Episódios de Inteligência Ltda.

1893 - SAÚDE MENTAL NA ERA DA ANSIEDADE: DANIEL LOPEZ

30 de julho de 20262h22min
0:00 / 2:22:12

DANIEL LOPEZ é jornalista, professor e pastor. Nesse episódio de “Ligando os Pontos”, ele vai bater um papo sobre Inteligência Artificial e sua relação com a ansiedade nos dias de hoje. Já o Vilela fica ansioso quando acabam as mensagens grátis do ChatGPT.

Participantes neste episódio2
R

Rogério Vilela

HostApresentador
D

Daniel Lopes

ConvidadoJornalista
Assuntos10
  • O passado e o futuro da inteligência artificialDeepfakes e uso governamental · Perda de empregos e profissões · IA como terapeuta e psicóloga · Aquisição da Anthropic · Elon Musk · Maquiavel, Descartes e Adam Smith
  • Psicologia e PsicanálisePaul Witz e comentários a Freud · Inconsciente e complexo de Édipo · Influência na arte e cinema · Três feridas narcísicas da humanidade
  • Mal Moral HumanoFreud e o Id, Ego, Superego · Moralidade cristã e ocidental · Obras de Dostoiévski e Shakespeare · Reinado de Asa
  • Feridas Narcísicas e LinguísticaTrabalho de Copérnico (Terra não é centro) · Teoria da Evolução de Darwin · Psicanálise como ferida narcísica · Ferdinand de Saussure e linguística · Hipótese Sapir-Whorf
  • A presença de DeusAssim Falou Zaratustra · Ludwig Feuerbach e materialismo · Vontade de Potência (Wille zur Macht) · Genealogia da Moral
  • Mercado de TrabalhoProfissões em risco de extinção · Devs e a IA · Manutenção de aeronaves e responsabilidade · Código de Hammurabi e responsabilidade
  • Teologia e DoutrinasOrtodoxia Radical · Teologia como mãe das ciências · Steve Fuller e sociologia do conhecimento · Apóstolo Paulo e teologia cristã · Tom Holland
  • Declínio do gênero super-heróisNossos Deuses São Super-Heróis (livro) · Aleister Crowley e Lex Luthor · Sansão e Rei Davi como inspiração · Guerra oculta da Grã-Bretanha · Contos de H.P. Lovecraft
  • Desalinhamento entre vida e identidadeFoucault e o Super-Homem · Transcendência e Imortalidade · Mudança de gênero e aposentadoria · O homem como ser criado por Deus
  • Vício em Redes SociaisSistema 20-20-20 · Big Techs · Impacto no cérebro e demanda
Transcrição558 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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RVRogério Vilela

Olá, terráqueos, como é que vocês estão? Eu sou Rogério Vileira, tá começando mais um Inteligência Limitada, o programa de limitação da inteligência acontece somente por parte do apresentador que vos fala. Hoje a Aquele programa semanal especial que vocês tanto gostam, que é Ligando os Pontos, não é?

?Voz C

Exatamente.

RVRogério Vilela

Meu pequeno Bigoda. Bigoda, é o seguinte, você tem que assistir Odisseia logo.

?Voz C

Tem que assistir, cara. Eu tentei assistir ontem, não deu.

RVRogério Vilela

Semana que vem vamos fazer um programa com o Daniel sobre Odisseia e você vai ser, como fala, impelido a participar ativamente.

?Voz C

Perfeito. Eu não li, não conheço a história. Eu sei que existe, que é antiga, mas eu não sei de nada.

RVRogério Vilela

Antiga quanto?

?Voz C

Alguns milênios de anos.

RVRogério Vilela

Ah tá, pensei que você ia falar 1980, né?

DLDaniel Lopes

Quando minha mãe era criança.

RVRogério Vilela

Da sua época, né, Vilela? Quase que você meteu uma dessa, né? Ô, Bigoda, como vai ser a participação do pessoal na sua live especial?

?Voz C

Cara, hoje vai ser uma live muito especial porque ela é dedicada lá para a galera do grupo do Telegram, né? Que são os membros do canal. Exatamente, eles têm vários benefícios. Você descobre clicando no botão Seja Membro que tá aí embaixo, tá? Então corre lá, deixa o like, se inscreve no canal também para ajudar a gente, tá certo?

RVRogério Vilela

E é isso aí, tá certo? Então já deixa o like e vai mandando as perguntas.

?Voz C

Primeiro a gente lê as dos membros, né, que tem prioridade aqui, mas também tem um Super Chat, pode mandar aí. Legal.

RVRogério Vilela

Eu sou Rogério Vilela, então me sigam lá no Instagram, @vilela. E você, como que o pessoal te acha e como você se apresenta para quem nunca te viu?

DLDaniel Lopes

Pô, tranquilo, vou passar o endereço lá de casa. Tô brincando, não faça isso, cara, tem uns louco aí. Queridos, é só procurar Daniel Lopes com Z que você vai achar meu canal no YouTube ali fácil e vai achar também o Instagram e eu faço live de segunda a sexta ao meio-dia, sempre comentando as notícias ali, fazendo uma análise geopolítica. Às vezes a gente encaixa ali uma análise também de macroeconomia, setor financeiro. Então é bem legal.

E assim como a gente faz aqui no Ligando os Pontos, é claro, misturo também filmes, séries, às vezes entra teoria da conspiração, porque a gente precisa se divertir também, né, liberar uma, uma, uma, eu ia falar adrenalina, né, ou citocina, né, os neurotransmissores, né, que nos dão ali a aquela sensação de prazer, né? Então é só Daniel Lopes com Z, meu canal no YouTube, no Instagram, de segunda a sexta ao vivo. Na verdade, eu tô soltando os vídeos finais de semana agora também, cara.

RVRogério Vilela

Você viu agora domingo, sábado, eu vi um vídeo, falei, ué, foi legal.

DLDaniel Lopes

Eu tô, eu peguei um jeitinho de fazer editado com imagem que a galera tá começando a gostar. Eles falam, pô, agora tá muito mais legal com imagem, você comenta, a gente vê. Então eu tô fazendo um treininho em casa, um intensivão para melhorar o uso das imagens, né? Tá ficando legal, parece que a galera tá gostando.

RVRogério Vilela

Boa! E além disso tem aí o QR code e o link da Arca também para quem quiser ser inscrito lá, né?

DLDaniel Lopes

Com certeza, lá a gente vai mais arquivo, né?

RVRogério Vilela

Exato, vídeos, informações, sugestões bibliográficas também, muita coisa.

DLDaniel Lopes

Então na Arca ali a gente dá dica prática, não só de filmes e séries, a gente faz comentários também, uma curadoria, mas também ali proteção patrimonial. A gente tá falando muito sobre holding patrimonial, seguros. Então eu sempre trago ali uns amigos ali que são especialistas, porque a Arca na verdade tem a ver com a Arca de Noé, que é você se proteger do dilúvio. Então a Arca ali a gente dá dicas de empreendedorismo, educação financeira também, até educação de filhos ali para você se proteger desse mundo estranho em transformação que a gente tá vivendo, né?

Principalmente na área econômica, a gente vê essa guerra lá no Irã, o Estreito de Ormuz, energia tá impactando muito o mercado, né? Muita tendência de inflação alta, do dólar subir. Então como é que se protege disso?

RVRogério Vilela

Em um ano o mundo vai ser totalmente diferente. Em dois então a gente vai ver transformação com certeza que a gente nem imagina.

DLDaniel Lopes

Então a gente tem que se antecipar um pouquinho às tendências, mas não é assim, ah, se acontecer eu me preparo. Não, já começou. Já começou.

RVRogério Vilela

É só reconhecer os padrões.

DLDaniel Lopes

Exato.

RVRogério Vilela

Reconhecimento de padrões. Dito isso, o pequeno bigoda, solta a vinheta para a gente aí.

?Voz C

Vamos lá.

RVRogério Vilela

E estamos de volta agora com Ligando os Pontos, o programa onde você já sabe temos um tema central e temas aleatórios, temas que não tem nada a ver com o— aparentemente não tem nada a ver com o tema, mas no final você entende que está tudo interligado. Temos o que é fato, o que é teoria e o que é especulação braba e que a gente se diverte contando. Imagina se acontecesse isso, entendeu?

DLDaniel Lopes

Claro, what if? Isso ia acontecer.

RVRogério Vilela

Porque a gente fica lendo e vendo muito vídeo de pessoas especulando e com informações que a gente não sabe se é verdadeira. Então a gente fala, mais para frente elas se confirmarem, você já soube em primeiro aqui, mas a gente avisa. O que é fato, o que saiu na grande imprensa e o que é boato.

DLDaniel Lopes

A gente não adianta avisar, a gente sempre avisa, mas é o nosso disclaimer.

RVRogério Vilela

Eles falaram que tal coisa ia acontecer, a gente não falou. A gente mostrou um maluco na Austrália ou aquele chinês falou tal coisa e algumas coisas dessas acontecem e outras não.

DLDaniel Lopes

É tipo assim, o cara chutou o cachorro. Aí você concorda com isso? Não, só estou citando que o cara chutou o cachorro.

RVRogério Vilela

Então você agora é a favor de chutar o cachorro?

DLDaniel Lopes

Então você é a favor de maldade com os animais? Muito pelo contrário, tá maluco. Inclusive, a Bíblia fala para tratar bem os animais. Para quem não sabia.

RVRogério Vilela

Tema de hoje, o que que vamos falar?

DLDaniel Lopes

Então hoje a gente vai falar da era da ansiedade, porque eu tenho ouvido falar muito de era da ansiedade, já tá sendo usado, tá sendo usado. Inclusive o Brasil é considerado, acho que o país, eu não tô enganado, depois me ajuda aí, mais ansioso do mundo.

RVRogério Vilela

O Brasil ao mesmo tempo é considerado um dos mais felizes e ansiosos também.

DLDaniel Lopes

É, eu não sei se a gente pode um pouquinho na antropologia, né? Tem um livro, pô, eu vou pedir para o Bigode me ajudar aí, se é do, acho que é do Roberto da Mata, O que faz?

RVRogério Vilela

Bigoda tá com moral aí no chat. Pessoal falou que ele é muito rápido para achar as iguais. Então eu manteria essa fama aí, hein, Bigoda.

DLDaniel Lopes

Achei que ia falar que ele era muito gato e tal, mas ele não aparece, né? Inclusive ele já é comprometido também, que a Ana Júlia já pescou.

RVRogério Vilela

O nosso querido Bigoda.

DLDaniel Lopes

Já era, meninas.

RVRogério Vilela

Para de ficar curtindo foto de gostosa, que eu sei que você faz isso. Eu vou em umas meninas lá no Instagram que tem foto curtindo.

DLDaniel Lopes

Mentira, meu Instagram tá desativado. Só não sei por que ele desativou, né?

RVRogério Vilela

Eu só queria ver se ele concordava ou não. Você não curte, né?

?Voz C

Não.

RVRogério Vilela

E ele é Vilela também, você sabia?

DLDaniel Lopes

É mesmo? É. Ah, então rolou um nepotismo aí. Não tem nada.

?Voz C

O meu é Vitor Vilela, né?

DLDaniel Lopes

Vitor Vilela.

RVRogério Vilela

VV.

DLDaniel Lopes

Seu pai sabe disso, Vilela?

RVRogério Vilela

Você não é de Minas não, né?

DLDaniel Lopes

Não.

RVRogério Vilela

Minha família vem lá de Minas, não tem nada a ver.

?Voz C

Não, meus pais são de Pernambuco.

DLDaniel Lopes

Ah, então é menor.

?Voz C

Eu sou de São Paulo.

RVRogério Vilela

Ah, deve ser Teutônio Vilela, daquela, não é de lá? Deve ser da mesma família do Teutônio Vilela, né?

DLDaniel Lopes

Será?

RVRogério Vilela

Você não foi atrás das raízes?

?Voz C

Eu não fui.

RVRogério Vilela

Não vá, que vai que eu te der alguma coisa.

?Voz C

E a idade bate, né?

DLDaniel Lopes

A idade bate.

RVRogério Vilela

Procura as imagens aí, não enche o saco. Eu vou interagir com ele é só por lá.

DLDaniel Lopes

Eu demorei um pouquinho para entender a idade bate. Eu falei, não, mas ele não tem a mesma idade. Que eu pensei irmãos, né? Não pai e filho. Mas vamos lá. Então, Roberto da Mata, se eu não estou enganado, inclusive um dos maiores antropólogos do Brasil, eu acho que ele é meu conterrâneo, acho que ele é de Niterói. E o Roberto da Mata, se é ele que escreveu esse livro, vou pedir para o Bigoda conferir, O que faz o Brasil, Brasil?

Ou seja, o que torna o Brasil um país único? Quais são as características peculiares? E aí vai dizer que o Brasil é um povo cordial. Aí a gente pensa assim da cordialidade, assim, um povo educado, né, recebe bem, mas não é apenas isso. É, acertei, né, Roberto da Mata mesmo. O que faz o Brasil, vírgula, Brasil, né? Inclusive colocaram o primeiro Brasil com letra minúscula, né, você viu? Pois é, né? Acho que só para dar um movimento ali, né?

Dá uma descalibrada. Então, extremamente interessante, né? Porque a gente está conversando aqui, pô, mas o Brasil, país mais feliz, mas também é o mais ansioso. A gente pode chegar a entender melhor isso através da antropologia, né? Antropologia, antropo é homem, né? Logia, estudo. Então, antropologia, ela vai estudar o homem, só que a gente está falando mais de uma antropologia cultural. Antropologia cultural, ela vai estudar o homem enquanto símbolos, valores, como ele se organiza em sociedade, né?

Então nesse livro, Vilela, ele disse que o brasileiro é um ser cordial, mas não é só cordial de, ah, eu recebo bem os visitantes. Cordial no sentido que faz tudo com coração. Então assim, o brasileiro quando é carinhoso é muito carinhoso, mas quando ele é violento também é muito violento. É só você ver as malignidades são feitas no Brasil. Então é tudo muito visceral, muito na emoção, intenso nesse sentido. Então eu acho que o Brasil quando é feliz é muito feliz, e quando ele se preocupa, ele se preocupa demais também, né?

RVRogério Vilela

E talvez seja Condições econômicas, políticas também não ajudam para a gente não ser ansioso.

DLDaniel Lopes

Então, no contexto atual, inclusive foi muito bom você falar isso, que foi um dos incentivos para eu começar a pesquisar esse tema da ansiedade, foi olhar o noticiário falando, ó, Brasil tem 80% da população endividada, Brasil tá com 52% da população inadimplente. Porque uma coisa é o cara tá pagando a parcela, outra coisa ele tá com parcela atrasada, né?

RVRogério Vilela

Então, qual é a porcentagem?

DLDaniel Lopes

É mais ou menos 80% endividado e 52% inadimplente.

RVRogério Vilela

Mais que a metade do pessoal não tá conseguindo pagar.

DLDaniel Lopes

Mais da metade já tá com conta atrasada. Então é lógico, óbvio que isso vai desembocar numa ansiedade também.

RVRogério Vilela

Então aí, a escola do meu filho, eu vou pagar aí, eu esqueci de pagar o último boleto, eu tô nesse 52 aí já chegando.

DLDaniel Lopes

Então é por isso que eu tô incentivando muito esses dois pilares, Vilela, que é a questão da saúde mental e a questão também da educação financeira, para o cara se organizar. Então cada vez mais, se você achar conveniente, eu vou trazer mais esse tema aqui para ajudar a galera, porque tem muita coisa que eu vou estudar para mim, eu falo, por que que não compartilha? Vou compartilhar com a galera, né? Inclusive, né, uma compaixão cristã também, né, de não esconder coisa boa que eu aprendi.

Não vou ficar escondendo, né? Eu vou compartilhar. Então, Vilela, o Brasil é um dos países mais ansiosos do mundo, ainda mais agora com esse cenário que você tá falando, o custo de vida muito alto. E é claro que quando a gente pensa em saúde mental, a gente vai pensar em psiquiatria, psicologia, psicanálise. E dentro da psicanálise a gente tem o Freud. E aí eu esbarrei alguns anos atrás com um professor, não fisicamente, mas com a obra dele, chamado Paul Witz, que é um senhor que tá vivo ainda.

Ele foi professor da Universidade de Nova York, hoje ele é professor emérito, ele é aposentado. E ele começou a fazer uma obra de comentários a Freud que eu achei extremamente interessante E eu gostaria de trazer um pouquinho o trabalho do professor Paul Witz hoje para tentar ajudar um pouco a galera.

RVRogério Vilela

Por quê?

DLDaniel Lopes

Qual o problema? Freud, ele é o pai da psicanálise, obviamente, né? É um médico ali, um psiquiatra que desenvolve essa técnica. Ó, o professor Paul Witz aí. E ele trouxe conceitos fundamentais no mundo hoje, né? Como a ideia de inconsciente, complexo de Édipo e tal, né? Coisas que moldaram não só os estudos da saúde mental, mas a A própria psicanálise, né? E a arte também, né, Vilela? Que eu sei que é uma área que você gosta muito, eu também.

Quando a gente pensa assim numa arte surrealista, tem muita inspiração na psicanálise freudiana, né? Aquelas ideias dos sonhos, né?

RVRogério Vilela

Todas aquelas pinturas do Salvador Dalí que a gente vê, relógios derretendo, aqueles animais com aquelas pernas de lâminas, né?

DLDaniel Lopes

Cavalo com a pata gigante, né? Não só nas artes plásticas, mas cinema também, né? Tem o filme famoso que é do Salvador Dalí com Buñuel, que é O Cão Andaluz, né? Que é loucaço, né, o filme. Então assim, a psicanálise teve uma influência monstruosa, né? Então isso vira um modelo de terapia de saúde mental e vira também um todo um espírito de uma época ali, né? Um zeitgeist ali da psicanálise. Inclusive o próprio Freud aqui um pouco puxando a sardinha para si mesmo, Ele fala sobre as 3 feridas narcísicas da humanidade.

Que que seriam as feridas narcísicas, né? O narcisismo é o cara que se acha o tal. Agora, a ferida narcísica é aquilo que diz para você: aí, meu irmão, você não é tão bom assim não. Então são 3 feridas que Freud aponta que fazem eu— é, faz eu—

RVRogério Vilela

que eu não sou—

DLDaniel Lopes

é, que faz o cara falar: acho que eu não sou tão importante não. Não o indivíduo, mas no conceito do ser humano. É, a humanidade não é tão importante assim dentro do contexto do universo, da do planeta Terra. É assim, dentro do cristianismo é porque é a coroa da criação de Deus. Mas inclusive, se você é cristão, Jesus fala: sejam mansos e humildes como eu sou. Então você não vai falar: eu sou o cara porque eu sou filho de Deus, então vou subjugar tudo, vou dominar, vou virar um pequeno tirano.

Não, também não é assim. Tem a sua importância, mas também não é, não é algo para você se vangloriar. Inclusive A Bíblia nos ensina: olhe para o próximo como se ele fosse maior do que você. Ou seja, nunca olhe de cima para baixo, olhe como se a outra pessoa fosse mais importante do que você, porque assim você vai acabar respeitando as pessoas, né? E ao contrário do que tá acontecendo hoje com inteligência artificial, a ideia do ser humano tá perdendo muito valor.

A gente até poderia dizer, eu tô especulando aqui, nem tinha pensado nisso antes, que o advento da inteligência artificial substituindo a mente humana É mais, seria a quarta ferida narcísica, entendeu? Seria mais uma paulada.

RVRogério Vilela

Você não é mais necessária nem para pensar, essa máquina te substitui, entendeu?

DLDaniel Lopes

Então isso é, isso é mais um elemento de ansiedade. A gente vai falar um pouquinho mais para frente sobre isso, mas o fato da inteligência artificial tá substituindo a característica mais peculiar do ser humano, que é o poder de raciocínio, né, e a autoconsciência, né, o pensamento, isso força o ser humano a repensar qual é o seu próprio lugar no mundo, né? Porque tem uma máquina que tá aí fazendo tão bem quanto, daqui a pouco muito melhor, né?

Então já é uma coisa interessante. Então a obra do Freud, ela permeia essa história da humanidade. Voltando nas 3 feridas narcísicas, né, que Freud coloca: a primeira ferida narcísica é o trabalho de Copérnico, porque Copérnico chega e fala: olha, o sol não é o centro do universo. Quer dizer, a Terra não é o centro do universo. Não tem mais a ideia do geocentrismo, a Terra está no centro de tudo, tudo gira em volta da Terra. Ele fala, não, o Sol, no nosso sistema solar, o Sol está no meio.

