1935 - ED MOTTA
ED MOTTA é cantor e compositor. Ele vai bater um papo sobre sua carreira, a fama, suas coleções de discos. O Vilela já assistiu a um show do Beethoven.
- A paixão de Ed Motta por quadrinhos e suas diferentes escolasHQ Aplausos e Enigmas·PH Tirre·Manuel Magalhães·Osamu Tezuka·Tintim·Linha clara
- O início da carreira musical de Ed Motta e a transição do rock para o soul funkRock in Rio 1985·Jeff Beck·Blow by Blow·Tim Maia·Conexão Japeri
- O retorno de Ed Motta à música em português e a polêmica do 'cancelamento'Novo disco em português·Shows na Europa·Cancelamento·Taxa de rolha·Música em inglês
- A influência de séries policiais e filmes clássicos na formação cultural de Ed MottaFantomas·Barreta·Columbo·Kojak·Scarface original·Howard Hawks
- A decisão de Ed Motta de seguir carreira solo e a busca por controle criativoConexão Japeri·Autonomia artística·Produção musical
- A experiência de Ed Motta morando em Nova York e Berlim e sua relação com shows ao vivoNova York·Berlim·Qualidade de som em shows·Estúdio de gravação
Olá, terráqueos, como é que vocês estão? Eu sou Rogério Vileira, tá começando mais um Inteligência Limitada, o programa onde a limitação da inteligência acontece somente por parte do apresentador que vos fala. Sempre trago pessoas mais inteligentes, mais interessantes, com a vida muito, muito, muito, muito Mas muito mais musical do que a minha, do que a sua nem tanto, mas muito mais do que a minha, porque você também é músico, né?
É verdade, gostava de música americana, ia pro baile dançar todo fim de semana.
Ó, você vê, Lenny ficou preparado aí, hein?
Sou fã, sou fã, sou fã também, cara.
A gente vai conversar sobre isso, fez parte da nossa adolescência, né?
Total, total.
Somos mais ou menos da mesma geração.
Dançava muito bailezinho do bairro ali com as músicas dele.
Exato, dançando igualzinho todo mundo, aquela parada, né, cara? Como que vai ser a participação hoje? Amanhã é um dia especial, né?
Então, se você não é membro ainda do canal, torne-se membro, porque você fica sabendo antecipadamente dessas lives especiais. E aí você pode mandar sua pergunta antes. Então já se inscreve no canal, já deixa o seu like, né? Já compartilha também o link dessa live aí com quem você quiser, o seu amigo, seu inimigo, enfim. E senta aí, porque hoje a resenha é boa.
Exatamente. Então já dá like. Essa é uma live que tá acontecendo segunda-feira e a gente tá soltando na Na quinta, né? Na quinta. Então você está assistindo na quinta. Então só para dizer para você que é o primeiro podcast que ele participa.
Exatamente, nós somos o primeiro.
Nós somos o primeiro.
Primeiro na vida.
Ed, pô, obrigado demais, cara, você ter aceitado aqui vir aqui dar o seu tempo, contar suas histórias. E eu quero meu presente inútil, que eu tô vendo que você não entendeu. Você trouxe um presente útil.
Esse negócio tá lindo, cara.
Esse negócio tá lindo, velho.
Que é a HQ.
Olha isso, mano.
Que eu sou um personagem. A HQ Aplausos e Enigmas, feita pelo, pelo PH Tirre, o roteiro de PH Tirre com Manuel Magalhães e desenhos de Manuel Magalhães. Cara, é uma aventura, é uma aventura de um músico que é detetive também.
Ah, tem um pique meio noir assim, noir total.
É um músico, é um detetive carioca que viaja para Londres e começam a acontecer crimes inexplicáveis nos shows. E ele começa, e ele tá no meio do detetive.
Que legal!
O PH e o Manuel que fizeram um roteiro. E eu sou fã de quadrinhos.
Tem uma câmera, tem uma câmera em cima, a galera tá vendo.
Sou louco por quadrinhos.
Você consome de tudo? É mais europeu? Porque esse daqui é uma linha clara europeia.
Mas eu gosto de europeu, gosto de japoneses também, quadrinho belga. E Osamu Tezuka, eu adoro.
Você gosta também?
Eu adoro Osamu Tezuka. E gosto dos norte-americanos, mas das graphic novels, né, coisa mais artística, né? Chris Ware, Jason Lutes, e o pessoal antigo de Gasoline Alley. Poxa, tanta coisa! Milton Kenneth, né?
Mas você lia Love and Rockets, essas coisas assim mais, mais indies?
Algumas coisas. Love and Rockets, sim. Acho que é da Fantagraphics, né? Ah, não lembro a editora. Acho que é deles, é do Jaime Hernandes, né?
Eu acho que depois vê aí, ele coloca na tela pra gente aí. Mas tinha uma coisa muito boa, né? Anos 80, anos 90 foi lançado muita coisa, foi uma revolução, né?
Aqui no Brasil, cara, nos anos 80 foi muito forte isso, foi quando eu comecei, eu gostava.
Teve aquela uma coisa mais underground, né, com Chiclete com Banana, Laércio. Aí depois tinha a Circo, revista Circo, que era uma junção de vários artistas, né? Era o Adão, Adão, e cada um depois foi com seu quadrinho. Piratas do GT, exato. Aline.
Aí tinha a revista Animal, não sei se você lembra.
Claro que eu lembro, cara, que publicava quadrinho europeu, né? Tinha coisas Coisas que hoje seriam proibidas, né, cara? Xerox, né? Pô, era pesada a parada.
Tamborini Liberatório, é do Jaime Hernandes, é ele mesmo. O desenho bem característico, o lettering, né? Maravilhoso, né?
O lettering na época que era feito à mão, hoje em dia já é computador, né?
Lembra esse lettering aqui? É mesmo, cara, lembra o lettering da capa do Corta para Cá. Aí, que é um lettering de escola franco-belga, né? Total, franco-belga total, escola franco-belga, que é uma coisa forte, a linha clara, né? Chamada linha clara. O Manuel é um cara especializado nisso, e o PH, roteirista, é um, ele faz um programa de YouTube que chama Eurocômics, e ele é um colecionador barra pesada de quadrinhos europeus, né?
É porque o pessoal não entende que o quadrinho europeu é outra parada, é um autor. O cara fica o ano inteiro trabalhando naquela, naquele quadrinho. Não é o formato industrial americano que um faz lápis, outro faz arte final, outro faz cor, outro faz o desenho, é outro só faz o letramento, outro não sei o quê. Lá não, os caras às vezes normalmente eles fazem tudo, né?
Fazem tudo. Tem coisa que muda, por exemplo, o Tintim, o Blake Mortimer. Aí sim, tem colorista, né? Tem, tem, tem gente só para fazer o fundo, tem gente só para desenhar o fundo no tintim.
E o mangá também é assim, né? Tipo, tem um cara só especializado em fundo, outro cara só em hachuras para dar movimento.
Caralho, sou louco pelo Osamu Tezuka, é muito bom, né?
E alguma coisa aí, Eleni?
E o Yoshihiro Tatsumi, Yoshihiro Tatsumi, que faz umas histórias dark assim, faz umas histórias densas, tristes, né, pesadas, são psicológicas.
Já vi algumas transformadas em animação, fica bem bizarro.
E o próprio Os Homens Tezucas, os roteiros são muito diferentes, né, cara.
E é estranho, né, é legal porque cada escola tem uma, ó lá, cada escola tem um.
Esse é o Astro Boy, né, é a princesa e o cavaleiro lá atrás. São as histórias infantis dele. Mas tem, depois tenta achar Osamu Tezuka MW, MW, que é maravilhoso, que são os álbuns adultos dele.
O Akira na época também foi muito bom.
Esqueci o nome do cara do Akira.
Fala o nome do cara do Akira aí, Lenny, você que é especialista.
Também fugiu.
Katsuhiro Otomo, não é? Katsuhiro Otomo, você não lembra?
Vê aí.
Putz, a animação do Akira, quando eu vi no cinema Tudo feito à mão, aquele capricho, cara, aquilo me impressionou. E eu fui com uma garota que dormiu, cara, nunca mais saí com ela. Dormir no Akira, esse é o que ele falou.
Esse é um MW, isso é uma obra-prima, cara, isso é uma obra-prima, bicho.
Qual que é a história, você lembra?
A história é uma história polêmica.
Ah, é?
É de um padre que tem um comportamento completamente obscuro.
É, é uma, ele tratava de temas, ele tratava de temas muito polêmicos, né?
Delicadíssimos, né? MW, essa daí, tá muito legal.
Você achou o Akira aí?
Vou procurar agora.
E tua paixão de quadrinho desde criança, não começou, cara, com quando eu tive um sarampo com 7 anos de idade, que caiu na sua mão, caiu o Tintim. Então, mas você não passou pelo Turma da Mônica ou Disney antes? Não, não, cara, já foi direto para o Tintim?
Fui direto para o Tintim. Eu não gostava. Eu passei primeiro pelo Recruta Zero, porque o Recruta Zero, ele, ele tem um tempo só em formato de tiro, tinha história longa dele, tinha história longa, tinha história longa do Recruta Zero na banca. Mas o traço do Recruta Zero, assim como o desenho do Mr.
Magu, que eu adorava, Meio parecido, né?
É parecido e é um pouco europeu. E eu não sabia disso, não tinha essa escolha, né? Mas eu não, eu não, não foi, não foi pelo quadrinho nacional da época da minha infância e não foi por Marvel, DC, nada disso, né? Foi, foi outra coisa mesmo. É o Recruta Zero. Você vê que tem no traço alguma coisa da, da do elemento da chamada Escola Marcinelli, que é a Escola Marcinelli, que é do Espirro, Espirro e Fantásio, várias coisas. Espirro é muito legal. Espirro, como escreve? Espirro e Fantásio.
Espirro, deixa eu ver qual que é esse.
Espirro e Fantásio é do Francan, do Francan.
É, você já foi em Anguleme lá?
Já, já, já, já, já, já, já.
Eu fui, mas não consegui durante a feira de Anguleme. Você foi na feira de Anguleme de quadrinho?
Não, não, não fui. Eu fui tocar em Lucca, né?
Lucca tem uma feira grande também, Anguleme.
A cidade para, assim, é famosa. Mas eu fui tocar ali perto, fui tocar no sudoeste francês e fui tocar em Anguleme também. Fui tocar em vários lugares, fui tocar.
Como os cara dão valor, né, cara, para quadrinho aqui ainda. Ainda a galera associa coisa mais boba, né?
Tem associação tanto Esse inspirou, isso inspirou.
Isso é lindo, olha que coisa linda! Parece mesmo, cara.
É, isso é meio Martinelli, escola Martinelli, né? Olha o lettering lá mais uma vez, o lettering parece com o lettering do Jaime Hernandes, é o lettering clássico, verdade, verdade, desse tipo de aventura, né? Isso, cara, tinha uma loja aqui em São Paulo Chamava Muito Prazer.
Lembro, tive muito lá.
Poxa vida, cara, eu chegava em São Paulo, eu deixava a mala no hotel e eu ia direto para lá, que era Ipiranga com a São João, né?
Que tempo bom, cara. Essa loja era inacreditável, cara.
Essa loja foi a melhor loja que eu entrei talvez no mundo, cara. É, era assim, tinha o que tinha de opção nessa loja.
Tinha Devir também, que ficava na Aclimação.
Devir foi bem depois.
É bem depois, né?
Bem depois.
Muito Prazer é mais antigo então?
É, Muito Prazer é bem anterior, não existia Devir ainda.
Tinha um na Ibirapuera talvez também, um tempo depois. Eu frequentava todas essas, que na época não chamava comic shop, né, mas era loja de quadrinho, né?
Loja de quadrinho.
Você ia garimpar as coisas. E aí depois de Tintim você foi mergulhando, foi atrás de mais coisa?
Não, não, eu fiquei bastante tempo no Tintim. Metal Rulante, eu não, assim, aí depois eu comprei, mas eu fui conhecer e começar a comprar quadrinhos nos anos 80, foi nos anos 80. Isso, quando esse negócio do Tintim foi nos anos 70, isso eu era criança, isso foi o quê, 1976, 77, por aí, 7 anos, é, foi quando eu comecei a ler os Tintim. O primeiro Tintim que eu li foi O Voo 714 para Sydney, né?
E eram umas aventuras muito, muito lindas, né?
Ele viajava o mundo, né? Você viajava o mundo, né? Era meio National Geographic, né? E aí, cara, isso tem uma influência na minha música, bicho. Tem mesmo uma coisa imensa, mas muito.
E como que é assim o visual transformado em musical, como que é?
É o visual, porque tem uma coisa nessa escola da linha clara que é o rigor. É, tem um rigor nisso e uma disciplina, e isso se reflete na minha música.
Esse rigor, e tem o que as pessoas não sabem, que é o lance da calha, que tem um andamento, né? Isso aqui você demora mais tempo, era aqui. Quando você começa a fazer quadrinhos do mesmo tamanho Você tá falando para o cara que isso daqui demora o mesmo tempo de leitura na teoria. Aí aqui você gasta um pouco mais, passa um tempo aqui, como a música, né? Ela tem uma variação de andamento. Às vezes você vê, explode, ó, aí vai para um tom vermelho, é um outro clima, cara. Então esse mesmo andamento tem no quadrinho também, né?
O ritmo, né? O ritmo, né?
E você faz parte da criação do quadrinho, né? Porque entre uma cena e outra você que completa, né?
Sim, sim, eu sou o personagem deles, né? A criação é deles, eu não criei, você não fez nada de história, nada, nada, nada, nada.
Que legal!
Eu sou só, eu sou personagem, sou um fã da escola que eles optaram em fazer, né? É uma coisa que veio de encontro mesmo, né? Porque eu coleciono quadrinhos há anos e justamente nesse estilo é o meu estilo favorito. Né?
Então, pô, você deve ter muita coisa lá então.
É, tem muita coisa, cara, muita coisa. Eu compro até hoje. É, eu compro até hoje. Hoje eu compro pela internet, né?
Claro, claro, compro pela internet, garimpando. Mas em viagem também você deve comprar?
Em viagem eu compro, mas não compro tanto porque viajo só para— eu nunca fiz uma viagem na minha vida que não tenha sido para fazer show.
Nunca passeio?
Nunca. Mas para nenhum lugar do mundo. Tá brincando? Mas nunca, nunca, nunca, nunca. Olha, Vamos corrigir isso. Eu já vim para São Paulo algumas vezes a passeio. Para São Paulo, poxa, mas para fora do país, eu vou te falar assim, quantas vezes eu vim para São Paulo a passeio? 3 vezes.
Mas você consegue, mesmo trabalhando, ter uns dias assim para curtir o lugar? Sim, porque pelo menos isso é o meu olhar para vida, né?
O meu olhar para vida é um olhar hedonista assim, um olhar de curtir as coisas, né? Então eu tô sempre aproveitando de alguma forma.
Isso que é bom, não perder esse olhar de turista, olhar curioso. Você tinha isso de criança já, um olhar curioso? Porque a arte meio que se encontra, né? Quadrinhos, música. Que mais você gostava? Coisas que eram depois séries, TV, você assistia também?
TV, eu via muita TV, né?
Eu sou da época que Fantomas, essas coisas.
Ah, sim, Fantomas adorava. E que era uma caveira com Alfinete gigante, né, cara? Zero, zero. Não, eu adorava.
O pessoal não sabe nem o que a gente tá falando, cara.
Fantomas. Eu tenho os Fantomas lá, inclusive, em DVD. Tenho, tenho, tenho. Eu comprei aqui na Liberdade.
Que legal!
Um cara que vendia Spectra Man, vendia Ultraman, Ultraseven.
E também era viciado.
Mas eu gostava mesmo é das séries policiais, né? Quais? Barreta, Columbo, Kojak, Kojak era o careca do pirulito, Starsky and Hutch.
O que tinha Cracatoa era o Barreta?
É, não, Cracatoa era o Barreta, era o Barreta, é, Cracatoa era o Barreta. Que mais?
Columbo é o que tinha o olho meio fechadinho.
Barnaby Jones, esse eu não lembro. Barnaby Jones passava na Bandeirantes.
Esse eu não lembro não.
Barnaby Jones era aos sábados. E que mais? É The Streets of San Francisco, As Ruas de San Francisco. Isso era o primeiro, primeiro papel do Michael Douglas.
O louco!
Michael Douglas começou no Streets of San Francisco. As trilhas também suaves.
Meu Deus!
É lindo, cara. Mort Stevens, o compositor. Swatch, o compositor.
Isso eu não lembro não, cara.
Esse é Barnaby Jones, maravilhoso.
Você lembra, Lenny?
Eu não lembro.
Esse também não. Tinha as séries policiais, tinha Os Faroestes, né?
Os Faroestes, Bonanza, Laredo.
Laredo, é que era família, aquela família lá que era boa noite, não sei o quê.
Família do Raimundo. Não tinha Família Dom Remy também, né?
Patriot Family, não, Família Adams é outra coisa.
Os Pioneiros, os Pioneiros, sim, que tinham entre eles o ator do Dallas, né?
Ah, isso já não lembro, mas tem uma memória boa.
É o ator do Dallas que fazia The Man from Atlantis, O Homem do Fundo do Mar. Era uma série, é o mesmo cara, é o mesmo cara, aquele de olho azul.
É verdade. É, quem nunca tentou nadar aqui naquele cara numa piscina, né?
O Homem do Fundo do Mar. Nada disso passa mais, né?
É, não passa. Tinha o Homem do Fundo do Mar, tinha Dini Eugênio nessa época.
Maravilhoso.
É, Terra de Gigantes.
Terra de Gigantes é também, se não me engano, produção do Quinn Martin, que é o mesmo cara do Fundo do Mar, do Barnaby Jones. É do Streets of San Francisco. Não, não é o Coen Martin, meu Deus, é um cara que é também diretor de filme, Irvin Allen. Lembrei agora, Irvin Allen é o cara que também fez Inferno na Torre. Putz, filmácio, hein, meu Deus! É o diretor de Perdidos no Espaço, Terra dos Gigantes. Nossa, Perdidos no Espaço, Perdidos no Espaço, Twilight Zone, como é que chama aquele do túnel do tempo? Túnel do Tempo.
Olha como tinha uma variedade de assunto, de tema, né? Com aqueles efeitos que os cara conseguiu fazer na época, né?
Eu só assisto essas séries ainda, eu não vejo série nova, eu não vejo nada de— eu nunca assisti uma série nova na minha vida. Eu vi uma, para não dizer que eu não vi nenhuma, porque eu sou fã do Guillermo del Toro.
Qual que você viu?
Que é o Gabinete de Curiosidades.
Ah, vi, vi, isso é um episódio incrível.
Achei incrível isso. Ela lembra o Night Gallery, a galeria do terror.
Episódios soltos assim, né? Eles não têm uma continuidade, né?
