Episódios de Inteligência Ltda.

1930 - O MUNDO SEM OS EUA O QUE ACONTECE? DEL VECCHIO E ANDRÉ MARTINS

10 de setembro de 20261h56min
0:00 / 1:56:42

ANDRÉ ROBERTO MARTIN é professor e geopolítico, e VICTOR DEL VECCHIO é mestre em Direito Internacional. Eles vão bater um papo sobre como seria o mundo sem os EUA influenciando a geopolítica. O Vilela sente falta de quando o mundo era um só continenteConheça a Bússola, o curo gratuito do G4 de gestão e Inteligência Artificial.https://g40.co/inteligencia_tallis-gomes

Participantes neste episódio4
R

Rogério Vilela

HostApresentador
H

Homer

Co-host
A

André Roberto Martin

ConvidadoProfessor e geopolítico
V

Victor Del Vecchio

ConvidadoMestre em Direito Internacional
Assuntos6
  • A ascensão e queda de potências mundiais e o fim da históriaO Fim da História·Estados Unidos·União Soviética·China·Terceiro Mundo
  • O declínio do Império Americano e a ascensão da ChinaImpério Americano·China·Rússia·Japão·Donald Trump
  • A guerra na Ucrânia e o risco de escalada nuclearGuerra na Ucrânia·Rússia·Ucrânia·OTAN·Finlândia·Armas nucleares
  • A instabilidade no Oriente Médio e o papel do IrãIrã·Israel·Benjamin Netanyahu·Estados Unidos·Estreito de Ormuz
  • A importância da geopolítica e o futuro do BrasilGeopolítica·Brasil·Nova Ordem Mundial·Conselho de Segurança da ONU·Terras raras
  • O desarmamento nuclear como solução para a humanidadeDesarmamento nuclear·Armas nucleares·Energia nuclear·Mikhail Gorbachev·Coreia do Norte
Transcrição504 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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RVRogério Vilela

Olá, terráqueos, como é que vocês estão? Sou Rogério Vilela, tá começando mais um Inteligência Limitada, o programa onde a limitação da inteligência acontece somente por parte do apresentador que vos fala. Sempre trago pessoas mais inteligentes, mais interessantes e com a vida muito mais geopoliticamente assertiva do que a gente, porque eu e você somos dois idiotas.

HHomer

Eu sou imbecil, cara.

RVRogério Vilela

Por exemplo, por que que a China é a China? Quem é? O Lenny que sabe. O presidente da Venezuela atualmente, quem que é?

ARAndré Roberto Martin

O Nicolás Maduro.

RVRogério Vilela

Exato, tá bem atualizado, tá bem. Ele tá lá da prisão lá dos Estados Unidos, tá governando ainda. E o Saddam Hussein tá bem, cara?

HHomer

Ele mandou um WhatsApp para mim esses dias. Tá bem então.

RVRogério Vilela

Ele tá gravando um disco novo. Eu tava sabendo que tá rolando umas guerras aí no— não sabia, tá rolando umas tretas aí. Da Copa você sabe quem ganhou a Copa?

ARAndré Roberto Martin

Foi a Espanha.

RVRogério Vilela

Isso, acertou. Você é palmeirense? Não, São Paulino.

HHomer

São Paulino.

RVRogério Vilela

Quem é o goleiro do São Paulo? Ele não sabe de nada, cara. Ele não acompanha. Ele é São Paulino, mora do lado do estado do Corinthians.

ARAndré Roberto Martin

Eu faço questão de não saber que eu tô com raiva do São Aula até agora.

HHomer

Agora, se perguntar para ele quem é o goleiro do Corinthians, ele sabe.

RVRogério Vilela

Quem que é o goleiro do Corinthians?

HHomer

É o Júnior, é o Júnior alguma coisa, não?

RVRogério Vilela

Júnior?

?Voz A

Ele não tem Júnior no nome dele, não?

RVRogério Vilela

Hugo Souza.

HHomer

Hugo Souza Júnior virou agora.

RVRogério Vilela

Se não tinha, coloca na camisa o Júnior agora, viu? Quando ele vier aqui, a gente vai pedir isso, tá? Porque ele tá para vir aqui. Ô querido Rômer, fala comigo, sem delongas, manda bala.

HHomer

Bom, hoje é uma live especial que é dedicada para pessoas especiais, que são os nossos membros. Eles têm uma regalia, né, que passam na frente do chat e enviam a pergunta deles com antecipação. Então já aproveita aí, já deixa o like, se inscreva no canal, torne-se membro e compartilhe.

RVRogério Vilela

O cara que tá no chat agora pode mandar pergunta também?

HHomer

Pode, mas só se for muito, muito boa. Se você mandar um salve para tua tia de Carapicuíba, não rola. Eu vou ler, mas não vou lançar na mesa.

RVRogério Vilela

Então, certo. Então já manda sua pergunta. Você do chat também manda seu comentário, manda sua participação. Fechou então. Lembrando que todas as informações aqui que a gente coloca, inclusive Os links dos patrocinadores e as redes sociais dos convidados vão estar na descrição também, certo?

ARAndré Roberto Martin

Certo.

RVRogério Vilela

Vamos para o papo. Faz tempo que eu tô para marcar com esses dois aqui, estão enrolando a gente. Então se apresenta, seus vagabundos que não vieram aqui antes. Ó, aquela lá. E eu quero que seja mais constante esse encontro aí, hein?

VDVictor Del Vecchio

Vamos fazer isso acontecer, Vilar. Vamos lá. Primeiramente, obrigado pela insistência. A gente tava com umas agendas aí fora do país, mas agora...

RVRogério Vilela

Olha só, internacional.

VDVictor Del Vecchio

Pois é, né? A gente vive na prática. Vilela, eu sou Vitor Del Vecchi, sou formado em Direito, sou mestre em Direito Internacional pela USP, onde eu também me formei. Sou apresentador do podcast Para Entender o Mundo, onde junto com meu tio a gente procura explicar esse mundão doido com viés de geopolítica, atualidades, história, impactos econômicos desses acontecimentos que vem mobilizando a agenda internacional. Eu também advogo na área de imigração, faço gestão de projetos de impacto social e ambiental.

E sou entusiasta da divulgação científica, então é para isso que a gente tá aqui hoje.

ARAndré Roberto Martin

Tá certo, muito bom.

VDVictor Del Vecchio

E sou sobrinho do meu tio André.

RVRogério Vilela

E hoje vocês trouxeram presente inútil, porque da outra vez você não trouxe, né?

ARAndré Roberto Martin

Trouxemos, nos redimimos, tá aqui comigo. Bom, eu sou André Martins, né? Sou professor da USP de geografia há muitos anos. Quantos? É, já eu entrei em 89, já são 30 e 37 anos. Caramba, só na USP, 37 anos. Comecei a dar aula em 78. Então, e boa parte dessa, dessa minha vida de professor foi dedicada à geopolítica. Então, desde a década de 80 que eu estudo geopolítica, né? E não era moda, né? Porque no tempo da globalização geopolítica não tava muito na moda.

Mas eu antecipei um pouco de que as fronteiras, naquela época falava que o fim das fronteiras e tal, né? Eu falei, não, não é verdade. E aí fiz um livrinho, aquele livro famoso, Fronteiras e Nações. Eu fiz esse livro nos anos 90.

RVRogério Vilela

E tem um livro, O Fim da História, que fala um pouco disso.

ARAndré Roberto Martin

Isso, exatamente. Então eu fiz um pouco para combater aquilo lá, outra visão. É. E bom, aí agora o mundo pegando fogo, tá todo mundo falando em geopolítica.

RVRogério Vilela

Quero voltar nesse assunto, mas antes o presente. O que que vocês trouxeram para mim para deixar no cenário?

ARAndré Roberto Martin

Olha, é o seguinte, o que que podemos trazer aqui para deixar? Tá de presente aí um joguinho de botão.

RVRogério Vilela

Ah, isso é da minha época. Você jogou botão?

ARAndré Roberto Martin

Joguinho de botão.

RVRogério Vilela

É isso aí. Eu não aviso o pessoal que tem uma câmera aqui em cima. Quando eu vou colocar aqui, todo mundo vai tentar pegar o presente. Tem que ter uma câmera aqui em cima. Aqui, ó.

VDVictor Del Vecchio

E, ó, o tio, ele é um dos maiores botonistas vivos da humanidade.

RVRogério Vilela

Faltou o cabinho aqui do goleiro, né?

ARAndré Roberto Martin

Mas falou que é para não conhecer.

HHomer

Ah, é?

ARAndré Roberto Martin

Não, é para deixar aí para vocês.

RVRogério Vilela

Mas esse menorzinho, né? Eu tinha uns botões que eram maiores, não tinha?

VDVictor Del Vecchio

São mais.

RVRogério Vilela

Esse deve ser o Profissa, né? É, esse é o contrário, né?

ARAndré Roberto Martin

Botão é o popular.

VDVictor Del Vecchio

Ixi, deu até uma descoladinha. Era um quase uniforme da Inter, a gente não chegou a concluir porque a convocação não saiu a tempo.

ARAndré Roberto Martin

É uma arte o futebol de botão, é uma arte, eu adoro.

VDVictor Del Vecchio

E o tio faz o vudu dos jogos do Corinthians e agora na Copa também. Isso, faz o vudu no jogo de botão, ele bota assim, vai jogar Argentina e a Espanha, ele faz imparcialmente, eu sou prova disso, um jogo para ver quanto vai sair.

ARAndré Roberto Martin

Exatamente.

VDVictor Del Vecchio

Se a gente fosse a favor de bet, a gente ganhava dinheiro com isso, mas como não somos, aqui também não.

RVRogério Vilela

Obrigado, vou colocar aqui no cenário, já deixa aqui no meio da mesa. Mas vamos começar sobre esse assunto então desse livro Fim da História, que meio que deu essa voz, que com as fronteiras abertas, o mercado correndo solto aí, esse globalismo, globalização, porque globalismo o pessoal usa para outra coisa. Queriam acabar as guerras também, os conflitos. E por que que naquela época você já via que isso não era tão verdade? Que que você tava vendo?

ARAndré Roberto Martin

Olha, o que que eu tava vendo? Eu tava vendo primeiro que se falava muito do colapso da União Soviética, que a Rússia tinha desaparecido como ator geopolítico. Eu pensei comigo, não, o maior território do mundo não desaparece assim, né? Então mantendo o poder nuclear que eles têm e mais o território que eles têm. A derrota perante o capitalismo foi antes ideológica, né? Foi ideológica porque o socialismo não conseguiu produzir as mercadorias de consumo que o capitalismo produzia.

Isso porque é outro modelo, né? É outro modelo. Então Eles produziam o quê? Produziam máquinas, coisas funcionais, máquinas, é máquinas. E uma das coisas que inclusive eles não esperavam, porque as máquinas no socialismo são para durar a vida inteira, e no capitalismo não. Você compra um computador, por exemplo, que é uma máquina, e ele já tá obsoleto.

RVRogério Vilela

Então, carro que você compra, muda uma lanterninha e no outro dia paralama, para você ser forçado a sempre ter o último.

ARAndré Roberto Martin

E o socialismo do tipo da União Soviética não previa isso, né? Os chineses aprenderam e agora estão fazendo diferente, né? Mas isso era uma coisa. A outra coisa era o seguinte: o terceiro mundo, né? A questão do terceiro mundo. Aí de repente não se falou mais em terceiro mundo.

RVRogério Vilela

Esse termo não se usa mais?

ARAndré Roberto Martin

Não se usa mais.

RVRogério Vilela

O que era o terceiro mundo? A gente era terceiro mundo, né?

ARAndré Roberto Martin

Todo mundo antigamente achava que o terceiro mundo é os países pobres subdesenvolvidos. Mas quando o Mao Tsé-Tung criou a ideia de Terceiro Mundo, era diferente. O Mao Tsé-Tung pensava assim: existe um Primeiro Mundo, Estados Unidos e União Soviética, que os dois têm armamento nuclear e tal, né, que são os donos do mundo. Isso nos anos 50 para 60, né, 1950, 60. Então ficou, ficou essa. E aí ele falava: o Primeiro Mundo é esse.

RVRogério Vilela

E o segundo?

ARAndré Roberto Martin

O Segundo Mundo são os países industrializados menores. Países: Alemanha, Inglaterra, França e Japão. E o terceiro mundo é o resto, aí América Latina, Ásia e África. Então essa era a visão do Mao Tsé-Tung, era uma visão militar. Então veja, aí depois não se falou mais nisso, sabe por quê? Por causa da Guerra do Golfo, a Primeira Guerra do Golfo em 91. Era uma guerra, né, dos Estados Unidos contra o Iraque. Um país do primeiro mundo contra um do terceiro.

A China era teoricamente a líder do terceiro mundo, mas a China não apoiou o Iraque. Então dali para frente não se falou mais em terceiro mundo, o conceito desapareceu. E como a China cresceu muito, então não dá para falar que a China é terceiro mundo mais, né? Então olha, outra coisa também, aí já mais antigo, Falava assim: Ocidente cristão, não é isso? Ocidente cristão contra o comunismo ateu. Pô, já também não dá para falar mais isso.

Por que que não dá para falar mais isso? Porque duas potências cristãs lutaram entre si. 1982, Argentina, Reino Unido. Todo mundo lembrou agora por causa da Copa, né? Mas ninguém, mas ninguém lembrou que aquilo detonou o conceito de Ocidente cristão, porque não se previa, né, um conflito entre duas potências ocidentais e cristãs. Então todas essas coisas novas, exato, tudo isso aparecendo naquela época, eu falei, não, tá errado, deixa eu estudar melhor isso. Comecei a estudar fronteiras, a formação das nações, a geopolítica.

RVRogério Vilela

Então a gente pode dizer que tá numa mudança ou já tem uma coisa definida, a gente pode cravar alguma coisa.

VDVictor Del Vecchio

Eu acho muito curioso assim, né, até pegando referência o livro O Fim da História que você trouxe, o ser humano ele tem essa mania de protagonismo, né. A gente gosta de olhar o mundo como se aquele momento em que a gente tá vivendo fosse justamente o fim da história, como as coisas se ajeitaram e vão portanto permanecer dali em diante, né. Então A partir do momento que os Estados Unidos consolidou como essa hegemonia, ou suposta hegemonia, a gente pode até aprofundar isso.

A partir do momento em que a globalização virou esse sistema em que existe uma intensa troca entre os países, que favorece mais um do que os outros, e que o mundo caminha rumo a democracias liberais, supostamente, se entendeu que esse era o fim da história. Dali em diante, os Estados Unidos sempre seriam um país mais rico mais poderoso do mundo. A gente caminhava para uma situação em cada vez mais as pessoas iam ter acesso a consumo, a democracia e assim por diante.

RVRogério Vilela

A democracia se espalhar pelo mundo, as barreiras iam terminar.

VDVictor Del Vecchio

Pois é.

RVRogério Vilela

Mas é engraçado porque se você estuda a história da humanidade, nunca nada foi para sempre, né?

VDVictor Del Vecchio

Pois é.

