1888 - A ODISSEIA: HENRIQUE CALDEIRA, JURANDIR GOLVEIA E REINALDO LOPES
JURANDIR GOUVEIA é teólogo e escritor, HENRIQUE CALDEIRA é historiador e REINALDO JOSÉ LOPES é jornalista. Eles vão bater um papo sobre o filme “A Odisseia”, o novo lançamento do diretor Christopher Nolan. O Vilela já assistiu ao filme duas vezes, mas jura que já tinha entendido tudo da primeira vez.Operação Lucro 2x: Acompanhe a live no dia 11/08, às 20h, e acompanhe o plano por trás do crescimento do G4 e Grupo Primo. https://on.g40.co/inteligencia_A_OdisseiaRegularize seu trabalho. Abra seu CNPJ com a Contabilizei 💙Tudo 100% online: abertura de CNPJ, notas e impostos em um só lugar.Use o cupom INTELIGENCIA e ganhe 2 meses de mensalidade grátis.👉 Comece agora: https://bit.ly/inteligencia-ctbz-21072026
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Olá, terráqueos, como é que vocês estão? Eu sou Rogério Vileira, tá começando mais um Inteligência Limitada, o programa onde a limitação da inteligência acontece somente por parte do apresentador que vos fala. Sempre trago pessoas mais inteligentes, mais interessantes e com a vida muito mais epopeca, odisseica, aventurezca do que a minha, do que a sua? Porque a sua é uma vida de casado, ela tem aventura, tem odisseia.
Não tem, cara.
Mas, por exemplo, sair daqui, voltar para sua casa, às vezes é uma odisseia, cara.
Com certeza.
Quando tem enchente.
Sim, não é?
É verdade. Tal qual polícias de São Paulo, enfrentar o trânsito de São Paulo.
Exato. Quando tem jogo aqui no Morumbi, atrasa.
Pois é, rapaz.
Mas nenhuma sereia te pegou para o caminho não, né?
Nunca pegou, cara.
Se pegar, arranja treta em casa, velho.
Mas se ela começar a cantar uma música que é boa aos seus ouvidos, o que que você faz? Coloca cera nos ouvidos?
Com certeza, coloca os dedinhos assim.
Os perigos noturnos, livre dos perigos noturnos.
Exato. Que o pessoal que quer se livrar dos perigos noturnos também, bom, já começa já deixando o seu like, se inscrevendo no canal, torne-se membro e compartilha esse vídeo com toda a sua patotinha, fechou? Tá certo, você vê que ele é um cara antenado com as gírias do momento, né?
Moderninho.
Moderninho ele, né? Patotinho.
Chuchu beleza.
Chuchu beleza. Quando você vai à noite, você não vai para balada, você vai, quer ouvir uma discoteca.
Achei que era danceteria.
E como chama? Banda musical, né? Banda musical, conjunto musical. Conjunto, né?
Conjunto.
Minha mulher é um broto.
Tá certo. Se eu chegar nela, eu ia ser um broto. Você é um pão para ela.
Eu sou um pão.
Então é isso, antes de falar com essas feras aqui, eu quero mandar um recado para você que tem uma empresa, todo empresário foca em faturar mais, né? Mas para onde vai o lucro depois que entra no caixa? O CNPJ rala, mas o CPF não cresce, porque a maioria não sabe transformar caixa em patrimônio. Para resolver isso, o G4 e o Grupo Primo, olha só, eles se uniram e vão lançar o lucro, o lucro duas vezes. De um lado, Thales Alfredo e Nardon com gestão e eficiência.
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Nem mesmo.
Se eu ligar, mandar WhatsApp para ele às 9 e ele não está aqui, ele finge que não é com ele.
Ah, já está dormindo.
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É isso aí.
Agora vamos à apresentação do povo aqui. Tem um cara que tem um nome, o Jurandir. Eu queria conhecer ele bebê, que não existe bebê. Eu nunca conheci um bebê chamado Jurandir. Já nasce de bigode, já nasce de bigode. Não tem um bebê chamado Jurandir, já tá encostado nele, já tem osteoporose quando nasce, né? Então se apresenta para o povo. E por que esse nome de velho que você tem?
Qual que é? Meu nome é Jurandir Gouveia, eu tenho o canal Jurandir Gouveia porque eu sou muito criativo para dar nome para canal.
Eu pensei, se deu certo com Whindersson, por que é que não vai dar certo com Jurandira?
E o nome é uma homenagem ao meu vô. Não me consultaram, quiseram homenagear meu vô e fizeram essa homenagem, porque por incrível que pareça já vem uma geração de Jurandira aí. E eu tenho um canal onde a gente fala sobre cinema, storytelling, para a gente aprender a entender essas obras com aquilo que vai além da camada superficial e como que tudo foi feito.
