Episódios de Inteligência Ltda.

1928 - HILÁRIA MIRESKI (VENCEU 73 CÂNCERES)

08 de setembro de 20261h15min
0:00 / 1:15:38

HILÁRIA MIRESKI é palestrante e sobrevivente. Ela vai bater um papo sobre como superou 73 cânceres e como sua vida mudou depois de tanta luta.

Participantes neste episódio3
R

Rogério Vilela

HostApresentador
H

Homer

Co-host
H

Hilária Mireski

EntrevistadoPalestrante e sobrevivente de câncer
Assuntos6
  • A descoberta e o tratamento dos 73 cânceres de Hilária Mireskicarcinoma de pele·radioterapia·quimioterapia·amputação de olho e nariz·síndrome do guto
  • A força e a fé de Hilária Mireski diante das adversidades da vidasuperação·pensamento positivo·gratidão·Deus
  • A inspiração de Hilária Mireski e a importância de sua história para outras pessoaspalestras·redes sociais·ataques online
  • A infância de Hilária Mireski marcada pelo trabalho na roçaItaiópolis·trabalho infantil·plantação de fumo
  • A luta de Hilária Mireski para conseguir medicação e o apoio do SUSVismobegib·SUS·Ministério Público·Hospital Erasmo Gertz
  • O casamento e a separação de Hilária Mireski e o início da vida profissionalviolência doméstica·trabalho de gari·maternidade solo
Transcrição397 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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?Voz B

I like this kid. Always wear your seatbelt. Star Wars: The Mandalorian and Grogu, now streaming on Disney+. Rated PG-13. Tudo bem?

HMHilária Mireski

Tudo bem.

?Voz B

Chegou bem aqui?

HMHilária Mireski

Cheguei.

?Voz B

Da onde você é?

HMHilária Mireski

Eu sou de Santa Catarina, Itaiópolis, Santa Catarina.

?Voz B

Itaiópolis fica perto de Mafra.

HMHilária Mireski

Mafra eu conheço, fica 27 km para frente de Mafra.

?Voz B

E já te falaram que você tem sotaque, né? Sotaque de catarinense.

?Voz D

Sim.

?Voz B

Como que é o R, que é diferente? Porque aqui a gente fala porta e vocês porta reunidas. É bonitinho, mas o sotaque de quem é de Floripa é diferente também, com certeza.

HMHilária Mireski

Lá é capital, né?

?Voz B

Talvez sim. E você nasceu onde mesmo?

HMHilária Mireski

E lá em Itaiópolis mesmo.

?Voz B

Como que, qual é a lembrança mais antiga que você tem da sua infância? A lembrança mais assim mais antiga que eu tenho, como que era a infância lá? A infância foi muito de brincar na rua, essas coisas?

HMHilária Mireski

Não, eu não sei o que era ser criança.

?Voz B

Por quê?

HMHilária Mireski

Porque minha mãe ela foi Mãe de 10 filhos.

?Voz B

10 filhos, é que nem meu pai. Meu pai também teve 9 irmãos, ele era o décimo.

HMHilária Mireski

10 filhos. A minha mãe era professora, ela dava aula, ela fazia merenda, ela limpava a escola, ela tinha que corrigir a tarefa para outro dia levar e fazer a tarefa do próximo dia. E a gente não sabe o que era ser criança.

?Voz B

E o pai?

HMHilária Mireski

O pai também não. É, o pai, ele foi lavrador, né? A partir dos 8 anos a gente começou a trabalhar com ele na roça. Né?

?Voz B

E trabalho pesado, né?

HMHilária Mireski

Exato.

?Voz B

Não tem essa de criança, né?

HMHilária Mireski

Não tem essa não.

?Voz B

Eu sei que é pesado. Meu pai também trabalhou colhendo algodão, deixava a mão toda ferrada, né?

HMHilária Mireski

Nós plantava 120 mil pés de fumo na mão, né? Plantar fumo é tabaco, né?

?Voz B

Eu sei, mas deixa eu ver o pé de tabaco, como que é ele? E vocês tinham luvas?

HMHilária Mireski

Na mão era plantado, a gente marcava com Tinha uma marcação que era uma estrela, que você, nós tinha que ir empurrando essa estrela para marcar cada lugar que tinha que pôr a mudinha, né?

?Voz B

Ia fazendo buraco no chão assim?

HMHilária Mireski

Não, só marcando onde é que tinha que pôr a mudinha do fumo. E aí vocês colocavam a mudinha e a nós, eu que era criança, eu tinha que dar conta de marcar, colocar a mudinha para 3, 4 vir atrás plantando.

?Voz B

Nossa, isso com quantos anos?

HMHilária Mireski

A partir dos 6 já nasci.

?Voz B

A partir dos 6? Então não teve infância mesmo, só trabalhando. Gente, e você lembra como dessa época? Mesmo trabalhando, você ainda conseguia se divertir ou não? Era só trabalho? Era só, não tinha tempo?

HMHilária Mireski

Não, nós não tinha tempo para se divertir não.

?Voz B

E estudo, como ficava?

HMHilária Mireski

O estudo que eu tenho hoje é que nem tivesse o segundo ano. É aquela época, né? Nós começava, só podia estudar, começar a estudar com 8 anos, né? Então estudava até os 12, que era como a 4ª série, né? Que nem a 2ª série de hoje do ensino que tá, né?

?Voz B

E seus irmãos foram cada um para um lado, cada um para trabalhar com uma coisa? Como que foi? Como que vocês foram crescendo? E os sonhos que vocês tinham? Dava para sonhar com alguma coisa, com algum trabalho, sair de lá? Como que era?

HMHilária Mireski

Não tinha como sonhar com trabalho se você principalmente não tinha estudo, né? Não tinha como sonhar com trabalho.

?Voz B

O que que vocês pensavam na época assim, quando você foi crescendo? Vou fazer o quê? Ou era só viver no dia mesmo?

HMHilária Mireski

É, trabalhando, plantando fumo, plantando milho, plantando feijão, era arrancado tudo na mão, né, os pezinho, fazendo os montinhos do feijão, né, assim, as toceirinha juntando com as raízes, ia deixando. Depois à tarde passava a careta do trator, ia, nós ia montoando e pondo em cima da careta para levar embora, para guardar dentro de um paió grande para outro dia depois malhar, né.

?Voz B

Malhar, o que que é?

HMHilária Mireski

Era um negócio que você batia assim para abria as bainhas do feijão, sabe? Ponhava no sol quando esquentava ali, era um negócio que batia.

?Voz B

Isso é o fumo? É o pé de fumo?

HMHilária Mireski

Isso é o pé de fumo. Só que nós plantava, ele chegava na minha altura.

?Voz B

Aí fica grande.

HMHilária Mireski

Daí você vai cada, cada assim, quando tava esse tamanho, logo você tirava 2, 3 folhas debaixo e cada vez ia subindo tirando as folhas, sabe? Caramba, 2, 3 de cada pé, 2, 3 de cada pé. E daí era, não era como hoje em dia, né, que só leva, fuma as folhas e põe dentro da estufa. Aquela época nós tinha que amarrar numa ripa de pau assim, sabe, que ela tinha assim uma ripa. Daí você tinha que, com fio, vim para cá e para cá de 2, 3 folhas amarrando 120 vara.

Para apanhar dentro de uma estufa, de duas pessoas tinha que subir no estaleiro, uma pessoa ficar ali alcançando, duas puxando.

?Voz B

Você tá com quantos anos, Hilária?

HMHilária Mireski

Eu vou fazer 62 no outro mês.

?Voz B

62. E o nome, te explicaram por que que te deram esse nome? O nome dos seus irmãos, quais são? Como que era?

HMHilária Mireski

Não tinha explicação. Eu sou gêmeas, meu irmão se chama Hilário também.

?Voz B

E os outros irmãos? Os nomes?

HMHilária Mireski

Tenha a Maria, tenha Eugênia, tenho Ireneu, tenho Mário, tenha Lúcia, daí tenha Hilária, tenho Ivo, tenho Hilário, e tinha o Pedrinho que faleceu com 2 anos, que era o mais novo. Era o mais novo. Ele faleceu porque ele ficou doente e não tinha como levar para o hospital, que tinha muita enchente. Daí quando o pai conseguiu levar para o hospital, ele chegou a ficar 21 dias internado e saiu no caixãozinho.

?Voz B

Se tivesse levado, então teria salvo. E aí vocês foram crescendo nessa vida, e aí os irmãos foram separando, cada um por um lado. Como que foi? Como que é a história de vocês?

HMHilária Mireski

Foram casando, foram saindo de casa, né? E assim foi, né? Cada um foi pegando um rumo, né?

?Voz B

A tua história, como que é? Você fica com seus irmãos até quantos anos?

HMHilária Mireski

Eu não tinha como ficar com os irmãos, nós ia tudo para roça, né?

?Voz B

Então, até que idade você ficou com eles?

