Episódios de Inteligência Ltda.

1916 - VENCENDO COMPULSÕES E VÍCIOS: THALES STARLING E JÚLIO MAMUTE

25 de agosto de 20263h2min
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THALES STARLING é advogado, escritor e mentor, e JÚLIO MAMUTE é influenciador digital. Eles vão bater um papo sobre como vencer compulsões e vícios. Já o Vilela é viciado em fazer podcast.

Participantes neste episódio3
R

Rogério Vilela

HostApresentador
J

Júlio Mamute

ConvidadoInfluenciador
T

Thales Starling

ConvidadoAdvogado, escritor, mentor
Assuntos13
  • Vencendo compulsões e víciosObesidade e compulsão alimentar·Vício em pornografia e masturbação·Vício em apostas online·TDAH e hiperfoco·Dificuldade de acesso a substâncias·Modificação de ambiente·Importância da identidade e propósito·Estratégias para lidar com recaídas
  • Mensagens finais e reflexõesMomento mais difícil da vida·Mensagem para o futuro (epitáfio)·Dúvida que martela antes de dormir·A importância de não desistir·A força do movimento e da ação
  • História de Júlio MamuteInfância magra e transição para obesidade·Pandemia e aumento da compulsão·Superação da obesidade extrema·Nascimento do sobrinho como gatilho·Início da jornada na internet e natação·Participação na São Silvestre·Júlio Mamute
  • História de Thales StarlingInfância com bronquite e natação·Bullying e apelido 'Toicinho'·Abuso sexual e exposição do pai·Vício em substâncias e prisão·Suspensão do direito de advogar·Mudança para Ribeirão Preto e sucesso profissional·Frase 'Faz do Jeito Que Dá'·Thales Starling
  • A busca por ajuda e a superaçãoA importância de não desistir·Acreditar na própria capacidade·A gratidão e o perdão·A importância de honrar os pais·A força do movimento e da ação·A analogia do carro quebrado na estrada
  • A importância da decisão e estratégiaDor como motor de mudança·Amor como motivação·Necessidade de clareza e propósito·Dificultar o acesso a gatilhos·Renúncia e mudança de ambiente·Lidar com preconceito social·A força da identidade pessoal
  • O papel do esporte e da menteNatação como esporte salvador·Consumo de conteúdo de valor·Fortalecimento do corpo, mente e espírito·Importância da oração e fé·Estratégias para criar novos hábitos
  • O perfil de pessoas propensas a víciosInclinação para o prazer imediato·Fatores psicológicos (TDAH, ansiedade, depressão)·Fatores sociais e ambientais·A balança de dor e prazer no cérebro·O vício como agravante de problemas psicológicos
  • A gravidade do vício em apostas onlineApostas online como vício letal·Perda financeira e dívidas como gatilho·A importância de travar o prejuízo·A busca por recuperação financeira e pessoal·Felipe Barros
  • O que fazer após a recaídaIdentificar as causas psicológicas da recaída·Avaliar a necessidade de ajuda fisiológica·A importância de buscar ajuda profissional·A humildade para pedir ajuda·A importância de checar os hormônios
  • O poder dos hábitos e a neurociênciaHábito como caminho neural·Cérebro economizando energia·Dificuldade em desfazer hábitos antigos·Criação de novos hábitos para substituir antigos·O lema 'Só por hoje' do AA
  • A influência do ambiente e das relaçõesAves da mesma plumagem voam juntas·Renunciar a relações tóxicas·Pedir ajuda e coragem para negociar·A dificuldade de lidar com a família como gatilho·A importância de se afastar de gatilhos
  • A busca por dopamina e a recompensaDopamina como fonte de motivação·A busca por prazer rápido e apelante·Substituição de recompensas em vícios·O perigo do 'dia do lixo' para compulsivos·A importância de comemorar pequenas vitórias
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RVRogério Vilela

Olá, terráqueos, como é que vocês estão? Eu sou o Rogério Vileira, tá começando mais um Inteligência Limitada, o programa onde a limitação da inteligência acontece somente por parte do apresentador que vos fala. Sempre trago pessoas mais inteligentes, mais interessantes e com a vida muito mais focada do que a minha, do que a sua, cara. Você não tem nada de foco.

?Voz B

Não tenho foco.

RVRogério Vilela

Eu falo com você quando eu vejo— a gente tá falando do seu cabelo, você cortar o seu cabelo. A gente— aí você começou a perguntar, a gente vai no lugar gravar, certo? Aí você falou assim, eu tenho que decidir antes ou depois como vai ser o corte do cabelo? Olha a pergunta que você me fez. Como que você vai decidir depois que o cara corta seu cabelo qual vai ser o corte do seu cabelo?

?Voz B

Complexo, né, cara?

RVRogério Vilela

Complexo, complicado. Você é geração o quê?

?Voz B

Geração Z, acho que a geração Z depois de 2000, né?

RVRogério Vilela

Não sei, o diretor tá certo? Geração Z, essa maldita, a geração maldita.

?Voz B

Não fala assim dele.

RVRogério Vilela

Não, é a geração que vai destruir o planeta, cara. A gente cuidou do planeta até agora, vocês vão fazer esse negócio dar errado.

?Voz B

A que tá vindo depois de mim é pior, cara.

RVRogério Vilela

Essa é a sua justificativa? Eu sou ruim, mas a próxima é pior.

?Voz B

O boomer culpa o X, o X culpa o Z e o Z culpa a próxima.

RVRogério Vilela

Eu sou X.

?Voz B

Eu culpo o Alpha.

RVRogério Vilela

Tá certo.

?Voz B

Alpha não presta.

RVRogério Vilela

Tá certo. Então, querido, como vai ser a participação dos Alpha e dos outros que estão na live?

?Voz B

Galera, já chega deixando o teu like, tá bom? A tua inscrição. Tem muita gente que assiste aqui o nosso conteúdo, mas ainda não é inscrito, né? Então confere aí se você está inscrito. Se você não estiver, já se inscreve, tá? E hoje vai ser uma live muito especial porque ela vai ser dedicada lá para o grupo do Telegram, né?

RVRogério Vilela

Exato, para quem é membro.

?Voz B

Membro aqui do canal. Eles têm uma série de benefícios, né? E um deles é que eles mandam perguntas de forma adiantada. Então aqui eu já tenho uma série de 10, 15 perguntas separadas anteriormente, tá?

RVRogério Vilela

Isso, pessoal do chat pode mandar, mas dá preferência também.

?Voz B

É isso aí, exatamente.

RVRogério Vilela

Esses dois aqui eu queria juntar faz tempo, já tô falando com eles já há um tempo aí, deu certo agora e finalmente estão aqui. A gente tem assunto para caramba, quero saber muito da vida de vocês, da transformação, da mudança que vocês falaram que ainda tá em curso, né?

JMJúlio Mamute

Sim.

RVRogério Vilela

Então por favor se apresentem. Mamute, quer começar? Tua câmera é essa, se apresenta para o povo. E seja bem-vindo, cara. Que bom que deu certo.

JMJúlio Mamute

Uma honra tá aqui, viu, irmão? Como eu falei para você, até parabenizando pela qualidade da cadeira.

RVRogério Vilela

Você tá estranhando essa cadeira Elements aqui, que é perigo, cara. Eu escolhi a mais confortável para gente.

JMJúlio Mamute

Tu já escolhe o convidado mais pesado para testar cadeira?

RVRogério Vilela

Eu não queria falar nada, mas a gente tá— a gente vai passar depois essa informação pessoal. Foi aprovado, foi, passou no teste.

JMJúlio Mamute

Tu sabe que de vez em quando, nas horas vagas, eu trabalho para o Inmetro.

RVRogério Vilela

Se eu sentar, não quebrar, o pessoal te dá o selo para aprovado, selo Mamute. Mas seja bem-vindo, quero que você apresente para o povo.

JMJúlio Mamute

Bom, sou Júnior Mamute, tenho 35 anos. Basicamente eu sou um ator que fala, que anda hoje. Em um momento da minha vida eu não andava mais, já emagreci mais de 115 kg, cheguei a pesar mais de 310, e nesse momento eu tô compartilhando minha história de superação na internet. E aqui cheguei ao ápice, digamos, para bater um papo junto com o Vilela.

RVRogério Vilela

Poxa, que legal, cara, que legal! A história é muito legal, cara, eu quero que o pessoal conheça também. E tá aqui o Thales, que, cara, acompanha os stories dele. Ele começou a falar com a gente, eu não reconheci, não reconheci nesse tom de voz que você tá falando. Fala como você tá falando com a gente aqui, irmão.

TSThales Starling

Você não tá cansado aí? Você tá drenado de videozinho curto? Fica ali igual um ratinho, ó, assistindo videozinho curto. Conteúdo adulto, né? Que mais que você tá fazendo, tigrinho? Que que é? Que que é que tá acabando com sua vida? Então presta atenção aqui no que a gente vai falar hoje, que esse conteúdo vai transformar sua vida, meu irmão. Sem desculpa, você não tá cansado não, você tá drenado de porcaria, e hoje vai ser o dia que vai limpar sua cabeça de tudo isso. Vamos para cima, vai do jeito que dá.

RVRogério Vilela

É isso aí. Agora se apresenta para o povo.

TSThales Starling

Eu falo normal também, viu?

RVRogério Vilela

É, agora é o normal, mas de vez em quando, cara, eu vou prestar Para acordar, chacoalhar a galera, né? Mas se apresenta para o povo aí.

TSThales Starling

Eu me chamo Thales, né? Eu, no meu canal, nas redes sociais, tá Viking Thales. Mas assim, de informações—

RVRogério Vilela

Por quê? Porque o Viking veio de apelido?

TSThales Starling

Véi, veio porque são os guerreiros que, vamos dizer, trabalham nas piores condições e vão para cima nas piores condições e arregaçam.

RVRogério Vilela

Tem aquela história de queimar os barcos, não sei se é verdade, mas pelo menos funciona como motivacional, né?

JMJúlio Mamute

Distribui-se essa história a umas 5 pessoas diferentes. Exato, né?

TSThales Starling

Então são guerreiros que foram treinados, forjados ali no frio, em condições piores, lutavam em menores quantidades e venciam. Então acho que é uma boa metáfora para quem tá passando um momento difícil, né, que vai ter que ter essa força, essa força de vontade que os vikings tinham de, velho, vamos arregaçar com que tem, do jeito que dá, vamos voltar vitoriosos. E se precisar, vamos queimar os barcos, né? O que seria a ideia do queimar os barcos?

RVRogério Vilela

O que seria?

JMJúlio Mamute

Faz sentido.

TSThales Starling

Seria não ter mais desculpa. Essa metáfora é uma metáfora sobre acabar com as desculpas, sabe? Porque enquanto a gente tem um plano B, a gente nunca faz o plano A. Então, se a gente tem a casa dos pais para voltar, um emprego B, um plano B, um negócio tal, um vício que te deixa alegrezinho, mas te deixa mal depois. É um vício, uma pessoa que tipo não é a melhor pessoa, mas te dá ali migalhas ali, né, de atenção, micro prazeres para te deixar ali anestesiado.

E a história de queimar o barco é justamente acabar com as desculpas. Como que, quais são, elenca quais são as desculpas que você tem hoje para realizar o seu objetivo e acaba com elas. E não tem mais volta, tem que ir até conseguir.

JMJúlio Mamute

Eu acho que aquela coisa do também não, não exatamente não tem mais volta, né? É, não tem mais volta. Às vezes, por exemplo, confessar publicamente algo, fazer uma declaração pública.

RVRogério Vilela

Eu faço muito isso, cara, quando eu declaro aqui, aí eu sou forçado a fazer, porque senão você fica enrolando, fala não, Vamos lançar tal coisa tal mês, cara. Aí a coisa, porque quando você não coloca prazo, aquele negócio, ah, eu vou fazer isso, tô pensando em fazer isso, não existe um dia no calendário, né? Porque para sua cabeça parece que resolveu o problema. Tipo, você falou para o seu cérebro que você vai fazer um dia, mas você não fez. E você tem que colocar prazo, tem que se forçar.

JMJúlio Mamute

Um dos motivos inclusive de eu criar coragem para expor a minha história na internet foi justamente essa, foi a servir de motivação para você próprio, a galera te forçar, profissão pública, exatamente, e haver essa cobrança.

RVRogério Vilela

Mas vamos lá, que momento você tava da tua vida que você chegou, eu preciso mudar, eu preciso fazer alguma coisa? Porque tem muita gente que passa a vida inteira e vai empurrando com a barriga, vai falando a outra, outra hora. Por que aquele momento? Por que aconteceu? Ó, tocou a campainha aí, cara.

JMJúlio Mamute

Vilela, como se diz, o caminho para o inferno às vezes, na maioria das vezes, ou todas as vezes, ele é sedutor, ele é gostoso, ele é ele é dramático, ele é colorido. Se bem que aqui é colorido, mas não tem nada a ver com isso.

RVRogério Vilela

Opa, aqui não, caminho para o céu, cara.

JMJúlio Mamute

E o caminho para o céu às vezes exige sacrifício, às vezes exige renúncia. A obesidade é um pântano escuro.

RVRogério Vilela

É o quê?

JMJúlio Mamute

Um pântano escuro. Pântano escuro é uma areia movediça. Ninguém nasce, ninguém acorda um dia, um belo dia depois de adulto e diz: daqui por diante eu quero ser gordo, daqui por diante quero ser obeso. As situações da vida vão levando para esse pântano escuro, para essa areia movediça. Às vezes você tenta sair, só que o que acontece na areia movediça? Você afunda de novo, você acaba afundando de novo. Então a minha história remonta a— eu não era, eu não era uma criança magra, ou perdão, não era criança obesa, era criança absolutamente magra.

RVRogério Vilela

É mesmo?

JMJúlio Mamute

Magra. Tem foto e tudo?

RVRogério Vilela

Tem, manda, manda aí, Bigode. Aliás, eu não pedi o presente inútil de vocês. Trouxeram presente para mim? Vamos lá, Thales, que você trouxe.

TSThales Starling

Eu trouxe.

RVRogério Vilela

Olha lá, olha lá. Ah, cara, não era, não é? Porque normalmente a criança gordinha tem dificuldade depois de emagrecer, mas você não era.

JMJúlio Mamute

Foi o ambiente, foram as escolhas.

RVRogério Vilela

Mas quantos anos você tem? Isso aí parece uma casa dos anos 80, cara, parece minha casa.

JMJúlio Mamute

Década de 90, nasci em 90.

RVRogério Vilela

Ah tá, mas então é porque o aparelho de som é igual que eu tinha em casa, cara. Meu pai colocou todas as cores possíveis, você vestindo, né, a combinação de cores. Olha que legal, cara, os discos de vinil.

JMJúlio Mamute

Tive uma infância saudável, na rua, atlética assim, claro.

RVRogério Vilela

É mesmo? Brincando na rua?

JMJúlio Mamute

E ali por volta dos 10, 11 anos ali eu comecei a guardar. Posso compartilhar um pouco com vocês?

RVRogério Vilela

Vamos lá, só quero ver os presentes então antes.

TSThales Starling

Aqui, ó, essa foi a primeira camisa feita do Faz do Jeito Que Dá, também a que eu usei na inauguração.

RVRogério Vilela

Eu gosto muito dessa frase, cara, faz do jeito que dá, porque a gente fica esperando o momento perfeito, a hora perfeita, o pôr do sol perfeito, a viagem dos sonhos, e às vezes, cara, é É numa ida à Praia Grande, é uma, é uma balada que você não queria ir e você encontra amigos. É, faz do jeito que dá, cara.

JMJúlio Mamute

É isso. Algumas das melhores experiências que eu tive na vida e melhores conexões foram totalmente aleatórias.

RVRogério Vilela

Exato, exato. Esse podcast mesmo, cara, eu nunca pensei em fazer um podcast. Aconteceu uma pandemia, caíram meus shows, eu falei, o que que eu vou fazer? Vou fazer um podcast. E fiz do jeito que eu dava, eu fiz no meu porão, do jeito, olha, cara, fiz do jeito que dava. Eu podia falar não, enquanto eu não tiver o equipamento certo, não tiver um estúdio, não estiver, não tiver, aí eu não ia fazer nunca. Como eu fiquei enrolando muito tempo fazer muita coisa na minha vida.

TSThales Starling

Pô, obrigado, cara, de coração. Foi a primeira camisa, então ela não tem à venda isso.

RVRogério Vilela

Mas você começou com essa frase para as pessoas, para você mesmo, para Foi para mim mesmo.

TSThales Starling

E quando eu vi a força que fez na minha vida essa frase, virou meu jargão. E assim, eu recebo, eu brinco, né, eu recebo mensagem desde o motoboy aqui de São Paulo ao empresário da Faria Lima, a Patricinha tá lá na Califórnia, que fala assim, eu cheguei aqui na Califórnia, tô tendo que trabalhar e tô lembrando dessa frase e tá me animando. Então anima todas as camadas assim. Sociais dá uma força, né, mesmo para pessoa. E porra, é um, é muito, foi muito especial.

E eu comecei assim também, né, eu comecei ali colocando um celular e tal, fui fazendo do jeito que dá e cheguei no nível de pureza hoje que tem ali nos meus vídeos, tudo fazendo sozinho, faço tudo sozinho, é, sem ajuda de ninguém.

JMJúlio Mamute

Isso é uma coincidência do destino nossa, né, não tem nenhum tipo de equipe por trás, sabe.

RVRogério Vilela

Acho que é o mais verdadeiro também, né?

JMJúlio Mamute

É uma dor, ela, se você quer compartilhar da maneira mais verdadeira possível, ela precisa ser compartilhada em primeira pessoa, cru. Se você compartilhar com equipes, com— por isso inclusive que eu fujo sempre de coisas de projeto, de que eu busco fazer, documentar em primeira pessoa, faz mais sentido, gera mais conexão.

RVRogério Vilela

Pessoa que se maquia, coloca a câmera no lugar certinho, aí vai chorar na hora certa para falar uma mensagem. A gente A gente sabe, né, que é verdadeiro. E você, o que você trouxe?

JMJúlio Mamute

Disseram que era inútil, mas que tinha que ter alguma referência, né, alguma história, né? Um balão, nossa, murcho aí, explodido.

RVRogério Vilela

Qual que é a história?

JMJúlio Mamute

O balão já tá no formato certo, né?

TSThales Starling

É para lembrar do quê?

RVRogério Vilela

Qual que é? E a risada minha fica bonito aqui no cenário, hein? Olha só.

JMJúlio Mamute

Mas você tá vendo que tem alguns balões estourados, não tem?

RVRogério Vilela

Tem vários balões estourados aqui, ó.

JMJúlio Mamute

A gente vai falar de compulsão e vício, correto? É. E obviamente, como eu disse, a obesidade, assim como outras compulsões, outros vícios também, são, é uma areia movediça. E eu já, as pessoas tentam às vezes buscar métodos e soluções, acaba derrapando, acaba. Eu já coloquei um balão gástrico aqui para você ter uma ideia.

RVRogério Vilela

Sério?

JMJúlio Mamute

A Consorciada Canetas Meses depois eu tinha engordado 40 kg e o balão tinha explodido na minha barriga. Caramba, velho! Fui fazer xixi. Bom, é difícil fazer xixi quando o cara é muito grande, né? Mas aí me posicionei e tal na estratégia, quando eu vi tudo azul, cara.

TSThales Starling

Ô louco, velho!

JMJúlio Mamute

Fiquei uns 5 minutos tentando adivinhar. Porra, o que que é isso? Aí eu lembrei, cara, será que é o balão? Liguei para o médico, ele falou: venha imediatamente para cá que você precisa retirar isso.

RVRogério Vilela

Meu Deus!

JMJúlio Mamute

Me internei lá.

RVRogério Vilela

Como que estoura isso?

JMJúlio Mamute

A pressão, muita comida. Porque quando você tem uma compulsão estabelecida há muitos anos, você tá, por exemplo, eu posso falar com mais propriedade em relação à obesidade porque eu vivo isso, eu sinto isso, né? Você não come por causa de fome, não, né? Não tem nada a ver com fome. Um super obeso, uma compulsão realmente enraizada, não tem nada a ver com fome. Então a experiência de ter colocado, é praticamente uma cirurgia bariátrica, né?

Um troço que enche na sua barriga, né? E você come até o ponto de explodir. Então é meu presente inútil para você, para Ah, sim, tem um que talvez seja— tem presente que são inúteis para algumas pessoas, mas pode ser útil para outras, né? Esse pode ser inútil para você, mas você pode dar para o seu filho.

RVRogério Vilela

Ah, cara, meu filho vai pirar nesse mamute aqui, olha só! Isso se o Bigode não roubar antes, porque ele é todo molecão.

?Voz B

Eu gostei também.

RVRogério Vilela

Você gostou, né?

JMJúlio Mamute

Eu gostei.

TSThales Starling

Vai ficar bonito lá em casa, filho.

RVRogério Vilela

Mano, demais, cara, demais!

JMJúlio Mamute

Esse mamutinho aí para você presentear.

RVRogério Vilela

Olha só! Falaram que vão reviver o mamute, né?

JMJúlio Mamute

Pois é, cara, vão reviver o mamute, né?

RVRogério Vilela

Pegar uns restos aí e misturar com outros.

JMJúlio Mamute

Vai nascer do Chibiu da Alephanta, né? É, exato.

RVRogério Vilela

Mas vamos lá, separou tua história então. Você era um garoto que não era obeso, garoto normal que brincava na rua, tinha uma atividade física normal. E aí, o que que aconteceu?

JMJúlio Mamute

Muitas pessoas perguntam, pô, você foi bulinado? Você teve algum trauma? Você teve algum gatilho que disparou? Olha, eu não consigo atribuir absolutamente nenhum tipo de trauma, nenhum tipo de gatilho. Eu atribuo realmente, e porque eu tive uma infância muito saudável, sabe? Eu já fiz muita terapia na vida, cheguei a fazer até esses cursos de hipnoterapia e tudo mais. Então eu realmente não atribuo a nenhum tipo de gatilho, nenhum tipo de evento específico.

Foram a pré-adolescência, você vai ficando mais rebelde, você vai fazendo escolhas muitas vezes erradas, vai dormindo mais tarde, vai comendo umas porcaria. E é sedutor. Eu simplesmente fui comendo, fui engordando, fui engordando, engordando, ao ponto de que quando eu me vi já tava pesado demais. Tentei fazer, buscar soluções, tentei ser emagrecido por qualquer método que fosse possível. Então todos os tipos de métodos que você possa imaginar, dieta, remédio, da lua, do sol, de tudo que você possa imaginar, cara. E Não ia, porque muitas vezes eu tentava ser emagrecido.

RVRogério Vilela

Como assim? O que que é ser emagrecido?

JMJúlio Mamute

Ser emagrecido, quando eu digo, é o seguinte: eu nunca tive a consciência, naquele momento eu não tinha consciência de que, cara, eu preciso encarar isso aqui como um processo. Não vai ser do dia para noite, e eu tenho que encontrar o ponto de equilíbrio desse desequilíbrio que eu tenho, dessa compulsão alimentar. Mas eu tentava resolver algo que muitas vezes é mental Não vou dizer 100%, mas muitas vezes é mental com alguma coisa física.

Muitas pessoas, por exemplo, não só corre, por exemplo, para uma bariátrica, uma intervenção física, mas eu não vou falar estatística aqui, mas uma esmagadora maioria acaba, quando não volta a engordar, acaba descambando para outro tipo de vício, porque usou intervenção física para tentar resolver um problema mental.

RVRogério Vilela

Dá um exemplo. A pessoa para de fumar e vai para o doce. Para.

JMJúlio Mamute

Exato. Ó, quando eu engordei demais, eu vivia na corda bamba, eu vivia no limite. Sabe aquela sensação, aquele espírito colocar no ser humano que você falou logo no início? Um dia, um dia eu faço, um dia. Enquanto tiver razoavelmente confortável, a gente vai levando, né?

RVRogério Vilela

É, cara, eu vou falar da minha A minha situação não era como a tua, mas era grave, cara. Eu cheguei no médico um dia, eu tava naquilo lá também. Um dia eu volto a treinar, um dia eu faço dieta, um dia não sei o quê. Aí o médico falou, cara, ó, seu colesterol, sua testosterona tá baixa, não sei o quê, você tá pré-diabético, não sei o quê, não sei o quê, não sei o quê. Ele começou a falar, como você quer viver daqui para frente?

