Episódios de Inteligência Ltda.

1884 - AVENTURAS QUE TERMINARAM EM TRAGÉDIA - CAVALLINI, TIGRE E NILO

16 de julho de 20262h15min
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CELSO CAVALLINI, LUCIANO TIGRE e NILO MOREIRA são apresentadores e especialistas em sobrevivência. O papo de hoje vai ser sobre aventuras que não saíram como esperado. O Vilela diz que sua maior aventura foi visitar o Egito durante a construção das pirâmides.Cadeira é Elements, e o desconto pra vocês tá liberado. Acesse e garanta a sua: https://loja.elements.com.br/?utm_source=youtube&utm_medium=legenda&utm_campaign=inteligencia

Participantes neste episódio5
R

Rogério Vilela

HostApresentador
H

Homer

Co-host
C

CELSO CAVALLINI

ConvidadoRepórter de aventura
L

LUCIANO TIGRE

ConvidadoApresentador, instrutor de sobrevivência, piloto de avião, professor de meteorologia
N

Nilo Moreira

ConvidadoEspecialista em aventura
Assuntos11
  • Acidentes de Stroll e Leclerc· EsportesJuliana Marins (rope jump) · Acidente em vulcão · Roberto (Pico Paraná) · Queda em pedra no Rio de Janeiro · Seu Raimundo (Ilha de Marajó)
  • Importância do preparo e equipamentoKit de sobrevivência básico · Calçado adequado · Sistema de camadas de roupa · Segunda pele e isolamento térmico · Fogo e meios de ignição
  • Primeiras atitudes ao se perder na mataParar e se acalmar (E.S.A) · Evitar o efeito túnel · Sinalização e marcação de trilha · Uso de apito · Importância de não estar sozinho
  • Programas de Sobrevivência ExtremaMitos sobre comer frutas e plantas · Dificuldade em caçar e pescar · Risco de contaminação (raiva) · Palmito e seu baixo valor calórico · Proteína animal como opção mais segura
  • Acidentes DomésticosInternet e redes sociais · Postagens e selfies · Falta de preparo e conhecimento · Aumento de praticantes aleatórios
  • Riscos de Saúde e AcidentesEquipamentos e redundâncias · Intempéries e clima · Falta de preparo e experiência · Erro de cálculo
  • Meio Ambiente e SustentabilidadeDiferenças entre biomas (Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica) · Sobrevivência em alto mar · Abrigo e matéria-prima · Regulação de calor e umidade · Adaptação a diferentes climas
  • Desafios de segurança e controleFalta de fiscalização e órgãos responsáveis · Cultura paternalista do Estado · Liberdade individual e consequências · Informação e conscientização · Estruturação de parques e trilhas
  • Tecnologia e excesso de confiançaGPS e dispositivos de socorro · Limitações tecnológicas (Amazônia, cavernas) · Resgate aéreo e riscos · Falta de sinal de celular
  • Experiências de Campo e AventuraAumento da demanda · Profissionais não qualificados · Foco em lucro e ganância
  • Perigos em cachoeiras e beiras de abismoTerreno molhado e escorregadio · Busca por fotos e selfies · Falta de ancoragem e segurança · Risco de queda na água
Transcrição564 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz 1

Olá, terráqueos, como é que vocês estão? Sou Rogério Vileira, tá começando mais um Inteligência Limitada, o programa onde a limitação da inteligência acontece somente por parte do anfitrião que vos fala. Sempre trago pessoas mais inteligentes, no caso abri uma exceção, trouxe Celso Cavallini hoje, que é menos inteligente do que todos aqui. Não é? A Leia chegou para falar, você é burro, hein? Então hoje abrimos uma exceção. Desliga o microfone dele, ô diretor!

CCCELSO CAVALLINI

Desliga, deixa ele mudo.

?Voz 1

E hoje vamos falar do quê, querido Romer, que está aqui comigo?

CCCELSO CAVALLINI

Sobre—

?Voz 1

hoje não é sobre sobrevivência, ou também é sobre sobrevivência, sobrevivencialismo?

HHomer

Eu acho que é, né?

?Voz 1

Vamos falar de aventuras, vamos falar, vamos falar de Dora Aventureira, vamos falar de tudo, falar de muita coisa. E como que o pessoal participa hoje nessa live especial? Hoje é uma live especial.

HHomer

Que é dedicada para pessoas especiais, que são os nossos membros, né? Eles têm uma, eles têm uma regalia, né? Eles passam na frente do chat e mandam a pergunta.

?Voz 1

Eles sabem da agenda antes de todo mundo.

HHomer

Exato.

?Voz 1

A gente lança agenda no domingo à noite, eles já sabem no domingo, já sabem quem vai vir. No domingo eles já estão sabendo quem vem, já sabe, já tá mandando pergunta. Exato.

HHomer

E eu vou ler todas as perguntas, mas só as melhores irão para mesa.

?Voz 1

Você tá falando todas as perguntas do chat que o pessoal te mandou?

HHomer

Exatamente.

?Voz 1

Aí se tiver uma muito boa, vai.

HHomer

Se tiver uma muito boa, muito, muito boa, vai.

?Voz 1

Então fechou. E o seguinte, torna-se membro E seja feliz, porque Henrique Cristo é nosso inscrito, é membro. Quem mais?

HHomer

Olha, a gente tem Mike Baguncinha, tem Aldo Bene, tem Kleber Bambam, tem Davi Brito, tem Elon Musk, cara, uma par de gente aí.

?Voz 1

Ó, então torna-se membro. E eu quero dar uma dica, posso dar uma dica pessoal antes de começar o papo?

HHomer

Bora!

?Voz 1

Ó, tem coisas que a gente ignora quando tá construindo uma rotina de trabalho sério. Onde você senta, olha lá ele, hein? Mas o pessoal vai entender do que eu tô falando, porque estamos de cadeira nova. Saúde e palmas! Finalmente uma cadeira confortável, que aquela me deixava com dor nas costas. Quando a gente pensa em método, em foco, em eliminar distração, mas aí acaba passando 8, 10 horas numa cadeira que literalmente machuca o corpo.

Eu sei o que eu tô falando, já fiz live de meio dia, de 12 horas aqui, metade de um dia, cara. Eu fiz isso por muito tempo e o que eu percebi é que o desconforto físico é um ruído constante. Ele não te derruba, mas ele te cansa, ele consome uma energia que você nem contabiliza. Quando eu comecei a usar cadeira da Elements, esse modelo aqui inclusive que eu tô usando não só aqui, mas para eu trabalhar lá no meu escritório também, ele possui ajuste lombar, apoio de cabeça, trava com 3 inclinações e braços 5D.

A diferença não foi só conforto não, foi na capacidade de ficar presente por mais tempo. O corpo descansado sustenta o pensamento. Toca no link na descrição ou no QR code que tá na tela e usa nosso cupom, não é? É isso aí, o cupom INTELIGÊNCIA, e vai sentir a diferença Desde o primeiro dia. Cadeira Elements, eu garanto.

HHomer

Opa, dá até para confortável, né?

?Voz 1

Olha que delícia!

HHomer

Essa cadeira é melhor que minha cama.

?Voz 1

Aí também sua cama deve ser muito ruim. É muito sentado, é melhor do que deitado.

HHomer

Pois é.

?Voz 1

Então sua cama é ruim. Elements, fica a dica aí, faz cama. Eu vou pular cadeira, o próximo passo é fazer cama. Vou dar aqui as boas-vindas a você E o Celso Cavallini não, porque ele já fez eu derrubar o suco, foi no nosso banheiro e ficou gritando: nossa, a privada vai me comer, a privada vai me pegar! Ele nunca abriu sozinho, a privada abre sozinha, ela esquenta, joga esguicho no toba.

CCCELSO CAVALLINI

Aí eu fiz número 1.

?Voz 1

Ah, então não viu nada dessas coisas. Mas seja bem-vindo. Começa você, Celso, que já é da casa aqui, se apresenta para o povo aí.

CCCELSO CAVALLINI

Bom, eu sou Celso Cavallini, hoje a gente veio falar de aventuras, meu canal é de aventuras, hoje é o maior canal de aventuras que a gente tem no Brasil dedicado a aventuras. E a gente fala basicamente de como você se aventurar, fazer uma trilha, um hiking, um trekking, um esporte, equipamentos, fazer isso com segurança e com conforto também. Esse é o mote principal do canal.

?Voz 1

E estou aqui com meu amigo Nilo Moreira, não pela primeira vez e nem pela última.

NMNilo Moreira

Acho que já é a quarta vez, parece.

?Voz 1

Tudo isso, é verdade. Terceira ou quarta vez.

NMNilo Moreira

Bom, muito obrigado mais uma vez pelo convite. Meu nome é Nilo Moreira, meu canal também fala de aventura, o canal Outdoors, né? A gente fala justamente sobre aventura e sobrevivência, que eu acho que tem tudo a ver com o tema de hoje e a gente vai tentar contribuir um pouquinho com esse tema aí sobre essas aventuras que acabaram dando errado.

?Voz 1

E tem um cara que, cara, ele pisou na bola, hein?

NMNilo Moreira

Era para ele estar aqui, ele deu uma desculpinha, né? Eu acho que a gente nem precisa chamar ele. Deixa ele lá.

CCCELSO CAVALLINI

Meteu home office, né?

?Voz 1

Apresenta ele, Celso.

CCCELSO CAVALLINI

Meu querido amigo Luciano Tigre, era para ele estar aqui, mas ele está participando de um resgate na região amazônica.

?Voz 1

Ah, então é por um bom motivo, então.

CCCELSO CAVALLINI

Sim, sim, principalmente para o cara que está perdido, porque tem um dos melhores caras para procurá-lo. Não sei como está o andamento dessa busca, mas por causa dela não conseguiu vir pessoalmente. Tá lá com sua Starlink e vai falar com a gente. Beleza, Lu?

LTLUCIANO TIGRE

Fala, Cava, tudo bem? Você, o Nilo aí, o grande Vilela. Tô sugado para caramba, né? Tô aqui na Ilha de Marajó, na região de Portel, porque a família me contactou 12 dias após o desaparecimento de um morador aqui, que é o seu Raimundo. E amanhã faz, vai fazer um mês, né, que ele desapareceu. Eu fui chamado para cá porque a situação é muito, muito complexa. A área é muito grande, coalhada de onça. Inclusive eu mandei para Andréia, para produção, e hoje a gente topou com a onça hoje, cara.

Quase que deu B.O. ali. Eu acho que eu nunca tinha visto uma região tão grande, né, de uma presença tão forte. De onça-pintada. Tinha visto Pantanal, mas isso aqui é surreal. E meu nome é Luciano Tigre, né, sou irmão desses guerreiros que estão aí, do Cavalinho, do Nilo, do Vilela também. A gente tem projetos aí, né, que estão vindo aí, se Deus quiser. E eu trabalho para o Discovery Channel, gravo alguns programas de sobrevivência, mas trabalho muito com sobrevivência e tô tentando aplicar isso nesse caso, um caso extremamente complexo.

Depois eu falo mais um pouquinho. Porque realmente nunca fiz uma busca tão complexa, coloca em xeque muita coisa aí que a gente conversa às vezes.

CCCELSO CAVALLINI

É na Amazônia então? Não, não, você falou que você tá na Ilha de Marajó.

?Voz 1

Na Ilha de Marajó é a Floresta Amazônica, mas o bioma é diferente ou é parecido com o da Amazônia?

LTLUCIANO TIGRE

Ele é bioma, mas ele é uma mescla, Carla, porque aqui a gente tem umas campinaranas. Inclusive ontem a gente surrou 25 km. Ontem foi o primeiro dia que eu consegui achar os rastros do seu Raimundo. E, cara, são Campinaranas assim, áreas de transição entre selva alta e cerrado. Sim, cara, quilômetros e quilômetros disso, sabe? Então a mescla de cerrado com selva alta.

CCCELSO CAVALLINI

Eu já tive na Ilha de Marajó duas ou três vezes e é um bioma bem complexo você trabalhar ali também.

?Voz 1

E vamos lá então, apresentação do esse tema? O Celso, você sugeriu esse tema, imagino pelos acontecimentos atuais, né?

CCCELSO CAVALLINI

É, então a gente vem aí de uma sequência de problemas, né? Desde começou a ser mais noticiado na época que teve o acidente no vulcão com a menina que perdeu a vida caindo no vulcão ali. Esqueci o nome, recordo o nome dela agora. Tivemos o caso do Robertinho que se perdeu, tivemos Um caso da menina do rope jump.

NMNilo Moreira

Foi a Juliana Marins.

CCCELSO CAVALLINI

Isso, a menina do rope jump também. Que foi jogada sem corda. Uma desgraça que aconteceu ali. A semana passada ou retrasada, tivemos um óbito de uma pessoa que caiu numa pedra no Rio de Janeiro também, que estava tentando desescalar ali. E assim, a mídia tem noticiado muito mais esses fatos e realmente eles têm acontecido mais. Claro que agora tem o fato de que todo mundo tem um celular na mão e todo mundo está gravando essas coisas.

?Voz 1

Talvez acontecesse bastante coisa, mas ninguém ficasse sabendo porque não tinha celular.

CCCELSO CAVALLINI

Exato. Ou ficasse sabendo e a mídia não desse tanta importância porque não tinha imagem. Agora com a imagem, ele se torna viral e se torna mais chocante. Mas eu realmente acredito que o número de acidentes está aumentando sim e que vai piorar muito. O número de acidentes de aventura... Assim, eu nunca vi, mesmo a gente que tem um grupo mais fechado, que a gente acabava sabendo das informações e tal, a gente não tinha tanta notícia de acidentes assim.

E até conversando com o Nilo, com o Luciano, com o meu querido amigo Sander Oliveira, a gente tem uma teoria sobre isso daí, que é a internet. E vai ser estranho te falar que a internet é culpada por acidentes na natureza, mas assim, Eu acredito que o número de praticantes aleatórios de atividades outdoor aumentou por elas serem postáveis, instagramáveis. Então a pessoa que não tem vontade de ir para a natureza, não tem nenhum conhecimento, mas ela resolve pegar uma trilha e ir até uma cachoeira porque ela quer postar.

?Voz 1

Tá todo mundo falando que é legal, ela quer fazer.

CCCELSO CAVALLINI

Ela quer postar aquilo na internet e ela faz aquilo sem nenhum conhecimento, sem nenhuma preparação.

?Voz 1

Você citou também o carinha que foi tirar uma selfie numa pedra e caiu. Esse aí foi o último que eu falei agora.

CCCELSO CAVALLINI

É como que é? Eu não sei se ele foi tirar uma selfie, mas ele tava tentando desescalar quando ele caiu.

?Voz 1

Ah, foi?

NMNilo Moreira

Ele quis subir num ponto mais alto para tirar uma foto. Ele não ia tirar selfie, as pessoas iam tirar foto dele, ao que tudo indica, tá? Só que a imagem é ele descendo, desescalando. Só que ele desescalou pelo lado que era a face do abismo e por um erro de cálculo ele foi abaixo.

?Voz 1

Era um cara experiente ou não? Não se sabe.

CCCELSO CAVALLINI

A gente não tem muito essas informações, mas assim, de todo jeito deu errado, deu muito errado.

NMNilo Moreira

Ao que tudo indica, se fosse muito experiente, não era uma experiência tão técnica, talvez. Porque assim, é o grande problema que a gente começou a verificar, que existem muitos acidentes evitáveis. É uma coisa muito clara que a gente tem que entender, é que quando você começa a praticar um esporte radical um esporte de aventura, ele, ele tem riscos. Quando você vai saltar de paraquedas, existe risco. E para isso você vai diminuir o máximo possível, tendo os equipamentos melhores, mais bem organizados, mais bem feitos, uma checagem dupla.

Você vai aumentar as redundâncias para você evitar. Mas existem riscos inerentes à atividade. Exemplo: alpinismo. Quando a pessoa vai subir em uma montanha de neve, um Everest, um K2, uma Concagua, ele sobe sabendo que existe uma porcentagem de pessoas que não volta.

LTLUCIANO TIGRE

Por quê?

NMNilo Moreira

Porque existem intempéries, problemas do próprio clima, N motivos que podem acontecer que estão fora do fator do atleta. Porque eu posso ser um ótimo escalador, mas se vier uma avalanche, eu não sou, eu não vou voar, não tem o que fazer, não existe solução para esse problema. E esses, esses acidentes sempre existiram, sempre vão existir, e quem faz esse tipo de esporte está ciente desse risco. Só que a gente começou a ver cada vez mais, com esse advento da internet, acidentes totalmente evitáveis, como foi o caso da menina que foi jogada da ponte sem a corda.

Muitas vezes, não é, não é esse o caso específico, mas muitas vezes não só o fato da pessoa estar fazendo uma coisa que não está acostumada porque ela quer tirar uma foto, mas porque nós estamos vivendo uma época em que as pessoas estão muito concentradas no celular ou na internet ou na rede social e não estão vivendo. Você, vocês já devem ter percebido que muita gente hoje em dia não não faz nada se não for bonito para foto. A comida não pede se ela não for bonita para uma foto.

Ela não vai num restaurante que não tiver um lugar legal para tirar uma foto. E ela não vai numa cachoeira se não der para tirar uma boa foto. Então o objetivo da aventura é que tá começando a ficar deturpado por conta da internet, e você causa mais acidentes.

?Voz 1

Ô, Homer, sua mulher tira foto com você?

HHomer

Ah, às vezes.

?Voz 1

Ah, então você não é tão feio.

HHomer

Pois é, cara, você entendeu a relação, né? Lógico.

?Voz 1

Se ela não tirar foto com você, ou ela considera ele uma aventura.

NMNilo Moreira

Pode ser. Aí pegou, hein?

CCCELSO CAVALLINI

Veio por debaixo do radar, viu, cara?

?Voz 1

Olha, veio por debaixo, veio rasteiro.

CCCELSO CAVALLINI

Você não viu essa aparecendo, né?

HHomer

Não, não vi, cara. Veio debaixo do radar assim, ó, puff, saiu sem querer.

CCCELSO CAVALLINI

Desculpa, mas vai lá, Lini.

NMNilo Moreira

Resumindo, seria isso. Nós estamos com um problema que tá acontecendo, mas obviamente que nós vamos falar de casos, outros casos que foram causados por outros. A gente tem muito tempo.

?Voz 1

Tem aquele filme famoso do cara que—

NMNilo Moreira

Into the Wild, Na Natureza Selvagem, por exemplo. Ou 127 horas, são dois casos, né?

?Voz 1

127 horas, né? Que o cara cai, não avisa para ninguém que ele vai, não tem localização e ele fica preso e tem que tirar o braço, né?

CCCELSO CAVALLINI

Exatamente. 127 horas é uma sequência de erros, né?

?Voz 1

Mas normalmente é mais de um erro, não é? Para dar o ruim.

NMNilo Moreira

Para aventura não precisa, mas normalmente é.

CCCELSO CAVALLINI

Mas não precisa ser um só, já morre. Um só, você resolve tirar uma selfie na beira de um abismo, desbarranca e caiu.

NMNilo Moreira

Você não faz ideia da quantidade de pessoas que estão perdendo a vida por tentar chegar próximo do abismo. Vou dar um exemplo clássico de um animal selvagem também, também pode acontecer, mas o lugar mais clássico disso acontecer é em cachoeira. Porque você, você vai na parte de cima e tudo está molhado, e nós no nosso dia a dia não estamos acostumados a pisar em terreno que não seja firme. A gente, o nosso cérebro está condicionado desde que a gente nasceu de não escorregar.

Isso não é natural. Escorregar não é natural. Aí você vai para um ambiente em que você tá com tudo escorregando, mas você quer chegar na beirada do lugar. Porque eu não sei se você já foi até uma cachoeira, várias, até vários metros antes da queda d'água. Se você tirar uma foto, é só uma foto de um rio, é apenas uma foto de um rio. Para ser uma foto de cachoeira tem duas formas: ou você vai na parte de baixo, que é a parte inteligente de se fazer, vai na parte de baixo, tira uma bela foto sua na cachoeira, Ou você vai na beira da cachoeira e tira uma foto, que aí a pessoa vai ver a queda.

