1915 - FILOSOFIA X FÉ: TASSOS LYCURGO E GUILHERME FREIRE
GUILHERME FREIRE é filósofo e TASSOS LYCURGO é pastor. Eles vão bater um papo sobre a relação entre a filosofia e a fé. O Vilela adora filosofar, tanto que comprou duas privadas super tecnológicas.Cadeira é Elements, e o desconto pra vocês tá liberado. Acesse e garanta a sua: https://loja.elements.com.br/?utm_source=youtube&utm_medium=legenda&utm_campaign=inteligencia
- Filosofia e Fé CristãRelação entre razão e fé·Mandamentos bíblicos sobre racionalidade·Complementaridade entre fé e razão·Verdade como conceito filosófico grego·Jesus como Aletheia (Verdade)·Logos (Razão/Palavra) em João
- Crise do Comunismo e IdeologiasAteísmo como escolha moral·Materialismo e naturalismo como base·Pressupostos irracionais da ciência·Teoria da evolução e origem da vida·Karl Marx e suas poesias satânicas·Comunismo e bases satânicas
- Cultos Baalitas e Sociedades SecretasRenascença e resgate de cultos esotéricos·Rosa Cruz e Francis Bacon·Maçonaria e sincretismo religioso·Culto ao Baal e sacrifício humano·Hollywood e a Babilônia de Griffith·Marina Abramović e Spirit Cooking·Ilha de Epstein e culto sexual
- Unidade da Igreja CristãDivergências entre católicos e evangélicos·Igreja Católica Apostólica Romana·Primado de Pedro·Transsubstanciação na Eucaristia·Sucessão apostólica·Cardeal Newman e a conversão·C.S. Lewis e Tolkien
- Platão e o Mundo das IdeiasEssências individuais vs. participação·Ideia de copo arquetípico·Mundo das ideias como plano divino·Abstração e geometria·Santo Agostinho e a conciliação
- Ciência Moderna e Fé CristãOrigem da ciência moderna em matriz judaico-cristã·Mundo inteligível criado por mente divina·Teologia natural·Padre Mendel e a genética·Georges Lemaître e o Big Bang
- Nietzsche e a Morte de DeusCrítica à decadência cristã·Übermensch (Além do Homem)·Letztenmensch (Último Homem)·Homem superior vs. homem que cria valores·Proposta de ser como Deus·Dostoiévski e 'Deus está morto, tudo é permitido'
- O Papel da Igreja na CivilizaçãoValores judaico-cristãos e dignidade humana·Igualdade entre homem e mulher no cristianismo·Contribuição para a civilização ocidental·Preservação da arte e beleza nas catedrais
- Kant e o CeticismoCrítica da razão pura·David Hume e o ceticismo·Pirro de Élis e a ataraxia·Princípio da causalidade·Santo Agostinho contra os céticos·Relativismo autorrefutado
- Manipulação da Linguagem e NovilínguaAborto como direito reprodutivo·Pedofilia como MAP (Minor Attracted Person)·Novilíngua de George Orwell·Atenuação de termos negativos
Olá, terráqueos! Como é que vocês estão? Eu sou Rogério Vilela, tá começando mais um Inteligência Limitada, o programa onde a limitação da inteligência acontece somente por parte do apresentador que vos fala. Sempre trago pessoas mais inteligentes, mais interessantes e com mais fé e filosofia do que eu e você. Ô, Romer, você tem fé?
Fé sim.
O que é fé?
Fé é ser movido por aquilo que a gente acredita.
É acreditar sem ver.
Acreditar sem ver.
Quando sua mulher fala para olhar o seu WhatsApp, o que você fala?
Falou.
Tenha fé, mulher.
Tenha fé.
Acredite sem ver.
Pois é.
E o pessoal que quer acreditar em casa, o que eles fazem?
Bom, já começa já deixando o seu like, se inscrevendo nesse canal, torne-se membro e compartilha essa live maravilhosa com toda a sua patotinha.
Exato. Antes de começar esse papo, quero falar com você, Terráqueo. A gente gosta, e você acho que também gosta, de performar. A gente vive otimizando coisas: sono, alimentação, rotina, ferramenta, método. Mas tem um ponto cego que a maioria deixa passar, que é a cadeira. Exatamente. A gente mudou aqui no cenário, você percebeu. É, você pode ter o melhor método do mundo e ainda assim estar pagando um custo físico enorme por sentar errado horas e horas por dia.
Eu comecei a usar a cadeira da Elements e entendi o que tava deixando na mesa: apoio lombar ajustável, braços 4D, apoio de cabeça e reclinação. É a cadeira que pensa junto com você, ou melhor, cuida do corpo para você possa, para que você possa pensar melhor. E olha que se tem alguém que entende de ficar muito tempo em cadeira, sou eu, hein? É verdade, eu escolhi essa daqui Dentre várias da Elements. Então você que também quer fazer essa mudança, quer cuidar melhor do corpo, toca no link na descrição, usa o cupom INTELIGÊNCIA e cadeira é Elements.
Sim, ou então tem o QR code na tela aí também, pode usar o QR code.
Tá bom, fechou. Vamos para o papo então. Os dois já vieram algumas vezes aqui, já fizeram lá também aquele embate com 30 pessoas. Então se apresentem também, vamos pelo maior e depois o menor. Aqui, ó, Professor Vilela, antes de me apresentar, eu gosto quando ele vem, que ele me chama de professor, né?
De fato é, de fato é, né? Antes de entrar nessa parte aí da apresentação, certo, eu queria saber, a estética da cadeira é personalizada, né? Não, ela já veio. Não, a gente pediu para um artista pintar, mas eu digo assim, é o mesmo conceito aqui do cenário, né?
Do cenário aqui é um artista alto nível, muito bom.
Fazer um prazer estar aqui.
Mas se apresenta para quem não te conhece, como você se apresenta para quem nunca ouviu falar?
Tasso Licurgo, Tasso Licurgo, sou professor titular da Federal do Rio Grande do Norte, afastado, que moro hoje no Texas. Sou advogado e pastor, pastor evangélico.
E tá gostando lá dos Estados Unidos?
Eu gosto muito, né? Já havia morado uns anos lá em Oklahoma. Sabe aquele lugar que os filmes de faroeste mostram, que tem aqueles galhos voando, os fenos voando? Ali que eu morei, ali, né? É, agora tô no Texas, que não é muito diferente.
Uma cidade grande?
Uma cidade pequena perto de uma cidade grande.
E é tranquilo lá?
Eu acho bom demais.
Todo mundo anda armado mesmo?
Todo mundo anda armado. E uma vez, é seguro, né? Tem um rapaz lá, o da polícia lá, que falou publicamente que se alguém entrar na sua casa, a orientação que ele deu é: por favor, atire. Por favor, atire. Porque inclusive você estará até economizando dinheiro do contribuinte, do pagador de impostos. Olha só, é uma cultura de defesa da família, defesa da propriedade, uma cultura de liberdade. E os Estados Unidos se diferem do Brasil nisso porque nós temos um federalismo americano que é um federalismo, eu diria, centrípeto, do contrário do federalismo brasileiro que é centrífugo.
Você tem no Brasil a unidade que se fragmenta Então o poder central é muito alto e uma das melhoras para o Brasil principais seria o fortalecimento do municipalismo.
Certo.
E nos Estados Unidos você tem unidades separadas que se juntam, então a independência dos estados é muito grande. Então um estilo de vida como esse que eu, por exemplo, gosto demais, de que eu gosto demais, é um estilo que se outra pessoa não gostar vai ter outro estado lá.
Que atende melhor o que ela gosta.
O que ela gosta, né?
Para Califórnia.
É, para Califórnia eu não aconselho não, mas quem quiser vá, né?
Flórida, o pessoal tá indo muito para Flórida também, né?
Flórida é um estado conservador muito em razão da migração cubana, que viu o horror do comunismo e não queria que aquele lugar para onde eles estavam indo tivesse nem de perto uma semelhança com aquele horror que eles conheciam. Aliás, qual é o estado mais direitista do Brasil? Sabe qual é?
Não, tô pensando aqui.
É Roraima.
É mesmo?
É, proporcionalmente. Por quê? Porque está vizinho da Venezuela. Que tem mais refugiados ali da Venezuela, que é um país que não tá em guerra, do que países que estão em guerra como a Síria ou a Ucrânia somados. Então o comunismo é um verdadeiro horror, verdadeiro horror. Sim, eu me apresentei, né? Agora é a vez do Guilherme aqui nessa câmera.
Sim, meu nome é Guilherme Freire, sou professor de filosofia. Eu Sou apaixonado por esses temas de religião desde a minha trajetória na filosofia, porque justamente quando eu comecei a estudar filosofia foi que eu passei por um processo de conversão. Então a minha conversão tá absolutamente ligada ao estudo da filosofia e a minha vida intelectual a partir daí. Então para mim esses temas são muito prazerosos. Conheci Austin, não conhecia a cidade agradável perto dela.
Sou conterrâneo do Tasso aqui também, porque eu sou de Natal, Rio Grande do Norte. Poucas pessoas sabem desse, é que eu não morei em Natal, mas fiquei sabendo hoje disso.
Não, as pessoas não sabem.
Eu não sou pequeno assim.
Eu tenho 1,80m, mas o Tasso tem uns 2m. Eu sou um mini.
Mas você sabe por que essa pequena diferença? Porque você é de Natal, que é o lugar chique. Eu sou lá da tromba do elefante. Aí lá na tromba do elefante, que você sabe que é lá no Alto Sertão, as onças lá são grandes.
Se o zinho for pequeno, não sobrevive. Não, é o Darwin, é a lei da sobrevivência lá.
O maior fica.
Darwin sem especiação.
O mais longe que eu fui foi Caicó.
É o médio sertão.
É o médio sertão, não cheguei até o final, mas meu avô tinha hábito de férias de verão de pegar a gente e falar, vem, menino, vem, menina. Botava a gente num carro e levava a gente para o começo do sertão, pelo menos, para o interior do estado. Foi bastante agradável isso nas férias de verão. Mas é isso, eu sou professor de filosofia e é isso. Acho que me alegrei comentar esses temas aqui, estar aqui conversando com vocês de novo.
A gente pode, pode num primeiro momento falar que são coisas conflitantes, né, razão e fé. Vocês acham que a razão ela termina, ela tem que parar e para a gente começar a acreditar em alguma coisa, ou as duas coisas podem caminhar junto?
A fé ela pode ser irracional, certo, irracional, mas a fé irracional não é uma fé do tipo cristã. A fé do tipo cristã exige a racionalidade, seja porque há um mandamento nesse sentido. Na 1ª Epístola de Pedro, no capítulo 3, no verso 15, as Escrituras dizem: santifique o seu e seu coração, esteja sempre preparado para apresentar a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós. Existe um mandamento numa carta católica, no sentido universal, que Epístola de Pedro, que não é dirigida a uma igreja específica e, portanto, cujo entendimento não precisa de uma contextualização em relação ao problema que a carta endereçava.
É uma carta de entendimento mais direto, uma carta ampla que não é dirigida a uma igreja específica, como a 1ª aos Coríntios, aos Romanos, aos Filipenses. É uma carta aberta. Então, a 1ª de Pedro 3:15 diz isso. Então, há um mandamento. Jesus sempre concordou com isso. Você for para Mateus, no capítulo 22, no verso 37, Jesus de Nazaré, quando questionado sobre qual era o maior dos mandamentos, ele diz: amar a Deus com toda a sua alma, seu coração e o seu entendimento.
Entendimento. Então Deus não quer que nós demos a ele o nosso coração e deixemos o cérebro de lá de fora da porta. Então a fé do tipo cristão encontra base racional, não quer dizer que se confunde com ela. A fé leva você a lugares muito mais longes do que a razão, mas isso não é dizer que ela é irracional.
Santo Agostinho escreveu um dos grandes livros da história da filosofia cristã chamado De Trinitate, né, que é sobre a Trindade. E é um livro lindíssimo, e ele vai inclusive fazer uma comparação entre as potências do intelecto e as virtudes teologais. E a fé aparece ali no livro como iluminando a razão. Ou seja, você tem uma razão, entendimento, e naturalmente você tem aquilo que a gente chama da razão natural, né? Você nasce com uma capacidade de entender as coisas, com uma disposição a buscar a verdade.
Não quer dizer que você necessariamente encontra a verdade. Aliás, o homem, na medida em que ele tem a disposição de buscar a verdade, ele também tem aquilo que a tradição cristã chama do pecado original. Ele tem um desalinhamento na natureza dele que muitas vezes obscurece essa razão também. O Chesterton até falava, né, que uma das coisas mais evidentes sobre o homem é o pecado original. Que é só se lidar com os homens que você já identifica isso.
No entanto, o homem tem essa procura pelas potências racionais. Só que a fé, ela ilumina, ela aponta para uma verdade que não era imediatamente evidente simplesmente pelo uso imediato da razão. Então é muito bonita a visão cristã, porque tem uma complementaridade entre fé e razão gigante. Quando você, a sua razão, ela busca naturalmente a eternidade, porque você foi criado para a eternidade, Aristóteles mesmo já vai falar, né, que Deus como primeiro motor imóvel, ele move o mundo por amor.
E se ele é a causa eficiente de todas as coisas, ele é a origem de todas as coisas, portanto ele é a causa final, porque a origem de algo sempre é sua finalidade. Quando eu crio, por exemplo, uma bola, eu crio para jogar futebol, eu tô criando ela já com desígnio disso. Se eu crio uma Eu dou uma aula, eu quero, eu tenho uma finalidade na aula que eu vou dar. Quando Deus cria o mundo, ele tem uma finalidade para ele, e essa finalidade volta para o próprio Deus.
Então é muito bonito, porque a razão te leva até um certo ponto, e a fé ela ilumina a partir desse ponto, e você enxerga aquilo que a razão não te mostraria por si só, né?
Mas a razão pura, a filosofia, ela aparece para substituir a fé, ou para substituir os deuses, ou para tentar entender essa fé, ou para tentar entender os deuses?
É o que eu diria, o seguinte: você tem dois temas centrais que são estudados pela civilização mais importante na história da humanidade, da perspectiva filosófica, que é a Grécia Antiga. Então a Grécia Antiga se debruça sobre os termos alétheia, por exemplo, que é um termo de origem da mitologia platônica, A é um prefixo em grego de negação, assim como em português e outras línguas tantas. Então, alete é uma negação do Lago Léter, que de acordo com a mitologia platônica era o lago no qual— Lago do Esquecimento— as almas mergulhavam e se esqueciam.
E o trabalho principal da alma aqui era envolver-se numa tarefa de desesquecimento da verdade primeira que já conhecia. Então, aletheia é a verdade no sentido de busca, como a expressão genuína da verdade essencial fundamental. Então, isso é a base da filosofia, a busca pela verdade. E é muito impressionante, isso me impactou muito na minha conversão, quando eu vi que se você pegar um dos biógrafos de Jesus Cristo, João, por exemplo, nós temos 4 biógrafos: Mateus, Marcos, Lucas e João.
Você pega João no capítulo 14, no verso 6, ele registra Jesus dizendo: eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim. Quando nós lemos isso em grego, você sabe que o Novo Testamento é escrito em grego, Antigo Testamento em hebraico, algumas partes de aramaico. Quando nós lemos isso em grego, a palavra que é traduzida por verdade é exatamente aletheia. Então a fé cristã, vida é zoe e caminho é rhodes, mas a palavra é aletheia.
É uma palavra técnica da intelectualidade da época, Então o cristianismo, ele não se esconde diante da civilização mais inteligente que desenvolveu. Ele diz: Aletheia, sou eu. Então Jesus está dizendo que aquele conceito sobre o qual os gregos se debruçaram por séculos, na realidade, é mais do que um conceito, mais do que uma ideia, é uma pessoa. Então há uma junção total aí. E sendo uma pessoa, nós entramos num estatuto metafísico muito superior pelo seguinte: porque você não tem como se relacionar com conceito, com a ideia sentimentalmente, experiencialmente.
Mas como a pessoa, você cresce não só intelectualmente, mas em relacionamento. Então isso é muito radical. E como se não bastasse, o mesmo biógrafo, o João, no capítulo 1º, no verso 1º do seu evangelho, diz: no princípio era o Verbo, o Verbo estava com Deus, o Verbo era Deus. Esse Verbo é a tradução do grego Logos, que é razão e palavra. Razão, palavra. Eu acho que em português também é traduzido por palavra ou verbo. Então Logos são os dois pilares, Aletheia e Logos.
E quando vemos que no princípio era o Logos, o Logos estava com Deus e Logos era Deus, e nós continuamos a leitura da biografia escrita por João, quando chegamos em João capítulo 1º, no verso 14, Poucos versos depois, nós temos a ideia de que o Logos encarnou e habitou entre nós. Aliás, a tradução em grego por habitar é paupérrima, né? Eu sugiro a tradução mais profunda, que eu sempre faço isso com os alunos, que eu digo assim: olha, a tradução aqui remete à tradição judaica, porque diz: o Logos tabernaculou entre nós.
Então existe uma junção total, dando, já terminando, mas dando um cumprimento inclusive a algo que é extremamente belo agora, não mais no grego, mas no hebraico, que é a palavra crença, fé ou verdade, que encontram a mesma palavra emunar em hebraico, no que os judeus entendem como fé, como uma expressão também da verdade. E a representação plena disso é Jesus Cristo encarnado.
Esse primeiro começo, né, do Evangelho de São João, um dos trechos mais bonitos de toda história humana. Ele que começa, né, enar genólogos, kai logos em próston feos, kai feos genólogos. Depois ele fala kai logos sarx e generetor, kai skenoseninenin, né, que ele se fez carne, habitou entre nós, ou viveu entre nós, né. Então se fez homem entre nós, é lindo isso, tem uma mensagem de família, tabernaculou. É fascinante essa tradição, nunca tinha ouvido, mas ela é fascinante.
