1941 - SAMARA MARTINS
SAMARA MARTINS é candidata à presidência do Brasil. Ela vai bater um papo sobre sua vida, sua visão para melhorar o Brasil e suas propostas de governo. Já o Vilela ilustrou a Magna Carta.
- A trajetória de Samara Martins na política e nos movimentos sociaismilitância desde o ensino médio·luta pelo meio passe em BH·formação política na UJR·participação no MLB·fundação da Unidade Popular
- A visão da Unidade Popular sobre a saúde pública e o SUSSUS como vitória do povo brasileiro·saúde como direito e dever do Estado·financiamento adequado para o SUS·crítica às parcerias público-privadas·proposta de políticos usarem o SUS
- A proposta da Unidade Popular para a nacionalização de setores estratégicosnacionalização do sistema bancário·suspensão do pagamento da dívida pública·nacionalização de riquezas minerais·reestatização de empresas privatizadas·controle estatal sobre os bancos
- A proposta da Unidade Popular para a desmilitarização das polícias no Brasilpolícia militar como inimigo do povo·história colonial da polícia militar·polícias comunitárias como alternativa·letalidade da polícia militar·ONU e Comissão da Verdade defendem desmilitarização
- A defesa da legalização do aborto e criminalização da misoginiaaborto legal e seguro até 12 semanas·aborto como questão de saúde pública·misoginia como violência e ódio contra mulheres·responsabilização de plataformas digitais·combate ao feminicídio
- Críticas da Unidade Popular aos outros candidatos à presidênciaRonaldo Caiado e o agronegócio·Flávio Bolsonaro e o fascismo·Cury e a defesa dos empresários·Romeu Zema e as privatizações·Renan Santos e o MBL
Olá, terráqueos, como é que vocês estão? Eu sou o Rogério Vileira, tá começando mais um Inteligência Limitada, o programa onde a limitação da inteligência acontece somente por parte do apresentador que vos fala. Sempre trago pessoas mais inteligentes, mais interessantes e com a vida muito mais engajada do que a minha, do que a sua. É verdade, você engaja no quê ultimamente? Seja Guruja é verdadeiro. Olha, eu tenho engajamento, é no videogame, é no videogame, ainda tá engajado.
Tinha jogado muito FIFA 26 e FIFA 25.
Mas isso não muda o Brasil.
Não, não muda.
Ou muda? Eu não sei.
Ah, muda, muda o meu Brasil, né?
Tá certo.
E para o pessoal que quer mudar o Brasil e tá no chat agora, o que que eles fazem?
É, se você não deixou o seu like ainda, corre, deixa o seu like, já se inscreve no canal, aproveita, já se torna membro para você ficar sabendo antecipadamente das coisas que acontecem aqui no nosso podcast. E aproveita também, compartilha o link dessa live com o seu vizinho, com seu inimigo, com seu amigo, é quem, o cara, sua sogra, manda para sua sogra. A sogra é show de bola.
Então já vai dando aquele like aí, manda sua pergunta, porque do meio para o final a gente vai pegar as perguntas do chat, certo?
Exatamente.
Então é o seguinte, agora eu quero que você seja muito bem-vinda, primeira vez que está aqui, se apresente, tua câmera aquela, e Ô Lenil, eu fico sem graça falar para ela.
É, o Vilela é interesseiro mesmo, ele é interesseiro.
Em vez de eu dar presente às pessoas que vêm aqui a primeira vez, se apresente para o povo e quero meu presente.
Legal. Boa tarde para todo mundo, muito obrigada, Vilela, pelo espaço para nós da Unidade Popular. É muito importante poder apresentar o nosso programa, apresentar para um público que às vezes ainda não sabe da nossa existência. Eu tô candidata a presidente do Brasil pela Unidade Popular, Meu número é 80. Quem quiser inclusive acompanhar as nossas propostas, acompanhar a nossa rede, @unidadepopular, @samaramartinsup, para poder acompanhar esse finalzinho, né, da campanha eleitoral.
Eu sou dentista do Sul, sou trabalhadora da saúde, trabalho num presídio no Natal, no Rio Grande do Norte. Eu sou mineira de nascimento, mas já tô em Natal há 15 anos, então eu tenho dito que eu sou potineira. Meio potiguar, meio mineira. Sou mãe de 2 filhos, sou casada, me formei na UFRN, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e sou militante dos movimentos sociais desde o movimento secundarista, desde a minha escola, fui de Grêmio Estudantil, participei—
Vou querer saber dessa história, hein.
Boa. Participei da AMS-BH, fiz luta lá em Belo Horizonte, depois fui pra Natal, que foi onde eu me formei, fui do movimento universitário, da UNE, da União Nacional dos Estudantes. Então já tô aí no movimento político há muito tempo. Não parlamentar, mas político há muito tempo.
Nome dos seus filhos?
Luiz Antônio e Luca Aron. Inclusive, o presente tem a ver. Olha o presente, um skateinho, um skateinho que é justamente do meu filho mais velho. E eu vou te contar a história. Eu não tô em casa há muito tempo, né? Porque a gente tá—
roubou deles.
Então ele não sabe porque estava na minha bolsa aleatoriamente, e aí eu descobri isso lá. Mas eu vou te contar a história. Mães são assim, mães planejam a vida dos filhos até sei lá quantos anos, 50 anos.
E eles não vão cumprir esses 50 anos.
E eles não vão cumprir, exatamente. Aí fui mostrar para Luiz Antônio, que é o meu filho mais velho, ele tem 7 anos de idade, onde que ele ia fazer o ensino médio e depois do ensino médio que ele iria para a universidade. E aí eu mostrei para ele a universidade e disse, você pode ser o que você quiser, você pode ser professor, você pode ser cientista, você pode ser dentista igual a mamãe. Aí ele falou assim, você é skatista.
Deu várias opções.
Aí eu falei assim, excelente, então é isso. E ele realmente está tentando ser skatista, pediu no Natal um skate, tá no treino. Então ele talvez seja um skatista.
Com capacete, né?
Com capacete, joelheira, caneleira, o negócio do cotovelo. E ele quer montar todo para poder fazer todas as regras. Esse é o Ludo Doutor.
Meu filho falou que quer ser gamer.
Vamos ver. É isso aí.
Tá só no Roblox.
E isso é legal, assim, porque é uma parte da minha vida, inclusive, que a gente explora menos na campanha, né? Que é o fato de eu ser mãe. E isso é mais difícil também. Então, ser candidata e ser mãe é um negócio que dá muito trabalho. Eu trouxe eles pra Minas Gerais, inclusive, pra ser mais fácil. Estão lá com meu pai e com minha mãe, pra eu poder conseguir encontrar com eles mais vezes. Porque às vezes eu fico 12 dias sem voltar em casa.
Sua base é onde?
Então, eu tava voltando pra Natal, mas aí tava ficando muito estendido. Aí eu trouxe pra Minas, que tem rotas mais perto, e os estados que eu tô visitando agora no final, pra poder ficar perto deles. Porque o outro, esse é o de 7 anos, mas o outro tem 3 anos de idade. Nossa, precisa muito de você, né? E aí, isso que a gente tem dito, da importância das mães estarem na política. Porque é mais difícil uma mãe de 2, por exemplo, que é meu caso, vai pensar centenas de vezes antes de se candidatar a qualquer coisa.
E a gente tem tentado na Unidade Popular fazer esse espaço para as mães. Então ter inclusive o cuidado coletivo, de ter as creches nas nossas atividades para cuidar dos nossos filhos, como a ideia de filhos também de todo mundo, não só os meus e a minha responsabilidade, se vire para lá, mas uma responsabilidade coletiva. Então hoje consigo exercer essa tarefa de ser a candidata porque também o partido tem pensado na organização política das mães.
E as mães estão em luta, né? As mães são as que mais lutam pela saúde, pela educação, por tudo, porque pesa sobre nós essa responsabilidade no sentido individual. Como mãe, como esposa, né? Exato. Então vai pesando muito. Até a gente defende que deveria ser socializado esses trabalhos, e muita, muitos deles inclusive deveria ser responsabilidade do Estado. Não precisaria ser tão pesado para as mulheres esses trabalhos domésticos, mas ainda pesa muito sobre nós.
Então quem resolve a escola, quem resolve a merenda, quem resolve a lição de casa, quem resolve a marcação do médico são as mulheres. Então as mulheres têm que estar nos espaços de poder e de decisão, porque são as que sentem.
Vamos falar muito disso. Quero saber da tua infância. Você não andava de skate? O que que você fazia quando era criança? Brincava na rua?
Não brincava.
Eu ainda nasci em que ano?
Eu nasci em 1987. Então pegou ainda. Eu ainda brinquei na rua. Eu jogava bola. Então, uma das primeiras manifestações que eu fiz foi na minha escola do fundamental, pra gente poder jogar bola no recreio. Porque só davam a bola pros meninos. E aí eu juntei as meninas e disse, nós também queremos jogar bola. Aí os meninos, a princípio, ficaram muito bravos, porque eles tinham que dividir o horário do recreio. E depois a gente fez um acordo, todo mundo jogava junto.
Apesar dos professores ficarem ali meio com medo, né. Porque aí os meninos vinham quebrando. Mas o meu time de meninas... Era maravilhoso. Que isso, joga até hoje ou parou? A gente continuou jogando enquanto eu tava em Minas. Já salve para as meninas aí do futebol, vamos marcar aí. A gente jogava toda quarta-feira à noite numa quadra lá em BH.
Quadra ou campo de quadra?
Quadra, é futsal. E a gente assim, eu não sou muito boa não, mas tinha algumas que devia estar na seleção.
Eu joguei semiprofissional, pô.
E agora? Agora é semi-amador, agora é semi-amador, né?
Mas ele chegou perto.
Sem cadeira de rodas, né? Sem tá reclamando de alguma coisa. Não, ele tá sempre reclamando de alguma coisa. Ai, minhas costas, minha barriga.
Então eu jogava mesmo. E aí a gente andei de bicicleta na rua, joguei na rua. Então ainda pegamos esse tempinho aí.
Empinava pipa.
Eu fiz, inclusive tinha, eu fui da igreja também e tinha festival de papagaio que a gente chamava em Minas. Papagaio. E eu participei com certeza, montava os papagaio para poder soltar. Nunca ganhei o fechamento.
Tinha boneca também?
Tinha também. Só que eu era um pouco destruidora. Então eu queria fazer coisas com as bonecas. Então eu cortava cabelos, fazia as maquiagens do jeito que eu queria.
Você destruía a boneca.
Exato. E depois eu achava que eu ia conseguir recuperar as bonecas e que elas iam ficar lindas. Então minha mãe costurou vários cabelos nas minhas bonecas depois.
Você podia ser cirurgiã plástica, tá vendo?
Eu sou cirurgiã dentista, tá no caminho.
Você chegava a mexer nos dentes ou não?
Não, nos dentes não.
Porque mata, né?
Mas eu tinha boneca. E eu tinha, eu gostava muito das Barbies, só que as Barbies hoje são mais representativas, né? Hoje tem as Barbies só as loiras, exatamente. E caríssimas também, não dá. A Suzy eu não peguei, não gostava muito.
Mas e aí, da onde veio essa paixão por tratar os dentes assim? É parente?
Não, foi também criança. Minha mãe tem inclusive um vídeo meu com 9 anos de idade, ela perguntando um monte de coisa, tipo, ah, o que que você gosta de fazer? E ela pergunta, o que que você vai ser quando crescer? E aí eu, com 9 anos, eu disse, eu vou ser dentista. E aí todo mundo fala assim, ah, é do nada? Do nada não, porque eu tinha um— minha mãe é professora do município de BH e tinha um plano de saúde dos professores, né, dos servidores municipais, que era um lugar que ficava um monte de dentista na mesma sala.
Hoje isso nem pode mais, mas ficava um monte de dentista na mesma sala atendendo as pessoas que eram ou servidores ou os dependentes. E eu achava muito legal. E eu via todo mundo, eu quero fazer isso também. E eu nunca tive uma cárie. Não, nunca tive uma cárie.
Eu nunca, eu odiava ir ao dentista.
E eu queria usar o motor. E eu falava com a dentista que me atendia, exato, eu falo, por que que você não usa isso em mim? Porque todo mundo aqui usa e eu não tinha medo do motor quando eu tinha, não tinha, eu nunca tive, nunca tive. Mas também eu nunca sofri, né? Grande parte do medo das pessoas é do sofrimento, ou que elas viveram, que elas compartilharam.
Quando você começou a estudar, você falou, é isso mesmo?
Aí eu fiz, eu primeiro fui auxiliar de consultório dentário, que eu fiz na UFMG, que foi aquele técnico. Aí eu falei, gostei, é isso que eu vou ser. Só que aí eu achava, quando a gente é criança, a gente acha que só é querer ser, né? Só que tem muitas coisas nesse processo, que é o vestibular, que é você conseguir ir na Odonto. E não é uma retórica, é um curso mais elitizado, é um curso das pessoas que já têm uma condição, porque você tem que pagar o material.
