040 - FALAS POLÊMICAS DO LULA + FIM DAS BETS NO BRASIL + ATAQUES À IGREJA CATÓLICA
FERNANDA COMORA é jornalista e RICARDO MARCÍLIO é especialista em geopolítica. Eles são os âncoras do Notícia I-LTDA, o programa de notícias do Inteligência Ltda. Eles vão comentar, junto do Vilela, as notícias recentes do Brasil e do mundo com os convidados CARLOS BEZERRA JR., MADELEINE LACSKO, THIAGO GODOY, VINÍCIUS COUZZI MÉRIDA e DEL. MARIA CORSATO. Já o Vilela desenhou quadrinhos pro jornal de Pompéia.
Fernanda Cômora
CARLOS BEZERRA JR.
DEL. MARIA CORSATO
Madeleine Lacsko
Ricardo Marcílio
THIAGO GODOY
VINÍCIUS COUZZI MÉRIDA
- Proibição das bets no Brasil e seus impactos econômicos e sociaisfim das operações em 30 dias·impacto nos times de futebol·aumento de plataformas ilegais·comparação com a proibição do cigarro·saúde pública e vício em jogos
- Ataques à Igreja Católica e a fake news sobre Nossa Senhorafake news de 2018 e 2022·papel do Papa na padroeira·Estado laico e manifestações religiosas·uso político da fé·impacto nas eleições
- Falas polêmicas do Lula sobre exame de próstata e ginecologiadesinformação em saúde·mistura de abuso sexual e ginecologia·protocolo de exame ginecológico em crianças·repercussão e censura do TSE·impacto na eleição
- Crise de moradia na Europa e gentrificaçãoaumento de aluguéis·despejos na Espanha·especulação imobiliária·nacionalização de imóveis não ocupados·insegurança jurídica
- Reforma do Conselho de Segurança da ONU e apoio da Rússia ao Brasilnecessidade de reforma·apoio da Rússia ao Brasil e Índia·oposição dos EUA·cúpula do G4 ONU·fim do poder de veto
- Soft power da China e o papel da primeira-dama Peng Liyuancapacidade de projeção geopolítica·influência econômica e cultural·Peng Liyuan como figura simpática·revitalização da imagem da primeira-dama·histórico de primeiras-damas na China
- Inovações bizarras: rodinho íntimo e cadeira de kung fuWide Wipe para higiene pessoal·rodinho íntimo para mulheres·cadeira que promete exercícios·rocking chair para alongamento·invenções inusitadas
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Olá, boa noite a todos! Tá no ar mais um Notícia Ilimitada, esse jornal que é imperdível para quem acompanha aqui o nosso querido Vilela e o seu Inteligência Ilimitada. Olha, eu sou Fernanda Comora, para quem não me conhece. Para quem conhece, como diz Vilela, continuo sendo, né, Madá?
Sim, sempre nossa rainha absoluta.
Para quem não te conhece, você se apresenta como também, Amadá?
Eu sou Madá. Sigam Madeleine Lasco.
Madeleine é muito chique, né?
Eu levei 6 meses para aprender a falar Madeleine.
É, me sigam no Instagram, no YouTube. Sou jornalista, 30 anos, tô aí numa aventura de candidatura política que termina essa semana, graças a Deus. Gente, olha, em um ano, um ano, um ano sendo candidata aqui na minha vida, porque valeu, né? Não, é um, é como se eu tivesse feito um MBA em política.
É por isso Aí você vê político quando sai do governo, quanto ele tá envelhecido, né? Você vê comparação da foto antes e depois, meu, envelhece muito esse negócio.
É uma experiência assim, vou falar, é um estresse, mas também tem a experiência do lado bom que eu não tava preparada. Porque um amigo, André Matarazzo, falou para mim, Madá, você vai entrar e fazer campanha, todos os seus círculos vão mudar e você vai ver as pessoas de forma diferente. Porque quando você mexe com o poder, você vê quem é quem. Só que eu tava pensando para o mal. Vi Lela assim, olha, vou te falar que é uma coisa que até me emociona.
Pessoas que vieram falar para mim, não, você me ajudou tanto em tal coisa, eu faço questão. E estão às vezes panfletando de graça, estão me ajudando com coisa da campanha, vieram tipo dar uma super força de gente que eu não lembrava que eu ajudei. Olha só que eu não lembrava. Pessoas que eu vi assim que me adoram, que eu posso contar com elas e que eu não imaginei, e que eu não imaginei. Eu não, para isso eu não tava preparada.
Tem um ônus também.
E galera, boa noite, né? Professor Ricardo Marcílio aqui, professor de Geografia, Geopolítica, Atualidades, comentando as principais notícias da semana também.
E eu sou Rogério Vilela, vocês me conhecem já porque fiz Mundo Canibal, sou desenhista e aeromoça também nas horas vagas. Mas pode me chamar de Roger. Você é Madeleine, também é Roger. Roger Vilelê. Gosto.
Roger.
Deixa eu contar uma coisa para o pessoal, posso, ô Homer?
Claro.
Ó, vou contar uma coisa que muita gente não sabe aí. Você provavelmente já ouviu falar dos grandes concursos, aqueles que aparecem nas horas vagas em várias notícias aí por aí, mas você não tá sabendo, né? Polícia Federal, Receita Federal, INSS, Banco do Brasil. Mas aqui vai um dado que quase ninguém para para pensar. Enquanto você espera esses editais grandes, esses famosões aí, dezenas de outros concursos estão abrindo no Brasil todo mês.
É isso mesmo, prefeituras, câmaras municipais, tribunais estaduais, secretarias, autarquias, muitos deles pagando bem, com número bem razoável de vagas e com muito menos concorrência do que os grandes que a gente vê na TV. Olha só, é bem provável que tenha um concurso aí na sua cidade, no seu estado, na sua área de interesse, acontecendo agora ou previsto para os próximos meses, que passou completamente despercebido.
Sabe por quê?
Porque não tem propaganda em rede nacional, porque é edital regional, porque não vira manchete. Aliás, manchete é uma coisa das antigas, né? O pessoal nem sabe esse termo. Pois é, da minha época, não é? Eu falei agora, eu entreguei a minha idade. O nosso parceiro Estratégia Concursos, que é líder em aprovações no Brasil, criou uma ferramenta gratuita para ajudar você a encontrar oportunidades como estas, que é o Mapa dos Concursos.
É o mapa interativo com todos os concursos abertos, previstos e autorizados em todo o país. Você filtra por região, por área, por nível de escolaridade e descobre o que tá rolando perto de você. Não tem propaganda no meio, não tem clickbait, só o cenário real de concursos disponíveis. Talvez a sua vaga esteja logo ali, a uma cidade de distância, e você nem sabe, hein? Então acessa o link na descrição ou o QR code na tela, que o pessoal vai cair direto nesse, já vai para lá no mapa de concurso.
É isso aí.
Então encontre esse concurso que está mais próximo de você, beleza? Mas mais um recadinho posso dar?
Claro.
Rapidinho, antes da vinheta. Você ficou sabendo que o Steve Wozniak vem para o Brasil em outubro? O Wozniak, o cara que fez os primeiros computadores da Apple, sim, o sócio do Steve Jobs. E o mais louco é, ele não vem para o evento de tecnologia não, vem para um evento de empresários. O evento é o G4 Valley, é o maior evento presencial para empresários do Brasil. 29, 30 e 31 de outubro no São Paulo Expo. 3 dias de imersão em gestão, marketing e vendas.
Eu vou estar lá, hein? Você, se você tem empresa, você ou pretende ter, não é só o pessoal que tem, é o pessoal que tá em vias de também, né? Então esse é o lugar do ano para você estar. Os ingressos são limitados, o link tá na descrição, tá na descrição, ou que eu recolhi na tela. É isso aí. G4 Valley, onde os heróis do Brasil se encontram. Eu sou herói, vou estar lá.
Legal, hein?
Herói para te aguentar, cara.
Aguentar o Luciano, tem que ter superpoder, um bigode.
Rapaz, aí nessa viagem que a gente fez para Paraíba, os cara ficaram um amarrando o tênis do outro enquanto dormia. Aí o cara vai levantar, tropeça, o outro coloca, passa de dente dentro do tênis do outro.
Complicado, hein, cara?
Esse tipo de coisa que eu tenho que aguentar. Vamos rodar vinheta?
Bora, vinheta!
Então bora, vinheta!
Bom, gente, nós começamos o nosso jornal hoje falando de um tema que com certeza, Vila, ela foi o tema mais comentado nos últimos dias, principalmente nas últimas horas, né, que aquela história: será que tá fazendo isso para o bem da população de fato, já que os números de viciados em bet em jogos de cassinos não para de crescer, ou seria uma estratégia política? Olha, gente, o governo federal determinou o fim das bets no Brasil e as empresas terão que encerrar as operações em até 30 dias.
É uma medida provisória que proíbe a exploração, a oferta, intermediação e também a publicidade. Com isso, obviamente, né, os times vieram abaixo, estão hoje inclusive algumas horas, eles acabaram publicando que estão pensando em se unir e parar o futebol até que isso de fato seja resolvido. E quem vai conversar com a gente sobre esse assunto agora é o Thiago, que já tá na linha aqui com a gente e vai entrar agora. Thiago já tá aí, né?
Vamos lá, Thiago!
Thiago Godói, que é o papai financeiro. Oi, Thiago, boa noite!
Não tô ouvindo, Ricardo.
Agora sim, agora sim, agora sim, agora sim!
Tudo bom, pessoal? Boa noite, Fernanda Vilela! Opa, Ricardo, prazer estar com vocês.
Boa noite, seja bem-vindo, Thiago. Queria primeiro pedir para que você explicasse até para quem tá nos acompanhando o que de fato tá acontecendo, o que que isso significa e a sua visão em relação aí a proibição das bets.
Perfeito, Fernanda. Olha, eu trabalho com essa área de finanças, educação financeira aí há quase 14 anos, e hoje tem um trabalho feito na internet, né, com influência digital, tem um perfil que chegue muita gente. E nos últimos 2 anos eu tenho acompanhado realmente uma onda de mensagens, histórias, problemas. Todo mundo sabe disso, eu acho, né, o quanto que isso tem causado muito problema para a população. Então acho que aí essa decisão, como você levantou no início aqui, né, ela tem sido criticada por um lado, né, por ser feita logo antes aí da eleição, obviamente Há um interesse eleitoreiro nessa decisão, mas eu vou falar pelo lado aqui do que o Brasil ganha com isso, né?
Porque a gente sabe que a gente tá vendo as famílias tendo uma dificuldade para pagar as contas, para comprar comida, para conseguir pagar suas dívidas. E a gente viu aí nos dados de impacto, né, a gente tá com R$62 bilhões e R$500 milhões só no ano passado que foram perdidos por essas plataformas, né? Então a gente sabe que isso tira dinheiro da economia. Tem um estudo recente também feito pela USP que mostrou que a gente teve uma redução aí de R$141 bilhões em consumo, em atividade econômica como um todo, né, só no ano passado.
Então acredito que tem aí muito, muito desafio nesse tema. Já era para ter proibido há muito tempo, já era para ter Na verdade, nem era para ter permitido, né? Mas eu acho que a tentativa aí anterior foi regulamentar para recolher imposto, viu que era um problema, demorou para tomar decisão, tomou decisão agora. Então eu acho que essa proibição obviamente tem impactos também do outro lado, mas eu não consigo enxergar isso como algo negativo de forma alguma, tá?
É, a gente sabe que hoje um grande número de famílias, eles estão com a vida devastada devido ao vício. Mas principalmente por você ser educador financeiro e já acompanhar de longa data, como você disse, essa situação ligada às bets neste momento, às vésperas da eleição, não parece no seu ponto de vista mais uma jogada política do que é buscando uma eficácia para essas famílias endividadas de fato?
É, a gente, como eu disse assim, a gente tem sem dúvida essa decisão, ela veio por conta de uma eleição. Acho que proibir por si só, né, até porque é uma medida provisória, né, a gente tem que esperar a votação disso. E cabe a nós também pressionar para que isso aconteça e para que realmente elas sejam proibidas. A intenção real de quem adotou a medida, eu não sei, mas o ponto é: se a gente não faz isso, a gente não toma essa decisão, quando será feita?
E se for feita, qual seria a melhor maneira para ser feita? Ah, não, vamos fazer um período de transição, vamos proibir, mas com espaço de 1 ano para as empresas de bets tomarem decisões. Como eu disse, assim, eu acho que é claro que a gente pode debater aqui os impactos negativos dessa decisão sendo feita de última hora e antes de uma eleição. Sem dúvida, a gente sabe que isso tem um impacto negativo também, mas na conta, na soma, na matemática, eu não consigo ver isso como algo ruim, tá?
Eu acho que a gente julgar, julgar como foi feito, por que foi feito, eu acho que sem dúvida é uma, é um ponto sim para a gente entender, e é legítimo, são objeções legítimas, mas dizer que não deveria ter sido feito Aí, bom, o que que aconteceria, né, se a gente não tivesse feito? Ia continuar assim? Aí se muda, se faz uma transição de governo, ia ser proibido com uma transição de governo? Acredito que não. É, o fato é que esse negócio tá causando uma destruição, já piorando, né, o que já tava acontecendo.
A gente tem, né, um crédito sendo ofertado de uma maneira expressiva, pouca análise de crédito para oferta. O consignado tá batendo forte aí também. A gente tá vendo esse endividamento se agravando. E acredito que as bets foram uma pá de cal para as famílias brasileiras. A gente perde em saúde mental, a gente perde em qualidade de vida, a gente não ganha nada. Só quem ganha isso são as casas de apostas, são quem tá botando dinheiro nisso.
É uma parte de arrecadação que foi feita aí por parte do governo, não pagou essa conta. Essa conta não tá sendo paga. Então, realmente assim, eu não vejo um caminho a não ser proibir, sem dúvida, a publicidade disso, proibir a publicidade e fiscalizar as casas de apostas ilegais, que obviamente vão continuar acontecendo, né?
Thiago, a minha pergunta é mais ou menos nesse caminho também, né? Na verdade são duas. Primeiro que eu particularmente concordo que deveria ser criminalizado, mas as pessoas que criticam essa medida Falam que o governo não tá diferenciando o que são as bets esportivas dos cassinos online. Então talvez os cassinos deveriam ser criminalizados, as bets não. E também criticam porque eventualmente numa proibição, isso já começou a acontecer, surgem as casas de apostas irregulares que não vão cobrar os impostos, que não tem toda a segurança jurídica da regulamentação que o próprio Lula tinha feito, né, quando ele regulamentou em 2020 2005, né, se não me engano.
Enfim, tá, mas essa regulamentação, como que você responde a isso? Você acha que os dois deveriam ser criminalizados, tanto cassino online quanto a bet? E sobre o surgimento de casas irregulares?
É, acho que as casas irregulares elas vão entrar num outro, né, num outro problema, como outras coisas que são irregulares e a gente precisa combater, né. Então sem dúvida isso sempre vai acontecer, de certa forma É um dano que a gente precisa olhar, fiscalizar e tentar coibir. Há uma diferenciação, sim, entre o jogo de aposta esportivo e o cassino online, né? Porém, o que é grave em todo esse, né, tudo isso é muito novo também, né, gente?
Eu tô olhando aqui do lado de alguém que tá vendo de fato o dia a dia das famílias, né? E eu pego realmente aí nos meus alunos, nas pessoas que eu vejo, eu converso, quem está numa situação muito grave. E não é só o viciado, como se ele fosse ali uma pessoa, um ponto fora da curva. A gente está falando de muitos milhões de pessoas que estão aí entre cassino de aposta e aposta esportiva, estão indo para um buraco. Acho que o cassino online e as apostas esportivas estão em lugares diferentes, porém eles vão gerar uma coisa que está acontecendo que é o indicativo principal de vício, que é a frequência de aposta.
Como é que a gente sabe que uma pessoa tá viciada em aposta? Ela tem uma frequência de aposta muito alta e ela tem uma parte da renda dela comprometida, que é uma parte significativa dessa renda, com aquilo ali. Então ela alavanca um valor, muitas vezes ela consegue alavancar um valor que ela nem tem condições de pagar, né, o que tem acontecido. Ela perde aquilo, ela tenta pagar, ela não consegue, ela vai se enfiando no buraco para tentar recuperar o dinheiro que ela perdeu.
Então a frequência da disponibilidade disso é um problema por si só. Eu acho que tem, poderiam ter vários caminhos. A gente viu também isso acontecendo, tá acontecendo de certa forma na Inglaterra, mas a tecnologia hoje, por exemplo, possibilita que a plataforma entenda a frequência de uso desse jogador. Um bloqueio na frequência de uso pode ser algo para conter o endividado, o viciado mais grave. Mas a princípio, Ricardo, respondendo a sua pergunta, nesse primeiro momento eu acredito que a gente deveria segurar mesmo e proibir para entender o impacto disso e depois a gente regulamentar.
Porque parece que a gente está normalizando o jogo de aposta esportiva, como se ele fosse muito suave e como se o cassino fosse o único mal, o único ruim dessa história. E na prática não tá sendo, sabe? Realmente o futebol com a publicidade, né, com a publicidade ostensiva, a gente tendo personalidades divulgando isso o tempo inteiro, isso tá sendo, a gente tá vendo até para crianças e jovens, né, o quanto que está chegando e atacando mesmo o comportamento das pessoas.
Então a publicidade, ela tem que ser coibida assim imediatamente, na minha visão.
Agora, Thiago, a gente não tinha isso podendo funcionar no Brasil. É uma coisa que foi regulamentada assim, que foi regulamentada tendo publicidade, o que eu sou contra. Eu entendo que não poderia, mas isso é uma opinião minha. Foi regulamentado, enfim, e as pessoas começaram a jogar e elas estão endividadas e agora estão funcionando. Todo dia estão saindo novas que não são regulamentadas. Sobre essas não regulamentadas, não existe controle nem de se eles realmente pagam dinheiro quando a pessoa aposta.
O que que acontece geralmente com quem é viciado em jogo? Ele vai parar porque proibiu legalizado ou ele vai agora para essas plataformas que são piores ainda para ele?
É um excelente ponto, Fernanda. A gente observa que a publicidade ela vai dar uma validação, né? Vamos lembrar, quer dizer, a gente não vai lembrar porque a gente não tinha nascido ainda, mas se a gente for pensar aí nos anos 50, 60, você tinha uma propaganda extensiva de cigarro Rede Nacional, no mundo inteiro na verdade, né? E isso era naturalizado. Você tinha um ator, atriz de Hollywood, você tinha uma celebridade. Aqui no Brasil você tinha até o Gerson, né, da Ladies, Gerson fazendo propaganda do cigarro na Fórmula 1, etc.
No esporte tinha muito isso, né? Então a indústria tabagista emprestou o nome do esporte, né, a credibilidade, a saúde inclusive do esporte, para fazer propaganda de cigarro durante muito tempo. Isso obviamente ampliou muito a venda de cigarro, né? Então a gente sabe que quando você normaliza e dá um caráter saudável, positivo, para uma coisa que é danosa, você tem uma entrada, um fluxo de pessoas jogando muito grande. Ao aumentar o fluxo de pessoas acessando aquilo porque você normalizou, você tem, claro, matematicamente, um número de maior potencial de pessoas se viciando, né?
A pessoa que tá viciada hoje Uma parte dela vai procurar, né, as casas de apostas ilegais, e uma parte dela vai conseguir continuar jogando nesse, nesse lugar. O que a gente tá fazendo agora é uma contenção, principalmente dos próximos viciados, né? Porque uma vez que você proíbe, uma vez que você tira a propaganda e tira uma celebridade, um jogador, um influenciador falando disso o tempo inteiro e dando um apelo muito forte a isso, né?
E a gente sabe que o apelo é: joga aqui, ganhe dinheiro, fique rico. A gente sabe que é nesse nível, né? Inclusive foi comprovado que são telas filmadas mentindo, inclusive, né, em relação às probabilidades e tal. A gente vai ter muita gente acreditando que aquilo ali vai funcionar. Então acho que é segurar para que esses novos jogadores eles não aconteçam, né? A gente não tenha mais gente entrando. E o ilegal vai ser ilegal. As drogas são ilegais, as pessoas continuam usando.
É um debate importante. Eu não tô trazendo aqui a resposta definitiva, tô trazendo uma visão do que eu estou vendo, né? Mas é conter o avanço disso proibindo principalmente a publicidade, como a gente viu no cigarro, né, nos anos 80 aqui no Brasil, que eu sei de cabeça. 35% da população adulta fumava nos anos 80. 2019, que é o último dado que eu tenho, 12% da população adulta fuma. Quer dizer, em 30, menos de 40 anos, a gente reduziu abruptamente o número de fumantes no país.