Você sabe que antigamente, né, nas liturgias da Missa Tridentina, todo final de missa se lia o começo do Evangelho de São João, se recitava o Evangelho, porque você tem as verdades essenciais da fé todas ali contidas. E o que eu achei muito bonito disso é que essa relação entre filosofia e cristianismo, ela já vem desde o começo. Não só Cristo é o Logos, então ele já é razão. E inclusive, claro, né, tem a famosa frase do Pilatos: mas o que é a verdade?
Né, que é aquele momento de cinismo, porque seguindo o Evangelho você tá diante da verdade. O Cristo é a verdade, a verdade se encarnou.
João 18:38.
E aí é essa relação entre filosofia grega e cristianismo, ela já vem desde o começo, porque São Paulo faz referência à tragédia da Medéia, por exemplo, que já mostra o conhecimento da cultura grega. Mas para mim, o episódio mais bonito é quando ele vai no Aerópago e tem uma estátua do Deus Desconhecido. E o Sócrates— Deus Desconhecido é um termo do Sócrates, foi o Sócrates que cunhou isso. Por quê?
Atos 17, né?
Quando os gregos antigos, eles cultuavam esses vários deuses, muitos desses deuses tinham, aliás, costumes espúrios, né? Você ouve, sei lá, Zeus pega a mulher do cara e vai ter filho com não sei quem na forma do animal e vai nascer não sei o quê. Esses deuses brigam entre si e tal. E o Sócrates, ele não acredita nesses deuses gregos. E aí perguntam, indagam ele, tanto que ele vai ser acusado de ateísmo, né, no julgamento, na Apologia de Sócrates.
E ele, de maneira muito bonita, vai defender a imortalidade da alma E vai defender que ele tá lá justamente dando testemunho do Deus desconhecido. Deus desconhecido é porque ele não dá o nome. Ele fala: mas qual é o nome? É Zeus?
É Hera?
Qual é o deus que você cultua? E o Sócrates se recusa a falar esse nome. Mas se você ler lá no Eutífron, que é o diálogo do Sócrates sobre— o Eutífron é um piedoso da religião grega, e ele entra nesse embate com Sócrates. Que na verdade é um texto muito interessante porque ele vai falar sobre voluntarismo divino, se Deus pode mudar de ideia, se Deus muda de ideia e etc. No fundo entra nisso, se é piedoso porque os deuses querem, ou se é os deuses querem, daí é piedoso, né?
É uma discussão, entraria em outra discussão. Mas o ponto todo é que Sócrates vai defender esse Deus desconhecido e ele se recusa a dar um nome. E aí São Paulo, quando ele chega no Aerópago, quando ele vai para Atenas, Ele fala: vim trazer o deus desconhecido, porque ele vê o monumento. E aí que é fascinante, Sócrates é escultor de origem, então é bem possível que o próprio Sócrates tenha esculpido o monumento. E se não foi ele mesmo que esculpiu, é muito provavelmente um aluno dele.
Então, na própria, esse encontro da filosofia já acontece na própria, nas próprias, na própria Sagradas Escrituras. E aí, claro, depois, na primeira geração dos cristãos, o encontro com a filosofia vai ser muito grande, porque se tem um lugar que vão vir os primeiros conversos, são entre os proponentes da filosofia. Por exemplo, agora tem essa moda do estoicismo, que tem lá o Ryan Holiday, o cara fez o Daily Stoic, todo mundo foi virando estoico.
Mas sabe um dos motivos do porquê poucas pessoas eram estoicas, sei lá, no final do Império Romano, por exemplo, na segunda metade? É porque muitos desses estoicos foram se convertendo ao cristianismo. Tem várias histórias famosas do período que esses estoicos começavam a estudar o cristianismo e eles tinham aquela visão cosmopolitana, estoica, das virtudes, etc. E aí quando eles encontravam o cristianismo, falavam, caramba, eles estão defendendo uma versão melhor de várias virtudes que eu procurei a vida inteira.
E a Grécia foi um grande celeiro de conversões. Alexandria, que tinha a maior biblioteca do mundo, Virou um grande centro cristão. Antioquia, que era um centro comercial importante do mundo grego, virou um grande celeiro cristão. E na verdade, na Grécia, como no mundo grego, que é todo esse Império Bizantino, esse mundo oriental, o cristianismo penetrou de maneira muito forte. Tiveram aqueles que conflitaram, tiveram versões, como sempre tiveram versões da filosofia que se propuseram hostis ao cristianismo.
Mas se você olhar a tradição mais profunda da filosofia ocidental, que é essa que passa por Sócrates, Platão e Aristóteles, ela sempre teve tendências monoteístas. A prova da existência de Deus— sim, sim, a prova da existência de Deus de Aristóteles nos leva para um Deus princípio único, é um único motor imóvel.
Mas eles estavam buscando essa resposta?
Eles estavam buscando o tempo todo. E o tema da religião é fundamental. Inclusive, Plutarco fala que quando Aristóteles mentorou Alexandre, a parte mais importante da mentoria é a visão metafísica. E inclusive a metafísica, um dos termos que Aristóteles usa para metafísica é teologia. E aí é o que a gente depois na tradição cristã vai chamar da teologia natural, que é o quê? É o estudo de Deus partindo da razão, que é basicamente nada diferente do que é, do que por exemplo a demonstração da existência de Deus, discussões filosóficas acerca de Deus.
E se você ler a história de Aristóteles, se você ler a Metafísica, que é muito bonita, porque ele fala que Deus, no livro Lambda da Metafísica, ele vai falar que Deus é inteligência, ele vai falar que Deus nos enche de alegria porque ele é bondade, e tudo isso ele chegou por meio da razão.
Mas o mundo das ideias do Platão Ele conflita um pouco com essa visão de, então, porque tá tudo criado lá, tudo existe.
Essa pergunta é muito boa porque esse é um dos temas, um dos temas gigantes de um dos maiores filósofos da história, que é Santo Agostinho, tá? Porque justamente Santo Agostinho vai tentar casar essa filosofia platônica com a visão divina. E aí ele faz duas coisas muito interessantes. Uma é na ideia da rememoração platônica, que é o que ele tava citando, que é uma ideia gigante para Platão. E outra é nessa ideia justamente do mundo das ideias.
Dá o contexto para quem não sabe.
Claro. Então Platão fala, é longo isso aqui, mas eu vou tentar ser o mais breve possível. Para Platão, diferente do que da visão aristotélica, em Aristóteles as coisas têm essências individuais. Esse copo, ele é composto de matéria e forma e tem uma essência deste copo específica. Para Platão, no entanto, ele não fala em essência individual, ele fala de participação. Existe um copo arquetípico, o copo, que é um copo. E aí vem essa história de mundo das ideias, mas tem que tomar muito cuidado com o mundo das ideias, porque nem é um mundo à parte desse mundo, porque essa realidade, apesar de sim ser uma dimensão não material, mas é essa realidade, e nem é ideia no sentido de um pensamento, uma elucubração mental, um lugar onde a gente iria buscar essas, seria um lugar como se fosse divino, tá?
É uma forma de descrever. E nesse, nesse plano você tem a forma perfeita do copo. Esse copo participa da forma perfeita do copo. Todos os copos que existem, eles participam da forma do copo.
Então o copo, só ajudar, Por exemplo, se você tiver vários copos de vários formatos, das experiências com os copos, você pode criar uma ideia do que é um copo. Isso é Aristóteles. Para Platão, não. Já existe a ideia do que é copo e essas experiências reais são cópias mal feitas dessa ideia original.
Certo. É só um detalhe que não é que você—
Um é indutivo, o outro é dedutivo.
Isso. Isso é bem correto, mas não é que você cria a ideia em Aristóteles, você descobre a essência da coisa individual. Por meio de um processo chamado abstração. Eu vou tentar ser o mais simples que eu posso, porque entra numa discussão metafísica complexa, mas está perfeitamente de Aristóteles, você sai do material para o essencial. Todos os copos, como ele falou, são cópias imperfeitas do copo. Existe o copo, assim como existe o cachorro e o homem.
Dá até reflexões bonitas isso, porque na verdade, quando você, por exemplo, como homem, se afasta das virtudes, você está se afastando do paradigma de homem. Você está se afastando do ideal de homem. Quando você tem um copo quebrado, ele tá se afastando do copo paradigmático. E todas as coisas, na verdade, do mundo, você tá buscando sempre a perfeição, se aproximar do paradigma. Esse mundo das ideias é o mundo de tudo que é universal e eterno.
Quando você sai da caverna, o sair da caverna é encontrar as ideias, portanto encontrar as essências. Na filosofia Você tem que sair do material imediato para o abstrato, começar a entender aquilo que é essencial, aquilo que é a natureza das coisas. Platão, inclusive, ele falava que você não podia entrar na academia se você não conhecesse geometria, porque a geometria ensina abstração. Porque o triângulo, se você olhar o triângulo, quantos triângulos a soma dos ângulos internos são 180 graus?
Quantos triângulos?
É qual triângulo? Se você desenhar um triângulo, que tipos de triângulo a soma dos ângulos internos é 180 graus? Todos. Se você desenhar 500 triângulos diferentes, algum deles não vai ter a soma dos ângulos internos 180. Isso é uma característica, vai dizer Platão, do triângulo, do triângulo com T maiúsculo, não só do triângulo com T individual. É a essência do triângulo.
Teria também essa essência.
Exatamente. E aí o homem participa dessa existência paradigmática. Agostinho, conciliando a filosofia de Platão com a visão cristã, ele vai falar das ideias, dos paradigmas presentes. Mas presentes aonde? É em Deus, ou seja, no plano da criação divina. Porque de fato, no plano da criação divina, todas as coisas existem antes inclusive da criação delas, e elas existem sob certa medida desde sempre. Deus tem um plano da criação.
Então, na verdade, a própria inteligência divina é— você participa da inteligência divina no sentido, não que está participando literalmente da inteligência divina, mas quando você entende as ideias eternas. E ele vai falar também da rememoração da presença de Deus na sua alma, porque quando você foi criado, Deus estava presente na sua alma, como ele ainda tá naquele momento. O fundamento da verdade, que é o próprio Cristo, É, e esse fundamento da verdade, e está no livro chamado De Magistro, ele tá presente com você desde o ato da criação.
Então toda vez que você entra no íntimo da sua alma, e a confissão é um caminho para você ir entrando no íntimo da sua alma, você vai tirando as máscaras, você vai tirando os pecados que estão te obscurecendo, você vai entrando no íntimo da sua alma, você vai se lembrando que lá dentro tem a presença ontológica de Deus desde o ato da sua criação, desde o primeiro momento lá ele estava. E essa presença te conecta com o fundamento da verdade, te dá o fundamento da verdade.
Então Santo Agostinho vai dizer que essa rememoração platônica, ela na verdade pode servir como a memória da redescoberta da presença divina na alma humana e, portanto, da vocação que Deus dá a todos os homens. Então Agostinho faz a versão dele da rememoração platônica e a versão dele do mundo das ideias. É como Platão gostaria que tivesse escrito? Bom, aí é outra. Platão é anterior. Tem um dos maiores temas da filosofia, suas interpretações de Platão.
Tem esotéricos que interpretaram Platão, tem os pitagóricos que interpretaram Platão da maneira deles, Tem Plotino, que é uma filosofia que você vai se afastando de Deus e as coisas vão se tornando menos definidas porque se afastam desse centro, tipo a cebola, né? Você vai se afastando em camadas. Tem amigos meus que são fãs de Plotino que podem falar que eu tô, ao falar isso, eu tô trucidando, reduzindo a filosofia de Plotino.
Mas o ponto todo, independente de tudo isso, é que essa filosofia platônica nas mãos de Santo Agostinho vai ser base para muitos dos Padres da Igreja, assim como a filosofia de Aristóteles nas mãos de São Tomás de Aquino vai ser uma das grandes bases da Escolástica. E de fato, acho que praticamente todos os pensadores cristãos beberam ou da influência de Platão ou da influência de Aristóteles.
O que eu acrescentaria é o seguinte, para quem está nos ouvindo, que a fé cristã ela é racional. Então você deve investigar a fé, você pode fazer perguntas. Eu acho muito importante esse aspecto de impactar a vida dos que estão ouvindo, na ideia de que alguns estão se afastando da fé cristã por achar que a adesão à fé é como adesão a um time de futebol. Não é. Então existe a base racional que sustenta a fé cristã. Isso é extremamente relevante.
Você pode fazer questões, por por exemplo, aquela pessoa que mais questionava a Deus, que era dela, era dito ter o coração segundo o coração de Deus, que é Davi. Davi questionava. Então questionar não é um problema. Você vê o livro de Habacuque, nossa, o livro de Habacuque da Bíblia é uma— eu até preguei recentemente na igreja lá, eu tive Natal, preguei na igreja Defesa da Fé lá em Natal sobre Habacuque. As questões de Habacuque no começo são questões de hoje, dizendo assim: Deus, mas como é isso?
Eu vivo na injustiça, o senhor não vai fazer nada? Os tribunais aqui, o Poder Judiciário de hoje, né, não decide nada corretamente. Então essa exposição do coração sincero diante de Deus, é isso que eu queria deixar bastante claro diante dessa oportunidade, para quem está nos ouvindo saiba que Deus ele não quer o seu coração impedindo que você deixe o cérebro lá de fora da porta. Então isso é extremamente importante, inclusive pela base do cristianismo, ser questões que são investigáveis.
É a frase, a passagem mais conhecida, mais importante, ou mais corajosa, eu diria, na minha opinião, das Escrituras. É o que o apóstolo Paulo fala na 1ª Carta aos Coríntios, capítulo 15, no verso 14, que Paulo fala: se Cristo não ressuscitou, é vã nossa fé, é vã nossa pregação. A pessoa tem coragem de dizer isso? Tá dizendo assim, ó, se Cristo não ressuscitou, qualquer manifestação de cristianismo, seja o romanismo, seja ortodoxa, seja as vertentes evangélicas ou qualquer uma outra, não vale nada.
Ele tá dizendo que é real e aconteceu na história concretamente.
Exato. E não só que é verídico, mas que por ter acontecido na história concretamente, de uma forma específica, que é a verificabilidade, é verificável. Porque algo pode ter acontecido na história e não ser verificável. Tem outras religiões que a base não tem verificabilidade. Eu tive um encontro com anjo e o anjo me disse isso, isso, isso. Pode ter acontecido? Pode. Mas você não tem como verificar. Agora, quando a base é uma ressurreição pública, existe inúmeras provas para ressurreição de Cristo.
Nós podemos falar sobre isso. Isso é um fato que, além de verídico, é verificável. Então só queria deixar aqui.
Sim, Maomé disse que o anjo Gabriel recitou o Corão para ele. Ninguém tem como provar isso, não é verificável.
A base—
o Joseph Smith lá dos mórmons falou: não, recebi escrituras de ouro, elas estavam num chapéu, sumiram as escrituras de ouro.
Eu fazia menção exatamente ao Islã, que você tem a base do Islã, um encontro que Maomé teria tido com o anjo no qual ele teria recitado, né, o Corão. E aliás, e é uma diferença também aqui, que o Corão, você sabe que eles são muito, não são muito satisfeitos na atualização nem do árabe, porque aquelas palavras teriam sido ditas por Deus. Mas o que eu quero dizer aqui, deixar minha preocupação central para quem nos ouve aqui, é que a filosofia superficial pode levar ao ateísmo, a filosofia profunda leva ao cristianismo.
Então muitos dos maiores pensadores do mundo, das grandes universidades do mundo, Harvard, Princeton, Yale, Cambridge, Oxford, nasceram como escolas de discípulos cristãos. O lema da Universidade de Harvard, que é a maior e melhor universidade do mundo, é verdade para Cristo e a Igreja. Então nós temos que ter essa percepção que 1 Coríntios 15:14 diz que a base do cristianismo é um fato verídico e verificável. Nós temos também no cristianismo o aparecimento das universidades, como eu falei, mas a própria ciência moderna, a própria ciência moderna só aparece em países de matriz cristã.
Então existe uma compatibilidade total explícita entre a razão, a fé, a inteligência, a fé. Os maiores cientistas do mundo, até fiz um artigo sobre isso algum tempo, eu vi quais eram. Eu peguei uma publicação dizendo quais os maiores QIs existentes, e eu fui investigar o posicionamento religioso deles. A maioria era teísta, e entre os teístas a maioria era cristã. Então isso é um fato da realidade. Então eu quero deixar isso claro.
Lemaître, da teoria do Big Bang, Lavoisier, Georges Lemaître, que foi quem—
então, mas a ciência moderna nasceu da fé cristã. Fé cristã. Por que que em algum momento isso se voltou contra a ciência?
Abre uma janela gigante, né?
A ciência moderna nasce da fé cristã. Por quê? Judaico-cristã. Por quê? Porque é o pano de fundo filosófico que diz que o mundo é inteligível porque foi criado por uma mente inteligente, que é Deus. Então, se o mundo foi criado por uma mente inteligível, uma mente inteligente, e portanto é inteligível, a empreitada de descobrir os padrões de inteligibilidade do mundo é viável. Nós só podemos fazer ciência de fato se nós entendermos e pressupusermos que o mundo é organizado inteligentemente.
Então a ciência nada mais é que busca de padrões inteligentes do mundo. E aliás, na Carta aos Romanos, no capítulo 1º, no verso 20, Paulo diz que pelas coisas criadas nós temos acesso a algumas características de Deus. Então Deus se revela também pela natureza. Teologia natural é uma expressão genuína de uma possibilidade bíblica dada por Paulo na Carta aos Romanos, capítulo 1º, no verso 20. Então eu quero assim deixar bastante claro, sabe, no nosso bate-papo aqui, deixar bastante claro para aqueles que estão nos ouvindo que o cristianismo é não só uma expressão plenamente racional como também é responsável pela criação da mais bela, mais próspera, mais livre, mais inteligente civilização já construída na história da humanidade, que é a civilização ocidental. Então nós temos que sair desse pressuposto, sabe?
