Episódios de Inteligência Ltda.

1926 - EXTINÇÕES EM MASSA E OS MISTÉRIOS DA EVOLUÇÃO: LINDNER E ZOOMUNDO

05 de setembro de 20262h17min
0:00 / 2:17:58

ALBERTO LINDNER, BRUNO AUGUSTA e AMANDA GOMES são biólogos. Eles vão bater um papo sobre as extinções em massa ocorridas na Terra e os mistérios da evolução. O Vilela escapou por um triz da última extinção em massa.

Participantes neste episódio2
R

Rogério Vilela

HostApresentador
A

ALBERTO LINDNER

ConvidadoBiólogo
Assuntos5
  • A extinção dos dinossauros causada pelo impacto de um asteroideAsteroide·Cratera de Chicxulub·Tiranossauro Rex·Irídio
  • Extinções em massa como parte natural da história da vida na TerraExtinção de fundo·Especiação·Megalodonte
  • A maior extinção em massa do Permiano e o aquecimento globalVulcanismo na Sibéria·Aquecimento global·Trilobitas·Acidificação oceânica
  • A crise demográfica e a diminuição da população humana como solução ambientalTaxa de natalidade·Smartphones·Inteligência Artificial·Ecoansiedade
  • A resiliência da vida e a capacidade de recuperação após catástrofesParque dos Dinossauros·Robôs bioquímicos·Extremófilos
Transcrição650 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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RVRogério Vilela

Espolón Tequila, 40% alcohol by volume, 80 proof.

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?Voz D

Olá, terráqueos, como é que vocês estão? Eu sou Rogério Vileira, tá começando mais um Inteligência Limitada, o programa onde a limitação da inteligência acontece somente por parte do apresentador que vos fala, porque sempre trago pessoas mais inteligentes, mais interessantes e com a vida muito mais extinta do que a nossa.

RVRogério Vilela

Eu ia falar distinta, mas como o tema é extinção, fez sentido, ok?

?Voz 1

Extinta.

?Voz D

Mas com a vida mais distinta. Pois é. Ô, Homer, você acredita que vamos ser exterminados? Eu só tenho visto séries de apocalipse. Eu tô com hiperfoco em Silo, em Paraíso. São todos os cenários possíveis de vai acontecer alguma merda, os ricos constroem uns bunkers, mete um monte de gente lá e dá merda no final.

?Voz F

Sabe de quem eu tenho medo, cara? Da Skynet.

?Voz D

Eu tenho medo do mesmo. Lembra do mesmo?

RVRogério Vilela

Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo está aí. Caramba, tem esse mesmo, cara!

?Voz D

Então no elevador ele fala: cadê o mesmo, cara? Cuidado com o mesmo. Como que o pessoal participa dessa live maravilhosa?

?Voz F

Sextou hoje, é uma live especial que é dedicada para pessoas especiais, que são os nossos membros. Se você ainda não é membro, torne-se seja membro, que é importante, né, que você vai receber as notificações e vai conseguir, né, enviar sua pergunta com antecipação.

?Voz D

Exato. Então já manda sua pergunta antes que aconteça uma extinção em Brasília.

RVRogério Vilela

Também tá rolando uma guerra civil lá, né, cara?

?Voz D

Manda sua pergunta já, preferência de membros. E vamos a apresentações. Você já veio, então você começa. Vamos lá, Humberto Gessinger.

RVRogério Vilela

Valeu, Alberto Lindner aqui, professor da Federal de Santa Catarina. Sempre um prazer vê-la, sempre um prazer, Amanda. Sempre um prazer, Bruno, tá aqui, ainda mais falando sobre um assunto tão interessante, quem sabe atual inclusive, que é extinção, porque já tivemos muitas extinções no passado.

?Voz D

Podemos estar passando por uma?

RVRogério Vilela

Provavelmente estamos começando uma sexta, quem sabe sétima extinção.

?Voz D

Obrigado, gente, valeu muito vocês aqui. Eu não fiz esse programa para descobrir que a gente tá acabando.

?Voz 2

Calma, mas tem tempo, tem tempo ainda. Tem tempo, tem tempo.

RVRogério Vilela

A gente é a turma da real, Vilela, entendeu?

?Voz D

Vocês não vão enganar.

RVRogério Vilela

Não, a gente não vai vender um passe para o paraíso, não. Então se prepara, meu caro.

?Voz D

Só verdade então?

RVRogério Vilela

É só verdade aqui.

?Voz D

Beleza, já começamos bem então.

RVRogério Vilela

Isso aí.

?Voz D

Apresentações? Essa câmera para quem faz?

?Voz 1

Muito bem, então eu sou o Bruno, aqui terceira vez aqui, né?

RVRogério Vilela

Quais foram as outras?

?Voz D

Relembre o pessoal.

?Voz 1

Tava no episódio com o Lucas Anandres lá do Olá Ciência, né? A gente falou sobre a história das pandemias.

?Voz 3

Boa.

?Voz 1

E meu maior podcast até hoje foi aqui também com o Pirula, 7 horas e meia sobre dinossauros. Cara, que E o pessoal falou que ainda foi um trailer só, né? É, o pessoal falava, pô, eu queria, cadê a segunda parte? Calma, né? Cheguei em casa 5 horas da manhã naquele dia. Pois é, vai voltar, nosso amigo querido vai voltar. Divulgue o Sensei lá no Zoom Mundo, YouTube, Instagram, TikTok. Quem quiser acompanhar, segue lá, Vida do Presente e do Passado.

?Voz D

Amanda, tua câmera aqui, ela se apresenta, eu quero me apresentar.

?Voz 2

Eu sou Amanda Gomes, sou bióloga, doutoria em oceanografia, dou aula também na Fundação Santo André. E junto com o Bruno eu apresento ali o canal Zomundo Oceanografia. Oceano, vamos falar muito de oceano hoje, né? Porque tem extinções que começam ali no oceano.

?Voz D

É verdade?

?Voz 2

Sim, com certeza.

?Voz 1

A maioria, inclusive.

?Voz 2

A gente vai falar muito de oceano aqui.

?Voz D

O que que você trouxe para gente?

?Voz 2

Então, trouxe algo relacionado ao oceano também. Já viu esse bicho aqui?

?Voz 1

É de verdade. Não é um monstro.

?Voz D

Deixa eu mostrar aqui nessa câmera de cima.

?Voz 2

O que que você acha que é isso?

?Voz D

Mas ele tem um formato estranho.

?Voz 2

Ele é um tubarão mesmo, certo? Não, é o tubarão-duende. É um bicho que vive nas profundezas do oceano.

?Voz D

Ela tá enganando a gente, Rômulo. Falou tubarão-duende tipo um Pokémon só para enganar a gente, para ver se a gente é burro.

?Voz 2

Não, pior que eu trabalho com os bichos das profundezas, então assim, esse é o mais bonitinho, esse é o mais normalzinho. Até legal.

?Voz D

O que que ele busca lá para achar uns bichos estranhos? Coloca profundeza?

?Voz 2

Coloca peixe-dragão. É legal, é sem cor, é transparente, um tem olho, tem de tudo, são super dentuços. Então esse é bonito, né? Daí a história dele, né? É difícil a gente achar esses bichos diferentes. Aí ele achou para mim, somos casados, né, eu e o Bruno, e ele quis me presentear com com esse bichinho. Eu fiquei feliz na ocasião, falei, nossa, que bacana, né? Usei para gravar vídeo e a gente deixou no nosso cenário. Mas ele é tão pequenininho, falei, ah, não vou usar mais ele não. Coloquei na gaveta. Agora eu quero um maior. Aí ele tá me devendo um grandão.

?Voz 1

É só um motivo para cobrar.

RVRogério Vilela

Mas só um motivo. Por que ele narigudo assim? Desculpa a pergunta assim, ele tem um narigão ali.

?Voz 2

Então ele tem uma projeção aqui, né, dessa região ali, né, na frente do focinho, e ele consegue projetar a boca.

?Voz 1

Então isso ajuda ele a capturar, sabe, igual o Alien faz, que sai a boquinha de dentro.

?Voz 2

Ele consegue projetar. Então essa estrutura ajuda ele a projetar. Procure aí, por favor, Homer, tubarão-duende, que aí nada como ver o real, né?

RVRogério Vilela

E o tamanho dele assim, há pouco mais de 1 metro.

?Voz 2

Não é tão grande não, parece um monstro, né? Olhando aqui, 1,5 metro mais ou menos. E aí lá nas profundezas, como é difícil conseguir alimento, então os bichos desenvolvem estratégias. Estratégia dele é conseguir projetar o máximo as mandíbulas aí, captura. Bicho sensacional!

?Voz D

Enquanto ele tá procurando, vamos entrar no tema então.

RVRogério Vilela

Estamos falando em extinção.

?Voz D

Bora falar, acontecer para ser considerado uma extinção ou uma extinção em massa.

RVRogério Vilela

Então, muito bem, acho que eu vou começar aqui, né? A extinção, uma coisa que a gente tem que sempre— opa, veio ali, ó! Tá diferente daqui, né?

?Voz 1

Acho que esse é, parece uma iace, talvez.

RVRogério Vilela

Mas tá cheio de dente ali, olha. É dentinho para comer peixe, né?

?Voz 1

Dente fino, mas ele não é um dente para rasgar carne, né?

?Voz D

É um dente para assim não, é.

?Voz 2

Não, mas ele é incrível.

RVRogério Vilela

É porque talvez o teu ali ele já esteja dando aquela projeção da mandíbula dele.

?Voz 2

Não, e assim, é um brinquedinho de plástico, né?

RVRogério Vilela

De China. Não, não parece, parece.

?Voz 2

Entendeu? É só uma representação.

?Voz D

Tá, desculpa, eu interrompi.

RVRogério Vilela

Não, acho assim, Vilela, Amanda, Bruna, assim, quando a gente fala de extinção, a gente tem que lembrar primeiro que extinção é algo normal na história da vida e da evolução no planeta Terra.

?Voz D

Faz parte?

RVRogério Vilela

Faz parte. A gente chama isso inclusive de extinção de fundo, que durante a evolução a gente vai tendo a especiação, a origem das espécies, e vai tendo a extinção de outras espécies. Então, há um tempo atrás, a gente tinha, por exemplo, aquele tubarão, já que estamos falando de tubarão, O megalodonte, por exemplo, trouxe até uma réplica de dente dele aqui. Isso é um dente? É, esse é o dente do bicho.

?Voz 1

Um dos dentes?

RVRogério Vilela

Esse aqui é o tamanho, e não é dos maiores. Esse aqui tem 13 centímetros, é uma réplica, mas bem fiel. Tem dente de megalodonte que chega a 18 centímetros. Então isso mostra que a gente tinha vida no planeta Terra que hoje não existe mais. Esse animal foi extinto. O maior tubarão que a gente tem hoje, que é o branco, um dos maiores, tem um dente que é desse tamanho. Olha só, o tubarão branco tem... Acho que aquela câmera ali, né?

Esse aqui é do tubarão branco, esse aqui é do megalodonte. É normal, Vilela, a gente ter extinções. Possivelmente vamos ter a nossa extinção, mas a gente fala um pouquinho mais para o final do episódio. E essa extinção que acontece em níveis normais, assim como a especiação, a gente chama de extinção de fundo. E aí, na década de 70, na década de 80—

?Voz D

Extinção de fundo, por que esse termo?

RVRogério Vilela

Porque ela não é extinção em massa, que é o contraste com a extinção em fundo.

?Voz 2

É como se fosse um ruído de fundo, algo constante.

?Voz D

Não sei se eu atrapalho a linha de vocês, mas contar um pouquinho... Não, por favor. Faz a gente é responsável pela extinção de algum animal também, uma extinção de fundo ou não?

RVRogério Vilela

Muito bem, depende do quanto absurda um animal e acaba ele, por exemplo. A gente provavelmente está caminhando para uma extinção em massa provocada pelo homem. Nós não chegamos lá ainda, a gente pode ainda considerar talvez, Vilela, que a gente faz, tá nessa questão da extinção de fundo. Nós humanos levamos à extinção até agora pelo menos umas 800 espécies, tá, que a gente tem certeza.

?Voz D

E a gente é o responsável?

?Voz 1

Responsável direto, pelo menos.

RVRogério Vilela

A vaca-marinha de Steller, que é um tipo um peixe-boi gigante, por exemplo, que viveu lá nas Ilhas Aleutas. Até, Homer, se quiser botar lá, vaca-marinha de Steller é um deles. Tem o dodo, que é uma ave insular. Então, o que que tá acontecendo com a extinção humana, que é o final dessa história toda? Nós estamos matando uma série de bichos, mas isso tá muito concentrado em ilhas, porque em ilhas a população de outras espécies, que nem o dodo, é muito pequena, a gente vai lá e come e acabou com tudo.

Animais que são mais abundantes, que vivem no meio do oceano ou nos grandes continentes, a gente reduziu essas populações.

?Voz D

Tipo baleia.

RVRogério Vilela

Tipo baleia, a gente quase matou as baleias. É, isso não é o— talvez seja uma reconstrução até da vaca-marinha, mas é algo parecido com isso, é tipo um peixe-boi maior, de uma tonelada.

?Voz 2

Comiam, foi justamente por isso que ela foi extinta.

?Voz 1

Lá no século 18, né, Amanda, se eu não me engano, por volta 1700, já era uma população vulnerável, provavelmente já era uma população que tinha, estava com poucos indivíduos, mas aí o ser humano veio e aí terminou.

RVRogério Vilela

Perfeito. Então assim, Vilela, nós humanos agora nós estamos extinguindo uma série de espécies. Nós estamos, o primeiro passo de uma extinção de uma espécie é o que a gente chama de extinção ecológica, que é quando a gente reduz tanto a população de uma determinada espécie que ela perde a função dela no ecossistema. Tipo baleia, baleia é um exemplo melhor. Então imagina que você tem 100 mil baleias, uma população de baleia azul.

?Voz D

Hoje?

RVRogério Vilela

Não, tá aumentando de novo. A baleia azul, a gente tinha dezenas de milhares e chegou apenas 2 mil baleias azul no pico, no final da caça às baleias. Faltou só 2 mil pra gente acabar com o maior animal que já viveu na face da Terra.

?Voz 1

Muito maior que os maiores dinossauros conhecidos.

?Voz 2

É o maior animal do mundo.

?Voz 1

Nenhum animal na história do planeta teve a massa muscular, né, assim, 180 toneladas de uma baleia azul. Os maiores dinossauros chegavam a 70, 80, talvez. A baleia azul é 180. Nunca teve nenhum animal. Então, privilégio você viver na mesma época.

?Voz D

Mas essa acendeu uma luz vermelha e aí a gente começou a reagir, é isso?

RVRogério Vilela

Acendeu luz vermelha, começamos a reagir. Então, o que acontece, Vilela? A gente tá no caminho de uma extinção, mas vai depender muito de extinção em massa. Só que vai depender muito das ações, das decisões que nós como espécie tomarmos. Então, no caso das baleias, por exemplo, a gente tomou uma decisão bacana, na minha opinião, lá na década de 80, de proibir a caça desses animais. Então a baleia azul, que tinha 2.000 indivíduos, já está aumentando sua população, especialmente no hemisfério norte.

No hemisfério sul nem tanto, porque ela foi muito mais caçada. A baleia jubarte tá voltando com tudo.

?Voz 2

É, a baleia jubarte já não tá mais considerada ameaçada de extinção, já 30, 40 anos, né?

RVRogério Vilela

E outras não. Então assim, nós humanos podemos estar causando a 6ª extinção em massa. E o que que é a tal da extinção em massa, para contrastar com extinção de fundo? Dois pesquisadores, professores de universidade lá da Universidade de Chicago nos Estados Unidos, Sepkoski e Raupp, pegaram listas aí de—

?Voz 2

olha aí, tá aí a nossa baleia maravilhosa, né?

?Voz 1

Ela é compridona, ela não é tão robusta, mas ela é muito comprida, ela chega a 30 metros de comprimento.

RVRogério Vilela

Esses caras trabalhando na Universidade de Chicago, década de 70 e 80, compilaram listas de animais extintos, beleza, do registro fóssil. E aí eles notaram, fazendo um trabalho estatístico, que existe esse ruído de fundo, que nem o Bruno e Amanda falaram muito bem. Mas além dessas extinções de fundo, a gente tem picos de muitas extinções num curto período de tempo. Então quando a gente tem, Vilela, mais de 75% das espécies extintas num curto período de tempo, geologicamente falando, né?

?Voz 1

Então às vezes pode ser 1 milhão de anos, 2 milhões de anos. Para a gente é pouco tempo perto da idade da Terra.

RVRogério Vilela

Isso a gente chama de extinção em massa, que são essas linhas no registro fóssil que você vê, que daquela linha para baixo você tinha um tipo de espécie dominando, tipo dinossauro, e daquela linha para cima você tem um outro grupo de espécies, que nem os mamíferos dominando.

?Voz D

Mas isso sempre vai depender de um grande evento para isso acontecer?

RVRogério Vilela

Muito bem. A vasta maioria...

?Voz D

Quando pensa em dinossauro, a gente pensa em cometa.

?Voz 1

Que é a mais famosa, né? O asteroide cai aqui e mata todo mundo. E essa é a melhor documentada. Então, a dos dinossauros hoje, a gente conhece muito bem o passo a passo do que aconteceu. Inclusive, a gente sabe o que aconteceu nos primeiros segundos, Nos primeiros minutos e nos primeiros dias. Então tem uma certa discussão sobre quanto tempo ela durou, mas a gente tava até conversando antes de vir para cá que hoje em dia tem muitos trabalhos aparecendo dizendo que ela foi muito mais rápida do que a gente achava antes.

Trabalho desse ano, inclusive, que assim, nos primeiros, dentre as primeiras horas, os primeiros dias, talvez, sei lá, 90% dos indivíduos vão morrer. É, seria muito parecido com que fosse uma guerra nuclear hoje no mundo. Então assim, uma guerra total, uma guerra total, uma guerra mundial nuclear total localizada na Ucrânia.

RVRogério Vilela

Não, é um manda para outro, vai nos Estados Unidos, outro.

?Voz 1

Exato, seria uma guerra total, começa a sair cada um dos cantos. Você consegue imaginar que a maioria vai morrer nas explosões, mas assim, vai ter gente que vai entrar em bunker, vai ter gente que vai ficar ali Vai morrer, vai se esconder, tá dentro, vai morrer, vai demorar mais para morrer.

?Voz 2

No longo prazo vai morrer, né? O destino é o mesmo.

?Voz 1

Então foi isso que aconteceu com os dinossauros, por exemplo. Então a gente sabe hoje que um asteroide de mais ou menos 10 km de diâmetro se chocou com a Terra em algo entre 50 e 70 mil km/h. Essa velocidade é tão violenta, é tão grande, né, que no impacto você tem o impacto equivalente a 100 bilhões de bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, né.

?Voz 2

E fora a questão do tamanho mesmo do asteroide, a gente tava até conversando hoje no almoço, né, que seria mais ou menos o tamanho do Monte Everest.

