038 - FLÁVIO NO CASO DARK HORSE + JULGAMENTO DE MORAES NO STF
FERNANDA COMORA é jornalista e RICARDO MARCÍLIO é especialista em geopolítica. Eles são os âncoras do Notícia I-LTDA, o programa de notícias do Inteligência Ltda. Eles vão comentar, junto do Vilela, as notícias recentes do Brasil e do mundo com os convidados CARLOS BEZERRA JR., MADELEINE LACSKO, SAMER AGI, DELTAN DALLAGNOL, DANUZIO NETO e JOSIAS TEÓFILO. Já o Vilela desenhava pro Pasquim.
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Fernanda Cômora
Ricardo Marcílio
CARLOS BEZERRA JR.
DELTAN DALLAGNOL
JOSIAS TEÓFILO
Madeleine Lacsko
SAMER AGI
- Crise no STF e o julgamento de Alexandre de MoraesAlexandre de Moraes·André Mendonça·Banco Master·Flávio Dino·Gilmar Mendes·Cristiano Zanin·Daniel Vorcaro
- Envolvimento de Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro no caso Dark HorseDark Horse·Flávio Bolsonaro·Eduardo Bolsonaro·Daniel Vorcaro·Mário Frias
- Pagamentos de Daniel Vorcaro a autoridades e o escândalo do Banco MasterDaniel Vorcaro·Banco Master·Alexandre de Moraes·Viviane Barsi de Moraes·Cássio Nunes Marques
- Divisão no STF e a blindagem de Alexandre de MoraesAlexandre de Moraes·Supremo Tribunal Federal·Flávio Dino·Gilmar Mendes·Cristiano Zanin
- Crônica sobre a indignação popular com o julgamento do STFSupremo Tribunal Federal·Alexandre de Moraes·Flávio Dino·Cármen Lúcia·Cássio Nunes Marques
- Análise da decisão de Flávio Dino de pedir vista no julgamento do STFFlávio Dino·Alexandre de Moraes·André Mendonça·Julgamento no STF
- Impacto eleitoral do julgamento do STF e a imagem dos ministrosEleições·Supremo Tribunal Federal·Alexandre de Moraes·Lula
- Possível fim do Reino Unido com movimentos separatistasReino Unido·Escócia·País de Gales·Irlanda do Norte·Brexit
- Guerra na Ucrânia e a influência de Donald TrumpGuerra na Ucrânia·Donald Trump·Rússia·Ucrânia·Zelensky
- Avanço dos Houthis no Mar Vermelho e impacto no comércio globalHouthis·Mar Vermelho·Estreito de Bab-el-Mandeb·Canal de Suez·Iêmen
- Crise econômica e industrial na Argentina sob o governo MileiArgentina·Javier Milei·Indústria argentina·Protecionismo estatal
- Novas tendências de moda: Maxi Presilhas e a 'barriga de pai'Maxi Presilhas·Barriga de pai·Moda
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E você, desse pig?
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Boa noite, sejam todos bem-vindos a mais um Notícia Ilimitada, que hoje tá imperdível. Eu sou Fernanda Cômora, para quem me conhece. Para quem não me conhece, como diz meu amigo Vilela, continuo sendo Fernanda Cômora.
Fala aí, pessoal, boa noite também. Professor Ricardo Marcílio, Geopolítica Atualidades, também sempre analisando as principais notícias da semana.
E eu sou Vilela. Pô, hoje o dia foi quente, todo mundo ligado, parecia final de Copa do Mundo. Peguei um Uber, tava o Uber com fone de ouvido escutando. Quando vocês iam pensar que o cara estaria escutando um julgamento ou uma reunião no STF? Então Tá todo mundo realmente querendo saber e a gente trouxe os melhores especialistas para analisar e mastigar tudo para vocês, não é, querido Homer?
É isso aí.
O que o pessoal já tem que fazer agora? Bom, hoje é especial, então o pessoal tem que fazer muito.
É, já deixa já aquele like supimpa, se inscreve no canal, torne-se membro, compartilha o nosso jornal, né, com toda sua patotinha.
Exato. E é isso aí, já dá o like então. E terráqueos e terráqueas, vocês também Eu vou falar com o pessoal porque tá chegando, tá chegando, tem feriado aí, então eu tenho que falar com o pessoal aí de casa, que é muito importante. Vocês também, que nem nós aqui, tem aquele grupo de viagem que fala, fala, fala, mas nunca marca nada? Então chegou a hora de mudar isso, porque ainda vamos ter vários feriados prolongados para alegria do homer.
São 3 dias perfeitos para reunir a galera, sair da rotina e finalmente fazer aquela viagem acontecer, aquela sensação de liberdade que só um feriado proporciona. Já pensou todo mundo curtindo Salvador, por exemplo? Dá para aproveitar a praia, conhecer a cidade e depois voltar para uma casa com espaço para continuar a resenha sem pressa. E aí que o Airbnb— a pronúncia certa? Airbnb.
Airbnb.
A Andréia me corrigindo, né? Como que é? Airbnb. Fala no microfone para nós aí. Não é a Andréia?
Airbnb.
É aí que o Airbnb facilita. Você pode reservar uma estadia inteira com espaço para todo grupo, em vez de ficar reservando um quarto para cada casal ou família. Aí fica muito mais em conta. Tem casa com piscina e churrasqueira, apartamento espaçoso perto da praia, ou uma acomodação com cozinha completa para todo mundo preparar as refeições junto. Você entra no site ou no aplicativo do Airbnb Airbnb e coloca as datas e escolhe os filtros de acordo com o que a turma precisa.
Também dá para conferir, eu recomendo você fazer isso, preferidos dos hóspedes, porque já dá aquela filtrada e as acomodações bem avaliadas aparecem para você, aquelas que os próprios hóspedes avaliam. Então é só depois você vai lá, salva as estadias favoritas e manda no grupo. A parte mais difícil vai ser fazer todo mundo responder antes do feriado, porque a galera, o Lenny é meio lento para responder aí. É verdade. E como ele é solteiro, solteiro, ele tá no grupo.
Você é casado, você não sou casado, eu não posso. Então, para isso, para viagem não, não, mas para churrasco. E churrasco, churrasco quer ver?
Aí venho, né?
Tá bom, já que não tem que chamar ele agora. Para facilitar ainda mais, no Airbnb dá para pagar no Pix ou parcelar em até 6 vezes sem juros no cartão. Assim fica bom para todo mundo. Então já se começa coçar aí, se organiza para essa viagem. Feriado liberado é no Airbnb, tá certo?
Tá certo.
Vamos fazer, a gente faz umas viagens aí também, tem que recorrer ao Airbnb, né? Vai para o Rio gravar, a gente vai agora para Paraíba.
É verdade.
Você vai? Quem que vai comigo?
Eu vou.
E a Andréia de novo?
Que legal. Nosso diretor tá aqui cutucando, falando que quer ir também.
A Andréia na última vez, ela levou o pessoal para uma roubada lá, me fala, para um bar que Sei lá, risca a faca. Exato, foi isso, me falaram isso, não sei se é verdade. Deixa eu te contar uma coisa para quem não sabe, Terráqueo. Você provavelmente já ouviu falar dos grandes concursos, aqueles que aparecem toda hora nas notícias: Polícia Federal, Receita Federal, INSS, Banco do Brasil. Mas aqui vai um dado que quase ninguém para para pensar.
Enquanto você espera esses editais grandes saírem, dezenas de outros concursos estão abrindo no Brasil todo mês. Prefeituras, câmaras municipais, tribunais estaduais, Secretarias, autarquias, muitos deles pagando bem, com número bem razoável de vagas e com muito menos concorrência do que os grandes que a gente vê na TV. E olha só, é bem provável que tenha um concurso na sua cidade, no seu estado, na sua área de interesse acontecendo agora ou previsto para os próximos meses, que passou completamente despercebido.
Por quê?
Porque não tem propaganda em rede nacional, porque é edital regional, porque não vira manchete. Nosso parceiro Estratégia Concursos, que é líder em aprovações do Brasil, criou uma ferramenta gratuita para ajudar você a encontrar oportunidades como essas, que é o Mapa dos Concursos. É isso aí, então é um mapa interativo com todos os concursos abertos, previstos e autorizados em todo o país. Você filtra por região, por área, por nível de escolaridade e descobre o que está rolando perto de você, sem propaganda no meio, sem clickbait, só o cenário real dos concursos disponíveis.
Talvez a sua vaga esteja logo ali, a uma cidade de distância, e você nem sabia, Terráqueo.
Tem link, tem link na descrição e QR code na tela.
Então acesse para conhecer o mapa dos concursos e encontrar o concurso mais próximo de você. Beleza? E para encerrar, vamos falar da nossa cadeira, essa cadeira que salvou a minha vida. Porque uma coisa que eu aprendi, seja de atleta, músico, de profissional de alta performance, é que o ambiente físico Importa mais do que a gente admite. A gente quer acreditar que força de vontade resolve tudo, mas o corpo tem limite e cadeira ruim é um limitador silencioso.
As cadeiras da Elements foram projetadas para quem leva o tempo sentado a sério, como eu. Ó, eu, cara, se tem alguém que entende cadeira, sou eu. Quem que passa mais tempo sentado que eu? Com certeza você, cara. Olha ele, ó. Eu agora que eu percebi, vocês entenderam, né, gente? Tem ajuste completo de altura, inclinação lombar, braços, cabeça. É o tipo de equipamento que você coloca na vida e depois não entende como funciona sem.
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É isso, é isso.
E agora me siga no Instagram, @vilela, e solta a vinheta.
Gente, então começa mais uma edição do Notícias Limitadas com tudo de mais importante que aconteceu no Brasil e no mundo. A gente abre o programa com a crise que tomou conta do Supremo Tribunal Federal. O caso envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça nas investigações sobre o Banco Master ganhou novos capítulos. O STF analisa a validade de procedimentos e provas, enquanto os ministros divergem sobre a condução das apurações. E o Sameraj vai explicar os bastidores e o impacto dessa crise na corte.
Tivemos também novas mensagens que foram extraídas do celular do Daniel Boccario, colocando outros ministros do STF no seio também das discussões.
E o julgamento no Supremo também avançou. Deltan Dallagnol explica o que está em jogo e e os próximos passos do STF.
E o caso Banco Master também chegou à investigação sobre o filme Dark Horse. A Polícia Federal apura a destinação de recursos enviados por Daniel Vorcaro para a produção e aponta a participação de Eduardo e Flávio Bolsonaro nas negociações. Josias Teófilo vai comentar os bastidores do caso.
No dia internacional, vou falar um pouquinho sobre a guerra da Ucrânia, aproximação entre Canadá e União Europeia, atenção no Mar Vermelho com o avanço dos Houthis, a crise econômica, principalmente industrial, na Argentina, e a possibilidade também de fim do Reino Unido.
E ainda tem muito mais, tem giro de notícias com a Fê e os principais assuntos do Brasil e do mundo, e a crônica da semana com Carlos Bezerra Júnior. Fica com a gente porque o Notícia Ilimitada já começou.
Fê, é isso aí! Olha, hoje com certeza o caso que mais está chamando atenção de todo mundo é o que as pessoas estão apontando como um verdadeiro escárnio, né? É, as pessoas se reuniram no Congresso. Você acompanhou boa parte disso, né, Vilela? Isso, os ministros se reuniram, a gente acompanhou. E acho que a gente tá com essa sensação de todo brasileiro, né, que aquele vazio, impotência.
Todo mundo quer saber, vai dar em alguma coisa?
Exatamente, exatamente. Bom, e quem vai conversar com a gente, acho que já tá conectado aqui, é o Samer Haji.
Sim, a Madá chegou também, vai entrar na conversa com a gente aqui. Ela só está tirando as várias capas de chuva, que ela vem com 3, uma capa de chuva em cima da outra, porque tá frio lá fora.
Então a gente entende o porquê. Mas acho que o Samer já tá aí conectado, né? Oi, Samer, boa noite!
Boa noite, prazer falar com vocês.
Boa noite a todos, muito obrigada por estar aqui com a gente. Samer, eu gostaria de pedir para que você explicasse um pouquinho para gente de tudo que aconteceu nestas nesta terça-feira, que é o caso aí envolvendo os ministros, principalmente Alexandre de Moraes e André Mendonça.
É, de fato, é mais fácil explicar o que não aconteceu. A sessão foi feita para que se apurasse ou se decidisse sobre o início das investigações sobre o ministro Alexandre de Moraes. No início, por uma ação orquestrada, levantou-se uma questão de ordem. A partir daí exigiu-se que se submetesse ao plenário a questão, e aí começaram uma série de ataques de baixo nível tentando arrastar o ministro André Mendonça para este lamaçal em que o Supremo se encontra.
E a questão de ordem era se o ministro André Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes seriam julgados juntos. Esse era o desejo do grupo capitaneado pelo ministro Alexandre de Moraes. Por fim, estando 4 a 4, e portanto o voto de Minerva seria o voto do ministro Fachin, não de Minerva, mas de qualidade, de maneira que ficariam separados, o ministro Flávio Dino decidiu pedir vista dos autos, mesmo já tendo votado, e ele tem agora 90 dias para devolver.
O que me parece é que ele vai esperar o esgotamento do prazo eleitoral para depois das eleições trazer o fato para que o resultado do processo acompanhe os movimentos de Brasília.
E, Samer, boa noite. Ricardo aqui.
Boa noite.
Por que que o grupo é aliado ao Alexandre de Moraes? Enfim, acharia que julgar o André Mendonça e o Alexandre de Moraes junto ajudaria o Alexandre de Moraes?
Porque é preciso tentar uma equivalência. A partir do momento quando você não se tem argumento, isso é Schopenhauer em Arte de Ter Razão, quando eu não tenho argumento para rebater o seu argumento, eu preciso rebater a sua pessoa. O nome disso é argumento ad hominem. Então eu preciso rebaixar o homem que me acusa para que a acusação perca o seu peso, não podendo se defender, porque O caso é muito simples, né? Inclusive, me parece que essa seria uma ótima proposta.
Se o que eles estão alegando é que a parcialidade do ministro André Mendonça, enfim, e que então eles teriam, por meio dos escusos, tentado uma relação com Daniel Alvarcaro, outro com a Polícia Federal, para favorecimento de um grupo, que os dois entreguem os aparelhos celulares. E a Polícia Federal pode apurar os dois, que os dois quebrem os seus sigilos fiscais e os sigilos fiscais de suas esposas, para que então se apure o que cada um deles recebeu e quanto cada um deles pagou.
O argumento de nulidade significa que eu não quero entrar no mérito, eu não quero mostrar as respostas que eu trouxe, mas eu preciso atacar o André Mendonça. Isso é Schopenhauer, para que não podendo rebater o meu argumento levantado contra mim, eu possa fazer com que haja um desvio de atenção. Tanto é que hoje nós passamos o dia inteiro numa espetacularização da situação, lamentável, e um desrespeito brutal à sociedade brasileira, para ao final se decidir que não se decidiu nada.
E o ministro Flávio Dino, fazendo citações bíblicas, pedir vista dos autos. É uma ofensa à inteligência e à sociedade brasileira o que nós vivenciamos hoje na Suprema Corte.
No momento em que o Flávio Dino disse que pediu vista ali, você acredita, pela sua experiência, pelo que você acompanhou, que talvez essa estratégia já tivesse sido combinada antes para que no momento em que começa-se o calor dali da situação. Cármen Lúcia disse que os dois tinham que ser julgados separadamente. Você acha que pode ter sido uma estratégia?
Isso já era pensado desde o início. Todo tumulto se inicia com o grupo do ministro Alexandre de Moraes. Desde o primeiro momento há uma interrupção, inclusive bastante deselegante, do ministro Flávio Dino, que faz uma parte em relação ao ministro Dias Toffoli, e em seguida se desentende e ofende o presidente da corte. É assim que começa. E aí há uma sequência de deselegâncias, de balbúrdias, de ofensas para tentar fazer com que o ministro André Mendonça pudesse se exaltar.
E o que nós vimos? Nós vimos um homem contra o ataque de outros 3. Ministro Zanin votou contra, Mas votou como um juiz deve votar. Chegou a hora de falar, falo eu, ponto. Posso concordar ou discordar dele. Outros 3 fizeram ataques pessoais. A sorte do ministro André Mendonça é que o ministro Luiz Fux se colocou com firmeza, lembrando de uma, de um fato bastante curioso da faculdade de direito, que nós estudamos na faculdade de direito.
De que ainda há juízes em Berlim. Então o ministro Luiz Fux se colocou e disse: não, isso aqui tá errado, não há conexão. E mostrou ter firmeza para fazer essa barreira contra esses ataques que foram dirigidos ao ministro André Mendonça.
Como que você analisa a decisão do Cássio Nunes de se declarar impedido de participar, né, da votação Porque o Cássio Nunes, talvez ele fosse visto pela galera que não gosta do Alexandre de Moraes, mas para o André Mendonça, como um dos juízes que votaria favorável à junção, né? Aliás, a separação do Alexandre de Moraes e do André Mendonça.
Do ponto de vista matemático, parece fazer pouca diferença. Por quê? Porque nós temos 3 pessoas com votos, 4 pessoas com votos muito claros, que são Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Zanin e Flávio Dino. Temos 2 pessoas com votos muito claros, que são Luiz Fux e André Mendonça, e 2 pessoas que nós chamamos de independentes, que não se pode fazer uma leitura antecipada dos seus votos, que seriam o Ministro Edson Fachin e a Ministra Cármen Lúcia.
Bom, porque eu quero dizer que faz pouca diferença matematicamente, porque no eventual, apesar de hoje o Ministro Alexandre de Moraes ter votado pela união ou separação dos processos, mas aí não entrou no mérito, ele não vai poder votar sobre ser ou não investigado.
Essa é minha dúvida, seria um absurdo ele votar alguma coisa?
Ah tá, em verdade Nós colecionamos absurdos, Vilela. Então não seria estranho que o absurdo acontecesse. Mas enfim, a priori, segundo o ordenamento jurídico, ele não poderia votar. Bom, então nós teremos no próximo 7 ministros votando. Destes 7 votando, nós temos 3 votos muito claros, são Gilmar Zanin, e Dino, 2 votos muito claros que são André Mendonça e Fux, e temos os outros 2. Se nós tivéssemos o Fachin votando no sentido e a Carmen votando em outro, então aí nós teríamos 4 a 3.
Ainda que o Cássio votasse a favor, como André Mendonça, digamos assim, teríamos 4 a 4. Em ação penal, quando há embate, ele é pró-réu. Então a saída do Cássio não muda nada. Por quê? Porque só mudaria se nós tivéssemos Fachin e Cármen votando em favor do Mendonça, na linha do Mendonça, e ele votando contrariamente. Então, na verdade, os dois votos que são decisivos são do Ministro Edson Fachin, da Ministra Cármen Lúcia. E parece que vão votar pela investigação do Ministro Alexandre de Moraes.