O material odontológico. Então o que você usa durante o curso você paga. Então, exato, então você paga às vezes listas de R$3.000, R$4.000 no semestre.
Tem muita coisa que tem que jogar fora, né?
Isso. Então você compra os insumos, alguns insumos a universidade dá, mas por exemplo, a caneta odontológica, esse motorzinho que todo mundo detesta, é R$3.000 e você tem que ter. Então a gente começou uma luta no movimento estudantil na minha universidade para ter auxílio instrumental, que era para as pessoas que não tinham como comprar, e algumas ficavam, né, fazendo as dívidas nos cartões, etc. Já é um limitador, né? Você não faz, você não termina.
Então acaba que aí odonto não é para quem é pobre, para quem não tem dinheiro, é só para quem tem condição de bancar. E foi a nossa, a minha primeira turma a ter o auxílio instrumental. Nós conseguimos. Aí terminei a universidade e comecei a trabalhar em consultório dentário particular, que é um horror, porque você trabalha para as outras pessoas e você recebe uma mixaria, que você recebe uma porcentagem.
Chama o pessoal que ajuda instrumentador, como que é? É isso que você fazia?
Ajudar? Não, não, não. Depois que eu me formei dentista ou quando eu me formei auxiliar?
Depois.
Depois que eu me formei dentista eu fui trabalhar em clínicas.
Mas você mesmo fazendo as coisas?
Isso, exatamente.
E mesmo assim não ganhava dinheiro?
Nossa, é uma luta. Tanto que os dentistas vão me entender. Quando você vai trabalhar na clínica de outra pessoa, você recebe uma porcentagem por tudo que você faz. Então o que você recebe é muito pouco. Então você tem que fazer muita, ou você vai atender nos planos de saúde Que aí, assim, é ridículo, é um negócio que não tem a menor condição. Porque quem ganha no plano de saúde são os donos do plano de saúde e não os profissionais.
Então a maioria dos dentistas nem querem atender nos planos de saúde, assim como os médicos também. Mas todo mundo que atende um plano...
É difícil ter no plano de saúde.
É horrível! E aí muita gente fica assim, não consigo achar! Porque nenhum profissional quer trabalhar nisso. Mas desde a universidade eu queria trabalhar no SUS. Tanto que o meu professor, que é o professor Nouro, foi até meu orientador. Ele disse numa das primeiras aulas de saúde coletiva onde que as pessoas se viam depois de se formar. Eu fui basicamente a única que disse que queria trabalhar no SUS, porque eu achava que esse era o meu lugar.
Eu queria trabalhar no serviço público, eu queria atender as pessoas que não têm condições, e é isso que eu gosto de fazer. E tô no SUS agora, né? Eu passei, tô trabalhando na região metropolitana de Natal, trabalho num presídio, que também é dentro da estratégia saúde da família, né? Da atenção básica, mas saúde prisional. A princípio você acha que é assustador, né? Você fala assim, nossa, mas tem uma unidade de saúde dentro do presídio, tem médico, que tem dentista, que tem enfermeiro, porque lá dentro mesmo.
E aí muita gente fala assim, ah, mas aí que mordomia, não sei o quê. Mas se não tivesse lá, eles vão para o serviço normal, e no serviço normal eles têm que passar na frente porque é um risco eles ficarem lá, né? Então ter o serviço de saúde dentro do presídio Facilita a vida da segurança, no sentido assim, mas também do próprio usuário, que não tem que ficar ali tendo outras pessoas passando na sua frente, porque ele tem que ser atendido rapidamente e sair.
Então tem toda uma unidade de saúde dentro do presídio. E é assim, no que eu achei quando eu entrei, é muito tranquilo. Às vezes você até esquece que está no presídio, porque você atende como qualquer outra pessoa. E a gente faz todos os procedimentos: extração, restauração. O meu é masculino, mas tem também nos femininos, no Brasil inteiro, né?
E da onde veio essa sua vontade de fazer a diferença dentro da política?
Pois é, eu comecei essa minha briga pelos direitos iguais no ensino fundamental, direito das mulheres e dos homens. Mas depois eu fui entendendo, já no ensino médio, que essa luta pela questão da educação, e foi por onde eu comecei, então era luta pela escola, por ter mais estrutura na escola. Aí fui, entrei no Grêmio, Comecei a participar das lutas em BH pelo meio passe, porque até então BH era a única capital que não tinha meio passe pros estudantes.
Algumas cidades têm o passe livre, lá não tinha nem o meio passe. Então a gente começou nessa luta e eu fui entendendo que então a questão da educação não era só na minha escola, não era só na minha cidade, era algo muito mais geral, uma coisa mais sistemática. E aí participei de organizações de jovens, que foi a União da Juventude Rebelião, a UJR, onde eu me formei politicamente, vamos dizer assim. A gente sempre diz que é uma escola, uma escola do socialismo, a União da Juventude e Rebelião.
E aí eu fui entendendo que existe um sistema, qual era o sistema que a gente tava, por que inclusive que essas coisas acontecem, por que que a educação é tão precarizada, qual a lógica inclusive de ser dessa maneira. E que então tinha condição de mudar a sociedade, tinha como a gente fazer diferente. E foi no movimento estudantil que eu comecei a me entender enquanto um ser político. No nosso país.
E aí, qual foi teu caminho? Porque, pô, tá concorrendo à presidência.
Isso. Aí eu comecei no movimento estudantil, depois eu fui para MLB, que é o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas.
Que idade você tinha?
Eu tinha 20 anos. Aí, isso, nova. Aí em Minas Gerais, depois eu também fui, fiz essa mesma militância em Natal. E aí eu comecei a ver outro aspecto, que antes eu tinha da escola, da educação, etc. E eu fui lidar com as pessoas que lutavam pela moradia, pelo direito à cidade, por ter condição de se alimentar, de sobreviver. E aí eu fui entendendo mais o que era essa luta de classes na sociedade, né. Não era só uma luta minha ou só uma luta dos estudantes.
Era uma luta entre as classes. Então existia gente com muito e existia gente com nada na nossa sociedade. Então fui pro movimento do MLB. Depois, o movimento de mulheres, que é o Movimento de Mulheres Olga Benário. Então, entendendo essa luta que é de classe, mas é de gênero e é de raça também. E ajudei na construção da Frente Negra Revolucionária e na atuação, na militância, nas manifestações, nos projetos, nas ocupações, né?
Hoje o movimento de mulheres tem 17 ocupações que são casas de referência pras mulheres em situação de violência. Então, nós fomos também fazendo coisas práticas, não só teóricas, não só no debate, mas de atuação prática. De construção desse poder popular, né? Do que o povo pode atuar politicamente. Apesar de sempre dizerem que a nossa atuação política é só votar de 2 em 2 anos. E por esses movimentos você percebe que é possível influenciar nas decisões, inclusive mudar a correlação de forças se você tá unido, se você tá organizado.
Então assim fui chegando. E nesse contexto é que a gente decide, por esses movimentos que eu fazia parte, criar um partido. Que a gente entendia que quando chegava nas eleições, os nossos movimentos não tinham as representações. Então a gente via ali qual era o melhor entre os que tinham e tal, os que estavam mais próximos da nossa pauta. E nós decidimos em 2019, antes, né, um pouquinho antes de 2019. 2019 foi quando a gente legalizou a Unidade Popular.
Esses movimentos decidiram fundar a Unidade Popular. E a gente vai pra uma batalha imensa, porque nesse período mudou a lei eleitoral. E aí tinham regras. As regras eram: em 2 anos você tinha que conseguir as assinaturas, tinha que ter em X estados com uma quantidade mínima em cada um dos estados. E a gente começou nisso sem dinheiro nenhum, sem patrocínio nenhum, com os militantes, com quem participava dos movimentos. E nós coletamos 1 milhão e 200 mil assinaturas pra legalização da Unidade Popular.
E aí vocês conseguem em quanto tempo?
Em 2 anos era o prazo máximo. Prazo máximo. A gente consegue um pouquinho antes, que aí dá entrada no TSE, e aí a gente consegue isso também, né? Fez isso também, talvez não com os mesmos critérios que a gente teve, mais ou menos na mesma época. Não, não, bem depois que eles legalizaram. Acho que agora, né? E aí tem vários questionamentos sobre a forma como eles fizeram. Nós fizemos no peito e na raça, indo falando inclusive de partido para as pessoas, dizendo: olha, nós queremos legalizar um partido, Nós somos desses movimentos e nós queremos legalizar um partido, a Unidade Popular pelo Socialismo, que era no momento inclusive de ascensão do bolsonarismo, da extrema-direita, que tava todo mundo nessa, era muito mais forte, né, do que é hoje.
E a gente dizendo da necessidade de ter um partido de verdade dos trabalhadores na defesa do socialismo no nosso país, e legalizamos e conseguimos.
Mas vocês não achavam nenhum partido que, que não era mais fácil ter um partido que tem a ver e vocês filiassem a eles? Acharam que nenhum se encaixava?
Não tinha, porque acaba que os partidos têm seus programas e aí você se filia. Por mais que alguns deles têm tendências, né, tem tendências e tal, vão criando. E nós entendemos que o nosso tipo de partido é um tipo de partido leninista, que é centralizado, não tem tendência no nosso.
Ia ter divergências?
Exatamente, programáticas.
Inclusive não quer divergência.
Exato. E aí você acaba entrando em choques entre esses dentro desse mesmo partido e você vira na verdade uma federação e não um partido. E nós entendemos que o partido ele vai ter, e a gente defende, o debate democrático, a defesa das ideias, mas depois nós agimos como um corpo único. Nós somos a mesma organização, então nós vamos atuar da mesma forma no sul do país ou no norte do país.
O que que vocês é diferente então, se você pudesse definir?
Vamos lá, isso nesse sentido. Primeiro, nós somos um partido que defende o socialismo no Brasil. A outra questão, nós não somos um partido de tendência. Então nós temos o centralismo democrático, o debate das ideias, mas depois nós centralizamos na ação da maioria, da decisão da maioria. Então o que a maioria decidiu é o que nós vamos fazer. Claro que cabe depois avaliar se foi certo, se foi errado, se muda a posição, se muda a tática, mas nós somos centralizados porque somos do tipo leninista. Então esse é o nosso modelo de partido, revolucionária, certo? Exatamente.
Como seria essa, essa como que o Brasil se tornaria socialista? Porque não depende só de você ganhar, né, Maricel?
Sim, sim, sim, sim. Tanto que a nossa ideia nesse momento das eleições, além de eleger os nossos candidatos, é esse aumento da consciência do nosso povo, da gente perceber que isso não é o limite, não é só até aqui que a gente pode ir. Porque se tem essa ideia de que o capitalismo é o máximo que a gente pode chegar, nós já vivemos outro, nós vivemos a escravidão e vencemos a escravidão. E aí, como a gente cresceu nesse viveu nesse, a ideia assim, só dá para ir até o capitalismo e daqui a gente não passa mais.
Nós defendemos que é possível transformar completamente a sociedade, a estrutura da sociedade. Então o nosso programa, quando a gente fala inclusive que é um programa do socialismo, são com propostas de mudanças estruturais. E por isso que muita gente fala assim, ah, mas é inviável para um sistema capitalista. A nossa proposta é a ruptura com essa estrutura capitalista.
Mas não através de uma revolução.
É revolucionário.
Não armada.
É revolucionário, porque não tem como você mudar pela lógica da eleição, que ela é de uma classe, que a gente chama de eleição burguesa. Aí eu te pergunto—
Porque você tá indo através de eleição.
Exato, que é uma participação nessa democracia, que ela é burguesa, que ela é de uma classe. Só que você veja, nessa lógica que a gente tem de enfrentamento entre as classes, nesses movimentos que eu te falei aqui agora, E você já tem uma repressão. Quando eu fui do movimento estudantil, spray de pimenta na cara, fora!
Você é a favor também de terminar com a polícia militar?
Isso, da desmilitarização das polícias.
Depois eu quero saber como.
Beleza. Então se você já tem esse enfrentamento armado por uma defesa de uma educação de qualidade, pra você garantir o meio passe. Por exemplo, a gente foi na defesa do meio passe, por exemplo, lá em BH, a gente teve repressão da cavalaria. Do choque, não sei o quê. Então, se você já tem esse enfrentamento numa revolução que vai mudar estruturalmente o país, inevitavelmente, a gente até gostaria que não fosse, mas inevitavelmente você tem as classes se enfrentando, inclusive com seus braços armados, né?
Mas se você tem a Polícia Militar do teu lado, se você é eleita, não, né?
Só que hoje a Polícia Militar, ela representa uma classe, que é isso que a gente fala inclusive na desmilitarização.
