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1901 - ELIZE MATSUNAGA: O QUE O FILME NÃO MOSTROU? SALADA E LORDELLO

07 de agosto de 20262h15min
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RICARDO SALADA é perito criminal e JORGE LORDELLO é delegado e especialista em segurança. Eles vão bater um papo sobre o caso Elize Matsunaga e a repercussão do público agora que ela saiu da cadeia. O Vilela se lembrou de que adora os doces do Amor aos Pedaços.

Participantes neste episódio4
R

Rogério Vilela

HostApresentador
H

Homer

Co-host
L

Luiz Sayão

ConvidadoEspecialista
R

RICARDO SALADA

ConvidadoPerito criminal aposentado
Assuntos11
  • O papel da mídia e a busca pela verdade· SociedadeFalsa perícia·Peritos particulares vs. oficiais·Cadeia de custódia·Lei de Abuso de Autoridade
  • Temporal em São Paulo· Meio AmbienteDistância do disparo·Zona de tatuagem (queimadura)·Laudo necroscópico vs. versão da acusada·Trairagem e premeditação
  • O caso Elisa SamúdioA investigação e descoberta dos corpos·Testemunho de menor de idade·Certidão de óbito indireta·Morte sem corpo
  • Crimes e Ocultação· SegurancaApartamento duplex·Divergência com provas periciais·Reprodução simulada
  • A investigação e descoberta dos corpos· SociedadeViagem para o Paraná·Descarte em Cotia·Identificação por roupas de luxo·Celular como prova
  • Filme Elize MatsunagaLicença poética·Narrativa ficcional·Divergência com provas periciais
  • Histórico do relacionamento MatsunagaConhecimento em site de garotas de programa·O namoro e casamento de Henrique e Maria·Elize como amante·Casamento com Elize
  • Motivações do crime· SociedadePensão alimentícia·Perda de padrão de vida·Viagens de caça e luxo
  • Elize Matsunaga como vítimaRelacionamento abusivo·Vitimização na narrativa
  • Expectativa de vida e mortalidadeAgonizando por 10 horas·Morte cerebral como tese de defesa·Crueldade da decapitação
  • Esquartejamento e termos técnicosEsquartejar vs. Espostejar·Crueldade do ato
Transcrição267 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
RVRogério Vilela

Olá, terráqueos, como é que vocês estão? Eu sou Rogério Vilela, tá começando mais um Inteligência Limitada, o programa onde a limitação da inteligência acontece somente por parte do apresentador que vos fala. Sempre trago pessoas mais inteligentes, mais interessantes, com a vida muito mais criminal do que a minha, do que a sua. A sua é criminosa.

LSLuiz Sayão

A minha?

?Voz C

Será?

RVRogério Vilela

Porque você não faz nada fora daqui.

RSRICARDO SALADA

Ah, é?

RVRogério Vilela

Você me fala que sua vida é extremamente normal, que não tem acontecimentos extraordinários. Eu quero entender onde está a emoção na sua vida.

HHomer

Será que eu já roubei seu coração? Você não esperou essa vir, nem? Cara, qual outro crime você cometeu, bebê?

RVRogério Vilela

Qual foi o maior crime? Crime que você pode falar aqui, né, que você— ou de criança, que já tá prescrito também.

HHomer

Que eu sou gordinho, né, assaltar a geladeira comigo mesmo, cara.

RVRogério Vilela

Mas você não roubou nada na Americanas não, né?

HHomer

Não, nunca na Americanas não.

RVRogério Vilela

Tá bom, da Americanas não. Tá bom, ficamos com essa informação. Como que o pessoal vai participar dessa live? Como que vai ser hoje?

HHomer

É uma live especial que é dedicada para pessoas especiais, que são os nossos membros. Eles têm acesso aí a nossa agenda com antecipação e eles mandam pergunta fulano na fila do chat.

RVRogério Vilela

Ah, é? É, então você pode mandar pergunta no chat, mas a preferência é dos membros. É isso mesmo?

HHomer

É isso aí.

RVRogério Vilela

Já dá like porque essa live vai ser muito legal, o assunto é bem interessante. Pelo que eu conversei aqui, tem muito material que nunca foi mostrado e nunca foi comentado, e a gente vai falar muito de detalhes que você não imagina. Mas antes de começar esse papo, quero falar com você. Deixa eu perguntar uma coisa aqui para o pessoal que tá em casa, tá, ô Homer?

HHomer

Fechou.

RVRogério Vilela

Alguém aqui já pensou em prestar concurso público, mas ficou paralisado sem saber qual escolher? É mais comum do que parece. A pessoa acorda um dia decidida, fala assim: eu quero mudar de vida, quero estabilidade, quero salário decente. Aí abre o navegador, olha 20 editais diferentes ao mesmo tempo e trava. Concurso federal, estadual, municipal, tribunal, polícia, banco, cargo de nível médio, nível superior. Você fica na dúvida.

Cada um pede um tipo de estudo, você sabe disso. Cada um tem uma banca diferente, cada um tem seu jeito de cobrar. E no meio de tanta opção, a decisão fica travada e o tempo vai passando. Bom, se você tá nesse ponto de indefinição, o nosso parceiro Estratégia Concursos, que é líder em aprovação no Brasil, criou uma ferramenta gratuita pra te ajudar a decidir de forma inteligente. Chama Mapa dos Concursos. É basicamente um mapa vivo do Brasil inteiro com todos os concursos abertos, previstos e autorizados, do federal ao municipal, do norte ao sul.

Você entra, filtra por estado, por área, por nível de escolaridade, e o mapa te mostra o que combina com o teu perfil. Em vez de ficar trocando aba 20 vezes olhando edital solto, você vê o cenário completo em um lugar só e decide sabendo o que tem, onde tem e quando tem. Então acesse o link que está na descrição ou o QR code aqui na tela para conhecer o mapa dos concursos e encontrar o concurso mais próximo de você.

RSRICARDO SALADA

Beleza?

RVRogério Vilela

Você não faça isso, que você é meu.

HHomer

Ah, é?

?Voz C

É.

RVRogério Vilela

Não vai atrás de salários maiores, estabilidade e ambiente sadio. Você tem que trabalhar em ambiente insalubre que nem aqui, no porão, no porão, respirando pó, não é, né?

LSLuiz Sayão

Poeira junto com os morcegos.

RVRogério Vilela

Junto com os morcegos não resolveu ainda esse negócio. Esse morcego, outro dia a gente foi tirar foto aqui, tinha um gambá aqui fora, é um, como chama, saruê. Tava saruê na foto assim atrás, não é, cara? Bonitão, né? Tem morcego, saruê, tem macaquinho aqui por volta, tem tudo aqui. Tem o nosso animal de estimação que é o Bigoda, né? Se não alimentar ele, ele morde, ele morde, ele morde, morde a canela. Vamos para o papo então, que hoje é muito interessante.

Apresentações já vieram aqui. Salada, para quem não te conhece, como você se apresentaria nessa câmera aqui?

RSRICARDO SALADA

Perito Salada, perito, graças a Deus, aposentado, né? Desenvolvimento, finalmente, é Finalmente, graças a Deus, porque mudou a etapa da vida, né? Então muda as coisas.

RVRogério Vilela

Quantos anos, Salada?

RSRICARDO SALADA

Muitos, muitos, muitos, muitos, muitos, muitos, muitos, muitos, muitos.

RVRogério Vilela

Eu tenho 55.

RSRICARDO SALADA

Tá novo.

RVRogério Vilela

Ah, é mais do que 55? Não parece.

RSRICARDO SALADA

Eu tô com 65.

RVRogério Vilela

65, tá certo.

RSRICARDO SALADA

É um pouquinho mais. Quantos anos de só 32? 32 de perícia, né? Então aquela situação que a gente deu para trabalhando sempre em crimes contra a vida Então deu para aprender um pouquinho, é, ver bastante coisa, né, aprender um pouquinho, porque a gente tá sempre aprendendo, né, não tenho um fim, né, de aprendizado, sempre tá se aprendendo, sempre até hoje, e busca, tem que ir em busca de informação.

RVRogério Vilela

E você, Lordelo, também pensa da mesma forma?

LSLuiz Sayão

Então vamos lá, antes de assistir o filme que foi lançado agora pela Netflix, eu fui buscar entender o que os autores e o roteirista pretendiam com aquilo, até para que eu pudesse entender o que que eles querem com esse filme. E eles foram muito claros em dizer o seguinte: é uma obra ficcional baseada em fatos reais. Mas eles são muito honestos em dizer o seguinte: nas conversas entre Elize e Marcos Matsunaga, eles criaram um direito poético de criar uma narrativa.

E essa narrativa tem muito a ver com o que o perito Salata falou, que é uma narrativa que tenta mostrar ela numa posição vitimizada. Ou seja, aí quando eu vejo esse relatório que eles fizeram, eu falei, bom, agora eu posso assistir o filme, porque eu sei que eles não estão dizendo que a obra é inteiramente realmente voltada com fatos reais. E aí eu começo a assistir o filme papel e caneta na mão, e eu comecei a falar: bom, isso aqui é verdade.

Aí eu começo a olhar: isso aqui é mentira. Não, isso aqui é verdade. Não, isso aqui a gente não tem certeza de absolutamente nada. Mas o que mais me incomodou foi a cena principal dessa história, que é a cena do crime que aconteceu no apartamento, que aconteceu no duplex. E a cena que eles colocaram é totalmente divergente das provas periciais. E daqui a pouco eu quero mostrar para você o grande erro que eles acabaram cometendo, e você acaba induzindo ao público em algo que não é verdade.

O Salada falou uma coisa muito importante: como o caso é de grande repercussão, existe uma responsabilidade perante a sociedade. Claro, por quê? Porque a menina tá viva, a filha do Mário.

RVRogério Vilela

Ninguém é obrigado a ler autos, ir atrás do negócio. O pessoal vai se informar através de um filme, infelizmente ou felizmente.

RSRICARDO SALADA

Eu vejo da seguinte forma: você vê um filme que é baseado em fatos reais, você acredita que você vai ter o mais fiel possível, porque vai te trazer conhecimento, entendimento do crime. Então esse é o objetivo, vai ilustrar, vai ilustrar o que aconteceu, o que que aconteceu que eu não tô sabendo, que eu vou passar a entender. Se você cria uma fantasia com algumas coisas verídicas, né, é uma fantasia, não é um filme de uma personagem, porque foi baseado.

Então você, mas você tem que tentar fazer o filme mais real possível para a gente entender de uma forma talvez mais real, mais transparente o que aconteceu. Agora você começa a fantasiar, Você glamouriza a situação, põe ela de uma autora de um crime bárbaro, assassina, uma assassina, tá? Ela como vítima, entende? Ela teve uma participação de vítima, uma parcela muito pequena dentro da vida dela. Ela vivia um relacionamento abusivo, entende?

Todas as vezes que eu pergunto para, em palestra, O que que vocês fariam para as mulheres, né, que se tivesse num relacionamento abusivo? Todas falam: eu separaria. É claro que a gente tem que ter uma análise dentro do— não é tão assim, mas a pessoa se envolve, fica dentro lá do subconsciente, ela fica dependente da pessoa apesar de estar numa situação horrível. Então muitas vezes não é simplesmente assim: aí eu vou separar. Mas a pessoa tem que ir organizando os pensamentos, a linha de raciocínio, talvez com psicólogo, vai criando um ambiente que acabe sendo propício para ela ter essa separação.

Porque fica muito fácil, né? Aí eu tô mal na minha relação, pego uma arma, pau, pronto.

RVRogério Vilela

O pior, crime de esquartejamento, né? Que tem um outro grau ainda de crueldade.

RSRICARDO SALADA

Eu digo o seguinte, Você esquartejar, né, ou espostejar uma pessoa, espostejar, é mais certo, é porque quando você fala esquartejar tá relacionado a 4 partes. Ah, não sabia disso, né? E quando você em vários pedaços chama, que seria espostejar, espostejar. Né? Então você pega as postas de carne, sei lá, né? Então o termo mais correto seria mais o popular, né? Acaba prevalecendo, né? Você esquartejar ou espostejar alguém que você não conhece, tá?

Uma pessoa normal, eu acho que seria uma coisa terrível você pegar uma pessoa com uma faca de alguém que você não conhece. Agora, uma pessoa que você convida, agora uma pessoa que foi seu marido, pai da sua sua filha, que você dizia amar, que você teve um relacionamento, não sei o quê, por você pegar e cortar essa pessoa. Olha, eu não sou psicólogo nem psiquiatra para tipificar o distúrbio. Eu sou perito criminal, faço criminologia.

Eu tenho condição de dizer o seguinte: olha, ela tem problemas. Isso eu posso afirmar, não é uma pessoa normal, que nenhuma pessoa normal consegue fazer um, ou passar por uma situação tão bárbara dessas e aparentemente tá tranquila depois. Que foi, ainda continua morando na mesma casa com a filha, mas não sei quantos dias, né, até ser levada presa, tá com ela, com a mãe, não sei o quê. Imagina.

LSLuiz Sayão

Agora tem um fato interessante, quando eu fui assistir filme, Vilela. A história de todo caso, todo inquérito policial, ela é muito densa e comprida. É um filme para ter 2 horas e meia, Vilela. Em 1 hora e meia você não consegue contar essa história de uma forma real. Então o que aconteceu? Eles cortaram coisas importantes, importantes pelo seguinte, Poxa, eu vou fazer um filme, você teria que tentar falar com ele, com Elise Matsunaga.

E muita gente pensa que ela participou do filme, não participou, ela não participou em nada. Ela não foi consultora. Poderia, poderia, ela poderia ser contratada para poder fazer uma narrativa, ela poderia fazer uma segunda voz, ela poderia até participar. Mas quem produz o filme, então eles fazem um equívoco que eu acho muito ruim. Se você não tem alguém que estava lá, que seria Elize, ela não participa em nada. Eu tentaria conseguir, isso era fácil eles conseguirem, o inquérito policial, porque o inquérito policial é o caderno, é o livro.

E lá dentro do inquérito policial tem muita coisa interessante que não foi divulgado. Por quê? Porque na narrativa entre Elize e o marido, ela foi colocada como uma pessoa que foi abusada, foi vitimizada. E muita gente, ouvi nas redes sociais, estão dizendo, pô, ela matou e fez bem. Só que o meu amigo Salada comentou de um fato muito curioso, porque foi o seguinte, entenda bem, no dia 19 de maio de 2012 ela mata o marido, ela mata o marido, ela espera 10 horas, corta o corpo do marido em 6 partes, coloca em vários plásticos, coloca em sacolas e desovou o marido lá em Cotia. Até aí tudo bem. Ela volta para casa. Tudo bem não, eu entendi.

RVRogério Vilela

Mas é que é engraçado, até aí tudo bem não, não tá tudo bem, mas dentro do absurdo é o absurdo.

LSLuiz Sayão

O que acontece? Ela sai de casa no dia seguinte às 11 horas da manhã e volta quase meia-noite. Ela volta como se nada tivesse acontecido.

RSRICARDO SALADA

Absurdo.