Eu concordo 100%, e inclusive muito da civilização oriental, porque o Império Bizantino formou muito das bases do Oriente, e a civilização ocidental dos Japão. Vários costumes do Japão na verdade vieram do cristianismo, e inclusive a palavra tempura vem do português, e assim por diante. Os portugueses tiveram uma influência bastante grande lá. Eu, você sabe que tudo isso é absolutamente verdadeiro. O Padre Mendel é o pai da genética, toda genética que nós estudamos vieram dele.
E o Padre Mendel, ninguém queria financiar ele justamente porque ele era um religioso. As pessoas perseguiram ele, deram para ele as ervilhas num cantinho lá, falaram: ó, se vira com as ervilhas. Ele foi o pai da genética, e na época um estudo muitas vezes não valorizado. Teve grandes figuras, porque o cristianismo ele ensina a pessoa a amar a verdade. E quando você aprende a amar a verdade e de fato entrar nessa jornada de autorreflexão, porque eu acho que um dos grandes problemas do mundo secular e esse humanismo ateu que levou a desordem das revoluções e, portanto, a revolta contra essa civilização cristã.
Permita só um parênteses curto: amar a verdade é uma coisa, e é mais do que isso. É isso, é dizer que relativizar a verdade para o cristianismo é relativizar o próprio Cristo.
Exatamente. E toda vez que você fala uma mentira, você tá indo para o princípio da desordem, que portanto é o princípio do mal. Então, quando você aprende a fugir dos seus pecados, a olhar e falar, porque A prática da confissão, que tá imortalizada na Confissão em Santo Agostinho, que é um dos maiores livros da história, essa prática é muito poderosa porque você olha para você mesmo, você fala: olha, eu tô diante de um observador onisciente que eu não posso enganar, eu não tenho como enganar.
Você engana os homens, você pode até tentar enganar você mesmo, mas Deus você não engana. E aí você olha para sua vida não pelo remorso, não porque você quer ficar rememorando os seus pecados, por rememorar. Mas você fala: caramba, deixa eu deixar para trás esses pecados, deixa eu deixar para trás esse homem velho e viver uma vida 100% verdadeira. Então você conta a sua biografia de uma maneira sincera, portanto você para de enganar e para de ser um personagem.
E quando você conta sua biografia de uma maneira sincera, ali Deus já atua trazendo a esperança, a esperança da salvação. Porque agora você olha e fala: caramba, Eu não tô mais vivendo uma mentira, eu tô perante a verdade. Eu errei, eu enganei, eu menti, eu fui vagabundo naquele dia, eu traí outra pessoa. Se eu fiz tudo isso, por que que eu não me emendo e vivo na verdade? E aí você— essa é a vida que leva para ciência, porque essa é a vida na verdade que eu— contra os Dr.
Fauci do mundo que vivem na enganação e que agora tá, já estourou um milhão de vezes o caso Dr. Fauci, que é a mentira. O Padre Mendel tá lá fazendo experimento de ervilhas dele e avançando a verdade. Então eu acho que esse espírito de autorreflexão e confissão, ele é fundamental inclusive para desenvolver a civilização, porque se você não tem vergonha na cara, né, se você não tem a autoanálise— hoje as pessoas, tudo foi hiperpsicologizado, que as pessoas não têm mais confissão, não tem mais a vida de piedade, não tem mais a vida na igreja.
Todo mundo agora, e eu acho que é importante, não tô contra a psicologia, só que a perda de um sistema, de uma base moral, de uma base religiosa, é claro que produz uma série de disfunções psicológicas, porque a pessoa vai ficando insegura, vai tendo uma série de dificuldades na vida dela. E aí ela, ela, se ela voltasse para o Eterno, vários desses problemas seriam evitados. Então tem uma história das minhas favoritas dos filósofos cristãos, que é a do Boécio.
Boécio viveu no colapso do Império Romano e é um dos meus livros favoritos da vida, A Consolação da Filosofia, que é um livro profundamente cristão, mas ele não fala nada sobre o Cristo, ele não tem nada de religioso no livro, é um livro de filosofia pura. Mas aqueles que conhecem identificam a fé cristã profunda do Boécio ali, porque o Boécio, depois que caiu o Império Romano, ele tenta resgatar a cultura clássica. Voltar com educação naquele mundo bárbaro.
E o resultado é desastroso. Na verdade, ele tenta implantar, dá errado, ele é perseguido político, é preso, e ele vai morrer na cadeia. E é uma das ironias muito bonitas, né? O C.S. Lewis, para ele era um dos livros favoritos dele, A Consolação da Filosofia. E ele que fala essa frase, né, que é uma das ironias mais bonitas da Idade Média, que um dos livros que mais impactou toda a história medieval Foi um homem que foi preso, foi um homem que falhou.
Só que ele escreve esse livro na cadeia. E o que que é o livro na cadeia? É ele ali e ele tem aquelas, uma, um sertanejo de sofrência das musas em volta dele falando: e a vida é dura, é a roda da fortuna, você deu azar, ó fortuna, ó sofrimento, a minha vida tal. E aí chega a dama da filosofia. E aí a dama da filosofia manda para fora, ela chama das meretrizes as musas e fala: para fora vocês todas! E ela vem trazer uma coisa que o Boécio tinha esquecido.
Que que ele esqueceu, né? Porque ele tá desesperado na cadeia, foi perseguido, foi enganado, foi tudo que vocês puderem imaginar. Ele esqueceu da imortalidade da alma, porque como a sua alma é imortal, só você pode fazer a alma mal à sua alma. É um tema que aparece já lá em Platão: é melhor sofrer uma injustiça do que fazer uma injustiça. Mas por que que é melhor sofrer uma injustiça do que fazer uma injustiça? Não é tudo que o mundo ensina é o contrário. O mundo ensina que é melhor cometer uma injustiça do que sofrê-la.
Você se dá bem.
É, porque você se dá bem do ponto de vista humano. Só que o que que vai dizer Platão? E aqui o Boécio, ele se lembra disso, é que quando você pratica uma injustiça Você tá destruindo a única coisa que vai ficar depois da sua morte. Você tá atacando a única coisa que fica depois da sua morte, que é a sua alma. Quando você sofre uma injustiça, eles vão atacar o seu corpo, a sua fama, seu dinheiro, coisas que vão cessar com a sua morte.
Mas quando você, quem pratica, você tá praticando uma violência contra o que vai permanecer depois da sua morte. Então agora que você tá lembrando que você tem uma alma imortal, Esse destino que você tá achando que é maligno, na verdade, ele vai nos apontar para uma outra realidade muito bonita do cristianismo, que é a providência, que Deus conduz as coisas, e ele conduz as coisas segundo a sua divina providência, segundo a sua divina inteligência.
Muitas pessoas que são ateus, eles falam: ah, mas Deus permite o sofrimento. Mas pensa, se não existe Deus, é aí que o sofrimento não tem redenção. O sofrimento na verdade vai ser puro sofrimento e acabou. No entanto, a partir do momento que eu olho para a eternidade, não só o sofrimento desse mundo são corrigidos, como na verdade a justiça plena ela só pode ser vivida na eternidade e ela só pode ser vivida na misericórdia divina, não tem outra forma de enxergar.
Você começa a olhar para o mundo de outra maneira, falar: caramba, é claro, o mundo tem uma origem, o mundo tem uma origem divina e tem uma providência. Então a memória da imortalidade da alma aponta para providência divina, afasta o desespero e conduz o homem de volta para sua vocação e para o seu chamado.
Mas e aquela questão de quando que a ciência começou a se voltar contra a fé cristã, quando começou a ter até preconceito dentro da academia e tudo mais? Quando você acha que, vocês acham que começou a acontecer isso?
Para mim, isso é fruto de um movimento claro de índole comunista que tomou conta da área do entretenimento, da educação, da cultura.
Mas não é mais atrás ainda?
Acontece antes? É porque o ateísmo, ele não é apenas de índole intelectual. Essa é a grande coisa. Muitas pessoas acham que as pessoas aderem ao ateísmo e não ao cristianismo por questões intelectuais.
Eu sempre pensei isso. É, mas o cara raciocina e chega a essa conclusão.
Pois é, mas o ateísmo também se dá por questões morais. Muitas pessoas encontram no ateísmo a visão de mundo que dará respaldo aos desmandos que ele quer levar na vida. Então, uma vez que você tenha a assunção de que a visão de mundo mais bem-sucedida é uma visão como o cristianismo, um corolário, uma consequência disso é que você prestará contas. Então há um esforço muito grande em manutenção de sistemas de pensamento, como na área do entretenimento, da cultura, da educação, que sejam por— que tenham por base visões de mundo como materialismo, o naturalismo.
Então essa é a grande razão. Materialismo, né, decorrente desse pensamento de que não há o sobrenatural, ele se simplesmente dá a ideia de que podemos viver a vida da forma que quisermos sem prestarmos conta. Só que isso daí não é a realidade. Intelectualmente é preciso muito mais fé para ser ateu do que para ser cristão. Isso é verdade, porque o ateu normalmente tem, mas depende muito o ateísmo dele com uma fé absurda, porque há certas assunções no fazer científico que pressupõe fé irracional.
Assunções básicas, como a de que, por exemplo, as leis da ciência que funcionam aqui em São Paulo funcionam em Londres, funcionam em Paris. Não há nada na ciência que prove isso. Isso é uma fé do cientista.
A ciência não prova a realidade, ela pressupõe a realidade.
A uniformidade espacial é uma pressuposição irracional, e temporal também. Por que que as leis da física que funcionam funciona hoje, funciona amanhã. Então também isso é uma questão de pura fé. Também uma coisa interessante também, o propósito e a razão de ser das coisas, né? Porque nós nos movemos por propósito. De onde vem o propósito? Se você fragmentar a matéria até a menor partícula possível, seja bósons, neutrinos, quaisquer que sejam, naquela partícula fragmentada não tem explicação da sua própria existência.
Então, o fato de que o mundo pode ser susceptível de ser explicado para a ciência também é uma fé irracional. O método científico, por exemplo, não é algo que você prova pela ciência, é outra assunção. Então, não é uma questão de quem tem fé ou que não tem fé. O modelo de mundo do cristianismo, a fé é racional. Na ciência, os pressupostos da ciência são expressores de fé que não tem base na razão. Então é por isso que muitos desses elementos passam a desenvolver.
Outro fato importante também na ciência é que você tem modelos de mundo dentro da própria ciência que convivem sendo incompatíveis entre si. Então a ciência também, ela abriu mão no decorrer da história intelectual humana da busca pela verdade. Vou dar um exemplo para você: um físico hoje, por exemplo, ele não tem nenhum problema moral em tentar usar a mecânica clássica de partículas de Newton para provar os seus cálculos relativísticos.
Ele faz os cálculos de acordo com a teoria da relatividade, dá um valor tal. Ele faz os mesmos cálculos depois de acordo com a mecânica de partículas de Newton para dar um valor. Ele espera que esses valores não sejam muito diferentes, porque se forem muito diferentes, provavelmente ele errou nos cálculos relativísticos. Acontece, eu não sei se eu tô me fazendo entender, mas o que é interessante aqui é o seguinte: acontece que ele usa dois modelos, que é Newton e Einstein, que são modelos incompatíveis.
Os dois não podem ser verdadeiros ao mesmo tempo porque tem pressupostos totalmente diferentes. Você tá entendendo? Para um, para um modelo, o tempo e o espaço são separados. Para outro, é uma entidade tempo-espaço. Para um, a geometria geometria de Euclides para outra riemanniana de Riemann, para um espaço é reto, para outro espaço é curvo. Enfim, são modelos diferentes e o cientista não tá preocupado com isso. Então a verdade pragmática é uma verdade que a ciência abraça e que também não tem a ver com a religião, com o cristianismo.
Cristianismo, nós já falamos aqui algumas vezes, que o cristianismo é a expressão da verdade genuína. Então uma ciência do ensinamento cristão é aquela que sim tenta prever e controlar o fenômeno, mas tem como pano de fundo a busca da verdade primeira, da verdade essencial. O que os cientistas, alguns deles, já abriram mão disso há muito tempo. Teoria da evolução, por exemplo, é uma situação muito clara, né, que é muito difícil nós vermos hoje.
Eles fogem desse debate da origem da vida, da biopoieses, Eles fogem disso. Mas se a rigor, a rigor, o evolucionismo materialista tinha de dar conta da origem da vida. Então é algo que não dá conta, mas mesmo assim insistem nisso. Por quê? Porque se a vida é originada senão por Deus, a vida não tem valor intrínseco, valor necessário, e pode se fazer qualquer coisa. Então assim, existem situações expressões muito claras na história intelectual humana que demonstram que a assunção do cristianismo pressupõe comprometimentos morais que são seríssimos.
A própria ideia do direito do ser humano, direito natural, que o homem tem valor não pelo que ele tem ou pelo que ele faz, mas pelo simples fato de ser humano, é uma contribuição da visão judaico-cristã. Lá em Gênesis, no capítulo 1º, no verso 27, é a terceira vez no capítulo 1º de Gênesis que aparece o verbo baró em hebraico, que é criar na expressividade maior da criatividade. É ali que ele cria o homem. Quando Deus cria o homem, a concepção do homem, ele usa um verbo hebraico interessantíssimo que é baró para criar a humanidade.
Ali ele diz que o homem é criado à imagem e semelhança de Deus. Homem e mulher são criados à imagem e semelhança de Deus. É isso que dá a ele um valor indiscutível. Eu acho que você mencionou Eurípedes aí, Medéia. Se você for olhar Medéia, tratamento das mulheres em Medéia é uma coisa terrível, mas é o cristianismo que iguala isso. O próprio Paulo, na carta aos Gálatas, no capítulo 3, no verso 28, diz: não há homem nem mulher, gentil nem judeu, escravo livre, todos são um em Cristo Jesus.
Você veja a visão de mundo radicalmente de dignidade humana intrínseca, essencial, é totalmente diferente do cristianismo. Numa época em que você tinha lá Eurípides dizendo tudo, a Tábua 4 das 12 Tábuas Romanas dizia que as crianças defeituosas eram para ser mortas, podiam ser mortas, tábuas romanas. Então você viu o cristianismo, disse: não, não é assim, há uma essência, uma dignidade própria do ser humano. Então a gente tem que bater forte assim, na minha opinião, deixar bastante claro que a evolução da civilização se dá graças aos valores judaico-cristãos.
Sim. Agora, há um plano sim anterior ao comunismo de separar o cristianismo da ciência já, já advindo das sociedades secretas. E isso na Renascença é muito proeminente, e depois com a Maçonaria. Porque o que que acontece ali na Renascença? Na Renascença tem uma série, uma profusão de organizações esotéricas que preservam cultos, alguns desses cultos que aparecem na Bíblia inclusive, alguns desses cultos malignos. Buscar lá atrás, começa a buscar lá atrás.
Porque, olha, porque o que aconteceu foi o seguinte: a igreja, ela durante muitos anos, durante todo o período medieval, ela justamente tinha dissuadia vários desses cultos. E quando é perseguir, um termo curioso, você sabe que, por exemplo, quando você vê muitas vezes as respostas da igreja era a seita que começava a criar confusão e a igreja respondia a confusão criada pela seita. Um exemplo muito famoso são dos cátaros. Os cátaros começaram a matar mulheres grávidas porque eles achavam que ter filho era algo maligno, que estava aprisionando uma alma num corpo.
E aí isso foi só depois que os cátaros começaram a matar geral e aquilo virou uma confusão, virou uma rebelião militar, que aí a igreja de fato entrou e falou: não, agora os cátaros estão proibidos. Então, na verdade, tem muito mito sobre isso de perseguir, porque às vezes quando você vai ver a história, esse pelo menos exemplo é um que eu já caí nessa história de, ah, a igreja persegue o pensamento que é diferente. Mas na verdade você vai ver a história, você tinha muitos desses grupos criando genuíno terrorismo da época e portanto as pessoas condenando as ideias como erradas.
Quando vem a Renascença, volta os estudos clássicos e vem muita coisa boa com os estudos clássicos. Grandes descobertas na pintura. Isso feito por pessoas da igreja, sei lá, Angélico, Giotto, grandes pintores ajudam a impulsionar o Renascimento do ponto de vista da pintura, por exemplo, da arte, outras coisas. Os afrescos de Giotto, né, são maravilhosos. O Giotto pintou, é, o Giotto pintou a vida de São Francisco de Assis, tá?
Entre as coisas mais bonitas que eu já vi na minha vida foi ir até Assis, que lugar impactante, entendeu? Que lugar impactante e que homem era São Francisco. E o Giotto pintou a vida dele, e aquilo é um— você entra no mundo medieval mesmo visitando Assis. Agora, na Renascença, junto com coisas boas que vieram do passado, começaram a resgatar coisas que não eram tão boas, entendeu? Entre elas esses cultos baalitas e cultos esotéricos de natureza gnóstica.
Esses cultos gnósticos, muitos deles justamente defendiam coisas como essa, que o homem é uma alma aprisionada num corpo, que o corpo é opressor. Muitos deles defendiam que na verdade você tinha, o homem tinha que se divinizar. Muitos desses textos eram sobre alquimia, então as pessoas estavam obcecadas com essa divinização do homem por meio da alquimia, assim por diante. E uma das sociedades que congregou alquimistas, astrólogos, bruxos, por que não, da época, e eles começaram a chamar isso de ciência, mascarar muito de ciência, foi a Rosa Cruz.
Quem foi envolvido com a Rosa Cruz foi, por exemplo, o Francis Bacon. Tem dois Bacons muito famosos da história, da história da ciência, que teve o Roger Bacon, que foi um frade, que foi um dos criadores do o método científico. Mas teve o Francis Bacon. O Francis Bacon, na Nova Atlântida, ele já começa a pensar uma utopia de tipo científico influenciada por ideias esotéricas da Rosa Cruz. Descartes foi influenciado também pela Rosa Cruz.
E Paracelso. Teve vários esotéricos do período, do período renascentista, que beberam disso. É como justamente a sociedade em geral ia repudiar esses cultos dessa natureza, eles começaram, eles se encontravam em cidades secretas. E nesse contexto, depois, claro, vai vir a própria Maçonaria.