Pois é. O Henrique também já veio aqui, sou fã do canal dele também. Cara, você não conhece o canal, ele vai falar agora sobre o canal dele, mas é um conteúdo precioso. Imagina o trabalho que dá e a constância que tem fazendo. E agora também tá fazendo viagens. Fale para o povo o que você faz. Então, bonito bigode, né, cara? Bigode de show.
É o homem mais bonito da mesa, indiscutivelmente. Aliás, um dos mais bonitos do Brasil, inclusive.
Eu esperava estar nessa competição aí, homem.
Fui tirado. Você Teu shape tá melhor, Vilela, mas teu shape tá melhor.
Melhorou.
Mas o conjunto é mais harmônico.
O conjunto é mais harmônico.
Eu paguei um projetinho, ele tem o shape, né?
Então, mas meu canal é Estranho Shape. Estranho Shape já está, né? Mas assim, meu canal é Estranha História, eu sou historiador, falo de história.
Por que que é Estranha História? Não, né? Que que é o lance?
Então, é porque o que eu gosto, eu gosto, é um canal de história, mas não é o que todo mundo fala sobre história, são coisas É, são coisas estranhas que geralmente a abordagem costuma ser meio assim teorias da conspiração, sensacionalismo. São temas que todo mundo gosta assim, tem muito interesse. Livro de Enoque, pirâmides, que muitas vezes o pessoal vai muito numa vibe teoria da conspiração.
E você traz, coloca o pé no chão.
E eu pego uma perspectiva acadêmica. Então eu tenho formação em história, sou doutor em história, então fui treinado, por assim dizer, nessa forma de pensar e expressar academicamente. E a bibliografia, os livros que eu consulto para fazer os episódios, são todos artigos, livros acadêmicos. Então acho que isso é um diferencial que acabou levando o canal para crescer, né? É, mas é principalmente história antiga, história das religiões cristãs, Grécia Antiga.
Não tem tanta, eu faço um vídeo, tento fazer um vídeo por semana. Tem o clube de leitura no canal para os membros que a gente faz uma reunião toda semana, tem lives semanais também. Então, conteúdo assim, eu não coloco muito um esquema de produtora, porque realmente é outro ritmo de produção, né? De produção. Mas é isso, são histórias estranhas. Eu gosto muito da estranheza da história, de pegar aquilo que as pessoas acham que estão suficientemente familiarizadas, né?
Ah, romantismo, cristianismo, vivi, nasci na igreja. Isso, mas tá, então vamos sentar aqui, vamos ver a Bíblia historicamente.
Tem um vídeo que Deus teve uma esposa ou teve uma mulher, não tem uma coisa assim?
Isso, sobre essa ideia histórica.
Muito importante isso também. O meu canal, eu tento o máximo não colocar opiniões minhas, tipo assim, ah, que eu acredito que Deus teve uma esposa. Não. Historicamente existem visões sobre Deus dentro do judaísmo, dentro do cristianismo, dentro do pensamento grego, dentro da teologia grega, que a gente vai acabar falando aqui, misturando com mitologia também, que são muito diferentes do que o pessoal conhece. Então quem tá acostumado, tá familiarizado com mitologia pelo Percy Jackson, por Furia de Titãs, por filmes recentes, você pega uma abordagem do tipo que eu faço lá no canal, você fala, é mais estranho do que eu achava, assim, eu não tô tão familiarizado assim, né?
Então por isso a estranheza. E foi um canal que surgiu na pandemia também, e aí por isso ele tem a mascarazinha da peste negra, que é histórico e é estranho, né?
2020, 21, quando foi?
Foi 21, né? 21. O primeiro ano da peste assim significativa no Brasil foi 20, na verdade, né?
É 20. Eu comecei aqui na pandemia novembro de 2020, começou um pouquinho depois. Parabéns pelo canal e tá fazendo umas viagens, foi para Egito, né?
Fui para Egito, fomos para Egito, né? O pessoal do canal acompanhou alguns, né? Claro, em fevereiro agora vamos para Machu Picchu, em setembro já tá.
São para Machu Picchu, olha que sensacional!
Aquilo deve ser, a gente vai por São Tomé das Letras, né?
Tem uma passagem, tem uma, tem um portal, pessoal de Minas conhece a história.
Não, mas a gente não vai para São Tomé das Letras não. Mas assim, e estamos com planos aí.
Sabia que você precisava falar isso, né?
Precisa, né?
O pessoal ia acreditar. Cadê essa passagem aí, né, que ele falou?
Vai encher de gente lá, cadê?
Esse disclaimer é necessário.
É necessário.
Para quem não conhece a mística de São Tomé das Letras, pode ir lá no canal do Monroi.
O Monroi que tá lá batendo lá na mão. Me falaram que tinha um portal aqui.
Acorda! Eu não sei o Monark, mas já tem muita gente que foi para o Hot Pitch por São Topem das Letras, né? Vai diariamente algum.