Continua tendo, né, 10%, um pouco mais, mas isso significa obviamente não só o indivíduo Mas todo, e aí entrando na parte econômica, né, que eu acho que esse é um ponto importante, todo um contraponto aí que a indústria do cigarro trouxe para economia, que é todo gasto em saúde pública, todo prejuízo, né, que a gente teve com essa indústria durante muitas décadas, né. Eu acho que é uma forma, de forma similar, é o que tá acontecendo com a coisa do jogo de aposta, né, é um prejuízo.
Você tá falando do cigarro, é tão interessante porque o meu primeiro livro é sobre a propaganda do cigarro, se chama Sem Filtro: Ascensão e Queda do cigarro no Brasil. É sobre isso, escrevi com a chefe do Ambulatório de Tabagismo do Incora, Doutora Jaqueline. E existe uma diferenciação importante a fazer.
Eu lembro sempre aquele vídeo do Roda Viva famoso, né, do Paulo Maluf, sendo a voz mais, mais sã do ambiente, que a galera falando: como assim a gente não vai poder mais fumar dentro do restaurante?
E ele não conseguiu. O meu livro é de 2008. Quem proibiu fumar no restaurante foi o Serra em 2009. E eu tomei um pau da imprensa gigantesco 2008, porque o Serra falou no livro que ele ia proibir o cigarro nos restaurantes, em voos. Ele falou tudo, ele deu o furo de reportagem para mim no livro. Quando eu comecei a rodar com o livro na imprensa, eu fui tirada de louca, que isso não quer acontecer. E no ano seguinte aconteceu. É, mas aí eu quero— tem uma diferenciação que é muito importante, que é o seguinte: nunca se pensou em proibir o cigarro.
Se proibiu a propaganda. E em adição à proibição da propaganda, você teve uma propaganda objetiva de conscientização de danos, colocar também as mensagens atrás. E você teve uma propaganda subjetiva, que é você compra, vamos dizer, um tipo de patrocínio que é para na novela ser feio fumar. Ah, tá, tá, entendeu? Você foi todo um trabalho, mas jamais se pensou em proibir o cigarro.
O Ziraldo fez uma campanha para o governo que era cafona fumar, né?
Lembra?
Lembra dos desenhos e tal?
O meu livro é sobre isso, porque naquela época, por exemplo, eu entrevistei o Dr. Adib Jateni, já falecido. Você sabe que quando comprava o mobiliário do Incor, você comprava o gaveteiro da cama do paciente com a gavetinha do cigarro?
Verdade, o cara se recuperando e fumando.
Quando tiraram os viseiros, né?
Eu já filme seriado que o médico atendia o paciente fumando.
Eu tenho depoimento dos médicos do Hospital AC Camargo, que é de câncer, contando que eles fumavam no congresso de oncologia. Mas a grande questão é, não houve, não teve proibição. É assim, houve um estudo extenso, porque o estudo de quando, como cigarro faz mal, ele começa a ser feito na Suíça em 1930. Que é o primeiro vazamento de documentos da indústria. Aí vão vendo que eles, por meio de publicidade, vão normalizando, vão falando que é sinônimo de independência da mulher.
Então assim, existe todo um trâmite e um estudo profundo que chega à conclusão que você precisava de contrapropaganda e de proibição de propaganda positiva, mas não podia proibir porque as consequências eram piores, as pessoas iam fumar coisas piores ou usar droga.
Ou por causa da pressão da indústria do cigarro também.
Será que você acha que não?
Não.
Acho não, sei. É, eles pensaram realmente em proibir. A indústria no fim se adapta, faz outra coisa, mas eles consideraram que não, que era contraproducente.
É, o que eu acho complicado que acontece aqui no Brasil é que tudo feito de qualquer jeito, né? Aí gera insegurança fiscal, gera, foi feito de qualquer jeito para, não teve nenhum estudo para liberar e não teve nenhum estudo nada para proibir. E é assim, a partir de agora, pronto, não vale mais. Isso que é o problema, porque o pessoal sabe que eu sou contra. A gente já fez um programa inteiro sobre isso, eu nunca aceitei bet. Tudo bem, tudo bem.
Mas o duro é o jeito que as coisas são feitas, né? Espera a eleição para fazer, faz de qualquer jeito. A gente sabe que o Congresso provavelmente vai vetar, e aí vai dar uma discussão absurda.
Ou simplesmente não renova MP, deixa caducar.
Exato, é 120 dias, né?
120 dias, 120 dias eles aguentam.
Então eu acho que o pensamento até do governo fez, ah, vamos fazer, mais para frente ver o que que rola, né?
E acho que uma coisa muito importante que você trouxe é que, diferente, por exemplo, do cigarro ou de qualquer outra campanha, não existe nada hoje em mídia para conscientizar. Existe lá um proibido para menores de 18, mas não houve esse trabalho.
Eu acho que o grande, a grande discussão aconteceu na Copa do Mundo, que foi uma coisa absurda, né? Que era só bet, só bet, só, cara, eu nunca vi isso. Os caras dominaram de um jeito que, cara, você não via mais outra propaganda de outras coisas, né? A discussão era isso, era uma bet competindo com outra, com outra, eram 3, 4 competindo no mesmo programa.
E aí vale lembrar que se a pessoa é viciada, ela está doente.
Sim.
E aí, não é? Você tira, em menos de 24 horas surgiram mais de 300 plataformas ilegais. Então quem tem o vício, quem tá doente, tá buscando isso, vai continuar buscando.
Tinha que, na questão da proibição da propaganda de cigarro, houve um estudo que foi conduzido não só por especialistas, mas pelo Congresso Nacional, por meio de audiências públicas, que demorou anos, anos. Eu lembro que a pior briga foi colocar a imagenzinha atrás do cigarro. E teve uma audiência, podia escolher o que ia te fazer mais mal, né? Eu, por exemplo, era só pegar o da impotência, que para mim Mas ele, a indústria não queria que colocasse de jeito nenhum, claro.
E tava aquela briga. E aí tinha um senador que já faleceu, Arthur da Távola, sensacional, que a indústria encomendou um estudo mostrando que colocar a foto atrás não diminuía o número de fumantes. Porque aí eles não queriam colocar, entendeu? Colocou que não diminuía. Aí o senador, que era o presidente da comissão, vira e fala assim: mas faz a inquirição, você tem certeza absoluta que não diminui? Não mexe em nada com a indústria se colocar, não sei o quê. Beleza, então coloca. Aí colocou.
É isso, Thiago.
Alguma coisa para finalizar aqui que você acha importante falar nessa discussão?
Não, eu acho que concordo com toda, como você falou, né, da maneira que foi feita. Parece que é uma coisa feita sem estrutura e acaba gerando-se uma insegurança jurídica, né. Isso é negativo para o país como um todo. É assim, mas também é, e assim, é claro que tem, acho que o ponto aqui também, claro, tem toda a questão do indivíduo, da saúde mental, da não normalização disso como algo positivo, né? Que acho que com cigarro foi isso, era algo normalizado, glamouroso, hollywoodiano, e ao longo do tempo, lógico, não foi de uma hora para outra, se tornou algo feio, mal visto, é proibido fumar dentro do lugar.
É fedorento. Então hoje tem essa visão da geração atual, principalmente das gerações atuais. Eu acho que com o jogo é isso. E principalmente no curto prazo, né, olhando, tomara que isso se mantenha, que realmente haja ali uma, ou pelo menos uma regulamentação, uma proibição da publicidade, uma regulamentação, um outro caminho. Mas a gente tem que também olhar para o lado econômico disso, né. A gente tá tendo um prejuízo muito grande.
Isso já foi, tá sendo visto por outros setores, por exemplo, varejo, né, perdeu muito nos últimos 2 anos, principalmente com essa explosão dos jogos de aposta. A maneira como isso se expandiu gera impactos de saúde mental, de saúde financeira para os indivíduos, e isso impacta no comércio. Então a ideia é que isso também retome em qualidade econômica, em aumento até de arrecadação, né? O imposto que é perdido, por exemplo, aos R$10 bilhões que foram, que vão ser perdidos em receita de imposto por ano, tem um retorno de estimativa até R$45, R$55 bilhões. Então é um contraponto positivo aí também da forma econômica.
É isso, Thiago. Queria agradecer demais a sua participação. Em qualquer movimento sobre esse assunto, a gente volta acionar aí para que você participe novamente conosco. Obrigada, viu?
Maravilha, será um prazer. Obrigado vocês.
Muito obrigada.
Vamos ver também outra visão agora, né, Fernanda?
É, então agora eu acho que o PV vai falar conosco principalmente sobre o peso que cai sobre os times de futebol, né, que vinham contando com esse patrocínio. E muitos disseram que a receita tá completamente comprometida agora.
De times, de torcida, o PVC vai falar para gente, para eu quero saber de perto o que que pode acontecer. A pessoa fala: e agora, tem salários que não vão ser pagos? Não vão conseguir cumprir o que foi prometido no começo do ano, né? Ele tá na linha já?
Já tá na linha.
Vamos lá. Tudo bem, PVC?
Oi, boa noite.
Tá sem áudio, tá sem áudio, PVC, estamos sem áudio.
Será que ele tá sem áudio também?
Que dá sem áudio aqui. Agora foi, foi, tá bom. Vamos falar de tudo isso sim, mas tem que— fiquei tão interessado pelo papo, tava tão bom. E a Madeleine falou do livro dela e eu queria só lembrar uma imagem que eu separei outro dia no canal UOL, que é dessa questão da publicidade mesmo. Não sei se dá para mostrar ou se não dá para mostrar assim, dá. O carro do Senna, né?
Nossa, verdade!
Em 88, o carro do Senna na Inglaterra e na França não podia correr com símbolo da Marlboro, tá? Não podia. Então você tirava o símbolo da Marlboro, ficava isso aqui. Agora põe a imagem seguinte para ver o que que é o carro do Senna.
Aqui tá com a Marlboro, mas sem ele também ficava Marlboro igual.
Como assim?
Porque eles criaram o formato do maço.
É o maço de cigarro Marlboro. Eu tenho a imagem aqui.
Você tem? Você tem, diretor? Tem o Marlboro? Ele tem aqui, ó.
É porque naquela época mostrava.
Não, não, não, sem Marlboro não. Vou tentar mostrar só para vocês aqui, tá?
Olha isso aqui.
É, dá para ver?
Olha aqui, o carro é a caixinha.
O carro do Senna, o carro do Senna era um maço de Marlboro.
É verdade.
É verdade.
Quando você tirava a inscrição Marlboro, a palavra Marlboro, volta o carro do Senna.
Vou lá, vou lá.
Era um maço de Marlboro com um filtro que era o capacete do Senna para fora, para você ficar vendo Marlboro.
É verdade, não precisava estar escrito. Olha lá, olha lá, olha só. Se tirar o letreiro, é a mesma coisa, tá vendo?
Exatamente. E aí isso foi uma guerra de 5 anos. A Fórmula 1 foi patrocinada, todos os carros de Fórmula 1, ou 80% dos carros de Fórmula 1, eram patrocinados por cigarros entre 67 e 2001.
Philips Morris.
E aí foram 5 anos até tirar de vez em 2006. Aí a Ferrari colocou um código de barra que quando você lia remetia à marca da Marlboro.
Caramba.
Então assim, foi uma guerra para tirar a publicidade. Foi uma guerra gigantesca. Eu, em tudo que o Thiago falou, eu concordo com ele. Eu acho que essa aqui, nós vamos falar da questão econômica do futebol, sim, mas eu acho que é uma questão que não é do esporte em primeira análise, ela é uma questão de saúde pública. Acho que é uma questão de saúde pública e a gente pode, em segundo lugar, ponderar se devia ter tido um aviso prévio.
Ou porque na Itália e na Espanha demorou 6 meses para tirar, na Inglaterra 3 anos para tirar a publicidade das camisas. E aqui o grande problema para mim é a falta do aviso prévio. Você não dá um prazo, não temos 3 anos como na Inglaterra, mas você podia ter, começar 1º de janeiro de 2027, tira a publicidade, proíbe os sites. E aplicativos, e você tem, dá tempo para os clubes irem buscar novos patrocinadores. Até porque o presidente da República foi líder sindical. Eu acho que o que faltou foi essa palavrinha dupla: aviso prévio.
E também tem o lance dos caras pagarem, pagarem uma licença e tipo não vão devolver também, né?
Mas isso, isso eu não li a assinatura das outorgas. O que o governo se defende é que ao assinar as outorgas você tinha o aviso de que por uma questão de saúde isso podia ser retirado. É importante dizer aqui, é importante dizer o seguinte: bom, eu morei no Rio de Janeiro 6 anos e meio e eu ficava ali frequentando um botequim na Barra da Tijuca. Em 2016, 2017, as pessoas encostavam em mim e diziam assim: ô, BBC, quanto é que vai ser o Sassuna e Betis?
O Sassuna e Betis? O que que você quer saber? O Sassuna e Betis? Eu tô apostando aqui, ó, tô apostando aqui, ó, o Sassuna e Betis. E não tinha sido legalizado. Os sites de apostas, as bets, foram legalizadas no governo Michel Temer em dezembro de 2018. É no final do governo Michel Temer, para não ser preciso com o mês. E aí você tinha 2 anos para regulamentar. O governo Bolsonaro não regulamentou nos primeiros 2 anos e houve a prorrogação por mais 2 anos e não houve a regulamentação também.
Por isso também, e aqui não tá em discussão, acho que a grande vantagem disso aqui que a gente não tá discutindo nada ideológico, nós estamos contando a história do problema. Em janeiro, fevereiro de 2023, quando depois da eleição do atual governo houve a opção por regulamentar, porque se entendia que as bets estavam atuando legalizadas, porém não regulamentadas, e que a regulamentação ia pagar imposto, gerar emprego, cuidar da manipulação de resultados e do cuidado com os eventuais vícios.
Então a regulamentação tinha esses 4 parâmetros. A regulamentação foi olhada, a Secretaria da Fazenda tirou da Secretaria de Prêmios e Apostas e começou a fazer um trabalho que foi muito bem, foi muito elogiado no exterior, de um processo de regulamentação justo, só que inacabado. Então uma parte, eu acho que tem que acabar a publicidade, Não tenho dúvida disso. Independentemente disso, se a regulamentação fosse até o final, você teria mais chance de diminuir o impacto para o problema de saúde pública que existe.
De qualquer maneira, haveria isso. Agora nós podemos também falar sobre o impacto econômico nos clubes.
Mas PVC, você falou um negócio bem interessante, que é o seguinte: Nós estamos falando aqui de duas coisas: da publicidade e da regulamentação.
Publicidade é camisa de clube, influencer falando, é tudo, engloba tudo. Não se pode falar de bets.
É isso, é placa de publicidade, placa de publicidade.
Mauro Betting muda o nome dele.
Mauro Betting acabou, acabou. É só Mauro, é só agora. Mauro Ing, ficou.
Bete Balanço vira só Balanço na música, acabou.
Mas a gente tem a questão também, PVC, que você falou, eu acho que com muita propriedade, é da regulamentação total, de ir até o fim, porque aí haveria inclusive situações em que poderia se mitigar o problema de saúde pública e também acompanhar e ter uma compensação para a questão da saúde pública, né?
Sim, assim, se você falou agora há pouco, Madeleine, sobre o seu livro, sobre Sem Filtro, e eu vou dizer, me colocando em primeira pessoa, embora não seja o ideal, a minha droga é a cerveja, tá? Eu não faço nada de droga. Eu sou um fumante passivo porque meus pais fumaram minha infância, adolescência inteira. Se um dia eu tiver um câncer de pulmão, a culpa é do meu pai, da minha mãe. Porque eu nunca coloquei um cigarro na boca, nenhum cigarro, mas eu tomo cerveja.
Eu não sou de tomar vinho, não tomo nenhuma bebida destilada, eu tomo cerveja. Se você, por exemplo, uma questão, veja, vou voltar aqui atrás, ponto central é saúde pública, ponto primordial, tá? Isso aqui é a parte Nós temos um problema hoje de violência contra a mulher, né, de feminicídios, de violência doméstica. Vou chamar de violência doméstica. E a gente sabe, as pesquisas indicam que quando tem futebol, a violência doméstica aumenta no Brasil.
Então a gente pode fazer o que se fez nos Estados Unidos entre 1920 e 1934, fazer uma lei seca em dia de jogo de futebol, que vai ser segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado e domingo. A gente vai proibir a bebida alcoólica no Brasil porque tem jogo todo dia, né? Tem jogo todo dia. E talvez isso ajude a mitigar a violência doméstica. E é um problema gravíssimo que a gente tem. A gente tem que resolver, educar a nós todos homens para que a gente acabe com o problema de violência doméstica.
Bom, Eu acho que tem acima de tudo saúde pública. Em segundo lugar, acho que devia haver um respeito pelos contratos, um aviso prévio. Não temos um ano, não temos 6 meses. A CBF semana passada pediu, no final do processo, sabendo que ia ter MP, a medida provisória, a CBF pediu que fosse implementado a partir de 1º de janeiro de 2027, porque seria talvez uma maneira de os clubes irem para o mercado tentarem substituir as casas de apostas.
Só que o discurso dos clubes também é péssimo. Futebol não vai acabar. A Fórmula 1 não acabou sem o cigarro. Foram 35 anos, de 30 a 35 anos de cigarro nos carros de Fórmula 1. A Fórmula 1 não acabou. Futebol não vai acabar, não se trata disto. Agora, se você tem A empresa em que você trabalha faliu, você perdeu o emprego, você não vai ter salário. Isso é terrível, acontece com muita gente. Se você é demitido de uma da Volkswagen, você vai ter aviso prévio.
Então este aviso poderia ter acontecido. Veja, eu, é claro que a questão foi eleitoreira, mas mesmo dentro da campanha houve divergências. O Sidônio Palmeira queria que fosse a proibição por MP, o Edil Silva não queria. Então, mesmo dentro da campanha, qual outra alternativa?
Se não fosse MP, qual seria a outra alternativa, PVC?
No final do processo, Edil Silva queria projeto de lei. E a gente sabe que eu até defendi esse projeto de lei porque eu gostei da ideia, mas pensando direito Se fosse projeto de lei, não ia passar no Congresso, né? Se a MP tem chance pequena de passar no Congresso, imagina projeto de lei em 90 dias. Mas por que que a ideia do projeto de lei do Edinho Silva? Porque você teria 90 dias para adaptar o mercado.
Ô PVC, e a justificativa que a CBF tá dando e o governo também, que eles vão convocar uma reunião com os times e fazer uma espécie de crédito para auxiliar os times nesse momento de transição? Você acha que isso tem chance de dar certo?
Acho que não. E foi o que aconteceu hoje, né? Porque a ideia era fazer uma reunião no Ministério do Esporte. O Ministério do Esporte cancelou a reunião ontem à noite. Às 21 horas saiu a notícia que a reunião estava cancelada porque os clubes estavam boicotando a reunião. E por que estão boicotando? Porque ninguém mais quer um Profute 3, 4, 5. E alguns clubes têm razão objetiva para isso. O Palmeiras e o Flamengo tem os dois maiores, dois dos três maiores contratos de publicidade em camisa de clube, e os dois não precisam de socorro.
Eles não têm dívida fiscal. O Flamengo não tem dívida fiscal, Palmeiras não tem dívida fiscal. Aí você vai me chamar para renegociar dívida fiscal dos clubes, mas eu não tenho dívida fiscal. Você vai me chamar para quê? Eu não quero isso. Eu quero que você me dê um prazo, que é o que os clubes estão justificando. Agora também acho que o discurso fica ruim, parceiro, porque assim, aí o BAP diz: como é que eu vou pagar o Paquetá?
Não é esse o problema. Se você tem um problema de saúde pública, ele se sobrepõe a isso, né? Você, você contrai uma dívida, você deve ter maneiras de— é verdade que você deveria contar com dinheiro com o qual você contava para pagar essa dívida. Mas se você tem um problema de saúde pública, se tem pandemia de novo e você tem que parar o futebol por 6 meses, como é que você vai pagar o Paquetá? E aí você vai fazer o quê? Vai jogar com Maracanã lotado para pagar o Paquetá?
Não vai, porque tem uma pandemia. Então se tem um ponto que se sobrepõe, agora repito, para mim saúde pública em primeiro lugar, em segundo lugar tinha que haver, no meu ponto de vista, um certo respeito aos contratos, né? Ou seja, não é respeitar o contrato. Temos 3, não temos 3 anos, mas temos 6 meses, temos 2, temos até o dia 1º de janeiro.
Essa discussão, você está falando, ela foi feita de um jeito assim que um lado é muito emocional e os clubes reagiram também de uma forma muito emocional. Vai acabar futebol, vai não sei o quê. E me parece que o debate que precisa ser feito não foi feito, né?
Então eu acho, Madeleine, que uma coisa só que é importante dizer: teve um processo de regulamentação. Por que que foi feita a regulamentação em 2023? Porque era um jogo perdido. E a pergunta agora é se o jogo não está perdido, porque você cancela os jogos Por exemplo, uma coisa que é importante: quando você cancela as outorgas, tira os sites legais e os aplicativos do ar, os sites tinham como obrigação indicar quando há um volume incomum de apostas.