Só que aí pode ser a sua última selfie. E infelizmente existe, tem acontecido muito, muito.

CCCELSO CAVALLINI

E geralmente a pessoa que, se ela teve como objetivo fazer aventura por causa da foto, ela não tá com uma bota especial que não vai escorregar, ela não tem nenhum tipo de treinamento de cordas para entender que aquilo lá precisaria estar ancorada. Então essas coisas vão deixando a situação cada vez mais arriscada.

NMNilo Moreira

O rapel em cachoeira é um para quem faz, tem conhecimento disso, vai entender o quanto, o quão absurdo é alguém chegar na beira da cachoeira para tirar uma foto. Porque você vai levar um grupo, que sejam 3, 4, 5 pessoas, para fazer um rapel numa cachoeira. Antes de chegar próximo da cachoeira, antes de ter qualquer chance, para todo mundo, fecha o ambiente, fala: ninguém sai daqui. A pessoa vai se ancorar de alguma forma, ela vai fazer aproximação da cachoeira totalmente ancorada.

O que que é ancorado? Você vai estar com a cadeirinha escalada, com uma corda presa até você, até um ponto fixo, ou mais de um de preferência. E aí você vai chegar, vai fazer toda a amarração, vai colocar a corda para baixo, vai fazer toda a segurança, vai ter, vão ter pontos de fixação. Aí a primeira pessoa que vai descer, aí pega essa pessoa, ancora também, e você se aproxima. Você nunca, jamais, por motivo nenhum, não interessa o que tá acontecendo, você nunca se aproxima da cachoeira sem estar ancorado.

Aí a pessoa vai lá sem conhecimento nenhum, pega o celular e vai tirar uma selfie na beirada da cachoeira. É a receita para o desastre.

CCCELSO CAVALLINI

E aí fora que a água está descendo, se a pessoa cai na água, a cachoeira leva. Então tudo errado. E isso tem tido alguns fatores colaterais aí. Quando você tem um excesso de demanda, um aumento drástico de demanda, que é, pô, existe mercado, tem muita gente querendo fazer trilha, muita gente querendo visitar cachoeira, tem muita gente querendo fazer uma aventura. O que acontece? Tem um aumento de pessoas que estão dispostas a prestar esse serviço.

NMNilo Moreira

Aumentou a demanda, aumenta a oferta, né?

CCCELSO CAVALLINI

E aí você tem também um aumento de pessoas que não estão qualificadas a prestar esse serviço, estão fazendo isso para ganhar dinheiro. Então você tem um aumento, uma piora dos dois lados, tanto da operadora, de operadoras que apareceram pela oportunidade e que não estão aptas a prestar um um serviço de segurança ou até de um socorro, e tem pessoas que estão dispostas a fazer uma coisa que elas nunca pesquisaram, que elas nunca tiveram nem vontade, só para tirar uma foto.

Aí você soma isso com o fato delas estarem desatentas, com celular na mão tentando tirar uma selfie, que é claro, não vou generalizar, não é o caso de muitas dessas situações que ocorreram, mas é a receita da desgraça. Só que o que a gente tá vendo é que só tende a aumentar.

NMNilo Moreira

Um caso que demonstra o que tá acontecendo, que aconteceu, acho que a gente pode até chamar o Luciano para falar um pouco mais aprofundado, porque ele acompanhou de perto, foi o caso do Roberto, né, que se perdeu no Pico Paraná. E quando você vê a história dos dois, dos dois envolvidos, eles não estavam com guia, eles não tinham a trilha, por exemplo, num Garmin ou num GPS ou no celular, eles estavam fazendo a aventura de uma forma mais displicente, né?

É o maior pico do sul, é um local difícil, não é uma escalada simples, é um grau de dificuldade alto. Tem várias partes que tem via ferrata, que é você subir tipo em escadas de metal. Você tem um ambiente que quando chove é terrível, e eles foram no verão. Verão no Brasil chove. Então existem vários detalhes que foram feitos errados. Foi na época errada, equipamento não tava correto, tanto é que choveu, tudo molhou. Se tudo molhou, não estava com algo impermeável.

Você já começa, quem tem experiência já começa a pescar os erros. O celular do cara acabou a bateria, chegou lá em cima, na hora de descer eles se separaram, sabe? É o clássico filme de terror, né? Vamos nos separar. É a pior decisão de todas. Então várias decisões foram tomadas ali nitidamente, porque não estou falando que É normal de nenhum jeito, mas para aquela aventura eles não estavam preparados. E não é, eu não estou falando de preparo físico.

Tem pessoas extremamente bem preparadas fisicamente que não estão preparados porque não conhece, não tem experiência, né? E é melhor você estar com alguém experiente naquela rota. Eu mesmo, com mais de 35 anos de experiência em aventura, quando eu vou fazer uma trilha nova, ou eu vou com um GPS que tenha toda a trilha e seja um local demarcado, ou eu peço para alguém que já fez para ir comigo. Sabe? Eu não quero ir sozinho porque é arriscado, né?

Então acho que o Luciano pode contar como é que aconteceu depois, porque ele esteve lá envolvido no resgate.

CCCELSO CAVALLINI

E ele conhece bem o Robertinho, então acho que dá para ele.

LTLUCIANO TIGRE

A gente estreitou muitos laços ali, né, eu e o Betinho, porque eu precisava entender inclusive elementos, né, que eu acabei identificando nesse caso dele, aos quais eu ainda não tinha tido contato. E eu corroboro com isso que o Nilo falou. Realmente foi uma sequência de eventos assim. E como eu trabalho na aviação também, a gente tá falando aqui de que pode acontecer um único fator que te jogue para situação, mas o mais comum é uma sequência de eventos, é uma carreira de dominós em pé, aonde você empurra a primeira peça, ela bate na segunda.

Se você não tirar peças do meio para parar de cair ali e a última não cair, se a última peça caiu, você tem o acidente, né? Não atravessar a rua sem olhar para o lado é não tirar peças e pode acontecer um acidente. E no caso do Betinho, realmente é aquela, teve, teve o lance de ser o primeiro, né, dia do ano. Eles queriam subir para o primeiro dia do ano, ver o primeiro pôr do sol do ano. Então isso foi uma coisa que eu conversei com ele, cara, existe muita romantização, como vocês falaram.

A internet está matando pessoas, eu concordo com vocês, ela vai matar muito mais porque a galera não coloca na frente a preparação, a organização, e aí acaba acontecendo acidente. O Betinho, você tem uma ideia, o local onde ele se perdeu, todo mundo pensa que é em um local muito— a gente chama aquele local ali de perdido. O local que todo mundo pensa que foi onde ele se perdeu, de tanta gente que já entrou errado ali. Só que ele se perdeu no campo base 2.

Sabe por quê? Que tinha uma sacola plástica amarrada para o lado esquerdo, e como ele ficou para trás, algo que jamais deve acontecer, ele viu aquilo ali e, ó, para esquerda, seguiu a pista errada. Você entende? Exatamente, seguiu a pista errada, continuou seguindo, desceu no barranco, não conseguiu mais voltar, e quer saber, já que eu tô aqui Eu subi a montanha, então é só descer. Para descer a montanha é só descer. Esse é um erro clássico.

O cara, quando tá cansado, ele faz isso intuitivamente. O Pico Paraná, o Nilo já foi lá inclusive, cara. Na volta tem um local que você tem que subir, só que a cabeça do cara que tá cansado: eu subi, agora só tem que descer. Exatamente.

NMNilo Moreira

Quando a gente tá subindo um morro, uma montanha, alguma coisa, é muito comum a gente ficar até chateado. Pô, eu tô subindo, subindo, subindo, agora eu tenho que descer para depois subir, subir, depois descer. É isso, é isso. Montanhas são assim, você vai descer e subir várias vezes. E não é natural. A gente tem essa tendência de achar que na ida é só subida e na volta é só descida, e não é, né? E é fácil de se perder.

CCCELSO CAVALLINI

Instintivamente você tá propenso a cometer muitos erros, né?

LTLUCIANO TIGRE

É isso, é muito crítico, Cava, porque Veja bem, o caso que eu tô trabalhando aqui, ó, é o clássico também da pessoa que vai para o mato, que vai ali fazer a sua atividade na natureza e acaba de uma certa forma subestimando. Isso pode acontecer com qualquer pessoa, em qualquer tipo de cenário isso pode acontecer. Vocês até comentaram aí, a gente vê pessoas experientes às vezes errando por cansaço, por às vezes até excesso de confiança pode acarretar um erro desse.

Então você tem que estar cercado de uma série de coisas para vir trabalhar aqui na Ilha do Marajó e pegar esse ambiente aqui. Se eu não tiver os mateiros do lugar, o pessoal do local para me ajudar aqui, esqueça. Eu posso ter 500 anos de experiência, cara, a natureza ela não é brincadeira. Esse negócio, eu nunca vi um local tão difícil de fazer busca. É gigantesco esse negócio aqui. O Pico Paraná não é diferente. E a gente teve um fator ali que foi a companheira, né, a menina que acompanhou o Betinho, foi o catalisador para a história inclusive explodir, né, para chamar muita atenção.

E eu sou taxativo, eu falei várias vezes para ele, ó, cara, se você mudar uma vírgula do que você fez depois que você ficou sozinho, a tua história teria sido diferente, você não teria voltado para casa, você não teria voltado para casa. É crítico demais, cara.

NMNilo Moreira

Eu quero fazer um disclaimer rápido rápido e muito importante, porque até o momento tá parecendo o fim do mundo, gente. Olha, nossos canais, o meu canal, o Canal dos Céus, canal do Luciano, nós temos a intenção de primeiro, a primeira missão minha é motivar você a ter contato com a natureza e ir se aventurar. É incrível. Eu tenho uma filha de 4 anos e com 28 dias eu fui acampar com ela. O aniversário dela de 1 ano foi no meio do mato.

Eu tenho uma mochila que eu carrego a minha filha para as montanhas. Eu vou, então assim, é para você se aventurar. A única coisa que a gente tá tentando alertar aqui é que existe uma forma correta de se fazer isso. Se você quer dirigir um carro, você não vai tirar a CNH, você não vai usar o cinto de segurança, você não quer um carro com freio ABS, com airbag, porque se acontecer algo, não é porque você tá torcendo que aconteça, né?

Quando você usa o cinto de segurança, você não tá fazendo uma reza para que aconteça, não tá torcendo, você tá se preparando para que caso aconteça você esteja seguro. E aventura é a mesma coisa. A gente quer que você vá lá, tire a sua foto, a sua selfie, faça o seu vídeo, se divirta, porque é incrível. Não é à toa que a gente faz isso há tanto tempo, mas com segurança. Só isso, tá? E a gente vai tratar desses casos para a gente alertar do que que pode dar errado, o que que não pode.

CCCELSO CAVALLINI

É simples, não é um passeio no shopping.

LTLUCIANO TIGRE

Isso.

CCCELSO CAVALLINI

Entendeu? Você ir para uma trilha na natureza é diferente você ir num passeio no shopping. Você tem que ter uma informação básica, você tem que ter pesquisado, você tem que ter um guia.

?Voz 1

Exatamente, dia a dia.

CCCELSO CAVALLINI

Exatamente. E você tem uma dificuldade de socorro e até uma falta de socorro se ninguém souber onde você tá, que você se acidentou. Se você resolve fazer isso por si só e cai de um precipício, até descobrirem que você resolveu fazer isso, até mandarem o resgate, isso Isso vai comer um tempo precioso ali no resgate.

NMNilo Moreira

Então deixa eu aproveitar o gancho do Celso, que ele falou um assunto muito interessante. Outra coisa que vem acontecendo é a alta confiança na tecnologia. Nós estamos avançando, graças a Deus, ótimo, maravilha. Nós temos hoje aeronaves, helicópteros. O Luciano, que é piloto, vai poder ajudar a gente nessa daí. Incríveis, que chegam a incríveis, inclusive até no Everest, em certos pontos, não todos, mas sim.

CCCELSO CAVALLINI

A gente tá lidando com os FLIR, que são monóculos termais que ajudam você achar uma pessoa no meio da selva fechada, que a gente tá usando aqui inclusive, que a gente, sei lá, 5 anos atrás nem sonhava com isso. Eu tentei comprar um Scout na BH em Nova York, era proibido brasileiro encostar, não era nem comprar. Você não podia manusear o monóculo. Aquele que eu te dei, você não podia manusear porque era tecnologia militar, então era proibido para estrangeiro.

E hoje a gente tem monóculos que vão achar uma pessoa no meio do nada ali, caída, desmaiada, com muito mais facilidade.

NMNilo Moreira

Incrível, mas muitas vezes causa um excesso de confiança. Eu vou dar um exemplo que aconteceu comigo para as pessoas entenderem. Existe um aparelho GPS de pedido de socorro, não vou falar se o Celso quiser aí, eu não vou falar para não, mas assim, eu acho que todo mundo que vai para aventura tinha que ter um. Eu acho que deveria ser muito mais barato no Brasil. Infelizmente moramos num país que é complicado, é complicado e tudo mais, eu entendo.

Mas é incrível, você aperta um botão de SOS, essa mensagem vai até a central deles com a sua exata localização via satélite, via satélite, e eles percebem onde você está, entra em contato com a equipe de resgate local e avisa: olha, o fulano aqui está em tal local, está pedindo socorro. Ou seja, ele está com uma emergência. Isso é incrível, maravilhoso.

CCCELSO CAVALLINI

E não só isso, eles têm, é o Spot, a gente fala direto aqui, é uma marca, mas salva-vidas. E eles acompanham o resgate, eles ficam ligando para o pessoal até ter certeza que foi resgatado. Não é só tipo avisa os bombeiros e eles vão ficar. E aí, onde tá? Onde estão os bombeiros? Não, o cara se moveu. Pera aí, o Celso tava nessa posição, ele foi para outra posição.

NMNilo Moreira

Mas porém, entretanto, sobretudo, todavia, nenhuma tecnologia é 100% eficiente em todos os cenários. Vamos falar de um cenário: floresta amazônica. Quem já esteve sabe que o docel das árvores fecha completamente, e se ele não tiver contato com satélite, ele não consegue mandar o sinal. Caverna, ele não vai mandar sinal, não tem como fazer isso, não existe, ainda não existe tecnologia. Então eu fui fazer a primeira série, nós temos uma série no canal chamado Sobrevivência Real, onde eu me proponho a passar um evento de sobrevivência simulado, o mais próximo da realidade possível, por isso sobrevivência real, é que eu fico ali um tempo tentando simular alguma situação.

E essa era alguém que foi fazer uma aventura, se perdeu e ficou ali por um tempo sobrevivendo. Foi a primeira temporada, a gente já fez várias temporadas. Nessa primeira temporada eu levei o Spot não para pedir socorro, mas se precisasse obviamente eu ia pedir, mas porque toda noite eu ia mandar, ele também manda mensagem, eu ia mandando mensagem para minha esposa Estou ok, mais um dia tá tudo ok.

CCCELSO CAVALLINI

E recebe também.

NMNilo Moreira

É, e ele também recebe, esse que eu tinha. Só que onde eu estava tinha árvores e não foi de jeito nenhum.

?Voz 1

Só por causa das árvores?

NMNilo Moreira

É, tem que ter, você precisa de uma clareira.

CCCELSO CAVALLINI

Uma Starlink embaixo de cobertura de posto de gasolina, não vai funcionar, você entendeu? Dentro de uma caverna, você não vai ter.

NMNilo Moreira

Aí a pessoa pega o Spot, autoconfiança, bota aqui na mochila e vai para uma trilha lá na Amazônia. Muito provavelmente não vai conseguir acionar. Ele vai confiar em algo, em apertar um botão e o helicóptero aparecer, e talvez não vai funcionar. Então esse excesso de confiança, eu já vi várias vezes pessoas brincando, tipo assim, ah, eu vou ali fazer uma trilha, qualquer coisa eu dou um passeio de helicóptero. E não é assim. Se o clima não tiver bem, o helicóptero não chega.

Se o clima tiver— primeira regra do resgate: você não coloca a vida do resgatista ou da equipe em risco.

?Voz 1

Ponto.

NMNilo Moreira

Eu não posso causar outra vítima, já tem uma, eu não vou causar mais, né? Não é o herói, não é. Então ele vai se puder.

CCCELSO CAVALLINI

Tipo aquele filme de guerra que os caras vão resgatar o soldado Ryan, morre 36 pessoas para resgatar. Você fala assim, peraí, cara, não faz sentido essa porra.

NMNilo Moreira

Então a vida real é essa. Muita gente vai contar com isso e pode ser que não chegue, né? Então tem que tomar esse cuidado, tem que sempre ter uma ideia de como voltar, um plano B&B. E tem várias dicas, várias coisas. Por exemplo, a gente acabou de gravar um Reels, tá no Instagram do Inteligência Limitada, ou vai estar, que a pergunta foi: o que nós faríamos se nós estivéssemos caído no meio da Floresta Amazônica? Qual é a primeira coisa a fazer?

Qual foi minha resposta? Eu abriria o meu baita kit de sobrevivência, porque eu não vou para lugar nenhum sem ele, nem no banheiro. Então a minha mochila tá cheia de equipamentos que vão me ajudar. Então você não Você não vai fazer uma trilha se você não tiver um kit primeiro socorro, se você não tiver um GPS, se você não tiver uma faca, um meio de fazer fogo, uma roupa impermeável. Então você não vai. E o que nós, o que eu já cansei de ver milhares de vezes, às vezes dá uma certa vergonha, mas eu me lembro que não é eu que tem que estar com vergonha.

Eu vou iniciar uma trilha, estou com a minha mochila cargueira cheia de equipamentos, até pesado, roupa tudo bonitinha. Aí eu começo a caminhar, de repente eu passo por um cara que tá voltando de chinela havaiana, bermuda, camiseta, regata, uma sacolinha com vinho.

CCCELSO CAVALLINI

O cara que tá indo quando você tá voltando, você passou por isso já?

NMNilo Moreira

Você tá voltando da trilha 4, 5 horas da tarde, é com medo de ficar escuro. O cara tá subindo com uma sacolinha que tem um vinho e uma bolacha de passatempo, de calçadinha, Crocs. Cara, pode ser que Pode ser que dê certo, mas se der errado, vai dar muito errado.

CCCELSO CAVALLINI

Aí eu já aconteceu várias vezes de eu sentar o cara, velho, senta aí, tudo bem?

LTLUCIANO TIGRE

Vamos conversar.

CCCELSO CAVALLINI

Ah, você fala, ó, você quer subir? Tudo bem, deixa eu te falar, você não vai chegar a tempo, você não tá equipado. Me, assim, você avisou alguém que você veio? É porque assim, eu vou embora, cara, eu não vou saber se você voltou, entendeu?

NMNilo Moreira

Me dá pelo menos seu nome, alguma coisa.

CCCELSO CAVALLINI

Pensa bem no que você tá fazendo.

?Voz 1

Eu tenho que avisar, é Moralmente, se eu não avisar, cara, vai com a identidade entre os dentes, que vai facilitar a identificação depois do corpo.

CCCELSO CAVALLINI

Mas é tipo assim, eu dou um susto no cara para ele entender que, cara, que ele tá fazendo cagada, porque é minha obrigação avisar esse cara, pô, trabalhando. Se eu deixar isso passar, fala, fala, viu?

LTLUCIANO TIGRE

É que isso que vocês falaram agora me lembrou o caso do Betinho de novo, porque depois de subir e descer a montanha 6 vezes 5, na verdade, para ir bater, voltar, bater, voltar. No outro dia, quando o caso terminou, o SBT me chamou, ó, vamos fazer uma reportagem. Subimos, gravamos. Na descida, adivinha, um cara subindo de calça jeans, de cara, ele parecia que tava indo para uma festa de peão de boiadeiro. A roupa dele era roupa de quem ia para uma festa de, sabe, tênis de academia, Calça jeans, camisa regata, uma mochila de 400 kg, e eu com a equipe do SBT descendo a montanha, tempo fechadaço já.

