035 - ESPECIAL LITO + QUEM VENCEU E QUEM FUGIU DO DEBATE + CASO DA MENINA AMORDAÇADA
FERNANDA COMORA e MADELEINE LACSKO são jornalistas e RICARDO MARCÍLIO é especialista em geopolítica. Eles são os âncoras do Notícia I-LTDA, o programa de notícias do Inteligência Ltda. Eles vão comentar, junto do Vilela, as notícias recentes do Brasil e do mundo com os convidados CARLOS BEZERRA JR., THIAGO LIMA, ANDRÉ MARSIGLIA, DRA. ELIANA PASSARELLI e DR. FELIPE SCHMIDT. Quando criança, o Vilela entregou jornal em Pompéia.
- Caso da menina amordaçadaSequestro e cárcere privado·Violência doméstica·Boletins de ocorrência·Audiência de custódia·Crimes hediondos
- Doença de Lito SouzaDoença neurodegenerativa rara·Doença de Creutzfeldt-Jakob·Doenças priônicas·Tratamento experimental·Uso compassivo
- Eleições e Estratégias de CampanhaAusência em debates·Estratégia de candidatos·Abuso de poder político·Direito de resposta·Pesquisas eleitorais·Segundo turno
- Debate Eleições 2026Cadeiras vazias·Estratégia de campanha·Polarização política·Ausência de candidatos·Crítica aos adversários·Formato do debate
- Geopolítica e Relações InternacionaisGuerra Irã-EUA·Sanções secundárias·Guerra comercial EUA-China·Ataque de Israel à Síria·Guerra na Ucrânia·Papel da Turquia no Oriente Médio
- Dívida Pública dos EUADívida histórica de 40 trilhões·Aumento da dívida em 4 anos·Renúncias fiscais·Taxa de juros de longo prazo·Rolagem da dívida
- Indústria de Defesa BrasileiraAquisição da Avibras·Irmãos Batista·Controle da JBS·Empresa de defesa estatal vs privada
- Crônica da SemanaChristian Cravinhos e impunidade·Glamourização do crime·Inversão de valores
- Mineração de Terras Raras no BrasilSerra Verde Mineradora·Usahar Earth (mineradora norte-americana)·Dependência de terras raras·Transferência de tecnologia
- Dança Butô e AutoconhecimentoDança contemporânea japonesa·Libertação de expectativas·Performance de dança
Boa noite, gente! Sejam todos bem-vindos mais uma vez ao nosso Notícia Ilimitada. Eu sou a Fernanda Cômora, para quem me conhece, e para quem não me conhece, né, Marcílio?
Exatamente. Também professor Ricardo Marcílio, professor de Geografia, Geopolítica e Atualidades, também aqui no bancada do Notícias Limitadas, trazendo tudo de mais fresquinho aí para vocês.
E eu sou o professor Vilela. Sim, eu já fui professor, Marcílio, professor de desenho, de ilustração na Escola Pan-Americana. Estou aqui para também ajudar os meus companheiros de mesa a comentarem, entenderem melhor o Brasil e o mundo, se é que é possível, né?
É verdade, se é que é possível.
Então, antes de a gente começar, deixa eu dar um recado aí. Olha, deixa eu contar uma coisa que muita gente não sabe. Você provavelmente já ouviu falar dos grandes concursos, aqueles que aparecem toda hora nas notícias: Polícia Federal, Receita Federal, INSS, Banco do Brasil. Mas aqui vai um dado que quase ninguém para pra pensar. Enquanto você espera esses editais grandes saírem, dezenas de outros concursos estão abrindo no Brasil todo mês.
Prefeituras, câmaras municipais, tribunais estaduais, secretarias, autarquias, muitos deles pagando bem, com um número bem razoável de vagas e com muito menos concorrência do que os grandes que a gente vê na TV. E olha só, é bem provável que tem um concurso aí na sua cidade, no seu estado ou na sua área de interesse acontecendo agora ou previsto para os próximos meses que passou completamente despercebido. Sabe por quê? Porque não tem propaganda em rede nacional, porque é edital regional, porque não vira manchete.
E o nosso parceiro Estratégia Concursos, que é líder em aprovações no Brasil, criou uma ferramenta gratuita para ajudar você a encontrar oportunidades como esta, que é o Mapa dos Concursos. É um mapa interativo com todos os concursos abertos, previstos e autorizados em todo o país. Você filtra por região, por área, por nível de escolaridade e descobre o que tá rolando perto de você. Sem propaganda no meio, sem clickbait, só o cenário real de concursos disponíveis.
Talvez a sua vaga esteja logo ali, a uma cidade de distância, e você nem sabia. Então, para isso tudo acontecer, para essa mágica acontecer, o que que o pessoal faz, ô querido Homer?
Acessa aí o QR code que tá na tela ou então o link na descrição.
Você tá tentando fazer uma voz de locutor, é isso? Não. Você tá uma voz meio vazia. Acesse aí, o pessoal acessa aí o link.
Se fosse para fazer uma voz de locutor, talvez eu falaria assim.
Seu voz ficou bom, ficou bom, ficou bom.
Fazer uma voz assim de locutor, é uma voz de locutor. Tem um link na descrição, QR code na tela, e roda a vinheta, diretor.
Bom, gente, começa mais uma edição do Notícias Limitadas com tudo de mais importante que aconteceu no Brasil e no mundo. A gente abre o programa com um caso chocante de sequestro. Um homem foi preso em Águas Lindas de Goiás após manter a ex-companheira em cativeiro por 5 dias. A mulher foi encontrada amarrada, acorrentada e com uma máscara no rosto. A promotora Eliana Passarelli vai falar com a gente daqui a pouquinho sobre esse caso.
O governo também entrou com uma, na busca por um tratamento experimental para o influenciador e piloto Lito Souza, que foi diagnosticado com uma doença neurodegenerativa rara e de rápida progressão. O médico Felipe Schmidt vai falar com a gente um pouquinho sobre esse caso.
É, a Mila, a esposa do Lito, teve um problema, né? A gente vai depois dar notícia completa, mas ele tá bem e a gente vai informar para vocês se ela consegue entrar ou não com a gente ao vivo. Tá? As eleições de 2026 já começaram a esquentar. O primeiro debate presidencial foi marcado pelas cadeiras vazias de Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema. Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury participaram do confronto e aproveitaram as ausências para criticar os adversários.
Madeleine Lasco Amadá e André Marcília analisam o debate e os próximos passos da disputa eleitoral. Teve até gente que dormiu no debate, teve, né?
Teve.
Teve muita gente inclusive que tá envolvida aí no debate, disse que Janja, Érica Hilton, muita coisa que vai render aí. E olha, a geopolítica tá pegando fogo, né, gente? Não é só aqui no Brasil não. A dívida pública dos Estados Unidos chegou a um patamar histórico de 40 trilhões de dólares. O número acende o alerta sobre as contas da maior economia do mundo e ter uma negociação bilionária que coloca a indústria de defesa brasileira no centro das atenções.
Os irmãos Batista, controladores da JBS, fecharam um acordo para comprar 100% da empresa que controla a Avibras. Marcílio, que tá por dentro dessa história, vai contar tudo para gente, né?
Sim, sim. E claro que também tem o nosso giro de notícias, né, com aquelas histórias que chamam atenção e fazem a internet parar. Um figurino ousado que foi criado por um artista e parou as redes sociais, e uma performance de dança que rompe padrões e intriga bastante, hein?
E a gente encerra a edição de hoje com a Crônica da Semana com Carlos Bezerra junto. Fica com a gente porque o Notícia Ilimitada já vai começar. E a gente começa pela— por que notícia, Fernanda?
Eu não sei se vocês acompanharam nas redes sociais, eu levei essa notícia para o jornal, então eu fiquei bem por dentro dela, que foi o caso dessa moça de 24 anos. Acho que vocês devem ter visto alguma coisa em rede social, quem tá acompanhando a gente também. Que no momento que ela foi localizada pela polícia, ela sumiu, ela desapareceu no dia 17 de agosto, ficou 5 dias em cativeiro, mantida em cativeiro pelo ex-marido. E não é simplesmente mantida em cativeiro, a hora que a polícia chega, você viu essa cena?
Bizarro, bizarro.
Te lembra um filme isso, né?
Aqueles filmes macabros, Seven, aquelas coisas de com requinte de crueldade assim absurda.
Exatamente. Até difícil no primeiro momento, quando essa notícia chegou para mim, a primeira coisa que eu falei foi: eu acho que é fake news isso, a gente tem que checar. Porque não dava para acreditar ela com aquela máscara, acorrentada com correntes grossas. E essa notícia, gente, ela rodou o mundo. Esse vídeo tá rodando o mundo e falando das atrocidades que o término de um relacionamento pode trazer. Enfim, quem vai conversar com a gente sobre esse assunto, sobre esse caso, né, desse homem que inclusive foi preso já lá em Águas Lindas de Goiás, é a Doutora Eliana Passarelli, que acho que já tá conectada inclusive, né? Já a Doutora Eliana já tá aí. Aqui, mexeu. Oi, Doutora Eliana, boa noite!
Oi, Fernanda, boa noite a todos! Laila, tudo bem?
Tudo bom.
Obrigada por estar aqui conversando com a gente mais uma vez, doutora. É, esse caso na verdade chocou acho que não só o Brasil, mas grande parte do mundo já, porque hoje eu obtive os dados e é um vídeo tão chocante que muitas pessoas assim como eu, quando assistiram pela primeira vez, elas acreditavam que se tratasse de uma fake news, né, que foi Esse caso da Eleni que tá rodando o mundo, ela é uma menina de 24 anos que foi sequestrada no dia 17 de agosto e que depois de 5 dias a polícia conseguiu localizar o cativeiro.
Mas eu queria pedir para que você, eu sei que tá muito por dentro dessa história, contasse um pouquinho para a gente nas suas palavras.
Bom, na verdade, essa moça infelizmente fez 10 boletins de ocorrência. E com 10 boletins de ocorrência era mais para não ser sequestrada, não sofrer esse tipo de crime, né, que é um crime de tortura. Aliás, um dos crimes, né, porque ele tem vários crimes aí a serem apurados. Mas enfim, não é uma forma comum que nós temos de violência doméstica. Nós temos sim o caso, o sequestro.
Né?
E temos também o cárcere privado, que é manter a vítima na sua própria casa sem poder sair de casa, né? Então fica— isso é muito comum, infelizmente, na violência doméstica. Mas haver o sequestro, levar para o cárcere privado, permanecer com esta vítima 5 dias torturando-a, cometer crime de estupro— olha, isso eu não via há muitos anos, realmente, assim. E é muito fácil a gente falar que o indivíduo é inimputável, que ele é doente mental.
Na verdade, ele é perverso, né, o que não tem a ver com doença mental. Mas enfim, esse é o nosso país, né? 10 boletins de ocorrência e ela se vendo nessa situação depois.
Exatamente, doutora. E acho que você toca num ponto muito importante, porque é comum a gente que por exemplo, traz notícias de crime, a primeira coisa que eles tentam é se segurar nessa coisa de que o mental não está em dia, de que sofra, enfim, de algo para tentar justificar. Mas eu tive acesso ao momento em que ele tá dentro do camburão, alguns minutos depois da prisão, e que ele diz para o policial que tá ali conduzindo e fala: olha, se você me solta hoje ou daqui 10 anos, eu vou voltar e vou matá-la.
Ele fala isso com todas as letras. E aí, logo na sequência, quando ele vai para audiência de custódia, é isso, doutora?
Isso, audiência de custódia.
A gente vê o inverso disso, que a gente sabe hoje que a gente vive num país, obviamente todo mundo tem direito à defesa, ainda que a gente não entenda muitas vezes o porquê. Um outro comportamento completamente diferente. E o juiz até sempre assim, e a gente, a gente, doutora, que não tá acostumado, que não vive o outro lado como você, sente até uma certa repulsa, né, Marcílio? O juiz falando: o senhor foi bem tratado? Como é que a polícia conduziu essa prisão no momento em que o senhor tal?
E aquilo choca a gente. Porque as imagens estão ali batendo na cabeça. E aí ele diz o seguinte: olha, a polícia não foi agressiva, mas eu não tô me sentindo bem porque acho que mexeu um pouquinho com o meu psicológico.
É, realmente o psicológico dele mexeu na hora em que ele se viu preso, né? Só que enquanto ele prendeu essa mulher por 5 dias, judiou até não dá mais, estuprou, psicológico dele tava perfeito, né? Eu vou aqui dizer duas coisas, Fernanda. Essa história de audiência de custódia é de uma frustração que você não tem ideia, porque de todo jeito todo promotor, todo juiz vai observar se o flagrante foi bem feito, se não há nenhuma nulidade, se ele não apresenta lesão corporal, porque obrigatoriamente ele passa pelo exame de corpo de delito.
Então fazer esta audiência de custódia, primeiro que custa um dinheiro enorme, do Estado. E segundo, é sempre na mesma composição, se houve algum problema de natureza policial que impedisse aquele flagrante. Eu já vi alguns casos em que o indivíduo que vai se apresentar depois da prisão em flagrante, ele se arrasta na parede para demonstrar lesões, para chegar para o juiz e falar assim: ah, estou todo lesionado. Que foi a polícia que me bateu.
Ninguém me contou, isso existe. Por outro lado, então, nós temos essa audiência de custódia, nós somos obrigados a fazer audiência de custódia sob pena de prevaricação. Óbvio que ele não sairia porque ele cometeu aí pelo menos 2 crimes hediondos, pelo menos. Mas infelizmente nós temos que fazer. E aí o psicológico dele não tá bom. Né? Agora, submetê-lo a um exame de sanidade mental não é o caso, não é o caso, porque ele sabia perfeitamente o que ele tava fazendo, a ponto de ir e voltar durante 5 dias.
Não foi um surto, né? É uma coisa bem pensada, bem planejada. Até local ele arrumou.
Doutora, você falou que a moça vítima de violência, ela já tinha feito 10 B.O.s antes do fato acontecer. O que que uma mulher então deve fazer numa situação que tá sendo vítima de violência, não necessariamente física, mas psicológica, financeira? O que que ela deve fazer para que essa situação não chegue no caso que aconteceu com essa moça?
Então, na verdade, isso não pode chegar ao final do primeiro BO. Essa é a verdade. Essa, e eu aqui vou ser muito sincera para vocês, Eu quero saber por que que foram feitos 10 BOs e esse indivíduo tá na rua, e esse indivíduo tá transitando, e nenhuma outra medida, segundo esta moça. Veja, eu estou falando de acordo com as palavras dela, né? Então o caso não é meu, eu não vi o caso, mas eu vi ali ela mostrando, né, durante uma das entrevistas, 10 boletins de ocorrência.