Então tudo que se hoje fosse se desenhar, me parece que nós teríamos 4 a 3 pela instauração das investigações do Ministro Alexandre de Moraes. E aí o que se pretende é ganhar tempo. Por quê? Porque evidentemente o resultado eleitoral influi no proceder do Supremo Tribunal Federal.
Samira, a Madá já tá aqui com a gente, já chegou, e ela quer dar oi para todo mundo e também te fazer pergunta.
Oi, Fê, Marcílio Vilela, Samir, prazer ter você aqui. A gente tá falando desse julgamento, eu já trabalhei no Supremo, na presidência, já eu vejo jornalistas explicando, me dá um perigoso, porque eu lembro de quando eu trabalhava lá. Vocês explicam uma coisa, o jornalista não entende, fala outra. Aí eles se combinam entre eles no comitê de imprensa, porque é muito complexo, e vira a nova versão dos fatos. Mas a grande questão é que esse julgamento não tem muito como explicar, né?
A gente tá fazendo o máximo aqui, mas assim, numa boa, numa boa, meu amigo, sua mulher tá com contrato R$130 milhões com o maior gangster do Brasil. Aí vocês estão querendo julgar 20 mil candidatos porque botou não sei o quê no santinho, porque você não declarou o seu Threads, declarou só o Instagram. É um julgamento que na verdade é, quanto mais ele se prolonga, eles querem ganhar tempo, eu não entendo a razão. Quanto mais ele se prolonga, mais a população desgosta da Suprema Corte, confia, né?
Mas este é um ponto, viu, Madá? A Suprema Corte não se importa com esta aprovação popular. Nós temos ministros que decidiram viver dissociados da realidade social. Então o fato de eles sofrerem uma repugnância da sociedade, para eles pouco importa. Dentro da bolha em que eles vivem, eles hoje vão ser aplaudidos, receberão mensagem de WhatsApp de apoio pela firmeza na sessão, pela coragem na sessão. E claro, o sujeito passa a acreditar naquilo que houve, mesmo quando o que houve não corresponde à verdade.
De fato, o que a população quer saber é uma coisa bastante simples: não é puramente um contrato estabelecido entre a mulher do ministro e o banqueiro preso.
Por quê?
Porque há outras pessoas que fizeram iguais contratos, que receberam muito dinheiro. A questão não é essa. Os valores superfaturados, digamos assim, porque ainda que sejam superfaturados, como eu disse outro dia, pode ter gosto de errado, cheiro de errado, forma de errado, mas tá lá, juridicamente é um contrato, ok. A questão é: o ministro, o ministro advogou? Foi o ministro que orientou a sair 2 dias antes? Foi o ministro que pediu para Polícia Federal esperar para que o procurador não agisse.
Só para deixar claro aqui, eu só vou pedir, só é porque tá cortando aqui, se eu pedir para o Josias, por favor. Aí, obrigado. De maneira que o que a sociedade quer saber é: o ministro fez isso? Não, as pessoas não querem discutir discutir se o ministro André Mendonça tinha que ter esperado passar a eleição para publicizar os autos, seria mais prudente, talvez. E talvez não houvesse mais como segurar isso. Talvez ele tenha tentado segurar ao máximo para preservar a corte e não tenha sido possível.
O ponto é, o que nós queremos é luz sobre o caso, não é o levantamento de de nulidade. E o que nós estamos vendo é esse argumento de nulidade em que o ponto principal, que são os supostos atos de corrupção, não são enfrentados. É isso que incomoda a sociedade. E o pior é, nós temos um presidente do Senado que decidiu romper com a sociedade, e presidente e os ministros do Supremo, 4, 5 ministros do Supremo, que decidiram que a sociedade para eles pouco importa.
Eles vão prestar contas nenhuma à sociedade. E com frases de efeito querem tornar o certo errado e errado certo.
E vocês sabem uma coisa? Quando tem esses escândalos, eu sempre vou atrás de quem recebeu a oferta e não aceitou.
Por quê?
Porque sempre tem, sempre tem quem recebeu a mesma oferta e não aceitou. Lembra quando teve aquele mensalinho do Twitter? Eu fui atrás de quem não aceitou. Sempre tem quem recebeu e não aceitou. Então assim, é óbvio que não é a única mulher de ministro advogada.
Sim.
E aliás, perdão da palavra, eu aqui, né, como não ser presa?
Todos aqui estamos escolhendo as palavras aqui.
É tudo supostamente, tudo supostamente.
Mas assim, se for for comparar nível profissional, Samir sabe melhor. Se a gente for comparar Doutora Viviane com Doutora Roberta, ex-mulher do Ministro Toffoli, ou com Doutora Guiomar Feitosa, que é uma das maiores advogadas do Brasil, é completamente diferente o nível, né? Doutora Guiomar Feitosa, que foi, que é ex-mulher do Ministro Gilmar Mendes, recebeu uma oferta, sabia disso? Saiu do Metrópolis, recebeu uma oferta. O Vôrcaro quis ir lá falar com ela.
Doutora Guilmar, assim, não sei se as pessoas conhecem a doutora. Ela não é que ela virou advogada casada com o ministro Gilmar, acho que ele é o 4º ou 5º marido dela e ela separou dele. Ela é uma advogada conhecidíssima, foi diretora-geral do Tribunal Superior Eleitoral, foi chefe de gabinete do ministro Marco Aurélio Melo, é uma advogada muito conhecida. O Vôrcaro pediu reunião com ela, ela deu a entrevista dela para o Metrópoles, é divertidíssima, porque eu via ela falando, cearense, arretada.
Falou assim, olha, é o cara, é banqueiro, dono de banco, falou, olha, eu quero te contratar. Aí eu falei, tá bom, qual que é o número do processo? Ele primeiro não sabia, depois não tinha, depois enrolou, não queria contrato nenhum, ele queria influência, queria aproximação. Mandei ele passear. Olha, enfim, na verdade ali todo mundo tem maturidade para saber diferenciar quem queria contratar para um processo, que ele te dá o número do processo e ele vai querer pagar valor de mercado, de quem quer influência.
Então assim, para parte da sociedade eles podem estar querendo justificar, mas quem é do meio sabe o que aconteceu ali. E eu não acho que eles vão conseguir resolver assim. Na verdade, se questiona se o ministro deveria ter soltado ou não antes da eleição, mas eu entendo que tanto faz, que todo mundo só ia falar do Supremo. Qual que é a sua visão, Sami? A gente saber quem não aceitou ajuda a entender a cabecinha de quem aceitou?
Entender por que uma pessoa aceitou, porque outra pessoa não aceitou. Os valores são exorbitantes, é difícil até do sujeito recusar. Paga-se melhor do que bet, então é difícil você imaginar que alguém tenha negado, aceitado. Mas de fato, o Supremo Tribunal Federal é um componente eleitoral. Agora, imaginar que houve a liberação para favorecer o Flávio Bolsonaro é risível, porque ele já subia e já passava atual presidente nas pesquisas sem isso.
Então não há razão para que se adicionasse um elemento político que gerasse uma balbúrdia dessa natureza, porque ficou insustentável segurar, e aí tiveram que soltar.
Samer, eu acho que com tudo que a gente está assistindo hoje Na verdade, o Supremo, ele tá decidindo não apenas um processo, na minha concepção.
Não, não, não, não, tem muito mais coisa, muito mais coisa.
E eu acho que assim, ele tá, ele tá preocupado, na verdade eles estão preocupados como é que os próprios ministros serão julgados no futuro caso eles aceitem isso.
E tem um cenário aí que a galera tem que saber, que o próximo presidente é o Alexandre de Moraes.
Exato, exato.
E tudo depende de quem ganhar. Imagina os dois cenários de quem ganhar, os dois prováveis cenários de quem ganhar, vão escolher as cadeiras. Então pode mudar tudo ano que vem ainda, né? Então é muita coisa em jogo. Não deveria, né? Porque a gente deveria estar tranquilo e falar, não, o pessoal não se mete em política, eles estão cuidando de outras coisas. Mas a gente A gente sabe que já tá politizado e a galera também, na hora de votar, tá pensando em quem as pessoas que vão ser eleitas, provavelmente, que tipo de pessoa vão colocar lá, né?
Aí, olha, ninguém quer saber dos candidatos.
Verdade, né?
É uma eleição, seu candidato tá procurando.
É uma eleição que a galera não tá nem—
O que que o Lula e o que que o Flávio fizeram nos últimos 10 dias?
É, ninguém sabe.
Verdade.
O que que seu candidato ao Senado fez nos últimos 10 dias? Verdade. Seu candidato a deputado?
Que vida fácil, vida muito fácil.
Difícil, porque ninguém quer saber quem são os candidatos, ninguém sabe.
Eu só vou pedir desculpas a vocês porque eu preciso realmente sair.
Tá bom, vai lá.
Mas eu quero agradecer a vocês. E existe um ponto por trás desse ponto que fica a pergunta, porque se houver a instauração da investigação, a primeira medida é a determinação da apreensão do celular do ministro. E aí, se houve um encontro fortuito de provas que levou o celular de Vorkaro a Moraes, quais encontros fortuitos de prova podem ser encontrados no celular do ministro Alexandre? E talvez isso justifique a dificuldade da investigação.
Quer dizer, para quem ele mandou mensagem e o que ele falou nas mensagens, para além das mensagens que ele enviou ao Vorkaro? Essa é uma dúvida que a sociedade tem. Obrigado, obrigado demais.
Obrigada, boa noite.
Olha aqui, isso que ele falou, nossa, muda toda a história. Inclusive, ó, aquele dossiê apócrifo lá da Polícia Federal que hoje eles estavam falando, como é que é, a PF paralela, vai ter a troca. Como é que ele solicitou aquilo? Quem que tava dando informação? Quantos ministros foram vigiados?
Aí que dá.
E vocês são muito otimistas para achar que chega nesse ponto, cara.
Vai chegar hoje, a gente assistiu um estado de beligerância total. Eu percebi isso, né?
O começo, né? O começo foi muito tenso quando teve a questão do aparte. Eu que concedo aparte? Não, eu posso conceder.
Exatamente.
Eu, como no início, meu, os cara, os cara botaram desde o começo todo mundo armado, preparado, né, Madá?
É, mas a questão também é a seguinte: se ele começa a ser um incômodo para os demais, quanto que dura essa lealdade? Ali não, assim, eles sabem melhor do que eu, porque quando eu trabalhei lá, me peixinho, eles tubarão, correto? Então assim, até as pedras ali, as cadeiras do Niemeyer, sabem que o único jeito deles recobrarem uma respeitabilidade, não deles, do Judiciário, é afastar o Ministro Alexandre. Não tem outro jeito. Se ele tivesse um compromisso com ele, teria ele próprio pedido afastamento até o fim da investigação para eleição transcorrer normalmente.
Ele teria que ter se afastado. E aí vamos chegar numa outra situação. Eles resolvem alguma coisa em cima do Flávio Bolsonaro com relação ao Dark Horse. O valor do contrato dos dois é o mesmo, mas o Flávio Bolsonaro não julga ninguém. Ele vai aceitar ser julgado por alguém que tem a mesma pendência que ele? O eleitor dele vai aceitar isso? Eles estão julgando gente no TSE. Eles estão dando multa em gente porque errou o número do CNPJ em Santinho, porque assinatura que fez um não sei o quê não coincide com assinatura do RG.
Um cara que tá com contrato de R$130 milhões nas costas vai julgar? As pessoas vão aceitar? Não tem como, entendeu? Os políticos serem corruptos é um problema, só que ele tem solução, que é julgar, processar e julgar. Agora, quando é o juiz que levanta suspeição, vai levantando tudo. Porque assim, quem é? Ah, vai chegar assim, ah, quem é esse cara aqui para dizer que eu tenho que pagar tal coisa para o meu funcionário? Se ele abaixa a cabeça para o juizão que tá lá em cima e tem o contrato e ninguém abre a boca.
É verdade.
Então eu acho um problema bem mais grave do que só esse fato. E vai começando a pesar para os outros, porque ali não tem santo. Se ele vai começando a ficar muito beligerante para cima dos outros, é complicado. Ele tá numa posição solitária, na verdade.
E até emendando no que você tá falando aqui com a gente, o Josias Teófilo agora vai entrar conosco para falar exatamente sobre a situação de Dark Horse. Oi, Josias, boa noite!
Olá, boa noite, seja bem-vindo! Valeu.
Tá em Veneza, Josias? Que oração, meu bem!
Estou em Milão.
Ai, ó, não dá, né, cara? Eu já me recuso, quero mais nem olhar para sua cara.
Eu vim de Diadema, eu de Carapicuíba.
Então, Josias, vai para Veneza.
Ele já tá lá, tá em Milão.
Josias foi o primeiro a falar da história do Dark Horse, tá? Foi, foi, né, Josias? Eu lembro que o José tinha me falado no ano passado. Tem até tweet seu, não tem, do negócio do Mário Frias? E aí ele tinha falado quando estourou o negócio do Vorcaro. Eu falei, pô, Josias, mas você sabia do Vorcaro? Ele, não. Eu sabia do negócio da prefeitura. Mas ele foi o primeiro lá atrás a falar.
Então vamos lá, vamos saber o que tá rolando.
E pedir para o Josias, que já que ele foi o primeiro, entende essa história como ninguém, é falar para a gente um pouquinho agora, explicar o porquê que esse dinheiro poderia ter sido usado inclusive por Eduardo Bolsonaro.
Ah, tá bom. Esse filme, para começar logo com uma coisa que eu tenho pensado cada vez mais, que é o seguinte: Primeiro que fazer filmes tem umas linhas muito claras de como você pode realizá-lo, né? E ninguém coloca um dinheiro inteiro desse de uma vez, uma única pessoa. Então, por exemplo, o Ainda Estou Aqui foi feito com— não obstante ter sido feito por Walter Salles, que é o cineasta mais rico do mundo, hein, brasileiro, herdeiro do Itaú, foi feito com investimento de uma TV francesa e da Globoplay.
Ou seja, não é uma coisa assim de uma pessoa colocar o dinheiro para fazer um filme. Então, se me falassem da ideia desse projeto antes e me falasse como ele seria realizado, eu diria: não façam isso porque vai sair todo mundo preso. Simplesmente porque esse tipo de dinheiro não dá para conseguir esse dinheiro inteiro de uma fonte, né, de modo legal. Isso não existe. E também não dá para fazer um filme da proporção de um filme norte-americano com atores norte-americanos, inclusive atores famosos, né, e um diretor reconhecido como é o Cyrus, né, e com o dinheiro brasileiro.
Isso é impossível. Então, quando esse projeto foi divulgado e começou a surgir as ideias, eu comecei a ficar muito desconfiado porque realmente parece uma coisa fora da realidade do Brasil. Então eu pensava, tem várias questões aí, né? Tem a questão das emendas parlamentares e do dinheiro da prefeitura que, segundo a Polícia Federal, foi usada para— na verdade, a Polícia Federal está investigando se foi usada para financiar o filme.
Eu já não acho mais, na verdade, é pelo seguinte: eu não acho que seja dinheiro da emenda foi usada no filme propriamente. O que eu acho é que o filme e as emendas têm a mesma função, que é financiar um grupo político, entende? E isso não necessariamente é uma coisa ilegal, porque eu tô dizendo, a parte vista do do ponto de vista do investimento, se você inventa um filme para ganhar dinheiro, não tem nada de ilegal nisso, né? E eu acho que foi feito, o que foi feito foi isso, inventou-se um filme para conseguir um dinheiro, para, ou para tirar dinheiro de Daniel Volcaro, que acho que eles sabiam que Daniel Volcaro tava distribuindo dinheiro em Brasília, né?
Então E aí o que que acontece? Isso tudo leva a uma situação em que o filme foi feito com recursos de corrupção, né? Ou seja, esse dinheiro é sujo. E claro, Flávio Bolsonaro diz que ali não tem nada de ilegal, e de fato eu acho que Flávio Bolsonaro não fez nada de ilegal propriamente naquela situação. Agora, o que também não chega a ser moral o que ele fez, porque provavelmente ele sabia o que estava em jogo ali, né? Agora, o problema é o seguinte: esse filme não faz sentido do ponto de vista comercial.
Porque veja bem, não precisa ser nenhum gênio para saber que você fazer um filme sobre Jair Bolsonaro e lançá-lo em época de eleição eleição, esse filme teria grandes dificuldades de sair. E não tô nem dizendo por causa do STF não, tá? Eu tô falando por causa das redes de cinema mesmo. Então eu falei neste programa aqui que esse filme não ia sair, e de fato já agora já tá até reconhecido pela produtora e pelo primeiro distribuidor que não vai ser lançado antes da eleição.
Também nem daria tempo, enfim, é impossível. Mas na verdade esse projeto todo ele não faz sentido do começo ao fim, ele não faz sentido como um projeto de filme, ele faz sentido como projeto de tirar dinheiro, é usar um projeto para arrecadar recursos. Então é isso que faz sentido. Agora, fazer um filme, uma produção brasileira, porque a iniciativa vem do Brasil, então a produção brasileira, assim que eu entendo, né, mas feito nos Estados Unidos, em que as coisas são muito mais caras, né, e ainda mais para ser lançado na eleição.
Sendo que tem outro problema, que é esse filme foi falado em inglês, foi feito em inglês supostamente para o público internacional. E veja bem, veja bem, não existe nenhum impedimento para lançar esse filme nos Estados Unidos. E aí entra mais uma contradição. Das pessoas que estão envolvidas, porque o Cyrus, o diretor, ele falou no Twitter que o valor que estão sendo divulgado, o valor total, que é cerca de R$75 milhões, esse valor, ele disse, esse valor inclui marketing e distribuição, sendo que a produtora disse que esse valor não inclui.
Então é uma contradição aí muito grave, viu, porque esse valor é muito alto. É alto até para filmes que participaram do Oscar, foram indicados ao Oscar, filmes que ganharam Oscar, entendeu? Sendo que esses filmes, eles nunca conseguem dinheiro de uma única fonte. Ninguém investe assim o dinheiro inteiro de um filme, a totalidade do dinheiro de um filme. Agora, o que eu vejo, bem, nesses bastidores da política, todo mundo conversa, todo mundo se fala, Então, por que que eu sabia?
Eu já tava dizendo por aí, falei para Madá, falei para várias pessoas que esse filme teria potencial de produzir um grande dano à campanha de Flávio Bolsonaro, porque eu já tava desconfiando que as vias não poderiam ser legais, né, para um projeto desse, desse tamanho, sem ter sido inscrito na lei. Veja bem, qual as fontes de financiamento de um filme no Brasil. É Lei do Audiovisual, que é a Lei Rouanet do Cinema, o Fundo Estatorial do Audiovisual, que é um investimento do governo.
Então, se o filme der lucro, o investimento volta. Como, por exemplo, o filme brasileiro, né, de Clemendonça Filho, O Agente Secreto, foi um investimento, investimento do Fundo Estatorial do Audiovisual, e o filme foi muito bem. Então, investimento vai voltar. E tem também os streamings, ou seja, os streamings vão lá, colocam dinheiro no filme porque eles vão depois ter os direitos desse filme para exibir dentro da plataforma.