Meu irmão, onde é que você tá indo, velho? Tô subindo o Pepe, vou me desafiar. Aí eu perguntei na frente da equipe, cara, mas tu já fez isso alguma vez? Porque a roupa dele era assim, ó, comprei o ingresso para o filme errado.

NMNilo Moreira

Exato, essa é verdade. Não, e o título do filme é Eu Desafiei Deus.

?Voz 1

Não, eu e o Sérgio já viu isso acontecer num filme que chamava Casa da Colina. Você lembra disso? A gente foi assistir um filme, Casa da Colina, que era de terror, e a gente viu uma velhinha nada a ver entrando. Ela não sabe que filme é. Ela viu Casa da Colina, falou, ah, é um filme romântico e tal. Primeira cena de serra elétrica, o cara cortando o tendão do outro, ela saiu.

CCCELSO CAVALLINI

É óbvio, né, cara?

LTLUCIANO TIGRE

A gente viu a velhinha entrando, lembra?

CCCELSO CAVALLINI

A gente viu a velhinha entrando, nos três a gente falou, cara, é A Casa na Colina, o nome tá ruim, cara. O nome tá ruim. Ela viu o título A Casa na Colina e veio parceira, vai fazendo bolão quantas cenas ela ia durar. Primeira cena é um cara com a serra elétrica.

NMNilo Moreira

E acontece muito, né, o cara comprar o ingresso para o filme errado, muitas vezes não por conta dele, mas muitas vezes por convite. Sim, alguém que já fez.

LTLUCIANO TIGRE

Mas aí que tá, Nilo, aí que tá.

NMNilo Moreira

Vem comigo conferir.

LTLUCIANO TIGRE

Aí que tá. Você tem ideia do porquê que ele tava subindo a montanha? Adivinha por que que ele tá subindo logo depois do caso do Betinho? Porque ele, esse caso foi muito midiático. Ele me falou, eu tenho gravado porque eu pedi licença para ele, comecei a gravar. Velho, por que que você tá subindo a montanha? Ah, porque eu vi o caso do menino que se perdeu. Você tá entendendo?

NMNilo Moreira

Ele foi tentar fazer igual, essa era a ideia. Ele foi, ele foi, ele foi provar que era melhor.

LTLUCIANO TIGRE

Eu não, eu fiquei maluco porque ele nunca tinha subido uma montanha e começou pelo PP e foi. Ele me disse isso: eu vi o caso do menino e resolvi vir para me desafiar e tal. Aí a gente sentou com ele, conversou com ele, assustei, falei: cara, você tem família em casa? Primeira regra para você cuidar de quem você ama é não se colocar em risco. Então, velho, você tá com o sapato errado, a calça errada, tudo errado. Desculpa, tá, mas não é, ó, tá nublado, tô aqui uma pancadaria, tua mochila pesa 400 kg, cara.

Não é, tá tudo errado. Meti medo no cara, ele desceu, cara, porque motivado pelo caso lá.

NMNilo Moreira

Muito provavelmente salvou mais um, né?

CCCELSO CAVALLINI

Quando eu vejo o cara na trilha despreparado, eu faço: pera aí, senta aí. Bem, me apresento, falo: ó, é o seguinte, vai dar ruim, cara, na boa, já vi isso acontecer. Cara, vamos fazer o seguinte, tem uma alternativa ali, uma trilhazinha, mas não vai nessa, não vai nessa. Aí obviamente é o livre-arbítrio, se o cara não quiser também não posso impedir, mas geralmente os caras me escutam, não sei, até por causa do canal e tal, mas geralmente os caras me escutam.

Você já fez isso, Vila? Você já se aventurou numa trilha sozinho no meio do mato?

?Voz 1

Não, já fui em programa muito errado, Carnaval da Bahia com Celso. Falo, o que que eu tô fazendo aqui? Tô com a roupa errada. Tô preparado para o tipo de música errado. Voltei, voltei, ele ficou lá, eu voltei antes do tempo, cara.

CCCELSO CAVALLINI

Mas eu vou te falar, esse era um dos erros de TV, cara. Eu fui colocado, eu não sei por quê, os caras falavam, esse cara é jovem, faz aventura, vamos colocar ele para cobrir carnaval. Cara, não entendo nada de carnaval.

NMNilo Moreira

A única coisa que eu entendo do carnaval é que eu uso essa data para ir para o mar.

CCCELSO CAVALLINI

Eu também, eu cobri carnaval por 8 anos sem entender nada de carnaval.

NMNilo Moreira

Essa para mim agora foi uma novidade.

CCCELSO CAVALLINI

Eu fiz várias coisas que não tinham nada a ver comigo, que é um negócio que é inerente à TV. O cara olha você, vê teu perfil, fala assim, ah, esse cara tem um público jovem, precisa de alguém.

?Voz 1

Mas de estar errado de vestimenta, já aconteceu de estar com tênis errado, com calçado errado, né? Esse é ficar ele úmido, cara. Isso incomoda muito, cara. Você ficou com aquele meia úmida, tênis úmido, cara.

NMNilo Moreira

O calçado geralmente, a roupa talvez nem tanto, porque Às vezes as pessoas sabem um pouco mais, mas o calçado é muito comum.

?Voz 1

E de roupa também, de essa trilha que eu fiz lá na Torres de Eupêne, de ir com roupa que você tá muito agasalhado, mas a roupa que tá colada no corpo ela fica molhada de suor e depois fica gelada. Não adianta nada, tá protegido por fora e lá dentro aquela roupa gelada.

CCCELSO CAVALLINI

Por isso que você tem uma coisa chamada segunda pele. Quem tá no meio de aventura conhece bem essa segunda pele, é uma, é um tipo de tecido que você coloca, chama segunda pele porque a primeira camada, que seria como se funcionasse como uma segunda pele, ela tem como objetivo único tirar o contato, o contato do suor com o corpo. Então ela expele esse suor para que você não fique com esse suor encostado com o corpo, que você tá suando, você tá quente, você tá na atividade, beleza.

Quando você chega lá em cima, você vai parar, lá em cima tá mais frio, bem mais frio. Então a chance desse suor congelar e te levar uma hipotermia muito grande.

NMNilo Moreira

E essa, essa é a grande importância do sistema de camadas que a gente sempre fala, né? Quando você vai fazer uma aventura, principalmente local frio, é comum a pessoa se agasalhar excessivamente e geralmente com uma blusa muito grossa. Geralmente é isso que você vai encontrar. Isso não é o ideal. O ideal é você ter a segunda pele, que é uma roupa bem fina, bem fina mesmo, colada no seu corpo. Às vezes um pouco mais grossa, dependendo se for um lugar muito frio, frio.

Depois você vem com uma camada mais espessa que tenha uma camada de ar, um fleece, geralmente um fleece. E por final você vai colocar uma jaqueta que seja corta-vento, impermeável. Então você tem 3 camadas, de preferência com zíper, porque quando você começar a caminhar você vai ficar com calor. Quando você começar a ficar com calor, você vai abrir a primeira jaqueta, você vai abrir a segunda jaqueta. É normal, as pessoas não acham que vão ficar com calor quando tá no lugar frio, e é natural, você vai ficar ficar todo suado num lugar que tá fazendo -2 graus.

Você vai ficar. E é a pior coisa que você falou, você vai congelar, às vezes vira gelo mesmo. E aí, meu amigo, a hipotermia é o que mais mata no mato, né?

CCCELSO CAVALLINI

É, a gente costuma dizer que assim, você tem que estar confortavelmente geladinho, você tem que estar sempre com um pouquinho de frio.

?Voz 1

É mesmo?

CCCELSO CAVALLINI

Na aventura, assim, um pouquinho de frio, não é para ter muito frio.

?Voz 1

Por quê?

CCCELSO CAVALLINI

Porque você não sua.

NMNilo Moreira

Se você começar a esquentar, sentir calor, você vai suar, você vai suar.

CCCELSO CAVALLINI

Então você começou a sentir um pouco de calor, você já tira, vai ficar um pouquinho gelado. Tudo bem, vai ficando, deixa confortável. Não é para ficar desconfortável, não é para você entrar em hipotermia, mas se tiver geladinho tá bom.

NMNilo Moreira

Climinha de ar-condicionado, né?

CCCELSO CAVALLINI

Você nunca tá com calor, tá sempre um geladinho ali, porque assim você vai evitar de suar. Se você evita de suar, você evita de molhar a roupa e esse suor depois congelar, né? Então você vai termorregulando, tirando e pondo camada. E é chato, eu sei que é chato, porque você tem que tirar a mochila, você tem que parar, você tem que pegar a blusa, colocar dentro da mochila. Aí você vai andar mais um pouco, você sente frio, começa a sentir muito frio, você tem que parar, tira a mochila, pega a blusa da mochila, põe a blusa, põe a mochila.

É chato, mas você tem que fazer, você vai evitar um problema lá na frente. E às vezes são informações tão básicas, às vezes o cara que tá assistindo aqui, o Inteligência Limitada, vai escutar isso e vai falar assim, beleza, e já aprendeu. Não é uma técnica complexa, ela é chata, mas ela não é complexa. O cara já entendeu que ele tem que estar confortavelmente fresquinho. E ele não vai cometer o erro de sair com uma roupa e suar e depois entrar num processo de hipotermia porque ele tá todo molhado ali no meio de uma aventura, né?

LTLUCIANO TIGRE

Pois é. Deixa eu colocar uma coisa aqui para, já que estão falando de temperatura, é, tá frio aí agora?

?Voz 1

Aqui tá de boa.

LTLUCIANO TIGRE

São Paulo? Ah, não, mas friozinho, gostoso, frio, né?

?Voz 1

Pois é, ontem a gente fez música, fizemos, eu tava em Gramado, tava bem frio, cara, tava quase gelando lá, tava muito congelante, né?

LTLUCIANO TIGRE

Pois é, o contraste é maluco, é uma loucura. Tem que estar realmente bem fresquinho. E ontem e hoje, cara, aqui na Amazônia, nessa parte aqui da Ilha de Marajó, cara, que calor, velho, que contraste! Hoje a gente só conseguiu demais E aí a umidade ela potencializa a sensação térmica. Tá 35 graus, você sente mais, 38. Só que assim, tá 40 graus, cara, aqui. E aí, ó, hoje a gente—

CCCELSO CAVALLINI

desculpa, continua.

LTLUCIANO TIGRE

Não, não, de boa. A gente só conseguiu fazer busca hoje molhando o corpo inteiro, cara. Isso que vocês falaram do calçado também é um negócio assim surreal, porque tem os buscadores aqui, né, os mateiros E é um pessoal humilde, né, que usa ali as botas Bracol, por exemplo, ou as Sete Léguas, é comuns, né, no trabalho de campo. Só que a calçada, o cara que derrete o pé do cara no calor, cara, isso derrete o pé do cara. Água entra, tem muito, muito charco aqui, né.

Então você derrete de calor, cara, o pé tá sempre molhado. Tem que ter um calçado que não seja impermeável. Senão você vai perder o pé. É uma loucura isso aqui, cara.

NMNilo Moreira

Então hoje, pé molhado não é só desconfortável, né, Luciano? Ele pode causar a perda total da pele do seu pé. Não é só nenhuma bolha, é uma loucura. Tá molhado, a pele vai derreter. Você vai caminhar, pensa nisso, pensa.

LTLUCIANO TIGRE

Ontem a gente bateu 25 km, cara. Achei os primeiros rastros dele depois de muito tempo buscando aqui. Hoje de novo. Então se o cara não tiver bem calçado, uma bota técnica que faça a água entrar Mas sair nesse bioma aqui, nesse ambiente, você se arrebenta.

CCCELSO CAVALLINI

Em certos biomas aí sim, pessoal, esse bioma muito úmido. Eu ia até falar disso. Aí o Lu tá falando o caso contrário do calor extremo. Como a gente regula calor? Como ser humano regula calor? Pela evaporação do suor. Então você pode ver que quando você sua, esse suor vai evaporar, ele vai levar calor. Se você tá num local muito úmido úmido, o suor não evapora. Então você não consegue irradiar esse calor para longe do corpo. Então lugares mais úmidos, a sensação térmica que você tem ali é de muito mais calor do que no lugar às vezes mais quente, mas menos úmido. Então isso é um outro fato importante no outro extremo ali, no calor.

NMNilo Moreira

E foi um, foi muito contrastante para mim que eu cresci em Goiás, que é um local muito, muito quente, muito seco, né? Então é uma característica também. Por exemplo, agora no inverno, de dia vai fazer 30 graus, à noite vai fazer 12. Então à noite você tem um refresco. Quando eu fui para Amazônia e quando eu tive as minhas experiências de sobrevivência real lá na Mata Atlântica, em Santa Catarina— é Santa Catarina, é um estado conhecido pelo frio, mas no verão é muito mais quente do que em Goiás, porque às vezes não tá nem tão quente em temperatura ambiente, se você medir no seu termômetro.

Mas essa, essa quantidade de umidade, ela é tão grande que você não sente nenhum alívio em nenhum momento, né? E quanto mais você sua, mais você sua, mais você sua, e mais você desidrata, que também é um dos fatores que mais mata no mato.

CCCELSO CAVALLINI

E às vezes assim, é o que eu falei, não são informações complexas, é você entender o sistema de funcionamento. E são coisas fáceis, só que você tem que saber para fazer, né? Então às vezes um mínimo de pesquisa já resolve. Se o cara faz um mínimo de pesquisa da atividade que ele ia fazer, conteúdo não falta, né? Conteúdo não falta. Até hoje com internet a gente tem muita coisa. Aliás, a gente falou das coisas ruins da internet, tem uma coisa boa em que a internet está ajudando.

Duvido você adivinhar qual é. A gente tem uma coisa em sobrevivência que a gente fala sempre: avise 2 ou 3 pessoas onde você vai, quando daqui a pouco você volta. Obviamente as pessoas não fazem isso, ela resolve fazer. Só que muitas delas, muitas delas acabam postando na internet porque acham cool. Então às vezes você localiza pela última postagem. Você não, ele não avisou ninguém, mas ele postou: pô, tô indo lá no Pico dos Marins hoje, olá, saindo da van aqui, vou subir.

NMNilo Moreira

Às vezes acontece no meio da aventura, você tá lá no o fim do mundo, mas porque você subiu no morro, pegou uma antena, o cara, pô, aí ele fica desesperado, mandou uma foto para um amigo, porque se pegou internet eu preciso postar, conseguiu, já tem um monte, um monte de stories que eu não postei ainda, ele vai e posta. Então às vezes até salva a pessoa por causa disso.

CCCELSO CAVALLINI

É, eu acho que é o único lado bom dessa história de internet, é isso, o cara acaba noticiando para onde ele vai, a gente tem para onde mandar o resgate depois, para onde mandar o Luciano atrás do cara, deixar pistas, tem que deixar pista.

LTLUCIANO TIGRE

Só para você ter uma ideia, o seu Raimundo aqui, ele saiu para caçar. Ele faz caça de subsistência. E, cara, deu terça, quarta, ele não voltou. E pessoal sabia a direção, só que era uma direção que ele não conhecia tão bem, cara. São milhões de quilômetros quadrados aqui. Eu levei 4 dias para juntar as peças, porque nos 12 dias antes de eu chegar aqui A galera pisoteou e apagou tudo que é rastro. Então foi 4 dias para pegar fragmentos, e ontem, finalmente ontem, ó, ontem fazia 28 dias que ele tava desaparecido.

Somente ontem eu consegui achar os primeiros objetos dele e o primeiro rastro dele e o primeiro acampamento dele, em um local extremamente difícil, mas muito difícil. Pensa num negócio cascudo. E isso aconteceu justo muito dentro desse contexto, né? Como ele é um mateiro muito experiente, um caçador muito experiente, ele chega a não cortar tanto mato, vai abrindo o mato, não deixou rastro. Quando ele se perdeu, eu acho que demorou para cair a ficha de que ele realmente tava perdido. Então demorou esse tempo todo para a gente começar a encontrar os rastros dele.

NMNilo Moreira

Isso é interessante, por isso que você tá falando, às vezes é mais fácil encontrar uma pessoa totalmente inexperiente, porque no desespero ele pisoteia tudo, ele quebra tudo, ele revira tudo, ele derruba. Então isso causa um rastro mais fácil de ser seguido para quem vai rastrear.

CCCELSO CAVALLINI

É isso aí, isso aí. Num caso normal, com esse tempo de desaparecimento, a gente já consideraria uma situação muito crítica. Mas nesse caso específico, sendo uma pessoa mais experiente, como é que tá a esperança de achar o seu Raimundo, né, com vida.

LTLUCIANO TIGRE

Seu Raimundo, olha, a gente tem casos, né, como aquelas crianças da Colômbia que deu 40 dias, o Antônio Sena 36, os Andes nem se fala lá em 72, né, foram 72 dias brutais. E eu tô falando de pessoas que nem tinham experiência em selva. Ontem eu encontrei, é total, ontem eu encontrei o primeiro acampamento dele e as primeiras pegadas. Até o jeito que ele fez o abrigo. Ele pegou uma toceira de uma palmeira chamada caranã, que é muito espinhenta.

Como aqui tem muita onça, o que que ele fez? Preparou a parte de trás do abrigo com espinho protegendo ele, e a frente aqui, ó, se tu quiser vir, vem de frente. Cavou um poço índio para acumular água lá no local que é extremamente gigante e desprovido de água. Então choveu, a água empoçou, e você faz uma leitura assim de uma pessoa que sabe muito de mato, sabe o que tá fazendo. Então a experiência é muito grande, porque a onça aqui, como aconteceu hoje, a gente topou com onça hoje aqui.

Eu mandei até o vídeo aí que ela deu de cara com a equipe, travou, voltou. Eu te mandei esse vídeo, né? E isso, cara, aqui é bicho grande. Então tem tanta caça nesse lugar que o ser humano que vive aqui, ele não tá na cadeia alimentar do bicho. Então, pela experiência, né, o seu Raimundo, ele se perdeu com a botina dele, a roupa do corpo, um punhal, uma espingarda 28 de caça e 5 cartuchos. Deixou algumas pistas para trás que a gente encontrou, e é um cara que sabe do comportamento do bioma e dos animais.

Então a chance de você encontrar ele com vida é monstruosa. Amanhã a equipe vai bater um outro local lá muito específico. A gente tá no rastro dele, mas é tão grande aqui, o cenário é tão grande que tem que ser passo a passo, evidência por evidência, até encontrar. Sabendo que ele é um cara que sabe e tá se mantendo vivo, com certeza tá.

CCCELSO CAVALLINI

Se Deus quiser.

LTLUCIANO TIGRE

Se Deus quiser.

?Voz 1

O Romer, tem alguma pergunta para começar aí, saber para onde direciona? Depois eu vou querer saber por biomas aí, qual tipo de aventura e qual, qual as recomendações aí.

HHomer

Temos sim, tem a pergunta aqui do Marcelo Nogueira, ele quer saber qual é o erro mais comum que gente inexperiente acaba cometendo numa trilha e que pode acabar em tragédia.

CCCELSO CAVALLINI

Posso, posso responder assim, o que eu tenho mais relato é errar no horário, porque o cara vai fazer uma trilha de 3 horas, aí o cara para para tomar um café Atrasa. Aí o cara vai fazer a trilha em 3 horas, ele não tá tão preparado, ele faz em 4 horas e meia. Aí ele chega no pico que ele ia lá, começa a tirar selfie, quer ver o pôr do sol, e quando ele volta, ele não fez o cálculo de tempo. E principalmente na mata escurece muito cedo, e escurece com o cara no meio da trilha de volta. E aí ele se perde no meio da trilha, e aí vira uma bola de neve.

