Episódios de Inteligência Ltda.

1922 - SAFIEL: EDUARDO SALUSSE E THOMAZ RAFAEL

01 de setembro de 20261h40min
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EDUARDO SALUSSE é advogado tributarista e THOMAZ RAFAEL é jornalista esportivo. Eles vão bater um papo sobre a SAFiel, um projeto para a criação de uma SAF controlada pelos torcedores, salvar o Corinthians das dívidas e reestruturar o clube. O Vilela já separou o dinheiro pra comprar um pedaço do time e disse que quer ser dono do bar.

Participantes neste episódio3
R

Rogério Vilela

HostApresentador
E

EDUARDO SALUSSE

ConvidadoAdvogado tributarista
T

THOMAZ RAFAEL

ConvidadoJornalista esportivo
Assuntos5
  • O projeto Safiel para reestruturar o Corinthians com gestão profissionalSociedade Anônima do Futebol·torcedores como controladores·Bayern de Munique·Green Bay Packers
  • A grave situação financeira do Corinthians e o risco de falênciadívida do Corinthians·transfer bans·gestão não profissional·Flamengo
  • A resistência da diretoria do Corinthians ao projeto SafielOsmar·proposta vinculante·dívida da Arena·conselheiros
  • As perspectivas futuras para o Corinthians com ou sem a Safieleleições do Corinthians·intervenção judicial·reforma tributária·Blockbuster·Netflix
  • O modelo de governança da Safiel e a participação dos torcedoresoferta pública de ações·Fiel Torcedor·conselho de administração·distritos econômicos
Transcrição221 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
RVRogério Vilela

Olá, terráqueos, como é que vocês estão? Sou Rogério Vilela, tá começando mais um Inteligência Limitada, o programa onde a limitação da inteligência acontece somente por parte do apresentador que vos fala. Sempre trago pessoas mais inteligentes, mais interessantes e com a vida muito mais corintiana do que mineira.

?Voz B

Muito mais, meu querido, muito mais.

RVRogério Vilela

Você é corintiano?

?Voz B

Eu sou corintiano.

RVRogério Vilela

Quantos por cento?

?Voz B

10. Assim, eu visto a camisa, eu gosto de futebol, jogo, dou aula de futebol, né? Mas se eu falar que eu acompanho muito, dou aulas, dou aulas, não literalmente, mas eu jogo muito bem, entendeu?

RVRogério Vilela

Ah, você é tão bom que dá aula?

?Voz B

Eu sou tão bom que quando eu jogo eu dou dica assim, né?

RVRogério Vilela

Dá para perceber pelo seu, pelo, pela sua, seu visual, pela sua forma de falar.

?Voz B

Tá me julgando, cara?

RVRogério Vilela

Tô te julgando.

?Voz B

Que isso?

RVRogério Vilela

Só vendo.

?Voz B

Você me disse uma vez no comecinho que eu parecia ter cara de jogador do Corinthians, cara. Você lembra desse dia?

RVRogério Vilela

Lembro. Aí depois eu conheci melhor, aí você não tem mais cara. Como vai ser a participação do pessoal nesse dia especial de aniversário do Corinthians, 116 anos?

?Voz B

É isso daí, ó. Para você que tá de casa, começa deixando o seu like, tá certo? A sua inscrição. A gente tá se aproximando dos 6 milhões de inscritos, então ajuda a gente aí se inscrevendo no canal. E para você que faz parte da turma dos fiéis, né, em todos os sentidos, É, mande a sua pergunta, o seu Super Chat pra gente pra participar dessa live. Eu sou fiel, cara, nos dois sentidos.

TRTHOMAZ RAFAEL

É mesmo?

?Voz B

Exatamente.

RVRogério Vilela

Ana Júlia está em boas mãos?

?Voz B

Em boas mãos, tá assistindo agora inclusive.

RVRogério Vilela

E essa garota que tá aqui assistindo?

?Voz B

A Fabi?

RVRogério Vilela

Não, não, a que tá atrás dela, que você trouxe aqui. Não é? Não, não é. Fabiana?

?Voz B

Fabiana não é.

RVRogério Vilela

Não é? Tá. Não é. Nem por inventar um nome diferente, né? Então o pessoal vai mandar pergunta, precisamos, temos muitas dúvidas hoje.

?Voz B

Exatamente.

RVRogério Vilela

Hora de apresentar os convidados então, como é a primeira vez Tem apresentação e tem presente inútil. Quem quer começar? Tomás, vai aqui, ó, tua câmera, se apresenta para o povo.

TRTHOMAZ RAFAEL

Tudo bem, Vilela? Um abraço para você. Eu sou Tomás Rafael, corintiano circunstancialmente, jornalista esportivo, jornalista há muitos anos, há mais de 30 anos, o tempo passa. Trabalho na TMC, que era a antiga Transamérica. Transamérica agora é TMC, quem escuta sabe como a gente fala. Continuo na equipe de esportes, comento jogos, faço programas esportivos. Segunda a sexta, tô no Link TMC com Rodrigo Alvarez e Maiara Bastianello, falando de todos os assuntos, inclusive futebol.

E tô no BandSports também, todos os dias no Depois do Jogo, como diz o nome do programa, como sugere o nome, depois das partidas de futebol. Hoje, por exemplo, vamos entrar no ar às 11 da noite, se não tiver pênalti, depois de Atlético Mineiro e Cruzeiro.

RVRogério Vilela

E o Eduardo aqui representando a Safiel, é isso?

ESEDUARDO SALUSSE

É isso.

RVRogério Vilela

Se apresenta para o povo aqui. Hoje você vai ser bombardeado com todo tipo de pergunta, até as mais idiotas, Eu quero saber tudo, vamos lá.

ESEDUARDO SALUSSE

Vamos em frente. Primeiro, prazer estar aqui, Vilela, Tomás, com vocês todos. Sou Eduardo Salucci, sou advogado, me formei na PUC em 91, fiz meu mestrado na AGV, meu doutorado na PUC, tenho um escritório de advocacia há 34 anos, Salucci Marangoni Parente Jabur Advogados, tenho uma coluna no Valor Econômico, é o Fio da Meada, no Caderno de Legislação, atuei como juiz do Tribunal de Impostos de Taxas de São Paulo por 15 anos, Enfim, tem uma série de coisas que eu fiz aí, participei de entidades de classe, fui presidente do MDA, integrei Tribunal de Ética.

Quer dizer, quando a gente tem mais passado que futuro, fica ruim começar a falar de tudo, né? E no começo desse ano nós abraçamos o Projeto Sofiel junto com o Carlos Teixeira, o Maurício Chamati, mais uma turma grande aí, né? O Rodrigo Toninato, Samir Shoaib, Hugo Funaro, Lucas Brasil, uma turma grande. E estamos aí tentando fazer algo para mudar o Corinthians e talvez, quem sabe, até o futebol brasileiro.

RVRogério Vilela

Presente, trouxeram presente para mim? Vamos lá, aqui no cenário, hein?

ESEDUARDO SALUSSE

Perfeito. Eu trouxe duas coisinhas. Eu trouxe um bonezinho da Safial, que esse não é inútil, né? Esse não é inútil. E eu trouxe um, e eu trouxe uma cadeira.

RVRogério Vilela

Cadeira?

ESEDUARDO SALUSSE

É uma cadeira de boneca, uma cadeirinha.

RVRogério Vilela

Qual é o significado dessa cadeira aqui?

ESEDUARDO SALUSSE

A cadeira tem muitos significados. A cadeira, de um lado, ela significa a espera, né? A gente tá aqui e não vai sair e não vamos nos cansar e vamos ficar aqui na cadeira esperando. E de outro lado, a cadeira ela simboliza o poder, né? Todos nós ocupamos durante a nossa vida muitas cadeiras, né? A cadeira quando nascemos para comer, A cadeira de brinquedo, quando as crianças brincam, a cadeira da escola, né? Eu vou, uso a cadeira do ônibus, do metrô, cadeira da faculdade.

Eu entro no mercado de trabalho, ocupo uma cadeira, né? A cadeira do jornalista, cadeira do advogado, a cadeira de todas as profissões. Essa cadeira eu vou crescendo, vou mudando de cadeira e vou até uma cadeira de diretoria, uma cadeira de presidência, uma cadeira de poder. E quando chego na cadeira de poder, eu não quero sair dessa cadeira nunca mais, né? E a gente sabe que a vida exige uma troca de cadeiras, né? E o que a gente tá tentando fazer é uma troca de cadeiras, não especificamente no Corinthians, mas uma troca de cadeira no modelo, é um modelo associativo que está lá, em que você tem dirigentes sentados na cadeira até o fim da vida, né?

São cargos vitalícios, né? Sem menosprezo nenhuma às pessoas, mas a estrutura, né, é algo que tem sido abolido no mundo nos últimos séculos, vamos dizer assim, em que cargos vitalícios se tornaram algo antagônico ao que a gente pode talvez chamar de democrático. Então esse é o simbolismo.

RVRogério Vilela

Tomás, que você trouxe?

TRTHOMAZ RAFAEL

Eu trouxe, a Fabi tinha falado que teria que ser um presente, que hoje é inútil.

RVRogério Vilela

De quando essa foto aí?

TRTHOMAZ RAFAEL

Essa foto é de abril de 2016, quando você participou com a gente do programa Hashtag da Bola, que não existe mais, que substituiu Galera Gol, que era outro programa esportivo barra humorístico. Esse era mais jornalístico, mas também tinha um lado bem irreverente.

RVRogério Vilela

Trabalhava lá nessa época?

TRTHOMAZ RAFAEL

Não, 2016 acho que ainda não, né, Fabi? Já trabalhava? Ah, então tá. Esse é o André Galvão, que tá com a gente até hoje lá na equipe esportiva, tá no SBT também. Você fez uma careta, não sei se você tava gostando ou não do programa, mas foi muito legal.

RVRogério Vilela

O bigodão não era nem nascido nessa época ainda. Tinha quantos anos em 2016?

?Voz B

16? Tinha— é difícil essa conta, hein? É, nasci em 2005, tinha 11 anos.

TRTHOMAZ RAFAEL

Caramba, 10 anos atrás essa foto, hein, Vilar? Tempo passa, passa. Mas o que que você trouxe? É verde, tá, Eduardo? Me desculpe, mas enfim, a Fabi falou que era uma coisa inútil, mas que tivesse uma história. Eu trouxe um plano comercial de algum ano aqui do Esporte da Transamérica. Foi útil em algum ano, foi útil em algum ano, mas que tem muita história, porque tem aqui a foto de todos os integrantes. Alguns até já partiram, como Silvio Luiz, como Paulo Roberto Martins, mas tem muita gente boa, gente que você conhece também.

Tortorelli, você deve ter feito show com ele na época do stand-up. Porpetone, Fuzil, Gavião. O Calil, Márcio Bernardes, que legal, Éder Luiz, o comandante da equipe de esportes. Então é, tem muita história, mas é algo inútil. China aqui, Juarez Soares também já nos deixou, filósofo contemporâneo.

RVRogério Vilela

De chamar ele aqui, né?

TRTHOMAZ RAFAEL

Coitado, esse tem história para contar.

RVRogério Vilela

Eu queria começar, Tomás, pode ajudar também, Eduardo, mas te falar a situação atual do clube, né? Como que o clube tá de fora? Para quem a gente vê, é assustador. De dentro, acho que é pior ainda, né? Como que tá essa situação?

TRTHOMAZ RAFAEL

É, o Eduardo pode falar de números melhor do que eu, mas como jornalista esportivo, eu acho que nunca o Corinthians esteve numa situação tão caótica. Quando a gente falava de crise financeira lá atrás, quando eu comecei a carreira, quando éramos mais jovens, a crise financeira era você não ter o salário, você não ter o dinheiro para pagar o salário de todos os jogadores, tem que pegar ali adiantado de alguma televisão, divisão.

Em alguns meses você conseguia recuperar esse dinheiro, e depois no ano seguinte você fazia a mesma coisa, mas virava um looping meio que controlado, uma crise meio que controlada. Hoje o que a gente ouve falar, a gente fora do ar tava falando aqui que pode passar dos R$3 bilhões essa dívida, é que o movimento que, por exemplo, o Flamengo fez há 10 anos, que foi um movimento engenhoso com Bandeira de Melo, né, de você cortar custos, cortar gastos, na verdade, você conseguiria em 3, 4 anos naquela época resolver o problema do Flamengo como foi resolvido.

O que a gente ouve falar, e aí eu acho verdadeiramente assustador, é que se o Corinthians fizer tudo certo como associação, não como SAFiel ou como uma SAF qualquer, fizer tudo que o Flamengo fez, repetir o bom exemplo do Flamengo, o Corinthians demoraria 15, 20 anos para resolver Tamanha é a dificuldade financeira do Corinthians, muito, mas muito maior do que era do Flamengo 10, 12 anos atrás, quando os caras colocaram o pé no freio.

Para você ver como é difícil imaginar o Corinthians saindo do atoleiro com os dirigentes que continuam se perpetuando no poder há tantos anos. É muito complicada mesmo a situação.

RVRogério Vilela

E aí, Eduardo, números?

ESEDUARDO SALUSSE

Bom, o Corinthians fechou no passado com uma dívida de R$2,7 bi. Milhões de reais, né? E hoje mesmo saiu uma notícia de que o primeiro semestre fechou com déficit de R$246 milhões, né? Portanto, é seguro dizer que os R$2,7 do final do ano, somado a esse déficit, talvez tenha feito com que a dívida conhecida, né, a dívida conhecida, isso é importante, reconhecida, conhecida e reconhecida, tenha ultrapassado R$3 bilhões, porque a gente sabe que às vezes tem dívidas ali que estão sob litígio, né, não estão reconhecidas no balanço porque ainda não são definitivas.