Esotéricos com S, né? É isso, para ficar bastante claro que tem uma diferença.
Esotérico com S. E muitos desses cultos, por exemplo, na Maçonaria tem um culto secreto do que eles chamam de Iabulon, que é Deus Baal, é Iahweh, Osíris, Baal, né? Na verdade, Deus, Osíris e Baal. É um sincretismo muito louco, mas que resgata essa figura do Baal que vem das religiões canitas. Essa, o Baal, inclusive, o Baal quer dizer senhor nos termos canitas. E aí os canitas vão falar de Baal, El, enfim, aí entraria numa longa história.
Mas esses cultos baalitas estavam muito associados ao sacrifício humano. Por exemplo, em Cartago, quando os romanos destruíram Cartago, tinha sacrifício humano. Um dos motivos que horrorizava os romanos em relação a Cartago era isso. Cartago era uma cultura de origem cananita, que são os descendentes de Canaã, como aparece ali na Bíblia. Essa cultura baalita volta nas sociedades secretas e agora começa a ter uma perseguição, uma tentativa.
Muitas delas vão influenciar, por exemplo, a Royal Society na Inglaterra, e muitas coisas que na verdade era esoterismo vão passando por ciência. Um dos projetos muito fortes nessa linha veio do Thomas Huxley. Thomas Huxley foi quem quis transformar Charles Darwin em ideologia. Huxley foi um dos criadores do ateísmo moderno. E o Huxley, na verdade, era muito ligado ao Partido Whig, que é o partido progressista britânico. E tem até os textos da época.
Whig não é peruca, Piruca, parecido piruca, mas Whig é o partido de esquerda tradicional britânico que descende lá dos Roundheads antigos. Se você pesquisar história Whig, a história Whig é a história da humanidade vinda de um passado de trevas que vai andando em direção à democracia liberal. E agora com essa democracia liberal, todos os problemas da humanidade, um paraíso terreno tudo está em mãos por meio do progresso. É uma das origens fundamentais do progressismo.
E o Thomas Sowell, você percebe que muitos dos cientistas são conservadores. Então eles justamente começam a congregar grupos de cientistas para barrar as publicações. E aí ele pega a figura do Darwin, que já nem tava mais ativo para questionar qualquer coisa cultura. E ele toma isso como ideologia. Eles chamam ele do Bulldog do Darwin. Thomas Huxley, que era um tremendo de um globalista, aliás, ele é o avô, não lembro agora se ele é o avô, o tio-avô do Aldous Huxley.
Aldous Huxley que escreveu Admirável Mundo Novo. Aliás, Aldous Huxley, que o irmão dele, Julian Huxley, é o criador da UNESCO e o presidente, foi presidente da Sociedade Eugenista Britânica. Então a família Tá bastante envolvida com isso. E se você for lá em Londres, tem no Museu de História Natural, tem uma, ele é construído igual uma igreja. É muito louco porque o nível de milenarismo, gnosticismo do negócio é muito alto. Eu já levei alunos inclusive lá e mostrei para eles, porque é tipo uma igreja.
E aí tem o Thomas Huxley numa espécie de trono, como uma estátua épica religiosa, e todas as coisas voltam o senhor Thomas Huxley, é uma espécie de templo da ciência como religião. Essa é a origem não da ciência, mas desse establishment científico atual, que nós poderíamos chamar de cientificismo. Isso, que é um culto da ciência em detrimento da filosofia.
Muitas vezes o cientificismo é um problema real, né? As pessoas idolatram. Eu tenho Eu sou professor da Universidade Federal e eu posso lhe dizer que tem certas universidades que tem o departamento de evolução, por exemplo, sistemática e evolução, que quando é aniversário de Darwin eles levam bolo. Isso é sintomático, sintomático. Você sabia disso?
Não, não fazia a menor ideia.
Um bolo e canto assim, pode levar bolo para quem quiser, né? Mas assim, isso é sintomático. Então existe uma relação ali de idolatria mesmo. Existe uma idolatria interessante que na Bíblia o contrário de crer no único e verdadeiro Deus não é ser ateu, é ser idólatra. Então, ao contrário do teísmo, é idolatria. E nós temos aí no cientificismo uma verdadeira idolatria da ciência, verdadeira idolatria da ciência. A ciência é boa, mas ela se submete às evidências.
Então, às vezes as pessoas tiram até o elemento das evidências para enaltecer a ciência.
É, quando eu falo, ah, como que, quando que a Maçonaria perseguiu a ciência, que você tá falando, aconteceu na Revolução Francesa. Lavoisier era o maior cientista da época, foi morto pela Revolução Francesa por pessoas ligadas à Maçonaria, muitos dos quais não eram cientistas. Robespierre, que é o Iluminismo da Revolução Francesa, já se proclamava como o adepto da ciência, mas na verdade mataram cientistas importantes porque eles eram católicos, porque eles eram aristocratas, porque eles eram pessoas na verdade que não iam seguir o culto divino.
Porque Robespierre inclusive pega uma falsa tábua dos Dez Mandamentos, que ele chama da tábua dos direitos humanos, e ele usa um símbolo maçônico em cima da cabeça dele e faz uma cerimônia de cunho maçônico se autoproclamando uma figura divina. Essa autodivinização do homem, ela vem na esteira desse culto, e ela foi colocada como propaganda. E aí, uma versão atual que eu falei do Fauci, mas é isso, o Fauci foi abordado como a ciência. Veja, não tem nenhum estudo, não tem nada, mas ele é a ciência.
O que que é?
Um burocrata de alguma federação, de alguma burocracia internacional. Só Deus sabe de onde saiu o Fauci, até Sabe, na verdade. Inclusive a WWF botou dinheiro para várias dessas questões e você não pode questionar ele porque ele é a ciência. E aí agora é tudo fraude, ele admitiu a fraude, tá falando em todos os lugares, as pessoas foram fraudadas, mas ninguém podia questionar porque é a ciência. Ou seja, a ciência às vezes é contra o cientista.
Aconteceu isso com a vacina, ninguém podia questionar o que é que está por trás disso. Você não pode questionar.
Ciência é feita de questionamento, é o ponto da ciência, é o questionamento, é o questionamento.
As pessoas eram—
eu só preciso ir ao banheiro rapidinho. Pode fazer uma pergunta rapidinho?
Então vamos lá. A primeira pergunta aqui é da Sigon Humana. Ela primeiramente mandou um abraço aqui para o Pastor Tassos, falou que gosta muito da forma como ele explica. E ela perguntou o seguinte: como a filosofia de vocês enxerga a busca pela verdade, sabendo que ambos creem em Jesus, mas divergem entre a suficiência da Bíblia do protestante e a tradição da Igreja Católica?
Na minha perspectiva, eu creio que a minha base de fé está circunscrita, está dentro da base de fé do romanismo. Eu falo romanismo porque eu acredito que a Igreja de Cristo ela é católica e apostólica. A nossa divergência está que eu acho que ela nasceu em Jerusalém, uma, enfim, mas não é o tema do nosso debate. Então, tanto aqueles que têm a base de fé, que no meu caso são o livro sagrado judaico, que é a Tanar, e os 27 livros do Novo Testamento, quanto aqueles que é no caso do romanismo, que tem 10 textos a mais, né, que dão 7 livros a mais no Antigo Testamento, e acréscimos a Ester e Daniel, nós buscamos as mesmas coisas.
Então eu sou no sentido de que temos Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador. Jesus Cristo é a verdade e nós buscamos a verdade. Aliás, é o título do livro aí que eu fiz, é A Busca pela Verdade. Então acho que é nesse sentido aí, nós temos muito mais em comum do que divergência, e tem vários ramos do cristianismo catolicismo que divergem de maneira secundária, mas o centro, o centro que é Jesus Cristo é o Senhor, é busca pela santidade.
Nós podemos divergir algumas maneiras. Eu tive até um debate aqui com, foi na realidade foi um bate-papo com um padre, um padre que até tem uma expressão, como é o nome daquele padre que eu debati aqui? José Eduardo, né? José Eduardo, Tive um debate com o padre muito interessante, mostrando que há umas divergências em certas áreas, como por exemplo algumas vertentes evangélicas creem que na comunhão há a transsubstanciação, outras creem que não, né?
Na Igreja Católica Apostólica Romana crê que sim, né, que a transsubstanciação. Mas todos nós entendemos que ali, de alguma forma representa ali a presença de Cristo. Então, ou memorando o que Cristo fez, ou então uma presença mística, ou então alguns até a presença real, que eu penso que a Igreja Católica é assim, a presença real. Mas assim, a essência mesmo, o que eu acho, sabe, sinceramente, que eu tenho defendido muito, é que nós temos um inimigo comum, inimigo de nossas almas.
Satanás é o inimigo comum de nossas almas. Ele tem usado ideologias perversas, tenham usado estratégias muito cruéis. E eu falo isso não é por uma questão meramente intelectual, sabe? Eu viajo muito de cima para baixo e vários lugares do mundo, e eu não posso dizer para vocês como meu coração fica absolutamente quebrado quando eu chego em lugares assim e vejo famílias piedosas, cristãos com os filhos absolutamente desviados desviados do caminho correto por terem sido fruto dessas ideologias.
É por isso que nós temos que nos unir. Uma casa dividida não prospera. Eu tenho a impressão, até você pode até confirmar, que a Igreja Romana ela foi mais ou menos nesse sentido a partir do Vaticano II ali, de chamar, não sei, mas o meu pensamento, meu pensamento, tem uma dentro do catolicismo A gente não tem uma divergência, né, entre tradicionalistas e aqueles— tem umas divisões internas da Igreja Romana, mas sim, o que eu entendo é isso: Jesus Cristo é o nosso Senhor.
A salvação se dá por uma pessoa, nem a fé salva. Quem salva é uma pessoa, é o Deus encarnado. Então a fé nele é o que conduz o poder salvífico se dá pelo salvífico, né, se dá pela fé e vem do nosso Senhor Salvador Jesus Cristo.
O que eu diria, que a forma como enxergo, é que existe uma única igreja. E claro, essa única igreja ela existe porque o que que é a tradição da igreja? É o corpo místico Jesus Cristo na história. Jesus Cristo ele nos deu a missão de nos santificarmos, de buscar santidade aqui na vida e de levar adiante essa missão apostólica. Eu me alegro muito quando eu vejo como Taços aqui citando a Bíblia e citando os versículos, porque esse é um ponto que às vezes online as pessoas querem a polêmica pela polêmica, mas É tão importante entender o seguinte.
Primeiro, para quem é católico, o texto mais importante da revelação, por óbvio, o texto da revelação são as Sagradas Escrituras. E São Tomás de Aquino vai falar, não tem, não tem, na verdade, uma— você sempre volta às Sagradas Escrituras. Por quê? Em especial os 4 Evangelhos, porque nos 4 Evangelhos está contando o episódio mais importante da história humana, que é a encarnação do Verbo. Nunca vai ter algo mais importante do que o que tá os 4 evangelhos.
Agora, nós, porque que eu vou de maneira muito breve, acho que não nem convém já adentrar, só dizer porque eu sou católico. Tem aqui uma coisa interessante, porque eu pessoalmente, apesar de eu sim vim de uma família católica, eu na verdade me afastei completamente de religião quando eu tinha por volta dos 12 anos. Então eu Quando eu fui redescobrir, por meio primeiro da demonstração da existência de Deus e depois redescobrir o cristianismo, eu não tinha doutrina alguma, eu não tinha noção de nada.
E eu na verdade tava bem aberto para a possibilidade de ser ortodoxo, protestante ou católico. Eu posso dizer porque eu pessoalmente decidi por ser católico ali na época. Na época, o que me convenceu foi muito ler os primeiros cristãos. E fora do debate, de qualquer debate teológico, de qualquer outra coisa, tinha algumas questões que me pareceram muito proeminentes, que eram uma, essa questão sem dúvida da Eucaristia e a própria celebração da Eucaristia, a missa.
Porque quando você lê, por exemplo, nos textos que eu tenho lá em casa É a Didaque. A Didaque são os discípulos de São João, é o primeiro catecismo. Ela foi escrita na Igreja de São Policarpo, né, que exatamente o São João deixa um bispo como sucessor dele, que é São Policarpo, e aí eles escrevem.
E a Didaque é uma oposição direta àquela quarta tábua das 12 tábuas romanas, resgatando a dignidade da criança com defeito. Exatamente, porque ela fala para não tirar a vida Isso, isso é um documento belíssimo.
É o primeiro texto da igreja que é contra o aborto.
Eu também creio na igreja única, viu, de Jesus Cristo como corpo de Cristo. Eu creio. A única divergência que nós temos é que eu não creio que ela seja romana unicamente. Ela, eu creio que ela é católica apostólica, nasceu ali em Pentecostes. E eu me tornei evangélico foi por ler a Bíblia.
Sim. Mas romana aqui, o próprio Cristo morre no Império Romano, sim, em Jerusalém, sim, no Império Grego.
Mas é também, é a única divergência. Assim, eu creio na Igreja Católica Apostólica, eu creio nisso aí. E a linha romana foi essencial, o que a Igreja Católica Romana fez na preservação das artes. Eu tenho o maior respeito por autores romanos.
Eu diria assim, entrando nos pontos específicos, O Cristo, claro, fala: quem não comer o meu corpo não terá vida eterna, que é bastante forte. Fala: tu és Pedro e sobre ti edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão.
Isso é uma questão deles que creem na transsubstanciação, eu não creio. Mas assim, mas isso é um ponto de só menos importância. O batismo, por exemplo, aspersão ou imersão, a gente tem que parar de fazer polêmica nisso. O centro é Jesus Cristo, é o Senhor.
Horror.
Mesmo eu tenho conversa com católicos bastante eruditos, eles vão dizer que na doutrina do romanismo não tem espaço para idolatria, não tem espaço.
Não, não, não, é isso, isso é. Então assim, você já é um pastor bastante católico, você sabe que é muito—
eu sou católico apostólico, só não sou romano, mas eu entendo que o romanismo é uma, uma linha central importante.
Eu sem dúvida não chamaria Igreja Católica de romanista nesse sentido, mas assim, Roma, sem dúvida, Cristo morre em Roma. Aliás, um dos 3 idiomas que tá na cruz de Cristo justamente é o latim, desde o começo. Quando a gente fala dos idiomas da igreja, que são o grego, latim e o hebraico, eles estão lá na própria cruz. Isso, e eu super defendo a unidade dos cristãos. Eu acho que quanto mais as pessoas foram voltando para a origem da Igreja, e super, eu acho a vida dos sacramentos muito importante, a sucessão apostólica muito importante, a existência da figura do Papa inclusive impede a fragmentação da Igreja, ou seja, impede que a Igreja vá se fragmentando infinitamente.
Tudo, eu acho todos esses temas muito relevantes. Agora, eu concordo substancialmente que nós temos que tender para unidade, porque tem tem um trecho lá do Soloviev, escreveu O Anticristo, né? E nesse sentido, o que você tá falando aparece, porque quando vem o anticristo, então lá separados os protestantes, os católicos e os ortodoxos, né?
Nem gosto do nome protestante.
Interessante.
É, eu não gosto do protestante. Eu não creio que esses ramos da igreja nasceram em 1517. A Igreja do Senhor nasceu em Jerusalém, no meu modo de ver, em Atos 2. Sim, ali foi o nascimento da Igreja do Senhor. Eu não creio que um novo movimento radical, diferente, único, que nasceu— eu não comemoro, por exemplo, a Reforma Protestante como um evento essencial. Não, eu quero que a Igreja do Senhor nasceu em Atos 2.
Não, não, eu super concordo. Você sabe que eu conheci 4 protestantes que muito com você. Eu confesso que nenhum deles, todos eles viraram católicos, mas eles acabaram virando.
Mas você sabe que tem uma história, de uma das histórias que eu sou apaixonado, como eu, tá fazendo um julgamento aí que não, você diga assim, eu conheci 4 protestantes que eram totalmente diferentes.
Não, eles não eram, eles não eram, eles não eram hostis à Igreja Católica, né, como você nesse sentido.
Não deve ser, pelo amor de Deus, ser hostil à Igreja Católica.
Mas você sabe que o romanismo é um dos ramos. Tem uma história muito engraçada de uma das pessoas que eu sou fã, é o Cardeal Newman, né? E o Cardeal Newman, ele era anglicano. E aí eu peguei para ler os textos, porque o Cardeal Newman criou um movimento dentro da Igreja Anglicana para a Igreja Anglicana voltar para suas origens, para suas raízes, para os textos para a própria Bíblia, mas voltar também aos primeiros cristãos, voltar a estudar a história da igreja.
E é muito engraçado porque ele, no começo do movimento, um das regras do movimento de Oxford, que eles chamam— e eu fui lá para Oxford porque eu sou muito fã do C.S. Lewis, né, do Tolkien, que eram muito amigos. O Lewis, claro, era protestante, Tolkien era católico.
Conversão tem uma um fato extremamente vinculado ao mere Christianity, que é cristianismo mero, cristianismo puro e simples de C.S.
Lewis. E o Tolkien, quem converte o C.S. Lewis para o cristianismo é o Tolkien, que era católico, que era o melhor amigo dele. Inclusive eles andavam em volta de uma mini ilha fluvial chamada Edson's Park, que é muito agradável Eles tinham uma reunião, né? É Inklings. É um pub ali próximo em Oxford que eles se reuniam. E um dos autores da conversão do Lewis também é o Chesterton, né, que também era um autor católico.
Eu gosto muito de quem eu gosto muito e cujos escritos eu gosto muito.
Ortodoxia é um baita texto, é um baita texto. E o Homem Eterno, eu diria que é o melhor, é maravilhoso. O Homem Eterno foi o livro da versão do Lewis. E o Tolkien inclusive viveu na casa onde morreu o Cardeal Newman. E o Cardeal Newman, quando ele começou o movimento de Oxford, né, ele falou: olha, uma das bases é isso aqui, a gente vai voltar para as origens da igreja, mas nós não vamos virar católicos, né. E aí, claro, ele acabou virando católico.