RVRogério Vilela

O Império Romano caiu, então—

VDVictor Del Vecchio

Exato. Você tem até alguns ciclos de impérios que permitem que a gente observa como que essas nações ascendem e caem. Inclusive, acho que é importante que a gente faça inclusive esse viés histórico de olhar a nossa existência dentro de uma linha do tempo gigantesca e que, portanto, a gente não pode achar, ter essa prepotência de achar que o mundo vai acabar ali daquela forma. A sociedade está em constante transformação.

RVRogério Vilela

E a gente tem uma visão curta, o nosso espaço de tempo, a gente está vendo para frente o que pode acontecer, mas a gente não tem aquele distanciamento que a gente tem hoje para falar, putz, é óbvio que o Império Romano ia cair por causa disso, disso e disso. Eles não sabiam na época, não tinham as informações e a gente não tem as informações que daqui a 100 anos alguém vai estar estudando o que está acontecendo agora.

VDVictor Del Vecchio

Exatamente. Eu lembro uma frase que eu li num texto da... Num livro da Angela Merkel, que foi chanceler da Alemanha durante muitos anos, né, e que ela fala que o mundo tá voltando à sua normalidade, em que teve a China como o principal ator mundial. Depois desse breve respiro em que outro país ascendeu como o país mais desenvolvido do mundo e tal, agora a gente tá voltando para essa normalidade, né. Então acho que, né, já introduzindo essa nossa conversa, eu acho que sim, a gente tá num momento de transformação. Mas aí, para cravar em que parte a gente tá, eu deixo com o nosso especialista.

RVRogério Vilela

Uma coisa pode, a gente pode cravar, que o Império Americano tá em declínio. Isso, isso pode ser revertido?

ARAndré Roberto Martin

Pode. Ó, vamos lembrar o seguinte, já aconteceu outras vezes e não faz muito tempo. Um outro autor importante, Paul Kennedy, nos anos 80 escreveu Ascensão e Queda das Grandes Potências. E quem que era que tava ascendendo? Era o Japão.

RVRogério Vilela

É verdade. Então vamos lembrar, o Japão foi o primeiro país que tinha robôs, né, da produção de automóveis, os melhores carros, áudio e som era deles, eles exportavam muito para os Estados Unidos, filmes distópicos que os cara colocavam tudo letreiro em japonês, né, misturado com o inglês, como se no futuro ia estar as duas culturas misturadas, né? E o mangá, o anime também dominando a cultura.

ARAndré Roberto Martin

No entanto, o que que aconteceu? Os Estados Unidos conseguiram interceptar o Japão.

?Voz E

Como?

ARAndré Roberto Martin

Como? Forçando o Japão a aumentar o valor da moeda deles. E aí eles não conseguiam mais exportar. E ele aí, obviamente, pressão através da pressão militar que os Estados Unidos têm. Então quando, quando os Estados Unidos vê que a situação tá ficando ruim para eles, eles apelam para força militar, como a gente tá vendo agora, né? Então eles já fizeram isso uma outra vez, só que agora também tem o dólar para jogar, né? E o dólar, e o dólar, e o dólar tá sendo agora também desafiado.

Então este é um momento, acho que mais sério do que os outros que eu vivi, que parecia que que ia ter guerra mundial.

RVRogério Vilela

Mas é mais sério porque a China não é o Japão, a China é um ator diferente.

ARAndré Roberto Martin

Isso, isso, isso. A China, a China é outra coisa, tem um exército enorme, gigantesco.

RVRogério Vilela

E a China e a Rússia junto, e recursos, né, os novos recursos que todo mundo tá querendo, a China tá nadando de braçada, terras raras.

ARAndré Roberto Martin

Então agora a coisa complicou para o Ocidente porque China e Rússia juntos são adversários muito difíceis.

VDVictor Del Vecchio

E eu acho que existe um elemento que adiciona a isso, que é a ascensão de discursos e governos nacionalistas.

RVRogério Vilela

Então isso a gente já viu outras épocas. Isso acontece quando? Porque tem ascensão de discursos nacionalistas quando a situação econômica tá ruim, é pressão interna, o que que é?

ARAndré Roberto Martin

Eu acho que aí tem um equívoco do liberalismo que pensa assim: a paz virá pelo comércio, todo mundo quer comercializar, então vai ter paz. Isso não é verdade, porque o comércio não é assim tão igualitário, um quer tirar vantagem. Então, se você for ver um comércio entre ricos e pobres, países ricos e pobres, os ricos estão sempre levando vantagem. Então, o que aconteceu? A globalização acirrou muito as contradições entre as nações.

Eu não me surpreendi que o nacionalismo veio depois dessa onda de globalização. Eu achava que justamente a globalização foi muito longe, ia ter que ter uma reação nacionalista. Só que ela tá esquisita, né, essa reação nacionalista ainda, né? Não se sabe para onde que vai se levar, né, se mais para direita ou mais para esquerda. Mas eu acho que sim, a globalização tal qual a gente conhecia tá em crise mesmo, tá em xeque. E os próprios Estados Unidos começaram com o Trump a inverter tudo, né?

É protecionismo, não é de livre comércio, coisíssima nenhuma. Então, e era uma coisa que a gente sabia, quem lia teoria, que esse negócio é muito instável, porque um país na verdade quer sempre ser liberal para vender, então ele quer abrir o mercado do outro, e é protecionista na hora de comprar. No fundo é assim que funciona.

RVRogério Vilela

É o que meu pai falava, Meu pai falava assim, para minha mãe todo mundo pede, para o meu pai ninguém quer dar.

VDVictor Del Vecchio

E acho que tem uma história também, Vila, lá, que esses movimentos nacionalistas extremistas que surgem de um cenário de insatisfação, eles em geral vêm acompanhados de respostas superficiais e populistas. Ou seja, a gente tem líderes que eles falam coisas que vão agradar a população e que sugerem uma solução imediata, brusca, rápida, e que não necessariamente atacam a raiz do problema, né? Então você pega aí, por exemplo, o Trump falando que vai expulsar todos os imigrantes, como se a economia dos Estados Unidos se sustentasse sem a mão de obra imigrante, né?

HHomer

Isso é um discurso bobo.

VDVictor Del Vecchio

Ele vai pegar e tarifar o mundo inteiro.

RVRogério Vilela

Ou ele é inteligente porque ele sabe que é mentira, mas que o povo acredita. Olha, você acha que ele acredita no que ele fala?

VDVictor Del Vecchio

A gente ainda tá pagando para ver isso, sabe? Então eu acho que o Trump, ele tem sim estratégia por trás do que ele faz, ao mesmo tempo que ele bota um ímpeto que nem mesmo acho que os assessores dele conseguem controlar, né? E na minha opinião, isso tem sim por trás dele uma execução de um plano que, pô, ele quer defender os ideais dele, inclusive o próprio enriquecimento dele, das pessoas eleições próximas. Mas eu também acho que isso sai muita coisa impensada e com efeitos que vão acabar sendo negativos.

Então assim, a gente tem visto inclusive que a economia dos Estados Unidos não tá num bom momento, que o tarifácio, que é uma série de elementos aí, tem trazido um peso maior para o bolso do consumidor americano. E isso é preocupante numa lógica de alguém que precisa se de fazer os parlamentares agora eleitos nas eleições de meio de mandato que ele vai ter em novembro agora de 2026. E claro, eu acho que também essa resposta agressiva, truculenta, ela também abre mais margem para a gente escalar conflitos ou iniciar conflitos.

Vide Israel e Irã, que aliás, vide Estados Unidos e Irã, que estão até agora travando um combate. E que isso, avaliação que se faz é que foi uma grande burrada do Trump iniciar essa guerra. Ele trouxe instabilidade não só geopolítica, mas também econômica, né? Essa conta tá chegando no consumidor norte-americano.

RVRogério Vilela

E qual foi a estratégia dele, na cabeça dele?

VDVictor Del Vecchio

Pois é, isso é uma coisa que a gente discute muito, né? Ele tem estratégia ou não, né?

ARAndré Roberto Martin

Tem um pouco. Fazer o louco, fazer o louco é um pouco estratégico, porque o outro fica com medo. Entra um cara louco armado no bar, como é que você vai reagir, né? Então isso tem um pouco de método. O problema, que aliás são os próprios analistas americanos que reconhecem isso, problema dessa conduta é o seguinte: porque aí os outros, como é que vão reagir? Pois é, porque das duas uma, o outro vai achar que, ah, ele tá sempre mentindo, Tudo, mas ele fala uma coisa hoje, amanhã ele desmente, então não vamos levar ele a sério.

É ruim. Ou então ele tá falando muito a sério, vamos nos preparar. Dos dois jeitos é ruim. Então ele cria uma instabilidade no mundo todo que, por outro lado, arma todo mundo contra ele.

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?Voz B

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VDVictor Del Vecchio

Muito se diz, Lala, que inclusive nessa situação do Irã. Os Estados Unidos, eles foi arrastado para dentro desse conflito. Então Israel, que tem um interesse muito grande em manter a tensão elevada, o Netanyahu, né, o primeiro-ministro de Israel, sobretudo que ele quer se perpetuar no poder, ele precisa de um conflito para chamar atenção e desviar o foco de investigações que podem levá-lo à cadeia. Ele começou esse conflito e falou para os Estados Unidos que ele tinha informações de que era um bom momento para eles entrarem junto, porque era a chance deles derrubarem o regime dos aiatolás.

ARAndré Roberto Martin

Ia ser fácil, né?

RVRogério Vilela

Pois é, por causa das manifestações.

VDVictor Del Vecchio

Exato, né? E a gente tem realmente um regime que tem uma insatisfação popular muito grande. As manifestações são prova disso. É, mas jovens, exato, né? Uma pessoa que, aquela, aquele cidadão que ele tem uma memória mais apagado ou não tem a memória do que foi a Revolução Islâmica, de como era isso antes. Ele não tem, ele tem como referência o conteúdo que ele consome de outros países em que existe maior liberdade. Ele quer isso e ele acha que se livrando do regime dos aiatolás isso vai acontecer.

A questão é que, como a gente pôde ver, não foi fácil, não é fácil derrubar um regime que tá tão enraizado, né? Exato, né? Pelo contrário, a análise se faz é que os ataques, eles uniram a população iraniana contra o inimigo em comum. E isso fortaleceu inclusive não só o regime dos aiatolás, mas a Guarda Revolucionária Iraniana, que é como se fosse assim a principal força militar do país hoje, maior que o próprio exército iraniano, né?

ARAndré Roberto Martin

E o erro foi a morte do aiatolá, né? Porque veja, eles, eles tinham que ler um pouco de geografia, porque veja bem, Só 60% da população do Irã fala persa, só 60%, 40% é de outras etnias. Em compensação, 90% é xiita, e eles mataram o líder da religião xiita, que ainda por cima se espalha por outros países. O Iraque, a maioria xiita, tem xiita em vários outros países, né? Então foi uma loucura o que se fez, pensando que, ah, se a gente decapitar a liderança religiosa, o regime acabou? Não, pelo contrário, deu tudo errado.

RVRogério Vilela

Ele já tinha preparado também o sucessor.

ARAndré Roberto Martin

Eu acho que inclusive ele, isso é discutido, né, mas eu acho que ele sabia que ele ia virar um mártir, ele sabia, e por isso ele não se protegeu muito. E ele sabia que ao virar mártir ele uniria o povo iraniano. Eu tenho essa convicção.

VDVictor Del Vecchio

A relação que sobretudo que alguns povos muçulmanos têm com a morte, inclusive essa morte que se dá num contexto de combate contra o inimigo, ela é muito diferente da nossa. Então você ser morto em batalha, como foi o caso do Ayatollah, é como se fosse uma honraria, sabe? Eu tive muito a oportunidade de visitar países do Oriente Médio. Eu ia para o Irã, mas uma semana antes de eu ir, a guerra estourou. E felizmente, antes de eu poder não ir, né?

Mas assim, é muito curioso como existe uma cultura aos mártires. Então, as famílias colocam banners na frente das casas, elas preservam muito essa memória. E claro, acho que até por isso algumas correntes mais extremistas também têm essa figura do homem-bomba, da pessoa que se sacrifica como um gesto de honra, em que, claro, a vida não não acaba ali para quem se doa dessa forma, né? Então eu acho muito curioso assim que para o Ocidente isso soa como a eliminação de um líder pura e somente, enquanto para os nacionais iranianos que estão mais alinhados ao regime e enfim a essas crenças, isso é uma glória, né?

ARAndré Roberto Martin

Isso.

VDVictor Del Vecchio

E a gente tem visto que esses regimes, eles têm uma linha sucessória prevista. É difícil você conseguir chegar num nível como, por exemplo, aconteceu um pouco com o Hezbollah no Líbano, em que você realmente desestabiliza a organização como um todo eliminando muita gente. Me parece que o regime iraniano, ele tem uma lógica muito mais profunda e difícil da gente quebrar.

ARAndré Roberto Martin

No Iraque, um fuzileiro norte-americano soltou a seguinte frase sobre os homens-bombas, né? Ele falava, eu não entendo os iraquianos aí. Matar por dinheiro eu entendo, morrer por alguma causa eu não entendo. Isso é bem emblemático, né?

RVRogério Vilela

Os kamikazes japoneses também, né?

ARAndré Roberto Martin

Isso. Então, na lógica americana, aí surgiu, realmente não pega, né?

RVRogério Vilela

Que vem da cultura, vem da religião, né? Samurai, né?

ARAndré Roberto Martin

Um apego à terra, às culturas, tradição.

VDVictor Del Vecchio

Oposição, né, em oposição a esse apego material que existe aqui no Ocidente, né, e na cultura que tá por trás desses nossos valores de vida.

RVRogério Vilela

Tanto que é difícil, né, também vender esses ideais atualmente para o soldado americano. É pelo petróleo? É pelo, pelo cara vai dar a vida?

ARAndré Roberto Martin

É pelo quê?

RVRogério Vilela

É pelo quê?

ARAndré Roberto Martin

Tá complicado. Vietnã foi a última, né, que, que por isso que é, por isso que eles, depois que tiveram a derrota no Vietnã, eles mudando o jeito de guerrear. Por isso eles estão falando de guerra de quarta geração. A guerra de agora eles chamam de quarta geração porque ela é decidida aqui, nos corações e mentes. Porque eles chegaram à conclusão de que na Guerra do Vietnã foi internamente que eles perderam. Foi um movimento hippie, do qual eu sou ainda um herdeiro, né, com John Lennon, aquela coisa toda, give peace a chance, tudo aquilo lá, foi aquilo que derrotou os Estados Unidos internamente.

Claro, teve o exército de Vietnã, os Vietcongues também, óbvio, né? Mas eles não conseguiam continuar a guerra porque os Estados Unidos são uma potência muito rica. Agora mesmo, será que eles conseguem continuar sustentando essa guerra contra o Irã? Eu acho que tá ficando cada vez mais difícil.

RVRogério Vilela

Hormuz é o grande, é o grande calcanhar de Aquiles aí, né?

VDVictor Del Vecchio

É total. É, quando no mundo que depende sobretudo de energia fóssil, como é o nosso, você estrangular uma das principais, a principal passagem de petróleo do mundo, significa um impacto muito grande, né?