HMHilária Mireski

Nós ficava em casa assim até uns 6 anos, mas por casa.

?Voz B

Não, mas e depois?

HMHilária Mireski

Depois nós já ia trabalhar, ia com o pai para roça.

?Voz B

Então, mas aí isso até que idade?

HMHilária Mireski

Eu saí de casa com 18 anos.

?Voz B

18 para ir para casa, para casar. E aí, como que é essa história do casamento? Como você conheceu ele?

HMHilária Mireski

Ah, ele era assim, morava uns 500 metros da casa do meu pai, né? E daí eu acabei namorando ele por 2 anos, né? E a gente acabou casando. Temos duas filhas, mas o casamento não deu certo. Apanhava muito no casamento, ele me ameaçava de tirar minha própria vida. Daí eu tive que escolher a vida ou a morte, né?

?Voz B

Essa é você?

HMHilária Mireski

É.

?Voz B

Com que idade, mais ou menos?

HMHilária Mireski

Essa, quando eu tirei o vestido de noiva.

?Voz B

Você casou então com que idade? 18 anos. E separou com 20?

HMHilária Mireski

Eu fiquei 7 anos casada, 7 anos. Eu fiquei com duas filhas, uma de 4 anos e pouco e a outra de 2. E por eu não ter estudo, o que que aconteceu? Eu não tinha opção assim para pegar um serviço. Na cidade lá, o que tinha exigia segundo grau. Eu, para criar minhas filhas, eu fui trabalhar de gari.

?Voz B

E era só você, não tinha ajuda dele? Ele não ajudava nada?

HMHilária Mireski

Ele ajudava, mas ajudava muito pouquinho, porque ele trabalhava fechado também com salário mínimo, né?

?Voz B

Aí não dava.

HMHilária Mireski

E daí, como ele teve que pagar aluguel e pagar isso, pagar Trabalho tranquilo. E eu trabalhei de gari, eu trabalhei 10 anos e quase um mês embaixo do sol, a chuva, chuva. E daí, depois de 10 anos, comecei a ter problema de saúde.

?Voz B

E você acha que foi por causa disso ou por causa desde trabalho de criança também na roça, ou as duas coisas?

HMHilária Mireski

Não, eu acho que foi mais do trabalho de gari, porque na roça planta é só trabalho assim, vamos supor, uns 3, 4 meses pesado, daí já alivia. E o pai, o pai sempre, nós ia para roça muito cedo, nós saía de casa 6:30 e pelas 11 horas nós tava em casa. E daí ele levava nós pelas 3:30 de volta até anoitecer. Então os problemas veio por eu trabalhar exposta ao sol das 7 da manhã às 5 da tarde, como de comungaria.

?Voz B

E é um trabalho pesado, né?

HMHilária Mireski

Sim, tinha que limpar as ruas, tinha que vir enxurrada, tinha que carregar os entulhos que vinha, areia, brita, terra, tudo que vinha nas calçadas tinha que limpar, tirar os matos com umas enxadinhas de chifrinho assim que tinha, que as ruas era de pedra quadrada, né? Daí a gente trabalhava assim de carinho.

?Voz B

E era só você de mulher ou tinha mais nesse serviço?

HMHilária Mireski

Não, nós era em 4.

?Voz B

É mesmo? Que normalmente você vê gari homem, né? Difícil ver, pelo menos por aqui em São Paulo, né? É mais homem.

HMHilária Mireski

Eu não sei, no Paraná, em Curitiba, a gente vê bastante mulher trabalhando.

?Voz B

Você já viu?

?Voz D

Já vi. Tem, são raras, mas tem poucas, né?

?Voz B

Porque é um trabalho pesado, né? Carregar peso e correr, né? O dia inteiro correndo no sol, né? E aí você não usava protetor, não usava nada?

HMHilária Mireski

Nem sabia o que que era o protetor.

?Voz B

E nem roupa para proteger também?

HMHilária Mireski

Não tinha nada, não tinha nada.

?Voz B

E quando começou a ter problema?

HMHilária Mireski

Depois de eu trabalhar 10 anos e quase um mês, eu comecei a ter problema.

?Voz B

O que que aconteceu?

HMHilária Mireski

Me deu um inchaço na boca, sabe? E eu fui no dentista. Ele olhou, disse assim, não, debaixo da dentadura deu um inchaço. Daí ele, eu fui no dentista, ele disse, ó, não vou mexer, eu vou te encaminhar você para o Hospital Erasmo Gerdin em Curitiba, porque eu acho que você tá com câncer. Você sabe como é difícil essa palavra ouvir, né? Eu acho que você tá com câncer. Cheguei lá no hospital, o dentista examinou eu bem assim, olhou, disse: não, você não tá com câncer, isso aí é um cisto, eu vou tirar, já vai se resolver.

Só que eu vou te encaminhar você para um dermatologista, você tá tendo problema na pele já.

?Voz B

Aí ele viu, além desse problema, que você tava com problema na pele, que a mancha, o olho, tudo manchas.

HMHilária Mireski

Manchas de várias cores.

?Voz B

Você é muito clarinha também, né?

HMHilária Mireski

Daí eu comecei a fazer exame, fiz 3 biópsias, né? Deu positivo, né?

?Voz B

Positivo para o quê?

HMHilária Mireski

Aí eu tive carcinoma, eu tive carcinoma, nome de câncer, né? Carcinoma de pele, sim, celular. Eu tive invasores, eu tive infiltrativo.

?Voz B

Que que é isso?

HMHilária Mireski

Invasores, infiltrativo? É só pesquisar a palavra que é invasor. Eu não sei explicar direito, mas é tipo de um câncer? Não, é tipo de um, sim, infiltrativo, infiltrativo irreversível, né? E cada vez, cada vez eu cheguei a fazer 5 biópsias numa vez e as 5 davam positivo, né? Eu pensei assim, não, eu vou fazer essas 3 biópsias e ok, parou, parou ali.

?Voz B

Não tinha que continuar, não parou não. E o que que eles te falavam que tinha que fazer? O quê?

HMHilária Mireski

Radioterapia.

?Voz B

Radioterapia, sim, para tentar parar, para matar aí esse câncer. Você achou aí O que que é?

?Voz D

Eu achei aqui, Vilela. Na realidade são células malignas que rompem os limites, né, dos tecidos que formam órgãos, né? Então eles não ficam apenas nas membranas dos órgãos, eles vão se infiltrando para dentro dos órgãos também, tá?

?Voz B

Então era isso que tava acontecendo. Então te sugeriram fazer radioterapia?

HMHilária Mireski

Sim.

?Voz B

E aí você começou a fazer?

HMHilária Mireski

Comecei. Eu comecei a fazer radioterapia em outubro Fiz biópsia em outubro de 98, em novembro de 98 comecei com rádio. Eu fiz tanta rádio, tanta rádio, que chegou um ponto que o médico disse, agora você não pode mais receber radiação. E os problemas só aumentando, os problemas só aumentando. Eu fiz rádio de novembro de 98 até dezembro de 2016.

?Voz B

E o que que faz no corpo a rádio?

HMHilária Mireski

Te deixa mais forte? Deixa essas cicatrizes que a gente tem, né? Assim, aqui eu tive muitas vezes. Eles, quando você vai fazer a radioterapia, eles passam uma tinta, eles fazem um círculo onde é que tá o tumor, sabe?

?Voz B

Na pele mesmo?

HMHilária Mireski

É, passa uma caneta assim que fica marcado ali, fica até você terminar o tratamento. Se for saindo essa tinta, eles repassam. E eu acho que talvez ficava um pouquinho assim da raizinha para fora, ele voltava tudo de novo.

?Voz B

Aí tinha que fazer de novo?

HMHilária Mireski

Sim.

?Voz B

Isso em toda parte do corpo ou só no rosto? Onde que era mais?

HMHilária Mireski

Eu tive nas costas, tive assim na testa, tive do lado, tive aqui, e mais foi no rosto que tive.

?Voz B

E no olho, o que que aconteceu? Era muita radioterapia que teve fazer?

HMHilária Mireski

Não, o olho eu já tava fazendo a quimioterapia. Eu comecei a fazer em janeiro de 2017, eu fazia cada 21 dias. Eu começava às 13 horas e parava às 18, por 6 meses eu fiz assim. Daí eu comecei a tomar uma quimio em comprimido, que era para mim tomar só por 2 meses. Por 2 anos, desculpa, essa química em comprimido era para tomar por 2 anos e era um remédio que eu não tinha condições de comprar. Aquela época, mais ou menos, a caixa em 2017 ela saía faixa de R$28 mil.

?Voz B

Nossa, e não conseguia pelo SUS?