Ele, apesar de ter jurado que nunca ia acontecer, ele se ordenou padre, depois virou cardeal. Mas ele foi uma das grandes figuras, e isso Vários protestantes se juntaram ao movimento do Cardeal Newman de retomada da educação clássica. E ali naquele momento, né, é fascinante porque a conversão do Tolkien vem nessa esteira, a conversão do Lewis vem nessa esteira.
Lewis era, não era da Igreja Romana, né? Ele era anglicano, mas ele era anglicano que, que eu sou a favor deixar bastante claro aqui a nossa divergência. Eu sou a favor voltar à origem. Aliás, eu preguei antes de ontem para 60 mil pessoas, um evento, cara, lá em Minas Gerais. Tava, cheguei hoje, BH, né? 60 mil pessoas. E minha pregação foi: a mensagem do evangelho é a mesma desde João Batista a Cristo e a Pedro. Qual é? Arrependam-se dos seus pecados, entregue a sua vida ao nosso Eu Salvador.
Então eu sou a favor da volta à igreja como era, a igreja nas origens. É óbvio, eu só não acho que seja a Igreja Romana. É romana, creio que vem depois, né? Talvez antes da romana ainda tem Igreja Antioquia, que é responsável por Paulo. Mas não vamos entrar nesse debate, mas Paulo é responsável até para a igreja.
Entre no debate da sucessão apostólica, que super eu diria, claro, que Cristo deu as chaves do reino a Pedro. Mas uma coisa fascinante sobre isso é o seguinte, eu acho que voltando para o tema da unidade, no anticristo do Soloviev, quando finalmente aparece o anticristo, entendeu? E eu acho que agora, Deus do céu, né? Eu não tô, eu sou zero, tá, das linhas o anticristo tá chegando, eu não entro nessa porque eu não sei como fala o texto, eu não sou escatológico, porque o Cristo fala não sabeis o dia nem a hora, então Se ele falar isso, é tudo relevante, tudo, mas eu não entro nessa.
Então assim, considerando tudo isso, no entanto, obviamente tem muitas coisas, e não precisa ser o fim dos tempos para ter, de anticristo na nossa sociedade. Muito evidentemente tem lá. E o anticristo do Soloviev é um texto que o anticristo chega e começa a prometer um monte de coisa e começa a ter uma série de benesses para as pessoas. Aliás, o anticristo é americano, que é um fascinante, numa das versões. Agora não me lembro se foi na do Robert Hugh Benson ou se foi do Soloviev.
E aí junta os protestantes, os ortodoxos e os católicos remanescentes, porque muitos corromperam, né, pelo anticristo. E aí eles elegem um papa que é Pedro II, porque tem uma história, uma profecia Antigo fala que o Papa Pedro II vai ser o do fim dos tempos, né? E daí é muito engraçado essa cena, porque o Soloviev era ortodoxo, né? Ele também não era católico, mas ele é ortodoxo. O Dostoiévski foi muito influenciado pelo Soloviev, que era outro ortodoxo.
E aí eles olham um para o outro e eles falam assim: olha, o que que vocês querem, né? Porque o anticristo chega para ele e fala: vocês querem o quê? E aí eles falam: nós queremos Cristo. Nós queremos Jesus Cristo, nós não queremos nenhuma outra coisa, nenhuma outra coisa nos interessa. E aí quando eles falam isso, o anticristo se revolta, ele enlouquece, ele, ele tem um surto. E aí é eleito esse Papa Pedro II, e a primeira vez que ali na história, né, todos eles se congregam e falam: não, agora todos nós somos uma única igreja.
Então é bonito isso, porque eu acho que quando o mal aparece Eu acho que a tendência do futuro vai ser cada vez mais os cristãos irem voltando para ortodoxia, para essa visão católica, que de novo, acho que esse romano eu não ficaria tão preocupado com esse termo, né?
Bom, protestante eu acho que não é o que eu tô falando, né? Protestante, todos nós somos da Igreja Católica Apostólica. Eu só acho que não seja do romanismo. E as divisões que tem assim, os embates que tem na busca da unidade, acontecem inclusive dentro da linha romanista, né? Eu tenho amigos do Opus Dei, tenho amigos da Carismática que não se conversam. Então assim, e o que eu digo para você em relação a isso, e ambos são romanistas, mas o que eu digo para você é que isso, e também das igrejas evangélicas e tudo mais, Isso daí é uma expressão de ortodoxia.
Então eu acho que há um entendimento errado por um grupo de cristãos do que é a ortodoxia. A ortodoxia pressupõe a possibilidade de busca pela opinião correta. Então a liberdade de investigação é um pressuposto lógico do pensamento ortodoxo. Você veja que nenhuma outra religião você faz isso, né? Você tem no judaísmo, por exemplo, que é uma expressão extremamente intelectualizada, e no Islã você tem uma busca muito mais pela prática correta, a prática é mais da ortopraxia.
Então é natural que a gente tenha a possibilidade de abrir as escrituras assim. Você, eu vejo que você se debruça de maneira competente sobre autores, né, mas sobre as escrituras, as escrituras são a revelação de de Deus. A Bíblia, me permite só concluir, a Bíblia é a revelação de Deus. Então assim, Dostoiévski, eu lia Dostoiévski profundamente, mas não tem nenhuma comparação com a revelação do nosso Senhor, revelação do Deus vivo que se dá pelas Escrituras.
Um exemplo, claro, mas eu tô dizendo que nós temos que ver que há uma unidade, há uma unidade unidade, uma unidade que se dá na revelação de Deus. Agora, por sermos ortodoxos no cristianismo, é que há possibilidade de divergência sobre temas. E essa divergência existe inclusive no ramo romanista. Então existe no ramo. Então assim, mas se uma pessoa é assim, é bem definido, todo mundo tem essa divergência.
Então assim, as pessoas divergem, mas essa palavra quer quer dizer o quê?
Não, pera aí, vamos fazer uma correlação aqui com o Antigo Testamento. Quantas vezes ela fala, por exemplo, a palavra submissa lá do hebraico de Gênesis 2? A mulher é criada como submissa, né, auxiliadora. Submissa tá no upotasso grego lá da primeira epístola de Pedro, no capítulo 3, dos versos 1 ao 7. Mas se você for para desses dois, a palavra de ser auxiliador, ajudador, em hebraico é ezer. E aí, ezer quer dizer o quê? Vamos investigar quais são as outras situações em que a palavra aparece em hebraico.
Então aparece outras situações, se referem a quem? Se refere ao próprio Deus. Então, se ezer se refere ao próprio Deus em 14 aparições no Antigo Testamento e só 2 aparições no Antigo Testamento se refere à mulher, isso nos forma como interpretar Ezer. Então a beleza do cristianismo é exatamente esse poder intelectual que nós temos e nos aprofundarmos, buscarmos o sentido correto das coisas.
É, não, eu entendo isso, mas eu só diria que historicamente, coisa, claro que porque eu virei católico tem muito a ver com as Sagradas Escrituras, não tem outro, não é o texto, não sei lá, do século 1, era católico, aliás. Mas basicamente, quando ele fala assim sobre ti, te ficarei a minha igreja, os portões do inferno não prevalecerão contra ela, eu te dou as chaves do reino, que aliás é o que fala quando o rei tá fora, inclusive pede que a pessoa cuide do reino.
Mas especialmente também história da igreja, quer dizer, que concretamente a igreja cristã durante 1500 anos meio que só tinha uma igreja, e essas divergências que que você fala entre colocar a conclusão na premissa.
Não, não, quando você diz que 1500 anos só tem uma igreja, você já está trazendo para premissa algo que não é uma conclusão tão simples.
Eu acho que não, eu acho que não, eu acho que não, mas é uma unidade histórica da igreja, da Igreja de Cristo, não da romanista. Então é isso que eu quero dizer, a gente diz assim, tem o credo, tem concílios, mas tem encontros dos bispos, e tem uma série de definições.
A gente a gente não pode sair, a gente não pode sair de uma premissa que tem que ser a conclusão de um argumento.
Não, mas eu não tô saindo da premissa-conclusão, eu estou afirmando que não é uma premissa, é uma conclusão de uma investigação de olhar a história. A partir do momento que você tem coisas como, sei lá, o Concílio de Nicéia, o Concílio de Constantinopla, a partir do momento que você tem as cartas de São Clemente, que você tem as cartas de Santo Inácio de Antioquia, você vê uma unidade da Igreja e você vê uma sucessão apostólica.
Com essa sucessão apostólica que tá lá, nós temos toda a sucessão apostólica de Lino, Clemente, de todos os papas vindos de São Pedro, que inclusive o túmulo dele tá na Basílica de São Pedro, a mesma que tá—
você, Pedro, o apóstolo Pedro, foi o primeiro papa, né?
Isso, ele era o líder dos apóstolos, recebeu a missão de Cristo.
Então isso não é tão claro, né? Pedro foi confrontado, né, por Paulo, mas enfim, vamos entrar nesse mérito.
Eu diria que o Papa não pode ser confrontado sendo Santo Padre.
Eu sei, mas escuta, isso não é tão simples. Eu vejo muita gente dizendo assim, né?
Eu não acho que é simples, é uma longa discussão, é um longo debate.
E eu nem discuto, sabe? Porque tem muita gente que chega assim, traz pressupostos que não são simples, porque Pedro era Papa. Peraí, não é, né? Não é assim, né? Não é assim. A questão da, não é, as escrituras, a questão daqueles textos e tal. Então você não é assim, né? Então assim, eu vejo muita facilidade, mas eu não quero— a gente pode até mudar de assunto, mas eu não quero forçar isso.
Quem quiser continuar, eu acho também, eu acho que é outro debate.
Quem quiser continuar, fique à vontade. Agora, eu só acho que nós somos a Igreja Una, a Igreja do Nosso Senhor e Salvador, ela é católica. Ela é católica no sentido de católicos, ela é universal, ela é apostólica, criou os fundamentos. E o romanismo é um aspecto relevantíssimo dela, que é responsável pela manutenção da arte, aliás, da beleza. Isso é muito importante, as catedrais. Uma crítica que eu faço a muitas igrejas evangélicas é que pelo medo da idolatria nós enfeiamos o templo evangélico.
Então a beleza é um elemento que eleva a alma a Deus. Então tem muitas catedrais católicas, né, imagino que hoje em dia ainda se façam assim, que tenha, e tem catedrais evangélicas também, Sagrada Família, que são bonitas.
Mas enfim, eu quero mudar de assunto também, só diria que as pessoas entre Opus Dei, Renovação Carismática, não sei o quê, se alguma por causa de divergir dos pontos essenciais da doutrina da Igreja, daí eles não são católicos. Na verdade, divergências específicas são divergências sobre a doutrina fundamental, e tem uma tradição da Igreja definida. Mas não vamos entrar nisso porque isso vai ser muito longo e viraria outro podcast.
Nietzsche, que declarou que Deus estava morto, o que ele queria dizer com isso?
Olha, Nietzsche, ele era filho e neto de pastores evangélicos, pastores cristãos evangélicos, né, ou protestantes, que eu não gosto desse termo protestante. Mas a crítica de Nietzsche é uma crítica relevante, relevante. Que Nietzsche traz na realidade é a ideia de que nós temos muitos cristãos vivendo como se Deus não existisse. Então existe uma moral que é uma ideia oposta, que não é a moral que o cristianismo defende. A ideia de que o cristianismo veio para destruir a potência, destruir o poder, e aí os fracos que dominam.
Mas a realidade, o cristianismo nunca propôs que você não tivesse poder, nunca propôs que você não tivesse ímpeto, nunca propôs que você não tivesse força. O que ele propõe é que você mantenha tudo sob controle. Jesus Cristo é o exemplo claro de alguém que poderia destruir o mundo inteiro com a só palavra e manteve tudo sob controle para morrer na cruz em nosso lugar. Então eu penso, sabe, que Nietzsche ele é muito mal entendido.
Aquele livro Genealogia da Moral é um livro que demonstra exatamente um entendimento que é comum em alguns cristãos, mas que não é cristianismo de acordo com as Escrituras.
Nietzsche, quebra outro tema grande, né? Mas é claro que é um autor fascinante. Deus morreu. Bom, a gente pode tomar isso de várias maneiras. Nós matamos ele. Todo mundo pós-Revolução Francesa é isso. Nós estamos vivendo na morte de Deus.
Aliás, o dia a dia, só de parênteses, disseram que Disseram que quando Nietzsche escreveu, Nietzsche matou Deus, né? A ideia de que Deus está morto, né? Aí quando Nietzsche faleceu, aí escreveram embaixo: Deus matou Nietzsche.
É porque Nietzsche faleceu, claro, todas as coisas passam. E de fato eu acho que assim, pensamento de Nietzsche, as pessoas falam muito, é que aqui entraria num tema toda a filosofia do Nietzsche. Então, o homem superior, né, que ele fala do além do homem, que é o Übermensch, e tem o homem superior.
Uberman não é o cara que dirige o Uber, é um leniviu.
Uber, Uber, né? E aí tem um outro elemento que é muito esquecido. As pessoas esquecem 3 nos Zaratustra, são 3: tem o Übermensch, o Zerermensch e o Letztenmensch. Que é o último homem. E nós estamos vendo na era do último homem. O que é o último homem? É o homem que matou Deus e não foi para canto nenhum, só se afundou na própria mediocridade do mundo atual, que ele associa à democracia, que ele acha que é mediacrizante, a moral inglesa, os ingleses, essa moral de shopkeeper, né, de dono de loja, e a fraqueza do homem que ele é incapaz de viver uma vida forte.
E aí, portanto, como ele só buscou o prazer de uma maneira pequena, ele foi se apequenando até um ponto que ele não tem mais sentido da vida. E muito do ateísmo moderno, para o Nietzsche, cairia na figura do último homem, do homem que não se impôs, do homem que se resignou à cultura decadente. Então ele é um autor muito complexo, porque na verdade ele, inclusive, para ele esses cristãos, eles são, muitos deles são o homem superior.
Ele tem toda uma briga com Wagner, entra numa coisa longa, mas para ele, e Lúcio Salomé, né, é para ele os grandes filósofos e tal, ele chama do homem superior. A diferença entre o homem superior, que é o homem que é genuinamente aristocrático, de grande nível, mas não é o Übermensch, que seria o homem que cria os seus próprios valores. Então para Nietzsche, na verdade, se a gente seguir indústria. Ele tem vários livros também e ele fala coisas contraditórias nos vários livros, tá?
Inclusive tem livros na fase mais tardia que ele se autocontradiz no próprio livro, porque ele fala em aforismas, em frases. Muito do Nietzsche é afirmação poética, né?
Até em decorrência da doença dele, né? Sim, teve sífilis no grau 4, né?
É.
E aí tem todo um tema, mas deixa eu trazer para as escrituras aqui para você ver Veja bem, o primeiro casal no jardim tem uma proposta que é descrita por Nietzsche. Qual é a proposta para o primeiro casal no jardim?
Sejam como Deus.
Não basta você ser feito à imagem e semelhança de Deus, você pode ser como Deus, conhecedor do bem e do mal. O que é ser conhecedor do bem e do mal? É dizer que a fonte da moralidade não precisa provir de Deus. Pode provir de você. O que é bom ou mau, justo ou injusto, certo ou errado, não precisa ser proveniente de uma fonte objetiva moral que é Deus. Pode ser proveniente de você. Você tá entendendo que você dispensa Deus? Você ocupa o lugar de Deus?
A proposta é essa, e essa proposta que é feita até hoje. E o que Nietzsche diz é isso: o homem tornou Deus desnecessário. Matou Deus. Isso que é matar Deus, é trazer para si aquilo que cabe a Deus. Dostoiévski, nos Irmãos Karamazov, disse: Deus está morto, tudo é permitido. Tudo é permitido. Ou seja, você traz para si uma vertente falsa que a consequência é nefasta. Maiores problemas hoje são depressão, ansiedade. Eu até preguei sobre 1º Livro de Reis, capítulo 19, sobre a A depressão do profeta Elias decorrente de uma das maiores vitórias.
Ele teve as maiores vitórias que um profeta poderia ter, depois entrou em depressão. Profeta Jonas, por exemplo, depois de converter a capital da Assíria, que é Nínive, quis se matar.
A história do Jonas eu cada dia entendo mais, inclusive, né?
Mas deixa eu só terminar essa parte.
Você tá no Brasil, você entende o Jonas na hora. Você fala, meu Deus, você tá pregando, você tá convertendo as pessoas, você fala, meu Deus, e o povo ainda vai para o caos.
Mas Jonas, Jonas é interessante, interessante a estrutura psicológica de Jonas pelo seguinte: porque ele foi um profeta que quis se matar porque o seu ministério deu certo. É que ele não aceitava que a capital da Assíria, Nínive, se convertesse. Ele disse: não, eu vou pregar, mas eu não quero que dê certo, porque esse pessoal que eu quero que vá para o inferno.
Mas então Nietzsche, ele, ele traz, que aparece no Hamlet, que ele quer matar o cara, que aquele vá para o inferno, se recusa a matar o cara porque ele tinha se confessado.
Então Nietzsche, ele dá uma leitura. Nietzsche é um dos principais filósofos do século 20, eu diria que é um dos dois principais, Nietzsche e Wittgenstein. Eu traria como os dois principais filósofos do século 20. E ele faz uma leitura de fato de um homem que tenta matar Deus. Em Zaratustra, assim fala, das práticas, assim falava Zaratustra. Nós vemos que aquela ideia não subsiste. Ele fica lá, vai ao meio-dia, no momento em que as sombras são menores, e não suporta, ele desce.
Então o Übermensch, o além do homem, é um salto que não é possível. É o homem querendo ser além do homem e entendendo que esse salto para ser mais do que o homem é, é impossível de ser realizado. Então o homem é um fracasso nessa tentativa de matar Deus. E as consequências disso, reais, sabe, Vilela, são perversas. Professor Vilela, sabe, Professor Vilela, essas consequências são perversas. Nós estamos aí, ansiedade, depressão, uma sociedade absolutamente desestruturada, não virtuosa, porque porque tirou-se Deus.