NMNilo Moreira

Eu tenho uma frase que eu carrego comigo sobre isso, que é: tudo vai dar tempo até você ter um contratempo. Então toda aventura que eu faço, eu calculo para o dobro. Se a trilha é de 2 horas, eu vou calcular que eu vou demorar 4, porque se eu demorar 3, tá ótimo, ainda tem 1 hora. Agora a pessoa vai pensando que vai dar tempo, e se não der tempo, se você torcer um tornozelo, por mais, pode ser uma torcida que não não passou, nem quebrou, só vai mancando.

Vai dobrar, vai triplicar. Se for uma pessoa pesada, você tá num grupo e uma das pessoas mais pesadas se machucou, o que é comum, pessoas maiores e mais pesadas têm maior chance de torcer um tornozelo, é por obviedade. Ninguém vai conseguir carregar. Então tome cuidado, o horário realmente é um dos erros mais bobos e mais comuns.

CCCELSO CAVALLINI

E acho que até complementando essa pergunta dele, o segundo erro é não tá preparado para uma pernoite. Então o cara vai, com certeza que ele vai fazer uma trilha, que ele vai voltar, mas ele esquece que ele pode ter um contratempo e pode ter que passar uma noite no mato. Aí o cara não leva uma lanterna, o cara não leva uma cobertura, não leva um jeito de fazer fogo, e se pega totalmente despreparado.

NMNilo Moreira

Se por algum acaso você passar por mim, talvez eu tô até falando pelo Celso aqui também, mas passar pela gente numa trilha que muitas vezes a gente vai sair 6 horas da manhã para voltar meio-dia, Você vai mexer nas minhas coisas, você vai achar lanterna. Para que você quer lanterna? Você vai voltar meio-dia. Porque eu não sei se eu vou voltar meio-dia. Esse é o plano, mas esse tudo der certo. Se algo der errado, eu tenho uma lanterna, não custa nada.

CCCELSO CAVALLINI

Uma lona de cobertura, um mínimo de um kit fogo.

NMNilo Moreira

Exatamente. É um peso a mais? É, mas faz parte do processo, né?

HHomer

A Fernanda Alves, ela perguntou qual foi a decisão mais errada que vocês já cometeram numa aventura e que hoje jamais repetiriam?

CCCELSO CAVALLINI

Ah, cara, eu fiz muita cagada nessa vida.

?Voz 1

Não sei se estamos falando, Zé, eu sei das suas cagadas, não estão falando disso na selva.

CCCELSO CAVALLINI

Ah, tá, eu comecei, achei que ia falar de relacionamento. Não, não, eu comecei muito cedo, ou cobrir o carnaval, né? Aquele carnaval lá, eu comecei muito cedo, cara, e eu cometi muitos erros assim. Vamos lá, é legal para o pessoal saber, né, cara? É assim, eu ia muito desequipado, muito desequipado, porque até porque não tinha grana tal. E hoje eu vejo que assim, tinha uma solução, era não ir tão longe, era comprar equipamentos mais baratos, mas que iam me servir.

Que a gente costuma falar, cara, você pode não ter dinheiro para comprar uma faca cara, mas compra um facão Tramontina de R$17, entendeu? E eu acho que eu ia muito mal equipado numa época em que a gente já não tinha os equipamentos de backup, de— não tinha GPS, não tinha telefone celular. Tô falando aí quando, sei lá, 30 e tantos anos atrás, eu tinha 20 e poucos anos, eu fazia canoagem de água branca, descia corredeira de rio e descia de camiseta de algodão, porque também não tinha uma camiseta técnica, chegava lá ensopado.

E assim, mas eram outros tempos, a gente não tinha informação que a gente tem hoje. Entendeu? É a mesma coisa que hoje você falar assim, ah, mas você tá se alimentando mal. Pô, 30 anos atrás a gente não tinha informação que a gente tem hoje. Hoje a gente tem, a gente tem como se alimentar, ter uma alimentação saudável pesquisando na internet. A mesma coisa com aventura, né? Mas eu cometi muitos erros assim, fiquei, passei muita noite ruim com saco de dormir sem isolante térmico direto no chão e passava frio Eu não entendia porque passava frio, porque tava no saco de dormir.

Não sei se as pessoas, a maioria sabe, não adianta você entrar num saco de dormir, deitar no chão, porque aquela camada do saco de dormir que prende o calor, você esmaga ela com o chão. E por condução você gela muito mais do que pelo ar. Então eu pegava um saco de dormir que era quentinho, só que eu punha direto no chão sem o isolante térmico e passava frio, ao passo que se eu tivesse ali um pedaço de papelão já ia resolver meu problema.

Então não era nem questão de dinheiro, era falta de informação. E assim, ia sem avisar ninguém, putz, era novo, não queria que minha mãe soubesse. Falando, cara, não quero que minha mãe saiba que eu vou pegar um rio, descer até a próxima cidade, cara. Então fazia o contrário, não só não avisava como fazia questão de não avisar, que era para não preocupar. Cometi muitos Então quando eu falo hoje, cara, de um erro de uma pessoa, quando eu até critico, não é julgando, que eu já fui esse cara lá atrás, entendeu?

Só que hoje, cara, a informação, você tem internet aí, você tem dezenas de canais como os nossos que vão te dar informações boas. Vocês têm programas de TV que ilustram muitas coisas, que tem, claro, sua parcela de entretenimento com alguns erros, mas ilustram muitas coisas. Então hoje, cara, você cometer um erro é um pouco pior.

NMNilo Moreira

É, o erro que mais fez eu sofrer foi comprar uma bota errada, comprar uma bota que não é feita para aquilo, porque eu achava bonita, eu achava que aquilo ia servir. E nossa, aí o pé dói, aí dá bolhas e tal. Mas eu dei muita sorte porque eu comecei as minhas atividades Bojador com a minha família. Minha família gostava muito de pescar, de ir para o mato. Desde 3, 4 anos de idade eu frequento os nossos primeiros acampamentos. Era basicamente o meu pai pegar o colchão da cama, colocar na belina e uma lona preta, e ir para beira do rio ficar 3 dias, né?

Era nesse nível. Então se chovesse, molhava tudo. Então eu era criança e tudo era festa. Mas depois que eu comecei, com 10 anos de idade, eu tive a sorte de conhecer o movimento do Clube de Desbravadores. Para quem não conhece, um pouco parecido com os escoteiros, que são um pouco mais famosos. E lá a gente vai com uma certa organização. Claro, também passei alguns perrengues. Meu primeiro acampamento Desbravadores, eu quebrei o meu braço no primeiro dia, senti dor, mas fiquei calado porque eu não queria ir embora. 3 dias depois voltei com o braço quebrado, teve que quebrar de novo, pôr no lugar.

Beleza, não sei nem por que que eu gosto de aventura, porque o que eu já passei. Mas assim, de erros, de cometer erros assim, eu sempre fui muito chato e muito cauteloso, muito. Logo depois eu comecei a escalar e eu tive a sorte de ter um professor no ensino médio chamado Christopher Massetti, um abraço para você aí, que me ensinou a escalar. Ele era escalador e ele dava aula num colégio público e fez questão de pegar com o próprio dinheiro, colocar escalada indoor, né, no Interclasse, para você ter uma noção.

Então foi uma experiência muito legal, muito ímpar para o Brasil, né, para esse perfil. E ele é um cara muito cuidadoso, e quando você tem um mestre cuidadoso, você acaba se tornando tão cuidadoso quanto, né. Então sempre foi muito chato, muito enjoado no quesito segurança. Se é uma regra de segurança, você não deve quebrar e tal. Mas que eu me lembro que eu mais sofri foi com a bota, porque aí a unha ficou preta, o pé Perdeu o pé.

CCCELSO CAVALLINI

Sabe um erro que as pessoas cometem muito? Bota velha. Às vezes você tem uma boa bota, mas você deixou guardada há muito tempo.

LTLUCIANO TIGRE

O que acontece?

CCCELSO CAVALLINI

Ela solta a sola, porque a cola das botas, e não tô falando de bota de má qualidade, não, ela resseca se você não usa. Se você usa, ela vai, a umidade vai dando essa manutenção na cola. E se você não usa, ela resseca, parece que a bota tá novinha. Quando você vai, só descobre na hora de usar.

NMNilo Moreira

Pode acontecer do o próprio solado de borracha sofrer hidrólise e ele esfarinha. Só, nossa, comprei uma bota, eu comprei uma bota caríssima, isso aqui deve ser falsa. Não, não é isso aqui, é uma propriedade natural da borracha. A borracha ela precisa ser pressionada, então não adianta ficar fazendo coleção de bota e não usar, porque pode sofrer hidrólise e no meio da aventura não vai ser legal.

CCCELSO CAVALLINI

Tanto que a gente hoje, toda a minha linha de botas, que já ganhou vários aliás, depois de presente para você, é tudo costurada, ela não é só mais colada. Você vê aqui, você tem a linha de costura, chamam de blaqueada, né, que é para, é um backup da cola ali, né. A cola ficar velha, você tem a costura ali. Então esse também é um erro muito comum, cara. E você ficar na mão com calçado no meio do mato é bem ruim.

HHomer

Tem uma pergunta aqui do Gustavo Rufino, uma pergunta aqui do Gustavo Rufino. Ele perguntou o seguinte, olha, na aviação sempre sempre que existe algum acidente se muda alguma coisa no quesito segurança. Depois do caso da Juliana Marins, mudou algo no campo da aventura e montanhismo?

CCCELSO CAVALLINI

Posso falar uma coisa? Não. Sabe por quê? Nada tem que ser mudado. Aquilo não foi um acidente que é de uma falha técnica, aquilo foi uma total negligência, uma irresponsabilidade.

NMNilo Moreira

Então precisa ser mudada, cumprir a regra que já existe.

CCCELSO CAVALLINI

Na verdade, você não tinha que mudar, né? Então aquele acidente horroroso, aquela tragédia com uma menina que tem a vida pela frente, ela só mostrou para a gente que as regras têm que ser seguidas e que as pessoas esquecem por talvez por uma ganância da empresa de ganhar dinheiro e de fazer aquilo de uma forma industrial. Sai um, entra outro, sai um, entra outro, sai um, entra outro. Então aquilo lá foi um alerta mais para que que a coisa certa seja feita.

NMNilo Moreira

Deixa eu aproveitar esse caso aí para a gente, já que a gente tá falando de consertar erros, né? O caso da menina que foi jogada da ponte, por exemplo, ela tá praticando um esporte chamado rope jump, certo? Que trata-se de você saltar amarrado numa corda e fazer um pêndulo, fazer um balanço, ok? Vocês sabiam que o criador do hop jump, morreu fazendo hop jump? Não, tá. Dan Mosmann é o nome do cara. Ele era um escalador assim, a palavra é bizarro, não tem outra palavra, eu não consigo falar outra palavra.

Ele fazia free solo. Free solo é escalar sem equipamento nenhum. O cara escalou por anos sem equipamento nenhum nos lugares mais difíceis do mundo, e o dia que ele amarrou uma corda, ele morreu, cara. E ele caiu de 300 metros. Ele criou isso. E o que que aconteceu ali? Ele fez uma mudança na ancoragem que fez com que as duas cordas, quando ele saltou, ele não saltou da ponte, tá? Então ele cruzou uma, tô explicando de forma bem simples aqui, tá?

Não é a técnica, mas ele cruzou, ele fez uma ponte de cordas, ficou no barranco e amarrou na outra corda, mais ou menos isso. É corda sobre corda e tal. Quando ele saltou, as cordas se cruzaram, quando as cordas se cruzaram, o próprio atrito das cordas cortou a corda. A corda de escalada, a corda de rapel, é feita para aguentar toneladas, ok? Mas eu tenho uma frase também, peço até desculpa para falar, mas não existe nada no mundo à prova de idiota.

CCCELSO CAVALLINI

A gente falava muito isso, né? Ela aguenta toneladas, ok, mas ela não aguenta uma gosta muito é: a inteligência do ser humano é limitada, mas a estupidez nunca.

?Voz 1

Essa é infinita.

NMNilo Moreira

Então assim, a corda que é feita para aguentar toneladas, se você for fazer um rapel numa cachoeira que tem uma quina, você precisa, você precisa colocar uma proteção de corda. Geralmente é feita até com mangueira de bombeiro, é muito comum. Você coloca ali a mangueira de bombeiro, você vai trazendo ela. Quando você vai, vai descer, que você tá, quando você tá em cima, a corda tá esticada possível, ela não tá encostando. Quando você começa a descer a corda, uma hora vai encostar nessa quina.

Nessa hora você coloca a proteção de corda. Mas aquela corda que aguenta toneladas, ela não aguenta 5 kg nessa quina, porque a hora que fizer o atrito ela vai estourar, vai cortar, aumenta a temperatura. Ela não foi tão— muitas vezes os acidentes acontecem por conta desse tipo de coisa. O equipamento foi feito para suportar algo e você faz outra coisa com ele, aí ele não vai aguentar.

CCCELSO CAVALLINI

Pena que a gente não tem corda aqui, senão eu te mostrava como cortar corda com corda. É muito simples, cara, é muito simples. Eu posso, a gente pode mostrar com o fio do microfone. Eu vou cortar o fio do microfone com outro fio.

?Voz 1

Melhor não.

NMNilo Moreira

Não, mas basicamente você faz atrito, você põe aqui, você faz assim, ele vai cortar, vai sair fumaça e vai cortar. Caramba, então isso é muito simples de acontecer. Outra coisa simples de acontecer é equipamentos verticais. Se você for no Corpo de Bombeiros hoje e pedir para analisar o equipamento vertical deles, provavelmente você vai encontrar mosquetão e freio 8 de aço. Por que que eles usam mosquetão de aço e a gente que é aventureiro usa de duralumínio, de alumínio?

Porque se é tão pesado, Para que que vocês ficam querendo essas coisas pesadas? Porque o bombeiro muitas vezes não pode escolher exatamente como ele vai fazer, então o equipamento tem que aguentar pancada. Um mosquetão ou um freio 8 de duralumínio, se eu soltar ele dessa altura no chão ou numa pedra, eu não uso mais. Já o de aço não tem problema, porque ele faz microfissuras que você não enxerga, e ele na hora H provavelmente vai— pode acontecer dele estourar.

Perde a validade. Então, mais uma vez, não existe nada à prova de idiota. Se o cara tivesse usado da forma correta, não teria problema. Mas ele bate, ele joga no chão, ele tá com a cadeirinha cheia de equipamento, ele tirou a cadeirinha, ele joga a cadeirinha. Eu já vi isso acontecer várias vezes. E essa pessoa escala de novo, de novo, e fala: nossa, o cara foi escalar e aí estourou lá a costura, ele caiu no chão, como é que pode o fabricante fazer isso?

Pera aí, mas ele usou da forma correta? Tava dentro da validade? Que equipamento vertical tem validade. Corda tem validade, mosquetão, tudo isso tem validade. E muitas vezes acontecem acidentes porque já estourou validade. O cara, mais uma vez o Celso falou aí de se você tem uma demanda muito grande você vai ter oferta. Quando você tem oferta você envolve risco financeiro. O cara quer fazer uma empresa, mas ele precisa ter lucro.

E para ele ter lucro muitas vezes ele quer economizar. E o certo é você economizar naquilo que não tem problema. Você não vai economizar em segurança. Mas infelizmente muitas vezes a economia tá na segurança, tá numa equipe mal treinada, tá no equipamento inadequado.

CCCELSO CAVALLINI

Vai fazer, cara, uma operação com 200 pessoas num dia só, aí começa a acelerar, começa aí coisa no automático, aí dá erro.

NMNilo Moreira

As cordas, por exemplo, existe a corda estática e a corda dinâmica. Para quem não sabe, a corda dinâmica é uma corda que tem uma certa elasticidade, ela é utilizada para escalar, porque é natural que você tá na escala, você pode cair. Caindo você vai ter uma absorção de impacto, beleza? Então ela é feita para isso, ela vai absorver o impacto da queda. Já a corda estática é para você fazer rapel. Você vai fazer o rapel, você não vai ficar caindo, então ela é dura, ela é rígida.

Se você trocar a função de qualquer uma das duas, vai dar errado. Mesmo ela sendo ótimas cordas, se você usar a estática na escalada, ela pode se romper porque você deu um tranco que ela não é feita para suportar. E se você trocar colocar a dinâmica, colocar no rapel, pode ser que ela arrebente, porque ela vai ficar fazendo aquele tum tum tum até que arrebente.

CCCELSO CAVALLINI

Então, mais uma vez, os cuidados. Corda tem diâmetro, você vai comprar uma corda de 8, de 10, de 12. Então tem as coisas mais complexas aí quando você entra numa coisa mais técnica. Tem mais pergunta aí?

HHomer

Tem sim. Só dar um adendo aqui que o pessoal do chat aqui, eles fizeram uma correção. Que a Juliana Marins é a moça que ela caiu no vulcão.

CCCELSO CAVALLINI

Exatamente, foi o que ele falou. É que eu já tava na outra, mas ele tava respondendo da primeira.

HHomer

Mas aí eles falaram isso aí.

?Voz 1

Vocês querem falar de biomas diferentes e aventuras e coisas que podem acontecer?

CCCELSO CAVALLINI

Cara, é assim, o bioma em aventura ele muda tudo, né? Então se eu pegar hoje, sei lá, eu fiz treinamentos no CIGS com caras que são fenômenos assim, com Tinha um tenente lá que assim, ele era ribeirinho, ele foi ver o primeiro carro com 18 anos, ele falou, nunca tinha visto um carro na vida. Que os caras são, moram também numa realidade diferente no Brasil, né? E ele conhece absolutamente tudo, me ensinou muito. E cara, se eu pegasse esse cara hoje, colocasse numa montanha, em alta montanha, esse cara ia morrer.

O cara tá acostumado com selva amazônica, você põe o cara na neve, o que acontece? Então o bioma, ele é Ele é predominante, sim. Você tem que estar que nem o urso albino, né?

?Voz 1

Coitado, toda hora ele acordava, tava no Polo Norte de novo. Imagina o desespero do urso albino, tá lá na floresta de boas, cara, fala, pô, você tá no lugar errado. Acordava ele passando frio lá no Polo Norte de novo.

CCCELSO CAVALLINI

Aconteceu uma vez só porque ele não ia voltar, né?

HHomer

Foi extinto.

CCCELSO CAVALLINI

Urso albino. Por isso que não tem mais urso albino.

?Voz 1

Mas é, não adianta você ser um especialista em um bioma.

CCCELSO CAVALLINI

Você sabe que tem, tem um urso branco, principalmente florestas canadenses. Eu não, eu não tenho certeza se ele é albino ou se ele é uma mutação ali, mas ele é completamente branco. É difícil de fotografar, poucos profissionais já conseguiram fotografar, e é bem branco. Você dá uma busca, você vai achar aí, só para contextualizar o albino predador para ele, por isso que ele pode ser branco, né? É, eles são topo de cadeia, né? É topo.

Urso, difícil. Quando a gente fala de, imagina um predador para urso, o que que tem que ser? É um alien, né? Tem que ser o predador.

NMNilo Moreira

Na verdade é o ser humano, né?

CCCELSO CAVALLINI

Olha lá. Ah, esse aí, né?

?Voz 1

É um branco sujo, né?

CCCELSO CAVALLINI

Ele vai ficando sujo. É porque ele tem a pele preta, né, por baixo, né? Ah, tá. Inclusive o O urso polar tem a pele preta também, tem, e o pelo é tão espesso, você não vê.

NMNilo Moreira

Acho que a pergunta que o Vilela fez em relação às aventuras e biomas, a gente acaba entrando na diferença entre aventura e sobrevivência. Quando a gente entra em situação de sobrevivência, que é o que o Celso respondeu, existe muita diferença. Tanto é que eu posso estar enganado, se alguém souber pode colocar no chat aí. Aqui, mas os nossos Paraçar, que é a equipe de resgate da Aeronáutica, pessoal responsável por fazer resgate no Brasil todo, eles são obrigados a fazer um curso de sobrevivência em todos os biomas e em alto mar.

