Episódios de Inteligência Ltda.

016 - CLUBE DOS 27: A TEORIA AMALDIÇOADA DA HISTÓRIA DO ROCK

15 de setembro de 202614min
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Janis Joplin, Jimi Hendrix, Kurt Cobain e Amy Winehouse... o que liga esses ídolos além do talento absurdo? Neste episódio de “Arquivos Proibidos”, a ANITA BORGES e o FABIO JACQUES do Muita Brisa vão investigar o Clube dos 27: a teoria amaldiçoada da história do rock. Trato com o diabo, coincidência macabra ou o peso esmagador da fama? Será que o Vilela não colou na bancada hoje por puro medo de ser convocado pra tocar nessa banda do além?

Participantes neste episódio2
A

Anita Borges

Host
F

Fabio Jacques

Co-host
Assuntos6
  • A lenda do Clube dos 27 e a regra assustadora de morrer aos 27 anosClube dos 27·morte aos 27 anos
  • A origem da maldição do Clube dos 27 com Robert Johnson e o pacto com o diaboRobert Johnson·pacto com o diabo·blues
  • A primeira leva de mortes de ícones do rock aos 27 anos nos anos 60 e 70Brian Jones·Jimi Hendrix·Janis Joplin·Jim Morrison
  • A morte de Kurt Cobain aos 27 anos e a consolidação do Clube dos 27 na cultura popKurt Cobain·Nirvana·grunge
  • A morte de Amy Winehouse aos 27 anos e o ressurgimento da lenda do Clube dos 27Amy Winehouse·intoxicação alcoólica
  • A desmistificação da maldição do Clube dos 27 e a falta de base estatísticalenda urbana·estatística
Transcrição3 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
ABAnita Borges

Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Kurt Cobain e Amy Winehouse. O que que todos eles têm em comum? A música? A fama mundial? O legado que deixaram? Não. Todos eles entraram para o clube mais perturbador do mundo. O Clube dos 27. Por fora, parece ser um clube inofensivo. Mas para fazer parte, só existe uma única regra assustadora. Você precisa morrer exatamente aos 27 anos. Com o tempo, as pessoas começaram a acreditar que tudo era fruto de uma maldição que começou em 1938.

Será tudo uma grande coincidência ou realmente existe algo muito mais sombrio por trás dessa história? No vídeo de hoje você vai descobrir a verdade. Eu sou Anitta Borges E seja muito bem-vindo aos Arquivos Proibidos. Muitos acreditam que a origem da maldição do Clube dos 27 começou lá no sul dos Estados Unidos, por volta da década de 30, com um homem chamado Robert Johnson. Hoje ele é considerado por muita gente o maior cantor de blues que já existiu.

Uma lenda absoluta que influenciou grandes nomes como Rolling Stones, Led Zeppelin, Eric Clapton. Mas nem sempre foi assim. E é aí que a história fica mais sinistra. Segundo a lenda, bem no começo, Robert Johnson era um rapaz jovem, mas um músico muito ruim. Dizem que ele tocava mal e as pessoas riam dele, até que ele desapareceu e ficou tempo sem ninguém vê-lo. Porém, num certo dia, ele apareceu tocando violão tão bem, de um jeito que ninguém tinha ouvido antes.

E a partir daí surgiu a lenda mais famosa do blues. Começaram a dizer que o Robert Johnson fez um pacto com o diabo para tocar bem em troca da sua alma. Segundo a lenda, Robert foi até o cruzamento de duas estradas no Mississippi à meia-noite e encontrou o diabo. Contam que ele foi tentado a levar o violão sozinho até a encruzilhada, exatamente à meia-noite. E ali ele foi recebido por uma figura enorme e sombria. Algumas versões da lenda apontam locais diferentes para esse cruzamento, como a Fazenda Dockery, a cidade de Clarksdale, e até o encontro das Rodovias 1 e 8 em Rosedale, no Mississippi.

Mas então, na lenda, o diabo pega o violão, afina E devolve. E no mesmo momento, Robert Johnson começa a tocar perfeitamente bem, de um jeito que ele nunca tinha tocado antes. Em troca, o diabo teria tomado sua alma. E o mais curioso é que essa mudança foi real. O Robert tinha sumido da sua região como um músico ruim. E quando ele reapareceu, tava tocando de um jeito impressionante. Por causa disso, muita gente, incluindo o próprio Bluesman Son House, que o conhecia, passou a dizer que ele só poderia ter vendido a alma pra estar tocando tão bem.