Vai e volta no mesmo dia, né? Velocidade da luz.
São meio que os lotófagos, né, dos nossos tempos.
E temos um estreante aqui? É isso?
É isso aí, primeira vez.
Então, se é a primeira vez, aqui é Clube da Luta. Se é a primeira vez, tem que se apresentar e dar presente, porque aqui a gente não dá presente para o convidado, o convidado dá presente para a gente.
Então, primeira apresentação, depois o presente?
Sim.
Beleza.
Sabendo que o presente vai ficar aqui, hein?
Tá, não, tudo bem, tudo bem.
A gente coma ele, né?
Como foi o meu peso.
Pode ser.
E vai saber onde ele foi encontrado.
Esse aqui infelizmente não é comestível. Então, meu nome é Reinaldo José Lopes, eu sou jornalista de ciência, escrevo muito sobre arqueologia, inclusive sobre Idade do Bronze, sobre Grécia, de vez em quando, para Folha de São Paulo. Tenho alguns livros publicados aí sobre pré-história do Brasil também. Ao mesmo tempo, a outra personalidade minha é traduzir as obras, estudar as obras do Tolkien, Doutor dos Senhores dos Anéis, traduzir O Hobbit, Silmarillion.
Faço um podcast sobre Tolkien chamado Passos pela Terra-média, caminhando com a doguinha falando sobre Tolkien, e que está aí nas plataformas. Tá meio parado, mas logo logo voltamos. E acho que é isso, acho que é isso. Aí tem um podcast novo de literatura vindo por aí, falando inclusive sobre Odisseia, na TocaCast, lá, a mesma produtora dos Três Elementos, meus amigos. Que vai, que se chama TocaCast. Então em breve teremos também podcast novo.
Avisar também que para quem não acompanha meu Instagram, que eu tive com o pessoal lá dos Três Elementos visitando o Pirula. Pirula se recuperando, já falando, dando seus primeiros passos. Fiquei muito feliz lá, cara, muito feliz de ver ele melhorando, né?
Eu escrevi um livro junto com ele que é o Darwin Sem Frescura. Somos coautores.
E irá rolar essa live aí que a gente prometeu faz muito tempo, porque o Lito também agora também tá se recuperando, tá com tratamento também de um câncer. E ele mesmo falou, cobrou, assim que o Pirula e ele tiverem prontos, a gente vai fazer a lendária, que a gente não conseguiu reunir ainda, a lendária live chamada Pirulito.
Sensacional, com Pirula e Lito, que vai durar no mínimo 8 horas, né?
No mínimo, com certeza, né? 8 horas é a unidade básica de tempo do Pirula, né? Um Pirula de duração.
Mas tá inflacionado esse Pirula, já Já foi menor, já foi aumentando com o tempo.
Não, ele chegava aqui, não sei se você sabe, a gente trocava equipe. Era o Pirula, tinha uma equipe até meia-noite, uma do meia-noite para lá. A segunda equipe nunca sabia se ia se dar bem ou se ia se dar mal, porque podia virar à noite aqui, de manhã sair aqui.
Que é o fôlego do homem, é um negócio sobrenatural, é incrível.
Mas falando em fôlego, vamos a esse filme de fôlego.
O Presidente é literalmente meu TCC. Que foi um livro, um livro reportagem sobre os 300 de Esparta. Aqui, ó, é isso aí. O que me zoaram na faculdade, que é 300 em grego.
Ah, é?
É 300 em grego.
Fala 300, fala. Já viu esse vídeo?
Fala 300, cara. Só para saber assim quantos cara tem lá. Só a gente só aqui, tome 2, né? Então quantos cara, cara?
Tem outra coisa antológica, cada um pega um.
Não, não, um pouco mais.
Ele fala, tá, cada um pega De 300 tem outra coisa antológica que é tipo um react à Van La Lette do Al Borghetti ao 300. Ah, é sério, não sei se ainda tem no YouTube, mas tinha, cara, é muito. Eles chamam os Xerxes de chanchas.
Não, porque o Rei Chanchas, mas desumilharam ele.
Não, acho que ele entendeu errado o nome, cara.
Pornochanchada.
É, um carinha mostrou para ele o filme, entrevistou ele sobre o filme, é um negócio assim. Do outro mundo.
Enfim, cara, por que que os cara ficam zoando tanto meu cabelo, cara?
Bloqueia esse pessoal falando que parece cabelo de poodle. Inveja, né? O outro mandou meu ovo aqui, você viu? O cara falou meu ovo. Pessoal, acalmem-se, mas a gente vai falar de tudo, né? Vai falar dos livros, vai falar sobre a religião, falar sobre o filme, falar sobre impacto na cultura ocidental, oriental, ocidental, né?
Hoje é cultura global mesmo, cara. Acho que não dá para dizer que ficou restrito ao Ocidental.