RVRogério Vilela

Exato. Eu acho que isso é legal assim, fazer uma comparação para galera entender assim, porque a gente fala em asteroide, né, Amanda, e fala em asteroide, acho que é um negócio, uma pedrinha que caiu na Terra, sei lá, do tamanho dessa mesa ou de um carro. Mas essa comparação com o Monte Everest que você fez, eu acho incrível, porque o Monte Everest tem 8.848 metros de altitude, beleza? Tem 8,8 km e o asteroide tem 10, ele é mais alto.

?Voz 2

É mais alto, né?

RVRogério Vilela

E se você pegar a velocidade de, por exemplo, uma bala de um revólver, ela vai a 300, 400 metros por segundo, beleza? De um fuzil, uma arma um pouco mais poderosa, ela vai cerca de 1 km por segundo. O asteroide colidiu a 20 km por segundo, ou seja, 20 vezes mais rápido do que um tiro de uma arma de alta pressão. Só que assim, Vilela, são 10 km de asteroide, um negócio gigantesco colidindo. Por isso a galera acha que é tipo uma bomba atômica.

?Voz D

Chegou a movimentar o eixo alguma coisa assim?

?Voz 1

Movimentou, inclusive no sentido que a Terra é inclinada, né? Ela não é retinha, ela é inclinada hoje a 23,5 graus. Antes era 23 graus. Então o impacto é tão violento que ele gira o eixo da Terra em meio grau assim. Então hoje nós temos, por exemplo, possivelmente algumas imagens meio que tentando reconstruções.

?Voz D

E aí o que acontece também é que a Terra é esférica, não plana, tá?

?Voz 1

Ai, é verdade, senão gira o prato, né? Aí eles caem do outro lado.

?Voz 2

Foi por isso que eles foram extintos.

?Voz 1

Engraçado, você pensa que assim, 10 km para o resto do planeta não parece nada, mas o buraco não é pequeno dada essa velocidade e esse impacto que tem lá no—

?Voz D

então não, aquilo já é coisa que já foi, os sedimentos foram, sei lá, era maior o buraco.

?Voz 1

A cratera estimada a gente demorou para achar. A gente sabia que já tinha caído um asteroide há muito tempo, que é lá naquela região do México, lá de Yucatán. É, chama Península de Yucatán, né? Você coloca lá cratera, aí vai ser difícil. Chicxulub.

RVRogério Vilela

Seria essa, Romero?

?Voz 1

Isso, exato, uma representação mais ou menos.

?Voz D

Tem um impacto, levanta detrito para caramba, ejeta para o espaço, tapa o sol, tapa a luz do sol.

RVRogério Vilela

Isso, mas assim, depois, depois, depois, depois tem todo um processo, tem alta temperatura também. Então imagina o que isso representa. Então esse impacto, Vilela, é de 100, é de 1 bilhão de vezes a bomba de Hiroshima. 1 bilhão, não é mil, não é milhão, é bilhão com B. Então imagina, a galera de casa, tenta contar até mil, vê quanto tempo leva. 1 milhão é 1.000 vezes 1.000, 1 bilhão é 1.000 vezes 1 milhão ainda.

?Voz D

Então imagina, se tivesse uma pessoa aqui em São Paulo, aconteceu esse impacto, que que a gente sentiria na hora ou depois?

RVRogério Vilela

A hipótese, pelo menos do artigo publicado esse ano, é que num raio de quilômetros, de milhares de quilômetros, ou seja, pega Yucatán ali no México, então toda essa parte da América do Norte e Sul, provavelmente essa galera foi cozida viva. Que? Foi pulverizada? Pulverizada a distância, mano. E a galera do outro lado?

?Voz D

E vegetação também?

RVRogério Vilela

Tudo queimou.

?Voz 1

Tudo, tudo, imediatamente assim. Pulverizou, pulverizou. Porque o que acontece, o pessoal acha que quando o asteroide cai, os bichos morrem esmagados. Mas não chega a ser esmagado, porque conforme o asteroide se aproxima, ele compacta o ar tão rápido que vira uma panela de pressão tão enorme que a embalagem do asteroide... A Alura fica concordando com tudo como se ele já sabia disso.

?Voz D

Ah, não, não, não, você falando, Rômulo. Não, é...

?Voz 1

É verdade, só porque eu não sabia isso, né?

?Voz 2

Ele deve estar imaginando na cabeça dele.

?Voz F

É, ele deve estar concordando com outra coisa.

RVRogério Vilela

Ah, tá, tá.

?Voz D

Por que ele tá falando aqui, Rômulo?

?Voz 1

Não, é tipo...

?Voz D

É verdade. É verdade, é verdade.

RVRogério Vilela

Você tava lá, ô?

?Voz 1

Você lembra como foi?

?Voz F

Eu não, você tava.

?Voz 1

Tua mãe tava comigo, tá bom?

?Voz D

Os cara fica me chamando de velho aqui, cara.

?Voz 1

Se eu tivesse lá, eu não tava aqui, cara.

RVRogério Vilela

É óbvio que eu vi depois do dinossauro.

?Voz F

Você fotografou as primeiras imagens lá.

?Voz D

Tá, então ele comprime o ar e comprime o ar.

?Voz 1

E aí, por um momento, esquentando esse ar, esquenta para ficar na mesma temperatura da superfície do sol.

?Voz D

Nossa!

?Voz 1

Então nesse raio inicial, assim, você não pega fogo, você pulveriza.

?Voz D

Assim, puf, cara, nem sente nada.

?Voz 1

Você não sente nada. Esses foram os bichos que tiveram sorte, porque não sofreu, porque não sofreu. É negócio, nossa, que aconteceu, puf, já era.

RVRogério Vilela

E o Tiranossauro Rex, exato, faz um pedido, eu quero que meus problemas acabem.

?Voz 1

Ah, pronto, né?

RVRogério Vilela

E tem uma imagem, até pode procurar, Homer, que é um Tiranossauro Rex vendo o negócio cair. O Tiranossauro Rex provavelmente é um desses, tá, que foi nas primeiras horas, porque é um animal que vivia mais na América do Norte, tá? Me corrija, Bruno e Amanda, se eu tiver errado aqui. Então esse é um dos que foi primeiro, mas assim, do outro lado da Terra também teve essa queima de floresta, porque essa ejeta muito quente ficou bombardeando o planeta pelo menos por mais 24 horas.

Então é um ar muito quente com material incandescente bombardeando não só a região do impacto, bombardeando os outros continentes também.

?Voz D

Eu já vi uma animação assim, né?

?Voz 1

Que continua caindo ainda. Exato, exato.

RVRogério Vilela

É tipo uma chuva de fogo, né?

?Voz 2

É tipo uma chuva de fogo.

?Voz 1

Aí vai queimando todas as florestas do mundo quase. E eles calculam que o asteroide— terremoto, é, teve um tsunami gigante que inclusive a gente tem no Nordeste do Brasil marcas do tsunami causado pelo impacto do asteroide no México.

RVRogério Vilela

Sério?

?Voz 1

Tem tsunamitos no Brasil, a gente chama esse tipo de rocha de tsunamitos.

RVRogério Vilela

Sabe onde, Bruno?

?Voz 1

Tem ali no Pernambuco, tem, é bem onde você tem o limiar entre o final do Cretáceo, né, da era dos dinossauros, e o começo da era cenozoica.

RVRogério Vilela

Que legal.

?Voz 1

Você tem tsunamis e você tem uma das evidências que caiu um asteroide, é uma camada de irídio, que é um metal muito raro na Terra, mas muito comum em asteroides, que tem 1000 vezes mais irídio no mundo todo em rochas dessa época. Porque é justamente isso, o material cai, é pulverizado, e depois ele vai decantando gradativamente no planeta e depositando.

RVRogério Vilela

Essa história, aliás— Desculpa, mano, se você tiver te cortando.

?Voz 2

Não, eu ia falar que era primavera, mas você pode ir.

RVRogério Vilela

Ah, primavera dos dinossauros.

?Voz 1

A gente sabe, né?

RVRogério Vilela

O Sacani falou isso uma vez num episódio.

?Voz 2

Era primavera quando aconteceu isso.

?Voz 3

Dá para saber isso?

?Voz 1

Isso, pela concentração de pólen fossilizado.

?Voz 2

Tem muito pólen fossilizado, né, nas rochas dessa data, desse exato momento.

RVRogério Vilela

Triste ainda, né, para os dinossauros.

?Voz 2

Para a gente não, né, de primavera, né.

?Voz D

Mas eles dominaram muito tempo também, né, 160 milhões de anos, né.

?Voz 1

E não morreram alguns, né. As aves são dinossauros e sobreviveram a esse evento. Então alguns dinossauros Por serem pequenas. Quem sobrevive nessa época, e sinto muito, todos nós aqui na mesa morreríamos, é quem tinha menos de 50 kg.

?Voz D

Qual a explicação?

?Voz 1

Porque numa crise biológica, qual que é a primeira coisa que acontece? Então você pensa nessa crise. Comida. Comida. Os dinossauros que eram muito grandes se lascaram.

?Voz D

Precisavam de muita comida.

?Voz 1

Precisavam de muita comida. O bicho que é pequeno, o bicho que é necrófago, come bicho morto, tá no céu, né? De repente tem um monte de bicho morto por aí. Outra coisa, no momento que tem esse incêndio global no mundo inteiro, o bicho grande não consegue se esconder. O bicho pequeno entra numa caverna. Não, não se esconder do calor, do fogo mesmo.

RVRogério Vilela

Galera que cava umas tocas, quem sabe se dá um pouco melhor, que eram os nossos antepassados. É nós, é nossa linhagem dos mamíferos pequenininhos.

?Voz 1

Parecia tipo um ratinho, parecia um musaranha.

?Voz 2

É o Pirula que fala, né, os musaranhas.

?Voz D

Uma imagem aí.

?Voz 1

Procura aí, musaranha.

?Voz D

Eu sempre acho que eles estão inventando as coisas aqui. Prova para mim que é verdade, tá? Musaranha, olha só.

?Voz 2

Mas é uma coisa interessante, hoje a gente sabe que assim, um dos animais mais ameaçados da atualidade são os anfíbios, né? Os sapos, rãs, pererectas, eles estão super ameaçados.

?Voz D

E os insetos também, porque tem aquele papo que tinha muito mais inseto antes, que a gente via no vidro do carro quando dirigia.

?Voz 1

Hoje não tem, tem grupos em particular, né? Abelhas, por exemplo. Esse bichinho fofinho aí que a gente tem que agradecer, esse é um dos tipos, é tipo isso.

RVRogério Vilela

Vamos botar dessa maneira.

?Voz 1

As nossas tataravós já foram assim, pareciam homens em algum momento.

?Voz 2

E aí então os anfíbios estão super ameaçados hoje, só que eles passaram ilesos nesse evento de extinção em massa. Nem sentiu, nem sentiram, né? Porque as mesmas espécies que tinham naquela época, elas conseguiram passar para fase, né? Passaram de fase do videogame, depois passou do chefão. E continuaram aí. E só que hoje estão ameaçadas, né? Então o grupo dos anfíbios sobreviveu bem a esse evento de extinção, mas não tá sobrevivendo muito bem hoje em dia, né? Aí entra a nossa causa, né? Por conta das nossas ações.

RVRogério Vilela

E o que é interessante nessa história também da extinção dos dinossauros no avião especificamente é que essa história do irídeo, na verdade, ela realmente é o que basicamente deu a martelada ali, o carimbo de que foi um asteroide. Porque assim, Vilela, ninguém, assim, os dinossauros, assim, ninguém viu. Você viu o asteroide cair? Não, né? Ninguém tava lá. Então como é que a gente sabe que um asteroide? Porque não tinha cratera.

Essa hipótese ela foi postulada antes de acharem a cratera em Yucatán. E a galera na verdade não acreditava no asteroide, porque o que o Sepkoski e o Halp fizeram naqueles gráficos—

?Voz D

asteroide ou cometa, ou tanto faz, é diferente, mas provavelmente era um asteroide.

RVRogério Vilela

Provavelmente asteroide. Não lembro exatamente a razão, mas acho que pela composição do que depositou depois.

?Voz 1

O cometa, ele parece um asteroide, mas ele é coberto com gelo.

?Voz D

É, ele é água.

RVRogério Vilela

Porque assim, o que o registro fóssil nos mostra é quando as extinções em massa aconteceram, beleza? E isso tá lá registrado, tranquilo? É como se fosse um livro escrito ali, o registro fóssil. Agora, o que a gente faz como cientista é tentar buscar a causa daquela extinção em massa, né? Então havia todo um debate até a década de 80 justamente nessa dos dinossauros, 66 milhões, o que causou esse negócio. E o pêndulo não estava para o asteroide até, né, que os cientistas viram ali que você tinha, né, os Alvarez, que tinha o tal do irídio.

Então essa é uma história muito legal de como a ciência vai se atualizando e como a gente muda de ideia à luz de novas evidências, né. Então essas histórias hoje que a gente conta do asteroide caindo há 66 milhões de anos de você ter 5 grandes extinções em massa, Big Five, nos últimos 500 milhões. Isso veio do trabalho dedicado de muitos cientistas em universidades. Então é muito legal e a história tá toda redonda, né? Cada vez mais ela tá tão bem contada.

?Voz 1

Os detalhes, né?

RVRogério Vilela

E o que eu achei legal assim, Vilela, Amanda e Bruno, desse artigo desse ano, é que o pêndulo também na questão da extinção dos dinossauros tava muito assim daquele inverno, digamos assim, nuclear ou coisa desse tipo. Que demoraria dezenas de anos, milhares de anos para extinção. Mas hoje, né, e vocês me corrijam se a minha interpretação tiver equivocada na opinião de vocês, por gentileza, é que a maioria deles morreu no dia mesmo, tá?

No dia, pelo menos a maioria, não vou dizer, mas dos grandes, né, provavelmente a maioria morreu nas primeiras horas ou nos primeiros dias após o impacto, que torna esse impacto do asteroide uma coisa absolutamente única nas extinções de massa. Porque é a única que é tão pontual e catastrófica num curto período de tempo. Porque as outras levaram milhões de anos, milhares de anos. Mesmo a nossa tá levando vários anos, não foi assim do dia para noite.

E essa do asteroide, acho que é por isso que ela é tão interessante do ponto de vista da cultura popular também, que foi um negócio assim, imagina, foi realmente uma tragédia que nas primeiras horas já causou boa parte da sua devastação. E claro, continuou depois ao longo de décadas, de séculos, talvez até de alguns milhares de anos, e levando à extinção não só de dinossauros, mas também dos corais, que eu trabalho, por exemplo, né?

Então essa galera foi mais lentamente sendo extinta pela falta de sol para não ter a fotossíntese. Então eu acho assim, intelectualmente, eu acho assim um tesão intelectual essa história, cara. É muito legal assim. Acompanhar o desenvolvimento desse negócio. Quando eu nasci, eu nasci antes de 1980, quando veio a hipótese do alvorejo, não se acreditava no asteroide, cara.

?Voz D

Então, o que que era a parada, cara? Geralmente, desde que eu me lembro, asteroide. Eu não lembro de outra teoria.

?Voz 1

Ou chamou de velho, hein?

?Voz D

Não, nasci em 70, eu sou mais velho, mas eu não lembro da galera falando de outra teoria.

RVRogério Vilela

Você lembra? Assim, além de asteroide, geralmente o que se É, fumavam muito.

?Voz 1

Pior que já, assim, a gente já viu um cartum assim, né? Então os dinossauros doidão. Tinha uma série de hipóteses menos aceitas antigamente, que o pessoal achou que, sei lá, os mamíferos comeram os ovos dos dinossauros.

?Voz F

Ah, é?

?Voz 1

E é por isso que eles morreram, é. Tinha a hipótese de que as angiospermas, são as plantas com flores e frutos, eram venenosas. E aí os bichos não conseguiam lidar com isso. E aí fizeram um cartunzinho do dinossauro fumando. Ah, nossa, tá me dando um barato ruim isso aqui, né?

RVRogério Vilela

E assim, não é que não existia hipótese do asteroide, não é isso. Mas a questão é o seguinte: se você tem uma hipótese, você tem que, na ciência, a gente tem que testar e tem que provar. Então, se eu chego aqui e falo para você: olha, na minha opinião, há 66 milhões de anos foi um asteroide. Por quê? Porque eu não achei nem problema de vulcanismo, eu não achei isso, nem isso, nem isso. Então, por exclusão, deve ter sido uma coisa catastrófica que aconteceu, asteroide ou cometa.

Aí beleza, a comunidade científica vira para você e pergunta: tá bom, me mostra então onde está a sua evidência. E esses caras, os Alvarez, acho que eram irmãos inclusive, foram atrás e viram a camada de irídio. E aí conseguiram provar esse negócio, entendeu? Porque de novo, Vilela, quando a gente volta no passado, a gente tá fazendo, a gente não tem como testar, a gente não tem como ver o que aconteceu. Então, por exemplo, quando a gente volta na maior extinção de todas, que foi do final do Permiano, 252 milhões de anos, que matou mais de 95% da vida oceânica no planeta Terra, a gente também postula hipóteses.

Então, o que que a gente vê nesse período? Grandes derrames basálticos na Sibéria. Então, a hipótese é que tenha sido vulcanismo na Sibéria. Ninguém viu o vulcanismo na Sibéria 252 milhões, 260 milhões de anos. Mas então, a ciência da evolução, Vilela, a ciência realmente do passado é reconstruir, é tipo assim, é uma É você tentar reconstruir, é trabalho de detetive, trabalho de montar um quebra-cabeça. Exato, exato.

?Voz D

Montar um quebra-cabeça, você vê a figura, que forma, e fala, tá, é um barco, é um iate.

?Voz 2

Você tem uma ideia do que seja, né? A paleontologia é uma ciência histórica, né? Então a gente sempre tenta recapitular o que aconteceu, mas baseado nas evidências que a gente tem disponíveis hoje. São as evidências reais.

?Voz D

A gente prometeu que toda vez que essa palavra for falada, alguém tem que cantar, não é?

RVRogério Vilela

É verdade.

?Voz D

Eu faria um abaixo-assinado para ser o hino nacional.

RVRogério Vilela

Ninguém me leva a sério.

?Voz D

Se isso fosse o hino nacional, a gente parava qualquer competição, cara.

RVRogério Vilela

Já tô com a mão no peito aqui, ó.

?Voz D

Olha aqui, ó.

RVRogério Vilela

Por que que vocês inventaram isso? Porque alguém falou pela primeira vez evidências e alguém começou a cantar. E aí agora é hino nacional. E para que fica?

?Voz D

Agora para, senão aí cai copyright.

?Voz 2

É por isso que eu falei, porque se inventou isso.

?Voz F

Quer Singer aí cantando?

?Voz 1

Quero Singer cantando Evidência.

RVRogério Vilela

Tô à disposição aí.

?Voz D

Fazer a infinita highway com Evidência.

RVRogério Vilela

Galera, o Vilaão tá deixando cantar, senão... Mas melhor, melhor, melhor. Melhor não, melhor não. Melhor ficar no cometa aí, no asteroide.

?Voz D

Desculpa, sobrevivência.

?Voz 2

Sobrevivência, a gente vai falar muito, hein?

