1882 - AS BETS E O FUTEBOL BRASILEIRO: PAVIOTTI, PIMENTEL, BEZERRA JR
RODRIGO PIMENTEL é ex-capitão do BOPE, CARLOS BEZERRA JR. é vereador, pastor e médico, e JOEL PAVIOTTI é historiador. Eles vão bater um papo sobre a possibilidade das bets estarem acabando com o futebol brasileiro. Já o Vilela aposta que sim.
- Vício em apostasAumento de endividamento e problemas de saúde mental · Ludopatia e seus gatilhos · Impacto em profissionais de saúde · Dificuldade de identificação e busca por ajuda · Aumento de atendimentos no SUS
- Lavagem de dinheiro e crime organizadoLavagem de dinheiro através de fintechs · Controle de território e mercado de cigarros · Agenciamento de atletas e mensuração de talento · Conexões com o Jogo do Bicho · Investigação de homicídios
- Outros jogos brasileirosConivência do poder público e corrupção policial · Mercado ilegal de cigarros e cassinos clandestinos · Falsificação de marcas e contrabando · Relação com facções criminosas e milícias · Aceitação cultural e disfarce como 'crime de baixa periculosidade'
- Importância de Procurar Ajuda EspecializadaCAPS como porta de entrada · Ambulatório do Jogo Patológico (HC) · Tratamento psicoterapêutico e medicamentoso · Grupos de apoio e organizações · Mecanismos de autoexclusão e limites
- Cultura das apostas no BrasilExposição massiva e naturalização do jogo · Mudança na cultura do futebol · Influência em crianças e adolescentes · Comparação com a indústria do tabaco · Resistência cultural e contracultura
- Crítica a influenciadores e criadores de conteúdoPatrocínio de Bets em programas de TV (Casé TV) · Influenciadores promovendo apostas · Patrocínio de Bets em eventos esportivos e culturais · Normalização através de artistas e celebridades
- Mercado de Apostas Esportivas no BrasilAproveitamento da paixão pelo futebol · Sistema de retroalimentação entre bets e futebol · Influenciadores promovendo apostas · Mistura de paixão, autoridade e odds
- Regulamentação de ApostasFalta de agência reguladora · Outorgas e sigilo governamental · Bets russas operando no Brasil · Baixa taxação comparada à Europa · Propostas de transparência e listas públicas
- Apostas e jogos de azarBets vs. Loterias · Bets vs. Cassinos físicos · Bets vs. Jogos de TV (Tele Sena, Familião) · Bets vs. Jogo do Bicho · Bets vs. Day Trade
- Jogos de ManipulaçãoSuspeitas sobre o pênalti de Vini Jr. · Apostas em resultados de jogadores (Paquetá, Bruno Guimarães) · Corrupção na FIFA e Copa de 78 · Influência de odds em decisões de atletas
- Educação e Prevenção do VícioRelação entre nível de educação e vício · Importância da educação financeira e doméstica · Redução da propaganda e exposição · Exemplos internacionais (Inglaterra, China)
Olá, terráqueos, como é que vocês estão? Sou Rogério Vileira, tá começando mais um Inteligência Limitada, o programa onde a limitação da inteligência acontece somente por parte do apresentador que vos fala. Sempre trago pessoas mais inteligentes, mais interessantes, e com a vida muito mais o quê?
Apostadora.
É, eu ia falar apostadora, apóstata, aí já é outra coisa, né?
São coisas diferentes.
Qual música, música de quem você colocaria hoje de trilha sonora?
Olha, hoje com certeza eu colocaria a Beth Carvalho.
Você falou isso, não é, cara?
É uma boa.
Olha, falar de Beth, Beth Carvalho, muito bom, cara. O que que o pessoal vai participar? Como que eles vão participar hoje?
Bom, você já conhece, né?
Eu não faço aqui ao vivo e presencial que eu não sei o que que o pessoal tem que fazer.
Bom, começa já deixando o seu like, se inscrevendo no canal, torne-se membro e compartilha esse vídeo com toda a sua patotinha, inclusive com a Beth.
Exato. Beth morreu, lembra? Beth morreu.
Tem a Beth Balanço também.
Beth Balanço, a Beth famosa na música, né? Isso tudo lá atrás já era para fazer propaganda da Bet. Ó, você que tá em casa agora, aposta que a gente vai cobrar de você o seu like, hein? Então deixa o like agora, compartilha esse vídeo e vamos de apresentação do pessoal. Posso falar com o pessoal aqui antes? Ó, fala com você, ó. A gente fala muito sobre onde investir atenção, tempo e dinheiro: curso, livro, ferramenta, network. Mas tem um investimento que quase ninguém coloca na conta, que é a infraestrutura do próprio corpo durante o trabalho.
Sabe aquela sensação de chegar no fim do dia destruído, pescoço travado, costas pesadas? Isso não é só cansaço, é custo. Custo de uma cadeira errada, de um corpo que passou horas e horas num suporte inadequado. E eu sei, eu sei que, eu sei, é isso, que a gente acabou de trocar as cadeiras, eu tô me sentindo nas nuvens aqui. É por isso que a Elements veio para cá, ela resolve isso de um jeito completo. Apoio lombar ajustável em reinclinação, braços 4D, apoio para cabeça.
Essa é a base do que você precisa para aguentar as horas e horas que o trabalho exige. Cupom Inteligência no link que está na descrição e também tá no QR code também.
É isso aí.
Então, ó, valeu muito. Cadeira é Elements. Falei certo?
É Elements.
Ó, vocês também já viram quantos concursos públicos estão previstos, né? Já a gente vem falando isso aqui nos programas. É a sua chance de conquistar estabilidade e nunca mais correr risco de de admissão. Eu confesso que perdi a conta. O INSS abrindo com 10 mil vagas previstas, CGU com 60, quantas vagas? 60 vagas, 60 vagas autorizadas. É isso aí. Bacen com 140 vagas no novo concurso, TCU com 100 vagas autorizadas, e ainda Polícia Rodoviária Federal, Banco do Brasil, Petrobras, Receita Federal.
Tem muita coisa. Ó, não sei como tá sua situação hoje aí, mas eu conheço muita gente que tá no trabalho que não paga bem, que cobra mais do que devolve e medo de demissão fica sempre assombrando, que não é o caso aqui de você que já é da casa.
Pois é.
O Lenny já é patrimônio histórico aqui.
Sim, ele faz parte.
Tá com uns 20 anos já comigo trabalhando. Então é o seguinte, eu já passei por uma demissão sem aviso, eu sei o que eu estou falando. Então eu sei como que é olhar para o extrato bancário no final do mês e não ter nada garantido. Chegou a hora de mudar agora, não é isso?
Exatamente.
Chegou a hora de mudar agora. Se tem gente nesse momento decidindo virar servidor público, porque os salários iniciais podem passar de R$30 mil em alguns cargos, com estabilidade e previsibilidade no fim do mês. É um caminho com risco baixíssimo de demissão. E aí vem a pergunta natural: com tantos concursos— vou fazer outra voz, né, como se fosse outra pessoa falando— com tantos concursos abrindo ao mesmo tempo, qual eu escolho?
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É isso aí, gente, ficou louco!
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Hoje é dia 13.
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Dá tempo.
Não é isso?
Ainda tem tempo, hein?
Então vamos à apresentação. E eu queria agradecer muito, muito quem colocou essa letra pequenininha aqui para eu ler. Muito obrigado, viu? Muito obrigado. O pessoal acha que eu voltei enxergando melhor agora.
Rapaz, a idade tá fazendo efeito, hein?
Tá fazendo efeito. Apresentações primeiro. Pimentel, que foi o primeiro que veio aqui antes de todo mundo, quando era mato aqui. Então, Pimentel, sua câmera aqui, ela se apresenta para o povo.
Acabei de descobrir que é a 6ª vez que eu venho aqui.
É a 6ª?
Tem ali um painelzinho.
Eu achei que era mais, hein?
Então tá.
Não, mas a 6ª vez E as remotas não conta?
Ah, porrada de vezes. Então, então quase sócio, quase sócio. Obrigado pelo convite mais uma vez, viu, irmão?
Seja sempre bem-vindo.
Oportunidade de conhecer, já sou seguidor do Bezerra aqui.
É mesmo?
É recíproco.
Cara, tudo que ele faz viraliza, é absurdo, né? Você já viu os conteúdos dele?
E sem promover bet.
Aí é que tá o ponto, né?
E Joel, porra, tu me deu essa felicidade de conhecer esse cara aí. Canal maravilhoso, maior especialista do mundo de tudo. Tudo que eu quero saber eu consulto no Joel. Então obrigado aí, Joel, pela Mais uma vez pela companhia. Ah, Rodrigo Pimentel, pô.
Só isso?
Só isso, pô.
Tá certo.
E calma aí, agora eu tenho um, como é que chama? Eu tenho um podcast agora, pô.
Como chama?
Papo de Elite.
Vocês pensaram no nome?
Como assim, pô?
Aguardo, aliás, aguardo vocês todos lá, pô.
Ô, é só chamar.
Porra, vai ser bom demais.
Lá no Rio que você grava?
Lá no Rio.
Já tem uma desculpa pra gente ir pro Rio aí, ó. Vamos marcar a ida pro Rio, já vou pra lá.
Joel, você é o segundo que vem aqui.
Vamos lá.
Onde que é a minha câmera?
Aquela à direita.
Pessoal, Joel Paviotti aqui, eu preciso falar disso aqui, ó. Eu acho que eu e Pimentel Bezerra tá comendo tanto jujuba que nós vai sair daqui com diabetes, mano.
Pegar uma jujuba no sugar aí.
E olha que ele fez, ó, deixou só as verdes para mim.
É, a verde ninguém quer, cara. Eu só pego a vermelhinha e a roxa.
Muito boa noite, é um prazer estar aqui com o Vilela, com o pessoal aqui, com Pimentel Bezerra. Sou teu fã, você sabe disso daí.
É recíproco.
Tamo junto. E é isso, é nós. Vamos falar de bet aí, umas verdades, né?
Pois é, Carlos Bezerra, tua câmera é essa aqui, é o novato aqui, né?
Eu tô quase estreando porque eu vim, eu vim uma vez aqui, eu não tô, eu não sou um habitué como é o Pimentel e o Joel. Mas enfim, te agradecer, Vilela, pelo convite, poder participar da mesa com dois caras além de você que eu acompanho, que produzem ótimos conteúdos na rede, e que enfim são uma resposta de resistência a essa avalanche toda de lixo que a gente tem na rede. É bom demais poder participar. Então tá aqui, eu sou Carlos Bezerra, médico, ativista social, sou pastor, tô como vereador aqui em São Paulo, sou corintiano, maloqueiro, sofredor, graças a Deus. É nós, e nós tá aqui.
Esse programa é um programa que muita gente pode torcer o nariz, pode falar que é um assunto chato, vamos falar disso, mas cara, a gente tá no momento muito importante para para levantar essa pauta, porque essa discussão com a Copa do Mundo meio que saiu da parte de jornalismo, foi para a boca de todo mundo. Até que limite isso? O governo tem culpa, não tem culpa? Deve se liberar a aposta? Como que a gente podia começar isso falando sobre apostas, falando sobre a ideia de que um governo tem que controlar ou não?
Quem controla é a própria pessoa, mas aí é o vício que entra. É tanta questão, né? Os influenciadores que, que levam as pessoas a fazerem apostas para perder, se eles ganham com isso. São tantas questões, eu não sei por onde começar.
Eu acho que a gente poderia começar dentro do lance da Copa do Mundo, né?
Vamos pegar isso de base, né?
A gente tava com uma polêmica muito grande, mas assim, as bets elas entraram e elas aproveitaram a paixão, né? A gente tá no período da economia da atenção, você tem que fazer tudo para chamar atenção, porque picou-se em milhares de pessoas, milhões de pessoas que produzem conteúdo. Você precisa fazer isso. O que chama atenção historicamente no Brasil é o futebol, né? Para colocar as pessoas para assistirem 90 minutos é uma paixão do brasileiro.
E as bets entraram aí, é a maior audiência, sim, todo mundo batendo recordes de audiência.
E aí, cara, você, as bets, elas acabaram criando um sistema de retroalimentação em que hoje o futebol brasileiro não sobrevive sem as bets. E as bets precisam muito do futebol brasileiro para aparecer e para conseguir, enfim, que as pessoas apostem. E junto a isso você tem irmandade com a TV, com a internet, com essa questão do futebol. Você tem os influenciadores, que é realmente quem faz o cara apostar.
Pois é, que tá no seu celular, não tá na televisão. Você não precisa ligar mais a televisão e ver uma pessoa falando Tá no seu celular, exatamente, passou, tá lá.
E aí a discussão que teve esses dias atrás, que eu acho que todo mundo aqui acabou entrando para discutir, é que dentro da internet certos canais eles começaram a fazer um apelo que foi considerado de certa forma um apelo bem incisivo, misturando a paixão pelo futebol, o argumento de autoridade e a publicação de odds, né? Porque odds, para quem não sabe, é aquela probabilidade de acertar algo que a casa paga. Então ele fala assim, ah, o Joel vai defender.
Por exemplo, a Argentina tá muito forte no jogo contra um time menor, com uma seleção menor. Se você apostar na Argentina, vai pagar menos porque a possibilidade dela ganhar é muito maior. Então se você aposta no azarão, você tem muito mais chance de ganhar, se ele ganhar, mas também a chance de perder é maior.
Exatamente. Aí alguns influencers, o que que eles têm feito? Eles têm apostado no azarão.
As pessoas que não acompanham o futebol, na verdade, elas fingem que apostam, simula que apostam.
E as pessoas vão junto, o objetivo é esse. E quando você colocar a odd ali e você tem um narrador, por exemplo, falando: olha, mas esse time tá bom, não tá ruim, dá para acontecer qualquer coisa em futebol. Exatamente, tem o jogador, o Vozinha, tal. Vozinha, todo mundo tá ouvindo falar do Vozinha. E aí essa odd aparece ali, você mistura paixão, argumento de autoridade e a probabilidade de ganho. Isso é uma mistura que faz com que as apostas supostamente aumentem.
E aí a gente entra novamente nessa discussão das bets, porque agora elas se misturaram tanto com futebol e elas estão passando dessa maneira para milhões de pessoas, 20, 30 milhões. O que a gente tá falando é da internet, né, do YouTube, que você tem 20 milhões de dispositivos conectados. Mas você tá num boteco que tem, sei lá, 80 pessoas, 100 pessoas assistindo, esse número pode se multiplicar até por 2. E aí voltou-se essa discussão muito grande, porque quando você mistura paixão com as apostas, a mistura é boa para as bets.
Então, Bezerra, ética criminal, a gente tem várias questões para falar aí, né? A primeira é ética, né? O que que até pode ser dentro da lei, mas o que que é ético dentro disso, né?
Eu penso na questão ética, mas eu penso também na questão de saúde pública, e depois na terceira camada também, na questão da gente, a gente vai pagar isso, segurança pública também. Mas o que eu, como eu não assisto, eu não assisto Brasileirão, eu torço pelo Fluminense, mas eu não sou, eu não assisto Brasileirão. A primeira vez da minha vida que eu fui inundado por bet foi na Copa do Mundo.
Então eu fiz perguntas, e é isso que é o incrível, porque muitas pessoas que não assistem futebol, principalmente público feminino que não liga muito para futebol, na Copa do Mundo tá todo, a família inteira tá assistindo.
O Vilela, eu conversei com um diretor de um hospital privado esses dias, ele disse, Pimentel, o meu maior problema não são com os médicos nem com os enfermeiros, meu maior problema são com as enfermeiras. Eu jamais imaginei que mulheres fossem tão apaixonadas por bets, né? E ele, o RH dele lá detectou inúmeras profissionais de saúde, né, na num hospital privado, já com problema, endividadas e tal. E isso, e quando foi o contato?
Porque eu, por exemplo, como não sou apaixonado por futebol, meu contato foi no Cazé. E eu também não sabia o que era odd. Quando anunciou uma odd 4.0, eu não sou muito bom em matemática, reprovei nisso no colégio militar.
Quando eu vi, como que funciona?
Ah, tá, isso quer dizer 4 vezes que você coloca.
Mas era uma sequência de 3 acontecimentos, os 2 centroavantes marcarem no primeiro tempo. Então isso aí são 2 gols de 2 pessoas distintas no primeiro tempo, né? Então assim, é uma chance que eu não sei como é calculada essa odd, eu não sei se isso é verdadeiro, se tem transparência também nisso, né? Mas ele disse que era uma chance razoável.
É um algoritmo, né, que vai calculando isso, né?
Mas eu queria ver a transparência disso aí. Ah, sim, eu quero ver se a chance disso acontecer realmente é de 25%, sabe? Então assim, eu fiquei assombrado com isso e comecei a perguntar para amigos médicos. Eu nunca tinha estado com bezerra, né? Qual vai ser o legado da Copa do Mundo além da eliminação do Brasil nas oitavas de final? Qual vai ser o legado?
Uma das principais, eu vi o Eduardo Moreira, né, falando que uma das principais patrocinadoras da Copa do Mundo é uma empresa que faz previsões de mercado que não existia até janeiro. Ou seja, olha, ela não existia em janeiro e já está patrocinando a Copa do Mundo. Olha o quanto se ganha de dinheiro para patrocinar uma Copa do Mundo.
Em todos os aspectos. E o Pimentel está tocando numa coisa super importante, que é o fato que a gente não está se— Pelo menos nos grandes debates eu não tenho ouvido muito, que é o quê? O impacto de saúde pública agora no curto, no médio, E no longo prazo, cara, todo mundo me conta uma história de alguém que—
eu não sei vocês, mas o que eu recebo de DM: perdi tudo no jogo, eu sou viciado em aposta, me ajuda. Cara, é muita gente o tempo todo.
E tem uma coisa que me preocupa ainda mais também, por aquilo que o Pimentel tava falando aqui: a Copa do Mundo, além de ser o evento mais visto, o evento esportivo mais visto do mundo, não existe comparação, não tem nada que se compare. O fato é o seguinte: ela tem uma característica Que é o quê? A família vê. Então tá lá, tá o cara, tá a mulher dele, tá a criançada e tal, o avô, tá todo mundo ali e tá todo mundo exposto. E um dos grandes problemas é o quê?
Quando você normaliza, por exemplo, quando você tá ali bombardeando essa mensagem para cima da criança, associando o esporte, saúde, as histórias de esperança, de superação. Esporte sempre foi isso, claro. Agora, quando você começa a conectar Conectar o esporte à aposta, quer dizer, ao ganho, a esse ganho estranho que você não sabe muito bem de onde vem, como se dá, sem transparência nenhuma. Isso é um problema gravíssimo. E tem uma coisa que eu não sabia, porque eu não sou um cara, enfim, eu não curto muito essa coisa de jogo e tal, não sei o quê.
Eu, graças a Deus, também não tenho o menor interesse em jogos.
É uma coisa que eu não tenho nem interesse, mas já trabalhei Há anos atrás eu trabalhei muito com o pessoal do Ambulatório do Jogo Patológico da USP aqui em São Paulo, porque a gente trabalhava na época a questão dos bingos. Porque muita gente achava que o bingo era um negócio inofensivo.
Minha ex-sogra perdeu 2 apartamentos no bingo. Eu falei, como que perde apartamento no bingo? Porque você joga com 50 cartelas, tem um esquema que você jogava com 50 cartelas.
