Episódios de Inteligência Ltda.

1931 - REPÚBLICA EM RISCO? GUERRA HISTÓRICA NO STF: KOBORI E CALEJON

11 de setembro de 20261h58min
0:00 / 1:58:05

CESAR CALEJON é jornalista, e JOSÉ KOBORI é economista. Eles vão bater um papo sobre o STF e o caso do Banco Master, e que deveria supervisionar o poder nessa situação. O.Vilela fica na dele pra também não ser censurado.Cadeira é Elements, e o desconto pra vocês tá liberado. Acesse e garanta a sua: https://loja.elements.com.br/?utm_source=youtube&utm_medium=legenda&utm_campaign=inteligenciaO Estratégia Concursos disponibilizou um mapa interativo, com todos os concursos abertos, previstos e autorizados em todo o país. Acesse o link para conhecer o Mapa dos Concursos e encontrar o concurso mais próximo de você. https://estr.at/4vWKPcS

Participantes neste episódio3
R

Rogério Vilela

HostApresentador
C

CESAR CALEJON

ConvidadoJornalista
J

JOSÉ KOBORI

ConvidadoEconomista
Assuntos5
  • O Banco Master como o maior escândalo financeiro da história do BrasilDaniel Vorcaro·Banco Máxima·Banco Central·Roberto Campos Neto·Fundo Garantidor de Crédito
  • A politização do caso Banco Master e o envolvimento de figuras políticasFlávio Bolsonaro·Alexandre de Moraes·André Mendonça·STF·Arthur Lira
  • A disputa política e a tentativa de desestabilização da RepúblicaEleições 2024·Jair Bolsonaro·Luiz Inácio Lula da Silva·Donald Trump·8 de janeiro de 2023
  • A influência dos Estados Unidos na política brasileira e a geopolíticaMarco Rubio·China·Doutrina Monroe·Neocolonialismo·Hemisfério Ocidental
  • O papel da mídia e a seletividade na cobertura de escândalosJornal Nacional·Rede Globo·Nubank·Americanas·Lava Jato
Transcrição454 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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?Voz 1

Olá, terráqueos, como é que vocês estão? Sou Rogério Vileira, tá começando mais um Inteligência Limitada, o programa onde a limitação da inteligência acontece somente por parte do anfitrião que vos fala. Sempre trago pessoas mais inteligentes, mais interessantes e com a vida mais politizada. E agora mais do que nunca a gente precisa entender essa política do Brasil.

JKJOSÉ KOBORI

Tá uma loucura, né?

?Voz 1

Essa semana vai ser o terceiro programa sobre o tema. Semana que vem eu acho que a gente vai fazer todos os dias, cara, sobre o tema.

?Voz F

Revanche atrás de revanche, parece, né?

?Voz 1

É, tá rolando uma guerra civil. Ó, antes de começar esse papo, e o pessoal já dá like, e hoje é uma live especial, né?

?Voz F

Exato, isso é, você já sabe, né?

?Voz 1

Se você é membro, você tem prioridade, uma pergunta antes, já sabem da gente e tal. Então torne-se membro. Mas deixa eu dar um recado, deixa eu te contar uma coisa que muita gente não sabe. Você provavelmente já ouviu falar dos grandes concursos, aqueles que aparecem toda hora nas notícias: Polícia Federal, Receita Federal, INSS, Banco do Brasil, entre outros. Mas aqui vai um dado que quase ninguém para pensar. Enquanto você espera esses editais grandes saírem, dezenas de outros concursos estão abrindo no Brasil todo mês.

É prefeituras, câmaras municipais, tribunais estaduais e secretarias, autarquias, muita coisa. E muito desses pagando bem, com número bem razoável de vagas e com muito menos concorrência do que os grandes que a gente vê na TV. Olha só, é bem provável que tenha um concurso na sua cidade, no seu estado, na sua área de interesse, acontecendo agora ou previsto para os próximos meses, que passou completamente despercebido.

?Voz F

Por quê?

?Voz 1

Porque não tem propaganda em rede nacional, porque é edital regional, porque não vira manchete. Então, pensando nisso, o nosso parceiro Estratégia Concursos, que é líder em aprovações no Brasil, criou uma ferramenta gratuita para ajudar você a encontrar oportunidades como essa: o Mapa dos Concursos. É um mapa interativo com todos os concursos abertos, previstos e autorizados em todo o país. Como você faz? Você filtra por região, por área, por nível de escolaridade e descobre o que tá rolando perto de você.

Sem propaganda no meio, sem clickbait, só o cenário real mesmo de concursos disponíveis. Talvez a sua vaga esteja logo ali, meu amigo, a uma cidade de distância e você nem sabia.

?Voz F

Acesse o link na descrição ou QR code que está na tela, na tela mesmo, né?

?Voz 1

Então aí você chega lá e encontra o concurso mais próximo de você nesse mapa dos concursos. Beleza? E eu vou falar agora de saúde, certo, ô Lenny?

JKJOSÉ KOBORI

Exato.

?Voz 1

Estamos felizes por quê? Porque a gente trocou de cadeira.

?Voz F

Nossa, essa cadeira é maravilhosa.

?Voz 1

A gente fala muito sobre onde investir atenção, tempo e dinheiro, curso, livro, ferramenta, network, mas tem um investimento que quase ninguém coloca na conta, que é a infraestrutura do próprio corpo durante o trabalho. Sabe aquela sensação de chegar no fim do dia destruído, pescoço travado, costas pesadas? Isso não é só cansaço, É custo, custo de uma cadeira errada, de um corpo que passou horas sem suporte adequado. Não tem ninguém no Brasil que possa falar mais sobre cadeiras do que eu.

É verdade, ninguém que fica mais tempo sentado. É verdade, 3 podcasts, 2 podcasts, às vezes eu fico o dia inteiro sentado.

?Voz F

Fora as outras coisas, né?

?Voz 1

Não sei o que você tá sabendo aí, Lenda. Agora ficou fora as outras coisas. Onde você fica sentado?

?Voz F

É livro que você escreve, né?

?Voz 1

É verdade, é verdade, eu trabalho sentado escrevendo e tal. Achei que era piadinha do homem. É, você fica sentado o dia inteiro. A Elements pode resolver isso de um jeito completo. Apoio lombar ajustável, reclinação, braços 4D, apoio para cabeça. Essa é a base que você precisa para aguentar as horas que o trabalho exige. Tem o cupom inteligência no link que tá na descrição, não tem?

?Voz F

Exato.

?Voz 1

Ó, cadeira Elements, tá aprovado?

?Voz F

Tá aprovado.

?Voz 1

Falta chegar para vocês, né? É verdade, cara, tô enrolando. Ô, Fabi, os cara aí Então vamos de papo, bora lá, vamos de apresentações para quem não conhece eles. Eles já são velhos amigos aqui. Kobori, começa. Sua câmera é essa daqui, né?

JKJOSÉ KOBORI

Bom, prazer novamente estar aqui com você, Vilela. Tá aqui do lado meu amigo César Calejão.

?Voz 1

Você nunca veio num momento tão delicado que nem esse, né?

JKJOSÉ KOBORI

Assim, com tanta coisa acontecendo, mas era bem esperado, né, que menos de um mês da eleição esse cenário ia completamente se alterar, né? Então é um prazer novamente poder estar aqui com você, Vilela. Às vezes eu mando vídeos, né, que vocês recebem, mas presencialmente é sempre bom porque tem a Jujuba.

?Voz 1

Exato, tá participando da sabatina. A gente sempre convida você para fazer pergunta para os candidatos aí. E Calejão também veio de guerra e ficou um tempo aí sem vir porque nasceu filho, agora tá de volta. Manda, manda recado aqui.

CCCESAR CALEJON

Bom, eu sou o César Calejão, Kobori-san, Vilela-san. Opa, prazer estar com vocês. Eu sou aquele esquerdista que vocês adoram odiar, como vocês amam odiar odeio amar, né? É isso aí. Bom, vocês sabem, eu sou jornalista, tenho especialização em relações internacionais e sou mestre em mudança social e participação política. E hoje sou âncora de um programa, Vila, lá que a gente estreou faz 2 semanas, chama Os 3 da Manhã, no canal O3 News, todo dia das 8 às 11.

O escrito, 3 por extenso, é o nosso novo canal. Então é por aí que eu tô nesse momento, né?

?Voz 1

Tempo ruim para o Brasil, mas tempo bom para quem analisa política, porque vocês estão no centro do furacão, todo mundo tá procurando se informar. Eu pelo menos tô com hiperfoco, então a gente fica passando um vídeo atrás do outro tentando entender, ver as várias visões. Até porque tem opiniões diferentes, tem análise diferentes, e eu quero ver análise de vocês. Mas lembrando que tem gente em casa que, cara, só ouve inquérito das fake news.

Pô, Flávio Dino, quem é o André Mendonça? Por que que tem a ver o Dark Horse, o filme do Bolsonaro? O que tem a ver a eleição? O Lula está envolvido? Por que o Lula não fala nada? Agora pediu abertura de sigilo. Então eu não sei por onde a gente começa para dar um panorama geral, falar dos personagens, linha do tempo para a galera que está em casa falar, tá, tô entendendo o que tá fazendo. Claro que amanhã pode mudar tudo, até porque a história está acontecendo. Semana que vem, dia 15, o que acontece?

CCCESAR CALEJON

Terça-feira vai ter um embate público no STF. Para de alguma forma ver o que acontece, o que que é o resultado de todas essas tensões que se produziram ao longo dos—

?Voz 1

Então, perfeito. Então vamos fazer essa linha do tempo até o que vai acontecer dia 15, o que pode acontecer, e a gente faz um exercício de futurologia também.

CCCESAR CALEJON

Boa.

JKJOSÉ KOBORI

Na realidade, assim, o centro de tudo é o famoso Banco Master, né? O maior escândalo financeiro de todos os tempos, financeiro de todos os tempos, tamanho já passou de 40 bilhões, né? Já tá ultrapassando o da Americanas, né, que foi um escândalo grande também. Na realidade, assim, o centro de tudo é o Banco Master e o seu sócio principal, que é o Daniel Forcaro, né, que foi preso inclusive por essa Polícia Federal que o André Mendonça mandou afastar o diretor-geral e o chefe da inteligência, né.

Então assim, o Banco Master, a gente tem que entender como que ele surgiu, né. Então ele surgiu no governo passado, né, por uma autorização do Banco Central Na época ainda do Roberto Campos Neto.

?Voz 1

Como que surge um banco? Você pede uma autorização?

JKJOSÉ KOBORI

Na realidade, ele já... O Daniel Forcaro, quando você olha a história dele, ele já era, digamos assim, um golpista famoso, mais restrito ao estado de Minas Gerais.

?Voz 1

Por quê?

JKJOSÉ KOBORI

Ele deu alguns desfalques no mercado imobiliário. Na época da Copa ainda, de construção de imóveis de estado da Copa, parece que ele estava envolvido nisso. Ele surgiu dentro da famosa Igreja da Lagoinha. Lá de Belo Horizonte, do André Valadão, do Nicolas Ferreira, né?

?Voz 1

Tem vários áudios com o André Valadão.

JKJOSÉ KOBORI

Não à toa agora surgiu, né, a ligação original deles, que era na igreja, né? Esses áudios do Nicolas que vem da igreja, que vazaram, né? Ele falando com o André e o Daniel Volcaro falando com o André e pedindo para o Nicolas não atacar. Ou seja, eles os três eram dessa igreja e foram lá que eles se conheceram, né?

?Voz 1

E aí, mas como o cara desse que é tipo, pois é, baixo escalão, ele se torna esse cara que tem todo mundo na mão?

JKJOSÉ KOBORI

Dinheiro.

?Voz 1

Mas ele é um laranja? Alguém colocou ele lá?

JKJOSÉ KOBORI

Ou esse é o famoso poder econômico, né, que influencia o poder político, chega no limite de influenciar? Na realidade, o capitalismo é o poder econômico, é poder político. Na realidade, ele quis dar um passo maior, ele quis sair da região que ele dominava, que era Minas Gerais, e quis ter um banco. Aí ele comprou um banco que na realidade já tava falido, que chama Banco Máxima. Essa operação, a princípio, o Banco Central, área técnica, parece que não tinha aprovado, mas depois de várias tentativas ele conseguiu aprovar a compra desse banco na gestão do Campos Neto.

?Voz 1

Suspeita também de algum tipo de corrupção para ele comprar?

JKJOSÉ KOBORI

Não, era só uma instituição que tinha falido, tinha dificuldades ali, tinha problemas de solvência e faliu, e ele comprou esse Banco Máxima. Quando o Banco Central autorizou na gestão do Campos Neto, aí ele mudou para Banco Master. E aí, um banco é um intermediário financeiro, né? Ele é entre tomadores e poupadores. Então, se nós temos dinheiro aqui, a gente vai lá e tem a nossa conta corrente, a gente poupa, a gente investe, ele pega o nosso dinheiro e passa para o outro lado, cobra um spread, né?

Então, o banco, para ele fazer dinheiro, ele precisa ter uma fonte de dinheiro entrando.

?Voz 1

Certo.

JKJOSÉ KOBORI

Chegou num determinado tempo, ele não tinha competência técnica para isso, nem tamanho, nem musculatura para isso, ele começou a emitir os famosos CDBs, né? Os certificados de depósito bancário.

?Voz 1

Explica o que é um CDB.

JKJOSÉ KOBORI

CDB é o principal instrumento de captação da instituição financeira, dos bancos. Então é um título de dívida do banco. Então eu sou um banco, sou o Banco Master, eu emito um CDB e falo, ó, Vilela, investe aqui, eu te pago 100% do CDI.

?Voz 1

Por que o banco faz isso?

JKJOSÉ KOBORI

Porque o banco precisa desse dinheiro para ele passar para frente, para emprestar para outro. Então o Calejão está aqui precisando de um empréstimo de R$1 milhão.

?Voz 1

Ele coloca um juro maior do que ele paga no mercado.

JKJOSÉ KOBORI

Exatamente, ele ganha no spread, nessa diferença. Então ele precisa de uma fonte de dinheiro entrando para ele conseguir não só emprestar para o outro lado, como também pagar os devedores antigos, né? Você comprou um CDB que vai vencer daqui um ano, daqui um ano eu vou ter que devolver o dinheiro para você. Então ele começou a entrar nessa roda porque ele precisava pagar os CDBs antigos, mas ele precisava emitir muito mais para bancar o que ele tava fazendo do lado, esquema de pirâmide.

CCCESAR CALEJON

É basicamente, grosso modo, é isso aí.

JKJOSÉ KOBORI

Exatamente. Na realidade, o sistema financeiro é um esquema de pirâmide, né? É porque o sistema financeiro, ele, a gente, ele faz o que a gente chama de equalização, né? Então ele faz a transformação principal de 4 coisas, né? Ele transforma ativo fixo em ativo líquido. Então se você quiser dinheiro, eu posso pegar os seus bens em garantia e te dar o dinheiro, só que aí os seus ativos fixos ficam em garantia e eu te dou a liquidez que você precisa.

Então transforma ativos fixos em ativos líquidos, transforma riscos, né? Tem milhares de pessoas investindo e de repente ele empresta o dinheiro só para um. Ele tá transformando o risco de milhares de pessoas num risco único para quem ele emprestou, e vice-versa, né? Ele pega um grande investidor aqui e distribui para mil tomadores de crédito, né? Então ele transforma risco, transforma prazos e transforma magnitude de capital. Então é muito difícil administrar isso.

?Voz 1

Mas o Master tava contando com uma grana do governo já para cobrir isso?

CCCESAR CALEJON

Não, não, eu não vou me atrever a falar de finanças na presença do Koboi, mas eu vou te pedir para explicar como é que o FGC entra nessa equação, como é que eles estavam alavancando o Master, contando. Tem um FGC, que é o Fundo Garantidor de Crédito. Então isso, isso não é do governo? Não, não.

?Voz 1

O que que é?

CCCESAR CALEJON

Digamos assim, isso explica, explica isso aí, Koboi.

JKJOSÉ KOBORI

É o Fundo Garantidor de Crédito, é um fundo formado pelos bancos para quando dá merda socorrer ele, para garantir alguns ativos financeiros. Por que que os bancos fazem isso? Que dá uma credibilidade maior. Então, sei lá, eu sou o Banco Master, nunca ouviu falar do meu banco. Ó, porque você compraria um CDB meu? Você vai comprar um do Itaú, do Bradesco, do Santander, né, que já estão estabelecidos, são grandes bancos e não tem histórico de ter problema de não pagar os investidores.