Onde tá a obra do Homero na cultura global aí? O que que representa, representam esses livros? Que também tem gente que fala que não é dele, que Homero é uma representação.
A gente não tem como saber que ele existiu, se ela existiu ou não. Assim, é um produto de tradição oral.
De qualquer forma, essas histórias existiam, né, eram contadas assim.
E você vê, a hora que você pega os outros autores gregos aí, as tragédias, os autores foram escrevendo mais tarde na época romana, você vê que tem mil versões diferentes, mas o esqueleto básico e os personagens continuam sendo importantes igualmente, né.
E são antes de Homero até, porque a gente vai falar muito sobre o filme e o filme que é inspirado nessa obra original, né, o Odisseia original. Mas até a ideia da de uma Odisseia original, a gente pode colocar mesmo em xeque, em questão aqui. Porque assim, isso aí, né, nem dúvida, certamente os personagens da Odisseia e muitas histórias da Odisseia circulavam oralmente gerações antes do próprio Homero, séculos, né, vários séculos antes até.
O Homero, ele não é o Stan Lee do que criou o Homem-Aranha, começa com Stan Lee, né. O Odisseu não começa com Homero. Então, mas a gente vai destrinchando isso aí porque é muita, muita conversa, tá, de história, de religião, de filme. Mas eu acho que assim, em termos de onde que Homero tá hoje na cultura mundial, a estrutura narrativa— o Jurandir vai falar muito bem disso— a estrutura narrativa assim de que o pessoal fala de jornada do herói, de esse arco narrativo com clímax, né, tudo isso tá assim profundamente impactado por Homero, que é uma obra que tem quase 3.000 anos.
Só para situar, né, assim, tanto a Ilíada quanto a Odisseia, os grandes poemas ali sobre Troia de Homero, eles têm quase 3.000 anos e nunca estiveram perdidos, principalmente na Europa, né, e em áreas influenciadas pela Europa. Porque você tem algumas histórias mais antigas, como a Epopeia de Gilgamesh, muito antigo, mais bem mais antigo do que a Odisseia. E tem elementos da Epoideia Ilíada que até aparecem assim na Odisseia e na Ilíada.
A ida ao inferno.
Isso, exatamente.
Mas é a famosa Catábase, é para os gregos, é o Hades.
Exatamente. Mas nessas histórias, mas essa história elas se perderam durante um bom tempo assim, ninguém discutia sobre isso até que foram reencontradas. A Ilíada e a Odisseia não, as pessoas sempre falam, imagina São quase 3.000 anos não só do negócio existindo, mas as pessoas constantemente falando sobre aquilo e tendo aquilo como uma base assim cultural, né?
Na Grécia, na Idade Média, para moral, e algumas pegam assim para o modelo do que é ser um grego, um homem nessa época ainda basicamente um homem, né? O ideal masculino até eu diria, e feminino também, né? Porque o quanto que o livro elogia o comportamento, a fidelidade, a constância da Penélope.
Tem razão, tem razão. Penélope. Então virou meio que um paradigma, virou arquetípico, né? Então personagem heroico arquetípico, Odisseu é um personagem heroico arquetípico, a mulher fiel arquetípica é Penélope. Como Henrique falou muito bem, tem uma estrutura narrativa assim incrível que ele traz inovações para aquilo que era comumente feito naquela época de narrativa. Por exemplo, tem gancho, ele tem flashback, né, cara?
Flashback, todas as viagens são narradas Aconteceu em flashback, na verdade.
De repente tá ali Telêmaco indo e vão matar o Telêmaco. Espera, corta, corta. Agora vamos falar sobre a história de Odisseu.
Maravilha.
De repente você fica, caramba, mas e o Telêmaco, coitadinho? Que que vai acontecer com o Telêmaco? Exato. Contextualizando, o que eu devo dizer?
Quando ele falar dos personagens, coloca o do filme mesmo para você ter um rosto, né?
Tom Holland que interpreta o Telêmaco.
Incomodava o cara.
Historiador de história antiga, diga-se de passagem, porque quando falar do Tom Holland, tem um Tom Holland que é podcaster aí fazendo o Telêmaco.
E eles se encontraram, ele entrevistou ele, eles fizeram uma cena do Homem-Aranha um para o outro, ficou muito bom.
Mas tem uma coisa que me incomodou um pouco, cara, é os cara misturarem tanto esses atores, estão fazendo tantos filmes que a gente de repente vê o Homem-Aranha, semana que vem tem estreia do Justiceiro, o Batman, vê o Batman, vê o cara que sempre tem problema para voltar para casa, ele não consegue voltar para casa, cara, é perdido em Marte.
O Matt Damon não entrou no—
ele fez pontas nos filmes do Thor, por exemplo, né? Os atores asgardianos, né? Tem aquelas pecinhas asgardianas, ele aparece.
Mas ele tem problema voltar para casa, gasta um dinheiro absurdo, né?