E na época não se falava nada disso, mas o impacto em termos de saúde pública era enorme.
Mas a pessoa tinha que ir até o bingo.
Sim, agora mudou. Por quê? Agora você tem uma exposição, era aí que eu ia chegar, você tem uma exposição muito maior, tá ali, tá no celular, tá na palma da mão, tá na televisão 24 horas por dia. Você tem o Pix, que é um instrumento rápido de pagar, e a gente sabe que o mecanismo para impulsionar, para o gatilho principal para compulsividade, qual é? Quanto menor é o tempo entre a decisão da aposta e o resultado, resultado, perfeito, maior é a possibilidade de acionar o gatilho da compulsividade.
Então uma coisa, por exemplo, que eu não sabia era o quê? Normalmente a bet do futebol não é ela o principal instrumento de compulsão e de vício, ela abre o portal, porque o que faz, o que ela leva principalmente para o caça-níquel e para aqueles outros que são rapidinhos. Aí você entende por quê, por exemplo, Você tem tantas mulheres que estão se envolvendo, você tem tantos idosos que também estão, porque que você tem tanta criança?
Não é que ele tá apostando, não é que ela tá apostando no jogador que vai fazer o gol, no cara que vai bater o pênalti, se o cara vai levar. Não, ela entrou ali, ela entrou pela bet, mas ali começa, dali dentro começa a propaganda: vem para cá, vem jogar no, vem jogar no caça-níquel, vem jogar nos outros jogos. E esses ainda mais poderosos no sentido de desatar um gatilho. Então assim, só em termos de números e devolver a bola para vocês aqui, mas eu tava lendo ainda hoje, são um dado que confirmou: os brasileiros já gastaram desde o começo da Copa do Mundo, em 20 dias já apostaram mais de R$500 milhões.
Esse, a grande pergunta é: esse volume de dinheiro Ele não brotou do chão nem veio da árvore, ele saiu de algum lugar. Normalmente ele atingiu a população mais vulnerável e os números estão mostrando o quê? Tá mostrando que esse dinheiro tá deixando de ir para compra do remédio. 11% da população deixou de comprar o remédio, o seu remédio, para poder fazer aposta. 14% dos meninos, dos garotos que estão na faculdade, deixaram de pagar mensalidade por alguma questão relacionada à dívida de jogo, entre outras tantas coisas.
E um número outro chama muita atenção: 140% do aumento de atendimentos no SUS nos últimos 4, 5 anos relacionados à ansiedade, depressão e tentativa de suicídio, relacionado ao quê? À questão do jogo.
Falam muito também do comércio local, né, que destrói o comércio local, padaria, o mercadinho. Não essas grandes redes, né, que essas elas acabam ganhando sempre, mas todo aquele comércio local estão deixando de consumir.
O laboratório que estuda pesquisa lá, estuda jogo lá na USP, tem uma matéria no café da manhã da Folha de São Paulo, não, não, no UOL Prime, que já começou a se identificar pessoas que estão entrando no crime e cometendo os furtos, pequenos assaltos ou estelionato Por conta da ludopatia, do desespero. Porque a ludopatia, diferente de outras dependências, tipo de droga, ela demora muito para ser descoberta. Então pode, família tá jogando a madrugada inteira lá, porque como Bezerra falou, o que que acontece?
As bets fazem, e aí você entra no site da bet, ele te joga para um cassino, te vende a vida e tal. Porque no futebol você depende ali de um tempo que a gente tem, que o cara pode desistir, ou é um tempo que aquele sistema de dopamina que vai lá em cima do cara demora um pouco que A partida tem que acontecer. E o que faz o cara apostar é o reforço intermitente, que é o quê? Ele perde, perde, perde, perde, aí o cara ganha, e aí sobe a dopamina aqui, ele vai jogar, vai jogar até ganhar de novo.
Então é isso que acontece, tá acontecendo isso. E a ludopatia é uma das últimas dependências a se descobrir. A hora que se descobre que a gente tá devendo para o banco, para a jiota e tal, e aí quando chega na família e a família descobre isso, o cara acaba perdendo tudo. Então tem essas questões, é invisível, né, Joel?
O cachaçeiro tu percebe, o usuário de crack tu percebe, o maconheiro, mas o do jogo tu não percebe.
Ele pode estar jogando, mas só um comentário de uma pessoa aqui para vocês entenderem que às vezes a galera não sabe o que a gente tá falando. Ó, como levar pessoas que não entendem de apostas esportivas falar sobre as bets? Acabaram de falar que não gostam e nem apostam. A gente não tá falando sobre se é gostoso jogar ou não, ou como se joga. A gente tá analisando o efeito disso, cara.
Então tem que fumar pedra para falar disso.
É isso.
Ah, como vocês podem falar sobre o problema das drogas se vocês não são drogados?
Meu, cara.
Qual o nome dele, irmão?
Marlon. Não, não, é o Tiaguinho, né?
O Tiaguinho, nós temos amigos aqui, com certeza Joel vai confessar isso para mim. Nós temos amigos que bebem e não são dependentes do álcool. Nós temos amigos que fumam maconha e não são dependentes. Eu tenho conhecidos até que cheiravam pó durante 5, 6 anos da vida, não se viciaram, abandonaram, graças a Deus. E o açúcar também, o sexo também. Eu tenho certeza que o Tiaguinho deve estar curtindo aí o jogo e não é viciado. E não é viciado.
Mas, Tiaguinho, isso não é realidade. Eu converso hoje com segmentos, conversei com o diretor do hospital, conversei com comandantes de quartéis. Todo quartel do Exército Brasileiro hoje tem um problema com soldado, muitos soldados viciados em bet, sabe? Então isso tá virando um problemão. A gente não tá tabulando isso. Eu, Joel, eu gostaria de entender se o feminicídio no Brasil já tem relação, porque O feminicídio sobe há 4 anos no Brasil, então 2.540 feminicídios no Brasil.
Os homicídios em queda no Brasil, os homicídios em queda e o feminicídio aumentando, né? E eu sei que a Bete potencializa a violência doméstica. Será que o feminicídio também já não tá relacionado? Eu tô supondo aqui, precisa de muita pesquisa para provar essa suposição, mas pode ser que tenha relação, né? Suicídios, né?
Eu tenho certeza absoluta. Agora, a questão do feminicídio é muito muito difícil de entender isso, mas pela psicologia masculina a gente entende do seguinte: o cara vai se endividando e ele vai ficando quieto, que ele não fala as coisas, né? O homem não fala nada, ele só fala a hora que o mundo cai ou alguém descobre, ou alguém descobre. Aí a família, a mulher tenta fazer uma minimização de danos, ou isso destrói a família, porque falta de dinheiro em casa, exatamente, potencializa o embate físico.
Porque, Joel, eu falei para você que no meu tempo de Rádio Patrulha, o principal dia nosso de violência doméstica era domingo à tarde, final do mês, depois do almoço da família, né? Acabou o mês, não tem mais dinheiro, acabou o dinheiro na conta, né? Aí potencializa a bebida com a presença de todo mundo no cômodo, a casa cheia, né? Era o dia que explodia o 90, violência doméstica para gente, né? Isso tá tabulado. Então eu imagino que naquela época eu imaginava que o fim do mês, o fim do dinheiro potencializava.
Não tinha como provar ainda, né? Mas hoje eu posso apostar, cara, que apostar, eu posso crer que tem relação. E também na camada da segurança pública. Eu conversava com o Bezerra sobre isso. Nós temos hoje 181 bets no Brasil, 189 bets no Brasil. Lá atrás a gente descobriu que tinha que pagar uma outorga de R$30 milhões, né? O governo federal decretou um sigilo de um século, né, sobre como foram realizadas essas negociações. Graças ao Estadão de São Paulo, que provocou o governo federal, né?
O governo queria esconder essa notícia. O que tem de tão vergonhoso para ser escondido nessas negociações? Porque eu não consigo imaginar no Brasil 181 capitalistas que tenham R$30 milhões para pagar essa outorga. Eu gostaria muito de saber de onde veio esse dinheiro de cada uma dessas bets no Brasil. E aí eu descubro que tem uma bet russa operando no Brasil, Essa bet está proibida de operar na Europa.
Por quê?
Por que que a Alemanha não autorizou, a Inglaterra não autorizou, a França não autorizou, a Itália não autorizou, Portugal não autorizou, e ela consegue se estabelecer no Brasil, né, com uma parceria, né? É uma bet russa de um ex-policial russo que tá condenado na Rússia, fugiu lá do Putin, mora no Chipre, né? E essa bet tá no Brasil. Pô, isso é um escândalo, isso tem que estar no debate. E a minha preocupação também com Bezerra e com Joel Vilela, para a gente não politizar esse debate.
Isso atravessa Temer, final, né, do Temer, isso todo governo Bolsonaro, e agora no colo do Lula, né?
E vai cair no próximo, e vai cair no próximo.
Na minha opinião, os 3 governos negligentes, né? E até hoje não temos uma agência reguladora para esse tema, né? Poderia ter uma agência reguladora, pelo menos teria ali um órgão do governo fiscalizando com mais instrumentação, né? Mas eu tenho certeza que em pouco tempo a gente vai descobrir que boa parte dessas bets, eu já falei aqui, pertencem à contravenção e ao crime no Brasil. Tenho certeza disso, certeza disso.
E se abriu, se abriu um mercado, porque o que que acontece a hora que se relaciona ao futebol? A bet se relaciona ao futebol por quê? Porque ela precisa aumentar o número de apostadores. E um dos graves, talvez o mais grave problema que a gente está vivendo é que abre-se um mercado, e aí eu não vou discutir se o melhor caminho é regulamentação ou não, se é repressão ou não, enfim. Aparentemente, as principais experiências do mundo mostram que a boa regulamentação gera uma redução de danos importante.
Agora, enfim, mas não é esse o debate. O fato é que abriu-se um mercado com cada vez mais exposição, com cada vez mais gente potencialmente apostando, com cada vez mais gente exposta, com criança, com adolescente, com idoso, com gente vulnerável de todas as formas exposta, e não se criaram mecanismos nem de prevenção, nem de proteção, e ainda pior, sequer do acompanhamento pós.
Hoje, por exemplo, taxação adequada.
Eu também concordo com você, eu abri com você pesadíssima.
Eu abri com bezerra aqui rapidinho, aqui você pode consultar em casa a taxação em vários países da Europa. Em todos os países a taxação é no mínimo o dobro do Brasil, sabe? Então por que que o Brasil é tão bonzinho com esses caras, sabe?
Porque isso não faz sentido. E ao mesmo tempo em que de certa forma é sozinho, o principal atingido, porque aí a gente olha para o outro lado, né, que é o lado, por exemplo, que mais eu percebo, a ponta que mais eu percebo é da família. Porque a bet, diferentemente de outros males da nossa sociedade, ela atinge não apenas a pessoa que— e aí também não, enfim, fez-se um apontamento aqui O rapaz fez um apontamento, ah, porque eu jogo e tal.
E que a gente não entende, a gente não joga e não identifica.
Não estamos falando que todo mundo que joga tem potencial inclusive para compulsividade, para o vício, não é isso. As estatísticas mostram que talvez aí pode chegar nas maiores escalas aí em torno de 6%, mas o fato é que demora muito para se identificar e porque também na cabeça das pessoas tem algumas coisas que são muito pesadas, do tipo, quem começa, primeiro que a pessoa demora a se perceber dependente daquilo, segundo, quando ela se percebe, tem um peso muito grande no sentido, eu não vou me expor, porque a sociedade entende aquilo como algo ligado ao caráter da pessoa, é uma fraqueza de caráter e tal.
E aquilo é um mecanismo de saúde, a pessoa tá sendo atingida na sua saúde. Então assim, você tem o, a bete, a bete e o futebol Elas começam no campo, acontecem durante o jogo, mas o impacto acontece depois. O impacto pior acontece depois que o juiz apitou o final da partida. Acontece lá na casa, acontece na mãe, acontece no pai. Eu, eu, esse final de semana retrasado, eu tava em Bragança Paulista, tava fazendo uma palestra lá, e aí falei alguma coisa, toquei, dei uma pincelada, toquei a questão das bets, chamou atenção, papapá.
E aí um pai veio me procurar e foi uma das histórias assim mais fortes que eu vi, porque ele falou, olha, minha filha tem 39 anos, tem 2 filhos, eu precisei trazer ela de volta para casa, ela veio morar em casa, a gente, ela não tem mais conta bancária, ela não tem mais acesso a Pix, ela não tem mais acesso a recurso nenhum. Porque é o seguinte, qualquer recurso que caia na conta dela, ela imediatamente corre para o quarto, para algum lugar escondido, para ela jogar.
Ou seja, é uma pessoa adulta com autonomia que perde aquilo que talvez seja uma das coisas que mais nos traz dignidade como seres humanos, que é a liberdade de escolha, autonomia, porque ela já não tem mais a liberdade de escolha. E eu falei, como é que ela chegou nesse ponto? Ele falou, ele falou para mim, ele falou, Bezerra, vocês nunca perceberam, né? A gente nunca percebeu absolutamente nada, a não ser o quadro que ela começou com quadro de depressão porque ela não tinha mais recurso, começou a vender tudo dentro de casa.
E aí a gente percebeu, e as crianças acabaram sendo afetadas porque ela ficou muito agressiva com as crianças. Enfim, é muito importante a gente trazer isso, né, que é um oculto, ele fica ali, ele fica ali escondido, ele aparece pouco, mas que é fundamental que a gente tenha esse outro olhar do impacto para quem tá por trás disso, para família que tá sofrendo hoje. Porque senão vira uma discussão, vira, vira uma, o risco é de virar uma discussão: posso ou não posso jogar?
Reprimo ou não reprimo? E tal. E a gente não tá falando de números apenas, a gente não tá falando de estatísticas apenas, A gente tá falando para muito mais do que isso. A gente tá falando sobre vidas humanas que estão sendo diretamente afetadas pela ambição desenfreada de caras que acharam que é o seguinte: vamos, vamos, eu vou pagar uma outorga de 30 milhões e vou— se tá pagando 30, mais o que tem que investir em mídia e tal, não sei o quê, a entrada, a largada disso daí é 50, 60 milhões.
Agora, ninguém põe 60 milhões Você não vai ganhar lá na conta, que você não vai. Aliás, pior, no curto prazo vai ganhar, vai ganhar às vezes o dobro disso. Então é muito triste, porque o ganho se dá a partir da perda da dignidade de quem é mais vulnerável. E pior, eu tenho uma tese também de que, além de tudo, além de provocar os gatilhos de compulsão, além de ser um problema de saúde pública, a aposta ela também pode ser um instrumento de concentração de renda.
Porque é o seguinte, você conhece alguém que ficou rico apostando? Não, claro que não. Você conhece alguém? Agora, você conhece alguém que perdeu tudo? Sim, eu conheço várias pessoas. Aliás, eu conheço, eu conheço gente que ganha. Aliás, eu não conheço, eu conheço histórias de gente que ganhou muito dinheiro. O dono da banca, esses influencers sem nenhuma, sem nenhum escrúpulo. E agora, lamentavelmente, essas figuras públicas, jogadores de futebol, narradores famosos, gente que tem influência grande na mídia, é fazendo isso sabendo que o lucro, o dinheiro que ele tá tendo, vem diretamente de se tirar o pão da mesa do pobre. É terrível.
Existe uma resistência tímida, mas que eu gosto de ver, que é do Porta dos Fundos, né, através do humor, e também agora daquele grupo do do Caetano, do Gil também, né, do 342. É que assim, olha, são artistas de esquerda, eu sou de direita, mas eu adoro ver esses caras, viu?
Também, né, tem feito uma campanha. Tem também, que sim, o Eduardo tem pego pesado, inclusive falando que tá tendo várias ameaças, tá andando com segurança e tudo mais por causa dessa briga. Porque o problema é esse, o problema é que quem deveria nos defender provavelmente tá ganhando muito dinheiro. E aí, por que que ele vai pensar no povo quando ele tá ganhando muito dinheiro? Por que que o influenciador vai se importar se tá pingando na conta dele 10 milhões, 3 milhões, sem esforço praticamente nenhum, né?
Ô Vilela, eu tenho, é só para completar, e tem o discurso que a Globo tá fazendo e a Kazé. E aí começaram a bater na Kazé. Ah, mas por que você só bate na Kazé e não bate na Aí a Casé vem se defender e fala assim: a gente, para fazer o que tá fazendo, não conseguiria sem as bets. A gente não consegue concorrer com a Globo. Pô, e se tirar de todo mundo, não vai ter mais Copa do Mundo? Vai ter Copa do Mundo, é óbvio que vai ter.
Algum teve antes de ter bet. Então esse discurso também não cola, né? Vocês viram nessa discussão?
É que eu falei do sistema de retroalimentação, né? Mas eu só queria voltar um ponto nos influencers, porque eu acho que a gente tem que dar uma batida nos cara também, né? Cara, eu tava estudando sobre a indústria do cigarro antes de vir para cá porque me pegou muito essa fita.
Boa lembrança.
E aí eu comecei a ver algumas pesquisas mostrando que a indústria do cigarro nos anos 90, ela previu o que a geração dos anos 80 que ia fumar nos anos 90, porque começava com 11, 12 anos, eles previam isso, iria gostar de fazer.
Não, mas só para ti, não é da sua época, os outros da mesa que vão concordar comigo, tinha médicos que falavam que não fazia mal. Os caras pagavam para médicos, você tinha propaganda nas revistas, o médico falando, não, pode fumar, sei lá, é a mesma papa, um cigarro, um sopro, não sei o quê, não vai te fazer mal, vai te relaxar, não sei o quê. Tinha toda uma indústria dos influencers da época.
Dos médicos, das autoridades.
Exato, das autoridades.
E aí, cara, eles previram que quem nasceu nos anos 80, ele teria o sonho de viajar mais do que ter uma casa própria, um trabalho estável, que geralmente era vinculado com trabalho, com alguma coisa. Relacionada a, enfim, estabilidade financeira. E aí os caras começaram a investir em propaganda mostrando as pessoas viajando e deu uma aumentada no fumo, o fumo dos dois sentidos, né? E aí, cara, quando proibiram, restringiram bastante as propagandas e tal, 36%, 34% da população fumava, caiu para 9%, teve uma diminuição de quase 75% aí na no uso do tabaco.
Só que as bets pegaram um negócio que é o seguinte: as próximas gerações, a indústria do álcool tá sofrendo, né? Eles estão lançando esses dias atrás, eles lançaram uma cerveja sem álcool, vitamina D e vitamina não sei o quê na cerveja. Agora tem cerveja com proteína que tá chegando no Brasil.
Os fast food estão sofrendo, os aviões estão mais leves agora, tá Tá toda uma mudança por causa do low carb. As pessoas estão mais leves, os caras estão fazendo porções menores. É muito louco.
E aí o que acontece, cara, é, já há uma previsão de que essa nova geração ela vai se preocupar mais com o corpo e mais com os esportes do que necessariamente todas as outras gerações passadas. E aí o que que a Bet faz? Olha só, a gente foi eliminado da Copa do Mundo, certo? A gente tem um dos maiores destaques da Copa do Mundo, que é o Vini Júnior, que é número 1 de uma grande empresa de apostas, conhecidíssimo por isso. A mina que tá com ele, que é a Virgínia, foi a mina que tá nessa, nessa polêmica de que ela teria simulado uma aposta no Cabo Verde para, né, teoricamente, como diz o Ministério Público, enganar o próprio público.