Quando chega no primeiro boletim de ocorrência, é para que todos nós do poder público tomemos atitudes. Nós não podemos deixar no 10º BO. E eu vou dizer uma coisa: isso tem que ser apurado, tem que ser apurado por todas as corregedorias, pela Corregedoria da Polícia, pela Corregedoria do Ministério Público, pela Corregedoria da Magistratura, porque isso jamais poderia acontecer. Isso terminaria fatalmente em outro feminicídio, não é?
Agora, no primeiro, a gente já tem que tomar providência. Não pode haver 10, não pode haver 5, pode haver 2. No primeiro, a gente já tem que realmente tomar providência. E isso eu quero deixar bem claro, porque isso é uma coisa que me revolta muito, né? Agora, o que que a mulher tem que fazer? A mulher realmente tem que fazer boletim de ocorrência, Ela tem, não é que ela tem que ir atrás dos direitos dela, gente. O direito dela é viver sossegada.
Nós é que temos que correr atrás para que ela viva sossegada. Essa é uma função do Estado e que nós não podemos deixar ou renegar e dizer que nada aconteceu. Vejam a situação, olha o crime bárbaro, crimes que nós estamos verificando aqui. É muito grave, é muito grave, doutora.
E uma outra coisa que chamou chamou muito atenção durante essa audiência de custódia é que ele fica tentando falar para o juiz a todo momento assim: não, eu tinha arma, mas eu não usei. É como se ele já tivesse ensaiado ali o que falar. Inclusive, o advogado manda ele ficar quieto, que não é o momento para que ele diga isso. E aí, 10 boletins de ocorrência, essa fala dele que não para nenhum momento. Ele disse que sofreu essa pressão psicológica.
Eu te pergunto: Realmente, ele disse que não usou arma, não chegou a usar arma. Ele fica preso, doutora?
Fica, ele fica preso inclusive pela guarda de arma, porque ele não estava portando. Me parece que a arma estava dentro da casa dele. Então é mais um delito, que a guarda ilegal de arma de fogo. Mas tem ainda mais um crime, que é a guarda de munições, né? Fora o estupro, Fora o sequestro, fora o cárcere privado, fora o crime de tortura. São, são vários crimes aí que deverão ser apurados, inclusive os anteriores desses 10 B.O.s, que eu não sei que fim levaram essas reclamações.
Eu acho muito importante que isso seja muito bem apurado, que chegue público. É gravíssimo, é gravíssimo isso.
A gente até acompanhar de perto, né, Vila, para realmente ter cobrança, né, que enfim, que as providências sejam tomadas e que não, assim, não seja mais um que entre na estatística, que logo que saiu foi lá e cumpriu aquilo que prometeu, né.
Então agora veja quantos anos ele tem hoje.
Não sei quantos anos, mas digamos, acho que é 36, qualquer coisa assim.
Ele não vai ficar preso 30 anos, ele vai ficar preso no máximo 15. Eu posso fazer toda a somatória de penas porque pelo nosso infeliz Código Penal pessoas não podem cumprir mais do que 30 anos de prisão. Desses 30 anos, se a gente considerar a liberdade condicional ele sai com 15, e às vezes sai com menos 15, de acordo com remissão de pena, uma série de coisas. Você acha que de fato ele não vai matá-la? Estamos falando aí de no máximo 15 anos, tá? Com 36 anos, fazemos a conta.
Parece que é tão simples resolver, ou pelo menos melhorar a situação, né? Era só fazer o pessoal ficar preso.
Exato.
O tempo que ele foi condenado para ficar preso. É exatamente essa progressão, porque o crime acaba compensando, né, no final das contas. O cara faz a conta, fala, tal, no máximo vai acontecer isso se eu me comportar isso, se fizer não sei o quê.
Então essa, ele fala isso dentro do camburão no momento que ele é preso. Ele fala, ele fala, vou ficar quanto tempo? 10, 11 anos? Eu vou sair, vou matá-la. Ele fala isso.
E é exatamente, gente, é exatamente isso, vai Infelizmente, o tempo que ele fica preso é muito pouco e ele sai com saúde e vigor realmente para vingança.
A sensação que a gente tem às vezes, doutora, é que as pessoas que cometem crimes, elas, elas não sei, de alguma forma elas não estão mais preocupadas com a justiça.
De forma alguma. Eu gosto de você porque você é educada.
Não, não.
Não, não sabem que não serão punidas. Tem todo, tem todo aí um trajeto a ser cumprido, que é, eu vou dizer uma coisa, dependendo do crime que comete, é uma moleza, né? É uma molezinha ficar lá 2 anos. Veja, um crime de roubo, se ele roubar R$10 mil, R$40 mil, R$100 mil, R$200 mil, ele vai ficar um sexto da pena preso. Sabe qual é a pena? 5 anos e 4 meses. Tira um sexto disso, que é o que ele fica preso, e sai com a grana. Não precisa contar para ninguém onde tá o dinheiro, onde estão as coisas roubadas, tá bom?
Quer dizer, no nosso país, então, para quem é do crime, o crime compensa, né?
Com certeza, com certeza.
A gente ouve isso agora.
Eu lamento por essa moça, né? Porque o grave, o grave estrago psicológico que foi, fora o físico, lógico. Psicológico, ela não recupera nunca mais. É uma vítima para sempre, infelizmente.
Ele chegou a— ele deu medicação para ela, ele colocou uma meia na boca dela com ácido.
Meu Deus!
Então assim, é com requinte de crueldade mesmo, né?
Eu já te vi, é ver a mulher como um ser inferior mesmo. Ele não vê como ser humano, né?
Não, e uma, e uma, uma coisa, eu vou ter que chamar de coisa, né? A pessoa, o ser humano, é como uma coisa e de posse, é dele, né? É uma coisa dele.
Muito triste, muito triste. Mas nós temos também pessoas que ficam ali batalhando, como é o caso da Doutora Eliana aqui. E qualquer novidade desse caso, a gente vai te chamar para conversar de novo. Doutora, pode ter certeza disso.
Faço questão, e inclusive dessa apuração que eu acho muito grave, tem que ser feita.
Obrigada mais uma vez, viu?
Prazer sempre estar com vocês.
Obrigada, doutora.
Obrigada, um beijo grande.
Tchau, tchau, tchau, tchau, tchau.
É triste isso, né?
A gente tava tentando falar com a moça também, né?
É, eu não sei, acho que ainda não conseguimos. A gente tá tentando falar com a Eliete para que ela entre aqui e converse. A gente já tinha falado com uma parente dela. Enfim, existe uma chance talvez dela entrar e conversar com a gente ainda hoje e explicar o que que aconteceu, que agora que ela começou a falar com as pessoas, e ela conta detalhes assim que não vieram ainda, ainda não foram expostos. Mas quando ela faz esses 10 B.O.s aí, ela Ele já tinha inclusive ameaçado, eles têm um filho, né, já tinha ameaçado essa criança.
Então é assim, é bem preocupante, é o que a doutora tinha dito mesmo. Como é que uma pessoa vai lá? O que o Marcílio perguntou, depois de 10 B.O.s, o que mais essa pessoa tem que fazer para mostrar que tá sendo vítima?
A gente vê medida protetiva, não pode chegar às vezes, né, não pode chegar tantos metros da pessoa, mas e aí? Tá aí, aí o papel não vai, não vai impedir a pessoa de de atacar, né?
E o que que tinha nos B.O.s, sabe? Que que ele já tinha?
Ele ameaçava ela, dizia que se ela não fosse dela, dele, ela não seria de mais ninguém. E inclusive a primeira agressão é porque um carro estaciona na rua e fica próximo à calçada ali, bem próximo ao portão. Ele quer saber o porquê disso, ele quer saber a placa do carro, ele quer saber o porquê que aquele carro— ele acredita que ela tem alguma coisa a ver com essa história e não tem nada a ver. Vai saber, não sabe quem é o carro, quem é a pessoa que parou ali. Então ele já começa com essa psicose dele.
Pois é.
E agora, Fernanda?
Olha, agora vamos ver aqui, a gente vai falar agora de um assunto que eu sei que o Vilela é assim, até bem doloroso, é bem um tema bem sensível, que é a história do Lito. Lito, o Lito que inclusive recebeu uma homenagem até fora do Brasil. Vocês viram isso hoje do piloto, né? Esse piloto que fez ali o voo lá nos Estados Unidos, escreveu Lito. E desde que essa notícia, como é que chama a esposa dele, Vilela? A Mila trouxe a notícia, dividiu nas redes sociais, o Brasil inteiro se comoveu e começou a fazer uma corrente para que essa história chegasse aí onde ela tinha que chegar.
E ela chegou. E a gente vai falar um pouco disso hoje, porque é uma doença que eu nunca tinha ouvido falar, né?
Pouca gente tinha ouvido falar sobre ela, né? E tem gente confundindo com outras coisas, né? E eu fui atrás de— eu acho que como todo mundo foi atrás de vários vídeos para tentar entender a progressão dessa doença, como que acontece, né?
Então temos um médico para explicar para gente, um grande especialista nesse assunto que vai conversar com a gente, que é o Dr. Felipe Schmidt, se eu não me engano é assim que a gente fala o nome dele. Ele vai poder explicar por que que as pessoas estavam confundindo, se eu não me engano, com a vaca louca, com a doença da vaca louca. E não é que ela não seja da vaca louca, é que são proteínas, elas são de transmissões diferentes. Acho que o doutor vai poder explicar isso para gente.
Eu vi também sobre isso.
Doutor Felipe já tá aí?
Estou sim.
Oi, Doutor Felipe, boa noite, seja bem-vindo.
Obrigado aí pelo convite à equipe. Enfim, fico disponível aí para todos os questionamentos aí.
É, o Lito, ele teve um, ele foi tratar, né, de um câncer de próstata. E depois, o doutor, o senhor tá por dentro, aí ele sentiu alguma dor, alguma coisa que indicou, e aí ele foi ver o que que era? Como que foi o início?
Olha, enfim, eu não tenho detalhes sobre o caso, só o que foi relatado aí na mídia, né?
Mas na verdade, doutor, perdão até te cortar, mas a Mila já tava com ele E aí ela começa a perceber que ele tá perdendo o movimento de um braço, e eles associam a uma, eu não sei, é um tipo de cefaleia aguda, doutor? O senhor vai saber me explicar aqui, cefalite, alguma coisa assim. E aí começa uma investigação até chegar nesse diagnóstico.
Ele, enfim, o caso pelo que foi descrito foi um caso de um quadro inicialmente motor, ou seja, com dificuldade de movimentos, e rapidamente progressiva. E que o que me parece que inicialmente atribuíram de alguma forma também uma doença rara, que é encefalite, uma inflamação no cérebro associada a um câncer, né? E só que depois descartaram porque não houve uma resposta adequada à doença, e por isso isso foram investigar outras causas e se chegou ao diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob, né, que é um tipo de doença priônica.
Tem um grupo de doenças que não inclui só essa, que inclui também a doença da vaca louca, entre outras ainda mais raras, que são por uma proteína que existe no nosso organismo, mas ela se dobra de uma forma normal E ela tem uma capacidade de quando, de fazer como um efeito dominó, né? Quando ela tá perto, se encosta numa proteína normal, a outra proteína também se dobra. E esse mecanismo de reação em cadeia acaba gerando a morte de neurônios em última instância, e com isso os sintomas relacionados à doença.
E é uma doença devastadora, né, com uma progressão rápida, em geral em semanas, e de curso até agora, pelo menos, inexoravelmente fatal, né? Então é uma doença realmente devastadora.
Doutor, e não existe nenhum tipo de estudo sobre os motivos, as motivações que podem levar essa alteração na proteína?
Sim, existem algumas formas da doença de Creutzfeldt-Jakob, né, que é uma das doenças priônicas, tá? Existe a forma esporádica, que é a mais comum, em torno de 85% dos casos. Olha que é uma doença rara, ok? É subnotificada, né? Assim, a gente sabe que principalmente aqui no Brasil a gente tem uma subnotificação grande, é muito difícil chegar ao diagnóstico. Na maioria dos locais você não tem o exame específico para chegar nesse diagnóstico.
Mas assim, a estatística mundial é em torno de 1 a 2 pessoas a cada milhão de habitantes. Assim, essa estatística no mundo, a gente não tem uma estatística brasileira confiável. A gente sabe que mesmo no mundo você também deve ter uma subnotificação grande. São mais ou menos uns 600 casos por ano nos Estados Unidos. Bota aí 2 a cada milhão, né? Então é uma doença muito rara. E ela tem essas, vamos dizer assim, esses subgrupos.
A esporádica, que é relacionada a uma proteína, se dobra de uma forma que a gente ainda não consegue explicar o motivo que ela começa a fazer isso, e daí vai gerando essa reação em cadeia. E nesses casos a gente não encontra uma causa específica para isso acontecer. Existe um segundo grupo que é importante, que é que envolve mais ou menos 15% dos casos, que é a causa genética. Esse sim a gente sabe, a pessoa tem um gene anormal que produz a proteína de forma anormal, e essa proteína acaba gerando também a mesma consequência.
E aí você tem uma mutação genética e você tem que testar os familiares diretos daquela pessoa, mas essa é mais rara e acontecer de uma forma, numa idade mais jovem. E tem a terceira forma, que é a forma iatrogênica, que isso é, esse caso é muito raro, esses casos são muito raros, são relacionados em geral a, por exemplo, antigamente se fazia hormônio de crescimento, isso há décadas atrás não era sintético, ele vinha da hipófise humana.
Então eles pegavam a hipófise de cadáveres e extraía hormônio de crescimento. E com isso, se você tivesse algum cadáver com a doença, você acabava transmitindo a proteína. Isso era uma forma também descrita. Então você tem essas formas, essa forma adquirida. A doença da vaca louca era uma forma adquirida quando você se alimentava de um bovino que tinha doença, especialmente dos miúdos, né, do cérebro do bovino, e você poderia se infectar com a doença.
Mas com a vigilância muito grande, o controle governamental em vários países, inclusive aqui no Brasil, é isso, essa forma da vaca louca, que já era muito rara, ficou praticamente inexistente. Mas ela foi um um protótipo, né, para a gente conhecer também essa forma.
A esposa do Lito, ela relatou nas redes sociais há pouco tempo, né, há poucas horas atrás, que o Lito não foi aceito na pesquisa. Enfim, me parece que eles já estariam, né, doutor, eles não estariam aceitando novos casos. E eu queria perguntar uma coisa para o senhor. Aqui no Brasil a gente não tem, a gente não tem assim faculdades, enfim, lugares específicos para quando algumas doenças são raras. E acho que nem é muito aceito esse tipo de tratamento.
Mas, doutor, quando um tratamento recebe, quando um paciente, perdão, recebe um diagnóstico de uma doença que ela é terminal, não seria talvez o caso de avaliar que esse paciente tem o direito por si só de tentar qualquer que seja essa experiência, qualquer que seja esse tratamento, já que existe uma possibilidade?
Olha, isso, enfim, acho que sim, claro, né? A gente chama isso acho que de uso compassivo, né? Mas o caso é um pouco mais delicado porque não existe nada aqui no Brasil, e mesmo nos Estados Unidos e fora, onde tem alguns estudos, de uma forma muito limitada, e ainda em estudos muito iniciais.