RVRogério Vilela

Tanto interesse também no Canal do Panamá, dos Estados Unidos voltar a ter o controle, né?

VDVictor Del Vecchio

Claro, claro.

ARAndré Roberto Martin

Tá brigando com os chineses.

VDVictor Del Vecchio

E acho que aí existe também uma perspectiva interessante da gente observar levar, que é como que a China se posiciona diante de tudo isso.

RVRogério Vilela

Então, estranho, né? Vai lá na Venezuela e atrapalha também o petróleo que a China comprava mais barato. Agora tá tentando estrangular lá e controlar. E a China assistindo isso não deve estar feliz também, né?

VDVictor Del Vecchio

Olha, feliz não tá, mas assim, os chineses, eles, até pela característica do regime chinês, né, de não ter essa alternância de poder, que muitas vezes vem com uma quebra de planejamento de longo prazo, que é, digamos, característica da democracia, né, que independe de quem tá no— Exato, né. Os chineses, eles estão planejamento daqui para 50 anos, que vai ser cumprida, né. Essa é a questão.

RVRogério Vilela

Então, o que que eles começam uma obra, ele sabe, ela sabe que não vai ser paralisada pelo governo posterior.

VDVictor Del Vecchio

E assim, os chineses, né, não é exagero, Vilela, a gente dizer que o mundo não viveu uma crise de disparate dos preços de combustível por causa do petróleo chinês armazenado, que eles de forma muito precavida compraram e conseguiram segurar ali o mercado interno deles sem que eles tivessem teriam que aumentar muito a compra de petróleo de outras fontes.

RVRogério Vilela

Para todo mundo ia faltar.

VDVictor Del Vecchio

Exato. E ao mesmo tempo eles estão fazendo uma jogada que, na minha opinião, também é muito sábia, de investir pesadamente na transição energética. Cada vez menos você depender de uma fonte de energia que tenha que vir de fora, né? Então eles não por acaso, eles são hoje os líderes em energia solar, energia eólica, então Nuclear também, comprando muita usina nuclear da Rússia. Isso por uma questão, na minha opinião, geopolítica, de você ter soberania energética.

Mas também cada vez mais eles estão entendendo que esse investimento em você deixar formas de produzir energia que são também muito poluentes acaba poupando custos em saúde, acaba poupando custos ambientais que se revertem enchentes, em eventos climáticos extremos de diversa ordem, como inclusive eles tiveram há pouco tempo, inundações. Acho que o pessoal até circulou aí imagem de porco ilhado, de cobra nadando. Enfim, isso tudo é também evento desse outro desafio que a gente vive agora da emergência climática.

RVRogério Vilela

E também investindo em buscar recurso na Lua, no espaço, esse controle todo. Eles estão atirando para para tudo quanto é lado, né?

VDVictor Del Vecchio

Claro, claro. Até porque eles sabem que existe também uma corrida nesse sentido.

RVRogério Vilela

E tem o comentário que o Xi Jinping fez para o Trump, que ele fez até aberto. Achei até engraçado, né? E se eu entrar aqui em Taiwan, vocês vão fazer alguma coisa? Por que que ele fez isso? E qual que você acha que é o plano dele em relação a Taiwan? Parece que não tem pressa também, porque é uma coisa que parece que é questão de tempo só.

?Voz C

O que vocês acham?

ARAndré Roberto Martin

Aí eu, olha, eu aposto que os chineses eles vão apostar exatamente nessa coisa da longevidade, de deixar a coisa esperar, esperar os Estados Unidos enfraquecer, porque eles não fazendo nada já tá ganhando, né? Exatamente. Então eu acho que eles não têm uma intenção realmente de atacar militarmente Taiwan. Agora é uma área tensa, então Eles estão fazendo aquelas ilhas artificiais, né, lá no sul do Mar Meridional.

RVRogério Vilela

Qual a intenção?

ARAndré Roberto Martin

Então, é como se fossem bases militares, né? Porque principalmente por causa do Estreito de Malaca.

RVRogério Vilela

Coloca o mapa para gente, qual área?

ARAndré Roberto Martin

Estreito de Malaca passa 25% do petróleo mundial, mais até do que de Ormuz.

RVRogério Vilela

Estreito de Malaca, acho que ela perto de onde que o Lênin mora, né? Não tem uns malaca lá, não é? Então ele tem esse planejamento.

ARAndré Roberto Martin

Então eles estão estendendo a área de soberania deles, fazendo isso de boa, tá com alguma estratégia, principalmente usando as Filipinas como aliado, né? E tentando fortalecer a colônia dos Estados Unidos. Dos Estados Unidos. Então, mas tem uma briga ali, tem uma tensão, tem. E o Vietnã também é contra a China nisso.

RVRogério Vilela

Explica para gente aí onde que tá.

ARAndré Roberto Martin

Eu tô ali mais para o norte, né, mais para o norte ali no Vietnã, para as Filipinas, mais à direita aqui. Aí onde tá mais à direita um pouquinho, aí, aí onde tem as Filipinas, são lá em cima. Exatamente.

RVRogério Vilela

E aí as Filipinas Filipinas aí?

ARAndré Roberto Martin

É o primeiro, as ilhas aqui abaixo de Taiwan.

RVRogério Vilela

Ah, tá aqui escrito Filipinas.

ARAndré Roberto Martin

Então dali para o sul eles estão fazendo pequenas ilhas artificiais que são bases militares, na verdade, né?

RVRogério Vilela

E estender o território também, no território.

ARAndré Roberto Martin

Por quê? Porque nessa, nesse Mar do Sul tem petróleo, tem petróleo.

VDVictor Del Vecchio

E você também cerca o território que pode querer um dia se países é independente, né? Então você ter uma ilha que tá rodeada por pequenas outras ilhas que são da potência maior é um estrangulamento geográfico total. E é muito louco assim, Vila Elásio. Tem que ver, tem uns vídeos assim deles com navio gigantesco de dragas depositando ali areia e sedimento para formar a ilha, né?

ARAndré Roberto Martin

Ele é artificial. É, os chineses estão fazendo isso, mas não é tão agressivo como invadir, né? Então acho que invadir eles não pretendem fazer isso, eles pretendem desgastar os Estados Unidos. E eu acho que eles inclusive estão dando muita risada porque os Estados Unidos cometeram um erro muito grande, porque atacaram, na verdade, indiretamente a Rússia através da Ucrânia. Agora atacaram junto com é o Irã. Os Estados Unidos estão se desgastando e a China não. Então a China tá acumulando forças, né, tá ganhando.

RVRogério Vilela

Tem o lado, tem o lado bélico, que a China nunca entrou num grande conflito recente e os Estados Unidos tá testando as armas. Tem, eu acho que tem esse problema também para o lado da China, que é um exército, é um grande exército, mas não é, não foi treinado, né?

ARAndré Roberto Martin

Sim, não é tão moderno, né? Então é, agora eles estão exatamente aplicando muito dinheiro nisso.

RVRogério Vilela

E essa nova guerra não é tão de exército, é de drones, é de informação, é os satélites que estão decidindo a guerra. E a guerra silenciosa que a gente nem sabe em que ponto que tá, que é da inteligência artificial, que as duas potências também estão malucas aí atrás de conseguir.

ARAndré Roberto Martin

Inteligência artificial é para fazer a guerra, é com certeza, não é para outra coisa.

RVRogério Vilela

Com certeza, mas não tenho dúvida que o que chega para gente não é 10% do que tá sendo testado aí, né?

VDVictor Del Vecchio

Vilela, você sabe que tem um aspecto dessa questão da China?

RVRogério Vilela

Aliás, isso é uma coisa que a gente não consegue imaginar o efeito disso, né? É uma das coisas que a gente não consegue. A gente pode ver uma potência perder para um país minúsculo porque esse país tem alguma estratégia, inteligência artificial, de alguma uma coisa que consegue derrotar.

ARAndré Roberto Martin

Sem dúvida, a China e a Rússia estão ajudando o Irã a conseguir pegar os alvos direitinho. Eles melhoraram muito a capacidade dos drones. Os drones antes eles não acertava muito o alvo, agora não, agora eles acertam direitinho. É, russos e chineses estão ajudando os iranianos.

VDVictor Del Vecchio

E já tem drone autônomo, né, que ele com inteligência local, né, ele vai, ele decide na hora. Decide na hora. Mas um ponto que eu acho curioso assim também em relação a isso, sobre a China ter um grande potencial para sustentar uma guerra ou não, entra justamente nesse ponto que meu tio comentou de hoje a gente ter mentes e corações como um elemento para guerra, né? Basicamente é muito difícil que uma nação sustente um conflito durante muito tempo se eles se insurgirem e derem insegurança para o governante que tá comandando a guerra.

E esse é um ponto que a China leva vantagem, porque a China, eles conseguem ter um controle populacional que nenhuma outra grande potência consegue. Eles têm uma capacidade não só de repressão à dissidência, ou seja, pessoas que podem ser contra uma guerra, mas também de organização, né? Então você vê que tem, por exemplo, exercícios militares que pegam barcos pesqueiros chineses que estão ali perto de Taiwan e formam uma barreira cercando a ilha.

Você consegue ter um nível de mobilização social muito mais eficiente. A gente pode ver isso inclusive com a COVID. Você lembra que eles ergueram um hospital em 3 dias? Isso é uma capacidade que na hora que você tem uma guerra em jogo, isso entra na conta. E claro, a gente é muito valioso assim historicamente você ter combatentes treinados em batalha, armamentos testados em batalha. Inclusive na indústria bélica é um fator que agrega valor financeiro na sua, no seu material, né?

Mas a China também ela tá correndo atrás de fazer isso. E aí recentemente eu vi algumas fontes falando que encontraram em regiões desérticas da China algumas maquetes de aviões de potências ocidentais, tamanho real, maquete pequenininha para treinar atingimento de alvo. Nossa, então assim, eles estão se preparando, estão se preparando. E claro, né, eu também fico pensando, bom, por que será que eles deixaram isso para um satélite ver? Acho que também é para telegrafar que eles estão se preparando.

RVRogério Vilela

Claro, é uma guerra de informação contra informação.

VDVictor Del Vecchio

Mas assim, eu acho que Esse ponto que você trouxe é válido. A China, ela não tem essa experiência de combate que potências como Rússia e Estados Unidos, que vivem guerra, têm, mas ela tem uma capacidade de organização para guerra muito grande.

RVRogério Vilela

Essa união aí para eterna, como foi que a união, a Rússia e China que foi falada, essa, como que é que eles celebraram?

ARAndré Roberto Martin

Sem limites.

RVRogério Vilela

Não é meio falso isso? Também, porque eles têm as diferenças deles também, não tem?

ARAndré Roberto Martin

Tem. E os Estados Unidos apostaram nisso, na verdade. Eles queriam, eles achavam assim, eles achavam assim, tudo nasceu de uma teoria do Pentágono que chegou à seguinte conclusão. Eles fazem jogos de guerra, né?

RVRogério Vilela

Quem?

ARAndré Roberto Martin

O Pentágono. E nesses jogos de guerra ficava claro que eles não venceriam nunca uma guerra simultaneamente em duas frentes, na Europa contra a Rússia e no Pacífico contra a China. Então temos que evitar lutar em duas frentes. E aí é que veio, me parece, uma ideia maluca. Bom, como evitar uma guerra em duas frentes? Ah, vamos atacar a Rússia, vamos provocar a Rússia. E usaram, né, o Zelensky para atacar a Rússia.

RVRogério Vilela

Vocês acham realmente que os Estados Unidos

ARAndré Roberto Martin

não foi isso, não, eu acho não. Tem documentos, os documentos americanos que que afirmam isso antes de, desde 2008, há documentos americanos que mostram que eles estavam com interesse.

RVRogério Vilela

Mas a Rússia tava enfraquecida, qual que era o motivo?

ARAndré Roberto Martin

Isso mesmo. Então aí eles achavam assim, bom, a Rússia enfraquecida, que acontece? A gente ganha da Rússia. Vamos usar uma linguagem popular. E aí almoçamos a Rússia e jantamos a China. A Rússia mais fraca fica, vai ser derrotada rapidamente. E aí a China sem o apoio da Rússia fica mais fraco, a Índia, entendeu? Essa que era a ideia.

RVRogério Vilela

Só que não combinaram com os russos, que é uma frase famosa, né?

ARAndré Roberto Martin

Que o velho Garrincha tem toda razão.

RVRogério Vilela

Essa história, né, que fala faz assim, faz assado, aí os russos fazem isso. Tá bom, mas vocês combinaram com os russos que vai ser assim o jogo, né?

ARAndré Roberto Martin

É meio isso, né? É isso, não combinaram com os russos, deu tudo errado, né?

RVRogério Vilela

E tá totalmente no ar o que vai acontecer na guerra da Ucrânia, né?

ARAndré Roberto Martin

Não tem, tá muito ruim.

RVRogério Vilela

Porque os Estados Unidos não pode entrar para valer, né?

ARAndré Roberto Martin

É porque senão aí é guerra nuclear, né? Então tá se jogando uma guerra muito perigosa porque eles entraram com o discurso de que a Ucrânia não pode perder. Quem? O Ocidente. O Ocidente entrou com esse discurso, a Europa e os Estados Unidos. Vamos ajudar, vamos ajudar.

RVRogério Vilela

Faz um jogo meio duplo, né? Duplo, né?

ARAndré Roberto Martin

Mas agora ele piorou, porque ele agora incentivou esses ataques de drones dentro do território russo, que é uma ideia de ver se o Putin reage de forma louca para aí justificar entrada da OTAN na guerra de uma vez, entende? É uma escalada.

RVRogério Vilela

Se entra a OTAN, aí a coisa piora.

ARAndré Roberto Martin

Então a última notícia muito grave é que a Finlândia tava disposta a receber armas nucleares americanas em seu território, deixar uma base.

RVRogério Vilela

Qual que é a resposta da Rússia?

ARAndré Roberto Martin

Isso a gente não sabe, mas todo mundo que analisa tá bem preocupado, porque coloca no mapa, Finlândia faz fronteira, né? Tá do lado de São Petersburgo. Então o pessoal que analisa isso diz que isso vai forçar a Rússia a atacar os países ocidentais antes desse material chegar. Isso a gente já não sabe se o Putin vai fazer isso mesmo ou não, né? Mas quem é analista militar tá falando isso, porque se eles forem para valer— porque vamos lembrar, por que que começou, porque começou a guerra na Ucrânia?

Exatamente porque queriam botar arma nuclear na Ucrânia contra a Rússia, na cara da Rússia. Então a Rússia não deixou, começou a E agora é a Finlândia, é pior ainda. Então realmente, infelizmente, a situação na Europa tá muito grave.

RVRogério Vilela

Tem algum prognóstico aí do que pode acontecer? O pior cenário? O pior cenário seria a Rússia atacar os países ocidentais, mas não com armas nucleares.

ARAndré Roberto Martin

Não, ainda não com armas nucleares, né? Mas já seria um recado direto.