E o nosso outro destaque, que é o Neymar, tava numa mesa de pôquer anteontem, uma semana antes uma semana depois da eliminação. Então você tem 3, e a Virgínia é muito conhecida por cuidar do corpo, por ter tempo para malhar, esse tipo de coisa, cara. Quando as 3 pessoas mais famosas de influencers gigantes, elas estão envolvidas com aposta, quer dizer que você vai ganhar uma fatia do mercado gigantesca para trabalhar. E a indústria da bets, logicamente que ela pensa nisso, né?
E você falou uma coisa importante, Joel, você tava falando a questão de que eles estavam olhando para as crianças e para o perfil de consumo ou perfil cultural que eles teriam ali uma década, duas décadas depois. E isso se aplica muito à lógica de que também, a lógica de que quando você percebe que um produto vai ter um impacto de dependência em uma, duas décadas, O que você pode fazer agora é muita coisa no sentido de prevenção, no sentido de educação, no sentido de alerta e na preservação, principalmente da criançada, né?
Então acho que aí tem uma virada. A Bet, ela tá nesse momento, ela não tem atrito nenhum, ela passa tranquila, tá passando como se fosse um negocinho inofensivo, tá tudo bem. Só que crítica é um produto extremamente crítico. Crítico, né, que uma vez exposto para quem ainda não tem o mínimo discernimento, o mínimo filtro, como a criança, é perigosíssimo. E aí, para além de tudo ainda, você alia a uma coisa bacana, que é o esporte, que é alegria, que é a festa, que é a Copa do Mundo.
E aí o potencial de impacto disso em termos de dependência é gigantesco. E é por isso que a gente tem que tomar medidas efetivas, é agora, nesse tempo.
Existe uma solução para isso isso é trazer o assunto bet para eleição, tá? Mas trazer ele pesado, porque essa eleição todo mundo diz que vai ser o assunto segurança pública e tal. Eu tenho recebido lá no podcast, recebi o Caiado e o Zema, tá? E eu fiz essas duas, essa pergunta para o Caiado, para o Zema. Aliás, a posição do Caiado é bem radical, ele nem a loteria estadual em Goiás pode, né? Recebi o Eduardo Paes que é a candidata a governo, mas é uma pauta nacional.
Mas eu pergunto também para o candidato a governo. E eu tava falando com Bezerra, Rio de Janeiro, primeira capital do Brasil a proibir anúncio de bet em espaço público. Será que não seria uma ação a ser reproduzida e copiada pelo prefeito de Manaus, pelo prefeito de São Paulo, pelo prefeito de Curitiba, né? Então, se a gente trouxer a bet para discussão da eleição, porque eu quero ver um cara de pau sentar ali, é isso mesmo, eu tô querendo que a população se ferre, todo mundo se vicie nisso mesmo, né?
E trazer o debate ético, Joel, eu não sabia, eu descobri que o Mbappé era um crítico aos bets, né?
Ele não aceita, ele não aceita.
Ele teve problema com os parentes dele.
O cara vem de periferia, né? O cara vem de periferia. Aí você se lembra que um Vinícius Júnior que veio de São Gonçalo, meu irmão, pô, deve estar cheio de gente de São Gonçalo devendo dinheiro. O cara Veio, veio da pobreza. O cara tá ganhando muito dinheiro, ganhando fortuna com a miséria, com suicídio das pessoas, sabe? Isso eu acho que a gente tem que estampar esses caras, né? Eu já não sigo mais influenciador nenhum que anuncia bet, sabe?
Nenhum. Meteu bet, não quero mais saber do cara não. O cara é mau, na minha opinião. Eu posso estar sendo radical, né? Mas a gente tem que enfrentar isso dessa forma, meu irmão.
E você tá falando do futebol, tá? Só que os cara tá lá em Parintins Os cara tá no carnaval, as bets estão em todos os lugares, mano, nos eventos mais gigantescos, sim, nos eventos em todos os lugares, eventos mais gigantescos possíveis, os caras estão, eles fazem apostas em tudo quanto é lugar que existir uma disputa. Quem vai falar mais aqui, o Pimentel, Bezerro, Joel?
Garantido o Caprichoso, é isso, cara. Sabe isso não, irmão, sabe isso não. Que tristeza.
O que que a gente pode falar sobre outros países? A gente sabe que a China Ah, tem iniciativas interessantes, né?
Você tem a China, por exemplo, enfim, tem iniciativas interessantes, mais variadas de acordo com os mais diversos contextos, né? Você tem a China, que é repressão total, não pode nada, é proibido, né? Agora, eles têm uma capacidade para você proibir, por exemplo, as bets, você tem que ter uma capacidade de fiscalização e de repressão diferenciada. Então assim, eles têm uma fiscalização, uma fiscalização rigorosa. Por exemplo, se pintar algum site, eles têm uma fiscalização rigorosa na transferência de recursos, porque a China você não lida mais com qualquer outro tipo de recurso.
Enfim, já é uma cultura institucionalizada a questão. Lá não é o Pix, mas enfim, as transferências eletrônicas, tal, eles têm um controle muito maior. Eles têm mecanismos mais efetivos no sentido de de restringir e de fiscalizar. Eu falo isso por quê? Porque o problema é, se você só reprime, mas não tem mecanismos nem de enfrentamento, de repressão, e nem de cuidado com as pessoas, de oferecer, por exemplo, alternativas em saúde pública para aqueles que porventura venham a ter algum tipo de compulsão— e, gente, vamos lembrar, né, no Brasil não é pouco.
Nós estamos falando hoje em números, nós estamos falando entre 12 a 13 milhões de pessoas com comportamento de alto risco para jogo. E estamos falando em 1,4 milhões de pessoas hoje com compulsão no país. Agora, a questão é, em contrapartida, o que que a gente vê em termos de saúde pública para acolher essas pessoas, para poder trabalhar essas pessoas, essas famílias? Que tipo de ambulatório? Que tipo de apoio? Que tipo de medicação?
Então, os CAPs não estão dando conta. Os CAPs estão com uma dificuldade imensa de ampliação e de dar conta, por exemplo, principalmente das questões de saúde mental em geral da população, que nós já temos problemas graves com isso, e ainda da questão de álcool e drogas, né? Então assim, você tem um problema com a estrutura dos CAPs que precisa ser fortalecida urgentemente. O fato é, você tem a China com esses mecanismos, para um lado da repressão, mas você tem iniciativas interessantes, por exemplo, Reino Unido O Reino Unido, a taxação é alta, né?
Agora, você tem várias, você tem várias outras coisas ali. Você tem, além de tudo, você tem propostas de educação, você tem mecanismos de autoexclusão. Os caras têm a chance de se cadastrarem e de se autoexcluírem de aplicativos ou de sites de jogo. A própria família pode inscrever a pessoa e você tem também recursos para um fundo nacional que produz dados de pesquisa e inovação de propostas em política pública. Você tem uma política pública um pouco mais ampla na Inglaterra, né?
Você tem a regulamentação, mas você tem condições de atendimento, você tem condições de prevenção, você tem condições de fiscalização que vão, que vão refreando e diminuindo do dano disso. Singapura também é um exemplo. Singapura, eles têm um conselho que eles envolvem, um conselho nacional que eles envolvem inclusive as famílias e tal. Então assim, você tem essas variadas experiências que são, que são interessantes.
Legal.
É porque eu também conversando com Bezerra antes, um papo, já que eu gosto tanto desse papo, né, as pessoas pensam em contrapartida. E uma das, um dos deputados federais Eles querem nos enganar, né? Fez uma proposta de 3% dos impostos das bets para um fundo da Polícia Federal, né, para o FUNASPOL. Aí não é da receita das bets, é do que a bet paga de imposto. Isso também parcelado em 3 anos até 2028, em suaves prestações. Esse valor vai chegar em 2029 R$200 milhões.
Isso é uma sacanagem, né? Você vai viciar a população brasileira e vai, e a Polícia Federal vai ganhar R$200 milhões. Isso aí diluído em 12 meses, né?
Vai dar menos de R$20 milhões.
Então isso é babaquice. Eu começo a entender que as bets possuem muitos aliados no Congresso Nacional, né? Assim, pessoas que estão ali dispostas a defender esse sistema confuso uso pouco taxado, né, sem transparência. Começou a entender. E de novo, viu, é diluindo essa culpa aí, Temer, Bolsonaro e Lula, tá?
Por favor, todos eles passou por todos eles. Um que tentou regulamentar, o outro não, o outro se omitiu completamente. Aí agora vem uma nova regulamentação, mas os mecanismos de fato de prevenção a gente não vê acontecer, os mecanismos de fato de fiscalização. Eu tava Eu tava falando com uma pessoa, tava até citando aqui, semana retrasada eu recebi uma pessoa no gabinete, eu falei alguma coisa sobre bets e tal, e veio um rapaz que até me ajudou muito.
A gente trabalha, a gente tá trabalhando um projeto de lei aqui na capital para restringir totalmente, proibir a questão de propaganda de bets voltada para criança e adolescente, inclusive com horários diferenciados e tal, se restringir isso e também dar dar instrumentos e mecanismos para fortalecer grupos de apoio de organizações sociais que queiram se conveniar com o poder público, possam receber recurso para atender essas pessoas, o que é fundamental também.
E esse rapaz, ele tava me falando da vivência dele, das dores dele, da luta dele, né? As ideias que vieram, vieram ali dele, e ele contando, e ele contava chorando. Ele falou assim, eu demorei 6 meses para poder reconhecer o que tava acontecendo comigo. Eu fui escondido de todo mundo, precisei perder tudo. E uma coisa que eu não sabia, porque eu falei, eu perguntei para ele assim, eu falei, cara, mas você não percebeu que você tava perdendo e tal?
Você não percebia que era uma coisa aquilo? Ele falou, não, pera aí, não é assim que funciona. Não é assim. Ele falou, eu tive mês que eu cheguei a ganhar R$75.000, R$80.000.
É, eu falei, é?
Ele falou, é, a questão é que você tem pequenos ganhos e aí vem, daqui a pouco você perde, e aí vem um mecanismo que vai se retroalimentando do quase ganho. Então você quase ganha, você vai apostando, você vai tentando correr atrás e você quase ganha, quase ganha, quase ganha. Ele falou, hoje a minha situação, eu tô devendo R$2 bilhões, entendeu? Ele falou, eu perdi tudo. Tudo.
Eu perdi tudo.
Ele falou, comecei a ganhar. Ele falou, larguei meu emprego, deixei minha atividade. Eu era gerente comercial, deixei meu emprego, comecei a ter um, comecei a ganhar alguma coisinha ali. Eu falei, bom, ganhei R$5.000 no mês, ganhei R$6.000. Falei, opa, pera aí, eu vou identificar isso. Esse negócio tem porque, um, talvez a maior mentira do jogo e das bets é que ela oferece uma nova perspectiva de vida e de ganho. E é uma grande mentira por aquilo que a gente tá falando aqui.
Quem você conhece que de fato ficou rico ou se sustenta com isso? Mas o nível de loucura a que a pessoa vai sendo submetida é tamanho de loucura, mas de cegueira que vai sendo submetida é tamanho que ela fica completamente aprisionada nesse mecanismo. Então, e ele falando claramente, ele falou, eu falei, pô, mas e os mecanismos? Ele agora tá 6 meses sem jogar. Eu falei, cara, e os mecanismos que foram feitos agora de autoexclusão, de limite de quanto— isso tem no Reino Unido também, o limite do quanto você pode apostar, contas que são determinadas.
Ó, essa pessoa aqui, essa conta aqui, o cara pode jogar até X, mais que isso já não tem liberação, o banco trava, enfim.
A partir de 11 da noite, esses horários.
Eu falei para ele, e aí, e esses mecanismos não te ajudam, ele falou, cara, acha um jeito. Ele falou, cara, tem bancas internacionais, você pega o VPN, você joga nas bancas internacionais e tal, que inclusive algumas delas são muito piores do que as nossas. Agora, para você proibir isso, você tem que ter um mecanismo de fiscalização que envolva inteligência. Aí você é o mestre disso, que envolve inteligência policial internacional para ir atrás, para que possa bloquear esse negócio.
Mas eu tô com uma dúvida, tu falou em leis municipais para proteger a criança e adolescente da propaganda. Não dá para copiar esse modelo do Rio de Janeiro?
Com certeza, com certeza. Eu achei esse modelo bárbaro.
É outra coisa que eu, que eu, aliás, o prefeito do Rio anunciou isso hoje, o Cavalieri anunciou isso hoje, que aliás é do teu partido inclusive, né, do PSD, né. E hoje eu tava vendo uma também, um deputado federal, aliás, corajoso, ação, uma ação corajosa É, em termos de política, hoje eu vi um deputado estadual também propondo uma lei para tirar do Maracanã, tirar os anúncios de bet do Maracanã. Eu sei que não dá para tirar do estádio do Corinthians, do Taquera não dá porque pertence ao Corinthians, né?
Mas estádios que pertencem, que pertencem aos governos estaduais, não sei se são muitos, né?
Pacaembu, por exemplo.
Tirar essa porra, meu irmão, tira isso daí, né? Seria um caminho, né?
O Bezerra falou aí do do lance do cara viciado que perdeu tudo, aí você vai criando os mercados acessórios assim, né? Tem cara que vende curso falando que você pode viver de apostas.
Isso, ele falou isso, bem lembrado, ele falou isso.
Desde a Operação Contenção a gente tem feito umas pesquisas do porquê a molecada tá entrando para o crime, e uma delas a gente pegou com Gotinha lá, que era o braço direito do TH da Maré, né? A gente viu que ele divulgava uma empresa de aposta ilegal, né, um cassino ilegal e tal. Muitos desses caras, eles estão entrando no crime não por conta do salário da boca, que é pequeno. Salário da boca tá uns 2 conto por mês, 2 conto e meio.
Você me corrige se eu tiver errado. Sem vale alimentação, refeição, sem convênio médico, só o fuzil. E aí o que acontece? Os caras estão indo para o crime fazendo uma porção de seguidores, 60, 80, 90 mil seguidores, fazendo box de fuzil e tal. E depois eles começam a divulgar aqueles tigris ilegais, cassino ilegal e tal. Então virou uma fonte de renda para o cara que entra no mundo do tráfico conseguir seguidores para— então ele usa o mundo do crime para conseguir seguidores, e aí ele começa a divulgar esses cassinos ilegais.
Esse é um fenômeno do Rio de Janeiro, você bem apontou. Algumas lideranças do Comando Vermelho, Terceiro Comando, já estão proibindo toda essa, olha que loucura, é porque isso virou realmente um fenômeno. O cara virou influencer do crime, né? E aí surge uma outra questão aqui. A gente sabe que a China proibiu o influencer, o modelo Deolane não existiria na China, a gente sabe disso. Aquele modelo de ostentação de um carrão, de uma Lamborghini, né?
Esse modelo. Mas e a China? A Inglaterra proibiu mês passado vai à sanção do primeiro-ministro, né? Mas na Câmara dos Comuns, a Inglaterra proibiu o adolescente de usar redes sociais até 18, não, 16 para cima. Aí você descobre que 80% dos seguidores desses influencers são adolescentes. Ou seja, isso é, isso é o tombo no modelo. Se o Brasil pelo menos adotasse essa ferramenta Você já tirava 80% da juventude que tá acompanhando esses caras, né?
Então assim, agora, e ó, isso eu recebi lá no Rio de Janeiro de um deputado federal, federal do PSD, do Ferreirinha, que é o secretário da Educação. Aqui, ó, Inglaterra proibindo rede social para menor, né? A China proibindo para influencer de consumo, né? Talvez fosse essa saída, né?
E você vê o impacto que você trouxe, uma lembrança interessante. O impacto dessa nova lei, desse novo ato na Inglaterra gerou o seguinte em outros conteúdos. Por exemplo, com o fato da proibição de criança e adolescente ter acesso à rede social e da obrigatoriedade de sites de conteúdo complexo, e aí pornográfico, joga, uma série de coisas, terem a identificação de quem entra, o que que aconteceu? 90%, houve uma queda de 90% de acessos de crianças e adolescentes a sites de conteúdo pornográfico.
E em termos gerais, houve uma queda de 50% dos acessos desses conteúdos, ou seja, 50% dos acessos de conteúdo, e aí fazendo um paralelo de conteúdos pornográficos, eram feitos por crianças e adolescentes. O simples fato de se restringir com firmeza, de se fiscalizar, de se criar mecanismos de contenção, gera isso. Porque você expor criança e adolescente a esse tipo de conteúdo é também tão danoso quanto vocês por criança também há conteúdos como conteúdo, como conteúdo de apostas.
Você que entende dessa sistemática de eleição, Pimentel, também eu até vou fazer uma pergunta para vocês. Isso vem na minha cabeça agora, fiquei latejando, porque eu participei aqui no Vilela há um tempo atrás de um episódio sobre bets, que tava eu, Guga Figueiredo, o Felca, e na TV tava remotamente, tava a senadora Soraya. E isso foi poucos dias depois da Virgínia ter ido lá. E da Virgínia só faltou, né, os caras deram um cafezinho, tudo lá, beijar e tal, aí abraçar.
E aí você pega, por exemplo, Neymar tem 200 e não sei quantos milhões, o Vini tem cento e poucos milhões e a Virgínia tem 50 milhões. A classe política que precisa de voto, ela fica refém da quantidade de seguidores que essas pessoas que divulgam bets têm?
Não deveria, né?
Porque assim, a hora que eu vi ali que ela deveria ter sido apertada E olha, isso aqui é um lugar sério, esse aqui é o Senado Federal, pô. Os cara tava dando biscoito para mulher, tirando foto.
Mas porque tem uma questão mais embaixo, Joel. Você tocou no ponto super importante. Tem uma questão mais embaixo, que é a necessidade de uma mudança cultural. Quando você tem a massificação da exposição, por exemplo, das bets, as pessoas vão assimilando aquilo como algo natural, como algo normal. Tá criança, tá adolescente, tá, os idosos, tá todo mundo ali junto, cara. É o esporte, que é uma coisa bacana. Aquilo tá naturalizando.
É uma influencer bacana, é um influencer legal, poxa, é um artista, é um, cara, é um narrador, é um apresentador de programa. Você acha que o Luciano Huck precisa fazer, precisa fazer propaganda de bet, cara? Não faz o menor sentido. E depois sai, eu fiz até um vídeo, depois sai criticando a questão do Bolsa Família. Enfim, É, mas o fato é que tem, é necessário uma mudança cultural, porque quanto mais se massifica, mais se naturaliza, e quanto mais se naturaliza, mais complicado fica o enfrentamento.
É que nem a coisa do cigarro, você tocou, você já de certa forma respondeu isso. Quer dizer, houve um tempo em que, como bem lembrou o Vilela, houve um tempo em que fumar era um negócio incrível, é todo mundo fumando, o Marlboro, o homem O mundo é melhor quando você consegue resgatar Roda Viva com Paulo Maluf. Já viu essa experiência? Lembro disso.
Como assim você vai proibir o pessoal de fumar dentro de restaurante, dentro de danceterias, e a liberdade de cada um?