É legal, maravilhoso. Justamente o que eu gostei é por não ter essa história da continuidade.
São episódios fechados, tipo Twilight Zone, né?
Medonho. Uma série de 1 milhão, isso é espetacular.
É muito bom.
Isso é a melhor coisa da atualidade para mim, essa Gabinete de Curiosidades.
Eu acho que tá no Netflix, se eu não me engano.
Tá no Netflix, tá.
Cada história é uma—
é maravilhoso. Lembra muito a Galeria do Terror do— como chama ele, rapaz? O cara que fazia o Twilight Zone também, é Rod—
ah, eu não tenho essa memória não.
Rod Serling.
Você podia, é, o Lenny dá uma procurada aí.
Twilight Zone, Twilight Zone. Como é que é o nome do cara?
Produtor?
É o Rod Serling, o cara que fazia o texto, fazia tudo, apresentava. Ah, que apresentava, né? Tinha aquela narração que depois tinha uma outra versão do Twilight Zone que era feito pelo Jack Palance na Rede Manchete.
Mas aí era o Acredite Se Quiser, não é?
Não era esse mesmo, era Twilight Zone.
Não é o Rod Serling?
Ah, tá. Mas era o Jack Palance que apresentava também o Acredite Se Quiser?
Aí eu acho assim—
Dá uma olhada, você lembra disso, Lenny?
Lembro.
Acredite Se Quiser também fez história.
É verdade.
Como você vê essa parte? Você tem saudade? É uma coisa que você revisita para criar coisa? Como que é?
Cara, eu sou um nostálgico desde que eu me conheço por gente.
Isso é ruim, será?
Eu acho magnífico.
É porque não pode se tornar uma tristeza, né? Uma coisa de Eu queria estar lá ainda, tem que voltar, né?
Tem que voltar. Eu assim, tenho a tristeza, também tem uma beleza, a melancolia. Talvez a melancolia tem uma beleza, é bonito, que é diferente melancolia de tristeza. É como decadência, né? A decadência tem uma beleza, é bonito decadência, né?
Ela não é agradável, mas ela tem um drama, ela mostra o que a coisa já foi, já foi, e agora o que ela é. Exatamente, trazendo um pouquinho daquilo, é.
Então, cara, eu sou um nostálgico, por exemplo, não só com as séries de TV, mas por exemplo cinema, que é um outro interesse que depois da música é o meu maior interesse. É cinema muito, consumo doentemente, vejo 3 filmes por dia. Caramba, vejo 3 filmes por dia, mas absolutamente nada novo, nada.
Vai rever ou vai garimpando coisa antiga?
Garimpando coisas, descobrindo. Então, por exemplo, semana passada eu tava fazendo um ciclo lá em casa, eu e minha mulher, ciclo André de Taut, que é um diretor que fez milhões de coisas. André de Taut. Então eu tenho vários filmes do André de Taut.
Aí vamos ver tudo.
Aí você vai vendo vários André de Taut.
Isso que é legal, né? Você vai para filmografia do cara.
Jacques Tourneur. Aí vamos ver o Jacques Tourneur, tudo do Jacques Tourneur. O cinema que eu mais gosto é o cinema norte-americano dos anos 30 aos anos 50. Esse é, isso é, isso é o ápice do mundo para mim.
Por quê?
Que que tinha? Isso, os roteiros eram melhores, as falas, lugar de fala, né?
E passava o quê nessa época? Um certo otimismo? Que garoto!
Passava uma competência muito grande de as falas eram mais mais sofisticadas, os diálogos mais sofisticados, os roteiros mais sofisticados, mais inteligentes, mais intrincados, né, desse período. A era de ouro, eles chamam isso de Golden Era do cinema, na era de ouro do cinema dos anos 30 aos anos 50. Nos anos 60 já começou um cinema—
fala algum filme que é bem característico dessa época que você gosta, entre os 30 e 50.
Vou falar uma coisa bem, sei lá, Scarface, Scarface original, Scarface com Paul Muni da década de 30, dirigido pelo Howard Hawks.
Isso é obra-prima para mim.
O outro Scarface do Brian De Palma com Al Pacino é muito legal, mas não tem comparação para mim com o Scarface original do Paul Muni. É uma coisa de espetacular, é uma coisa incrível, né? Mas eu tô sempre assim, eu assisto, assisto alguma coisa nova, é muito raro, porque eu tenho, eu tenho em casa tudo, Prime, Netflix, essas coisas. Esse é o Sky Face original, olha só, esse é o Sky Face original, coisa mais linda. Olha a qualidade da foto, a densidade do negócio, tá entendendo?
Figurino, né, bem cuidado.
E os lenços, né? Os lenços, o lenço do cara do meio, o lenço Aquele lenço que cai, né? É, eu adoro tudo isso, né? Essas roupas todas, essa, essa, esse, esse tudo, né, cara? Assim, eu tenho. E a música da época também, a música dessa época, cara, a música dos anos 30 aos anos 50 é uma coisa esplendorosa, né? É de uma complexidade, né? Melodias, eu tenho Principalmente nos anos 30, melodias assim. Vou cantar uma música de 1932 agora.
Olha isso, cara, sabe? É muito isso. Ontem eu tava num restaurante, tocou isso, pô, cara. Aí eu falei com minha mulher, eu falei Puts, tá tocando Harlem Nocturne, versão ao vivo. Não, não, tava tocando no rádio do restaurante. Eu falei, Harlem Nocturne, quem tá tocando o sax? Illinois Jackets.
Falei, nome e sobrenome.
Eu falei, pô, eu falei, caramba, assim eu perco a fome, cara. É, você não consegue concentrar, né? Assim, pô, legal para caramba.
De uma época, imagino tua coleção de disco então, né?
Muita coisa disso, tem muita coisa. Muita coisa desse período.
Tua casa é onde? Tua base?
Minha base é no Rio.
E tá tudo lá?
Tá tudo lá no Rio de Janeiro. DVDs, disco, VHS que eu ainda tenho.
Você tem um cômodo para isso ou vários? Como que se espalha?
Eu tenho um apartamento que o apartamento é isso. O apartamento é minha coleção.
Você conheceu o Miranda ou não?
Sim, Miranda, grande amigo querido.
Você foi na casa dele?
Não, não fui na casa dele.
Cara, a casa dele era assim, o quarto dele era pilhas e pilhas de quadrinhos. Esse é para ler, esse eu comecei a ler, não sei o quê. A casa dele invadida com quadrinhos e discos, né?
Era um cara muito culto, muito legal, né, cara? Muita gente fina, muito inteligente.
Então você tem um espaço só para isso?
Para isso. Que os DVDs ficam na frente dos VHS, os DVDs e os Blu-ray.
Tem VHS também?
Tem muito VHS, cara.
Tem aparelho de VHS ainda?
Eu tenho aparelho de VHS ainda e tem vídeo laser, cara.
Você é um dos poucos que teve vídeo laser. Tem vídeo laser, negócio desse tamanho, né, cara? Mas eu comprei videolaser era show que tinha mais, não era?
Tinha show, mas tinha filme também.
Chegou a ter filme?
Eu não soube que tinha muito filme. Não, eu tenho, ó, vou citar uma coisa que eu gosto, que não é desse período dos anos 30, os anos 50, que é uma coisa extremamente popular, todo mundo adora, que é Star Wars. Sim, eu adoro Guerra nas Estrelas, sou obcecado por tudo ligado a Guerra nas Estrelas, e fico chateado quando criticam as coisas novas do Guerra nas Estrelas, porque eu adoro tudo.
As novas você gosta tudo?
A Zoca? Eu gosto de qualquer coisa. Se fala mal, eu fico Eu fico louco quando o Azoka não é tão legal. Amigo meu, fica quieto, deixa o cara fazer. Pera aí, pô, bicho, só de aparecer aquele lettering do Star Wars, a vida deu certo. Você viu?
Ele mostrou aí um— cadê o videolaser?
Ah, eu tirei aqui que eu ia procurar.
Não, tranquilo. Você viu Star Wars 1 no cinema? Eu vi o 1 no cinema com meu pai, cara. Eu vi o 2, o 2, O Império Contra-Ataca. Que coisa espetacular!
Eu lembro do 2, daquelas, aquelas, aquela cena na neve é o que ficou marcado, né?
Aquela neve, aquela neve marcou, aquela neve, a neve da minha vida, cara. Aquela neve do começo do, do, do Caçadores.
É depois disso, antes que Caçadores eu vi no cinema.
Caçadores da Arca Perdida é depois, acho que é depois. Harrison Ford, Azoka. Eu gostei de Azoka, eu tenho até bonequinha da Azoka.
Você consome muita coisa diferente, cara. Puts, dá para entender tua cabeça então agora, né, da música, né?
Eu tenho a bonequinha da Zoca porque nem sou tão ligado, mas os bonequinhos do Star Wars, como quando garoto no meu colégio tinha um menino, o Parker. Parker, não sei aonde que você tá, rapaz, no mundo, mas eu lembro de você sempre porque ele tinha um estojo, cara, com uma coleção de bonequinhos Star Wars, que era uma coisa avassaladoramente incrível. Puta, eu chegava em casa chorando, eu chegava em casa chorando. Pô, eu tenho que ter, eu quero não sei o quê.
E meu pai uma vez foi comigo comprar um, que já era bastante, claro, mas era caro, era caro, cara. Era numa loja na Rua Raimundo Corrêa, em Copacabana, no Rio, uma loja especializada em brinquedos importados. E eu tinha o Luke Skywalker e tinha o Han Solo original da Kenner. Mas eu tenho alguns ainda, tenho alguns, né? Não tenho tantos assim, mas tenho alguns.
Vamos falar então da tua linha temporal. Então você nasce no Rio?
É, nasci no Rio.
Como que é a tua infância? Você chegou a brincar na rua ou você já desde pequeno já foi para música, para essas coisas de quadrinho, no cara mais ficar em casa? Como que era?
É, eu nasci no apartamento, né? E sou um garoto de playground. Eu fui criado no playground, nunca fui para rua.
Não chegou a jogar bola com a galera?
Não, não, não, não. Sempre tive horror da rua. É terror da rua, sempre tive horror de qualquer experiência da rua.
Imagina a escola, você era, você tinha turma, você ficava mais isolado?
Eu era isolado, mas eu não era isolado um problema. Eu era um isolado por opção, por opção, e que criticava um pouco os gostos da maioria. Já tinha uma ruptura muito grande já com os coleguinhas brasileiros.
Os anos 80 era aquele Madonna, era isso, tava todo mundo ouvindo isso.
Por exemplo, eu passei a gostar de The Police muito mais velho, porque você tinha ranço na época. Eu tinha pavor do The Police, tanto que a galera ouvia, porque era coisa, era música de playboy. Porque quando fala playboy hoje em dia, o certo, né, por exemplo, aqui em São Paulo playboy é o cara com grana que tira uma onda e tal. No Rio de Janeiro playboy é o cara marinheiro meio surfista. Ah, é? É assim, isso é o playboy. O playboy não é um cara rico necessariamente, ele tem uma mentalidade de playboy, entende? E escutava depois de ir à praia e ouvir The Police.
Que mais além de que seria usado.
Eu sei porque quando eu comprei o Synchronicity, muito tempo depois comprou? Não, não, o Synchronicity eu comprei na época e eu achei incrível o disco. Eu achei incrível porque eu gostava do King Crimson já e já tinha o disco Red do King Crimson. E aí quando eu vi Miss Gradenko, que tá nesse disco, no Synchronicity, Eu achava que parecia o King Crimson. E eu comprei o Sincronicity escondido, fui comprar numa loja diferente da loja que eu comprava.
O cara não sabia que eu tava comprando aquilo. Fui numa loja totalmente diferente, ninguém podia me olhar escondendo, comprando, porque eu era o cara que criticava o The Police, que criticava a estética do negócio, né? Mas anos depois eu fui perceber a qualidade musical daquilo.
Mas então você não gostava do Michael Jackson porque todo mundo gostava?
Não, eu não gostava quando garoto. Não, não, não, eu fui gostar de Michael Jackson bem depois. Na época que Michael Jackson era sucesso, meio dos anos 80, 1983, meu negócio era Ozzy Osbourne, cara. Então meu negócio era Black Sabbath. Eu tinha pavor Michael Jackson. É, o Michael Jackson, o rei do pop, era coisa que eu fui gostar dele depois. Eu fui gostar bem depois, que aí você escutou com calma. Eu fui escutar e depois de ouvir soul music, de ouvir milhões de artistas de soul funk, não sei o quê, aí quando eu cheguei nele eu falei, ah tá, esse cara é um cara incrível de soul funk que estourou para o mundo inteiro, mas até hoje ele não é o meu.
Porque no Brasil ele é um negócio, né, que deu lacrada, Michael e tal, ele até hoje não é o meu artista, ele não tá entre os 3 mil artistas que eu mais gosto.
Ô louco, nem entre os 3 mil?
Não, não tá, cara. Eu gosto muito dele, acho ele maravilhoso, maravilhoso. Tenho todos os discos dele, eu achei um artista brilhante.
Por exemplo, você gosta mais, é, né?
Infinitamente mais. Ele tá entre os meus 3 mil.
Mas o Prince chegou a ser pop também, né? Tem uma fase bem famoso, né?
Prince fazia as coisas, né? O Michael Jackson, ele compunha uma música ou outra, ele não era um compositor, ele não era músico, né? Era dançarino, cantor incrível. Mas ninguém pensa nisso, né? Ninguém tá ligado nisso, né? Quem fez a música, quem não fez, quem sabe tocar piano, quem não sabe. Isso tá tudo bom. É, o Prince sabia, tinha café no, tinha, tinha café no bule, né? Era uma coisa, era música mesmo, né? Era um cara que tocava piano para caramba, tocava guitarra, baixo, bateria, tocava de tudo, né? Era o oposto, né, da proposta do Michael Jackson.
E aí teve uma briga, né, com a indústria fonográfica, lembra? Mudou, não era mais um nome, era um símbolo.
Ele era um cara que assim, eu fui gostar dele depois.
Ah, também foi depois?
Também depois, porque na época, nos anos 80 assim, bem no auge dele, não era uma coisa que eu, não é que eu não, não é que eu desgostava, mas aquilo não passava pelo meu interesse.
Entendi.
Eu tava ligado no rock dos anos 70, tava ligado em Ten Years After, Free, Humble Pie, Rory Gallagher, Johnny Winter. Led Zeppelin, Deep Purple, The Who, Black Sabbath. Eu achava esse som, o som pop comercial que tocava no rádio—
Primeiro Rock in Rio você foi?
Primeiro Rock in Rio fui para ver Whitesnake. Eu fui, 85. 85, é, eu fui. Eu tenho ingressinho classificado, classificado, eu classifiquei o ingresso e tenho.
Você deve ter pirado então, né, cara? Eu adorei palco daquele tamanho.
Eu adorei. Nossa, aquilo para mim, pô, eu tava lá naquela lama tudo tempo com 15, 14 anos por aí? Menos, menos, tinha menos, eu tinha menos, eu não lembro quantos anos eu tinha, porque com 15 foi quando eu gravei meu primeiro disco, Edmota e Conexão. Já peguei 15 anos, eu tinha 15 anos, eu tinha, não dá para entender, eu tinha uns, tinha por aí 13, 12, uma coisa assim.
Mas como, então vamos lá, você desde cedo já se encaminhou para música? Era uma coisa que você pensou, vou trabalhar com isso?
Era só, eu queria ser veterinário. O louco, eu queria ser. Como assim? Porque eu sempre fui louco por cachorro e nunca tive um cachorro na minha vida, rapaz. Até hoje não tive, porque mora em apartamento, eu não vou fazer viagem para caramba, e não vou botar um cachorro no apartamento, entende? Eu acho uma maldade isso. Cachorro precisa de espaço, precisa de liberdade, né? Verdade. Então eu, por ter, e tudo que eu gosto eu estudo, tudo que eu gosto é em foco, né?
Nunca, nunca eu gosto, eu não gosto de nada sem estudo, tá? Absolutamente tudo tem estudo. O que eu como, o que eu bebo, tudo tem um estudo.
E cachorro, você foi estudar também?
Eu fui estudar sobre cachorro, eu fui estudar sobre cachorro. Tem um monte de livro de cachorro em casa. Peixe, porque eu tinha muitos aquários, eu tinha 5 aquários. Água salgada, água salgada, água salgada, nunca tive a manha porque era difícil, porque no tudo, o aquário sobrava para o meu pai. Meu pai é que cuidava do aquário, eu ficava ali dando amor, né, observando. Mas enfim, eu fui no primeiro Rock in Rio, fui para assistir.
Eu tinha ingresso para os dois primeiros dias, me lembro disso como se fosse ontem. E eu tava numa loja, na galeria de lojas de disco na Tijuca, que tinha no subsolo a loja Subsom, que eu frequentava muito, e no segundo andar tinha uma loja chamada Fonite, que era uma loja especializada em discos de rock raro. The Groundhogs, coisas diferentes, sabe? Blood, Wind& Pig, essas bandas obscuras. Atomic Rooster, bandas dos anos 70. Eu me lembro que eu entrei E tinha, e tava um zum zum zum de, poxa, não tem ingresso para hoje para o Rock in Rio.
Um cara falando, eu não tenho ingresso para hoje. E eu, pera aí, eu tava o tempo todo pensando, poxa, eu comprei ingresso para os dois dias, eu vou ver o Whitesnake duas vezes? Uma vez tá bacana, né? E aí eu vendi o meu ingresso do primeiro dia, que era Iron Maiden White Snake, Scorpions, se não me engano. Olha só, aí eu vendi e eu falei que eu queria trocar o ingresso por disco. Eu nunca me esqueço, cara, os discos que eu troquei pelo ingresso.
Você fez isso mesmo?
Eu fiz isso com um cara que eu não conhecia. Eu falei, ó, você compra os discos e eu quero 6 discos importados, 6 discos importados, eu te dou o ingresso.
E tinha uma loja para vender isso no Rio, na Tijuca.
A Tijuca sempre foi um celeiro de colecionadores, né? A Tijuca tem uma tradição assim de— a Tijuca é meio paulista, tá? A Tijuca é paulista total porque não tem o mar, não tem o mar, e tem muita loja, muito alfarrabista, muito, muito livro, muita informação, muita cultura. A Tijuca é de informação. A Tijuca não é ir para praia, marinheiro, entendeu? Não é. Claro que também Eu tenho, o Tio Tucano sempre teve o manheiro. Pô, ele me mexe, ele me mexe o meu, né?
O meu pai é play, o meu tio é play, hoje eu sou DJ, né? Eu demorei para sacar que era bom. Maneiro, maneiro, maneiro. Que é um negócio do Issa, né? Isso, né, né, né, né. Tinha uma coisa, tinha uma coisa, cara, nessa época tinha uns orgulhos, né, mano.
Esquece os 6 discos aí que você trocou aí pelo ingresso.