Por exemplo, caso Bruno Henrique, né? O Aleph Manga foi suspenso por 360 dias porque ele participou de uma artimanha para tomar um cartão que não tava previsto, que ele não tomaria em condição normal. Por quê? Porque queria beneficiar um apostador. A acusação do Bruno Henrique, que se transformou em multa no ano passado no Tribunal Esportivo, mas que tá em andamento ainda no Tribunal de Justiça, na Justiça Criminal, era de que ele teria tomado um cartão amarelo e avisado as pessoas do convívio dele de que ia tomar um cartão amarelo para que essas pessoas ganhassem dinheiro nas apostas.
Apostas.
Quando você tem a legalização, quando você tem a regulamentação, melhor dizendo, você obriga os sites a dizerem, ó, tem aqui um volume incomum de apostas, que era o que não havia quando houve o caso de Carvalho, porque os sites eram completamente clandestinos em 2005. Veja, não é por isso que você não vai proibir. Se você tem um problema de saúde pública e você tá convencido que acabando Você vai resolver o problema de saúde pública, palmas, saúde pública em primeiro lugar.
Agora tem um monte de efeito colateral aqui abaixo disso, por exemplo, informar o volume incomum de apostas, que pode ser falcatrua.
E que a gente tá vendo, né? Quantas plataformas que foram?
300.
Já tem 300.
Eu ouvi ontem, ontem de manhã eu ouvi que tinham sido criadas 415 plataformas ilegais depois da proibição. Mas, mas eu acho que aqui também tem um cuidado que a gente precisa ter, porque tá um jogo de informação e contra-informação para botar terrorismo dos dois lados, né? Do tipo, vou tirar dinheiro do esporte olímpico. Por quê? Você perdeu seu patrocínio, você vai tirar dinheiro? Você perdeu seu patrocínio do futebol, você vai tirar dinheiro do esporte olímpico?
Então uma coisa que tá errada. Então é bom a gente tomar cuidado também dos dois lados com esse terrorismo de informação.
E PVC, eu sou corintiano, nós aqui, eu e Vilela, né? E nosso time atravessa uma certa dificuldade econômica.
Certa dificuldade? Nossa, eu queria que fosse verdade.
E você viu que é uma casa de entretenimento adulto, vamos colocar assim, se predispôs a fazer o patrocínio tanto do Corinthians como do Flamengo.
A bet te fode, mas é você que fode. Desculpa, PVC.
Você sabe que ontem eu tive a curiosidade—
o quê, PVC? Cuidado com o que você vai falar.
Eu tinha uma curiosidade de entrar naquele site da Fatal Models para entender como é que funcionava aquilo. Mas isso é isso mesmo que eu tô pensando? Aí tava ali a avaliação das acompanhantes: meu Deus do céu, não entre, não entre!
Já tá todo mundo agora, já tá todo mundo entrando. Eu só não tô entrando para não ter imagem minha acessando o Fatal Models, mas assim que não tiver mais gravando, eu já vou Não, mas o que que eles avaliam? Igual iFood? É tipo isso, é igual iFood, tipo, eles vão contando a experiência, é isso?
O hambúrguer estava saboroso e o queijo derretido.
Mas você acha que vai ter algum tipo de regulamentação?
É inacreditável.
Porque o Corinthians já usa na bermuda, por exemplo, né? Na bermuda já tem. Se eu não me engano, o Vitória já utilizou.
Impressionante.
Não, porque aí o patrocinador vai ser isso daí?
Não, já é no Corinthians, já tem no calção, já tem no calção, e eles queriam colocar na camiseta.
Veja que a gente tem contradições. Eu tô tomando sempre o cuidado, Madeleine, de dizer que o problema central é saúde pública, que é para não ser confundido, porque a gente começa a enumerar os efeitos colaterais e parece que você tá defendendo alguma coisa. Não, eu defendo que se defenda a saúde pública. Bom, mas olha só, placa de publicidade em estádio pode ter caninha 51, que eu sou contra também. Tem um projeto de lei que passou na Câmara e que ia ser votado em dezembro no Senado e ainda não foi, mas o projeto de lei tá lá.
Para liberação dos cassinos e resorts. Então o Brasil é uma contradição ambulante.
Eu acho que é importante também, PVC, a gente pontuar: eu falo das pessoas viciadas e o que isso tem acontecido nas famílias no programa há mais de 2 anos. Então não é um fato que aconteceu há 30 dias e aí de fato precisaram tomar uma medida emergencial. Então acho que por isso caracteriza como uma medida eleitoreira, porque a gente tá vivendo esse endividamento há mais de 2 anos.
Sim, esse endividamento desde antes da legalização, que foi no governo Michel Temer. Porque o que eu tô falando para você, em 2016, 17, eu morava no Rio de Janeiro e os sites de apostas não eram legais, e os caras viravam para mim e falou assim: Quando é que vai ser o Sassoon e Betes? Não era legalizado ainda. Então esse problema vem há muito tempo. Houve um erro de avaliação da sociedade que somos nós. O governo é parte disso, os 3 governos são parte disso: Michel Temer, Jair Bolsonaro e Lula.
Os 3 são parte disso. De ter deixado chegar onde chegou. Agora, eu acho, eu falo uma questão, você falou do caso aqui, Bem-vindo, antes você me permitiu que eu ia falar, eu ia falar uma outra coisa, não tem problema, se eu lembrar depois eu volto, tá?
Da Fatal, você acha que vai ter algum tipo de contradição, né?
Por exemplo, ah, eu ia dizer da Dona Santinha.
O quê?
Quem conta a história do Brasil, que quem proibiu os cassinos no Brasil foi Dona Carmela Dutra, Dona Santinha, a primeira-dama no governo Dutra, que era absolutamente religiosa e contra o jogo. E aí que se fechou o cassino da Urca, o cassino no Copacabana Palace, e isso foi em 1946. O que aconteceu nesse movimento agora, embora tenha um caráter eleitoreiro, sem dúvida, e esse caráter eleitoreiro tem divisão dentro do próprio governo, como eu disse, porque o Edinho Silva, coordenador de campanha, era contra MP.
Mas houve um movimento que começou pela Igreja Evangélica, que teve a contribuição com muita boa vontade, boa intenção da Paola Lavigne, a mulher do Caetano, companheira do Caetano Veloso, que chegou até a primeira-dama Janja e que chegou ao Lula, que reuniu famílias de viciados endividados e que ele se tocou por isto. Então isso não tira o caráter eleitoreiro, mas o processo vem desse tamanho, vem nesse caminho. Até que o Lula se convenceu, fez uma reunião no dia 1º de setembro em Brasília ouvindo famílias de indiciados e falou: não pode continuar assim.
E aí você junta fome com vontade de comer, tem um caráter eleitoreiro, sim, sim tem, mas tem um caráter de saúde pública. E tem uma questão que eu acho que seria importante haver e que não houve, do aviso prévio.
E também do tratamento desses viciados, porque ludopatia é um vício. Vai fazer o quê com essa gente agora? Acha o quê, que vai proibir a bet, o cara vai ter a vida normal? Ele tem que ter um atendimento, esse pessoal.
É o que o José Francisco Massu, que é um dos que participaram do trabalho na Secretaria da Fazenda, advogado, hoje ele é advogado de 5 casas de Ele saiu da Secretaria da Fazenda, ele cumpriu a quarentena e foi se advogar para Casas de Apostas. Pode ter aqui uma contradição, mas foi esse o caminho que aconteceu. O José Francisco Mansur, que participou de todo o processo da regulamentação, foi um pai desse processo de regulamentação, é também um dos pais da Sociedade Anônima do Futebol, da SAF.
Ele diz: a medida provisória não tem uma linha sobre o tratamento tratamento para o viciado. É uma das críticas que ele faz à medida provisória.
E eu acho que nisso aí a nossa sociedade vai ter que mergulhar, né, PVC? Porque assim, os próprios casos que a gente viu, seja na imprensa ou seja até na propaganda eleitoral, por mais eleitoreiro que seja, o que me dói o coração é que não foi dada uma solução para essas pessoas e a família fica tão quebrada que eles próprios conseguir correr atrás?
Sim, tem muita gente que tá desesperada. Eu conheço gente que foi internada, não vou citar nome de pessoas, que evidentemente muita gente foi internada por ludopatia. Também é importante dizer que os tratamentos mais profissionais de ludopatia no Brasil começaram nos anos 90 por causa dos bingos.
Eu conheci um de bingo que foi internado, que o pessoal acha que é brincadeira.
Eu conheci A minha ex-sogra perdeu um apartamento no bingo numa noite. Ela tinha problema de libido, foi lá e perdeu o apartamento.
Jesus Cristo.
E era muito importante. Os bingos foram proibidos, depois veio eliminar, contra-eliminar. Apesar dos cassinos serem proibidos no Brasil desde 1946, desde que Dona Carmela Dutra ajudou a proibir, tem cassino que funciona em São Paulo, que funciona no Rio de Janeiro. A diferença do bingo pro, pro, pras bets é ir pro jogo do Tigrinho, por exemplo, é isso aqui, né?
É isso aí, você não precisa ir a algum lugar físico, né? Você tá com ele na mão a qualquer momento.
Exatamente. Se você tá, por exemplo, você tá, alguém na sua família tá tomando cuidado de você não jogar, aí você pega esse bichinho aqui e vai ao toalete e joga.
Então precisa de muito apoio, né? Acompanha a família também, porque é enlouquecedor esse negócio.
E PVC, você deve receber muito também. Eu, eu no meu Instagram, cara, é o pedido de ajuda porque perdeu tudo no jogo. Absurdo, assim, tem muito recado assim: perdi não sei quanto, você pode me ajudar e tal. É aquele monte de mensagem. Eu não vou ajudar. Só vou ajudar todo mundo, cara, que eu vou, não tem, cara.
Aí eu acho que vão pedir, né?
Você não sabe se é verdade, se não é.
Exato. Mas é muito pedido, muito pedido, muito pedido.
Mas eu recebo também, e eu acho que a coisa assim, os casos estão tão conhecidos que passou a ser uma desculpa, uma fala coerente. É, pode ser também, é verdade. Porque tem tanta gente que passou por isso que eles acham que a gente vai julgar que todos os casos são verídicos, né?
É verdade.
Mas tem muita gente, é igual as pessoas ligarem para você dizendo que sua mãe tá precisando de dinheiro porque ela tá precisando dinheiro. Não, o que mais tem hoje, isso é uma coisa, Madalene, eu fico chocado. Já falei isso para todos os meus amigos. A gente, a gente vive numa sociedade que a gente reclama do STF, a gente reclama do Congresso Nacional, a gente reclama do Poder Executivo, e o cara tá na outra esquina dando golpe em você por aqui.
Sim, na outra esquina. E a gente tá, a gente tá, por isso que eu faço questão de dizer com todos os problemas dos 3 governos, dos 3 governos, nós estamos falando de um problema da sociedade brasileira.
Isso que você fala, PVC, às vezes eu falo também, o povo fica p da vida comigo, mas é o seguinte: você não chega numa cúpula da sociedade tão corrupta e tão problemática se a sociedade corta a asa do que tá subindo de maneira desonesta. Se lá no começo, no nível de gerência, o cara começa a bancar o esperto para cima dos outros, querer dar golpezinho, querer não sei o quê, se a reação social é: ô fulano, não, você assim não. Se é assim, ele não tem como chegar lá em cima dando, fazendo coisa errada.
Você enquadra. Agora, a grande questão, por exemplo, é Eu já ocupei cargo público algumas vezes. As pessoas, pessoas que eu vejo às vezes fazendo discurso de honestidade, de probidade, tiravam sarro da minha cara. Porque você teve a oportunidade de fazer um pé de meia e não fez, que você é idiota, porque todo mundo faz. Se você não fizer, o outro faz. E pessoas normais, não tô falando de bandido. Sim, você deve ouvir também. Você é trouxa, você não pega bet, tá todo mundo pegando propaganda de bet, por que que você não pega? Eu vi, Léo deve ouvir isso para caramba.
Eu também já vi.
Ai, você é muito trouxa, pega isso aí, por que que coisa essa de princípio, tá todo mundo pegando. É, tem isso, né?
Outro dia assim, a gente tem, tem nada a ver uma coisa com a outra, mas acho que vale a pena contar porque é da A única saída que a gente tem é educar as pessoas. Outro dia eu tava na Avenida Paulista, um ciclista com uma bicicleta elétrica quase passou por cima. Como ciclista passando perto de mim quase me atropelou na faixa de pedestres. E eu virei para o policial e falei: o senhor viu o que aconteceu? Ele falou: mas a bicicleta?
Eu falei: sim, a bicicleta tem legislação, ele é um veículo do Código de Trânsito. Ele falou: não. Como não? O policial me falou que não tem regra para bicicleta. Bicicleta pode passar no farol vermelho, pode passar, não pode. A bicicleta tá no Código de Trânsito. Não tiver ciclovia, ela vai andar pelo lado direito, vai respeitar sinal vermelho, vai respeitar faixa de pedestre, vai andar na mão, vai andar na contramão. Ciclista, motociclista, pedestre tem segurança atravessando na faixa de pedestre.
A gente tem um mundo hoje que as pessoas não sabem Não sabem. E neste mundo que as pessoas não sabem, é muito mais difícil você ensinar ética, porque as pessoas não sabem regras. Imagina o que é ética.
Verdade. PVC, queria agradecer demais a sua participação aqui com a gente.
Acrescentou demais aí ao debate. Bem legal, né? Bem legal.
Muito obrigada e até a próxima, em breve.
Até mais.
Beijos. Obrigada. Beijão. Tchau, tchau.
Agora, agora a galera tá entrando agora no site lá para ver as coisas. Não, Robert, sai do celular aí, por favor, cara.
É irresistível.
Não, eu não posso, que se eu abro aqui, meu filho tá vendo, vai ver a mãe dele entrando no site. Pelo amor de Deus, entendeu?
Mas, ô Fernanda, qual que é o assunto agora?
A gente continua nesse assunto agora com uma visão diferente, porque quem vai falar com a gente é ela, que é delegada, a Doutora Maria Corsato. Oi, Doutora Maria Corsato, boa noite. Tá sem áudio, Doutora.
Doutora, o diretor, todo mundo que entra, entra sem áudio. Dá para vocês avisarem o pessoal para ligar o negócio? Porque é todo mundo aí, hein.
Doutora, tá me ouvindo bem?
Ouvido?
Não, não, ainda não, não, ainda não, Doutora. Oi, doutora. Doutora, vê se o seu microfone tá ligado, por favor.
A gente ainda tá ouvindo agora.
Agora sim, pronto.
Doutora, boa noite, seja bem-vinda. Boa noite, obrigada por estar aqui com a gente mais uma vez. E doutora, eu queria pedir para que você falasse um pouquinho sobre esse assunto, que é a proibição das bets, como é que isso tá refletindo e o seu ponto de vista, por favor.
Bom, desde 2022 eu faço um trabalho em Instagram alertando sobre o perigo do aumento do vício em jogo. Isso já acontecia um pouco antes de abril de 22, porque a primeira coisa que aparece dessa coisa eletrônica em rede social, em Instagram, É o que eles chamavam de foguetinho. E quem começou a anunciar isso foram alguns influenciadores sociais, e eu vi um específico que foi Deolane Bezerra. Em abril de 2022, ela faz aquela foto junto com o presidente Lula, né?
Ela tá fazendo L e ele abraça, ele fala aquela, aquele jargão, é o pai tá estourado. Isso foi abril de 22. Quando a gente chega em 23, quando o o processo de legalização das apostas esportivas vai ao Senado, eles embutem o jogo online no namoro, né, no relacionamento de amizade de Delaney Bezerra e a família presidencial. Então hoje a gente olha isso, a gente vê que isso era tudo concatenado, tinha uma linha naquilo, então tinha uma intenção naquilo.
Então só foi avisado. E tudo aquilo que eu vinha falando aconteceu. A gente pode hoje, a gente olha, a gente olha atrás e vê assim que a bet entrou no Brasil, o jogo eletrônico entra no Brasil como se fosse uma nuvem de gafanhoto, pegou todo o dinheiro que a gente tinha e levou embora. E aí vem o Lula agora dizendo que ele vai salvar o Brasil e vai proibir isso. Não tem mais dinheiro, a bet tá indo embora, eles estão indo embora, mas eu tô quebrado.
De onde vai sair esse dinheiro? Então ele aproveitou o momento para soltar isso, mas também já não é mais interesse de nenhuma empresa tá aqui praticando o jogo eletrônico, acabou o dinheiro. Então se ele tivesse algum tipo de intenção de proteger famílias, na mesma canetada que ele proibiu a bet, ele proibia fintech. Porque na hora que ele proibiu desse jeito que ele fez, ele empurrou todo mundo para o jogo ilegal.
Blum!
Porque o mercado financeiro, o submercado financeiro de fintech, continua funcionando, e hoje funcionando mais, porque todo aquele dinheiro que passava na plataforma oficial passou para plataforma, né, ilegal. Você aumenta lavagem de dinheiro, você aumenta dinheiro de sangue circulando, e você continua com o problema da ludopatia na população, porque foi permitido que o anúncio feito por Virgínia, Carlinhos Maia, por Deolane Bezerra, alcançasse toda a família brasileira, toda, em toda casa.
Esse pessoal entrou em toda casa. Hoje a gente tem um viciado em jogo em toda casa, mesmo que a gente não, mesmo que a família não saiba, você tem um viciado na casa. Algumas famílias, você tem a família inteira viciada. É gente socorrendo de agiota. Esse monte de programa que ele tá falando aí de desenrola de dívida, você não consegue desenrolar uma dívida de agiota. Esses caras vão matar a família, eles vão tomar coisas que as famílias têm, eles vão, não havendo dinheiro, eles vão sanear essas dívidas de outra forma, com violência sexual em relação a mulheres, as filhas, as esposas, as irmãs. É isso que o Lula deixou com essa canetada dele, irresponsável.
Doutora, você tá trazendo um ponto muito importante, porque a gente tem que lembrar da sua bagagem e que você lida com crime ali de perto, né, no no seu dia a dia há muitos anos. Quando a gente fala desse tipo de ação, quando tá ligado a bet, automaticamente a gente tá falando de pessoas que ficaram doentes e que são viciadas. Como eu sei da sua vivência, como é que é para uma pessoa que se encontra nessa situação, doutora, quando ela simplesmente tenha a possibilidade do jogo, ou melhor até dizendo, né, de buscar o seu vício, cerceada.
Ou seja, a partir de hoje você não pode mais. Isso é o suficiente para que a pessoa tome consciência e diga, tá bom, não vou mais jogar?
Claro que não. Você não pode consumir entorpecente no país. E olha as biqueiras, o STF liberou 40 gramas de maconha para cada um. Aonde é que você encontra isso? No SUS? Na farmácia, no mercado, a pessoa tem que ir na biqueira para comprar. Você vai pegar um adolescente lá de 12, 13 anos, vai te entregar a maconha. E aí, o que que adiantou? Aí, se ele sai da esquina, se a PM pega aquele cara, o máximo que vai acontecer, vai pegar um papel, vai tomar uma admoestação, alguém vai falar para ele: isso faz mal para você. Ele sai embora, acabou. E o tráfico diminuiu do país?
Não.
A hora que o Lula falou que ele não tem mais bet, mas no segundo seguinte quem jogava na bet oficial tá jogando na bet oficiosa. Se você entrar no Instagram e colocar assim jogo do tigrinho, vai te aparecer uma porção de coisas para você jogar. Experimenta fazer isso agora, abre seu Instagram e coloca jogo do tigrinho. Quanto vai aparecer de plataforma irregular para você jogar? Tá tudo lá. Só que para aquilo funcionar você precisa de um portão de pagamento, um gate de pagamento, que é fintech.
Você quer parar com isso? Proíbe a fintech, dá uma canetada, manda o ministro da Fazenda desligar todas as operações de fintech. Você aí não tem como jogar, doutora. Simples.
A senhora é da área do ramo, então essa conexão da fintech com o jogo, no seu raciocínio ela é muito clara, mas para a gente ela fica difícil de entender. Explica para a gente por que a fintech em si, o que que esse mercado tem de diferente, por que que é ali e não em outros meios de pagamento, tipo em Bitcoin, em outra coisa, que estaria o problema.
É uma, a maior parte da população que tá Quem tem mais dinheiro, quem tem acesso a um Bitcoin, etc., é uma pessoa um pouco mais estudada, com um pouco mais de acesso. Talvez ela ficando viciada, a família consiga arrumar um tratamento para ela em algum lugar. A massa é de pobre, a massa não consegue pegar uma dipirona no posto de saúde. Então, se a gente não vai falar em fintech, a gente não vai falar em Bitcoin, etc., banco regular Bradesco, Itaú, Uniban, Bradesco, Itaú, eles não vão abrir contas para que você possa fazer apostas, porque tem um custo essa movimentação.
