Episódios de Inteligência Ltda.

017 - LIZZIE BORDEN: O CRIME PERFEITO

22 de setembro de 202624min
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Um dos duplos homicídios mais sangrentos e bizarros do século XIX! Neste episódio de “Arquivos Proibidos”, a ANITA BORGES e o FABIO JACQUES do Muita Brisa vão reabrir os arquivos e investigar o caso Lizzie Borden: O Crime Perfeito. Como ela conseguiu trucidar a própria família a machadadas e sair livre do tribunal? Será que o Vilela não quis sentar na bancada hoje por puro medo de tomar uma machadada nas costas de um encosto vitoriano?

Participantes neste episódio1
A

Anita Borges

Host
Assuntos6
  • O duplo homicídio de Andrew e Abby Borden em Fall RiverAndrew Borden encontrado morto no sofá·Abby Borden caída no quarto de hóspedes·Lizzie Borden única pessoa na casa·Lizzie presa, julgada e absolvida
  • A vida e o contexto familiar de Lizzie Borden antes dos crimesAndrew Borden, pai rico e avarento·Abby Borden, madrasta das filhas·Lizzie Borden, filha mais nova e solteira·Casa sem privacidade e atritos familiares
  • Os eventos que antecederam e ocorreram no dia dos assassinatosTentativa de Lizzie de comprar ácido prússico·Preocupação de Lizzie com inimigos do pai·Abby atacada no quarto de hóspedes·Andrew atacado no sofá da sala
  • As evidências e o julgamento de Lizzie BordenMachadinha sem cabo encontrada no porão·Ausência de roupas manchadas de sangue·Lizzie queimando um vestido azul·Depoimento contraditório de Lizzie
  • As teorias sobre a autoria dos crimes e a vida de Lizzie após a absolviçãoTeoria do dinheiro como motivação·Teoria do controle e falta de autonomia·Suspeitas sobre a empregada Bridget Sullivan·Lizzie muda de nome e compra mansão
  • O legado de Lizzie Borden na cultura pop e o mistério não resolvidoLizzie Borden na cultura pop·História vira balé, ópera e filmes·A casa dos assassinatos como pousada e museu·O mistério do crime perfeito
Transcrição7 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

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ABAnita Borges

Na manhã dia 4 de agosto de 1892, em Fall River, nos Estados Unidos, um dos homens mais ricos da cidade foi encontrado morto no sofá da própria sala. O rosto dele tinha sido destruído por 11 golpes de machadinho enquanto ele dormia. No andar de cima, no quarto de hóspedes, a esposa dele estava caída no chão havia mais de uma hora. E dentro daquela casa, na hora dos dois assassinatos, tinha uma pessoa só: Lizzie Borden. Lizzie foi presa, julgada e absolvida, e ninguém nunca mais foi acusado.

Mesmo assim, 130 anos depois, o mundo inteiro nunca esqueceu o nome dela. No vídeo de hoje, nós vamos te contar tudo sobre o crime mais famoso da história americana. Foi a Lizzie que matou o pai e a madrasta? E se não foi ela, quem foi? Eu sou Anitta Borges e seja muito bem-vindo a mais um Arquivos Proibidos. A casa ficava no número 92 da Second Street, em Fall River, no estado de Massachusetts. 5 pessoas moravam ali dentro. Andrew Borden, 69 anos, dono da casa e um dos homens mais ricos da cidade.

Abby Borden, 64 anos, esposa dele e madrasta das filhas. Lizzie Borden, 32 anos, a filha mais nova. Bridget Sullivan, a empregada irlandesa de 26 anos, que todo mundo na casa chamava de Maggie. E John Morse, tio das meninas por parte da primeira esposa do Andrew, que tinha dormido lá naquela noite. A irmã mais velha, Emma, estava viajando visitando amigos em outra cidade. Depois do café da manhã, o tio John saiu para resolver assuntos na cidade.