É o que nos Estados Unidos tem estados que estão dizendo: nós temos que trazer Deus de volta. Tá vindo, havendo movimento contra isso hoje em dia. No Texas, onde eu moro, a Bíblia tem de ser agora ensinada nas escolas. Por quê? Porque a base da civilização, tudo, né? Então no Texas, o que é que tá sendo lá? Nós temos que ensinar a Bíblia nas escolas. Tem lugares que estão vendo o horror que é tentar viver sem Deus.
Assim, sem dúvida. A leitura, ler Nietzsche sobre um prisma cristão, eu não acho que a leitura que o Nietzsche faria, mas eu acho uma leitura fascinante. E acho que tem muitas avenidas para ler Nietzsche dessa maneira. Ele veio de uma cultura cristã, ele tá vendo uma cultura de decadência cristã, ele tá revoltado contra falsos cristãos, contra uma cultura de decadência.
Então assim, pouca gente vê assim, né? Mas é isso mesmo, sim, sim, sim, é isso mesmo.
Tem vários ângulos ali para ler assim. Agora, ele é hostil ao cristianismo no frigir dos ovos, é especialmente nos textos mais tardios. É assim, é que de novo entraria num outro, isso aqui dá outro podcast só sobre Nietzsche, né, que aí é uma discussão.
Agora, o texto dele em alemão é genial, ele é um escritor estilisticamente falando, é literatura da mais alta qualidade. Literatura do ponto de vista estilístico, da beleza do texto. Eu acho, enfim, influenciou, né, até hoje, e é muito mal entendido.
Eu não sou um fã do Kant.
Nossa, você pegou o oposto, né? É até dioso demais, né?
Porque quer limitar a razão, no caso dele, para abrir espaço para fé.
Então, mas esse eu acho que é uma, é uma, não acho uma boa ideia, entendeu? Sinceramente, o Kant, ele tá num mundo em que depois de David Hume o ceticismo é muito forte, as pessoas caíram no ceticismo muito grande, já tá começando a duvidar da realidade, e o interessante, ele tenta de alguma maneira resgatar um pouco da filosofia antiga. E neste mundo, porque o que eles estão acreditando naquela época de iluminismo fortíssimo, naquela época em que o humeanismo tinha dominado tudo, é que olha, não dá para saber nada, você não consegue saber nada da realidade.
E ele tenta montar uma estrutura que na cabeça dele vai voltar a uma gnoseologia, que é a teoria do conhecimento, como você conhece a realidade, é mais que vai ser compatível com a ciência moderna, especialmente com a física do Newton. Na época, a física do Newton, ela tá em alta, ela virou até ponto propagandístico na mão de Voltaire, da vida, que era um entusiasta ideológico da física newtoniana, e que tinha, tem grandes avanços ligados à física newtoniana.
É genial. Newton é o maior cientista que já pisou sobre a Terra.
É, eu não sei se concordo com essa frase, mas ele é um dos mais brilhantes, sem dúvida, que já viveu.
Quem seria, na sua opinião?
Eu não sei, não sei.
Se você for analisar a produção de Newton, Newton desenvolve a física até um determinado ponto, amigo, que a contraparte matemática não dá conta.
Ele vai desenvolver a matemática, ele não conseguiu cravar um maior, mas eu com certeza concordo que Newton é um dos maiores gênios da história da física, de todos os tempos. Acho que não tem isso, isso é fora de controvérsia. Mas assim, independente, o ponto é que naquela época, naquele ceticismo, o Kant, ele vem assim numa cultura protestante prussiana, que é essa cultura— é confuso. Eu já debati muitos anos Kant na faculdade.
Você sabe uma coisa curiosa? É assim, Kant foi influenciado por Rousseau uma época da vida dele, e portanto por ideias revolucionárias. Ele foi influenciado por Swedenborg, que ele também em certo aspecto critica, que era o Esotéricos. Ele foi influenciado por autores da direita, pelo nacionalismo prussiano. Ele foi influenciado por Aristóteles em alguma medida. Ele é um pensador que bebeu de muitas fontes, foi influenciado por essa filosofia até de autores que beberam da Escolástica, na verdade, em parte da filosofia dele.
Então, autor muito difícil. As críticas do Kant, elas basicamente vão abordar tanto o tema da verdade, da beleza e do bem, a crítica da razão prática, e a fundamentação da metafísica dos costumes vai abordar o tema do bem.
E aí, desculpe interrompê-lo, vai terminar? Não, eu só queria acrescentar o que você o que você está dizendo, propor uma coisa aqui que é o seguinte: você falou Kant, David Hume, mas se nós formos na história do ceticismo, o tema principal é esse, e formos regredindo na história intelectual humana, nós chegamos a uma expressão do ceticismo que é saudável. Isso é interessante também, porque se chegarmos a Pirro de Élis, por exemplo, o ceticismo pirrônico, ele propõe algo que é aceitável assim.
O que ele propõe? Ele propõe o seguinte, que é ceticismo. Ceticismo vem do grego skeptikos. O que é skeptikos em grego? É aquele que investiga, é aquele que investiga. Aquele que nega não é cético. Existe uma diferença entre dogmática, o acadêmico e o cético. O cético é aquele que investiga. Então É verdade que do ceticismo puramente pirrônico, ele investiga não por um fim útil, porque ele investiga para busca de uma visão tão possível como aquele quer atacar.
E é quando ele chega a isso, que tecnicamente se chama na filosofia de equipolência, quando ele chega à equipolência, a conclusão que ele chega, o próximo passo é a tranquilidade, que em grego é ataraxia. Né? Mas o ceticismo por si não é algo errado, né? E David Hume, na Inquirição acerca do entendimento humano, ele traz um elemento que é central para nós. Ele diz que o fato do sol nascer todos os dias não nos garante que ele nascerá amanhã.
Isso aí é um tiro no cientificismo, é a ideia de que a repetição de um fato diário não traz informação necessária para você ter a certeza de que ele nascerá amanhã. O máximo que pode fazer é uma aposta. Então você veja que mesmo na história intelectual humana você tem algo que é muito importante.
É, o ceticismo, eu na verdade sou bem crítico do ceticismo, tanto do ceticismo Pyrrho quanto do Hume. Tem um livro de Santo Agostinho muito bom sobre ceticismo pirrônico que ele aborda tangencialmente. Chamado Contra Acadêmicos. É um clássico, eu super recomendaria para qualquer um que queira entrar nesse embate que teve entre o cristianismo e os céticos. E sim, os cristãos levaram muito a sério argumento cético, mas argumento cético também levava as pessoas— ele pode conduzir para um relativismo muito substancial, tanto que os acadêmicos eram céticos moderados, né?
Concordo, eu não tô defendendo o ceticismo, tá? Para deixar bastante claro, eu só Eu tô dizendo que o ceticismo pirrônico propõe uma postura de investigação que pode ser útil.
E nesse sentido, nesse sentido, sempre pode ser útil.
Chega o meu achudo de Protágoras, chega, chega uma retórica vazia.
Contra Academos é um livro fascinante porque ele vai justamente debater o tema da postura do ceticismo, mesmo leve, outras coisas. E aí, claro que dele vem essa formulação bastante clássica de que o relativismo é autorrefutado, porque obviamente o relativismo, o cara que fala que é relativista, ele, se ele é relativista, a afirmação do relativismo é relativa e ele cai na contradição. Esse é clássico do Santo Agostinho. É exatamente, tudo é relativo, né?
Inclusive isso que você está dizendo, é isso, isso é clássico do Santo Agostinho.
Eu acho que esse livro é pelo menos um dos formuladores mais substanciais dessa refutação. Hume era um genuíno cara ruim, na verdade, muitos aspectos. Ele se envolveu com Rousseau, ele pegou a mulher do Rousseau, ele financiava ideias revolucionárias e ele falava que era conservador. Eu acho que ele era genuinamente uma má pessoa. Eu acho que o livro dele, o livro dele é cheio de problemas, porque ele é uma das coisas mais ridículas que eu tive.
Eu lembro quando eu tava fazendo matéria de filosofia da ciência. E eu falei, professor, o que é isso? Porque o livro do Hume tem caps lock nas frases, ele bota umas frases em caps lock porque ele riscava. E ele botava tipo... Qual livro?
A Inquirição?
É, A Inquirição, ela tem a versão original dela em caps lock, tem trecho em caps lock porque ele riscava e tal. E assim, quando você vai lendo o Inquiry lá e tal, o problema do Hume, tem uma parte, por exemplo, que ele fala que a Quando você pressiona o olho ali, você vê como os sentidos estão conectados com a percepção. E aí tem vários problemas. Assim, eu não quero só satirizar e desprezar de maneira tosca o livro do Hume, porque se eu fosse fazer minha crítica de maneira mais aprofundada, seria mais longo.
Mas o ceticismo do Hume, o efeito que ele causou ali na época foi o de relativismo bruto da parte de muitas pessoas do Iluminismo ali que foram influenciados por ele. Kant tá desesperado, aliás, nesse período, tentando resgatar o conhecimento mínimo.
Mas você sabe que muita gente tem um entendimento errado do Inquiry Concerning Human Understanding, né, uma inquirição acerca do entendimento humano, quando acha que no ceticismo de Hume ele nega o princípio da causalidade, né. Ele não nega. Isso é muito importante, sabe, porque ao manter o princípio da causalidade Isso aí é também um ataque contra o relativismo absoluto. Só, eu só tô dando nuances que são importantes, né?
Eu não estudei o texto do Hume falando que causalidade não existe. Isso é uma formulação muito radical também a partir do texto, porque não é isso que o texto fala.
Mas tem gente que diz, tem gente que diz que o ceticismo de Hume nega causalidade. E, mas isso aí é um pouco forçado, eu acho também. Tô dizendo, velho. Inclusive o livro, eu falei do livro para você, o porquê que eu, qualquer, para a gente colocar a capa lá. Não, que eu publiquei depois, antes desse aqui, foi o ano que inclusive é o livro mais vendido na categoria dele na Amazon Brasil.
Cadê?
A Batalha pela Verdade. É, A Batalha pela Verdade, ele tá no número 1, número 1 de vendas na categoria, categoria dele na Livraria Amazon. Mas isso aí é exatamente demonstrando o mal que o relativismo causa, e inclusive na linguagem. A gente teve aqui um bate-papo extenso sobre o problema da manipulação da linguagem, tá? Primeiro mais vendido, né? Primeiro mais vendido. Então, o mal que causa o relativismo— relativismo tá na base de todas essas ideologias.
Então, esse ataque ao relativismo tem que ser proposto pelo cristianismo. Existem muitos cristãos relativistas, viu? Existem cristãos hoje adotando posturas de, por exemplo, defesa do aborto, defesa de casamentos que não são entre homem e mulher, porque casamento não é. Nós falamos aqui num programa extensamente sobre isso. E esse livro aí foi exatamente mostrando o o perigo que é adotar esse tipo de postura e a importância, e eu falo como no livro, de você tratar e criar os seus filhos de maneira adequada para você não ser destruído por essas ideologias de índole satânica.
E aí, aliás, eu super, eu não li o livro, né, mas, ah, Deus do céu, super concordo da origem, da influência satânica comunismo. Isso é bem proeminente.
Esse é o mais recente, mais recente, esse aqui, As Bases Satânicas do Comunismo.
É isso, sem dúvida é bastante presente em vários autores, na verdade. E a presença das sociedades secretas na criação dessas ideologias é gigantesca, é absolutamente acachapante. Uma das pesquisas que eu fiz exatamente essa, como na verdade o Se você pegar a batalha do Antigo Testamento e a batalha das ideologias modernas, tem uma continuidade muito grande, porque esse culto Baal sobrevive até hoje. Claro que um dos símbolos do Baal é o boi dourado.
Você vai para Nova York, tá o quê lá? O boi dourado, o pessoal passando a mão nos órgãos do boi. E evidentemente o aborto volta como o novo sacrifício humano da versão atual. Aliás, Hollywood Hollywood foi construída em cima de uma Babilônia. Isso não é uma metáfora.
Como assim?
O Griffith fez um filme chamado Intolerância. Eles construíram uma Babilônia gigantesca. Tem ainda, pode pesquisar aí, acha a parede da Babilônia do Griffith. Não, não é, é uma réplica gigantesca da Babilônia. E a Hollywood atual foi moldada em cima dessa Babilônia. Inclusive tem uma das paredes do filme, pode achar uma imagem da Riffith, Intolerância, Babilônia. E literalmente eles preservam com símbolos do Baal, com estátuas do Baal e tudo mais.
Essa presença de símbolos esotéricos no mundo atual, que as pessoas fingem que não vêem, falam: não, não é nada, é pura coincidência.
O Adin Steinsaltz, não sei se você teve o interesse de ler a obra dele, mas é um rabino cuja literatura eu gosto demais. Morreu não há tanto tempo atrás. Ele dizia uma coisa que me impactou muito, que vai ao encontro que você está dizendo. Ele dizia assim, né, os deuses neopagãos estão mais vivos do que nunca.
E a gente já deve ter ouvido falar no Deus dos Americanos, né, do Alan Moore. Sim, sim, tem uma, ele tem uma visão de que os deuses, esses deuses, eles só vivem enquanto tem alguém que acredita neles. Então, com a expansão, com a vinda do homem aqui para América do Norte, alguns deuses deixaram, foram esquecidos, né? É muito louco.
Olha, eu vejo assim o culto do Baal muito presente em Hollywood. Você vê essa Marina Abramović, que é uma das mentoras da Lady Gaga. Eles fazem esse spirit cooking, que é spirit cooking, que é, eles têm vários shows que é basicamente um ritual, é canibalismo, é canibalismo. Na verdade, aquela senhora convidado.
Aquela senhora sexagenária, aquela senhora sexagenária chegou ao Brasil, fez um show. Madonna fez um show satânico aqui, não foi?
Não tem aquela estrela, aquelas, mas tem um cenário grande. Isso é uma cena dele, mas tenta achar uma cena.
Você tá falando da Madonna, de todos?
Não, a Madonna mesmo fez um show aqui no Rio, não sei se foi no Copacabana. Você vê os elementos satânicos ali, não tô mais nem sendo sutil, entendeu?
Tem eles fazendo uma simulação de canibalismo. Você botar Spirit Cooking Marina Abramović, vai aparecer, é uma simulação de canibalismo. E o Griffith Intolerância, você botar Babylon Hollywood, vai aparecer a Griffith aqui, ó. Uma loucura. E tem a imagem até hoje.
Coloca aqui, ó.
Aqui, ó. Dá para ver aqui na câmera?
Acho que dá, né?
É uma Babilônia gigante e eles preservaram uma das paredes, ó. Aqui, ó, com um baal e tudo aqui, ó, na parede. Tá lá, as pessoas passam pela parede, passam embaixo, tiram foto. E esse da Marina Abramović, Marina Abramović e Lady Gaga, Spirit Cooking, vai aparecer. É uma, eles simplesmente fazem uma simulação de canibalismo e ficam lá fazendo festa, rito. E se você fala qualquer coisa, sempre a reação é: e lá vem os cristãos, é só arte fazendo pânico moral.
Qual o problema da pessoa simular um canibalismo, simular o canibalismo? Aí você vai ver essas ilhas do Epstein da vida, que tem um templo na ilha do Epstein, que aliás eles sumiram com as coisas que tinham dentro do templo. Só Deus sabe o que tinha dentro do templo da ilha do Epstein, que primeiro falaram que não tinha templo, aliás, né? Aí um maluco foi de jet ski lá na ilha, tirou foto e falou, mano, é uma simulação de canibalismo.
E esse tipo de coisa é bastante comum em Hollywood. E aí, claro, tem pessoas que saíram de seitas dessas que falam a conexão dessas seitas.
Uma das pessoas que quis falar, pararam de soltar o negócio do Epstein porque tava indo para esse lado, né?
Mas as pessoas começaram a perceber isso. Uma, o filme do Stanley Kubrick, O De Olhos Bem Fechados, fala sobre um culto sexual, que aliás ele alugou a casa que era da família Rothschild para fazer o filme. Aliás, o Epstein, falando nos emails dele, como você sabe, eu trabalho para família Rothschild, Ele diz isso. Então assim, é uma coisa muito louca, porque a partir do momento que o Kubrick faz um filme falando de um culto sexual que tem elemento de pedofilia no filme, ele tá falando sobre isso, ele aluga a casa de um cara da família e o cara da família tá ligado ao Epstein, você é obrigado a concluir que evidentemente o Kubrick sabia um pouco mais do que as pessoas imaginavam.
Conspiração de que ele morreu logo em seguida, mas ele morreu logo em seguida. Agora, e que várias partes do filme foram cortadas, né?
O filme tem esse elemento da pedofilia, você consegue ver ele porque tem uma cena que eles entram na loja de fantasias e tem uma menina trancada dentro da loja. E aí tem uma, tem uma, um portão.
Eu não lembrava.
É, e aí tem um portão.
Você assistiu esse filme?
É, não.
E aí o portão, ele fala que ele tem um clima estranho, né? Estranho. O portão, ele fala que é para ninguém entrar. Só que na verdade, quando você percebe, o portão para ninguém sair, para ninguém sair. E na verdade o que eles estão fazendo é justamente é tráfico de pessoas, que é o tema do Sound of Freedom.
Aliás, que nós estamos vendo aí, né, manifestações claramente anticristãs em todas as esferas do entretenimento, na educação também. Uma vez eu tava vendo essas, você viu essa moda agora para as crianças de disciplinas de gestão socioemocional.
Não, eu falo isso aí, as crianças hoje, uma cena do De Olhos Bem Fechados, de olhos bem fechados, eles vão sacrificar uma mulher, não vão?
Não é mais explícito que isso, né?
E o fato do Kubrick ligou para Nicole Kidman falando que iam perseguir ele durante, é, durante a entrega desse filme. Porque o filme foi publicado depois da morte do Kubrick. É uma história que assim, as pessoas, elas não estão— a conexão entre satanismo e a cultura atual é muito maior do que as pessoas estão imaginando. E aí, a Ilha do— o Epstein assinava como Lúcifer. O Epstein literalmente assinava como Lúcifer para os emails dele. Ele falava, eu sou Lúcifer.