HMHilária Mireski

Daí eu consegui pelo governo Só que eles forneceram 3 meses e negaram. Daí eles falaram, não, ela pode fazer radioterapia, ela pode fazer outro tipo de tratamento. E os médicos brigando, brigando, brigando, não, ela não pode mais fazer radioterapia, ela não pode, ela tem que ir para químio. E os médicos dele, dele, né, fazendo os papel ali, mandando, mandando, mandando. Daí, por eu não conseguir fazer o tratamento correto, que era por 2 anos, eu tô abaixo de quimioterapia até hoje.

?Voz B

Porque se tivesse feito, não precisaria, é isso?

HMHilária Mireski

Se eu tivesse talvez feito do jeito que o médico mandou, talvez não precisava mais. E apesar, apesar de eu tá tomando quimioterapia, 3 anos e 5 meses que eu tava tomando quimioterapia, o problema veio no nariz. Meu nariz, eu me acordei que nem Punhado um brinquinho assim, aquele negocinho que as mocinhas põem assim. É, eu amanheci com um buraquinho assim. Daqui um, passou 3 dias, já tava que nem a metade de um grão de feijão. E foi derretendo, foi derretendo, foi derretendo. E eu comecei.

?Voz B

E aí tinha que fazer o quê quando apareceu isso? Tinha que fazer o quê? Químio? O que que faria?

HMHilária Mireski

Eles queriam assim Quanto mais antes amputar meu olho e amputar meu nariz para não espalhar.

?Voz B

Eles falaram isso para eu não perder o outro olho.

HMHilária Mireski

E daí eu comecei a ter crise de pânico, porque você imagina, a gente mulher sem cabelo, sem nariz, Sem o olho, quanto é difícil para a gente ser mulher. E eu tive que fazer essa cirurgia, foi muito difícil para eu aceitar, para fazer. Eu tive que fazer acompanhamento com psicólogo. Eu chegava no hospital, eu tinha crise de pânico porque eu não queria tirar meu nariz, mas de jeito nenhum. Eu fiquei com a metade do nariz perfeitinha, sabe?

Metade do nariz perfeito para fazer uma plástica. Não levou nem 15 dias, a outra metade derreteu também. E foi muito difícil porque eu já tive 73 diagnósticos. É muito para uma pessoa só. 73 cânceres só para uma pessoa. Há 27 anos e 9 meses em tratamento. E se você ir no meu Instagram, você vai ver o quanto eu amo trabalhar. É que o pai ensinou a mãe desses pequenininhos trabalhar. Eu não consigo ficar sem trabalhar. Então meu sonho é levar essa história de vida para o mundo inteiro, porque eu sei que eu vou ajudar muita gente.

Já chegou pessoa dizer assim: eu tava no quarto fechado, pronto para fazer uma besteira, mas eu vi o teu vídeo no Instagram, mudou a minha vida, eu desisti de tudo. E é isso que eu quero levar para o mundo, sabe? Para mais longe que eu puder.

?Voz B

E tá levando.

HMHilária Mireski

Então, o momento mais difícil que foi, que eu caí num poço que eu não tinha nada. Eu não sei que fundura tinha aquele poço quando eles falaram, você vai ter que botar o nariz e a puta boca. É um momento muito difícil, né? Mas por eu passar por todos esses problemas, eu sou uma mulher muito feliz. Eu não consigo ser triste, eu vivo rindo.

?Voz B

E de onde vem essa força, você acha?

HMHilária Mireski

De Deus. Deus que me dá essa força, Deus que me fortalece, que eu sei quantas pessoas que eu tô ajudando. Eu tinha 33 mil seguidores no Instagram há um mês e meio atrás. Hoje eu tô com 300 e poucos mil, 340 mil seguidores no Instagram já pela minha história que eu Graças ao William, da bondade que me conheceu. E agora graças ao Ney e o Augusto, que trouxeram eu para São Paulo para dar uma palestra. Mas eu não consegui quase dar palestra de tanto que eu chorei.

Poxa vida, eu não consegui, porque o Ney começou a dizer Ela teve um, ela teve dois, que ninguém sabia quantos diagnósticos já tive na vida. O Ney começou a dizer: ela teve um, ela teve dois, ela teve três. Eu só mordi o lábio para me segurar. E quando chegou que ele disse 10, 11, um olhou para o outro, eles falaram: bom, parou dali. O Ney continuou: 11, 12, 13, 14, 15, 16. Foi até o 40, ele deu uma pausa. Eles acharam: nossa, 40 diagnósticos para uma pessoa! E o Ney continuou com Augusto.

?Voz E

Né?

HMHilária Mireski

Daí quando o Ney revelou quantos tumores eu tive, não teve uma pessoa que não chorou.

?Voz B

Mas é, né?

HMHilária Mireski

Todos choraram, todos, todos choraram. Porque se você entrar no meu Instagram, você vê eu mesmo fazendo quimioterapia. É um tratamento bem agressivo. Geralmente quem faz quimio ela fica 2, 3 dias de cama, né? Eu não. Eu tomo aqui, tô trabalhando, fazendo serviço lá. Depois você vai ver no Instagram. Eu faço calçado se for preciso. Eu sei fazer para você andar a pé. Eu sei para você entrar com carro e não quebrar. Eu mexo em cobertura de casa.

Eu pinto casa. Eu corto grama, eu lixo o chão, eu passo verniz, eu passo tinta. Não tem serviço que eu não faça. Então talvez de agora em diante—

?Voz B

mas calma, descansa também, não precisa trabalhar tanto também.

HMHilária Mireski

Vai mudar as coisas, né?

?Voz B

Mas para palestrar mais, rodar o Brasil, falar da tua história. E tuas filhas, como que estão?

HMHilária Mireski

Também é uma com 7 anos, ela tirou 7 diagnósticos do corpo dela.

?Voz B

Do quê?

HMHilária Mireski

De câncer de pele também.

?Voz B

Mas por quê?

HMHilária Mireski

Ela teve câncer também, mas ela trabalhava? Não, ela era 7 anos, imagina, ela era um bebê. Eu indo no hospital, daqui uns dias eu levando a minha filha.

?Voz B

Será que é genético então? Explicaram por que que ela teve também?

HMHilária Mireski

Eu não sei. Eles falaram que eu tenho uma síndrome do guto lá, que eu não sei falar palavra direito. Eu não sei falar palavra, tá?

?Voz B

Mas ela tá bem?

?Voz E

Como que ela tá?

?Voz B

Tá bem, graças a Deus. E a outra filha?

HMHilária Mireski

A outra filha tem quantos anos? Uma tem 40, outra tem 42, porque quando eu me separei do pai delas, uma tava com 2 anos e pouquinho, a outra tava com 4 anos e pouquinho.

?Voz B

Nossa, 40, 42 já, já estão criados.

HMHilária Mireski

Eu sou vó de 6 netos, tenho neto já de 19, 18.

?Voz B

Juntar essa família aí, tenho 6 netos. Poxa. E a partir desse momento que as pessoas começaram a se interessar pela tua história, o que que você Você deve receber muita, muita gente no seu, na sua mensagem, né, mandando mensagem boas e tal. O que que o pessoal normalmente manda? De superação também? De que tava desistindo?

HMHilária Mireski

Muito, muito estavam desistindo, muitas coisas. O meu jeiro que tá respondendo, porque eu não consigo responder todas as pessoas, sabe? Então o meu jeiro que responde por mim as mensagens.

?Voz B

E o plano, os planos daqui para frente?

HMHilária Mireski

Meus planos é brilhar como brilha uma estrela, brilha nos palcos, né, levando essa história de vida, né, porque a gente sabe que todo mundo que recebe um diagnóstico, o quanto é difícil passar por tantos diagnósticos, né. E quantas pessoas também que se separam, né, pensam em tirar a própria vida.

?Voz B

Por isso que tá passando por isso agora, né, que tá assistindo a gente agora pode estar passando por esse momento. O que que você falaria para essas pessoas?

HMHilária Mireski

Ah, tem muitas pessoas que, por exemplo, terminou o relacionamento, quer tirar a vida, né, terminou o casamento, né, e estão tirando muita vida. O que eu posso falar assim, né, eu com todos os problemas que eu tenho, eu quero viver.

?Voz B

Pois é, tem motivos para viver, para lutar, né?

HMHilária Mireski

Tem muitos motivos.

?Voz B

E não tem explicação às vezes, né, o que acontece com a gente, o que acontece com os outros. Talvez a gente entenda um dia, mas não dá para saber, né, quais são os planos de Deus, né?

HMHilária Mireski

Não dá. Eu E olha, eu tenho uma coisa para falar para quem tá assistindo, por favor. Melhor coisa que tem: você aceitar o problema, aceitar e pensar positivo. Eu vou vencer, eu vou conseguir. Você consegue. Agora, se você pensar negativo, ai, tô com câncer, já vou morrer, morre mesmo.

?Voz B

Por que que tá acontecendo isso comigo?

HMHilária Mireski

Eu não mereço. Sim, né? Eu tenho o meu pensamento assim e eu nunca reclamei para Deus. Por que tá acontecendo isso comigo?