LSLuiz Sayão

E aí o que acontece? No dia seguinte Chega a empregada. A empregada que foi ouvida no inquérito policial, essa empregada não tem essa narrativa. E eu queria contar para o seu público que é uma narrativa muito curiosa, pouca gente sabe, importantíssima. A empregada perguntou: cadê o seu Marcos? Ela falou: eu não sei, ele saiu para uma reunião e não voltou. Ah, não voltou? E no dia seguinte? Eu não sei, meu marido não atende o telefone.

E aí a empregada achou estranho. E aí tem um fato muito curioso, que quando ela ia almoçar e jantar, a empregada ia servir a mesa. Isso tá no inquérito policial. A Elize pedia para ela colocar mais um prato para o marido, porque o marido poderia chegar a qualquer momento. Então o delegado perguntou isso para empregada, e empregada foi contando que ela apresentava uma preocupação que o marido estava desaparecido. Ela conta para família depois de uns dias: olha, o Marcos sumiu de casa.

E ela, com a empregada, ela comia e ela obrigava a empregada: não, coloca um prato para o Marcos, que pode ser que ele chegue a qualquer momento. Bom, quando ela é presa e tudo se descobre, ela foi chamada no DHPP e o delegado ouviu tudo isso dela. O delegado perguntou: fala uma coisa, nesse período que ela ficou em casa insinuando, inventando que o marido desapareceu. Ela alguma vez chorou? Ela falou não, ela não chorou nenhuma vez.

E aí perguntaram para ela o seguinte: quando é que você viu ela chorando? Eu vi ela chorando quando ela foi presa. Então é o que o perito fala.

RVRogério Vilela

Isso faria uma diferença absurda no filme, né?

LSLuiz Sayão

Mas você entendeu? Então essa cena é uma cena que eu tô narrando para vocês. Imagina isso, você colocar isso no filme. É uma coisa muito interessante, muita força dramática, para que o nosso público fale o seguinte: poxa, ela foi fria, hein? Nossa, ela, ela não chorou. Ela, ela tava com a filha e ela tinha esquartejado o marido e tava tentando enganar todo mundo. Tanto é que quem fez o boletim de desaparecimento não foi ela, foi a família.

Então uma cena como essa que está no inquérito É o que o Salada falou, tá lá, não vou inventar nada.

RSRICARDO SALADA

Então você coloca porque é a verdade, é a verdade. Na reprodução simulada, tá, que foi realizada, ela é aquela apática.

RVRogério Vilela

Explica o que é uma reprodução simulada.

RSRICARDO SALADA

Reprodução simulada é no mesmo local, é no mesmo local, você refaz a cena do crime, tá? Então, ou a gente faz a reprodução ou com autor ou com testemunha.

LSLuiz Sayão

Antigamente, Salada vai poder lembrar da minha época, o nome era reconstituição.

RSRICARDO SALADA

Depois mudou, mudou o nome, agora reprodução simulada. Atualizou, era reconstituição, hoje reprodução simulada. Perfeito. Então você refaz a dinâmica do fato, tá, do fato criminoso. Então no caso ela se predispôs a participar. Ela é obrigada a fazer isso?

?Voz C

Não.

RSRICARDO SALADA

Não é obrigada. Quando se exige uma reprodução simulada, a pessoa é obrigada a comparecer. A pessoa pode ir lá comparecer. Olha, estou aqui porque eu fui intimado, mas eu não vou participar.

RVRogério Vilela

Tem algum ganho em participar?

RSRICARDO SALADA

Se você não tá devendo nada, por que não participar, né? Eu acho que essa demonstra que, olha, tô certo. É uma parte de defesa. Agora, pela nossa lei, você não é obrigado a provar fazer prova contra si. Então, então você não é obrigado a fazer. No caso dela, ela na quarta-feira ela foi levada para delegacia, ela resolve confessar o crime, né? E a gente aproveitou que ela havia confessado e fazer também a reprodução simulada. A única manifestação dela Tá, fora a dinâmica do crime, foi no momento que a gente tava pegando umas malas, a gente queria ver se ela conseguiria fazer o transporte das malas e colocar tudo dentro do carro dentro da medição de tempo que a gente tinha.

Porque a gente tinha o tempo que ela saiu do elevador na garagem e a gente tinha o tempo que a garagem abriu para ela sair. Então dava, vamos lá, 5 minutos. Então a gente queria saber se nesses 5 minutos era possível, era possível, ela conseguiria fazer isso sozinha ou precisaria do auxílio de alguma pessoa, uma terceira pessoa. Então nós comemos, começamos a pegar um conjunto de mala, começamos a preencher essas malas, farinha nhoque, farofa nhoque, né, peso, para tentar fazer o peso dele, do Marcos.

E teve uma vez que a gente, uma hora que a gente acabou assim os mantimentos, a gente pegou uma caixa de madeira Que é a caixa de vinhos. É, mas será aquela caixa que tava ali? Não, aí tem vinho muito caro. Eu, uma pessoa presa, preocupada, preocupada que a gente pudesse causar ou estragar algum vinho, quebrar uma garrafa, mas dentro da caixa de madeira, e depois é cheio de proteção por dentro. E ela foi uma manifestação que ela teve.

Eu, uma coisa completamente fora de uma situação, você tá preocupado com o valor de um bem, de um consumo, né? Nem um bem, é um material de consumo. Então é uma coisa ridícula. Então tá me, para mim, é uma das coisas, das situações que ela tá me dizendo o seguinte: minha preocupação é com custo. Valores, dinheiro. Porque na época ele era separado da primeira ex-mulher, tinha uma filha. Aí essa ex-mulher recebia, eu ouvi falar, R$6.000 na época.

Ouvi matéria na reportagem que falava que eram R$8.000. De qualquer forma, isso aí tá dizendo para Para época, né, da época para hoje, né, ser o quê, uns R$12 mil, R$15 mil por mês de pensão. Acho que dá para viver, né? Só que esse valor é que ela gastaria numa garrafa de vinho. Ela toma o vinho que ela quer. E como é que ela passa os 30 dias, ela e a filha? Então não funciona a conta, a conta para ela era matar o Marcos, porque ele tinha, se fala que ele tinha um salário aí dentro da empresa, mas ele ganhava por fora, ele participava de leilões de vinhos e não sei o quê, que é onde ele ganhava realmente muito dinheiro, né, até para manter o padrão de vida dele.

Então quer dizer, o lado dela de crime acabou sendo financeiro, né, ela fazia aquelas viagens de caça, fazendas de caça. Então tem no Brasil, tem, ia para África, tem. Então você vai lá numa dessas fazendas, você mata o bicho e paga uma indenização, vamos dizer, para fazenda, uma fabulosa, não é barato, né? E ela era uma exímia atiradora, aprendeu a atirar, aprendeu a os amigos ser bonzinhos. Quer dizer, a gente acostumar com vida boa é muito fácil.

Agora você de repente, entre aspas, regredir daquele patamar que você tá, você tem que ter cabeça, e ela não teve. Então para ela o crime contra o Marcos não é porque ela somente porque ela vivia um relacionamento ruim, porque ela estava para ser trocada por uma outra garota de programa. Mesmo padrão, mesmo padrão que ele fez com ela. Estava fazendo um carro, deu carro, mesmo carro, mesmo carro. É, só que o da nova era um blindado, né?

O da Elize não era blindado. O mesmo padrão, no mesmo site que ele conheceu Eliza, ia nos mesmos restaurantes que ele levava Elize, né? Então ele ia, próximo passo seria separar, e ela ia perder toda aquela mordomia, toda aquela vida abastada que ela estava, tava sendo proporcionado a ela. Por pior que fosse o relacionamento, ela viu que ela ia ser descartada. Então daí o problema.

LSLuiz Sayão

Agora tem um detalhe muito importante que eu volto a repetir: o filme perde a oportunidade de trazer a verdade. Só para você ter uma noção, eles se conheceram em 2004. Nesse site, que é os Cortes, que não existe mais, de garota de programa. E ela, naquela época, ele era casado com uma menina que trabalhava na IOC, era chão de fábrica. Ele tira ela da IOC e coloca ela num apartamento inicialmente. Depois eles casaram e moravam num bom apartamento, não nesse apartamento.

O que aconteceu durante esse casamento? Ele conhece a Elize, se interessa pela Elize, e num dos apartamentos que ele tinha, ele tinha vários apartamentos alugados, Ele coloca Elize para morar e falou: sai da noite, sai do site, que eu te banco, que eu gostei de você. Então ele tinha no mínimo duas mulheres: a mulher dele, que era a mulher que ele tirou da IOC, que trabalhava lá e que virou mulher dele, que eles tinham uma filha pequena.

Esse relacionamento durou 3 anos. Olha que interessante, 3 anos, 3 anos de história aonde Elize era uma amante e sabia que ele era casado. O que que aconteceu? A mulher dele, que não trabalhava mais, mas cuidava dos bens do marido, ela descobre esse apartamento e ela verifica que a pessoa do apartamento não estava pagando o aluguel. E ela vai lá e conhece a Elize, não sabia que era amante do Marcos. E aí ela falou, não, eu tô pagando, mas eu pago de uma outra maneira.

Só que logo em seguida ela descobre, e o marido desmancha um casamento E a partir daí ele assume quem? A Elize Matsunaga. Mas veja bem, o relacionamento deles durou nada, nada, foram 8 anos com a Elize, 8 anos.

RSRICARDO SALADA

Ele casou em 2009, né?

LSLuiz Sayão

2009, ele conheceu ela em 2002. Então nós estamos falando de um relacionamento que durante um bom tempo foi muito bom. E tem um detalhe que eu queria mostrar para vocês: o primeiro casamento, ele não fez festa de casamento de arromba. E nesse casamento que ele fez agora, dá uma olhada, ele assume Elisa Matsunaga e ele fez uma festa de arromba para 300 pessoas, casou na igreja, apresentou ela para a sociedade, apresentou lá para família.

E muita gente fala, não, ele isolou a família dela. Não, não isolou, porque O pai era desafeto dela, que o pai abandonou ela pequena. A mãe, ela nunca se deu bem com a mãe, porque a mãe arrumou um padrasto e também não estava bem com ela. Mas ela se dava bem com uma tia, e essa tia estava no casamento. Então ele apresenta para a sociedade, ela teve um casamento de princesa e eles vão morar. Então dá a impressão que ela, na narrativa, Eles não contam todo esse passo a passo, como o Salada disse.

Dá a impressão que ela só foi abusada, mas durante uma boa parte do casamento, como nesse caso que já tinha 5 anos de casado, de relacionamento, ela teve vida de princesa. Agora, o que me incomodou no filme foi essa cena que eu fiz questão de tirar uma foto. Essa cena do filme, essa é a cena do filme que retrata o momento em que ela pega uma arma de fogo e aponta para o marido. Os peritos, e aí nós temos que citar o nosso perito Salada, concluíram que o disparo, veja bem, A peritagem concluiu que o disparo teria de 30 a 40 centímetros, tá certo ou tá errado?

RSRICARDO SALADA

Desculpa, é bem menos, é menos ou menos, tá?

LSLuiz Sayão

Ou seja, mas aí eu trouxe essa cabeça, veja bem. Então os peritos, eles alegam que o tiro foi praticamente a curta distância, correto? E ela não. Ela mostrou o seguinte. Essa é a cena onde ele leva o tiro, não no filme, em que ela diz, ela diz no inquérito policial que é 1,5m de distância. Mentira, mentira. Olha a outra cena do filme, é a cena que o Marcos cai no chão. E dá uma olhada aonde tá o tiro, aqui na têmpora, na têmpora.

Só que se você ver essa primeira foto, dá uma olhada Eles erraram no filme, ela deu um tiro frontal, porque esse foi o relato dela no inquérito policial, ela deu um tiro frontal. Só que quando eu peguei o laudo necroscópico, por isso que eu trouxe essa cabeça, levanta um pouquinho mais, ele, ela leva o tiro aqui na altura da bochecha do maxilar, ele, e outro, e o que mais me impressionou, o tiro é de cima para baixo. O tiro tem essa posição, e na posição dela teria que ser— ela narra de baixo para cima.

RSRICARDO SALADA

É assim, ó, dentro da reprodução simulada, na versão da reprodução, o que que acontece? Eu represento o mais fiel possível o que ela está dizendo. Então ela vai me dizer, olha, estava aqui. Não é a verdade, é a versão dela. Depois eu faço comentário, aí o comentário é meu, mas a versão da reprodução é na versão dela. Então ela falou, eu estava aqui na porta da onde tinha uma mesa de refeições, tá? Eu estava aqui nessa porta e o Marcos veio.

A que distância que você atirou nele? Aí ela fala, aí. Aí nós medimos da boca do cano até a posição que tava o Marcos, que ela indicou, que ela fala que foi frontal, que foi 1,92m, tá medido.

LSLuiz Sayão

E como ela é mais baixa, o tiro é de baixo para cima.

RSRICARDO SALADA

Aí ainda, o que que acontece? Ainda pergunta O que que você viu nos olhos dele quando você atirou?

?Voz C

Ódio.

RSRICARDO SALADA

O que que você viu nos olhos dele quando você atirou?

?Voz C

Raiva.

RSRICARDO SALADA

Se ela tiver olhando nos olhos dele, como é que ela conseguiu dar um— o tiro foi mais ou menos nessa região aqui, ó. Então o médico legista, ele descreve da frente para trás, da esquerda para direita e de cima para baixo. Então mais ou menos esse o ângulo.

LSLuiz Sayão

Posso só mostrar essa foto? Essa foto aqui retrata a conclusão da perícia.

RSRICARDO SALADA

Entendeu?

LSLuiz Sayão

Foi isso aqui.

RVRogério Vilela

Então ele tava mais baixo que ela.

LSLuiz Sayão

Então veja bem, ele tava mais baixo porque os delegados do caso acreditam que ele estava comendo a pizza. Então imagina que ele tá comendo, estão brigando, mas ele tá comendo a pizza. Ela pega esta arma de fogo, que coincidentemente a arma que eu tenho é a minha arma de uso, que é uma arma igual, uma arma pequena que cabe na mão, 380. E ele tá comendo e ela surge, pega ele desprevenido e dá um tiro não de frente, como está nessa foto, de lado.

Então veja bem, então se a perícia, se a polícia chega a essa conclusão, por que que o filme apresentou esta cena que não é a cena verídica? Nem teria como ser, não teria, porque o exame que foi feito necroscópico do cadáver é outro.

RSRICARDO SALADA

O laudo do legista fala que em zona de tatuagem O que é a zona de tatuagem? A tatuagem é o efeito secundário de um disparo de arma de fogo. Quando a saia é detonado, o cartucho, projétil, né, ele não queima todo de forma instantânea, ele queima extremamente rápido, mas algumas partículas saiem ainda em combustão e elas entram na pele de forma subcutânea, abaixo da primeira camada da pele, e causa uma queimadura por baixo da pele, forma uma tatuagem.

