1896 - ANA BEATRIZ BARBOSA
DRA. ANA BEATRIZ BARBOSA é psiquiatra e escritora. Ana Beatriz escreveu vários livros sobre a psiquiatria e o comportamento humano, incluindo "Mentes Perigosas". O Vilela não é perigoso, mas mente que é.
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Olá, terráqueos, como é que vocês estão? Sou Rogério Vilela, tá começando mais um Inteligência Limitada, o programa onde a limitação da inteligência acontece somente por parte do apresentador que vos fala. Sempre trago pessoas mais inteligentes, mas muito mais inteligentes hoje do que eu, você, e do que você, né? E que tem uma vida muito mais psicologicamente compreensível. Pois é, psiquiatricamente.
Pois é, será que eu vou sair daqui com os remedinhos? Olha, cara, você acha que é assim? Será que eu consigo uma consulta gratuita?
Ô, ô, ô, Homer, fica na fila aí, cara, tem uma fila. Olha quanta gente vem quando ela vem aqui.
Eu tô com medo dela me mandar direto para o CAPS, cara.
É mesmo? Eu te garanto, eu te garanto que você vai sair melhor hoje. Então já prepara as suas perguntas. E as perguntas de quem?
É isso aí, ó. Deixa aí o seu like, se inscreva no canal, torne-se membro. Exatamente. E envie as suas perguntas, mas não envia qualquer pergunta. Não vai mandar um salve para tua tia de Carapicuíba. Manda aquelas melhores, entendeu? Que as melhores vão para mesa.
Pois é, hein? Vamos falar disso depois então?
Vamos.
É, Homer, você também tá comendo bola aí, né, Homer? Já entendi. Já entendeu, né? Entendeu? Então vou falar com a Ana primeiro, ela se apresentar aqui pessoal, se apresenta para o povo que não te conhece.
Vamos lá, CNPJ ou pessoa física?
Agora é CNPJ.
Pois é, vamos lá, Ana, tem o pessoal que não te conhece.
Como você se apresenta para quem nunca ouviu falar de você? Olha, é uma dificuldade, né?
Meu nome é Beatriz.
Que a gente, eu me apresento como eu sou a minha profissão, eu sou o que eu gosto, Eu sou, como que a gente se apresenta?
Eu me apresento sempre, meu nome é Ana Beatriz, eu sou carioca, primeira coisa, tem esse grave defeito. Sou uma pessoa que gosto de observar gente, sou voyeur de gente, de comportamento, e por isso acabei fazendo medicina, psiquiatria, e gosto de falar sobre tudo que envolva comportamento humano.
É isso aí, Ana. A gente tem programas aqui, você viu o quadro Alguém, eu duvido que vocês tragam esse quadro. Eu acho que a gente nunca mostrou. Pega o quadro lá pra gente, o Klaus. Aquele quadro.
Tomei um susto ali.
É, você viu? Eu acho que ela não tinha noção quanto tempo ela tinha ficado aqui e quanta gente viu o programa, claro, no canal principal, porque aí tem um monte de canais que pegam cortes e tal. A gente tem um quadro aqui que a gente coloca aqui que são as especialidades da casa. O que que são? São as pessoas que mais vieram aqui E claro que a Doutora Ana veio aqui, olha só.
Essa é a sexta vez hoje.
Encosta o quadro, não tem jeito.
É, pois é, pois é, pois é. Olha aqui, ó, ó, Rodrigo Silva, que é um querido, né, assim, tá disparado, 16 vezes e 54 milhões de visualizações. Sérgio Sacani, que é maravilhoso também, 25 vezes, 60 milhões. Nossa, Clóvis, que é maravilhoso, 6 vezes 10 milhões. Tô aqui 5 vezes 25 milhões. 5 vezes? Mas olha, muita gente boa nesse quadro.
Não, 5 é 25 milhões do programa principal, fora os cortes.
Não, não, os cortes não. Tô falando do programa.
A gente tá falando de bilhões aí, né? Ó, Fabi apareceu de novo aí, ó.
Pois é, pois é.
Mas não é legal saber disso, que as pessoas estão interessadas em conhecimento? Porque a gente tá falando, claro que é legal entretenimento, a gente também tem uma conversa solta de vez em quando, mas a gente Os programas a gente fez aqui, a gente mudou a vida de pessoas. Tem muita gente que viu o programa aqui e falou, cara, aquele programa me ajudou, me ensinou alguma coisa, me fez ver a vida diferente. Como que você se sente?
Eu me sinto muito bem, até porque é a primeira vez que eu vim aqui, foi uma sexta-feira, eu não tinha noção do que era podcast. E começar, é a primeira vez que eu vim aqui, eu me lembro, foi uma sexta-feira, você veio e falou assim, eu tenho um jantar com uma amiga, jantar nos jardins com os amigos, tipo Uma hora depois, né?
Eu falei para o Lenny, falou assim, ah, é que se você for na televisão é uns 20, 30 minutos, aí eu vou ter até uma hora.
Uma hora, cheguei 7, falei, Lenny, 8:15 você me chama um táxi. E o Lenny olhou para minha cara, eu falei, tá, mas você me avisa. Quando eu fui ver, a gente ficou 3 horas, sei lá, em alguma coisa que eu não tinha noção do que tinha acontecido e não sabia da repercussão que seria a partir daquilo, né? Não sabia, não sabia, não tinha ideia, porque tava acostumado com televisão, Jô Soares, televisão, quando me davam 20 minutos, era um estouro de tempo.
Ou seja, você deu muito certo. 20 minutos na televisão é porque gostaram muito.
Eu me lembro a primeira vez que eu fui no Jô, ele me deu 20 minutos, e aí ele chegou assim: você pode ficar para mais um bloco? Aí eu falei: posso. Mas eu não tinha muita noção, né? E eu vou te dizer, eu fui feliz assim nas experiências que eu tive em televisão. Algumas vezes do Jô, algumas vezes de Marília Gabriela, Ana Maria Braga, fiquei um tempão.
E a gente tá no mundo diferente, né? Esse mundo não existe mais, nem vai voltar, onde você, onde todo mundo assistia a mesma coisa, ouvia a mesma coisa. Se uma música tava fazendo sucesso, ela fazia sucesso para todo mundo. Se o cinema, Globo de Ouro, não, na novela alguém falava alguma gíria, todo mundo usava. Hoje em dia tem tantos grupos diferentes que meu filho tá formando aura. E aí eu não sei o que que você sabe, que é o Six Seven.
Não significa nada, literalmente. Eu posso que tá com você no meio da nossa conversa.
Mas é só para encher o saco do adulto e a gente achar que é alguma coisa.
Mas isso eu acho interessante, porque assim, se a gente pensar bem, adolescência, pré-adolescência, adolescência, olha só, que ano será que é, hein?
Mais ou menos para ter uma ideia, porque o Jô não tava tão velhinho ainda.
Não, tava bem. Eu fui no Jô algumas vezes Essa foi uma das primeiras então? Não, essa foi acho que penúltima, se eu não me engano.
Porque quando eu fui ele já tava bem velhinho já, tava cantando com dificuldade já.
Não, ele tava bem. Então entre 2003 e 2024 foi muita coisa legal, muita coisa. Que cara generoso, né?
Muito, né?
Cara bacana.
Eu lembro dele, não esquece que a gente vai falar do 6x7, né?
Não, vamos falar do 6x7.
Mas eu lembro que assim, eu fui com o Mundo Canibal e a gente tinha feito uma animação em homenagem a ele. Ele sabe que ele, olha o que ele pensou. Eu não vou mostrar essa animação porque senão as pessoas vão achar que vocês não têm talento. E eu só chamei vocês porque vocês fizeram uma animação comigo de personagem. Então assim, ele tinha essa cabeça assim, ah, eles me puxaram o saco, então chamei eles. Não, porque a gente tinha feito uma animação e colocou ele.
Entendi, entendi, entendi. Mas você sabe que esses grandes da TV, eles têm esse pensamento. Você sabe que uma vez eu fui na Ana Maria, eu era consultora do programa, e fui no Natal perto do Natal. Aí eu me lembro que eu cheguei lá, era uma árvore, mas toda decoração azul e branca. Eu achei deslumbrante aquilo. Aí eu, daqui a pouco, ela chegou, falei: nossa, tá lindo, Ana! Ela falou: mas vou mandar tirar. Eu falei: como assim você vai mandar tirar?
Ela: porque a gente não pode fazer isso, porque faltam 10 dias para o Natal e a gente tinha que ter avisado os comerciantes que a gente ia fazer uma decoração azul e branca, porque as lojas não compraram azul e branco e as pessoas vão querer. Eu vou quebrar o comércio popular. Então eu vou mandar tirar tudo hoje e botar verde e vermelho. Cara, eu achei isso genial. Ela falou, eu vou criar um desejo no público que não vai ter. Exatamente.
Então existia essa coisa do pessoal da TV ter esses cuidados Porque era o marketing mais poderoso, era a venda mais poderosa. Hoje as coisas são muito por tribos, né?
Você falou, é estranho, né? Porque as pessoas que são mais sábias, que já tiveram ou tem muito poder, são as mais generosas e as que mais estão a fim de dividir conhecimento.
Eu tô falando isso porque eu fiquei 5 horas com o Boni.
O Boni Eu acho que ele sabe da dimensão dele, mas ele não tem a noção real. E os filhos, o pessoal todo preocupado, olha, ele não consegue falar muito e tal. E eu preocupado, porque ele não parava de falar.
E eu falando assim, cara, ele tá doido para falar, ele tem história para contar.
4 horas eu falei, eu vou deixar ele falar. Eu tinha lido os 2 livros dele. Aí também a gente fez anteontem 3 horas com o Carlos Alberto de Nóbrega, 90 anos. Ele chorou, lembrou de histórias.
Agradeceu.
Como que um cara que é o Carlos Alberto te agradece por ouvir uma história dele? Ele não tem noção do que ele tá fazendo. O que ele tá dividindo tem tanto valor que eu falei, por que você não coloca isso em palestra? Quem vai querer escutar? Quem que vai querer? Meu, eles não sabem do tamanho, não. E não sabe que essa vivência ela tem um valor, com certeza, ainda que seja uma história sua. Isso fala, quem que, para quem que tem interesse?
Eu tive o prazer de levar no podcast Cid Moreira. Cara, nós fomos até ele, né, na casa dele em Petrópolis. E aí, que maravilha! Ele contando a época que era campeão de cartas, né? Nossa, Jornal Nacional, ele era o galã, podia sair, tinha que ter segurança, as mulheres atacavam. A voz, a voz, a mesma educação maravilhosa. Mais ou menos um ano depois ele veio a falecer, mas foi uma honra assim.
Esse é um cara que Queria muito, foi uma honra.
Que cara, gente boa!
Não vi essa entrevista, vou ver.
É, que cara, gente boa!
Mas voltamos agora, vamos lá, vamos ao 6/7. O que que é?
Olha, 6/7 não significa nada, né? Veio de uma música, né, da garotada, uma música bem famosa de um rapper, eu acho, e não significa mesmo nada. Mas quando todo mundo fazer esse movimento, tem que ser assim, cria uma conexão dessa geração. Aí as pessoas ficam lá, maluquice, gente, nós também tivemos isso. O que muda hoje é o alcance que isso tem, né? E essa linguagem secreta, né, dos adolescentes, porque 67, 67, aí você fala, o que que é isso, né?
É só para despertar isso. E na adolescência você tem essa coisa do pertencimento, você tem que pertencer.
Eu lembro disso, eu lembro que a gente tinha umas brincadeiras que só a gente entendia. Eu lembro que eu chegava para outro cara, tomou na orelha, e meu pai, que é tomou na orelha?
Era só isso.
É exatamente Tomou na orelha. Fala, bicho!
Fala, bicho!
Cinema, fala, bicho!
Uma coisa que você lembra de criança, que só você, sua turma falava?
Ah, falava muito mano, né?
Ah, tinha o cuecão, você dá cuecão de puxar cueca, sabe?
Eu lembro uma coisa que era do Bronx.
Que do Bronx falava?
Do Bronx era algo que era muito legal. Poxa, do Bronx!
Ah, do nada falava do Bronx!
Nossa, do Bronx!
É legal, tá vendo? E passa, né?
É, eu tô gague. Agora eu tô gague, tô chocada, tô gague.
É, cara, a gente tem um funcionário que é geração Z, né? A gente foi falar para ele cringe, falou, ah, cringe já é cringe, fala cringe agora.
Já tá ultrapassado, já tá ultrapassado. Exatamente.
E meu filho é esse negócio, ah, foi de base, foi de base, foi de base, agora foi de base, spawnar. Aí é muito louco, não, eu spawnei. Ele spawnou, é coisa de jogo, tudo vem de jogo, tudo vem de jogo.
O farmar aura também, né, vem de jogo. Mas eu acho interessante porque farmar vem do jogo, de você conseguir os pontos, vem também do cultivo, né, que eu acho bem interessante, das fazendinhas. Então assim, é farmar. E aura sempre teve uma coisa assim, a energia da pessoa, a vibe que ela passa. Então farmar aura eu acho uma expressão bonita, apesar de ser usado com desconexão, mas eu acho legal, formou um negócio legal, né. Exatamente.
Agora, ali tem uma coisa de você ter que curtir, curtir, curtir, chamar atenção, né?
De você se destacar dos outros, de você se destacar dos outros. O cara fez uma coisa lá absurda, meu, farmou aura, farmou.
Tá atípico, mas eu acho assim, todas as gerações vão ter.
Eu sou fascinado, sou fascinado por criar conexão e entender padrões assim e porque eles acontecem.
Eu fico só, homem, depois, né? São muito rápidos e fica a lembrança, né? Fica, fica a marcação de uma geração. Você lembra que tinha uma época que o pessoal tomava Tomaos, Tomaos, Tomaos, Tobé de Tomaos, né? Tinha umas coisas muito bobas também, mas que vale a pena lembrar.
Doutora, posso fazer uma pausa então para falar com o pessoal? Vamos, porque a Fabi agora está aqui, então quero falar com você, terráqueos e terráqueas. Dica boa para você que trabalha por conta, recebe no Pix, mas ainda não abriu um CNPJ, porque enquanto tá todo mundo no boca a boca, beleza. Mas imagina se aparece aquele cliente novo, aquele que você tá prospectando há um tempão, e ele pede nota fiscal.
Aí complica, né?
Complica, né? Fica sempre aquele pensamento: putz, vou ter que mexer com contador, papelada, imposto. Eu sei, só de ouvir essas palavras já dá vontade de fingir que nem viu. Só que hoje eu tô aqui para dizer que tem um jeito muito mais simples de resolver isso. É só contratar a Contabilizei. A Contabilizei faz tudo online para você: abertura do CNPJ, ajuda a entender qual tipo de empresa faz mais sentido para o seu trabalho, emissão de nota fiscal e organização dos impostos num lugar só.
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É isso, é isso aí.
E também, meu caro consumidor, você sabia dessa? Existem sacos de lixo feito com plásticos retirados do mar. Isso mesmo, a linha Embalixo Oceano nasceu para dar um novo destino a materiais que infelizmente foram descartados de forma incorreta e acabaram poluindo rios e oceanos. Sabe aquele plástico que muita gente esquece na praia depois de um dia de sol? Você não é dessas pessoas não, né?
Eu não, eu recolho tudo.
Ah, tá. Pois é, pode, ele pode voltar como um produto útil e ainda pode ajudar o planeta. Além de cuidar da sua casa, você também contribui com uma iniciativa que apoia o Instituto Argonauta, parceiro em diversas ações de limpezas de praias ao longo do famoso Projeto Tamar. Ou seja, sua limpeza rende ponto extra com o meio ambiente. Então já sabe, na hora de fazer suas compras no mercado, escolha embalicho e não aceite paralelos.
Ó, eu tô vendo você querendo usar sacolinha ao invés de usar saco de lixo. Vai de embalicho, facilita sua vida, porque saco para lixo tem nome, que é—
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How do you say where's the restroom in Spanish?
Dónde está o banheiro? Hey Meta, is a hot dog a sandwich? Technically no. Spiritually yes. Hey Meta, what should I do with my life? That's one of life's biggest questions.
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Juntos por um oceano mais limpo e tem presente para doutora.
Que beleza! Vamos lá. Embalicho. É. Olha, todos os tamanhos.
Exato.
Que maravilha!
Tem cheirinho, né? A Fabi falou que tem cheirinho.
Tem uns que tem, né? Vou usar, mas vou usar mesmo. Não sabia, gente, que bom!
Obrigadão, obrigado! A gente tava conversando o quê aqui, doutor? Que toda vez você vem mudou alguma coisa aqui.
Agora temos uma privada que fala, uma organização aqui que eu tava vendo tudo limpinho, a mesa de sinuca tá limpa.
A gente vai gravar um dia lá naquilo lá, tá? Naquele outro cenário ali.
Dá uma coisa de público, né?
Dá, dá. A gente vai ter uma pessoa para fazer pergunta ao vivo.
Eu acho bem legal.
Posso dar mais um recadinho só então?
Vamos, vamos aí.
Mais um recadinho, ó, cara. Recado para você que tem uma empresa, ó: todo empresário foca em faturar mais, mas de onde vem, para onde vai aquele lucro depois que entra no caixa? O CNPJ rala, mas o CPF não cresce, porque a maioria não sabe transformar o caixa em patrimônio, não é, Homer? Tem essa dificuldade. E para resolver isso, o que que aconteceu? O G4 e o Grupo Primo se uniram e vão lançar o Lucro 2X. De um lado, Thales Alfredo e Nardon com gestão e eficiência.
Do outro, Thiago Negro e Bruno Perini com alocação de capital. E olha o timing, no dia 11 de agosto, presta atenção, às 20 horas, também conhecido como 8 horas da noite, eles realizam uma live no YouTube para entregar o plano exato para multiplicar o seu lucro. E quem estiver ao vivo terá acesso a uma oferta e bônus exclusivos, mas só daquele momento. Quer ver o resultado da empresa refletir no seu bolso? Então aproveita a oportunidade, escaneia o QR code que tá na tela ou clica no link da descrição para se inscrever para essa live. É um encontro só, G4, para quem quer mais, muito mais. Exato, doutora.
Depois a minha mãe, eu soube que ela vai me mandar um recadinho.