RVRogério Vilela

Polônia, Polônia pode ser Eu tive na Polônia, os caras têm realmente medo disso acontecer.

ARAndré Roberto Martin

Pode ser a Alemanha que tá muito agressiva contra a Alemanha, tá com discurso muito agressivo. Então é complicado, é complicado esse negócio, né? E já teve outras situações. Olha, vou lembrar uma coisa: 1956, 56, 1956 teve o episódio do de Suez. Israel, França e Inglaterra ficaram contra o Egito do Nasser, tá? E a União Soviética apoiou o Egito. Em 1956, a União Soviética ameaçou de jogar bomba atômica em Paris e Londres, se caso não voltasse para administração população egípcia, o Canal de Suez e tal.

E os Estados Unidos naquele momento ficaram do lado do Egito e da União Soviética, que contra Israel, Estados Unidos e Inglaterra, né? Então já houve uma situação desse tipo, que foi o General Eisenhower na época, ele contemporizou, aí ele conseguiu evitar um confronto nuclear. E até para Israel tá bom, porque Israel se manteve lá, não entrou na guerra, ficou, ficou como tava. Mas já foi um momento bem perigoso que a União Soviética na época ameaçou jogar bomba na Europa, e agora tá ameaçando de novo, né?

E é perigoso porque como o Zelensky não tem nada a perder, né, ele vai continuar tentando atingir o máximo possível a infraestrutura russa, o que é complicado, porque aí se você estoura usinas de refinação de óleo, diminui ainda mais a oferta de gasolina, que é o que tá acontecendo, né?

RVRogério Vilela

O preço do diesel já vai aumentar, né?

ARAndré Roberto Martin

Então é uma estratégia que o Trump é o culpado, porque ele é a cabeça global disso daí. O Trump tá criando carência de de gasolina, querosene de aviação e diesel. Vai criar uma carência desses 3 produtos no mercado mundial. Segundo o pessoal que estuda isso daí, não leva 15 dias para dar um colapso no abastecimento ocidental de querosene. A gasolina, não tem mais gasolina, não tem mais querosene de aviação, o preço não tem, não tem mais voo, abastecimento Tudo, né?

VDVictor Del Vecchio

Tudo, preço dos alimentos.

ARAndré Roberto Martin

A primeira coisa, cancelamento de voos. Na Europa isso já está acontecendo.

HHomer

Já.

ARAndré Roberto Martin

A segunda coisa é faltar gasolina no posto de gasolina e os preços subirem, dispararem.

RVRogério Vilela

Não adianta o cara falar, meu carro não é diesel, tanto faz. Não, tudo aqui no Brasil, tudo é pela estrada, quase, né?

ARAndré Roberto Martin

Aqui nós também temos isso daí. Agora, aqui no Brasil, desculpe falar isso, mas aqui tem uma mão de gato aí.

RVRogério Vilela

O quê?

ARAndré Roberto Martin

Veja bem, não pode por causa disso aumentar o preço da gasolina no Brasil, desculpe, porque nós somos exportadores. Então vamos parar para pensar o seguinte, né? A Petrobras vai ganhar muito dinheiro com esse negócio, está ganhando. Aumenta para mais de $100 o preço do barril, outros mercados estão fechados, não tá saindo petróleo de Hormuz. Bom, Brasil vai apenas ganhar mais mais dinheiro por barril e aumentar a exportação. Então vamos exportar mais com preço mais caro.

Mas por que que nós vamos pagar gasolina mais cara? Verdade, entende? Então é meio complicado isso daí. Agora nós temos esse problema que é a produção de gasolina, esse é o problema, e que nós fizemos tudo errado. Porque em vez de fazer com que a gente produza gasolina aqui Refina aqui, a gente exporta o petróleo bruto e importa gasolina.

RVRogério Vilela

Faz isso com tudo, né? Então manda o café e compra cápsula, né?

ARAndré Roberto Martin

Então é por isso que no final, então vai ter que aumentar aqui porque nossos preços são internacionalizados. Embora a Petrobras vai ganhar muito dinheiro e os acionistas da Petrobras e dividendos.

VDVictor Del Vecchio

Se não me engano, ela já até foi a petroleira que mais lucrou no primeiro primeiro trimestre de 2026.

RVRogério Vilela

Olha, agora vocês estão na mesa estratégica do Trump. Que que ele deve estar pensando? Que que eles devem estar soprando no ouvido do Trump para os próximos passos aí? Porque tem muita coisa em jogo e tem eleições agora, né?

ARAndré Roberto Martin

Muita coisa em jogo para América Latina em especial. Eu acho que justamente o interesse deles é tentar controlar o maior número possível de governos, quintal deles virar quintal. Então ele apoia descaradamente os candidatos mais alinhados. Então já foi isso lá na Colômbia, né? Então o Milei aí na Argentina. Então ele tem uma coisa complicada porque as sociedades latino-americanas estão meio divididas, meio a meio. Quase todos os países é assim, muita polarização, polarização.

É uma coisa confusa esse negócio de direita e esquerda, porque acho que as pessoas não sabem muito bem o que que é isso, mas tá muito polarizado. E com os Estados Unidos pressionando uma certa candidatura contra a outra, aumenta a tensão total.

RVRogério Vilela

Mas internamente, internamente nos Estados Unidos, vai ter eleição agora, né?

ARAndré Roberto Martin

Esse talvez seja exatamente o momento mais complicado para ele, porque tudo começou, tudo começou com ele olhando essas eleições de novembro, né? Então começar uma guerra contra o Irã, se ele começa agora, ele teria chances de ganhar.

RVRogério Vilela

Ele começou muito cedo e não resolveu.

ARAndré Roberto Martin

Ele entrou na pilha do Netanyahu, deu ruim. Agora tá muito cedo. Agora que atualizam. Ele aumenta ainda mais a guerra.

RVRogério Vilela

É a vontade dele, já era ter finalizado, né? Várias vezes ele falou que a guerra acabou e não acabou, né?

ARAndré Roberto Martin

Então eu acho que agora tá complicado, porque pela primeira vez também o Irã começou a procurar atingir tropas americanas. Até agora o Irã tava bem cauteloso, né, tentando evitar uma retaliação maior. Então nesses últimos 3, 4 esses dias o ataque a bases americanas parece que matou vários americanos, mais do que eles estão aceitando, né?

VDVictor Del Vecchio

E acho que tem toda uma reconfiguração do Oriente Médio que ocorre depois dessa guerra. Então você vê que os próprios países do Golfo ali, então Arábia Saudita, Emirados, Catar, que sempre tiveram, digamos que, um alinhamento ali com os Estados Unidos a nível de permitir que eles tivessem bases norte-americanas no seu território, e também com isso acessar um mercado, uma cultura ocidental, atrair capitais, se firmar como um hub de negócios, de investimento, até mesmo de voos, né, de logística, conectando o Oriente e do Ocidente, isso tudo foi muito abalado porque o Irã atingiu bases americanas e não só, mas outra infraestrutura crítica, etc., nesses países, portos, estações de refino, e rompeu com essa lógica de um lugar seguro onde as pessoas podem botar dinheiro que os negócios delas vão prosperar.

Inclusive, eu tenho um amigo que recentemente ter vindo no bairro, falou, cara, tá terrível ver isso aqui, é muito triste porque tá tudo vazio, né? Tem um monte de coisa sendo construída que a gente não sabe se vai recuperar e o povo vai querer vir usar aqui, né? Então isso é muito complexo porque esse dinheiro do petróleo desses países é também uma grana que financia a economia norte-americana, que bota grana inclusive no setor de de tech deles.

Então, a partir do momento que começa a escassear esse dinheiro lá, eles começam a ver que ser esse aliado incondicional dos Estados Unidos, que deixa inclusive que ele tenha bases lá, pode não ser tão vantajoso. Isso pode mudar a forma como esses países enxergam os Estados Unidos e, claro, começar a ruir essa base financeira de grana do petróleo do Golfo, Golfo e de uma extensão do território estadunidense que permite ali bases, né?

Eles dificilmente vão permitir que eles continuem com esse tamanho de instalação militar, já que isso virou um alvo real agora.

RVRogério Vilela

Pois é, né?

ARAndré Roberto Martin

Eu acho que o objetivo estratégico número 1 do Irã hoje é isso: expulsar os Estados Unidos das bases que ele tem lá no Golfo e deixar com problemas financeiros. Porque imagina, e aí vai ter que negociar com o Irã.

RVRogério Vilela

Imagina quanto de turismo e de pessoas que deixaram de ir para esses lugares porque era um lugar que não posso ir, que é tranquilo.

ARAndré Roberto Martin

Tô com certeza, era hub, né, de aeroportos, não é isso?

RVRogério Vilela

O meu voo foi transferido, ia para China pelo Emirates. Não, não, eu ia passar por lá, não, Não era em Dubai, lá na outra, lá onde foi a Copa, e foi desviado pela, para Suíça, né?

VDVictor Del Vecchio

E existe um outro fator importante que assim, a gente tende a ver o mundo muçulmano como um bloco único, homogêneo, e não é nem de perto isso, né? Então é interessante a gente lembrar que hoje é Arábia Saudita que é a grande potência do islamismo sunita, ela antagoniza com o seu grande rival, que é o Irã, né, uma potência xiita. E existe essa rusga entre eles. Isso se reflete inclusive nessas alianças que a Arábia Saudita tem com os Estados Unidos, né, de longa data inclusive, né.

E isso agora começa a ter uma reconfiguração e eles podem já não achar tão vantajoso, né.

ARAndré Roberto Martin

Aí pode, pode ter mudanças de governo, como no Iraque, porque aí a maioria xiita, eles estão querendo expulsar os americanos que ainda estão no Iraque. Ou seja, a situação é explosiva e vai continuar assim, infelizmente, por mais um tempo.

VDVictor Del Vecchio

E no meio disso tudo a gente tem o novo governo da Síria, a gente tem Israel avançando sobre o sul do Líbano, né, a situação toda em Gaza.

?Voz A

Isso tudo é mais, são mais elementos de Espolón Tequila, balanced, delicious, 100% agave, 0% ego. Just add ice, lime, and your mouth for a real margarita. Ride the rooster.

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ARAndré Roberto Martin

É, não tá, não tá nada simples.

RVRogério Vilela

Infelizmente acabou a Copa do Mundo e agora a impressão que a gente teve que deu um que A Copa do Mundo, o mundo deu uma pausa na guerra, mas é só impressão porque não parou, né?

ARAndré Roberto Martin

Foi um refresco. A ideia era esperar terminar a Copa, eu achava isso, e aí depois começar a guerra. Mas o Trump nem esperou, saiu dos Estados Unidos, ele já começou.

VDVictor Del Vecchio

Mas na final, na cerimônia de encerramento da Copa, tinha lá o banner gigante escrito Love não sei o quê. Os Estados Unidos são o país do amor, né?

ARAndré Roberto Martin

Tomara seja assim, mas infelizmente são países da guerra.

RVRogério Vilela

Alguma outra guerra para explodir? Algum outro conflito?

ARAndré Roberto Martin

Bom, tem vários assim menores. A África tá muito complicada, né? Na África toda, na região do Sahel, lá onde encosta o Saara com as florestas, aquela região toda tem muito conflito, né? Os russos estão ali, né? Então é um conflito que ali envolve a França como potência colonizadora. Então é, o mundo não tá simples, né? Tinha tido conflito pouco antes disso de estourar ali no Irã, tava tendo um conflito entre Afeganistão e Paquistão na fronteira.

RVRogério Vilela

Então, ou seja, tem bomba nuclear nesse meio aí. Vocês não acreditam que Que pode virar uma guerra nuclear? Algum desses conflitos pode detonar uma bomba?

ARAndré Roberto Martin

Poder pode. Por isso que—

RVRogério Vilela

mas qual que é o gatilho para isso?

ARAndré Roberto Martin

Por isso que é muito, muito importante que a humanidade preste atenção nisso e se levante para exigir o fim dos conflitos, porque nessa toada vai chegar uma hora que algum louco vai—

RVRogério Vilela

parece que cada país tá muito preocupado com o seu próprio país, né? Parece que O mundo não consegue mais se preocupar globalmente, é tanta merda acontecendo dentro do próprio país.

ARAndré Roberto Martin

É verdade, é verdade. E agora tá se aumentando a despesa em armamentos, principalmente na Europa, né? Isso já se fala até em rearmamento nuclear e expandir a arma nuclear. Até aqui no Brasil tem esse debate, se o Brasil

RVRogério Vilela

sim, os candidatos estão debatendo, quem vem aqui fala sobre isso. Temos que ter uma bomba nuclear para sentar na mesma mesa com o mesmo pede igualdade e tudo mais.

ARAndré Roberto Martin

Eu acho isso tudo uma loucura, vai me desculpar, porque vejam o que que tá acontecendo com a humanidade como um todo: ou ela vai morrer aos poucos envenenada, ou tudo de uma vez numa guerra termonuclear. Esse é o problema. E aí é que eu pergunto: como é que a gente sai disso, hein? Pois é, sabe como é que a gente sai disso? Pelo desarmamento nuclear. Tem que haver um movimento mundial pelo desarmamento nuclear.

RVRogério Vilela

Porque teve esse caminho no passado, teve anos 80, por exemplo, teve muita movimentação.

ARAndré Roberto Martin

Aliás, o pessoal que é mais novo não sabe, mas o movimento ambiental ecológico veio depois do movimento pelo desarmamento nuclear, né? Porque a maior poluição que pode existir é a guerra atômica, né? Então eu, eu O pessoal, ah, mas isso é impossível, é utópico, é sonho.

RVRogério Vilela

Lembra do filme O Dia Seguinte? Foi meio um filme que assustou muita gente, né? Que aconteceria, né? E quase aconteceu essa guerra nuclear. Aquele filme Jogos de Guerra fala sobre isso, né? Que teve uma falha no computador que indicava para os americanos que estamos sendo atacados por mísseis russos, e quase que eles, quase que eles retaliaram sem ter nada, né?

ARAndré Roberto Martin

Então isso é muito perigoso. E aí, porque ainda mais aumentando a velocidade cada vez mais dos mísseis, esses hipersônicos agora, e a velocidade, né, que pode chegar. Então é melhor, é melhor fazer um acordo, a humanidade toda parar, sentar e falar não.

RVRogério Vilela

Mas a gente sabe que isso é impossível.

ARAndré Roberto Martin

E aí, impossível, eu acho que teria que acontecer alguma coisa, né? Improvável, mas é impossível, não é?

RVRogério Vilela

Mas teria que ter algum fato novo para acontecer isso, né? Muita gente fala que seria uma ameaça externa, um ataque alienígena. Aí eu acho que nem assim, eu acho que nem assim a gente se uniria, viu?

VDVictor Del Vecchio

Pois é, né?

RVRogério Vilela

Não, a gente vai atacar assim não, a gente vai atacar assim. No filme A Chegada, né, A Chegada meio que é isso, que os países não entram num acordo de como reagir àquelas naves que pousam em vários lugares assim.

ARAndré Roberto Martin

É, vamos ver que ele ficaria confiado aqui.