?Voz B

Nunca, nunca.

HMHilária Mireski

Só tudo gratidão, gratidão.

?Voz B

Em tudo dai graças. Isso é difícil. Em nenhum momento teve uma bronca com Deus falando por quê?

HMHilária Mireski

Se é coisas que eu tenho que passar, que falam que a gente tem um fardinho para carregar, né, uma cruzinha para carregar. Se é coisa que eu tenho que passar, eu tenho que passar. Eu não posso passar para você nem para outra pessoa, né? São coisas que eu tenho que passar.

?Voz B

Poxa, que bonito isso! Eu concordo totalmente. Cada um sabe da cruz que tem, né?

HMHilária Mireski

Sim, a gente teve muitos momentos tristes, né, porque você, por mais que você esteja fazendo o tratamento, né, você sente sem chão, né. Eu cada vez que eu recebia um diagnóstico, ligava para minha, mandava mensagem para minha família, ó, deu positivo, deu positivo. A gente sai do hospital sem chão, sabe? E hoje não. Hoje eu vou lá, faço uma biópsia, deu problema, eu faço o tratamento, eu aceito, eu levo as coisas mais de outro jeito.

?Voz B

Tem que ser. Não é fácil, mas tem que ser assim.

HMHilária Mireski

Sim. Porque que nem eu falei para você, invasor, infiltrativo, irreversível. Infiltrativo, que eu sei para mim que ele vai nos infiltrar. É, infiltrou, né?

?Voz B

Invasor, mesma coisa.

HMHilária Mireski

Invasor é mesmo dizer, né? E irreversível. E como que eu tô aqui? Me conte.

?Voz B

Reverteu.

HMHilária Mireski

Eu tô aqui. Para eu falar a verdade para você, Há 3 anos e pouco atrás, eu fui encaminhada para o hospital de paliativos. Ou seja, você sabe o que quer dizer paliativo?

?Voz B

Sim, que vai morrer e só tá, vai, vai de uma forma digna, não tem mais o que fazer.

HMHilária Mireski

E aí, e quando eu chego lá, eles verem o meu sorriso, eles verem a minha fé que eu tenho, eles falaram não. Aqui não é teu lugar. Você vai voltar lá no Erasmo Gertz, no hospital lá de Curitiba. Você vai continuar lá o tratamento. Você vai vir cada 6 meses só para nós te ver.

?Voz B

É mesmo?

HMHilária Mireski

E eu vou lá só para ver, conversar com eles, contar como eu tô, como que tá as coisas, né?

?Voz B

E conta para a gente como que tá agora a tua situação.

HMHilária Mireski

Tá controlado, tudo controlado.

?Voz B

Você tem que fazer diariamente ou semanalmente ou mensalmente? Qual que é a tua rotina de tratamento?

HMHilária Mireski

A minha rotina, eu tomo quimioterapia todo dia, né? Agora eu tô começando a tirar para ver como o meu corpo vai reagir. Cada 26 dias eu tenho que fazer exame de sangue para ver como tá as plaquetas, para mim pegar outra quimio judicial. Eu preciso pegar receita atualizada, né, para o governo liberar. Senão o governo não libera, que acho que hoje A química, R$38.000, R$39.000 cada sessão. Não, é 28 cápsulas, nem vem 30 cápsulas, vem só 28 dentro da embalagem.

E a química que eu tomo hoje é Vismobegib, pode até pesquisar, você vai ver o preço da caixinha hoje.

?Voz B

E ela, e ela, você toma ela em casa mesmo, tem que ir até um lugar?

HMHilária Mireski

Não, tomo todo dia à noite. Todo dia eu tomo à noite.

?Voz B

E esse processo é doloroso ou não? Já em algum momento é doloroso? Dor?

HMHilária Mireski

Para mim não tem nada doloroso.

?Voz B

Mas em nenhum momento foi?

HMHilária Mireski

Não, nenhum momento.

?Voz B

Sério?

HMHilária Mireski

Para você ter uma ideia, eu tenho uma foto que se você ver você vai levar um choque. Quando tiraram o nariz, tira o olho, porque você fica com aquele buraco aberto quase 2 meses. Daí, para tirarem uma parte da tua perna, eles abriram do quadril de cima até no joelho, tirando uma lasca assim para tampar esse buraco de pele. Não, de músculo.

?Voz B

De músculo? Sim, é mesmo.

HMHilária Mireski

Eu fiquei com uma perna fina, outra grossa, uma maciota grossa assim. E eles tiram, fica o buraco, eles tiram. Vamos supor, se o teu problema é do lado direito, eles tiram da perna esquerda. Esquerda. Seu problema do lado esquerdo, eles te tiram do lado direito.

?Voz B

O que que foi, Romer?

?Voz D

Tava fazendo a pesquisa que ela falou da, daqui meu Tretê, da Vismo de Gibi, né? Sim, ela custa entre R$29.000 a R$35.000 uma caixa com 28.

HMHilária Mireski

Nossa, eu pensei até que tava mais já. Caramba, para 28 dias! E é isso, e por que que, por que que eu hoje eu tô nessa situação, por eu não conseguir fazer um tratamento certo, né? Daí foi feita uma vaquinha até juntar o dinheiro para nova caixa, até eu conseguir medicação. Assim, né, tudo demora, né? Conseguir a caixa, quer dizer. E é muito complicado, né, você querer fazer um tratamento e você não poder, né?

?Voz B

Poxa. E imagino que assim a situação como a sua deve ter mais gente também, né, nessa briga para conseguir.

HMHilária Mireski

Com certeza tem muita gente com outros mais caro ainda, medicação.

?Voz B

Te mandaram mensagem falando, ah, eu também tô tentando.

HMHilária Mireski

Tem pessoas que tá tomando a mesma química que eu tomo, tem pessoas que toma que sai quase R$50 mil, né. Nossa, isso muda muito, né. Depende do tratamento que você tem, tá fazendo, né? E para falar para você, eu até hoje não tive coragem de perguntar qual que era o tipo do câncer que me deu no meu nariz. Agora, dia 3, que eu vou perguntar.

?Voz B

Mas por quê?

HMHilária Mireski

Não quis saber de tantos nomes, eu já não quis mais saber.

?Voz B

Sério?

HMHilária Mireski

Deixei para lá. Eu não sei o nome do meu câncer que eu tive no nariz. Nossa, e daí na tomografia ele acusou que era isso, já tava por baixo do olho. Então eu tinha que—

?Voz B

mas no rosto então tá estabilizado?

HMHilária Mireski

Tá.

?Voz B

Onde que você tem que ter mais preocupação agora?

HMHilária Mireski

Eu tenho que se cuidar do sol, né, e fazer acompanhamento, né?

?Voz B

E vai fazendo acompanhamento e tal.

HMHilária Mireski

Sim, é para quem já tá 27 anos e 9 meses na luta, já sabe Comecei a fazer o tratamento com 33 anos, vou completar 62 dia 12.

?Voz B

É mesmo? Caramba! Te falaram que tinha que trazer um presente para gente aqui? Ah, então quero o meu presente inútil para deixar aqui no cenário. Não pedi no começo do programa, mas vou pedir agora alguma coisa que tem uma história, hein?

HMHilária Mireski

Uma coisa que tem a história.

?Voz B

Eu acho, Homer, que é um cabo de vassoura quebrado, não é? Mas qual será a história por trás desse cabo aqui? Eu tenho até medo de perguntar qual que é a história desse cabo aqui.

HMHilária Mireski

Trabalhada é gariva, né? Ando rua, né?

?Voz B

Esse é um dos cabos.

HMHilária Mireski

Sim, ele quebrava muito os meus cabos são muito frágeis, sabe? E a gente tinha, usava uma enxadinha de chifre, de chifrinha assim, para pegar, para tirar os matos, que as ruas era de calçada de pedra, pedra quadradinha, sabe? Deixa eu voltar mais no lugar. A pedra era quadradinha para tirar os matos, né? Daí eu não podia, não podia trazer por causa que no avião não pode.

?Voz B

É, aí pegou soltado.

HMHilária Mireski

Daí eu trouxe o pedaço do cabo e trouxe o copo que eu usava para tomar café, tomar minhas coisas.

?Voz B

Poxa vida, obrigado, hein! Vai ficar aqui no cenário já, ó, tem um lugarzinho. Quero saber também se o povo tem dúvidas, né? O que que eles querem saber da Hilária?

?Voz D

Temos aqui a pergunta do Carlos Guiçá Medeiros. Ele perguntou: Hilária, depois de tantas cirurgias e procedimentos, o que ainda consegue te dar medo?

