1898 - OS SEGREDOS POR TRÁS DA ORIGEM DO CORONAVÍRUS: DANIEL LOPEZ
DANIEL LOPEZ é jornalista, professor e pastor. Nesse episódio de “Ligando os Pontos”, ele vai bater um papo sobre as origens do coronavírus e toda a recente celeuma nos EUA por conta do Dr. Anthony Fauci e a pandemia. Já o Vilela ainda tem tanto trauma da pandemia que até os chuveiros da casa dele não são mais dessa marca.Cadeira é Elements, e o desconto pra vocês tá liberado. Acesse e garanta a sua: https://loja.elements.com.br/?utm_source=youtube&utm_medium=legenda&utm_campaign=inteligencia
- Pesquisas com coronavírus em laboratórios· CienciaAnthony Fauci · Robert Kennedy Jr. · Laboratório de Wuhan · Hipótese de vazamento laboratorial · Experimentos de ganho de função
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Olá, terráqueos! Como é que vocês estão? Sou Rogério Vilela, tá começando mais um Inteligência Limitada, o programa onde a limitação da inteligência acontece somente por parte do apresentador que vos fala. Hoje com aquele programa semanal especial que você tanto gosta, não é, pequeno bigode?
É isso aí, gosto muito, cara.
Hoje a gente vai falar de vários temas, o principal é esse que tá todo mundo pedindo, discutindo sobre isso, sobre o que tá acontecendo nos Estados Unidos. Tá todo mundo falando sobre o COVID de novo, mas vamos falar também de Espanha.
Sim, você viu o que aconteceu fim de semana?
Exatamente. Eu vou para Espanha, cara.
Olha aí, cara, bem uma semana antes da sua viagem.
Exatamente. Vamos falar de muitas coisas, porque Ligando os Pontos é isso, a gente fala de um tema central e tudo que tem em volta. E temos participação também hoje de um cara que vai falar também sobre vacinas e COVID.
Quem é? Convidado especial, Lucas.
Exatamente, ele tá no ponto. Então fala com ele que a gente Já vai chamar ele logo no começo do papo, certo?
Perfeito.
E como que o pessoal em casa vai poder participar, que a gente precisa muito de dúvidas?
É isso aí. Primeiro, vou pedir para você que está em casa deixar o seu like, a sua inscrição, ativa o sininho aí, faz tudo que você puder fazer e envia, claro, a sua pergunta para a gente hoje, o seu questionamento, a sua dúvida, tudo que você tiver aí, porque eu vou selecionar as melhores perguntas, tá certo?
Exato. Você vai fazer o programa inteiro com essa empolgação ou você vai se empolgar um pouco mais?
Eu não tomei café hoje, cara.
Então, por favor, toma café aí.
O diretor está me tratando muito mal, entendeu?
Ah, é?
Pois é, me chama para trabalhar todo dia agora.
O Costelinha.
O Costelinha.
Vai pegar esse apelido ou não?
Piada interna. Piada interna.
Vai pegar esse apelido ou não? Ele perfurou o pulmão e a gente chama ele de Costelinha.
Ele tinha 10 costelas, agora tem 11, né?
Foi quem que quebrou a costela?
O Luciano, nosso diretor aí.
Agora? Recente?
É, uma semaninha.
Uma semana.
Costelinha, então é isso aí.
Quebrou duas costelas, perfurou o pulmão e tá vivo até agora.
Tá andando de skate? Tá andando de skate? Tá andando de gaiola por road. Carrinho de rolimã.
Carrinho de rolimã, foi naqueles carros de gaiola. Ele esqueceu de colocar o cinto e capacete, só isso. Porque foi jogado para asfalto. Poderia estar morto, mas tá aí.
Muito importante, né?
Pelo visto já se recuperou bem, né? Tá rindo ali.
Já deu uma semana, já tava aqui, já tava no fogo.
Exato. Então o pessoal já vai mandando pergunta, certo?
Exatamente.
E que horas são agora?
Agora exatamente 19:46. A gente pede perdão aí pelo atraso.
Exato. É que o pessoal fica, ah, é gravado? É ao vivo?
Sempre ao vivo, cara.
Então fala o horário, repita.
19:46.
Então manda pergunta que a gente vai ler as melhores. Eu, antes de falar com o Daniel, quero falar com você, que a gente tem uma coisa que a gente acaba ignorando estudando, quando está construindo uma rotina de trabalho séria. Sério, que é o quê? Essa rotina de trabalho séria tem que começar pelo lugar onde você senta, Laila.
Laila, exatamente, muito importante.
Tem que colocar o Laila, né?
Tem que ter o Laila, né?
Onde você senta é importante. Olha aqui onde eu estou sentado. Quando chegou essa cadeira, Daniel, eu falei, meus problemas nas costas acabaram, porque eu fico aqui, cara. Só hoje já fiz caiado, foram 2 horas e meia, e agora, Daniel, que a gente vai mais umas 2 horas pelo menos.
Fora quem tem aquele probleminha que o olho fica piscando. É, fica aquele problema.
Eu não tenho esse problema, mas você tem, né?
Eu não tenho.
O Lene é velho, ele tem.
Talvez tenha.
Ele tem hemorroida, já tem hemorroida. Então, para você, a gente vai dar esse recado para você. A gente pensa em método, em foco, em eliminar distração, mas passa 8, 10 horas numa cadeira que literalmente machuca o corpo. Esse era o meu problema e eu fiz isso por muito tempo. E aí que eu percebi é que o desconforto físico é um ruído constante, ele não te derruba, mas ele te cansa. Que consome uma energia que você nem contabiliza.
Quando eu comecei a usar a cadeira da Elements, esse modelo que eu tô usando possui ajuste lombar, apoio de cabeça, trava com 5 inclinações— não, com 3 inclinações essa, né? Eu escolhi essa. E com braço 5D. A diferença não foi só no conforto, foi na capacidade de ficar presente por mais tempo. O corpo descansado sustenta o pensamento. Clica no link na descrição, use o cupom INTELIGÊNCIA e você vai sentir diferença desde o primeiro dia. Que nem a gente, cadeira é Elements.
É isso aí.
As suas não chegaram ainda, né?
Você viu, cara. Mas quando chegar, vou até dormir aqui na frente.
Ó, a gente tá usando duas, tem mais duas aí, pode usar.
Eu não posso usar, cara, senão eu durmo. Eu já sou meio desatento, entendeu?
Verdade, verdade.
Não durma então.
Não vou dormir.
E vou pedir para o Daniel se apresentar para quem não conhece, para essa câmera aqui.
Fala, galera, tudo bem? Daniel Lopes aqui, prazer enorme estar aqui com vocês de novo no Ligando os Pontos. Eu sou jornalista, tenho formação também em letras, né, uma licenciatura em letras. Também teologia, mestre, doutor em linguística. E tô ali de segunda a sexta no meu canal Daniel Lopes falando das notícias que estão acontecendo no mundo. E tenho também a alegria de estar aqui uma vez por semana também, a gente comentando sobre Ligando os Pontos, que é conectar tudo que tá acontecendo no mundo e a gente encaixa piadinha de quem tá assistindo.
Vamos falar em primeira mão, teremos um programa novo com Daniel e convidados falando com economistas, com gente que faz o investimento, empreendedorismo. É programa que eu queria ter bastante tempo. Vamos fazer esse programa logo aí, bora, bora!
Segundo semestre eu tô muito empolgado, já tô conversando com alguns amigos ali que são da área, né? Exato, galera. Já encontrei agora com o pessoal, falaram: ei, Daniel, aquela ideia que você falou. Eu falei: ó, vou conversar com o Vilela hoje, acho que vai rolar, hein?
Então, Daniel, cenário novo, convidados e muita notícia aí, certo?
Vai ser uma alegria.
Não vamos deixar de fazer o Ligando os Pontos também, calma aí também, né?
É também, senão vou ficar com síndrome de abstinência.
Não, não, é nosso encontro semanal. Então Já agora você sabe o que você tem que fazer, né?
Vou dar vinheta.
Solta a vinheta. Estamos de volta com Ligando os Pontos, aquele programa que você sabe que tem um tema central, mas a gente faz também o fugindo dos pontos, né? Exatamente, a gente acaba falando, nunca é assunto linear, e o pessoal fala volta para o tema. Então a gente sempre volta para o tema, mas né, Daniel, a gente vai falar de literatura, literatura, cinema, série, bora, ideias, piadas de quinta-feira.
Não, aquela hora que você falou tá no ponto, eu lembro, você lembra daquela cantada que tinha que o cara passava na menina e falava você tá esperando o ônibus? Aí ela falava não, por quê? Porque você tá no ponto.
Teu pai é pintor?
Não, essa não pode, essa aí não dá não.
Mas vamos lá, Daniel, Hoje então, assunto bombástico, todo mundo pedindo. Pô, a gente até colocado outro assunto que a gente vai falar também, a gente vai falar sobre Espanha, mas é impossível não falar do que tá acontecendo.
As redes sociais hoje, o povo tá clamando, clamando, todo mundo só falando nisso, só falando nisso. Eu ia falar hoje de culinária, moda, ia falar de outras coisas, pediram esse tema, eu fui nele, né?
Vamos lá, a gente, eu queria colocar na também na linha já o Lucas para falar com a gente porque ele tem horário, então a gente já fala com ele no começo. E a gente fala na parte toda científica e depois a gente fala em tudo que envolve o contexto, tem um aspecto geopolítico também, geopolítico e tal. Então vamos lá, ele que é biomédico e divulgador científico, o Lucas, tá na linha, ô querido Bigoda? Então tá ouvindo a gente?
Fala pessoal, estou ouvindo sim, vocês estão me ouvindo por aí?
Estamos. O volume dele tá baixo ou só para mim? Tá bom, tá bom. Então Lucas, se apresenta para o povo e seja bem-vindo. Você já não é tão novo aqui que você já veio aqui presencial e remotamente também.
Algumas 3 ou 4 vezes aí, né?
Exato.
Se apresenta, por favor. Bom, pessoal, boa noite a todos. Boa noite, Daniel. Boa noite, Vilela. Obrigado novamente. Eu sou o Lucas Zanandres, sou biomédico, divulgador científico, tenho mestrado na área de inovação tecnológica e propriedade intelectual e trabalhei assim, trabalho há mais de 11 anos na verdade com divulgação científica. Durante a pandemia principalmente foi quando o meu trabalho ele se expandiu bastante devido à minha experiência prévia na área de controle de epidemias.
Eu trabalhei durante muito tempo trabalhando com epidemias de dengue e usei esse conhecimento para poder divulgar ciência confiável durante a pandemia. E desde então, né, que o Olá Ciência, que é o meu canal, ele cresceu bastante, a gente vem tentando ensinar saúde, qualidade de vida, informação confiável para as pessoas tomarem melhores decisões. Então tô aí pronto para a gente falar sobre essa situação de novo. Que voltou depois de 5 anos. Quem diria, né?
Ô Lucas, cara, é um absurdo, porque não sei, as suas redes sociais devem estar que nem a nossa, né, cara? Só se falou nisso, eu pelo menos, todo mundo me mandando link. E aí tem uma guerra de narrativa, porque tudo vira guerra de narrativa. A gente até vai falar disso depois, né, dessas narrativas da esquerda, direita, quem tá certo. Ah, eu não avisei e tal. Mas o que eu queria contigo é a parte da ciência, cara. Por onde a gente começa?
Falar sobre vacina, explicar o que foi a COVID, o que foi a pandemia, se ela pode acontecer de novo, se aconteceu, o que funcionou, o que não funcionou. Por onde a gente começa para a gente dar um panorama muito real para as pessoas? E depois eu e o Daniel, a gente vai falar da parte geopolítica, de todas as implicações e tudo mais. Vamos lá.
Beleza. Bom, a gente tem, pelo menos quem tem mais de 10 anos de idade, vai se lembrar da maior pandemia dos últimos 100 anos, que foi a pandemia de COVID, né? A gente sofreu aí bastante tempo durante quase 3 anos com o auge da pandemia. E recentemente foi um coronavírus, um coronavírus que ele começou os primeiros casos ali em Wuhan, na China, onde a gente vai falar mais sobre isso, né? Havia um laboratório de pesquisa de coronavírus.
E essa é uma das questões que mais gera dúvidas, gera mais questionamentos. Pô, que coincidência, né? Uma pandemia surgindo na China, na cidade que tem um laboratório que pesquisa coronavírus. E essa pandemia ela acabou gerando aí milhões de mortes, mais de 700 mil mortes no Brasil. E hoje, depois de mais ou menos uns 5 anos assim de início da pandemia, várias questões que pareciam já apagadas, né, de onde veio o vírus, a vacina funciona, qual a origem, será que o vírus foi criado em laboratório, todas essas questões elas estão retornando por causa do, de um de uma ouvidoria, vamos dizer assim.
O Anthony Fauci, que é um dos epidemiologistas mais famosos do mundo e uma referência na época da pandemia no governo da época dos Estados Unidos, ele foi questionado pelo Senado americano porque— eu acho que o Daniel vai saber explicar melhor esses motivos e tal, mas parece que encontraram anotações dele da época da pandemia e estavam questionando ele sobre isso. E aí ele decidiu ficar calado sobre o que aconteceu, né, Daniel? Se quiser trazer mais contexto aí para a gente.
Não, a gente gostaria até de aproveitar para deixar você falar, mas prazer te conhecer aqui, apesar de ser online, né, mas já é uma alegria te conhecer. Um parabéns pelo trabalho. Então, o Robert Kennedy Jr., que é o secretário de Saúde e que escreveu um livro, The Real Anthony Fauci, O Verdadeiro Anthony Fauci, o subtítulo é um pouco grande, eu esqueci mais ou menos, é tipo assim, é Uma guerra contra a saúde pública, alguma coisa nesse sentido, que virou um best-seller, né, do New York Times.
Seria publicado por uma grande editora americana, depois que ela viu o vespeiro que era o assunto, eles decidiram não publicar. Saiu por uma editora meio assim fuleira da cebola, mas bombou do mesmo jeito. Então ele já vem trabalhando, Robert Kennedy Jr., há muitos anos, fazendo ali uma investigação profunda do Dr. Anthony Fauci. Não é um— Robert Kennedy Jr. não é um cientista, não é um médico, não é um epidemiologista, mas é um advogado ali renomado.
E que escreveu um livro bem recheado de documentos e notas de rodapés ali, com toda a devida referência bibliográfica. Então, o que o Robert Kennedy Jr. traz para a mesa são essas anotações do diário do Dr. Anthony Fauci, diário no qual ele manifestava no início ali otimismo com as ideias de Trump com relação à crise sanitária, com relação à abordagem que Trump tava fazendo, mas depois Quando Trump começa a falar abertamente na mídia sobre as ideias que ele tava tendo, fala-se sobre hidroxicloroquina, Remdesivir, né?
E tem uma curiosidade ali que ele, Dr. Anthony Fauci, ele expressa nesse diário que ele achava hidroxicloroquina importante nesse combate e o Remdesivir deveria primeiro passar por teste para depois ser usado como esse medicamento novo que tava chegando. E depois que Trump vai para mídia, a mídia toda desce o pau no Trump. O doutor Anthony Fauci parece que muda de postura, inverte as ideias. Ele começa a criticar hidroxicloroquina e começa a dizer que o Remdesivir não precisa passar por nenhuma análise.
Então são fatos dessa natureza, como ele dá evidências para dizer, por exemplo, que a máscara não ajudaria tanto, né? Depois que ele muda de opinião, ele fala: não, a gente mudou de opinião porque Se a gente ficasse falando que teria que comprar máscara no início, todo mundo ia comprar máscara, a máscara ia sumir do mercado, não ia ter nos hospitais. Então o discurso vai ficando muito contraditório. E a gente fica surpreso, né, com um cara que é tão, tem uma quilometragem tão grande aí no serviço de saúde norte-americano, né, o NIH, que é o National Institutes of Health, e também o NIAID, né, que é o National Institutes of Allergy né, de alergia e infectious disease, né, o NIH, né.
Então o cara que tem 85 anos e tá 40 anos já participando de, participando ali de comissões no Congresso para dar resposta ao que ele tá fazendo. Porque desde, eu não sei se você sabe disso, já volta a palavra aqui, é o Anthony Fauci, ele trabalhou na crise do HIV, velho.
É mesmo?
E nessa época a galera já criticava dizendo que abordagem dele matou muitas pessoas. Lá nos anos 80. E o Anthony Fauci, ele tem 85 anos, cara. Ele tá bem, né?
Tá bem.
Parece que é, parece que é meu irmão, né?
Parece que é mais novo.
É, parece que é meu filho, pô. Não, não, 85 anos, maluco. Então assim, esse cara tá nesse trabalho já muitos anos. Então eu vou passar de volta aí a palavra até para a gente aproveitar o conhecimento específico aqui do do Lucas. Como é que um cara com essa experiência, Vilela, deixa anotações falando o contrário do que ele tava falando para o público? Pô, pelo amor de Deus, né? Aí você falou, irmão, tu merece passar esse veneno que você passa.
Como é que você deixa isso anotado falando tudo contrário? É, ô Vilela, um cara desse assim tu encontra na rua, você dá o quê, uns 60, né, uns 70 no máximo? 85, maluco!
Pois é. Aí Aí até tá um pouco, parece mais, mas eu vi umas imagens dele, tava parecendo mais um garoto.
Fala, Lucas, aí. Desculpa aí, falei muito, cara. Ó, quando for passar a palavra, cuidado, que eu me empolgo.
Excelente contexto. Bom, é realmente verdade tudo isso que o Daniel falou e tal, e a gente tem que tentar entender o que tá acontecendo. Eu não tô aqui para defender o Anthony Fauci, inclusive eu tenho algumas críticas ao trabalho dele desde a época da pandemia. No entanto, é uma coisa que é importante a gente lembrar, é o seguinte: como que a gente tava 5 anos atrás sem informações sobre o que que a gente tava lidando? Você bem citou aí a crise do HIV.
Todas pandemias, e o HIV é uma pandemia em curso, ela ainda não acabou, né, assim como a da COVID, a da COVID continua em curso. Quando o vírus ele salta de um animal para o ser humano e começa a criar os primeiros casos, ninguém conhece o que ele faz, ninguém conhece qual que vai ser a taxa de transmissão, qual que é a real taxa de letalidade, qual que é a taxa de sobrevivência, né, das pessoas, como que nós temos que fazer o sistema de contenção, por onde que ele circula, quais os efeitos colaterais, os efeitos, né, na saúde que esse vírus vai ter, que só aparecem quando ele pega milhões de pessoas.
Então tem muitas perguntas e ficam em aberto. Então, por exemplo, essa tem algumas coisas que se questionado eu não vou saber te responder, porque quem deveria responder é o Anthony Fauci. Mas, por exemplo, essa questão da cloroquina, a gente tem que lembrar que quando a cloroquina ela foi divulgada como potencial tratamento, toda a comunidade científica bateu palma para ela. Não foi só o Anthony Fauci, não foi só alguns entusiastas e alguns políticos e etc.
Toda a comunidade científica acreditou nos primeiros resultados que saíram sobre a cloroquina. Só que esses resultados, eles foram fraudados. Eles foram fraudados pelo cientista que fez a pesquisa. É diferente da gente encontrar um resultado fraco. Ele não é um resultado fraco, ele é um resultado falso. Então, no momento em que você vê aqueles primeiros resultados dizendo que a hidroxicloroquina poderia ter ação antiviral, é prudente você começar a colocar ela na linha de frente para poder fazer tratamento.