Compra muito cigarro, cara. O cara vai comprar cigarro muito, Interestela, agora Odisseia, cara.
O cara tá até agora gastando milhões para conseguir voltar para casa. Mas sim, um elenco de estrelas, né?
Pode crer.
Para alguns até incomodou, alguns dizem assim, ah, poxa, toda hora eu via era uma estrela conhecida, né? Só que o que acontece é que assim, Nolan tem um poder gravitacional gigantesco.
Cara, Nolan e Odisseia, todo mundo falou: eu quero estar aí, né, cara? Todo ator queria estar mesmo, que fosse para ser o Matt Damon falando como foi o pitching do filme. Não durou 2 segundos. O Nolan falou assim: eu queria te chamar para falar. Tá, então, cara, qual que é? Odisseia? Tá topado. Falou: mas não tenho nada. Não, tá topado.
Ainda nem te mandei o roteiro, porque ele manda o roteiro físico, né? Ele entrega o roteiro.
Diz que o Robert Pattinson pediu o roteiro, né? Aí o Nolan falou assim: Você foi o único cara que pediu o roteiro.
Que arrogância é essa?
E o Batman, tá o Batman, o novo Batman também no filme, que é o Pattinson, né?
O cara arrogante querendo pedir o roteiro. Você fez Crepúsculo, quem é você pra perguntar de roteiro, cara?
Tem um meme aí colocando assim todos os filmes que ele fez, que são muito diferentes, ou que o cara tá trabalhando pro pessoal esquecer que ele fez Crepúsculo e mostra todos os filmes que ele fez.
Mas a gente nunca vai esquecer. O cara é bom.
Ele é bom demais, cara.
E esse ano ele tá em 3 ou 4 filmes muito bons, 3 junto com a Zendaya. Ele fez drama com a Zendaya, esse com a Zendaya, e vai ter o Duna 3 com a Zendaya. E tem até uns videozinhos do Tom Holland meio com ciúme nas coletivas de imprensa e tal. Os dois estão passando mais tempo juntos.
O cara é tão bom que você fica muito puto com ele, né, cara? Tanto que ele é covarde, né, velho? Depois a gente vai falar. É sem spoiler, tá? Quando for pertinho do final, a gente vai falar com spoiler, a gente avisa, e aí você pula ou para de assistir, assiste depois e vê o filme. A gente vai falar por enquanto tudo sem spoiler. Mas vamos falar então primeiro dos personagens do livro, a diferença entre Ilíada e Odisseia, por que é Ulisses e agora é Odisseu. Quero saber tudo aí, quem quer começar?
Posso começar. Ah, Ulisses e Odisseu é uma coisa interessante. Na verdade, bom, então em grego o pronúncio seria uma coisa do tipo Odisseus, porque o grego tem um biquinho igual o francês.
Repita, por favor, como que é?
Ôdysseus.
É, Homer, por favor, quero a pronúncia correta.
Ôdysseus mastigando um sanduíche. É letra Y, né, que tá entre—
mas tem variantes do nome em grego mesmo, que é Olíseus.
Ah, por isso.
Então fica quase isso, isso. Tem também uma hipótese de que, de passar para o grego, para o latim, que é Ulixes ou Ulisses. Tinha uma forma etrusca também que fez esse meio de campo, que era outro povo lá Os etruscos eram, eles eram a fanfic dos gregos, assim, eles eram fãs dos gregos e copiavam tudo, embora fosse outra língua, outra cultura. E eles pegaram isso, levaram para Itália, porque eles moravam na Itália, e depois os romanos aparentemente pegaram deles por essa via de mão.
Então essa é uma das explicações para ser uma variante já em grego, mas a forma mais usada em grego é, mas para a gente aqui era sempre Ulisses, né? Pois é, por causa da herança romana mesmo, latina.
Sim, e a Eneida, por exemplo, falando Ilíada, Odisseia, vamos falar dos livros, né? Ilíada e Odisseia, os dois são sobre a situação da Guerra de Troia, né? A Guerra de Troia é algo que, de novo, era, tá muito para além do próprio Homero.
Ela é comprovada historicamente, essa guerra?
Não, usa controvérsia.
É mesmo?
Acho que pode falar muito sobre isso aí, mas é um grande talvez.
Isso tem muito a ver com a Idade do Bronze, com povos povo do mar, que o Nolan coloca isso no filme, que não está na Odisseia.
Ele deixa entender quem é esse povo do mar, né?
Que a gente pode falar disso depois, na parte dos spoilers. Mas assim, então você tem essa guerra, a Guerra de Troia, que é um cerco à cidade de Troia, que fica no que hoje seria a Turquia, na costa da Turquia, tá mais próximo da Grécia.
Que mapa ele procura para achar dessa época aí?