Culturalmente, quando se adota como natural, é extremamente complexo, porque não é só repressão. A repressão pode ser uma coisa importante, sim, mas o fato é que a gente precisa ter uma mudança cultural.
Isso não vai se mudar no carnetinho de segurança, não era obrigatório e ninguém usava.
É isso.
Se você usava é porque você não sabia dirigir, né? Ih, tá de cinto de segurança, eu tô com medo de andar com você.
E olha que quantas vezes se falou, se mostrava os dados para as pessoas. Olha a quantidade de pessoas que estão morrendo nos acidentes. É isso aí, ó, com matinas.
Tá com áudio, pessoal?
Ah, tá.
Mas é isso daí que ele fala, pessoal indignado que ele coloca uma lei que não pode mais fumar em ambiente fechado. E a galera: e minha liberdade de fumar? Eu lembro que eu saí dos lugares, saí com olho vermelho, né, cara?
O negócio, visionário, visionário.
Quem diria, hein, Paulo?
Como é que se muda uma cultura? Como é que— e aí eu quero aqui cumprimentar, assim, parabenizar mais uma vez o Vilela por promover esse debate com outro viés, sabe? Sem moralismo, sem nada disso, sem nada disso, mas assim, mas trazendo, ô gente, para aí, até porque tem riscos, tem problemas, tem coisas, até porque dos males o menor.
Eu acho que se a gente fizesse que nem tem Las Vegas, ter uma cidade no Nordeste onde tem resort, você tem um negócio turístico e tem um casino, a pessoa tem que ir para lá e não sei o quê, é menos pior do que no celular, entendeu? Ainda você desenvolve o turismo mesmo assim. Mas, né, eu não sei o que que o Las Vegas ele resolve esse problema ou se a galera viciada é a mesma coisa lá.
Eu não sei, na questão dos Estados Unidos eu acho, né, mas isso é um achismo, tá, mano? Eu acho que ele já tem uma cultura bem estabelecida sobre apostas. E não que eles não tenham ludopatia lá, tá, cavalo e apostar Isso, mas o Bezerra falou um negócio que abriu uns— eu acho que a conversa boa é essa, né, vai abrindo galhos, né. Cara, tu acha que a população ela enxerga esse negócio de bets? O cara que aposta e fica ludopático, eu acho que nem existe essa palavra.
Eles enxergam, não, mas eles enxergam, eu acho que eles— você acha que eles enxergam assim, tipo, o cara que se endivida com bets é o mesmo cara que é desorganizado financeiramente? Ele enxerga o cara que é desorganizado financeiramente no cara que vicia, né?
Sem contar o peso que a gente tava falando aqui, o peso do moralismo sobre o cara que joga e porventura se tenha se transformado, tenha se tornado compulsivo. Ele vai contar na família: ah, pô, o cara vagabundo, isso aqui, cara. Onde ele pode se abrir?
Na igreja.
Ele vai se abrir na igreja: pô, irmão, que negócio é esse? Você agora jogando, fazendo e tal. Então assim, o julgamento, a postura também moralista da sociedade piora ainda mais. E o cara nem sabe, na maior parte das vezes, na maior parte das vezes, a pessoa que está num processo de compulsão, ela nem saca isso, ela nem saca isso. Quem percebe primeiro, tradicionalmente, quem percebe primeiro é a família, que demora um tempão para perceber.
E aí percebe e fala: peraí, cara, você não tá percebendo assim, você não faz outra coisa que não seja jogar, Você tá alterado. Inclusive, acho que aqui é isso, é um espaço bacana. Escuta, você conhece alguém? Isso, esse rapaz me falou, esse que eu atendi agora semana retrasada. Ele falou para mim, ele falou: olha, é importante demais quem tá perto falar com a gente. Ele falou assim: porque eu não percebia até que alguém da minha família chegou para mim e falou assim: cara, você não tá bem, você não faz outra coisa que não seja se preocupar com aposta.
Você não faz outra coisa que não seja falar de quanto você vai ganhar, quanto você vai perder, o que você vai fazer. Ele ficou deprimido, ele só ficou isolado, ele mudou completamente o comportamento dele. E aí as pessoas começaram a perceber, falar: tem alguma coisa aí que não vai bem. E se você percebe que tem alguém perto de você que não tá bem, converse com essa pessoa sem tom de dedo na cara, de acusação. De correção, mas assim, escuta, ó, você precisa de ajuda, nós estamos aqui para te ajudar.
O Bezerra, me ocorreu isso, e aí você pode tirar essa dúvida, ou mesmo Vilela, Joel. O Brasil há 5 anos nós chegamos a ter 1 milhão de jovens em operações day trade, sabe? 1 milhão de jovens, né? E a lógica era perversa, porque se você perguntar para um economista muito foda, ele vai dizer para você que 2% das pessoas ganham dinheiro com day trade, 98% perdem dinheiro fazer day trade. E nós tínhamos milhares de influenciadores nas redes sociais ensinando no YouTube a você fazer day trade, né?
E eles eram verdadeiros picaretas, alguns, porque eles abriam 5, 6 telas, perdiam em várias operações, filmavam todas as telas e depois te apresentavam a tela onde uma operação onde eles ganharam. Eles vendiam curso de day trade, eles ficavam ricos vendendo curso de day trade, né? Nunca com day trade. 1 milhão de jovens, esses caras ligaram para as bets, cara? Não é possível, eles desapareceram. Isso acabou, isso foi um fenômeno de 2 anos, ô Bezerra.
Isso acabou porque esses caras também eram compulsivos em operações. Eu vi gente largando emprego. Ah não, o que que você vai ser? Você day trade? Vou ganhar dinheiro com microvariações de operações financeiras de noite. Falei, tu tá louco.
Isso não existe, pô.
Se isso fosse verdade, todo mundo abandonava o emprego, né? E será que esses caras estão na bet hoje, cara?
Não sei, mas é outro perfil, cara. A day trade é a aposta da bolsa, né? O day trade é o bet da bolsa, né?
Esses caras é outro perfil de, de, de, é outro perfil.
Se nós vamos voltar ao mecanismo, qual mecanismo é potencialmente maior gerador de gatilho da composição compulsão é aquele que tem o menor espaço entre a decisão de fazer aposta, ou enfim, de tomar a decisão ali financeira, e a resposta. Quanto menor é o tempo, maior a possibilidade de compulsão. Então o day trade, a própria bet do futebol, tal, esses outros jogos assim, eles têm um, eles têm um tempo de desenvolvimento e tal.
É assim, eles não são tão entre aspas, danosos no primeiro momento, quanto é o Tigrinho, quanto é o Caça-Níquel, quanto é esses outros que todos nasceram agora. Eu acho que eles ocuparam completamente esse espaço, né?
Mas esses caras aí que vendem, esses que venderam esses cursos e ficaram milionários vendendo essa ilusão, eles são responsáveis por boa parte da desorganização financeira de uma geração muito grande, sabe, de pessoas, uma quantidade muito grande pessoas, porque muitos deles viciaram o cara em achar que ele vai ganhar dinheiro rápido, enriquecer rapidamente. E esses caras foram comprando cursos e mais cursos, porque não são baratos esse tipo de curso, é R$6.000, R$7.000, R$8.000, R$5.000, R$3.000.
Agora tá um pouco na baixa porque os cara acabaram perdendo um monte de dinheiro e viciaram esses caras. Eu conheço pessoas que construíram casas como investimento e não vende casa porque ouviram de coaches que construir uma casa para vender seria o melhor investimento ao longo de uma década. Então foram várias coisas, e o day trade é exatamente isso, tá ligado? Ó, o risco é grande, mas o ganho é grande. Então quanto maior o risco, maior.
E é muito louco que você tá falando, porque em geral as pessoas veem de forma ilusória, elas veem quem ganha ou alguém que mostra algum ganho. Mas elas nunca enxergam quem tá pagando essa conta. E quem tá pagando essa conta é a pessoa que tá endividada dentro de casa. Quem tá pagando essa conta é o SUS, o atendimento que aumenta. O varejo, quem tá pagando essa conta é o varejo que tem prejuízo. Quem tá pagando essa conta é o CAPES.
Quem tá pagando essa conta é o empregador que perde, que perde o seu funcionário. Quem tá pagando essa conta é a escola, que muita gente, como eu tava tá dizendo aqui, deixa de pagar a mensalidade. Imagina, 14% dos garotos que estão no ensino superior privado deixaram de pagar mensalidades por questões relacionadas ao jogo. Então assim, essa conta é paga por muita gente, porque na verdade o lucro ele é privado, mas o prejuízo é socializado.
Vamos com uma questão aqui que Jota falando. E as loterias, qual a diferença de quem perde dinheiro com bets com quem perde dinheiro com loterias? Deve estar falando das regularizadas, né?
Eu não, eu acho que é o mesmo mecanismo. Assim, a questão da bet principal tá naquilo que eu falei, tá no tigrinho, no caça-níquel, aquilo que a pessoa entra e vai embora. Se você olhar para isso, Se você olhar para isso, tem outros, tem outros mecanismos danosos. Por exemplo, eu passei muito tempo estudando a coisa dos bingos, cara. Bingo é um negócio cruel, velho. O bingo, ele é voltado para outra população, para população inclusive mais idosa.
Então ele tem um estímulo para população mais idosa, mas o negócio é tão perverso que assim, ele é construído arquitetonicamente, ele não tem janela, ele não tem relógio, para pessoa não ver o tempo passar, para ela perder a noção de dia e de noite.
Fevereiro, os cara vão dando bebida de graça.
Isso, você aposta muito, bebida de graça. Outra coisa é, a pessoa não utiliza dinheiro, ela utiliza aí o crédito, cartão e tal, ela não tá utilizando dinheiro. Então assim, tudo isso para quê? Para pessoa não perceber o quanto ela tá sendo envolvida em algo que vai vendendo uma ilusão de ganho e que no final das contas se reverte num grande prejuízo. Eu vi gente, eu vi gente atendi, gente, vindo de grandes prejuízos no bingo. Inclusive conheci uma pessoa que o marido se suicidou por causa, por causa de dívida adquirida no bingo.
Agora, o bingo, ele é ali. Aliás, quando a gente tá falando de bingo, ainda sei que ninguém, acho que ninguém hoje em dia confunde, mas antes a gente falava de bingo, as pessoas achavam que a gente tava falando daquele bingo do feijãozinho, da kermesse. Não, não tô falando disso.
Então casas enormes, tinha uma que tinha uma lá perto do Allianz Parque, enorme, que esse daí que minha sogra perdeu.
No Rio de Janeiro pertencia aos bicheiros.
E aí os caras falando assim, não, mas gera emprego. E os caras assim, não, mas gera emprego.
E o que que acabou?
Policiais, não, policiais.
Qual foi o lance?
Emprego?
Que emprego que gera?
Foi liberado uma época, teve legislação, teve proibição, porque você tinha idosos que estavam gastando todo o patrimônio que eles juntaram durante 40 anos, é isso, você destruir os idosos.
Mas lá no Rio teve alguns momentos, né? Os caça-níqueis, a gente já falou, eu e o Jorge já falamos sobre isso aqui, inclusive. Os caça-níqueis no Rio de Janeiro, eles estavam em bares e botequins, né? A Polícia Civil, ela fingia que realizava algum tipo de repressão, muitos policiais envolvidos. Você, o próprio Roni Lessa tinha máquina de caça-níqueis, né? Em algum momento, a delegada Marta Rocha, ela efetivamente realizou uma uma repressão verdadeira.
Sumiram os caça-níqueis dos bares e botiquins. É, tinha em tudo, passaram para sublojas, tá?
Na mesma loja.
Então assim, eu vi uns tiozinho lá, cara, colocava um lanche lá do lado, uma bebidinha, fica pá pá direto. Então você passava e voltava, tava lá no boteco lá, cara.
Agora eu não tenho essa informação porque, cara, o cara fez essa pergunta aí e aí eu tô pensando aqui, eu jogo na Mega-Sena, viu, irmão? Eu jogo no final, eu jogo no final 5, jogo na Mega-Sena da virada, mas eu deixo viciado no cartãozinho e pronto.
Eu deixo viciado. É espera, exato.
Não é aquele vício de, ah, já ganhei, eu perdi, vou de novo, vou de novo. Não tem como.
É isso não.
Joga, joga. A lógica, a lógica.
Não, eu jogo, mas eu não jogo porque eu gosto. Eu jogo para as pessoas não ficar rica e eu não, entendeu?
Como que é?
Sim, pô, eu tô no lugar aqui no Vilela.
Ah tá, tá todo mundo.
15 bico vai jogar na virada, vai entrar no jogo, vai me foder. O quê, mano?
Os cara contando, você podia ter entrado com a gente.
Eu acho que nenhum desses cara vai ganhar, desses pé de chinelo. Mas se o cara ganhar, mano, amanhã não tem vila nenhuma que eu tô aqui.
Você é o quinto bico, é o cara que saiu do bico.
Mas assim, ó, na loteria, cara, eu quero que, tipo assim, eu não jogo a não ser que seja essa situação. Mas eu acho que tem uma questão cultural na loteria que é diferente das bets, cara, de fomentar e tal. Mas assim, eu gostaria que não existisse nem esse bagulho da loteria, mano, nada disso.
É igual os caras falam assim, ah, os velhinhos, pô, os velhos, os idosos, eles, meu pai a vida inteira ele acha que um dia vai ganhar jogando os mesmos números, cara. Meu pai fala esses números são da sorte. Eu falei, tá, pai, Quantas vezes você ganhou? Não, não ganhei ainda, mas sou meu número da sorte. Então não sou da sorte, poxa.
Tu não ganha na sorte, não ganha.
Mas essa é a grande sacada do jogo, né? A venda dessa ilusão. Exato. É, o cara, a coisa da bet, da diferença da loteria, que o cara da bet ele é exposto à propaganda. Aí ele vai lá, é propaganda, propaganda, propaganda, chega uma hora, ah, vou dar uma jogadinha. Aí ele joga, aí opa, peraí, joguei nesse aqui, mas tem um outro aqui. Aí ele entra no outro, aí ele ganha um negocinho, aí ele, opa, vou ganhar um negocinho tal, que nem foi exatamente a lógica que o rapaz me falou, ganha um negocinho, ele ganha outro e perde e tal, ele começa a correr atrás.
Só que daqui a pouco ele começa a mudar o comportamento, daqui a pouco ele começa a se esconder, ele começa a esconder o que ele tá perdendo, começa a ficar endividado, começa a ficar deprimido, se esconde da família. E aí, velho, aí você tem um ciclo que é um ciclo que se não tiver uma família, uma rede de apoio que chegue junto, que fale: calma, pera aí, vamos te resgatar. Aí você vê a quantidade de pessoas que estão tirando a própria vida. Isso tem um impacto.
Deixa eu só saber com o Homer lá para que lado que a gente vai. De repente o pessoal tem uma dúvida que foi sobre alguma coisa que a gente já falou, né? Te peguei desprevenido aí, né? Vamos lá.
Mas aqui a grande maioria das dúvidas aqui realmente tem a ver com aquilo que já falaram, né, da loteria. Inclusive tem uma pessoa aqui que mandou da loteria, que é o Elon Musk.
Tá com a gente? Tem que ouvir. O Elon Musk é o cara viciado em cheirinho.
Foi, foi, foi. Elon Musk mandou essa pergunta aqui, Little Tiger, né, para ele, cara.
Mas o que eu queria saber mesmo é do Joel. Joel não respondeu, cara. É se o Vinícius Júnior deixou de bater aquele pênalti para dar bem.
Pois é, então leva a esse tipo de teoria da conspiração, né, cara.
Vou esclarecer isso aí.
Vamos lá, vamos lá.
Eu não sei, fica para galera que não sabe do que a gente tá falando.
Tu tem informação de bastidor que a gente sabe, velho.
Vamos lá, momento processo.
Eu vou revelar. Eu tava no estádio, hein.
Eu vou revelar.
Você prometeu, hein. Você prometeu antes do programa, ele prometeu.
Ninguém entendeu nada. O Vini jurou, pega a bola e passa para o cara.
Eu vou revelar o nome do grande influenciador ligado ao PCC aqui neste— mentira, não vou falar. Esse processo é complicado, velho. Dedo de pneu. Ó, o do Vini Júnior tem uma teoria muito louca, conspiratória, que ele não teria batido o pênalti porque tinha uma odd grande de que ele faria um gol no primeiro tempo, ou no tempo regulamentar, no primeiro tempo. E aí a questão é que a oportunidade de fazer gol com pênalti é uma oportunidade que faz você dar uma desequilibrada na situação, né?
Possibilidade muito, você perde muita aposta ali naquele momento, né? Porque o cara fala, o cara é pênalti, eu não vou botar o dinheiro aí. E aí ele entrega a bola na mão do Bruno Guimarães, que perde pênalti. Mas deve ter uma aposta também do cara que perde o pênalti, tá ligado? Do Bruno Guimarães. Se o Bruno Guimarães, o cara cobrou 3 pênaltis da vida, se o Bruno Guimarães cobrar o pênalti, tem uma odd de 4.0.
João, me atualiza do Paquetá também agora, meu irmão. Como é que tá a situação?
Mas só um lance, eu vou completar essa história.
Ele era patrocinado pela bet que tava fazendo esse tipo de ódio.
Sim, mas aí que eu falo pra você que essa discussão ela sempre vai acontecer, porque porra, se o atleta do jogo de futebol ele tá ali jogando e tem uma aposta em cima dele, por que diabos ele está fazendo propaganda daquela bet que tá jogando mal em cima dele?
É estranho, né?
Então vai sempre vai ter essa conspiração.
Tem uma bet pagando alto pra ele tomar um cartão. Para não tomar cartão e ele toma, ou força um cartão, você sempre vai ficar preocupado. Tanto que teve o jogador do Flamengo, né, que foi o Paquetá.
Não, mas do Paquetá teve não sei quantas apostas lá da onde que ele era.
E do Bruno Henrique foi do irmão dele, né, se não me engano.
Não, do Paquetá também foi um parente dele também, cara.
É, é do Paquetá, não sei. Pô, cara, mas é feião essa É, então, uma das coisas que os caras falam dessa questão da proibição é você realmente proibiu atleta que joga de fazer a propaganda. E aí perde, a Bet perde bastante, não tem um atleta do calibre do Vini Júnior fazendo propaganda. Então essas teorias da conspiração, elas vão existir sempre, cara, sempre. Eu, se sou o Vini Júnior ali, se for do Ancelotti, dá o bagulho na minha mão e eu vou cobrar esse negócio aqui, mano. Eu sou camisa 7 do Real Madrid, a bola é minha.
Já fiz 4 gols na Copa, já é, tô brigando pela artilharia, tô numa fase ótima e tal, por que que eu não vou cobrar?
Já era, tu tá seguindo a linha de pensamento que minha também.
Lógico, o Haaland teve uma odd alta também, se o Haaland faria 2 gols, né, que ele é uma máquina, mas é no Brasil. Então ele fez 2 gols e pagou uma odd alta também, entendeu? Agora do Vinícius Júnior, vira essas teorias.
É um negócio que você não tem transparência nenhuma, você não sabe quem é, quem tá ganhando, como, quem é que tá, que nem você tava falando da coisa da—
e o juiz que tem uma influência direta no resultado, se tá envolvido com bet, cara, imagina.