Não tem nada ainda que é como se não valesse o risco, digamos assim?
Não, não é, não é isso não, porque a gente está diante de uma doença inexoravelmente fatal. Então sim, eu acho que vale o risco, na minha opinião. Se tem alguma chance que o tratamento dê certo, eu acho que vale. Mas isso envolve um monte de coisas. Por exemplo, a gente, ele selecionou X pacientes para o estudo. Às vezes não tem recurso para fazer para todos os pacientes, nem do próprio Estados Unidos ou nem da própria Europa.
Enfim, se você incluiu um, como é que você não vai incluir outro. Então isso é uma situação que eu realmente eu não tenho como opinar, é muito difícil. Mas eu espero realmente que eles consigam de alguma forma algum tipo de tratamento experimental, porque realmente é uma doença catastrófica, uma doença com curso muito, muito rápido. Então torço muito para que de alguma forma eles consigam acesso a esse tipo de tratamento.
Doutor, logo você duas perguntas assim: pode ser que seja ainda uma outra coisa que esteja mascarado aparecendo essa doença? Qual que é a progressão? Essa progressão, ela é uma, ela, ela, pelo número de casos a gente já sabe o tempo dela ou ela pode variar muito?
Bom, assim, a primeira pergunta com relação ao diagnóstico É o erro diagnóstico. Assim, o teste que é feito, que é um teste difícil acesso, a gente chama de RT-Quick. A gente usa exatamente a forma de espraiamento da doença para fazer o teste. Você pega a proteína, você coloca em um tubo com proteínas normais, aquela proteína PRP, só que a proteína normal, e chacoalha aquilo.
Tô falando de uma forma muito leiga para ver se ela dobra as outras também.
É isso, dobra as outras também, exatamente. Você faz exatamente, você simula o que a proteína faz dentro do organismo. É claro, de uma forma muito leiga, análise é muito criteriosa, até porque ser uma doença catastrófica, a gente toma extremo cuidado para dar esse diagnóstico, porque no momento que você der esse diagnóstico, você tá dizendo para o paciente que você não tem nenhum tratamento a fazer. Esse teste, ele é muito específico, assim, quando ele dá positivo, a chance de ser um falso positivo é próxima de zero.
É, agora ele tem uma chance de falso negativo, ou seja, dar negativo e ainda assim ser doença priônica, você tem que esperar um pouco para fazer um novo teste, ou enfim procurar outra forma, como por exemplo uma biópsia cerebral, que a gente não costuma fazer na maioria dos casos. Esse teste foi realmente uma grande mudança nos nos últimos anos. Eu acho que isso aumentou também os diagnósticos. Então talvez essa estatística de 1 a 2 por milhão de habitantes por ano talvez aumente um pouco por conta da acessibilidade a esse tipo de teste, que aqui no Brasil ainda é muito limitada.
Em relação à progressão, tem alguma coisa que se faça para retardar essa progressão ou não?
Não, é a doença em média ela acaba sendo fatal em 4 a 6 meses, mas tem variações, tá? Tem casos atípicos que vivem às vezes até mais de um ano, mas isso é uma exceção. E a gente trata basicamente, a gente dá conforto, a gente tenta tratar os sintomas para que a pessoa tenha mais conforto, mas até a presente data a gente não tem um um tratamento específico, a não ser esses que estão em estudo.
E, doutor, geralmente como que a evolução da doença vai se dando? Primeiro na parte neurológica, depois na parte motora, é isso?
Em geral, em geral, até pela descrição que deram do Lito, ele foi uma exceção, assim, um caso raro dentro de uma doença rara, porque ele começou com sintomas motores. Basicamente com perda de força. Não é comum isso, costuma se iniciar com sintomas em geral cognitivos ou alteração de comportamento. Mas assim, é de tão rápida progressão que você costuma ver outros sintomas, a pessoa não fica com uma coisa só. E outra coisa que a gente vê é um sintoma que a gente chama de mioclonia, que parece um tremor, só que parece um abalo, um choque Então costuma ser o que a gente chama de demência rapidamente progressiva com mioclonia.
A pessoa vai perdendo as funções cognitivas, ou seja, sua capacidade de raciocinar, de falar, de entender, de uma forma rápida, em semanas, com alguns, algumas alterações motoras. Mas existem casos que se iniciam com alterações, com sintomas diferentes, como alterações visuais, alterações psiquiátricas, mas rapidamente se somam outros sintomas.
Doutor, é só uma dúvida, é assim, para a gente que não entende, ele tinha contado para todo mundo há pouquíssimo tempo atrás que tava dando início a um tratamento para um câncer de próstata, e aí vem essa bomba logo na sequência, né, essa bomba para família, principalmente. Ela pode ter surgido em um momento em que ele tá mais debilitado, ou pelo seu conhecimento, obviamente, assim, pelo que você tem de experiência com essa doença, ela apareceria agora de qualquer forma? Não dá para dizer isso, mas ela pode ter ligação ou não?
É difícil dizer, mas é interessante pelo que eu ouvi, né, do caso aí como eles trataram como encefalite autoimune, que seria o que eu teria feito, porque tem às vezes relação com esse tipo de câncer. Não, não acho que tenha relação. Aí eu digo acho, não digo certeza. E não acho— o câncer de próstata é relativamente frequente em homem, assim, o homem a partir dos 50 anos talvez seja o tipo de câncer mais frequente. Então acho que foi um alguma infeliz coincidência, mas eu não tenho como dizer com certeza.
Pode ser que a gente descubra daqui algum tempo que isso é, que havia alguma relação, mas em princípio acho que não.
Doutor, queria agradecer demais a sua participação aqui para falar desse assunto tão delicado, né, e que o Brasil tava aguardando tanto uma resposta diferente. A gente sabe disso, todo mundo na torcida para que, enfim, para que hoje essa família já tivesse embarcando aí, buscando quem sabe uma, se não uma cura, uma possível forma de sobreviver com isso, né, sobreviver de uma, enfim, da melhor forma possível. Então qualquer novidade que a gente tenha, né, qualquer novidade em relação até mesmo que a Mila tá tentando conseguir, a gente das pesquisas, a gente volta a falar.
Muito obrigado então, doutor.
Obrigada, viu, obrigado. E espero que isso seja aí um, que o Lito seja um símbolo aí da nossa luta aí para contra essa doença que é rara, mas é um problema de saúde pública, é um problema, é uma doença devastadora. Eu espero que ele consiga o tratamento, espero que a gente tenha novidades em breve aí.
Tá certo, tá certo.
Obrigada.
Para completar, queria também agradecer muito ao pessoal que tá ajudando, né, tá fazendo vídeos em inglês. Sacane que tá assumindo o canal do Lito porque as pessoas não sabem, mas as contas chegam e é caro o tratamento, qualquer tipo de coisa. Então também me coloquei à disposição, tem muita gente colocando à disposição para produzir vídeos, e o Sacane tá coordenando tudo isso. Inclusive ele está num voo agora para BH e não conseguiu falar com a gente, mas ele tá cuidando do canal.
Outra coisa também que eu queria falar é uma coisa chata, porque estão principalmente nas redes sociais estão atacando um pouco a Mila, estão politizando porque ela pediu, fez críticas e pediu ajuda ao governo e tal. E o pessoal tá confundindo isso com outra coisa. Gente, não coloca a política no meio. Ela tá fazendo todos os meios para conseguir o tratamento, para conseguir salvar a vida do marido. E cara, quem coloca a política no no meio disso, eu acho que já perdeu a alma, né?
É uma pessoa que realmente não esquece, esquece o debate político, esquece a eleição, porque não tem nada a ver uma coisa com outra, né? É isso.
Até porque quando a gente ama alguém, a gente vai até o final, vai lutar com todas as forças que a gente tiver e com todas as possibilidades, né? Não tem nem o que dizer.
É isso.
E Fernanda, é isso, né? Bom, enquanto a gente vai tentando aqui essas pessoas que a gente tem mais gente para participar do programa, mas a gente tá com probleminha aí, um tá ocupado, o outro tá entrando no voo.
Exatamente, a gente vamos para geopolítica então agora, né? Deixar o Marcílio falar de geopolítica, depois a gente vem para o debate aqui com a Madá e com o Marcílio.
Perfeito. Bom, tem alguns temas que foram bem relevantes dessa semana. Primeiro, uns dados que acho que eles são impactantes sobre a economia dos Estados Unidos, que os Estados Unidos apresentaram dados sobre a sua dívida e a dívida chegou em 40 trilhões de dólares. Com certeza é a maior dívida do planeta. Claro que você fazer essa análise, né, de um número sozinho não diz muito sobre a realidade. Em que sentido? Se você é um país que participa mais ativamente do comércio internacional, se você tem uma confiança maior dos investidores estrangeiros, capital, você pode cobrar uma taxa de juros menor porque o custo do dinheiro ele vai ser mais baixo e você pode se endividar mais.
Entenda, é natural que, por exemplo, uma pessoa que é miserável tenha dívidas menores do que alguém que é muito rico, porque alguém muito rico financia mais, sei lá, apartamentos, financia mais carros, faz mais negócios. É mais ou menos o caso dos Estados Unidos. Então a dívida americana ela já é a maior do mundo há muito tempo, só que isso nunca foi dito como um grande problema, excetuando na situação atual. Para vocês entenderem o buraco que os Estados Unidos estão se metendo, e não tem a ver com o governo Trump necessariamente, desde o governo Biden, tá?
Os Estados Unidos demoraram quase 250 anos, ou seja, de 1776, que é a sua independência, até 250 anos depois, para atingir a marca de 30 trilhões. Para atingir a marca de de 40 trilhões foram 4 anos. Ou seja, os Estados Unidos aumentou em quase 33% a sua dívida no período de 4 anos. A grande questão, talvez você se lembre que lá no comecinho do governo Trump ele tinha nomeado o Elon Musk para ser o representante do DOE, que seria o Departamento de Eficiência Governamental.
Não, porque a gente vai cortar gastos, vai reduzir ali, não sei o que lá, tal. Ele conseguiu fazer algumas mudanças muito pequenininhas, mas que não mudaram a realidade da economia americana. Para quem se lembra, houve até um rompimento do Elon Musk com Trump durante o governo. Depois entrou o caso Epson e tudo tal, mas inicialmente foi porque o Trump tinha feito The One Big Beautiful Build, né, ou seja, o grande, a grande reforma econômica dos Estados Unidos, que ele prometia cortar gastos e realmente cortou do setor de saúde, setor educação, Mas ele também prometia uma série de renúncias fiscais.
Essas renúncias fiscais foram muito exageradas. Até o Elon Musk, que é um cara que é contra o Estado interventor e tal, criticava a postura americana. Ou seja, as renúncias fiscais do governo Trump estão fazendo hoje com que o déficit público americano esteja na casa de 2 trilhões de dólares por ano. Com isso, há uma desconfiança do mercado que os Estados Unidos vai conseguir pagar suas contas E aí você tem um aumento da taxa de juros.
Os economistas costumam falar que quando você pega juros de curto prazo, isso geralmente é Banco Central para ficar controlando o juro, para ficar controlando a inflação, para tentar acelerar a economia e tal. Quando você quer analisar como que tá a situação econômica do país, você tem que ver os juros de longo prazo, porque isso não é definido pelo Fed, pelo Banco Central, isso é definido pela confiança que os investidores têm na economia daquele país.
O juros de longo prazo dos Estados Unidos tá disparando. Os títulos de 10, 20, 30 anos estão ficando juros acima de 5,5%, que para o Brasil é uma taxa ótima, tá? Mas para os Estados Unidos é uma taxa muito elevada, muito elevada. Entendam que geralmente o governo ele não paga a sua dívida. Que que ele faz? Ele contrai nova dívida para pagar anterior, que a gente chama de rolagem da dívida. Só que os Estados Unidos tinham dívidas que estavam pagando 2% de juros.
Agora, com a desconfiança dos investidores, eles têm que contrair nova dívida pagando 5,5% para pagar a dívida que custava 2%. Ou seja, tá virando uma situação de bola de neve.
É quando você tá com o seu cartão, você não consegue pagar o cartão, aí pega outro cartão para pagar o cartão que você tá devendo. Aí você paga uns juros dos juros.
Que aliás é o que um senador democrata, ele falou inclusive no pronunciamento, falou assim: é o que o governo norte-americano tá fazendo agora É pegar o cartão de crédito para pagar a hipoteca. Ou seja, a gente está devendo a hipoteca, a gente pega um cartão de crédito para fazer uma nova dívida que tem uma taxa de juros pior do que a dívida anterior. Ou seja, a situação dos Estados Unidos, claro que é preocupante. Mais uma vez, quer dizer que os americanos vão quebrar, estão destruídos?
Os Estados Unidos têm a maior capacidade de geração de renda do planeta, os Estados Unidos controlam a moeda mundial, os Estados Unidos têm grande capacidade de investimento, mas é óbvio que é uma situação para ficar alerta. E inclusive, o poder da economia americana é tão grande que isso influencia o mundo inteiro. Porque imagina, o Brasil, a gente define também a nossa taxa de juros baseado na taxa de juros americana. Porque se a taxa de juros dos Estados Unidos está alta, para o Brasil conseguir atrair dólares tem que fazer uma taxa mais alta ainda.
Porque se o Brasil colocar a mesma taxa de juros que os Estados Unidos, você acha que o investidor estrangeiro vai querer investir num país que tem o real sua moeda, por exemplo, Brasil, ou vai investir no dólar, que é uma moeda que se consolida há séculos nos Estados Unidos. É um país que, mesmo com as dificuldades, é muito mais confiável que o Brasil. Então, os Estados Unidos subindo juros, ele obriga quase todos os países do mundo a também subir os juros, o que dificulta investimentos, trava economia, dentre outras consequências econômicas.
Ou seja, é uma situação preocupante para os Estados Unidos, preocupante. Outro ponto que vale chamar atenção está ligado à guerra entre Estados Unidos e Irã, porque não sei se vocês perceberam também, os Estados Unidos não vêm fazendo ataques contra o Irã. Existem N motivos para isso. Primeiro, os próprios gastos americanos. Por exemplo, um dos motivos desse crescimento da dívida: os Estados Unidos estão gastando, tem o plano para gastar 1,5 trilhão de dólares em orçamento militar.
Mesmo assim, os Estados Unidos pediram recursos extras para comprar mísseis, para repor estoques. Anunciaram, por exemplo, um acordo para comprar os mísseis Tomahawk que estavam em falta de inventário, só que com preço 50% acima do preço convencional, porque tem que ser feito a toque de caixa, porque tá faltando inventário. Isso representa aumento dos custos. Vários o Dan Kane, que é o chefe do Estado-Maior, a gente tem o próprio J.D.
