1861 - O FIM DO CASO HENRY BOREL: LENIEL BOREL E ANA CAROLINA OLIVEIRA
LENIEL BOREL é pai do Henry Borel e ANA CAROLINA OLIVEIRA é mãe de Isabella Nardoni. Eles vão bater um papo sobre os recentes desdobramentos jurídicos no caso da morte do Henry.
- Caso Henry BorelDecisão da juíza · Perdão judicial para Monique · Homicídio doloso vs. culposo · Tentativa de desqualificar Leniel Borel · Pauta ideológica de gênero no judiciário · Anulação do júri · Monique Medeiros · Jairinho
- Impunidade no Sistema de JusticaFalhas no sistema judiciário brasileiro · Glamourização do crime e do criminoso · A importância da Lei Henri Borel · Omissão de vizinhos e da sociedade · A necessidade de denúncia · Polarização política e falta de representatividade · O foco no criminoso em detrimento da vítima
- Caso Isabela NardoniComparação com o caso Henry Borel · A busca por justiça · O luto transformado em propósito · Isabella Nardoni
- Relacionamento e Violência DomésticaSinais de agressão em crianças · A cultura da violência no Brasil · A importância da rede de proteção · A lei como mecanismo de proteção
- Narcisismo de TrumpNarcisismo materno · Características de psicopatas e narcisistas · O perigo de conviver com narcisistas · Monique Medeiros · Jairinho
- Nerdice e Cultura PopSéries e documentários sobre crimes · Influenciadores ligados a facções · A glamourização do criminoso
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Fala, terráqueos! Como é que vocês estão? Eu sou o Rogério Vilela e tá começando mais um Inteligência Limitada. Hoje um programa especial, muito especial, com um tema muito sensível. Então queria pedir de vocês que que estiverem aí no chat, é uma moderação, né, que pensem no que vão escrever e mandem perguntas, questões, palavras de apoio, né. E a gente vai ler as melhores. Como que vai ser aí, homem?
Bom, já começa já deixando o seu like, se inscrevendo nesse canal, torne-se membro, compartilha esse vídeo com o máximo de pessoas que você puder. E como o próprio Vilela já disse aí, manda mensagens, manda mensagens de apoio e aquelas perguntas bem marotas aqui, que as melhores irão para mesa.
Tá certo, dá as boas-vindas aqui. Faz tempo que a gente tá para se falar e surgiu agora oportunidade com julgamento. Então a gente vai falar sobre tudo isso e sobre muito mais coisas que eu tenho curiosidade e dúvidas, e eu acho que o povo também tem. Então seja bem-vindo, tua câmera é aquela, se apresenta para quem não te conhece.
Obrigado, Vilela, obrigado a todos do Inteligência. Para mim é uma honra tá aqui, há muito tempo que A gente tem tentado marcar o júri, cada vez mais ansioso para acontecer esse júri, lutando para que ele acontecesse. E agora, nesse momento, acho que não teve momento mais delicado, mais importante da gente estar aqui falando. Sou Leniel Borel, sou pai do Henri Borel, uma criança linda de 4 anos, 10 meses e 12 dias que perdeu a sua vida.
Hoje lutando lutando pelo meu filho, lutando para que outras crianças não sejam vítimas nesse país. E acabamos de ver uma grande aberração jurídica. E nesse momento, muito revoltado, consternado com tudo que a gente passou.
O Brasil inteiro comentou, né? Foi algo que eu quero depois entender o que aconteceu, porque gerou muita revolta.
Muito revoltado, atônito, na verdade. Não imaginava que iriam ter essa coragem de conduzir um júri de uma maneira esquecendo a memória de uma criança que foi brutalmente assassinada. Pois é. Passei 11 dias aguardando essa decisão. Foi mais difícil para mim os 11 dias desse júri do que esperar 5 anos para que ele acontecesse. Para mim, para minha família, foi muito difícil o que nós vimos ali. Esqueceram a memória do Henri, esqueceram que tinha uma criança que foi brutalmente assassinada, que está morta.
É um júri que esqueceram que o foco ali era fazer justiça por essa criança, pelo Henri, e começaram a falar sobre Jair e Monique. Foi um júri que não era mais nem sobre condenação, depois começou ali ser sobre Jair e Monique, e o Henri se esqueceram que tinha uma criança que foi morta. Até alguns momentos ali tentaram falar sobre mim, por exemplo, tentando me trocar de lado com Monique e Jair, uma estratégia da defesa, né, as defesas de ambos ali tentando me criminalizar.
A gente já tava preparado para esse dia, 5 anos aguardando que esse momento acontecesse, porque eu sei o quanto eu lutei para chegar aqui, quanto eu lutei para que eles fossem presos, o quanto eu lutei para que eles fossem pronunciados. E lutei para que esse júri acontecesse. Vimos na linha do tempo muitas coisas acontecendo nesse intervalo de tempo. A juíza se manifestando já lá no começo, em 2021, de uma forma tendenciosa. No dia que soltou a Monique, Monique só falou que estava se sentindo ameaçada dentro do presídio, e aquela juíza, essa mesma juíza, solta ela, é, coloca ela em prisão domiciliar.
Depois, agora recentemente, em março, após manobras da defesa do Jairo que adiaram esse júri, e ela, essa mesma juíza, vai contra uma decisão do STF e solta Munique novamente. Ali eu considero que mataram meu filho pela segunda vez. E agora, terceira vez que matam meu filho de uma forma terrível, trazendo uma pauta ideológica para dentro de um processo de homicídio. Homicídio, né, no processo de crime contra a vida. É um grande absurdo, né, ver uma militância no jurídico brasileiro, né, e ainda soltar, ver o perdão judicial para uma mãe que no mínimo foi omissa, e que não representa as mães do Brasil, né.
O que a gente espera é que as mães, né, que a mãe não seja a melhor mãe do mundo. Não esperava que Monique fosse a mãe mais zelosa ou a melhor mãe do mundo, mas é que a gente esperava que no mínimo ela protegesse. O que nós esperamos de mãe, das nossas mães, né, que tivemos, é que elas protejam, que elas guardem, que elas amem, que cuidem dos seus filhos. E o que nós não vimos ali nisso na Monique, em vários cenários, foi muito difícil o que foi visto ali, ver ali a decisão tendenciosa.
Quem acompanhou esses 11 dias viu o que eu já venho falando há 5 anos da parcialidade da juíza, a diferença de como ela me trata, de como ela trata o Jairo e como ela trata a Monique. É porque sem conseguir explicar, e ela antes ela só falava, só que nessa decisão ela fundamentou, ela colocou na decisão trazendo uma pauta ideológica de gênero, trazendo ali uma fundamentação feminista totalmente contra o que as mulheres lutaram no nosso país.
Quando uma mãe não protege o seu filho, ela tá indo de encontro aos direitos da criança e da mulher. Então, que as mulheres lutaram muito por seus direitos, mas não tiraram o direito de proteção Não tirar o dever de proteção. Então, quando essa juíza fala em patriarcado, ideologia de gênero, trazendo para o jurídico, né, para um processo judicial, é uma pauta política, traz para gente uma grande preocupação. Porque novas crianças podem morrer, novas crianças podem perder a sua vida a partir de decisões como essa.
Porque outros Jair, outras Monique, outros agressores perversos Estão nos assistindo agora, estavam assistindo esse júri porque a condenação de ambos era a condenação que eles possam ter. Então, pra mim, como pai, como ser humano, como cidadão, o sentimento é de, além da injustiça, é como se matassem meu filho pela terceira vez.
Abre um precedente perigoso. Qual é o sentimento que você tem agora?
O meu sentimento agora é de lutar para que esse júri seja anulado. O Ministério Público já apresentou, já recorreu. O meu advogado acabou também, nós como assistentes de acusação também recorremos. Além de, a Monique ela foi condenada, né? Quem esteve lá, está na ata, os jurados decidiram condená-la pelo homicídio doloso, assim como decidiram condenar o Jairo. Condenaram igual. Só que a juíza foi lá, quando viu que iria condenar, fez uma nova quesitação.
"Opa, espera aí." Voltou, quesitou novamente e foi conduzindo para o homicídio culposo. E além disso, do homicídio culposo que ela foi condenada depois, a Monique também foi condenada na tortura e a juíza concedeu perdão judicial.
Caramba!
Então é... Meu... Cara... Para mim, como pai, né, tenho visto a sociedade se revoltando porque Jairo, um monstro perverso, sádico, esse que antes era mostrado como um príncipe, né, bonzinho, o Rei de Bangu, como ele era apresentado, ali foi apresentado para o mundo um Jairo sádico, monstro, né, com prazer em agredir crianças. Mas a Monique, ela é muito pior, porque ela é mãe. A mãe que a gente espera, e eu vou falar aqui, né, ambos respondiam por 3 torturas do dia 2 de fevereiro, que era meu aniversário, e naquele dia o Henrique foi torturado.
Depois, naquele dia eu pergunto para mãe, foi apresentado, tá lá nas conversas: "Ô Monique, o Henrique tá reclamando de dor nas costas." E ela fala assim: "Ah não, isso foi a cama." Isso aí é que ele dormiu muito mal. E depois do dia 12 de fevereiro, que ela foi condenada nesse dia, ambos foram condenados, que o Henri, não sei se você lembra, ele sai de cuequinha, né, mancando. E eu te pergunto, Vilela, o que que um adulto, Jairo naquela época tinha 42 anos, entra num quarto com uma criança, bota a TV no último volume, a criança fica lá gritando, depois sai desesperada, rasga a roupa da babá, O que que um adulto entra numa, que não era filho dele, entra num quarto, bota a TV no último volume, aquela criança grita, sai de cuequinha e sai mancando.
Ali perverso. E ambos foram condenados porque a mãe sabia, tava no salão de beleza naquele dia. E depois, no final de fevereiro também, eles respondiam por esse dia que a babá trouxe como mais uma cena de agressão. Trouxemos também o dia 17 de janeiro, que foi a segunda quinzena. De janeiro, mas cravamos ali o dia 17, que o Henri fala do abraço forte. Primeira vez que eu vou buscá-lo nesse apartamento lá no Majestic, no condomínio de luxo na Barra da Tijuca, onde ela morava, né, começou a morar ali com o Henri, com o Jairo.
E o Henri fala de abraço forte como a alusão dele à agressão era o abraço forte naquele momento. E ali eu peço para falar com o padrasto, né, peço para falar com esse Jairo E ele desce, né? Primeiro ela vem me entregar, depois ela manda chamar ele. E falando que aquilo ali, ele pedia abraço. Mas o Henri já tava reclamando ali da agressão. E a mãe falando que era sonho.
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Cara, perverso. E ali depois, no final de janeiro, ambos falam de que o Jairo tava na sala dando banda em moca na cabeça do Henrique, e o Henrique vai reclamar com a mãe na cozinha, e a mãe não Não permite ainda que o filho dela tava sendo agredido. E ambos falaram demais essa cena de tortura. Já tô falando de 5. Fora, no dia 4, na quarta-feira, antes do Henrique falecer, eu ligo pro Henrique, ele tinha um celulazinho, e eu liguei, o Henrique tava tristinho.
E meu filho fala: "Papai, eu não quero ir mais pra casa da mamãe." Depois ele fala que o tio tinha machucado, o som mais incisivo, o que tinha acontecido. E ali ele tava do lado da avó e tava do lado da babá, a Tainá. Ah, tô falando de mais 6 cenários de agressão que foi falado nesse júri e que a mãe sabia. A mãe estava lá na psicóloga, ele fala pra psicóloga também. A mãe depois vem e liga pra mim falando que o Henri falou pra psicóloga e falou pra ela da agressão.
Então, a juíza, o que foi visto ali foi anular todas as provas. Vimos ali entrando e saindo, não preocupada com as provas do caso. E eu tô falando de um júri popular, que na minha cabeça, e eu acho que tá na cabeça de todo cidadão, é o sistema mais democrático desse país. Deixa os jurados, deixa a sociedade julgar. Mas não, a juíza— encontramos um vídeo recente, tá aí circulando no Brasil inteiro, da juíza já falando a mesma coisa em 2021, de patriarcado, de causa de gênero, que Não entendia porque a sociedade tinha tanta raiva em relação a Monique e em relação a Jai.
E ela já foi pra esse júri pra tendenciosa, já foi com isso na cabeça. Encontramos agora hoje ela arguindo, a babá Tainá, durante o júri, que é uma das principais testemunhas. A juíza fala: "Não precisa falar do homicídio não, porque pra mim já tá muito bem fundamentado o homicídio." Na cabeça dela já tava tudo bem formulado. Só que não deixou o jurado julgar. Então, nós estamos revoltados, Vilela, com o que aconteceu ali. Eu como pai, acho que todas as mães desse país, todos os pais com essa decisão.