E olha só que coisa louca, quando eu perguntei para alguns que eu já tive contato, e todos são unânimes, que até os que eu conheço, em dizer que a pior experiência foi a sobrevivência em alto mar. Alto mar. Não foi nenhum bioma, foi o alto mar, sem dúvida nenhuma.

?Voz 1

Por quê?

NMNilo Moreira

Porque é sol na cabeça o tempo inteiro, você não tem água, você passa 24 horas cercado de água e não pode beber água, passa 24 horas por dia tirando sal da água, que você vai ter o dessalinizador. E você principalmente não tem um ambiente rígido. Nós somos, nós somos, né, acostumados a sentar ali, é, é um bote, é um É um negócio de borracha.

CCCELSO CAVALLINI

Na verdade, você pode beber água, morre. Tinha um instrutor que falava assim: não, você pode, só que você vai morrer, mas você pode.

NMNilo Moreira

Poder pode, poder pode. Então, quando a gente trata em relação à sobrevivência, a gente tem que tomar muito cuidado, porque existe uma diferença muito grande, obviamente. Por exemplo, inclusive peço até licença para aproveitar o tema, eu estou lançando essa semana o curso Sobrevivência Real, que é justamente para trazer esse tipo de conhecimento, para que se a pessoa passar esse tipo de situação ela possa sair. E ali a gente toma cuidado de tentar colocar o máximo possível daquilo que é inerente a todos os biomas.

Existem coisas de sobrevivência, elementos de sobrevivência e necessidades de sobrevivência que são inerentes a qualquer lugar, porque o ser humano ele vai precisar de água, ele vai precisar de calor, ele vai precisar de abrigo em qualquer ambiente. Isso aí é independente, mas obviamente que existem diferenças de regionalidade. Vou dar um exemplo básico: no Cerrado, uma das coisas mais complexas e difíceis é você construir um bom abrigo, porque você não tem geralmente material bom para fazer um abrigo, nem cobertura, nem nada.

As pessoas falam assim: a Amazônia é o inferno verde. Mas a Amazônia é o lugar, de longe, que eu já estive mais mais fácil de fazer um abrigo. Você bate o facão duas vezes, você constrói três abrigos, que é uma folha de palmeira tem 6 metros, você tem muita matéria-prima, né?

CCCELSO CAVALLINI

Então você tem as largas folhas, madeira. Então, claro que não é assim como ele falou, ele tá brincando, mas é muito mais fácil.

NMNilo Moreira

Mas é muito mesmo. Exemplo clássico: se você vai para Mata Atlântica e vai construir um abrigo, geralmente se usa muito folha de palmito, que hoje é muito comum. Você vai cortar o palmito, vai tirar as folhas, mas um palmito tem folhas pequenas e poucas. Você vai gastar um nível de energia. Lembrando que sobrevivência é a manutenção o máximo possível da sua energia, do seu corpo, né, não gastar. Você vai gastar muita energia para fazer um abrigo.

Na Amazônia você vai gastar menos, mas você vai transpirar mais. Então você sempre tem uma diferença. No Cerrado, dificilmente, dependendo da época, uma coisa que eu já fiz e já mostrei no canal, eu acampo dependendo da época sem cobertura nenhuma, porque você tá 20% de umidade. Quando eu era criança eu ouvia muito aquele negócio, menino, sai no sereno, e eu não entendia qual o problema. Aí quando eu mudei para Santa Catarina eu entendi, porque você sai de lá parecendo que você tava debaixo de chuva.

Em Goiás não, porque é seco para caramba. Então o contraste das diferenças dos biomas vai alterar algumas necessidades, mas existem necessidades básicas e naturais do ser humano que não vai, não vai alterar.

CCCELSO CAVALLINI

E aí você tem que fazer uma conta em muitas coisas assim, se o gasto calórico ele compensa a atividade. Então você vai lá, vou caçar, beleza, mas você vai caçar, você vai, sei lá, conseguir um animal que vai caçar um calango lá, você vai, você vai receber quantas calorias daquele animal. Será que você não gastou mais calorias do que você vai ingerir caçando aquilo lá? Isso serve para abrigo, serve para uma série de coisas. Então, sobrevivência é uma coisa complexa, mas ela depende muito de bioma.

Assim, o conhecimento prático do bioma, o que que você pode comer ali. Se você for um cara que tá acostumado com Caatinga, você pode comer uma coisa. Você vai para Mata Atlântica, é outra. Você vai para Floresta Amazônica, é outro bioma. Você tem coisas que você pode comer, Tem coisa que você não pode comer.

NMNilo Moreira

É o caso mais famoso aí é do Christopher McQuarrie, né, que tornou um filme, para quem nunca assistiu ainda, Into the Wild, ou Na Natureza Selvagem, que é um filme muito bacana, é baseado numa história, é um bom filme, trilha sonora incrível, né, bacana. Mas resumidamente a história, para não dar, não tem como não dar spoiler, eu vou dar spoiler.

?Voz 1

É porque é o seguinte, o filme não é só sobre isso. Isso, se a gente falar, a gente falar, posso assistir sem final, mas o filme, o final é a jornada toda.

NMNilo Moreira

O que eu não vou dar spoiler é a conclusão que ele chega, que para mim o filme todo é aquilo. Não vou dar, não vou dar. Ele chegou na conclusão incrível que você precisa assistir. Mas resumindo a história, ele queria se isolar para curtir a solitude, que é diferente de solidão, né? Ele queria estar sozinho, aproveitar a natureza. Pouco preparado, foi para um ambiente do Alasca com pouco preparo também. Consegue caçar e tudo, mas não consegue cuidar.

É um animal muito grande, ele não consegue fazer aquela carne durar, porque não tem geladeira, galera, vai perder, vai, as moscas vão tomar conta. Por fim, ele fica com muita fome, já tá sofrendo na missão, acabou a comida dele, ele resolve utilizar um livro. Aí, aí é quando eu falo de alimentação, principalmente no meu curso. Quem tiver no curso vai ver que eu pego muito em cima disso. Situação de sobrevivência, raramente, mas raramente você vai se alimentar de origem vegetal.

Por que que raramente você vai se alimentar de origem vegetal? Porque necessita um conhecimento muito grande do bioma e daquele tipo de coisa, e mesmo assim pode dar ruim. Que que ele fez? Ele pegou o livro, ele pegou o conhecimento que ele tinha, ele olhou, ele viu uma plantinha, viu uma frutinha bonitinha, olhou, a foto era igual. Foto era igual. E como eu estou falando do filme, tá? O que ele realmente passou nunca saberemos.

Tem alguns relatos, mas— e ele come uma fruta que na verdade era um veneno. E aí, aí sim, o sistema digestivo dele vai embora. Aí ele entra em maldição total, ele perde a vida, né? Ficou preso ali porque também teve o desgelo e o rio que tava congelado quando ele passou, quando ele foi tentar voltar, o rio tava grande. Ele teria que esperar outro inverno, né? Então ele perdeu a vida. Isso é muito comum. As pessoas têm a mania de acreditar que no meio do mato eu vou comer fruta.

Primeira coisa, deixa eu contar um negócio para você: não existe fruta no mato, em nenhum mato, em nenhum mato não existe fruta. Não existe fruta nenhuma que você coma hoje que existe no mato. Vamos lá, primeiro, moranguinho, não existe fruta que você coma Vai no mercado agora, ok? Entrei no Hortifruti e tem milhões, várias frutas, não tem? Não existe no meio do mato, não existe melhor.

CCCELSO CAVALLINI

Porque nossa banana foi totalmente modificada.

NMNilo Moreira

Todas as frutas e alimentos, cereais, tudo que te consome hoje foi selecionado ao longo de anos e anos e anos, inclusive pelos próprios indígenas, por, né? Isso foi selecionado. Então você não vai encontrar banana Inclusive, uma coisa que eu costumo falar e eu costumo brincar é que é natural você ver muitas vezes o pessoal treinando algum tipo de técnica de sobrevivência usando bambu, né? E se você tiver no Brasil e se você encontrar bambu, você pode começar a gritar, porque tem gente perto, porque bambu não é nativo.

Então, se você tá perdido, não tem bambu, então o que que adianta você saber uma técnica que só funciona com bambu se lá no mato não vai ter bambu? Então, esses alimentos de origem vegetal vital, você não vai encontrar. O que que você vai encontrar? Você vai encontrar alimentos.

?Voz 1

Um pouquinho, que que vocês estão rindo aí? Ele falou em bambu. Fala, fala, diretor. O diretor e Roma, que que vocês estão rindo aí?

HHomer

E o bambu?

?Voz 1

É, exato.

NMNilo Moreira

E o bambu lá, ele sabia, sabia que era Silvio Santos, o Velho Testamento.

HHomer

Olha só aí o bambu.

NMNilo Moreira

Mas é, então por que que eu falo isso? Porque existe essa curiosidade, pessoal vai para o mato e uma frutinha, não deve ser gostoso. Não, existe uma regrinha, tem o CALVE, né? Cabeludo, amargo, leitoso. Lá ele, lá vem, né?

?Voz 1

É uma atrás da outra, né?

CCCELSO CAVALLINI

Não dá nem tempo de respirar, né?

NMNilo Moreira

Mas são regras que você usa de processo mnemônico para você lembrar o que você deve evitar. Se algo é muito amargo, geralmente não é para a gente comer, que se fosse para a gente comer era doce.

CCCELSO CAVALLINI

Cabeludo, amargo, leitoso.

?Voz 1

Cabeludo, amargo, leitoso.

NMNilo Moreira

E às vezes você coloca um calvo e um vermelho, que o vermelho também é uma cor que você geralmente evita. Por exemplo, alguns insetos você pode comer, um gafanhoto, mas você vê um inseto vermelhão, provavelmente não é bom.

?Voz 1

Cobra vermelha, né?

CCCELSO CAVALLINI

Perereca vermelha você come? Não, falando sério. Aí, aí, tá vendo? Aí, aqui tá certo.

LTLUCIANO TIGRE

É um sapinho da hidrobata.

CCCELSO CAVALLINI

Explica, explica, cara.

LTLUCIANO TIGRE

Fala aí, explica que é um sapo venenoso chamado ponta-de-flecha, um sapo, é o famoso dendrobata.

?Voz 1

É porque tem moleque que beija sapo para virar príncipe, mas já beijei umas perereca aí, virou umas bruxas aí, cara.

NMNilo Moreira

Então alimentação na situação de sobrevivência, por que que a gente sempre fala que primeira coisa que eu vou fazer numa situação dessas, eu vou pegar meu kit de sobrevivência. No meu kit de sobrevivência tem comida, tem comida. Eu não vou, eu vou fazer uma aventura com pouca comida. Por quê? Porque a maior, o maior desafio para quem já assistiu Largados e Pelados sabe o quanto eles sofrem para conseguir comida. É muito difícil para um caçador experiente que mora naquela região, ele já sabe onde o bicho vai, já é difícil.

Imagina para alguém que nunca teve naquele ambiente descobrir onde é o local que o bicho vai, armar uma armadilha, conseguir pegar esse bicho, conseguir processar esse bicho. Então assim, para mim, o a coisa mais viável de alimentação na situação de sobrevivência é peixe. Mas para você pegar um peixe sem nenhum equipamento, você vai ter que saber fazer um covo feito de cipó, que é extremamente difícil. Já fiz, não é uma experiência nada fácil.

Ou você vai ter que saber algum tipo de outra. É difícil. Se a pessoa não tem experiência, ela dificilmente vai conseguir comida. Então é mais interessante ela economizar energia do que ficar tentando caçar e subir em árvore para pegar uma frutinha que ele nunca viu. E até, ó, tá aí, você comeria esse sapo aí?

?Voz 1

Não, não comeria nenhum sapo, cara.

NMNilo Moreira

É porque você não tá com fome suficiente.

CCCELSO CAVALLINI

Ah, tá. Engolição, quando bate o desespero, engolir muito sapo.

?Voz 1

Mas esse daí, cara, não tá muito apetitoso não.

CCCELSO CAVALLINI

Olhando ele assim, até fofinho, né? Coitado, virar comida. Até perdi o o raciocínio que eu ia falar. Mas a gente tá falando de frutas assim, por incrível que pareça, a proteína é a coisa mais segura da natureza. Você nos ossos, você não tem proteína envenenada, né?

?Voz 1

É difícil você pegar um animal, mas se o animal tiver morto, não, morto não, estragado não.

NMNilo Moreira

Mas se ele morreu, você não sabe a causa, né? Se a causa é uma doença, principalmente para quem não sabe, uma das doenças mais terríveis que existe a raiva, né? E ela é incurável. Se você pegar raiva mesmo e ela se manifestar, é 100%, de 99,999%, você vai morrer. Então imagina, você acha um morcego, um bicho morto, é melhor.

CCCELSO CAVALLINI

Aliás, esse é um toque muito importante. Tem muita gente que acha bicho morto, morcego ou morimbundo ali, e quer pegar tal, e acaba se arranhando. Tem um arranhãozinho que você nem percebe, já da rua, pode estar contaminado, você pode se contaminar com raiva.

NMNilo Moreira

Se você tiver contato com animais mortos, com morcego, alguma coisa assim, teve contato, não precisa nem ser arranhar, teve contato, procura um médico, vai tomar antirrábica, porque você não tem noção do que é o quadro de raiva.

CCCELSO CAVALLINI

Não tem cura, é uma morte muito feia. Então teve contato com animal que você não sabe a procedência ali, que não é um cachorro do vizinho que você tá acompanhando ali, vai tomar rábica, vai procurar o médico.

NMNilo Moreira

Muito comum, tá? É principalmente em aventuras mais urbanas ou um pouco mais tranquilas você ter contato com micos e macacos. São muito curiosos, pessoal da comida, e mordem muito. É como, é comum você sofrer um acidente com um animal desse.

CCCELSO CAVALLINI

Então sofreu mesmo esses biquinhos de quem tem aqui, tem aqui no teu quintal, tem.

NMNilo Moreira

Então é um negócio que você tem tem que ficar esperto.

?Voz 1

Que pode comer comida que algum bicho comeu, por exemplo? É, aqui entra aquele gambazinho aqui de vez em quando, vou lá na cozinha porque esqueceram a porta aberta, tem um monte de fruta mordida.

NMNilo Moreira

Joga fora.

?Voz 1

Se eu não souber e vou comer, acaba que joga fora, mas não arrisca.

LTLUCIANO TIGRE

Mas não arrisca.

NMNilo Moreira

Mas eu quero falar que pode ser um problema, porque se ele tiver contaminado com raiva, saliva dele que vai passar. Então é, aproveitando esse gancho, existe um mito na sobrevivência Que é assim: se o passarinho come, eu posso comer também? É indicativo. Será que eu posso comer essa frutinha? O passarinho tá comendo. Primeiro, você teimou ela?

HHomer

Não.

NMNilo Moreira

Então como é que você acha que você vai comer o mesmo que o passarinho? Pode ser um indicativo, pode, mas não é confiável.

CCCELSO CAVALLINI

Segunda coisa, você voa, você tem bico, você voa, desgraçado. Então não come a comida do passarinho.

?Voz 1

Terceira coisa, ele é avô.

CCCELSO CAVALLINI

Terceira coisa, você não tem mercado, deixa a comida do passarinho aí, vai comer, porque o passarinho vai morrer de fome. Não, brincadeira, desculpa, mas é verdade. Tem muita, tem uma regra de sobrevivência: se passarinho come, você pode comer. Não é, não tem nada, não rola.

NMNilo Moreira

Na sobrevivência existem muitos mitos, existem muitas coisas que a gente tenta quebrar, a gente tenta explicar. E um deles é essa em relação à alimentação, né, que se eu ficar perdido eu vou comer fruta, eu vou comer um monte de coisa e tal. E você não vai. Se você ficar perdido sentido, você vai passar fome. É muito importante você economizar energia mais do que qualquer coisa, porque você não vai— vamos dar um exemplo clássico: me perdi na Mata Atlântica.

Meu amigo, você com pouco esforço, não muito esforço, você consegue tirar palmito para caramba. Tirar palmito é crime, tá? Mas numa situação de sobrevivência, não pode nem mexer na situação de sobrevivência. Beleza, show de bola.

?Voz 1

Onde fica o palmito? Olha ele, é em cima, é no tronco inteiro?

NMNilo Moreira

Ele na verdade é o broto da folha, é isso que ele é, ele é o broto da folha, tá dentro da folha. Dali é que vai começar a sair as camadas das folhas. Mas presta atenção, exercício para casa: se você tiver um palmito em casa, você vai na sua geladeira agora, você vai pegar o vidro de palmito, você vai virar ele e vai olhar quantas calorias tem em um vidro de palmito. Lembrando que você simplesmente pegou o vidro. Imagina que você tem que derrubar a árvore do palmito, você tem que descascar o palmito.

Lá ele, eu tô esperto com a galera ali. E aí sim você vai consumir. E olha só, você tá acostumado a comer o palmito na salmoura. O palmito tem gosto de nada, tá? O palmito, palmito tem gosto de nada, ele só tem textura. Por isso que põe a salmoura, para ficar salgadinho, mas não tem gosto de nada. E aí você vai comer aquilo. Eu digo que você deveria comer, se numa situação sobrevivência?

HHomer

Sim.

NMNilo Moreira

Por quê? Porque vai te ajudar psicologicamente, mas não vai te dar caloria nenhuma. Você não vai passar 6 meses no meio do mato comendo palmito e vai ficar vivo. Não vai. Você vai morrer, porque ele não te dá, não tem caloria, não tem nutriente praticamente nenhum.

LTLUCIANO TIGRE

E gasta uma energia derrubar.

NMNilo Moreira

Exatamente.

LTLUCIANO TIGRE

Gasta uma energia derrubar um palmito, que olha, tem palmito que é de chorar até você chegar no miolo. Quando você pega ele, que come, ele vai, rapaz, não tem gosto de nada.

NMNilo Moreira

Alguém já viu descascar palmito aqui? Já viu? Não.

?Voz 1

Será que tem aí?

LTLUCIANO TIGRE

É trabalhoso demais.

CCCELSO CAVALLINI

Quando você derruba, cuidado com essa busca na internet, por favor. Deixa eu falar antes que não mostra. Cuidado com a busca descascar o palmito na internet, por favor.

NMNilo Moreira

Tentando explicar aqui, você vai derrubar uma árvore que, para quem já viu uma palmeira, é mais ou menos muito parecido. Quem nunca viu um palmito, você vai derrubar. Quando você derrubar ali no meio das folhas, você vai começar a descascar aquilo, e são camadas e mais camadas rígidas, difíceis, duras. Você tem que ter uma faca, porque no dente vai ser muito difícil. E lá dentro tem um pedacinho pequeno, é pouca coisa. E aí, se um vidro cheio já não tem caloria, imagina um pedacinho.

Então eu te garanto com toda certeza do mundo, obter o palmito lá na natureza, qualquer quantidade que você obtiver, você vai gastar mais calorias tentando pegar do que o que você vai consumir. Isso aí é certeza, é cálculo básico.

LTLUCIANO TIGRE

Exato, é a famosa matemática da sobrevivência, né?

CCCELSO CAVALLINI

Exato, exato. Deixa eu fazer um convite aqui antes que eu esqueça. A gente tá hoje, quinta-feira, sexta e sábado, tá rolando Shot Fair no Airbnb. Todos nós vamos estar lá. Luciano vai estar lá, se ele conseguir.

LTLUCIANO TIGRE

Hoje é quinta, 16, vou sim, vou sim, 17, 18, tá?

CCCELSO CAVALLINI

Quinta, sexta e sábado tá rolando Shot Fair no Airbnb, uma feira muito legal. E com várias palestras sobre sobrevivência, algum lugar, dá uma procurada, por favor. shotfairbrasil.com.br.

NMNilo Moreira

Eu posso aproveitar esse gancho para dar um presente para o Vilela que o pessoal da feira mandou?

CCCELSO CAVALLINI

Pode, pode, claro.