E até rentável do ponto de vista da plataforma, porque é mais barato do que financiar um filme inteiro. Então ele dá uma porcentagem do filme. Veja, eles não usaram nenhum desses caminhos, então O que me faz pensar mais uma vez que esse projeto não nasceu como projeto de filme, nasceu como projeto de vamos tirar um dinheiro desse cara. Eu acho que é isso.
E Josias, você tem alguma informação a mais? Porque a gente vê toda hora na mídia que o Mário Frias, o Eduardo Bolsonaro teria algum tipo de relação com esse recebimento. Existe mesmo? Quais são as informações que você pode passar para a gente?
Pois é, o Mário Fria está diretamente envolvido, porque inclusive foi pago as faturas do cartão dele. Então, o que não chega a ser uma coisa muito digna de se fazer, né? Porque uma coisa, nossa, mesmo que seja um investimento, mesmo que tivesse tudo certo em relação à origem do investimento, você pagar a si mesmo com dinheiro de um projeto É uma coisa totalmente imoral e provavelmente ilegal, certo? Então aí, agora, em relação ao Eduardo Bolsonaro, a Polícia Federal tá investigando e vai chegar a uma conclusão.
Eu não sei dizer. Agora, uma coisa é certa: a área da cultura é uma área muito boa para quem quer desviar recursos Porque os valores são muito díspares. Então você pode pagar valores altíssimos para uma pessoa, para um artista, e dizer apenas assim: é, foi o valor que ele cobrou, e se não fosse esse valor ele não ia fazer. Então não é uma coisa que dá para fazer uma licitação convencional, não é uma coisa que os valores são tão estáveis.
Os valores são completamente variáveis, de acordo com a grande quantidade de variáveis, que inclusive a vontade do artista, você dizer, foi assim que eu o convenci, esse valor aí que eu— e os, agora, os valores totais do filme são imensos, estão fora da realidade do cinema brasileiro. Aí as pessoas envolvidas no projeto estão dizendo, ah, mas não é um filme brasileiro, é um filme hollywoodiano. Isso não faz o menor sentido. Filme hollywoodiano é filme produzido pelos estúdios de Hollywood.
Esse filme não foi produzido por nenhum estúdio hollywoodiano. Esse filme foi uma ideia de um produtor brasileiro, no caso proponente, o produtor que é o Mário Frias, teve a ideia, levou o projeto para frente, achou o diretor norte-americano, achou os atores americanos como Jim Caviezel, que é um ator importantíssimo do cinema americano, Então chegou lá, ou seja, é um filme brasileiro, nasceu de uma iniciativa brasileira, então não faz sentido esses valores norte-americanos.
Aí disseram: não, mas é em inglês, feito para o público internacional. E por que que não foi lançado nos Estados Unidos? Só teve uma exibição privada em Miami. Por que que eles nem tentaram exibir esse filme comercialmente nos Estados Unidos. Olha só, se esse filme foi exibido nos Estados Unidos, ele pode até concorrer ao Oscar. Ele poderia até, se for selecionado, concorrer ao Oscar, porque um filme que entra comercialmente nos Estados Unidos, ele pode concorrer ao Oscar.
Então, pelo Brasil seria mais difícil, porque teria que ser selecionado pela Academia Brasileira de Cinema, que atualmente é a academia que cuida das indicações ao Oscar, e pelo pessoal que tá lá, não seria selecionado jamais. Mas se entrar em cartaz nos Estados Unidos, ele pode sim concorrer ao Oscar, pode sim ter a chance de concorrer ao Oscar, que eu também não acho que vai acontecer, porque parece que a qualidade do filme é sofrível pelas imagens que apareceram aí, e não parece ter um valor de produção tão grande quanto esse valor que eles estão dizendo.
E a contradição é muito grave. Entre o que falou o Cyrus, que é o diretor, que ele disse que não tava incluído a distribuição, que não tava, que estava incluído no valor total a distribuição e o marketing. Já a produtora disse que não estava incluído. Então eles têm que se decidir aí. E você vê, foi o maior estrago que produziu na campanha do Flávio Bolsonaro foi esse filme. E não é para menos, porque esse filme é comprado, é o dobro do filme mais caro da história do Brasil, que foi feito pelo cineasta mais rico do mundo, que é Walter Salles.
É verdade, Josias. Eu queria agradecer demais a sua participação. Muito obrigada que você tá em outro país e aceitou nosso convite, tá aqui. Queria agradecer Agradecer, viu?
Eu que agradeço.
Obrigada, até a próxima.
Quem está na linha com a gente aqui? Eu acho que já temos como falar aqui do pagamento de Vorcaro, né?
Exato.
Lembra, eu tô aqui, olha, foto do Ministro Barroso. Não posso mostrar, eu quero ver. Ó, felicidade inaugurando escritório novo. Olha aí, é isso que eu falei, é aquela felicidade que a gente vê do dono do Marea que passou para frente. Exato, não é? Antes de fundir o motor, antes de fundir o Fiat Tipo, lembra que tinha associação? Ele tá assim. Eu tive, você teve associação de vítimas do Tipo, lembra? Meu Deus, esse é isso agora.
Mas olha, por falar nisso, ele estuda tanto esse assunto gente. Hoje ele tá tão por dentro, acompanhando minuto a minuto, colocando lá nas redes sociais, que eu tenho certeza que ele também sofreu bastante com toda essa situação que a gente vivencia hoje, que é o Danúzio Neto. Acho que ele já tá aqui conectado com a gente, né? Boa noite, Danúzio!
Boa noite, Fernanda, tudo bem?
Tudo bem, e você?
Com vocês com muito prazer, é uma honra, tá? Cada convite do Rogério, Andréia, Marcílio, Madeleine. Então, para mim é um prazer. O público tá nos acompanhando aqui, eu fico bastante feliz, ainda mais no dia histórico como hoje, que tivemos esse julgamento, essa sessão bastante estranha. Era para ser, se decidir ali se teria uma investigação ou não do Ministro Alexandre de Moraes, e acabou não dando em nada, né?
Exatamente, Danuzio. Como a gente sabe que você tá muito por dentro disso, inclusive desses pagamentos de valor caro, né, para quem eles foram de fato destinados, esses valores, queria pedir para que você fizesse um resumão aqui para quem tá acompanhando o nosso jornal.
Tá, eu vou fazer um resumo baseado na sessão de hoje, que eu acho que o pessoal tá bastante quente nesse assunto, tá interessado tentar entender. Mas aí eu falo também sobre os pagamentos as autoridades, todo mundo que tá envolvido. Como todo mundo sabe, uma hora dessa, o maior escândalo bancário da história brasileira é do Banco Mastercard. Tem inúmeras autoridades envolvidas, autoridades de todos os poderes, tem autoridade da direita, da esquerda, do centro, tem para todos os gostos, né?
Inclusive vira uma munição eleitoral agora para todo mundo. Aí fica um jogando ali pro lado, um jogando para o outro, se eximido de responsabilidade, como se a culpa sendo do outro lado político vai fazer o Brasil melhorar. No meio de tudo isso, a gente tem um ministro do Supremo, o Alexandre de Moraes, que segundo o relatório da Polícia Federal recebeu, não ele, mas o escritório de advocacia da sua esposa, a Viviane Barsi de Moraes, teria recebido R$131 milhões.
Aí, na verdade, era R$129 inicialmente. Depois a gente teve uma atualização desses valores, passou para R$131. Como se não fosse suficiente, descobriu-se um novo contrato de R$50 milhões. Como se não fosse suficiente, saiu a notícia de que cada filho do Alexandre de Moraes, ele tem do casal, cada um teria recebido um cartão de crédito do Banco Master, um limite ali de R$300 mil por mês para cada um. A molecada aí tá gastando pouco, né?
E aí, no meio de tudo isso, quem se dá mal obviamente é a população, porque muito desse dinheiro aí, o grosso desse dinheiro, ele vem de acordos, contratos que foram feitos com público. Por exemplo, determinado estado tem ali o fundo de pensão dos seus servidores públicos que contribuem ali ao longo de anos. Aí o governador, ou como aconteceu no Maranhão, o presidente do tribunal faz um acordo com o banco master, pega esses recursos públicos, coloca lá em troca de juros altos taxas melhores do que encontraria em outros bancos.
Esse dinheiro aí não volta e aquele ente público, tribunal, o fundo de pensão, o que quer que seja, fica no prejuízo. Para manter tudo isso daí de pé, foi fazendo ao longo do tempo esses pagamentos de autoridades, agrados a autoridades. Inclusive, muito conhecido o evento que teve lá em Londres, bancado Por Daniel Volcaro, o clube do uísque, que em tese teria reunido Alexandre de Moraes, que teria reunido o Procurador-Geral da República, que teria reunido— qual foi?
Teve até outro ministro aí que foi lá, ele falou assim: não, mas eu nem conheço. Acho que foi o Dias Toffoli. Ele falou: olha, eu fui, mas eu nem sabia quem era esse Daniel Volcaro. Quem me convidou foi o meu brother aqui, o Alexandre de Moraes. Aí ele me chamou, eu fui, tá? Então ainda jogou lá a culpa para o pessoal. É muito maldoso, né, da gente chamando de careca do Marshall. Olha só, então ele, segundo essas pessoas maldosas, teria jogado aí na conta do careca do Banco Marshall.
Pois é, o excelentíssimo senhor Alexandre de Moraes, essa culpa desse passeio lá em Londres, onde teve um evento bastante famoso de degustação de uísque. Whisky também, que não era barato, e charutos. Aqui no Brasil, no meio de toda essa tensão, já que tem supostamente várias autoridades envolvidas, começou-se a ter uma tensão sobre quem vai votar ou não nesse julgamento de hoje, quem iria votar. Começou-se a ter nos bastidores uma pressão gigantesca em cima de todos os ministros para que eles não votassem.
A gente viu ao longo do domingo uma guerra de ofícios. O André Mendonça, que era o relator do caso, ele tinha dito que não era para Polícia Federal liberar os dados totais do celular do Daniel Volcado, porque isso daí iria tumultuar o julgamento e iria também ferir sigilo bancário, fiscal, de terceiros, iria atrapalhar investigações que estão em andamento. Ministros que não eram relatores desse processo. E aí, no direito, existe algo chamado princípio do juiz natural.
Então, quem vai determinar o que acontece naquele processo ou não é o juiz que cuida dele. Em termos leigos, para explicar aqui para vocês, o André Mendonça é o juiz natural desse processo, do caso Márcio. Depois teve a redistribuição, quando em março o Dias Toffoli, ele acabou saindo após grande pressão. Vocês devem lembrar, Resort Itaiayá, R$35 milhões para um fundo. Esse fundo aí em tese seria do Dias Toffoli, e ele acabou saindo da relatoria desse processo do Banco Master, e redistribuído ficou nas mãos do André Mendonça.
O André Mendonça não queria fazer essa liberação total pelos motivos que eu já expus. Flávio Dino, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin. Você sabe quem é Cristiano Zanin? Cristiano Zanin era advogado pessoal do Lula. O Dias Toffoli era advogado do PT, hoje ministro do Supremo. Cristiano Zanin era advogado do Lula durante a Lava Jato. Vocês devem lembrar quando tinha aqueles, aquelas sessões, né, as audiências com o Sérgio Moro, advogado que tava do lado do Lula.
Hoje é ministro do Supremo. A gente viu essas notícias quando tinha, a gente tava acompanhando a deterioração do Estado venezuelano. A gente viu Hugo Chávez fazer isso na Venezuela, a gente via Nicolás Maduro fazendo o quê? Colocando partidários no Supremo de lá, no Supremo deles. Isso daí foi um, uma das etapas do fim do Estado Democrático de Direito lá na Venezuela, tá? Aqui a gente não corre esse risco, a nossa democracia ela é pujante.
Mas não custa nada a gente relembrar esse pequeno detalhe. Doutor Cristiano Zanin, hoje Ministro do Supremo, era advogado pessoal do Lula. Cristiano Zanin, no domingo, por meio de ofício, determinou a Polícia Federal, isso por volta das 17 e 30 do domingo, ele determinou à Polícia Federal que enviasse a ele até às 23 horas os dados totais do celular do Daniel Boccato, que o relator André Mendonça não queria que fosse disponibilizado.
O que o Zanin tem a ver com isso? Ele não era o relator do processo. O Zanin justifica no seu despacho, ali no seu ofício, que não existe hierarquia entre os ministros, tá? E aí, enfim, agora imagina se não havendo essa hierarquia, todas as decisões que o Alexandre de Moraes tomasse, tivesse tomado ao longo desses 7 anos e meio que ele ficou com a enquete das fake news, o André Mendonça ou Cássio Nunes desfizesse o que ele tava fazendo.
Aí estaria em todos os jornais com absurdos, absurdos, ferindo o direito do juiz, é o princípio do juiz natural, dentre outros. Princípios constitucionais e legais, tá? Enfim, a gente chegou nessa situação, já que tem tanta gente assim envolvida e uma pressão gigantesca, já que nesse celular, nesses dados, estaria inclusive envolvimento de outros ministros do Supremo. E aí hoje, já cedo, a gente descobre por que que existe essa pressa tão grande em descobrir o que tinha nesse celular.
Tava lá aparentemente informações de que o ministro Cássio Nunes, que tinha sido indicado no Supremo pelo Jair Bolsonaro, Cássio Nunes, ele teria tido uma prostituta, né? Quem que tava aqui antes de mim? Até esqueci. Tinha sido muito educado, a pessoa foi muito educada, falou que tinha— ah não, eu tinha visto outro vídeo da Malu Gaspar, ela tava falando que supostamente houve o pagamento de uma garota de uma mocinha para o Cássio Nunes.
Essa moça era uma prostituta, em tese, de R$10 mil, tá? Em tese que ela seria uma prostituta, em tese que teve esse pagamento.
Então houve uma pressão, em tese, não que eu entenda do assunto, mas é caro, hein, Martinho? Em tese eu acho caro.
Em tese, em tese é, né?
Você sabe que em Brasília, quando aparecer esses valores das meninas das garotas de programa, a gente dizia: é que fulano não paga a garota de programa, ele indeniza. É pelo trauma, pelos morais, entendeu?
Ele indeniza.
Então tá na tabela, não tá caro, tá no preço.
Não, dá uma olhada bem, olha bem, vê se não vale. Coitada da moça, supostamente, supostamente. Coitada da moça, pelo amor de Deus.
Não, mas esse, esse mistério foi desvendado pela Madá, tá super esclarecido agora, tá?
Foi barato, foi barato. Então a gente há de concordar. E tem mensagens também do filho do Cássio Nunes com o Daniel Volcado ao longo de anos, falando de carnaval, falando de futebol, falando meio irmão, não sei o quê, um monte de coisa. E hoje até o Flávio Dino, que contribuiu para tumultuar esse processo ali no final, ele falou, jogou no ar que havia outras autoridades do Supremo que talvez estejam envolvidas. E ele falou o nome do Fux, Luiz Fux.
E o Luiz Fux não aceitou ali, falou que não, ele não está envolvido outra pessoa, talvez um familiar, mas ele pessoalmente nunca conversou com essa pessoa. E o Flavio Dino insistiu, falou: não, você também, no momento oportuno. Ou seja, a sensação que dá é que havia também um clima de chantagem no ar. E todo, com todo esse clima de chantagem, o Gilmar Mendes, aí o próprio, o ministro, né, que ele teve alguém que chamou um chamou uma vez de rocambole dos infernos e outro que chamou de gordola e acabou sendo processado, né, o nosso Monark.
O Flávio Dino, ele falou uma frase hoje que o pessoal achou bem interessante, ele disse, eu não gosto de mentira. E outra frase também marcante de hoje foi do Gilmar Mendes, que ele falou, até a máfia tem ética.
É, isso foi a frase do dia, né, que tá todo mundo replicando aí. E travou, eu acho.
Travou. Olá, vai falar do tema? Já caiu, já começa a acontecer coisa esquisita.
Com medo aí, hein, gente. Aí eu espero então o pessoal aí da—
será que ele vai voltar? Porque senão deu tanto, já vai voltar.
Vamos lá, voltou aí, gente?
Voltou, a gente já tava preocupado aqui.
Enfim, então para eu finalizar aqui, para dar espaço para o Eu só comentei que essa frase foi a frase que todo mundo ressaltou, foi a frase do dia, né?
Sim, sim, teve inúmeras. Hoje foi um dia ali muito marcante, né? Inclusive do teatro. Agora encerrando aqui o nosso raciocínio, Deltan aí vai me suceder. Vocês devem lembrar de quando teve a visita do Zelensky lá na Casa Branca, teve um teatrinho ali do vice-presidente dos Estados Unidos com o repórter para fazer um constrangimento no Zelensky. Vocês devem ter, devem lembrar disso, que aquilo dali não foi espontâneo. Aqui, aquele constrangimento que o Zelensky passou não foi orgânico, natural, do nada, né?
Aquilo dali foi um teatro combinado que causou aquele constrangimento. Hoje, quando o André Mendonça, ele começou a fazer no seu voto explicações da relação do Paulo Gonê que hoje é procurador-geral da República, mas que já foi sócio do Gilmar Mendes no Instituto IDP e que já foi coautor de um direito, de um livro de direito constitucional com o mesmo Gilmar Mendes. Quando o André Mendonça toca no nome do ex-sócio do Gilmar Mendes, o Gilmar Mendes faz uma interferência bastante violenta falando que desfaçatez e começa a xingar O André Mendonça, a ponto de ele falar assim: vai chorar?
Olha só. E o tempo todo Flávio Dino, Gilmar Mendes falando: ó, o decoro, a gente precisa ter ética, né? Até a máfia tem ética. E aí começa ali entre os pares eles se matarem. O Flávio Dino intervém nessa hora para dizer que: olha só a reação do André Mendonça, olha como ele tá tumultuando aqui a sessão, olha como ele é baixo, olha o tipo de baixaria que a gente tá fazendo aqui. No nosso tribunal. Edson Fachin, presidente, tome uma atitude.
E aí, nesse momento, o Flávio Dino, indignado com essa patifaria, né, ele diz: eu vou pedir vista aqui pelo bem do Brasil, porque o brasileiro não merece ver esse nível baixo que estamos passando. Olha só, é que curioso. Então, para vocês terem uma ideia de que esse pedido de vista para talvez fazer esse julgamento ir para depois das eleições, ele foi ali, tomou um teatro, foi a minha sensação, com Gilmar Mendes, uma tabelinha com Flávio Dino para ter essa desculpa.
Então é isso, gente, agradeço muito o espaço aqui, tá? Sempre para mim é uma honra, uma felicidade estar com vocês.
Obrigado, Danúzio.
Obrigada, Danúzio, obrigada mais uma vez, e a gente espera contar com você aí nos próximos acontecimentos. Obrigada, viu?
Com certeza, Fernanda. Até mais, obrigado.