E quem tá fazendo aposta já tá buscando uma renda extra, então o cara não vai pagar. É um fator que dificulta. Então ele precisa de um subsistema, então ele precisa criar alguns aplicativos aonde a pessoa possa mandar o dinheiro Então você vai ter uma empresa, um CNPJ, que vai receber esse dinheiro numa conta bolsão, que é uma conta grande que vai cair um monte de dinheiro lá, bum bum bum bum bum bum. As pessoas fazem as apostas, esse dinheiro vai para casa de aposta.
Enquanto ele cai nessa conta bolsão, ninguém identifica de quem é esse dinheiro, só o dono desse CNPJ, dessa suposta entidade financeira. Aí então ele manda, o dinheiro caiu naquela conta, ele manda esse dinheiro para empresa que faz o jogo. Uma parte daquele dinheiro que tá na conta bolsão, quando a pessoa ganha, ele volta para o apostador. Isso se a gente tivesse no melhor dos mundos, se fosse tudo regular. Quando você vai para bet ilegal, você tem um CNPJ que recebe esse dinheiro, o dinheiro entra ali, esse dinheiro vai embora do país E quem apostou viciado não vai ter o dinheiro de volta.
Em 2024, quando, em outubro de 24, ela é presa, e a regularização ela começa a operar, salvo engano, na última semana de outubro. Antes disso, a gente teve um escândalo em Brasília. A Polícia do Distrito Federal indiciou a advogada dela A Adélia Soares, por ela ter praticado o crime de falsidade ideológica. Ela criou empresas aqui em São Paulo como gate de pagamento para receber o dinheiro de aposta de plataformas ilegais, porque ela só foi, ela só foram legalizadas no final de outubro.
Então até aquele pedaço de outubro era tudo ilegal. E essa mulher, através das empresas dela, mandou para fora R$3 bilhões. Então vamos lembrar que 2 anos antes você tem a Deolane abraçando o Lula, o pai tava estourado. E aí então você pega de abril de 22 para a gente chegar em outubro, em setembro de 26, quem tá estourado? Economia brasileira. E aí ele vem, ele fala que na canetada ele resolve isso, ele sabe onde é que tá o problema.
É no portão de pagamento, é na conta bolsão que recebe o dinheiro, não é no aplicativo de jogo. Porque se fosse o aplicativo de jogo, se você abrir lá, tem alguns joguinhos lá que você fica brincando, brincando, brincando. Se não tem dinheiro envolvido, a pessoa só vai ficar brincando aí, vai cansar o olho. O problema tá na hora que você permite o trânsito de dinheiro, o trânsito financeiro. O trânsito financeiro tá aberto. Eu li, irresponsável, mentiroso.
E ele continua mantendo a população em risco, em risco. Famílias que têm viciados em jogo, é duro falar isso, elas só vão ter sossego na hora que esse familiar morrer. Infelizmente é isso. E eu tô falando isso Porque meu avô era viciado em jogo e ele morreu, foi assassinado. Minha avó sentiu tudo, mas assim, por alguns minutos ela falou assim, puxa, não tem mais gente, não tem mais aquele nervoso, aquela agressão que ele praticava por causa do jogo.
Ele quase matou minha avó de pancada uma vez porque perdeu na mesa de jogo, até que mataram ele. E a gente vê o nível de suicídio disparando no Brasil. Aquela propaganda que o Lula faz, que ele coloca lá uma moça conversando com ele, eu não sei quem é que fez aquela propaganda. A moça fala que ela começou a jogar, que ela se viciou porque ela viu uma influenciadora dizendo que ganhou, que conseguiu comprar a casa dela em Alphaville.
Então ela foi jogar. Quem que é essa moça que anunciou jogo e comprou uma casa em Alphaville? Foi aquela que ele abraçou, eu que tava estourado. Então, até onde vai essa falta de compromisso com o povo brasileiro? Então assim, tem gente doente, tem gente endividada, não tem dinheiro no país, e ele fala isso? Aonde vai? Eu sou completamente contra jogo, completamente contra. Eu não sei jogar baralho. Não sei jogar baralho, não sei jogar rouba-monte.
Então é perigoso. Agora, a gente também tem que colocar uma seguinte situação hoje no país: a gente continua tendo a loteria esportiva. Se você chegar numa qualquer casa, casa de jogo, lotérica, você consegue fazer a sua aposta de loteria esportiva. Então quando o Temer ele vem em 2018, eu vi algumas pessoas falando aqui, eles fizeram entender que tava tudo num pacote só, mas não é verdade. Colocaram tudo, empurraram para o Michel Temer uma responsabilidade, embutiram no Lula e deram uma minimizada para o Bolsonaro, deram uma minimizada agora do Lula, dizendo que já que ninguém resolveu, ele teve que regulamentar.
Em verdade, o projeto original era jogo de futebol, pé na bola. Você tá vendo o pé na bola lá? Se o cara jogar bem, se o cara simular um cartão, se o cara simular uma falta, tá todo mundo olhando, vai conseguir ver. Você sabe como joga aquela pessoa. Se ele ficar o tempo todo se arrastando no campo, você vai saber que tem alguma coisa errada. No jogo do tigre, no jogo eletrônico, você não sabe como o cara Como o cara programou o software para ganhar, para perder, aonde tá o servidor.
O Lula, ele decretou 100 anos de sigilo na documentação das bets, porque não tem uma, mesmo as regulares, não tem uma que seja correta no país. Porque uma das previsões legais é de que os servidores estejam no país. Aonde estão esses servidores? Alguém sabe? Alguém já viu? Pega uma bet regular e onde é que tá os seus servidores? Leva lá a gente para ver, filma, põe o drone em cima para filmar onde é que é. Alguém já viu isso? Não, você não tem, não tem servidor no Brasil.
Então você não tem como controlar isso. Então foi brincadeira, fizeram brincadeira, ficaram 2 anos ripando a economia brasileira de forma regular a pretexto de ser imposto. E adoecer na população. E agora ele fala que tirou só para dizer que ele fez alguma coisa, reverter isso em alguns votos de famílias que acham que essa proibição vai fazer com que o familiar dele pare de jogar, mas não vai. E ele coloca isso hoje, né, para funcionar, porque a eleição daqui 5 dias, porque mais ou menos em 7, 8 dias a família vai perceber que isso é uma furada o que ele falou.
Porque o cara vai continuar jogando, a dívida vai continuar crescendo, o agiota vai continuar batendo na porta e vai querer cobrar de alguma forma a dívida. Se não tiver dinheiro, leva tua mulher, leva tua filha. Ah, minha filha tem 10 anos, não tem importância, eu sei para quem vender. Doutora, isso tá acontecendo hoje no país.
Só para eu entender direitinho, então a senhora vendo que existe o problema agora, a sua proposta é regulamentar ou acabar com as fintechs, é isso? Para que elas não consigam financiar as apostas esportivas?
Não é aposta, gente. Assim, aposta esportiva é uma coisa, jogo do tigrinho, jogo online, cassino online é outra.
E a senhora é a favor das apostas esportivas?
Eu, a Maria Aparecida, não gosto de jogo nenhum, jogo nem baralho, nada. Na minha casa não tem dominó, mas A loteria esportiva ela continua funcionando. Então não dá para a gente proibir a aposta esportiva existindo a loteria esportiva. Como é que você vai fazer isso? Então isso tem que ser regulamentado, mas você não pode enfiar o cassino na vida das pessoas. Não dá para ter o cassino na vida das pessoas. Então ele teria sido responsável se ele dissesse, olha, Não, ou empresa, você não pode mais operar isso aqui, você não vai mais operar jogo eletrônico.
Por isso que a medida dele é extremamente eleitoreira. E para fazer aposta esportiva você não precisa da Kintec, você pode fazer pela Caixa Econômica, você pode fazer as empresas criarem uma conta na Caixa Econômica, e aí na Caixa Econômica Federal, e aí as apostas são todas feitas pela Caixa Econômica Federal. Você ainda faz esse banco público oxigenar e ganhar um dinheiro. Mas se você quer acabar com o jogo, tem que acabar com a fintech. Não tem outra opção.
Mas as fintechs não são utilizadas para coisas positivas também? Caso acabasse com a fintech, poderia gerar problemas negativos para os Bonsus ou não?
Hoje em dia, o mal que ela traz é infinitamente maior ao benefício pelo qual ela foi pensada. Ela tem que ser extinta do nosso mercado. Não pode. O Brasil não tem condição de ter fintech funcionando. Ela lava dinheiro do crime organizado. E quando a gente fala em crime organizado, eu tô falando tráfico de entorpecentes, tráfico de arma, exploração sexual e terrorismo. Então não dá. O Brasil não pode. Nós não temos condições de ter esse mercado financeiro funcionando, operando.
Você quer, você precisa de uma— quando a fintech ela é pensada é porque você precisava, o sapateiro, o cabeleireiro, o cara do coco, o sorveteiro, então ele precisava movimentar o quê? Aquele dinheirinho que ele ganha vendendo essas coisinhas. Só que que a gente vê hoje sendo movimentado em fintech? Só dinheiro do crime organizado. Então você vai assim, você não tem a Caixa Econômica, não é um banco público, você vai ter que abrir conta para todo brasileiro.
Todo brasileiro vai ter que ter um cartão, alguma forma de funcionar. Pela Caixa Econômica Federal, pelo Banco do Brasil. Ou então cada banco hoje funcionando, que opera, vai ter que ter lá tipo 1, 2% do trabalho dele tem que ser para essa população menor que não tem como funcionar, sem cobrar taxa nenhuma. Senão também extingue, para de funcionar. Mas nós não podemos ter fintech, nós não podemos mais ter dinheiro circulando abaixo do mercado financeiro, não tem como.
A quantidade de golpes digitais que ocorrem hoje no Brasil Todo esse dinheiro passa por fintech. Nós não conseguimos recuperar. Se você, se o golpe, ele pega, sei lá, bilhões de reais, a hora que você vai rastreando, você consegue pegar um pouquinho do dinheiro. Mas aquela pessoa que perdeu R$5.000 e era tudo que ela tinha na vida dela, 30 segundos depois que ela perdeu o dinheiro, você não recupera mais, porque diluiu o volume, virou fumaça.
Eu acho que é uma coisa muito importante que a doutora trouxe, que não é do conhecimento da maioria das pessoas é justamente essa sede que aponta como Brasil, mas que não existe. Não existe, não tem fiscalização.
Exato, não tem como confrontar o software. Cadê que quem vai fiscalizar? Você tem que chegar lá no servidor, vem cá, pô, cadê? Deixa eu ver o seu software. Não tem aonde ir, não tem aonde ir. A lei, ela autoriza o funcionamento, ela coloca um monte de condições, inclusive o servidor. Só que ela fala, mas só funcionar em 2 dias. Como que aquilo que não era legal hoje é legal daqui 2 dias? E te obriga a ter o servidor no país. Como é que o cara coloca em 2 dias o servidor no país?
Então é todo mundo trouxa. Quando isso começa a operar em outubro, acabou o Brasil. Naquele momento, meu, vou tirar meu dinheiro até do banco, porque a hora que esse negócio quebrar, todo mundo vai pagar essa conta. Aí 82% da população tá endividada, 50% dela já não paga mais dívida, 52% da população já não paga mais dívida, desistiu de pagar, 18% da população tá bancando essa conta toda. Aonde a gente vai chegar? A nossa economia.
Então a Bete, ela chega aqui, vum, em 24 ela foi autorizada. Essa nuvem de gafanhoto, ela foi autorizada a entrar na nossa economia. Ela já tava aqui voando irregular, só que a partir de outubro, do final de outubro de 2024, ela foi autorizada a comer tudo que a gente tinha, levar embora. E no dinheiro que foi embora nosso Foi embora também dinheiro de lavagem de dinheiro. Isso foi tão grande que acabou chamando atenção do governo americano.
Falou, meu, para, não dá mais. Se vocês continuarem mexendo com dinheiro dessa forma, nós vamos responsabilizar vocês aí. E é o seguinte, a gente já sabe que nesse montante de dinheiro tem dinheiro do Comando Vermelho, tem dinheiro do PCC, etc. E nesse monte, nesse rio de dinheiro que foi lavado, veio também dinheiro de terrorista. Então é o seguinte, daqui para frente Eu vou punir tudo, já que vocês não conseguiram tomar conta do seu sistema financeiro.
Se entrar aqui, vai todo mundo para o pacote, não funciona mais. Aí os bancos que eram regulares ficaram nervosos com aquilo que o Trump falou, porque eles sabem que até no sistema financeiro formal entrou dinheiro do crime organizado, e eles até sabem quais são os fundos que eles têm lá e que são ruins. Mas só que precisou vir alguma, alguém de fora para cobrar isso. Então é muito mais grave. O que a gente tem é muito sério, é muito grave para tratar só com essa coisa da canetada, dizendo que devolve o dinheiro da população, para que 80 empresas fazerem isso. E as fintechs vai fazer o quê com isso, doutora?
Com certeza esse assunto ainda tem muito pano para manga, vai dar muito o que falar. Então eu queria agradecer demais a sua participação hoje aqui com a gente, e pode aguardar que qualquer movimentação nesse tema a gente vai te procurar para que você participe novamente conosco, viu? Muito obrigada.
Eu que agradeço. Às vezes eu falo muito sério, eu fico, às vezes eu fico brava porque esse assunto é tão sério e não dá para manter assim uma, nem a cara de boazinha, porque a coisa é muito grave mesmo. E obrigada pela oportunidade de poder falar mais uma vez sobre os riscos do jogo e principalmente sobre a fintech, sobre como as fintechs elas estão envolvidas nessa parte de crime organizado e lavagem de dinheiro, usando, né, a cara de algumas pessoas para poder fazer isso.
Com certeza, a gente agradece, né, Vilela?
Claro, vamos, muito obrigada, fala bastante disso.
Obrigada, viu, doutora? Um beijo grande. Outro, tchau, tchau, tchau. Doutora trouxe assuntos muito importantes, né, que a gente quando para para pensar até se assusta.
É um problema mais complexo do que parece.
É, eu já acho que eu vou ver pela rede social, eu sempre, eu sempre fico puto porque vira torcida, vira, e aí a galera não tá nem querendo saber os impactos mesmo, é só, ah, você é a favor, você é contra, você é Flávio, você é Lula. Virou isso.
Quem vai votar no Flávio não pode ser a favor da medida do Lula, e quem vai votar no Lula não pode ser contra a medida que ele tomou, né?
E aí já misturam Nossa Senhora no meio das bets também.
E é sobre isso que a gente vai falar agora.
Então, mas quem lê as notícias começa a misturar. Mas o que que Nossa Senhora tem a ver com as bets? Porque, ah, se eu sou contra as bets, então você é contra Nossa Senhora, então a padroeira. Aí mistura todas as coisas. Vamos falar disso também, né?
Não, e a nossa É, eu tenho a teoria, você sabe que eu sou uma pessoa de fé, sim, muito católica. Eu acho que ficar brincando com poder de Nossa Senhora não dá bom. E assim, no dia de hoje que estavam fazendo esse forfé todo, hoje é dia de—
foi no final de semana ou foi sexta-feira?
Foi em 2018, tá?
Não, eu sei, mas agora aqui que saiu essa?
Foi na semana passada na GloboNews.
Ah, é? É porque essa notícia, essa notícia, porque tanta coisa, uma coisa em cima da Beth foi depois, porque é uma coisa em cima da outra, você não consegue acompanhar.
Eu não lembro, não, da Santa foi depois da Beth.
É, mas é uma fake news que já teve em 2018.
Já teve? Já a mesma?
A mesma. Aí até a Agência Câmara repetiu, foi no primeiro turno de 2018. Em 2022 teve entre o primeiro e o segundo turno, logo depois do primeiro turno teve de novo, e agora teve. A diferença entre as duas outras vezes e agora é que antes era influenciador maluco, blog do não sei o que lá, e agora falaram na GloboNews.
Dizem, não sei se chegaram aí, mas começou pelo cara responsável pelo Di uma bolada Ah, e é o que tá no processo, né?
É, mas assim, das outras vezes não teve esse boom porque não, porque só chegou na mídia tradicional o desmentido, entendeu?
Não, a mídia tradicional, entrevista do Lula na Band, Canal Livre, domingo perguntaram, ele falou, o jornalista falou, não é fake news, e ele insistiu, não, mas tá na rede social, né?
Aí ele validou a rede social.
É, então assim, ele virou Papa agora, porque quem decreta quem é a padroeira de um país é o Papa.
Ah é?
Não sabia disso.
Quem decretou como que Nossa Senhora se torna padroeira do Brasil? É só o Papa que decreta quem é padroeiro. Tem padroeiro, país que era os bispos, alguma coisa assim. Não tem, é decreto papal. Tem país que não pode ter cristianismo e tem padroeira. Tá, por exemplo, a santa padroeira do Golfo Pérsico é Nossa Senhora da Arábia. Tem país lá no meio que não pode praticar o catolicismo, mas porque é uma questão de fé a padroeira. Como que nós sabemos?
Na minha visão, entendeu? Reuniu os bispos e, ah, vamos aqui, porque cada lugar no México é outra. É exatamente, eu achei que era o próprio país.
Na América do Sul, o que foi feito? Coisas que eram muito fortes da cultura popular e se tornaram clamor popular.
Mas pode ser mudado ou não assim que tem uma padroeira?
Pode, se tiver outro decreto, mas é só o Papa. Então falaram: ah, um deputado apresentou. O deputado, se ele acha que ele é o Papa, ele é esquizofrênico, ele não vai conseguir mudar.
Então a gente não vai saber dessa notícia ainda do que imaginar. Eu achei que chegava até o governo e falou, a gente decidiu aqui, Igreja Católica.
Não, como que Nossa Senhora vira padroeira do Brasil? Nossa Senhora Aparecida não é Nossa Senhora da Conceição, tá? Uma estátua de Nossa Senhora da Conceição é achada aqui no Vale do Paraíba, nos pescadores, né? E por isso que é Aparecida, porque ela apareceu. É a Nossa Senhora. Então você tira o manto.
Eu sou um idiota, ô, Homer! Eu não sabia nada disso.
Quem é que me proibiu de ser freira? Me proibiram de ser freira com erros da Igreja Católica, que eu devia ser freira hoje, que eu estudei para caramba.
Existe um universo paralelo onde você é freira.
Eu tô oferendo.
Não, aí o que é Madalene é nome de freira.
Tem Nossa Senhora da Escada, não é? Tem Nossa Senhora da Escada no Espírito Santo, que aí vai na controvérsia. Mas a gente não vai falar desse assunto sozinhos.
Ah, tem gente?
Tem ele que é historiador, que é o Vinícius e Mérida. Vinícius, boa noite!
Boa noite, estão me ouvindo?
Seja bem-vindo!
Eu fui o primeiro da noite então a entrar bem nisso.
Isso foi Nossa Senhora que te abençoou e deu certo. Ela abençoou o equipamento.
Qual que é o santo das comunicações? Com certeza, gente.
Então é sobre essa situação de do padroeiro aí, uma curiosidade interessante, que o primeiro, na verdade, o primeiro padroeiro do Brasil foi São Pedro de Alcântara, dado pelo Papa Pio VII, tá vendo? Nossa Senhora Aparecida é a segunda padroeira do Brasil, então pode mudar, foi dada em 1930 por Pio XI, né? Mas todo mundo fala muito de Nossa Senhora Aparecida, é claro, padroeira do Brasil, enfim. Mas o primeiro padroeiro do Brasil, que ninguém fala, foi a pedido de Dom Pedro I, Olha só, é o chefe de Estado que pede, no caso do Império, né, no Brasil Império.
E foi concedido então por Pio VII, como São Pedro de Alcântara. No caso de Nossa Senhora Aparecida, foi 1930, né, que os, na verdade, 1929, que os bispos do Brasil pediram. Getúlio Vargas surfou na onda de Nossa Senhora Aparecida apoiou amplamente, né? Mas quem concedeu o nosso aparecido no caso foi Pio 11, né? Então esse papo de presidente vai retirar, como a Madeleine tá falando aí muito bem, né? A propósito, Madeleine, eu queria pedir para você mandasse um beijo para minha esposa Carolina, que ela gosta demais do seu trabalho, uma baita admiradora sua. Queria pedir para você mandar um beijo para minha esposa Carolina.
Ai, com todo prazer! Deixa eu mandar um beijo para Carolina, que aqui as esposas sempre são prioridade. Aqui. Carolina, beijo enorme para você, muito obrigada pelo carinho, pela confiança.
Mas assim, fã diariamente, tá com você ouvindo seu podcast, suas considerações, enfim, admira demais.
Amém, graças a Deus, obrigada. Nossa, fiquei feliz, tá vendo? Eu tô, eu tô há um tempão, como eu falo de política, eu tinha um público um público muito masculino. E homem é de veneta, né, não é, Viel? E eu trabalhei muito para ter um público feminino. Então toda vez que eu vejo que uma mulher tem se interessado e tudo, eu fico muito feliz, fico muito feliz pela Carolina tá aí. Obrigada.
