1918 - CARLOS ALBERTO DE NOBREGA E DRA. RENATA
CARLOS ALBERTO DE NÓBREGA é humorista, roteirista e apresentador, e DRA. RENATA DE NÓBREGA é nutróloga. Carlos Alberto, ou Cazabé para os íntimos, é uma lenda do humor brasileiro. Seu programa “A Praça É Nossa” é um marco gigantesco no humor da televisão brasileira, lançando centenas de comediantes ao sucesso. O Vilela já participou da Praça, mas fez stand-up e não sat down no banco.Operação Lucro 2x: Acompanhe a live no dia 11/08, às 20h, e acompanhe o plano por trás do crescimento do G4 e Grupo Primo https://on.g40.co/inteligencia_carlos_alberto
- Queda e recuperação de Carlos AlbertoConcussão cerebral após queda·Cirurgia e cateterismo no cérebro·Impacto na saúde e mobilidade
- Carreira na televisão e humorA Praça é Nossa·Processo de gravação e edição·Adaptação ao humor moderno·Importância da disciplina e consistência·Lançamento de novos talentos
- Histórias de bastidores e amizadesGolias e sua personalidade·Chico Anísio·Renato Aragão·Silvio Santos·Augusto César Vanucci·Beto Carreiro
- Relação com Silvio SantosConcessão de TV e desentendimento·Período de 11 anos sem contato·Reconciliação e parceria no SBT·Declaração de amor no programa
- Acidentes e sobrevivência de Carlos AlbertoAcidente aéreo aos 9 anos·Capotamento com Golias em 1964·Perda de memória e tontura
- Saúde e envelhecimento aos 90 anosPreparação para envelhecer·Importância da disciplina e esporte·Memória e cognição·Adaptação biológica ao corpo
- A importância do legado e dignidadeExemplo para os filhos·Superação e resiliência·Dignidade como valor
- Carreira na publicidadeInício na agência Almap·Lançamento do Danoninho·Campanha de lançamento do Volkswagen Brasília·Direção de videoclipes
Olá, terráqueos, como é que vocês estão? Sou Rogério Vilela, tá começando mais um Inteligência Limitada, o programa onde a limitação da inteligência acontece somente por parte do apresentador que vos fala. Sempre trago pessoas mais inteligentes, mais interessantes e com a vida muito mais pracística do Caminho do— o que que já ficou muito na praça, cara?
Olha, eu nunca fiquei na praça tanto quanto eu estou vendo aqui esse rapaz que já ficou nessa praça, hein?
Exatamente.
Esse cara sou eu, esse cara sou eu.
Mas você já ficou na praça?
Já fiquei na praça.
Fazendo o quê, garoto?
Jogando dominó, né? Aqui, tag não, não, entendeu?
Você nasceu idoso já, né?
Já nasci idoso, cara. Uso boina, uso suspensório.
O Homer, como que o pessoal vai participar dessa live maravilhosa?
Hoje é uma live especial que é dedicada para pessoas especiais, que são os nossos membros. Se você ainda não faz parte do clube de membro, cara, você tá pangando aí, que você tem acesso.
Pangando, olha os termos que ele usa.
Pois é, você tem acesso.
Ele chama a mulher dele de broto ainda.
Ela vai onde?
Você leva ela para sair onde?
Lógico, na discoteca. Na discoteca.
Então já manda sua pergunta, mas a gente vai dar preferência para os membros que sabem quem vem aqui antes, antes da gente publicar agenda inclusive.
É isso aí, eles furam a fila do chat e enviam a pergunta com antecipação.
Antes de começar aí, Homer, posso falar com o pessoal de casa?
Claro.
Olha só, cara, eu tenho um recado para você que tem uma empresa. Todo empresário foca em faturar mais, você tá ligado, né? Mas onde vai o lucro depois que entra no caixa? O CNPJ rala, mas o CPF não cresce, porque a maioria não sabe transformar caixa em patrimônio. Para resolver isso, o G4 e o grupo primo se reuniram e vão lançar o Lucro 2X. De um lado, Dallis, Alfredo e Nardon, com gestão e eficiência. Do outro, Thiago Negro e Bruno Perini com alocação de capital. E olha o timing, no dia 11 de agosto, não é isso, Homer?
É isso aí, às 20 horas.
Às 20 horas, também conhecida como 8 da noite, eles vão realizar uma live no YouTube para entregar o plano exato para multiplicar o seu lucro. E quem estiver ao vivo terá acesso a uma oferta e bônus exclusivos, mas só daquele momento. Quer ver o resultado da empresa refletir no seu bolso? Então aproveita a oportunidade, escaneia o QR code que tá na tela ou clica no link da descrição para se inscrever para essa live. É um encontro só G4. Para quem quer mais, muito mais. Valeu, vamos para o papo?
Vamos aí, né?
Muito especial. Ele esteve aqui no momento quando tudo era mato nesse podcast, 4 anos atrás. Ele veio no podcast que não tinha o tamanho que tem hoje. Ele não sabe, ele não sabe, mas hoje é o maior podcast do Brasil. É, rapaz, quando ele veio, ele ajudou a transformar esse podcast no maior podcast do Brasil.
Você viu?
Ele tá rindo, mas é verdade. A risada mais famosa do Brasil também.
Com certeza, com certeza.
Muito, muito obrigado por ter estado aqui, querido. Tudo novo, meu amigo! Que saudade! Estive no seu podcast também.
Você é o ícone! Obrigado, viu, cara?
Você que lembrou, 4 anos atrás. Eu falei assim, ah, ele veio aqui, eu acho que uns 2 anos atrás, 1 ano e meio.
Só que eu não sabia naquela época que tinha que trazer alguma coisa inútil, né?
Você trouxe hoje? Você trouxe o meu presente?
Dizem que isso aqui sou eu, você de crochê.
Olha aqui, olha esse bonequinho, que maravilha! Não tem medo do pessoal fazer vudu, né? Porque aqui tá preparadinho já para o pessoal. Mas eu acho que vudu é meio que uma acupuntura wireless, né? Fica, acho que até alivia a dor aqui nas costas.
Quem aplica o alfinete?
Exatamente. Vamos a apresentações aqui, porque hoje eu tenho uma presença aqui que vai ser minha co-host. Ela falou, não quero ser entrevistada, eu quero ajudar nas perguntas. E ela está aqui. Se apresenta para o povo, que você sabe da vida dele e vai contar coisas que ele nunca contou. Vai ser uma entrevista histórica, então vamos lá.
Eu caí nessa armadilha, uma armadilha boa, viu, Vilela? Porque eu realmente eu ia ficar ali sentadinha assistindo, porque eu adoro o seu podcast. Renata de Nóbrega, sou esposa do Carlos Alberto, eu sou médica e vou estar aqui ajudando o Vilela e vou entregando o Carlos Alberto aqui no que ele precisar. Tô aqui junto com você nessa, quero ver.
E Carlos Alberto, se apresenta, se é que alguém não te conhece. Mas se alguém que não te conhecesse Como você se apresentaria para quem nunca ouviu falar de você?
Carlos Alberto de Nóbrega. Sou, tenho formatura universitária, sou advogado, a OAB também inclusive, mas eu vivo há 72 anos de rádio e de televisão, da sua arte, da minha arte. Isso é, tenho 90 anos de idade, é invejável, porque bisavô, bisavô já, tenho 2 bisnetos. Que felizmente, para seguir o sobrenome Nóbrega, são dois homens, porque só tive neta, quase pretamente neta, né? Mas eu sou muito feliz, tô muito feliz com a minha vida, com minha carreira, com Deus.
Realizado, realizado, realizado, realizado. Um pouco cansado, mas é natural pela idade, mas Só vou parar quando me mandarem para rua.
Mesmo assim, quando faz aniversário? Já fez esse ano?
12 de março, fiz 90 anos.
90 anos, idade redonda. A idade redonda, já começando o papo, ela traz uma reflexão sempre, porque parece que 40, 50, 60, 30, né? A gente para para pensar.
Olha, sinceramente, eu vou até fazer análise durante 10, 11 anos. Aí tinha parado, parei, mas eu voltei há um ano atrás, mais ou menos. Voltei esse ano porque eu não tava preparado para envelhecer, não tava, porque eu sempre fui muito ativo, muito agitado. Comecei a nadar com 15 anos, foi que mais me ajudou porque me ensinou disciplina e respiração, luta. A pessoa que fazia esporte Ela, ela não quer perder. E isso eu levei para minha carreira.
Eu quero ganhar, eu quero ganhar, não quero perder. Sou muito disciplinado, isso me ajudou muito. E alimentação, eu nunca fumei também, nunca bebi, nunca tive vida noturna, a não ser quando eu fazia show. Mas eu não sou de, eu sou mais de casa, sempre fui. De ficar em casa.
E de repente eu, eu disse, reflexão que você falou, que não tava preparado para envelhecer, foi aos 90 ou já veio já há um tempo atrás? Foi quando bateu isso?
Acho que quando eu quebrei a cabeça, né?
É, acho que foi, acho que foi o esquarte.
Foi uma queda da própria altura, há 2 anos, dia 15 de novembro de 2 anos atrás. Quando é?
2 anos atrás, novembro de 2 anos atrás.
Claro que não, não. Eu tava no sítio, a gente tava no sítio e íamos fazer um churrasco, né, para variar, no sábado. E o meu enteado, o filho mais velho dela, foi preparar o carvão e eu subi para tirar o óleo do corpo. E lá no sítio eu tenho assim, é um degrau, depois tem um patamar de uns 2 metros e outro degrau. E eu não sei o que aconteceu, eu tava com aquele chinelo de dedo.
Ah, chinelo, já fala para o meu pai também, ele já caiu muito.
Fala, não deixa de usar.
Já falei isso, ele já caiu várias vezes por causa do chinelo.
E eu tropecei e tentei não cair. Foi a minha sorte que quando eu caí, eu caí em cima da minha mão. Ai, graças a Deus eu não bati com a cabeça na pedra.
A mão amorteceu, a mão amorteceu.
E foi aquele susto, aquela correria toda. E vamos embora para São Paulo. Se não, não tem nada, só que ficou inchado, uma dor aqui na perna e na cabeça tudo bem. Tomei banho, fiz o churrasco, fiquei na piscina até o sol ir embora. E ela: vamos embora, vamos embora. Não vou no domingo, aquele sol, é um sol para cada um. Rio de Janeiro, fui criado em praia, né? Não vou perder esse sol por nada.
E eu não tinha nada, tava bem, tava bem.
Aí quando chegamos em São Paulo, ele disse: agora vamos ver, agora você vai.
Sabe por quê, Vilela? Porque existe uma coisa nos idosos que você diminui a massa encefálica. Então quando você diminui a massa, você aumenta o espaço entre a calota e a massa, e ali vai formando sangue. Então você vai ficando sem sintomas, naturalmente você vai diminuindo um pouco a massa encefálica. Então quando o idoso cai, tem um tempo maior para ir acumulando sangue. Então a pessoa não sente no momento, vai sangrando, vai babando, não tenha nada, não tenha nada, daqui um mês De repente ele tá em casa, se sente confuso, tonto, e é da queda de um mês atrás.
Então eu já me preocupei com ele, falei, não, nós vamos para o Einstein, vamos fazer a toma para ver se sangrou.
E aí foi, e sangrou, sangrou bastante. E aí eu fui para o hospital, e o que que tem que fazer? 2 dias operar, abrir, abrir aqui, ó, para drenar. Não sei se dá para drenar, porque senão o que que acontece?
Senão ele morre, né? Aumenta a pressão intracraniana. E aí aumenta a pressão intracraniana do cérebro. O que que daria? Os sintomas?
Isso causaria o quê? Tem um nome?
Causaria? Não, não causaria um AVC, mas ele ia perdendo a consciência até que ia apagar.
E aí abriram, aí não adiantou nada. O quê?
Não adiantou abrir?
Não, né? Adiantou até um certo momento, mas ressangrou, ressangrou. Mas os médicos especialistas disseram para gente que ressangrar faz parte do esperado, não de todo mundo, mas faz parte. Então a gente ficou esperando que não ressangrasse. Mas um dia ele tava no banheiro lá no sítio, e aí acho que você fez uma força, não foi?
Não, antes disso, né, eu fiz o cateterismo.
Não, então foi depois que você fez a cirurgia aberta, ficou se recuperando, fomos para o sítio, passamos o Ano Novo. Lá no Ano Novo você foi ao banheiro, e aí ali você escotou como se fosse um estalinho no sítio e falou Não tô bem, alguma coisa aconteceu. Corremos de novo para o Sírio e aí tinha ressangrado. E aí ele fez o cateterismo no cérebro, no cérebro, porque não podia reabrir.
3 horas e meia.
Por que não podia reabrir?
Porque ele já tinha tido abordagem uns 2 meses atrás. É, não é o protocolo deles abrir.
Então aí tirou tudo, aí foi ali, realmente estancou. A minha vida mudou porque até então eu nadava, jogava tênis, tava levando vida de jovem. O que aconteceu?
A vida te falou: calma, reduz um pouco, reduz um pouco.
Isso me doeu muito porque não tava preparado de dar a mão para descer a escada. Eu tenho uns tremores assim, uma tontura horrível, horrível. Tem um medo, medo. Inclusive ontem tinha um tapete lá em casa que eu mandei jogar fora, que poderia escorregar.
Ele ficou mais cauteloso. Mas ao mesmo tempo existe uma coisa chamada concussão, que é o quê? Quando chacoalha o cérebro, a sua massa lá dentro do crânio, ele dá uma chacoalhada com a queda, e aquilo ali pode repercutir, trazer sintomas posteriores à queda. E aí ele sente essa tontura que parece que tá andando nas nuvens, sabe? Uma coisa meio—
muita gente junta falando ao mesmo tempo, ele fica atrapalhado, fica abalado.
E tem remédio para isso também, para ajudar?
Ele tem, ele toma um anticonvulsivante todos os dias.
Essa sensação de—
para essa sensação, só um antidepressivo, ansiolítico, e é isso.
Não pode ser algum problema no labirinto?
Não, ele já fez todos os testes, não é. Foi resquício da queda, né?
Agora aconteceu, ela diz que eu sou ET.
Eu acho super, porque pode ser que seja também, pode ser que seja um infiltrado de alguma raça alienígena. Porque olha, iremos descobrir hoje inclusive, né?
Eu com 9 anos de idade, voltando dos Estados Unidos, com meu pai e minha mãe, eu tive um acidente aéreo. Nós ficamos 2 dias no mato sem água e sem comida. Ô louco! É, aí sobrevivi. Em 1964 eu capotei com Golias lá no Rio de Janeiro. E carro era, era um táxi ali no Morro da Viúva. Eles estavam pavimentando aquela parte do Rio de Janeiro onde hoje tem aquele jardim enorme, o Jardim da Glória, né? E a minha sorte é que quando eu capotei, eu fui jogado para areia, não para o asfalto.
Caramba, você foi jogado para fora do carro?
Foi.
Meu Deus, mas foi engraçada essa história. Conta aí para ele.
Não, não, eu não vou, eu não queria contar porque eu não sou engraçado. Mas se você quiser assistir, você vai ver o Golias contando.
Não, o pessoal vai assistir depois, mas eu quero que você conte a história. Depois a gente vê a versão do Golias.
Eu estava na frente, o Golias no banco de trás, eu tô com o braço assim conversando com o motorista. Tá aqui no Morro da Viúva, que é um lugar muito conhecido lá no Rio. Eles estavam pavimentando e tava chovendo, tinha, tinha chovido, e aquilo lá escorregou. O carro, acho que ele deve ter brecado quando derrapou e capotou várias vezes. Nossa! E aí eu, quando eu me vi, eu tava sentado fora do carro, fora do carro, agora as 4 rodas do carro para cima, sangrando. Não, nada, nada.
Por isso que ele é ET.
Nada. Não, eu quebrei aqui o omoplato, depois eu fiquei sabendo.
Com dor na hora? Nem isso?
Não, não, porque o sangue fica quente. Eu só fui sentir dor quando cheguei em São Paulo.
Aí sentado olhando para o carro capotado, e o Golias, não viu o Golias.
Aí eu vejo, eu vejo o Golias sair da janela do carro e aquilo tudo vermelho. Falei, meu Deus do céu, o Golias está tendo, né? Mandei a camisa dele, que ela é vermelha.
Ah tá, não era sangue.
E o motorista falou, olha, Não conta para ninguém no ponto, não. A preocupação dele: não precisa pagar a corrida. Ah, que alívio, hein? E ninguém parava para socorrer a gente, porque aquilo era muito escuro. É, aí até que um carro parou.
Foi à noite então ainda?
Foi 11 horas da noite, que a gente ia pegar o avião das 11, e a gente queria, eu queria voltar para São Paulo de qualquer maneira e levaram a gente para o pronto-socorro. Aqueles populares.
Não, mas tem uma coisa antes. Ah, sim, que é engraçado.
Eu fiquei sentado assim, parado. Aí eu falo: Golias, eu vou parar com tudo, é muita ganância.
Eu ouvi essa história você contando, é muita ganância, é muita ganância, Golias.
É porque a gente viajava muito, a gente tava ganhando uma grana, aceitava tudo.
Pô, mas o que que é isso?
Para você ter uma ideia, a gente fazia numa semana 13 estados. Nossa, Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Curitiba e Rio de Janeiro toda semana. Tinha, eu falei, tem que parar com isso. Parou coisa alguma. Aí levaram a gente para o pronto-socorro e nós entramos. Isso, olha, eu preciso ir embora para São Paulo porque o meu tio era médico. E tinha aquela rivalidade entre a medicina de São Paulo e do Rio. Ele falava mal e eu não queria ficar no pronto-socorro do Rio.
Então eu consegui lá com o médico da gente escapar. Eles me amarraram, disse, olha, meu tio é médico e eu quero ir para São Paulo, que tem o último avião às 11 horas. E até aí eu tô bem. Fizeram exame, viram que tinha uma fratura. Eles me imobilizaram, teve um corte aqui, tudo bem, e muita dor no peito. O que me salvou é que eu tava com problema de coluna, eu tava com aquele culete de aço. Nossa, por isso que eu não quebrei nada, que deixou você.
E aqui atrás foi Foi o ferrinho do culete. Bom, me levaram para o aeroporto, liguei para o meu pai, falei: olha, pai, eu levei um tombo lá na escada no SBT e quebrei o pé, que meu carro tava no estacionamento aqui de São Paulo. Ele falou: mas foi isso? Falei: foi. Se dá sua palavra de honra, e nós temos uma na minha família, essa palavra de honra é É sagrado. Disse, não, pai. Aí eu capotei, capotei. Aí me puxar, eu fui andando, fui andando para o avião.
Aí é que começou a doer, a doer, a doer, doer. Vou, quando chegamos São Paulo, quem disse que eu saía da cadeira? Não tinha condições, doía demais. Então eles me pegaram Me pegaram, me ajudaram, me fizeram uma cadeira de roda. E naquela época, Aeroporto de Congonhas, né, a gente pegava o avião na pista, né, não tinha aquele negócio de correio, de corredor. E meu pai tava parado assim, aconteceu uma coisa gozada, ele não conseguia se mexer.
Caramba! Tava ele com meu tio e ele parado assim, um choque que ele teve. Aí eu fui para o hospital, aí cuidaram de mim e tal, e escapei. Depois, qual foi outra coisa que teve também?
Nossa, tem tanta coisa, Carlos Alberto. Só sei, Vilela, que toda viagem com ele acontece alguma coisa.
Não, amigo, é a coisa, se ele tiver no avião, é melhor eu não embarcar então.
Não, ou é melhor embarcar, mas acontece sempre alguma coisa. Todas as nossas viagens têm uma história para contar porque é demais.
E a coisa que ela fala que eu sou ET, Porque antes da queda eu tive um problema cardíaco. O que que é que eu tive mesmo?
Você teve uma reação ao COVID, né? Ele teve uma pericardite, então uma inflamação da membrana do coração. E ele foi para o— ele com sintomas, pressão alta baixava, levantava ou subia e tal. Quando a gente viu, era uma inflamação cardíaca. Então foi resquício da própria COVID. Mas antes disso nós tivemos COVID juntos e ele ficou melhor que eu.
Eu não tive nada.
Então você vê que também é uma idade.
Talvez ele seja imortal e a gente não sabe.
Eu acho vampiro. Não, aí tive que fazer um cateterismo no coração e tinha 40% de obstrução.
3 anos antes era 40%, hoje ele tá com 20%. Nossa, ele tá sendo aquele Benjamin Button.
É que é o contrário, né? Vai rejuvenescendo, vocês encontram no meio da vida.