Então já dá aquela desmerecida, né? Você fala, pô, acho que eu não sou tão— o Sol tem muito mais força do que nós, né? A segunda é meio óbvia também, né? Darwin chega e fala, não, o homem não foi criado por Deus, ele evoluiu das espécies e tal.

RVRogério Vilela

Assim como todas as outras.

DLDaniel Lopes

Eu não creio nisso, né? Eu não sou evolucionista, mas a ideia— você pode falar, eu não concordo com Darwin, mas ele existe. A Origem das Espécies foi escrita, né? E isso foi uma ferida narcísica terrível, que os cara falaram, poxa, então as coisas acontecem sozinhas sem depender de Deus.

RVRogério Vilela

A gente veio do macaco, tem toda aquela discussão. Isso é uma simplificação, claro, a gente não veio do macaco.

DLDaniel Lopes

Mas mais uma paulada de tipo assim, ó, meu irmão, tu não é tão importante assim não. E a quarta ferida, a terceira, perdão, é a própria psicanálise. Então o Freud, que inventou essa ideia das três feridas, ele se coloca, né, como a— é tipo assim você falar, ó, o maior podcast do planeta Terra, o Joe Rogan, eu, né, você já se coloca no, né, inteligência limitada. Você fala, ok, irmão, você tá falando de uma ferida narcísica, mas você tá se exaltando, você tá meio narcisista, né?

Você se coloca lá no mesmo nível de Darwin, o revolucionário da parada. Mas a ideia é essa, né? 3 feridas no conceito de que o homem é muito importante. A primeira: a Terra não é o centro de tudo, é o Sol, né? Pelo menos no nosso sistema solar. A segunda é a teoria da evolução, né? Dizendo que o homem pode ter evoluído naturalmente, sem depender ali do plano de Deus. E o terceiro, que é a psicanálise. Aí a pergunta que fica é, Vilela, por que que a psicanálise ela seria uma ferida narcísica nesse sentido?

Porque o que o Freud traz É a ideia de que existem forças que estão ali escondidas na minha mente que me dominam, que me controlam. Então não sou tão livre como imaginava, nem tão autônomo. Eu sou pilotado por pulsões e desejos que estão ali escondidos ali e que acabam definindo quem eu sou, o que eu faço, o que eu gosto, o que eu não gosto. Então é uma ideia de que existe um sistema maior do que você que limita sua liberdade de ação, entendeu?

Então é por isso que a psicanálise seria a terceira ferida narcísica, né? Tem gente que coloca o advento da linguística com o Ferdinando de Saussure, porque a linguagem é um sistema que você chega ao mundo, esse sistema já existe, e você tem que jogar esse jogo que já tá dado. Então você só consegue se comunicar e se entender a partir da linguagem. A linguagem é um sistema que tá reduzindo, é, ele te limita e tá acima de você.

É claro que alguém poderia falar, não, vou inventar um idioma novo. Existem casos disso, né, o esperanto, por exemplo, né, mas é tudo sempre misturado com outros. As línguas que Tolkien inventa, tudo inspirado também em língua celta, no árabe e tal. Então a linguística, ela determinaria também, seria uma superestrutura debaixo da qual a gente opera, né? Tem um livro interessante para caramba que é do Michel Foucault, que é A Ordem do Discurso.

Nesse livro ele fala assim, foi o livro, é um livro pequenininho, é fácil de ler, deve ter umas, sei lá, 80, menos de 100 páginas, E dependendo da edição, obviamente. E é a palestra dele quando ele assumiu como professor no Collège de France. E aí, exatamente esse aí, ó, é interessante para caramba. É aula inaugural do Collège de France, né, em 1970. E ele chega, ele fala uma coisa muito interessante, que ele fala assim: eu gostaria de não ter que tomar a palavra, mas apenas mergulhar no fluxo contínuo da linguagem que já vem acontecendo desde que o homem começou a usar os idiomas, né.

Então a linguagem é algo que já vem acontecendo e você se entende como gente no mundo onde a linguagem existe e você não tem muito o que fazer, você tem que se adequar às regras da linguagem. Tem uma outra teoria interessante, se a galera quiser mergulhar um pouco mais, que é a hipótese Sapir-Whorf. Como é que escreve isso? Até para ajudar o bigode ali. Sapir, S-A-P-I-R, aí tem um tracinho, né, porque são dois caras, né, Edward Sapir e o outro que é o Whorf.

É, o outro é WHORF. Essa teoria é muito interessante, Vilela, porque é a teoria do relativismo linguístico. Qual que é a ideia? Cada idioma expressa uma visão de mundo específica. Tá aí a duplinha dinâmica, né? Vou dar um exemplo aqui para galera. É a ideia de dinheiro. Cada idioma tem um conceito diferente do que que é o dinheiro. Por exemplo, em alemão A palavra dinheiro é Geld, né? E Geld tem a ver com Gelb, que é amarelo, e com Gold, que é ouro.

Então, em alemão, a ideia de dinheiro é ouro. Em francês, o dinheiro é l'argent. L'argent tem a ver com Argentum, que é a prata, né? Argentina, né? Mar del Plata aí, segundo lugar, né? Então, enquanto na Alemanha dinheiro é ouro, na França é prata. Aí você fala no— e nos Estados Unidos, money tem a ver com a ideia de moeda, né? Moneda. Então money tem a ver com moeda. E a palavra dinheiro, então dinheiro tem a ver com a palavra grega que é denário.

Denário é uma diária de trabalho, é o que você recebe por um dia de trabalho. Então você vê quem que tá com mais grana, né? Olha, irmão tá pensando em ouro, o francês tá pensando em prata, a gente tá pensando só na diária do trabalho ali, né? Então por que que eu tô citando isso? Mostrar como é que a linguagem segundo essa teoria, no relativismo linguístico, a linguagem ela tem um poder tão grande que se eu cresço dentro de um, usando um idioma, ela determina como é que eu enxergo o mundo, entendeu?

Então é por isso que alguns dizem que a linguística, que surge com Ferdinand de Saussure, que é o suíço, que pai da linguística, né? E lembrando a galera, né, que vocês me veem aqui no YouTube, mas às vezes não sabe, eu tenho mestrado, doutorado em linguística, por isso que eu gosto desses assuntos. E o Ferdinand de Saussure, ele deixou uma obra póstuma, né? Ele não escreveu nenhum livro. Os alunos que começaram anotações, depois publicaram os livros dele, que é o Curso de Linguística Geral.

Então existe essa ideia, né, de que Copérnico, Darwin, Freud e talvez a linguística fossem essas 4 feridas narcísicas. Então o que que acontece, Vilela? Com essas 4 feridas narcísicas, o homem começa a ter uma angústia. Que tipo de angústia, cara? Agora eu tô na dúvida de quem eu realmente sou, o que que eu tô fazendo nesse mundo, né? De onde eu vim, para onde eu vou? Começa começa a gerar ali as angústias existenciais. E aí é claro que Freud ele vai tratar desse assunto das angústias existenciais, principalmente no livro chamado Mal-estar na Civilização, porque eu acho que ninguém, ninguém vai negar que existe um mal-estar na civilização hoje, né?

Existe uma ansiedade que tá aí bem documentada e o pessoal tá se sentindo meio angustiado. Só que para o Freud o mal-estar na civilização ele tem mais relação com Aí, essa é uma das, tem dezenas de edições, né? Essa é uma delas ali, Mal-estar na Civilização. Em alemão é interessante porque é Das Unbehagen, né, que é o mal-estar, in der Kultur, ou seja, o mal-estar na cultura, na cultura, né? Poderia ser traduzido por cultura, né?

O mal-estar na cultura. Por que que ele tá falando mal-estar na cultura? Na verdade, ele tá falando de uma cultura, que é a cultura ocidental, e a cultura ocidental tem como base a moralidade cristã ou judaico-cristã. Então, o que que ele vai dizer? Ele diz, olha, o inconsciente é formado pelo id, o ego e o superego. Que que é isso? O id é como se fosse os instintos. Você olha assim, um cara te xinga na rua, você fala, vou arrebentar.

É aquela vontade de fazer algo, né, um instinto. Então, o id seria aquela coisa mais instintiva, apesar de que id e instinto para Freud não são idênticos. Tô só ilustrando aqui. Então é como se o id fosse o diabinho que fala: vai lá e mata. Ou então: a mulher é bonita, você achou linda, vai lá e beija. Só que aí, o que que tem? Existe uma força que te freia, fala: não, rapaz, não faz isso não. Se você fizer isso, você vai ser preso. A moral, a ética, que é um convênio da sociedade, né?

RVRogério Vilela

Que muda de tempo em tempo, muda de tempo em tempo, com certeza. Numa época, você matar outra pessoa era justificado.

DLDaniel Lopes

Exato.

RVRogério Vilela

Você quer a casa dela, vai lá e mata.

DLDaniel Lopes

Não apenas de tempo em tempo, de lugares para lugares muda também, né?

RVRogério Vilela

Quando Religiões, né? Você vê, no Islã tem um tipo de coisa, o trato com mulher aqui é outro.

DLDaniel Lopes

Exato. Foi por isso que as grandes navegações trouxeram esse impacto, porque os caras chegam aqui no Brasil, por exemplo, Hans Staden, né? E tem até a obra lá, Como Era Gostoso Meu Francês, né?

RVRogério Vilela

Que ele foi comido.

DLDaniel Lopes

Os caras eram canibais, né? Imagina, imagina o cara. Eu não me lembro se isso é um filme ou um livro, esqueci agora. Depois vê aí, bigode. É, o Hans Staden chega aqui, ele fica escandalizado. Foi, pô, os cara, eles se devoram. As tribos indígenas, quando vencem as outras, devora os caras, até por um sentido espiritual, para ganhar o poder, meio Highlander, né? Lembra do Highlander, que quando matava o outro você puxava o poder dele, né?

Tinha uma parada meio assim. Então é um choque cultural, né? Você vê que não é contemporâneo, é na mesma época, mas a mudança geográfica faz você entrar numa cultura ou num um quadro, é o livro mesmo, né? Como Era Gostoso Meu Francês. Já tem ali, né?

RVRogério Vilela

Tem até a piadinha. Então a gente conhece Moebius, né?

DLDaniel Lopes

O quadrinista da fita lá de Moebius.

RVRogério Vilela

Não, não, o Moebius, o quadrinista francês que era da Metal Hurlant, famoso para caramba, inspirou Quinto Elemento e vários outros filmes, Blade Runner e tudo mais.

DLDaniel Lopes

Um dos filmes prediletos meu, Quinto Elemento.

RVRogério Vilela

E ele tem um conto Não sei se foi ele que escreveu, eu acho que não foi ele que escreveu, ele desenhou. Depois veio aí O Homem é Bom, do Moebius, que era essa questão, é uma questão do se o homem era bom. Então é um astronauta, cai num planeta, num planeta qualquer, tem uma civilização lá que pega ele, ele acha que tá sendo tratado como deus e não sei o quê, né, e tal. Aí no final come um pedaço do braço dele, cospe fora, tipo, o homem é bom. Tipo, o homem não é bom, experimentaram e cuspiram fora.

DLDaniel Lopes

Legal pra caramba. Cara, essa ideia que você falou me lembrou de um livro que é vencedor do Nobel, que é O Senhor das Moscas. Você lembra?

RVRogério Vilela

Vai ter uma série agora.

DLDaniel Lopes

Vai ter, cara. O Senhor das Moscas é um estudo sensacional sobre isso também, porque então o avião cai com as crianças na ilha e os adultos morrem, e as crianças precisam sobreviver.

RVRogério Vilela

Cria toda uma sociedade, né?

DLDaniel Lopes

E aí eles rapidamente descamba para tirania, pois é, a ditadura total. Porque você vê, sem esse esteio moral, sem essas regras, as crianças ali, sem a presença do adulto, que fosse, seria esse superego, vira um caos, vira uma anarquia.

RVRogério Vilela

Então você vê uma criança, ela quer uma coisa, ela quer.

DLDaniel Lopes

Exato.

RVRogério Vilela

Independente se vai pegar de outra criança, ela toma o que ela quer.

DLDaniel Lopes

Não, então inclusive tem até um exemplo lá de casa, né? Lá em casa tem uma diferença de 8 anos para minha filha mais velha, que é a Sofia, para o Danielzinho, que é meu filho. O Danielzinho, quando ele era bem pequeno, ele veio reclamar um dia comigo. Ele falou, pai, briga com a Sofia. Aí eu falei, por quê? Aí ele falou, pô, toda hora que eu vou bater nela, ela se mexe, ela não fica parada, eu não consigo bater. Aí, quer ver? Aí ele chegou perto dela e tentou bater, ela se mexeu.

Olha aqui, ó, ela não fica parada. Ou seja, não tem noção nenhuma, né? Ele tá se irritando porque ela não está deixando ele bater nela. Ou seja, essa consciência moral ainda não foi formada. Só que o problema, Vilela, aqui é que para o Freud, a gente tá pensando aqui qual é a maior fonte do mal-estar na civilização e como resolver isso, porque sofrimento é desagradável demais. Para o Freud, o problema é o seguinte: você tem os instintos, você tem o ego, que sou eu, que tá ali no meio desses estímulos.

Então, de um lado você tem a vontade de arrebentar o outro, e do lado você tem a consciência moral que fala: faz isso não, que é errado. Inclusive existe uma punição, você vai ser preso, você vai ser processado. Então, para Freud, o problema é a consciência moral. É a consciência moral que freia os instintos de serem realizados. Então isso gera o quê? Gera os sintomas, gera as angústias. Então o que que acontece? O professor Paul Witz, ele, esse que a gente mostrou, ele escreve um livro muito interessante.

Vamos ver se o bigode consegue achar para gente, que é Psychology as Religion, a psicologia como uma religião. Lembrando que não é opinião minha, eu tô falando de um psicólogo da Universidade de Nova York. Só para fazer o disclaimer, que daqui a pouco os cara tão falando, ah, o Daniel tá achando. Não tô achando nada, tô citando a obra de um cara que tem currículo para falar isso. Psychology as a Religion, The Cult of Self-Worship.

Psicologia como religião, o culto da adoração a si mesmo. O que que ele tá querendo dizer? É muito interessante isso, ó, é sensacional esse livro, né? Eu pesquisando sobre essas questões aí de saúde mental, pode descampar para isso mesmo, a psicologia, se você não tomar cuidado, descampar para uma religião onde você é o centro, né? Então essa a tese dele, que é tipo assim, Freud no Mal-estar na Civilização, ele vai falar, o problema que nos deixa angustiado é porque a moralidade que vem do cristianismo fica falando para você não fazer as coisas.

Se não tivesse isso, tava todo mundo feliz. Aí você fala, mas pô, se não tivesse isso, acho que tava uma anarquia total, né? Tava guerra de todos contra todos, né não? Então aí você fala, peraí, mas o mundo hoje tá meio anárquico, né? Então parece que a galera não quer mais seguir regra, quer fazer o que quiser.

?Voz C

Né?

DLDaniel Lopes

A gente tem até, isso vai se impregnando até pelo direito. No direito existem linhas, por exemplo, do abolicionismo penal, que quer defender que para certas práticas não tenha mais punição, não seja mais crime determinada prática. Aí você fala, cara, eu acho que isso vai gerar um caos na sociedade, né? Talvez essa seja uma das causas pelas quais a sociedade tá caótica mesmo, porque em determinados sentidos algumas instituições e projetos assumiram essa ideia do Freud, que é melhor não ter regra, é melhor deixar tudo largado.

Não era isso que Freud falava, mas ele aponta o cristianismo como um problema. E ele vai colocar não só o cristianismo, mas o judaísmo, catolicismo como problema, a religião em si. Ele vai fazer isso diretamente não só no Mal-estar na Civilização, no livro que ele vai falar sobre as ilusões também, mas principalmente no livro Moisés e o Monoteísmo. Foi o último livro dele. Ele arrebenta com a ideia de Moisés, diz que Moisés não era judeu, era um egípcio, e essa ideia do monoteísmo foi uma coisa horrorosa que só trouxe problema.

Então, é, o Paul Witz, que é um psicólogo de alta patente, ele aponta uma espécie de problema dentro da psicanálise, que é o seguinte: Freud demoniza Deus, demoniza a religião. E talvez se ele não fizesse isso, ou se a gente fizer uma psicanálise que não demoniza Deus, ela poderia ter uma abrangência de soluções maior, um poder de ajuda maior nesse sentido. Então é muito interessante essa ideia, porque você vê, por exemplo, no livro Totem e Tabu do Freud.

Nesse livro, ele é curioso porque ele pega uma ideia completamente especulativa e coloca assim, apresenta como se fosse fato consumado. Qual que é a ideia? Ele diz assim: a primeira tribo humana Aí você fala, como é que ele sabe disso? Mas ele tá falando da primeira tribo humana, uma hipotética. É, aí, ó, Totem, ele já pegou em alemão já, hein? Totem und Tabu, né? Tem para gente, é, depois você pegar umazinha em português aí, né?

Acho que eu falei lá do mal-estar na civilização alemã, ele já foi, né, da Sumberragen.

?Voz C

É, então ele fala assim, Mas eu entendi, mas eu não vou ficar.

RVRogério Vilela

Hemorroida, eu sei o que é. Então você não sabe o que é afta? Afta também. Então afta, hemorroida, zíden.

DLDaniel Lopes

Agora que eu entendi, cara. Afta arde, né?

RVRogério Vilela

E a hemorroida, idem. É que nem falar setembro chove.

DLDaniel Lopes

É, é. Depende, no Brasil eu acho que chove, né?

?Voz C

Chove.

DLDaniel Lopes

Ele pensou para o Guns N' Roses em novembro, que é November Rain, não é September Rain, né? Então, Vilela, é o professor Paul Witts, cara, ele vai falar o seguinte: olha, é, olha o totem tabu. Freud chega e fala assim: a tribo original da humanidade, só o macho alfa, o pai de todos, Quase que Odin, né, Father of All, pai de todos. Só o macho alfa que tinha acesso às mulheres, os outros homens não podiam ter relação com ninguém.

O pai que tinha relação com todas as mulheres. E aí um dia os filhos desse pai falaram, poxa, esse cara é meio covardia isso, né? A gente quer se divertir também. E aí eles matam esse pai. E quando eles matam esse pai, eles logo se arrependem. E eles, eles estabelecem o tótem, que é uma imagem deificada desse pai que eles mataram, como se fosse um deus esculpido na madeira. E o tabu, que é o tabu do incesto: eu não posso ter relação com a minha mãe nem com as minhas irmãs.

Então ele vai dizer o seguinte, que a ideia de Deus, ela dá origem aos tabus da sociedade e geram essas regras que muitas vezes fazem com que os meus desejos não sejam realizados. Isso me gera angústia e sofrimento, entendeu?

RVRogério Vilela

Mas o budismo, que também fala que todo problema tá no desejo, né? O desejo é a fonte de todos os problemas.

DLDaniel Lopes

Sim, mas aí que eles já acham que é positivo você aprender a controlar os desejos, né? Você vai ver isso em algumas linhas hindus também, né? Próprio Mahatma Gandhi, ele— aí é um outro livro que é legal para caramba, Esta Noite é Liberdade. Sensacional esse livro, fala da independência da Índia, todo o movimento de resistência pacífica do Gandhi. Aí você vai ver nesse livro que num determinado momento da resistência pacífica dele, ele que era casado, ele chega para mulher e fala: tô fazendo voto de castidade.

E ele fez o voto e nunca mais teve relação. Esta Noite é Liberdade, legal para caramba esse livro, é um tijolinho. Eu tenho exatamente esse antigão, cara, essa capa aí. Dos anos 80, é aquela capinha meáspira assim, granulada assim. Então, dentro dessa cultura mais oriental, vê-se como uma coisa nobre e positiva você resistir aos desejos, né? Já na concepção que Freud está desenvolvendo, Deus é um problema, a ideia de pai é um problema, porque o pai seria o interdito, não, o pai é aquele que fala não pode.

Então o que que acontece, Vilela? Olha que interessante, começa-se uma demonização da religião, uma demonização do cristianismo e uma demonização da figura do pai. E aí daqui a pouco você tem uma cultura que pratica isso, que demoniza a figura do pai, que demoniza a autoridade, que demoniza as regras da sociedade. E aí a gente fica surpreso hoje quando a gente olha para a sociedade, ela tá meio caótica, é porque essas coisas foram sendo implementadas, né?