E foi isso que foi feito. Só que logo em seguida, pouco tempo depois, quem testava hidroxicloroquina de forma séria tava vendo, poxa, isso aqui não tá funcionando. As pessoas que usam hidroxicloroquina versus as que não usa não estão melhorando mais, elas estão melhorando ou piorando o mesmo tanto que as pessoas que não estão usando. Vamos rever os dados. E aí hoje, depois de muito tempo, né, A gente sabe que os dados foram fraudados.
No caso do Remdesivir, o Remdesivir já é um medicamento um pouco mais antigo, é um antiviral já conhecido, ele não foi criado apenas para COVID. Então ele foi adaptado para coronavírus, ele não era a melhor opção, e diante das evidências que nós tínhamos no momento, havia a hidroxicloroquina como primeira opção. Depois que ela foi descartada, você coloca a segunda opção. E aí começaram a surgir medicamentos específicos para o coronavírus, né?
Então essa questão, tem vários detalhezinhos, e como o Vilela começou a falar, na narrativa é muito bonito, só que quando a gente vai analisar e sentar para estudar, não é bem assim. E eu entendo perfeitamente que quando o cara lá, o Antony, ele fica calado diante do Senado americano, ele dá o direito das pessoas questionarem. E esse que é o grande problema. Eu acho que é daí que vem essa onda de desinformação que começou a surgir.
Pô, os caras questionam coisas básicas para ele, qual que é a cor da sua gravata, e ele fica em silêncio e parece que ele tá tirando onda com o Senado americano. Ele perde credibilidade diante do público que deveria ouvi-lo e que ele deveria convencer as pessoas de que aquilo, de que as anotações dele são relevantes, de que ele não era um cara mentiroso, de que ele não fez intencionalmente. Então existe todo esse contexto, né?
Então para olhar o que realmente aconteceu, a gente teria que olhar cada um dos pontos E o Senado americano tá falando que são problemas, né, e são problemas ali. E eu acho que o principal deles, o que é mais relevante, tem um senador que é o Paul, né, o Paul, que é inclusive o Anthony Fauci fala que ele é um perseguidor dele. Ele fica insistindo na ideia de que o coronavírus ele foi manipulado geneticamente em laboratório pelos chineses.
E lançado propositalmente para criar pandemia e teria sido um experimento que deu errado. Essa é uma hipótese que tem sido levantada várias vezes aí. Vocês chegaram a ouvir essa hipótese? Se vocês sabem do que que tem, do que tá por trás dela, eu queria saber assim qual que é o nível, em qual nível de conhecimento nós estamos para a gente falar a mesma língua e para eu não me antecipar com relação ao que vocês estão esperando.
Ô Lucas, o que a gente programou aqui é toda a sua parte separada e depois a gente faz separado a parte geopolítica. Então pode despejar informações, qualquer dúvida a gente pergunta para você, não é melhor?
É, manda brasa aí, senão a gente vai ficar aqui até amanhã, cara. É porque ela não fala muito não, mas eu falo para caramba.
Daniel fala bastante e eu fico dando corda.
Eu não sou médico não, mas eu tô numa pesquisa sobre isso já desde antes, né, da pandemia, que eu já pesquisava isso.
Você tava só com uma dúvida, né?
Não, é só um detalhe, Lucas. Você me corrige se eu tiver errado. Você disse que o Remdesivir é antigo e tal, mas só para lembrar, a cloroquina, ela foi, ela é de 1934, e ela, tanto a cloroquina quanto a hidroxicloroquina, né, que é evolução da quinina, né, que era usado para malária, eles são medicamentos, a gente tem quase 100 anos de idade aí, já vai fazer, e medicamento que eu não tô também defendendo doxicloroquina não, tô citando os dados da criação de cada um deles, né?
A Bayer na Alemanha criou a cloroquina em 1934, que é a evolução da quinina que já era usada para malária. E o Remdesivir, 2009, né, que é da Gilead Sciences, né? Só para, só para pontuar, né, porque ficou a impressão que o Remdesivir é mais antigo e não é o caso, porque é um medicamento muito antigo para malária, né? A quinina e cloroquina e doxicloroquina.
Tudo bem, tranquilo. É, realmente o Remdesivir, ele foi criado, se eu não me engano, para hepatite, hepatite C, e foi reposicionado para Ebola. Então ele é um conhecido antiviral, e durante a pandemia ele ficou famoso porque as pessoas tentaram fazer um tratamento com Remdesivir, né, com a chegada do coronavírus. E aí ele deu um resultado, mas é aquilo que eu tava falando, é um resultado leve, um resultado fraco. Não é um excelente medicamento contra COVID, mas naquele momento ele foi importante.
Então vamos lá, já que nós estamos falando de o que que o Senado americano tá dizendo sobre o coronavírus, a primeira coisa que me vem à cabeça é que eu recebi sim milhares de, assim, vamos dizer assim, mais de 1000 DMs, inclusive algumas com alguns ataques que não vale a pena mencionar. Mas tem muita gente falando, poxa, Lucas, então quer dizer que o coronavírus ele foi fabricado em laboratório? E a OMS, ela durante o início da pandemia ali sempre foi um interesse muito grande a gente descobrir de onde veio esse vírus.
Por quê? Por questão de segurança nacional, por questão de prevenir novas pandemias. Vi lá, ela perguntou, vai acontecer de novo? A gente a gente não discute se vai acontecer de novo, a gente discute quando vai acontecer. É uma nova pandemia, é esperada. Então é muito importante que a gente descubra como essa pandemia começou para que a gente previna as próximas. E aí existe muita, muita hipótese em cima disso. Existem vários experimentos e estudos feitos com, feitos ali na região da China, feitos com dados epidemiológicos de vários feitos em animais na natureza tentando encontrar a origem do vírus.
Então, só para contexto, encontrar a origem de um vírus não é nada fácil. Encontrar a origem de vírus é mais uma questão de sorte.
Lucas, é o lance do paciente zero ou não? Tentar encontrar o paciente zero, é isso?
É, o paciente zero, ele é interessante você encontrar, mas eu acho que na COVID a gente nunca encontrará esse paciente, porque a velocidade com que o vírus se espalhou, ela impede você de descobrir quem foi essa primeira pessoa. Até porque os sintomas são muito parecidos com a gripe. Então pode ser que o paciente zero tenha tido uma gripe comum, né, um sintoma de resfriado, não teve complicações como acontecia com muita gente e simplesmente seguiu a vida.
Então a gente não vai descobrir. Mas existem algumas outras doenças que dá para saber. Por exemplo, Ebola, você consegue rastrear qual foi o paciente zero de um surto porque a transmissão é completamente diferente. Então o que a gente tá tentando encontrar para descobrir a origem do coronavírus é encontrar o SARS-CoV-2, que é o vírus da COVID, né, da COVID-19, exatamente a mesma sequência genética deste vírus, da forma como ele começou na natureza.
Então a gente precisa encontrar um animal, seja um morcego, um pangolim, um rato, algum animal silvestre e tenha exatamente a mesma sequência genética do coronavírus que iniciou a pandemia. Ela não— hoje, se a gente encontrar esse animal, ela não vai ser exatamente a mesma, exatamente igualzinha, não, porque já deu tempo dele mutar. Mas por estudos genéticos dá para a gente descobrir, fazendo previsões, né, de mutações. A gente consegue calcular quantas mutações esse vírus teria por mês, por ano, e a gente consegue saber, poxa, Esse vírus aqui que foi encontrado neste rato, ele é tão similar ao coronavírus da pandemia que se a gente voltar ele no tempo, nesses modelos aí genéticos, a gente vai dizer que ele é o coronavírus original e saltou para o primeiro ser humano.
Então esse é o trabalho que tem que ser feito, esse trabalho de busca na natureza para encontrar qual é o vírus que deu origem à pandemia. Porque no fim das contas, se ele veio de um laboratório ou não, se ele veio de um morcego ou não, se ele foi criado propositalmente, a origem dele é na natureza. O ser humano não sequencia geneticamente um vírus e coloca ele dentro do laboratório de forma intencional. Ele busca isso na natureza, faz experimentos em cima desse vírus na natureza, dentro de um laboratório de biossegurança, e aí sim você faz o que você pode fazer com ele.
Se você quiser lançar ele como uma arma biológica, você lança. Senão você segue fazendo seus experimentos. Então todo vírus tem origem na natureza e a gente não encontrou esse vírus ainda. O que a gente encontrou é agora o mais próximo do coronavírus na natureza. Existem dois, um que fica numa caverna em Wuhan, se eu não me engano o nome, né, não sei falar chinês, me desculpe se tiver algum falante de mandarim aqui nos comentários.
Mas é caverna de Wuhan, fica cerca de 1000 km de Wuhan. Existe um vírus que é o mais próximo dentre todos conhecidos, mais próximo do coronavírus original. E existem morcegos no Camboja, em uma caverna no Camboja, que são tão próximos quanto, que estão sendo o segundo candidato. Esses são os vírus. Então é esperado que esse vírus, o coronavírus, ele tenha surgido de um morcego. E aí a gente vai para o laboratório Wuhan, 2019. Havia experimentos de ganho de função sendo realizados.
Que que são esses experimentos de ganho de função? A gente tá o tempo todo tentando descobrir como que um vírus vai causar uma pandemia. Então tem um tipo de experimento que é extremamente controverso, mas é possível de ser feito, e é você pegar um vírus na natureza, tipo esse dos morcegos que eu falei, você coloca ele dentro de um laboratório de biossegurança máxima ou de um grande nível de segurança e vai mutando ele propositalmente para descobrir quais mutações esse vírus pode adquirir.
E se essa sequência de mutações que ele vai adquirir vai ser suficiente para tornar ele transmissível para seres humanos. Então você faz esses experimentos de forma controlada para ver se este vírus vai mutar e infectar as células humanas. E o que o Senado americano defende, né, é que esses experimentos estavam sendo feitos em Wuhan na época que a pandemia começou. Isso não temos dúvidas, realmente estavam sendo feitos experimentos de ganho de função Inclusive alguns deles com financiamento americano.
E aí existe toda a guerra geopolítica, por que que os Estados Unidos estavam financiando isso e tal. Eu acho que eu não sei se eu tô tendo uma linha de raciocínio tranquila, se tô muito complexo, mas o fato é que esses experimentos estavam sendo feitos. E no momento que eles estão sendo feitos, abre-se a hipótese de que um vírus desse tipo de experimento teria escapado de um laboratório por acidente em Wuhan, gerando o primeiro surto naquele mercado de animais, e iniciou a pandemia.
Então isso é uma hipótese. Agora, que o vírus foi manipulado geneticamente propositalmente em laboratório é outro esquema.
Isso você tá falando parece muito uma cena de alguns filmes que foram feitos antes da pandemia e que mostravam, né, que eram experimentos, que os governos das grandes potências fazem esse tipo de experimento, né, com, vai saber se fins políticos, fins bélicos e tal. Então tem essa possibilidade, mas não tem nada confirmado. É isso?
É, então essa é uma das hipóteses. Se você buscar o primeiro relatório já de 2020 aliás, 2021, da OMS tentando entender a origem do coronavírus. Se eu não me engano, é de março de 2021, ela já coloca essa hipótese como real e começou a investigar ela. Ela nunca descartou essa hipótese. Essa hipótese está em aberto até hoje, assim como tem a hipótese de um coronavírus na natureza e saltou para um ser humano, e o ser humano, esse ser humano, né, se tornou hospedeiro intermediário deste coronavírus.
Ou seja, ele não adoeceu, e esse coronavírus multiplicou dentro desse primeiro ser humano e foi transmitido para outra pessoa, que aí sim foi o paciente zero. E também tem a terceira hipótese, né, que é a mais provável, de que esse coronavírus já tenha saltado pronto para o ser humano, já infectando e causando doença. E a gente não seria hospedeiro intermediário, né, a gente seria hospedeiro final ali da doença e teria a doença em si.
Lembrar que, como você falou, Vilela, existem vários casos de escape laboratorial. A gente tem vírus da gripe, né, linhagem de H1N1, que estavam sendo pesquisadas pela União Soviética na década de 70, que escaparam. A gente tem o próprio, a própria hipótese do SARS-CoV-1 ter escapado de um laboratório também, tá? Essa hipótese muito menos provável. A gente tem vários vazamentos aí, se eu não me engano, de 1950, da década de 50, de laboratórios que não tinham uma biossegurança muito boa, que escapou vírus da varíola.
Enfim, tem vários, vários eventos de escape laboratorial. Isso não é, não seria a primeira vez que isso acontece. É por isso que eles tratam isso como uma hipótese real. Mas a hipótese de que ele teria sido manipulado geneticamente, ela foi descartada. Pela OMS. Ela nunca foi na verdade considerada, porque logo em 2020 a gente já tinha uma evidência clara de que não seria um único vírus. Quando o vírus ele é manipulado geneticamente em laboratório propositalmente, né, a gente vai— imagina que a gente tem uma sequência ABCD, beleza, que essa sequência você consegue ler.
O coronavírus, quando ele surgiu, né, logo nas primeiras semanas que eles sequenciaram o genoma dele, ele tinha uma linhagem que era ACD e a outra que era ABCE, por exemplo. Elas já eram diferentes logo nas primeiras semanas. Então isso sugere que foram dois saltos de dois locais diferentes em vírus que já estavam circulando em locais diferentes há um tempo já, algo pelo menos algumas semanas. Se fosse um lab leak, né, um vazamento de laboratório, primeira coisa, a gente não veria um surto no mercado e fica muito longe do laboratório de Wuhan.
Você veria um surto no bairro ou no local de moradia dos trabalhadores. Isso a OMS também investigou e não tem evidência de que o surto teria começado no local de moradia desses trabalhadores. A gente veria um surto no local do laboratório e apenas uma linhagem circulando nessas primeiras semanas. Nas primeiras semanas do coronavírus, inclusive em 2019, quando, antes da pandemia ser declarada, antes do primeiro paciente—
Perdão, posso só fazer um, dar uma pontuada aqui rapidinho? Só me diz o que que você acha dessa ideia. É para a gente, você tá falando partindo do princípio que o governo chinês é transparente com relação aos dados que eles passam para o resto do mundo. Será que a gente pode ter essa certeza?
Bom, então essas investigações elas foram feitas de forma independente pela OMS, né? Então quando a gente tem uma investigação como essa, dessa magnitude, eles enviam equipes de campo para os locais e fazem entrevistas com os pacientes. Se você pegar o relatório lá da origem do coronavírus de 2021, é um relatório de mais de 100 páginas, tem relatos inclusive nos materiais suplementares, as entrevistas com os Então não é só dados de epidemiologia do sistema de saúde chinês, são dados coletados em campo.
Então eles vão em campo, eles coletaram animais daquele mercado, foram coletando animais urbanos, né, pragas urbanas, pombo, rato, morcego, animais que estão ali na cidade, animais que vivem em volta de Wuhan, e não encontraram nada.
Só um detalhezinho, Lucas, é lá na China, a gente sabe, isso é fato, Até bilionários desaparecem quando criticam o governo, né? Agora você imagina um funcionário de um laboratório falar certa coisa que pode trazer problema para ele. Você não acha que esse estado de vigilância total aí, dessa violência política, gera um desencorajamento para uma pessoa que tá sendo entrevistada pela OMS de ser 100% honesta com as informações que estão sendo solicitadas? Não.
Olha, é claro, sim, a gente tem que considerar essa possibilidade, né? Só que quando a gente tem uma possibilidade extraordinária como essa, a gente precisa de evidências extraordinárias. Então eles não apresentam evidências de que isso aconteceu no caso da COVID.
Não, extraordinária não. Isso, se é público que até bilionários são sequestrados, aparecem, aparecem e somem, uns aparecem sem vida só porque falaram alguma coisa que desagradou o Partido Comunista Chinês. É claro que um funcionário de baixo escalão, ele tem esse mesmo problema. Inclusive tem um artigo da Nature que é muito interessante, que agora sumiu da internet, você tem que pagar para ler, que é o artigo do David Cyranozki, que é de 2017, chamado Inside the Chinese Lab: Positive Study of the World's Most Dangerous Pathogens, né?
Dentro do laboratório chinês que tá programado para pesquisar os patógenos mais perigosos do mundo. Nesse artigo acadêmico que eu tenho PDF, né, a gente poderia mostrar depois. Nesse PDF tem uma entrevista com o professor Richard E. Bright, que é epidemiologista. Ele fala que o fato de você ter um laboratório de segurança nível 2 em Wuhan pesquisando ganho de função de coronavírus— lembrando, o artigo é de 2017— ele diz: estou muito preocupado porque tem vários problemas.
Deveria ser um laboratório nível 3. Naquela época, Wuhan ainda era um laboratório nível 2. E a cultura de não haver transparência dentro do governo chinês, isso atrapalha muito pesquisas de patógenos tão perigosos assim, porque a gente não tem certeza se nós estamos lidando com falas e dados que são genuínos, que são realmente calcados na realidade. Então eu não tô, não tô só para mostrar para o pessoal que eu não tô apontando uma opinião minha, eu tô dando aqui um argumento aqui para vocês.
Esse artigo tá no National Library of Medicine e saiu também na Nature Nesse mesmo ano de 2017, eu tô dando aqui a referência bibliográfica para vocês. David Cyrulski, Nature 2017, Inside the Chinese Lab: Positive Study of the World's Most Dangerous Pathogens. Então, só para mostrar que eu não sou médico, não sou biomédico, não sou biólogo, sou doutor em linguística. Então, pelo menos tenho experiência em pesquisa acadêmica e análise de discurso, analisar o que tá sendo falado, comparar com os jogos de poder que estão por trás, né?
Essa linha da análise de discurso vem do Michel Foucault. Que é um grande estudioso de como os jogos de poder se materializam na linguagem, na escrita, na fala, na mídia. Então, olhando essas questões, eu aponto aqui o professor Richard de Bright como a referência de onde eu tô tirando essa ideia de que a cultura do sigilo, a cultura da falta de transparência dentro da sociedade chinesa é algo muito problemático para pesquisa de patógenos, dessa capacidade ou desse potencial pandêmico.
É o argumento dele aqui. Eu tô só me reportando a esse artigo só para contextualizar.
Beleza, tranquilo. Eu não nego que a China esconde dados. A China já tem esse, essa questão da falta de transparência do governo chinês com relação à pandemia é inclusive criticada pela própria OMS. Os dados, principalmente de mercado, você tinha análises de sequências genéticas dos animais do mercado sendo escondidos Então é real isso que você falou, só que ao mesmo tempo isso não prova que o vírus saiu de um laboratório. Isso é uma coisa circunstancial.
Quando a gente tem um acidente aéreo, por exemplo, vamos dizer assim, fatores contribuintes para o acidente. Aí você tem lá o piloto tava com sono, a falha mecânica, a falha humana. Então são vários fatores, a gente não pode afirmar que isso causou, entendeu?
O que eu quero dizer é que, mas eu só para pontuar, eu não tô dizendo não, eu não tô dizendo que isso causou não, só tô apontando aqui um estudo acadêmico 2017 de como a falta de transparência na sociedade chinesa é um problema para pesquisa científica de patógenos com potencial pandêmico. Só isso, não tô falando que saiu do laboratório nem que foi criado pelo ser humano não, só para pontuar que a minha opinião, perfeito, é entendido.
Porém, o governo americano usa isso para reforçar essa narrativa. A gente disse aqui mais cedo, né, quanto que está virando uma guerra de narrativas. E isso, infelizmente, essa falta de transparência do governo chinês é uma narrativa, é uma questão de não a falta de transparência, né, usar a falta de transparência como uma evidência. Ou seja, usar a falta de biossegurança do laboratório como uma evidência de que o vírus teria saltado de um laboratório É meio, não dá para a gente confirmar isso.