RVRogério Vilela

É que os Estados Unidos estão escondendo informação, não estão compartilhando e não sei o quê.

ARAndré Roberto Martin

Não é verdade, é complicado, difícil unir a humanidade.

RVRogério Vilela

Ao mesmo tempo, Vilela, eu acho que a gente tem uma pandemia também, uma pior pandemia, é pior, né?

ARAndré Roberto Martin

Mas mesmo a pandemia não uniu, só uniu na hora de identificar o vírus. Aí até houve troca de informação entre cientistas e tal, mas depois para fazer a vacina não quis fazer a sua.

VDVictor Del Vecchio

A gente tinha aquele papo de vamos sair melhor dessa, todo mundo vai se solidarizar. No fim das contas, estava todo mundo correndo para supermercado ver quem comprava mais papel higiênico para estocar. E assim, eu acho que nesse cenário complexo a gente tem uma oportunidade para o Brasil. O Brasil é um país que tem um histórico de uma diplomacia muito boa, A gente consegue transitar entre diversos atores e se colocar como um potencial mediador de soluções.

É claro que isso não é algo absoluto, existem conflitos que a gente não tem condição de entrar, né? Mas a gente tem esse histórico e ele pode sim ser aproveitado, inclusive porque o Brasil é um país sem esse histórico de agressão com outros países.

RVRogério Vilela

Mas nos últimos dois governos, a gente mudou isso, né?

VDVictor Del Vecchio

Sim, sim, a gente tem, a gente viu meio, acho que a polarização política ela atingiu esse nível ideológico no governo Bolsonaro, em que a gente teve esse alinhamento automático com outros governos de extrema-direita do país. E acho que no governo Lula existe uma questão que é você deixar o Itamaraty, nossas relações exteriores trabalhar um pouco respeitando esse histórico. Mas o Lula, na minha opinião, ele tem essa parada de às vezes querer falar de improviso e ele faz umas cagadas, né?

RVRogério Vilela

Então ele vai lá e fala um negócio que fala, pô, precisava, né?

VDVictor Del Vecchio

Tipo assim, pô, ele vai lá e cutuca mais do que ele deveria o Zelensky, né? A própria questão do Netanyahu né? Claro, chega um ponto assim que também às vezes precisa ter um posicionamento e tal, mas assim, eu vejo muitas vezes que o Lula, ele nessa de faz uma carta oficial pensada certinho, não fala de improviso, porque aí vem— é que assim, eu acho também que o Lula, ele é esse cara que foi forjado ali na política das antigas, dos sindicatos, portão de fábrica, né?

Se os cara não gostaram, aí no dia seguinte ele vai discursar em outro lugar e eles, e todo mundo esquece. Mas hoje em dia é internet, né? Vai estar para sempre isso. Então, um deslize que ele dá e fala uma coisa que soa mal, isso vai ser explorado inclusive pela própria oposição brasileira. Então, eu concordo com você e a minha observação nesse sentido é que a gente tem justamente um Ministério de Relações Exteriores que historicamente é um órgão que consegue manter uma política de Estado independente do governo.

Com deslocamento, descolamento do governo, né? Tanto é que ela é muito consistente, é quase como se fosse aquela ideia que a gente fala dos chineses que conseguem planejar isso a longo prazo, né? Isso tem sofrido abalos, né? E não dá para a gente apontar só o dedo para um lado, para o outro, porque acho que os dois lados têm pecado nesse sentido.

ARAndré Roberto Martin

Total, é verdade. Mas é o que falta. Desculpa trazer a brasa para minha sardinha, falta geopolítica. É falta geopolítica, né? Olha, entrou o governo Fernando Henrique, não deu bola para geopolítica. Entrou o governo Lula, não deu bola para geopolítica. A Dilma não deu bola para geopolítica, não deram bola para geopolítica.

RVRogério Vilela

E aí a geopolítica entra forçado, né, no debate, porque não adianta você ir no médico, não vou no médico então não sei que eu tô doente, não vou estudar geopolítica porque que aí eu não sei o que pode acontecer. Aí você só vê o problema, é a tarifa, é a guerra, não sei o quê, e não vê esse mapa geral, né? Explica para o pessoal o que que a geopolítica estuda, por que que ela é tão importante hoje em dia.

ARAndré Roberto Martin

Vamos lá, ó, geopolítica ela apareceu no finzinho do século 19, virada do 20, quando exatamente tava surgindo a grande indústria e tava surgindo os navios navios a vapor, o aço, a grande indústria. Então era industrialização pesada. É nessa hora que já o mundo todo já tá conhecido, Antártida já tá reconhecida, então não tem mais lugar a ser descoberto. Daí para frente, para você conquistar um espaço, só redividindo o mundo. O mundo já tava dividido, começou com Tordesilhas, com os portugueses, a Europa foi sendo dividida, dividida.

Quando chegou em 1900, e aí, a partir daí, então é aí que surge a geopolítica. Para quê? Para pensar como os países lutam pelo poder mundial e como o espaço é um fator do poder. Então, por isso que o espaço, o espaço em si, ou seja, o tamanho de um país, né, um tamanho de um país, recursos que ele tem. Então, o Hartswell Monroe é o pai fundador, e ele tem a frase famosa: espaço é poder.

RVRogério Vilela

Ah, é?

ARAndré Roberto Martin

Espaço é poder. E as potências lutam pelo espaço, e as potências grandes lutam pelo poder.

RVRogério Vilela

Saída para o mar.

ARAndré Roberto Martin

No final, a história é o estudo da geopolítica, é como as potências lutam pelo poder mundial, né? E como cada estado luta para se manter territorialmente, para não perder território. Basicamente realmente é, tomou Ucrânia, perdeu.

VDVictor Del Vecchio

Se a gente observa esses 3 conflitos que a gente falou hoje, né, Rússia e Ucrânia, Israel e Palestina, Taiwan e China, são lutas que envolvem território, né?

RVRogério Vilela

Então era uma coisa até impensada, né? Pô, de novo a gente tá nessa briga, é por território.

ARAndré Roberto Martin

É por isso que a geopolítica velha de guerra, ela aparece quando tem esses conflitos, porque é por mexer fronteira.

RVRogério Vilela

Maduro queria invadir também, né, tomar um pedaço também.

ARAndré Roberto Martin

E por petróleo também, por petróleo também, né, petróleo também, porque a Guiana também tem muito petróleo. Então o petróleo foi um fator que já no fim do século 19 apareceu para infernizar aí. E as guerras mundiais tudo tem a ver com petróleo.

RVRogério Vilela

Agora com data center, procura por terras nobres, pode ter uma nova corrida territorial aí, né. A própria Ucrânia, né, os Estados Unidos tá tentando negociar Você quer dinheiro, eu quero acesso a tais coisas.

ARAndré Roberto Martin

Aliás, lá no Golfo os iranianos estão detonando os data centers.

RVRogério Vilela

É mesmo?

ARAndré Roberto Martin

É, porque justamente o objetivo desses países do Golfo, dos Emiratos lá, todos, Catar, Bahrein e tal, era se transformar num grande— a hora que acabar o petróleo a gente vira, né, hub de criptomoedas, da inteligência artificial, que exige muita água. Então por isso dessalinização da água do mar e o seu uso da água. E aí o Irã tá atacando isso também.

VDVictor Del Vecchio

E esse é um outro ponto de atenção para o Brasil, né, porque a gente é um país que tem recursos, né, energia renovável barata, água, né. Agora começou, eu vi que a Ela já tá, eles já têm data centers no oceano que usam resfriamento com água salgada. Mas até então o que eu tinha visto é que você não consegue resfriar data center com água salgada, justamente porque ela precisa, ela não pode deixar resíduo na máquina.

RVRogério Vilela

Entendi.

ARAndré Roberto Martin

Então por isso que é dessalinização primeiro para depois usar. Agora, não sabia, os chineses já conseguiram, né?

VDVictor Del Vecchio

Pois é, tio, eu tava vendo, fiquei sabendo isso recentemente. E acho que isso pode ser uma mudança muito grande no jogo, é porque você deixa de ter abundância de água doce como um fator determinante para instalação desses, dessa, desses mecanismos, né? E acho que o Brasil, isso não só é um fator de atenção em sentido de oportunidade para a gente despontar nessa economia, mas ele é um fator de preocupação em dois aspectos. O primeiro, ambiental, né?

A gente pensar em todo o impacto de consumo de água, de atrapalhar a fauna, né? Data center faz muito barulho também. Sim, sim, tem muito, ele tem trepidação, né? Tem ruído. Isso tudo não só afasta a fauna, mas enlouquece as comunidades humanas que existem em volta, né? E acho que o outro fator é político, né? A gente sendo um país com território em abundância, energia em abundância, água em abundância, tantos outros recursos, terra rara e tal, o pessoal começa a ficar de olho, né?

Não por acaso, vira e mexe voltam essa proposta de vamos tornar a Amazônia patrimônio da humanidade. O escambau, você tá maluco? Amazônia é dos amazonidas inclusive do Brasil. E a gente tem que lutar pela nossa soberania, não só em termos de garantir que nenhum outro país tome esses territórios, mas garantir que com as outras amarras que existem, então as formas desses países se entranharem aqui com essas corporações, que no fim das contas, pois é, tudo isso tem que ser muito bem negociado, porque senão no fim das contas a gente só mantém o país de fantoche naquela região.

Quem vai mandar, quem usufrui e extrai todos os recursos ali são as grandes empresas multinacionais, que por sua vez levam grana para os países que sempre tiveram nesse domínio mundial.

ARAndré Roberto Martin

E o Brasil fala em Pan-Amazônia, né, Amazônia total, com os vizinhos e tal, criando uma organização do Tratado de Cooperação Amazônico, tem o TCA. Esse tratado, ele tem um problema. Qual é o problema? A França faz parte, porque a Goiana Francesa. Então aí você tem um país europeu se considerando amazônico, entende? Então isso eu acho que é uma saia justa para nossa diplomacia.

VDVictor Del Vecchio

Lembrando que a França é, pô, talvez o principal defensor desse, dessa internacionalização. E vira e mexe, inclusive, o Macron já puxou isso Mediterrâneo ainda. E é curioso observar que a maior fronteira que a França tem é com o Brasil.

ARAndré Roberto Martin

A maior fronteira terrestre da França é com o Brasil, hein? Brincadeira, lá no Amapá. Agora, para ver como o Brasil é grande, né? A gente não tem noção direito. Mas é desafios, desafios para o nosso país. Mas eu acho que é daqui que vai sair alguma possibilidade. Eu sou confiante no Brasil, eu acho, eu acho, pela posição geográfica.

RVRogério Vilela

É, mas eu vejo que a liderança da gente não tá tão preocupado com isso, tá muito preocupado internamente em se manter no poder só.

ARAndré Roberto Martin

É verdade, a gente tá com falta de uma visão de longo prazo e um projeto nacional, né? É a grande ausência de um projeto nacional claro, né? Aí precisa, pessoal, agora já que a campanha, preciso estudar geopolítica total.

RVRogério Vilela

Deixa eu ver o que o pessoal quer saber aí, o Homer.

HHomer

Vamos lá, tem a primeira pergunta aqui do Léo Tarcitano. Ele perguntou: professor, eu sinto que o mundo já tá mudando muito rápido. Se já entramos numa nova ordem mundial, qual é o maior impacto dela no mundo?

RVRogério Vilela

Fala-se muito em nova ordem mundial, reset econômico.

ARAndré Roberto Martin

É, olha, então, olha, Nova Ordem Mundial também usou-se um pouco abusadamente.

RVRogério Vilela

Quem começou com isso?

ARAndré Roberto Martin

Começou por causa do fim da União Soviética, né? E aí até ficou confuso, porque vejam bem, às vezes o pessoal fala: quando é que terminou a Guerra Fria? Foi quando caiu o Muro de Berlim. Ah não, foi depois, quando caiu a União Soviética. Aí não, mas aí depois teve 2001, 11 de setembro lá em Nova York. Aí uma outra ordem mundial. Ah não, mas depois teve de 2008, grande quebradeira e tal. Depois, então, espera um pouquinho, vamos com um pouco mais de calma.

Uma ordem mundial jurídica, política, diplomática, de correlação de forças militares, ela não se estabelece assim tão simplesmente. Então, desse ponto de vista, por isso que eu digo, não, a ordem mundial que de fato que tá fazendo água foi aquela surgida no fim da Segunda Guerra. E sobretudo porque, ora, porque as potências que eram as fiadoras dessa ordem mudou muito, né? Então a China cresceu muito, França e Inglaterra declinaram, nem se compara, né, com o poder.

E outras potências novas surgiram, como Brasil e Índia. Então tá desequilibrado o Conselho de Segurança da da ONU. Nós só vamos ter uma nova ordem mundial quando tiver um novo Conselho de Segurança da ONU. Aí, aí se estabeleceu uma nova ordem mundial. E na minha opinião, as potências que estão surgindo, que mereceriam ter um assento lá, são justamente Brasil e Índia, né? E vocês têm aí o G4. G4 é um grupo que tá na ONU há muito tempo, que é Brasil, Índia, Alemanha e Japão.

Esses 4 querem ter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, mas tá complicado pela seguinte razão. Olhem só que coisa, vamos pensar, e isso é muito geografia. Vejam bem, os Estados Unidos querem o Japão e a Índia, mas não querem a Alemanha e o Brasil. Olha que engraçado, porque, porque se a Alemanha entrar, a Alemanha líder da Europa, os Estados Unidos saem da Europa. Se o Brasil entrar, ele é o líder da América Latina, os Estados Unidos saem da América Latina.

RVRogério Vilela

Porque a Índia não incomoda, porque Índia e Japão juntos bloqueiam a China.

ARAndré Roberto Martin

Então esse é o jogo. Então a dificuldade maior seria em convencer o governo americano de aceitar uma mudança e perceber que nós aqui, nós somos somos parceiros, nós estamos do lado dos Estados Unidos aqui, do mesmo continente americano. Nós não somos inimigos dos Estados Unidos, né? Então isso que eles têm que perceber. E se eles ajudarem o Brasil a se tornar uma grande potência, eles vão lucrar. Mas infelizmente os Estados Unidos estão com uma ideia de que só eles podem ser potência mundial, a única potência mundial, né?

Isso é um grande equívoco que tá deixando o mundo em polvorosa. Porque os pensadores americanos, eles acham isso, que, ah não, só tem uma potência. Quando caiu a União Soviética, só ficamos nós. Mas eles esqueceram duas coisas: as armas nucleares da Rússia e a economia chinesa, que ninguém segura.

RVRogério Vilela

Pois é.

VDVictor Del Vecchio

E tio, você acredita— desculpa, sumiu um pouco, não, tranquilo, de entrevistador— mas tio, então você acredita que talvez o equilíbrio do mundo, ele passa por uma ordem multipolar?