E aí não sai, por isso que se chama zona de tatuagem. Você pode lavar tudo, não sai aquele negócio, vai morrer com aquela marca, tá? Então por isso aí chama-se zona de tatuagem. Em armas curtas, armas normais, 38, 380, é entre 20, 30 centímetros ainda tem essa impregnação. Só que dele, o que que acontece? A lesão, a zona de tatuagem, tava mais ou menos desse tamanho. O médico legista fala que tinha queimadura mais essa zona de tatuagem.

A queimadura numa arma normal É até 3, 5 cm no máximo, mais a zona de tatuagem. Então o legista fala zona de queimadura. Então você estima que o disparo foi realizado numa questão máxima de 5 cm, e ela falou, ela falou 1,92 m.

RVRogério Vilela

É uma diferença absurda, né? E o filme colocou a versão dela.

RSRICARDO SALADA

Então, mas isso aí tá no laudo. De reprodução simulada tinha que se informar, claro, entende? Ou então de repente eles fazem uma situação da onde, né? Então vamos dizer, não é verídico isso aí. Então, ah, mas é baseado, pô, mas é baseado, por que que não baseia o mais próximo da realidade? E para mim o que acontece, se ela pegou essa distância do disparo nele, ela fez isso aí na trairagem, porque ele era lutador de artes marciais, não sei, japonês, faixa preta, não sei o quê, forte, forte.

Ele jamais iria deixar ela se aproximar a essa distância com uma arma na mão, jamais. Então ela pegou na trairagem.

LSLuiz Sayão

Salada, parabéns! Trairagem. Por quê? Porque ele estava abaixo, ele é mais alto que ela. Ele tava sentado comendo a minha, os delegados, alegre, ele tava comendo a pizza e ela surge com uma arma e pum.

RSRICARDO SALADA

Eu tenho uma outra versão, Lordelo, dentro da minha ótica. Fala que eles foram sentar para comer a pizza e aí houve discussão. Para mim houve a discussão, aí ele desceu para pegar pizza. Aí no filme mostra ele subindo com a pizza de boa, quando na verdade existe filmagem ele chutando as paredes do elevador, né?

LSLuiz Sayão

Quer dizer, então para mim a discussão já tinha acontecido e ela só fala que foi depois. Ela fala que foi depois, entendeu? É essa a questão.

RSRICARDO SALADA

Ela fala que foi depois. Quando você, o Rauldo, apesar de ser um um big num prédio, não sei o quê, o hall da cobertura era um hall pequeno. Você vai com uma pizza na mão, você vai abrir a porta, você entra de forma ereta? Não, você vai abaixar a cabeça, vê a maçaneta, você vai abrir a porta, cuidar para pizza não bater nem no marco da porta nem na porta para não cair. Então você vai entrar Com a cabeça abaixada.

LSLuiz Sayão

Também é uma teoria interessante, né? Também é uma boa teoria.

RSRICARDO SALADA

Aí o que acontece, ela nisso aí, ela premedita o que ela vai fazer. Quando ele desce, ela vai lá, pega a arma e vai, ele vai entrar aqui nessa porta e eu vou atirar. Traição também, né? E aí ele, quer ver, aí ele entra assim, ó, com a cabeça baixa. Um disparo aqui, né, na horizontal aqui, ó, quando é analisado pelo médico legista, ele dá na posição de cima para baixo, da esquerda para direita e da frente para trás. Fecha. Então, para meu ponto de vista, foi na trairagem, houve uma premeditação, embora nesse momento, né, de alguns minutos, Meditação pode ser qualquer tempo, é, tem tempo para pensar.

É, então, mas então ela premeditou, ela premeditou. E depois seguinte, ela premeditou tanto que ela pensou, eu vou esperar ele entrar numa posição que ele não vai me enxergar e eu vou executá-lo sem reação, sem reação, que ela atirava. Então, mas ela fica numa posição atrás da porta, alguma coisa, ele tá entrando, ela pau. Então houve premeditação.

LSLuiz Sayão

Salada, você que esteve com ela na reconstituição, me fala uma coisa. No filme que você assistiu também, Salada, ela diz, ela, o filme diz o seguinte, Vilela, ela, ele sobe com a pizza e quando ele sobe com a pizza ela teria colocado na televisão as imagens da traição no bar Alute Alute, pertinho do Fasano, com a amante. Aparece ela Salada assistindo. Ele entra com a pizza e ele olha: que que é isso? Aí ele falou: quem que conseguiu?

Ela falou: contratou um detetive. Aí começa uma discussão. Pergunto para o meu amigo perito Salada: ela falou isso para vocês ou isso é mentira? Essa invenção, que nos autos ela não fala isso.

RSRICARDO SALADA

Não tem nada de televisão.

LSLuiz Sayão

Isso foi uma invenção do roteirista.

RSRICARDO SALADA

É, isso aí é, foi ou não foi? Foi, foi. Não tem nada Entendi, né? Nem em termos de, até onde eu sei, né, em termos de inquérito não tem nada disso. Em termos de reprodução simulada não tem nada disso, entende? Porque na reprodução ela fala, a versão dela, que estavam comendo pizza, então ela falou que já sabia de tudo, papapá. E aí ele ficou bravo, gastando meu dinheiro com isso aí. E aí a discussão foi se acalorando Né, até o momento que ele dá um tapa na cara dela.

Segundo ela, ela nunca havia sido levada um tapa na cara. Aí a gente foi buscar reportagens, já tinha tido um político em Curitiba que tinha acertado um tapa na cara dela, né? Mas ela dizia que não, tá? E que isso foi a gota d'água, vamos colocar assim. Eu acho que mesmo se realmente houve esse tapa ou se houve toda essa discussão, meu, chegou o ponto que não dá, dá linha. Motivação, traição, mentira, não sei o quê. O que que ela tá fazendo lá ainda?

LSLuiz Sayão

Verdade.

RSRICARDO SALADA

Querendo brigar com o cara, arranjar prova para pregar. Pega essa prova, contrata um advogado Vai para um juiz, olha, eu quero separação, tá aqui a prova que o meu marido tá me traindo, entende? Vai conseguir até uma pensão melhor, vai conseguir uma parcela da venda do apartamento, vai comprar um apartamento mais simples para ela, mas um apartamentinho bom, vai ter uma pensão boa e vai viver a vida dela. É claro que ela não ia, não teria o padrão que o Marcos poderia ir, proporcionava a ela, mas ela ia conseguir viver bem.

Se ela quisesse ter um padrão um pouco melhor, ela ia ter que fazer uma coisa que ela não gostava de fazer: trabalhar.

LSLuiz Sayão

Agora, tem um detalhe muito importante que eu vou falar, Vilela, é o seguinte: se ela tivesse socorrido o marido, ligado para o SAMU, ligado para os Bombeiros, ele não teria morrido imediatamente por causa do— porque ela arrasta ele para o banheiro, ela espera 10 horas para fazer o seccionamento do corpo, e o médico legista constata, isso está no laudo, que ao fazer o seccionamento na região da cabeça, Marcos Matsunaga estava vivo. Vivo depois de 10 horas.

RVRogério Vilela

Como saber isso?

RSRICARDO SALADA

Tem por dois motivos. Eu digo, quando você realiza um corte, tá, numa pessoa viva, a primeira camada da pele, você olhando assim paralelo, você vai ver que ela vai ficar vermelha, porque a pele tem irrigação, certo? Se a pessoa já tá morta Fica branco porque não tem irrigação, tá? Isso é uma análise que eu faço, eu fazia, né, análise de cenas de crime. Fora isso, que que aconteceu no sistema respiratório do Marcos? Tinha sangue.

Ele fez, entende? Então ele respirou sangue. Senão, o que acontece? Pode ter o vestígio de sangue no início do sistema respiratório, mas não dentro do sistema respiratório. Dentro do sistema respiratório somente se a pessoa respira. Então ele estava vivo. Ou vamos, foi uma questão que em termos de julgamento que se questionou se ele estaria vivo com morte cerebral. Tá, entende? Então, pelo sim, pelo não, aí até os jurados acabaram não aceitando essa tese de que teria sido meio cruel.

Então o médico que foi contratado pela defesa conseguiu jogar a dúvida aí no meio, tá? Mas o legista fala que, se não me engano, no pescoço nos membros superiores tinham vestígios e sinais vitais, no abdômen, nas pernas, nos joelhos, não. Então ele começou pelo pescoço e acabou, claro, você foi decapitado, morreu, né?

LSLuiz Sayão

Não, e recentemente o Tenente Ronixon da Rota sofreu um atentado em São Caetano e levou um tiro na nuca, foi socorrido, tá vivo, Já tá sem sedação e a gente vai verificar agora se teve sequelas ou não. O que eu quero dizer é o seguinte, é, o filme também não retrata isso. O Marcos poderia ter sido eventualmente salvo ou não, a gente não sabe, mas ele com certeza ele seria socorrido, ele iria para UTI, seria entubado e os médicos iriam tentar salvá-lo.

Porque ele ficou 10 horas agonizando inconsciente. Aonde? Dentro do banheiro da empregada. Então tudo isso foi esquecido pelo filme, colocando que ela leva um tapa, e esse tapa ela diz, mas ele tá morto para dizer se ela realmente levou ou não esse tapa. Essa licença poética poderia até ter sido feita Mas o que eu fico, me chateou ao ver o filme, é você contrariar os laudos periciais, de um deles feito pelo próprio perito Salada.

Então quando ela, quando eles pegam o laudo do perito do IC, o laudo do necroscópico, e jogam fora, eu acho que eles perdem a oportunidade de passar para o público realmente o que aconteceu dentro daquele apartamento.

RSRICARDO SALADA

Um filme que é baseado, quando se fala um filme baseado, a gente quer o mais próximo da realidade. Então não fala que é baseado, é um filme da Elize, não baseado em nada, na cabeça do roteirista, entendeu? Baseado em fatos reais, se ele nem tenta ver o que que foi fato real.

LSLuiz Sayão

Eu queria fazer uma colocação. A pessoa que assiste o filme, Vilela, ela entra na história do filme, ela se emociona. Então é claro que ela vai ter uma visão romantizada do que aconteceu, mas principalmente de vitimização. Mas eu trouxe aqui o relato que foi feito pela própria produção do filme. É importante seu público saber para entender que o filme tem parte dele é verdade E tem parte que é uma licença poética. O que foi colocado quando eles apresentaram esse filme na sociedade?

Eles colocaram o seguinte, abre aspas: as brigas e a construção emocional das conversas entre Marcos Matsunaga e Elize Matsunaga no filme foram criadas pelo roteirista. Isso é importante a gente passar porque o Salada falou uma verdade. Se você faz o filme buscando contratar um perito para funcionar como consultor, contratar um policial que participou para ser consultor, o médico legista, que não fizeram isso, então, porque daí você traz uma realidade, você coloca na cena do crime mesmo.

Vou querer, vou te trazer um outro fato curioso. Você lembra recentemente teve o remake da novela Vale Tudo, novamente com Odete Reutemann? E eu fui chamado para analisar a cena do crime, e eu analisei dizendo que a cena do crime que eles fizeram na novela, olha, novela da Globo, não condizia com a cena de uma morte. Foi feita totalmente desconexa porque eles não contrataram alguém para poder orientar o roteirista. Então fica aqui uma dica para as pessoas que vão fazer filmes dessa natureza e replicar fatos famosos que você tem que ter um apoio de construção.

Vou te trazer um outro exemplo curioso que aconteceu na minha vida. Vilela, eu comprei há cerca de uns 10 anos uma viatura da Polícia Civil no leilão do Detran. É uma Veraneo 76, 6 cilindros, gasolina, e eu mantenho ela como uma relíquia. E eu não sabia que muita gente iria me telefonar e querer usar o meu carro para propaganda ou filme. Eu já aluguei umas 6, 7 filmagens. Uma das filmagens foi o primeiro filme feito pelo, é, da vida do Edir Macedo, porque o Edir Macedo foi preso com a viatura igualzinha a minha.

Então eu fui contratado pela, por uma grande produtora, para eles poderem fazer o filme. E aí eles me pediram, na Vila Leopoldina eles têm um grande galpão Eu fui levar o meu carro lá, Veraneio, para que ficasse lá, para eles poderem fazer a roteirização junto com a minha Veraneio. Essa pessoa que me atendeu falou o seguinte: vocês vão filmar aqui? Ela falou: vamos. Aí a pessoa falou assim para mim: Salada, nós temos aqui o cenário da delegacia de época.

Falei: pô, queria ver. E ele falou: vou te levar. Vilela, eu fui lá ver, era delegacia muito bem perfeita. Só que tinha um detalhe, eu encontrei dois grandes erros na delegacia. Primeiro, naquela época, Salada vai saber bem disso, e como as pessoas podiam fumar na delegacia, em toda repartição pública tinha aquelas caixinhas de madeira com um granulado para você jogar o cigarro, e faltava essa cena lá.

RVRogério Vilela

Bom, esse objeto de cena.

LSLuiz Sayão

Aí ele me levou na carceragem aonde o Edir Macedo ficou detido. Quando eu entro na carceragem, eu comecei a dar risada. Eu falei, amigo, eles colocaram, fizeram a carceragem bem feita, mas no meio da carceragem fizeram um fio elétrico com uma arandela dentro da carceragem. Aí eu falei para ele, falei, amigo, isso aqui nunca existiu numa carceragem, nem naquela época e nem agora. Ele falou, é verdade. Eu falei, é verdade, era só ter perguntado.

Eu vou falar com o roteirista e vou arrancar. Então você imagina se você faz o filme com Marandela dentro de uma carceragem. Então o que que faltou? Eu acho que faltou é gente para poder orientar o roteirista e fazer um filme o mais fiel possível.

RVRogério Vilela

Com certeza. Dito isso, vamos falar mais sobre o caso então, né? Que que você trouxe mais aí, Lodelo? Tem mais Mas coisas que é legal o pessoal saber. O Salada também tem informações de lá de dentro. Essas coisas, por exemplo, que vocês estão falando de, pô, ele poderia estar vivo, eu não sabia. Mesmo levando um tiro na têmpora, que era possível.

RSRICARDO SALADA

É que foi o seguinte, o principal dessa situação é que ela negou essa possibilidade, não acionou o socorro, resgate. Se ela atirou nele, na cabeça dele, por volta das 20 horas, 21 horas, e no dia seguinte, lá pelas 7, 8 horas da manhã, ele ainda estava apresentando sinais vitais, ele passou todo esse período agonizando, agonizando ainda, entre aspas, vivo, tá respirando. Aí se pergunta, será que um socorro poderia salvá-lo?

RVRogério Vilela

Não sabe, né?

RSRICARDO SALADA

Aí não se sabe, entende? Porque a gente não— uma das teorias durante julgamento seria que ele estaria numa morte cerebral, tá? Uma das teorias que foi aceita pelos jurados, tá? Por que que foi aceita pelos jurados? Porque se ela, se ele estivesse, então vamos dizer, consciente, ou ainda sentindo alguma coisa, você degolar, decapitar uma pessoa viva é um meio cruel, né? Agora então os jurados aceitaram essa possibilidade que ele tivesse com morte cerebral.