Exato.
O que a gente avalia da... Exato. O que a gente defende da Polícia Militar é que militar pressupõe um inimigo. Então, por isso os exércitos são militarizados. Porque a ideia é que o exército defenda o nosso país de um inimigo exterior. E aí você tem a Polícia Militar defendendo o nosso país de quem?
Do próprio povo.
Exatamente. Então, a Polícia Militar hoje tem o nosso povo como inimigo. Então, não é pela defesa da vida, pela dignidade da existência do povo. Ele entende que isso daqui é o nosso inimigo para defender uma classe. E tem uma história das polícias militares, ela é do período colonial, inclusive da defesa do império e das elites portuguesas, etc. Exato. Depois da ditadura militar, e aí que entende o seu povo como inimigo mesmo, e é para destruir, é para massacrar.
E você mantém essa, exato, para reprimir. E você tem essa mesma estrutura das polícias E não só as PMs, mas das polícias no geral militarizadas. Nós defendemos as polícias comunitárias. E aí muita gente fala assim, não, mas que maluquice. Mas muitos países não têm suas polícias militarizadas, inclusive os próprios Estados Unidos não têm as polícias militarizadas. Criaram agora o ICE, que é uma polícia militarizada contra os imigrantes.
Exato, são polícias civis, então que entendem Ali uma ideia de comunitária. A gente chama de polícia comunitária, não de polícia civil. Mas seria nesse entendimento de civis. Então são pessoas da comunidade que, pra garantir a lei, a ordem, né, do que tá estabelecido nos acordos sociais, mas não que entenda o seu povo como inimigo. Hoje, no Brasil, são números de mortes. São 18 mortos pela mão do Estado. É o Estado que assassina. 9 estados aqui de São Paulo, 9 cidades aqui de São Paulo não teria nenhuma morte violenta se não fosse a polícia.
Então não teria nenhuma morte causada por bandidos, como se diz, se não fosse da polícia. Saiu agora recentemente uma pesquisa nesse sentido. Então é uma polícia que é letal. E nem é só a Unidade Popular que defende a desmilitarização. A Comissão Nacional da Verdade é essa que inclusive foi aberta para poder punir os crimes da ditadura militar de 64 e a própria ONU, eles orientam a desmilitarização das polícias no Brasil por conta da letalidade que é.
E nem é só as pessoas que morrem, e normalmente quem morre? Os pretos, os pobres, porque já tem ali uma tarja de que o território, a cor e a classe—
Inclusive policial que morre pra caramba.
Era isso que eu ia falar, é também a polícia que mais morre. Então acaba que a desmilitarização, e muitos policiais defendem a desmilitarização por conta disso, Muitos dos que decidem ser policiais não decidiram porque querem entrar na Penha, como eu fui lá, visitei a Penha no Rio de Janeiro, para poder mutilar as pessoas, despedaçar as pessoas. Entra porque acha que vai ter ali uma estabilidade financeira e tal, porque a polícia ali é uma instituição ainda mais ou menos respeitada, nem é tanto mais, mas mais ou menos respeitada.
Não é para poder fazer uma guerra na comunidade, que é inclusive um teatro, porque se diz que vão fazer essas operações nas comunidades para acabar com o tráfico de drogas, quantas operações já foram feitas e o tráfico de drogas permanece forte.
Mas algo tem que ser feito, né? Porque essas comunidades estão reféns.
Justamente. E aí, qual que é a nossa ideia? E aí muita gente fala assim: ah, não, mas tem nada a ver. O debate da segurança pública não está nem em mais repressão, porque já temos e já é um dos países que mais mata no mundo inteiro, e policiais também. Que morrem. Mas é discutir a questão de encarceramento, porque é uma outra via que se segue, é que se a gente encarcerar mais as pessoas, então a gente vai resolver a segurança pública.
Nós já somos a terceira maior população carcerária do mundo. Então encarcerar, se fosse nesse sentido, nós já seríamos a terceira, o terceiro país mais seguro do mundo. Então não é nessa perspectiva, é na perspectiva de garantir investimento nas áreas sociais, porque aí você desidrata as facções. Porque se os jovens—
concordo, mas a gente tem um problema que é agora. Educação está falando para fazer efeito em 5, 10 anos. E agora?
Também agora, claro que não é. A gente não tá defendendo não punitivista, não estamos defendendo isso. A Unidade Popular não é não punitivista.
O chefe aqui da boca falou que quer ela.
Sim, se eu não mudar de lugar, e aí que a gente faz com essa pessoa? E de fato, isso é uma questão de longo prazo, evidentemente. E a gente não é antipunitivista, porque é necessário punir. Agora, é necessário punir os verdadeiros causadores disso, e hoje não se pune esses. Se pune, vou te falar agora, mas se pune o quê? Os que estão lá na comunidade, os fogueteiros, não sei o quê, etc., que são os que estão lá no presídio que eu trabalho.
Exatamente. Nós achamos que tem que prender os verdadeiros. Nós chegamos no ponto que são os verdadeiros chefes do tráfico de droga, os que lucram com o tráfico de droga. Que estão aí lá nos seus escritórios engravatados de ar-condicionado. Esses é que tem contatos com o Judiciário, na Polícia, o STF, etc. Esses é que precisam estar presos e serem responsabilizados. Outra, é preciso aumentar a inteligência da polícia, não a repressão nas comunidades, para poder impedir a entrada.
Porque inclusive, se entra drogas no Brasil, por várias fronteiras, e essas fronteiras ficam lá, entra nos navios, entra nos aviões, entra no helicóptero, entra num monte de coisa, e isso a gente não combate, fica lá. Então isso sim é um investimento que precisa ser feito no sentido das forças armadas, vamos dizer assim. Agora, no combate direto às pessoas, nós não temos que continuar com esse sistema repressor que a gente vive, porque quem morre são os pobres, são os negros, são os que estão nas comunidades que a gente mora. E os que estão ganhando dinheiro com isso mesmo seguem impunes.
E educação, qual a tua ideia?
Perfeito. O que a gente tem defendido inclusive para educação, algo inclusive que já deveria ter sido implementado, que é 10% do PIB para educação, tava no PNE inclusive. Hoje nós não temos nem 5% do PIB do orçamento, é menos de 4% do orçamento. E tinha um escalonamento, né, que fosse até em 2017 tivesse 7% do PIB para educação e que agora em 2023, 2024 já tivesse 10% do PIB para educação. O que nós temos vivido é exatamente o oposto, é contingenciamento na educação, são cortes de verbas nas universidades para poder garantir que é uma outra.
E aí o nosso programa é todo encadeadinho porque é uma outra coisa que a gente defende, é feito esses contingenciamentos, esses cortes na educação, na saúde, nas áreas sociais para garantir o que eles chamam de superávit primário, que é um nome muito bonito, para economizar para pagar a dívida pública. Então todos esses contingenciamentos, teto de gasto, arcabouço fiscal, reforma administrativa, são feitas para economizar, para poder fazer esse pagamento que leva 42% do nosso orçamento.
Então para educação é menos de 4%, para o pagamento da dívida pública 42%. E precisa economizar nas áreas sociais, que é o que eles ficam chamando de enxugar a questão pública, que a gente não acha que é um gasto, é um investimento. E que inclusive investir em educação é o que vai garantir a nossa independência e a nossa soberania. Porque a gente fala no 7 de setembro que nós somos um país independente, mas na verdade nós ainda nos comportamos como colônia.
Nós mantemos a mesma lógica do período colonial. De que a gente exporta as matérias-primas e importa os produtos beneficiados. Nós temos que mudar completamente essa lógica, deixar de ser um mero exportador de matéria-prima, deixar inclusive de receber— que agora tá a polêmica sobre a intervenção dos Estados Unidos nas eleições, mas os Estados Unidos já intervêm na nossa economia há muito tempo com os monopólios, inclusive, né?
A Cargill, que é a maior produtora de grãos do mundo, uma das maiores empresas do agronegócio. Se a gente pensar também algo mais próximo dos trabalhadores, que a Coca-Cola, e ela tá no nosso país, e várias outras empresas estadunidenses que vão ali controlando mercados. E se você controla financeiramente, você acaba controlando politicamente, porque você fica nesse jogo de: então eu não posso ferir, porque senão eu perco. A Amazon também, que é estadunidense.
Então já tem a interferência no sentido do mercado no nosso país, e a gente se mantém nessa lógica de reprimarizar a nossa economia e não industrializar o Brasil. Tanto que no nosso programa a gente fala de reindustrializar o que a gente já foi desindustrializando, mas precisa de um processo enorme de industrialização de coisas inclusive que a gente não fez. Não dá para ser um país soberano, independente, sem ser industrializado.
Isso aí é impossível. Então essa é uma das primeiras rupturas, que é ser um país independente, é ser um país soberano. E isso é economicamente. Não dá para ser só no discurso de que eu não falo com fulano ou eu não gosto de Beltrano. É econômico. E no sentido econômico, nós temos a intervenção há muito tempo, não só do que a gente chama do imperialismo norte-americano, mas também do imperialismo chinês e às vezes do europeu. Mas esses dois com mais força no nosso país.
E vou falar de saúde, que é tua área. Tamo bem com bastante problema, né?
Precarizado. Exato.
Tem um SUS que é uma coisa fantástica, mas isso, a galera demora meses e meses, né? Como que a gente melhora isso?
Tanto que eu sou uma defensora do SUS, com certeza, sou uma sanitarista. Exato, exatamente. Tanto que a gente tem tentado na campanha lembrar os brasileiros do que foi a luta pelo SUS. Porque aí muita gente fala assim, ai, SUS não presta, não sei o quê, acaba com isso. Pois é, antes de ter o SUS não tinha postinho de saúde, não tinha SAMU para salvar a gente na rua, não tinha vacinação em massa para todo mundo gratuitamente, não tinha vigilância sanitária.
Então a vigilância era feita pelo próprio estabelecimento. Então o SUS foi uma vitória do povo brasileiro e não foi uma vitória do político tal ou do político. Não foi, foi uma vitória do povo brasileiro, foi uma luta, um movimento que era o movimento sanitarista, feito pelos profissionais da saúde, feita pelos movimentos organizados, pela população em defesa da saúde como um direito. Tanto que na nossa Constituição tem: a saúde é direito de todos e é dever do Estado.
Só que o que acontece hoje? A tentativa do capital de tomar conta disso e transformar a saúde numa mercadoria. Então se convence ideologicamente o nosso nosso povo de que a saúde privada ela é melhor que a saúde pública. E aí você deixa os políticos confortáveis para poder sucatear a saúde e falar assim, ai, realmente é só a saúde privada que funciona. Só que uma empresa privada ela quer lucro e ela quer um lucro cada vez maior.
Então ela não vai prezar por ter um serviço de qualidade, por valorizar os profissionais que estão ali. Por isso a gente tem falado dos planos de saúde. Eles não valorizam os profissionais, eles querem no próximo ano ter mais lucro do que no ano anterior. Então a saúde fica ali como uma segunda questão, a primeira questão é o lucro. Então nós temos defendido: não tem que ter iniciativa privada na saúde, não tem. A saúde ela tem que ser um direito de todos e um dever do Estado.
E por isso o financiamento da saúde tem que ser muito maior do que o que a gente tem hoje, que também é menos de 4% do orçamento. E aí você tem vários níveis, né, da saúde. A saúde primária, saúde secundária, que é o que as pessoas menos têm, que é especializada, e ficam anos na fila para poder conseguir. Os hospitais também, que as pessoas não têm acesso. E poderia não ser, porque o Brasil é a 10ª economia do mundo. Nós somos um país extremamente rico.
Então, se a gente não destinasse esses 42% para o pagamento desta dívida, Que nem foi o povo brasileiro que fez, o SUS foi, a dívida não. Então a gente teria uma saúde de muito mais qualidade, de estrutura, de mais postos de saúde, de mais hospitais, de valorização dos profissionais, de garantir os pisos. Porque hoje tem uma luta pelos pisos salariais, não só das enfermeiras, que foi o que a gente acompanhou mais no período da pandemia, mas a minha categoria também, os dentistas estão tentando o piso salarial, outros profissionais também.
E o que que diz o governo, o Senado? A Câmara, que não pode, não pode mais ter gasto. Nós temos que enxugar os gastos com profissional, com os pisos e etc. E nós não vamos votar mais nada disso, porque a prioridade não é garantir a saúde para todo mundo. Então esse é o enfrentamento. E hoje, qual que tem sido a artimanha? Então nós vamos fazer as parcerias público-privadas com as organizações sociais, que é para administrar os postos de saúde, que é para contratar os profissionais.
Isso precariza as relações de trabalho. E isso faz com que eles usem o dinheiro público, empresas privadas usem o dinheiro público para lucrar. Teve até um artigo de um professor da UFAL, da Universidade Federal de Alagoas, que ele disse que as organizações sociais que era para ser sem fins lucrativos tem pegado esse recurso do orçamento público da saúde e investido na bolsa de valores para poder o dinheiro render e eles lucrarem mais.