Porque primeiro que a juíza colocou a Monique na mesma régua de todas as mães. Ela botou a Monique na régua de mães zelosas. Ela fala que a Monique era mãe zelosa. Nós falamos aqui só de 6 cenários. Vou falar também do final de novembro, que ela fala Que o Jairo pulou o muro, agrediu ela na frente do Henri. Mais um cenário de agressão. Então, neste sentido, a juíza colocou a Monique no mesmo cenário de todas as mães que amam seus filhos, que protegem seus filhos.
Então, ver um perdão judicial num caso como esse é impossível. E ainda falando de homicídio culposo, é como se fosse traçar aquela tese do acidente, porque o homicídio culposo É mais ou menos assim, quando aquela criança se machuca ali, o pai está dirigindo, dá uma ré no carro e mata a criança. E aí o peso é: "Matou!" Só que ele não tinha intenção de matar. Não teve dolo. Não teve dolo. Só que o que acontece ali é tão doloroso para o pai, para a mãe, que pode se dar um perdão judicial porque ele não queria.
Foi um acidente. A tese de Jairo Monique lá do começo era a tese de que caiu da cama, foi acidente. Só que neste caso, o "dane-se", posso dizer assim, foram vários "dane-se". Por isso que era homicídio doloso e ela entra na omissão, porque foram vários "dane-se", vários sinais que ela ignorou que levaram para esse pior. E o adulto, quando bate numa criança, quando ele agride uma criança, ele assume o risco de matar, porque se ele bater num órgão vital ou se ele bater de uma forma desproporcional, ele pode matar.
Por isso que criança não pode ser agredida, não pode. A educação pelo bater não existe mais hoje no Brasil. Por exemplo, nós temos a Lei Menino Bernardo, que é a lei da palmada. Então não cabe mais o nosso país agredir. E a gente viu isso acontecendo, a mãe ignorando e permitindo que o filho dela é continuar sendo agredido. E no final, a juíza deu o benefício para ela do perdão. E pasmem, o pior, Vilela, é Monique e Jário estavam acordados nesse apartamento.
O que foi demonstrado nesse júri, nós apresentamos, o promotor apresentou, é que o Henri falece entre 11:30 da noite a 3 horas da manhã. É isso que o perito oficial dá mudança de horário. Eles só saem do apartamento 4 horas da manhã, uma hora depois, é isso, na hora depois do máximo. Os nossos peritos, o perito do MP, o meu perito, bota ali entre 11:30, uma hora da manhã, mais próximo, traz um pouco mais próximo. Entre 11:30, 3 horas da manhã, a Monique dá 150 passos naquele apartamento, tava andando.
O Jairo dá mais de 300 passos, o dobro. Então ambos estavam acordados. A Monique, ela não condenou o Jairo em todas as audiências, lá na fase de inquérito policial, depois na audiência de instrução. A juíza pergunta para ela: ô Monique, o que que você acha? Eu acho que foi Jairo, eu acho que foi Deus ou Henri. Só Deus, Jairo e Henri podem falar o que que aconteceu. Ela fala isso para juíza. E agora no final, na última probabilidade, ela fala que Acha que era o Jairo, que ela não fala que era o Jairo, ela não afirma que era, ela acha.
E acha que o Jairo deu um remédio para ela. E o Jairo nega materialidade do primeiro dia ao último dia, ele nega que não foi ele, nunca afirmou que foi ele. E mesmo assim, sem ambos definirem o que fizeram naquele apartamento, eles não falam a dinâmica do que aconteceu, perdão judicial para essa mulher. Então, para mim, isso passa do tolerável, passa do mínimo que a gente espera de uma mãe, que a gente espera da justiça, o que a gente espera do judiciário brasileiro.
E até agora nós estamos já segunda-feira, né, agora é quase uma semana depois O CNJ nem se manifestou sobre essa decisão da juíza. O Conselho Nacional de Justiça, né, que representa todos os juízes, nem se manifestou. Não vi uma nota. Ou eles estão com vergonha do que viram ali, ou concordam com a juíza. Precisam se manifestar. É por isso que a gente tá vindo aqui, por isso que a gente vai lutar. Estamos recorrendo, já recorri, e eu acho que precisa isso reverter.
Não só pelo Henrique, mas pela resposta que está sendo dada. São Paulo, Rio de Janeiro, meu estado, hoje o Rio é o estado mais violento com relação a criança e adolescente. Hoje o Brasil é um dos países mais violentos, hoje é perigoso ser criança no Brasil por causa de respostas como essa do Judiciário. Crianças estão perdendo suas vidas, mais crianças vão perder as suas vidas se a gente deixar se a gente permitir que o Judiciário brasileiro continue deixando sair pela porta da frente homicidas.
Vamos colocar Ana Carolina no papo, dá um oi para ela. Ana, tá escutando a gente?
Agora escuto, sim.
Tá escutando? Então, Ana, boa tarde, Vilela.
Boa tarde, Daniel.
Se apresenta para o Fala para o pessoal que não te conhece, Ana.
Fala, pessoal, eu sou Ana Carolina Oliveira, sou mãe de Isabela Nardoni e tô aqui mais uma vez nesse papo. Gostaria que nosso papo, vila, ela fosse de uma forma mais contraída, descontraída, né, porque a primeira vez que eu estive aí tive que entrar na profundidade da minha história. E agora, na segunda vez, também conversando com você, tenho que entrar na história do Nini, o que é muito triste, o que a gente viu ultimamente. Então poder compartilhar essa história, poder falar um pouco desse tema que a gente vem sempre ter que reforçar aqui em nome dos nossos filhos, uma justiça, as falhas.
Isso infelizmente é lamentável.
E, e Ana, que que você podia falar sobre essa decisão da juíza antes da gente fazer um bate-papo entre vocês aqui. Qual que foi a tua sensação quando você soube?
Olha, esse momento de justiça, a Vilela, eu falo muito sobre ele porque esse é um momento crucial nas nossas vidas. É como se quando a minha filha, quando houve o julgamento da minha filha, eu pudesse encerrar um ciclo, né, fechar o caixão e realmente continuar caminhando. E eu acho que acontece, era a espera do Leniel, né, de toda uma família, porque não é só sobre a vítima, é sobre quem fica, é sobre quem luta por justiça. Então a gente fica nessa espera e clamando por isso, e vê que quando você espera uma justiça, você tem uma injustiça, tudo isso muda.
Ainda mais uma injustiça se tratando da justificativa de uma juíza falando sobre misoginia. Em que momento houve uma misoginia aí? É como se a vida de uma criança de 4 anos não valesse de nada, O que importa é uma mãe que foi omissa. O que importa é tudo que a gente viu indo por água abaixo. E essa sensação que nós brasileiros continuamos, que a justiça do Brasil não funciona, que tudo isso tá caindo em descrédito. E é ruim quando a gente quer lutar por isso e quer enfrentar essas batalhas diárias com tantas outras famílias aí também que clamam por essa justiça.
É, eu acho que você já deve ter ouvido falar também isso, e pessoas com esse tipo de opinião também, que eu acho absurdo, mas não vai trazer o filho de vocês de volta. Por que vocês se importam tanto com a decisão do juiz? Eu queria que vocês explicassem o óbvio para as pessoas, né?
Pois é, vou falar primeiro aqui, tá?
Fique à vontade, hoje o dia é seu.
Como a Ana falou, vou falar Carol, porque, né, Carol é como a gente se conhece. É como a Carol falou, porque...
Carol hoje está de co-host, então ela vai me ajudar a fazer pergunta, está participando do papo, é contigo hoje.
Eu sempre falei para o Brasil inteiro e falo de novo, falo aqui no seu programa. Está aí a pessoa que mais me ajudou, eu sou grato pela vida da Carol. No momento mais difícil da minha vida, foi os melhores conselhos que pôde me dar, porque viveu. E esse dia ela me vacinou lá no passado de que aconteceria, que seria duro, que seria difícil. E eu venho me preparando para esse dia, para o dia do júri popular, mas não esperávamos que a juíza teria essa despretenção, posso dizer assim, né, que pudesse trocar de lado.
Vilela, esse termo trocar de lado, né, não sei se eu poderia usar, mas O que a juíza fez ali foi trocar de lado com a Monique, né? Eu nunca imaginei que um juiz, Ana, pudesse trocar de lado com um assassino de uma criança, sabe? E aí as pessoas começam a perguntar pra gente: "Ah, mas essa juíza não é mãe? Essa juíza não é avó?" Não sei, né? O que ela trouxe pro processo foi uma pauta de gênero, foi militância política do Judiciário.
Que eu nunca imaginei que poderia ver e viver de uma criança que perdeu a sua vida não ter justiça. Esse processo já não é mais sobre o Henrique há muito tempo. O que nós vimos ali no processo, Carol, não era a memória do Henrique, não era a justiça pelo Henrique. Esse processo há muito tempo se fala só sobre Jair e Monique, e foi em 11 dias Só se falando de Jairo, de Monique, falaram até um pouco de mim, sabe, tentando me criminalizar, tentando não me botar numa situação de bom pai.
E assim, eu poderia ter sido o pai não muito zeloso, como tentaram falar ali, coisa que não fui, né? Tá lá as provas, foi mostrado que o pai que eu fui, o quanto eu me preocupava, quanto eu fui no Jairo, Fui na Monique, fui na avó, sempre ali tentando saber o que estava acontecendo. Mas começaram a tentar ali me desqualificar como pai. E uma coisa que eles tentam sempre fazer, né, em processos parecidos, vocês sempre vão ver tentando desqualificar o outro lado.
Mas esquecem ali de que eu não estava naquele apartamento, por exemplo. E eu, assim como Ana, né, Ana, a gente não estava naquela situação.
Aconteceu comigo também.
Aconteceu com você, né, Ana? Tentando desqualificar a gente como pai, como ser humano. E eu sofri muito sobre isso porque eu sei o pai que eu fui, o quanto eu lutei pelo Henrique. Vimos isso no júri popular, tentando trazer, criar novas retóricas. E a gente ali sempre mostrando que tudo que eles estavam fazendo era mentira. Trouxeram um perito, Vilela, para esse processo, um perito da Polícia Federal que saiu condenado. O perito trouxe uma perícia mentirosa, uma perícia tentando falar que o Henri não faleceu naquele apartamento, faleceu com 48 horas.
Caramba!
É, assim, a gente viu coisas absurdas acontecendo nesse processo, mas foi um descaso muito grande, não só com o Henri, mas com a minha família. O meu pai está lá hoje feito de remédio, a minha mãe também. Os meus familiares, minhas familiares que estão fora do Brasil, que estão no Brasil, a gente não acreditava que a juíza realmente teria essa audácia, porque a materialidade é muito grande. São 200 mil páginas nesse processo provando que ambos estão na cena do crime, que ambos ali estavam acordados, que ambos ali foram omissos, que ambos ali estavam ou agredindo ou permitindo.
E ainda assim, depois de tudo isso, deixar a Monique sair pela porta da frente. O Jairo, que ali já tinha mais 60 anos de pena, tá com 40 anos de pena, e ainda pra ele foi bom, nem deve recorrer, porque tiraram duas torturas do Jairo. E ainda assim você via aquele direcionamento o tempo todo para desqualificar a vítima. E aí, Carol, eu não sei se você tem esse mesmo sentimento, é importante a gente falar junto, porque o nosso país hoje, principalmente quando a gente vai para um processo criminal como esse de crime contra a vida, as vítimas são colocadas de lado, né?
A gente é apenas uma testemunha nesse processo, Vilela. Eu fui muitas vezes humilhado, maltratado, entendeu? Vimos nesse processo testemunhas, por exemplo, a senhora lá, a A do salão de beleza, a Teresa, ela foi humilhada pela juíza. E coitada, só porque era uma mulher negra, pobre, que morava na Cidade de Deus, foi humilhada. Tá lá, vejam o depoimento da Teresa. E assim, a gente é colocado como testemunha, fica ali esperando 11 dias e simplesmente ignorar a nossa família.
Então assim, a gente precisa repensar, Carol, no nosso país quem realmente é o foco, porque o foco dos processos hoje, o foco hoje é o crime, o criminoso. Quem tem direito, Vilela, é o criminoso. Só se falava dos criminosos ali e esquecem as vítimas, esquecem, esqueceram o Henrique, esqueceram as vítimas indiretas que sou eu e minha família. A minha família sofre todo dia Meu pai, a minha mãe era o netinho, que na época era o único neto deles, o meu filho, meu primogênito, meu menininho.
Então, neste sentido, a gente realmente, o Brasil hoje, o foco vai ser o criminoso? Quem tem direito no nosso país é o criminoso? E as vítimas? Se a gente não pensar direito qual é o foco que nós vamos dar, ontem foi o meu filho, o Henrique, antes de ontem foi a Isabela, amanhã pode ser um filho ou neto de vocês.