Então vou falar para você, olha, Tenias After, Creekwood Grimm, Free at Last, Free Live, Second Winter do Johnny Winter. Humble Pie, Rock On, e Rory Gallagher, Deus. Foram esses discos, saiu bem, hein? É, foram esses discos, discos de rock clássico, rock blues. Isso era o que me interessava nessa época. Eu não tava com— eu não tava nada ligado nisso. Aí era zero.
Tias for Fias.
Aí eu nunca gostei, eu nunca gostei. Mas eu acho boa aquela música do Plendon, Welcome to the Land. Eu acho essa boa. Eu acho boa também a Everybody Wants to Rule the World. Eu acho boa também aquela do Find Another Door, Heal Me, Pitonva, Ten Another Door.
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Eu gosto disso, é bom, é bom.
Eu vi um show, sabe o que é louco? Meu filho tava ouvindo Tears for Fears esse dia cantando Everybody Wants to Rule the World por causa do joguinho, cara.
Jura?
É, os cara colocam no jogo aí, a molecada volta.
Aquela música é muito boa, essa Everybody Wants to Rule the World, shuffle bom para caramba.
E eu vi os cara velhinho agora, você viu eles agora cantando assim? Os cara de cabelo branco grandão, outro careca, né? Você vê o espaço de tempo, né?
Tem uma coisa engraçada que eu noto nisso, cara, que é o seguinte: os caras dos anos 80, eles são mais velhos do que os artistas dos anos 70 e 60.
Por quê? É verdade, envelheceram mais.
Qual a idade das drogas nos anos 80? Não, mas isso é verdade.
É sério?
Claro. Pessoas.
Porque os cara, você vê os cara do Rolling Stones, compara com o do Tears for Fears, parece que os cara são mais antigos.
É porque os anos 80, bem para caramba. Não, e vários caras de rock, você pega os caras de rock, os caras estão tudo jovem, né? É a droga dos anos 80, as drogas sintéticas, né, dos anos 80.
Não tinha parado para pensar nisso, velho.
Sim, isso com certeza envelheceu essas pessoas mais, né? Muito mais, né, do que dos anos 70, que era lá.
Eu fui ver ontem, já fui ver Jamiroquai ontem, eu falei, cara, o cara tá velho. Aí fui ver, o cara é um ano mais novo que eu.
Sim.
Agora o Lenny Kravitz tá bem, cara, tá bem. Lenny Kravitz tá bem. Eu acho que tá quase 70 já, hein?
Mas aí paga de gatinho, né? É, aí é um tempo só para treinar, dedicação só para isso, academia, não sei o quê, alimentação, mão de jarro. É, mão de jarro, você namora com 62 anos. 62, né? É uma modelo diferente por semana.
O Lenny, chamar Lenny, porque quando eu conheci ele, ele era a cara do Lenny Kravitz.
Hoje em dia já não é mais, o cara já tá parecendo o pai dele agora. Ele é bom, Lenny Kravitz, é talentoso para caramba.
Então, Rock in Rio você foi, e você pensou um dia assim, cara, eu vou viver disso lá no Rock in Rio?
Ou já, sim, não, quando eu tava lá eu falava para os amigos Vou estar lá um dia.
Corta. Quanto tempo depois você tava gravando o disco?
Tava gravando um disco, sei lá, depois do Rock in Rio, já 3 anos depois. Foi muito rápido.
Como que foi esse caminho?
Esse caminho foi o seguinte: eu agradeço muito a Leninha Brandão, que hoje é empresária do Zeca Pagodinho. Ela foi me assistir ao vivo no Robin Hood Pub, que era—
então você começa a tocar em barzinho, é o seu começo?
É isso?
Não, como que é o começo?
Não, o começo, o começo foi cantando numa— primeiro eu arranhava bateria num conjunto de colégio, tá, mas tocava mal demais. E depois eu fui vocalista numa banda de rock, isso com 12 anos, quando eu fui ao Rock in Rio. Eu era vocalista dessa banda de rock chamada Cabala. Tá, que era feito com os meus vizinhos e o compositor.
Mas era cover ou era música?
Era música autoral do Marquinho. O Marquinho era o Piton da gente, pô, era o cara que fazia tudo, compunha as músicas e tal, era tudo autoral. A gente, nós fizemos um show, né, fizemos um show e tinha ensaio para caramba, era tudo ensaiadíssimo, super ensaiado, os caras super ensaiados, né. Ali foi o meu começo em música mesmo, de uma coisa que botava a voz para fora e tal.
E os cantores que eu me espelhava, isso sem fazer aula ou sem nada, né?
A aula era, minha aula sempre foi imitar os discos, ouvia, ouvia imitar os discos. Então imitava o David Coverdale, né? Tem aquela respiração dele, fica no microfone, cara. E tinha Holy Diver, Ronnie James Dio, né? Nossa, cara. Hey, Dona Manancy, né? Tipo Kill the Kid, isso é do Rainbow, né? Com o Ronnie James Dio e o Covedeiro eram os meus É mestres da voz, era o mesmo Stevie Wonder daquela época, eram os caras assim que eram, putz, os meus cantores e tal.
Mas quando você foi, você foi cantar, você tentou achar um caminho seu ou você falou vou misturar? Como imitava?
Eu sempre quis ser uma imitação de gringo, cara, é claro, pô, sempre, a minha vida inteira sempre quis isso. E quando alguém, se alguém falasse, pô, isso aí tá original, isso aí tá tem um sabor nosso. Eu falava, não, não quero, errou, tá errado, né? Eu queria que fosse um copy-paste dos gringos, sempre quis que fosse isso, sempre quis que fosse isso.
Mas na banda de rock não dava ainda para você colocar essas coisas, né?
Ou dava? Já tinha nada assim, foi depois. Porque quem me salvou de não ficar um roqueiro empedernido, porque eu era um roqueiro empedernido, impedernido, radical, que só ouvia rock, só gostava de rock, só pensava em rock.
Tinha esse perigo de ficar só aquele cara?
Tava aquele clima, era para ficar morando com minha mãe até velho, né? É, ficar com camisa preta de rock, usando camisa de banda, né?
E quem te salvou disso?
Quem me salvou disso foi o Jeff Beck. Jeff Beck me salvou disso com o disco Blow by Blow. Porque aí eu retomei a minha audição de discos de música black que eu ouvia até então quando criança, que eram os discos que minha mãe ganhava do Tim Maia, meu tio, então o irmão dela, né, caçula, o irmão mais novo da minha mãe. Então chegavam discos de Kurt Mayfield, de Earth, Wind& Fire, Barry White, de Isley Brothers, esses artistas todos.
E eu ouvia isso quando bem criança mesmo. Isso foi a minha base musical antes de conhecer o rock. A história do rock foi quando eu virei colecionador de disco, porque isso é oriundo do mundo do rock, o cuidado com a capa do disco, botar plástico no disco. É, isso é muito do mundo do rock, porque os colecionadores de outros tipos de música não tem tanto essa, essa, esse detalhe com a coleção. Claro que hoje, hoje tá diferente, né?
Hoje, hoje mudou tudo, né? Hoje tem colecionador só de música brasileira que tem esse detalhe. Mas exatamente esse disco, esse disco mudou minha vida, cara. Esse disco, porque ele é um disco de soul funk com uma pegada de rock, né? Então, puxa vida, uma coisa maravilhosa que aconteceu.
Sei lá se é um pastel seco, né, ou carvão.
Eu acabei trabalhando com dois músicos desse disco depois. O baterista, o Richard Bailey, eu gravei com ele com a banda Incognito, quando o Incognito gravou uma música que eu fiz com o líder do Incognito, que é o título do disco, Who Needs Love, e é uma faixa que nós fizemos a música junto. E ele marcou a gravação para o dia seguinte e tal, falar: vem a banda e tal. Mas ele não me falou que era o Richard Bailey que ia gravar. Aí quando o cara entrou no estúdio, eu falei: pô, cara, você é o Richard Bailey, não é?
Sim. Eu falei: você tá maluco? Você que vai gravar minha música? É. Eu falei: pô, pera aí, cara. Aí eu sentei, fiquei tipo meio chorando, né? Falei: pô, você vai tocar a música que eu fiz com ele? Eu falei, pô, peraí, cara. Aí ele, sim, sim, sou eu. Eu fiquei louco, né, que é o batera do Blue by Blue. E o pianista desse disco, o Max Middleton. Eu produzi um disco de uma banda inglesa, chama Jazinho, que eles me deram carta branca para chamar quem eu quisesse de músico.
Aí eu fui lá na infância, né, primeiro pedido foi, tem como botar o Max Middleton no piano, né? E aí conheci Max Middleton e fiquei Ficamos amigos, né? E ele adora vinho também. Eu levava uns vinhos para o estúdio e bebia vinho com ele, não sei o quê. Ele me contava muita coisa.
Imagino que tem história, né?
Puta, cara, eu sou chato de perguntar também. Eu pergunto muito, né? Por isso que sou um information.
Mas eu acho que esse pessoal gosta de contar, ainda mais quando vê que outra pessoa sabe o que tá perguntando, né?
O cara fica emocionado.
Exato.
De, pô, você lembra disso? Você conheceu isso como? Falei, não, mas eu conheci isso.
E o cara pensa, pô, no Brasil, como o cara tinha acesso?
Claro, tinha, pô, nas lojas aqui em São Paulo.
A banda que ele fez depois do Jeff Beck, ele falou, eu fui numa loja pedir Joe Satriani, o cara me deu Jerry Adriani uma vez lá em Santo André. Aconteceu isso. Tem Joe Satriani? Tem. O cara aqui todo orgulhoso que deu um Jerry Adriani.
É bom também, é bom também, mas são estilos diferentes, totalmente, né? É verdade, cara. Mas poxa, isso, essa coisa da—
mas como que você foi fazendo então essa passagem?
A passagem foi através desse disco, né, do Blow by Blow.
Que foto é essa?
Esse é o Incognito, essa é a banda Incognito, justamente na formação do disco Who Needs Love. As cantoras que cantaram no disco comigo e tudo isso na gravação, né. Muito legal isso aí, tá? Só falta o líder. O líder é que não tá aí, meu amigo Bluey. O líder não foi no dia da foto, né? Mas enfim, como que a coisa se profissionalizou, né? Eu comecei a ouvir depois do Jeff Beck, eu comecei a comprar discos de soul music, Otis Redding, Aretha Franklin, várias coisas que eu não tinha que não eram discos que estavam na coleção da minha mãe, dados pelo Tim Maia. E aí eu comecei a escutar isso, comecei a escutar isso.
Então já tinha uma grande coleção que ela ganhou do Tim Maia, que era sua base?
Era uma coleção de, sei lá, quantos, 15, 20 discos?
Não era muito grande, não era muito grande, era 15, 20 discos, né? E os discos eram caros nessa época? Eu não lembro, era caro, era caro, não era? Dava para comprar um 10 toda hora. Era um presente de aniversário, era um presente caro porque eram discos importados. Ah não, os importados então, verdade, eram caros, né? Discos, discos, tanto que tinha lugar que o cara fazia uma fita para você do importado, porque era caro para caramba, né? Aqui na galeria lá do rock, galeria do rock que vendia vídeos também.
Eu comprei muito vídeo, muito vídeo de show, minha casa, Guanabates na época. Stray Cats, muito bom, né? Gosto muito. Rent and Rave, né? Rent and Rave.
E a orquestra, o trabalho dele, do Brian Setzer, é bom demais.
Eu gosto, ele é fera, é bom demais ele. Eu gosto, acho lindo aquele lance dos Stray Cats. Nos anos 80 era uma forma de escutar blues, de escutar uma coisa meio blues, bluesy, né? Era bluesy, né? O rockabilly, rockabilly era, porque tem uma coisa blues, né? Mas voltando na tua pergunta, e aí eu montei uma banda de soul funk, tá, que era uma coisa absolutamente inédita naquela hora ali nos anos 80. Não existia outra banda de soul funk, não existia, não existia.
Era, só tinha a gente, não tinha nada, não tinha concorrente. E não era o som que as pessoas estavam fazendo. Ah, deixa eu, vou aceitar um guardanapo aqui, um guardanapinho para secar, que eu tô todo fardado, né?
É, pedi para aumentar aí também o ar aí também. E aí, cara, e aí, né, quem que era a banda nessa época aí?
A banda nessa época foi chamando pessoas, antes do Conexão Japeri se chamava Expresso Realengo, tá? Aí era Kiki, baixista aqui de São Paulo, que tocou no Scove e a Máfia, né? Mas tocou primeiro no Expresso Realengo. O Expresso Realengo trocou de nome para Conexão Japeri e virou a banda, né, com esse nome. Eu acho esse nome incrível. Esse nome foi dado por um amigo, Enio Barreto, antropólogo. Ele que inventou esse nome. Eu queria que fosse eu, mas não foi, tá?
Esse nome eu acho genial, Conexão Japeri. E aí, cara, começamos a fazer shows e era uma coisa muito diferente. E não teve apoio de nada, não teve apoio de familiar, não teve, muito pelo contrário.
É mesmo?
É, tinha muita crítica e muita, pelo fato de você ser sobrinho dele, do meu próprio tio mesmo, do Tim Maia. Ele dava entrevistas e criticava o início e tal, era uma coisa natural, um ciúme.
Você não teve uma convivência com ele?
Eu tive um pouco de convivência com ele, mas na infância assim, né, na adolescência.
Não chegou a acompanhar ele em gravação, essas coisas?
Não teve? Não, fui sim.
Isso deve ter também influenciado, claro, pô, de ver estúdio.
Isso foi maravilhoso, porque para você, você viu o esqueleto da coisa, né?
Que você escutava o disco e como que é feito um disco.
Eu fui ver alguma, sei lá, fui ver 4 vezes, 4, 5 vezes gravações, ficava quietinho, ficava quietinho, não ficava em cima do cara perguntando, observando, né, observando todo o movimento, o movimento do que meu tio tava fazendo, da parte técnica também. Claro que da parte técnica também, a parte técnica sempre foi uma interesse imenso. Por isso que eu tive um estúdio já nos anos 90, tive um estúdio na sua casa, na minha casa.
Depois fiz outro estúdio onde eu faço tudo até hoje, porque você tem controle total, né?
Tem controle total. E o tempo, né?
O tempo, o tempo é um tempo de estúdio, é aquele negócio, putz, você quer fazer mais, não pode, né?
Exatamente. Então assim, eu vi, legal, então você via, eu via, eu vi algumas gravações e isso foi maravilhoso.
Você lembra de alguma música?
Eu lembro bem do disco do Tim Maia, Reencontro, e a música Bug Esperto. Bug esperto, esperto, hoje eu quero ver. Eu vi os caras gravando esses metais. Eu era moleque, pô, eu fiquei, pô, E eu fiquei, caramba, o que que é isso, né? E aquilo era meio parecido com Earth, Wind& Fire, que eu ouvia demais. Isso foi antes da fase de rock, eu devia ter, sei lá o quê, uns 10 anos de idade. Nossa, cara, muito novo, foi antes do meu filho, foi antes da fase de rock, entendeu?
Eu tocava um violãozinho, eu já tocava violão desde 7 anos de idade, estudava violão assim, mas não estudava violão violão, mas tinha um professor de violão aos 7 anos de idade, já tinha um professor, o Antenor Luz Filho. Um beijo para você, meu amigo.
Poxa.
E aí já tinha, já tinha essa coisa, né, de estudar violão, né.
Então vem do seu tio essa coleção, mas por que que ele, ele foi contra ou não gostava do teu começo?
Porque quando eu comecei mesmo, ele apoiava muito quando era garoto. Nossa, apoiava demais. Me deu um microfone de presente, ficou super coisa. Ele falou que muda, ele ficou um pouco enciumado quando a coisa se profissionalizou de gravar mesmo. E é um, é uma família, a minha família é uma família carente, né, carente de recursos, e ele tava habituado a ajudar a família, ajudar situações todas.
Generoso.
Isso, meu pai né? Eu nunca fui rico, mas meu pai nunca precisou dessa ajuda. Nós nunca precisamos dessa contribuição. Então nós sempre ficamos num exílio, como fôssemos quase que ricos sem ser, né? Mas assim, então não tinha, não passava pela, pela, pelo, pela pela catequese, né, pela catequese. Ó, essa foto é maravilhosa!
É você?
É, sou eu. Olha só, meu primo!
Que que é, um show normal?
Isso é um show, isso é 1978, 77, uma coisa assim. Tem um Rhodes ali atrás, é o Pi que tá tocando, Pi pianista.
Mas você tá brincando? Você tá tocando para valer?
Ele chamou no palco para brincar. É o violão cheio de decalque, né? Olha que legal, pô! Nessa época eu achava que eu era o Jimmy Page assim, tava destruindo. É que eu tava incrível, é que já tava, que era um profissional do rock e um adulto.
Mas essa é a ideia, né, do, do, você tem que acreditar mesmo, né? Então entendi, a tua família não era tão próxima porque não era aquele ajudava e meio que que dependia dele.
Sim, mas foi muito legal porque eu assisti vários shows do Tim Maia, tudo, e foi um aprendizado isso.
Imagino, cara, né?
Foi um aprendizado porque o Tim Maia tem uma discografia brilhante, verdade, tem vários discos maravilhosos, né? Principalmente nos anos 70, são discos incríveis. Meu disco favorito do Tim Maia é o disco dele todo em inglês, que ele toca bateria, porque ele tocava bateria muito bem. Ele era um baterista incrível, fora o grande cantor. Ele era um baterista incrível, né? Então tem, tem ele tocando bateria. Eu tinha Maia, tinha Maia, o ano acho que é 1976.
Vê aí, Helene.
É o Tim Maia em inglês, tá? Todo em inglês, né? Todo em inglês. Esse disco é lindo, é lindo. Mas aí o que que aconteceu? Começamos a tocar Conexão Jeperi. E nessa mistura que era só vocês faziam, é óbvio e evidente que existia uma curiosidade das pessoas e da imprensa de querer saber como que era a banda do sobrinho do Tim Maia.
Era isca, né?
Isso era uma isca não minha, mas isso, isso que tanto que eu evitei isso a minha vida inteira, né? Evitei isso, eu nunca usei disso, nunca fiz nada com com meu tio. Não que eu não quisesse, mas eu achava que ia soar oportunista e eu nunca vou começar regravando. Nunca, nunca fiz. Nunca, nunca, nunca, nunca. Esse disco é maravilhoso. Esse é o melhor disco do Tim Maia. Os desavisados acham que são outros, mas esse é o grande disco dele. Esse é o grande.
Qual que é o seu preferido, Lenny?
Eu gosto muito do Racional.
É maravilhoso também. Se não me engano, no Racional, não, não, no Racional a bateria é o Luiz Carlos da Black Hill. Mas o Racional incrível. Racional, já virei calçada maltratada. E tem uma, deve ter na internet, tem uma foto que tá todo mundo com a roupa do Racional. Eu tô com a roupa do, eu tô com a roupa Ele e tem uma criança no colo dele que não é, não é nenhum dos dois, dos três filhos, né? Não é, não é nenhum dos três, né?