Então a grande questão que o professor Paulvich traz É o seguinte, é, e se Freud ele errou quando ele achou que a solução seria você eliminar essa, esse mal-estar na civilização através da desconstrução do cristianismo, da cultura ocidental? Porque na verdade, se você tira essa base, você pode trazer uma série de problemas. E aí, qual o problema que você traz? Geralmente, quando Deus tira o homem do lugar, tira Deus do seu lugar, ele vai botar alguma coisa.

O Iluminismo tirou Deus e colocou a razão como o novo Deus. E hoje, na tese do professor Paul Witz, a psicologia, em muitos casos, ela tira Deus do seu lugar e coloca o próprio homem. Só que ele vai dizer: o homem não tem condição de ser Deus, é uma tarefa muito pesada para ele, ele não suporta para dar conta de tudo, para você ser o A referência para todas as coisas, né?

RVRogério Vilela

Quem falava que Deus está morto?

DLDaniel Lopes

É, o Nietzsche tinha essa ideia, né?

?Voz C

No—

DLDaniel Lopes

aí já tem que ser alemão, né? Also sprach Zarathustra.

RVRogério Vilela

Vai lá, trouxa!

DLDaniel Lopes

Assim falou Zarathustra.

RVRogério Vilela

Quer se mostrar?

DLDaniel Lopes

É, então no Assim falou Zarathustra, o cara tá lá, o cara tá orando Aí o maluco chega para ele e fala: aí, ó, você tá orando aí por quê? Falou: não, tô orando, pô, tô conversando com Deus. Aí fala: mas você não sabia que Deus morreu não? É, pô, não sabia não, né?

RVRogério Vilela

E qual que é a teoria dele?

DLDaniel Lopes

Então, a teoria é o seguinte, que do Nietzsche, a ideia é o seguinte: a sociedade ocidental, ela tá começando a matar Deus. E quando a sociedade ocidental começa a matar Deus, quando ela faz o quê? É quando você começa a desenvolver uma filosofia ateísta que depois vira uma cultura ateísta, né? O primeiro filósofo ateu de verdade foi um cara chamado, alemão também, né, Ludwig Feuerbach. Inclusive, o sobrenome dele é meio profético, né?

Porque Feuer é fogo, né? Bach é rio. Ou seja, o cara já, para os cristãos, já tá condenado ao lago de fogo e enxofre, né? Ele é o pregador do inferno, né, o Feuerbach. Inclusive, Marx, quando vai estar começando ali a sua jornada na filosofia, ele estuda muito Feuerbach, ele escreve as teses sobre Feuerbach. Né? Então tem até uma edição muito legal do idealismo alemão do Freud, que ele vem colado com um apêndice, tem as teses sobre Feuerbach.

Porque aí, o que que acontece ali, Vilela? Você tem Freud pregando ateísmo ou materialismo ou naturalismo, né? Ou não é naturismo não, tá? É naturalismo. Naturalismo é que tudo é natural, não tem nada espiritual. Assim, naturismo, que é o lance, naturismo, né? Ir para praia e, né, ficar querendo pegar sol em parte que geralmente não pega o sol, não pega.

RVRogério Vilela

Eu acho tão desconfortável isso, pessoal que gosta disso. Já viu os caras aí, tem barzinho, aí o garçom também tá sem nada, trazendo uma bandeja, você comer coisa quente e pode cair no negócio.

DLDaniel Lopes

Ó, vou te falar, eu tava lá ali perto de Vigo, na Espanha, com meu pai e tal, e aí tava frio para caramba, ventando. Tem uma ilha que eu esqueci o nome dessa ilhazinha, que você vai de carro, você atravessa a ponte, na ilha tem a universidade lá de de Vigo. E nessa ilha tem uma praia de nudismo. E de repente, cara, num frio terrível, tava a senhora à vontade. E aí eu olhei, tinha um maluquinho que tava fazendo bicicleta, ele parando, falou: senhora?

RVRogério Vilela

Ou várias pessoas?

DLDaniel Lopes

Ela do nada, sozinha, de boa, tava sol, mas tava frio para caramba. Ela lá tranquila, só com única peça de roupa, era um chapeuzinho. Ah, não tava pelada para não pegar sol.

RVRogério Vilela

Que susto!

DLDaniel Lopes

Ela queria pegar sol em outros lugares, não pegar sol no rosto. Aí o cara parou a bike, ficou fingindo que não tava olhando ele. Aí ele ficava olhando assim. Aí meu pai, o que que foi? Querendo pegar para ver no celular.

RVRogério Vilela

Porque topless é mais normal, né? Você vai na praia, tava total.

DLDaniel Lopes

Acho que tava zero, apesar de que eu não consegui enxergar direito, tava muito longe. E é claro que eu tava com a família, ia pegar mal para caramba. Já mandei meia volta, vou ver, né? Mas achei engraçado o cara que parou a bike e ficou dando migué. Fingindo que, né, não parei aqui para dar uma— E é claro que a mulher tava vendo que o maluco tava ali olhando para ela, né? Então assim, Freud chega com essa ideia de que Deus não existe, aí Marx também, Feuerbach também.

Então surge o materialismo, e o materialismo, ele, claro que ele vai trazer uma angústia, porque você, a tua vida perde o sentido a princípio. Pode ser que o ateu fale, eu não creio em Deus e minha vida tem sentido. Mas se você pega uma sociedade que está acostumada com ser eu sou um ser humano que foi criado por Deus a sua imagem e semelhança, você fala isso é mentira, o cara fica sem chão. Então isso gera ali uma angústia, né?

Gera algo inclusive, aí tem algumas obras bem interessantes. Hoje a gente vai precisar dos escribas anotarem os livros aí, que eu nem eu lembro já tudo que a gente já falou de livro, filme, série. Anota aí para galera. C.S. Lewis, ele tem um livro sensacional sobre isso e foi escrito no contexto pós-Segunda Guerra Mundial, que é uma época que os cara pensa assim Pô, será que Deus existe mesmo? A gente viu tanta maldade, né, tanta morte, gera uma dúvida.

E aí até foi legal porque a BBC de Londres chamou o C.S. Lewis, falou, cara, vem ajudar a gente aqui porque a galera não acredita mais em Deus e eles estão perguntando como é que a gente pode continuar acreditando em Deus depois ver disso que fizeram na Alemanha, que fizeram em tantos lugares. E aí ele dá uma série de palestras na BBC de Londres e isso vira um livro muito legal que vai tentar defender a ideia de que é legítimo você continuar acreditando na existência de Deus mesmo com as atrocidades, que é cristianismo puro e simples.

Em inglês é Mere Christianity, em português é cristianismo puro e simples. Mas não é sobre esse livro que eu queria falar, eu queria falar sobre Abolição do Homem. Nesse Abolição do Homem, C.S. Lewis, ele vai dizer, é isso, cristianismo puro e simples. Você olha assim, acha que é um livrinho, mas esse é mais parrudo. O Abolição do Homem é um pouquinho menor, que é mais branquinho com vermelho. Quer ver? Se pegar essa edição aí da HarperCollins.

No Abolição do Homem, o C.S. Lewis fala assim, cara, se— ali, acertei, viu, meu gato? Branquinho com vermelho, Abolição do Homem.

RVRogério Vilela

Legal esse padrão de capa.

DLDaniel Lopes

Você achou maneiro? Legal, né? Legal. É uma edição especial, capa dura, né? Eu tenho essa coleção lá em casa. Essa coleção muito boa. Na verdade, HarperCollins, aproveita e manda para o Vilela de presente.

RVRogério Vilela

Cadê HarperCollins?

DLDaniel Lopes

É, pô, vou atrás não. Pera aí, Vilela, eu conheço a galera.

RVRogério Vilela

Conhece mesmo?

DLDaniel Lopes

Conheço. Samuel, Samuel Couto. Pronto, conheço. Meu conhecimento, tô esperando agora, por favor, né? Vamos aprender a fazer um jabá bem feito aí, pô, né?

RVRogério Vilela

Depois do que a gente tá fazendo, pô, pelo amor de Deus.

DLDaniel Lopes

Senão não vou falar mais dessa edição, não vou falar. Pega só em inglês. Mas é HarperCollins, mas é internacional, né? HarperCollins Brasil. Então, nesse livro ele vai falar, cara, se não existe uma moral objetiva— o que que é moral objetiva? Existe o bem, existe o mal, independente da tua opinião. Se você parte do princípio que isso não existe, cara, a ideia de homem também perde o sentido. Você não sabe mais o que que o homem é.

E essa é a discussão que Nietzsche estava tendo, porque Nietzsche ele começa a desenvolver com essa ideia de Deus não existe, ou Deus morreu, no Assim Falou Zaratustra, Daqui a pouco ele tá falando sobre vontade de potência, alemão Wille zur Macht, vontade de potência. Daqui a pouco, como assim vontade de potência, cara? Se Deus não existe e não tem certo e errado, eu quero tudo que eu quiser mesmo, tudo que eu desejar eu quero ter.

Ah, mas e se isso, se para chegar onde você quer você tiver que passar por cima de alguém? Problema dele. Então é a doutrina do forte, que é o forte vence, o fraco é destruído. Problema de quem é fraco. Então isso tem uma série de questões também ali meio biográficas do Nietzsche, né? Porque Nietzsche, ele tá vivendo numa época que a Alemanha não é um país ainda, não é um estado-nação ainda. Você já tem ali Portugal, Espanha são países, mas França e Alemanha— França não, perdão, Inglaterra já é um país.

A Espanha já é um país, Portugal que foi um dos primeiros estados-nações modernos, mas Alemanha e Itália não são países ainda. Alemanha e Itália virariam países muito depois. Então foi o Bismarck, o Otto von Bismarck, que começa essa ideia de que nós somos uma nação, somos fortes, temos uma identidade. Então tinha muito essa ideia na época de Nietzsche, né, que nós somos um povo, somos fortes, a gente tem que ter um país nosso.

E isso tem muito a ver com a ideia também do Darwin, né, da— porque Darwin vai falar sobre isso também. Sobrevivência dos mais aptos, seleção natural, né? Então você vê, a sobrevivência dos mais aptos, ela abole a moralidade, porque não é eu vou ajudar o fraco, é tipo, você é fraco, problema teu, tu vai ser destruído. É a filosofia do poder à força e destruição do fraco.

RVRogério Vilela

E é claro que disso acontece em qualquer distopia, nas tiranias também.

DLDaniel Lopes

Não é por acaso que começa esse papo na Alemanha, daqui a pouco você tem um bigodinho lá querendo passar por cima de todo mundo. Né, porque vai, a coisa vai evoluindo, vai escalando quando você começa a desmerecer o que que o homem é e tirar a moral, né. E aí Nietzsche vai também, vai escrever um livro, Genealogia da Moral, que ele vai falar moral é uma coisa inventada, moral não é uma coisa que existe, ó, isso é do bem, isso é do mal, independente da tua opinião.

Ele fala não, cada um tem o seu bem, seu mal. Então o meu bem é a força, então vou sair dominando tudo e dou a quem doer, problema de quem for fraco. Ele chegava a dizer, por exemplo, que ele tinha um problema com o cristianismo. Aí, ó, a genealogia da moral do Nietzsche. Eu tô falando Nietzsche porque em alemão é quase como se fosse com A, né?

RVRogério Vilela

Como que eles falam?

DLDaniel Lopes

Como se fosse Nietzsche. Nietzsche é como se fosse com A. É, por exemplo, tem o Gottlob, escreve F-R-E-G, Frege, mas eles falam frega, é quase frega, né? Então Nietzsche, né, mais ou menos na pronúncia aí. Então é que nem o Geiger, Giger, Giger, né?

RVRogério Vilela

Cada um fala de um jeito diferente, é diferente qual é a pronúncia. Não tem um artista, depois vê o cara que escreve, que foi inspirado nele para fazer o Alien, o 8º Passageiro.

DLDaniel Lopes

É, então é o alemão.

RVRogério Vilela

Então o mais, o mais difícil desse, cuidado com a imagem que você vai achar dele, porque tem umas imagens meio sexuais aí.

DLDaniel Lopes

Passa no superego primeiro, aí na consciência moral primeiro. É, por exemplo, ele grudou na tela, velho, para ver.

RVRogério Vilela

Calma, ô bigoda, calma.

?Voz C

Tô tentando discernir se é uma, se é um alien, se é uma, é, às vezes parece um alien, é outra coisa aí que tá no meio.

RVRogério Vilela

Cuidado aí, o YouTube vai derrubar.

DLDaniel Lopes

Olha lá, cara, e é meio, meio demoníaco, meio sombrio a parada.

RVRogério Vilela

Isso é um arte, você viu o tamanho das artes que ele pintava?

DLDaniel Lopes

Muito grande, muito autoral, né?

RVRogério Vilela

É muito, é a cara dele, é muito ele, né? E o Alien pegou essa coisa do muito Lovecraft também, né? Mistura do ser humano com essa coisa, que qual seria a palavra, sabe? É meio esquelético, meio biônico, né? É uma mistura assim, é meio ciborgue, mas é uma coisa muito sombria, cara, muito sombria. Mas é um artista absurdo. E aí ele criou o Alien, ele que criou, né, o design do Alien.

DLDaniel Lopes

Então a ideia daqui, que é fálico, você vê que abre a boca, tem aquela coisa, se projeta total.

RVRogério Vilela

Tem toda essa—

DLDaniel Lopes

ó, eu não estudei muito a biografia do Giger, cara, mas ele deve ter algum negócio de alta magia ali, né?

RVRogério Vilela

Eu acho que sim, não sei se ele vai falar.

DLDaniel Lopes

Porque isso é muito Lovecraft, e o Lovecraft a gente sabe que—

RVRogério Vilela

ele tinha alguma relação com magia?

DLDaniel Lopes

O Giger ou Lovecraft?

?Voz C

Não, o Lovecraft.

RVRogério Vilela

Eu sei que ele criou todo um universo, né?

DLDaniel Lopes

Surgiram linhas do ocultismo em cima da obra dele, do Necronômicon.

RVRogério Vilela

Que doideira!

DLDaniel Lopes

Os caras invocam o Cthulhu lá. Fazem a invocação como se for real mesmo. Não, eles, eles acreditam. Eu não sei porque eu nunca invoquei nem Old Ones, Great Old Ones, né? Eles, eles invocam e têm contato com essas entidades que ele cita.

RVRogério Vilela

Eles conversam como se o Lovecraft realmente tivesse acesso a alguma coisa, só colocou no papel.

DLDaniel Lopes

É claro que alguém pode falar que aquilo ali é como se fosse uma, é uma forma pensamento, né? Uma projeção, é uma tulpa, como chama, projeção da consciência. Que às vezes dentro do ocultismo tem isso também, o cara imagina e projeta. Mas eu creio que ele acessou coisas que já existiam mesmo, né? Então dizem que o Lovecraft, ele se inspirou em alguns livros que o avô deixou para ele de ocultismo egípcio. Em que sentido? Havia naquela época duas ordens iniciáticas ou sociedades secretas O Rito de Méfis e o outro era o Rito de Mizraim.

Mizraim é a palavra hebraica para Egito, né? Inclusive é uma palavra no plural, né? Quando tem -im no plural em hebraico é plural, quando tem -im no final. Então era o Egito em hebraico, é uma palavra plural porque tinha um reino do norte, o reino do sul, é como se fosse os reinos do Egito. Então existiu o Livro de Méfis, que é uma cidade no Egito, e o Livro de Mizraim, que é o nome hebraico para Egito.

RVRogério Vilela

Tem essa cidade nos Estados Unidos também, né?

DLDaniel Lopes

Tem Memphis no Tennessee. E aí eles reuniram esses dois ritos num rito chamado o Antigo e Primitivo Rito de Memphis e Mizraim. Dizem que o avô do Lovecraft era membro dessa ordem e que os livros secretos ele deixou de herança para o Lovecraft. Ele tirou muitas ideias lendo esses livros do avô, entendeu? Então isso é o mais perto que eu sei de história do envolvimento Lovecraft com o ocultismo.

RVRogério Vilela

Também o Livro dos Mortos, é o Necronômico, é o Necronômico, não existe, é um livro totalmente falso que, que é o Lovecraft, ele criou esse, ele criou esse livro na literatura, mas na alta magia existe o Necronômico.

DLDaniel Lopes

Existe, que dizem que o Necronômico verdadeiro, que é o Livro dos Mortos, é extremamente secreto, poucas pessoas têm acesso.

RVRogério Vilela

Qual que é o motivo? Qual que é a intenção desse livro? É nomear? É ensinar magias?

DLDaniel Lopes

Ensinar poder, poderes, poder, poder para seduzir mulher, poder para ficar rico, poder alguma coisa, é livro tibetano, do Necronômicon. Esse acho que não, esse acho que não. Mas tem o Livro dos Mortos tibetano também, que eu acho que é outra linha. É porque o Necronômicon tem uma linha mais egípcia, tá? E aí o tibetano acho que é mais ali oriental, né?

RVRogério Vilela

E o Lovecraft foi para esse lado mais das figuras dele, meio marítimo, né?

DLDaniel Lopes

Meio também muitas coisas do mar. É o Cthulhu lá, que os nomes são até difícil falar, né? A gente, primeira vez que eu ouvi essas coisas foi no Metallica, né? The Call Cthulhu, né? Metallica tem umas músicas também, né? Tem um jeito de tudo, né? E tem uns nomes também que é igual a mitologia do Crowley, né? Aquele que tem uns nomes hardcore no It, tem uns nomes estranhos, né? Tem Lham, tem uns nomes estranhos para caramba. O Lovecraft, ele tem um ser também que chama Ithaqua, que é The Wind Walker, que é o cara que anda no o que anda no vento, né, que é um ser que quando ele aparece as árvores balançam, mas você não escuta o barulho do vento.

Aí depois você escuta o barulho do vento e as árvores não balançam, faz uma pegadinha. Aí depois que acontece fenômeno ele aparece, né. E os caras invocam isso aí, esses seres, né, gigantes lá e tal, monstruosos. Exato.

RVRogério Vilela

Mas é o tal do horror cósmico, né, de você de você, mais uma vez, você ser tão pequeno diante dessa, é uma ferida narcísica, é mais uma ferida.

DLDaniel Lopes

E os Great Ones, né, são, é tipo assim, é dentro desse, dessa cosmologia do Lovecraft, é como se Jesus só tivesse autoridade no planeta Terra, Jeová só tivesse autoridade no nosso sistema solar, e fora do nosso sistema solar tem outros que são mais poderosos e mais antigos. Que seja, Jeová seria um Deus mais novo, Jesus seria o filho desse que manda aqui, né? Então faz o cara olhar e falar, pô, acho que a gente não é tão bonzão assim, né, dentro desse universo.

Mas o que eu queria só pontuar aqui, Vilela, que eu acho interessante dar um insight para galera sobre arte, é que independente se você gosta de uma arte ou não, eu acho que um dos grandes méritos de qualquer trabalho artístico é o aspecto autoral, é o cara desenvolver algo dele, uma identidade própria. Você pode chegar e falar, cara, eu não gosto do cinema do David Lynch, mas é autoral, ele desenvolveu um estilo dele. Então eu acho isso extremamente interessante, importante na arte.

Você concorda comigo, filhão? Que a ideia, você pode não gostar da arte do cara, mas ele desenvolver como o Geiger fez, você fala, cara, isso é muito feio, não teria um quadro desse na minha casa, que eu acho que traz um clima ruim. Mas o mérito dele é gigante, dele ter desenvolvido um negócio extremamente autoral. E isso é algo que sempre se entendeu como algo que se aproxima do divino, porque Deus ele cria as coisas ex nihilo, a partir do nada.

E quando o homem cria uma obra de arte— o David Lynch aí, infelizmente falecido já, né?

RVRogério Vilela

Esse é outro também que brincava um pouco com coisas espirituais, surrealistas.

DLDaniel Lopes

É, geralmente o cara olha a obra do David Lynch, é mais famoso ali o Twin Peaks, né, que é a história da Laura Palmer, O Homem Elefante, Veludo Azul, Cidade dos Sonhos.

RVRogério Vilela

Qual que é aquele outro depois de Cidade dos Sonhos que ele fez, que é mais estranho ainda, cara? Vê a filmografia.