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É, e aí falando a minha opinião, né, Vilela, da pergunta que você fez de quando a gente tem que falar, fala-se sobre justiça sendo que os nossos filhos não estão aqui. A gente, e eu falo muito sobre justiça, mas também falo sobre o que é somente lutar sobre justiça, né? Quando a gente quer isso, como eu disse, uma resposta e um acalento para o coração das famílias que ficam, porque como o Leniel disse, nós somos uma família, somos vítimas secundárias que ficamos e que temos que lutar por isso, porque a vida que se foi ela já não vale mais de nada, não tá aqui para falar, não tá aqui para ser ouvida, não vale de nada.
Aí o que que acontece? A gente tem que hoje, eu 18 anos depois, pois o Leniel, tantos anos depois, e lutando dias e dias para ter essa justiça em nome de alguém que não tem mais voz, só que representando, representando todas as outras vítimas. Aí vai passar o julgamento, e quem fala sobre quem fica? Quem fala sobre as vítimas que ficam? E eu bato muito nessa tecla porque é algo que me incomoda quando você pega tantas outras vítimas, tantas outras mães, avós, pais que sofrem enquanto nós temos aqui, que fica reforçando o caso dos nossos filhos e relembrando, a outra parte só fala sobre eles, só fala sobre defesa.
Então eu vou dar o exemplo do meu caso. Eles não— ele não fala sobre a filha dele, ele fala sobre a defesa dele. E a Monique, a mesma coisa, não fala sobre o filho dela, fala sobre a defesa dela. Então só aí já mostra quem eles são e que a justiça do nosso país, a gente tem que viver nessa luta e nessa descrença, infelizmente, porque você anos tentando fazer com que a gente— agora eu vou crer, agora vai ser melhor, agora vai ser melhor.
Isso não acontece. Eu, graças a Deus, posso dizer que eu tive uma justiça, mas anos depois eles estão soltos, vivendo assim como eu, como vocês. E isso é relativo, mas assim, os nossos filhos não voltam, mas a gente tá aqui para ser a voz e representar eles.
É isso, é difícil, ouvir a Carol, ouvir a Ana, ouvir eu passar por tudo isso e ainda assim ver que o problema do nosso país é— não adianta a gente estar lutando, Carol, por leis melhores, porque quem tá aplicando as nossas leis faz uma coisa como essa, né? A gente precisa sim se unir, unir pelas vítimas, unir pelos nossos filhos. Falei aqui, o número de crianças vítimas da violência No meu estado, no Rio de Janeiro, batendo recorde, é crianças que estão perdendo a sua vida.
E, Vilela, se a gente não fizer alguma coisa, né, é, e num país como esse, né, que o número de homicídio de crianças ele é altíssimo, a gente vai falar da Isabela hoje, nós estamos falando do Henrique, amanhã no teu programa aqui vai vir uma outra mãe, um outro pai. Então assim, a gente precisa realmente ter um compromisso. Por quê? Porque as nossas crianças estão perdendo as suas vidas. E em contrapartida, o agressor, o homicida, o pedófilo, o abusador, ele tá tendo perdão judicial, ele tá saindo pela porta da frente, ou não tá acontecendo nada, porque é muito difícil denunciar.
No caso do meu filho, eles tentaram muitas coisas para que nem chegasse nesse dia. Tentaram ligar para governador do estado do Rio. O Jairo tentou ali falar com a direção do ML, tentou falar com a direção do hospital para que não fosse para o ML. Ligou para mais de 50 vezes para um delegado chamado Cipriano, que depois foi preso, que para tentar ali que nada acontecesse. Ligou para gente muito influente para que aquele final não acontecesse, que não chegasse nem a ser, nem ML tivesse.
Depois eles lutaram muito para que não fossem presos, depois lutaram muito para não ser pronunciado. Só que quem fica? Nós estamos aqui lutando pela memória dos nossos filhos. Hoje nós lutamos, e a Carol também tá nessa luta aqui em São Paulo, lutando por outras crianças que estão perdendo as suas vidas, porque a estatística mostra que a violência ela tá dentro dos lares brasileiros. A gente colocou luz sobre um assunto Vilela, e teu programa aqui, o Inteligência, tá colocando luz sobre um assunto que era um tabu no nosso país.
Ninguém falava sobre violência contra criança, né, Carol? Era uma coisa que era muito distante. E para mim também era isso. Eu sou engenheiro de profissão, né? Eu nunca imaginei que eu iria conhecer alguém que tivesse o filho violentado, quiçá assassinado, nem na minha rua, nem no meu bairro. Nem no meu município, nem no meu estado, e aconteceu ali na minha família. A violência era algo muito distante para mim, eu acho que a maioria, e é para a maioria dos brasileiros.
Só que o que acontece é, isso tá mais comum do que a gente imagina. 84% da violência ela é praticada dentro dos lares, e é pai, mãe, tio, tio, avô, padrasto, madrasta, é quem tá, quem deveria proteger nossas crianças Não está protegendo. E aí a gente chegar pra esses perversos e dar perdão judicial, ou não criminalizar, ou nem denunciar, porque muitas das vezes o vizinho não quer nem denunciar. Ainda tem uma máxima no nosso país de que briga de marido e mulher ninguém mete a colher.
Mete sim! As nossas mulheres estão perdendo as suas vidas. Então assim, quando a gente protege uma mãe, Carol, Vilela, quando a gente protege uma mãe, a gente está protegendo o filho dela. Porque quando aquela mãe é violentada, é agredida, aquela criança no mínimo sofre violência psicológica. No mínimo, porque ela está vendo a mãe dela sendo violentada. Então quando a gente protege uma mãe, a gente está protegendo também direto e indiretamente os seus filhos.
Só que o que a gente viu é um judiciário que trouxe uma pauta pauta de gênero, uma pauta política que todas as mulheres do nosso país brigaram muito e precisam brigar muito por defendê-la, por ter direitos e deveres. Só que botar a Monique nessa régua é um desrespeito com essa mãe que tá ali nos assistindo, que perdeu a filha dela, com outras milhares de mães, para aquela mãe que foi para o trabalho agora e tá assistindo a gente, vilela, por essas mães que lutam todos os dias por mães que estão lá no presídio agora, que mataram o seu marido, que mataram o agressor do filho delas.
Isso é um desrespeito por essas mães. Então a juíza trouxe a Monique como uma coitada, como uma mãe zelosa, do que ela nunca foi. E isso a sociedade não consegue passar despercebido. Isso que a sociedade tá clamando de justiça. E é isso, por isso que eu tô aqui hoje.
Pois é, Ana, Esse uso do feminismo, dessa proteção às mulheres, ela se justifica de algum modo? Vocês viram, principalmente você, Ana, você viu gente que comprou essa ideia? E não, é isso mesmo, já foi, tem que proteger ela, ou realmente é um absurdo tremendo, como que é o que parece para quem tá de fora?
Graças a Deus, Vilela, no rol das pessoas que eu conheço, eu não ouvi.
Juntou esquerda e direita nesse assunto, não juntou não? Uma coisa difícil.
Eu acho que, que, Vilela, isso não é sobre esquerda, não é sobre direita, não é sobre política, isso é sobre vidas. E as pessoas estão esquecendo que por trás de tudo isso tem uma vida que se foi. É como se a vida dessa criança Não falei de nada.
Exato, parece um reality show que as pessoas apostam nisso ou naquilo, tem curtidas.
Não é sobre feminismo, não é sobre mulher, é sobre uma criança, é sobre uma vida. E as pessoas precisam esquecer esse lado político quando a gente defende uma causa. E eu quero fazer um elogio para você, Vilela, é no seguinte sentido: você abrir o microfone do Inteligência, que tem um grande público, que tem uma grande audiência, e óbvio que essa nem é a pauta, trazer crimes como esse. Você tem muitas vezes um programa mais descontraído, mas você abrir o seu microfone para dar voz para uma causa como essa já mostra muito também sobre o ser humano que você é, sobre que além de audiência, além de programa, entendeu?
Porque eu lembro muito claramente quando estive com você, que nós dois nos emocionamos juntos quando a gente falou da vida de uma criança que se foi. Então falar do caso do Henri é falar da mesma situação. E eu confesso para você, eu graças a Deus não encontrei ninguém que disse eu acho que aquela juíza tá certa, porque óbvio que eu vou respeitar a opinião da pessoa, mas eu não vou concordar de forma alguma. Isso não é sobre direita, esquerda, sobre feminismo, não é sobre isso, é sobre uma vida que se foi.
É, mas eu acho que o que foi falado aqui e o que precisa ressaltar é o seguinte: É um precedente, é um incentivo às pessoas que já batem, que pensam em fazer violência com criança, falar: cara, olha só, temos uma saída aí. Qualquer coisa foi criado, é um absurdo tão grande que, cara, a criança— eu sou pai, e mesmo antes de ser pai, a criança ela não tem—
você é um ser humano.
Não tem proteção nenhuma. Ela acredita em você, ela confia em você. Você viu, ela falou assim: é um abraço mais apertado. Ela não tem a maldade de que tá sendo, que estão batendo nela ou que estão violentando. Ela não sabe. E aqui nesse programa, várias pessoas demoraram anos para lembrar de agressões que aconteceram na infância. Por quê? Porque o nosso cérebro, nossa cabeça é tão fantástica que quando acontece uma coisa absurda dessa, ela tenta apagar, apagar, apagar, porque senão você não consegue sobreviver de tão grave.
Porque lá no começo, várias pessoas já explicaram isso, são coisas que você vai carregar para o resto da vida, e você vai ter que trabalhar em terapia, em medicação, ou seja lá o que for, ou ter uma fé, porque isso pode estragar a vida de uma pessoa.
E a gente tá falando A gente, para você ter ideia, pode falar.
Não me perdoa, tem hoje, eu tenho conversado, né, dentro do meu canal também e com muitas vítimas de pessoas que têm doenças crônicas, crônicas, pessoas que não prosperam na vida, que durante anos esqueceram de abusos, de agressões que viveram e foram ter isso na vida adulta e descobriram que todas aquelas doenças é por conta do que elas viveram. Tem uma fonte, só que a hora que ela vai tratar já é tarde.
Ana, eu não tinha noção até eu começar a conversar, talvez por causa do programa, muitas amigas minhas, ou até não tão amigas, mas colegas, se abriram comigo. Comigo aconteceu. E aí eu vi quanto, quão normal É uma coisa que eu achava que era exceção. Eu tô falando assim, de cada 10 amigas, pelo menos 2 ou 3 têm uma história de assédio, de agressão, ou mais. É muita coisa.
A violência, a violência, ela tá culturada no nosso país, sabe? E não é uma pessoa que confiam, é tio, é parente, é padrasto, é familiar, pai, mãe, avó. A gente que trabalha, né, e lida hoje, né, com essa pauta da violência, né, principalmente em relação com a violência da criança, acaba vendo, e nas minhas palestras, né, eu não tenho pena, eu não tenho, não tem, cara, é para mim é zero em relação à criança, cara. Não, a gente precisa começar a falar, não tem mais, a gente precisa falar realmente com seriedade sobre essas penas no nosso país.
Principalmente com relação à violência contra criança, contra as mulheres, contra os mais vulneráveis, idosos, animais, contra os mais vulneráveis. Idosos também, você vê cada absurdo, né, de espancamento, de maus-tratos.
Eu, Vilela. Exatamente, com aqueles que não conseguem ter voz, que não conseguem ter uma ação, que não conseguem se defender. Porque homens fortes vão se defender, vão partir pra agressão. Mulheres também, que são mais vulneráveis, não vão conseguir. É exatamente com quem é vulnerável, porque com quem um agressor sabe que ele não vai conseguir, ele não vai se meter.
Vilela, eu acho fantástico a mobilização que fazem quando um animal é maltratado, tem que se fazer isso mesmo, mas é incrível a diferença.
Mas a criança e a mulher não move a mesma quantidade de gente.
Eu não entendo isso. O que acontece quando o animal tá em jogo e quando uma criança uma mulher, um velho ou alguém que— Não tem essa sensibilidade, eu não entendo, eu sinceramente não entendo. Não tô falando que é para deixar um menos, mas é para no mínimo colocar o ser humano acima, né, dos animais, no mínimo.
Que a gente tem visto, não sei se a Ana tem esse mesmo sentimento e passa por isso, mas toda— eu ando nas ruas E a gente que anda muito nas ruas, né, vê as pessoas ali, né, vocês têm que lutar por pena de morte, tem que lutar por prisão perpétua. Vilela, acho que pena de morte talvez nunca no nosso país, tá? Eu também acho que não. Prisão perpétua talvez um dia, sabe? Mas vamos falar o que que tá acontecendo hoje. Hoje não é aplicado o que a gente já tem, progressão do regime de pena para redução.