Pode procurar Guerra de Troia mapa. E aí essa região de Troia tem a história de que teve um rapto de Helena, que era uma princesa de Esparta, né, uma rainha de Esparta, a mulher de Menelau. E ela é raptada, ou vai, tem várias versões relacionando Deus ou sem Deus, e ela vai parar em Troia. E todos os gregos, que são várias cidades diferentes, né, várias pólis estados basicamente diferentes, eles tinham um pacto de defender a honra do Menelau, que teve uma, que teve a Helena raptada, né, o marido da esposa.
Seriam obrigados a entrar em guerra porque todos também eram pretendentes dela, todos se candidataram a casar com ela. Aí como ela escolhe o Menelau, todo mundo se propõe a proteger o escolhido dela.
É uma proposta inclusive de Odisseu, né, ele propõe isso.
A ideia do Odisseu, a ideia do Odisseu.
De Tíndaro, que eles chamam, que é o nome do pai dela, que é o pai dela. Que a ideia é o seguinte: Helena era tão linda, tão cobiçada por todos os gregos, que se ela escolhesse alguém, era muito provável que os outros pretendentes matassem o escolhido para ter uma nova chance. Então, antes de decidirem quem seria o marido dela, eles fazem esse pacto. E aí todos os pretendentes teriam que defender a honra daquele que fosse escolhido.
O mapa.
E aí, isso, então ali tá a seta, tá levando para Troia, né, da região ali da Grécia.
E eu, a Troia seria onde hoje?
Turquia.
Turquia, né?
Isso, tá ali.
O local tá abandonado faz tempo assim. A última vez que teve gente morando mesmo foi no período romano e depois não teve mais morador.
Hoje chama Hisarlik, a cidade na Turquia onde você pode visitar os sítios arqueológicos lá. E ele tá, a meiuca, né, da Grécia continental, região do Peloponeso, que é onde tá Esparta, um pouco mais para cima ali Micenas, são algumas dos reinos importantes. Mas aí os gregos então vão para Troia e cercam a cidade de Troia, é uma guerra de cerco, né, não tem batalhas em vários lugares, é tudo em volta ali de Troia tentando superar os muros de Troia, que são muros até construídos por deuses, deuses, né?
Apolo e Netuno, né, ou Poseidon no grego, teriam construído esses muros. E a Ilíada então é um livro, é um poema épico que era recitado oralmente, né, mas depois tem a forma de livro que você pode ir na livraria hoje comprar. A Ilíada de Homero, 15 mil versos, 15 mil fucking versos, literalmente são 24 cantos, né, ou 24 livros, dá umas 500 páginas nas traduções, nas traduções e edições modernas. E aí você tem Ilíada, que é a história de Aquiles, principalmente, que é um herói grego que faz uma greve durante a Guerra de Troia, porque o Agamêmnon, que é o capitão, que é o Batman do trailer, né, que o pessoal ficou zoando, Batman harmonizado, Darth Vader, o Agamêmnon, que é o capitão ali dos gregos em geral, ele acaba pegando uma mulher do Aqueles.
E aí isso gera uma rixa entre os dois. O Aquiles se sente traído e ele sai fora. Ele era o melhor guerreiro, então os troianos começam a vencer. E aí a história da Ilíada é isso. A história da Ilíada não é a história da Guerra de Troia inteira.
É isso, né? Não tem o cavalo de Troia.
Brevíssima alusão ao episódio do cavalo.
E aí beleza, algumas semanas, né? Sei lá, corresponde algumas semanas ou no máximo 1, 2 meses, um pouco mais de um mês, um pouco mais de um mês, né?
É, mas então assim, começa a história da Ilíada, começa no 9º ano de 10 da Guerra de Troia e acaba antes da guerra acabar. Então, mas aí beleza. E aí a guerra acaba, como que a guerra acaba? Com o cavalo, né? Acho que isso não é spoiler, né?
Não, todo mundo sabe.
Tem a história do cavalo de madeira que os guerreiros gregos entram nesse cavalo, são colocados para dentro do portão porque os troianos recebem esse cavalo. Depois a gente vai render isso porque isso no filme fica muito interessante. Interessante. E aí, com o cavalo lá dentro, os caras descem, abre um portão, os gregos entram e vencem. E aí venceram, pessoal vai começar a voltar para casa. Aí a Odisseia é justamente a história do retorno para casa do Odisseu, que é um veterano agora de guerra, um vencedor da Guerra de Troia.
E ele tem vários problemas em voltar, porque ira de deuses, uma série de situações que fazem ele cada hora parar numa ilha mais estranha e desafiadora do que outra, com ciclope, com sereias, com uma deusa, uma deusa que te promete a vida eterna com ela, imortalidade, que é uma deusa absolutamente maravilhosa. Então, terrores dessa natureza horrível.
Não uma deusa, duas deusas, duas dessas em sequência. É um negócio lamentável.
Joel em pessoa lá.