RVRogério Vilela

Então cuidado aí. Não, mas é aquilo, é aquilo, toda vez essa ideia do quebra-cabeça, porque a gente chega no podcast, a gente grava um vídeo no YouTube, e conta a história, beleza. Ah, então aquela extinção em massa, tipo do Permiano, foi vulcanismo que causou uma mudança climática. É uma coisa super interessante, que é o quê? A mesma coisa que a gente tá fazendo agora. Ah, mas a dos dinossauros foi o asteroide, beleza. Então parece que essa história assim tá, ela tá redonda hoje, mas assim, ela não estava redonda dessa maneira na década de 70, nem na de 60, nem na seguinte.

Foi o trabalho árduo de muitos cientistas que contaram essa história. E ciência funciona dessa maneira. Pode ser que amanhã alguém descubra uma evidência que lá a extinção do Permiano, há 252 milhões de anos atrás, que foi a maior de todas, que matou os trilobitas, essa pode ser que tenha sido um bólido que veio do espaço também. E aí a gente muda a nossa explicação. E essa é a beleza da ciência. Então, até para a galera de casa entender, a gente tá tentando aqui da melhor maneira possível mostrar as melhores evidências sobre a questão das extinções em massa e o que causou as extinções em massa.

?Voz 1

Com base no que a gente tem hoje, né?

?Voz D

Exato.

RVRogério Vilela

E o pêndulo assim, ele— e depois que acharam a cratera de Yucatán, aí é mais uma evidência, ainda mais contundente do que o irídio, que realmente foi o impacto. Agora, a discussão que ainda existe na literatura é se foi a maior parte da extinção foi nas primeiras horas ou nos primeiros dias, ou levou centenas a milhares de anos. E o pêndulo agora tá vindo mais para as primeiras horas, primeiros dias. Até um tempo atrás tava—

?Voz D

só para deixar claro, a gente falando de uma das grandes extinções em massa.

?Voz 1

Foram 5, foram 5.

?Voz D

Depois a gente vai falar das outras 4.

?Voz 2

Beleza, bora começar então.

RVRogério Vilela

Qual foi a primeira? Então se você quer saber a primeira, eu vou falar aqui já, eu vou de cara dizer que tem 6, tá? É porque assim, ó, Desde 542 milhões de anos atrás a gente tem um bom registro fóssil. Então essas 5, elas são somente dos últimos 542 milhões de anos. Antes disso a gente não tem um bom registro fóssil. Entretanto, há 2,5 bilhões de anos evoluiu a fotossíntese, essa coisa que deu oxigênio todo. Antes disso não tinha oxigênio.

Então com a evolução da fotossíntese por um grupo de organismos chamados cianobactérias, a gente começou a ter oxigênio livre na atmosfera. Só que esse oxigênio, ele era tóxico para outros organismos, por exemplo, quimiossintetizantes unicelulares, tá, galera? A gente tá falando de coisas muito pequenas. Então essa provavelmente, provavelmente não, certamente foi a primeira grande extinção em massa. Só que assim, Vilela, isso aí não tem uma fotografia fóssil, entendeu?

Isso não é um registro fóssil que nem você vê dinossauro até aqui, já daqui para frente não tem. Ela é uma inferência bioquímica do registro do oxigênio na superfície da Terra. Mas assim, é um consenso praticamente de que a gente já teve a nossa primeira extinção em massa no planeta Terra há 2,5 bilhões de anos atrás. E possivelmente tivemos mais até chegar nos 500 e poucos milhões de anos. Então o que a gente tá fazendo agora, né, é falar um pouco mais dessas mais recentes, que são as 5 grandes que aconteceram nos últimos 542 milhões. Acho importante deixar isso claro.

?Voz F

Legal.

RVRogério Vilela

Concorda comigo?

?Voz 2

E é interessante o que você falou dessa primeira grande extinção, porque o que que foi extinto na época? Micro-organismos, né? Era só micro-organismo. Então a gente tinha uma diversidade de vida né, a ponto dela ser extinta. Mas era tudo de microrganismo, a gente não enxergava, né, a gente não enxergaria esses organismos. Agora, as outras extinções, essas 5, né, que a gente vai falar, aí você já tinha uma grande diversidade de formas, né, de animais, até vertebrados, animais marinhos principalmente.

Então, a primeira grande extinção, com exceção dessa que o Beto comentou, né, mas que é considerada, né, a primeira dessas 5, é uma que aconteceu há mais ou menos 450 milhões milhões de anos, né, era um período que a gente chama de Ordoviciano. Então ali a vida só existia no mar, não tinha ali vida nos oceanos, tipo um gostinho na terra firme.

?Voz 1

Era árida, era rocha. Então assim, não tinha nem solo, porque solo é areia, é pedra quebradinha, né, tipo areia. Lá não, era só montanha, montanha, montanha, né, só rocha pura.

?Voz 2

Então a vida era nos oceanos. Então o nosso planeta, né, a vida surge no oceano e vai se diversificando ali em várias formas.

?Voz 1

Pesquisa aí, Roger, Ordoviciano, vai achar umas imagens da época.

RVRogério Vilela

A gente coloca ali, viu?

?Voz 2

É uma baita de uma extinção, foi 80%, se eu não me engano, foi entre 76, 80%, acho maior, né, dessas aí, bastante. Então a gente comentou trilobita, né, estávamos falando dos trilobitas antes de da gente começar aqui. Então, então você tinha alguns bichos como esses trilobitas, que o pessoal que gosta de bicho extinto deve conhecer, né? Então eles são, eles eram artrópodes, já tinha esses bichos aí, né?

?Voz 1

E então você tinha essa vida aí marinha e boa parte dela foi extinta nessa extinção aí, nesse grande evento do Ordoviciano, que pode ter sido causado, né, assim, uma das hipóteses é que foi uma glaciação E pode ter sido causada pelo fato de que a Terra foi parecida com Saturno nessa época, porque a Terra teve anéis. É uma hipótese, né, que a gente tem. E da onde que vem essa hipótese? O pessoal comentou que nessa época tem muitos impactos pequenos de asteroides aqui.

Então tem muitas craterinhas pequenas e assim espalhado, tem um pouco na Inglaterra, tem um pouco na Austrália, um pouco nisso. Mas quando você joga o mapa da época, porque os continentes não têm a mesma posição de hoje do que tinha naquela época, quando você alinha os continentes e coloca as crateras, você vê que todas elas estão ao redor. Olha como era o nosso planeta, que legal!

?Voz 2

Isso há cerca de 450 milhões de anos, de rocha, de pedacinho de pedra.

?Voz D

Saturno também, também mesma coisa, que não, não caíram, sumiram.

?Voz 1

Exato. E nem força para ser puxado. O nosso caso, por exemplo, foi impacto que teve força para ser puxado, só que ele foi aos pouquinhos. Então, durante um momento, como essas crateras, quando você alinha os continentes, estão todas na linha do Equador, que é exatamente onde se forma os anéis, né, porque onde o efeito gravitacional é maior. E aí, ó, a hipótese é que a sombra desses anéis na Terra, bem na linha do Equador, tenha contribuído para o resfriamento do planeta, como se fosse uma glaciação. E aí, nessa glaciação Hashtag volta anéis, cara, ia ser demais, cara.

RVRogério Vilela

Ficou bonito o planeta, né?

?Voz D

Para a gente seria ruim, né?

?Voz 2

A gente estaria numa glaciação.

?Voz 1

Mas ia ser bonito, hoje que eu tô jogando.

?Voz 2

Talvez, talvez sim, talvez sim.

?Voz D

Então não volta anéis.

?Voz 2

Então o que a gente sabe é que tem essa evidência de que o planeta esfriou, né? Provavelmente passou por uma glaciação. E aí depois que foram encontradas essas craterinhas, né, ao redor de uma região comum foi postulada a ideia de que poderia ser um anel e essas rochas do anel caíram depois.

?Voz D

Só um detalhe, você percebeu que ela tem a mesma voz de alguém que trabalha com a gente?

?Voz F

Sim, percebi.

?Voz 2

Quem?

?Voz F

Bem parecido.

RVRogério Vilela

Igual a Fabi?

?Voz 2

É mesmo?

?Voz D

É a mesma voz da Fabi. Se fechar os olhos, é a Fabi falando.

?Voz 1

É, continua.

RVRogério Vilela

Pena que a Fabi não tá aqui hoje, né?

?Voz 1

Senão o pessoal fala que a Amanda tem voz de dubladora, né?

?Voz 2

Também é de desenho animado. É verdade.

?Voz D

Eu tô atrapalhando hoje, vamos lá.

?Voz 2

Não, não, pode continuar. Fica em casa.

?Voz 1

Faz de conta que eu tô em casa.

RVRogério Vilela

Faz de conta que tá em casa, viu, Laila?

?Voz 2

Vamos lá. Então teve essa glaciação, então tem evidências dessa glaciação, e aí 80% do que tinha de vida, aí só os bichos marinhos, foi para o saco. E aí depois, a segunda, segundo evento de glaciação foi alguns milhões de anos depois, de extinção, aliás, de extinção em massa. Foi num período seguinte chamado Devoniano, que aí é o meu período geológico assim favorito, porque era dos peixes. Eu trabalho com peixe, né?

?Voz 1

Então eles dominavam os oceanos. Talvez vai aparecer aí agora.

RVRogério Vilela

Essa extinção é muito interessante, viu? Porque ela não é— porque essa é uma das poucas extinções que talvez, em semelhança a essa que tá acontecendo agora, que a vida, a própria vida contribuiu para ela. Porque a gente sempre pensa em extinção como vulcanismo, asteroide, coisa desse tipo. Mas tem pelo menos duas extinções. Uma, a primeira ali, há 2,5 bilhões de anos, né, que a vida causou. Mas essa de 375, do Devoniano, provavelmente a evolução das plantas terrestres que estavam dominando contribuiu para essa extinção em massa também.

Ou seja, é a vida causando extinção em massa no planeta Terra por conta né, das raízes ali que levaram mais nutrientes para o oceano. E houve, no caso ali, né, Amanda, me corrija se eu tiver errado, teve uma diminuição da temperatura, certo, ali nessa região, porque as plantas sequestraram esse CO2. Então é uma segunda extinção em que a Terra na verdade esfriou. A gente aí sempre acha que extinção em massa, a Terra vai esquentar, mas nesse caso foi um outro resfriamento, então causado provavelmente pelas florestas.

?Voz 1

Olha um dos bichos que tinha nessa época, coisinha fofa.

?Voz 2

Esse é um dos meus bichos pré-históricos favoritos, tá? Ele chama Dancleostus.

RVRogério Vilela

Ele é um elasmo branco?

?Voz 2

Não, não, não. Então era um placodermo. Então vamos explicar os termos, né?

?Voz D

Já tomei esse negócio aí, placodermo. Toma um placodermo duas vezes ao dia, né?

RVRogério Vilela

Dá para ver que não tem as fendas ali também, né?

?Voz 2

Então hoje assim, o que que a gente conhece de peixe, né? O grupo dos peixes ósseos, qualquer peixe aí que a gente pense na cabeça, peixe ósseo. E o grupo dos peixes cartilaginosos, tubarão e raia. Então são os dois grandes, né, grupos que a gente tem hoje de peixes. Nesse período aí a gente tinha outros grupos inteiros que o grupo todo foi extinto. E um desses grupos era o grupo dos placodermos, que eles eram peixes que era como se fossem tanques de guerra. Eles tinham uma placa óssea envolvendo aqui a região da cabeça, tudo.

?Voz 1

Ele não tinha dente. Aquelas placas lá que tava mostrando, parecia dente, é a própria cabeça dele, é o osso da cabeça afiado. E é um bicho que morde tão forte quanto talvez um Tiranossauro Rex. Então assim, é um bicho que na hora de fechar a boca divide você ao meio, assim, como se não fosse nada.

RVRogério Vilela

E Amanda, os primeiros tubarões elas são de quando, mais ou menos?

?Voz 2

Eles são dessa época também, né?

RVRogério Vilela

Surgiu tudo nessa, estavam ali no meio dessa época, né?

?Voz 2

Então era tubarão, raia-peixócio, acantódeo, que era um, chama de tubarão com espinho, que não era nem tubarão, né? Mas eram grupos assim completamente diferentes do que a gente tem hoje, todos convivendo juntos aí nos mares do Devoniano, né? Mais ou menos 350 milhões de anos.

?Voz 1

E nessa época que tem o primeiro grupo mais comum de tubarões do mundo, que é o Cladocephalae. São os primeiros tubarões que são encontrados no mundo todo.

RVRogério Vilela

E ainda não é tubarão com, digamos assim, a cara dos nossos agora, assim, mas ele é um pouquinho diferente, né? Porque os modernos têm mais ou menos uns 200 e poucos, né, milhões de anos assim. Mas interessante, né?

?Voz 2

Então os mares eram isso aí, os bichões. Mas aí no final desse período aí teve esse evento de extinção, aí esses bichões legais acabaram, né?

RVRogério Vilela

Mas acho tão legal porque as plantas, né? A gente esquece, a gente fica falando de bicho aqui, né? É, todo bichólogo, né? Amanda e Bruno do Zomundo. Mas, cara, as plantas mudaram completamente o planeta, né? Então assim, essa exceção que é interessante é que a evolução das raízes das plantas permitiu que esses nutrientes da terra fossem para o mar. Isso basicamente adubou os oceanos, aumentou ali a produtividade, que depois acaba levando anóxia e coisa desse tipo.

E aí as plantas tirando o CO2, botando nos seus troncos, e sem ter organismos para fazer ali a, como é que é, para decompor, isso produziu carvão, né, subsequentemente, que a gente queima até hoje, e diminuiu a temperatura, né. Então assim, foi uma diminuição da temperatura. Isso acho tão interessante. Essa extinção acho uma das mais interessantes de todas, na verdade, essa do Devoniano ali.

?Voz 2

E muitos corais foram extintos, né. Você que trabalha com corais deve saber que hoje a gente tem uma grande diversidade de corais, mas tem um monte de grupo que foi completamente extinta, né?

RVRogério Vilela

A gente pensa geralmente na dos dinossauros, que foi a 66, né? Mas a gente esquece que teve essa 440, a 350, e obviamente a do Permiano, que provavelmente a próxima que você vai botar na lista aí, a 252. E, cara, só que era uma vida totalmente diferente do que a gente tem hoje.

?Voz 1

Então os recifes de corais eram completamente diferentes.

RVRogério Vilela

Exato. Então é legal para a galera entender assim, porque, né, não tinha boa parte dos animais que a gente tem hoje. Né? A vida tava começando a se expandir na Terra, principalmente plantas, fungos e artrópodes. Estamos falando aí do grupo dos insetos, dos quelicerados, aracnídeos, essa coisa toda. E no ambiente marinho, os corais que a gente tem hoje até já existiam nessa época, mas era um grupo muito menor. Era mais rugosa e tabulata, que são corais que sumiram na final do Permiano.

E ainda os elasmobranquios, tubarões, convivendo com os placodermos. Que nem você falou, cara, era um mundo maluco assim, completamente diferente do que a gente tem hoje. E por que que ele é diferente que a gente tem hoje? Por causa das extinções em massa. Porque se não tiver as extinções em massa, elas são, digamos assim, a navalha que faz com que você realmente leve à extinção animais que estão completamente bem adaptados ali.

Por isso que o Stephen Jay Gould, que é um dos meus heróis aí da evolução, Ele fala o seguinte, ele fala que, digamos assim, a importância relativa da seleção natural talvez não seja tão grande assim no longo prazo, porque quando você tem uma extinção em massa, não importa o quão adaptado aquele organismo está para o seu ambiente, quando cai o asteroide, tanto faz. Você pode ser o predador mais incrível do planeta Terra, que nem o Tiranossauro Rex, quando vem um asteroide e não tem mais comida para você, tchau, meu caro.

Então a importância relativa de eventos totalmente, faltando a palavra agora, mas aleatórios ou totalmente não previsíveis, estocásticos, eventos estocásticos, ela é super importante porque a gente não sabe quando vai ser o próximo asteroide, beleza? A gente não sabe e isso meio que zera o jogo de novo.

?Voz D

Vulcão também a gente não tem como prever.

RVRogério Vilela

Isso, não, até tem.

?Voz D

Vulcão é mais ou menos, mas você não pode falar que daqui alguns anos vai acontecer.

?Voz 1

Não, e tipo, eles vão monitorando normalmente, tá? Regiões próximas de vulcões ativos, tem um sismógrafo, que vão medindo atividade. Mas, por exemplo, tem o caso dos supervulcões no mundo. Lá nos Estados Unidos, né, no parque lá de Yosemite, tem um que assim, se aquele mega vulcão entrar em erupção por algum motivo, metade dos Estados Unidos vai para o saco. Assim, então você imagina hoje o país ainda é mais poderoso do mundo, lá também, que é a falha de San Andrés, né?

RVRogério Vilela

A qualquer momento aquilo pode se mexer.

?Voz 1

É, então assim, é você viver numa imprevisibilidade que é a gente viu esse ano, né, 2 terremotos aqui na América do Sul, na Venezuela, na Colômbia, teve na Espanha também, teve, tava saindo de lá, teve um terremoto em Gramado.

?Voz 2

E algumas coisas a gente até consegue identificar, né, tem mapeamento, né, tem como, mas às vezes, né, pode ser tarde demais quando a gente consiga identificar.

?Voz 1

Mesmo asteroide é difícil, né, identificar, olhar no espaço, o pessoal vai acompanhando, mas o problema é que o asteroide é uma rocha escura no meio do espaço que é escuro. Então na hora que você vê, e tá chegando perto, é, mas tem um negócio legal para falar disso.

?Voz 2

A gente até falou em um vídeo já. Em 2022, a NASA lançou uma sonda. Vocês procurarem aí DART NASA, coloca aí no DART. Eles lançaram uma sonda para colidir com um asteroide pequeno, negocinho pequeno que tava se se aproximando, tava em rota com a Terra, e a sonda conseguiu explodir, desviar, desviou esse asteroide.

?Voz 1

Foi a primeira tentativa, né?

?Voz 2

Foi a primeira tentativa com sucesso em 2022. E o nome desse projeto foi DART, tipo dardo mesmo. É, foi um dardo. É, a sonda foi, encostou e desviou, explodiu, né? Assim, teve, foi muito legal.

?Voz 1

É só para desviar. É porque o pessoal acha, até por filme, que você vai jogar uma bomba atômica e vai explodir. Mas o problema é que você vai fragmentar e vai cair vários ao invés de um grande, cai vários pequenos, não ajuda muito.

RVRogério Vilela

Ou seja, a gente não quer zerar o jogo, né? A gente quer evitar que o jogo seja zerado de novo para os próximos seres vivos se darem bem, né? A gente tá realmente sendo bem egoísta aí.

?Voz 1

Até para nossa própria existência.

RVRogério Vilela

Claro, claro.

?Voz 2

Esse tipo de coisa pode, né, prolongar um pouquinho a nossa existência aqui, né?

RVRogério Vilela

A tecnologia Mas eu acho legal, galera de casa, assim, e a gente assim refletir que é justamente por causa das extinções em massa que a gente teve essas grandes mudanças, que no final da história levou a nós 4 sentados nessa mesa e os nossos queridos ouvintes aí em casa nos ouvindo. Se isso tudo não tivesse acontecido, essa destruição toda não tivesse acontecido, o rumo seria completamente outro.

?Voz 1

A gente não estaria aqui hoje.