Andrew saiu logo em seguida para fazer a ronda dele nos bancos e nas lojas que possuía. Então ficaram em casa: Abby, Lizzie, e a empregada. Por volta das 9 horas da manhã, Hebe subiu para arrumar a cama do quarto de hóspedes e ela nunca mais desceu. Alguém entrou naquele quarto atrás dela e atingiu a cabeça dela com uma machadinha. Hebe caiu de bruços entre a cama e a cômoda e continuou sendo golpeada no chão. No total, foram por volta de 18 ou 19 golpes.

E a morte foi imediata. O corpo ficou ali no andar de cima em silêncio. Enquanto isso, a vida na casa continuou normalmente. Bridget lavava as janelas do lado de fora, Lizzie circulava pela casa e ninguém, segundo os dois depoimentos, ouviu absolutamente nada. Por volta das 10:45 da manhã, Andrew Borden voltou para casa. Ele estava cansado, tirou os sapatos e se deitou no sofá da sala de estar pra tirar um cochilo. Bridget tinha subido para o quarto dela no sótão pra descansar alguns minutos.

Por volta das 11 horas da manhã, Andrew foi atingido 11 vezes no rosto e na cabeça enquanto dormia. Ele nem chegou a acordar. Poucos minutos depois, Bridget ouviu Lizzy gritando lá de baixo: Maggie, desce rápido! O pai morreu! Alguém entrou aqui e matou ele! E é aqui que tá a parte mais perturbadora dessa história. Entre a morte da Abby e a morte do Andrew se passou mais ou menos 1 hora e meia. Ou seja, quem matou aquelas duas pessoas não fugiu depois do primeiro assassinato.

Ficou dentro daquela casa, com o corpo esfriando no andar de cima, esperando o Andrew voltar pra casa e dormir. Das duas pessoas que estavam dentro daquela casa o tempo inteiro Uma delas era a filha do homem morto. Lizzie Andrew Borden nasceu no dia 19 de julho de 1860, em Fall River. Sim, o seu nome do meio era assim, em homenagem ao seu pai. E isso, tá, diz muita coisa sobre a casa em que ela cresceu. Sarah, sua mãe biológica, morreu em 1863, quando Lizzie tinha 2 anos e a irmã Emma tinha 12.

Emma prometeu pra mãe, no leito de morte, que cuidaria da irmã caçula. E cumpriu isso pro resto da vida. 2 anos depois do falecimento da Sarah, Andrew se casou de novo, com Abbie Durfee Gray. Quando Lizzie tinha 5 anos e Emma, 15. Abbie nunca acolheu aquelas meninas. Tanto é que a Lizzie chamava ela de Senhora Borden. E chegou a declarar isso oficialmente durante a investigação, quando perguntaram sobre a relação delas. Pra Lizzie, a Abby era a esposa do pai e nada mais além disso.

O pai, Andrew Jackson Bordion, era um homem que tinha construído tudo do zero. Começou vendendo imóveis e serviços funerários. Foi juntando dinheiro, comprando imóveis, alugando propriedades. E virou diretor e presidente de banco. Na época da morte, o patrimônio dele passava de 300 mil dólares. O que hoje daria vários milhões de dólares. E mesmo com todo esse dinheiro, ele era famoso na cidade por ser extremamente avarento. Sabe um dos 7 pecados capitais?

Pois é. Já a Alice tinha uma vida pública impecável. Ela era professora da escola dominical da Igreja Congregacional Central, trabalhava com filhos de imigrantes, era secretária e tesoureira de uma sociedade cristã de jovens, participava da Liga das Mulheres pela Temperança e de uma missão de caridade que distribuía frutas e flores para famílias pobres. Era exatamente o tipo de mulher que a sociedade da época apontava como exemplo.

Só que a vida particular dela era outra coisa. Aos 32 anos, Lizzie Borden era solteira, não tinha profissão, não tinha renda própria nem autonomia, e continuava morando na casa do pai, dependendo da mesada que ele decidia dar. Ela não tinha pra onde ir e não tinha como sair daquilo. Mas tudo isso fazia parte da época e também da sua criação. Fall River, em 1892, era uma cidade de fábricas de tecido. Tinha por volta de 74 mil habitantes, uma multidão de imigrantes irlandeses, portugueses e franco-canadenses trabalhando nos teares.