Por tudo isso Vilela, é que eu sinto que eu me sinto não é incapaz, mas fraco. Eu perdi, embora eu faça academia, eu me sinto, eu não tenho mais força. Eu faço um bíceps com uns 5 kg, um de cada lado, mas tem que fazer. O que importa é a resistência, que é o músculo, que é uma coisa importante, com 60 kg. Para minha idade tá ótimo. O meu motorista faz com 250 kg. Ah, mas aí é essa semana, essa semana tinha uma moça que eu tava fazendo a esteira e ela tava fazendo leg press.
Aí eu vi que ela tava, eu falei, quantos quilos você tá fazendo? Ela falou 120. Falei, ah, eu pareço, eu vou embora, eu vou embora. Eu não vou fazer porque eu tô com vergonha de uma moça fazer com 120 e eu comer 60 lá. Então essas coisas me incomodam.
Mas eu te falo que eu tô com 55, eu tô numa outra fase, mas também—
Pera, 55?
55, faço 56 esse ano. Que a vida te fala: calma. É assim, eu também tava nessa loucura, sem dormir, trabalhando direto, gravo 3 programas, vou viajar, e a vida falou: calma, calma, cara. Peraí, peraí, menos? A vida ela te dá um freio. Você não tem mais 20 anos, não tem mais 25. É claro que você tem como se preparar, ficar bem, mas você não tem a mesma, o corpo muda, você tem que se adaptar biologicamente, né?
Olha a cabeça também, né?
É que a cabeça da gente ela, o pessoal não entende isso. Quando você tem, o Bigoda, Bigoda tá com 21, 21, né? Com certeza ele acha que é o cara mais inteligente do mundo, ele acha que ele tá certo, eu também achava. Quando você tiver 30, você vai achar, putz, eu era muito burro. Quando você tiver 40, você fala, eu era muito... E agora você fala, cara, agora eu tô começando a entender a vida. E aí o corpo, ele não corresponde ao teu conhecimento, né?
Porque você conhece tanto que você fala, cara, eu sou capaz de fazer isso, eu quero fazer aquilo, dá pra eu viajar, fazer... Aí o seu corpo fala, isso você tinha que ter feito antes, agora é devagar, né?
E com qualidade, né?
Com qualidade. O que é legal é isso, que a gente aprende também a aproveitar as coisas boas da vida.
Mas o que mais me incomoda realmente É a memória. Então eu decorava o meu programa inteiro.
O que que faz? Tem alguma coisa para melhorar?
No caso dele, já é por conta da idade, sim, já é uma senescência. Existe a senescência e a senilidade, porque quando você envelhece, neurônios na vida inteira eles vão morrendo, eles morrem e nascem, né? Então assim, antigamente achava que o neurônio que foi, foi, acabou. Hoje não. Hoje nós temos aí 86 trilhões de neurônios, bilhões de neurônios.
A gente faz para isso, tem sempre que estimular a cognição.
Então exercícios, coisas novas, como aquilo que todo mundo sabe, escovar o dente do outro lado com a mão do outro lado, ler, fazer a palavra cruzada que hoje ele faz, e sempre estimulando isso, né? Quebra-cabeça, começar do pequeno, depois ir montando os maiores. Isso para gente também, que é mais novo. Então isso é muito importante, você estimular o seu cérebro, né?
De qualquer forma, com a idade vai perdendo a memória.
Você não perdendo a memória para chegar numa demência, mas você vai esquecendo de algumas coisas. É óbvio, porque é muita coisa. E assim, as pessoas às vezes não entendem, existe o cérebro, existe a mente, né? A mente é o processo, cérebro é a massa. Então você precisa estimular tanto o processo, que é você fazendo isso, esses exercícios. E o cérebro, como o cérebro, como eu falei, é como se fosse um músculo, né? E ele inflama, concorda?
Ele é um órgão vivo. Você tem que evitar a inflamação porque o cérebro inflama. Bons hábitos, boas alimentações, alimentação inflama. Isso, o que você assiste, dormir bem também. O sono é primordial, sono é remédio. Então é isso, você tem que lembrar que o seu cérebro existe e que você precisa desinflamá-lo assim como você desinflama o músculo, né? Assim como você trabalha o músculo também, como trabalha outros órgãos. Então é isso, você tem que lembrar que você precisa ter saúde aos 90 e não só a idade 90, né?
É, mas isso me incomoda porque eu sempre fui muito disciplinado e muito rigoroso no meu programa, sempre fui. E aquele cara que obrigava o artista a chegar decorado Não chega decorado. Então eu tenho uma dália especial que eles fizeram para mim, um vídeo, uma tela grande onde tem as minhas falas. O público não percebe que eu tô olhando, porque na hora que eu vejo que eu não tô aparecendo, eu olho para dália. Então eu não falo olhando para dália.
Quando eu vou falar, eu já li a dália, tá aqui, tá aqui. Mas isso me deixa triste, porque eu tinha que dar o bom exemplo, chegar decorado.
Mas sabe, mas o pessoal entende, né?
Mas incomoda, me incomoda. Mas é que o Carlos Roberto, que eu penso, Vila, ele é assim, ele vive muito na comparação. Eu acho que comparação com ele mesmo, com ele mesmo, com ele mesmo, que é pior, porque ele não tem mais 40, 50. Então assim, esquece. Mas o problema é o quê? Que ele vive de imagem.
Porque se ele for comparar com as pessoas da idade dele, não tem comparação.
É só ele.
É injusto eles comparar com ele mais novo, com a memória, com o corpo.
Não dá, não dá. Então, como ele trabalha com TV, imagem, ele se olha o tempo inteiro. O YouTube tá lá aparecendo ele com 50. Aí ele fica lá meio triste naquele dia que viu o YouTube de 50 anos atrás.
Então isso a gente envelhece.
Eu não assisto mais, eu vejo só o primeiro bloco. Para ver audiência, porque eu me cobro muito.
Porque, por exemplo, antes também era assim?
Não, ah não, não, não, pô, eu assistia a praça, é mesmo. E aí é uma bobagem pelo seguinte: eu faço a redação final do programa.
Explica o processo, como que é fazer um programa de televisão.
Eu recebo o texto dos meus redatores, é uma equipe, trabalha em conjunto, trabalha em conjunto, eles mandam o texto, eu faço a redação final.
A redação final é pegar aquilo e dar uma ajeitadinha, cortar, mexer.
Às vezes é bom, o texto é ruim, eu escrevo aquela, muda a ordem.
Às vezes muda a ordem.
Aí eu vou gravar na quinta-feira, eu chego na televisão 2 horas, 3 horas começa a gravar, vou até umas 7, 7:30.
Tem uma ordem de gravação?
Tem, mas isso é, pode mudar, pode mudar. A gente grava quadro por quadro.
Não na ordem certa.
Não. O que que eu tô fazendo agora? Para me ajudar, eu gravo um quadro que eu não preciso ter texto, que são os que fazem podcast, o que fazem stand-up. Aí um quadro que eu preciso saber, vai me dando uma tranquilidade.
Entendi. Respiro. Aí um outro que é mais complicado.
São 6 quadros que eu, que são piadistas, eu divido entre os outros 6 que eu tenho que saber o texto. Então isso é tranquilo. Na sexta-feira de manhã eu acordo 10:30, eu tô na televisão e edito o programa.
Eu faço edição do programa do lado de um editor, tem um editor e ele vai editando.
E eu vou dizer, olha, isso assim, assim.
E eu, é bom o pessoal saber que tem várias câmeras, são 6 câmeras que eu tenho. A escolher qual câmera, escolher o que a gente mexe.
Então às vezes uma piada tá muito boa no meio Eu tiro e boto ela para o fim. Olha só, é a coisa que o pessoal não entende, né?
Acho que eu mais gosto que você pega, acho que gravou, tá pronto, e não, né?
Você pega o Paulinho Gogó que grava 13 minutos, não pode virar o quê aqui? Vira 8, tá?
E até legal, ele vai fazendo bastante coisa.
Então eu já vi o programa na sexta, depois eles vão sonorizar. Na segunda eles me mandam para casa o programa pronto e eu assisto o programa. Então eu não preciso me ver, porque olha aqui o que é a cabeça ruim, né? Não é verdade, porque se eu tô me vendo ali, tudo bem, mas na hora que o programa vai para o ar eu tenho vergonha de me ver.
Ver quando não foi para o ar, tudo bem, mas quando tá indo para o ar, mas é a mesma mente, é a mente.
Então eu fico com vergonha porque eu não ando mais ereto, eu já tô curvo, que todo idoso é curvo, não é? Então eu me vejo com as minhas bocas.
Meu pai falou isso porque a gente foi para Copa junto e eu filmei a gente, a nossa aventura lá, e ele falou, quem é esse cara que tá na tela? Eu não reconheço. Ele se vendo, ele brincando, falando assim, não, eu não me vi assim.
Ele se vende diferente. Como eu me vejo em casa, eu acho que ninguém tá vendo. Quando vai para o ar, agora é público, isso me incomoda. Então eu vejo o comecinho, você veja o que, o que a televisão caiu depois da COVID. Antigamente, antes da COVID, quando o programa dava média 10, eu não dormia de tristeza. Eu custava para dormir. Hoje, quando dá 5, eu durmo, eu não durmo de alegria, tá vendo? Porque é a maior audiência, sem querer desmerecer, pelo amor de Deus, de segunda a sábado ainda é a maior audiência da emissora.
Eu só perco para o domingo. E isso me incomoda, porque olha quanta gente que tá me vendo velho. Só que esse velho faz academia.
Exato, é um exemplo, né?
Eu crio às vezes. Quantas noites eu acordei?
Imagina quantas pessoas da sua idade se inspiram em você para não parar. Porque eu acho que o grande problema das pessoas, eu vejo meu pai, ele só fica feliz quando ele tá fazendo alguma coisa. Fala para ele ficar num canto encostado.
Seu pai fazia o quê quando era mais jovem? Trabalhava alguma coisa?
Trabalhou na Scania, trabalhou na Brastemp, era bem ativo, bem ativo, dava aula de literatura, não sei o quê. E agora tem um sítio, ele fica o dia inteiro cuidando de animal e planta e felizão. E minha mãe, e minha mãe, que eu tô doido para fazer, é a felicidade do meu pai. Minha mãe vem para dentro, ele não, cara. Ele, eu falo assim, você vai tirar minha diversão? Ela fala, tem gente para fazer isso. Eu falo, tá bom. Ele trabalha junto com os caras, entendeu?
É o que eu quero quando eu ficar velho.
Aí eu vejo, eu tô olhando ele lá, daqui a pouco ele caiu, rolou na grama e tá de novo lá se limpando.
Isso aqui é o que eu quero.
Se um dia eu parar Se um dia eu parar, eu também vou para isso, viu? Eu comprei esse sítio por causa disso.
Era uma montanha no sítio, que é uma hora de São Paulo, Vilena.
O meu é 2 horas, 2 horas e meia da minha casa.
O sítio é uma hora de carro.
Eu falo para ele, vamos para o sítio ano que vem, vamos para o sítio, porque eu consigo voltar para Alphaville atender meus pacientes.
E remoto você não consegue?
Consigo remota também, eu posso atender, tem um atendimento remoto. E eu tô lançando uma marca agora.
Cadê? Você trouxe coisa para mim também?
Eu trouxe, posso dar?
Claro.
O Carlos Alberto já tá ali, ó. A Mente, né? A Mente é uma marca, é um ecossistema de saúde mental e metabólica. Não andam só, não anda sozinho. A mente e metabolismo andam juntos, né?
A tua formação é qual?
Minha formação, eu sou médica, me especializei em nutrologia, sou pós-graduada em nutrologia, estou me pós-graduando em psiquiatria.
Nossa, juntar essas duas do lado, olha que bonita! Essa caneca aqui, é muito bonita. Só Fabi nem Andréia roubarem de mim, eu tenho uma coleçãozinha aqui, cara. Fabi, ela pega tudo de mim, sério, até caneca, até caneca. Eu vou viajar, ela fica pedindo presente, cara de pau.
E claro, uma camisetinha para você treinar, tá bom? Ela já acertou meu número novo agora, que agora eu já tava te seguindo, já olhando, falei, não, o dela tá mais definido e tal.
O meu tá indo para P, mas você transformou o seu corpo né, Vilela? E aí vai transformar ainda mais, né?
Muito legal, muito bom. E aí esse ecossistema, como que, por que que eu quis isso, né? Não é para comércio, é porque como eu atendo em consultório e atendo obesos, sobrepeso, eu vi uma necessidade de unir a mente ao corpo, mas unir de uma forma mesmo terapêutica, porque a gente sabe que não anda sozinho, né?
E não tem milagre. Você vê Instagram, muita gente vendendo milagre, né?
Exatamente. Então paciente tá lá, consegue até emagrecer, mas depois volta. Tem alguma base?
Exato, tem o famoso pessoal que vence a bariátrica, né?
Exatamente.
Então tem a bariátrica, depois de 1 ano, 2 anos, tá igual, tá igual. E aí eu acho que igual não, fica pior, né?
E aí nós profissionais nos frustramos. Vocês devem saber com a Mari, nós nos frustramos porque a gente fala, gente, o que que a gente tá fazendo de errado?
Foi perdido. Qual que é o erro na maior parte?
O erro é a gente não realizar o diagnóstico certo através de um diagnóstico diferencial. Ou seja, nós médicos, tá? Não erro do paciente. Ele tem o quê? Uma ansiedade por trás disso? Ele tem uma compulsão? Ele é anoréxico? Ele tem um pânico? Ele desconta na comida? Desconta na não disciplina? O que que acontece com a mente dele? Exato. Então eu preciso ter isso, eu preciso ter esse acompanhamento mental para entender o metabolismo dele.
E aí eu chego sim ao resultado, e eu chego sim ao diagnóstico certeiro. Ele é obeso, ok.
E a gente tá tendo também uma revolução em várias áreas, mas na medicina me parece muito grande, né?
Muito.
Essas canetas, as encretias, inteligência artificial para novos diagnósticos. A gente vai ver muita mudança nos próximos anos, não vai?
Vai ter uma coisa muito mais, muito mais, é assim, vamos dizer, de uma forma muito mais assertiva, muito mais rápida. A medicina tá indo para um lado maravilhoso.
E eu acho que aguenta mais um pouco, que a gente é só a gente aguentar, Carlos Alberto. Que falam que quem chegar, sei lá, a 2030, 2040, vai viver para sempre naquela, não é viver para cima, mas aquele tem uma longevidade maior, né? Que a medicina vai mudar, vai mudar muito. É isso importante, você coloca um braço mecânico na gente, uma perna mecânica, um coração, coração, já pensou?
Que é a bomba, sabe?
Que a gente via nos filmes, sabe?
Sabe que o Carlos Alberto é bem assim ativo? Porque ele tem uma bomba maravilhosa. O coração dele é incrível para a idade dele. Ele tem uma bomba, ele bate de uma forma tão sincrônica e ele joga tanto sangue para o corpo. Ele tem uma, uma, um motor do nosso corpo, entendeu? Então assim, ele até conversei com cardiologista dele e a gente tava debatendo sobre isso.
Eu vou passar por um cardiologista também, porque o meu pai teve vários problemas.
Quero ver, é legal, é legal prevenir, né? Então, Carlos Alberto, ele tem essa bomba boa. Então é isso, é manter o resto, a carcaça, né? E a mente trabalhar também. Então por isso eu lancei esse curso.
Não adianta, a mente pode estar boa, mas o corpo é o que mantém a gente ativo e leva daqui até ali, né?
Exatamente.
A gente tem essa preocupação com carro, que é uma máquina, né, de deixar ele redondinho para fazer uma viagem. É o mesmo pensamento para o corpo.
Exatamente. Tem um estudo muito legal do do Smiles, que fala que é um estudo pequeno, né, com 67 pessoas, pacientes, que tava tratando a depressão e sem acompanhamento nutricional. E 67 pacientes tratando depressão sem acompanhamento nutricional. Quando entrou a nutricionista, entrou todo, entraram os hábitos alimentares, essas 67 pessoas, dentre elas 40, se eu não me engano, foram para acompanhamento nutricional acompanhado com a medicação e terapia cognitiva, elas melhoraram muito mais de quem não entrou com essa, com essa estratégia de alimentação.
Qual a explicação?
Que a comida ela tá ligada totalmente a tudo, qualidade de vida, o que você come, o que você absorve é o que vai te sustentar na mente. Então isso precisa estar junto, né? A estratégia alimentar é importante, não dá separada, como qualquer coisa, não dá.
A hora que dá, do jeito É, tem que ser tudo junto. E aí o problema é a questão financeira, né? É achar formas, porque tem formas baratas também de comer bem, né? Não é, ah, eu não tenho dinheiro, eu tenho que comer ruim. Não, isso é desculpa, porque também dá para você gastar dinheiro e comer ruim, né? Dá para você pedir iFood todo dia, gastar uma grana e ainda assim comer ruim.
Isso que é legal que você falou, viu, Homer? Isso que é legal, porque não tá distante de ninguém você ser saudável. Você tem um parque do lado da tua casa, vai caminhar. Né? Você tem às vezes a horta na tua casa, vai fazer alguma coisa, né? Não é só para dar para o bicho. Então eu acho que isso é fundamental, você entender que tá próximo de você, é sua realidade, sabe? Então isso é fundamental, né? Tem que, você tem que ter essa consciência. E aí foi isso, por isso eu lancei.
E alimentação do Carlos Alberto, quando eu conheci, agora eu vou entregar ele, tá?
Então vamos falar, ele comia, tomava Coca-Cola todo dia, ele comia pão de queijo todo dia, Parma todo dia, chocolate todo dia.
Eu tenho problema com chocolate também. E aí, o que que faz?
Come.
Então é isso que eu penso, dá para comer?
Dá.
Porque, cara, eu meio faz mal.
Eu sei o que dá para você fazer.
O quê? Dividir com a gente. Eu mesmo não querendo dividir, eu divido. Você vê que eu pego, escondo, deixo no cantinho. Você falou, dá um teco, pega aí. Nossa, pergunta para os cara. Tem hora que eu falo que tem doce que tem doce, pelo amor de Deus, tem doce!
Amor, conta para ele de negócio de eu comer de noite.
Não, eu tenho até um vídeo de acordar. Não, ele não acorda, ele come de noite. Ele é meio sonâmbulo, então ele pega a comida, por exemplo, essa taça, ele tira, ele fala que é sonâmbulo, ele tá acordado, que é papo isso daí. Não, sabe por que que não é? Que eu troquei a comida por uma, por uma colher, e eu dei para ele essa colher, e ele tava comendo a colher. De madrugada.
Olha para mim que eu não sou louco não.
Ele come pipoca, ele come chocolate, ele come salgadinho, ele come ruffles, ele come tudo.
Ela saiu antes de mim assaltando a geladeira.
E vou de olho fechado.
Por isso que eu dei a colher para ele comer.
Não é fechado, eu vou assim, eu sei o caminho, né? Aí o que que você quer?
Na cozinha ou tem geladeira no quarto?
Tem também, mas ele vai na cozinha. Ele sabe onde tá.
Abre uma geladeira, tem tudo.
Aqui na minha casa já não tem nada na geladeira, então não tem nem para sovete.
Agora eu parei um pouco, né?
Parou que você ficou pré-diabético.
Aquele copo grande, era um por dia.
Tava terrível.
Eu tava nessa também, mas hoje acordei.
O problema do doce é a quantidade, ou é não?
O ideal é zero doce, zero açúcar. É porque o açúcar, ele é um, não tem benefício nenhum.
Não é que ele te dá uma energia muito rápida, né? O que que a gente substitui? Porque às vezes eu tô com aquela cabeça cansada, eu coloco chocolate, aí você acorda. O que que eu substituo para ter esse efeito?
Você pode ter frutas, mas eu penso numa maçã, aí eu penso num chocolate.
Não é melhor?
A Eva só pegou maçã porque não tinha chocolate. Se a cobra vem com chocolate, ela nem Nem resiste, que ela ficou meio na dúvida. Será que eu como? Será que não? Se ela viesse assim, ó, chocolatinho, olha esse suflê, olha esse daqui.
Você sabe aquelas caixinhas, pode falar o nome, de bis?
Sei, aquilo é uma carreira.
Opa, aquilo lá é, eu só não boto o dedo.
Se inventarem em pó, você nunca assistiu um vídeo de uma senhora comendo uma salada e ele E ela falando que, ai, que delícia esse chocolate! Ai, que maravilhoso esse chocolate, tá incrível!