RVRogério Vilela

E aí o Stephen Jay Gould fala o seguinte: se a gente rebobinasse a fita da vida Beleza, hoje não é mais fita, desculpa, eu agora assim, mas enfim, se a gente voltasse de novo o vídeo no YouTube, né, da vida, e soltasse ele de novo, a história muito provavelmente seria completamente diferente ou bastante diferente, justamente por causa desses eventos estocásticos que a gente não tem como prever, que não aconteceriam muito provavelmente nesses mesmos eventos.

E aí sabe lá se aqui nessa mesa não estariam, sei lá, 3 Velociraptors, ou sei lá, discutindo, né, ou sei lá qual outro animal que eventualmente teria evoluído a autoconsciência e a inteligência.

?Voz 1

Mas se é que teria, né, porque a gente também acha às vezes que não vai evoluir um bicho inteligente. Não necessariamente, concordo plenamente. Só se é que precisa ser inteligente, só se a inteligência for algo que for fazer a diferença na sobrevivência. Se não for, não tem motivo para.

?Voz 2

No nosso caso funcionou. Sobreviveu, né, foi selecionado.

RVRogério Vilela

Mas aí, por isso, não tivesse tido a evolução das plantas nesse período, com as suas raízes, né, realmente ali cavocando a terra, levando nutrientes para os oceanos, sequestrando esse CO2, a gente não estaria aqui hoje. Acho tão interessante pensar em todos esses eventos que aconteceram, beleza, que levaram no fim a gente. Ou seja, extinção em massa faz parte da história da vida na Terra. E na minha são talvez alguns dos eventos mais interessantes que a gente tem, porque, de novo, como zera o jogo, abre o campo para os outros organismos corais que eu gosto de trabalhar, que eu trabalho, por exemplo, parte deles chama escleractínea.

Se não tivesse tido a grande extinção do final do Permiano, eles já existiam antes. É que nem mamífero e dinossauro, eles já estavam ali, só que estavam quietinhos. É um grupinho pequeno, mar profundo, essa coisa. Deu extinção do Permiano, eles— foi a chance realmente foi oportunidade que o destino deu para eles de diversificarem, formarem o recife de coral maravilhoso que a gente tem hoje. Acho absolutamente incrível.

?Voz 2

É incrível. É o que a gente sempre fala lá no Zoom Mundo: depois de um evento de extinção sempre vem um evento de diversificação. Sempre, né? Porque os nichos ecológicos que a gente chama, como se fossem papéis ali, né, de uma peça de teatro Os papéis estão sempre ali. Agora, quais são os atores que vão ocupar esses papéis? Sempre vai trocar os atores, né?

RVRogério Vilela

E você concorda comigo, Amanda, que a do Permiano é a mais top de todas aí? Talvez depois é mais terrível, que a terceira, né?

?Voz 2

A gente tá falando tanto de Permiano, Permiano, porque que nome é esse, né? Então Permiano foi um, né?

RVRogério Vilela

Você pode falar a idade, né? 252 milhões de anos. Acho que é melhor. Então é 440, 300 e alguma, 275, e aí vem a grande 252 milhões. Animais, né, que era o final do Permiano, que matou os primeiros.

?Voz 2

É chamado de a Grande Morte. Por que a Grande Morte? Porque mais de 90% das espécies do planeta conhecidas se extinguiram. Acabou assim, quase que zerou assim o planeta.

?Voz 1

Botão de reset do PlayStation.

RVRogério Vilela

Não, mas aí a vida é extinção total da vida no planeta Terra. Isso pode acontecer em outros planetas, certo? Não tem nada que garanta que isso não seja um dos filtros pelos quais Ninguém tá chegando com uma nave aqui dando oi para nós.

?Voz 1

Em algum momento isso aconteceu.

?Voz 2

Exatamente. E aí a principal hipótese para explicar essa grande morte é uma série de vulcanismo intenso na região da Sibéria, né? E aí, por que na região da Sibéria? Porque hoje, né, você vai lá nessa região e você vê grandes derramamentos, grandes rochas vulcânicas.

?Voz 1

Você precisa ter uma ideia da dimensão, é mais ou menos do tamanho da da Austrália hoje. Essa região saiu lava nessa região que cobriria uma região igual o tamanho território da Austrália. Então assim, é muita lava, e ao mesmo tempo não é a lava o problema. O problema são os gases tóxicos, e mesmo gás carbônico que libera, que vai se acumulando na atmosfera, e aí leva o planeta. Se na última foi por conta do resfriamento, nessa possivelmente foi por conta também do aquecimento global.

Perfeito. Só que assim, a gente demorou esse processo em torno de 75 mil anos para acontecer. Então a concentração de CO2 na atmosfera subiu de 400 partes por milhão para 2.500. Essa aí é a região lá da Sibéria, né?

RVRogério Vilela

Lá, 252 milhões de anos.

?Voz 1

Isso, perfeito. Daquela época, né? E ao longo de 75 mil anos. Só que hoje em dia a gente tá lançando na atmosfera gás carbônico numa velocidade 64 vezes maior do que nessa época. Então assim, a gente sabe o que acontece quando você lança muito gás carbônico na atmosfera. A história já nos mostrou, a história já contou para gente, do tipo, a mesma coisa que acontece, a extinção. Aí o que acontece, extinção, perfeito, né? Então a história já tá contando para gente, ó, eu te avisei, né?

Tá aqui. Porque o pessoal usa isso às vezes, Vilela, para argumentar e falar O clima sempre mudou, é verdade, é uma coisa cíclica, que é uma coisa assim que sempre aconteceu, não é culpa nossa.

?Voz 2

E não necessariamente é cíclica, né, porque o cíclico ele obedece ali ainda um padrão, né. Então são coisas às vezes aleatórias, né. Por exemplo, esse vulcanismo que aconteceu não foi um evento cíclico, né.

?Voz D

Mas a questão que o clima sim sempre mudou, porque aconteceram eventos que modificaram o clima, mas A série de coisas que estão acontecendo, a gente consegue colocar, dar 10 passos para trás, observar esse cenário todo e falar, cara, pode ser um sinal de coisa maior? Quantidade de terremoto, algumas espécies morrendo, a gente consegue dar um cenário? A gente está inserido, não tem como, como a gente está inserido nesse tempo histórico, não tem como, tem que esperar passar o negócio?

?Voz 1

Não, tem como, tem como, está plenamente ainda, porque comentei, nesse pior momento da história da Terra, saiu de 400 partes por milhão para 2.500 de CO2 na atmosfera, que causa o efeito estufa. A gente tá agora ultrapassando recentemente as 400 partes por milhão. Então até chegar em 2.000 e tanta demora. O problema é a velocidade. Então assim, ao mesmo tempo que a galera fala o clima sempre mudou, isso é verdade. O que é mentira é a velocidade e a intensidade como o clima mudou, até o ponto que a gente sabe, num curto período de tempo, o clima nunca mudou tão rápido quanto hoje em dia.

?Voz 2

E isso a gente tem como observar bem, porque tá sendo registrado hoje em dia.

?Voz D

Sim, mas como a gente compara com quando a gente não conseguia medir?

?Voz 2

Testemunho.

?Voz 1

Porque, exato, se você pega regiões da Antártica, por exemplo, e você faz um— o gelo é muito bom para isso, porque você pega uma máquina, corta um tubão de gelo, e o gelo quando ele congela ele é preso no ar dentro. Então você consegue saber exatamente a concentração exata da atmosfera da época.

?Voz 2

E a gente chama isso de testemunhos.

?Voz 1

Testemunha nas rochas, você tem também evidência disso, um pouco mais indireta, mas dependendo da concentração de gases na atmosfera, você tem um tipo de mineral que é melhor preservado, outro tipo que é mais oxidado, que tem mais oxigênio, então oxida mais, tem menos oxigênio, oxida menos. Então você consegue fazer isso para ter uma estimativa do melhor possível.

?Voz 2

Então hoje a gente tá medindo a quantidade de CO2 que a gente tá lançando e a gente tá vendo que a capacidade tá muito alta, né? Então por isso que a gente diz que essa atual crise climática que a gente tá vivenciando é por conta da ação humana, porque a gente tem isso bem documentado.

RVRogério Vilela

Acho que o resumo da ópera, Vilela, é o seguinte: a pior extinção em massa que nós já tivemos no planeta Terra, que aconteceu há 252 milhões de anos, foi por conta de um aquecimento global, de uma mudança climática em que o aumento do CO2 ocorreu de maneira mais lenta do que está acontecendo agora, causada pelo homem.

?Voz D

Ou seja, já tem coisa morrendo por causa disso, já, já, já, com certeza, por causa disso, por causa disso.

RVRogério Vilela

Então assim, eu acho que isso é um alerta, né? Eu acho que assim, eu acho que a história tá nos mostrando o que pode acontecer, o que pode acontecer quando mudam os níveis de gases de efeito estufa no nosso planeta. Porque quando isso acontece, não é somente a temperatura que vai aumentar por um efeito estufa, mas esse CO2 absorvido pelos oceanos, ele causa uma acidificação oceânica que longa história, resumindo aqui, dificulta os animais marinhos que têm esqueleto de carbonato de cálcio, de calcário, que é o que é concha, que é coral, formar os esqueletos deles.

Que é uma das razões possivelmente pelas quais os trilobitas, que tinham parte calcária no esqueleto dele, foram completamente extintos no Permiano, 252 milhões de anos atrás, por conta dessa mudança climática que afeta não só a temperatura, porque muita gente acha que é só o efeito estufa, que a temperatura da Terra vai subir. Não é o calor o problema, mas muda a química dos oceanos. E aí os animais não conseguem. Ó, o trilobita ali, olha só.

Isso aí é um modelo, né? Dá para ver, dá para ver o lobo central e um dos outros lados, né? Vai ter um terceiro do outro lado. É aquela tipo as costas dele ali, tá? E aí do lado de cá tem um outro e do outro lado tem mais. Homer, deve ter umas fotos mais interessantes ali.

?Voz 1

E tinha desde a maioria era pequenininho, mas os maiores eram tipo 50 centímetros, 60 centímetros, grandão assim.

?Voz 2

Eles eram dominantes, eles dominavam o planeta, dominavam esses bichos.

RVRogério Vilela

Eles viveram por 270 milhões de anos. É o tipo do animal, mais que os dinossauros, que você nunca apostaria as fichas que ele ia ser extinto alguma vez. E foi.

?Voz 2

Eu acho legal, a título de curiosidade, né, a nossa espécie humana, né, Homo sapiens. A gente tá aqui há 300 mil anos. Esses bichos dominaram o mundo por mais de 200 milhões de anos. Então a gente assim não é nada, a gente chegou ontem no planeta.

RVRogério Vilela

Aí sim é boa. Então aquele mais da esquerda dá para ver que ele tem aquele, né, que a gente chama de lobo central e dois laterais, né. Então essa é uma reconstrução, obviamente, né, talvez não seja mais fiel do mundo, mas dá para ver. Então todos eles têm basicamente essa estrutura do corpo. Também tem cabeça, meio que um tronco e uma cauda, que é o pejido que a gente chama, mas é de longe, na longitudinal.

?Voz 2

E olhos super desenvolvidos, né? Provavelmente um dos primeiros animais a enxergar bem o mundo.

RVRogério Vilela

Esse, na verdade, é um dos grandes grupos de artrópodes que a gente teve. É no mesmo nível de inseto, no mesmo nível de crustáceo, e todos eles foram. E embora a causa tenha sido vulcanismo, né, e um vulcanismo que levou muito tempo. Inclusive, né, essa extinção do Permiano teve até dois momentos, né. Teve um ali há cerca de 260 milhões de anos, que a coisa começa, e depois, digamos assim, o tiro de misericórdia foi nos 252 milhões que você falou.

Então, muito diferente, né, que em contraste com a extinção pelo asteroide, que foi instantânea, quase imediata. Outras extinções em massa, Vilela, eles levaram na verdade milhares a milhões de anos para acontecer. Acontecer, que no registro fóssil é um segundinho ali dentro dos 4,5 bilhões de anos da história da vida no planeta Terra. Mas nessa específica do Permiano, que eu acho que ela é muito didática, porque não foi asteroide, foi coisa que aconteceu no planeta, foi vulcanismo nesse caso.

O que acabou acontecendo foi mudança climática, foi aquecimento global. E foi isso, não foi a lava do vulcão que queimou os bichos, não. Foi o aumento da temperatura na Terra, o aumento da acidificação oceânica que causou a maior extinção em massa no planeta Terra. É por isso que a história está nos dando ali uma pista do que eventualmente pode acontecer se a gente continuar no ritmo que a gente tá.

?Voz 1

E assim, uma coisa que é importante também é que durante esses momentos em que o clima do planeta muda, fazendo coroa com o que o Beto falou aqui, que o pessoal acha, ah, o bicho morreu de frio, morreu de calor, não é a temperatura que importa. O clima muda o tipo de ambiente, porque assim, quando tá mais frio frio congela mais água, então tem menos umidade do ar circulando, porque a maior parte da água que tá ali tá congelada nos polos e nas montanhas.

Então o que acontece quando tá mais frio? Você tem uma maior aridez do planeta, então você tem mais desertos, você tem mais savanas, mais campos abertos. E aí os bichos que estavam acostumados a viver num ambiente muito úmido, com muitas árvores para se esconder, morrem porque o habitat deles Quando o planeta esquenta, ao contrário, derrete mais o gelo, tem mais umidade do ar circulando, tem mais tempestades. As tempestades são mais violentas porque tem maior volume de água também circulando, inundações, inundações.

E aí os campos abertos recuam e você tenha mais floresta, feito um clima mais úmido. E essa mudança dos ecossistemas que mata os bichos, é perda de habitat. Afinal das contas, o que mais acelera extinção é perda de habitat.

RVRogério Vilela

E a gente faz a mesma coisa derrubando floresta, por exemplo. Então a caça, claro que a caça é importante também, mas boa parte, a gente fala de energia limpa, mas quando a gente faz uma hidrelétrica, você detona uma área enorme.

?Voz 2

Exato, a hidrelétrica tem seu impacto.

?Voz D

O cara tá falando até do impacto também de energia eólica, com aquelas hélices gigantes que você muda o trajeto de pássaros, né, e tudo mais.

RVRogério Vilela

Isso eu aprendi, por acaso, aqui no teu podcast com César Lenzi. Ensinou para gente que hidrelétrica não é energia limpa, né? Ela é mais limpa que outras, mas não é 100% limpa.

?Voz 1

Depois que tá pronta, ela é limpa, mas para ficar pronta, o problema é esse, né? Exato, com o represamento.

?Voz 2

Agora, nesse período aí no Permiano, né, do grande aquecimento global, a temperatura da Terra aumentou cerca de 10 graus.

RVRogério Vilela

É muito, né?

?Voz 2

É muito. Hoje a gente já tá com um aumento aí, né, nos últimos anos após Revolução Industrial, de 1,5 grau. E aí, né, o famoso Acordo de Paris lá de 2015, né, determinou esforços para que a gente não ultrapassasse 1,5 grau, né, além da temperatura média. E aí saiu essa semana, né, um relatório de que já foi, já foi, já passou, já passou de 1,5 grau. Daí agora o que os pesquisadores da área estão falando é que, ok, já deu ruim, já ultrapassou.

Então a gente agora tem que pensar como a gente freia para depois diminuir. Então a ideia é que tem uma tendência de aumento, mas ele vai ter que recuar, porque senão a gente vai realmente, né, vai para o saco. Então é, o discurso tá mudando, tá muito, né, mais radical, mas assim, é isso mesmo, já não tem como manter em 1,5, já foi. Então agora é como que a gente vai tentar voltar para 1,5, para quem sabe baixar do 1,5. Então é complicado, né?

?Voz 1

Tem um caminho pela frente, tem um caminho longo pela frente.

RVRogério Vilela

E uma outra coisa que a história nos conta nessa de 252 milhões de anos, essa que foi a maior extinção em massa no planeta Terra, é que demorou para a vida voltar, demorou aí pelo menos aí uns bons 10 milhões de anos para a vida se recuperar. Claro, não é que a vida ficou extinta nesses 10 milhões, mas ela ficou ali cambaleando, vamos botar dessa maneira, né?

?Voz 2

Com pouca diversidade de seres vivos.

RVRogério Vilela

Exato, e voltou pra valer. Então foi assim um inverno de biodiversidade, assim, foi biodiversidade lá no chão, botar dessa maneira, por 10. E aí volta, aí volta, e aí vem dinossauro, vem o período talvez assim, vamos dizer, claro, vai ter uma extinção ali, uma grande ali na casa dos 200 milhões de anos ainda, mas tirando essa dos 252, estabilidade climática muito grande. Os dinossauros pegaram um período top, um dos melhores da história, da história do planeta Terra, cara.

?Voz 1

Não teve nenhuma era do gelo com os dinossauros, nunca teve. O planeta nunca passou por uma era do gelo durante a era mesozoica inteira.

RVRogério Vilela

E na Antártica eles andavam lá também, né? Sim, sim, não tinha gelo lá, não era congelado. É isso, muita gente tenta às vezes dificuldade para entender que é tudo congelado hoje. Mas, cara, tinha floresta, tinha dinossauro andando na Antártica porque ela era quente, cara, porque ela era quente na época deles, assim, não era permanentemente congelada, né?

?Voz 1

E aí, tanto que esse é um dos indícios que mostra que a gente ainda tá numa era do gelo, porque para você definir o que que é uma era do gelo é: tem gelo permanente nos polos, gelo que não derrete no verão. Que é gelo permanente? O gelo normal, ele se forma no inverno e derrete no verão. O gelo permanente não derrete no verão. Tipo, tá tão frio que mesmo com verãozão tocando lá, ele não derrete. Hoje tem nos polos, tem no topo das montanhas, também tem.

Então nós ainda estamos numa era do gelo. É que a gente tá num período chamado interglacial, um período um pouco mais quente do que deveria ser, onde esse gelo, né, não avança, ele fica restrito ali nos polos e no alto das montanhas. E era para a gente estar esfriando o planeta, né? A tendência esperada fisicamente era que a gente ia começar a resfriar o planeta. Só que agora a gente tá invertendo, né? A gente tá esquentando por conta da atividade humana.

RVRogério Vilela

E o que eu acho ainda mais interessante dos últimos 252 milhões de anos, tirando obviamente a extinção em massa na casa dos 200 ali, é que se não tivesse o impacto do asteroide, essa galera muito provavelmente estaria aqui até hoje. Seria um dos períodos talvez da história do planeta Terra com menos impactos de vulcão, de asteroide da história. Então, de uma certa maneira, pensando agora na gente, mamíferos humanos, cara, foi um golpe assim de uma sorte absolutamente absurda a queda desse asteroide, né, o impacto desse asteroide há 66 milhões de anos, cara, porque não caiu outro desse tamanho.

?Voz 1

Caiu outros, mas não desse tamanho.

RVRogério Vilela

Perfeito.

?Voz 1

Depois. Então nada trocou, forçou a vida a se mudar do que esse asteroide.

RVRogério Vilela

Mas e assim, Vilela, grosso modo é isso, né? Tendo a do Triássico ali há 200 milhões, a gente chega na mais famosa de todas as extinções, que é a dos dinossauros, que eu acho muito legal contrastá-la com a do final do Permiano, porque um é um asteroide, jogo rápido, matou muita coisa rapidamente, enquanto a do Permiano, que é a maior de todas, são dezenas de milhares de anos. Exato, no mínimo, no mínimo, se não milhões. E por conta de mudança climática, que é o que está eventualmente levando à 6ª ou 7ª, ou sabe lá qual grande extinção em massa que tá acontecendo agora, que é do momento atual, que pode inclusive levar à extinção nossa por razões, né?