DLDaniel Lopes

Tem o, como é que é, Coração Selvagem, Estrada Perdida, Lost Highway. Tem um que é depois desses, que é aquele que o maluco fala, tô na tua casa aí, né?

RVRogério Vilela

Fala comigo que eu tô na tua casa.

DLDaniel Lopes

Ele liga, não, o cara fala, prazer em revê-lo. Ele fala, não te conheço. Ele falou, claro que me conhece, eu já frequento tua casa, inclusive estou lá nesse exato momento.

?Voz C

É algum desses?

DLDaniel Lopes

É Homem Elefante e Razorhead, né, que é o classicão. É o com Nicolas Cage?

RVRogério Vilela

Não, é da trilogia do Cidade dos Sonhos, tem mais um que é Estrada Perdida, Cidade dos Sonhos, e tem mais um logo depois que eu achei o mais maluco deles assim.

DLDaniel Lopes

Agora você me pegou, tô me sentindo humilhado aqui, que eu me considero um bom conhecedor da obra do Lynch, né? E me fugiu o nome aqui. Tem o Coração Selvagem, se eu não tô enganado. Não é Coração Valente não, Selvagem, que é com Nicolas Cage. É que é, mas assim, pessoal, disclaimer, é tudo filme sem pé nem cabeça.

RVRogério Vilela

Pois é, vai assistir já sabendo disso.

DLDaniel Lopes

Você vai assistir e falar, pô, filme horroroso, entendi nada, clima ruim. É por causa disso. Então, Vilela, o que que a gente tá—

?Voz C

rapidinho, é Estrada Perdida, Cidade dos Sonhos e o Império dos Sonhos.

DLDaniel Lopes

Isso, Império dos Sonhos.

RVRogério Vilela

Entendi. Você assistiu esse filme, cara?

DLDaniel Lopes

Você consegue botar a capa para gente?

RVRogério Vilela

É, tem um lance de um coelho. Acho que o Império dos Sonhos eu não assisti não, cara. Eu tentei assistir, preciso até ver de novo.

DLDaniel Lopes

É, cara, Império dos Sonhos acho que eu não vi não. Então demérito aí, né? Então, Vilela, o que que a gente tá mostrando? A gente tá mostrando que O Freud, ele quer trazer soluções para as angústias da alma, mas você tirar Deus de cena e colocar o homem no lugar de Deus é que, segundo Paul Witz, traz a grande angústia. Tem esses coelhos, é muita loucura, né, mano? Muita loucura, muita charopagem. Tem a capa depois, vê se acha a capa para ele, só para eu me lembrar aqui, porque a tese do Paul Witz é isso, que o mal-estar na civilização não é Deus e a Bíblia falarem não faça o que você quer fazer, aí o cara fica angustiado.

O grande problema é você falar, tirar Deus de cena, falar que Deus não existe e botar o homem como Deus sozinho no universo. Aí vira eco a Laura Dern também, né? Eu não vi não, esse eu não vi não.

RVRogério Vilela

Aí vira tudo, como que é a música do Hall Oates lá?

DLDaniel Lopes

Tudo é dentro da lei, tudo é fácil que tu queres, essa é a lei, né? Que é o lema de Crowley, né?

RVRogério Vilela

Tudo, então pode, você não tem Deus.

DLDaniel Lopes

Aí vira um problema, porque nada tem limite, e quando nada tem limite, nada satisfaz também. Você não se satisfaz. E aí a gente começa a ver os sintomas disso já na cultura musical ali dos anos 50 e 60, primeiro com o movimento beatnik, depois com o movimento hippie. No movimento hippie, o movimento hippie com essa ideia de sexo, drogas e rock and roll, isso já é uma evolução do trabalho do Crowley. Faça o que você quiser, essa é a lei, né? Crowley é isso, é drogas.

RVRogério Vilela

E tem várias pessoas que começam a seguir nessa linha de, você vê, autor, prazer a todo custo. Aquele outro livro do carinha do Adorável Mundo Novo também fala sobre drogas também, né?

DLDaniel Lopes

Portas da Percepção. Aí dizem que The Doors vem daí, né? Da banda The Doors.

RVRogério Vilela

Você vê também alguns escritores, Timothy Leary, é Timothy Leary, que se drogavam. William Burroughs. É, você vê toda uma, uma, uma na música para caramba, pessoal tentando expandir as consciências, as sensações para escrever música, para fazer tudo, né?

DLDaniel Lopes

Não, aí você vê, cara, é a esporta da percepção.

RVRogério Vilela

E de certa forma criaram muita coisa nova, muita coisa louca, pouca coisa se aproveita, porque dentro da tanta coisa que se experimentaram, é, mas levou arte também para outras coisas assim, para outros caminhos.

DLDaniel Lopes

Surgiram coisas legais para caramba também. Não tô aqui querendo demonizar, que eu curto demais. Mas o problema é que você vê, por exemplo, na— existe uma linha de estudo que é muito interessante que se chama novo historicismo. Tem um livro muito legal, Bigoda, que é A Prática do Novo Historicismo, que é do Stephen Greenblatt. Esse livro é muito interessante, Vilela, porque o cara, olha, olha a teoria do cara, professor de Harvard, né, bem muito chancelado.

Ele diz o seguinte: às vezes, para você entender um período da história, às vezes é mais interessante você estudar as obras culturais produzidas naquela época do que os documentos históricos. Esse livro é incrível, A Prática do Novo Historicismo, né?

RVRogério Vilela

Concordo demais.

DLDaniel Lopes

Isso é muito legal.

RVRogério Vilela

Então, às vezes, cruzar essas duas coisas, né?

DLDaniel Lopes

Cruzar, porque dentro da academia o cara vai falar para você estudar história, você tem que ter os documentos históricos.

RVRogério Vilela

Aí você pega, vê o que foi produzido de—

DLDaniel Lopes

é uma expressão do tempo, né, do zeitgeist ali, né. Então você pega Rolling Stones, Satisfaction, que que ele fala? I can't get no satisfaction. Eu não consigo me satisfazer. Por quê? Porque você tira Deus, você tirou Deus, você não tem mais limite e você quer viver o máximo de tudo, das experiências.

RVRogério Vilela

Aí você, cara, não consigo nessa busca, né.

DLDaniel Lopes

Você fala, eu não consigo preencher esse vazio. Eu não consigo chegar a um ponto onde eu tô tranquilo, que eu tô satisfeito.

RVRogério Vilela

Eu estaria satisfeito só com um café, cara.

DLDaniel Lopes

Um cafezinho? Aí deu uma indireta aí. Só não levanta e pede porque eu tô aqui apresentando o programa, o co-apresentando respondendo. Eu queria ver a indireta boa. E aí você vê The Who, por exemplo. The Who na música My Generation. My Generation já tá na cara que tá refletindo sobre a geração.

RVRogério Vilela

Como que é essa música? Fala sobre o quê?

DLDaniel Lopes

A música fala sobre uma juventude completamente drogada, sem noção, sequelada, tanto que ele fica gaguejando na música, né? Ele fala assim: why don't you all fade away, né? Por que que vocês não somem da minha vida? Então ele fica: why don't you all— ele fica engasgando, né? E aí a música fala: I hope I die before I get old. Ou seja, o cara tá querendo viver tão intensamente que ele sabe que se ele viver assim não vai durar muito, porque ele tá indo no limite do que o corpo suporta.

É vários roqueiros foram nesse pensamento, né, de morrer, viver a mil e morrer cedo.

RVRogério Vilela

A partir de James Dean, né, o pessoal tinha essa coisa do James Dean e de vários roqueiros que morreram, morreram.

DLDaniel Lopes

Tem aquela Clube dos 27 Anos, né, ou do bique branco, é que vem o, que a maioria deles tava com bique branco no bolso. Muito estranho isso, né, estranhíssimo. Aí só para citar alguns exemplos, Jimi Hendrix, Morreu com 27 anos. A Janis Joplin também. Então vários ali. Mais recente agora, aquela inglesa, como é que é o nome dela? Amy Winehouse.

RVRogério Vilela

Isso aí, falou de wine, ele lembrou a bebida.

DLDaniel Lopes

Já caiu aí, já veio, veio na hora, né? Então, Vilela, o que que acontece, cara? Você começa a parecer que você vai resolver o mal-estar tirando as amarras da cultura cristã, você arruma outro problema. Às vezes é um problema até maior, eu acho. Às vezes é maior, porque o homem, segundo Dostoiévski, né, e aí Dostoiévski entra como uma grande referência, o homem tem dentro de si um vazio do tamanho de Deus, no sentido de que é grande para caramba, ou só pode ser preenchido por isso.

Por isso que C.S. Lewis vai falar: se você tira Deus, cara, tudo desmorona. Se você tira a ideia de Deus, a ideia do homem também vai para o espaço. E aí o homem tem que se reinventar. E aí que entra o problema, porque Nietzsche já ia tratar desse tema. Quando Nietzsche começa a falar da morte do homem, na mesma hora ele começa a desenvolver a ideia do super-homem, que a tradução melhor que a galera sugere para não confundir com personagem da DC Comics era o além-homem, né?

Aí no alemão, né, Uber, sem querer fazer propaganda, né, Ubermensch, né, que é o além-homem, é o homem sem limite, é um homem sem amarras. Então, na hora que Nietzsche começou a pensar, pô, a ideia de Deus tá morrendo na sociedade, vai surgir o homem sem limite. E esse homem sem limite ele chama de o super-homem, que é o homem que tá além do bem e do mal, que é o nome de outra obra do Nietzsche, né. O Nietzsche refletia muito isso no livro Eti Homo, né, esse homem Então, o que que acontece?

Se você tira a ideia de Deus, e aí vem aquele outro conceito: se Deus não existisse, tudo seria permitido. Então você pode fazer tudo no limite da sua força, da sua potência. Então o cara quer potência máxima para ter realização máxima do desejo. E aí o que que acontece? Aí você começa a ter o advento das grandes tiranias, que é o cara que quer o exercício do poder pelo poder. E aí que vai surgir, é muito interessante você ver a obra do Crime e Castigo do Dostoiévski, porque Dostoiévski ele começa a perceber que a Rússia tá indo para esse caminho.

Começa, isso é muito antes da Revolução Russa, em 1917, ele já começou a perceber que o ateísmo tava chegando com força na Rússia, destruindo a cultura. Aí essa edição é show de bola também, essa capa é famosa, é legal para caramba, meio xilogravura. Sim. E aí, que que o—

RVRogério Vilela

essa é uma das minhas faltas assim, não ter lido esse livro ainda.

DLDaniel Lopes

É, eu tenho essa coleção completa, obra completa do Oscar.

RVRogério Vilela

Eu tenho um tijolão também que vem lá, tenho, comprei.

DLDaniel Lopes

A Vilela, vamos fazer o seguinte, a gente tá falando, fazendo um jabá para editora, né? Acho melhor a galera começar a dar um agrado aí, né? Por outro lado, né, fazer uma parceria, né?

RVRogério Vilela

A gente tem que— a gente recebe uns 20 livros por semana, pelo menos. Por dia, né? Lá no nosso caixa postal veio o Lenny com o carro dele inteiro de livro.

DLDaniel Lopes

É que vem muita coisa de autor, é novos que estão querendo ali se emplacar ainda, né?

RVRogério Vilela

Mas a gente recebe tudo, não dá para mostrar todos que a gente recebeu, mas a gente filma e tal.

DLDaniel Lopes

Mas é um, às vezes é uma parceria interessante, né? Os cara faz um lançamento, manda aí, a gente lança aqui.

RVRogério Vilela

Eu acabei de divulgar aí uma coleção muito boa sobre história Divulgou?

DLDaniel Lopes

Show! Não, muito bom, né, cara? A gente tá falando de Brasil, né, que o Brasil é um país muito cordial, muito ansioso, mas infelizmente é um país que lê pouco ainda, né?

RVRogério Vilela

Mas muito pouco. Você vai ver a quantidade de gente que lê, o quanto lê, é muito pouco.

DLDaniel Lopes

É muito pouco. E às vezes o cara que tá lendo tá lendo bobagem também, né?

RVRogério Vilela

Um por ano.

DLDaniel Lopes

É, cara, não, terrível, muito pouco, terrível. Então o Dostoievski, ele é muito interessante nisso porque Dostoievski, ele tem um mérito muito reconhecido até pelo Jordan Peterson, que é um cara que tem muito a ver com essa nossa conversa, de Adam Pitts, aquele que hoje é considerado, tá para morrer, tá bem mal, tá muito ruim, né? Lembra naquele evento lá que ele não foi? Então era, era Vera o problema.

RVRogério Vilela

Fez há duas semanas atrás com o pessoal do evento, o pessoal do Brasil Paralelo que trouxe ele. E a galera achou no começo que era caô, tipo, ah, eu lembro, eu lembro, ele estava junto, o cara não quer vir. Depois foi ver que era grave mesmo o negócio.

DLDaniel Lopes

E começou com aquela história de mofo, né, que ele mexeu nos negócio. Mas ó, eu tô achando mais que os cara botaram um açúcar mascavo ali no café dele, entendeu? Um tipo de verdadeiro, ele precisa levar em consideração isso, pode ser, porque ele é um cara que incomoda muito. Então acho que ele tinha que tomar mais cuidado com café, quem que serve o café dele, tipo o Kirk lá, o Charlie Kirk. E não é a primeira vez que ele tem esse problema não, ele já tá com isso.

A primeira vez que Jordan Peterson começou a ter problema, ele diz na interpretação dele, foi uma intoxicação alimentar. Ele comeu um peixe estragado e esse peixe estragado gerou um problema neurológico nele, que ele não conseguia mais dormir, virou uma insônia terrível. Isso tudo mais ou menos ali 2019. Em 2020 ele fez todos os tratamentos possíveis, 2019 nos Estados Unidos, no Canadá, ele foi para Europa, e quando ele tava lá na Europa começou a pandemia, ele pegou COVID.

Quase morreu. A esposa dele teve um câncer terrível na mesma época. Foi assim um inferno astral para o cara. Então assim, eu, na patente dele, no high profile dele, eu acho que não é impossível que tenha algum componente ali de uma substância química que atrapalhou ele não. Inclusive porque rola uma lenda que a gente ouviu lá naquele evento também, contaram para a gente, que quem faz a segurança dele é o serviço secreto canadense. Verdade.

RVRogério Vilela

Então tem algo aí, ficou bem mal uma época, né?

DLDaniel Lopes

Ficou. Então teve o câncer e quase morreu. A filha também, a filha também, Michaela Peterson.

RVRogério Vilela

O cara sofreu, tá sofrendo.

DLDaniel Lopes

Existem ataques espirituais também que ele conta. Ele conta já de ataques espirituais que ele sofreu, porque ele crê nisso. Eu não sei se é fácil achar esse episódio, Mas tem um episódio, cara, pô, não me lembro do podcast. É um podcast de um casal figuraça assim, os cara meio figurões americanos lá. Eu esqueci o nome do podcast, mas acho que é tipo 3H, não sei o quê, é uma sigla. Mas se você botar Jordan Peterson, vê se você acha aí, bigode.

Ghost Stories, histórias de fantasma do Jordan Peterson, cara. Ele conta cada história incrível, incríveis as histórias. Inclusive, Lela, a galera falava assim: aí, Daniel, já viu uns vídeos lá, Daniel Lopes para dormir?

RVRogério Vilela

Ah, já.

DLDaniel Lopes

Aí eu achava que era os cara me zoando. Não, eu falei, pô, que eles estão querendo dizer que é chato, né, que dá sono. Porque eu não posso dormir ouvindo coisa, senão não durmo. Eu fico acordando a noite toda.

RVRogério Vilela

Quanto mais é complicado o assunto, mais eu gosto de deixar para dormir.

DLDaniel Lopes

Aí dorme. Eu não posso, não.

RVRogério Vilela

Astronomia, sobre matemática, não consigo dormir.

DLDaniel Lopes

É isso aí, né? Qual que é o nome desse podcast mesmo? Não é 3H, um negócio assim?

RVRogério Vilela

Você não conhece esse podcast?

DLDaniel Lopes

Como é que é?

?Voz C

Na verdade, eu só achei um corte de um outro canal.

DLDaniel Lopes

É de um outro canal, não fala. É porque é um cara, esse maluco é H3, alguma coisa assim. É, eu falei, é H3 não sei o quê.

?Voz C

Parece que o vídeo original saiu do ar, né? Tá indisponível, mas tem corte dele.

DLDaniel Lopes

E eu acho melhor quem quiser ver essa história já salvar logo, porque estão sumindo com o vídeo. Isso aí já era até um problema, que gera uma espécie de gaslighting, né? No sentido de às vezes eu assisto coisas que eu falo, pô, vou assistir, aí não existe mais. Eu falo, será que eu viajei? Será que eu, né? Você fica duvidando da sua própria memória. É o que é meio perigoso, né? Você começar a duvidar da tua memória, até uma estratégia de levar as pessoas à loucura, né?

RVRogério Vilela

Efeito Mandela engraçado, né? É surreal, acha que aconteceu, mas não aconteceu.

DLDaniel Lopes

E dizem, já que a gente citou isso, e aqui é ligando os pontos, Dizem que quando eles desligam o CERN, o acelerador de partículas, começa a dar esse— e aí eles ligam de novo, dá um boot na realidade, começa a dar o efeito Mandela. Desligaram agora e vão religar em 2030.

RVRogério Vilela

Cara, que doideira isso! Tem um episódio do Black Mirror que é isso. É isso, uma mina, ela tem certeza de umas coisas, briga com todo mundo e vai ver, tá diferente.

DLDaniel Lopes

E ela fala, pô, é, como assim? Eu tô louca?

RVRogério Vilela

Vai mudando.

DLDaniel Lopes

Apareceu ali, né? É a H3 Podcast. Existe ainda? Tá no ar? Mas será que eles tiraram o trecho original? Não achei, né? No canal não é pequeno não, 1 milhão e 47, e esse só de cortes, né? Bombava muito. É interessante esse. Eles fizeram uma entrevista, sabe com quem? Com o rapaz, com cantor, meu irmão. Um que é cheio de tatuagem no rosto, esqueci o nome dele agora aqui.

RVRogério Vilela

Bicho, tem tantos.

DLDaniel Lopes

Não, que tem um barbudinho. Não, o Whindersson imitou ele. Post Malone. Post Malone foi nisso aí também, contou altas histórias de fantasma. É, e aí eu lembrei da— tem gente que gosta de ouvir essas histórias para dormir, né? História de fantasma, não sei o quê, à disposição. Eu gosto de ouvir o rabiscado. Meu pai fala lá, o cara todo rabiscado.

?Voz C

Ele tem aquela música famosa, é famosa, é Congratulations.

RVRogério Vilela

Congratulations.

DLDaniel Lopes

Aí eu vi, agora canta, ele tem um timbre diferenciado, né?

RVRogério Vilela

Sabe que eu ouço muito para dormir também? É história de terror, mas creepypasta.

DLDaniel Lopes

Creepypasta, sei, maneiro para caramba.

RVRogério Vilela

Essas histórias da internet, Backrooms. Sim, aliás, você assistiu aquele filme Backrooms? Não, tá na minha lista para assistir aí, porra. Vou, aquela creepypasta, né, daqueles lugares que ficam perdidos, escritórios abandonados.

DLDaniel Lopes

Eu gosto demais, eu gosto demais. Então, Vilela, que que tá em jogo aqui? Quando você, quando o Dostoiévski, e o Jordan Peterson é fãzaço, quando você começa a ver que o ateísmo tá chegando com força na Rússia, ele fala, cara, isso vai desembocar numa tirania. Então ele já começa a montar essa ideia no livro Crime e Castigo. Crime Cacheu conta a história de um estudante de direito que é o Rodion Romanovich Raskolnikov. E aí esse cara, ele vive numa dificuldade financeira, ele passa muita dificuldade para pagar a faculdade, ele arruma os trabalhos para poder financiar a mãe, que se eu não tô enganado a mãe era viúva, aí ele tinha que bancar a mãe.

Aí a irmã tá querendo casar com um cara riquinho que ela não gosta só para ajudar a família. Então o cara tá todo angustiado ali, o cara começa a ficar irado com a vida.

?Voz C

Né?

DLDaniel Lopes

E aí ele pega dinheiro emprestado com uma agiota para poder pagar as contas, e ele pensa o seguinte: cara, eu vou é matar essa agiota, não vou pagar não, entendeu? Vou resolver isso fácil. É assim, o livro já tem um spoiler terrível no título, né? Tem um crime e tem um castigo, né? Então ele começa a desenvolver uma teoria de que existem homens que estão acima do bem e do mal, que o cara foi colocado no mundo, ele existe para fazer a humanidade passar por uma nova fase, uma nova era.