E era alface com aquele gosto maravilhoso, aquele tomate.
É, foi enganamento.
O ideal é isso. Mas a ciência vai inventar uma maçã com gosto de chocolate, vai resolver.
Porque eles não têm esse problema, vai resolver. Um chocolate resolve tudo.
Já pensou uma alface, comer alface e na tua cabeça tá comendo chocolate?
Já fizeram a maçã do amor, né? Pra ajudar a porfia.
Porque ela é açúcar puro, né?
Imagina você 2 horas da manhã você comeu misto quente bem fresquinho.
Não, dormir, desculpa, não façam isso, tá? Mas como eu, quando eu como uma Nutelinha dormindo, eu nem escovo os dentes para ficar aquele gostinho da Nutella dormindo. Eu sonho com aquilo, cara.
Não é mesmo? Mas a gente não entende isso.
Pega um pouquinho de Nutella e fico com, podiam fazer pasta de dente de Nutella.
A crueldade que lá em casa a gente tem uns Umas televisõezinhas, né, para tipo câmera, porque um dia ele bateu a cabeça na parede, eu fiquei preocupado. E ela me gravou eu comendo, foi à noite, é tudo à noite, derramando tudo, e mostrou para o meu filho.
Foi porque foi uma coisa assim, é uma coisa horrorosa.
Não, eu fiquei com vergonha. Não, nesse dia eu falei, eu vou parar.
Big Brother.
Mas eu sou tão mentiroso, eu não acredito nas coisas que eu falo, viu?
Mas é bom, é bom esse negócio. Eu mudei minha alimentação mesmo, mudou a saúde, mudou tudo. Mas o meu problema ainda é doce, chocolate. Mas é tão gostoso, troca por café.
Imagina você pegar uma colher de sopa, pegar aquela latinha de doce de leite, meter ali, não tem coisa melhor.
Eu acho que é tipo droga, né?
Droga. O açúcar é como uma droga, né? Então a gente precisa ter essa consciência. Mas maneira um pouco assim na quantidade, né? Na qualidade, 70%, 100% cacau. Eu sei que não é o mesmo gosto, mas assim, o amargo, então, porque a gente se adapta, né?
As papilas gustativas. Às vezes eu pego um desse porque ele não te dá vontade de comer mais.
Exatamente.
Não é porque não é tão bom, né?
Cérebro já começa a se concentrar.
Tá bom, já. 2 Tabletinho desses 70%.
Pegar aquele chocolate, vai derretendo na boca.
Eu gosto de deixar na geladeira, ele geladinho ainda, meio duro, sabe?
Não dá ideia, Vilela, pelo amor de Deus, para ele, porque senão ele vai querer colocar Nutella na pipoca salgada.
Olha as ideias, é coisa de louco. E eu nem sou maconheiro, olha só, parece coisa de maconheiro, não parece? Misturar doce. Cara, eu comprei um pote de quilo de Nutella.
O quê?
Pois é.
E acabou encontrando.
Aí minha mulher pegou, falou assim, só uma colherzinha. Eu falei, tá bom. Peguei uma colher daqueles de mexer arroz.
Só uma colherzinha, uma escumadeira. E mas vamos mudar de assunto.
Hoje eu acordei com pipocas de chocolate normal na cama, na cama, que eu acordei, ela já tinha saído para ir ao cabeleireiro. Eu vi umas coisas assim no chão, falei, pô, o que que é? Pensei que fosse a cachorrinha que tivesse feito besteira. Não, eram pipocas, pipoca de chocolate.
Ele come tudo de noite. O Carlos Alberto é uma pessoa antes de manhã e à noite, são duas pessoas diferentes.
Porque de manhã, noturno também, ele é, mas você acorda cedo?
Nada. Ah, tá, acorda 10 horas.
Aí, então, que nem eu.
É, você também? É, de manhã ele é regrado.
Faço academia às 11 horas.
Então também, hoje eu vou treinar às 11 também.
Então é isso, porque ele é uma pessoa que acorda, toma um cafezinho com frutas, iogurte, abacate, almoça uma hora, carninha, saladinha, ele não come. Mas carninha, batata, alguma coisa nesse sentido, feijão com arroz. Aí toma um café da tarde às 5 horas, toma um cafezinho com uma frutinha, um pedacinho de melão para dar aquela saciedade. À noite um caldo, minestrone, algo desse tipo.
E de madrugada doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce, do Peraí, você me pede lá no mercado, eu tô lá no mercado, você fala compra aquelas coisinhas para mim, aí eu vou lá.
Exato, uma caixa de bis à noite e vai sozinho, né?
Impressionante.
Mas olha, eu tô bem, a minha cabeça— uma coisa que eu não tô conseguindo, escrever no computador. Por quê? Não sei, porque eu erro.
Porque você, quando cria, usa o celular muito? Não, de escrever no celular?
Não, não, eu não gosto.
Que eu me acostumei no celular, agora também no computador. Eu escrevo à mão ainda, ainda.
E de boa? De boa.
Várias vezes eu perdi esse hábito. Quando eu vou escrever, dói a mão, sabe? Quando escreve muito, já começa. Eu não tô mais acostumado, né, a ficar escrevendo com a mão, de tanto que você mexe no celular.
De madrugada, eu já fui me deitar, tive uma ideia, vou para o meu escritório e escrevo no papel.
No papel e no computador não consigo, eu erro muitas letras. Mas e a parte de roteiro, ainda no papel então?
No papel.
E aí alguém passa para o computador?
Passa uma moça aqui.
Mas você pegou a época que ainda era máquina de escrever, como que era antigamente?
Era uma maravilha, não havia computador. É porque você, quando cria, você não pode se preocupar com outra coisa. Então, a máquina de escrever, para mim, eu só escrevi com os dois dedos.
Escrevia rápido na máquina de escrever?
Acho que, pô, muito rápido. E uma coisa que vocês não vão acreditar: quando você tá escrevendo e alguma coisa leve assim, fácil, você escreve aos Quando você tá escrevendo um texto que tem confusão, você escreve mais rápido, no ritmo do que tá se escrevendo. Engraçado isso, né? Mas eu adoro escrever, eu adoro criar.
Na pandemia, eu lembro que a gente tava em casa, não podia sair, e ele sozinho no lugar lá embaixo na casa, que a gente morava em casa ainda, e eu lá em cima. Eu falei, o que que o Carlos Alberto tá fazendo? Deixa eu ver o que que é. Que eu desci, ele tava escrevendo o livro dele como se alguém tivesse falando no ouvido dele. Ele tava assim, ó, no computador, mas não era na hora, tava vindo as ideias e fluindo. É impressionante como ele escreve, como ele tem esse estado, né?
Esse estado que você fica totalmente fora do tempo e do lugar, você tá num foco. Se alguém te chamar, você nem escuta, você não vê o tempo passar. De repente tá de dia, tá de noite, não tem isso. Às vezes eu sei que não é isso, mas parece que tá tomado por alguma coisa.
Mas é, não é?
De repente quando você fala, cara, aí você vai ler, você fala, caramba! Aí você até se impressiona com que você lê, né? É louco.
Eu fico feliz porque eu ainda crio personagens, eu crio coisas, entendeu? Formatos, formatos. Isso é, para mim é muito bom.
Eu acho bom, claro.
E o computador me atrapalha.
E como que você faz para— você tem uma preocupação de não perder conexão com a nova geração, ou a nova geração você acha que tem que ver o formato de humor que você gosta ou tá acostumado? Qual que é essa relação? Você tentar agradar o público ou trazer o de melhor e que o público se adapte a isso? Porque é um perigo também você tentar sempre agradar essa nova geração, né?
É, mas isso aí eu tenho os os meus personagens que são jovens, que trazem essa conexão, que é o pessoal de stand-up, tá ligado, que tá ligado. Mas tem também os conservadores, que é o João Plenário, aquele deputado, tem a Nina, aquela menina, tem vários quadros.
Aquele cara que entrou agora, que é do stand-up do Fábio Rabin, muito legal.
Fábio Rabin, meu vizinho aqui, é, mora aqui na frente.
Isso foi uma coisa maravilhosa. Porque o que eu mais me deixo—
você sabe que ele não vale nada, né? O Rabin não vale nada.
Ele é o melhor, vale nada, disparado.
Ela vem aqui só para usar o banheiro, top banheiro dele, vem aqui, usa e vai embora.
Respeitando os outros, ele é o melhor. E aconteceu isso com o Rabin, isso é que me deixa muito— porque ganhar prêmio, por tudo quanto é demais sagrado, para mim não diz nada, porque aquilo é escolhido tipo 10 jornalistas que gostam de mim ou do meu trabalho ou não. Agora, você ter a possibilidade de trazer um jovem desempregado e 2, 3 anos depois esse jovem tem casa própria, tem carro, isso é o meu pagamento. Claro, o problema do Rabin, sem querer ser papai do céu, Eu fui assistir o show dele e ela sempre atrasa, né?
Ela, vamos embora. Quando eu cheguei, já tava ouvindo umas gargalhadas. Eu falei, tá vendo? Aí começou, já começou o show. Quando eu sentei, eu vi que não era ele.
Ah, é alguém abrindo o show, era o esquenta dele, que era muito engraçado.
Quando acabou o show do Rabin, eu subi para dar um abraço nele e o rapaz tava lá. Eu fui direto a ele, falei Cara, você é muito bom, olha só, você é ótimo, você quer fazer o meu programa? Ele começou a chorar e chorou um pouco demais da alegria. Eu fiquei sabendo meses depois com ele o seguinte: nesse dia ele tava indo fazer o esquenta com a mulher dele e disse, olha, eu vou parar, não vou mais trabalhar porque não tá dando certo.
Não tô ganhando dinheiro com isso, ganhando nada, não tá dando certo, é o último dia que eu venho. Nossa, nesse dia a vida dele mudou. Você vê, isso para mim não tem troféu nenhum que pague, com certeza não tem. Você vê um Paulinho Gogó que vinha de graça fazer o programa, hoje ele é uma pessoa, um empresário, faz filme, tem, faz, é coprodutor dos filmes. Pô, isso para mim é tudo.
Claro.
E você veja que ver amigo se dando bem é muito bom.
Tem a troca, tem a troca. Ele, quando veio fazer a praça uns 20 anos atrás, ele disse, olha, a gente não tem verba. Ele disse, não, não, tem meu patrocinador do Rio que paga tudo. E era mentira. Ele vinha de ônibus, aí ele pegava o ônibus e ia até o aeroporto, sabia a hora que o pessoal chegava. Para ninguém saber que não tinha nem então o patrocinador.
Isso era tudo para fazer, era vontade de fazer.
E ele cresceu, cresceu, cresceu. Conta lá aquela história do telefonema dele.
Ah, nós estávamos no sítio, era pandemia, né? Tava eu e Carlos Alberto sozinho no sítio. Ele ligou, ao invés de ligar para ele, ligou para mim primeiro. Ele mandou uma mensagem pelo WhatsApp, pelo Instagram, falando: Renata, você tá com, como é que ele chama, o fechamento Né, eles chamam de fechamento. Você tá com fechamento, não sei o quê? Eu falei, tô, tá, mas não deixa ele ouvir meu áudio. Aí ele mandou um áudio para mim falando que ele tinha sido convidado por uma outra emissora e que era oportunidade da vida dele e que ele ia sair do programa, mas ele não sabia o que fazer, como fazer, e não queria que eu falasse naquele momento que ele me ligou para falar isso.
E eu, né, como uma pessoa que respeitei a vontade dele, fui lá e falei para o Carlos Alberto, Falei, olha, o Paulinho Gogó me ligou e falou que ele tá muito chateado, não sabe como falar com você, nananã, e é melhor você ligar para ele. Eu não aguentei, porque assim, tem um lado dele, mas uma hora ou outra ele ia saber, né? E o lado do Paulinho Gogó, que ele tava sendo muito profissional, que avisá-lo com antecedência. E o Carlos Alberto, como torce por todos que passam por ele, com certeza ele ia entender, né?
E aí o Carlos Alberto não se sossegou também, não aguentou e ligou para o Paulinho Gogó, não foi, amor? Lá na piscina. E foi uma choradeira, foi uma—
eu falei, cara, vai embora correndo!
Era para Globo, né? Era para Globo.
Vai correndo, pô, teu trem chegou, rapaz! Pega e vai embora. Amanhã não sei se eu tô vivo, se acaba o programa. Vai ganhar teu dinheiro, que ele ia ser coprodutor. Ele me disse, meus filhos vão poder vai estudar nos Estados Unidos e eu vou participar. Para mim ficou uns 3 anos parado. Foi ano passado, agora ele foi lá em casa, agora em janeiro foi lá em casa e ele ligou para mim: você tá em casa? Falei: tô. Posso jantar aí? Claro.
Eu tô pensando que ele tava em São Paulo, ele veio para São Paulo para falar comigo. Poxa. De carro, de carro. E disse, olha, Carlos Alberto, há 20 anos atrás eu vim para ganhar dinheiro, hoje eu quero voltar por amor.
Tem reconhecimento, Marcos.
Ele já vai chorar.
Pois é, é emocionante essas coisas que fazem isso me dar vida, cara.
E Vilela, o Carlos Alberto, não é porque é meu esposo que eu tô aqui. Ele muda a vida das pessoas, quem trabalha com ele. Parece que ele tem uma mão mágica. Por isso que eu falo também que ele é ET, porque as pessoas vão trabalhar com ele, eles estão numa situação desfavorável, de repente a vida do cara muda, ele começa a ter dinheiro, ele começa a melhorar a vida da família, ele começa a ter uma exposição boa, uma visibilidade.
Ele faz isso com a vida das pessoas. Então acho que isso é— ele é instrumento, eu acho, na minha opinião como pessoa. Eu acho que ele é instrumento de mudar a vida do artista, não só do artista, mas de quem assiste também, né? Através do humor, através de tudo isso, dessa seriedade. Porque eu, antes de conhecer o Carlos Alberto, há 10 anos atrás, eu assistia Praça. E quando eu conheci o Carlos Alberto, uma história engraçada, eu conheci o Carlos Alberto junto com Roberto Leal, que era amigo em comum, né, amor?
E eu falei, nossa, o Carlos Alberto do Buiu! Porque eu sempre gostei do Buiu, do quadro do Buiu. Eu falei, nossa, Carlos Alberto do Buiu. E ele, e a gente sempre sentou para assistir a praça em família, que todo mundo tem essa imagem, né? Ou é com a avó, é com o pai, enfim. E quando eu vi que é sério fazer humor, eu fiquei chocada, porque não é só você chegar lá e rir, ou você só chegar lá e trazer uma piada, é um trabalho. Então existe seriedade atrás do humor, existe técnica.
Então isso mudou um pouco a minha visão das pessoas que trabalham com humor, né, tanto em show quanto stand-up quanto programa, porque é tudo muito organizado, é tudo muito disciplinado, não é só sentar e dar risada. Então isso eu vi, o outro lado de ser humorista. Eu acho que é muito mais difícil, na minha opinião e olhar de leiga, né, ser humorista do que ser um artista de novela que tem um script. Eu acho também, eu acho isso, tanto que comediante consegue fazer qualquer coisa.
Exato, todo mundo consegue fazer comédia. Eu também tenho essa ideia. Depois que eu conheci ele, vendo a disciplina, vendo tudo como ele faz muito certinho e conferindo sempre 3, 4, 5 vezes tudo, eu falei, gente, é um trabalho, tem seriedade no humor. Então é outra visão, e ele leva muito a sério. Então assim, eu vi que ele é— por isso que ele tem tanto tempo de carreira e continua, porque ele é uma pessoa que leva a sério o humor.
Ele poderia não mais editar, ele poderia pegar o carro de sexta-feira e ir para o sítio.
A Praça é o programa mais longo que tem comigo, 39 anos.
E no total, meu pai começou em 56, ficou 14 anos.
Tem um programa no mundo? Não, não tem, né?
Não, ele entra no Guinness pela pessoa mais, né, com mais idade atuando. Caramba, aí ele entra no Guinness como a pessoa mais idosa.
Eu fico feliz com essas coisas que acontecem, acho isso maravilhoso. É, isso aí foi o começo de um dos maiores fracassos de nossa vida.
Como assim?
Golias, Golias, meu pai e eu.
É você?
É aquilo lá, sou eu. Como assim? Eu ia perguntar quem é.
Por que o maior fracasso?
Porque nós fazíamos anos, a Praça da Alegria na TV Rio, certo? E a Tupi colocou um zero a mais no nosso salário. Não tinha como dizer não. Nossa, meu pai ganhava naquela época, 1960, meu pai ganhava 70 mil cruzeiros, foi ganhando 700.
Caramba!
O Golir ganhava 30, foi ganhando 300. Eu 20, foi para 200. Assim, e foi o maior fracasso que você possa imaginar.
Por quê?
Porque a TV Rio só fazia humor, ela era dona da televisão lá no Rio de Janeiro, e nós não tínhamos aquele ambiente, porque você chegava lá, ninguém queria te ajudar. É igual jogador de futebol, se o cara ganha 200, é muito mais do que 200 mil por mês, é pouco. 2 milhões por mês, vai jogar com um cara que ganha 20, o cara devia não vai passar a bola para ele, né? Fica. Então a gente tinha um ambiente hostil, hostil demais, hostil.
Tanto é que nós conseguimos sair numa boa quando a Varig lançou anos 60, o Boeing para Nova York, meu pai foi convidado para fazer essa viagem. Então eu, meu pai e o Golias fomos para Nova York. Na volta, o João Calmon, que era o dono, era o presidente do condomínio da Tupi, que eram 21 naquela época, só tinham 21 estados no Brasil, era tudo da Tupi dirigido por ele. Meu pai chegou perto, Vocês estão perdendo dinheiro e nós estamos perdendo prestígio. Vamos rasgar esse contrato. E ele topou. É mesmo? E nós voltamos para TV Rio.
Menos, menos.
Pior que não. Não, não, não, não, não, não, deixa, deixa eu dizer o porquê. Porque quando nós fomos ganhar essa fortuna, os que ficaram na TV Rio queriam ganhar. Entendeu? E eles queriam era Chico Anísio, era Walter Dávila, Conselho Leandro, era a nata do humor, a nata do humor. E eles quiseram uma comparação, né? E aí quando vocês vieram já tava outro panorama, e voltou no mesmo clima, voltou como se nada tivera acontecido.
No Rio falando com Boni durante 5 horas. E a história de vocês, porque também é outro ícone de televisão, acho história do seu pai com ele, a sua, o que que você, onde cruza essas histórias? Porque ele me contou todas as histórias, né, da televisão, Chico Anísio, Jô Soares, teu pai, essa, essa toda essa formação da TV brasileira. Que que foi essa TV que foi sendo feita com pessoas do rádio, pessoas do, do Boni?
Ele é, ele é um extraterrestre, ele também é o maior gênio do mundo, não tem ninguém igual a ele. Não tem, não tem. E ele começou com meu pai, ele tinha 17 anos, eu também, e a gente escreveu, ajudava meu pai a escrever o programa de rádio. Aí o Boni saiu, teve um problema lá, e ele foi para Tupi e tocou a vida dele, cresceu, cresceu, cresceu muito, cresceu muito, e continua o mesmo garoto de 17 anos.
Entendeu?
Com a genialidade, com humildade, né? Quando ele fala de mim, ele fala com carinho.
Vocês têm a mesma idade então?
Temos. Olha só, eu sou acho que uns 2 meses mais velho que ele só.
Biologicamente tá bem melhor.
Ah, acho que não, amor.
Ah, bem melhor, claro que tá. Ele nem tá morando mais no Brasil.
Olha a cara maravilhosa!
E a televisão, o que que mudou nesse tempo?
Mudou tudo, mudou tudo.
Como era antes?
Antes era muito artesanal, né? Para você ter uma ideia, quando eu comecei, quando eu vim para SBT, eu levava, eu levava umas 5, 6 horas para editar o programa. De 75 minutos.
Como que era editado?
Era aqueles, aquelas fitas de 4mm, 4mm, tipo filme de máquina, é máquina fotográfica antiga que você cortava e na mão, na mão, gilete. Hoje eu edito o programa em 2 horas. Nós tínhamos 2 câmeras enormes Eu não entendo quando não tinha videotape. O videotape, quando começou, foi uma loucura.
Videotape é voltar, né?
Não, é gravar. Antes você não gravava, né? Era tudo ao vivo, né? Era ao vivo, só transmitia. Não tinha como gravar, fazer alguma coisa gravada e mostrar. Era o que acontecia, era o que tava acontecendo.
Não tinha, não tinha. Imagina a Família Trapo, por exemplo. Ela errou, errou, mas era gravada. Como é de videotape?