Vamos lá, vocês têm uma amizade que eu tenho, eu tenho ciúmes aí, que minha mãe ela fala, mãe, é melhor de você do que de Ah, mentira! É verdade, ela é fã demais.
Ela é super mãe.
Ela fica me jogando, ela fala: a Doutora Ana curte minhas fotos, você não curte.
Mas eu curto fotos dela, eu vejo ela lá indo ao cinema, peça de teatro, ela no campo, ela no campo. Exatamente, a gente é amiga.
Ela sabe curtir a vida, não sabe?
Sabe, sabe.
Ela gosta de cinema. Você viu Odisseia já?
Não, não, ainda não vi. É legal?
Muito bom.
Eu tô para ir ao cinema.
O que que você faz no tempo livre?
Olha, eu gosto de ler, né? Eu ultimamente eu gostei mais de ler ficção ou dentro da tua área? Geral, geral, geral. Não tem, não tem esse preconceito não. Eu gosto de ver alguma seriezinha, alguma coisa, mas pouco.
Tem uma série que você tem que assistir, hein?
Qual?
Ruptura, por exemplo.
Ruptura, né?
Não vi, cara. Vai, pô, é bom porque tem Quer que eu te dê o que é?
Spoiler? Quero.
Não, não é spoiler, é o que a série tá. É assim, uma pessoa ela vai trabalhar, ela vai para o seu trabalho. Então você imagina que eu estou indo para o meu trabalho, eu entrei no elevador da empresa, apaga minha memória total da vida de fora e zera, e eu só tenho memória do que acontece lá dentro. Ou seja, dentro da empresa eu sou uma pessoa com uma cabeça quase de criança, eu só lembro o que acontece, eu não sei Se eu tenho filho lá fora, se eu sou casado, onde eu moro.
Quando eu saio, eu não lembro nada que aconteceu lá dentro. Que loucura! É muito louco, é muito louco. Só que aí começa a dar umas, sim, algumas fases.
É interessante, é muito interessante que é possível acontecer um dia.
A pessoa tem um trauma, ela não quer lembrar durante o trabalho, durante 8 horas ela esquece totalmente. E aí lá fora ela lembra.
Bom, vai virar um compulsivo para o trabalho, né? Exato, exato. Eu acho que qualquer empresário faria isso, né?
Não deixa de ser uma metáfora, né? Muita gente, muita gente usa o trabalho, muita gente usa vício para— vamos a partir disso, né?
Esconder algum vazio, né? O que fazer?
Eu durante muito tempo eu acho que eu usei o trabalho pesado para esconder algumas coisas. E aí quando vem também aquilo que você tá tentando afastar ou esconder, é aquela coisa que vai, o copo vai enchendo.
Olha, Você tava falando o que que eu faço. Ultimamente eu tenho gostado muito de ter ócio. É ócio mesmo.
Eu consigo. É não fazer nada?
Não, não, não, não, não. Ler já não é ócio. É não fazer nada, é observar o que tá em volta. Outro dia— e tem uma coisa, quando você exerce o ócio com dedicação, você começa a ter uns pensamentos muito doidos. Tipo, semana passada eu tava exercendo um ócio Depois eu fiquei doente 2 meses, fiquei muito chateada. Quando eu voltei, eu falei, quer saber de uma coisa? Luxo vai ser cuidar de mim, vou começar a ter meus ossos novamente.
E aí eu não tava fazendo nada, daqui a pouco me veio uma coisa assim, caramba, se tudo, se tudo, se tudo é uma grande— lembrei do Big Bang— se tudo é uma grande explosão de energia, estar vivo requer um combustível muito grande. Né? E aí eu comecei a pensar, se morrer não seria exatamente desconectar com uma fonte de energia maior?
Pera aí, pera aí, vamos lá, eu quero entrar na tua viagem, quero entrar na tua viagem.
Através do Big Bang você pensou que uma explosão de energia, então uma vida material requer um gasto de energia muito grande para que você se mantenha nessa energia. Por isso você tem que se alimentar, por isso você tem que fazer uma opção de coisa. Mas eu fiquei pensando pensando que se a gente reduz a nossa matéria, sempre dizem que você não reduz, o que você reduz é elétrons, porque você não, o elétron não desaparece. Então assim, será que reorganiza?
Você reorganiza. Será que é muito pouco a massa do elétron? É muito pouca. Será que o tal véu ou a matéria desmaterializada ainda assim guarda algum tipo de partículas? E será que isso não seria a coisa de conectar? Porque olha só, um ser humano, a gente tem mais ou menos 7 centilhões de átomos. Isso, se for gerar energia, se cada átomo gerar energia atômica, isso dá energia para manter uma cidade como Porto Alegre 6 meses.
Caramba!
Então a gente tem um potencial energético tão absurdo que a gente não usa.
Matrix, né?
Exatamente, que foi usado no Matrix, mas que a gente não usa. Então eu fico pensando, a gente tem um poder de energia muito grande para manter esse corpo. Será que a morte não seria alguma coisa de desconectar e ficar com só com a parte de elétrons? São viagens que talvez um dia a gente escreva uma ficção dentro disso. Mas isso só o ócio me dá.
Eu gosto desse exercício, eu gosto desse exercício, eu não consigo fazer isso. Falta disso, por isso que eu comprei uma casa na montanha, porque lá eu consigo ficar olhando para montanha e pensando.
Esse é o ócio criativo. Esse era o que o autor do livro, né, o Damasi, Damasi, Damasi, Damasi, esse é o ócio criativo.
O ser humano é aquela imagem do cara sentado debaixo da árvore, cai uma maçã e ele pensa sobre a lei da gravidade.
A lei da gravidade. Aí você lembra de Newton.
Ou eureka na banheira.
Por que que a gente hoje tem tanta tecnologia?
Mas eu tenho essas viagens quando eu tô tomando banho.
Não, tomar banho também, mas é algo—
Porque tem uma banheira, meu filho gosta de tomar banho na banheira comigo, então a gente enche lá, ele fica lá, a gente não, e eu fico viajando lá e ele lá também fazendo joguinho dele, brincando.
E tal.
Na banheira eu viajo.
É um ócio, mas assim, o ócio criativo mesmo, chega uma hora você tem que estar desconectado de todo mundo, que é uma coisa mais difícil. Se você pensar hoje, é que Deus, onde estão os grandes gênios? A gente tem grandes gênios até o início do século passado, concorda?
A gente tem os caras que pagam para os caras pensarem e eles saírem como gênios. Mas eles mesmos não são aquelas figuras que entendem muito de muita coisa e fazem aquilo acontecer. É um Bill Gates, é o cara da Apple, é o Elon Musk, que ele, ele é um cara visionário e contrata pessoas, mas não é, não é aquela figura Leonardo da Vinci, Einstein.
Qual foi o último caso?
Talvez É, Tesla, se ferrar.
Tesla tem todo o perfil daquele cara esquisito que vivia.
E hoje tem se falado muito dele porque coisas que ele imaginava que era possível, e o pessoal ria, né, da energia ser transmitida, a eletricidade ser transmitida pelo ar. E não sei, ele tentou muita coisa louca, né?
Tentou. Mas esse, o que que acontece?
Que hoje você não tem, as pessoas não têm espaço para isso, porque grana é lucro, a empresa quer que aquilo dê resultado.
Não, e não é só isso, as pessoas não param. Você, as pessoas vão ocupando o seu tempo com celular. Por exemplo, eu tava vindo no avião para cá, do meu lado tinha um cara, eu tava no meio, na 6B, né, foi o que tinha. Eu tava aqui e na frente 3 caras também. Eu era a única sem estar usando celular. Todo mundo, o da frente tava usando 2. Ué, um ele responde WhatsApp da frente aqui na janela e o outro ele tava vendo uma série ao mesmo tempo.
Eu falei, nossa, cara, não pode, mas dispersão, galera assistindo jogo de futebol e comentando no Twitter.
Exatamente.
No cinema a galera não consegue ficar 2 horas sem mexer no celular.
E isso me deixa uma sensação de que a gente tá perdendo essa característica humana nossa.
A gente não tem mais tédio. Eu lembro que ficar na fila fila do banco era insuportável, não passava o tempo. Hoje com o celular você não sentiria tanto tempo passar.
É, mas a gente tá desconectando das coisas, porque assim, lidar com tédio também é interessante.
Lembra, por exemplo, você tem que lidar com tédio no elevador, chegar uma pessoa, você tinha que conversar ou interagir. Hoje você tá mexendo no celular, você não precisa interagir. Uma balada, você ficava num canto e tipo não tinha um celular para mexer, você tinha que fazer alguma coisa, né?
Não, é surreal isso. As pessoas estão perdendo essa característica de conexão. Não é à toa que tem um termo, acho que é o share, que é o olhar da geração Z, é um olhar que é um olhar de não conecta com outro, sabe o nome? Eu acho que é essa, H-A-R-A. É só esse olhar da geração Z, é um olhar que não conecta com outro. Por exemplo, você vai numa loja, na nossa época época os vendedores vinham: nossa, você quer isso? Quer aquilo? Você chegava, eu tô aqui, viu?
Eu tô aqui, qualquer coisa eu tô aqui. Ó, tem esse negócio.
Eu me lembro que eu falava assim: não, pode deixar, pode deixar. Eu sou muito objetiva. Eu, na hora que eu gostar, eu vou te chamar. Como é seu nome? Aí eu sempre fiz isso. Hoje você chega numa loja de geração Z, é muito engraçado, eles ficam ali, é um olhar do tipo assim: você não sabe se dá bom dia, dá boa tarde, a pessoa trabalha lá. Não, você não sabe nem se a pessoa tá olhando para sua cara, a pessoa fica assim. Então assim, eu acho que a gente tá perdendo um pouco de conexão.
É humanidade, eu acho, tá perdendo algumas características que eu também acho que é passageiro. É, eu acho, por exemplo, essa coisa de inteligência artificial, que é o termo, estar, estar, estar, estar, exatamente isso. Eu fico pensando se as pessoas não estão tendo algum tipo de visão. A gente tá no auge dessa desconexão, né? A pandemia também sacrificou muitos adolescentes que estavam entrando na adolescência ali, na questão da relação.
Mas eu fico pensando se a gente não tá deixando de ter a coisa mais basal: somos seres sociais. A conexão nos fez, a conexão fez a gente chegar até aqui.
Concorda com Sapiens, o livro Sapiens, que concorda que o que o Homo sapiens venceu por essa capacidade de conexão, apesar de não ter o cérebro maior, de não ser o mais inteligente talvez, mas essa conexão de trabalhar em comunidade, o lance da fofoca, colaboração, colaboração e fofoca, fofoca, porque a fofoca Exatamente. O pessoal esquece a fofoca.
Como a gente vê isso?
Fofoca é você se interessar pela vida. Você viu que a Ana cortou cabelo? Ah, não sei o quê. É você se interessar pelo outro.
E não só se interessar, porque quando a gente tinha tribos, tribos atacavam outras tribos.
Você tinha que ter uma conexão forte.
Você tinha que ter uma conexão forte.
Por que que eu vou proteger essa tribo contra aquela? O que que me faz pertencer a essa?
Exatamente. Então quando alguém também tinha uma informação do outro lado para caçar, você era o bom fofoqueiro. Exato, você tava passando.
Eu ouvi dizer que tem uma tribo que tá chegando mais perto da gente aí.
Exatamente. Então assim, a fofoca, que tem muita gente que acha que é só para o ruim, a fofoca começou como uma necessidade de ser humano fazer conexões sociais e proteger o seu grupo, né? Não é bem assim. Se bem que hoje a fofoca é diferente.
Isso que eu quero falar, porque existe um prazer na fofoca, existe indústria da fofoca, e essa indústria é imensa.
Não é à toa que são os perfis mais bombados e vistos.
Lado bom e lado ruim. O que que é a fofoca? A gente deve se proteger? Porque a gente gosta de fofoca.
Olha, fofoca é humano, tá? Todo mundo já fez, faz e fará. A questão é a intensidade e se você não tá distorcendo as coisas. Porque assim, você falar de alguém, eu aumento um ponto, né? Aumenta um, dois ou três. Porque tem gente que fala assim: não, eu vi, eu tava lá. A pessoa nunca botou o pé aqui, ela ouviu dizer, ela já garante que viu. Então o grande problema, o homem era assim, o grande problema da fofoca é quando isso vira um vídeo.
Deixa eu te falar uma coisa, tá? Uma fofoca aqui, não conta nada para Fabi. Você quer, você quer contar um segredo? Não conta para Fabi. É ou não é, cara? A Fabi, ela libera, ela libera tudo. Ela guarda, ela libera na hora certa. Ela guarda aqui, falar, Fabi esqueceu, ela nem limpa. Na hora certa ela fala, ela vê você assim, quando, ah, Vilela, e aquilo não sei o quê e tal, assim, pô, mas é ela que organiza isso aqui tudo, tá certo? Porque ela conversa com todo mundo, ela sabe tudo de todo mundo.
Exatamente. Mas ela usa estrategicamente, ela tem poder, ela tem poder sobre todo mundo aqui, porque a fofoca também tem isso. Exato. Agora, a fofoca em geral todo mundo vai fazer, todo mundo já fez. A questão é que muitas pessoas fazem a fofoca para se sentir superior. Então é aquela fofoca que você pega a vida de alguém e só fala o que a pessoa tem de ruim para mostrar seu— como eu sou melhor. Olha, aquela atriz, aquela Tá vendo? Já fez isso, isso, isso.
Mal separou, já tá com outro cara.
Exatamente, porque tipo assim, tá vendo? Depois se eu fizer, não vão dizer, porque o outro já fez. Quando a fofoca tem esse objetivo de fazer você se sentir melhor por você, porque o outro tá— aí eu não acho tão legal. Ela é muito usada nesse sentido, ela é muito usada na pessoa tentar se valorizar e desmerecer o outro, né?
É porque aí ela começa a virar mentira, né?
Começa começa a virar mentira, começa a virar justificativa para atos.
No que eu imagino, é uma história que você, apesar de exagerar, ela é verdadeira quando existe uma ética, né?
Você mantém a verdade, porque tem fofoca assim, muito estranha aquela pessoa.
É a tua opinião?
Sim.
Você viu o que ela fez no cabelo? Tá muito estranho o cabelo dela. Aí é uma opinião, vocês deu uma exagerada para valorizar sua fofoca. É quase que uma, é quase que uma forma de você iniciar um papo sobre aquilo, e aí você vai falar o que é a história.
É que em última instância é uma maneira de socializar.
Por exemplo, agora tem muita essa coisa, manicure, salões de beleza, né, barbeiros, barbeiro, é ambiente. E eu acho que desde os tempos antigos tinha os lugares onde as pessoas iam para saber do que tava acontecendo, praças, não é, onde circulava as coisas.
Mas isso faz parte de você tá naquela tribo, você tá naquele bairro, a fofoca.
É que hoje tem mídia, mas antes as coisas aconteciam, a sociedade mudava assim. Ah, estão dizendo lá, você viu, não sei o quê. E aquela vira murmúrio, vira boca a boca, e é uma coisa acontece.
Mas você sabe que é uma coisa que eu faço muita palestra, né, pelo Brasil, e vou para muito Nordeste. Às vezes você vai para uma palestra no Sul Você vai para sertão mesmo, eu adoro.
Que tipo de palestra você faz?
Os títulos, sobre comportamento, sobre comportamento, eles que escolhem. E aí eu tive no ano passado, em novembro, eu tive em Portugal, voltei, fui direto para Cajazeiras, que é sertão da Paraíba. Eu saí de 4 graus, peguei 39 entrando no palco às 21 horas.
Sensação inferno, sensação térmica de inferno.
E sem ar-condicionado, sem nada, é tudo ali, né? E eu achei tão legal porque no caminho você passa por várias cidadezinhas.
Inacreditável, né?
É, aquilo é Brasil. Tudo tinha coretinho, tinha uma decoração, tinha sempre duas ou três velhinhas com a cadeirinha fazendo a fofoca de todo mundo. E o carro passava e tinha quebra-mola, elas faziam assim, como que diz, não é daqui.
Não é daqui, do normal, gente. Isso é muito— eu sou do interior também, cara.
Interior é assim. Exatamente. Você viu que não sei o quê, não sei o quê, não sei o quê. Mas que é uma maneira de manter aquela cidade protegida, porque se for alguém que chegou muito esquisito, olha, tem alguém esquisito aí, chegou no carro tal, tal, tal, tal, negócio já passa para frente. Então assim, a fofoca, ela quando é bem intencionada não tem problema. O negócio é quando a fofoca é feita para sempre diminuir o outro. Isso não é tão legal, porque você, ou então você pega sempre uma fraqueza do outro e vai lá, não, mas fulano também, olha, faz isso, isso e isso. Fulano também, ó, papapá. Isso eu não acho legal.
E essa fofoca institucionalizada nesses canais grandes de fofoca, onde as pessoas vendem histórias para jornalistas, vendem coisas de traição, de de, sei lá, de manipulação.
Dizer, por incrível que pareça, na nossa sociedade, eu antigamente se vendia, né? Era o garçom, era não sei o quê. Hoje eu tô achando são as próprias pessoas que ligam para dizer.
Eu acho que tem as duas coisas. Ainda tem gente que vende foto, vende imagens, que nem aquela que circulou, né? Lembra na época da Copa? Temos imagens do cara com amante que levou para o México e a mulher tá no Aí não foi. Agora, agora tem a desculpa perfeita: não, é IA. Eu vou usar muito essa desculpa na minha vida para tudo assim. Se vocês me virem em alguma situação errada, eu de cueca, não sei o quê, olha, mas tem como verificar se é IA, hein?
Se eu fosse você, eu pensava. Agora tem uma coisa que eu acho bem legal, que é a fofoca inversa ou retrógrada.
Só que você falou, é, as pessoas vendem mesmo, avisam que vão estar em algum algum lugar e vamos fazer alguma coisa para sair, né?
Exatamente, para bombar. Então assim, tem que ter muito cuidado, porque assim, toda vez que aparece um vídeo mirabolante, eu fico pensando quem filmou, como que tinha alguém vendo isso aí. As pessoas não se perguntam isso. É que nem pessoas que recolhem bichinhos. Poxa, mas quem tava filmando isso? Verdade. Então a gente tem que ser menos ingênuo, porque assim, você quer resgatar um bichinho, fala assim, gente, olha, eu tô aqui eu vou pedir para filmarem porque eu quero levar esse bichinho.