Não, com certeza. Mas é curioso o fato desse artigo acadêmico ter feito esse alerta, apenas um alerta, que foi, tô dando o nome do artigo e do professor que foi entrevistado, professor Richard E. Bright. Ele diz, eu fico muito medo que assim como aconteceu o escape do laboratório em 2003 no SARS-CoV-1, ele cita isso no artigo, que escapou do laboratório. Se é verdade ou não, aí ele que vai ser julgado aqui. As evidências, a gente tem que cruzar os dados.
Quem tá com inteligência artificial na mão aí, pesquisa. Ele disse o seguinte: eu tô com medo porque escapou em 2003 o SARS-CoV-1 do laboratório em Pequim. Eu tô com medo que a mesma coisa vá acontecer em Wuhan por causa da falta de transparência e o fato do laboratório ser BSL-2 e não BSL-3. Tô usando BSL, que é o termo em inglês, que é Biosafety Lab, né? Em português eu esqueci qual se é BMA ou BA. Então isso é interessante porque o alerta que ele fez do medo que ele tinha, 2 anos depois acontece. Isso é estranho para caramba.
Sabe o que que é estranho também? É você tem estudos de 2009 apontando para o risco de salto zoonótico de coronavírus na região de Yunnan, né, que é o estado lá de Wuhan. Para o ser humano. Então, da mesma forma que existe essa preocupação desse professor, desse pesquisador, existia preocupação desde 2009 de que um coronavírus seria a próxima pandemia. Então, o que eu tô querendo dizer é: eu concordo com você, Daniel, que existe esse medo de que o nível de biossegurança de um laboratório que trabalha com coronavírus e que potencialmente poderia estar fazendo processos de ganho de função é uma questão.
Mas ao mesmo tempo é também uma questão o fato do coronavírus tá circulando na natureza, de chineses em geral, né, fazerem esse contato direto com animais na natureza, de que a gente tá cada vez mais próximo desses animais e esses animais estarem sendo comercializados em um mercado de animais. Então temos essa questão.
Eu não dá para a gente falar o que que aconteceu. Não, não dá. Não dá para a gente falar que saiu do laboratório e não dá para a gente falar que não saiu também, né. Acho que as duas coisas são difíceis de bater o martelo. Mas o outro detalhe importante é que você falou que o laboratório tava muito distante do mercado de peixe, é cerca de entre 10 e 12 km. Acho que não é uma distância tão grande assim, né? Inclusive a mesma cidade, né? O mercado de peixe é em Wuhan e o laboratório também.
O que eu quero dizer é, quando a gente fala de vírus transmitidos pelo ar, né, você tem um padrão de transmissão e ele é local. Então quando uma senhora, por exemplo, pega uma doença no trabalho e a gente vai rastrear quais são os contatos de risco dela, a gente primeiro começa rastreando quem mora com essa pessoa. Então eles rastrearam os funcionários, eles não encontraram pessoas que não estavam ligadas ao laboratório próximos da área do laboratório e próximos da área das moradias desses funcionários.
Então quando você pega os primeiros casos, eles são completamente aleatórios. Não existe um padrão. O único padrão que existia era no mercado em que a gente já sabia que tinha acontecido um surto. Então a gente sabia que com certeza alguém infectado circulou naquele mercado. Não sabemos se naquele mercado circulou um animal infectado ou um Homo sapiens infectado. Então essa é uma hipótese em aberto ainda, né? Outra coisa que tá em aberto é a questão do vírus ele ter surgido durante a pandemia, durante ali 2019 em Wuhan.
Porque existem análises feitas em águas, né, águas de esgoto que são coletadas para análise periódica da água do esgoto, e mostravam que o vírus já circulava na Europa em fevereiro e março de 2019.
Agora você foi para uma parte interessante para caramba, que essa parte aí eu gosto demais, né. Eu, eu escuto muito pouco ser falado isso, que já tem evidência de circulação desse vírus anterior. A novembro ou dezembro de 2019. Isso é fundamental para essa pesquisa. Muito obrigado por você ter citado isso, esse ponto é muito legal.
Tranquilo. É, as águas, monitoramento de esgoto, né, ele é fundamental para qualquer monitoramento de doença. A gente tem isso desde a cólera, né. É, a gente tem, é padrão ouro para avaliação epidemiológica você avaliar a água, ver Antes da gente ter acesso ao material genético, né, a gente avaliava as bactérias, avaliava, tentava encontrar o patógeno ali na água e traçava o raio epidemiológico daquilo. Hoje, com a tecnologia que nós temos, a gente consegue pegar uma amostra muito antiga de água, que normalmente ficam guardadas ali para controle de qualidade, e fazer uma reanálise dela.
E essas reanálises, incluídas esgotos do Brasil, mostravam coronavírus circulando, o coronavírus da pandemia, com pouquíssimas mutações, circulando antes de Wuhan. Então começou a se hipotetizar, poxa, tinha dados da Itália, de esgoto da Itália, da França, do Brasil, se eu não me engano de Santa Catarina, mostrando ali novembro, outubro. Tem uma amostra que eu vou confirmar, mas eu acho que é de fevereiro. Eu preciso confirmar para não falar besteira, mas assim, é meses antes da pandemia explodir lá em Wuhan.
Quando a gente coloca isso no papel a gente meio que descarta, vamos dizer assim, não é descarta completamente porque você não encontrou o vírus, porque encontrar o vírus é meio impossível nessa situação. Mas você encontrou o material genético do vírus e tava sendo apontado como o foco, né, o paciente zero seria ali em Wuhan. Você encontra esse vírus meses antes na água da França, poxa, quer dizer que o vírus já estava circulando silencioso antes.
Isso é muito comum quando a gente tem surtos e explosões de casos, né? Você vê esse vírus aparecendo em vários locais, só que ninguém vê. Ele aparece em surtos locais, em comunidades, em pequenas pessoas ali, porque ele tá ganhando a função de transmitir. Então ele pega pequenas comunidades, você vê esses bolsões epidemiológicos, e você vai descobrir que teve vírus, que teve caso, só depois que você faz a análise. É muito comum isso, principalmente em início de surtos e epidemias.
Eu trabalhei muitos anos com dengue, é um mecanismo completamente diferente, tá? É transmitido por mosquito, mas você vê exatamente esse mecanismo. Uma epidemia de dengue numa cidade nunca começa num bairro só, ela sempre começa com alguém infectado que chega na cidade, que transmite o vírus por mosquito, transmite para umas 5, 6 pessoas ali naquela comunidade Essas 6 pessoas se dispersam de forma silenciosa e ali elas vão para 6 bairros diferentes e aquilo explode ao mesmo tempo.
Por isso que as epidemias são explosivas. Imagine agora um vírus que tinha uma taxa de transmissão de uma pessoa transmitir para 2 ou 3. É muita coisa, muita coisa. Isso no início da pandemia, né? Depois que a gente teve a Ômicron aí, que é a variante mais transmissível que a gente teve, essa taxa de transmissão subiu para 3, 4, 5. Então eu não consigo explicar, ninguém acho que consegue explicar como que o vírus surgiu antes, porque nunca foi encontrado o coronavírus em si.
Então essas investigações de animais na natureza, de amostras antigas, elas precisam ser feitas.
Eu acho muito interessante só colocar uma informação, até para querer ouvir sua opinião sobre ela.
Uma única coisa aqui sobre isso, à vontade. É só concluir aqui que eu acho muito interessante como que análises independentes elas são importantes, porque são elas que vão dar a resposta. A OMS não tem capacidade de fazer testes em todos os animais do mundo, porém institutos, por exemplo, Fiocruz Amazônia, Fiocruz São Paulo, Fiocruz Rio de Janeiro, essas instituições que são locais, elas podem fazer esse tipo de análise em amostras locais E aí de repente uma análise dessa vai detectar, poxa, uma amostra de 5 anos atrás tá com coronavírus. E aí a gente tem uma pista muito interessante, sabe? Pode falar, Daniel.
A gente ouviu muito a opinião norte-americana, como você muito bem falou. Os Estados Unidos, até o Trump começava com aquela palhaçada de China virus, China virus, né? Não é mesmo? É palhaçada aquilo.
Só que é uma disputa geopolítica, né? Porque se você, se você cola no teu principal concorrente, ele é a origem do problema, origem do mal, né?
É igual tribos aqui no Brasil, você fazendo, você vendo estudo antropológico. Por exemplo, o nome da tribo é, sei lá, os Filhos da Estrela. Só que a tribo oponente chama eles de comedores de rato, né? Porque Filho da Estrela, negócio legal, né? Agora Eles botam uma pecha ali de que o troço é, eles são esquimó, né? Esquimó, que é o nome que eles não gostam. Hoje já não se usa, né? Então, ô Lucas, o que eu ia comentar de interessante é que muitas vezes inclusive a gente vê reportagens sobre grandes julgamentos e o cara tá passando ali algemado, a gente não escuta a opinião dele.
Na mídia sai só o que o juiz tá falando, que o promotor tá falando. Você não vê ele dizendo, ah, eu sou inocente, não fui eu que fiz isso, é, armaram para cima de mim. Então, durante essa palhaçada aí de China virus, a gente não geralmente escutou a opinião chinesa, mas alguns oficiais do governo chinês, logo no início da crise sanitária lá em Wuhan, eles deram a versão deles. E sabe qual é a versão deles? Qual é? Não, uma das versões que eles deram.
Tô falando que é oficial. A versão é o seguinte: quem trouxe o vírus para cá, para China, foram os Estados Unidos. Eles deram, só que não chegou no Ocidente porque não era interessante. E eles aí, mas você pergunta como, ele falou, é nos Jogos Mundiais Militares. Você sabia que aconteceram Jogos Mundiais Militares em outubro de 2019 na China? Chuta aí, Vilela, você que é um cara inteligente, apesar de você dizer que a inteligência é limitada só do apresentador, né?
Onde você acha que foram os Jogos Mundiais Militares em outubro de 2019? Não pode ser Wuhan, na cidade de Wuhan, onde apareceu o vírus. Aí os chineses falam: os americanos que trouxeram com a desculpa de vir participar de competição soltaram esse vírus em cima da gente aqui. Essa opinião é verdade? Não sei. Mas eu acho muito interessante você comparar o China Virus com a opinião, não, o American Virus, um jogando para o outro.
É porque a hipótese China Virus ganhou a mídia e a hipótese American Virus não ganhou espaço nenhum porque não havia interesse do Ocidente de colocar, levantar essa bola, né? Inclusive, depois, o Bigode, se você quiser, pega assim o Jogos Mundiais Militares 2019, você vai ver as matériazinhas falando, mas campeonato lindo que aconteceu em Wuhan. Aí logo depois, no mês seguinte, começa a aparecer vírus lá. Então essa ideia que o Lucas falou de que tem evidências que o DNA do vírus já tava circulando em outros lugares Pode, dentro de uma hipótese bem especulativa, que altamente sem base, que a gente tá levantando, que esse vírus já existia, já tava em outros lugares, mas ele foi levado, segundo esse argumento chinês, para a China.
E o meu trabalho é muito esse, Vilela, análise de discurso, que é a minha linha de pesquisa no doutorado. É isso, a gente analisa o que tá por trás das falas, o que tá por trás dos textos, quais são os jogos de poder, os jogos de força que estão ali por trás. E há uma um aspecto básico do tipo de pesquisa nessa área da linguística, que é análise de discurso, assim como em todas as pesquisas acadêmicas, é você ter o famoso elemento de alteridade.
Eu me lembro muito dos meus orientadores, né, professor Décio Rocha e a professora Maria Del Carmen. Ele sempre falava, Daniel, cadê o elemento de alteridade? Você tá dando uma opinião, mas tem que mostrar opinião contrária. No caso do China Virus, não teve a opinião contrária. A opinião contrária era o argumento chinês que o vírus não começou lá no laboratório nem no mercado de peixe, foi trazido pelos norte-americanos. E nós sabemos que o Dr.
Ralph Baric, da Universidade da Carolina do Norte, junto com o Peter Daszak, da EcoHealth Alliance, eles estavam fazendo pesquisa de ganho de função de coronavírus nos Estados Unidos. Então é claro que os chineses usaram essas informações para tentar defender essa tese. É claro que cada um ali é parcial, é, o Donald Trump tem interesse de queimar a China e a China tinha interesse de queimar o Trump. Vai ser muito difícil a gente saber onde está a verdade, mas é importante a gente mostrar pelo menos dois lados dessa moeda, né, que eu acho que enriquece um pouco o discurso. O que que você acha disso aí, Lucas?
Olha, eu concordo plenamente com vocês aí de que a China ela também deve ter a versão dela. E a gente só lembrar da gripe espanhola, né, que a gripe espanhola teve esse nome porque a Espanha divulgava os dados e outros países não.
Excelente comparação. Começou nos Estados Unidos, né, para quem não sabe.
Vai saber, né? Também a gente não tem tanto dado. Agora, esse negócio do esgoto também é questionável, porque a gente tem evidências aí de que, beleza, circulava. Até peguei aqui, tem o mais antigo, é de Barcelona, fevereiro de 2019, duas amostras de esgoto deram positivo. Só que a gente, como eu falei, a gente não tem confirmação do vírus em si, a gente só tem material genético dele. Pode ter sido uma contaminação do próprio ar ou da pessoa que tava fazendo a análise que contaminou a amostra.
Então a gente não tem como confirmar isso. E bom, a sequência genética desse vírus de Barcelona, ela é muito parecida ao vírus que circulou em Wuhan em 2019, no final do ano. Então como que esse vírus ficou o ano inteiro sem mutações, sendo que em algumas semanas circulando em Wuhan ele teria mutado? Então isso é uma coisa que tá se levantando. Poxa, será que essa amostra é realmente verdadeira, né? Então só para vocês verem como que a gente ainda tem muita coisa em aberto.
Ao mesmo tempo que pode ser verdade que o vírus circulava antes, pode não ser. E para quem acha que o vírus circulava antes, né, e quer acreditar nessa hipótese, né, também existem evidências a favor. Por exemplo, se o vírus ele circulava antes, mas com pouca habilidade de transmitir para seres humanos, ele ficava muito tempo sem mutações. Então é normal que até dezembro de 2019 ele não tivesse tantas mutações assim. Em dezembro de 2019, ele adquire mutações capazes de ser transmitido em escala global e vira uma pandemia.
Para falar a verdade, eu tenho um vídeo de 2021 sobre a origem do coronavírus explicada e tal, que eu faço um escrutínio desse relatório da OMS. Eu nem vi esse vídeo antes de vir para cá, mas eu tô lendo aqui e tô lembrando das coisas que eu escrevi. E tem uma hipótese muito interessante que é, vamos dizer assim, a hipótese intermediária que a OMS acredita. Ela coloca que como se fosse um acidente laboratorial de um vírus natural.
Ou seja, a gente sabia que a pesquisadora-chefe lá do laboratório de coronavírus em Wuhan, ela trabalhava com morcegos da caverna de Huanan lá, e um desses morcegos continha o vírus que era mais parecido ao coronavírus que circulou na pandemia. Isso é fato, ninguém discute, tá? Inclusive, ela tentou— alguns funcionários tentaram apagar provas desse laboratório, e isso ficou em aberto aí porque foi um grande absurdo na época. Mas ela fazia esses experimentos, tá?
O que se discute é: eram ganhos de função ou não eram? Eram experimentos naturais ou não eram? Isso ainda tá em aberto também. Talvez a gente nunca saberá. E o que ela falou, né, é que esse vírus natural que ela trabalhava não vazou. Mas também não tem como a gente dizer que isso é verdade. E esse vírus natural circulava em morcegos, foi levado a um laboratório em Wuhan, e passou para um paciente ou para um funcionário ali do laboratório, esse funcionário pode ter carregado o vírus natural sem conter a doença, certo, sem ter nenhuma manifestação de sintomas, servido como hospedeiro intermediário, ou seja, multiplicado o vírus no seu próprio corpo e transmitido ele adiante para uma pessoa vulnerável.
Então essa hipótese ela é muito relevante, ela é aberta, tá, ela não é uma Uma hipótese considerável aqui no relatório da OMS. Mas o que eu queria dizer, essa narrativa do governo americano, né, diz que o vírus ele teria sido manipulado. E existe um estudo muito famoso que é muito questionado também, eu sei. Se o Daniel quiser trazer alguns questionamentos, mas um estudo que mostra como que para você manipular o vírus você teria que inserir partes genéticas nele muito diferentes do que ele tem hoje, do que ele teria, né, naquela época da pandemia.
Então não seria a melhor manipulação, nem tão fácil fazer um vírus manipulado a partir daquele coronavírus. E que o coronavírus que a gente viu circular no final de 2019, início de 2020, é muito mais provável que ele tenha mutado em um animal e transferido para um ser humano. Então existem esses estudos aí. Em aberto, né? Mas é tudo uma guerra de narrativa mesmo.
Então, Lucas, tem um dado muito interessante que o Dr. Ralph Baric, que era da Universidade da Carolina do Norte, ele recebeu $212 milhões do Dr. Anthony Fauci com o orçamento que vinha do NIH, que vinha do USAID e que vinha também do próprio Departamento de Defesa americano para fazer pesquisa de ganho de função que ele tava fazendo lá na Universidade da Carolina do Norte. E aí o que que acontece? Ele, o Dr. Ralph Baric, ele desenvolve uma técnica chamada ligação contínua.
Traduzido para português, ligação contínua permite, é capaz de esconder sinais de que um vírus foi manipulado por seres humanos. E o pior de tudo é que essa técnica, o Dr. Ralph Baric ensinou exatamente para essa cientista chinesa que você citou, que era a mulher morcego, que ele chamava, né, a Batwoman. Né, que é a Doutora Xi Zhengli. Ele ensinou isso para ela, né, e ela usava esse tipo de técnica de ligação contínua nas pesquisas de ganho de função que ela tava fazendo lá em Wuhan.
E a gente não pode esquecer que o Doutor Anthony Fauci, logo depois da queda das Torres Gêmeas, a guerra ao terror, ele começou a receber um orçamento muito pesado para biodefesa nos Estados Unidos, trabalhando junto com o Exército americano lá no Fort Detrick. De onde vários patógenos já fugiram várias vezes. Tanto que em 2019, quando tava começando a crise sanitária, o Fort Detrick tinha sido fechado porque nas águas residuais eles não estavam tendo o cuidado suficiente.
Eles mostraram que vários agentes de potencial pandêmico estavam vazando nas águas de rejeito ali do laboratório do Fort Detrick. E aí, por causa dessa falta de segurança, 300 cientistas em 2013 pediram, pelo amor de Deus, para o Barack Obama interromper essas pesquisas que o Dr. Anthony Fauci e o Ralph Baric estavam fazendo junto com a EcoHealth Alliance lá do Peter Daszak na Universidade da Carolina do Norte. E aí, o que que eles fizeram?
Só de curiosidade aqui para vocês, vocês podem pesquisar isso depois se é verdade ou não. Para fugir dessa proibição que o governo americano estabeleceu, o Dr. Ralph Baric e o Anthony Fauci transferiram as pesquisas para o laboratório de virologia de Wuhan em 2013. E foi por isso que em 2017 saiu esse artigo aqui que eu citei, da Nature Science, e depois também tá em outras plataformas, falando sobre o laboratório que tá preparado para pesquisar os patógenos mais perigosos do mundo.
E aí o professor Richard Ebright tava lá falando que ele tá muito preocupado porque não tinha a devida segurança nesse laboratório. Então só uma contextualização interessante. Dizendo que existem técnicas criadas por americanos, ensinadas à Doutora Xiang Li, que é a Doutora Batwoman, né, a Mulher-Morcego, chamado ligação contínua, capaz de esconder alteração genética em pesquisas de ganho de função.