E pequenos grupos de famílias ricas que mandavam em tudo isso. O sobrenome Bordion era um dos mais poderosos da cidade. Só que o Andrew Bordion não vivia como um homem rico. As famílias ricas de Fall River moravam num bairro alto chamado The Hill. Em casas grandes, com iluminação a gás e banheiro dentro de casa. O Andrew, com todo o dinheiro que tinha, escolheu continuar morando na Second Street, perto do centro comercial, numa casa estreita que tinha sido feita originalmente pra duas famílias.

Aquela casa não tinha banheiro interno, não tinha água quente, a iluminação era à base de lampiões e principalmente não tinha corredores. Cada cômodo dava direto no outro cômodo. Então, para você chegar em qualquer lugar da casa, tinha que atravessar o quarto de alguém. Para as filhas, isso era humilhante, porque elas sabiam exatamente o que tipo de casa as moças da mesma classe social que elas tinham, e elas sabiam que o pai podia pagar por isso 10 vezes mais, só que ele simplesmente gente não queria.

E tinha outra coisa sinistra naquela casa: todas as portas internas viviam trancadas. O quarto das irmãs tinha uma porta que dava direto no quarto do pai e da madrasta, e essa porta ficava trancada e emperrada dos dois lados, com móveis na frente. A porta da frente da casa tinha 3 fechaduras diferentes, e o motivo oficial disso era porque tinha acontecido um assalto lá em 1891, um ano antes dos assassinatos. Alguém entrou na casa durante o dia, arrombou a porta do quarto da Aby, levou joias, dinheiro e um relógio.

Só que quando a polícia foi investigar, não tinha arrombamento externo, do lado de fora. Ou seja, como que alguém de fora arrombou a porta pra roubar alguma coisa? Então o Andrew mandou a polícia arquivar o caso rapidinho. Muita gente até hoje acredita que ele suspeitava da própria filha. E os atritos não pararam por aí, tá? Em 1887, Andrew comprou uma casa e a transferiu pra meia-irmã da Abe. As filhas ficaram furiosas, porque entenderam aquilo como o dinheiro da família escorrendo pro lado da madrasta.

Elas exigiram uma compensação e acabaram recebendo um imóvel pra alugar. Que depois venderam de volta pro pai, por muito pouco, assim. Por volta, acho que de $5.000. Porque não conseguiram bancar ali. E a partir daí... As irmãs passaram a fazer as refeições em horários diferentes do pai e da madrasta para eles não comerem juntos. Em maio de 1892, 3 meses antes dos assassinatos, aconteceu outro episódio sinistro. Lizzie criava pombos no celeiro do quintal e uns garotos começaram a invadir o terreno para caçar essas aves.

E o Andrew, para resolver o problema, fez algo totalmente impensável: ele simplesmente matou todos os pombos da filha com uma machadinha. E tem um outro detalhe que só ganhou peso depois da investigação. Na semana antes do crime, a família inteira passou muito mal, vomitando, dor forte. A Hebe chegou a procurar um médico vizinho de madrugada, dizendo que achava que eles estavam sendo envenenados. O médico acabou atribuindo tudo isso à comida estragada.

Porque ali naquela casa era comum guardar carne por dias. Sem refrigeração adequada. Agora junta tudo isso, uma vida saudável e feliz é que não ia sair de tudo isso, né? No dia 3 de agosto, numa quarta-feira, Lisa entrou numa farmácia de Fall River e pediu ácido prússico, que é basicamente cianeto, veneno. Ela disse que era para limpar uma capa de pele de foca. O farmacêutico Eli Bense respondeu que aquilo só era vendido com receita médica E negou a venda.

Só que ele nunca esqueceu esse pedido, porque ninguém limpa roupa com esse veneno. Na mesma noite, Lizzie foi até a casa de uma amiga chamada Alice Russell e disse uma coisa estranha. Ela falou que estava com um mau pressentimento, que o pai tinha inimigos na cidade, que ela achava que alguma coisa ruim ia acontecer com a família e que tinha medo de alguém colocar fogo na casa. Alice tentou acalmá-la e a mandou dormir. Nesse mesmo dia, o tio John chegou para uma visita e dormiu lá na casa.