Não sei se há interesse da mesa de entrar nesse debate aí, por decisões nossas de, por exemplo, não ter filho, né? Que é um debate que eu tenho trazido aí em alguns podcasts também. Então não é só mudança climática, né? Culturalmente a nossa espécie também tá deixando de procriar por várias razões aí, né, que envolvendo telefones celulares, envolvendo mudança de hábito, envolvendo métodos contraceptivos. Então só que essa talvez seja a solução para não ter uma extinção em massa, entendeu?

?Voz 1

Porque assim, talvez para o planeta é bom, né?

RVRogério Vilela

Não sei se é bom assim, eu não vou fazer juízo de valor aqui, se é melhor a gente tá no planeta ou deixar a vida, né? Porque o sofrimento, muita gente critica basicamente o ser humano por ser um animal que causa muito sofrimento ao planeta, né? Então a galera fala, não, é melhor, é melhor a gente não tá aqui, vamos sumir. E eu sei disso porque eu fiz um post no Instagram junto com o Fermento lá do Sem Groselha, lá no podcast que eu fui lá com ele.

E aí a gente falou lá que talvez a humanidade seja extinta em 300 anos se as taxas de natalidade, número de filhos por casal, continuar diminuindo na velocidade que está. É simplesmente um cálculo matemático, não quer dizer que vai acontecer isso. E muita gente, a vasta maioria das pessoas comentaram nesse post, falaram: galera, bora acelerar esse negócio! Nossa, por que 300 anos? Vamos acabar em 50, vamos acabar em 100. E muita— e o argumento de muitas pessoas, Vilela, é o seguinte: ah não, nós vamos fazer isso Porque aí nós vamos terminar com esse sofrimento gigantesco que nós humanos estamos causando no planeta Terra.

Mas aí a gente tem que ter muita calma nessa hora, porque é fato que nós humanos causamos um imenso sofrimento a animais no nosso planeta. Só que a dor, o sofrimento, ele já existia muito antes. E o Darwin é um dos primeiros caras a notar isso quando ele vê a brutalidade das relações, por exemplo, entre os animais. É uma das coisas inclusive que leva ele a não acreditar mais em Deus, essa coisa, porque qual é o criador que criaria, né, uma natureza com tantas coisas violentas, violentas e coisas horríveis?

Então assim, se nós sumirmos do planeta Terra agora, galera, aquela, como é que é, aquela vespa lá que parasita a lagarta, o leão que come um, né, um exemplo eu gosto de dar, um leão que come um búfalo vivo, búfalo tá vivo ali à frente do leão, tu já tá comendo Cara, isso vai continuar, esse sofrimento na natureza. Então assim, a gente tem que parar de ter a ilusão também de que a natureza é sinérgica e super bonita, é um Jardim do Éden, né?

Se nós sairmos e sumirmos do planeta, vai ser uma maravilha, vai ser realmente o nirvana. Não vai, vai continuar sendo um mundo brutal. O mundo é assim. Tendo dito isso, também concordo que nós humanos podemos trabalhar para diminuir o impacto e o sofrimento dos animais, porque os animais sentem dor, e o nosso também, obviamente.

?Voz 2

Porque uma coisa também que a gente gosta de falar é que a gente, né, o ser humano, não necessariamente se enxerga como parte da natureza, né, para um lado ou para o outro. Ou então tem gente que fala, não, os animais os outros animais são muito melhores do que a gente, então a gente não pode causar o sofrimento e tal. E tem gente que é o oposto, não, nós somos superiores aos animais, então a gente pode usá-los e tá tudo bem, pode desmatar porque tá tudo, eles estão aqui para nos servir, então tem esses dois lados.

Mas pouca gente se entende como fazendo parte da natureza, do meio ambiente, né? Então a gente que trabalha com meio ambiente lá na faculdade também, o pessoal fala, o pessoal só do meio ambiente, né? Quem gosta da natureza, que não, gente, todo mundo faz parte do meio ambiente. Nós somos o meio ambiente, a gente tá aqui fazendo parte disso tudo. Então quando a gente se coloca, né, como um animal mesmo, um ser vivo, um organismo que faz parte da natureza, a gente muda um pouquinho essa ideia, né?

?Voz 1

É, tem uma coisa que eu gostava de fazer em palestra, por exemplo, falar que quando foi a última vez que vocês foram para natureza? Pessoal, eu fui para praia ano passado, eu fui Você tá agora na natureza, neste exato momento. Então as pessoas têm essa visão de natureza como tipo, nossa, tem que ter mato, né? Ou tem que ter mar, né? Mar e mato, né?

RVRogério Vilela

Lugar idílico.

?Voz 2

Então o prejuízo que a gente causa aos outros animais volta para gente também, né? O prejuízo que a gente causa na natureza volta para gente, porque a gente faz parte da natureza. Então a gente tá prejudicando outros seres vivos e a nós mesmos, né? Ilusão achar que é só uma coisa.

?Voz 1

Por exemplo, um dos animais mais afetados, tinha perguntado, né, quais bichos estão ameaçados agora, tal, que a Amanda comentou, os anfíbios. Porque o aquecimento global tá acelerando também, eles estão passando pela sua própria pandemia agora. Sapos, rãs, pererecas, salamandras estão morrendo a rodo no mundo todo porque eles estão passando por uma pandemia de um fungo. Esse fungo se prolifera na pele deles e impede a respiração adequada, que os bichos respiram pela pele também, como se fosse uma micose.

E quando a gente tá aquecendo o planeta, você tá jogando as duas coisas que o fungo mais gosta: calor e umidade a mais. Então a gente tá favorecendo isso. Por conta disso, o que que sapo come? Sapo come sim, muitas vezes pequenos insetos. Então por conta disso tá muito difícil a gente controlar as doenças transmitidas por mosquitos. Porque a gente tá tirando os predadores dos mosquitos do mundo. Então, tanto quando ele é girino, ele come as larvinhas que estão na água, como quando ele é adulto e come, você tá tirando o predador.

Aquela equação básica da natureza: você tira o bicho que caça, a presa explode. Então, todo ano, não, a dificuldade enorme para a gente lidar com a doença causada por mosquito, às vezes quando é a dengue, de vez em quando é chikungunya, de vez em quando é Zika, de vez em quando é febre amarela, Mas todo ano tem um surto de alguma coisa. Isso tá diretamente relacionado à extinção dos predadores, né? No caso, os anfíbios aí, que eles têm essa pele, né, toda rugosa e tal.

?Voz 2

Rugosa, no caso, mais dos sapos, né?

?Voz 1

E cresce um fungo aí por cima, uma micose.

RVRogério Vilela

Muito bem, né, Vilela? Então assim, a vida ela é cheia de surpresas, né? Tô batendo comentarista de futebol aqui, mas assim como caiu o asteroide, tem algumas surpresas que acontecem assim que a gente não espera. E a gente tá diante possivelmente de uma chamada crise demográfica, porque as pessoas não estão tendo mais filhos, né? As pessoas estão tendo um filho ou nenhum filho. E algumas estimativas inclusive indicam que a população humana, né, espécie humana, pode chegar à extinção nos próximos menos 300 anos se a taxa de natalidade continuar diminuindo.

Então, uma coisa que eu acho super interessante é que a gente tem, por um lado, esse temor da superpopulação humana causando uma destruição ambiental gigantesca, causando mudança climática, todo mundo lutando para que isso melhore, termine, etc. E tá certo todo mundo lutar por isso, mas talvez a solução venha de onde a gente menos imagina, que são justamente decisões pessoais das pessoas de terem menos filho, o que vai levar a uma redução da população mundial.

E algumas estimativas indicam, por exemplo, que lá na China a população deles vai diminuir de 1,4 bilhões hoje para 700 milhões no final do século, ou seja, uma redução de 50% na China, no Japão, na Coreia, na Itália também. E isso possivelmente vai tirar toda essa pressão, ou boa parte da pressão, em cima dos sistemas naturais. Então, as coisas mais interessantes que eu acho é que a gente pode estar caminhando talvez não para uma extinção da humanidade, mas para uma grande redução das populações humanas nos próximos séculos, que vão ser um desafio gigantesco para a economia.

Economia, para sistemas de aposentadoria. Mas em relação ao tema deste podcast, talvez evite a sexta extinção em massa e os problemas da mudança climática. E uma solução que talvez não tava no radar de ninguém até um tempo atrás, que é a diminuição da população. Não sei se concordo com essa minha ideia assim.

?Voz 2

E é interessante interessante isso que você tá falando, porque tem muitas camadas, né? Porque se a gente olha as pesquisas, ah, por que que as pessoas estão tendo menos filhos? Por N motivos, né? A gente pode até discutir alguns deles, mas dessa parte assim em relação ao meio ambiente, tem um termo que agora tá muito comum, que eu tenho até tratado nas minhas aulas, que é ecoansiedade, né? Que é toda essa questão sobre o impacto que a gente tá causando no planeta e o pessimismo das pessoas em relação a isso, né?

Então, como que se traduz esse pessimismo? A gente tá tudo acabando, a gente tá destruindo o planeta, então já era, isso mesmo, então vamos embora daqui, então vamos embora. É o que você comentou do teu post, né, que o pessoal falou: não, gente, então vamos acelerar isso aí, vamos acabar, vamos salvar o planeta deixando de existir no planeta.

RVRogério Vilela

Essa ideia de muitas pessoas, essa ideia.

?Voz 2

Então tem tem sim esse pessimismo, principalmente por parte dos jovens, e associado também a essa ansiedade, né? Então as pessoas começam a ver notícias de desmatamento, de crise climática e pandemia, e enfim, espécies sendo extintas. Isso gera uma ansiedade, né? Eu às vezes tenho um pouquinho de ansiedade pensando em algumas coisas assim.

RVRogério Vilela

Mas você pode interromper? Mas você não acha que talvez isso esteja um pouco exagerado? Eu sei que a gente, talvez nós nesse nosso papo, estejamos também contribuindo para isso, mas porque realmente a taxa, que nem o Bruno falou, realmente tá maior do que lá no Permiano. Então assim, eu sou um cara assim, eu sou um cara realista, isso realmente tá acontecendo. Por outro lado, e talvez porque eu sei que a evolução não tem muito uma direção, eu também não chego a perder o meu sono por conta da mudança climática.

É algo que me preocupa, mas não me faz perder o sono. A impressão que eu tenho, e talvez você tenha um pouco mais essa percepção junto aos teus alunos, aos teus colegas, é que eu acho que tem gente que perde realmente o sono com esse negócio, né?

?Voz 2

Tem mesmo. Por isso que surgiu um termo novo: ecoansiedade. A ecoansiedade é uma coisa real, assim, pelo que vai acontecer no mundo, né? E aí, quando eu falo isso para os alunos lá na Fundação Santo André, eu vou falando dos perfis, né, relacionados a esse tipo de posicionamento, né. Então tem aquelas pessoas que realmente não ligam para nada, ah, é, tem que desmatar tudo mesmo. Tem aquelas pessoas que tem aquela questão, não, gente, mas vai dar tudo certo, né, aquele chega até ser daquela positividade tóxica, né.

E aí eu vou falando desses perfis, eu vou perguntando quem se enquadra nesse, quem se enquadra nesse. Aí o pessoal, né, vai levantando a mão. E aí eu chego na parte da ecoansiedade. Então aí tem aquelas pessoas que têm aquela preocupação exagerada, que vê as notícias e aí já começa a ficar ansioso, aí começa a pensar no futuro, não quer ter filhos e tal. Quem se encaixa nesse perfil? Metade da sala, mais da metade da sala levantando a mão.

RVRogério Vilela

A galera não quer ter filhos por conta dos problemas ambientais e ecológicos que estão acontecendo nesse momento.

?Voz 2

Aí é um dos motivos, né?

?Voz 1

Também tem a questão de não se comprometer com filho e tudo mais, mas tem esse também que entra na jogada.

?Voz 2

Sim, entra muito na jogada.

RVRogério Vilela

Eu tenho lido um pouco sobre isso e muito é por questões econômicas, ou seja, a galera não consegue emprego, tem uma realmente uma concentração de renda muito grande e a galera não quer, digamos assim, puxar a carroça dos milionários, entendeu?

?Voz 2

São vários fatores, né?

RVRogério Vilela

Pra que eu vou botar um filho nesse mundo pra puxar a carroça do milionário, pra viver numa sociedade violenta, etc., etc.? E tal. Agora, essa questão ecológica eu realmente não tinha, não caiu no meu radar em relação a essa visão mais pessimista com o futuro.

?Voz 1

Isso é super interessante, isso é muito legal. Então isso é exatamente o que eu tô tentando ver, com certeza.

?Voz 2

E aí eu vou falando então, tá? As pessoas que se enquadram na ecoansiedade têm isso, isso, isso. Aí o pessoal fala, nossa, eu acho que eu sofro de ecoansiedade.

RVRogério Vilela

Eu não, eu assim, eu tenho a noção desse problema, só que não perco o meu sono. Que eu perco um pouco meu sono agora em relação a minha filha, né? Vocês não têm filhos, eu vou até ficar curioso para saber o que que você, enfim. Mas assim, mas isso é uma questão, tem gente que por conta de questões de foro íntimo nunca teve filho, mas tem gente que quer ter filho só que não tem filho por questões econômicas, porque não consegue comprar um apartamento grande, não dá para criar filho num cubículo, numa kitnet ou coisa assim, ou é muito difícil fazer, ou, né, de fato não vê uma perspectiva de mudança da sociedade Ou seja, Brasil é um dos países que mais tem homicídios no mundo, né, o recordista em números absolutos, né. 75% dos jovens brasileiros deixariam o Brasil se pudessem, né.

Ou seja, a coisa não tá boa para os jovens no Brasil, né. Então essa questão mais econômica e de segurança pública sempre me pareceram razões pelas quais muitas pessoas não querem ter filho, para não botar pessoas no mundo ruim. Vamos botar dessa, dessa maneira. E a questão ambiental realmente não tinha caído no meu radar. Isso realmente é interessante.

?Voz 2

Não para todos, né, mas para uma grande faixa de pessoas. E aí talvez parte disso seja sim por conta de uma comunicação exagerada, né, por conta principalmente das redes sociais e tudo mais. Eu concordo com você que a gente não deve ser alarmista, mas aqui, apesar da gente tá falando de extinções, é porque é o tema, né, do episódio, porque a gente tá observando tendências.

?Voz 1

A gente ainda tá longe dos piores sinais possíveis, mas a gente tá vendo a tendência. Eu tô vendo, é aquela coisa que eu brinco também, a gente tá dirigindo um caminhão super pesado, carregado, e lá daqui a 10 quarteirões, na ladeira, tem um muro. Então eu tô vendo o muro. Se eu não desacelerar, eu vou bater no muro, né? Mas eu tô no primeiro quarteirão. Pô, gente, dá tempo de frear o carro, diminui a marcha para ir diminuindo a velocidade primeiro, faz o freio a motor, depois você pisa, o carro vai derrapar um pouco, mas daqui a 2, 3 quarteirão ele para.

Agora, se deixar chegar no segundo quarteirão, vai ganhando velocidade, terceiro quarteirão, na hora que chegar no quarto, quinto quarteirão, aí não dá mais tempo de frear. A gente, na minha visão, a gente ainda não tá lá. E por que que eu digo isso também? Porque a gente observa os programas de conservação do meio ambiente com muito sucesso. A gente vê o que o Tamar fez, por exemplo, né, um dos programas aqui na recuperação de populações de tartarugas marinhas em particular.

A gente vê, por exemplo, a população de baleias, pô, quase todo ano a gente vai. Não fomos esse ano, mas últimos 2 anos a gente foi observar jubartes em Ilhabela e tá cada vez mais comum. O pessoal lá comentou que é tipo há 15 anos atrás aparecia 2, 3 indivíduos. No último ano apareceu 750 indivíduos diferentes. Então as populações estão recuperando, aquelas que a gente conservou no passado, que estamos conservando agora, estão recuperando num nível rápido.

A gente viu isso na pandemia, só o fato da gente ficar um ano e meio em lockdown, as pessoas saindo menos das suas casas, a recuperação ambiental que teve Tipo, a poluição atmosférica diminuindo drasticamente, os bichos voltando a ocupar cidade, filmagem de onça andando no meio da rua assim se tornando mais comum. Então, em pouquíssimo tempo, já foi suficiente para a vida tentar dar uma equilibrada. Então, para mim, a gente ainda tá muito longe de um ponto de não retorno, num sentido de tipo geral, ponto de não retorno geral.

RVRogério Vilela

E imagina assim, né, isso com 8,3 bilhões de pessoas no planeta Terra. Agora imagina essa população reduzindo talvez para 4, reduzindo para 3, para 2. Então o que eu acho que assim vai ser interessante observar nas próximas décadas e nos próximos séculos é como a gente vai lidar com a crise demográfica com o envelhecimento da população e a diminuição da população em vários países, e a partir de 2070, 2080, no mundo todo, do ponto de vista econômico, do ponto de vista de saúde mental, porque as famílias vão ser menores, as pessoas idosas não vão ter filhos e filhas para ajudar nos seus cuidados, a solidão maior, Por outro lado, talvez essa seja uma solução completamente inesperada, ou pelo menos fora do radar da maioria das pessoas até recentemente, para os problemas ambientais e climáticos do nosso planeta.

Se juntar isso, diminuição da população, com as medidas que já estão sendo estabelecidas, quem sabe, Amanda, quem sabe quem sabe, Bruno, quem sabe, Vilela, a gente possa pensar num futuro melhor, uma visão otimista com o futuro em relação ao planeta, em relação ao meio ambiente, com o desafio muito claro de a gente lidar com a questão econômica, social e de saúde mental, que talvez nos obrigue a inclusive rever o próprio sistema capitalista, ou da maneira que o sistema capitalista funciona hoje, de aposentadorias e coisa desse tipo, que torna talvez o momento que a gente vive hoje e nos próximos 15, 25 anos de maior desafio, inclusive desafio intelectual da história da humanidade.

O momento que talvez a humanidade tenha que se reinventar para evitar inclusive conflitos, talvez uma nova revolução revolução humana, a revolução social, revolução social, né?

?Voz 2

Então resgatando outras revoluções aqui, a agricultura, né, foi uma grande revolução aqui da nossa esfera, a revolução industrial também. Talvez a gente realmente precise passar por um novo momento assim, porque são muitas pequenas coisas, né, para resolver essa questão ambiental que a gente tava falando, né, dos alertas e tal. Bruno colocou a questão de que muitos projetos de conservação e tal, e eles só acontecem porque, porque tem o alerta sobre isso, né?

Então por isso que a gente precisa falar sobre isso. E essa questão que você tá colocando, né, da crise demográfica e tal, tem que ser falada também, porque precisa também encontrar um meio termo para que isso também não prejudique, né, as sociedades humanas.