Tranquilo, eu entendo que sim, mas mais uma vez, né, isso é uma questão circunstancial. A gente não consegue dizer que isso foi feito, a gente não consegue dizer que essa foi a causa do vírus ter surgido. Então eu não nego que isso aconteceu, realmente existem essas evidências aí. O Anthony Fauci não é uma pessoa com histórico 100% limpo, mas a gente não consegue comprovar que o vírus foi um salto laboratorial. Essa é uma das hipóteses mais fracas dentro do relatório da OMS, beleza?
E outra coisa também, eu acho que o discurso, essas ideias, elas acabam criando uma teoria da conspiração, porque como a gente não tem como comprovar nada, a gente tem que se apoiar em evidências circunstanciais.
Mas se a gente tá acertando artigo acadêmico aqui, o artigo acadêmico é conspiratório, o professor Richard Bright, porque você fala uma questão circunstancial, não tem como provar. É, o senador John Johnson, ou Ron Johnson, perdão, ele levou 9 mil páginas mostrando essa documentação toda lá. E mesmo assim, diante de uma calhamaça de evidências científicas, o Anthony Fauci continua descartando aquilo tudo e ficando em silêncio.
A gente tem que entender, e aí é mais a minha parte, para além das ciências biológicas, mas as ciências Direitos Humanos, que a OMS, o relatório da OMS, até como você falou que a pesquisa independente também é de grande valor, OMS tem uma série de conflitos de interesse. Ela tem patrocínios de grandes instituições farmacêuticas, ela tem patrocínio de nações, tanto a nação americana naquela época patrocinava e a nação chinesa também.
Então a gente não pode também dar um selo de infalibilidade papal para um relatório da OMS, que é uma instituição que também tem os seus vieses, a gente poderia assim dizer. E eu acho, eu acho desnecessário, dentro da forma como a gente tá falando, você levantar essa hipótese, teoria da conspiração, porque isso funciona mais como uma censura ao discurso que é divergente com a opinião comum do que um incentivo à pesquisa acadêmica aberta.
Porque todo mundo que falava qualquer coisa diferente era taxado de negacionista, era taxado de anti-ciência. Nobéis de medicina e biologia foram taxados disso. Então eu fiquei um pouquinho triste você vir com essa história teoria da conspiração. Se a gente tivesse falando aqui de é certo que o vírus ele veio do laboratório, que eu não falei de jeito nenhum, e também não é certo que ele não veio do laboratório, mas eu acho que não precisava entrar nesse mérito, Lucas.
Assim, é claro, você faz o que você quiser. Mas a teoria da conspiração é— aí entra a minha parte, né, que eu sou analista geopolítico também, especializado em operação psicológica, trabalhei no Exército. Teoria da conspiração é uma teoria da conspiração. O conceito de teoria da conspiração foi criado na Comissão Church em 1974, no Senado americano, para tentar descredibilizar todo mundo que dizia que o Lee Harvey Oswald não tinha matado Kennedy.
Então, para silenciar e censurar todo mundo que falava o contrário, eles falavam: você é um teórico da conspiração. E o mais estranho disso tudo é que no dia 18 de outubro de 2019, lá nos Estados Unidos, a Universidade Johns Hopkins junto com a Fundação Bill e Melinda Gates, eles fizeram um exercício de simulação de pandemia chamado Evento 201.
E nesse exercício, a gente vai chegar nesse ponto porque isso é mais uma coisa que as pessoas usam como argumento para poder apontar que a gente já sabia.
Eu não concluí, eu não tô falando isso dessa forma, eu não tô falando isso. Você disse que você tá botando palavras na minha boca. Não, não, eu não tô falando isso.
Ficou triste com o que eu falei?
Eu não tô falando isso. Agora vamos, vamos nos fatos, vamos nos fatos, porque senão a gente perde o fio da meada aqui.
Não, fatos, fatos sobre teorias da conspiração. Mas você tá falando, pode falar à vontade, você vai, não, fatos.
Não, só fato agora. Quer ver um fato? Aconteceu um evento chamado Evento 201, patrocinado pela Fundação Bill e Melinda Gates e Johns Hopkins, com mais de 300 especialistas em saúde do mundo. Eu acho que não tem nenhum problema nisso. Isso não é argumento de teoria da conspiração. Você tá partindo de conclusões que não tô chegando. Isso é fato.
Isso é argumento de teoria da conspiração?
Não, mas você falou, você vai falar isso.
O Lucas, qual é a teoria da conspiração então?
Bom, a ideia de que o fato do governo americano está financiando experimentos de ganho de função ajudados, apoiados pela equipe do Anthony Fauci lá na China, e toda essa narrativa ela acaba se tornando uma teoria da conspiração porque a gente não tem como comprovar nenhum dessas coisas.
Mano, eu tô fazendo aqui, mas em que momento, em que momento isso Mas em que momento isso foi, foi cravado aqui? É esse ponto que a gente tá falando. Em nenhum momento foi cravado. A gente tá falando de hipóteses, tanto você quanto a gente.
Mas vamos lá, o que que a gente tem?
Lembra aquela hora que você falou, deixa eu concluir? Não, lembra aquela hora que você falou, deixa eu concluir? Você falou isso, não falou? Isso é fato? Você falou, não falou? Deixa eu só concluir isso aqui. Você não falou isso alguns minutos atrás?
Que eu falei que é fato?
Não, você usou essa expressão. Deixa eu só concluir essa ideia. Você não usou essa expressão, sim ou não? Se você falar não, eu paro de falar.
Não usei mesmo.
Você usou essa expressão? Você usou essa expressão? Usou, sim ou não?
Depende para quê.
Usei, usei. Sim ou não? Você usou essa expressão? Deixa eu terminar só esse ponto. Então eu vou pedir licença para você só para eu terminar esse ponto, que eu acho que você tá tirando conclusão sem esperar eu falar por que que eu citei o evento 201.
Eu citei porque você fez uma longa de expressão aí, que senão vou esquecer o ponto.
Não, não vai esquecer não. É simples, é super simples. Eu, quando você me interrompeu, faltava acho que 3 palavras para eu concluir o raciocínio. No evento 201, os participantes norte-americanos e chineses estavam dentro da simulação que eles estavam fazendo num evento científico, não é um evento conspiratório. Eles já estavam simulando a necessidade de de censurar discursos online que fossem a favor da ideia de que o vírus teria saído do laboratório.
Isso é evidência de alguma coisa? Não. Isso é evidência só de que eles estavam já prevendo essa necessidade. O que eu acho, só uma coisa disso: estranho. Só isso.
Concluí. Vamos lá, Lucas.
Tudo bem, eu vou de trás para frente. Sobre essa questão da censura que tem sido feita, para que que servem esses experimentos, essas reuniões, né, de avaliação de potencial pandêmico? Devem para a gente testar respostas e simular cenários de como que seria cada cenário. Quando você fala que vai censurar a resposta, você tá testando uma resposta. Isso não foi feito. Isso a gente tem que lembrar, que isso não foi feito. Então esses experimentos, doença X, Bill e Melinda Gates financiando experimentos de doença da próxima pandemia, Tudo isso foi feito num cenário hipotético.
E você sim, eu não acho errado você censurar dentro de um experimento para ver qual que seria a resposta pública disso. Então o experimento, ele é controlado. Agora me diz que momento que censuraram a opinião pública, censuraram alguma opinião de algum especialista falando da pandemia? Me diz. Porque eu vejo várias questões levando para o lado político, né, de que dizem, ah, não tenho liberdade de expressão, eu não posso falar da vacina, eu não posso falar de não sei o quê.
E na verdade o problema é que as pessoas falavam contra a evidência. E como comunicadores, né, você é jornalista, o Vilela trabalha com comunicação muitos anos, a gente sabe que dependendo do que a gente fala, as pessoas interpretam algo diferente da realidade, porque cada um tem o seu próprio background. Então a gente tem que ter muito cuidado ao levantar hipóteses como se fossem fatos. Então hipóteses são apenas hipóteses. Tudo isso que a gente levantou aqui são apenas hipóteses de qual é a explicação para o vírus ter surgido.
E esses questionamentos que o Senado americano faz para o Anthony Fauci e tal, então beleza, são questionamentos válidos, tem que ser explicado mesmo. O fato dele ter ficado calado é outra história. Ele tem o direito dele lá, assim como vários fatos, ficaram calados na CPI da COVID. Então a gente tem esse ponto, né, de que nós estamos levantando hipóteses que não foram comprovadas. É porque que eu quis trazer essa questão como uma teoria da conspiração, ô Daniel, pelo fato de como você constrói a narrativa, né, e traz os fatos. Você pode olhar nos comentários aí da live após que o pessoal tá falando.
Ô Lucas, desculpa, desculpa, só uma coisa, cara, comentário de live Só tem maluco. E os caras estão tentando tirar vocês do sério. Não leia isso, não leia isso, porque é só gente zoando. Assim, não leva a sério, não é, não é para levar a sério.
Tudo bem, tô acostumado.
Você sabe como é a internet, a gente não leva a sério.
Mas é porque a gente coloca em, é como se a gente tivesse fazendo um debate aqui. Eu não tô debatendo.
Não, não, eu acho que o ponto central, ponto central, Lucas, é o seguinte, é que é só deixar bem claro É que em nenhum momento aqui nem você nem o Daniel, e eu tô ouvindo atentamente os dois, cravaram nada. Todo mundo tá falando de hipóteses. Aí quando você fala que o que ele falou, ou eu nem entendi que você falou isso do Daniel, você falou que isso pode virar teoria da conspiração. Parece que o que ele falou é teoria da conspiração, mas eu entendo seu ponto.
Pode ser que alguém pegue isso e daí a gente não tem controle de alguém pegar isso e transformar em outra coisa, entendeu? É que pareceu isso e ele quis Só explicar, eu pelo menos tô tentando entender os dois lados. Eu acho que houve só um erro de comunicação, mas completa se eu entendi errado, pelo menos isso.
Não, é isso mesmo. Quando a gente tem que tomar cuidado com como a gente constrói o argumento, e aí a gente volta lá no caso do Bill Gates lá, sim, porque dependendo de como a gente comunica, a gente não pode comunicar tudo. E eu, a gente tem que comunicar estrategicamente, porque dependendo da forma como você fala você convence alguém que entendeu errado de que aquilo não funciona, de que aquilo é uma mentira e tal. Sobre o Richard Albright, né, ele é um dos nomes mais famosos hoje que defendem a origem do coronavírus como lab leak, de fato.
E ele é um professor respeitado, não é um charlatão, ele traz informações. Se eu não me engano, ele tem até um livro, né, que ele escreveu sobre isso. Eu não cheguei a ler o livro e eu lembro que da época da pandemia eu cheguei a desmontar muita coisa, entender. Mas eu parei por aí. Eu não consigo dizer o que é real e o que não é mediante as informações que nós temos. E diante disso a gente sabe que vira uma guerra de narrativas, entendeu?
Então eu, como um cético, como um crítico, e como alguém que lê artigos científicos e tenta entender, a gente tenta se basear naquilo que tem. Então quando a gente traz, por exemplo, a China não é confiável, aí nós estamos partindo de uma outra disso que eu não consigo avaliar. Eu não sei se os dados que eu tô avaliando são reais, mas eu também não sei se os dados que a outra parte diz são reais, entendeu? E isso que tem que ser explicado com muito cuidado. Só que diante de tudo que tá acontecendo, vira uma guerra de narrativa.
Perfeito. Eu quero agradecer demais. E se faltar alguma coisa, agora é a hora, assim, de alguma coisa que faltou de informação científica sobre o que tá rolando, porque ainda vai mudar muito, né? Eu acho que nesses dias vai ter Isso vai continuar, esse papo, vão aparecer mais evidências. E você tá convidado também a participar quando tiver outras coisas além do que a gente sabe até agora, que é muito pouco também, né?
Não, beleza. É assim, de todas as formas, né, eu queria agradecer aí o Daniel pelas contribuições também, pedir desculpas se de alguma forma eu pareci agressivo nas falas e tal.
Eu não tô criticando o Daniel em si, eu entendi a sua preocupação, que é sair daqui um recorte e alguém, a partir desse recorte, fazer um comentário em cima. Mas isso a gente não tem controle, né? É isso. Eu acho que a gente tomou bastante cuidado aqui de escolher as palavras, falou: isso é fato, isso é hipótese. E tem muita hipótese aí, né? Agora, as hipóteses não— hipótese não é igual a teoria da conspiração. Hipótese é hipótese, né?
Teoria da conspiração é aquilo que as outras pessoas constroem em cima de vários as coisas e cria-se uma conspiração de que tem algo errado, de que estão fazendo contra. Enfim, Daniel vai saber falar muito melhor do que eu sobre isso.
O que eu queria sugerir para quem tá assistindo, para todos vocês, né, isso, onde buscar mais informações, onde, porque hoje em dia você sabe, né, Lucas, cara, vem de tudo quanto é canto, é WhatsApp, é, pô, só no Instagram aqui eu tô recebendo coisa para caramba assim de informação, gente falando E aí?
Não, beleza. É bom, eu acho que um bom começo é ler o relatório da OMS sobre a origem do coronavírus. É um relatório técnico, como se fosse uma avaliação de acidente aéreo, para quem gosta de aviação. É um relatório técnico, uma das melhores pesquisas epidemiológicas que eu já li. É um relatório de mais de 100 páginas, é gostoso de ler porque você vai se sentindo dentro da história com os dados que nós temos. Comece lendo o relatório da OMS da origem do coronavírus.
Joga no Google que você vai encontrar. Tem vários estudos também sobre isso que citam relatório, então não é tão difícil de encontrar. Eu vou pedir o pessoal da produção e vou procurar aqui, vou mandar aí o link.
Beleza, manda os links, a gente deixa num comentário fixado os links, tá, Bigoda?
Pode deixar.
Eu demorei, né, para lembrar seu nome.
Obrigado.
Fala, Lucas.
Desculpa.
E para fechar, acho que faz sentido chamar um virologista Indica um, porque amanhã a gente vai falar nisso no jornal.
Até a Andréa tava pedindo isso já para você. Indica para gente que amanhã no jornal a gente vai falar muito sobre isso, cara.
Bom, eu vou passar alguns nomes para vocês, até para vocês terem mais de uma opção. Isso é porque o virologista ele vai conseguir falar para vocês com relação à sequência genética do vírus e o que que isso tem a ver com o vírus natural. Ele vai reforçar a hipótese de por que que o vírus é de origem natural, que é uma coisa que eu não consigo explicar porque eu não trabalho com isso. Então eu tenho essa dificuldade de, na hora de pegar a parte da sequência genética lá do vírus, entender profundamente sobre isso.
A gente tem que confiar no que tá publicado, né? E eu não consigo avaliar tecnicamente essa parte. Tranquilo, seria uma boa contribuição.
Obrigado demais, Lucas. E amanhã então a gente pega essas indicações de você que de você também pedimos para o Emílio também, que eu acho que também ele também tá falando sobre isso. E a gente vai tentar entender esse assunto mais de forma mais abrangente possível.
Valeu, Lucas. Também peço perdão se na hora que eu falei que eu achei desnecessário encaixar a situação em teoria da conspiração, talvez eu tenha—
não, foi um mal-entendido dos dois, né? Eu tava ouvindo de fora, falei, putz, eu entendi o que o Lucas falou, mas ele falou de uma maneira estranha.
Aí talvez eu poderia ter formulado de outra forma ou ficou estranho. Então peço perdão também, parabéns pelo trabalho. E os dois me perdoem esse chat insuportável, que eu nem, nem sei, até esqueci que existe.
E o pessoal agora tá brigando comigo, né? Agora vamos nos voltar contra o Vilelo, chat. Agora é um bando de adolescente.
Obrigado demais, valeu, Lucas, um abraço aí, prazer te conhecer.
Bom programa aí, prazer, valeu.
Então vamos lá, dito a parte científica, vamos finalizar esse assunto o que falta ser falado, Daniel, e partir também para Espanha falar de outros assuntos relacionados. Eu tava falando de filmes, vamos lembrar alguma coisa. Se não me engano, é Contágio, que é assustadoramente igual ao que aconteceu na pandemia. Acontece na China, o paciente zero escapa também de um lugar que consomem animais, e é morcego, se não me engano, também.
É, eu não me lembro detalhe qual animal que era, mas—
e você em outra live falou que ou algum livro, ou alguém falou, ou teve algum artigo falando dessa possibilidade com morcego já, de um vírus.
Ah, sim, cara, tem, cara. Foi um livro. Ih, rapaz, agora para eu lembrar desse livro, esse filme é muito bom. Poxa, ô bigoda, não sei se você vai conseguir achar para gente, cara. Bota assim: livro que supostamente previu a crise sanitária de Wuhan.
Porque tem um livro que ele vai lembrar Isso tudo que você falou, o Bigoda com 21 anos, geração Z. Exato, ele só pegou a primeira palavra.
Tem que ser palavra por palavra. Livro o quê?
É querer muito, né, Lenny?
Aconteceu um negócio meio estranho, meio Twilight Zone, meio Arquivo X comigo com relação a isso. Eu tô com a capa do livro aqui na minha mente, mas não tô conseguindo ler o que tá escrito nem o nome do autor. Mas tem um livro que eu acho que é de 1986 ou 89 em que o cara, numa ficção, isso é uma mera coincidência, ele tá falando de uma pandemia começando em Wuhan, na China. Ele usa esse termo, Wuhan, ele fala a cidade. Que que isso significa?
Significa nada, significa só que é uma curiosidade. E eu tava, eu tinha ido para Campinas.
Na verdade, quantos milhares de livros, quantos milhares de filmes, estatisticamente alguém vai acertar, né?
É, não é uma cidade a gente deve reconhecer, não era muito famosa antes. Por exemplo, É, eu não conhecia.
O meu livro, você não leu meu livro ainda, né?
Não li ainda. Meu livro tem uma pandemia ligando os pontos, né? É mais no imperativo, liga os pontos.
Vem daí o nome.
Segundo o Google, se chama Os Olhos da Escuridão.
É Eyes of Darkness. Como é que é o nome do cara?
Dan Kost.
É Dan Kost. Cara, é The Eyes of Darkness. Exatamente, cara. Eu tava, eu tinha ido para Campinas para dar uma palestra. Aí eu dormi no hotel, tava ali com a minha esposa tomando café da manhã. Aí tinha uns americanos conversando, é na época que eu tava pesquisando sobre esse livro, o americano conversando. Aí eu, quando eu olhei, o cara tava com esse livro na semana que eu tava pesquisando. Falei, meu irmão, então aí até falei, o cara, good book.
Então o meu livro, para você ter uma ideia, olha, olha como são as coisas.
Fala aí, porque eu não, mas acontece uma pandemia, poxa, não vou dar muito detalhes porque Você me expôs agora, né, que você me deu o livro que eu não li.
Mas isso não é importante.
Mas ó, a Vilela fez uma caricatura incrível no livro ali para mim, depois eu vou mostrar para vocês.
E acontece uma pandemia, só que ela começa na Índia. Imagina que eu escrevi esse livro antes da pandemia, imagina que acontece uma pandemia na Índia, na mesma cidade que eu falei. Os cara fala, Vilela sabe de alguma coisa. Não, eu simplesmente falei por probabilidade.
Você ia virar a nova mãe do Nair, ia ganhar grana.
Eu pensei, tem muita gente lá na Índia. Pode acontecer uma pandemia de lá.
Tem em português?
Eu não sabia não. Olha só, caramba, deve ser recente.
É originalmente publicado em 1980.