Vê se acha depois, Lenny, essa foto.
Mas enfim, aí começa a fazer show, a imprensa vai, eu começo a fazer shows e os shows são autorais, são autorais, são autorais. Eu tive um apoio do meu pai incrível. Meu pai foi um cara Meu pai foi um cara magnífico, um progressista. Meu pai me tirou do colégio, meu pai me tirou do colégio na 7ª série para estudar música, estudar inglês, e falou: olha, eu te dou 3 anos para você arrumar alguma coisa, né? Se você não fizer nada em música, eu vou te colocar de volta no colégio grandão velhão no meio das crianças.
Então trata de fazer alguma coisa.
E aí, cara, poxa, Papai do Céu ajudou, porque— mas não foi só Papai do Céu não, cara. Eu fui muito esforçado, muito dedicado na minha carreira. Por exemplo, eu era o meu empresário e eu era o meu divulgador. Eu ia nos jornais. Eu ia no Jornal Globo no Rio, no Jornal do Brasil.
Será que é essa aí?
Não, não, essa tá a família toda.
É uma que tem 3 pessoas só e que ele tá com uma criança no colo.
E você fazia tudo? Eu fazia tudo. Antes de conseguir gravadora e de ter um empresário, eu marcava o show Eu levava o release na—
e as músicas do show já eram as que foram para o trem?
Algumas sim, algumas já eram. Já tinha Manoel, já tinha tudo isso.
Ah, então a galera que ia assistir já via?
Já via, já via, já via. Então Leninha Brandão, quando foi assistir o show, ela foi a madrinha da minha carreira, né?
Porque a partir daí ela te ajudou, ela me contratou, ela me contratou.
A partir daí ela me contratou pela Warner, e aí eu era contratado de uma multinacional com 15 anos de idade.
E aí como funciona? Tipo, eles te dão grana, te dão estúdio, vai lá gravar a prova?
Não, na época não tinha grana assim. O que teve era, eu me lembro até que o Conexão Japié era concorrido pelas gravadoras. Gravadoras. É mesmo, era uma coisa trend, era moda, né? Era uma banda hipster, o Conexão Japeri. Era uma coisa que para você ser cool você precisava gostar do Conexão Japeri, né? Então teve uma disputa, quem não gostava tava por fora. Então era uma coisa, teve uma disputa. Eu me lembro bem que teve uma gravadora que oferecia mais dinheiro, mais percentual de contrato Mas eu sempre, cara, minha vida, o que me guiou, eu adoro dinheiro, adoro coisas que o dinheiro compra, mas nunca guiei minha carreira pelo dinheiro.
Também penso assim, cara, nunca, nunca é muito perigoso, nunca guiei pelo dinheiro, nunca foi, eu vou fazer isso porque isso dá mais dinheiro, né? Então assim, nunca foi, até porque você não seria músico, né? Nunca foi a quantidade de músico que dá certo, foi pelo contrário, foi pela parte que as pessoas dominam. O Brasil tem um problema muito grande com o ego, né? A coisa do grande problema dos músicos é o ego. Pô, sem ego você não faz música, exato, cara.
Sem ego você não faz, você não é um artista, você não é um artista, cara. Eu entendo o que que é ser artista. Você não é um egocêntrico, você não é um artista.
Qual é?
Não é.
O que é mais do que o artista? De a vontade de colocar o teu pensamento, a tua forma de ver o mundo para os outros aí, claro, entendeu?
Não é assim que tem essa história, não é um egocêntrico, Mas se não é um egocêntrico, não é um artista. Mas a gente vive um período que os artistas não são mais artistas. Então mudou tudo, né? Os artistas, eles têm menos qualidade e menos personalidade, né? Os artistas ficaram mais cordeirinhos, de seguir onda, viraram funcionários do público, né?
São funcionários da audiência, sequestrados pela audiência.
É porque audiência é um patrão implacável.
Ele quer que você fique sempre preso no que você já fez, eles gostam, não muda não, eu quero isso, eu quero para sempre a mesma coisa. Só que aí você muda, os cara fala, pô, gostei. Tem aquela frase que eu já citei várias vezes do Alan Moore, né?
Genial.
É, o Alan Moore fala que não é papel do público, não é papel do artista agradar o público, fazer o que o público quer. Claro, é papel do artista fazer o que o público precisa, porque se o público soubesse o que ele precisa, ele não seria público, ele seria artista. Claro. Então a gente, de alguma forma, por alguma conexão, a gente faz o que a gente acha que ele precisa, porque é o que a gente precisa.
Mas isso, isso se faz o artista de verdade, né? O artista popularzão mesmo também nem pensa nisso.
Não, ele vai, vai na onda. Às vezes não dá para recriminar, às vezes o cara tem que pagar conta também, ele nem tem tempo de de pensar em algo maior.
Tem um olhar de pagar conta, todo mundo tem que pagar, mas tem uma coisa de, pô, eu quero ter um jatinho, eu quero ter um não sei o quê, eu quero comprar não sei quantas bolsas Louis Vuitton, entendeu?
Aí tem muito para sustentar isso, o cara tem realmente que nivelar para baixo. Meu último disco não foi tão bom, talvez eu tenha que voltar a fazer o que eu fazia, né?
E nivelar por baixo tudo, nivelar a arte, nivelar o discurso, né? Porque o discurso que as pessoas fazem também é um discurso vazio, né? É um discurso emburrecedor para as pessoas, né? Uma grande parte trata a audiência como imbecil, né? Então trata uma coisa tão valiosa que é a audiência.
Mais filmes autoexplicativos, né? Tudo explicado. Tudo é falado, tudo, não é, cara?
É uma era de, é uma ode, é uma era de imbecilidade, de uma burrice muito grande, né? É uma era onde a burrice ela é aplaudida.
Então, mas quando você começa e escolhe não a gravadora que tá pagando mais, porque essa outra gravadora que você escolheu é te dar mais recurso, ela tinha a estética, ela tinha estética do que você queria, porque eu queria estar muito, eu queria estar próximo das bandas de rock pop, né?
O que a gente tava fazendo era pop, eu não tava fazendo MPB, não era música dos medalhões MPB e tal. E a outra gravadora era uma gravadora MPB, né? Ia dar todo, ia te colocar nessa prateleira, ia me colocar numa coisa um pouco mais careta, mas eu não, não, não, não, não, não, talvez, né, talvez, claro.
Mas quem que tinha nessa gravadora sua? Aqui eu assinei, aqui eu assinei, tava, era a Warner, né, era o Ira, o Titãs, Kid Abelha, pô, todos esses movimentos dos anos 80, Heróis da Resistência, nossa.
Todas essas bandas, né, todos eles, né, eles estavam lá. E eu queria, eu preferia estar próximo disso do que do lance da MPB. Depois, depois na vida, o que eu quis o contrário.
Mas tudo bem, eu fiz o contrário, eu fiz o contrário.
Eu tinha horror a estar próximo da turma do rock na época assim que eu comecei a tocar piano, não sei o quê. Aí eu renegava tudo. Tudo. Eu não tô renegando nada, cara. É engraçado que eu passei por tantas coisas difíceis, e por coisas bastante difíceis esse ano, né? E eu tô na minha fase mais em paz com tudo, quer dizer, difícil de vida, né? De cancelamento, essas coisas todas, né?
Porque tudo fica um peso muito forte, né, cara?
Fica um peso que é o peso, não tinha antes isso, né?
Imagina na época do Tim Maia tivesse cancelamento.
Ele seria cancelado milhões de vezes, né, cara? Seria cancelado milhões de vezes porque tinha milhões de coisas que eram, não, e ele falava, politicamente incorretas, né?
Ele e uma galera toda, né?
Várias pessoas, né? Várias pessoas. E mas isso não é uma— eu já venho passando por isso há um tempo, não foi o que aconteceu esse ano.
Não, não, eu percebo.
Isso já vem acontecendo nos nos últimos, sei lá, cara, nos últimos 5 anos eu venho ajoelhado no milho o tempo inteiro. Eu tô com o meu joelho sangrando, entendeu? De milhões de coisas, entendeu?
Que explicar ou reexplicar, ó, quis dizer isso, calma, não sei o quê. Porque eu vejo até quando a gente anuncia agenda, a galera às vezes faz uma foto só sua, não vê o filme, né? Por exemplo, aqui a gente tá montando filme da história.
E o cara pega uma frase, pega a frase desse ano, e a frase desse ano do que aconteceu esse ano e do que é vendido pela imprensa esse ano. Quer dizer, as pessoas dão um atestado de obediência à imprensa que é um negócio absurdo, né? Que é tipo, pô, e ele não vai jogar a cadeira não? Tipo, pô, mas caramba, eu fiz um monte de coisa relevante na minha vida Tem um monte de disco. Fiz discos instrumentais, fiz trilha para cinema, fiz um musical que foi com músicas inéditas minhas.
Então fica tudo nivelado por baixo, assim, tudo fica na mesma altura. Quem é Edmota? É essas perguntas, tipo, é sobre isso.
O Fred @269 te pergunta, né?
Quem é Ed Motta? Agora economizaram, não colocam mais um na fila do pão, né? Mas tem sempre isso. E tem: ai, eu tô preparado para não assistir o Inteligência com Ed Motta. É de uma— é tão positivo fazer falta, né?
E a pessoa vai assistir.
Não, vai.
Pior que vai.
Não é só isso, mas o que eu acho engraçado É o síndrome de protagonista. Não, e o previsível, discurso previsível, todo igual, todo igual, não tem uma vírgula de originalidade, vai com a manada, né, cara? De uma burrice, mas é mesmo, entendeu? Assim que é sempre uma coisa de repetir o que todo mundo tá fazendo.
Que é legal, muita gente que tem preconceitos com pessoas e assistem as entrevistas aqui, você vê a pessoa que eu— não é todo mundo, são poucas pessoas que assumem Pô, eu tinha outra ideia dessa pessoa e agora eu vejo. Porque aí vai ver tua história, vai ver a minha história, a história de pessoas. Cara, o cara passa pelos mesmos problemas, teve as mesmas dúvidas e tal. E não é aquele monstro, aquela pessoa que você acha que é ou que você gostaria. Porque elas querem ter gente para odiar.
As pessoas precisam de alguém para odiar, claro.
Eu não sei porque eu não preciso, mas as pessoas precisam. Eu não acordo de manhã e falo, vou odiar alguém. Parece que as pessoas precisam colocar raiva em alguma coisa, cara.
Porque a vida, né, cara, a vida é difícil.
Não, ela bate duro, cara.
A vida bate duro, então as pessoas estão com raiva.
E estamos vivendo num momento difícil assim, né, de grana, assim, as pessoas estão cagadas.
Então é uma revolta, né, é uma revolta natural. E que o Brasil tem esse espírito de linchamento, né, tem esse espírito.
Mas não sei se você tá percebendo, tá cada vez ficando mais fraco. Cara, porque é sempre assim, acontece uma coisa, aí acontece uma coisa maior, esquecido aquela, uma, e vai sempre assim, um cancelamento apagando o outro, o outro, o outro. Aí a galera vai chegar um ponto que já tá cansada, né, de ficar acompanhando.
É, mas no dia a dia a gente sente, né? A gente sente.
Eu te falo porque eu já passei por isso, cara, são 2 ou 3 dias forte, depois vai enfraquecendo, né? Só você não olhar a rede social e tá tudo bem, porque se você for responder é pior ainda. Já tentou responder?
É pior responder, não adianta, cara.
A galera não quer explicação.
Não.
E uma coisa que é curioso, né, os meus shows ficam cheios, cara, né? O meu show fica cheio.
Mas quem quer te cancelar não é teu público, não é quem te consome. Esse cara não vai te consumir nunca e tá falando besteira. Então você não tem que se preocupar.
Mas tem gente, né, tem gente que eu leio Eu gostava muito dele, eu deixei de gostar dele. Então você não gostava de mim, é claro, entendeu?
Assim, pô, pelo amor de Deus, compra esse papo não.
É, eu não, pô, cara, qualquer artista, se o Stevie Wonder der um tiro numa pessoa, eu não vou deixar de gostar do Stevie Wonder. Eu penso isso também, eu separo a estupidez, né, cara?
Mas a gente, vamos chegar isso mais para frente nessa parte da tua vida. Vamos lá, a gente parou então, consegue a gravadora, e aí tem todo Cara, imagina a tua ansiedade, né, de gravar, de tentar fazer uma, escolher as músicas. Como que funciona isso?
Ansiedade maior era de sair do colégio, cara. Essa é sério, isso era ansiedade maior. E que eu falava para todo mundo do colégio: eu vou sair daqui e não vou voltar nunca mais, e vou virar um artista famoso no Brasil inteiro. Eu falava porque eu tinha a música já, o Vamos Dançar. Eu não nasci para trabalho, eu não nasci para sofrer. E eu dizia, isso aqui vai ser sucesso no país todo. Eu tinha certeza disso. É mesmo? Eu juro para você, eu não era uma coisa assim que, poxa, que legal o sucesso.
Eu tinha certeza, era quando eu tinha certeza que ia ser sucesso. Eu tinha certeza disso, eu tinha certeza pela originalidade do que era feito. Ninguém tava fazendo aquela vontade também, cantava daquele jeito como ninguém.
Era muito diferente. Eu lembro na época era uma coisa muito diferente, total, total. E aí você não, e ajudava também, fala, pô, e é sobrinho do Tim Maia, então isso da vida acoplava. E você fala, cara, olha isso.
Então assim, isso, isso eu acho engraçado.
Último dia do colégio dele, eu queria ter visto. Eu nunca mais vou voltar aqui.
Último dia de colégio, eu nunca vou me esquecer, vamos esquecer, era uma prova de inglês que eu não fiz a prova, sei, porque meu pai pediu, termina lá a 7ª série que repetir a 7ª série que eu era para terminar, era para ter repetido, era para repetir, que eu já tava, já era repetente, era para repetir pela segunda vez, para repetir pela segunda vez, porque eu sempre fui péssimo aluno. E os professores chamavam meus pais lá e ficavam, poxa, mas a gente não consegue entender, ele é um cara culto, ele é um cara inteligente, ele é um cara articulado, mas ele não gosta de estudar. Eu odiava, eu não gostava de estudar aqueles assuntos. Pontos.
Tem que decorar muita coisa.
Eu adoro decorar coisas, mas adoro falar o nome do diretor que eu gosto. A gente até após, para PPR, eu não quero decorar nada sobre matemática porque não me interessa. A estética não me interessa da matemática, entende? Não me interessa. Não me interessa saber quanto é 16 27. Eu não sei disso até hoje, entendeu? Eu preciso de uma preciso de uma calculadora. Quanto é 14 mais 18? Eu preciso de uma calculadora. Eu só sei quanto é 10 mais 10, 5 mais 5, 3 mais 3, né? 8 mais 8 tem que pensar um pouquinho já. É, 8 mais 8 fica—
opa, pera aí, não dá para falar de pronto.
Já fica um negócio, porque é um biologia, química, isso eu nunca estudei. Eu tive a graça de Deus, de nunca ter estudado química e física na minha vida, e biologia, porque eu não fiz a 8ª série, eu não fiz o colegial. Então não passei por isso, rapaz, eu não passei por esse lado mais heavy metal do ensino, né? Mas por outro lado, já tinha a vivência de tudo aquilo pior que antes, eu achando aquilo tudo horrível, cara. Eu no colégio eu não aprendi nada, eu só aprendi que eu detestava o colégio, eu aprendi isso.
Mas isso, alô jovem que está nos assistindo, porque isso é sempre uma coisa que tem que fazer um disclaimer, né? Isso assim é a tua experiência, né?
Tem, não é todo mundo que eu, por exemplo, já sou o contrário, eu fiz questão de ir até a faculdade, cara. A maioria das coisas que eu não usei para nada, mas tive aquele negócio, vou fazer faculdade apesar de— é importante, claro, que meus pais falavam, cara, faz faculdade, depois faz o que quiser. Mas já trabalhava para os Estados Unidos, fazer quadrinhos e tal, mas fui lá levando a faculdade, né? Cada um tem a tua história, não tem?
Porque fica, é chato isso, é um mau exemplo.
Ia ter viagem, não ia dar para conseguir.
E eu me lembro que eu falava, pô, eu preciso Coitado do meu pai. Meu pai chegava do trabalho cansado e eu sentava do lado dele na hora que ele ia jantar e começava a chorar que eu precisava sair do colégio, que eu tava sofrendo, que eu ia me matar, que eu ia não sei o quê. Então era um negócio, era uma decisão, era uma coisa sistemática assim o tempo inteiro, entendeu? Era uma coisa insistente, foi 1 ano chorando.
Cara, você apostou todas as fichas então na música?
Apostei tudo na música, tudo, tudo, tudo na música. E se não fosse a música, eu preferia morrer, cara. Assim, né, se não fosse a música, eu preferia morrer. Até hoje é isso, né? Eu escolhi a música, a arte e tal, né?
Nunca foi um trabalho para você?
Não, ela é um trabalho quando você, no sentido, aquele sentido puro, quando você precisa fazer fazer coisa que você não tem vontade, né?
E tem, né?
E precisa fazer às vezes, né? Você tem que fazer coisas, por exemplo, coisas que eu não aceitava quando mais jovem. O repertório de show, o repertório de show que eu fazia nos meus primeiros discos era super radical.
Como assim?
Sei lá, lancei meu terceiro disco, eu só tocava música do terceiro disco mesmo, que o pessoal pedisse. Eu botava 3 músicas assim dos hits Cara, eu faço exatamente o contrário hoje, que eu tô mais velho, tem 55 anos, o pneu já rodou para cacete. E aí, pô, já tomei um monte de porrada. E aí eu sei, cara, que não vale a pena ficar dando murro na ponta da faca, né? E as pessoas querem ficar felizes com aquilo, querem assistir o show com as músicas conhecidas.
Marcou no calendário, tomou banho, se trocou para ir para lá, né? Querendo ouvir algumas coisas, querendo.
Então, cara, eu prefiro oferecer isso. E meu show hoje é um show com as músicas, as que tocaram em rádio, tocaram em novela, sabe, as que tiveram sucesso, relevância, né, de público, né. Isso.
E como que foi então o lançamento desse primeiro disco? Ele foi sucesso logo de cara ou demorou?
Não, do primeiro disco foi um grande sucesso.
Foi a primeira?
Não, foi o Vamos Dançar. Eu Não Nasci para Trabalho foi a primeira, tá?
Essa já estourou, né?
Essa estourou, cara. Essa foi um sucesso. E clipe no Fantástico, deu tudo certo. Eu não posso reclamar, deu tudo certo, deu tudo certo. Eu dei muita sorte. Eu acho que tem, mais uma vez, tem um esforço e tem uma organização e um um pragmatismo meu muito grande na forma de fazer as coisas, consistência, cara.