A gente tem passos antes, muito antes de chegar nisso.
É, e eu acho que precisa ser tratado e falado, falar sobre isso, sabe, inteligência. E até pelo nome inteligência, porque as pessoas precisam entender o que tá acontecendo no nosso país hoje. É o homicida, o agressor, o violento, torturador, aquele que estão matando nossas crianças e nossas mulheres, os nossos idosos, nossos direitos do que nós, do que nós. E esses ainda tendo progressão do regime de pena. E olha que pasmem, olhem para mim, olhem olhando para mim agora, no meu caso, no caso do Henrique, perdão judicial, Carol, para homicida de criança.
Hã?
É isso mesmo?
Isso vai passar? É isso?
É isso que a gente está caminhando?
Não, não.
Então assim, a gente está virando...
Por isso que a gente tem pessoas cometendo crimes e falando exatamente: "O crime compensa." Desse jeito aí compensa.
Então ali tínhamos uma mãe que por causa da ganância, que pelos seus "bien prazeres", permitiu que o filho dela fosse agredido, sabia que o Jairo tava agredindo e não tirou o filho dela do cenário de agressão porque senão perderia o financeiro, né? O Jairo foi falado sobre isso, eu falei, outras pessoas falaram, Jairo só foi morar com a Monique por causa do Henri. O perfil daquele psicopata, desse monstro, era de buscar mulheres mais novas, de mulher, buscar mulheres que tivessem recém-separadas e com filhos pequenos ou com dificuldade financeira.
Esse era o perfil. Crianças de 4 a 5 anos, né? É, e a Monique percebeu isso, tinha todo álibi, tinha todas as provas. E ela fala, tá, não sei se eu posso falar esse palavrão aqui, no último dia que iria foder o Jairo se ele não pagasse as contas dela. Caramba, entendeu? Na quarta-feira, antes do meu filho falecer, ela fala que iria foder o Jairo se ele não pagasse as contas dela. E assim ela permitiu que o filho dela continuasse no cenário de agressão para que ela tivesse os seus benefícios financeiros.
Que mãe é essa? Que mãe é essa que sai pela porta da frente? Então o Henrique, o Vilela, era para estar vivo aqui. O Henrique era para estar aqui junto com a gente, a gente conversando sobre isso. "Mas com o Henrique aqui." Mas aquela mãe tirou toda a possibilidade do Henrique se salvar e de eu como pai salvar o meu filho. Então aquela mãe que no mínimo foi omissa, porque até agora falei aqui, não tá provado que, por exemplo, ela não pode ter participado, né?
Assim como o caso da Isabela, né, Carol? A perícia foi fundamental pra gente revelar, né? A perícia foi fundamental pra revelar o crime.
Explicando.
Do meu filho também. A perícia que foi fundamental, a perícia fez o que, faz o quê? Ela fundamenta todo, no caso do Henrique, porque não tem confissão. Não tem, não tem.
Assim como o caso do Bernardo Boldrini também, que as pessoas, o que as pessoas às vezes não entendem, né? A pessoa não precisa confessar um crime para ser presa. Ela pode negar e fala que é inocente.
E ambos negam.
A perícia vai entrar na cena do crime, a perícia vai entrar na cena do crime para fazer sua investigação para verificar e fazer toda aquela reconstituição e a reconstrução do que houve ali. Então, no meu caso, tem provas nítidas e claras, né, de materialidade, de sangue e de várias coisas que, assim, eles podiam falar o que quisessem, né, não podiam tentar sair enquanto eles quisessem da cena do crime.
Pode inventar história que quiser, mas contra materialidade não tem.
E contra o Henrique, contra fatos e materialidade, não argumentos.
Eu sempre, sempre falei sobre isso, né? 3 pessoas entraram vivas naquele apartamento, é, Vilela. É só olhar as imagens do elevador, a imagem da Monique indo para padaria, depois indo para o elevador. Henrique ali, ele comedido, né? Ele abraça a mãe, mas tava vivo, ígido, né? Saudável, vivo naquele momento. 3 adultos entrando naquele elevador vivo, e minutos depois, poucas horas E depois sai dois adultos vivos, uma criança morta.
Olha a imagem do elevador, ele morto já, inerte, com a boca diminuta. É, o que que aconteceu?
Foi o que você falou, pode, ela pode, não tem provas de que ela participou do crime, mas que houve omissão, isso é um fato, tá ali provado.
No mínimo, no mínimo, porque eu até falei sobre isso.
Vou acrescentar o que você vai falar, só completa uma coisa que eu vou perguntar para Ana, porque é uma dúvida minha mesmo. Aqui no Brasil as pessoas podem mentir, pode mudar a versão e não tem nenhuma pena em relação a isso? E completa também o que você ia falar.
É assim, só para complementar, eu deixei a Carol falar, mas é porque ao meu ver a Monique no mínimo foi omissa. Sim. Até hoje não tá provado para mim que ela não participou, por exemplo, entendeu? Que ela não premeditou. Falei no júri, tá, Carol? É que não tá claro para mim que não foi premeditado pelos dois aquele último dia, porque as conversas mostram que, ah, se você trouxer o Henrique mais cedo, eu vou passear com ele, entendeu?
Algo muito estranho naquele último dia daqueles dois. Então não tá claro de que ela não participou. Por exemplo, ela tá na omissão porque o Ministério Público entende que ela tá na omissão. O Jairo tinha um perfil passado de outras crianças, né, de outras mulheres. A Monique, né, foi demonstrado a ganância ali dela de permitir. Mas como ambos não falam, assim como no caso da Isabela, né, também ambos não falaram, para mim os dois participaram, sabe?
Então, já que os dois não falam, eles tinham que pegar a mesma pena, no mínimo a mesma pena.
E aí, Vilela, é complementando o que você falou, na verdade a pessoa tem o direito de mentir, mas isso aí ela tá no direito dela de não confessar e mentir. E aí acontece o que aconteceu no caso do Henri, é uma juíza relativa. Com base em quê? Para mim tem fatos, para mim tem provas, para todos tinham, mas na análise dela, e essas são as brechas que a nossa justiça tem, que juízes dão para as nossas leis, a famosa brecha. Então eu peguei uma brechinha aqui, uma brechinha ali, uma brechinha lá, e por isso que o crime tem compensado, o crime tem aumentado, e a gente vê essa atrocidade.
Porque enquanto cidadão comum, você não precisa ler as 200 mil páginas para saber o que tá errado ali.
E não tem também uma história que o advogado ficou horas montando uma história que ela deveria ser contada? Não tem isso também?
Então, eles tentaram ali criar retóricas, falácias, mas não se atinham ao dia.
Ah, tá. Explica isso daí pra gente.
O que acontece? Era perguntado: "Mas o que aconteceu no dia?" "Ah, não, o Jair é muito legal, o Jair é muito bonzinho." Desviava da pergunta. Desviava da pergunta. E ambos também ali, quando tiveram oportunidade de falar, não falavam. Jairo sempre negando materialidade, né? É que nada aconteceu, que o Henrique pode ter sido machucado comigo, por exemplo. Tentaram jogar essa responsabilidade para mim, falando que aquela laceração hepática— porque o laudo nunca mudou, tá? O Henrique morreu de laceração hepática, hemorragia interna.
O que significa isso?
De pancada? O que, quando eu recebo esse laudo, foi até o policial que me diz, é como se fosse uma queda, ele me dá uma pancada muito forte. O policial que me entrega ainda fala de uma alusão de uma queda do terceiro andar. E aí, desculpa, cara, eu acho que já falamos sobre isso, na minha cabeça naquele momento me vem Isabela, sabe? Porque o que eu achei? Eu achei que tinham jogado o Henrique pela janela, sabe? E eu acho que passou pela cabeça daqueles dois, jogaram o Henrique Henrique, tá, Carol?
Eu acho que passou. Só que quando eles olham, quando eles olham e lembram do que aconteceu, ele fala: não, não, vamos jogar o Henrique e leva para o hospital. Essa tese de levar para o hospital veio do Jairo, e foi por isso que ele foi condenado pelo CRM no CFM, o Conselho Regional de Medicina e o Federal de Medicina. Eles condenaram, e ele, ele não mais pode ser chamado de médico porque os médicos entenderam que usou o poder da medicina para esse final.
Então essa estratégia de levar para o hospital, e eles tentaram também, tá? Tentaram falar que os médicos que mataram meu filho.
Ah, teve essa versão também?
Teve, tentaram jogar que foi ali no processo de ressuscitação, que poxa, terrível. Chega ali um pai, os médicos já estavam parando, e eu ajoelho, falo: "Pelo amor de Deus", eu falo: "Todo o dinheiro do mundo, salvam o Henry, salvam meu filho". E ainda assim eles, os médicos, ficaram mais 50 minutos. É um absurdo, muito agressivo com os médicos. Eu sou grato pelos médicos terem continuado tentando salvar o meu filho, mas do outro lado, essa foi uma estratégia de levar o Henri para o hospital por aqueles dois para tentar culpar os médicos.
Horrível, é muito cruel o que eles fizeram ali, sabe? E assim a gente viu essas retóricas tentando jogar a responsabilidade em mim, tentaram jogar a responsabilidade no hospital, a mãe falando que tava dormindo, a mãe por último agora falando que tava, quando ela viu a tese, né, a tese não, as outras ex-namoradas do Jairo que falaram que o Jairo, né, uma das ex-namoradas falou que o Jairo dopava ela. A Monique trouxe essa possibilidade do doping, mas ela não afirma, ela não crava que estava dopado. E assim, tudo ali muito ensaiado.
Isso que eu ia falar, por isso que eu te falei. Tudo parece que teve uma conversa e essa história tinha que ser repetida e repetida e repetida.
E foi. Eu ouvi dela, desde que eu chego naquele hospital até hoje, umas 7 versões daqueles dois. Primeiro, Jairo lá no hospital fala para mim, para as médicas, que tinha acordado, visto o Henrique que tava caído no chão e resolveu chamar a Monique e ir para o hospital. E aí eu pergunto: mas você não fez nenhum procedimento de ressuscitação? Não fez um primeiro socorro? Ah, não, eu mandei a Monique fazer respiração boca a boca e eu fui direção hospital junto com ela no carro.
E pra mim, na minha cabeça, eu falei assim: como assim? 10 anos com aquela mulher, eu nunca vi ela fazendo um primeiro socorro. Então por que ela não foi dirigindo? Pra mim tinha que ser o contrário. E eu falei assim: nossa, tem alguma coisa errada aí. Quando eu pergunto pras médicas, as médicas falam pra mim: pai, paizinho, volta aqui, é IML, a causa é inconclusiva. Eu falei assim: tem alguma coisa errada. E vendo ali o pós, vendo as movimentações, as movimentações do Jairo, da Monique, eu falei assim, tem uma coisa muito errada nisso tudo.
E na minha cabeça passava uma dúvida, era Jairo, foi Monique, foi Monique e Jairo, quem que matou o Henri, né? E depois aí veio a tese da delegacia, que ela fala na delegacia, né, ficou lá 9 horas na delegacia e fala que foi, que ela acordou e depois acordou o Jairo. E aí mudam, né? Primeiro ela acordou, já muda a versão, uma versão ensaiada que ali o delegado já não podia prender ela, porque ela fala que o Jairo tava dopado, tinha tomado Pax, Rivotril, um monte de remédio, uma bomba.
Já mudou essa versão, já mudou.
Aí beleza, são presos. Quando são presos, ela manda uma carta, e nessa carta também não fala da noite do crime. Depois, um ano depois, filha, um ano depois, presa já, em frente à juíza, a juíza pergunta: mas Monique, o que que você acha que Ela disse: "Doutora, 3 pessoas só podem falar: Deus, Jairo e Henrique. Eu tava dormindo." Caramba! Isso que ela fala. E agora, por último, na última oportunidade, ela fala que acha, acha que o Jairo matou o filho dela e que ele tinha dopado ela nesse dia.
Então assim, isso eu tô falando das versões da Monique. O Jairo negando materialidade, depois tentou falar que eu tinha que o Henrique tinha se acidentado comigo, uma tese que já estava esvaziada, já tinha sido investigado pela polícia e o Henrique estava saudável, ígido, perfeitamente. E por último, a tese do hospital.
Leniel, só vou pedir uma pausa aqui porque a Ana tem horário. Então, Ana, eu queria pedir agora então para considerações finais, o que você acha que tem que falar com o pessoal, e a gente segue aqui porque eu sei que você tem horário. Então, obrigado demais pelo teu tempo. E é contigo aí.