Então o sistema financeiro criou o Fundo Garantidor de Crédito para dar essa garantia. Então agora eu posso vender, falar, ó, meu banco aqui Master, você nunca ouviu falar, mas tem a garantia do FGC. Se tudo der errado, esse fundo vai te pagar o que eu deveria te pagar. E quem abastece esse Fundo Garantidor de Créditos é o próprio sistema financeiro, são os próprios bancos, as instituições. Todo dinheiro que circula lá, um pequeno percentual eles aportam no FGC, nesse fundo.

?Voz 1

Como que o banco posso acessar isso? Eu, banco, falar, eu, ó, deu merda, eu preciso acessar.

JKJOSÉ KOBORI

Não é você que acessa, não. É o próprio fundo que vai definir se ele vai pagar ou não, é como se fosse um seguro. No caso do Master, quando ele foi liquidado, aí aquele é o evento que dispara que o Fundo Garantidor de Crédito vai ter que ser usado, porque é uma regra, está em contrato. Então, o Banco Master começou a se utilizar do Fundo Garantidor de Crédito para conseguir colocar o CDB no mercado. E eu sempre falei, ele meio que começou a operar esse fundo.

E obviamente os grandes bancos estavam de olho nisso. Já tava, já tinha uma pressão dos grandes bancos para que o Banco Central tomasse alguma atitude contra o Banco Master. Mas depois a gente descobriu, e a gente tá descobrindo cada vez mais coisas, ele conseguiu cooptar todo mundo, inclusive dois diretores do Banco Central. Então, para ele chegar onde ele chegou, a estratégia dele era corromper todo mundo. Então ele tinha todo mundo no bolso dele, né?

E antes dele chegar nisso, tava lembrando aqui com o Calejão, ele já tinha já estava envolvido em outros esquemas de fraude, né? A própria fraude da Ambipar, né? Foram dois fundos do Banco Master, mais aquele investidor Nelson Tanuri, mais o controlador da Ambipar, o acionista controlador da Ambipar, que fizeram uma ação coordenada para inflar o preço da Ambipar, das ações da Ambipar, porque o Nelson Tanuri tinha entrado numa licitação para comprar a EMAE aqui em São Paulo.

E a garantia dessa licitação que ele entrou para comprar a EMAE eram as ações da Ambipar. Só que as ações da Ambipar precisava inflar o preço para servir de garantia. Então, o que esses dois fundos master, o Nelson Tanuri e o controlador da Ambipar, fizeram foi isso. Eles fizeram uma ação coordenada no mercado para inflar o preço da ação. Eles inflaram o preço da ação em 800% do mercado de ações.

CCCESAR CALEJON

A empresa está alavancada.

JKJOSÉ KOBORI

E aí, o que aconteceu?

?Voz 1

Alavancada é isso, então.

JKJOSÉ KOBORI

Grosso modo, né, Campoli? Tanto que alavancagem, no termo de finanças, é dívida. Isso na realidade foi uma manipulação de mercado pura, uma manipulação. Portanto, que tem dois inquéritos na CVM que apuram isso, identificaram isso. Foi inclusive quando eu fui na audiência no Senado, eu falei: não adianta vocês achar que o investidor vai descobrir, o investidor não vai descobrir, mas os órgãos fiscalizadores descobrem. Só porque quando eles descobrem, o negócio morre, porque sempre tem um nível político, né, tem uma indicação política que vai meio que barrar.

A mesma coisa da Caixa Econômica. O Banco Master tentou vender os papéis para Caixa Econômica e a área técnica da Caixa Econômica tinha negado, falou que não, que aquilo era muito arriscado. Esses dois técnicos, que tinha até nível de direção na Caixa Econômica, foram afastados porque eles tinham recusado a comprar o negócio do Master. E a gente sabe que a Caixa Econômica tá lá na mão do Arthur Lira, que foi entregue para ele de porteira fechada.

O presidente e todos afastaram eles, só que eles não tiveram coragem de ir contra um relatório da Aratec para não comprar. Eles não compraram porque já era público que não, né, a Aratec não tinha recomendado. Mas esses dois caras que identificaram foram afastados. Então assim, mesmo nos órgãos reguladores fiscalizadores, quando sai da Aratec tem um nível político de indicação política, e ali que mora o interesse, né? É ali que o Daniel Vorcaro começou a comprar todo mundo.

Então ele fez questão de comprar todo mundo, né? Ele comprou o pessoal do Banco Central, que inclusive os dois Não sei se eles foram presos, né? Teve um desses diretores foi preso nessas operações passadas.

CCCESAR CALEJON

O Campos Neto é que, além de não ser preso, não é nem citado na mídia.

JKJOSÉ KOBORI

Ele inclusive cooptou, porque que durante toda a gestão do Campos Neto o Banco Master só cresceu, né? E foi pego depois que entrou a gestão do Gabriel Galípolo, que inclusive tem uma data crucial, tá? O Campos Neto, antes dele sair, em dezembro de 2024, ele deu o Banco Central, né, deu uma intimação para o Banco Master que ele teria 3 meses para fazer um aporte de R$2 bilhões, que ele tava com problema de solvência. Foi a última ação da gestão do Campos Neto.

Aí o Gabriel Galípolo entrou. Como ele tinha que aguardar a própria, né, o próprio prazo que o Banco Central tinha dado, ele esperou dar os 3 meses. Quando deu os 3 meses, coincidentemente, o Banco Master apareceu com aquela proposta que o BRB ia comprar o Banco Master pelos exatos R$2 bilhões que que o Banco Central tinha exigido. E aí foi quando o Banco Central analisou e não aprovou a operação e descobriu toda essa falcatrua.

Na realidade, já devia ter dado, né, todas essas indicações já desde a gestão do Campos Neto. Aí ele esperou acabar esse prazo, não aprovou a operação e liquidou o banco, né. Quando ele liquidou o banco, que acionou o FGC para pagar os investidores, né. Mas você vê que o Calilhão falou, tá certo, né. Por que que a gente não investiga essa gestão toda do Campos Neto? Porque os dois diretores que foram presos, pegos nessa operação, eram diretores da gestão do Campos Neto.

Será que só esses dois diretores estavam envolvidos ou tinha alguém no mínimo fazendo vista grossa, né, deixando o negócio rolar? A gente tem que lembrar que o Daniel Vorkaro doou R$5 milhões, né, para o Bolsonaro. Então tem 6 ministros do STF que estão envolvidos com o banco, que tem algum tipo de relação com o Banco Master, né. O filho do Fux, o filho do Nunes Marques, o próprio Dias Toffoli, o Alexandre de Moraes, né?

?Voz 1

Agora o André Mendonça, Cássio Nunes, Mendonça.

JKJOSÉ KOBORI

E se não me engano, Gilmar tem algum tipo de ligação. Isso eu não vou afirmar porque eu não tenho certeza, mas me parece são 6 ministros que têm algum tipo de relação maior ou menor com o Banco Master. Então, e essas festinhas que ele dava em Trancoso, né? Que o pessoal tá esperando sair esses vídeos. Tem um vídeo do Flávio, famoso vídeo do Flávio, né?

CCCESAR CALEJON

Todo mundo disse, né?

JKJOSÉ KOBORI

Ele falou, o Flávio falou.

CCCESAR CALEJON

Isso aí só é público e notório porque quando vaza, isso é esse preâmbulo.

?Voz 1

Então a crise financeira, o escândalo, a gente entendeu, entendeu essa dinâmica. Depois vamos para a parte política, mas vamos lá.

CCCESAR CALEJON

Isso, por que que isso é de suma importância, esse preâmbulo? Que o Kobori fez, porque isso remete, isso caracteriza o maior escândalo de corrupção talvez da história do país. Mensalão, Petrolão e tudo isso que foi amplamente difundido pelos nossos veículos hegemônicos de comunicação. Mas isso no momento não tem a menor dúvida que é o maior escândalo de corrupção, tá? Quem quer que esteja associado com isso morre politicamente, porque o Vurcaro hoje é um cara tóxico.

A despeito de ter outros nomes, como... Não, isso é um fato, bicho. Apareceu o teu nome envolvido, a não ser que você seja o Flávio Bolsonaro, e eu já vou te explicar por quê, na minha opinião, claro. Isso que o Kobori explicou é fundamental em nomes, por exemplo, o Vorcaro. Ninguém fralda bilhões em ativos financeiros sozinho, Vilela. Isso é um ecossistema, certo? E é um ecossistema que, ao que tudo indica, tem uma matéria que a gente deu quando a gente estava em outro veículo de comunicação, que mostra que tem até dinheiro de tráfico internacional através de um traficante que chama Oliver Ortiz.

?Voz 1

Uma matéria que quando o tráfico entra, ele entra com que intuito junto dessa operação?

CCCESAR CALEJON

Você imagina, eu não sei te especificar a dinâmica porque seria leviano isso, mas basicamente é para lavar dinheiro. É, não, você imagina que lavagem de dinheiro é um crime que pressupõe que existe um outro crime anterior, porque você levantou um volume de dinheiro que Precisa ser esquentado. Exato. Então, ao que tudo indica, por que que eu tô te dizendo isso? Não é só o Vorcaro, tem todo um ecossistema de pessoas e coisas envolvidas.

Talvez seja até esse argumento do Demori, porque veja, esses dois técnicos, digamos assim, da administração do BC foram presos, foram sancionados, tem consequências. Isso aí suja sua vida, Vilela, ser preso. A depender de como você seja preso, Se você tá envolvido diretamente com escândalo de corrupção desse, tá? O Campos Neto não é sequer exposto.

JKJOSÉ KOBORI

Por quê?

CCCESAR CALEJON

Porque hoje ele trabalha no Nubank, cara. Não é isso? Hoje ele trabalha no Nubank e o Nubank paga Globo.

?Voz 1

Pode chegar ele, se abrir algum sigilo, vai cair, Vilela.

CCCESAR CALEJON

Não vai, mano. Sabe por quê? Por exemplo, teve uma etapa em que tentou-se múltiplas soluções para o caso do Master. Uma delas era tentar vender Antes de vir a público ou depois? O bastidor já sabia, as pessoas que acompanham o mercado financeiro já sabiam que isso aí era uma puta de uma piça, que ia dar problema. A população de forma mais ampla ainda não. Quando a coisa ainda estava no bastidor, tentou-se uma solução que era vender o master, que era já um problema esquema Ponzi, que todo mundo já sabia, para o BRB, o Banco de Brasília.

Quem estava diretamente envolvido nessa negociação é um senhor que chama Ibanez Rocha. Que é quem que é o Ibanez?

?Voz 1

Então explica para o povo.

CCCESAR CALEJON

O Ibanez é o governador do DF.

?Voz 1

E por que que não rolou?

CCCESAR CALEJON

Porque por isso que o Kobori acabou de explicar, porque a casa, a corrente sempre estoura do lado mais fraco, é sempre no nível técnico, sempre se acha uma desculpa que, ó, esse fulano aqui nunca vai cair para os Campos Neto, para o Ibanez. O Flávio Bolsonaro, por que que isso é extremamente relevante nesse momento? Porque se dividiu a questão política, depois do que o Kobori explicou, agora a questão política. Qual que é a questão política? 2 principais nomes da República estão diretamente envolvidos com o caso Master.

Vários, mas 2 dos principais, é isso que eu estou te falando. O Alexandre de Moraes, que existem indícios, até para proteger um negócio, eu vou deixar por isso mesmo. Existem indícios que demonstram que o escritório da Viviane Barsi, que é a mulher dele, celebrou um contrato de R$129 milhões. Ora, republicanamente isso é impossível de se explicar, Vilela, impossível de se explicar. Existem indícios que o Moraes falou com o Forcaro momentos antes da prisão e que ele estaria em tese supostamente—

?Voz A

é, presta atenção no que eu tô dizendo, isso Aconselhando o Vorcaro sobre como se conduzir, porque Star Wars: The Mandalorian and Grogu is now streaming on Disney Plus. What are you waiting for?

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CCCESAR CALEJON

A primeira parece pelas mensagens e os indícios. Por quê? Porque para eu afirmar isso categoricamente, no nosso sistema de justiça você conta com presunção de inocência, você tem o direito de constituir defensores legais, você tem que ter acesso ao contraditório, etc. Então você tem que ser indiciado, julgado, condenado, trânsito em julgado, aí pode se falar. Agora, a minha avaliação, os indícios que pesam contra o Alexandre de Moraes são fortíssimos, para dizer o mínimo, tá?

Qual que é a questão? É que durante um tempo, principalmente durante a pandemia, o governo Bolsonaro foi tão incrivelmente inepto, no sentido de até inclusive negligenciar o plano vacinal dos brasileiros que a Corte Suprema do país se viu compelida a agir. E de fato o STF ganhou mais poder do que, digamos assim, é constitucionalmente aceitável. Exato, esse é um ponto. Aí muita gente no campo progressista passou a valorizar o Moraes como sendo um cara que desenvolveu um papel fundamental não só durante a pandemia e tal, mas na tentativa de golpe de Estado do 8 de janeiro de 2023, nas eleições passadas e tal.

Muito bem, isso é uma coisa. Outra coisa é: o Flávio Bolsonaro foi gravado, Vilela, batendo a carteira do Vorcaro, dizendo: Ô, meu irmão, fico meio sem graça aí, né, de te cobrar, mas pô, sei que você falou que pode cobrar. Sabe o que é, cara? Parece que ele tá pedindo R$100 pra um amigo. Milhões, dezenas e dezenas de milhões. Pô, cara, você sabe, né? As contas estão estourando, os boletos chegando aqui, a gente tem que pagar o Dinka Wiesel, um cara como Cyrus.

Você imagina que se a gente não paga, o efeito que isso vai surtir é o oposto do que a gente quer, vai ser menos um, né? É isso que ele diz basicamente naquele filme Dark Horse. O que que tá acontecendo nesse momento da República, a meu ver? A disputa se resumiu porque você sabe, vira lá, As questões políticas, elas envolvem paixão, e o que envolve paixão tende a ganhar um caráter clubista. Meu time contra o seu. Sabe qual que é o problema, Vilela?

As questões sociais não funcionam assim. Elas são infinitamente mais complexas e densas. Não é preto e branco, certo e errado, 0 e 1, sistema binário. Entre o preto e branco você tem um trilhão de tons de cinza para entender essa questão. É por isso que eu tô começando a minha fala explanando a complexidade do caso. Agora, o Flávio que aparece batendo a carteira de um cara que ele chama de amigão, o cara tava pedindo milhões em tese pro filme do pai, porque existem questionamentos sobre isso também, tá sendo poupado nesse momento.

Tá sendo amplamente poupado de uma exposição midiática que ao longo das últimas 3 semanas focou no Yululinha, hein? O problema era o Lulinha, o Lulinha, o Lulinha, o Lulinha. Agora a questão é o Moraes. Significa dizer que não tem indícios sérios contra o Moraes? Não. Mas o Moraes, ao que me consta, ele não é candidato à presidência da República.

?Voz 1

Da vez é o Flávio, pelo que estão me falando, que vai, que vão abrir o sigilo sobre operações de hoje, né?

CCCESAR CALEJON

Sim. Mas vocês imaginam como é que seria isso se em vez de ter o Flávio Bolsonaro, porque veja, tem dois candidatos centrais disputando a principal posição da República e que vão para o segundo turno. O Flávio, eu te disse aqui da outra vez, muito provavelmente, anota aí, depois você me cobra, eu volto aqui, você me cobra, ele vai ter algo entre 55 e 60 milhões de votos, muito provavelmente no segundo turno, porque essa fragmentação da extrema-direita vai se reduzir do que é hoje no primeiro turno.

No primeiro turno, o Lula passa com algo entre 5 e 8 milhões de votos de diferença. No segundo turno isso cai para menos de 2 milhões de diferença, como foi a anterior, foi 1 milhão e alguma coisa. Só que agora você tem o Trump nos Estados Unidos, só que agora você tem Cássio Nunes e André Mendonça no TSE, e tudo isso vai dar subsídio para o bolsonarismo, uma vez derrotado nas urnas, a incitarem o Trump a não reconhecer a legitimidade do pleito e a eventual vitória do Lula.