Não, ela te admira imensamente assim, de uma maneira singular assim. Aí eu falei para ela assim, ah, que eu estaria no podcast do Vilela, enfim, E aí eu falei, ah, Madalene vai estar lá. Nossa, assim, ela ficou felicíssima. Ela não tá assistindo nesse momento porque ela é professora no curso de arquitetura, ela é arquiteta, mas é, seguramente ela vai ver você.
Eu vou fazer um corte do beijo que você mandou para ela e depois me apresenta para ela. Arquitetura é uma profissão lindíssima, né, gente? Uma profissão muito bonita. Aí me apresenta depois que eu quero falar com ela.
Tá bom, vamos lá, irmã.
Eu vou mostrar Depois o negócio fizeram aqui para mim.
Irmã Madá é muito bom.
Irmã Madá é muito bom.
Mas vamos lá, quais questões mais que eu queria que ele explicasse para gente exatamente, contar um pouquinho, já que ele é historiador, é por que que alguns políticos insistem aí em colocar não só Nossa Senhora, né, mas outros santos, enfim. Na discussão? E como é que, o que que isso prejudica? Como é que a sociedade de modo geral enxerga uma atitude como essa?
Eu fiz uma pesquisa, na verdade, sobre essa questão de Nossa Senhora Aparecida, né? E em torno de Nossa Senhora Aparecida, do Santuário Nacional de Aparecida, há essa militância política, né? Por exemplo, a primeira que manifestou assim uma forte devoção a Nossa Senhora Aparecida foi a Princesa Isabel. Em 1884, ela rezou fervorosamente, já percebendo os ares republicanos que tocavam o Brasil. Então ela rezou fervorosamente e ela pediu a Nossa Senhora Aparecida dizendo assim: ó minha mãe, caso eu não suba ao trono, não tenha a coroa de rainha desse país, eu peço que a senhora governe o Brasil.
Mas no caso da Princesa Isabel, trata-se de uma fé genuína mesmo, não se trata de uma instrumentalização da figura de Nossa Senhora Aparecida. Getúlio Vargas surfou na onda. Por quê? Porque em 1930 a Igreja Católica tava passando por um processo de recuperação das suas forças políticas e sociais, era um processo de recristianização do Brasil. Brasil, de romanização do Brasil. A Igreja Católica então recuperando as suas forças sociais que ela tinha perdido por conta da República.
Getúlio Vargas, que também tava, tinha acabado de se tornar presidente da República por meio de um golpe, então falou assim: opa, Getúlio, que não era religioso, hein, falou assim: bom, Nossa Senhora Aparecida vai ser coroada padroeira do Brasil, isso é interessante para mim porque eu tô no meu governo provisório. Já sei, vou fazer um acordo junto com os bispos católicos, vou apoiar amplamente a figura então de Nossa Senhora Aparecida.
Foi nesse momento então que ela se tornou padroeira do Brasil. E ao longo de todo o século 20, então, a devoção a Nossa Senhora Aparecida teve um caráter político, teve um caráter religioso, de fé, de espiritualidade, até de outras religiões que não eram católicas. Espiritismo, Umbanda, o Candomblé, enfim, pessoas de outras religiões sempre frequentaram Aparecida. Ora, sendo então a Basílica do Santuário de Nossa Senhora Aparecida um lugar tão importante para fé, os políticos então perceberam isso daí pode ser interessante.
Em 1980, então, o João Figueiredo então proclama o feriado de Nossa Senhora Aparecida, e a própria Igreja Católica então por conta do movimento da Teologia da Libertação, a esquerda católica promove o Grito dos Excluídos por todo o Brasil. E você sabe que a esquerda católica, as comunidades eclesiais de base, elas são mãe do PT, né? Então houve, então, essa já na década de 70, mas também na década de 80, por conta do Grito dos Excluídos, essa instrumentalização da figura de Nossa Senhora Aparecida.
Eu não tô fazendo crítica à ideologia A, B ou C, só é uma constatação, né? Eu pesquiso catolicismo tem 20 anos, né? A minha área de atuação é catolicismo, política, modernidade. Então assim, o que nós estamos vendo agora é mais um episódio de vários episódios que existem aí desde o Brasil Império, né? Mas assim, durante a República, com Getúlio Vargas, Mas também com a própria criação da CNBB da década de 1950, a própria figura de Nossa Senhora Aparecida acabou sendo usada assim como na condição de mãe dos pobres, da população marginalizada, da população negra.
Agora foi levantada essa fake news, né, que o Flávio já foi, já desmentiu que não é bem assim. Mas aí agora já tem um setor da empresa, não é bem assim, sim, enfim, isso acaba colocando aí um certo mal-estar entre a bancada evangélica e setores que estariam mais alinhados ao PT, né, encampando na condição de figuras de defensores de Nossa Senhora Aparecida. E enfim, eu tenho visto inclusive pessoas que não são devotos de Nossa Senhora Aparecida, mas levantando essa devoção mariana.
Mas assim, o foco mesmo é defender o seu candidato e condenar o outro candidato que supostamente teria dito uma coisa que não disse.
Tem também essa discussão, né, do Brasil ser laico e tal. Eu não sei se ainda tem nas notas, porque não é brincadeira, faz muito tempo que eu não uso nota de papel. Ainda tem o Deus seja louvado nas cédulas?
Eu não lembro, foi o Sarney que pôs, né?
É. E também teve uma baita discussão também sobre isso, né?
Mas eu acompanhei quando eu tava no Supremo, teve uma votação enorme, porque assim, existem— acho que até você pode falar com mais propriedade— existe uma mistura que se fala em Estado laico como se tudo fosse a laicidade francesa, em que você proíbe manifestações religiosas no espaço público. A laicidade brasileira é o que eles chamam de laicidade colaborativa, que ela é É uma coisa que se estabelece posterior à Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Então, o que que é a nossa laicidade? Todas as religiões são permitidas em todos os espaços. E aí, quando se discute essa história de Estado laico, se pode aparecer ou não, teve um julgamento no Supremo muito interessante que permite, por exemplo, a cruz. No plenário do Supremo tem uma cruz. E eu lembro até do voto de um dos ministros. Eu não vou falar nome, que agora ministro tem torcida também, né? Então parece que eu tô militando.
Mas um dos ministros fez um voto, argumentou, argumentou para quem falava que tinha que tirar tudo religioso. Ele falou: então tá bom, vamos tirar tudo que tem de religioso no Brasil. São Paulo vai chamar como? Santa Catarina a partir de amanhã chama como? Os feriados religiosos nós vamos tirar tudo. Não tem Páscoa, acabou. O Carnaval também não tem, porque o Carnaval é uma festa que é em cima do calendário religioso católico.
Então ele falou: há que se distinguir o que é o proselitismo religioso, ou seja, tentativa de convencer alguém a ser de uma religião, do que já é um elemento cultural incorporado. Então assim, tem sentido você dizer que São Paulo chamar São Paulo é proselitismo religioso? Não é mais. Já foi, mas não é mais. É a nossa história, é a nossa cultura. E mesmo o crente não se importa que São Paulo se chame São Paulo, porque é o nome que já tava ali.
Então teve uma discussão dessa muito interessante no STF, e o STF optou por deixar muitas das coisas religiosas que a gente vê, porque já existiu essa demanda para se tirar, principalmente cruz de departamento público.
E Vinícius, até aproveitando a pergunta, o que assim, o Flávio Bolsonaro com certeza não disse isso, né, isso foi uma fake news propagada tal, mas ele falou que a partir do momento que ele fosse presidente ele ia decretar que o Brasil era do Senhor Jesus Cristo, né, uma frase muito similar, ia fazer o decreto que Jesus era o senhor do Brasil ou coisa que o valha. Eu queria saber como que você analisa essa frase também. Se você acha que isso seria um desrespeito com quem não é cristão, ou se tá dentro do escopo da maioria da religião brasileira?
Olha, essa é uma pergunta bastante complexa, né? Porque o Bispo de Campos, o Dom Roberto Francisco Ferreira e a Paz, ele disse uma frase interessante assim, ele disse que o Brasil é de Jesus desde a primeira missa. Então não precisa haver um novo Na verdade, a gente tá diante de uma guerra santa assim, lógico que a brasileira, né, no formato brasileiro, que a gente tá vendo numa sociedade plural, em uma sociedade onde todos agora têm voz e vez ou têm buscado a sua representatividade.
Então a gente vê candidato de toda a natureza, mas nesse religioso, político-religioso, quem fez escola no Brasil, quem verifica e fez escola no Brasil foi a bancada evangélica. Tanto é que hoje há setores do catolicismo, grupos do catolicismo que querem também se organizar como a bancada evangélica se organizou. Você sabe que a bancada evangélica ela se organizou a partir de 1986 e foi em 2003 então que ela foi formalizada na condição de Frente Parlamentar Evangélica.
Ela aglutinou aí, hoje ela tem em torno de 228 parlamentares no universo aí que você tem 513 deputados federais. Eu tô falando só em Brasília, né? 513 deputados federais mais 81 senadores. Esse é um número bastante grande. Então assim, eu sou cientista da religião, né, sou historiador, e eu fico analisando essa relação assim das relações das religiões com a política. Eu, sem medo de errar, as igrejas, a bancada evangélica fez escola nesse aspecto.
A bancada católica, que foi fundada também, não me lembro exatamente quando, ela busca esse mesmo grau de penetração e de organização. Essa questão do Estado laico No Brasil ele é muito discutível, né? Assim, porque primeiro que o Brasil, ele foi, lógico que eu tô falando aqui com vocês, mas eu tô imaginando vários colegas meus falando, mas e a população indígena, né? E a que estava aqui antes dos portugueses chegarem. Mas assim, eu vou usar uma historiografia bem conservadora.
O Brasil nasceu católico. Lógico, nós temos a colonização anterior ao Brasil, enfim. Mas assim, o Brasil nasceu católico. Por quê? Porque quando os portugueses chegaram, que eles estabeleceram uma relação de poder e a Igreja Católica junto deles. Isso perpassou-se ao longo de séculos. Houve o Estado confessional no Império, né, que era católico. Com a Proclamação da República em 1891, então o Brasil torna-se um Estado laico. A partir de 1930, o Brasil, a Igreja Católica volta no processo para ganhar espaço novamente.
Só que na década de 1950, a Igreja Católica vai entrando por um caminho muito no aspecto social, a CNBB vai entrando muito nessa dimensão social. E quando surge a Teologia da Libertação e as comunidades eclesiais de base, enfim, na década de 70, então as igrejas evangélicas começam a ocupar um espaço que o catolicismo romano usava. Tô falando de que os padres da Teologia da Libertação, muito voltados para essa dimensão do social, da dívida pública, da espiritualidade política, muito mais voltado à esquerda.
Os pastores pentecostais perceberam isso e falaram assim: vamos ocupar esse espaço. Então começaram a falar do Espírito Santo, do demônio, do exorcismo. Enfim, as igrejas evangélicas ganharam muito espaço por conta de uma lacuna que o catolicismo abriu, e isso acabou ocupando, isso foi assim galgando espaço na política, né? Só que hoje foi nesse contexto então assim que surgiu o PT, que é cria das comunidades eclesiais de base, também muito devoto de Nossa Senhora Aparecida, sempre com manifestações em Aparecida.
Lembrando que Aparecida é uma figura figura muito importante no Brasil, uma figura política muito importante no Brasil. Mas assim, o tempo foi passando e hoje nós estamos diante de uma guerra que foi criada por conta desse choque de narrativas, onde o Flávio hoje tá querendo baixar a bola, colocar a bola no chão, baixar, baixar assim, tá me faltando a palavra, despressurizar assim, tirar a pressão, né, diminuir essa pressão. Só que a CNBB tá no meio dessa confusão toda.
Por quê? Porque existe uma parcela de católicos que hoje anda muito insatisfeito com uma postura mais à esquerda da CNBB. Então assim, pessoas que, um grupo de católicos que entendem que a CNBB não representa bem a devoção à Nossa Senhora Aparecida e confiam, então estariam a confiar mais na figura do Flávio Bolsonaro para representar bem os valores cristãos, os valores conservadores, e colocando até mesmo em xeque essa dimensão do Estado laico. Eu não sei se eu respondi a pergunta que me foi feita.
Sim, sim, com certeza. É, eu acho que essa história ainda pode render muito, né? Então eu queria, na verdade, agradecer demais o Vinícius. E Vinícius, para que você já saiba que qualquer novidade nesse assunto a gente vai pedir para que você participe conosco mais uma vez.
Eu agradeço imensamente o convite, a possibilidade, né?
Né?
Na verdade, nós estamos verificando nesse momento assim, eu pesquiso essa relação do catolicismo, da política com a modernidade, enfim, há um tempo, e tenho percebido assim o mal-estar, né, que hoje a CNBB vive no catolicismo por conta dessa polarização política. Isso acabou tocando também a CNBB, até mesmo a credibilidade dos bispos, Muitas pessoas entendem que a CBB adotou um caminho mais à esquerda, outros são mais radicais dizendo que ela aderiu ao comunismo.
Enfim, eu tô seguro de que essa confusão toda, essa celeuma toda, ela não acabou por aqui não. Ela vai continuar, haverá novos episódios, com certeza, né?
Mas obrigada demais, viu, Vinícius, mais uma vez.
Obrigado pela atenção, prazer, tudo de bom para vocês.
Obrigado, obrigada, até mais, tchau tchau.
Fernanda, qual outra polêmica?
Porque a gente só tá falando de polêmica pesada, hein?
Não, quero falar de pesquisa também. Não sei se vocês estão por dentro aí, as pesquisas, que se elas refletiram, se elas mudaram alguma coisa aí depois de tudo isso tá acontecendo.
Eu não tô com o número correto, mas o Lula não ganhou nenhum ponto percentual entre os católicos. Católicos e perdeu mais de 10 entre os evangélicos.
Ah, porque ele criticou, né? É, os evangélicos precisam parar com esse negócio.
Assim, eu tô em tudo que é grupo de WhatsApp católico que você imaginar. Fora a gente xingando porque tava usando Nossa Senhora em vão, porque assim, no grupo católico já tava com uma correntinha da Nossa Senhora, né? Nossa, o povo caiu mata, sério, porque o evangelho desse fim de semana tá até na minha Nossa, o evangelho desse fim de semana foi sobre quem professa como se fosse alguém de fé e na verdade não vive isso. Assim, foi ideia de ateu isso aí, porque a pessoa nem para saber qual é o evangelho da semana vai me tacar essa justo na— por que que não tacou na boca da eleição uma fake news dessa?
Mas é o que tá muito no meio católico, que se falou o fim de semana inteiro foi da ida do Papa à França.
Ah, é?
É, foi o que realmente todo mundo falou. E muito se falou de Maria e tudo, porque teve um evento que ele fez lá, não acho que num estádio, não sei no quê. Eu sei que era um negócio gigante, com coro de jovens cantando Salve Rainha. Maravilhoso! Então assim, Na verdade, nos grupos tem 90 vezes mais isso.
Eu achei que entre católicos ele ia conseguir alguns pontos com essa.
Não, porque para nós é a terceira eleição da mesma fake news, entendeu? Quem não é do meio não lembra, porque o susto mesmo foi em 2018. Vocês forem pesquisar, quem tiver aí pode pesquisar no site da Câmara dos deputados teve que desmentir essa fake news em 18. Foi muito forte. E a Igreja Católica tem uma coisa que é diferente da evangélica, que é a hierarquia. E que quando sai uma polêmica dessas, é claro que tem um padre que vai desobedecer, o outro bispo que não gosta, mas assim, na época veio uma diretiva do quê?
Expliquem aos fiéis como que se decide que alguém é padroeira. Do tipo, Nossa Senhora vai ser padroeira com lei, sem lei, ou apesar da lei? Se expulsarem o catolicismo do Brasil, Nossa Senhora continua sendo padroeira do Brasil, entendi, acabou. A não ser que o Papa faça um decreto papal. E como isso já foi dito na primeira eleição, aí na segunda, 2022, voltou. Aí de novo disseram Dessa vez, como coincide também com o Papa tá na França, que foi uma viagem muito falada, em todas as missas se agradeceu pela ida do Papa à França. Os vídeos é que os vídeos são muito bonitos mesmo.
É que eu não sou católico, mas agora 12 de outubro não é a data da—
é 12 de outubro, a nossa padroeira.
Então se soltassem perto, talvez teria um fake news, teria uma força maior.
Soltasse perto da eleição, tipo tipo 48 horas antes, não daria tempo da maturação. Mas também não sei se ganharia entre os católicos. E uma coisa que assim, entre os católicos, tá pegando, é que tem vários segmentos, mas uma coisa que tá dando ranço é esse povo, é o cosplay de católico que a gente tá vendo de influencers e de não sei o quê.
Para mim, não, todo mundo agora eu vi, pessoal, Maria passa na frente.
Então para Isso para mim pega muito, porque quando eu trabalhava no Antagonista, durante mais de um ano eu apresentava o meu programa com a minha Nossa Senhora Aparecida ao lado, a Nossa Senhora Aparecida de um lado e o São Miguel Arcanjo do outro. E muita gente tirou sarro de mim, tiram mesmo, tiram. E normal, eles querem tirar sarro, eu continuo sendo devota.
Eu coloquei um devocional aqui às 6 horas da manhã, claro, o pessoal enche o saco.
Aí o que acontece, as mesmos que tiraram sarro de mim sem parar por causa da minha Nossa Senhora Aparecida, agora estão postando Maria Passa na Frente.
Olha só.
E também eles falam umas coisas e umas frases que o católico já identifica que não é do grupo, sabe? Do mesmo jeito, sabor católico. Então assim, para um meio mais classe média, mas não sei o quê, tá pegando, tá pegando um ranço Mas um ranço, gente, que até outro dia tava tentando cancelar o Frei Gilson, né?
Agora tá pagando de católico.
Então fizeram Frei Gilson ter que derrubar mais de 100 vídeos, gente, entendeu? Aí agora estão pagando de— e aí eu fui falar isso, o pessoal que cancelou o Frei Gilson agora é o católico modelo. Aí vieram me xingar: sua vagabunda, o Frei Gilson não é o não sei o quê do catolicismo.
Eu acho legal, o cara católico começa só com a capota, já acha que não é, né?
Ô amiguinho, ô amiguinho, vai se confessar, vai rezar um pouquinho. E hoje, falando em Frei Gilson, hoje é o último dia da Quaresma de São Miguel.
Mandar um beijo para o Frei Gilson, que sempre manda recado, mandou aqui para mim também. Tá rezando por mim e tal, muito legal. Falei, Gilson, vamos jogar bola aí, que ele joga, ele joga muito bem. Eu falei para ele, quero jogar contigo um dia aí.
Eu quero ir lá, inclusive com a vestimenta, né? Ele tá jogando com a vestimenta e jogando bem.
Eu vi isso, eu vi ele de short já também.
Eu vi ele com a vestimenta, sério, metendo gol e tal.
Demais, gente! Nossa, e ele é um dos caras assim O Frei Gilson popularizou no Brasil a Quaresma de São Miguel Arcanjo, que são os 40 dias. Que, gente, Quaresma de São Miguel Arcanjo, quem não fez essa, faça no ano que vem, é poderoso. Tudo que é demônio da sua vida expulsa. É um festival de queda de máscara, mas em tudo. É vida profissional, é vida pessoal.
Eu faço, ela, cara, ela me manda manda todo dia às 4 horas da manhã o linkzinho. Olha só, minha mãe é incrível! Minha mãe, eu já te falei, né, ela zerou o terço já, de tanto que ela já zerou. Ela desbloqueou santo que nem foi santificado, ela já desbloqueou.
Mas olha, por você falar desse assunto de santo que às vezes é desbloqueado, tem santo que é desbloqueado no momento do comício. Você sabia disso? Pessoa precisa de uma ajuda do além, faz o o quê nos dias modernos? Uma ligação.
É, é. Vamos aqui aos causos da política brasileira. Então vamos lá, vamos lá, começando por STF mais política.
Pararam de falar do STF, né?
Parece que nem aconteceu nada, né?
Porque, gente, o STF, você viu o que que aconteceu? Que a coisa da fake news da Nossa Senhora vai ser julgada amanhã no STF. Aí o Flávio entrou com base no inquérito do Alexandre de Moraes para derrubar, para derrubar as fake news, certo? Aí o André Mendonça derrubou. Aí o Dino, aí o Dino foi lá e derrubou. Volta, volta, volta fake news, volta fake news. Aí o Fachin foi, fez um ofício, porque assim, o Dino fechou o TSE então, porque foi no STF que ele decidiu. Aí foi lá o Ministro Fux e cancelou o negócio do Dino.
Caramba, que virou uma, meu, virou uma bagunça.