ARAndré Roberto Martin

Passa, e precisa saber melhor quem são esses polos. Porque eu tenho criticado, porque o pessoal dos BRICS e da ordem multipolar, da boca para fora, é muito bonito, ao contrário dos Estados Unidos que dizem que não, o mundo do século 21 é um mundo americano, é o século americano e ponto final. Nós vamos ser a única potência. Não dá. Mas do outro lado, e bom, e quais serão essas potências do mundo multipolar? Isso não tá claro. Então o que eu digo, isso eu tenho convicção, a grande, a grande colisão internacional hoje é o seguinte: os Estados Unidos, independente de democrata ou republicano, eles têm um projeto de só os Estados Unidos liderarem o mundo.

E as outras potências que querem a mútua ajuda, junto, a Inglaterra hoje é praticamente subsidiária dos Estados Unidos, coadjuvante. Eles até fizeram o Brexit com a ideia de ter um pouquinho mais de autonomia, mas depois foram capturados pela OTAN, pela jogada dos Estados Unidos com a guerra na Ucrânia. Então o Reino Unido colapsou como uma alternativa, eu diria, né? Num primeiro momento, até a saída da União Europeia, parecia ser uma alternativa de tipo nacionalista, né, em que eles não iriam ficar subordinados a Bruxelas, iam fazer uma política própria.

Mas qual foi essa política deles? Totalmente alinhada aos Estados Unidos e à OTAN. Então aí não tem condições, né. Então eles amarraram a Europa. Que coisa engraçada, a União Europeia O Reino Unido saiu da União Europeia e, no entanto, a Europa segue o Reino Unido pela função da OTAN, porque quem tá estimulando a guerra na Ucrânia é o Reino Unido. O principal ator nem são os Estados Unidos. Quem quer continuar esse conflito hoje é o Reino Unido, principalmente.

Teve até uma troca agora de governo por causa disso, porque não tá funcionando. Esse belicismo inglês, né, só tá continuando a guerra, né. Mas eles estão com uma ideia muito perigosa. Qual é a ideia? A ideia é a seguinte: como a indústria chinesa tá comendo a indústria europeia, a Volkswagen tá mandando 100 mil trabalhadores, a Volkswagen está falindo, 100 mil trabalhadores alemães estão sendo mandados embora, eles não conseguem concorrer com os chineses.

Por isso Não consegue. Os carros elétricos chineses estão tomando conta, entregam muito por um preço absurdo, né? Então agora, que que eles estão imaginando, essas elites europeias, né? Um grande equívoco. Estão imaginando o seguinte: bom, já que a gente não tá conseguindo competir com chinês, vamos fazer o seguinte, vamos aproveitar a guerra e jogar todo o dinheiro em armas. Então a Volkswagen agora vai parar de produzir automóveis, vai começar a produzir tanques e armamentos. Nossa!

VDVictor Del Vecchio

É a reindustrialização pelo armamento, que já aconteceu na Segunda Guerra. Já vi esse filme, hein, cara.

RVRogério Vilela

Daqui a pouco tem umas marcas de alguns estilistas fazendo uniforme. Já vi esse filme acontecendo.

ARAndré Roberto Martin

É muito perigoso.

VDVictor Del Vecchio

Ultranacionalismo, industrialização pela via bélica, mundo com populações insatisfeitas com economia querendo soluções rápidas, acho que não tá receita para explosão final.

ARAndré Roberto Martin

É muito ruim.

RVRogério Vilela

Eu queria, eu queria terminar esse papo mais animado, mas eu tô ficando mais preocupado, né, Homer?

HHomer

É verdade.

RVRogério Vilela

Manda mais pergunta aí. Tem uma pergunta otimista aí?

HHomer

Otimista, não sei te dizer, mas vamos lá.

RVRogério Vilela

A gente é corintiano, a gente também sabe como que é a vida, né?

HHomer

Pois é, eu sou casado, eu sou acostumado com guerra já, rapaz.

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RVRogério Vilela

Geopolítica ajuda, hein?

HHomer

Bastante, bastante. Já dei bastante experiência com guerra no meu casamento.

ARAndré Roberto Martin

Sempre tem o acordo de paz depois.

HHomer

Às vezes, se lavar bem a louça, sempre tem.

ARAndré Roberto Martin

Isso é o jeito de fazer o acordo.

HHomer

Vamos lá, a Fernanda Ribeiro, ela perguntou aqui: professor, a guerra no Oriente Médio está longe de acabar? O fim da guerra poderia abaixar o valor do barril do petróleo?

ARAndré Roberto Martin

Olha, das duas coisas, tá difícil de acabar. E sim, claro, imediatamente, ó, nem precisa isso. A hora que o Trump falar, não, estamos negociando, tá resolvido, já abaixa o preço do petróleo. Acontece que o Trump, na verdade, isso foi detectado pelo pessoal que trabalha no mercado de petróleo e de ações. Olha só que foi detectado. O Trump, podem reparar que é isso, o Trump ele fala que tá entrando em acordo quando é perto do fim de semana, e aí abaixa os preços.

RVRogério Vilela

É sempre sexta, né, querido?

ARAndré Roberto Martin

Porque aí tem que jogar na bolsa. Aí Depois, na segunda, voltou a guerra, sobe de novo.

VDVictor Del Vecchio

Nisso aí, gente, não por acaso o sequestro do Maduro foi num sábado. E eu sei porque eu estava aproveitando meu sábado, tive que parar tudo para ir comentar na TV. E o início da guerra no Irã foi numa sexta à noite para o sábado, madrugada.

ARAndré Roberto Martin

Tem essa jogada, olha só. Então, claro, O preço, só que agora desse jeito que tá, esta fase da guerra, vai ser difícil voltar a baixar o preço. Infelizmente, minha previsão não é muito otimista, não. Acho que não vai ser agora. Por quê? Porque justamente a tendência é continuar escalando a guerra. Fala-se até numa tentativa dos americanos de fazer um desembarque terrestre, né? Isso vai ser um horror.

RVRogério Vilela

Eu não sei se a população americana vai aceitar.

ARAndré Roberto Martin

Eu também acho que vai ser muito difícil, porque aí vai ter muitas baixas.

VDVictor Del Vecchio

É uma loucura, que é uma puta cadeia montanhosa.

ARAndré Roberto Martin

Aquilo lá é um enrosco. Os iranianos costumam dizer o seguinte: nós temos 3.000 anos de história contínua. Continua, tem até um pouco antes, mas temos 3 mil anos de história contínua. Fomos invadidos 88 vezes, expulsamos todos eles.

VDVictor Del Vecchio

Pois é, acho que os americanos precisavam estudar um pouco de história também, além de geografia, que inclusive geografia não consta no currículo obrigatório dos Estados Unidos, e história foi tirado agora e eles substituíram por matemática. Não teve uma história assim?

ARAndré Roberto Martin

Sei dizer, mas tá muito essa coisa de só discutir atualidade sem história e geografia. Não dá.

VDVictor Del Vecchio

Você pega um estadunidense, pergunta para ele alguma coisa de geografia, eles têm muito pouca noção. É curioso, porque é isso, é uma matéria que não entra na grade curricular. E acho que a gente tá vendo impactos disso agora, infelizmente.

ARAndré Roberto Martin

É isso mesmo, essa ignorância geográfica é um fator de alienação, né?

VDVictor Del Vecchio

Vira lá, eu tenho uma, eu não sei se é um defeito meu, aí eu tenho um viés otimista que ele acaba me deixando um pouco esperançoso, esperançoso, onde não há esperança. Mas eu acho que existem alguns fatores para a gente observar com olhar um pouco mais feliz, digamos assim, né? Então, para mim, eu acho que toda essa recorrência de guerra de petróleo, ela tem aberto os olhos do mundo para transição energética, né? Isso muito mais voltado para uma questão de soberania energética e segurança do que propriamente numa vontade de não degradar o meio ambiente.

Então eu vejo isso, e inclusive a China, que é o principal poluidor da atualidade, também é o que mais investe, quem mais investe. E eu acho que isso é porque são um monte de impacto Exato. Eu também vejo um espaço para o Brasil ganhar mais protagonismo nessa história, seja por esse histórico de capacidade diplomática, de construir consensos, inclusive por essas novas economias que estão se desenhando, inteligência artificial, a própria transição energética, que demandam recursos como energia, água, terraças áridas, tudo isso é oportunidade econômica para a gente também, né?

E acho que ao mesmo tempo que isso vem como um ponto positivo, também nos traz uma grande responsabilidade de não permitir que as potências estrangeiras se apoderem desses recursos e explorem eles, enriquecendo mais e mantendo o nosso país aquém do desenvolvimento, do bem-estar que a nossa população poderia desfrutar, né? Então eu acho que me mantenho como um sonhador de que essa, esse momento que a gente vive, ele pode sim ter um final muito bom para o Brasil.

ARAndré Roberto Martin

Na verdade, a solução para a humanidade é bem simples, sabe qual é? Trem atômico. É, deixa eu explicar.

VDVictor Del Vecchio

Trem atômico.

ARAndré Roberto Martin

Trem atômico. Vejam bem, nós temos um mineiro falando, né, aquele trem atômico lá, coisa de mineiro, é verdade. Veja, Milton Nascimento ia gostar. Por que que eu tô falando isso? Porque vejam, o grande problema da poluição é por conta justamente de se queimar muito petróleo, tá certo? Ora, as viagens de querosene de aviação, automóvel, o diesel, caminhão e tal. Se você faz usinas nucleares pequenas alimentando redes ferroviárias, você diminui enormemente o que você expele de gás carbônico na atmosfera.

Porque veja qual é o problema dessa nossa equação, porque você tem assim, ah não, tem um aquecimento global, tá, precisa de uma transição energética, tá? Mas o que que vai fazer essa transição energética na verdade é a energia nuclear. Por mais que se fale da energia eólica, solar, etc., por enquanto não há tecnologia superior à energia nuclear. Uma usina nuclear, ela é a usina mais eficiente que existe, que o homem conseguiu inventar.

E hoje tem usinas pequenas que não são tão perigosas. Se você colocar essas usinas alimentando vias férreas, você resolveu o problema energético, ambiental. E aí é que tá o X da questão: por que que você não resolve o problema energético e ambiental? Porque tem um problema da segurança, a proliferação de armas nucleares. Então o medo de que os países tendo usinas nucleares possam desenvolver bombas nucleares faz com que, por exemplo, os Estados Unidos não deixe a Irã ter usina nuclear.

Pois é, porque vocês vão fazer bomba atômica. Não adianta eles falarem que não vão fazer. Agora eu pergunto: ah, é utópico, é sonhador? Tudo bem, mas se os Estados Unidos, o Trump, que é o— não é, ele não disse que é o Nobel da Paz? Se o Trump Coisa de louco. Ele foi, o gajo fala assim, olha, nós vamos parar de fazer bomba atômica, vamos desarmar o mundo, vamos desarmar todo mundo, acabar com as armas nucleares. Lhe garanto que todo mundo ia topar.

VDVictor Del Vecchio

E tio, você acha que o Brasil tem que ter arma nuclear?

ARAndré Roberto Martin

Acho que não, por dois motivos. Um, porque como nós não temos um inimigo iminente, você começar a fazer uma arma nuclear chamaria atenção de, ué, por que que eles estão querendo fazer isso? Tem a Argentina e o do Milei, por exemplo, já fala contra nós. Quer dizer, nós não temos necessidade disso. Na minha opinião, não há uma urgência, pelo menos, de você querer fazer uma bomba atômica contra quem? Então não tem muito sentido. E outra, a humanidade só sai desse enrosco exatamente pela desnuclearização desnuclearização militar, tá certo?

Nós não vamos sair do enrosco que nós estamos metidos, energético, ambiental e de segurança, sem a desnuclearização militar. Não tem outra alternativa. Então é uma questão teórica que não tem por onde fugir. Aí o pessoal fala: não, mas é difícil porque todo mundo quer ver o seu, o seu, sua segurança primeiro. Sim, mas O problema não é a sua segurança primeiro, é a segurança da humanidade, é a continuação da vida na Terra.

RVRogério Vilela

Na prática, né, aquela coisa, você tá no teu sítio, teu vizinho tá com um monte de arma e você não tem, ele estica a cerca mais para frente e no lugar que não chega o Estado lá, não adianta. Se a gente senta na mesa, que é pior que é diferente, né? Você viu a Coreia do Norte, né? Pois é, ninguém se mete com ela.

ARAndré Roberto Martin

Pois é, então por conta desse exemplo, todo mundo fala, bom, então vamos repetir a Coreia do Norte. Já pensou todo mundo, todo mundo igual?

RVRogério Vilela

Argentina faz, a gente faz. Aí Paraguai faz, aí todo mundo tem arma nuclear.

ARAndré Roberto Martin

Eu sou da opinião, é melhor ninguém ter.

RVRogério Vilela

Eu também acho, todo mundo acho que pensaria assim.

ARAndré Roberto Martin

Ninguém ter, porque veja, depois que inventaram com isso, né? A humanidade pela primeira vez passou a ter a capacidade de destruir a vida na Terra.

VDVictor Del Vecchio

Ora, todas as vidas, né?

ARAndré Roberto Martin

Todas, inclusive todas. Então veja, mas vamos fazer isso do jeito que tá indo? Nós vamos para isso? É isso que vai ser o destino da humanidade? Será que a gente não consegue pensar nada melhor do que isso? Eu acho que consegue. E justamente eu sou forte defensor do desarmamento nuclear, fim da corrida armamentista. Nós temos que evitar a corrida armamentista. Aí fala: não, mas professor tá louco. Pera um pouquinho, vamos lembrar.

Você lembrou daquele day after, não ia acabar a humanidade ali? O Gorbachov veio, mudou todo o jogo. Pois é, lembra do Gorbachov conseguir mudar o jogo. Não, não, não, vamos fazer diferente. Vamos, aliás, diminuíram.

RVRogério Vilela

Mas até hoje ele é visto como um vilão lá dentro, né?

ARAndré Roberto Martin

Porque é um erro, na minha opinião, é uma visão equivocada, porque ele estava certo. A ideia era justamente essa: olha, do jeito que a humanidade tá indo, nós vamos nos matar. Tem sentido isso? Não. Então vamos começar a fazer o contrário, vamos começar a fazer o contrário. E ele estava tava indo bem, estava indo bem, tava diminuindo os arsenais, congelou-se o crescimento dos arsenais, depois começaram a diminuir os arsenais, a coisa tava indo bem, né?

A previsão da reunificação alemã, vamos terminar a Segunda Guerra Mundial, por que que vamos continuar com a Segunda Guerra Mundial em aberto? Não, vamos retirar nossas tropas da Alemanha. Mas os Estados Unidos não tiraram as tropas dele da Alemanha, nem da Itália, nem do Japão. Esse foi o problema. E a OTAN resolveu, a partir de um certo momento, já não era mais o Gorbachov, a partir de 96 resolveu ampliar e avançar. Isso também não tava acordado com o Gorbachov.

Então não se respeitou o que foi acordado com o Gorbachov. Essa que é a verdade. Ele acabou tomando um golpe interno dentro da Rússia, culpam ele pelo fim da União Soviética. Não, foi o Boris Yeltsin, não foi o Gorbachov que acabou com a União Soviética. É isso. E eu acho que o Gorbachov é uma pessoa que ainda não foi compreendida completamente, mas ele ganhou uns 30 anos de paz para o mundo, porque o Reagan já era aquele day after, ó, o relógio tá chegando, tá chegando o final do mundo, que agora nunca teve tão perto da meia-noite.