Você vê como é que os caras são malandros, já põe na capa aqui no Brasil, né? O livro é de 81, negócio foi só em 2019. Meio que previu, né? Ó, autor best-seller New York Times, cara. É muita loucura isso, né? Tem muitos autores que são assim, né? Tem essa, é porque essa recorrência.
Eu acho, eu acho que o tipo de artista, ele trabalha numa procura de tentar reconhecer padrões atuais e espelhar isso lá para frente. Então quando você lê Blade Runner, ou quando você assiste alguma coisa de algum autor que tá escrevendo o futuro, ele tá falando do presente e de um possível futuro. E cara, pode ser que ele acerte, porque ele tem uma sensibilidade maior de reconhecer padrões do que o ser humano como um artista, eu tô falando, ele tá olhando para aqueles padrões, ele estudou o que veio antes dele e ele sabe que alguma coisa se repete e algumas coisas pioram, outras coisas melhoram, mas é mais ou menos a mesma coisa, né?
Vilela, você falando isso, cara, aí aqui é ligando os pontos, né? Então a gente tem uma liberdade um pouquinho de conteúdo, mas são fatos, né?
Tem uma história que eu tô tentando pesquisar aqui, eu tô pedindo para eu pedir desculpa para o chat. Trate de pedir desculpa para o chat. Desculpa, chat, eu tô falando só com os sem noção.
Generalizou, né?
Generalizei, fui moleque.
Se você é um bom noção, não se preocupe, você é um bom noção. É só com sem noção.
Desculpa, Daniel. Vamos lá.
Não, você não sabe da maior. Eu cheguei aqui na inteligência artificial, falei: qual foi a história do escritor que se hospedou num hotel para escrever um livro? E ele escreve o livro Sabe aqueles cara que se isola para poder, padrão, vai numa fazenda, é na casa do lago para ficar isolado. Isso é bem aquele escritor clássico padrão. Tem até alguns filmes de terror maneiro em cima disso. Existe uma história real que eu tô caçando aqui, não achei ainda, de um cara que se hospedou num hotel para escrever o livro.
E aí ele escreveu o livro de uma história que foi inventada da cabeça dele, inventada. E descobriram depois que essa era a história de vida de uma pessoa que tava no quarto ao lado, sem ele conhecer, não tiveram contato, como se ele tivesse captado, pescado alguma coisa. Como a gente explica isso? Eu não sei, mas isso aconteceu. Agora, eu não encontro, não tô encontrando infelizmente essa história, mas eu cheguei aqui na Inteligência Artificial e falei: qual foi aquela história do cara que escreveu o livro, mas era a história da pessoa que tava no quarto ao lado? Ele começou a escrever um livro com essa história.
Não era essa ideia.
Pera aí, irmão, me ajuda aí, estou ao vivo. Então, ô Vilela, é isso, tá? Já que a gente citou o Ron Johnson, senador, que mostrou um calhamaço de provas lá sobre um monte de coisa lá nessa audiência no Congresso, existe o senador Ron Johnson, mas tem um escritor, John Ronson, Que eu misturei as bolas. O escritor John Ronson, bigode, ele escreveu o livro Os Homens Que Encaravam Cabras. Lembra desse, dessa história? No filme Os Homens Que Encaravam Cabras, se eu não tô errado, vou pedir até o chat aí, que como Vilela lembrou, tem gente aí inteligente que gosta de estudar, eu sei.
E eu tô usando aqui o crowdsourcing agora, que é capitalizar em cima do conhecimento da multidão, como se nós fôssemos aqui uma hive mind, uma mentalidade colmeia, vários cérebros Unidos aqui. É, e esse é o livro ou é o filme que tá escrito? É livro, né? É porque esse livro, ele, essa edição veio, é uma edição pós-livro, é porque a capa original não era assim, mas eles já colocaram. Olha o elenco, Vilela! George Clooney, como é que é o Jeff Bridges? Jeff Bridges, o carinha do Ewan McGregor.
E aquele cara do Kevin Spacey, do Goat, a cabra do House of Cards.
Então assim, é alto nível o elenco, né? Você vai ver esse filme, esse filme ele pega uma história real de um livro de jornalismo investigativo do jornalista investigativo John Ronson, certo, que pesquisou esse primeiro batalhão da Terra, Projeto Stargate, né? Os os soldados Jedi, como eles eram chamados, né, que era essa divisão de soldados paranormais do Exército americano, que é algo totalmente real, documentado. E o George Clooney, ele pega essa história— George Clooney é o diretor desse filme— ele pega essa história real que começa de uma forma incrível.
O livro começa com o John Ronson, o jornalista, entrevistando sabe quem? Uri Geller. E Uri Geller falando que trabalhava para CIA, entortava os garfos. Uri Geller tá na ativa ainda, sabia?
Mora lá em Israel.
Não, ele tá direto no X aí, tava tentando Testar ele.
Tentou?
Tentei.
Pô, se um dia rolar, você me chama, tá?
Eu acho que vai rolar assim.
Às vezes a gente solta até uns hebraicozinho, até dou uma—
É mesmo?
Vamos. Anime é da BR Ivrita, alechem lokol kartov. Falo hebraico, mas não muito bem. Amém.
É, não sei o que ele falou.
Ele pediu para deixar o like. Não, não, eu falei essa frase que eu disse. Eu falo hebraico, anime é da BR Ivrita, eu falo hebraico, alechem lokol kartov, mas não muito bem, entendeu? Foi isso que eu falei.
Para mim podia ser qualquer coisa.
Não, foi isso. Então assim, esse, nesse livro tem uma história assim, porque o jornalista, que é o Ewan McGregor, ele tá num hotel e ele começa a pesquisar uma parada, e ele descobre que o que ele tava pesquisando era o que o cara do lado tava vivendo. Então rolou algum tipo de sintonia. Lembrando, galera, num livro de ficção, tudo ficção, coincidências, o mundo é cheio de coincidências. Não tô falando que ninguém tem poder, paranormal aqui.
Apesar de que o Raul Puthoff, que começou essa pesquisa, meio que provou isso e usou isso para guerra, né? O Raul Puthoff tá vivo até hoje dando palestra sobre isso. Então, Vilela, é realmente, é você, o seu livro é de quando? É 2019, é 18? Não, eu escrevi antes, mas eu lançou depois, né?
Mas eu escrevi ele já 2018.
Essa ideia já tava lá de uma pandemia, né? Já entendi, mas era na Índia, né? Agora você não sabe da maior, Vilela.
Não é a mesma, não é o mesmo, é uma baseada em outra, é outro tipo de pandemia.
Não, lógico, não vou falar, mas é uma coisa que é tipo a pandemia do Pluribus.
A gente não sabe ainda, ainda não sabe.
Não, é o que tá aparecendo, né? Tá aparecendo.
Você assistiu tudo lá?
Eu acho que sim, né? Não brinca, já tem duas. Não, não, a primeira, a primeira assisti tudo, mas eu fui cansando, eu Eu fui campeão. Ruptura?
As duas.
Ruptura eu parei no meio, parei no meio da primeira, cara.
Eu vou fazer só uma pergunta.
Eu joguei a toalha.
Fazer só uma pergunta, era para você ter feito. Você assistiu Odisseia?
Então, e quando fala então, ferrou. Vou até tirar minha blusa porque hoje ele ia falar de Odisseia, você lembra?
Mas aí trocou.
Aí, ah, então por isso você não sabe, como você sabia que ele ia trocar o tema?
Eu conversei com ele antes, não foi, Daniel?
Foi. Aqui rola, aqui tem um backdoor de informação que a gente se comunica nos bastidores.
Semana que vem, semana que vem. Cara, eu tinha, como você enrola, velho. A gente é só, cara, 3 horas no cinema, você consegue?
Mas eu quero assistir IMAX, eu não quero assistir no normal. Assiste, mas não tem vaga.
Não tem sério, ainda tá lotado ainda, ainda tá passando.
Não, ele tá falando que tá lotado ainda.
Sério?
Eu vejo para daqui uma semana ainda, só tem uns lugarzinhos lá na frente.
Os cara tão ganhando dinheiro então, eu não duvido não.
Eu assisti de manhã, segunda-feira de manhã, lá na frente com a cara no IMAX. Aí não dá aquele, mas deu para ver, deu para ver a tela, tem aquela curvaturazinha, né? Deu para ver, quase que eu enxerguei.
Vamos fazer o episódio sobre isso aí?
Merece, hein, cara? Vilela, a gente precisa fazer, cara, sabe? Porque eu acho que só uma notinha de rodapé aqui para a gente não perder o tema. É para a galera não começar a ficar irada. Volta para o tema, ligando os pontos, né, amigo? É difícil, mas a gente volta. Eu acho que a maioria das pessoas que interpretou esse filme, e tá certa a construção, né, maioria interpretou, a maioria das pessoas que interpretou esse filme não conseguiu pescar em muitas das vezes o aspecto apocalíptico desse filme, porque esse filme ele trata do fim da Era de Bronze.
Sim, sim, sim.
De um caos que vinha sendo instaurado.
Falando sobre isso também, poucas pessoas, deve ter sido eu, você deve ter confundido. Brincando, não, não, mas pode ser.
Sabe por quê? Porque na verdade, Vilela, eles estão falando ali sobre os povos do mar que vem invadindo tudo.
E essa época de onde sai essa história, no filme ele brinca que quem seríamos nós mesmos.
Isso é interessante. Pô, Vilela, já que você falou isso, eu vou até cortar um pouquinho aqui, lembrando que a gente tá na nota de rodapé, que a gente vai voltar. Isso é só apenas a um asterisco. Aí o filme tem algumas frases assim muito bem construídas, né, poéticas. Cara, aquela hora que ele vai no Hades— e pessoal, não dá para dar spoiler de uma história que tem 3000 anos— na hora que ele tá conversando ali com Tirésias, né, o cego, e com a galera, aquelas frases todas são de um nível de poesia.
Eu não sei se ele se inspira bem ali no texto original de Homero, Porque a gente não pode esquecer que esses textos são completamente com métrica, rima, né, ritmo, melodia. Até inclusive porque isso era aquilo que era chamado de mnemotécnica, técnica de memorização. Sabe por quê, Vilela? É a história da Odisseia e da Ilíada, elas vêm de um contexto tão apocalíptico do mundo antigo que até a escrita se perdeu. Você acredita sabia disso.
Havia escrita que era o Linear A e o Linear B da ilha de Creta. E o caos que veio, porque não foram só invasões bárbaras dos povos do mar que destruíram tudo, houve terremotos, vulcões, maremotes, tsunami, pandemia. Era um cenário muito parecido com que a gente tá vivendo um pouco hoje, né? E eu não tenho muitas dúvidas de que Christopher Nolan se inspira um pouquinho no que tá acontecendo em volta para fazer os né? Então, Vilela, eu até comecei a fazer um flashback assim da filmografia do Christopher Nolan. Ele trata dessa questão apocalíptica em vários filmes.
Eu sou fã da filmografia dele, assisti tudo.
E Interestelar, mundo tá acabando, cara. Eles estão precisando arrumar uma solução para extinção da humanidade. Qual outro filme de, cara? O Tenet vai muito nessa linha também.
Sim, é sobre isso. Os caras voltam do futuro porque o mundo tá ameaçado. Exato. Inception não, né?
O Oppenheimer, pô, é bomba atômica, pode destruir o mundo, né?
Exato.
Então parece que o Christopher Nolan, ele tem uma fixação nesse tema, ele tem uma fixação sobre o tempo, como a gente aí no Memento, né, que é o Amnésia, tem tudo a ver.
Interestelar fala sobre tempo, o da guerra lá, o Super Xuxa contra o Baixo Astral. Qual que é o filme dele?
A Lene gostou, né?
O da batalha lá, de que é, como é que é?
Bastardos sem Glória.
Ah, meu filho, por que que a gente chama geração Z?
É que eu li o negócio, eu não aguento.
O cara mistura Tarantino, velho.
Olha, eu que conheço o Bigode, aí você me Surpreendeu, cara. Parabéns, hein, cara. Essa eu não esperava.
Ele faz humor involuntário.
Um abraço aí para minha filha Sofia, deve ter ficado super feliz ter ouvido isso.
Mas ele trabalha muito com o lance do tempo.
É, cara, cara, é muito interessante, né? Você assistiu de novo já, Vilela? Viu só uma vez.
Qual?
O Odisseia.
Não conseguiu, quero ver de novo.
Vale a pena, né, cara? Primeiro que são 3 horas, né? Segundo que São várias camadas de leitura, né? Só aquela cena do Ciclope, para mim é Ciclope, né? Se tiver errado, me corrija, por favor. Só a estética do gigante, aquilo ali dá para você ver umas 10 vezes. Uma hora você olha para o olho dele, para a boca, para o nariz, para a mão, para as costas, para os glúteos. Dunkirk, é Dunkirk, é dele? É Dunkirk, né? Também é sensacional, gente, cara. A imagem é muito boa, cara. Sensacional.
Eu tenho pena quem não teve a a chance de, sem saber, não viu imagem nenhuma do Ciclope, do Nolan, viu na tela como eu, para ser surpreendido, né?
Surpreendido, porque eu não vi trailer, não vi nada, cara. Muito legal aquilo ali, meu irmão. Não, eu, uma cena muito interessante é quando o Ciclope começa a falar. Eles falaram, aí eles falaram assim, será que é melhor a gente tentar argumentar com ele? Aí o Odisseu fala, acho que a gente já passou dessa fase. Muito bom esse diálogo, não dá para argumentar mais não.
Que ele tem um olho ao contrário, né?
É, o nariz torto, né? Parece que ele tá empenado mesmo.
Muito bom, muito bom. E também a parte técnica muito louca, né? Fizeram um boneco enorme para contracenar com os atores, né? Para eles verem em tamanho real como seria o cara.
E, cara, e tem uma coisa interessante, Vilela, porque aí ele tá numa cena em que ele fechou a porta da caverna Tá tudo escuro e ele tá sendo iluminado por uma fogueira. Então ele tá com uma cor mais para o sépia amarelo, mas ele, você percebeu que ele é branco, meio cinza, pálido. Isso é muito interessante porque existe uma conexão entre os titãs, que são os filhos dos deuses, e o titânio, que é um metal que ele é cinza azulado.
Então existe uma ideia de que os titãs também tinham essa cor cor cinza azulada, porque eles estavam associados com esse metal. E talvez daí teria surgido aquela ideia que haveria alguns deuses indianos que são azulados também, né? Então isso é interessante.
Esse é o boneco que usaram para ter referência dos atores, ter referência do com que eles estavam contracenando.
Cara, eu não tinha visto não. Interessante, cara, para ele ter um mínimo de referência, né?
O bigode às vezes acerta, né?
É, eu achei que ele tinha botado aquele do filme de 1970 7, né? Acho que achei que era 5.
Fala um filme do Tarantino que você gostou sem ser Bastardos Inglórios.
Do Tarantino?
É, do Tarantino, cara.
Pior que o que eu mais curti foi esse Bastardos Inglórios.
Mas fala outro então que você não curtiu.
Pode ser um pior, porque eu mais curti.
Pior, fala outro que você não curtiu.
Eu fiquei com medo de gostar dos outros filmes dele, mas só um nome.
Eu não quero só um nome.
Você viu o argumento? Eu fiquei com medo de gostar dos outros, só assisti esse.
Que humilho.
A pergunta não foi qual você assistiu, o Lenny soprou para ele.
Kill Bill, a história, qual que é a história do Kill Bill básica?
É, conta só assim por cima, baseado no nome, baseado no nome, baseado no nome. No filme mata o Bill. Pô, você deu spoiler do filme! Desculpa aí, galera, ele acabou de dar um spoiler do filme. É isso, a história de matar o Bill, alguém tá querendo matar um tal de Bill. Você pode ter certeza. Beatriz Kiddo. Que quer matar o Bill, que é a ex-esposa dele, que ele, a noiva, que a noiva que ele matou, mas ela não morreu, né?
Vamos voltar para o tema.
Bora, bora! Então, né, a gente tem, cara, você que sabe, a gente tem Espanha.
Não, mas fechou o assunto.
Ah, esse assunto, achei que você ia fechar o programa, já falou, pô, Vilela, nem falamos de Espanha ainda.
Não, não, por causa do COVID.
É lógico, dá para ficar a vida inteira nisso aqui. Agora, o que é importante a gente saber, aliás, tem alguma pergunta sobre esse tema, sobre a COVID?
Tem algumas aqui, é melhor. Ó, tem a primeira do Felipe Almeida, ele falou: é possível dizer que o debate sobre a origem do vírus virou uma disputa política antes de ser científica?
Isso é lamentável. É, isso é verdade, na minha opinião. Isso é lamentável, cara, porque eu ficava pensando assim: poxa, o cara é de direita, ele tem que ser a favor da cloroquina. O cara é de esquerda, ele tem que ser contra. Pô, é assim que a gente define as coisas? Padrão torcida, herd mentality, mentalidade rebanho.
E eu sempre obrigado a defender alguma coisa dependendo da ideologia que você tem.
Então aí eu era um cara que um dia eu fazia um vídeo, eles me chamavam de negacionista, e no outro vídeo eles me chamavam de esquerdista a favor do sistema. Eu falei, meu irmão, será que a gente caiu nessa esquizofrenia? Verdade que na verdade não é nem no dia seguinte, no mesmo vídeo, né? Eu era chamado de negacionista, defensor de vacina. Nesse vídeo aqui estão chamando a gente das duas coisas, né, dependendo do que a gente fala.
Então assim, é, o mundo não é como Michael Jackson falava, black or white, não é só o preto no branco, tem zonas cinzas ali. A gente não tá tocando instrumento temperado, instrumento pode ser destemperado. Você manja disso, filha? Não, eu não tô falando de comida nem culinária não. Um instrumento musical temperado é um instrumento musical que ele tem um intervalo definido entre as Tecas. Tipo assim, no piano você tem aquelas teclas brancas e as teclas escuras, né?
Até ali você tem um intervalo de um tom. Por exemplo, você sai do si para o dó e você tem um intervalo de semitom, metade do tom. Você tem o dó sustenido, você tem o ré sustenido ou bemol. Então no piano você ali, tanto que a gente tá falando que não é preto e não branco, o piano é tecla preta, tecla branca, né? Você tá limitado àquilo, verdade? Não tem, você só pode tocar aquelas notas que alguém estabeleceu para você. Por isso que na época de Johann Sebastian Bach, ele compõe a obra Cravo Bem Temperado, né?
O cravo é o instrumento musical que dá origem ao piano, e o cravo temperado é porque na época de Bach, Johann Sebastian Bach, ou traduzindo aqui para nós, João Sebastião Ribeiro, né? Que é Bach em alemão, é rio. Então, na época de Bach, eles estavam definindo a afinação dos instrumentos, formalizando a afinação. Isso é muito interessante, Vila, é baseado num logaritmo, né, da proporção entre as notas. Música é matemática plena.
É por isso que na República de Platão, em que ele proibia todas as artes, né, visuais principalmente— você quer dar as artes visuais, talvez Você tem algum probleminha com Platão, velho? Não, não, tá bem resolvido com ele. Que na República dele não podia ter desenho, nem pintura, nem escultura, nem nada não. Porque para ele aquilo era o simulacro. O simulacro era você estar dois passos afastado da realidade, que a realidade para Platão é o mundo das ideias, é aquilo que eu imagino.
Por exemplo, eu imagino uma cadeira, essa ideia da cadeira ela tá próxima da verdade. Agora, quando eu fabrico uma cadeira, isso é um simulacro, é uma representação mal feita de uma realidade que tá no mundo das ideias. Agora, pior do que isso, Vilela, eu tenho a ideia real da cadeira, aí eu tenho a cadeira que o artesão fabricou, e aí vem o Mané, segundo Platão, e pinta aquela cadeira que alguém— aí você tá mais afastado da verdade ainda, né?