Como você quer criar seu filho? Como não sei o quê? Seu pai tá com 81, você tá vendo como ele tá. Você quer chegar com ele? Você até quer chegar melhor? Você quer fazer não sei o quê? Aí eu tive que tomar uma opção. Só que você, eu tomei, eu precisei tomar porrada para tomar a decisão. Tem, o legal é a pessoa conseguir fazer antes disso. Eu reverti todos os exames em um ano.

JMJúlio Mamute

As pessoas fazem as coisas só por dois motivos, né, Vilela?

RVRogério Vilela

Pela dor ou pelo amor.

JMJúlio Mamute

Para fugir de uma dor ou para se aproximar de um amor, um prazer. Uma coisa que queira, né? O ponto de virada na minha vida foi pela dor também, foi pelo— eu tive essas duas experiências, amor e dor. Porque quando eu, como eu tava dizendo, concluindo o raciocínio, eu vivia no limite, mas a pandemia veio, né? Aí, ou seja, eu tinha meus negócios, sou empreendedor, empresário há muitos anos. E aí, dentro de casa, cara, eu tenho rede de franquias de cosméticos, eu cheguei a ter escola de desenvolvimento comportamental.

RVRogério Vilela

Foi afetado para caramba, bastante.

JMJúlio Mamute

Exato. E aí dentro de casa, o que é que a minha nova compulsão se tornou? Mercado Livre, compras. Todo dia chegava caixas e mais caixas para o porteiro, cara.

RVRogério Vilela

Eu passei por isso. Passou? Passei.

JMJúlio Mamute

É pandemia também? É irmãozinho de compulsão na pandemia.

RVRogério Vilela

Bom, agora é a Fabi que tá nessa compulsão. Todo dia chega coisa aí do estúdio aí para mim.

JMJúlio Mamute

Chega, chega uma hora, chega.

RVRogério Vilela

Mas essa compulsão, pelo menos, não, não é para o trabalho, pelo menos vai resolver isso hoje.

JMJúlio Mamute

E aí, cara, na pandemia eu saí daquilo que era razoavelmente confortável, embora fosse muito grande ainda, para completamente sem controle. Cheguei a mais de 300 kg, cara.

RVRogério Vilela

300 kg, eu não faço ideia, cara. É muita coisa, não é? Tipo, você tá com quanto agora?

JMJúlio Mamute

Algo em torno de 190, cara.

RVRogério Vilela

Você tá com menos de 200, tinha 100 kg a mais. E a locomoção, como que era? O que que você não conseguia fazer? Cara, eu levantar, tinha dificuldade de se levantar.

JMJúlio Mamute

É curioso, tomar banho era mais cansativo, manter o equilíbrio era mais cansativo do que ir até andar 100 metros.

RVRogério Vilela

Tá brincando, cara?

JMJúlio Mamute

Coisa simples, coisa simples. Eu saía do banho já cansado, suado, querendo deitar, mano. Eu vivia preso literalmente ao meu próprio corpo, refém de mim mesmo, me tornei refém, entendeu? Eu tava preso. E olha só, você falou do ponto de virada.

RVRogério Vilela

É essa época, mais ou menos isso, mais ou menos isso. Olha o braço, velho.

JMJúlio Mamute

Nunca mais eu quero voltar para aquele lugar, cara. Nunca mais eu quero voltar para aquele ponto escuro. Quando eu tinha, tava no meu ápice, minha irmã engravidou, e o sonho da minha vida é ter filhos. Se eu um dia tiver numa fazendinha, algum lugar do Brasil, do mundo, escutar meus filhos e netos falar, pô, papai, vovô foi foda, hein? Eles pagaram o preço, fizeram para estar aqui, né?

RVRogério Vilela

Que legal!

JMJúlio Mamute

Ali eu posso dizer, zerei o game, ganhei, ganhei, zerei. E naquele momento eu já não achava que isso seria possível.

RVRogério Vilela

Já tá profetizado então.

JMJúlio Mamute

Ali eu achava que não seria possível mais, porque eu tava me enterrando, né? Eu tava preso em cima de uma cama sem andar direito. E aí eu falei para minha irmã, cara, ele vai nascer no dia do meu aniversário, mas falei brincando, tá? Esse meu sobrinho.

RVRogério Vilela

Ah, você falou?

JMJúlio Mamute

Falei para ela brincando, isso no início do ano. Eu faço aniversário em novembro.

RVRogério Vilela

Que dia?

JMJúlio Mamute

13.

RVRogério Vilela

Eu sou dia 8. É escorpião também?

JMJúlio Mamute

É nós! Ele tava previsto para nascer na primeira semana ou na última semana de novembro ou primeira semana de dezembro. Naquele ano, naquele dia, cara, eu tava com os vidros fechados. Eu, se eu abrisse o vidro, eu conseguia ver a praia, conseguia ver o mar lá em Recife. Sou de Recife. Né? Cansei de assistir os tubarões comerem vocês paulistas.

RVRogério Vilela

O tubarão é fogo, né? Você dá a mão, ele quer o braço, né?

JMJúlio Mamute

É por isso que eu nunca, eu nem me aventuro. Você me vê lá um petisco desse tamanho, tubarão começa a avisar todo mundo, fala: vem aqui, chegou o iFood! Deixa eu longe, eu não entro não. Para ele me buscar, ele tem que subir lá em cima. E aí, cara, nesse dia eu tava com os a porta fechada, janela fechada, sem querer ver ninguém. Eu não cheguei, eu não consigo, eu não diria que eu fiquei depressivo, mas, cara, imagina, pandemia, com mais de 300, uma fobia social, não queria ver ninguém.

Minha mãe levou um bolinho, meu cunhado liga para minha mãe, sobrinho vai nascer. Até aí tudo bem. 13 de novembro. Até aí, ok, coincidência, é possível, não é? Mas aí eu vou falar uma coisa para você que foge completamente das estatísticas racionais. Vilela, ele não nasceu apenas no meu dia, ele nasceu no dia e na hora que eu nasci. Quando ele nasceu no dia e na hora que eu nasci, eu não escutei nenhuma voz, eu não escutei nada, mas cada um tem sua espiritualidade.

E eu senti no meu coração naquele momento que era uma mensagem para mim fazer alguma coisa, que a primeira vida da próxima geração da minha família tava chegando no dia e na hora que eu nasci. Por esse motivo, para dizer que a vida vale a pena. Ali eu me constrangi com amor, eu senti um amor assim do Criador. Eu acreditei naquela mensagem, eu fiquei constrangido por aquele amor. Na semana seguinte eu fui tentar levar um presente para ele e eu não consegui.

Ali eu tive a dor, ali eu fiquei puto, ali eu me senti um lixo. Ali eu disse, de que adiantou ter empreendido alguma coisa, ter trabalhado alguma coisa, ter feito alguma coisa?

RVRogério Vilela

Aquela sensação de que tudo foi à toa, né?

JMJúlio Mamute

À toa. Se eu não consigo entregar um presente, cara, chega, eu fico, eu não consigo entregar um presente para o meu primeiro sobrinho que eu atribuo a uma mensagem na minha vida. Ali foi a dor que eu precisei Que a lapada que eu levei na cara para começar a fazer alguma coisa, dali por diante eu comecei a agir, entrar em movimento.

RVRogério Vilela

Mas é que tá, você fez alguma coisa.

JMJúlio Mamute

Sim, tive que dar o primeiro passo.

RVRogério Vilela

Tem que dar o primeiro passo, né? Não adianta, cara. E a tua história, cara, qual que é? Eu imagino que tem alguma perda, tem alguma, alguma, algum ponto também decisão, cara.

TSThales Starling

Eu vou resumir.

RVRogério Vilela

Não, não resume, conta, conta a história. Aqui a gente tem tempo.

TSThales Starling

Não é tranquilo, mas assim, eu vou falar porque aconteceu muita coisa ruim.

RVRogério Vilela

Então vamos lá, eu vou— quem é você? Você nasceu onde?

TSThales Starling

Isso, eu me— eu nasci numa cidade no interior, chama São Sebastião do Paraíso, no sul de Minas, ali Serra da Canastra. Minha família é de uma cidadezinha ali perto, São João Batista do Glória, e eu morei ali até 5 anos e acabei mudando para Belo Horizonte porque a família do meu pai é de uma cidade que chama Santana de Pirapama, um outro arraial perto de Belo Horizonte. Mas foram para Belo Horizonte, a família do meu pai. Então eu fui para lá.

Eu desde pequeno tenho bronquite asmática, então eu fui orientado ali pelos médicos, né? Fica essa dica: não tem remédio melhor para qualquer doença cardiorrespiratória do que a natação, né? A natação é unânime. Até mamute pratica também. Então eu fui ali desde pequeno, né, incentivado, vamos dizer, a nadar. Mas quando eu cheguei em Belo Horizonte, eu participei de um teste para entrar numa equipe de natação lá, de um— vou citar o nome do clube, é um clube bem conhecido nacionalmente.

Consegui passar, foi um, foi assim, um orgulho para os meus pais ali, né? Mas o que aconteceu, eu sou de dezembro, né? Então tem hoje, eu tenho uma, quem é do começo do ano leva uma vantagem sobre quem é do fim do ano ali nas idades ali.

RVRogério Vilela

Parece que poucos meses de idade, eu como sou do final do ano também, eu por exemplo, eu tava, eu era o mais velho da turma, eu entrei, eu perdi um ano na teoria assim.

TSThales Starling

É, e eu acho que aconteceu o inverso, eu era o mais, eu era uma opção que minha mãe não fez assim.

RVRogério Vilela

De eu entrar antes, um ano antes, aí eu estaria mais novo que todo mundo, né?

TSThales Starling

Isso.

JMJúlio Mamute

Então assim, além de eu ser mais novo, era, não acreditaram na sua capacidade cognitiva.

RVRogério Vilela

Com certeza foi isso.

TSThales Starling

Então assim, além de eu ser mais novo, eu sou assim, não sou bom de habilidades físicas, nunca fui, entendeu? Esporte, esporte, não. Então assim, então eu cheguei lá, falava com aquele jeitão do Qual que é aquele personagem da Turma da Mônica?

RVRogério Vilela

O Chico Bento.

TSThales Starling

Chico Bento, é. Fala por quê, porta. Então já chegou aquele menininho barrigudinho lá, é, por quê, porta. E a galera já zoando, já pega assim, pô, criança não tem filtro, né? Não tem filtro. E nessas equipes, até falo com alguns pais, não a título de coisa, os técnicos eles não intervêm, eles deixam. Não sei se mudou agora por causa desse todo negócio do politicamente correto.

RVRogério Vilela

Mas na minha época também era livre, cara.

TSThales Starling

É, deixava isso, pau que torava ali. Nossa, isso é, então assim, e aí eu assim, vamos dizer, apanhei mesmo. Eu fui o cara que sofreu bullying ali mesmo na época, de pancada, de peido na cara, nas viagens assim, tanto por eu ser o pior quanto não ser um cara muito habilidoso. Teve essa questão da idade que Fui entender muitos anos depois, parece que poucos meses não faz diferença, faz muita diferença quando é nível de esporte, né?

E aí eu não contava para meus pais, assim, tentava evitar, porque eu via que para eles era importante eu estar, eles ficavam felizes de eu estar ali. E eu sempre tive essa necessidade de validação, né? Ela veio desde pequeno, começou com meus pais. Eu falo muito disso no conteúdo, nessa necessidade, validação. Então ela começou ali, eu fazia de tudo para agradar meus pais. Então aguentei ali até não aguentar mais mesmo assim, fui até o meu limite.

É com os 9, 10 anos eu falei, ó, não aguento mais, tô no meu limite assim. Confessei para minha mãe, porque quem levava era meu pai. Meu pai fingia que não via, não sei se Fingiu, não sabia mesmo? Fingia que não via. Vou entrar na parte do meu pai agora na cidade e aí vai ficar mais claro. Mas aí eu saindo da natação, eu engordei legalzinho, legal. E aí no colégio que eu estudava, eu era da turma, vamos dizer, dos meninos mais legais do colégio.

E aí no que eu saí da natação, eu comia muito também, comia muito. E aí eu engordei muito. E aí eu, com a galera que começou a pegar no meu pé lá no colégio, me apelidaram é de Toicinho, em relação a um porco, um porquinho, Toicinho. Então eles pegaram firme nessa zoeira comigo. E eu daquele jeito, eu ficava chateado, mas não falava com ninguém, porque para mim a validação dos meus amigos era muito importante. Então é aquela história, né, eu sempre ali me diminuindo e aceitando para caber em lugares, né, seja na equipe, seja ali com meus amigos do colégio.

E sem um apoio ali de uma ideia de um pai. E assim, eu sempre falo isso, gente, o que quem passa a força para o filho é o pai. A mãe não consegue passar a mesma força que um pai protege.

RVRogério Vilela

Eu vejo isso com meu filho, a mãe, a mãe protege e o pai tenta jogar para o mundo.

JMJúlio Mamute

Isso, sabe aquele mesmo que tá indo ao pirar jogar na piscina?

RVRogério Vilela

Mas é, cara, eu chego para o meu filho e falo: amarra o tênis.

TSThales Starling

Isso.

RVRogério Vilela

Aí tem que aprender. Aí a mãe vai lá e amarra para ele. Aí eu falo: não, tem que deixar ele amarrar.

TSThales Starling

Isso.

RVRogério Vilela

Porque a mãe quer cuidar e tal. Não, filho, se troca, você sabe, lava o cabelo sozinho e tal. É essa função do pai mesmo.

TSThales Starling

Então não tive essa trocação de ideia com meu pai, fui me tornando uma pessoa relativamente fraca assim para lidar com essas coisas. Mas assim, com 13 anos a história esquentou, porque começou muitas, constantemente eu via minha mãe brigando com meu pai, chorando lá em casa, e esse negócio rolando no colégio. Até que um dia eu lá, por volta dos 13 anos, eu levei um amigo meu para a gente fazer um trabalho no colégio. Ele entrou lá em casa, não sabia porque que minha mãe tava chorando, e aí ele foi até meu quarto e pegou meu pai praticando um ato de cunho sexual assistindo conteúdo adulto dentro do meu quarto.

Nossa, se vamos se dizer, não sei se pode falar, mas assim, o pessoal entendeu, né?

RVRogério Vilela

Bem claro, entendeu.

TSThales Starling

E aí ele falou, ele na mesma hora foi embora e voltou para o colégio, começou a contar isso lá, e eu achei que era uma zoeira. Eu falei, caramba, que nível de zoeira que os cara tão estão pegando no meu pé, né? Começou com isso, agora falar disso começa. E aí o negócio foi aumentando, foi aumentando, foi aumentando, foi aumentando. Na mesma época também eu fazia, eu era o único ali que não tinha ficado com uma menina ainda. Igual eu te falei, eu era da turma dos caras mais legais, mas era introvertido.

É, não é, não, eu me comunicava bem, fazia de tudo para, para, não era tímido. Não era time.

JMJúlio Mamute

Todo gordinho geralmente se comunica. Quando você não tem muito, você tem que usar a boca às vezes, cara. Você tem que, é oral, né?

RVRogério Vilela

É a forma de se enturmar.

JMJúlio Mamute

O Freud dizia que o gordo se projeta para frente, né? Sun Tzu dizia que isso corrobora com Sun Tzu: melhor defesa é o ataque. Então o gordinho já é o primeiro a se comunicar, a se zoar também. É uma coisa que fica inata, você vai aprendendo. Agora tem alguns que fazem, tanto que tem muito comediante gordo, né? Exatamente. Até o ponto, por exemplo, no meu caso, eu faço, eu, se eu cair dessa cadeira hoje, nesse momento, quem mais vai rir sou eu.

Eu sei, do fundo do coração. Mas talvez tenha começado sim com uma história do Viking.

TSThales Starling

E aí essa zoeira apertou. Teve uma outra cena que ficou marcante também na minha cabeça, que eu, eu, essa época eu praticamente foi uma das épocas Foi pré eu entrar numa das épocas mais barra pesada da minha vida. Quase não lembro de nada, de tanto que eu consumi substância para esquecer mesmo minha vida nessa época. Mas aí tinha uma menina que eu gostava no colégio, fazia de tudo, tudo, tudo, tudo, tudo por conta dela.

RVRogério Vilela

Qual o nome dela?

TSThales Starling

Ela chama Camila. Vou falar, porque eu lembro.

RVRogério Vilela

Não, eu sei por quê, porque todo mundo tem essa história, né? Eu também tinha aquela Viviane, né, cara? Você fica obcecado assim, aquela paixão que você acha que vai morrer e depois você nem lembra direito quem era.

TSThales Starling

É, mas aí um dia teve a cara de escrever o nome dela.

JMJúlio Mamute

Eu tive uma que eu escrevi o nome dela várias vezes. Eu amo fulana.

RVRogério Vilela

Sério? Não, eu fiz um vuduzinho mesmo. Não, tô brincando, fazer um bonequinho.

TSThales Starling

Não. Então aí um dia ela tava conversando com ela, fazia de tudo para ela, para casa, o que dava para eu agradar a menina eu agradava. Aí um dia ela virou assim para mim, virou, ela tava sentada na minha frente. Eu falo, nossa, seu olho é tão bonito, mas pena que você é feio. Imagina um cara que fica normal.

RVRogério Vilela

A menina, ela enfiou a faca e girou, cara.

JMJúlio Mamute

Todo gordinho tem que aprender a lidar com isso na infância, cara. Tinha uma piada, o rosto dela é tão bonito.

RVRogério Vilela

É, tinha um amigo meu que tinha essa piada aí, que falava assim que tinha um cara que olho verde, mas ele era feio. É tipo você colocar uma esmeralda no monte de merda assim, cara.

TSThales Starling

Mas foi com esse nível de sempre preparar, ela já falou.

RVRogério Vilela

E aí, como te bateu isso?

TSThales Starling

É, não, aí eu saí de lá destruído, mas assim, pô... Você tem uma ideia?

RVRogério Vilela

Eu cheguei para uma mina, aquele negócio, você tá... Eu vou falar, vou falar, tô numa festinha e tal.

JMJúlio Mamute

Franco Aragão.

RVRogério Vilela

Aí eu cheguei para ela, putz, eu não sei se eu falo, eu queria te falar uma coisa. Ela falou assim, não fala não. E foi embora, cara. Eu falei, mano...

TSThales Starling

Caramba. Aí foi igual aqueles filmes do Karate Kid, velho, te juro. Saí daquele dia do colégio, meu irmão...

RVRogério Vilela

Destruído.

TSThales Starling

Destruído. Falei, não, velho, agora foi a gota d'água, vou mudar. E aí, velho, corria na garagem do prédio, pilotiza, parei. Não tinha nada de hoje, né? A pessoa entra, acessa um tanto de dinheiro sobre nutricionismo, muita gente falando conteúdo e tal. Mas assim, comecei a comer, só cortei as frituras, comer banana e queijo, e andando e correndo ali, emagreci. E aí, no que entrou nos 14, 15 anos E aí eu vi, deu efeito reverso.

Eu falei, ah é, já que são mal, tá todo mundo sendo sacana comigo, eu que vou virar o cara, é o bad boy agora do colégio, entendeu? Emagreci, fiquei mais boa pinta ali, comecei a ficar com as meninas.

RVRogério Vilela

E aí virou o cuzão da turma?

TSThales Starling

É, virei o cuzão, comecei aquele cara, deixa essa menina apaixonar comigo, depois eu largar, ficava com a Começava aqueles rolos. Paralelo com isso, comecei ali no cigarrinho, depois já no cigarro, cigarro mesmo. Aí cigarro foi a primeira coisa, aí depois já ali maconha com cerveja e tal, tudo ali já 14 para 15 anos eu já entrei com esse combo ali. E aí tem aquela música do MC Ariel, né, que ele fala sobre a ilusão, né, que que as substâncias criam de poder na cabeça da pessoa, desde o nível das classes sociais mais baixas até mais alto, ela cria mesmo. Você fica ali achando que mais confiante.

JMJúlio Mamute

O mais comum é quando você bebe, você fica rico, não tem cesta.

TSThales Starling

Isso, isso cria uma ilusão ali, né? Então, e aí foi nisso que eu perdi o controle. Se eu falo assim, se eu tivesse feito o filme do Karate Kid e continuado no esporte ao invés de combinar o esporte com várias substâncias, a história teria tomado outro rumo na minha vida. Mas não tomou, porque por esse lado parecia que tava resolvido, mas as coisas foram só ficando piores dentro de casa. Então assim, eu fazia de tudo para ficar, sair fora de casa.

Então assim, aí que eu falo que entrou numa época mais sombria da minha vida, que foi dos 15 aos 18 ali, que eu já passei ali para para drogas mais pesadas, eu não lembro de quase nada. Praticamente eu ia sempre até um ponto de esquecer.

JMJúlio Mamute

Nenhuma compulsão tem limite. Você vai escalando, escalando, escalando. É igual pornografia, cara. Você começa assim, quando vê você tá pensando em matar gente.

RVRogério Vilela

O cérebro quer mais, quer mais, não satisfaz mais com aquilo, né? Vai querer um degrau a mais.

TSThales Starling

Mas assim, eu queria esquecer o que tava rolando em casa, que esquecer mesmo. Então era um mecanismo ali que eu encontrava por algumas horas, às vezes dias, né, para esquecer. E dos 15 aos 18, igual eu falei, eu não lembro de muitas coisas mesmo. Deu um apagão mesmo na minha memória. Por exemplo, não lembro, foi erva com força, né? Não foi erva, foi só erva, foi combo mesmo pesado ali de muitas coisas. Não lembro de muitas coisas nessa época.

Eu até brinco quando eu fui no casamento desses amigos, falei, me lembra aí quem que é o nome de quem? Não lembrava de quase nada, só dos muito amigos meus.

JMJúlio Mamute

Somos amigos já quase 2 anos, já fizemos algumas coisas juntos, te admiro para caramba. E uma pergunta que eu tenho para fazer: você atribui isso à química especificamente ou talvez um bloqueio que você criou na sua mente, cara?

TSThales Starling

Não, irmão, esse é o tipo de resposta que a gente nunca sabe, mas a química com certeza Criou buracos ali na minha memória porque provoca mesmo, entendeu? Destrói. E aí com 18, aí com 18 anos eu fui comprar um hachixe, né, para levar para uma casa do Carnaval. O cara que eu fui comprar tava sendo investigado, e aí na hora que eu fui comprar outras. A história de forma bem simples assim, para não complicar a cabeça das pessoas.

O cara que ia me vender marcou comigo e com Mamute ao mesmo horário. Você vai me vender, certo?

RVRogério Vilela

Eu, aí vocês vão comprar.

TSThales Starling

É, aí você me liga para mim, ó, me encontra com Vilela aqui, igual a gente chegou aqui para o podcast aqui. Mas o Mamute foi preso mais cedo pela polícia. E entregou, entregou que ia pegar com você.

RVRogério Vilela

E aí você aparece, e eu apareço no horário com dinheiro e tal.

TSThales Starling

E sim, minha cabeça não tava boa, briguei com os policiais. Aí no outro dia eu tava preso mesmo num cadeião lá em Belo Horizonte, passei por delegacia com 40, 50 pessoas, fui preso. Meu nome saiu no Estado de Minas, tal, todos os jornais e tal. Isso com 18 anos, tinha acabado de fazer 20 dias. E aí é o que eu falo, gente, muito cuidado com as coisas que você faz na vida, porque até você explica, é um momento de erro e que às vezes vai te atrapalhar anos.

E até você explicar que focinho de porco não é tomada, vai por mim, reflete bem sobre as coisas que você tá fazendo. Então eu fiquei 6 meses preso, consegui ser absolvido, provar essa história, sair de lá E aí fica aquela coisa, né? A gente fala assim, não, nunca mais vou usar, né? Acontece umas coisas assim ruim. Minha mãe me levou para o interior, né? Não tinha mais clima nenhum para viver em Belo Horizonte assim, dado o tamanho das notícias e tal.