Exatamente. Então, ou seja, se um líder soviético conseguiu desarmar essa bomba naquele momento, será que não vai aparecer algum outro agora?

RVRogério Vilela

Ele não falou que ele é o cara que vai acabar com todas as guerras?

ARAndré Roberto Martin

É da FIFA, ele já ganhou o prêmio Nobel da Paz da FIFA, não é verdade?

RVRogério Vilela

É mesmo?

VDVictor Del Vecchio

Sim, é o juiz que deu esse prêmio era argentino.

RVRogério Vilela

Manda aí, o Romero.

HHomer

Tem uma pergunta aqui do Caio, mas levanto.

RVRogério Vilela

Ah, para!

HHomer

Ele perguntou aqui para o Vitor: a captura do Nicolás Maduro pelos Estados Unidos podem fazer a Venezuela se recuperar economicamente, ou foi apenas uma cortina de fumaça para os Estados Unidos poder monopolizar o petróleo na América do Sul?

VDVictor Del Vecchio

Pô, excelente pergunta! Eu acho que é o seguinte, né? Isso foi uma grande jogada que a gente até agora não tem certeza, mas tem indícios de que ela pode ter sido armada inclusive com o atual presidente, Adelso Rodrigues, né, que via na saída do Maduro e no estabelecimento de relações mais amigáveis com os Estados Unidos como uma possibilidade de continuidade do seu regime, né, diante de todas essas tensões que estavam em torno da situação venezuelana, e que inclusive se especulava sobre uma possível invasão terrestre dos Estados Unidos lá, né?

E de certa forma, o plano dos Estados Unidos, ele tá dando certo, porque eles não começaram uma guerra com alto custo humano, reputacional e de opinião pública, e financeiro, contra a Venezuela. Eles fizeram uma operação estratégica de tirar um governante e alçar ao poder, é, por, né, pela linha sucessória natural, uma governante que abriu o mercado petroleiro da Venezuela para os Estados Unidos. Então assim, o plano tá dando certo, né?

Se a longo prazo isso vai continuar assim ou não, né, a gente não tem certeza, mas me parece que é, isso é um, é algo que a Venezuela tem experimentado um ganho financeiro que é interessante. Agora, claro, a gente está falando de uma economia que ela teve uma desestruturação durante décadas. Então, isso não se recupera do dia para a noite. Isso precisa de muita grana, de uma série de mudanças que inclusive passam pelo levantamento de sanções dos Estados Unidos contra a Venezuela.

Então, eu não tenho perspectivas tão próximas de uma recuperação venezuelana, mas eu acho que no curto prazo um pequeno efeito pode acontecer.

ARAndré Roberto Martin

E pior é que agora teve o terremoto, né? Ainda é assim, agora complicou mais ainda para os venezuelanos. E tirar aquele petróleo, até aquilo virar dinheiro, demora. Exato.

VDVictor Del Vecchio

Até porque toda de novo, né, vai ser um sistema de exploração do petróleo que ele é muito nessa lógica de manter a grana de quem explora na potência exploradora, né. Então o que se reverte disso efetivamente para o governo, para economia venezuelana, é uma parcela muito pequena. Então é isso, eu sou pouco otimista com essa recuperação da economia venezuelana.

ARAndré Roberto Martin

É, eu também acho que não vai ser muito fácil, né. E Também tem outro dado, porque no fundo era tranquila essa relação da Venezuela com os Estados Unidos, que é o jeito mais rápido dos Estados Unidos receberem petróleo pesado. Esse petróleo pesado tem que ser refinado. Essas refinarias estão exatamente no Golfo do México. Então seria meio que natural eles receberem o petróleo venezuelano e refinarem, né? Mas com essa briga ideológica, tudo se complica.

RVRogério Vilela

O homem fala comigo, manda.

HHomer

Vamos lá, pergunta da Ana Moreira. Ela perguntou aqui, ó: Vitor, o Brasil está preparado para lidar com uma nova onda de refugiados se acontecer um grande conflito?

VDVictor Del Vecchio

Olha, eu diria que hoje nenhum país do mundo tá preparado para lidar com uma grande onda de refugiados vindos de conflitos, né? Nem mesmo países mais ricos, né? E com uma capacidade de resposta em termos de assistência social, geração de empregos mais robusta que a nossa. Ao mesmo tempo, o Brasil, ele tem uma legislação migratória que é muito interessante do ponto de vista de viabilizar que essas pessoas se fixem aqui, recomecem suas a gente passa por um processo de envelhecimento populacional acelerado, maior do que o previsto pela demografia.

Então a gente precisa mais do que se previa de mão de obra economicamente ativa para manter nossa economia girando. E nós somos um país que, como eu trouxe aqui antes, por causa dessa nova economia, tem grandes oportunidades de crescimento, né? Então é claro, né, acho que É sempre desafiador quando a gente fala de serviços de acolhida, isso não só no Brasil, mas em diversos outros países. Mas eu diria que do ponto de vista de oportunidade existe um, e de legislação existe um cenário que é positivo.

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HHomer

Tem uma pergunta aqui da Lailinha Ferraz: se o Brasil desenvolvesse a própria tecnologia para extrair e processar as terras raras, o Brasil poderia ser considerado uma ameaça para outros países?

ARAndré Roberto Martin

É uma pergunta boa e difícil, né? Eu agora vejo como que nós estamos divididos quanto a isso, porque bastou nós percebermos que temos reservas importantes de terras raras, né, que não estão sendo exploradas. E aí o brasileiro já se dividiu em 3 partidos: um pró-China, um para os Estados Unidos e um que quer uma estatal brasileira. Então é complicado o Brasil. Eu sou pela estatal brasileira, tipo Petrobras. Tem que ter uma brasileira para explorar as terras raras, porque isso vai trazer realmente, né, muito mais dinheiro do que se você vender elas em bruto, né, e deixar deixar os outros, né, fazerem o refino e utilizarem.

Então acho que esse é o grande problema nosso, porque a gente tem que ter capacidade de agregar valor, né. Então sou a favor de uma, de uma, mas não acho que isso ameaçaria. O que tá acontecendo hoje é que é um problema muito sério para os Estados Unidos, é que eles dependem completamente da China. E se eles ficam ameaçando a China mais para frente. Por que que a China— você acha que a China vai vender material para eles fazerem foguetes que vão ser usados contra a China?

Não faz sentido, né? Então, por isso que o Trump tá desesperado. E na própria reunião da OTAN falou de novo de tomar a Groenlândia, que também tem bastante reserva de terras raras, né? E o Brasil, desse ponto de vista, também é alvo. Então é bom a gente ficar esperto. E o Lula pôs suas barbas de molho, suas barbas brancas, porque a coisa no Brasil é séria. Eu pessoalmente seria favorável a uma solução nacional, nacionalista, de uma empresa brasileira, como fizemos com a Petrobras.

A Petrobras, pessoal falava que nós não tínhamos capacidade, né, a empresa não tinha capacidade. Primeiro que nós não tínhamos petróleo, eu me lembro disso. Depois, quando se descobriu que nós temos petróleo, uma piada, né, Paulo Maluf, lembra? É tudo quanto é lugar atrás de petróleo. Ele foi, ele foi para o interior de São Paulo procurar. Não, o petróleo não tava no interior, tava no mar. Mas no mar tem, e tem lá em altas profundidades.

E o Brasil mostrou que tinha capacidade. Quem inventou a tecnologia de perfuração de águas profundas? Brasil. Então o Brasil tem inteligência, basta acioná-la, né? Quando, quando teve a crise do petróleo nos anos 70, o presidente Geisel criou uma equipe. Essa equipe gerou 3 respostas sensacionais: enriquecimento de urânio. O Brasil é líder mundial na tecnologia de enriquecimento de pellets de urânio, sabia? Nós somos líder mundial na tecnologia de perfuração de águas profundas, e nós somos líder mundial em biomassa.

Só isso. Então, quando a gente é estimulado ou é pressionado, sei lá, a gente acaba conseguindo fazer coisas boas.

RVRogério Vilela

Verdade.

HHomer

Tem a pergunta aqui da Mônica.

RVRogério Vilela

Pressionado também, ele faz merda.

HHomer

Bastante, viu? Eu não sei trabalhar sob pressão. Não, você e o Lene.

RVRogério Vilela

O Lene, você não viu ele sob pressão como é que ele ficava?

ARAndré Roberto Martin

Pensei na hora que imaginei eu, né?

RVRogério Vilela

Eu lembro lá de Fortaleza, Fortaleza, cara. O Lene, nossa, cara, tudo dando errado. Eu olhava para o Lene e aí ele: e agora?

HHomer

Pergunta da Mônica Mantovani. Ucrânia. Ela morou o seguinte: eu moro em Helsinque já fazem 3 anos. O que mudaria na Europa caso a Ucrânia perdesse a guerra?

ARAndré Roberto Martin

Putz, é uma boa pergunta, muito boa pergunta.

RVRogério Vilela

Olha, vai perder a guerra primeiro.

ARAndré Roberto Martin

Primeiro de tudo, a Ucrânia não tem condições de ganhar a guerra.

RVRogério Vilela

Então se ela perder, ela vai ser anexada?

ARAndré Roberto Martin

Então vamos pensar, porque veja, quando começou o conflito, a única questão era a região do que o Dombás, né? Então o Putin, que que ele queria? Ele queria que o Dombás fosse autônomo. Nem era para ser incorporado à Rússia, era para ser autônomo, porque tem uma população que fala russo, né? E aí a Ucrânia não podia entrar na OTAN. Era isso. Ora, que que eles fizeram? Eles fizeram exatamente o contrário para provocar a Rússia, porque a ideia americana do Joe Biden— e as pessoas têm que lembrar disso, que é muito importante importante.

Tudo isso começou porque, na verdade, o Joe Biden havia prometido fechar o gasoduto, o Nord Stream, né, o Nord Stream 2, o gasoduto que ia levar gás barato para Alemanha. Vamos lembrar disso. E ele falou: não, não vai ter isso daí. Por quê? Porque na geopolítica dos ingleses e dos americanos, isso que é importante que o pessoal saiba, o maior problema é uma aliança entre Alemanha e Rússia. Nossa, se tiver uma aliança entre Alemanha e Rússia, ingleses e americanos vão perder hegemonia mundial.

Eles sabem isso desde o fim do século 19, comecinho do 20. Eles já perceberam isso. Ele fala, olha, aqui com capital, tecnologia alemã, mais os recursos que a Rússia tem, se os dois tiverem juntos, a Rússia mandando energia, mandando tecnologia Alemanha para Rússia, pô, não dá para ninguém. Então vamos colocar sempre alemães contra russos. Por isso que eles, quando tem uma aproximação, eles criam algum problema. Então essa que era a ideia.

Por isso, a bem da verdade, uma derrota da Ucrânia significaria— só que isso vai demorar, né— significaria o retorno de uma ideia de Europa. Vamos parar para pensar a gravidade da situação que nós estamos vivendo na Europa. Porque vejam, a Europa supõe a Rússia. Agora, se a União Europeia acha que a Rússia é inimiga da Europa e quer uma guerra da Europa contra a Rússia, você acaba com o conceito de Europa. Então é muito sério isso.

Portanto, né, a bem da verdade, não há como a Ucrânia vencer E o problema é justamente os Estados Unidos continuarem financiando essa guerra. Por que que os Estados Unidos fazem isso? Porque o Trump quer vender armas para Europa. Agora, por que que a Europa faz isso? Eu não sei muito bem, porque a Europa tá cometendo um suicídio. Essa que é a verdade, um suicídio geoestratégico e econômico.

RVRogério Vilela

A Rússia não vai parar na Ucrânia.

ARAndré Roberto Martin

Um país como a Finlândia, que se servia muito bem na transição do Ocidente com a Rússia, né? Vou lembrar inclusive uma coisa que é muito importante: o Henry Kissinger, que morreu com pouco mais de 100 anos, pouco antes dele morrer, sabe o que que ele tinha proposto para a Ucrânia? Você que mora na Finlândia, a finlandização da Ucrânia.

RVRogério Vilela

Que é finlandização?

ARAndré Roberto Martin

É justamente a neutralidade. Não tá nem na OTAN nem no Pacto de Varsóvia, não com os soviéticos nem com o Ocidente, não tá nem com a Rússia nem com a União Europeia, e ganha dos dois lados. Por que que a Finlândia resolveu mudar essa sua postura? Eu simplesmente não entendo. Então eu acho que não tá no horizonte o fim da guerra, mas se a guerra terminasse, voltariam as relações entre Rússia e Europa, não ia um grande problema, na minha opinião.

Problema é o contrário, né? A OTAN insistindo de que a Rússia é inimiga, que nós temos que derrotar a Rússia porque a Ucrânia não pode perder. Porque os europeus construíram um imaginário falso que é o seguinte: ah, se a Ucrânia ganhar, a Rússia vai atacar todos os outros países que eram parte da União Soviética. Isso é um delírio, isso é um delírio, não vai Não vai fazer, não vai acontecer nada disso. Então, infelizmente, muitas autoridades na Europa se convenceram disso, que é a teoria do dominó.

Quem é mais velho lembra da teoria do dominó, né, que era no Vietnã. Se o Vietnã cair, todos os outros vão cair. Então não pode cair o Vietnã. Ah, se a Ucrânia cair, todos os outros vão cair. Não pode cair a Ucrânia. Não é assim que funciona. E era melhor fazer paz logo, porque tá morrendo muita gente sem nenhuma necessidade. É uma guerra estúpida, como todas as guerras, né? E essa em específico não tinha necessidade de acontecer.

Não ia fazer negociação tranquilo com os russos, não ia ter grandes problemas. Vocês querem saber? O Putin aceitaria a Ucrânia na União Europeia, só não aceitaria a Ucrânia na OTAN. E é fácil de entender isso.

RVRogério Vilela

Em 2014?

ARAndré Roberto Martin

Então, o que que aconteceu em 2014? Houve um golpe de estado na Ucrânia. Tinha sido eleito o governo, o presidente pró-Rússia, e aí teve uma manifestação na Praça Maidan, teve várias manifestações e teve um golpe de estado contra o presidente eleito, parecido com o que teve com a Dilma aqui. Lá foi bem mais feio porque teve mortos e feridos e tal, mas teve um golpe de estado aqui aqui também, 2014, começou um golpe de Estado aqui também, não, em 16, não foi tudo dentro do processo, né?

Não, mas foi golpe, porque na verdade só depois eles reconheceram que não teve pedalada nenhuma e tudo mais, né? No final eles reconheceram. Mas é que aqui foi uma coisa mais tranquila, que não, foi dentro da ordem e não sei o quê e tal. E lá na Ucrânia não foi. Por quê? Porque ia ter uma eleição em novembro 2022 para o Congresso ucraniano. O Putin, que que ele esperava? Ele esperava que os deputados eleitos no Dombás, região pró-Rússia, seriam em número suficiente para impedir a entrada da Ucrânia na OTAN.