Mas a situação é essa. Agora, independentemente do número, né, a situação fala por si, né? Salário atrasado, transfer bans, né, vários transfer bans, vendendo atleta para nada pagar dívida, né? O futebol ele exige um reinvestimento permanente, né? Então você vende atleta para poder comprar outros atletas, né, para você estar mais forte no ano seguinte, né. E nós estamos vendendo atletas para poder pagar a dívida, né, com uma pressão enorme da torcida, investigações de Ministério Público estadual, federal, risco de intervenção judicial, sem acesso a benefícios fiscais por conta dos problemas financeiros.

Enfim, uma gestão que deixa a desejar, com notícias que Travasam aí, né? As paredes do Parque São Jorge são iluminadas aí pela imprensa diariamente, né? Então esse é um problema inerente ao modelo não profissional, é um modelo político, né? Acho que é decorrência de tudo que aconteceu.

RVRogério Vilela

Um clube pode quebrar que nem uma empresa?

ESEDUARDO SALUSSE

Pode, um clube pode quebrar, ele pode quebrar sim. Já tivemos exemplos aí, né? De clubes que quebraram, né? O Guarani perdeu lá o estádio, Figueirense, a própria Portuguesa aí, que enfim ressurgiu das cinzas.

TRTHOMAZ RAFAEL

Clubes fecharam e tiveram que reabrir com outro nome.

ESEDUARDO SALUSSE

Sem dúvida, pode sim, né? Essa sensação de que, ah, o Corinthians é muito grande para quebrar, né? Eu almocei uma vez ano passado, no começo do projeto, com uma pessoa que foi ex-conselheira do clube E ele falou, ah, não importa se deve 2, 3, 5, 10 bi, o Corinthians nunca vai quebrar. E isso me marcou muito, porque as coisas não funcionam assim não, né? Precisa só combinar com os credores, né? Os credores não vão ficar lá passando a mão, fazendo cafuné eternamente.

RVRogério Vilela

E aí surge a ideia da Safiel. O que que é Safiel para quem nunca ouviu falar?

ESEDUARDO SALUSSE

Bom, a Safiel surgiu a partir de uma reunião de pessoas que figuraram entre as maiores doadoras da Vaquinha da Arena. A Vaquinha da Arena, para quem não sabe, foi um movimento capitaneado pela torcida organizada Gaviões da Fiel, pedindo aos corinthianos que doassem valores para ajudar a pagar o estádio. E essa, e essa vaquinha, ela arrecadou, eu reputo, um sucesso, porque foi um esforço praticamente isolado da Gaviões da Fiel.

Sem ajuda do clube, sem divulgação ampla na empresa, uma campanha organizada, arrecadou algo próximo a R$40 milhões, um pouco mais de R$40 milhões, e algo absolutamente insuficiente para pagar a dívida do tamanho que tinha a arena. E aí os maiores doadores, né, por iniciativa de alguém lá, se reuniram. E o que nós vamos fazer? Aí tinham dois caminhos: vamos virar sócio e tentar assumir em algum momento politicamente a gestão para tentar ajudar a colocar a coisa em ordem, Ou vamos tentar um projeto de fora.

Vou virar sócio tinha uma barreira do tempo. Pelo estatuto do Corinthians você precisa de 5 anos para poder votar e se candidatar. E precisa de 2 mandatos de conselheiro para você poder se candidatar à presidência, ou seja, um percurso de pelo menos 11 anos. O Corinthians não aguentaria. E aí a outra alternativa foi construir um projeto de fora, foi quando o Maurício Chamati e o Carlos Teixeira me chamaram para almoçar. Me convidaram para embarcar e embarquei de pronto.

E surgiu aí a ideia e o projeto inicial da SAFEL. Vamos lá, vamos lá, esperando. Ok, tá sentado, né? Tá todo mundo sentado. Olha aqui, bom, o cara preparou e não falou quem é SAFEL. Vamos lá, SAFEL é uma sociedade anônima do futebol, né, constituída parecido, de forma parecida com as SAFs que nós temos por aí. Cruzeiro, Botafogo, Vasco, etc., com uma particularidade.

RVRogério Vilela

Como que é o exemplo desses outros clubes que são SAFs? Como que é? Tem um dono?

ESEDUARDO SALUSSE

Então, o grande diferencial da SAF do Corinthians que nós propusemos, a SAFiel, para as outras SAFs, né, são mais de 140 SAFs no Brasil hoje, 146 pelo último levantamento do IBSAF, que é um instituto que estuda SAFs no país. A diferença é que nós não entregamos o futebol do Corinthians para um proprietário, para um pequeno grupo de controladores. Isso para a gente é muito caro. Por quê? Porque um dono pode quebrar, um dono pode morrer, um dono pode revender, um dono tem conflito de interesse, um dono tem pouco compromisso com transparência.

Que é ele com ele mesmo, né? E uma série de outras questões que podem sim. A Bramovic foi, teve lá por conta da sanção europeia na guerra, ele teve problema lá. Enfim, o clube tá quase fechando ali, né? Problema de compra, venda de jogadores, etc. E a Safiel, ela se propõe a fazer uma espécie de SAF parecida, né, do ponto de vista jurídico, Mas tirar os ativos do futebol do Corinthians, passar para uma SAF que vai ser sócia de um, de uma outra holding composta por fundos de torcedores corinthianos, né?

Então você tem uma nova empresa que vai ter como sócio de um lado o Parque São Jorge, o clube associativo, e de outro lado uma gama enorme de corinthianos. Na nossa percepção, algo entre 400, 500 mil torcedores, a exemplo do Bayern de Munique, de outros exemplos que nós vimos por aí, o resto do mundo, Green Bay Packers e outros times europeus que têm caminhado para essa abertura.

RVRogério Vilela

Já teve essa experiência em algum lugar?

TRTHOMAZ RAFAEL

Tipo, então você teve o Bayern de Munique, você não pode, o dono, o novo dono, a empresa que toma conta não pode ter maioria das ações, que é algo parecido com o que é 50% mais um lá, a regra deles, né? E os outros clubes não dá, o cara vai lá e compra 100%, né? Como John Textor tem ali, não sei se 100%, mas a maioria do Botafogo. Num primeiro momento injeta dinheiro lá, né, Eduardo? Fica tudo bem, o Botafogo ganha títulos que eu achei que eu fosse morrer com sei lá quantos anos e nunca ia ver o Botafogo ganhar, especialmente a Libertadores.

Mas aí no outro dia, até para usar um termo que o Carlos Teixeira usou ontem no Toque de Bola, outro podcast, aí ficou com mau humor, aí vou passar a pegar o dinheiro do Botafogo e começar a usar mais, injetar no meu outro clube, o clube que eu tenho lá na segurança. Ou Vasco da Gama, que tem a 777, que é uma empresa que do nada faliu e ninguém sabe, e o Vasco da Gama atolou. Então eu imagino, né, na cabeça do Eduardo Carlos, esse tipo de exemplo mal-sucedido, embora do Botafogo a gente possa até discutir se foi mal-sucedido ou não, porque gerou títulos que a torcida nunca ia ganhar, na minha avaliação, a SAF não corre o risco.

ESEDUARDO SALUSSE

Sem dúvida, sem dúvida. O Atlético Mineiro descobriu-se que tinha um controlador, que o controlador, um grupo grande que era do Volcaro e daí por diante, né? Então é muito complicado, né? Você pode até vender para um dono, uma pessoa idônea, capaz, sólida financeiramente, mas e aí o dia seguinte, né? A pessoa acorda com o ovo virado, resolve vender para um fundo russo aí, sei lá de onde, que ninguém sabe quem tá por trás, né? E vira aquela— então assim, na nossa percepção, Corinthians é um um time de origem popular, formado por operários, né, numa época em que o esporte ele era praticamente exclusivo de uma classe econômica maior, né.

E você entregar o clube para um dono hoje, acho que bateria de frente com a identidade do Corinthians, né. E esse modelo que nós adaptamos, ele valoriza o que o Corinthians tem de mais importante. O que que é? É o seu torcedor, né. Chegar lá, clube destaca-se por um elemento, né. O Santos tem uma reputação internacional desde do Pelé, etc. Mas o Corinthians, a torcida, a torcida do Corinthians virou hoje ponto turístico, né? Os turistas vêm, vão no estádio.

Eu cansei de ver mais de uma vez turista lá que nem português falava, que foi ao jogo porque queria ver a torcida desempenhando, gritando poró popó.

TRTHOMAZ RAFAEL

No YouTube você vê toda hora os canais dos torcedores alemães, ingleses, eles vêm e fazem um vídeo inteiro só para mostrar a torcida do Corinthians. E o poró popó é um espetáculo à parte, vira vídeo da CONMEBOL.

ESEDUARDO SALUSSE

É isso, impressionante, é isso. Então, no fundo, você tira o futebol do Corinthians, você implementa uma profissionalização na gestão, uma governança, e você atrai capital e você entrega o time ao povo. Esses 3 elementos, eles são fundamentais para fazer a estrutura, digamos, central da Safiel.

RVRogério Vilela

Quem coloca dinheiro?

ESEDUARDO SALUSSE

A ideia é você fazer uma oferta pública de ações, né, uma espécie de um IPO, mas é uma oferta pública de ações por meio de um fundo de de um FIA, né, um fundo de investimento em ações para corinthianos. Ah, como é que eu sei que o cara é corinthiano? Tem que ter um vínculo com Corinthians via Fiel Torcedor, que não é esse que tá aí, é um Fiel Torcedor mais amplo, porque o que tá aí é só para ingresso, né, um Fiel Torcedor mais democratizado, vamos chamar assim.

E a partir daí ele consegue habilitar-se para poder comprar as ações. E aí a gente tem um sistema de distribuição de ações para todo tipo de corinthiano, desde os do bolso mais fundo até o corinthiano mais simples que queira comprar uma única ação. Essa é a ideia em geral.

TRTHOMAZ RAFAEL

Agora, posso fazer uma pergunta? Posso virar, posso fazer pergunta também?

RVRogério Vilela

Você está aqui para isso, Tomás.

TRTHOMAZ RAFAEL

Você me permite? Co-host aqui. Obrigado, Vilela. Essa questão, o torcedor do Corinthians não vai fazer doação, vai investir, né?

ESEDUARDO SALUSSE

Perfeito.

TRTHOMAZ RAFAEL

Isso é uma coisa. Mas essa possibilidade do Corinthians garantir, que foi até o motivo das últimas reuniões, é garantir um aporte para a Caixa. Esse aporte inicial, esse viria de onde, Eduardo?

ESEDUARDO SALUSSE

Vamos lá, esse aporte inicial, eu vou depois só contar a historinha para te dizer por que que nós chegamos até aqui, tá? O projeto não é um projeto para quitar arena, ok? A Safiel, a Safiel é um projeto para reestruturar o Corinthians administrativamente, protegendo contra capturas políticas, financeiramente ter uma gestão profissional e capitalizado, ok? Ok, o que que acontece? Nós apresentamos a proposta inicial ao Corinthians em outubro do ano passado, 29 de outubro.

Teve o lançamento dia 28, dia 29 entregamos a proposta, e a primeira reunião séria para tratar do assunto aconteceu na quarta-feira agora, tá? Então foi um longo período, digamos assim. E desde o começo, a gente recebeu uma série de, digamos, resistências, né? Sofremos uma série de resistências. O que é normal, porque como a cadeira mostra, quem senta na cadeira do poder, né, isso a história nos conta, né, os filósofos do poder nos contam, quem tem o poder não milita em seu desfavor, né, e no sentido de enfraquecer o seu poder.

Quem está no poder nunca quer perdê-lo e muito pelo contrário, quer sempre fortalecer o poder. Isso a história nos mostra, todas as guerras e daí por diante. Depois, se quiser até falar um pouco disso, a gente fala. Mas assim, a gente sofreu resistências crescentes, né, E eu diria que elas são camadas, né? Então chegamos lá, não, quem são esses caras? É tudo malandro, né? Aí foram lá pesquisar nossa vida, nada de malandragem. Ah não, esses caras nem corintianos são.

Foram pesquisar nosso Fiel Torcedor para ver se nós íamos em jogos e lá estávamos. Ah não, mas essa empresa foi montada agora. Óbvio, ela foi montada para isso. Estranho seria se eu pegasse uma empresa antiga e querer fazer uma distribuição primária aí para sócios, né? E aí por diante. Ah, o projeto tem falhas jurídicas, né? E a gente ali apresentando, construindo, ouvindo, melhorando, editando novas versões, daí por diante. E muitas mentiras, xingamentos, enfim, foram etapas assim, cada uma que era superada vinha outra.

E agora nós chegamos na etapa do os caras não têm grana, né? Ok. Né, nunca escondemos que o projeto tem por objetivo fazer uma captação pública mediante a oferta de ações a uma massa. A captação é uma situação que vai ocorrer lá na frente. Se eu tivesse dinheiro para comprar o Corinthians, eu, Eduardo, agora eu estaria indo contra o motivo pelo qual a SAF foi criada, ou seja, uma SAF de dono. Nós não queremos comprar o Corinthians, nem eu, nem o Carlos, nem o Maurício, nem ninguém do nosso grupo.