Às vezes as pessoas nem lembram, mas a gente que fica lembrando, né? Muito eu falo disso, muitas das coisas que acontece de ruim, maioria das pessoas esquecem, viu, gente? Fica tranquilo, tudo esquece. A gente que às vezes não esquece O grande desafio é a gente, né, lidar numa boa com o que aconteceu de ruim no nosso passado, entender que às vezes a gente não tinha maturidade suficiente para lidar com aquela, com aquele tempo.

E tá tudo bem, se perdoe, vamos seguir. Mas eu mudei para o interior, fiquei uns 6 meses isolado ali só com a família e tal, fiz aquelas provas para formar, sabe, como é que chama, FIEE, tem uma prova lá que você faz, você forma no colégio de uma vez, eu esqueci o nome, fiz, entrei na faculdade de direito. E aí é, aí cai naquela ideia clássica do ambiente, né, se você não muda o ambiente, não muda realmente o ambiente, as pessoas, você acaba repetindo o ciclo da história.

Então dos 19 ali aos 24 repetiu o mesmo No ciclo que eu vivi dos 15 aos 18, acabei, né, areia movediça lá, conversa ali, começou a mesma coisa, né. Voltei a sentar no bar, tomei uma cervejinha, fumei um baseado e tal, mas assim, de marcante nessa época, para sintetizar, que eu sofri muito, eu me relacionei com uma mulher, com uma mulher Ela considera assim, né, todo homem tem aquela grande paixão que sofre igual um bobo, né, para não falar idiota.

E foi, aconteceu nessa época, eu me apaixonei muito por causa de uma mulher e sofri muito. E é um trem louco, eu entendo muito a dor do ser humano que tá sofrendo por causa de uma mulher, porque eu considerava naquela época que era mais sofrido que eu tava do que eu tá lá nas condições preso igual tava. E só para as pessoas entenderem, fiquei preso com mais de 20 pessoas e tal, aquela condição do sistema carcerário brasileiro mesmo.

E eu considerava que eu tava mais triste que aquilo. E aí, para me medicar disso daí, eu passei uma outra época intensa ali, negra ali, droga e tal, aquelas coisas assim, buscando ali um mecanismo para lidar com aquela dor. Até que vivia naquela, ah, eu sou o amor da sua vida, sabe? Quando a mulher fica, porque assim, é muito bom quando a gente termina com uma raiva muito grande e esquece, é isso. Mas quando fica naquele sem um fim determinado, né, é a pior coisa, é a pior coisa, porque a gente fica sempre naquela pergunta Nossa, será que eu perdi o amor da minha vida?

Sabe, essa eu acho que todo mundo cai, fica nesse, né? É bom quando você é traído, gente.

JMJúlio Mamute

Você é traído, sacanagem. Eu sempre falo, encontrar o Ricardão.

RVRogério Vilela

Aprende aí, ô bigodão. O bom é ser traído. Anote aí.

TSThales Starling

É muito mais simples.

RVRogério Vilela

O duro é quando a mina é gente boa, né?

TSThales Starling

Gente boa e tal, não teve nada, aí você fica com aquilo. E era aquilo que ela ficava ali na minha cabeça. Até que um dia eu, eu sempre que pré-términos que eu tive com minhas namoradas, eu sempre quando eu tenho pesadelos com ela tentando voltar muito comigo, eu mudei de cidade, mudei de cidade, é, mudei de cidade por causa disso, por causa disso. Se eu visse ela com outro cara, eu acho que eu me matava, sabe? Se eu visse ela com outro cara, eu te juro, eu falo, eu me matava na época, de cabeça muito fraca, entendeu? Então assim, aí eu mudei de cidade.

RVRogério Vilela

Já tinha rede social nessa época?

TSThales Starling

Tinha, eu tinha o Facebook.

RVRogério Vilela

Mas você seguia ela ainda?

TSThales Starling

Não, não seguia nem nada, mas a cidade que eu morava era 100 mil habitantes, não tinha como.

RVRogério Vilela

Aí ia encontrar.

TSThales Starling

É, não, um dia eu vi ela sentada no colo de um cara lá. Para mim aquilo lá, eu falei, não aguento.

JMJúlio Mamute

Você tava fugindo da dor, né?

TSThales Starling

É, eu falei, não, eu preciso ir embora daqui, vou fazer uma loucura. Contra mim mesmo, né, contra mim mesmo. Então é o que eu falo, né, gente, maturidade, as coisas melhoram, é só uma fase ruim, a gente supera, e um dia a gente dá risada dessa história igual vamos dar hoje. E aí eu tive muitos pesadelos, muitos pesadelos numa dessas tentativas de voltar. E aí no outro dia que eu fiquei tendo esses pesadelos, eu fui e ela ficava me manipulando ali.

RVRogério Vilela

Com essa história que eu sou o amor da vida dela, deixar sempre próximo, backup, né?

TSThales Starling

Que a gente, que eu tava estragando, que eu era um cara paranoico e tal. E aí misturava com o consumo de substância. Então será que eu sou esse cara paranoico? Tô estragando. E por fim acertei uma senha de uma rede social dela, e todas as coisas que eu era encanado era real, entendeu? Então eu até falo sobre isso. Se você tem uma intuição muito forte de algo que esteja acontecendo com uma pessoa que você está se relacionando, você tem dois caminhos a seguir.

Se você for uma pessoa madura, já acredite nessa intuição, não dê, não espere acontecer algo para acreditar. Mas se você não tem essa capacidade ainda, esse nível de força, e muitas pessoas não têm, eu entendo, é muito simples: deixa a pessoa o máximo de boa vontade possível. Não fale nada com ela das suas intuições, que isso vai deixar ela tranquila. E comece a investigar, que fique tranquilo, você vai descobrir o que você tá, o que a sua intuição diz.

JMJúlio Mamute

Amanhã aumentou o nível de pessoas contratando detetive.

TSThales Starling

É o que eu falo, pode pagar para ver que você vai descobrir. Intuição nossa dificilmente falha. Então aí Descobrir isso me libertou. Foi bom que foi o suficiente ali para eu falar, porra, velho, tô destruindo minha vida aqui por causa de uma mulher assim e tal. E aí deu uma limpada na cabeça ali de novo por um momento, foquei ali para passar no AB, me tornei advogado, consegui. E nessa época mudei para Ribeirão. Para Ribeirão Preto.

Lá em Ribeirão Preto foi a primeira vez assim que eu realmente ganhei dinheiro, porque até então todos, como que eu fazia? Era sempre produzir evento, sabe, Léo?

JMJúlio Mamute

Festinha.

TSThales Starling

Então nessa época ali dos 15 aos 18, eu organizava as vans para ir para rave. Depois, na época de faculdade, eu fazia as festas, vendia convite. Eu era um cara assim, movimentava à noite. Eu não só, sempre eu movimentei à noite, entendeu? Fazia, pegava aqui, vamos fazer uma festa no Vilelo.

JMJúlio Mamute

Vixe Maria, fazia isso aqui, a faixa do perigo, né? Ele se aproximava. Vamos trabalhar, vamos trabalhar perto da tentação.

TSThales Starling

E aí, mudando para Ribeirão Preto, eu comecei a ganhar dinheiro mesmo como advogado. E aí também intensificou a qualidade das, das, e aquilo, né, quando as coisas começam a melhorar, a gente baixa a guarda, né, baixa a guarda para o que tem que ser feito certo. Acho, ah, tá tudo bem agora, tô ganhando grana, sou advogado bem-sucedido. E aí foi intensificando o nível do rolê, sabe, tipo das festas, das coisas, dos dias que eu passava virado acordado e tal, e tananã.

Mas assim, sempre fui um viciado funcional, porque tem muito disso, né. As pessoas acham que é um viciado, ele é uma pessoa que tá ali à margem da sociedade e tal, e todo ele começa como funcional.

JMJúlio Mamute

É isso. E vai escalando, escalando, até perder completamente a racionalidade e a funcionalidade.

TSThales Starling

Exatamente. Mas a idade vai batendo, né? E aquela, aquela ressaca vai aumentando, né? A gente não consegue— quando a gente é mais novo, a gente se recupera mais rápido das ressacas, dessas loucuraiadas que a gente vai fazendo na vida. E fui ficando cada vez pior, fui desenvolvendo sintomas ali de ansiedade, depressão. E cada vez aumentando mais a dosagem e cada vez ficando mais chapado ali para perceber o que que tá acontecendo de ruim.

Porque eu sempre falo isso, viu, Léo? As pessoas falam muito do mal que um viciado causa para a sociedade, mas pouco é falado do próprio mal que ele se causa. Porque a pessoa chapada, ela é ela é vista como uma pessoa, pelas pessoas com quem elas fazem negócio e tudo mais, como uma presa fácil, um idiota. Tipo assim, esse cara tá chapado, eu vou passar ele para trás. Quando você, desde mulheres até em relações comerciais, né?

JMJúlio Mamute

Quando sua compulsão ela é nítida para as pessoas do seu convívio, você passa a ser a piada da história. Eu acho que assim, nós estamos aqui Para retratar isso, né?

TSThales Starling

Isso.

JMJúlio Mamute

Você é um cara que tem capacidade para falar em relação aos relacionamentos, em relação à dor da dependência química, e eu sobre obesidade. Mas são duas dores aqui, são duas dores em busca da cura, em busca do equilíbrio.

RVRogério Vilela

Pois é.

TSThales Starling

E aí eu, numa manhã infeliz da minha vida, 2018, cometi um erro como advogado que eu não deveria ter cometido, e esse erro me resultou na suspensão do meu direito de advogar na época. Então assim, eu já tava com muitos sintomas de ansiedade, depressão, e perdi meu direito de advogar. Então assim, comecei a entrar ali no poço ali no fundo do poço ali de vez mesmo, porque eu considero que pior do que o dinheiro que a gente perde é a saúde mesmo, né?

Porque a gente com saúde a gente recupera qualquer coisa tranquilo, mas quando a gente tá com um problema financeiro e de saúde, aí meu amigo, a tempestade chegou, deserto começou. Prepara que você tá quantos anos ali, Thales? Ou já faz 8 anos, desde 2019, 19 para 18, 19.

JMJúlio Mamute

Ali foi seu quarto escuro.

TSThales Starling

É, aí já vou acelerar porque aí depois a gente volta com a múltipla e já vamos perguntando o que você achou interessante desses momentos.

JMJúlio Mamute

É importante sabermos assim, porque primeiro a gente tem que falar quais são nossas dores, né, isso, para a partir daí pensar como é que você começou a ser aquele equilibrar, como é que eu busquei me equilibrar.

TSThales Starling

Então é fundamental isso. Então nesse ano eu tive meu AB suspenso, tive um problema grave ali com tudo, meus clientes e tal, para me virar, para resolver isso, para me defender do que eu estava sendo acusado também. Virou um processo criminal que ele se arrasta até hoje, e eu sou o meu próprio advogado nele. Eu nem me apresentei no começo, mas eu sou advogado, treinador nutricionista assim de formação. Sou formado em 3 faculdades hoje, graças a Deus.

E naquela época, eu igual falei, trabalhava com eventos. No que eu perdi meu direito de advogar, eu intensifiquei. Aí eu virei o cara considerado ali na cidade como Ribeirão. Eles falavam que eu era um rei da noite, né? Tudo que eu botava a mão bombava, as boates e tal. Mesmo de novo, o meu nome de ter saído em todos os jornais. A gente acha que parece que quando a gente é exposto, que a nossa vida acabou. E às vezes dá um efeito reverso. Se a gente, sabe, toca o liga o dane-se, continua trabalhando normal.

JMJúlio Mamute

Se chama ressignificação, sei lá.

TSThales Starling

Só tô falando assim, gente, tiver passando um negócio ruim, liga o dane-se, continua fazendo o trabalho que você precisa fazer. Porque faz o que precisa ser feito sem pensar. Mas aí fui muito bem-sucedido nesse ano também com esses eventos. Tive muito problema, igual eu falei, com os donos das boates, porque eles me viam como um louco chapado. Então tinha que viver tendo briga sobre acerto, sobre não sei das quantas. Por fim, no fim desse ano, eu montei um negócio com uma pessoa que se dizia ser um grande amigo meu, e esse cara me passou a perna.

Tudo no mesmo ano, passou a perna. Então eu perdi muito dinheiro de novo e já tava assim com laudo de psiquiatra, de ansioso depressivo. Tudo que eu botava para dentro do meu corpo eu vomitava, saía sangue. Então assim, eu cheguei num colapso mesmo financeiro, físico e mental no fim desse ano. E aí que começou a virada mesmo. As pessoas perguntam, ah, mas foi internado, meu amigo? Gostaria eu de poder ter ido para um lugar e tal.

Eu precisei, eu tava com tanto problema para resolver, ô Vilela, que eu tinha que mudar ali, velho, mudar minha história. Então iniciei uma jornada desde aquela época até chegar a hoje. Repito, cuidado com as coisas que você faz, porque as consequências elas se arrastam por anos. Mas hoje eu tenho assim o orgulho de falar, Vilela, que eu, de todos os problemas que eu arrecadei daquela época financeiro, processos criminais, tudo, tudo, tudo, tudo, hoje depois de 8 anos dívidas, eu basicamente extingui tudo, venci quase tudo.

Não, não venci completamente, igual eu falei fumar muito e perguntou, você não sai para viajar o mundo? Você não tem mulher, não tem nada? Então tem um último desses desafios que eu preciso acabar.

JMJúlio Mamute

Bonitão, galego desse, solteiro. Aí ele se mudou para França e vai viajar o mundo, pô, vira um nômade desse.

TSThales Starling

Então tem que resolver o conteúdo dele, é bom para isso, né? Porque pega sempre qualquer lugar, né? Tem que resolver um último processo dessa leva, dessa época aí. Então, mas vou vencer também, igual eu falei, eu mesmo sou meu próprio advogado. Então um dia essa história será contada com uma maior profundidade. Não sei por que alguém, ninguém nunca teve interesse de aprofundar nisso daí, mas enfim, tanto faz. E daí, Vilela, aí eu comecei uma jornada para buscar essa evolução física, me curar, né, curar o meu corpo fisiologicamente e psicologicamente.

Então, desde então comecei a testar vários métodos, desde da parte, voltei para Deus, eu sou católico, então voltei a frequentar a igreja. Na época eu não entendia nada que o padre falava, mas ia lá, dobrava meu joelho, rezava, me ancorei muito nessa questão do esporte. Foi nessa época que também eu falei, pô, se o esporte tá me ajudando desse jeito, de segunda a domingo comecei a treinar. No começo você não tá animado. Eu caminhava muito, muito, muito, muito tempo mesmo desanimado, ficava andando vagando mesmo lá pela rua de manhã.

E isso foi melhorando minha cabeça. Meti na cabeça que para eu vencer todos esses desafios que eu tava vivendo ali, a única forma que teria para você ter uma, para eu ter uma chance de vencer aquele desafio, era estando de cabeça limpa. Então tem, a pessoa precisa chegar a essa conclusão. Se você tá ouvindo aqui hoje, quer ter uma chance, que seja de— tô inteirinho arrepiado— de vencer os seus inimigos, de virar a sua condição financeira, de mudar sua vida, a vida da sua família, seja o nível de status que você esteja hoje, do buraco que seja, limpa sua cabeça, limpa sua cabeça, que você vai ter já uma vantagem competitiva muito grande no mundo de hoje. Tá todo mundo chapado de alguma forma.

JMJúlio Mamute

Quando a pessoa tá compulsiva, absolutamente compulsiva, como você Uma coisa que eu percebi na história do Talens é que ele tem a predisposição, como eu também tenho, eu percebo isso, para o hiperfoco, para a tendência compulsiva da coisa. Quando faz uma coisa, faz muito.

RVRogério Vilela

Mas se é para o mal, também é para o bem.

JMJúlio Mamute

Isso, perfeito. Eu empreendi, conquistei muitas coisas na minha vida, viajei o mundo antes de me tornar, ficar muito grande, porque eu também tenho hiperfoco. Então foquei muito nos meus negócios, né? Todos nós temos esses desafios, né, seja do relacionamento, tudo. Mas as pessoas que têm essa tendência do hiperfoco, ela também tem a tendência— tem pessoas que me perguntam, pô, como é que é possível chegar a mais de 300 kg? Eu costumo responder, cara, não subestime a capacidade do homem a se prender às suas próprias sombras, cara.

Porque quando você já tá naquela compulsão não existe limite, né? Sempre dá para cavar mais, sempre dá para cavar um pouquinho mais, cara. Eu, quando eu tava com os meus 300 kg e cheguei ao ponto, assim como o Thales foi esse momento da vida dele, e eu cheguei ao ponto de dizer eu preciso fazer alguma coisa, primeira coisa que eu identifiquei, eu acho que o Thales vai concordar comigo, é onde é que eu tô, é ter a clareza. Eu acho que é isso, quando você falou do limpa sua mente, é difícil limpar a mente quando você já tá no fundo do oposto, né?

É bem difícil. Mas que uma coisa, mas a racionalidade, a razão não pode deixar de existir. O Thales falou uma coisa que eu levo comigo e também promovo isso aonde quer que eu vá. As pessoas falam, poxa, eu quero vencer uma compulsão, e às vezes quer, só recorre a um tipo de— nós somos o quê? Nós somos corpo, mente e espírito. Vocês concordam com isso ou não? Somos corpo, mente, espírito. Geralmente o espírito é o mais negligenciado dos três, dessa tríplice aliança aí.

O espírito é o mais negligenciado. Às vezes você quer focar muito no corpo, mas a sua mente tá desequilibrada. Às vezes você tá até buscando equilibrar esses pratos no corpo e na mente, mas precisa fortalecer o espírito.

RVRogério Vilela

Concordo plenamente, cara.

JMJúlio Mamute

Naquele momento, o desequilíbrio, toda compulsão, desequilíbrio, todo vício é um desequilíbrio. Você desequilibra em algo, você fica escravo, né? Você se torna escravo de si mesmo, escravo.

RVRogério Vilela

Porque o discurso é: não, eu tenho liberdade de fazer o que eu quiser com o meu corpo e com a minha mente. Mas na verdade você tá escravo, você não tá, você não tá com liberdade, cara.

JMJúlio Mamute

Achei que ele dizia: faça tudo que é tudo da lei, né? Mas não é, né? Ou aquele que faz que pauta sua vida em busca do prazer acaba se aprisionando por esse mesmo prazer. É inevitável isso. O homem que se submete, se permite a prazeres desregradamente, ele vai sucumbir, ele vai ser aprisionado por esse prazer e ele vai cair, cara. Verdade. Eu simplesmente não tinha, eu nunca Eu sempre evitava entrar, por exemplo, droga, consumir droga, até videogame eu evitava.

Acredite se quiser, porque eu já tinha essa consciência de que eu era compulsivo. Se eu for jogar videogame, até o final.

RVRogério Vilela

Eu também tenho essa consciência assim de começar um jogo e não entrar nessa, porque eu também quero ir até o final, quero não sei o quê, que eu tenho que tomar esse cuidado também.

JMJúlio Mamute

Quando o compulsivo— e isso é importante, por isso que eu mencionei agora pouco racionalidade— você precisa entender aonde você tá. Qual é ou quais são os gatilhos. Naquele momento, por exemplo, quando tinha 300 kg, eu digo, poxa, o que é que eu posso fazer nessa condição? Eu busquei me fortalecer pouquinho a pouquinho em cada um desses 3 campos: corpo, mente, espírito. Eu identifiquei que simplesmente não dava, não dava para trabalhar em um desses campos apenas.

Enfim, a gente pode debater isso aqui agora, mas O Thales falou que foi para natação, né? Esse foi o esporte que salvou minha vida também, Vilela. Foi esporte que salvou minha vida, cara, porque quando você com 300 kg você não consegue nem andar direito, então não adianta. Não é difícil entrar dentro da academia, difícil às vezes ir para um fazer uma caminhada, uma corrida. Eu tive que ir para água, eu tive que fazer natação, né?

Você também cheguei a fazer natação quando era, quando era criança. Isso me ajudou. Eu tinha essa memória. E aí eu tomei a iniciativa de ir para água. A água, dos 120 kg que eu já emagreci, 80 foi na água. 80 foi na água, cara. 80 kg eu emagreci única e exclusivamente na natação. Ajudou meu cardiorrespiratório, é tirar o peso da gravidade. Ali foi a primeira estratégia física que eu implementei. Estratégia mental foi buscar consumir conteúdos que agregam valor, porra.

Como você, como, como Thales, como outros, comecei a consumir conteúdos que agregam valor.

TSThales Starling

Isso eu fiz muito também, velho, ajudou muito.

JMJúlio Mamute

Eu comecei a desenvolver estratégias físicas, mentais e até espirituais. Buscar orar mais. Eu sou evangélico, sou cristão, então buscava orar mais. Sou pecador imundo como todos nós. Não é isso? Mas reconhecendo o falho como eu sou, buscava tentar melhorar um pouquinho. Então busquei me aproximar mais. E eu, então eu penso o quê? Primeiro ponto, se você tá sofrendo uma grande compulsão, tá, se sente preso àquilo ali, naquele ciclo retroalimentador destrutivo, primeiro ponto é respirar, limpar a cabeça, talvez como o Thales falou, e perceber onde você tá.

Para poder depois definir algum lugar para onde você quer chegar. Mas você tem que perceber o buraco que você se enfiou. Se você não reconhecer o buraco que você se enfiou, dificilmente você vai conseguir sair. Eu reconheci quando eu não consegui levar um presente para o meu sobrinho. Eu reconheci que ali minha vida era um lixo. Se a minha mente tivesse fraca naquele momento, talvez eu pensasse em fazer alguma besteira. Então reconhecer onde você tá, aí começar a criar estratégias.

Eu acho que é interessante a gente começar a abordar esse tema, né, de como buscamos a saída.

RVRogério Vilela

Vamos lá, Viking. E da onde veio Faz do Jeito Que Dá? Rede social, começar a fazer seus vídeos, foi para você primeiro, foi pedido de alguém?

TSThales Starling

Desde pequeno assim eu falava com minha mãe que o meu sonho era ser um super-herói, ajudar o mundo. Eu sempre gostei muito, eu assim, eu me Eu sou um nerd no fundo, sabe? Eu sempre gostei muito de coisa de super-heróis, assisto todos os episódios. Você faz Senhor dos Anéis, Game of Thrones, você tem aqui, eu assisti todos, por exemplo, sabe? Eu gosto até hoje quando eu tenho um tempo ali de lazer. Mas sempre tive essa visão de que eu queria, gostaria de ser um super-herói mesmo.

Mas foi acontecendo todas essas tragédias na minha vida que a gente vai perdendo a esperança, né? Vai falando, pô, caramba, velho, já fui preso, já tô agora de processo, não dei certo com mulher nenhuma, sou todo desajeitado fisicamente. Que super-herói! E aí a gente chega nesse ponto de desesperança total. E aí que eu— e aí quando eu melhorei minha cabeça, depois eu até parabenizar o Mamute porque eu admiro muito ele, porque ele expõe o processo.

Né? Eu, eu, eu me apresentei quando eu já tinha melhorado desse processo, né? O Mamute não, ele, ele pula no tanque de tubarão sangrando. Eu não indico de fazerem isso, mas eu admiro quem faz.

JMJúlio Mamute

Suicida.

TSThales Starling

É, eu admiro.

JMJúlio Mamute

Cobrança muito grande, às vezes você dá uma surtada e atrapalha.

TSThales Starling

Atrapalha. Eu já falei isso com ele, mas admiro muito ele e quem faz isso, porque realmente a pessoa tá sangrando e ela tá exposto a um tanque de tubarões ali, que é a internet. Vocês sabem como é que é, opiniões e tal. Mas, e quando eu me considerei pronto para gravar conteúdo, que não foi, não foi assim do dia para noite, tive muitos bloqueios. Eu achei que o fato de eu ter emagrecido, conseguido chegar no corpo legal, me formei em educação física, nutrição, busquei esse caminho, né, do esporte, Sabe uma coisa legal, velho?

JMJúlio Mamute

Você não era da era das canetas, não era da era da bariátrica, quer dizer, bariátrica até sim, né? Mas você buscou se equilibrar fisicamente, você não teve nenhum método. Isso é um ponto importante, você tava incomodado com a sua situação. Tem pessoas hoje que tem tantos métodos, tem tantas coisas para se apoiar, que meio que se conforma naquela coisa do ser emagrecido, lembra que eu falei? Eu sei, emagrecido por um método, intervenção, alguma situação nova.