?Voz 1

Sabe uma coisa que eu considero como uma grande ameaça para o futuro e também Às vezes eu olho que parece que tá meio por baixo do radar. Uma coisa assim, nós três somos professores universitários, então a gente dá aula para jovens da geração Z, em breve da geração Alfa, né, daremos aula também. E uma coisa que a gente repara é, em muitos casos, a dificuldade que eles têm de criar vínculos profundos com seus amigos e tal. E até em algumas, algumas coisas que a gente brinca de tipo, na nossa época, né, quando o amigo faltava, a gente ia lá, assinava a lista para ele e tal, sabe?

Dava essas malandragens. Aí hoje em dia você pega os alunos, você fala: o seu amigo não aparece aqui faz uma semana, que que aconteceu com ele? Ele: ah, não sei, professor. Pô, é seu amigo, caramba, né? E aí uma coisa que eu enxergo também que é uma ameaça para o futuro é justamente o momento em que eu acho que é uma questão de tempo tempo para as pessoas utilizarem robôs e inteligência artificial para relacionamento. Porque você imagina, você cria um robô e você dá uma textura humana, uma pele e tudo mais e tal, do jeito que você quiser, com a personalidade que você quiser, do jeito que é mais compatível com o seu jeito, independente do que seja.

O que eu enxergo de ameaça disso, que obviamente ele nunca vai poder gerar um filho amigo seu, né? Mas o que eu enxergo como ameaça de que talvez muitas pessoas prefiram ter relacionamentos desse estilo, nessa zona de segurança e de conforto, que talvez essa vai ser o fim da humanidade.

RVRogério Vilela

Perfeito.

?Voz 1

A solidão, a pseudo-companhia, né? A companhia artificial e não a companhia natural, né?

RVRogério Vilela

Então acho que isso assim Essa, digamos assim, a terceira onda causal em relação à queda da natalidade na nossa espécie nos últimos 100 anos. Então o que a gente tem depois do pós-guerra é uma galera tendo um monte de filho, a guerra acabou, Segunda Guerra Mundial, aquela coisa toda, e aí inventa a pílula, a pílula anticoncepcional, os métodos, né, realmente contraceptivos para evitar ter filho, especialmente a pílula, já reduziu bastante a natalidade de cerca de 3 filhos por mulher, 3 filhos por casal nos Estados Unidos, para menos de 2.

Lembrando que 2,1 é a taxa de reposição para manter, né, para manter a população. Se você quiser manter a população humana estável, a gente tem que ter em média 2,1 filhos por casal. A pílula já baixou disso lá nos Estados Unidos, em outras regiões do mundo também. Então esse foi o primeiro declínio. Tudo certo, né? Então não tô fazendo juízo de valor aqui em relação, só tô dizendo que isso é uma coisa que aconteceu na nossa espécie, com a tecnologia levando à diminuição da natalidade.

Só que aí o que é interessante é que a partir de 2007 a gente tem a segunda grande queda. E aí o que que aconteceu ali em 2007, 2008, 2009 foi a invenção justamente do smartphone, do celular. Então essa conexão digital que justamente você tava falando, Bruno, que levou as pessoas na verdade a deixarem de lado a conexão real, beleza, presencial, que eventualmente que resulta em filho, tranquilo. E passou a ser uma, uma relação muito mais digital, online, do que havia no passado.

E isso tá lindamente explicado, né, ou pelo menos corroborado, no artigo publicado esse ano, mostrando que onde o iPhone chegou primeiro nas redes lá nos Estados Unidos, a taxa de natalidade caiu primeiro. E onde ele chega no mundo, cai a taxa de natalidade também. Então existe um link causal assim, ou pelo menos uma hipótese muito bem corroborada de um link de causa e efeito entre a invenção dos smartphones, né, tanto iPhone que foi o primeiro quanto os demais, com a queda de natalidade.

Inclusive porque pelo telefone celular você tem também acesso à pornografia, uma série de coisas, né.

?Voz 1

Só que agora satisfaz impulsos biológicos sem a necessidade do contato, do trabalho que dá até um contato físico.

RVRogério Vilela

Sem falar que as redes sociais online que estão nos smartphones, elas são desenhadas para serem viciantes e manter a pessoa conectada com o AI, perfeito, e não, e não tendo a relação presencial. Só que agora vem a terceira onda, que é a onda da IA, dos robôs e dos namorados e namoradas virtuais. E aí tem uma galera que tá gostando desse negócio, porque num relacionamento virtual com robô, com uma IA, você não vai ter a rejeição, né?

O robô não te rejeita, o robô, a IA, ele te valida o o tempo todo, beleza? Ah não, você é top, que é tudo que a pessoa quer ouvir. Quem não quer ouvir que você é lindo, maravilhoso, top? Só que assim, faz parte das relações humanas, faz parte do mercado, justamente mercado entre aspas assim, de relacionamentos, ter rejeição. Você vai ser rejeitado algumas vezes, outra vez você não vai, etc.

?Voz F

e tal.

RVRogério Vilela

Faz parte, faz parte da nossa cultura. Inclusive nós somos assim como espécie, Só que na IA você consegue fugir disso tudo, você foge do sofrimento quase completo, e a galera gosta disso. Só que eu não tô novamente fazendo juízo de valor, só tô dizendo que isso não resulta em filho, beleza? E se não resulta em filho, isso leva uma queda de natalidade.

?Voz 1

Pelo contrário, resulta em menos filho.

RVRogério Vilela

Isso, exato, resulta em nenhum filho ou menos filho. E, Homer, não sei se você consegue buscar talvez um gráfico de redução de taxa de natalidade no mundo só para a galera ver. O quão brutal tem sido a redução dessas taxas nos últimos aí 40, 50 anos.

?Voz 1

E até pensando no futuro, né, assim, numa questão até um pouco geopolítica, né, que não é a nossa área, mas é inevitável pensar que as potências de hoje vão ser provavelmente as primeiras a sentir os efeitos disso. E que países hoje que a gente considera como subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, que ainda mantêm taxas de natalidade superiores ao resto do mundo, talvez eles vão ser as próximas potências mundiais porque vai ter um exército maior ou porque vai ter pessoas para sustentar uma economia mais robusta. Como que isso vai virar o jogo econômico e social no mundo, né?

RVRogério Vilela

Depende, porque se os países desenvolvidos continuarem com uma boa qualidade de vida, com economias funcionando bem, eles vão atrair esses imigrantes, entendeu? Então, por exemplo, se pegar os Estados Unidos, os Estados Unidos ele é um país de imigrantes. É um país diferente de qualquer outro país do mundo, né? Inclusive tem uma fala famosa, se eu não me engano, do Reagan, que ele fala, né, se você for para Alemanha, você nunca vai se tornar verdadeiramente um alemão.

Se você for para França, nunca vai se tornar verdadeiramente um francês. Mas se você muda para os Estados Unidos, você se torna um estadunidense. Beleza? É, apesar de várias críticas aos Estados Unidos, eles realmente são um amálgama, eles realmente recebem culturas do mundo, do mundo todo. Opa, conseguisse ali o Então, olha só, né? Então você tem ali as taxas de natalidade, né? Então a coluna do meio, ela é interessante, é o número médio de filhos, né, por mulher ali, né?

Então você tem ali, por exemplo, Malta, 1,12. Lembrando que 2,1 é o número de filhos por mulher, por casal, para manter a população estável. Então você tem a Itália em 1,27, você tem a Espanha em 1,23, ou seja, muito, mas muito abaixo da taxa de reposição, que é 2,1. Mas embora não esteja mostrando aí, isso é só um gráfico da Europa. Se a gente vai para a China, se a gente vai para Coreia do Sul, se a gente vai para o Japão, já tá na casa de 1 ou abaixo de 1.

?Voz 1

A Coreia do Sul tá 0,8, se não me engano.

?Voz 2

Loucura, né?

RVRogério Vilela

É por isso que quando a gente põe isso aí nas equações, e essa taxa, se essa taxa continuar caindo na taxa que ela está caindo, a gente pode ter realmente uma extinção da humanidade em 300 anos. Eu brinquei um pouquinho com esses dados e botei uma taxa de reposição, uma taxa de natalidade, fertilidade de 1, que ou seja, cada mulher, se hoje no mundo inteiro toda mulher ou todo casal tivesse um filho, a espécie humana seria extinta em 1000 anos. Anos, né? Então isso é em torno de 1000 anos, né?

?Voz 1

E é meio que assim, é boa parte das pessoas, dos casais que a gente conhece e tal, tem um filho assim, de vez em quando tem dois.

RVRogério Vilela

Perfeito.

?Voz 1

Então é meio que o caminho que eu acho que nessa mesa é o seguinte, acho que, né, então vocês acho que tem, a gente não tem zero por enquanto, tem uma cachorra, não serve para repor a humanidade.

?Voz 2

A Melissa Teresa não serve, a Melissa Teresa não repõe a humanidade.

RVRogério Vilela

Então a gente tem meio nessa mesa Acho que aí o resumo da ópera seria justamente que essa talvez seja uma solução inesperada para esses problemas ambientais que a gente tá levando, e talvez evite a 6ª extinção em massa causada por Homo sapiens, e a gente fique aí com a última mesmo dos dinossauros.

?Voz 1

Eu fico imaginando o que que vai acontecer assim, porque eu acho que as pessoas ainda não se ligaram disso. Esse acho que é um dos temas que ainda tá pouco discutido, né, essa crise demográfica. Assim, tem uma outra coisa aparecendo, mas as pessoas não se ligaram que talvez seja o fim da humanidade. Quando a humanidade se tocar disso, opa, pera aí, acho que tá acabando mesmo. Será que vai ter algum tipo de política assim e tal de não reprodução forçada, né, mas algum tipo de incentivo?

Porque vai ser, ou a gente começa a incentivar as pessoas a ter filho daqui algum tempo. E que incentivo seria esse, né? Você vai dar dinheiro para as pessoas terem filhos?

RVRogério Vilela

Não sei, eu tô fazendo, não deu certo.

?Voz 1

É, então, então assim, eu não sei o que pode ser.

?Voz 2

Eles já estão pensando.

?Voz 1

Então será que a humanidade vai vislumbrar o fim e vai falar, é isso mesmo, acabou?

RVRogério Vilela

É porque assim, muitas, muitas das razões para não ter filhos são questões de foro íntimo das pessoas que querem eventualmente aproveitar mais a vida, querem se dedicar ao trabalho, ao emprego, né? E isso é perfeitamente compreensível, né? Só que, e aí você acaba, se você tem um filho, você dificulta esse processo como um todo.

?Voz 2

Então a gente fecha nesse pessimismo todo, assim, de um jeito ou do outro o mundo vai acabar para nós aí.

?Voz 1

Mas acho que é um jeito menos catastrófico, né? A gente fica pensando como se a humanidade fosse acabar, e na nossa cabeça cabeça vem tipo uma catástrofe, né? Eu sempre falei, minha vida inteira, tipo, não, eu não acredito na extinção da humanidade, porque eu acho que pode ter uma guerra nuclear, mas vai sobreviver mil pessoas num bunker. Essas mil pessoas, quando o nível de radiação na superfície dá uma melhorada, elas voltam a repovoar o mundo.

RVRogério Vilela

Essa é outra possibilidade.

?Voz 1

As pessoas não quiserem ter filho, não vai repovoar o mundo.

RVRogério Vilela

Só para a galera também entender, né, quando a gente fala que eventualmente a humanidade vai terminar em mil anos ou em 300 anos, é botar os dados numa equação com simplesmente levando em consideração essa tendência, essa tendência, só que assim, a tendência pode mudar daqui um tempo. Ou seja, quando a galera começar a notar que só tem 2 bilhões de pessoas, só entre aspas, 2 bilhões de pessoas no nosso planeta, ou 1 bilhão ou 500 milhões, pode ser que realmente reverta isso, entendeu?

E volte a natureza, volte a recuperar coisa desse tipo, né? Pode ser que reverta isso e a gente não tem como prever isso aí.

?Voz 1

Exatamente, talvez entre num equilíbrio, talvez de alguma forma.

?Voz 2

Mas essa questão que o Bruno comentou, né, de antes achar que a humanidade não ia acabar, assim, eu acho que eventualmente vai acabar assim, porque é o destino final de toda espécie, né?

RVRogério Vilela

Mas a gente evolui em alguma outra coisa, né?

?Voz 2

Mas antes da gente chegar nesse ponto, ou gênero Homo, antes da gente chegar nesse ponto, eu queria recapitular um momento na nossa história que a humanidade quase acabou. Mas não acabou, que foi há mais ou menos 75 milhões, aliás, mil anos, né, milhões, 75 mil anos, que foi num evento, né, de um vulcão que tem um nome assim bem quinta série. Daí eu vou deixar você falar, né?

?Voz 1

É o vulcão Toba na Indonésia. Então quando o Toba lançou seus gases tóxicos na atmosfera, a humanidade quase acabou assim. E isso foi, né, quando a mana falou, 75 mil anos. E estima-se que neste momento chegamos a ter uma população em torno de 10 mil pessoas no planeta.

?Voz 2

10 mil no planeta, 10 mil pessoas. E assim, pouco, né?

?Voz 1

Isso gerou uma redução. E por que que a gente também chegou nisso? Da onde vem essa estimativa, né? Vem de você observar um gargalo genético muito grande na humanidade. Você pegar todos os seres humanos do planeta, geneticamente nós somos ainda muito parecidos, como se o nosso último ancestral em comum tivesse sido muito recente. Porque uma das formas de você calcular quando que as linhagens se divergem é você observar quão diferentes elas são geneticamente.

Você pode calcular uma taxa de mutação, né? Então, partindo do pressuposto que o DNA muda um par de bases a cada tanto tempo, ele tem tantos pares de bases diferentes, você vai calculando, faz isso retroativamente, e você vê quando foi a última que o ancestral de todo mundo se divergiu. E dá mais ou menos isso, em torno de 75 mil anos. E você pega hoje, por exemplo, chimpanzés que vivem na Nigéria e chimpanzés que vivem em dois países depois, eles são muito mais diversos geneticamente do que todos os humanos do planeta.

Assim, comparando um japonês com indígena sul-americano com aborígene australiano, com um pigmeu africano, com norte-americano.

?Voz 2

A gente é muito igual, né?

?Voz 1

A gente é muito igual geneticamente.

?Voz 2

Fenotipicamente somos diferentes, mas geneticamente ali a gente é muito igual, né? E aí, há 75 mil anos, você tem então essa questão, esses estudos que apontam para esse gargalo e evidências dessa erupção do Toba.

?Voz 1

Do Toba.

RVRogério Vilela

Só que a única, única, único detalhe do Toba é que não teve método contraceptivo depois dele, né?

?Voz 1

Então assim, os que sobraram continuaram se reproduzindo e virou os 8 bilhões que eventualmente chegamos hoje.

RVRogério Vilela

Exato. E aí você tem, quando você não tem método contraceptivo, você tem sexo, tem filho, né? O que a gente tem hoje, a gente pode ter sexo sem ter filho, né? Acho que essa é a grande diferença.

?Voz 1

É porque assim, até pensar na história da humanidade, muito, muito provavelmente a maioria absoluta dos indivíduos nasceu sem ser planejado, nasceu pelo impulso biológico de fazer sexo. Esse impulso biológico continua, mas o efeito esperado de ter um filho em troca é o que não tá acontecendo.

RVRogério Vilela

Exato, a gente consegue manter o lado bom e sem ter o, sem deixar descendentes.

?Voz 2

Agora, falando desse tópico que você trouxe, né, e aí podemos, dá para dizer que ainda será Homo Muito bem, né?

RVRogério Vilela

Então assim, tem duas maneiras da espécie humana sumir. Eu acho que assim, Amanda, a primeira maneira é justamente a nossa extinção, óbvio, né? Aí sumimos. A outra maneira na evolução é a gente dar origem a uma outra ou mais espécies, tranquilo? Só que assim, para ter especiação no planeta Terra, a gente precisaria de um grande isolamento geográfico. A gente até tava caminhando para isso até um tempo atrás, só Só que não vai acontecer.

Então isolamento geográfico a gente conseguiria para ter o chamado isolamento reprodutivo, seria a gente ir para outros planetas. Mas assim, o que eu vejo é que essa é uma rota muito complicada, para dizer o mínimo, porque o desafio primeiro de você terraformar qualquer outro planeta, mesmo Marte, que vamos combinar, é um planeta bem próximo da gente, é um planeta que tem um tamanho semelhante, que tem CO2, que é um depósito aí de carbono que tem, que seria assim talvez uma das coisas mais fáceis, entre aspas, de terraformar.

Ainda assim é uma, é uma coisa absolutamente complicada e praticamente impossível. Somente a jornada para chegar em Marte é praticamente impossível por conta de radiação. Então assim, eu acho interessante, né, e o Elon Musk tá jogando essa bola aí, obviamente, da gente pensar nisso, da gente eventualmente pensar em eventualmente ir para algum outro planeta, tranquilo. Até porque a Terra como um todo não vai existir para sempre.

?Voz 1

A gente sabe que ela vai desaparecer.

RVRogério Vilela

Daqui a pelo menos 5 bilhões de anos a Terra vai sumir. Daqui a pelo menos 250 milhões de anos os continentes provavelmente vão se juntar de novo, que é o que aconteceu lá no final do Permiano, na camiseta, e que junto com o vulcão levou àquela grande extinção em massa, porque quando você tem uma área continental você tem mais seca no meio. Enfim, uma solução, se a gente agora quiser reverter essa tendência que a gente tava falando agora há pouco, porque a galera não tá vendo problema nenhum na humanidade acabar, tá?

Especialmente a galera mais jovem, que nem a gente tava comentando. Agora, se a gente resolver mudar, não, nós vamos salvar a humanidade agora, nós vamos desviar a rota do asteroide, a saída eventualmente é um outro planeta planeta, pelo menos no médio e no longo prazo. Só que hoje, tecnicamente, Amanda, eu não vejo, né, que a gente tenha a tecnologia para isso, beleza? Especialmente em relação, primeiro, para terraformar, em segundo lugar, para resistir à radiação, beleza?

Claro que a gente tá mandando um monte de bichinho para o espaço, tá mandando tardígrado, tá mandando líquido, uma série de coisas para ver como esses organismos conseguem resistir ao vácuo, a baixa temperatura, especialmente a radiação. Que alguns organismos que nem o líquen resistem. Então quem sabe o líquen seja um bom candidato para a gente terraformar Marte. Beleza, organismo fotossintetizante, etc., etc. e tal. Então talvez a gente possa começar por ali, mas acho assim, é um desafio tecnológico absolutamente absurdo.

Interessante pensar sobre isso, mas acho que a gente tá anos-luz de resolver esse problema.

?Voz 1

E aquela coisa que você tá falando, né, por conta da crise demográfica, se a gente tá vislumbrando nessa tendência, um fim da humanidade ao longo dos próximos 1000 anos, é muito cedo para você ter a tecnologia suficiente para efetivamente colonizar, né, outros planetas. Assim, 1000 anos não me parece nada. Assim, mais que a tecnologia avança rápido, mas colonizar outros planetas é outra história.

RVRogério Vilela

Mas assim, o fato, mas o fato é que assim, de fato, se for possível e a gente tiver isolamento geográfico, beleza, a gente tem duas populações separadas. Geograficamente e reprodutivamente isoladas. E aí cada um segue o seu curso, que é uma coisa interessante, porque temos outra espécie, é possível, porque aí você vai ter a evolução, outras pressões, outras pressões seletivas. E a gente pode olhar agora assim, a gente também, a gente tem que lembrar que a evolução e a especiação são complementares, mas não são a mesma coisa.