Então você imagina, ouvir lá Como é que não estaria o Jornal Nacional para passar para o Kobori? Como é que não estaria o Jornal Nacional, Globo News e tal, se ao invés do Flávio ter sido gravado batendo a carteira do cara, um áudio escandaloso, meu compadre? Exato. Que inclusive a liderança do partido dele, do PL, o Valdemar, depois desmentiu ele, falou, não, ele foi lá cobrar o resto do dinheiro. A jornalista da Globo fica, ele falou que foi lá fazer o quê?

?Voz 1

Ele foi lá resolver, ele foi lá para finalizar, óbvio, a relação entre eles, né? Porque precisa ir pessoalmente, né?

CCCESAR CALEJON

Numa relação dessa não é legal falar que você foi lá pegar o restante do dinheiro. Não, Valdemar, dá uma segurada. Ninguém nem entendeu porque que o Valdemar Escondido falou dessa forma.

JKJOSÉ KOBORI

Ó, muito bem.

?Voz 1

E na sabatina da Globo ele falou que tá explicado desse dinheiro e não tá explicado ainda. Não, já tá tudo explicado.

CCCESAR CALEJON

E ficou por isso mesmo, lógico. Agora você imagina se fosse, você viu aquele nível de agressividade que o César Tralli e a Renata Vasconcelos imprimiram com o Lula? Eu te faço uma pergunta, o Vilela, o que que você acha? Se você começa a responder de uma maneira articulada que eu percebo que você vai sair bem, eu já começo, mas Vilela, mas Vilela, mas Vilela, e não te deixo falar, velho. Então pera um pouco, posso responder ou não?

?Voz 1

Ficou para o público que tava resolvido, que tá, não, não, já foi resolvido essa coisa do Dark Horse.

JKJOSÉ KOBORI

Exato, passou isso.

?Voz 1

Então, então, e não, a empresa não falou que recebeu esse dinheiro todo até agora, não. Não mostrou esses números.

CCCESAR CALEJON

Um monte de ponto tá solto, a gente pode explorar isso mais adiante. Mas só para fechar esse raciocínio, o que que acontece nesse momento? Existe uma tentativa de proteger o Flávio, considerando parcelas expressivas.

?Voz 1

Quem tá protegendo?

CCCESAR CALEJON

Eu posso te dar nome. Existem forças estruturantes da República, Vilela, que no meu livro com André Roncalli, chamado Mercado, o mercado tá do lado dele.

?Voz 1

Eu não sei se A palavra mercado, empresariado, eu te digo o seguinte, aí é uma compreensão muito homogênea do que o mercado é, uma definição muito ampla. Então quem tá protegendo?

CCCESAR CALEJON

Eu vou te dizer o seguinte, existe um modelo extrativo agrofinanceiro no Brasil, tá? E isso contempla a maior parte do mercado financeiro, mineradoras, o agronegócio, veículos hegemônicos de comunicação e tal. A maior parte desse modelo extrativo agrofinanceiro não quer ver o Flávio Bolsonaro eleito, principalmente por conta da agenda econômica que ele traz para mesa. Então, se, para concluir aqui essa parte, se o Lula tivesse sido gravado, veja, o mesmíssimo áudio no qual o Flávio foi gravado tinha acabado, o Lula tava preso.

Não é que ele não ia estar concorrendo à presidência da República com possíveis 55, 60 milhões de votos, Ele estaria preso, Vilela. Você entende a diferença?

?Voz 1

A história não acabou então, vamos lá. Essa do Flávio, eu acho que nas próximas semanas a gente vai ter alguma coisa. Agora vamos falar dos outros personagens, né? A gente falou, você falou do Alexandre de Moraes. E onde entra o André? O André, o tofo ali que todo mundo esqueceu, né? Porque ele tava envolvido, que ele era sócio do hotel e tal, e meio que só tiraram ele Essa foi a punição, não vai acontecer nada com ele.

JKJOSÉ KOBORI

Na realidade, assim, acho que mais importante desses personagens que a gente pode destrinchar, né, o André tinha o instituto dele, recebeu mais de 10, 13 milhões, se não me engano, em contratos do Daniel Mercado, né, em contratos com o Banco Master, fez uma reunião com ele com alfaiate, né.

CCCESAR CALEJON

Vasco alfaiataria, um terno custa R$50.000, R$60.000.

?Voz 1

Que ele mostrou nota, né?

CCCESAR CALEJON

A nota não tem nada, tá zerada. O trabalho do Paulo Motorim demonstrou—

JKJOSÉ KOBORI

a nota tá zerada.

?Voz 1

Como zerada?

CCCESAR CALEJON

Assim, ele apresentou uma nota que não discrimina o valor pago de nada, tem 0,00 na nota. Isso é um fato que eu tô te dando.

JKJOSÉ KOBORI

Uma coisa que a gente tem que analisar, o absurdo, né, que a metade da população praticamente— a gente continua nessa divisão, como o Caliljão falou, né? A metade da população faz vista grossa de um absurdo que, do que o André Mendonça fez. Ó, ele tá, ele tá aí, tem envolvimento, né? Teve reuniões com ele. Aí o Daniel Volcaro foi preso por essa Polícia Federal comandada pelo André Rodrigues, com assinatura do André Mendonça. Não, ele foi preso com assinatura, se não me engano, Alexandre de Moraes.

?Voz 1

Não, pelo que eu vi no documento, é do André Rodrigues.

CCCESAR CALEJON

Tá confundindo as coisas. Não é o André Rodrigues agora Foi retirado da posição por determinação do André Mendonça. Isso é uma coisa. O que o Kobori tá te dizendo é que o time comandado pelo Andrei Rodrigues realizou prisões.

?Voz 1

Então, mas eu vi um documento que o pessoal tava mostrando em relação a isso com assinatura do André Mendonça, que precisava assinatura dele, tá?

JKJOSÉ KOBORI

Mas vou tentar só resumir isso aí para você ver o absurdo. Um resumo do absurdo, porque é tanta informação, a gente começa a ficar perdido, né, de tanta informação.

?Voz 1

É porque PGR, é o APF, é um jogo denso.

JKJOSÉ KOBORI

O Daniel Boccara, ele só se criou durante o governo Jair Bolsonaro e da gestão do Banco Central do Campos Neto, certo? Aí o banco dele foi liquidado na gestão do Gabriel Galípolo e do presidente Lula, tá? Ele foi preso por essa Polícia Federal comandada pelo André Rodrigues, que foi indicado pelo presidente Lula, certo? Aí o André Mendonça, nessa última jogada, não, primeiro ele recebe o Daniel Forcaro no gabinete dele sem a presença da Polícia Federal, o que não pode, que não pode.

CCCESAR CALEJON

Ele põe um juiz assistente dele para interpelar, seria o Ministério Público, poderia, né?

JKJOSÉ KOBORI

Quem faz isso, a Ministéria Pública, a Polícia Federal. O juiz, ele homologa ou não um pedido de delação, alguma coisa. Ele não é investigador, né? Então ele recebeu o Daniel Boccaccio sem a presença da Polícia Federal. Aí o bandido vai lá e fala mal da Polícia Federal. Aí, que que o André Mendonça faz? Afasta o diretor da Polícia Federal. Ou seja, é o rabo correndo atrás do cachorro.

?Voz 1

Porque ele tá citado, tanto ele quanto o APGR estão nos áudios também. Qual é a relação? Os áudios, as mensagens do Vôrcaro.

JKJOSÉ KOBORI

Sim, mas olha o absurdo: o bandido que foi preso pela polícia vai lá e reclama para o juiz, aí o juiz vai lá e afasta a polícia.

?Voz 1

Qual é? Mas eles não teriam, não pelo André Mendonça, mas não teria que ser afastado por eles também estarem envolvidos?

CCCESAR CALEJON

Quem tá envolvido?

?Voz 1

O Andrei.

JKJOSÉ KOBORI

E qual o envolvimento?

?Voz 1

De uísque, de festa.

JKJOSÉ KOBORI

Isso aí eu acho que é uma coisa que a gente tem Corregedoria Pública. Eu sou assim, não sei se o Calilzão também deve ser.

?Voz 1

É que é tanta mensagem que eu não sei se tô confundindo, mas é o lance do Macau.

CCCESAR CALEJON

Existem indícios de algum envolvimento do Andrei e pode aparecer outras coisas, mas a questão—

?Voz 1

Mas como que investiga isso então? Por exemplo, se ele tem algum, ele mesmo vai se investigar? Como que funciona isso?

JKJOSÉ KOBORI

Não, enquanto os policiais federais forem afastados. Na realidade não é ele mesmo que vai investigar, mas a Polícia Federal é formada por milhares de policiais, né?

?Voz 1

Mas vai investigar o chefe?

JKJOSÉ KOBORI

Lógico que investiga.

?Voz 1

É?

JKJOSÉ KOBORI

Lógico que investiga.

CCCESAR CALEJON

É um processo de corrigidoria.

JKJOSÉ KOBORI

Eu acho que tem coisas que a gente tem que separar. Eu, eu sempre tive isso na minha vida, tá? Não misturar minha vida profissional com a pessoal. Então sempre que convido para festinha, para não sei o quê, eu nunca vou, nunca vou. A menos que seja um evento oficial. Inteligência Limitada vai fazer um evento oficial aqui, lançamento de alguma coisa, vai ter um coquetel, uma festa, eu vou.

?Voz 1

O Vilela me convidou, eu vou.

JKJOSÉ KOBORI

São extraoficiais, são agora essas festinhas extraoficiais, então O que eles estão tentando envolver é que nesses converscotes privados que eles faziam, convidava o diretor da Polícia Federal, convidava o ministro do STF e tal, e os cara ia. E aí você sempre vê, né, todas essas operações, aí sai lá a foto do cara do lado do bandido que foi preso, né. Então acho que a gente teria que ter regras mais bem estabelecidas para agente de Estado, agente público, não ser proibido de participar desse tipo de coisa.

CCCESAR CALEJON

A iniciativa privada tem, por exemplo, tem área de compliance, você não pode.

JKJOSÉ KOBORI

Eu não sei se eu tô avançando no tempo, mas é porque não tem prova. Isso que você falou tem lá, que ele, né, foi lá tomar um whisky com o cara.

?Voz 1

Eu não sei se eu tô avançando no tempo, mas e o André Mendonça falando que houve arapongagem, que teve vazamento porque os cara pegaram um relatório apócrifo? O Alexandre Moraes não teria como ter acesso isso se os caras não tivessem? Vocês viram essa história também?

CCCESAR CALEJON

Veja, o que eu mendo, a história é o seguinte: o Mendonça alega que ele estava sendo monitorado pela PF.

?Voz 1

RSF.

CCCESAR CALEJON

E existe o processo para que você esteja sendo monitorado, Vilela. Eu preciso dar conta da tua geolocalização, de onde você tava, com quem você tava, com qual hora. E isso caracteriza um crime em cima de autoridades da República, porque pode colocar a integridade física dessas pessoas em risco. Você imagina que, por exemplo, mas teve um caso envolvendo Flávio Dino que toda direita, é porque tava usando o carro blindado do Sim, mano, o cara tá tentando dar algum nível de moralidade na forma como o grande poder no Brasil aloca recurso, Vilela.

Emenda Pix, emenda secreta, emenda não sei o quê, orçamento impositivo, orçamento secreto. Você imagina o que não tem de gente querendo ver esse cara fora da equação. Então, quando é uma figura mais identificada à esquerda, aí isso aí não importa. Mas não é nem esse o caso, não é esse o caso. O que o Mendonça alega para decretar o afastamento do Andrei Rodrigues e do segundo homem da PF é que ele estava sendo monitorado a mando do Alexandre de Moraes, e não é o caso.

O relatório que o Alexandre de Moraes compôs— e veja, eu já comecei explicando para vocês todas as complexidades, eu não tô aqui para defender Alexandre de Moraes, tá? Ao que tudo indica, os indícios que pesam contra ele são seríssimos também. Agora, que não dá é para dois pesos, duas medidas, para agir como o Sérgio Moro da vez, que quer influenciar a eleição a favor do seu candidato, do candidato que o pai dele te conduziu ao STF, e você era ministro da Justiça do cara, depois do próprio Sérgio Moro, aliás.

Haja coincidência, né? É, agora, para ser monitorado Você tem que ter um conjunto de coisas que ofereçam a tua posição geográfica, quando você tava, com quem você tava. E isso de fato é proibido, é um crime no que diz respeito a autoridades da República. Não era isso. O relatório que tava sendo feito era isso, era considerando o que o Moraes tava, do qual ele tá sendo acusado, tava dando conta do nível das contradições do próprio André Mendonça, considerando as suas deliberações.

?Voz 1

Tá falando do documento que foi usado para abrir na fake news um processo contra o André?

CCCESAR CALEJON

Isso não é monitoramento, Vilela. Uma coisa é monitorar o Vilela e dizer: às 4:27 ele tava numa padaria no Morumbi, depois ele voltou para o estúdio. Isso é monitoramento. Outra coisa é dizer: no dia tal, o Vilela disse no ar X e no dia seguinte ele disse Y.

?Voz 1

Isso é sabido por todo mundo.

CCCESAR CALEJON

Exato. Eu tô expondo as tuas contradições, eu tô expondo. Esse é o objetivo, que como juiz você está agindo de forma absurdamente parcial, que é o que caracterizou, por exemplo, a atuação do Sérgio Moro quando ele tava combinando o jogo com a promotoria. Filho de Januário, Deltan Dallagnol. E tudo isso resta comprovado, não é a minha opinião. Portanto, não cabe discordar disso. Você pode gostar do Sérgio Moro? Pode. Você pode falar, ah, mas eu sou fã do cara.

Beleza, mas a atuação dele é parcial. Tudo isso está comprovado, não sou eu que estou dizendo. Esse relatório visava expor as contradições do André Mendonça. Esse tipo de coisa. Você estava fazendo terno de centenas de milhares de reais com o cara? Milhões e milhões de reais no bolso? Que mais? Aqui você disse isso, ali você disse o outro. Tá expondo as contradições que, para um juiz da Corte Suprema do país, é mortal, Vilela.

Porque você imagina que tá caracterizada uma atuação não só política ideológica, mas política partidária, inclusive do governo até que ele ocupava o cargo de ministro há pouquíssimo tempo. Aí isso tá sendo utilizado para comover a opinião pública de que o Mendonça, uma liderança séria, religiosa, ele se conduz como um pastor. Meus e minhas irmãs, meus irmãos, orem por mim porque a sua oração me ajuda a sustentar minha família.

Como se ele fosse um sujeito que estivesse em risco porque o Morais estava organizando um processo de monitoramento para pegar ele. Isso é mentira, Vilela.

?Voz 1

Aí ele afasta e a O Fachin cancela isso.

JKJOSÉ KOBORI

O Fachin cancelou, é, cancelou o do André Mendonça e, por consequência, o do Dino. Porque se ele cancela do Mendonça, do Dino torna-se efeito, né, que foi reintegrar o André.

?Voz 1

Foi reintegrado e pode ser afastado de novo ou não pelo Fachin agora.

JKJOSÉ KOBORI

O Fachin agora vai analisar e vai ver se é processo para ele, né, até o dia 15, onde eles vão decidir o que vão fazer, né.

?Voz 1

E a gente tem uma divisão clara No STF.

JKJOSÉ KOBORI

Na realidade, assim, acho que tem uma coisa muito maior acontecendo por trás disso, né? Isso na realidade é a gestão do golpe de Estado que eles vão aplicar, né? Eles estão criando um cenário propício para isso.

?Voz 1

O final é o quê?

JKJOSÉ KOBORI

Como o Calejão falou, eles não conseguiram no 8 de janeiro de 2023 porque os Estados Unidos não quis. Além deles não darem o sinal verde, porque eles literalmente mandaram um documento, era gestão Biden. É que o Biden, era Biden ainda, eles literalmente mandaram um documento para o Brasil dizendo que eles não apoiariam nenhum tipo de ruptura no Brasil. Então eles não tiveram sinal verde dos Estados Unidos, e obviamente teve uma parte do comando das Forças Armadas no Brasil, tirando o comandante da Marinha, né, que não aceitou participar do golpe, Almir Ganier.

O que, o que tá se gestando agora, eles estão tentando criar esse cenário de caos de novo, como disse o Calejão, né?

?Voz 1

Já aconteceu, já tá, já tá um cenário.

JKJOSÉ KOBORI

Mas o cenário de caos é a eleição ser apertada, eles poderem questionar isso. Só que agora, se eles podem ser adiada a eleição, não, né? Não, adiada não, não é isso, não é isso, ela vai acontecer, vai acontecer.