Você, Thales, você é daquela época raiz que identificou onde você tava e precisou criar estratégias para resolver, cara. Eu acho foda, isso tá faltando muito hoje.

TSThales Starling

E aí, de repente, no que eu, eu igual falei, era um cara com poucas habilidades, sempre fui ruim de habilidades físicas, mas eu sempre fui raçudo. Então falei, eu vou mudar isso. Então comecei a buscar esporte e tal, então eu afirmo com certeza total, qualquer pessoa que ela pegar qualquer habilidade para aprender e repetir ela diariamente mesmo, é diariamente, sem pular um dia, ela fica boa naquilo, ela fica acima da média também.

Porque você vê hoje, eu faço uns vídeos correndo e tal, parece que eu sou um cara assim não, eu sou aquele mesmo tal desajeitado que só resolveu mudar o caminho, praticar e treinar.

RVRogério Vilela

Eu acho até legal, Bigoda, colocar algum vídeo que a gente tá falando da rede social dele. Até como eu me interessei chamar ele aqui foi por causa da rede social. Coloca algum vídeo para quem nunca viu ter uma ideia, e depois até vai ver o Instagram dos dois, né? Essa é você e o Mamute junto, é essa você sozinho?

JMJúlio Mamute

Eu acho que é os dois. A gente se conhece desde o início, cara.

TSThales Starling

Fui refém das drogas por 13 anos.

JMJúlio Mamute

Nós fizemos o que a nossa mente queria e nos tornamos prisioneiros do nosso próprio corpo, trancados na nossa própria casa. Ainda ouvimos coisas do tipo diariamente: já tentou antes e não deu certo, por que que daria certo agora? Mas eles estavam completamente errados.

TSThales Starling

Nunca permita que a opinião dos outros se torne a sua realidade.

JMJúlio Mamute

A nossa luta está longe de acabar e nós vamos juntos até vencermos. Grita, mamute! Eu quero viver!

TSThales Starling

E você vai viver também.

JMJúlio Mamute

E não só isso, se eu já emagreci 60 kg, se eu venço as drogas há 6 anos, você também pode. Você é capaz de superar o Você vai vencer! Chegou a sua hora! Vamos viver do jeito que dá! Acho que teve uns 8 milhões ali mesmo.

RVRogério Vilela

E cara, então esse tipo de vídeo é maravilhoso, né, cara? Porque é feito sem qualquer preparação, correndo na rua, falando. E aí, qual foi a resposta trazer esse vídeo para vocês assim. Você deve ter recebido várias mensagens, né?

TSThales Starling

Caramba. Então aí, só concluindo a resposta, né, como cheguei nisso. Então assim, o caminho que a gente vai chegar naquele sonho, eu sempre falo isso, né, todo mundo tem um sonho de criança ali de alcançar alguma coisa, e o caminho às vezes para chegar nele, ele não é linear, ele é torto, né, ele é curvo, ele tem desafios. Mas eu Cheguei nesse sonho meu de ser um super-herói. Sempre brinco com o Mamute nos comentários que ele é um super-herói também.

Sempre manda isso, primeiro comentário de qualquer vídeo meu geralmente é ele, meu super-herói. Porque foi isso, minha história ruim, todas as derrotas, todas essas coisas, hoje ajuda assim. Até arrepio que milhões, milhões de pessoas, eu tô com coisa de 100, 200 milhões de visualizações nos últimos 90 dias, e mensagem de pessoas que falou, gente, compartilha com algum amigo, com alguma amiga que precisa, manda o vídeo. Entendeu?

Então assim, e aí, então assim, às vezes a gente não entende o que a gente tá passando hoje, mas se a gente não desiste, que é o que eu prego sempre, continua firme ali fazendo do jeito que dá, de alguma forma a gente vai chegar nesse nesse sonho, nesse objetivo que a gente tinha de criança. Só não desistir, é só não desistir, sabe? Só continua ali firme mesmo, fazendo do jeito que dá, que você vai chegar de alguma forma, sabe?

De algum jeito naquilo. E eu cheguei. Hoje eu, sabe, me orgulho muito disso, de ajudar as pessoas. Me viciei nisso, né? Tem até uma coisa que eu que o Jota fala, eu concordo, né? Sempre pergunta, se alguma perguntar para uma pessoa se ela tem algum vício e ela dizer que não, o que que você acha que essa pessoa é? Vixe, mentirosa, mentirosa, porque tem, todo mundo tem um vício, não tem como que seja. Tem os vícios negativos, né, mas a pessoa às vezes, e tem uns vícios que são socialmente aprovados, que seja ser viciado na família, no trabalho, em Deus, em coisas assim que geram benefício socialmente falando.

Mas a pessoa, ela, ela— e hoje assim, eu troquei aquelas compulsões por uma das coisas, além do esporte, do trabalho, trabalho muito em ajudar as pessoas, entendeu? Sou viciado mesmo, mas muitos sabem como é que é, como ajudar as pessoas.

JMJúlio Mamute

Eu sempre falo para ele, cara, eu admiro muito você, admiro muito você, você é um cara muito focado no que faz. Esse mundo da internet, Vilela, eu desconhecia completamente assim, no sentido de eu não sabia quem era quem. Até hoje eu tô tentando descobrir. Não vende nenhum curso. Eu comecei esse negócio para salvar minha vida, literalmente, e com a estratégia naquele momento de me comprometer socialmente para os meus amigos. Eu não imaginava de forma alguma que seria, teria a exposição que existe hoje.

Quando eu comecei, eu comecei na ideia de, eu já vim emagrecendo, eu já vim emagrecendo, eu não pensei, ah, quero emagrecer, eu vou fazer isso. Não, eu comecei a salvar minha vida por conta própria, comecei a criar minhas estratégias, fui para natação, natação salvou minha vida, como eu falei, emagreci 80 kg na natação. E comecei, e tiver, as pessoas me sugeriram, cara, Por que que você não expõe esse seu processo na internet?

Porque às vezes você dá uma, às vezes fica ruim, às vezes você dá uma estagnada, às vezes você— e é interessante você buscar sempre novas formas de dopamina. Por isso que eu te perguntei sobre a dopamina, cara. Um novo foco, uma coisa que agregue valor para que você continue aquele processo avançando. Porque todo processo, quando você quer vencer, ele é longo, você cansa, velho.

RVRogério Vilela

Mas o trabalho me dá dopamina, tudo bem?

TSThales Starling

Tudo.

JMJúlio Mamute

Se você só quer se resolver na questão do trabalho, perfeito, né?

RVRogério Vilela

Mas não, não, mas tipo, eu gosto de fazer o que eu gosto.

JMJúlio Mamute

Você é ótimo profissionalmente, você vai ser sempre bem-sucedido, sempre bem-sucedido. Fazer o que gosta, pô, rapaz, receita de bolo, né, velho? Não tem que chover no molhado, né, bicho? Eu nem sabia fazer vídeo direito, cara. Eu tenho, eu sabia que eu tinha uma boa comunicação, mas nunca tinha feito vídeo dessas blogueiragens, essas coisas. É até engraçado, eu fui empresário a vida toda, né? E aí hoje, quando, ah, você é o blogueiro e tal, blogueiro reduzido a blogueira, eu tive que me adaptar isso aí nos últimos tempos.

Comecei em janeiro do ano passado, tem muito pouco tempo. Eu não sei, tu acha que é um pouco mais?

TSThales Starling

Final de 2023, eu fiquei 8 meses parado.

JMJúlio Mamute

Eu comecei ali em janeiro de 2025, comecei a postar Olha, seja o que Deus quiser, vou postar um vídeo por dia sobre qualquer coisa que aconteça na minha vida, altos e baixos, eu vou compartilhar com vocês. Primeiro vídeo que viralizou foi entrando no avião, eu documentei. Eu tava com a namorada, tem a Mamutinha, eu tava com ela nesse momento, chamo ela de Mamutinha. Ela é magra, por incrível que pareça, mas acabou que a situação veio brincando, se tornou Mamutinha.

E ela gravava absolutamente tudo que acontecia comigo o tempo todo. E aí, numa viagem que eu precisei fazer É simplesmente, eu comecei a brincar no voo, comecei a tirar de letra aquela coisa do, sabe, do, como eu já falo, o que o outro se projeta para frente para se defender. Então já fui brincando com aquilo ali, já fui sempre, eu já entro no avião orando, pô, tomar, eu que não é nem orando, é cantando, né? Com quem será que o mamute vai sentar?

RVRogério Vilela

Vez ou outra eu olho para um e o pessoal torcendo aqui, não, aqui não, jura? A galera olhando com aquela cara de pavor, né?

JMJúlio Mamute

Quando eu olho para a cara geralmente o cara abaixa a cabeça, tipo, para não ter contato visual, tipo, não achar que eu vou sentar ali. Sei lá, é o medo que o cara tem, né? Mas tudo na vida tem estratégia, né?

RVRogério Vilela

Qual a estratégia?

JMJúlio Mamute

Porra, quando você— a estratégia de um compulsivo em relação à obesidade é: em qualquer lugar que você vai, você tem que saber calcular distância, quanto tempo vai levar. Por exemplo, em avião, não dá para ir no banheiro do avião. É muito apertado, pô. E aí? Bom, geralmente você tem que tomar um comprimidinho, não tem como fugir. Você toma um comprimido. Eu tomei hoje porque eu sabia, pô, eu não vou no banheiro dar uma cagadinha, eu não vou decepcionar o Guilherme. Eu não vou decepcionar.

RVRogério Vilela

É que você não viu o nosso vaso aí, não é? Ele até fala, não fala? Esquenta, abre sozinho a tampa.

JMJúlio Mamute

Não vou decepcionar. E hoje eu já vou, eu vou pegar um avião que eu vou para Cabo Verde, na África.

RVRogério Vilela

Quantas horas de viagem é? Uma viagenzinha, né?

JMJúlio Mamute

Não, é 5, 6 horas, né? É perto, né? Relativamente perto, entendeu? Eu vou para Recife, que o único voo é de lá. Inclusive eu vim à terra e de lá eu já vou direto para Cabo Verde, que toda vez que eu emagreço eu multiplico esse alimento. Ou seja, aquilo que me matava, que era em excesso, eu retribuo e multiplico esse alimento. Eu faço a pesagem, eu vou pesar lá em Cabo Verde, a pesagem oficial que eu sempre faço periodicamente.

Mas quando começou não tinha nenhum planejamento de nada, cara, absolutamente zero planejamento. É bora apostar no que der. E o pessoal foi gostando, então começou a viralizar muito rápido. Eu fiquei mal acostumado na internet. Por exemplo, se der menos de 100 milhões no mês de visualização, eu acho que acabou. Fiquei muito mal acostumado. Eu conheci o Thales logo no início, acho que foi o quê, final de fevereiro daquele ano. Eu tinha 2, 3 meses de perfil e foi a primeira grande collab que eu fiz assim com um cara disciplinado, um cara que tava levando a sério aquilo.

Eu digo, caramba, velho, eu quero ser um cara, eu quero ser igual a esse menino aí. Cara focado. Quando geralmente você faz roteiro, hoje tem ChatGPT, tem tudo, você faz rápido, né? Ele não. Vamos fazer uma reunião.

RVRogério Vilela

Ah, é?

JMJúlio Mamute

Tu lembra disso? Vamos fazer uma reunião. Então a gente ficou uma hora detalhando. Vamos usar esse, esse tal, tal, tal.

RVRogério Vilela

Que legal!

JMJúlio Mamute

Eu admirei para caramba nisso.

TSThales Starling

Hoje eu ensino outros caras a fazer isso também.

JMJúlio Mamute

E ali eu comecei, cara. Ali eu comecei ao ponto de que em 6 meses tinha batido 1 milhão de pessoas, 1 milhão de seguidores.

RVRogério Vilela

Caramba!

JMJúlio Mamute

Em menos de 6 meses. Hoje, hoje, mas cara, salvando minha vida. Eu não vendo nada na internet, eu não faço propaganda de uma coisa que tem muita sinergia, uma coisa às vezes de suplementação, uma coisa, tudo bem. Mas eu sou um cara que entrei na internet, você me conhece, né, Thales? Conhece minha história, sabe meus resultados fora da internet. Eu não vivo da internet, então eu pude me dar o luxo de vou fazer isso aqui para salvar minha vida.

Não vou aceitar qualquer parceria, não vou aceitar, vou fazer isso aqui para salvar minha vida. Se você acessar meu perfil, você vai perceber isso. E quando bateu 1 milhão de pessoas, eu vim aqui para São Paulo a negócios, aproveitei e levei até mamutinha em Montevidéu no Dia dos Namorados.

RVRogério Vilela

Olha, é, nossa, comer uma carninha lá tem que ter, tem que ter, cara.

JMJúlio Mamute

Foi um sufoco andar de avião, é muito complicado mesmo, né?

RVRogério Vilela

Eu imagino.

JMJúlio Mamute

E na época eu conheci, conheci o Cariani também, conheci o pessoal da maromba. Eu voltei para Recife naquele dia pensando assim, cara, eu não tenho filhos ainda. Lembra que o Thales falou, que a gente falou que tem que queimar os barcos? É, eu queimei os barcos ali porque todos os meus gatilhos estão em Recife. Eu comecei a pensar, poxa, eu não tenho filhos, não é? Todos os meus gatilhos estão ali em Recife. Conheço todo mundo, conheço o telefone de todos os donos de restaurante, não é?

TSThales Starling

Não, com certeza.

JMJúlio Mamute

Eu até na época eu lembro até de ligar para ele.

TSThales Starling

Com certeza, né? Foi foda.

JMJúlio Mamute

Liguei para o cara e ele é do shopping. Aí perguntei, bicho, eu tô pensando, eu já conheço, já vim a São Paulo antes. Sério, não era amigo, pô? Já deixou de ser meu amigo? Quando o cara tem amizade mesmo, o bullying não para nunca, né, cara?

TSThales Starling

É bom, bons amigos, mas é bom fazer uma zoeira com o outro.

JMJúlio Mamute

Ela no CT, deve ser. Aí eu vim, eu vim no passo de fé, cara. Cara, eu não tenho filhos, eu vou. Aí aluguei uma casa lá em São Caetano do Sul e vim. Aí de lá para cá, talvez uma das coisas mais que mais me move hoje em termos de exercício, em termos do que vem acontecendo acontecendo. É, quando eu vim para cá, eu conheci pessoas maravilhosas. Se eu não tivesse vindo, talvez não tava nem conversando com você aqui também, né? Eu estaria mais isolado lá em Recife.

E aqui me abriu portas, não profissionalmente, mas no sentido de do que fazer para continuar esse processo.

?Voz B

Entendi.

JMJúlio Mamute

Em um belo dia, tava lá na prefeitura, fui convidado lá para debater obesidade, lá com Ricardo Nunes, com secretário de esporte. E eu vi uma plaquinha, uma medalha lá da Ação Silvestre, Né? E eu disse, poxa, quando eu era uma muito filhote, eu lembro de assistir com meu pai, minha avó e meu irmão. É o ano perfeito, é o dia perfeito que todo gordo adora, pô. Vai ter comida, vai ter festa. Eu lembro, virada de ano para mim é muito afetiva, sabe?

E começa você acordando vendo São Silvestre. Geralmente assim, de manhã, se você acorda naquele dia ali, mas relativamente cedo, é com São Silvestre. É transmitido pela Globo há dezenas de anos. Aí eu digo, por que não? Na vida, às vezes, a gente, essa pergunta por que não entra no coração e não sai, né? Pois é, por que não? Tomei a coragem de forma calculada, estratégica. Eu vou caminhar, vou devagarzinho, não importa o tempo que leve.

Completei São Silvestre, 6 horas. Foi lindo, foi extraordinário. Na época eu tava batendo algo em torno de 2 milhões de seguidores. E de lá para cá brotou um desejo no coração de, pô, se eu nem saía da cama antes, não conseguia nem andar 100 metros, hoje o que me gera mais dopamina em termos de exercício— olha, a natação salvou minha vida, a musculação é fundamental para a vida de uma pessoa, mas a corrida, cara, a caminhada—

RVRogério Vilela

eu preciso arranjar essa vontade de correr, cara, Porque eu não consigo passar de 2 km, não consigo. Canso, não canso, canso.

TSThales Starling

É, então tá tranquilo, mas não passando muito, pô.

RVRogério Vilela

Então, mas eu quero gostar, porque eu acho que eu vou gostar de correr e vou me incentivar, mas preciso começar, cara. Porque musculação já tô acostumado, faço.

JMJúlio Mamute

Não foi planejado, por exemplo, entendeu? Não, não, a questão da São Silvestre, eu recebi o convite, o porquê não ficou na minha cabeça.

RVRogério Vilela

Quase morri, mas corria 20 anos atrás, sei lá.

TSThales Starling

Então o monstro tá aí dentro.

RVRogério Vilela

É, então hoje em dia eu corro 2 km, cansado, cara.

JMJúlio Mamute

Cara, vamos correr junto, cara.

RVRogério Vilela

Vamos, vamos.

JMJúlio Mamute

Agora assim, geralmente você não mora aqui, né?

TSThales Starling

Não, eu tô morando em Florianópolis agora.

JMJúlio Mamute

Agora geralmente eu sou o último a chegar, então é difícil.

RVRogério Vilela

Então eu tô contigo, então também tô nessa, cara.

JMJúlio Mamute

Nesses últimos 6 meses eu participei, eu Eu fui para 4 países diferentes, participei de—

RVRogério Vilela

então isso que eu queria fazer. Imagina viajar para participar dessa corrida, cara, deve ser demais. Eu tenho tudo, eu tenho tênis para corrida, tem a roupa para corrida, tenho na minha cabeça que nem, sabe, na cabeça eu me imagino fazendo essas paradas. Falta só começar, porque você precisa também ter uma galera que te incentiva, que corre junto, né? Porque na esteira não tem vontade, cara, de correr.

JMJúlio Mamute

Eu acho que aí a gente pode começar a abordar realmente estratégias de vencer a compulsão, porque É isso, que você buscar essa dopamina, buscar, buscar essa vontade, essa vontade em algo que agregue valor para sua vida, que você, que tá lhe aproximando de você ser o Vilela que você quer ser, é fundamental. Porque senão você estagna naquele processo. Se for cansativo, você para, irmão, você vai parar. Hoje eu quero, vou continuar o meu processo, eu quero viver, eu preciso viver. Isso aqui não existe volta para mim, vou continuar.

RVRogério Vilela

Dos barcos, já depois de fazer, você parou lá na história do nascimento do teu sobrinho, não foi?

JMJúlio Mamute

E aí ali eu me constrangei, pelo amor de Deus, por achar que foi uma mensagem.

RVRogério Vilela

Você tomou a decisão, mas o que que você fez especificamente depois daquilo?

JMJúlio Mamute

Fui, busquei criar estratégias corpo, mente, espírito, físico, água, Então, mas natação, mas você foi se consultar, foi ver médico, foi fazer tudo, exames, tudo, tudo.

RVRogério Vilela

Não foi da tua cabeça, falou não, vamos fazer um negócio certinho.

JMJúlio Mamute

A escolha para natação, embora eu também tenho memória do passado, que quando criança eu nadei durante um ano na escola e tal.

RVRogério Vilela

Foi uma recomendação então?

JMJúlio Mamute

Com certeza foi recomendação, por causa do joelho também, de não forçar. A gravidade, vamos colaborar com a gravidade, né? Ninguém vê a gravidade, mas essa porra existe, não existe?

RVRogério Vilela

Tem gente que não acredita, mas existe.

JMJúlio Mamute

Aqui senta pessoas que não acreditam em nada, né? Ou acredita em tudo, né?

RVRogério Vilela

Acredita em tudo, tem todo tipo de convidado.

JMJúlio Mamute

Olha lá, salvou a minha vida, cara. A natação é um esporte maravilhoso. E não, aí eu comecei na natação, aí eu comecei na natação, comecei a emagrecer, mas senti aquele negócio de, poxa, preciso criar uma estratégia aí, uma estratégia nova para a gente continuar o processo. E aí veio o convite de um querido amigo meu, um pastor terapeuta que me acompanha já há muitos anos. Ele falou: Júlio, você tem uma boa comunicação, as pessoas iam gostar de ver isso, faz sentido, posta, cara.

E aí foi quando comecei a postar. E sobre a internet, cara, como não vendo basicamente nada lá, eu não me envaideço muito com isso. Hoje tem, somando as redes, algo em torno de 4 milhões de pessoas acompanhando.

RVRogério Vilela

Eu tenho vídeos, número frio, né? São pessoas reais, né?

JMJúlio Mamute

Tem muita mulher que geralmente eu tenho, meu perfil é mais mulher do que homem, engraçado. Sério?

RVRogério Vilela

Por que você acha?

JMJúlio Mamute

Porque eu sou um ador que tá buscando se curar e que talvez por causa de ser obesidade é muito semelhante. Tem muitas mulheres que sofrem muito com autoestima baixa em relação. Eu tenho mulheres que me manda bom dia, boa tarde, boa noite. Poxa, talvez me trato como um sobrinho, como um filho, um neto, sabe? Eu sou aquele cara, aquele gordinho que tá buscando se curar, e tem muita mulher que realmente me segue. E, cara, não posso parar, a minha vida depende disso, minha vida física.

Eu não dá para regredir mais. Eu acho que, pô, tenho 35 anos, embora não pareça, né? Todo gordinho tem a pele esticada, né?

RVRogério Vilela

Parece mais novo, cara.

JMJúlio Mamute

Chama Botox natural, gordura. É verdade, todo gordinho tem a pelezinha esticada, né?

TSThales Starling

Legal.

JMJúlio Mamute

E bicho, simplesmente não dá para parar. Então eu continuei o meu processo, o perfil explodiu. Só no Instagram são 2 milhões e meio. Eu tenho um vídeo com 170 milhões de views.

RVRogério Vilela

Caramba, é o quê o vídeo?

TSThales Starling

Tem aí?

JMJúlio Mamute

Eu tenho uns 5 vídeos com mais de 100 milhões.

RVRogério Vilela

Mas o que acontece no vídeo?

JMJúlio Mamute

Meus vídeos viralizam para o mundo, eu não sei explicar.

RVRogério Vilela

Mas dá um exemplo de um, por exemplo, que viralizou.

JMJúlio Mamute

Uma rotina, eu fazendo takes curtos de rotina ao longo do dia, acordando, jantando.

RVRogério Vilela

Acho que ele tá fixado, tá? Dá uma olhada. E por que você acha que encanta a galera? Por que a galera gosta tanto? É porque é vida real?

JMJúlio Mamute

Eu não me importo com o Maxpert, eu não fico xingando ninguém, eu não me importo com isso tá certo, isso tá errado, eu só quero viver, mano.

RVRogério Vilela

Esse, por exemplo, é R$7,50, R$8,50. Esse é legal, cara.

TSThales Starling

Se inspirou naquele cara, o gringo lá.

RVRogério Vilela

Ah, é, tem um que fala que faz isso, né?

TSThales Starling

Aí ele fez, ele fez aquele vídeo, né?

JMJúlio Mamute

Vamos documentar o dia inteiro.

TSThales Starling

Ficou muito legal.

?Voz B

Esse aqui tá com 170 milhões de views.

RVRogério Vilela

Caramba, velho, é muita coisa!

TSThales Starling

É o Brasil inteiro assistiu, viu, reviu, compartilhou, né? Quase o Brasil inteiro.

JMJúlio Mamute

Aí o pessoal me escolheu, dá muita gente.

RVRogério Vilela

Ah, é, né?

TSThales Starling

Isso que vem na minha gaveta, galera, já vai. Que que é aí?

JMJúlio Mamute

Aí é uma confecção, a confecção, parceiros meus, amigos meus lá do interior. Tava visitando eles, aí aproveitei e fiz esse vídeo também.

TSThales Starling

Que legal!

JMJúlio Mamute

Aí termina alguém ligando a luz, começa ligando a luz e termina ligando a luz.

RVRogério Vilela

Sem texto, você não fala nada, é só nada. Talvez seja por isso que viraliza tanto também, porque aí não tem país, né, não tem linguagem. Então faz sentido.