E a gente já tem um Deltan também na sequência, porque também tem que comentar, a Carmen Lúcia também fez um discurso meio que lavou a alma do pessoal, falou o que tinha que falar.
E ela também se manteve ali, né? Não conseguiu direito contornar a situação. Tem muita coisa ainda.
Vamos, vamos ouvir então o comentário do Deltan.
Boa noite, Deltan, seja bem-vindo.
Opa, agora entrou. Boa noite, pessoal, vamos lá. Espero que vocês estejam bem apesar do dia de hoje. Espero que todo mundo esteja aí mantendo a esperança, conseguindo respirar para cima da água e tentando agitar todo mundo, tentando entender e fazer o sentido do que aconteceu, né? Por onde vocês querem começar? Vamos fazer o enquadramento do dia de hoje. Vamos, vamos lá, bora! Hoje tava em jogo não apenas morais, hoje tava em jogo muito mais do que o destino de um juiz, de um ministro.
Tava em jogo o destino do Supremo Tribunal Federal. Que Supremo Tribunal Federal é esse? Que país é esse? Que Estado de Direito é esse? Que império da lei é esse? Afinal de contas, o que veio à tona até então foram simplesmente mensagens, provas de crimes gravíssimos praticados por um ministro do Supremo. Vamos ser franco, pé no chão, vamos ser bem realistas. O que está em jogo é se o Supremo, diante de indícios de crime de um dos seus, ele vai passar pano ou ele vai fazer o que a lei manda.
É se tem cidadãos todos no mesmo grau debaixo da lei, da Constituição, ou se tem pessoas acima da Constituição, acima das leis. O Supremo já vinha dando mostras de que sim, tem pessoas acima da lei há muito tempo, ao longo dos últimos anos. Mas isso vinha sendo defendido e muitas vezes era acusado como: não, isso é uma questão de de parcialidade, é só uma questão de viés ideológico, mas era coisa nenhuma. E agora a coisa tá muito clara, porque quando vem provas que não tem a ver com direita e esquerda, tem a ver com o ministro praticar advocacia administrativa, indícios de corrupção, a gente tá falando de R$130 milhões, contratos da ordem de R$208 milhões, a gente tá falando de mensagens para bloquear investigações, para ajudar a Polícia Federal e a PGR, mensagens questionando se tava na hora de surgiu ou não.
A gente tá falando de uma possível interferência junto ao Banco Central também, não só Polícia Federal e PGR. Quando vem tudo isso à tona, aí abre-se um julgamento. E o que que a gente vê hoje? O que que o Supremo mostrou hoje? O Supremo mostrou-se um Supremo dividido, tem duas alas. Uma ala que é a tropa de choque de Alexandre de Moraes, que blinda Moraes. Moraes tem aquela caneta não só mais como uma espada, mas como um grande escudo de defesa.
E ele tem uma tropa de choque que muito provavelmente vê Moraes como a última trincheira. E olha para o Moraes e diz, olha, se eles conseguirem tirar o Moraes, eu posso ser o próximo. E essa tropa de choque tá blindando o Moraes, até porque alguns deles já têm indícios também que deveriam ter sido investigados em algum momento e não foram. Veja o Toffoli, o Toffoli tá envolvido nesse caso, o Acer até se afastou, se declarou ali impedido suspeito.
Aí você vai para o Gilmar Mendes. Gilmar Mendes tinha uma investigação da Receita sobre a família dele por indícios de lavagem de dinheiro e de crimes graves lá em 2019. Quem mandou parar a investigação que existia contra ele foi Moraes, naquele inquérito do fim do mundo. Você tem ali alianças construídas ao longo do tempo. Então você tem essa tropa lulista e vamos lembrar que Moraes está conectado a Lula. O que está em jogo é muito mais do que um caso, o que está em jogo também é uma eleição.
E só para voltar para o enquadramento, eu enquadrei como uma decisão que diz respeito ao Estado de Direito, democracia, Brasil, mas é mais do que isso também. É uma decisão que diz respeito às eleições. Por quê? Porque Moraes e Lula estão intrinsecamente ligados. Lula é Moraes, Moraes é Lula. E os ministros, eles têm a plena percepção de que esse julgamento hoje, ele pode ser usado para um lado ou para o outro. Se Moraes fica mais e mais enrolado, você não tem uma reação adequada em relação ao Moraes, quem se fortalece é Flávio Bolsonaro contra Lula.
Flávio Bolsonaro ligado a uma direita que sempre teve um discurso muito firme contra os abusos do Supremo Tribunal Federal e que vai usar isso como a prova máxima dos abusos não contidos e não combatidos. De outro lado, você tem ministros da ala do Moraes, da ala dos imorais ou da ala da tropa xandônica do Supremo, como você preferir, que sabe que o seu destino tá muito ligado às eleições. Porque se ganha a direita, é uma direita que quer combater os abusos, é uma direita que tem uma voz forte contra abusos, que defende impeachment de ministro.
E se defender Lula, a coisa fica muito mais— se vencer Lula, a coisa fica muito mais manejável. Então muitos deles veem ali a vitória de Lula como uma questão de vida ou morte. E aí veja o que aconteceu aqui na antessala desse julgamento. Na antessala desse julgamento, Flávio Dino que não é relator do caso Master, que não é relator da investigação sobre o caso do Dark Horse, ele usa uma outra investigação sobre emendas parlamentares para direcionar essa investigação justamente para uma emenda relacionada ao filme Dark Horse, para ordenar uma mega operação sobre isso ao longo da última semana.
Tá na cara o que que tá sendo feito. O que tá sendo feito ali é alguns ministros sentarem, enviesar o debate, trazer informações, levantar jogar coisa na mesa, aproveitar a visibilidade do caso da imprensa para empurrar a bola na direção que quer no jogo eleitoral nacional da disputa da presidência da República. Essa é uma realidade. Então, fechando o enquadramento, o que a gente viu hoje? A gente viu uma tropa de choque entrando em defesa de Moraes.
Essa tropa de choque, bastante agressiva, liderada especialmente por Flávio Dino e por Gilmar Mendes, mas composta também do Cristiano Zanin. Dizem que o Lula largou a mão do Cristiano Zanin. Mas não largou, emprestou até o seu advogado de defesa para o Alexandre de Moraes, se me permitem aqui a piada. E qual foi o objeto do julgamento hoje? O que que se discutiu hoje? Se discutiu basicamente uma preliminar do mérito. O que que vai ser o mérito?
Se você começa ou não uma investigação contra Moraes. E o que que essa preliminar é? Se essa discussão sobre a instauração do inquérito contra Moraes pode ser feita separadamente da discussão sobre as acusações que o Moraes lançou contra Mendonça. Porque depois que André Mendonça trouxe à tona as mensagens envolvendo Moraes e Forcaro e pediu investigação e pediu até o afastamento de Moraes, depois disso Moraes contra-atacou, inventou uma série de coisas sem provas.
Tanto não tinha prova que pediu um relatório Mandrake de inteligência da Polícia Federal para embasar a sua, a sua acusação contra Mendonça, e lançou uma série de, vamos dizer assim, sujeira no ventilador contra o Mendonça Mas sem embasamento, sem prova, sem evidência. Fez um mega relatório lá baseado em informações que não se sustentam para tumultuar, para criar, tentar inverter o jogo, para colocar o Mendonça com investiga no banco dos réus.
E a legislação já prevê isso e prevê que quando um réu tenta atacar o juiz, isso tem que ser ignorado. Isso não torna aquele juiz impedido. Mas o que que eles querem? Eles querem ultrapassar as regras, porque ali você tem duas alas: a ala do, essa, essa tropa xandônica aí É uma ala que está muito mais maleável para ultrapassar a linha da lei, seja para prejudicar adversários e para ajudar amigos. Já a outra ala, a ala do Mendonça, a ala do Fachin, a ala da Cármen Lúcia, a ala do Fux, é uma ala muito mais apegada à lei.
Eu não vejo esses ministros ultrapassando a lei para beneficiar A ou para prejudicar B. Isso, por incrível que pareça, torna eles mais fracos. Por quê? Porque a força fica na lei e não neles. Quando você olha para a tropa xandônica ali, o que você vê é a força neles. Por quê? Porque a força não está na lei, eles torcem a lei para um lado ou para o outro. E aí toda a discussão hoje foi: você pode discutir a instauração da investigação do Moraes sem discutir as acusações do Moraes contra Mendonça?
E deu 4 a 4 na votação. Mas com um detalhe muito importante: o Moraes votou e votou para manter tudo junto. Mas espera aí, se ele acha que tudo é junto, E ele não pode atuar quando ele é investigado, e ele é claramente a pessoa que vai se decidir se vai ser investigado ou não. Como é que ele vota para manter junto ou separado se ele mesmo entende que tem que estar junto e ele é a pessoa que é alvo da suposta investigação ou da possível investigação que vai ser instaurada?
Tá na cara que ele não podia ter votado, mas se ele não vota, eles perdem força. Então eles atropelaram qualquer ideia que se possa ter de imparcialidade e ele pegou e votou. Gente, é até crime de responsabilidade a pessoa atuar quando tá impedida no Supremo Tribunal Federal. E então, o que se discutiu hoje foi isso. O jogo ficou 4 a 4. E aí, diante do empate, como fica? Existem duas regras que podem ser aplicadas, mas não sei se vocês querem que eu avance nisso agora.
Vocês querem que eu termine a análise, ou vocês querem perguntar alguma coisa, falar um pouquinho mais sobre o julgamento de hoje? Ou vamos discutir o que que acontece a partir desse empate?
Ah, eu acho que a gente podia falar do que acontece a partir do empate, Deltan. Que que você acha, Deltan? Aliás, eu já tô aqui, vou te mandar um presente. Esse livro que você viu é Democracia e Sistema de Justiça, uma homenagem aos 10 anos do Ministro Toffoli na corte, coordenado pelo Ministro Alexandre de Moraes. Você já viu esse livro? Aqui, ó, vou te mandar, é baratinho, ó, R$175.
E no Kindle ainda.
O que o povo está xingando esse livro na rede?
Porque é o seguinte, é uma hipocrisia, né?
É uma baita hipocrisia.
Você tá aqui explicando o que é que aconteceu ali, mas na realidade é uma coisa que não tem base nenhuma o que eles estão fazendo ali.
Não.
Não é um rito assim. Acho que a população precisa saber disso. É uma coisa que eles inventaram agora para dar uma cara de que tem regra para o fato deles não terem coragem do que de fazer o que eles precisam fazer com Alexandre de Moraes.
É isso, gente.
É assim, sabe, sabe que todo, todo jogo humano ele tem ritos, né? Então o cara quer namorar a menina, ele vai levar ela para sair, tem o jantar, abre a porta, né? O que eles estão fazendo ali é, em grande medida, cumprir alguns ritos. Quem quer investigar o Moraes quer fazer isso com a máxima legitimidade possível, sem nenhuma aparência de violação de leis, porque eles sabem que os ministros xandônicos vão tentar pegar qualquer vírgula, qualquer pelo em ovo para anular tudo.
E de outro lado, os outros querem invocar regras legais procedimentais para tentar embarreirar tudo e blindar o Moraes. É isso que está acontecendo na prática. Está 100% certo, Madeleine. Desculpa, não tinha te visto, Madeleine. Muito boa noite para você também, viu?
Boa noite, querido. E a gente tá falando, é uma regra que você falou muito, é do juiz natural. Hoje eu tava ouvindo aquilo, Deltan, é assim, se levar em conta tudo que o Alexandre de Moraes falou hoje, então tem que anular tudo que ele fez no inquérito das fake news e do 8 de janeiro, né? Porque sim, Por que que vale só pra ele e não vale pra mais ninguém do Brasil? O grande problema dele não é só o caso de corrupção. O grande problema é que ele tá há 7 anos e meio julgando pessoas à revelia da lei e quando chegou o dele, ele reivindica a lei.
Claro, não, totalmente. Mas, e pior, ele reivindica quando a lei não tá presente. Isso me lembra muito a Lava Jato. Eles acusavam a Lava Jato de fazer um monte de coisa que ela não fez e depois eles foram e fizeram. E 10 vezes pior do que se a Lava Jato tivesse feito. É mais ou menos isso. Mas Madeleine, eu tô te vendo aí, eu não tô te vendo a tua praguinha, o teu número aí de campanha. Por quê?
Ai, porque eu não vi.
Então ela tá civil aqui, né? Agora não é hora de fazer campanha, né?
Mas onde vai a candidata tem que andar com isso.
É o meu, não vem corromper nossa casa.
Mas eu não tô de praguinha aqui, eu vim ser entrevistada aqui, entendeu? Eu tô virando a chavinha, mas aqui eu não vim comentar as coisas do Estado de São Paulo. A gente trata deputado estadual, aqui eu tô apresentando o federal.
Porque a gente precisa de gente boa para nos representar, viu? Olha só, o que eles invocaram hoje, eles falaram muito de juízo natural.
Uma dúvida só também, completa isso e explica. O pessoal tá falando que não foi empate, que foi 4 a 3 porque ele pediu vista e não votou. Aí depois você explica.
Mas ele adiantou, ele adiantou o voto no finalzinho, foi 4 a 4.
É que, mas também acho que as pessoas ficam nessa dúvida porque assim, ele não deu o voto agora, então a gente tá falando, tem gente que tá falando que é 4 a 3, mas na realidade qualquer um deles ainda pode mudar esse voto, né?
É, pode, mas não vai mudar. Vamos ser francos, pegaria muito mal. A questão é o que que vai acontecer com 4 a 4. Isso eu explico para vocês, tá? Mas antes de eu entrar nisso que a Madeleine trouxe, do juiz natural, que que é o juiz natural? Esse é um princípio que tá na Constituição que diz o seguinte: uma pessoa, ela só pode ser investigada, processada, só pode estar nas mãos de um juiz que for escolhido pela lei antes da pessoa praticar o crime.
Tem que ter uma regra objetiva de seleção. Para quê? Para você não distribuir o teu caso criminal para colocar nas mãos de alguém que é teu adversário político. Você não pode ser julgado escolhendo a dedo. Ah, vou escolher esse juiz aqui porque esse juiz vai ferrar esse réu. Não pode. Tem que ser uma escolha objetiva, por sorteio, com critérios objetivos. Essa é a regra do juiz natural. E aí eu te pergunto: quando que essa regra foi respeitada no caso Bolsonaro?
Quando foi respeitada no caso do 8 de janeiro? Nunca. Por duas razões. Primeiro, porque a distribuição do caso do inquérito do 8 de janeiro e dos outros inquéritos que vieram para o Moraes Ela não foi por sorteio, ela foi direcionada a dedo, escolheram o Moraes para fazer isso. Então não teve coisa de juízo natural, coisa nenhuma. E pior ainda, como o Ministro Fux falou no caso Bolsonaro, esse caso do Bolsonaro não devia estar no Supremo Tribunal Federal.
Esse caso Bolsonaro deveria estar na primeira instância. Então eles violaram, eles rasgaram o princípio do juízo natural. Pensa no caso lá da família Mantovani. A família Mantovani foi investigada no Supremo e ninguém ali tinha foro privilegiado. Não tem foro privilegiado de vítima. Ainda que a gente cogite que o Moraes foi vítima da família Mantovani e que não é, não foi um bate-boca entre iguais, ainda assim pode levar o caso para o povo.
O que que é a família Mantovani? Que eu acho que nessa altura a galera já perdeu o que que é.
Sim, que que foi a família Mantovani? Foi um bate-boca que o Moraes teve com uma família lá no aeroporto de Roma, salvo Milão, na Itália, né? Foi Roma, né, Madeleine?
Não foi Milão, foi Roma.
Boa. Aí ele teve um bate-boca, teve um arranca-rabo, um aponta o dedo para o outro. Alguém discutiu, o pai da família Mantovani discutiu com o filho do Moraes. Aí o Moraes saiu bravo, xingou ele. A única prova do que a gente tem do que se falou foi o Moraes praticando um crime de injúria contra a família Mantovani. Veio para cá, adivinha? A Polícia Federal aguarda a família no desembarque do avião. Eles são investigados com todo o peso do Estado.
Eu nunca vi busca e apreensão ser feita para investigar um crime de calúnia, de injúria, mas fizeram contra a família Mantovani. Colocaram todo o peso no Estado e no final das contas a família fez um acordo com o Ministério Público porque viu que não ia ter nenhuma defesa para eles. Porque ainda que eles possam estar certos, e aliás as câmeras, exatamente o que veio à tona, nunca foi tornado público. O Supremo conduziu tudo numa caixa preta.
Tudo errado, tudo errado. E a família Mantovani foi julgada no Supremo, investigada no Supremo, sem que tivesse foro privilegiado. Ou seja, eles estão nem aí pro princípio do juízo natural. Só que aí agora, quando é a Moraes, aí eles discutem: será que deve estar nas mãos de André Mendonça? Será que deve estar aqui? Será que deve estar ali? O presidente do Supremo não pode tocar? Ou seja, é balela, é conversa pra boi dormir. Eles estão buscando pelo em ovo pra anular a investigação.
Agora eles querem se agarrar àquilo que eles nunca deram importância ao longo da vida, porque agora eles estão interessados em blindar o ministro do Supremo. Esse é o resumo da ópera nesse ponto, Juiz Natural.
Que é triste para todos nós, né?
Pois é. E a questão da Carmen Lúcia, o que você acha? Você acha que é em relação à votação mesmo, né? E a outra dúvida é se o dia 23 mantém a a questão do André Mendonça. Agora encavalou tudo, vai ser cancelado, e pediu vista, né?
Então, mas tem outra marcada, né? Ela fez uma coisa bem importante que acho que no mundo do direito tá todo mundo falando, que é o seguinte: o Ministro Zanin tinha colocado várias vezes que quando o Ministério Público diz que não é para prosseguir investigação, que é para arquivar, ele sempre deu razão ao Ministério Público. No caso, o atual Procurador-Geral da República pediu, disse que era nula um pedaço da investigação. Só que o cara tomava uísque com o Vorcar também.
E aí a Cármen Lúcia vai lá e fala, ó, pera aí, eu já cheguei na Procuradoria-Geral da República e falei que eles não tinham razão para mandar arquivar isso aqui não. E fui lá e tirei satisfação e não arquivou. É por isso que dizem que ela lavou a alma. Porque ela falou isso. O que você achou da atuação dela, Deltan? E como é que fica agora? Porque ficou 4 a 4. Aí vai fazer o quê? Vai para o jockey pôr, par ou ímpar?
E o dia 23, né? O que que acontece dia 23?
Boa. O que que eu faria se eu fosse o Fachin em relação ao dia 23? Eu manteria o julgamento. Por quê? Porque hoje se colocou em questão a decisão de instaurar ou não investigação em relação ao Moraes. E tem essa outra pauta do dia 23, que é o quê? Que é tratar da acusação do Alexandre de Moraes contra o André Mendonça. Ou seja, seria julgado em tese no dia 23 André Mendonça. Só que, para quem entende o mínimo de processo, não tem a menor subsistência a acusação contra André Mendonça.