NMNilo Moreira

Ó, Vilela, esse aqui é um presente de um parceiro nosso que é Invictus, tá? Deixa eu ver esse presente. Eu tô, eu trouxe ele especialmente para você porque é o seguinte: isso é um zippo. Para quem não sabe, é um isqueiro.

?Voz 1

O Homer vai querer roubar. Tem um pro Homer? Porque eu sei que ele tá, ele tá babando. Tem um pro Homer?

NMNilo Moreira

Tem lá na Shot Fair. Porque é o seguinte, esse modelo ele é uma edição limitada só para feira, só vai ter na Invictus na feira. No site da Invictus não tem, não vai ter, e você não vai comprar. É só para quem foi na feira.

?Voz 1

Eu sou um veterano de guerra.

NMNilo Moreira

Tem 3 modelos diferentes, esse é um deles, né? Esse é baseado na Segunda Guerra Mundial. Que legal, C-47, muito bacana. Então é um presente para você e para convidar o pessoal que tá aqui a estar na feira, não só para ter o seu zíper aí de edição limitada lá na Invictus, mas também para você aproveitar várias coisas que só vão acontecer lá, né? Vai ter guerra medieval lá, vai ter muito forte, vai ser um negócio.

CCCELSO CAVALLINI

A gente vai se matar de armadura, cara.

NMNilo Moreira

É mais ou menos isso.

?Voz 1

Eu vou gravar isso, lógico. Quero ver isso. Eu levo Ô homem, coloca uma armadura aí.

NMNilo Moreira

Eu posso até me dar mal, mas existe uma regra clara: liga a câmera. Eu vou me lascar, então pelo menos grava, né?

?Voz 1

Pelo menos para saber, vou ganhar com alguém vendo.

CCCELSO CAVALLINI

Ó, esse aqui é um presente meu.

?Voz 1

Que que é?

CCCELSO CAVALLINI

Abre para você ver, pô.

NMNilo Moreira

Que cara grosso, né, ô homem?

CCCELSO CAVALLINI

Mano, grosseiro, rapaz.

NMNilo Moreira

Olha isso, essa nunca ganhei, viu? Essa até hoje não ganhei.

CCCELSO CAVALLINI

Desenho meu.

?Voz 1

Que que é o lance aqui? Porque esse formato Tá todo estranho aqui.

CCCELSO CAVALLINI

Então isso daí foi, cara, isso daí é uma faca que eu criei. Você, você, a pegada básica é essa daqui, a bainha é aqui, mas ela tem várias pegadas. Então você pode usar uma pegada de defesa, que é isso daqui.

NMNilo Moreira

Você pode ter um formato de karambit, né?

CCCELSO CAVALLINI

É, você pode usar uma pegada aqui, ó, de dois dedos, e aqui de estilete. Você pode usar como formão, né? Uma pegada, é uma faquinha de descer para o seu dia a dia ali, pode deixar no carro para cortar. Cuidado que tá mega afiado.

NMNilo Moreira

Eu posso te dar uma dica importante? Não precisa nem pegar. Ó, quando você carregar esse tipo de equipamento aqui, esse tipo de lâmina, é você sempre está carregando isso para abrir caixa e cortar fruta. É só para isso, tá?

?Voz 1

É o que eu vou falar se alguém perguntar.

NMNilo Moreira

Você entendeu? Você entendeu, senhor?

?Voz 1

Abrir caixa e cortar fruta, senhor. Descascar Descascar a fruta, senhor.

CCCELSO CAVALLINI

Descascar banana, principalmente banana.

NMNilo Moreira

Só para quem é inteligente já entendeu, entendeu? Tá bom, você não precisa criar, né, prova contra o animal que mais mata no mundo, que é o inseto mosquito.

?Voz 1

Esse é bom?

NMNilo Moreira

Esse não é bom não, esse é ruim. O inseto não gosta de gelo. Esse é ruim, cara.

?Voz 1

Isso daqui parece aquela piada, né, o cara quer apostar naquela rinha de galo e fala Qual que é o bom aí? Falou, bom é aquele marronzinho lá. Ele aposta o marronzinho, toma um pau do outro. Mas você não falou que ele é bom? Não, o outro é bom, o outro é ruim.

CCCELSO CAVALLINI

Nossa, como é ruim! Isso aqui é para roupa, você vai passar na roupa. Aí sim, bem legal.

NMNilo Moreira

Sabe qual uma vantagem incrível desse daí? É uma coisa que eu fiquei preocupadíssimo, porque lembrando, eu falei aqui no começo que minha filha, desde que nasceu, foi para o mato comigo. E crianças, certos repelentes Você não pode passar na pele dela.

CCCELSO CAVALLINI

Por quê?

NMNilo Moreira

Porque tem coisas para criança, para grávida, você não pode certas coisas, porque tem certas— como é na roupa, não tem problema. Você vai passar na roupa da criança, ela vai aderir ao tecido, ela não adere à pele, e você vai pôr a roupa na criança, ela vai ficar protegida. Que é difícil você—

CCCELSO CAVALLINI

porque pica por cima da roupa, que ninguém sabe. Todo mundo acha que o mosquito vai ficar— não, 70% das picadas de mosquito são por cima da roupa.

NMNilo Moreira

Agora eu lembrei, depende da roupa também, né?

?Voz 1

Se for Tá muito grossa.

NMNilo Moreira

Se tiver com armadura, quem tiver lutando, eu lembrei de um erro, eu acho que a maioria já cometeu e eu cometi. Agora eu lembrei: deitar numa rede com mosquiteiro, só que com as costas direto na rede. Eu acordei todo chupado.

HHomer

Como?

NMNilo Moreira

Porque ela pica através da rede, através do tecido. Então bate na rede. Logicamente, o ideal é você colocar um isolante térmico na rede. A maioria não gosta, mas ajuda, né? E você usar, porque realmente pelo tecido vai passar.

CCCELSO CAVALLINI

Aí o outro é um inseticida de ambiente, só que ele é de alta tecnologia. Então se você tiver mosquito aqui no estúdio, você só dá uma espirradinha e ele fica agindo e trabalha sozinho. É muito bom. E o presente inútil que eu trouxe para você, essa bota. Aí você vai me perguntar por que que ela é inútil. Porque só tem um pé, porque a gente não tinha os dois.

?Voz 1

Ganhou um presente aí, mano.

CCCELSO CAVALLINI

Acabamos de ler, não foi o Léo? Foi assim a história, acabamos de lançar essa bota. Aí o Léo falou, leva para o Vilela. Eu falei assim, mas a gente precisa de um pé para deixar aqui porque a gente acabou de lançar. Aí leva um pé para ele.

NMNilo Moreira

Eu falei, puta, que ficou na série.

CCCELSO CAVALLINI

Essa bota é muito legal. Qual que é o lance dela? Ela é de cadarço de elástico, ela é muito fácil de pôr e tirar, uma bota extremamente confortável, bota para dia dia a dia. E, cara, para dia a dia, a coisa mais confortável que você vai ter. Solado é para quê, cara? A gente sempre faz bota pensando em qualidade extrema. Então é um solado especialmente feito para dia a dia de cidade, com palmilha especializada. Ou seja, uma bota bonitinha, mas com alta tecnologia nela envolvida.

Dá para falar mesmo, mas assim, você pode usar num pé e no outro você usa Crocs, sei lá.

?Voz 1

Tá bom, deixou.

CCCELSO CAVALLINI

Cara, gostei, hein?

?Voz 1

Gostei. Tem mais perguntas aí?

CCCELSO CAVALLINI

Vamos lá. Não, a gente adora pergunta, cara.

HHomer

Tem sim, cara, mas eu queria saber se você usa bota.

?Voz 1

Lá vem: não. Por quê?

HHomer

Porque bota você machuca.

CCCELSO CAVALLINI

Eu gostei dele, vou levar ele para casa.

?Voz 1

É o tiozão do churrasco, né?

NMNilo Moreira

Tem desse para vender.

?Voz 1

Tem, tem, é o tio João, aquele básico. Você vai na prateleira, o tiozão do churrasco é ele. Pararam de fabricar agora, né, que agora é cringe, né? Agora é cringe.

HHomer

A Nanda Skylet, ela mandou o seguinte: existe alguma diferença de preparo entre alguém que faz uma trilha de praia, como de Praia Grande, Ilhabela, para alguém que costuma subir montanhas?

CCCELSO CAVALLINI

Sim, é outra atividade, né? Uma trilha de praia É outra atividade, você vai ter outro tipo de problemas. Às vezes você não tem água porque você não pode tomar água salgada. Trilha de montanha geralmente você tem água, mas uma trilha de montanha você tem outros problemas que você não vai ter na praia. São atividades completamente diferentes. Você tem que estar com—

NMNilo Moreira

quem já caminhou na areia é horrível, tem noção do quanto é complicado. E quem não teve essa experiência, fazer primeira vez, sofre bastante. Então tem diferença, tem diferença de preparo, tem essa diferença de— e óbvio, quando ela falou subir montanhas, a gente tá falando do Brasil, por exemplo. Você não vai ter montanha nevada nem de ar rarefeito, nós estamos falando de alpinismo, né, de pequenas montanhas, né, mas que mesmo assim são tão perigosas quanto.

CCCELSO CAVALLINI

Mas é interessante a pergunta dela, porque assim, você pode estar no mesmo bioma e ter dificuldade diferente. Você pode estar numa região de Mata Atlântica que você vai ter ali a encosta, que é praia, e vai ter a montanha no mesmo bioma, só que desafios totalmente diferentes que requerem habilidades e equipamentos diferentes, né, dentro do mesmo bioma.

NMNilo Moreira

E o ideal, para quem talvez queira saber, quando a gente falou de horário, é sempre você ir fazer montanhas, principalmente no Brasil, o quanto mais cedo você conseguir subir, melhor. Porque a tendência de montanhas é no final do dia você ter uma virada de tempo, chover, ter uma tempestade, vento. Isso é natural, porque começa a esquentar, esquentar, esquentar, o ar começa a se movimentar ali, tem aquela mudança climática de tempo, e no final do dia geralmente que vem os piores problemas. Então voltar o mais cedo possível é sempre uma boa dica.

LTLUCIANO TIGRE

Montanha geralmente é uma área de baixa pressão, né? Ela funciona mais ou menos como um ralo de banheiro, né? A baixa pressão tá ali, a umidade é toda atraída para lá. Então montanha, cara, época de verão como o Nilo colocou ali, pode esquecer, meu irmão, sempre vai ser área de baixa pressão. Então tem que cuidar porque a meteorologia ali é, não tem, ela pega mesmo.

?Voz 1

Por que que varia tanto em montanha, principalmente mais alta?

NMNilo Moreira

Você tem chuva, sol, tudo, calor, frio, tudo no mesmo, justamente por isso que ele atrai a umidade, ele tem uma variação muito grande quando varia varia pressão, varia umidade, tudo isso varia.

?Voz 1

Daqui a pouco tá sol, daqui a pouco é do nada.

NMNilo Moreira

É muito fácil você pegar e olhar aqui, não, a previsão do tempo de hoje é sol forte o dia todo. Aí você sai, chega lá, tá chovendo. Pode acontecer isso, acontece bastante, né?

?Voz 1

Tava lá em Gramado, isso daí, saí do hotel, sol, cheguei no centrinho que é 2 km, tava, você não enxergava nada de neblina.

NMNilo Moreira

Por esse motivo que existe no Brasil e no mundo a temporada de montanha. Já ouviu falar na temporada de montanha? Temporada de montanha geralmente é no inverno, inverno, outono.

LTLUCIANO TIGRE

Por quê?

NMNilo Moreira

Porque são épocas mais frias. Então você já começa diminuindo, por exemplo, incidentes com cobra, já diminui bastante porque elas estão mais inativas. Gosta de calor, gostam de calor, são animais que precisam do sol para, para, né, regular a temperatura e tudo. E geralmente o lugar que tem mais exposição ao sol é justamente na trilha onde tá limpo. Então vai dar problema. E por outro lado, você tá numa época que chove menos, chove menos porque é menos úmido, né?

Na época do inverno você tem uma época mais seca. Para quem mora na região do Cerrado sabe o quanto Cerrado no inverno é extremamente seco. Na Mata Atlântica ainda vai ser úmido, sempre vai ser, mas vai ser muito menos úmido nessa época. Então tem a temporada de montanha por isso, porque justamente onde você tem o tempo, não clima, você tem o tempo mais estável, né?

CCCELSO CAVALLINI

Aliás, cara, aproveitando o gancho, a gente esse ano a gente tá com uma previsão de super El Niño bem alta, e é um tema interessante para a gente falar desse cruzamento de meteorologia, dessas coisas climáticas com sobrevivência, porque eles vão mudar totalmente o nosso cenário tanto de sobrevivência quanto de sobrevivencialismo. É um tema bem interessante da gente cruzar, porque tá, a previsão tem aumentado, né, de super El Niño.

?Voz 1

Que é para quando?

CCCELSO CAVALLINI

A previsão adiantou que era a partir de setembro, né? E fala, pode falar, Lu, pode falar.

LTLUCIANO TIGRE

Não, é o pau tora já agora nesse mês que a gente tá, né? Nesse mês que a gente tá, já vai começar de setembro, vai entrar com tudo, cara.

?Voz 1

É, tem um alerta lá para o sul, né, Rio Grande do Sul. De perigo de enchente.

CCCELSO CAVALLINI

Se não me engano, a probabilidade de super El Niño aumentou de 62 para 81%. A previsão vai ficando mais justa, né, à medida que ele se aproxima.

LTLUCIANO TIGRE

Então é que a gente tem, a gente tá tendo um aquecimento muito grande, né, Cava, do Pacífico. E dentro do sistema fechado, isso é uma loucura, cara. Isso aí espirrando para atmosfera é muita coisa, né? Não é normal isso.

CCCELSO CAVALLINI

Muito louco isso, né? Você aumentar 2 graus na temperatura da água, você nem sente, é, mas é todo esse, toda essa diferença aí.

HHomer

Fala, Romero, tem uma pergunta aqui do Rafael Borgonoff.

?Voz 1

Ele quer saber se existe, deu fome, cara, eu lembrei de estrogonofe ou banoffee também.

HHomer

Olha, ele falou se existe algum órgão que é responsável em fiscalizar lugares que promovem tipos da prefeitura. Aí ele complementa: depois do caso do hop jump, ele ficou inseguro de se aventurar.

?Voz 1

É, quem é que fiscaliza essa parada, hein? Cara, pequena dúvida.

CCCELSO CAVALLINI

Na verdade, assim, para ser sincero, ninguém. Você tem lugares onde você é proibido de entrar porque você tem restrições de semibil, como era o caso da ponte, da ponte onde a menina morreu. Não era para entrar, não podia entrar. É, só que assim, a gente não tem uma fiscalização prática que vai ficar ali na beira de uma trilha 24 horas por dia impedindo alguém de entrar, né? Então deveria ter, mas a gente é num país como o Brasil, de tamanho continental, é muito difícil, né?

?Voz 1

Como que funciona nos Estados Unidos, por exemplo, nos grandes parques?

CCCELSO CAVALLINI

Os grandes parques você tem a portaria. Eu já fui, eu posso falar porque eu já fui.

?Voz 1

Acho que portaria que fecha ou tá sempre aberta?

CCCELSO CAVALLINI

Não, ela fecha. Mas nos Estados Unidos assim, aí você tem um horário de entrar, tem épocas que elas estão fechadas, que o parque tá fechado. Tem gente que dorme lá, né, que fica. Se você fizer reserva, tudo direitinho, você pode dormir. Se você não fizer, e mesmo que você faça, se você chegar lá e teve uma variação de tempo, o parque vai estar fechado. É claro que assim, estamos falando da portaria, se o cara entrar, der a volta, o parque não vai cercar.

NMNilo Moreira

É gigantesco, né?

CCCELSO CAVALLINI

É gigantesco, né? Tem parques, você pega o Yellowstone, a gente A última vez que eu fui com a minha esposa, a portaria que a gente tava, tava fechada. A gente teve que entrar por outra portaria. Então falando de 6 horas de carro para chegar na outra portaria, porque o parque pega 3 estados. Então você tem ali uma área que recebe os turistas, que vai dar mapa, que vai dar orientação e tal. Só que, cara, você tem uma cultura outdoor lá muito mais preparada.

Então o cara que vai fazer uma coisa lá, ele já vivenciou aquilo lá. Não é que nem no Brasil, né, que tá um negócio, cada um faz o que quer, vê na internet, vai. Claro que tem acidente lá, mas assim, até porque eles têm urso, tem um monte de coisa que não tem aqui.

NMNilo Moreira

Mas eu não sei se eu devo, mas eu já tô há muito tempo na internet e eu não tenho cancelado. Tô cancelando de uma vez, eu vou dar uma opinião.

CCCELSO CAVALLINI

Corta o microfone dele, eu vou dar uma opinião impopular.

NMNilo Moreira

Eu posso falar uma opinião impopular? Vamos, não faz isso, eu tenho uma criança, perdeu 3 patrocinadores. Eu acho que a cultura nossa brasileira, e eu me incluo nela, nós temos um sentimento desde que a gente meio que nasceu, é paternalista do Estado. Tudo alguém precisa regular, alguém tem que regulamentar, alguém tem que proibir, alguém tem que ir com a gente. As pessoas, na minha visão, as pessoas têm que ter liberdade até de serem idiotas e colherem as consequências por fazerem coisas erradas.

O meu trabalho é justamente esse, informar as pessoas como é a forma correta de fazer. Mas quando a gente, porque, porque que eu sou contra a criação, por exemplo, de um órgão fiscalizador? Porque entenda, as pessoas vão continuar morrendo da mesma forma, só que você vai pagar imposto para poder fazer coisa. É simplesmente isso. Você vai ter um monte de funcionário público recebendo dinheiro para ficar lá numa portaria, enquanto os caras que vão morrer vão passar por fora da portaria, vão fazer o que vão, vai continuar acontecendo, gente.

Não, você não vai limitar isso. O que que você vai criar? Você vai criar um imposto, você vai criar dificuldade, você vai impedir certas pessoas de ter certos acessos. Eu já tive certas discussões.

CCCELSO CAVALLINI

A saída não é proibição, a saída é informação.

NMNilo Moreira

Informação. Você tem, por exemplo, é, nós na minha região, eu moro em Caldas Novas, Goiás, que é uma cidade conhecida pelas águas quentes, mas ela tem uma Serra de Caldas que é justamente a responsável pelas águas termais e tudo. Mas é um ambiente muito legal que por muito tempo a diretoria da Serra de Caldas ela meio que assim, não vou fazer nada, vou cruzar os braços, tem duas ou três cachoeiras pertinho aqui, quem quiser ir vai lá, quem não quiser eu não tô nem aí.

E aí, por muito tempo, as pessoas faziam muita trilha informal por qualquer lugar, de qualquer jeito, sem qualquer informação. Entrou uma nova diretoria com uma ideia diferente. Eles começaram a mapear todas as cachoeiras, fazerem sinalização, limpar, estruturar, fazer pontes, fazer um negócio muito bem organizado. Agora ninguém fica mais entrando pela cerca. Você passa pela portaria, coloca seu nome bonitinho, segue as placas, mais difícil perder.

Você entendeu que você não não precisou. E inclusive, antes você pagava, agora com essa diretoria você não paga nada, né? Porque é um parque estadual, então é um órgão do governo do estado, já tem dinheiro para isso. Então assim, você mudou a forma de pensamento, você deu mais liberdade das pessoas terem acesso e deu estrutura para isso acontecer. Então é muito melhor você fazer isso do que você começar a criar um monte de regulamento e norma que proíbe a pessoa de fazer.

Ela vai continuar fazendo e só vai ficar mais caro para quem quer praticar. Eu tenho, eu tenho um amigo pessoal demais, nosso amigo Marcos Papen. Ele tem um canal chamado Explorando em Família, é ele, a esposa e 3 crianças. Ele já atravessou a Praia do Cassino. Você tem que trazer eles aqui para contar essa história com as crianças. Ele traz a maior praia do mundo, 280 km de praia. E assim, ele, imagina, ele, ele, a esposa e 3 crianças.