CCCESAR CALEJON

Mas no segundo turno, se a diferença for menor, qualquer coisa menor, e vai ser, já tô te dizendo, menor do que 3, 2 milhões de de votos, eles vão reunir um conjunto de coisas e o Cássio Nunes vai dar esse subsídio. O André Mendonça já tá dando esse subsídio. Você já tem Sarah Rogers, que trabalha com Marco Rubio no Departamento de Estado, dizendo que existe um processo de censura estabelecido no Brasil. Tudo isso já tá em curso, Vilela.

Depois do segundo turno, na vitória do Lula, caso isso se concretize, eles vão incitar os Estados Unidos a não reconhecerem isso Existe uma chance gigante do Trump... E tudo isso vai ficar gravado aqui, depois você me cobra.

?Voz 1

Cenário 1, o Lula ganha super apertado.

CCCESAR CALEJON

Que é o mais provável.

?Voz 1

Se o Flávio ganha super apertado, não acontece nada?

CCCESAR CALEJON

Muito provavelmente não. Aí ele assume a presidência da República e entrega o Brasil numa bandeja de prata para os Estados Unidos.

?Voz 1

Se o Lula ganha super apertado, aí?

CCCESAR CALEJON

Aí vai haver todo tipo de ato para contestar, mais ou menos como Aécio Neves fez em 2014, quando ele perde para Dilma. Só que agora com o agravante de ter o maior império do mundo do lado deles.

?Voz 1

Tipo Venezuela.

CCCESAR CALEJON

Não. Veja, eu não sei onde isso pode chegar.

?Voz 1

Porque o Lula já falou isso.

CCCESAR CALEJON

Menos provável. Eu não acho que a coisa chegue... Porque isso deflagraria uma guerra civil no Brasil, se isso acontecer dessa forma. Mas não precisa, Vilela. Você sabe o que vai acontecer? Eles vão alegar isso, o Trump, ao invés de invadir militarmente o Brasil para sequestrar o Lula como ele fez com o Maduro, ele vai só dar um post na Truth Social, que é a rede social dele, dizendo: existem provas robustas que nos levam a crer que não houve paridade na disputa presidencial do Brasil e, portanto, existe um esquema de narcoterrorismo.

Todo esse blá-blá-blá associando o Lula ao narcoterrorismo e dizendo que os Estados Unidos, portanto, não reconhecem a vitória do presidente brasileiro.

?Voz 1

Isso significa o quê?

CCCESAR CALEJON

Isso significa que você vai ter um 8 de janeiro anabolizado. Você vai ter um, você vai, você vai ter um 8 de janeiro, só que ao invés de um quebra-quebra localizado no Congresso Nacional, você vai ter focos de violência e quebra-quebra em múltiplas partes do Brasil. É para esse cenário que a gente tá olhando. Anota, depois você me cobra.

JKJOSÉ KOBORI

Eu acho que o cenário mais provável é esse que o Calajão falou, que fortemente uma guerra civil no Brasil, né? Porque as polícias, as polícias estaduais são todas bolsonaristas.

?Voz 1

Eu acho que o governo tá se preparando para isso com a prisão desse pessoal e tal.

CCCESAR CALEJON

E não tem 3 mil pessoas, Vila, lá. E se 3 milhões decidem contestar isso através da violência? Porque realmente acreditam que estão sendo lesadas, porque realmente acreditam que o Lula é o chefe de um narco-estado terrorista que roubou a eleição. É com esse discurso que eles vêm, Quando você apoia a direita bolsonarista, é esse tipo de coisa que você tá endossando, velho.

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JKJOSÉ KOBORI

Um golpe de Estado e tentou pôr um pouquinho de ordem, né, no país. O que vai acontecer agora é que o STF tá sob ataque, né. A ação do André Mendonça deliberadamente é para destruir a instituição STF, não tenha dúvida disso. E a gente tem que lembrar daquela obra lá, o Como as Democracias Morrem, né, do Steven Levitsky e o Daniel Ziblatt, né, que é um estudo que ele fez, inclusive no livro lá ele cita o Brasil também, né, mas ele essencialmente fala do fenômeno do Donald Trump lá no primeiro mandato dele, de como essas figuras, né, essas novas figuras autoritárias têm surgido pelo mundo, eles tentam destruir a democracia por dentro.

E uma forma de destruir a democracia por dentro é destruir as instituições democráticas, né. Como o STF era a única, foi a única instituição que realmente fez como o Poder da República fez frente a que não houvesse um golpe de Estado no Brasil, o que eles tentam agora é destruir a instituição do STF, né, destruir toda e qualquer credibilidade que o STF possa ter. Então eles estão se utilizando desse evento do Master. Não à toa ele soltou isso agora, o André Mendonça, né.

Então a credibilidade, se todo mundo tinha uma certa admiração pelo Alexandre de Moraes, uma boa parte já não tem, e eu acho que não deve ter mesmo.

?Voz 1

Né?

JKJOSÉ KOBORI

Colocar qualquer pessoa como herói é perigoso, como disse o Calejão, existem fortes indícios, né, que ele também se locupretou dessa, desse esquema aí do Banco Master. Não justifica, né, um contrato de R$130 milhões, né, para defender. E os áudios, as mensagens que vazaram, né, as trocas de mensagem entre ele, não tem prova, mas tem que ser investigado, né. A gente não defende que ele seja poupado, mas Como disse, são 6 ministros do STF.

Então, perante a opinião pública, o STF já não vai ser uma instituição tão forte como ela foi no início de 2023, né? Então você destruir a instituição do Poder Judiciário é gerar o caos no Brasil, né? Então assim, quando chegar esse cenário que o Calejão falou do Lula vencer de forma muito apertada, como foi na eleição de 2022, o caos vai ser muito maior, vai ter muito mais gente Qual que deve ser?

?Voz 1

Porque agora ele falou de abrir sigilo de tudo.

JKJOSÉ KOBORI

Eu acho que ele fez, ele fez corretamente, porque na realidade ele não vai bater de frente com ninguém, com nenhum ministro, e nem deve, né? Nem deve. Acho que todo mundo em sã consciência não deve defender ninguém que tá envolvido nesse caso, tem que defender a investigação. A posição do Lula é, para mim, foi acertada, porque estão segurando as informações, tem muita informação.

CCCESAR CALEJON

Então eles estão segurando muita coisa.

?Voz 1

Um segundo turno só.

JKJOSÉ KOBORI

Eles estão segurando a informação para pautar a agenda eleitoral. Eles vão soltar na medida do— e o que o Lula falou tá certo, abre tudo, abre tudo, já joga tudo no mercado.

CCCESAR CALEJON

Vocês não querem esclarecer? Cada um explica. E veja, por que que existe sigilo?

?Voz 1

Quem consegue segurar? É a PF?

CCCESAR CALEJON

Não, tem coisa de todo lado. Tem coisa de todo lado.

?Voz 1

Já tá na mão da galera.

CCCESAR CALEJON

O Demori usa um termo que eu gosto, que é República da Vasolândia. A nossa atual dinâmica social virou uma vazolândia. E veja, por que sigilo de operação é importante, Vilela? Primeiro porque evita que o vagabundo saiba que ele tá sendo investigado e a casa vai cair.

?Voz 1

E que influencie no restante da investigação.

CCCESAR CALEJON

É, mas tem um outro lado também, que se você for inocente e isso vaza, eu já arrebentei a sua imagem, Vilela. O teu podcast já não existe mais. Porque por mais que é mentira, ou que eu me fiz, velho, a pasta que saiu do tubo ela não volta mais, velho. E eu já arruinei sua vida. Você tinha um negócio bacana, maior podcast do país. Eu ouvi, ela que tá envolvida com os crimes, não sei o quê.

?Voz 1

Não, mas vê lá, depois foi explicado.

CCCESAR CALEJON

Não, essa parte aí eu não vi. Essa parte aí eu não vi. Então qual que é o método lavajatista que agora tá sendo retomado?

?Voz 1

Jogar no ventilador.

CCCESAR CALEJON

Lógico, tudo antes do trânsito em julgado.

?Voz 1

Mas é usado, vai ser usado para os dois lados, né? Pelo que eu tô vendo, até aqui parece que vai ser usado também.

CCCESAR CALEJON

Olha, se você tem uma, eu sou contra vazamento, tá, Vilela? É, sou contra vazamento.

?Voz 1

Que hora que vaza ou não vaza nunca?

CCCESAR CALEJON

Não tem que vazar nunca.

?Voz 1

Mas não é legal o povo saber?

CCCESAR CALEJON

Você tem que ter um sistema. É mais uma vez que existe sistema de justiça ao final, lógico, que você tem trânsito em julgado. Porque senão eu anulo a tua possibilidade de legítima defesa e eu já te condeno através da mídia, Vilela. E isso acaba com a tua vida, meu irmão, você vai se matar. Teve o caso do Cancelier, você conhece esse caso? O reitor da faculdade do sul do país.

JKJOSÉ KOBORI

Eu passei por isso, né? Minha vida foi completamente destruída, né? Então é isso que o cara já tá falando, é isso. Você vaza antes, leva até o final, até o final, pode ter certeza que maioria uma boa parte das pessoas são investigadas, elas são tiradas da investigação porque são chegadas à conclusão: não, esse cara não tem nada com isso, tira ele daí, tira ele daí. Se vaza antes, é que o Calejão tá falando, já destruíram a sua vida.

Se chega no final, busca que vai dar, vai estar aparecendo muito, muito provavelmente ao longo da investigação. Ele falou: não, mas o Vilela foi citado aqui, mas não tem nada com isso, tira ele do inquérito, tira ele do inquérito. Então quando chega no final é porque já tem uma decisão judicial, já teve um julgamento, já foi condenado aí. Isso.

CCCESAR CALEJON

Agora você disse tem vazamento dos dois lados. Quem é que deu?

?Voz 1

Não, vai ter.

CCCESAR CALEJON

Eu tô perguntando, você citou o exemplo do áudio do Flávio, por exemplo. Eu vou me ater a isso. Quem é que deu o áudio do Flávio?

?Voz 1

Não lembro.

CCCESAR CALEJON

O Intercept é uma mídia alternativa virando lá.

?Voz 1

Não é esse o caminho?

CCCESAR CALEJON

Não, porque são dois pesos e duas medidas.

?Voz 1

Porque foi o Estadão que deu do André Mendonça nesse último, não foi?

CCCESAR CALEJON

Estadão, o do André Mendonça, eu não posso afirmar categoricamente, mas tem um monte de jornalista que tá recebendo E se eu fizer qualquer afirmação mais incisiva, isso pode representar risco inclusive para o podcast. Mas assim, sabe-se que existem, existe uma forte impressão de que esses vazamentos estão acontecendo direto para jornalistas de mídias hegemônicas, tá?

?Voz 1

Não foi algo que, por exemplo, como eles conseguiram?

CCCESAR CALEJON

Muito provavelmente foi um vazamento também, mas é um vazamento que não interessa a esse sistema agrofinanceiro, extrativo agrofinanceiro ao qual eu me refiro. E o Intercept tem um centavo da força da Globo.

?Voz 1

É que eu posso estar errado e posso ser muito ingênuo, mas existe uma pressão muito grande para se vazar ou se abrir sobre Dark Horse agora, que eu tô sentindo. Vocês não estão sentindo isso? Que se não acontecer nada, vai— não dá essa impressão que tem uma pressão muito grande para—

CCCESAR CALEJON

Mário Frias não sofreu hoje busca e apreensão? Acharam um arsenal de armas com ele. Por que que o Flávio não recebeu busca e apreensão ainda? Se tem um áudio dele gravado, mas não é batendo a carteira do cara.

?Voz 1

Você acha que não vai acontecer?

CCCESAR CALEJON

Não, já não aconteceu.

JKJOSÉ KOBORI

Ah, teria que já ter acontecido, já teria que ter acontecido há muito tempo.

CCCESAR CALEJON

Já existe a fundada suspeita, já existe.

?Voz 1

Essa do Mário Frias, o que, qual foi o caminho que chegaram?

CCCESAR CALEJON

Mário Frias tá envolvido com a produção do Dark Horse, ele é um tipo de um produtor. Isso, ele e a Karina Gama, que é uma outra pessoa que tem uma empresa que também é super suspeita, que vai de instalar ponto de internet na cidade e outras coisas.

?Voz 1

E a grana que o Flávio recebeu, que foi por assessoria jurídica, também tem isso? Não tem uma parada dessa?

CCCESAR CALEJON

O advogado do Eduardo Bolsonaro é um advogado especialista em causas imigratórias.

?Voz 1

E ele recebeu através dele?

CCCESAR CALEJON

De um fundo que chama Havengate, que ele é o principal administrador.

?Voz 1

E isso é legal ou não? Na teoria, legal? Não tô nem falando de moral.

JKJOSÉ KOBORI

Então, se ele justificar o porquê recebeu, tá, foi para isso, porque não consegue justificar, né?

?Voz 1

Eu recebi, foi exatamente para esse tipo de serviço, tá?

CCCESAR CALEJON

É, mas você entende que o que o Kobori te explicou é de suma importância no começo? Claro, porque uma parte, veja, entender todo o conjunto, porque é muita coisa. Não, todos estamos, na verdade, tá, Vilela? Ninguém tem a integralidade do processo.

?Voz 1

Tá tentando ver um quebra-cabeça que tá faltando peça para caramba, ver que figura tá formando isso.

CCCESAR CALEJON

Mas você falou de legalidade, qual que é o problema? O problema é que a maior parte do escopo do arcabouço social que permite que golpes do Master sejam perpetrados é legal. São coisas legais que você acha brecha. Por exemplo, ele te explicou como é que você usa o Fundo Garantidor de Crédito, sim, para oferecer um produto que no limite é legal. Eventualmente é, você tá incorrendo numa estratégia que caracteriza um crime no no fim da ponta, porque você tá se valendo de uma estrutura que não foi desenhada para isso, entendeu?

Mas essas pessoas sabem como é que isso aí funciona, como é que opera, entende? Qual é o problema do que você falou? Nesse momento você tem mídias hegemônicas: Band com Saad, Marinho com a Globo, Macedo Record, Frias com a Folha, a Mesquita com Estadão, principalmente que novamente estão uníssonos ao redor de uma estratégia lavajatista, que é condenar as pessoas sem direito à ampla defesa através da mídia. Ah, mas não existe uma contrapartida que ataca o Flávio também? Sim, mas daí isso tá restrito a veículos alternativos de comunicação.

?Voz 1

Duas semanas da eleição, três semanas, é muito pouco tempo.

JKJOSÉ KOBORI

Não, e assim, eu tava falando com a Fabi aqui no bastidor quando cheguei, assim, a tendência é que vá acelerado aqui até lá, né?

?Voz 1

A gente tá achando que é mais noturno, né?

JKJOSÉ KOBORI

Mas a gente acha que tem um ritmo louco daqui até o dia da eleição, vai surgir muita coisa ainda.

?Voz 1

E é primeiro turno, né? O segundo turno vai pegar fogo.

CCCESAR CALEJON

Os principais vazamentos vêm do primeiro para o segundo turno, pode anotar. E é, e o principal vazamento do primeiro turno para o segundo, né? Eu também acho, porque a disputa de fato vai acontecer quando a fragmentação da direita sumir, é que aí vai todo mundo contra o Lula.

?Voz 1

O pessoal percebe que se soltar antes, o negócio esquece, morre, morre.

CCCESAR CALEJON

É uma outra dinâmica de comunicação social, Vilela. Se você parar para pensar, e é isso que essa gente esquece às vezes com aquele PowerPoint da Andréa Sadi, com essas estratégias lavajatistas, em 2016 não tinha inteligência limitada, não tinha um ambiente tão plural no qual você vai ouvir gente de direita, vai ouvir gente de esquerda, cada um se conduz da maneira que coisa. Eu nunca, eu vim aqui 20 vezes, você nunca virou para mim e falou, Calé, mas isso aí você não pode, dá uma segurada.

Você falou, senta aí, fala o que você quiser, filho, e arca com as suas consequências.

?Voz 1

Você acha que a grande mídia tem isso daí? Lógico, lógico.

CCCESAR CALEJON

Isso aí é tão internalizado, essas posições, elas são tão amplamente introjetadas na cabeça de quem trabalha lá que não precisa nem ser dito.

?Voz 1

É muito claro, sabe que vai ter problemas.