Eu é que agradeço. Prometo que a próxima eu ajeitei aqui os meus horários, que eu tô gravando hoje também, mas prometo que a próxima estarei presente aí, Vilela. Confesso que eu nunca esqueci aquela coxinha que eu comi aí. Então me convida de novo para comer aquela coxinha, tá?
Tô com saudade. É coxinha de Sorocaba, não é de Piracicaba? É de Sorocaba, eu acho. Mas a gente vai, vai, vai, vai trazer.
A gente se ajeita, tá bom? Mas olha, eu quero agradecer mais uma vez a oportunidade de prestar aqui minha solidariedade, minha parceria ao Leniel. Como ele disse, desde o começo a gente fala sobre esse tema, a gente conversa, a gente é como se quando a gente se conecta com alguém que passou pela mesma situação que a gente, parece que as coisas se tornam um pouco mais leves diante de toda a situação que a gente vive hoje. Essa é minha causa, essa é minha bandeira hoje.
Desde a vez que eu estive aí, Vila, a minha vida mudou assim da água para o vinho nessa pauta, nessa defesa. Então que a gente continue aqui nessa luta, que a gente continue nessa luta não só pela minha filha, não só pelo Henri, que hoje não estão aqui, mas que a gente seja a voz de tantas outras pessoas que precisam da gente, porque a gente não concorda, a gente não aceita esse tipo de justiça relativa, a gente não aceita que essas atrocidades judiciais continuem acontecendo.
Porque a gente não pode falar sobre o crime, a gente não pode falar sobre o criminoso, mas a gente pode aqui lutar por essas atrocidades, que eu acho que é o mais difícil que a gente vem enfrentando. Porque muitas pessoas falam: eu quero justiça, eu quero lei, lei, lei, lei. As leis, elas existem aos montes. O que a gente tem de problema na nossa sociedade são as pequenas brechas dessas leis que faz com que assassinos, que faz com que abusadores, agressores leses saiam pela porta da frente e ainda rindo da nossa cara que tá aqui pela causa.
Eu não tenho resposta para isso, não sei se vocês têm, mas essa glamorização dos crimes, do criminoso, do criminoso, de colocar atores na próxima série aí, na próxima série aí de todos os atores vai estar Monique Medeiros.
Ela já tá negociando com a Netflix, é a informação que o quê?
Então isso é uma coisa que também tem que se conversar, né? Eu não tenho resposta para isso, mas é algo que glamouriza, que tem uma, uma, uma, uma, as pessoas falam: pô, quem sabe eu não vou estar na próxima série se eu fizer isso, eu tenho uma vista.
Mas Vilela, eu te faço uma pergunta e vê se você consegue me responder. A culpa é dela?
De quem você tá falando?
A culpa é dela de participar, de receber dinheiro, de receber dinheiro Pra mim, a culpa é de uma produtora que dá palco pra uma pessoa dessa e das pessoas que esses casos de grande repercussão, principalmente as pessoas têm curiosidade. Então essas séries, elas se tornam recorde de visualização, elas se tornam recorde de audiência, recorde de recursos.
Só tem dinheiro porque tem muita gente que quer ver.
Mas o problema é como se retrata.
Concordo.
Porque se você faz um trabalho sério e retrata como que se deve ser o crime. Agora, teve muita, muita série, muito documentário que você fica torcendo pro ladrão e fica falando: será que ela não fez certo de fatiar o marido? Será que ela não fez certo de matar não sei quem?
Primeiro, a gente tinha, vou lhe citar.
Aí eu te falo, Monique que sofreu perdão judicial.
É.
Ela vai sair como a mocinha da série.
É isso, exato. E vai glamour. E ela já vinha falando sobre isso, que iria sair por aí escrevendo livro.
Ela já gosta do recurso, ela já gosta do glamour. Ela só vai estar no lugar certo para ela, que ela acha que pertence a ela.
Por isso que eu falo que o judiciário, né, Carol, é, tá favorecendo criminoso. Então a Monique, ela sempre foi focada, ouvi-la, de, ela tinha um foco, mas eu não vou desistir. Não, por favor, precisamos de você aqui em São Paulo, para o Brasil aí nessa luta, porque senão outras crianças vão continuar perdendo as suas vidas. E vou citar na sua pergunta, Vilela, vou citar Friedrich Nietzsche aqui, filósofo alemão, porque tome cuidado quando você olha para o abismo, porque o abismo te olha de volta.
Exatamente, toma cuidado com quem você segue. A gente tá vendo vários os influenciadores ligados a facções. A gente tá vendo que esse dinheiro que as pessoas ostentam não são deles. Não é legal, não é legal, cara. Toma cuidado com que você consome.
Mas eles só estão nesse lugar porque eles têm recorde de seguidores, de pessoas glamourizando. Tem filme nesse lugar, tem pessoas que assistem ele.
Se você botar para sentar aqui, beira-mar, Fernandinho, beira-mar, ele vai te convencer. É, não é isso?
Claro, vai contar uma história bonita, né?
A história bonita, você vai convencer que ele é o Robin Hood da história.
E você vai ter mais recorde de audiência com ele do que conosco.
Isso é verdade.
É uma pergunta para aproveitar a Ana então, antes dela ir. Pode ser para os dois, mas pera só um minutinho, minha convidada chegou? Ah, chegou já?
Ah, ela não, não chegou. Então, não, não, enquanto ela não chegar, eu Eu posso ficar aqui com vocês.
Manda aí.
Tem uma pergunta aqui do Johnny Camargo que serve para os dois, né? E ele pergunta o seguinte: como se preparar, ou melhor, se precaver para esses casos de violência que geralmente é mascarada e sufoca quem não consegue gritar por socorro?
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I offered her a piece, but she said no.
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Pois é, a violência no ambiente doméstico familiar, eu tô falando isso hoje porque primeiro que eu sou engenheiro de profissão, não era ligado, para mim a violência era algo muito distante, eu nunca imaginei que eu ia conhecer alguém que fosse violentado, só que indo trabalhar com essa pauta, as pessoas que nos procuram todo dia mostram que A criança dá sinais, né? O que a gente precisa como adulto, ou pessoas que trabalham com a criança, adolescente, precisam saber interpretar esses sinais.
E uma vez que identifica, é sinal amarelo, senão vermelho, é a gente tirar essa criança do cenário de agressão. É, o Henri não teve essa possibilidade, a Isabela também não teve, né, o mecanismo. Mas hoje, Carol, hoje a gente tem, por exemplo, a Lei Henri Borel, que leva o nome do Henri no nosso país, que é um grande mecanismo de proteção.
A lei inclusive já salvou muitas vidas, muitas.
Só no Rio de Janeiro, lá no meu estado, mais de 6 mil medidas protetivas. Esse é o número que eu tenho desde que ela começou a ser aplicada.
Então, São Paulo, só para fazer uma referência aqui, a Lei Henri Borel é como se fosse a Maria da Penha das crianças.
Sim, tá. E só que a gente precisa, eu acho que faz parte, acho que é importante usar o seu espaço falar desses mecanismos de proteção para quem quer salvar essas crianças. Então se você sabe, se você é um vizinho, se é um parente, você é um professor, se você é alguém que esteja ali com a criança e sabe que ela tá no cenário de agressão, é denuncie. Temos o Disque 100, temos hoje o Disque também como canal de denúncia. Temos hoje, é só ir na internet, botar R.O. online, não precisa mais ir numa delegacia de polícia, pode na internet mesmo fazer o registro de ocorrência.
Procure o conselho tutelar mais próximo da sua região, procure saber quem é o conselho tutelar, procure o Ministério Público também se for necessário, mas denunciar é preciso. Se vocês sabem que uma criança tá no cenário de agressão, Denuncie. Eu acho que o papel de todos nós, papel de nós como cidadãos, é denunciar para que a gente consiga tirar essas crianças do cenário de agressão. Mas também falo, é muito difícil denunciar.
Do outro lado tem um agressor, do outro lado tem um pai lá que é agressor, que tem o poder econômico, por exemplo, né, que tá sustentando a família. Então por isso que é muito importante o vizinho, por isso é muito importante um parente, Por isso que o papel do professor é muito importante quando identificar, o papel também do médico quando aquela criança chegar no hospital, do assistente social, de todos, é proteger a criança.
É uma rede de proteção.
É um dever de todos, né, Carol? O que a gente está falando aqui, e não estamos inovando, tá, Vilela? Já tá no 227 da Constituição desde 88. O ECA, o Estatuto da Criança e do Adolescente, fala 35 anos. Proteger a criança é um dever de todos, mas realmente nós estamos aplicando o ECA? Realmente nós estamos fazendo essas leis serem aplicadas, né? Eu já saí para discutir com juíza, é, que a criança iria morrer se voltasse para casa, mas a juíza falou assim: ah, mas eu apanhei, mas eu tô aqui.
Então se a gente não dar voz para nossas crianças e realmente falar que o que ela está falando é verdade, a gente vai perder mais mais Henri, mais Isabela, mais Bernardo Boldrini, mais crianças serão mortas. Então, ao meu ver, tá, Carol, Ana, Vilela, e a todos que estão nos assistindo, a gente precisa denunciar, tirar essas crianças imediatamente do cenário de agressão. E hoje nós temos mecanismo para conseguir tirá-las imediatamente.
Fala, homem, tem uma pergunta aqui do Oswaldo Augusto. Ele perguntou: e daqui para frente, sobre sua situação da juíza, o que pode ser feito para reverter a situação?
Eu, bom, é, eu quis, nós vou falar que nós estamos fazendo, tá? Ministério Público já recorreu, é, já apresentou as contrarrazões, é, nós como assistente de acusação, eu sou assistente, né, do Ministério Público, é, a gente também já apresentou hoje, né, o Ministério Público, sexta-feira, é, agora nós estamos fundamentando para apresentar toda a fundamentação do que nós estamos pedindo, essa anulação do júri. E também estamos pedindo para que o que os jurados decidiram seja, é, que seja validado, né?
Como eu falei aqui, os jurados decidiram tanto para o Jairo quanto para Monique condenar no homicídio doloso. Só que a juíza, quando percebeu, ela voltou e quesitou novamente e direcionou para homicídio culposo. Por quê? Porque no homicídio doloso ela não poderia dar o perdão judicial. Importante falar, a juíza naquela, se ela fosse condenar, né, se a condenação fosse pelo homicídio doloso, que era como foi pronunciado, ela não poderia ter dado perdão judicial.
Então ela foi, que hesitou de novo, e nessa hesitação, e ali direcionando, e ela pergunta para o jurado: vocês Você entende que a Monique é culpada? E os meus jurados falaram assim: ela é culpada. Então ela foi direcionando para aquela resposta final. E aí, nesse sentido, é por isso que nós estamos pedindo anulação, a volta da questão, ou que o quesito seja fundamentado. E também já falo de antemão que eu já pedi para o meu advogado, nós vamos também ao CNJ, ao Conselho Nacional de Justiça, pedir a suspeição dessa juíza.
Ela já tem vídeos desde 2021 com ela falando sobre essa mesma decisão. Então essa juíza, ela trocou de lado com a Monique, ela já direcionou os jurados para mandar, para botar a mesma decisão que ela tinha na cabeça. Então ali não foi um júri popular.
Tem uma pergunta aqui do Ezequias Soares que ele vale, né, para os dois, né, tanto para Ana quanto para responder essa aí. Mas ele perguntou o seguinte: o tempo curou a dor da perda da Isabela e também do Henrique?
O tempo, ele ameniza a dor. A gente consegue viver com ela, a gente consegue transformar ela, mas a gente não apaga o que a gente viveu. Então a gente encontra ferramentas, a gente vai se tratar na terapia, a gente tem muito Deus no coração para que a gente possa dar continuidade à nossa vida, mas isso não apaga. E óbvio que eu não posso dizer que eu sou a mesma mulher de 18 anos atrás. Hoje eu uso muito essa frase que não é sobre o que me aconteceu, é sobre o que eu fiz e como eu transformei o que me aconteceu.
E hoje eu posso afirmar também que o luto que eu tive lá atrás se transformou num propósito, se transformou em algo muito maior que eu, que é essa mensagem que a minha filha deixa através da vida dela, de poder honrar e ajudar tantas outras famílias e tantas outras crianças. Se protegerem.
Acho que se eu puder resumir, tá, Ana, pegando só um ganchinho, eu acho que como pai a dor não passa, a gente aprende a conviver com ela, né? A dor a gente sabe que tá lá, né? Só que a gente acaba convivendo com essa dor todo dia, mas ela não passa. Todo dia eu lembro do Henrique. Eu acho que a Carol sempre Ele tá lembrando ali da Isabela, mas a gente precisa seguir em frente, né? Hoje eu sou pai novamente, a Carol também, pai dos filhos lindos que ela tem.