Vance, vice-presidente dos Estados Unidos, falando que os Estados Unidos não têm capacidade hoje para manter uma guerra com Irã e também pensar em defender a região do Pacífico, defender a América Latina. Ou seja, precisa parar um pouco com esses ataques. Ao mesmo tempo, há uma, um desconforto nos países do Oriente Médio com uma guerra que tá sendo trazida dos Estados Unidos, porque gera desconfiança dos investidores estrangeiros, gera instabilidade política, tudo tal.
O que que os Estados Unidos estão então colocaram? Inclusive passou a valer ontem. O Trump chamou de dia D econômico. Já que ataques militares estão sendo reduzidos, a gente vai começar a fazer um ataque econômico contra o Irã. Só que a grande questão que fica é, beleza, então os Estados Unidos vão praticar sanções contra o Irã. Quais? Não sobra mais sanção, né? Tudo que dava para ser punido, limitado, enfim, contra o Irã já foi pelos norte-americanos.
Os Estados Unidos então estão tentando aplicar o que eles chamam de sanções secundárias. Que que são sanções secundárias? Não só empresas ou empresários, enfim, norte-americanos não podem relacionar com Irã, mas qualquer país que negociar com Irã vai ser punido pelos Estados Unidos. Então, por exemplo, vai O Brasil hoje mantém relação— vamos tirar o Brasil, vai pegar a China. A China é o país hoje que é o maior parceiro comercial dos iranianos.
Com as sanções secundárias, o que que o Estados Unidos está falando? Que se a China não concordar com as sanções que são aplicadas pelos Estados Unidos, a China também vai ser punida por isso. Então basicamente é: eu, Estados Unidos, não gosto da atitude iraniana, então os outros países do mundo também não devem gostar, porque se gostarem eu não se opor nesses países. Isso, claro, é considerado uma aberração geopolítica. E aqui, obviamente, não tô defendendo o Irã, né, sou contrário ao regime iraniano e tal.
Mas a questão é que é muito complicado você ter um país, que é os Estados Unidos, decidindo quais as sanções devem ser aplicadas pelo mundo. E se os outros países não concordarem? Vamos imaginar, por exemplo, que, sei lá, os Estados Unidos considerem que o Brasil está desmatando muito a Amazônia e sanções devem ser aplicadas contra o Brasil, os outros países devem concordar também, senão os outros países vão ser punidos pelos Estados Unidos.
Só que os Estados Unidos compraram briga com o maior parceiro do Irã, né, que a China. A China anunciou hoje que não vai respeitar as sanções praticadas pelos americanos e que se alguma retaliação for feita contra os chineses, a China também vai retaliar os Estados Unidos. Será que os Estados Unidos, em meio à menor popularidade Trump. O cara teve 35%, hein, de intenções de voto. Até o Senado, as eleições de meio de mandato estão comprometidas para o lado dos republicanos.
Democratas hoje são favoritos. Os Estados Unidos estão dispostos a comprar uma guerra comercial com a China ou a boicotar, sancionar um banco chinês com a possibilidade de um colapso econômico internacional por conta do Irã? O Trump, ele se coloca contra a parede. Eu costumo falar, né, Quando você faz algum tipo de ultimato, é um ultimato que você tá ameaçando outro país, mas que você também está se ameaçando. Porque e se outro país comprar?
Você vai ter que cumprir a sua promessa. Os Estados Unidos falou que ia sancionar todo mundo que negociasse com o Irã. A Índia vai continuar negociando, a China vai continuar negociando, vários países do Golfo vão continuar negociando. E aí, os Estados Unidos vai comprar briga com todo mundo? Vai limitar a economia de todos os países? Enfim, pode ser perigoso aí para o futuro do governo Trump. Outra notícia também chamou atenção, caso do Oriente Médio, né?
Nós tivemos aí Israel atacando uma base na Síria. A Síria é um país super relevante do Oriente Médio do ponto de vista político, geográfico, tá no coração do Oriente Médio, e que recentemente passou por uma mudança política muito importante. A ditadura do Bashar al-Assad, que já foi também do Hafez al-Assad, o seu pai, teve o seu fim para ascensão do HTS, que por incrível que pareça é uma dissidência da Al-Qaeda, frente à antiga Frente ao Nusra.
Os Estados Unidos hoje anunciaram que deixam de considerar a Síria como um país que apoia o terrorismo. Hoje quem comanda a Síria é um braço sírio, né, antigo braço sírio aliado ao Al-Qaeda. Você vê como a geopolítica muda, né, as facetas aí. E por que que Israel atacou esse novo governo do Walid Jolani, que hoje comanda o país? Síria tem um aliado, um vizinho ali, que é a Turquia. E a Turquia com certeza é um grande inimigo de Israel.
Quando você vê as declarações mais polêmicas que rolam contra o Benjamin Netanyahu, muitas vezes não vem do Irã, muitas vezes venha do Hamas, vem da Turquia. Quantas vezes o Recep Erdoğan, que é o presidente da Turquia, já não fez comparações entre o regime sionista e o regime, né, do bigodinho austríaco ali da Segunda Guerra Mundial? Sabe o que eu tô falando? Várias vezes a comparação sempre acontece, né, dita ali pelos turcos.
E a Síria começou a se aproximar da Turquia. Qual que era o medo de Israel? Que a Síria começasse a receber militares turcos numa espécie de parceria militar, e esses militares turcos usariam a Síria para atacar Israel. Isso é verdade? A Síria jura que não, a Turquia jura que não. Israel fala que a partir do Mossad, da sua inteligência, que tinha essa previsão de militares turcos nessa base da Síria. Independente se é verdade ou não, Israel fez o que eles chamam de ataque preventivo.
Ou seja, vou atacar a base antes que aquela base realmente tenha militares turcos. Não existe esse dispositivo na ONU, né? Você não pode fazer ataques preventivos. Israel então foi muito criticado, inclusive pelos Estados Unidos, por estar desestabilizando a Síria e por estar tentando contra a Turquia também. Lembrando que a Turquia não é qualquer país. A Turquia é um país que faz parte da OTAN, inclusive é o segundo maior exército da OTAN, né, mais poderoso aí, pelo menos da parte europeia, claro.
A Turquia recentemente fechou um acordo militar com o Paquistão e com a Arábia Saudita, um acordo de defesa mútua. A Turquia tem parcerias com o Catar, o Egito tá disposto a fazer também parte dessa parceria. Ou seja, isso aí, na minha visão, hein, Benjamin Netanyahu está fazendo isso porque desespero eleitoral. Ele sabe que nesse momento ele não é o favorito, e quanto mais briga ele arrumar com parceiros regionais, né, seja com a Turquia, com Irã, com a Faixa de Gaza, mais chance de uma espécie de unificação nacional em torno do seu nome.
Porque no momento, do ponto de vista político, ele com certeza não é o favorito. Outra notícia importante também sobre a questão da Ucrânia: nós tivemos recentemente o Zelensky. A Ucrânia é um caso interessante porque a gente vem discutindo aqui semana após semana que a situação da guerra melhorou melhorou, é complicado, né, porque tá numa guerra, perdeu territórios. Mas eu diria que tá ficando menos pior em relação ao que foi, por exemplo, no ano passado, porque a Ucrânia vem conseguindo ataques importantes contra infraestrutura russa, infraestrutura energética.
Hoje, por exemplo, não temos maiores informações, tá, mas o John Ratcliffe, que é o diretor da CIA, pousou em Moscou. O que será que o agente— a gente não, hein, o diretor da CIA está fazendo em Moscou? Não sabemos, devemos ter notícias aí nas próximas semanas, talvez para mediar um cessar-fogo, algum tipo de acordo, não sabemos. Mas a Ucrânia, ela vem conseguindo resultados importantes atacando, por exemplo, a Wildberry, que é conhecida como a Amazon russa, atacando o sistema energético russo.
O grande problema é que a Ucrânia é um país envolto em escândalos de corrupção, e isso não é com Zelensky, isso é desde sempre, mas também no governo Zelensky. Recentemente a Ucrânia fez uma espécie de reforma ministerial no seu país e o ministro da Defesa, que é o cara conhecido como Fedorov, um jovem de 35, né, se não me engano 35, 36 anos, jovem assim para os parâmetros, né, do que geralmente os secretários, os ministros têm, ele foi o grande responsável segundo a população ucraniana pelo sucesso da Ucrânia contra a Rússia.
Porque a grande diferença do que a Ucrânia vinha fazendo para o que a Ucrânia vem fazendo principalmente durante o momento em que o Fedorov esteve no Ministério da Defesa, foi a utilização de drones. O drone, ele é muito competente porque o custo-benefício é muito baixo. Então você consegue ficar sobrecarregando as defesas aéreas russas com custo-benefício excelente. Ele também foi demitido. Aí ficou, poxa, mas como assim? O cara que conseguiu revolucionar, o cara que tá mudando a situação no campo de batalha, foi demitido pelo Zelensky.
Alega-se dois motivos: o Fedorov queria uma agilização dos processos na Ucrânia de licitação, de compras, e isso tava mexendo com muita gente poderosa que ganhava um troco ali, né, com desvio de verbas, tudo tal. Outra questão: o comandante do exército ucraniano, Oleksandr Syrskyi, é um cara mais tradicionalzão, um cara mais antigo e tal, reclamava muito dos métodos do Fedorov, alegando que ele não respeitava a hierarquia dos militares.
Fato é que o Fedorov, ele foi demitido pelo Zelensky. A população ficou p da vida e começou a se manifestar contra o Zelensky e em favor do Fedorov. Não, não, a gente quer esse cara, esse cara conseguiu revolucionar a guerra Rússia-Ucrânia em favor dos ucranianos. Só que agora o Fedorov tá com cheirinho de candidato, né? Porque ele começa a fazer manifestações públicas. Pô, mas como assim? O Zelensky era meu chefe, concordo. Mas não teve processo eleitoral, por exemplo, no ano passado.
O Zelensky, ele não quer fazer a convocação de novas eleições. Aí já fica na mão da Rússia para saber se a Ucrânia vai ser um país democrático ou não. Ou seja, o Fedorov, antigo aliado do Zelensky, começa cada vez mais a se comportar como opositor, reclamando principalmente da não convocação de eleições na Ucrânia. Ou seja, o Zelensky, além de todos os problemas geopolíticos da guerra Rússia-Ucrânia, começa a arranjar também mais um inimigo interno, que é o antigo ministro da Defesa, muito popular na Ucrânia pelo seu sucesso, que é o Fedorov.
E último ponto que acho que é bem relevante, até colocaria mais um aqui porque acho que tá dentro do mesmo escopo, nós tivemos a Avibras, para quem não sabe, a maior empresa do setor militar brasileiro, que até recentemente tava fechado justamente pela falta de financiamento pelas dívidas, mas que é uma empresa responsável. Muita gente desdenha, né, da Avibras. Pô, cara, uma empresa importante, hein, responsável pelo sistema Astros, responsável pelo míssil de cruzeiro de grande capacidade que o Brasil tá em vias de desenvolvimento, mas que deve ser comercializado com outros países.
O Brasil não é qualquer país não do setor militar, e Avibras tem sim um papel decisivo nisso. Só que a negligência tanto dos antigos donos como, na minha opinião, do governo brasileiro e desse governo, dos anteriores, pôr deixar uma empresa de defesa essencial no momento, tão importante que é até a defesa militar contra possíveis incursões estrangeiras, uma empresa quase à falência, pois é ridículo, né? Na minha concepção, pelo menos.
A Avibras, ela tinha recebido recentemente um aporte do Joesley Batista na casa de R$300 milhões, e agora meio que o que a gente já esperava se confirmou. O mesmo grupo grupo que controla a JBS, ou seja, dos irmãos Batista, adquiriu 100% da Avibras. Qual que é a parte positiva disso? Na minha visão, são pessoas que com certeza são muito influentes, então tem grande capacidade de capitalização, né?
Nos Estados Unidos, caramba, exatamente.
Os caras conseguem fazer negócios com várias partes do mundo. E a Avibras tava sendo cogitada por ser comprada por um grupo australiano, por um grupo chinês, Os irmãos Batista são brasileiros, então ótimo. Pelo menos a tecnologia que fica no Brasil, e com certeza dinheiro para fazer investimentos eles têm. Na minha concepção, qual que é a parte negativa? Na minha visão, eu acho que empresa de defesa não deveria ser privada. Para mim, empresa de defesa deveria ser estatal.
Eu acho que o Estado brasileiro, nesse caso, né, o governo atual deveria levar mais a sério a questão de defesa nacional. Não fala que vai ter um plano de segurança contra intervenções estrangeiras? Pô, a gente tá falando de um valor próximo de R$1 bilhão. Claro que R$1 bilhão é bastante coisa, mas se você for pegar no orçamento federal, é pouca coisa comparada a manter a soberania do nosso Brasil, né? Então ter que depender de empresários para que os empresários financiem— porque vamos pegar, por exemplo, vai, vamos imaginar que o Brasil esteja desesperado para fazer mais, por exemplo, do sistema Astros que a gente precisa.
A gente vai ficar na mão da Avibras, porque a Avibras tem os seus interesses privados também. Vou imaginar, por exemplo, que a Avibras decida, pela decisão dos irmãos Batista, que sei lá, os insumos estão muito caros, que tá faltando minérios. Não, não, a gente não vai vender sistema Astros agora porque não é uma decisão correta do ponto de vista econômico. E aí o Brasil vai ficar na mão, por exemplo, da iniciativa privada para conseguir ter acesso sistema de defesa.
Então, que nem eu falei, menos pior que esteja na mão de brasileiros, mas na minha visão deveria ser estatal. É muito parecido com a situação que a gente teve hoje, por exemplo, a confirmação— na verdade vai confirmar sexta-feira, mas é favas contadas aí— que a nossa mineradora Serra Verde, que opera ali a região de Goiás, né, em Minas Sul, A única reserva de terras raras de fato ativa no território brasileiro, a gente vai ter a confirmação que a Usahar Earth, que é uma mineradora norte-americana, vai comprar.
Vai comprar na sexta-feira aí. Essa mineradora é a única mineradora que trabalha com tipo de terra rara fora do continente asiático, ou seja, além da China. Os Estados Unidos, olha aí, e eu particularmente não acho que é erro dos Estados Unidos não, só está fazendo a parte dele. O Trump já tinha comprado uma porcentagem da mineradora usa a Earth, e o Estado norte-americano, dinheiro que veio do Departamento de Guerra, hein, não foi nada econômico, Departamento de Guerra, complementou para que o preço das ações ficasse no nível tão bom, né, que os acionistas aceitassem vender para essa mineradora norte-americana.
Poxa, não tem o Estado brasileiro, sei lá, financia Vale para comprar mineradora, faz uma outra estatal para controlar mineradora, entende? Poxa, vender a única, a única mina ativa de exploração de terras raras para um grupo norte-americano, não é porque os Estados Unidos, fosse chinês, se fosse russo, né, pô, tem que ficar no Brasil, no mínimo que tivesse algum tipo de garantia de transferência tecnológica. Mas nem isso vai ser feito.