Ok. Ah não, mas aí a retórica, né, aquela história vem: não, mas encosta o umbigo no balcão, né? O presidente falou numa: encosta o umbigo no balcão. Ele falou umbigo, estoca o umbigo no balcão e traz o cheque, né? Mas como traz o cheque, né? O projeto não é isso. Para você chegar à captação, você tem etapas a serem cumpridas, né? É um sequenciamento de elementos, né? Quem já participou de qualquer Operação societária de M&A, né, de fusões, aquisições, incorporações, não importa, você tem um sequenciamento de atos até chegar lá na frente na hora da captação.

Ah não, mas para entrar no Corinthians tem que mostrar que tem dinheiro. Tá bom, temos dinheiro, né? Ah, mas quem vai colocar o dinheiro, né? E aí vai, né? Então cada carta que você coloca, eles colocam outra em cima. Bom, nesses quase um ano de projeto, nós sempre nunca paramos de trabalhar no sentido de prospectar em círculo de relacionamento privado, não é oferta pública, até porque se fosse público eu deveria ter autorizações específicas regulatórias, né, com amigos, né.

Vai lá, você quer investir? Pô, eu quero, sabe quanto? Ah, R$1.000, R$2.000, R$3.000, R$5.000, R$10.000, né. E assim a gente criou lá um cadastro, nosso site inclusive ele tinha lá um formulário para você preencher com a manifestação de interesse, né? E temos ali um rol de pessoas e fundos e empresas que diriam que teriam sim interesse em investir. Muito bem, dado o xeque-mate, né, o truco, né, que a internet chamou lá, o presidente trucou a Safiel.

Nós passamos algumas horas telefonando para os maiores bolsos aí do nosso grupo né? Inclusive nesse grupo pequeno privado que temos, né? Falou, gente, o Osmar disse que se aportar antecipadamente o dinheiro para quitar a Arena, ele assina a proposta vinculante, mesmo sem ter competência estatutária para isso. E aí a internet começou a virar, né? Falar, ah, será que eles têm o cheque, né? Agora eu quero ver essa Fiel, né?

RVRogério Vilela

Você tá falando do que aconteceu sexta-feira? Pessoal falou que que ele trocou e vocês pediram 6.

ESEDUARDO SALUSSE

Que história foi essa? A história foi que ele disse, se ele apontou para a câmera, se a Safiel trouxer o cheque aqui para quitar a arena, quitar o estádio, eu assino, né? Primeiro que ninguém vai quitar o estádio.

TRTHOMAZ RAFAEL

Uma entrevista depois da reunião com vocês.

ESEDUARDO SALUSSE

Ah, perfeito. Então vamos lá, na quarta-feira tivemos uma reunião que demorou 4 horas ou mais, né? Tinham 10 pessoas do Corinthians: presidente, vice-executivo, presidente de deliberativo, presidente de CORE, presidente do fiscal, outros fiscais, diretor jurídico, sócio advogado representante de alguns coletivos. Tinham 10 pessoas do Corinthians. De nossa parte, eu, o Carlos Teixeira, a Marília e um grupo que nós criamos, chama Comitê de Acompanhamento da SAFIEL.

Por que esse grupo? Porque era um tal de diz que não diz, né? Então a gente criou um grupo para democratizar a interlocução. Até porque, Ibrella, nós temos um abaixo-assinado com mais de 110 mil assinaturas, dentre as quais mais de 3 mil sócios em favor da CFA, inclusive pessoas ilustres, tá? O Benji assinou, o Cazão assinou, muita gente, o Ulisses assinou, muita gente famosa, Salgadinho, Felipe Andreoli, tem muita artista, sócios todas as comunidades, todos os nichos, torcidas organizadas.

O Alê da Gaviões assinou, é, o Digão assinou essa semana, fez um vídeo até ontem, ou anteontem, publicou um vídeo no canal dele aí fantástico. Mas enfim, e para representar essa massa de pessoas que lá tinham assinado em favor da Safiel, nós criamos esse grupo democrático. Então veio uma jornalista de prestígio, a Marília, Marília Ruiz, o Sérgio Rebolo, que é neto do Francisco Rebolo, que foi quem fez o símbolo do Corinthians, artista, enfim.

E até primo irmão do meu bisavô, primo irmão do bisavô do Tomás. E o Bambu, que foi presidente, é presidente de honra da Estopim, enfim, uma figura, faz todas as faixas para todas elas e tal. O Bambu, eu tava louco para perguntar, meu amigo. Eu brinquei, eu falei, eu vou falar, eu vou na reunião, vou falar, aqui a gente tem a Marília, o Sérgio Rebolo, E vou ficar mudo.

TRTHOMAZ RAFAEL

Fala aí, o Bambu, amigo do Mário, jogou no time de 54, campeão do Centenário.

ESEDUARDO SALUSSE

E aí a gente teve essa reunião, aí teve a reunião, 4 horas de reunião, lavação de roupa suja ali, quer dizer, algumas reclamações de que a interlocução estava pela imprensa e nós colocamos a dificuldade de sermos atendidos. E aí eles, primeira vez que teve essa conversa com todos eles, sim, com eles reunião técnica foi a primeira vez. Tivemos com o Romeu Tuma talvez 3 vezes, com o Stabile uma vez. Com o Pantaleão uma vez, no CORE também fomos, no informal, quando tinham os CORE, o Conselho Orientativo, é um outro órgão ligado à estrutura estatutária do Corinthians.

TRTHOMAZ RAFAEL

Uma pergunta sobre essa reunião: clima amistoso, bem profissional, ou teve gente que não—

ESEDUARDO SALUSSE

amistoso? Não, o Romeu ficou, ele começou bravinho lá dizendo que a gente não pode ficar falando mal do Corinthians porque isso dá denegrir a imagem, que se a gente faz algum tipo de acusação que tem que ter prova ou afirmar para que eles possam investigar e tal. Mas o Romeu É uma figura que todos conhecem aí. Ele, todos muito atenciosos, todos eles, né, na reunião. E aí, superada essa fase de, eu chamei de lavação de roupa suja, né, a gente passou para a questão jurídica.

E eles apresentaram um pequeno questionário, ou 3 pequenos questionários, um armando com cento e tantas perguntas sobre a Safiel, o outro O Rachim, que é esse do coletivo, com mais 50 perguntas, e o Romeu, turma, com outras tantas perguntas. Você tem mais de 220, 230 perguntas para responder para eles, né? Muitas repetidas, muitas inocentes, muitas sem nenhum sentido e muitas importantes, né? E é assim que se constrói, né? Porque a dúvida te fomenta ou te provoca a construir, a refletir e a melhorar.

E aí eu falei, bom, vamos ficar aqui respondendo as 200 perguntas, ou vocês preferem mandar por escrito e a gente responde por escrito também dentro de uma semana, até para tornar público isso, porque a dúvida deles pode ser a dúvida de qualquer um de nós, né? E assim foi feito. Aí passamos para a parte financeira, onde foi colocada a situação financeira do Corinthians, e o Osmar colocou a ideia de ter uma antecipação, porque não dá para esperar 12 meses.

A gente pode, vocês podem querer entrar, mas tem que ter uma antecipação aqui. Falava, mas Osmar, a antecipação ela é Na verdade é um empréstimo, né? Não, mas vocês têm que assinar. Se pagar a arena, eu assino, né? Não existe pagar arena, eu assino, né? Até uma ingenuidade, né? Que eu não sei se é um discurso inocente ou articulado para isso, né? Mas assim, não é uma doação, né? Paga que eu assino. Ele quer uma doação, uma doação Ninguém vai fazer, ninguém tá ali para doar nada.

É um empréstimo também? Não somos instituições financeiras, né? Quer um empréstimo, vai no banco, né? O que que é? Ah, é uma antecipação da captação, ou um empréstimo conversível em ações, ou empréstimo ponte até a captação ocorrer para liquidar o empréstimo no montante suficiente para pagar a arena. Ok, tá bom. Então a gente vai conversar com o seu jurídico, que era o Pedro Soares, que tava lá. Eu com seu diretor financeiro para entendermos a situação financeira, para entendermos a situação jurídica.

RVRogério Vilela

Isso ainda dentro da reunião, não fora.

ESEDUARDO SALUSSE

Dentro da reunião, umas 4 horas. E a gente, a partir dessas informações, nós vamos estruturar uma proposta nesse sentido. Ok, ok. Tá bom, tá bom. Saímos da reunião, tudo amistoso, trocamos cartão, cartões, né? O Miguel Marques estava lá também, enfim, todos eles. Saímos, demos entrevista nesse tom. Olha, foi muito amistoso e foi mesmo. Lavamos roupa suja, estabelecemos um canal de comunicação e vamos trabalhar em cooperação, né?

Porque a cooperação, acho que quando todas as partes cooperam, é o melhor resultado possível para ambas, né? Teoria dos Jogos pura, né? As duas partes conflitando, todo mundo perde, né? Se uma conflita e a outra coopera, você tem uma que perde muito, outra que ganha muito. Então quando as duas cooperam, todo mundo se dá bem, especialmente o Esporte Clube Corinthians Paulista, que é a grande vítima de tudo que tá acontecendo, né?

E aí foi, aí fizemos a reunião, demos a entrevista, tudo certo, fomos para casa seguir a vida. Isso foi na quarta-feira, né? Quinta-feira, imprensa, que aconteceu, não aconteceu, tal, entrevista aqui, entrevista ali. Eis que na sexta-feira ele dá uma entrevista. Ah, desculpe, antes do, acabando a reunião, ele foi para sala dele, Osmar, com a Marília Ruiz. E ele já para Marília Ruiz na sala dele, no próprio já da reunião, ele falou, olha, se quiser entrar no curso tem que pagar um dinheiro e quitar a Arena.

Nós achamos logo depois da reunião, tudo bem. E a Marília deu essa notícia no canal dela, no programa dela. E até nosso grupo falou, bom, vamos responder, não vamos responder? Bom, mas é a Marília que tá falando, não é oficial, não é o Osmar. Vamos, tudo certo. Passei uma mensagem para ele por WhatsApp de manhã, 7:30 da manhã, falou: Osmar, a Marília falou isso, é isso mesmo? Porque tá vendo nas redes sociais um questionamento.

E aí, Safiel, e agora vocês vão pagar, não vão pagar? Então tá gerando mal-entendido. Você não quer você ir a público e esclarecer o que você tá dizendo? Porque não foi o que nós combinamos na reunião, né, de ter um canal direto e tal. Ele não respondeu. E uma, lá pelas 10:30 da manhã, foi entrevistado na ESPN, que De fato, ele pegou e apontou para a câmera e disse que traz o Paga Arena, que eu assino a proposta vinculante.

RVRogério Vilela

O que é isso, uma proposta vinculante?

ESEDUARDO SALUSSE

A nossa proposta original é não vinculante. O que significa isso? Que por mais que o clube nos autorize e crie obrigações intermediárias de abrir documentos, informações, manter sigilo, fazer uma avaliação, uma auditoria, avaliar os ativos, verificar os passivos, fazer as minutas dos contratos, acordo de acionista, é construção de fundo de investimentos para captação do torcedor, registro, etc. Se lá na frente o Corinthians não quiser transformar em SAF, ele não é obrigado.

Então o documento não vincula, ele vincula no meio e não vincula no fim, ok? Ok, é isso que é uma proposta não vinculante. Aliás, é exatamente o que o Santos fez agora. A proposta não vinculante, o non-binding offer, é uma expressão técnica usada para este momento negocial, né? Mas ele não, eu faço vinculante inclusive. Aí a rede social entrou em polvorosa, né? Vamos, e aí, Safiel, agora trucou, né? E a gente emitiu uma nota, quer dizer, passamos no telefone, voltando ao ponto anterior, ligamos para—

RVRogério Vilela

primeiro, por que que você acha que ele fez fez isso? Desespero? Ele acha que vocês não vão conseguir? Jogou a responsabilidade para vocês? Por que que ele fez isso?

ESEDUARDO SALUSSE

Posso tirar meu— posso não, vou dar minha opinião muito sincera. Não há o interesse do poder instalado, de quem tá sentado na cadeira, em mudar a situação. Imagino que não. E ao mesmo tempo, ao se posicionar contra qualquer mudança, Eles estão fomentando uma revolução, uma revolta, né? A massa, né? Tem um texto do Elias Canhete que ele fala massa e poder, né? Então ele coloca a massa como uma mobilização de pessoas diferentes que se identificam pelo mesmo propósito, né?

E se mobilizam para poder mudar uma situação, né? E essa situação é o poder, né? Revolução Francesa, Revolução Inglesa, Revolução Americana e daí por diante. A massa tá se mobilizando. Então o torcedor organizado, não organizado, jornalistas, influenciadores, ex-atletas, você tem todo nicho de corinthianos está indignado com o que tá acontecendo. Então eles falarem não para Safiel, que é um poder, que é um projeto que tira o poder do status quo e profissionaliza e entrega para o seu verdadeiro dono, porque o Corinthians é o torcedor, se não tiver torcedor não existe o futebol do Corinthians, o Corinthians simplesmente quebra na hora, ou qualquer grande clube, né?

Então você tem ali um discurso que deve ser sopesado, que deve ser balanceado. Então, de um lado, se fala na vitrine que não vamos receber, vamos conversar. Aí você manda mensagem, não atende. Você pede reunião, não faz. Você manda proposta, não responde, né? E aí a torcida vai inflamando, né? Tiveram as manifestações da semana retrasada, né, passada, retrasada. Uma sucessão de manifestações. E ao mesmo tempo ele dá uma satisfação para o público interno dele.