O Pimenta tava falando uma coisa, né, dessas outorgas e tal. Precisava ter uma lista pública de quem tem essas outorgas, porque tem, Quais são, quais são os lucros? Quanto desses lucros precisam ser reinvestidos no país em termos dos custos de saúde pública, em termos dos custos de fiscalização? Porque isso tá ok, tá, tá, porque muita gente fala: não, mas tá gerando, tá gerando recurso para economia, economia tá girando. Mas assim, o prejuízo do outro lado, funcionário, não tem, não tem nada, não tem nada, e não tem nenhuma transparência.
Quem Quem é que ganha no Brasil? Quem perde a gente já sabe, que era o que a gente tava falando aqui. Mas quem que ganha, velho? Quais são os nomes? Quem são os donos dessas bets que são— Agora, você tava falando que no Maracanã só tem propaganda de bet, né? O Maracanã tá todinho tomado, só tem propaganda de bet. Eu não tinha nem me dado conta disso. Ele tava falando que tem propaganda de bet numa ambulância.
A gente postou foto aquele dia.
Você imagina, ambulância?
Você lembra da vez que a gente veio aqui com a Soraya?
Eu não lembrava da ambulância. Se você achar aí também.
Esses caras vão financiar campanha política ou a lei proíbe, cara?
Eu acho que assim, nem eles têm CNPJ. Eu vou aqui falar uma coisa assim, eles não querem nem aparecer, né? Eles não querem nem aparecer. Então, se eles patrocinassem, patrocinavam via ilegal, menos ortodoxa, entendeu? Se patrocinar agora, que sem dúvida nenhuma eles movem interesse, por moverem interesses interesses econômicos poderosos. Eles movem interesses políticos poderosos, eu não tenho a menor dúvida. BYD não tem nada a ver, mas tem a ver no sentido de interesse econômico poderoso.
BYD vende caro, né? A hora que você puxou, a hora que você puxou o fio, tá todo mundo lá, né? Por quê? Por trás do interesse econômico. Eu não consigo imaginar, com interesse econômico desse tão pesado, como é que você não vai ter poder político envolvido? Como que você não vai ter um judiciário, crime organizado?
Mas eu vou falar uma coisa que não é tão louca de pensar. Imagina, pessoal do crime organizado chega para um juiz e fala assim: é o seguinte, você vai ter que marcar um pênalti, senão eu mato sua família. Aqui a foto da sua família, você tem que marcar um pênalti no primeiro tempo, aos 40 minutos, se vira. Porque os cara apostam pesado, cara. Vai acontecer isso cada vez mais vezes, de você pegar um jogador ou um cara envolvido naquela partida.
E algo, porque é uma maneira muito fácil de ganhar dinheiro. O cara pode ganhar milhões e nem precisa de uma decisão do juiz, entendeu?
Não precisa disso não, não. Contra-chequezinho no Brasil não chega a isso não, mas 12 horas.
Mas eu tô falando de uma coisa até mais grave. Digamos que o cara é honesto e o cara vai ser constrangido para isso.
E assim, se todo mundo faz, né, eu também vou fazer. Ô Bezerra, deixa eu Quero fazer uma pergunta que eu acho que isso aqui é importante para falar para todo mundo. É, se hoje eu descobrir que meu pai é viciado em aposta e que ele perdeu boa parte do dinheiro dele, perdeu tudo que ele tinha, tal, e vem pedir dinheiro emprestado para mim, o que que eu faço? Onde eu encaminho ele?
O que que eu falo? Primeiro passo hoje, a primeira porta de entrada do sistema de saúde pública são os CAPs, buscar o CAPs. Mas você tem outros locais especializados como aquele que a gente tá falando, o Ambulatório do Jogo Patológico no HC, no Hospital das Clínicas. Você tem outros, outros equipamentos, mas eu diria hoje muito, mas muito abaixo da demanda. É por isso que eu defendo, por exemplo, eu defendo que o governo possa construir parcerias, convênios com organizações que vão nascendo nos moldes de, nos moldes de do mesmo jeito que tem os Alcoólicos Anônimos e tal, nesses moldes, para poder trabalhar com essas organizações aquilo que o poder público não tá dando conta, investir recursos para que você tenha ambulatórios especializados, grupos de apoio especializados. Mas a primeira porta hoje é CAPES.
Num segundo, uma segunda etapa, loucura que eu vou te perguntar aqui, mas ignorância mesmo. Imagina, tem um remedinho para isso, cara?
Tem, você tem, você tem. Você tem terapia, você tem terapia, tem tratamento, tem tratamento medicamentoso, tem uma série de questões a serem avaliadas porque tem todo um acompanhamento. Nós estamos falando de um problema sério de saúde.
Mas tem um remédio que vai atuar quimicamente na cabeça do cara para ele parar de jogar?
Exatamente, para coisa da compulsão, porque o mecanismo de compulsão ele não se dá só pelo jogo. Você tem compulsão sexual, você tem compulsão de chocolate, come. Você tem assim, a pessoa que tem o potencial da compulsão, ela tem uma dinâmica cerebral, até uma arquitetura cerebral. E para o enfrentamento dessa dinâmica de compulsão, então você tem o processo psicoterapêutico, você tem alguns casos você tem medicação, tem suporte.
E tem mais uma coisa, tem mais uma coisa: não adianta falar, ah não, mas tomou um negócio, fez a terapia, tá curado, acabou. Não, você vai acompanhar para resto da vida, porque a pessoa que tem aquela propensão, ela sabe que se ela bobear, se ela bobear, ela vai para dentro daquele negócio e aquilo suga. Mas é a compulsão pelo álcool, mais um dia você conseguir, e você sempre tá viciado, você não deixou de ser viciado. E numa coisa, e num negócio extremamente complexo, porque como a gente tava falando aqui, o cara tá exposto 24 horas por dia, tá com celular.
Se ele tiver disponibilidade do Pix, ele pode jogar, ele pode fazer, ele vai. Então assim, isso são possibilidades infinitas, né? E tem uma outra coisa que ele vai descobrindo. Isso eu aprendi com um rapaz que teve lá, que eu atendi. Ele vai descobrindo mecanismos também de burlar as regras. Então, por exemplo, se ele sabe que ele tem, que ele vai jogar, mas ele tem um limite que foi estabelecido no Pix dele que não permite mais que além daquilo ele jogue, ou se a banca começa a perguntar para ele, não, ó, escuta, você tá jogando, você tá, você já perdeu, sei lá, R$50.000, R$100.000, trava e tal, essas coisas, ele começa a encontrar mecanismos de buscar outras plataformas onde ele não tenha, onde ele não tem essas travas.
Então é uma questão, como a gente tava dizendo aqui, é uma questão humana complexa de saúde pública, e assim precisa ser percebida. Porque esse negócio de falar, não, mas pô, a loteria aí é outro negócio aí e tal, loteria é cultural, tá, enfim, tá na cabeça das pessoas, são coisas completamente diferentes, completamente diferentes.
Bom, o Homer, manda aí.
Vamos lá, tem a pergunta aqui do Danilo Nex, ele perguntou se o baixo baixo nível de educação tem relação com vício?
Cara, eu acho que não, eu acho que não. Você tem outros países que investem muito mais na educação de qualidade, que a gente tá falando, que é mais eficiente no ensino, e que as pessoas são viciadas também. O mecanismo de compulsão, mas também é um mecanismo que tem a ver com questões químicas e tal. O que eu acho que talvez tenha que acontecer no Brasil é que tenha que aumentar o nível educacional em relação a não ficar viciado e a consciência em relação às bets.
A educação, ela é uma metamorfose ambulante, ela vai se adaptando com as demandas do tempo que a gente vive. Se para uma sociedade melhor, uma, para uma sociedade estável, você precisa que as pessoas sejam educadas a não jogar em bets, elas serão educadas para não jogar em bets. Isso é o ideal. Mas a gente já sabe como é que funciona.
Às vezes, enfim, qual o nome do menino, hein?
É o Danilo.
É que às vezes a gente, a gente tende a achar que a solução, que a educação é solução para tudo. E Danilo, vou dar uma notícia muito ruim para você: o Sobral é a melhor nota no IDEB do Brasil para ensino básico, né?
O básico, ensino integral, e é 12ª 12ª cidade mais violenta do Brasil, né?
Então assim, pouca gente faz essa relação, que a cidade mais vitoriosa na educação é a 12ª cidade mais violenta. Então é, mas talvez a gente pensar no ensino fundamental em aulas de economia talvez pudesse ter algum efeito a médio prazo, viu?
Não, importantíssimo economia. Eu sou um defensor, eu sou um defensor da inserção de, de, de, de, da matéria de economia pessoal, de organização doméstica, de inserção de, de economia doméstica, economia pessoal. Quer dizer, para que a pessoa possa desde os primeiros anos aprender a administrar o seu recurso. Porque muito do que o Danilo tá falando, a questão da educação, tem um ponto que se você não sabe, quanto menos ferramentas você tem para organizar seu orçamento, para organizar, enfim, aquilo que você ganha, para prever, para planejar sua vida, maiores são as chances de você cair no conto desse negócio da bet, que promete o quê?
Promete o ganho, a esperança de um ganho fácil, rápido, sem tanto esforço, e que você fica ali completamente vulnerável àquilo. Por esse aspecto, sim. Agora, o que a gente precisa de verdade, além da educação, é, cara, diminuir a propaganda. Você vem da Inglaterra, a gente tá falando de outros países. A Inglaterra agora, a liga agora reabre, agora a liga inglesa não tá, a Premier League não vai ter mais propaganda de bet, não aceita propaganda de bet na camiseta.
Quer dizer, quando é que a gente vai chegar nessa realidade? Quem é que disse que o futebol precisa necessariamente ter esse tipo de dependência das bets. Se a Premier League, a liga mais poderosa do mundo, consegue resistir a isso dessa forma— porque o problema é quando aquilo tá ali estampado, o garoto que tá comprando a camiseta, imediatamente ele tá colocando e normalizando. O ídolo dele tá lá em campo fazendo aquilo, ele fala, cara, isso aqui é um negócio bacana. E na normalização é que, é que aí a gente morre problema.
Complicado, hein, João? Você viu a nova patrocinadora do Corinthians, né?
Ufa!
Tá sabendo? Não, eu vi hoje.
Quem é, gente?
Fatal não sei o quê, né?
Fatal Model.
Não, não é Fatal Model, é outra parecida com Fatal Model, mas não é. Mas agenciamento de garotas, do job, do job, garotas do job.
Vou contar uma história para vocês aqui, ó. Opa, olha, olha!
Não, você emendou.
Sem processo, sem processos.
Garoto do job, deixa eu contar uma história para vocês. Cuidado, não é, ô Homer?
Foi estranho, né?
Só fazendo um adendo aqui, ó, tava pesquisando, é Fatal Fans.
Eu tô lá em Manhattan, na Times Square, tem propaganda do Corinthians, nova patrocinadora Fatal Fans, cara.
Essa também é a fita. Tem um programa lá para o ensino básico no ensino médio para diminuir a evasão, que é o pé de meia, que é o programa que o garoto recebe um dinheiro porque tem muita evasão no ensino médio. Então moleque chega no ensino médio, tem que sair para trabalhar, a menina acaba engravidando, tal, acaba ficando na casa para trabalhar cuidando dos sobrinhos e tal. E tem uma parte desse dinheiro do pé de meia que já foi identificado que eles estão gastando com tigrinho, com apóstolo, essas coisas.
E tem meninas, meus colegas que ainda estão em sala de aula, que elas estão vendendo pack de foto Todos para esses moleques, eles estão pagando com o pé de meia, trabalho também, essas coisas. Mas essa fita, o que que acontece nisso daí? Houve uma popularização e uma normalização desse bagulho do job também, entendeu? E aí as meninas estão fazendo essa parada aí, é uma coisa que tem que pensar. É, exatamente, tirando pack de fotos, de vídeos e passando para os moleques aí pelo dinheiro do pé de meia. Isso é job também, né?
Nós vamos voltar, a gente vai voltar à mesma questão, quer dizer, no horário nobre, sobre aquilo que você tava falando eticamente. Quer dizer, então a gente vai deliberadamente tomar a decisão de expor as nossas crianças, os nossos adolescentes a conteúdos considerados impróprios para eles pela via dos via do esporte, que inclusive não tem nada a ver com isso, pela via do futebol, que não tem nada a ver com isso. E vamos indo na contramão, vamos indo na contramão do mundo.
Se a gente tava falando aqui que a liga inglesa, a principal liga do mundo, tá rejeitando o conteúdo de bets, quer dizer, aqui a gente tá aprimorando agora. Não bastasse conteúdo de bets, a gente também vai expor a molecada a conteúdos impróprios para menores de anos ligados ao esporte mais popular do país, a maior paixão nacional. É uma discussão ética seríssima a se fazer nesse momento. Ah, mas eles vão viabilizar o recurso.
Mas só eles que podem viabilizar o recurso? Qual que é o— qual que é o— por mais que se vença recurso, qual que é o dano imediato disso? E no médio e longo prazo, a gente não tem mais qualquer responsabilidade com os efeitos disso, com que isso pode gerar na cabeça da molecada? Enfim, a gente já sabe, a gente sabe que a exposição precoce a esse tipo de conteúdo gera uma série, gera uma série de efeitos colaterais para criançada.
A gente tá falando aqui Inglaterra, os caras para esse tipo de conteúdo fizeram o quê? Travaram qualquer tipo de acesso, tem que se identificar. Agora você imagina, a gente vai, a gente não só não tem qualquer fiscalização nesse sentido porque esses conteúdos no país fiscalização baixíssima, a gente vai agora expor maciçamente e massivamente as nossas crianças e adolescentes a essa, no mínimo, a curiosidade por esse tipo de conteúdo.
Então é aquilo que você falou da normalização, né? Como culturalmente você passa a ver aquilo, né?
Como normal. Quer dizer, olha essa coisa da normalização, a gente Você viu o que aconteceu, por exemplo, na Fórmula 1? A Fórmula 1 era, alguns anos atrás, ela era completamente, vamos dizer assim, dominada pelo cigarro. Alguém imaginava alguns anos atrás que seria possível a Fórmula 1 sem aquela massificação?
Provavelmente o mesmo discurso, vai acabar a Fórmula 1.
É isso, é isso.
E hoje, hoje é o contrário.
Quando começa a ter muito começa a passar do ponto ali, todo mundo já se sente mal. Por quê? Porque tem uma mudança cultural que vem a partir do momento que você fala: não, peraí, gente, isso não pode ser normalizado, né? Isso não é normal, isso tem limite, isso aqui gera danos, isso aqui aliás gera mais danos do que benefícios.
Bezerra, eu consultei aqui, cara, Reino Unido é 40% hoje de alíquota sobre o faturamento líquido, Brasil é 12% esse ano, ano que vem serão 13%, Portugal é 30%, Nova York é 51%.
Quer dizer, tá taxando os lucros dos caras.
Realmente o Brasil é o pior, é o pior de todos nesse ranking aí de assim de taxar o lucro dos caras. E nós estamos falando de países, nós estamos com 12% esse ano e 13% ano que vem.
O funcionário público, coitado, paga 27,5%.
O nosso amigo aqui deu uma, fez uma lembrança muito boa, né, que bet é para os fracos. A menina em Arábia Iripina, Pernambuco, apostou foi o tabaco contra uma moto. Ela ganhou e o cara não pagou a moto, se mandou, e ela teria que dar o tabaco.
Você viu aqui?
É o tobita.
Teve um também antigo do cara que apostou tobita lá no truco, né?
Eu tô ligado. Nunca façam isso, gente. Fala aí, homem.
Pergunta aqui do Thiago Gabriel, ele tá perguntando, existe alguma relação entre o crime organizado e as bets?
Cara, como Gabriel, a gente assim, eu sinceramente tenho certeza, eu tenho certeza. Nós temos 189 bets no Brasil, só 160 estão com atividade online, tem 20 na fila aí. Eu tenho absoluta certeza, como não existe transparência para que a gente consiga observar quem são os acionistas, quem são os sócios, de onde partiram esses CNPJs, né? Até porque a bet russa, ela chegou no Brasil através do Chipre e foi para Caxias do Sul, né? Por que que a Rússia escolheu Caxias do Sul?
Que diabo é isso aí?
Então a gente precisa saber com muita urgência, talvez uma CPMI das bets, né? A gente saber exatamente quem são os sócios, os donos Quem aportou dinheiro em cada uma dessas bets? Porque, repito, são R$30 milhões para cada bet. Isso é renovável a cada 5 anos, tá? A primeira renovação, o cara vai ter dinheiro para pagar, logicamente, com o dinheiro das apostas. Mas o primeiro, a primeira outorga de R$30 milhões, eu acho pouco provável que o Brasil tenha tanta gente com tanto dinheiro assim para colocar nesse empreendimento.
Lembrando que tem uma banca de advogados, tem todo o sistema de funcionamento, o software, né, os aplicativos, né. Tem também muito anúncio, né. Essas bets gastam muito dinheiro com anúncio. Então não vamos pensar que não são 30 milhões por bet, vamos pensar em 70, 80 milhões por bet. Eu acho muito dinheiro num país onde tem comércio fechando, onde tem restaurante fechando, onde tem empreendedor falindo, né? Então eu tenho convicção que alguma dessas bets, não sei quantas, o dinheiro é do jogo do bicho, é do PCC e possivelmente do Comando Vermelho.
Vamos lá, é na história das máfias ocidentais, do crime organizado ocidental e latino, historicamente todas elas controlaram em algum nível ou em alguma porcentagem todas, todas, porque é um negócio muito bom. Você não precisa produzir porra nenhuma, você joga com a intenção do cara, e ali é pegar dinheiro e ter uma força para redistribuir. Você só precisa ter o poder de pegar esse dinheiro e redistribuir com legitimidade, e o crime tem isso daí.
Mas aí a gente entra num ponto que eu acho interessante de falar sobre lavagem de dinheiro e crime. Já viram, já tem indícios de bets ligadas ao PCC, que é quem paga e quem recebe isso de forma bancária, que são as fintechs. O Brasil não está fazendo a regulamentação de fintechs e elas estão servindo para lavar muito dinheiro com as contas bolsões, que são contas que todo mundo bota o dinheiro lá e só a fintech sabe de quem é quem.
E aí você vai fazendo as apostas, aquilo vai entrando, você pode distribuir em forma de lavagem. Então obviamente que o crime organizado tá nisso porque as fintechs elas não estão sendo regulamentadas estão sendo usadas pelas bets. Existe, lógico, as bets ilegais, cassinos ilegais, que são controlados obviamente pelo crime organizado. Só que não tem o cara do PCC que vai chegar afiliado e ele vai falar assim: vou abrir uma bet, vou fazer.
Tem todo um sistema de lavagem de dinheiro no Brasil de doleiros, e esse cara chega para o cara, ele jeta o dinheiro e eles vão fazer essas questões. No futebol, por exemplo, o PCC ele atua com agenciamento de atletas. Já foi, já teve, já foi identificada ligações nessa questão de agenciamento, porque a melhor forma de você lavar dinheiro é quando você não consegue mensurar talento. Como que você mensura o preço de talento? Então você pega o moleque ali que tá com 17 anos, que ele joga bem futebol, né?