O que tá rolando no Congresso é uma proposta que foi aceita em maio pela Câmara, mas não foi referendado pelo Senado, é um novo projeto de regulamentação das terras raras. Só que esse projeto eu também acho que ele é muito frágil, porque ele na prática são incentivos que vão ser dados para industrialização do território brasileiro. Então vai ser feito um fundo de R$5 bilhões, vai ter isenções fiscais de R$3 bilhões, é valor significativo.
Mas se a gente ficar competindo com China, Estados Unidos, com isenção fiscal, capital eles têm muito mais para atrair industrialização para eles. Na minha visão, tinha que ter uma estatal para terras áridas ou uma regulamentação obrigatória, né? Se a empresa norte-americana investir aqui, tem que transferir tecnologia. Se a empresa chinesa investir aqui, tem que transferir tecnologia. Eu não sou a favor da regulamentação em todos os setores, mas nas terras raras— ah não, mas se regulamentar muito não vai despertar interesse estrangeiro?
Com certeza vai. O Brasil é a segunda maior reserva do planeta e os americanos estão desesperados para depender menos dos chineses. Então, na minha visão, tanto a questão da Avibras quanto principalmente das terras raras São notícias tristes aí para o Brasil.
Pois é, vamos falar de política nacional então.
É, agora vamos voltar aqui para o Brasil, que também, hein, não sei se vocês acompanharam o debate aí ou não.
Sim, sim, não sei se felizmente ou infelizmente eu assisti. Foi o domingo, né, eu estava lá depois do, de ter a triste notícia com meu time, aí fui ver o debate, né.
Perdi duas vezes, perdeu duas vezes, que até o Zema não foi no debate, nem o Zema foi, né?
Vamos ver o que a Madá tem para falar sobre isso.
Quero saber quem ganhou, quem perdeu, quem fugiu, quem ficou, quem se saiu melhor aí, né? Então, dizendo que um candidato já tirou eleitor do outro, será?
Vamos ver, vamos ver.
Cadê a Madá? Tá aí? Oi, Madá!
Boa noite, boa noite, boa noite!
A gente tava ansioso aqui esperando você chegar para falar sobre esse debate. Que não foi o que todo mundo tava esperando, né, Vilela?
Mas tinha muita gente vendo, hein?
Tinha, né?
Tinha um público bacana, o pessoal tá interessado no debate. Ou seja, os candidatos têm que ficar esperto porque vai ser recorde de audiência se eles forem. Se tinha aquele número de pessoas, acho que era 500 mil pessoas, né, para ser um debate onde foram 3 dos candidatos e os principais não foram, imagina se vai Flávio ou se vai Lula. Os caras vão vão surfar e vão falar com o público muito grande, né?
Mas daí isso pode até significar talvez que tenha muito mais indecisos do que a gente imagina.
Eu entendo que sim, Fernanda. Assim, eu tô vendo muitas pessoas falando porque o debate não é mais o formato. E é muito engraçado que sempre são pessoas que veem a eleição como novidade. Essa é a 11ª eleição que eu tô envolvida. Eu já trabalhei em 10 eleições, 9 cobrindo e uma trabalhando no TSE. Então o que eu vou falar aqui de debate não é de uma pessoa que chegou ontem, nunca cobriu uma eleição e tá deslumbrada com tudo e falando porque as redes sociais, isso, aquilo.
Eu vi darem desculpa para candidato não ir a debate. Entendo que faz parte da estratégia quando um candidato não vai ao debate, ele tá— não é que ele é covarde, ele tá tratando o povo feito idiota. E por que que um candidato faz isso? Porque ele pode. Ninguém te trata do jeito que você não deixa. Se o povo permite que o candidato trate ele desse jeito, vai tratar. É que nem pessoa que se deixa tratar mal por amigo, por relacionamento.
Isso acontece por quê? Porque a pessoa não se impõe. No início do processo democrático houve um ponto que chamou muito atenção, e num determinado momento as pessoas mudaram com relação ao debate, porque o Collor se elegeu com essa estratégia. O Collor não foi nenhum debate de primeiro turno, ele apareceu no segundo turno. Ele ficou escolhendo os debates enquanto os outros candidatos— era a primeira eleição democrática— eles iam ao ao debate.
Por quê? Porque ir ao debate, embora muita gente que é pet de candidato fala é um direito do candidato ir, isso aqui não é monarquia ainda. É um direito do povo ver o candidato no debate. Tem mais um argumento que eu ouvi muita gente falando, que é também para encantar o povo, para tirar sua atenção: mais desrespeitoso que faltar ao debate é o candidato ir e mentir no debate. Mais desrespeitoso é faltar, porque tá ali assim, ele não precisa nem tentar mentir para você, ele já te tira de otário.
Você tem que aceitar tudo que eu fizer. O cara que mente no debate, é você falar que o cara mente no debate, o povo acredita, é chamar o povo de burro.
E burro o povo não é.
Muitas pessoas falando: não, mas no debate eles falam as propostas, isso e aquilo. Debate não é só para ouvir proposta. O que que o povo vê no debate? O povo vê o psicológico do candidato, como ele reage quando é confrontado, se as ideias que ele tá vendendo na propaganda eleitoral e no corte que tá no canal dele são ideias dele mesmo, ou se ele tá lendo teleprompter. Porque o pessoal fala: não, pela rede social dele eu me informo.
Pela rede social dele você sabe o que ele leu no forte, que puseram teleprompter para ele. Agora, na hora do vamos ver, ele sabe que ideia é essa ou ele não sabe nem do que que ele tá falando? Antigamente a gente falava em marketing político que era o candidato sabonete, né? Se elaborava aquele produto e se vendia para as pessoas. No debate, o povo não é besta. Na hora que começa o confronto, ele vê quem sabe do que tá falando e quem não sabe do que tá falando.
Deu psicológico. Nós estamos vendo o presidente da República que vai lá para embates duros, embate duro. Como é que esse cara vai conversar com o povo do STF? Ele vai se colocar ou ele volta atrás? E tudo isso que ele tá falando, ele nem domina direito esse repertório. O povo vê mais é isso, não é o conteúdo, é a personalidade, é a firmeza, é como encara confronto. É para isso também que os debates existem. O voto é emocional e a postura da pessoa, o quem é aquela pessoa, como ela resolve conflitos, como ela se impõe, como ela defende aquilo em que ela acredita, é muito importante.
E só dá para você ver isso no candidato quando ele é confrontado. Pelo corte na rede você não vai ver. Pelo corte na rede você vai ver a parte que ele quer. Então essa questão de não ir ao debate, eu entendo que é muito ruim para as pessoas, e as pessoas querem ver. Ela tá falando, as pessoas estavam vendo um debate que, gente, foi o Augusto Cury, o Renan e o Caiado, os três do mesmo campo político, nenhum liderando a disputa.
E as pessoas querem ver, porque o que que elas querem ver? Elas não querem ver o que ele posta sobre ele mesmo na rede social, elas querem ver na hora que outro vai lá e pergunta como é que ele reage em tempo real, sem cortes, que é como vai ser o nosso debate.
Imagina, debate dia 18 que a gente vai fazer aqui de setembro, numa sexta-feira, formato podcast. Ou seja, os candidatos vão estar um do lado do outro sentado numa mesa como essa daqui e vão ter que ser educados, confrontar os outros e se mostrar político de verdade mesmo. O cara está do lado dele, vai colocar o dedo na cara e vai falar, isso aqui eu não concordo, isso você está errado e tal. E eles vão ter que ir ao vivo, sem edição, sem todo aquele trabalho de uma equipe de marketing, uma equipe de media training que fala, você não pode...
Lá você vai ver se o cara vai tremer, se o cara vai suar, se o cara vai gaguejar. É para isso que serve. O negócio, é para confrontar proposta. E vai ter jornalistas lá fazendo perguntas para eles, na cara deles assim. Então é isso que o povo quer ver. Então a gente tem alguns confirmados, alguns estão para confirmar, e eu tenho muita esperança que Flávio e o Lula vão nesses debates, porque a gente tá falando direto com eles a importância deles irem, entendeu?
Você acha, Amada, que muda a postura agora depois de todo mundo ter de fato ter reclamado dessa ausência tanto de Flávio quanto de Lula, e até o Zema que não foi, né?
É, o Zema, qual foi, qual foi a, o que que ele falou para não ir? Você sabe, Madá?
Primeiro que assim, não ia ter ninguém de outro campo político, e depois que ele tinha marcado a entrevista do Jornal Nacional, que era em outro estado. Esse debate tem também uma outra coisa que aconteceu, que é o seguinte: ele não era para ter sido agora, ele era para ter sido na semana anterior. Verdade, foi alterado a data para esse domingo aqui, que aí cavalou com a entrevista do Zema, que o Zema tinha que estar o domingo até de madrugada em São Paulo para ir fazer a entrevista dele do Jornal Nacional na segunda.
Por que que ficou assim? Porque o Lula pediu para mudar, que se fosse no domingo passado ele não podia e nesse domingo aqui ele podia. A mudança, não foi. E assim, essas negociações, não sei se vocês sabem, são negociações que demoram um ano.
A gente tá fazendo essa negociação há tempo, é complicado. E passa régua para assessoria e o pessoal fala, isso aqui eu aceito, não aceito. E tem que entrar num acordo, é bem complicado.
E aí fica aquela coisa, no mesmo horário o presidente Lula teve uma entrevista dele solo exibida num outro canal. Assim, eu nunca vi isso. Conversei com várias, hoje eu conversei com uma pessoa que trabalha em eleições, tá na trigésima, tá no 36º ano, é 18ª eleição dessa pessoa, também nunca viu. Na eleição passada, Jair Bolsonaro, que era o presidente, não pôde utilizar as instalações do Palácio da Alvorada para nada que fosse de ação de campanha.
Mudou a regra. Essa é uma eleição que ela— Madá, esquisita é a palavra que tem sido utilizada.
Tá falhando, Madá.
Coisas muito esquisitas, muito estranhas.
Deu uma falhada, você pode repetir? Deu uma falhada essa eleição e aí falhou de novo e agora falhou de novo. Estamos com problemas no link aí.
Vamos restabelecer a conexão.
Vamos, eu quero saber a opinião do Marcílio.
Sobre o quê?
Toda vez que tem os dois, já confunde, né?
Marcílio, Marcílio. Ele mesmo já confundiu o nome dele com o outro.
Sobre o debate?
Exato. O que você sentiu?
Então, assim, eu achei que foi um debate que o Caiado foi aquele político meio tradicionalzão, Eu acho que o Augusto Cury, apesar de eu não ser uma pessoa muito política, tal, acho que ele mandou bem no debate, porque ele conseguiu, ele parece uma pessoa mais politizada, uma pessoa educada. Talvez aquela pessoa que não queira superar a polarização Flávio Bolsonaro e Lula tenha visto o Augusto Cury como bem. E o Renan Santos, acho que foi importante para ele, para ele ser conhecido, porque muita gente conhece pela rede social, mas pela TV tradicional não.
Mas eu acho, na minha visão, claro, né, eu acho que ele passou passou um pouco do ponto para agressividade. Na agressividade, exatamente.
É, muita gente criticou por isso, né? Quero saber da Amadá também.
Eu acho que ele podia ter se mostrado como alternativa ao Flávio e ao Lula sem ter sido tão agressivo.
Já voltou aí, Amadá.
Vamos lá, Amadá, onde você parou?
Olha, eu parei quando eu tava te falando que essa eleição ela tá muito esquisita. No meio político as pessoas estão dizendo isso, ela tá esquisitíssima. Assim, pessoas que são novatas em eleições, tem aí 2, 3, as duas, a última municipal e a outra presidencial também foram esquisitíssimas, e teve a pandemia, não sei o quê. Quem é das antigas, da época da Festa da Democracia, que cobria a eleição, não que acompanhava na TV, quem cobria a eleição, quem já foi candidato, quem trabalhou em partido, tá vendo com muita, com muita estranheza esse fenômeno agora.
Essa questão, por exemplo, do Renan ser muito agressivo, pode ser a persona que ele escolheu. O Bolsonaro, todo mundo criticou a eleição inteira de 18 porque ele era muito agressivo. Então assim, a gente não sabe qual é a qualidade que o eleitor daquele candidato busca naquele candidato. O Lula, por exemplo, ele não precisaria nenhum debate, o eleitor Lula vai votar no Lula. O Lula pode não ir a nenhum. Teve entrevista perguntando do escândalo do Lulinha, acabou, encerrou a entrevista.
Foram perguntar para o Flávio hoje do Dark Horse, cadê os 136 milhões? Ah, isso aí é anos passados, entende? É racionalmente, um candidato à presidência da República pode ou deve fazer isso? Evidente que não, que se tem um cargo que deve satisfações à população é o de presidente da República, e quem concorre tem de dar esse exemplo. Mas eles fazem isso por quê? Porque eles podem. E eles podem por quê? Porque o eleitor deles permite.
É, o que você tá falando é muito importante. Se o eleitor fala assim, ó, é o seguinte, eu até ia votar nesse candidato, mas ele não vai nos debates, ele tá fugindo dos debates, eu vou escolher outro candidato. O cara ia ficar e pensar duas vezes em não ir a um debate, né? Eu queria ver a performance. Eu já vi a performance do Lula no debate, provavelmente ele vai no segundo turno. Mas o Flávio, por exemplo, queria ver no debate como ele se comportaria, entendeu?
Como que é?
E eu vi os dois, você não queria ver?
Pô, Flávio com Lula, estourar de audiência.
Todo mundo quer ver isso, todo mundo, porque fica um do lado falando uma coisa, o outro do outro. E aí os dois juntos, como que é? Quem que vai, quem que vai confrontar?
E eu vi na rede social uma das Não sei se você concorda, os dois lados assim, você vê a galera que gosta do Lula defendendo, não, o Lula não tem que ir mesmo, porque o Lula já tá na liderança, não vai ganhar nada ainda no debate. E o Flávio Bolsonaro, não, não, como que o Flávio Bolsonaro vai? Eu vi até uma análise, pô, de um comentarista político importante, assim, não, eu defendo a ideia do Flávio Bolsonaro não ir, porque o Flávio Bolsonaro tem que conquistar os eleitores do Zema, do Caiado, tem que conquistar os eleitores do Renan.
E se ele fosse no debate, ele ia se indispor com os eleitores desses candidatos. Por isso que foi uma atitude bastante estratégica. Ou seja, o lado do Lula e do Flávio Bolsonaro passando pano para os dois terem faltado, defendendo essa atitude dos dois.
Jornalismo ficou estranho, né? Eu, eu, quando entrei no jornalismo em 96, a gente sabia que o nosso compromisso era com o público, não com político que a gente eventualmente simpatizasse. Podia até simpatizar com algum, mas o compromisso profissional era com o público. E não tem meio de alguém que tem um profissional com o público não dizer que foi um desrespeito. É um desrespeito, é um desrespeito, inclusive porque o público se permite desrespeitar.