Esse livro aqui, eu trato das poesias poesias, em várias, as poesias de Marx, que muita gente desconhece o conteúdo das poesias de Marx.
São claramente satânicas, fala de pacto satânico inclusive nas poesias.
As pessoas acham que são expressões de ateísmo, não, são expressões de satanismo. Então mostrando como isso tudo acontece. Então as pessoas estão muito anestesiadas contra tudo isso que tá acontecendo.
A única explicação do porquê a história do comunismo não é melhor contada é porque o establishment atual passa pano para isso. Porque assim, sinceramente, são milhões de pessoas que foram mortas. É a filha que se matou, é o outro que morre na fábrica que é ligado ao Marx. A vida do Marx, ela é absolutamente recheada de episódios lamentáveis. E aí toda vez eles falam para você assim, ah, mas você não pode confundir a vida do autor com a obra dele.
Mas a obra também é terrível, né? Pois é, esse nem exatamente funciona, né? É claro, é a vida e a obra são terríveis. E acho que é importante as pessoas saberem disso, viu, do horror que é o comunismo, ainda mais agora, né, que estamos chegando no ano eleitoral, e deixar bastante claro isso que eu falei lá, 60 mil pessoas lá no estado lá em BH, tava dizendo, olha, cristão não vota em quem defende aborto, cristão não vota em quem é contra a liberdade, cristão não vota.
Existe um espectro político no Brasil que quando é eleito tem festa na cadeia, Vilela, tem festa, é como se fosse a final da Copa do Mundo na cadeia. Existem políticos específicos no Brasil de um determinado espectro que quando são eleitos existe festa na cadeia. Então assim, cristão não vota nisso, é incompatível com a nossa base de moralidade. Então nós temos que deixar isso bastante claro, tem que dizer claro. Às vezes as pessoas têm medo de falar as coisas, né?
Então assim, como é que cristão— casamento só pode ser entre um homem e uma mulher?
Por quê?
Porque é a única relação diante da qual existe esperança de perpetuação da humanidade. Não é que outros formatos não possam existir, mas relacionamento não é. Para coisas diferentes nós temos que dar nomes diferentes. Então, o pessoal pergunta muito para mim assim, sabe, o que é que você fala tanto, né, no Brasil, no mundo? Eu tenho dito ultimamente, eu tô falando o óbvio, sabe. A gente não precisa nem fazer muita loucura, não precisa ir no óbvio.
Homem é homem, mulher é mulher, o filho tem que ser obediente, né. A gente falou, eu acho, sobre isso. Hoje em dia os meninos pequenos você tem notado que parece uns Osama Bin Laden de calça curta? Como assim? Nossa, não tem notado isso não? Menininha avião e tudo, ninguém controla a criança. Você controla, parabéns! Mas a gente tem visto um bocado de criança muito mimada.
É uma desordem. Você sabe que eu sou muito grato ao Barack Obama, porque lá nos idos de 2008, 2009, isso aí é informação perigosíssima dele. Eu sou grato. Eu vou explicar por quê. Saíram aquelas matérias, né, falando que o Barack Obama curava as pessoas com a mão, que ele era um ungido, que ele era um enviado, e outras matérias do gênero. Literalmente uma matéria falando que curava as pessoas com a mão. E aí eu falei, caramba, deixa eu pesquisar um pouco mais sobre esse Barack Obama.
Afinal, né, o cara tá muito proeminente. E aí o que que eu descobri? Que um dos mentores dele, que foi o Saul dedicou o livro dele ao Lúcifer.
É a esquerda satânica americana.
Ele fala: ao Lúcifer, o primeiro revolucionário que conseguiu o próprio reino. E aí eu abri aquilo, isso mesmo. E aí eu abri aquilo, falei: caramba, a mídia também falando que ele é uma figura iluminada, que ele cura as pessoas. Só que o mentor dele tá dedicando o livro dele ao Lúcifer. E o Obama lançou a candidatura dele no escritório do Bill Ayers, que era o homem que colocava bombas em carros de policiais.
Só para acrescentar, até hoje Solinsky, ele influencia a esquerda americana, as ideias dele influencia.
E foi na época do Barack Obama que eu descobri essa história de Ilha do Epstein, porque o John Podesta, que era um dos estrategistas do Barack Obama, era ligado à turma do Epstein. E aí foi por isso que eu tinha um— até conta essa história sempre, né, que meu cunhado chegou lá em casa, foi muito engraçado, ele falou: Guilherme, esse negócio de Ilha do Epstein é real. Quando isso? Agora, quando estourou agora. Quando estourou agora.
Mas ele chegou e falou, é tudo real. Aí eu falei, não, eu sei, mas você fala isso há 10 anos. Eu falei, pois é. Eu falei, achei que você era louco. Eu estava aqui nas conversas de família achando que você estava louco e agora eu descobri que é real. Eu falei, o que mais que me falou que era verdadeiro? Eu falei, cara, a gente está falando, você que não estava ouvindo. Mas é que as pessoas, é difícil para as pessoas, porque cair a ficha de que, sei lá, o establishment, a máquina mentiria sobre envolvimento com coisas esotéricas de figuras que são exaltadas, choca as pessoas no primeiro momento.
Você fala, não, não é possível que tenha, sei lá, Lady Gaga. Poxa, eu vi ela na festa do Grammy, sei lá, não é possível que eles façam uma simulação de canibalismo. O Barack Obama, ele é tão comumzinho, viu o vídeo dele com teleprompter. Então você tem na verdade um aparato de mídia que ele oculta muito desse envolvimento esotérico. Karl Marx é amplamente envolvido com esoterismo, mas não é só ele, são várias pessoas do comunismo foram envolvidas com esoterismo ao longo da história.
A Shulamith Firestone, uma das feministas mais influentes, defende um monte de loucuras Quando você vai avançando na obra dela, fica mais louco e esotérico. Há várias dessas pessoas de aborto, elas, essa analogia do aborto com sacrifício humano, às vezes é explicitamente feita dependendo do teórico que você olha. Então, na verdade, eu acho que tem sim um culto baalita, que sim é de elementos mais radicais e mais, entre aspas, exóticos, mas que influencia a cultura geral.
Não, com certeza. Até na outra conversa que tivemos aqui, no livro laranja lá, Batalha pela Verdade, eu tenho falado isso aí, ó. O domínio da linguagem pressupõe ou propõe que esses elementos sejam digeríveis de maneira muito mais simples, pela simples mudança do nome. Então aborto hoje não se contenta nem com esse nome errado, porque o nome certo é assassinato intrauterino. Não quer mais nem falar assassinato. Intrauterino, falam aborto.
E aborto não tá mais, agora é direito reprodutivo, quando nem direito é, muito menos reprodutivo.
É a novilingua do George Orwell, tá circulando esse termo.
Então hoje em dia, sabe como é que estão chamando pedófilo em alguns estados dos Estados Unidos? Presta atenção que vai chegar aqui, tá?
O quê?
Tá chamando de MAP, Minor Attracted Person, pessoa atraída por menores.
Então atenuando o problema.
Não é só atenuando, não é só atenuando, é mudando a estrutura de pensamento quando a pessoa usa nova linguagem.
É, querem justificar, querem permitir a pedofilia.
Então vai chegar no Brasil daqui a pouco, já vão propor que pedofilia não é uma das piores ações, não, é apenas uma opção. Vão propor isso e vão chamar de PAN, pessoa atraída por menores. É um horror.
Ô, Homer, manda, manda a pergunta.
Manda as perguntas.
Pergunta aqui do Marcelo, Marcelo Melker Queiroz.
Só uma coisa, você não quer colocar o microfone no lugar mais desconfortável para você, né?
Ele tem muita posição confortável, não tem como chegar. Não tem muita opção aqui não.
Tem aquele personagem de Chicanismo, né, o jovem, tá lembrando? Eu sou jovem, eu sou jovem. Ele assistindo a televisão de cabeça para baixo. Coitado das suas costas, cara.
A idade vai chegando. Então o Marcelo Melo Queiroz, ele perguntou: quem vem na frente, a fé ou a salvação?
Tem a ver essa pergunta?
Como assim?
Não entendi.
A salvação, de acordo com as Escrituras, se dá pela graça mediante a fé. É a fé que conecta a pessoa a Jesus Cristo e a pessoa encontra salvação. Então é muito importante que entendamos isso: quem salva é uma pessoa, é o Deus encarnado Jesus Cristo. Nele nós encontramos a eternidade, e o meio de nós nos conectarmos a ele é pela fé. A fé é como um cano por meio do qual o poder de salvação proveniente de Cristo nos atinge e nós encontramos a vida eterna.
Tem a pergunta da Uma Anguilife. Ela quer saber aqui, ó, o que significa o Católico Apostólico Romano que vocês tanto falaram.
É que a gente diverge sobre o próprio sentido, mas você pode pensar sobre a parte católico apostólico. Mas católico quer dizer universal e apostólico é porque a Igreja tem uma missão apostólica, ela Na verdade é enviada a partir dos sucessores dos apóstolos, né? Quando, vamos lá então, católico, a salvação universal, todas as pessoas vivas foram chamadas à salvação. Deus tem, nós temos os fios de cabelo, e mais ainda, eu vou mais longe, as pessoas foram chamadas à santidade.
Ou seja, Deus na verdade chama todas as pessoas à santidade. Essa ideia de um chamado universal à santidade, que as pessoas creiam em Cristo, que elas amem a ele com toda a sua, com toda a sua natureza, que elas vivam a vida na graça, que elas basicamente sejam, vivam a vida delas na graça. Essa, todos são chamados a isso. Então a Igreja Católica, porque ela é universal, porque ela é do mundo inteiro. Ela é apostólica porque os apóstolos, eles saem numa missão.
Cristo, aliás, antes do Horto das Oliveiras, ele reza para que eles tenham unidade na verdade, porque essa é uma tentação dos homens, né? Nós vamos querer ter ou unidade ou verdade. Os homens às vezes querem ter a verdade e brigar entre si, que é bastante natural, ou os homens vão querer ter, na verdade, a unidade sem a verdade, que também uma falsa unidade que não ajuda em nada. No entanto, Cristo fala que eles têm unidade na verdade, e ele envia eles nessa missão de levar a fé para tantos lugares.
E a igreja, a partir daí você vai tendo esse belíssimo trabalho de evangelização. Por exemplo, como que a fé chegou na Índia? São Tomé foi até a Índia, um dos apóstolos. Inclusive tem lá em Calcutá o túmulo de São Tomé. E como que a fé chegou no Brasil? A fé chegou no Brasil que é São Tiago. São Tiago, ele atravessa— São Tomé e São Tiago foram mais longe, né, dos apóstolos. São Tiago, ele vai para Espanha. Inclusive, quando ele passa em Saragoça, que a igreja mais importante da Espanha, Nossa Senhora do Pilar, porque ele vê Nossa Senhora, ele vê Maria em cima de uma coluninha romana, que é uma bilocação.
É uma, é uma, é a primeira aparição mariana da história. E São Tiago, ele pensa desistir. E Maria fala para ele: olha, continue. E São Tiago vai visitar até Portugal. E quando Santiago for a Portugal, ele vai ser a primeira pessoa a levar a fé para lá. Depois, uma das primeiras grandes batalhas da Reconquista é para retomar o túmulo de São Tiago, porque São Tiago justamente tinha levado a fé para lá, era o lugar mais sagrado para eles.
Da cultura galega, que a cultura que se forma em volta desse túmulo de São Tiago, que ali onde tem, você vai indo para Corunha, para toda a parte da Galícia, vai vir a reconquista do Condado Portucalense, que aliás Dom Afonso Henrique vai ouvir de Jesus Cristo que ele tem que levar a fé para terras distantes, o que 400 anos depois a fé vai chegar no Brasil. Então o que acontece em todos os lugares do mundo, os apóstolos foram nomeando bispos, esses bispos nomeando presbíteros, e todas as pessoas foram levando a fé de geração em geração para que a fé chegasse até nós.
E isso é tradição da igreja, e todos nós temos a missão, eu, Tassos, todas as pessoas estão aqui presentes, de levar a fé para a humanidade. Então a igreja apostólica, porque ela zela pelo apostolado, ela zela por levar levar a mensagem de Jesus Cristo. E ela é romana. E aqui eu vou defender o romano no seguinte sentido, e aqui que é importante, não porque é um particularismo, porque é um sectarismo. E aqui vem minha defesa, e claro, o Tasso discorda, e tudo bem também, a gente tá aqui para, para a gente sinceramente concorda infinitamente mais do que qualquer outra coisa.
Mas a Igreja, ela é romana porque Cristo, e é o mesmo motivo do porquê também no credo fala que ele faleceu sob Pôncio Pilatos, porque dá um contexto histórico concreto. Quando Cristo, eu falo que ele faleceu sob Pôncio Pilatos, eu sei que aconteceu no momento histórico definido. Cristo morre no Império Romano, inclusive em Jerusalém, e ele dá as chaves do reino para um dos apóstolos que é São Pedro. Pedro não chamava Pedro, chamava Simão.
Mas ele dá todos os outros depois, né?
É assim, mas ele não é só Pedro. Sim, sim, eu sei, mas a Pedro, sim, mas a Pedro, nome de pedra.
E você sabe a diferença de Petrus e Petra, né?
Sim, as traduções, Cefas.
Não, eu digo assim, quando a gente lê em grego, quando a gente lê em grego, né, só mostrando a respeitosa curiosamente a nossa divergência, né? Naquele texto, aqui você tá se referindo às Escrituras, quando ele fala, né, que Cristo é o Senhor, essa é a Petra. Ele fala que Pedro não é Petra, é Petrus. Então não é como se fosse assim, um é o rochedo, Pedro é um pedregulho, assim a nossa interpretação, interpretação. Então ele diz assim, olha, o rochedo é que Cristo é o fundamento.
Mas ele, na sequência, ele dá as chaves do reino não só para Pedro, para todos.
Na Bíblia diz que ele dá para todos. Mas não é certo ou errado isso?
Não, não é. Na verdade, inclusive, o próprio Santo Inácio de Antioquia, na Bíblia, na Bíblia, sim, na própria Bíblia, ele se refere a Pedro como pedra e ele dá as chaves do reino a Pedro nesse texto fatídico.
Ele dá a todos.
Não só isso, como Pedro depois, quando ele vai ter a sucessão apostólica, as pessoas vão reconhecer, como na Carta de Sant'Ássio de Antioquia, o bispo de Roma como tendo um status diferente. Mas tudo bem, porque isso aqui vai entrar no— vai ser longo, a gente vai ficar de novo divergindo sobre isso.
Mas assim, no que concordamos é: a Igreja é de fato católica e apostólica.
E a gente discorda sobre o primado de Pedro, né? No final do dia. Romanismo não é uma palavra que eu vou assumir, eu acho uma palavra um pouco negativa, mas assim como protestante, minha perspectiva também é.
Então a gente é, porque a Igreja de Cristo não nasce em 1517, nasce em Jerusalém, e a certidão de nascimento é Atos 2.
Isso, mas o fato de, o fato de você se aflito com a palavra protestantismo, eu vejo como uma coisa, eu não sou aflito, eu apenas digo que ela dá uma impressão que não é a correta.
É isso que eu tô dizendo. Então, se nós, se romanismo para você dá essa impressão, muito pior é o próprio pescador.
De qualquer maneira, historicamente falando, na época do Lutero houve uma desestabilização da Europa que gerou a fragmentação e, portanto, gerou uma série de sectos e outras coisas.
Mas já existia muito antes, né? Muito antes. Assim, a Igreja Romana, o romanismo, é posterior a Jerusalém, é posterior à Antioquia. Mas enfim, são outros assuntos.
São Pedro morre em Roma, né? E claro, Cristo já morreu em Roma também. Mas assim, então não é, não existe Igreja Romana posterior. Mas independente, acho que a gente não vai concordar sobre isso. Em resumo, a gente concorda que a Igreja Universal é católica, e ela é universal, ela é católica, E ela é apostólica, mas a gente discorda sobre o primado de Pedro, sobre os sacramentos e sobre uma série de outras coisas que são a divergência.
Apesar de que, viu, eu não tenho nada contra Pedro, deixar claro. Aliás, se você me perguntar qual é o melhor manual de teologia que eu conheço, eu diria a Primeira Epístola de Pedro. É o manual de teologia. Isso não tem nada contra Pedro, ele só não é sobre ele, até pela Não é um argumento, mas interessante, né? Até pela característica dele ser o fundamental, que seria algo—
mas isso é, essa é a beleza, é justamente o que você argumenta, que essa é a beleza.
Não é um argumento, como eu falei, mas seria interessante.
Mas é uma beleza assim, mas ele foi importantíssimo, né?
Sendo a pessoa que foi importantíssimo, levou o evangelho e a tradição.
Que São Paulo corrigir ele, eu diria que ele reforça a autoridade dele, mas é uma coisa bonita se fala é que Pedro justamente é o primeiro Papa, sendo aquele que negou Cristo 3 vezes.
Não tem onde é o primeiro, não tem nem na Bíblia.
Porque dá a ideia de que a sucessão apostólica, nós da Igreja e as pessoas todas da Igreja, nós não somos perfeitos. E na verdade, na falha— e o Papa não é uma figura perfeita, ninguém tem essa. Eu tenho certeza, não conta isso, mas em relação ao Papa Francisco, isso é excelente.
Nem precisa me dizer.
Sem entrar no tema do Papa Francisco, os papas não há uma promessa.
Eu conhecia de católico honesto, sério, estudioso, que tinha um horror, ele dizia assim no secreto, assim, né, no off, né, de nossa, tem que consertar as coisas do Papa Francisco o tempo todo.
Você sabe, tem uma história do Decameron.
Mas o anterior era bom, né?