Então saúde não é mercadoria, inclusive contingenciar Cortar a verba da saúde é criminoso, porque isso significa que mais pessoas vão morrer na fila do hospital, ou que pessoas vão ter aprovada a sua cirurgia depois que elas já faleceram. Então é inadmissível. Então a lógica não tem que ser: não precisamos do SUS, chega, e agora não serve de nada. É: vamos fortalecer o SUS, vamos voltar à reforma sanitarista de defesa do SUS com orçamento.
Nos últimos 10 anos, o SUS perdeu 64%. Do seu recurso. Isso vai precarizar o atendimento, que às vezes depois cai na nossa conta, né, dos trabalhadores que estão lá na ponta. E fica parecendo que a gente é que não quer fazer, a gente é que não quer atender. E a briga acontece lá no nosso posto de saúde, mas o problema tá muito mais lá em cima. E poderia já ter resolvido tanto a saúde como educação no nosso país, com a riqueza que nós temos no nosso país.
Mas você não acha estranho também quando os políticos vão para o médico, eles nunca vão para o SUS?
Ah, Einstein, excelente! Você me lembrou uma das propostas que a gente tem, inclusive agitado no Brasil inteiro. Nossa proposta é isso. Nós, a nossa proposta é obrigar todos os políticos a usarem o SUS e terem os seus filhos nas escolas.
Na hora ia melhorar.
É isso, porque aí é muito fácil você cortar da saúde, da educação. Se depois eu vou para o Albert Einstein, eu vou para o Sírio-Libanês, eu não vou precisar usar o mesmo lugar que a gente usa todo dia para as escolas. Meus filhos não vão estudar nessas escolas. Então tudo bem não ter merenda, não ter professor, não ter nada, Então tá tudo bem, então você é obrigado. Inclusive quando a gente lançou essa proposta disseram, como Samara é autoritária, que isso obrigar as pessoas.
E aí a gente disse, pode não ser também, é só não ser candidato. E aí se você quer continuar usando seu plano de saúde, tendo seus filhos nas escolas privadas, não seja candidato. E aí quem quiser e quem topar, todas as profissões têm seus critérios, né, Paulo? Exatamente. Então quem topar ser é aqueles que estão comprometidos realmente com a questão pública, com a saúde pública, com a educação pública no nosso país.
Vamos colocar na tela aí, querido Lene, os outros candidatos. E a gente faz aqui sempre com o pessoal o seguinte: eu te falo um candidato e você fala por que não votar nele, tá bom?
Beleza.
Cadê a imagem?
Vamos lá, consigo ver, né?
Tá vendo, né? Então vamos começar pelo Caiado. Por que não votar no Ronaldo Caiado?
Caiado é de uma família inclusive do período colonial.
Eu falo porque não veio no nosso debate, não resolveu falar.
Exatamente. Vendida ser um furão.
Verdade. E de última hora cancelou, de última hora, tá? De última hora a gente fez reunião e sorteamos. Então, na minha opinião, é um cara que não vai ao debate.
Quem não vai no debate não merece. Mas além disso, ele também é de famílias escravagistas de Goiás, e eles estão desde esse período inclusive atuando na política. É um dos grandes na família dele, né, no sentido geral. Do agronegócio no nosso país. E esse é um dos outros setores que nós queremos fazer enfrentamento. Hoje o agronegócio serve para dar dinheiro com a produção que a gente tem, não só para os capitalistas brasileiros, mas os estrangeiros também.
E nós achamos que o investimento, que inclusive o Plano Safra dá mais de R$500 bilhões para incentivar o agronegócio no Brasil, e nós achamos que deve ser incentivado é a agricultura familiar, agricultura camponesa, que é esse setor da agricultura que alimenta o nosso país. 70% da nossa alimentação vem da agricultura familiar, da agricultura camponesa. O agronegócio produz para exportação, e por isso nós ainda comemos caro, comemos pior.
A gente produz tudo, nós somos um dos maiores produtores das matérias-primas, e nós não comemos, não tomamos o melhor café, não comemos as melhores frutas, porque isso serve para os outros países, para exportação. Então, se a gente tudo produz, por que que o nosso povo não come? Nós somos dos maiores produtores de carne, e no Centro-Oeste é exatamente isso, dos maiores produtores de carne. E o nosso povo no Mato Grosso ainda tá na fila do ossinho.
Nós não comemos carne. Quem tá aí em casa que tem em torno de 2 salários mínimos, não dá para comer carne o mês inteiro, tem que ficar ali fazendo um ajuste na lista.
Falou para comer ovo.
Pois é. E às vezes nem ovo, porque a cartela de ovo Tá caríssimo também. Então, para as famílias que estão ali, um, dois salários mínimos, é muito pesado. E nós produzimos, tem mais boi que gente no Brasil, e nós não comemos carne. Então, a agricultura no nosso país, agricultura e a pecuária, deveria ser primeiro para o nosso povo se alimentar e o excedente negociado. E é exatamente o inverso, exatamente o inverso. Então, ele é um representante do agronegócio no país.
Não votem se você quer inclusive uma alimentação mais barata Não vote em Caiado.
Quem é o próximo aí, Lene? Vamos ver lá na lista. Vamos de Flávio Bolsonaro.
Não dei nenhum voto para Bolsonaro, nenhum.
Segundo turno você era Flávio.
Eu já ia, Deus que me defenda!
Você não achou, Lene? Então vamos lá, por que não votar?
Não dei nenhum voto nem para o Bolsonaro, nem para nenhum dos outros Bolsonaros, nem para ninguém do PL. Porque inclusive estão envolvidos em todos os escândalos de corrupção. São inclusive os representantes do fascismo no Brasil, os que tentaram dar um golpe no nosso país. E nós inclusive temos levantado a bandeira da memória, da verdade, da justiça e da reparação para os de 64, mas também para os de 2023. Está claro que é uma família que legisla em causa própria, para sua própria família e para os seus amigos.
É o representante do fascismo, é o representante da extrema-direita. E nós não temos que dar nenhum voto nesse, fora os escândalos que ele tá envolvido. É rachadinha, chocolate, é agora Vorcaro, é filme, é um monte de coisa que demonstra que é um corrupto e não deve ter nenhuma admiração, nenhum voto da população brasileira, porque ele não vai legislar para melhorar a vida do nosso povo, vai legislar para ele, para os seus amigos, para sua família, para libertar o pai dele que foi um dos golpistas do nosso país.
E nós não podemos mais admitir. Foram eles inclusive esta família que impediu que o nosso povo fosse vacinado no período da COVID-19, que debochou, debochou das pessoas que estavam vitimadas pela COVID com problema de respiração. Então não defendem o nosso povo e não devem ter nenhum dos nossos votos, de jeito nenhum.
Vamos lá, qual que é o próximo, Leny? Vamos pular o Lula, né? Vou deixar ele para depois.
Cury. Então ele também é um milionário, inclusive foi ele que tava lá no debate com a gente e tal. A gente até denunciou inclusive o grau de machismo ali no próprio debate, porque era me dando várias informações como se eu não soubesse as informações. Então é a representação dessa classe inclusive que é misógina, dos milionários inclusive. É um candidato milionário que defende os empresários, e isso ele disse, deixou muito claro inclusive lá.
E o nosso programa é para os trabalhadores e as trabalhadoras, não é para os ricos do nosso país, não é para ter milionário no nosso país, porque todo acúmulo de riqueza de um lado é acúmulo de pobreza, de miséria do lado oposto. Isso a gente não pode admitir. Então é um representante das classes ricas, e o nosso povo não tem que votar em nenhum rico nessas eleições, porque eles não representam os nossos direitos, os nossos interesses.
Vamos lá. Quem é o próximo? Vamos ver se é rico o próximo.
Todos eles são, esses que estão aí, menos eu.
Romeu Zema, por que não votar no Romeu Zema? Romeu Zema, tiraram os conteúdos dele, né, sobre o FF.
Não vi não. Romeu Zema também. E aí no debate ficou claríssimo de que lado que ele tá, quer privatizar a vida das pessoas todas. Então tudo é para iniciativa privada, tudo é para o lucro. É, eu até falei lá no debate naquele dia, meu pai é trabalhador da Copasa, se aposentou na Copasa, que é a companhia de água de Minas Gerais, foi privatizada agora. Então se depender de Romeu Zema, ele vai transformar tudo em iniciativa privada.
Privatizou 95 escolas em Minas Gerais, não, aí disse lá que era a melhor educação do planeta Terra, e os professores têm um salário minúsculo, não garante o piso salarial dos professores em Minas Gerais. Então é um defensor das classes ricas, milionários do nosso país, que quer privatizar tudo, quer acabar com Bolsa Família, né? Ele disse lá no debate também que é um defensor das classes ricas. Ele odeia os pobres e quer defender a classe que ele representa.
Não votem em Romeu Zema, não vai mais ser votado em Minas Gerais e não deve ser votado no Brasil.
Vamos ao Renan Santos, que também furou com a gente, hein? Não foi o debate de última hora, Falou que estava rouco, só furança, só que estava em cima num palanque rouco. Aí pode gritar, gritar no nosso programa não. Então achei estranho também.
Pois é, esse inclusive tem se apresentado como a transformação, mas é mais do mesmo. Inclusive defende as mesmas velhas propostas políticas da extrema-direita no nosso país, inclusive com relações com esses extremistas de direita, com os racistas, com supremacistas brancos. É um misógino porque já demonstrou inclusive nos seus vídeos por aí, depois disse que é uma brincadeira falar de estupro contra as mulheres. O grupinho dele, que é o MBL, tem atacado as nossas casas de referência do movimento de mulheres Olga Benário.
Então eles mandam os caras deles irem para as casas para atacar as meninas que estão construindo esse trabalho. E as casas de mulheres que a gente, as casas de Eles vão lá pra provocar, pra poder tentar invadir, pra bater.
Do MBL?
Aham, exatamente. E tem os vídeos, inclusive, das meninas que estão lá na casa expulsando eles, não deixando entrar e etc. Tem feito isso porque são misóginos. Tanto que é um partido formado quase que 99% de homens, inclusive de jovens. E jovens, não acredite nessa mentira de que eles são antisistema, inclusive porque eles estão querendo é discutir com a Faria Lima, que é o que a gente tava discutindo aqui. Ele disse que foi para Faria Lima para poder fazer as manifestações pró-impeachment, e o impeachment da Dilma inclusive foi um golpe contra o povo brasileiro, não só contra a Dilma, que foi para passar reforma trabalhista, reforma da Previdência, lei da terceirização, e foi como eles mesmos disseram, passar a boiada para poder atacar os trabalhadores no nosso país.
E é um representante do fascismo no nosso país. Nós não temos que admitir que esse aí com pele de cordeiro passe como sendo o antissistema, o representante da juventude. Inclusive, chamo toda a juventude a conhecer a Unidade Popular. A Unidade Popular, que é o espaço dos jovens, dos jovens trabalhadores, dos jovens pobres, dos jovens negros do nosso país, e não esses aí que estão se fingindo que não querem defender os seus próprios interesses.
Porque ele mesmo, né, deve um monte de coisa de direitos trabalhistas. Por isso quer acabar com a Justiça do Trabalho, quer acabar com a CLT, quer acabar com tudo que diz respeito aos trabalhadores. O que ele quer garantir é que ele agora passe a ser também um milionário.
E finalmente é o Lula, né, que assim como Flávio não foi em nenhum debate, pelo menos o Lula, quando foi entrevistar, ele já falou lá Não vou em debates. O Flávio falou, se o Lula não for, eu também não vou. Aí fica esse negócio.
O Zeba tentou fazer isso também na Band, mas então se eles também não vão, eu também não vou.
E você?
E eu tô dizendo, me chame para os debates, me chame.
Você fala, se alguém for, eu não vou.
Não, não, não pensa.
O Lula, e aí?
Exato. O que a gente tem que não votar no Lula? O que a gente tem dito, nosso debate principal São transformações econômicas profundas na nossa sociedade. E desde a redemocratização do nosso país, todos os governos, de direita ou de esquerda, fizeram a mesma política econômica. A política econômica do Lula, neoliberal, exatamente. E mantém exatamente tudo isso de arcabouço fiscal, de contingenciamento das áreas sociais, que inclusive nós temos tido um trabalho para explicar que isso não é uma política de esquerda, porque fica parecendo, não, de esquerda.
Isso não é uma política de esquerda. Privatização não é uma política de esquerda. Contingenciamento das áreas sociais não é uma política de esquerda. Negociação pra que agronegócio, banqueiro ganhem dinheiro com orçamento público não é uma pauta de esquerda. Nós temos defendido uma pauta de esquerda. E por isso que a gente, por exemplo, combateu no início do ano, e os indígenas deram a linha de como tem que ser, porque iam privatizar até os rios. 3 rios, o Rio Tapajós, o Rio Tocantins e o Rio Madeira, Iam ser concedidos, que eles chamam de concessão, para a Cargill, a empresa estadunidense, para passar a soja dela com mais facilidade pelos rios.