Hoje eu sou mãe, mãe, desculpa, perdão, mãe desses filhos lindos. Eu sou pai de uma princesinha, né, da Valentina. Mas cada filho que a gente tem, né, cada filho tem seu amor. Amor, né? Um filho não substitui o outro.
Então o amor é porque continuar não é esquecer.
O amor pelos nossos filhos, ele é único, mas a gente precisa seguir em frente por eles, para eles e por eles.
Exatamente.
Tem uma pergunta aqui do Ricardo Cazu, que ele mandou o seguinte: a lei Henri Borel foi uma conquista importante, mas muita gente pergunta na prática, o que ainda falta para mudar para que outras crianças não passem pelo mesmo que tanto o Henrique quanto a Isabelle passaram?
E as pessoas tenham discernimento e não achem que um tapa não dói, porque um tapa dói, porque agressividade ela já leva para outros lugares. Então, a partir do momento que você começa com um tapa, você começa a ceder, você começa a achar que a criança, ao invés de ter amor compreensão, entender que a criança se frustra, que a criança ela não quer alguma coisa, porque a criança é um ser de direito. E eu acho que os adultos estão tirando esses direitos das crianças de terem sua voz, de quererem alguma coisa, de terem vontade, e não somente de obedecer.
Então, a partir do momento em que você acha que porque a criança subiu no sofá, porque a criança fez alguma coisa, ela tem que ser punida ou penalizada com uma agressão, e uma agressão extrema, Porque alguém um dia passou por isso e a pessoa, como disse o Leniel, ah, eu passei por isso, mas eu sobrevivi. Não, você realmente não viveu, você sobreviveu com aquilo que te aconteceu, não transformou, e por isso que você tem essa opinião.
Por isso que a gente vê tanta agressão hoje, porque eu tenho certeza e eu posso afirmar para todo mundo que tá assistindo a gente, todo agressor de hoje foi um dia agredido lá atrás.
Verdade.
Tem uma pergunta aqui da Mena Stiff e ela mandou o seguinte: o fato do Jairinho ser médico contribuiu para disfarçar as agressões que o Henrique sofreu?
Sim, inclusive o, não chamo mais de Jairinho, né, o Jairo Júnior, usou o poder da medicina para aquele final, né. É como médico, médico sabe bater, sabe sabe quais são os órgãos vitais, como é, aonde que pode matar, aonde não pode matar, aonde que pode bater e tudo mais. Então, é, e muito pior, foi tão cruel, tão cruento, porque o Henri, o Henri teve uma morte agonizante, né. O Henri não morreu zero e um, né, não foi lá, bateu e matou.
O Henri ficou sangrando por horas. O Henry, eles tiraram a possibilidade do Henry se salvar. O Henry morreu de laceração hepática, hemorragia interna causada por ação contundente. O que que é isso? O Henry sofreu uma agressão tão grande que teve uma laceração no fígado de grau 2, no fígado de uma criança de 8 centímetros. É metade dele foi comprometido, quer dizer que quase seu pênis foi rompido e ficou sangrando por horas na presença da mãe, gritando, pedindo ajuda, e ainda assim eles ficaram por horas ali sem levá-lo para o hospital, sem socorrê-lo.
Então foi tão— o Henrique teve uma morte agonizante, cruel, cruenta, e o Jairo usou esse poder da medicina para permitir isso, para gerar isso. Poderia sim ter levado para o hospital imediatamente, poderia ter feito procedimentos se eles assumissem que agrediram, né? Porque o Jairo até hoje ele nega a materialidade, ele fala que não fez nada. A Monique fala que estava dormindo, que acha que o Jairo agrediu, mas na dinâmica dos fatos, e aí por isso que a gente trouxe a perícia, né?
A perícia foi fundamental. O Henrique faleceu entre 11:30 e meia-noite e meia, ficou ali Foi brutalmente agredido, foi assassinado e ficou ali por horas ali sangrando por dentro com hemorragia interna e pedindo ajuda. E ali os dois não ajudaram. Aquela criança morreu uma morte agônica, cruel. Se dói no adulto, imagina uma criança por dentro com a hemorragia interna, fora as lesões na cabeça, 3 direções, hemorragia na cabeça em direções diferentes, no braço, pisão nas costas.
O Henrique foi brutalmente assassinado. É difícil para mim como pai falar sobre isso, mas como falo, né, e tô aqui muito vivo porque tive que falar recentemente lá no júri. Aqueles dois monstros assassinaram o Henrique, mataram o Henrique e tiraram a possibilidade dele se salvar e ainda assim deixaram o Henri falecer, morrer numa morte agonizante. Então, respondendo a pergunta, o Jairo usou o poder da medicina para esse final tão trágico.
Tem a pergunta aqui da Fernanda Alves e ela perguntou se em algum momento, observando hoje, você já tinha observado sinais de narcisismo apresentado ado pela Monique.
Sim, é só que para mim o narcisismo era uma coisa de primeira pessoa, né, de Narciso, de ali, é, tá valorizada. E assim, eu sempre respeitei, eu acho que a mulher precisa ser valorizada, ela precisa do dia da princesa. Eu acho que só que quem olha as fotos quem olha no dia a dia, e eu que vivi, era sempre ela em primeiro lugar. Mas que uma mãe narcisista possa matar, isso eu não sabia. Isso eu só fui saber depois. Eu era engenheiro, mas minha cabeça é exata, zero em um.
Eu não acreditava que uma mãe possa matar. Eu não acreditava. Para mim, exemplo de mãe é minha mãe. Então, é essa coisa dela está sempre em primeiro lugar, e com o Henrique, quando o Henrique nasceu, o Henrique ficava em segundo lugar e eu sempre em último lugar, é, eu não imaginava que isso poderia levar a um cenário tão trágico. Só que tem, por exemplo, ontem teve um Fantástico, né, falando sobre Monique. É, anos atrás teve um Fantástico inteiro só sobre mãe narcisista.
Hoje, com toda a informação que eu tenho, mostra que as mães narcisistas, mulheres ou homens narcisista, porque o narcisismo ali, se botar em primeira pessoa, pode levar a esse cenário tão trágico. E é importante falar e apresentar: 12% da população, ela é psicopata, Vilela.
O quê?
12% da população, ela tem alguma psicopatia, ou narcisismo, ou a manipulação, ou uma psicopatia como um sadismo do Jairo. É, o problema é que muito psicopata, às vezes não quer dizer que o psicopata ele vai matar, né? Por isso que o Jairo e Monique são conscientes, fizeram aquilo de forma consciente. O psicopata ele não é muitas das vezes inimputável, não. Age de forma inconsciente, ele tem prazer naquilo. Então o narcisismo da Monique, que foi muito demonstrado ali, por mim eu nunca imaginei que ela poderia chegar esse final tão trágico.
Mas é importante usar esse espaço para demonstrar: tomem muito cuidado quando se depararem com narcisista, se morarem com um deles. Eu falo isso com propriedade porque o narcisista, ele te diminui, ele te coloca para baixo, ele te corrói. E quando você tem contato ou vai morar com narcisista, pode ser que esteja um final tão trágico.
Ana, obrigado demais pelo teu tempo.
E obrigada a você, meu amigo.
Eu vou cobrar a tua presença física aqui, presencial, para a gente bater um papo aqui, viu?
Tem muito assunto legal. Com o maior prazer. Obrigada mais uma vez pela oportunidade. Tchau, tchau. Obrigada, Leniel. Fica com Deus.
Sucesso. Vai com Deus. Obrigado. Tchau, tchau. Ô, Homer, mais uma pergunta, porque eu quero, depois que a gente falou muito do da parte trágica, mas eu quero saber, saber mais sobre essa criança, né? Quem foi, né? Porque isso é pouco falado. Vamos deixar isso para o final, vou mandar algumas perguntas, mas a gente falar desse lado, né?
Olha, o Patrick Fernando, ele fez uma pergunta e ele perguntou o seguinte: em algum momento houve alguma denúncia dos vizinhos dos barulhos estranhos vindo do apartamento seu pensamento de Monique e do Jairinho?
Não, é isso para mim é muito estranho, além de triste, né? Mas hoje, vendo, né, com tudo que a gente tem na mão, a gente tinha no nosso país, tem no nosso país aquela máxima de que briga de marido e mulher ninguém mete a colher, né? O próprio Jairo tinha um histórico, né, na onde ele morava, no outro condomínio na Barra da Tijuca, acho que é Le Parc, de ter agredido a ex-mulher, de ter agredido filhos. Já tinha um histórico ali de agressão, inclusive a ex-mulher registrando ocorrência contra ele, né.
Ali no Majestic, quando foi, os vizinhos foram questionados, é, também não apresentaram, não quiseram muito se comprometer de histórico de ouvir, né. É de ouvir sinais sobre isso, mas muito para mim ligado dessa questão de ninguém querer se meter com briga de casais, com briga de violência dentro dos outros lares, porque ah não, não é comigo, não aconteceu comigo, e isso não só dos vizinhos, tá? Para mim é muito característico também, por exemplo, o meu filho estudava num colégio católico, né, um colégio caro no Rio de Janeiro, E que no último dia, né, que no dia do enterro do Henria, mandaram uma coroa de flores e foram até professores, foram até diretora da escola.
E ali na hora da missa ali do padre rezando pelo Henria, eu chamo uma professora e falo o seguinte: professora, eu quero falar com você porque eu queria perguntar se tinha recebido sinais para falar. E ela falou assim: Falei assim, tá bom. Nossa, quando eu olhei para o lado, né, depois da missa ali, um pouco, os minutos depois, quando eu olho para o lado, foi todo mundo embora. Meu filho falece na segunda-feira, terça-feira esse mesmo colégio bota uma nota, né, no Instagram sobre violência doméstica.
Então essa questão da violência dentro dos lares, dentro das famílias, era uma coisa que as pessoas não queriam muito se meter. E aí a Entra, fala sobre o Henri, mostra essa pauta, mostra que as crianças estão perdendo sua vida. Criamos a Lei Henri Borel e por isso que hoje a gente fala, né, que as pessoas precisam denunciar, porque a denúncia é muito importante para salvar vidas. Mas no caso do meu filho, infelizmente, a gente não teve essa denúncia.
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Tem uma pergunta aqui da Monique Azevedo: o Henrique apresentava algum sinal que tinha algo errado ou que você não conseguiu perceber por falta de informação?
Não, é, o Henrique falou, né? A primeira vez que ele falou foi no dia 17 de janeiro, poucos dias antes de falecer, um mês e pouco antes de falecer. Que é a primeira vez que eu vou buscá-lo ali no Majestic, né, que é a primeira vez que eu sei que a Monique tá indo morar, foi morar com o Jair ali. Eu era um dia como outro, era um final de semana como qualquer outro, que eu pergunto se era para ir buscar ele na casa da avó, né, da casa dela em Bangu, e ela fala, me dá um endereço lá do, da Barra da Tijuca.
E aí lá eu chego lá, ela me entrega o Henrique, e a primeira vez que o E fala, só que ali naquele primeiro momento, a alusão do Henrique à agressão era o abraço forte, né? E naquele momento eu falo assim, no carro, né, de aplicativo, isso tem o de que não querer ir mais lá.
Olha, não tô querendo ir também.
Eu ligo para mãe, né? Fala, ô Monique, porque eu pergunto, mas você falou para mamãe, filho? E ele fala assim, a mamãe falou que é sonho. E ali eu ligo para mãe, eu Ela falou assim: "Ô Monique, você... Quem é esse tio? Primeiro, quem era o tio?" E o Henrique falou que esse tio estava dando abraço forte. E ela fala: "Não, Leniel, isso é sonho, isso não está acontecendo. Isso aí é porque o Henrique só quer ficar com a minha mãe, eu quero ficar com você." Isso naquele primeiro momento.
Eu falo assim: "Ó, quando eu for entregar o Henrique, eu quero falar com esse tio." E ali Eu falo, ela me entrega, quando eu vou entregar o Henrique ela desce sozinha. Eu falo: "Ó, eu quero falar com Jairo, quero falar com esse tio aí", né, não sabia nem que era Jairo. E ele desce, eu falo assim: "Ó, meu filho tá falando que você tá dando abraço forte." "Ah, Leniel, mas ele pede abraço." Eu falei assim: "Ó, forte ou fraco, eu não quero que dê abraço nenhum." Segunda coisa que ela fala, né, naquele dia, que ele fala, é que a Monique tava deixando ele sozinho com Jairo.
Eu falei assim: ô Monique, não quero que deixa o Henrique sozinho. A babá, essa babá, Tainá, foi contratada para isso, para ficar com ele. Isso ali é o primeiro sinal, né, que o Henrique dá e fala. Depois começa a ter essas reações de não querer ir para casa da mãe, ou ficar comigo, ou ficar com a avó. E aí eu contrato a psicóloga, vamos atrás da psicóloga, ela recusa aquela psicóloga que eu contratei, que era especialista em trauma nisso.