É um investigado tentando acusar o seu juiz sem nenhuma base e nenhuma prova em nada, em zero. Eles não têm nada contra André Mendonça. Dia 23 tem-se um dia para simplesmente varrer isso aí e dizer: não, isso aqui não tem nada a ver, vamos deixar de lado. Mas a gente já desconfia o que que vai fazer, né? O Dino vai pedir vista de novo para tentar embolar o meio de campo, para tentar juntar as duas coisas. Mas se eu fosse o Foquinho, manteria essa sessão.
Por quê? Porque se você conseguir arquivar essas acusações infundadas contra o Mendonça, que não tem pé nem cabeça, aí você limpa o meio de campo e torna até prejudicada a questão que tava sendo votada hoje em preliminar. Porque hoje tava sendo votado em preliminar. Se você junta o caso do dia 23 e o de hoje, discute juntos. Mas se você chega no dia 23 e derruba o caso do Mendonça, se ele é arquivado, não tem mais nem discussão de juntar ou não, porque só existe uma coisa só.
Então essa é basicamente a lógica de você manter o dia 23. Agora o Dino vai chegar lá, eles vão pedir vista, eles vão enrolar. Chega uma hora ali, gente, que eu tava ouvindo o voto do Dino e tava visivelmente tava claro que o que ele tava fazendo era ganhar tempo. O que ele queria era prorrogar. Ele tava discutindo, falando de Aristóteles. Ele tava visivelmente ganhando tempo, enrolando para eles jogarem para noite, para que não houvesse tempo hábil para avançar para o mérito, caso as pessoas pressionassem para que não tivesse um pedido de vista, para que as coisas fossem resolvidas desde logo, caso o placar ficasse ruim para o Moraes ficasse já definido já o placar.
Então ele tava visivelmente ganhando tempo. A Carmelúcia, eu ouvi com uma dorzinha na alma, eu vi assim, sabe, porque quem acompanha a Carmelúcia nunca esquece daquele voto que ela deu na censura do Brasil Paralelo. Como é que foi aquele caso? Ela discorreu, ela discursou um monte contra a censura do Brasil Paralelo, contra a censura prévia, a favor da liberdade de expressão, e aí no final ela disse Portanto, vou ser, vou votar para censurar esse vídeo apenas dessa vez.
Ou seja, ela tudo discorreu para um lado, aí chegou na hora de votar, ela votou para o outro. Então eu fiquei ouvindo o voto da Carme Lúcia falando, pronto, ela vai falar, vai defender os princípios, vai discorrer tudo do lado certo, mas eu não sei como é que ela vai votar no final. Então eu fiquei feliz com o voto da Carme Lúcia porque a conclusão foi coerente com o fundamento e ela votou do lado certo da história. Então nesse ponto fiquei feliz.
A Cármen Lúcia, ela se sensibiliza muito, segundo a leitura de todo mundo, embora ela diga o contrário. E isso eu acho que é uma coisa que incomoda ela, até essa leitura, porque hoje ela disse expressamente o contrário. Mas todo mundo entende que ela se sensibiliza muito com a opinião pública, e mais, com a opinião ali também dos ex-presidentes, ex-ministros. Tinha gente, segundo a imprensa, que assistia a própria sessão lá dentro, ex-ministros do Supremo.
Então eu acredito que tudo isso aí impactou também o julgamento por parte dela. E aí a questão que fica agora: o que que prevalece? O resultado da votação foi 4 a 4. O que que prevalece? Pois bem, gente, existem duas regras e essas regras têm resultados antagônicos. A primeira regra que eu vou explicar daria um resultado favorável para o Moraes, e eu vou explicar por que que ela não se aplica no caso. E depois eu vou para outra regra que se aplica nesse caso, tá?
Então qual é a primeira regra? A primeira regra é a seguinte: Diante de um empate, o empate favorece o réu, favorece o investigado. Essa regra existe para julgamentos em habeas corpus, quando você quer anular um caso criminal, soltar o réu, o empate favorece o réu, favorece o investigado. Quando você tá decidindo se você vai condenar uma pessoa ou absolver, se dá empate, 4 votos para absolver, 4 para condenar, o empate favorece o réu, o empate favorece a pessoa acusada.
Por quê? Porque existe um princípio no direito penal criminal que se chama in dubio pro reo. Vem do latim, esse brocado latino aí que diz: na dúvida você favorece o réu. Só que esse princípio ele só vale lá na frente, só no momento da condenação ou então no habeas corpus. Ele não vale lá atrás, quando você decide começar ou não em uma investigação. Tem um outro princípio que vale, que é o in dubio pro societate: na dúvida você favorece a sociedade.
Qual o interesse da sociedade? É que existe a investigação. Então, quando o juiz vai começar ou não um processo criminal, o que vale é o in dubio pro societate, esse em dúvida em favor da sociedade. E no momento anterior ainda, que esse momento de investigação, a dúvida ela favorece a sociedade. Ou seja, você não pode aplicar esse princípio de que no empate você vai favorecer o Moraes, porque lá no começo, na investigação, a dúvida favorece a sociedade.
Então, esse princípio de que a dúvida favorece o réu não se aplica nesse caso, por uma razão lógica de como funciona o direito, a lógica do direito penal, do processo penal. Mas tem mais um argumento que eu vou colocar. O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal fala que quando não se trata aí de um caso criminal, quando se trata de questões gerais, quando não se trata lá do final do julgamento, da condenação, absolvição de um réu, é o voto do presidente, no caso de empate, tem um peso maior.
É o que ele chama de voto de Minerva ou o voto qualificado. No caso de empate, quem desempata é o voto do presidente. E o Fachin votou na mesma direção do André Mendonça, da Cármen Lúcia, do Luiz Fux, por separar os casos do Mendonça e do Moraes. Ou seja, se você aplicar essa regra do regimento interno, você também vai ter a prevalência do voto do André Mendonça. Então tudo me parece aí. Mais uma razão ainda, eu dou, gente: como assim contabilizar o voto do Moraes?
Dá licença! Como que o Moraes, que é quem está sendo julgado ali, se vai se instaurar uma investigação sobre ele ou não, como que você dá a oportunidade dele votar? Claro que ele não pode, claro que ele é impedido, claro que ele é suspeito. É uma vergonha Alexandre de Moraes ser votado nesse caso. Então, por qualquer razão que você pegue, tem que prevalecer a votação, o posicionamento do André Mendonça, do Edson Fachin, da Cármen Lúcia e do Luiz Fux.
Essa é a minha perspectiva. Mas isso não significa que não vai dar muita briga ainda, muita encrenca, muita discussão.
Só para a gente— aí, desculpa, eu queria perguntar se no seu ponto de vista você acredita que isso de fato, até como uma resposta para a sociedade, eles vão tocar da forma correta, ou como diz a maioria, vai terminar em pizza?
Olha, é muito difícil prever o que vai acontecer lá na frente. O que eu posso prever, o que que tá muito claro aqui agora é que a Turma Xandônica vai tentar embarreirar, adiar, obstaculizar em tudo. E veja, a gente discutiu hoje uma preliminar, que é se os casos devem tocar juntos ou separados. Mas tem várias preliminares. Olha o que que eles podem discutir. Eles podem discutir quem vota, quem não vota. Por exemplo, Alexandre de Moraes pode ou não votar nesse caso?
André Mendonça pode ou não pode votar? Assim, a resposta é clara: Moraes não pode. Já o Mendonça pode, ele é o juiz do caso, mas eles vão querer discutir caso a caso cada ponto disso aí. Mais ainda, já se superou a questão da sessão ser aberta ou fechada, mas o Dino, o Flávio Dino, ele bateu nisso de novo. Eles podem voltar nesse ponto. Pode ainda se discutir a questão do relatório da Polícia Federal ser nulo. Vamos lembrar que o Procurador-Geral da República alegou que o relatório da Polícia seria nulo.
Podem querer discutir isso, a ilicitude do relatório da Polícia Federal, antes de se discutir se instaura ou não investigação contra Moraes. Pode querer se discutir também, e por isso que eles querem trazer o caso do Mendonça para junto, o que que acontece com o inquérito do fim do mundo que tava com Moraes e que foi puxado para o Fachin. Vão encerrar esse inquérito? Vão redistribuir? Vai ficar com o presidente? Podem querer discutir ainda o que que vai acontecer com os inquéritos do Mendonça que foram parar com o Fachin.
Vão ser redistribuídos? Quem vai tocar esses inquéritos? Pode-se discutir ainda se o próprio André Rodrigues pode atuar como chefe da Polícia Federal nesse caso, se o Procurador-Geral da República, o Paulo Gonê, que tava lá e que foi mencionado no relatório, se ele pode atuar nesse caso ou seria suspeito. Pode-se decidir ainda se vai acontecer ou não um afastamento de Alexandre de Moraes durante a investigação. E veja, tudo isso que eu tô falando são questões preliminares.
Hoje se investiu um dia inteiro para discutir uma e teve um pedido de vista que vai demorar 90 dias. Pode demorar até 90 dias e o Dino pode segurar mais tempo ainda descobrindo a regra regimental. E aí, vamos dizer que a gente demora 90 dias, está em setembro, outubro, novembro, dezembro. Gente, 15 de dezembro, Inês, é morte. Isso aí vai ser retomado em fevereiro. Aí vai se votar a segunda preliminar, aí um outro vai pedir vista por 90 dias, aí você ganha mais 90 dias, aí vai para a próxima preliminar.
Se ganha mais 90 dias. Ou o Joaquim coloca ordem na casa e estabelece um rito aí, faz um acordo de bastidores, traz todo mundo, fala: a gente vai decidir, eu não vou permitir pedido de vista, tá todo mundo com isso aqui disponível, vai ser um pedido de vista único isso aqui que tá acontecendo para todo mundo sobre todas as preliminares, não vou admitir pedido de vista depois. Ou eles vão ficar barrigando isso A mais B. Agora, isso tudo que tá que tá acontecendo, esse absurdo que tá acontecendo, ele vai ter um impacto eleitoral, queiram eles ou não, vai ter um impacto eleitoral, porque isso aumenta a indignação da opinião pública.
E aí a gente ainda tem a chance de ter agora a própria sessão do dia 23, que vai colocar mais, mais querosene, mais álcool, mais gasolina nesse incêndio. Isso tudo deixa a população indignada, tá? Todo mundo que eu vi, gente, hoje na nossa live acompanhando eu transmiti pelo canal, tinha 60 mil pessoas só no meu canal. Aí eu transmiti junto com Marcília e transmiti no X ao todo, tinha mais de 80 mil pessoas só no meu canal. Vi vários outros canais que tinha muita gente.
O Brasil está acompanhando isso porque o Brasil não aguenta mais os abusos do senhor Alexandre de Moraes, não aguenta mais a impunidade, a blindagem do andar de cima do Judiciário. E agora o Brasil tá entendendo o que que aconteceu quando os grandes bandidos da Lava Jato foram blindados. Não é porque teve algum erro, é como esse caso, é porque eles se acertam lá no andar de cima, é porque eles se blindam uns aos outros, é por conta de grandes acordos políticos que estão por baixo da motivação do resultado jurídico que a gente vê, que é a anulação de grandes operações como a Lava Jato.
Doutor, só uma pergunta rapidinha. A gente viu que algumas novas mensagens foram divulgadas, né, do celular do Boccario, e que envolviam ou diretamente alguns ministros ou seus familiares, né, no caso do ministro do Fux, o Cássio Nunes, e até algumas reuniões, enfim, com André Mendonça ou pessoas do círculo próximo do André Mendonça. Você acha que esses 3 ministros, eles podem ser— o André Mendonça possivelmente sim, né, mas ele vai ser trazido para o caso também da investigação junto ao Alexandre de Moraes?
Isso pode atrasar ainda mais o processo? E outra questão, a gente teve o Fachin tirando o relatório do André Mendonça. Você acha que Alexandre de Moraes, o Zanin, eles podem utilizar isso para que o André Mendonça não poderia votar, assim como Alexandre de Moraes?
Bom, vou começar pelo segundo caso. O Fachin, ele tirou o caso do Mendonça, e até o Dino criticou isso dizendo, olha, não existe previsão para essa avocação. E não tem previsão mesmo. Eu acho que o que o Fachin fez foi tentar botar ordem na casa temporariamente. Eu acho que ele vai devolver esse caso para o Mendonça, porque o Mendonça realmente é o relator sorteado para isso, tem toda a legitimidade para tocar essa investigação.
Não tem nenhum indício de suspeição, de impedimento, de ter feito nada de errado nesse caso. Ou seja, esse caso deve voltar para o André Mendonça, e André Mendonça tem que votar. Não vejo razão para ele não votar. Veja, quando você diz assim, você acha que eles vão deixar o Mendonça votar? A questão é, por qual razão não deixariam? Salvo aquelas acusações genéricas, sem prova nenhuma, levantadas pela Alexandre de Moraes, que ela não tem fundamento.
Agora, vamos reconhecer que a gente está diante de uma uma corte política, é uma corte que não julga de acordo com a lei. Tem uma ala que julga de acordo com a lei, tem uma ala que julga de acordo com os ventos políticos. A gente viu isso claramente hoje. A questão é se essa ala política ela vai ter força o suficiente para impor a sua vontade e não a lei. Eu acho que não vai ter, tá bem equilibrado ali. A gente viu o resultado do julgamento hoje, deu 4 a 4, e prevalecendo a vontade do presidente, é, vai prevalecer sempre essa ala que tá aí buscando aplicação da lei.
Mas vamos lembrar que o que eles podem estar fazendo também ao buscar embarrigar isso, vou colocar para frente e pedir vista, é fazer o tempo passar até o Alexandre de Moraes se tornar o presidente. Aí, meus amigos, se for prevalecer a vontade do presidente, ainda mais com ele sendo presidente, ele ditando os rumos, ditando as regras, ditando o ritmo, a gente sabe o que vai acontecer. Vai ser um caso do 8 de janeiro às avessas.
Ele vai garantir a própria blindagem como presidente do Supremo Tribunal Federal. Então eu não vejo razão para tirar o Mendonça agora, não vejo razão para suspeição do Mendonça. Agora o que vai acontecer vai depender muito do timing, do ritmo que vai ser imposto e do quanto essa ala xandônica vai conseguir manobrar o caso para embarregar, empurrar para frente até Alexandre de Moraes assumir a presidência do Supremo. Na minha perspectiva, o que tinha que acontecer era o afastamento do Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal para que ele não volte a interferir e obstaculizar as investigações como que ele fez recentemente.
Aí você me pergunta também sobre investigação sobre os demais ministros. A questão é investigação do quê, tá? Porque quando você tem ali, vamos dizer, um filho do ministro que teria recebido dinheiro de uma consultoria que recebeu o valor do Vorcaro, e a consultoria teria sido de R$250 a R$300 mil, tem algum indício de alguma coisa errada aí? Gente, a gente não tá falando de R$129 milhões, que é incompatível com o serviço advocatício que que tava no contrato lá com a Dona Viviane Barsi de Moraes.
A gente tá falando, não, de R$250 mil é uma consultoria de um serviço jurídico que todo mundo contrata. Grandes empresas contratam, pessoas afluentes contratam serviços jurídicos por esse valor. É um valor compatível com o mercado de trabalho. Então, se foi um serviço prestado de R$250 mil, não tem nada de errado, nada de errado. Agora, ou seja, não tem nenhum indício evidente. Se tiver alguma coisa disso, investigue contra quem quer que seja, mas você não tem nenhum indicativo de ilicitude.
Você só instaura uma investigação quando você tem indícios de ilicitude. Sem indícios de ilicitude, eu não posso sair vasculhando a vida de você que tá nos assistindo. Eu como promotor, como juiz, como delegado, não posso sair vasculhando a vida de alguém sem que exista indícios. A gente fala que tem que ter justa causa. Justa causa é um fundamento mínimo. Você instaurar uma investigação contra alguém sem você ter um fundamento, provas, evidências mínimas Isso caracteriza até abuso de autoridade.
Então, ainda que você possa ter alguma relação ali, eu não vejo indício de crime. Quando você tem, vamos dizer que saiu no portal que o ministro Nunes Marques teria tido uma relação com o Vorcaro, teria sido beneficiado de alguma forma por meio de uma saída de uma garota com ele. Não sei se isso é verdade ou não é verdade, mas isso é uma relação privada em tese. Se ele recebeu um benefício do Vorcaro, tem que ver se é indevido.
Devido, quanto foi. E ele se declarou impedido hoje por alguma razão, pode ser que por isso, por outra razão, eu não sei qual é a relação do filho dele. Enfim, o ponto é, para você instaurar uma investigação contra alguém tem que ter evidências de crime. Se tiver, que se instaure em relação a quem quer que seja. Mas o que eu vi claramente que existe é em relação a Alexandre de Moraes. E você tem também alguns indícios que mereceriam um olhar mais apurado ali em relação a Dias Toffoli.
Mas o que tá hoje fratura exposta é Alexandre de Moraes. E pensa, quando você quer enfrentar uma das pessoas mais poderosas do Brasil, que em tese tá praticando crimes na mais alta, na cúpula do Judiciário, com toda a força que tem, acumulou ao longo dos últimos 6 anos, você tem que trabalhar com algum grau de estratégia e de prioridade. O foco hoje claramente para mim tem que ser o ministro Alexandre de Moraes.
Deltan, quero agradecer demais a sua participação aqui com a gente. E claro que a qualquer momento aí a gente pode pedir para que você participe novamente, viu? Muito obrigada.
Bacana, eu que agradeço. Abraço a vocês todos, a todo mundo que tá aqui nos assistindo. E eu queria encerrar dizendo que a gente tá no momento decisivo do país. Por quê? Porque é não só a gente vai definir se o ministro vai ser investigado, mas se ele vai ser responsabilizado. Para ele ser responsabilizado, ele precisa ser responsabilizado no Senado Federal, tem eleições posicionado. É importante você, em qualquer estado que for, escolher pessoas que se posicionem claramente nesse ponto.
Tem um pedido de impeachment do Moraes que eu fiz junto com Felipe Barros aqui no estado e que a gente abriu para todos os candidatos ao Senado de todo o país assinarem. E a gente abriu um site, lançou hoje o site para as pessoas conferirem quem assinou e quem não assinou o pedido. Porque quem disser que vai pedir o impeachment do Moraes lá na frente, não assinar agora, gente, não acredito que ele vai pedir impeachment. Se agora não tiver coragem se posicionar na eleição, dificilmente vai ter no futuro.
E além disso, o novo presidente da República, ele vai escolher 4 ministros do Supremo. Isso vai impactar não só os nossos próximos 4 anos, mas os próximos 40 anos. Como eu tô aqui também como comentarista, não vou entrar aqui em lados políticos, mas eu queria deixar o princípio para vocês. O princípio: escolha um presidente que vão colocar ministros que não vão fazer parte dessa ala xandônica de abuso de autoridade, de abuso de poder, e escolham senadores que vão estar lá defendendo a contenção dos abusos e fazendo, cumprindo só o papel, a sua função no Senado, que é abrir processo de responsabilidade diante de indícios de crime como aqueles que vieram à tona no passado recente.