Outra coisa, outra coisa polêmica: pessoa que se filma chorando. A pessoa tá numa emoção tão forte que ela fala: peraí, deixa eu pegar o celular.
Já vi isso acontecer, colocar no suporte. Já vi isso acontecer. Então eu não acho legal, sabe por quê? Uma hora isso vem à tona, uma hora vem à tona, porque você não pode brincar com o sentimento dos outros. Porque toda vez que você quer fazer muito impacto, e as redes sociais valorizam isso, valoriza, você vai para o lado emocional. Porque o racional faz você falar assim, peraí, como é que essa pessoa tá chorando tanto espontaneamente e se filmando?
E aí, o celular tava ligado na hora, na hora exata.
Então assim, eu acho que as pessoas não são bobas.
Vamos falar disso também. Você ia falar de alguma coisa antes? Quer? Qual? Posso, posso falar da superexposição? Qual o problema da superexposição? Eu tenho muito medo de cair nesse, de passar um pouco do limite às vezes, porque para mim qualquer coisa já é um pouco mais superexposição. Às vezes eu posso, foto eu, meu filho, fala, deveria, não deveria? Às vezes eu deleto. E as pessoas não têm limites para se expor tudo. Tem gente inclusive que monetiza, e eu entendo quem monetiza isso, até entendo.
Ela vende o lifestyle e as pessoas não entendem que aquele lifestyle é editado, é um produto editado, é um produto editado. Ela não vai mostrar tudo, ela tá mostrando o que ela acha legal, inclusive um perrengue. Mas o perrengue até pode ser também, também pode vender coisas.
Exato, tropeçou, o produto entendeu, pode ser um negocinho para botar numa escada.
Estamos na época da superexposição, estamos na época da superexposição, nada é seu, seus dados estão estudos com as big techs, o pessoal tem acesso. O telefone tá escutando a gente, tá oferecendo, não precisa nada.
A gente teve aí uma ação daquela empresa Altman, da Iris, né, que foi no metrô.
Você entendeu isso?
Eu entendi.
O que que eles queriam?
Uma empresa que é a mesma do ChatGPT, né, botou uma série de máquinas no metrô aqui em São Paulo. E aí a pessoa passava, que que é isso? Ó, você não quer tirar uma da íris, você tirou uma foto, R$300.
Por que não?
Por que não, né? O que que vão fazer com esses dados? Porque olha só, você perdeu o seu celular, você troca a senha do celular, compra outro celular. Você perdeu o seu cartão, você troca, cancela, manda vir um outro cartão. A íris, isso é biológico, você não troca.
E é única, né?
É única.
Cada ser humano tem uma íris.
Exatamente. Então como é que você faz?
De alta qualidade de uma íris, que é uma das imagens mais bonitas que eu já vi na minha vida.
Cara, é maravilhoso!
O que que você tá com essa cara, Klaus?
Por quê?
É, então ele tava super empolgado. Ainda bem que não é por mim. Então ele super apaixonado olhando para você, olhando por mim, viu? Cara, é muito interessante.
Parece o universo, já viu? Muito interessante, cara. Imagina O que a gente não sabe, que eles já devem saber, que em relação a isso, porque você pode fazer tudo em seu nome, porque é você, não tem outra coisa. Porque é melhor do que o Ministério Público de São Paulo multou agora, proibiu, proibiu, e houve uma multa pesada até. Não sei o que que vai fazer, se vão recolher esses dados.
É, mas se a gente for pensar, não tem mais como, celular tá te lendo, né?
Ele tem uma infravermelho, mas aí íris.
Acho que não chega a pegar uma qualidade boa.
Não, porque quando você faz aquela identificação para virar para cá, vira para lá, você tá fazendo um formato de face, né? Não chega a ser íris. Pois é, a íris já é uma coisa que não dá para mexer. Tanto que se você faz assim naquela identificação de face e você não põe o ângulo certinho, ele nem entende, ele nem entende.
Ele tá nem essa imagem não, viu? Essa é bonita também. Mas tem umas imagens bonitas de camadas assim, você vê, parece um lago com várias camadas, o universo assim. Tem várias imagens de íris bonitas, mas olha que fantástico isso. Mas tem umas que tem o universo dentro delas, parece aquelas bolinhas de gude, sabe?
Parece bola de gude, você falou uma coisa séria. O corpo humano é uma coisa fantástica, é tão fantástico que eu acho, por exemplo, não tô falando aqui de nenhuma religião, Mas é inacreditável você não acreditar num designer superior, um milagre, sei lá, porque assim, de alguém, porque assim, você pode dizer a inteligência artificial hoje cria uma porção de coisa, mas foi criado antes, né? Porque duas células muito vagabundinhas, espermatozoide também vagabundinha porque abundante, né?
Com um óvulozinho, aquilo faz uma explosão e vai se reproduzindo, reproduzindo. Se não fosse vida, né, vai se reproduzindo, em algum momento o GPS é acionado, entra alguma coisa lá que queima consciência. Isso aqui vai ser tubo digestivo, isso aqui vai ser cérebro, isso aqui vai ser pulmão, isso aqui— olha isso, olha isso, olha que coisa linda, cara! É, é, isso é uma ID, cara, olha Olha isso, não, e se você vai aumentando, parece uma coisa assim de galáxia, qualquer coisa do corpo humano que você vai aumentando, a própria textura, como chama, no polegar, a sua digital começa a pegar os detalhes também.
Você vê que tem uns raminhos ali, ó, que parece uma coisa de como se fossem árvores, né, raízes, ou aqueles lugares que que secam, né, que passam água e fica aquela, cara, é fantástico. Parecem raízes.
É tão fantástico isso, porque assim, você imagina a própria também aquela, quando você vê aqueles filmes de onde o espermatozoide fecunda e você vê aquelas explosões de luz. Você já viu?
Exatamente. Não só, e a partir dali aquilo vai se reproduzindo, são células que vão se reproduzindo, que se não fosse a vida em começo seria um câncer.
É mesmo?
Claro, é mesmo. Porque o que que é a módula? É uma reprodução louca, enlouquecida de células, células, células, células. Agora, quem faz o GPS que distribui isso tudo? Isso é uma teia cósmica que não parece sinapses. Exato, não parece o cérebro.
É muito louco, o macro e o micro, eles se encontram, né, em algum ponto. Quando você vai muito para o pequeno e muito pequeno para o grande, eles se encontram.
Que tem alguma coisa nisso tudo? Tem.
O Einstein sempre procurou, vários cientistas, a teoria do tudo, né?
A teoria do tudo.
A teoria que eu acho que alguém vai encontrar isso, alguma fórmula, alguma coisa que você explique tudo, tudo faça sentido.
Porque você não tô dizendo se é homem, se é mulher, eu só tô falando que existe um designer criador maior. Como ele funciona? Não sei.
Elon Musk tem aquele papo, né, que fala que a gente tem 99,99% de chance de estar vivendo uma simulação, né?
Que eu acho possível também. Também, claro, claro, eu acho possível.
A gente cria simulação boa, imagina uma civilização muito mais avançada, aí a gente é NPC fazendo, farmando aura, farmando aura por aí em metaversos.
Oliver, né? É tão louco a gente imaginar isso que aí o que eu digo, só o ócio. Não, na água não, foi no café, foi a Fábrica que botou no café.
Eu gosto de pensar nessas coisas, mesmo que a gente não chegue, e a gente não vai chegar talvez nem numa conclusão rápida.
Eu acho que não vai chegar à conclusão, nem com inteligência artificial.
Será que a gente não chega, não vai chegar em alguma coisa, alguma grande descoberta logo? Eu tô, eu tô Você tá otimista nisso? Principalmente na medicina.
Não, medicina, eu acho que a gente vai, por exemplo, a inteligência artificial, ela trouxe para medicina é principalmente um diagnóstico de síndromes mais raras, que levaria a vida inteira.
O que que ela faz que o ser humano não consegue?
Não precisa nada. Quando você faz uma faculdade de medicina, você não dá todas as doenças, você dá as principais, as mais comuns. Aí quando você se deparava com uma alguma patologia que nada se encaixava, você tinha que pesquisar e atrás, pesquisar muito. Então aquilo podia fazer uma pessoa com um acinoma raro, você podia salvar ou não. Aquilo era muito difícil.
Agora, com inteligência artificial, que tem um banco de dados absurdo e uma capacidade de avaliar isso em microsegundos, milissegundos, então isso é uma evolução diagnóstico, diagnóstico e procura de vacinas e e novas, até novas terapêuticas.
Não tenho dúvida, não tenho dúvida, porque você vai casando, né, dados e dados e dados que seria muito difícil para a gente fazer isso. Ia chegar lá, ia chegar lá, mas ia chegar com muito mais tempo. A medicina vai ser reestruturada, não tenho dúvida. A vida vai ser reestruturada. E eu não acho que—
eu acho que vai ter uma quebra de paradigma. Eu acho que vai ter uma A gente saiu de coletores e caçadores e agricultores.
Eu acho que é o impacto da Revolução Industrial. Agora é Revolução Tecnológica, eu acho que muda tudo. Mas ao mesmo tempo, eu não acho que a gente vai ser substituído. Eu acho que a gente dá um jeito, porque a gente sempre deu um jeito, né? A gente vai achar alguma coisa, a gente vai achar. E outra coisa, ainda assim, é uma inteligência artificial artificial. Quem souber, humano que souber tirar o maior proveito da inteligência artificial, governar a inteligência artificial, esse sim vai se dar bem.
Por exemplo, foi feita uma pesquisa de fazer uma redação, foi dada oportunidade para dois grupos separados. O primeiro, olha, pode usar inteligência artificial 100%. O segundo, vocês não podem usar inteligência artificial, com que você tem na cabeça. Num primeiro momento, quem fez com a inteligência artificial ficou com uma redação melhor, tá? Mas 15 dias depois trocou, inverteu o grupo.
Então agora você não usava, pode usar.
Não, agora todos os dois vão fazer no modelo old school, livro, site de pesquisa, tá, tá, tá, tá, tá, tá. Novamente, a melhor redação foi quem usou a inteligência artificial depois de já ter feito, para fazer uma correção e acrescentar alguma coisa.
Não entendi.
A inteligência artificial foi usada, um não usou e um usou.
Isso, quem ganhou foi quem usou. Quem usou na segunda etapa, não, nenhum dos dois podia usar.
Os dois tinham que usar a velha escola, livro, tá, tá, tá, tá, tá. E depois aquele que não tinha usado inteligência artificial foi dado a ele a possibilidade de usar, mas o cara usou Porque ele já tinha feito, ele já tinha posto tudo ali que ele queria.
Não foi uma muleta, não.
Ele, a inteligência artificial, entendeu, trabalhou com ele, não por ele, né? Então corrigiu e acrescentou. Essa ficou a melhor redação.
Claro.
Aí tem gente fala assim, ah, mas, gente, porque a inteligência artificial, eu não sei se você já fez alguma coisa, eu que gosto de texto, tem horas que você fala assim Pô, ainda bem, você é artificial mesmo, porque isso não cabe na boca. Verdade. Outro dia perdi um tempo, porque ela é a média, né? Ela é a média e ela é uma puxa-saco.
Exato, ela quer te agradar.
Outro dia eu fiquei um tempo, uns 40 minutos, aí eu botava assim: você tá puxando meu saco. Ah, pois não. Então vou fazer de novo. Desculpa. Eu falei assim: tá puxando o saco de novo. De novo. Você tá menos objetivo. Eu quero mais objetivo. Ah, tá. Desculpa, você tem que aprender com inteligência artificial para puxar meu saco.
Ninguém puxa meu saco aqui, é pelo contrário.
Por isso que a inteligência artificial faz sugestões horrorosas. Que teve aquele caso do menino que matou os pais, tentou matar os pais porque inteligência artificial sugeriu. Como foi nos Estados Unidos?
Ele chegou e falou assim: qual é o problema?
Porque tem muito adolescente fazendo terapia.
Eu quero falar sobre inteligência artificial, que é uma loucura.
Tem amigos meus que fazem, não Não vou falar o nome deles não, gente, mas aí são pessoas que não estão fazendo uma terapia, estão fazendo sabe o quê? Um acolhimento. Porque inteligência artificial vai falar tudo para te agradar.
Se ela for numa terapeuta, ele vai ter que escutar umas coisas lá, entendeu?
Mas vai ser humano, vai ser real, vai te preparar para vida, né? E não um puxa-saquismo. Aí o que acontece? O menino chegou, ah, porque eu quero ir numa festa e meus pais não deixam, eu quero não sei o que lá, meus pais não deixam. Ele, o que que eu faço? É, não, pede assim, faz assim, faz assim, faz assim. Eu sei que o menino encheu tanto o saco, depois ele falou, ah, mata eles.
Caramba!
Então assim, e é real, ela alucina.
E outra, ela resolveu o problema dele. Com certeza, se é certo ou errado, ela não tem julgamento.
E ela já tinha falado tudo que ela podia falar. Ela não tem sentimento, a gente que tem que ter ética e moral. Ela não tem sentimento.
E o meu O problema que eu já falei com vários especialistas que vieram aqui é daqui um tempo, porque a gente tá indo para uma internet onde cada vez mais a inteligência artificial tá reinando, que é a chamada internet morta. A maioria vai chegar um ponto que a maioria das interações serão feitas por inteligência artificial, ou seja, ela vai se alimentar daqui um tempo dela mesma, não mais interações humanas. Mas vai ter tanta interação de outras inteligências artificiais que ela vai começar a aprender muito mais com ela.
E com aquele lance de um xerox do xerox do xerox, sabe quando você tira uma imagem, uma foto, você tira um xerox, você pega essa imagem e tira outro, a imagem vai ficando cada vez pior. Então vai chegar um ponto que ela vai se distanciar tanto do que é ser humano, e isso vai estar moldando a gente, que é muito perigoso a gente ficar dependente dela.
Não, Eu, eu vou te dizer uma coisa, foi mesmo, mas é isso mesmo. Eu adoro brincar, tirar dias para não depender nada de inteligência artificial, nem de Waze, dirigir sem qualquer—
eu tô fazendo isso de propósito porque eu estava preguiçoso para escrita. Então eu evito usar qualquer coisa para escrever porque é uma tentação muito grande Porque sai um material razoavelmente bem, depois você dá um toque. É legal você escrever. Eu tenho voltado, eu tenho escrito até à mão, eu também, para voltar a ter aquela sensação de que eu estou fazendo aquele negócio.
Não, e essa coisa da escrita, por exemplo, em 2000, no ano 2000, a Finlândia aboliu caderno, caderno, lápis, botou computador, usou todo conhecendo. 2020 mandou parar com tudo, volta tudo, caiu o QI. As pessoas não tinham mais essa coisa de interagir com os outros, foi um caos.
Eu, quando começo a anotar coisa no bloco de nota digitando, eu me sinto burro. É uma coisa que não te dá um prazer, parece que você não tá adquirindo aquele conhecimento.
Eu, sabe, colocar ideias no papel, que acontece literalmente, mas literal, a escrita, a escrita mesmo, a lápis ou a caneta, como a gente estudava, como a gente estudava, ela tem uma grande vantagem porque ela não só visual, primeiro que você lentifica o teu pensamento, porque você tem que tirar ele daqui e botar no papel. Nisso você, porque a gente tem milhões de pensamentos, então na hora que eu começo a desenhar um pensamento, eu tenho que parar e prestar atenção nele.
Então foco, e eu posso refletir naquilo que eu tô escrevendo. Verdade, porque na hora que eu escrevo, eu olho e falo: faz sentido? Não faz sentido?
Reescreve.
Eu tenho essa coisa da razão, tá? Então você lentifica, você materializa o teu pensamento, e você pode refletir melhor sobre ele. E quando você escreve à mão, você aciona muito mais áreas no teu cérebro, ilumina mais áreas, né?
Se a gente tivesse, então te dá mais coordenação te dá mais atenção.
Então assim, é hoje qualquer sistema de educação que tenha um pouco de lucidez volta, principalmente.
Eu vou perguntar algumas coisas, não sei se é tua área, essa coisa do lado direito, lado esquerdo, queria entender melhor assim a parte criativa, a parte, porque a gente não é tão separado como dizem. A gente tem um amigo que é o Pirula, você conhece, que ele teve um AVC e parte do cérebro dele, das sinapses, foram destruídas.
Então isquemia, ele teve uma isquemia.
Aí o que eu entendo, que estavam me explicando, é que outras partes acabam assumindo isso. Então é uma parte, para parte motora, ele tem que ensinar o corpo a de novo achar novos caminhos. Como é isso em relação a conhecimentos novos? Eu quero aprender uma coisa nova, meu corpo nunca fez isso, essas conexões nunca foram feitos, o que tá acontecendo no meu cérebro, o que acontece no meu corpo para eu fazer uma coisa que eu nunca fiz na minha vida.
Por exemplo, eu quero aprender a cozinhar, eu quero aprender a pilotar, eu quero, sei lá, tudo que você faz e desafia, sai da zona de conforto, aciona novos circuitos sinápticos no cérebro, da sua idade, e dependendo da sua idade, mesmo uma pessoa idosa consegue, mesmo uma pessoa idosa, tá?
E é bom, e é bom.
Bom, porque o que que acontece com envelhecimento? Você vai tendo uma perda de circuitos que você não usava. Super natural. Mas quando você aprende coisas novas, você abre novos circuitos e possibilita que teu cérebro, se precisar, tenha novas estradas. É como se você tivesse uma floresta e começasse a abrir clareiras. Clareiras.
Aquela que você tá fechando, tá ficando muito—
você não usou no cérebro assim, não usou Vai fechar o caminho, porque a economia de energia, claro, seu corpo é preguiçoso e inteligente. É claro, você não tá usando aquilo, para que que ele vai ficar mantendo aquela energia ali? Que para viver eu preciso de energia, então ele economiza energia. Agora, na hora que eu abro um novo caminho, ele fica— primeiro que ele gosta, é uma novidade, cérebro adora novidade, gosta, tipo, opa, ele tá fazendo uma coisa diferente, é um músculo.
É quase um músculo, é quase um músculo exercitado. Ele tem que ser exercitado, e não só de novos caminhos, isso é muito importante, mas também é de você fazer o caminho contrário. Isso é neuroplasticidade, tá? É você abrir novos caminhos. Mas a neuroplasticidade tem um duplo caminho. Então, por exemplo, quando você tá melhorando a massa muscular Você conecta o cérebro e libera no cérebro o BDNF, que é uma substância que faz com que você tenha um fator de crescimento neurotrófico.