Ah, já era videotape.
Só que não, a gente não podia parar, que não podia naquela época, era caro. Você não podia botar tudo, o que vai, vai ficar em arquivo, ficava guardado. E quando veio o videotape, nós começamos a fazer essa brincadeira, a gente gravava de tarde para ir de noite ao ar. E eu tinha bisavó até os 27 anos. Nossa, eu tinha loucura por ela, adorava. E ela morava em Niterói e eu gravava no Rio. E eu acabei de gravar e fui jantar com ela.
Vilela, quando ela me viu na televisão, uma velhinha de 89 anos de idade, você tá ao vivo com ela e tá ao mesmo tempo na televisão? Ai, Jesus, como é que tu pode estar lá se tu estás aqui agora? Vamos você explicar aí, 1990, uma mulher parecida com você aqui, ó. E foi uma coisa. E aí outra coisa também foi, foi o Telestar, né? Foi uma loucura quando surgiu o satélite. Olha a loucura que nós fizemos. Eu trabalhei muito e aprendi muito com Carlos Manga, foi um dos meus maiores e melhores amigos.
Olha o que o Manga bolou, um absurdo. A gente fazia o programa do Agnaldo Raial, então o Manga bolou o seguinte. E na época a Record já tinha uma rede com a TV Rio, já tinha já uma sede porque eles eram parentes. Então o Agnaldo ia cantar em São Paulo e a orquestra ia tocar no Rio de Janeiro. Dá para entender isso?
Não, não explica também, tá meio confuso.
Não, ele tava aqui e a orquestra lá, é, e juntava as duas coisas.
Juntava.
Nossa, mas imagem é que doideira!
Só que não se via, ele escutava aqui a orquestra e cantava.
Isso é coisa de louco para aquela época ainda, né? Que doideira!
E era, olha, e era mais gostoso antigamente. Imagino, tinha aquela coisa de frescor, tinha todo mundo começando, todo mundo dando o melhor, né?
É sempre assim, no começo é tudo assim, depois tem briga, tem ego, tem dinheiro no meio, né?
Depois surge, né? Geralmente é um trio, acaba um fazendo sozinho, cada um faz o seu, é natural, né?
Acaba acontecendo. Você quer ser que mudou o humor, mudou o jornalismo, todo mundo foi para um canto.
Isso é uma pena. O pânico é uma pena.
Pois é. Mas no seu caso, Vilela, você aqui— desculpa, até vou te entrevistar aqui, vou ousar. Você começou como no podcast? Porque você não— assim, aí eu lembro, mas assim, por que podcast? Você fazia o quê antes?
Comediante stand-up, fazia eu, Rabin.
Mas por que que você veio para o podcast? Só por conta do momento da pandemia, de não conseguir mais ter público?
Estúdio aqui na minha casa. Era um momento que o podcast tava em alta. Ah, tá, tava todo mundo em casa. Eu fui ser entrevistado no podcast, eu gostei e falei, cara, eu sei fazer isso, é o que eu gostaria de fazer. Eu montei em casa e comecei fazendo, mas era uma coisa que iria ser um trabalho. E quando acabasse a pandemia, eu voltar a fazer show de stand-up. Só que deu tão certo e tomou tanto meu tempo que hoje em dia eu não tenho mais tempo de fazer show.
E voltarei um dia, mas eu parei de fazer stand-up. Mas a ideia era fazer o podcast e final de semana fazer stand-up. Mas aí sabia, você tinha toda uma carreira. Meu show foi para o Netflix, eu vi. É, eu fazia show com todo esse pessoal aí.
Não é difícil todo dia fazer o podcast?
Mais fácil que show, né?
É mais fácil que show, né?
Porque tem que deslocar, escrever todo dia piada nova, você tá sempre renovando, testando. Estandarte Vital aqui é uma coisa que é na minha casa, é uma coisa que tudo que eu fiz na minha vida ajuda no podcast.
Mas você tem que ter mais disciplina porque é na tua casa, né? Total, você tem que ficar mais alerta nisso, né?
Porque, mas para mim, eu sou bem disciplinado, estudo os convidados, sei a hora, tal.
Desculpa, a disciplina é a coisa mais importante que tem na vida de um profissional, e a recorrência né?
Você fazer a mesma coisa com a mesma vontade, com o mesmo empenho, porque é muito fácil também depois de um tempo você largando mão, né?
Porque, mas isso eu mantenho até hoje, a constância. Eu sou o primeiro a chegar e o último a sair. Eu não saio do SBT sem tentar sempre melhorar alguma coisa, sempre. Eu nunca tô satisfeito com aquilo.
Até no feriado ele tá no SBT editando.
É isso, é nunca tá satisfeito, falar tá funcionando, não dá para melhorar, vamos melhorar, entendeu?
E isso é muito importante, a disciplina. Você tem que ser disciplinado, consistência, né?
Eu acho que se a pessoa pode não ter muito talento, mas ela tem uma consistência, tem vontade e é esforçada, ela vai conseguir resultado. Eu acho que a consistência ela vence o talento quando o talento ele não tá acompanhado de esforço, porque às vezes a pessoa tem muito talento, mas não tem esforço, concorda? Você vê muita gente talentosa que não dá em nada porque o cara não tem esforço.
Despacha.
Aí não dá, você não consegue trabalhar com essa pessoa.
Porque eu acho que você já não deve ter visto isso, não deve?
Uma pessoa que tinham duas pessoas, essa era mais talentosa, mas não dava para trabalhar. Essa menos talentosa, mas tinha tanta vontade que ela aprendeu, melhorou tanto que ela ultrapassou esse cara aqui, não é?
Porque a gente só mostra os que deram certo, porque tem muitos. Por que que surgiu o stand-up na praça? Para me salvar.
Por quê?
Porque morreram todos os comediantes da praça. Ficamos só eu e o Márcio Franco, e o Canarinho até algum tempo.
Quem mais que passou pela praça e foi deixando?
Todos. Vamos lembrar: Verão, Golias, Walter Dávila com seu Leandro, Canarinho, Cleiton Silva fazer Tô de Olho no Senhor. Essa turma toda morreu.
Verdade.
Maria Teresa morreram, e eu não tinha reposição, porque antigamente A nossa fonte da televisão, aliás, eu falei isso há 4 anos atrás quando você me entrevistou, a fonte que trazia para televisão era pessoal de teatro. A Univon, a Velha Sur, foi o quadro que mais fez sucesso nos todos os anos. Na Velha Surda, com meu pai.
E eu adorava quando era criança, quando eu era criança.
Nossa, eu assistia isso, eu dava risada, eu dava risada. Mas então, quando houve essa perda, eu não tinha reposição, porque na televisão tinha uma geração toda nova, teatro, né, que eu falei, pessoal vê teatro. Lembra disso? Teatro e Revista, tal. Agora não tinha, então eu fui buscar. Aliás, o Marcelo dessa época me ajudou muito, que ele ficava vendo de madrugada esse pessoal fazendo stand-up. E aí nós começamos. O que que eu fiz?
Comecei a trazer e garimpar, né?
Fazia o teste, eu abri o programa ali no bar.
Eu fui no seu programa como de stand-up, cara. Vê se recupera a imagem minha fazendo stand-up na Praça é Nossa. Cara, agora que eu lembrei, eu fui legal, fui, fui. Olha, a gente riu muito, cara.
Olha o que eu perdi! Olha só, depois por que que você foi embora?
Não, porque eu, porque eu, eu, eu, né, era uma época que era um, não era, era um por semana, eu acho. Cara, quando eu tô lembrando agora, a gente ficava É no bar, né? Você ficava sentado, a gente no bar, e tinha uma mini plateia, né? Isso daí mesmo.
Você acha que você não perdeu a mão do stand-up?
Ah, com certeza. Se eu for voltar, vou demorar meses, meses até pegar de novo, porque é muito, é uma coisa totalmente diferente.
É muito engraçado.
E para a gente que assiste é muito bom.
É o que eu tô fazendo mais agora, palestra, que é outro ritmo, é outra pegada. Mas eu sinto falta do stand-up. Isso agora souber tudo.
Porque isso aí é uma coisa interna, não é piada interna, é uma piada.
Eu tentei fazer palhaço porque eu tenho muita história. Pô, imagina, tem muita história para contar. E todas as pessoas que me fazem entrevista são sempre aquelas perguntas: como é que você, sua carreira, como é isso, como é aquilo? Nunca ninguém se interessou como você fez, como você faz, e lá no âmago da coisa, saber, entendeu? E eu tenho muita história. Eu já reuni, eu morava no Rio, fazia Os Trapalhões, e eu não tava mais satisfeito com o Renato.
Eu falei com o Renato, olha, eu prefiro ser teu amigo do que trabalhar com você. Por quê? Porque ele cresceu muito, entendeu? E Eu sou muito grato que ele é que me levou para Globo. É mesmo?
É, tive lá na casa dele, né? Falei com ele.
Aí eu é que trouxe o Renato de volta há mil anos atrás. Nossa, quando a Excelsior faliu, ele ficou desempregado e eu não conhecia o Renato pessoalmente. Um dia nós nos encontramos no aeroporto e foi aquele negócio, ó, tchau, Tefante, agora, né? Falei, pô, onde é que você tá, cara? Eu tô parado. Você não quer fazer a praça da alegria. Aí falei com meu pai, meu pai deixou, e o Renato começou a trabalhar novamente. Olha só, aí faltava trazer o Dedé.
Eu já era formado, mas o pessoal da televisão não sabia. Então eu tinha toda segunda-feira, tinha praça, eu tinha alguma prova para fazer, algum exame, alguma coisa, e botava o Dedé no meu lugar. Depois de uns 2 meses, eles perceberam que era mentira. Aí o Paulinho de Machado de Carvalho, era o dono da Record, e contratou o Dedé e o Renato. E eles passaram, então surgiu, renasceu. E o Renato me deu o troco, que eu tava na Tupi, eu era diretor artístico da Tupi.
Um dia nós estamos gravando Os Trapalhões, e aparece um técnico para pegar uma lente, que naquela época as lentes eram 3 lentes, não era da tua época, hoje em dia não tem isso. Então eram 3 lentes diferentes, e apareceu o Camada, ele tirou uma lente grande, e o Renato queria saber por quê. Ele disse, ó, não sei. Aí nós paramos a gravação e o Renato ficou sabendo que o Carlos Zara tava gravando uma novela lá embaixo, lá na Tupi, e queria aquela lente.
O Renato ficou chateado, falou: Calinho, eu vou embora. O, para mim, eu vou embora, não vou mais gravar, eu não vou mais gravar. Mas não, No dia seguinte eu tô em casa e toca o telefone. Renato fica ali, você tá na Globo? Você tá maluco, pô? A gente vai gravar. Não, não, eu saí e eu vou para Globo, só vou com uma condição de você vir comigo. Essa é uma história que vale a pena contar. Falei, Renato, Eu não posso. Não pode? O Boni vai conversar com você amanhã.
Me mandaram. Aí eu liguei para o Boni. Boni, não posso chegar na Globo durante o dia, cara, que eu sou diretor artístico da Tupi, e a Tupi gerava para o estado, para o Brasil inteiro. Ele disse: não, você vem depois das 10, eu te espero. E eu, como diretor, sabia o salário todo mundo. Eu ganhava mal à beça, porque entre as coisas sórdidas que tinha lá na Tupi é o seguinte: é, a minha mãe tava muito mal e eu precisava de dinheiro.
Eu vendi o carro do meu pai, vendi um apartamento no Rio que era meu, e eu sou filho único, era herdeiro. E eu precisava de dinheiro. Então a Tupi tinha 3 programas de humor, tinha Os Trapalhões, tinha um com Walter Foster, que não é da sua época, e tinha um outro que eu não me lembro. Eu escrevi os 3 para o cachê. Nossa, é que eu precisava escrever que nem louco, pô, trabalhava que nem um animal. Aí um desses imbecis, que era um superintendente lá, disse, olha, eu preciso de você para para dirigir a linha de show, só que não tem dinheiro, você tem que vir de graça.
Eu, quando de graça? Se você não vier, nós vamos cortar você dos teus programas. Caramba! É verdade, é verdade. Então eu tava vivendo nesse ambiente, precisando, precisando. Minha mãe tava de câncer da cabeça aos pés. Aí Eu liguei, eu liguei para o Boni, fomos lá para— aí eu sabia quanto ganhava o pessoal. E o maior salário era Eva Vilma, que ganhava R$25 mil. Eu tirava uns R$10, R$12 por mês, pô, para o Rio. Aí conversamos com o Boni, falou da minha mãe, do meu pai, de quando a gente fazia programa junto lá em Santos.
É bom, vamos ver lá. Quanto é que você ganha? Eu falei R$25 mil, mas eu falei assim com tanta verdade que ele acreditou, passou batido. Muito pouco, muito pouco, muito pouco. E me deu R$60 mil. O quê? É só com a condição seguinte, como truco de vocês, como Max Nunes, que era um papa, né, mestre do humor, um dos maiores Né, não é também da tua época. Ele ganhava R$40 mil, era o maior salário, e eu não podia ganhar R$40 mil no Rio.
Então eu ganhava R$40 mil no Rio e R$20 mil na Globo de São Paulo. Cara, quando eu acabei, o Boni ficou comigo até 4:30, 5 horas da manhã. Saímos para noite, foi uma ferra danada. E eu liguei para minha mãe: mãe, acabaram os nossos problemas, mãe, não vou mais precisar ir de metrô. Pro hospital de livre. Então, para mim, foi uma mudança enorme. Eu fiquei muito grato ao Renato. Só que chegou uma época, 10 anos depois, que ele já tava milionário. Ele era dono dos filmes, maiores filmes, e não era mais aquele cara.
Eu já nem tava no camarim dele, virou um CNPJ.
É, entendeu? E eu queria sair. Falei, prefiro ser teu amigo. Eu fui sincero.
Sim.
Aí fui falar com Boni. Olha, Boni, eu queria sair dos Trapalhões, quero ir para o programa do Jô, porque o Jô fazia Praça da Alegria comigo, fez a Família Tappo juntos. O Max Nunes é muito meu amigo. Ele disse, não, não preciso de você nos Trapalhões. Tá bom. Aí eu morava no Rio, juntei no jantar meus filhos, a minha ex-mulher, disse, olha, minha carreira acabou. É a mesma coisa que aconteceu com o rapaz. Acabou minha carreira, eu não vou ficar mais na Globo, eu vou voltar para São Paulo sozinho.
Ou eu volto para o MAP, que é a Canto Machado Publicidade, que eu tive muita, uma passagem muito feliz lá, que era na Paulista. Isso, com Alex Perissurunta. Ou eu vou voltar a advogar. Vou ficar um ano.
Pensou mesmo nisso?
Pensei, porque a minha carreira acabou. Ô louco, foi quando a minha carreira começou. Exato, mal sabia, mal sabia, né?
Olha lá, essa é dessa época.
Não, isso já é dos Trapalhões.
Ah tá, é posterior.
É, isso já é os Trapalhões. E com isso aí, na minha vida mudou, porque eu Eu voltei a fazer com o Silvio, trabalhar com o Silvio. Poxa! E tô lá 39 anos.
E aí é história, virou história, virou história.
Então nunca deve dizer acabou, minha vida acabou. A vida eu acho que é o renascer.
É verdade.
A gente planeja, planeja, e a vida às vezes surpreende com outra coisa que a gente não espera, e é melhor do que a gente planejou, né?
Ontem, por exemplo, eu fui dormir triste, né? Porque eu acordei, problema da vida, doença, chateação.
É que ele tá, ele, o Carlos Alberto tá com dificuldade de lidar com o final. Não é o final dele, com finais. Ele tá com essa dificuldade. Então eu tô sendo uma terapeuta, eu tô sendo a esposa, eu tô sendo amiga, eu tô sendo— não é porque eu tô achando ruim, mas não é. Cada dia eu tô trazendo uma motivação. Claro, por quê? Porque senão você realmente, se você pensar a realidade nua e crua Para ele, o que que tem na cabeça dele?
Acabou, vou para o sítio e não vou mais fazer mais nada. E a vida dele é estar dentro da praça, é estar dentro da televisão. Que eu vejo ele todos os dias da semana, na quinta é o dia que ele não tem nenhuma dor de cabeça, na segunda ele tem um negócio, na terça ele tem outro negócio.
Mas como que você se vê não estando na televisão? Ou não existe essa pessoa? Existe, você não consegue imaginar. Não consegue?
Não consigo.
Escrevendo, criando, fazendo coisas para outras pessoas, palestras?
Não.
Já levantei a palestra, nem sei qual que é a treta.
Palestra.
Como eu toquei esse problema, aliás, seria uma grande injustiça eu falar isso, tá? Eu nunca me preocupei com salário. Eu fui trabalhar com o Silvio, ele disse, é isso.
E você?
Eu só pedi uma coisa para ele, eu quero ter carta branca, ninguém mexe no meu programa.
E ele deu.
Até hoje mesmo, depois de morto, as filhas estão mantendo. Então não tenho direito de pensar nisso, mas eu penso. Eu nunca me preocupei em renovar contrato. Contrato. Agora eu tô preocupado quando acaba o contrato, em janeiro, porque pode acontecer muitas, podem acontecer muitas coisas até lá, né? Primeiro, continuar tudo normal, que audiência é boa.
Porque você viu, só dá licença, você viu que ele fugiu da palestra, né? Da história da casa.
A gente volta, eu volto, eu volto, eu volto, eu volto, eu volto, porque é engraçado, se não fosse triste, tá? Então agora eu já tô preocupado que ela pode chegar com todo direito e dizer, olha, Carlos Alberto, você daqui a um mês você vai fazer 91 anos, muito obrigado, vou te dar um troféu, vou botar uma foto tua. Pode ser, claro, é um direito, é um negócio deles lá, lá, Casa do Assista, não é asilo, é um trabalho, estão lá para ganhar dinheiro, eu também.
Pode ser que também eu não aguente. Então isso me dá uma insegurança. Aí eu pensei no plano B, que é, como eu tenho muitos, é a palestra.
Aí vamos lá.
Aí o meu advogado, e foi quando, Beto, vai ter uma reunião, vai ter um um congresso, né, congresso, uma reunião na parte jurídica de um determinado banco. Eu gostaria que você fosse comigo lá para você falar, fazer uma palestra. Eu falei, tá bom, e fui. Só que chegou lá, ele que falou. Eu só disse boa tarde, boa noite, olha, foi uma satisfação.
Ele falou, falou, falou.
Aí foi puta decepção, né? Eu falei, aí nós fomos no negócio lá do Teatro Municipal e eu estudei. O meu pai foi rotariano e meu avô foi rotariano. Você me vai fazer contar? E eu estudei no Colégio Rio Branco, que era do Rotary Club, e tinha uma pessoa lá que era rotariano, disse, cara, tu vai ter uma reunião, negócio de governador lá, eles trocam, né? A Atibaia, Atibaia, Atibaia. Você não pode ir lá dar uma palestra? Falei, vou.
Preparei tudo cronologicamente e tal. Chego lá, vamos fazer a palestra, um monte de gente. Quando eu sento com ele Aparece o outro com a roupa da velhaçuda. Olá, meu amiguinho, como é que vai você, meu amigo?
Acabou com a tua palestra, que você tinha combinado, que era séria, era uma coisa mais—
acabou, porque aí começaram a querer fazer graça e não falei nada. Entendi. Eu vou terceira parte, né? Terceira parte. Uma pessoa que eu não vou citar o nome foi à minha casa, que ela tinha uma proposta para fazer podcast no estúdio dele.
Eu faço podcast há 3 anos já, parte de saúde.
E foi dizer o seguinte: você não quer fazer uma bateria na feira aqui, no lugar X, no lugar X, para mais de 1.000 pessoas, 70 mil pessoas?
Nesse lugar X, 70 mil pessoas que ia circular.
Não, é uma feira, é tipo feira de automóvel. Eu falei, eu faço, claro que eu faço, mas eu tenho algumas coisas que eu preciso saber. Por exemplo, vai ser fechado, recinto fechado, para não ser aquela abertura de pessoal também. Não, não, fechado. Eu preciso de um camarim E o microfone de lapela, tá bom? Tá bom.
Ah, é, tem microfone de lapela, verdade.
Preparei tudo, decorei algumas coisas, preparei o começo, que os primeiros 5 minutos são os minutos mais difíceis de uma palestra e de um programa.
Você tem que ganhar, tem que ganhar naqueles 5 minutos.