Então ele começa a achar que ele é isso. Ele dá alguns exemplos: Napoleão Bonaparte. Napoleão, o cara que veio para revolucionar.

RVRogério Vilela

Então, Alexandre o Grande.

DLDaniel Lopes

Exato. Ele entende que ele é como se ele fosse um super-homem nietzscheano, que eu tô acima do bem e do mal, vou fazer o que eu quiser porque eu tô aqui, eu não preciso ficar limitado às amarras da sociedade, nem do direito penal, nem da legislação. E aí ele vai lá e mata, mata logo. Isso é logo no início do livro, ele mata a agiota. E eu acho que a sobrinha da agiota vê também, acho que ele tem que matar, ele mata também a sobrinha.

Aí fica um ciclo de problema. E aí tem uma investigação que vai rolando no filme, no livro. Só que a grande questão aqui do Dostoiévski é a profundidade que ele tem da análise da alma humana e da psicologia humana. Jordan Peterson diz que o Dostoiévski para ele é o maior psicólogo da história, do jeito que ele entendeu as angústias da época. Shakespeare também, talvez também, cara.

RVRogério Vilela

Shakespeare, pô, é tudo, né, cara? Ele consegue abranger todo o espectro do ser humano. Incrível.

DLDaniel Lopes

Não, você vê, já que você falou do Shakespeare, o Shakespeare tem um pouquinho disso também, porque não esquece que você vai falar também de que nem tudo foi escrito pelo Shakespeare.

RVRogério Vilela

Que ele roubou muita coisa ou pegou de coisa.

DLDaniel Lopes

A galera até tem dúvida de se Shakespeare era realmente uma pessoa, se era o Francis Bacon se passando por Shakespeare, ou se era outro cara, né? Porque naquela época tinha grandes gênios, outros gênios, né, como Francis Bacon, e tinha Ben Jonson também, que era o concorrente do Shakespeare no teatro, na dramaturgia. Então assim, cara, Shakespeare tem muito a ver com isso. Se você vê que o Hamlet, a angústia existencial do Hamlet é terrível.

Por isso que é o ser ou não ser, o cara tá angustiado. Pensando se ele toma uma atitude ou não para vingar a morte do pai, que ele descobriu que foi assassinado pelo próprio tio, né, o tio Cláudio. Então o tio teria matado o pai para ficar com a mãe dele, né, com a Gertrudes. Aí é o Hamlet, né, que é o rei da Dinamarca, né. Então aí vem aquele monólogo, né, famoso, ser ou não ser, é essa angústia profunda da alma.

RVRogério Vilela

Monólogo, né, tem outro nome. Nome?

DLDaniel Lopes

Solipodólogo?

RVRogério Vilela

Não, coloca aí, tem outro nome.

DLDaniel Lopes

Monólogo interior, assim, né?

RVRogério Vilela

É porque o monólogo, cara, esqueci.

DLDaniel Lopes

Solilóquio?

RVRogério Vilela

É, eu acho que é. Entendi.

DLDaniel Lopes

Que é falando sozinho, que o cara começa a falar sozinho. Então quando ele fala assim, ó, mais ou menos isso, eu vou me referenciar à tradução do Milo Fernandes, que a galera pode falar, pô, Milo Fernandes, mas é uma tradução legal para caramba. É mais ou menos assim, ele fala: ser ou não ser, eis a questão. Será mais nobre sofrer na alma pedradas e flechadas do destino feroz, ou pegar em armas contra o mar de angústias e combatendo dar-lhe fim?

Mar de angústias. Então o cara tá num profundo sofrimento da alma, pensamentos invasivos, repetitivos. Ele tá num momento tão pesado de angústia que ele tá no matar ou morrer. Ele tá assim, isso é tão pesado para mim que se eu não fizer algo, eu vou ter que me matar. Ele tá nesse ponto. Por isso que aí o fantasma do pai dele, né, que o fantasma do pai dele aparece e fala, cara, seu tio que me matou para ficar com tua mãe. E é claro, usurpar o reino, né?

E isso nos leva lá para Grécia, lá para o Sófocles, né? Porque o Sófocles é o Édipo Reis. Fantasma, você passou um anjo, né? Passou uma pessoa flutuando aí, cara. Eu lembro que a gente foi para Costa Rica em 1900, surfar. Eu já fui lá surfar, você acredita? 99, é mesmo? Ficou lá em Tamarindo? Ficou um anjo lá, cara? Então tu conhece, pô?

RVRogério Vilela

Conheço. Então são ondas longas, né, cara?

DLDaniel Lopes

É longa para caramba.

RVRogério Vilela

Você começa na onda e vai embora.

DLDaniel Lopes

Então a gente ali bem, bem muitos, né? É total, muito.

RVRogério Vilela

Não sei como tá hoje, mas lá era muito isoladão, estrada de terra.

DLDaniel Lopes

Eu não sei se tinha aí na tua— você foi em que ano? Você lembra mais ou menos? Foi 99?

RVRogério Vilela

Não, eu fui 2003, 2004.

DLDaniel Lopes

Que eles vinham com um caminhão com melado, jogava no chão para segurar a poeira. Não tinha isso não? Aí vem um monte de formiga. Eu acho que já tinha estrada, já tinha estrada. Cara, não tinha nada para fazer. A gente tava numa pousada, Fuleira da Cebola, e aí nada para fazer.

RVRogério Vilela

Encontrei o Fasano, é mesmo?

DLDaniel Lopes

Por lá, cara, nas baladas. Mas ele surfa? Não, não, eu tava lá porque é bonito o local, né? Bonito para caramba, é, não é só surfista, é pura vida, é que eles falam, né? Floresta, tem muita coisa, várias atividades.

RVRogério Vilela

Com calma agora, porque eu fui lá só para surfar, fiquei lá nessa praia, foi, foi, voltou, né? E tem umas praias lá meio perigosas, eu não sabia que a gente tava surfando, depois falou, tá cheio de pedra aqui.

DLDaniel Lopes

Pedra, tem jacaré para caramba, que o jacaré sai do rio, vai para o mar. Para, jacaré no mar? Imagina, em vez de ser tubarão, você ser atacado por um jacaré no mar. É jacaré, mano.

RVRogério Vilela

Só um pouquinho, Fabi, vem cá só um pouquinho.

DLDaniel Lopes

Vem cá, fala, vem cá.

RVRogério Vilela

A gente falou de Super-Homem.

DLDaniel Lopes

Oi, ela tá com a capa?

RVRogério Vilela

Ela tá com a capa. Vem cá, ela tá se achando o super-herói. Olha a roupa dela, abaixa, abaixa. Olha aqui, ó. Aí, ó, estilo. Eu acho que ela tá se imaginando aqui já, que, ó, voando, voando. Obrigado, obrigado, Fabiana. Só para mostrar, ela tá toda—

DLDaniel Lopes

os cara te chamam de Tony Stark, né? Lembrei, não, lembrei do Tony Stark quando chega o Thor com a capa. Aí ele fala, citando Shakespeare, né? Estais usando a cortina da tua mãe, né? Lembra dessa cena? Ele zoa, né? Ele sai zoando tudo.

RVRogério Vilela

Cara, você vê, essa inspiração dos super-heróis é uma mistura, né? Porque esse lance da cueca ou por cima da roupa, daquelas roupas, né, dos colants, é a tipologia, né? Aquela coisa do cara forte que levantava peso, né?

DLDaniel Lopes

A lycra, né?

RVRogério Vilela

É a lycra. A capa vem desses cavaleiros, talvez, né?

DLDaniel Lopes

Então aí tem um livro, Vilela, não sei se você conhece esse livro, vou pedir ajuda do bigode aí: Nossos Deuses São Super-heróis. Eu acho que o livro é o Christopher Knowles, né? Nolan não, Knowles.

RVRogério Vilela

Acho que é com o Mussum falando Christopher Nolan. Ô Mussum, você assistiu Odisseias? É do Christopher Knowles.

DLDaniel Lopes

Esse filme é muito bom, cara. Esse livro é sensacional.

RVRogério Vilela

E é o prefácio do Álvaro de Moya, grande amigo meu, saudoso Álvaro de Moya, que era estudioso de quadrinhos, cara. Cara, História Secreta dos Super-heróis, das histórias de quadrinhos, muito bom.

DLDaniel Lopes

Eu vou te colocar um desafio agora, hein, Biguana. Você acha que você consegue achar o verso, a contracapa dele? Cara, sabe por quê? Atrás tá escrito assim: o livro contém a história da batalha oculta da Grã-Bretanha. Você sabe o que que foi isso? Não. Os bruxos da Alemanha brigando com o Crowley e os bruxos da Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial. Real. E inspirou algumas histórias aí, uma guerra ocultista, guerra espiritual. Legal, de bruxo com bruxo.

RVRogério Vilela

Como ninguém fez esse filme, cara? Pô, cara, tá esperando, cara.

DLDaniel Lopes

Esse filme ia ser maravilhoso. Puxar aqui, mas eu não me lembro não.

RVRogério Vilela

Não deve ter filme não. Ali, ó, com relação entre Batman e cabala.

DLDaniel Lopes

Olha que legal ali, ó.

RVRogério Vilela

Acertou na música.

DLDaniel Lopes

Super-Homem Lex Luthor foi inspirado no Aleister Crowley, que Lex Luthor era careca igual Crowley, né?

RVRogério Vilela

Será? Eu não sabia dessa não, não lembrava.

DLDaniel Lopes

Pelo menos, cara, eu não sei se desce até ali embaixo, ou se é na— acho que era na própria capa. Ou será que é um adesivo? Você consegue voltar na capa frontal, mas colocar ela inteira? Porque ele vai falar isso da batalha espiritual. Você consegue diminuir um pouquinho para mostrar na parte? Não, na parte de baixo ali, mais embaixo, onde tá a editora. Aqui, ó, aí é o máximo. Porque eu não sei se é um adesivo que eles colaram, porque na minha versão tem isso daí: o livro contém o relato da batalha oculta da Grã-Bretanha. E aí eu falei: que parada é essa?

?Voz C

E fui ler.

DLDaniel Lopes

É muito legal porque eles falam da Bíblia. Porque, cara, Sansão é um herói moldes herói tradicional, cara forte para caraca, sai arrebentando todo mundo. Não, Sansão da Bíblia, a inspiração. Sansão como inspiração de super-herói, né? O Rei Davi, entendeu? É muito legal porque eu, na condição de cristão, né, você pensa assim, ah, deve ter pego tudo de Crowley, do ocultismo, né? Não, tem muita coisa na Bíblia, é legal para caramba.

RVRogério Vilela

Não sei se você já leu do Alamuro, Prometeu.

DLDaniel Lopes

Prometeia?

RVRogério Vilela

Não, cara, você vai pirar com Prometeia.

DLDaniel Lopes

Como é que é? Eu não sei nem como é que é a história, cara.

RVRogério Vilela

É basicamente tarô e egípcio, como chama a religião?

DLDaniel Lopes

Baralho de Thoth? Não, não, toda concepção, a mitologia egípcia. Entendi. Mas ele mistura tudo, mas é passando nos tempos atuais a história atual.

RVRogério Vilela

E aí fala, ah, tá, tem muita coisa, mas é Aí vem lá de trás, contando história lá de trás, a relação dessa Prometeia, que seria uma entidade que ela de tempo em tempo ela encarna numa mulher e ela vira Prometeia.

DLDaniel Lopes

Animal, hein?

RVRogério Vilela

Mas é um calhamação.

DLDaniel Lopes

Lembrei um pouquinho de New Game, de deuses americanos, né? É interessante para caramba que os deuses vivem enquanto alguém acredita neles, né?

?Voz C

Exato.

RVRogério Vilela

E aí quando o pessoal vem para América, deixa deuses para lá, né? Os deuses nórdicos e tal. E alguns deuses estão morrendo.

DLDaniel Lopes

Aí tem uns deuses novos também, que é o deus da televisão, da internet, sei lá, né? É, tem uns deuses mais legal. E aí o Odin é o Wednesday, né, que é quarta-feira.

RVRogério Vilela

Porque, por que que é quarta-feira?

DLDaniel Lopes

Então, porque em inglês, e não só inglês, em espanhol também, né, os dias têm o nome consagrado aos deuses. Porque você tem lunes, é a lua, martes é Marte, né, é Vênus, E só que em inglês é Monday, é da lua, Moon, que é igual em espanhol lunes. É Tuesday, eu não me lembro qual que é, mas Wednesday é Odin, é Odinstag, é o dia de Odin. E aí quinta-feira é Thorstag, que é o dia do Thor. E Friday é o dia de Frigga, que é a mãe do Thor, entendeu?

Então Wednesday é o dia de Odin, é literalmente o sábado É de Saturno, das festas lá, pode ser de Saturnália, né? Que aí já é Saturnália e Bacanalha, tudo parente, né? E aí Sunday é o dia do sol, não sorvete, né? Sorvete também, velho, homenagem ao sol, você toma um sundae, né? Tá um calor, né? Então, velho, voltando na nossa ideia lá, o Dostoiévski, ele começou a ver, cara, esse negócio de tirar Deus de cena vai terminar em tirania, meu irmão, vai terminar em caos.

E é a tese do professor Ele diz, cara, esse negócio de matar Deus e tirar o cristianismo para dizer para todo mundo faz o que você quiser, essa é a lei, preenche os seus vazios e viva os seus desejos, isso coloca o homem numa posição ali de uma divindade que ele não consegue dar conta. Então ele começa a pensar, né, será que Freud não errou ao fazer isso? E aí ele chega a elaborar até algumas ideias do motivo pelo qual Freud tinha esse bloqueio tão grande com a religião.

E aí ele vai fazer essa investigação num outro livro, Bigoda, que é o Sigmund Freud Christian Unconscious, ou seja, um inconsciente cristão de Freud. Eu tenho, cara, você acredita que eu outro dia eu tava lá em casa, minha esposa falou, chegou um livro um livro usado lá da Alemanha. Deve ser alguma coisa ruim, né? Devem ter mandado, sei lá. Ela achou que era um troço envenenado, né? Uma bomba. Aí ela falou, será que é isso mesmo?

Eu falei, não sei, né? Vamos ver. Abri com todo cuidado, era esse livro aqui. Eu só achei um usado, veio lá da Alemanha, maluco, em inglês. Esse aí, ó, exatamente essa capinha. Sigmund Freud's Christian Unconscious, do Paul Witz. Cara, nesse livro, o que que ele vai dizer? Freud Freud, ele tinha um problema com o pai dele, primeiro de tudo. E ele tinha uma babá que, apesar deles serem judeus, a babá era católica, levava ele para igreja, para missa, ele com 3, 4 anos.

E ele chegava em casa, ele ficava pregando, ele subia na cadeirinha e pregava. É, só que aí que aconteceu, a babá foi, a babá era praticamente a mãe dele, porque a mãe biológica do Freud ela ficou com tipo depressão pós-parto. De fato. E ela acabou ficando afastada dos filhos. Ela não tinha uma convivência. Então ele considerava a babá como mãe. Só que do nada a babá foi demitida por acusação de ter roubado alguma coisa na casa.

E para ele isso foi um trauma terrível. E aí esse trauma gerou nele um ódio ali, uma aversão a Deus e uma aversão ao cristianismo, porque foi uma ruptura que ele teve na vida dele. Então assim, o professor Paul Witz, ele faz uma investigação profunda das cartas do Freud, os manuscritos dele, e ele descobre essa ideia ali que Freud, ele tinha uma lá no fundo da sua, do seu inconsciente, ele tinha ali um resquício do cristianismo.

É muito interessante porque ele pega o seguinte, cara, por que que a gente não pega a psicanálise e aplica no próprio pai da psicanálise? E ele encontra isso, esse, esse, essa coisa mal resolvida no inconsciente do próprio Freud. Então o que que o Paul Witz vai dizer? Ele vai dizer, cara, o Freud, por causa dessa questão mal resolvida que ele tinha da babá, essa ruptura que ele teve, como se ele tivesse perdido a sua mãe, que era a mãe que ele de verdade criava ele e que o amava, que tava ali, é isso mal resolvido fez o cara montar toda uma teoria que para ele só funciona se você excluir Deus da jogada.

E o Paul Witz, que que ele faz? Ele tenta redimir a psicanálise, ele tenta trazer Deus de volta para dentro da psicanálise. Isso é interessante para caramba. E então você fala assim, cara, o cara passou a vida inteira dizendo que religião era uma neurose infantil, era uma infantilidade, porque para Freud, é, deu, o homem inventou Deus Lembra do livro Totem e Tabu que a gente tava falando? O Totem e Tabu, quando eles matam esse primeiro pai, eles inventam uma figura divinizada desse pai para preencher um vazio que eles mesmos criaram quando eles mataram o pai.

Então Freud vai entender a religião como uma neurose infantiloide de uma infância, de um adulto que tá preso na infância, né, que fica querendo imaginar um papai do céu para poder preencher o seu vazio. Só que aí você fala, pera aí, cara, esse cara na verdade— aí é um outro livro, Bigode, vê se você me ajuda aí— é The Faith, A Fé dos Órfãos, né, ou dos Sem Pai, The Faith of the Fatherless, que é do Paul Witz também. Que que o Paul Witz vai dizer?

Freud dizia, o homem inventou Deus para preencher um vazio. Aí Freud fala não. Aí o Paul Witz fala não, Freud inventou que Deus não existe porque ele tinha uma relação ruim com o próprio pai. Pai, e ele não queria ter limites à realização dos seus desejos, não ficar com a consciência pesada, entendeu? Então, em vez de um homem inventar que Deus existe para preencher o seu vazio, Freud inventou que Deus não existe para ele poder fazer o que ele quisesse sem aquele peso que ele ficou por causa da criação católica.

Tá, olha lá o livro, é interessante para caramba, Psicologia do Ateísmo, Psychology of Atheism. Pô, faz sentido, a ideia é legal para caramba, né? E aí, que que o Paul Witz vai falar? Cara, imagina só, o homem que passou a vida inteira dizendo que religião é uma neurose infantil passou a própria infância sendo levado à missa pela babá católica e voltava para casa pregando para a família toda. Ou seja, um cara que atacou duramente o judaísmo também, com o livro Moisés e o Monoteísmo, no momento mais perigoso ali da história do povo judaico, ali durante aquelas perseguições na Alemanha.

Ele tinha uma fascinação estranha pelo catolicismo romano, né? E aí, quando a gente descobre isso que o Paul Witz está trazendo, isso muda completamente a forma como a gente enxerga a própria psicanálise. Porque você começa a entender por que que esse cara tinha tanto problema com a questão de Deus. Aí você percebe que ele tinha um cacoete, ele tinha uma parada mal resolvida. E aí, qual que é a ideia do Paul Witz? Paul Witz vai falar, cara, se a gente pega isso que Freud fez, que é muito bom, e a gente encaixa Deus, o troço fica muito mais poderoso, porque você traz de volta o sentido, a base, a referência.

Você não, você não mata Deus em Deus o homem, você deixa Deus ali e você traz as ferramentas da psicanálise para poder trazer um apoio para um homem que tá angustiado ali pensando qual o sentido da vida, principalmente agora numa era que a gente tá vivendo, que a era da inteligência artificial, que a ideia de homem tá sendo contestada de novo. A ideia da própria, qual é a diferença do homem, qual é o papel do homem, porque a criação de um novo Deus, né? Exatamente. Isso que é problemático.

RVRogério Vilela

Não sei se com a ideia de Deus, mas ideia de uma inteligência tão superior que substituiria Deus, né?

DLDaniel Lopes

Exatamente isso. Quando aí o Jordan Peterson volta, eu acho que você consegue achar fácil essa, ô bigoda. É com Jordan Peterson, com Elon Musk, É, bota a conversa deles, entrevista, Jordan Peterson entrevistou, mas eu quero ver isso na Tesla, na sede da Tesla.

RVRogério Vilela

E aí, o que que saiu disso?

DLDaniel Lopes

Várias coisas interessantes, mas o ponto que eu tô destacando é, ele começa a falar, ah, você tá investindo pesado na inteligência artificial, né? Aí ele falou assim, a gente tá fazendo a nossa fábrica lá da xAI. Aí, ó, essa conversa aí, ó. Ele sempre com o Cybertruck lá atrás, é paletó colorido.