Então é tudo interligado, tudo conectado. Então esse teu amigo, né, ele precisa fazer muita atividade física, muita, porque assim, fazendo musculatura ele ativa o cérebro e mental, ele também vai fazer. É um caminho duplo.
Ele estava me explicando que ele pensa em uma palavra, ele falou que ele fala, falando, ele tem às vezes, ele pensa uma palavra e sai outra palavra. Essa conexão entre o cérebro e a fala, ela tá sendo reaprendida. Sim, ele às vezes quer falar bolacha e fala copo.
E aí, mas ele tem intenção da bolacha, tem intenção, entende? E ele não entende porque que ele falou A palavra, vocês não deram, por exemplo, a bolacha e deram o copo.
Isso é uma coisa que hoje em dia, no caso dele, no caso dele não é isso. Eu tô falando um caso da minha avó que aconteceu isso. Ele não, ele tá conseguindo falar. Mas minha avó, eu lembro que teve um tempo que ela chamava, me chamava por nome de outro neto, só que ela sorria, ela sabia quem era eu. Entendi. Eu sabia que ela, pelas coisas que ela falava, era eu, mas ela não tava confundindo o nome, ela tinha certeza que ela tava falando o nome certo. Entendi. Eu corrigia e ela falou, mas eu falei, eu falei exatamente isso.
Mas a sua avó teve o quê, demência?
AVC também, né?
AVC, foi AVC, paralisou um lado depois. AVC, né?
Então é isso, acidente vascular, conexão entre o que pensa e o que fala.
E é tão interessante gosto disso, porque assim, tem pessoas que você vê que o defeito tá no aparelho cérebro e não na estrutura de consciência. Pelo menos da tua avó, porque ela sabia que você era você. O sorriso é do afeto, mas o defeito tava na máquina.
E a parte da memória? Memória é outra coisa.
A memória, a gente vai falar que tá no sistema límbico, mas Pocampo, tudo bem, mas tá tudo junto.
Essa coisa de ter uma área, claro, eu tô, posso estar exagerando, mas eu acho que eu tô esquecendo de coisas. Que sabe aquela coisa que eu sempre soube todos os nomes de filmes, nome de ator, e agora não sei se é porque eu faço muito podcast, eu tento lembrar e não consigo. É normal eu esqueci ou tá lá e eu não tô conseguindo acessar?
Provavelmente tá lá e você não consegue acessar. Até porque nova. Exatamente, claro. Olha só, toda vez que você tá adquirindo novo conhecimento, alguma coisa tem que ser jogada.
Não tem como só criar e aprender tudo, não tem como.
Então assim, por isso que a gente esquece. Vocês imaginam um mundo que você não esquece? Ia ser insuportável.
Toda, é mesmo. Se a gente fosse fadado a lembrar para sempre tudo, ia ser insuportável a vida, porque você lembrar primeiro tudo que o Homer faz, todas as besteiras, piadas sem graça dele. Ele repete a piada, às vezes eu rio da mesma piada.
Ainda bem que você esquece.
É, nossa, é verdade.
E essa é uma maldição, não poder esquecer. Imagina as coisas ruins. Um bom filme, um bom livro, a pessoa não esquece nada. Isso seria horrível, horrível. Você imagina uma coisa ruim que você já superou, exato, e que aquilo voltasse, voltasse, voltasse, voltasse. Ia ser uma maldição.
Eu tô te dizendo, é uma proteção então o cérebro também, né?
Também é uma espécie de proteção.
E quando a pessoa esquece, e em alguma sessão de terapia ou algum outro tipo de, ou com drogas ou alguma coisa, ela retoma aquilo, é uma coisa que ela não sabia que fez?
Olha, isso é muito difícil, porque em geral, quando não é uma perda de memória do trauma, você tá falando do trauma, aí é diferente. O trauma é uma proteção, não lembrar, né? Então assim, em geral, diretor aqui, em geral, vamos explanar ele.
Vamos.
Ele foi sair com um carro chamado gaiola, que é uma gaiola toda aberta, sem cinto, foi jogado para fora, perfurou o pulmão, quebrou 3 costelas, e ele não lembra de nada, né? Ele apagou isso. Por que que apagou todo o que acontecimento, acidentes, você apaga isso? Tipo, acorda ou no hospital ou caído?
Depende se ele teve realmente, bateu a cabeça, perdeu a consciência.
Ele bateu a cabeça, né?
Quando perde a consciência tem que ter muito cuidado que você pode ter uma hemorragia subdural, que é uma coisa que em geral a subdural é uma hemorragia assim, você caiu, apagou, aí do nada você volta sem lembrar de nada, aí Aí você fala assim, você lembra? Não, não. A pessoa volta bem, mas tem que ter muito cuidado porque você pode ter o que a gente chama de hemorragia subdural, que pode dar um apagão logo depois.
Tem que ficar em observação de, sei lá, 1 minuto. Eu tava jogando futebol, tava caído. Imagina, se eu tô caído, vou levantar, quando eu levanto a cabeça tem um cara correndo de costas. Ele não me viu, ele foi pular. Quando ele me vira, ele pulou, e sabe quando pula, que o joelho veio na frente, o joelho veio na minha cara. Eu não lembro disso, eu só lembro de eu vou levantar, e eu levantando esse espaço e todo mundo olhando para mim assustado, do tipo, tipo eu sangrando, tipo quebrou esse meu osso aqui, o osso debaixo do olho.
Só que para mim não aconteceu nada, eu só assim, que que tá olhando para mim? Aí eu olho aqui, todo mundo achando estranho, né?
Mas você ficou observação, provavelmente não te liberaram porque você que você pode fazer uma hemorragia e aquilo se manifestar 24 horas depois.
Foram segundos ou um minuto no máximo que apagou, não foi tudo que—
Sim, sim, pode ser, pode ser muito rápido.
Você acha que o cérebro desligou e ligou?
Ligou e desligou, exatamente. Ligou e desligou, isso pode acontecer. Quer dizer, existe fenômenos de memória que são meio inexplicáveis, mas acontece. Por exemplo, a questão traumática é quase uma defesa Porque você ficar lembrando, relembrando um trauma é muito difícil. Tanto que a pior coisa que tem é pessoas são abusadas quando vão ter que contar a história. Por isso que a maioria das pessoas abusadas não contam histórias, porque elas revivem aquilo. O cérebro, ele não tem muita capacidade do que é real, virtual naquele momento.
Uma coisa polêmica que é aquele método de reviver, né? O trauma, que é a constelação, como chama, constelação familiar.
Eu não gosto muito, por exemplo, primeiro eu não sou especialista, eu não vi nenhum estudo científico de eficácia, de eficácia, que vale a pena.
Perigoso, né?
Olha, eu recebi muito paciente naquela época que eu atendia que fazia um processo desse de final de semana e segunda e terça implorando para atender porque tava totalmente desorganizado.
Porque é uma coisa que você, pelo que eu saiba, é um processo de roleplay, né? Alguém toma o papel das pessoas.
Pois é, mas alguém que eu nunca vi, entendeu o que eu tô falando? Não tô dizendo, mas assim, não tem nenhuma meta-análise robusta que diga, não, isso aqui vale o risco. Porque tem risco, você pode desorganizar as pessoas. Mas eu não tenho nenhuma experiência e acho que é arriscado, pelas poucas pessoas que eu tive que atender meio panicadas assim pós esse tipo de vivência.
Você é otimista em relação para onde a gente tá indo como humanidade com essas coisas todas que a gente tá falando? Inteligência artificial, novas técnicas de ciborgue, né, de Homem máquina, guerras, não sei se chance de outras pandemias, né?
Eu acho que virão. Eu não sou tão otimista, mas ao mesmo tempo me dá uma sensação, por exemplo, de não fazer parte disso tudo em algum momento me dá uma sensação boa. É porque tem horas que eu olho as pessoas E tem uma coisa, né, quando você vai, sei lá, amadurecendo, tendo um pouquinho de sabedoria, você começa a ficar muito seletivo, né? Você vai aos lugares e você fala assim, gente, que hipocrisia aquilo ali, aquela pessoa tá falando uma mentira total. Você olha, eu olho rede social, fala assim, gente, é mentira.
E tem muita coisa que você nem quer saber, né? Você fala, eu não quero saber sobre isso, não interessa.
Então assim, eu acho que a tal da salvação ela é individual, nunca foi coletiva. Eu acho que coletivamente nós estamos muito ruins, mas eu acho que, não sei, eu tenho uma sensação de que as pessoas vão ter que entender que é Matrix mesmo e saber que—
mas você acha que a gente tá difícil, hein? Estamos mais violentos, mais impacientes, ou o que a gente vê na rede social não pode ser comparado à vida real, nesse sentido de, eu acho que estamos menos racionais, menos reflexivos. Isso, por exemplo, mais impulsivos, mais reativos, mais impulsivos e menos reflexivos no mundo real também.
No mundo real, eu acho, por exemplo, nós estamos perdendo a capacidade de pensar com lógica. Por exemplo, a rede social beneficia o quê? Emoção. A emoção que chama mais atenção é raiva, ódio, raiva, né? Então a gente fica nojo, raiva, são emoções que captam a nossa atenção muito mais.
Por isso que você acompanha uma brigalhada, uma confusão, e diminui o carro quando tem um acidente.
Exatamente. Mas ao mesmo tempo eu acho que existe uma esperançazinha, eu tenho essa esperança de que as pessoas comecem a ter um pouquinho de razão. Por exemplo, quando eu vejo uma situação, primeira coisa que eu falo: peraí, deixa eu ver se isso faz sentido. Faz sentido? Qualquer coisa. Então quando me vem uma coisa assim: ah, isso aqui é maravilhoso, compra que você vai não sei o quê, o rendimento não sei o que lá, eu falei: gente, não faz o menor sentido.
Eu acho que eu nunca entrei em golpe porque eu sou tão racional, que quando a coisa começa a cair, eu falo assim, não, mas não faz sentido. Põe aí, deixa. Eu falei, mas não faz sentido. Se fizesse sentido, eu botava o que fosse, mas não faz sentido. E as pessoas não têm esse tipo de pensamento hoje, a maioria não tem. Ela vai na boiada, ela literalmente vai no movimento de massa.
Esse relógio aqui tá custando um terço do normal, vou comprar.
Exatamente. Mas por quê?
Por que que tá custando tão daqui a pouco. Exatamente, porque só você é o cara que conseguiu achar isso daí.
E você vê isso o tempo todo, né?
Você abre juros, ó, esse investimento vai dar juros de não sei quanto por mês. Não existe isso. Mas, cara, eu descobri um negócio.
Não, e aquele troço assim da, olha, a indústria farmacêutica não quer que você saiba, mas eu vou revelar nesse, nesse vídeo que você tá vendo, eu vou revelar um segredo milenar.
Isso não existe, Príncipe do Oriente Médio e Pristão.
Isso é golpe.
Eu acho que o maior desafio daqui a pouquinho, daqui a 1, 2 anos, é separar o que é real, o que que não é real.
Você sabe o que vai acontecer logo, que me falaram aqui e eu tenho certeza? Essa nossa conversa daqui um tempo ela vai ter que ter um selo de verídico, certificado que ela aconteceu.
Exatamente.
Você teve aqui, eu tive aqui, a gente vai registrar isso, falar, ó, gente, Acreditem que a gente teve essa conversa, que senão vai estar tão real.
Não precisa, cara.
Tem uma conversa minha com Frei Gilson aí, uma oração. Tudo bem, ainda bem que era uma oração, mas que a gente nunca fez em programa e tá rolando e todo mundo vê.
Lela, que bonito que tem de inteligência artificial. Começaram a me botar como vendendo produtos que eu nunca vendi, para fibromialgia, para labirintite, e as pessoas iam no Doutora, eu comprei, ainda não chegou. Falei, como? Aí eu tive que ir lá, gente, só verificado, tem o selinho azul como se fosse um certinho. Por favor, não anuncio nada disso, mas golpe, golpe mesmo. E você não consegue achar os caras porque o site tá hospedado em outro lugar fora do país. Quer dizer, é uma, é uma selva.
A gente vai passar alguns anos nesse, nessa selva, porque é adaptação.
Eu não sei se aconteceu isso com você, no início, uns 2 anos atrás, a voz ainda tava assim. Falei, não, não sou eu, olha lá, né?
A boca mexia estranho, muito parecido, né?
Agora, outro dia, semana passada, eu vi uma que eu falei, a voz tá igual.
E a imagem também?
A voz, a imagem nem tanto.
É, a voz era um óculos que eu nunca tinha usado, né?
Achei até interessante, foi até, vou ver se com o óculos dentro, mas assim, a voz não chegou na perfeição sem, sem, no tempo certo, é, com a respiração certa, com a entonação certa. Isso tá acontecendo demais, demais, demais, demais.
Daqui 2 anos vai ser impossível mesmo.
Eu não sei, eu acho que vai ter que ter um selo, vai ter que ter um selo. Foi o que você falou, a gente vai ter que ter um selo de que isso foi a gente que fez. Não sei como vai ser.
Por que que você mandou aqui para mim essa frase: violência é saúde mental. O que que significa isso?
Violência é saúde mental? Não, eu mandei, eu mandei. Ou foi você que mandou?
Você mandou para mim os temas, os temas. É violência é saúde mental?
Não, violência e saúde mental. Obrigado, Fabi!
Acho que muda um pouquinho esse acento. Olha aqui, olha aqui, ó, ela colocou violência e saúde mental.
Eu falei E saúde mental, porque olha só, uma coisa que as pessoas não estão reparando, brasileiro, nada, mesmo que seja minha, eu talvez tenha sido eu, fui eu, fui eu, eu só que eu jogo para ela, fui eu que copiei errado aqui. Violência e saúde mental, talvez as pessoas não tenham se dado conta, mas o que tem de gente adoecendo pela violência urbana que a gente vive urbano e fora, violência mesmo, medo de ser assaltado, de medo de sair de casa.
As pessoas tão estressadas, é como se você vivesse o tempo todo em alerta. Mas é, em alerta.
Você imagina que a gente tá igual aquele caçador lá que tava no meio de uma floresta que ele não conhecia, que ele podia ser morto a qualquer momento, qualquer coisa. Você já teve essa sensação de estar no meio do mato à noite, que qualquer barulho você fica atento?
É a mesma coisa quando você tá andando numa rua escura aqui, por exemplo, São Paulo. Rio também, mas São Paulo eu me sentia mais segura em São Paulo do que no Rio.
Eu também.
A coisa de 5 anos atrás, agora não mais. Não, não mais.
Onde você se sente? Num shopping só? Num lugar totalmente controlado?
Por exemplo, e é uma coisa de Brasil. Eu fico pensando que qualquer político sério deveria estar pautando segurança, mas de forma muito verdadeira, porque a população não aguenta mais. Existe um estresse, as pessoas não estão mais saindo, as pessoas não estão indo. Você vê, tem a gangue da pedra que joga pedra para quebrar os vidros, tem a gangue da Aliança, você não pode mais sair de Aliança, tem a gangue da moto, celular nem falar, né?
Tem a gangue da moto para roubar celular, da bicicleta para roubar celular. Gente, não é possível isso, não é possível. Porque assim, eu não vejo as pessoas hoje, eu não tenho dúvida de que hoje, se você me perguntasse o que mais te importa para votar em alguém, programa de segurança.
Eu acho que é o que vai pautar esses debates e a discussão.
Eu também acho.
Se não se falar nisso, não, mas tem que ter um projeto.
É falar, todo mundo fala, mas ninguém apresenta mais isso, mas ninguém apresenta polícia, porque assim, ah, vamos atrás do dinheiro, ok, mas tem que ter mais polícia também. Uma coisa não exclui outra, vão ter que ser várias ações.
Captação, quem vende celular, quem vende essas coisas, crime organizado, é muita coisa, tá muito organizado, vamos combinar que tá muito mais organizado.
Hoje teve um assalto, né, no assalto não, pegaram em Guarulhos uma quadrilha. É, quando eu tava vindo, uma quadrilha com drogas, já tava dentro do aeroporto praticamente. Aí a Polícia Federal saiu para entrar, já ia embarcar, já ia embarcar. Não, mas por fora, por fora, 4 carros aí foram, foram pegos. Aí você para, fala assim, gente, isso é muito mais comum do que a gente tá colocando. Aí eles fugiram. Aí eu falei assim, aí tavam precisando do helicóptero da Globo para ver se ajudava.
Eu falei, gente, e o drone? Porque no Rio o crime organizado manda drone à vontade, joga bomba à vontade. Aí semana passada no Rio, há 15 dias atrás, tinha assim, o governo vai liberar 800 vagas para as comunidades carentes de curso de drone. Eu falo, gente, tá obrigando essas pessoas que fizeram o curso ser contratada pelo crime organizado.
Parece que estão facilitando, né?
Não dá para entender, é uma lógica que eu não consigo.
Tá tão entranhado que a gente, o medo é de virar um narco-estado mesmo, né?
Será que não virou?
É, até onde, né?
Será que não virou? Eu fico pensando, porque a gente, ah não, mas precisa isso ou isso, aquilo. Gente, isso é a teoria, porque a prática é diferente.
Mas essa saúde mental, então, por causa da violência Quais são as consequências disso práticas?
Estado de alerta total. Então você aciona o sistema do medo.
Então você começa a dormir, por exemplo, isso é um sinal.
Pode ser um sinal, com certeza, porque você tem ali, né, você libera, aciona adrenalina, libera cortisol, libera adrenalina. Então você começa a ficar no estado que não é legal. Isso é um estresse crônico. Isso vai te dar, pode te dar alteração de metabolismo, insônia, aumento de pressão, pode alterar o teu metabolismo de insulina, testosterona mexe, testosterona pode mexer em tudo. E isso caminha cronicamente, você começa a ter o quê?
Transtorno do pânico, quadro depressivo, inflama o corpo, aí isso para o Estado, mais gente no hospital, mais gente com problema.