Aí o empresário dele faz essa negociação, dinheiro entra e sai. O Gritsbar fez uma delação premiada em que ele falava dessas ligações, e Bet tá envolvida com isso daí também. Então sim, o crime organizado tem uma ligação umbilical com as bets e é uma oportunidade muito grande de fazer dinheiro e lavar esse dinheiro.
Perfeito, aprendi, viu, Joel?
Tem uma oportunidade aí dentro do que você tava falando, Pimenta. Tem uma oportunidade aí para— tava aqui pensando em termos legislativos de se criar no âmbito nacional, do Congresso Nacional junto com o governo, de se criar a obrigatoriedade de uma lista de transparência das empresas detentoras de outorgas de bets do país, uma lista a ser publicada no Diário Oficial, em todos os veículos nacionais, do mesmo jeito que tem— eu trabalhei muito tempo com isso— tem a lista suja do trabalho escravo.
Quem era flagrado explorando trabalho escravo na sua cadeia produtiva saía publicado lá todo ano, ó, Tá aqui, tá aqui a lista suja do trabalho escravo. Você tem uma lista inversa, você tem uma lista de transparência daqueles que promovem o jogo no país. Isso é necessário porque com essa transparência a gente sabe quem tá lá, quanto tá ganhando, o porquê desses caminhos que eu não sabia, tô aprendendo aqui, os caminhos improváveis.
O cara sai da Rússia, vai para Chipre, sai de Chipre, vem para Caxias do Sul, é dizer, e ninguém se pergunta pergunta: quem são eles?
Quem são?
De onde vieram?
Entendeu? Não tem um Globo Repórter deles, pô.
Como eles acharam Caxias do Sul no mapa?
Pois é, entendeu? Que incentivo foi esse? Por que esse caminho? Agora, se tendo uma lista de transparência obrigatória a ser publicado, a ser publicada todo ano, renovada, até porque são poucas, você falou, são 181 que já estão 89 autógrafos no Brasil. Pois é, eu não duvido. Eu não, eu gosto e não gosto das teorias conspiratórias, mas eu não duvido de ter várias dessas casas, dessas bancas de aposta internacionais com proprietários em comum.
Eu não duvido disso, que na hora que, na hora que abrir isso, que der transparência, vai se encontrar uma série de conexões que até então se achavam prováveis, mas que estão, mas que estão aí.
Mas aí também a gente não tem uma legislação para proibir esse cruzamento do cara ser dono de 2, 3 bets.
Não, mas a gente vai saber que interesses são, de onde eles vêm, por que vem, entendeu? Por que que o cara da Rússia tá saindo, indo para Chipre, saindo de Chipre, vindo para Caxias do Sul? Qual que é a lógica que move, que move esse mercado? Que que é em Caxias do Sul? Eles estão, eles estão lá, tem uma concentração maior de investidores? Seguramente não. Que tipo de benefício? Tem algum tipo de benefício fiscal? Eles tiveram, eles tiveram, porque o que que tá acontecendo, né?
E se esse cara, e se esse cara investe aqui, mas ele também investe no Maranhão e ele também investe no Rio de Janeiro, porque qual que é o, qual que é o interesse dele nisso tudo? Outra coisa, qual é o ganho e quanto desse ganho é revertido? Para mim tem que ser revertido fundamentalmente para duas coisas, para fiscalização, fiscalização, tecnologia, e para ir para produção de dados com novas políticas públicas, né?
Enfim, tratamento de saúde também.
Aí, tratamento de saúde é, esse é crucial, isso eu diria que é prioritário.
Traga o debate então, já vamos deixar aqui orientação para os nossos que estão nos vendo aqui. Quem for votar para deputado federal e para senador, já pergunte a posição do seu senador e do seu deputado federal sobre as bets. Qual é a tua posição sobre isso? Porque a onda não falar nada, fica quietinho, pá, não tem opinião sobre essa porra, né? Dá uma, dá um sambarilove. Mas, e tu vai receber muitos candidatos aqui também, né?
Já recebi.
Bota os cara aqui, qual é a tua opinião sobre, sobre a bet? Vai continuar essa bagunça, essa desregulamentação, né, cara? A gente deve muito ao Estadão de São Paulo. Não fosse o Estadão de São Paulo, essa porra tava sob sigilo de um século. Só o teu tataraneto ia descobrir como é que, como é que isso foi montado e tal. Então assim, o Ministério da Fazenda colocar isso sob sigilo, cara, isso é uma, eu tenho que ter alguma explicação lógica disso aí.
Quando o Haddad vier aqui, tu pergunta para ele de quem foi a ideia de Jerico de esconder essa informação da sociedade brasileira, sabe? Quem foi o teu assessor lá? Com certeza não foi do Haddad, viu? Haddad não acordou de manhã: vamos colocar essa merda sob sigilo de um século.
Mas quem teve essa ideia?
Qual é a lógica disso senão a corrupção, né? Senão a ausência de transparência. Qual é a lógica, né? Tem que perguntar, cara, né? Eu espero que ele tenha uma explicação lógica. Mas o governo voltou atrás, né? Depois da pressão lá do Estadão de São Paulo.
Mas tem uma esculhambação geral, né?
Porque é curioso, né?
Tem uma esculhambação de uma forma geral, que quando você tem, você tem um senador da República que foi relator de uma CPI de apostas, que sai do país no cumprimento do seu mandato sem se licenciar, vai cobrir a Copa do Mundo e ainda é, e ainda é financiado direta e indiretamente por bets. Isso não faz, cara, a gente chegou ao limite da esculhambação.
E foi defendida ainda pelo Defendido pelo presidente ainda. O Alcolumbre ainda defendeu, defendeu ele. Quando os caras foram questionar essa questão do Romário e tal, ele falou que ele era um senador da República e tal, e meio que deu uma passada de pano para o Romário, mano. Que a gente tá falando do Romário, não sei.
Fala, Romero.
Vamos lá, tem a pergunta aqui do Andresson. Ele mandou o seguinte: como que Como que a Receita Federal faz o controle de quem são as BECs?
Eu desconheço, cara.
Eu também não sei.
Só se eu fizer, não é porque na outorga você vai apresentar documentos, CPFs dos sócios, né, contrato social, logicamente, né. Mas é justamente essa informação que o jornalista queria buscar. O Estadão de São Paulo queria buscar isso, que a gente tá debatendo nessa mesa. Quem são os donos? De onde veio todo esse dinheiro, né? Eu insisto, o Vilela, se é para continuar a bet no Brasil, é que pelo menos a gente tem uma agência reguladora para isso, né?
Porque é muito dinheiro, é muita demanda para o Ministério da Fazenda. Daqui a pouco a gente não vai ter 180 bets, vai ter 500 bets, né? Você vai ter que ter uma operação quase igual de um banco central para fiscalizar, acompanhar, né? Espero que isso não aconteça, viu? Espero que não aconteça isso, mas é o caminho, o caminho que a gente tá tomando no Brasil hoje. Nós já temos 25 milhões de CPFs no Brasil de apostadores, né? Isso já é um número bem parecido com a média dos países europeus, né?
Mas lembrando, nossa arrecadação aqui esse ano foi A arrecadação da Inglaterra esse ano foi 28 bi. A Inglaterra, com menos apostadores, arrecada muito mais que o Brasil. O governo entendeu, já que vai ter essa porcaria funcionando, pelo menos o governo vai ser sócio disso aí e vai pegar metade desse dinheiro aí, né? Eu penso assim, viu? Penso assim.
Fala, Homer.
Tem a pergunta aqui do Vitor Adiel. Vocês já falaram sobre esse assunto, mas essa pergunta em espanhol, por favor. Ele tá perguntando se existe alguma diferença entre as bets e outras formas de jogo, como as oferecidas pela TV convencional.
Telecena, o que que mais? Pessoal falou telecena aqui também.
Parece que tem uma da Globo também agora, tem o Familião aí do Luciano Huck.
Não sei, não sei.
Familião do Luciano Huck, é, quero nem saber.
Pô, não tem ninguém vendo Luciano Huck aqui, pô.
Falta de prestígio essa porra aqui.
Falando Telecena e lá do passado, tinha Papatudo também, antigamente tinha Papatudo da Globo.
Ele falava que não era jogo, era título de capitalização, que devolvia 70% depois. Roubava do dinheiro, porra, é o homem do baú.
É, mas tinha uma apresentadora também envolvida no anúncio desse produto também.
Qual?
Não lembro, deu uma falha aqui da minha memória.
Evita processo. Como é que foi para você recusar a bet no programa? Deve ter recebido, claro, convite, né?
Muito convite, muita grana, né? Sou o único podcast que não fez, né? Você sabe disso, né? Todos os outros podcasts fazem, quiseram e fazem.
Eu também não sabia disso.
Diga não às bets com o Vilela aqui. Que satisfação, o cara tá aqui contigo ou não, porque agora eu vou exigir essa porra. Eu não vou mais dar podcast para essa porra não.
Então só vai vir aqui, não vai mais, só vai vir aqui.
Quem fizer, vou no meu e no teu, não vou mais. Se a gente tem que tomar posição como cidadão, é essa posição, pô. Isso aí é ridículo, tá fodendo o morador de periferia, pô, tá acabando com a vida de milhões de brasileiros. Isso aí não é ético, tem que ser, tem que ser esse tipo de comunicação e ter coragem de falar isso. Inclusive contra a Rede Globo também. A gente fala do Cruzeiro, então fala da Rede Globo também, pô. Isso é feio, cara.
A Rede Globo não precisa disso. É uma empresa que fez novelas maravilhosas, que botou o nome do Brasil lá em cima e tal. Vai viver agora de bet? Que coisa horrível, né? Vergonhoso. Acho que perde a credibilidade de qualquer apresentador daquela emissora a partir dessa realidade.
Imagina ter o nome do estádio do seu time com o nome de Bet, pelo amor de Deus, né?
Por favor, a camisa do seu time, você dá uma camisa do seu time para o seu filho.
Todas as camisas tem, todas, eu acho que do futebol brasileiro acho que tem.
Coisa triste demais.
Mas Bet ou Minas no job, agora tá difícil escolher, hein, mano.
E você vê que vai, e você vê que vai normalizando, porque a molecada antes falava do quê? Molecada falava da escalação do time, do gol vai ser, não vai ser, do resultado que Agora a molecada tá discutindo como que aposta, já aprendeu o que que é odd, já tá discutindo, enfim, tá discutindo outras coisas que não tem nada a ver com o futebol, com esporte, que inclusive sempre foi e é, né, uma ferramenta incrível de inclusão social, misturado, misturando a alma do nosso, do nosso, do nosso esporte bretão, misturando a alma do nosso esporte bretão Aí esse tipo de coisa que não leva.
Nós perdemos o samba no Brasil para o Jogo do Bicho, que é uma máfia de assassinos que financiam campanhas políticas de políticos corruptos, que agora vende cigarro, né? O Jogo do Bicho é isso, a gente sabe que é isso, Joel.
Tá bom no cigarro.
E nós perdemos o samba do Rio de Janeiro para o Jogo do Bicho e agora estamos perdendo o futebol para as bets. É a mesma lógica, a mesma lógica, né?
Boa comparação.
E é isso aí. Carnaval, vamos perder os podcasts para bet, porque o Vilela vai ser, vai ser aqui.
Mas daqui a pouco, né, todo, se entrar muito dinheiro, os podcasts daqui a pouco os cara engolem tudo que não tem esse dinheiro, né? Pensa bem, não é estrutura de—
agora tá aumentando o teu preço aqui, viu, cara? Essa tua resistência a bet aí, os cara deve estar só olhando.
Sabe que tem, já tem marca que quando te procura, você já fez propaganda para bet? Isso acho legal para Caramba, é mesmo? Uma marca, quando procura, tem uma manchinha lá de quem fez. Pode ser passageiro, mas pergunta assim: você já fez algum?
Não, eu acredito, eu acredito muito, Vila.
Eu acredito de verdade que o jogo vai virar, o jogo vai virar.
Era a discussão que a gente tava fazendo aqui sobre o cigarro, porque é uma questão cultural. E nesse momento eles nadaram de braçada porque não tinha nenhuma regulamentação. Depois, a regulamentação que foi feita é toda sem grandes atritos, quer dizer, vai passando tudo, vai enfiando tudo do jeito que tá. E agora eu acho que chegou ao ápice, porque com a Copa do Mundo, e eu tenho certeza pelo que eu tenho ouvido das pessoas nas ruas e tal, aliás, o Pimentel falou uma coisa importante, esse vai ser um tema de debate político nesse ano nas eleições.
A gente tem que provocar, viu, Bizerra?
Eu tô pautando para caramba e as pessoas estão muito atentas, porque com esse boom das bets na Copa do Mundo, as pessoas também assustaram, sabe? Falaram assim, tá demais, tá demais, tá over, né? Até uma TV que o que tinha de bacana na Casé, o que era divertido na Casé, era aquela irreverência, aquela informalidade e tal. E eu vi o susto eu mesmo, o choque de muita gente que eu falo, poxa, mas espera aí, entendeu? Pô, é a contracultura cultura do que eles, do que eles são.
Eles nascem dessa irreverência, dessa liberdade, dessa informalidade, e de repente começa a ter o conteúdo influenciado por esse tipo de coisa, a ponto do cara tá fazendo a narração de um jogo e falando de ódio. Então, quanto mais você mistura isso também, as pessoas começam a perceber assim, pera aí, tem algo errado. E aí eu acho que esse é o primeiro passo para mudança cultural. Que as mudanças culturais também não são mais como eram há 20 anos atrás, quando era muito mais lento.
Agora a gente tem isso aqui para bem e para mal, né? Então você tem, você tem isso aqui que circula informação mais rápido, todo mundo tá começando a ter alguém dentro de casa, como aquele senhor que eu falei, falou, poxa, minha filha tá vivendo uma situação que aos 39 anos ela perdeu autonomia. Você vai no hospital, você fala, pô, o diretor do hospital fala para você, poxa, a gente tem várias pessoas aqui na de enfermagem que estão com isso.
Essa semana me ligou um pastor preocupadíssimo, né, porque eu tenho falado muito sobre isso. Pastor preocupadíssimo, ele falando assim, cara, por favor, fale mais, a gente precisa encontrar uma forma também. Aliás, os líderes religiosos têm um papel importantíssimo nisso, de falarem também no púlpito das igrejas, de falarem sobre isso de uma forma compreensível para as pessoas, não no sentido de condenação, nem no sentido de falso moralismo de ficar apontando questões, inclusive que possam resvalar no caráter e tal, até porque isso não constrói nada e não faz sentido com a construção do que é a compulsão das pessoas.
Mas é muito importante que todos os setores da sociedade estejam antenados nisso, ligados, e chamando as pessoas à responsabilidade, porque a responsabilidade é do governo, sim, a responsabilidade é dos meios comunicação e dos influenciadores, sim, mas ela também é da sociedade. As pessoas não podem se eximir da responsabilidade, falar: não, tudo bem, fazer o quê agora? Então, alguns passos aqui acho que vocês colocaram, né? Por exemplo, para de seguir gente que produz conteúdo bancado por bet.
Diga não ao jogo, diga não ao tigrinho, alerte quem tá perto de você, fica atento no teu amigo, no teu pai, no teu irmão, alguém que tá dentro de casa que tá vivendo uma situação complexa. Olhe com humanidade para isso, veja como alguém ali tem alguém sofrendo. Ah, mas foi escolha dele. Independentemente das escolhas que ele possa vir a ter feito, tem alguém sofrendo, tem um ser humano ali. E normalmente o sofrimento que a bet gera tem um agravante, que ele não é um sofrimento individual apenas.
Ele é também um sofrimento, ele é também um sofrimento coletivo, ele é um sofrimento da casa, porque a dívida acaba, acaba vindo para família, a dor, o constrangimento vem para família. Muitas vezes a dor do adoecimento, da depressão e até da perda da própria vida, esse custo todo é da família, né? Então Isso tudo precisa estar posto, porque a sociedade só muda uma cultura falando, falando e falando sobre isso e dizendo o que é que isso pode provocar. Sem isso a gente não consegue mudar as escolhas.
E a loucura assim que as marcas, por exemplo, que vendem no varejo, elas estão tendo que disputar o pouco dinheiro que o brasileiro tem com bet, né? E essas pessoas que são essas empresas que disputam os patrocínios e visibilidade da TV, do YouTube, né, da plataforma aqui com as bets. Então quanto mais o cara gasta com bets, menos essas empresas têm poder aquisitivo para poder comprar essas cotas. Cigarro, cerveja, cara, ó que as bets fizeram, elas pegaram o cara mais carismático do Brasil, sem dúvida nenhuma, pelo menos um dos três, que é o Casimiro.
Que o Casimiro tem uma aplicação de estratégia de escassez absurda, ele não aparece lugar nenhum. O único lugar que ele apareceu, 2, 3 lugares ele apareceu dando entrevista. Um é para um grande banco aí com a Fernanda Torres, deu uma entrevista para Fernanda Torres. E aí você joga em cima desse cara o nome KZTV, e aí todas as bets estão ali. E aí você vê aquela bet, você toma aquele susto, você olha para o Casimiro, fala, porra, KZ é isso aí mesmo?
E ele tem que segurar esse negócio do peito. Se é alguém que consegue consegurar isso com carisma é o Casimiro, né? E mesmo assim eu acredito que a reputação dele vai sair arranhada pela primeira vez por conta das bets, velho.
Tem certeza, cara? E os sertanejos, cara, tão engajados nisso de alguma forma?
Eu não me recordo para saber. Eu sei que os sertanejos ganham muito dinheiro de prefeitura pequena, e eu não sei se isso— mas tem grandes eventos em grandes estados. Isso é interessante também porque você não tem que só perguntar seu deputado, seu vereador, se ele é contra as bets. Você tem que ver se ele fiscalizou os eventos que tiveram na cidade que tiveram patrocínio de bets, que as bets estão patrocinando grandes eventos no nosso país.
Agora em Recife, inclusive.
Isso, em Recife teve, teve. Exatamente. São João, alguns São Joãos também estão sendo patrocinados por bets. Então eles estão em todos os lugares, e esses sertanejos eles tocam nesses lugares também.
Não sei se o nome do prefeito de Recife, que acho que é nome dele? Fala o nome dele aí.
Você esqueceu nada, João Campos, o prefeito influencer.
É, exatamente.
E pior que a esposa dele encampa uma campanha muito forte anti-bets, pois é, e ele permite as bets na localidade. E ela tem sido muito cobrada por conta disso, de não estar se posicionando em relação ao homem que ela divide a própria casa, né?
Sim, sim, isso é, tá vendo? Então já tem cobrança nisso.
E aí a Casé TV bate 40 milhões de seguidores, mas aí ele vem ao ar e fala: não, mas pera aí, fica tranquilo que eu vou doar 40 toneladas de alimentos, então vocês fiquem tranquilos que nós vamos compensar.
Tem uma coisa a ver com outra, né?
É, mas o governo brasileiro ele faz isso também, ele trabalha com compensação a conta-gotas. Então o bagulho fica louco, ele chega e fala assim: vou dar 3% para Polícia Federal, correto?
Vai silenciando, toma 200 milhões para você calar a boca aí, que não vai servir para nada.
Fala, Homer.
Tem a pergunta aqui do Lucas Bezerrão, ele fez a seguinte pergunta: faz muito tempo que o futebol mudou. Na opinião de vocês, as bets compram resultados ou influenciam de alguma forma a performance dos jogadores? Ainda não consigo digerir o que aconteceu entre Brasil e Alemanha.