Alguns anos depois, entre 1936 e 1937, ele finalmente gravou suas músicas em duas sessões. Uma em San Antônio e outra em Dallas, no Texas. Somando 29 canções que foram lançadas em discos de 78 rotações, entre 1937 e 1938. E a brisa mais doida é que as músicas dele pareciam confirmar ainda mais esse pacto. Músicas dele têm os nomes de Crossroad Blues, o Blues da Encruzilhada, Me and the Devil Blues, Eu e o Diabo do Blues, e Hellhound My Trail, algo como um Cão do Inferno na Minha Trilha, mais ou menos assim.

Então era como se ele estivesse cantando sobre a própria condenação. Mas por que dizem que o Robert John pode ser a origem da maldição do Clube dos 27? Porque em 1938 Em 2008, ele morreu aos 27 anos. Segundo a versão mais conhecida, ele foi envenenado com uma garrafa de uísque adulterada por um homem. Esse homem seria o marido ciumento de uma mulher casada com quem Robert tinha flertado durante os shows no clube Three Forks, perto de Greenwood.

Segundo o relato do Davey D, o Honey Boy Edwards, que estava presente naquela noite, foi a própria mulher que entregou a garrafa envenenada pelo marido Para o Robert. Ele começou a passar mal ainda naquela noite. E após 3 dias de dores intensas, infelizmente faleceu no dia 16 de agosto de 1938. Por muitos anos, a morte do Robert Johnson foi só mais uma tragédia isolada no mundo da música. Até que no final dos anos 60 e no começo dos anos 70, uma coisa aconteceu.

Em menos de 2 anos, entre 69 e 71, 4 dos maiores nomes da música mundial morreram. E todos eles tinham exatamente 27 anos. O primeiro foi Brian Jones, em julho de 69. O cara foi o fundador dos Rolling Stones. Ele foi encontrado morto no fundo da piscina da sua própria casa. E a causa oficial foi afogamento. Mas até hoje, o caso é cercado de suspeitas. Teorias. Pouco mais de um ano depois, em setembro de 70, foi a vez de Jimi Hendrix.

Ele morreu asfixiado num episódio ligado ao uso de drogas. O maior guitarrista do planeta se foi aos 27. O mundo mal teve tempo de respirar e em menos de um mês depois, em outubro de 70, Janis Joplin, a voz mais poderosa do rock, morreu de overdose sozinha num quarto de hotel, também Aos 27 anos. E pra fechar essa primeira leva, em julho de 1971, Jim Morrison, o vocalista do The Doors, foi encontrado morto numa banheira em Paris.

A causa oficial foi insuficiência cardíaca. Mas como não teve autópsia, a morte dele virou um dos maiores mistérios da história do rock. E claro, ele tinha 27 anos. Essas 4 lendas tinham a mesma idade. E foi nesse momento que os boatos começaram. Será que tudo aquilo era mesmo coincidência? Ou existia uma maldição de verdade em volta dos gênios da música? Por mais assustadora que fosse aquela sequência dos anos 70, a ideia de um Clube dos 27 ainda não existia oficialmente.

Até que chegou os anos 90. No dia 5 de abril de 1994, o mundo foi sacudido por uma notícia devastadora. Kurt Cobain, o líder do Nirvana, o rosto de uma geração inteira, o homem que transformou o grunge num fenômeno, foi encontrado morto. Ele tinha tirado a própria vida. E adivinha com que idade? 27 anos. A morte dele foi um choque cultural. Ele era um símbolo pra uma geração. E segundo o que foi publicado na época, A mãe do Kurt Cobain, ao receber a notícia da morte do seu filho, teria lamentado que agora ele tinha ido embora e se juntado àquele clube estúpido, o clube dos artistas que morreram jovens aos 27.

Essa frase tomou todos os veículos de imprensa da época, até a internet, que só tava no começo ainda. E a partir desse momento, além da do clube dos 27 se consolidou ainda mais na cultura pop. Ao longo dos anos 90 e 2000, o Clube dos 27 deixou de ser algo restrito aos grandes ídolos do rock clássico e começou a se espalhar. A cada nova morte de um artista aos 27 anos, reacendia essa teoria e trazia mais nomes para dentro dessa história sombria.

E esses casos vinham de todos cantos da música. Ainda no rock alternativo, pouco depois da morte do Kurt Cobain, Kristin Pfaff, a baixista da banda Hole, morreu por overdose em 94. E teve também um dos casos mais enigmáticos de todos: Richey Edwards, guitarrista e letrista da banda galesa Manic Street Preachers, que em 1995 o cara simplesmente desapareceu, sumiu sem deixar rastro e nunca mais foi encontrado. Anos depois, ele foi declarado legalmente morto.