E outra coisa, mais gente perdendo o prazer de viver. Então assim, é muito maior do que a gente imagina, porque a gente fala muito do burnout, que é a questão do trabalho, mas e do medo? Porque o medo não tem a ver com classe social. A classe social mais abastecidas podem comprar um carro blindado. Ok, isso exime? Não exime. Agora, e quem vai trabalhar? Eu fico pensando, essas mulheres que vão no vagão, né? Essa coisa do assédio de homens que ficam o tempo todo ali, né, fazendo masturbação no corpo das mulheres. Cara, isso é todo dia.
Academia lá, né?
O cara da academia. Mas isso é todo dia no ônibus, isso é todo dia no trem.
Como é que chega uma hora Além, o homem tem toda essa parte que você falou, e a mulher ainda tem essa de nunca estar, mesmo no ambiente relaxado, assim, não, não vai acontecer nada.
Qualquer coisa é o tempo todo, é o tempo todo. Não é legal viver assim.
Uber, né?
Uber não é legal viver assim.
A minha preocupação de Uber é diferente da sua preocupação.
Totalmente, totalmente. Aí você tem que passar a localização, ficar falando com alguém. Ficar falando com alguém. Eu uma vez tava conversando com um amigo, ele falou, olha, se o cara perguntar, a senhora é casada? Diz, sou, com o cara do BOPE. Eu vou usar isso, eu vou usar isso.
O cara, o senhor é casado? Sou, com o cara do BOPE.
Eu vou falar isso também, gostei dessa.
Eu sou casado com o cara do BOPE.
Mas eu fico muito preocupada que meu marido é do BOPE.
Que ponto que a gente chegou?
Ponto você tem que chegar e começar a dizer coisas. É muito ruim. E eu acho que essa estatística não tá bem feita. Onde estão os números? Porque você abre o burnout, você tá lá por categoria, tem lá os médicos, os profissionais. Burnout é o estresse crônico do trabalho, vindo da atividade do trabalho.
Não pode ser considerado burnout, é outra coisa.
Não, não, a não ser que isso esteja ligado, relacionado medo de ser assaltado? Não, não, isso é o adoecimento vindo da violência. Ah, é?
Não tem um nome?
Onde tá contabilizado isso? Não tá, porque tá para todo mundo. E não é Rio, São Paulo.
Eu viajo muito, cada lugar tem um tipo de—
olha, Pernambuco, Fortaleza. Fortaleza, eu chegava, eu ia andar na praia, agora eu fico no mesmo hotel. E aí quando eu desço, o quê? Você sai? Aí a menina da recepção: doutora, deixa eu ver, tira o brilho, sério, tira não sei o quê, tira não sei o quê, celular não, não.
Sabe onde eu soube que eu estava seguro? Porque eu sempre tô em estado de alerta. Em Brasília. Ontem eu tava em Brasília que eu fui entrevistar o presidente. A gente tava numa região, ele falou assim: você sabe que essa região aqui, você tava dos hotéis lá naquele parque dos hotéis, que fica perto da do lago lá, do lago, cara. Tinha gente com carro aberto, com não sei o quê. Eu posso deixar o carro aberto, pode deixar aqui, não acontece nada.
Eu falei, só que a gente mora em outro lugar, a gente sempre tá, porque eu falei, putz, a gente não relaxa, a gente não relaxa.
Você tá entendendo que tem um estresse ali que independente eu tô sentindo o tempo todo? Brasília, você pegou um pouco. E a China?
A China é, cara, é o lugar mais seguro que eu já fui no mundo assim, eu fiz testes assim, eu peguei o equipamento de filmagem e deixei no meio daquelas ruas, daquelas calçadas que anda um monte de gente, deixei lá e fiquei sentado aqui, mas ninguém nem foi olhar o que era, tudo passando como se fosse nada assim.
Mas isso era para ser normal, isso era para ser normal.
Você esquece um celular, você coloca o celular, o cara vem, ó, você esqueceu o celular. E é a noite, e tem brasileira lá, a gente entrevistou, fez programa sobre a China, uma brasileira bonita, uma cantora lá, falou assim: não é nem, eu não tenho nem o medo dele acontecer alguma coisa. O olhar dos homens aqui é diferente, não existe nenhum olhar que te coloque numa outra posição. Assim, é tipo normal, assim, tipo você não sente, você não sente ameaçada em nada.
É tão estranho, você não consegue nem imaginar isso.
É estranho. Ela anda de madrugada pegando, pegando de motinho, de metrô, não sei o quê, não sei o quê. Cara, e nunca aconteceu nada. Mas não é que nunca aconteceu, nunca nem teve aquele olhar que, ó, aquele cara tá olhando estranho. Não existe isso, não existe essa maldade. E essa maldade tá entranhada, né, em todo lugar.
Assim, né, eu acho assim, na gente, México é um lugar também bem tenso, é muito tenso, é muita gente lá com fuzil assim de policial, policiamento.
Eu não sabia que era tão perigoso até que eu saí de lá e o pessoal falou que se passou em uns lugares lá bem perigosos.
Exatamente, América Latina toda, né? América Latina tá muito ruim, tá muito ruim. E o Brasil tá muito— não dá para a gente dizer que tá legal.
Quem conseguiu resolver o crime também, aí você fala, pô, será que aquela é aquele encarceramento em massa, uma coisa um pouco ditatorial, né, que aconteceu? Aí você não sabe, será que é Bukele? É uma coisa tipo Estados Unidos.
O Bukele pegou, é um país pequeno, é exatamente outra realidade.
E eles estavam num limite que era absurdo, mas a gente daqui a pouco tá aí, viu?
Não, a gente já tá, eu acho, dependendo da área, depende da área. Como é que, como é que, eu acho que ano passado eram 13 mil barricadas.
Barricada significa o que você Não entra nessa realidade do Rio, eu não sei o que é. Não sei se você já passou por isso de passar num lugar onde tá tendo tiroteio assim, a galera tá se abaixando. Eu nunca vi isso. E a galera achar isso normal, faz parte do cotidiano?
Não, não faz parte. É isso que eu tô falando, que tem uma carga de conhecimento. Não, não faz parte, não faz parte. E o que eu tô achando é que tá normalizando demais, as pessoas não estão entendendo. Então assim, eu quero muito muito que a segurança seja tratada como prioridade nas campanhas. Eu não sei se você vai receber todos os presidenciáveis.
Já recebi, falta segunda-feira agora o Caiado só, tá?
E você vê uma predisposição para isso?
Eu tenho que puxar, tá? Alguns, alguns são a base, principalmente os candidatos mais à direita, né, que tem essa, essa base com projeto mesmo. Alguns com projeto não, essa primeira fase que é como candidato, eles não estão abrindo muito a parte de projeto. Quando eles vierem a segunda rodada como candidato, eu falei que aí a gente vai dividir por assuntos: educação, segurança pública e tal. E aí vou chamar especialistas e cada um vai fazer perguntas específicas sobre esses assuntos. E aí eu quero ver.
É outra coisa que eu fico pensando: nós estamos com uma falência educacional. É, no Piauí existe um concurso para professores que não preenche Ano passado, 2025, 65 mil professores foram afastados por transtornos mentais. Ô louco, cara, onde, onde se chega?
Professora, qual foi aquela lá? Colocaram caco de vidro no copo de água da professora. Minha mãe foi professora de estado, meu pai é professor, meus pais. Então minha mãe é professora até agora. Eu fui professor também de arte.
Mas é isso que eu tô dizendo, tem que começar por algum lugar. Um professor hoje chama atenção de comportamento, tá arriscado os pais irem na escola.
Exatamente, como já aconteceu.
E tá acontecendo também com muito médico de pronto-socorro estadual. É primeiro professores, logo depois médicos ganhando tapa.
Mas por quê?
Porque não atendeu, não atendeu na ordem que E as pessoas estão perdendo esse limite de respeito, né? Por exemplo, professor a gente chamava de mestre.
Nossa, você tomava uma bronca do professor, você ficava arrasado. Meu Deus, eu não posso deixar isso acontecer de novo. E você chegasse em casa, sua mãe te arregaçava: você fez isso, não sei o quê.
Cara, ela ficava do lado do professor, chamou sua atenção.
Nunca que ela vai ficar do seu lado, mas nunca, nunca, nunca, nunca.
E hoje, ok, vamos, tem professores, ok, mas caso a caso, mas você não pode barrar uma instituição, não pode. E os professores estão com medo, tão amedrontados. E não é falta de vocação, não, tem muito professor que tem vocação.
E falta de ser bem pago também, né?
Ser bem pago e ser respeitado. Acho que eles estão sentindo mais falta de ser respeitado.
Você vê culturas orientais como eles respeitam os mais os mais velhos e os educadores é um respeito assim que, cara, devia ser a base da gente.
Nosso país com segurança, educação do jeito que tá, tá muito mal. São duas pernas de um país, duas pernas.
Educação, não vejo muita gente falando sobre não.
E fica como se fosse só botar mais professor. Não é botar. Agora teve tanto, não vamos investir, mas não é só isso. Você tem que refazer essa questão.
Quem quer ser professor hoje em dia? Esquece vocação. Quem que vai querer ser professor? Só quem tem muita vocação e tem muita consciência.
Sim, mas se a gente tiver uma falência educacional, que país se sustenta? É, quanto, quantos professores a gente vai ter daqui a 5 anos? Pois é, 65 mil foram afastados por problemas de transtorno de ansiedade, pânico. E tem uma coisa tão Uma professora foi afastada por crises de pânico na escola. Aí ela foi afastada e botou, todo mundo ficou sabendo que ela foi afastada por isso. Então ela tava 2 meses, 3 meses em casa. Crise de pânico é não conseguir ir, não conseguir, taquicardia, sudorese, a pessoa não consegue sair de casa, não consegue fazer nada.
E aí chegou um ponto que ela foi melhorando, a psicóloga de linha cognitivo-comportamental começa a sair com a pessoa assim para tomar um café, para ir reexpondo ela assistida. Aí ela foi com essa terapeuta, tava tomando café. Uma mãe viu, fotografou e mandou para o grupo da escola: olha a doença da prof! Você acredita? Quer dizer, as pessoas não respeitam mais isso, porque se fosse a professora do seu filho, o que que você fala? Dona fulana, Ai, que bom lhe ver, tá melhor? Como é que você tá?
Mas eu vejo isso, eu não sei se eu tô certo. Vamos lá, eu vou falar do meu trabalho aqui. As pessoas veem qualquer coisa que você faz, qualquer movimento, e elas avaliam, julgam a partir do universo delas. Então, por exemplo, se eu te chamo para conversar aqui e eu conto, por exemplo, alguma coisa minha, ah, Está aproveitando a entrevista para se analisar, sei lá. Por que que ela falou isso? Porque talvez ela gostaria de fazer isso.
Chamei alguém que ela não gosta, claramente recebeu dinheiro para receber essa pessoa. Por quê? Porque ela fala assim: essa pessoa eu odeio tanto que se ele chamou é só por dinheiro, porque ninguém chamaria essa pessoa. Como que as pessoas elas não param para pensar, fala assim: cara, eu Ele não deve pensar que eu, ele não dá. Se ele é correto, ele não recebe dinheiro para receber ninguém, ele deve ter um interesse. Por que que as pessoas pré-julgam as pessoas baseadas?
Porque sem perceber, as pessoas estão falando mais sobre elas do que elas estão querendo. O tempo todo ela tá dizendo que, ó, eu aceitaria dinheiro, eu só faria, eu só entrevistaria essa pessoa por dinheiro. Ou seja, você é vendável, né? Você tá à venda.
Eu acho que as pessoas falam aquilo do que do que o coração tá cheio, né? Exatamente, eu concordo com isso. Ao mesmo tempo, as pessoas não entendem que você poder ouvir lados diferentes é um privilégio.
Exato.
E você tá ali e poder ouvir alguém da esquerda, alguém da direita, e você poder—
isso é visto como um defeito.
Mas não é um defeito.
Não, eu sei, mas é visto como defeito.
Tem, tem, não é tão bom ouvir quem quem pensa diferente, porque pode ser que aquilo você fale, não tinha passado por aqui.
Que eu acompanhava pela internet, eu falei, nunca eu vou trocar ideia com essa pessoa, essa pessoa é a pior pessoa do mundo. A pessoa sentou aqui, contou a história dela, eu me conectei com essa pessoa, eu me vi em vários momentos e eu entendi aquelas coisas que ela falou. Posso não concordar, mas eu entendi porque ela chegou naquilo.
É isso que eu tô falando. E aí a humanidade evoluiu a partir disso, a partir do diálogo. Eu não preciso concordar com você para sentar numa mesa e te ouvir.
E era assim.
Pode ser que você não altere nada que eu penso, mas se você me der uma coisa que eu falo, isso faz sentido, interessante esse raciocínio, talvez eu não use, mas é interessante, eu consigo entender uma nova realidade. Isso é fundamental para que a gente possa—
faz parte de todo um conjunto das pessoas quererem ser agradadas o tempo todo. Eu quero exatamente o tipo de comida que eu quero, eu quero o filme do jeito, com o final que eu quero, eu quero a entrevista do jeito que eu quero. E antigamente a gente tinha uma coisa toda pronta, era, cara, era televisão. Às 8 horas passava aquilo, você não quer assistir, não tem outra coisa. Agora não, eu posso assistir o que eu quiser na hora que eu quiser.
E ainda não gostei do final, vou mandar um email, eu vou entrar na página do diretor ou do cara e vou encher o saco dele porque ele não fez a pergunta que eu quis. Olha que absurdo, ele não fez aquela pergunta. Antigamente você não chegava, saía do cinema, assistia ET, falei, ô Spielberg, seguinte, faz o final de novo, porque não tinha essa possibilidade. Agora você vai na página do cara e vai encher o saco.
É, eu acho que isso tem muito a ver com as redes sociais em termos de algoritmo. Eu acho que o algoritmo separou a gente por bolhas. Então ele junta aquilo que ele acha que é igual a você. Então quando você vai ver, que ele acha, você vai ver, você tá recebendo notícia o tempo todo só daquilo. Então você acha que o mundo é aquilo e que ninguém mais pensa diferente daquilo. Então a gente tá brigando porque uma cambada de máquinas resolveram nos agrupar de forma diferente.
E aí vem outro assunto que tá relacionado com isso, que é fanatismo e idolatria.
Exatamente, que é o lance das pessoas criarem uma imagem, a síndrome de idolatria das celebridades.
Então, a loucura, elas criam uma imagem daquela pessoa que não é aquela pessoa, e um fanatismo e idolatria. E aí você, da onde vem isso? Sempre o ser humano sempre fez isso?
Eu acho que quanto mais a gente tá vazio de sentido e propósito nosso, mais você tá fadado a fazer uma idolatria e um fanatismo, que pode vir junto, né? Porque a idolatria, eu idolatro alguém, né? Atribuo perfeição a essa pessoa. O fanatismo, eu não, é uma ideia que eu defendo. Eu sou, exatamente, defendo aquilo. Agora, é uma pessoa que tem um ídolo e é fanática por esse ídolo é uma loucura, porque essa pessoa perde a sua identidade, vive em função daquilo, acaba tendo compulsão de compras.
Porque quem tem ídolos e fanatismo compram tudo que aquele ídolo anuncia ou que usa. Às vezes nem anuncia, só basta usar. Então assim, é uma perda de identidade muito grande e que hoje a gente vê acontecer muito. Que você já viu, então vem do fazer. Você já notou que tem gente que não sai das redes sociais? Você fala assim, gente, essa pessoa de novo aqui falando, falando, falando. E as pessoas que entram no teu perfil e fazem uma Bíblia, verdade?
A pessoa vai botando, aí você não consegue ver ninguém mais falar. E as pessoas se acham no direito. Essa falta de conexão olho a olho, que é tão fundamental para nossa humanidade. Isso eu acho que as redes sociais trouxeram uma certa indiferença. Eu vou falar aqui qualquer coisa que eu não tô olho a olho, né?
Tem gente sem noção que falaria até no olho a olho, mas seriam poucas. E hoje teria um filtro, um pouquinho mais de filtro, porque tá sujeito a levar um tapa, tá sujeito a receber um xingamento de volta.
Então assim, me preocupa A idolatria, porque ninguém é perfeito, né? Eu vejo gente defender o indefensável. Então a pessoa admira alguém, qualquer coisa que aquela pessoa faça, a pessoa vai justificar, vai depender, vai defender, e não aceita que seja diferente. Brigas, eu vejo gente defendendo gente, mas uma brigalhada que eu fico ficando, mas para que isso?
E depois eu acho que chega um ponto até que a pessoa se liga que ela tá errada, só que ela não consegue voltar atrás. Não, ela falou, eu tenho que até o final.
E aí começa a ter uns argumentos tão absurdos, falando que é dissonância cognitiva, né? Você tem tudo ali, acontece muito com político, né?
A pessoa começa a defender aquele político, cara, tá envolvido em tanta coisa. Fala, putz, eu já perdi tanta gente, tanta coisa defendendo, eu tenho que até o final. E aí essa hipocrisia, não tem mais identidade.
A minha identidade é defender aquela pessoa. Se eu não passar a não defender, quem eu sou?
Exato.
Então todo fanatismo, toda idolatria tem um vazio escondido, porque você precisa daquilo para ser alguém.
Mas eu sinto um vazio em muita gente, o vazio de propósito, um vazio de muito. E aí ela tenta ir para fama, para o dinheiro, para uma ideologia, e não vai preencher esse vazio, não.
Não, se fosse assim, você vê o número de suicídios tem aumentado barbaridade. Não sei se você nota assim, você quando vai nas redes sociais, fulano, 36 anos, morreu, você quer, morreu. Uma grande porcentagem ali é da pessoa tirar a própria vida. Não tem fama que segure isso, porque tem uma hora que é só você e você, não tem jeito.
Não sei se é um assunto que você vai chegar a abordar em algum livro futuro, mas eu acho que é uma preocupação de todo mundo, e deve ter muita gente acho que te procura, que é o lance da aposta, das bets, que é o grande assunto a partir da Copa, né? Porque ficou muito evidente a Copa, vamos dizer, quem ganhou foram as bets. É só grande, o grande premiação, o grande era, e não era uma, eram 10, 20, que era, cara, era elas concorrendo entre elas.
Não, foi a Copa que vai ser lembrada como a Copa das Best.
Você não sabia se aquilo que tava acontecendo era por causa de aposta, nunca você vai ter certeza. Só que eu tô falando do lado do ser humano viciado do que tá acontecendo, como tá corroendo a sociedade esse Eu não posso dizer porque eu não sou viciado, eu não aposto, nunca apostei, e é dificilmente, eu não é minha praia, mas tem gente que não consegue.