E os indígenas disseram: não vai passar. E foi aprovado o decreto. O Lula aprovou esse decreto. E aí os indígenas foram para cima, ocuparam lá a porta da Cargill, ocuparam os barcos, ocuparam a própria empresa para revogar o decreto. E eles conseguiram revogar o decreto na pressão popular e no pro tudo ou nada. Mas não era para ter nem aprovado esse decreto. Da mesma maneira, a gente tem debatido muito auditoria da dívida pública, a suspensão do pagamento da dívida pública, que também não é uma invenção da Unidade Popular, é uma pauta de esquerda, é uma bandeira da esquerda.
E nós tivemos a oportunidade de fazer auditoria em 2016, tava na mesa da Dilma para ela assinar, e ela revogou, e ela disse que não ia assinar, que fica nesse debate da governabilidade, senão não é possível. Mas o que que acontece em 2016? O golpe. Então, se era isso, que caísse atirando e aprovando tudo que fosse necessário para o povo brasileiro, que era inclusive garantir metade do nosso orçamento para as áreas sociais. Então são medidas que não são de esquerda, por mais que tiveram concessões importantes, tiveram planos importantes para Bolsa Família, para Minha Casa Minha Vida, mas que temos tido muitos problemas com isso também.
Que no Minha Casa Minha Vida, por exemplo, esse ano não teve a construção por faixa 1, que tem faixas, né, de construção. Então são limites desse governo para poder fazer a conciliação das classes. E nós não acreditamos na conciliação das classes. Não dá para acender vela para dois senhores. Ou você acende para Deus ou para o diabo. Quando você tenta fazer isso daí, que eu sou amigo de todo mundo, alguém vai ganhar mais. E quem ganha mais no nosso país historicamente É, são os ricos, é a direita no nosso país, que inclusive estão dentro do próprio governo.
Porque mesmo tendo sido esse golpe contra o povo brasileiro, tem 7 ministros que apoiaram agora do governo, 7 ministros que apoiaram o impeachment da Dilma e que disseram recentemente que nem se arrependem de ter feito. Então não dá.
Isso que eu não entendo, é uma lógica que não tá, não tá certo. Como se aceita a teoria, os golpistas.
Exatamente. Então nós não acreditamos na conciliação das classes. Nós entendemos que não dá para você fazer uma, porque a gente fica com as migalhas. Quem fica com bolão são esses ricos. Aí a gente ganha umas migalhinhas que nem isso a extrema-direita aceita.
Nunca ganharam tanto quanto no governo do, nos governos.
Exatamente. E as empresas também. Então não dá para poder dizer isso. E aí faz ali as migalhas para o povo, mas o bolão mesmo tá com os ricos. Esse é o enfrentamento que a gente quer fazer. E por isso a gente tem dito que a nossa candidatura Que aí todo mundo fala, ah, mas vai tirar voto do Lula. A nossa candidatura tem sido para pautar as questões da esquerda, do povo brasileiro, que não deveriam ter sido abaixadas por nenhuma esquerda e que acabam sendo desconsideradas para poder garantir a governabilidade, para poder garantir os mandatos, etc. E isso é inadmissível.
Porque esse ano tá diferente, praticamente só o Lula, digo, de candidato de esquerda, e nos outros governos você via sempre alguém com chance de ganhar, ou pelo menos brigando lá na frente. Por que que só teve ele?
Pois é, muitos dos outros partidos inclusive acharam que aderir a essa candidatura era o melhor, dizendo inclusive que era para vencer o fascismo. Nós não vamos vencer o fascismo com as eleições, nós vamos vencer o fascismo nas lutas. Porque inclusive foi o mesmo discurso utilizado na outra eleição, que se o Lula ganhasse, vencia o fascismo. Não vencemos. Nós precisamos organizar a luta popular para poder vencer o fascismo, assim como organizamos a luta para garantir tudo no nosso país: o aumento do salário, a redução da jornada.
Isso que os indígenas fizeram é com luta, porque as manifestações, as greves, as paralisações, é ir para rua, é parar a produção.
Inclusive, cansado, né, de tudo no caso, porque fica todo mundo meio desesperançoso.
E nós não podemos perder a esperança de que é possível mudar. Nada deve parecer impossível de mudar. E é nessa perspectiva que o povo— porque isso é ótimo para quem tá no poder, que o nosso povo pense: não adianta lutar, não tem nada o que fazer. É isso que eles querem. E nós não podemos dar esse gosto. Nós queremos chamar o povo para lutar, para aguçar essas contradições, para fazer as greves, as paralisações, para parar a produção.
Que é o que eles sentem, inclusive, é parando a produção que foi inclusive como Lula chegou, né? Foi fazendo essas mobilizações. Então é inadmissível que isso aconteça no nosso país, mas outros partidos acharam que tinha que ir. E nós temos dito, se tivessem dado o mesmo espaço que dão para todos esses aí que apareceu na tela para nós, nós poderíamos ser essa alternativa para o nosso povo. E nós temos tentado fazer isso no peito e na raça, com o nosso carrinho de som, com o nosso panfletinho, e na rua as pessoas falam assim, não sabia que você existia. Então tem uma alternativa. E muitas pessoas, muita gente fala, quem que é?
Nunca vi.
Exatamente. Tipo, me contando assim, não vai ter nem voto da família dela.
Em tempo de televisão, como tá?
E a família vai votar, com certeza.
Certeza. Fala quantas pessoas tem, tem que ir lá depois, né?
E não só a minha família, nós temos tido—
comprar voto da família, né?
Não tem nem dinheiro para comprar e não queremos comprar, queremos ganhar a consciência das pessoas.
Se precisar disso.
Não, e mais do que a minha família As pessoas, nem minha família botava em mim, Lene. É, aí é triste, aí é triste, triste. Minha mãe ia fazer chantagem, mas os comentários nos posts é só para atingir seu coração, né?
Você vai ler comentário, meu Deus, é o pessoal falando do meu cabelo, né?
Para atingir seu coração.
Eu sou velho, tenho 55, fala, nossa, Vilela é velho, né? Não tava no Diliu, não imagina.
A internet é para poder se jogar no chão mesmo, fica destruído. Exatamente, exatamente. Não, é muito post dizendo não, por que não votar na Samara? Você fala, caraca, não tem nenhum post falando por que votar então, né? Mas o que a gente tem sentido na rua inclusive é uma aceitação muito positiva ao nosso programa. Assim, todo lugar que a gente faz agitação, que a gente fala no carro de som, muita gente vem para poder dizer gostei, é isso aí.
E a gente tem chamado as pessoas para se filiar aí, a unidade popular, para o debate, né?
Porque se você não consegue nem falar, como que Exato.
E essa é a questão, há uma desigualdade enorme.
O esquema todo eleitoral não privilegia isso, privilegia os caras mais antigos, pessoas que já estão lá, manter quem já tá.
E aí, e às vezes o povo não sabe disso, que na lei eleitoral os nossos partidos que são mais recentes, mais jovens, que ainda não conseguem fundo eleitoral, não tem fundo eleitoral, então a gente não recebe zero, zero bolinha de fundo eleitoral.
Os cara recebem quanto?
Bilhões. Milhões. Aí tem a gente, não tem tempo de TV no horário eleitoral gratuito, não temos tempo de rádio. Aí eles usam o mesmo critério para não nos convidar para os debates, apesar disso não estar na lei. Então a emissora poderia convidar.
Eu vi que a Globo vai chamar só 4 candidatos, né?
Pois é, eles vão criando critério. E aí a TV cria o critério dele, mesmo com a concessão pública, mas eles que decidem quem eles vão chamar. E a gente sabe que a mídia tem lado. Que a mídia tem classe, não vai dar espaço para a gente ficar lá falando contra ele. Inclusive de nacionalizar os meios de comunicação.
Eu queria ver você falando isso na Globo. E os caras falando: acabou o tempo dela? Não, eu acho que tá acabando, acelera esse cronômetro.
Eu não sei se foi num dos estados, eu dei entrevista, foi para SBT ou para Record. E aí a jornalista falou assim: então você ia nacionalizar aqui? Eu parei. Na minha cara. Eu falei assim, é, exatamente.
Fala que tem que acabar o podcast, senão a gente— obrigado, Samara.
Podcast ainda tá na comunicação popular. E ele sabia meu nome?
Não, depois que ele foi—
exato, é de propósito, é só para mostrar todo o machismo, né? Pois é, ele foi no camarim, ele falou meu nome direito. Aí lá no debate ele— ah, eu falei Vai, vai. Mas é isso, é para nem falar o nome. E é isso, é só para poder nem dar, nem falar o nome, né? Exato, exatamente. E para poder te colocar num outro debate.
Você falou sobre essa briga contra o fascismo e tal. Isso. Segundo turno, você vai tomar um lado, vai falar para votar nulo? Qual que é a tua posição?
Nós estamos debatendo agora o primeiro turno, inclusive todas as nossas. E é isso que eu vou te dizer, isso nós estamos debatendo primeiro turno. E chegar no segundo turno. Inclusive, esse espaço aqui do Inteligência Limitada é ótimo para nós, porque se todo mundo votar na gente, nós podemos mudar esse segundo turno.
Pega corte daqui, espalha nas redes.
Exatamente. E nós podemos chegar no segundo turno, porque, por exemplo, saiu a última pesquisa e nós estamos desde o início do ano pontuando nas pesquisas todas, inclusive empatado com Caiado, empatado com Zema. A última foi do Datafolha. E nós pontuamos 1%, igual ao Zema. Eles fizeram simulação do segundo turno com o Zema, mas não fizeram simulação do segundo turno comigo, com a mesma pontuação nas pesquisas. E talvez se tivessem feito uma simulação de segundo turno, talvez as pessoas tivessem decidido votar na gente no segundo turno.
Porque tem muita gente na rua, a gente tem sentido, que não quer nenhum nem o outro, que ficam dizendo que só existe os dois. E muita gente, eu não queria nem esse, eu não queria nem esse.
O primeiro turno é para não ter voto útil.
Exato. Escolhem se quer, exato, no segundo turno.
Escolhem quem menos, escolhe contra o que você menos quer, né?
Exato. Vocês estão vendo, o Vilela tá falando isso, pessoal, não é a Unidade Popular que tá falando.
Mas eu tô falando também, vai chegar no segundo turno assim.
Sim, nós podemos chegar no segundo turno se a gente fizer isso que o Vilela falou aqui, se todo mundo votar no programa que acredita. E todo mundo precisa conhecer o programa da Unidade Popular, que é o único dos trabalhadores. Nós não somos ricos, Não temos nenhum candidato aí. Inclusive lá no Rio Grande do Norte, que é de onde eu tô, nós tivemos a primeira no Brasil, a primeira candidata empregada doméstica a governo do estado.
Nunca teve?
Única no Brasil. Poxa, é história, história, história. Então conheçam as candidaturas da Unidade Popular. Aqui em São Paulo nós vamos ter, tem a nossa candidata ao governo do estado, Vivian Mendes, tem os nossos candidatos ao Senado, deputado federal, deputado estadual. Nos outros estados também nós vamos Vamos lançar, lançamos agora, se não me engano, 19 ou 20 estados que a gente lançou os nossos candidatos. Então conheçam as candidaturas da Unidade Popular e podemos eleger o nosso primeiro deputado federal.
Chamo todo mundo para poder nos ajudar nessa empreitada, porque esse é um dos critérios que eles usam, é quantos deputados federais cada partido tem eleito. Tanto que um dos critérios da Globo foi esse, ter pelo menos um deputado, um para poder chamar quem?
Quem?
O playboy, né? O menino lá do MBL.
Não, mas ele não vai.
Então, só que o critério quando a gente foi na reunião era ter pelo menos 5, se não me engano.
Mudaram o critério, mudaram, mudaram.
Mas é isso, então tudo é um critério do deputado federal. Então ajude a gente a eleger o nosso primeiro deputado federal.
Depois dá uma pesquisada, mas se não me engano são 5 agora. E escala 6 por 1?
Nós somos contra a escala 6 por 1, inclusive não só a escala 6 por 1, mas todas as outras escalas que agora é 1 por 7. Excelente, Lenny.
Não, não, 1 por 6, né?
É 1 por 6.
Você trabalha 1, descansa 6?
É, não, é 1 em casa e 6 aqui.
Ai, ai, ai, entregou!
É isso mesmo, conta os patrões, né? Isso mesmo, nós estamos junto com você, Lenny.
O pessoal acha que é Lenin e eu chamo ele de Lenny.