Quem é o público interno dele? É a base política que o mantém no poder, que são as pessoas que estão sentadas nas cadeiras, né, que não querem mudar. Então ele faz um discurso fazendo uma provocação sabidamente incumprível, se aqui existe essa palavra, né.

TRTHOMAZ RAFAEL

Mas teve gente lá que ficou brava com ele pelas informações, setoristas, outros. Não era bem ter aberto essa porta, claro, porque isso vai, né, claro, instigando ainda mais a tal massa.

ESEDUARDO SALUSSE

E tem consequência jurídica, né? Se você, se você tá aqui, né, eu vou fazer um negócio com a inteligência limitada aqui. Aí eu vou lá, ela pega e fala assim, Lúcio, eu sou aqui o presidente da tal, vamos assinar aqui. Você pega e assina, você não tem teu nome, você tá aqui, você tem a medalha aqui, né, o crachá de presidente, eu assino com você e tudo certo. Aí amanhã eu descubro que você não, apesar de você estar à frente, você não é nada societariamente na inteligência artificial.

Isso tem efeito jurídico, a gente chama isso de teoria da aparência, né. Isso causa obrigação. Se eu assino um contrato com alguém que supostamente tem ou deveria ter ou aparenta ter o poder para representar a entidade, O negócio jurídico é válido. Ou seja, se o presidente diz que vai assinar e se eu dou uma trucada e assino, se ele tem ou falta ele as obrigações lá, as aprovações internas, a rigor não seria.

RVRogério Vilela

É porque isso que estão falando, ele não tem nem poder, né?

ESEDUARDO SALUSSE

Não seria, mas não seria a minha responsabilidade. Eu poderia teoricamente exigir dele cumprindo o contrato. Ah, mas o Córdoba não é problema meu. Você vai resolver em perdas e danos e vai indenizar o clube pelos prejuízos que você causou. Essa é a situação jurídica. É óbvio que a gente não vai fazer isso, até porque nós sabemos que há um rito estatutário a ser seguido, né? Se eu não soubesse, fosse um leigo, eu poderia claramente fazer isso, mas não, eu sei.

Então não vou dizer que, ah, eu achei que você pudesse, não é verdade. Então tá tudo certo. Mas nós estamos acreditando e vamos seguir acreditando na palavra das pessoas que sentaram conosco na reunião de quarta-feira, muito embora o comportamento todo leve a crer que há sim um movimento e não sei de quem, né? Porque você tem 300 conselheiros, né? 300 pessoas de qualquer natureza, profissão, local, poder, órgão, não importa, juntas.

Você vai ter uma amostragem do povo brasileiro. Então você tem gente honesta, desonesta, competente, incompetente, mais inteligente, menos inteligente, mais moderna. Exatamente, você tem de tudo. É uma amostra do país ali, né?

TRTHOMAZ RAFAEL

Agora, e aí Você contou toda essa história, esse resumo. Voltando à minha pergunta, como é que o, como é que a Safiel faz agora para mostrar que consegue chegar com aporte para Caixa sem contar ainda com o dinheiro do torcedor do Corinthians que quer investir?

RVRogério Vilela

Primeiro, a Caixa vai receber vocês?

ESEDUARDO SALUSSE

Então, na cartinha que envia, na proposta que enviamos ontem, né? Hoje é terça, né? Ontem mandamos o email de manhã pedindo a reunião para o Osmar. Na parte da manhã, e toda imprensa perguntando, porque nós falamos segunda-feira estaremos aí. Na sexta-feira nós emitimos uma nota e na segunda-feira estaremos aí. Mandamos um email logo cedo pedindo um horário para sermos atendidos para encaminhamento da entrega, entrega formal da proposta, confirmando o que nós havíamos conversado ou dito na sexta-feira.

E tentamos contato telefônico, mandei WhatsApp, mandamos email e não tivemos retorno, de modo que 5 da tarde nós mandamos por email, né, cópia para o Osmar, para o Tuma e para o Miguel Max, que é o presidente, os presidentes dos 3 poderes do Corinthians. O que que tem nessa carta? 1, confirmação da nossa aceitação à proposta dele, primeiro ponto. 2, pedido de uma reunião imediata com a seguinte pauta mínima. E ali havia uma pauta.

Qual é a pauta? 1, assinatura de um NDA, um acordo de confidencialidade, porque informações sensíveis seriam expostas, né, por parte do clube, por parte nossa inclusive, né, inclusive evidência de recurso, situação financeira, débito, coisas que são particulares a cada uma das partes envolvidas. Com este documento, incluindo uma multa para quem violar o documento, né, nós seguimos para as etapas seguintes: assinatura de uma autorização para irmos falar em nome do Corinthians na Caixa, para entendermos a situação da dívida, a situação dos contratos, das garantias, né, eventualmente iniciar uma negociação para identificar até qual é o valor necessário para fazer a quitação, criação de um grupo de trabalho, eles indicando de parte deles que são os assessores financeiros e jurídicos, e nós de nossa parte da mesma maneira, e elaborar os documentos contratuais necessários, né, submetendo-os aos órgãos deliberativos do clube de imediato, né, que se convoque uma reunião extraordinária do CORE, uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo, já convoque-se uma assembleia se for aplicável, né.

Aí vem hoje alguém aí, um um blogueiro, será que eu posso chamar assim? Ah, Safiel não provou existir o recurso, né? Não fui nem atendido. Vou provar para quem, né? Quer que eu faça o quê? Vou, né? Eu não fui nem atendido. E outra coisa, ninguém vai abrir seu extrato bancário se não tiver uma documento de confidencialidade assinado, porque no Corinthians as coisas funcionam assim: às 17 horas nós enviamos um email para os 3 presidentes dos 3 poderes.

Ato seguinte, já estava na imprensa. O GE publicou já a íntegra do nosso documento, né? O GE publicou a íntegra do nosso documento no dia seguinte de manhã. Aí outros blogueiros aí já dizendo, não, no documento tá isso, não tá aquilo. Quer dizer, caiu já, né?

TRTHOMAZ RAFAEL

Então um dia eu ainda vou entender esse tesão que dirigente tem de passar informação para jornalista. E ninguém fica sabendo que ele passou e falou. Deve chegar em casa e falar para minha mulher: tá vendo essa manchete aí?

RVRogério Vilela

Alguma coisa em troca ganha, né?

ESEDUARDO SALUSSE

Tinha 3 destinatários, né, o email? 3 destinatários, né? Foi um dos 3, é um dos 3, ou esse um dos 3 mostrou para alguém a mais. Esse alguém a mais, né? Agora aí eu vou voltar a tua pergunta, né? Eu acho que eles querem, é quem quer não faz isso, você concorda? Concordo, né? Porque a sensação é que vaza, acha problema e joga a pedra. E aí veio um lá: não, a Safiel no documento não provou a existência do dinheiro. O que que eles querem que eu fizer?

Uma foto do dinheiro? Quer o quê, uma cópia do meu, do extrato bancário? Meu não, porque o dinheiro não é meu, mas dos investidores que se propuseram. Eu posso dizer o seguinte: os investidores que se propuseram a colocar o dinheiro estão firmes e à disposição para sentarem no clube mediante exibirem a capacidade financeira a partir da assinatura do documento de confidencialidade. Simples assim. Ah, e aí esse dinheiro vai para o clube a que título, né?

Porque eu não tô comprando o estádio, não tô comprando o clube. Aí já vem outro e fala assim: ah, o estádio tá vendendo o Corinthians por 600 paus, né? Primeiro que a dívida, não sei se é 600, eu não sei se é 650, se é 550, se eu quito por 200, 300, 400, né? Então a gente primeiro que não sabe o valor. E segundo, não é pouco.

TRTHOMAZ RAFAEL

Em torno de R$600, R$700, é errado pensar isso?

ESEDUARDO SALUSSE

Eles falaram na reunião que a dívida é em torno de R$650 milhões, tá? A dívida cheia, né? Mas obviamente que numa negociação você tem um desconto importante aí. Bom, qual é o papel desses investidores? Que é um grupo muito pequeno, tá? Eu tenho dois grupos para investir e os dois estão à disposição. Que critério entrou? Um dos grupos é do nosso próprio grupo, um pequeno grupo dessas pessoas desde o começo conosco. Aí eu boto X, eu boto Y, boto tanto, juntou tudo, é suficiente, vamos seguir.

E eu tenho um outro grupo de fundos de investimento especializados nesse tipo de investimento que também estão à disposição. Ah, eles vão se interessar? Não sei. Qual que é a garantia que eu vou ter? Qual é o prazo? Qual é a taxa? Qual é o retorno, qual é a estrutura da operação, né? Eu preciso sentar com o Corinthians para definir isso, mas o dinheiro tá lá, né? E qual que é o modelo que o Corinthians propôs, que a gente, que nós propusemos na verdade ao Corinthians?

O modelo é você fazer uma espécie de empréstimo-ponte, é um mútuo no valor suficiente para ir negociar com a Caixa. Primeiro ao contrário, né? Eu sei qual é o valor da Caixa, eu volto lá e falo, gente, vamos, vamos, eu vou lá e quito a Caixa. Ao quitar a Caixa, eu tenho que dar garantia para quem deu dinheiro, né? Então o Bilal vai lá, Salúcia, vou botar 10 cruzeiros aqui. Que garantia eu tenho? Você vai ter uma garantia equivalente ao que a Caixa tem, né?

Ah, mas que vantagem o Corinthians leva? Primeiro, ao fazer isso, a gente destrava todas as receitas que a Caixa está retendo. A Caixa retém hoje dinheiro de bilheteria, a Caixa retém dinheiro de publicidade de TV, premiação de campeonato. Se tiver atrasado, retém uma parte que já pagou de juros, já pagou estádio. Teve um estudo aí que alguém publicou, Corinthians pagou nos últimos 3 anos R$700 milhões de juros de certo, né? E a dívida cresceu.

Então assim, é um ralo. E aí vamos lá, aí você tem 12 meses com a receita do estádio entrando. Isso dá um fluxo de caixa para o Corinthians, esse destravamento das receitas, para a gente poder seguir, né? Seguir quando? Seguir o quanto? Até o momento da oferta pública. 10 meses, 9 meses, 12 meses, né? Tudo depende da velocidade com que a gente conseguir avançar aqui, né? Ou até menos, a depender.

TRTHOMAZ RAFAEL

Quando tiver oferta pública e oficial, a Safiel já tá funcionando.

ESEDUARDO SALUSSE

Quando tiver oferta pública, a gente vai, a gente obtém primeiro uma reserva, um período de reserva. Corinthianos do Brasil, né? Ah, quem vai distribuir? Quem vai oferecer isso? Bancos. Bancos do Brasil: Caixa, Itaú, Bradesco, Santander, sei lá, BTG e o diabo.

TRTHOMAZ RAFAEL

Você pega as ações que o corinthiano vai poder comprar.

ESEDUARDO SALUSSE

Isso, tá? Então primeiro tem uma penetração em toda a população bancarizada do país, né? Você pega esses bancos, tem 100 milhões, 120 milhões de clientes, 140 milhões de clientes, ou mais mais cliente do que brasileiro tem, porque cada brasileiro tem em média 3 contas, né? Então a gente atinge toda a população bancarizada. E eu vou dizer assim: quer comprar? Eu tenho um período de reserva aqui de 30 dias, 30 ou 60, o prazo que for necessário.

São feitas as reservas e eu tenho o número das reservas. Eu tenho reservado para essa operação R$1,5 bi ou R$1,8 bi. Putz, não é os R$2,5 bi, mas R$1,8 bi dá jogo? Dá jogo. Então vamos em frente. Ah, eu tive R$50 milhões de reserva lá, dá jogo? Não, não dá jogo. Então aborta a operação, tá? Ninguém desembolsa, né? Ninguém desembolsa. Aí o cara que fez o adiantamento, se houver a captação, o valor da captação paga O cara que fez o aporte antecipado e o estádio tá livre, tá liberado, né?

Ou o cara que fez o aporte antecipado, ele converte uma parte do adiantamento dele em ações da Safiel. Ah, por que não converte tudo? Porque nós temos travas. Ninguém pode comprar mais do que 2% do valor total das ações emitidas. É uma trava para evitar captura política por grupos políticos. Então CPF, mesmo que seja um grupo, pelo que é só pessoa física, tá? Ações ordinárias com direito ao voto, só pessoas físicas, e só pessoas físicas ligadas ao Fiel Torcedor. Portanto, só corinthiano, presunidamente.

TRTHOMAZ RAFAEL

Um maluco corinthiano lá, eu quero colocar R$600 milhões, isso vai dar muito mais de 2%.

ESEDUARDO SALUSSE

Não pode, não pode. Você imaginar R$2,5 bi, 10 milhões, tô falando de 2%, R$50 milhões. Então cheque mais alto que vai ser possível R$50 milhões, tá? É uma das travas. São 12 travas que nós temos para evitar captura política, beleza? E assim que acontece. Ah, mas e se não der certo? O Corinthians vira devedor dos, das pessoas que fizeram esse adiantamento? Sim, vira devedor, né? Ah, então que vantagem o Corinthians leva, né? Melhor que dever para banco, é melhor dever R$400, R$450, que é o valor pago para um grupo de torcedores, do que R$650 para um banco, né?