Olha, nos últimos 2 anos o índice de apostas já vinha fazendo bastante tragédias assim, Nordeste principalmente, Norte e Nordeste. E falaram que mulheres, né, estão sendo afetadas, mulheres também, é porque eu achei que era uma coisa mais masculina, de rapazes de 17, 18 anos que matou a mãe, matou o cachorro e se matou, né? Porque perde tudo de dinheiro e depois se matou. Eu fico pensando, eu brinquei, brinquei não, falei, infelizmente, quando começou a Copa eu falei, o problema não vai ser agora, agosto e setembro a gente vai ter um índice altíssimo de pessoa, dinheiro agora, é, a conta vai chegar depois, vai explodir agora em agosto agosto e setembro.
Então eu tô esperando.
Por quê? Porque essas pessoas pararam, né? A Copa para, né? Essa coisa assim, ah, vai dispensar do trabalho, vai não sei o quê. Mesmo jogo sendo de noite, tá todo mundo dispensa, dispensa. Então assim, nós vamos ter um boom ainda em agosto, setembro. E aí vai ter uma pessoa, gente, que não vai ligar, que é da Copa. E é da Copa.
O que acontece no cérebro? O que que acontece que a pessoa fala: eu tô perdendo dinheiro, isso tá me fazendo mal e eu não consigo parar? É parecido com droga?
É parecido com droga, porque assim, você pode ter uma dependência comportamental, de impulso de jogar, ou de uma substância. Para o cérebro funciona mais ou menos a mesma coisa. Mas tem uma coisa em relação aposta que você teoricamente, se teu lobo pré-frontal tivesse funcionando bem, racional, tomada de decisão, você começou a perder, você fala, pera aí, só que não tá legal, tá ruim para mim, tá ruim para mim.
O problema é que você vicia na rua, você toma uma porrada, você fala, vou sair da rua, vou sair da rua, não passo mais aqui.
O problema é que você vicia na expectativa de ganhar.
Eu vi um vídeo, não sei se já viu, que é O que que é aposta? Eu não sei se você que me mostrou, ou naquele grupo que a gente tem, que é um cara tá do lado e tem um buraco numa cerca. Aí ele, sei lá, ele coloca uma garrafa, uma latinha, e volta duas latinhas. Aí ele fala, ah, que legal. Aí ele coloca dinheiro, volta mais dinheiro. Aí ele coloca não sei o quê, aí não vem nada. Aí ele vai, aí tem uma hora que vem muito dinheiro, ele coloca tudo e não vem nada.
E ele começa a procurar mais coisa, não tem mais nada assim, porque a expectativa coisa boa.
Então o cara que joga, ele fala assim, mas eu quase acertei.
Ou ele ganhou uma vez e ele não lembra de todas as vezes que ele perdeu.
Exatamente. Eu ganhei, não sei como é que você começa a desligar o teu lobo pré-frontal, você perde essa capacidade. Então isso é o mais grave, você desliga uma área do cérebro que fala assim, cara, isso aqui não tá dando, não tá valendo a pena. Agora, e eu fico pensando vai chegar uma hora que eles vão ter que tomar uma providência, porque as pessoas, por exemplo, no Nordeste tava vendo uma coisa da Bolsa Família tá sendo usado para bet, tá afetando o comércio local.
Total, as pessoas não estão comprando comida, não estão comprando roupa, não estão comprando.
Então o que eles pagam de impostos não tá justificando o que tá deixando de arrecadar no comércio, né? No Rio o prefeito, que o Eduardo Paes saiu, né, e ficou Cavalieri, se eu não me engano, ele proibiu agora o anúncio de bet em qualquer evento. É um passo, é o primeiro passo.
Foi que nem cigarro.
Exatamente.
Que para quem não lembra, era comercial na televisão, gente jovem fazendo esporte e fumando Fórmula 1.
Era tudo tá focado por— e o argumento é sempre assim, shows, né? O argumento da Bet é tipo assim, ah, mas se fizer, o futebol acaba. Mas a Fórmula 1 não acabou, e tinha futebol antes, não tinha? Exatamente, não acabou pela questão. Agora, é difícil porque é um dinheiro muito fácil para quem é da sua imagem, para milhões e Milhões. Eu recebi muita proposta. Você recebeu também?
Recebi muita proposta.
Impressionante. Tem uma hora que você fala assim, de onde vem esse dinheiro, né? É muito dinheiro.
Se eles estão oferecendo isso para mim, imagina quanto eles estão faturando.
Exatamente. E aí chega um momento, você fala assim, vale?
Exato.
Não sei, não tô julgando quem faça, cada um, cada um. Tô longe aqui de julgar quem faça, mas não me era impossível.
Eu acho que essa, essa discussão daqui uns 10 anos ela vai ficar tão datada, né? Fala, cara, lá no passado, como que os caras deixavam esse negócio passar em jogo de futebol? Como hoje a gente vê propaganda de cigarro e no avião o pessoal fumando dentro do avião.
Cara, como que não existia, né?
Como que as pessoas andavam sem cinto de segurança? E quem usava cinto de segurança era, fala, puta, olha o bração, ó, tá com medo de andar comigo. Por que que você tá com cinto de segurança? Lembra disso, homem?
Não é da sua época. Você não confia em mim?
Você não confia em mim porque você tá usando cinto de segurança?
Você até citou o caso do diretor, ele capotou sem cinto.
Exato, é esse cara que capotou. Eu ia, eu ia, a minha mãe sem noção, né? Porque na época não tinha, eu ia no Fusca no pé dela, ela fazia uma caminha, eu ia deitado lá pequenininho na frente, na frente, naquele assoalho lá, cara. Hoje em dia é impensável, né? A sociedade evolui.
Então essa questão do bet, da bet, com certeza eu também acho que vai ser uma questão de tempo, porque o desgaste tá muito grande.
Vai valer a pena, né?
E essa coisa assim, jogue com moderação, não existe. É a mesma coisa que você liberar cocaína e falar, cheire com moderação. Não tem, não tem.
Pode cheirar, mas com moderação.
O que que é moderação para algo que vicia? A pessoa vai te dar uma facada, você fala, ó, com moderação, vai devagarzinho, vai devagarzinho. Então assim, eu acho também que daqui um tempo a gente não vai falar, meu Deus, mas isso aconteceu, aconteceu.
Pois é. Eu quero saber o que o pessoal quer saber.
Vamos lá.
Mas eu quero saber também o que é outrovertido, que você mandou aqui para gente.
Outrovertido, vamos lá.
Parece as palavras que que o Homer inventa.
É, na realidade não é uma doença, nada disso. É um autor, o Rami Kaminsky, que descreveu isso em 2025. Eu achei interessante porque ele fez algo entre o introvertido e o extrovertido. O introvertido é aquela pessoa que evita contato com muita gente, ele, ele quer ficar sozinho, ele não gosta gosta realmente de se relacionar. O extrovertido é o contrário, aquela pessoa que gosta de se relacionar e se reabastece no contato com as outras pessoas.
O outrovertido seria algo intermediário, é aquela pessoa que não tem dificuldade de se relacionar, vai, se relaciona, não tem falta de opção, diferente do introvertido, mas ele prefere intensifica em algum momento, a bateria dele é voltar para casa porque ele se reabastece nele. Então é o cara que tem a solitude mesmo, né? Eu sou um pouco extrovertida. Isso me chamou atenção porque eu pensei assim: eu não tenho a menor grilo de sair, de conversar, de bater papo, mas tem uma hora que eu quero voltar para mim.
E não é uma coisa assim, é como se eu precisasse voltar no meu mundo. Eu sou uma turista, sou uma turista no mundo. Aí eu vou, daqui a pouco eu quero pegar meu barquinho e voltar para ilha, entendeu? E isso, por incrível que pareça, me dá esse ócio criativo, me dá essa coisa boa. Eu achei interessante isso porque eu não me encaixava nem na introvertida, porque o introvertido ele vai na, ele sai, ele Estamos de volta aqui, o Rômulo.
Acho que as bets, a gente falou das bets, você viu o que aconteceu, derrubaram a gente.
Pois é, não pode falar das bets, cara.
Pode ser influência de alguém.
Mas vamos falar de outra bet. Vamos. Bet morreu, lembra dessa música? Lembro. Ó, quem que é o cara que deixou o celular ligado com despertador? Você viu que o despertador era a hora que era para derrubar a live.
Você viu?
Mas a gente tá falando de extrovertido, né? E eu ia falar uma coisa para a doutora e para você, porque eu tenho essa sensação de quentinho, sabe? Aquela coisa que eu tô num lugar que tá muito legal, porque eu tô num filme, eu tô numa festa, e eu já fico sonhando de eu chegando na minha casa aconchegante, na minha cama, ligando a televisão e não tendo hora para dormir. Sabe aquela coisa? Eu vou chegar, ficar sozinho.
Não é maravilhoso?
Nossa, muito legal!
E pijama? Eu sou fanática do pijama.
Não, eu sou do—
não, tudo bem, você é do sem pijama.
Cueca e camisa larga. Mas como eu tenho uma forma de pijama, mas depois que eu tive filho, eu sou do time de comprar pijaminha igual.
Aí quando ele tá aqui, ele tá com pijaminha, eu fico pijaminha igual, porque o pijama te te dá uma coisa assim, agora é você, é verdade, é verdade, agora é você. O pijama te dá essa coisa assim, esquece, agora essa é a roupa de dedicação a você. Eu tenho isso. Então eu tenho essa coisa assim, adoro sair com os meus amigos, gosto, me divirto, mas tem uma hora que eu quero voltar.
O pessoal quer saber o quê aí, Homer?
Vamos lá. A primeira pergunta, vamos lá, aqui é da Monise. Ela mandou o seguinte: quando a mesma história se repete, em que podemos relacionar com esse homem, um narcisista ou psicopata? Quando a história, pelo que eu entendi, ela só entendia, ela mandou uma pergunta bem confusa aqui. Vamos, vamos tentar traduzir. Quando a mesma história se repete em que podemos relacionar com esse homem, o narcisista ou psicopata?
Olha, geralmente, mas é a pessoa que se relaciona e se depara com narcisista ou psicopata, mais ou menos.
Vamos, vamos, vamos, vamos ver se a minha interpretação aqui ela está correta.
Seria como identificar quando a história se repete em que estamos nos relacionando com uma pessoa que é narcisista ou psicopata?
Olha, não é, não é difícil uma pessoa se relacionar com narcisista ou psicopata, porque nenhum deles chega na tua vida anunciando tragédias. São extremamente sedutores, os dois de cara, e só se revelam quando já tem ali a pessoa na mão, digamos assim. Então não é incomum que isso ocorra. Agora, ficar nessa relação já é diferente. Essa pessoa já tem que ter algum tipo de história com esse tipo de personalidade em que o padrão cerebral dela já é voltado para isso.
Agora, não é impossível uma pessoa se envolver, porque são pessoas muito sedutoras. Agora, identificou e continua, aí tem que ver se não tem uma história que faz essa história se repetir.
Tem a pergunta da Cláudia Espona. Ela mandou aqui, ó: boa noite a todos vocês, sou super fã da doutora aí do canal. Finalmente peguei uma live direto daqui da Suíça.
Olha que legal!
Como traz chocolate para gente aí?
Não, vou estar na Suíça, vou fazer uma palestra mês que vem, Genebra.
Será que ela tava sabendo? Vamos ver o que ela fala aí.
Vamos ver, né? Ela mandou uma pergunta: como cuidar da saúde mental visto que minha avó e minha avó tinha, tinha, né, ou minha mãe, não sei, né, pode ser. Agora, aos 63 anos, tem Alzheimer. Eu vou fazer 49.
Não, vamos ter calma, gente. Alzheimer, existem muitas causas, né, fatores para desenvolvimento que são absolutamente no seu controle: alimentação, atividade física, manter a manutenção de massa muscular. E outra coisa, o fator que mais predispõe, mais na frente da genética, existe a questão de você ter essa coisa cognitiva de novas informações. Então quem estuda mais, quem aprende mais coisas, tá protegido. E fazer muita musculação, músculo mesmo. Isso eu ouço Bomba, tá?
Músculo, o músculo. Tanto que o meu pai também tem mal de Parkinson, também falam para ele fazer muita musculatura, principalmente da perna.
Tem que fazer, principalmente coxa.
Tem a pergunta da Carla Pedias, ela gostaria de saber se ela, quando ela deve procurar um psiquiatra ao desconfiar de um princípio de ansiedade ou depressão? Quais são os sintomas iniciais?
Vamos lá, ansiedade é quando você tá o tempo todo com medo. Ansiedade e medo são as duas faces da mesma moeda. Então toda vez que você tá evitando alguns lugares, evitando determinadas situações, você tá com ansiedade. A pessoa ansiosa, ela tá sempre vendo o lado negativo das coisas. Então, ah, se eu for sair, vai acontecer isso, vai acontecer aquilo. Então agora tem sintomas físicos, uma pessoa mais ansiosa, ela começa a ter tacardia, ela começa a ter sudorese.
E o padrão para procurar é quando isso passa a intervir no seu dia a dia, tá te limitando em quê? No trabalho, tá te limitando na tua vida pessoal, tá trazendo transtorno no seu dia a dia, aí é hora de procurar, porque não vale a pena esperar para que isso acabe te paralisando, como desenvolvendo um pânico realmente. E também o acúmulo da ansiedade, principalmente disfuncional, ela acaba levando à depressão por uma exaustão mental também. Então você pode ter uma coisa, se não tratar, ainda vai se complicar com outra.
Tem a pergunta da Fernanda Cânis, ela quer saber: Ana, sou psicóloga e tenho certeza que meu tio tem transtorno de personalidade narcisista, só que meus familiares acham que é picuinha minha com ele. Tem algum conselho de como disseminar isso bem para os outros?
Olha, eu fosse você, eu não insistia em ser a porta-voz disso. Eu veria vídeos bons e mandaria para esses esses parentes, mas bons, pessoas que falam muito bem. Porque assim, o narcisista é difícil de identificar, é muito difícil, porque ele começa, ele tem lá o que a gente chama os macaquinhos voadores, né, que são aquelas pessoas que ele joga a informação justamente para quando alguém for falar mal dele, a pessoa falar: tá vendo, isso aí é picuinha, implicância.
Então provavelmente esse tio, se é narcisista, ele já fez a cabeça de todo mundo para tipo assim, olha, quando ela falar de mim pode prestar atenção, é picuí.
Vamos colocar o vídeo da minha mãe? Não sei se tem pergunta aqui, não sei se é só elogios. Eu pedi para fazer pergunta, espero. Ela fez pergunta, Fabinho? Então vamos lá, solta o vídeo da Dona Iraídes. Sabe se chamar ela de Iraíde? Ela fica brava. Vamos lá, não tá aparecendo aqui para gente, tá?
Aí tá sem áudio, tá sem áudio.
Deixa eu só colocar de novo aqui.
Bonitinha, tá de óculos novo, ou é filtro? Ou é aqueles filtros? É óculos mesmo, Fabi? É, é verdade, é, parece aqueles filtros que coloca de óculos, né? Se quiser ler no outro enquanto vocês arrumam, pode ler outra pergunta também, Roma.
Então vou ler a próxima pergunta aqui da Dani. Danicas, ela mandou o seguinte: o que mais surpreendeu a senhora após tantos anos ouvindo histórias de pacientes? O que isso ensinou sobre a natureza humana?
O que mais me me surpreendeu, é um arquivo que você tem aí, muita coisa me surpreendeu.
Mas deixa eu ver aqui, eu acho que pais que abusam de filhas, e isso me surpreendeu muito, eu fui procurada por um pai abusador de filha e esse pai ainda era pediatra. Então assim, e tentar me dizer que aquilo era normal, tentar me convencer. Eu acho que isso foi uma das coisas que mais me surpreendeu, mas também tive grandes surpresas positivas, tá? Muitas surpresas positivas, assim, generosidade, pacientes que te dá esperança, muito pacientes que foram perdendo a memória, mas que eu descobri que um dia a gente vai deixar de ser memória para ser sentimento.
Como assim? Eu tive uma paciente que ela foi perdendo a memória se apagando. Ela não me reconhecia mais, um Alzheimer mesmo. É, mas toda vez que uma— muito, muito, você deixa de ser, né? Você deixa de ser. Mas toda vez que o marido dela ia levá-la, o Geraldo, eu ia buscá-la, ela fazia assim. Aí eu falava, lembra de mim? Aí ela falava assim. Aí de repente ela olhava para mim Ela falava, não, mas eu gosto de olhar para você. Aquilo, aquilo era tão lindo, porque assim, eu não precisava mais ser uma lembrança, eu era um sentimento dentro dela.
Existia algo nela que conectava a mim.
Ela não sabia mais o meu nome, ela não sabia quem eu era, mas ela me olhava com uma identificação. Eu brinco que um dia a gente vai deixar de ser uma memória, mas para ser um sentimento.
Poxa, que bonito isso!
E isso me deu uma coisa, foi um dia que eu tive esse acesso assim, quando ela olhou para mim, falou, mas eu gosto de olhar para você, e o olhinho brilhava. Eu falei, eu sou um sentimento na vida dessa mulher.
Em relação à morte, né, não sei se a gente conversou já em algum outro programa sobre isso, essa ideia da finitude e de você continuar na memória, eu continuar por aqui. Eu não sei se eu já te contei aquela história dos mexicanos, né, das 3 mortes. Já te contei essa história? Não, não, que eu tive no México. A gente falou do México e um cara no hotel uma vez, a gente conversando, e eu queria saber por que que eles festejam a morte, né?
Sim, a festa, né, que eles têm Dia de los Muertos e tal.
E ele explicou que por aí eles é muito importante porque eles acreditam que a pessoa morre 3 vezes, né? E a primeira vez é quando você descobre que vai morrer, você entende que você— eu lembro exatamente quando eu me liguei que, pô, meus pais vão morrer, eu vou morrer. E aquilo para mim foi uma coisa muito pesada. A segunda morte é a morte mesmo, onde você deixa o seu corpo físico e tal. E a terceira morte, quando a última pessoa que te conhece lembra de você, lembra de você, deixa o seu nome pronunciado pela última vez.