Eu sou, tem sempre um pouco de sorte de estar na hora certa, no lugar certo também.
Tem um pouco, tem que acreditar, porque a sorte ela existe, existem outras pessoas pragmáticas e talentosas que não conseguiram, né? Então eu não posso dizer que é só o esforço, fato de ser esforçado e pragmático que eu consegui. Não, tem um momento da sorte, claro que sim.
E como foi para você assim, teu sonho realizado? Tipo, fechou um ciclo, falou, é isso mesmo, então tudo valeu a pena.
Foi maravilhoso assim.
Eu sou de Leão, né, eu sou leonino, que nem meu filho, de agosto, 1º de agosto.
Rapaz, então você me prepara, leonino, né, cara. O leonino não se analisa nunca, né, porque o leonino tá certo o tempo inteiro. É verdade, tá certo. Tudo que faz é histórico, vai ficar para história. Então em nenhum momento existe nenhuma vírgula de uma autoanálise de, puxa, eu cheguei onde eu queria. Não, eu já sou o que eu queria.
Ah, tá, entende?
Eu já sou o que eu queria. É mais do que isso, entendi? É um negócio É um negócio tipo o ego voando, entendeu? Assim, tipo, eu já sou.
Mas quando você tá lá cantando para uma plateia enorme, cheia, aquilo você já tinha visualizado, aquilo falou, eu já vou fazer isso.
Eu tinha isso de garoto.
Que legal.
Eu tinha isso de garoto e falava isso com a família, com os colegas, tanto que tinha brincadeira no colégio, brincadeira de Thank you! Você mesmo fazendo isso? Eu sempre. Muito obrigado, muito obrigado, muito obrigado. Isso eu já olhava, cara, eu via isso na minha cabeça, que eu já via a audiência, já via isso com clareza. Não foi uma coisa que, ai, gente, eu nunca imaginei. É sobre isso, eu descobri naquela hora, eu descobri naquela Que eu queria.
Não, não foi, não foi, não. Já tava, já tava, pô. Quando eu subi no palco, todo mundo, o que eu pensei foi, pô, vocês são espertos, vocês gostam de boa música, vocês gostam de coisa boa, vocês são inteligentes. É, vocês são inteligentes, vocês são bons, vocês são bons, eu respeito vocês. É o que eu penso da nossa audiência, vocês são muito bons também, cara. Sempre foi isso, cara, sempre foi Mas sabe que é verdade?
O pessoal pode parecer arrogância, mas quando pensa, perguntaram para mim assim: você achava que o seu podcast ia ficar desse tamanho?
Você fala: pô, achava.
Eu me preparei para isso sempre, achei era só uma questão de tempo, né? Claro que quando você trabalha muito pesado no dia a dia e vai melhorando tudo, você sabe que vai rolar um dia. É só questão de ter a oportunidade, né?
Sim, sim, sim, sim, sim. Eu sempre acreditei nisso, cara. Acreditar, acreditei nos esforço.
E você começou já a fazer grandes shows com esse disco?
Não, eu nunca fiz grandes shows na minha vida, é assim, para multidões, é para multidões, nunca foi. Eu sempre toquei para um nicho. Conexão Japeri não vendeu tanto disco assim, não foi disco de ouro aquele disco, né? Ele vendeu muito, mas foi sei lá o quê. Na época, disco de ouro era 50 mil cópias, talvez tenha vendido 100 mil cópias. Vendeu bastante, mas a gravadora ficou feliz, a gravadora ficou feliz, tanto que eu continuei lá e fiz outros discos e tudo mais, né?
E continuei minha carreira, e continuou a coisa toda lá, né? Mas, cara, quando eu penso nisso, que hoje mais velho a gente se preocupa com tudo, né? Claro, eu me preocupo com cancelamento, com não sei o quê, você se preocupa com tudo, né, cara? Eu não me preocupava com absolutamente Nada de nada. Não pensava, ah, será que algum dia vai faltar alguma coisa disso? Não, nunca vai faltar nada, nunca vai faltar nada, porque eu já tenho um negócio, eu sou o cara, né?
E o que eu faço ninguém faz, né? E é isso, isso era super claro para mim, cara, era muito claro mesmo. E vem da certeza do leonino isso, né? Que é a coisa ególatra, né, que as pessoas enxergam isso como uma ameaça, né.
Já planejou a carreira? Daqui eu vou fazer isso, depois eu vou para os Estados Unidos. Você tinha uma, ou ia pelo, ia no instinto?
Como que é? No instinto total, como até hoje.
É mesmo?
Até hoje é tudo absolutamente, cada passo é no instinto.
Você colocou aí a capa do primeiro, Neni? Coloquei já. E para o segundo então, a ideia qual que era?
A ideia do segundo, aí cada hora é se livrar de um problema.
Eu tinha, o primeiro era, o primeiro era Edmoto e Conexão Japeri, certo?
Quando eu fui para o segundo disco, eu queria me livrar da banda, porque eu não queria fazer parte da banda. Sim, ego também, certeza, porque eu não queria decidir nada com ninguém, eu não queria decidir nada, total, é, não queria fazer votação de Ah, vamos botar esse copo aqui, botamos aqui. Então vamos decidir 4 caboclo aqui. Aí eu votei para isso, então, ah, você perdeu. Então eu vou ficar com o copo no lugar onde eu não quero e vou ter que entubar isso.
Não, não vou, eu não vou conviver com isso para minha vida, né? Eu me lembro que isso era decidido em arranjos, tudo os arranjos. Por exemplo, chegou uma hora que, ah, o arranjo, a música é minha, então eu que vou eu que vou fazer o arranjo. A música é do outro, o outro que vai fazer o arranjo. Eu falei, não, isso aqui não é assim, isso aqui não vai durar para mim, isso aqui não vai durar. Eu já fui gravar o disco pensando nisso, isso eu já fui pensando nisso.
Eu já fui gravar o disco pensando como é que eu saio disso, como é que eu vou embora disso. Tá muito legal, mas tá insuportável essa democracia de criação. A arte não é uma coisa criativa, não é uma coisa democrática. A arte não é democrática.
Tem decisões muito difíceis.
A arte não é democrática. Não é.
Quando você vai ler qualquer livro de biografia de artista, é assim, cara. As grandes decisões, e tá todo mundo falando vai dar errado, vai dar errado, não é assim que o cara fala, mas eu quero fazer assim.
E aí? Aí as grandes obras não foram feitas em conjunto, cara. As coisas mais sérias mais, né? Porque, pô, sabe, conjuntinho de rock e tal, tá tudo bem, porque aí, pô, esse cara é meu amigo, esse aqui é meu amigo também, é um negócio de amigo, o amigo com amigo, o amigo. Isso eu nunca, eu nunca comprei isso na minha vida para todo e sempre. Não toca comigo porque é meu amigo, toca porque toca bem, toca porque é bom, paca naquele instrumento, tem super competente naquele instrumento.
Se a gente ficar amigo É uma sorte. Se não ficar, tá tudo certo também. É uma coisa profissional, entendeu? Porque essa coisa de banda ter tudo misturado, é amigo, é a pessoa que cresceu junto, eu não sei o quê, eu não queria isso, cara. Eu não queria virar Rolling Stones, ter que aturar um cara o resto da minha vida, entende? Que, pô, não tem nada a ver comigo, que pensa completamente diferente sobre sobre música, sobre tudo, né? Então eu rapidamente fui para o meu disco solo.
Mas foi tranquila essa mudança ou foi?
Não, é sempre traumático, né? É sempre traumático a saída. As pessoas ficaram chateadas, tudo, mas somos, somos assim, somos amigos até hoje, os que eu tenho contato. Sim, eu tenho, tem dois que eu nunca mais vi na minha vida, que eu não sei o que que os cara pensam de mim, não sei o que que houve. Né? Não fiz nenhum mal para ninguém. O único mal que eu fiz foi terminar com aquilo, é terminar com aquilo e sair dali, seguir minha vida, né?
E isso dentro de, para quem tem a mentalidade de banda, é um sacrilégio, é um sacrilégio, porque é uma coisa que o bonito da banda é isso, né?
Eu não conseguiria também. Imagina eu, o Lenny e o Bigode viajando junto, criando junto, pedindo opinião para o Bigoda, vamos fazer votação.
Não, você até dá, o Bigoda não dá, não dá, não, não.
Nós dois até se entende, mas o Bigoda junto não dá.
Isso não é assim, cara, é difícil.
São experiências diferentes, são modos de ver a vida diferente, não tem como, cara.
E as grandes coisas, por exemplo, as bandas que eu escutei assim, porque O pessoal barra pesada na música grande mesmo não vem de banda, né, cara? Não, não, pô, claro que não. O Henry Mancini nunca fez uma banda na vida dele, que ele tem vergonha na cara dele, né, cara? Pô, isso é uma coisa muito juvenil, né, cara? Mas mesmo dentro da coisa juvenil, da ideia da coisa da banda e tal, Led Zeppelin, que é uma da, para mim, é a maior banda de rock de todos os tempos.
Led Zeppelin não era uma banda, cara, né? Quando eu fui ler isso depois, é, os caras eram contratados do Jimmy Page. Eles eram contratados pelo Jimmy Page e o conceito é todo do Jimmy Page, produzido pelo Jimmy Page. Quando chegava na mixagem, é portinha fechada. Não era, pô, aumenta minha voz aí, aumenta um pouco a minha bateria, aumenta, aumenta o que eu tô achando que ele pensava, era o que ele pensava. Assim como The Who é o Pete Townshend, né?
E várias, várias bandas são, é um cara. Agora tem banda que não é, tem banda que é, que é, enfim, que é um, que é Babilônia mesmo, né? Que é votação, 6 pessoas pensando junto e 2 insatisfeitos fingindo que estão, que estão contentes, mas que estão ali naquela sobrevivência.
Era quebra-pau.
É, eu imagino, né? O Sting com o Stewart Copeland, né? Até hoje, né? Parece que eles voltaram, né? Até hoje eles não se dão tão bem, né?
O Oasis, né? Os caras se davam super bem, os irmãos, né? Não, é complicado para caramba. E aí, e a parte musical, você decide fazer o quê para o segundo?
No segundo eu queria gravar um disco a quatro mãos, que era com o Bombom, que era o baixista do Conexão Japeri, Ele produziu e arranjou o disco junto comigo, e a gente fez o disco tocando. Isso tem influência do Prince, que eu queria gravar um disco tocando todos os instrumentos assim como Prince, por causa do disco Sign o' the Times. E aí é o disco que eu tô tocando baixo, guitarra, teclado, bateria, tocando vários instrumentos, né?
E aí a ideia era essa, que querer tocar tudo, tinha que tocar tudo, que não sei o quê, tocar tudo.
Você se arrepende disso ou não?
Não, não, não. Eu me arrependo de ter feito banda. Deixa eu tocar do meu jeito. Me arrependo de ter montado uma banda um dia, cara. Eu me arrependo disso. É, não, de ter feito isso não. Eu tava ali, ali eu tava no começo da minha carta de alforria, né? É, eu tava ali no começo da minha liberdade total, né?
E o repertório, como que você—
repertório era meu, era meu, de músicas minhas.
E a gravadora também, carta branca?
Carta branca total. E ser o produtor do disco, porque eu fui o produtor também do primeiro disco, né? Tinha 3 produtores.
Qual é o trabalho do produtor num disco?
É o cara que manda, cara. O trabalho do produtor num disco é um troço bem gozado, sabe? Porque, ah, bicho, porque, cara, isso é coisa de banda, é coisa para banda. O produtor é meio um psicólogo. Ah, é o cara que é o cara que vai ficar ali segurando onda de banda e que vai não sei o quê, aí vai dar uma ideia para os cara que não tem ideia. É o produtor É o cara que vai, vai, vai gozar com o instrumento do outro.
Mas quando você é produtor de você mesmo, por exemplo, no segundo disco, como que é? Qual o seu trabalho?
Maravilhoso. É não ter ninguém na frente, é só para não ter um cara, não tem uma pessoa para você ter que discutir o que você cria, né? Que é absolutamente absurdo total, né? Isso no meio de um, sei lá, você pega uma banda que os 5 caras não tem talento, que é o que acontece na maioria das vezes, os 5 não tocam bem, os 5 não sabem música. Aí chega um que sabe um pouquinho mais de música, que é o produtor, ou então ele vai tentar fazer aquilo ficar mais palatável, fazer aquilo ficar num formato de rádio, num formato de seja lá o que for, né?
Então aí o cara tem um papel importantíssimo.
Esse é o papel do produtor, né? Esse é o papel do produtor, né? Eu como ouvinte de música, eu nunca tive nenhuma admiração por produtores.
Nem Quincy Jones?
Quincy Jones eu admiro ele não por ele ser um produtor, mas pelo conjunto da obra, por ele ser um arranjador e um músico brilhante. Mas a parte da produção eu não acho Acho que é a parte mais castradora, é a parte de castrar um pouco as pessoas, né? Não é uma coisa que eu acho, ó, que é uma coisa que eu fique, sabe? Porque os artistas que eu mais gosto, eles não—
é porque banda você vê que às vezes os caras disputam, né? Produtores, né?
Adoro. É para esse disco a gente conseguiu tal coisa, porque vira quase um membro a mais. É um membro a mais, entra um coleguinha a mais para entrar na discussão e na amizadezinha e não sei o quê, papapá, vai jogar um ping-pong junto e tal. Tem uma série de atividades infantiloides, né, feitas. Enfim, a música, a alta música, ela não é feita desse jeito, não é.
E como que foi a recepção desse segundo disco?
Foi boa, mas Foi no ano, na semana do Plano Collor. Ô louco, foi na semana do Plano Collor. Então, cara, mas mesmo assim todo mundo com dinheiro congelado, todo mundo com dinheiro congelado e tal, papapá.
Mas o disco não era uma prioridade então, né?
O disco não era prioridade. O disco vendeu bem menos do que o primeiro, mas ele era menos comercial do que o primeiro, tinha umas vinhetas e tal, ele era mais conceitual que o primeiro.
Verdade.
Tinha umas vinhetinhas, ele tinha uma cara mais artística do que o primeiro, porque eu tava assumindo a mão da coisa toda, né? Então tinha uma cara de um colecionador de disco fazendo música, né? Não era o olhar de um maniqueísta, de um produtor, né?
E tudo isso você no Rio, fazendo no Rio, produzindo tudo, fazendo tudo lá. E entre um disco e outro você fazia show, shows, rodava, fazer tudo aquilo, muito show pelo país todo, né? Isso te cansou? Não, naquela época era legal. Olha, aquela coisa de sair de uma cidade, vai para outra e tal.
Isso nunca foi a minha atividade predileta em música. Não, não. Se eu fosse rico, eu não faria show.
Escolheria fazer um show só?
Nem isso, cara. Nem isso? Não, nem isso.
Teu barato É o quê? É no estúdio.
É mesmo? O meu negócio é fazer uma coisa que fica eternizada.
O show, como um quadrinho, é na hora que ele é impresso.
É, o show ele embrulha o texto do dia seguinte, né? Você foi a um show ontem, tudo foi legal, não sei o quê, você lembra hoje, depois de amanhã você lembra mais ou menos, semana que vem você não lembra mais, entendeu? E é feito um esforço. Quem fez o show passou um nervoso, rapaz, um monte de coisa, passou nervoso.
Tem uns Tudo, tudo, tudo, tudo.
E muitas vezes aquele esforço não é percebido, né? Tem coisa que foge à tua mão no show, tem coisa que foge ao controle total, né? Uma microfonia, um problema no som, tem sempre algum probleminha. E não é, não é no Brasil isso, em qualquer lugar do mundo. Eu, cara, eu viajo o mundo inteiro com a minha música e Teve período antes da pandemia assim que eu tava fazendo 4 turnês fora. Às vezes dá tempo assim, sei lá, tô num festival, eu dou uma olhadinha assim num outro show. Eu nunca vou ver outro show porque eu não gosto.
Sempre foi assim?
Eu sempre preferi disco do que música ao vivo.
É, então assim, eu, eu, você falando que você ia ver show, porque você via esses erros, via esses problemas?
Eu vejo o show, eu vejo os erros no show de todo mundo. O show de todo mundo é puro erro.
Você não consegue se divertir então?
Eu não consigo me divertir nada aqui, meu. É uma tortura. Pô, olha aqui, ó. Eu não consigo me divertir. Eu escuto tipo, putz, piano tá baixo. Isso é a primeira coisa em todos os shows. Você percebe isso no mundo, né? Os técnicos, eles botam o piano baixo, né? O piano fica baixo, a bateria tá alta e os acordes estão baixos, tão baixos, né? E eu sempre, cara, às vezes show de jazz, festival de jazz, eu não vou mais. Eu ia, mas eu não vou mais para não me chatear. Não vou porque eu fico, eu fico, eu fico com pressão alta, cara.
Mas e como você consegue pro teu show isso não te atrapalhar?
Ah, é calmante, calmante, calmante, é mesmo, remédio aqui, ó, sublingual, e vamos, e o mundo passa a ficar perfeito, tá? É tudo que qualquer problema tá tudo bem, é sobre isso, né? Aí, aí, aí, aí qualquer problema, qualquer problema passa a ter responsabilidade afetiva. É, aí tá com responsabilidade afetiva. É, é total, cara. Pô, senão, cara, show sem remédio não existe.
Mas lá no começo eu não tinha remédio, então eu passava nervoso para caramba, passava nervoso, suor e tal, né?
Mas eu, cara, o show é nervoso. Você já passa nervoso para pegar o avião, você passa nervoso no check-in do avião, você passa nervoso no check-in do hotel. Chegou com a equipe, cadê o quarto de fulano? Qual é o quarto de fulano?
Demora para caramba, não tão liberado ainda.
Não, pega o quarto do Ed primeiro. Não, não, quarto não sei o quê. Aí você entra naquele quarto e sempre tem que estar sorrindo, todo dia, com aquele frigobar, que é tudo igual, né?
Só muda a cidade.
Aquela mala que você trouxe, você abre aquela mala, ai meu Deus do céu, entendeu?
Assim, quando eu olho a mala aberta Acordou em hotel e bateu na parede, errou o banheiro, né? Porque tudo igual.
Isso o tempo todo. Não, eu tô sempre louco para voltar para casa. Sempre, sempre louco para voltar para casa. A minha felicidade é na minha casa. Agora, um lugar que eu gosto muito de vir é São Paulo. Eu amo vir a São Paulo.
O que que você gosta daqui?
Putz, eu adoro aqui, cara. Que isso aqui eu sempre digo que aqui é pertinho do Brasil. Todo mundo fala português. É o seguinte, aqui é pertinho do Brasil, todo mundo fala português e não exige visto de entrada.
Verdade, rapaz.
São Paulo não é Brasil.