O Lula vai passar aí a debate se o pessoal do Flávio xingar ele? Não. Ele vai passar aí a debate se o petista cobrar ele. O Flávio vai passar aí a debate se a esquerda xingar ele? Não, o Flávio vai passar aí a debate se o bolsonarista falar: ó, seu pai ia, você tem que ir também. Seu pai só faltou no debate quando tomou facada. Você tomou facada? Não. Então você tem que ir. Se o eleitor dele não exige, por que que ele vai? O do outro lado, ele não tem o voto mesmo.
Então é uma questão das pessoas, das pessoas terem a noção dessa possibilidade de ver os candidatos ali. Quantas vezes vocês devem ter visto quanto candidato estadual virou meme em debate na história? Quantos tem que o cara na propaganda eleitoral tava, ó, ótimo, no corte na rede dele maravilhoso, o público dele falava tudo que eu preciso saber do cara, eu sei porque tá aqui na rede. Temos redes sociais Não precisamos de não sei o quê.
Não é a questão de onde é, se é na rede ou se é na TV. A questão é ele no ambiente dele ou ele no ambiente que ele tá sendo confrontado. O cara que tem, que quer ser presidente da República, que quer ser governador, que quer ser prefeito, a gente tem que ver como ele é quando ele tá sendo confrontado, porque ele tem que ser o presidente de todo mundo. O cara que for eleito, ele vai ser o presidente de quem votou nele e de quem votou contra.
Como é que ele lida com isso? E assim, ah, o Flávio tem que conquistar o eleitor dos outros. Poxa, o Bolsonaro nessa situação, o pai dele teria ido tentar roubar eleitor de todo mundo para lá, roubar no bom sentido, pegar para si.
Verdade, eu vejo esse cenário também do pai dele indo no debate, né? Eu agora, sem fugir da raia, Madá, eu quero Pontos altos, pontos baixos, quem venceu o debate ou foi um empate, ou quem perdeu o debate?
Olha, esse debate eu acho que foi uma coisa difícil assim. Para o meu gosto pessoal, meu gosto pessoal, eu gostei muito do Augusto Cury. Agora tem o seguinte, eu sou fã, tô falando a minha opinião pessoa cidadã, tá? Eu sou fã. Então assim, eu gostei de ver o Augusto Cury, de quem eu já sou fã por causa dos livros e das palestras, no ambiente político, porque ele é uma pessoa que efetivamente muda a vida de muitas pessoas, mudou a vida de muitos brasileiros.
Eu falei, pô, que legal que esse cara tá na política. Então eu fiquei, essa sensação me tomou. Como análise, eu acho que o Renan fez o nome dele porque ele super buscado. O Renan se colocou ali no mapa. Ele causou uma polêmica agora que foram Janja e Érica Hilton responder para ele.
Pois é, que é um cara que não participa em debate nenhum, nunca.
Aí um monte de gente vai falar: não, mas ele citou gente que não tava no debate. Cata qualquer debate desde 89, o povo cita mãe, cita filho, Cita tio, cita primo que tava não sei o quê. Ninguém desse povo nunca teve direito de resposta. Agora é a primeira vez.
Então, o contexto então, Madal, o que que rolou com a Janja? O que que ele falou da Janja?
Aí ele falou qualquer coisa, que a Janja não é boa companhia para o Lula, que o Lula, como é que é, que era melhor tá no debate do que tá com a Janja.
Foi isso?
Foi bobagem, bobagem. Já vi em debate falar muito muito pior, de mulher de prefeito, mulher de governador, nunca teve direito de resposta e também nunca teve esse clipe.
Aí aconteceu aqui em São Paulo, né, que o prefeito, né, o caso da mulher dele, né, foi bem pesado, né?
Foi, foi. E aí qual é o formato? Vocês vão dizer, não, mas não tem resposta. Eles responderam nas suas próprias redes com comunicados oficiais. Eles não exigiram que a emissora que transmite o debate veiculasse um direito de resposta de uma pessoa que não tava no debate. O debate, ele tem de se encerrar em si mesmo. Tem ali os direitos de resposta lá dentro que são avaliados, às vezes justamente, às vezes injustamente, mas se encerra ali, se encerra ali.
Então assim, o Lula não foi lá para defender a Janja, paciência. Se o Lula tivesse ali, ele teria defendido. Era isso que a emissora tinha que considerar. Ah, mas a gente já pediu direito de resposta. Ela tinha, era só o marido dela tá lá no debate, ele defendia. Não tá no debate, não tem direito de resposta. Érica Hilton, aí eu não sei o que que o Renan falou da Érica Hilton, que é uma mulher grande, ou falou qualquer coisa de escala 6 por 1, alguma coisa assim.
Mas aí Érica Hilton não exigiu direito de resposta, chamou nas redes. Isso para o Renan é muito bom porque ele é o que mais causou com a esquerda. E isso é uma razão de votar, isso é uma razão de votar. No caso do Caiado, tem um marketing bom ali que eu achei curioso, mas como marketing ressoou, que é o Kassab dormindo no debate.
Mas isso foi marketing, essa cena?
Não, não foi de propósito, tá? Não planejaram a cena. Não planejaram, mas aproveitaram bem, fizeram do limão a limonada. O Kassab dormiu no debate, é, não sei que quantos debates vocês já foram. Eu já dormi em debate, e debate, gente, vocês sabem o que é cobrir uma campanha? É, por exemplo, esse domingo esses caras saíram de casa 5 e pouco da manhã. Ah, verdade, o debate é meia-noite, dorme. Pode estar, eu já, eu dormi em debate que teve pancadaria e eu acordei com a briga.
Se tivesse naquela da cadeirada, se fosse na da cadeirada, você ia acordar com o barulho da cadeira na cabeça do Marcel.
Não é que a pessoa dorme porque o debate está chato necessariamente. As agendas de campanha são muito extensas e os debates são muito tarde, que é uma outra crítica minha. Quem que vê debate meia-noite, Brasil? O trabalhador que levanta às 5, ele, eu acho que teria o direito do debate ser num horário mais palatável, sabe? Essa coisa de meia-noite, 1 da manhã, não é? Aí o Kassab dormiu lá, e é óbvio que não se esperava que ele fosse filmado dormindo, que tem isso também, né?
Eu, graças a Deus, nunca me filmaram dormindo, que na época eu tava trabalhando de repórter de dormir. Mas você começa às 5, meia-noite e meia você já tá para lá de Marrakech, né? E ainda depois do debate tem as entrevistas, lembrem disso. Você saiu às 2 da manhã, dia seguinte 6 horas da manhã de novo você tá na rua. Então eles pegaram o Kassab dormindo, em vez de dar desculpa para o cara ter dormido, porque eles podiam te dizer o que eu tô te dizendo agora, Que é uma explicação de por que isso ocorre.
O que que eles fizeram? Não vamos explicar, vamos assumir o B.O. e falar: no meu governo você vai dormir tão tranquilo quanto o Kassab dormiu no debate. E fizeram marketing em cima. Eu achei super inteligente também.
Boa, boa.
Obrigado, Madá. Semana que vem a gente se fala então com novidades.
E sempre tem novidades, sempre é isso.
Um beijo aí para todos vocês, Fê, Marcílio, Vilela. E queria só encerrar dizendo uma coisa: fiquei muito emocionada, Vilela, com a sua participação no caso do Lito. O caso do Lito é um caso que faz, tá me fazendo rezar muito por ele, pela Mila, e que faz a gente pensar sobre como a gente tem de todos os dias apreciar as coisas preciosas que a vida tem. Todo dia tem perrengue. Eu tô aqui com o estúdio novo, você sabe por quê? Teve um vazamento na minha casa, estão arrebentando a casa, o estúdio, a PGB.
Mas eu tô pensando aqui quantas coisas preciosas eu tenho, quantas pessoas preciosas eu tenho.
E não é só ele, né, Madá? Tem o caso do Pirula recente também, agora Lito. São pessoas próximas, pessoas conhecidas, pessoas que divulgam conhecimento, né, que fazem um trabalho muito bom. Muitas pessoas foram ajudadas pelo Lito, né. Minha mulher é uma dessas que não conseguia voar, tinha medo de voar. Muita gente tem relato de que foi ajudada por ele. Então, uma pessoa muito querida, né. Eu acho que eu nunca vi na rede social uma pessoa que tem...
Tive zero hate assim em relação a Lito. E normalmente, mesmo quando uma pessoa tá doente, mesmo quando uma pessoa tá mal, sempre tem um hate, né? Sempre tem alguém enchendo o saco. E no Lito não, é só depoimentos bons, né? Só depoimento de gente que realmente quer ajudar. Então faz isso que a Amada me fez também, isso, pensar sobre a vida, pensar sobre o que a gente tá fazendo com ela.
E às vezes a gente sofre por tão pouco, né? Da importância para cada coisa.
Que não, às vezes o tempo que a gente dedicou a um sofrimento por uma coisa menor, uma coisa besta, uma coisa de gente que não presta, é o tempo que a gente perdeu vivendo amores preciosos, momentos preciosos que a gente tem com tanta gente legal que tá à nossa volta. Eu queria deixar essa mensagem para as pessoas. O Lito é uma pessoa tão maravilhosa, gente. Todo mundo que é desse ramo de influenciadores que teve tive contato, só tem coisas legais para falar a respeito dele.
Gente que nem é da área, que ele deu dica, que ele foi generoso, sabe? Além do trabalho dele maravilhoso também, uma pessoa muito legal. Então assim, é um momento da gente rezar por ele, pela família toda, e da gente pensar também como é importante valorizar o dia a dia. Eu aprendi uma frase quando meu filho nasceu que eu nunca esqueci, que nesse momento eu tenho pensado muito. Os dias são longos, mas os anos são curtos. É isso, beijo, até semana que vem.
Até, querida, até mais. Tchau, tchau.
Tem uma Marcília na linha também, não confundir Marcílio com Marcília.
Marcília que tá aí. Vamos, inclusive é legal porque a gente vai conseguir entender se ele tem o mesmo ponto de vista da Mará.
Pois é, exato, né? Oi, Marcília, tudo bem, gente?
Prazer estar aqui com vocês. Boa noite, boa noite a todos e boa noite à audiência.
Dormiu no debate também que nem o Kassab ou conseguiu ver inteiro?
Como foi?
Pois é, olha, eu não dormi, mas eu confesso que talvez tenha perdido essa boa chance de ocupar melhor o tempo se eu tivesse dormido. Eu invejei o Kassab pela primeira vez na minha vida.
Dormiu tão gostoso, né? Soninho bom.
Eu até postei, falei assim, olha, pela primeira vez o Kassab me representou.
Mas, Marcílio, o que que você achou do debate? Que que você pode fazer de balanço?
Olha, Vilela, eu diria que talvez o que mais tenha chamado atenção foram as ausências, né? Até outro dia eu fiz um editorial dizendo isso, né? Até Eu usei uma frase do Gil, né? O Gil fala numa música que a saudade é a presença da ausência de alguém. E creio que o debate foi isso, foi a presença dos ausentes, foi o que mais chamou atenção. E claro, dentro do debate me parece que ficou claro que nós tivemos o Renan Santos ganhando o debate, vamos dizer assim, entre os presentes.
O Caiado tava meio louco Pro Fire, um Caiado paz e amor. Não entendi muito bem por quê, se é uma mudança da própria campanha dele, porque o Caiado é uma pessoa, eu já tinha visto o Caiado em diversas outras vezes, ele é uma pessoa assertiva, uma pessoa que vai para cima, vamos dizer assim. Ele não estava assim no debate. O Cury, ele não é de debate, né, ele é de palestra. Ele entrou ali meio que querendo agradar todo mundo e não sei se saiu agradando alguém, mas não competiu.
Mas entre Caiado e Renan, me parece claro que o Renan foi mais contundente, né? Muita gente fala assim, ele foi agressivo. Ele tem uma coisa mais jovem, né, da agressividade, do falar palavrão. Todo mundo ali meio no Missão é assim, me parece. Chamam de vagabundo, etc., essa coisa de que é muito da molecada, talvez dessa geração. Eu confesso que eu Não me agrada, mas a contundência dele é uma contundência de não importa se é jovem ou não.
A gente já viu, por exemplo, a contundência do Renan, no próprio Jair Bolsonaro, diferente do Flávio. Flávio não é uma pessoa contundente como Jair. Então não é só geração. Assim como, por exemplo, a gente via isso no Collor em 89, ele era essa pessoa contundente.
É verdade, esse vigor, né, tinha esse vigor.
Eu costumo dizer que Color era o candidato de redes sociais quando as redes sociais ainda não existiam. Ele seria certamente alguém que lacraria muito se houvesse redes sociais. E você vai mais para trás, você vai encontrar isso em Getúlio Vargas, você vai encontrar isso em outros políticos. Então essa contundência agrada, ela, a pessoa olha e fala, esse aí tem uma postura firme, ele responde de maneira eloquente. Isso fica nas pessoas nesse vencido.
Acho que o Renan ganhou, e também ganhou porque, claro, ele se expôs a um público que não é o dele, que é um público um pouco mais velho, que é quem assiste TV aberta, e também um público fora da bolha de redes sociais, que também não é o público dele. Ele tem esse mesmo público, digamos assim, que o Marçal teria. Então o debate, ainda que ele não ganhasse, ele teria vencido por se expor a um público que não é o dele. Mas me chama atenção sobretudo os ausentes, como eu mencionei.
Me chama atenção que nada tenha se alterado em relação à votação do Flávio, em relação à votação do Lula. Se eles faltarem aos debates não muda a eleição para eles, eu acho que a gente tem que também tentar identificar que é um problema com o debate, com o formato debate. Se é uma pessoa ir ou não ir a um debate não muda, ou se a pessoa não ir a um debate inclusive fortalece a sua candidatura, Talvez os debates estejam chatos, talvez o formato não seja bom, talvez a gente esteja, nós jornalistas ali, vamos dizer, nos debates estejamos fazendo perguntas que não dialogam com o que as pessoas querem ouvir. Então acho que é uma lição de casa também para mídia.
Ô Marcília, ao mesmo tempo que tava rolando o debate na Band, a gente teve a entrevista que o Lula concedeu para Record, e eu vi que você foi muito crítico, né, em relação essa entrevista, inclusive falando de possibilidade até de um, me corrija se eu tiver errado, de um possível crime eleitoral, né? Por que que você julga isso, Marcílio?
Porque a Justiça Eleitoral, veja, a Justiça Eleitoral em 2022 considerou que lives eleitorais do Bolsonaro não poderiam ser feitas. Ele inclusive foi proibido de fazer isso, e aquilo foi compreendido como uma das razões, não foi a única, mas foi uma das razões que levaram o Jair Bolsonaro, aqui é o Jair, né, em 2022, o Jair Bolsonaro a se tornar inelegível, porque foi compreendido que se eles, que eles estavam usando o Palácio do Planalto e Alvorada, portanto a estrutura do Estado, a máquina estatal, para divulgar sua candidatura.