RVRogério Vilela

Na palestra que ele deu aqui há 2 ou 3 anos atrás, ele tava com paletó também todo.

DLDaniel Lopes

Tem um que é metade de uma cor, outra metade de outra cor, né? Você leu o livro novo dele, cara? Não li. Eu tenho lá, Os Homens Que Brigam com Deus, Os Homens Que Lutam com Deus.

RVRogério Vilela

Eu tenho, tá lá na minha mesa, que é mais ou menos sobre o livro, mas agora eu queria ler o livro, né?

DLDaniel Lopes

Tá na minha mesa lá. E inclusive, antes de eu citar isso que ele falou ali, O primeiro livro do Jordan Peterson, que é Mapa do Sentido, Mapa do Significado, né, que em inglês é Maps of Meaning, né, Mapas do Significado, Mapas do Sentido, ele vai exatamente nessa tese de que quando você tem uma moral objetiva, o mundo se organiza e você consegue controlar o caos. Agora, quando você não tem a moralidade objetiva, não tem limite para o que o homem pode fazer.

E quando o caos surge, o caos É o tirano, ele olha para o caos e fala: o caos precisa ser destruído. Ele tem aversão ao caos. Porque quando você, por exemplo, é cristão e crê em Deus, você sabe que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, que Jesus morreu na cruz. Mas você, você consegue ressignificar o caos. Mas quando você não tem essa moral objetiva, você tem horror ao caos, você tem uma obsessão pela ordem.

E aí o que que acontece? Aquele tirano que os caras servem ele por medo dele, e ele tá sempre com medo de ser traído. Então ele cada vez ele fica mais tirano ainda, eliminando às vezes até os seus amigos, porque ele tem aversão ao que ele deseja para o mundo não aconteça. Entendi. Então, e ele causa nesse sentido, então é por isso que ele vai, por isso que nos livros vai falar 12 regras para vida, que ele vai simplificar o Mapas do Sentido.

RVRogério Vilela

E depois eles falam, ele acho que é, aliás, fizemos um programa especial só sobre esse livro, 12 regras da vida.

DLDaniel Lopes

E depois é o terceiro livro, né, porque agora é os homens que— acho que não é os homens, que é eles que lutam com Deus. É o quarto livro.

RVRogério Vilela

O terceiro, esse último livro do Peter Jordan. Opa, Peter Jordan é outro, Jota Peterson.

DLDaniel Lopes

Então, 12 Regras para a Vida. E depois acho que é A Ordem, né, não sei o que lá da Ordem. Você vê que ele tá sempre pensando sobre o caos e a ordem, né. Então assim, interessante para caramba essa ideia. Então é o Elon Musk conversando com o Jordan Peterson. Jordan Peterson fala, pô, você tá em Além da Ordem, isso aí, mais 12 regras para vida. Obrigado, tá? Então se você só pega 12 regras para vida e Além da Ordem, você não vai entender o que que ele tá querendo fazer.

Ele tá mostrando que se você tira a ideia de que existe a verdade, a mentira, o bem e o mal, certo e errado, errado, o mundo entra em colapso, entra no caos. É tipo a evolução daquele livro do C.S. Lewis que a gente mostrou, A Abolição do Homem, que se você tira a ideia de certo e errado, você destrói o próprio homem. E voltando ali ao Elon Musk e o Jordan Peterson, Jordan Peterson fala assim, ah, você tá investindo pesado em inteligência artificial?

Aí ele fala assim, a nossa fábrica em Memphis, no Tennessee, é de onde vai nascer o novo deus da humanidade.

RVRogério Vilela

Era daí que eu tava tentando lembrar Era o Elon Musk que falou isso então.

DLDaniel Lopes

Aí o Jordan Peterson ficou olhando para ele e falou, não gostei muito disso não. Aí ele começou a rir, ah, não gostou não, né? É, não gostei não, isso é meio preocupante, é um pouquinho preocupante essa ideia, né? Então parece que essa nova divindade tá chegando e muitos irão se curvar até ela, né? Principalmente os early adopters, são aqueles que qualquer novidade eles já adotam logo. Então, Vilela, é Esse é o advento do— isso é muito interessante porque eu me lembrei agora de um estudo que eu tava vendo exatamente do motivo pelo qual a inteligência artificial pode trazer tanta angústia.

E a ideia é a seguinte: existem 3 trabalhos de 3 autores que trouxeram um pouco desse problema. Primeiro, Maquiavel. Maquiavel, o cara que chega e fala assim: O exercício do poder pode ser uma finalidade em si mesmo, ou seja, os fins justificam os meios, né? Se você quer atingir o poder, faça o que tiver à sua altura para chegar lá. Aí os caras falam: pô, mas mesmo coisas erradas? Aí ele vai falar: sim, mesmo as coisas erradas, porque o poder não precisa da moralidade.

Essa é a ideia do Maquiavel. E aí tem um grande problema, porque a inteligência artificial tá indo nesse sentido. A galera hoje tá preocupada em torná-la mais potente, independente se aquilo ali pode ser para o bem ou para o mal da humanidade. Muita gente tá alertando, isso aí vai ser para o mal, vai tirar emprego, vai ser usado na guerra, vai ser usado para matar os outros, vai ser usado para pré-crime, vai botar gente inocente na cadeia.

E daqui a pouco essa máquina autoconsciente pode se levantar contra nós e extinguir a humanidade. Cara, não tô nem aí, o que importa é eu ganhar competição contra os chineses. Você fala, pô, irmão, Você tá maquiavélico para caramba, hein? Você tá aos fins justificando os meios até o osso. Então é Maquiavel, ele virou ali como se fosse um vírus mental no Ocidente, e com essa ideia, cara, você pode fazer o que tiver à sua altura, mesmo que foi imoral para chegar ao poder.

Isso tá impregnado na inteligência artificial, é um problema. O outro problema é o problema do Descartes, que não é o solilóquio, mas é o solipsismo. Que que é o solipsismo? Descartes, ele vem com aquela ideia de que, poxa, será que tudo isso que a gente tá vendo é uma ilusão? Deixa eu pensar se eu posso ter certeza disso que existe. E aí ele vai, ele vai pensando, cara, e se tiver um anjo maligno aí, um demônio que criou uma ilusão?

Se a gente tá preso como se fosse dentro de uma Matrix, né? A gente tem lá no Platão a ideia da caverna de Platão, que é um pouquinho uma ideia de uma Matrix, mas em Descartes você tem já essa ideia de Matrix mais evoluída. Que um demônio criou uma realidade virtual ali, a humanidade tá presa nela. Então Descartes vai pensando, cara, eu posso ter certeza que o mundo ao meu redor existe? Não, pode ser tudo uma ilusão. E aí ele vai duvidando de tudo, e a única certeza que ele chega, que ele não pode duvidar, é eu tô pensando, entendeu?

Então ele pensa assim, cara, eu tudo, todas as minhas experiências pode ser fruto de uma ilusão. Mas eu tô tendo essa experiência, eu tô pensando. Então, se eu tô pensando, pelo menos eu existo. Então ele chega a uma conclusão que é a seguinte: eu posso ter certeza que eu existo, as outras pessoas eu já não posso, as árvores. Então o que que acontece? Isso é o solipsismo. Eu só tenho certeza que eu existo, o resto eu não sei se existe.

Isso traz um problema moral gigante, porque, pô, o cara pensa assim: vamos supor que eu tô preso num jogo de videogame, A mulher NPC, é, não, não você, o NPC, os outros, os outros são tudo NPC, que é o nome player. O cara falar a mulher é bonita, eu vou arrebentar, entendeu? Ou esse maluco aqui tá me atrapalhando, vou matar, porque é tudo, é tudo virtual. Você fica com desprezo pelo próximo. Isso é, isso era um problema tão grande para Descartes que ele teve que criar um negócio chamado moral provisória.

Tipo assim, eu não tenho certeza se aquela mulher existe, mas eu não vou violentá-la eu vou fingir que ela existe só para eu não cometer uma hipotética atrocidade. E então, é, em Maquiavel você tem o poder que não precisa da moralidade, e no Descartes você tem o desprezo ao outro, porque você não sabe se o outro existe ou não existe, você transforma o outro numa coisa. Então essa coisificação do outro e esse desprezo aí pela moralidade, isso tá impregnado na inteligência artificial hoje, né?

E Outra coisa que aí é o Adam Smith que traz. Adam Smith vai escrever o livro A Riqueza das Nações, é um dos pais do pensamento liberal que dá origem ao capitalismo. E ali no Adam Smith, apesar de eu ser super fã do capitalismo, no Adam Smith você tem um problema que é a riqueza como o fim único, acúmulo de patrimônio. Então, inteligente, a riqueza das nações, Adam Smith. É isso, isso também tá impregnado no mindset da inteligência artificial.

Por quê? Porque os caras estão querendo ganhar dinheiro a todo custo, e se para isso eles tiverem que matar emprego, tiver que acabar com a sociedade, eles não estão nem aí. Eles estão, eles partem para cima. Então esses 3 pilares, Maquiavel, Descartes, Adam Smith, podem estar colaborando para esse nível gigantesco de angústia que a gente tá vendo no mundo hoje. Porque você tem uma inteligência artificial que tá com perigo aí de tirar emprego, de tirar o sim, já tá tirando, né?

RVRogério Vilela

Tira o sentido também, porque você sabe, você conhece, eu conheço vários amigos que substituíram dezenas de pessoas por inteligência artificial.

DLDaniel Lopes

Aí eu olho para minha equipe, eu falo, você já fala, poxa, será que tá valendo a pena?

RVRogério Vilela

Vale a pena? Tem um cara que a gente pede um livro, ele coloca em alemão.

DLDaniel Lopes

Imagina lá uma inteligência artificial sentada, a culpa foi minha, né, que eu falei em alemão, ele quis tirar uma onda, né? Mas não vai ser tão engraçado ter uma inteligência Vai, cara, vai.

RVRogério Vilela

O Bigoda nunca vai ser substituído.

DLDaniel Lopes

Até chegar ali para a gente poder se divertir vai ser difícil.

RVRogério Vilela

Você acha que eu vou arranjar uma inteligência artificial que vem com roupa de super-herói, com capa, que nem a Fabi? Não tem.

DLDaniel Lopes

É difícil, é difícil. Vai demorar mais para substituir isso aí, vai demorar.

RVRogério Vilela

Agora o Lenny é fácil, né? Achar uma inteligência artificial fácil, o Lenny é fácil.

DLDaniel Lopes

O Lenny é tranquilo, né?

RVRogério Vilela

Você até esquece que ele tá aqui às vezes, de tão quietinho que ele é.

DLDaniel Lopes

Cara, o Lenny é figuraça, cara. E não, o Rômulo também, né?

RVRogério Vilela

O Klaus aqui, que é o Santa, meu personal falou que ele vai começar a treinar agora.

DLDaniel Lopes

É mesmo?

RVRogério Vilela

É, vamos ver se é verdade.

DLDaniel Lopes

Vai virar uma—

RVRogério Vilela

passou treino para ele, vamos ver aí.

DLDaniel Lopes

Quero ver essa fera.

?Voz C

Eu vi eles de cantinho conversando sobre bomba.

DLDaniel Lopes

É mesmo?

RVRogério Vilela

Não faz isso, Santa, você é novo, não entra nessa. Tá ele careca, grandão assim, né?

DLDaniel Lopes

É melhor, né?

RVRogério Vilela

Será que vale a pena? Será que vale?

DLDaniel Lopes

Eu lembro quando eu dava aula, né, para colégio, eu vejo meus alunos tudo gigante, monstrão. Falo, meu irmão, ainda bem que eu te tratava legal, né, que eu te respeitava, né, te passei de ano, né?

RVRogério Vilela

Não, você lembra?

DLDaniel Lopes

Imagina se eu tivesse reprovado os cara, os cara tudo gigante. É melhor tratar bem, né? Nunca sabe, nunca se sabe, né? Então, Vilela, o Paul Witz, ele traz um aporte assim muito interessante, cara, que a ideia é a seguinte: será que se a gente puxar Deus de volta para psicanálise, a gente não consegue conseguir ajudar as pessoas um pouco melhor a viver essa angústia. Na psicanálise ainda dá para fazer essa brincadeira, porque parece que na psicologia não tá, meio que não tá podendo, né?

Acho que na psicologia você não pode começar a misturar com religião. Não, é, pode dar problema.

RVRogério Vilela

Tinha psicólogas que quando faziam isso tinha até perigo de perder, né?

DLDaniel Lopes

Mas teve gente que perdeu, né? Então me parece que na psicanálise ainda dá para fazer essa brincadeira, né? Brincadeira no bom sentido. E aí é muito interessante, Vilela, porque quando eu penso nessas ideias eu tô me inspirando numa linha muito interessante da teologia chamada ortodoxia radical. Ortodoxia radical, eles importam ou eles trazem de volta uma ideia da teologia medieval, da escolástica, que ela partia do princípio que a teologia é a rainha de todas as ciências, ou seja, da teologia partem as Aí você fala assim, pô, Daniel, pô, você tá de brincadeira comigo, né?

Tá querendo me tirar? A religião sempre contestou a ciência, pô. Os cara queimava os cientistas, né? Processaram Galileu.

RVRogério Vilela

Não é bem assim.

DLDaniel Lopes

É, a ciência, com certeza, religião bancava esses caras, né? Pô, total, cara. Então a gente tem que entender o seguinte, Michel Foucault, arte também, né?

RVRogério Vilela

Foi mecenas de muito artista aí que a gente conhece, que os cara pintava pintava um quadro.

DLDaniel Lopes

A gente tem que entender uma coisa, né? É assim, tem uma versão chula e a versão mais acadêmica. A versão chula é quem conta um conto aumenta um ponto. Já ouviu falar nisso? Então assim, quem que tá contando a história geralmente são caras que têm uma aversão à religião. Então ele sempre vai contar essa história demonizando a religião, né? Ou Deus, principalmente cristianismo. Então assim, se um cara é materialista, se ele é anticlerical, se ele é naturalista, né?

Né, ele vai contar a história da igreja com viés total, né, com viés de confirmação pleno. Ele só vai pegar informação ruim, pô, para justificar a tese dele. Então, é quando você vê os historiadores contando sobre a era medieval, eles vão chamar de Idade das Trevas, né. Não, ali era só ignorância, ficou isso, né, ficou isso. Só que ali na Idade das Trevas teve uma renascença, a Renascença Carolíngia, quando Carlos Magno fez ali toda uma revolução.

Os caras criaram ali as primeiras grandes faculdades Teve uma preservação de toda a filosofia grega que veio através dos árabes. Sem a igreja ter preservado os documentos que os árabes preservaram dos filósofos gregos, a gente não ia nem conhecer Platão e Aristóteles. Então, se foi a igreja que preservou isso, as primeiras universidades surgem como escola de pastores, de líderes, de padres, né? Então, como é que pode você falar que isso é alienação?

RVRogério Vilela

E aí, qual que é o intuito, você acha, de classificar a Idade Média como Idade das Trevas? Foi o Renascimento que colocou isso para valorizar o que tava acontecendo?

DLDaniel Lopes

Claro, é porque até o Karl Marx ele vai explicar isso no Manifesto do Partido Comunista.

RVRogério Vilela

A gente pensa muito na Idade das Trevas por causa da perseguição da igreja, por causa da Inquisição e tal, isso ficou muito marcado.

DLDaniel Lopes

Ser supervaloriza um aspecto e você oculta o outro, né? O Manifesto do Partido Comunista. No Manifesto do Partido Comunista, Karl Marx, ele vai fazer uma reflexão sobre as revoluções burguesas, inclusive a revolução do proletariado. Ele inspira na Revolução Burguesa. Qual que é a Revolução Burguesa? Revolução Francesa. Então ele inspira a Revolução Comunista em cima da Revolução Francesa, que é uma revolução burguesa. A Revolução Burguesa, que acontece no contexto do Iluminismo, Ela tá se levantando contra o poder constituído da época.

E o poder constituído da época é quem? A nobreza e o clero. Então eles estão se levantando contra o antigo regime das monarquias europeias, que tinham seu poder legitimado pela teoria do direito divino lá dos absolutistas, né, do Bodin, Bossuet, que eram os filósofos da teoria do direito divino. Porque você tinha a igreja trabalhando em parceria com os nobres e um fortalecendo o outro. Só que aí o que que acontece com o fim ali das grandes guerras, com o início das grandes navegações e com o mercantilismo?

Você tem uma nova classe que surge. E essa classe que surge é quem? Uma classe de comerciantes que estão começando a ter muito dinheiro, que eles têm poder econômico, mas não tem poder simbólico. Que é o Pierre Bourdieu, que é um filósofo sociólogo francês, ele vai falar isso, né? É economia, tem um livro interessante para caramba, Economia das Trocas Simbólicas. Ele vai falar do poder simbólico, né? Que é tipo assim, poder simbólico, o pai às vezes só olha para o filho, filho já, opa, né?

Não precisou falar nada, é só o poder dele já sendo exercido. Então não existe só o poder econômico, existe um poder que é simbólico também. Então a nobreza e o clero dominavam tudo, e a burguesia, e aí surge a burguesia. Que tem grana. Aí, ó, economia das trocas simbólicas do Bourdieu. Tem grana, mas não tem moral, não tem expressão. E a burguesia surge sendo criticada pelos dois. A nobreza criticava a burguesia falando: você é new rich, como chama agora, emergente.

É, você tem dinheiro, mas não tem glamour, não é old money. Então você é new rich. E aí E para vencer isso eles estavam sempre se paparicando para caramba, né? É aquele negócio que fica feio do new rich, né?

RVRogério Vilela

Que o cara chega todo cheio penduricalho, você vê na roupa, é tudo as marcas brilhando.

DLDaniel Lopes

Tem uns condomínios que você vai assim que tem umas esculturas na frente da casa, assim uns leões, umas paradas assim, né? Meio estranho para caramba. Aí minha filha olha e fala, pô, new rich bravo, hein? Eu não sou old money não, mas pô, dá vontade de falar, irmão, tá passando vergonha aí, cara. Menos, menos. Anos, né? Então a burguesia surge assim, new rich.

RVRogério Vilela

O cara coloca aquele esquema, ele coloca a garagem dentro da sala, o cara, é, a Lamborghini do lado da mesa de jantar assim, né?

DLDaniel Lopes

É assim, deve ter uma galera que faz isso aí, tá assistindo, né, irmão? Mas é para o teu bem.

RVRogério Vilela

Exato, exato.

DLDaniel Lopes

Se inspira nos old money, cara, que você vai passar mais, né?

RVRogério Vilela

Usa aquela roupa, você acha que o cara, né, o cara usa uma roupa básica, você olha assim, pô, coitado, né?

DLDaniel Lopes

O cara tá nadando, o cara tá nadando ali, né? Esperto, né? Não precisa ficar esbanjando.

RVRogério Vilela

Tecaro, foi para você essa mensagem.

DLDaniel Lopes

Aí, ó, foi nada, meu irmão. Abraço aí para o Tecaro. Pelo contrário, ele dá uma zoada, dá uma zoada. Então, então aí, por um lado, a nobreza tá zoando os cara falando tu é new rich. Por outro lado, a igreja tá falando isso aí que você faz é pecado, você é ganancioso, você tá cobrando juros, usura, isso é pecado. Então ele fala, meu irmão, eu preciso tirar esses cara de cena. Os cara tão sendo um empecilho ao meu crescimento. Então, o que que ele, que que a burguesia faz?

Começa a bancar uma transformação cultural, começa a bancar os artistas, como a gente tava falando. O meu doutorado em linguística, ele começou com esse estudo, né, do Renascimento, os contratos em que os nobres e a igreja contratava os pintores para fazer as obras, e análise linguística disso, como é que era a linguagem, o relacionamento deles no contrato sensacional, porque você tinha ali o mesmo pintor, tipo um Rafael lá, um Donatello, Michelangelo, Mestre Splinter, né, as Tartarugas Ninja lá, todas.

O cara era contratado pela igreja para pintar os personagens da Bíblia, o mesmo cara era contratado pelos nobres para pintar o nobre numa cena bíblica, o que era ridículo. Você tinha assim a Última Ceia, aí estão os 12 apóstolos e tal, César Borgia. Fala, irmão, tu tava lá Entendeu? O cara querendo se colocar como bonitão. E aí você tinha o cara da burguesia contratando os caras para pintar sabe o quê? As deusas da Grécia tudo pelada e os cara pelado.