Então a decapitação, isso, ele não teria sentido nada. Então para os jurados deixou de ser um meio cruel, né? Porque não sentiu, não sentiria dor se tivesse morte cerebral. Entendi. Entende? Então foi uma dúvida que foi levantada em plenário, e aí os jurados acataram esse raciocínio.

LSLuiz Sayão

Então agora, essa cena é a cena do filme real, essa cena aconteceu, é a cena que eles fizeram, porque eles tinham a cena da câmera de segurança, mas eles resolveram traduzir a artista que é muito parecida com Elize, as 3 malas que ela carregou, a mesma cor das malas. Então isso é um trabalho realmente de filme buscando. Então parte do filme condiz com a realidade dos fatos, outra parte do filme não condiz. Ela pega essas as malas, ela coloca no carro e ela pega o carro e vai.

A ideia dela era ir para Paraná. Ela ia levar o marido para desovar as malas longe, porque longe, para não ter possibilidade dele ser encontrado. Essa é a minha teoria.

RSRICARDO SALADA

Concordo Não se sabe, nem ela explica, porque em determinado momento, simplesmente fala, olha, determinado momento resolvi voltar.

LSLuiz Sayão

Se nessa estrada, em algum ponto dessa estrada, encontrou com policiais, ela encontrou com policiais, ela foi parada, ela tava com o documento tudo certinho, e é claro, um carro novo, a menina super bem arrumada. Confere o documento, ok? Eu acredito, Salada, que ela, ela se desestabilizou com a parada da polícia. Ela faz meia-volta antes de sair de São Paulo. Tanto é que ela sai do apartamento 11 horas, ela volta 11:30 da noite.

Então você veja que ela tava indo embora de São Paulo. Mas o que eu vou contar agora é uma coisa muito, mas muito curiosa. Ela volta, e aí eu acho que ela tava desestabilizada porque o plano dela era desovar as partes do corpo longe. E aí ela entra em Cotia, ela entra em Cotia, ela pega a primeira bagagem e joga, ela anda com o carro e ela espalha tudo aquilo. Bom, ela espalhou, voltou para casa como se nada tivesse acontecido.

Bom, Passado alguns dias, uma pessoa que passava perto sentiu o cheiro, sentiu o problema, aciona a Guarda Civil Metropolitana de Cotia e eles foram lá. Quando o cara abre aquele saco azul, ele verifica que tem a parte de um homem ali. E tem um dado muito curioso: não se sabia que era Marcos Matsunaga, porque muita gente Desaparece. Muita gente é encontrada morta por dia em São Paulo. Mas tem um dado curioso que tá no inquérito policial.

Essa parte do corpo era a parte da cueca e da calça, e essa calça era uma calça Diesel, que é uma calça cara, que é uma calça cara. A outra parte que estava, a parte do tronco era uma, um tronco que estava com uma camisa Ralph Lauren. Ou seja, então o próprio guarda municipal, já vi que ele fala, espera um pouquinho, essa pessoa é rica. E aí esse guarda municipal, muito astuto, muito inteligente, ele viu as mãos do falecido. E as mãos, ele alega o seguinte para o delegado: olha, as unhas muito bem cortadas.

Então ele logo concluiu que eventualmente era uma pessoa de posses. É claro que o DHPP, que tinha um boletim de ocorrência de desaparecimento, quando soube disso, vamos fazer o DNA. Só que naquela época, né, Salada, não era tão rápido como hoje. O DNA demorou alguns dias, e quando se constata que era Marcos Matsunaga. Ela é chamada no DHPP, o delegado aperta, ela nega, nega, nega. Quando o delegado aperta, ela, ela não aguentou, ela confessa. E aí saiu a prisão dela, e aí ela não saiu mais da cadeia.

RVRogério Vilela

Por que que aí eu vou fazer um exercício de avaliação psicológica. Ela foi fria em todo momento, por que que ela confessa se ela poderia levar essa história muito adiante?

LSLuiz Sayão

Que o delegado já tinha isso aqui, Mas mesmo assim ela não tinha como negar, não tinha, não tinha.

RSRICARDO SALADA

Até hoje nega. O que acontece inicialmente, o que que se fala? Ela, o Marcos, tem filmagem dele entrando no apartamento, não tem filmagem nenhuma dele saindo, tá?

RVRogério Vilela

Uma coisa, ou seja, não poderia ter acontecido esse crime em outro lugar.

LSLuiz Sayão

O delegado perguntou onde estão as malas, o crime aconteceu lá dentro.

RSRICARDO SALADA

O que que tem nessas malas? É, se não me engano, ela falou que tinha vinho, alguma coisa assim, tava levando para um cliente.

RVRogério Vilela

E cadê?

RSRICARDO SALADA

Qual cliente? Ela não fez uma história? Não fecha a história dela, não fecha. Então o que acontece, você mentir para um leigo é uma coisa, você mentir para um policial treinado que faz isso todo santo dia, que só faz isso, entende? O cara só faz isso todo santo dia. Eu dou às vezes como exemplo, a gente chegava num bar, chegava para o dono do bar que tinha um cliente morto, né, dentro do bar. Onde é que você tava? A resposta era sempre duas: ou ele abaixou para pegar alguma coisa e não viu, ou ele foi para parte da copa fazer alguma coisa e não viu.

Ele tá falando isso pela primeira vez e nós é a enésima vez que todo mundo fala a mesma história, porque eles não querem se comprometer. Então o que é uma mentira para um leigo, para nós é uma repetição de história que já ouviu milhões de vezes. Então é tipo de uma situação, a mala não tem como comprovar nada, Onde foi essas malas? Que que ela foi fazer com essa mala? Leva a mala e volta sem mala. Beleza. Quando é que foi? Onde estão as malas? Cedeu para quem?

LSLuiz Sayão

Ela não tem para quem dizer.

RSRICARDO SALADA

Eu não tenho para quem dizer. Então uma coisa que não tem, a mentira acaba, entende? Aí eu fui lá, entreguei para o fulano.

?Voz C

Ah é?

RSRICARDO SALADA

Então vamos lá, eu vou mandar buscar o fulano antes de— e aí, que que ela levou nas malas?

LSLuiz Sayão

Sem contar que o celular, que eu digo hoje que é o maior cagueta e auxiliar da polícia, consignou todo esse percurso que ela fez de carro, Vilela. Consignou. Ela quase sai de São Paulo, é parada pela polícia, ela volta, e o celular dela apontou lá para Cotia. Então ela não tinha como negar.

RSRICARDO SALADA

E outra, o Marcos Numa das histórias dela falou que o Marcos ia estar viajando, mandou mensagem para ela do notebook, tá? Só que a polícia levantou o IP do acesso à internet, era ela mesma, ela tava na Zona Norte e o cara mandando mensagem que tá viajando. Então não fecha tudo. É aquela situação das pessoas que quanto mais elas fazem, mais prova deixa no caminho, né? Então, quer dizer, a mala, foi material para quem? Entregou aonde?

Quem recebeu? Quero ver, eu vou conversar com ele agora. Qual é o nome dele? Você entregou material, sabe o nome da pessoa? Mandar buscar ele agora para ouvir, entendeu? Então as histórias passam a não fechar. E até onde que eu saiba ainda mudou a lei. Tinha época que se a pessoa confessasse antes, vamos dizer, do encerramento das investigações, ela tinha um atenuante na condenação.

LSLuiz Sayão

Tem ainda hoje, né?

RSRICARDO SALADA

Mas parece que agora não é. Ela pode confessar a qualquer hora. Essa aí tem o atenuante. Antigamente se durante o inquérito, né, não depois da conclusão, mas durante o inquérito a pessoa confessasse, ele teria essa atenuante. Então ela resolve, provavelmente sabendo que ela já tava presa com prisão temporária, ela disse, ó, uma forma de diminuir a minha pena, eu confesso, dou uma colaborada.

LSLuiz Sayão

Ela era estudante de direito, estudante de direito.

RSRICARDO SALADA

Uns falam até que ela se formou, tem outros que falam que não. Né, que ela seria bacharel em Direito. Mas aí seria uma forma de buscar um atenuante dentro da pena dela. Então aí ela confessa, então ela confessa, faz a reprodução simulada, né. Aí depois da reprodução simulada, então nós fizemos o luminol para ver se ela estaria mentindo ou não, né, se fechava a história que ela que ela havia contado, e acabou fechando da situação, né? O que ela narra foi comprovado depois com exame de luminol.

LSLuiz Sayão

Então, detalhe importante, Vilela, é depois da morte, no dia seguinte do que ela sai com as malas, aí uma outra empregada veio trabalhar, tá? E ela contou que o rapaz tinha saído fazer algum negócio e voltou. Tudo bem. O delegado perguntou para ela, para essa empregada que foi ouvida no inquérito policial, que eu entendo que deveria ter uma personagem com ela no filme pelo que eu vou te contar. O delegado perguntou: como é que ia o casamento dos dois?

Ela falou assim: mas em que sentido o senhor quer saber? Não, queria saber se eles brigavam. Ele falou: olha, durante 40 dias que eu trabalhei no apartamento deles Eu vi e ouvi duas discussões verbais. Aí ele perguntou ao delegado: nessas discussões verbais, ele xingou ela alguma vez? Ela fala: não. Aí o delegado pergunta: mas ela não falou nenhum tipo, alguma coisa pejorativa? Não. Ou seja, foi uma discussão de casal, 8 anos de casamento.

Aí o delegado fala para ela o seguinte: mas tenta forçar a memória, ele xingou ela alguma vez? Ele menosprezou ela? Aí ela falou: lembrei de uma coisa, ele, uma dessas duas brigas, ele falou o seguinte: você e aquele vagabundo do seu pai. Então a única pessoa que ele destratou foi o pai dele, que ele conheceu Pai dela, o pai dela, que ele conheceu, que ele falou, vagabundo do seu pai. Mas o que eu achei curioso nessa parte que eu tive acesso do inquérito foi que ela não falou que ele menosprezava ela, que ele tratava ela mal.

RVRogério Vilela

Isso foi uma versão posterior, você entendeu? Porque na série dela também tem essa versão.

RSRICARDO SALADA

É que eu tenho o seguinte, ela foi dada como uma pessoa de autoestima baixa. Quer dizer, uma baixa autoestima, baixa estima, né? Então ela tem, ela tem problemas neurológicos. Dizem que ela tem talvez traços de psicopatia. Ela é uma pessoa muito narcisista, não duvido, entende? Então o que acontece, algumas características de uma pessoa que tem um distúrbio conhecido como psicopatia. Ela teria todos os ingredientes para dizer, olha, Elize é uma psicopata?

Acredito que não tem, mas ela tem alguns sintomas, né, algumas características de um psicopata, tá? Isso aí ela tem. Tanto é que ela, mesmo depois que ela, de tudo, ela vai, o que que você gostaria de matar tal bicho, sentir prazer na morte de animais silvestres, entende? Não é uma coisa muito normal sentir prazer, né? Tipo, a caça é diferente. O cara caça, come a carne, come, acaba aproveitando, porque afinal a gente não come nenhum bicho vivo, né?

A mesma vaca. Então vou dizer, agora sentir prazer em matar um animal Não sei se é tão normal. É claro, você tá numa caçada, tá no meio do mato fazendo safári, tem que comer você ou todo mundo, carregador, todo mundo que tava junto. Então a caça é um alimento, não prazer de matar por matar. Então ela apresenta algumas características, alguns distúrbios. Eu, às vezes, a droga que essas avaliações muitas vezes chamam de difícil acesso, né?

É porque é tipo a posição entre o paciente e o médico. Então às vezes fica meio sigiloso. Então não sei, é difícil mesmo nesses casos. Alguém, tem gente que consegue, né, essas informações. Eu não consegui. Então eu falo de outros casos, às vezes você conversa, se você tem oportunidade de conhecer o avaliador, às vezes ele te transmite algumas informações. Agora, ver realmente que tá no papel é meio complicado, né? Teve filmes aí que não, ela foi identificada como psicopata.

Eu nunca fiquei sabendo oficialmente desse fato. Sim, tem algumas características de psicopatia. Não tô dizendo que ela é psicopata, mas uma pessoa que faz o que ela fez, eu diria normal, não é?

?Voz C

Não.

LSLuiz Sayão

Com a filha de menos de 2 anos no quarto do lado.

RSRICARDO SALADA

Não, mas a pessoa não é normal.

RVRogério Vilela

O lance do prato também é uma coisa que eu não sabia, de pedir para colocar o prato para ele, que ele poderia chegar.

LSLuiz Sayão

Quer dizer, não chorar, né? Porque se fosse, o filme coloca de uma maneira aonde muita gente na internet não é que tá defendendo a Elize Matsunaga, mas tá dizendo o seguinte: pô, mas esse cara era muito ruim.

RVRogério Vilela

Criaram todo um patamar de conversa entre eles que o próprio roteirista disse que é ficcional e que ajuda a criar essa imagem de que ela tava se defendendo de um monstro.

LSLuiz Sayão

Agora, uma das coisas do filme, quando eu assisti, e que realmente foi uma licença poética ficcional foi que ela demonstra que ela tem medo que ele pudesse interná-la compulsoriamente numa clínica psiquiátrica. E é colocado no filme que ele teria feito isso com a ex-mulher, e isso não é verdade. A ex-mulher teve depressão quando soube que ela tava sendo traída. A ex-mulher teve depressão quando ele, ele acaba um casamento. Mas a internação compulsória numa clínica psiquiátrica, para quem conhece um pouco isso, é raro você conseguir, precisa de uma autorização judicial.

Então criaram também que ela corria o risco de ser internada, e ela é uma pessoa sã, ela não tinha nenhuma característica que obrigasse a justiça a interná-la. Ou seja, com toda essa narrativa muita gente acaba minimizando a atitude que ela fez e eventualmente levando: é, mas ela teve os seus motivos para fazer isso. Agora, uma coisa, uma coisa é verdade: se ela dá o tiro— e eu queria saber a percepção do meu amigo Salada— Salada, se ela dá o tiro, chama a polícia, polícia para socorrer. E ela diz, ó, nós brigamos, eu perdi a cabeça.

RSRICARDO SALADA

É uma situação completamente diferente, tá? Eu vejo assim, pode acontecer com qualquer pessoa. De repente você tá brigando, você tá naquela cabeça quente, um agrediu mais, outro apanha menos. E de repente você vê-se ver da necessidade de usar os meios de cessar a agressão. Esse é um fato, ela poderia falar isso, mas isso é uma situação, chamar a polícia. Aí você chama a polícia, olha, aconteceu isso, isso, isso. Aí vamos ver, podia ser um legítima defesa, podia ser um culposo, podia ser outra situação que poderia ser levada à tona.

Agora, mas o que eu vejo talvez é o seguinte: houve uma premeditação naquele instante, tá? Será que anteriormente não houve também uma, um planejamento que tava sendo colocado, que ela comprou uma serra elétrica? Entende? Isso aí tinha lá, eu vi essa serra, não foi utilizada. Aí ela alegou que a serra elétrica ela comprou para o Marcos abrir as caixas de vinho.