HMHilária Mireski

Eu não tenho medo de nada, sério, nem da morte. Eu tenho medo? Não, porque um dia a gente vai morrer, não sabe o dia, não sabe a hora e não sabe quando, né? Essa resposta que eu tenho para dar: eu não tenho medo, né? Porque ninguém sabe o dia e a hora, você vai ir, né? Pois é, tem pessoas que vai numa cirurgia, tem pessoas que vai dormindo, tem pessoas que vai no sofrimento. E eu tirei meu nariz, eu tirei meu olho, eu tomei um paracetamol de 500mg só no outro dia, só por tomar.

Eu não sei o que que é dor. Deus não deixa eu sentir dor. Puxa, eu não sei o que é dor. Agora você imagina, eu tô careca desde janeiro de 2016. Completa, né, sem cabelo, sem, por causa dos tratamentos que a gente faz.

?Voz B

Tá careca de saber então já, né? Manda aí.

?Voz D

Vamos aqui, a próxima pergunta da Marina Alves, Mariana Alves, desculpa. Ela mandou o seguinte: Hilária, eu vejo você hoje carpindo, carregando tijolo, lixando o chão, fazendo serviços pesados. De onde vem essa necessidade de continuar trabalhando mesmo depois de tudo que você passou?

?Voz B

Tá na hora de descansar um pouco, não, hein?

HMHilária Mireski

É que a gente foi desde os 6 anos, a gente teve que aprender a trabalhar. A gente não— quem aprendeu a trabalhar não consegue ficar sem trabalhar, não consegue ficar parado.

?Voz B

E tá aí meu pai de 81 anos também, não para quieto.

HMHilária Mireski

É, e eu faço serviço que é para homem fazer, não mulher fazer.

?Voz B

Carrega coisa, carrega.

HMHilária Mireski

Você vai ver eu lixando o chão, passando verniz no chão. Eu amo trabalhar, não tem tempo ruim. Que nem eu fazia live no TikTok, mas do jeito que eu sofria muito, muita, como que diz, não sei se pode falar, plataforma, pode. Eu sofria muito ataque na live, sabe assim, porque Chamarem de monstro, chamarem de ET.

?Voz B

Tem gente assim ainda?

HMHilária Mireski

Perguntar se eu queria um olho, que mandava um olho para mim.

?Voz B

Meu Deus!

HMHilária Mireski

E são palavras que tem dias que você leva tudo numa brincadeira, mas tem dias que te dói demais. Claro, você preferia, acho que, levar não sei quantos tapas do que ouvir palavras assim, sabe, de pessoas que não tem amor na vida, não pensa que amanhã ou depois alguém da família dele ou ele pode estar por problema. Eu sempre pedia assim, falava para pessoa: que Deus te abençoe, que nunca aconteça na tua família o que eu tô passando hoje, que Deus proteja.

A gente tem que desejar o bem para o outro para receber o bem, né? E é coisa que eu sempre fiz, né? Desejei coisas boas para pessoa, né? E mas a gente tem muitos, tem gente assim, então tem. E eles não paravam de escrever coisa e eu não trouxe. Eu dependo de uma lupa para eu enxergar, ler, sabe? Eu uso uma lupa bem bem grande assim, uma lupa desse tamanho assim, com cabo, para mim ler. Então eu tinha moderador na live, né, que ficavam de olho, mas às vezes eles escreviam tanto que a hora que eu levava a lupa eu via.

Então, e às vezes eu não chegava a ver, os moderador já bloqueavam, silenciava a pessoa para sair da live que eu tava fazendo, né. Mas eu tava ajudando muitas pessoas e vou continuar ajudando.

?Voz B

Tem que continuar, esse pessoal vai ter sempre, né, gente sem noção.

HMHilária Mireski

Continuar que nem diz outro, ajudar as pessoas, né, enfrentar todos os desafios que a gente tem na vida, né.

?Voz B

Pois é. E você tá no TikTok e no Instagram atualmente? Onde você tá?

HMHilária Mireski

Eu agora tô só no Instagram e eu não venço responder, porque você imagina, você com 33 mil, dentro de um mês você pular para as 340, e agora, e agora com essa live aí, né? Quem seguir eu é Ilária Mireschi, lá só procurar lá, vai ver lá, me seguir eu. Que nem diz o outro, vai ter muito seguidor que vai aparecer na live, vai mesmo.

?Voz B

Eu vi, eu vi você trabalhando lá em cima do telhado. Não podia fazer isso. Tá aí a imagem. Perigoso isso daí, não é não?

HMHilária Mireski

Não, tava arrumando uma churrasqueira.

?Voz B

Era churrasqueira aquilo?

HMHilária Mireski

Não, aqui eu tava trocando a beiral da casa.

?Voz B

Ah, tranquilo, né, Rômulo? Trabalho tranquilo, de boa, né? Olha só, onde é isso? Que cidade que é?

HMHilária Mireski

Lá em Itaiópolis.

?Voz E

Gosta de lá?

HMHilária Mireski

É, eu sou de Itaiópolis, Santa Catarina.

?Voz B

Não quer sair de lá?

HMHilária Mireski

Não sei, quem sabe, né? Se eu tiver condições, morar numa cidade maior.

?Voz B

Olha só, caramba! Manda aí, vamos ver.

?Voz D

Só trocar o vídeo aqui, tá? Então vamos aqui para a próxima pergunta do Carlos Henrique. Ele perguntou: Ilária, Qual foi o serviço mais pesado que você já pegou e pensou, esse aqui vai ser difícil?

HMHilária Mireski

É fazer concreto.

?Voz B

É mesmo?

HMHilária Mireski

Fazer entrada para carro de garagem, fazer concreto, que era na enxada, né? Não era que nem hoje em dia, tem bitorneira, tem as coisas. Antes do tempo, a gente misturava tudo, né, na enxada. Então daí Depende do que que você ia fazer, né? Se for para uma calçada mais andar pedestre, era 3 baldes de areia, um de cimento, um de brita, né? E daí, se fosse para entrar com carro, tinha que ser 2,5 de areia, 1,5 de cimento, e daí a brita você vai pondo conforme você vai ver que é necessidade por a brita, né?

?Voz B

Pois é, e você aqui só trocando de câmera, né?

?Voz D

Trabalho mole aqui, chupacana e assovio ao mesmo tempo, né? Pergunta do Paulinho do Dog, ele mandou o seguinte: quando você fala que continua de pé por causa da sua fé, o que exatamente você conversa com Deus nos dias que você está cansada de lutar?

HMHilária Mireski

Eu sempre agradeço a Deus Por eu tá aí, por eu ter essa história de vida para levar, para que eu sei que eu vou ajudar muita gente. Eu agradeço a Deus por eu passar por tantas provações e tá aqui, né? Não vai ter nenhuma pessoa no Brasil, no mundo, para fazer uma história assim. Às vezes eu fico pensando, mas será que foi tantos assim, meu Deus, né? Eu fico me pensando sozinha, como que eu aguentei tanto, né? Claro, fica as cicatrizes.

Eu passei por 11 cirurgias, fica cicatrizes. Mas eu sempre brincava na live do TikTok para-choque, que eu tô com as latarias estragadas, para-choque quebrado, farol queimado, mas eu tô aqui.

?Voz B

Motor tá funcionando, é isso que importa, né? E Deus para você, o que que é Deus?

HMHilária Mireski

Deus é tudo, né? Cada dia que a gente amanhece é mais um dia, né?

?Voz B

Você segue alguma religião?

HMHilária Mireski

Eu sou católica.

?Voz B

Vai à igreja?

HMHilária Mireski

Vou.

?Voz B

É mesmo?

HMHilária Mireski

Uma vez por semana vou.

?Voz B

Poxa, faz o rosário lá com Frei Gilson?

HMHilária Mireski

É que lá onde eu moro, para você ter uma ideia, nem ônibus tem. Não, não tinha rodoviária, fechou rodoviária, virou um negócio de prefeitura. Não tem ônibus, não tem celular, não tem nada, sabe? Então missa também é uma vez por semana que tem assim, é tudo assim, é pequena a cidade, porque o padre ele tem que ir para vários lugares dar missa. Todo dia ele tem um programa para ir. Aonde eu moro são 22 mil habitantes, só com interior, com tudo junto, com município inteiro.

Você imagina, 22 mil habitantes, é muita pouca gente, é pequena cidade, é pequenininha, pequenininha. Lá só tem hospital, posto de saúde, só isso tem. Para a gente pegar um ônibus, se for de pegar, se deslocar, que nem eu para vir para Curitiba, se eu pegar um Uber aí para vir para o aeroporto, cobram R$320 para trazer no aeroporto de Curitiba. Ou se eu ir para Mafra, eu tenho que ir para Mafra, se deslocar até rodoviária de Curitiba, de pegar um Uber para ir para aeroporto de Curitiba. É tudo muito difícil.

?Voz B

Verdade.