Muito obrigado mais uma vez, prazer enorme, uma honra estar com vocês. Um grande abraço e até a próxima.
Obrigado, obrigada, viu, Fernanda?
Com quem a gente vai agora?
Agora a gente vai continuar nesse assunto, até porque tem um ponto de vista um tanto quanto diferente, com ele que é jornalista, que é o Guilherme Amado. Oi, Guilherme, boa noite!
Olá, boa noite, tudo bem? Como é que vocês estão? Tava aqui ouvindo o Deltan, tudo certo. O encontro, abraço, Deltan! A gente não se encontrou aqui, ficou meu abraço aqui.
Boa noite, seja bem-vindo, Guilherme. Eu queria pedir para que você também falasse com a gente um pouquinho do seu ponto de vista, de tudo tudo aquilo que aconteceu nesse dia, né, nessa terça-feira, e que fez o Brasil parar.
Eu quero mais, eu quero que ele fale o que pode acontecer, o que pode acontecer.
Não, não, eu quero uma futurologia aí também. Eu gostei, eu quero saber, eu tô desesperado hoje. Eu esperava que acontecesse mais coisa, tivesse definição. Então me ajuda nós aí.
Não, pô, missão difícil. Boa noite para vocês, pessoal. Boa noite, Madeleine, também, que eu não encontro há muito tempo.
Um abraço para você, tudo bom?
Tudo bem, querida? É, não, gente, olha, vamos lá por partes. Eu acho que o dia de hoje foi um dia necessário para o Supremo. É, aquilo ali tá precisando de luz do sol há muito tempo, né? Tem que bater forte a luz do sol ali nos gabinetes, vários gabinetes. E agora tem um lado muito triste, né? A gente vê o bate-boca, a gente vê o dedo na cara, ali uma hora quase que avizinhando uma baixaria. Isso é muito ruim para a gente como cidadão, né?
Dá uma descrença num poder que é muito importante, é fundamental para democracia, dá uma descrença na instituição Supremo. Aquilo que o Flávio Dino falou, não sei se ele se tá movido realmente apenas pela preocupação com a imagem do Supremo, ou se tá movido também pela questão eleitoral, que é certamente é premente para ele, né? Ele é um dos ministros que tem uma atuação política forte. Isso, mas aquilo é verdade, assim, é muito triste a sociedade ver aquilo, né?
Essa lavação de roupa suja que é sempre bom a gente lembrar, é uma jabuticaba, né? É uma coisa que a gente, que não tem paralelo no mundo. Os outros tribunais constitucionais, os tribunais superiores, eles não têm, não tem sessão televisionada, né? Eu uma vez eu conheci um setorista, quase 20 anos do Washington Post na Suprema Corte americana, E aí, quando eu— era uma conversa dele com vários jornalistas, eu falei que era brasileiro.
Aí ele falou, ah, no Brasil é que tem a Suprema Corte da televisão, né? Isso era 2017, que tudo passa na televisão. Como é que é? Aí ele ficou me enchendo de pergunta. É uma jabuticaba, isso não tem outros países. A roupa suja nos tribunais superiores dos outros países, ela, ela é lavada geralmente em salas fechadas. A questão é que É quando aqui no Brasil, mesmo televisionado, a gente vê famigerados acordões. Imagina se não fosse televisionado aqui, né?
Então televisionado dificulta acordão. E tudo que a gente não pode ter é como sociedade nesse momento é acordão. Aquilo seria muito ruim, né? Mas enfim, vamos ver. Eu acho que tem muitas perguntas no ar. Sessão do dia 23 vai ter o quê? Né, já entrando um pouco aqui na futurologia que você me pediu, Vilela. É, a questão dia 23, vai ter, vai ter um pedido de vista de largada, e aí a coisa toda vai ficar meio morna porque todo mundo vai saber que aquilo não vai ficar, não vai ser decidido antes da eleição, né, se o André é investigado ou não.
Quanto tempo Flávio Dino vai ficar com isso? Eu arrisco dizer que ele vai ficar o tempo que ele achar necessário para desatrelar isso do da eleição. Por que que eu arrisco dizer isso? Porque até ontem, hoje ainda não tive tempo de conversar com ninguém próximo do ministro, mas até ontem o que os interlocutores do ministro Flávio Dino diziam é que a grande preocupação dele é em uma contaminação eleitoral e isso acabar interferindo no resultado da eleição.
Bom, aí o ministro precisa ver as pesquisas. O que que as pesquisas estão mostrando, nos mostrando? Ontem saíram BTG Nexus e Quest. Ambas pesquisas perguntaram: você pretende mudar o seu voto em função do que tá acontecendo no Supremo? E as pessoas estão dizendo que não, as pessoas estão dizendo que não vão mudar o seu voto. E aí, se você olha o que aconteceu depois que veio o, depois do Xandão Day, né, depois do Xandão Day que veio o relatório lá de 214 páginas mostrando aquela relação completamente imprópria, inadequada, com o Vó Caro.
Depois daquilo não mudou grande coisa. Você teve uma variação quase que dentro da margem de erro. O Flávio lidera numericamente, é um empate técnico com Lula, mas tá empate técnico que não era muito diferente do que tava antes, né? E bom, a gente para o primeiro turno, a gente tá chegando perto. Para o segundo noturno, a gente ainda tem muita água para rolar, muita água de campanha, muita água desse Brasil que a gente fica dando F5 para ver qual vai ser a revelação da vez, quem foi o último a falar com o Vô Caro, é as investigações que estão em andamento, é sobre os próprios candidatos, que é natural.
Sociedade começa a colocar todo mundo sob escrutínio, isso é bom para gente, para a gente saber em quem que a gente tá votando. Então eu acho que a questão eleitoral pode passar ao largo do Supremo. E o Flávio Dino vai segurar esse negócio aí, certamente. Eu acho que no limite dele, que são os 90 dias. Eu acho que isso tem, enfim, umas questões políticas que advêm daí, que tem consequências, né, que advêm daí. Até falei certo, que a gente pode analisar depois, se vocês quiserem.
Sabe uma coisa? Na campanha do presidente Lula, eles estavam com esforço grande, inclusive inclusive a demanda dos candidatos parlamentares, porque para eles ficou muito pesado a associação do presidente Lula com Alexandre de Moraes. E demanda também assim de quem, quando Alexandre de Moraes foi indicado, deu a cara a tapa, tipo Gleisi Hoffmann era contra. Tem os vídeos dela falando completamente inadequado, não sei o quê. Então assim, esse pessoal tá cobrando, tem que descolar.
Só que o ministro que foi ministro do Lula e que sempre foi alguém que fez política com o Lula, ele ter pedido vista torna mais difícil descolar essa imagem do ministro Alexandre da imagem do ministro Lula com 20 dias de campanha. Na realidade, eu achei bastante curioso porque o ministro Dino é um homem inteligentíssimo. Ele fez a dissonância cognitiva competitiva. Ele falou: eu estou com medo que isso altere as eleições. E o pedido de vista dele efetivamente tem um peso eleitoral.
É, tem um ponto do Flávio Dino, tem dois pontos do Flávio Dino que são, que são difíceis da gente discordar, né? De novo, não vou analisar aqui quais são os motivos que levam que levaram o ministro a colocar esses pontos. Eu acho que tem um lado dele que tem uma preocupação com o resultado da eleição, né? Pelo histórico do Flávio Dino, é óbvio que ele não quer que o Flávio ganhe, ele quer que o Lula ganhe. E tem, eu acho, o lado do Flávio Dino também de alianças ali, né?
O Supremo o Tribunal Federal no Brasil é muito político. Flávio Dino é um dos ministros com atuação política, que é uma coisa obviamente indevida, mas é como as coisas são, né? Infelizmente deveria mudar, mas o Flávio Dino tem, como Gilmar, como Alexandre, como Toffoli, como o André tá tendo nessa, nessa posição, né?
Diferente, Guilherme, o Flávio Dino é o único que teve uma carreira inteira só na política.
Ele foi juiz lá atrás, ele foi governador de estado, ele foi lá atrás federal. O Flavidino foi juiz federal.
A grande questão é a vida dele. Ele foi governador de estado, ele teve a vida inteira uma vida partidária. Nenhum dos outros teve isso. Eu lembro muito bem, isso nunca ocorreu na Suprema Corte do Brasil. Eu lembro muito bem da oposição que o Ministro Toffoli sofreu por ter sido advogado do PT. Eu trabalhava no Supremo essa época. Ele era AGU, foi colocado lá, fizeram novamente uma comparação indevida com o Ministro Gilmar, que havia sido AGU do Fernando Henrique, mas não tinha sido advogado do partido.
Foi considerado um escândalo. Ministro Ayres Brito, porque teve uma filiação na atitude ao PT, nem se candidatou nem nada. Oposição ferrenha da sociedade. Ministro Fachin, porque o escritório dele defendia pessoas ligadas ao MST, ele era advogado. Como ele defendia algo que era um movimento ideológico, sofreu forte oposição. Não há nenhum ministro no STF na história da Suprema Corte brasileira que tenha tido uma vida partidária como o Ministro Dino.
É algo diferente. E é exatamente por isso que as pessoas da campanha estão reclamando. Fosse qualquer outro que tivesse pedido vista, não ficaria tão ligado da campanha do próprio Lula. Eles querem fazer um descolamento do Alexandre de Moraes. E aí quem pede vista é o Dino, que assim, o Dino foi governador de estado várias vezes, foi deputado.
Eu só queria que pudesse só voltar, porque eu tava tentando, eu acabei me fazendo um raciocínio longo, mas eu não concluí. Eu concordo plenamente, assim, do até onde eu tenho memória do STF não tem ministro com vida partidária igual. A gente tem historicamente vários outros que foram políticos, né? O ministro Nelson Jobim, que foi deputado federal constituinte, foi ministro da Justiça, ministro da Defesa. Maurício Corrêa foi também senador da República.
Que foi ministro da Justiça antes de integrar o STF. A gente tem o Paulo Brossard, que foi deputado estadual, foi deputado federal, foi senador pelo Rio Grande do Sul, foi ministro da Justiça do Sarney. Então, na história do Supremo, com a vida partidária igual do Dino, confesso com você que eu não tenho essa memória de dois séculos, mas que foram políticos outro momento, sim. Eu citei a atuação do Flávio Dino como uma atuação política que eu acho indevida, é só porque eu ia falar dos dois pontos que ele colocou.
E eu acho que em grande parte ele colocou por causa dessa atuação política que ele tem indevida. Os dois pontos são: primeiro, é muito feio para imagem do Supremo. Eu acho que isso é, pô, não tem como discordar. Assim, seria muito melhor se não fosse necessário uma uma situação como essa. Eu acho que é necessária. E segundo ponto é que isso pode sim contaminar o processo eleitoral. E aí tem um negócio que a Cármen Lúcia falou, e que eu tenho certeza que diversos procuradores, delegados, investigadores, eles se— e juízes, eles se debruçam com essa dúvida.
E que eu conversei muito sobre isso uma vez com o procurador da Lava Jato. A gente fez uma conversa longa, até entrando em aspectos morais da coisa, e que é a dificuldade que você tem como investigador de quando você tá no processo eleitoral, chega para você uma necessidade de decidir de levar à frente uma investigação durante, né, caso o juiz decidir, o promotor, o investigador, né, o delegado de investigar durante a campanha e pedir uma ação de busca e apreensão, pedir uma prisão, pedir alguma coisa ou decidir nesse algum tipo de ação desse tipo, cara, é ficar entre a cruz e a espada.
Se coloca no lugar desses caras, né? Se ele tem a chance de fazer uma prova que vai ser fundamental para provar um crime que tá em execução ele vai pensar, putz, mas é o processo eleitoral, eu não posso contaminar o processo eleitoral. Por outro lado, a gente sabe que historicamente tem diversas investigações para direita, para esquerda, para prejudicar candidato de direita, de esquerda, de centrão, vários tipos de enviesamento em investigação.
Então isso faz com que promotores, procuradores, né, delegados, juízes se contenham muitas vezes nesse período e só façam o que é fundamentalmente necessário, né? E aí isso também é uma das coisas que o Flávio Dino falou, porque o que ele tá colocando ali é o seguinte, eu acho que ele até fala isso: eu não sou contra investigar. Ele, eu acho que tem uma frase dele, não com essas palavras, mas é com: não sou contra que a gente discuta investigar, mas precisa ser agora? Eu acho que é uma discussão que vale a pena a gente como sociedade ter.
Mas é uma questão que ele tá falando, que isso você tem razão, Guilherme. No interior a gente tem muito isso, principalmente em prefeitura, né? Quando tá ali na boca da eleição, pega um caso de 6 anos atrás do prefeito, alguém que é aliado entra, o outro também tem problema, mas o outro não é investigado. Isso se fala muito no meio jurídico. Mas aqui a grande questão é a seguinte: ninguém tá discutindo parar a investigação contra o Flávio.
E o Dino deu até busca e apreensão nisso aí. E o Flávio é candidato, o ministro Alexandre de Moraes não, né? Eu acho que aí tem uma questão, porque assim, a investigação contra o candidato prossegue, e eu entendo que é correto. Eu acho até que ela podia ter ter sido mais agilizada. Mas o ministro, ele não é candidato, né? Eu acho que essa fala do Dino comprova tudo que você tá falando, Guilherme, dele ter um posicionamento mais, uma visão mais política, que ele nem percebeu que na verdade o que ele tá dizendo é que o ministro Alexandre tá sendo lido como agente político, né?
Exatamente. Exatamente. É, eu, eu, a gente publicou agora há pouco, foi uma apuração do, uma sacada na verdade, uma percepção, né, do João Pedro dos Campos, que trabalha comigo na coluna lá no Amado Mundo, que eu queria trazer para vocês aqui para responder aí os anseios da futurologia que você pediu. Beleza, beleza. Que é uma parte do voto da Carmen que pode indicar que ela vai votar pela abertura de investigação do Xandão quando ela for votar.
Né?
Bom, lembrando, vocês já falaram aqui antes que é o voto mais aguardado do julgamento do STF, né? Porque ela é apontada como uma possível Minerva, um possível voto de Minerva. E aí a Carmen, lembrando, se alinhou ao Fachin, André Mendonça e ao Fux contra a questão de ordem que foi votada hoje, né, pelo, levantada pelo Gilmar. Beleza. O Flávio Dino, Cristiano Zanin e o Xandão seguiram Gilmar Mendes.
Beleza.
Só que além do posicionamento por essa, nessa questão de ordem, a Carmen Lúcia introduziu na participação dela hoje no julgamento, que ela falou cirurgicamente, ela não foi uma das verborrágicas, ela foi pontual, algumas declarações que sugerem essas pistas.
Vamos lá.
A Carmen falou em igualdade de todos na lei. E que não queremos que penda sobre qualquer um de nós qualquer dúvida que fique sem clareza. A frase dela aqui, ó: o meu voto se dá nos termos de que se tem, considerando os princípios que balizaram o meu voto, que eu tinha preparado e darei na ocasião oportuna, de igualdade de todos na lei. Todos são iguais na lei. São os princípios e o primado de uma república que é feita exatamente para dar esse tratamento que nos conduz, que tem sido condutor e vertente desse Supremo.
Não é diferente agora. Ainda que alguns de nós estejamos sendo sujeito de indagações que precisam ser respondidas. E depois ela fala assim: estamos cuidando desse caso para verificar o que há de referência a um de nós, o que isso significa, notícia de fato, indício em que isso se conforma e a que isso se conduz. Não imagino que nenhum de nós aqui queira que penda sobre qualquer um de nós qualquer dúvida. Daqui fique sem clareza.
Não é por pressão de fora ou de dentro, é porque é a nossa compreensão de que é o nosso dever. E ainda se disse triste, envergonhada pelo fato de o STF monopolizar as atenções da sociedade há 3 semanas do primeiro turno das eleições. E pediu desculpas por diversas vezes ao povo brasileiro por, em suas palavras, não ter sido mais eficiente para acalmar os ânimos no Supremo. Bom, É, primeiro, Carmen é pop. Ela com a declaração final dela, quando a gente vai para análise do debate digital, ela mudou um pouco o jogo.
Ela ajudou a foto do Supremo final ficar boa com essa declaração. Foi muito bem recebido nas redes sociais. Agora tem uns recados aí que se eu fosse o Xandão, estaria dormindo, eu estaria tendo sonhos intranquilos nos próximos dias, porque que dos próximos meses, né, provavelmente, porque ao que tudo indica, e que bom, que bom, ele vai ser alvo de uma investigação. Isso é fundamental para credibilidade dele, se ele for inocente, para a justiça, se ele for culpado, né, e para imagem do Supremo, que é quem tem que ganhar nesse negócio.
Quem tem que ganhar esse negócio não é André Mendonça, não é Alexandre de Moraes, não é nenhum dos outros, porque todos eles vão passar. E o Supremo tem que ficar, né, gente?
Você falou da Cármen Lúcia. A gente tem visto nas redes sociais nos últimos, nos últimos anos, um tom sempre muito alto, gente gritando muito, uma falta de educação, gente falando palavrão, sai atacando, sai difamando. Essa sessão do STF foi mais ou menos esse clima. Na sua opinião, as pessoas captaram tudo que a ministra Carmen disse, ou o tom dela, a firmeza, a postura que ela teve deram um contraponto ali importante?
Eu acho que a sociedade consome essas coisas por cortes, né? Assim, a metade, metade, como é que é a pizza, né? 35% se falam pela TV, 35% 36, 37 por rede social. O resto é diluído entre portais, rádios, jornais. Então vai ter a pessoa que vai ver a coisa organizadinha na TV, com que nós jornalistas, né, fazemos lá curadoria, explicamos e tal. E vai ter uma massa igual de pessoas que vai ver tudo fragmentado, bagunçado, de acordo com a forma que os algoritmos vão entregar.
Se essas pessoas vão ver mais o corte da Carmen ou mais o corte do Xandão, ou mais o corte do André e do Gilmar, dedo na cara um do outro. Aliás, minto, o André não colocou dedo na cara do Gilmar, o André só pediu respeito e falou grosso. Isso vai depender muito do, vai um pouco sabor dos algoritmos. Eu não sei te dizer o que que vai prevalecer. Eu acho que a melhor coisa é se as pessoas conseguissem ter essa ideia de conjunto, que programas como como esse podcast, como esse, conseguem dar para as pessoas explicar o que que tá acontecendo, né?
Como a gente fez hoje, o áudio inteiro no Amado Mundo, ficou ao vivo, entrou nos intervalos, comentou. É o nosso papel, né, Madalena? A gente ajuda a pessoa a entender o todo da coisa, né? Isso nesse momento de confusão é um ativo que o jornalismo, que os bons comunicadores podem dar para a sociedade, né?