E ela contrata uma psicóloga daquela região dela ali de Bangu, lá do, da área do Jairo, Coronel Jairo. E mais um movimento que foi criado que não permitiu que meu filho se salvasse e que eu soubesse ali o que tava acontecendo. Ela vai inclusive, o Henrique ia primeiro para psicóloga, depois ela ia, né, tentando ali manipular. Depois o Henrique, na quarta-feira, antes de vir a falecer, Aí a segunda vez que ele fala comigo de que o tio machucou, eu ligo para o Henri, acho que eu falei aqui, o meu filho tinha um celularzinho e era umas 11:30 da manhã, era meu horário de almoço, e quando eu ligo de vídeo, o Henri tava choroso, tristinho, e eu falo: filho, o que que tá acontecendo?
Ah não, papai, eu não quero mais para casa da mamãe. E eu sou mais decisivo. Mas que que tá acontecendo? O tio machucou e tava do lado a avó e tava do lado a babá. E eu falo: deixa eu falar com a vovó. E aí a avó: não, Leniel, esquece isso, isso não tá acontecendo. Inclusive, Leniel, o Henrique falou para psicóloga. Eu falei assim: cadê a Monique? Eu quero falar com a Monique sobre isso. Não, ela tá na psicóloga. E aí era uma quarta-feira, quinta-feira era o dia da psicóloga, eles adiantaram a psicóloga para aquele dia.
Tô falando ali, na minha linha de tempo já era o 6º cenário aí de agressão, né, que é hoje que a gente tem na mão. Então ela e a Monique me liga, né, meia hora depois, não deu meia hora, ela me liga falando: Leniel, eu queria te dar um feedback da psicóloga. Eu falei assim: tá, Monique, eu quero saber o que que tá acontecendo. E ela falou assim: ah, o Henrique falou que tá com muita saudade do papai. E eu falo assim: pois é, eu também tô com saudade do meu "Você já falou para ele que eu vou buscá-lo no final de semana?" "Ah, a segunda coisa que ele falou, Leniel, também é que o tio machucou." Eu falei: "Pois é, ele acabou de falar para mim ali no telefone." Aí eu nem entrei na casa da minha mãe, ela falando, né?
Nem entrei na casa da minha mãe, mentindo. Ela sabe que o Henrique falou para mim e começou a falar: "Leniel, esquece isso, isso não está acontecendo. Inclusive foi contratada a psicóloga para isso." Leniel, aí eu falo: "Se acontecer, Leniel, eu mato Jairo. Eu botei câmera, não tá isso acontecendo." Então ela sempre ali tentando descredibilizar, me acalmar. Então assim, esta mulher, ela é perversa. Ela, de várias formas, ela não permitiu, ela não tirou o filho dela do cenário de agressão e ainda mentia descredibilizando a criança.
Então assim, esse pra mim, eu nesses dois momentos que o Henri falou, eu fui na mãe Eu não fui numa cachorra, eu não fui numa parideira, eu fui na mãe, velho. Fui na mãe questionando o que que tá acontecendo. E a mãe falando: não, é nada disso tá acontecendo. E hoje, com as informações que eu tenho na mão, só tinha um jeito de ter tirado, de salvar o meu filho, ter tirado o Henrique desse país. Porque daquele cenário que ela tava fazendo, mentindo, né, usando o Henrique para o poder ali de se beneficiar com Jairo, político, vereador muito influente no Rio de Janeiro, eles não iriam deixar eu ficar com a guarda do Henrique nunca, né?
Ela não permitiu que eu tivesse a guarda do Henrique sozinho. Então, neste sentido, foi muito perverso o que foi feito ali, e ela usou do meu filho para conseguir o seu benefício. E ela permitiu esse pior, tá certo.
Ô, ô, ô, Roma, que que é esse negócio do acidente de carro que o pessoal fica perguntando aqui no chat?
Sabe o que é?
Andréia é uma das pessoas que mandaram aqui sobre acidente. Ela perguntou: é verdade que teve o acidente de carro e que deixou o pai inquieto?
Mentira!
Que que é essa versão?
Foi o Jairo, né, a defesa do Jairo trouxe durante as audiências uma possibilidade de o Henrique ter se machucado comigo, que era uma coisa que já tinha sido alegado lá no começo por eles.
Tinha sido aventado já.
Que a polícia já tinha investigado que não. Inclusive, nós achamos o Uber depois, anos depois, eu achei o Uber que foi comigo nesse acidente que ela tá falando, que eles falaram, e esse Uber me fala desesperadamente que a Flávia Frois, que era advogada do Jair, que ela foi atrás do Uber tentando fazer com que o Uber falasse que houve o acidente, né? E o Uber falou assim: não, não vou fazer isso contra esse pai não, que tá lutando.
Isso foi mentira, nada disso aconteceu. Era mais uma falácia, mais uma tese que foi trazida por ele lá para tentar descredibilizar, tentar falar de que o Henrique se machucou comigo e é por isso que ele tinha morrido. É, essa foi uma tese que eles trouxeram ali no final. Inclusive trouxeram um perito que foi depois condenado durante o júri por trazer uma tese falsa de que o Henrique poderia ter sido falecido 48 horas anteriormente.
Tá certo. Fala, Homer, vamos para a última.
Tem a pergunta da Patrícia Martins. Ela perguntou se em algum momento você chegou a procurar as autoridades, fazer algum boletim de ocorrência ou perícia nas agressões que o Henrique tinha apresentado.
O que que acontece, Rômer, é a Vilela e a Patrícia, né? É, Patrícia, foi tudo muito rápido, né? Entre que as pessoas esquecem ou não sabe de que a Monique pede a separação. A gente tava ali, era pandemia no nosso país em 2020, foi mais ou menos dia 14 de outubro que ela pediu a separação. Em 2020 e meu filho falece 6 meses apenas. De que ela vai morar naquele apartamento de horror e meu filho falece 1 mês e 20 dias. Então assim, o Henry deu, quando ele deu o primeiro sinal, eu fui na mãe.
Depois a mãe falando que aquilo não tava acontecendo, nós contratamos psicólogo e eu não tinha materialidade ali, a prova para conseguir provar. O Henry muito branquinho, Se eu chegasse numa delegacia de polícia naquela época, não tinha lei Henri Borel, por isso que eu lutei muito para a lei Henri Borel. Se eu chegasse numa delegacia naquela época e falasse: ah, o meu filho falou que o tio machucou, sabe o que que iria acontecer?
Nada. E iria acontecer muito pior, porque o agressor que tava lá dentro de casa iria ouvir que o Henri denunciou e eu fui lá e procurei as autoridades e teria matado de uma uma forma muito pior. Foi assim com Maria da Penha, e foi por isso que nós trouxemos os moldes de Maria da Penha para a Lei Henri Borel, porque a Medida Protetiva de Emergência é: tira-se a criança imediatamente. Na época não tinha isso, tinha que provar, tinha que investigar.
Então eu tomei todas as medidas cabíveis com as informações que eu tinha na mão, com as evidências que eu tinha na mão, na mão. Eu procurei a mãe, eu fui na avó, eu fui na babá que foi contratada, eu procurei, contratei psicóloga para isso, né? Eu fui com o Henrique. O Henrique, quando falou, eu pedi para avó para dormir na casa da Monique, do Jair, e ela ficou por semanas dormindo lá. O avô do Henrique, né, o pai da Monique, mesmo debilitado, ficou semanas indo lá e dormindo lá.
E todos mesmos esses que sabiam, né, que tinham informações que o Henrique tava sendo agredido, falava que tudo era mentira. Então assim, eu não tinha materialidade para conseguir tirar o Henrique do cenário de agressão. Mas hoje, com ser técnico de jogo jogado, é mole, né, filha? Com todas as informações que a gente tem na mão, hoje eu teria sumido com Henrique desse país. Porque se eu chegasse na delegacia com Jairo com o poder que ele tinha, né, com a mãe do outro lado falando que nada daquilo acontecesse, eles teriam me tirado a guarda do Henrique, eu teria adentrado numa falsa acusação, na denunciação caluniosa, numa mentira, né, lá, e eu teria ficado meses sem conseguir ver meu filho.
E naquele cenário, Henrique teria muito mais sendo agredido por aqueles dois monstros.
Obrigado demais pelo papo. Então, como eu disse, eu acho que agora para finalizar, eu queria que você desse a história, né? A história, quem foi essa criança para você, para quem não conhece, para mim que não conheço. Fale, porque eu sei que quando um pai fala do filho, ele conta a história pela visão do pai. Como que era o Henrique para você?
Quem era essa criança? Meu anjo, só amor, meu menininho, meu primogênito, meu amigo. Eu olhava pra frente e olhava o Henrique já um novo médico, um engenheiro, eu até brincava com os amigos que ele teria todo o poder de escolha, tava sendo criado pra ser o novo desenvolvedor do vacinha, né? Nasceu no momento muito difícil do nosso país, né, que era a pandemia do, da chikungunya. Pois é, milhares, milhões de crianças nascendo com microcefalia.
Não sei se você lembra, eu mesmo, pai, né, botei tela de mosquito espalhada por casa, né, no véu na cama, é, corri atrás daquele Expose Não sei se você lembra aquele repelente que acabou das prateleiras, é Icardina, acho que era o que tinha lá, a substância. E nessa gestação, tentando lutar ali para que meu filho, né, e muitas crianças nasciam naquele momento, né, com microcefalia. E graças a Deus nasceu saudável, nasceu com 3,5 kg, é curtinho, né, pequeno.
Foi, começou a ganhar peso ali rápido, né, entrando com fórmula. Eu já olhava meu filho, nasceu vermelhinho, loirinho, olho azul. Henrique tinha olho azul, uma criança linda. E que eu não tirava o olho ali na maternidade. Depois, né, experimentei o desemprego, né, e para mim foi muito difícil, né, não ter plano de saúde para o meu filho, correr atrás. Eu venho, eu venho do, trabalhando no petróleo e experimentei a crise do petróleo e fiquei desempregado nessa época e corri muito atrás.
Então eu sempre fui pai ali, né, não deixando faltar nada e e fazendo com que meu filho tivesse o que eu não tive, né? E temia muito não ficar perto do meu filho. Eu sei o que que é ser filho de pais separados. Meu pai separou da minha mãe mais ou menos naquela idade, eu tinha 4 anos, né? E meu filho também tinha 4 anos. Então eu temia ficar longe do Henrique. E o Henrique era só amor, só carinho. Sempre pedia por favor, era um gentleman, era uma criança dócil, né, não ficava, sempre educado, amigo, gostava muito de joguinho, de brincar, de se relacionar, brincar de ir para o parquinho, e sempre ele gostava de estar perto do Rio, dali, né, tá perto de alguém, perto de mim.
Amava usar voz, né. E essa criança linda, né, cheia de futuro, foi tirada de uma forma muito brutal. O Henrique tava sendo criado ali para que a gente, né, tivesse tivesse tudo que quisesse, eu lutando ali para que não faltasse nada para o meu filho, do dia para noite eu recebo a pior notícia de um ser humano, que é perder um filho. Não tem maior dor no mundo do que é perder um filho. É o Henri, tirar a possibilidade dele de se multiplicar, de crescer, de fazer a diferença na sociedade.
E tiraram também minha oportunidade de ver o meu filho crescer, da minha família, dos meus pais. O Henrique tinha sonhos, que tinha vontade de ir para Disney, que tinha vontade de conhecer novos lugares. Que eu lembro, né, ali tava se aproximando do aniversáriozinho dele, me pediu para que eu chamasse o Lucas Neto, que eu que eu pudesse fazer o aniversário dele, do Lucas Neto, que ele queria conhecer muito o Lucas Neto. Era fã do Lucas Neto naquela época.
E aí eu mando mensagem, eu corro atrás, e eu tava preparando para fazer o aniversáriozinho dele. O Henrique falece em março e o aniversário era 3 de maio. É uma criança que cheia de vida, que era só alegria, que era alegria para mim, para os meus pais, para minha família, que eu trabalhava todos os dias para voltar para casa, para conseguir ficar com meu filho. Isso sempre foi assim. Quando eu trabalhei embarcado, quando eu ficava trabalhando em Macaé, quando ali na separação, né, naqueles últimos 6 meses, é uma das coisas que eu fiz Fiz muita força para que eu conseguisse ver o Henrique todo final de semana, toda semana, né?