É porque você acha parecido com Nova York, você gosta de Nova York, né?
Você morou.
A decisão de morar lá foi quando?
Foi a decisão de morar lá foi, cara, desde criança, né?
Eu sempre sonhava com isso, sempre sonhei em morar em Nova York.
Eu vou morrer com isso.
Por que Nova York?
Porque você via no filme Nova York por ser um símbolo do jazz, da música, a Rua 54, restaurante Miles Davis. Não, não, não era da música mesmo, da música mesmo, da música. Se fosse restaurante, aí eu queria morar em Paris, né?
Mas aí em Paris, primeira vez você foi para Nova York?
Fui em 90, no mesmo ano fui a Paris, Nova York no mesmo ano. Foi 92 em Nova York a primeira vez, 93 para Paris.
E quando você chegou em Nova York, era o que você imaginava mesmo?
Era exatamente o que eu imaginava, era exatamente o que eu imaginava. Eu demorei para parar de chorar, sério, fiquei chorando. E acontece isso o tempo todo quando rola alguma coisa em Nova York. Ainda, ainda é choro até sei lá o quê, porque eu choro, cara, porque eu queria ter morado lá. Eu morei lá, eu morei lá um tempo, então, mas eu queria ter ficado lá.
Mas qual foi a decisão de ir para lá? Tipo, vou lá para aprender?
Não, vou lá para morar.
Então, mas e a parte de trabalhar?
Você se preocupava de trabalhar? Essa parte é que eu não pensava quando eu tinha 21 anos, que eu já tinha uma carreira, então eu já era famoso no Brasil, e aí Eu fui para lá assim, porque a história que saiu na mídia era que você foi lá estudar, mergulhar no jazz e tal. Foi isso? Eu fui porque eu queria viver nos Estados Unidos para todo e sempre, para ver o que que é, para viver lá, morrer lá.
É mesmo?
Eu queria ficar lá porque é de onde saiu a minha música. Minha música saiu toda de lá, minha música é toda norte-americana. A minha música é música norte-americana. Isso é o grande lance para mim, sempre foi, né? Então assim, quando eu, quando eu pensava nisso, era por conta das minhas referências, sei lá, meu artista favorito que é Donald Fagen, Steely Dan, eles são novaiorquinos, né? E Miles morando em Nova York, Coltrane morando em Nova York.
Toda noite tem um lugar diferente?
Não, não, não, não, não, não, não, porque tem um lance que eu não gosto de show.
Ah é?
E aí, qual que era o seu lance?
Era comprar disco, comprar disco, andar para caramba lá, andar nas coisas, mas viver a atmosfera do lugar, viver a atmosfera do lugar.
Deve ter muito lugar lá para disco, né?
Não, é tudo disco assim de 50 centavos, $1.
Disse que aqui seria.
Eu fui ver poucos shows, cara, porque sempre que ia ver show ficava bateria tá alta. É sempre esse troço, a bateria tá alta e o piano tá baixo. É sempre esse inferno. O piano tá baixo, como? Até aqui em Nova York, meu Deus do céu.
E aí nenhum lá foi, tava bom?
Nunca. Eu nunca assisti um show na minha vida que o som tivesse bom, nunca. Em nenhum lugar do mundo. Nunca vi, nunca vi um show que falasse, putz, esse tá com puta som, tá certinho para caramba, tá tudo no lugar.
Às vezes o seu, que você controla tudo, você acha que também não chegava nesse nível?
Não, não chega, não chega, não chega.
Precisava ter um ambiente certo, acústica, tempo.
Precisa de tempo. Eu levo, eu levo um mês para mixar uma música, não dá para para fazer uma mixagem numa tarde com todo mundo no palco. Aquilo ali vai ser uma coisa resolvida.
O Lenny que tem banda também, entendeu?
Assim, é um rapaz, tem uma coisa que eu penso é o seguinte: ainda bem que alguém inventou a música ao vivo, porque gerou emprego para nós músicos. Tem, a gente ganha dinheiro, o dinheiro vem com isso, você ganha dinheiro com isso.
Você nunca se ganhou dinheiro com venda de discos, nem só quem vendia muito, milhões e milhões.
E mesmo esses milhões, quem vendia, sei lá, 1 milhão de discos, você pega, sei lá, o Roberto Carlos, né, que era um vendedor de disco incrível, cara. Se ele vendia aquilo de disco, imagina quanto ele ganhava num show. É, era muito mais proporcionalmente, era muito mais o que ele recebia de show, né? Mas enfim, nos Estados Unidos eu fui gravar um disco com um produtor italiano, Willie David, que era produtor do Pino Daniele. Ele foi o produtor executivo do disco, foi o cara que bancou o disco junto comigo, a gente era sócio no disco.
Mas aí ele pirou, ele foi morar em Cuba e me largou lá em Nova York. E eu fiquei lá sem, como dizia meu pai, a neném. Eu fiquei a neném. E, cara, eu não tinha me organizado no negócio de fazer show, que eu me lembro que as pessoas falavam. Eu tava, eu gravei um disco lá que nunca foi lançado, com grandes músicos, com grandes músicos, mas eu acabei regravando essas músicas, entre elas o Espaço Van, tem espaço na van. Eu tinha gravado lá atrás, mas você não gostou do resultado?
Eu gostei, é porque eu não podia lançar o disco por conta dessa sociedade com esse italiano. E esse cara morreu ano passado, rapaz. Eu tenho que entrar em contato com a família dele, que até hoje eu não posso lançar esse disco, porque quando eu tentei lançar, ele falou: eu quero 1 milhão de dólares. Então, porque a gente se afastou E aí ele queria 1 milhão de dólares para que eu pudesse lançar o disco, né? Aí ele pirou totalmente.
Mas a minha ideia, cara, naquela época, que tinham músicos muito conhecidos, né? Eu lembro que eu não conseguia quase que dormir na minha casa, que eu ficava, putz, eu tô gravando com esses músicos no estúdio do Donald Faye e tal, e eu vou morar aqui, eu vou morrer aqui, eu vou ficar aqui para o resto da vida. Só que eu não fazia show, não tinha show.
Você tava só gastando dinheiro, não tava entrando, só gastava.
E não tinha interesse em fazer um show, eu não queria fazer show. E achava que eu ia fazer show com aqueles grandes músicos, e isso não aconteceu, demorou. E muitas pessoas falavam para mim, poxa, você não monta uma banda aqui e começa a fazer show? Não, eu vou esperar o momento certo porque o Mike Brecker vai ser o saxofonista do show, entendeu? Então era um, era um, é o hiperdimensionamento do leonino, né? O leonino é essa coisa, é que tá tudo perfeito, calça de veludo, bunda de fora, né?
Não tem meio termo, 80/80, é tipo, ou é desse jeito aqui ou é nada, né? Então assim, eu fui isso, né?
Foi, foi, aí foi passando o tempo e isso foi Pensando o quê?
Vou ter que voltar para o Brasil, vou ter que voltar, que eu tô sem grana. Não tinha, não tinha trabalho, não tinha nada. Eu voltei para—
você ficou quanto tempo lá?
Eu fiquei um ano, um ano.
Mas valeu, cara.
Ainda bem que eu fiquei um ano. Se eu tivesse ficado mais tempo, isso tinha feito um— tinha destruído a minha cabeça. Porque um ano de Nova York, eu de chegar em Nova York eu já começo a chorar, né? Como eu Eu te contei. Sim, cara, se eu tivesse morado 5 anos, você não ia querer sair? Pô, não, eu não sei o que ia acontecer. Eu acho que eu ia preferir vender cachorro-quente e não voltar, e ficar. É porque era coisa da identificação, né?
Então, por exemplo, quando eu vou para Europa, e acontece isso em Paris, por exemplo, ou não?
Em Paris é diferente, porque em Paris meu show fica entupido, cara. Faz fila assim, né? Se eu tivesse o público nos Estados Unidos que eu tenho na Europa, pô, você já tá ligado, morando lá.
Mas Paris você não moraria? Eu não moraria não, não é teu tipo de cidade?
Eu morei em Berlim, né? Eu morei em Berlim, morei.
E aí?
E não gostei nada, nada.
Que que não gostou de lá?
De nada. Mas aí foi exatamente como a pergunta que você me fez de Nova York. Nova York, quando você viu a primeira vez foi igualzinho que você viu da última vez? Foi a mesma coisa que eu vi assim.
Sim, tive agora na Copa lá.
Eu digo assim, a sensação que eu tive de Nova York não mudou, não mudou. E a sensação que eu tive de Berlim, a primeira vez que eu fui a Berlim, eu tinha achado o pior lugar da Europa.
É mesmo?
Horrível. Eu não curti muito também, feia para caramba. Cidade feia, né, cara? Cidade feia. E aí eu falei, meu Deus, eu não, eu não vou aguentar. Mas a gravadora tá lá até hoje, a gravadora que tá lançando esse disco novo, que até agora eu não falei dele. É, vamos falar dele e do meu show também.
Você achou a capa aí?
Show dia 16, dia 16 de outubro no Teatro Bradesco, dia 16 de outubro, não posso esquecer.
No Shopping Bourbon, o Teatro Bradesco. Coloca a capa aí. Já fala, então a gravadora fica lá?
A gravadora fica na Alemanha. Já nos últimos 5 anos eu tenho gravado por gravadoras europeias.
E por quê?
Porque ninguém me quer aqui.
Essa é a opção.
É, não foi, mas são boas, né? São maravilhosas, poxa vida.
E você morou então um tempo?
Morei um ano também, quase, não, um ano não, menos Menos de um ano. Era, cara, eu peguei um visto especial, olha só, 5 anos em Berlim e fiquei menos de um ano. Não aguentei, cara. Uma cidade muito triste, né? É cinzenta. E aí assim, ao contrário de Nova York, não tem assim— eu adoro a Europa, eu adoro comer do jeito que os europeus comem, beber como eles bebem, mas eu não tenho, não é a mesma admiração que eu tenho pela cultura norte-americana, cara.
Não é a mesma coisa, não é. Não tem um Steve Wonder na Europa para mim, não tem um negócio que me faz chorar, não tem, entendeu?
Você cresceu ouvindo, eu choro, pô.
Então assim, a minha admiração tá lá na terra que faz um monte de coisa errada politicamente.
É só você falar que você tem admiração para os Estados Unidos, eu tenho certeza que um monte de gente já torce o nariz, mas os cara não vê o quanto de coisa boa os cara criaram também, né? Os caras são incríveis, bicho, na música, né?
Especialmente na música, na ciência, num monte de coisa, mano.
E esse disco é um trabalho que você fez em quanto tempo? Qual que é a ideia dele?
Esse disco eu comecei no final do ano passado e terminei esse ano, depois de uma década gravando em inglês, gravando músicas em inglês. É o primeiro disco em português Depois de uma década.
E por que essa decisão aí?
Ah, eu tava sentindo falta disso e as pessoas pediam demais, pediam demais. E eu queria expandir novamente aqui para o Brasil os meus shows e tal. Tenho mais vontade de fazer shows aqui do que ficar viajando para caramba, entendeu?
Retomar, né?
Então assim, É legal, é maravilhoso.
Mas teve uma época na sua vida que você falava que não queria mais cantar em português?
Eu achava que não ia cantar em português nunca mais na minha vida.
Por causa de uma carreira lá fora ou não?
É por conta da sonoridade mesmo, a sonoridade da minha música. Porque as minhas músicas, elas surgem em inglês, mesmo que não seja em inglês, né?
E depois você faz Sabe, é sempre isso.
Quando pensa inicialmente, eu nunca penso no toda vez que eu te vi lá em casa eu queria você aqui comigo. Nunca é, nunca é, nunca é. Sempre Tanto que a projeção da voz, mesmo que sou um triste perro, perro, é, não é perro, sou um triste perro, meu amado, é, sou um triste perro, é cantando o português com meio tipo inglês, né?
Faz todo sentido, né?
Fonema do inglês, né? É, tem tudo a ver com isso. O som da água é maravilhoso, né? O som é um timbre lindo, né? Uma percussão, né?
Você fez quantos discos em inglês?
Poxa, fiz 4 ou 5, 4 ou 5, 4 ou 5, uma coisa assim.
É, pô, que bom que você tá voltando para o português, cara, porque Resgata, né, isso daí. E você se arrepende então dessa, de ter falado algumas coisas do público?
Ah, que não queria cantar?
É, ou não queria, não queria que os brasileiros cantassem juntos, né? Até para explicar essa história, né?
Essa história que aconteceu foi o seguinte: isso aí foi um texto que eu fiz para o Facebook explicando Então é antigo, hein? Facebook. Foi um texto que eu fiz para o Facebook que eu falei: olha, você que mora fora e tá com saudade do Brasil, o meu show não é o show indicado, porque não é o show que você vai matar a saudade do Brasil, porque eu vou cantar tudo em inglês. Não é aquele cara daqui do Brasil que tá fazendo uma turnê aí, que tá cantando os maiores sucessos, que tem um monte de de gente que vai para fazer os shows para comunidade brasileira, legal, saudade.
Eu acho que é louvável, tá ótimo, mas não era o seu tipo de show, não era o que eu queria. Eu queria justamente aproveitar o fato de ter uma audiência ávida por um tipo de música mais sofisticado. Então, eu enfim investi nisso pesadamente, né? Em fazer esses shows no mercado europeu e cantar em inglês e tal. E tem vontade de gravar em inglês ainda, outras coisas assim, claro. Então, para mim, o inglês é a língua do mundo, né, cara?
A língua, a língua oficial do mundo é o inglês, né, bicho? É, a gente cantando em português, a gente tá inventando moda, né, inventando um dialeto diferente, né? A língua é o inglês.
Mas o pessoal enche o saco no show atrapalhava, chegava atrapalhado.
Eu me perdi na história de explicar o que aconteceu, né? O que aconteceu, cara, foi o seguinte: comunidade brasileira teve um show em Leeds, na Inglaterra, que eu cheguei na hora do ensaio, já fiquei em pânico, que eu vi assim: festa da lambada, festa da lambada. E também Edmota.
Ah não, no mesmo lugar?
Era no mesmo lugar, mas a festa da lambada era no dia seguinte, era no dia seguinte. Mas it doesn't matter, né? Eu falei, peraí, bicho, eu tô lambada e Edmota, eu tô no negócio que é o cara da lambada comigo. É isso mesmo, comigo que tem um, porra, cara, um puta de um preconceito com essas coisas populares. Pô, não tem conversa, não tem, não tem negócio de não, não tem, não tem, não tem, não tem, não tem. Aí, pô, cara, quando o show começou a rolar, as pessoas começaram a gritar: canta Manuel, canta não sei o quê, canta em português.
Puts, aí eu tive que interromper o show. Aí eu não falei: não canta em português, como as pessoas, porque quem Aquele negócio, quem conta um conto aumenta um ponto, né?
Aumenta um ponto, né? A história vai crescendo, né?
Tem gente que fala assim, aí você jogou uma garrafa de água. É, o Ed Motta tava lá nos Estados Unidos, ainda fala o lugar errado, né? Tava lá nos Estados Unidos e maltratou uma pessoa do público. Cara, isso nunca aconteceu, jamais, né? Os cara tavam pedindo, eles tavam pedindo, eu interrompi o show e falei, cara, desculpa, Pô, bicho, eu tô lançando. Aí falei em português para esse pessoal, falei em português para esse pessoal, falei, ó, eu tô lançando o trabalho aqui, já é o terceiro disco em inglês que eu faço, cara.
Eu não vou cantar nenhuma música dessa, e não é porque eu não quero não. A banda, porque a banda que eu trabalho é uma banda europeia, não é uma banda do Brasil. Tanto que às vezes entrava brasileiro, e aí, como é que tá?
Como é que tá lá?
Como é que tá o Rio?
Perguntando para os cara da banda.
É para os cara, os cara tudo gringo. Como é que tá o Rio, velho? Como é que tá o River? É, pera aí, rapaz, acho que eu não tô nem te entendendo, meu amor. Acho que eu não tô nem te entendendo, tá entendendo? Eu adorava tudo isso, tá? Isso eu tenho em junho do ano que vem. Eu tenho uma turnê lá grande na Europa, é, para, para vários lugares para lançar esse disco.
Adoraria assistir um show seu fora do país, queria ver como Ah, tem vários no YouTube.
No YouTube tem, no YouTube tem na Dinamarca, tem na Inglaterra, tem na França.
E a maior parte é público local?
É só público local.
Putz, cara, que legal!
É só público local, é só público local, porque eu toco em lugares menores, em cidades menores, né? Então eu não busco aquele, aquela audiência para Eu quero ver todo mundo pulando aqui, pô, pelo amor de Deus, eu vou até Paris fazer esse papel. Porra, não vou, cara, eu não vou, eu não vou, eu não vou fazer, cara, eu não vou pronunciar uma frase nessa língua se eu tiver em Paris, cara. Porra, com aquela arquitetura, bicho, eu quero ver essa galera aqui pulando junto comigo.
Não vai ter isso agora, só vocês. Não, não vai, não tem, já não tem nem isso aqui, né? Não chama chamo ninguém de galera, né? Eu não chamo ninguém de galera. Eu tenho horror a esse aí, galera. Eu tenho horror, horror a galera, cara. O negócio de: e aí, galera, galera, galera, galera. Tem pavor de galera, cara. Pavor, pavor, pavor, pavor.
Mas você sempre foi assim, né? Não é coisa de mais velho.
Claro que não. Então o que é turma?
Ah, ficou velho e ficou?
Não, sempre foi isso, sempre foi isso. Por exemplo, cara, Eu tive uma fase quando eu fiz 40 anos, eu fiquei com um probleminha de coluna. Coluna tava doendo para cacete. E aí eu tive que começar a usar tênis, porque só usava sapato. Só usava sapato. Nossa, só usava sapato. E agora que a minha coluna curou, eu joguei os tênis todos fora. Eu dei os tênis, eu não tenho nenhum tênis. Nossa, nenhunzinho, nenhum mísero, nenhum.
Você vai para andar de boa, é sapato então?
Eu não ando de boa, aí que tá. Vou andar de boa, não tem essa possibilidade. Isso é que no dia eu tava falando isso com minha mulher, ela, e aí a gente tá sempre junto, nós estamos há 36 anos casados, né? E aí eu fui para Curitiba.
Ela faz o quê?
Ela faz quadrinhos.
Ah, ela que fez as capas, tá. Então é a mesma, eu não queria ser indelicado não.
Então é ela mesma. E não, eu sou tradicionalista, casado com a mesma mulher e tudo.
E artista, né? Isso que é mais legal também, né? Os dois artistas.
Sim, sim, sim, eu tenho disciplina.
Mas você ia falar alguma coisa sobre tênis com ela?
Do tênis é que é o seguinte, eu tava no aeroporto de Curitiba.
Ela usa tênis?