Agora, Platão, apesar dele ter esse problema com as artes, principalmente as visuais, não só arte plástica, pintura, mas escultura também. Mas ele não tinha problema com a música porque ele falava: música é matemática, e matemática são verdades eternas, imutáveis, né? 2 2 4, ou a soma dos ângulos internos do triângulo sempre vai dar 180 graus. Por isso que na academia de Platão tava escrito: não entre aqui se você não sabe geometria.
Geometria era origem de tudo. Então, voltando na música, só para a gente falar das nuances, né? Estamos falando das nuances entre as opiniões aqui. Eu acho que hoje, na conversa que a gente teve com o Lucas, foi bem representativo das nuances da fala, né, os mal-entendidos, os ruídos, né, que Roman Jakobson falava na teoria da comunicação. É, o instrumento temperado é um instrumento que ele limita as notas que você pode tocar.
Então você tem instrumentos que são destemperados, ou seja, entre o dó e o dó sustenido e o ré, o ré sustenido, você tem vários microtons ali ali dentro. A cítara, por exemplo, é um instrumento que tem as trastes são móveis, né? Você pode empurrar a traste e mudar a tonalidade. Quando você tem, por exemplo, um violino, violino ele não tem a divisão das casinhas, você pode ir passando o dedo entre as notas intermediárias ali. Então assim, as opiniões são assim também, né?
As opiniões são como instrumento destemperado, em que não é só preto no branco, X ou Y, esquerda ou direita. Então isso tudo para a gente responder aqui a pergunta Vocês não acham que ficou meio ideologizado o debate na época da pandemia? Pô, totalmente. Isso foi lamentável para caramba, porque você ia dar uma opinião, o cara falava esquerdista. Aí você ia dar outra opinião, fascista. Você dava outra opinião, comunista. Você fala, meu irmão, eu tô perdendo minha identidade, que eu sou tudo ao mesmo tempo, né?
E eu tô quase no duplo pensar de George Orwell aqui, né, que é a capacidade de você aceitar duas verdades conflitantes ao mesmo tempo sem ver nenhum problema nisso. Então assim, pô, só para responder isso tudo, a gente foi lá no Platão, né? Confusão do caramba, né? Mas eu concordo, um problema terrível esse negócio de ideologizar o debate.
Você não sabe para onde a gente vai agora, né? Ih, rapaz, manda aí a imagem e a pergunta.
Ó, a pergunta do João 777, ele falou: vocês perceberam que esse tema sobre a pandemia veio justamente no início do mês de agosto, corroborando com aquela imagem da capa do The Economist em formato de relógio que trazia agulhas no mês de agosto.
Manda aí, exatamente, para o pessoal lembrar.
Caraca, mais uma coincidência em relação a essa revista aí. Cadê agosto lá? Cadê a fatia de agosto?
Mais embaixo ali, aí é o seringão ali bem no meio, né? Surreal, né?
Uma votação também, um cara com votação lá com uma mesa de votação.
Agora você não sabe da maior, Vilela. Se tu puxa um pouquinho antes ali em julho, você tá vendo que tem um maluco esquiando ali? Sim, você lembrou? Galera que morreu lá no avalanche.
Exato.
É claro que a galera já falou que a revista tinha previsto, né? E aí, será que quer ver mais alguma pergunta? A gente viu uma só. Não, é isso daí, tá bom. Foi, então beleza, vamos embora.
Bola para frente, bola para Espanha. O que que tá acontecendo?
Então, Vilela, tiver imagens, eu assim, Espanha é um negócio que mexe um pouquinho comigo.
O Leandro falando: esse Vilela é uma fraude. Cara, agora que você descobriu, meu velho?
É, meu irmão, chegou atrasado na festa aí, cara.
55 anos atrasado. Eu sou uma fraude faz tempo, rapaz. É uma fraude na comédia, uma fraude no desenho, uma fraude no podcast.
Até que você tá indo melhorzinho, né?
Agora que tá começando, agora que tá dando uma sobrevidazinha, né?
Chegou atrasado na brincadeira aí, irmão. Então, Vilela, eu assim, a galera deve ter visto que meu Lopes é com Z, né, porque meu pai nasceu na Espanha e tal. Eu tenho cidadania, tenho família lá, acabei de visitar o pessoal. Um abraço lá para o Carlos, para os parentes lá espanhóis. E é um tema que é um pouco biográfico para mim, inclusive foi uma questão geográfica recente. Porque, Vilela, eu estava em Barcelona. Quando é que foi isso?
Deve ter sido fevereiro, talvez. Eu tava em Barcelona, cheguei, cheguei a Barcelona, aí fomos para Andorra, peguei -10 graus lá, foi sensacional. E o engraçado, Vilela, inclusive a gente tem um sonho de fazer um rolê lá na aurora boreal, né, pegar um calorzinho de leve lá na Islândia. Então, pensando no frio E aí que aconteceu, tô circulando ali na Espanha, aí tô lá em Barcelona com um grupo de amigos, meus filhos, esposa, e de repente sai a notícia: Espanha proíbe avião norte-americano de pousar no aeroporto de Barcelona para poder fazer uma base para os ataques que estavam acontecendo no Irã.
Eu falei: ih, rapaz, será que a Espanha vai arrumar encrenca com os Estados Unidos logo agora que eu tô aqui para me atrapalhar de voltar para casa? Porque, Vilela, a gente não pode esquecer que os ataques aconteceram no dia 28 de fevereiro, os ataques contra o Irã feitos pelos Estados Unidos e Israel. Eu acho que eu, eu tava lá esse dia e eu falei, meu irmão, só falta dar uma zebra, o caldo aqui, né? E a Espanha não querendo emprestar os seus aeroportos para os americanos.
Então ali, Vilela, começa uma grande briga entre os Estados Unidos e a Espanha. E eu achei aquilo ali preocupante para o meu lado, principalmente quando eu tava lá. E essa confusão que a gente tá vendo na Espanha agora tá diretamente relacionada a isso, filhão, por incrível que pareça. Sabe por quê? Porque primeiro de tudo é importante a gente lembrar, a cidade que foi, entre aspas, invadida pelos marroquinos Ela não é na Espanha, ela é na África.
Tem um nome até isso, né?
Ceuta. É um conclave ou esclave, né? E como a cidade de Kaliningrado, que é da Rússia, mas tá lá dentro, acho que da Polônia, talvez, né? Tá lá do outro lado. Então é ver como é que às vezes a mídia potencializa. Até eu, né, que conheço ali, tenho cidadania espanhola, meu pai espanhol, Nascido na Espanha. Eu olhei, achei que eles estavam invadindo a Espanha continental. Não, eles estão entrando na cidade de Ceuta, que fica dentro do Marrocos, entendeu? Bigoda, põe um mapa aí para gente, para galera ver que— porque que aconteceu?
Não, Celta, você não vai puxar um carro.
Aí não, aí vai aparecer a Galícia, que a Galícia é cultura celta, né? Portugal também tem muita cultura celta, né? E aí você vê que é isso, é muito interessante, né? Ali na Galícia, no País Basco talvez também tenha isso, não sei exatamente. Tem aquela cultura da gaita de fole, da saia, que é o kilt, né? Isso é legal para caramba ali, ó. Ceuta, né, é uma pontinha da Espanha dentro do Marrocos, pô.
E ela no Estreito de Gibraltar. O que é perto, viu?
Eu já tive lá, é bem pertinho, você vê o outro lado facinho. Sim, é tranquilo ali cruzar aquilo ali. Então quando a gente viu os vídeos dos caras nadando, eu não sei, Bigode, não sei se tu vai achar esse vídeo. Tem um cara que tá ali, é, segundo a mídia, invadindo a Espanha, que ele tá com pauzinho de selfie assim nadando, se filmando nadando. Você viu essa? Então quando a gente viu os caras nadando, deu a impressão de que eles estavam nadando cruzando o Estreito de Gibraltar.
Mas não, eles estavam nadando para contornar a cerca que fica ali entre o Marrocos e Ceuta, que é um conclave, um exclave espanhol. Então, primeiro de tudo, né, não foi uma invasão à Espanha continental, mas foi um território espanhol que tá do outro lado do Estreito de Gibraltar. Isso suaviza um pouco o terror midiático que a gente viu. Agora, mais de 70 pessoas morreram.
Vou para lá semana que vem.
Não, não, a gente deve se preocupar mais com a briga da Espanha com Estados Unidos e Israel. Isso é mais preocupante que essa invasão aí. E sem falar que teve incêndio lá, não sei se pararam, mas tava com incêndio, que é estranho para caramba também. É logo agora, né? Ah, é o ninho, sei lá, tá calor para caramba, morrendo gente adoidada por causa do calor, né? A gente tem uma tia que é a nossa tia, tia da minha esposa, né, a Vera.
Um abraço para tia Vera aí. Ela mora na Itália, chegou de lá, falou, meu irmão, tá um calor que insuportável, né? O negócio tem maçarico, tá ligado? E o calor obviamente gerou esse incêndio, que gerou uma destruição devastadora na Espanha e na França também. Então muito estranho a gente ter essa sequência do incêndio e depois essa crise ali em Ceuta, né, na Espanha. Mas o que que tá em jogo ali, Vilela? Você acredita que desde o início do ano vários think tanks americanos e senadores americanos estavam dizendo que Marrocos deveria invadir Ceuta.
É mesmo, desde o começo do ano os cara falando isso. Por que que eles estavam falando isso? Porque, obviamente, Marrocos é aliado dos Estados Unidos. Essa é a hora que o cara vai falar: Daniel é comunista. Marrocos é aliado dos Estados Unidos e, na condição de aliado dos Estados Unidos, Marrocos está ali apoiando os Estados Unidos nas empreitadas no Oriente Médio e também no projeto dos Acordos de Abraão, agora Acordo de Ciro, né?
Então Marrocos apoia os Estados Unidos nos seus esforços no Oriente Médio, mas a Espanha não apoia. E aí você começa a ver alguns senadores incentivando Marrocos a tomar uma atitude contra os espanhóis, invadir Ceuta e aquela outra cidadezinha que eu esqueci o nome. Você abre o mapa ali de novo para mim, ô bigode, que acho que é Melilla, alguma coisa assim, que é outra ali, ó, é Melilla, né? Melilla é que eu não tô conseguindo ler direito.
Essas duas cidades são da Espanha, né? Só aquela pontinha de Ceuta, na outra também, entendeu?
Estranho isso.
Então o cara começou a botar pilha de falar assim, Marrocos devia tomar isso aí. Desde o início do ano os cara tão falando isso, tá aqui dentro. Então tem uma questão geopolítica aqui como se fosse uma tentativa norte-americana de incentivar os marroquinos a fazerem isso, na condição de aliados dos Estados Unidos e Israel, fazerem isso para afrontar a Espanha, para humilhar a Espanha, para arrumar um problema com a Espanha, né?
E alguns analistas de esquerda vão dizer que isso é uma estratégia norte-americana usando essa população ali como se fosse uma uma guerra por procuração ou pelotões terceirizados para fazer isso. E isso, a ideia seria favorecer, dentro dessa especulação maluca que a gente tá levantando, e eu pontuo aqui para todo mundo, é uma especulação que não é minha, são alguns analistas de esquerda que levantaram isso, não no Brasil, mas no cenário internacional, dizendo que os Estados Unidos, na figura do Marco Rubio, que é o secretário de Estado E nos think tanks nos quais eles participam, onde eles já haviam escrito sobre essa, esse incentivo ao Marrocos invadir essas regiões que são da Espanha ali, mas dentro do território marroquino, eles dizem que a justificativa seria mostrar para o mundo o perigo dos imigrantes ilegais e fortalecer a extrema-direita na Europa.
Seria esse o objetivo dos Estados Unidos ao fazer isso. E essa seria a ideia inicial. Em março de 2016 foi publicado um documento de uma, de um think tank, de uma revista que é a Foreign Defense Policy, que é Morocco Should Send a New Green March in Ceuta and Melilla. Ou seja, Marrocos deveria fazer uma marcha para cima de Ceuta e Melilla. Um artigo de agora, 2016, de março. Ou seja, isso que a gente tá vendo aqui já tava sendo incentivado em documentos internos ali geopolíticos ali de centros de estudo.
E o Marco Rubio, que é o secretário de Estado, ele participa desses fóruns de especialistas que estavam incentivando isso. Então tem uma questão, pode ser que com base nesses documentos aqui haja uma, haja uma motivação geopolítica direta. Nesse artigo eles dizem o seguinte, olha, os marroquinos deveriam se unir, levar tratores para a fronteira com Ceuta e Melilla sem armas e levantar uma bandeira. É, Sánchez e o o presidente espanhol deveriam ser punidos, porque pelo que eles têm feito com relação à OTAN e os Estados Unidos e a empreitada lá na, em Israel, ou no Irã, perdão.
Então já isso já tava sendo incentivado em documentos ali internos desde março desse mês. Então é um pouco disso que tá por trás dessa história. Ah, Daniel, você tá querendo dizer então que foi tudo programado? Não, só tô querendo dizer que esse, esse discurso de que os marroquinos deveriam vir com tratores e derrubar as muralhas que separam Marrocos de Ceuta já tava sendo falado desde março. Então tem algo por trás aí, Vilela, e tem alguns senadores americanos, deputados federais que já estavam maior do que isso.
E pode ser que politicamente, olhando assim, um mapa um pouco mais amplo? Eles estão dando recado, estão dando recado para os países que não estão se alinhando com os Estados Unidos, com os interesses norte-americanos no Irã, de que se você não se alinhar, você pode não apenas ficar de fora do comércio, como Trump chegou a anunciar num determinado momento que a Espanha não teria mais relação comercial com os Estados Unidos. Chegou, chegou nesse ponto na época que eu tava lá, inclusive em Barcelona, e o Trump falou isso.
Não tem mais relação comercial entre Brasil e Espanha. Falei, ferrou, né, meu irmão? Acho melhor eu voltar para o Brasil.
E se você pensar que a Espanha ganhou a Copa dentro dos Estados Unidos, o negócio fica mais estranho, né?
E se você pensar que o Trump, mesmo com esses problemas com a Espanha daqui, saiu na fotinha. É verdade, cara de pau para caramba, né, meu irmão? Maluco muito sambari. A Infantino puxando ele, sai, sai, sai!
Ele, não, quero sair na foto.
Pegou mal, né? Não tinha necessidade nenhuma de fazer aquilo, né?
Então é uma coisa um pouco maior, pode ser.
Então é com relação especificamente à Espanha?
Não, é do mapa global assim, disso ser uma coisa que pode acontecer em outros países que não estão alinhados, como você tá falando.
Então, Vilela, sabe o que que o Brasil, se começar a encher muito o saco, sei lá, que tem muito, cara, o Brasil já tomou ali umas tarifas bravas novas aí, né? Para melhorar nossa situação, né? Então o que que eu vejo aqui? Na verdade, eu enxergo nessa situação uma oportunidade da gente refletir o seguinte: os Estados Unidos, eles sempre usaram— a Rússia também faz isso, né? Fez com chechenos. Aí o cara fala: pô, tô na dúvida agora se o Daniel é comunista, é capitalista.
Eu sou contra tudo que é errado e a favor de tudo que é certo, irmão. Tô nem aí. Então presta atenção, É, isso é importante para nós lembrarmos como a CIA, os Estados Unidos, a USAID formam movimentos de revolução dentro de outros países para derrubar governos que não estão alinhados com os Estados Unidos, mas tudo parecer que foi uma revolta popular.
Isso é o tema clássico das guerras híbridas, é o que o Putin fala sobre aquela Aquelas manifestações lá na Ucrânia, né?
Total, 100%. Ucrânia é um caso clássico, assim como as revoluções chamadas de revoluções coloridas, assim como a Primavera Árabe. Em muitos casos foram movimentos que pareceram espontâneos da sociedade, e tem provas que interferiu aqui no Brasil também muitas vezes, né, cara? Tem um livro de um professor da UNB que eu, pois que eu sempre esqueço o nome desse professor e do livro, cara. Mas nesse livro ele defende uma tese, uma hipótese de que as Jornadas de Junho, naquele movimento de rua contra o aumento de 20 centavos da passagem, teve uma influência direta dos Estados Unidos.
Os Estados Unidos, através de ONGs, patrocinavam esses movimentos, fomentando, fomentando. Existe essa hipótese ali, tem a ver com alguns grupos relacionados à Petrobras. Através da Petrobras financiaram dos movimentos culturais, a galera consegue achar aqui, ligar esses pontos, né? E aí a relação entre Brasil e Estados Unidos naquela época tava estranha, porque a gente não pode esquecer que era o presidente Obama que tava no poder, 2013, junho de 2013.
E aí o vice-presidente era o Biden, e o Biden ouve tudo aquilo, acontece na época dos Wikileaks também, você lembra do Julian Assange? É, então entre as toneladas de informações que os Wikileaks liberaram, tava informação de que os Estados Unidos estavam espionando a Dilma. E aí a Dilma ficou revoltada, falou, que palhaçada é essa? E aí o Biden falou, não, não é bem assim, vamos conversar. E aí o Biden veio ao Brasil para conversar com a Dilma, para dar uma apaziguada.
Mas depois saíram mais documentos, o negócio azedou mais ainda, e ele tava com uma outra viagem programada para o Brasil e cancelou. Teve que ser cancelada porque de tão ruim que ficou a relação Brasil-Estados Unidos naquela época. É claro, Vilela, que havia um interesse norte-americano muito grande no pré-sal, que tava começando a ficar em alta. Os Estados Unidos estavam querendo mais acesso ao nosso mercado de petróleo, que naquela época ainda tava muito fechado.
Isso é uma história muito interessante, né, a história do petróleo no Brasil. Se a gente volta lá atrás É uma briga entre Brasil e Estados Unidos declarada, né? Isso tá numa trilogia que eu não vou me lembrar o nome do autor, mas a trilogia se chama A Era Vargas. São 3 livros. Eu tive que ler esses 3 livros na faculdade e o professor, esqueci o nome do professor, Fernando, ele era professor de rádio, é, radiojornalismo. Ele me deu a missão de ler esses livros e fazer uma apresentação dos livros.
Foi maravilhoso porque eu vi um aspecto da era Vargas que eu não tinha visto, que era a briga entre Brasil e Estados Unidos. Esse aí mesmo, como é que é? José Augusto Ribeiro.
José Augusto Ribeiro.
Sensacional isso aí, Vilela. Eu tenho lá até hoje. Nesse livro, o que que a gente descobre? A gente descobre que Getúlio Vargas foi— eu não posso falar a palavra de baixo calão porque eu sou pastor e por causa do horário também, que, né, tem criança aí. É, mas assim, Getúlio Vargas fez um monte de groselha, para não falar palavrão, ditadura, matou gente para caramba, um tirano. Mas ele deixou, depois da Segunda Guerra Mundial, pelas circunstâncias do Brasil— Brasil era credor, cara, Brasil cobrava, falou, mundo aí, ó, me paga.
Brasil não tinha dívida externa, os países que tinham dívida com o Brasil. Brasil não era um país endividado, é um país credor. Os países estavam devendo para nós porque nós mandamos material para todo mundo na época da guerra. Em época de guerra, o cara fala: pô, irmão, vou pegar fiado, tá? Depois acerto contigo. E aí, o que que acontece? Getúlio Vargas sai do poder, fala: tá bom, já tô um tempão já aqui nessa ditadura aqui da Era Vargas, vou sair.