E pode vir um novo ministro e cancelar?
Pode, né?
Poder não pode, nem, nem com cancelar o do André Mendonça.
Nada poderia estar acontecendo então.
O André Mendonça tirar, eu pessoalmente eu sou contra derrubada em massa, mas a lei e o TSE tem isso como prática. É, a prática é essa e todo candidato pede isso. Pediram até para prender lá o cara da presidência por causa de um retweet. É o que tem se feito no Brasil. Tem gente que foi presa por causa de like em Então assim, eu acho errado, acho muito, acho que tem que mudar, acho absurdo. Agora é o que se tem feito e foi o que o Flávio pediu.
Ele não deu prisão, o André Mendonça não deu prisão de ninguém, não deu derrubada de perfis, também não deu. O que ele deu foi a derrubada dos posts com fake news sobre Nossa Senhora em Aí eu tenho visto algumas pessoas falando assim: não, mas não é fake news, porque o Flávio falou isso aqui mesmo, que ele vai consagrar o Senhor Jesus. A CNBB está preocupada. São só fatos, mas a conexão entre eles não tá provada. Que nem aquela propaganda da Folha, que é a clássica, você lembra?
Este homem salvou o seu país. Este homem fez a juventude ter orgulho de novo. Ele queria ser artista.
Dá para contar mentiras só com verdades, né, que é o que aconteceu efetivamente.
Porque assim, ah, o Flávio falou não sei o quê, falou. O pastor do Flávio falou não sei o quê, falou. Mas nada disso quer dizer nem que o Flávio disse que não ia ser padroeira. E mesmo que ele tivesse dito, ele não tem como fazer isso porque o Flávio não é papa. Eu não sei se as pessoas sabem, ele não é papa. Enfim, aí tá todo esse negócio da— tá rolando isso no meio de isso rolando. Presidente Lula tá em campanha, fazendo um ato de campanha, passa a mão no celular e liga para o Flávio Dino do palanque.
Aí, isso é vídeo recente? Achei que era antigo esse vídeo.
Eu vi esse vídeo, né, de agora. Enquanto o Flávio Dino está decidindo a favor dele, ele passa a mão no telefone, liga para o Flávio Dino do palanque, e o Flávio Dino atende. Aí ele: ô Flávio! E E aí assim, ele estava lá sancionando uma lei de autoria do Flávio Dino, que hoje é ministro do Supremo, está julgando as coisas a favor da candidatura dele, e liga para o cara do palanque falando: tô sancionando aqui a sua lei. E o cara atende e fala que tá tudo bem.
Pois é.
Acho que é um pouco violar a independência dos três poderes, né? Acho que é só um pouquinho, né, Madá?
As pessoas me perguntam, é assim, isso tá num nível, isso tá num nível, porque assim, como é que esse cara tá julgando as candidaturas opostas? Julga o Lula, julga o oposto, os governadores, o que tá acontecendo com a candidatura do Ciro no Ceará, o que tá acontecendo com a candidatura candidatura da Raquel Lira em Pernambuco, que são candidaturas contrárias ao Lula, com decisões aí dessa semana que praticamente inviabilizam as candidaturas.
E enquanto isso, eu não— assim, isso nunca ocorreu, isso nunca ocorreu de um presidente da República ligar do palanque para um ministro do STF. Isso nunca ocorreu.
E o ministro atender, cara, essa eleição tá muito estranha, cara.
Olha, mas, Madá, qual a experiência que você tem nessa área? Você acha que as pessoas estão desta vez vendo que tudo ultrapassou qualquer limite aceitável?
Sim. Sabe como eu acho que as pessoas estão vendo? Não porque as pessoas entendam o contexto. Você lembra aquela sessão do quebra-pau do Supremo? Aquilo ali foi uma marca, porque assim, mesmo para quem não entende o tema e não consegue entender entender o que eles estão falando, porque o linguajar é muito rebuscado, porque é muito complexo. A postura deles de donos do mundo, arrogância e a violência na troca entre eles, para as pessoas falou: gente, aquilo ali degringolou, aquilo degringolou.
As pessoas estão vendo isso. E assim, no meio político tem reações, porque Tem limite, né? Eles não foram eleitos para nada. Então assim, o fato deles estarem, vamos dizer, rachados, eu entendo que é uma esperança de mudança. Porque se estivessem todos fazendo isso em conjunto, por exemplo, suponhamos que todos tivessem assumido um lado político, como foi na última eleição. Na última eleição foi disso, todos se fecharam ali. Nem todos manifestaram, mas os que não manifestaram também não se fizeram uma oposição como tá sendo feita agora a esse tipo de coisa.
E aí assim, o negócio do Ministro Fux, ele, a hora que ele tira a decisão do Dino, ele usa jurisprudência do Alexandre de Moraes, ele transcreve trechos do que o Alexandre Alejandro de Moraes falou. Nossa, cara, tá uma bagunça. E assim, eles vão ter que arrumar essa casa, não sei como. E assim, tem 5 dias para eleição, ainda temos tempo de muita loucura, né?
Então tá, todo mundo falava desse, de alguma coisa que ia aparecer do Flávio, que inclusive falou, saíram as mensagens hoje, né? Saíram algumas mensagens, não sei se tem mais, né? Tem a fala polêmica do Lula, ou seja, é muita coisa de um, é fogo trocado. Tem coisa do Lulinha também, da, da, da, como chama, da Roberta. Ele chamou ela de pilantra na entrevista também, né? Eu duvido que meu filho ligou. Cara, tá acontecendo muita coisa, Madá. Como você tá conseguindo acompanhar tudo isso?
Ai, porque fica o tempo todo, né? Mas é que assim, é mesmo.
Mas o que que você quer falar agora?
Você falou aí do negócio do Flávio que apareceu.
Que que apareceu? Eu só vi uma foto, tem uma cena de pé, duas mulheres se pegando. Eu acho que parece. E falam que ele tava com 3 mulheres, é isso?
Ué, se na festa do Forcaro era 6 mulheres para cada velho.
Mas lembra do Dória também que tinha esse papo que era ele com não sei quantas e tal? Eu perguntei para o Dória que ele falou que não era ele, perdeu o meu voto.
É justamente aí que eu queria chegar. Por que que depois, cara, me conta aí, velho.
Não, não era eu.
Escândalo sexual, gente, tem que levar em conta a cultura do Brasil.
Exatamente.
Escândalo sexual, me perdoem os que acham contra, o pessoal que tava contra o Dória na época, que é testemunha, eu falei que ia dar ruim porque Escândalo sexual dá voto para homem, não tira. Escândalo sexual tira voto de mulher. Mas não, mas a mulher continua votando no cara. Se a mulher tiver um escândalo sexual, tira. Se o homem tiver, esse sabe viver a vida.
Mas mandar até para ele que se vende como um cara a favor da família, não sei o quê, isso não tiraria voto?
Sobretudo porque o sonho do cara que é a favor da família é ser um pai de família.
Ele gosta muito de família, tem várias, né?
Gosta tanto de família que tem várias, entendeu? Porque pensando assim pragmaticamente, eu não tô dizendo que isso é certo, que isso é moral, eu tô falando de estudo da cabeça das pessoas, como funciona. O cara que é infiel ou que fica vendo coisa pornô, sendo que ele é defensor da família e dos valores cristãos, ou que tem fantasias de ter um caso, quando ele vê um cara desse tendo um caso, vira o herói dele, porque tudo que ele quer ser.
E o pai ainda tinha aquele negócio do imbrochável, lembra?
É, então assim, é, e ele era ele, né? O Trump, gente, o Trump foi condenado por causa de um rolo com uma atriz pornô Morreu quando a mulher dele tava grávida. Aí, como que a cabeça, a cabeça do eleitorado, ele olha atriz pornô, fala: é, mas também valeu a pena.
Será?
Se a mulher for feia, eu acho que não. Se for mais feia que a mulher dele, aí eu acho que o povo pega um ranço.
Mas você acha que tem mais coisa para sair sobre esse assunto nesse sentido?
Olha, eu não ouvi falar de mais coisa para sair. Eu tinha ouvido falar que tinha o vídeo disso aí, mas assim, já aumentou o Bolsa Família, tirou a bet, prometeu caneta emagrecedora, desenrola, e agora virou o maior defensor de Nossa Senhora da história das galáxias.
Ainda tem mais?
Não, se tivesse o vídeo, precisava fazer tudo isso?
É verdade. Ou se achasse que o vídeo poderia fazer alguma diferença.
É, você acha que a grande questão é que ficou de um jeito que se falar assim, não, ele tinha mais um contrato de 130 milhões, ou se trouxer o vídeo não vai mexer, entendeu?
Mas eu acho também que uma coisa importante é que tá todo mundo tão machucado, se sentindo tão impotente diante o cenário que a gente vive, é cada dia um escândalo.
Essa é a sensação de, ah, cara, que país é esse?
Que país é esse?
Caramba, sujeira, um esgoto.
Que algumas coisas que de fato poderiam ser decisivas porque vai contra, enfim, princípios e tal, se tornam mais leves porque o pessoal tá assim, tá, essa, vocês lembram da história do Maluf, que era rouba mais Tinha uma musiquinha, um jingle do Maluf que falava isso, e era no momento em que as pessoas estavam cansadas. Então eu acho que é tanta pancada, e assim, o brasileiro tá com esse vazio, sabe, com essa dor estomacal, literalmente, porque diz assim: olha tudo que tá acontecendo e ninguém faz nada. A grande maioria das pessoas, quando a gente conversa, que elas respondem.
Ninguém faz.
Então, que isso não se torna um agravante? Talvez em outra situação sim, mas a gente passando aí pelo Banco Master e nada é resolvido. Aí é denúncia no Supremo, nada acontece. Candidaturas que são impugnadas e tá tudo certo. Aí o presidente diz, olha, isso é fake news. Não. Aí depois ele dá credibilidade para internet. Que as pessoas ficam, tá, e aí precisa? Isso daí já não pesa tanto.
É um, é uma eleição assim que o estado de espírito das pessoas tá muito, tá desgastado, tá muito desgastado, tá muito desgastado, tá muito estranho essa eleição.
Fala-se de tudo e não fala da eleição. Agora talvez, como é que começa um pouco mais, né? Você tem a última pesquisa da Quest que saiu hoje, é terça, saiu ontem à noite, hoje de manhã. Se eu não me engano, no segundo turno está exatamente empatado com o mesmo número. Vamos ver, primeiro turno, 39 Lula, 39, 34, né?
E no segundo aumentou a diferença, não aumentou entre o Lula e o Flávio?
Porque saiu da margem, no primeiro, no segundo, cadê? Tem um segundo turno aí, no segundo parece que tá empatado. O Romer vai pegar lá depois isso daí do segundo. E o lance do voto útil, né? Todos os outros candidatos de abaixo derreteram, né? Principalmente Cury, né?
Mas por causa— não creio que é por causa de Lula em si, mas pela questão STF mais Lula. Pelo fato das pessoas terem uma impressão que assim, se você não—
então voto útil, né?
É voto útil. Se você não tira o Lula, ele põe mais 4 no STF.
É o segundo turno, numericamente empatado, 42%, 2 empatados. Vai ser uma eleição voto a voto, vai ser.
Nossa, agora as pesquisas, eu—
domingo vai ser Copa do Mundo, né? É verdade, não vai?
E o Flávio vai no debate da Globo, não vai?
Então, ele falou que vai, só que o Lula parece que não vai. E se o Lula não for, eles vão convidar outra pessoa. Será que vai ser o Renan?
Se o Renan for, aí vai.
Então, jogo de xadrez, né? Não sei.
Mas o Flávio ganhou o quê ainda?
Não, mas ele falou que ia, né?
Ele falou que ia.
Ele falou mesmo que o Lula não foi, eu vou, ele não falou?
Exatamente.
Gente, se a—
mas não tinha saído ainda as fotos, não sai Não era antes?
Mas se a coisa da suruba não tá—
eu tô pensando no falar, ah, mas dá, já fala.
Ai, desculpa, gente, não era suruba, era meeting. Era meeting com acompanhantes, com acompanhantes. Mas assim, se tá tão louco que a coisa da suruba o povo não tá ligando, vocês acham que vai ligar se ele faltar no debate?
Mas é uma coisa dos debates, você conhece TV? A Globo, se não for Lula e Flávio, ela mantém e faz mesmo assim ou ela cancela? Existe a possibilidade dela cancelar?
Eu não tenho a menor ideia porque isso nunca aconteceu, né?
Não, eu acho que deve ir.
Mas na sua opinião, eu acho que ela vai, eu acho que ela faz, né?
Eu acho que faz também. Ainda mais com Flávio, né?
Pode ser que deixa as cadeiras vazias.
Não, não, se o Flávio não for, tô falando. Ah, se ele não for, nem o Lula nem o Flávio, eu acho que faz igual, porque ela já baixou o horário. Era mais tarde, ela jogou para as 9 horas por causa da audiência, por causa de todo mundo querer ver e tal.
Então assim, e a Globo assim, ela tem poder de passar um sermão lá, né? Tem, ela pode passar um sermão lá, com certeza vai passar um sermão.
E a Globo já teve um posicionamento um pouco mais crítico em relação ao Lula depois da questão das bets, né? Eles fizeram algumas críticas e tal. Sim, dizem, né, que porque a Globo ficou um pouquinho incomodada por conta das bets, que também patrocinavam e tal.
É, então a gente tá tendo assim esse fim de eleição, é a eleição da maluca, né?
Nas redes sociais, pelo menos, os dois lados falam: temos tracking que vamos vencer no primeiro turno. Lulistas e bolsonaristas.
Isso é que planta e o jornalista irresponsavelmente republica, né?
Eu acho que isso também tem O que que esse tracking, cada partido faz o seu tracking, faz a sua pesquisa de forma individual?
Olha, eu tô aqui com o manifesto da Associação de Institutos de Pesquisa, até vou te mostrar depois. O TSE tem criado muitas regras para candidatos e para institutos de pesquisa que eu francamente não entendo qual é a intenção. Por exemplo, essa regra de restringir as nossas nossas redes sociais de nós candidatos? Restringiu. A maior fake news da eleição veio da Rede Globo de televisão, da GloboNews. E que que adiantou restringir nossas redes?
Restringiu para quê? Para que quem já tá no poder seja favorecido? Então assim, são regras que a gente não entende. Da mesma forma que foi para os candidatos, foi para instituto de pesquisa, Vilela. Tem um monte de coisa em pesquisa que é importante, que é relevante, que é científico, que o TSE proibiu. Os institutos estão preocupados que se torne impossível divulgar pesquisas eleitorais de tanta regra que eles criam, que torna a pesquisa inviável.
Então assim, essas pesquisas que nós estamos vendo, elas muitas vezes não servem para orientar a campanha porque tem tanta vedação do que você pergunta, de que ordem pergunta, de não sei o quê, que para campanha não serve. Então o que que a campanha faz? Ela contrata separado uma pesquisa com o que interessa para ela, mas não pode divulgar porque não tá no parâmetro do TSE. Isso que é o tal do tracking.
E todo partido faz mesmo?
Todo partido, todo partido, todo candidato grande, todo mundo faz.
Empresa faz tracking para saber quem vai ganhar, ou é para saber o que vai investir?
De quem que se aproxima, ou como é que se planeja, que tipo de coisas vamos esperar. Não, ou senão que tipo de, que tipo de economia teremos, vai ser bom para o meu setor, vai ser ruim. Então multinacionais fazem, todo mundo, nacionais. O tracking existe por quê? Porque se criou tanta regra para divulgar pesquisa eleitoral, é claro que eles queriam também ter coisas diferenciadas. Sempre teve tracking dentro de partido, mas era uma coisa muito mínima, era só candidatura muito grande.
Até porque pesquisa já foi muito mais caro, né, no passado, porque tinha que sair perguntando na rua. Hoje você tem várias modalidades, e tem espontânea, tem a estimulada, né? Tem, é, o partido faz muito pesquisa quali também, não só quanti, do quanto o tracking é quantitativo, é quanto que dá, mas eles fazem quali também, que é juntar as pessoas para entender.
Mas espontânea é muito mais perto da realidade, porque lá você não tem uma lista e você escolhe, você tem que já saber em quem você vai votar.
Isso, isso. E saber, e assim, saber quem vai votar e o número da pessoa, que é uma dificuldade assim de algumas campanhas. Então enfim, eu sei que sempre os partidos falam que eles têm um tracking que dá no primeiro turno, mas por exemplo, eu nunca noticiei um trekking que eu não olhei nunca, porque eu também já fui assessora na campanha. Agora eu sou candidata, mas eu já fui assessora na campanha. Você fala que você tem o trekking que ganha.
Se o jornalista publicar, problema dele que tá trabalhando para você de graça e não devia.
E joga na rede social para ver se cola também, né?
É, entendeu? Mas é diferente jogar na rede.
Mas assim, o Lula falou também na entrevista da Band que acha que é segundo turno, hein? Falou, ó, talvez tenha surpresa.
Não é o que eu tô ouvindo internamente das equipes, tá?
Do Lula?
De nenhuma.
Ah, de nenhuma? É.
O que é algo muito, o que é algo muito forte é que talvez passe para o segundo turno com Flávio na frente. E isso a gente ouve muito.
E esse papo que foi o Marçal que soltou hoje, que talvez um presidenciável Flávio saia da campanha e apoie o Flávio? Você ouviu?
Ouvi.
E tem uma questão do Zema.
Olha, dependendo da negociação e do andar da carruagem, das loucuras que o TSE tem feito contra todo e qualquer adversário do PT, não me surpreenderia que os dois aderissem.
Não tem o Sales também abandonando? Do Novo também, né? O Sales abandonou para apoiar os candidatos do PL.
É, o Sales acho que provavelmente vai ser candidato a prefeito aqui de São Paulo. Acho que provavelmente vai, vai ter apoio. Então assim, tá tendo, por exemplo, o Lula falou agora esse, eu vou pular esse aqui do, das bets no Brasil, que acho que bet nós já, já matamos, né? Já chega de bet. Mas o Lula teve hoje essa fala, eu vou falar antes do—
ele tava onde?
Ele tava num comício em Belém, que assim, gente, é uma loucura esse comício, que aparece o Hélder Barbalho com a Nossa Senhora de Nazaré atravessando no meio do comício. Aí o Lula pega a Nossa Senhora. Eu falei, meu Deus do céu, que país que nós estamos, gente! E o que acontece? Vai brincar com Nossa Senhora, Nossa Senhora castigou e soltou ali do Lula. E aí ele falou, ele falou que eu não tenho aqui a frase exata, mas o que ele fala assim, ele tá falando de exame de próstata, aí ele fala que o homem é muito fresco, não sei o quê, não tá acostumado a tomar o toque, o toque, mas as mulheres desde pequenas, as meninas desde pequenas estão acostumadas.
É, aqui tem a frase, né, Fernanda? Tá certo essa frase aqui?
Deixa eu ver, ele fala, eu não tô vendo, mulheres que elas estão acostumadas a serem tocadas.
Eu acho que não é essa frase, as mulheres não é alguma coisa assim que elas aprendem a tomar toque desde pequenas, né?
Ele fala as meninas levam toques desde pequenas, né?
É uma coisa que elas estão acostumadas desde pequenas.
Mas quando ele passar por um câncer de próstata, ele vai ver quanto dedada ele vai levar.
O que assim, de maneira nenhuma, um presidente da República podia fazer essa desinformação em saúde e fazer essa mistura entre abuso sexual e ginecologia. Não se faz exame de toque em menina, não existe. Se fizer, dá cadeia. Existem médicos que estão entrando pedindo posicionamento da Sociedade Brasileira de Pediatria e da que é de ginecologia e obstetrícia, porque existem parâmetros muito certinhos para como você faz um exame ginecológico em criança e adolescente, tá?
E não se faz exame de toque. Prestem atenção, mães, pais que nos estão vendo, não existe exame de toque em menina, em criança e em adolescente. Só existe em mulheres com vida sexualmente ativa, ok? E quando é necessário, por causa de alguma doença grave, alguma, não sei, alguma infecção, ou em caso de estupro, que é necessário um exame diferente da criança e do adolescente, existe toda uma burocracia a ser cumprida, com assinaturas de permissão, ciência dos pais, presença de outro profissional no local.
Tem todo um protocolo de atendimento para que você não traumatize aquela menina, de, e que não haja abuso, porque abuso, imposição de poder, é sempre um risco, principalmente quando tem criança. Então assim, é, isso não existe E é muito grave um presidente da República relativizar isso. E é muito grave aparecer uma agência de checagem falando que estavam errando as pessoas que estavam falando de pedofilia, não sei o quê. Porque assim, aí é, a oposição começa também a aumentar, a aumentar a coisa.
Mas a grande questão que ele falou, que se faz exame de toque em menina e não se faz, a não ser que fantasia monstruosa da cabeça dele, ele acha que isso existe, cara.