CCCESAR CALEJON

Às vezes existem deliberações explícitas, Mas na maior parte das vezes você não vai— vou te dar um exemplo claro do que o Cogô, ele falou. Ele falou da crise Americanas. Americanas, na ocasião, um pouco antes disso, me corrija se eu tiver errado aqui, ela era comandada pelo 3G Capital, tá, que é Sicupira, Paulo Lehmann, quem mais? E o Teles. Esses são os bilionários, a gente muito poderosa, Vilela. Não é legal brigar com esses cara, porque a gente que domina de tudo um pouco que você pode imaginar.

Quando o Jornal Nacional cobriu o caso Americanas, que até ali era o maior escândalo financeiro do capitalismo brasileiro, bilhões, dezenas de bilhões e bilhões, foi o que no jornalismo a gente chama de notinha pelada, sem imagem, 20 segundos, acabou, velho. Não se fala do— e sabe qual é o léxico utilizado? Inconsistência contábil. Você não vai ver ninguém falando de fraude financeira, que é qualquer coisa, né? É isso que parece que houve um erro ali.

JKJOSÉ KOBORI

Ele lembrou aqui por que que ninguém fala do Campos Neto, porque ele é do Nubank. O Nubank é o patrocínio master do Jornal Nacional, né? O caso da Americanas, o Jorge Paulo, o 3G Capital, o Leman, o Sicupiry e o Teles são os donos da Ambev, que é um dos patrocinadores master da Rede Globo. Óbvio que eles não vão falar mal desses caras e nem vai pôr a imagem deles lá no Jornal Nacional.

CCCESAR CALEJON

É essa mesma dinâmica, tá em curso para proteger o Flávio Bolsonaro, velho. Não, isso não se— muito, bicho. Às vezes, incrível você ter falado isso, cara. Às vezes eu chego em casa prostrado, Kobori. Minha mulher olha para mim e fala, o que foi, cara? Eu falo que a nossa espécie é uma bosta, amor. Né, mas é porque você tá muito depressivo, a gente tem um filho pequeno, seres humanos têm coisas lindas também. Tem. Então a espécie humana, ela é profundamente contraditória e complexa.

Mas quanto mais você estuda sociologia, e eu não tô te falando de sociologia nos muros acadêmicos, de teorias, ficar lendo Weber, Marx, não é, não é só isso, essa é a carga teórica. Quando eu falo sociologia integral É olhar para qual é a lógica que organiza o que você conhece como país. Você tá me entendendo? É esse tipo de coisa que o Kobori faz. O sistema financeiro funciona assim, tem um cara que chama tal, tem outro que chama tal, esse mecanismo funciona assim. É quase como olhar um motor.

?Voz 1

E se não acontecesse, Márcio, ia acontecer com outro banco? Tava preparado o terreno para esse tipo de golpe?

JKJOSÉ KOBORI

É, ia acontecer, eles iam arrumar alguma coisa. O Calijão falou que eu lembrei o meu amigo lá, o Pedro Costa Júnior, ele falou esses dias ali num estudo que eles fizeram, uma investigação, que o André Mendonça foi treinado, fez os mesmos cursos no Departamento de Estado dos Estados Unidos, no mesmo curso que o Sérgio Moro e o Deltan Dallagnol. Então não à toa que o Calejão falou aqui que o Marco Rubio já tá sondando tal.

CCCESAR CALEJON

Ó, a Operação Lava Jato, a gênese da Lava Jato é uma operação que chama Operação Pontes. Começa em 2008, 2009, tá? Essa é a minha interpretação. Já existia um consenso ali de que o Lula estava se estendendo no poder mais do que era desejável, a despeito do Lula também nunca ter avançado muito nos interesses hegemônicos que governam a nação. Mas mesmo assim já é mais do que o que essa gente queria, tá? Começa uma Operação Pontes.

?Voz 1

Essa gente, Estados Unidos, barra...

CCCESAR CALEJON

O grande capital transnacional que opera no Brasil. Tem força de tudo que é lado. Mas essa Operação Pontes traz uma senhora que chama Karine Moreno Texman. Pesquisem, eu vou dar só nomes, eu não vou ter tempo de descer no detalhe aqui, porque senão eu vou monopolizar tudo e eu quero ouvir mais o Kobori. Karine Moreno Texman. Essa senhora, o Vilela, ela já vem ministrar cursos para magistrados brasileiros sobre como, curiosamente, como destituir um presidente com base no uso do combate à corrupção.

Os Estados Unidos têm um mecanismo que chama FCPA. O FCPA é Foreign Corruption Prevention Act, é um tipo de mecanismo que em tese visa evitar a corrupção de qualquer empresa que tenha relação com empresas ou com o governo estadunidense. Na prática, é uma forma de avançar além dos dos Estados Unidos em outros territórios, tá? Então fazer valer a tua jurisdição no mundo inteiro, basicamente. Muito bem. A partir da Operação Pontes, eles começam a treinar juízes, magistrados brasileiros, com base nesse tipo de coisa.

O, por exemplo, tem um centro de fomento, o que em inglês a gente chama think tank, né, que chama Acton. Que é o— tem uma fala maravilhosa da jurista Luciana Bauer, aliás, explicando isso, que treinou, por exemplo, juízes como o André Mendonça. Acton, A-C-T-O-N, Acton, tá? Muito bem. A partir daí surge o lavajatismo, que é o Sérgio Moro, o grande paladino da moral, da justiça, que vai lutar contra Isso, contra os políticos corruptos, tá?

Quando eles começam a incitar isso, o objetivo não era ter um Jair Bolsonaro na presidência do Brasil, era ter um cara mais parecido, talvez naquela época, é verdade que de lá para cá ele mudou um tanto, mas com Geraldo Alckmin, um Luciano Huck, sabe? Um liberal que sabe utilizar talher, não é um aloprado que fica imitando as pessoas, sufocando durante a maior pandemia do século. Eles queriam isso. Sabe qual que é o problema?

?Voz 1

Esse tipo de desestabilização, quando você começa, você sabe como começa, não tem controle do—

CCCESAR CALEJON

você não sabe onde para. Então o Lava Jatismo 2.0 do André Mendonça é exatamente isso que tá em curso. Uma parte moralista da população que, via de regra, é tudo pilantra e vilela, é tudo cara que trai a mulher, que superfatura contrato, que burla licitação pública, que xaveta.

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?Voz 1

Mas vem num momento parecido com o Lava Jato de decepção e a galera puta e não aguenta mais.

?Voz F

É o mesmo momento.

CCCESAR CALEJON

Você entende por que é tão pertinente você falar, puta, isso é muito desanimador? É óbvio. Eu fico puto da cara, velho. Quando você entende o jogo da sociologia real, de como é que o país legitimamente se organiza, Não é esse jogo de rede social, de Twitter e o caralho. Jogos de Estado, Vila, é lá, é assédio jurídico, é prisão, é ameaça de assassinato, suborno de milhões e milhões e milhões, coisas que são brutas e pesadas.

?Voz 1

Tem muita coisa em jogo, né?

JKJOSÉ KOBORI

Exato.

CCCESAR CALEJON

Só que o lavajatismo vai escamotear isso aí para dizer que o Lula é o bandidão, e a partir desse ponto vai ter um questionamento.

?Voz 1

O Alexandre O Lula vai cair no colo do Lula, mas já tá caindo. Você acha?

JKJOSÉ KOBORI

Lógico que eles associam a imagem do, como o Morais foi o que, ah, nesse sentido, encabeçou, né, esse resgate e não deixar que a democracia caísse. Eles obviamente era para manter o presidente eleito no poder, que era o Lula.

?Voz 1

Eles associam a imagem do Morais ao Lula, então batendo no Morais automaticamente bate no Lula.

JKJOSÉ KOBORI

Por isso, novamente, eu acho que o que o Lula fez correto, né? Ele tem que se distanciar disso e abre tudo.

?Voz 1

Vamos deslocar então para terça-feira que vem. A gente tem 8 ministros, né, que podem votar. Você tira o Toffoli e o próprio Alexandre de Moraes, são 8.

CCCESAR CALEJON

É, não tenho certeza desse cálculo, mas a gente fez esse cálculo aí, porque seriam 11. Quem tá presidindo não vota e os outros 2, é isso aí, 8 aí.

JKJOSÉ KOBORI

E aí ainda tá faltando um, né? Eles não reporam a vaga do Barroso ainda. Ah, do Barroso. São 10 ministros.

?Voz 1

São 10. Saiu Toffoli e o—

JKJOSÉ KOBORI

mas saiu Toffoli e o Moraes, por que que o André Mendonça continua?

?Voz 1

É porque a votação sobre o Alexandre de Moraes, não é? Não é por isso?

CCCESAR CALEJON

Não, o que vai se produzir ali ninguém sabe direito, cara. É um embate.

?Voz 1

Mas o que vai acontecer 15 é sobre o quê? Essa reunião 15 é sobre tudo?

CCCESAR CALEJON

Ninguém sabe direito. Ao que tudo indica, o André Mendonça quer um embate público, porque ele vai trazer coisas que são inéditas.

?Voz 1

Porque parece que o Fachin queria jogar para depois da eleição, né? E aí, por causa dos fatos, ele falou que é o mínimo, lógico.

CCCESAR CALEJON

E é o mínimo que qualquer magistrado, Vilela, responsável faria.

?Voz 1

Teria que vir na eleição, vamos resolver isso, bicho.

CCCESAR CALEJON

Esses senhores estão jogando com a República. Você pode ter atos de violência em toda parte.

?Voz 1

A gente tá no meio do furacão, a galera daqui 10 anos vai estar estudando isso e falar, cara, no meio da eleição tava rolando isso.

CCCESAR CALEJON

Debate no STF, isso aí não existe. Sabe por que a gente não sabe te dizer qual é a dinâmica, em quais termos isso vai se dar? Porque não tem precedente, é inédito, velho. Então ninguém sabe o que vai sair daí.

?Voz 1

Tem gente que fala que o Moraes renuncia antes.

JKJOSÉ KOBORI

Eu não acredito que ele vá sair antes.

?Voz 1

Eu também não, pelo perfil dele, não.

JKJOSÉ KOBORI

Dele não.

CCCESAR CALEJON

Agora sim, isso também precisa ser dito, tá, Vilela? É por isso que eu te disse que a espécie humana ela é profundamente complexa e contraditória. A despeito de todos esses indícios que pesam contra o Moraes e que dão conta, na minha avaliação, a linguagem dura, tá? Ele tava no bolso do Forcaro. O Moraes tava no bolso do Forcaro. Existem indícios fortes para alegar isso. Tem muita gente de esquerda que não gosta que eu digo isso.

Pô, mas daí, ou você tá sendo ingênuo Ou você tá se permitindo a abordagem, a crítica que a gente tanto critica nos bolsonaristas. Aí não é o caso. Então me parece que existem indícios fortíssimos de que o Alex— e eu vou deixar por isso mesmo, porque você já entendeu, ele tava no bolso do Vorcaro, tudo bem. Agora, isso também não anula o fato de que o Moraes incomodou muito as pessoas que mandam no mundo. Leia-se Big Tech, Elon Musk, Todas as forças do Departamento de Estado, Marco Rubio.

Isso. E o Marco Rubio já tá lançando o ticket, a eleição dele em 2028 nos Estados Unidos, com base em dominar o próprio hemisfério, varrendo o comunismo do hemisfério. O Brasil é a segunda maior democracia do hemisfério. O Moraes é a vítima perfeita nesse sentido. Pois é, você entende? E uma coisa não anula a outra, porque esse pensamento binário, maniqueísta, concreto, que enxerga a coisa entre: ah, então você tá falando isso?

Ah, então o Moraes é um herói. Aí você tá falando aquilo? Ah, então o Moraes é um vilão.

?Voz 1

Não, então André Mendonça é o herói, ou André Mendonça é um vilão.

CCCESAR CALEJON

As coisas são muito mais— exatamente, as coisas são muito mais complexas do que isso.

?Voz 1

Tá na mão do Fachin então agora, não é?

JKJOSÉ KOBORI

Tá na mão dele. E eu, eu Porque a Colômbia não vai, né? Porque acho que dos ministros ali, o Fachin é o que tem mais low profile, né? Ele foi atropelado, o que não fazia sentido, que ele tava— surgiu uma confusão. Daqui 5 dias a gente resolve. Aí surgiu o outro: não, daqui 72 horas. Obviamente ele ia ser atropelado pelos fatos, né?

?Voz 1

E esse de hoje, cara, terça-feira o país vai parar para ver algo que acontece.

CCCESAR CALEJON

Vai ser audiência pique final de Copa do Mundo.

?Voz 1

E a galera vai estar performando para o público, não para eles, né? Esse que é o pior. O que eles vão estar fazendo lá é sabendo que, sabendo da opinião pública, e isso pode interferir muito.

JKJOSÉ KOBORI

O Calejão lembrou uma coisa assim: essa confusão toda interessa a quem? Aos Estados Unidos, com certeza. O Calejão lembrou bem, o Alexandre de Moraes é o alvo principal dos Estados Unidos, tanto Trump como Marco Rubio, desde A administração dele disse que tá monitorando de perto.

CCCESAR CALEJON

Agora, você quer saber como é que eles estão monitorando o trabalho do Demori? Isso é fato.

?Voz 1

Só avisando que o Demori não pôde vir aqui, que teve um problema aí, né? O celular dele foi roubado e com todos os dados e tal, e teve um problema em cima da hora. Pediu desculpas aí.

CCCESAR CALEJON

Deu conta, isso é escabroso, de que o consulado dos Estados Unidos aqui em São Paulo. Isso é fato que eu vou te dizer, não é a minha opinião, gente. Vocês podem não gostar do meu trabalho, eu sou esquerdista, esquerdopata, tudo bem. Agora que eu tô dizendo aqui para vocês é fato. O consulado dos Estados Unidos em São Paulo, Vilela, estava aliciando jornalistas e influenciadores para debater o tema liberdade de expressão.

?Voz 1

Isso você tinha falado aqui no último programa.

CCCESAR CALEJON

No momento imediato. Foi porque era naquela hora, acho que a gente veio aqui faz um mês, né? Então você imagina, isso favorece a qual candidatura?

?Voz 1

Flávio.

CCCESAR CALEJON

O que é que tá em curso nesse momento? Esse caos ao qual o Kobori se refere, essa sensação de antissistema, de que a política não presta, esse nível de indignação que você muito bem demonstrou.

?Voz 1

Não tem nada a ver com isso de ser uma— se o Flávio cair, seria o Cury.

CCCESAR CALEJON

Não tem força para isso. Eu acho que tem parcelas expressivas do capital financeiro que estão apostando, tem que tentar impulsionar uma terceira via, mas isso não vai colar.

?Voz 1

Tá muito perto.

JKJOSÉ KOBORI

Ainda acho que o que tá por trás do Augusto Cury é o Pablo Marçal, né?

?Voz 1

É, dizem isso, esse crescimento desse.

JKJOSÉ KOBORI

Pablo Marçal vende serviços de marketing digital político, né? Quem me contou isso foi o próprio Elias, né? Que do nada, quando ele teve um debate lá, o Pablo Marçal ofereceu serviço para ele.

?Voz 1

Sério? Cara, que reviravolta boa!

JKJOSÉ KOBORI

Ia ser demais ver Elias usando o serviço do Marçal.

?Voz 1

Essa eu não esperava.

CCCESAR CALEJON

Tem um trabalho, você sabe quem é o Normose?

?Voz 1

Claro, veio aqui já, maravilhoso o trabalho dele. Isso, quem é?

CCCESAR CALEJON

Ele fez um compilado trazendo dados, te mostrando o seguinte: você tem perfis na internet tipo Babadeira, Alfinetei e esses caralho que fala a vida inteira. Exato, só de fofoca. Quem separou de quem, quem comeu quem, quem não sei o quê. Beleza, isso é uma coisa. Do nada, todo esse ecossistema, Tarcísio lança ponte maravilhosa em São Paulo. Que porra é essa, irmão? Esse mesmo ecossistema que algum tempo tava promovendo o Tarcísio e tentando criminalizar o Bacen nessa treta do Master, porque a gestão Galípolo já tava vendo em liquidar o próprio Master, apareceu ao redor os mesmos perfis, o mesmo ecossistema. Agora aparece ao redor do Augusto Cury.

?Voz 1

Você tem que investigar essa parada, né?

JKJOSÉ KOBORI

É o Marçal que tá por trás disso. Sabe que o Marçal, ele não tem objetivo político, o negócio dele é ganhar dinheiro, né? Ele usa a política para ganhar dinheiro.