HMHilária Mireski

Única coisa que eu tenho a agradecer a Deus, que o tratamento que eu faço é pelo SUS, no Hospital Erasmo Guerra. É um hospital referência no Paraná, sabe? Tudo pelo SUS, um tratamento muito bom. A prefeitura leva a gente com o carro, traz a gente no dia de consulta, né? Para que você tem que apresentar, que você tem que estar lá nesse dia. A gente tem uma carteirinha, né? Tem que ir lá apresentar que tal dia tem que estar lá, né?

Que nem dia 3 agora eu vou estar lá. Eu só por curiosidade eu vou perguntar se Se vocês souberem me responder, que vai fazer agora em outubro 6 anos que eu tirei o nariz e tirei o olho. 6 anos, já vai fazer 6 anos. Então eu quero perguntar qual que era o diagnóstico que eu tive ali. Agora, por curiosidade, mas quando tiraram eu não quis nem saber qual que era.

?Voz B

É mesmo? Depois você fala para gente então, tá? Olha lá, aí tá fazendo o quê, Hilária?

HMHilária Mireski

Aqui eu tô abrindo buraco para punhar caixa do correio.

?Voz D

E o nosso amigo Bigog nem sabe o que é uma talhadeira.

?Voz B

Não sabe, não sabe. Ainda ensinando o povo a fazer coisas. Que legal! Manda aí, Homer.

?Voz D

Vamos aqui, a próxima pergunta. Do Davi Roberto, ele perguntou o seguinte: o que passa na cabeça de uma pessoa quando ela sabe que existe um tratamento, mas ela não consegue pagar?

HMHilária Mireski

Ah, tem que procurar Ministério Público, né, pedir ajuda. Primeiro lugar é o Ministério Público, né, que você tem que procurar todos os lugares onde tem fórum. Ou às vezes é junto, que nem lá no meu, onde eu moro, é tudo junto, né? Você tem que procurar o Ministério Público. E aí conseguiu pegar, né, levar, pedir para o médico, que ele tem que preencher um monte de papel para você levar, diagnóstico, CID do número da doença, tudo levar lá para levar, né, no Ministério Público.

Lá no Ministério agências públicas, é no meio, um advogado gratuito para você entrar e conseguir a sua medicação. E todos nós temos direito, só que às vezes a gente consegue, que nem no meu caso eu consegui, e daí cortaram, né? Depois eu briguei muito e consegui de volta, e eu tô até hoje, tô tomando.

?Voz B

Mas tem que sempre ficar brigando, né?

HMHilária Mireski

Não sabe até quando, né?

?Voz B

Pois é, tem que tornar público, que aí a pressão particular e acaba fazendo os caras darem o que é de direito, né? Fala, Rômulo.

?Voz D

Tem a pergunta da Juliana Ferreira. Ela perguntou: Hilária, você já conseguiu que muitas— você já falou que muitas vezes sorri por fora mesmo estando mal por dentro. Como que você faz para não deixar as pessoas perceberem que você está sofrendo por dentro?

HMHilária Mireski

Eu nunca sofri por dentro. Eu não sei o que é sofrer por dentro. Eu me amo, eu sou feliz, né? Que nem diz o outro, eu não consigo ser uma mulher triste, eu não sei que é dor por dentro.

?Voz B

Mas nunca ficou triste, Lari?

HMHilária Mireski

Não, triste você fica quando você recebe um diagnóstico, né? Mas quando você recebe um diagnóstico É que nem o tempo que você era criança, que o irmão passava rasteira no outro irmão, na irmã passava rasteira, você cai aquele tombo, mas você tem que aprender que você tem que levantar e caminhar, né? É isso que é verdade, que importa.

?Voz B

Então é momentânea, tristeza momentânea, não pode é viver com ela.

HMHilária Mireski

Você não pode viver com ela porque você Acaba entrando em depressão, né, em outras coisas, né. Você tem que mostrar que você é mais forte que o problema e que você vai vencer. Isso que importa, né, mostrar que você é mais forte e ponhar isso no pensamento, na cabeça, né. Eu sou mais forte, eu vou vencer. E a pessoa vence, né. Não pode pensar nada negativo. Tipo. Para tudo tem tratamento, né? Mas o psicológico da gente, ele ajuda muito, muito em tudo.

?Voz B

Pois é. O que que foi? São os exercícios? É crossfit? O que que é?

HMHilária Mireski

Caramba! Tem que fazer um pouco de exercício, tá melhor que o Romero.

?Voz B

Romero faz isso, cara, ele não consegue fazer isso.

HMHilária Mireski

Eu adoro do elástico, adoro do elástico.

?Voz B

Isso daí o Romero não consegue fazer, isso o Romero não consegue fazer, isso o Romero não consegue fazer. Ela na sua cidade? É lá da minha cidade. Olha que bom!

HMHilária Mireski

Você precisa, por mais que eu trabalhe em serviço pesado, você precisa praticar um pouco de exercício, porque você vai pegando idade, você vai perdendo musculatura, vai perdendo, né, muita.

?Voz B

É, quanto mais velho, mais musculatura perde.

HMHilária Mireski

Sim, então naturalmente. E eu amo aquele do elástico, meu Deus do céu, que me leva parece que para as nuvens.

?Voz B

Que bom!

?Voz E

Fala, Homer.

?Voz D

Pergunta da Juliana Costa, ela falou o seguinte: tem gente que vê seus vídeos e fala que você é uma inspiração. Você se enxerga como uma inspiração enquanto está ali simplesmente trabalhando?

HMHilária Mireski

Com certeza me enxergo como uma inspiração, com certeza, né? Por tudo que eu passei e eu ainda trabalho, né? Eu sou aposentada por invalidez, né? Por ser gari, né? Eu fiquei desde os 33 anos, que nem diz o outro, dos 33 anos até os 60 no auxílio-doença, que é pela prefeitura mesmo, né? Daí depois eu completei 60 anos e fui aposentada definitiva.

?Voz B

Olha só.

?Voz D

Tem a pergunta da Fernanda Alves. Ela quer saber se tem algum trabalho que você gosta especificamente de fazer, que dá aquela sensação de dever cumprido quando você termina.

HMHilária Mireski

Eu, todo que trabalho que eu faço, eu gosto. Eu trabalho numa pousada, eu passo cera de joelho, é todo trabalho que eu faço. Eu amo trabalhar, sabe? Não importa o serviço que for, eu eu trabalho, não escolho serviço. O que aparecer, a gente faz.

?Voz B

É mesmo.

?Voz D

E o Carlos Henrique, ele perguntou qual foi o serviço mais pesado que você já pegou e pensou, esse aqui vai ser difícil.

HMHilária Mireski

É fazer o concreto, né, na enxada. Bastante concreto, né? Esse foi o mais pesado. Que tinha que misturar tudo com a enxada, e o concreto misturar com a enxada é pesado.

?Voz D

Tem uma pergunta aqui do João Kim Bach. Ele perguntou: Hilária, quando você perdeu o olho e parte do nariz, como foi o primeiro dia em que você se olhou no espelho depois da cirurgia?

HMHilária Mireski

Ah, tem muitas pessoas que perguntam se eu tenho coragem de tirar uma foto. Se eu tenho coragem de olhar no espelho? Claro que sim, não vai mudar nada. Eu tô sem o nariz, eu tô sem o olho, não vai mudar nada. Eu sou eu, não vai mudar, não vai aparecer um nariz, um olho na foto ali, não vai mudar nada, né?

?Voz D

Tem a pergunta do Ricardo Nunes, ele perguntou o que você responde para quem está vivendo uma doença e já não tem mais esperança?

HMHilária Mireski

O que eu respondo: pensar positivo, que vai dar tudo certo, que dá tudo certo, que eu tô, eu quero, se Deus quiser, subir em muitos palcos aí com muita gente, levar essa história de vida de superação, que eu sei quantas pessoas que eu vou ajudar.

?Voz B

Sim, com certeza. Tem que continuar, tem que fazer mais, tem que rodar o pau, tem que chamar, tem que chamar, né?

HMHilária Mireski

Tem que chamar, isso que importa.

?Voz B

Tem alguma campanha também que você faz? Tem alguma coisa, algum site, alguma coisa para passar para o pessoal contribuir ou não?

HMHilária Mireski

Como assim, Andy?

?Voz B

Se eu tenho algum tipo de— encerrou? Porque tinha, né? Tá, não tem nenhuma então rolando. Tá bom, vamos lá, Romer.

?Voz D

Vamos aqui a pergunta da Fernanda Lacerda Marques. Ela quer saber qual foi a coisa mais cruel que alguém já falou sobre sua aparência que você nunca conseguiu esquecer.

HMHilária Mireski

Ela já falou algumas aqui. Foi chamarem eu de monstro, chamarem eu de ET, chamarem eu de caveira. Essas palavras dói demais.

?Voz B

As pessoas com certeza não tem a vida boa, né? Pessoa tem uma vida boa.

HMHilária Mireski

Essas palavras mais difíceis que eu escutei.

?Voz B

Tem que se afetar por isso, porque a vida da pessoa já não tá ruim, ela tenta destruir a vida de outra pessoa, né?

