, não tem o equipamento à altura, tem que dar a vida pela sociedade, sai de lá plantão bico, plantão, plantão, bico, bico, plantão.

No crime não, meu irmão. No crime você vai pagar com a vida, não tem essa, não tem conversa, não tem audiência de custódia lá. Você cumpre com a vida. Enquanto o crime tem dinheiro adoidado para dar os melhores armamentos, na polícia muitas vezes o cara tá lá trabalhando numa rádio patrulha, tá com a pistola, 2 policiais, ele e Deus. Ouvi agora recentemente de com os amigos policiais municipais, GCM, que em comunidades eles estão entrando, comunidades perigosas, não vou falar o bairro que eu vou identificar os policiais municipais, estão entrando em 2.

Absurdo isso, é colocar em risco. Dependendo da comunidade tem que ter pelo menos 4, 5. Aqui foi, senhores, alguma honra, um prazer, gosto muito de vir aqui, gosto gosto muito quando Frei Gilson vem. Já participei de 3 rosários dele. Aliás, o último rosário eu virei muito devoto de Nossa Senhora de Guadalupe.

RVRogério Vilela

Acorda 4 horas da manhã.

DPDel. Palumbo

Já fiz 3, que legal, cara. 2 quaresmas e um de São Miguel Arcanjo. E no último, eu fiz o primeiro que eu tava com ódio no coração, eu queria arrebentar um cara aí. Não, eu fiz para tirar esse sentimento de vingança. Tirou, tá vendo? Depois eu fiz outro para agradecer, depois eu fiz o terceiro São Miguel Arcanjo que eu queria fazer mesmo. Agora eu vou fazer E eu pedi para Nossa Senhora de Guadalupe, mostra, dá para ver, Nossa Senhora de Guadalupe interceder e tirar meu pai da UTI.

E tirou meu pai da UTI. E antigamente eu rezava o terço diário, hoje eu rezo o rosário diário. Queria ser um homem de missa diária, ainda não consigo, mas um dia serei. Eu fico muito feliz, eu assisti todos os episódios que o Frei Gilson veio aqui. Ele te deu a Bíblia, né? Eu tava até procurando ela aqui, eu vi os terços ali. Minha mãe já leva também, tá certinho. Certíssima, é isso aí. Leva tudo que eu ganho aqui, tá certíssimo.

Então traga ele mais vezes e parem de ficar atacando o Frejus. Frejus é um homem que prega a palavra, ele não tá nem aí para direita, ele prega a palavra, entendeu? Não fiquem perseguindo um homem que só prega o bem, entendeu? A esquerda muitas vezes tem mania de persegui-lo. Para com isso. Eu sigo ele há muitos anos, ele não fala nada direita-esquerda, ele fala da palavra de Deus. Pelo amor de Deus. Obrigado, Vilela, mais uma vez.

RVRogério Vilela

Rede social?

DPDel. Palumbo

@delegadopalumbo. Feliz e honrado tá aqui com vocês.

LBLeandro Basson

Obrigado, obrigado, Vilela. É um prazer estar aqui. A primeira vez que eu venho, te conheço aqui, viu? É um prazer.

RVRogério Vilela

Você usa isso, me pergunta se isso daqui sumiu.

DPDel. Palumbo

Agradeço ao Vilela e o Calça Apertada ali, ó. Falei, chama aí lá.

LBLeandro Basson

O André, André, obrigado pelo convite. Eu sei que o Palumbo não ia me convidar, foi você que me convidou para vir junto com ele, viu?

DPDel. Palumbo

Olha que moral, primeira pessoa que eu falei, chama.

LBLeandro Basson

Eu sei, esse aqui é irmão. Obrigado demais, parceiro. Obrigado. Queria deixar a rede social aqui, @leandrobassonoficial. O telefone também, porque na região nossa tem um telefone de denúncia aí, é 011 918-50-1500. O pai chegou sem dó de volta, é isso aí, dando palumbada neles. E se não quiser internar, vaza, sai fora.

RVRogério Vilela

Valeu, obrigado demais vocês, obrigado vocês que tiveram aqui com a gente, obrigado o Homer. Senti ele meio tristinho hoje, né?

DPDel. Palumbo

Você não deu jujuva para ele. Açúcar aí para ele.

RVRogério Vilela

Falta açúcar, falta açúcar. Agradecer demais nossos patrocinadores, a Element, que fez a gente parar de ter dor no corpo aqui, porque a gente fica muito tempo sentado, né?

?Voz B

É verdade, cara.

RVRogério Vilela

Eu mais que você.

DPDel. Palumbo

Vou comprar uma cadeira dessa que eu gostei demais. Não compra, cara. Tava até vendo para decorar porque eu gostei daquilo lá.

RVRogério Vilela

Esse é um dos modelos, eu escolhi dentre vários.

DPDel. Palumbo

Não, gostei demais, não vou comprar.

LBLeandro Basson

Eu tô gostando aqui, eu tô gostando. Então vai para levar?

RVRogério Vilela

Olha, essas não, mas a gente consegue aí, né?

DPDel. Palumbo

Dá um link para mim aí, ó, Fechou, Elements.

RVRogério Vilela

Agradecer também Estratégia Concursos.

?Voz B

Isso, também temos a G4 aí com a gente.

RVRogério Vilela

Todos têm link na descrição, QR code na tela. Vocês vão fazer um favor, colocar no comentário fixado as redes sociais dos convidados. Posso contar com vocês?

?Voz B

Pode.

RVRogério Vilela

E também já deixa like agora porque ele vai mandar a boa. O que que o pessoal escreve nos comentários para provar que chegou até o final dessa conversa?

?Voz B

Olha, para provar que chegou ao final dessa conversa, colocar aí: cadê as algemas?

DPDel. Palumbo

Comprada no sex shop.

RVRogério Vilela

Cadê as algemas aqui, ó?

LBLeandro Basson

Isso, gostou, né?

RVRogério Vilela

Vamos todo dia ver se elas estão aqui, hein? Porque se sumir, eu tenho 3 pessoas que eu vou desconfiar. Cadê as algemas dos comentários? Fiquem com Deus, beijo no cotovelo e tchau. E que bom que vocês vieram. Valeu, fui!

DPDel. Palumbo

As opiniões e declarações feitas pelos entrevistados do Inteligência Limitada são de exclusiva responsabilidade deles e não refletem necessariamente a posição do apresentador, da produção ou do canal. O conteúdo aqui exibido tem caráter informativo e opinativo, não sendo vinculado a qualquer compromisso com a veracidade ou exatidão das falas dos participantes. Caso você se sinta ofendido ou tenha qualquer questionamento sobre as declarações feitas neste vídeo, por favor entre em contato conosco para esclarecimentos.

Estamos abertos a avaliar e, se necessário, editar o conteúdo para garantir a precisão e o respeito a todos.

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