Eu tinha já tudo pronto. Ela foi no sábado para falar lá no domingo, na sexta, foi na sexta, foi na sexta para falar daqui da empresa, da marca dela. E foi tudo bem. Quando eu chego lá no dia seguinte, gente que você não faz ideia, encostei o carro, deram segurança, nós fomos lá na estande dela e aquela barulheira, não sei o quê. Ah, vamos Que horas é? 4 horas. Eram 2 horas da tarde. Meu amigo me leva, ele disse, olha, então me deixa no camarim, que ali ia fazer o podcast dela.
Eu não queria tirar atenção estando ao lado dela ali. Eu atravesso aquele stand, aquele negócio todo, vou para trás onde temos, onde tinha supostamente um palco. Não tinha cadeira para sentar, tinha uns negócios. Aí puxaram, foram buscar umas almofadas e gente fazendo, tirando foto. Eu falei que onde tem um camarim? Isso não tem camarim. Como eu vou ficar? Onde? Não, só pode ficar sentado aí. Agora eu fiquei sentado ao lado de um camarada aqui que queria fazer a praça.
Começou a contar piada, fazer gracinha. Desse lado tinha duas moças diziam que era do SBT, que nunca vi. E tinha uma chata de galocha que colou em mim, não desgrudava. Não, eu trabalhei, eu fui lá, não sei o quê, isso aqui. De repente, e aí eu tô vendo alguém dando palestra atrás. Eu não tinha visto que tinha, só ouvindo, só tô ouvindo, e ouvindo o barulho de 30, 40 mil pessoas. Não, Tinha muita gente, mas você não dava para andar, não dava para andar.
E o cara acabou de falar, aí ele disse, bom, agora vai entrar ele, assim que ele sair, o outro, o senhor entra. Eu digo, não, a minha palestra é 4 horas. Não, não, não, não, pode ser, fica tranquilo. Falei, não tem lugar. Eu tava tão desesperado que eu me escondi, tinha, sabe aqueles telefones ingleses?
Sei, cabines.
É, só que não tinha porta, tinha um negocinho daquele. Eu fui para lá, mas tinha mais ou menos meio metro só para ficar sozinho. Do nada vem uma mulher: agora é sua vez. Quando eu entrei, eu olhei e falei assim, não, isto não está acontecendo. Devia ter umas 40 senhoras sentadas espalhadas assim, cadeirantes. Eu peguei o microfone, eu disse, olha, eu fui muito sincero, senhoras vão me perdoar, mas eu fui convidado para vir fazer uma palestra para mil empresas, para vários empresários.
E não é um assunto que vai interessar as senhoras. Eu quero agradecer pelo carinho, pelas palmas que vocês me deram, mas eu não vou falar nada porque meu assunto não tem nada a ver. Isso aí, muito puto da vida, cara. Eu armei um barraco.
Que programa de índio!
Eu armei um barraco que você não faz ideia. Não era o Carlos Alberto? Nossa, eu saí do sério. Se eu tivesse uns 20 anos a menos, tinha acabado com a feira.
Não, não, eu já entrei umas roubadas assim também, mas aí você tem um monte de jeito de evitar essas coisas.
É verdade, o bonzinho veio, foi porque eu queria matar o cara, eu dizia palavrão, eu gritava, eu tava alucinado, alucinado. E me levaram embora, me puseram no carro Que foi a maior vergonha que eu passei em 72 anos. Eu falei para ela, nem quando eu tinha 18 anos trabalhava em circo, eu fui tão humilhado. Falta de respeito, né?
Falta de respeito, toda organização, né?
E o cara é empresário, quer dizer, ele não é—
ou seja, a palestra ele não—
ele teve experiências horríveis.
A palestra foi um palavrão que eu disse para ele. E o que eu ia xingando durante o caminho, porque esse palavrão, o nome da palestra, e os caras estavam me levando embora porque ia sair uma confusão, ia sair confusão, ia, ia.
Tá louco!
E eu não tinha ideia. Eu veria uma palestra sua com certeza, não é?
Muito também, eu também iria.
Imagina o que tem de aprendizado.
Mas eu já, eu já não tenho algum livro em andamento. Não, eu escrevi um livro que chama-se Herói de Mim Mesmo. Eu conto a minha, não é minha autobiografia de família, é minha vida artística, contando os perrengues que eu passei, a dificuldade, esse negócio que eu achei que é os bastidores, as coisas que aconteceram, os nãos que eu passei. Que é uma coisa que interessa, porque seria uma autoajuda, uma superação, né? Eu não quero que ninguém dê risada. E eu ri, por exemplo, se eu contasse o caso do acidente.
Sim, sim, mas eu ri no caso do Boni, né?
Claro, mas era uma coisa séria, era para dizer para aqueles empresários: acreditem em vocês, porque eu acreditei em mim sempre, sempre Eu acho.
E esse livro, como tá? Esse livro parou, ele tá em esqueleto.
Não, mas tá finalizado.
Eu tava esperando o Silvio morrer para terminar, para poder dar nome aos bois. Em respeito ao Silvio, eu não queria falar.
Mas por quê? Porque tem bastidores que tem a verdade de um bastidor.
Esse negócio, por exemplo, da Tupi, Isso é um crime, isso é uma coisa nojenta. Esse camarada, ele, quando chegava o dinheiro para pagar os cachês, ele pegava metade, embolsava. É o quê? Você sabe aquelas moças que às vezes faziam figuração? Eram prostitutas que tinham roupas bonitas porque a Tupi não tinha dinheiro. Para você, eu nunca te contei isso. Por isso que eu falo, ele é uma caixinha de surpresa, porque eram prostitutas de luxo que tinham roupas bonitas.
Então o camarada empresário delas levava para fazer figuração para mostrar as roupas. Caramba! Então foi nesse lixo que eu trabalhei, e eu queria que o público soubesse. Claro, tem que saber, porque trouxe uma imagem ruim da figuração.
E por isso que antigamente também as pessoas falavam assim, ah, você vai ser artista, e tá tudo puta, e não vai dar certo, entendeu?
Então eu queria passar isso para alguém, mas eu perdi. Esse sábado acabou comigo, acabou. Eu fui para o chão, porque a pior coisa que existe é você não ter condições de dar Eu troco para o cara, porque eu não podia brigar com ele. Tem 90 anos. Eu fiz jiu-jitsu, eu fiz o diabo, mas pô, não tenho força. Claro, se eu der um soco numa pessoa, vou quebrar a mão.
É até melhor.
Nem o Carlos Alberto de Nóbrega, velhinho de 90 anos, tem que dar, tem que dar o exemplo. Então você tem que engolir aquele sapo.
Mas eu acho que foi muito mais lição para ele que Ele sabe que o Carlos Alberto é uma personalidade que recebe todo, que merece todo um respeito de uma organização, como todos merecem, óbvio. Mas ele tem 70 anos de carreira, não é qualquer um, né? É uma personalidade. Então acho que foi muito mais, sem querer te agradar, porque o que eu penso é uma lição de vida para ele, para ele se preparar e cair para o que é uma surra, com certeza, entendeu? Para nunca mais ele fazer esse tipo de coisa.
Fazer e vai fazer de novo.
Se meu filho tá do lado, nossa, ia dar uma confusão absurda. E é isso aí, essa e outra.
Mas eu queria saber dessas histórias. Tem alguma outra que você pode contar que nunca foi contada assim, de bastidores, até do Silvio? Coisas que da personalidade dele que o pessoal não conhece, ou de gente lá dentro? Deve ter histórias, né?
Que que mesmo agora é Tem várias, tem várias acima dele. Bom, tem a minha, eu tenho no banco, mas isso é uma coisa boba, boba para você. A gente começou a praça, começou a praça, e eu com aquela carta branca, tá? Só vem mais um pouquinho mais para cá, aí, aí, mais ou menos menos de um ano, tá? Teve uma pessoa que o Sílvio adorava, que começou a dar palpite, só que não era da praça, que era de fora. Ele era diretor, só que eu não tinha 90 anos, eu tinha 60, e começou a se meter.
Aí eu tive um atrito com ele e falei, eu vou embora. Eu vou embora. E aluguei uma Kombi, peguei o banco da praça, falei: agora eu vou esperar ele na casa dele, na porta, e vou arrebentar com ele. Porque tinha 60 anos, eu treinava no Gracie, eu tinha muita saúde, muita vitalidade, mas não podia fazer isso lá dentro porque ele era muito amigo do Muito amigo. Eu não podia fazer isso com ele.
Fazer isso porque era amigo também, provavelmente.
Bom, 4 ou 5 dias depois, o Silvio me chamou e botou panos quentes em cima disso. E eu consegui falar para esse camarada que é para não ter aquele sapo engolido. Olha, se nunca mais na tua vida passe na minha frente, nunca mais. Se eu tiver aqui, você passa do outro lado, lá na rua, aqui dentro. E voltei, e voltei e fiquei, voltei a fazer a praça. E o banco tá até hoje lá em casa, que eu não devolvi o banco. Mas isso foi, são coisas, é que a gente não tem ideia disso.
Surpresa agora, é de bastidores, né?
Tem outra muito boa, muito boa. Dá tempo?
Tempo é o que mais tem aqui, né?
Relaxa. Eu trabalhava na Record, ganhava muito bem.
Quem quer café? Eu vou pedir um cafezinho.
Ah, eu quero!
Quantos cafés?
Eu não, obrigada.
Eu ganhava muito bem, só que a gente não recebia porque teve aqueles 13 insúditos.
Ganhava bem, mas não recebia. É Tipo Corinthians.
É exatamente assim, o pessoal pede o que quer, mas não recebe, né? Igual o Messi lá, tem 42 milhões para receber, nunca vai receber.
Coitado dele, ele acha que vai receber 42 milhões.
E eu tinha uma Mercedes e uma Veraneio com motorista, eu não tinha gasolina para ir trabalhar. Cortaram minha luz por falta de pagamento.
Tá brincando?
Verdade. Quem me ajudou muito foi um grande amigo, é o Fabrício Fasano, que era o dono do Fasano. Ele tinha muito dinheiro e nós éramos muito amigos. Ele só, Casoberto, tudo que você tiver que pagar, você toma nota, eu pago. Quando a Record te pagar, isso só faz irmão, e nem todos os irmãos fazem uma coisa dessa. E deu, mas eu tinha vergonha. Concomitantemente, eu falava bonita, né? Um amigo do meu pai veio para São Paulo, que ele tinha se separado da mulher, e ele trabalhava em publicidade.
E meu pai era amigo do Alex Pirissinotto. Disse, olha, eu vou lá falar com o Alex, vou ver. E eu fui junto, que eu andava muito com meu pai. Meu pai era o encargo comigo, nós éramos o encargo. Eu fui lá ao MAP, tô vendo os caras conversando, vendo aquilo, eu falei, pô, isso eu sei fazer.
Era o quê, comercial? É escrever, criar peça publicitária.
É, falei, isso eu sei fazer, mas não falei nada porque o Alex contratou o Ferreira. E na semana seguinte eu voltei, falei, Alex, aquele negócio lá, sabe, você me dá uma chance, você me dá um mês, você não precisa me pagar nada, só para eu vir trabalhar aqui, aprender, para aprender. Claro, se não der certo, tudo bem. No dia seguinte eu voltei. Lá era diferente, né? Eu nunca tinha entrado numa agência de publicidade, nunca, nunca. E é tudo aquelas salinhas, né? Uma dupla, o cara que desenha.
Sala ou era baia? De dupla, sempre diretor de criação e o diretor de arte.
Aí juntaram: vamos fazer um boneco. Falei: Deus do céu! Aí eu vi o Ferreira, não teve nesse dia que ele tava vendo a documentação deles. Então eu fui sozinho, falei: o que que é boneco? Eu não podia dizer que eu não sabia.
Eu tô calado aqui, aí tô vendo que fazer o boneco é isso aí, vamos fazer, vamos fazer, claro.
Comecei a ver que o boneco é o piloto da televisão. Você faz um piloto para mostrar, né? Então nós estávamos montando um layout, um boneco. Essa história um pouquinho longa.
Primeiro dia, isso, primeiro dia.
Aí não começou a trabalhar. Primeiro, primeiro conselho que me deram: não vem de gravata, cara, que usa gravata aqui é contado.
Você foi de gravata?
Fui.
A gente, publicidade, achou, não sabia que era descontraído, né?
Só tem aqueles cabeludão, os cara puxando fumeca. Que que é esse negócio todo?
Você de gravata?
Aí chegou um briefing para mim, para equipe.
Briefing é o pedido, né?
O que o patrocinador quer, o cliente quer, né? O cliente quer. E eu vi, era Danoninho, era o Danoninho, e eles iam lançar o Danoninho, e eles queriam um filme institucional. Aí eu, com a minha ingenuidade, Fui falar com Alex. Alex, esse briefing aqui não é bom. Se é lançamento para criança, vamos fazer um comercial com uma criança.
Porque qual que era a ideia dele, você lembra?
Não, eu não me lembro. Era desenho.
Ah, tá.
Era uma espécie de desenho animado. Qual é a ideia? Eu disse: é o seguinte, todo pai ter orgulho, quer que o filho seja melhor do que ele, sim, sem a mais. Então vamos tirar o sarro em cima disso. Então o filme é o seguinte: abre no supermercado, tá a mãe e o filho. A mãe pega um Danoninho. Ai, meu filho, esse aqui é o Danoninho. Não, mãe, isso aqui não é Danoninho, isso aqui é um creme, sei o quê, que tem vitamina.
Isso ele explica bem melhor do que corta para casa.
O pai tá na varanda e o menino entra com aviãozinho assim. Aí o pai: ah, meu filho, o aviãozinho não, não, você é um fã, tu assistiu. Era essa risada que eu queria. O Alex adorou. Poxa, só que ele falou assim: faz uma coisa, leva os dois, leva o que eles querem e leva o teu. É claro, leva o teu. E eu levei, foi aprovado, ficou magoando. É, foi mais de um ano.
No primeiro dia?
Primeiro dia? Não, no primeiro mês. Nossa, no primeiro mês! Porque ninguém ia fazer em sã consciência isso que eu fiz. Claro, falar com Alex que o briefing tá ruim, ousadia, né? E a única coisa que o Alex disse: só bota uma gravata para ir lá, para passar mais.
Você tinha quantos anos nessa época? Aí isso foi moleque, mas é moleque.
Ah, meu pai tava vivo, eu devia ter o quê, uns 30 anos.
Ah não, tá, não era tão novo.
Não, eu já tinha ganho roquete pinto, já tinha filho, né? Tinha filho, tinha uns 30 anos de idade. Aí surgiu o lançamento de um carro da Volkswagen chamado Brasília e a Volkswagen fez conseguir. Pediu para várias agências levar o projeto de lançamento, de lançamento, e a Almap ganhou. Então o que que o Alex fez? Pegou alguns grupos e, vocês vão trabalhar onde vocês quiserem, livre, me traga daqui a uma semana, eu vou escolher o melhor e vou mandar. E nós fomos à Volkswagen, visitamos, tal, tal, tal, tal, tal.
Coloca a foto da Brasília porque o pessoal mais novo, tipo O Bigoda nem sabe do que a gente tá falando, né? Aí, carro que só teve aqui no Brasil, né?
Olha só que loucura que tem um amigo que fez. Aí tinha que ter um show. O Alex falou assim, você tem alguma ideia? Falei, tenho. A ideia é o seguinte, como assim um show de apresentação do carro? Queria apresentar aqui no Pinheiros e fazer algum Para apresentar o Brasília, o carro Brasília. É isso aí, saudade. Então qual foi minha ideia? O Brasil, a primeira capital do Brasil foi Salvador, e o primeiro carro que entrou da Volkswagen era a Kombi.
Ah é?
É Kombi, Kombi com Fusquinha. Então a gente ia fazer a primeira parte com música nordestina da Bahia, capoeira, aquele negócio todo. Depois Depois para o Rio de Janeiro, samba, e depois Brasília.
Com que tipo de música?
Todo mundo é do cacete, não sei o quê, vai lá e vende. Eu fui, tinha uma mesa, só tinha alemão, tinha uma mesa, acho que uns 10 metros de mesa, sem exagero, mas sumia, sumia, só com alemão.
E eu vendia ideia, os cara serião.
Não, eles estavam gostando. Aí esse animal, este rinoceronte, o cara perguntou, mas quem poderia ser o apresentador? Disse, olha, aí outro falou, pode ser o Juca Chaves. Eu digo, é bom, só que tem um problema, ele é judeu. Ai, e aí, climão. Clima. Não sei se aconteceu com você de sentir que você tá voando assim.
Você quer sair, a sua alma sai do corpo assim e olha para você e falando, cara, ai, cara, eu não sabia, eu não tinha o que falar.
Ai, cara, eu não tive o que falar. Só que a sorte que a ideia era boa e o show foi maravilhoso.
Mas quem foi no final? Foi Miele. Você que sugeriu?
Não, não, acabou, acabou. O Alex sugeriu, era um showman, era Júnior, mas acabou sendo. E com isso eu fui crescendo, né?
Eu fui.
Mas essa situação, imagina até a tua cara na hora, né?
Meu Deus. Posso contar mais um?
Claro, tem todo o tempo do mundo. Aqui é conhecido por ser podcast. Eu te falei, eu fui com o Boni, fiquei 5 horas lá com Deus me livre, também não precisa tanto, né?
Não, vamos lá. Ah, meu Deus, o que que ia falar?
Tem tanta história, nossa.
Não, não. Ah, estou na Globo, tá?
Que ano, que época?
Eu vim para SBT em 76. Foi em 75, 76, por aí, onde eu já não estava bem com o Renato. Já tem uma relação tribulada, mas tava boa, mas ainda não era aquele negócio, vai para casa jantar, é nada disso. É chato eu falar isso, mas eu morava no apartamento apartamento dele no Leblon, do Renato, de frente para o mar. E eu pagava, em vez de eu dar o aluguel, que era Cicalista, um lugar mais caro do Rio de Janeiro, e Panema, Leblon. Ele falou, não, Calilson, o que a Globo te dá para passagem, hotel, você me dá, porque esse apartamento é para o meu filho, para quando ele casar.
Meu filho, ele tinha 10 anos de idade. Isso foi em janeiro. Quando chegou em outro janeiro, eu ia me encontrar com ele no Réveillon lá em Fortaleza, ele não apareceu. Aí eu tô, eu fiz uma viagem lá pelo Nordeste. Quando eu chego na Bahia, eu recebo um telefonema da minha secretária que ia ter uma reunião Calma Urgência lá na Globo, no Rio. Vim embora no dia seguinte, tava o Renato, tava o Boninho, não tava, tava o Bojalo. Lembra do Bojalo, do desenhista? Isso, ele era diretor artístico, né?
Vê se acha foto dele.
Tinha o Mário Lúcio Vaz. Sim, eu escrevi para o Renato: vai ter aumento. Nas passagens e passei assim para ele e vi que ele olhou e não falou nada. Ele tava assim como nós dois agora. Ele foi embora e não falou comigo. Quando eu cheguei no apartamento, a minha mulher tava com os olhos assim de inchaço de tanto chorar. Falei, porra, ela descobriu alguma coisa, né? Descobriu merda, né?
É a primeira coisa, você chega em casa, vê tua mulher chorando Aí passa pela sua cabeça tudo, passa tudo.
Falei, que foi? Nós temos um mês para sair do apartamento. Falei, não, isso não pode ser verdade. E era verdade, eu tinha um mês para deixar o apartamento.
Se vira, se vira.
Só que eu tinha renovado o contrato em dezembro, em janeiro não podia pedir aumento. Aí fui falar com o Boni. Bom, aconteceu isso assim, assim, assim. Eu não preciso. Meu filho tinha dois filhos na faculdade, tinha mais dois na escola. Eu tinha alugado minha casa de São Paulo.
Aí eu fui falar com Boni antes de falar com o Renato, ou não adiantava?
Não, não, nem falei com ele.
Não, eu não ia brigar com o Renato, mas nem jamais brigaria, mas nem falava.
Dá mais um tempo, falei, falei. Tranquilo que eu vou sair.
Ah não, você falou que ia sair.
Falei não, daqui a um mês eu vou ter apartamento. E o Boniço, ó, vamos fazer uma coisa, você vai ser codiretor dos Trapalhões e vai ganhar mais R$26 mil, que era o aluguel do apartamento em frente ao Teatro Fênix. E eu fiquei com esse dinheiro então para pagar e ficou tudo bem. Só que o diretor não me deixava fazer nada, ficava meio— é, não, não, eu ficava lá de bobo, não deixava fazer nada. Ele fazia tudo, ele não precisava fazer rigorosamente nada.