E aí você tem, e além disso, o destravamento das receitas por 12 meses, né? Aí combina a taxa lá, que aí tem que fazer conta. Enfim, é essa estrutura, simples assim, né? Parece complicado, mas não é, é muito simples, né? É óbvio que tem uma série de detalhes jurídicos, técnicos, regulatórios, tem que ser aprovados aí.

TRTHOMAZ RAFAEL

Mas enfim, mas aí deu tudo certo, teve o aporte. 10, 11 meses depois, a Safiel começa a operar. Eu e o Vilela vamos lá, compramos um pouquinho, não 50 milhões. Vilela vai comprar mais do que eu, mas não 50 milhões, mas não 50 milhões. E é tudo um sucesso. Aí, como que isso vai para o futebol, para dentro de campo? Quem vai, entre aspas, governar?

ESEDUARDO SALUSSE

Que foi boa pergunta.

TRTHOMAZ RAFAEL

Cuidar da SAFIAL e do Corinthians?

ESEDUARDO SALUSSE

Bom, então vamos lá. Corinthians passou todo o futebol para essa empresa nova, que é a SAFIAL, e essa holding, que é a empresa veículo que vai ter os fundos dos investidores corinthianos, captou recurso e passa todo o recurso aqui para SAFIAL. Então temos aqui uma empresa com os ativos e com o dinheiro. O dinheiro a gente vai sanear dívida, fazer investimentos, reformular time, estádio, etc., tudo que for possível. E uma parte desse dinheiro Um percentual vai para o clube social, para o clube poder fazer melhorias, melhorar o campo, a quadra, a sede social, os seus esportes amadores que estão bem bastante judiados, daí por diante, tá?

Quem vai mandar na Safiel é um grupo de 5 conselheiros de administração, executivos profissionais de mercado, pessoas que têm que ter a qualificação mínima prevista no estatuto, formação técnica, acadêmica, formação em governança corporativa, experiência na área, experiência como conselheiro e daí por diante. Não necessariamente, é óbvio que quando ele vai ser eleito, se eu tiver um que é corintiano e outro não corintiano, provavelmente o corintiano vai ser eleito em detrimento do outro, né?

Então esses 5 caras aqui que não podem ter conflito, eles não podem ser nem sócios, ter vínculos com o clube e nem ter vínculos com sócios do lado do torcedor, tá? E esses caras vão ser escolhidos dentre uma gama de pessoas que vão ser recrutadas por uma empresa profissional escolhida pelo clube e pela SAFIEL e pelos torcedores, que vai recrutar no mercado. Vai ter um comitê de governança para filtrar e para ver se, para conferir, é um segundo, um segundo filtro, né?

E aí você tem lá 15 pessoas para 5 vagas, vai ter eleição E os 5 são eleitos. Ah, mas quem vai votar? Cada voto é uma ação. Então você comprou uma ação, você tem um voto. Eu comprei 10, tenho 10 votos. É isso? É. Ah, então os ricos, se comprarem, se se juntarem, eles podem nomear os 5? Ou os mais pobres, mais populares, comparem uma única ação? Como eles são no número maior, sei lá, as torcidas organizadas se juntam e resolvem eleger os 5, pode?

Não, não pode. Por quê? Porque nós criamos para escolha dos 5 conselheiros, eu tenho dentre os acionistas 5 distritos que nós criamos. Ou seja, um distrito com sócios que compraram de 1 a 10 ações, de 11 a 100 ações, de 101 a 1.000 ações, de 1.001 a 10.000 ações e mais de 10.000 ações. Cada distrito econômico elege uma cadeira, tá? Então se você tiver, por hipótese, tipo um colégio eleitoral, eleitoral, exatamente. Se você tiver, por hipótese, ah, todas as organizadas se uniram e conseguiram 300 mil votos para escolher todos os gestores aqui do conselho.

Elas conseguem uma cadeira só, né? Então você tem uma blindagem. Essa é uma segunda trava que é importante colocar. E aí você tem os órgãos de classe, de praxe, né? Um conselho de fiscalização, um conselho consultivo para dar um pouco de emoção no conselho administrativo aqui, um conselho cultural. Que vai zelar pela tradição, história, hino, etc., um conselho de valorização do torcedor, né, vai ter uma auditoria permanente, um canal de denúncia externo.

E essa estrutura de governança totalmente independente, autofiscalizável, com instrumentos ali de proteção contra captura política.

RVRogério Vilela

Quero saber do pessoal o que eles querem saber.

?Voz B

Vamos aí, vamos lá, meu querido. A primeira pergunta aqui é do Eric Surita, e ele pergunta: Eu gostaria de perguntar ao Salucci qual ele acredita ser o potencial de valorização do novo CNPJ do Corinthians com a Safiel em 5 anos.

ESEDUARDO SALUSSE

Olha, nós temos projeções, né? É óbvio que eu não posso nem poderia prometer nenhuma rentabilidade, né? Mas assim, o exercício é muito simples, é você pegar um clube que tem um patrimônio líquido contábil de menos que tem 3 bilhões de dívida, que fatura menos que o Palmeiras, bem menos que o Palmeiras, o que faturou, né, nesses últimos anos, que fatura metade ou menos da metade que o Flamengo. E você coloca isso em uma estrutura profissional na qual ele sai sem dívida, faturando talvez quase perto do que o Flamengo fatura.

Com uma gestão profissional, portanto, eficiente. O Flamengo tem uma rentabilidade líquida de 30%, pelo menos teve em 2025. Um time, portanto, muito bem administrado. Não sei em 2026 como tá. E aí, com base nisso, nós temos alguns estudos de que o clube associativo, o sócio, portanto, isso é importante para o sócio que está assistindo, ele teria uma, porque eles também seriam sócios do Corinthians hoje, do associativo, ele seria sócio dessa SAF pela associação.

Então o futebol tá aqui hoje, então tira o futebol, mas eles continuam sócios do clube que é sócio do futebol, né? Esse ativo aqui para o clube representaria uma valorização estimada de 3 a 4 vezes, tá? Desculpa, desculpa, 3 a 4 vezes para o investidor, né? Para o investidor aqui, torcedor, em 5 anos a nossa estimativa de 3 a 4 vezes ou até mais. Pro clube associativo, de 10 a 11 vezes a valorização esperada, né? Então você tem assim um benefício bastante significativo, seja para o clube social com seus associados, seja para a holding que vai carregar aqui os torcedores.

Então você tem aqui uma valorização. Primeira coisa é a própria, o destravamento de receita e o ganho reputacional, né? O ganho reputacional, né? Hoje a gente tem aí vulnerabilidade na negociação, vulnerabilidade nas negociações de compra de jogadores, nas negociações com patrocinadores. Por quê? Porque estamos permeados, estamos permeados de notícias ruins, tá?

TRTHOMAZ RAFAEL

Muito escândalo, né? Menos gente querendo investir, menos gente querendo anunciar no Corinthians. Agora você falou do do retorno do investidor. Qual é a liquidez do investimento do torcedor? Depois de quanto tempo ele vai poder vender a ação dele, por exemplo?

ESEDUARDO SALUSSE

Bom, a ideia é que a gente tenha um período de reinvestimento integral, né? Seus primeiros 5 anos, todo o resultado seja reinvestido para poder fortalecer o clube e dar uma, e dar uma solução após esse período. Após os 5 anos, o torcedor que comprou ação, ele pode passar a vender as suas ações, né? Tem uma maneira progressiva, tem uma liquidez moderada, tem que ser dito isso. E ele vai vender mediante a intermediação do balcão da SAF, que terá uma relação de interessados em comprar, né, com uma ordem de preferência do que tem menos ação para o que tem mais ação.

Então você empurra ou força uma pulverização. Ah, mas é a SAF que vai pegar o cheque? Não, você vai contratar uma empresa credenciada na bolsa, na CVM, para fazer essa intermediação das negociações em balcão. Até porque você precisa ter precificação e coisa que o valha, né? Quando eu falo mercado de balcão é porque não vai na bolsa, né? O mercado de balcão é porque é um mercado interno, mas naturalmente é por intermédio de uma empresa regulada e fiscalizada pela CVM. Para não ter nenhum tipo de problema.

RVRogério Vilela

Fale, Bigoda.

?Voz B

Vamos lá, a próxima é do Cor 96. Ele fez uma pergunta aqui, vocês já comentaram um pouquinho, mas acho que dá para fechar um pouco mais. Provável investidor aqui, duas perguntas: acionistas terão poder de voto no clube? E isso não favorece quem tem mais dinheiro, causando um monopólio?

ESEDUARDO SALUSSE

É os distritos que eu falei, né? Quem tem mais dinheiro tem mais voto, mas você tem limitado, porque você tem poder de voto na escolha do administrador limitado a uma cadeira, né? Ah, tem outras matérias que não são nomeação de conselho, você vai ter a votação por ação. Ah, então esses caras podem— vamos voltar numa outra situação, por exemplo.

RVRogério Vilela

O Corinthians resolve comprar o Corinthians Cárcere, o Corinthians quer aumentar a capacidade do estádio, como faz?

ESEDUARDO SALUSSE

Imaginando que isso precise de uma votação na assembleia, tá? Isso vai estar previsto no estatuto. Convoca-se assembleia e você tem uma votação. Agora, para esse tipo de deliberação, como é que eu protejo a capacidade dos— a maior capacidade de quem tem mais ações em relação a quem tem menos? Eu tenho quóruns qualificados, você precisa de 2/3 dos acionistas para poder aprovar uma deliberação dessa natureza. Aí você tem uma proteção, porque da mesma maneira que essa verdade da pergunta real, né, eu também tenho que admitir que quem tem menos ações tem uma quantidade de pessoas muito maior do que as que têm mais ações, né.

Então acaba se compensando. A gente brinca como você ter a Norte e o camarote, né. Eu não sei quantas pessoas cabem no camarote, mas se cabe, sei lá, 500 pessoas no camarote, cabe 10, 12, 15 mil na Norte. Eu não sei também quantas R$10.000, acho, alguma coisa por aí. Então você tem essa compensação, né? O todo, a gente brinca que é mais ou menos como estádio, né? Tem a norte, tem a leste, tem oeste, tem um camarote e tal. Então você tem a mesma coisa, o Distrito 5 é o camarote, o Distrito 4 é o cara da oeste central, outro tal, e assim por diante.

Então você tem essa, esse equilíbrio, né? E quem faz a festa no final, sabe quem é, né?

RVRogério Vilela

Quem é?

ESEDUARDO SALUSSE

O popular, né? Sim, é o popular, norte, a leste, daí por diante, né? Se bem que o poró-popó agora no estádio Na hora do popô é união total, né?

?Voz B

Vamos lá, a próxima é do Rodrigo Silva e ele fala: sou sócio do Corinthians, moro na Flórida e sou a favor dessa Fiel. Como vai ser para quem vive fora do país, né, mora fora do país e vai querer se tornar sócio dessa Fiel?

ESEDUARDO SALUSSE

Bom, eu acho que é legal, essa pergunta foi boa porque uma das críticas do programa é justamente que o Fiel Torcedor ele é feito Hoje, para quem vai no ingresso, para quem vai no estádio, né? E quem mora fora não vai no estádio, portanto não é sequer sócio de Fiel Torcedor. Será que teremos aí benefícios para todos eles? E você, portanto, ao ser sócio do Fiel Torcedor, né, e portanto estar habilitado a comprar as ações, basta você abrir uma conta numa corretora e você faz a aquisição normalmente.

?Voz B

Virgílio Santos agora: vocês têm meios de se proteger caso quitem a arena hoje e o clube entre com uma recuperação judicial logo em seguida?

ESEDUARDO SALUSSE

Tem, tem meio jurídico sim. Via de regra, né, a alienação fiduciária, que é um instrumento jurídico que transfere ao credor a propriedade fiduciária do bem, né, é uma uma propriedade precária, vamos chamar assim para as pessoas entenderem, isso tá fora da recuperação judicial, tá? Então, se a empresa pede recuperação judicial, a rigor não alcança isso, né? Agora, para dar uma garantia maior para os investidores, né, o que se faz via de regra é pedir, depois de tudo convencionado, pedir uma recuperação judicial ou extrajudicial no clube associativo.

E neste modelo você submeter à justiça o modelo de negócio que se pretende fazer, fazendo com que a Safiel seja tratada como uma UPI, uma unidade produtiva independente, que é um novo negócio que foi criado com homologação da justiça. E ao fazer isso você coloca essa barreira. Obviamente que essa barreira não dispensa a obrigação da SAF de pagar as dívidas perante o clube na forma assumida. Inclusive tem uma disposição de pagamento mínimo previsto pela lei, né, e que deve ser respeitado, seja dividendo, juros de capital próprio, ROIC, o que for.

Uma parte disso tem que ser destinada ao pagamento das dívidas do clube. Agora, se fizer isso com uma recuperação judicial prévia, você atribui uma blindagem maior e uma segurança para o investidor, a despeito da proteção da própria lei das SAFs, que também coloca uma barreira na mesma linha. Então você tem uma proteção dupla aqui, né? Mas isso tudo é detalhe, né? Quer dizer, é algo a ser conversado na mesa de reuniões, no avançar do projeto, com os assessores jurídicos, né? E não na imprensa.

TRTHOMAZ RAFAEL

Eduardo, abrindo um parênteses aqui, uma coisa muito interessante que a gente não citou ainda, que eu acho que ajuda quem defende a implementação da SAFiel, que é a inocência, Vilela, de quem quer verdadeiramente ajudar. Porque a impressão que a gente tem é que no Corinthians quem tá lá tá mais preocupado em se ajudar do que ajudar o Corinthians. Você e o Carlos se propõem a não participar da SAFiel uma vez que ela estiver 100% implementada.