Era para confrontar mesmo. Por isso que a gente vê aquelas obras. Você falou, como é que numa época que o pessoal era tão cheio de pudor você tem essas cenas com as mulheres nuas, né? Era para confrontar, era para dar uma zoada mesmo, era tipo uma contracultura. E por isso que eles valorizavam tanto a cultura greco-romana. Porque era uma outra cultura para fazer concorrência com a cultura cristã. E aí isso foi começando numa batalha cultural.

Daqui a pouco começam revoluções mesmo para matar os caras. Então eles começam a financiar movimentos revolucionários, os caras, para passar o cerol em todo mundo. Tipo o Diderot que falava: meu sonho é quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre. Entendeu? É nobreza e clero, a gente quer matar todo mundo. E aí Marx olha isso, ele acha maneiro. Que ele fala, pô, a revolução foi bem bolada, só que agora eu vou pegar a ideia e vou arrebentar com a burguesia, entendeu?

RVRogério Vilela

Proletariado vai ter o papel principal aí nesse negócio.

DLDaniel Lopes

Então é aquela ideia, né, contra burguês vote 16, lembra que tinha? É quem, quem, quem, como é que é, quem bate cartão não vota em patrão, né? Então a ideia deles é o quê? É sempre você derrubar quem tá. Parece até que Marx ficou esperando Marx falou assim, cara, eu tô com 3 inimigos agora: o clero, a nobreza e a burguesia. Vou deixar eles se matarem. Quando sobrar só um, aí eu arrebento só um, né? Então, enquanto a burguesia vem com discurso já quase ateísta, mais anticlerical do que antideus, é mais contra a instituição.

Voltaire, por exemplo, era o Iluminista, mas não era ateu, de derrota era ateu. Eles pregavam mais contra a instituição igreja do que contra a ideia de Deus. Marx não. Marx já chega, pega o Feuerbach, que era o primeiro filósofo ateu, e ele já chega arrebentando e falando: aqui é materialismo científico, materialismo histórico, Deus não existe, é palhaçada, vamos acabar com a ideia de Deus. Então aí os historiadores que são formados nessa linha de pensamento, não tem como o cara falar bem da parte da história em que a igreja dominava, né?

Ele vai pegar só a parte falar, olha só como é que o negócio era horroroso. Então, nessa época medieval que eles dizem que era a época das trevas, a teologia era entendida como a rainha das ciências, a mãe das ciências. E hoje tem uma linha da teologia chamada Ortodoxia Radical que recupera isso. Isso é muito interessante porque se a gente pega o Steve Fuller, cara, eu não vou me lembrar algum livro específico do Steve Fuller, Steve Fuller é um sociólogo de altíssima patente e ele tem vários livros defendendo, falando no— será que é ele ou é o robô?

RVRogério Vilela

É, eu acho que é a versão virtual.

DLDaniel Lopes

Não morre cedo, hein?

RVRogério Vilela

É que é a versão virtual do Lenny, é virtual, né?

DLDaniel Lopes

É só holograma. Ele tá com a voz mais macho, mais grossa, né?

RVRogério Vilela

É que eu tô usando um aparelho aqui, ah tá, para corrigir.

DLDaniel Lopes

Você que tá tomando a testosteronazinha, a gente tava falando de testosterona.

RVRogério Vilela

Você acredita que minha testosterona tá boa?

DLDaniel Lopes

Claro que tá boa, ele tá querendo pegar até as coroas, né? O cara tá pilhadão, né?

RVRogério Vilela

Fiz um exame de sangue esses dias aí, aí o médico me elogiou, falou, cara, você tá com testosterona para dar e vender.

DLDaniel Lopes

Eu falei, de garoto?

RVRogério Vilela

Você lembra quanto que tá? Tô com 640. Que isso, rapaz, mesmo sem reposição não é nada, tá mais do que o Bigoda.

DLDaniel Lopes

Com certeza, cara. Ih, rapaz, essa geração é terrível, né? Isso aí é preocupante também, né, Vilhena? Porque não por causa de questão de orientação e tal, mas questão de fertilidade, né? Fertilidade caiu muito também. Tem alguma coisa na comida aí, algum lugar que tá atrapalhando a galera de produzir espermatozoide. Tem algo que tá atrapalhando, não sei por quê. É bom, bom para os cara que trabalha com fertilização in vitro, né?

Eu tenho uns amigos aí que estão nadando na grana, né, que tá todo mundo precisando. É, cara, beça. Então achou algum livro legal do Steve Fuller, cara? Tem, ele vai falar sobre assuntos diferentes, mas é interessante porque ele é um cara da área da sociologia do conhecimento, ou seja, ele vai entender como é que o pensamento surge através das forças da sociedade. Isso é legal para caramba. Geralmente os cara usa isso só para arrebentar o cristianismo, arrebentar a igreja.

Ele já usa para defender a igreja dizendo o seguinte, cara, se não fosse o cristianismo não teria ciência. O Steve Fuller defende essa tese. Por quê? Porque o cristianismo ele vence o O que que é o ceticismo? É aquele pensamento dos filósofos sofistas, né? Surfista não, tá? Sofista. É a ideia do ceticismo é o seguinte: a verdade não existe. Se existisse, não poderia ser alcançada. Se mesmo que fosse alcançada, não poderia ser conhecida.

E mesmo que fosse conhecida, não poderia ser comunicada. Então vamos desistir de buscar a verdade. Você fala: você vai buscar o quê então? Vou buscar ganhar dinheiro e dominar os outros e ter poder. E aí que sempre esse debate, né? Se não existe verdade, tudo é permitido. Se Deus não existe, não tem limite. E aí o cara vai querer dominar tudo. É interessante esse, que é pós-verdade, conhecimento como um jogo de poder, né? Então ele, ele, como eu falei, ele é um filósofo da sociologia do conhecimento, dá palestra no mundo inteiro.

O cara, ele tem uma pinta assim de uma figura meio cômica, ele parece um personagem assim de filme de comédia, que ele é meio carequinha, meio dentuça assim, é meio engraçado o jeito dele. Aí ele tá sério, ó, Vilela, vê que não parece uns personagens de seriezinha de comédia, parece, né, os cara que você olha assim e fala, vai contar uma piada, né? Não tem pinta de piadista. E ele fala, cara, se não fosse o cristianismo dizendo Deus existe, ele cria o homem à sua imagem e semelhança, e nós com a mente de Deus conseguimos conhecer o mundo, e daí vem a ciência.

Ou seja, conhecer a verdade é possível, a verdade é alcançável, ensinável e compreensível. Então, Steve Fuller, brilhantemente, ele defende essa tese de que a teologia sim é a mãe das ciências. Então, se a teologia é a mãe das ciências, o Paul Witz vai falar: por que que a gente não pode puxar a teologia para dentro da psicologia e da psicanálise, em vez de expulsar Deus e demonizando isso tudo, né? Um outro incentivo interessante para fazer esse exercício é o trabalho do filósofo Alvin Plantinga.

Alvin Plantinga, ele tem um livro chamado Conselhos aos Filósofos Cristãos. Esse acho que é fácil de achar. Nesse livro ele fala: cara, se você é cristão, porque você usa como base da sua filosofia fontes de pensamento que são anticristãs? Se você usa, se você é cristão, por que você usa base ateia para poder fazer o seu trabalho filosófico? Ele fala então que os cristãos, ao fazer filosofia, eles devem partir explicitamente de premissas cristãs, de que Deus existe, da criação, da queda, da encarnação, da redenção, em vez de ficar, aí ele vai usar um termo bem legal, Ficar mendigando aprovação, mendigando aprovação da academia.

Então esse livro é sensacional, cara, Conselho aos Filósofos Cristãos. Então eles falam: cristão, para de ficar mendigando atenção de ateu e começa a produzir trabalhos científicos e acadêmicos com base cristã, né? E também tem um conceito interessante que tá, que a gente pode citar dois livros um livro é Domínio, que é do Tom Holland, né? Não é o ator não, mas o ator dele é Tom Holland também. O nome dele é Tom Holland, né? Você vê que é o ator, é filósofo também, né?

Escreveu o livro chamado Domínio. Esse aí mesmo, ó: o cristianismo é a criação da mentalidade ocidental. Ou seja, não apenas a gente tem, a partir do Steve Fuller, a ideia de que a ciência vem da teologia cristã, Mas a própria civilização e a mentalidade ocidental vem do cristianismo também. Inclusive tem um outro livro que é, o nome do livro chama assim, O Livro Que Fez o Seu Mundo, que é do Vishal Mangavald. Esses livros mostram que o Ocidente deve os seus melhores frutos, a dignidade humana, o direito humano, a ciência, a compaixão, a ideia de igualdade, o trabalho social, né, o bem ao próximo.

Isso tudo vem do cristianismo. E esse livro, e esses dois livros, O Domínio e o livro que fez O Seu Mundo, vão mostrar que não é demonizando Deus e o cristianismo que a gente resolve o mal-estar da civilização. Na verdade, o declínio atual da sociedade ocidental é porque a gente abandonou essa raiz cristã, entendeu? Então é muito interessante essa, essa abordagem assim. Eu vejo pouco sendo falado por aqui no Brasil. E tô tentando incentivar a galera a tentar pensar uma, pensar soluções, né, para essa angústia da humanidade, para ansiedade, trazendo Deus para conversa, né?

Porque com Deus na conversa, o homem não é abolido. Quando você tira Deus, você abole a própria ideia de homem. Isso para fechar. Depois, não sei se já quer passar para as perguntas aí, Vilela. Tem um livro muito interessante O nome do livro é Foucault e quem escreveu o livro foi o Gilles Deleuze. E nesse livro tem um capítulo mais para o final, chama Sobre a Morte do Homem e o Super-Homem. Então ele vai falar exatamente aquilo que a gente tava falando do Nietzsche. É esse aí, é legal que ele bota o cara rápido, né, cara? Ele tá de flecha.

RVRogério Vilela

Por que que tem essa capa aí, você sabe?

DLDaniel Lopes

Então é porque tem a ver exatamente com essa ideia que eu tô falando. Você vê que é um cara fazendo aquele salto, né? Rompendo limites ali, voando. Um ser humano que não voa voando. Por que que é essa capa? A ideia dele é o seguinte: na Idade Média, o homem se entendia a partir de Deus. Que que é o homem? O homem é um ser criado em imagem e semelhança de Deus. Se você tira Deus, você perde a ideia. O que que é o homem agora? Não tem mais Deus, a gente vai ter que inventar uma coisa nova.

Então, pegando Nietzsche, Nietzsche e o trabalho do Foucault, o Deleuze vai falar, cara, quando Nietzsche fala que o Deus morreu, então o homem pode ser qualquer coisa que ele quiser, ele pode ser um além-homem, um super-homem. Aí começa essas ideias do transumanismo, eu quero me misturar com a máquina. Começa a ideia de gente que fala, cara, eu não sou uma pessoa, sou um cachorro. Aí o cara quer viver como cachorro, sou uma árvore.

Então, porque você não tem limite. Tem o cara transetário agora, não sei se você já viu disso, que o cara chegou na Argentina para fazer sacanagem daí, né? Não, o cara chegou na Argentina, falou: olha, eu tenho 35 anos, mas eu tô sentindo que eu tenho 70, portanto eu quero me aposentar. Se eu não tô enganado, acho que ele conseguiu. Que gênio! É mesmo? Depois você tenta achar essa notícia. Argentino tenta convencer que é mais velho para tentar se aposentar por neném, e os cara adotaram, né?

Então é fruto disso. Porque se não tem limite, eu posso ser qualquer coisa que eu quiser, né? Eu posso me transformar. O Peter Thiel tá nessa linha, ele fala que ele, ele é cristão, mas mesmo sendo cristão, ele crê que Deus, Deus nos dá limite para nós sermos o que quisermos, até deuses. Eu quero, eu quero não ter limite no meu corpo, na minha alma, eu quero poder transferir minha alma para outro corpo. A ideia é essa.

?Voz C

Então é, talvez, na verdade, ele trocou de gênero para se aposentar 5 anos antes.

DLDaniel Lopes

Entendi, para antecipar. Eu não sei se é coincidência ser argentino, né, ter tido essa ideia, né. Aí é legal que você vê esses caras que diz que troca de gênero, mas aí você descobre que ele engravidou uma mulher, que ele tá com uma namorada escondida. Ou seja, é tudo, nesse caso, é tudo uma gambiarra só para ter o benefício, né, não é uma sensação genuína que o cara tem. Então, Vilela, o Paul Witz, ele é muito interessante, o trabalho dele, porque ele vai defender a ideia de que o verdadeiro mal-estar Não é a repressão dos desejos nem autoridade paterna, mas o culto ao eu, o culto ao próprio homem.

Aí que tá o grande problema. E aí a solução para isso viria no reconhecimento de que o homem não tem capacidade para ser Deus e que realmente existe a fonte de tudo que existe, que é o próprio Deus. Então é um trabalho extremamente interessante que poderia ser feito nesse sentido. Eu tô estudando muito isso. Quem sabe em breve aqui a gente tem, chegue com algo mais consistente aqui, né? Quer dar uma olhada nas perguntas? Vou tomar uma aguinha aqui.

?Voz C

A primeira aí para gente, a primeira do Cauê, ele falou o seguinte: as redes sociais têm relação com as pessoas estarem cansadas o tempo todo, mesmo sem fazer esforço físico?

RVRogério Vilela

Cauê não deve ter mais do que 25 anos, né? Deve ser a sua idade. Não tem um Cauê de 80 80 anos.

?Voz C

Verdade.

DLDaniel Lopes

Ah, por causa do nome? É, Cauê, 80 anos.

RVRogério Vilela

Vovô Cauê não existe, né?

DLDaniel Lopes

É difícil de você visualizar, né?

RVRogério Vilela

Pedreiro chamado, como chama, é um nome assim de Enzo, Noah, Enzo, o Enzo quebrando uma parede, não tem, né?

DLDaniel Lopes

Não, você vê que tem muito cara com nome bíblico, né? É Elias, Samuel, tudo filho de crente, né? É, tem muitos assim. É, você não vê muito Enzo, é difícil. É isso. Mas ele perguntou de o cansaço gerado pelo uso das redes sociais, né? Então, existe até um sistema que já tenta evitar isso, que é, eu acho que é um sistema 20-20-20, que eu acho que é de 20 em 20 minutos você olhar pelo menos 20 segundos para algo a mais de 20 metros de distância, algo assim.

Por quê? Porque isso cansa o cérebro demais, cara. O estímulo luminoso o scrolling, porque o scroll ali ele estimula o cérebro de uma forma também muito, uma demanda muito grande, que é o mesmo estímulo que tem no cassino ou nas máquinas, né, de jogos de azar. Inclusive isso tá no outro livro que é A Tirania das Big Tech, que é do Josh Hawley. Ele vai mostrar como é que o scroll, né, e essa essa sucessão dos vídeos, né, elas vão demandando muito do cérebro e gera um cansaço terrível.

É, realmente gera. Aí o livro aí para galera, sensacional esse livro, é da Editora Vídea, da mesma editora publica os meus livros, tem lá na minha livraria também. Tem mais aí, bigode?

?Voz C

Tem mais aqui sim. A próxima é do Miguel, ele falou: o senhor ouviu falar, o senhor, sobre a fala de Deus, né?

DLDaniel Lopes

Aí tem que perguntar para Deus, né?

?Voz C

É se você ouviu falar sobre a Claude, inteligência artificial.

DLDaniel Lopes

Pô, com certeza, né? Quem não ouviu tá meio deslocado aí. Eu ouvi e ouvi coisas impressionantes, né? Como eu já citei aqui, o Claude Mythos, que era aquele que era tão poderoso que proibiram de divulgar para as pessoas. E aí a Anthropic, que é a empresa que faz o Claude, ela falou assim, pô, mas gastei uma grana, não vou poder vender, então vou fazer uma versão mais fraca para poder vender. Que aí então eles fizeram o Mythos 5 e o mais fraco que é o Fable 5.

RVRogério Vilela

Porque o problema são dois, o problema são interesses do governo de não usarem isso para o mal, para fins militares, e o segundo é energia que demanda. Quanto mais poderosa, mais energia para caramba, total.

DLDaniel Lopes

Só que aí que aconteceu, eles lançaram o Fable 5 e os caras rapidinho conseguiram fazer jailbreak no Fable 5, tirando as limitações, transformando ele no Mythos. E aí proibiram, deu mó encrenca, uma briga do governo americano lá do Trump contra o Dario Amoda, que é o CEO da Anthropic. E aí eles fizeram os ajustes lá, agora parece que o Fable 5 tá liberado para uso de novo. Então tá dando o que falar, o cloud aí.

?Voz C

É, o Gabriel Martins falou assim: governos podem usar do banco de dados das IAs para proveito próprio também, não é? Imagina o Trump, que é próximo do Elon Musk, que é dono de X, que tem um Grok.

RVRogério Vilela

Podem, ou já usam? Podem, já usam, né?

DLDaniel Lopes

É total, 100%.

?Voz C

Que é inteligência artificial deles, né, do X. Ele pode simplesmente pedir um favorzinho para o Elon e ter o banco de dados inteiro somente para ele.

DLDaniel Lopes

Claro, foi isso que ele fez.

RVRogério Vilela

Para mim já faz parte dos acordos todos. Claro, ó, vocês querem atuar aqui, vocês querem ter benefícios, então eu quero ter acesso a essa parada aí.

DLDaniel Lopes

Total. Não, o Musk botou 250 milhões na campanha do Trump. Você acha que é porque ele acha o Trump que é gente fina? Ele botou porque quando o Trump chegou ao poder, eles criaram o Departamento de Eficiência Governamental. Aí foi lá, ele foi lá junto com o pessoal da Palantir, instalou, chupou os dados todo do governo americano. Ou seja, se ele quiser expor qualquer cidadão americano, ele expõe fácil com os dados que eles pegaram. E ele usou esses dados também para treinar essa AI.

RVRogério Vilela

Ele pode jogar para outra pessoa, joga para o jornalistazinho lá, amigo dele, acabou.

DLDaniel Lopes

Por isso que o Trump tá, você pode ver que o Trump tá tomando atitudes assim extremamente polêmicas e tá tendo uma resistência pequena, porque eu acho que a galera sabe que quem se levantar contra já vai ser exposto na hora.

?Voz C

É o Dev Júnior, ele falou: quais as profissões que vão deixar de existir por causa da inteligência artificial nos próximos anos?

RVRogério Vilela

Ah, o cara quer a resposta que todo mundo quer, né?

DLDaniel Lopes

Primeiro é a dele mesmo, né? Porque dev é de desenvolvedor, né? O dev já tá aí, dev, fica ligado que o devil tá de olho em você.

RVRogério Vilela

Você assistiu essa série que eu Falei para você.

DLDaniel Lopes

Qual? Devs? Não, é de onde mesmo, cara?

RVRogério Vilela

Dá uma olhada, eu acho que ela tá na Disney.

DLDaniel Lopes

Tá na Disney, então fazendo jabá aí. A gente fala besta também de streamer, né? Os cara tão dando mole aí. É, tá dando mole. Não peguei, peguei, eu não assisti ainda, mas tô ligado.

RVRogério Vilela

Vai curtir, cara. É sobre inteligência artificial, computador quântico, e é bem boa.

DLDaniel Lopes

E o final, efeito original.

RVRogério Vilela

Aí você vai entender esse nome Deves, não é o que você imagina, né?

DLDaniel Lopes

Desenvolvedor não, né? Não, não tem a ver.

RVRogério Vilela

Não fala, não fala, não fala. Você vai facilmente, você vai chegar à solução.

DLDaniel Lopes

Deves, eu acho que é o Mussum falando, você deve, né? Você deve. Tem mais aí, bigode?

?Voz C

É, a próxima é do Valadão, que ele pergunta qual o limite da IA no cinema e outras artes.

DLDaniel Lopes

Cara, eu acho que já é um problema enorme para roteiro, né?

RVRogério Vilela

Os roteiristas estão, fizeram greves, fizeram várias restrições. Mas, cara, é um negócio que vai acontecer alguma coisa, cara.

DLDaniel Lopes

E deixa eu perguntar para você, Vilela, que é do universo aí das artes e tal. Já tirou emprego de uma galera também, né? Já, porque você contratava um ilustrador, contrata mais, por exemplo, fazer thumb. Sim, acabou.