Se ele vai subir o Pico Paraná, por exemplo, e agora custa, você tem que tirar lá lá, não sei o quê, tem que pagar R$100 por pessoa porque tem um monte de gente lá trabalhando. São R$500 para o cara subir, ele já vai desistir. Pô, vai custar uma grana, fora comida, fora o caminho que eu vou fazer. Você começa a impedir o acesso de certas pessoas por conta desse excesso de regulamentação. Para mim é o que o senhor falou, a saída é conscientização, informação, né, saber a forma correta e fazer a coisa de forma correta e não criar um monte de barreira. Já são sobreviventes, já tô cancelado agora.

CCCELSO CAVALLINI

Ter 3 crianças, eles já são sobreviventes, né?

?Voz 1

Pois é, aqui nesse país.

CCCELSO CAVALLINI

Mas, cara, eles merecem uma entrevista, cara. São impressionantes as histórias deles, muito legal assim de levar as crianças.

?Voz 1

Sabe onde vocês podem entrevistar? No programa que a gente vai fazer semanal com vocês, o programa sobre sobrevivencialismo, sobre aventura e tudo mais.

CCCELSO CAVALLINI

Estamos formatando aí daqui a pouco, mas aí o Vilar resolveu passar 8 meses nos Estados Unidos.

?Voz 1

Agora a culpa é minha, né? Os cara, tô longe, eles não podem vocês formatar sozinho, tá? Tô de volta, não tem mais desculpa agora, acabou a desculpa.

CCCELSO CAVALLINI

Eu gosto de você, gosto de você.

?Voz 1

O Homer, tem dúvida sua, cara? Você não é aventureiro?

HHomer

Olha, eu não sou muito aventureiro não.

?Voz 1

Qual foi a maior aventura que você fez? Cuidado que estamos ao vivo aqui.

HHomer

Olha, rapaz, se eu contar as minhas aventuras aqui vai derrubar a live, cara.

?Voz 1

Ele quase transa todo dia, cara, apesar dessa carinha aí.

HHomer

É verdade, é. Na segunda quase transei, terça-feira também quase também.

NMNilo Moreira

Só faltou combinar com a esposa.

HHomer

Ontem também quase transei. Não, se ela ficar sabendo aí, aí acaba, cara.

?Voz 1

A mulher dele que fala assim: a gente vai transar todo dia, você estando aqui ou não, né? É bom chegar cedo aqui.

HHomer

Eu já chego em casa já buzinando, fazendo barulho, cara, que eu não quero ter surpresa não, cara.

CCCELSO CAVALLINI

Escapamento barulhento, né, cara?

HHomer

Você já viu corrida de homem pelado?

NMNilo Moreira

Nem quero.

HHomer

Chega mais cedo em casa que você vai ver.

NMNilo Moreira

Que abusado com o convidado!

CCCELSO CAVALLINI

Nem quero.

?Voz 1

Olha só, homem, não faz isso. Peça a faca, peça a faca já, já.

CCCELSO CAVALLINI

Essa pegada aqui na faca é muito legal, ela chama pegada de defesa. Você segura ela para baixo assim.

NMNilo Moreira

Não, não, não precisa.

CCCELSO CAVALLINI

É na fruta, é pegar, descascar fruta. Não, essa descascar banana. Você pega ela assim, fica difícil. Mandioca também dá para descascar. Posso espetar ela na sua mesa?

?Voz 1

Não, não, não, não, não, não, não, não tem ponta.

CCCELSO CAVALLINI

Não dá, é mentira.

?Voz 1

Sério?

CCCELSO CAVALLINI

Dá para espetar, quer ver?

?Voz 1

Não, não cabe. E por que esses furinhos?

CCCELSO CAVALLINI

Eu não devia perguntar, mas porque tem para você fazer pegadas aqui, ó, por exemplo, apoiando aqui.

?Voz 1

Ah, é sério isso?

CCCELSO CAVALLINI

É sério, você tem uma pegada aqui.

?Voz 1

Geralmente eles faziam sucos, mas você pode pegar aqui, ó, mais para cá, mais para cá.

CCCELSO CAVALLINI

Aqui, ó, pode pegar ela fazendo assim, pode ter pegada de descascar fruta que você pode usar com dedinho aqui. Tem, ela tem acho que umas 15 pegadas.

?Voz 1

Você fez vídeo sobre isso no seu canal?

CCCELSO CAVALLINI

Isso daí, cara, isso daí faz diferença.

?Voz 1

Milhões lá sobre facas.

CCCELSO CAVALLINI

Né? Essa faca foi a primeira faca que eu fiz com impressão 3D. Eu fui, eu fui imprimindo modelos diferentes, recortes diferentes. Mandei fazer, aí mandei vários tipos, e aí até ela ficar com todas as funções que eu queria. Então a impressão 3D é maravilhosa para isso. Eu consegui fazer 30, 40 protótipos para não ter que fazer no aço, que dá muito mais trabalho a gente conseguiu testar muito todas as funções. Você vai gostar dela, você vai gostar. Depois eu te ensino.

HHomer

Fala, Romer, tem uma pergunta aqui do Diego Calviello. Ele quer saber quais são os equipamentos mais básicos que uma pessoa deve levar na mochila que serve para qualquer esporte ou qualquer aventura.

NMNilo Moreira

Olha, primeiro de todos, filtro de água.

CCCELSO CAVALLINI

É filtro de água, kit fogo, filtro de água, faca, lanterna, lanterna e apito, né?

?Voz 1

Apito é o básico.

CCCELSO CAVALLINI

Apito é super importante, negócio custa R$2 um apito. Se entrar nos nossos canais vai ter dúzias de vídeos com kits de sobrevivência, corda, enfim. Mas basicamente isso, o cara tiver um bom kit fogo, uma faca, um filtro de água, tá, ele já tá, ele já vai evitar metade dos problemas dele.

NMNilo Moreira

A roupa correta e tal, inclusive por curiosidade, amanhã Amanhã vai sair um vídeo no meu canal que é justamente você pelado.

CCCELSO CAVALLINI

Não, desculpa, não, você falou a roupa correta.

NMNilo Moreira

Não, desculpa, os 7 equipamentos de sobrevivência que na verdade são golpes, que não funcionam, que muita gente acha que funciona. E acho que esse daria uma série enorme, que tem um monte de coisa que não faz o menor sentido.

CCCELSO CAVALLINI

E você colocou aquele cobertor aluminizado que os caras usam no CSI?

NMNilo Moreira

Olha, esse não, hein?

CCCELSO CAVALLINI

Você já viu esses cobertor aluminizado.

?Voz 1

Mas esse também, cara, eu sempre vejo isso em filme, qualquer filme de policial, bombeiro e tal, que os cara resgatam de um incêndio, de qualquer coisa envolve isso.

NMNilo Moreira

Tem aqui?

CCCELSO CAVALLINI

Tem, tem.

?Voz 1

Não adianta pegar um papel alumínio e cobrir a pessoa.

CCCELSO CAVALLINI

Não, a gente chama de cobertor aluminizado porque ele reflete calor. Só que aquilo lá, cara, é muito difícil de usar. Ou você usa por dentro da roupa ali, mesmo assim fica ruim, porque ele é muito leve. Pensa num plástico muito levinho. Até porque ele dobra numa embalagem assim, a hora que você põe nas costas aquilo lá, ele tá ali para aprisionar o calor do seu corpo, bate o vento, ele voa, é muito difícil funcionar.

NMNilo Moreira

Ele é péssimo de usar, ele rasga fácil.

CCCELSO CAVALLINI

Só que se você comprar o saco de dormir aluminizado, que é simplesmente aquele material em formato de saco, aí é muito, é infinitamente melhor. Você entra dentro, você pode fazer um furo, meter na cabeça. Então assim, tem uns euros que o cara com R$2 É, ao invés de comprar um cobertor aluminizado, ele vai comprar um saco de dormir aluminizado e vai ter uma utilidade infinitamente maior. Pode usar inclusive como saco de dormir ali.

Mas tem vários, vários, várias coisas assim que são pegadinhas. Mas legal, solta o vídeo amanhã então.

NMNilo Moreira

É, amanhã à noite, sexta-feira à noite, sai esse vídeo dos 7 equipamentos que são golpe. Você tomar cuidado, não comprar, né? Por exemplo, tem lanterna que é golpe, sabia?

?Voz 1

E fósforo que não acende quando molha.

NMNilo Moreira

Então fósforo é uma das coisas que as pessoas subestimam e às vezes superestimam, né? Porque o fósforo funciona muito bem no ambiente controlado. No meio do mato, ele, a tendência dele é falhar.

CCCELSO CAVALLINI

Melhor é levar isqueiro, né?

NMNilo Moreira

Claro, melhor é isqueiro.

?Voz 1

Mas mesmo isqueiro também pode dar ruim se você não tiver.

CCCELSO CAVALLINI

O diferencial no kit de fogo, me corrija se você pensar diferente, é a isca de fogo. É onde você vai passar o fogo, que a gente usa o algodão com vaselina, algodão com parafina, lembra que Lembra que a gente mostrou a história?

?Voz 1

Vejam isso daí.

CCCELSO CAVALLINI

Agora, esse fósforo de sobrevivência, ele tem um problema. Você pega o fósforo de sobrevivência, você enfia dentro d'água, ele não apaga. Ele é muito bom porque ele é tipo aquelas velas de aniversário que solta. Só que ele tem um problema, ele dura segundos. Ele é uma vela daquela pequenininha, muito potente. Então, se você tiver uma boa isca, ele vai acender. Mas ele, se você não conseguir acender naqueles 10 segundos, acabou.

Então leva um isqueiro, leva uma isca de fogo, leva Leva uma pederneira de segurança, de backup, leva 3 ou 4 maneiras de fazer fogo, porque se levar um fósforo daquele lá não vai pesar nada, se levar um isqueirinho Bic não vai pesar nada. Então a soma dessas redundâncias faz diferença.

?Voz 1

Eu peguei o Romero um dia pegando 2 Bic e batendo um no outro com a vista.

NMNilo Moreira

Sai faísca.

?Voz 1

Eu falei, é só fazer assim, ó.

CCCELSO CAVALLINI

Inclusive o Bic, se você tiver uma boa isca, mesmo ele sem gás, ele vai fazer faísca, porque ele tem a pedrinha ali dentro.

NMNilo Moreira

É uma pederneirinha, né?

CCCELSO CAVALLINI

É uma pederneirinha. É claro que se você molhar, você vai ter que secar antes. Aí dá para você secar balançando, passando na calça.

NMNilo Moreira

Se molhar o isqueiro, esse isqueiro convencional, ele não funciona.

CCCELSO CAVALLINI

Gente, é só secar, ele não estragou para sempre, ele só seca ali, passa na roupa, tal, ele seca e vai voltar a funcionar. E mesmo se não tiver gás e você tiver uma isca de fogo, ele vai funcionar como uma mini pederneira porque ele vai emitir faísca ali.

NMNilo Moreira

Aí é um dos erros dos sobrevivencialistas e pessoal de sobrevivência e de aventura, é ter um bom equipamento desses para fazer o fogo, para ter ignição, mas não ter a isca. É muito mais importante ter uma boa isca do que ter uma boa ignição.

CCCELSO CAVALLINI

Se tiver uma boa isca com uma faísquinha, você resolveu.

HHomer

Tem a pergunta da Luna Chuvinzky, ela quer saber o que é necessário para que casos como a do Robertinho não se repita.

CCCELSO CAVALLINI

Evita aquela menina lá, né?

NMNilo Moreira

Bom senso.

CCCELSO CAVALLINI

Ah, cara, é ali, eu acho que assim, é uma questão de bom senso mesmo, não é uma crítica a ele, pelo amor de Deus. Acho que a gente já falou que a gente já fez um monte de coisa, a gente também passou por isso, mas assim, ele errou, ele não era, ele não tinha muita experiência, ele escolheu um lugar com uma dificuldade muito grande e foi com uma companhia que ele não conhecia profundamente, que ele não podia confiar, ele foi sem equipamentos. Então ali foi uma série de coisas, né?

NMNilo Moreira

Se a gente puder aproveitar o caso dele para tirar a maior lição, tem várias lições, gente. O Luciano aí pode ajudar a gente com um monte de coisas que ele viu.

CCCELSO CAVALLINI

Mas quando se estuda um acidente aéreo, você não tá preocupado em achar o culpado, você tá preocupado em achar a causa para você evitar, girar prevenção, cara.

NMNilo Moreira

Vê se você concorda comigo, eu acho que de todas as lições tem várias, mas muitas mesmo. Mas para mim, para mim pessoalmente, é não, não faça uma atividade de risco com uma pessoa desconhecida, porque ela era desconhecida, ela não era nem amiga dele, entendeu?

LTLUCIANO TIGRE

Perfeito, cara.

NMNilo Moreira

Quando você conhece a pessoa, você sabe quais são os limites dela, você sabe a experiência que ela tem, se ela já foi, se não foi, se pode confiar, se tá mentindo, se não tá, se naquela hora terrível, se ela vai ficar segurando a sua mão ali até o resgateiro, você vai embora, não tá bem.

LTLUCIANO TIGRE

Eu acho que o lance é o seguinte, ó, eu tô trabalhando esses dias todos aqui na Amazônia e eu tô com mateiro que eu chamo de meu canga. E ele é um que eu sei que se eu me machucar, a gente tem um planejamento e o cara consegue me ajudar. Então você vai para uma trilha, vai para montanha, vai para cachoeira, cara, com quem que você tá indo? Essa pessoa consegue buscar ajuda?

CCCELSO CAVALLINI

É porque não basta só ter boa intenção, né?

LTLUCIANO TIGRE

Não, você tem que escolher muito bem, cara, porque só porque a tua vida depende daquilo. Você pega o caso do Betinho, cara, aí tem os equipamentos também são problema, cara. Pega a faca, por exemplo. Quando eu fiz a live aqui no Vilela com o Betinho, inclusive eu mostrei a faca dele e a bainha da faca que era de tecido, cara. Teve um caso no Pico Paraná onde o cara tava com uma faca dessa com a bainha de tecido, ele sentou em cima da mochila dele. O que que tu acha que aconteceu lá no Pico Paraná?

?Voz 1

Acidente.

LTLUCIANO TIGRE

Exatamente. Então vai desde a escolha do equipamento, mas principalmente se algo der errado. Primeiro, sempre mais de uma pessoa, cara, seria o ideal, a depender do bioma, do ambiente. E esse caso do Betinho mostrou isso. Você tá com pessoas que não sabem em como te ajudar, cara, você vai entrar numa roubada se algo der errado, entende? Então a qualificação da pessoa, se ela tem mais experiência que você— o Nilo falou disso— pega uma pessoa que tem mais experiência que você para fazer aventura, cara, porque aí você vai aprender.

Fala com a gente, assiste vídeo aí, ó, pô, tem quilos e quilos, né, de material aí do cavalinho do Nilo, meu, falando, tratando de casos reais. Aonde tem uma pessoa realmente ali experiente para te ajudar, né, não ir sozinho. A gente cometeu muito esse erro no passado. Eu cometi, cara, eu quase morri várias vezes por falta de medo. O medo é um calibrador de segurança evolutivo muito importante. Eu tinha pouco medo, cara, até eu quase não cair, não cair de um paredão, porque eu não tinha medo, cara, não tinha medo.

E dentro de um evento Lá do passado, quando era moleque, fazia que nem o Cavallini, ia sozinho, não falava para ninguém. Quase caí de um paredão. É, não, a gente não fala, cara. Quando o cara é novo, ele tem pouca experiência, ele não consegue ter noção do quanto que a natureza é perigosa. Eu quase caí e o anjo da guarda falou ali, ó, velho, essa eu segurei, entendeu?

NMNilo Moreira

Mas da próxima, exatamente.

LTLUCIANO TIGRE

Calibra o medo. Eu ia cair de um paredão de 70 metros, sabe, me arrebentar sozinho lá embaixo, nunca ia me encontrar. Então você tem que deixar rastro, pista, tem que ir com alguém junto com você, cara. Esse caso do Betinho prova para a gente por A mais B, e não dá para escolher errado, cara, a companhia. Tem que, tem que medir e pesar muito bem a pessoa assim, cara. Isso é muito importante.

NMNilo Moreira

Sabe que é o tipo de pessoa que Sabe o que mais me dá medo na aventura? Quem? A pessoa good vibes.

LTLUCIANO TIGRE

Por quê?

NMNilo Moreira

Deixa eu explicar, presta atenção. Eu não tô falando que a pessoa good vibes seja uma pessoa ruim, é que geralmente pessoas com esse modo de ver o mundo, ela não vê maldade, ela acha que tá tudo certo, que nada vai dar errado e que tá tudo bem. A pessoa good vibes, ela acha Relaxa, eu sei que eu tô, relaxa aqui. Ai, a natureza, a pessoa good, a pessoa mais chata, mais cachias, mais organizada, geralmente ela tem mais receio, ela vai com mais organização. A pessoa goodbyes acha que nada vai acontecer, vai tudo continuar igual isso.

CCCELSO CAVALLINI

Frases que falaram antes de morrer: relaxa que vai dar tudo certo, relaxa, deixa comigo, eu sei o que eu tô fazendo.

NMNilo Moreira

Pois é, então eu prefiro um militar chato Que é um cara, porque ele quer tudo dentro do protocolo. Já o Good Vibes, ele vai quebrar a segurança, relaxa, cara, vamos tirar foto.

LTLUCIANO TIGRE

Ele vai pagar para ver, né, amigo?

CCCELSO CAVALLINI

Relaxa, eu vou fazer e para, entendeu?

?Voz 1

Pois é.

HHomer

Tem a pergunta da Camila Freitas, ela quer saber se a falta de sinalização, mesmo que precária, corrobora para que erros de trajetos nas trilhas aconteçam.

CCCELSO CAVALLINI

Muito, muito, 100%.

NMNilo Moreira

Foi o que eu falei do exemplo lá da Serra de Caldas. Tinham muitas trilhas que era feito de forma meio que cada um por si e tal, que a partir do momento que fez, o próprio parque passou a sinalizar bem sinalizado, colocando fitas refletivas. Porque muitas vezes você faz uma sinalização que só funciona de dia, de noite não funciona. A gente, quando o céu falou de voltar tarde à noite, ele não tá preocupado só do cara que vai voltar sem lanterna, não é com o cara com lanterna.

A coisa mais fácil do mundo é você perder mesmo com uma boa lanterna, porque à noite você perde os pontos de referência. Nós seres humanos hoje estamos acostumados com pontos de referências fixos, como a rua. A rua, ela tem a mesma estética visual indo e vindo. Você vai ver o posto de combustível de frente à farmácia, que tem o quebra-mola, é o mesmo ponto. Quando você tá andando na natureza, a trilha ela é— gente, faça esse exercício.

Quando tiver fazendo uma trilha, olha para frente, anda um pouco, para e olha para trás. Parece que você tá em dois lugares completamente diferentes, porque a estética muda no mato.

CCCELSO CAVALLINI

Você não anda olhando para trás. E tem um lance nessa história que é o seguinte: você vai numa trilha inteira sem nenhuma bifurcação, na hora de você voltar você pode ter várias bifurcações. Porque se, por exemplo, tá aqui a trilha, opa, tá aqui a Deixa eu ver onde tá ali meu braço. Aqui, ó, tá aqui a trilha. Você tá seguindo na direção da minha mão. E aí tem uma estrada aqui que tá nessa direção, você nem vai ver, você vai continuar na direção da minha mão. Só que começa a voltar.

NMNilo Moreira

A hora que voltar, ué, você vai para direita ou para esquerda?

?Voz 1

É verdade, aconteceu isso comigo muito, muito, aconteceu isso comigo. E estradinha normal de sítio assim, que tem várias coisas, que tá de dia na volta.

NMNilo Moreira

Eu falei, cara, não tinha bifurcação, mas é porque ela é para trás. Quando você você volta, tá de frente.