Ele ficou hospedado exatamente no quarto de hóspedes, o mesmo quarto onde Abby seria assassinada na manhã seguinte. Chegando amanhã do dia 4 de agosto, o café da manhã foi servido por volta das 7 horas. Comeram sopa de carneiro, carneiro frito, pão, bolachas e café. A gente fica meio assim, né, com esse café da manhã. Tava muito calor, quase 40 graus naquele dia. E por volta das 8:45, o tio John saiu para visitar parentes. Pouco depois das 9, Andrew, o pai, saiu para fazer uma ronda diária que ele fazia pelos bancos e imóveis do centro que ele tinha.

Por volta das 9:30, Aby subiu para arrumar a cama do quarto de hóspedes e ela acabou ficando ali. Ela foi atacada com cerca de 18 ou 19 golpes de machadinha e morreu na hora. A maioria dos golpes foram feitos quando ela já tava caída no chão de bruços. Bridget, a empregada, tava do lado de fora, lavando a janela. Lizzy disse depois que estava passando lenços na cozinha. E nenhuma das duas ouviu o barulho da queda, grito ou luta.

Por volta das 10:45 da manhã, Andrew voltou pra casa e teve dificuldade com a fechadura da porta da frente, que tava trancada com as 3 travas. Bridget foi abrir e, irritada, soltou um palavrão. E isso é um ponto importante, porque a Bridget disse que depois que ela falou isso, ela ouviu a Lizzy rir logo em seguida. E que essa risada vinha de cima da escada. Quando entrou, Andrew perguntou pela esposa. Lizzy respondeu que Aby tinha recebido um bilhete avisando que uma amiga tava doente e tinha saído pra visitar essa amiga.

Só que não era verdade esse bilhete, porque ele nunca foi encontrado. A Abby já tava morta no andar de cima há mais de uma hora, sem ninguém saber. Andrew tirou os sapatos, se deitou no sofá da sala e dormiu. Bridget também subiu pro quarto dela, no sótão, pra descansar. Por volta das 11 horas da manhã, Andrew Borden levou 11 golpes fortíssimos no rosto enquanto dormia. Ele nem chegou a acordar pra reagir. Poucos minutos depois, Lizzie chamou Bridget aos berros.

E enquanto Bridget corria pra buscar o médico e a vizinha, Adele Churchill, alguém perguntou pela Abbie. Lizzie disse que achava ter ouvido a madrasta chegar em casa. Só que quando Bridget e a vizinha subiram a escada, já no meio dos degraus, elas conseguiram ver o corpo da Abbie caído no chão do quarto de hóspedes. A polícia revistou a casa e encontrou no porão a cabeça de uma machadinha sem cabo, coberta de cinza e poeira. O cabo tinha sido quebrado recentemente.

Mas nunca ficou provado que aquela era a arma do crime. Mas era o objeto mais compatível com os ferimentos. Outra coisa é que nenhuma roupa manchada de sangue foi encontrada. Lizzy disse que na hora da morte do pai, ela tava no celeiro procurando chumbadas pra uma pescaria. Os policiais subiram lá e encontraram uma camada de poeira intacta no chão, sem nenhum sinal de pegada. Ou seja, ninguém pisou ali. E outra, a temperatura daquele sótão fechado em pleno verão passava fácil dos 50 graus.

Era muito quente para alguém ficar lá dentro por 20 minutos. 3 dias depois do crime, Alice Russell entrou na cozinha e viu Lizzie queimando um vestido azul no fogão. Ela perguntou o que era aquilo e Lizzie respondeu que o vestido estava manchado de tinta e não servia mais. Meio suspeito. Mas Alice ficou calada por um tempo. Só que ela acabou contando isso para as autoridades semanas depois. E esse foi o depoimento mais devastador contra a Lizy.

No inquérito, ela foi depor sem advogado e sob efeito de morfina receitada pelo médico da família pra conseguir se acalmar, pra você ter uma ideia. E as respostas dela foram confusas e cheias de contradições. Ela mudou a versão várias vezes sobre onde tava e o que tava fazendo e a que horas. Mas no dia 11 de agosto de 1892, Lizzie Borden foi presa. O julgamento começou no dia 5 de junho de 1893, na cidade vizinha de New Bedford.