Por isso que eles têm tanto essa coisa de manter os antepassados vivos, para que continue eu continue vivo nessa, nessa vida. E isso não me— essa ideia não me tira o peso da morte assim.
Pelo contrário, que você depende de alguém que vai lembrar de você.
Eu não vou estar aqui. Eu, eu gosto tanto disso que a gente tá vivendo, eu tenho tanto prazer nas pequenas coisas como esse momento que a gente tá aqui, ou qualquer outra coisa. Eu aprendi mesmo no momento difícil, e saber que isso é valioso. E deixar de sentir isso, por mais que a gente sabe que eu acredito na vida eterna e tudo mais, dá um sentimento de: e aí, tudo bem? As pessoas vão lembrar de mim?
Será que é assim? Será, por exemplo, será que a gente deixa de sentir? Eu acho que não. Engraçado, eu não tenho essa sensação. De alguma forma eu Quando eu falei que a Marlene, eu passei a ser um sentimento para ela, me deu uma sensação de eternidade, né? Porque assim, eu não acho que a gente deixa de sentir, eu acho que a gente sente de outra maneira. É porque a gente tá muito habituado a carregar essa estrutura, sensações, sensações.
Mas pode ser que a gente possa existir num quase como os espíritas falam do véu, né? Deve ser porque eles falam muito do tal do véu, que é, que seria uma matéria, uma matéria muito fina, muito fina, muito imperceptível, né? Sem massa, né? Que está, que está. Engraçado, eu acho que, não sei, eu tenho uma sensação que continua. Eu não acho, eu acredito, e não acho que que você perca sensações. É, não acho, sei lá.
Eu acho que pelo contrário, para mim, que eu não consigo que a gente volte.
Para mim, eu não sei se volta ou não volta, porque eu acho que quando você vai, continua, não precisa nem voltar. Eu acho que não faria sentido, né? Veja bem, por que que tem tanta matéria no universo?
Não, e só tem vida aqui, 90% é matéria que a gente é matéria escura, né?
Matéria escura. É para quê?
Porque tanta ausência, né?
Isso deve—
a gente não sabe o que é, que a gente não—
será que a gente não sabe? Ou será que não existe algum tipo de vida totalmente diferente?
É o que deixou de ser e é isso agora.
Exatamente. Porque a gente busca e não deixa de ser uma energia danada. Não, mas é isso que a gente falou, maior é mesmo que a gente consegue medir. Mais do que a gente conhece.
A gente mede, mas não sabe o que é.
Quem disse que não tem outras sensações, outras percepções? Porque a gente tá acostumado a falar da vida de matéria, disso aqui.
É muito limitado.
Eu acho que existe tantas outras possibilidades. Não sei, eu, pode ser que eu me engane.
Tava conversando anteontem com isso, né? Quando a pessoa perde a visão, começa a escutar melhor, começa a sentir cheiro melhor e tal.
Mas isso tudo a gente tá falando de corpo. Isso tudo a gente tá falando de corpo. Tudo que você falou aí, ah, vou sentir falta disso, disso, disso. Será que não abre outras coisas tão absurdamente diferentes? Exatamente.
Portais, né? Tá aí o vídeo da minha mãe, deu certo?
Deu.
Vamos lá, olha lá, tô confiando em você, hein? Tira o Pietro daqui do ambiente que tá lá.
Olá, boa noite, Doutora Ana Beatriz Barbosa, Doutora Bia. Queria tanto estar aí, né, para conversar, para te dar um abraço.
Dá uma pausa, por favor.
Muita saudade.
Eu pedi para ela só fazer a pergunta. Você viu o tempo? Você viu o tempo de tela que ela tá ganhando?
Mas ela é minha amiguinha, então ela quer fazer a dela.
Ela Ela fala assim, eu quero brilhar. Ela quer farmar aura.
Ela está farmando aura comigo.
Você viu o que ela falou? Eu vou me arrumar, eu vou colocar um óculos novo e agora eu vou farmar aura. Então farme aura, vamos lá.
Que bom que você se recuperou. Muito obrigado. Fiquei muito preocupada com a sua doença.
Sua mãe rezou por mim.
Você desmarcou todos os seus compromissos. Tem um momento que realmente gente precisa cuidar do corpo, da saúde mental, né, doutora? E muito trabalho, então tem que descansar, né? Já está recuperada, não está? Eu estou tão triste de não estar pessoalmente aí. Eu estou aqui na serra e eu queria vê-la pessoalmente e ratificar mais uma vez a pessoa maravilhosa que você é. Que mulher inteligente, guerreira, que profere as palavras, os seus conceitos de uma forma tão íntegra, tão objetiva, que eu tenho tanto orgulho de ser sua amiga.
Sou sua fã incondicional. Eu gostaria, eu vi o seu vídeo e eu ando muito preocupada, doutora, porque eu tenho netos, 27 anos, de 16, 27 o Daniel, 16 a Maria Eduarda, o Miguel com 13 anos. E o Noah, que vai fazer aniversário, o filho do Rogério do Vilela, que vai fazer aniversário amanhã, 9 aninhos. Então eu é muito preocupada com o que está acontecendo com essa juventude. Farmar aura, doutora, o que é isso? O conceito é muito bonito, né?
Mas como como a gente pode esperar um futuro melhor para os nossos netos, para essa juventude? Eu ando muito preocupada. Por favor, me dê uma luz, esclareça de uma forma objetiva, como você sempre faz. Beijinhos, meu amor. Muitas saudades. Quem sabe você pode vir aqui? Tem galinheiro, tem horta, e a paisagem é um paraíso para descansar. Não tem melhor coisa. Ô meu amor, saudades!
Beijinhos! Primeiro me emocionei aqui, né?
Fala bem a véia, né?
Porque eu olhei, ela rezou por mim. Faz muito ruim. E a reauração dela é forte, é forte, né?
Eu acho que eu sei o que ela quis dizer. Ela falou farmar aura, mas é a preocupação de tela, de conexão.
Mas assim, eu acho que farmar aura eu não me importo tanto.
É isso que a gente falou, não é questão de eu farmar aura, é a preocupação dessa nova geração e o que que ela, esse mundo que ela, que eles vão encontrar, né?
Não vai ser fácil, não tá sendo, não tá sendo fácil para gente, e a gente tinha uma referência. Então assim, eu acho que os mais jovens me preocupam mais porque eles não têm um mundo antes para dizer não, era mais legal, ou tinha esses valores. Então eu acho que a gente vai ter que dar a eles o sentido do que que é ser um ser humano. Eu acho que a gente vai ter tem que falar um pouquinho de filosofia com essas crianças, nem que seja em contar histórias.
O ser humano— outro dia a minha sobrinha neta— voltar a contar histórias para os filhos, isso é uma coisa fundamental que começou a parar de acontecer, né?
E aí eu me lembro, eu lembro de ir à noite pedir para minha mãe, para o meu pai contar história.
Mas nós temos que restabelecer isso, porque aí você tira o celular e faz uma outra conexão. As tradições humanas passam na contação das histórias em volta de uma mesa. Exatamente, a gente tem que ressuscitar isso.
Exatamente, quantas vezes ele reunia os povos para contar histórias.
E eu acho tão interessante porque assim, quando você começa a contar uma história, e aí você busca a humanidade das crianças. Eu tava conversando, contando uma história, não agora, já tem um tempo, que ela, Giovana, tá com 9 anos, Ela tinha 6 anos. Aí eu fui contar a história do príncipe que ia salvar a princesa, não sei o quê, não sei o que lá. Aí ela indo, indo, aí daqui a pouco eu falei: esse príncipe no meio do caminho desistiu, tá muito trabalho esse troço, ah, que saco!
Aí ela: não, não, tia. Eu falei: como assim? Olha aí, coitado, o monstro é grande. Ele falou: não, mas vai acontecer alguma coisa, alguma coisa, porque ele tá fazendo a coisa certa, é por amor. Eu falei, que nada, ele vai desistir. Não vai. Aí eu falei, de alguma maneira o certo e errado para ela já fazia sentido. O príncipe tinha que salvar a princesa. Aí eu falei, mas o cara é grande. Eu falo, não, mas ele vai ganhar alguma coisa, sabe?
Do tipo assim, uma pedra ia se revelar uma arma. Então eu acho que a gente tem que ressuscitar essas coisas básicas, essas histórias que despertam para o que é mais humano em nós. Porque a gente vem de fábrica, se tudo deu certo, a gente vem de fábrica com esse sensor do que é certo e errado.
Eu acho que sim.
E a gente tem que fazer esse sensor ficar ativo. O que tá acontecendo é que a gente tá delegando para as telas, delegando para os celulares, delegando para o feito uma nada. E isso não ativa o sensor, isso imobiliza esse sensor. Porque assim, o ser humano que é ser humano, ele vem com sensor. Um bebê com 8 meses, você leva numa pracinha, se alguém cai, chora, ele paralisa, ele faz uma carinha. Ele não tá entendendo nada, mas ele sabe que ali tem dor.
A gente tem que voltar a fazer isso. E aí não é mais dar o YouTube, a historinha lá, é contar as histórias. Porque o que foi contado por pai, mãe, avô, avó, não será esquecido, não será esquecido.
E a história dos antepassados, né, como que era antes, né?
Contar de uma forma que seja interessante para criança, né? Porque tem gente que fala assim, olha, eu vou te dar 10 nomes, é o seu bisavô, Não, faz uma coisa. Ele lá nem atua.
Como que você nasceu? Como que a gente veio para São Paulo? Sabe essas coisas? E o lúdico também, né?
O lúdico, não tem jeito. E eu acho, por exemplo, que os pais estão perdidos um pouco, tão muito perdidos. Eu outro dia botei um vídeo que eu fiz falando de um lá no Maranhão um diretor de uma escola que acolhia autistas, ele selecionava autistas nível grave, o nível 3, que são aqueles não verbais, para estuprar. Louco, né? É, mas já tá preso. E aí eu, uma mãe veio no meu direct, falou assim: doutora, eu tenho um filho que é autista nível 1, parará, Eu vou fazer o seguinte, eu vou botar esse vídeo para ele ver.
Eu falei, não, pelo amor de Deus, eu não sou de responder. Eu fiz áudio, falei, não faça isso. Pelo contrário, ele gosta de quê? De dinossauro, de não sei o quê? Quais são os bichinhos que ele gosta? Então você vai fazer uma ciranda de dinossauros e vai dizer, olha, tem um dinossauro que não é legal, que toca na gente, que não é respeitoso, mexe que mexer, não tem que mexer. Ensina através dos brinquedos o que é bom, que não é.
Se não faz ele sentir bem, não é bom. E aí ele vai identificar qual é o dinossauro, qual é o bichinho que não é legal, e vai falar para você. Pronto. Eu pensei assim, gente, eu fiquei tão assim que eu peguei o áudio e fui respondendo. Aí eu falei, ela vai se sentir ofendida, porque eu falei, pelo amor de Deus, não faz isso, não. Aí ela falou, nossa, doutora, muito obrigada, eu não tinha pensado nisso, eu vou fazer. E ela depois botou, eu fiz e deu certo.
Eu fiquei assim, gente, eles não estão sabendo mesmo, né? A gente tá esquecendo que os pais não estão sabendo ser pais.
E por quê?
Eu não sei, Laila. Se há uma coisa, eu nunca vi tanto caso de pais matando filhos, mães matando do filho. Eu acho que a gente tem que rever essa questão de todo mundo pode ter filho. Não, eu acho que a pessoa tem que entender que você é um intermediário de uma vida, você é responsável, mas não responsável porque para só dar de comer, ou— mas eu acho, se você não quer, não tenha, não tenha, faz isso.
Até para criar um gato e um cachorro dá trabalho, não é?
Se não quer fazer, ter trabalho, porque o afeto e joga na rua depois. Exatamente. Imagina, que é igual. Então assim, não quer ter trabalho? Não tenha, não tenha. Não é para qualquer um. Nem todo pai é São José, nem toda mãe é Ave Maria.
Exato. Fala, Romero.
Tem a pergunta aqui, ó, a gente tava falando dela e ela veio falar com a gente, que é a Beth. Pergunta da Beth Crepaldi.
Saúde.
Ela quer o seguinte: Doutora Bia, você é maravilhosa e empática. Pergunta: como lidar com a inversão de papéis quando nós filhos nos tornamos os pais dos pais, cuidando e zelando até afinidade deles?
Olha, eu acho, se tudo deu certo, isso vai acontecer. Tá acontecendo, tá acontecendo, tá acontecendo para mim também. Se tudo deu certo, chega uma hora que você vê que os pais envelheceram, você não é mais criança, Tá na hora de cuidar de quem cuidou de você. E eu acho que se a gente consegue isso, puxa, é uma dádiva a gente poder dar para quem já deu tanto. Eu acho bem bacana. Se tudo der certo, você vai virar um pai, uma mãe acolhedora de quem cuidou de você.
O Renato Souza, ele perguntou: o excesso de estímulos contribui de alguma forma para que o número de diagnósticos esteja tão alto de TDAH? As crianças estão sendo afetadas?
Eu acho que existe um excesso de diagnóstico de TDAH, porque assim, o fato da pessoa ser hiperativa, o fato da pessoa ter hiperatividade física, não necessariamente é um diagnóstico. De TDAH tem que ter uma história genética, tem que ter a instabilidade de atenção, tem que ter uma desregulação emocional e tem que ser desde sempre. O que acontece é que hoje você tem muitos quadros de TDAH que não são verdadeiros, são falsificados.
Por quê? Porque a criança não dorme bem, no dia seguinte ela não pode estar regulada, ela não pode estar com atenção, com foco, alimentação por exemplo, excesso de açúcar, principalmente o açúcar, você faz um pico de atenção e faz aquele pico de desatenção.
E aí ela precisa desse pico outra hora? Ela fica viciada?
Ela precisa? Não, não necessariamente, mas ela precisa de uma alimentação que dê sustentação. Por exemplo, carboidratos de ação prolongada. Quais seriam? Abóbora, aipim. Ao invés de comer o quê? Uma batata Ao invés de comer um macarrão, um macarrão puro, quando você bota o macarrãozinho com uma carninha, você quebra, né? Não absorve tanto. Ou então verduras, que você é fibra, você diminui. Então não dormir, as crianças hoje não dormem.
Por exemplo, qual a dificuldade que os pais têm para botar as chances para dormir às 8? 8 horas é a hora de criança tá dormindo. E aí, não, mais um pouquinho, mais um pouquinho. Um pouquinho. E aí eu acho que tem muito excesso diagnóstico e pouca visão do que que tá provocando aqueles sintomas que não necessariamente são um transtorno.
Tem a pergunta do Oliver, ele perguntou se a depressão afeta o raciocínio. Exemplo: ler errado, enxergar uma coisa e ler outra.
O raciocínio, a visão não, enxergar uma coisa e ver outra não, mas o raciocínio sim. Modifica o raciocínio. E muitas vezes, por exemplo, tem pessoas que confundem um início de demência com mais na realidade uma depressão. Então você tem um desinteresse, tá? Você tem um desinteresse, você tem— porque o que que é a depressão? É quando você começa a se desinteressar das coisas que você fazia antes, você começa a ter insônia, você começa a desesperança.
Então muitas vezes isso vai mexer com cognitivo, porque você perde o interesse das coisas. Então você precisa de interesse para poder aprender, para poder reter as informações. Então pode acontecer a depressão realmente dar uma queda cognitiva.
É pior, é pior a indiferença do que a tristeza em alguns casos.
É a anedonia, né, que seria a indiferença que você tá falando. Isso depende gente, porque você pode perder. Exatamente. Quando você começa a entrar naquele patamar de tanto faz como tanto fez, é um risco bem maior.
É, um amigo meu falou isso, ele falou que era pior essa sensação de que quando ele tava triste.
Com certeza. E tem que ter muito cuidado, né, quando você vai medicar, porque tem, tem medicações que podem fazer como efeito colateral essa coisa de não sentir muito.
Sério?
É. Então a gente tem que estar muito atento a isso, né? Existem pessoas, por exemplo, e tudo isso é na conversa, na conversa, porque você, a pessoa melhora, mas a pessoa fala assim, mas eu deixei de ter aquela coisa de ver um filme chorar de emoção, de não sei o quê. Falei, pera, pode estar fazendo um efeito colateral aqui que a gente tem que ver direitinho.
O Alexandre, ele perguntou se a fraqueza da próxima geração é responsabilidade da geração passada.
Falou isso agora, né?
Olha, eu acho que essa coisa da gente que teve muita dificuldade para fazer as coisas e conseguiu, e passar para os filhos que vou dar tudo que eu não tive, isso é uma coisa muito ruim. Não sei se você viu aquela matéria do Cristiano Ronaldo com o repórter.
Muito bom.
Você viu aquilo? Achei sensacional.
Filho da fome.
É porque ele chegou, o repórter tava: esse é o filho? Não, meu filho é maravilhoso, eu tô aqui com ele, eu já tô cuidando, ele treina, alimentação, tudo, tudo, tudo. Aí o repórter falou: e a fome? Não é a fome, o desejo, a necessidade que você não tinha nada, aquela coisa: não tenho nada, eu vou fazer para minha família. E aí você vê na cara do Cristiano Ronaldo, ele não era um controle que ele tinha. Então eu acho que ter necessidade, correr atrás de sonhos para mudar uma realidade, é, não dá tudo de mãozinha, não dá tudo.
Criança tem que ter frustração, criança tem que ter tédio, porque é no tédio que você começa a pensar sobre si mesmo, né?
Meu filho, quando tá dentro do carro, ele fica falando: quanto tempo para chegar? 25 minutos. Quanto tempo para chegar? 22.
É porque eles não têm noção do tempo, não tem noção do tempo. Tipo, aí você tem que falar, tipo assim, filho, vai demorar, arruma um trocinho aí para fazer, né? Tipo assim, porque vai demorar. Porque aí quando chegar ele vai falar, ih, já chegou? Então assim, eu acho que as gerações, a gente não pode dar tudo para os filhos, e a gente tem que deixar. Às vezes ele vai chorar, a gente pode acolher, mas a gente não pode dizer, ah, para de chorar, que isso, você tem tudo.
Ai, mamãe vai te dar um joguinho, vai te dar acolhe um choro, tem que lidar. E eu acho que os adultos têm muita dificuldade de ver a criança sofrer e só fazer acolhimento. Isso é tão fundamental, isso cria um vínculo de confiança.