RVRogério Vilela

Faz sentido isso ou não?

RSRICARDO SALADA

Eu acho que eu não entendo de vinho, tá? Mas eu acredito que não. Imagina o Marcos, um enólogo ferrado, participando de leilões. O autoconhecimento Por que que ele nunca teve essa ideia maravilhosa de comprar uma serra elétrica para abrir as caixas de vinho dele? Aí a Elize, com toda a expertise que ela tem de aprendiz, vai lá e vai resolver o problema do marido. É, não cola para mim, não cola. Eu acho estranho, entende? Mas foi justificativa que ela deu.

Prova alguma coisa com ele contra ela, essa serra elétrica? Provar não prova, mas fica esquisito. Tanto é que hoje eu cheguei a examinar essa serra para ver se não tinha eventualmente resíduo de sangue, alguma coisa na serra. Não tinha. Então, mas será que essa intenção, o esquartejamento conhecimento com o Maciel, não seria mais fácil?

LSLuiz Sayão

Agora, o filme, como o filme não teve essa assessoria, eu trouxe uma surpresa para todos aqui, não contei nem para o Salada, que o filme perde uma oportunidade tremenda de ter o inquérito na mão e trazer um fato que é provado. Vilela, Semanas antes da morte, o casal teve uma discussão no apartamento e o Marcos pegou o carro e foi embora.

RVRogério Vilela

Como você sabe?

LSLuiz Sayão

Vou te contar. Sabe o que que aconteceu? Ela, com receio dele, ela liga para o telefone 190 falando e a Polícia Civil soube dessa conversa e eu consegui a conversa dela falando com o telefone 190. E eu queria colocar aqui para você, para você assistir isso aqui. Ela poderia ter sido feito no filme porque traduz a verdade. E você vai descobrir agora, Vilela, o que ela disse ao telefone 190. E eu queria que vocês se ela tá desesperada, se ela não tá.

Mas ela ligou dizendo que ela tava com medo do marido. Vamos, vamos ouvir essa, essa conversa.

?Voz C

Polícia Militar Emergência. Boa noite. Eu não sei se teria que ligar na emergência, mas assim, meu marido me ameaçou e saiu de casa, e eu queria perguntar se eu posso trocar fechadura. Senhora, não compreendi. Fala um pouco mais alto para a gente ver. Meu marido saiu de casa e me ameaçou, e eu queria saber se eu posso trocar a fechadura. Senhora, vocês estão casados há quanto tempo? Há 5 anos. 5 anos. Ele tem direito a entrar na residência também, mesmo me ameaçando?

Bom, eu não sei o que tá acontecendo no local. Se a senhora quiser, eu cadastro uma ocorrência da senhora só para conversar com policial no local. Melhor, aí fica a critério da senhora. Ela tá com dúvida, quer que cadastre ocorrência? Qual o seu nome? Denise, nome da rua, Denise? É Elize com S. Qual o nome da rua, Elize? É Rua Carlos Weber. Carlos Weber? É, com W.

LSLuiz Sayão

Vira ali o portão.

?Voz C

376. Lá em São Paulo, uma referência é paralela à Imperatriz Leopoldina. Momento, senhora. Oi, seu pedido foi cadastrado com a Polícia Militar. Se ele retornar aí na residência, imediato já retorna 90.

LSLuiz Sayão

Veja bem, isso aqui tinha que estar no filme porque isso aqui é verdade. Só que eu quero te contar o que aconteceu depois disso.

RVRogério Vilela

Não dá para entender porque que não tá, porque tem uma carga emocional aí também, cria tensão, cria uma— olha que interessante, algo que tá para acontecer.

LSLuiz Sayão

E sabe o que aconteceu em seguida? Ela liga e pede a viatura, ela fala: eu quero fazer ocorrência. E aí, e a viatura, o Copom, pela insistência dela, chama a viatura nas proximidades para ir no apartamento, ok? Só que nesse exato momento, isso tá provado no inquérito, porteiro foi ouvido, síndico foi ouvido, tem imagens, está provado no inquérito que ela pega a filha, pega a babá, entra no carro e sai do apartamento. Antes da viatura chegar, antes da viatura, dado porque a viatura não chega imediatamente, demora 15, 20 minutos.

Salada, quando a viatura chega, ele desce, vai até a portaria e fala: olha, nós temos aqui o apartamento tal, Dona Elise, nós precisamos subir. Aí o porteiro fala: ela acabou de sair. Aí o policial: mas ela chamou a gente? Não, ela acabou de sair. Pega o nome do porteiro Ele coloca na ocorrência dele, e o inquérito policial tem essa ocorrência. E ela pegou a filha, pegou a babá, e foram para um hotel. Ela não dormiu naquele dia no apartamento.

Então a pergunta: por que que isso não tá no filme se isso é verdade? Eles poderiam ter utilizado até a própria voz dela. Bom, então o que, o que eu fiquei assim, eu achei que o filme pecou foi porque tinha tanta prova para um filme de 2 horas e meia fazer um super filme, e eles apresentaram pouco conteúdo, e esse, parte desse conteúdo não é, não condiz com as provas feitas pelos peritos, pelos delegados, pelos médicos legistas.

RVRogério Vilela

Eu quero saber o que O povo quer saber, o Homer.

HHomer

Vamos lá, a primeira pergunta aqui é do Gustavo Trevisão. Ele quer saber o seguinte: existe alguma dúvida no caso da Elize Matsunaga que ainda não foi totalmente respondida pela perícia?

RSRICARDO SALADA

Eu acho que tá, pericialmente falando, foi realizado o que foi possível, que a gente identificou os fatos reais do tudo que aconteceu, embora contradizendo em alguns pontos a versão dela. Em outros pontos, realmente ela que vai poder esclarecer, né, a verdade dela, né. Mas acho que pericialmente foi bem resolvido o caso.

HHomer

A pergunta do Patrick Fernandes, ele perguntou se a Elize nunca tivesse confessado, a polícia teria ela da mesma maneira?

LSLuiz Sayão

Absoluta certeza, ela poderia negar à vontade. Tudo colocou ela na cena do crime. Mas eu imagino ela no DHPP como mulher de uma pessoa que ela dizia desaparecida. Quando o delegado mostrou as provas, não tem jeito, contra a prova não vai ter argumento, ela confessa. Mas por ser bacharel em Direito, por ter estudado. E depois também com seu advogado criou-se uma retórica colocando uma vitimização forte em cima dela. Tanto é que ela poderia ter pego uma pena mais alta.

No final ela pegou 16 anos e pouco. Então o fato dela confessar ou não, não ia mudar, porque as provas são fartas contra ela.

RSRICARDO SALADA

E ainda, inclusive, eu quando fui primeira noite que eu fui fazer o exame de luminol, ela estava presente, tá? E nessa noite, a equipe do Dr. Mauro conseguiu já a prisão temporária dela. Então, em vez de ficar no apartamento depois de parte do exame ter sido feito, né, que tinha sido só feito na parte superior, ela já foi conduzida como dentro de uma prisão temporária.

LSLuiz Sayão

Então, detalhe importante, Vilela, imagina você, seu marido ou sua esposa sumiu. Vamos dizer que é um desaparecimento verdadeiro. Vilela, sabe o que que as pessoas fazem? Vão na internet, colocam cartazes, começam a procurar em NL. As pessoas se desesperam porque você tenta fazer a sua parte tentando localizar atualizar eventualmente uma pessoa desaparecida. Foi o que fez a dona, a mãe da Elisa Samúdio, que é a Dona Sônia Samúdio.

Quando ela percebeu que a filha dela foi, desapareceu, ela falou: não, mataram a minha filha. Ela foi na imprensa, e ela, uma mulher totalmente apática, e as empregadas disseram: em todo tempo em que as pessoas ainda imaginavam que ela era, que o marido tinha desaparecido, ela não chorou, ela não procurou, ela não se desesperou. Então isso, para um delegado experiente do DHPP, quando ele pega todo esse quadro e as provas, tava na cara que ela, quando eles viram essas imagens, né, que a gente tá mostrando aqui das malas, o delegado falou: tá aí, o rapaz foi morto, cortado, e dentro dessas 3 malas.

HHomer

A Malu Albuquerque, ela perguntou se é possível uma pessoa cometer um crime tão brutal e não ter histórico de violência.

RSRICARDO SALADA

É assim, a Elize não tinha histórico de violência, o típico de uma pessoa que não tinha histórico de violência. Não seria alguma coisa tão natural alguém conseguir fazer um crime tão tal, tá, sem que tivesse algum problema na cabeça, problema mental, algum problema, algum distúrbio, algum desvio. Porque o que ela realizou não é para qualquer um. É diferente, ah, mas ela cortava bicho, não sei o quê. Cortar um animal não tem nada a ver que você conseguir ter estômago para picar um ser humano, ainda mais um ser humano que você convivia, né?

A Elisa, até onde eu sei, ela não tem nenhum histórico de violência, não tem nenhuma passagem policial e nada, e conseguiu, né, cometer um crime bárbaro desse.

LSLuiz Sayão

Olha, o Doc Street, que matou Ângela Diniz, que era a mulher mais bonita do Brasil, o Doc Street fugiu. No final ele confessa o crime, mas alegou na época, Vilela, a chamada crime passional. Ele, ele fez o quê? Ele pegou Ângela Diniz, diminuiu a Ângela Diniz ao máximo, dizendo o seguinte: eu acabei matando em violenta emoção. No primeiro julgamento do DOC ele foi absolvido. As mulheres se reuniram Houve uma comoção nacional, foi feito um segundo julgamento, e aí ele foi condenado.

Que eu quero dizer para esse nosso internauta é que a maioria das pessoas que acabam matando, pode ter certeza que as pessoas não tinham histórico de violência, mas num determinado momento da vida uma explosão ali e acaba matando.

HHomer

Próxima pergunta aqui é da Bruna Almeida. Ela quer saber se na visão de vocês dizer se esse crime ele foi impulsivo ou se houve uma preparação antes?

RSRICARDO SALADA

Não foi totalmente impulsivo. Se a gente admitir que a premeditação dela fazer uma emboscada para pegá-lo, para alcançar o objetivo dela, então a gente teria não impulsivo. Tá? Se a gente admitir que essa compra dessa serra elétrica poderia ter alguma intenção de cortar pedaços de Marcos, tá, não foi impulsivo. Talvez uma premeditação que acabou sendo descartada. Então, e uma outra situação, eu não acredito que aquela discussão, embora ela descreve como ela sendo pesada, tá?

Eu não acredito que aquela discussão seria um motivo para se chegar ao ponto de executar o Marcos de uma forma surpresa para ele, né, na trairagem, tá? E depois ainda a pessoa ter estômago de picar o homem da vida dela. Então tem um lado impulsividade, mas é muito questionado essa impulsividade. A impulsividade acaba matando e quer sair fora, né? Vai ficar lá para ainda picar, para esconder, criar história, para criar fantasia.

Isso aí, né, não indica impulsividade, me indica erros de execução de alguma coisa planejada ou esperada ou já pensada momento.

LSLuiz Sayão

Agora, uma coisa importante que eu gostei do que você falou, Salada, é da palavra trairagem. E eu trouxe as fotografias que a gente já mostrou, Vilela, para mostrar que, de acordo com o exame necroscópico e a perícia da Polícia Civil, do Instituto Criminalística, ficou claro que ela não teve uma discussão e, no momento de grande emoção, atirou nele. A palavra que o Salada utilizou é sensacional. Vou passar a utilizar, se você me permitir essa palavra, trairagem.

Ele foi pego numa trairagem. E quando você analisa o exame necroscópico, que é o exame no cadáver, fica nítido que ele foi pego na trairagem. E quando você é pego na trairagem é porque você tem a intenção de matar, você tem a intenção de matar. Como o Salada disse, o tiro tão perto, Vilela não tem desculpa. Por exemplo, eu fiz no meu canal a história do Dock Street. O tiro foi de curta distância, de média distância. Então foi todo um processo que ele acabou dando 3 tiros na Ângela Diniz.

Ele pega o carro, foge de lá, se esconde num hotel. A empregada que estava dentro do casarão lá em Búzios chama a polícia. Ângela Diniz estava morta, mas é claro que já sabiam que era ele. Aí ele conta toda uma história, que Ângela Diniz era uma mulher devassa, que Ângela Diniz tinha traído, que Ângela Diniz era usuária de drogas, que Ângela Diniz não o respeitava, e que num momento de grande loucura ele deu deu 3 tiros nela e matou.

E no primeiro julgamento, naquela época que era permitido, muitos homens foram absolvidos no Brasil pela chamada legítima defesa da honra, e num crime muito passional. E a partir do caso Ângela Diniz, a justiça virou uma chave e acabou com isso. Eu vou te dar um exemplo. Na minha carreira de como delegado, eu queria provar essa salada, quem cometeu e quem matou. Eu não tava muito preocupado com motivo. Primeiro que eu tinha um monte de caso para resolver, mas eu precisava mostrar para o promotor e mostrar para o juiz o quê?

A matou B, tá aqui. Porque o motivo é algo de foro íntimo, e a gente sabe que a pessoa que mata tem um advogado do lado e eles vão contar uma história no mínimo para você minimizar uma culpa quando você tá tudo provado. Agora, se o acusado de um homicídio tiver um espacinho para mentir, ele vai negar até a morte. Por exemplo, o Bola, no caso do goleiro Bruno, ele nega até a morte, foi condenado negando. O goleiro Bruno, ele negou, negou, negou, negou durante o tribunal do júri.

No final O advogado chama o Bruno e fala o seguinte: meu, vão te condenar, confessa que eu consigo reduzir a pena em 1/6. Aí o Bruno foi lá, fez uma meia confissão, e o juiz teve que dar para o Bruno a chamada, o abatimento de pena por causa da confissão. Já o Bola não. O Bola falou: não, vou negar, negar, negar, porque ele não tem testemunha. Mas acabou sendo condenado. Então Então eu como delegado nunca me preocupei, eu preciso saber o real motivo.

O real motivo eu nunca vou saber porque tá na mente da outra pessoa, e a outra pessoa com advogado do lado sempre vai trazer o quê? Uma história distorcida para minimizar a sua própria culpa.

RSRICARDO SALADA

É a forma como eu vejo a perícia. A perícia, o que que ela tem que fazer? Trazer a verdade. E os operadores do direito, advogados e Ministério Público, que vão usar essa verdade da maneira que mais convém. Aí, para mim, é a verdade. Para mim não tem meias-verdades. Eu tenho que provar dentro do laudo. É uma perícia técnica onde tem que fazer, trazer informações técnicas. Eu tenho que saber justificar aquilo que eu tô falando. Não, não existe o achismo, né? Então aí vai a briga do advogado e Ministério Público.

LSLuiz Sayão

Não, o caso Henri Borel, o caso Henri Borel, a criança aparece no hospital sendo socorrida, chega no hospital, olha, a criança se debateu no quarto. O médico olha a criança, criança toda machucada, tenta ressuscitar a criança. O que que acontece? A criança morreu. Agora tem algo, eu Vou até querer saber a opinião do perito Salada, que de uns anos para cá, Salada, virou uma rotina. O perito oficial da polícia, Vilela, faz um laudo.