Guilherme, eu tenho uma pergunta para você, tem a ver com a questão do Supremo, mas também focado um pouco em geopolítica. Não sei se você acompanhou, mas os Estados Unidos possivelmente poderiam aplicar sanções novas contra o Alexandre de Moraes. Das últimas vezes, quando houve o posicionamento dos Estados Unidos contra a Suprema Corte ou as sanções aplicadas contra o Brasil, foi um momento até que o Lula aumentou um pouco de popularidade.
Eu acho que esse momento é diferente porque a figura do Alexandre de Moraes está muito manchada. Você acha que eventuais sanções contra o Alexandre de Moraes ou contra a Suprema Corte ou sanções contra o Brasil nesse momento que a população tá tão insatisfeita com o STF, vai repercutir bem ou mal para candidatura do Lula?
Cara, eu acho assim que o Lula tá sabendo guardar uma distância segura do Xandão, né? Isso pode ser o que tá inclusive fazendo com que as pessoas não estejam mudando de voto por causa dessas notícias recentes do Supremo, como eu falei, que a BTG Nexus e a Quest mostraram. Qual foi o posicionamento do Lula nesse caso, né? Ele, ele partiu para uma posição de investigue, né, do discurso, né, investigue todos, doa a quem doer, né?
Foi depois que ele falou ali na rede social tem que abrir o sigilo do Master, foi ali que foi e foi muito perto da carta dos empresários e da carta da, de fundamentalmente empresários, mas tinha outras personalidades assim naquela carta que tava Luiza Helena Trajano, Dona Magalu, Luciano Huck. As coisas foram um pouco próximas. O do Lula foi o último antes do Fachin sair da imobilidade que ele tava e tomar, começar a tomar decisão.
Então eu acho que esse posicionamento tá meio que protegendo o Lula. O Lula e o Xandão, eles se tornaram aos olhos de muitas pessoas, e sim, aliados em muitas causas, por causa de circunstâncias históricas, né? O Alexandre de Moraes é um homem de direita, ele é um homem de direita, de centro-direita. É, o Lula é um cara de centro-esquerda, centro-esquerda. Eles sentaram no mesmo banco da história, porque foi no momento que o Alexandre de Moraes encarnou o grande adversário do bolsonarismo, né, empoderado pelos outros ministros do Supremo, e tentou frear o golpismo, as tentativas de golpe.
E o Lula era o adversário desse golpismo. Mas não tem fora a circunstâncias políticas, não tem muita semelhança entre Lula e Alexandre de Moraes. E isso também favorece um pouco o Lula, porque por mais que nesse momento eles estejam no mesmo quadrado da história, de novo, vamos lembrar que o Alexandre de Moraes foi colocado lá no STF pelo Michel Temer, que articulou para fazer o impeachment da Dilma, assumiu, é, contra o derrubando o PT.
E tirando a Dilma. E o Michel Temer até hoje não é um aliado do PT, até hoje ele segue sendo um adversário do PT. Não confronta o PT porque não é, não tá disputando mais nada. O PT não confronta porque ele também não tá, ele, Michel Temer, não tá disputando nada. Mas não, não tem conversa, não existe esse canal. Então as pessoas meio que percebem, por mais que nesse momento Alexandre de Moraes e Lula estejam circunstancialmente é com interesses em comum.
Não tem, não é, não é o Flávio Dino, né, Madeleine, que se esse sim, se o Flávio Dino fosse pego em coisa semelhante, é para o Lula ser um problemão, porque esse sim, esse caminha há décadas do lado do Lula, de mão dada do Lula, com uma vida partidária em partidos aliados ao PT há muito tempo, né. Eu acho, portanto, que por enquanto tá controlado isso. E o Lula tem que manter, se ele quiser seguir protegido, ele tem que manter uma postura, seguir mantendo uma postura de projetar uma independência, né?
Eu acho que tá bem atrelada ainda a imagem do Moraes com Lula. Tomam até cafezinho, combina jantar.
Eu acho que a famosa sensação, né? Não interessa o que é, mas é a sensação Exato.
E também várias declarações que foram dadas, todo esse contexto que a gente teve de inquérito das fake news do 8 de janeiro.
Já mandou, né, tem que ser investigado. Ele tá sendo até firme, eu não esperava isso, ele tá sendo firme nas declarações, né?
Ele precisa, ele não tem outra opção nesse momento, né?
E tem aquela coisa que o Lula, ele parece muito aliado do ministro Alexandre por causa de declarações que ele deu, principalmente essas mais recentes da Magnitsky, que ele queria se colocar contra o Trump. E na verdade, para se colocar contra o Trump, ele agradava o Ministro Alexandre. E aí essas declarações, elas vão ter um uso, um uso eleitoral. Mas se o Ministro Alexandre tivesse mais ao lado do Lula do que pensando em si, ele teria pedido uma licença.
É, se tivesse, mas não, nessa hora cada um por si, né?
Ele, se ele pedisse uma licença, gente, não precisa ir longe, ele podia falar, olha, eu vou tirar uma licença de 3 meses para o bom desenrolar das eleições, para que a eleição seja um debate sobre candidatos, e depois a gente volta e discute aqui. Toma aqui meu celular, entendeu? Isso para mim seria a solução mais calma para todos, inclusive para o mundo político. Mas enfim, vão ter que lidar com alguém que não vai.
A sensação que eu tenho, como diz meu amigo, é só sensação, é que tanta gente sabe tanta coisa que ninguém tem coragem de bater na mesa e falar: é isso, isso, isso. Fica todo aquele, tá, talvez, se, suposição, quem sabe.
Muita gente viajou nesse jatinho.
É muito complexo isso.
Pois é. Obrigado demais aí pela participação e chamaremos você assim que— vamos apertar o botão de emergência aí, né, gente?
É isso. Eu queria convidar e agradecer demais a vocês. Queria convidar quem não conhece o Amado Mundo para passar lá. Vilela, a gente esteve junto aqui em Brasília lá no evento do YouTube às vésperas de eu fundar o canal. São uma baita inspiração. E queria convidar a audiência do Trilhos Limitados para conhecer o Amado Mundo, se inscrever, youtube.com/@amadomundo. E Madeleine, você, queremos tua participação aí. Não sei se deputada eleita ou só colega jornalista, mas queremos receber você lá no Amado Mundo.
Só chamar, ô Guilherme. Você tem meu celular, tem meu WhatsApp? Manda um Zap aí. Vou mandar até um oi caso você tenha perdido.
Manda assim, é, o povo perde.
Falou, vou lá, só chamar que eu vou.
Cuidado com troca de mensagem, manda por imagem qualquer.
Ah, é, não vai mandar mensagem, não vai mandar visualização única e salvar no bloco de notas não, hein.
Essa história deles com a visualização única no bloco de notas coincide com uma dica que eu sempre dou, principalmente para meninas jovens, que eu dou para todas todas as mulheres: nunca mande um nude seu.
Manda de outra pessoa.
É óbvio, eu nunca mandei o meu, nunca. Você vai no Google, nem precisa de ar, você vai no Google, pega um parecido e manda sem a cabeça, né? Sem a cabeça. Você manda um parecido sem a cabeça e manda.
Aí, Vilena, cheguei aqui, peguei um nude seu, você envia o meu. Se alguém pedir o nude seu, você manda o seu.
Que isso?
Você vai mandar seu nude para ele?
Não, eu não entendi.
Você tem o nude dele já, pelo menos?
Estranho você ter o nude dele, gente.
Valeu aí, vamos para o próximo aí agora.
E os nudes do celular de votar? Eu achei, eu achei— vamos explicar melhor essa história.
Vamos falar de STF.
É, né?
É melhor.
E aquele vídeo, suposto vídeo do Flávio, que todo mundo fala que tem e ninguém fala.
Cadê esse vídeo?
Exato, quem falou aqui?
O Kim que falou.
Não, mas acho que é mais próximo, né? Talvez o primeiro turno, segundo turno.
Dizem que tem muita coisa que é guardada, tá aqui a Madá para explicar isso.
Para o segundo turno?
Para o segundo turno, é verdade.
Vai vir artilharia pesada, você acha, dos dois lados?
Olha, se tiverem na mão, eu largaria no segundo turno.
É, já tá meio meio definido, né?
É porque eu acho que agora vai favorecer quem se largar tudo. E agora também assim, o enrosco maior, gente, moralmente tô falando, é no Supremo, com certeza. Porque de boa, o brasileiro há muito tempo vota pelo menos pior no Executivo. Então por isso que fica assim, ah, o fulano faz uma coisa, ah, mas e o não sei quem? Porque ele já deu por visto que os cara são safado mesmo e que isso, que aquilo. Agora, é juiz, sempre teve briga, até com o próprio Alexandre de Moraes, por causa das decisões que o cara dá.
Ele tá sendo parcial? Ele tá exagerando? Alexandre de Moraes no inquérito das fake news, ele exagerou? Ele foi além? Os caras no 8 de janeiro, a briga era por causa da decisão. Nunca briga com juiz de Suprema Corte foi por causa de contrato milionário, de dinheiro, de coisa que é muito comum do universo dos políticos. E isso é que o pessoal tá estranhando, né, gente?
A gente, a gente não se despediu do Amado de umas— ele tá lá, né?
Acho que ele tinha—
tchau!
Acho que congelou, por isso que a gente não deu tchau.
Foi pegadinha do diretor, ele me falou aqui que tava no limbo.
Foi brincar, tá Tá entendendo? O Nu desolei.
Foi brincar com o Nu, ele tremeu a hora que eu falei o negócio do Nu.
Nossa, cara, o que eu falei? Muda de assunto, que negócio é esse aí?
Aí ele foi para um caminho que eu não imaginava esse negócio.
Não, mas esses prints aí dos dois, o povo que fica mandando coisa, conhece o menino na internet, principalmente menino adolescente, menina adolescente, conhece, pede o negócio. Vocês viram, Alexandre de Moraes e Vorcaro caíram por causa de print de imagem. Imagina você, imagina o que a pessoa pode fazer com a sua vida. Não manda, se insiste muito, gente, entra no Google, pega assim um parecido e manda, manda e pronto.
Eu, as pessoas não mandam os meus nudes porque é muito pesado para carregar, né?
Muito, muito gigabytes.
Chegou as fotos que eu escolho, pelo menos na internet.
Ah, olha lá, ele falou isso, esse truque.
Fernanda, e agora, o que que faltou?
Agora a gente vai entender que não é só no Brasil que tem confusão. Ai, ainda tem um mundo, tem um mundo com ele que tá aqui do nosso lado.
A gente falou tanto do Brasil que esqueceu do mundo.
Exato.
Só mais um pouco de confusão só, né?
Acontecendo coisa no mundo.
E coisa bem interessante, pode mudar bastante a configuração política também do continente europeu. Talvez a notícia mais importante que a gente teve ao longo da semana foi uma reunião que aconteceu na segunda-feira, ontem, né, em Cardiff, ali no País de Gales, em que Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte estão decidindo pela separação frente ao Reino Unido.
O que que isso significa na prática?
O Reino Unido hoje ele é formado por 4 territórios, né, que a Inglaterra, o País de Gales, a Escócia e a Irlanda do Norte. Só que o Reino Unido atravessa uma crise política bem grande, né. A gente teve só nos últimos anos aí o Boris Johnson, Alice Truss, o Rishi Sunak, agora tá o Andy Burnham, que é do Partido Trabalhista. Nunca houve um momento em que tanto na Escócia como na Irlanda do Norte como também no País de Gales governos nacionalistas estivessem poder.
Nesse momento, os 3 líderes dos parlamentos locais de cada um desses espaços, eles pedem pela independência frente à Inglaterra, frente ao Reino Unido, porque eles reclamam de falta de repasse de verbas, de falta de respeito à cultura. Historicamente também, os escoceses principalmente não gostam muito dos britânicos. A gente tem a Irlanda do Norte, por exemplo, hoje mais favorável a uma reanexação frente à República da Irlanda do que propriamente pertencer ao Reino Unido.
E eu diria que o que mais incomoda é a questão da crise econômica, que seja o Partido Trabalhista atual, partido de esquerda, seja o conservador, não consegue resolver. E o pós-Brexit, a gente tá completando esse ano 10 anos de Brexit. Nem parece, né? Faz 10 anos já que começou esse papo de Brexit e os resultados até agora eles são ruins do ponto de vista econômico. Então foi bom do ponto de vista político porque o Qual que é a parte positiva de você sair da União Europeia?
Você ganha muito mais autonomia. Hoje existem vários países que estão reclamando que o Parlamento Europeu, o Conselho Europeu, a Comissão Europeia é muito autoritária.
E acaba atrasando a vida.
São pessoas que... Vou pegar o caso, por exemplo, do acordo Mercosul-União Europeia. Independente dos motivos, os franceses são contra. Eles não querem o acordo Mercosul-União Europeia. Está certo ou está errado? Outra questão, mas eles não querem. Mas como eles estão dentro da União Europeia e o Parlamento Europeu, o Conselho Europeu e a Comissão Europeia decidiu que deve pertencer, os franceses são obrigados a submeter às vontades da União Europeia.
E os britânicos, eles têm uma tradição muito também de autonomia, nunca quiseram fazer parte da zona do euro, por exemplo, nunca fizeram parte do Espaço Schengen. Mesmo estando na União Europeia, o euro não circulava lá, não circulava lá, não tinha um acordo de livre circulação de pessoas, por exemplo. Então, do ponto de vista político de autonomia, para eles, eles consideram positivo. Só que as consequências econômicas, pô, mais da metade de tudo que os britânicos negociavam era com os outros países da União Europeia.
Quando você tá no bloco econômico gigantesco como a União Europeia, o seu país fica muito mais atrativo para receber investimentos estrangeiros. Por exemplo, hoje, sei lá, eu quero abrir uma empresa, vou abrir na Inglaterra, que só tem ali o Reino Unido, ou vou abrir na Alemanha, que eu vou ter acesso a 27 outros países? Vale muito mais a pena investir na Alemanha ou num país que faz parte da União Europeia. Então as consequências econômicas, elas são muito ruins.
Irlanda do Norte, Escócia e o País de Gales fizeram essa reunião. Escócia e Irlanda do Norte já querem a realização de um referendo agora, colocando que Westminster acabou, ou seja, esse poder central britânico acabou. A questão é que o primeiro-ministro do Reino Unido não tá disposto a liberar esse referendo. A Escócia fez um referendo em 2014, antes do Brexit, e quase que o sim ganhou. A gente teve 55% das pessoas votando pelo não, quero continuar no Reino Unido, e 45% querendo sair.
Hoje as pesquisas indicam que a Escócia tá muito mais favorável a sair da frente ao Reino Unido do que a permanência, assim como a Irlanda do Norte. O País de Gales é um pouco mais complexo, que a ligação é histórica, um pouco mais antiga. Mas mesmo assim, hoje o partido que tá no poder é um partido de independência. Ou seja, o Reino Unido pode estar indo aí para os seus finalmentes, né?
Uau! Pois é, gente, quando a gente era criança, o negócio que mais falava de terrorismo no mundo era irlandês querendo sair do Reino Unido, não era?
Era o IRA, né? O Irish Revolutionary Army, que era uma minoria católica que ele atua na República, na Irlanda do Norte, e eles desejam a reanexação a União das Duas Irlandas. Eles abriram mão da luta armada já em 2005 ou 2006, mas o Sinn Féin, que é o partido político que descende do IRA, é o partido que hoje tá no poder. Eles não têm mais o ideal de luta armada, de terrorismo contra o parlamento britânico, mas eles abriram um braço político que é o Sinn Féin, e é o Sinn Féin que hoje tá na liderança da Irlanda do Norte.
Como, como disse o Gabriel semana passada, cansada, eu estou cansado de estar testemunhando a história, né? É muita coisa que tá acontecendo ao mesmo tempo que vai ser estudado depois no livro de história, e a gente tá vivendo isso. E para assimilar é mais difícil. Antigamente era uma coisa acontecia, depois demorava uns 2 anos, depois mais uns 3, 10 anos.
Agora é tudo loucura, né? Até pela crise econômica que se instala, as consequências políticas. Você tem a ascensão de movimentos ultranacionalistas aí na Europa, uma coisa que tá mudando bastante o continente.
Pois é.
Em relação à guerra da Rússia e Ucrânia, o Trump mais uma vez deu algumas exageradas para a Rússia. Inclusive saíram algumas informações que o filho dele, o Trump Jr., lá, o casamento dele foi financiado por um magnata russo. Então cada vez mais fica evidente. E aliás, ele confirmou, o filho confirmou que foi mesmo, tá?
Ele falou, precisa, né?
E o que menos precisa o Trump era, né? Exatamente.
Mas Para quê?
As ligações, elas são muito fortes, né, entre Rússia e Trump, entre o Putin e o Trump. Quando você pega, por exemplo, esses novos movimentos políticos europeus que ascendem, pode perceber, a alternativa para Alemanha na Alemanha foi comemorado pelo Trump e pelo Putin. Eles pensam muito parecidos, os dois são bastante autoritários, dois são bastante personalistas, os dois se colocam como bastante conservadores. Então assim, é uma proximidade que algum modo inclusive a Ucrânia.
Por exemplo, Trump ele cobrou essa semana que o Zelensky pare de atacar as infraestruturas energéticas da Rússia, alegando que atacar a infraestrutura energética da Rússia tá aumentando o preço dos combustíveis fósseis. Mas assim, é uma baita hipocrisia, porque o que tá aumentando o preço do combustível fóssil não é o ataque contra a Rússia, é a guerra do Irã, né? É a guerra do Irã, o fechamento do Estreito de Ormuz. Agora já vou até comentar, né, os Houthis ali fechando estreito de Bab-el-Mandeb.
Então a culpa é do Trump pelo aumento do preço dos combustíveis. O Zelensky ficou inconformado com essa notícia, falou que ia respeitar. No primeiro dia, que seria hoje, já não respeitou. Nem o Zelensky nem o Putin, eles fizeram sim ataques contra a infraestrutura energética. E assim, as guerras híbridas continuam. A gente teve só hoje um drone que caiu próximo de uma base militar da Alemanha, muito possivelmente um drone russo, sabotagem na linha férrea no país, nos Países Baixos.
Eles colocaram ali no meio do trilho alguns equipamentos, tal, uma coisa bem rudimentar, mas que muito possivelmente também inteligência dos Países Baixos vai alegar que foram os russos. E mais drones que caíram nos países bálticos. E tudo isso causando um racha na OTAN, porque aí, que nem eu falo, né, existem alguns países como a Polônia, os países bálticos, que veem isso e querem uma resposta contundente contra a Rússia. Existem outros países que querem colocar panos quentes: a Itália, Espanha, Portugal, que não, não vamos se dispor com a Rússia.
Ou até a própria alternativa para Alemanha, que hoje é o partido mais popular, Alice Weidel, que é a líder, numa entrevista dessa semana colocando que quando ela for a chanceler da Alemanha, a primeira coisa que ela vai fazer é pedir todo o dinheiro que a Alemanha depositou na Ucrânia em armamentos de volta. O dinheiro tem que ficar para o povo alemão. E falou que vai voltar a ter relações diplomáticas com a Rússia. Inclusive colocando que vai voltar a comprar gás, petróleo, porque ela precisa de uma Alemanha competitiva.