Não, eu acho importante, é o cara, é o chefe, é o que eu ia falar, porque as pessoas começaram a dizer o seguinte, principalmente nas redes sociais: não, mas é porque ele não falou isso com esta intenção, ele falou ali porque ele é muito próximo do povo, no linguajar em que as pessoas entenderiam. Eu acho que é exatamente que o Marcílio falou. Na posição que ele tem, se ele não tem noção daquilo que ele tá falando, ele precisa buscar, porque ele é uma figura pública de extrema importância que tá disputando uma eleição que nunca se foi tão disputada, pelo menos que a gente lembre.
Tá todo mundo sentindo isso no olho do furacão. Então uma fala, ainda que errônea neste momento, não acho que você simplesmente diga: olha, foi sem querer, não foi isso que eu quis dizer e tá tudo certo.
E olha, aqui, ó, tô pegando de um médico que pediu um posicionamento da Febrasgo para vocês entenderem qual é o protocolo de exame da mulher do preventivo de câncer de colo do útero, que este sim é um exame invasivo que às vezes Vital, que às vezes instrumentos. O preventivo de colo do útero nunca se faz em menina adolescente, ele começa aos 25 anos de idade, não começa desde pequena, e ninguém está acostumada desde pequena com isso, tá?
Ele só é feito após os 25 anos se já houve relação sexual. E a exceção a isso é quando existe imunodeficiência após o exame da, após o início da vida sexual. O preventivo não é um exame de toque como é de toque o exame do homem. Eu acho que isso é muito importante falar: não existe exame de toque em si de mulher, não se equipara ao do homem. Se estiver fazendo isso em você e não for aquela checagem da gravidez, é abuso, tá? Então, como que é o preventivo?
Ele é o espéculo, que é o instrumento, mais o swab, que é um palito que tem uma escovinha na ponta. E com essa escovinha ele coleta as células do colo do útero, que são levadas para o exame. Toque de dedo, como existe no exame de próstata, não faz parte de nenhum exame ginecológico. Toque de dedo em exame ginecológico, quem fazia é o Roger Abidel Maci, que tá preso. Nossa, eu fico doida quando eu vejo isso, porque assim, é tanto caso, né, que a gente vê.
Caso que eu fico horrorizada de abuso de essas coisas de abuso em hospital, gente, eu fico doente.
Mas acontece, eu fico doente.
E assim, não pode nunca ninguém que tem a voz ter qualquer fala que— você falou isso da pessoa mais simples— que leve qualquer tipo de confusão sobre isso. A pessoa mais simples, a mulher mais simples, o que que ela precisa saber? Que o preventivo do do útero não tem toque de dedo, não tem toque.
Até porque se acontecer ela pode entender como um ato normal.
É, aí ela ouve o presidente falar que a mulher tá acostumada com toque e de repente acontece uma infelicidade dessa, ela vai achar que foi o exame. Então assim, foi, foi uma fala horrível. Parece que ele já se corre, não se corrigiu nada, foi lá se justificar. A Jan já falou não sei o quê, enfim. Mas já entrou no TSE para ir para cima da rede social de quem repercutiu a fala.
A sério?
É, é, aí é difícil, né? Aí é por isso que a eleição tá assim, porque a única coisa que acontece é o TSE censurar social dos outros, essa eleição. Então ele já entrou no TSE, ele é presidente da República. Depois de uma fala dessa, o Ministério da Saúde tem dinheiro de publicidade, não poderia ter feito muito mais bonito e ter feito uma campanha? Até esse bando de jornal que tá apoiando ele tá fazendo desmentido. Não seria muito mais bonito vocês terem feito uma campanha de saúde pública explicando como eu tô explicando aqui, Zé?
E tudo mais.
Como é, como funciona o exame, o que que é normal desse exame, quando que você precisa fazer, para que que serve. É muito melhor isso do que ficar tentando explicar o inexplicável, né? Mas agora, enfim, já estamos aí com o TSE em cima. Essa declaração, Vilela, eu acho que é uma declaração que assim acendeu um rastilho de pólvora na eleição, viu?
Pois é. É comparável talvez aquela frase do Bolsonaro lá das meninas, lembra que deu maior confusão? Lembra das meninas?
Como que é que ele quer? Como é que é que sentiu uma— rolou um clima, né? Exatamente.
Ah, mas aí não, não é outra parada, não é outra parada. Eu acho que aí foi bem— não, e assim, quando você ouve, eu fico, eu te juro por Deus que eu fiquei na dúvida, eu juro por Deus que eu fiquei na dúvida. E eu estou dando benefício da dúvida quando eu digo que ele falou de exame de toque ginecológico, tá? Eu dei o benefício da dúvida, não é 100% claro isso. Se ele tá falando que mulher tá acostumada a ser cutucada, ficou uma coisa dúbia, uma coisa ficou, é uma fala horrorosa, tipo molestada, ou não molestada na nossa linguagem linguagem de quem tem consciência da mulher como um ser humano.
Mas aquela coisa do, ah, mulher cutucada, sabe? Ficou uma coisa, porque falou de um jeito chulo, assim, foi uma declaração horrorosa. E você vê, ficam falando de Nossa Senhora, ficam falando de Nossa Senhora, Nossa Senhora vai soltar a língua e mostrar quem é, né? Porque foi uma fala bem espontânea ali. Então enfim, vamos ver ver se vão derrubar a rede social, se não vão derrubar a rede social, o que que vão fazer até a eleição.
Porque essa foi uma fala que repercutiu assim muito, muito, muito, muito. Aí tem o Paulinho da Força. Cadê, gente? É o seguinte, Paulinho da Força tá aqui. Eu só vou falar rapidinho porque ainda é STF, UFC, do STF, é o MMA do STF. O Paulinho da Força entrou com uma ação no STF pedindo para o Flávio Dino afastar o Cássio Nunes Marques e o André Mendonça de ações relacionadas à propaganda eleitoral no TSE. Ele pediu para afastar o presidente e o vice-presidente do TSE É, enfim, é isso.
Ele pode estar mijando no cachorro, né?
É, não sabemos, não sabemos o que vai acontecer ainda.
É isso, vamos de internacional, vamos de geopolítica.
Vamos lá que tem coisa importante aí para a gente falar, né? Primeiro, um caso, né, essa semana que rolou no na Espanha, que acho que foi muito sintomático não só do que acontece na Espanha, mas em praticamente todo o continente europeu. Inclusive, no meu canal tem bastante seguidor que é brasileiro, mas mora na Europa. Eu pedi para eles deixarem no comentário.
Tem muita gente que assiste também Inteligência, cara, na Europa. É incrível, né?
Eu falei, pô, comenta aí quanto que vocês estão pagando de aluguel, quanto que é o preço de moradia. Eles falam assim, olha, nos últimos 10 anos aumentou o preço muito mais de aluguel tal do que aumentou, por exemplo, o preço do salário que a gente recebe. Então em Dublin, por exemplo, que é um dos locais mais caros para moradia, tinha seguidor comentando que eles pagavam 800 euros não por um apartamento, mas por um quarto, para o aluguel de um quarto, sendo que não cobre, né?
Inclusive o salário não vem aumentando nesse valor. E na Espanha, nas grandes capitais europeias, talvez a situação seja mais crítica ainda. E tinha uma senhora chamada de Mari Essa senhora tinha 87 anos e ela pagava aluguel no mesmo apartamento há 70 anos. Está acontecendo na Espanha, não só na Espanha, mas nas grandes capitais, que grandes incorporadoras, grandes empresas vão lá, compram imóvel, principalmente na área central, fazem uma revitalização daquele espaço.
Então muda a fachada, coloca uns coqueirinhos, deixa mais bonitinho, deixa alguns empreendimentos, né, mais voltado para uma classe mais alta. A gente chama isso de gentrificação do espaço. Ou seja, ressignificação das áreas centrais, e coloca, claro, o preço do aluguel ou preço do terreno muito mais alto. A senhora pagava cerca de 500 euros por mês de aluguel e a empresa exigiu nessa mudança que ela passasse a pagar cerca de 3.000 euros.
Ela falou que não tinha condição de pagar. Ele fizeram a proposta de fazer com que ela comprasse o apartamento por 290.000 euros, sendo que ela também não tinha condição. Ela vive de aposentadoria, uma senhora inclusive de cadeira de rodas, tal, né? E sem sombra de dúvida, a empresa foi lá e despejou a senhora. A senhora, ela virou um símbolo. A Mari Carmen é um mártir. Mas essa política de despejo aconteceu só esse ano em Madrid, cerca de 25 mil despejos.
E aí os protestos começaram a aumentar no país por conta da falta de políticas públicas, por conta de preços abusivos, no aluguel. Tem muita questão que a gente já discutiu aqui também nessas principais capitais europeias, que é a questão do turismo. E aí muitos hoje empreendedores e tal veem o imóvel como uma forma de investimento. Eu vou comprar, sei lá, 10 apartamentos, mas não exatamente para colocar para vender ou para aluguel, mas sim para fazer Airbnb, para fazer, enfim, né, aluguel por temporada.
É muito mais lucrativo, só que você vai reduzindo a oferta de imóveis para a população local, e isso vai gerando um aumento do preço da moradia. Então essa especulação imobiliária, essa expulsão da população mais pobre, causou uma mobilização na Espanha, uma série de protestos. E o governo espanhol hoje adotou algumas medidas. Lembrando que é o Partido Socialista que comanda, o governo bem de esquerda, né, anunciando o congelamento do preço dos aluguéis, anunciando que tá proibido o despejo de moradores na Espanha até 2030, quando eles vão tentar renegociar os valores.
Se por um lado, do ponto de vista social, é super legal— eu não defendo, claro, né, que a senhora seja despejada de 87 anos, enfim— mas o que que os empreendedores reclamam? Que essas medidas podem gerar uma insegurança jurídica na Espanha. Ou seja, existe uma falta de oferta de imóveis. Se o governo começa a colocar muitas regulações, o que pode, o que não pode fazer, não pode despejar, tem que comprar o valor tal, limite ali do preço pode desincentivar a construção de novas moradias e agravar o problema do déficit habitacional na Europa.
Lembrando que isso, como eu falei, é uma coisa generalizada no continente, tanto que nas eleições da semana passada, as eleições regionais, o partido à esquerda venceu em Berlim, e eles têm uma proposta de construção de 200 mil moradias populares e nacionalização de empreendimentos não ocupados. Então todos os imóveis que não estão ocupados por ninguém, o Partido Vai vai nacionalizar. Não, agora é do Estado e a gente vai destinar para moradias populares.
Mais uma vez, eu defendo muito que a moradia seja um direito garantido pelo Estado, mas pensando num país que é regido, né, pelos princípios capitalistas, tal, você ter uma nacionalização gera com certeza uma insegurança jurídica que pode acabar agravando o problema. Ou seja, dentre vários outros problemas, a questão da moradia é mais um no no continente europeu. Além disso, tivemos também dentro da Assembleia da ONU a Rússia se pronunciando mais uma vez, alegando, né, que a culpa pela guerra é da Ucrânia, que tá disposta a fazer um acordo, mas desde que seja um acordo que reconheça as motivações da operação militar especial.
Ou seja, que a Ucrânia perseguiu os russos, que a Ucrânia não tem o direito de— enfim, tudo que a gente já discutiu aqui, né, ao longo de encontros que nós tivemos. Mas uma coisa chamou atenção, que a Rússia ela anunciou explicitamente que ela apoia uma reforma do Conselho de Segurança Permanente da ONU e nominalmente citou o Brasil, o Brasil e a Índia também, alegando que são dois países que são representantes do Sul Global e que poderão deixar a ONU um pouco mais democrática.
E de fato assim, eu acho que existiram alguns pontos que foram unânimes ou quase unânimes entre praticamente todos os países que se pronunciaram na Assembleia da ONU. Um deles foi a necessidade de reforma do Conselho de Segurança da ONU. A carta da ONU, escrita em 1945 por pouco mais de 50 países, não representa mais os anseios atuais de 193 países. Hoje, os 5 membros permanentes: Estados Unidos, Rússia, na época União Soviética, né, França, Inglaterra, Inglaterra e China foram escolhidos por conta daquele contexto pós-Segunda Guerra Mundial.
Hoje você pensar, por exemplo, que sei lá, a Inglaterra tá e a Alemanha não, é meio incabível, porque a Alemanha é muito mais importante do que a Inglaterra geopoliticamente, economicamente e tal. Fora que o continente africano, por exemplo, que é o continente mais conflituoso que existe no planeta, não tem um representante. A gente tem hoje, por exemplo, guerra entre Ruanda e República Democrática do Congo. Quem decide o que vai acontecer?
A França? A Inglaterra? Entende? Tem a guerra civil do Sudão, tem o movimento separatista na Etiópia do Tigré. Quem vai decidir isso são países europeus? É a China? É a Rússia? Não faz o mínimo sentido. Então você precisa ter mais cadeiras. Tivemos, à margem da Assembleia da ONU, mais uma reunião da cúpula do G4 ONU: Brasil, Alemanha, Índia e Japão, que defendem que eles ingressem e que tem o fim do poder de veto. E a Rússia apoiou, mas apoiou com ressalvas, alegando que apoia que Brasil e Índia façam parte, mas alegam que Alemanha e Japão não devem porque o Ocidente já tá muito representado.
Claro que Alemanha e Japão não são países ocidentais, mas do ponto de vista geopolítico são mais próximos dos norte-americanos, né? Inglaterra e França falaram que apoiam todos os países do G4, Os Estados Unidos já se pronunciou publicamente contrário ao Brasil ser um membro efetivo do Conselho de Segurança. E a China, aquela posição bem pragmática, fala que apoia a reforma, mas nunca falou um país oficialmente, mas possivelmente apoiaria a causa brasileira.
Ou seja, hoje, de empecilho mesmo para que o Brasil seja um membro efetivo do Conselho de Segurança são os norte-americanos. Lembrando que para que isso seja efetivado, essa mudança precisa passar pela Assembleia da ONU e ter 2/3 dos votos. São 193 países, então seria necessário 129 países apoiarem e os 5 membros permanentes votarem, votarem sim. Se um se abstiver ou votar não, claro, né, a coisa não acontece. Lembrando que o Brasil já fala dessa reforma do Conselho, olha, desde a década de 90, pelo menos, hein, pelo menos.
Mas a Rússia anunciou apoio aí à causa brasileira. Outra notícia importante também, tá ligado às margens também da Assembleia da ONU, tivemos uma reunião, na verdade uma reunião, né, foi quase um conjunto de reuniões ali, foram 3 dias que o Xi Jinping ele não participou da Assembleia da ONU. O Xi Jinping ele alega que não faz sentido, ele não vê sentido em discursar na Assembleia da ONU, mas ele utilizou o espaço que estavam cheios de chefes de estado para fazer reuniões bilaterais, e a mais importante aconteceu com Trump.
Foram 3 dias de reunião. Nessa reunião foi acordado que eles vão tentar estabelecer uma espécie de, não exatamente cooperação, mas um canal de comunicação sobre inteligência artificial. O Trump fala que a inteligência artificial não oferece nenhum tipo de perigo, que essa corrida não vai colocar em risco a humanidade. Não é isso que outros líderes americanos falam e que CEOs das big techs também colocam. E anunciaram algumas tratativas também sobre regulação, do uso de armas nucleares.
Mas assim, de importante mesmo nada aconteceu, tá? Ficou tudo meio que— eles anunciaram uma tentativa de um acordo comercial também, que os Estados Unidos isentaria provisoriamente taxações na casa de 30 bilhões, a China também isentaria 30 bilhões norte-americanos, mas tudo assim bem provisório. Talvez o que mais tenha chamado atenção foi uma característica que na geopolítica a gente chama de soft power. Que que é o soft power?
É a capacidade de de um país se projetar geopoliticamente por meio ou de influência econômica ou de influência cultural. O hard power é na capacidade militar, né? E nesse caso, a mamãe Peng, que é como os chineses chamam a Peng Liyuan, que é a esposa do Xi Jinping, teve um papel decisivo. A Peng Liyuan, ela é ex-soprano do exército e ela vem de umas camadas mais populares chinesas. Então ela lida muito bem com essa questão da redução da desigualdade.
Ela é muito bem vista pela população mais pobre. E ela, nos Estados Unidos, ela conversou em inglês com os diplomatas que ali estavam, conversou em inglês, por exemplo, com a Melania Trump, né, que é a esposa do Trump. Falou inclusive porque teve uma orquestra também que eles cantaram músicas tradicionais chinesas. Ela cantou junto com o coral. Então ela foi muito bem vista, ela é muito simpática assim. A China, que tem, geralmente passa uma imagem mais de pragmática, política seriona, concentrada.
A Peng Liyuan, ela meio que desmistificou isso e foi muito bem vista nos Estados Unidos. Lembrando que a China não tem um bom histórico de primeira-dama, primeiras-damas, porque o Mao Tsé-Tung, ele tinha uma esposa que foi colocada como a grande culpada pelos males do governo Mao Tsé-Tung. Porque o Mao Tsé-Tung foi o responsável pela Revolução Chinesa e ele promoveu o que a gente chama de cultural, que na prática seria a perseguição a quem pensava diferente do governo, perseguição contra pensadores das academias.
Criavam um índice de livros proibidos que criticavam o capitalismo, ou aliás, exaltavam o capitalismo, não poderiam circular. Os que exaltavam o socialismo poderiam circular. Ou seja, basicamente moldar o pensamento da sociedade chinesa e perseguição a partidos opositores, movimentos opositores. Quando Deng Xiaoping, que é o sucessor do Mao Tsé-Tung, assumiu o poder, ele precisava exaltar a figura que foi o Mao Tsé-Tung, mas tentar desvincular a violência, principalmente do período da Revolução Cultural.
O que que o Deng Xiaoping fez? Colocou a esposa do Mao Tsé-Tung como bode expiatório. Não, na verdade, Mao Tsé-Tung, ele conseguiu coletivizar, fez o grande salto adiante, tudo tal, mas a violência ficou a carga da sua esposa. Então a figura de primeira-dama na China ficou muito mal falada durante muito tempo. A Peng Liyue hoje consegue meio que revitalizar isso para os chineses.
E aí eu queria um ponto que aqui no Brasil frequentemente a direita, a direita principalmente, vamos dizer, subestima, que é a parte da cultura como estratégia e soft power. Com certeza, porque a gente fala, a gente teve até um debate sobre isso aqui, da coisa da cultura como algo central no país.
E o Marcílio tá trazendo aqui o exemplo perfeito, que assim, o soft power chinês, você vê os coreanos, a Coreia do Sul, como ela influencia pela música, pelos seriados e tudo mais hoje em dia, né?
E aí, Japão, Coreia do Sul influencia pela música. Hoje em dia, skincare sul-coreano vende em qualquer farmácia, é qualquer farmácia, é um mercado do bilhão, gigante.
Eu fiquei impressionado, né, diretor? A gente viu um coreano lá, eu não sou de reparar, mas a pele do maluco. Eu perguntei, não, eu falei que na entrevista eu falei, cara, porque você é muito novo. Eu falo, novo? Quantos anos você acha que eu tenho? Falei, 17. Ele falou, 30 e 32. Puxa, moleque tem cara de 17, tem 32, velho. Aquela pele de moleque assim, é incrível.
A coisa do soft power, você chega pela cultura é para fazer conquistas políticas e econômicas, né?
Que a gente leva para o mundo a nossa depilação Brazilian Wax, que é famosa, né?
Sabia? É, nossa, eu pensei, não, assim, é as moças, as primeiras pelo menos que foram para os Estados Unidos, as moças ficam milionárias. Canadá também é lotado, Europa tem um pouco menos, até por questões culturais com relação à depilação, né? Mas nos Estados Unidos e no Canadá, e assim, sei lá, uma depilação que custa cento e poucos reais aqui, elas cobram $200 lá, entendeu?
E por ser brasileira, a galera paga assim porque a gente é bom nisso.
É porque chama Brazilian Wax, a depilação se chama cera brasileira, né? E é uma coisa, e é, mas assim a gente podia ter mais interesse em exercer soft power, né?
A gente não, eu não sei, é falta de visão, é falta nova, fez esse papel.
Eu acho que falta assim investimento e planejamento estatal, e tanto faz se é Lula, Bolsonaro, enfim, né, assim, de Estado brasileiro. A Coreia do Sul, ela cresceu tanto, não foi à toa, eles fizeram planejamento. Existe um subsídio do Estado, né, para para as doramas. Eu fui, por exemplo, no show, porque meu filho adora. Meu filho tem 5 anos, daquela, um filme da Netflix das guerreiras do K-pop.
Pô, meu filho assistiu duas vezes esse negócio.
Eu fui até no show lá ver as guerreiras do K-pop.
Teve esse show?
Nossa, cheio ali de criança dançando e tal.
É chinês? O que que é?
É sul-coreano.
É sul-coreano também, cara? Você assistiu? Absurdo esse desenho. Você fica vidrado no desenho, meu filho cantando as músicas, é incrível.