Ela não usa também, não. É uma coisa dos dois, dos dois. É. E aí ela chegou e foi, eu falei, putz, tá doendo andar no aeroporto, que os aeroportos estão imensos, né?
De Madrid, cara, você se perde lá. Eu tive que sair de um terminal para o outro, esquece, cara, loucura.
Aí tava doendo perna, doendo, né? Ela falou, pô, mas você veio com esse sapato logo, esse, esse é muito estreito, aperta na frente, aperta e não sei o quê. E eu falei, é, mas o sapato não é para andar, sapato não é para andar, sapato é tipo um gato, né, tipo é para pousar, né, é para posar, né, pousar, pousar não, é para pousar também, mas para posar, né, assim. Mas claro que tem sapato confortável, mais confortável tudo, né?
Mas nenhum igual tênis também, né?
Nada igual tênis. É super confortável. Eu tenho um tênis, eu tenho um tênis, brincadeira, eu tenho um tênis, eu tenho um, tem um, eu tenho um tênis.
Se fizer propaganda desse tênis, ele estoura de vender, né? Porque, pô, o cara que só tem um tênis tem que ser o tênis, cara.
Não, mas não é um tênis incrível. É um tênis, não, não, não, não, não, não, porque não é confortável. Pelo menos é confortável. Eu não vou gastar com tênis de jeito nenhum. É, eu acho muito feio tênis para gastar dinheiro com tênis, cara. Eu não, eu não, e a galera gasta, viu? Gasta, pô. Tem uns tênis cafoníssimos que custam 20, 30 pau. Pô, que coisa cafona, né? Pagar isso num tênis é uma falta de cultura que, meu Deus do céu, né, cara? Meu Deus.
Fiquei curioso com esse seu tênis, como que ele é, cara?
É uma marca super famosa, tá, né?
Ou Adidas ou Nike.
Adidas. Adidas. Adidas. Eu gosto do Adidas.
Usa ele para quê?
Eu uso ele para caminhar no Jardim Botânico, só, só no Jardim Botânico não dá para ir de sapato, entendi? Não dá para botar nenhum mocassinzinho, um loafer, uma coisa assim, né? Mas eu, eu tinha me prometido um negócio, cara. Aconteceu isso com os 40, né? O negócio do tênis que eu tive que usar, fiquei bom da coluna. Mas eu pensei assim, quando eu fizer 50 anos Eu nunca mais vou sair de casa sem um paletó.
É mesmo?
É, nunca mais sair sem paletó e sem gravata e lenço, cara. É paletó o tempo inteiro, é gravata, ou então eu posso tirar a gravata, mas é paletó o tempo todo. Paletó, calça de alfaiataria e sapato sempre, que era roupa que eu queria estar usando desde garoto. Desde garoto eu sempre eu sempre quis essa roupa, é a roupa dos filmes que eu gosto, é a roupa das coisas que eu gosto, né? Então não é uma coisa que eu uso, que eu coloco essa roupa e dia de semana eu tô com um DGzão assim, com pantufa, é um DGzão com a calcinha apertada, né?
Roupa de sertanejo, né?
O que o mundo é esse, né, cara? O mundo é todo mundo todo mundo é de camiseta preta e calça jeans, né? É o padrão do planeta, não é? Não é do planeta, é calça jeans, calça preta, tênis preto. É, não tem como.
Você tá cumprindo isso da decisão dos 50?
Sim, cumprindo isso.
Sério?
Sim, eu só saio sem o paletó se tiver um calor muito absurdo no Rio, mas muito absurdo mesmo. Mas mesmo quando tá calor, eu coloco um paletó como esse aqui, mais leve, mais leve. Sim, é isso, é uma coisa do estilo, né? É o estilo. E para mim, o estilo é mais importante que o conforto.
É mesmo?
É, o estilo é mais importante que o conforto. Essa roupa aqui não é confortável, ela não é uma roupa confortável, ela não é igual você botar uma camiseta, claro, claro, com com uma calça e um tênis e já tá na rua, né? É diferente, né? Isso aqui não é confortável, né? Isso aperta aqui, aperta ali, aperta aqui, esquenta. Não é confortável, mas faz parte da estética, de uma ideia, de uma ideia. É uma ideia.
Disco também, você pensa, a estética, a forma é tão importante quanto o conteúdo. Também?
A estética no disco para mim é um negócio fundamental. Por isso eu sou o produtor do disco, para não deixar destruir a estética do meu disco.
Mas agora com Spotify e a galera fazendo música por música, perde um pouco desse do conjunto. Você ainda pensa no conjunto? É o disco?
Eu penso o disco, sempre penso.
Você não vai lançar uma música? Eu lancei, lancei 3 singles mais soltas. Tem, tem, é onde você sempre pensa como disco. Você pode ir lançando música solta.
Eu lancei soltas, eu fiz 3 soltas agora, 3 singles, né? Mas que fazem parte do disco, fazem parte do disco. Mas eu sempre penso no álbum, não só no meu caso como espectador da música também. A forma que eu consumo música nunca é uma faixa.
É porque eu ia falar isso, porque quando a gente era moleque, a gente sentava na frente da vitrola, abria o álbum que contava uma história e escutando música, virava o disco. Tinha até assim, por que que começa por essa e termina por essa? Qual é a música que vai abrir o lado B? Tinha todo um pensamento e a gente queria entender isso. Isso meio que perdeu agora, né?
Perdeu bastante, né?
Porque agora é digital.
O digital, o mundo digital trouxe uma série de coisas deselegantes, entre elas, entre elas, os números. Você saber o número, você saber que Beatles tem menos seguidor no Instagram do que um artista sertanejo, entendeu?
Um influencer.
É, um influencer. O influencer tem muito mais seguidor do que Beatles, do que Tom Jobim, do que sei lá o quê. Então isso é cruel e muito deselegante dos novos tempos, porque aparecem os números, né?
Parece E tem muita gente que leva isso como qualidade.
E aí, por isso que a gente tá onde a gente tá.
Por que que você tá falando, cara? Você tem menos seguidores do que eu.
Isso é coisa de ignorante.
Eu vendo menos disso que eu, como se fosse—
É, o ignorante pensa que o seguidor agrega uma coisa. Não, fulano tem mais seguidor. Pô, mas o que que é isso, entendeu? Isso não existe, né? É, né?
Não, não, não, não, não, não, não. Que outras coisas você acha que o digital atrapalha? O lance de você, porque aquilo que a gente falou no começo, você, cara, ia numa loja de disco e você escolhia. Agora, como tá tudo disponível, meio que a galera não dá valor pelo que tem, né? Porque eu posso ouvir a qualquer momento aquilo. Pô, eu lembro de viagem, você tem uma fita cassete ou duas e a viagem inteira vai escutar aquelas duas fitas cassete no carro.
E aquilo vira a sua trilha da viagem. Hoje em dia não. Na teoria você tem acesso a tudo.
Não, é assim, você tem a discografia completa de todos os artistas, né? E vive assim, não dá valor, onde as pessoas não conhecem nada.
É estranho, você tem acesso a tudo, você poderia conhecer tudo, e ao contrário disso, porque antes quando você tinha que buscar Você dava valor a essa busca? Hoje em dia aparece para você e você mal lembra o que você escutou, porque tava lá na playlist, ou ele te indicou um, depois você foi vendo outro.
Nossa, escutar música por playlist é o fim da picada, né? Mas é, é o mundo de hoje, né?
Como que você escuta hoje em dia? Ainda é vitrola? Você tem aí, porque antes você armazenava, né?
Eu escuto mais digital hoje. Eu uso um programa que se chama Roon, que é Roon com N de Nair no final, não é como se fosse quarto.
E o que que é o lance?
Ele é um organizador digital, organizador de arquivos digitais. Então ele, eu ligo os HDs nele, você tem as músicas no HD, eu tenho músicas no HD e outras coisas eu uso Tidal e Qobuz, uso esses dois, são os dois que tem 24 bits de resolução de áudio, tá? São os únicos com áudio realmente alto.
É, ou já tem, ou mesmo assim tem perda?
Não, não tem perda.
Não tem perda?
Não tem perda. Esse aí é o top, trabalha no mesmo, no mesmo padrão que a gente tá no estúdio.
No Spotify é quantos bits?
É comprimidação, perde para caramba, é comprimidão, é comprimido, é muito, é muito socado o som lá. Entendi. É o Tidal e o Qobuz. O Qobuz então é melhor do que o Tidal.
Mas aí você escuta onde isso?
No celular? Eu escuto isso nas caixas de som através desse programa que chama Roon.
Mas é um computador que toca isso?
É, o computador é que toca isso. Um Macintosh toca isso. O controle remoto pode ser o celular ou um iPad ou um—
Sei, sei, sei.
Que vira o o remoto do programa e eu controlo o programa pelo iPad. E ali eu comparo, por exemplo, sei lá, o Jeff Beck que a gente tava vendo ali. Aí aparece o CD que eu copiei, a versão do Tidal e a versão do Qobuz. Tem as 3 versões, aparecem qual que você quer ouvir. Aí eu comparo o som. É neurose, né? Eu comparo o som para ver qual que tá com som melhor e vou escutar que tá com melhor. Eu escuto na sua casa, isso na minha casa.
Quando você tá longe de casa, quando eu tô longe de casa, eu escuto Tidal e Qobuz digital. É digital, mas em casa eu tenho escutado isso mais do que o vinil, apesar de ter uma coleção gigantesca de vinil.
E você escuta as mesmas coisas ou você fica procurando coisa nova?
Sempre tem algumas coisas das mesmas que eu escuto sempre, né? Mas eu tô sempre descobrindo coisa nova do passado, sempre, sempre, sempre, a vida inteira. Igual o negócio do cinema, de descobrir sempre um filme novo entre anos 30 e 50, sempre tu vai ter para o resto da vida.
É, né?
E discos, a mesma coisa, tem sempre um artista que eu não conhecia, um disco, uma coisa que, ah, isso aqui eu não sabia, eu nunca ouvi falar desse artista. E é sempre uma novidade, novidade é sempre Aí eu diria que vai dos anos 30 aos anos 80 a minha coleção de disco, meu interesse em música, meu interesse por música. Depois dos anos 90, eu não tenho absolutamente nada de anos 90 de disco na minha casa, nada. 90, tentando lembrar o que que aconteceu nos 90, porque nada, nada, nada, nada, nada.
A partir do final de 80 já, já não já não tinha mais, né? O que eu tenho é, vai até 83, 80.
O pessoal confunde muito teu gosto musical com o que você deveria falar para as pessoas, porque eu vejo isso aí, você coloca sua opinião sobre música e a galera fala, ó, que preconceito!
Mas é o teu gosto musical, é o que eu construí, o que você consome de informação, né? E o gosto, né, cara, Tem uma coisa que as pessoas falam, que gosto não se discute, né? Mas eu acho que o gosto é extremamente discutível, porque o gosto é cultura, diz muito sobre você, né? O gosto é cultura, né? Uns têm mais que outros, né? Tem gente que tem menos cultura do que outra. Isso, meu Deus, claro, não adianta ficar chateado, né? Não adianta ficar chateado, porque, porque não Papai do céu não mandou igual, não mandou todo mundo com o mesmo discernimento, com a mesma cognição, não mandou.
Não é, não é igual, não somos iguais, não somos. Que essa história, né, somos todos iguais, não somos. Ainda bem que não, não somos, né? Não somos todos iguais, né?
Alguns são mais iguais que os outros, né? Tem alguma coisa que você não fez ainda que você era de fazer? Falando desse disco e dos novos projetos, falou que tá com show, vai fazer show aqui, é só isso?
Dia 16, falamos do coisa, falamos, falamos no começo, né?
Mas assim, o pessoal que quer saber de shows é no seu Instagram.
Onde é que vê agenda de show? No Instagram.
No Instagram você vai divulgar tudo lá?
Tudo. O Instagram hoje em dia é fanpage, é tudo, né?
E esse quadrinho vai estar à venda quando?
À venda em novembro pela editora Trem Fantástico.
Novembro, a partir de novembro já tem meu presente de aniversário.
Eu também, eu também, né?
Ah, você também? A gente faz dia de diferença, é verdade, é verdade.
Você já tem, você já ganhou aqui.
Esse tema é que fica no programa, mas eu vou levar para mesa aqui. Que legal, cara! E de projetos novos, tem alguém Em quem que você quer gravar ainda? Onde quer fazer show? O que que você—
olha, todos os lugares que eu— um lugar que eu gostaria de fazer show é na China.
Putz, é mesmo, né?
Eu nunca fui à China.
Eu tive agora esse ano, cara. Você vai ficar impressionado.
Eu sei, eu sei que lá é o futuro, né? É o futuro, né? Então eu Eu gostaria muito de fazer um show na China.
Eu conheci uma garota, a gente até entrevistou, você tava no dia da brasileira, ela fazendo um sucesso absurdo lá. Ela é ruiva, então ela é, o visual dela agrada muito ao chinês porque ela é muito diferente, e ela canta umas músicas celtas, tá fazendo coisa para videogame assim. Ela adora a China, cara, foi lá para ficar dias e tá meses lá, eu acho que vai ficar bastante. Você vai pirar. Vamos ver o que que o povo quer saber, Lenny.
Ó, vamos lá, tem várias perguntas aqui.
Imagino, né? Pode ser sua também, viu, Lenny?
Ó, eu vou fazer, eu vou começar, eu vou abrir a minha aqui com a minha pergunta, pessoal.
Eu, é uma pergunta, o pessoal fica puto, mas você merece, tá?
Desculpa, né, meu?
Desculpa, tá aqui meu, um dos meus ídolos aqui, eu não vou fazer a pergunta. O Ed, é uma pergunta um pouco aleatória, mas o que que você prefere, Wurlitzer ou Fender Rhodes?
Gosto mais do Fender Rhodes. Mas eu adoro.
Aí vocês estão me humilhando, né, Lelê? Porque você falou grego para mim, né? Eu ouvi igual, tipo, eu vou botar a foto dos dois aí, mas é a mesma coisa também que você pensa ou não? Seu gosto diferente?
Eu também gosto muito do Fender Rhodes.
O Rhodes é lindo, o Rhodes tem um som cremoso, né? Ele é uma mistura de vibrafone com celesta. A celesta é um instrumento de orquestra, né? Celesta usa em música clássica, tudo, né? É um instrumento lindo, né? É uma mistura desses dois instrumentos, né? Esse é um do lado do outro, um Wurlitzer e um Rhodes. Wurlitzer e Rhodes.
A Wurlitzer fazia junk box, né?
Cara, olha que me enganou, né? Você achou que você tava falando de banda, cara. Nossa, vai, Lilia, próxima pergunta. O Paulo, eles estão me humilhando aí, cara.
Fala aí, Lilia.
Ó, o Paulo falou o seguinte: você tem mais de 30 mil discos, ainda existe algum disco que você procura há anos e simplesmente não consegue encontrar?
É isso mesmo?
Tem, tem, tem coleção imensa.
Olha, tem que tomar cuidado para não bolorar, para não—
não, porque tem máquina de lavar disco, né? Que doideira!
É, dá para lavar disco, eu não sabia disso.
É máquina de lavar disco aí, cara. Tem sempre algum, tem sempre coisas que a gente tá procurando e que não tem. Tem um disco que é da orquestra de Jack Dougherty, é a primeira gravação do Jeff Porcaro, baterista. Ele tinha 15 anos. Esse disco eu não tenho ele e procuro. Não, nenhum disco tão difícil, mas é porque eu procuro ele lacrado e aí não consegui achar um lacrado ainda.
Jeff Porcaro, que foi o primeiro baterista do Toto, né?
É muito bom, muito bom.
A Paula tá falando o seguinte aqui: é, você tem uma relação muito forte com a qualidade do som. O streaming faz as pessoas ouvirem mais música, mas aprendem a ouvir menos na questão de qualidade, né? Você acha que isso atrapalha? Ouvir muita música de streaming atrapalha na qualidade?
Eu acho que o streaming tem menos qualidade, depende do, do, da assinatura que a pessoa tem, do, do, da plataforma que a pessoa usa. O Tidal e o Qobuz tem um som incrível, que é o som homologado pelos audiófilos. Audiófilos, né? Os audiófilos usam Tidal e Qobuz, 24 bits.
A Joana perguntou o seguinte: você comentou recentemente sobre usar inteligência artificial no seu trabalho. Onde a IA ajuda um músico como você e onde ela começa a ameaçar a identidade do artista?
Boa pergunta. Daí, você tá por dentro?
Não, eu tô totalmente por fora da IA. Eu também, cara. Mas eu, mas eu, como que você vê? Eu olho aí com simpatia Porque eu acho que a IA usada com inteligência, ela vem, ela é uma extensão das facilidades do mundo cibernético, de internet, sintetizador, de tudo, claro. Então eu acho que ela vem para trazer algum, alguma facilidade que a gente ainda não sabe como usa isso, né? Eu particularmente não sei, não sei de nada, né? Não sei como como trabalhar com isso, né?
E não uso isso ainda na minha música, né? Mas não tenho nenhum preconceito com o IA, não tô com medo da IA como tá essa coisa toda, né?
Ó, vamos lá, tem uma pergunta aqui que é sobre aquela— o Ivan tá pedindo para você contar sobre aquela situação no restaurante por causa da taxa da rolha. Né, que foi muito falado e tal.
Pessoal ficou também comentando quando colocou na agenda, né? Serve vinho para ele. Exato, serviu vinho hoje, né?
Desculpa.
Aí ele tá pedindo para você, para você contar o que houve assim, e se você faria, se você faria igual ou se você não faria do mesmo jeito como foi a situação ali.
Que você tem tempo de falar sobre isso, não é um corte, né? Então a galera sabe que realmente aconteceu, né? Que eu também a gente fica vendo só as notícias, o que o pessoal fala, né? Sobe a manchete e fala assim, não entende direito o que aconteceu.
Foi uma fatalidade, né? Foi uma infelicidade. Infelizmente, os donos do restaurante não me informaram, que me conheciam, eram amigos até então. Claro, até então eram meus amigos e pessoas que eu considerava amigos. E eu fui, eu fui apunhalado pelas costas, né? Tanto que pegaram um áudio meu de um ano, de um ano antes, e misturaram esse áudio como se fosse uma coisa atual, né? Então foi uma, foi um episódio muito triste, muito ruim, que eu me arrependo muito.
É o lance da galera querer lacrar em cima, né? Ganhar like e tal, cara.
Exato, foi muito ruim.
Ó, tem uma pergunta pergunta aqui da Joyce. Ela fala assim: se você fosse para uma ilha deserta e só pudesse levar 10 discos da sua coleção, quais seriam?
O cara é difícil, mas vamos, tem, imagino que deve mudar também essa lista, ela muda.
Mas eu vou falar um só, tá? Vai mais só, é mais radical ainda. Se pudesse levar um só, se levar, se pudesse levar um disco só, eu levaria Steely Dan, Aja. É porque tem taxado, por ser o disco mais perfeito do o universo para mim, por ser o norte da minha vida, cara, o meu parâmetro de tudo, de como se fazer um disco, como se fazer um disco perfeito.