Às vezes ele pedia para eu editar o programa, para eu assistir a edição, só que a edição começava meia-noite na Globo.
Então, mas que dia?
Aí, isso, o dia, assim, eu não me lembro.
Ah, não tem um dia certo?
Não tinha um dia certo, mas eu não lembro que dia que é. Começava meia-noite, porque, como eu disse, uma edição naquela época levava 5, 6 horas.
Então você ia terminar de manhã.
Até que um dia veio a Brasil uma dupla, Bud Spencer e Terence Hill. Era o Terence Hill, que era aquele gordão. Bonnie, não é? É esse aí, é esse aí.
Coloca a foto dos dois. Meu pai e eu, a gente assistia muito filme deles, né, que era de faroeste.
É, exatamente. Ele é um galão, olhos verdes, e o outro era um gordão e bárbaro. Só que esse imbecil desse diretor não sabia, como eu também não sabia, que o Bud Spencer é casado com uma brasileira e fala português fluente.
Eu fiquei sabendo Olha lá, esses dois.
Isso, isso eram eles aí, exatamente.
É Tênis Hill, alguma coisa assim, né, cara?
Eram esses dois aí, cara.
Fizeram muito sucesso, muito sucesso.
Então, pô, cara, então no dia da gravação eles iam fazer uma briga, aquelas brigas que eles faziam, aquelas brigas que ele fazia no programa, no programa, com tudo, aquelas cadeiras de isopor quebrando cadeira na cabeça, voar para cá. Só que o diretor o diretor não sabia desse detalhe, que ele entendia português, e ficou com medo, que ele é um cagão, de dirigir a dupla. Ele chegou para mim e falou assim, Carlos Alberto, dá para você dirigir esse quadro para mim, que eu tô com problema em casa? Era tudo que eu queria, né? É claro, era tudo que eu queria.
Sem fazer nada, porque a briga tava feita.
Eles faziam essa briga em shows. Então nós no camarim do Renato. Ele falou, olha, a briga assim, assim, assim, tal, tal, vamos fazer isso, tal, tá, tá, vamos gravar. Eu entrei no switch, a única coisa que eu fiz gravando, tudo perfeito, valeu, é assim, é, e valeu. Só isso que eu falei, porque ele já tinha a briga feita, só que do meu lado Tinha um cara em pé que eu não sabia quem era, porque no suíte só entra quem é do programa.
E tinha esse cara, tinha esse cara. Quem que era? Não me lembro o nome dele, mas tá.
Ele era apenas um da Mancanelli, da agência, da agência da Mancanelli, que foi ao Rio para contratar os Trapalhões para fazer um programa, para fazer um filme da Todinho. Ele deu a comissão. Não sabia que você que dirigiu o programa. Falei, é, você pode, você pode dirigir, você pode ir a São Paulo amanhã para a gente conversar lá na Macan. Falei, claro. Nossa, peguei a hora certa.
Ainda veio uma cena totalmente, cara, olha a cena que ele fez de primeira. Esse diretor é muito bom.
Exatamente, porque ele não sabia isso, não sabia. Peguei o avião, vai para Macan, fui para Macan, cara, me dá uma grana para dirigir o carro.
É uma época de ouro da publicidade, era muito dinheiro.
Não, é a Macan, é bacana.
Eu lembro que o pessoal comprava apartamento, comprava carro com comercial.
Você sabia dessa história?
Sabia, sabia, sei, né?
O café, açúcar ou adoçante?
Adoçante. Obrigado. Que maravilha! Eu fui a Macan, eles marcaram o dia, preço, tudo bonitinho. Voltei para o Rio no dia, no dia da gravação, eu fiquei, era Era um mercado? Era uma coisa, não era, é os Trapalhões numa mesa de um bar assim. Tinha um bar, tinha uma mesinha, os 4 ali conversando, tá?
Não tinha cena de briga então? Não era uma coisa parecida com que você tinha feito?
Não, quando eu fiz eu só escrevi.
Ah, tá.
Eu nunca tinha entrado no estúdio de cinema, cara. Sério? Nunca, nunca. No dia E como que você falou assim, que que eu vou falar? O que que eu vou pedir? É isso que eu queria passar.
O que que eu vou fazer?
Esse negúmeno que não me deixou fazer isso. Porque hoje em dia, isso, acredite em você.
Porque hoje em dia você vai na internet e não sabe, você vê um vídeo, né?
Na época, aí, o que que eu fiz? Era de tarde, era depois do almoço. Eu fui para casa do Manga, que era o cara que manjava tudo. Manga, na minha opinião, linha de show, não conheço igual. Até hoje não conheço. Carlos Monge, ele me chamava de Carlota. Carlota, a gente era muito amigo, sacanagem. Fala, Carlota. Fala, Manga, tô ferrado, aconteceu isso, isso, isso, assim, assim, assim. O que que eu faço?
Tipo, o que que eu faço do zero, né?
Do zero, do zero.
É muita cara de pau, cara, eu adoro isso. Ele desenhou assim, olha, Você vai, mas tipo assim, você tava nervoso, mas sabia que ia dar certo no final, não sabia? Então é isso que é legal, porque você sabe que no final dá certo. É que nem quando chegaram para mim o Titãs: eu quero que você dirija o meu videoclipe, já fez desenho animado? Fiz, nunca tinha feito, mas eu falei: eu vou achar, eu vou aprender, vou fazer esse negócio, não é?
Eu acreditava em mim, eu sempre acreditei em mim, cara, sempre. Exato. Botou uma mesa, botou as 4 cadeiras, Faz uma coisa, você vai pegar aqui, vai gravar tudo que esse cara tem que falar, depois você vai botar aqui, tal, tal, dá uma geral e não inventa.
Para filmar uma pessoa, filma outra, uma geral que pega os dois e é isso.
Mas eu cheguei grande no estúdio, eu cheguei, pô, quem é o valente aqui, sabe? Já deu ordem, já tinha. O manga me deu uma aula, ele me deu uma aula. De direção. Poxa, vamos gravar, vamos gravar! Acho que menos de 3 horas eu gravei e deu tudo certo. O Renato falou, pô, Kalinho, já acabou? Se já não precisa mais nada. E fui embora, recebi meu dinheirinho, claro, bonitinho. Aí ligam que os Os diretores queriam assistir, da agência, da agência, queriam assistir antes de botar no ar. Você se lembra do Sérgio Moratti, o Beto Carreiro?
Sim, sim, sim, sim. O Beto era muito, coloca a foto dele, pessoal.
Ele era muito meu amigo e eu trabalhava com ele.
Ele era do marketing? Onde ele era antes? Ele veio da onde?
Ele veio do circo.
Então, mas ele tinha, ele tinha uma agência de publicidade?
Tinha, tinha. E ele era sócio do Boni e do Renato. E aí, vem mais para cá, amor. Aí quando eu fui, antes dos caras chegarem, quando eu fui ver, um rapazinho do meu lado falou, Seu Carlos, tá faltando uma cadeira.
Como assim?
Sabe aquelas cadeiras de bar, aquelas altas? Não, tinha aqui um balcão. Tinham 3 daquelas cadeiras altas e aqui tinha mesa, tá? Aquilo era só fundo de cenário.
O camarada viu que só tinha uma hora, tinha 2, depois tinha erro de continuidade.
É, eu não percebi. Falei, ferrou, vou ter que pagar uma gravação, vou vender meu carro para fazer tudo de novo. Quando os caras chegaram, começou na hora que entrar, eu dei uma tossida, passou a primeira e ninguém falou nada. Ninguém falou nada.
Pera aí, quem te falou que faltava uma cadeira? Quem foi?
Um rapazinho, um técnico.
Ah, tá, tá.
É o cara que quer mostrar.
Mas você tossiu por quê?
Para chamar atenção do torcedor, prestar atenção na tosse e não ver a cadeira que tá faltando.
Ok, mas Você tava no momento que tava passando os diretores, ele já tinha visto que faltava fazer.
Era no escritório do Sérgio Murad, do Beto Carreiro. E na segunda vez eles estavam mais preocupados com o Renato do que, do que ver. E passou e ninguém viu nada.
Nossa, que sufoco!
É que eu acredito em mim, cara. É, eu acredito muito em mim.
Mas não é engraçado isso de que, eu não sei, eu não sei a religião de vocês, até a gente pode falar sobre isso.
Eu sou espírita, mas acredito em Deus muito, Nossa Senhora.
Mas a palavra tem um poder muito forte, não tem? Você fala que quer fazer uma coisa, desejar uma coisa, eu não consigo explicar também porque que quando você quer uma coisa, e claro Essa coisa é justa e é boa. Claro que você quer, se você quer uma coisa que é ruim, não sei se o universo, Deus, ou faz a coisa acontecer, mas acontece, não acontece? Na ciência isso aí é uma coisa muito incrível, porque você não sabia e fez porque ele acreditou que podia fazer.
Mas você hiperfoca, você hiperfoca na ciência, sem falar de misticismo, religião, na ciência você hiperfoca teu cérebro para aquilo. Então você tá tão focado naquilo que você joga todas as energias, conhecimento, tempo, tudo no que você quer entregar. Então é isso que a gente fala, né, claro, sem falar de religião. Então para mim tem muito a ver as duas coisas. Tem a ver a ciência, que você foca ali o seu pensamento e você, a sua atenção e tudo aquilo, as suas habilidades e tudo mais.
Se você não tem, você vai buscar. E tem a parte que eu acredito muito na energia do momento, das pessoas, do guia.
É que faz você falar as coisas do poder que tem para o bem e para o mal. Você fala, cara, vai dar certo, eu acredito nisso.
Você sabe como é que a praça voltou? Não. Eu ainda tava naquela fase de querer ir embora, mas ainda estava fazendo os trapalhões. Mas na certeza que em janeiro, quando acabasse o contrato, eu ia para São Paulo, minha família ia ficar no Rio. E no sábado e domingo não dá para sair à praia no Rio, porque você não vê areia, você não vê areia, muita gente. E eu quase que toda semana eu ia para Jacarepaguá, na chácara do Robertinho Silveira, que era um redator de humor também, que lá tinha campo de futebol, tinha piscina, tinha sala.
Então a gente quase que toda semana Eu ia para lá, meus filhos iam pegar onda, ia surfar, e eu ia para lá. Aí eu tô na sauna sozinho. Ah, depois eu quero contar outra história só para a gente lembrar do que—
não, eu guardo.
Lembra do Vanuti?
Aí, desculpa, pensei que você ia contar agora. Não é do Vanuti?
Não, mas é outra história. Eu tô na sauna, me entra o Vanucci.
Ah, então deixa eu contar primeiro.
Vou para Globo.
O Vanucci do esporte, tá falando?
Não, Augusto César Vanucci.
Quem que é?
Nossa, é o diretor, né? Era o maior nome da Globo em linha de show.
É, deixa eu achar a foto.
Não, mas vai achar. Ele foi Augusto César Vanucci. Não, ele Todo mundo vai saber. E eu não conhecia o Vanuti. Aí fui fazer uma reunião com ele para a gente se conhecer no SBT. Não, no Rio, lá na Lopes Quinta, onde tinha Globo, onde tinha Globo. Eu tava morando em São Paulo já, eu já queria voltar para São Paulo. Eu tô aí, teve a reunião, e no outro dia eu vinha sozinho. Eu vinha, isso aí, esse homem não existe. Fui ter uma reunião, queria levar os textos para ele, e ele achou, porque tem aquele negócio padrão global, Sim, não, nada disso.
Ele tem que, o Renato tem que estar de smoking, vai entrar com truque nesse. Eu falei, não, Vanuti, o Renato é um palhaço que não pinta o rosto, cidadão comum, né? É, ele é um palhaço de cara limpa, não pode, pode, não pode. Começamos a discutir e da discussão quase que saiu uma coisa chata. Eu ofendi, chamei ele para rua, aquela coisa de cafajeste. E para você ver como ele era bravo antigamente, eu era muito bravo, mas sempre muito educado.
Peixes é bravo assim?
Muito educado.
Peixes com ascendência em, sei lá, em Touro, Capricórnio.
Aí eu saí, fui para casa do Chico Anísio, puto, mas muito, não, e com medo, porque Deus me ajuda muito, cara. Era uma quarta-feira, dia de reunião do programa do Chico na casa dele. Então tá o Paulo Celestino, que você não vai se lembrar, Paulo Celestino, o Manga, o Chico Anísio, e eu Falei, Chico, tô fodido, acabei de quebrar o pau aqui. Chamei ele para rua, eu vou ser mandado embora. Ele falou, você brigou com o melhor bom caráter da televisão brasileira.
Ele falou, falou, vai conversar com ele. Não vou, não vou falar com ele que eu tô muito chateado. E voltei para São Paulo, disse assim, eu voltei Você conhece, você se lembra da Globo? Não, né? A antiga?
Não, não.
Na Lopes Quinta é uma casa enorme onde a produção da parte de show ficava tudo nessa casa, é a Lopes Quinta 50. Eu tendo para lá e o Vanucci tá descendo, falei, porra, é agora, ele vai me peitar. Ele falou, você dá um pulinho aqui na minha sala. Aí eu sentei. Que merda você está arrumando para tua vida? Eu falei, como que merda? Eu cheguei de São Paulo agora, eu tava num táxi, e quando tá passando em frente à antiga Record lá perto de Congonhas, hoje é um hospital, apareceu a imagem do do seu pai no para-brisa do carro, você não deixa meu filho fazer o que ele quer.
Nossa, cara, eu gelei. Eu falei, sua merda é o seguinte, você é o primeiro homem daqui, nós brigamos, eu não vou deixar você brigar comigo nunca, e não vai dar certo, eu vou embora. Eu vou embora. Está louco? Virou meu melhor amigo, você vê.
E ele era espírita, né?
Logo em seguida, minha mãe morreu. Meu pai morreu em março, a mamãe morreu em dezembro. Eu ficava no hotel, foi por coincidência, em frente ao prédio que eu morava, que eu fui morar depois, que era do do Renato. E ele me levava lá no centro, depois a gente ia para o hotel, ficava até 5, 6 horas da manhã ele me doutrinando, falando, falando, falando. Um dia ele disse: escolhe quem que você quer que dirija o programa, eu vou sair.
Olha que cara digno! Ele se tirou do programa, escolhe. Eu peguei o O Stuart, Adriano Stuart. Você não vai se lembrar dele. O Walter Stuart foi o primeiro comediante da televisão brasileira.
Vê se acha foto.
Não, acha, certamente acha. Quando a televisão Tupi ficava tanto, você não era nascido. E de vez em quando aparecia um programa, aí ficava tanto, e aquele índiozinho. E ele fazia não sei o quê, Pílulas do Dia, ele fazia um esquetezinho. E o filho dele tornou-se também um diretor e era um cara que era de humor e conhecia televisão e ficou durante anos, dirigiu filmes para o Renato. Bom, aconteceu isso. Ficamos grandes amigos. Ele foi meu avalista, passou.
Eu volto agora para sauna, volta agora para sala. Eu tô na sauna, 11 anos depois dessa briga que eu tive com ele, grandes amigos. Aí eu tô na sauna, ele entra, ele falou Você vai comigo para Bandeirantes. O Vanucci, o Vanucci, parece que tá louco. Vai pelo seguinte, eu vou dirigir a Bandeirantes, o Walter Avancini vai fazer a teledramaturgia e você vai dirigir a linha de show.
Caramba, uma reestruturação lá!
É, e você vai comigo. E o Boni? Eu me entendo com o Boni, que a sorte, ó papai do céu! Isso foi em janeiro, janeiro ninguém trabalha na televisão, é férias para consertar os aparelhos, aquele negócio todo. E o Boni tava viajando e eu não tive chance de falar com Boni. O que que eu fiz? Saí, saí o quê? Da Globo, sem ele saber. Acabou meu contrato, sim, e acabou meu contrato. E eu ia assinar no dia 13 de dezembro. Por que que eu sei?
Porque no dia 12 é aniversário do Silvio. Eu falei, como dia 13 eu tenho que estar na Bandeirantes, eu vou na véspera e vou jantar com Silvio. Aí falei assim, você não quer fazer a praça? Eu vou fazer a praça. Aí contei para ele a história para Bandeirantes. Não, porque eu já fiz humor aqui, não deu certo, sei o quê, papapá, papapá. Mas quer um conselho? Não, sai da Globo. Quem não tá na Globo não tá em televisão nenhuma. Eu digo, não, eu vou ganhar 4 vezes mais do que eu ganho.
E o Boni, por isso que eu gosto dele, falou para o Sérgio Moratti Fala para o Carlos Alberto que daqui a 3 meses ele não vai receber e vai voltar, e as portas estão abertas para ele.
Ele falou isso?
Falou. Eu não posso pagar. Acho que nem você sabe disso. Essa parte não, eu não posso pagar ele, mas você vai pagar pela tua agência. Então a Globo ia pagar uma parte, eu ia ficar trabalhando na agência do do Sérgio Murady. Aí acabamos de jantar, assinei o contrato, era dezembro, e janeiro nós nos apresentamos, começamos a montar tudo, e fevereiro começamos a gravar. E eu gravei 3 praças no mês de fevereiro para entrar em março.
E a ideia do Vanucci era horrível, era fazer uma praça praça suja, com buraco, sabe, do Brasil.
Tanto é que ia chamar Praça Brasil, tá, que era o Brasil da época, de problemas, é cheio de problema, aqueles buracos do metrô, gente pedindo, é aqueles problemas da época, violência, assalto.
Não era praça aqui, não era praça, era uma releitura, só que os personagens eram os mesmos.
Então não combinava.
Tava o Golias, tava a Velha Surda. Bom, o programa foi para o ar. Eu ficava no Hotel Transamérica, eu, Vanucci e o Avancini. A gente ficava no Transamérica. Quando eu cheguei no hotel depois do primeiro programa para o ar, tinha uma ligação minha para ligar para minhas mulheres.
Pessoal não tá entendendo, deixa eu explicar. Antigamente não ia telefone fixo, não tinha celular.
Eu tô falando de 87.
Como assim tinha uma ligação? É porque antigamente era telefone fixo, você recebia recado e tinha que ligar de volta, né?
Então falando de outra época, eu não vou ligar para minha mulher 1 hora da manhã.
Exatamente.
Quando eu acordei, eu liguei para ela. O que que houve? Senão, o Silvio quer falar com você, você não vim para o Rio sem falar com ele. Liguei para casa dele, ele estava já gravando. E aí eles deu o telefone que só eles têm, o telefone de só o Silvio usa. Eu liguei, o Silvio tava no camarim dele, esse Caso Aberto, e atendeu. Entendeu? Você tá louco? Eu vi a praça, pô, senti teu pai sentado ali. Por que que você não me falou? Porra, eu me ofereci, você não quis, que não tava dando certo. Você não vai para o Rio? Vem agora para cá!
Que doideira!
Eu falei, olha, aí ele fez uma proposta. Eu falei, eu vou falar com o Vanucci. Estava dormindo ele e o Avancini, ainda não tinha sentido.
De quanto tempo lá? Tinha um contrato?
2 anos.
2 anos.
A Vanucci desceu, tava, eu te ouvi isso, isso, isso, isso, e assim, assim, assim. Porra, cara, vai correndo! Correndo, o que eu fiz com o Palinho Gogó, mesma coisa. Vai correndo, eu vou te esculhambar, a imprensa vai cair de pau em cima de você, e assim que você puder você me leva.
Que maravilhoso, cara! Mas não esquece de mim.
É, me leva.
E foi o que aconteceu?
Não, é o seu telefone.
Olha, é assim É o telefone.
Eu desliguei.
Não, mas ela ficou ouvindo a gente, ficou ouvindo o tempo inteiro.
E agora?
Agora não tem problema. Que cena é essa?
É a Praça da Golias.
Mas da Band, na época da Band?
Não, talvez, talvez. Eu acho que sim, talvez pode ser.
Mas e o que que acabou acontecendo então? Você foi para SBT?
Não, aí eu fui para SBT com Marcelo, meu filho.
Quanto tempo depois?
No mesmo dia, no mesmo dia, no mesmo dia eu acordei, falei com o Vanucci isso. Aí o meu carro ficava no Rio, mas aí terminou o contrato, nada. E aí foi primeiro programa para o ar, eu tinha mais de 2 anos.
Como que foi?
Eu fui, você não pagou multa, nada?
Ia, claro. Aí eu fui me encontrar lá na Vila Guilherme, cara. Quando eu cheguei lá na Vila Guilherme, eu olhei aquilo. Eu falei, você, eu não venho, porque se a Bandeirantes já é ruim, imagina aqui. Porque você tá na Globo, você tem um Rolls-Royce e vai pegar um Opala.