JMJúlio Mamute

Então, cara, eu sou essa dor que tá buscando se curar, entendeu? Não é fácil, é o maior desafio da minha vida. Não é, não é algo que muitas vezes eu queria, cara, como todo compulsivo é intenso, eu queria resolver tudo rápido. Calma, né? E tem coisa, mas tem coisa, ansiedade provoca isso, querer para ontem, é ou não é?

TSThales Starling

Tem que ter paciência.

JMJúlio Mamute

Exato. Mas a paciência dói, a paciência cansa. É por isso que muitas pessoas desistem em processo quando entra numa academia, demora, ela cansa. Então você entender isso e buscar, buscar continuar esse processo criando novas dopaminas, novas estratégias. Esse aqui é o pulo do gato.

TSThales Starling

É só para explicar, dopamina é fonte de motivação. Falando português simples, são coisas que te dê uma fonte de motivação, entendeu? Só para você ficar perguntando.

JMJúlio Mamute

Um hábito, cara, um hábito ele não desiste. Ele não, ele não. Uma compulsão, um vício, nada mais é do que uma repetição de algo. Então se torna um hábito. Um hábito Eu tenho algumas formações na área de neurolinguística e comportamento. Antes de eu me tornar um mamute, né, eu já estive frente a frente com Charles Duhigg. Charles Duhigg é o autor daquele livro Poder do Hábito. Já viu o amarelinho? Já passei o final de semana inteiro com ele.

O que é, por exemplo, o Charles, ele defende uma tese que é: um hábito, ele não pode morrer, ele não se destrói, um com hábito. Você não pode acabar com hábito. O que você pode fazer é criar um novo que lhe gere mais prazer do que o antigo, mas o antigo vai continuar lá. Ele, você vai poder colocar, você pode até trancar o antigo no porão, ele vai ficar batendo lá. Se um dia você voltar para lá, ele vem com tudo. Não é à toa que a maior, talvez seja a mais reconhecida instituição sobre compulsão e vício no mundo que é o AA.

Todo mundo já ouviu falar no AA, existe há 100 anos. Qual é o lema principal do AA? Só por hoje. Porque eles, pelo simples fato que eles sabem que você pode estar abstêmio há 50 anos, bastou um dia, você cai. Eles entendem, mas é verdade, eles entenderam isso há 100 anos atrás, por isso que o lema é esse. Então o hábito, ele não pode ser desfeito. É por isso que muita gente fala que, ah, não tem cura isso, não tem, porque é um hábito, você torna um hábito.

Você consegue curar hormonalmente muita coisa, mas a mente você tem que controlar ela ao longo de toda sua vida.

RVRogério Vilela

É, tem algumas sinapses que são feitas e estão fazendo lá. Se você continua fazendo, ela tá lá. Você para de fazer, ela para. Mas você voltar a fazer, ela vai fazer o ninho de novo. É, aquele caminho vai voltar a ser preenchido.

JMJúlio Mamute

Falando em neurociência, é isso. Perfeito, perfeito, cara. Você é um cara fora da curva na neurociência. É isso, você criou um um caminho. Um hábito nada mais é do que um caminho. O hábito, ele existe justamente para que a gente possa economizar energia. O cérebro é o órgão que mais consome energia do corpo. Então a natureza criou o hábito para isso.

RVRogério Vilela

Tentar, você tem um gramado e deixa as pessoas andando livremente lá, com o tempo você vai ver que alguns caminhos vão ser formados naquela grama, vai ficar mais terra, vai ficar de tanto que as pessoas vão passando e aquilo vai se solidificando E aí todo mundo só vai fazer aqueles caminhos.

JMJúlio Mamute

Você cria um caminho neural. Exato. Olha, e isso não se desfaz. E aí eu faço analogia. Uma vez eu fiz um vídeo contra um personal lá de Alphaville, ele falava que gordo é só escolha e tal. E aí eu disse, bicho, vamos lá, é até a página 7, é até isso aí, isso é escrotidão que você tá falando, porque isso é até a página 7. Claro que às vezes pode começar com escolha assim, óbvio, só que aí você vai se afundando e torna-se irracional.

É, pô, os romanos construíram estradas, irmão, que tá funcional até hoje. Depois que você cria aquela teia neural, não tem como apagar aquela teia. Ela pode até ficar assim com mato, enferrujada, abandonada lá, mas tá lá. Se você voltar por cima, a galera começando ela de novo, ela vai. Isso é um hábito, cara. Isso é um hábito. Aí é o que a gente, vale a pena a gente abordar É, se chegamos a um consenso, um hábito ele não pode ser desfeito, mas você pode criar novos.

Isso com base em ciência e pessoas de renome que atuam com isso, né? Como é que a gente, como criamos novos hábitos para vencer, para suplantar os antigos? Eu acho que esse é o ponto que nesse podcast, nesse bate-papo, ia agregar muito para a galera.

TSThales Starling

E aí, eu acho que assim, a gente pode Se você não tiver problema com o tempo, não podemos. Eu posso dar partido que o Mamute falou.

RVRogério Vilela

Vocês não conhecem esse podcast, né? É famoso pelo quê?

?Voz B

Não conhece.

RVRogério Vilela

São intermináveis. Então a gente, vocês têm o tempo que vão conversando aí, tá?

TSThales Starling

Vocês têm compromisso?

RVRogério Vilela

Desmarca o compromisso.

JMJúlio Mamute

Eu tenho Cabo Verde, tem que ir para Cabo Verde um dia. Um dia, um dia você tem que ir lá, não necessariamente agora, né?

TSThales Starling

Mamute, ele falou, eu acho que todo mundo pode começar por algo que o Mahmoud falou ali, eu peguei, que ele falou o seguinte: eu acho que começa pela decisão.

RVRogério Vilela

A primeira coisa é a decisão, isso, não é?

JMJúlio Mamute

Você tem que sofrer aquela dor, saber onde você tá e decidir.

RVRogério Vilela

Então a gente passou por isso, e porque tem gente que passa por isso e não toma decisão. Tem que tomar uma decisão. É que nem, é que nem o pessoal fala, por exemplo, amor. Amor não é um sentimento, é uma decisão. Você decide amar alguma coisa ou amar alguém. E todo dia você tem que tomar aquela decisão.

JMJúlio Mamute

Eu vou um pouquinho mais além: se essa decisão foi irresponsável, irresponsável, provavelmente você vai fracassar.

RVRogério Vilela

Sim, exato.

JMJúlio Mamute

Você tem que tomar decisão e criar estratégias.

RVRogério Vilela

Se for uma decisão que você falou por falar ou no impulso, ela vai fracassar. Tem que ser uma decisão pensada. E aí você começa a organizar como você se aproxima desse objetivo.

TSThales Starling

Perfeito. Então aí eu vou abordar um primeiro tópico que ele falou, que assim, a decisão foi tomada. Muitos dos problemas da nossa vida, psicológico, às vezes nunca vão ter uma solução. Às vezes a gente vai ficar pensando sobre aquele trauma, aquela coisa, nunca vai ter, não tem como. É, às vezes a gente encontra uma resposta, às vezes depende da gente, a gente nunca encontra. Então É uma das causas que mais levam pessoas a se viciarem em algo, é o fácil acesso àquilo.

Então o Mamute falou ali, ô, eu saí de Recife porque tudo lá era gatilho, porque eu tinha muito fácil acesso aos restaurantes.

RVRogério Vilela

Então a primeira coisa, drogado, e continua frequentando as baladas onde se consome droga.

TSThales Starling

Então a primeira coisa que eu indico para as pessoas, passo número 1: dificulte o acesso. Da substância ou do comportamento que você é que tá fazendo mal para sua vida. Ah, mas eu não tenho como dificultar porque a bebida tá ali e tal e tal. Não faz o que está ao seu alcance, sem desculpas. Queime os barcos, para de falar aí e tal. Não, que que tá no seu alcance? O que que dá para você desfazer aí que tá dentro da sua casa? Quais pessoas que você pode desfazer?

Comece por aí. Às vezes é negociar com as pessoas, dificulte o acesso, dificulte o acesso do jeito que é possível, é dentro das condições suas sociais, psicossociais, dificulte o acesso. Uma hora você vai dificultar tanto, vai fechar, criar tantas barreiras, igual fala, né, do jeito que dá ali, que isso vai te animar a vencer o que é impossível de dar uma volta, né. Ninguém vai tirar a cerveja do bar, ninguém vai deixar de vender a pizza, ninguém vai deixar de coisar.

Mas o que que dá, tá no seu alcance, então faça aí, dificulte o acesso. Porque se você for esperar ter todas as respostas que a gente vai falar nos próximos tópicos, fica difícil. Então, o Mamute fez muito legal, ele reconheceu isso, tinha uma condição de sair de um lugar que tinha muitos gatilhos para ele, que eram os donos dos restaurantes, os amigos, sempre convidando.

JMJúlio Mamute

Modificar o ambiente. Tem frases de coach que tem uma que eu levei para vida, que é: aves da mesma plumagem voam juntas. Você vai ser aquela média e ponto final. Mas aí você, por exemplo, do que você falou, concordo 100%. Aí eu vou ser o advogado do diabo, né? Vamos explorar isso aí, vamos destrinchar isso. A pessoa vai falar o seguinte: poxa, mas às vezes meu ambiente, as pessoas que acabam me levando são da família. Às vezes alguém muito próximo, às vezes é um primo, às vezes é um amigo.

TSThales Starling

Corte a família.

RVRogério Vilela

Pronto.

JMJúlio Mamute

A capacidade de renunciar é fundamental. É lá fora, cara. Olha, vou olhar aqui para você, olhando no seu olho. Eu não sei qual é a dor que você tá sentindo hoje, eu não sei o que é que você tá passando, só você sabe aonde o calo aperta. Mas acredite, lá fora, fora do seu mundo, fora do seu campo de visão tem pessoas querendo evoluir com o mesmo dor, a dor que você tem hoje. Encontre essas pessoas, cara, busca essas pessoas. Esse é um passo fundamental.

Talvez vai ser entrando na igreja, vai, talvez vai ser, pô, cara, você vai ter que buscar, você vai ter que criar estratégias para isso, para mudar o seu ambiente.

TSThales Starling

E aí, então vamos falar também, né, porque Graças a Deus, ele, o Mamute, teve essa condição, né? Um cara bem-sucedido na vida dele. Mas vamos falar então agora, e muitas pessoas que devem estar assistindo agora devem estar perguntando, porra, mas minha vida é um inferno, minha família, meus pais que são um problema, igual Mamute falou, os restaurantes estão por todo lugar, as propagandas de tudo de que faz mal tá estampado.

JMJúlio Mamute

A publicidade é cruel por causa disso, né, cara? A droga do obeso tá em todo lugar.

TSThales Starling

E aí entra no que eu sou muito bom, é justamente isso. Se sua vida é uma merda, se o lugar que você mora é uma merda, se tá tudo horrível, se tá tudo contra você, você tem o melhor motivo para ser o mais dedicado, o mais disciplinado, para justamente— eu tô inteirinho arrepiado— um dia poder sair desse buraco que você tá. O seu, a sua condição ser pior das do que a das outras pessoas é justamente o que mais vai te ajudar a ter a energia para sair.

Você tem que ter uma vontade muito grande mesmo de falar assim: eu odeio esse lugar que eu tô, eu odeio essa condição que eu tô, e eu não aguento mais. Tô inteirinho arrepiado. O eu não aguento mais é muito forte, mas é um grito. Grita aí de dentro da sua casa aí agora. Você Grita assim: eu não aguento mais, entendeu? E aí essa energia: eu quero sair desse lugar que eu tô, entendeu? Eu quero melhorar minha vida. E o seu, e a sua condição ruim é a maior fonte de motivação.

Tem que ser assim. Ah, tal, então aí você vai ter, aí tá com problema, parar de reclamar, entendeu?

JMJúlio Mamute

Você sabia que isso é um hábito?

TSThales Starling

Você sabia que isso é um hábito? Certo, tudo bem.

JMJúlio Mamute

Porque as pessoas gostam de mim porque eu simplifico situações complexas. Às vezes, às vezes, Thales, reclamar é um hábito, cara. As pessoas são habituadas a reclamar. Tudo na vida é um hábito. Se você consegue aprender a lidar, entender o que é um hábito, como ele começa: gatilho, processo, rotina e recompensa, as coisas começam a melhorar. Sentimentos negativos são hábitos. Querer pensar em coisas, e bicho, na boa, você tá meio triste, se você colocar— a ciência diz isso, tá claro?

Não é fácil, cada um sabe. Eu não tô falando de depressão profunda, nada disso, mas às vezes o simples ato de você começar a sorrir, começar a lembrar de alguma coisa boa, vai mudar teu estado.

RVRogério Vilela

Sim, concordo.

JMJúlio Mamute

Porque você tá naquele hábito sempre de pensar no ruim, no ruim, no Um ruim.

RVRogério Vilela

círculo vicioso de ficar pensando mal, e aí fica triste, aí fica mais triste porque pensa mais coisa. Tem que quebrar isso alguma hora.

JMJúlio Mamute

Essa coisa, às vezes a pessoa, ok, entendemos, já temos que dificultar o acesso, né, para poder dizer não, dizer não para poder tomar decisões.

RVRogério Vilela

Às vezes a pessoa é o que ele falou, ele mudou de cidade até, cara, por causa da, fazia mal, não conseguia, pensamentos negativos, pensamento suicida, não sei o quê, não sei o quê, cara, muda de cidade. Eu sei que foi um movimento radical, às vezes não precisa, mas ele sabia que se ele não fizesse aquilo, ele ia cair no erro, cair no erro, cair no erro.

JMJúlio Mamute

Às vezes a pessoa acha que não é possível fazer isso, às vezes não é possível fazer isso. Às vezes as pessoas podem dizer, poxa, mas é dentro da minha casa, na minha família. E aí eu sempre compartilhei com as pessoas mais próximas, ajuda também, né? Pede ajuda e tenha coragem para olhar no olho dessa pessoa. Não tô falando de brigar, não tô falando de afrontar, não tô falando, tô falando de dizer assim, ó, Olha, eu quero algo a mais para minha vida, eu quero fazer isso, quero fazer aquilo.

Se você não quiser colaborar, só não atrapalha. Às vezes você tem um sonho de empreender e alguém dentro da família fica dizendo, ah, não faz isso, é, isso vai dar errado e tal. Negocia. Agora você tem que ser homem e mulher suficiente para olhar no olho e dizer, olha, só não atrapalha, tá tudo bem, eu entendo, né, eu te amo e tal. Mas negocia isso, você tem que ter coragem para isso. E às vezes, cara, essa falta de coragem vai fazendo com que você fique cada vez ali dentro da sua casa depressivo e não sai daquele lugar.

A obesidade, eu falo, falo bastante em relação à questão da obesidade. Por exemplo, falei que o meu maior perfil, meu perfil, o maior público é mulher, né, cara? Tem mulheres que tiram os espelhos de casa, irmão.

RVRogério Vilela

Não duvido não. E eu durante muito tempo nem me pesava, cara. Sabe aquele negócio, você fica tão mal quando vai pesar, que eu não peso. Já não pesava.

JMJúlio Mamute

Autoestima baixa. O Thales falou de fechar o cerco, de dificultar o acesso. Mas como é que dificulta acesso em comida se a família toda— é uma das compulsões mais cruéis. Porque aí você fala, não, mas não é uma droga igual. Olha, em relação à compulsão, cada droga age diferente no cérebro. Certo, em relação. Agora, todas elas levam para uma compulsão, e quando se trata de compulsão alimentar, irmão, é uma das mais cruéis. Sabe por quê?

Se você pegar um obeso, pegar um alcoólatra e pegar alguém viciado em drogas e der um banho, passar um filtro ali, botar ele numa sala, no outro dia o único que você tem certeza que é compulsivo alguma coisa é o obeso. O obeso, ele leva as consequências da sua compulsão 24 horas por dia, onde quer que ele vá. Mas você vai precisar criar estratégias, não tem para onde fugir. Então, primeiro ponto é esse: você realmente dificultar esse acesso, por mais difícil que seja, com uma corrupção alimentar.

Mas vai ter que se criar estratégias. O que é que você acha, Thales? Então, qual seria, a partir daí, o que uma pessoa deveria fazer para poder continuar avançando? Ela já aprendeu a dizer não, já negociou, já começou a dificultar o acesso. O que fazer daqui por diante?

TSThales Starling

Aí eu acho que assim, aprender a lidar com preconceito, né, com preconceito que vai ter no processo. Porque igual você falou, né, essa, gostei muito dessa ideia da sala, né. Você, uma pessoa obesa ali, com certeza vão falar. E tem um psiquiatra que ele chama Gabor Maté, uma das grandes inspirações, dos caras mais fodas no mundo sobre esse tema de vícios, compulsões. E eu vou te fazer uma pergunta, vamos ver se você sabe a resposta.

Por que que as pessoas, quando elas olham para alguém que tá à margem da sociedade ali, com problemas de drogas ali, naquele estado mais degradante, ou numa pessoa que tá no nível obesa, né, ali, que é claro, né, de ver o problema. Por que que a sociedade ela é tão preconceituosa? Por que que você acha que ela é tão preconceituosa nesse ponto? Tipo, quando a pessoa tá tão ruim, em vez dela acolher para ajudar.

JMJúlio Mamute

Olha, a natureza tem a seleção natural, né? A natureza, ela, ela é regida por uma lei chamada seleção natural, que é a lei aonde pela competição você forma os mais fortes. E infelizmente, inevitavelmente, na natureza é assim. Eu não sou que tô fazendo as regras naturais. Os mais fracos acabam se ficando à margem. Não estou querendo afirmar que o compulsivo, o drogado, ele seja mais fraco, mas a percepção que passa para as pessoas é que ele talvez seja um risco, que ele talvez seja uma pessoa que não, não tá dentro do padrão que foi estabelecido na sociedade para continuar avançando como sociedade, continuar avançando, continuar progredindo.

É um risco a isso, é um risco a continuar avançando socialmente porque ele transgrediu alguma coisa que é meio que padrão na sociedade. Então, por exemplo, se o camarada, o camarada tá ali na sarjeta, pô, você tem uma família, você quer, você, você naturalmente vai ter o prejulgamento, cara.

RVRogério Vilela

Não sabe, pessoal vê a foto, não vê o filme, né? Só vê aquela fotografia do momento.

TSThales Starling

Mas a resposta para essa pergunta, uma pergunta difícil, né? É que assim, o ser humano, igual eu falei, né, todo ele pode não ter vícios aparentes, né, igual chega numa pessoa que chega no nível de obesidade ali, ou degradante, à margem da sociedade. Mas todo ser humano ele tem outros vícios, às vezes de comportamento, de mentira, de ganância, né, que é diferente de ambição. De trapaça, de soberba, de um nível, né, degradante.

E quando essas pessoas, elas olham para alguém que tá no estado, no nível ruim do negócio, a imagem da pessoa que ela tá vendo nesse nível ruim lembra ela dos vícios que ela tem de caráter, de valores, das coisas erradas que ela faz, e ela pega uma repulsa porque ela tá se vendo ali no pior momento do ser humano. Então é uma visão mais complexa assim, mas eu concordo com esse psiquiatra, entendeu?

JMJúlio Mamute

Que eu entendi.

TSThales Starling

Sabe um ponto que é um desafio, né? E como que você lida com isso?

JMJúlio Mamute

Sabe qual é um ponto que eu acho fundamental?

TSThales Starling

E como que você lida? Entendeu? Que é um desafio, né?

JMJúlio Mamute

Sim, mas aí é uma questão, pô, eu vou enxergar naquele cara a minha fraqueza, eu enxergo na fraqueza do outro, digamos assim, fraqueza em aspas, a minha fraqueza.

TSThales Starling

Bom, mas quando assim, quando te bombardeiam ali, porque, né, eu já vi lá também a galera arregaça.

JMJúlio Mamute

Ah, é bom, né? E outras pessoas, como é que muitas pessoas perguntam o seguinte: Júlio, meu amigo, como é que você, porque, porra, a sociedade E claro, tem realmente os preconceitos, tem as coisas. E como é que você continua seguindo em frente? Isso, resumindo, resumindo, sem querer parecer filósofo, é o que eu acredito realmente, tá? Isso, você precisa levar para o nível de identidade. Vou dar um exemplo, vou dar um exemplo.

RVRogério Vilela

O que que é identidade?

JMJúlio Mamute

Vamos lá, uma camada da personalidade. Você precisa entender quem você é. Vou dar um exemplo. Se alguém passa, se você passar na rua, alguém te fala, Vilela, você é feio, você se importa? Não, porque você tem uma identidade, você se reconhece de forma diferente.

RVRogério Vilela

Entendi.

JMJúlio Mamute

Você não se importa quando você não sabe exatamente quem é você, entendeu? O que é que você tá fazendo na vida? Quando tem um propósito, quando tem um objetivo, não tá trabalhando meta, quando você tá desgarrado, não tem esse nível de identidade profundo, qualquer acusação, qualquer julgamento vai levar você lá para baixo. Você tá suscetível, você não tá ancorado numa identidade. Você, então, primeiro, quando as pessoas perguntam isso para mim, cara, por que que você continua lidando?

Cara, eu creio que fui criado pela imagem e semelhança de uma fonte divina. Não estou nessa terra para ficar preso, aprisionado ao meu próprio corpo. E eu sei que existem coisas maiores e melhores do que aquele quarto escuro que eu habitava naquele momento. Eu sei da onde eu vim e eu quero viver. Eu tenho um nível de identidade grande, no sentido de eu quero viver, porra. Eu sei o que eu quero fazer. Eu não tô assim, poxa, eu não sei o que eu quero fazer.

Ah, eu não, não. Isso para mim é muito claro. Eu tenho uma clareza, uma clareza qual o caminho eu quero seguir. Eu sei que é difícil às vezes você ter uma clareza do qual o caminho que você quer seguir. Às vezes você tá deprimido, às vezes você tá—

RVRogério Vilela

é, nem sempre é muito, cara, eu vou te falar, nem sempre é fácil não, cara, com certeza não. E às vezes que eu tomei a decisão é que foram caindo tantas opções que só sobrava uma. Quando você tem muita opção, por incrível que pareça, é mais difícil. Que nem você tá no deserto, qual direção você vai tomar? Todas são certas, você não sabe Não tem um caminho, você tá lá. Então assim, quando a vida te proporciona um monte de caminho, você fica tranquilo, fala assim, ah, eu tenho isso.

Agora, quando vão caindo todos os serviços, fala, cara, se eu não fizer isso, ou eu vou morrer, ou eu vou perder isso, eu não sei o quê. Cara, você tá decidido. Quem não tem muito que decidir, tá decidido. Então o difícil é quando você tá numa fase boa da vida, ou quando a vida te oferece muita coisa.

JMJúlio Mamute

Eu sei o que é isso, cara, não é? Porque foi exatamente nesse momento onde eu tinha acesso a quase tudo que eu quisesse, que eu vivi meu quarto escuro.

RVRogério Vilela

É, o pessoal acha que é o contrário, né? A pessoa acha que quando você tá perdendo tudo— não, quando tá perdendo tudo você não tem muito o que fazer. Você tem o foco, cara. Se eu não trabalhar, eu não como. Se eu não sei o quê, eu vou morrer. Aí você só tem uma alternativa: ou você se entrega ou você vai. Agora, quando você tá tranquilo, você tá com trabalho que te paga as contas mas te deixa infeliz, você tá com um relacionamento tóxico, ruim, mas tipo Vai levando, vai empurrando.

JMJúlio Mamute

Então, cara, as pessoas às vezes fala, é, pô, para emagrecer tem que ter dinheiro e tal. Sabe o que eu tô gastando? Cheguei a perto de R$20 mil aqui, perto de R$20 mil.

RVRogério Vilela

Merecia ser sócio hoje, tá vendo?

JMJúlio Mamute

Porque eu tinha acesso.

RVRogério Vilela

Você gastava mais dinheiro para engordar do que gastaria para emagrecer. E outra, a gente sempre vai colocar desculpa, sempre vai ter desculpa para para colocar. É dinheiro, é tempo, cara, sempre vai ter alguma limitação. Pode ver quem as pessoas que fazem mais coisas são as que arranjam mais tempo para fazer mais coisa. Quanto menos coisa você faz, parece que menos tempo você faz. Quanto mais vagabundo eu tô, menos eu tenho vontade de fazer as coisas.