Ou seja, vocês são dois corinthianos abnegados que de repente estão deixando aí de fazer um monte de negócio para correr atrás da melhoria do Corinthians, perde tempo, investe tempo indo até o Inteligência Limitada passar a tarde falando do Corinthians, falando dos seus projetos. Uma vez que a Safiel tiver implementada, vocês não vão tirar proveito disso, pelo menos não ali internamente no Corinthians, é isso?

ESEDUARDO SALUSSE

É isso. Nós assinamos até uma declaração, tá registrado em cartório, tá disponível na página da Safiel, safiel.com.br, e que nós nos comprometemos, nós todos idealizadores, a não ter nenhum nenhum ganho financeiro com esse projeto. E ali a gente relaciona todas as situações que poderiam gerar algum tipo de ganho, intermediação, comissão, indicação de fornecedor, coisa que o valha. Absolutamente, o projeto é de corinthiano para corinthiano.

E também não temos nenhum interesse, Carlos, político. Tem a minha vida, sou advogado. Carlos é empresário, Maurício também, e os demais também. E ninguém tem interesse nenhum em ganhar dinheiro com Corinthians. Seremos sim a bem da verdade, investidores também em condições iguais e sem privilégios em relação a qualquer outro corinthiano, né? E nos comprometemos na primeira, na primeira gestão, no primeiro mandato, a participar da transição, até para assegurar que as coisas não se desviem no meio do caminho. Perfeito.

?Voz B

Vamos lá, a próxima é do Caio, e ele pergunta: a Safial vai ser algo temporário para quitar as dívidas? E aí tudo se encerra, ou vai ser algo que irá continuar para sempre?

ESEDUARDO SALUSSE

Caiu. A ideia é você se alinhar com o que tem acontecido no resto do mundo, né? Na Europa, a maior parte dos clubes já são, já tem um modelo de empresa, né? Você viu, o Liverpool foi revendido agora recentemente por 11 vezes mais em libras o valor da compra, né, por Jeff Bezos e tal. Enfim, você tem lá uma operação gigantesca. E por que que valorizou tanto? Porque Instaurou uma governança empresarial com transparência, com controles e daí por diante, né?

O maior valor do clube é esse. Gente, tem 35 milhões de corinthianos, tem 3 vezes e meia Portugal, é muita gente. E o corinthiano, ele compra qualquer coisa, compra tudo, cara. Eu comprei uma latinha de terra na época da construção da arena. Eu tenho lá até latinha de terra da construção da arena, né?

RVRogério Vilela

É o que mais consome de todos os torcedores.

ESEDUARDO SALUSSE

Minha mulher fala: você vai plantar uma flor aí? Que você vai fazer? Não, nem flor nasce aqui porque é barro, né? Mas eu tenho aqui a memória e tal. Então assim, é essa a nossa realidade.

TRTHOMAZ RAFAEL

Deixa eu ver, você falou do que o Corinthians fatura menos do que o Palmeiras. A torcida do Palmeiras hoje, segundo as últimas pesquisas, somada do São Paulo, ou empata ou fica um pouquinho atrás da torcida do Corinthians. Como é que pode um clube com uma torcida que é metade da do Corinthians, fato, chegar ali no final do ano e mostrar ali no balancete um faturamento maior? E o Corinthians vende, o que o Vilela falou, o poder aquisitivo da torcida do Corinthians, por exemplo, que tá mais concentrada na região Sudeste do que a do Flamengo, é maior do que a torcida do Flamengo, que é o dobro em quantidade absoluta, é o dobro da torcida do Corinthians.

Então veja o que o Corinthians deixa de faturar, né, com pouca organização, com pouca até, eu diria, astúcia, né, nos negócios. Existe também uma proposta, me parece, de entretenimento, de alguém que vai cuidar de novos negócios pensando em entretenimento. Você vê os clubes, o Boca Juniors teve até cemitério já, Juventus de Turim comprou um hotel recentemente, acho que o Real Madrid, o River Plate tem hotel.

ESEDUARDO SALUSSE

Falta, né, falta esse tipo de cemitério na arena, né, ou um projeto ou um cemitério lá para você guardar suas cinzas lá. É, me falaram, eu tive com um rapaz que não sei se tinha um projeto para fazer isso ou ele administrava isso que já existia, mas a ideia dá um norte para outra coisa que é importante. Nós temos uma cláusula de reversibilidade, ou seja, se der tudo errado, né, teve um torcedor fanático organizado aí conhecido que eu sou contra porque se der errado, se der errado não tem volta.

E a gente foi com aquilo para casa, né? Se der errado, não tem volta. Se der errado, não tem volta. E dentro do espírito construtivo, falou: ele tem razão, nós temos que botar uma trava. Nós colocamos um direito de recompra, né? Então Corinthians pode recomprar a SAF se eventualmente ela atingir determinados índices de fracasso objetivamente dispostos no estatuto. A gente chama de cláusula catástrofe, essa reversibilidade, né?

Né? Catástrofe financeira, catástrofe desportiva, estão lá especificadas. Se der errado, o Corinthians reverte, né? O que a gente quer é dar uma luz para o corinthiano, né? Para quebrar aqui, né, eu fui para o Japão no Mundial, e aí eu fui no jogo, na final, né? E nós fomos para o metrô. Aí baldeação aqui, baldeação ali, porque o metrô lá parece uma teia de aranha, né? Uma maluquice. E aí em uma das estações não tinha não tinha uma palavra em inglês, era tudo em japonês, né?

Ninguém entendia, cheio de pauzinho ali nas placas lá, né? E nós na plataforma aqui. E aí desse lado da plataforma tinha ônibus para esse lado, trem para esse lado, e nessa plataforma aqui trem para esse lado, né? E cheio de corinthiano lá olhando para o outro, falou: e agora, né? Para ir para o estádio é aqui ou é ali, né? Foi no primeiro jogo isso. É aqui ou ali? Não, é ali. Ah não, é ali não. Aí eu: não, é aqui. Pô, e agora, né?

Aí chegou o trem lotado de corinthiano, falar: É desse lado aqui, né? Aí o trem parou. Hora que nós íamos entrar, vem o outro trem do outro lado lotado de corinthiano. Falei, metade vai chegar atrasado, né? Metade não vai chegar.

TRTHOMAZ RAFAEL

Você pegou o trem certo?

ESEDUARDO SALUSSE

Eu peguei, acabei, a gente parou, né? Esperamos passar e vamos buscar mais informações. E acabamos escolhendo depois o caminho correto. Mas é isso, o Corinthians não tá assim, não sai para onde correr, não sai para que lado ir. É desesperador. A ideia, a gente ajudando aí.

?Voz B

Agora é do Lipe Barbosa, ele pergunta: caso uma renúncia ou mudança de presidente, como fica o status da Safiel dentro do Corinthians, ou nada muda?

ESEDUARDO SALUSSE

A Safiel tem que seguir independentemente de quem seja o seu gestor, ela vai seguir em frente. Hoje é o Stabri, não acho que ele vai renunciar, acho que isso é história, né? E terá uma nova eleição, né? Até o final do ano é o Stabri que está na presidência. E se vier outro, vamos seguir independentemente. A gente tem controle sobre aquilo que a gente pode definir os rumos, né? Não temos controle sobre eleição, então vamos seguir o projeto de acordo com o que acontecer, respeitando os ritos estatutários do clube.

TRTHOMAZ RAFAEL

O contrato vinculante, isso permite que independentemente da troca de presidente vocês continuem operando? Permite. Já tiver começado o processo, permite.

ESEDUARDO SALUSSE

Se for assinado o contrato, tiver cláusula de de responsabilidade e retratabilidade, etc., ele segue sim, né? E se ele for abortado sem justa causa, você tem uma obrigação indenizatória que decorre dessa, desse comportamento.

TRTHOMAZ RAFAEL

Você falou ali dos 5 gestores, um deles vai estar acima da comissão técnica, é isso?

ESEDUARDO SALUSSE

Não, os 5 conselheiros de administração, que são independentes de mercado, são pessoas cabelo branco assim, bastante experientes, Eles vão nomear 3 diretorias: o diretor-presidente, o diretor financeiro e o diretor de receita, que é o cara que vai ficar gerando receita 24 horas. O diretor-presidente, ele nomeia a sua diretoria nesse outro nível aqui, que tá um diretor de futebol, diretor de marketing, diretor jurídico, diretor geral.

TRTHOMAZ RAFAEL

Vai ser o que hoje é o presidente, só que acima do presidente eu tenho um conselho, tem um conselho que vai ficar de olho.

ESEDUARDO SALUSSE

E outra coisa, É, mesmo sendo presidente, ele não faz o que ele quer. Ele tem um orçamento para seguir, ele tem metas, metas, tem planejamento de curto, médio, longo prazo. E saiu fora da linha, no Corinthians hoje o gestor faz o que quiser e o processo de destituição é impeachment, que é um processo político desgastante, terrível, né? Numa empresa não. Você fez uma besteira grossa aí, né? Escuta, à tarde você vai direto para RH a hora que você chegar aqui, né?

RVRogério Vilela

Posso ser o pessimista aqui?

ESEDUARDO SALUSSE

Pode.

RVRogério Vilela

O que parece para mim? Que não vai acontecer nada, vai continuar o mesmo pessoal de sempre, vai ter uma eleição, vai trocar o grupo e a gente não vai sair dessa nunca. É como que você me convence que existe uma luz no fim do túnel? Porque eu já tô ouvindo essa conversa há muito tempo, todo mundo já ouve essa conversa há muito tempo, e o que a gente vê é que é um mar de lama, sai um, entra outro, a gente não sabe nem que Nem classificar quem é o pior.

A gente sabe que todo mundo é ruim e um parece que é pior que o outro, mas aí você vê, aí ficam comparando quem é pior que o outro, que um é ruim, o outro é muito ruim, outro é péssimo, outro é muito péssimo. Não sei, dá uma olhada no gosto.

TRTHOMAZ RAFAEL

Ninguém quer largar o osso.

RVRogério Vilela

É, ninguém quer largar.

ESEDUARDO SALUSSE

Vou te dar algumas possibilidades aqui. Primeiro, a situação financeira está insustentável, tá?

RVRogério Vilela

Mas tá insustentável para essas pessoas, não faz a menor diferença.

ESEDUARDO SALUSSE

Mas vai ter um sustentável insustentável que começa a refletir em campo. E começando a refletir em campo, a situação fica insustentável de verdade, porque o clube de futebol, enquanto não refletir em campo, tá tudo bem. Tá devendo 1, 2, 3, 5, 10, tem cara que não sabe nem o que é essa fiel, né? Essa que é a verdade, né? Esse é o ponto 1. Ponto 2: temos eleições aí. Eu não sei quem será candidato, mas os candidatos, ou o candidato, ou os candidatos que apoiarem essa fiel Cara, nós temos mais de 3 mil sócios assinando nossa bocha assinada em favor da SAFIAL.

Os presidentes do Corinthians são eleitos com menos de mil votos. O último foi Augusto Melo, que rivalizou com o André Negão, foi 2 mil e pouco a mil e pouco, né? Mas nas eleições anteriores, porque é turno único, né? Se tiver 5 caras, você dilui. Com mil votos você elege o cara Então nós somos hoje, não queremos e não somos e não seremos apoiadores de nenhum candidato, longe da política. Mas a verdade é que se um candidato abraçar convincentemente o Projeto Safiel e não estiver atrelado a essa, a essa banda que a torcida não quer mais, existe uma possibilidade aqui sim. 3, quem manda no final do dia não é o conselheiro, quem manda é o associado.

É igual num condomínio, quem manda não é o síndico, quem manda é o condômino, né? Então a gente tem que saber que no fundo, se o associado quiser, ele pode e tem instrumentos para isso, convocar uma assembleia com um quinto dos sócios. Você convoca assembleia com um quinto dos sócios, 3.000 aqui. Eu não sei quantos votam, quantos não votam desses 3.000, mas eu ouso dizer que eu já tenho gente suficientemente, número suficiente para poder convocar uma assembleia, é um outro caminho. 4, eu tenho intervenção judicial.

Eu, 3 pedidos, eu tenho um de um grupo, de um coletivo de corinthianos, tem um outro de um outro coletivo, e tem um do Ministério Público que tem um inquérito civil que tá em andamento aí, da torta a direito, aí reunindo barbaridades. Ele pode sim, na intervenção, ser empoderado para assumir a gestão, remodelar, alterar o estatuto e o diabo. 5, Você viu uma sentença de ontem de um juiz que diz que o cargo de vitalício é ilegal e a restrição de voto para 5 anos, né?

Porque quando você entra de sócio tem 5 anos para poder votar. Também é ilegal porque ela suprime um direito básico aí do acionista, do associado, etc. Se essa decisão for mantida, você tem possibilidade de mudar o jogo. 6, cenário péssimo, nada acontece e os corinthianos inconformados que estão virando sócios para tentar ajudar a mudar começam a completar 5 anos e lá na frente vão mudar querendo ou não, tá? 7, a reforma tributária.

Se nada for mudado, eu não acho que vai, a partir de janeiro a tributação das SAFs passa a ser menor do que a tributação dos clubes de futebol associativos, né? Então você tem uma desvantagem competitiva importante aqui, né? 8, alinhamento com o mercado internacional. Os clubes estão virando empresa, estão recebendo capital intensivo, né? Portanto, se reforçando mais. Portanto, quem quiser ficar no mercado vai ter que se adequar a essa realidade.