Por isso que a separação foi consensual. Então, aquela criança, esse anjo, e eu queria que as pessoas que tiverem nós assistindo, que por favor lembrem do meu filho, não lembrem da morte do Henrique, não lembrem do meu filho morto. Não lembrem daquelas imagens do elevador, não lembrem do meu filho, as imagens do IML, que eu particularmente nunca quis ver. Lembre do Henri sorrindo, aquela criança cheia de vida. Lembra das imagens do último dia brincando na cama, dançando, cantando Mãezinha do Céu, né?
O Henri do que é para a gente um sinônimo de alegria, de amor. É isso que eu queria deixar aqui, que lembre do meu filho, né, nessa, que era só sorriso. Vilela, de todas as imagens que eu tenho, de todas as fotos, de todos os vídeos que eu tenho, era, era o Henrique sempre Sempre amável, né? Sempre carinho. Ali ele já foi nas últimas semanas. Essa foto acho que não é eu e o Henri, não. Essa foto é de uma sobrinha minha, da minha filha, desculpa, da minha Valentina.
Já agora, né? Tá com 2 aninhos. São meus 2 filhinhos. É muito difícil para mim, sabe, continuar a caminhada sem os meus filhos. É, para eu estar aqui hoje, eu tenho que estar feito de remédio para estar de pé, né, para não, para conseguir não me desabar aqui e não chorar o tempo todo, porque Okay, I like this one too. I'm rocking with it.
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Esse meu, o meu menininho, né, o meu primogênito, meu garotinho, ele tá no céu, sabe? Se existe um céu e Jesus, né, foi para lá, eu tenho certeza que meu filho tá lá. Eu creio, Vilela, e é por isso que eu tô aqui. Assim como vai anoitecer, assim como amanhã vai clarear, eu creio do fundo do meu coração que eu vou encontrar o Henrique de novo. Vai voltar um dia, sabe? Tem certeza. E é fazendo o que a gente tá fazendo aqui, lutando pela vida dele, pela memória dele, é, e pelas milhares de crianças que são vítimas todos os dias.
É, o Henrique deixou para gente essa grande missão, essa luta de proteção para outras crianças, é, dessas crianças que perdem suas vidas, crianças que são abusadas, crianças que são violentadas todos os dias, crianças que pedem ajuda, que pedem socorro, e muitas das vezes não conseguem ter esse socorro, né? É quando eu dou minha cara aqui, a tapa, né? Quando eu venho para cá e mostro essa realidade, é quando eu busco a imprensa, quando eu busco falar sobre o assunto, é porque eu creio do fundo do meu coração que se tivesse outro Leniel antes de mim, é, talvez o Henrique tivesse vivo, né?
Se tivesse outras pessoas falando, olha só, isso acontece, como nós falamos aqui, ó, fiquem, fiquem mais preocupados, denunciem. Se você vê esse sinal, denuncie, não se segure, é, vá para uma delegacia de polícia. Trouxemos o Disque 100 como canal de denúncia, vá, procura o Conselho Tutelar. Essas informações era uma coisa que eu não tinha naquela época. Por exemplo, eu não tinha essa informação de que se na dúvida denuncie. O que a gente precisava naquela época era uma materialidade, uma evidência para que conseguisse fundamentar, né?
E é por isso que a gente tem lutado. Então o Henri deixa para gente deixa para mim, deixa que deixa para o Brasil inteiro. E é por isso que o meu tijolinho para você aqui, né, é de que o Henri, ele é sinônimo de amor. Não mataram só meu filho, né, mas ele dá esse sinônimo para o Brasil de luta, de proteção. Eu acho que se eu puder deixar um recado, se eu puder deixar Olhem para mim, olhem para o Henri, olha o que fizeram com o Henri.
Não deixem, né? Se você souber que uma criança, denuncie. E o meu tijolinho, né, hoje aqui é: mataram o meu filho, não mataram a luta que o Henri despertou no Brasil. O Henri hoje desperta no Brasil uma luta de proteção para que outras crianças não percam sua vida.
Obrigado, a gente tá junto contigo, cara. E assim que você quiser falar alguma coisa, tá à disposição, microfone tá aí, conta com a gente.
Eu vou primeiro dar aqui, posso?
Pode dar um presente.
Esse presente aqui é, como é o nome, né, do Presente Inútil no Senado. É um boné que eu uso dessa luta de proteção Mas é um boné, né? Uma coisa para mim inútil, mas eu queria inovar. Eu posso te dar um presente útil?
Sim, sim.
Né? Esse é o inútil. O útil, Vilela, é uma camisa que eu—
Opa, olha só que legal essa camisa aqui, que bonita!
Para você usar aí e ajudar a gente nessa luta de proteção para criança e adolescente.
É feita por Henri Borel.
Isso.
E aqui na frente, atrás, atrás aqui, né?
Quando uma criança é silenciada, a justiça precisa falar.
Eu tinha 3 perguntas para te fazer no final, mas eu não quero perder esse momento. Acho que foi perfeito esse final de você falando só coisas boas e essa tua lembrança do teu filho. Eu como pai eu não tenho palavras para confortar teu coração, Então eu só tenho, não sei no que se acredita, mas se houver Deus, e eu acredito que há, mesmo que não ache a justiça aqui, lá em cima as coisas são justas e a gente tem que acreditar nisso, né? E tem que brigar pela justiça aqui.
Ah, sim, e eu acho que eu creio, eu sempre vi Deus nisso, sabe, Lela?
Em tudo dai graças, né?
É difícil, mas Não estou aqui para falar que Deus que matou meu filho, não é isso. Mas se tudo... Não tem uma folha de uma árvore que não caia se não for da vontade de Deus. E Deus que olha tudo e vê esse final e sabe desse dia. E se tudo é da permissibilidade dele, então... Jairo, Monique nunca imaginaram, por exemplo, que seriam presos. É, nunca imaginei que criaríamos o maior mecanismo de proteção do nosso país, que é uma lei chamada Lei Henri Borel, que hoje está salvando vidas de crianças, né? Falei aqui, só no Rio de Janeiro mais de 6 mil crianças foram salvas. Então eu—
6 mil crianças é muita gente.
É, eu, cada criança que a gente salva, eu vejo meu filho lá. Claro, claro, né?
O Henri tem que ver propósito nisso, senão vai ser uma morte sem sentido.
É verdade, o Henrique tá em cada criança dessa que a gente fala. E eu tenho certeza, e é por isso que eu vim aqui, eu quero te agradecer.
Imagina a alegria dele sabendo disso, cara, porque eu tenho certeza, eu acredito nessas coisas, eu acredito que ele continua acompanhando. Isso não é possível que—
e eu creio do fundo do meu coração, e eu quero te agradecer pela inteligência, LTDA, né, limitada, E você, né, por abrir esse espaço, porque, Vilela, eu creio do fundo do meu coração, crianças iam ser mortas e não vão mais, simplesmente porque você abriu esse programa.
Simplesmente que você resolveu, e essas milhões de pessoas que vão assistir, que pega esse corte agora, chega nas pessoas que devem chegar, e que sensibilize o coração de juízes, de sensibilidade e política. A gente vai ter uma eleição majoritária agora para presidente, para governador, e cara, não é possível que essas pessoas cheguem ao poder e percam a sensibilidade ou deixem de ter sensibilidade.
E foi por isso que eu acho que eu, a Ana, que esteve aqui, estamos aqui, sabe?
Foram por esse caminho, né?
A gente não viu representatividade. Eu, Leniel, eu nunca me imaginei estar nessa posição, sabe?
Foi obrigado, né?
Eu também nunca me imaginei perdendo um filho de uma forma tão trágica. E se eu não fosse para política, eu tive que parar as forças. O outro lado era político muito influente. E quem tava protegendo nossas crianças, Vilela? Bati muita porta, fui para Brasília, bati em portas e as pessoas falavam, queriam tirar foto comigo, falava que ia entrar comigo nessa luta de proteção. Eu mesmo fui um dos que falei: Pessoal, vamos juntos nessa luta, porque a gente não via representatividade nessa luta de proteção das crianças e adolescentes.
Então a gente tá vindo uma eleição, como você falou, precisamos de representante lá para lutar pelos nossos filhos, pelas nossas famílias.
Uma das questões que eu vou colocar para os candidatos quando vierem aqui de novo nos debates, a gente tem que levantar essa questão também.
A gente precisa é ter pauta. Eu acho que a gente precisa botar gente lá em Brasília que tenha pauta, que realmente lute pelo que a gente acredita, sabe? Pelo que lute pelas nossas famílias, pelos nossos filhos, pelas nossas mulheres, pelos nossos mais vulneráveis. E é por isso que eu não vi muita representatividade. A gente viu muito lado A e lado B. A gente está num país hoje muito polarizado. Isso está complicado, querido.
Qual é a pergunta que você faria para o futuro presidente do Brasil?
Se eu pudesse perguntar para o futuro presidente do Brasil, ou conselho, né, eu acho que você tem que legislar para todo cidadão brasileiro, né, não só para, só para direita, não só para esquerda, para todo mundo. Eu acho que a gente tá perdendo, e a gente chega nas nossas familiares, chega nas nossas mesas, as pessoas estão se degladiando dentro das suas casas, ou extrema esquerda, extrema direita, E o Henri uniu o país. Hoje essa decisão, essa decisão da justiça, por mais trágica, aberração que seja, ela uniu o Brasil na luta de proteção para nossas crianças.
Porque a gente precisa saber, e essa pergunta que eu queria deixar é: presidente, o que que você vai fazer na luta em prol da vida? A gente precisa lutar pela vida. Se o maior bem tutelado e a gente esqueceu que o maior bem tutelado pela Constituição era a vida. E hoje o maior bem tutelado pela Constituição não é mais a vida. Então o futuro presidente desse país precisa lutar pela vida. E quando você luta pela vida, não é porque se você é homem ou é mulher, se você é indígena ou a humanidade.
A palavra humanidade é É sobre isso, é sobre lutar pelo ser humano.
Pelo ser humano. E a gente está perdendo essa humanidade.
Eu sinto, não sei se você sente com isso, que anda pelas redes sociais, o distanciamento da rede social, parece que a gente está sempre vendo um reality show, uma coisa distante. Não, acontece aqui do nosso lado mesmo.
E a empatia comigo e o meu direito começa quando termina o do outro. Então a empatia começa A importância de eu sentir a sua dor. Eu acho que quem tá nos assistindo é empático comigo, com a Carol, é porque sentem a nossa dor. Então eu acho que como a gente tá indo para um futuro de um país, né, de definir os nossos próximos 4 anos, pensem muito bem quem realmente vai representar a sua dor, a sua família, os seus ideais.
Obrigado demais. Acrescentou demais esse programa, é importante demais, no momento importante demais. Então eu não tenho palavras para te agradecer o teu tempo, falar de coisas que não são fáceis, mas eu tenho certeza que até o teu trabalho agora é esse. Desculpa, eu cheguei aqui até me tremendo, filhão, mas você tem um propósito, você tem um—
Eu acabei de sair de um júri, muito, é, nessa semana passada. É, e ainda tô, ainda não consegui, o seu amigo vive do luto em luta, eu não consegui até hoje ter o meu luto. Eu pensei do fundo do meu coração que viraria essa página e acabaria semana passada, eu conseguiria que meu filho descansasse, que o Henrique até hoje não conseguiu descansar, e eu conseguiria descansar e viver o meu luto, que até hoje eu não tive essa possibilidade, mas se eu não levantar Eu tenho que lutar e tô lutando agora para reverter isso.
É, a Monique iria sair e a gente tava prevendo isso, para sair pela porta da frente.
Então eu não imaginava isso, sinceramente, eu não imaginava. Imaginava. Obrigado demais mais uma vez, obrigado a você que teve com a gente aqui. Eu acho que seria muito legal se você colocasse relatos também aqui nos comentários, coisas que que só você sabe, coisas que as pessoas precisam saber, porque aí reforça muito mais essa ideia de que tem muita coisa errada no Brasil, muita coisa errada dentro das casas. E você, Rômer, fala comigo, o que que você tem que falar?
Bom, agradecer demais para você que chegou no final desse papo. Se você não deu o seu like ainda, tá panguando, cara, vai dar o like, que é um papo que merece mais.
Se inscreve no canal. E eu queria que o pessoal também ajudasse a espalhar esse vídeo, né, compartilhar compartilhar, é mandar os trechos, os cortes, e também escrever nos comentários, porque isso também aumenta o engajamento, que o pessoal escreve nos comentários para ajudar o engajamento, para provar que você chegou ao final desse papo.
Coloca aí: salvem as crianças!
Salvem as crianças! Vou pedir pro pessoal da minha rede compartilhar lá também, tá bom?
Valeu, obrigado, fiquem com Deus, beijo no cotovelo e tchau!
Redes sociais: Leniel Borel em todas as redes, toda gente, Leniel Borel.
Até mais!
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