Quanto mais me encho de compromisso, mais me dá vontade de fazer outras coisas. Você dá um jeito, né?

TSThales Starling

Você dá um jeito, cara.

JMJúlio Mamute

Sou assim, muita opção.

TSThales Starling

Você dá um jeito.

JMJúlio Mamute

Muita opção gera comodismo.

RVRogério Vilela

É o iFood. Você abre o iFood, cara, às vezes você fala, mano, eu não sei o que escolher, cara. Antigamente só tinha a sua pizzaria do bairro, cara. É pizza, qual pizza você quer?

TSThales Starling

É isso.

JMJúlio Mamute

É o excesso, cara. Hoje em dia a gente vai voltar na questão da dopamina. O excesso faz com que as pessoas acabem perdendo um pouquinho essa coisa da identidade. Ela vai se corroendo porque tudo é muito fácil. Hoje em dia na sociedade, antigamente, meu amigo, antigamente se você tivesse problema dental, morria, irmão.

?Voz B

É verdade, cara.

JMJúlio Mamute

200 anos atrás.

RVRogério Vilela

É verdade, os cara antigamente sangrava pra te curar, ficava, ah, agora tem que sangrar, fazer sangria no cara, abre a cabeça, né, o cara tá com problema, o cara furava tua cabeça.

JMJúlio Mamute

Cara, uma gonorreia, alguma coisa no pinto, antigamente você botava um chuveirinho assim pra abrir.

TSThales Starling

O bigode, eu não sei o que é isso, cara.

JMJúlio Mamute

Olha, tem mendigos que, vamos dizer, que recebe auxílio e tal, que vive melhor do que duques do passado.

RVRogério Vilela

Assim, não tenho dúvida, cara, não tenho dúvida.

JMJúlio Mamute

O acesso a opções e facilidades e comodismo acaba gerando um comodismo, um comodismo, uma fraqueza. Então, quanto, quantos pontos? Se a gente chega nesse consenso Então a única coisa que faz o homem continuar progredindo na vida é ter uma ambição, é ter um propósito, é ter uma direção.

TSThales Starling

É, mas assim, só completando, gostei demais, Mamute, dessa ideia da identidade, da direção, da clareza. Eu acho que essa é a âncora, né? A missão, né? Tem a missão muito clara, isso ajuda demais. Mas eu também acredito que, velho, tem que ter uma vontade da pessoa de tipo assim, eu vou calar a boca de quem tá falando merda de mim.

JMJúlio Mamute

Isso é bom.

TSThales Starling

Já tem uma linha mais assim, cara, tocar o foda-se, vou calar.

RVRogério Vilela

A maior vingança é você viver bem, cara. Isso é você viver tua vida bem. A maior vingança contra qualquer coisa.

TSThales Starling

Exatamente.

RVRogério Vilela

Mas esse desejar o bem para os outros, mesmo com os cara que te fizeram mal, fala, cara, tomara que a vida dele dê certo, que ele para se preocupar com a minha também.

TSThales Starling

Isso dê bem. Mas assim, é pelo ódio?

JMJúlio Mamute

É, não, o amor é gasolina, ódio é nitroglicerina.

TSThales Starling

É, eu igual eu falei, é um pouquinho aqui, né, gente? Eu falo com clareza e tranquilidade total. Tem que ter uma vontade muito forte também, igual eu falei, eu não aguento mais, de eu vou calar a boca de cada maldita pessoa.

RVRogério Vilela

É ódio com aquela situação.

TSThales Starling

É isso, eu vou calar a boca de cada maldita pessoa que desacredita de mim nessa face da terra. E tem isso com uma convicção muito grande, muito forte. E não é para fazer mal, não é para coisa, mas eu sei que você tá falando, cara, isso é uma motivação.

RVRogério Vilela

E depois que consegue, você vê que nem vale, nem vale a pena.

TSThales Starling

Você até esquece da pessoa porque você focou tanto em se tornar melhor ali que você fala, nossa, você olha para o outro que falava isso, fala, nossa, tadinho, essa pessoa tá precisando de ajuda igual eu precisava. Ela é um coitado, ela tá, ela tá, em vez de focar em resolver a questão da vida dela, ela tá perdendo, usando o valioso tempo dela para me ofender. Mas eu vou calar a boca dessas pessoas.

JMJúlio Mamute

A raiva é um excelente combustível, tem que ter. Às vezes é um combustível mais forte do que o amor.

TSThales Starling

É uma fúria direcionada, sabe? Uma fúria direcionada. Então é isso, é isso que acham de mim. Acham que eu sou X ou Y, Z de mal, alguma coisa. Então eu vou calar a boca dessas pessoas.

JMJúlio Mamute

Você precisa querer muito alguma coisa, algo, né?

TSThales Starling

Eu não, eu assim, Tá certíssimo, cara. Eu tenho que falar, às vezes tem que ser uma, entendeu? Às vezes eu tô falando que soma, né? As coisas se somam.

JMJúlio Mamute

Irmão, no fundo, no fundo, vamos resumir isso aqui, vamos resumir isso aqui. Palavras bonitas, palavras bonitas, palavras bonitas, ok? No fundo, a salvação individual. No fundo, a salvação é individual. Você tem como ajudar alguém que não quer nada da vida?

RVRogério Vilela

Claro que não.

JMJúlio Mamute

Você tem como tentar falar de um caminho se ela não quer seguir caminho nenhum? Não, a salvação individual. Então, ó, muitas pessoas, quantas pessoas não queriam que eu já emagrecesse antes? Eu vi minha mãe e minha avó chorar porque eu não conseguia mais sair de casa direito. Elas me amavam, sofriam com isso, mas eu também não tava no momento, eu não queria, pô. A salvação individual, ou vai ter que doer muito, ou vai ter que encontrar o ponto ali do sentido da do propósito para começar a criar estratégias.

E é uma série de estratégias que tem que ser criadas. Falar assim é muito fácil, ah, é só tomar decisão, é isso, cara. No meio do abismo e do céu, você tem que trabalhar um zilhão de estratégias e se recompensar pouco a pouco, pouquinho a pouquinho. Por exemplo, bicho, sei lá, uma recompensa de uma dopamina para substituir a outra dopamina. Você fez tudo certo ao longo da semana, cara, se recompense de alguma forma. Para o compulsivo em comida não vale.

Eu, por exemplo, dia do, dia do, vamos falar sobre isso, que eu acho que é um ponto da compulsão importante. Dia do lixo, meu querido amigo Paulo Musso dizia que é dia do lixo é igual dia do corno, né? Porque não tem que ter, entendeu?

RVRogério Vilela

É você É errado, né? Faz tudo certinho, chega um dia e você come tudo que não podia comer.

JMJúlio Mamute

Olha, o compulsivo extremo, tá? E eu vou me enquadrar porque eu me tornei um super obeso. Nesse momento tem algo em torno de 190, então continuo sendo um super obeso. Não funciona. Eu acredito que também para qualquer pessoas que entram na dependência, na compulsão, no vício, não funciona. Ah, experimenta só um pouquinho, vai de pouquinho em pouquinho. Para mim não funciona isso, para mim não funciona. Por isso é que o dia do lixo, para mim, cara, você, se você começar a comer uma coisa e você tiver compulsão ali, você não vai parar.

É igual pedir para um dependente químico, cheira só essa pedrinha, não vai funcionar, cara, não vai, não vai funcionar. Aí a pessoa fala, ah, mas poxa, eu não vou ter prazer nenhum. Ou você encontra prazer em outros, em outras coisas, ou você vai ser refém para sempre desse prazer antigo. É isso, você vai precisar criar prazer. É aquela questão do hábito. Eu falo bastante da questão do termo hábito porque eu estudei muito isso.

O hábito, ele tem 3 pontos, cara. É o gatilho. Por exemplo, o cara viciado em pornografia, aí o cara faz aquele negócio lá quando tá sozinho deitado na cama. Não vai para cama, irmão, sem à toa.

RVRogério Vilela

Foge daquele ambiente.

JMJúlio Mamute

Exato isso. Você tem que evitar. Então é o gatilho, é o processo e a recompensa. Às vezes você quer uma recompensa, você quer sentir, você vai ter que, você vai ter que se dar recompensas trabalhando no processo diferente, em pequenas dosagens. Fez alguma coisa que você acha que merece mérito, foi uma meta que você estabeleceu, você alcançou aquela meta, Comemora, porra, comemora, caralho, comemora. E se agora, como eu falei aqui, se dá uma recompensa que não seja o objeto daquele, daquela escravidão que você tem, perfeito.

Então, por exemplo, a recompensa de um cara viciado em crack não pode ser crack, mas vai ter que ser alguma outra coisa que gere prazer semelhante ao crack, entendeu?

TSThales Starling

Eu acho que a gente entra em outro tópico com isso, porque esse é o grande desafio, né? Porque difícil o que a gente pode usar para substituir, né, esse prazer de uma substância ou de um comportamento que gere um prazer rápido e apelante. Normalmente ele não, ele não dá esse mesmo benefício imediato, igual eu falei, né? Um vício em trabalho, em família, em Deus. Você não começa a trabalhar hoje, amanhã tá rico. Você não começa a treinar hoje, amanhã tá shapeado.

Você não começa a rezar hoje, Deus milagrosamente resolve todos os seus problemas.

JMJúlio Mamute

No processo tem que gerar dopamina, no processo, de pouquinho em pouquinho.

TSThales Starling

Então eu acho que assim, esse é o grande desafio, e esse desafio é punk mesmo. Mas é igual eu falei, Tem que ter aquela vontade de, tipo, eu acredito que o dia do lixo é: eu não negocio mais com eu, sabe? Não tem que ter isso muito forte. Eu não negocio mais com eu.

JMJúlio Mamute

Eu me saboto. Vamos deixar uma coisa clara, que o cara que tem um vício, ele não vai parar só com a palavra bonita. Eu me saboto. Bom, todo mundo sabe, eu não uso substância, eu não uso caneta, decidi não fazer cirurgia. Eu me saboto constantemente. A diferença é o seguinte: se ele cair, ele tem que aprender a levantar rápido. Porque naturalmente, você tem 20 anos de compulsão em algo, 20 anos de compulsão em algo, e você disser não, vai ser de uma— eu acredito nisso, sabe como?

Conversão. Mas é a minha crença espiritual. Eu acredito que alguém pode ser— acredito que o Deus que eu sirvo pode mudar alguém completamente de hora para outra. Tirando isso, você vai ter que ter muita força, estratégia para ir vencendo, cara. Porque não, não tem outro caminho, não tem outro caminho. Você precisa encontrar, porque assim, cara, sinceramente, se você é, por exemplo, tem a compulsão, tem a compulsão da comida, né?

TSThales Starling

Certo.

JMJúlio Mamute

Eu preciso encontrar prazer, eu não posso, por isso que a comida talvez seja uma das mais cruéis. Porque não dá para viver sem, tá?

TSThales Starling

Eu acho também, concordo.

JMJúlio Mamute

Eu acho que comida e álcool e cigarro, não, mas ainda o álcool e o cigarro ainda dá para viver sem, né?

TSThales Starling

Não, mas assim, muito fácil acesso, né? Eu só faço acesso, só comentando ainda, é só comentando só isso.

JMJúlio Mamute

Vai ter que levantar rápido. Resumindo, eu quero falar o seguinte: se você comer de novo, como eu me saboto, ou você voltar para o álcool, levanta rápido, cara.

TSThales Starling

Entendi o tópico. Então, como lidar com uma recaída do problema que você tá lidando, né? Por exemplo, seja qualquer que seja o desafio que você tá enfrentando ali para vencer sua compulsão, é como lidar com a recaída.

JMJúlio Mamute

Fica, vamos falar disso, que eu acho que isso aí é o que todo mundo passa por isso o tempo todo. Então assim, o que que você faz, Mamute, quando dá, quando você falou, velho, não tá ali focado falando que, velho, dia do lixo é a mesma coisa que o dia do corpo para mim é todo dia, no sentido, não é que todo dia eu como errado, é que assim, eu não determino um dia, um dia específico, eu não me privo de algo, fico em sofrimento, ah, porque eu vou ficar ansioso no dia, no sábado vai chegar, eu vou comer tudo.

Não existe isso para mim. Ou eu posso me sabotar qualquer dia da semana, mas não tenho isso. O que eu preciso aprender é fazer escolhas melhores, é o que eu tô fazendo. Então esse é o ponto, se eu cair antigamente eu ficava no chão. Ah, já que eu caí, qual é os pensamentos sabotadores que passa em qualquer compulsivo? Se chutar o balde, chuta dois. E aí é quando você fuma um negocinho, não é isso? Nunca fumei, mas quem fuma, porra, fuma dois, fuma.

Aí fica fumando meses e não sai daquilo ali. Precisa se criar estratégia para levantar rápido. Talvez uma estratégia seja um amigo, talvez a estratégia seja uma professora. Tô até com uma professora minha aqui de de 12 vezes Iron Man, que tá me acompanhando nos últimos dias, me incentivando na questão física, tá me ligando o tempo todo, bora de manhã, bora. Às vezes é isso, você precisa ter estratégias para levantar rápido. Cair faz parte, irmão.

Você é humano, eu sou humano, você é humano, Thales é humano, Vilela é humano. Bora, Vilela, não apareça, você é GLT. Mas tornou-se humano, caiu, você tem que criar estratégias para levantar rápido. Isso, que tipo de estratégia a gente pode ter para levantar rápido. Eu falei uma, uma pessoa externa, entendeu?

TSThales Starling

Eu acho que assim, se você entender isso, você não vai ter mais recaídas. Se você entender isso, você não vai ter mais recaídas. Que é o seguinte, primeira coisa, toda recaída ela não acontece no dia da recaída, ela aconteceu o dia, ela vai, ela já vai acontecendo dias antes, quando você começa a se perder sobre tudo isso que a gente falou. Começa a esquecer da missão que você tem que concluir para melhorar sua vida, que é muito importante para você.

Começa a esquecer que você quer calar a boca de todas as malditas pessoas que falam mal de você e começa ali, né, relaxar, começa a baixar a guarda. Então aí, quando essa guarda ela começa a ser baixada, você vai determinar, tipo assim, ah, Nossa, agora eu recaí porque eu tive um problema com minha mulher, porque o meu chefe não me tratou bem, ou porque eu ganhei muito dinheiro e agora tá tudo bem e tal. Então assim, se a pessoa identificar todas, a cada queda que ela tem com aquele vício, ela identifica, ó, dessa vez eu caí por causa de uma questão amorosa, então vou resolver isso.

Dessa vez eu caí porque eu tô ganhando ou perdendo muito dinheiro, então vou resolver isso. Porque os problemas da vida problemas não acabam.

JMJúlio Mamute

Perdi dinheiro jogando, vou jogar de novo para recuperar. Não é, perdi, levei a gaia, vou me envolver com qualquer outra.

TSThales Starling

Então assim, foi identificando causas psicológicas, nomeou elas todas e você cometeu o mesmo erro, aí é safadagem. Me desculpa o que eu vou falar, é safadagem. Você sabe muito, você sabe, não, mas sabe muito bem que aquilo ali dá um problema e tal e tal. Aí é certeza, aí tem que parar. Aí é papo de homem, aí tem que parar. Agora, se você faz tudo isso certinho e ainda tem uma recaída, é porque o problema é fisiológico, seu corpo tá sem energia.

E aí tem que identificar o que que você pode melhorar em questão de sono, alimentação, atividade física. Vale a pena abordar, é, entendeu? Que é a linha de tratamento que eu aplico nas pessoas. Então, o que que você tem que melhorar na sua fisiologia? Eu já com você, né, buscar fazer exames. Como é que tá sua parte hormonal? Como é que tá seu fígado, seu rim? Seu corpo tá funcionando? Porque se você tá fazendo para casa da parte psicológica, você já sabe que, velho, mulher ou homem sempre vão te tirar.

Problemas do trabalho sempre vão ter. Glórias e problemas. Problemas na sua família sempre vão ter. Se tudo isso agora já é tranquilo para você, Você já aceitou a vida como ela é, e mesmo assim a vontade é mais forte que você. Você tem um problema fisiológico, já não é mais da esfera psicológica ou espiritual, é da casa fisiológica.

JMJúlio Mamute

Humilde o suficiente para buscar ajuda.

TSThales Starling

E aí busca ajuda.

JMJúlio Mamute

Eu acho que a questão do hormônio é fundamental, bicho.

TSThales Starling

Eu já falei isso com você várias vezes, né?

JMJúlio Mamute

Sim, mas eu sou um cara adepto a procurar entender como é que tá meus hormônios, a fisiologia, extremamente adepto. Correto. Eu, por exemplo, sabe, todo mundo que fala, ah, quero emagrecer, primeira coisa que as pessoas falam é nutricionista, né? Eu até fiz um 30 versus 1 agora lá no canal Foquinha, foi um debate grande, porque na área de, na parte de nutrição, eu falei, olha, muitos nutricionistas mais atrapalham do que ajudam.

RVRogério Vilela

Por quê?

JMJúlio Mamute

Porque a ciência da nutrição quase se tornou especulativa quando você acessa a internet e vê que dentre 30 profissionais diferentes ninguém concorda, ninguém concorda entre si. É quase especulação. A indústria formula vertentes aonde cada uma pega a sua e se torna aquela guerra. Mas se tem um profissional que eu assim, cara, olha, antes de tudo, cara, procura saber teus hormônios, procura entender como é que tá teus hormônios.

Esse não dá para negligenciar. É importante no nutricionista, para você não pode errar no básico. É importante em todos eles, mas os hormônios você precisa saber, porque você não tem como Você não tem como adivinhar, cara, como é que tá os seus hormônios. Isso acho fundamental no processo para vencer, se equilibrar de compulsões e vícios, ter ali, ó, um check-upzinho dos hormônios. Eu acho fundamental, não abriria mão disso.

TSThales Starling

Aí a pessoa vai falar, igual eu tô falando, eu gosto de ajudar todo mundo: ah, eu não tenho condição financeira, tá? Eu imagino que deve ser difícil mesmo, mas é justamente essa a jornada. Você deixa de gastar o dinheiro que você utilizava com as coisas que te fazem mal, vai passar uma raiva, vai ter a bichininha, vai ficar, vai ficar irritado, vai ficar triste, vai ficar coisa. E junta esse dinheirinho que você derretia para investir na sua saúde.

É isso. Queria florear que alguém vai chegar para te ajudar, alguma coisa. Não vai, não vai. Se torne sua melhor ajuda. Pega esse dinheiro. Tô inteirinho arrepiado. Se tirasse minha Pô, porque cada dia, deixa aí, deixa aí, entendeu? Então é isso, a jornada é essa. Essa foi minha jornada. Parei ali, ó, tô com isso aqui de dívida, então eu vou pagar, vou separar isso aqui para dívida. Esse daqui eu nunca mais. Fiquei anos ali sem frequentar festa, sair com mulheres para juntar, investir na minha saúde e tal.

E aí quando as coisas melhorar, você vai voltar a ter uma vida legal. Você vai voltar a performar, você vai levar isso como estilo de vida. Você vai ver que não é um dinheiro ali, ai, nossa, é o melhor dinheiro que você vai gastar investindo na sua saúde, no seu corpo, no seu desenvolvimento psicológico, físico. E aí eu acho que é isso, não há garantia no mundo, né, cara?

JMJúlio Mamute

Não há nenhuma garantia, mas há como tentar viver com dignidade, entendeu? E buscar sobriedade dentro de qualquer tipo de pecado capital que você possa, que possa existir, que você possa cair, buscar a sobriedade talvez seja a coisa mais digna a ser feita. Buscar o equilíbrio, cara. Eu, eu, como eu lido com a obesidade, eu acho é uma área, cara, que cada profissional aborda de uma forma diferente, bicho. E a indústria Pô, existe estudo, tem estudos, cara, que simplesmente diz que tal biscoito, um biscoito conhecido aí, faz bem.

É, tem estudos assim, cara, tem estudo para tudo que é lado. Até porque a gente tá falando assim, vá buscar conhecimento. A salvação individual não é garantia nenhuma, porque a pessoa pode cair na ladainha de um picareta. Pode ou não pode? E esse picareta, acredite se quiser, ele vai ter estudos para corroborar o que ele tá falando, porque a indústria é isso. Ó, eu tenho um cara, foi muito famoso na década de 60, 70, Thomas Kuhn.

Ele é um filósofo da área, filósofo científico, que ele criou o conceito de paradigma na ciência. O conceito paradigma que ele dissertou no seu trabalho, seu é que até os próprios cientistas vivem em paradigmas. Um paradigma, para quem não tem uma noção do que é, é aquilo que você nem concebe. Por exemplo, se você perguntar a um peixe o que é água, ele não vai nem saber responder. O que é água para um peixe? O peixe: como assim, que água?

Não sei o que é água. Ele vive naquilo ali, é o paradigma dele. Cientistas também são assim. Cientistas, quando estão estudando algo, para chegar no objetivo do que ele tá estudando, do que ele quer, às vezes ele se fecha dentro do seu próprio paradigma, vai se criando coisas dentro daquilo que ele acredita. Então, ou seja, tem cientista e tem, tem do lado de cá e do lado de cá que vai se criar estudos, vai se criar, vai se criar artigos científicos para corroborar várias vertentes.

Então assim, o mundo hoje, todo mundo pega um celular Ah, como, como curar minha depressão? Como isso e como aquilo? Como é o universo de coisas, cara? Você precisa ter cautela, você precisa ter cautela, saber escolher com prudência.

TSThales Starling

E aí eu acho que eu achei show demais, Mamute. Exatamente isso, é sobre se também se dar uma chance novamente, tentar outro Tá, então o que eu tô falando aqui, o Mahmoud falou que o tempo todo não deu certo, tá tudo bem, tenta outra coisa, tenta outra e outra e outra e outra e outra. Uma hora você vai achar o caminho que condiz com você, que condiz com a sua realidade. É aquela, eu tô entendendo de novo, é aquela coisa, a história ela vai ser contada de diversas formas.

Acha alguém que conte a história que te convença a fazer o que é preciso feito. Espero que hoje eu, Mamute, contando essa história de uma forma que você vai falar assim: não, é isso, é isso que eu vou fazer. Mas se não der certo, vá atrás de outra história, vá atrás de outro profissional, vá atrás de outro método. Só não se entrega, só não volta, não volta atrás, não volta. Vou repetir, vou ter que gritar aqui, todo mundo vai ficar aqui com problema. Não volta, não volta atrás.

RVRogério Vilela

Vai, continua, cara, vamos lá, fala com o pessoal lá em casa, fala, o pessoal de casa, fala.

TSThales Starling

Então é isso assim, de coração, não volta atrás, sabe? Às vezes, às vezes a gente chega num momento depois de muito tempo ali, tá remando, remando, remando, remando, igual ela falou ali, tá no deserto sem direção e andando, andando, andando, e não vê luz, não vê, não vê o oásis ali, não vê não vê a saída. E eu que eu falo, não volta atrás, continua indo, continua indo, porque a cada, a cada desses desafios, até esse ponto da jornada onde você não, não sabe o que tá fazendo, mas tá se esforçando, ela tá, é a preparação, é a preparação, vai te levar para fora do deserto, vai te levar para fora do deserto.

Você vai sair de lá casca grossa, brabo, guerreiro brabo. Tem uma frase que eu gosto muito, velho, botando para quebrar, feroz, com as pessoas te respeitando. Então continua. Às vezes é só o teste final. O ponto que você tá da jornada pode ser só o teste final, sabe? O teste final. E não para nesse teste, não volta atrás, não volta atrás.

JMJúlio Mamute

Quando você tá no deserto, cara, cruzando o deserto, a única coisa inteligente a ser feita é o quê? Continuar, né? A única coisa que você pode fazer se você tiver cruzando o deserto é seguir em frente. Perfeito. Não existe outra coisa. Se você pensar muito, você vai morrer. Se você parar, você vai morrer. Se você tá cruzando o deserto, não lhe resta outra alternativa. Você tem que continuar marchando, cara.

?Voz B

Maravilha.