Quando o suspeito, o averiguado, é rico, eles contratam um perito particular para contestar o laudo do perito oficial. Oficial. No caso do Henri Borel, foi contratado um médico legista aposentado que ele faz um laudo, e esse laudo dizia o seguinte: quem matou a criança, Vilela, foram os médicos quando tentaram ressuscitar a criança.

RSRICARDO SALADA

Nossa!

LSLuiz Sayão

Então o cara traz um papel, tem 7 pessoas do povo para julgar. Então o promotor falou: olha, o laudo oficial disse isso. Aí vem o advogado da parte interessada e traz um outro laudo e diz o seguinte: olha, não, não foi o vereador Jairinho. Nós entendemos que provavelmente ocorreu quando eles tentaram reanimar o Henri Borel, eles mataram a criança. E nesse caso, Salada, não sei se você ficou sabendo, eu fiquei muito contente com o resultado que teve.

O juiz, no mesmo do julgamento condenou perito particular por crime de falsa perícia. Eu tô cansado de ver, Vilela, gente rica contratando perícia particular para desdizer peritos oficiais como Salada, dizendo o seguinte: o Salada errou, Salada é burro. E mostrando algo totalmente maluco, mas no tribunal do júri pode colar, pode às vezes colar, porque o que coisas, quem julga são jurados, não são leigos.

RSRICARDO SALADA

O juiz só aplica a pena, eles não são obrigados a entender. Exatamente. É isso aí, é uma questão de consciência, tá? Eu trabalho hoje como perito particular ou como assistente técnico, tá? Já fui consultado em algumas situações, eu falei não, não tem o que fazer. A pessoa quer te induzir a um resultado, eu falei para ele, olha, não tem o que fazer. Você é honesto, Mas eu, mas eu gosto de botar minha cabeça no travesseiro e dormir, entende?

Eu falei para o advogado, olha, não tem o que fazer, a tua cliente está mentindo, não tem como te ajudar. Agora, muitas vezes o que acontece, já fiz trabalho onde existiu laudo oficial que não foi contestado, ou laudo mal feito, tá? Eu simplesmente fiz uma, uma que o perito às vezes, da forma como se trabalha, não teria nem tempo para fazer. Eu fiz uma análise complementar ao laudo do perito. O laudo tava muito bom, tava tão bom que eu consegui fazer um complementar.

Porque se aquele laudo tá ruim demais, nem isso você consegue, né? Mas tava muito bom o laudo. Agora tem é laudos que o perito infelizmente fazem falhas homéricas.

LSLuiz Sayão

Você já pegou laudo que contrata alguém que você fez um laudo e a outra parte contratou salada dizendo, ó, o perito errou, esse aqui que tá certo? Já pegou alguma coisa nesse sentido?

RSRICARDO SALADA

Olha, eu não cheguei a pegar. Eu uma vez tive um advogado que tentou induzir que eu teria parte na elaboração do laudo, no caso de uma reprodução simulada. Eu falei, não tenho parte nenhuma. Se o senhor me pedir uma reprodução, se o juiz me pedisse, promotor me pedisse, delegado me pedir, vai ser feita a mesma coisa, porque eu faço, reproduzo a versão do teu cliente o mais fiel possível, e não vou mudar. Teu cliente não vai mudar a história.

A versão é dele. E aí eu faço a reprodução. Então ele queria induzir que se fosse pedido pelo, por ele, a reprodução sairia diferente, né? Mas o que acontece, eu acho que a gente tem que trabalhar, é trabalhar com seriedade. É aquela situação, eu trabalho pela verdade, ponto. É a verdade que me interessa, colocar a cabeça Entende? Se eu ver uma consulta, teve um outro caso de uma consulta pessoal lá do Mato Grosso, eu falei, olha, não tem como te ajudar, não tem.

Olha, foi feito tudo certinho, perito fez tudo certinho, aconteceu tudo certinho, fez exame certinho, tá tudo bonitinho. Que que eu vou falar contra o trabalho do perito? Eu não tenho como te ajudar, não tenho, entende? Eu não Não sei não.

LSLuiz Sayão

Agora, bater em perito particular picareta, o que mais tem? Que ele fala o seguinte: o que que você quer que eu ponha no papel? O que que você quer que eu ponha? Quanto custa? R$150 mil.

RVRogério Vilela

Isso vai dar mais trabalho.

LSLuiz Sayão

Agora, no caso do Henri Borel, fiquei muito contente porque o juiz foi muito correto. Ele viu que o laudo era absurdo, laudo particular, e o laudo oficial era o laudo correto. E no final, esse perito particular foi condenado por falsa perícia.

RSRICARDO SALADA

Mas acho que tem que estar certo, acho que tem que, da mesma forma que um perito oficial, se ele errar, ele pode ser processado por falsa perícia. Pode, pode. O perito oficial também pode. Caramba, que então é uma puta, é uma puta responsabilidade, não é brincadeira. Ele pode ser, mas mesmo sem ter dolo, não, corrupção, exemplo, eu faço uma coisa errada, grotesco, você não foi, não é corrupção, você faz um erro grotesco que ninguém vai julgar.

Isso aí é o seguinte, quem vai julgar aí vai ser o juiz, tá? Mas o perito, por uma falsa perícia, se ele fala Vamos chutar aí um negócio assim grotesco. O cara levou uma pancada na cabeça e o perito fala, afirma com todas as linhas que foi facada, que não foi uma pancada na cabeça, tá? Entende? O negócio assim absurdo, absurdo, entende? Ou ele errou porque ele não sabe, não quis consultar, ou ele fez na maldade, com intenção, entende? Mas é uma perícia falsa.

RVRogério Vilela

E ele vai pagar por isso.

RSRICARDO SALADA

Ele pode, ele pode pagar, ele pode ser processado e pagar por isso. Ele pode ser exonerado e pode ter outras, pode ser criminal.

LSLuiz Sayão

Quando o perito erra, claro, com dolo ou com culpa, com certeza vai ser a arma da defesa.

RSRICARDO SALADA

É a vida de alguém que está em jogo, fora a caca que o cara fez. Claro, um inocente pode ser preso, que é muito pior do que um culpado ser solto. Verdade, né? Eu vejo assim, claro, claro. Então o perito tem que ter certeza. Então por isso, por isso a técnica, tudo tem que ser dentro da técnica, tudo tem que ter uma justificação técnica, sem emoção.

RVRogério Vilela

A gente tem que ser extremamente objetivo, não ficar lendo na mídia o que que as pessoas estão achando.

RSRICARDO SALADA

Não interessa o que a mídia diz, o que as pessoas estão falando, que as pessoas estão pensando. Se eu chegar numa conclusão que vá contra tudo isso, eu vou ter que colocar isso, porque aquilo, se tiver alguma dúvida, você chamado no fórum, e eu vou ter que justificar aquilo que eu fiz.

RVRogério Vilela

Você tem que colocar a cabeça no travesseiro e dormir também, né?

RSRICARDO SALADA

Exatamente, exatamente. Então eu nunca fiz, não vou fazer. Já neguei trabalho, vamos dizer, que o cara querendo uma ajuda que fizesse um milagre. Para conturbar o inquérito, o processo. Eu falei, não, não tem como fazer isso, o laudo tá bem feito, né? Tá bem feito. Ou eu não tenho como te ajudar, eu não tenho, teu cliente tá mentindo, não tem essa história, tá não sei o quê, pessoal lá do Mato Grosso. Olha, não tem como ajudar, sinto muito, eu não vou botar o meu na reta, entende?

É tipo assim, eu tenho Mas sei lá, não tem dinheiro, tem um pouco de saúde e tem um nome. Eu tenho que zelar pelo meu nome.

LSLuiz Sayão

Mas verifiquem nesses grandes casos com gente rica, pode reparar que tem surgido perito contratado particular, e alguns deles, eles pegam o laudo que foi feito pelo perito oficial, Vilela, e eles falam: tá tudo errado. O meu cliente é inocente, e apresenta a teoria das bruxas, teorias que não batem. Mas eu acho que a justiça tem que fazer análise. Quando constatar que é malandragem da peritagem particular, tem que ser processado por falsa perícia, porque não é brincadeira.

Como Salada disse, você absolver uma pessoa culpada, você vai prejudicar uma vítima, ou você colocar na cadeia um inocente, não é brincadeira. A pessoa ser preso e sabendo que é inocente. Então tudo tem que ser levado com muita seriedade.

RVRogério Vilela

O Homer, vou fazer um xixizinho, manda uma pergunta aí.

HHomer

Vamos lá, tem a pergunta da Luna Figueiredo. Ela quer saber qual que foi o detalhe da cena do crime que mais chamou a polícia por algum motivo.

RSRICARDO SALADA

O que acontece Em termos de investigação, teve, eu acredito que seja as situações, as histórias que elas contavam não fechava. Ela contava: eu desci com as malas. O que que você fez com as malas? Fui levar para uma pessoa. Para quem? Essa viagem que você foi fazer, viajou da parte da manhã até 11:10, 11 horas da noite.

?Voz C

Né?

RSRICARDO SALADA

Só mesmo, cadê o marido? Ah, tá viajando. Ah, cadê o marido? Tem mandado mensagem. A mensagem, o IP da mensagem é Zona Norte de São Paulo, próximo daquela igreja que eles iam, né, anglicana. E então, quer dizer, a história toda que ela contava não fechava, tinha muita falha. Então eu acredito que aí o mérito, muito mérito da investigação cabe à Polícia Civil, cabe à expertise do delegado, aos seus policiais, porque delegado em si sozinho não faz nada, não faz nada, depende de uma equipe de policiais, escrivães, tá?

Então eu acho que a gente tem que parabenizar a equipe que fez de investigação, né, que mesmo antes de ser feito um trabalho pericial, vamos dizer, no apartamento, tá, quando estava sendo realizado, a equipe já tava comandando com a prisão temporária dela. Então tem que dar um mérito para a equipe que trabalhou para caramba e conseguiu os resultados.

LSLuiz Sayão

Então, detalhe, Salada, que a cena do crime, olha que interessante, ela aconteceu no apartamento lá no Duplex Cobertura. Mas, Vilela, e se ela tivesse sumido com o corpo do marido e não fosse encontrado? Ela ia bater na tecla: não, não aconteceu. Não, mas e as malas? Não interessa, eu não sou obrigado a falar. E não é, não é obrigado a falar. Como investigada, ela pode dizer: eu quero me manter em silêncio. E aí nós iríamos cair, Salada, no caso da Elisa Samúdio, que até hoje Porque quando a gente pega o caso de Elisa Samúdio e as pessoas falam, Lorde, como uma pessoa é condenada por homicídio sem corpo?

E na história jurídica criminal existe um ditado que não funciona sem corpo, sem—

RSRICARDO SALADA

seria a materialidade do crime, do homicídio, o corpo.

LSLuiz Sayão

Só que na história jurídica criminal você encontra pouquíssimos casos. Um deles é o caso famoso dos irmãos Naves, e o outro caso famoso é o caso da Elisa Samúdio. Então são pouquíssimos casos que o delegado consegue reunir um conjunto de provas. Eu vou dar um exemplo. No caso da Elisa Samúdio, eu fiz amizade, porque na cobertura que eu fiz na RedeTV fiquei amigo do Dr. Edson Moreira, que foi o grande delegado desse caso. E eu perguntei para ele no programa perito salada.

Falei, falei, Edson, como é que você conseguiu convencer a juíza criminal lá de Minas Gerais a mandar o cartório de registro fazer um atestado de óbito indireto sem que não há corpo da vítima? Ele falou assim, Lordelo, deu muito trabalho. Eu reuni um monte de prova, Vilela, ele falou. Aí eu cheguei para para a juíza e falei: olha, o corpo sumiu porque o autor é o Bola, é um ex-policial que é matador, ele é profissional, e nós não vamos encontrar o corpo.

Se encontrar, é muita sorte, como não encontrou até hoje. E aí o doutor, o doutor Edson Moreira falou para a juíza: tá aqui, ela morreu, eu tô provando sem ter o corpo. A juíza pediu para analisar, ligou para ele e falou: tô dando uma ordem para ser expedido um atestado de óbito sem corpo. E por curiosidade, o internauta que tá vendo agora o Vilela, coloca na internet, vai sair o atestado de óbito indireto de Elisa Samúdio, mesmo sem ter corpo, mesmo sem ter corpo.

Ou seja, mas isso é muito difícil. Se você não tiver prova suficiente, o juiz fala: eu não posso fazer isso. E aí sim, cada crime de homicídio sem corpo não tem crime. Nesses casos de exceção, quando vocês pedem a certidão de óbito, o juiz está garantindo: Elisa Samúdio foi morta. Mas é raridade. Agora, a pergunta que fica é se o plano dela, que era levar aí o corpo para o Paraná, e se o corpo fosse desovado numa mata do Paraná e num dia alguém descobrisse, como é que ia se chegar no Marcos Matsunaga?

HHomer

Não chegava.

LSLuiz Sayão

Ia ser mais um encontro de cadáver no Paraná, inquérito arquivado.

RSRICARDO SALADA

Só que o plano dela deu errado nessa viagem que ela fez para o Paraná. Tem de serra ali nesse trecho. Ela parava numa beirada, jogava mal, jogava tudo. E se fosse no Paraná, ainda pior, porque aí ia ser investigado pela polícia do Paraná, Polícia Civil do Paraná. Ia ser muito difícil chegar no Marcos, ia ser uma situação bem complicada.

LSLuiz Sayão

É por isso que, respondendo o nosso ouvinte, o nosso internauta que perguntou, é cena de crime nesse caso? A cena de crime foi lá em Cotia, do encontro das partes do esquartejamento planejadas. E como eu disse aqui, eu já falei, a habilidade do guarda municipal falou: pera um pouquinho, o cara tá usando calça Diesel, tá usando camisa Ralph Lauren, tá usando uma cueca de luxo. Ele falou: pô, esse cara tem as mãos muito bem aparadas, bem cuidadas.

E aí, quando ele levanta isso, é óbvio que o cara falou: pô, pode ser o Marcos Matsunaga. E aí foi fazer o DNA. Agora, se esse corpo é encontrado fora de São Paulo, talvez eu e o Salada não estivéssemos aqui agora.

RSRICARDO SALADA

Uma vez eu fui, porque o indivíduo resolveu confessar do crime, nós fomos até Sorocaba, num barranco, para encontrar uma vítima. Se o autor não confessa, aquilo aí ninguém ia achar, nem dentro do estado não ia. Era uma beirada da estrada, depois não são achados, ou de repente é localizado, mas já tá no crime organizado, some com tanto corpo.

LSLuiz Sayão

Priscila Belfort sumiu, verdade, até hoje sumiu. Você pode falar que ela foi assassinada, ela é hoje desaparecida, uma moça desaparecida. E no caso da Priscila Belfort Eu me recordo que a gente fez cobertura na RedeTV disso, não sei se vocês se recordam. Depois de quase 3 anos, o caso tava meio frio, uma mulher, Vilela, vai no promotor de justiça e fala: eu não consigo dormir, eu tô com problema de consciência, eu quero confessar, eu presenciei a morte de Priscila Belfort.