E aí ele sai, Vilhena, tem uma disputa entre o Brigadeiro Eduardo Gomes e o Eurico Gaspar Dutra. E o Brigadeiro Eduardo Gomes, você já ouviu essa lenda de onde vem a relação entre o Brigadeiro Eduardo Gomes e o docinho, a bolinha de chocolate Brigadeiro?
Não.
Dizem que num confronto ele foi atingido nas suas partes íntimas e perdeu uma boleba. Ah, por isso é aí o Brigadeiro, as mulheres que apoiavam o Brigadeiro Eduardo Gomes na época que ele tava se candidatando É, elas saíram na rua distribuindo brigadeiro para galera e o lema era: vote no brigadeiro, é bonito e é solteiro.
É mesmo?
Só quem ganhou foi o Vargas, que era feio para caramba. O Vargas não, perdão, Dutra. E o Dutra em 4 anos ele deixou o Brasil já endividado de novo. Aí os cara que odiava o Vargas falaram: pô, volta aí, volta aí agora, a gente te odeia, mas pô, não dá não. Até o arqui-inimigo de Vargas. Vargas era tipo assim o Coringa que tinha um arqui-inimigo, que era o Batman. Ou Vargas era o Batman e tinha um arqui-inimigo. O Vargas tinha um arqui-inimigo e o nome desse cara era Luiz Carlos Prestes, né, que começou no Exército, fez a Coluna Prestes, e aí casou com a Olga Benário.
Lembra do Fernando Moraes, o livro Olga, né? Então a Olga Benário, uma alemã judia comunista que veio para o Brasil para ajudar o movimento revolucionário no Brasil, ela foi presa durante a Era Vargas e ela foi, na condição de alemã, mandada de volta para Alemanha. Só que aí tinha um problema, Vilela, porque isso foi na época do nazismo, então ela era judia, pois é, e os caras falaram, olha só, Ok, ela é alemã, ela tá aqui fazendo movimento terrorista, tudo.
Eu até entendo você mandar ela de volta para o país dela, mas o pessoal lá não gosta muito de judeu não. Acho que você vai condenar essa mulher à morte. E sabe o que que ele fez? Mandou assim mesmo. Ou seja, o Hitler matou a Olga Benário. E aí matou o quê? A esposa do Luiz Carlos Prestes. Aí você acredita que até o Prestes apoiou o Vargas a voltar ao poder?
Como assim?
Ele ficou ao lado do Prestes, o cara que matou a mulher dele. O Luiz Carlos Prestes, ele era um cara tão focado na questão da soberania nacional e na luta contra os interesses norte-americanos aqui, na exploração do Império Norte-Americano, que ele entendeu que naquele momento a melhor coisa para o Brasil era o Vargas, mesmo que o Vargas tivesse matado a sua mulher, Olga Benário.
Que doideira!
Loucura, né? E O que que aconteceu nessa época? Aí você vai entender porque que Prestes tava gostando da luta que Vargas tava entrando. O petróleo no Brasil era comandado, e por incrível que pareça, Monteiro Lobato teve uma participação fundamental na descoberta de petróleo no Brasil. Não é só as reinações de narizinho do Visconde de Sabugoza, não, né? Mas é a Dona Benta, né, e toda aquela Você lia isso aí, velho?
Li tudo.
Renações de Narizinho, tudo, tudo. Zerou o game ali? Gostava?
Gostava demais.
Recomenda aí para garotada aí, cara.
Eu não sei hoje, eu preciso pegar uma edição e ler para o meu filho.
Eu não sei como, mas como é que absorve, né?
Eu acho que sim, cara.
É interessante para caramba, né?
Programa que passava também de manhã na Globo, né?
Sim, é, tinha, né, o Sítio do Pica-Pau Amarelo. Sensacional. Eu tinha medo da Cuca, né? A Cuca era uma figura meio sinistra, né?
Você vê hoje, parece a Joelma do Calypso, né?
Mas na época era uma jacaréia com cabelão louro, né? Meio sinistro aquilo, né? Então, cara, essa é a versão mais nova.
Vê se acha a versão dos anos 80.
A Cuca era meio sinistra, né, meu irmão? Dava um medinho, né? Então, Vilela, isso é interessante. O O petróleo no Brasil tava dominado pela Standard Oil. E eu aprendi nesse livro aí, A Era Vargas, nesses 3 livros que a gente mostrou. A Standard Oil é uma empresa do Grupo Rockefeller. E o que que Vargas fez? Peitou os cara, meu irmão. Você já imaginou essa briga? Tu peitar os Rockefeller? Deu no que deu, né?
Donos do mundo, né?
Pô, o que que aconteceu? Tinha uma lei da remessa de lucros. Que que era isso? As Standard Oil, ou Rockefeller, poderiam explorar o petróleo no Brasil adoidado. A gente tá falando dos anos 50 aqui, tá? Para a galera se situar, é explorar doidado o petróleo e deixar só 10% do lucro aqui e mandar 90% para fora. Ou seja, sanguessuga total, né? Vem aqui, suga tudo que a gente tem, deixa só 10%. Sabe o que que Vargas fez? Falou: acabou a brincadeira, esquece, vamos inverter isso aí.
Tu tem que deixar 90 aqui, irmão, e mandar só 10 para fora. Os cara ficaram irado, fala: quem é esse baixinho aí maluco aí lá de São Borja, lá dos confins do Rio Grande do Sul, tá achando que vai mandar? E aí começa toda uma movimentação política e midiática contra o Vargas. E quem encabeçava isso era o Carlos Lacerda. Carlos Lacerda era o cara que era a voz da mídia que queimava o Tinha uma retórica muito boa, falava muito bem.
Então ele arrebentava o Vargas na mídia. E é claro que, propositalmente ou não, patrocinado ou não, conscientemente ou não, ele tava favorecendo os interesses dos Rockefeller. E a coisa foi ficando tão estranha que a gente teve o famoso atentado da Rua Toneleiro lá em Copacabana, em que supostamente tentaram matar o segurança do Vargas, tentou matar o Carlos Lacerda. E aí o Calaceto tomou um tiro no pé. Só que estudos depois mostraram algumas coisas assim meio conspiratórias, porque parece— e se alguém tiver online essa informação, melhor me corrija se eu tiver errado— parece que a bala entrou no pé dele em 90 graus, retinha.
Então era, era, não condizia com o cara ter atirado de longe, porque você tem um ângulo tiro de entrada, né?
E muita proximidade.
É, se você atirar, a hipótese que ele atirou no próprio pé. E aí aquilo ali gerou uma crise que acabou com Vargas. A pressão popular foi gigante. O segurança do presidente tentou matar o jornalista. E aí isso teria o quê comprovado que ele tentou matar o jornalista? Não, é o que saiu na mídia, foi isso. Teve uma encrenca entre eles, uma briga, ele deu um tiro. E aí Termina com esse suposto, mas pô, quem é você, Daniel, para falar isso?
Então não vou falar. Termina com suicídio de Vargas, saiu da vida para entrar para história e tal. Mas foi uma briga de um brasileiro contra os Rockefeller. Ele aguentou a briga? Não deu, cara, foi pesada demais. E assim é hoje, Vilela. Então a Espanha brigar com Unidos é um jogo perigoso, mesmo com os Estados Unidos enfraquecido, porque os Estados Unidos de hoje não é o de 80, né?
Mas você acha que ele não tá?
Eu acho que não, sabe por quê? Quem que tá apoiando o Trump hoje? Quem que botou ele no poder?
Essas big techs, né?
Pô, cara, os cara tão brigando com esses cara aí, é complicado também, né, meu? Então com as informações de todo mundo, o cara sabe até a cor da cueca de cada um, né, irmão?
Esses cara vão mandar, tão mandando no mundo agora.
Você pega só o Peter Thiel e a Palantir Technologies para tu brigar com esses cara, complicado, né? Ó, nunca critiquei, tá? Também não, amigos aqui, ó, amo vocês.
Quero vocês aqui, hein? Imagina entrevistar esses cara.
Pô, cara, estamos tentando, viu? Peter Thiel é mesmo? Pô, se rolar você me avisa, né? Óbvio. É que se o Joe Rogan conseguiu, por que que a gente não consegue, né? Nós somos brasileiros, mas não desistimos nunca.
Falo que vamos conseguir, não porque estamos perto, mas porque vamos conseguir.
É uma visão positiva, né?
É, quero muito falar com esses caras, cara. E eu acho que esses caras têm interesse em falar com a América Latina, com o Brasil.
E a gente é o Peter Thiel, transferiu a residência dele, a família, para Buenos Aires. Então, cara, ele tá de olho aqui. E ele disse que Estados Unidos tá muito perigoso, que ele não concorda, e veio se esconder aqui nas bandas aqui do Ushuaia, da Terra do Fogo ali. Você conhece ali, né, velho? É mais para baixo ali, né? Fui tudo lá de carro, viu até OVNI lá, né? Não quer dizer que eram alienígenas, né? Era apenas um objeto não identificado, né?
Uma bola de fogo, né? Não, Terra do Fogo, né? Acho que deve ter sido isso, né? Terra do fogo, bola de fogo. Então, Vilela, o que a gente tá vendo hoje são alguns países se levantando uma resistência contra os Estados Unidos. É nobre isso? É nobre, né? Você resistir alguma coisa que você não concorda. Os cara não concorda, Estados Unidos destruiu o Irã e tal. Ok, apesar de que o Irã também, né, o, eu ia falar aí, Atolá Khomeini, né, o Khamenei, né, que você lembra da história?
Estados Unidos chegou e falou, aí, vamos negociar. Os cara falou, tá bom, a gente vai reunir a cúpula. Eles reuniram a cúpula e jogaram míssil onde eles estavam reunidos. Sacanagem, foi desse jeito. E eles descobriram onde era a reunião porque dentistas infiltrados do Mossad botaram localizadores nos dentes dos caras.
Olha quanto tempo os cara tão infiltrado lá para ter esse nível de proximidade, né? Dentista dos caras.
Ou seja, irmão, Dependendo se você é high profile, arruma cuidado com dentista. Melhor pegar dentista parente, dentista, cabeleireiro. Ali também teve gastro. Ah, é? Gastro botou coisa no intestino dos localizador, no intestino dos caras.
Os caras não pegaram para explodir os pagers aí, né?
Loucura, né? Criaram uma empresa que eu não tô enganado na Romênia, e a empresa da Romênia criada por Israel vendia os pagers lá para o Líbano. Por Hezbollah. É muito, apertou um botão, pim! É muita, cara. Na verdade, isso você vê desde da Bíblia, né? A Bíblia tem muitas histórias de Israel usando táticas assim mirabolantes para conseguir vencer os inimigos, né? Não apenas táticas de indução ao erro, né? Tem uma história muito interessante para quem gosta de histórias militares.
A gente aprende muito isso até na área do empreendedorismo, né, da liderança, finanças. Israel, quando ele, o povo de Israel, né, os judeus, os hebreus, quando eles chegam à Terra Prometida, que é Canaã, saindo do Egito, eles encontram uma cidade chamada Jericó, que tinha muralhas tão largas que as pessoas moravam na muralha. Inclusive tinha uma mulher chamada Raabe que morava ali dentro e ela ajudou os judeus, né, por isso ela foi abençoada.
Ela casou com um descendente da tribo Judá. E essa prostituta que morava na muralha é uma das ancestrais de Jesus até, e do Rei Davi. E quando eles chegaram diante daquela cidade com aquela muralha gigante, eles olharam e falaram: como é que a gente vai vencer essa cidade? É impossível transpor essa muralha. E Deus chega para eles e fala: Vocês não vão fazer nada, vocês só vão dar 7 voltas em volta dessa muralha durante 7 dias.
Uma volta durante 7 dias e no sétimo dia 7 voltas em volta da muralha. E ele, e Deus falando: não comenta nada com ninguém, fica todo mundo quietinho, porque senão o cara fala: pô, mó furado isso aqui, né? Isso aqui não vai dar em nada. No sétimo dia, quando terminou a sétima volta, segundo que a Bíblia conta, ninguém é obrigado a acreditar nisso, mas tá Bíblia, e eu acredito. Eles deram o grito, tocaram trombeta, a muralha caiu.
E aí Deus falou: nessa primeira cidade que a gente tá conquistando, você não pode pegar nada de valor. Porque ele sempre na guerra, Vilela, qual era o incentivo do soldado? De pilhagem, né?
Pilhagem.
Vou ficar rico, pegar as paradas. Deus falou: não vai pegar nada. Aí eles, beleza, ninguém pegou nada aparentemente, foram para uma outra guerra contra uma cidade chamada de Ai, que em português soou muito bem com o que aconteceu. Ai, que bomba! Ai, que furada! Eles foram para guerra e foram derrotados. E Josué nunca tinha sido derrotado. Josué era um cara invencível. Tanto que Josué em hebraico é Yehoshua, que é o mesmo nome de Jesus.
O nome de Jesus é Josué, é o mesmo nome, só que um é versão mais hebraica, outra versão grega. E aí eles perderam a guerra e eles descobriram o seguinte, Vilela, que um cara pegou uma capa babilônica. Não era para pegar nada, o cara pegou, e aquilo ali fez eles perderem a guerra porque Deus não foi com eles na guerra. Eles fizeram algo bem light com o cara, apedrejaram e queimaram ele e a família dele toda, só isso, só para servir de exemplo.
E aí foram de novo para guerra. Sabe como é que eles fizeram? E aqui eu dou exemplo como Israel usa A estratégia era a seguinte: eles foram para guerra. Na hora que eles chegaram lá e os cara começaram a abrir o portão da cidade, saíram alguns soldados. Eles fingiram estar com medo. Os soldados de Israel saíram correndo: socorro! Aí, bando de medroso! Aí a Bíblia fala que todo mundo saiu da cidade, até os velhos tacando pedra.
Bando de mané! Eles deixaram os caras escondidos atrás de umas Os caras entraram na cidade, destruíram a cidade inteira, e a galera tava fora olhando para trás, vendo a cidade sendo destruída. Ou seja, olha, olha o nível das táticas, entendeu? Como é que os caras do diversionismo, a estratégia de— é tipo um— você pode ler a Bíblia como se fosse um Sun Tzu, uma arte da guerra.
É incrível, tem muita coisa, tem muito detalhe ali interessantíssimo disso, né?
Por exemplo, uma das cidades também que eram invencíveis era a cidade de Jerusalém. Jerusalém não era, não era do povo de Deus ainda, era de um povo chamado jebuseu, é o povo de Jebus. E era uma muralha tão impenetrável, Vilela, que os judeus eles chegam ali mais ou menos, galera me corrige se eu tiver errado, 1200 anos antes de Cristo, mais ou menos 1100 anos antes de Cristo. E aí 200 anos depois, na época de Davi, Davi é mais ou menos 600 anos antes de Cristo, ele não tinha conseguido, 200 anos ele não tinha conseguido conquistar Jerusalém ainda.
E aí Davi fica irritado com aquilo, ele fala: olha, eu vou dar uma recompensa enorme para quem conseguir conquistar essa cidade. E aí o primo de Davi, Joabe, ele tem a ideia de invadir a cidade pelo sistema de esgoto. O cara vai pelo sistema de esgoto, tipo filme, filme total, filme de ação. E ele entra, cara, kamikaze, né? Sozinho ele entra e vai lá e abre o portão, a galera entra. Ele entrou pelo esgoto. Então assim, são histórias interessantíssimas de tática de guerra, filme, e o que os cara fazem para conseguir as vitórias, né?
Então a gente falou isso por causa do pager, né? Hoje os cara pega um pager e fala: compra meu pager aí. Mas quem que tá vendendo? Não só a empresa da Romênia, tem várias histórias dos Mossad, até das festinhas, né? É, as festinhas. A gente tem uma série na Netflix que é O Espião, que é com Sacha Baron Cohen. Não vi, vale a pena, cara? Eu também não assisti, mas eu conheço a história. Qual que é a história? Curiosamente, né, o Sacha Baron Cohen, você sabe quem é, né?
Comediante, o cara do Borat. Você vê que é engraçado, né? O cara que é judeu fazendo papel de um 1. Eu não sei como é que é, um casaquistão, aquele, como se fosse um árabe, né? E no Borat 1 é engraçado que ele vem com aquele bigodinho. É, sei que essa é o espião, né?
Agora acho ele de Borat, com aquele, aquelas, aquele biquíni verde enfiado.
Esse é o 2, eu acho, cara. Aí é engraçado isso, você vê até o nível do preconceito. Ele tá num tipo no rodeio nos Estados Unidos fantasiado lá, bigodinho. Aí o cara fala, pô, meu irmão, você é de onde, hein? Aí ele fala, sou lá do Cazaquistão, não me lembro. Ele, ó, vou te falar uma parada, tira esse bigodinho, irmão. Esse bigodinho dá muita bandeira que tu é árabe. E nem é árabe, o cara é judeu. Se você tirar esse bigodinho, dependendo assim do jeito que você se vestir, vão até achar que você é italiano.
Ele manda essa. Olha só, até vou achar que tu é italiano. Essa história, cara, conta a história de Eli Cohen. Ele correndo, Eli Cohen, para os Estados Unidos. Esse é o personagem original, era um judeu egípcio que tinha um sonho de trabalhar no Mossad, no serviço de inteligência. Então ele fez várias provas, foi reprovado algumas vezes, e depois ele passou na prova, foi aceito. E aí, como ele falava o árabe fluentemente e ele tinha toda uma identidade construída no Egito, deram uma missão para ele.
Sabe qual era a missão que deram para ele, Vilela? E tem tudo a ver com essas histórias aí que a gente tá falando de infiltração. A missão era o seguinte: você precisa se infiltrar no alto escalão do poder da Síria. E para fazer isso, a gente, a gente quer— o objetivo era ele se tornar amigo muito próximo do Hafez al-Assad, que era o ditador da Síria, que era o pai do Bashar al-Assad. E ele falou, pô, como é que eu vou, como é que eu vou chegar lá e falar e trilhar esse caminho até chegar lá?
Olha o que que os cara fizeram, Vilela. Ele foi morar na Argentina. Argentina, o cara é judeu egípcio, foi para Israel, mandaram ele para Argentina, deram uma tonelada de dinheiro na mão dele e falaram, chega na Argentina Argentina dizendo que você é um grande empresário sírio. Ninguém vai saber mesmo. Inventaram nome falso para ele, tua imagem lá. Ficou um tempão morando na Argentina, tá? Quem é você? Ah, sou um cara empresário sírio, empresário sírio.
E aí ele sai da Argentina e vai para a Síria como empresário sírio que morava na Argentina, ou um argentino.
Tinha toda uma galera lá para comprovar.
Já criou o disfarce. E aí, que que ele fazia lá na Síria? Chegava cheio da grana, alugava umas coberturas e fazia altas festas e chamava elite. O Epson, o Epson, o Pudim, ou Puff Daddy da minha época. Então você olha, é padrão, né, pô, cara?
Essas festas são para chantagear sempre.
E quem, quem contou essas? Eu ia falar me contou, né, mas nem me contou. Vi no Joe Rogan Experience, né? Foi o Eric Weinstein que ajudei também, que era o chefe do Thiel Capital. Aí a gente volta, né, no Peter Thiel. Ele era o chefe da empresa, de uma das empresas de investimento do Peter Thiel. E o Eric Weinstein, ele conheceu o Jeffrey Epstein pessoalmente. Ele falou, cara, Jeffrey Epstein não era uma pessoa, era um personagem.
E esse personagem é a recriação de um personagem que vem aparecendo na história durante muitos anos, inclusive o Eli Cohen. E aí logo depois que ele fala isso apareceu a série. Eu falei, caramba, achei que era uma historinha ali underground, né? Então é uma série aí para quem quiser assistir, tá lá. Não vou te dar o spoiler de como é que termina a história dele, não terminou de um jeito muito agradável não, infelizmente. Tem alguma perguntinha aí?