?Voz 1

Uma vez assim, tipo, você não quer ganhar nada, né?

JKJOSÉ KOBORI

De política. Ele só quer estar no meio, ganhar ou sair, ficar na mídia e ganhar dinheiro com isso.

?Voz 1

Da prefeitura foi muito cara de que eu não quero ir para o segundo turno, que ele mesmo, ele mesmo se deu, ele mesmo se fez ele tropeçar, entendeu? Não dá para entender.

JKJOSÉ KOBORI

É esse dele ter lançado aí mesmo sabendo que é inelegível, é só para ele tá, exato, tá na pauta, né? Ele tá na pauta tal. E interessante que o senhor falei que depois ele vende, né, essa assessoria para todos os candidatos.

?Voz 1

É, muitos desse aí deve ter, não, ele tava ajudando o Flávio, não sei se ainda tá, mas tava ajudando o Flávio no começo.

JKJOSÉ KOBORI

Tem que dar o braço a torcer, ele sabe utilizar as mídias digitais, né? Claro, sabe utilizar muito bem, sabe do que se alimenta, né? Esse pulo aí para 11% do Cury obviamente foi através dessa utilização, né, das redes sociais.

?Voz 1

Influenciador falando, eu vou continuar aqui, eu quero saber o que o povo quer saber, ô Lenny, para saber por onde a gente continua aqui.

?Voz F

Olha, tem algumas perguntas perguntas aqui.

?Voz 1

Você vai ficar com dor nas costas, né? Você tem que acertar esse microfone mais perto.

?Voz F

O Renato, ele tá perguntando o seguinte: o afastamento da cúpula da Polícia Federal protege a investigação ou aumenta o risco de interferência política sobre ela?

JKJOSÉ KOBORI

Na realidade, quem tem— até inconstitucional, que o André mandou essa pergunta— é o presidente da República que pode afastar ou não. E ele afasta um um comando da Polícia Federal que prendeu esses caras, né? Que eu acho que é um absurdo, né? Ou seja, é o bandido mandando a polícia, né? O bandido vai lá, faz uma reunião sem a presença do que não poderia nem ter tido essa reunião, aí é recebido lá no gabinete do ministro do STF, e em seguida manda afastar o diretor-geral da Polícia Federal.

Não faz o menor sentido, né? A interferência é essa: o Judiciário não tem esse poder para interferir na Polícia Federal. Existem órgãos próprios para isso. A própria Corregedoria da Polícia Federal serve para isso. O próprio Presidente da República, que é quem tem autoridade para afastar ele, serve para isso.

CCCESAR CALEJON

Isso não quer dizer que o André Rodrigues seja um santo, tá?

?Voz 1

Eu não imagino que não.

CCCESAR CALEJON

E muito provavelmente, vou deixar por isso também, só cuidado, deve aparecer uma outra coisinha aí, tá? Deve aparecer dele.

?Voz 2

É.

CCCESAR CALEJON

Em coisa de bastidor. Bonito também. É, veja, quando você atua com jornalismo nesse nível, chega muita coisa em você, Vilela, de papo. É, eu acho que tem isso, algumas coisas mais materiais, e aí você se arrisca mais porque existe materialidade correlata, e outras coisas que são meramente especulativas e você não publica. Claro que não, por questões de responsabilidade, entendeu? Mas por que que eu venho ressaltando?

?Voz 1

Chegado coisas para você sobre várias pessoas, tem que não, então não foram abertas ainda.

CCCESAR CALEJON

É, eu vou deixar por isso no sentido de te dizer que deve aparecer mais coisas de todos os lados, inclusive. Então não sei, quando, quando o Kobori faz o escrutínio dessa dinâmica republicana, não quer dizer que ele tá defendendo o André Rodrigues, ele tá defendendo devido processo legal. Então se alguém tiver que afastar, quem tem que fazer isso é o presidente da República, não cabe a um ministro do STF se arrogar o direito de ser o grande paladino da justiça, da moral, principalmente em tom religioso messiânico. Vira lá, que parada é essa? O país é laico, irmão.

?Voz 1

E segundo levantaram, o Alexandre de Moraes já tinha feito isso também, né? Também é por abrir um precedente.

CCCESAR CALEJON

Não, o Moraes não fez exatamente isso.

JKJOSÉ KOBORI

Gilmar Mendes, né, quando impediu o Lula de ser ministro da Casa, chefe da Casa Civil.

?Voz 1

Teve alguma coisa do Alexandre de Moraes?

CCCESAR CALEJON

A crítica mais severa que pesa contra o Moraes é que ele tinha um inquérito das fake news que tava indeterminadamente vigente e que foi tirado.

?Voz 1

Ele foi tirado agora.

CCCESAR CALEJON

E isso também é pouco republicano, eu vou deixar por isso. Você não pode, porque quando você deixa um inquérito eternamente aberto, isso passa a ser utilizado como mecanismo de isso, entendeu, né? E isso não pode, de fato. Agora, houve críticas de muita gente da esquerda salientando isso. Isso aqui tá se excedendo. É verdade que medidas foram adotadas por conta de uma tentativa de golpe de Estado, por conta de uma pandemia no qual o governo do Aloprado, além de imitar gente sufocando, negligenciou de forma deliberada o desenvolvimento de um plano vacinal. 700 mil brasileiras e brasileiros morreram.

Não fosse a interferência do STF naquela ocasião, isso poderia ter dado 1 milhão, 1 milhão e meio, sei lá. Agora, um erro não justifica o outro. A questão tá resolvida, fecha-se o inquérito, toca a vida. É esse inquérito que o Fachin retirou da mão do Moraes agora. Qual que é o problema? Master e INSS continuam na mão do Mendonça. Então o Fachin já está demonstrando que vai tirar, ou não, ou que existe uma certa inclinação a ser condescendente com os abusos de uma parte e não de outra.

Aí você imagina, se existe tio Sam na parada, é muito difícil, né, Vilela? Porque você vai tomar Magnitsky na cabeça, porque você vai ser coagido de todas as formas imagináveis e possíveis. Principalmente quando você tem, é mais do que o Trump.

JKJOSÉ KOBORI

Eu acho que foi por causa disso. Ele obviamente não vai admitir, mas ele tinha um problema na filha que tava nos Estados Unidos.

CCCESAR CALEJON

Você quer continuar dando palestra em universidade gringa? Você quer continuar publicando livro com Michael Sandel? Justice é o nome. É chique, né? Para o cara como Barroso ser coautor de um livro com Michael Sandel que The name is justice. Essa galera não quer botar tudo isso a perder, velho. Então você imagina que o nível de pressão que vem lá de cima nesse momento é brutal. A ver como é que, como é que essas partes seguem.

?Voz F

O Renato Otato, ele mandou aqui o seguinte: o impeachment de ministros do STF é um mecanismo de controle real ou na prática tornou-se quase impossível de acontecer?

JKJOSÉ KOBORI

Não, é o mecanismo previsto, né, na Constituição. Mas obviamente aquilo que eu falei, né, poder é poder, né. O poder político, ele é influenciado pelo poder econômico. E talvez uma coisa que deva mudar é não ficar na decisão monocrática do presidente das casas, né. No caso do impeachment do Supremo, é do presidente do Senado, né, do presidente da República, do presidente da Câmara. Que eles também manobram com isso, né? Claramente eles ficam manobrando porque é um instrumento de poder que tá na mão deles. Talvez isso deva ser mudado, mas é um mecanismo previsto na Constituição, né?

?Voz 1

Mas enquanto o processo é o Senado, abre votação no Senado.

CCCESAR CALEJON

É, o Alcolumbre tem que pautar, e ele já disse, já disse que se ele for pautar, ele vai pautar impeachment cruzado. Ele vai pautar um impeachment do Moraes, mas vai pautar um impeachment do Mendonça também. O Davi Alcolumbre já disse isso, já disse. Não é a minha opinião, isso é um fato também. Agora, o que que acontece aí, Vilela? Falar em impedimento, seja de Mendonça, seja de Moraes e tal, a despeito de tudo isso que pesa contra os dois, aliás, é tão complicado.

Por que que o Kobori explicou bem como é que funciona o FGC, certo? Por que que existe o FGC? Porque o nome do jogo no sistema financeiro é estabilidade, Vilela. Se você acredita que o seu dinheiro pode evaporar Você vai fazer outra coisa com o teu dinheiro, velho. Você não vai pegar a tua economia de uma vida inteira e botar num lugar que você sabe que de repente vai virar fumaça, entende? A previsibilidade, a estabilidade do sistema é fundamental para que o sistema continue operando.

Por que que eu fiz essa analogia? O STF, Vilela, é a última instância da ordem jurídica que sustenta o que a gente chama de república. Res pública, a etimologia quer dizer a coisa pública. Quando você começa a flertar com ministros dessa casa que são conduzidos ao cargo pelo presidente da república, que invariavelmente recebeu 60, 65 milhões de votos e portanto tem legitimidade para fazê-lo, você incorre num nível de insegurança jurídica que pode colapsar a porra toda.

Você tá me entendendo? É como tirar um pilar estrutural da casa, no mínimo vai ruir as paredes, entendeu? Por isso que é tão sério e a gente tem que tomar tanto cuidado nesse, nesse tema.

?Voz F

O Paulo Ferraz, ele mandou uma pergunta para o Cobore aqui, ele falou o seguinte: é, depois de tudo que aconteceu, o que o pequeno investidor deveria aprender antes de comprar um CDB apenas porque ele oferece uma rentabilidade mais alta?

JKJOSÉ KOBORI

Que existe uma relação de risco-retorno, né? Quanto maior o risco, maior retorno. Então tudo que te oferecerem que tiver um retorno muito fora do normal, desconfie, né? É obviamente porque o risco dele é muito alto. Não existe no mercado essa assimetria. Inclusive com o advento da tecnologia, antes existia esse pessoal que fazia operações de curto prazo, identificar pequenas assimetrias, né, de risco e retorno e ganhar dinheiro com isso.

Só que com hoje esses computadores que chama de high frequency trade, né, trades de alta frequência, que só os grandes bancos têm, é muito difícil encontrar simetria no mercado. Então se alguma coisa está te oferecendo retorno muito acima do normal, é porque ele tem um risco muito acima do normal. Eu sempre brinco quando eu ensino finanças e investimentos assim, avalie o risco sempre, porque quem tá disposto a te enganar, ele vai sempre te atrair pelo retorno, né?

Então você tem que aprender a avaliar o risco. O retorno é uma consequência. Se você souber avaliar o risco corretamente, o retorno é uma consequência. Então, tanto que os grandes bancos estão, e o Banco Central, estão mudando as regras do FGC, né? Para que o que o Banco Master fez e conseguiu operar o FGC não seja mais possível lá na frente, né? Porque ele representava como aportes, né, para colaborar com o patrimônio do fundo muito pequeno, e ele utilizou mais metade, né, do patrimônio, do mais metade, não, acho que 40%, né, do patrimônio do Fundo Garantidor de Crédito para cobrir o rombo que ele deixou.

Então a contribuição que ele deu foi infinitamente menor do que o que ele utilizou, né. E os grandes bancos estão fazendo essa alteração para não existir, não haver mais essa possibilidade. Mas o investidor, pequeno investidor, tem que estar sempre alerta porque é a velha briga do gato e do rato, né. Eles vão descobrir umas regras para evitar e os caras vão descobrir uma brecha para furar isso aí de novo, né? Então é sempre avaliar o risco, né?

Não caia no conto da sereia que alguma coisa tá te pagando muito mais e você não tem risco, né?

?Voz F

O Luan fez uma pergunta aqui para o Calejão. Ele falou o seguinte: o Senado deveria exercer de forma mais efetiva seu papel de fiscalização sobre os ministros do Supremo?

CCCESAR CALEJON

Olá, eu, cara, o problema é que todo mecanismo que oferece muito poder invariavelmente passa a ser instrumentalizado em disputas políticas, Vilela. Seja na seara econômica, seja na seara jurídica, sempre tem uma dimensão profundamente política. A pessoa que te diz que não, ou ela tá enganada ou ela tá enganando. Entende isso? Então a questão, eu te diria que ela não é tão pueril assim. A questão é que para a gente ter um mecanismo legitimamente republicano, a população precisa entender melhor como é que atuam as forças legítimas que estruturam a república.

É por isso que eu dediquei tanta energia para escrever um livro que chama Poder e Desigualdade com Roncalho, que é para te mostrar como existe um sistema extrativo agrofinanceiro que condena o Brasil a um eterno processo de subdesenvolvimento. Então é essa medida, eu te responderia assim, você entende? Mas ela, ela tá no nível elementar, digamos assim. A questão é infinitamente mais complexa do que isso e passa por, pelo que você faz aqui, por exemplo.

Por isso que eu te perguntei quando surgiu inteligência, 2020, novembro. No Lava Jatismo original não tinha inteligência. Você não ia ter o Kobori explicando tudo que ele explicou aqui.

?Voz 1

A gente não estaria aqui, altas discussões sobre o processo.

CCCESAR CALEJON

Você estaria dependente de uma mídia unilateral que defende os interesses dos grandes bancos, de mineradora, do agronegócio, enfim, e do grande capital transnacional que opera em solo brasileiro. É basicamente isso. Hoje não. Hoje existem todo um sistema mediático contra-hegemônico que já é capaz de oferecer uma outra perspectiva. E assim, contra-hegemônico bem forte, tá? Se você pegar o Inteligência, ele chega em dezenas de milhões de pessoas.

Então já começa a ocupar um certo espaço que pode ser caracterizado como hegemônico, mas dando espaço, dando a pluralidade, com um nível muito— eu nunca vou falar isso na Globo, filha lá. Você imagina se os cara da Globo vão abrir o microfone para que eu fale de Sistema extrativo agrofinanceiro. E por que que eles não citam o Campos Neto? Qual que é a relação de porta giratória que tem com ocupar um cargo fundamental na Fazenda e depois sair direto para iniciativa privada?

Como isso tem que ser coibido? Vocês acham que eles vão me deixar fazer essa fala, Vilela? Acho que o âncora levanta e me dá um tapa na cara.

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?Voz 1

O quê?

?Voz F

O Robert 67, ele falou aqui o seguinte: existe risco de a guerra entre ministros fazer o caso original, o que aconteceu dentro do Banco Master, desaparecer do noticiário?

JKJOSÉ KOBORI

Eu assim, eu acho que existe, sempre tem esse risco que eles fazem um grande acordão, né, inclusive com a grande mídia. Desse negócio chegar num patamar tal que fala assim, vai cair todo mundo, vamos nos entender aqui, joga os boi de piranha aí para talvez o próprio Forcado, né, dá um jeito nele aí, vamos matar esse assunto aqui. Porque a gente já viu que nível chegou, né, o cara tem 6 ministros do STF envolvido com ele. Imagina outras autoridades da República que não estão, né.

O candidato da extrema-direita com possibilidade de ganhar a eleição bater na carteira do cara, pedir dinheiro na cara dura, né? Visitou ele, inclusive ele já tava preso com tornozeleira, né? Aí depois, no início, saiu uma coisa absurda que o pessoal que acredita nele acredita, né? Que ele foi lá para finalizar a relação, né?

CCCESAR CALEJON

O próprio Valdemar, presidente do partido dele, foi lá para pegar o restante do dinheiro. Mas Valdemar, meu filho! Então assim, eu te diria até mais do que isso. Como que é o nome, Lenny, do cara? Perguntou.

?Voz F

É o Robert 67.

CCCESAR CALEJON

O Robert, eu te diria o seguinte, cara, eu vejo indícios claros de que a atuação do Mendonça tá ensejando nulidades de forma proposital.

JKJOSÉ KOBORI

Por quê?

CCCESAR CALEJON

Porque você cria um caos que favorece o candidato dele, que é o Flávio Bolsonaro. Notoriamente, tá, gente, o cara foi ministro da Justiça do Bolsonaro depois do Sérgio Moro. Ele foi conduzido à Corte Suprema do país pelo Jair Bolsonaro, não resta a menor dúvida, tá? Então cria um caos, cria uma sensação de antissistema, ajuda ou Flávio a vencer ou a estabelecer um golpe com anuência dos Estados Unidos, o que pode acontecer. Isso não é alarmismo barato.