É Lenny, é o I, é o Lenny. Muito bem. E uma das coisas que a gente tem falado é que que com a luta é que nós conseguimos mudar. Porque o Senado tá lá sentado na proposta fazendo as barganhas eleitorais para poder ver se vai, se não vai, se quem é o dono do negócio. E nós temos defendido que é com a luta dos trabalhadores. E nós temos duas provas práticas de que isso deu certo com os nossos movimentos. Nós temos um movimento que é o Movimento Luta de Classe, que também constrói unidade popular, que junto com o Sindicato da Limpeza Urbana da Paraíba acabou com a 6 por 1, conseguiu implantar 5 por 2 para limpeza urbana, os garis da Paraíba, com aumento de salário.
E hoje eles têm uma remuneração em torno de R$3.200, que é exatamente a proposta da Unidade Popular: aumentar em 100% o salário mínimo. E com luta, os trabalhadores da limpeza urbana na Paraíba conseguiram acabar com a 6 por 1 e garantir uma remuneração de R$3.200. Outra nossa vice-presidente, que é Raquel Brício, que é lá do Pará, Ela é trabalhadora portuária do sindicato e lá aprovou 4 por 4, que as pessoas falam assim, mas isso nem existe. 4 dias de trabalho e 4 dias de descanso.
Então é possível ter outras formas de trabalho, outras escalas de trabalho que não sejam exaustivas para nós trabalhadores. 6 por 1 é desumano, é você ter um dia de descanso. Nós mães, inclusive, é para decidir se vai cuidar dos meninos, se vai passar um dia com eles, se vai arrumar a casa, se vai lavar roupa. Ou se vai dormir porque a gente tá exausta. Então é necessário acabar com essa escala. E todas as outras propostas agora também, principalmente para juventude, que a uberização do trabalho, que a pejotização do trabalho, que é transformar as pessoas em CNPJ, ou dizendo, né, vendendo a ideia de que agora você é chefe de si mesmo, com jornadas exaustivas para poder garantir as metas.
Aí o CNPJ, que é para ser uma empresa, é só você mesmo, e você tem que se rasgar para poder garantir a meta, que é o carro, caiu da bicicleta, é você. Exatamente. Tanto que a gente participou do breque dos aplicativos, que cobra inclusive a regulamentação das plataformas, porque paga uma mixaria para os entregadores, para os motoristas, enquanto lucram muito sem nenhuma responsabilidade trabalhista com aqueles que estão ali dando esse faturamento para eles.
E lá na Bahia, inclusive, o nosso candidato ao governo do estado tomou um tiro da polícia nesse ato. Tiro mesmo, tiro, tiro, tiro de bala de borracha. Nessa manifestação. Então nós precisamos lutar, porque se a gente não lutar, nós não vamos conseguir avançar em nenhum desses direitos. E a prova é que nós já conquistamos com a luta, com a greve, com as mobilizações. E é assim que vai ser, e é necessário acabar com essa escala.
E aí muita gente fala assim, ah, mas aí vai discutir a taxa de lucro mesmo, que fala assim, ah, mas aí não vai ter emprego e não vai ter não sei o quê. Nós defendemos a criação das frentes emergenciais de trabalho, a criação de emprego emprego por parte do próprio governo. Não precisa ter os empresários, os atravessadores, as empreiteiras no meio do negócio, porque elas querem é lucro. E aí você tem que dar o dinheiro para elas lucrarem e não para poder garantir o salário dos trabalhadores.
Então nós podemos gerar os próprios empregos e nós precisamos discutir a taxa de lucro de cada uma dessas empresas, porque se lucra muito em detrimento da exploração dos trabalhadores.
Lene, eu quero saber o que o povo quer saber.
Ó, tem uma pergunta aqui da Escaterede, Escaterede 3811. Ele falou o seguinte: qual a importância dos movimentos sociais e organizações de classe para a elucidação dos trabalhos sobre a sua condição de classe?
A elucidação do trabalho. Bom, se eu entendi a pergunta de novo, eu também fiquei.
Qual a importância dos movimentos sociais e organizações de classe para a elucidação dos trabalhos sobre a sua condição de classe?
Tá, então do que eu entendi da pergunta, os movimentos sociais e as entidades de classe, que são os sindicatos, eles são extremamente importantes justamente para essas lutas mais efetivas, mais diretas, que é a garantia do aumento do salário, da diminuição da jornada, dos direitos trabalhistas, mas também para elevar a consciência do nosso povo, a consciência de classe, de que nós estamos de um lado E eles, os patrões, os milionários, os ricos, estão do outro lado.
E nós precisamos estar organizados nessas entidades, nos partidos. E por isso temos dito para o nosso povo: tome partido, filie-se à unidade popular, vamos para luta, que a eleição é uma parte da luta, mas não é a luta toda. E que nós precisamos avançar enquanto classe para poder conseguir aumentar a qualidade da nossa vida, porque a outra classe está organizada nos seus partidos, nas suas organizações e pensam no lucro delas, nos privilégios delas.
Então nós precisamos do lado de cá fazer a nossa organização para socializar as riquezas que a gente produz, que é isso que a gente tem defendido com socialismo, é socializar as riquezas do nosso país. Nós produzimos tudo e não temos acesso a nada, ou a muito pouco, e nós queremos ter acesso a tudo, a todas as nossas riquezas produzidas. Inclusive estamos defendendo a nacionalização das riquezas estratégicas do nosso país, do petróleo, das terras raras, do solo, da água, da terra, das florestas, dos rios.
É nacionalização das nossas riquezas. E como disse lá, para poder criticar o Zema, o privatizador do mundo, nós defendemos a reestatização de todas as empresas que foram privatizadas, a Sabesp, a Copasa, as companhias de água, de luz nos estados, o metrô, os transportes, tudo isso. Ser reestatizado, porque são questões fundamentais na vida do povo trabalhador.
Ó, Roseli perguntou o seguinte: você defende a legalização do aborto? Até quantas semanas o procedimento seria permitido e quem pagaria por ele na rede pública?
Nós temos defendido que o aborto legal e seguro, ele precisa ser garantido pelo SUS. E num sentido assim internacional, a defesa tem sido do aborto legal e seguro até 12 semanas. É o que a maioria dos países já garantiram. Na nossa legislação já tem 3 questões em que o aborto é garantido, que é no caso de estupro, que é o caso de bebês anencéfalo, e é no caso de risco de morte para as mães, para aquelas mulheres que estão grávidas, pessoas que estão gestantes.
E nós defendemos isso, o aborto legal e seguro em todas as condições até 12 semanas. E se você for pensar numa questão biológica, é justamente por conta do desenvolvimento do feto naquele momento. Você tem formação de cérebro, de tubo neural, a partir da 13ª semana. Então muita gente fala assim, ah, mas aí tem dor. Não tem dor porque a gente sente dor com cérebro. Não tem vida porque a gente tem vida quando tem cérebro. E por isso que os anencéfalos, quando os bebês não produzem esse tubo neural e não desenvolvem, eles também é garantido hoje o aborto legal e seguro pelo SUS, dentro da lei.
E há um ataque enorme hoje da extrema-direita contra isso, que não é sobre as crianças, que não é sobre a vida, porque inclusive são os mesmos defensores da redução da maioridade penal, do genocídio nas comunidades. Então não é sobre vida, não é sobre nada disso, é sobre o controle da vida das pessoas, é o controle do corpo das mulheres. Que inclusive nós tivemos aí uma das representantes da extrema-direita em Pernambuco dizendo que tinha que fazer laqueadura forçada nas mulheres.
Então é um controle sobre as mulheres, inclusive uma ofensiva política contra as mulheres, até politicamente, né, dizendo que as mulheres não têm que votar, quem tem que votar é o marido. A laqueadura, inclusive recentemente, é que não precisa mais da autorização do marido para acontecer. Então nós defendemos o aborto legal e seguro como uma defesa da vida das mulheres, porque milhares de mulheres morrem no Brasil hoje vítimas dos abortos clandestinos, enquanto tem as mulheres que têm dinheiro, têm condição, às vezes conseguem pagar as clínicas também clandestinas, mas que dão ali uma segurança maior para poder fazer o aborto.
Então é uma decisão das mulheres sobre o seu corpo, é uma questão de saúde pública, e nós precisamos garantir na legislação e não retroceder em nenhum dos avanços que nós já tivemos sobre isso.
Vocês falam em nacionalizar o sistema bancário, né? Como seria feito na prática e E vocês pensam em como indenizar os bancos privados?
Isso, nós defendemos a nacionalização, inclusive nesse momento da conjuntura que nós estamos vivendo, que tem um escândalo do Banco Master e como é que eles usam o dinheiro público, inclusive porque era do Rio Previdência, era a aposentadoria de muitas pessoas. Nós defendemos que o dinheiro do nosso povo não deve estar na mão de nenhum banqueiro que quer lucrar, que quer especular com o nosso dinheiro, fazendo todas essas farras como fizeram aí.
A gente viu as orgias, a prostituição com dinheiro do povo, garantindo e depois dizendo que era dinheiro privado. Não é dinheiro privado, é dinheiro roubado do nosso povo. Inclusive temos defendido, falando um parênteses sobre isso, que todos os corruptos, além de presos, devolvam todos os bens que roubaram do nosso povo, tem os seus bens confiscados. Porque aí, o cara tá preso Mas tá com seus bens garantidos, sua mansão, seu helicóptero, o avião que deu carona para Deus e o mundo, tá tudo aí.
Exatamente. Então é confiscar tudo que eles roubaram para devolver, inclusive, para as pessoas que eles roubaram. E isso vale para todos os corruptos, seja ele do STF, de senador, de deputado, de banqueiro, e qualquer um deles. E como no sistema capitalista o lucro é o mais importante, os bancos vão seguir na mesma lógica e vão aplicando os juros altíssimos, como a gente tem no nosso país, taxa de juros altíssimas para poder ganhar dinheiro.
E tá dentro desse sistema da dívida que eu comentei aqui no início. A taxa de juros tem que ser mantida alta para valer a pena o sistema da dívida pública no nosso país. Então nós defendemos a nacionalização dos bancos, que é o controle estatal sobre os bancos. E isso nem é uma novidade, porque nós já temos bancos nacionais que não tão nacionais quanto a gente gostaria, porque eles deveriam ser 100% nacionais, e eles vão vendendo as ações inclusive para outros países.
Mas já tiveram os bancos estaduais que foram vendidos e passou ali no período, talvez na década de 90, anos 2000, a privatização de vários desses bancos estaduais, que foram criando um monte desses bancos que a gente só— isso, exatamente, exatamente. Então foram criando esses bancos privados, uns que a gente só descobre depois que tá na crise, na corrupção, ou que estão sendo, tendo as suas crises sendo resolvidas pelo dinheiro público.
Que aí, quando o banco tá quase falindo, aí compra, aí o Banco do Brasil compra, o Banco Central vem com dinheiro, e o Estado, que eles dizem que não deve atuar na economia, vem para poder salvar os bancos. Então, se é a gente que vai ter que salvar os bancos, que nós tenhamos o controle sobre os bancos. Porque isso também, aí até falar para quem tá assistindo, que que isso tem a ver com a minha vida, né? Ah, mas para que que vai fazer isso?
Se a gente tem o controle do sistema financeiro, a nacionalização dos bancos, nós podemos controlar a taxa de juros no nosso país. Porque inclusive tem se defendido aí mais autonomia para o Banco Central. É exatamente lá que se define a taxa de juros no nosso país, que não precisaria estar entre 14%, 15%, como disseram, né, no presidente do Banco Central anterior. Aí era um absurdo porque tava com 13% na taxa Selic, na taxa de juros.
Aí mudou, virou o Galípolo, aumentou a taxa de juros porque tá dentro de um sistema. E isso a gente vai sentir no nosso bolso, porque aí a taxa de juros vai ser muito maior ainda no nosso cartão de crédito, na hora que você vai fazer um financiamento. Então é o controle estatal para que o nosso dinheiro não sirva para especular, para os outros lucrarem, e que vire quase uma agiotagem institucional, que é cobrando juros altíssimos sobre as nossas ações dentro do banco. Então tem que ser nacionalizado.
Você fala em suspender a dívida pública, é isso?
Isso.
Como que o Brasil captaria recursos no mercado internacional no dia seguinte?
Exato. Inclusive, auditoria já é um negócio que tá previsto na Constituição. Nós já poderíamos ter feito, como eu disse, eu acho que já disse aqui, e a gente nunca fez. Há um movimento, Auditoria Cidadã da Dívida, que a Maria Lúcia Fattorelli, eu tenho conversado muito com ela sobre isso também, trazer até para defesa do nosso programa. Ela ajudou na auditoria da dívida pública no Equador em 2007, 2008, e eles conseguiram reduzir em 70% a dívida pública daquele país.