E a Alemanha competitiva é a Alemanha com energia barata, ou seja, se relacionando com a Rússia.
Cara, uau, tem isso, né?
Parem de bombardear, então aumentando o preço do petróleo.
Ele tá bombardeando o Irã ali, caljando o Estreito de Ormuz.
E assim, se o cara não tivesse tentado levar metade da Ucrânia na mão grande, Se o cara tivesse só de boa, fica aí de boa no seu canto, não tinha bomba.
Pois é, exatamente.
Outra notícia importante também, o Canadá, ele tá no movimento. Mark Carney, que é o primeiro-ministro canadense, é outro que tá travando uma guerra também com o Trump, seja por conta das tarifas aplicadas 50%, seja porque o Trump ameaça todo dia com inteligência artificial a tomar o Canadá, coloca imagem que o Canadá pertence aos Estados Unidos, bandeira, tudo tal. E é uma situação meio que parecida com a União Europeia. Hoje o Canadá e a União Europeia pensam de maneira parecida em relação à guerra da Ucrânia, em relação às tarifas praticadas pelo Trump.
Então, na semana que vem, o Mark Carney vai discursar no Parlamento Europeu, vai fazer uma visita à França, uma visita também à Espanha, e muito possivelmente vai anunciar que o Canadá vai ser um aliado da da União Europeia, ou um membro aliado, membro extra da União Europeia? Oficialmente, o Canadá, pelo menos pela atual legislação, não pode fazer parte da União Europeia porque existem algumas pré-condições. Você tem que ser uma democracia, o Canadá é, beleza.
Tem que ter uma economia de mercado, o Canadá é um pouco protecionista, mas vários países europeus também o são, ou seja, tá dentro. Tem que manter um controle da dívida pública, o Canadá se se preocupou um pouco nos últimos anos, mas também existem vários países europeus que estão muito piores, a exemplo da Espanha, da Itália, da Grécia. Mas tem uma condição que o Canadá não consegue reverter, né? Para ser da União Europeia tem que ser europeu.
Exato, tem esse detalhe, só esse detalhezinho pequeno, né? Então o Canadá muito possivelmente vai se tornar um membro aliado da União Europeia. Na prática vai ter os mesmos benefícios, preferências alfandegárias, talvez até alívio de circulação, investimentos, mas sem ser um membro oficial, porque não tá, claro, na Europa. Temos também no Iêmen, um país bem problemático, né, que passa por uma guerra civil desde 2011, a presença dos Houthis, que são os rebeldes xiitas que dominaram a capital em meio à guerra civil do Iêmen.
E esses rebeldes xiitas, eles fazem parte daquele corpo chamado Eixo da Resistência, que é liderado pelos iranianos, que que se posiciona contra os Estados Unidos e contra Israel. A grande questão é que, além dos Houthis se posicionarem contra Israel e contra os Estados Unidos, Arábia Saudita era muito aliada, na verdade ainda é, em relação ao outro grupo que luta contra os Houthis. Então, Arábia Saudita, em meio à guerra civil do Iêmen, luta também contra os Houthis.
Os Houthis fizeram uma série de ataques contra Arábia Saudita. Costumo falar, os Houthis, eles não são muito poderosos, mas eles são corajosos. Os Houthis, eles atacaram porta-aviões americanos, eles fecharam o Estreito de Bab-el-Mandeb. Muita gente comenta do Estreito de Ormuz, que é muito relevante, mas o Estreito de Ormuz é relevante pelo petróleo. O Estreito de Bab-el-Mandeb, ele negocia, ele impede que haja comercialização pelo Canal de Suez, que é um canal extremamente movimentado, cerca de 15 a 12 das mercadorias passam pelo Estreito de Bab-el-Mandeb.
Então, exatamente esse estreito, ali tá o Iêmen e do outro lado ali você tem a Somália, Etiópia, tal, do lado do continente africano. O Mar Vermelho, se você caminha para o norte, você chega ali no Egito, na região do Canal de Suez. É a conexão do Mar Vermelho com o Mar Mediterrâneo. Vários países europeus, exatamente, ó, subiu ali, ó, tem o Egito ali, a Península do Sinai, e ali você tem o Canal de Suez. A conexão do Mar Vermelho, Mar Mediterrâneo, permite que os europeus façam comércio com a China, com a Índia, com o Extremo Oriente, muito mais curto do que contornar todo o continente africano.
Os Houthis, eles fecham o Estreito de Bab-el-Mandeb, e inclusive na última semana eles avançaram em várias cidades e chegaram no Mar Vermelho, o que ajuda eles a se posicionar para eventualmente, né, cortar essa conexão. E ainda estão atacando uma potência regional que é o país do norte aí, que é Arábia Saudita. Hoje a Arábia Saudita ela emitiu cuidados, ela emitiu uma sirene para tomar cuidado com Meca, que é a cidade sagrada para os islâmicos.
E os hutis eles são xiitas, xiitas islâmicos também. Ou seja, os hutis são corajosos.
E eles têm uma coisa que o pessoal fala que é culturalmente muito diferente, porque a gente tá falando dos países do Oriente Médio, as pessoas de repente estão achando que um huti e um Arábia Saudita, um ti, um qatari, são a mesma cultura. Mas esse grupo dos hutis, você sabe melhor que eu, mas eles têm uma cultura e uma dinâmica social e uma relação inclusive com drogas muito diferente de tudo que a gente já viu. Por isso talvez que eles sejam tão corajosos, né?
Não, exatamente assim, uma das coisas que fizeram os hutis inclusive vencerem, conquistarem Sana'a, que é a capital, é que eles são muito inconsequentes, vamos colocar assim. Então eles têm uma relação com a vida que é muito diferente dos outros povos. Assim, para eu conseguir o objetivo, que é derrubar o governo anterior do Iêmen, do Rei Abdullah, né, Saleh, que tava lá, e colocar os hutis no poder, tanto faz se eu vou perder a vida dos meus familiares, enfim.
E eles também colocam hoje a presença dos Estados Unidos e de Israel como grandes empecilhos no Oriente Médio. Então eles fazem ataques. E que nem eu falei, né, atacar um porta-aviões americano— porta-aviões é território— eles atacaram o território norte-americano sem conseguir, né, fazer grandes problemas, mas atacaram de fato. E por fim, uma última notícia que acho que é relevante aqui, que é o caso da Argentina. Argentina que também tá passando por alguns problemas políticos e econômicos, porque o Javier Milei ele fez aquelas políticas bastante liberais para Argentina e que trouxeram pontos positivos.
É fato, quando você analisa alguns dados macroeconômicos, a Argentina teve um aumento do PIB, é verdade, teve um crescimento. E também a gente tem que sempre levar em consideração, não vamos imaginar que a Argentina estava uma mil maravilhas e agora, nossa, acumulei, que problema relacionado à inflação, desemprego e tal. A gente tem que saber que a Argentina ela vem de consecutivos governos ruins. Seja o governo de esquerda do Alberto Fernández, da Cristina Kirchner, do Néstor Kirchner, seja o governo de direita do Maurício Macri, seja as políticas neoliberais da década de 90, do Menem, enfim, a Argentina vem passando por um processo muito complicado na sua economia.
Então alguns dados do governo Milei foram bem positivos: crescimento do PIB, controle da inflação, aumento dos investimentos estrangeiros, as notas de crédito, por exemplo, hoje da Argentina são notas superiores ao que eram durante o governo do Alberto Fernández. Porém, entra aquele, né, o cobertor meio curto, tem os pontos positivos e os pontos negativos também. Uma das coisas que ele fez foi cortar qualquer tipo de subsídio econômico, proteção econômica, inclusive alguns setores tradicionais da Argentina.
Por exemplo, a indústria, a indústria de calçado, a indústria têxtil, a indústria alimentícia. A indústria era uma parte importante da economia do país. Se a gente pega, por exemplo, os dados em relação ao início do governo Milei, mais de 90 mil empregos foram perdidos. Associação Industrial da Argentina fala de 45% da capacidade ociosa da Argentina, ou seja, as indústrias estão paradas. Abertura econômica exagerada que o governo Milei promoveu faz com que os produtos estrangeiros sejam muito mais competitivos que os produtos argentinos, quebrando as indústrias locais.
Ou seja, O Milei fala que isso faz parte do jogo. É um discurso que ele se diz liberal ali, né, que ele fala que se essas indústrias não estão conseguindo concorrer com as indústrias estrangeiras é porque elas não são eficientes. Então elas vão ser derrotadas, elas vão ser, enfim, né, desemprego, enfim, tal, para que surjam empregos mais eficientes em outros setores onde a Argentina pode ser mais eficiente. Eu particularmente, Ricardo, não parto muito dessa opinião.
Eu nunca vi nenhum estado que tenha se desenvolvido do ponto de vista industrial sem o protecionismo do estado, sem subsídios estatais a alguns setores estratégicos. Os Estados Unidos, por exemplo, financia sua indústria de defesa, sua indústria de chips, sua indústria automotiva. A China, não precisa nem falar, né, o forte aporte que o estado faz nas indústrias chinesas. A Coreia do Sul, por exemplo, tem a chamada chaebols lá, que é a Kia, Samsung, que o Estado faz, subsídios, parcerias, financiamentos.
O Japão cresceu desse jeito também. A Honda, Toyota, Mitsubishi, a Sony são todas empresas que foram fortemente subsidiadas pelo Estado. Eu, minha opinião, acho que o Javier Milei tem pontos positivos em relação à austeridade, controle das contas públicas, era importante isso para Argentina, mas é uma inocência achar que a Argentina vai conseguir se industrializar com livre mercado. Ou com um completo liberalismo. Falta um aporte estatal, ainda mais pensando que é um setor tão estratégico aí para Argentina.
Tá certo.
É com você, Fernanda.
Bom, depois de tanta, dessa terça-feira difícil, complicada, que exigiu tanto da gente, eu trouxe duas coisas muito leves para mostrar que nem sempre as coisas caminham no sentido que a gente tá acostumado. Moda é uma delas.
Ou seja, é, lá vem a sua moda estranha aí.
Olha, eu nem vou falar.
Depois que, sabe que até hoje a gente vive tudo do minimalismo, né? Mas dá, eu trouxe uma para você colocar também, porque é esse aqui é para as mulheres. As Maxi Prisilhas vieram para ficar agora. Deixa eu ver a sua, minha rosinha.
Deixa eu pôr amarelinha aqui.
Acho que vai combinar com o tom do seu cabelo, amiga. Acho que vai combinar com o tom do seu cabelo. Pois bem, descrição é coisa do passado.
Ficou legal, muito bom.
A gente tem imagem aí para mostrar, para ver se a gente entrou no clima.
Eu acho que posso máxima imagem de credibilidade, total pessoa equilibrada, equilibradíssima.
Assim, sem nenhuma referência, eu vou achar que você é uma miniatura.
Verdade, não é?
Você foi, foi, mas não vou nem tentar falar.
E você sabe que isso começou na Coreia, obviamente, claro, né? Não poderia ser diferente. Mas agora ganhou o coração das brasileiras, a Tem imagem, gente? Olha lá, ó, elas estão com dificuldade para colocar. Como eu já fiz a nossa mais moderna, você viu que eu coloquei?
Ah, você já colocou aqui? Ah, porque elas colocam aqui, mas assim não vai do jeito que elas querem colocar, que é o jeito que o cabelo é liso no fim, né?
Olha lá. Então se alguém te mandar uma foto assim como você tava falando, de nude, sem nude, enfim, com a presilha, não faça mau juízo, porque na verdade é moda. É, não julgue pela aparência. E como eu falei para vocês, tudo aquilo que a gente tá acostumado com moda foi por água abaixo. Pode sair da academia, tá, Vilela? Porque pode abandonar, isso é coisa do passado. Ah, mas é a melhor notícia então, pode abandonar, porque os homens agora sexys são diferentes, minha amiga.
É a barriga, é a barrigona.
Que que tem?
Eu não vou nem falar, eu vou mostrar. Mostra aí, olha. Isso agora é sexy! Quem não tem pochete do Homer, a barriga do Homer, quem não tem aquela barriguinha afrouxada pode comprar pochete.
É só ali, é só andar rasgado com estilete e meter um zíper.
É muito feio, muito feio, é muito feio.
Eu não sei onde que isso vai, mas eu usaria.
Você usaria?
Claro, fazer uma—
aí eu vou comprar. Eu uso todos os Eu vou comprar uma da IKEA, eu vou comprar e vou trazer uma aqui, duvido.
Enfim, tá vendo? Gosto não se discute.
Mas podia virar moda, né? Seria mais fácil para mim.
Mas é moda, pode comprar. Já pode fingir que é a pochete, inclusive, né?
É verdade, porque aí é uma coisa democrática, gente, porque aí o cara que é a barriga É mesmo, é isso que a Fê falou. O cara que tem a barriga, ele vai falar que é pochete. Aí ele fala, na verdade eu tenho um six pack, mas como tá na moda—
Vem aqui mostrar a sua pochete. Tô brincando, ninguém merece esse horário.
Tadinho.
É construído com muita— não é fácil.
Tem muita história. O homem sem barriga é um homem sem história.
É isso aí, gostei.
O bom que dá para apoiar, para mudar o controle remoto da TV aqui assim.
Olha aí, gente, eu tinha um amigo que isso anos 90, né, que quando o pessoal falava da barriga dele, ele falava, falava da pança, ele falava: pança não, tô bogando o amor.
Olha aí, olha só, essa é digna de você usar, hein?
Com certeza, essa é muito boa.
A mulherada hoje quer uma barriga de tanquinho, mulher não quer tanquinho, né? Quer aquela braçada 12 kg aqui, né?
Pessoal chama de barriga de pai, né?
Barriga de pai.
Boa, gostei.
Tá certo, é isso. Agora vamos, a gente tem a nossa crônica no final, mas antes recados. Fernanda, onde o pessoal te acha?
Bom, gente, olha, segue lá minhas redes, @fernandacomora, de segunda a sábado na Record Campinas com o nosso Tá Com Tudo e o Balanço Geral. Ó, beijo e E até a próxima semana, pessoal.
Foi um prazer aqui estar com vocês essa noite. Quem quiser me acompanhar aí, ó, vídeos diários, canal Professor Ricardo Marcílio.
Até lá!
E minhas redes todas são @madelenelasco, todas minhas redes, todas são @madelenelasco. Vão lá, dá uma força, entre nos meus grupos durante esse período de candidatura. A gente não tinha sido avisado pelo TSE, mas o alcance das nossas redes foi diminuído para aproximadamente 2% do que a gente tinha.
Olha só, eu sabia que eles podiam fazer isso, nem que era, nem nós sabíamos.
Agora descobriram, ninguém avisou a gente, nem o TSE, nem as redes. E aí a gente ficou sabendo por causa de um pronunciamento no Twitter. Então assim, nunca foi tão necessário na minha vida o engajamento do povo, porque a gente tá indo é muito no orgânico, nem o algoritmo tá indo adiante. Então, ó lá, @madelenelasco no Instagram. Eu tô muito presente no YouTube também, Twitter, TikTok. Vai lá, se joga e entra nos meus grupos de WhatsApp.
Fechou?
Me sigam no Instagram, @vilela.
E você, o que que você tem para falar, Agradecer demais para você que chegou no final desse papo. Se você ainda não deixou seu like aí, tá panguando, então deixa o like, se inscreva no canal, torne-se membro. Agradecer também os nossos patrocinadores, tem a Airbnb, a Elements e também o Estratégia.
E que que o pessoal escreve nos comentários nesses, nessa terça-feira fogosa e chuvosa?
Bom, para você provar que você chegou ao final desse papo, coloca aí: tobogã do amor.
É isso aí, obrigado demais. Então Então é isso, roda a vinheta e vamos de crônica.
Como a gente já imaginava, a pizza tá no forno. O julgamento do Supremo Tribunal Federal hoje sobre a possibilidade de se abrir uma investigação contra Alexandre de Moraes acabou sendo suspenso depois que o Flávio Dino pediu vista. Agora, o que mais chama atenção é outra coisa, porque o foco mudou. Ao invés de serem respostas ou justificativas das mensagens, tudo que tava acontecendo, se mudou para uma discussão de uma minúcia impressionante.
Ao invés da explicação, ninguém tá aqui para dizer que uma mensagem isolada prova crime, é óbvio que não. Aliás, são dezenas de mensagens, investigação exige justamente para apurar. Agora, Se antes de começar uma investigação você exige que todo o material já esteja organizado, interpretado, contextualizado e pronto para produzir uma conclusão, bom, aí você está exigindo que— o que você está exigindo é que a investigação entregue, antes de existir, o resultado final dela.
E eu te pergunto: isso seria feito com um cidadão comum? Seria esse o procedimento? Porque quando existem indícios contra um cidadão, investiga-se. Quando envolve autoridades da mais alta corte, aí aparece uma exigência extraordinária de minúcia. Primeiro a prova perfeita, depois a investigação. Gente, e olha o absurdo que a gente chegou. Pela primeira vez o Supremo tá diante da possibilidade de decidir se abre uma investigação contra um dos seus próprios ministros.
E ministros se declarando impedidos, ou que ou suspeitos porque podem ter relação, ou pessoas próximas envolvidas no caso. Enfim, no meio disso ainda surgem mensagens levantando suspeitas de gente próxima aos ministros, inclusive uma conversa sobre R$10 mil por um encontro atribuído a Cássio Nunes Marques, que, claro, nega a acusação. Olha o nível! A indignação chegou às redes, gente. Nepal virou assunto entre os— virou assunto mais comentado numa referência aos protestos violentos daquele país.
Criaram até um jogo no estilo Street Fighter, Supremo Tribunal Fighter, com ministros lutando entre si. E a ministra Cármen Lúcia chegou a pedir desculpas ao povo brasileiro pelo momento vivido pelo Supremo. Imagina! Agora, Dino pediu vista, pode ficar com o processo por até 90 dias. A decisão pode ficar para depois das eleições e a pizza, assim como foi no caso Toffoli, continua no forno. O Brasil precisa discutir limites, transparência e controle sobre todas as instituições de poder, inclusive o Supremo. Porque as instituições, gente, existem para proteger o cidadão.
E o brasileiro, brasileiro tá cansado de As opiniões e declarações feitas pelos entrevistados do Inteligência Limitada são de exclusiva responsabilidade deles e não refletem necessariamente a posição do apresentador, da produção ou do canal. O conteúdo aqui exibido tem caráter informativo e opinativo, não sendo vinculado a qualquer compromisso com a veracidade ou exatidão das falas dos participantes. Caso você se sinta ofendido ou tenha qualquer questionamento sobre as declarações feitas neste Por favor, entre em contato conosco para esclarecimentos.
Estamos abertos a avaliar e, se necessário, editar o conteúdo para garantir a precisão e o respeito a todos.
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