Isso na legislação eleitoral, isso pode ser considerado abuso de poder político, que é você usar a estrutura do Estado para beneficiar a sua candidatura. Se isso foi considerado em relação ao Bolsonaro em 2022, por que não pode ser agora em relação ao Lula? Ele também deu a entrevista dele para Record dentro da estrutura do Estado, dentro do Palácio da Alvorada. Alguém me dirá, pô, mas uma coisa é entrevista, outra coisa é live.
Mais ou menos, porque a live Bolsonaro, ela realmente não era uma TV o entrevistando, era ele mesmo que abria a câmera e fazia. No entanto, essa equiparação entre mídia live e entrevista ou TV, o próprio, a própria Justiça Eleitoral já fez. E se o Lula fez essa entrevista e divulgaram essa entrevista no mesmo momento em que o debate era feito, me parece bastante razoável que a gente considere que não era entrevista do presidente da República, mas a entrevista do candidato Lula.
Ele tem dois chapéus nessa história: ele é presidente, mas ele também é candidato. Se ele dá uma entrevista como, entre aspas, presidente no mesmo momento em que há um debate com outros candidatos, ele também é candidato, me parece bastante claro que ele estava ali como candidato e não como presidente. Se como candidato ele usou estrutura do Estado, ele também teria em tese cometido o abuso de poder político, que foi uma das razões que levou Bolsonaro a se tornar inelegível.
Então essa foi a equiparação que eu fiz, no sentido de: e aí, o TSE vai aplicar a mesma regra? Eu gostaria muito que o TSE não aplicasse regra nenhuma, porque eu acho tudo isso uma grande bobagem. Eu acho que, enfim, a gente fica tentando engessar as candidaturas, ingessar as falas, engessar a participação de todo mundo. E esse engessamento leva a esses debates chatérrimos de se assistir que a gente tem visto por aí. Mas se o TSE foi mão firme lá atrás, e essa é a pergunta, por que não vai ser mão firme agora?
Isso é que me fez levantar essa bola de se estaria havendo uma, vamos dizer, favorecimento ou qualquer qualquer coisa do gênero e não se aplicar a mesma regra nesse caso agora para o mundo.
E o caso dos direitos de resposta aí de Janja, Érica Hilton, como que você vê isso daí?
É, pois é, bom, a Janja fez uma manifestação, né, se sentiu ofendida, etc., disse que houve misoginia. Eu confesso para você que eu não acho que houve misoginia. O que foi dito em relação ao Lula é que ele, o Renan falou isso, né, que deveria preferir ficar com os candidatos. O Lula devia preferir ficar aqui com a gente do que com a Janja. Eu acho que isso, isso não tem nada de misoginia. Se isso fosse misoginia, acho que todo mundo aí que vai fazer o seu futebolzinho de quarta-feira ao invés de ficar com a sua mulher, o cara que vai tomar uma cervejinha na quinta-feira ao invés de com os amigos, ao invés de estar com a sua esposa, esse daí também então comete misoginia, porque foi o que o Renan disse, ó: prefira ficar com a gente do que com uma só mulher.
Se a gente não pode escolher ficar com outra pessoa que não com a nossa mulher, se a gente só ficar o dia inteiro com a nossa mulher, senão a gente comete misoginia, então, meu caro, eu acho que todo mundo tem que ser preso de alguma maneira. A gente não vai, não vai mais ter que dormir no sofá quando faz isso, sim dormir na cadeia. A gente vai ter que se explicar, não mais para nossa esposa e sim para o Ministério Público. Aí acabou tudo, né?
Então acho que existe um exagero. Claro, houve um exagero também nas falas do Renan em relação a muitos que lá estavam e a muitos que lá não estavam. Mas nesse específico caso eu não vi misoginia nenhuma. O direito de resposta, ele é parte do debate. Eu tava vendo o finalzinho da Madá, acho que ela tava dizendo algo nesse sentido, e de fato Então veja, as regras são para o debate. Se você não foi no debate, bom, você abriu mão também de pedir o direito de resposta.
Essa talvez seja uma das grandes perdas de quem lá não, não foi. Deixaram, digamos assim, os candidatos livres para falar o que queriam de todo mundo. Claro, fora dali o mundo existe, eles podem ser processados, etc., mas a regra do debate vale só para quem estava no debate.
Efeito Pablo Marçal. Colocaram ele já na pesquisa, depois saiu da pesquisa. Não pode ir a debate, não pode usar fundo eleitoral. Qual que é a do Marçal? Você sacou? Ele é um agente de Flávio? Ele está para tirar votos do Renan? O que quer Pablo Marçal?
Ó, Vilela, eu escutei muito essa análise, né, de que ele seria então um alguém atrelado à candidatura do Flávio, é uma via acessória.
Eu perguntei isso daqui para ele, perguntei. Ele falou que trabalhou, né, ajudou, fez consultoria para o Flávio, mas que não tinha nada a ver, né.
É, então, e quem falou isso, que ele seria, ele mesmo, né, disse que tinha sua predileção. Acho que é meio a linha dele, é mais a direita, até porque, enfim, historicamente quem não quem não se lembra dele batendo, brigando com Boulos, negócio do episódio da carteira de trabalho. Enfim, difícil pensar que um eleitor de esquerda vote nele.
Mas fizeram isso, mas que depois deu apoio para o Boulos no segundo turno.
É verdade, ficaram amigos, se reconciliaram, eles fizeram uma live e tal, né? Você vê que ele no fundo é então um político mesmo, né? Porque para se conseguir conciliar depois daquilo. Só na política isso é possível, na vida real é muito difícil. Na política tudo pode, né? É arte justamente de conciliação de opostos. Mas eu, eu tenho uma, até uma ponderação sobre essa questão do Pablo, porque veja, imagina só se ele entra numa candidatura ou se ele entrasse, né, agora é muito difícil, mas se ele entrasse, ele roubaria, vamos assim, votos da direita, inclusive do Flávio.
Isso poderia fazer com que a candidatura do Lula se fortalecesse a tal ponto que o Lula eventualmente pudesse ganhar no primeiro turno. Então eu não sei se esse tiro não sairia pela culatra, porque de quem ele vai tirar voto? Da esquerda não vai ser. Ele tiraria voto do Caiado, do Zema, do Renan. E aí, tirando desses personagens, pode ajudar o Flávio num segundo turno, mas tiraria também do Flávio. E aí corre-se o risco de não ter um segundo turno.
Se o Flávio perde voto e o Lula se fortalece, talvez não pudesse não ter o segundo turno. E aí seria muito ruim, e aí ele favoreceria a esquerda. Então eu não sei se foi muito pensado como um aliado do Flávio, ou Pablo entrou nessa como entrou, me parece, na outra também, muito mais para aparecer. Ele é esse personagem, um pouco essa figura que o Datena já tem feito também. Vai lá, entra na televisão, entra nos debates, aparece, e aí depois vai tocar a vida dele com essa mídia que ganhou.
Acho que é muito mais essa do Pablo do que um real desejo de vencer as eleições e se tornar um político. Não vejo que seja exatamente essa o seu desejo. Mas acho que a decisão de impedi-lo, de, por ele estar ainda pendente uma decisão final, né, tem uma decisão final pendente de análise no TSE, enquanto isso ele não pode participar de debate, isso eu acho uma decisão errada. Porque vai que ele viabilize depois a sua candidatura, vai que o TSE reverta tudo e viabilize.
Bom, aí nós temos um candidato único que não pode estar no mesmo nível dos demais participando de debates. Então essa, nesse ponto, me parece muito ruim, errada a decisão do TSE.
Marceli, só uma última questão minha aqui. Na verdade são duas questões, né? Primeiro, se você acha que ainda existe a chance para um terceiro que não seja Flávio Bolsonaro e Lula. E como que você analisa a situação atual do Flávio Bolsonaro? Porque aparentemente as pesquisas indicam um bom momento. Eu vi que em Minas deu empate. Minas é um estado bem sintomático, né, que geralmente quem vence Minas acaba vencendo também o processo eleitoral.
As pesquisas indicam segundo turno 46 para o Lula, 45 Flávio, ou seja, praticamente um empate técnico aí. Você acha que o Flávio, ele tem, tá num bom momento eleitoral e que ele consegue capturar os votos desse primeiro turno dividido para direita para eventualmente vencer as eleições?
Eu acho, eu acho, porque Nós hoje não temos nenhuma candidatura. Olha, esse debate mostrou bem isso. Como eu falei, o Caiado não foi para cima dos demais e nem para cima do Flávio. O Cury também não. O Cury chamou todo mundo para fazer parte do governo dele. Ele queria sair dali e ficar, fazer amigos, né? Como diz o Roberto Carlos, eu quero ter um milhão de amigos. Mas o Caiado mesmo não se contrapôs aos demais. Então a gente não tem os candidatos da direita querendo esfolar o Flávio, tirando o Renan.
Acho que o Renan é o único que faz isso, e mas ele não tem potencial de passar para o segundo turno. Se a gente olhar com racionalidade, essa eleição não é a dele. Acho que a eleição dele é a próxima, mas essa não é a do Renan e nem a do Missão. O que portanto sobra o Flávio. E o Flávio, ele tem vencido os tropeços todos que a sua campanha inicialmente deu em relação à comunicação. Ele tem vencido até mesmo quando houve a menção ao Vorcaro diante do financiamento que foi feito ao filme de R$60 milhões.
Isso quando apareceu não desestruturou a sua campanha. E a gente tem visto um Lulinha cada vez mais entalado na garganta do Lula. Portanto, a tendência me parece ser a do Flávio. Se nada mais acontecer, se nada extraordinário vier, a tendência do Flávio é crescer, do Lula diminuir. Então creio que o Flávio tem tudo para passar para o segundo turno. E no segundo turno aí muda o jogo. A gente pode até aqui fazer uma conjectura de que, ah, olha só, tem um empate na projeção, fulano tem essa, aquele percentual.
Mas a verdade é que o segundo turno é outro jogo. É que nem, por exemplo, vamos lá no futebol, o campeonato de, se você, Palmeiras, vai, eu sou palmeirense, uma coisa é quando tá disputando a primeira fase do Paulista aqui, quando vai para o o mata-mata, quando vai para semifinal é outro jogo. Às vezes o time tá jogando mal e aí muda completamente na semifinal, o clima é outro, vestiário muda, a torcida empurra, é outra coisa.
Então toda projeção que a gente fizer agora para o segundo turno, a mim me parece insuficiente, um mero chute. É outra eleição porque as alianças mudam, é porque o clima é outro. Aquele que hoje fala assim, ah, eu jamais votaria no fulano no segundo turno, no segundo turno ele vota. Então a cabeça das pessoas muda quando eles passam a ter duas opções e não mais 500. É outra eleição. Mas a tendência, repito, é a do Flávio crescer e a do Lula, se esses escândalos continuarem abalando aí as estruturas do Lulinha, do Lulão, do Moro e da Roberta Luxinger, como tem acontecido, a tendência é o Lula ser afetado, porque as notícias têm sido essas, né, de que a própria campanha tem estado preocupada.
Hoje saiu até uma notícia da Bela Megali na coluna dela do Globo que o Lula não é mais o Lula piadista, que o entorno do Lula tá achando que ele tá muito sério, tá preocupado. Então isso pode sim afetar até mesmo uma postura dele diante do eleitor.
É, eu concordo que o segundo turno ele vai ser uma outra parada, porque o que a gente sente é todo mundo fala de eleição, mas não, não começou ainda, não começou a eleição. Vai chegando perto do primeiro turno, a gente vai sentir isso, mas segundo turno aí é aquele negócio que é meio, vale tudo, é família brigando entre si, amigo brigando, o pessoal discutindo, gente para E aí realmente eu não— hoje me parece um cenário que o Lula venceria, né, com uma certa facilidade, segundo turno.
Mas o segundo turno pode mudar bastante, eu acho, com os acontecimentos, com o debate público, o que vai acontecer. Acho que pode mudar muita coisa, como o Marceca tá falando mesmo.
Eu acho que até a campanha do PT não tá batendo no teto de vidro do Flávio, e do Flávio também não do Lula, por enquanto, né. Eles devem estar aguardando isso para o segundo turno.
Também sinto isso. Você sente isso também, Marcílio?
É, estão guardando munição, né? Que nem para dar o sprint final, né? Na corrida tem isso.
Para que gastar agora, né?
É maratona, porque é isso, é uma maratona. A eleição é maratona, então você precisa guardar fôlego para o final. Pode ser assim que haja até alguma coisa aí no bolso, na algebeira, como diziam os portugueses, de um e de outro candidato para o segundo turno. Tudo isso pode acontecer. E também a mesma sensibilidade das pessoas, né? A gente precisa perceber, por exemplo, esse caso Lulinha. Todo dia tem um episódio novo, todo dia tem um episódio novo.
A tendência é daqui a pouco as pessoas ficarem anestesiadas. Ah, o Lulinha aconteceu isso hoje, já é mais do mesmo. Então até o segundo turno isso pode também mudar a configuração. Hoje tá afetando a campanha. Pode ser que no segundo turno não afete mais, porque as pessoas já não ligam mais para esse assunto. Que nem, por exemplo, Vorcaro. Ninguém aguenta mais ouvir falar do Vorcaro, que o Vorcaro vai delatar, vai fazer mais uma delação.
Ninguém suporta mais esse assunto. Até 2 meses atrás era o assunto da moda. Tudo isso muda. Então é um outro cenário. A gente vai precisar— é como se começasse do zero as eleições no segundo turno. Mas tem também, se a tendência hoje é do Lula ganhar pelos números, e pode ser que esses escândalos hoje do Lulinha não estão, que estão afetando o Lula, pode ser que no segundo turno não afetem tanto. Por outro lado, você também tem o Flávio com uma diferença em relação ao Lula, que é o Lula tá sozinho.
Então todo voto da esquerda hoje que está indo para o Lula é o voto que provavelmente vai no segundo turno para ele. A direita não, né? O Flávio, ele vai pegar voto ali do Caiado, que no primeiro turno não vai para ele, vai pegar voto do Renan, menos do Renan.
Essa é a questão, os votos do Renan vão para quem?
Para quem?
É difícil ir para o Lula, mas também é difícil ir para o Flávio. Eu acho que parte vai para o pro Flávio realmente. Agora, será que parte desses votos vão para o Lula?
Eu acho que sim.
Do Renan?
Não sei, né? É porque eu não sei, tem gente que fala que ele é bem mais voltado para direita e outras pessoas dizem que não.
É, eu acho que muita gente vai anular, muita gente que votou no Renan vai decidir não votar em nenhum dos dois, mas muita gente vai escolher um lado ou outro, né? Isso é a questão, né?