Porque é isso, auditoria é ver o que que é de legal, o que que não tá, não é legal, o que que é justo, o que que não é justo, o que que é juros sobre juros, que não pode existir inclusive no Brasil, para poder diminuir. E nós, além de defender essa auditoria para ver o que que o que que tá certo, o que que tá errado nessa dívida, e nós entendemos que é uma dívida ilegal, que não foi contraída pelo nosso povo nem para benefício do nosso povo, nós defendemos a suspensão do pagamento da dívida pública e que esse dinheiro todo, que é R$1,8 trilhão, seja utilizado para as áreas sociais no nosso país: a moradia, a saúde, a educação.
E é possível que a gente faça. E aí muita gente fala assim, ah, mas aí vai ter fuga de capital do nosso país. Mas se é encadeado inclusive nesse sentido de que a gente quer nacionalizar as empresas, de que a gente quer controlar o sistema financeiro, que a gente vai controlar inclusive a produção, a cadeia produtiva no nosso país, nós não vamos ter a fuga de capital. Porque nós inclusive somos hoje, o Brasil poderia ser um país soberano e independente, porque muitos dos países dependem inclusive da nossa produção, porque nós produzimos tudo, tudo, os principais commodities, né, como dizem.
Mas que é carne, que é mineral, que é minério, etc. Então os países dependem dessa relação com a gente porque muitos deles não produzem essas mesmas coisas que a gente produz. Então nós teríamos que controlar essas riquezas, essa produção, a distribuição, o abastecimento. Então não teria essa fuga de capital porque nós estaremos no controle de tudo isso. É uma cadeia de propostas que devem ser feitas juntas.
Ó, tem duas perguntas aqui, eu vou juntar porque basicamente falam sobre a mesma coisa. É o Lucas Silva, ele falou o seguinte: você propõe dobrar imediatamente o salário mínimo para R$3.242? Aí ele pergunta: de onde viria o dinheiro para pagar esse aumento sem gerar inflação ou desemprego? E o agricultor, ele perguntou o seguinte: por que só dobrar o salário mínimo? O mesmo critério não poderia ser usado para triplicar ou quadriplicar?
Eu gostei do agricultor. Eu acho que é muito nessa linha, inclusive porque o DIEESE disse que para poder você manter uma família no Brasil hoje bem, porque isso que é o salário mínimo, né, você garantir uma família de 4 pessoas seria mais de R$7.000. Nós defendemos dobrar o salário mínimo, aumentar em 100% o salário mínimo como uma primeira medida. Até porque na nossa proposta é essa cadeia de propostas que é controle da produção, que é diminuição do preço dos alimentos, porque hoje a gente paga muito mais caro porque o que a gente produz vai para exportação, o que aumenta o nosso, o nosso produto aqui, né, a comida, os alimentos aumentam aqui.
Então nós teremos condição de controlar tudo isso. E é possível aumentar em 100% o salário mínimo. Toda vez, inclusive, que se tem uma proposta de melhoria nas condições de vida do nosso povo, diz que o Brasil vai quebrar, que não tem jeito, 17, foi assim no período da escravidão. Se acabar com a escravidão, o Brasil quebra. Se acabar com 6 por 1, o Brasil quebra. Se tiver férias, o Brasil quebra. Se tiver 13º, o Brasil quebra.
Então toda vez é isso, porque quem controla, inclusive ideologicamente, o nosso país são as classes dominantes, os ricos. Não faz sentido nenhum que nós trabalhadores fiquemos defendendo o lucro, a taxa de lucro dos milionários do nosso país, que é isso inclusive que impede de a gente ter um salário melhor ou uma jornada menor. Mas no sentido de governo, né, de estado, nós defendemos inclusive a suspensão do pagamento da dívida pública, porque você vai ter quase metade do orçamento para poder garantir a maior valorização dos servidores públicos, para fazer contratações diretas, para criar as frentes emergenciais de trabalho.
Essas frentes inclusive que vão resolver os problemas principais do nosso país, porque o Brasil poderia já ter resolvido o déficit habitacional no nosso país Porque tem os pedreiros, tem os operários da construção civil, tem os engenheiros, tem todo mundo que podia ajudar na construção. Tem dinheiro, mas a gente dá esse dinheiro para o bolso banqueiro, que é como a gente chama. Então esse dinheiro ele já existe, nós já somos a 10ª economia do mundo, só que esse dinheiro não é usado para poder garantir os pisos salariais dos servidores, para garantir melhoria na condição de vida do nosso povo.
Além disso, nós mesmo sendo um país extremamente rico, essa 10ª economia do mundo, na América Latina nós somos um dos menores salários mínimos da América Latina. Então não faz sentido que outros países com PIBs menores que o nosso tenham salários maiores que o nosso. Nós teríamos condições de já estar em R$3.200 se nós tivéssemos mantido o aumento real do salário mínimo lá do início dos anos 2000. Foi se aumentando, se aumentando, chegou em 2016 E aí eu já comentei isso aqui, nós tivemos um golpe, e nesse golpe se instituiu o teto de gasto que limita em 2,5% o aumento salarial e o investimento nas áreas sociais.
Se isso não tivesse acontecido e tivesse se mantido aquele aumento real que era acima da inflação, nós hoje já teríamos um salário de R$3.200. Então não está fora da realidade, está fora da prioridade política daqueles que defendem os ricos.
Ricos.
Então os trabalhadores precisam, junto com a unidade popular, agora passar a defender um aumento de 100% no salário mínimo como primeira medida, como disse o agricultor, para que a gente avance em salários melhores, em jornadas menores, e que a gente viva com qualidade e não só viva para trabalhar.
Ó, a Isabelle, ela fez a seguinte pergunta: Samara, você defende a nacionalização de riquezas minerais? No caso das terras raras, que são estratégicas para tecnologia e energia, o que você faria com as empresas privadas que já exploram esses minerais no Brasil?
Beleza, isso nós defendemos, a nacionalização de todas as riquezas do nosso povo: petróleo, terras raras, minérios. E nós defendemos a reestatização de todas as empresas que foram privatizadas, e inclusive que acabar com a intervenção estrangeira nessas, nessas áreas. Então não tem que ter empresa estrangeira no petróleo, não tem que ter empresa estrangeira. É revogar inclusive a venda, que foi uma venda criminosa inclusive, feita pelo caiado aí, e vendeu Serra Verde.
Inclusive tem se discutido se isso é constitucional ou não, mas vendeu diretamente a empresa Serra Verde para os Estados Unidos para extração das terras raras. Isso tem que ser revogado, porque se é inconstitucional, inclusive tem que ser revogado, e revogar todas as vendas que foram A Vale do Rio Doce, por exemplo, eu sou de Minas Gerais, a Vale do Rio Doce também foi privatizada e deve ser revertida essa venda. Então todas elas, inclusive porque foi vendida a preço de banana e hoje tem um lucro exorbitante, talvez, sei lá, 10, 20 vezes maior do que o preço pelo qual foi vendida.
Então nós precisamos reverter todas as vendas ilegais das nossas riquezas nacionais, não vender mais nenhuma, nem para o capital nacional, nem para o capital estrangeiro. E garantir o controle total das riquezas do nosso país, que são riquezas estratégicas. A guerra, inclusive, no mundo, ela tá sendo justamente por esses minerais estratégicos. É sobre petróleo, é sobre terras raras, porque não só produz equipamentos tecnológicos as terras raras, mas também equipamentos de guerra.
Então as guerras hoje não é para redemocratização, não é para poder acabar com tráfico de drogas, não é para nada disso. É para roubar as riquezas do nosso povo. É uma recolonização do mundo, uma repartição do mundo com novos impérios. E nós descendemos daqueles que venceram os impérios, o Império Holandês, o Império Português. E agora não vamos aceitar o Império Estadunidense, o Império Chinês, para poder levar as nossas riquezas.
Então é exatamente isso, é a nacionalização, reverter as vendas que foram feitas, reestatizar todas as que foram vendidas.
O Andy perguntou o seguinte: seu plano de governo tem menos de uma página e meia. Como o eleitor pode avaliar a viabilidade de um projeto que apresenta diretrizes tão grandes com tão pouco detalhamento?
Então, ele perdeu a atualização. Tem um prazo, inclusive, para a gente poder colocar o nosso programa, e nós somos quase que o primeiro partido a fazer a nossa inscrição, né, a nossa, o nosso cadastro da nossa candidatura. Porque a gente precisava ser rápido para poder garantir utilizar o CNPJ, garantir as contas, porque senão a gente não ia conseguir, porque nós não temos fundo partidário, nós não temos dinheiro. Então nós fomos um dos primeiros partidos a registrarem a nossa candidatura à presidência.
Só que tem um prazo, até dia 15 de agosto pode se registrar um novo programa. Então a gente botou esse primeiro programa, mas tem um lá completo, inclusive já vá lá acessar no site do TSE. É um programa também que já estava mais ou menos apresentado no site da Unidade Popular desde o início da nossa pré-candidatura, no início do ano, desde o último congresso, aliás. E foi esse que a gente agitou e que todo mundo comentou, que tinha essas propostas do Políticos ao Sul, da desmilitarização das polícias.
Então é o programa da Unidade Popular, que é o mesmo que a gente agita nessa candidatura e nas outras todas. Mas agora tem lá um outro, um outro programa que foi também protocolado, que todo mundo pode ter acesso, que lá no primeiro tava as nossas diretrizes gerais os que a gente tava, né, agitando na pré-campanha. E agora tem lá explicando todas as nossas propostas, e vale todo mundo conhecer o programa da Unidade Popular.
E tem aqui uma última pergunta do Edu Rocha. Ele falou o seguinte: você defende criminalizar a misoginia, como você definiria juridicamente o que é misoginia para evitar que uma opinião ou crítica seja tratada como crime?
Esse assunto já deu várias discussões aqui nessa mesa, nos debates.
É verdade. Inclusive porque agora, além de não quererem aprovar a misoginia como um crime, eles querem descriminalizar o racismo, porque a misoginia seria enquadrada mais ou menos nos mesmos termos do racismo. E a misoginia é o que antecede os feminicídios no nosso país, porque se quer criminalizar os que matam as mulheres, e tem que criminalizar, tem que aumentar as penas, mas o que antecede o feminicídio para que as mulheres não morram mais.
Nós não queremos agora só contar quantas mulheres estão morrendo, porque a gente fala de números, mas são pessoas, são vidas, são mães. Normalmente elas são assassinadas na frente dos seus filhos, são os órfãos do feminicídio. E antes disso, antes de chegar no feminicídio, todas as violências que foram sofridas antes. E a misoginia é uma violência, é uma propagação de ódio contra as mulheres, a inferiorização das mulheres enquanto pessoas.
Isso é a misoginia. Se você não é misógino, se você não inferioriza mulheres, se você não acha que elas são menores, que elas têm que receber menos, você não precisa ter medo da criminalização da misoginia. Só precisa ter medo da criminalização da misoginia aqueles que querem propagar o seu ódio contra as mulheres, aqueles que querem rebaixar as mulheres, aqueles que querem inferiorizar as mulheres. E hoje nós temos vários grupos incitando estupro contra as mulheres, Isso é misoginia contra o voto feminino.
Isso é absurdo. Exato. Então estamos em 2026 e discutindo sufrágio universal de mil anos atrás. Então isso é misoginia, é defender que mulher tem que receber menos que o homem. Isso é misoginia. E nós temos defendido inclusive que se fiscalize isso nas empresas, porque diz que não faz. Mas na verdade faz. E as mulheres continuam recebendo cerca de 21% menos que os homens, as mulheres negras 53% menos que os homens. Então nós precisamos criminalizar o que antecede a morte das mulheres, o que antecede a violência contra as mulheres, o que antecede o assédio às mulheres.
É isso que nós estamos falando quando se criminaliza a misoginia. Quem não é misógino, quem não é machista, não tem que ter medo disso. Agora, se tem uma bancada organizada para poder impedir que isso seja aprovado é porque esses defendem manter as mulheres em inferioridade na nossa sociedade. Esses defendem que as mulheres têm que ser estupradas. E é um estupro a cada 6 minutos no nosso país, de mulheres e crianças. E isso é inadmissível e tem que acabar.
E parte disso é responsabilizar inclusive as plataformas digitais que permitem a propagação disso nesses grupos red pill, não sei o quê, que vão acumulando um monte de um monte de seguidores, um monte de visualizações, deve ser responsabilizado. Quem fala assim: não, mas nós não temos nada a ver. Quando a gente vai fazer uma defesa de uma questão que a Meta não concorda, derruba a nossa página. Nosso jornal, Jornal A Verdade, já caiu.
Páginas da Unidade Popular defendendo contra o despejo de ocupações já caiu sem justificativa nenhuma. Outros influenciadores também tiveram as suas páginas derrubadas quando defendem outras opiniões. E essas páginas misóginas continuam seguindo normal, inclusive ensinando jovens a estuprar mulheres, a assediar mulheres. Isso é inadmissível e tem que ser criminalizado. Se você não é misógino, não tem que ter medo disso.