JMJúlio Mamute

Não tem outra forma. E não, não há discussão, não há negociação dificuldades. Se você encara que você tá vivendo deserto na sua vida, siga em frente. A gente tava conversando com o Vilela antes de iniciar, que foi sobre tem que entrar em movimento, alguém tem que fazer alguma coisa, senão nada acontece. As melhores coisas da minha vida aconteceram assim, de maneira aleatória. Pessoas incríveis que eu conheci. As coisas só acontecem se você tá em movimento.

Se você tá andando assim, as coisas vêm aqui, batem em você, acontece. Se você tá em casa, as coisas estão andando, né? Nada vai tocar em você, nada vai chegar até você. Agora, quando você começa a andar, as coisas continuam aqui. Aí sim você tem a possibilidade de esbarrar em algo. Muitas coisas você vai esbarrar, não vai ser agradável, mas algumas outras coisas podem determinar o rumo da sua vida, pô. Um relacionamento que vai agregar realmente na sua vida, uma oportunidade que você vai ter.

As coisas só acontecem para quem tá em movimento, independentemente se tá doendo, se não tá doendo. Se você acha que tá indo para direção certa, se não acha que tá indo para direção certa, tem que entrar em movimento, não tem para onde correr, cara.

TSThales Starling

E sobre isso eu vou contar uma história muito legal, rápido. É a história da pessoa que enguiçou o carro na estrada ou no meio da cidade, né? Se você estragar o seu carro e você parar ele no lugar, você ficar ali esperando chegar alguém para te ajudar, ninguém vai te ajudar. Você vai ficar ali do lado do carro horas e horas, ninguém vai parar para te ajudar. Mas se você abrir o capô desse carro, começar a sujar sua mão ali no motor dele e tudo mais e tal, ou começar— tô inteirinho arrepiado— a empurrar ele, empurrar mesmo, eu te garanto que outras pessoas vão parar para te ajudar.

Porque pessoas querem ajudar pessoas que estão se esforçando. Uma hora alguém chega, chega e para ali, começa a empurrar o carro com você, e para outro e outro e outro e outro e outro, e o movimento começa. Mas você tem que estar se esforçando, irmão, você tem que estar se esforçando. Então essa história do carro, ela é muito real. Um dia repare, quando você vê alguém passando, o carro tiver estragado, ela tiver parada, ninguém para para ajudar.

Agora pega um que tá ali se mexendo para ver se não para a gente para te ajudar, não abraça a sua guerra. É aquela coisa, você tem que ir lá, reforço vai chegar, irmão, mas você tem que se esforçar.

JMJúlio Mamute

Você tem que acreditar que lá fora tem pessoas semelhantes a você que querem a mesma coisa que você. Você tem que acreditar nisso.

RVRogério Vilela

Ô, Bigoda, quero saber o que o pessoal quer saber.

?Voz B

Vamos lá, ó, a primeira pergunta aqui que eu separei é do Carlos Henrique. Ele perguntou o seguinte: por que algumas pessoas conseguem largar um vício de uma vez e outras tentam por anos e não conseguem?

RVRogério Vilela

Eu, eu fico impressionado com a empolgação do Bigode para ler isso. Por favor, cara. Perfeito.

?Voz B

Vamos lá, de novo. Carlos Henrique, nome dele, né?

RVRogério Vilela

Já mudou.

?Voz B

Carlos Henrique. É porque algumas pessoas conseguem largar um vício de uma vez e outras tentam por anos e não conseguem.

TSThales Starling

Quer responder primeiro? Responde, vai você.

JMJúlio Mamute

Eu acho que é uma mescla de tudo que a gente conversou aqui. Se você, você precisa ter pontos muito claros ao longo do caminho. Se você, por exemplo, tá naquela estratégia de, ah, só um pouquinho não vai fazer mal, e se você já tá completamente aprisionado por esse prazer aí, talvez seja só um pouquinho essa permissividade. Talvez você esteja negociando com aquele que tá te matando, não vai funcionar. Eu acho que isso é um ponto, mas podia abordar 10 outros diferentes.

TSThales Starling

Eu acho que— eu acho não, eu afirmo com certeza que às vezes essa pessoa, ela— umas consideraram que elas já perderam o suficiente ou já ou já se perderam do caminho o suficiente para tomar a decisão final de isso não é mais para mim. Algumas vão ter que perder mais e mais e mais, igual foi comigo. Fui preso, não foi suficiente. Eu perdi meu AB, não foi suficiente. Eu fui, criei dívidas enormes, ainda não foi o suficiente. Eu fui passado para trás por um sócio meu, me tirou porque eu tava chapado demais me tirou de otário e não foi o suficiente.

Aí somou tudo para mim acordar. Então assim, acho que a nossa missão aqui é acordar você antes de você perder tantas coisas na sua vida. Tem algo igual uma mulher que chegar nos 300, entendeu? Então assim, eu acho que não espera, confia na gente, vai dar ruim, vai dar ruim, cara. Por exemplo, acontecer tantas coisas ruins na sua vida que você não dói.

JMJúlio Mamute

Não dói o suficiente. A gente vai voltar, às vezes a gente acaba voltando, porque assim, no frigir dos ovos, os conceitos que nós abordamos aqui do início, eles são universais. As pessoas fazem pela dor, pelo amor. Por exemplo, não doeu o suficiente, ela acha que tá doendo. Ah, tenho muita conta para pagar, não tá doendo o suficiente, não tá. E o ser humano é o animal, somos animais, uns maiores do que os outros, mas somos animais, é o animal mais adaptativo que existe na natureza.

A capacidade do ser humano de se adaptar a qualquer ambiente, a qualquer circunstância, é inacreditável. Tem uma história, analogia, que eu sempre gostei muito dela sobre isso, cara. Um belo dia, um camarada foi abastecer o carro, e aí ali no estacionamento tinha um cachorro perto da conveniência latindo, gemendo assim. E ele perguntou ao frentista: por que que esse cachorro tá latindo? Tá gemendo, tá gemendo. O frentista falou da maneira muito tranquila, né, simples.

Ele disse: olha, é que sabe o que é, doutor? É que ele tá em cima de uns pregos ali. E o cara sem entender: mas por que que esse cachorro não se levanta então, já que ele tá em cima desse prego? Ele tá gemendo em cima do prego, qual o sentido disso? Aí o frentista, com aquela sabedoria, sabe, maior do mundo, falou para ele o seguinte: sabe o que é, doutor? É que não tá doendo o suficiente ainda. Quando doer o suficiente, ele se levanta.

Salvação individual, irmão. É isso, tem que doer muito. Se não doer, sorte daqueles que encontram propósito, encontram sentido, legado, sem sentir uma dor extrema. Você foi abençoado por Deus. Quem não encontrou antes e tá sofrendo, tá passando por um deserto que não tem opção a não ser caminhar, Cara, você só vai sair daí se doer, cara. Como o Thales falou, eu não esperaria isso, cara, porque as consequências podem ser tarde demais, durante, igual foi comigo.

TSThales Starling

E o Mamute, você acha que funciona mais pelo amor ou pela dor?

JMJúlio Mamute

Eu acho que o amor é maravilhoso, amor é lindo, amor é colorido, mas o amor é insulina, a doernitroglicerina. Eu senti um amor constrangedor ao meu sobrinho ter nascido no dia e na hora que eu nasci, mas a dor de não conseguir levar nenhum presente para ele foi o que me fez no dia seguinte tá na hidroginástica.

TSThales Starling

A dor, cara, misturou, né? É, eu assim, eu acho que o amor ele não é sustentável Apesar dele ajudar demais, com certeza eu tive muito mais resultados positivos ajudando pessoas que no momento da vida que eles estavam ali tentando parar com alguma coisa encontraram uma mulher legal que apoiou e tal. Então não vamos negar, né, que porra, essas coisas, pessoas ajudando, incentivando, são boas demais. Mas o amor só, só ele, ele não é sustentável, porque inevitavelmente, no pior hipótese essa pessoa que tá te ajudando hoje um dia ela vai embora.

E aí no dia que ela vai embora você vai, acabou, entendeu? Então assim, o amor ele é uma, caramba, é uma fonte de energia, motivação assim violenta, é inegável. E você será amado, você é uma pessoa amada, amada por Deus, amado pelas pessoas ao seu redor, muito mais do que você imagina. Mas tomara que apareçam pessoas que te amem, que te incentivem. Mas lembra, se algum dia elas forem embora, você tem que continuar firme, você tem que, você não pode parar, você não pode deixar a ausência do amor te fazer voltar para o mesmo, ir para o mesmo buraco, porque senão não acaba nunca o problema.

JMJúlio Mamute

Ô Vilela, você que faz musculação, também e tal. O que é que é mais efetivo nos dois exemplos que a gente se depara por aí? O cara que, pô, tá fazendo musculação porque a mulher acha legal, incentiva ele e tal, o cara que levou uma gaia maior do mundo, pegou o Ricardão em cima de uma cama com a mulher e diz: eu vou mudar minha vida.

RVRogério Vilela

Vamos perguntar para o Bigode, que passou por essa situação. Bigode, o que que você acha, cara?

?Voz B

Nunca passei por isso, espero não passar, mas não sei não, cara.

JMJúlio Mamute

Rapaz, Gaia faz, move o mundo em termos de resultado.

RVRogério Vilela

Eu acho que é mais para mulher, cara. Para homem é a dor, cara. É tipo, mas cara, eu acho que o homem fica mais para o deprimido do que para treinar. E a mulher que quer provar que é melhor da outra mulher, entendeu? Mulher tem mais o lance de competição, porque homem, tipo, você não tiver muito em forma também, cara, a gente sabe que não não faz tanta diferença. Às vezes o cara vai correr mais atrás de grana, de ser bem-sucedido, do que do corpo, entendeu?

JMJúlio Mamute

Eu vejo, mas querer se movimentar.

RVRogério Vilela

Eu lembro que quando era a minha primeira namorada, a gente terminou e eu falei, cara, eu quero ser muito bem-sucedido para ela ver que eu sou foda e depois ela vai voltar. Só que eu consegui tanta coisa que depois eu olhava e falava, cara, não tem nada a ver essa mina mais comigo, tipo, sabe? Mas eu fui atrás do lance de virar profissionalmente, entendeu? E nem foi traição, não foi nada, foi só, foi só terminou aquele negócio.

Falou, terminou, terminou bem. E eu falei, cara, ainda vou reconquistar ela porque ela vai ver que eu vou ser foda. Aí depois você ficar foda, e aí fala, agora ela não tá no mesmo nível, né? Agora eu vou para outro nível.

TSThales Starling

É sem hipocrisia, né?

RVRogério Vilela

Eu acho que, mas o pessoal que te procura e te chama na DM, é muita gente, é por causa de relacionamento, a maior parte relacionamento de homem.

TSThales Starling

Assim, meu público, diferente do Mamute, bate ali 72% de homem, 28% de mulher. E realmente sofre muito por causa de mulher, velho, muito, muito, muito.

RVRogério Vilela

E aí, que é traição, término.

TSThales Starling

Assim, igual eu debati esses tempos com uma mulher, ela falou não, mas eu falando que homem sofre muito mais por conta de mulher do que a mulher por conta de homem. Eu, eu, eu classifico assim: a cada uma mulher que tá sendo ali chorando por causa, por conta de um homem e tal, e tal, que o homem sacaneou, tem 4 homens ali que estão lambendo o chão por causa dessa mulher ali, se matando para conquistar ela, e ela rejeitando ele.

E ela falou: não, mas isso aqui na Bahia não é assim, entendeu? Aqui na Bahia os homens que fazem muito mal para as mulheres. Então esse debate com ela me fez mudar a visão de que o problema é regional, entendeu? Então certos lugares do país mulheres se dão, sofrem mais do que os homens daquela região pelos comportamentos dos homens que não são legais. Em outras regiões do país homens sofrem por conta das mulheres daqueles lugares que não tem condutas tão legais com os homens.

Mas o que eu falo para o homem, para o homem ou para mulher, meu amigo, minha amiga, pelo amor de Deus, aí não acaba, não se destrói por causa de um homem, por causa de uma mulher, por causa de uma lábia.

RVRogério Vilela

Cara, daqui um ano, dois anos, você vai olhar para trás e falar, meu, quando passa, vira tanto uma coisa tão boba, né, cara? Tipo, eu lembro daquela quando eu tinha 18 anos, que parecia que ia acabar a minha vida. E hoje eu vejo, o cara passou, ela tá bem, eu tô bem.

TSThales Starling

Você vai dar risada, vai dar risada, tua vida vai mudar tanto. Vale a pena, sabe? Não vale a pena. Entendo que tá doendo agora, sabe, que tá doendo muito, mas não vale a pena, não vale a pena. Fixa essa frase que o Vilela falou, que eu falei, ela me ajudou muito na minha jornada. Não vale a pena você se estragar por causa de outro ser humano que não te valoriza, que não te honra, que não sabe, que não sabe, não faz, que não dá valor para tudo que você tá fazendo por ela.

E é isso, às vezes, às vezes a gente vai fazer muito e não vai, não vai ser retribuído. Às vezes a gente vai fazer pouco também, vai ter uma grande retribuição. E é isso, vamos continuar tentando. Não vamos também, igual Vilela falou anteriormente, não vamos carregar ódio, porque é isso me ajudou muito. Apesar de eu ter falado que vamos calar a boca e tal, e tananã, anteriormente, eu não guardo rancor, amargura nenhuma das minhas ex-namoradas.

Pelo contrário, eu tenho gratidão por cada uma que passou na minha vida, porque a gente teve momentos bons, sabe? A gente tem que parar com isso de tipo ficar dando muito poder para o que foi ruim, esquecer o que foi bom. Então vamos ter gratidão pelas coisas boas que vivemos com a pessoa, mas a título de Tá, eu agradeço, eu perdoo, mas essa história para mim não cabe mais. E essa pessoa é uma, é um capítulo encerrado da minha história.

E vamos, para a gente poder deixar alguém mais legal que te trate melhor, que tenha mais reciprocidade, que te devolva o amor que você tá dando para ela. Chegue na sua vida e que Deus quiser vocês prosperem nesse relacionamento. Mas eu sempre faço uma brincadeira com os homens que eu ajudo, que não são poucos: fica calmo, irmão, vai dar tempo de você casar mais 3 vezes, e é nessa vida, tá? E foi esse o problema. É muita história que a gente, se foi esse o problema, fica calmo, vai dar tempo.

RVRogério Vilela

O Bigoda, é contigo.

?Voz B

Vamos lá, o Maicon, ele falou o seguinte: Maicon Jackson, é como vencer definitivamente o vício em pornografia e masturbação sem aquilo de ficar 2, 3 semanas sem e depois voltar com as recaídas?

TSThales Starling

Boa pergunta, que aí primeiro é boa, cara.

JMJúlio Mamute

É simplesmente quando você entra naquilo ali, pô, o sexo, né, o ápice dali, o orgasmo um dos maiores prazeres que a natureza concebeu ao animal, né, ao homem, né. Só que nós talvez sejamos um dos poucos ou o único que faz sem um propósito, né. Existem alguns outros, mas os outros realmente fazem para acasalar, para algum sentido, para dominância, alguma coisa. Nós buscamos esse prazer sem nem mesmo uma parceira, um parceiro. É a fuga em busca desesperada por aquilo.

Eu não conheço um jeito fácil de vencer uma escravidão tão grande quanto essa. É um desafio para todos nós, cara. O homem que disser que não tem um desafio como esse, eu não costumo acreditar muito. É um desafio, mas é um desafio que talvez quando você vai fazendo medições e percebendo benefício. Por exemplo, eu vou dar um exemplo: quanto tempo você não perde? Tem gente, tem pessoas que são compulsivas ao ponto talvez de ficar horas e horas focada nisso aí.

Quanto tempo, quanta vida, quanta energia não tá sendo desperdiçada nisso? Se você me perguntar, irmão, qual o segredo para vencer uma compulsão sem querer trilhar o caminho tortuoso, sem querer levar sua própria cruz sem querer atravessar a porta estreita? Infelizmente eu não sei. Procure algum expert guru que vai lhe vender alguma solução fácil, barata, encapsulada por apenas R$299. Eu não sei.

TSThales Starling

Eu assim, vamos lá, passo a passo simples. Conteúdo adulto, pornografia, quais são a principal fonte de gatilhos? Gatilhos visuais. Então, de uma maneira bem simples, como é que chama o cara?

?Voz B

É Michael.

TSThales Starling

Michael, é bem simples. Hoje você vai entrar na abstinência, né? Não posso falar, ah, é 30, sim, é 60, 90 dias de todos os gatilhos visuais. Então, se você tá com seu celularzinho aí na mão rodando Reels e ali passa um gatilho Você vai ter que deletar o seu Instagram. Se você vai conseguir voltar a ter uma rede social, só o tempo dirá. Por hora você vai ter que ficar— pera aí— por hora você vai ter que deletar o seu Instagram, vai colocar bloqueadores no seu computador.

Ah, eu não fico sem o Instagram. Então fique sem a pornografia. Ah, então eu desinstalo O bloqueador dos sites, beleza, velho, desinstala e reinstala ele toda vez, velho. Você se incomodar tanto, eu tô inteirinho arrepiado até um ponto que você nunca mais vai desinstalar esse bloqueador. É assim. E saiba, a maior energia que a gente tem vital é energia do sexo, quando ela é com outra pessoa, com outro ser humano. Então você vai desenvolver ejaculação precoce, vai ter problemas hormonais, você vai achar que não consegue se relacionar com uma pessoa.

Então dá uma pesquisada a fundo com todos os males que você vai ter, que são violentos. E no nível avançado, sua mente vai estar tão pervertida que você vai olhar para uma curva de uma montanha, mulherinha vai satisfazer, que você vai olhar para uma curva de uma montanha e achar que é um negócio erótico. Então para agora, vai lá, faz essa análise sincera. Se coisa dificulta o acesso, acho, acho os motivos que você quer chegar, que você tá perdendo seu tempo, sua energia, para você focar numa missão que seja maior que isso tudo, que é a pornografia.

JMJúlio Mamute

O ambiente, cara, por exemplo, eu pego muito na questão do quarto. Aí o cara tá sozinho no quarto, não fica, irmão, não fica, cara. Só vai para o quarto para dormir, velho. Não dê bobeira, não dê margem, não se aproxime da tentação. Se você se sente fraco, não se aproxime. É simples. É como você falou, acho que tem bloqueadores, né, bloqueador de site e tal. Porque geralmente o cara, eu imagino que todos nós passamos por isso, ele gosta mais de um site do que outro, correto?

Não é isso? Eu não conheço o cara Ah, vou pesquisar no Google. Pô, você não vai pesquisar no Google. Não minta para você, deixa da sua safadeza. Você tem seus sitezinho que você gosta, você tem suas preferências, você tem suas coisas, começa bloqueando esses sites então.

TSThales Starling

Não é meio, essa repetição, sabe, tem que ficar chato, velho. Você tem que ser chato com você mesmo, tem que ficar tão incomodado com aquilo de ficar colocando, reinstalando, ficar tentando coisando. Bota o aplicativo desinstala e vai, vai, vai, vai se irritando tanto até um ponto que você não vai fazer mais. É assim, é assim. Não, não solta a corda, não, não afrouxa, fica se irritando. É aquela ideia: fume, fuma e vai rezando, meu irmão.

Você vai, você abre, ajoelha o pé no chão para fazer uma oração, pelo amor de Deus.

JMJúlio Mamute

Tem que falar isso, eu tenho que falar isso.

TSThales Starling

Meu tudo enquanto você fuma ela, fuma, vai fazer, vai dar certo. Nem todo mundo, uma hora você vai conseguir, mas não afrouxa não. Nem todo mundo deixa de ouvir as ideias boas igual você tá ouvindo aqui hoje, não só desse, dos nossos canais, de outros. E vai metendo ideia boa para dentro e vai se irritando e vai se incomodando. E acredita do fundo do coração seu que você consegue ter uma vida mil vezes melhor tem, mas, velho, com vício baixo desse você não vai em lugar nenhum, meu cara.

JMJúlio Mamute

Você imagina, velho, porque às vezes, às vezes o que falta é um sentimento de, porra, que merda eu tô fazendo? Não falta esse sentimento? Que merda eu tô fazendo? Você joga fora, é quase um com você mesmo, velho, tá vendo outro homem pegar outra mulher ali, entendeu? É uma coisa, todos nós, eu principalmente, homem, mulheres também, mulheres hoje em dia o acesso é tão facilitado, né, a sociedade é tão hipersexualizada, né, que se torna banal.

Mas às vezes quando eu já me peguei nisso, eu já me peguei olhando assim, que merda é essa, velho, entendeu? Qual o sentido disso não tem sentido nenhum, cara. Reconhecer que isso não serve para nada é um passo. É reconhecer isso. Você precisa reconhecer que você tá sendo covarde naquele momento. Eu só queria pontuar, só para encerrar isso aí, talvez tenha mais perguntas. Olha, é o tipo de coisa que eu não, até não, não fico falando muito nas redes sociais.

O que você falou, a questão dos de se ajoelhar, porque sabemos que vivemos numa sociedade onde até mesmo determinadas vertentes de crenças pessoais espirituais são prejulgadas e tudo mais, né? Embora eu vá confessar as minhas crenças pessoais aonde quer que eu vá, muitas pessoas não têm o hábito de orar, de pedir ajuda. Se por algum motivo você entende e você concorda, tem aqueles que não entendem, que é do pó para o pó e só tá, beleza, tá tudo bem.

Mas a parcela das pessoas estão assistindo aqui e acredita que existe algo além de você, acredita que existe forças e energias criadoras, acredita que existe um mundo espiritual, recorra a isso. Não é para fazer mandinga não, meu amigo. A crença que eu tenho é se ajoelha, se torne submisso a uma força superior. A minha se chama Jesus Cristo, eu não sei qual é a sua. E peça ajuda. Quando você faz isso, no mínimo você tem uma chance a mais de vencer aquele dia.

Sem isso fica mais difícil. Não tô pregando aqui, eu não quero, não tô sendo pastor de ninguém. Eu tô falando para as pessoas que razoavelmente já acreditam em algo, mas que não faz esse simples ato de: a tentação tá vindo, se ajoelha e pede para passar. Eu vou te falar, coisas inacreditáveis e até quase milagrosas podem acontecer com esse ato.

RVRogério Vilela

Concordo.

?Voz B

É o Rafael, ele falou o seguinte: em quanto tempo o cérebro de uma pessoa viciada volta ao normal depois de vencer um vício?

TSThales Starling

Ah, muito boa, velho. Essa eu sou especialista também, queremos fazer.

RVRogério Vilela

Então vai lá, vamos lá, tá?

TSThales Starling

Então assim, teoria, né? Teoria e realidade, né? Na teoria, que foi até inclusive o vídeo meu que viralizou, que foi aquele outro link que eu falo, né? Eu simplifiquei ali uma teoria bem complexa, por isso o vídeo pegou tanta tração. Mas em tese, se for um vício não tão pesado, em 15 dias o corpo, os 15 primeiros dias vão ser a fase mais difícil da fase de abstinência. De 15 a 30 vai ser difícil, mas se o vício não for tão pesado, a partir de 30 dias começa a aliviar os piores sintomas de abstinência, aquela dor física, psicológica aguda, aquela tortura que a pessoa sente no nível exacerbado.

Mas vida real, Essa é a teoria. Você pode buscar em qualquer livro. Indico ler, além do meu Poder do Vício, Nação Dopamina. São os dois melhores que existem, o meu no Brasil e esse fora. Explica tudo isso nos dois livros. Mas trazendo para um vício pesado, tipo pó, essas coisas assim, como você debilitou, e por muitos anos, como você debilitou muito o seu sistema hormonal, seus neurotransmissores, isso daí pode às vezes chegar a 1 ano.

Esses 15 a 30 dias pode chegar a 6 meses, 3 meses, 1 ano, é muito pessoal. Mas se você não exagerou tanto, provavelmente os 30 primeiros dias, essa fase abstinência mais pesada, né, que aquela dor tal, aquela ansiedade, pode dar tratar crise de pânico na pessoa, mania de perseguição, né, várias coisas assim. E mas normalmente qualquer pessoa a partir dos 30 dias vai, esses sintomas vão ter remissão. E aí entrou naquilo, né, seja bem-vindo à vida como ela é, sem, sem ilusão, né, sem ilusão.