?Voz D

Tem uma pergunta do Thiago Pires, ele perguntou o seguinte: você virou exemplo de força para muita gente, mas existe uma cobrança de quem sofre para ser forte o tempo inteiro. Você se permite ter dias em que simplesmente não quer ser uma guerreira?

HMHilária Mireski

Não, eu quero ser sempre uma guerreira. Eu vou completar 60 anos dia 12, eu quero chegar nos 100 guerreando, guerreando, né?

?Voz B

Já pensou aos 100 anos?

HMHilária Mireski

Fala aí, o meu pai faleceu, faltava um mês para 98.

?Voz B

É mesmo?

HMHilária Mireski

Ele faleceu porque ele não quis tomar remédio para afinar o sangue, senão chegaria, senão eu acho que tinha passado dos Caramba, eu vou quase, chegou também. É, a mãe faleceu com 73, o pai faltava um mês para completar 98.

?Voz B

Puxa, você vê.

?Voz D

Tem uma pergunta aqui do Lucas 87, ele quer saber o seguinte: você mostra uma vida muito simples na internet, trabalhando pelo que precisa. O que o dinheiro representa para você hoje?

HMHilária Mireski

Ah, ninguém vive sem o dinheiro, né? Você precisa do dinheiro para se manter, né, para levar a vida, né? E mais que nem eu, já aconteceu muitas vezes que eu não dependo só dessa quimioterapia, eu dependo de outras medicações, né, que é aquela história, às vezes tem mês que vem, tem às vezes atrasa 3 semanas, você não pode ficar sem a medicação. Medicação, você tem que dar um jeito, trabalhar e comprar até chegar a sua medicação de volta.

?Voz D

Tem a pergunta aqui do Lucas Martins, ele tá perguntando qual foi a sua reação quando você descobriu o seu primeiro diagnóstico?

HMHilária Mireski

A qual foi minha reação? Ah, você se sente que você caiu num poço, mas você não sabe descrever a fundura. É, e você não sabe como você vai sair daquele poço, porque eu acho que todo mundo quem recebe um diagnóstico assim é complicado, né? Não importa a pessoa, né? É muito triste, é complicado.

?Voz D

Vamos lá, tem a pergunta da Mariana Salomão. Ela mandou o seguinte: depois que sua história viralizou e milhares de pessoas ajudaram na campanha, Você passou a enxergar o dinheiro e as doações de uma maneira diferente?

HMHilária Mireski

Não, é, o dinheiro é para manter o tratamento, né, quando faltar medicação, né. Até eu não posso gastar em outras coisas, né, o dinheiro fica aplicado lá e para esse uso, para esse uso eu tenho que justificar, né, porque se foi arrecadado e eu nunca Nunca imaginei que tantas pessoas iam abençoar e me ajudar. Você não tem noção do que Deus tá te preparando para você, né? E foi muitas pessoas.

?Voz B

Assim como tem a maldade, tem a bondade do ser humano também.

HMHilária Mireski

E muitas pessoas ajudaram. Agora, a pior coisa que tem é você tá numa live e a pessoa ficar te jogando na sua cara: eu te ajudei. O que você dá com a mão direita, essa não precisa saber. Eu tenho essa opinião e eu até hoje eu sofro por isso. Eu te ajudei, eu te ajudei. Ué, e daí ajudou? Mas eu não obriguei, ajudou porque quis, né?

?Voz B

Então eu ajudei por quê? Reclamando?

HMHilária Mireski

É porque eu te ajudei, minha família te ajudou. Nossa, você se sente mal. Se você quer dar alguma coisa para alguém, dá de coração. Então não fique perguntando lá, falando, comentando, né? Ai, a gente sabe, se a gente conseguisse pegar e devolver para essa pessoa, você devolveria com juro para parar por ali, porque quer dar, dê, mas não fique cobrando, né? Te ajudei, te ajudei. Pois é, isso é chato para mim, é mais que eu sou, gosto de trabalhar, gosto de lutar lá, né? Então se torna uma sem explicação, tá louco.

?Voz D

Tem a pergunta do Marcos Guerreiro, ele quer saber o que você acha que uma pessoa que nunca passou pelo que você passou pode aprender com a sua história.

HMHilária Mireski

Aprender a viver de um outro jeito, né? Às vezes não reclamar tanto da vida que tem, né? Quantas pessoas que reclamam: ah, tá chovendo, tenho que trabalhar, ah, tá cansada, ai, não vejo a hora de chegar final de semana, né? Ai, eu não, eu trabalho. Quando eu peguei essa casa que eu tava lixando ali, passando verniz, eu trabalhei direto sábado, domingo, deu 11 dias que deu serviço, trabalhei direto.

?Voz D

Tem a pergunta aqui do Diego Martins. Ele perguntou: quando você começou a gravar os seus trabalhos para colocar na internet, você imaginava que tanta gente ia querer acompanhar a sua rotina?

HMHilária Mireski

Não, não imaginava, não imaginava, porque a gente tinha pouco seguidor, né, na rede assim. Agora que tem mais seguidor. Nunca imaginava não.

?Voz D

E tem a pergunta da Maria Eduarda. Ela perguntou: quando você acorda e sabe que tem um serviço pesado pela frente, o que te faz levantar e ir mesmo assim?

HMHilária Mireski

Aí eu levanto e vou, não importa o serviço que for fazer, eu levanto e vou trabalhar. Para você ter uma ideia, Final do ano passado tinha um barracão para pintar. O barracão, não sei te dizer quantos metros quadrados dava, não tenho nem a ideia quantos metros quadrados dava. Uma pessoa, ela pediu 6 baldes de 20 litros de tinta, ela pediu R$4.000 em dinheiro para pintar aquele barracão. Eu fui, pintei com balde de tinta e cobrei milão.

Você vê aonde ia tudo aquela tinta. É que eu, a gente conseguiu pegar o tom bem certinho, sabe? Então tem lugares que com uma mão ficou top, tem lugares que era um amarelo muito forte, como uma gema de ovo. Daí tive que dar duas mãos. Mas é aí que tá, né? Você não vai trabalhar flor, você vai trabalhar, você faz o preço do teu trabalho, né? E foi muito interessante porque a pessoa, quando soube que eu ia pintar, ele passou, a pessoa do dono do buracão passou lá olhar para ver se era eu que que eu tava lá, né, que o barracão tava aberto.

E quando ela viu, ela não teve nem comentário para fazer, que a gente procura cuidar para não sujar o piso, não sujar o chão com tinta, né, porque isso, o acabamento que é o tudo, né. Adianta você pintar a parede e deixar o chão cheio de tinta, né? Tem que ter cuidado.

?Voz D

Tem a pergunta aqui da Roseli Rossi. Ela quer saber se você tinha muitos efeitos colaterais pela quantidade de medicamentos e o tratamento que você fez.

HMHilária Mireski

Sim, eu tenho um problema colateral da quimioterapia que ele gerou uma infecção crônica no intestino. É uma coisa que eu vou ter, se Deus quiser, eu vou um dia me libertar de tanta medicação. Nutrição. Eu tomo 4 comprimidos de 800mg por dia.

?Voz D

E a pergunta do Jonathan Silva: eu vejo você fazendo trabalhos e fico pensando, de onde vem essa vontade de estar sempre fazendo alguma coisa?

HMHilária Mireski

Ensinamento dos pais, né?

?Voz B

Não tem como, né?

HMHilária Mireski

Não tem como. De casa você teve que aprender desde os 6 anos trabalhar, né? Não tem como, você não consegue ficar parado, você fica irritado, você tem que fazer alguma coisa, ocupar tua cabeça. Antes que eu tinha os dois olhos, eu pegava também assim quando eu ia para fazer tratamento, que é assim, eu vou, vamos supor, na quarta-feira eu faço exame de sangue, né? Na quinta eu passo no médico, na sexta eu pego a quimioterapia, Eu fazia bastante crochê, mas com fio bem fininho, não com barbante assim, com fio bem fininho.

Hoje eu não tenho feito essas coisas assim mais, que depende da pessoa. É um serviço leve, né? Eu já não tenho feito muito. Por quê? Porque eu dependo de um óculos para usar, né? Mas como que eu vou usar óculos se eu não tenho nariz?

?Voz B

Ixi, mas não tem um esquema alguém fazer algum esquema naquele com elástico e tal, só pedir, né?

HMHilária Mireski

Não sei, né?

?Voz B

Fala para Dutti lá que faz nossos óculos, né? Dá para ele desenvolver um óculos para você, com certeza.

HMHilária Mireski

Uma pessoa uma vez comentou para mim assim, um médico deu para ponhar uma lente de contato dentro do olho. Eu tava meio topando fazer. Você já pensou se eu tenho uma rejeição e perco a outra vista?

?Voz B

Não, usar óculos mesmo dá para fazer. Que cor que é seu olho? É cinza ou é azul?