E você sabe, eu tive uma reunião na, eu tive uma reunião na FAESP semana passada, no Conselho de Cultura, no Concultura. Aliás, tava lá o Josias Teófilo, o André Sturm, meu amigo querido, André Matarazzo, onde esse assunto a gente tava discutindo ali. Eles estavam discutindo isso como indústria, porque precisa, o nosso país precisa ter um planejamento sério disso, porque cultura na cabeça do político brasileiro é uma firula.
O turismo não entra no soft power também? Porque eu tava vendo a taxa, né, o tipo a classificação dos países, cara. Como que pode Espanha daquele tamanho ter um faturamento muito maior que Brasil assim? Mas não é pouco, é absurdo. Assim, em alguns anos passa Estados Unidos, aí depois É França, Espanha, Estados Unidos, então sempre na frente lá, cara. E a capacidade que o Brasil teria, cara, de— o Sul é um tipo de turismo, o Nordeste é outro, o Norte com Amazônia, o Pantanal, Cerrado, cara, é tanta coisa que podia explorar.
Rio de Janeiro, entendeu? É absurdo que a gente não ganhe muito dinheiro com isso.
E também a forma de promover, não sei se vocês perceberam, em todos os shoppings de São Paulo agora tem o totem de Buenos Aires. Vocês já viram?
Não, não, não.
Mostrando porque eles fizeram agora, você sabe que dá para você subir no Obelisco, né, em Buenos Aires, e lá em cima. Eu fui com meu filho, tipo, abriu, eu fui. Deve ter um visual, cara, é absurdo. É super apertadinho, eles fizeram de retrofit porque não, eles abriram, não tinha escada, não, eles construíram até lá. E aí com isso eles estão botando colocando totem tudo que é shopping de São Paulo chamando as pessoas para ir para Argentina.
Nossa, muito legal, né?
E aí eles mostram assim, eles mostram o Obelisco, aí mostra a subida, mostra a vista de lá de cima, aí já mostra o Teatro Colón, já mostra todas as coisas. A gente também faz isso em certa medida fora, obviamente. Muitas vezes você vai para o exterior e tem o conheça o Brasil, vê o museu, Mas a gente não tem isso feito de uma forma estratégica.
Não adianta também a violência daqui, a galera fica com medo, cara. O problema é esse, o pessoal fica com medo.
E tem muita dificuldade também com transporte. A gente pensa assim, mas é verdade, pouca via também, né, de interligação e tal para os espaços mais turísticos que o Brasil poderia ter. O potencial é grande mesmo, de fato, mas falta.
Mas nunca ninguém teve um olhar para isso, né? Uma pena.
Isso você falou da violência, eu lembrei agora quando quando eu morava em Angola, eu ia vir para o Brasil, para eu voltar para o Brasil. Eu tava grávida, final de gravidez, eu tinha que voltar para ter meu filho aqui, né? Então eu saí de lá com 36 semanas. Quando eu tava saindo, o povo via da Atena lá, porque tinha recorde internacional. Gente, a choradeira que foi! Não vai para lá que é muito violento! Tipo, os caras estavam em Angola, o Brasil era muito belo.
Não, São Paulo você não vai de jeito nenhum. São Paulo você não vai, porque assim, é o soft power ao contrário, né?
Exato.
É o soft power que promove assim o pior do Brasil, né?
Fatal power.
Fatal power. Como é que é?
Não, não vamos fazer propaganda de novo.
Ah, é verdade. Eu tô louca para ver.
Depois te conto.
Bom, a gente teve também um relatório, na verdade, relatório assim, né, isso foi divulgado pela mídia, mas a CIA não confirmou as informações, tá, para deixar bem claro. Mas que a Rússia estaria disposta a fazer uma operação teia de aranha contra o continente europeu. Para quem não se lembra, a operação de teia de aranha foi uma operação muito bem-sucedida dos ucranianos ano passado, que eles colocaram uma série de drones dentro dos caminhões de repente os caminhões iam próximos de bases militares russas, abria meio que a tampa, né, o teto ali do caminhão, os drones iam e explodiam naquelas bases russas.
Ou seja, com drones que são muito baratinhos, com um ótimo custo-benefício, eles conseguiram causar uma série de avarias a equipamentos caríssimos ali dos russos. E a Rússia, que vem avançando também com os seus drones, estaria disposta a fazer ataques contra a Itália, contra a França e contra a Espanha, os países ali que estão próximos do Mediterrâneo, a partir de embarcações que supostamente seriam comerciais para atacar capitais europeias.
Lembrando que isso faz parte de toda uma guerra híbrida. A Rússia jurou mais uma vez na Assembleia da ONU que não quer fazer guerra com o continente europeu, mas ao mesmo tempo as informações surgem, né, de sabotagens em trens nos Países Baixos, em drone com explosivo no aeroporto de Leipzig, na Alemanha. A gente teve hoje inclusive, tá, uma notícia que reverberou que uma instalação militar na Estônia também pegou fogo ali, supostamente.
Na Polônia também, mas a Rússia não alega, né, não confirma nenhum desses ataques. Pode ser que seja mais algum, alguma provocação aí dos russos. E para finalizar, a gente teve mais um referendo aí na Suíça. A gente acho que todo mundo sabe, né, que a Suíça ela se define como um país neutro. Isso é uma coisa que não é só abstrata, é uma coisa constitucional mesmo. A Suíça, por exemplo, ela se define como neutra porque ela tá quase que no coração do continente europeu.
Então a Suíça, que é dividida em vários cantões, tem alguns cantões que tem mais galera pró-França, pró-Alemanha. Então ter algum tipo de posicionamento poderia gerar conflitos internos, e também para evitar que o seu território seja alvo de culturas. Então eles utilizam duas proteções: a sua neutralidade e o próprio Alpes, né, como uma espécie de proteção aí contra possíveis guerras. Hoje na Suíça cresce bastante um partido que é, mais uma vez, né, inclusive o partido mais popular hoje da Suíça, que é um partido de que a mídia coloca como a extrema-direita.
Então anti-imigração, xenófoba, tudo tal. E esse partido já tinha proposto no começo do ano um limite populacional Ou seja, só poderiam ter 10 milhões de pessoas na Suíça. Isso foi colocado para referendo e isso foi negado pela população. Dessa vez foi colocado pelo mesmo partido um referendo que falava para abranger um pouco mais essa neutralidade da Suíça, porque a Suíça, por exemplo, hoje é um país neutro, mas fornece, por exemplo, armas para Ucrânia, alegando que está defendendo o continente europeu.
Então se envolve alguns conflitos. Geralmente esses partidos dessa direita ultranacionalista que hoje cresce no continente europeu, eles também não é que são contra a Ucrânia, mas eles são contra gastar o dinheiro do contribuinte suíço, alemão, espanhol, enfim, né, com a Ucrânia e não deixar para a própria população. Então eles queriam colocar que a Suíça deveria ser neutra para todas as possibilidades, e isso foi rejeitado pela Suíça.
A Suíça hoje, lembrando, que não faz parte da OTAN, a Suíça não faz parte da União Europeia, A Suíça tem alguns acordos de livre comércio, faz parte do Espaço Schengen, por exemplo, que permite a livre circulação de pessoas, mas se mantém como estado neutro. Só que por esse referendo, não tão neutro assim como o partido de direita gostaria na Suíça. Acho que era mais isso de principais notícias aí da geopolítica da semana.
É isso.
Agora é aquele momento.
Assim, ó. Aliás, hoje eu trouxe uma solução, uma muito boa. Olha, vai me dizer que vocês nunca em algum momento assim ficaram meio apertados, né, loucos para usar o banheiro, quando consegue parar o carro em algum lugar não tem papel?
Aconteceu isso hoje. Hoje eu fui no estacionamento, parei o carro e falei para o cara Aliás, eu usei o estacionamento porque eu precisava usar o banheiro, né? Então foi uma desculpa. Aí aproveitei, já fiquei lá por perto, mas eu falei: tem banheiro aí? Ele falou: tem. Aí eu tava no banheiro, estava sem papel. E aí eu pensei: meias ou cueca?
Porque eu trouxe a solução.
Mas aí o cara bateu na porta e falou: o papel, se o senhor pegar.
Puxa vida!
Não, eu falei: só tô mijando. Ele falou: tanto tempo assim, querido? Não falou, mas eu vi no olhar dele assim.
Calma que Eu trouxe a solução, mas antes roda a vinheta. Mas dá, minha amiga, a solução se chama Wide Wipe.
Wide, wide, wide, largo de, do quê?
Não sei.
Se eu dissesse que é um tipo de papel, eu não sei como é que eu chamo, não é um papel, mas seria um objeto que você usa mais de uma vez.
A gente lembra do papel Primavera, lixa mais limpa, lembra?
Nossa, que era aquele rosa, rosa, você passava, você vai.
Mas ó, esse lixa mais limpa, papel Primavera, né, Homer?
Lixa mais limpa, lixa de acabamento também.
Falando nisso, eu acho que pode ser uma modernidade que talvez esteja querendo retroceder, e você vai entender por quê.
Então vamos lá.
Porque a gente tá falando que agora existe uma espécie de rodinho.
Rodinho?
Rodinho. Não, foi desenvolvido para mulheres, mas pode ajudar os homens. É, e você não vai passar aperto nunca. Por quê? Porque você fecha ele, coloca no bolso. Vocês vão entender que história é essa. Mostra aí para gente. Ó, olá! Ele tá fazendo sucesso, tá vendo? Ficou aquele restinho Não entendi. Obviamente, aí para fazer esse vídeo assim, ó, lá, entendeu?
Não é isso, é isso, é só esparrama Nutella, você não limpa.
É isso, é aí que tá. As pessoas comem isso daí, tá virando febre lá fora, cara. É uma aposta, a Nutella vai para dentro desse plástico. E aí as pessoas começaram a fazer essa pergunta nas redes sociais.
Ah, eu não Eu também não, nunca, nunca.
E aí as pessoas começaram a perguntar assim nas redes sociais, né? Você tem que ir lá colocando, porque começou gente do mundo inteiro comentar.
Imaginando a parada já, eu não tô entendendo.
O número 1 tudo bem, mas é, e aí?
Não, mas vocês entenderam?
Acho que é passar a pazinha como se tivesse, sabe, pegando um sorvete assim, ó.
É isso, você passa até quando a gente acha que já viu de tudo, esse tudo tá só começando.
Eu já tinha dificuldade de fazer exame de fezes naquela latinha, porque você tem que ficar mirando para acertar lá e cair dentro da latinha.
Mas agora, você que gosta de filme que nem eu, tá, vou viajar lá para trás. Você lembra um filme de muitos anos do Stallone que ele é congelado?
Demolidor.
Olá! E aí, quando ele vai no banheiro, o que que tem? Conchas. Tem 3 conchinhas, 3 conchinhas que ninguém explicou até hoje o que que era aquelas conchas. Tá aí, ó, a evolução das conchas.
É a concha, cara.
Essa imagem tá muito ruim na minha cabeça de uso desse negócio.
Ele não vai nem dormir essa noite, gente.
Eu não passava, desculpa. E depois você põe no bolso.
Então, e detalhe, eu tenho um pote de Häagen-Dazs de chocolate aí, eu não vou pegar agora com a colher que eu vou levar.
Vamos falar de uma coisa importante. Onde é que ela vai lavar isso?
Ah, é, tem que lavar depois, né?
Na pia onde a gente lava a mão? Pois é, não tem o papel.
É verdade.
E também, ó, passou uma vez, não tá limpo. Como que vai passar de novo?
Não, gente, para, não vamos nem pensar nisso. Essas coisas loucas que as pessoas inventam. E por falar em invenção, parece aquelas paletas de tocar violão, aquela pazinha do Kinder Ovo que vem, tá ligado?
Pior que parece, parece aquela pazinha do Kinder Ovo. Quem tem filho sabe, né?
Vem uma pazinha aqui, comeu Kinder Ovo.
Essa é uma pazona do Kinder Ovo, bem surpresa também. E para quem tem hemorroida, querido, esquece, não vai dar, né?
Ai, que aflição! Mas ó, por falar nisso de invenções, eu sei que você tá bem satisfeito com a tua cadeira. Aqui ninguém tem problema de dor nas costas, dor na coluna, nada disso. Mas para você, minha amiga, meu amigo, que trabalha muitas horas e ainda não encontrou a cadeira perfeita, eis que surge uma inovação. A cadeira promete, sabe o quê? Exercício físico com você sentado, alongamento, e até kung fu, que eu fiz hoje com kung fu, por coincidência. Não, hoje, ó, ele parou no banheiro Não tinha papel.
Não é verdade? Foi hoje.
Pior que é verdade.
E aí agora ele fez com o Gifu.
É, pois é.
Você só fez porque você não tem essa cadeira aí, porque essa é boa para a gente fazer aqui o jornal, podcast.
Mas quebrei, quebrei, quebrei tijolo na mão hoje, 2 tijolos.
Jura?
Verdade. Vocês vão ver no vídeo, né? Filmamos, filmamos.
Tá bom, gente. Mas então você vai precisar dessa cadeira lá no teu quarto. Vamos mostrar.
Quebrei o tijolo do banheiro.
Ó, a cadeira kung fu, você vai alongando, você vai esticando, ó.
Essa cadeira pode fazer sair para outras coisas.
Eu tô achando que é para outra coisa.
Essa cadeira diz que trabalha até abdominal.
É, com certeza.
Nossa, trabalha, trabalha, trabalha bem, total.
É uma cadeira inovadora, menos sentar na cadeira, né?
Gente, olha isso!
Cadeira, foi socando a cadeira.
É, gente, ela chama rocking chair. Tá certo meu inglês aqui, professores de inglês?
É cadeira de balanço, né?
É isso, é uma super modernona, parece dos Jetsons.
Ele curtiu, ele curtiu bastante, ó. Tá aí, é isso, meninas.
Ainda tô com um negócio na cabeça.
E aí tem um negócio para pôr o pé, você viu, na cadeira?
São vários movimentos, são vários movimentos.
O rodinho, não, rodinho íntimo quebrou lá fora, tá? Rodinho íntimo quebrou.
Não, e eu só trouxe porque a gente tem um aparelho facial muito parecido para as mulheres, né? Aquele que drena. Não confundam, por favor. Aí já não sei, é, parece esse, mas não é. De que drena tem um rolinho, tem um E tem um que parece esse rodinho mesmo, né?
É, tem o do rodinho, tem tudo.
Mas esse rodinho é diferente.
É que é para passar aqueles cremes que custa R$540, a gente fala para vocês custa R$80.
Tem os shampoos caros também aí, né?
Tem. Paguei uma fortuna, R$85, você fala.
Na verdade é R$500.
A Duquesa Detax viralizou. Porque ela postou a história que ela falava para o marido dela uns 10 anos que o shampoo lá que ela usa, o Kerastase, custava R$80. Aí é muito mais, tipo, é um zero a mais, né? Quase, é quase um zero a mais. Aí ele começou a usar o shampoo dela. Aí ela: não, amor, não usa que é caro. Não, mas eu Eu te dou R$80.
É, aí não teve jeito.
Aí viralizou isso.
O cara dando uma lição de moral aqui: ande sempre com papel higiênico no carro, na mochila. Só tem que lembrar de descer ele do carro quando for em um banheiro de posto, né? Agora que você me fala isso, é agora meio tarde, né?
Mas você sabe onde eu precisei de papel e não tinha? Quando eu fui cobrir a guerra lá em Israel.
Não, mas eu já, eu já perdi um par de meia já nessa brincadeira, cara.
Sério?
Sério. Você tem, não tem o que fazer, é meia.
Não, aí a minha sócia que tava, o Daniel Bialski, que é advogado, você conhece? Ah, fomos na casa dele já. Aí o, eu, puta, que eu vou fazer agora? Não sei o quê. Aí o Bialski aparece com um lencinho umedecido para as meninas. Ele, vocês não trouxeram lenço umedecido? Ele tinha porque ele é prevenido, ele já tava alerta para situações. Aí eu comprei o meu próprio lencinho umedecido.
Eu até tenho na mochila, mas hoje eu não estava na mochila com lencinho umedecido. Pai de criança tem que andar com lencinho sempre. É isso, o Homer. Hoje aprendemos bastante coisa, né? Pois é, hoje o guia foi cheio de ensinamentos, peripécias. Vamos então encerrar, né? Agradecer demais ao pessoal aí. Exatamente. Mas da onde o pessoal te acha?
Me acha nas minhas redes, Madeleine Lasco, em todas as redes. E domingo eles me acham na urna.
Pois é.
Aí, mas nas redes, todas as redes estão lá, até com shadowban em algumas, tá? Então vocês olhem o meu nome aqui embaixo do jeito que tá e digita inteiro porque ele não tá aparecendo, mas semana que vem isso isso.
Bom, galera, quem quiser me encontrar, é Instagram @prof.fernandarainricardomarcillio, mas onde eu mais produzo conteúdo é no YouTube, Professor Ricardo Marcillio, com vídeos diários ali de geopolítica. Tamo junto e até semana que vem.
E eu sou a Fernanda Cômora, meu arroba é @fernandacômora. Me segue lá na rede, conta aí o que que você tá achando do meu trabalho, da minha participação aqui. E tô de segunda a sábado lá na Record Campinas. Ó, obrigada pela companhia.
Eu sou Rogério Vilela, me sigam lá no @vilela no Instagram. Vou postar usando essa pazinha hoje, como chama aí, ó, o rodo, o rodo do toba.
Tem um nome, como é que ele chama?
É rodo não sei o quê.
Não, agora fiquei com rodo do toba.
É o wide wipe.
O Homer, que que o pessoal tem que fazer agora?
Bom, já deixa aí seu like, se inscreva no canal, torne-se seja membro, compartilha esse vídeo com toda sua patotinha. Agradecer também os nossos patrocinadores, temos o G4 e o Estratégia patrocinando o episódio de hoje.
E QR codes, né, aí à vontade. E que que o pessoal escreve? Não tem outra coisa?
Eu tinha pensado em muita coisa, mas para provar que você chegou ao final desse papo maravilhoso, coloca aí Irmã Madá.
Irmã Madá, soubemos do passado da Madá aí. Irmã Madá nos comentários. E agora com a Fernanda para encerrar o que temos. Já, já agradecendo demais que esse episódio foi muito bacana, merece seu like.
Fernanda, para encerrar, agora sim a gente vem com a crônica do querido Carlos Bezerra. É isso, até mais, beijo, gente, tchau tchau!
Roda a vinheta!
O Brasil tá assistindo essa semana a revolta dos traficantes. Eu explico. A gente chama de traficante quem vende uma coisa que vicia e que destrói a vida da pessoa e lucra com isso. Pois agora esses traficantes estão revoltados, só que eles têm um outro nome: influenciadores de bets. Pela primeira vez a banca perdeu, gente. E olha o que acontece quando a banca perde. Justo agora, no mês em que anuncia que vai ser pai, com a mulher querendo um chá revelação, De R$300 mil e um enxovalzinho comprado fora do Brasil, ele perde uma fonte de renda.
Que coisa triste, né? Mais triste é o pai de família que nunca teve R$300 mil para ostentar, que às vezes não tinha dinheiro nem para fralda, nem para o leite, e mesmo assim acreditou que uma aposta ia mudar a vida dele. Esse pai não é o pai que aparece nesses vídeos. O outro vai montar cassino lá fora. O outro agora chama o Brasil de ditadura. O outro chama de burro quem critica. Enquanto o dinheiro entrava, era família, era tropa, era vocês estão comigo.
O dinheiro parou, o discurso mudou. E ainda tem mais: as próprias associações que representam o mercado de apostas foram hoje ao STF para tentar suspender a medida provisória. Cara, associações de bets e STF agora, gente, é de dar até um friozinho na barriga, né? Brincadeiras à parte, tem muita grana envolvida. E agora eles sentem uma dor que muita família brasileira conhece bem: perder dinheiro, não saber como vai pagar a próxima conta, olhar para o mês que vem e não ter resposta.
Só que com uma diferença: Quando era o apostador que sentia essa dor, o conselho que eles vendiam era um só: aposta mais uma vez, vai. Porque cada vez que o apostador perdia, eram eles que ganhavam. Agora eles se colocam como vítimas. Vítima é quem perdeu o dinheiro do aluguel, o dinheiro da luz, o dinheiro do remédio, o dinheiro do pão. A banca perdeu. Quem sempre pagou a conta Foi a família.
As opiniões e declarações feitas pelos entrevistados do Inteligência Limitada são de exclusiva responsabilidade deles e não refletem necessariamente a posição do apresentador, da produção ou do canal. O conteúdo aqui exibido tem caráter informativo e opinativo, não sendo vinculado a qualquer compromisso com a veracidade ou exatidão das falas dos participantes. Caso você se sinta ofendido ou tenha qualquer questionamento sobre as declarações feitas neste vídeo, por favor entre em contato conosco para esclarecimentos.
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