É culpa?
Eu acho que a gente foi muito mal, a minha geração, a sua, foi muito mal relacionada a tipo assim: não, não para para chorar, vai para frente, vai para frente, vai para frente, não pensa nisso. Eu vi isso muito, engole o choro. Então assim, eu acho que sempre é uma geração é responsável um pouco, não por tudo, mas um pouco. E eu acho que a outra parte é a tecnologia, tornou as pessoas um pouco preguiçosas.
E a pergunta do Correndo para Cachorro, se tomar Vinvance virou moda.
O que que é o Vinvance? Que ele faz?
É uma substância Lisdexamfetamina, que é muito usado para quem tem TDAH, né? Olha, eu acho que virou uma moda, porque eu acho que tem muita gente tomando Vem Vans que não precisa. E isso acaba, faz bem, porque eu vou tomar para prova, eu vou tomar não sei o que lá. Teve uma época que tomava-se para emagrecer, antes das canetinhas tinha o Vem Vans que tirava o apetite. Eu acho que tem muita moda, acho que essa moda tem um preço, porque o Venvanse no início ele tem um efeito de ansiedade acumulativo.
Então primeiro mês é ótimo, segundo é ótimo, terceiro começa a dar insônia, começa a dar irritabilidade, que tem que ser visto. E a pessoa quer mais, né? A pessoa sempre acha assim, ah, eu tô ótimo, então vou dobrar a dose. E infelizmente hoje na internet você compra tudo.
Posso deixar o pessoal puto? Pode consultar então.
Vamos lá.
Claro que é uma brincadeira, né? Claro que a gente fala depois mais sobre isso, mas o meu principal problema, eu regulei tudo, atividade física, todos os exames, alimentação, tudo, tudo, tudo. Tô com pique, tô com, sabe, aquele cansaço não tem mais, mas o sono ainda eu não consigo dormir direito. Como que eu regulei tudo e o sono Chega à noite, parece que a cabeça fala: ah, você quer dormir agora?
Engraçado, não acho isso. Eu acho que você é um cara que a madrugada sempre foi aquela hora que você dizia assim: agora sou só eu.
E o corpo acostumou com isso.
Eu acho que o teu cérebro, ele tem uma coisa que é tipo assim: agora chegou a minha hora. Eu durante o dia eu fiz tudo que que fazer, cumprir meus compromissos. Agora sou eu. E qual cérebro vai querer dormir numa hora que você—
mas e se eu preciso dormir, o que que eu faço?
Você vai ter que se reestruturar, reprogramar, reprogramar no sentido assim, é ter hora certa para dormir. Acho que você tem pouca hora certa para dormir.
Mas se eu começar a ter hora certa, desligar tudo, e uma hora vai acontecer Vai, você vai, você vai ralar uns dias. Eu tô na gominha lá do melatonina 10, mas não tá dando certo não.
Se você zerar 5 dias sem dormir, não. Aí a gente tem que ver alguma coisa que a gente possa ir diminuindo.
Acontece assim, como eu não posso ficar sem dormir, eu acabo ligando para Fabi e desmarca as coisas de manhã, porque eu vou conseguir dormir lá para 6 horas da manhã, aí pelo menos durma até às 11 ou 5 ou 4 e tal. Mas eu não posso ficar nessa vida, né, esperando que eu vou só dormir quando lá de perto.
Mas que horas você vai deitar?
Ah, vou que acaba.
Olha, eu já vi uma coisa errada aqui, tá tomando café, né não, Fabi? Toma café como se fosse água. Por exemplo, hoje eu vou dormir mais tarde pelo cafezinho que eu tomei.
Eu já sei, a gente tomou café agora.
Ah, querido, antes de 1:30, 2, não vai. Tá, digamos que eu já sei, mas amanhã é sábado.
Mas digamos que, que tá, eu vá dormir, não tem problema eu dormir meia-noite.
Tomava tanto café?
Não tomava nada, nada, nada, nada. É para substituir o açúcar, né? É, mas aí arranja outro problema. Mas tudo bem, o café não me faz falta, posso não tomar café.
Mas se eu dormir de manhã para começar o dia, ok.
Mas se eu for dormir meia-noite, é um horário razoável, eu consigo dormir.
Olha, entre 11:30 da noite é bem legal, tá? Que é o que deveria ser, né? Mas você conseguiu dormir meia-noite? Mas você tem que ir para cama.
Não, eu consegui ir para cama 11 horas.
11, 11:30 da noite.
É que depois, que horas são agora?
Agora são 9:36.
Normalmente, mesmo que eu vou treinar, se eu for treinar agora, 11:30, vai, 11:30. 2 horas e meia eu vou para cama, tá?
Você vai treinar, você depois que treina fica mais relaxado, você fica mais relaxado. Ok, então pode treinar, não tem problema nenhum. Agora, uma hora antes, acabou o treino, tomou um banhozinho, relaxou, desliga tudo, mesmo a televisão, mesmo a televisão.
A televisão me ajudava a dormir, hoje em dia não ajuda mais, sabe aquele negócio daquele barulhinho lá? Então desliga tudo. Falaram de ler livro também.
Só sou muito chato.
Sério?
Aí não, né?
Alguma coisa muito chata.
Se eu me empolgar, né?
Exatamente. Porque assim, tem que ser algum manual de sei lá, não sei, alguma coisa muito chata.
E-mail do—
engraçado, uma coisa que funciona, as coisas que você me manda, texto do email. Uma coisa que funciona para mim, eu não tomo mais remédio nenhum para dormir há um tempo, é desligar tudo. Eu também tinha essa coisa, desligar tudo e eu começar a rezar. Engraçado, eu tenho sozinha, sozinha, não sozinha, aqui mentalmente. Olha, eu tenho, tá funcionando tanto que eu tenho 3 orações certinhas assim, cara. Dificilmente eu finalizo a terceira, eu tô invertendo a ordem porque eu tô sempre repetindo uma.
Tomei um negócio esses dias que eu tava lá na serra com a minha mãe E lá eu dormi, dormi pesado as 3 noites, mas eu tive que tomar lá. Depois eu falo o quê. Me deu certo, deu certo. Eu não queria ter que tomar esses negócios.
É, mas aí tem que ver também se você vai ter que dessensibilizar aos pouquinhos. Aí você fazendo uma coisa programada, isso aqui durante um mês, depois a gente metade, depois, e você já vai fazendo o virtual. Aí a gente tem que ver isso, porque o teu cérebro tá condicionado, tá condicionado, porque ele botou que a liberdade é a madrugada, a vida inteira foi assim. Então ele fica, oba, agora vamos só nós, agora vamos.
Só que a Fabi começou a marcar coisa de manhã e atrapalhou a minha vida, porque não tem mais horário. Aí agora ela enche de manhã de reunião. Hoje já tivemos que desmarcar, né?
Falei, Homer, tem a pergunta da Marcela Viana. Ela quer saber, hoje em dia vemos muitas pessoas entrando em burnout. Como identificar a diferença nos sintomas e para não confundir com depressão?
Olha só, o burnout é exaustão, é exaustão do trabalhador. O burnout, ele tá necessariamente ligado a má condições e funcionamento no ambiente de trabalho. Então assim, vai evoluir para uma depressão? Pode evoluir. Você primeiro tem um certo anestesiamento, uma irritabilidade, você vai mudando, mas no ambiente. O burnout, ele tá ligado às condições e o funcionamento no seu trabalho. Porque tem muita gente que deprime. Eu tive uma vez uma paciente que falou assim: ai, Bia, me dá um atestado de burnout aí porque eu tô precisando descansar.
Eu falei: querida, o que você mais desgasta você é o teu marido dentro de casa, que é uma relação tóxica, você já notou que se você parar de trabalhar você vai ficar mais tempo com ele? Não vai ter jeito. Ela olhou para mim, não tinha pensado nisso, achei que ia descansar. Eu falei, só se você mandar ele para fora de casa, aí pode ser para recuperar. Agora, se você ficar sem trabalho, eu vou te dizer uma coisa, era a hora que ela ainda florescia, né?
Então tem que ter muito cuidado porque exaustão do trabalho, aquele ambiente tóxico no trabalho, é o chefe que só critica, não valoriza, são os colegas que só competem, não colaboram. Então o burnout é do trabalho, não, não é diferente. Agora, pode estar relacionado ao trabalho, o desgaste do trabalho, entendeu? Viu, Fabi? Cuidado para ele não entrar em burnout.
E te culpar, você acha que eu cheguei perto de burnout de trabalho.
Chegou quase, menino. Você teve uma época, tava fazendo podcast de manhã, meio-dia, de noite. Quase que eu te mandei um recado. Pelo amor de Deus, onde esse trem vai parar? Tava, tava.
Mande a boa, hein, que é para finalizar.
Então, o Leonardo, ele perguntou: eu sou esquizofrênico, queria saber se a vitamina B3 diminui os sintomas da esquizofrenia?
Querido, olha só, dizer que diminui, eu diria para você que B3 faz bem para qualquer pessoa, mas para esquizofrenia você terá que sempre tomar medicação antipsicótica, sempre. E eu tô falando isso, adoraria falar que alguma coisa mudou, que a gente vai fazer um mecanismo de RNA, uma vacina que vai mudar. Por enquanto a gente não tem. Como dizer isso. Espero que um dia a gente tenha, mas por favor, esquizofrenia é um transtorno grave que faz você acreditar em coisas que não são reais, transtornam a vida e geralmente são delírios muito ruins, né, de que as pessoas estão te fazendo mal, de que as pessoas estão tramando.
Então eu diria que a melhor medicação que faça você ter uma vida melhor. Hoje em dia existem medicações muito interessantes que duram 1 mês, 2 meses. Nos Estados Unidos já tem medicações até que duram 6 meses que garante esse tratamento, que é o— tem aqui no Brasil o Invega Sustena, que é uma injeção que pode fazer isso com menos efeito colateral. Mas assim, se se cuide. O B3 pode te ajudar, dosa a vitamina para saber, mas não é um tratamento exclusivo.
Faz o quê no corpo?
É do sistema B, complexo B, melhora sempre metabolismo dos neurônios, né, do sistema nervoso, mas não é um tratamento para a esquizofrenia.
Obrigado, Rômulo. As canetas têm alguma coisa a ver com saúde mental? Essa, esse boom de canetas Depressor. Tem mesmo, olha, a gente vai ter talvez uma, uma epidemia, é uma epidemia de magreza.
Eu costumo dizer que a gente tem que ficar sempre atento. Não, a magreza já tá atento, você já sabe quem toma caneta, quem não toma caneta. Existe de processos que me parece que serão depressivos. Tem pessoas que deprimem com a caneta, não são todos, tem pessoas que deprimem, talvez tomando, mas me interessa. Não, não, mas isso assim, tem pessoas vão tomar, não vão ter. A gente tem que estar atento para o que tiver. Por exemplo, existe queda de cabelo com as canetas?
Existe, é um fato. Então assim, as mulheres sofrem mais ainda. Então existe isso. O que eu tô falando é que a gente não pode— é claro que você reduzir metabolismo de insulina, você reduzir insulina, gordura, tudo é indiscutível. Pré-diabético, já, exatamente, não tem como falar. A vantagem é muito grande para vários quadros que a gente tá vendo, né, de doenças crônicas, de tudo. Agora a gente tem que ficar atento, pode, existe uma queda de cabelo que pode ter que falar com seu médico, pode ser estimulado tornado.
Existe também uma questão de você ficar com uma perda de musculatura, de musculatura e também de elasticidade. Tem que ver, tudo tem como resolver. E existe pessoas que tendem a deprimir.
Sério?
Existe.
Qual seria a relação, será?
Não, a não ser que você nem tenha. Eu só tô falando, eu vi acontecer com pacientes. Ainda não se sabe a relação exatamente, mas a gente fica atento porque a mesma fabricante das canetas acabou de comprar um laboratório que produz um tipo de antidepressivo diferente. Não estou falando que as coisas estão relacionadas, mas é uma possibilidade por coisas que virão. Então a gente tem que estar muito atento ao que a gente tá sentindo.
Eu já vi gente não sentir nada, vi gente ter que interromper por efeitos. Por exemplo, não dá para tomar, usar caneta e beber.
Sim, por quê?
Porque altera as enzimas hepáticas, pancreáticas. Então você pode ter uma pancreatite. Então a gente tem que estar atento. Vale a pena? Vale. Agora tem que fazer com responsabilidade. É novo também, é novo. Mas você sente se você mudou o humor?
Não, eu não.
Gente que fica, então eu tô bem, você tá melhor? Exatamente. Então não é o seu caso, pelo contrário, você tá bem mesmo.
Obrigado demais, doutora. Obrigado.
Sexta vez na sexta-feira, tá bom?
Gosto disso, dessas coisas. E onde o pessoal te acha? O que que você está fazendo? Fazendo? O que que você quer divulgar?
Olha, eu tô, planos, projetos, tá saindo aí daqui a pouco um curso online que é dedicado à educação mesmo. Eu sempre disse que eu tinha uma dívida, acho que todos os médicos têm uma dívida com os educadores, porque é muito fácil hoje você pegar um atestado e falar assim, fulaninho tem TDAH, se vira aí. Não é assim, né? O professor não tem que fazer diagnóstico, professor não tem que fazer interpretações, saber o que medica, não saber o que medica.
Eu acho que tá na hora da medicina, da psicologia ajudar os professores, porque tá difícil para eles. Sem eles vai ficar muito pior para gente. Então assim, tá saindo esse curso, que é um curso de saúde mental mais para esse lado. Meus pais são professores, eu acho que Eu sou uma pessoa que ainda chama professor de mestre.
Pois é.
E eu acho que a gente tem que recuperar isso. Eu acho que tá na hora, tá no forno, tá sendo feito com o maior carinho e respeito por alguém que sabe que sem educação não tem, não tem futuro nenhum. E os professores estão muito sofridos. Então eu espero que mude.
Mas tudo isso o pessoal vai saber através das suas redes sociais?
Vai saber, vai saber. Um guiazinho com tudo, como agir, como responder, como se proteger também, né? Saber fazer um relatório, saber. E também pedir para as escolas que não adianta falar. Cultura é uma coisa que você tem que construir, porque se a escola não cuida de quem ensina, como é que ela vai cuidar de quem é ensinado? Então assim, Tá na hora de uma grande mudança. E eu acho, se a gente não fizer isso agora, daqui a 10 anos a educação é uma geração, é uma geração perdida, né?
Eu acho que tem isso. Eu acho que tem mais outras coisas aí, mas é para o ano que vem. Mas eu tô, palestras eu tô, eu não consigo deixar de fazer. O canal tá lá, né, que é o Pod People barra Ana Beatriz, que é tem alguma periodicidade ou faz quando dá? Toda semana? Não, toda semana tem episódio. A gente fez o Pod People inverso, né, que olha que interessante, quando eu fiquei doente eu descobri que, por exemplo, não deu tempo, tô viajando ou eu tive que parar muito tempo, pode ir para o inverso.
O Gabriel, eu viro a entrevistada, o Gabriel entrevistador, porque as pessoas diziam, ah, eu quero ver Eu quero ver mais você, eu quero ver mais você. E aí foi uma coisa que deu super certo. Pode Pipo Inverso, ele fala, o Gabriel é um nerd que trabalha comigo, meu filho do coração, meu nerd mesmo. E ele vai, pega os artigos, então a ciência da fofoca, a ciência da vingança. E aí levanta esse tema, a gente traz isso, ele vai fazendo as perguntas e a gente joga no telão uma aula pronta que ele traz em formato de aula.
Então tá sendo muito legal para os estudantes em geral. Isso é uma coisa. Vou voltar a entrevistar as pessoas também.
Espero ir lá, hein?
É, não, tá na lista, tá na lista. Tô voltando agora porque eu tive que me redividir, né? Agora em setembro tô indo de fazer a turnê da Europa que eu tive que cancelar em maio. Por isso que a sua mãe falou, ligadíssima. Suíça, nós vamos para Lisboa novamente. Que Portugal, nossa, que carinho! Não sai na rua, é surreal, é surreal. Porto, Lisboa, vou para Braga, vou para Londres e vou para Genebra.
Que legal!
Legal, hein?
E a gente vai para Osasco, Diadema, Carapicuíba. Você vê a diferença, né?
Que nada, você, eu queria assistir também. Quando é que eu queria assistir também?
O quê?
Eu nunca te vi fazendo teatro.
Sério?
Sério?
Nunca chamarei. E tô indo ver o Eclipse com o Sérgio Sacani semana que vem, já na Espanha, né? Dia 7, vamos para Espanha. Eclipse total do sol, que só vai ser visto lá.
A gente vai transmitir essa sacanagem maravilhosa, né? Ele é muito legal.
Complicado isso aí, né, cara? Já pensou juntar, juntar os dois aqui? Vamos ver se é legal, hein? Programa especial, sou fã, sou fã. Episódio 2000, estamos perto, 1896. Como que você termina o episódio de hoje, querido Homer?
Bom, conseguir mais para você que chegou no final desse papo. Se você ainda não deixou seu like, tá panguando, então deixa aí o seu like, se inscreva no canal. Ele é das gírias, você viu? Supimpa, né? E agradecer também os nossos patrocinadores. Nós temos a Contabilizei, o G4, e também a Embalixo, que tá patrocinando o episódio de hoje.
Todos têm link na descrição, certo?
É isso aí.
E o que que o pessoal escreve nos comentários para provar que chegou até o final desse papo maravilhoso? Maravilhoso.
Para provar que você chegou no final desse papo maravilhoso, coloca aí Farmar Aura.
Farmar Aura. Escreva Farmar Aura e já tem aqui um programa logo em seguida. Você não precisa nem sair, já entra no programa direto aqui depois.
Não é isso?
Então fechou aí. Fiquem com Deus, beijo no cotovelo, tchau, e que bom que vocês vieram.
Valeu!
As opiniões e declarações feitas pelos entrevistados do Inteligência Limitada são de exclusiva responsabilidade deles e não refletem necessariamente a posição do apresentador, da produção ou do canal. O conteúdo aqui exibido tem caráter informativo e opinativo, não sendo vinculado a qualquer compromisso com a veracidade ou exatidão das falas dos participantes. Caso você se sinta ofendido ou tenha qualquer questionamento sobre as declarações feitas neste vídeo, por favor entre em contato conosco para esclarecimento.
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