E depois disso tudo você tem todo um conjunto de provas e procedimentos contaminados a um nível que vai ensejar nulidades para todo lado. E aí a questão tá resolvida, não precisa mais punir ninguém, deixa a mídia hegemônica, como o Kobori muito bem colocou, esfriar o assunto, estoura mais 2, 3 escândalos aí, fica por isso mesmo. Então existe deliberação, inclusive, a meu ver, pelo menos.

?Voz F

Ó, a Regina perguntou aqui o seguinte: quem efetivamente paga a conta quando ocorre uma quebra bancária dessa dimensão?

JKJOSÉ KOBORI

Nosso povo, os prejuízos são socializados, né? O Estado, não só no Brasil, tá? Em qualquer país capitalista, o Estado socorre os grandes bancos, né? Haja vista a crise subprime, né? Trilhões e trilhões foram dados para os bancos e o cidadão comum que perdeu o seu imóvel ficou por isso mesmo, né? E olha que o presidente na época era o Obama, né? Que tinha esse viés de ajudar a população, veio do Partido Democrata, mas no limite socorreu os bancos, injetou trilhões nos bancos.

E esses trilhões obviamente é do contribuinte, né, é do próprio povo. Salvou os bancos e deixou o povo à míngua. Em qualquer crise bancária, os bancos vão ser salvos por uma questão sistêmica, né, para não contaminar o resto da economia. E eles sabem disso, né, por isso eles se arriscam demais, porque sabem que no final As crises todas são keynesianas, né? O Estado que vai salvar todo mundo.

CCCESAR CALEJON

Too big to fail.

JKJOSÉ KOBORI

É grande demais para quebrar.

?Voz 1

Louco, né? Quanto mais você rouba, quanto mais é o valor, mais certeza que alguém vai te salvar.

CCCESAR CALEJON

O nome disso é capitalismo.

?Voz 1

Dever pouco é que é uma merda, né? Se você deve pouco, você tá ferrado, cara.

CCCESAR CALEJON

O cara que tá fodido é o ladrão de galinha, vila lá. É o cara que rouba celular.

?Voz 1

Você não pagou a prestação do seu carro Aí você tá fodido.

CCCESAR CALEJON

Você recebeu uma nota fiscal de R$3.000 que você nunca tirou.

?Voz 1

Eu já te falei isso, né, Leandro? Eu não consegui pagar o carro, devolvi o carro, foi para leilão e eu ainda tive que pagar a diferença, porque eles vendem mais barato. Você já tá fodido, você ainda tem que pagar a diferença, os cara vende mais barato seu carro e ainda te cobra. Genial isso.

?Voz A

Fala.

?Voz F

Ó, o Jonas, ele tá falando aqui o seguinte: o caso Master revela uma fraude específica ou uma fragilidade maior nos o sistema de fiscalização bancária brasileiro?

JKJOSÉ KOBORI

Na realidade, envolve poder econômico e poder político, né? Ele só aconteceu porque ele conseguiu corromper um monte de gente no caminho. Existiam pessoas capacitadas para ter identificado isso, e com certeza identificaram, né? Eu citei o caso da CVM, que tinha dois inquéritos lá atrás com o negócio ainda da Ambipar. Já tinham identificado que o Master tinha dois fundos envolvidos nessa manipulação do mercado. O próprio Banco Central, a primeira solicitação que o Daniel Alvorcário fez da compra do Banco Máxima tinha sido negada pela área técnica.

Depois ele insistiu, insistiu. Obviamente essa insistência dele foi porque ele achou outros caminhos, né, para conseguir ser aprovado. E depois de aprovado, o Banco Central deixou ele chegar onde chegou, né. Então assim, obviamente existem servidores, eu sempre faço questão de defender o serviço público da aquele cara que é concursado, que estudou, que tá lá, que trabalha, né, no horário estabelecido, que tem preparo para aquilo, que faz os relatórios técnicos, que avisa.

Mas infelizmente o poder econômico é quem indica os cargos comissionados, né, aquilo que os políticos colocam. Citei o exemplo da Caixa Econômica, né. Caixa Econômica foi dada por Arthur Lira na época, de um famoso porteira fechada, né. Ele indicou o presidente, todos os vice-presidentes, Então, obviamente, aquelas pessoas que ele colocou lá estão defendendo o interesse dele, né? Tanto que afastaram os dois técnicos, recusaram comprar, que a Caixa comprasse os papéis do Banco Master.

Então assim, já existiam sinais claros que o cara era um picareta, né, o Daniel Alvorcado. Mas deixaram ele chegar onde chegou porque ele conseguiu corromper um monte de gente no caminho. E é o poder do dinheiro, né?

?Voz 1

Vamos fazer um exercício de futurologia. Pode envelhecer muito mal esse corte aqui, mas esse momento que a gente tá vivendo no futuro vai ser visto como do STF? Ele se autocorrigiu? Foi uma vergonha? Como que vocês acham que vai acontecer na terça? Vamos tentar ver esses prováveis cenários do que pode acontecer daqui para frente.

CCCESAR CALEJON

Vou te dizer o seguinte, cara, esse vai ser percebido como um momento de hiperpolitização do STF por um processo que começa a partir do próprio bolsonarismo, por que na esteira do lavajatismo 1.0, lembrando que próximo governo vai indicar 4 ministros ou 5, a depender da posição do Moraes, o que acontece aí. Um momento de hiperpolitização do STF que ocorre porque sim, a Corte Suprema ganhou muito poder em virtude de ter que agir por conta da inépcia do governo mais canalha e mais incapaz que já chefiou o nosso Executivo Nacional.

O bolsonarismo durante a pandemia negligenciou todo tipo de questões elementares para que a gente enfrentasse o pior patógeno do século, tá? E depois disso tentou dar um golpe de Estado. Não fosse pela derrota do bolsonarismo, a gente não estaria sabendo de nada. De INSS, de Masters, tudo isso. Essa galera estaria, o Porcaro continuaria fretando castelos e contratando Coldplay para curtir junto com o Ciro Nogueira lá em aqueles paraísos de esqui que eu não sei nem a porra do nome, Courchevel, sei lá, esses nomes aí que tem fotinho dos dois abraçados lá.

Então Vai ser lembrado como uma época de hiperpolitização do STF. Como é que isso vai se resolver? Eu não tenho a menor ideia. Eu sei que essa bagunça interessa demais ao Flávio Bolsonaro e coloca o Lula numa posição que para ele não interessa. Por isso ele tá pedindo transparência, que abra-se todas as questões correlatas, tá? Agora, também é curioso a ver Porque eu acho que tem uma parcela dos bolsonaristas, Vilela, que se o cara disser vai ter intervenção estadunidense, os cara vão apoiar isso aí, velho.

Então também vai ser lembrado como uma época de infâmia no qual boa parte do país tava, tava clamando por uma intervenção de uma força estrangeira, renunciando aos próprios processos de soberania. A gente teve o Flávio Bolsonaro de novo, não é a minha opinião, me odeiem, mas não é a minha opinião. O Flávio Bolsonaro incitando o Washington, se referindo ao Marco Rubio, a bombardear a Baía da Guanabara, o próprio terreno, solo dele, a casa, a mãe pátria dele.

O Eduardo Bolsonaro dizendo que queria um porta-avião no Lago Paranoá, entre várias outras coisas. E esses caras ainda vão ter são competitivos a ponto de talvez ganhar a própria presidência da República. Então acho que isso também vai ser lembrado como uma época de viralatismo, de infâmia e de hiperpolitização do STF.

JKJOSÉ KOBORI

É, eu tenho essa preocupação como o Calejão. Eu espero, né, tenho esperança que a gente olhe para o dia de hoje, né, para o passado lá na frente, tendo resistido, né, a toda essa investida, né, dessa extrema-direita que é no mundo inteiro, né. Né, e que a gente faz parte de um jogo muito maior, né, que tá acontecendo na geopolítica mundial. Essa posição dos Estados Unidos, claramente, né, ele já perdeu o conflito na Ucrânia, já perdeu o conflito no Irã.

E não à toa, em novembro do ano passado, quando ele divulgou, né, essa estratégia de segurança nacional, ele vai focar no chamado hemisfério ocidental, né, nós, a maior democracia e a maior potência econômica depois dos Estados Unidos no hemisfério ocidental somos nós. Ele já enquadrou todo mundo, né? Claramente o que os Estados Unidos está dizendo para o resto do mundo é que ele vai enquadrar a América do Sul, né? Então ele já tomou as providências com a Venezuela, já enquadrou a Venezuela.

Na Colômbia, que era um país que era teoricamente desalinhado ideologicamente, já a extrema-direita já venceu. E sobrou o Brasil, né? Então a gente não pode fingir que nós somos foco disso. Mas tenho esperança lá na frente a gente olhar para cá e ver esse momento que a gente passou, como disse o Calejão, e saber julgar essas pessoas, né, que estão querendo entregar o Brasil para os Estados Unidos, né. Haja vista que essa manifestação agora de 7 de setembro na Paulista, tava os cara com boneco gigante do Donald Trump, como na outra passada tava com a bandeira dos Estados Unidos.

Quer dizer, Infelizmente, né, metade, praticamente metade da população se vê como um lambibotas dos Estados Unidos, né, querem continuar sendo subservientes aos interesses dos Estados Unidos. E o que os Estados Unidos quer na geopolítica mundial é nos manter uma colônia. Nós estamos passando por um neocolonialismo, como lembrou bem o Calejão, mas uma história muito curta, os 350 primeiros anos, né, até 1850 nós fomos da coroa Coroa Portuguesa praticamente, né, apesar da independência ter acontecido em 1822, mas em 1850 que foi realmente a proibição do tráfico de escravos, né.

Os historiadores elegem 1850 como que até então a gente ainda era da Coroa Portuguesa, apesar de já tá no Primeiro Império aqui no Brasil. E a gente só se tornou uma nação mesmo com a Proclamação da República, mas mesmo assim a República, a chamada Primeira República, República Velha também a gente desconsidera sob o ponto de vista econômico, né? A gente se tornou mais talvez uma economia que pudesse se descolar de ser uma colônia foi a partir de 1930, né, na Era Vargas, que depois foi todo destruído na década de 80 pelo neoliberalismo, né, pelo Consenso de Washington.

E como você lembrou bem, Calejão, nós somos uma, sempre fomos e continuamos sendo uma economia economia de monocultura extrativista exportadora, né? A gente exporta soja, milho, minério de ferro. A maioria da nossa pauta de exportações é essa. A gente exporta matéria-prima. E o que os Estados Unidos quer com essa nova doutrina Monroe é nos manter nessa posição, né, de colônia, de exportadores de matérias-primas, para que eles possam agregar valor, né, e tá na fronteira tecnológica, que é uma coisa que você escreveu com o Roncalli.

Eu sei que ele compactua dessa ideia, né, professor da Unifesp, deu até uma palestra na Unifesp esses dias atrás, né, com os alunos lá, e compactua. Gosto muito também da visão do André Roncalli, que nós somos um país no capitalismo periférico, né, subordinado aos interesses do capitalismo central. E o que os Estados Unidos está querendo nesse chamado recuo, né, nessa nova mudança da ordem mundial, é nos enquadrar, enquadrar a maior nação que existe no hemisfério sul aqui, né, que é o Brasil, que é quem poderia de alguma forma desafiar o poder dos Estados Unidos no hemisfério.

Ele vai fazer de tudo, né, e vai jogar de todas as armas. E isso faz parte do que tá acontecendo agora para enquadrar o Brasil e nos tornar— isso interessa interessa para quem? Interessa para as elites que sempre dominaram o país, né? Uma elite que sempre se beneficiou desse modelo extrativista exportador. Bem lembrado nas obras do Celso Furtado, né? Os Estados Unidos no início do século 19 era uma economia parecida com a do Brasil, né?

E eles se deslancharam, né, e viraram a potência que virou justamente porque existia uma parte da classe dominante nos Estados Unidos que queria industrializar o país. E o que levou à Guerra da Secessão, a guerra civil, que era contra essa outra parte que era o sul dos Estados Unidos, que era escravagista e extrativista exportador, né? Exatamente igual o Brasil, exportava algodão para Inglaterra e tinha escravo. Inclusive o Furtado até cita a coincidência de mais ou menos o mesmo número de escravos, né, 2 milhões de escravos lá.

E o Brasil também, no ciclo do algodão, exportava algodão e tinha 2 milhões de escravos. O que mudou foi que a elite que venceu a guerra se viu nos Estados Unidos, conseguiu implementar esse modelo, né, que era uma classe de pequenos industriais que tava surgindo, né, de pequenos comerciantes no norte dos Estados Unidos. E eles conseguiram deslanchar. E nós, Celso Furtado lembra bem, a La Visconde de Cairu na época, né, ele até brinca.

Eu sempre lembro do debate seu aqui, do Elias com a menina, né, do Alexander Hamilton. No livro do Celso Furtado ele fala, era o Hamilton versus Visconde de Cairu, né? O Hamilton querendo que a economia dos Estados Unidos se industrializasse, desenvolvesse, aqui o Visconde de Cairu querendo que ela continuasse no liberalismo clássico britânico, né? Inclusive a frase dele é deixar fazer, deixar comprar e deixar vender. Tipo, tô vendendo algodão, tô ficando rico, eu quero desenvolver o país, né?

E a nossa elite, a nossa classe dominante continua exatamente a mesma, como lembrou o Calejão aqui, né? Essa grande mídia, os grandes bancos, né, o agronegócio, se eles estão ganhando dinheiro, se eles estão acumulando riqueza aí, muito pelo contrário, estão concentrando cada vez mais riqueza na mão deles, para que desenvolver economia?

CCCESAR CALEJON

Agora veja que maravilha que não é assistir só o musical, né? No musical é legal também, mas tem que ler, né, pessoal? Você vê o Kobori, quer ficar igual ao Kobori? Tem que ler, cara, tem que ler e tem que ler muito. O Vila, lá só para complementar um parênteses disso que Kobori tá dizendo, que de suma importância. Toda economia que hoje é uma potência adotou práticas de investimento à indústria nascente e algum nível de protecionismo.

O cobertismo fez isso na França, isso aconteceu durante a Guerra de Secessão nos Estados Unidos, os Guilherme fizeram isso na Alemanha, Henrique VII fez isso na Inglaterra arrebentando a Índia. Enfim, tem um livro muito bom que chama Chutando publicada, entre várias outras referências bibliográficas. Leiam, pessoal, tá bom? Então, que sim, quer ficar igual o tio Kobori? Não basta assistir o musical não, que é o musical, é legal também, mas tem que ler.

JKJOSÉ KOBORI

E mais recentemente, Coreia do Sul e China, né?

CCCESAR CALEJON

É, exatamente.

JKJOSÉ KOBORI

Que o Brasil na década de 80 era uma potência industrial maior que a China e a Coreia do Sul somadas, e a gente fez o caminho oposto.

CCCESAR CALEJON

Ai, que dor, Kobori! Puta que pariu, velho!

?Voz F

Ó, tem uma, tem duas perguntas aqui que eu vou juntar. É uma do Sílvio e a outra do Cris. A do Sílvio fala o seguinte: qual a informação mais grave que apareceu até agora no caso do Banco Master? E a do Cris é: qual documento, mensagem ou relação ainda precisa ser esclarecido para entendermos o tamanho real do caso Master?

CCCESAR CALEJON

Sílvio, eu vou te dizer, eu vou te dizer o seguinte, cara, isso é altamente interpretativo. Tá, porque se você perguntar para um eleitor do Flávio Bolsonaro, ele vai tentar correlacionar a informação mais grave ao escândalo com o Moraes, né? Se você perguntar para um possível eleitor do Lula, que é o meu caso, eu nunca escondi isso, eu sou um homem de direita que defende o combate ao neofascismo bolsonarista no Brasil, eu vou te dizer que o que apareceu de mais grave até aqui é o áudio.

Do Flávio Bolsonaro para bater na carteira do Vorcaro. Por quê? Porque os indícios contra o Moraes são pesadíssimos, são, são muito sérios, são. Mas o Moraes não é candidato à presidência da República, então ele tem que se ver às voltas com as consequências do que eventualmente as ações dele produzirem. Mas ele não tá, Vilela, se candidatando à presidência da República. O Flávio tá. Então, em termos de interesse público, as duas coisas são pesadíssimas.

E fortes, mas um único só tá se candidatando à presidência da República. Então eu te diria que, na minha opinião, o que tem mais interesse público, e ao redor disso que eu pauto o meu trabalho, vou te dizer que é o áudio do Flávio Bolsonaro extorquindo o Daniel Vorkar.