Bom, 7 a 1, 7 a 1 não tinha bet ainda. Nessa geração, hein?
Mas se teve algum ódio de 7 a 1, o cara que apostou nesse cara tem que ir preso, meu irmão.
Ele acabou com o país.
Pior sou eu, velho, que tava lá naquele dia.
Você tava lá, cara?
Você tava lá?
Tava com a minha filha. Eu fui até Belo Horizonte, saí daqui 6 horas da manhã. Imagina a volta, não tinha voo, não tinha nada. Fomos de carro, fomos até Belo Horizonte, fica camiseta da seleção, tamo no estádio e tal. Cara, 20 minutos do primeiro tempo, acho que tava 3 ou 4 a 0. Você olhava no estádio assim, todo mundo chorando, velho. Se tinha bet ou não tinha, eu acho que não tinha bet, mas teve choro que só aquele doeu, cara.
Aquele foi assim, não acho, não sei, não posso afirmar esse tipo de coisa, tá? Que a gente tem que ter responsabilidade. Mas vem aquele ponto de você sempre ficar desconfiando do resultado.
Hoje em dia não dá mais, tem uma virada estranha, tem um pênalti no último minuto, tem um—
e o futebol é isso. O futebol é interessante porque ele pode virar a qualquer momento, pode acontecer umas coisas, entendeu?
Mas agora, Joel, eu não sei se você já assistiu, cara, eu fiquei chocado. Eu assisti na Netflix há uns 3 anos documentário sobre a FIFA, né, cara? Eu sabia que a FIFA era corrupta, mas eu não imaginava que fosse tão corrupta assim, sabe? Assim, é uma coisa assim que tá acima da média de qualquer— se fosse um estado corrupto, seria muito corrupto. A FIFA é pior, né? E o documentário fala sobre a— sobre o suborno da FIFA para os membros da Confederação da América Central, né, para levar a Copa para o Kuwait, se eu não me engano, né.
E aí tem a investigação do FBI, tem o infiltrado que era da Federação de Porto Rico, se eu não me engano, que tava infiltrado, de Costa Rica, perdão. E quando você termina, você fica desesperançoso, né, cara. A FIFA é uma imundície, sabe. A FIFA é alguma coisa parecida com o município, com o estado brasileiro, com o Rio Rio de Janeiro, sabe? É algo bem feio a FIFA, né? E depois você vê Platini, a prisão do Platini, depois você vê a manutenção do presidente e ele dizendo uma entrevista coletiva, vai ficar do mesmo jeito, é isso mesmo, né?
O dinheiro é nosso. E aí, então eu não espero nada da FIFA não, cara, eu não espero nada da FIFA. Até imagino que a FIFA possa ter sua própria bet daqui a pouco, bet FIFA. Ela vai descobrir que dá tanto dinheiro que vai encampar para ela, né? Né, assim como ela pegou a transmissão na década de 80, né, ela pode descobrir que seja a principal fonte de renda. Mas é porque eu tava, eu tava ouvindo essa teoria conspiratória sobre apoio à Argentina, né, que sinceramente eu não acredito.
Você fala a Copa, né, a Copa atual, né, sobre atual assim.
Em 78, quando foi escandaloso, a vitória da Argentina sobre o Peru, né, teve uma entrevista recente agora dos peruanos falando sobre a Copa de 78. Confessam, tô querendo me lembrar, tô querendo me lembrar que o Joel não é nem 78, já nem nascido, Joel. Tu tá falando 78 com a gente aqui, de 2003. Aí, tá vendo? Ó, mas foi uma Copa que o Brasil ficou em terceiro colocado invicto, né? Que uma disputa do Peru com Argentina, né? Argentina deu uma goleada, né?
O Brasil tinha ganhado, o Brasil tinha ganhado de 3, acho que do Peru, 3 a 1.
Precisavam ganhar de 4.
Exato.
Aí o goleiro, o goleiro, eles jogaram o jogo em outro lado, sabendo que não poderia, né?
Exato.
Sabendo o resultado que ia fazer, e fizeram, né? E sem contar daquele episódio que o Maradona contou, que doparam os jogadores do Brasil, né?
A água do branco.
Mas aí foi na outra Copa. Foi na outra Copa, mas é isso. Não espera nada da FIFA não.
E você vê que essas teorias de manipulação, elas sempre existiram, existem, e agora se agravam, né? Porque quando você abre, quando você abre para um mecanismo, porque na verdade a bet ela é um mecanismo econômico que foi construído, uma indústria que foi construída a partir do futebol, que transforma o futebol em meio, em meio de se conquistar cada vez mais, cada vez mais apostadores. Então você tem uma mudança que eu diria que é muito mais profunda.
Você não tá mudando só o futebol, que eu acho que é o que eles estão trabalhando. Por isso essa massificação de propaganda, que eles não mudam só o futebol em si. A lógica do futebol já vai mudando, inclusive abrindo para esse tipo de coisa que você tá falando, conflito ético. Como é que um cara, um jogador que tá diretamente do jogo é bancado por uma, por uma casa de apostas, ele tá envolvido diretamente no resultado, o quanto isso pode ser manipulado ou não.
Aí eu vi ela falar da questão do juiz, é claro, né? Agora, o problema é que eles, a questão que eu acho ainda mais profunda é que eles não estão apenas massificando no sentido da divulgação, eles estão massificando também como forma de uma mudança cultural. Eles mudaram, estão mudando a cultura do futebol. Aquilo que a gente tá falando, a criança hoje olha para o futebol de um jeito diferente. O que que vai significar isso daqui 10 anos?
Os jogadores olham de uma forma diferente. A sociedade começa a perguntar, peraí, o cara não bateu pênalti, por quê? Peraí, mas a Argentina será que tava sendo favorecida? Porque eles vão mudando, vai se mudando toda uma cultura que é, e a única forma de se resistir a isso é com uma contracultura.
É muito doido essa situação, porque antes das bets, por exemplo, o que que acontecia? Você tava torcendo para aquele time, aquele time perdia. Ah, tô torcendo para o Brasil. E aí o Vini Júnior faz um gol contra aos 43 do segundo tempo. Puta que pariu, Vini Júnior fez o gol tal, não sei o quê, não sei o quê. Há um ressentimento. Agora é um ressentimento financeiro, mano. Quando você for apostar, você vai sempre apostar no seguro.
A maioria das pessoas apostam no seguro. Ah, vou ganhar R$2, vou apostar que o Messi vai fazer gol no jogo inteiro, como ele tá fazendo gol em quase todos os jogos. E aí o Messi não faz gol. Além desse ressentimento da torcida, você tem o ressentimento financeiro, que é: porra, eu perdi dinheiro porque esse cara não fez gol. Logo, esse cara tava acumulado, tem a desconfiança, né? Exatamente, a desconfiança.
Aliás, tu tá torcendo para Argentina, para sua torcida, Joel? Só para saber aqui, eu tô torcendo para Espanha.
Eu não tô torcendo para ninguém necessariamente, viu, Pimentel? Eu sento e assisto o jogo e já era.
Eu gosto de futebol. Se tiver barulho de construção, vence versus Argentina, eu torço barulho de construção.
Você viu aqueles cara lá, não sei, da Moca lá, que tem um bar só de brasileiro?
Eu vi, brother. Cara, então chamamos já traidores da pátria, o caramba.
Até a França torce contra a Argentina, mas eu acho que eu queria que desse Espanha, né?
Vamos ver, vamos ver.
O Rômer, e você tá torcendo para quem? Não minta. Olha, você é um Messi lover.
Eu confesso que eu tava torcendo para Noruega.
Ah, para!
Tava torcendo contra o Brasil? Não, não.
Ah tá, depois passa Depois que a Noruega passou, tava torcendo para Noruega.
Já que ela perdeu, então os cara fazendo o lance lá do remada, aí os brasileiros fazendo créu ao mesmo tempo. Esse é Brasil, né?
Fale.
A Fernanda Siqueira colocou o seguinte: eu tenho um irmão que começou apostando R$5 por diversão e hoje vive ansioso escondendo dívida da família. Em que momento isso deixa de ser entretenimento e vira um problema de saúde pública?
Com o médico aí?
É exatamente nesse momento, quando ele tem, primeiro é um comportamento de risco, que ele começa a alterar, ele começa a alterar as formas de reagir. Quer dizer, alguém começa a ficar extremamente ansioso, alguém começa a se isolar, e daqui a pouco o próximo passo pode ser, não quer dizer que todo mundo por ter um comportamento de risco vai desenvolver a ludopatia, que é a compulsão. Mas no momento em que a pessoa desenvolve essa ludopatia, aí ela passa a não pensar em outra coisa, não falar de outra coisa, ela se isola completamente, vive para aquilo.
Qualquer recurso que ela tenha, ela vai utilizar para estar jogando. E esse é o momento, se você tá perto, é importante demais você conversar com seu irmão. Qual que é o nome dela mesmo?
Fernanda Siqueira.
Fernanda, Se você tá percebendo isso no seu irmão, talvez ele ainda não esteja num momento de dependência, né, em que você pode chegar para ele conversar, fala: escuta, você não tá percebendo? Isso tá passando do ponto, isso tá demais, isso tá te deixando ansioso, você não tá falando de outra coisa. E talvez também essa seja uma possibilidade de ele se abrir, porque quem vive essa situação também carrega um fardo muito grande de vergonha, de culpa, de constrangimento, de dor íntima pelo peso que tá gerando para a própria família, né?
A pessoa fica muito envergonhada com aquilo, muito constrangida. Então muitas vezes você abrir a possibilidade para conversar sobre o tema pode ser um gesto que significa a vida dele, ou devolver, devolvê-lo à vida, né? Então é muito importante estar atento a esses sinais, olhar para isso com cautela, com carinho, com respeito, mas com muita responsabilidade. Porque se nada é feito, ah, deixa para lá, vamos deixar, isso faz parte e tal, o que pode acontecer é aquela pessoa realmente caminhar para uma compulsão, para uma dependência que se torna um processo irreversível.
E como desse caso que eu tava citando, a ponto da pessoa chegar a ter acumulado dívidas de R$2 milhões milhões de reais. E aí, quem atua, como eu tava dizendo aqui, o problema da ludopatia ele não é individual, ele é um problema que envolve toda a família. Aí vem as dívidas, aí vem o tratamento em termos de saúde, aí vem o acompanhamento, aí vem toda a recuperação, o resgate, a proteção dessa pessoa que tá vivendo, tá vivendo esse tipo de coisa.
Tem uma pergunta do Marcos Alegretti, ele quer saber pergunta é a seguinte: os bingos foram proibidos, não é permitido ter cassino no Brasil, e quanto tempo falta para as bets serem proibidas também?
E o que tem de cassino ilegal aí, hein? Lá na pandemia alguns foram descobertos, né?
Ainda tem bastante.
Cassino foi fechado no Brasil no governo Dutra, né? Lei 9.215, né? É o cassino, cassino caso do cassino, que hoje não incomodaria tanto assim, né, porque ele é físico, ele é para alta renda, né. Ele, isso aqui é muito mais devastador, certamente. E eu não tô dizendo que joga para rico e pobre não tem que jogar, não, porque até rola até um preconceito. Mas certamente a questão dos malefícios da bet vai tirar a discussão do casino do Brasil da pauta, né?
Porque existia uma tentativa no Brasil de uma bancada significativa, né, de ativar em cidades turísticas aí os cassinos dos moldes antigos, né? Como Cassino da Urca, na antiga TV Tupi, né? Como nós tínhamos no país anteriormente. Mas esse cassino físico, eu não lembro de— eu não peguei a lei, era A lei é 9.215, mas o cassino foi fechado no Brasil no final do século 50. Dizem que até foi pedido da esposa do presidente, né? Tem umas, mas era uma classe conservadora.
O Cassino da Urca era muito badalado, era um local de onde tinha espetáculos, tinha apostas, mas também tinha jantares, né? Ficou ali muito no imaginário do carioca, mas quem frequentava políticos, eram pessoas ricas, né? Mas se você tem um cassino muito bem— só para deixar isso claro, nos Estados Unidos, o primeiro boom econômico de Las Vegas não foram os jogos, foram os casamentos, né? O governo local autorizou o casamento em 48 horas, 24 horas.
Aí ativou o turismo, as pessoas iam para casar, Em qualquer outro estado demorava 7, 8 dias a autorização para o casamento. Mas o Las Vegas, o estado de— qual o estado lá?
Nevada.
O estado de Nevada tem uma agência reguladora, né? E para cada cassino são 3 fiscais, né? Então é uma estrutura muito pesada de regulação. O cara perde a concessão, não existem tantas— tanto histórico de corrupção dessa agência reguladora, né? E onde deu problema nos Estados Unidos foi Atlantic City, né? Deu bastante problema, né? Muita, muito crime, prostituição, lavagem de dinheiro. Ficou bem diferente da situação de Las Vegas, né?
Onde o Trump tinha cassino também, né? O Trump tinha cassino em Atlantic City, né? Mas assim, é, hoje eu penso, é triste falar isso, Bezerra, eu Eu não me incomodaria se os cassinos voltassem no Brasil. Quem sabe uma cidade do interior, daquela que não, que não tem uma economia, tivesse um hotel, cassino, um limite de R$5.000, R$10.000 por jogador, não sei. Mas entendendo o malefício da bet hoje, eu acho que esse tema tem que ser nesse momento afastado.
Não é mais uma emergência nacional debater sobre a volta do cassino casos do Brasil.
E eu nem sei se eles teriam essa, regulados, não, eu diria essa atratividade, porque a bet massificou de tal forma a possibilidade das apostas, o fato de poder estar em casa, de poder estar no trabalho, de poder estar em qualquer lugar apostando, eu nem sei, por exemplo, se o fato de você ter um local como um cassino para o jogo vai ter atratividade, que daí a pessoa tem que, ela vai acabar gastando para ir até a cidade, para se deslocar, para fazer, mais hospedagem.
Eu acho que essa coisa tende, com o boom digital, eu acho que ela tende a ir por esse caminho, que se não for refreado é um caminho, é um caminho sem volta.
Aqui eu não sei se Joel, mas geralmente um brasileiro de classe média já fez um cruzeiro na costa brasileira, né, ou do MSC, ou daquele outro, que eu não lembro o nome da outra empresa de navio. É essas empresas de navio que fazem costa, né. Eu já fiz Ilhéus, Rio de Janeiro, Santos, Montevidéu, né, e o cassino não fica lotado, o cassino não lota. Já fez jogos?
Ficaria lá não, ia tomar um goró.
É, tem tanta coisa a fazer, mas não fica lotado, não fica lotado porque Tem um espetáculo, né, por volta de 9 da noite, né? As pessoas vão para o jantar e depois vão para o espetáculo.
Porque na verdade o cruzeiro não é para aquilo, né?
Eu acho que esse é o ponto. Talvez ele não seja, ele não é, vamos dizer, o principal motivo que mobiliza as pessoas a irem ao cruzeiro, né? Ele é um, vamos dizer, uma cereja que tá ali, né?
Uma opção. Mas assim, dentro desse negócio aí que vocês estão falando, cara, eu acho que seria mais ou menos como ter uma— esse do cassino, eu acho que ele já não vira mais aqui, porque não vira no sentido de tirar o cara da bet ou do cassino no celular para ele ter essa experiência presencial. Porque seria mais ou menos como você pedir uma comida no aplicativo, você sair para ter uma experiência de almoçar ou jantar no restaurante bom.
Acho que é mais ou menos isso. Respondendo do lance da bet ser proibida, Não, eu acho que não, porque se a gente comparar com os bingos, as bets são outra magnitude financeira, outro poder de lobby. A gente tinha bingos específicos e redes de bingos que tinham pouca arrecadação perto das bets, mas as bets, velho, elas são gigantescas e muito poderosas financeiramente.
E quando começar a ter uma bancada Bancada de Betes, se já não tem, né, no Congresso. Já pensou a força disso?
Eu acho que não vai chamar bancada de Betes, não vai. A gente vai bancar.
É só para esclarecer aqui, eu acho que pode até chegar, mas tem um movimento que eu também penso que é irreversível. Lembra que teve aquela bancada do— tinha uma bancada que defendia o tabaco, que defendia o cigarro, que defendia a indústria do cigarro e defendia com todos os argumentos do mundo da importância que aquilo tinha em termos de arrecadação e tal, inclusive uma concentração das indústrias que foram para o Rio Grande do Sul, acabaram dando origem ao agro lá, enfim, uma série de coisas.
Mas você vê que quando você tem uma mudança cultural, não tem jeito, é irreversível. Eu tava, eu fui acho que há um mês e meio atrás, eu fui falar num evento, eu fui falar num evento fora do país, tava num voo na Polônia. E aí eu me lembro que tava passando no aeroporto ali e eu vi, e aquilo para mim é o quadro do que uma mudança cultural faz, eu vi, era, cara, era um aquário, entre aspas, um aquário extremamente restrito, praticamente fechado, em que tinha, sei lá, não cabia, não cabia 20 pessoas, mas tinha umas 40 pelo menos ali apertadas e tentando fumar o seu cigarro e tal.
E eu fiquei olhando aquilo e pensando, falei, você vê o que que é a mudança cultural. Alguns anos atrás, fumar era uma coisa incrível, demonstrava status, era um símbolo de liberdade, de enfim, de uma série de coisas, né, de contracultura, era um negócio cool, bacana e tal. E você vê que com o passar do tempo Aquilo que era incrível, você vê hoje as pessoas inclusive sofrendo um processo de certo isolamento cultural, porque quando a sociedade começa a perceber todos os malefícios que aquilo causa, claro que não foi um processo do dia para noite, inclusive porque a indústria do tabaco reagiu, começou a mostrar pesquisa que não tinha, mostrava outros dados contraditórios, histórias e tal.
Mas quando a sociedade se conscientiza dos malefícios daquilo, a cultura, necessariamente a cultura vai mudando. E eu, do açúcar também, é isso, coisas que é só você olhar para trás, coisas que você via como absolutamente normais, você vai vendo hoje com constrangimento. Hoje você vê, ser fumante hoje é extremamente complexo. Há não tantos anos atrás assim, as pessoas fumavam subindo avião, as pessoas fumavam em todos os lugares.
Para quem não sabe, você tinha até uma fileira, você podia fumar da fileira, como se a fumaça respeitasse, né? Até aquela para, daqui para não vai. Não faz tanto tempo assim, mas hoje imagina um podcast, a gente teria um podcast agora, todo mundo fumando, aquela fumaça.
Sim, não consigo nem ficar no ambiente.
Eu me lembro de ter ido a restaurantes, eu me lembro do incômodo que era, cara, aquela fumaça, porque eu não fumava, aquela fumaça. Você pesada, você tava comendo e tal, mas era uma coisa que culturalmente, a não tanto, dentro do carro com vidro fechado, entendeu? Mas aí começa, começa toda, todo o processo de sensibilização e conscientização. Quando você tá fumando, tem um fumante passivo. Não foi de repente, não, foi bem gradual, tem um processo.
E assim, aquilo que a gente não vê, e você vê, a gente criou propagandas que protegem, por exemplo, as crianças do do cigarro. A gente construiu uma legislação em termos de publicidade que protege, preserva a criança do cigarro, que foi gradativamente sendo mais rígida e que protege. Poxa, por que que não, isso não pode ser feito hoje? Isso pode ser feito. Aliás, isso não só pode como precisa ser feito. Tirar o, tirar os nomes de bets das camisas dos clubes de futebol, Isso se faz necessário, isso é importantíssimo.