Ou seja, a mesma espécie pode mudar, mesmo que nós humanos não nos tornemos duas espécies, nós vamos mudar ao longo do tempo pelas pressões seletivas que nós somos submetidos. Pode ser que a gente fique mais alto, pode ser que a gente fique mais baixo. Enfim, a gente não sabe quais são as mutações porque elas são estocásticas, são aleatórias. Então uma espécie ela muda também. Um exemplo que eu gosto de dar é a questão de cor de olho, né?

Não existia cor de olho azul, por exemplo, há 10, 20 mil anos atrás. Teve mutação, surgiu essa, essa deficiência aí da, da, de pigmento no olho. A galera ficou com o olho azul. Hoje 10% da população tem olho azul. Então, e isso sem a gente se tornar uma outra espécie, nós somos a mesma espécie humana, beleza? Homo sapiens, tranquilo. E a gente mudou. Então, Amanda, o que eu vejo também, né, que assim, talvez a gente não se torne 2, 3 espécies, mas a gente pode se tornar algo muito diferente se a gente de fato durar dezenas, centenas de milhares de anos pelo menos. E se isso vai acontecer, eu já não sei.

?Voz 2

De qualquer maneira, né, vamos supor que isso aconteça, a gente consiga povoar Marte, terraformar, mas o Sol um dia também, né, vai engolir. Então, de qualquer maneira, questão de tempo.

RVRogério Vilela

O negócio aqui tá totalmente otimista para caramba aqui, você tá vendo, né?

?Voz D

As perguntas são otimistas ou pessimistas, homem.

?Voz F

Então vamos Olha lá, olha, aqui eu não sei se é muito otimista não. Então vamos lá, primeira pergunta do Caio Mendes. Ele tá perguntando se vocês acham que a nossa geração pode ser a que vai chegar a presenciar a extinção da humanidade.

?Voz 1

Acho que não, assim, vou ser direto assim. Eu acho que a humanidade não é extinta nesse curtíssimo período de tempo. Eu acho que a gente até tá vendo Hoje eu diria que no curtíssimo período de tempo a nossa maior ameaça talvez ainda é uma guerra nuclear. E você vê as tensões no mundo indo para uma direção assim de dominação através de bombas nucleares e mais pandemias também, talvez, né? Mas não, eu acho que mesmo pandemia não a ponto de extinguir a humanidade.

?Voz 2

Ah não, distinguir não, né? Mas de dar uma balançada.

?Voz 1

Porque você pega mesmo a COVID que matou gente para caramba, mas foi o quê no mundo todo? 2, 3 milhões de pessoas para 8 bilhões de pessoas, ainda estatisticamente é pouco significativo. E foi um prejuízo trilionário já. Então eu acho que no curtíssimo prazo não, não é nossa geração, não a geração dos nossos filhos, não a geração dos nossos netos. Teria para alguma coisa mais para frente. A gente ainda vai ver muito da humanidade Eu acho, concordo plenamente.

RVRogério Vilela

Acho que o risco maior é nuclear mesmo.

?Voz D

Mas extrapolando para uma pandemia mais mortal assim, qual seria mais? O pessoal fala que de fungo seria absurdo, né?

?Voz 1

É, a gente tem. E se você tem, inclusive, de aumento de temperatura, ajuda isso. E relacionado a isso, então a gente tem muito medo de uma pandemia de fungos porque não tem tantos medicamentos contra fungos, né, igual a gente tem. Imagina se tiver, por exemplo, uma pandemia de, sei lá, de prions, né, que são proteínas que se replicam no cérebro. E aí não tem remédio algum para isso, não tem tecnologia, algum não tem tecnologia.

Se você tem alguma coisa que é transmissível, que acontece rápido, né, e acontece rápido, aí pode ser algo que efetivamente não dá nem tempo de você se proteger. Tem ainda inteligência artificial, exato, nanorobô, nanorobô. A gente vê isso, a gente sabe ainda também. Temporada essa, inclusive.

?Voz 2

Tá muito boa.

RVRogério Vilela

Vamos lá, o Romero tem a pergunta aqui do Lucas Mazzelloni.

?Voz F

Ele tá perguntando se existe algum animal extinto que vocês gostariam muito que tivesse sobrevivido até hoje e o que mudaria no mundo com ele aqui.

?Voz 2

Ai, para mim é o Dunkleosteus, aquele peixão, gente. Eu gosto muito dele.

?Voz D

Será que você acha isso daí?

?Voz 1

É aquele que ele mostrou, aquele peixe com os ossos.

?Voz D

Ah, bonitaço, bonitaço!

?Voz 2

Seria muito interessante.

?Voz 1

Seu nome, Dunkleosteus, que é o nome facinho, né?

?Voz 2

Para mim é ele. Eu acho que, enfim, seria incrível, né, ter esse bicho hoje em dia.

RVRogério Vilela

Um pouquinho mais perigoso, talvez um pouquinho mais perigoso.

?Voz D

Esse papo de trazer de volta animal impossível aí, eu quero trazer um mamute, mas não é um mamute, né?

?Voz 1

Exatamente. É, você tem esse lance da desextinção que o pessoal tá chamando, né, que é trazer espécies extintas de volta. De volta. E fizeram com o lobo terrível, né? Fizeram entre aspas. Lobo terrível é uma espécie de lobo que tá extinta. E como é uma espécie que morreu há pouco tempo, você tem os fósseis dele com 20 mil anos de idade, foi possível sequenciar o DNA dele. Então você tem o DNA inteiro sequenciado. Aí o pessoal pegou alguns genes desse código genético dele e inseriu artificialmente no embrião de um lobo normal, um lobo cinzento normal.

E inseriram 19 genes para ele ficar por fora mais parecido. Só que o DNA de um lobo normal tem, sei lá, 20 mil genes. Você mudou 19. É porque você não tá mudando quase nada. Na prática não é um lobo, não é um lobo atual com uma carinha assim de lobo. O mamute seria a mesma coisa, seria um elefante asiático, provavelmente peludo, com marfim maior. E assim, por fora legal, vai parecer mamute, mas não é.

?Voz D

Vai voltar o unicórnio então?

?Voz 1

É teórica, você pode inventar o que for assim, né? Mas vai ser por fora, só um bicho, é com rinoceronte, dá mão, Jaro.

RVRogério Vilela

Mas é Lucas que perguntou, foi isso, né? Pô, eu adorava ver uns dinossauros aí, cara. Eu também ia achar a coisa mais legal do mundo.

?Voz D

Mas vai dar merda, né? A gente já viu filmes aí, em algum momento dá merda.

?Voz 1

Tem alguns filmes que mostram que sempre dá merda, não poupar despesas pode ser ruim.

RVRogério Vilela

É, mas eu queria, eu queria ver muito também. Quem sabe aí, quem sabe role. Muito legal. Pergunta.

?Voz 2

E o céu? Ficou faltando céu.

?Voz 1

Nossa, tem uns bichos da megafauna recente que seriam lindos de ver. Um tatu gigante, uma preguiça gigante, um bicho de, sei, 3 metros de altura, assim, 3 metros de altura, tinha que nobrecer.

RVRogério Vilela

Vilela, posso fazer uma pergunta para o casal Zomundo aqui? Que eu fui ontem lá nos sócios do Perini, conhece? E o Perini perguntou para mim como é que aqueles dinossauros pescoços grossudos conseguiam sobreviver? Como é que ele levantava o pescoço e não, sei lá, não desmaiava? Pelo fóssil tem alguma evidência no fóssil de como fisiologicamente ele— o que eu respondi para o Perini foi o seguinte: é que talvez ele não ficasse com o pescoço em pé, ele ficava com o pescoço mais para frente assim, que seria melhor para fluir tudo pelo corpo dele. Mas você sabe assim, meu cara?

?Voz 1

Não tem evidência, porque isso provavelmente era no tecido mole dele, era nos vasos sanguíneos e tal. Antigamente o pessoal achava que o bicho podia ter mais de um coração, porque tem um coração aqui, um coração no pescoço, um coração no rabo, e ajuda a dar uma rebombeada. Hoje ninguém acredita mais que tinha um segundo coração. Mas você pega, por exemplo, como é que girafa quando vai beber água não desmaia?

RVRogério Vilela

Isso, ele fez essa comparação.

?Voz 1

Então a girafa hoje ela tem uma rede de vasos sanguíneos extra que quando ela abaixa o pescoço distribui o sangue e não sobrecarrega o cérebro. Provavelmente esses bichos tinham vasos sanguíneos adaptados também para isso, tanto para subir como para descer. Você falou, a maioria tinha o pescoço reto mesmo para frente, mas tinha os braquiossauros, por exemplo, que era o pescoço na diagonal, mas bem para cima.

RVRogério Vilela

Não tem um argentino sauro?

?Voz 1

Tem um pescoço gigante, 40 metros de comprimento.

RVRogério Vilela

Acho que é o maior de todos, será que não?

?Voz 1

É, ainda é em massa, né? Tem um ou outro que assim, mas todos mais ou menos próximos.

RVRogério Vilela

Brontossauro usa esse nome ainda?

?Voz 1

Não, né? Tinha deixado de existir, voltou a existir agora.

RVRogério Vilela

Voltou Brontossauro?

?Voz 1

É válido agora de novo.

?Voz 2

E sacos aéreos não ajudariam?

?Voz D

Opa, que isso aí?

?Voz 1

Sacos aéreos?

?Voz D

Como assim?

?Voz 1

O bicho com as bolas nas costas?

?Voz D

É, exatamente, cara. Eu já imaginei o saco aqui em cima. O que são esses sacos aéreos? Esse bicho é o Argentinosaurus?

RVRogério Vilela

É.

?Voz D

Já não gostei dele.

RVRogério Vilela

Talvez, é que a risada dele é diferente.

?Voz D

Irmão!

?Voz 1

Mas perdeu a final da Copa do Mundo.

RVRogério Vilela

Mas o pescoço realmente é mais para frente do que para cima, real.

?Voz 1

Então, sacos aéreos não são sacos de testículos, são bolsas de ar que esses bichos tinham para ajudar a ficar mais leve, porque eles são muito pesados. E aí você gasta muita energia sustentando um corpo desse. E curiosamente são as mesmas estruturas que as aves têm hoje, que ajuda elas a voar. Diminui a densidade do corpo e permite com que elas voem mais.

RVRogério Vilela

Obrigado. Então, Perini, Malu, dos sócios, ó, prometi, perguntei, tá aí a resposta, meus queridos.

?Voz F

Romero, tem uma pergunta aqui da Duda Espiavetti. Ela mandou o seguinte: depois de estudar tantas extinções, vocês acham que a vida sempre consegue se recuperar? Mesmo depois de uma catástrofe gigantesca.

?Voz D

Como que é a frase do Parque dos Dinossauros?

?Voz 1

A vida não vence, a vida encontra um jeito, né?

?Voz 2

Encontra um jeito, é mesmo, completamente, né?

?Voz D

Porque essa vontade de ter vida, de onde vem isso, Ana? Que você vê que mete um concreto, começa a nascer capim. Você vê qualquer filme ou qualquer lugar abandonado, a natureza começa a tomar de volta a parada.

?Voz 2

Nosso planeta é muito biodiverso, então muitas espécies, né? A gente nem conhece todas as espécies que existem, né? Muitas são desconhecidas da ciência. Então quando acontece uma catástrofe, é uma extinção em massa, claro que muitas espécies vão, né, vão para o saco, vão se extinguir. Mas tem outras que são mais resilientes, né, que se adaptam mais. Igual a gente falou, né, do lado do asteroide, alguns bichos se enterraram.

?Voz 1

Um pouco de sorte também de estar no momento certo, no lugar certo.

?Voz 2

É, e os nichos ecológicos vão sendo ocupados, né? De repente, né, um outro organismo, opa, encontrei um espacinho melhor e vai.

RVRogério Vilela

E os seres vivos, goste ou não goste, são robôs bioquímicos que foram selecionados. A gente tava falando de robô, né? O que que é o robô? Robô, ele é um ser que vai ter um robô, na verdade ele é elétrico, robô, robô mesmo agora, né? E que vai ter na base silício com uma programação, mas A vida, inclusive nós, nós somos uma espécie de robô bioquímico também, selecionado ao longo de bilhões e milhões de anos principalmente para se alimentar e se reproduzir.

Então a vida, isso tá na gente, tá no fungo, tá no líquen, tá na planta. Se tem um espaço ali, a vida ocupa esse espaço. E é por isso que praticamente tudo no nosso planeta, exceto os lugares mais inóspitos possíveis não vão ter vida. O resto tudo tem vida, cara.

?Voz 2

E ainda nos lugares inóspitos tem alguns organismos extremófilos, né, alguns microrganismos que ainda conseguem.

RVRogério Vilela

Borda de vulcão assim. A gente some do planeta agora, por exemplo, cara, daqui um tempo esse estúdio aqui vai ter fungo crescendo, vai ter raiz de planta.

?Voz D

Qualquer lugar que você deixa de cuidar, né?

?Voz 1

É, o que que é cuidar, né? Cuidar é tipo suprimir a vida, não deixar ela invadir, né?

?Voz D

Tirar erva daninha, arrancar. Eu tenho sítio, é um trabalho absurdo aquilo não ser tomado por mato, cara. Principalmente época de chuva.

?Voz 1

Então chove, tipo, uma semana depois tá morrendo.

?Voz D

Daqui a pouco já tá alto, já não sei o quê, e você planta as paradas, cara, você fica uns meses sem. Como a gente não percebe como as coisas estão crescendo, porque você tá vendo todo dia. Um negócio, você não percebe. Agora, você fica meses sem ver, cara, você toma um susto, velho.

?Voz 2

É a vida seguindo o seu curso.

?Voz 1

Mas é muito legal que você comentou de por que, que da onde vem esse impulso, né? Porque eventualmente aparecem bichos, indivíduos que não têm esse impulso de reproduzir e continuar. Eles morrem e não passam seu gênesis para frente.

?Voz D

Tem algum exemplo disso? Pessoal fala do Dodô que era burro.

?Voz 1

Por quê? Por que que tem esse papo?

?Voz 2

É só uma coisa.

RVRogério Vilela

Essa lenda, não tem?

?Voz D

Morreu porque era burro, extinguiu porque era burro.

?Voz 1

Essa da onde vem a história? É porque quando o pessoal chegou ali, né, bichinho bonitinho, e é uma pomba, né, ele é um pombão, é um pombo grande.

?Voz D

Depois vocês me explicam também qual é o lance do ornitorrinco, qual é a piada desse bicho aí, cara.

?Voz 1

Toda essa coisa. Mas no caso do Dodô, ele vivia numa ilha isolado há milhares de anos, milhões de anos, e nunca teve tido um predador igual ao ser humano. Então quando o ser humano veio, o bicho ficou curioso, ele não ficou com medo, ele ficou curioso. Então ele se aproximava dos humanos. Ó, que bonitinho! Bonitinho!

?Voz D

Mas tem cara de bobinho, né?

RVRogério Vilela

Não tem?

?Voz D

Sabe com o que ele parece daqui do estúdio, o Homer? Com o que que ele parece?

?Voz F

Com esse penteadinho, cara do bigoda, é a cara do bigoda, velho!

?Voz D

Olha, até o penteado igual.

RVRogério Vilela

Ele é o pombão, então, esse frágil.

?Voz 1

E aí o bicho, não é nem frágil, é o bicho curioso. Ele chegava perto das pessoas assim, as pessoas, flop, tá, comi. Vamos ver se essa carne é boa, porque assim, só tinha lá, porque é uma ilha, e espécies que vivem em ilhas normalmente são ameaçadas por natureza, porque como o território é pequeno, não tem muito problema, tem muitos indivíduos, né, exclusiva dali. Então um, você mata um indivíduo, seria como, sei lá, matar mil indivíduos aqui, né?

RVRogério Vilela

Que nem a gente falou no início do programa, esse é um excelente exemplo de onde humanos realmente levaram à extinção completa: pequenas ilhas. Porque onde o ser humano chega, ele mata para comer, principalmente, beleza? E ilhas pequenas, em populações pequenas, a gente vai lá, consegue acabar com tudo. E lá se foi o nosso Dodô. Quem sabe ele volte, né? Tem projetos aí para trazer ele de volta, da mesma maneira semelhante que com o lobo cinzento aí. Cinzento não, lobo terrível. Lobo terrível, né?

?Voz D

O nome engraçado.

RVRogério Vilela

Por que que ele é terrível?

?Voz 1

Parece uma piada do Chaves, né?

?Voz D

E o ornitorrinco, por que que ele é um bicho tão estranho, tem tantas características?

RVRogério Vilela

Coloca a foto aí.

?Voz 1

É, ornitorrinco é bizarro.

?Voz D

Não tá ameaçado, né?

?Voz 1

Acho que não, acho que não. Mas você vê, o ornitorrinco, tipo, ele é um mamífero, ele bota ovo, mas bebe leite. Leite, né? Só que ele não tem mamilos, então o leite da mãe escorre na barriga. E ele tem bico, ele tem bico. O macho tem um esporão venenoso. Nossa, o bicho brilha no escuro, tem fluorescência.

?Voz D

Ah, mano, isso é uma experiência.

?Voz 1

E não tem estômago, não tem estômago, tem o esôfago, vai direto para o intestino, não passa por uma câmara de estômago. Ele é muito bizarro. E o que torna ele bizarro é porque ele tá isolado do resto do mundo há muito tempo. Que ele tá na Austrália, que na verdade torna a fauna da Austrália bem bizarra, né? Pensa na Austrália, tudo bizarro. Só que a fauna da América do Sul há uns milhões de anos atrás era muito parecida com a da Austrália.

O ornitorrinco mais antigo do mundo, fóssil, é da Argentina. Maior, esses mais antigos, mais antigo do que esse ou não? Não, mais ou menos mesmo tamanho. Provavelmente esses bichos surgiram aqui na América do Sul, chegaram na Austrália atravessando pela Antártica Antártica, e aí só sobrou lá. Aqui morreu todos, Antártica congelou, e só sobrou lá. Mas assim, talvez tivesse aqui no seu estúdio, talvez tivesse algum lago com ornitorrincos em algum lugar do passado.

?Voz 2

E ele é de uma linhagem de mamíferos que já foi mais abundante no passado e se extinguiu tudo, né? Sobrou ele e a equidna, que é um outro bicho também que bota ovo e tal.

RVRogério Vilela

Eu ia justamente comentar como é que ele sobrevive, porque ele parece tão vulnerável assim, mas ele realmente é a finaleira da né? É isso, basicamente.

?Voz D

Pode ter medo, pode se esconder.

?Voz 1

Ele é meio, ele é semiaquático, né? Então ele vive muito na água. Esses bichos que se intocam em água e tal também às vezes se esconde do predador, né?

RVRogério Vilela

É, e os bichos que a gente matou, que nem a vaca-marinha de Steller ali, eram realmente meio que uma finaleira, era um bicho fácil de pegar, grande, etc. Esses vão primeiro mesmo, né?