?Voz 1

Fala, Lenny.

?Voz F

A gente jogou aí a imagem do livro, né, para o Calejão. É esse livro aqui, Calejão?

CCCESAR CALEJON

Qual que é aquele? Eu não tô vendo. Chutando a escada. É esse aí, é esse aí.

JKJOSÉ KOBORI

Aqui foi, foi.

?Voz 1

E aí, Kalejão, tem alguma coisa para fechar essa história? Kobori tá voltando aí também do banheiro. Kobori, fique à vontade para a gente dar um panorama agora, então fechar alguma ponta solta.

CCCESAR CALEJON

Você acha que eu posso falar mais uma vez 2 minutos do meu livro que eu tô lançando?

?Voz 1

Isso com certeza. Estou falando só se a gente precisa alguma coisa para fechar e depois a gente passar livros, links.

JKJOSÉ KOBORI

Acho que para fechar, acho que é mais o que a gente tava finalizando aqui, né? Eu gostaria de olhar para esse momento agora continuando tendo esperança no Brasil, né? Como uma mudança mesmo, uma resistência, porque a gente tá sofrendo uma pressão tremenda, né, nessa nova composição aí da ordem mundial para que um governo de extrema-direita assuma o Brasil, entregue o Brasil para os Estados Unidos, né? Não é coincidência o que tá acontecendo agora, né?

Não, agora tá acontecendo, e a hora que tá acontecendo, né? Não à toa que você olhar o enredo desde 2023 para cá, né, tudo que tem acontecido é um ataque à nossa soberania, né? E o Brasil, eu espero olhar para esse momento agora com esperança de que o Brasil ainda continue sendo soberano, né? E quando eu falo Brasil, eu falo o povo brasileiro. Porque a nossa elite, né, as nossas classes dominantes, como diria meu amigo Paulo Nogueira Batista Júnior, a gente não tem uma burguesia nacional, né.

É a nossa burguesia que é subordinada aos interesses dos Estados Unidos, apesar de estar ganhando dinheiro com a China, né. Eles têm uma cegueira ideológica de achar que a China é inimiga do Brasil, sendo a China o maior parceiro comercial do Brasil. E eles têm que Eu acho que a gente passa por um momento, Vilela, de mudança. A gente tem que mudar a nossa estrutura da nossa economia, né? Voltando sempre a história que a gente conta aqui, né, como a gente desenvolveu enquanto economia, a formação econômica do Brasil, né, que é inclusive o título do livro do Celso Furtado, que é um clássico.

Em nós escapando lá na frente, né, dessa pressão dos Estados Unidos, a gente vai continuar sofrendo a pressão para continuar sendo uma colônia, continuar tendo uma economia extrativista exportadora. Só que a gente precisa abrir o olho, porque a própria China, que é nosso maior parceiro comercial, nesse 15º Plano Quinquenal eles têm ali como uma prioridade a segurança alimentar, né? E a segurança alimentar que eles colocam no plano não é à toa, né?

Ele tá vendo que todas, todo ataque que os Estados Unidos está fazendo, não só econômico como militares agora tem a ver com redes de comércio e cadeias logísticas, né, para minar a ascensão econômica da China. A China, como a maior exportadora do mundo, né, a maior potência industrial e a maior exportadora, obviamente ela depende de logística, né, para os produtos que a gente compra, né, na AliExpress chegar aqui baratinho. Isso é logística pura.

Então assim, a China já notou que os Estados Unidos tá tentando estrangular. Quando o Donald Trump assumiu, primeira coisa primeira coisa que ele fez foi fechar o Canal do Panamá. Quando ele fala de Canadá e Groenlândia ser o 51º estado americano, se você olhar o mapa, é porque ele quer fazer frente à Rússia na Rota do Ártico. Isso que eu já falei para você, né? Você virar aqui, de um lado tá a Rússia, do outro lado congelando, né?

Exatamente. Do outro lado do Ártico, você pegar o globo assim, tá o Alasca, que já é Estados Unidos, o Canadá e a Groenlândia. Não é bobeira ele tá falando isso. Ele quer dominar e influenciar a Rota do Ártico. E ele tá inclusive sendo derrotado justamente por uma cadeia logística que é o Estreito de Ormuz, né? Então a China já notou que tem a ver com ataque. Não é que os Estados Unidos quer ter acesso, ele quer bloquear o acesso da China, ascensão econômica da China.

Então a China, já se vendo diante de uma situação dessa, já colocou lá no plano deles que eles querem a segurança alimentar. Por quê? Porque eles não querem correr o risco de não conseguir alimentar o povo chinês. Só que se eles atingirem esse objetivo de chegar à segurança alimentar, o maior prejudicado é o Brasil. O maior exportador de alimento para China é o Brasil. E aí o Brasil não vai ter mercado para exportar alimento, né?

A menos que a Índia faça um movimento e na velocidade que a China fez, que não vai acontecer. Não vai vender para os Estados Unidos, que é o segundo maior parceiro comercial do Brasil, porque os Estados Unidos na realidade é um competidor do Brasil no agronegócio. Então acho que essa elite nossa do agronegócio tem que se atentar para isso, né, de que ficar com essa cegueira, com esse viralatismo nos Estados Unidos, eles vão ser muito prejudicados.

Então eu acho que lá na frente a gente tem que ter esperança de ter uma liderança política no país que enxergue isso, né, e consiga reverter esses excedentes econômicos que a gente acumulou até agora com essa economia extrativista exportadora para reinvestir em ciência e tecnologia, em educação e saúde, e levar o Brasil para a fronteira tecnológica, que o caminho é esse, né? O ganho de produtividade vem através da indústria, e o ganho de produtividade através da indústria vai elevar não só a nossa capacidade econômica, né, de formar preço na economia e não ser tomador de preço como a gente é, mas acaba puxando a massa salarial de todo mundo para de cima, né?

A gente ficar nesse modelo de extrativista exportador e dependendo do setor de comércio e serviços, ele não vai chegar a lugar nenhum. A gente vai continuar empobrecendo a população e enriquecendo cada vez menos pessoas. Então lá na frente eu quero ter esperança de sobrevivermos, mas temos uma missão muito pesada daqui em diante, né?

?Voz 1

Alguma coisa para completar?

CCCESAR CALEJON

Não, eu concordo. Acho que esse é o ponto central que o Kobori traz aí, ele se refere a um projeto de país. Só que hoje existem duas proposições claras. Uma que, de novo, não é a minha opinião, o Flávio disse isso textualmente quando ele vai para os Estados Unidos, ele participa de um evento. A primeira coisa que ele faz já como candidato, Vilela, é dizer que o Brasil é a solução para os Estados Unidos no que diz respeito à dependência dos Estados Unidos da China considerando minerais críticos.

Vira-lata, você pode não gostar do Lula, velho, você pode ser antipetista. Não você, tá? Você entendeu, né?

?Voz 1

A pessoa que tá assistindo pode ser antipetista, mas porra, não dá, né, velho?

CCCESAR CALEJON

Não dá para adotar uma postura tão incrivelmente vira-lata. Esse é o Brasil que você quer deixar para o seu filho, para o meu filho? Um processo de expansão neocolonial.

?Voz 1

E uma vez que abriu, não tem como fechar, né?

JKJOSÉ KOBORI

Você entrega, é bem difícil.

?Voz 1

É bem difícil, principalmente porque nesse modelo de mercado, é uma chance da gente saltar aí, né? Porque se você entrega para os caras sem nenhuma contrapartida, esquece, é mais uma chance perdida.

CCCESAR CALEJON

Então, mas quem atua assim é a China. Quem atua celebrando acordos que contemplam transferência de tecnologia, ganhos mútuos, é a China. Washington sempre foi oposto, velho. Washington sempre foi: ou você faz o que eu quero, ou eu vou promover processos de desestabilização da sua democracia, ou eu vou invadir, bombardear e tocar o terror e a porra toda. Então não é à toa que ao longo dos últimos 80 anos a gente enfrentou Operação Condor, a gente enfrentou Operação Brother Sam, a gente enfrentou Operação Lava Jato, agora tem o lavajatismo 2.0, múltiplas tentativas do Império estadunidense de desestabilizar a nossa questão democrática.

Sabe por que que boa parte vai falar: o esquerdista louco, chapéu de alumínio? Porque essa galera cresceu assistindo filmes estadunidenses. Eu já falei isso várias vezes aqui contigo no canal. Então, se eu te perguntar: me cita um ator chinês, um ator russo, um ator iraniano, que quer que seja, não sabe. A gente E isso é Gramsci, tá? A gente é submetido a um nível de domínio hegemônico cultural no qual você conhece um único lado da moeda.

Então referências estéticas, inclusive, do que que é bonito, do que é certo. Você pode imaginar que mesmo que os Estados Unidos bombardeiem uma escola de criança de 8 a 12 anos, só pensar no teu filho, quanto, quantos anos tem meu filho, teu filho? Bombardearam uma escola. Primeiro alvo do Irã, do tio Sam, foi meter um tomahawk numa escola de criança de 8 a 12 anos. Matou mais de 160 crianças de forma deliberada, tá? Boa parte da população brasileira vai defender isso porque teve a mente corroída por uma estrutura hollywoodiana que te diz o que é certo, que é errado, que é bom, que é bonito, que é feio, caralho.

Então, organizar um projeto de país que seja capaz de transcender esse paradigma é a missão principal de quem se diz legitimamente patriota brasileiro, independentemente de estar à esquerda ou à direita no espectro político ideológico, Vilela. E isso é o que o Kobori, com muita eloquência, com muita inteligência, muita propriedade, colocou. Então, acho que para mim é basicamente isso. Real value shows up in reliability you don't have to second-guess.

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?Voz 1

É isso, Lenny.

?Voz F

É isso.

?Voz 1

Então vamos às redes sociais, livros, palestras, shows de dança do ventre, o que vocês estiverem fazendo aí, gente.

JKJOSÉ KOBORI

Bem, vou deixar o final para o meu amigo Calejão, que vai falar do canal. É, amanhã eu viajo, vou dar uma palestra em Salvador na semana que vem. Falei, eu fui convidado pelo Comando da Aeronáutica para dar uma palestra lá de geopolítica e estratégia de defesa, mas vou falar de economia política internacional, né, e os interesses que estão por trás disso. Então tô bastante corrido, tô até dando pouca atenção para o meu canal, mas queria agradecer, Vilela.

Sabe o quanto eu gosto de você, gosto da sua equipe, gosto dos meninos aqui, do Lene, do Homer, da Fabi, da Andréia. E o prazer imenso de estar aqui com meu amigo Calejão novamente, junto presencialmente, que eu acho que é o que faz falta, né, esses eventos presenciais. Eu, como sou das antigas, de antes da internet, eu gosto muito, né, e sempre dou preferência assim quando são encontros presenciais. E é sempre uma satisfação, meu amigo Calejão, tá com você, e agradecer a oportunidade de novo Minhas redes sociais é o meu nome, José Cobori.

?Voz 1

Tá certo. E você, cara, o cara dos livros, querido?

CCCESAR CALEJON

Eu tô lançando um, não sei se dá para jogar, Lenny, a capa aí. É Tudo Que a Luz Alcança, o nome, pela Editora Planeta. Pô, tava lá comigo lá em cima, cara. A gente lançou semana passada, Vilela, na Martins Fontes ali da Paulista. Foi um baita sucesso, teve 2 horas de fila de espera, fiquei, acabaram os livros inclusive. Peço perdão para quem não conseguiu comprar. O material. Esse livro, Tudo Que a Luz Alcança, eu falo um pouco a respeito dessas dinâmicas do modelo de sociabilidade que a gente vive.

Já te contei isso, já te falei da última vez. Esse aí, querido, Tudo Que a Luz Alcança. E como, linda, né? É do Emerson Rocha, Vila, essa capa aí, o artista, tá, cara? Você sabe que a gente passa, né? A editora sugere as coisas E geralmente tem várias opções, né? Você quer isso, você quer aquilo. Quando a Clarissa, que é a minha, foi a minha editora, aliás, fez um trabalho maravilhoso a Clarissa editando, melhorou e muito a minha ficção aí.

E quando ela me mostrou isso aí, ela falou, tem essa alternativa e outra. Eu já interrompi e falei, não, é isso aí, eu já quero isso aí, não vou conseguir mais desver isso aí. Então é essa a arte que eu queria para o material. Concordo que ficou lindo, tá? E basicamente o trabalho vem dessa dimensão. O que a gente chama de personalidade, muitas vezes, Kobori, a gente tende a assumir que é uma entidade fixa. Daí surgem coisas do tipo: dê poder para um ser humano e realmente perceba como ele é.

Eu não acho que é o caso, porque eu sou histórico e cultural. Eu fui criado por pessoas que, por psicólogos, né, um cubano que era da Cátedra Vygotsky e que trabalha muito com enfoque histórico e cultural. Isso é para outro, para outro assunto e tal, mas que te diz basicamente que o elemento cultural é o aspecto central de como que você chama de personalidade se constitui. Então, a depender do tipo de estímulo que incida sobre a tua pessoa em determinada época, a tua personalidade vai se tá em determinada direção.

E eu falo a respeito dessa disputa de poder em rede social, em como a gente hoje tá obcecado por protagonismo, porque a gente transforma protagonismo em engajamento, como a gente transforma engajamento em monetização, em poder político para alcançar as últimas posições da República. E esse tipo de coisa é um pouco que eu trato nessa ficção aí. No mais, tô com um novo programa, um novo canal que chama O3. Quem se interessar É 03 por extenso no YouTube, tá? 03 News por extenso.

O nome do canal é O3 News e o programa é Os 3 da Manhã comigo, Leandro De Mori e Vivian Mesquita, de segunda a sexta das 8 às 11 da manhã. Quero te agradecer demais também, Vilela.

?Voz 1

Você sempre foi um cara muito generoso, muito sangue bom, assim, e acredito apresentam demais. E essa semana foi legal porque a gente viu várias, várias visões sobre o mesmo assunto. E com certeza vou acionar vocês até o segundo turno, porque, cara, vai passar muita água debaixo dessa ponte, vai muita. E fora do ar eu quero saber do que ele não pode falar no ar, né, das coisas que ele escuta nos corredores aí. Porque eu tive em Brasília agora final de semana também, escutei coisas que se comentam lá, sabe.

Olha, eu acho isso, acho aquilo. E bastidor às vezes tem mais chances de acontecer do que a gente escuta aí que é falado.

CCCESAR CALEJON

Muitas vezes a fofoca procede. O diabo é que a gente não pode—

?Voz 1

Não pode avalizar.

CCCESAR CALEJON

Exato, esse é o termo, esse é o melhor termo.

?Voz 1

Depende de onde vem a fofoca, você fala, cara...

CCCESAR CALEJON

Muitas vezes se prova legítima a coisa.

?Voz 1

Exato, ou parte da coisa.

CCCESAR CALEJON

Ou parte da coisa.

?Voz 1

Porque a fofoca que ela vem aumentada, mas ela... O cerne dela é verdade.

CCCESAR CALEJON

Isso aí.

?Voz 1

Então obrigado demais. Ó, vamos colocar um comentário fixado com o quê? Com link, todos os links dos convidados.

?Voz F

Exato. E o livro também, né?

?Voz 1

Se não tiver, a culpa é sua, que às vezes o pessoal esquece.

JKJOSÉ KOBORI

Hoje a culpa é sua, tá bom?

?Voz 1

E também já vão dando like aí, porque esse papo merece demais. Compartilha esse papo. E o que que o pessoal escreve nos comentários para provar que chegou até o final?

?Voz F

Escreve aí República da Vasolândia.

?Voz 1

Muito bom, República da Vasolândia. Agradecer também nossos patrocinadores, que é Elements e Estratégia Concursos. Link na descrição, QR code na tela. Fiquem com Deus, beijo no cotovelo, tchau, e que bom que vocês vieram. Valeu, fui!

CCCESAR CALEJON

As opiniões e declarações feitas pelos entrevistados do Inteligência Limitada são de exclusiva responsabilidade deles e não refletem necessariamente a posição do apresentador, da produção ou do canal. O conteúdo aqui exibido tem caráter informativo e opinativo, não sendo vinculado a qualquer compromisso com a veracidade ou exatidão das falas dos participantes. Caso você se sinta ofendido ou tenha qualquer questionamento sobre as declarações feitas neste vídeo, por favor entre em contato conosco para esclarecimentos.

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