É só corrigir, Joel, a Lei 9.215, sim, presidente é o Dutra, sim, mas foi em 46, cara, dezembro de 46, em nome da moral e dos bons costumes.
Então assim, eu errei porque é o seguinte, ele vai Dutra e Café Filho ali entre uma e outra governo Vargas, né? É bom colocar na história na mesa, viu, irmão? Aí, ó, eu vou deixar claro aqui meu posicionamento, ok? Da proibição do açúcar, eu sou contra também, meu irmão. Isso aqui não vou me posicionar nunca a favor de 66 juba aqui agora. Desculpa, não dá. Isso aí não rola.
Chocolate também.
Estaremos em lados opostos da trincheira.
Eu tô há 37 minutos e 43 segundos sem comer chocolate.
O Vilela vai falar ali, perdão. É que o que acontece, cara, quando você vai para uma— eu me formei na academia de polícia, fui para Volta Redonda, cidade de 500 mil habitantes, 400 mil habitantes. Depois eu fui para Barra Mansa, depois para Resende. Resende tinha cento e poucos mil habitantes. Todas essas periferias de cidade tem um local de carteado. A mesa de roleta não, isso é muito específico, de tem que ter um cara para operar a mesa de roleta.
Mas o cassino clandestino no Brasil, uma realidade, a Polícia Militar atuava muito nesse caso antes do advento dos bingos, tá? Historicamente, Bezerra, o que a gente apreendia era dentadura e aliança, sabe? Quando a gente chegava no local desse, o que tinha de posse do proprietário era muita aliança e algumas as aventaduras. Logicamente te mandava devolver aquela porra toda, né? Dava logo um prejuízo. Ó, devolve essa aliança. De quem essa aliança aqui?
Toma aqui, some daqui e tal. Isso me gerava muita revolta, ver um pobre jogando. Mas eu tive oportunidade de fechar um cassinão no Hotel Itatiaia. Eu não senti nenhuma raiva do dono do— o público era diferente, era um pessoal que ia jogar com com black tie, né? Eles jogavam de black tie, eles importavam um operador de roleta da Argentina, porque o Brasil não tem tradição em operar roleta, né? Funcionava no hotel de luxo e você via o padrão do carro na época, era um Mercedes, era um Audi, BMW, né?
Eu fiquei olhando para aquilo, falei, pô, tô aqui fechando isso porque isso tá, a lei não permite, né? Mas aquilo não me dá, não me gerava uma uma raiva do empresário que tava tocando aquilo, apesar de descobrir depois que aquilo era do Bicho também, né? Porque o Bicho, ele tinha dominado essa tentativa de colocar casas de apostas em Petrópolis, Teresópolis, região serrana, né? Mas você vê o pobre jogando, meu irmão, é desespero, cara.
Você vê o que que eles deixam ali, é de doer o coração, meu É para deixar aliança, literalmente os dentes da boca, né? Sim, sim, a dentadura, porque ela tirava a dentadura, deixava, né? Era um carteado, né? Mas pertencia também ao jogo do bicho, né? O bicho não deixava isso na mão de ninguém que não fosse do bicho, né? É a realidade do Brasil. Vilela jogou alguma coisa já na tua vida?
Não, não.
Cassino de navio?
Não, cara.
Eu fui na primeira vez em Las Vegas, fiz uma maquininha lá Coloquei uma moeda para falar que é óbvio que eu perdi, mas para falar que eu não fiz nada.
Mas Joel jogou, Joel?
Emoção zero, cara.
Acho que não, eu vou ter que voltar.
Ah não, essas coisas assim, bingo de kermesse, já fiz.
Rapaz, eu tenho uma aversão a apostar dinheiro.
Eu também. Os amigos joga, chama para jogar pôquer valendo dinheiro, corro. Claro que eles querem ganhar meu dinheiro, porque Eu não sei jogar, né? É óbvio, tô fora.
Antônio Marcelo, ele mandou o seguinte: em muitos lugares, principalmente na periferia, ainda tem a presença de jogo do bicho. De jogo do bicho, jogo do bicho, jogo do bicho. Quem é responsável em fiscalizar esses lugares? O jogo do bicho, jogo do bicho e jogo normal também. Quem é responsável pelas bets?
Cara, o jogo do bicho existe em função de uma conivência do poder público com a máfia, com a contravenção, né? Assim, Joel, um comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro uma vez, Coronel Alberto Pironetto, ele chegou, assumiu o comando da PM, disse assim, ó: se eu visitar um batalhão da PM e no caminho até o batalhão Eu vi um anotador, o comandante perde o comando. Então durante 12 meses no Rio de Janeiro, o período que esse cara ficou comandando, tinha comandante de batalhão desesperado rodando em volta do quartel para ver se tinha lá o anotador, para esconder o cara, para o cara voltar.
Mas depois a Marta Rocha, falei o nome dela aqui, hoje ela é deputada estadual no Rio de Janeiro. Ela, ela foi a mulher que acabou com o caça-níquel no Rio de Janeiro fazendo algo parecido. Ela disse para o dono de bar: se eu pegar você com uma máquina no teu bar, eu vou prender você, vou prender você. Porque antigamente era contrabando e descaminho, porque a máquina era importada, né? E o cara bancava aquilo, né? Não, agora vou te prender na formação de quadrilha, vou te colocar na viatura, tu vai para delegacia, vai ser autuado.
Aí o cara falou: não, Não quero mais. Isso acabou. Mas esse, o que esse jovem disse, por que que o jogo do bicho existe no Brasil? Porque governos estaduais são corruptos, né? Porque polícias estaduais são corruptas, porque a Polícia Federal é omissa, e assim por diante, né? Porque a sociedade convive com isso. Porque o dia que chegar um governador e falar não quero, ele vai chamar o chefe de polícia e vai mandar acabar. É simples assim, viu, Joel? Pode ter.
É que a figura do bicheiro, ela foi durante muitos anos trabalhada como Couto Aventura, que é um nome anticriminoso, né? Assim, ah, é o cara que é mais bonitinho, é tipo assim, ó, o cara que tá aí, ele não faz mal a ninguém, é tudo crime de baixa periculosidade. Os caras são criminosos. E aí o Jogo do Bicho, como é uma coisa popular, continua falando Jogo do Bicho. Inclusive, Vera acabou de mandar uma mensagem aqui de 2 minutos, eu acho que ela quer avisar alguma coisa para mim que não seja problemas com o Jogo do Bicho.
E aí o jogo do bicho virou uma coisa que é aceitável no Brasil, todo mundo acha legal, todo mundo joga tal, igual loteria, virou culturalmente, ah, não faz mal para ninguém. Só que os caras do jogo do bicho não mexe, o que mais, o que dá dinheiro hoje não é mais jogo do bicho para o bicheiro, ou atualmente é cigarro, vape, apostas ilegais e esses cassinos.
Rio de Janeiro hoje, né?
Isso. Agora eu posso falar dele.
Como é que é isso?
Agora eu posso falar dele, que ele tá preso. O Adilcinho, cara, ele é de uma linha de bicheiros da Baixada. Ele entrou na máfia do cigarro, né, segundo as investigações. E ele fez o quê? Os caras do Rio de Janeiro sumiram com uma máquina de 15 toneladas da cidade, da polícia, da chefia da Polícia Civil. Tem 10 delegacias, tem 10 delegacias delegacias, umas 10, tem mais de 10 delegacias, mas é uma máquina de 15 toneladas, sumiu de nada, foi um furto lá que alguém botou a máquina no bolso, levou embora, devolveu a máquina, devolveu, né?
Aí o Brasil, os bicheiros, eles falsificaram cigarro falso do Paraguai, eles pegaram uma marca do Paraguai, falsificaram essa marca, começou a produzir no Rio de Janeiro, trouxeram mão de obra do Paraguai também, isso para fazer o trampo e tal. E aí eles fazem pactos com algumas milícias e dentro da comunidade só pode vender o cigarro que os caras colocam, é a máfia do cigarro. Isso tem dado um dinheiro violentíssimo e ninguém fala do contrabando de cigarro, do descaminho, porque como se fosse um negócio inofensivo, mas os caras estão fazendo muita grana.
E aí os caras descobriram que dava para monopolizar o território, o território de facções de milícia eu coloco o produto que eu quiser aqui e já era. E foi só fazer a falsificação do falso do Paraguai. É esse cara aí, é esse cara, Pimentel? Eu não sei, não conheço ele. Tô brincando, é ele mesmo. Essa foto é de uma festa que ele fez, que tocou a música do Poderoso Chefão na festa inteira. Tinha autoridades do Rio de Janeiro.
Ele tá sendo investigado por 5 homicídios pela Divisão de Homicídios do Rio de Janeiro, né?
É o que os cara conseguiram investigar.
E agora, e agora eu tomo muita crítica, João, quando eu falo contigo do cigarro paraguaio, que eu chego no Rio de Janeiro, começa a minha caixa aqui: Pimentel, o cigarro não é mais paraguaio, é fabricado aqui em Duque de Caxias, na Baixada e tal, né?
Mas a patente é do cara que falsificou, lógico.
Então assim, eles dizem que o volume do cigarro é muito, muito grande. Então para trazer do Paraguai o gasto era maior, fabrica aqui.
E aí tem muita carga, devia ser perdida também.
E a máquina já pegou.
Isso é uma nova face do Jogo do Bicho do Rio de Janeiro hoje, tá?
Então a gente fala Jogo do Bicho e recomendo também aquele documentário, aquela série da Globo Play, né?
Mas tem uma minha também, um documentário meu lá no canal que é legal.
Fale.
E coreografia da história do Jogo do Bicho, você sabe que tá lá. Tá lá a história inteira. Sim, né?
Minha filha tava me falando dele esse final de semana. Ela trabalha, ela trabalha, ela trabalha com isso, ela é advogada, trabalha com direitos autorais e tal. E ela tava, ela tava fazendo, enfim, todo o trabalho de uma série, tava sendo produzida por um outro, por um outro streaming e tal. E ela falou, pai, a minha fonte principal de pesquisa, pai, a minha fonte principal principal de pesquisa é o Joel.
Porra, depois eu tenho que trocar uma ideia aí para se seguir no Instagram.
Ela falou, ela falou, o Joel manda muito bem, ele explica de uma forma claríssima.
E aí, só complementando do cigarro, o mercado é gigantesco porque você produz no próprio Rio de Janeiro, você tem um território para vender que é monopolizado, então você passa por cima de Philip Morris, de Souza Cruz, e isso enche o caixa dos caras de dinheiro, né? Daí tem que lavar de alguma maneira. E o jogo do bicho meio que serve para transformar o— quando você fala que o cara é bicheira, transforma o cara num— ah, é um tiozinho, é o piruinho, é o patrão.
Mas os caras transferem poder também, tá? Transfere poder do território também, né? Mas assim, acomodado por ele. Mas alguns dias, ô Joel, assim, alguns dias um rapaz que disse para mim que abandonou o tráfico, né, um rapaz que me segue, eu acredito que tem abandonado. Ele falou, ó, o cigarro que nós vendemos aqui, nós vendíamos aqui do Comando Vermelho, é do Dilsinho, né? E aí vem a surpresa de um, também de um pastor no Rio de Janeiro fabricando cigarro também, né?
O pastor, um pastor fabricando cigarro, a fábrica é do pastor, é o Impastor. Que é pai de uma deputada estadual, né? Então você tem, você tem uma, uma que são influencers, né? Então é uma rede, é uma rede confusa que é o Rio de Janeiro, né? Que é uma rede confusa que é o bicho.
O Rio de Janeiro é o jogo do bicho, cara. Pois é, ô cara, é que é legal. Eu tava conversando com a Cecília Oliveira, com Orlando Carreiras lá, que eu fui fazer uma fazer coisas em Salvador, cara, é muito legal conversar com vocês em off, com os cara. É, os cara sabe, tem coisas que carioca se falar aqui cai a internet.
Sério?
Sobre política e tal, tem que desligar e falar.
Pois é, não é um problema, vai passar a vida toda respondendo processo aí. Então, e normalmente é o que é óbvio, né, que todo mundo sabe, né. Rio de Janeiro é isso que nós conversamos aqui, Bezerra. Estamos lá com interventor, que é o presidente do Tribunal de Justiça, governador Ricardo Couto, e o carioca tá amando porque tá vendo a coisa acontecer, né? Tá vendo prisões, tá vendo demissões de funcionários fantasmas, 4 mil, né?
E ou seja, o candidato que não é, que não é eleito pelo voto popular, né, que tá ali na situação de interventor tá agradando e tá fazendo o que parece ser certo, né? Então assim, é triste isso, né? Descobrir que o voto no Rio de Janeiro conduz ao caos, né?
Muito triste. É muito louco. Como é que no médio prazo— eu sempre tive muita curiosidade sobre isso, porque o Rio de Janeiro tem uma importância econômica, social, cultural para o Brasil, pô, histórica. Enfim, é um um estado que sempre foi vanguarda no país sob todos esses aspectos, mas ao mesmo tempo tá vivendo uma crise institucional grave, né, nos últimos anos. Isso que eu tava falando, né, o voto popular de certa forma tá conduzindo para o caos.
Mas como é que, como é que, coisa de louco, como é que se reverte isso? Como é que se reverte isso?
Aquela época da Lava Jato começou uma crise institucional forte, não foi?
Antes do Cabral já tínhamos, já tínhamos 4 governadores presos, né? Então isso é, isso é muito antigo, sabe? Então colocar tudo na conta do Cabral é meio, meio— tivemos uma sequência de governadores presos, com exceção da Benedita, né?
Não, cara, mas assim, ó, eu peguei um Uber uma vez. Uber, muitos Ubers falam a verdade, né? Eu peguei um Uber uma vez e aí a gente tava passando na frente, acho que Palácio das Laranjeiras, a sede do governo, Guanabara. A gente tava passando na frente gabinete dele. E aí eu falei assim, esse é o lugar que o governador fica, né, e tal. Ele falou, então, durante o mandato é aqui, depois é Bangu. Falei, caralho, esse cara é foda, né? Ouvido da própria desgraça e passando na frente do Palácio.
E quem tem culpa disso senão o próprio eleitor que não quer se informar, né?
É isso, senhores. Obrigado demais pelo papo. Vamos ver se a Vera Responde aí você nesse meio tempo enquanto a gente se despede. Cada um passa suas redes sociais, onde encontram vocês. Bezerra, contigo?
Você me encontra no @carlosbezerrajr, @carlosbezerrajr. Você me encontra lá, a gente se comunica, conversa, enfim. Eu também, você, ele, Vilela, todo mundo, todo mundo.
Sem saber que você vinha aqui hoje.
Eu também, eu também.
Alguém manda um Reels dele para mim.
Pois é, o Reels dele é incrível, toda hora aparece para mim também.
O último que eu vi seu foi do voto feminino, que você esculachou o cara lá, ele tá certinho.
Tá também um abuso, né? O cara, cara, nós estamos no século 21, o cara tá falando, o cara tá falando que mulher vota mal e que mulher não deveria votar, que tinha que acompanhar o voto do homem.
Casada vota mal.
Quando a casada Jota melhor. Uma barbaridade, uma barbaridade aquilo ali, cara. Assim, não é mais opinião, cara. Aquilo ali, esse é o tipo de coisa que, enfim. Pois é. Bom, mas Vilela, te agradecer aqui pela participação. Obrigado, alegria enorme poder dividir a mesa com esses caras aqui. Para mim é uma alegria, uma honra de verdade. Obrigado pelo carinho.
Recomendo muito que vocês sigam ele no Instagram. Vamos deixar no comentário fixado a rede social todo mundo.
Pimentel, cara, obrigado pela oportunidade mais uma vez. Acho que é a sétima vez. Então, é, tô no Papo de Elite duas vezes por semana entrevistando políticos, tentando identificar diagnósticos e soluções para o Brasil, né? Quando terminar a eleição, eu já começo a entrevistar todo mundo. Aliás, tá convidado para ir lá, tá, irmão? Opa, tu vai?
Eu tô dentro. Bora, bora, bora! Uma honra.
Todo mundo porriu.
Fiquei curioso da Vera, ela falou o que que era ou não?
Ela não falou, cara. Deve ser alguma coisa que ela falou que alguém vai matar eu pelo programa, só que eu não estou na mesa sozinho.
Então, exato, eu tirando eu que sou o host, todos vocês aí estão juntos.
Vai ser porque a Vera mandou essa mensagem, é algo.
Bom, vamos lá, manda aí.
Obrigado.
Eu tenho imunidade parlamentar, então, cara, procurem o Homer, qualquer coisa é o Homer.
Tá, eu vou mandar a foto dele lá depois. Manda a foto dele no Instagram. Quero agradecer Bezerra, o Pimentel, Vilela, por ter organizado aqui, Fabi, todo mundo que tá aqui. E assim, eu me enriqueci muito nesse papo, porra. Eu acho que se a gente se enriqueceu conversando, eu imagino quem tá lá do outro lado, né?
E é isso, é só começo, né, dessa discussão, se a gente for pensar, né?
Aposte nas boas pessoas que que estão com boas intenções aqui nesse país.
E diga não aos bets.
As odds estão altas para isso. Ó, o Homer, e você, qual é a sua frase de efeito agora?
Bom, agradecer demais para você que chegou no final desse papo. Se você ainda não deixou seu like, tá panguando, então deixa aí seu like, se inscreva no canal, torne-se membro, compartilha, né, a nossa palavra.
Olhos vermelhos aí, eu tô coçando o zóio aqui. É, eu tô vendo, cara.
Não é o que eu tô pensando, não é a barbada não, não uso essas coisas não, é coceira mesmo, é olho seco, tá piscando aí.
Que que o pessoal escreve nos comentários para provar que chegou até o final? Mas antes, agradecer também os nossos patrocinadores, a Element tá começando com a gente com essas cadeiras maravilhosas. Eu não vou ter mais, eu reclamei tanto de dor nas costas de ficar aqui 2, 3 horas e às vezes gravar 2 podcasts que os caras Ouviram minha reclamação e mandaram a cadeira. Eu escolhi, tinham vários modelos, escolhi a mais, pelo menos para mim, a mais confortável.
Nossa, tá importante, né?
E agradecer também Estratégia Concursos, tem o QR code e o link na descrição para quem tiver interessado, tem cupom nos dois. E o que o pessoal escreve nos comentários para provar que chegou até o final?
Para provar que você chegou até o final dessa conversa, coloca aí números da sorte, números do meu pai, né, que nunca deram sorte, nunca deram.
32, tá dentro. A gente ficou no quarto 32 lá nos Estados Unidos. Fala, 32, meu número da sorte. Um dia vai ser. Números da sorte nos comentários. Fiquem com Deus, beijo no cotovelo e tchau. E que bom que vocês vieram. Me sigam no Instagram, @vilela, também.
Fui!
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O conteúdo aqui exibido tem caráter informativo e opinativo, não sendo vinculado a qualquer compromisso com a veracidade ou exatidão das falas dos participantes. Caso você se sinta ofendido ou tenha qualquer questionamento sobre as declarações feitas neste vídeo, por favor entre em contato conosco para esclarecimentos.
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