RVRogério Vilela

A gente ganha fazendo thumb com inteligência artificial hoje que você dava o maior trabalho fazendo Photoshop e tal. Agora com comandinho você faz já para thumb. Para que que mais usa? Para animação a gente tá usando bastante vídeo, bastante meme. Ainda não estamos usando para edição, né, de cortes, mas tem gente que já usa. Não, mas não entende, já faz. Imagina assim, você tinha uma escola de arte, aí você ensina o cara a ser ilustrador durante 3 anos, o cara para ser, para tirar o diploma, acabou isso aí, né?

DLDaniel Lopes

Como é que tá isso aí, cara?

RVRogério Vilela

Porque vamos supor, você contrata um ilustrador, as escolas de idioma por causa dessa tradução instantânea.

DLDaniel Lopes

E, cara, faculdade de tradução. É, eu tinha amigos que fizeram jornalismo comigo.

RVRogério Vilela

Tem bizarro que tem já device que é milissegundos a tradução, já é bem boa.

DLDaniel Lopes

É estranho porque parece que assim é instantâneo, ou quase assim. Parece que antes de apertar o botão, já sabe mais ou menos. Caraca, o cara tá viajando no tempo, né? Eu me lembro de um programa com Stephen Hawking sobre viagem no tempo tempo. Aí ele fala de você abrir um, dois.

RVRogério Vilela

Sabe o que ele fez, né? O quê? Ele fez um anúncio no jornal sobre uma festa de aniversário dele.

DLDaniel Lopes

Você sabe disso? Não lembro não. Vê se você acha.

RVRogério Vilela

Ele falou, vou provar que não existe viagem no tempo.

DLDaniel Lopes

Ah, cara, isso é sério mesmo, não é piada não.

RVRogério Vilela

Só para não falar errado, mas eu acho que ele colocou, é, colocou o aniversário dele era hoje, digamos. No dia seguinte ele fez um anúncio do aniversário dele que era no dia anterior, para ver se apareceu alguém com dia local e horário, e falando para os viajantes do tempo, ó, se existe realmente vai aparecer na minha festa. Aí ele esperou na festa, apareceu ninguém do futuro, que o cara só saberia se tivesse visto no jornal do futuro.

DLDaniel Lopes

Do futuro, entendi.

RVRogério Vilela

E aí, segundo ele, fizemos esse teste aqui também, né? Fizemos durante o programa. Eu falei, ó, se tem viagem no tempo, você sabe que dia que é hoje, você sabe a hora que tá, e se você é viajante do tempo, você sabe onde é o estúdio. Então a gente vai dar meia hora para você tocar o nosso interfone e entrar aqui. Esperou meia hora, ninguém apareceu.

DLDaniel Lopes

Ninguém.

RVRogério Vilela

Olá, bem-vindo!

DLDaniel Lopes

Então ele fez uma simulação que abriu um buraco de minhoca e tinham duas, tinham entrada e a saída, né? Aí ele fala, dependendo da maneira como você faz, antes de você enfiar a mão no buraco, a sua mão já sai lá do outro lado, né? Antes de você mandar a pergunta, a resposta já vem, né? Pode crer, é uma loucura, né? Isso tem também, só para quem for curioso, meio nerd, é o problema do telefone taquiónico do Tolman, que tem a ver com o Tolman, que é um dos maiores físicos da história.

RVRogério Vilela

Tem a ver com táquions, que seriam as partículas que viajam de trás para frente, o futuro na frente, o passado atrás.

DLDaniel Lopes

No universo pop tem muito isso também, história em quadrinhos. Então é o paradoxo do telefone taquiónico, que antes de você perguntar já vem a resposta. Que doido! É legal. E o Tolman é um cara muito top na vida. Cara, você acredita que eu não assisti Fringe? Todo mundo fala para assistir.

RVRogério Vilela

Tavam se tocando e um tava destruindo o outro, e tinha uma máquina de escrever que você escrevia e a pessoa do outro universo escrevia na mesma máquina. Tinha um ponto de conexão, então você escrevia uma mensagem e aí depois começava a máquina sozinha digitando embaixo a sua resposta.

DLDaniel Lopes

Ah, maneiro, maneiro!

RVRogério Vilela

Não, né, da teligrafia.

DLDaniel Lopes

Entendi.

RVRogério Vilela

Porque outra pessoa do outro lado tava respondendo.

DLDaniel Lopes

Olha lá, cara, essa série, muito bom. Duas coisas que a galera sempre me fala para assistir: Fringe, Doctor Who.

RVRogério Vilela

Person of Interest, eu assisti, mas ela vai perdendo lá, né, vai minguando. Agora Fringe, ela vai ficando cada vez melhor. Começa meio meia-boca e termina no auge.

DLDaniel Lopes

Caraca, não vi ainda, mas muito tempo a galera me Insider. Tem mais aí, meu velho?

?Voz C

Tem mais aqui sim. É o Gustavo Almeida, ele falou: e sobre o caso das IAs que geram deepfake envolvendo pessoas famosas e até mesmo crianças?

DLDaniel Lopes

Então isso é o problema e é a justificativa que os governos vão usar para frear o avanço da inteligência artificial. Não frear o avanço, mas retirar do acesso público. Eles vão cada vez mais— anotem isso aí, que é uma tendência que tá acontecendo— cada vez mais os governos e as instituições vão tentar limitar o acesso público a essas ferramentas, dizendo que isso pode trazer perigo para privacidade também, para perigo segurança nacional também, criar bombas e vírus, né, e hackers usarem para fins maliciosos e tal. Então realmente é um problema que tá colocado aí.

?Voz C

E a Juliana, ela falou: percebem como a geração mais nova não sabe conversar, não estuda, não trabalha, não sabem como se comportar em uma entrevista de emprego? Acredito que isso tem forte relação é com as redes sociais. Vejo isso nos meus sobrinhos.

DLDaniel Lopes

Eu percebi o Vilela aqui, ó, eu vou olhar lá, jovem, você conversa, ele fala, ele não responde.

RVRogério Vilela

Eu vou ajudar a responder, cara. A gente tem uma dificuldade muito grande para contratar gente. O Bigode é uma exceção, mas é preocupante, né, gente mais nova, cara, porque eles não estão aqui. Depois vou perguntar também para o nosso amigo aqui se ele trabalhar com pessoas mais novas, se tá dando, porque o lance de ter constância, regularidade, horário pressão de trabalho, eles não lidam muito bem não.

DLDaniel Lopes

Você não sabe um setor que um amigo meu trabalha, que ele me apresentou esse problema que me deixou grilado. O cara trabalha na Embraer e ele falou, cara, a gente não tá encontrando a galera da manutenção de aeronave.

RVRogério Vilela

Por quê?

DLDaniel Lopes

Porque o jovem não tem capacidade, não tem responsabilidade, não tem concentração para— não, eu acho que não tem condição de— o cara é irresponsável irresponsável. Ele falou, cara, você já imaginou um molecote desse irresponsável fazendo manutenção do avião? O cara tá com a vida de 300 pessoas na mão dele. É pior do que, no caso, um médico irresponsável, que geralmente o médico irresponsável, formado nas faculdades aí bem fuleiras, o cara pode matar uma pessoa ou outra.

Mas um mecânico de avião irresponsável, mal qualificado, olha o tamanho do perigo. Então é extremamente preocupante.

RVRogério Vilela

Tem problema num cara controlando as perguntas do chat aí?

DLDaniel Lopes

Imagina que é uma coisa mais—

RVRogério Vilela

tudo bem se ele errar, o avião não cai, né?

DLDaniel Lopes

Não vai matar alguém.

RVRogério Vilela

Você confiaria no Bigode fazendo assim, ó, para o cara assim? O piloto vai sair do avião, ele faz assim, ó. Eu desço do avião na hora, falei: o Bigoda consertou, deu ok?

DLDaniel Lopes

É preocupante, tá?

RVRogério Vilela

Pode subir, pode subir, tá bom.

DLDaniel Lopes

Ele nem ele andaria, né? Aqueles teu amigo de infância que era totalmente maluco, aí ele: eu virei piloto de avião.

RVRogério Vilela

Você fala: rapaz, mas sabe que Tem um amigo meu que tinha uma teoria que para os aviões não caírem seria obrigatório o mecânico que faz a inspeção voar no voo, porque aí ele teria uma atenção dobrada.

DLDaniel Lopes

Sabe o que eu lembrei? No Código de Hammurabi, que é tipo uma das primeiras leis antigas, né?

RVRogério Vilela

Olho por olho, né?

DLDaniel Lopes

É, olho por olho e tal, que dizem que inspiraram a Lei de Moisés. O cara que construía uma casa, ele tinha que entrar na casa, então não ficava sacudindo, dando soco na parede para ver se não ia cair. E se caísse, ia cair em cima dele, né?

?Voz C

Não faz isso aí direito, manda, manda E a última aqui que é do Caio, ele falou: tem como usar a IA como terapeuta e psicóloga? Vejo uma onda crescente de pessoas fazendo isso.

RVRogério Vilela

Cara, tem muita gente, né? Ele aí faz, ó. Não faz? Fica perguntando para IA das coisas, tá vendo? É, não, não pergunta da sua vida. Ah, que que eu— não mente para nós.

DLDaniel Lopes

Sabe o negócio que eu acho que a galera—

RVRogério Vilela

foi você? Tem, tem. Não, não, não foi você.

DLDaniel Lopes

Tem uns cara que falaram que toda manhã tá conversando, bate um papo assim, bate um papo na moral, amigo, manda lá as questões.

RVRogério Vilela

Que que eu faço isso?

DLDaniel Lopes

Que eu não faço aquilo? Pô, minha esposa tá enchendo a paciência lá em casa, que que eu faço? É minha mulher, não suporta.

RVRogério Vilela

Negócio, só, putz, aconteceu isso com funcionário e tal, que que eu faço?

DLDaniel Lopes

Altas consultorias, né? Não, eu bato uns papos filosóficos animais, cara.

RVRogério Vilela

Sério?

DLDaniel Lopes

Pô, cara, que vende respostas, tem umas coisas legais. Pô, não, assim, coisas específicas pontuais, né?

RVRogério Vilela

Dá para você dar um exemplo?

DLDaniel Lopes

Claro, dá para dar exemplo. É, por exemplo, a gente tá falando de psicologia, psicanálise, e a ideia do psicologismo. Que que é o psicologismo? É tudo é psicológico. Como assim? Ah, eu creio em Deus. Não, isso é viagem, você inventou Deus.

RVRogério Vilela

Eu vi uma nave alienígena.

DLDaniel Lopes

É, não, isso é tudo viagem. É claro que vai do materialismo também, E aí, cara, que que eu fiz? Eu peguei assim: a filosofia da fenomenologia do Edmundo Husserl, ela é uma boa ferramenta para contrapor o psicologismo? Aí ele começa. Aí eu falo: pô, mas não concordo com isso não. Mas não seria melhor a gente ir pelo caminho do Heidegger no livro, como é que é, O Ser e o Tempo, né? O Ser e o Tempo não seria melhor? Aí ele: não, pô, muito bom isso que você falou.

Altos papos, cara, específico de ideias e livros, ideias e livros, ideias e livros, ideias e livros. Mas você não acha que esse conceito, um exemplo, você não acha que o conceito que Dostoiévski apresenta lá no Crime e Castigo, ele meio que antecipou a ideia do Nietzsche do Super-Homem? Pô, com certeza e tal, existe um vínculo entre as duas ideias. É sensacional, cara. Eu, pô, viajo, altas conversas, muitas coisas que eu queria conversar na época.

Eu pensava assim, assim, pô, isso aqui, cara, por exemplo, eu estudei lá na Federal do Rio de Janeiro, na faculdade de filosofia, era mestrado em lógica e metafísica. E aí o professor Marco Rufino, que era acho que o único brasileiro que tinha conseguido publicar um artigo acadêmico na revista Minds, que é a maior revista de filosofia da mente do mundo, ele falou uma vez que ele deu uma aula só sobre slingshot arguments, né, argumentos estilingue, que eram argumentos rapidinho que você resolve, você responde uma coisa complexa muito rápido.

E ele deu alguns exemplos que eu não me lembrava. E aí eu perguntei assim, cara, liste para mim os argumentos de Schelling mais famosos. Ele me listou. Aí eu falei, cara, mas esse argumento aqui realmente é válido? Algum outro filósofo contestou ele? Aí ele falou, não, esse aqui tentou contestar, mas não deu certo. Cara, eu consigo, eu teria que perguntar para o cara, né? Fala, professor, naquela aula que você me deu lá 25 anos atrás, quais eram?

Porque eu pesquisei muito tempo no Google e não lista aí para eu. Não sei, tem coisa no Google que tá sumindo, tá sumindo, muita coisa tá sumindo. E aí, cara, resolveu de um jeito que eu falei, rapaz, aquelas coisas que eu não conseguia recuperar, eu tô pegando tudo.

RVRogério Vilela

Preocupado é daqui uns 5 anos da gente pesquisar alguma coisa na internet e começar a aparecer coisas erradas muito difundidas pela, pelo erro da inteligência artificial, que acabam virando verdade, sabe?

DLDaniel Lopes

Que tá acontecendo, aquelas viagens que ela faz, alucinações. E aí isso vira um conteúdo tão grande que vira, fica um big data ali que não, e ela começa a ser relevante mesmo sendo errada, mas vira uma autorreferenciação, né?

RVRogério Vilela

E ela vai cada vez ficando mais suja, que nem o xerox do xerox. Quando você tira um xerox, aí tira outro dele, outro dele, cada vez o xerox vai ficando pior, vira o boot, né?

DLDaniel Lopes

Porque a ideia de boot do computador, que é um negócio meio assim, que o computador é como se ele é uma pessoa que acorda e fala: onde estou? Quem sou? Aí ele fala para ele mesmo quem que ele é, onde ele tá. Aí ele fala: mas como faz isso? Ele fala: não, faz assim. Ele mesmo se ensina. E aí toda vez que você liga, toda vez, aí é bootstrapping, que é você puxar a corda, o cadarço da bota, porque vem na ideia do Barão de Münchhausen Monroe.

Você lembra desse filme? Então ele teve uma cena que ele voou puxando o cadarço da própria bota, né? Você puxou e saiu voando, entendeu? E o boot é isso, é tão absurdo. Então pode acontecer que vira um bootstrapping do conhecimento, né? Porque você fala assim, é isso aqui é verdade? Sim. Quem falou? Eu falei.

RVRogério Vilela

Não, mas você vai validar o que você confiar nos livros ou em algumas coisas, vai confiar na internet, ela Pode criar.

DLDaniel Lopes

As Aventuras do Barão de Munchausen, é legal para caramba.

RVRogério Vilela

O diretor é o Terry Gilliam, se não me engano, né, que é do Monty Python.

DLDaniel Lopes

Monty Python, não, surreal, muito maneiro isso aí. Então tem muita referência de computação e tecnologia que vem dessas maluquices, né, dessa cultura pop mesmo. Próprio Elon Musk usa para caramba.

RVRogério Vilela

Daniel, obrigado demais aí.

DLDaniel Lopes

Valeu, Vilela, prazer.

RVRogério Vilela

Pessoal reclamou que tem live que a gente não faz oração, então vamos fazer uma oração antes. Agradecer quem mais, o bigode? Você quer casa, né? Vou agradecer sua namorada também, né?

DLDaniel Lopes

Ana Júlia, obrigado por manter esse rapaz na linha, cuidar bem dele, tá bem nutrido, tá alegre, tá alegre.

RVRogério Vilela

Verdade, né? Tava tão para baixo um tempo atrás. Eu acho que era isso, cara.

?Voz C

Era o salário.

DLDaniel Lopes

Não acredito, Raimundo! E o salário? Manda aí, safado!

?Voz C

Galera, se você não deixou o like lá no início, aproveita aí, deixa agora, tá bom? Se inscreve no canal, acompanha aí a partir de 6 de membros, você vê lá todos os benefícios.

RVRogério Vilela

É muito legal ser membro, tem muita coisa que só aparece para membros. Vocês estão vendo os vídeos aí, é o vídeo específico para membros, né? Exato. Tem a Arca também, tem todas as informações aí no link e no QR code, você vai direto para Arca. Eu já tô lá há pelo menos uns 2 anos e meio, então vá para lá também. E Daniel, agradecer demais. Redes sociais, sigam a gente nas redes sociais. Tem programa dele todo dia, de segunda a sexta, e agora Agora às vezes aos finais de semana também, no meu canal, não aqui no Inteligência Militar.

Aqui vai ter outro programa dele também, mas lá no canal é sem falta, lá na hora do almoço.

DLDaniel Lopes

Eu falava de segunda a sexta, mas agora tá rolando final de semana. Obrigado pela lembrança. É garantido, é garantido. Alguns dias finais de semana, quando acontece uma finalzinha de Copa do Mundo, essas coisas, a gente encaixa.

RVRogério Vilela

E outra coisa, estamos chegando aí aos 6 milhões aqui no canal, 10 milhões total demais. E a gente vai fazer muita coisa no momento que atingir esse número. Então fala, pessoal, se inscrever. Você que é safado, só assiste aqui, não se inscreve, se inscreve.

?Voz C

Tem muita gente que assiste as lives, tem 40% do pessoal que assiste.

RVRogério Vilela

Exato, se inscreva no canal que eu dançarei de cueca na Paulista. Brincadeira, não, não vou, não vai, vai ser coisa mais legal. Então é agradecer demais. Qual é a palavra que o pessoal escreve nos comentários para provar que chegou até o final, querido Bigoda?

DLDaniel Lopes

Escreve aí: capa do Capa do Batman. Boa, por causa da homenagem a nossa família aí, né?

RVRogério Vilela

E agora, para aquele pessoal que tá aí com essa angústia, que a gente falou tanto de angústia, tanto de ansiedade, que tipo de oração que vamos fazer agora aqui rapidamente?

DLDaniel Lopes

Senhor Deus, nós te agradecemos, Pai, por esse momento aqui de reflexão. Foi muita reflexão sobre filosofia, história, mas o final de tudo, o objetivo, a finalidade é exaltar o nome do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, falar das coisas de Deus, Deus e reconhecer a soberania dele sobre as nossas vidas. A palavra do Senhor diz em Mateus 5, no Sermão da Montanha: Vinde a mim os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.

Por isso eu te peço, Pai, nesse momento, para todo aquele que tá assistindo esse programa, traga alívio, Senhor, em nome de Jesus. Aquele que tá angustiado, traga alegria, traga a alegria do Senhor, que é a nossa força, Pai, em nome de Jesus. Tira toda amargura, tira toda tristeza. Aquele que tá com enfermidade no corpo, na alma, no espírito, eu te peço, Pai, venha com a cura sobrenatural, venha com o teu bálsamo, venha com o teu Espírito Santo, aquele que nos restaura, aquele que intercede por nós com gemidos inexprimíveis até a consumação dos séculos.

Eu te peço, ó Deus, vai visitando a mulher, Pai, que tá viúva, vai visitando, Pai, o filho que ficou órfão, vai visitando, Pai, todo aquele que tá desempregado, que tá com problema financeiro, problema na empresa. Abençoa, Pai, a área profissional, a saúde física, saúde emocional, a vida espiritual, corpo, alma e espírito abençoados, finanças abençoadas, Pai, eu te peço, ó Deus, vá tirando todo peso da existência e que o Senhor possa ser luz para os nossos caminhos, lâmpada para os nossos pés, e que a nossa casa esteja edificada sobre a rocha que é Cristo, de forma que vindo sobre ela a tempestade, ela permaneça firme.

Assim eu profetizo sobre a nossa vida, minha vida e a tua vida, em nome de Jesus. Quem crê diz amém. Amém, amém.

RVRogério Vilela

Valeu, obrigado demais, Daniel. Obrigado por vocês, fiquem com Deus. Beijo no sobre ele. Tchau, que bom que vocês vieram! Fui!

DLDaniel Lopes

As opiniões e declarações feitas pelos entrevistados do Inteligência Limitada são de exclusiva responsabilidade deles e não refletem necessariamente a posição do apresentador, da produção ou do canal. O conteúdo aqui exibido tem caráter informativo e opinativo, não sendo vinculado a qualquer compromisso com a veracidade ou exatidão das falas dos participantes. Caso você se sinta ofendido ou tenha qualquer questionamento sobre as declarações feitas neste vídeo, por favor entre em contato conosco para esclarecimentos.

Estamos abertos a avaliar e, se necessário, editar o conteúdo para garantir a precisão e o respeito a todos.

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DLDaniel Lopes

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