É a Blockbuster brigando com a Netflix, né? A Blockbuster, não, a gente vende fita cassete para ver o filme aqui, né? Aí vem lá a Netflix, fala, cara, não tem nada disso, agora mudou, é outro jogo, né? Então essa realidade, né? Então assim, são 8 vertentes, e na minha percepção qualquer uma delas isolada ou em conjunto com uma outra é capaz de mudar esse cenário. E a Safiel é uma solução possível dentre outras que podem aparecer.

E se aparecer uma melhor do que a nossa, nós abraçamos, né? O corinthiano tem que se manifestar. A gente tem lá o site que eu falei, safielparasocio.com.br, com 128 perguntas para o sócio entender o que tá acontecendo. Temos o abaixoassinadosafielja.com.br e as redes sociais, que o material tá lá, safiel.com.br, as nossas Redes sociais, Instagram Safiel 1910, daí por diante. Quer dizer, uma transparência total, né? Temos uma lojinha, né, Loja Safiel, loja.safiel.com.br, para comprarem roupa da Safiel.

Não é uma loja nossa, é de uma loja aí, a gente tá autorizando eles a usarem, né? Porque o protesto vai começar a chegar na arquibancada, né? O Digão fez um manifesto aí que é ex-presidente da Fiel, e ele tá conclamando uma manifestação geral em prol dessa Fiel porque não dá para aguentar mais, né? Enfim, tem várias frentes aí, não vamos desanimar não. Te senti desanimado aí, cara.

RVRogério Vilela

Eu trouxe aqui para ver se você me animava.

ESEDUARDO SALUSSE

Animei não, ainda não, ainda não.

TRTHOMAZ RAFAEL

É que eu entendo a preocupação do Vilela porque desde que o mundo é mundo, né, você você vê iniciativas populares sendo brecadas pelo poder, por quem não quer largar o osso, como eu falei, por quem gosta da cadeira, como você falou, Eduardo. E é dureza. E no Corinthians a gente viu vários movimentos populares desde—

RVRogério Vilela

Eu trago os presidentes, trouxe aqui o Augusto, cara, ele fala na minha cara uma coisa e faz outra. O Osmar, eu tento marcar e dá qualquer problema, ele desmarca ou não quer vir quando tá em situação tá tão ruim, só que o pessoal só quer vir quando o time tá ganhando.

ESEDUARDO SALUSSE

E assim que a gente— aí você convida alguém que tem a visão empresarial e a pessoa vem até sem você chamar, o cara tá na porta aí pedindo para falar.

TRTHOMAZ RAFAEL

Não, a minha, a minha, eu sou defensor até da SAF. Eu acho a SAFEL melhor, a ideia é melhor do que a SAF, por tudo que o Eduardo trouxe aqui, essa preocupação de não cair num dono irresponsável, nas mãos de um dono irresponsável. Recentemente eu entrevistei o Dr. José Francisco Simino Mansur, citei ontem isso no Band Esportes, que é o pai das SAFs, da regulamentação das SAFs. Já tinha trabalhado também no Estatuto do Torcedor, na regulamentação das bets.

Quer dizer, é uma mente privilegiada. E por coincidência fez faculdade de jornalismo comigo, depois largou a faculdade para fazer a faculdade de direito, se tornar o grande advogado que ele é hoje. E ele é um grande São Paulino, Vilani. Ele fala: eu tenho medo da Safiel entrar no Corinthians. Eu tenho medo do que o Corinthians pode se transformar com a Safiel. O problema esbarra nessa sua preocupação, no cara que não quer largar o osso.

Os caras, por isso até te perguntei como é que foi o clima, porque assim, na minha cabeça, a minha preocupação, mais até como um jornalista esportivo que quer ver não só o Corinthians abraçar Safiel, mas o São Paulo virar SAF, o Santos virar SAF, é um risco, é um risco Não é certeza de nada, não é certeza de nada. O que eu tenho certeza é que no modelo associativo atual, Corinthians, São Paulo e Santos vão continuar nessa situação lamentável.

Então eu já acredito de cara na ideia de SAF como uma coisa moderna que tá acontecendo no mundo todo. A SAFiel é ainda melhor, mas muita gente dentro do Corinthians não quer, não quer, não quer, não quer largar o crachá, entendeu?

ESEDUARDO SALUSSE

É uma coisa assim pequena, pequena.

TRTHOMAZ RAFAEL

É aquela história do dirigente da oposição que às vezes torce para o time perder no sábado, na véspera na véspera da eleição no domingo. Pô, Corinthians ganhar hoje é péssimo, vamos torcer para perder do Palmeiras em casa. O cara não pensa no Corinthians, ele pensa nele.

ESEDUARDO SALUSSE

Sabe o que vai acontecer? Veja, os administradores de um clube de futebol ou de qualquer empresa, quando eles estão no cargo, eles estão lá cumprindo um mandato. Não sei se vocês moram em prédio, você não, né? Mas você tem aqui, é um condomínio de casas, né? Deve ter alguém que coordena aí segurança e tal, etc. Quando esse cara é escolhido, ele tem um papel, ele não pode fazer o que ele quiser, ele não pode desviar, ele não pode cometer erros crassos, né?

E o que tá acontecendo, né? Você veja, uma das, dos pedidos de intervenção tem um pedido expresso para que o interventor bloqueie o patrimônio todos os conselheiros que aprovaram contas que estavam manifestamente erradas, que aprovaram coisas que não deveriam ser aprovadas, que foram envolvidos. O Ministério Público denunciou 3 presidentes, 3 ex-presidentes, e tem o quarto sendo investigado, e diretores e vice-presidente. Tem um monte de gente ali sendo investigada e responsabilizada.

Então, quando começar sobrar. Eu não sei, olha, eu vou te falar, a gente exercendo a empatia, né, que é o exercício de você se colocar no lugar do outro, né, cara. Se eu fosse conselheiro de um clube com esse turbilhão de coisa, de risco, de exposição, hostilidade, gente te xingando, te ameaçando, mandando rato em caixa de sapato, você não pode sair na rua Hostilizando teu filho, tua mulher, teu vizinho, risco do Ministério Público, torcedor pedindo bloqueio do teu patrimônio, coisa que o valha.

Eu não sei, mas minha mulher fala, ô, meu amigo, ou Corinthians ou eu, né? Mas não, eles têm uma, eles têm um apego àquilo que é uma coisa inexplicável, inexplicável, né? Ou não.

TRTHOMAZ RAFAEL

É, ou não, né?

RVRogério Vilela

Ou é outra coisa.

?Voz B

Vamos lá, a próxima é do Otávio Martins. A gente tem bastante perguntas aqui no chat.

ESEDUARDO SALUSSE

Vamos então, papão.

?Voz B

Ele perguntou o seguinte: com a Safiel, como ficaria as investigações sobre dirigentes que se utilizam do clube para lucrar? A Safiel teria acesso a documentos internos da política do clube?

ESEDUARDO SALUSSE

A investigação continua igual, não cabe a nós investigar ninguém. A investigação cabe no clube, ao a ética do clube. E se tem irregularidade policial, cabe ao Ministério Público, como aí está. Isso não muda nada e não é o papel da Safiel fazer isso.

?Voz B

É Marcos Tempesta agora: com a Safiel, como fica o quadro de funcionários nas áreas, nas áreas em relação ao atual? A tendência seria mudar 100% para acabar com nepotismo na direção do clube?

ESEDUARDO SALUSSE

Não, 100% não. Você tem profissionais bons, ruins. E imagino eu, eu não vou ser o gestor, né, mas imagino que um gestor que se preze, ele vai aproveitar funcionários bons e não aproveitar funcionários ruins, como se deve.

?Voz B

Heitor, o quanto essas questões burocráticas afetam um time dentro de campo?

ESEDUARDO SALUSSE

É, por mais que diga que não afete, né, nós sabemos que afeta sim, né, porque é um efeito dominó, né. A crise política acaba provocando problema financeiro, problema financeiro acaba atrasando salário, atraso de salário acaba acaba atrasando a disposição, atrapalhando a disposição do jogador e, por consequência, o resultado desportivo, né? A capacidade de reinvestir, de contratar, e transfer ban e o diabo, tudo afeta.

?Voz B

Agora é do Fábio: o estádio do Corinthians é um ativo no momento ou virou um problema financeiro também?

ESEDUARDO SALUSSE

Ele é um ativo, um ativo poderoso. O Corinthians, o estádio é o xodó da nossa torcida, né, que que carrega com ele um problema financeiro por conta de gestões antigas, de contratos antigos, que eu também não fui analisar, né? Mas não há dúvida que parece que o que já foi pago pelo estádio— aliás, o que se paga de juros, se a gente falar uma dívida de R$3 bilhões a uma Selic de 14%, está falando de quase meio bi por ano. Pois é, meio bi por ano daquele tal do R$1,2 milhão por dia que a gente fala, né? Agora, a cada 3 anos é uma arena.

TRTHOMAZ RAFAEL

Agora a Inês é morta, né? Mas Nossa, a gente tinha o Pacaembu, né, lá bonitinho. Imagina, com um pouquinho de dinheiro fazer uma reforma fantástica, aumentava a capacidade dentro das limitações do Pacaembu. Uma casa que a gente já chamava de nossa, ia oficializar isso, ia ser uma coisa linda. Nada contra, né, o Química Arena, que sem dúvida todo mundo, o corinthiano se orgulha. E ao contrário do que os rivais falavam, né, presente do governo, nada.

O Corinthians já pagou duas vezes esse estádio. Acho que até a ideia inicial era ser um grande presentão, mas entrou a Lava Jato no meio no meio do caminho. Isso não vem ao caso aqui. E aí o presente saiu pela culatra, né, virou um presente de grego. Mas era bem mais fácil, né? A gente, a gente estaria discutindo outras coisas agora aqui.

ESEDUARDO SALUSSE

Pois é. E tem os atletas também apoiando a gente, né? Você começa a ver o Dinei tá falando muito, né? O Cazão já se manifestou algumas vezes, o Marcelinho Carioca, né? Enfim, você começa a ter um apelo maior, né? Aquela reunião que eu falei de massa, né?

?Voz B

Agora é do Diego. É, o falso desligamento recente do Memphis tem relação com a questão financeira e burocrática do clube?

ESEDUARDO SALUSSE

Ah, foi mal gerido, né? Primeiro que quando disseram, foram negociar com Memphis, né, por iniciativa da diretoria, pelo menos eu falo tudo isso por conta do que a gente acompanhou, né? Eu não participei na mesa de reuniões, mas o Corinthians chegou ao Memphis e abriu a negociação. Ah, você ganha X, eu te pago metade, você topa? Topo. Ah, eu, contrato de tantos anos, menos do que você quer, você topa? Topo. Estamos devendo tanto, estamos devendo tanto, você parcela?

Parcelo. Tira correção? Tira correção. Você muda da casa daqui para casa dali? Mudo. Tira o privilégio ABC? Tiro. Cara, a boa-fé objetiva que regula as relações contratuais, ela manda você assinar. Diabo desse contrato. Aí não, vem para cá para o Brasil para fazer os exames. Ele pega o avião, vem, faz os exames e passa nos exames. Aí não é aprovado porque a gente sabe que a política pressionou o Osmar para não aprovar. Até teve conselheiro que publicamente disse que o problema financeiro do Corinthians era a causa, era causado pelo Memphis, né? No momento em que nós estamos aí numa pendura do diabo, né? Então é isso.

?Voz B

Agora é do Arthur. É, o que acontece com as torcidas organizadas numa SAF controlada pelos próprios torcedores?

RVRogério Vilela

Muda alguma coisa?

ESEDUARDO SALUSSE

Não, continua o estatuto deles, as regras deles, enfim. Eles, eles são torcedores e continuarão sendo. Querem comprar ações, também poderão comprar como qualquer representante na SAF. Ah, entendi. Nesse aspecto, sim, você vai ter lá um conselho fiscal que, dentre as cadeiras todas, nós reservaríamos uma cadeira a um representante das organizadas com a qualificação mínima estatutária para poder fiscalizar, porque a função das organizadas, por essência, né, desde a criação, é a fiscalização, né.

Eles nasceram para isso. Gavião tem essa conotação, né, que voa alto, enxerga tudo e tal. Só que eu não quero que ninguém fiscalize arrebentando a porta, pegando o cara pelo colarinho na porta do clube, né. Então ele vai ter lá login e senha, ele pode olhar ali as informações e tirar dúvidas, etc. Mais um aspecto relativo à nossa governança.

?Voz B

Agora é do Vitor Vieira: o que vocês oferecem de atrativo para os investidores além da paixão? O que fortalece essa confiança de conseguir adquirir o investimento necessário?

ESEDUARDO SALUSSE

Eu acho que a paixão, acho que o fato de você não estar doando, você estar comprando com potencial de valorização. Essa aqui é a verdade, né? E você fazer parte desse ecossistema. Acho que é mais do que suficiente, né, para que a gente engaje a nossa torcida, que de fato engajada já é, né.

RVRogério Vilela

Tortorelli mandando abraço aí para você, para a gente aqui.

TRTHOMAZ RAFAEL

Beijo para você, Torto!

ESEDUARDO SALUSSE

Valeu, maninho!

?Voz B

Agora é do João Carlos: como advogado que o senhor é, Salucci, como aconselhariam, você aconselharia um pré-contrato que vinculasse o vendedor sem vincular o comprador?