É o Age do Steely Dan, é a coisa, é o disco com a sonoridade mais perfeita de estúdio, os acordes perfeitos, tudo redondo, letras super inteligentes, sarcásticas, Cara, depois desse programa eu vou ter que fazer uma busca aí para ir atrás desse material, porque, cara, o meu conhecimento musical é muito pequeno, mas eu quero— é esse daí?
Não, não, esse é o Asia, a banda Asia, que é a banda do Steve Howick, que tem— como é que era? Teve uma música, é aquele ali, tá ali, ó, Asia, aquela japonesa ali, ó. Ah, tá. Não, aquele ali, aquele, esse aí. Aqui que tem uma capa preta com uma japonesa com vestido. Esse, esse aí, esse é o disco da minha vida.
Esse aí, que época que é esse disco? 1977.
Ah, 77. Esse aí é o CD japonês. Isso aí é o CD japonês com a capinha imitando vinil. Eu sei porque eu tenho o CD japonês, o CD americano, CD holandês.
E tem imagem, eu não tô entendendo.
A imagem é uma foto, sabia? É uma foto, é uma foto de uma atriz japonesa, eu esqueci o nome dela, de uma modelo e atriz. É ela vestida com, ela tá com vestido branco e vermelho e preto. E a foto, a foto, uma foto boa, opaca, porque parece um desenho, né?
Parece uma ilustração.
E aí, porque a foto tá bem uma puxada, né, nas cores, né.
Dos seus discos, qual que você acha o mais perfeito, mais perto do que você gostaria do resultado final?
Essa fase agora, esses discos da última década, os discos da última década, os discos que eu fiz em inglês, todos eles. Você já tinha uma maturidade, já sabia que todos eles, eu acho que eles são os meus melhores. São os discos com maior profundidade, uma série de coisas, né? São os que eu mais gosto.
Vamos lá, tem mais uma aqui do Paulo. Ele tá pedindo para você falar sobre o episódio com o Hold, que você teve um problema com o Hold num show, né? E aí você fala abertamente no show, né? Eu tinha prometido que você ia trabalhar só mais esse e esse é o último, né? Ele pediu para você contar o que que foi que aconteceu, o que que te tirou do sério ali.
Não, ele me tirou do sério porque o cara tinha feito uma bobagem horrorosa, é uma bobagem horrorosa antes do show, num show importante, num festival. Eu tava sem fazer show há um tempão, desde pandemia, tudo isso. É claro que eu fiquei nervoso e passei do do limite ali. Mas ali o Roldo tinha um grau de culpa imenso, entendeu? Ele errou feio e nunca reconheceu o erro dele. Foi para internet se vitimizar. E aí tá ouvindo, Lenny?
Ó, tô falando de vocês aí, de vocês assumirem o erro aí também às vezes, viu? Que aí eu vou ficar jogando a culpa para o outro.
É verdade, é verdade. Eu assumo que eu errei na forma que eu tratei o assunto, mas em nenhum momento o cerne da coisa não tava completamente certo.
Edilson, queria agradecer demais o papo. Você não tá livre ainda porque eu sempre faço 3 perguntas finais, mas cara, que papo! Eu passei aí por vários momentos da vida que eu ouvi tua música, você contou coisas muito legais. Agradeço demais, cara.
Te agradeço.
Tem uma história muito legal e que tá, tá em construção, em construção. Exatamente, não dá para saber o que vai acontecer, né?
Sim, sim, os próximos capítulos, né?
Exato. E volte aqui para sempre quando quiser, ou para contar esses capítulos novos. A primeira pergunta, eu queria saber qual foi o momento mais difícil da tua vida ou da tua carreira, se dá para escolher um especial.
Cara, o momento mais difícil da minha vida e minha carreira eu passei agora com esse cancelamento, com porcaria dessa cadeira que eu joguei no restaurante.
Essa foi do, da rolha?
Não, é o negócio da rolha. Isso foi a coisa mais difícil que eu enfrentei na minha vida e na minha carreira. Tô falando sério.
Mas eu te falo, cara, cancelamento ele passa em semanas, depois ninguém lembra.
Mas tem um reflexo com a gente, né, de pedidos de shows, tudo isso de mundo reflete, reflete, reflete, reflete. Mesmo que fique lotado Tem gente, mas tem menos, né? Então assim, isso foi a coisa mais difícil que eu passei, cara. Coisa mais difícil foi isso aí.
Qual o aprendizado para isso?
O aprendizado é não tomar cuidado, né? E tomar cuidado, você cria uma casca também, né, em relação a isso.
Claro, você vai sentindo cada vez menos assim, tá? O pessoal, tem gente que me odeia, tem gente que gosta. Antigamente você nem sabia porque não tinha rede social, né?
É isso, isso foi uma coisa construída, né? A imprensa construiu essa imagem também, né?
Tem essa também, né?
Tem essa coisa de, puta, sai um, sei lá, sai meu disco, certo? Aí a imprensa faz uma retrospectiva em vez de falar do disco. Aí fala que, puta, o Edmonta já pediu desculpa milhões de vezes. Eu não pedi desculpa tantas vezes assim. Eu pedi desculpa 2, 3 vezes. Como ninguém tem a vergonha na cara e o caráter de pedir desculpa, parece que eu só vivi minha vida Aí tem um monte de piadinha, entendeu? Assim, de, ah, ele pede desculpa toda hora e tal. São umas piadinhas assim bem burrinhas, né?
Assim, cara, mas saiba que a minoria é que uma minoria barulhenta, é a minoria que faz um barulho bom.
Eu vi, por exemplo, eu vi na publicação de vocês, pô, não, eu não vou assistir, mas, cara, eu não vou não sei o quê, né?
Não sei o quê, o cara vai assistir. Eu já vi isso em outras publicações, né? Às vezes é o cara só para aparecer. Já, cara, eu toda semana sou cancelado, né?
Verdade.
Vilela dando palco para tal pessoa, gostava de você. Aí eu entrevisto Lula, Vilela é petista. Entrevisto Bolsonaro. Então assim, eu tô acostumado, isso é toda semana. Por isso que eu te falo, toda semana eu sou meio cancelado por quem eu trago aqui. E eu tô acostumado porque esse cara ele fala, mas ele tá aqui sempre. Ele fala de você, mas ele tá indo atrás de onde você vai. É o cara mais fã do que tu, é É um super fã, exatamente.
O cara tem toda a publicação falando, ai, não sei o quê e tal, mas tá aqui. Então você que é esse fã, comenta aí, né?
Faz um comentário, faz um comentário e marca o sininho para seguir, né? Não esquece, é sobre isso, ó, é sobre isso. Como é que é? O responsabilidade afetiva, responsabilidade afetiva, pertencimento. Pensamento, é lugar de fala, é escuta responsável.
Essa já não é. Que que é escuta responsável?
Disruptivo, disruptivo, disruptivo, disruptivo. Que mais?
Quando fala que são com pesos diferentes, isso é esse termo, estão falando para caramba, né? Também é falsa, falsa simetria, não é simetria, falsa insuportável. É quando você dá uns exemplos, não, mas isso é uma falsa, é como se fosse falsa simetria, né?
Não é um negócio, meu Deus.
Mas antes de você cancelar de novo, vamos para outro assunto então, que a gente entrar nessa ele é cancelado de novo. Não vamos entrar nesse assunto. Segunda pergunta é o seguinte: eu não sei se te avisaram, Ed, se fui eu que te botar esse recado, desculpa, mas a gente vai morrer um dia. Você tá sabendo disso, tá ligado? Não vai ser agora, não vai ser logo, mas esse programa vai ficar aqui durante 200, 300 anos. Dá um recado para quem tá assistindo 200 anos no futuro. Quais seriam suas últimas palavras, teu epitáfio, Ed?
Epitáfio? Epitáfio: curta a vida enquanto você tá vivo, depois não dá, né?
Boa essa, né?
Curta a vida, a vida com toda intensidade. Você curtiu a vida? Sempre.
Pode se dizer que você curtiu a vida? Eu curto a vida. Que você aproveita, você dá valor às coisas.
Eu dou valor às coisas, a cada coisinha eu dou valor. Eu dou valor ao gole d'água que eu bebo.
Eu também tô nessa fase assim de ter um banho. Por exemplo, não tinha banho quente ontem, aí quando tem banho quente eu dou valor.
Ó, cara, eu dou valor a tudo, cara.
E de você viver do que você gosta também, né?
Viver do que eu gosto.
Quantas pessoas no mundo conseguem fazer isso? Sim, viver do que gosta de fazer, né?
Não, isso foi uma dádiva, uma bênção.
Você não se encheu o saco de música ainda? Você gosta ainda de fazer?
Não, a música tá num lugar acima do gostar. A música é, faz parte, eu e a música e a arte também, no fundo, não tem onde acaba um, começa outro. Cinema, quadrinhos, tudo isso sou eu. Entendi. Eu amo isso numa intensidade que tá acima do amor, entendeu? Tá acima do amor, é uma Se eu não tenho essas 3 coisas em vida, eu não quero viver.
Entendi. É o que tira o peso da vida, né? Se for pensar, sim, a vida é tão dura, a realidade, eu tô falando, se você fizer as notícias, tá acontecendo, a arte meio que te tira um pouco disso e faz—
a arte sempre teve esse papel. Tem a arte, livro também, dos livros. Sim, sim, sim, sim. Minha mulher mais, é, lê mais. Eu leio muito o lance dos quadrinhos, mas o quadrinho tem esse preconceito que as pessoas pensam que quadrinho é coisa para criança, né?
Tem o Maus que ganhou, pô, dizendo, né?
Sim, ele foi na minha casa, cara. O quê? O Art Spiegelman foi jantar na minha casa quando a gente mudou.
Na minha casa, a Fabi.
Sério?
Como foi isso?
Isso foi na Bienal de Quadrinhos.
Qual?
Na Segunda Bienal de Quadrinhos, na Primeira Bienal de Quadrinhos também, do Rio. Do Rio eu recebi pessoas na minha casa.
Primeira Bienal eu tava lá, era o Moebius, era o Moebius, tava, eu ganhei o prêmio de primeiro prêmio de quadrinhos, eu ganhei lá de melhor quadrinho.
O Theo van den Bogart, tava o Breccia argentino. No segundo tava o, no segundo tinha exposição o Bilal, não era no primeiro, acho que foi no segundo, que foi no lançamento do livro Entre Ossa. Aí tinha uma mesinha que eu autografava o Entre Ossa e tal, e o Art Spiegelman tava lá dessa vez, tava nessa vez. Aí ele foi lá em casa jantar. Eu me lembro que mostrei Pixinguinha para o Art Spiegelman, ele ficou louco, porque o Art Spiegelman é infinitamente mais radical do que eu.
Ele só ouve música até os anos 30, igual o Crumb. O Crumb também só ouve até anos 30. É, o Crumb não ouve nada depois da década de 40. Eu sei porque eu coloquei uns discos, uns CDs, vinil mesmo, de 16 polegadas, aqueles menores. E aí era uma coisa da década de 40. Aí o Aspigman falou, ah não, isso Tipo como se ele tivesse ouvindo Michael Jackson assim. Ele: não, não, não, isso é muito comercial, isso é muito isso, isso, isso não.
Eu gosto dos caras dos anos 30, dos anos 30. É o cara muito inteligente, o Art Spider-Man.
Que legal! É, puta, tua relação com quadrinho então é maior do que eu pensava. Você curte mesmo?
É imensa, é imensa. Casei com a quadrinista.
Não vai embora sem eu dar o meu quadrinho então para você ler aí, né?
Por favor, pô, eu quero.
Vai, vai gostar. Obrigado demais. Ah não, tem mais, tem mais uma pergunta aí. E a última, e a terceira e última pergunta é: qual tua dúvida atual, Ed? No que que você se pega pensando antes de dormir?
Como que eu vou fazer para ficar rico aos 55 anos de idade?
Cara, aí vira coach.
Se você descobrir, você faz um curso e aí você me conta.
Não, ele Ou ele faz um curso agora de como ficar rico, aí ele fica rico. Não é assim que coach fica rico, ele fica rico vendendo um curso de como ficar rico. Mas eu falava alguma coisa assim, trabalhe com o que ama e todo dia você terá dificuldade de ganhar dinheiro com isso, porque quando você trabalha com o que você gosta, você não mira no dinheiro, você vai fazendo o que você gosta e vai indo pelo que você gosta mais ainda. É complicado, né?
É complicadíssimo.
Porque você podia a qualquer momento da sua carreira, principalmente no começo, você podia ter se vendido e ganhado muito mais dinheiro.
Pô, podia ter me vendido e ficado milionário, né?
Vira um fazedor de hit e vai dar bom.
Abrir numa casa daquela com a porta assim, aquelas portas, aquelas, é, geralmente o breguinha que ganha dinheiro para caramba, aí tem aquela porta, é pelo tamanho da porta que se vende, aquela porta alta, alta, alta, alta, alta, né?
Imensa.
Aí o cara abre, o cara abre com O cara abre, ele tá de bermuda sem camisa. É, cara, ele tá de bermuda sem camisa.
E aquela casa que quase não tem móvel, né?
Muito espaço, não tem livro, né? Não tem livro, livro não pode dar.
Os caras compram o livro, tem uma pessoa que compra livro para essas pessoas para parecer mais inteligente, para botar livro em cima. Essa pessoa ganhou dinheiro comprando livro e disco para essa pessoa.
Livro em cima de mesa de casa de rico, né? É que nunca foi, é que o livro O livro fica ali para decoração. Os livros da Taschen, né, eles servem para mostrar uma cultura que não existe, uma cultura que não tem, que não tem, que chega lá, pô, você tem um livro de tal artista?
Ah, é, tenho, né. Olha, rapaz, não tem uma história de uma dessas influências que compraram, era só livro para cozinha e tinha um Francis Bacon no meio? Era só livro de culinária e Botaram um Francis Bacon no meio, cara.
Tem uma pessoa, tem um artista que eu encontrei uma vez, eu não posso falar quem é o artista, não dê nomes, senão isso é queimação. Mas o cara tava na rua e tava com uma camiseta do Kandinsky, o pintor, que é meu pintor favorito. Aí eu falei, pô, que maravilha, camiseta do Kandinsky! Não, não, não, não, não, comprei em Nova York. O cara achou que era o nome da marca, sei lá. E o cara, o cara, o cara, cara, isso é maravilhoso. O cara não é um artista que se você começou ontem, você não ia acreditar. Você ia falar, pô, mas esse cara, esse cara foi ignorante desse jeito? É, foi.
Comprei em Nova York.
Comprei em Nova York.
Maravilhoso. Então essa é a dúvida, essa é a dúvida: quando vai ficar rico?
Como faço para ficar rico agora, velho?
Se descobrir, você volta aqui, a gente faz um programa só sobre isso. Sim, sim, é de moto. Como ficar rico depois de 50?
Ah, torce por mim, cara.
Eu tô com 50, vou fazer 56, então estamos na mesma aí. Obrigado demais, cara, que papo, mano! Gostei demais. Você é um dos caras que eu queria muito falar, e cara, eu E outro cara que eu queria falar, semana que vem vou falar, que é Amir Klink também. Sempre quis falar com ele, vou conseguir falar com esse cara.
Grande, grande, grande.
Obrigado demais, Ed. Obrigado você. Então a gente vai deixar as redes sociais dele no comentário fixado.
E o que você tem que falar agora é o seguinte, ó, se você não deu seu like ainda, você tá vacilando. Então corre, deixa o seu like, se inscreve no canal, já se torna membro, compartilha o link dessa live.
Manda um, manda um Manuel aí.
Manuel, não, eu gosto muito, cara, do Ed assim. Eu me inspirei porque eu toco bateria e sou cantor, mas eu me inspirei muito quando o Ed lançou principalmente o primeiro disco que tem, que tem Foras da Lei.
Aquilo foi um divisor de água para mim como vocalista. É mesmo?
Aprendi a cantar muito ouvindo os melismas do Ed imitando ele.
Fala a verdade, imitando mesmo. Mas faz parte, né?
Mas faz parte. Eu sempre imitei os cantores todos, cara.
Fala imitação, te pega quando os cara te imitam? É os comediantes.
Ah, eu adoro.
Já viu quem que é o carioca que imita Rogério Morgado?
O Morgado, Morgado carioca também faz.
Morgado é verdade, né?
Verdade, é bom, cara. Que que faz assim?
Porque quando vão te imitar, ficou nessa coisa.
Quem imita muito bem é o João Marcelo Boscoli. Sério? É, ele imita muito bem.
Precisamos trazer ele também.
Ele imita muito bem.
É, vamos trazê-lo. E que mais, Eleni?
E aí, para provar que você chegou até aqui, escreve aí: festa da lambada.
Festa da lambada, cara, que história! Essa história é maravilhosa. Maravilhosa, cara! Você chegar para fazer um show, tem um show do Ed Motta e festa da lambada no mesmo lugar.
E para completar, teve mais uma coisa, uma maldade minha contar isso, mas eu vou contar. Um inglês, o cara, pô, ele fez aquilo na mó boa vontade, ele fez uma feijoada. Eu falei, rapaz, mas como você aprendeu a fazer a feijoada? Na internet.
Ah não!
E para a gente comer a feijoada, a banda, todo mundo, todo mundo se olhando assim: como é que tá essa feijoada aí? Eu perguntava, deixa alguém comer primeiro aí, né? Como é que tá essa feijoada aí? Vai comer, tem que comer todinha, toda, toda. Vamos comer toda e elogiar.
É, mas como tava a feijoada?
Fala a verdade.
Não tava legal não. Eu tava aquela feijoada assim Ah, mano, caramba, aquela feijão ralo, né, cara? E as carnes salgadas. Nossa, rapaz, rapaz, um prato tão maravilhoso que é feijoada, né? É aqui em São Paulo a famosa bolinha, né?
Bolinha famosa até hoje. Comi nesse final de semana, comi feijoada lá no meu cunhado.
Ele faz, faz bem, fica aquele caldo grosso.
Não é só feijoada, né? Tem a couve, tem a farofinha, a laranja, né?
Todo mundo juntos, pedaizinhos todos.
Obrigado demais, Ed. Toda felicidade do mundo, cara. Você é um cara que tem um talento absurdo. Não preciso falar porque você sabe disso, né? Mas é sempre bom a gente reforçar isso, cara. Você tem uns caras aqui no Brasil que são como você, mais caras como você, e a gente ia ficar bem na fita aí. Obrigado demais, obrigado demais, tá bom? Obrigado vocês que tiveram. Como que é? Festa da Lambada nos comentários, escrevam para provar que chegou até o final.
Até mais, fiquem com Deus, beijo no cotovelo, tchau, e que bom que vocês vieram. Valeu, fui!