Joel em pessoa. Poderia ter chamado.
Deve ter também o mapa da viagem do Ulisses aí, né?
Esse tem vários, mas é uma bagunça, porque vários dos lugares a gente não sabe onde seriam. Porque supostamente ele vai parar no oceano, que pros gregos não era um oceano, era tipo a borda do mundo, pensando num mundo de terra plana quase. Então é bem bagunçado.
É como se toda a Terra fosse circulada por um rio, que eles chamavam de rio oceano.
É, exatamente. Não é um mar, é um rio.
E são regiões místicas, né, assim, míticas e místicas. Então, por exemplo, quando ele vai para o Hades, que é a terra dos mortos, ele vai de navio, né. Então onde é que você aponta isso num mapa geográfico, né? Então vai achar vários, igual como o Reinaldo falou, mas nenhum deles reflete muito bem o livro mesmo, né.
E aí o Nolan, o diretor, ele foca, ele foca em Odisseia conta alguma coisa de Ilíada, ele pega um pouquinho de Ilíada, é porque na própria Odisseia, no poema, também tem flashbacks da Ilíada, porque daí o Odisseu ele vai se lembrar, né, vai, no caso do filme ele vai lembrar do que acontece, no caso da Odisseia ele vai relatar, né, os eventos que o levaram até ali, então ele vai mencionar algumas coisas da Ilíada, mas o Nolan ele era fascinado, sempre foi fascinado pela Odisseia, E quando você analisa até o corpo de obras dele, é muito influenciado pela Odisseia, principalmente pela narrativa não linear.
O Nolan sempre é zoado porque os filmes dele, que você pega Memento, né, que por algum motivo é chamado de Amnésia, cara, o filme todo falando: eu não tenho amnésia.
Ah, o que que você tem? Não é amnésia, tá? É isso daqui. Como que eu vou colocar o nome do filme? Amnésia.
No Brasil tem que ser Amnésia. Aí nesse filme você tem uma narrativa completamente invertida, né?
É uma história de trás para frente, uma história de frente para trás, normal, e as duas se encontram no meio, né?
É muito bom. Vai para a origem também, fica mostrando assim flashbacks e mostrando momentos diferentes da história. Tenet, que tem reversão, que é uma loucura, né, total, aquele filme, porque ele é muito influenciado por esse tipo de narrativa. E sempre foi o sonho dele fazer A Odisseia. Só que fazer A Odisseia é um desafio cinematográfico absurdo, porque existem tantos caminhos que você pode ir. Já tivemos adaptações da Crusoé nenhuma nesse tamanho, nesse escopo. Mas você pode ir para vários caminhos.
Você pode ir para o caminho do completo sobrenatural, que é a dúvida, né, se ele ia abraçar o sobrenatural, os deuses, ou ia fazer uma coisa pé no chão, que é sempre a opção dele, né?
A opção dele.
Até porque dizem que até teve uma briga na Oppenheimer porque ele queria explodir uma bomba nuclear para filmar, porque ele, não, tem que ser real a parada, vamos explodir.
Não é possível que teve isso.
Não, é claro que é. Não, é uma zoeira, é uma zoeira, né? Acho que não nuclear, mas ele explodiu uma bomba, claro, muito, não, ele explodiu uma bomba, mas eu tô falando assim, ele é tão fixado em reproduzir a realidade e não usar efeito especial que ele tem essa brincadeira, ele queria explodir uma bomba.
Mas existe um motivo técnico para ele preferir usar efeitos práticos ao invés de especiais, porque nesse caso ele sempre usa IMAX, mas esse é o primeiro que é filmado 100% com câmera do IMAX. A câmera do IMAX é um trambolho gigantesco, extremamente barulhento, mas que gera uma qualidade de imagem absurda.
Tem umas imagens aí que mostra, e essa já foi uma especial reduzida e dentro de uma caixa estanque para reduzir o ruído.
Você imagina, assim, ele teve que construir uma nova forma de gravar para conseguir. E você vai ver que no filme o áudio ele é estranho um pouco, a mixagem do áudio, porque pô, ele tá gravando realmente lá no mar com barulho de oceano. Você vê os caras andando de longe, não tem aqueles microfone boom em cima, é tudo aqueles microfonezinho. E ele quis pegar o máximo possível do som ambiente realmente. E o motivo pelo qual ele prefere efeitos práticos nesse filme é porque se você grava com IMAX, que é uma resolução absurda, e você coloca efeito digital em cima, é burrice.
Qual que é a lógica? Você vai estragando um negócio que já é maravilhoso, você vai estragar completamente a resolução.
Uma coisa que tem profundidade Tem grão, tem para você replicar isso tudo.
Demais, né?
Olha lá o tamanho!
E os caras falaram que parece que tinha uma van entre eles às vezes.
Agora você imagina quando você assiste o filme, vê as locações onde ele fez isso, as montanhas, cavernas.