Promotor ficou espantado, falou: você sabe onde ela foi enterrada. Ela falou: eu sei e eu levo vocês. O promotor imediatamente pega a máquina e começa a ouvir essa mulher, certo? Ouviu, ouviu, ela contou tudo e ela deu o nome de 4 traficantes. O promotor imediatamente pediu a prisão dos 4 traficantes e pediu a prisão dela, porque ela teria participado, não atuando de uma maneira executória, mas ela estava presente no assassinato da Priscila Belfort.

Bom, pede a prisão, sai a prisão temporária dela. Ela chama o delegado do caso, falou: tá aqui a testemunha que vai levar o senhor, delegado, a encontrar o corpo de Priscila Belfort. O delegado chama os bombeiros, pega uma máquina retroescavadeira e eles vão para um determinado lugar, entra no meio do mato e fala assim: tá ali o corpo. Enterrado aqui. O delegado falou, tá bom. Arranca, arranca a terra, arranca a terra, não encontra nada.

O delegado fala para ela, fala assim, mas espera um pouquinho, não tava encontrando nada. Ela falou, olha, me enganei, não é aqui, é mais para cá.

RSRICARDO SALADA

Anda, anda, anda.

LSLuiz Sayão

Falou, é aqui que tá. O delegado vai, os bombeiros, escava, escava, escava, não encontra nada. Ela falou, me perdoe, eu me enganei, é mais na frente. Nesse caminho, o delegado que eu tive acesso, o investigador faz assim para ele, ó: a mulher é louca. Você não acredita, o delegado levar para delegacia, constatou que ela era completamente biruta, levou para o promotor, falou: doutor, a mulher é louca. Sabe o que aconteceu? Os 4 traficantes tinham sido presos, cara.

Foram os 4 soltos e ela imediatamente solta, porque era uma pessoa que se apresentou dizendo que sabia. Mas volto a repetir, o corpo de Priscila Belfort até hoje não foi encontrado.

RVRogério Vilela

Fale, Rômulo.

HHomer

Tem a pergunta da Bruna Almeida, ela tá perguntando se na visão de vocês esse crime ele foi impulsivo ou se houve uma preparação antes.

RVRogério Vilela

É, eles falaram já sobre isso, quer reforçar?

RSRICARDO SALADA

Eu acho que ela teve uma, uma, um pouco dos dois e teve lado impulsivo, entende?

RVRogério Vilela

Talvez ela saberia que essa, essa ia chegar algum momento que ela ia tomar.

RSRICARDO SALADA

Eu acho que ela provavelmente estaria planejando alguma coisa.

RVRogério Vilela

Pode não saber que seria naquele momento.

RSRICARDO SALADA

Exatamente. Então, se a gente não sabe aquele momento, então talvez uma certa impulsividade. Pela compra daquela serra elétrica, eu digo que estaria planejando a premeditação que houve, no meu ponto de vista, com relação à execução do Marcos, que ele desce para pegar a pizza. Então, na volta, ela teve o tempo, pegou a arma e conseguiu se posicionar de pegar ele de uma forma surpresa. Então houve uma premeditação. Agora, talvez aquela não premeditação, ou acaso, foi talvez a reação do Marcos quando ela contou que tava, o Marcos tava sendo investigado, acompanhado por um detetive particular.

Então talvez alguma coisa tenha saído do controle dela em alguns momentos, mas ela conhecendo o Marcos, ela já tava esperando alguma, tinha que esperar alguma reação dele. Então não, talvez alguma parte impulsiva, mas eu acredito que parte da execução, uma premeditação não houve, nem que seja por um período pequeno.

LSLuiz Sayão

Não, e a preparação ela tem que ocorrer. Por quê? Porque ela teve que ir no móvel, abrir o móvel, pegou uma pistola que era dela, calibre 380, que estava municiada. Ela empunha aquela arma e ela deu um tiro, como disse o perito Salada, na trairagem A pergunta é: isso não é preparação? É, isso não é a preparação?

RSRICARDO SALADA

Houve uma preparação? Houve aquela situação, é a preparação, a primeira discussão.

RVRogério Vilela

Ele falou alguma coisa, ela pegou uma faca na mesa, né?

RSRICARDO SALADA

Entende? Eu acho que essa parte talvez do impulso, que talvez não tenha sido medida ou avaliada por ela, é a reação do Marcos com relação a ele saber que ele estava foi, vamos dizer, seguido, fotografado, toda a traição dele documentada. Então aí talvez tenha sido parte de impulso. Agora, aquela parte execução teve, no meu ponto de vista, uma certa premeditação. Ela premeditou o que que ela ia fazer com o corpo, né, de uma forma absurda, picar o o Marcos, né, a partir do descarte.

Tanto é que ela pega lá, espera da noite para esquartejar o Marcos, porque o corte em seguida ia jorrar muito sangue, escorrer muito sangue. Então ela espera esse sangue coagular um pouco para fazer os cortes, que isso aí era de conhecimento dela, né. Então pouca coisa daria dizer que fez de uma forma tão impulsional. Talvez a origem, né, da discussão tenha sido um impulso, que ela poderia ter pensado: olha, eu tenho a prova que ele tá me traindo, não vou entrar com uma ação, eu vou me separar e eu vou ficar melhor do que ser sem isso, entendeu?

Então isso aí foi, eu acho que foi uma certa impulsividade dela, que ela não conseguiu segurar os dos olhos dela.

LSLuiz Sayão

Tem outro detalhe também. Depois que ela faz todo o esquartejamento em 6 partes do marido, já se tinha lá um plástico azul de um tamanho bem substancial onde ela colocou esse corpo.

RVRogério Vilela

É uma coisa que se usaria no dia a dia, entendeu?

LSLuiz Sayão

Ela tinha um plástico lá, é saco de lixo.

RSRICARDO SALADA

Não, os sacos de lixo que foram utilizados, que foi uma das das coisas que também ligava a Elize aos pedaços que foram encontrados é que esse saco de lixo não é um saco de lixo comum.

RVRogério Vilela

Ah não, era um reforçado.

RSRICARDO SALADA

Segundo consta, seria um saco importado com fitilhos para fechar o saco e para poder fazer amarração.

LSLuiz Sayão

Não é esse saco baratinho.

RSRICARDO SALADA

Não é saco barato, quer dizer, então Esse foi mais um ponto que levou, ligou a Elize ao crime do Marcos.

LSLuiz Sayão

Que quando encontraram os pedaços nos sacos em Cotia, quando a polícia fez a busca e apreensão na casa, encontrou o mesmo saco no apartamento. Ou seja, não tinha como ela negar. Agora, tem um detalhe importante que é legal o seu público saber. Depois que ela faz tudo isso, ela teve segundo trabalho, Vila, era de limpar tudo que aconteceu. Ela limpa a cena do crime porque a empregada que chega para trabalhar não percebe absolutamente nada. Ela teve um trabalho de limpeza com material ali que não é brincadeira.

RVRogério Vilela

Muito se fala também da força que é necessário para cortar uma pessoa, e ela é franzina. E ela é franzina. O que que vocês poderiam falar sobre isso?

RSRICARDO SALADA

É realmente uma Vamos colocar assim, conversando com o médico legista, ele fala o seguinte: que os cortes realizados na região abdominal e nos joelhos foram realizados por pessoas que tinham conhecimento técnico. Os cortes realizados nos membros superiores, nos braços e no pescoço, foram realizado por pessoa que não tinha conhecimento técnico, que os cortes foram realizados por pelo menos duas pessoas. Cara, isso aí o legista diz durante a investigação.

LSLuiz Sayão

A polícia foi indagada que existia uma segunda pessoa ajudando que nunca foi encontrada, mas houve essa, houve essa, mas é que tá, não tem nada em câmera.

RSRICARDO SALADA

Não, o que que acontece? A gente tem que lembrar que a escada do prédio não é monitorada, não tem câmera. Tem câmera no elevador, mas e o hall?

RVRogério Vilela

Ele teria que passar pelo hall.

RSRICARDO SALADA

Não, porque pode ser algum morador.

RVRogério Vilela

Ah, que é que não chamaria atenção, não chamaria atenção.

LSLuiz Sayão

Mas outra coisa, se ela desce, se ela desce com as balas pela escada Ela teria livrado a questão da imagem que ela foi flagrada com as malas. E aí, o que que ela faria se ela tivesse pego o carro dela e colocado numa posição dentro da garagem que não tem câmera? Ela desceria com as malas, colocaria as malas no carro e iria embora. Então a polícia, quando foi olhar, não, não teria ficado tão patente.

RSRICARDO SALADA

Pô, mas 3 malas grandes, mas na garagem em si, entre a saída do prédio, do elevador e a garagem dela, não tinha câmera. Tanto é que a gente fez essa simulação de colocar peso em malas justamente para conseguir comprovar que ela conseguiria fazer ou não sozinha. E conseguiria, ela conseguiu, até em menos tempo do que a gente tinha o tempo da gravação. Ela saiu do elevador E a gente tinha o tempo que a garagem abriu para sair.

RVRogério Vilela

Esse fato de diferença dos cortes poderia ser proposital para enganar? Acho que ela não pensaria nesse nível.

RSRICARDO SALADA

Não, é ridículo, não faria sentido. Aqui no braço o corte forma retalhos, tipo, sabe, retalho. Os cortes na região abdominal são cortes extremamente precisos, são cirúrgicos.

RVRogério Vilela

Dá para saber qual foi feito primeiro e qual foi depois ou não dá para saber isso?

RSRICARDO SALADA

O legista fala que nos membros superiores e no pescoço tinha sinal vital, por isso que ele estaria vivo. Então aí, 10 horas, então aqui foi feito antes, tá? No abdômen, nos joelhos, não apresentava sinais vitais.

RVRogério Vilela

Então faz um pouco de sentido que aqui havia uma certa urgência e o cara tá vivo ainda, e lá embaixo ela já fez com mais calma.

RSRICARDO SALADA

Não, não, não, não, não.

RVRogério Vilela

A explicação não cola?

RSRICARDO SALADA

Não, não.

RVRogério Vilela

Por quê? Tanto é que, ó, eu tentando defender.

RSRICARDO SALADA

Não, não, até foi uma situação que quando ela fez a reprodução simulada, ela começou cortando pelos joelhos, indicando que teria cortado os joelhos, tá? E depois ela foi subindo. Um dos argumentos que foi utilizado pela defesa é que quando foi feito os cortes no braço estaria sem fio, estaria cega. É, a faca estaria cega. Faz sentido? Não, porque segundo eu não, a gente não viu o instrumento, né? Segundo ela, ela teria usado uma faca de cerâmica que não perde fio, porque o Marcos, além de colecionador de armas, máquinas fotográficas, onde jogou essa faca, não sei se foi num shopping, alguma alguma coisa, as malas numa caçamba de lixo.

E assim, se não me engano, a faca foi numa lixeira de um shopping, alguma coisa. Mas aí passa 5, 10 dias, esquece. Agora, ali é totalmente errado essa possibilidade de ter perdido o fio. Primeiro, esse corte na região abdominal tá muito mais para ter sido feito por bisturi do que por uma com uma faca. É, você imagina que tem os cortes muito precisos, muito longos, tá? Foi seccionado o abdômen sem perfurar nenhuma alça intestinal.

LSLuiz Sayão

Agora, ela teve formação porque quando ela morava em Chopinzinho, que é uma cidade no interior do Paraná de 20 mil habitantes, conheço inclusive, quando ela fez 18 anos Perto de Pato Branco. E essa tia dela, que é amiga dela até hoje, que gosta dela e que foi no casamento, a tia dela é auxiliar de enfermagem. E a tia dela falou para ela: olha, você tá com problema com seu padrasto porque teria praticado abuso sexual contra ela.

Ela falou para ela o seguinte: quando a Elize completou 18 anos, eles foram para Curitiba e Elize morou Curitiba, fez um curso, não sei se de auxiliar de enfermagem ou técnico de enfermagem. E também eu descobri que ela foi assessora legislativa da Assembleia Legislativa do Paraná. Então ela trabalhou alguns meses, ela estudou, e talvez, Salada, ela tenha, como ela fez aí técnico de enfermagem, ela fez aí estágio hospital, ela alguma coisa talvez tenha auxiliado nesse processo.

RSRICARDO SALADA

Sempre surge essa questão. Eu perguntei para uma enfermeira, tá, pela Unicamp, uma faculdade conceituada, fala que o enfermeiro só pega o bisturi para entregar na mão do médico, não aprende a fazer nenhum corte. Então essa de incisão, enfermeiro, não existe. Isso é posição dessa enfermeira da Unicamp, que é uma universidade renomada, né? Então pelo fato dela ter sido enfermeira, não. Se fala assim, ah, é porque ela matava animais, ela separava, não sei o quê.

Não, o joelho foi desmembrado, ele Não foi, não pegaram um facão e foi uma separação grotesca no joelho. Ele foi desmembrado, foram soltos nervos do joelho. Então, o que acontece, não existia lesões na cartilagem dos joelhos.

LSLuiz Sayão

A teoria que tinha uma segunda pessoa, mas não teve prova, não teve prova, mas que se falou muito na época.

RSRICARDO SALADA

Até o que que aconteceu o que aconteceu dessa segunda pessoa, para não atrapalhar o andamento do inquérito com a Elize, eles abriram um novo inquérito para tentar fazer essa investigação, tá? Então foi feito aberto um outro inquérito porque pode ser que existissem médicos, bem provável que existam, morando nos blocos. Mas daí é você conseguir comprovar, provas, que esse médico foi ao apartamento, tinha um relacionamento com ela.

Então é um relacionamento com ela. Problema é você provar. Mesmo que se saiba que era verdade, ninguém é preso porque a gente sabe. As pessoas são presas porque se provou, né? Então não se conseguiu comprovar a participação dessa suposta terceira pessoa que é descrita pelo laudo do legista, não se conseguiu provar para nenhuma pessoa teria participado. E o inquérito então foi arquivado.

RVRogério Vilela

Pois é.

RSRICARDO SALADA

Fala, Romero.

RVRogério Vilela

Eu quero saber a sua opinião, cara. Você tá ouvindo tudo isso, que que você acha de tudo isso? Que é porque é, cara, a gente tá vendo uma história sendo feita aqui, sendo recontada aqui. Pois é, como se fosse um um filme.

RSRICARDO SALADA

É verdade.

RVRogério Vilela

O que que você acha? Teria uma segunda pessoa? Seria, cara, seria incrível depois de muito tempo aparecer essa história. E quem, qual seria a relação? Ajudou? Por que que tá livre até hoje?

HHomer

Eu fico também pensando se há uma possibilidade da Elize Samúdio ela também estar viva, né? Se existe essa possibilidade, né?