O anterior, o Papa Bento XVI é incrível. Você sabe que tem uma história muito boa do Decameron? Eu já contei em uns podcasts, mas eu acho ótimo. Então tinha um judeu que ele ia se batizar e aí ele ia para Roma fazer negócio e aí o bispo fala para ele, se batiza antes, tá? Aí ele fala, não, eu vou para Roma fazer negócio e tal, depois eu me batizo. Aí ele fala, não, não, não, não, se batiza agora. Aí o judeu vai embora e ele fala, putz, perdemos ele.
O cara vai ver a corrupção em Roma, vai ver os bispos corruptos, não sei o quê, não vai querer se batizar nunca. Aí o judeu vai para lá, volta, né, e ele falou: pode me batizar. Aí o bispo fala: você não viu os cardeais corruptos, não sei o quê e tal? Ele falou: eu sou um homem de negócio, uma empresa não duraria 30 anos bagunçada desse jeito. Se esse negócio tá de pé há 1500 anos, é de Deus mesmo. Pode me batizar. E eu acho que essa Essa é uma beleza, porque quando você olha a história da Igreja, tem papas que foram ruins, tem papas que foram bons.
Os apóstolos, Pedro mesmo negou Cristo 3 vezes. As pessoas cometem o mal, mas para cada pessoa que comete o mal você tem a história dos santos.
Assim como pastores, tem pastores que são bons, tem pastores que são ruins, tem cristãos que são bons, tem cristãos que erram. Isso aí não é uma característica, isso não é prova, isso não é prova do romanismo. Me perdoe dessa linha. Isso não é prova. Isso aí que as pessoas são falhas, todos nós sabemos, né? Embora a igreja seja santa, a igreja genuína do Senhor, ela é santa, ela é separada. Essa é a igreja genuína do Senhor, né?
Quando nós nos arrependemos, entregamos a nossa vida ao nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, nós somos chamados a não mais pecarmos. Eventualmente pecamos, mas somos chamados a isso, a uma busca de santidade. Eventualmente pecamos, mas você sabe o que acontece com quem é verdadeiramente salvo, que entrega a vida ao Senhor? Vocês sabem disso, que quando as pessoas que são salvas pecam, elas se sentem mal interiormente. Então a natureza é transformada. Então esse é o elemento de transformação radical que Jesus faz em nossa vida.
Eu adoraria ver, eu não é uma tentativa malandramente tentar te converter não, tá? Mas eu adoraria ver sua perspectiva sobre esses textos do Cardeal Newman, porque enfim, eu sou católico, então evidentemente quando eu leio eles é muito, mas a minha base de fé são as Escrituras, entendeu?
Nada fora das Escrituras, contra as Escrituras, vou me converter a outro tipo de dúvida. Acho que a revelação de Deus é na Bíblia. A Bíblia é a palavra do Senhor.
Ninguém discute a revelação de Deus.
Tudo é muito interessante, mas é só, é muito inferior à revelação de Deus que tá na Bíblia. Nós temos que conhecer.
Inclusive, eu faço até uma observação, algumas pessoas, opinião, porque ele era, ele era, tem esse livro. Não, eu só queria recomendar porque eu queria saber sua perspectiva. Não é um, não é uma, não é isso, mas ele chama Apologia Pro Vita Sua, que é a história da conversão dele. Porque o tema, eu acho que evidentemente, independente disso, acho que ninguém discorda que as Sagradas Escrituras são texto central da nossa fé. Ninguém tá sob divergência disso.
O caso, mas que eu gostaria de ver, é Eu tenho muita curiosidade de ver alguém que é protestante comentar sobre essas pessoas.
Evangélico, né, no caso, né?
Isso, melhor ainda. Pelo que nós falamos aqui, protestante é um termo negativo. E se você ainda for crítico do Lutero, Nossa Senhora, ainda vai ser mais interessante ainda.
Não mais do que eu sou do Papa anterior, viu?
Francisco. Mas olha, você já pode virar até um tradicionalista.
E outra coisa, eu não— outra coisa interessante, nós não temos procuração para defender de Lutero. É assim, nós somos cristãos, é como eu digo, é a Bíblia, é Cristo, entendeu? É Cristo, é a Bíblia. E Lutero não é o movimento da Igreja Evangélica, não nasce ali. A Igreja Evangélica nasce em Atos 2, em Jerusalém, é a Igreja do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Porque Lutero absolutamente é uma figura histórica com vários problemas, mas seria um outro tema de debate. Mas o que eu queria te falar, esse livro Apologia Pro Vita Sua, é uma recomendação para ver sua perspectiva. Porque ele foi protestante, deixou de ser, como Scott Hahn também, que você deve conhecer. Eu adoraria ouvir a perspectiva, porque como, sei lá, né, são tantas transformações. Mas enfim, é uma recomendação de de convite, a perspectiva.
Como eu falei, não é uma tentativa de safada assim de falar, não, tente se converter. Mas eu acho que é uma—
eu sou evangélico por conta da Bíblia, porque eu li a Bíblia.
Não, claro, eu sou católico por causa da Bíblia também.
Isso daí, ótimo vício, ótimo vício. Não, beleza. Então assim, por conta da Bíblia, aquela é a palavra de Deus. Nós não podemos ler a Bíblia como se como se estivéssemos lendo qualquer livro, como um livro de um filósofo. De não, não, não, mas a Bíblia é a expressão, é Deus falando, é Deus se revelando.
Todo o tema da tradição, como a gente vai interpretar a Bíblia também. E justamente, justamente porque a Bíblia é esse texto sagrado e sem dúvida a palavra divina, é que a interpretação dela é tão relevante. E a tradição da Igreja é relevante inclusive para interpretação das Sagradas Escrituras.
Unidade não é uniformidade. Isso é interessante, um tema muito relevante. Unidade não é uniformidade. Existe unidade na Igreja do Senhor, mas o fato de haver divergências internas na interpretação que tem dentro do— não quero falar romanismo, mas tem dentro da vertente católica romana, que também tem, não vamos negar, que eu mesmo conheço vários amigos queridíssimos da Opus Dei que não falam horrores do movimento carismático dentro, toda gente.
Então assim, isso eu não tô uma pessoa falar que Cristo não está de fato presente na Eucaristia não é católica. É diferente da pessoa divergir sobre um outro tema, sobre liturgia.
Não, mas isso, o transsubstancialismo, não tá nem perto como a doutrina central do cristianismo, pelo amor de Deus, tá nem perto.
Aí discorda sobre isso?
Não, você discorda? Você discorda disso ou não discorda? Não escutei.
Isso é da ideia de que a transsubstanciação não é um tema central. Concordo com a ideia de que ela é um tema central, é um ponto fundamental.
Não, para nós, a presença de Cristo, seja na representação, na comunhão, seja a presença mística, ou seja a presença física, que é o que o catolicismo romano defende, para nós isso aí tem vertentes do cristianismo que acreditam que quer é uma coisa, quer é outra, quer é outra.
Mas isso para mim é muito importante, porque Cristo, claro, no 6º capítulo do Evangelho, eu notei que é muito importante para a Igreja Católica Romana. Isso é muito importante, é muito importante a Eucaristia, porque o Cristo inclusive fala: quem não come do meu corpo não terá vida eterna. E depois ele fala: quem não beber do meu sangue não terá vida eterna. E a presença real de Cristo na Eucaristia, ele não fala: esse é tipo o meu corpo. Ele fala: esse é o meu corpo.
É como dizer: eu sou a porta, eu sou o caminho, vinho.
Ele disse: eu sou, eu sou várias metáforas, mas nesse caso, esse caso é diferente porque os apóstolos inclusive pensam em ir embora e ele fala: podem ir embora.
Mas é porque aquilo—
e Pedro fala: mas para onde nós vamos? Tem as palavras da salvação.
Mas eu, eu, eu, mas enfim, mas eu não tenho problema nenhum, irmão, não tenho problema nenhum. E a pessoa crê que ali naquela hóstia é um pedaço do corpo de Cristo real, físico, que se você fizer um exame laboratorial vai dar pedaço de corpo e não vai dar pão, né? Então nenhum problema com isso, tem problema 0,0, tá certo?
Ninguém defende que se você fizer um exame, embora existam milagres eucarísticos, esse é o tema de transsubstanciação, mas ninguém defende que se você fizer um exame laboratorial vai dar que tem corpo.
Então você não defende que houve mudança real então?
Eu defendo que houve mudança real, mas não é a mudança da substância, não é a mudança da matéria imediata.
Certo, é uma substância que você não detecta, não detecta pela experiência.
Porque em toda metafísica é uma separação entre matéria e forma, e nem tudo, nem absolutamente todas as coisas são determinadas apenas pelo material. Existe uma substância que antecede aquilo que é meramente material. Do mesmo modo, tá ótimo.
Então o pão, ele não é Em matéria não é corpo, ele está sob a espécie do pão, mas é sério.
Embora existam, aliás, milagres eucarísticos.
Mas eu acho que fica à vontade, eu não tenho nada, quem pensasse, não tenho nada contra, tá? Então, meu posicionamento é que a presença de Cristo ali, inclusive meus alunos, quando dou aula sobre isso, não ataco isso. Pessoal lá do curso de Gênesis Apocalíptico, dou aula sobre isso aí, tem muitos alunos católicos inclusive. Eu não ataco isso, que eu digo, olha, a tradição cristã diz que ou a presença está fisicamente, ou a presença está simbolicamente, ou a presença está misticamente. Então é um, tá nesse aspecto, por mim.
Boa, senhores, agora é hora de considerações finais. Agradecer demais aos dois. Redes sociais, links, tudo.
Eu quero agradecer bastante o Tasso pela conversa. Evidentemente, claro que eu sou católico, ele é protestante, evangélico, desculpa, a força do hábito. Nós temos as nossas divergências, mas assim, hoje eu entendo que nós estamos numa batalha muito comum pela— eu acho que existe um um grande ataque a tudo que é igreja, tudo que é, que são bons valores. Então agradeço demais pela conversa, acho que sempre é muito elucidativa. Acho que nós dois concordamos na essência do podcast, que é a relação entre filosofia e a fé, que a fé e a filosofia são complementares.
E eu acho que isso é maravilhoso. Eu fico muito feliz de ver pessoas ao redor do Brasil, né, defendendo, cada vez mais descobrindo a fé e voltando a, voltando à tradição e querendo resgatar essa união de filosofia e fé. Acho que isso de falar das raízes satânicas do comunismo é absolutamente verdadeiro. Então queria agradecer demais aí pela conversa. Meu Instagram é Guilherme FCL Freire, meu YouTube é Guilherme Freire. E é isso, olha, obrigado.
Eu, para mim, sempre uma alegria ver aqui no Vilela. Eu sou um, o Licurgo também é um convidado recorrente aqui, mas eu sou um convidado recorrente e eu sou um fã aqui do podcast do Vilela. Eu vou em vários, né, vou em uns 500 podcasts, mas aqui é diferente para mim.
Eu sou o Vilela, professor.
Não, para com isso. Você adotou isso, mas eu sou um fã do Vilela porque eu acho que é uma uma, assim, a minha impressão indo em vários é que a conversa flui bem aqui. Eu não sei se é a doideira do cenário, não sei se é o Vilela, ele fica em silêncio muito tempo, ele só solta a bomba da deixa e vai embora. Eu não sei qual é a boa, mas é uma conversa muito agradável. Então só queria agradecer todo mundo aqui pela conversa e acho que tem muitas Muitas conversas interessantes aí que nós temos aí.
A gente foi abrindo umas questões que estavam fora do assunto, mas que dão programas inteiros só sobre isso, né?
Minha parte de agradecer a presença do Guilherme, e foi uma alegria realmente grande conhecer. Não o conhecia, tive a oportunidade. Não, não tenho. É um estudioso, né? E Professor Vilela, como sempre. Professor Vilela. É porque ele faz assim que não entende, mas ele entende tudo. Eu já, eu sei toda a estratégia dele, eu não vou colocar assim.
O momento auge do Vilela foi o Nicolas brigando com o Nando Moura e eles brigando em inglês. E aí o Vilela, I don't understand enough, vamos mudar de assunto.
Isso é um clássico da internet. Então agradeço obrigado pelo convite, foi uma alegria nós conversarmos aqui. O cristianismo dá espaço para isso, dá espaço para nós nos aprofundarmos no texto, discordarmos. Isso é a beleza do cristianismo. Em outras visões de mundo, nós não teríamos essa possibilidade. Olha só que maravilha, a gente pode riscar o texto, dizer isso aqui eu não concordo com isso, é aquilo outro, faz conexão do Novo com Antigo Testamento, os livros entre si.
Então assim, isso é de uma beleza intelectual inigualável. Então o cristianismo, ele nos dá essa possibilidade. Quem quiser me seguir nas redes sociais, meu Instagram é @taçoslicurgo.
Vamos colocar no comentário fixado.
Isso, @taçoslicurgo. E meu YouTube é @licurgo, Licurgo com Y, né? Também origem, o que que é, Licurgo? Rapaz, Licurgo é origem lá da tromba do elefante, né? Mas a origem da palavra é grega, inclusive.
Mas sua família vem de onde?
Rapaz, vem lá dos índios do sertão, né? Não é só dos índios do sertão não, inclusive sobrenome Licurgo em grego quer dizer caçador de lobos.
É mesmo? Interessante. Mas você tem ascendência grega? Rapaz, brasileiro, ele sabe como é que sabe, né?
Brasileiro é uma mistura impressionante.
Minha filha lá nos Estados Unidos fez aquele, mas daria para você ter trabalhado Odisseia, né?
Poderia. Ela já seria mais grego do que o elenco da Odisseia.
Ela fez aquele exame genético que faz, não tem um negócio?
Tem, eu fiz aí também.
Eu tô até querendo fazer, cara.
Apareceu norueguês, inglês, mas faz sentido você ter sangue nórdico, você tem um traço, é o porte, o tamanho também, né?
Mas a minha origem é a tromba do elefante.
Só uma história muito breve. Os nórdicos, várias pessoas do norte da Europa lutaram na Batalha do Cerco de Lisboa e serviram sob Dom Afonso Henriques. E muitas das pessoas que vieram para o Nordeste brasileiro vem do norte de Portugal, que foi uma região que recebeu influxo muito grande dessas pessoas que lutaram na Batalha do Cerco de Lisboa.
E judeus também, né? Nós já falamos fala por aqui que todo nordestino quase tem ascendência judaica. Tem judeu também lá no negócio, né?
É mesmo?
Ah, é o chapéu de couro, é a kipá, é aqueles negócio de couro ali são as tranças do judeu, a estrela de 6 pontas, a estrela de Davi. Então assim, é muito interessante, até o shofar, o berrante, é o berrante, o berrante, tem vários elementos. E também aqueles que quiserem ser meus alunos, sei lá, licurgoacademy.com, licurgoacademy.com. Então ali que nós ensinamos a Bíblia de Gênesis a Apocalipse, também ensinamos sobre os fundamentos para defesa da fé.
São cursos que cabem todas as vertentes cristãs, inclusive do catolicismo romano também. Nós não entramos nessa divisão, então falamos do essencial, contando a Bíblia como uma só história, começando desde Gênesis até Apocalipse. Você sabe por quê, Guilherme? Muita gente conhece as histórias da Bíblia, mas tem dificuldade em saber a história da Bíblia, como todas essas pérolas que são as histórias da Bíblia, sabe, Guilherme? Elas são interconectadas e contam uma só história.
Então eu começo ali de um casal no jardim e termino após 580 aulas em uma multidão, em uma grande cidade. Então todas as aulas são interconectadas. Fora isso, nós temos cursos sobre fundamentos de defesa da fé, que é Deus e Universo, Deus e a Vida, Deus e a Moralidade, a Confiabilidade da Bíblia, Quem Foi Jesus Cristo e Fé e Razão, entre outros cursos mais, como de hebraico, entre outros tantos. Obrigado, meu amigo, foi uma satisfação.
Obrigado demais, gostei muito dessa união e dessa junção. E se o pessoal clicar aqui direto, já vai direto para o nosso vídeo, que é o vídeo muito especial, eu, Sacane e Daniel Lopes. É isso aí, é cobrindo o eclipse, né, Caçadores de Eclipse.
Tivemos na Espanha, esse dia foi louco.
Nossa, velho, cara, ficou até frio, cara. Parece que ligaram o ar-condicionado durante 2 minutos, depois voltou. Quem não teve essa experiência de ver um eclipse solar total, ano que vem vai ter no Egito. Será que a gente consegue ir em agosto? No Egito, hein?
Olha que louco!
Será que a gente consegue voltar, né? É, voltar do eclipse do Egito.
Ah tá, é, tem essa questão.
Então se vocês ficarem aqui, vai ser abduzido lá do Egito, redirecionado direto já para esse vídeo. Acaba esse, começa outro. Agora é contigo aí, cara.
Então fica aí, não sai aí, que logo a gente vai ter o nosso vlog. Já deixa o like, se inscreva no canal, torne-se membro. Estamos sendo patrocinados hoje pela Elements, né?
Cadeira Elements. E agora, para você brilhar, o que que o pessoal escreve nos comentários para provar que chegou até o final dessa conversa?
Para provar que você chegou ao final dessa conversa, coloca aí: Uberman.
Uberman. Que falaram que Uberman é um cara que dirige, que mora em Uberlândia e dirige 99. Os caras são criativos. Até mais, gente. Fiquem com Deus. Beijo no cotovelo. Aquele tchau e que bom que vocês vieram. Valeu, fui!
As opiniões e declarações feitas pelos entrevistados do Inteligência Limitada são de exclusiva responsabilidade deles e não refletem necessariamente a posição do apresentador, da produção ou do canal. O conteúdo aqui exibido tem caráter informativo e opinativo, não sendo vinculado a qualquer compromisso com a veracidade ou exatidão das falas dos participantes. Caso você se sinta ofendido ou tenha qualquer questionamento sobre as declarações feitas neste vídeo, por favor entre em contato conosco para esclarecimentos.
Estamos abertos a avaliar e, se necessário, editar o conteúdo para garantir a precisão e o respeito a todos.
Elements
Cadeira