CCCELSO CAVALLINI

Tem razão. E isso acontece muito entre ilha, em caverna acontece muito, né? E quando você volta na caverna, assim, parece que mudou o cenário. Você olha para trás e fala assim, caramba, na minha frente eu tenho uma coisa lá. Então você volta, você fala que não passei por aqui, o cenário é totalmente diferente. E você tem essas bifurcações em ângulo que você não sabe. A caverna é infinitamente mais complexo, né?

LTLUCIANO TIGRE

Mas uma coisa que eu aprendi É que assim, aqui para trabalhar aqui na Amazônia, esse local gigantesco, vocês vão concordar comigo que o cara tem um monte de track log, de aplicativo que você usa, backup de power bank. Cara, sem isso hoje em dia difícil, viu? Ambiente que você não conhece, se você não usar o recurso moderno, inclusive dá problema.

CCCELSO CAVALLINI

Lembrando que O celular tem uma vantagem, uma desvantagem. A desvantagem, fragilidade, a falta de bateria. E a vantagem é que mesmo sem o sinal de celular, ele tem o sinal do GPS. O sinal de GPS independe do sinal de torre, se você tá com 3G, se tá com internet ou não, ele vai continuar funcionando e vai continuar traçando.

NMNilo Moreira

Uma técnica que eu aprendi na Amazônia, quando a gente fez um curso sobrevivência na Amazônia, que pode ser utilizado, já que a gente tá falando de sinalização e a gente vai falar de ambiente de sobrevivência. Você tá num acidente de aeronave, o que foi, você por algum motivo decidiu sair de lá, né? Pode acontecer de ser necessário, né? Quando você vai se deslocar no meio do mato, principalmente lugar que não tem trilha, a coisa mais importante é você sinalizar.

O mateiro mesmo, ele anda sempre quebrando o mato, ele vai quebrando galhinhos, ele vai andando e vai quebrando, vai andando e vai quebrando, vai andando, vai quebrando. Até para ele, se precisar voltar, ele sinalizou a trilha dele, ele sinalizou o retorno, né? Se precisar retornar, ele vai conseguir retornar. Agora, a maioria não faz isso.

CCCELSO CAVALLINI

Até um rolo, até fiz um vídeo sobre isso, um rolo de fitilho, sabe? Vai amarrando fitilho, que é uma fita que eles amarram caixa. Você compra um rolo daquilo lá, laranja, que custa 50 centavos. Você tem marcação de trilha para quilômetros e quilômetros. Você vai amarrando na trilha ali, tem várias maneiras. É, basta saber, não é complexo, mas você tem que buscar informação.

HHomer

Isso. Mas pergunta do Bruno Henrique, ele quer saber qual é o maior erro de quem tenta improvisar quando a situação fica crítica na mata.

CCCELSO CAVALLINI

Cara, a gente tem uma, a gente tem uma coisa quando você tá perdido em mata que a regra, o exército chama de ESA 1, que são umas regras básicas para você quando você se perde. Primeira coisa que você tem que fazer, ao contrário de sair correndo e olhando para todo lado, é você estacionar. E aí você estaciona, você se alimenta, você senta, você respira para tentar achar a trilha de volta, porque senão você vai acabar se perdendo mais, cansando mais.

Então é um erro que as pessoas cometem muito, é sair, se perder, sair andando. Que mais?

NMNilo Moreira

O improviso, o improviso ele pode custar sua vida. O improviso em situação de sobrevivência, você ter um equipamento improvisado, você ter— óbvio que quanto mais conhecimento você tem, mais você consegue improvisar na necessidade, né? Você vai improvisar uma vara de pesca, você vai improvisar um abrigo, você vai improvisar isso. Improviso, você saber improvisar é interessante, mas quando você confia no improviso, aí é que tá o problema, como a gente já falou, e a gente volta a bater nessa tecla várias vezes.

Uma pessoa que se perdeu no meio do mato, foi fazer uma trilha e se perdeu. Se ela se perdeu com um mínimo de um kit de sobrevivência na mochila, ele aumenta muito as chances de sobrevivência por um longo período. Agora, se ele se perdeu sem nada de sobrevivência, ele provavelmente vai perder a vida em poucos dias, né? Por exemplo, eu consigo improvisar um filtro, certo? Todo mundo já viu isso na escola, né? Coloca lá várias camadas, começa com pedras, vai diminuindo as pedras menores, depois areia, por fim carvão.

Eu faço, eu consigo improvisar um filtro. Você tem noção da energia que você vai gastar para fazer isso? Você tem que fazer fogo para você conseguir o carvão, você tem que montar essa estrutura de alguma forma, você tem que encontrar alguma coisa, algum tecido, alguma coisa que você monte. Mas se você pegar simplesmente um filtro, uma garrafa que tem um filtro dentro, como é da Stonewater, por exemplo, e você pôs água ali dentro, você bebe, você não gastou energia nenhuma.

CCCELSO CAVALLINI

Eu costumo dizer assim, eu sempre levo silver Se minha bota abrir, se minha barraca rasgar, silver tape é um negócio que resolve. Quero ver você improvisar silver tape no mato. Vai improvisar o silver tape no mato.

HHomer

E tem uma pergunta que é bem similar do Renan Barbosa, que ele perguntou: se eu me perder hoje na mata, qual é a primeira atitude que aumenta as minhas chances de voltar vivo?

CCCELSO CAVALLINI

Parar.

NMNilo Moreira

Calma, parar.

LTLUCIANO TIGRE

Pelo amor de Deus, fique parado, fique parado, pelo amor de Deus. O trabalho que eu tô tendo agora mostra isso.

?Voz 1

Para quem não manja nada, isso parece totalmente um contrassenso, né? Como assim vou ficar parado?

LTLUCIANO TIGRE

Tem que fazer alguma coisa.

NMNilo Moreira

E digo mais, não é nem questão de ser um contrassenso, é instintivo. Que é o medo. A primeira, primeiro sentimento que você— não sei se você já se perdeu em algum lugar quando era criança. A gente já se perdeu no supermercado da mãe. Você foi criança, se perdeu. A primeira coisa que é uma descarga de adrenalina gigantesca, porque você entrou numa situação de desespero de sobre o que que aconteceu. E agora, o que que eu vou fazer? Meu Deus, ai meu Deus, ai meu Deus!

?Voz 1

Perder ou perder alguém, né?

NMNilo Moreira

Exatamente.

?Voz 1

Não vê seu filho, você não vê.

NMNilo Moreira

E o ser humano, quando ele está com uma descarga de adrenalina muito grande, tá em situação de medo, ele entra numa situação chamada efeito túnel, visão de túnel. Que que é visão de túnel? Você, você foca, você vira um caçador, você vai ver coisas muito bem enxergadas nessa direção, mas às vezes a solução tá do seu lado e você não vai ver. Então, o mais importante de tudo, Betinho, qualquer, o senhor, para, para, respira fundo, ESAOM, né, estacionar, se acalmar, alimentar.

Então é você baixar adrenalina. Desesperar e correr não vai solucionar o problema. Então para, é o primeiro de todos.

CCCELSO CAVALLINI

Se ele quiser se aprofundar, tem um vídeo de 25 minutos no canal, procura lá, perdido, cavalinho e mais perdido na selva, na mata, explicando como você recupera trilha, como que é o sistema de ancoramento para você fazer os trajetos marcando. Então tem um sistema, não é fácil, mas tem um sistema que ele recupera tua trilha mais cedo ou mais tarde, você consegue achar o caminho de volta. Mas não vou explicar aqui agora porque é uma coisa mais técnica tudo, mas tem, como deve ter no canal do Nilton, tantos outros canais, mas é com uma pesquisa você acha e você aprende a técnica. A técnica é simples, mas você tem que saber.

LTLUCIANO TIGRE

Isso é difícil, né, Cava? Porque a gente tem todos os casos que eu já vi de sobrevivência, vários deles, se a pessoa tivesse ficado parada em 1, 2, 3 dias, ela teria sido encontrada. A sigla que eu uso, inclusive já falei aqui, ó, algumas vezes, né, a sigla SAFADA, para você lembrar da sequência, né, o mnemônico ali de sinalização, abrigo, fogo, água, dormir e descansar, e alimentação. Primeiro item, sinalização. Para e tenta sinalizar, cara.

Problema é que é difícil, né, como o Nilo falou ali, é difícil o cara ter a melhoria.

NMNilo Moreira

Às vezes o sinalizar é você ter uma pita e começar a apitar. Acontece casos de pessoas estarem sentidas perdidas, elas elas estão do lado do grupo. Ela vai, saiu para ir no banheiro, se perdeu, tá do lado do grupo e acha que já era.

LTLUCIANO TIGRE

Eu não entendo por que que as pessoas não portam apito. É uma briga eterna que eu tenho com a galera. O cara subestima isso aqui. Isso aqui pode fazer diferença, cara.

CCCELSO CAVALLINI

É porque assim, as pessoas, elas nunca tentaram gritar por meia hora. Você conhece alguém que já tentou gritar por meia hora?

?Voz 1

Não, esquece.

CCCELSO CAVALLINI

Em 15 minutos você perde a voz. E com apito não, basta você tá expirando que você consegue apitar, e o alcance do apito é muito mais longe sem te desgastar. Então apito é uma coisa básica, a gente fala muito do apito, Luciano fala muito do apito, Luciano anda com apito pendurado, às vezes ele quer me chamar, ele apita, que eu sou velho, meio surdo.

NMNilo Moreira

Apita e fala, terminei, vem limpar.

CCCELSO CAVALLINI

Você vai palestrar na Shot Fair também, né, sábado? Vou sim, provavelmente antes da sua palestra Acho que é meio a sua e o Palestra 145.

LTLUCIANO TIGRE

Exatamente. Depois a gente tem uns para fazer lá.

CCCELSO CAVALLINI

Boa.

HHomer

Falei, pergunta aqui do Léo Quintano. Ele quer saber o seguinte: para uma pessoa que queira começar a subir montanhas, qual seria a melhor escolha na opinião de vocês em relação ao grau de dificuldade?

NMNilo Moreira

Acho que o que mais vai depender é onde ele mora. É que assim, se o cara tem recursos ilimitados financeiros, aí vai depender demais.

CCCELSO CAVALLINI

Agora, assim, subir montanha nunca é o primeiro passo, tá? A gente precisa deixar isso claro. Primeiro assim, eu não conheço, mas assim, ele já campou? Ele já fez uma trilha? Ele já fez um hiking, que é uma trilha que você vai e volta no mesmo dia? Ele já fez um trekking, que é uma travessia ou com pernoite? Ele já dormiu na natureza? Ele tem algum curso curso prático online, porque subir montanha nunca é, mesmo que você fala assim, ah, isso é fácil, nunca é o primeiro passo.

Então essa primeira coisa que ele tem que decidir. Aí, aí a segunda, assim, onde você mora, beleza. A partir do fato de você escolher uma montanha fácil, cara, escolhe um guia, vê se tem alguém fazendo operação ali, escolhe um cara competente para te levar das primeiras vezes. Não é nenhuma vergonha, até hoje Eu faço questão, se possível, se tiver, de levar guias nas minhas expedições. Porque o guia, ele não é só o cara que vai te apontar o caminho, ele vai te ensinar uma série de coisas da região que você nunca ia aprender sozinho.

Então, cara, o cara é uma fonte de cultura ali regional. Além dele te ensinar o caminho, ele, pô, ele vai te pontuar um monte de coisas que você vai aprender ali. Aquela viagem que a gente fez ali para dentro da do Parque das Neblinas, a gente foi com guia. Porque quanta coisa que a gente não aprendeu com aquele guia lá, cara. Meu, ele foi falando o tempo todo e, meu, mostrando a vegetação, mostrando o caminho, falando particularidades históricas do lugar. Cara, é outra experiência.

NMNilo Moreira

Mais uma vez, para que a coisa fique mais acessível possível, não consigo um guia, não tem um guia, a primeira coisa que você vai fazer é baixar um aplicativo chamado Wikiloc, que é gratuito. Tem a versão paga também. Você vai lá no Wikiloc, pesquisa a trilha que você quer fazer, baixa a trilha no seu celular offline, e quando você for fazer, você tem com a trilha. Deu qualquer cagada, leva um power bank para o seu celular não acabar a bateria, e vai pelo menos com uma trilha de GPS para você ir e voltar de forma segura.

CCCELSO CAVALLINI

Aqui foi, foi para onde?

?Voz 1

Pontas abertas, querem fechar os 3.

CCCELSO CAVALLINI

Fica à vontade, cara. O Nilo falou uma coisa muito importante, é, a gente fala muito de segurança, de acidentes e tal, mas assim, eu, o meu canal e o canal dele, muitos outros canais, eles foram criados para incentivar as pessoas a irem para natureza. E aí a gente fala de todos esses problemas, a gente pode acabar colocando medo nas pessoas. Não é isso. Assim, ir para natureza é uma experiência, uma vivência que vai mudar sua vida, vai mudar o teu estilo de vida, vai te dar mais saúde, vai ser uma higiene mental fabulosa.

O que a gente tá dizendo é que, como qualquer outra atividade, você pegar, aprender a dirigir, você não vai pegar um carro e sair dirigindo se você não fez uma aula básica. Se prepare minimamente, escolha uma operadora, faça uma pesquisa sobre essa operadora. Pô, você vai entrar, quanto tempo essa operadora trabalha lá, são caras locais. Tome as precauções mínimas para aquilo não transformar num acidente. Então o que a gente quer na verdade é mostrar isso para as pessoas: é um negócio legal, você tem que fazer, a experiência outdoor é muito bacana, mas minimamente se prepare que é para não acontecer uma coisa, um acidente ali que você não quer estar ali.

NMNilo Moreira

Ó, quando a gente fala de aventura e tudo mais, o que a gente quer é que você nunca transforme a sua aventura numa situação de sobrevivência, tá? A gente quer que você vá, se divirta e volta. Mas se por um acaso você entrar em situação de sobrevivência, uma das coisas que eu noto, que por mais que a gente tente, a gente não consegue fazer isso nos canais, é porque os nossos canais não vão ter uma playlist totalmente organizada do começo didático até o fim do que que se fazer na situação de sobrevivência.

E já aproveitando para vender o meu peixe, eu acabei de lançar o curso Sobrevivência Real justamente pensando nisso. Então ele é um curso onde online totalmente didático que vai passar passo a passo numa situação de sobrevivência o que que você deve fazer, desde a montagem do seu kit até obtenção de água, confecção de abrigo, como você se localizar, tudo você vai encontrar lá. Chama sobrevivencareal.com.br, é só acessar o site.

E um presente para o pessoal aqui do Inteligência, eu vou dar 30% de desconto para quem quiser adquirir o curso hoje, só usar o cupom INTELIGÊNCIA, tá?

?Voz 1

Escreve INTELIGÊNCIA, aparece lá, 30% de desconto no curso.

NMNilo Moreira

Você vai ter, não, eu mais uma vez, o que tem no meu curso vai ter algumas coisas bem, bem bacanas, bem diferenciadas, mas muito disso até está na internet, mas tá de forma solta, é um aqui, aí daqui 2 anos você estuda outra coisa, fica muito perdido. Se você quer realmente se aprofundar e aprender do começo, meio e fim bonitinho, até para você ir fazer as suas aventuras de forma mais segura, é Sobrevivência Real .com.br, usa o cupom INTELIGÊNCIA e eu vou dar 30% de desconto.

CCCELSO CAVALLINI

Boa. Aproveitando, eu tenho um curso que é complementar ao do Nilo, que é um curso de aventuras. Então você vai aprender a fazer uma trilha, um hiking, um trekking. É um curso que já tá há 5 anos no ar, um curso gravado em 4K na Patagônia, na Colômbia Britânica, no Canadá. Você vai pegar a parte, desde a parte de mata até a parte de neve. Então quem quiser dar uma olhada nesse curso também, um curso que eu acho que esses dois cursos se complementam.

Perfeito. O meu curso é justamente para você não entrar numa situação de sobrevivência, você saber que equipamento comprar. Inclusive a gente brinca que você economiza muito dinheiro comprando o curso, porque você aprende não comprar errado. Um equipamento errado você comprar já vai gastar mais que o curso. E aí, se você entrar numa situação de sobrevivência, tem o curso do Nilo ali, tá bom? Obrigado pelo espaço.

?Voz 1

Vamos lá, ele tá com a gente ainda. Cadê, cadê?

LTLUCIANO TIGRE

Tamo aqui, manda.

?Voz 1

Hoje, hoje a participação foi mais tranquila porque eu tô realmente muito cansado mesmo, cara. Vai descansar depois, hein?

LTLUCIANO TIGRE

Meu Deus do céu, cara, muito pesado. O que eu quero dizer é o seguinte, pessoal, ao ver o sofrimento da família do Betinho do seu Raimundo agora, compra o curso do Nilo, do Cavallini, vem falar com a gente, se qualifique, se prepare. E você vai fazer isso colocando na frente de tudo isso a coisa mais importante, que é a sua família, tá? Você vai se qualificar, você vai buscar melhorar a tua experiência com segurança, porque a pior coisa que tem, cara, é a família em casa passando perrengue, cara.

Eu acompanho isso em cada caso que eu trabalho, em cada busca que eu faço. Não é nada fácil para família. Se você ama as pessoas que estão em casa, faça tudo errando para mais e jamais para menos, pelo amor de Deus, pessoal. É uma coisa que eu peço aqui para vocês, tá bom?

?Voz 1

Ô, Romer, e você, o que que tem de dica para dar para o pessoal aí?

HHomer

Bom, a primeira dica é: se você não deixou seu like, cara, você tá panguando. Então agora é o momento, então já deixa aí o like, se inscreva no canal, torne-se membro, compartilha esse vídeo maravilhoso aí que você pode salvar uma vida, né? Exato, compartilha aí com alguém. Agradecer também a Elements que tá patrocinando o episódio de hoje, patrocinando, tá patrocinando, e entregando cadeiras maravilhosas.

?Voz 1

Quando chegar, quando chegar, não é quando chegar, maravilhosa. E pensar que eu passei 11 horas naquele debate lá de criacionistas e evolucionistas com uma cadeira que me deixou dor nas costas.

HHomer

Imagina, rapaz, se fosse com essa você passaria pelo menos umas 15, mais 15, umas 15 horas com o Serjão tretando lá com os cara.

?Voz 1

Seguinte, você chegou até o final também, dá like como ele falou, compartilha esse vídeo. Agora é a hora de você brilhar. O que que o pessoal escreve nos comentários para provar que chegou até o final desse vídeo?

HHomer

Para provar que você chegou até o final desse papo, coloca aí. E o bambu?

?Voz 1

Sabia, cara.

NMNilo Moreira

E o bambu?

CCCELSO CAVALLINI

Uma pergunta para finalizar: o que você foi fazer em Gramado?

?Voz 1

Ué, fui passear. Olha o cara, cara, ele quer me entregar.

CCCELSO CAVALLINI

Só perguntei, parceiro, só perguntei, cara.

?Voz 1

Eu tenho trabalhos que não são aqui. Eu vou fazer palestras, não é o caso. Eu vou fazer shows de comédia, não é o caso. Eu vou acompanhar a seleção, não é o caso.

CCCELSO CAVALLINI

É o caso, é o caso. Não, o que que é?

NMNilo Moreira

Não entendi.

?Voz 1

Você tem um caso, gente? Valeu, valeu, fui, cara.

LTLUCIANO TIGRE

As opiniões e declarações feitas pelos entrevistados do Inteligência Limitada são de exclusiva responsabilidade deles e não refletem necessariamente a posição do apresentador, da produção ou do canal. O conteúdo aqui exibido tem caráter informativo e opinativo, não sendo vinculado a qualquer compromisso com a veracidade ou exatidão das falas dos participantes. Caso você se sinta ofendido ou tenha qualquer questionamento sobre as declarações feitas neste vídeo, por favor entre em contato conosco para esclarecimentos.

Estamos abertos a avaliar e, se necessário, editar o conteúdo para garantir a precisão e o respeito a todos.

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