LSLuiz Sayão

Impossível, impossível, impossível. Pelo seguinte, eu fiquei amigo do Dr. Edson Moreira E na realidade, como é que o crime foi descoberto? Que o crime não ia ser descoberto, foi feito por profissional. A Elize tava desaparecida, a mãe gritava que tinha sido o Bruno, o Bruno jogava no Flamengo lá no Ninho do Urubu, Bruno tava super tranquilo. Quando em dado momento um garoto menor de idade, de 16 anos, ele assistiu assistiu a morte de Elisa Samúdio.

E ele, Vilela, não tava conseguindo dormir. Ele não tava conseguindo dormir porque ele viu ela sendo morta. Quando você fica muito ansioso com isso, não consegue dormir, Vilela, a tendência é você querer contar para alguém, até para dar uma desabafada. Ele chama um tio dele e fala: tio, eu preciso contar uma coisa para o senhor, é muito importante, mas vou ter que me manter segredo. Aí o tio falou, tá bom, o que que aconteceu?

Falou, olha, só lembra aquela viagem que eu fiz para Minas Gerais no sítio do Bruno? Eu falei, lembro. E eu voltei. Aí ele falou o seguinte, você não vai acreditar, eu juntamente com o Macarrão levamos a Elisa na casa de um ex-policial e eu assisti a morte de Elisa. Aí o tio perguntou, mas como é que ela morreu? E ele conta como é que ela morreu. Eu posso contar se você quiser. Quando o tio ouve tudo isso, o tio fala: não, calma, pô, pelo amor de Deus, não foi você que matou, você nem sabia o que ia acontecer com ela.

Vilela, sabe o que esse tio fez? O sobrinho pediu para não contar para ninguém. O tio, no dia seguinte, ele tinha um amigo numa rádio, foi numa rádio, deu uma entrevista e contou tudo. Quando ele conta, a polícia do Rio, o Brasil inteiro fica de ficou de boca aberta. O Dr. Edson Moreira vai para o Rio de Janeiro, o garoto é apreendido, e o garoto conta como foi que ele viu a morte dentro da sala do Bola. Se você quiser, eu posso reproduzir para você, Vilela, se você achar conveniente.

Como foi que Elisa morreu? Elisa foi levada sítio do Bola com uma promessa que eles iam comprar um apartamento, que ela receberia uma mesada e que o Bruno assumiria o Bruninho. Ela tava com o Bruninho no colo. Num determinado dia, o Macarrão chega para ela e fala: olha, nós vamos, vou te levar na casa de uma pessoa e depois a gente vai ver o apartamento que o Bruno mandou verificar para ver se você gosta. Só que essa vinda para Minas Gerais tinha esse rapaz de 16 anos que era o sobrinho, que foi para dar um apoio para o Macarrão.

Quando eles chegam na casa do Bola, ela entra com o Bruninho na mão, ela entra com o Bruninho na mão juntamente com o Bola e com o garoto menor de idade de 16 anos. E o Bola tá lá, o Bola começa a conversar. Só que talvez o garoto não soubesse que ia ter um homicídio, mas o Macarrão sabia e o Bola sabia, porque ele ganhou. Isso me disse o Dr. Edson Moreira, no dinheiro de hoje, mais ou menos R$70 mil. Aí houve, estavam todos de pé na sala do Bola, em dado momento O Bola pede para ela deixar a criança com o macarrão.

Falou: deixa de criança com macarrão, quero fazer uma coisa com você. Ela deixou. Aí ela pede, Vilela, que ela estenda as duas mãos. Quando ela estende as duas mãos, ele pega nas mãos de Elisa e faz isso, ó. Ele cheira as duas mãos de Elisa.

RVRogério Vilela

Que bizarro!

LSLuiz Sayão

E ele fala assim para ela: você não usa drogas? Ela fala: não, eu não uso, eu só uso bebida alcoólica. Em seguida, ele começa a passar a mão nas mãos de Elisa e ele disse: nossa, você é uma mulher que não, não é dona de casa, sua mão é muito lisa, você não é uma mulher que que tem serviços domésticos. Ela falou: realmente eu não sou. E nisso ela tá com as duas mãos espalmadas e ele fazendo esse movimento. Nesse momento, Salada, ele pega, ele vira ela de costas, dá um mata-leão e torce o pescoço de Elisa.

Provavelmente quebra e ela cai como se fosse uma pessoa já morta desmontada no chão. Quem viu a cena? O Macarrão com o Bruninho no colo, o garoto de 16 anos. Naquele momento, um silêncio na sala. O Bola diz o seguinte: aguardem lá fora que eu vou terminar o serviço. O garoto, assustadíssimo, vai lá para fora. O Macarrão, que também não sabia que a morte seria daquela maneira, vai lá para fora o Bruninho no colo, quando passados 10 minutos, ele com a mão ensanguentada e um pedaço de carne joga para os cães rottweilers dizendo o seguinte: a mão de Elisa já foi.

E os cães, os cães avançam e comem aquele pedaço de carne que não era a mão de Elisa Samúdio, que era uma carne já preparada. Naquele momento, ele se despede do Macarrão E o Macarrão, antes de ir embora, faz um pedido para o Bola. E quem me contou foi o Doutor Edson Moreira. E o pedido foi o seguinte: com o Bruninho no colo, ele fala o seguinte: dá um jeito nesse garoto também. O Bola, que é um matador profissional, olhou para ele e falou o seguinte: o seguinte: o garoto não tá combinado, tá combinado só a mulher.

Vocês já pagaram pela mulher, vocês vão pagar pelo garoto? Olha, não tenho dinheiro, então comigo não resolve. E nisso entram no carro quem? O Bola, o menor segurando a criança, e eles voltam para o sítio. Esse relato foi tomado pela polícia no Rio, depois pela polícia em Minas Gerais quando ele foi levado, porque ele foi apreendido. E foi um documento muito importante para convencer a juíza a fazer a certidão de óbito indireta.

Que que aconteceu, Salada? No tribunal do júri, o advogado deve ter chegado para o Macarrão e falou, meu, você vai ser condenado. Porque é muita prova. E aí, utilizando um recurso de diminuição da pena, o Macarrão abre o bico. Quando ele foi ser ouvido, ele falou: não, eu tava lá. Ele deu uma enrolada, mas ele conta que estava lá e que viu a morte. E em seguida, quando chegou a vez do Bruno, o Bruno fala uma meia, uma meia confissão, que no final o juiz entendeu que merecia uma diminuição de pena.

Então você veja que para esclarecer um crime precisa de um detalhe. Se esse garoto não caguetasse, talvez Elisa Samúdio continuaria como uma desaparecida e o Bruno jogando na seleção brasileira, talvez.

RVRogério Vilela

Aqui foi incrível, incrível esse relato. Senhores, alguma ponta solta, alguma coisa para completar.

RSRICARDO SALADA

Agora é a hora.

RVRogério Vilela

Que que você trouxe para gente, Salada?

RSRICARDO SALADA

Finalmente!

RVRogério Vilela

Olha aqui, já tá na— o pessoal já encontra?

RSRICARDO SALADA

Já, no site é pela Amazon, livrarias, livrarias.

LSLuiz Sayão

Na cena do crime, Salada já me deu, já li. Para quem gosta de crime, true crimes, tem que comprar o livro de Salada, que é É bem interessante, é bem legal, é uma visão pericial dos crimes.

RSRICARDO SALADA

Não fala, não se fala assim em termos dos crimes em si, entende? Mas o olhar pericial de dentro, de dentro da cena.

RVRogério Vilela

O que que a gente tem de novidades aí tecnológicas? A gente vai ter alguma coisa que vai revolucionar? Inteligência artificial, algum equipamento novo? O que que desde que você que que começou, o que que mudou e como você prevê daqui para frente a solução de crimes? Até de uma, não sei se assistiram Minority Report, mas uma coisa de pre-crime, de você conseguir evitar crime antes dele acontecer, inclusive.

RSRICARDO SALADA

Ó, na minha opinião, a peça mais importante numa análise de cena de crime ainda continua sendo perito criminal. Um bom perito criminal com vivência, com de uma série de atributos. Amanhã eu não sei.

RVRogério Vilela

Tem alguma, alguma opinião sobre isso?

LSLuiz Sayão

Eu acho que o que tem revolucionado foram alguns softwares comprados pela Polícia de São Paulo no tocante a você conseguir abrir um computador, computador resetado, eles conseguirem recuperar dados. Tecnologia israelense que que a Polícia de São Paulo já tem, que a perícia já tem. E eu sempre digo que o maior cagueta é um telefone celular. Ele é cagueta para o bem como ele é cagueta para o mal, tá tudo lá, criminoso.

RVRogério Vilela

Então o rastro tá lá.

LSLuiz Sayão

A polícia hoje tem um equipamento muito interessante porque no celular tá toda a sua vida. Por exemplo, nós estamos aqui agora fazendo aqui o podcast com o Vilela e meu computador, meu celular tá ligado, tá triangulando. Ele, uma antena sabe que eu tô aqui perto. Quer dizer, outra coisa, tem muita gente que deleta tudo aqui, mas ela não entende que talvez esteja aí guardado na nuvem. Então muitos crimes hoje, porque o delegado hoje ele corre para prender um celular.

Eu me recordo nesses casos últimos, a primeira coisa: onde tá o celular? Me dá o computador, me dá o tablet, porque lá você pode ter uma prova pericial tão importante que coloca a pessoa no título do livro, que é Na Cena do Crime, que é o título do meu, o meu YouTube, que é o YouTube Na Cena do Crime. Porque para você, para você processar alguém e ter uma condenação, você precisa colocar o criminoso na cena do crime. Você não colocou ou colocou só um pouquinho, o juiz é obrigado a absolver.

Eu me recordo Antes de trabalhar como delegado, eu trabalhei na Defensoria Pública, que é defensores públicos, são advogados que trabalham para réu pobre, né? O réu, quando não tem dinheiro para contratar, nomeia-se um defensor público. E eu me recordo quando eu fazia audiências e ouvia os julgamentos, em alguns casos, Saladar, era curioso, o juiz escreve assim: Existe um crime, por exemplo, de homicídio. O juiz escreve assim no final da sentença: tudo leva a crer que o réu fulano de tal realmente cometeu o homicídio, mas o tamanho das provas do inquérito policial e do processo criminal não me dão suporte para existir o mínimo de certeza que o réu praticou, e portanto eu absolvo o réu.

Que na verdade é o artigo 386, parágrafo 6º, que é absolvição por falta de prova. Ou seja, tem prova da cena do crime, mas o juiz tem que pegar uma balança, ele tem que entender o seguinte: olha, esse prato tem que ter um mínimo de bolinha para que eu possa condenar. Se tiver a bolinha por aqui, o juiz, com dor no coração, ele escreve na sentença: olha, tudo leva a crer que o fulano de tal, réu, cometeu o crime de homicídio ou feminicídio, mas eu não tenho provas suficientes para colocá-lo na cena do crime e absolvo.

Então, o trabalho jurídico Se o delegado não trabalhar bem feito, se o perito não trabalhar bem feito, se o promotor também errar, quem vai lucrar é o advogado de defesa ou é o defensor público. E aí, absolvição. E aqui eu faço uma ressalva para quem gosta de true crimes, e eu gosto de acompanhar a modernização das leis, para que todo mundo que tá nos assistindo perca lá uma meia hora e leiam Duas leis de 2019. Primeira lei, lei de abuso de autoridade, que colocou uma marra em todos os agentes públicos que apuram crimes, uma verdadeira marra perigosa, porque qualquer agente público pode responder por abuso de autoridade.

E a segunda lei é a lei que fala da cadeia de custódia, aonde a cadeia de custódia. Se os primeiros policiais que atendem uma cena de crime errarem, se o delegado errar, se o perito errar, hoje o bom advogado ele fica de olho nessa cadeia de custódia, que é como se fosse uma coisa que tem que ser feita tão profissional que uma falha eles conseguem anular toda uma perícia, anular uma investigação. E aí Eu quero trazer que tudo isso faz com que réus investigados ricos que contratam os melhores advogados, é claro que muitos deles saem ilesos porque eles conseguem enxergar todas essas brechas e pequenos erros que eles transformam, Vilela, em grandes erros.

Os réus pobres, réus que têm advogados que não têm uma empolgação conhecimento jurídico faz com que o réu pobre rapidamente vá preso, condenado, com poucos recursos, e nunca vai chegar em Brasília e nem no Supremo. Então há uma injustiça em todo o nosso processo. E eu faço um alerta para policiais civis, policiais militares, peritos criminais, que leiam a Lei de Abuso de Autoridade 2019, para que você, no exercício da função não se torne réu investigado no crime de abuso de autoridade.

RSRICARDO SALADA

É isso, é isso, é propaganda agora.

RVRogério Vilela

Fez do livro, rede social, canais. Recomendo demais que vocês acompanhem os dois em tudo que eles fizerem, porque são mestres nessa arte aí. E acompanha aqui, se inscreva aqui no canal. Sai daqui, já vai lá na Cena do Crime, já se inscreve, segue o Salada, Me segue no Instagram também, safado. Pessoal segue o Inteligência, às vezes esquece de me seguir. Tô quase chegando em 1 milhão lá, então @vilela. Eu posto fotos de sunga, se vocês me seguirem e eu chegar a 1 milhão, eu coloco uma... Não, aí isso é propaganda negativa.

LSLuiz Sayão

Sunga de crochê ainda?

RVRogério Vilela

É o contrário. De fralda, um fraldão eu posto uma foto. Então me sigam lá no Instagram, @vilela. Se liguem na agenda. E o Homer, é hora de você brilhar, né, cara?

HHomer

Agradecer demais aí para você que chegou no final desse papo. Se você ainda não deixou seu like, tá panguando, cara. Agora deixa aí o like, agora se inscreve, torne-se membro, torne-se membro. E agradecer demais ao nosso patrocinador, sim, o Estratégia Concursos, que tá patrocinando o episódio de hoje.

RVRogério Vilela

E para provar que você chegou ao final desse papo maravilhoso, pessoal, escreve nos comentários, Homer, coloca aí trairagem. Trairagem, a palavra mais falada aqui, né?

RSRICARDO SALADA

Parabéns, trairagem!

RVRogério Vilela

É, rapaz. Coloca aí nos comentários se ela é idade e prove que você chegou até o final. Fiquem com Deus, beijo no cotovelo e que bom que vocês vieram. Não cometam crimes hoje, amanhã também e depois de amanhã também. As opiniões e declarações feitas pelos entrevistados do Inteligência Limitada são de exclusiva responsabilidade deles e não refletem necessariamente a posição do apresentador, da produção ou do do canal. O conteúdo aqui exibido tem caráter informativo e opinativo, não sendo vinculado a qualquer compromisso com a veracidade ou exatidão das falas dos participantes.

Caso você se sinta ofendido ou tenha qualquer questionamento sobre as declarações feitas neste vídeo, por favor entre em contato conosco para esclarecimentos. Estamos abertos a avaliar e, se necessário, editar o conteúdo para garantir a precisão e o respeito a todos.

1901 - ELIZE MATSUNAGA: O QUE O FILME NÃO MOSTROU? SALADA E LORDELLO | Castnews Index — Castnews Index