?Voz 1

E curioso também, né? O pessoal fala que peixe-boi, por exemplo, a gente viu no projeto Peixe-Boi que a gente pude visitar lá em Alagoas, que é o pessoal, eles se aproximam do barco, eles são curiosos. Eles, a gente não tem curiosidade de ver o bicho, eles têm curiosidade de ver a gente também. Deixa eu ver esse bicho estranho, deixa eu ver esse bicho estranho que fica, esse macaco de pé.

RVRogério Vilela

Esses bichos só não estão extintos porque a gente tá lutando para que eles não cheguem à extinção. Essa é a realidade, porque se não tivesse isso, já era, já não teria mais uma lista aí das 800 e tantas espécies, pelo menos que a gente levou.

?Voz 1

Tanto que tem gente que defende que em última instância a gente domesticou o planeta. Porque basicamente a gente só deixa viver as espécies que a gente quer.

RVRogério Vilela

É isso mesmo.

?Voz 1

Assim, se a gente se esforçasse um pouquinho, a gente extinguia tudo, tirando as pequenas, né? Tirando as pequenas, é macrofauna, né?

RVRogério Vilela

São de mega fauna, a gente não consegue, né?

?Voz 1

Não, a gente não consegue.

RVRogério Vilela

Nem que a gente quisesse, é só as bonitinhas que a gente conseguiria.

?Voz 1

Mosquito da dengue também não.

?Voz F

Tem a pergunta aqui do João Vitor, ele perguntou se a humanidade desaparecesse amanhã Quanto tempo vocês acham que levaria para a natureza começar a recuperar os espaços que a gente ocupou?

?Voz D

Então, o que que significa recuperar o espaço, né? Não sei.

RVRogério Vilela

Então, muito bem, assim, essa é uma pergunta muito interessante. Qual é o nome da pessoa que fez a pergunta?

?Voz F

João Vitor.

RVRogério Vilela

João Vitor, é o seguinte, João Vitor, a gente vai ter um problemão se a espécie humana sumir do dia para noite. Isso porque nós temos, a gente esquece que a gente tem 400 reatores nucleares operando no nosso planeta que precisam de manutenção humana. Se não tiver manutenção de médio e longo prazo em reator nuclear, o que vai acontecer é o meltdown, né? Exatamente, é o que aconteceu em Chernobyl, em Chernobyl e em Fukushima. Só que isso foram 2 reatores e já deu essa confusão toda.

Imagina 400 reatores vazando radioatividade. Então se a gente não resolve essa questão dos reatores, a gente some do planeta. E deixa os reatores funcionando, a gente vai ter um inferno nuclear no planeta Terra. A vida não vai ser extinta, mas pelo menos os seres vivos maiores, os grandes, vão sofrer imensamente com essa radiação. Não duvido que a gente tenha uma grande extinção, talvez até uma extinção em massa por conta disso, tá?

Mas aí eu tô um pouquinho no no especulativo aqui, obviamente a vida vai se adaptar. Quem sobreviver, mais resilientes, vão para frente. Só que provavelmente não vai ser bonito num primeiro momento. Depois de um tempo, a coisa vai para frente novamente. Agora, se a gente começar a pensar em deixar o planeta, vamos imaginar que a gente comece realmente entrar numa vibe antinatalista, que chegou a hora de Homo sapiens deixar o planeta Terra.

A gente não é matando as pessoas, mas é deixando de ter filho. E aí uma hora chega a zero, a gente tem que começar a desligar esse negócio, né, as nossas usinas nucleares, tá. Aí sim, aí a gente vai voltar ao que era antes. Só que a pessoa, né, não pode ter a ilusão que vai ser um paraíso idílico, tá. O leão vai continuar comendo búfalo, vai continuar os parasitas, vai continuar toda essa coisa. A natureza não é um Jardim de Éden.

Na natureza tem competição, na natureza tem predação, mas assim, a vida com certeza volta. E o caso das baleias mostra que pode voltar rapidamente, inclusive.

?Voz 2

Eles vão retomar o território deles, né? Então eles vão avançar nas cidades, né? Vegetação vai, né, vai começar a adentrar nos locais. Então a vida vai voltando a ocupar, né? Porque hoje a gente vai destruindo tudo, né?

?Voz 1

A gente vai modificando E acho que demoraria também, né, alguns milhares de anos para as últimas evidências da humanidade desaparecer. Assim, os prédios cairiam, por exemplo, sem manutenção devida e tal, mas a estrutura de ferro dos prédios ainda ia durar milhares de anos, né? As pirâmides do Egito que ainda estão de pé talvez ainda durassem mais alguns milhões de anos também.

?Voz 2

O que que vai durar milhares, milhões de anos? O plástico, né? O plástico vai durar aqui, que hoje o plástico já até faz faz parte da composição de rosto.

?Voz 1

Essa mesa não vai existir, mas o dentinho aqui vai continuar.

RVRogério Vilela

Fala, Rômulo.

?Voz F

E tem a pergunta da Jéssica Sayuri, que ela mandou o seguinte: quando a gente compara a consciência humana com a de outros animais, o que ainda falta entender? Como chegamos a esse nível de complexidade?

RVRogério Vilela

Tá, já estão olhando para mim aqui. Não, muito bem, essa é a pergunta que não quer calar, né? Acho que É uma das grandes perguntas da humanidade que não estão apropriadamente respondidas, inclusive porque leva à questão do que é consciência e se IA vai ter consciência, se robô vai ter consciência. Então, muito bem, então vamos definir e vamos também ver a diferença entre consciência e autoconsciência. Então, o que provavelmente a pergunta tá se referindo é autoconsciência, é você saber que você é você mesmo, né?

Que é, por exemplo, que a gente vê no teste espelho. Você vai lá, põe o animal no espelho, põe uma marca nele, ele vê que tem a marca, ele toca no corpo dele, opa, ele sabe que é ele que tá ali no espelho. Pouquíssimos animais vão ter isso. Nós somos o top nessa história toda, mas o gorila tem isso também, o chimpanzé, o orangotango, golfinho, alguns outros.

?Voz 2

Inesperadamente tem peixe que já passou no teste, tem peixe que tem, né?

RVRogério Vilela

É, tem uma cobra também, se eu não me engano.

?Voz 2

Identificou a mancha e foi esfregar o corpo num negócio lá do aquário para tirar a mancha.

?Voz 1

Ele reconheceu que a imagem do espelho é dele mesmo, não outro peixe. É, então já não passa nisso, né? O betta fica—

?Voz 2

não lembro qual espécie que foi, mas eu lembro de ter lido um estudo de uma espécie de peixe que passou no teste do espelho.

?Voz 1

E peixe, né, que a gente considera como simples, né?

RVRogério Vilela

Um bicho assim tá melhor que o gato e cachorro, que não passam nesse teste não.

?Voz D

Entendi.

RVRogério Vilela

Nenhum tipo? Pelo espelho, pelo menos não. Por questão de cheiro, aí tem um debate que talvez ele saiba quem é.

?Voz 1

Talvez ele é menos visual, ele é mais olfativo.

?Voz 2

Porque esse teste do espelho assim foi algo que foi estabelecido há muito tempo, né? Como se o bicho passa no teste do espelho, ele se reconhece, ele tem autoconsciência. Mas aí já tem outros estudos também complementares, não é só o teste do espelho que vai designar se é autoconsciência ou não.

?Voz 1

E ele é muito baseado em espelho e imagem porque nós somos uma espécie muito visual, né? A visão é um dos nossos principais sentidos para perceber o mundo, mas para vários bichos não é.

RVRogério Vilela

Mas assim, a questão da autoconsciência, ela realmente é uma coisa complicada. E a gente fala muito em padrões emergentes, né? Então, por exemplo, a química, ela é um padrão emergente em relação à física, biologia em relação à química, e a consciência seria também um padrão, perdão, propriedade emergente. Tá? Então a consciência seria uma propriedade emergente da biologia, mas isso não está apropriadamente explicado, né? Então temos até um convidado aqui, o nosso Cauê Santos, que tá ali assistindo, que tem um podcast que fala exatamente sobre esse tema, né?

E é difícil, né? A galera debate bastante em relação, inclusive quando você tem propriedades emergentes, você tem emergência mais forte, e aqui aquela que realmente não pode ser explicada somente pelo plano inferior, que seria, por exemplo, a biologia. Então é muito complicado essa questão. E só para pessoa de casa entender, imagina, você tá, eu tô vendo você ali, você tá vendo a gente aqui, nós estamos nos vendo, cara. Onde é que tá a telinha, né?

Onde é que tá a telinha aqui atrás que isso acontece, né? Onde é que tá fisicamente esse negócio? Já pararam para pensar nisso, né? Então é uma coisa muito louca, né? E então autoconsciência é algo que realmente é difícil de explicar. E tem todo um debate científico e filosófico em relação a isso. Já a consciência, aí o que tá acontecendo na biologia, mesmo para organismos, por exemplo, unicelulares, a galera já tá chamando de consciência, né?

Então, para Messi, vai lá, um exemplo eu gosto de dar, ele toca na estrutura, ele volta, ele muda o caminho dele. Então, nessa, nessa maneira um pouco mais ampla de consciência em relação à biologia, aí sim ela talvez seja muito mais comum do que a gente imagina. Imagina. E talvez aí a gente possa inclusive começar a discutir se ela já não é consciente.

?Voz D

Hoje tem essa discussão já, né?

?Voz 3

Exato.

?Voz 1

Porque se ela tem as mesmas, assim, se ela consegue raciocinar, entre aspas, né, a mesma coisa, e sentidos, né?

?Voz D

Sempre usa padrões humanos para definir alguma coisa. Isso é muito perigoso, né?

?Voz 2

Para tudo, até para base na vida. A gente vai procurar vida em outros planetas, vai procurar baseado no que o carbono—

?Voz 1

mas quem disse que o carbono é obrigatório assim? Não tem outras formas de vida.

?Voz D

Senhores, estamos caminhando para o final. Acho que agora é hora de tentar pegar tudo que foi falado e dar uma condensada, encerrar, e depois, claro, passar redes sociais. Costurem esse final então.

RVRogério Vilela

Eu acho assim, Vilela, né, a gente mostrou, né, debateu um pouquinho as principais extinções em massa, as 5 grandes, uma sexta que a gente falou ali no começo. E se estamos aí indo para uma sétima ou uma sexta, dependendo se a gente considera aquela primeira. Eu acho que algo que é interessante, né, que eu não vejo muito nos debates, é que eu gostei muito de ter debatido hoje, é se a crise demográfica, a diminuição da nossa população, que possivelmente vai acontecer, e vai acontecer na verdade, muitos países e na humanidade como um todo nos próximos séculos, não é uma solução por si só para as questões ambientais.

Eu acho que isso é uma coisa interessante para a galera refletir um pouco sobre isso. Agora, isso também não pode ser uma desculpa para a gente parar de tomar atitudes em relação ao meio ambiente, tanto a diminuição do sofrimento animal quanto a redução, a diminuição da redução de destruição de hábitat, e por fim em relação à crise climática. Então assim, essa é uma visão que eu vejo assim, que eu acho que sai aqui desse papo, que eu achei muito legal. Não sei se vocês concordam comigo, Amanda.

?Voz 2

Concordo. E uma outra coisa, né, que a gente bateu bastante na tecla é a comparação dessas extinções em massa do passado com o nosso momento atual, né, com todos os impactos que a gente tá criando. E essa questão da gente olhar para o nosso passado, entender o que aconteceu e entender que pode acontecer de novo. Então aqui, né, pelo menos no Zomundo, né, nas nossas vivências, a gente gosta muito de bater nessa tecla da gente olhar para o passado, aprender com os erros do passado para não, né, cometer os mesmos erros no presente, né? Não tô falando nem do futuro, né? Tem que olhar para o presente também.

?Voz 1

E uma coisa que eu gosto também de comentar, né, o pessoal às vezes acha que a gente que é biólogo, a gente odeia humano, né? Não, cara, se eu pudesse escolher ser qualquer espécie desse mundo, eu continuaria escolhendo ser humano, porque eu acho incrível. Nós somos, até o ponto que a gente sabe, a única espécie do universo que consegue pensar sobre o universo, pensar sobre a existência. Talvez no fim das contas nós somos o próprio universo pensando sobre si mesmo.

Nós somos feitos de pó de estrela, né, em última instância, e nós somos o próprio universo raciocinando sobre seu próprio funcionamento. Eu acho isso incrível.

RVRogério Vilela

Assim, eu senti que Carl Sagan está conosco aqui hoje.

?Voz 2

É isso mesmo, essa Essência, né?

?Voz 1

Então, e humanidade, né, deixa seu legado de forma que você não precisa nem ter filho para ser imortal. Você consegue deixar o seu legado pela evolução cultural, pela evolução cultural.

?Voz 2

Para o bem ou para o mal, a gente deixou o nosso legado. Estamos aqui há 300 mil anos e olha só quanta coisa que a gente já fez, né? O que a gente alcançou, muitas coisas positivas, muitas coisas negativas, mas eu acho a humanidade incrível, eu acho a nossa espécie incrível.

?Voz 1

E puxando então, né, para agora, para os finais. Então quem gosta desse tipo de papo, a gente conversa lá no Zoom Mundo sempre sobre isso, sobre outros assuntos. Pode seguir lá. E a gente tá indo agora em outubro para África do Sul, a gente vai fazer uma viagem para lá. Já tá fechada, já temos nosso grupo, tem algumas últimas vagas. Se você se interessar, a gente vai fazer safári, vamos visitar uma caverna que tem os fósseis, maior concentração de fósseis humanos de maiores ancestrais humanos da história.

A gente vai visitar o Museu Litoral da África, maior colônia de pinguins africanos do mundo. Pessoal não associa pinguim com África, né? Mas tem a maior colônia, fica lá na África do Sul. Então, para quem quiser saber mais, só acessar azomundo.com.br que vai encontrar todas as informações aí com as últimas vagas para serem preenchidas.

?Voz D

E onde o pessoal te acha?

RVRogério Vilela

Maravilha, obrigado, Vilela! Obrigado, Amanda! Obrigado, Bruno! Foi um papo maravilhoso. Agradeço a todos aí pela sua paciência e pela sua audiência. Eu tô no Instagram no Beto Lindner e no YouTube no Café com Darwin, né? Eu vou só digitar meu nome ali. É exatamente o Darwin que eu trouxe. O Darwin tá aqui. Olha só quem mais que eu tenho aqui. Eu tenho aqui o livro A Origem das Espécies. Olha só, eu tenho um presente que não é inútil, que eu vou pegar ele aqui.

Opa, eu tenho presente que não inútil, por um nosso querido host aqui. Pera aí, pegar o presente aqui para o nosso querido. Olha um livro aqui para você, viu, Laila? Tradução, tradução das cartas entre o Fritz Müller, que é um pesquisador que viveu em Santa Catarina. Eu tenho bonequinho dele aqui, vai abraçar com Darwin aqui. Olha que copa, velho, isso aqui do lado.

?Voz D

Essas cartas são importantes.

RVRogério Vilela

Então, esse sujeito chamado Fritz Müller, que morou em Santa Catarina, esse cara ele se correspondia com o Charles Darwin. E o Fritz e o César Zilli, que é autor desse livro, colega meu, amigo meu de Blumenau, médico, ele traduziu as cartas entre os dois que eram conhecidas até 1997. Então elas estão aí, né? Tem questões até da vida pessoal deles aí que eles compartilhavam. Então o Brasil foi super importante para a teoria da evolução.

Amanda e Bruno do Zoom Mundo tem um vídeo no canal deles que fizeram comigo lá em Florianópolis, no local onde o Fritz Müller fez as observações que o Darwin cita neste livro aqui, que é A Origem das Espécies. Então muita gente não sabe que o Brasil foi super importante para a consolidação da teoria da evolução. Então aí fica um presente que, na minha opinião, não é inútil, né? Não é muito, não.

?Voz 2

Claro que o Beto deu um desse para gente também, tá lá em casa.

?Voz 1

O Beto também espalhando a palavra de Fritz Müller.

RVRogério Vilela

Eu estou espalhando a palavra de Darwin, tá? Então a gente tem o café.

?Voz D

Você já ouviu falar de Darwin hoje? O cara domingo, 6 horas da manhã, tocando na casa das pessoas.

RVRogério Vilela

Então é o Café com Darwin, eu tô lá também. E junto com a Wise Trip, de maneira semelhante aí aos nossos colegas, não tô indo para África do Sul, vou para casa do Charles Darwin em julho do ano que vem com a Wise Trip. A gente vai para França primeiro para ver a parte antes da teoria da evolução, para Edimburgo na Escócia onde o Darwin estudou medicina, e depois nós vamos para casa do Charles Darwin ali em Londres. Onde ele viveu com a família dele e escreveu esse livro maravilhoso aqui, A Origem das Espécies. Valeu, galera, muito obrigado.

?Voz 2

Quero ir nessa viagem também.

RVRogério Vilela

Bora, já vamos nessa.

?Voz D

Também quero, hein. Pena que essa de outubro não dá porque é eleição e aqui vai estar todo mundo.

RVRogério Vilela

Mas essa aqui é julho do ano que vem, filhão.

?Voz D

Do ano que vem é maravilhoso.

RVRogério Vilela

Vou para casa do Darwin, pô.

?Voz D

Eu já vou em agosto ver eclipse no Egito, hein.

?Voz 1

Ah, massa, hein.

?Voz D

Em julho já temos tempo de investir. Já emenda.

RVRogério Vilela

Já emenda, porque termina final de julho, começo de agosto. Gosto ano que vem.

?Voz D

Vamos deixar então no comentário fixado as redes sociais deles e link para quem quiser, tá? Então vai estar um comentário fixado. Que vocês tenham uma sexta-feira boa, um final de semana bom. E o que mais você tem para dizer para a gente, meu querido Rômer?

?Voz F

Bom, já começa já deixando o seu like, né? Porque o papo foi incrível, né?

?Voz D

Então deixado lá atrás, o cara não deixa.

?Voz F

É verdade, né?

RVRogério Vilela

Você tem que provar que você não é um mocorongo e deixa seu like agora.

?Voz F

Like. Exatamente, o dinossauro vai comer sua cabeça aí, cara. Então deixa o like aí, se inscreva no canal, torne-se membro. E para você provar que você chegou ao final, várias coisas aqui que o pessoal escreveu, várias coisas, mas eu gostei de uma que é terra com anéis.

?Voz D

Terra com anéis, terra com anéis.

?Voz 1

Que susto, cara!

?Voz D

Coloca terra com anéis nos comentários e prove que você chegou até o final Fiquem com Deus ou com Darwin. Beijo no cotovelo, tchau! Que bom que vocês vieram.

RVRogério Vilela

Valeu, fui! As opiniões e declarações feitas pelos entrevistados do Inteligência Limitada são de exclusiva responsabilidade deles e não refletem necessariamente a posição do apresentador, da produção ou do canal. O conteúdo aqui exibido tem caráter informativo e opinativo, não sendo vinculado a qualquer compromisso com a veracidade ou exatidão das falas dos participantes. Caso você se sinta ofendido ou tenha qualquer questionamento sobre as declarações feitas neste vídeo, por favor entre em contato conosco para esclarecimentos.

Estamos abertos a avaliar e, se necessário, editar o conteúdo para garantir a precisão e o respeito a todos.

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?Voz 1

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RVRogério Vilela

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