E qual era a idade dele? 27 anos. Só que o mais impressionante é que essa maldição parecia não se limitar só ao rock. Ela começou a atravessar os gêneros. No hip-hop, por exemplo, o Fat Pat, em 98, o Freakta, do grupo Lost Boyz, em 99, também entraram pra lista. Os dois, vítimas de homicídio aos 27 anos. Com o passar dos anos 2000, a teoria do Clube dos 27 já era conhecida no mundo inteiro. Mas ainda faltava um capítulo. Um caso que traria toda essa lenda toda de volta às manchetes com força brutal. E esse caso tem nome e sobrenome: Amy Winehouse.

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ABAnita Borges

Amy era, sem exagero, o maior talento vocal da sua geração. Ela se tornou uma das maiores artistas de todos os tempos. Mas ela também tratava de uma batalha pública e dolorosa contra o vício. E aqui, a história ganha um novo tom, quase profético. Anos antes dela morrer, quando ela ainda tinha 25 anos, Amy teria falado pra uma pessoa próxima, em segredo, qual que era o seu maior medo. Segundo relatos, ela tinha medo de se juntar ao Jim Morrison, ao Kurt Cobain.

Ela tinha medo de morrer aos 27. Em alguns momentos, ela mesma teria dito que ela sentia que iria morrer jovem. E de forma trágica, foi exatamente isso que aconteceu. Infelizmente, em julho de 2011, Amy Winehouse foi encontrada morta na sua casa, vítima de intoxicação alcoólica, aos 27 anos. E pra galera que acredita nesse clube, a morte da Amy foi dada como uma Prova de que a maldição continuava ativa mesmo décadas depois das mortes clássicas.

Com o tempo, o mito da maldição foi ganhando cada vez mais detalhes. Até que surgiram superstições. A lenda dizia que vários dos membros do clube, como o Hendrix, a Janis Joplin, o Jim Morrison e o Kurt Cobain, teriam sido encontrados mortos com o isqueiro branco no bolso. E a partir daí, esse objeto passou a ser associado à má sorte, virando uma superstição. Só que tem um problema nessa história, porque ela não se sustenta. Quando o assunto foi investigado a fundo, descobriram um detalhe que derruba por completo essa lenda.

Os isqueiros descartáveis daquela marca famosa, né, nem sequer eram fabricados na época em que a maioria desses artistas morreu. Ou seja, era cronologicamente impossível que o Hendrix, a Joplin ou o Morrison branco desse tipo no bolso. Mas o fascínio pelo número não parou por aí. O número 27 virou quase um símbolo místico na cultura pop. Ele aparece em nomes de músicas, em álbuns inteiros dedicados ao tema, em filmes, livros e até séries de TV.

Artistas de vários estilos citam o clube nas suas letras. Alguns até têm um certo medo de que um dia poderão fazer parte dele. Então, o 27 deixou de ser apenas um número e virou um mito cultural com vida própria. Tá, então depois de tudo isso aí, a maldição do Clube dos 27 é real? Vamos voltar lá pro começo. Lembra da lenda do pacto com o diabo na encruzilhada? Que por si só, pra mim, já é uma intolerância religiosa. Pois bem, tem uma biografia detalhada escrita por pesquisadores que estudaram a fundo a vida do Robert Johnson, que desmontou completamente essa história.

A verdade, ela é bem menos sobrenatural. Robert não ficou genial do dia pra noite por causa de um pacto. Ele sim sumiu por um tempo, mas ele foi estudar e treinar com um violinista talentoso da região. Ou seja, o, abre aspas, dom do diabo, na verdade, foi dedicação e prática. No pain, no gain, sabe? E essa biografia também comenta sobre a sua morte. Teve o veneno envolvido, sim. Mas ele também tinha um problema de saúde. O que ajudou a agravar o quadro dele e a levar à morte.

Não que ele não fosse morrer só com o veneno também. Mas foi mais rápido por conta disso. E a maldição? Ela também foi desmascarada. Não existe nenhum aumento real no risco de morte pra músicos aos 27 anos. Estatisticamente, morrer aos 27 não é mais provável do que morrer aos 25 ou aos 32. Mas existe uma idade em que os músicos mais morrem. Segundo uma pesquisa, essa idade não é 27, é 56! Só que ninguém vai fazer um clube dos 56, né?

Não tem aquele mesmo apelo, o mesmo romantismo trágico que os 27 têm. Então podemos concluir que o Clube dos 27 é uma lenda urbana. Mas por que a gente continua tão fascinado por ele? É pela ideia da maldição, pela consciência ou pelo preço sombrio da fama? Me conte a sua opinião aqui embaixo nos comentários. Deixe o seu like. Beijos e até a semana que vem.