ESEDUARDO SALUSSE

Não, contrato é bilateral, né? Tem que ter direitos e obrigações para ambos, né? Tem que ser feito de comum acordo e ter o equilíbrio contratual, né? Um contrato que estabeleça direitos e obrigações para uma parte desproporcionalmente em relação à outra, ele é um contrato até questionável juridicamente.

RVRogério Vilela

Estamos caminhando para o final. Tomaz, me ajuda aí também. Eduardo, Quais são as etapas que vão acontecer, que podem acontecer daqui para frente, se der tudo bem?

ESEDUARDO SALUSSE

Se der tudo bem, a nossa proposta agora, nós temos aquele questionário para responder, né, que eu mencionei no início. Entregamos na sexta-feira agora, vamos entregar na sexta-feira agora, respondido ao clube. E ato seguinte, a gente pede uma outra reunião para dar seguimento às tratativas, né, elaboração daqueles instrumentos que eu falei, submissão aos órgãos estatutários do clube. E no momento oportuno, uma assembleia de associados para que eles votem se querem ou não querem, né?

Se der tudo errado, a Safiel continuará sendo bloqueada, né? Eu falo genericamente porque aquelas etapas todas que eu falei, elas vão sendo superadas, né? Vai chegar uma hora que vão dizer que acordo a sola do meu sapato, não sei o quê, quer dizer, não tem mais o que dizer. Essa que é a verdade. Vão achar problema, vão achar problema. Isso tá claro, né? Eu acho que a gente pega— as pessoas erram muito quando subestima a inteligência alheia, né?

E torcedor do Corinthians não é mais tonto, né? Não adianta vir falar mentira. O que nós estamos fazendo aqui é restabelecendo a verdade. Nós estamos há um ano, Tomás, falando em podcasts, entrevistas. Não pegaram uma contradição nossa, não pegaram uma mentira nossa, e nem vão pegar, tá? E não acharam nada nas nossas vidas preguiças e fuçaram e muito, e não vão achar porque não tem, né? Então nós vamos seguir nesse caminho reto, transparente, até conseguir.

A pergunta não é será que vai dar certo, a pergunta é nós vamos ficar aqui até dar certo.

RVRogério Vilela

É quando vai dar certo, então?

ESEDUARDO SALUSSE

O quando é o de menos, mas vai dar certo, né? E o quanto antes.

TRTHOMAZ RAFAEL

Vocês tendo a liberação para ir na Caixa depois de responderem todas as perguntas vocês vão na Caixa e mostram que tem a condição de fazer o aporte.

ESEDUARDO SALUSSE

A partir daí, negocia o valor, negocia qual que é o valor, aí vocês voltam assinando tudo, submetendo aos órgãos deliberativos com ok de tudo que tem, todos os ritos estatutários, tá feito o negócio. Aí é acelerar, preparar os documentos, as due diligence, avaliação, né? A gente vai tirando o termo em inglês, se bem que o curitiano hoje já sabe o que é valuation, drop and down, já sabe, já tá.

TRTHOMAZ RAFAEL

Tudo bem, tem, tá feito o negócio, mas aí depois vai ter o sim do CORE, de todos os conselhos.

ESEDUARDO SALUSSE

Isso é, isso é, ele pode convocar uma reunião extraordinária para aprovar com tranquilidade, tá? Ah, tem que aprovar o CORE, tem que convocar reunião para, para, tem perigo, mostrou que tá tudo certo, ó, tamo com dinheiro aqui para chegar na caixa.

TRTHOMAZ RAFAEL

Tem perigo, você entende, de alguém ali complicar no CORE?

ESEDUARDO SALUSSE

Não tenho dúvida que vai ter. Mas e aí, isso aqui se complicar, cara, e aí o associado aqui vai ter que decidir. E o cara que recusou, ele vai ter que dizer porque recusou. Porque amanhã, se o clube quebra e se para tudo e se dá um caos total, alguém vai responder. E não é responder para mamãezinha, é responder judicialmente, responder administrativamente, responder criminalmente, responder perante os associados, porque o caos tá instalado.

Alguém diz que em X anos resolve tudo, que não tem motivo para se preocupar. Ok, apresenta o plano, vamos avaliar, né? Coloca aqui, porque estão há um ano dizendo que não precisa de Safiel porque tem um plano financeiro que prevê a recuperação sem a necessidade da Safiel, né? Há um ano, né? E a gente continua acumulando, né? Acabou de sair o resultado de R$260 e R$246 milhões de reais, primeiro semestre de prejuízo, né? Legal.

Ah, mas agora pagando os transferbancos, começa a dar superávit. Que superávit eu preciso para amortizar essa dívida, juros e principal? E mesmo que eu consiga, quanto vai me custar isso? Lá, lá, 10, você falou 10, 15 anos, no começo, 10 anos, 15 anos, 20 anos. Ah, legal, então em 20 anos eu vou pagar o valor equivalente a 3 Corinthians, né, para não entregar o Corinthians para o torcedor. Não tô entregando para nenhum dono, para o torcedor, né?

Não há, não há racionalidade mínima nenhuma nisso, né? Agora depende do sócio do clube. Ele tá pagando, os que são contra pagando para ver. Eu não faria isso, né? E eu digo e volto a dizer, coração tá aberto. Os que quiserem esclarecer, estamos à disposição. Os que eram contra e querem mudar de opinião serão bem-vindos. Sejam sócios conselheiros, diretores. A ideia é que a gente consiga uma união para poder fazer a coisa dar certo. Ninguém ganha ou perde jogo sem jogar.

RVRogério Vilela

Vamos às duas últimas perguntas, querido.

?Voz B

Vamos lá, meu querido. A próxima aqui é do Eduardo e ele pergunta: qual a opinião de vocês em relação às casas de apostas e as bets que patrocinam os clubes? Isso vai continuar com a SAF?

ESEDUARDO SALUSSE

É uma pergunta delicada, né? Hoje o futebol brasileiro ele tá pendurado nas bets, né?

RVRogério Vilela

Tudo, tudo, tudo.

ESEDUARDO SALUSSE

Até os campeonatos, a FIFA, todos eles, né?

TRTHOMAZ RAFAEL

Agora, já movimentos, inclusive futebol feminino, inclusive as bets ajudam, né, bem ou mal ajudam a fomentar várias outras modalidades. Pois é, é muito dinheiro de bet que entra no esporte que movimenta o esporte hoje.

ESEDUARDO SALUSSE

E você tem um dinheiro que vai para o esporte que ele sai de Bolsa Família, né, alguma coisa de 3 ou 5 bilhões de reais por mês, né. Então é um problema de saúde pública, né, e há projetos de lei aí inclusive para proibir. Agora Não me importa se tem bet ou não tem bet, né? O que importa é que todos estejam na mesma regra do jogo. Se as bets saírem e vierem empresas melhores, ótimo.

?Voz B

A próxima aqui é do Augusto, um tema um pouco sensível também. É: como fiel torcedor, odeio ratos, assim como o restante da torcida. Como podemos acabar com a corrupção dentro dos clubes de futebol?

TRTHOMAZ RAFAEL

Essa é dura, hein? Então, a impressão que eu tenho é que a corrupção é inerente ao futebol hoje, aos clubes. É como eu falei há muito tempo, a gente que não quer largar o osso porque tira algum proveito, né? Aquilo que você falou, como é que o cara aguenta ficar sob, né, a vigilância de torcedores, a vigilância da justiça, vigilância da imprensa, e aguenta o tranco? Talvez não seja só vaidade, talvez porque ele tira alguma vantagem.

A gente vê casos tão terríveis no Corinthians. Por exemplo, comprar ingresso agora, você consegue comprar ingresso como sócio torcedor, Vilela. Você não precisa ter 450 mil pontos para ter o direito de comprar. Antes, sabe, era impossível. Aí o que aconteceu? Alguém ali foi mexer no vespeiro, viu que tinha coisa errada, de repente resolveu o problema. De repente você consegue comprar para Corinthians e Palmeiras um dia depois.

RVRogério Vilela

Colocaram identificação facial.

TRTHOMAZ RAFAEL

É a mesma coisa estacionamento. Aí você você vê uma empresa que foi sem licitação, foi escolhida para fazer não sei que serviço para o Corinthians, é que você vai ver a empresa foi aberta uma semana antes e fica não sei quantos anos de contrato, e no endereço que era da empresa de um ex-dirigente. Tô citando de exemplos recentes do Corinthians, mas você vê isso em quase todos os clubes. Então não é um problema do Corinthians, dos clubes, do futebol, é um problema de uma certa maneira do Brasil, da sociedade brasileira.

ESEDUARDO SALUSSE

Corrupção, ser humano, né? Acho que tem corrupção no Vaticano, né? Deve ter no Vaticano corrupção, mas em alguns lugares você pune os culpados, né? Aqui não. Instrumento de controle tem que ter. Na teoria geral do crime eles falam que o que inibe é a certeza da punição.

TRTHOMAZ RAFAEL

No final das contas, acho que os grandes problemas do Brasil, e isso envolve também, claro, os grandes problemas do futebol, é impunidade. A impunidade que reina aqui desde sempre.

RVRogério Vilela

Aqui foi, senhores. Agora é considerações finais. Faltou alguma ponta solta? Agora é a hora. E agradecer demais a presença dos dois aí.

ESEDUARDO SALUSSE

Bom, eu termino primeiro agradecendo— primeiro não, né? Novamente, por fim, agradecendo todos que tiveram paciência aí de nos ouvir. Dizer que esse não é um projeto de venda do clube, é um projeto de profissionalização de separação do futebol com gestão, com proteção contra captura política, com atração de investimento, com modernidade, né, com grandes benefícios para o sócio do clube, que vai deixar de ter um clube apertado financeiramente, que hoje paga também custos financeiros, um clube que sofre com dificuldades de investimento, de suporte a esportes amadores, né, e dizer que a gente tá à disposição, né.

Volto a dizer aí, safielja.com.br, safielparasócios.com.br, e as nossas redes aí que tem lá todo o material, vídeos, informações, vídeos bem didáticos, né. É importante que todos saibam, veja, ninguém é obrigado a concordar ou a discordar, não tem problema nenhum, isso é democrático, faz parte do jogo. Agora tome a sua decisão, né? Não tome a decisão com base no que você ouviu falar, no que te contaram no corredor, né? Tome a sua decisão.

E a sua decisão, ela nasce a partir do conhecimento pleno do que nós estamos falando. Material está à disposição, estamos aqui de portas abertas para todos.

TRTHOMAZ RAFAEL

Puxa, desejo tudo de bom para você, Eduardo, para Safiel, para o Carlos, para fiel torcida corintiana. Fiquei muito feliz por essa oportunidade hoje. Primeiro por te conhecer pessoalmente, poder debater com você todas essas ideias. Repito, torço muito para que dê certo. Já torcia para uma SAF qualquer, a Safiel acho uma ideia ainda melhor. E muito feliz de estar aqui, Vilela, porque de verdade acho que o que você construiu aqui do nada é de se tirar o chapéu.

Parabéns pelo teu sucesso, como você se reinventou. Acaba sendo um exemplo para todos nós. Então fiquei duplamente feliz de poder participar hoje e também especialmente num dia tão importante para nós, dia 1º de setembro. É muita história, né? São 116 anos de uma história gloriosa. Não sei se é o melhor, não sei se é o pior, pode ser um chavão batido, mas inegavelmente é um time muito diferente, muito diferente de tudo que a gente vê no Brasil e no mundo.

Então desejo muito mais coisas diferentes para você, torcedor corinthiano, e que você seja melhor tratado com a Safiel ou sem a Safiel, de preferência com a Safiel, nos próximos anos.

RVRogério Vilela

Pediram muito a Safiel, então calhou da gente fazer num dia especial e no momento onde tinha realmente uma urgência de trazer os caras aqui. E é como todo mundo fala, né, uma torcida que tem um time não é um time que tem uma torcida. Então escreva nos comentários aí para provar que chegou até o final. O quê, 116 anos de Corinthians, não é isso?

?Voz B

É isso daí.

RVRogério Vilela

O que que o pessoal pode fazer mais também?

?Voz B

Primeiro, deixei o seu like, tá bom? A sua inscrição. Se você não deixou seu like, vão deixar muito like lá no começo, você não tá sendo fiel ao nosso canal, né, cara? Ah, entendi, o fiel aí, ó, tá sendo fiel. Então se inscreve aí, deixa o teu like. E para você provar que chegou até aqui, digita aí: acabei de falar. E o bambu, cara?

RVRogério Vilela

Eu acabei de falar. Ele tá escutando o que eu tô falando? Eu tô escutando, mas eu acabei de falar que o pessoal escrever 116 anos de Corinthians.

?Voz B

E o bambu, tá?

ESEDUARDO SALUSSE

Mas pode ser as duas então. Claro que não pode, é aniversário do Corinthians, pega o bambu.

RVRogério Vilela

Não, esquece o bambu do cara. 116 anos de Corinthians, fiquem com Deus, beijo no cotovelo e tchau. E o nosso querido Bigoda vai fixar todas as informações, tanto do Tomás quanto da Safiel, tudo que vocês precisam saber no comentário fixado. Ele vai colocar um comentário e vai fixar para vocês terem links, todos os arrobas aí, tudo que precisar. Valeu, fiquem com Deus, beijo no cotovelo e tchau! Que bom que vocês vieram. Valeu, fui!

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