Eu tenho duas aqui, mas é sobre a Espanha e outra sobre a Odisseia. Já passou?
A gente vai fazer um programa sobre isso.
Perfeito.
Então Espanha também já passou. Tem alguma coisa que não foi falado aí?
As perguntas que tem o Daniel já respondeu.
Então faz uma pergunta para a gente terminar, uma pergunta sobre a vida.
Opa, aí sim, sobre a vida.
Você tem a possibilidade de perguntar qualquer coisa para a gente, cara, para o grande Daniel e para mim também. Eu tô aqui para responder, tá?
Como o Lenny tem mais sabedoria que eu, eu vou ver se ele tem alguma dúvida.
Chamou de velho, não chamou de velho.
Não sai dessa, cara.
Eu quero assim, eu sei que os livros eles podem influenciar.
Não enrola, cara, não enrola. Vai direto.
É uma boa pergunta.
Ah, isso já é a pergunta.
Você tem uma É, você tem um bom livro para me recomendar que assim vai mudar minha vida, vai mudar minha forma de enxergar o mundo?
Um livro não só para se divertir, para mudar a cabeça.
Que não, eu não me divirto com ele, mas que ele mude a minha noção de mundo assim, entendeu?
Um livro que seja chato?
Não que seja chato, realmente eu tenho que ler.
Comida de hospital ali, que é insosso.
Um livro bom, um livro bom, tá, um livro bom que mude sua vida.
Isso, eu comecei a ler ontem a A Morte de Ivan Lich. Não sei se o senhor já viu.
Sensacional, do Torquato.
Isso, me recomendaram bastante, mas eu não sei se o senhor tem outra indicação, né?
Ou indicação, suma indicação.
Ele tem mania de chamar os outros de velho, né? Já falou que o Lenny tem mais experiência, agora falou de senhor. O senhor, tô toda semana com ele aqui, altas conversas, chamar de senhor é vacilo, né? Ele é mais novo que eu, mas olha só, você não, mais novo não, muito mais novo, apesar de não parecer.
E você não me chama de senhor.
É, então não, é porque você parece que é mais novo, entendeu? É aquela história: a mulher de César não deve apenas ser séria, ela precisa parecer séria. Você é mais velho, mas parece que é mais novo. Pois é. Aí eu fico pensando, o que que vale? O que que vale mais, ser mais novo na certidão de nascimento ou aos olhos do bigode?
Eu prefiro ser mais novo na certidão.
Pô, é, chega um momento que o corpo sabe, né? Adianta você pintar o cabelo, os olhos não veem, mas o corpo sente.
Eu já vou indicar um livro, já aproveito.
Vai, vai, cara, bora, cara, que você tem que ler rápido.
Tá bom.
Fahrenheit.
Fahrenheit tá rolando, você viu, né? Virou realidade.
Ué, onde?
Anthropic tá comprando livros físicos, você viu? Tá queimando os livros e fatiando, digitaliza, depois destrói. Falei, meu irmão, o Ray Bradbury 451, é 451. Ray Bradbury, Profético.
É, esse livro é bom para você, enxergou, hein? Ele é pequenininho, viu? Você não vai demorar muito tempo. E cara, não vou te dar nenhum spoiler, mas é muito legal.
É para entrar no ritmo de leitura, eu tô procurando livros menores também, né? Acho que A Morte de Van Hitt tem 60 páginas.
Ah, mas também você não é esse, que não é esse nível que você tem que procurar. Mas esse também não é grande, então dá para você ler rápido. Outro livro aí que não seja, cara, letra grande e que seja curto.
Eu vou, eu vou indicar livros contando uma história minha. Eu, eu queria ser médico, e aí eu tava estudando para medicina, para fazer vestibular, só que minha esposa passou para comunicação social na Federal do Rio de Janeiro. E um dia eu fui lá assistir, ela falou, ah, vamos lá. Aí eu fui lá e falei, cara, Universidade Federal, né, não tem muita muita gente tomando conta na entrada, saí entrando e sentei, comecei a assistir às aulas.
E aí era uma aula do professor José Argolo, cara, falecido já, que era uma figuraça. E aí era uma, era na época, sabe o que que tava acontecendo, Vilela? Isso foi 2003, é a invasão do Afeganistão. Então tava tendo essa, isso tava em alta, Estados Unidos invadindo o Afeganistão. E eu, apesar de ser um jovem assim meio bem lá, Eu tava relativamente bem inteirado com o assunto. E aí eu me surpreendi, cara, que o cara, o cara ia dando aula e todo mundo quieto na turma, ninguém falava nada, perguntava nada.
Aí ele falou uns troços que eu não concordei, né? E eu falei, pô, ninguém vai. Aí eu comecei a dar pitaco sem ser aluno da parada, fingindo. E aí eu cheguei, ele falou assim, não, porque Estados Unidos tem a lei contra monopólio na mídia e tal. Aí eu falei, professor, mas existe a América Online Time Warner, é revistas, é internet. Aí ele, pô, realmente não tinha me ligado nisso. Aí eu pensando, eu olhando, falei, pô, eu nem sou aluno desse troço aqui, sou o único que interage.
Aí eu falei, quer saber, meu irmão, quero fazer medicina mais não, eu quero entrar para esse troço aqui, quero fazer jornalismo. Só que aí me caiu uma ficha que eu falei, irmão, tô com 19 anos, nunca li nenhum livro, vai pegar mal essa parada de eu entrar aqui sem ter lido nada.
Foi daí, cara, começou.
Eu cheguei em casa, aí eu fiz o vestibular, passei, graças a Deus. Ó, é, a galera pode achar que isso é lenda, mas no ano que eu fiz o vestibular, que eu acho que foi 2002, 2002 não, que era 2003, a guerra, é 2002, 2003, eu acho foi nesse ano que eu fiz o vestibular. Isso foi em 2002, eu fiz em 2002 vestibular e eu terminei em 2006, foram 4 anos. 2002. Aí eu passei no vestibular, cara, naquele períodozinho de intervalo entre você passar no vestibular e começar as aulas.
Falei, acho melhor começar a ler umas paradas. Aí cheguei lá na casa da minha mãe onde eu morava, olhei a estante de livro assim, olhei assim, é o Corcunhos de Notre-Dame.
Vamos lá.
Falei, pô, meu irmão, muito grande. É.
Aí eu faço isso aí também.
Don Quixote, Don Quixote é um monstro. Aí eu olhei, tinha Guerra e Paz, são 1.200 páginas, volume 1, volume 2, cada um tem 600. Olhei e falei, pô, não dá. Moby Dick não tinha não. Herman Melville tinha Os Maias, acho, essa de Queiroz. Falei, pô, não dá não. Tinha o Jogador do Dostoievski, falei também não dá. Aí eu olhei, cara, do ladinho tinha, esse é clássicos da literatura universal, tem esses livros até hoje. Primeiro livro que eu li na minha vida com 19 anos, 20 anos na cara, barbado já.
Eu olhei, tava lá contos de Charles Dickens, falei opa, conto aí eu já me viro, que é mais uns carpacciozinho ali quente. Como que é, cara? Era tudo as Pickwick Papers, as histórias eram continhos pequenos, é contos de Natal. Christmas Carol, eram essas histórias, era histórias de Pickwick, Pickwick Papers e tal. E aí que aconteceu, Vilela, você imagina Rio de Janeiro, eu já vou te indicar o livro, tá? Primeiro já tô falando contos do Charles Dickens, né, sensacional.
E aí você imagina verão do Rio de Janeiro, né, as aulas começando ali em fevereiro, quando no Rio de Janeiro tá tipo assim 67, 70 graus Celsius. Os cara botavam o ar-condicionado no zero grau da biblioteca, né? E aí que acontecia, eu entrei na biblioteca e falei, vamos lá tentar ler alguma coisa. Eu abri a história, era só história do inverno em Londres, cara, e eu tava no verão do Rio de Janeiro, só que a biblioteca tava zero grau. Eu me transportei para história, cara.
Isso aqui é louco, né, cara, do livro.
Aí eu fiquei viciado. É, eu falei, cara, isso aqui é uma passagem de avião ou uma viagem no tempo. Eu tô, eu tô dentro da Inglaterra da era vitoriana aqui, meu irmão, no inverno inglês, só que no Rio de Janeiro com 70 graus Celsius do lado de fora. Eu falei, eu sabe o que aconteceu, velho? Comecei a matar aula para ficar lendo. Eu fiz mó loucura isso.
Li muito em árvore, na goiabeira, na minha avó lá. A gente tinha uma goiabeira que tinha um lugar para sentar, ficava lá lendo, viajando, comendo goiaba e a goiabinha ali, foi um combo, né? Mas Charles Dickens mais, tô vendo aqui, Grilo na Lareira, Batalha da Vida, O Homem Assombrado, Contos de Natal.
Contos de Natal são os mais famosos, Christmas Carol. Ali tem historinhas muito legais, são histórias de ninguém, muito bom. Pickwick Papers. Na verdade, filha, aí que que eu fiz, bigoda? Eu nessa coleção dos clássicos da literatura universal, que era da tia da minha mãe, a tia Ione, tem o nome dela lá, Ione.
É bem nome de tia mesmo, né?
É nome de tia clássico, né?
Você não conhece mais nenhuma Ione hoje.
Só tia. Ione, tia Ione, que é mérito dela eu hoje ser um cara que leio. Pois é. Ela não— eu acho que ela já era falecida, ela não acabou não vendo isso. Mas você vê que um livro que você dá para tua sobrinha, o filho da tua sobrinha tá lendo e hoje tá lá no maior podcast do Brasil falando de livro por causa disso. Você vê o legado, né? Então agradecimento aí aos remanescentes da família.
Eu lembro também de muito cedo, se queira, não agora, mas daqui um tempo começar a ler Agatha Christie, cara, que você vai ser legal.
Eu lia de criança, né? Tu viaja, né?
Muito. Eu lia tipo terceira série, a professora fala, cara, você lê no Agatha Christie. E minha mãe me dava tudo para eu ler.
Sensacional. Mas também seus pais professores, né?
Professor, minha mãe e meu pai professor. Eu recebia muito livro, muito livro em casa.
Dos poucos que eu li, os que eu li foram da Agatha Christie.
Ah, então você leu? Você gosta?
A Garota do Lago lá, que é um clássico assim.
Seu pai era professor de literatura, inclusive, né?
Isso, mais para frente, né? Mais para frente, não quando eu era criança, mas depois veio, depois veio, depois, por sua causa então, influência. Não, não, para completar o orçamento, que ele trabalhava na Scania de de um período normal e à noite dava aula no faculdade.
Entendi, pô, maneiro. Então eu conheço, como é que é o nome do teu pai mesmo?
Gilberto.
Gilberto, conheço teu pai, já encontrei com ele várias vezes, sabia disso. Falei até, pô, soubesse tinha puxado altos papos de literatura, pô.
Autor dele preferido é o, putz, é um português, cara, já li 2 livros dele. Toca aí, enquanto isso eu vou lembrar.
Não é o Fernando Pessoa, nem essa de Queiroz, não, né? Não, não, tá bom. É um José Saramago também não, não, não, lá do B, é mais undergroundzinho.
Tem um livro dele que chama Mudança, escritor português.
Vou escrever aqui, eu vou ver se ele vai escrever um livro para você sobre isso, igual fez para mim. Aí, Bigode, o que aconteceu? Eu falei, pô, zerei o Contos, e aí me amarrei, né? Aí peguei o Jogador do Dostoiévski. Cara, esse livro é muito maneiro, cara. Eu indiquei para um amigo outro dia, ele achou meio triste, mas eu não acho tão triste não. E eu acho uma história de, uma história de amor muito interessante. E é claro que o cara é um jogador, é autobiográfico.
Dostoiévski era viciado em jogo também e tal, cassino. Mas aí, que que eu fiz? Eu peguei um outro que eu acho que é menor do que O Jogador, que é O Noites Brancas do Dostoiévski, que é incrível também, cara. Esses dois livros me marcaram muito, são livros tranquilos de ler, pequenos. Virgílio Ferreira é o nome Esse eu não conhecia não.
Meu pai é fãzasso, um ou dois livros dele, porque meu pai me encheu o saco.
Mas achou maneiro?
Achei maneiro. Mas ele é um escritor assim, um livro dele, se não me engano, é Mudança. Acontece o livro inteiro de, sei lá, 300, 400 páginas em minutos. É só sobre a mudança da luz que ele vê na janela, no canto assim do quarto. É a percepção dele de uma mudança de luz.
Para você que vem da arte visual, né, é Muito legal, muito legal.
Mas ele trabalha com essas experiências, tá certo? Então Fahrenheit 451 e Contos de Charles Dickens.
Isso. Ou então Noite Branca também, a jogadora.
Se você não ler isso, não adianta nada, porque a gente não pode passar outros. Então você tem uma missão aí de um mês para ler pelo menos um desses dois.
Vou terminar o que eu comecei ontem, né, que é A Morte do Ivan Illich. Ivan Illich, isso.
E esse fim de semana, inclusive, eu fui num sebo que está durante o podcast.
Vamos terminar isso, depois a gente continua fora aqui, porque o pessoal também Tem que saber das suas, dos seus problemas literários também, né? A gente começou aqui, né? A gente começou. Então é contigo agora, meu querido.
Agradecer a todos que chegaram até o final.
Meu querido sou eu, costumo dizer.
Isso, vocês dois, né? É que meu querido fica meio estranho.
Meu querido, meu querido, queridos, forever.
É agradecer a todos que chegaram até o final. Não esquece de deixar o teu like, né?
Caso você não tenha deixado lá no início.
A gente quer fazer a maldade, não consegue, né?
É muito educadinho, tudo bem.
Se fosse o Homer, já tá tacando pedra no voador Anastasia, dando tiro.
Então manda abraço para sua paixão, Dona Josefa, Ana, também tá assistindo.
É isso, então deixa o teu like, a tua inscrição, né? Ativa o sininho para você não perder nenhuma notificação.
Agradecer nosso patrocinador, né?
Exato, Elements, que tá patrocinando esse episódio.
Tem que— ô Elements, manda uma cadeira lá para o Daniel, que também ele fica bastante tempo sentado lá na sua casa.
Aí o olhinho, ó.
Essa eu não esperava, essa eu não esperava.
O olhinho começa depois de 2 horas ali, ó, já começa, o bichinho fica cheio de cacuete.
Dá para esticar.
Inclusive, logo em seguida tem Manual da Vida, né?
Ah, é? Vamos fazer o seguinte, fica aqui porque você não precisa fazer nada, já vai direto para os bastidores que a gente mostrou dentro do Palácio do Planalto, cara. Eu nunca— você já entrou lá?
Eu nunca tinha entrado, velho.
O esquema de segurança, a gente entrou em uns cômodos lá que ninguém—
Já fui a Brasília algumas vezes, mas não—
O cara liberou, não podia filmar nada, a gente foi pedindo, pô, só filmar aqui. A gente foi ganhando o cara lá e foi entrando.
Deixaram filmar, a gente chegou lá com um filmmaker, uma câmera profissional.
Entrou já com um cara com uma câmera profissional, o cara achou que era com celular que a gente filmava. Então assistam lá, porque deu trabalho. E apesar de ser curto aí, não é um—
É curtinho, né?
Curtinho, você vai curtir. Os bastidores.
Bigoda foi?
Bigoda não foi.
Foi, foi.
Ah, foi, claro, claro que foi.
Foi você, eu, Andréia e o diretor não foi porque ele estava sem costelas. Agora ele tem um álibi, ele não foi a esse show de século, ele teve que ir para Brasília contigo, pô. Atrapalhou, né?
Não tem desculpa. Então assistam aí. Logo em seguida aqui tem o Manual da Vida com os bastidores secretos da entrevista com o Lula, certo? E o que que o pessoal escreve nos comentários para provar que chegou até o final?
Coloca aí, ó, um brigadeiro a menos.
Um brigadeiro a menos, Eduardo Gomes.
E agora é com você, recados.
Valeu, Vilela. Pessoal, um abraço aí para todos vocês. Lembrando que a gente falou aqui de COVID, mas falamos numa honestidade, na moral, pô. Só mostrei aqui situações, fatos, não falei para um lado nem para o outro, não disse que é verdade, é mentira. Então tenha esse bom senso de saber quando a gente tá cravando. Quer ver uma coisa que eu cravo? Eu creio que Deus existe, eu creio que Jesus é o meu Senhor. Isso eu creio, eu tô confirmando isso, mas em nenhum momento falei que é verdade que o vírus saiu do laboratório, é verdade que o vírus não saiu.
Eu só botei aqui os elementos de alteridade, como a gente chama. Então é importante a gente exercitar o nosso espírito crítico, né, olhar tudo ali com olhares, como o próprio Luciano falou, olhares céticos, né. O ceticismo muito importante nisso, porque a mídia tem viés, nós temos o nosso viés. Eu sou enviesado para Deus, para Jesus. Então você já sabe disso, você vai tirando o que não te interessa. Então todo mundo tem o seu viés, né?
Então o meu recado é esse: leiam bons livros também. Um outro livro que eu queria indicar, uma história que até para o Bigode aqui para encerrar. Quando você falou, Vilela, desse autor Você Português, seu pai indicou. Como é que é o nome do livro?
Momento Mudança.
Mudança. Eu me lembrei, sabe de quê? Um conto do Jorge Luís Borges que é incrível também. Você gosta de Borges? Que é Funes o Memorioso. Você lembra disso aí, cara? Funes o Memorioso era o cara que ele tinha uma memória tão boa que ele, ele decorava todos os ângulos do rosto de uma pessoa, e se a pessoa virasse para ele já era outra pessoa de tantos detalhes. A memória dele era tão grande que isso impedia ele ter uma convivência social.
Total.
Então é muito legal isso, porque isso nos leva até para o cubismo, porque o cubismo é como se Picasso tivesse tirado várias fotos de vários ângulos e botado tudo junto, que é parecido com o Ciclope do Ciclope. Exato, que é todo cubista, né? É cubista, é meio Picasso.
Com certeza foi inspirado no Picasso, essa visão do Ciclope.
Não, e tem uma história interessante que eu uma lenda popular aí. Aí só o Gilberto Gil, Caetano Veloso vão poder confirmar se é verdade ou não. Mas tem uma história de que eles estavam num apartamento, numa casa, aí na época da ditadura os militares entraram e falou, ó, casa caiu para todo mundo. Ele falou, por quê? Não, aqui a gente já viu que vocês são tudo comunista. Aí falou, mas por que você tá falando isso? Qual que é a evidência?
Falou, esse livro aqui, ó. Sabe qual era o nome do livro? O Cubismo. O cara falou que era de Cuba.
É sério isso?
Tem essa lenda. Eles vão ter que dizer se é verdade ou não, né? Então Eu sempre lembro dessa história quando a gente fala de cubismo, né? Porque na verdade cubismo foi uma crítica, né? Esse estilo é horrível, parece um monte de cubo, né? Acabou virando estilo. Então, Funes o Memorioso também é uma história legal para caramba, doidaça.
Obrigado demais, Daniel.
Valeu, Vilela.
Vocês que vieram até aqui, até semana que vem com Ligando os Pontos, não é isso?
Isso aí.
Escrevam o quê? Um brigadeiro a menos nos comentários para provar que chegou até o final. Fiquem com Deus, beijo no cotovelo, tchau! Que bom que vocês vieram. Fique com o vídeo aí, logo em seguida Manual da Vida lá no Planalto.
Falou!
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