RVRogério Vilela

E aí não precisaria, não precisaria fazer mais nada, continua, continua nas relações. 2014 não aconteceu nada, ninguém reagiu, né?

ARAndré Roberto Martin

Só que o problema foi o seguinte, né? Não, desculpa, eu falei errado. 2014 foi o golpe, foi o golpe, isso.

RVRogério Vilela

E agora em 2022, 2014 eles invadem a Península da Crimeia, isso, e o mundo não fez nada, ou teve alguma reparação?

ARAndré Roberto Martin

Não teve grande, fizeram as sanções, as famosas sanções, meio que passou batido, né? Mas também a mesma coisa, a Crimeia também população russa, então era difícil. Só que tem um detalhe, foi bom você ter possíveis. Porque tem um detalhe assim: 2008, os americanos começaram um plano muito sério de usar a Ucrânia para atacar a Rússia. Isso supunha que a Crimeia ficasse com a Ucrânia. E aí eles estavam estudando, inclusive com base no dia D, né, da Segunda Guerra Mundial, porque o litoral da Ucrânia é parecido mais ou menos com o litoral da na Normandia, no norte da África.

Ou seja, é ideal para um desembarque anfíbio. Então os americanos da OTAN, é, exatamente, o norte da França. Então o sul da Ucrânia é parecido com o norte da França do ponto de vista topográfico. Então é fácil para os blindados entrarem e tal. Só que no caso ele supunha que a Crimeia ficaria do lado da Ucrânia. Né? E foi por isso que os russos invadiram, entendeu? Então eles tomaram primeiro a Crimeia, primeira coisa que foi resistência.

RVRogério Vilela

Isso, eles não ia ter resistência, então tomaram a Crimeia, experimentaram a temperatura da água.

ARAndré Roberto Martin

Exatamente, porque aí a OTAN não ia conseguir entrar com seus navios no Mar Negro porque a frota russa tava lá, entendeu? E aí a coisa então foi piorando. E aí em 2022, era novembro de 22, tava falando errado. Novembro de 22 era para ter eleições parlamentares na Ucrânia e o Zelensky cancelou, porque ele, com alegação, ele cancelou é por causa dos atritos com a Rússia, né, por causa dos separatistas do Dombás. Então ele cancelou as eleições, não teve eleições, não teve eleições, a situação ficou impossível de ser resolvida politicamente. Esse foi o problema. E aí Aí a guerra começou.

RVRogério Vilela

Tem uma coisa relacionada a isso ou é outra?

HHomer

Tem aqui, tem sobre Taiwan também.

RVRogério Vilela

Vamos lá, vamos lá.

HHomer

Então vamos lá, a pergunta aqui da Juliana Costa, ela mandou o seguinte: professor, muita gente fala que a China já manda no mundo. Caso a China tome Taiwan, os Estados Unidos podem intervir militarmente?

ARAndré Roberto Martin

Se for uma coisa militar, sim. Por isso que eu Eles têm, né, eles têm um convênio com o governo de Taiwan. Taiwan é fundamental para eles, né. Se eles perdem, porque Taiwan, não só por causa dos chips, porque do ponto de vista geopolítico Taiwan impede que a China tenha uma grande marinha que avance pelo Pacífico. Oceano Pacífico é domínio americano desde a Segunda Guerra Mundial. Eles derrotaram o Japão por causa isso, para dominar o Pacífico.

Eles dominaram o Oceano Pacífico. Agora a China vai quebrar isso? Esse é o grande problema. Então Taiwan é uma peça-chave para navegação, para o controle da navegação do norte para o sul e do leste para oeste do Pacífico. Então ali a coisa é muito séria. E os chineses apostam numa fórmula que deu certo em Hong Kong, que que é um país, dois sistemas. Não, vocês são capitalistas e nós comunistas, tudo bem, pode continuar assim, nós dois somos chineses.

E nessas eles estão levando. Então, para os chineses é levar a coisa em banho-maria para mais para frente, porque de fato eles não têm intenção de uma ação bélica, não é? Agora, por outro lado, na medida em que os americanos fazem o contrário, ai, mas nós vamos colocar mísseis em Taiwan. Aí a coisa, a tensão aumenta, né? Mas eu não vejo nos chineses a intenção de realmente tomar militarmente Taiwan. Agora, se Taiwan, por outro lado, vier um governo muito pró-americano e eles declararem a soberania completa de Taiwan, aí é capaz que a China acabe invadindo mesmo.

HHomer

Tem uma pergunta do Ricardo Fujikawa. Ele perguntou o que mudaria no Brasil com enfraquecimento econômico dos Estados Unidos.

RVRogério Vilela

É boa também, né?

ARAndré Roberto Martin

Essa é difícil.

RVRogério Vilela

Os Estados Unidos caindo, o que que acontece com o Brasil?

ARAndré Roberto Martin

Essa é difícil. E olha, eu vou falar uma coisa, não é muito bom os Estados Unidos caírem para o mundo, para gente, para o mundo. Não é tão bom. O melhor seria uma saída administrada, paulatina, pouco a pouco, né, saindo das bases americanas.

RVRogério Vilela

Um país sair humilhado de algum conflito, de alguma, não é muito bom, cria uma, cria inclusive internamente, internamente um ditador, alguma, é um sentimento de vingança.

ARAndré Roberto Martin

É verdade. Então é perigoso. Eu preferiria que os Estados Unidos chegassem à conclusão de que a multipolaridade é melhor, é inevitável, é uma tendência natural, e que eles ajudassem aí administrando essa passagem do mundo bipolar da Segunda Guerra Mundial para o mundo multipolar que vem aí.

VDVictor Del Vecchio

Lembrando que os Estados Unidos são nosso segundo maior parceiro comercial, a gente depende muito da nossa—

ARAndré Roberto Martin

é verdade, eles compram produtos industrializados.

VDVictor Del Vecchio

Exato. E ele, em investimentos, os chineses lideram hoje, mas investimento acumulado, né, o estoque investido aqui no Brasil ainda é os Estados dos países que tá no topo. Então a gente sentirá muito na nossa economia. Não é vantajoso perder um parceiro desse tamanho.

ARAndré Roberto Martin

Eu também acho. Agora, claro, também ficar só subordinado a eles também não é vantajoso. Então diversificar parceiros, né, isso é importante. Mas eu lembro que o Brasil é o único país do mundo que está simultaneamente nos BRICS e na OEA.

VDVictor Del Vecchio

Organização dos Estados Americanos.

ARAndré Roberto Martin

Então nós temos uma vantagem geoestratégica que nenhum outro país tem.

HHomer

E tem a pergunta também do Ramon Abreu dos Santos. Ele perguntou o seguinte: as falas e a postura do Lula e da Janja interferem em alguma coisa na política externa?

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ARAndré Roberto Martin

Eu não sei até que ponto, viu?

RVRogério Vilela

Sinceramente, mas lembra também das declarações também do Bolsonaro em relação à mulher do do Macron.

ARAndré Roberto Martin

Acho que não é tão grave isso, porque o que existe é uma postura de mais longo prazo em relação ao Brasil. E aí sim a gente tem que olhar com mais calma, né? Porque como eu já falei, independentemente de quem tá no governo americano hoje, se é Trump ou se são os democratas, eles têm essa perspectiva de dominação mundial. É isso que tem que mudar nos Estados Unidos. Eles têm que aceitar de que não vai acontecer o que eles estão querendo um século inteiro, século 21 como século americano.

Não dá para ser isso, tem que compartilhar um pouco o poder com outras potências, não vai ter jeito. Mas é isso, eu acho que pode ser que o Trump levou a coisa a um ponto tão dramático que quem nas próximas eleições americanas vem uma postura um pouco mais à esquerda, mais democrática, né, que aceite um pouco mais dividir o poder do mundo, né, e que se a gente comece a conversar uma reforma do Conselho de Segurança da ONU. Só assim vamos ter um novo momento de paz no mundo.

HHomer

E tem a pergunta da Verônica Frattini. Ela perguntou: qual país está crescendo em silêncio? Que pode surpreender o mundo nos próximos anos?

RVRogério Vilela

Também queria saber, né?

ARAndré Roberto Martin

A Índia, talvez, né? A Índia, a Índia tá crescendo muito, hein?

VDVictor Del Vecchio

A Nigéria também, né?

ARAndré Roberto Martin

Nigéria, até Etiópia tá crescendo bastante. São países— Indonésia tá crescendo bastante, Turquia tá bem.

VDVictor Del Vecchio

A Turquia tem um problema fiscal, né? Mas eles têm uma economia bastante interessante, né?

ARAndré Roberto Martin

Foi impressionante nos últimos anos.

VDVictor Del Vecchio

Eu chamaria atenção, como você trouxe aqui, para Índia e para Nigéria, que eu acho que são— a Nigéria, ela lidera um protagonismo africano, né? Ela é o maior país em termos populacionais do continente, ela vai ser um dos países mais populosos do mundo em breve. Ela tem petróleo, ela tem recebido muitos investimentos, sobretudo chineses, para desenvolver seu setor de serviços e indústria. E é isso, acho que a Índia ela tá passando por um processo que há muitas décadas a China passou, que é melhorar gradualmente a qualidade de vida da população, investir no processo de industrialização voltado também para o consumo interno.

RVRogério Vilela

E a parte da educação educação é boa, é boa, né?

VDVictor Del Vecchio

É claro, né, é muito limitada ainda, né? É uma parcela pequena desses 1,5 bi que eles têm, né? Mas eles já formam pessoas de excelência. Tanto é que você vai em grandes empresas dos Estados Unidos, da Europa, você tem pessoas indianas ou de origem indiana que são muito bem posicionadas profissionalmente.

ARAndré Roberto Martin

É isso, na matemática, eles são muito bons, né?

VDVictor Del Vecchio

Até o Bhaskara, indiano, não era aquele cara que inventou a fórmula que me ferrou no colégio inteiro?

ARAndré Roberto Martin

Não, eles são muito bons nisso. E é outra lembrança, o Irã também forma muito engenheiro, também tem uma educação muito boa. É, essa é outra lição que nós tínhamos que aprender, né, gente? Tem que investir em educação, não é gasto investir em educação. É investimento e a longo prazo. Não tem condições de um país competir se não tem uma mão de obra bem educada, bem formada, qualificada, né?

RVRogério Vilela

Aqui foi, senhores. Obrigado demais pelo papo. Que aula, que passeio que a gente fez pela história, pela política aí. Espero que a gente volte a falar. E se ficou alguma ponta solta, agora é a Agora e fazer propaganda do material de vocês. Fica à vontade.

VDVictor Del Vecchio

Maravilha, eu tô satisfeitíssimo com essa, com esse debate, mas eu acho que são temas que invariavelmente a gente vai precisar revisitar. Então estamos super à disposição para voltar.

RVRogério Vilela

E claro, quem quiser acompanhar nossas, pode mandar muita coisa de uma semana, duas semanas, um mês, não pode?

ARAndré Roberto Martin

Pode, pode. O mundo tá muito doido e um dia para cá nada hoje em dia, de um dia para o outro pode mudar muita coisa.

VDVictor Del Vecchio

Mas a gente semanalmente tem ajudado o pessoal a entender.

RVRogério Vilela

Então, dando update sempre.

VDVictor Del Vecchio

Exato. O tio, ele não tem redes sociais, na verdade não tem nem celular. É mesmo?

RVRogério Vilela

Que felicidade!

ARAndré Roberto Martin

Mesmo. Eu, eu, olha, não tá nem farmando aura. Então vocês desculpem, desculpem. Eu sou da máquina de escrever, o telefone fixo e disco vinil. Tava ótimo. Não sei por quê.

RVRogério Vilela

Carta escrita à mão.

ARAndré Roberto Martin

Mão, claro, claro, boa caligrafia, por favor. Mas na sala de aula, GLS, giz, luz e saliva.

RVRogério Vilela

Exato. Essa, essa o pessoal usa, nem sabe o que que significa. Ficha não caiu, né? Molecada fala: e a ficha não caiu ainda? Os cara não sabe o que que usar.

ARAndré Roberto Martin

O que que é ficha?

RVRogério Vilela

Não caiu?

?Voz B

Como assim?

ARAndré Roberto Martin

A tecnologia muda muito rápido. Muito rápido. Eu tenho um pouco de dificuldade com tecnologia, reconheço.

VDVictor Del Vecchio

Semanalmente a gente produz uma resenha na qual a gente fala sobre temas que estão em alta. Então fala muito de Copa recentemente, quando a Copa tava rolando. E semanalmente a gente traz aí os temas que mais estão dominando as atenções da geopolítica mundial e atualidades. A gente tá no YouTube, meu nome, Vitor Del Vecchio, para entender o mundo.

RVRogério Vilela

A gente vai deixar todas essas redes aí no comentário fixado, né, né, Romeu?

VDVictor Del Vecchio

Isso. Também tem cortes ao longo da semana no Instagram, TikTok.

ARAndré Roberto Martin

Isso aí, tá certo. E se aparecer alguma coisa, né, urgente, a gente entra aí e volta aqui. E voltamos aqui, que vocês receberam a gente com muita simpatia.

VDVictor Del Vecchio

Tem donuts aqui que vocês, ó, opa, olha aí, agora no docinho aqui, o episódio inteiro aqui.

RVRogério Vilela

É, eu vi aqui enquanto vocês falavam, eu ia comendo um pouquinho aqui. Agora é a vez de vocês, só rebolando o queixo, só rebolando o queixo, que rebolando o queixo assim, aquela saliva, né? Obrigado demais então, pessoal. Obrigado vocês que estiveram com a gente. Obrigado, Homer. E a hora de você brilhar aí. Que que você tem para dizer para gente?

HHomer

É isso aí, agradecer demais o G4 que está patrocinando o episódio de hoje. Se você não deixou seu like, também está panguando agora.

RVRogério Vilela

Isso, pessoal, desse merece muito, muito, muito. E se inscrever no canal, Com certeza. E para provar, cara, cuidado aí. O que que o pessoal escreve nos comentários para provar que chegou até o final desse episódio maravilhoso?

HHomer

Para provar que você chegou no final desse papo maravilhoso, coloca aí trem atômico.

RVRogério Vilela

Trem atômico, muito bom. Escreva um trem atômico. Fiquem com Deus, beijo no cotovelo e tchau. E que bom que vocês vieram. Valeu, fui!

ARAndré Roberto Martin

Obrigado.

VDVictor Del Vecchio

As opiniões e declarações feitas pelos entrevistados do Inteligência Limitada são de exclusiva responsabilidade deles e não refletem necessariamente a posição do apresentador, da produção ou do canal.

RVRogério Vilela

O conteúdo aqui exibido tem caráter informativo e opinativo, não sendo vinculado a qualquer compromisso com a veracidade ou exatidão das falas dos participantes. Caso você se sinta ofendido ou tenha qualquer questionamento sobre as declarações feitas neste vídeo, por favor entre em contato conosco para esclarecimentos. Estamos abertos a avaliar e, se necessário, editar o conteúdo para garantir a precisão e o respeito a todos.

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