Exato.
E o SBT era um Fusquinha, que a Bandeirantes já tinha já uma formação. O Silvio tava começando. Aí eu fiquei no camarim dele esperando, ele veio Eu disse, olha, Silvio, infelizmente eu não venho, eu não vou ficar. Ele me deu uma bronca, mas ele acabou comigo. Por quê? Que ficou, porra, ficou chateado que você tinha dado a palavra.
Não, não, não tinha dado a palavra. Não, não, não. Mas ele ficou puto por quê? Porque você não falou que não ia?
Porque eu disse que não ia, e de manhã cedo eu falei que ia, 3 horas depois eu falei que não ia. Aí começou, porra, você justificou? Justifiquei. Porra, porque você falou uns troço lá, falou as coisas dele lá. Porque depois se diga, eu quando acredito em alguma coisa, eu não me curvo, eu não me curvo, entendeu? Um dos defeitos que eu tenho, eu não escuto quem sabe menos do que eu. Ah, sim, eu não admito. E ele tá vendo, você é isso, aquilo.
Teu pai morreu sem nada porque ele ia pelo coração, não sei o quê. Você não me perdoa. Fiquei 11 anos sem falar com o senhor antes disso. Mas por causa disso? Porque o senhor me perdoa, não sei o quê. Aí aumentou a proposta, cara. Quando eu olhei para o Marcelo, ele tava branco. O Marcelo, Marcelo, Marcelo, quando fica preocupado, a boca de quem perde? A boca começa Olhei para ele, ele não tinha boca, ele só viu uma coisa mexendo assim.
Aí eu fiquei, aí eu assinei o contrato e foi o dia mais feliz da minha vida. No dia que eu estreei, dia 7 de março, não, 7 de maio, eu estreei no programa do Silvio. Foi o dia mais importante da minha vida.
Sentiu em casa?
Pela— ele ficou pela primeira vez, ele nunca foi em programa de ninguém. Ele ficou uma hora, ele entrou no programa no final. Quando terminou, eu era muito amigo do Carlos Imperial, muito amigo, e ele é que fez a Praça, a música Praça. Olha lá, foi nesse dia, exatamente nesse dia, o Silvio entrou com essa roupa batendo no uma colherzinha num pires, como se fosse camelô, e fez durante uma hora e tanto a maior declaração de amor, de carinho com amigo, pode ter outro, nada roteirizado, sem intervalo comercial, sem roteiro, sem nada, sem nada.
E você não sabia disso?
Ninguém sabia disso. Única pessoa que sabia era o técnico.
Ele já tava preparado então?
Só ele que sabia que era para não entrar comercial, não entrar nada. Cara, aí isso até gostaria que você visse, tá no— vê isso, emocionante.
Vamos deixar até o link também no primeiro comentário fixado para o pessoal assistir.
Você não vê para trabalhar, você vê para tua casa, porque tá uma hora e meia falando sobre a nossa amizade, sobre o nosso passado, sobre meu pai.
E tô há 39 anos, era diferenciado também, né?
Era, foi um gênio.
Vilela, tive uma oportunidade de conhecer o Silvio Santos no Troféu Imprensa que eu fui participar com Carlos Alberto. Ele é uma pessoa, ele era uma pessoa de uma energia ultra mega real, assim, não era surreal, porque ele tem um, ele tinha um posicionamento de palco que ninguém nunca acho que teve na vida. Eu fui de surpresa, fiquei lá por trás nos bastidores assistindo o Carlos Alberto receber o troféu. E jamais pensaria entrar no palco na gravação de um troféu imprensa.
E ele me chamou. E quando ele me chamou, de onde eu estava até chegar no Silvio Santos, eu não lembro, porque foi uma emoção muito grande. E na hora que eu dei a mão para ele, parecia que ele tinha me teletransportado, você lembra? Para um lugar exato no palco. Pegou minha mão, ele me posicionou de uma forma tão estratégica, conversando comigo natural, lindo, e na na na. E aquela força que eu senti na hora que ele apertou minha mão.
E ele foi muito generoso, conversou bastante comigo, enfim, que ele realmente— acho que só vai existir um Silvio Santos na vida inteira assim, nunca vai mais nascer um Silvio Santos, né, amor?
Desculpa perguntar, esses 11 anos que ele falou, o que que aconteceu? Foi um problema com seu pai ou com você?
Comigo. E o pior, eu tava errado.
Sério? Mas você teve tempo de falar isso para ele?
Não, não fui falar com ele. Já, eu já estava trabalhando com ele uns 3 ou 4 meses.
Não, mas você falou com ele sobre isso?
Nunca falei. Ele quis saber, ele quis saber, mas eu não quis tocar no assunto com medo dele ficar. O que aconteceu é o seguinte, seguinte: eu tive um sofrimento muito grande no final de vida dos meus pais, porque minha mãe já tinha um câncer há 6 anos de mama. Tô falando 1970, era outra, 1970. E o meu pai depois pegou um câncer de pâncreas. Então meu pai tava condenado, porque pâncreas Naquela época acabava, era 6 meses de vida.
E minha mãe, a gente rezando para ela morrer, porque ela tava generalizada. A gente pedia a Deus para ir embora. Eu com 40 anos, o meu casamento já pelas tabelas. Eu só tava esperando minha mãe morrer para me separar.
Caramba!
Imagine minha cabeça, nossa, uma tempestade, uma tempestade. E teve um negócio da televisão do Rio de Janeiro, da concessão, que meu pai que conseguiu para o Silvio. Isso tá tudo gravado, isso apareceu. O Silvio botou no ar meu pai recebendo do Quantz de Azevedo, Quantz, o ministro das Comunicações na época. E o Silvio agradecendo, meu pai agradecendo ao governo, e Silvio agradecendo. Ou seja, e meu pai tinha 10% dessas ações.
Só que aconteceu o seguinte: eu só tive discussão com meu pai duas vezes na vida, e uma delas foi que eu fiquei sabendo que os conselheiros do Silvio achavam que não precisava que meu pai conseguir o quê? Essa concessão. E eles queriam fazer uma outra sem o meu pai. Eu enlouqueci, porque é uma puxada de tapete enorme. Eu já com meu pai doente, minha mãe. Aí eu tive uma discussão com meu pai e E aí ele morreu, meses depois ele morreu.
Um mês depois da morte dele, eu fui chamado para ir até lá, porque os meus advogados queriam que visse o balancete e avisasse: olha, fala para o Silvio que não tem nada a ver, ninguém vai ver nada, só é coisa protocolar, só. Não tem nada a ver. E o Silvio falou, ó, vem aqui que eu quero falar com você. Liguei para ele, ó, Silvio, não, não, vem aqui, quero falar com você. Aí eu falei para minha mãe, olha, Silvio vai pegar essas ações.
E não deu outra. Você sabe que teu pai não entrou com dinheiro, teu pai tinha prestígio, e prestígio não se herda. E eu tenho uma procuração do seu pai passando para mim. Eu achava aquilo, para mim foi o fim. Claro, eu não tive uma discussão com o Silvio, eu só falei um negócio que eu não quero falar e fui embora. Eu não briguei com ele, apenas deixei de ver. Na minha casa não se ouvia programa do Silvio Santos. Quando eu vim para São Paulo, não sabia quem era Elko Maravilha, quem era Sérgio Malandro, sabia De tanta mágoa, tanta mágoa.
Só que começou a bater saudade, eu sentia, porque a gente era muito amigo. Eu comecei a sentir falta e já é espiritismo agora. Eu sonhava que eu tava, eu morei quando houve esse desastre de avião, a gente tava vindo dos Estados Unidos, eu morei 8 meses em Nova York. E tinha o Radio City lá na Quinta Avenida, a NBC era ali do lado. E eu, nos meus sonhos, eu tava ali com meu pai e minha mãe, e do outro lado da Quinta Avenida tava o Sílvio.
Meu pai dizia, filho, vai lá falar com ele. Então não quer. Vai lá falar com ele, meu filho. Sei o quê.
Tinha esse sonho recorrente mil vezes. Nossa, e tem significado, né? E tem significado.
Pô, aí eu tava numa festa, eu tava numa sala, e tava à noite, o Silvio tava na sala. Aí eu virava, não era à toa.
Aí, como se fosse um recado do seu pai, falou: vai falar com ele.
E eu não queria, eu não queria. Aí a filha do Silvio, a Renatinha, a caçula, teve o meu tio Ele era pediatra, era quem cuidava das filhas do Silvio. E ele passou a noite toda com Silvio lá no Einstein, que tava uma coisa séria, que graças a Deus não era nada. E o Silvio perguntou por mim, o cara tá zangado comigo, eu queria tanto falar com ele. Aí meu tio contou desse negócio dos sonhos, pô, eu quero falar com ele, não sei o quê.
Aí eu O meu tio ligou, falou comigo, claro que eu vou, pô, claro. Eu não guardo mágoa, já passou 11 anos. Aí eu vim com meu tio. Ah, eu sempre com medo de perder emprego, eu achava que minha carreira tava no fim, sempre. Eu sempre achei que a carreira, como acho agora, como acho agora que vai chegar janeiro, ó, vai embora. Eu sei bem, você sabe.
Eu já falei, eu sempre acho que eu vou virar mendigo, eu trabalho para não virar mendigo.
Esse filme eu já vi, né? Esse filme eu já vi. Aí eu vim jantar nesse jantar na casa dele, trouxe meus dois filhos, e eu fiz uma proposta para ele. Só você tem aquela TV lá no Rio que não funciona, ela é só uma repetidora, e você tem câmera, você quer Eu quero fazer publicidade novamente. Então vamos fazer uma sociedade, você entra com estúdio, eu entro com meu trabalho e a gente racha. Fechado. E aí nós começamos a trabalhar. Um belo dia, aliás, o culpado foi meu pai, você vai saber por quê.
Um belo dia, lá quando chovia, alagava a televisão lá na Vila Guilherme enchia, mas assim quase 1 metro de água. Tem até fotos disso, botando coisas em cima das mesas e tal. E a gente saía, eu vi, a minha sala ficava no primeiro andar e era onde ficava o Silvio, Guilherme, os diretores. A gente, para sair, Tinha um bote do Corpo de Bombeiros esperando a gente no meio. E saiu eu, o Silvio e o Beto, meu filho mais velho, que não tem papas na língua.
O Beto não tem, não tem limite, ele não tem filtro. Nós saímos do barquinho, fomos até a outra rua que não tinha, não tava alagada, e pegamos o carro da SBT. E o Silvio ia me deixar em casa, que era mais fácil ele me deixar em casa para depois ir para casa dele com motorista do SBT. Chegamos lá na hora, onde ela teve manchete na Casa Verde, tava tudo alagado. Nós tivemos que parar. O Beto falou, ô Silvio, olha só, ah, isso aí, exatamente isso.
Exatamente isso. O Beto, eu, Beto no banco de trás, o Silvio na frente com motorista. Silvio, você não tem filho homem. Quando você morrer, quem é que vai tomar conta da televisão? Cara, eu queria morrer, porque as filhas do Silvio estudavam nos Estados Unidos. Eu nunca podia imaginar que as filhas dele fosse assumir, porque isso que eu tô dizendo tem Tem 9 anos, é outra época, elas eram meninas, estavam lá estudando, fazendo faculdade lá, sei lá.
Falei, agora. Aí o Silvio falou para Casoberto, por que que você, por que que você brigou comigo?
Nossa, no meio do lago, no meio do ar.
O que que aconteceu que te magoou tanto? Eu digo, você pegar a procuração do meu pai, das ações lá, das ações. Eu falo: não, teu pai me deu, teu pai me deu, eu vou te mostrar. E o meu pai, por essa briga que eu tive com ele, meu pai não me contou disso, não, não. E nem eu quis tocar no assunto, porque desse dia que ele foi receber a televisão, o câncer dele. Ah, isso foi acho que novembro, ele morreu em dezembro. Ele morreu em dezembro, não, ele morreu, morreu em março, dia 17 de março.
E o meu pai não me contou, então eu fui profundamente ingrato com o Silvio, injusto. Aí eu tentei explicar para o Silvio, Silvio, Como é que você queria que a minha cabeça fosse pensar que meu pai ia me esconder alguma coisa? Que o que meu pai queria justamente evitar da gente brigar. Pois é, que ele achava que ele não ia morrer. Teve uma hora lá que ele se ligou, ele não era burro, ele tava com 40 aqui, o pai pegou no colo. Não foi fácil.
Olha a minha cabeça, com 4 filhos, o mais velho com 10 anos, os pais nessa situação, o meu casamento acabando, minha mãe morrendo em casa. Não era, não podia ser diferente. E o Silvio teve a humildade de explicar, de contar e não guardar mágoa.
Que maravilhosa história!
Então, o Silvio é um sujeito tão maravilhoso. Eu sou tão— a doença do meu pai, ele pagou tudo, de uns esparadrapos até 3 cirurgias. E naquela base, com todo respeito que os médicos têm, é do Manoel de Nóbrega, vai ser mais caro. É do Silvio Santos vai ser mais caro. E o Silvio pagou mais caro. Sim, ele nunca pediu um recibo. Ele dizia para mim assim: você paga com teu cheque, liga para Zilda, que é a secretária dele, e ela deposita na mesma hora o dinheiro naquela conta.
Então, cara, é essa pessoa que a gente tá falando, e que as pessoas que que não conhece às vezes, né, julgam por uma frase, por uma— poxa, que história! Obrigado por estar dividindo tudo isso. Acho que nem você, né, às vezes não vê essa história sendo contada assim, né? Mas lembrar é voltar no tempo também, né? É entender Eu não sei, vamos, vamos para uma pergunta enquanto isso. Eu nem sei o que falar agora.
Vamos lá, então a primeira pergunta aqui do Carlos Henrique, ele quer saber: depois de quantos anos fazendo televisão, o que ainda dá frio na barriga antes de entrar no estúdio?
Ainda tem frio na barriga?
Nenhum.
Agora é?
Não, não, nunca tive.
Nunca teve?
Depois do Silvio? É, nunca. Sério? Só no primeiro dia, claro, aquela hora estourou do dia para noite. Aí depois explodiu. O que que eu já tinha muitos anos de carreira?
Dá frio na barriga hoje em dia fazer o quê?
Fazer o podcast, a maldita da palestra que eu não vou fazer, que ainda vai fazer, se Deus quiser. Não precisa, não, não vou.
Precisa para quê?
Dá friozinho. Dá porque deu quando eu fui falar com os advogados do banco e com o pessoal do Rotary Club. Deu uma—
não, sabe por quê? Tá comentando aqui, não precisa, ele não precisa.
Mas como ele não quer parar, ah tá, seria uma coisa, plano B, se ele parar, é uma experiência boa, junto com a praça, mais um dia futuramente. Fala, Romeu.
A pergunta da Mariana Oliveira, ela quer saber qual foi o personagem de A Praça É Nossa que mais te fez rir nos bastidores?
Não precisa ser um, pode ser mais de um.
Bom, Golias, né? Golias era muito engraçado.
Ele naturalmente era engraçado, ele era quando tava gravando.
Todo comediante, você sabe disso, que você é, ele é sério, é tímido.
É verdade.
Você conheceu o Chicanísio?
Não, infelizmente não. Como que era o Chicanísio?
Mais fechado que você possa imaginar. Demorado.
Não consigo imaginar.
Posso contar?
Pode, pode.
Até lá o tempo.
Eu não tenho, não sou a dona do programa.
Não, mas você tem que ter.
Você falar lá, até fico sem graça.
Ela tá escutando que nem eu e fazendo pergunta. Tamo, tamo na história.
Chico Anísio. Chico Anísio é o diretor da emissora.
Outro cara genial que mundialmente eu não vejo um cara igual ele, com tantas personagens com vozes, caracterização única.
Dois que nunca vai entrar: Golias e Chico Anísio. Não tem como, não tem, não tem, não tem. Só que o Chico era uma pessoa preparada intelectualmente, intelectualmente. É, o Golias era o Bronco, tá?
Ele era aquele cara, o Bronco era o Golias.
E o que eu tava Ah, quem é o mais engraçado? Quem te fez mais rir nos bastidores? O Golias, porque ele tinha coisas absurdas.
Tipo, ele pregava peça, ficava zoando também?
Não, ele era irresponsável, ele era irresponsável. Eu tinha, quando eu fui para lá, inclusive, eu fui dirigir, eu era diretor da emissora. Eu queria trazer o Golias para mim de volta.
Na época ele tava fazendo o quê? Tava parado?
Tava, não, tava, tinha acabado o contrato dele e acabaram com o programa. E eu trouxe, só que eu não queria eu trazer o Golias, porque durante mil anos eu dependia dele, porque ninguém ia ao teatro para me ver, ia para ver o Golias. E ele rachava comigo. Poxa, ele rachava comigo. Então eu sou eternamente— eu não tinha coragem de eu, diretor, saber que ele não ia ganhar nem a metade do que tava ganhando. Então eu pedi para que o Silvio falasse diretamente com ele.
Ele tinha coisas assim, por exemplo, acabou o contrato dele, quem tinha que renovar era eu, mas aí eu não ia renovar, mandava Luciano. E olha, Golias, você vai ganhar tanto. Eu sabia. Aí eu falei, Golias, você pede isso porque é isso que eles vão dar, eles vão aceitar. Falei isso que eles vão aceitar. Golias foi, daí 10 minutos depois ele voltou, bom, já assinei. Pô, gostou? Não, eu não pedi aumento, ué, porque eu falei que o dinheiro que eles me dá Para dividir com os outros que estão ganhando menos. Putz, era assim?
Olha que legal, cara!
Bom, esse cara não existe. Bom, e eu com medo de machucar o Golias, de, não é, não queria trazer nenhum problema para o Golias. Ele era muito problemático, ele era uma pessoa de uma segurança total. Ele não sabia, não sabia, morreu sem saber quem era, não sabia. Goleiro parava o Brasil, cara. Eu viajei o Brasil inteiro com ele, parava, parava. E ele ligou para mim um dia, a gente tava de férias, casa aberta, queria falar com você que acho que eu vou parar, que sei o quê, parará, tô muito triste.
Pera aí, goleiro. Isso não se fala por telefone, eu vou até tua casa. Ele morava no apartamento lá perto do shopping em Iguatemi. Aí ele disse, não, não, não sobe não, vamos conversar embaixo. Eu estranhei, mas tudo bem, verão, eu tô de bermudão. Fui lá, conversamos com ele, falei com ele, tudo bem, né? Dei um banho de de coragem, de enfim, uma série de coisas que ele precisava estar ouvindo. Aí ele falou, bom, então eu falei, guria, tô com uma, tá cedo, vamos tomar um negócio.
Não, não, vamos subir tomar café, vou preparar o café para você. Quando eu entrei no apartamento dele, eu levei um susto, que era um por andar, sei, enorme, enorme. Cadê os móveis? Não tinha móvel. Falei, cadê os móveis? Ele tinha, ele tinha uns tocos de árvore assim, como se fosse um barril. Sim, que ele adorava esses tocos. Tinha uns dois desses e uma poltrona só, não é um sofá, uma poltrona e uma televisãozinha, um Paribaby, lembra?
Nossa, para que, pô? Eu não assisto. Os móveis, para quê? Eu não recebo visita. Olha só, a parede tava toda manchada de branco pelo seguinte: os pais dele moravam nesse apartamento. Ele não morava no apartamento, apartamento era os pais moravam. Ele era tão louco que ele morava na casa da ex-mulher dele, que depois se separou. Eles dormiam em quartos separados, sei o quê. E morava com ela. E aí ele foi para esse apartamento depois de algumas coisas que aconteceram, que não vale a pena.
E tinha aquelas coisas, porque isso são os quadros que a mãe dele, como toda pessoa de idade, encheu de quadro da família.
E ele tirou aquilo tudo, aí ficava as manchas, ficava as manchas.
Cadê o luxo? É para quê?
Só tem uma luz pendurada.
Sabe essa, essa, esses banheiros que tem aquela bola? Era aquilo.
Nossa!
Falei, Gordinha, porra, não preciso, vamos lá tomar o café. Aí eu fui ao banheiro, ele não tinha box, o chuveiro dele era aquele chuveirinho que tem aquele barquinho, tinha uma boia e o negócio Falei, porra, cara, por que você não bota? Pô, para quê? Só tomo banho aqui.