E virou o maior espetáculo midiático dos Estados Unidos até então. Jornalistas do país inteiro tavam indo pra cidade pra cobrir tudo isso. A defesa dela era comandada por George Robinson, ex-governador de Massachusetts. Só que dois golpes decisivos aconteceram antes mesmo dos argumentos finais. O primeiro foi que o tribunal decidiu que o depoimento contraditório do inquérito não poderia ser usado porque ela tinha falado sem advogado.

E segundo, o tribunal também barrou o depoimento do farmacêutico sobre a tentativa de compra do veneno Alegando que não tinha nenhuma ligação direta com os assassinatos. Em um dos momentos mais chocantes do julgamento, a acusação apresentou os crânios das vítimas na sala do tribunal. E a Lizzie desmaiou. No dia 20 de junho de 1893, 12 homens se retiraram para deliberar. E eles voltaram pouco mais de uma hora com a decisão fechada logo de cara.

Lizzie foi declarada inocente. O caso nunca foi reaberto e ninguém mais foi acusado. E a pergunta que sobrou é: se foi ela, por quê? O que existe na verdade são teorias. A primeira teoria, e a mais forte, é a teoria do dinheiro. Andrew Borden morreu com patrimônio que passava de $300 mil e não deixou testamento registrado. Com a morte dele, tudo foi para as duas filhas, E tinha um detalhe muito importante. Pela lei da época, se o Andrew morresse primeiro e a Abby depois, uma parte considerável da herança passaria para Abby e depois para os parentes dela.

Então, nesse caso, a Abby morreu primeiro e isso garantiu que absolutamente nada saísse das irmãs Borden. Existia ainda o boato que circulava na cidade de que Andrew estaria pensando em fazer um testamento favorecendo esposa. Só que nunca foi provado que esse documento existiu. A segunda teoria é o controle. Eram duas mulheres adultas, uma com 32 e outra com 41 anos, moravam numa casa sem privacidade, dependendo financeiramente de um homem que tinha dinheiro de sobra e se recusava a gastar.

Não podiam receber visitas direito, não podiam se mudar, não podiam decidir nada. A única forma de uma mulher daquela classe sair daquela situação era pelo casamento Ou pela herança. E a Lizzie não tinha nenhum pretendente. Fora o episódio dos pombos, que seu pai matou todos com uma machadinha. Isso não é motivo de assassinato duplo. Mas mostra o tipo de relação que existia ali dentro daquela casa. E se não foi ela, quem que foi?

A empregada, a Bridget Sullivan, tava na casa o tempo todo. Ela tinha passado mal na noite anterior. E mesmo doente, com quase 40 graus lá fora, ela foi obrigada pela Abbie a lavar todas as janelas da casa. Circulavam histórias de que ela teria confessado o crime no leito de morte. Mas nenhuma dessas histórias jamais foi comprovada. E existe até a teoria da Ema. A irmã mais velha estava a 20 km de distância. Mas um autor sustentou que ela poderia ter voltado, cometido os crimes e retornado no mesmo dia.

Só que também isso nunca teve prova nenhuma. O que sustenta a suspeita sobre a Lizzie não é uma prova isolada. É o conjunto de várias coisas. A tentativa de comprar o veneno, o bilhete da amiga doente que nunca existiu, a risada no alto da escada, a versão do celeiro que não se sustenta, o vestido queimado 3 dias depois e as contradições no inquérito. E o que sustenta ela ter sido declarada inocente também é forte, porque nenhuma roupa com sangue foi encontrada, nenhuma arma foi comprovada e não tinha nenhuma testemunha ocular.

O júri não conseguiu enxergar aquela mulher segurando uma machadinha e cometendo o crime que aconteceu. Com a absolvição, as irmãs Borden receberam a herança inteira do pai. E a primeira coisa que elas fizeram foi exatamente aquilo que ele nunca quis fazer: gastar o dinheiro. Elas venderam a casa da Second Street, onde aconteceram os assassinatos, e compraram uma mansão de 14 cômodos na French Street, dentro do bairro The Hill.