HMHilária Mireski

É azul esverdeado. Daí eu sei que diz cada dia, cada dia é uma cor diferente, né?

?Voz B

O meu também é azul aqui, ó, só que eu uso lente castanha para o pessoal não achar tão bonito que nem o seu, né? Então aí o pessoal acha que eu tenho olho castanho. Fala, Romero.

?Voz D

Tem a pergunta aqui, né, da Rafaela Martins, e ela quer saber: depois de tantos xingamentos e comparações medíocres O que você gostaria que essas pessoas enxergassem quando olham para você hoje?

HMHilária Mireski

Ah, né, parar com essas coisas, né, porque ninguém sabe o dia de amanhã de ninguém, né. Às vezes alguém da família ou alguém próximo, né, vamos supor familiar ou vizinho, né, pode passar por tudo que a gente passou, né.

?Voz B

Hilário, eu queria te agradecer demais pelo papo, pelo papo, e te falar que sempre a gente sempre termina com 3 perguntas no final para quem vem pela primeira vez. E a primeira pergunta é o seguinte: eu sei que você passou vários momentos difíceis da sua vida, mas se fosse colocar um momento mais difícil que você passou na sua vida, qual seria aquele momento mesmo que mudou a tua vida?

HMHilária Mireski

Amputação do olho e do nariz, as duas coisas no mesmo dia, no mesmo tempo. Esse foi o momento mais difícil. Que nem ontem eu tava na palestra do Ney com Augusto ali, né? Ele começou a falar assim, ó: 1, 2, 3. Ninguém sabia que eu tinha tanto diagnóstico. Ele foi até o 11 e eu no 13 eu já comecei a morder o lábio, né? Porque não tem como falar, sabe? E daí ele foi até o 40, um começou a olhar para o outro, e quando eu percebi, todos estavam chorando.

Como assim? Ele deu um intervalo Eles pensaram assim, nossa, 40! E ele continuou, 41, 42, 43, 44, e foi indo e foi indo. Eu sei que quando eu subi no palco para dar uma primeira palestra, eu não consegui falar de tanto, quase que eu chorei. Tanto que daí o Ney fez me trazer tudo que eu passei lá desde o comecinho. Voltou aquela, aquela ficha, sabe, do primeiro diagnóstico, da dificuldade que eu tava, que eu trabalhava de garimpeira, varrendo rua, duas filhas pequenas para criar.

Se separei do pai, o pai não olhava para as meninas. Só uma vez ele visitou, no tempo da separação, pegou as filhas, nunca ia pregar, não procurava nada. Eu, graças a Deus, tinha minha mãe do lado. A minha mãe olhava e me ajudava. Daí eu acabei perdendo a mãe, daí elas já foram crescendo, crescendo, né, que eu dei, eu comecei com o tratamento, foi em em novembro, né, de 98. Eu perdi a minha mãe no ano 2003. Já estavam maiores, já tava tudo mais fácil, já sabiam se virar, já sabiam, né, fazer um arroz.

Eu deixava o feijãozinho cozido congelado, as coisas, né, fazia uma mistura, deixava nos potinhos para esquentar. Não tinha fogão a gás, não sabia o que era, era fogão a lenha, né, não tinha Não tinha máquina de lavar roupa, não tinha uma centrífuga, era tudo nas fregadeiras, no tanque, torcer na mão, pendurar conforme a água ia escorrendo, você ia lá, espremia um pouco aquela roupa para secar mais rápido, né? Cortar lenha no machado, né, para você fazer a tua comida, né, e para eles ter, né, para fazer o pão, né?

Tinha panificador, mas você não tinha como comprar o pão para eles comer assim. Você tinha que fazer, deixar um, congelar um para eles terem para comer, né? Então é uma coisa que eu tenho para dizer: a nossa mãe, ela deu educação assim. Você, para namorar, ter um relacionamento, você tinha que saber fazer o pão, saber cozinhar feijão, saber saber lavar uma roupa bem lavada, que ficasse bem limpa, saber pegar uma galinha lá no galinheiro, matar e limpar, sabe?

A gente foi criado numa vida assim, não assim do jeito que hoje vai no mercado, tem tudo, tem centrífugo, tem máquina que faz tudo, e ainda reclamam, né, da vida.

?Voz B

Segunda pergunta é o seguinte: eu sei que você tá forte, eu estou forte, mas um dia iremos morrer. Como você falou que não tem medo da morte, ela virá um dia. Espero que demore muito tempo para nós, mas esse vídeo vai ficar aqui durante centenas de anos. Então manda o recado para quem tá assistindo 200 anos no futuro. Esse vídeo aqui, esse depoimento maravilhoso seu, quais seriam suas últimas palavras, teu epitáfio?

HMHilária Mireski

Que eu tenho para falar assim, porque por todos os problemas que eu passei, né, eu sou uma mulher muito feliz e não consigo ser triste.

?Voz B

Tenta, mas não consegue.

HMHilária Mireski

Eu vivo bonita dia e noite quase, para de rir só quando durmo. O importante é a gente se amar. Se aceitar do jeito que você tá, né? Isso que importa para gente.

?Voz B

E a terceira pergunta é: qual é a tua dúvida atual, Hilária? No que que você se pega pensando naquele momento antes de pegar no sono, antes de dormir? Para onde sua cabeça vai? Que pergunta que você se faz?

HMHilária Mireski

Você consegue ser feliz?

?Voz B

Eu ou quem tá em casa?

HMHilária Mireski

Quem tá assistindo?

?Voz B

Essa é a pergunta. O que que precisa? O que que precisa para ser feliz?

HMHilária Mireski

Quer dizer, por exemplo, você não Não era esse tipo de pergunta que eu queria fazer, me desculpe. Você consegue ser triste? Era esse tipo de resposta que eu queria dar. Você consegue ser triste?

?Voz B

Eu consigo, se eu fizer força eu consigo, né?

HMHilária Mireski

Né?

?Voz B

É mais fácil ser triste do que ser feliz, né? Não deveria, né? Você consegue ser Triste? Não, tá vendo? Obrigado demais, Hilária. Obrigado por esse papo.

HMHilária Mireski

Gostou?

?Voz B

Amei. Muita gente vai conhecer a tua vida agora, vai ser inspiração para muita gente com esse papo que a gente teve aqui. E que seja inspiração para milhões e milhões de pessoas, tá? E manda um recado agora para aquela câmera. Você tá falando direto com quem agora pode estar passando no momento dificuldade, o momento que quer desistir da vida, ou um momento que nada faz sentido. Fala para essa pessoa que tá agora em casa sozinha.

HMHilária Mireski

Ah, para pensar positivo, né, que nem eu já falei para trás, que vai dar tudo certo, que vai dar. Se você pensar positivo, dá. E siga eu lá no Instagram, Hilária Mireschi.

?Voz B

Siga eu lá, sempre com dicas, sempre fazendo alguma coisa, nunca parada, né?

HMHilária Mireski

Com certeza.

?Voz B

Tá certo. A gente deixa num comentário fixado com as redes sociais dela. E se tiver alguma outra campanha, a gente coloca lá também mais para frente, tá bom? Muito obrigado, Hilária. Agora com você, Romero.

?Voz D

Bom, prove que você não é um mocorongo e já deixa o seu like agora. Se inscreva nesse canal, deixa seu comentário também para esse vídeo maravilhoso, compartilha esse vídeo, coloca tua história.

?Voz B

Tem muita gente que também tem alguma história também de superação, coloca aí nos comentários, aí é legal, né?

?Voz D

Compartilha esse vídeo, compartilha com o máximo de pessoas que com certeza essa história vai chegar em alguém que tá precisando ver esse vídeo agora. Exato.

?Voz B

O que que o pessoal escreve nos comentários para provar que chegou até o final dessa conversa?

?Voz D

Para provar que chegou no final, coloca aí: o motor tá funcionando.

?Voz B

Motor tá funcionando.

HMHilária Mireski

Sim, que nem eu sempre brinco, né? Eu tô com a lataria estragada, para-choque quebrado, farol queimado, mas eu tô aqui.

?Voz B

Motor tá funcionando, motor tá funcionando. É isso aí, fiquem com Deus, beijo no cotovelo, tchau! E que bom que vocês vieram. Valeu, fui, tchau!

?Voz E

As opiniões e declarações feitas pelos entrevistados do Inteligência Limitada são de exclusiva responsabilidade deles e não refletem necessariamente a posição do apresentador, da produção ou do canal. O conteúdo aqui exibido tem caráter informativo e opinativo, não sendo vinculado a qualquer compromisso com a veracidade ou exatidão das falas dos participantes. Caso você se sinta ofendido ou tenha qualquer questionamento sobre as declarações feitas neste vídeo, por favor entre em contato conosco para esclarecimentos.

Estamos abertos a avaliar e, se necessário, editar o conteúdo para garantir a precisão e o respeito a todos.

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