É, é, no segundo turno é mais difícil o voto nulo, né, o voto em branco, porque tem o voto antes, evitar o que ele não quer, né. Isso, exatamente. Por isso que esses índices, por exemplo, de rejeição são os mais importantes. Hoje a gente olha aqui, rejeição é uma parte da pesquisa que ninguém liga muito. Falando, tá com a rejeição tal, ninguém liga muito porque todo mundo tem rejeição. Então parece um índice bobo, mas esse índice é essencial para o segundo turno, porque quem tem menos rejeição tende a pegar o voto de quem— o voto que não é dele.
Se você tem uma rejeição muito grande, em geral esse voto não vai para você, vai para o nulo ou branco. Então tudo isso, até isso precisa ser novamente computado no segundo turno. Eu creio que o Caiado e Zema, esses dois votos vão para o Flávio, eu não tenho dúvida. O que é, essa é uma dúvida mesmo genuína, o cara que vota hoje no Renan, ele é um, é alguém que odeia tanto Flávio quanto Lula. E aí o que que ele vai preferir? Ele vai preferir mais um governo do Lula que ele odeia, ou o Flávio, que não existe ainda um governo dele, mas que ele também odeia por conta da família, do bolsonarismo, etc.?
É uma incógnita. Eu acho que essa talvez seja a pesquisa mais interessante. E que eu até agora pelo menos não vi. O voto do Renan no segundo turno, para onde vai? Se você olhar, por exemplo, para algumas projeções, Vilela, que são feitas nas pesquisas, é curioso porque o Renan, ele é o único— quando o Renan não está na projeção, as alterações dos demais candidatos, sobretudo Flávio, elas mudam. Porque esse voto do Renan ora vai para um, ora vai para outro, a depender de quem está no segundo segundo turno.
Então é um voto ainda muito que é uma incógnita. Tende uma parte, concordo com vocês aí, para o Flávio, mas eu acho que vai ter uma parte que vai preferir votar nulo por convicção e vai ter uma parte que vai votar no Lula no sentido de, olha, eu não gosto de nenhum dos dois, mas não gosto mais, eu gosto menos deste do que menos daquele, e e assim por diante, esse voto vai se dividir. Mas é um voto também que não é tão significante.
Se o Renan conseguir, sei lá, 5%, ele tá com 3%, 2%, 3%, 4%, não, não creio que se você somar o voto do Flávio com o do Zema e com o do Caiado, esses 3 ou 4 vão ser decisivos. Eu acho que vai ter outras coisas no segundo turno, outros parâmetros, outras métricas que vão ser mais relevantes que esses 4%, que podem se dividir 2% para o Lula, vai lá, 2% para o Flávio, não é isso que vai mudar a eleição.
Quem será que ele apoiaria, Vilela? O Renan no segundo turno?
Ele não respondeu, e provavelmente nenhum dos dois, né?
Vai fazer que nem o Ciro, né? Vai viajar para Paris.
É, eu perguntei inclusive isso ali, ia viajar para Europa também, tá? Ele falou que se recusa a falar sobre isso, entendeu? Mas a gente já sabe que ele não vai apoiar ninguém. Obrigado demais, Marcília. E sempre vai ter novidade, né? A gente vai querer contar contigo.
Então, maravilha. Sempre prazer estar aqui com vocês. Uma boa noite para vocês, para audiência, e vamos nessa, que tá só no início, né? Vamos esquentando os motores ainda aqui em São Paulo. Esquentando não é uma boa palavra, porque tá uma friaca danada. Mas estamos esquentando os motores.
Mas muita coisa tá para acontecer aí e a gente vai estar acompanhando sempre.
Obrigado, Marcília. Abraço, tchau tchau.
E agora, Fernanda, ufa, bastante sobre o debate.
É que tá só no comecinho, como você falou, né? Será que eles vão adotar essa estratégia de não ir? Pode ser que eles mudem.
Eu espero que venham no não é nosso, né? Aliás, tem flyer aí do nosso debate. Coloque na tela, por favor, só para relembrar o pessoal. Nós e o Metrópoles vamos fazer esse debate aí no formato de podcast, um formato diferente, pessoal sentado um do ladinho do outro. E aí eu já tava—
esse eu acho que vem todo mundo.
Ó, Flávio está sendo convencido. Lula é o mais difícil, mas vamos tentar convencê-lo também. Já estão todos os outros aí, né? Então vamos lá, vai ser um espaço de G4, espaço muito bom, e vai ser um formato legal.
E acho que é isso que eles falaram também, é uma baita oportunidade para o candidato, já que a gente entendeu que essa disputa será bem acirrada, de tentar levar aquele que tá indeciso. E a única chance que o candidato tem, né, de fazer isso, é um momento para ele, é num debate.
Eu acredito nisso, mostrar eleitoral, que que ele tem para propor.
Fala, ó, não vota nele não, vota em mim por conta disso, disso, disso.
Todos os candidatos, você tá comparando, não é assim o horário eleitoral, é a rede social, você tá vendo assim, um cara fala, outro responde, ele pergunta e tem interação. Então tem isso, tem pergunta de jornalista, tem pergunta do chat. Então é isso, é isso. Vamos de quê agora?
Vamos de giro já, né, gente? Vamos de giro, vamos lá então, vamos Roda a nossa vinheta. Olha, eu pensei num giro hoje com tudo que aconteceu na semana, algo que tivesse a ver com tudo aquilo que a gente tá vivendo, tá bom? Certo, são momentos tensos, momentos que um tenta provar para o o outro, que é melhor.
Então você trouxe coisa séria hoje, trouxe coisa seríssima, coisa séria.
Porque um desses temas, a gente vai começar com a dança, né? É, hein, Homer? A gente vai mostrar a dança antes, né? A dança. Porque você sabia que muita gente dança somente para impressionar o outro?
A dança do acasalamento, que chama isso.
Isso é dança do acasalamento. Mas, ó, tem uma dança que tá viralizando agora na internet.
Vida por causa de mulher, porque eu sou horrível dançando. E eu fui obrigado, eu tenho até vergonha de falar isso, agora eu quero saber, mas eu fui obrigado a aprender a dançar lambada uma época. Porque quem não dançava lambada não pegava ninguém na época que eu era adolescente. Exatamente, reggae night. Sim, é óbvio, eu passei essa vergonha assim. O Lenny está aqui, ele iria também falar que participou disso, com aquelas calças de elástico branca.
Ah não, exato, meio larguinha. Hoje o giro é linda, com a manga aqui dobrada, né, que nem Miami Vice, tipo Didi Mocó, né, com aquela ombreira aqui. Todo mundo passou por isso, né?
Então, gente, olha, hoje se tem alguém que fez golaço aqui fui eu, porque esse giro é em homenagem ao Vila Linteiro. Parte A e B, ele vai entender.
Tenho medo.
Vamos lá, roda a vinheta.
Tá sem som, é isso mesmo?
Ó, essa, essa dança é o seguinte, chama Dança Butô, é uma performance de dança. Ah, não tá saindo áudio aí, mas tudo bem. Ó, é uma dança contemporânea japonesa, ela é conhecida por romper exatamente essas travas que a pessoa tem. Você tem que dançar não para impressionar ninguém ou pela dança do acasalamento. Você tem que dançar sem estar dançando, o que seu corpo pedir. Ó, e disse que quando você faz isso, essa energia que você emana, aí sim você atrai tudo aquilo que você quer.
Ah, essa dança que ele tá fazendo eu faço. Isso você faz isso, ó, não com essa roupinha, mas fazer uns negócios assim, eu faço também, só tinha que ir lá.
E ele tá atraindo tudo que ele quer?
Ele fala isso, ele fala que você não consegue as coisas através da dança porque você tem muita necessidade de impressionar o outro. Quando você se liberta, quando você faz essa coisa da libertação, entendeu? Então você não pode estar preocupado com a sua vestimenta, se o pessoal tá gostando ou não.
É aquele negócio, ele não tá preocupado mesmo, não, não é aquele negócio dance como se ninguém tivesse te vendo, né?
É o que afasta as expectativas. Ele tá falando que os outros criam sobre nós. Ó, tá aí, é isso.
Eu sou a favor de cada um dançar como queira.
Agora, já que você falou sobre usar looks apropriados para época que você dançava, anos 80, anos 80, eu vou te fazer uma pergunta um tanto quanto indiscreta, sem ser indelicada. Tô pensando aqui como é que eu vou responder. É assim, em algum momento, já que como é que ele usava roupa com ombreira, blazer com ombreira, as calças eram mais largas. Mas você já passou algum constrangimento com essa calça dançando ali e tal, aquele bate-coxa?
Posso falar? Já passei constrangimento usando moletom fazendo show de stand-up.
Por quê?
Que o moletom, ele às vezes, ele molda, molda, e às vezes a camisa é muito curta, entendeu? E aí gerou constrangimento.
Então se eu disser que eu tenho a solução para os seus problemas?
Sempre coisas relacionadas ao saco, né?
Ai, não, o que que tá falando?
Ela não tem aquele negócio para apoiar lá os ovos, o magrinho?
Tô falando de calça confortável, sutiã.
Gostou?
Ele lembra o nome, eu não lembrava. Eu tô pensando em conforto para você.
A calça que é confortável.
É isso, ele que tem maldade nas coisas, gente.
Ó, essa calça é confortável?
Ah, você não tá enxergando a calça direito.
Ó, ela vem com uma saqueira, um negócio na frente, mas ela não é confortável como ela é apertada.
Não, mas é aí que tá, ela dá total liberdade para movimento. Olha ele explicando porque ela tem também, dá. Mas se a sua tem aquele suporte na frente, qual que é o lance? Ele pode agachar, dançar, olha lá, fazer ginástica.
É o mesmo cara da dança anterior, ele só tá com cabeludo.
Não é ele, não é.
Ela pegou um cara com a barba parecida aqui, ó.
Você pode ajeitar os trem que precisa.
Eu vejo o Homer usando, mas eu não usaria não.
Mas essa cor não combina comigo. Comigo.
Tem outras cores, você pode escolher com brilho, sem.
Então é uma calça dita confortável.
É, olha lá, ó, flexibilidade do moço com essa calça.
Não tem essa flexibilidade não, mas o diretor aqui, o Costelinha, acho que usaria uma calça dessa. Usaria, usaria.
Acho que até no casamento dele vai com uma dessa. Com certeza vai ser tendência com esse suporte na frente.
Olha, isso mostra que a imaginação do ser humano ela não tem limites.
Não sei onde você acha essas coisas, viu, Felipe?
Nem eu sei. É isso, é isso.
Então a gente vai finalizar, agradecer todo mundo que teve aqui com a gente, né? Já deixar aquele like, compartilhar o vídeo, agradecer aqui a Estratégia Concursos que tá sempre com a gente ajudando a gente fazer o jornal. Então tem um link na descrição e QR code na tela para você achar o mapa dos concurso, encontrar um concurso mais próximo a você. Onde o pessoal te acha, Fernanda?
Olha, para quem ainda não me segue, entra lá na minha página, gente, é @fernandacomora. De segunda a sexta eu apresento Tá Com Tudo a partir das 14:45 na Record Campinas, e aos sábados o Balanço Geral a partir do meio-dia. Balança, balança!
E quem quiser me acompanhar também Instagram @prof_ricardomarcillio, mas o canal principal ali de comunicação é o YouTube mesmo, Professor Ricardo Marcillio. Valeu pela presença de vocês, tamo junto e até semana que vem.
Quem quiser me acompanhar, eu tô indo agora para um McDonald's que eu tô morrendo de fome, então a gente bate um Big Mac lá juntos. Você tá nessa junto aí comigo?
Ah não, eu mudei minha alimentação, agora eu sou fitness.
Tem salada no McDonald's, tá pedindo salada lá.
Eu trouxe, eu Ainda trouxe minha maçãzinha.
Vou ter que trazer uma calça daquela, tá aí.
Vai usar aquela calça quando caber em mim, eu uso, tá certo?
E me sigam no Instagram, @vilela, muito fácil de me achar lá. Então vamos de crônica? Vamos! Então roda a vinheta e vamos, vamos de crônica, que hoje tá muito bom, do Carlos Bezerra. Até mais, fiquem com Deus, beijo no cotovelo e tchau! E tem aquela frase que o pessoal escreve, o quê?
Bom, para provar que você chegou ao final gostou desse papo, coloca aí: Força Lito!
Força Lito! Não vamos esquecer. Vamos lá, Força Lito! Até mais!
Christian Cravinhos, um dos homens condenados pelo assassinato do casal Von Richthofen. Ele apareceu num vídeo ao lado do criador de conteúdo Adolfo Rafa Martins falando em acabar com a impunidade, mais escola, mais saúde, mais segurança. Enfim, gente, olha o tamanho do absurdo. Eu não tô aqui dizendo que ele não pode falar, não é isso. Ele cumpriu parte da pena, ele tá em liberdade, ele tem o direito de opinar como qualquer um.
O que eu estou dizendo é outra coisa. Desde quando quem foi condenado por um crime brutal virou referência para ensinar a sociedade a combater o crime?
Como assim?
Porque aí começa uma completa inversão de valores. O condenado falando sobre impunidade. Quem participou de um assassinato discutindo como construir uma sociedade mais segura. E a vítima? Onde fica a vítima nessa história? Porque o Brasil é muito curioso, né? O criminoso vira filme, vira série, vira personagem, vira entrevista, vira celebridade. E agora vira comentarista de segurança pública. Amanhã ele pede o seu, e aí Deus nos livre.
Parece exagero? Olha o caminho que a gente tá construindo, gente. E tem uma coisa, tem uma coisa que precisa ficar muito clara: defender escola, oportunidade, prevenção, política social, isso não é novidade nenhuma. Tudo isso importa e muito. E eu defendo, eu por exemplo defendo isso há mais de 20 anos na vida pública. Mas combater a criminalidade também é falar de responsabilidade, fala de punição e fala de proteção da vítima.
Uma sociedade justa não transforma um assassino num personagem fascinante para depois se surpreender quando ele vira voz autorizada sobre segurança. Esse é o problema da glamourização do crime. Primeiro a gente conta história, depois humaniza o criminoso, depois transforma em celebridade, e quando percebe, tá ouvindo criminoso ensinar como acabar com crime. Isso é inversão de valores, gente. Eu quero uma sociedade com mais escola, quero uma sociedade com mais oportunidade, com mais prevenção, mais políticas sociais, e quero também o cidadão de bem vivendo em paz.
Quero ver a vítima lembrada, a família destruída pelo crime ouvida, e o criminoso tratado como criminoso. Filme ele já virou, personagem já virou, celebridade alguns já até viraram. Agora, referência para combater o crime, gente, bom, aí já é demais.
As opiniões e declarações feitas pelos entrevistados do Inteligência Limitada são de exclusiva responsabilidade deles e não refletem necessariamente a posição do apresentador, da produção ou do canal. O conteúdo aqui exibido tem caráter informativo e opinativo, não sendo vinculado a qualquer compromisso com a veracidade ou exatidão das falas dos participantes. Caso você se sinta ofendido ou tenha qualquer questionamento sobre as declarações feitas neste vídeo, por favor entre em contato conosco para esclarecimentos.
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