O seu programa fala em reindustrialização. Quais, qual tipo de empresa seria privilegiada nessa fase?
Nós temos defendido a reindustrialização, por exemplo, da siderurgia, que a gente tinha uma empresa nacional e ela foi privatizada.
Também de onde viria, né?
Exatamente. E é essa fonte do próprio governo, e esse recurso que a gente não vai mais pagar para o bolsa banqueiro, que a gente não vai mais pagar para os especuladores da dívida pública. Então é possível fazer isso, garantir que o nosso povo tenha condição de ter moradia. Então garantir que a gente mesmo processe isso. Por exemplo, os celulares. Nossos celulares todos não são do Brasil, e a gente poderia ter um celular brasileiro assim como uma televisão brasileira, assim como vários outros eletrodomésticos brasileiros.
Mas nós compramos de outros lugares. Nós até produzimos a matéria-prima, porque as terras áridas inclusive ajudam nisso, mas nós compramos e importamos de outros lugares o produto beneficiado. Então nós poderíamos garantir a industrialização nesse sentido, mas também garantir o beneficiamento de alimentos, porque a gente vende a matéria-prima e compra eles já empacotados, já produzidos hoje. A gente vende a laranja e compra o suco da laranja.
A gente vende os grãos, vende as coisas e compra tudo industrializado. Então tudo isso para alimentação, para siderurgia, para mineração, tudo isso da indústria tecnológica geraria emprego e garantiria a nossa soberania, a nossa independência. Então todos esses setores que são estratégicos, do petróleo, o beneficiamento de petróleo, que a gente no início dos anos 2000 disse que era autossuficiente em petróleo, E isso, nacionalizar o petróleo, é uma coisa muito importante, porque aí depois a gente começou a pagar petróleo balizado com dólar, né?
É nosso, mas a gente baliza com dólar, e isso faz o combustível ficar mais caro, o que faz os alimentos ficarem mais caros, e vai na cadeia de sequência sobre tudo que tem nessa, nessa cadeia produtiva. Então, se a gente nacionaliza o nosso petróleo e ele serve ao nosso povo, o combustível diminui, nós conseguimos processar. Eu até tive uma reunião com os petroleiros do Rio de Janeiro e eles disseram: nós conseguiríamos processar o petróleo do pré-sal.
Só que preferiu-se fazer os leilões de petróleo e vender a concessão da extração de petróleo para outras empresas. E tem vários brasileiros trabalhando nessas outras empresas estrangeiras. Então, se a gente tivesse investido nas indústrias petrolíferas, de refinamento, de tudo mais, de distribuição, nós teremos condições inclusive de fazer o beneficiamento do petróleo, para que inclusive não seja esse extrativismo predatório, que é o que a gente tem discutido da transição energética.
Tudo dependendo do petróleo, tudo dependendo dessa, dessa, desse retirar o petróleo, que é um negócio que vai causando impactos ambientais gigantescos. Então até tentando fazer agora na Amazônia também. Então nós podemos controlar tudo isso, isso vai garantir uma vida melhor, mais barata para o nosso povo.
Samara, Samara, Samara, Samara, não, eu tava tentando lembrar como ele falava.
Não vem Romeu Zema, não vem Romeu Zema.
Samara, obrigado demais pelo papo. Não acabou porque você tem 3 perguntas que eu faço para todo mundo que vem pela primeira vez, e no final você vai poder pedir voto do jeito que você quiser. Então se prepara. Primeira pergunta é o seguinte: Qual foi o momento mais difícil da tua vida ou da tua carreira? Pois é, tem gente falando aqui que é mentira que ela é dentista do SUS.
Aí é? Que isso, gente!
Tem um cara enchendo o saco, ela tá achando que é dentista do SUS.
Vou ter que mostrar meu CRO.
O cara deve ser banguela, deve estar com algum problema.
Mas esse é um problema que a gente precisa resolver. Apesar do Brasil ser um dos países com mais dentistas, nós ainda somos o país dos desdentados, porque é isso, a lógica não é de acesso à saúde bucal para o nosso povo, e precisa ter acesso à saúde bucal.
E eu concordo, é muito difícil, dente dá muito problema, que não é só na boca, né?
Exatamente, é sistema, é uma saúde coletiva mesmo, é a integralidade da saúde. Então eu sou dentista mesmo, sou formada pela UFRN, eu trabalho, mas também tem uma questão: é muito difícil as pessoas acharem que uma mulher negra vai ser uma dentista, uma cirurgiã dentista.
Tem um problema pessoal contigo, é outro caso.
Pode ser também. Aí pode ser querendo tratamento de graça, porque ele quer um tratamento de graça, ele tá tentando ali um voucher, um negócio. No SUS eu atendo todo mundo, tá?
Qual o momento mais difícil da tua carreira ou da tua vida?
Exato, eu fiquei pensando assim do que que é um momento difícil, mas eu lembrei de um inclusive do que aí todo mundo vê agora, gente, né, na unidade popular com os movimentos organizados. Mas teve uma época que já foi mais perrengue. E aí eu organizando, eu fiquei pensando porque foi um momento traumático na minha vida que eu falei assim, eu sou boa nisso, que eu fui para uma escola para fazer lá em BH, fui para uma escola para fazer uma mobilização de uma manifestação para garantir o Meio Passe para os estudantes.
E eu fui para lá com ônibus para poder as pessoas irem comigo para a manifestação. E aí eu fui, passei nas salas, chamei todo mundo, etc. O pessoal estava, nem tinha isso do WhatsApp ainda, então a gente não tinha essa comunicação tão direta. O pessoal estava na Praça 7 esperando eu chegar com ônibus lotados de estudantes. Eu fui no ônibus sozinha. E aí, quando chegou na Praça 7, e eu tentei, já tava lá apelando para as pessoas, e por favor, vamos comigo, você vai comigo, só lá, você vai lá e volta, só para eu não chegar sozinha.
Cheguei na Praça 7 sozinha. Só que, como a gente não tinha comunicação, a pessoa do carro, quando viu o ônibus chegar, falou assim, agora está chegando o ônibus da escola, não sei o quê. E aí era para todo mundo virou para o ônibus e eu desci sozinha. Foi muito humilhante, foi muito humilhante. Então foi muito triste. Então acho que esse foi um momento marcante. E eu achava assim, eu nunca mais vou fazer uma manifestação porque eu não tenho—
Vê o lado bom, não tem como ser pior. Agora daqui é só vitória.
Eu fui sozinha para manifestação, foi triste, mas a gente venceu. Pelo menos aprovou meio passe. Anos depois aprovou meio passe.
É assim que funciona, tem que só ir subindo. A segunda pergunta é o seguinte: eu não sei se te avisaram, se for eu ou a pessoa te avisar, desculpa, mas a gente vai morrer um dia.
Ah, vai?
Você sabia disso já?
Droga.
O problema é que esse vídeo vai ficar muito tempo depois da gente. Então manda um recado para o futuro, para quem tá assistindo 300 anos no futuro.
Que legal.
Quais seriam suas últimas palavras, teu epitáfio? Aquela câmera.
Ó, eu tenho um dos livros que eu gosto gosto muito, que é reportagem sobre a forca. E aí eu vou parafrasear o Júlio Fucik, que foi um revolucionário comunista e tal, que é algo que tem muito a ver com a minha vida. E a frase não é exatamente assim, mas eu uso ela nesse sentido, que é: pela alegria vivi, pela alegria combati, que a tristeza nunca esteja associada ao meu nome. Essa é a frase. Gostei, gostou, gostou demais. Repete: pela alegria vivi, pela alegria combati, que a tristeza nunca esteja associada ao meu nome.
Puts, muito legal. E a terceira, qual a tua dúvida atual, Samara? No que que você se pega pensando antes de dormir?
Eita, essa é difícil, essa é a mais difícil de todas.
Escolhe uma. É uma dúvida, você como candidata deve se perguntar muita coisa, né?
Ai, é verdade.
Por que que ainda não mudou?
A gente vai tentando achar as respostas, né? E as respostas são muito nessa coletividade, não é da gente, né? Não tá na gente. Ah, talvez assim, de por que que a gente não já revolucionou o nosso país assim, de todo mundo mais ou menos quer a mesma coisa. Exato. E eu sei, mas eu sei mais ou menos a resposta disso também. E também há uma luta de classes, há uma disputa ideológica na sociedade. Mas assim, todo mundo tá num perrengue, a maioria de nós tá num perrengue, nós somos a maioria.
Nós já podíamos ter tomado o poder. Então bora, bora todo mundo se organizar e vamos tomar o poder nesse país.
Amém.
Mas uma outra coisa que eu também fico pensando, outra dúvida, é de como se explica o amor pelos nossos filhos. Eu nunca consegui explicar o amor que eu sinto pelos meus filhos. Então era uma coisa até que eu queria deixar para o futuro também, para os meus filhos for assistir daqui uns anos. Eu não consigo explicar o amor que eu tenho por eles porque É um negócio surreal. E quem não tem, realmente não dá para explicar. Fala assim, olha, é assim, é assim.
Não tem, tem que ser pai, tem que ser mãe para entender. E agora é seu tempo, é livre. Agradecer demais a você, as pessoas que estavam aqui com a gente, que estão ainda.
E eu lembro que eles têm que fazer, é o seguinte, é, se você não deixou seu like ainda, corre, que ainda dá tempo de deixar seu like. Aproveita, se inscreve no canal, se torna membro, aquele lance todo, né?
E não, calma, então depois, segura, segura, agora é com ela. Fala para o pessoal o que que eles têm que saber para votar em você. Essa é a hora, se venda!
Se venda não, é exato, o programa, né? Se promova, jamais nos venderemos na Unidade Popular. Não tem nenhum dos envolvidos nesses escândalos de corrupção, ninguém recebeu mensagem.
Pode abrir seu WhatsApp, não vai achar Morgana.
O meu também não.
Lindão, né?
Lindão.
Ninguém chamou ele de lindão nem nada disso.
Promova-se.
Então, todo mundo deve conhecer a Unidade Popular. Inclusive, nós temos chamado as pessoas para se filiarem na Unidade Popular. Queremos que todo mundo vote no 80, vote nos candidatos da Unidade Popular. Nós somos o único programa que defende os trabalhadores, as pautas dos trabalhadores, uma defesa do socialismo, de socializar as riquezas do nosso país. Menos capital, que o lucro não seja mais importante do que a vida das pessoas, que o social, que a qualidade de vida do nosso povo seja o principal.
E são essas as bandeiras da Unidade Popular. Então conheçam as nossas candidaturas, vote na Unidade Popular, participe também das nossas lutas, dos nossos movimentos que eu apresentei um pouco aqui também. Se quiserem inclusive acompanhar as nossas redes sociais, @unidadepopular ou @samaramartins o P. Ajude a gente a divulgar a nossa candidatura, porque insistem em dizer que não tem uma mulher candidata, que não tem uma mulher trabalhadora candidata, que não tem uma dentista candidata a presidente do Brasil.
Eu sou trabalhadora do SUS. Nós temos defendido que todos os políticos usem o SUS, usem a educação pública, que o salário deles inclusive não seja esses salários milionários, que eles recebam igual recebemos nós, servidores da saúde, servidores da educação. Nós defendemos a eleição para os juízes para acabar com esses escândalos de corrupção, que tenham eleições, que tenha mandato, que não seja as indicações inclusive dos presidentes.
Nós defendemos que o povo participe de todas as decisões centrais no nosso país e não ser chamado apenas para participar das eleições de 2 em 2 anos. Nós queremos construir o poder popular e o socialismo no nosso país. É possível com a luta e a organização do nosso povo. Que nós somos a maioria, nós estamos do lado certo da história e nós venceremos. Vote 80, tá certo?
Eleni, agora é hora de você brilhar, cara. É isso aí, pessoal, escreve nos comentários para provar que chegou até o final desse papo maravilhoso.
Escreve aí, ó, para provar que você chegou até aqui, escreve aí foto da família, foto da família nos comentários e prova que chegou até o final.
Então é isso, gente, fiquem com Deus, beijo no cotovelo e tchau. E que bom que vocês vieram, valeu! As opiniões e declarações feitas pelos entrevistados do Inteligência Limitada são de exclusiva responsabilidade deles e não refletem necessariamente a posição do apresentador, da produção ou do canal. O conteúdo aqui exibido tem caráter informativo e opinativo, não sendo vinculado a qualquer compromisso com a veracidade ou exatidão das falas dos participantes.
Caso você se sinta ofendido ou tenha qualquer questionamento sobre as declarações feitas neste vídeo, por favor entre em contato conosco para esclarecimentos. Estamos abertos a avaliar e, se necessário, editar o conteúdo para garantir a precisão e o respeito a todos.