Totalmente desprovido de—
totalmente desprovido, totalmente desapegado total. Volta anos atrás. A hora que quiser parar, me avisa, senão vou ficar até amanhã falando. Eu tô aproveitando, fazendo o meu, o meu, a sua terapia, a minha terapia. Vamos fazer um show em Salvador. E o Golias só levava no show uma camisa, uma cueca e a pasta e a escova de dente, porque a pasta ele usava a minha, que a gente ficava sempre no mesmo quarto, né? Claro, vamos deixar muito bem claro, camas separadas.
Ele só, Golias, leva um calção porque o outro o hotel tem piscina, porque não fica perto da praia, fica no centro da cidade. Ah, tá bom. Fizemos o show no sábado, nosso avião no domingo sai à noite. Vamos para piscina. Olha, eu te espero lá embaixo. A meia hora depois eu vejo umas risadas, eu olho, eu disse: não, isso não é verdade. O Golias Não levou calção. Ele desceu, foi na loja do hotel que vende roupas para mulher. Ah não!
Falou: a senhora, a senhora vende só a parte de baixo desse biquíni? Ela falou: não, seu Gulli, tem que ser inteiro. Esse sutiã cabe na senhora. Eu só posso vender. Então me joga fora. Não era fio dental, era aqueles maiores, que é maiorzão.
Mas ele pegou um de mulher porque não tinha de homem.
E ficou na piscina quase tranquilidade que ela tá agora, e de boa, de boa.
Que maravilha, cara!
O que a gente ria, cara!
Que cara incrível!
Porque ele é aquele cara que perguntava Como é que você está? Mas não via a resposta.
Ah, é? É, tava em outro mundo.
E a gente viajava muito na época da ditadura, de 64, que a gente foi quando eu capotei, né? A gente fazia Porto Alegre, Curitiba e Rio, né? Como eu falei. E, ah, meu Deus, o que que eu ia falar ainda do Golias? O dono da estação geralmente era o dono da rádio, do jornal, aquele cara mais, né? E naquela época os aeroportos, você saía da pista e a pé até o prédio, não tinha esse negócio. E eles vinham sempre buscar a gente no avião, na porta do avião, na porta do avião, porque o cara fazia churrasco de noite para ele, para gente e tal.
A gente almoçava na casa do dono e tal. Ele vem buscar, tá conversando, eu tô vendo que ele tá triste. Falei, por que que eu olho? É porque morreu meu neto, não sei o quê, tá um clima muito ruim em casa, então não vai ter nada, a gente vai parar. Aí veio o Golias. Ah, tudo bom? Eu falei, o Golias, ele faleceu. Ah, pô, que bacana! Então vamos fazer o nosso churrasco hoje. Foi, Golias, morreu o neto dele. Ah, sim, sim. E ele não ouvia.
Não ouvia, era impressionante. Aniversário da Hebe, nossa, aniversário da Hebe, eles me chamam, vamos fazer uma surpresa para Hebe. Nós temos um filme do seu Feguinho, que era o pai da Hebe, ele tocava violino. Nós temos um filme do seu Feguinho tocando violino, a Hebe não sabe disso. Num determinado momento você vai interromper o programa da Hebe para fazer uma surpresa. Não pode falar seu feguinho.
Só isso?
Só isso. Não pode falar seu feguinho. Tá bom. Pega o meu carro, passo na casa do Bonfim Franco, passo na casa do Golias, Só, Golias, não pode falar do seu feguinho. Por quê? Não, porque tá surpreso assim, assim, assim. Daqui a pouco, Golias, você lembra que não pode falar do seu feguinho. Na terceira, pô, Carlos Alberto, já tá chato, já sei, já sei, você já falou isso mil vezes. Entramos na Casa São Paulo, aqui onde tem o Salão São Paulo, aqui onde era a estação de ferro.
A nata da sociedade brasileira tava lá, governador, prefeito, os milionários. E tem assim perto da escada que vai para o palco, tinham 3 cadeiras, tava o Mocy, eu, Golias e o Mocy. E aí Começou a cantar e veio em nossa direção. A Hebe era muito minha amiga, né? E veio nossa direção e fez assim. Quando ela fez assim, Gualherme, lembra do seu feguinho?
Mas ele fez de propósito ou ele não lembrava mesmo? Não foi de propósito?
Eu acho que ele era um pouco demente.
Totalmente.
É, totalmente inocente.
Eu só ouvi uma gritaria na coxia.
A única coisa que não podia falar.
E ele me soltou essa sem noção, não tinha noção de nada.
Ah, Romeu e Julieta, essa é famosa também, essa cena é muito boa, cara, que maravilhoso.
Nesse dia aí, nesse aí, nesse Romeu e Julieta, foi o que eu escrevi também. Não é adaptação, e o desfecho Foi um caco, que o Golias foi o caco.
Para quem não sabe, é aquilo que não tá no texto, é uma improvisação na hora que o cara faz.
E terminava com a Julieta morta e o Romeu em cima dela assim, abraçado, chorando. É, tá, esse era o final. E acabou, era tudo engraçado.
Ah, tá, com piada, com piada, tudo engraçado.
Quando ele deita, quando ele fala, é, e nós nem usufruímos.
Isso não tava no texto?
Não, nós nem usufruímos é caco. E foi, acabou. Claro, foi a coisa mais engraçada que teve. Imagina o Golias em cima da Hebe, ele E aí morreu daí, mas ela tava morta, ela riu, saiu do personagem, reviveu. Que maravilha, cara! Ah, eu tenho tanta história, mas você ia contar uma do Chico Anísio.
Queria uma do Chico Anísio para a gente finalizar.
Do Chico Anísio?
Ah, você lembrou uma história dele?
Teve uma época lá que eu tava meio chateado Lá no SBT, tava me sentindo mal. Eu não quero falar com quem, por favor. E eu falei, eu vou embora. Se isso acontecer, eu vou embora. Aí eu fui, tocou o telefone, tocou o telefone, era o Chico Anísio. Carlinhos, você tá, você tá disposto hoje à noite?
Engraçado, né? Pessoal te chamar chama tudo de Calins?
É, não, poucas pessoas. Eu chamo de Calão, Calins, Carlota, que era o caso dele. E o Arnoldo Rodrigues também é chamado de Carlota. E Chico te liga, queria jantar comigo. Falei, pô, eu tinha dito para o Silvio que eu queria levar o Chico para SBT antes de levar Foi eu que levei o Ju para SBT. Antes de levar o Ju, eu queria levar o Chico. Sério? É. Só que o Chico pediu muita coisa e nós fomos nos encontrar. Nós fomos no restaurante, começamos a conversar e eu falei, mas o que que você veio fazer em São Paulo?
Eu vim te buscar para você ir para Globo. Falei, Chico, eu vim te buscar para vir para SBT. E começamos a rir, né?
Os dois com plano secreto, cada um levando o outro.
Aí disse, não, então vem, pô.
Mas coisa de amigo, né?
A gente é muito amigo.
Que legal, Chico e eu.
Nossa Senhora, meu manga, a gente era irmão, pô, irmão.
Mas não rolou nem de—
não, pelo seguinte, o Chico queria as coisas que O que o Silvio não quer fazer é programa no Rio.
Ah, tá. E o Silvio nunca quis isso?
Não quis. É trauma. É porque no Rio ele foi cabeludo, sofreu. Então ele guarda más recordações.
Eu não sabia que era por causa disso.
Era isso. Acho que nem as filhas sabem disso, porque o Silvio e eu fomos confidentes, né?
Então era por isso que ele nunca abriu uma, nunca uma sessão lá. Ó, vocês dois.
Esse cara foi maravilhoso, foi maravilhoso. Aí não deu para vir, ele queria trazer o elenco inteiro, não tinha dinheiro para isso.
Aí surgiu o Jô, falou, olha, pode ser o Jô que queria ter o programa dele de entrevista.
Porque eu falei, olha, falei, é possível, olha, programa popular nós já temos. É o seu, é a Praça, o Gugu, a Hebe. Nós precisamos de um programa de prestígio que traga prestígio para emissora. Vamos trazer o Jô, sabe? Mas, gente, se o Jô vence aqui, não, ele tá perfeito na época, né? Tava, tava. O dinheiro culpa tudo, né? Ou quase tudo, né?
O dinheiro. E também, pelo menos que falaram na época, que a Globo não queria fazer um talk show com ele, não queria, não queria, não acreditava projeto.
Aí eu fui lá na Casa 50 falar com o Max Nunes, que era o guru dele, o redator, e era o guru que mandava. É, o Jô fazia o que ele mandasse. Eu falei, ô Max, será que o Jô iria para o SBT levar vocês? Já fala com ele. Falei, você iria? Claro. Aí eu fui na casa do apartamento que ele morava ali na Lagoa. E falei com ele, ele disse, ó, Gilberto, dinheiro é igual para todo mundo. Se ele der o que eu quero, me dê a liberdade, a liberdade de fazer.
Aí o Jô veio falar com o Sílvio e o Sílvio conseguiu convencê-lo a fazer um ano de programa, que é o Viva o Gordo.
É que tinha o Viva e Veja o Gordo, né?
E depois ele faria o talk show dele. E o Jô veio, topou.
Lembro que na época foi uma— a mídia ficou doida, né? Porque o Jô sair da Globo, né, que era um grande nome—
ah, mas saiu por muito dinheiro.
Ah, é? Tem essa também, né? Foi um caminhão de dinheiro. Foi aquele caminhão de dois chassi e ajudou o SBT a ir para os palmarés.
Até prestígio, é ter um prestígio que a gente que não tinha.
E depois ele volta para Globo, né?
Voltou acho que 15 anos depois.
15 anos depois?
Foi tanto tempo? Foi bastante tempo.
Mas ele consolidou o talk show à noite. Ah, sim, essa ideia de ter uma entrevista divertida e tal, que não era, que não existia, né?
E o Jô era muito engraçado também. É muito engraçado.
E ele não era serião que nem o Chico Anísio?
Não, não, não, não. Ah, é? Não, o Jô era brincalhão. Eu treinava, eu fazia treino lá no Gracie, e eu era muito amigo de jiu-jitsu. E era o velho, o Gastão, o Hélio, que, né, o Hélio Gracie, sobrinho desse Hélio famoso, e o Gastãozinho, que tinham lá um ginásio de jiu-jitsu inteiro. E aos sábados eu ia treinar, eles iam treinar entre eles os três, eu ia assistir. E por que que eu tô contando isso, meu Deus?
Do Jô Soares, que era engraçado.
Ah, é. E então, pô, eu me sentia, pô, tô treinando com o Gracie, pô, é o cara que trouxe para o Brasil, né? E o Jô tinha um grande amigo que era um faixa preta de karatê. Isso chamava de francês. E quando eu fazia, ia fazer a Família Trapo, eu ia, eu escrevia, a gente escrevia lá na casa do Jorge, ele montava o programa lá. E aí eu começava a falar, bater papo, e eu começava a dizer negócio de karatê. Karatê é só grito. Duvido que o francês me dê um tapa na cara, duvido que eu tenho Tenho todos os reflexos, tenho reflexo.
Ele não vai, o cara de karatê não vai bater no cara de jiu-jitsu nunca. Corta, corta. Sábado à noite, o Jô marcou o jantar para os amigos, então vamos lá, tá sentado. Que negócio lá de karatê? Conta para eles, só para saber. Aí comecei a contar tudo isso. Professor, levanta, cara! Levanta, cara! Ele levou meia hora para chegar lá em cima.
O cara não parava de subir.
Aí você olhou no francês, o cara mirradinho, tava com uma barriguinha. Aí eu queria voltar para o útero da minha mãe, né? Eu não disse nada. Aí eu gaguejando. Aí eu disse, olha, comigo tá, mas agora eu posso trazer o Gastão aqui. E era tudo combinado, era só para deixar caleado. Você sabia disso? Sabia, né?
Que maravilha!
Você não é quanta coisa?
É, você vê, é nessas horas que a gente descobre, né?
Agora, sem querer agradar ninguém, se hoje eu sou o que eu sou, devo a essa mulher, né? Não duvido, é verdade. ela, a verdade.
É porque quando você chega no nível, todo mundo quer te agradar.
Exatamente.
Alguém que fala a verdade.
Então o companheirismo dela, o conhecimento dela, a maneira com que ela me trata, só Deus. Poxa, só Deus.
Hoje tem, homem, você viu? Você viu?
Depois dessa declaração aí, é ele que fica nos bastidores, a gente fica só ouvindo, porque a gente assistiu a masturbação do Wesley falando de masturbação.
Às vezes é ele, às vezes é o Lenny.
Nós estamos há 3 horas gravando, você vê, passou que nem percebeu. Pois é, meu Deus, foi mal.
Vou fazer, vou falar a frase do Golias agora encerrando aqui, e nós nem usufruímos, né? Fala, fala, fala, fica pro pessoal aí depois usufruir desse papo pro resto da vida, porque isso daqui vai ficar para sempre, essas histórias aí ecoando. Esperando o teu livro, tô esperando o teu livro. Quero ir numa palestra, eu ainda vou numa palestra. Quando tiver uma palestra boa, aquela que tipo não vai ser roubada, que vai acontecer, me chama, eu vou estar na primeira fila. Eu vou ainda ver e vou falar, tá vendo?
Tu disse que eu falei aqui, eu já fiz a minha palestra.
Falece, já tá pronto. Mas realmente, obrigado, cara.
Ela é companheirona, tá vendo? Ela cuida de mim.
É só o que eu sou. Eu, na verdade, eu acho que eu sempre fui uma pessoa boa. Não é porque eu tô casada com pessoas boas, exato, não é porque eu sou casada com Carlos Alberto, é minha essência. Eu sou assim, eu sou uma pessoa que sei escutar, sei a hora de falar, né? Eu tenho— o Carlos Alberto não é uma pessoa fácil, é uma pessoa uma pessoa que tem um gênio muito difícil, né? É um gênio da TV, mas é uma pessoa que tem as suas particularidades dentro de casa, como todo mundo, como eu.
Eu às vezes, nossa, por uma coisinha, às vezes eu viro um furacão e volto, né? Então assim, como eu sei que ele tem esse lado mais, vamos dizer, como é que eu posso explicar, esse ego de artista, um ego bom, todo artista tem, todo artista tem. E o ego é bom, é a ideia, a ideia, exato. E o ego é bom porque te leva à frente. A gente que não tem esse lado, eu tenho meu ego dentro da minha profissão, mas a gente que vê que é diferente, é o artista, é diferente. Então eu consigo entender, né, eu consigo ter sabedoria.
Quem é fora da área é difícil, é difícil, é muito difícil. Mas eu tenho sabedoria porque o pessoal aqui às vezes eu Eu peço algumas coisas, o pessoal acha, pô, mas eu me coloco no lugar deles assim, porque tá insistindo tanto por um detalhe tão pequeno? É que faz diferença, faz diferença. Um áudio bom faz diferença.
Aqui, por exemplo, tem o silêncio. Se tivesse um blá blá blá, acho que teria se incomodado, né? Não ia falar, mas teria.
Ele tem que estar, você vê que aqui mesmo deu umas paradinhas.
É porque isso também tira o foco. Mas o Carlos Alberto também foi um presente na minha vida. Minha vida. Eu costumo dizer que ele também foi uma pessoa que, improvável, eu não achava que ia dar certo nosso relacionamento pela diferença de idade. Eu com 80, ela com 40, 38. Então eu não achava nunca que ia dar certo. Meu pai não queria. Todas as previsões, todas profissões diferentes e vidas diferentes, né? Tudo diferente, valores alguns diferentes, mas a gente consegue, né, passar por cima, e uma vai aprendendo com outro. Então eu acho que foi um presente também de Deus.
É, o relacionamento bom é quando os dois melhoram como pessoa, um aprende com o outro.
Isso, eu aprendi muito com Carlos Roberto, aprendo ainda muito.
E o pessoal acha que um relacionamento bom é sem atrito. Não, tem, tem, tem que ter. O problema é passar por cima dessas coisas e não resolver.
Exatamente. Tem que resolver. E a gente, ele estranhou no começo do nosso relacionamento porque eu sou uma pessoa muito positiva de falar aquilo que eu penso, né? Principalmente para quem eu conheço mais de perto, sem rodeios, sem rodeios. Eu vou e falo porque eu sou assim, eu sou bem clara. E ele começou assim, como assim? Como assim? Essa mulher tá louca? Aí eu virei para ele e falei assim, Vilela, você é o que é na praça. Em casa você é meu marido, então vamos, né, nos unir e você vai me escutar e eu vou te escutar, né?
Isso.
E aí deu certo, porque a gente tá 10 anos juntos. 10 anos. Então deu certo, né? Os meus filhos gostam muito dele, tem uns filhos grandes já, já estão adultos. Então isso é muito legal. São 2 filhos, um de 27, um de 23. Um faz rádio e TV, outro é médico. Rádio e TV já tá aqui, tá aqui assistindo.
É um baixinho de 1,95m.
E os filhos dele, essa risada, porque aí, homem, exato. E os filhos dele também, que são muito gentis, né? E é isso. Então acho que a gente uniu as famílias.
Não podia ter um final de vida tão feliz.
O que que é legado para você?
Legado? É um exemplo que eu dei para os meus filhos. Não é dizer não fume e não fumar.
Não é, não são os programas de televisão, é o que você ensinou, que eu ensinei, o que eu pude lançar de gente.
Nunca me vangloriar da minha posição. Eu sempre acho que os outros estão exagerando. E a coisa mais importante é o exemplo.
Também acho, são as ações.
Um dos elogios que eu mais gostei de ouvir foi quando eu fui homenageado no Congresso, e foi quando o Bolsonaro tava na sala dele às 9 horas da manhã e o chefe de gabinete dele disse, olha, eu vou até o Congresso que o Carlos Alberto faz homenagem agora. Ele pegou o paletó, atravessou aquele gramado todo, foi no Congresso para me prestigiar. E nesse dia, isso é uma coisa difícil de eu falar, mas eu vou falar. Esse chefe de gabinete dele saiu para me apresentar e os 3 generais que ficam, trabalham lá no palácio.
Eu fui conhecê-los, fizeram uma festa. Aí chegou num que o cara avisou o pessoal, olha, esse aí não gosta de artista, é ele que faz dizer quanto que vai para cada emissora. Então ele não vai sorrir para você, isso é normal. Cara, quando eu entrei, você tá comigo, né? Ele se levantou, me deu um abraço e disse um troço.
O que que ele falou?
Eu te admiro pela sua dignidade. Esse é o exemplo. Dignidade, né? Dito por um homem que não gosta de artista, um general 4 estrelas.
Isso está acima de qualquer dinheiro, qualquer prêmio.
Dignidade, dignidade.
E eu concordo, isso é uma coisa que não se compra e não se ensina.
Lutei muito para ouvir isso.
Obrigado, obrigado demais.
Obrigado, obrigado, casal.
Vamos encontrar mais, hein? Me convida aí no sítio.
Não, nós vamos. É que você trabalha também o dia inteiro, né?
Semana eu não trabalho, não vem com essa. Se me chamar no final de semana, eu vou.
Ah, então vou mesmo.
Me convida, me convida.
Vamos sim.
Eu levo o Homer, que come bastante, e ele vai dar prejuízo para vocês. Obrigado demais. Obrigado a todos que tiveram aqui com a gente. Obrigado, Homer. Homer, é contigo aí, cara, você sabe o que você tem que fazer agora, né?
Bom, agradecer demais para vocês que chegaram no final desse papo.
Se vocês ainda não deixaram o seu like, mas vocês viram, né? Tem tanto papo aqui que eu tenho as minhas perguntas, vocês se virem, abra o podcast de vocês e o pessoal do chat faz vocês.
Não é?
Faz aí suas regras, né? Então, se você ainda não deixou seu like, tá panguando, então deixa aí seu like, se inscreva no canal, torne-se membro. Isso, agradecer também o G4 que que está patrocinando o episódio de hoje.
E para provar que você chegou ao final maravilhoso, agora a gente falou de tanta coisa, o que que o pessoal escreve nos comentários para provar? Chegou até o final dessa conversa?
Coloca aí: biquíni do Golias.
Biquíni do Golias, essa história, cara, eu pagaria para ter uma foto dessa dele.
Eu também, eu também pagaria para ver essa foto.
Não existe, ficou só na minha memória. Então, biquíni do Golias, fiquem com Deus, beijo no cotovelo e tchau. E que bom que vocês vieram. Valeu, fui, valeu. Opiniões e declarações feitas pelos entrevistados do Inteligência Limitada são de exclusiva responsabilidade deles e não refletem necessariamente a posição do apresentador, da produção ou do canal. O conteúdo aqui exibido tem caráter informativo e opinativo, não sendo vinculado a qualquer compromisso com a veracidade ou exatidão das falas dos participantes.
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