Então ou você vê isso como uma dádiva, que bom, é isso que é a vida, é desse jeito. E enfrenta ela de cara limpa, ou volta para ilusão e continua sendo um fracassado, que eu sei que você não quer ser, porque você tá aqui, como que ele chama?

?Voz B

É Rafael.

TSThales Starling

Então você continua firme, Rafael, você vai conseguir, irmão.

JMJúlio Mamute

Se você passar, só concluir isso aí, é o seguinte: se você conseguir vencer essa barreira que o Thales falou, de vencer esse período que vai doer, que vai doer mais, que vai— só não esquece de algo, cara, um hábito hábito, ele não se desfaz. Você precisa criar novos. Não adianta, ah, fiquei ali só orando. E crie novos hábitos, crie novos hábitos, porque os gatilhos que vão querer te levar para aquele hábito antigo, eles não vão mudar do universo não, eles vão continuar existindo. Cria novos hábitos.

?Voz B

Agora a próxima é do Felipe Barros. Ele falou: e quanto ao vício em apostas online, quais suas consequências e como surgir, e como surge.

JMJúlio Mamute

Surge, a moeda não vale nada, as pessoas não entendem nada sobre educação financeira, e surge a partir da ambição do querer fácil com a falta de clareza de como, de como você deve lidar com dinheiro, né? Talvez seja um dos vícios Dizem que as estatísticas de pessoas que estão aí, né, se matando e tal, tá altíssima, cara. Tem muitas pessoas que promovem essas coisas. Nunca nem passou pela minha cabeça. Mas eu não tô falando é porque eu sou bom moço, deixo de ser bom moço, não.

Eu acho que assim, cada um tem que ser adulto para vestir as calças de adulto e fazer suas escolhas. Isso é importante. Cada um sabe o que fazer. Mas não entra, não acredita, não acredita. Olha, na vida, eu tô falando de investimento, tá? Para você ver que esse sentimento é perigoso, eu vou confessar algo aqui no sentido assim, aquela vulnerabilidade espontânea normal de debate. Na minha vida pessoal, em determinado momento eu investi.

Bom, Deus me abençoou, fui investindo, fui construindo algumas coisas, e às vezes você se depara alguns investimentos até que parece ser bastante vantajoso. Alguma coisinha, uma pulguinha atrás da orelha diz que não é tão vantajoso assim. Tô falando de investimento mesmo, sabe? Geralmente, por mais que você ganha alguma coisa, por exemplo, o cara que ganha num joguinho desse, ele escutar fulano ganhou, ah, é fácil, vou ganhar de novo, e vicia naquilo ali.

Aquilo que vem geralmente fácil, acaba indo fácil, cara. Eu cheguei a ganhar em um determinado investimento que tinha uma volatilidade grande, era um investimento real, legal, totalmente legal, lícito, e tive um excelente retorno que me soou, me pareceu até, foi fácil demais isso aqui. Esse mesmo dinheiro eu perdi com outro investimento que parecia também ser excelente. Porque parece que veio fácil. Aquilo que foi uma, opa, acertei na loteria, foi embora tão rápido quanto veio. Inacreditável, cara.

TSThales Starling

Como que chama?

?Voz B

Felipe Barros.

TSThales Starling

Felipe, você precisa entender que o vício mais letal que existe é aposta, porque para um homem não tem nada que leva um homem a tirar a vida mais forte do que ele perder todo o dinheiro dele de uma vez só. Então, com certeza, aposta é o vício mais letal que tem, por esse simples motivo. Aposto que maioria dos homens que estão ouvindo aí vão mandar no chat que o momento que ele mais pensou em tirar a vida dele foi quando ele perdeu todo o dinheiro, descobriu uma dívida muito grande e tudo, e tananã.

Então, primeira coisa, entender isso. Não, não brinque com isso, porque, velho, O cara ainda nos outros, ele ainda fica na ilusão ali, viajando na maionese, achando que tá tendo uma condição.

JMJúlio Mamute

Ele se sente muito culpado, né? A culpa é tão constrangedora que ele passa.

TSThales Starling

É, nos outros vícios ele tem um tempo ainda de reação. Na hora que você perder um dinheiro muito grande, tiver encurralado por dívida por todos os lados, e até inclusive a jiota às vezes te cobrando, você realmente vai ver que não vai entender isso, porque aí você tem que ter muito medo Você lembrar da minha voz é o vício mais letal que existe. Você vai perder uma hora e tirar sua vida. Segunda coisa é aceitar travar o prejuízo, porque tem um livro, indico para todo mundo ler, chama O Essencialismo.

É um livro de negócio, mas ele é o meu manual de vida. Então nesse livro explica, e eu vou te explicar agora, aceitar. Quando a gente tá num caminho que a gente já perdeu muito, o ser humano ele tem uma coisa de que eu preciso recuperar, que é exatamente o que você vai— não, então vou jogar mais uma vez para recuperar. E o cara essencialista, um cara inteligente, ele aceita que ele perdeu, ele trava o prejuízo. Então eu tô inteirinho arrepiado.

É R$500 mil, R$100 mil, R$500 mil, R$1 milhão, é esse, é esse o prejuízo. Travou, na hora que você travou você começou a ganhar dinheiro já de novo. Por mais ruim que esteja a sua vida, trave o prejuízo e aceite buscar jornada. Até porque senão a grande maioria vai ficar devendo amigo, banco, não sei das quantas e tal. E é isso, irmão, tá tudo bem, velho. Igual eu falei aqui, eu fiquei anos devendo, pagando dúvidas. Faz parte da vida do homem, de uma mulher, do ser humano ter dívidas, acumular dívidas, ter que pagar dívidas.

E não tem coisa mais gloriosa para um ser humano do que ele sabe, não, eu saí do ponto menos tanto e ralei ali no esforço e tal, e voltei a avançar. E você consegue fazer isso, você consegue fazer isso, mas começa hoje travando prejuízo. Eu não jogo E aí cai no que eu falei sobre o conteúdo adulto e a pornografia. Instale bloqueadores de site, pare de seguir influenciadores que falam sobre isso. Se não tem como escapar de tudo, vai ter que ir deletando, vai deletando Instagram, vai juntando dinheiro para pagar streaming que não tá passando propaganda de bet, vai fazendo essas coisas.

É assim, e é isso. E aí junta com todo o resto do contexto que a gente tá explicando aqui sobre missão, propósito, né, que não condiz. Tudo que foi perfeito que o Mamute disse: tudo que vem fácil vai fácil, meu irmão. Essa não é a ordem natural da vida. Aceitável é que, velho, vamos fazer do jeito certo. Faz do jeito certo, você dá conta, irmão, dá conta, velho, de fazer do jeito certo. Você vai prosperar, você vai pagar o que você tá devendo e vai voltar a prosperar.

Pode ficar tranquilo, só faz o que eu acabei de falar, com o Mamute acabou de falar. Vamos para cima.

?Voz B

A próxima é do Diego. Ele falou: existe um perfil de pessoa mais propenso a desenvolver compulsões e vícios?

TSThales Starling

Boa pergunta também, velho.

JMJúlio Mamute

Bom, hoje em dia muito se fala de TDAH, né? E a questão do hiperfoco, a questão de sempre buscar uma dopamina nova e se concentrar naquilo, depois ir para uma próxima, tem um pouco a ver também com TDAH. Tem um pouco a ver com essa, com essa questão do desequilíbrio. Essa, eu acredito sim, eu acredito sim que deva, que deva existir algum componente aonde a pessoa ela é mais suscetível ao risco. Ela tem, ela tem uma preferência temporal, sabe?

Ela tem uma preferência temporal menor. Ela simplesmente, ela simplesmente Tem uma burrice, às vezes se confunde com coragem. Ela pode falar, poxa, mas eu sou corajosa, eu risco, invisto mesmo. Ok, realmente só conquista só quem vai para frente, quem investe, mas você tem que saber no que você tá fazendo. Mas assim, simplesmente, você, independentemente se você se sente que tem um hábito que tem uma tendência a ser compulsivo, Evite outras compulsões.

Eu nem comprava videogame para jogar, eu não comprava, porque eu sabia que se eu começasse a jogar eu ia até o final. Eu sabia isso desde a adolescência. Se você sabe que é compulsivo, não, não dê o primeiro passo, cara. Se você sente isso, não dê o primeiro passo. Eu sabia disso desde cedo, então eu evitava jogar videogame porque eu sabia que eu ia perder. Tô falando mais simples, tá? Mas eu também evitava eu sempre evitei qualquer tipo de droga, por exemplo, droga, né, droga pesada, droga ilícita, porque eu sabia que as chances de eu não parar era altíssima.

Porque se eu me tornei refém de uma compulsão alimentar, ok, eu não consigo evitar, comida tá em todos os lugares. Eu sabia que se eu fosse para qualquer outro mecanismo, qualquer outra fuga, eu ia me lascar. Evita, evita dar o primeiro passo, evita dar o primeiro gole, evita Evita, se você sente isso, evita dar a primeira cheirada, evita, evita entrar num site novo de alguma coisa, evita, cara, evita.

TSThales Starling

Repete a pergunta que eu vou dar uma explicação técnica muito boa também.

?Voz B

Deixa eu ver aqui, é do Diego, né? Existe um perfil de pessoa mais propensa a desenvolver vícios, em compulsões e vícios?

TSThales Starling

Essa vai ser a melhor explicação que você já ouviu sobre como que funciona o cérebro, como que funciona o cérebro humano. Primeira coisa que entender, que o mesmo, a região do cérebro que desencadeia um vício, é tudo na mesma região do cérebro, a dor e o prazer. Então, uma, a gente tem uma, imagina que nosso cérebro aqui ele tem uma balança de dor e prazer. Então, pessoas que têm um desafio que eu nem gosto de nomear como problema, um desafio psicológico natural, que pode ser TDAH, distúrbio bipolar, borderline, ansiedade.

Uma pessoa que desde pequena demonstrou sintomas depressivos, essa pessoa ela tem aqui a linha dessa balança que deveria ser equilibrada entre a dor e o prazer, ela tem essa balança inclinada para dor. Então quando ela utiliza um vício, ela, ela se sente normal. Então ela com certeza vai se viciar mais fácil. Ah, então volta naquilo lá. Então não estou falando isso para você justificar o que tá fazendo, mas é isso. Pessoas que têm problemas naturais psicológicos vão vão ter mais tendência a desenvolver um vício.

A segunda coisa é um fator social mesmo, né? Pessoas que estão numa região mais pobre, infelizmente, né, vão ter mais tendência a se viciar. Isso é um problema já social, infelizmente temos que enfrentar. E deixo aqui também, né, a minha empatia com você, que tem uma questão psicológica natural, que tá enfrentando um desafio social ali do lugar que você mora, que passando dificuldade, às vezes fome e tal. Mas assim, é o que eu falei, quando a gente sabe, eu, eu falo porque eu sempre fui muito ansioso, sabe?

E tem algumas coisas que a gente resolve na vida, outras A gente tem que aceitar que a gente é aquilo, mas vamos tentar, vamos tentar não, vamos viver da melhor forma possível, vamos buscar entendimento sobre a questão do que a gente tá vivendo, sobre o desafio psicológico que a gente tá vivendo hoje. Mas saiba de uma coisa, é qualquer vício que gera um prazer rápido e apelante vai agravar o seu estado psicológico, entendeu? E aí cai numa questão que ela é bem complexa, porque você, a pessoa, pode ficar achando que ela tem o problema psicológico, é porque é desencadeado todo vício que gera um prazer rápido e apelante, vai te gerar sintomas de todos esses problemas psicológicos.

Então todo vício vai te gerar sintomas de TDAH, pode gerar sintomas de distúrbio bipolar, pode gerar, exacerbar sua ansiedade, pode levar à depressão. Então é aquela jornada. Como foi a jornada do Thales? Thales sempre foi um menino ansioso desde pequeno, que buscava aprovação. Esse negócio de pessoas ansiosas, elas têm essa tendência de buscar mais aprovação, de querer controlar os resultados. Então Thales foi um menino ansioso, e depois que eu parei de usar, eu continuei sendo ansioso, e eu tive que aceitar isso mesmo.

E se eu usar qualquer coisa, eu vou ficar mais ansioso, vai ser pior. Vou ter um alívio ali momentâneo para depois cair num vale que não vale a pena. Então é isso. Então eu repito, use o seu problema, o seu desafio, como a sua maior fonte de motivação. Se você sabe que tem um problema psicológico, você corre de todas essas coisas e vai usar essa energia no esporte, no trabalho, com a sua família, com Deus. Porque assim, o seu maior problema pode se tornar o seu maior poder, seu superpoder, por conta disso.

Se você sabe que não pode fazer uma coisa, se outras pessoas que não têm problema vão fazer e vão ficar com todos os sintomas que você tem natural, mas você fica ali disciplinado fazendo tudo certo, você vai sobressair de qualquer forma, você vai sobressair. Então utilize o seu desafio psicológico como maior fonte de motivação. Utilize seu lugar ruim que você mora, que com certeza influencia nisso, como maior motivação para sair, sair do lugar.

RVRogério Vilela

Gente, obrigado demais aí pelo papo. Vocês não estão livres porque a gente sempre termina aqui a conversa de quem vem pela primeira vez com 3 perguntas. Então se preparem, respondam na ordem que quiserem. A primeira pergunta é: qual foi o momento mais difícil da vida de vocês? Vocês, pessoal ou profissional?

TSThales Starling

Quando meu direito de advogar foi suspenso, porque para mim, meu sonho, eu falei que um dos meus sonhos era ser um super-herói, né? Quando eu vi que eu não tinha habilidade nenhuma para ser super-herói, quando era um zero à esquerda, cheio de problema, eu, meu sonho era ser advogado, era um brilhante advogado, e quando suspendeu isso, enfrenta um processo até hoje por conta disso. Foi o pior momento da minha vida, que eu carrego até hoje, que se eu não tivesse chapado, eu teria evitado. Então fica, fica mais atento, irmão.

JMJúlio Mamute

Profissionalmente, determinado momento da minha vida, eu levei uma rasteira. Todos nós acabamos por confiar às vezes, né, por pessoas que achamos que não vão nos surpreender, não vão nos dar golpe. Mas isso é possível que aconteça, às vezes pode acontecer de onde você não espera. E eu tive que me reconstruir, eu tive que continuar juntamente com qualquer outro desafio que eu possa ter na vida, tive que seguir em frente, me recriar, construir alguma coisa nova e continuar empreendendo pessoalmente.

Foi naquele quarto escuro, com mais de 300 kg, preso ao meu próprio corpo. Eu não acredito que Deus tenha feito nenhum homem, nenhuma mulher para se aprisionar em si mesmo, para viver numa condição se tornando escravo, escrava dos seus prazeres. Aquele momento para mim Aqueles momentos naquele quarto escuro, sem querer abrir a janela, foram os piores da minha vida. E eu nunca, nunca mais quero voltar para lá. Eu digo não a isso.

Não sou perfeito, sou falho, mas eu vou sempre dar um passo à frente, porque eu nunca mais quero voltar para aquela dor, nunca mais eu quero voltar para aquele ambiente, para aquele sentimento.

RVRogério Vilela

Segunda pergunta é o seguinte, cara. Eu sei que vocês são muito novos, mas esse programa vai ficar para sempre na internet. Então imagina que vocês estão gravando esse vídeo para o futuro. Daqui 200 anos, alguém que tá vendo esse vídeo e a gente não tá mais aqui, deixa uma mensagem. Que mensagem vocês teriam? Quais seriam as últimas palavras de vocês? O epitáfio, o epitáfio, cara.

JMJúlio Mamute

O Mamute foi um cara que viveu a vida, se entregou a prazeres, mas que em um determinado momento da vida recobrou a consciência, se incomodou suficientemente para não ser apenas mais um ser vivente sem nenhum tipo de propósito, nenhum tipo de objetivo, e começou a trilhar um caminho de significado. Eu ainda não cheguei ao final desse caminho, ainda não cheguei, mas eu não vou parar até chegar lá. Não acaba até que eu vença. E a minha recomendação para alguém que veria isso daqui a 200 anos é: cuidado, caminho para o inferno, ele é sedutor.

O caminho para uma vida digna, próspera, de forma grandiosa, exige renúncia. Aprenda a fazer essas renúncias cedo na sua vida ou você vai pagar o preço.

TSThales Starling

Ou jamais deixa a fase ruim definir quem você é, sabe? Um dia ruim, às vezes meses ruins, anos ruins, não quer dizer que você terá uma vida ruim. Então, se eu pudesse inclusive até voltar no tempo e aconselhar o Thales do passado, é, sabe, se cobra um pouco menos, sabe, no sentido de tipo, as coisas não precisam ser resolvidas de hoje para amanhã, dentro de um mês, sabe. Leva mais numa boa os problemas, dá mais risada, senta pessoa numa boa, sabe?

Aquela ideia, dance conforme a música, sabe? Se a fase tiver ruim, sorria, sorria da fase ruim, sabe? Faz, continue fazendo piadas, continue tratando as pessoas de forma educada, gentil, cavalheira. Porque ser legal na fase fácil é muito bom, mas é ser legal, ser do bem, você sabe, uma pessoa que faz tudo da melhor forma na fase difícil, é que sabe, vai fazer a gente sair da fase difícil e chegar numa fase boa. E você vai chegar numa fase boa, e é isso, vai acontecer.

RVRogério Vilela

A terceira pergunta é: qual é a dúvida que vocês têm hoje? Que vocês se pegam pensando pergunta antes de dormir? Qual pergunta vocês se fazem?

JMJúlio Mamute

Minha pergunta, cara, eu acredito muito, como eu falei, eu tenho uma crença muito grande, tenho convicção que eu fui criado para fazer algo nessa terra. Não é simplesmente como eu estava. Então diariamente eu durmo e acordo fazendo uma pergunta a mim mesmo: como eu posso ser um pouco mais forte, um pouco melhor, um pouco, sabe, um pouco mais empático? Como eu posso viver melhor a vida sem me aprisionar a essas âncoras, a essas correntes que todos nós estamos suscetíveis a se aprisionarmos?

Eu acredito na capacidade do homem e acredito na minha capacidade. Isso não é soberba, isso não é se eu não acreditasse nessa capacidade de dizer, poxa, eu quero mudar minha vida, eu tava lá em cima daquela cama, eu já teria morrido. Eu acredito na capacidade do homem de sair do ponto A e chegar ao ponto B, se talvez passar por processos de tudo aquilo que a gente conversou aqui. E eu durmo pensando nisso: como eu posso viver a vida de maneira digna, próspera, fazendo sentido para mim e para outras pessoas?

É um grande desafio, mas é um desafio que todos nós precisamos enfrentar. Ou viver na mediocridade, ou viver— e quando eu digo mediocridade, não tô falando de pobreza, não tô falando de nada, tô falando de significado. Às vezes o camarada lá do interior com filhos, netos, ele é muito mais rico, muito mais próspero do que um CEO de uma grande companhia sozinho, isolado, depressivo, sem não tem ninguém para compartilhar. Então, como eu encontro, como eu posso ser melhor encontrando esse sentido na vida e orando a Deus para que no final eu tenha pelo menos aquela imagem?

Lembra que eu falei, filhos e netos dizendo, poxa, fazenda, papai, vovô é foda, ele pagou o preço, ele fez o que precisou fazer e hoje nós estamos aqui. Se eu conseguir isso, para minha até já valeu a pena.

TSThales Starling

A pergunta que fica martelando na minha cabeça é: será que eu vou conseguir retribuir todo, todo esforço, todo sofrimento, tudo que minha mãe fez, que aguentou comigo, sabe? Será que eu vou conseguir retribuir toda essa dor que eu causei nela durante a vida? E tudo isso eu penso de dia nisso antes de dormir. Eu preciso dar alegrias para minha mãe, eu preciso retribuir toda a dor, todas as humilhações que eu fiz ela passar. E engraçado que eu me cobro tanto disso que ela gosta demais do CV dela, era um sonho dela que eu viesse aqui.

Então eu te agradeço muito, irmão, muito mesmo de coração, porque, velho, Essa das perguntas que fica todo dia à noite. E hoje, porra, foi uma coisa assim que eu sei que vai dar maior alegria para ela, sabe? E é só isso que eu penso, velho. Como é que eu posso, sabe, todo dia fazer ela sorrir de novo e de novo, de novo? Porque eu sei do tamanho da dor que eu causei na vida dela. Então fica esse conselho, irmão. Um dia as pessoas que você ama vão embora.

Eu tô inteirinho arrepiado, sabe? Você vai ficar se perguntando, porra, por que eu não liguei, não mandei um abraço, não falei eu te amo, não convidei para uma coisa assim, sabe? Tipo, sabe? Tipo, sabe? Faz, meu irmão, faz, irmão. Ô moça que tá ouvindo, não acha que algum dia você não vai se deparar com essa mesma pergunta que eu tô, fico todo dia. Na minha cabeça. Então honre seus pais, honre, honre qualquer pessoa que algum dia te amou na vida e retribua e dê alegrias para essa pessoa, sabe?

Não afrouxa, não afrouxa, faça isso, porque um dia você vai, pode se arrepender de não ter feito.

RVRogério Vilela

É isso, valeu demais aí, valeu demais, que honra ter vocês aqui. Obrigado, obrigado vocês também que tiveram com a gente aqui. Obrigado até o Bigoda, eu tenho que agradecer até o Bigoda.

?Voz B

É obrigatório, né?

RVRogério Vilela

Geração Z, manda aí, cara.

?Voz B

Agradecer a todos que chegaram até o final, né? Eu aprendi muita coisa aqui também, agora coloca em prática, né? Então deixa aí o teu like, a tua inscrição.

RVRogério Vilela

Todos os takes, perdeu o take da gente dando as mãos, perdeu o take deles abraçando.

TSThales Starling

Qual que é o vício dele, hein? Aí, diretor, vocês não estão vendo a cara dele, mas eu vi nas perguntas qual que é o vício dele.

RVRogério Vilela

Qual que é o vício dele?

JMJúlio Mamute

Não revela não.

RVRogério Vilela

Qual que é o vício? Fala aí.

TSThales Starling

Eu vi aquele, ficou mais nervoso também.

RVRogério Vilela

Eu falei, rapaz, depois você me conta então.

TSThales Starling

Agora pronto. Não, vai, vai, mano, mas é isso. Tem que fazer um episódio novo aí no futuro para contar.

?Voz B

Mas é isso, deixa aí o teu like, né, a tua inscrição, ative o sininho, se torna membro, faz tudo que puder, que der para fazer aí.

RVRogério Vilela

E muito obrigado, tudo que der para fazer, apertar aí, faz.

?Voz B

Faz do jeito que dá. Exatamente.

RVRogério Vilela

Então faz aí do jeito que dá, né? Escreve também como que é, faz do jeito que dá. Isso, escreve nos comentários para provar que chegou até o final aí. Sejam felizes, fiquem com Deus, beijo no cotovelo e tchau. E eu vou fechar com o Thales fazendo, fazendo o Thales, o Viking aqui, manda um recado pro pessoal, mas com energia. Que você guardou o episódio inteiro. E agora essa câmera aqui, fala com a galera que tá em casa. Obrigado demais aí, valeu, gente!

TSThales Starling

Levanta a bunda da cadeira, meu irmão! Apaga todas as distrações que tá te atrapalhando de focar no seu objetivo, na sua missão, meu irmão. Pega as ferramentas que você tem, o conhecimento que você aprendeu aqui hoje e tudo, velho. Levanta e faz acontecer, faz acontecer. Você dá conta, cara, você dá conta, amor. Você é forte, você é corajoso, ser destemido, destemida, ser uma pessoa maravilhosa, linda, dotada de dons únicos que nenhum outro ser humano vai ser capaz de repetir.

E é isso, velho, vai para cima, faz do jeito que dá, só faz do jeito que dá. Você vai alcançar grandes resultados na sua vida, muito maior do que você pode imaginar hoje. Você vai chegar, você vai chegar.

RVRogério Vilela

É isso, faz do jeito que dá.

JMJúlio Mamute

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1916 - VENCENDO COMPULSÕES E VÍCIOS: THALES STARLING E JÚLIO MAMUTE | Castnews Index — Castnews Index