Aquele bairro rico que o pai tinha se recusado a morar a vida inteira. Lizzie também acabou mudando o seu próprio nome e passou a se apresentar como Elizabeth A. Borden. Só que o dinheiro não comprou a única coisa que ela queria de volta, que era a vida normal. A cidade, a população, nunca acreditou na inocência da Lizzie Borden. Culparam a mulher até o final da vida dela. E ainda tinha aquela musiquinha que as crianças ficavam cantando, que viralizou na época e até hoje.

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ABAnita Borges

Então ela era uma mulher rica, jovem e completamente só sozinha ali na própria cidade. Em 1897, 4 anos depois do julgamento, o nome dela voltou a circular nos jornais porque ela foi acusada de furtar 2 pinturas em porcelana numa loja de Providence, no estado vizinho. O caso foi resolvido em silêncio e nunca virou processo. Só que pra cidade, isso foi mais uma confirmação de tudo que eles já acreditavam. Por volta de 1904, ela conheceu a atriz Nancy O'Neill e as duas ficaram muito próximas.

Lizzie passou a frequentar o mundo do teatro, bancou temporadas da atriz. E chegou a receber a companhia teatral inteira numa festa dentro da sua mansão. E foi aí que a última relação que sobrava na vida da Lizzie se rompeu. Porque a Emma simplesmente arrumou as suas malas em 1905 e saiu da mansão. E as duas nunca mais se falaram. Nem por carta, nem por telefone, nem por nada. Nem enterro de parente, nada! Lizzie ficou na mansão sozinha, com os empregados e os animais.

E foi assim que ela ficou praticamente isolada os seus últimos 20 anos de vida. Em 1926, ela precisou operar a vesícula e se internou com o nome de Lisbeth Borden para tentar não chamar atenção. Mas a imprensa descobriu mesmo assim. No dia 1º de junho de 1927, Lizzie acabou falecendo em casa, vítima de pneumonia, aos 66 anos de idade. Seu enterro foi quase em segredo e ela deixou ordens às pressas pra não ter cerimônia pública.

E a cidade só soube disso depois do sepultamento. Seu último pedido foi o mais surpreendente de todos. Ela exigiu ser enterrada aos pés do pai. E sabe o que é o mais bizarro? 9 dias depois, no dia 10 de junho de 1927, a sua irmã Emma faleceu em New Hampshire por complicações de uma queda. As duas não se falavam há 22 anos e acabaram morrendo na mesma semana. E a Emma foi enterrada do lado da Lizzie. Hoje, as duas estão lá no jazigo da família, junto com Andrew e Abe.

No testamento, Lizzie Borden doou $30 mil para a Liga de Resgate Animal da cidade. E deixou uma quantia reservada para cuidar do túmulo do pai pra sempre. E as pessoas começaram a ficar tão fascinadas por esse crime que a Lizzie Borden entrou pra cultura pop. Começou com aquela rima que a criançada cantava pulando corda e brincando. Em 1948, a história acabou virando balé. Em 65, virou ópera. Em 75, virou um filme de televisão estrelado pela Elizabeth Montgomery, que anos depois descobriu que era parente distante da própria Lizzie Borden.

Em 2014, a Christina Ricci fez o papel da Lizzie num filme que virou uma série no ano seguinte. Em 2018, a Chloë Sevigny interpretou a Lizzie ao lado da Kristen Stewart, numa versão em que aposta na teoria de um relacionamento entre a patroa e a empregada. E, gente, fora vários livros, músicas, podcasts, documentários e jogos. Só que o pedaço mais estranho dessa história toda é a casa. Porque o lugar onde Andrew e Abby foram assassinados hoje funciona como uma pousada e museu.

E mesmo mais de 130 anos depois, essa história continua viva porque ela nunca foi resolvida. Você acha que a Lizzie Borden matou o pai e a madrasta? Ou ela foi condenada a vida inteira por um crime que não cometeu? Deixa aqui nos comentários e a gente se vê na semana que vem. Mas se você quiser não aguentar semana que vem, é só clicar aqui embaixo no canal Muita Brisa. Beijos e te espero lá!

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