Ele é louco, né, cara?
Pô, tinha abelha de verdade. Na hora que você vê no filme o Matt Damon espantando as abelhas, eles disseram que tinha muita abelha naquela caverna.
Eles pegaram por acaso numa cena de navegação pulam os golfinhos assim.
Sim, aquilo aconteceu, mas eles passaram meses no mar gravando e tal para tentar pegar o máximo possível de realismo. E é engraçado quando você vê recentemente, a gente teve adaptação da Moana, adaptação, o live action da Moana, que assim, é só com muitas aspas, né? Só fundo verde, o The Rock com aquele corpo fake também, e daí chama de live action. Agora, quando a gente assiste de seia, a gente começa a perceber o quanto que o cinema tem feito coisas falsas, quanto que a aparência das coisas tem sido tão artificiais. Então ele é um cara que preza muito por isso.
E ele, interação com o que é CGI também, né? Você não tem nada assim, o ator tá tipo assim imaginando. Na hora que você monta, fica esquisito, né?
É, o Ian McKellen reclamava disso muito no Robin Hood, passava muito isso.
Quando a gente chegar na parte dele ter que atuar junto com CGI, com tela verde o tempo todo, isso deve ser para ator, deve ser uma coisa. E o Ian McKellen, né, que aquele E às vezes você vê, não sei se foi, eu acho que foi, não foi nesse, foi no do Hobbit, que os caras atuavam com só a cabecinha do dragão. Devia ser muito engraçado um cara segurando um cabo de vassoura, a cabeça do dragão, a voz do Benedict.
Pode crer, cara. Então quando a gente chegar na parte de spoiler, a gente vai entender inclusive como que foi feito o Polifemo, que é uma das coisas mais legais dessa história. Mas enfim, o Nolan meio que se preparou a vida toda para fazer esse filme filme, porque exige muita capacidade técnica. Ele teve que inovar em muita coisa e exige um orçamento absurdo. Colocar 250 milhões na mão do camarada para fazer um filme desse, que ele perdeu dinheiro no Tenet, mas recuperou no Oppenheimer.
Não só grana quanto prestígio, né?
Prestígio para caramba.
Ele falou que se não tivesse Oppenheimer, não tinha o It's a Her, né?
E agora ele teve a capacidade de fazer. Oppenheimer foi o que abriu as portas.
Mas eu vou declarando o meu amor pelo Nolan pelo seguinte: é um cara corajoso que quando você vai assistir um filme dele, você sabe que ele pode até falhar como falhou em Tenet, falhou feio, mas ele tá tentando criar uma experiência única no cinema que você saia pensando sobre o filme, pensando sobre a narrativa, pensando no que viu. Ele não quer fazer só mais um filme. Eu admiro gente assim que mesmo errando ele tá tentando te vender uma parada que, cara, perde, assiste no cinema.
Os filmes dele não são para assistir na televisão. É, você tem que ver no cinema, cara, não adianta.
E assim, quando você pensa no momento em que Hollywood tá perdendo, tava perdendo muito dinheiro para o streaming, agora você vai ver o quanto de bilheteria que isso daqui tá dando. Pagou o filme em um final de semana, tá absurdo o tipo de repercussão que tá tendo. As sessões estão todas lotadas aqui no Brasil, nos Estados Unidos tá tendo sessão de 2 horas da madrugada para conseguir entrar na galera.
Você também não, com essa força, cara, Odisseia, né? Não imaginava isso.
Aí você pensa, esse é um cara que conseguiu fazer 1 bilhão de bilheteria falando sobre uma biografia de um cara que ninguém nem sabia que existia. Oppenheimer, a galera em geral não sabia quem era Oppenheimer, de um cientista, né? Exatamente. Não é sobre a guerra, é sobre um cientista inventando a bomba. E o momento da bomba é rapidinho. E agora ele consegue novamente trazer bastante público para uma história que assim, a maioria das pessoas tem uma noção do que é Odisseia, mas a maioria não faz ideia.
Tem episódios assim de série.
O pessoal viu o Cavalo de Troia no DuckTales, cara.
Exato. Ou viram o filme do Troia com o Brad Pitt. Que é um filme legalzinho, mas é aquele filme lá que tem o Brad Pitt, que o pessoal tem como referência.
Tanto que eu nem lembro da história, cara. Só lembro daquela luta dele, eu não lembro o assunto. Eu não lembro sobre o que que é.
É, eles tiraram uma coisa que eles realmente pegaram e tiraram, foi a parte dos deuses. Tem a mãe do Aquiles ali, mais ou menos, mas de resto é completamente uma história terrena mesmo. Sem nada de sobrenatural, nada que transcenda aquela coisa do combate e do romance.
Na Ilíada tem muito, né? Apesar de que não vai estar na Ilíada necessariamente o Cavalo de Troia, mas na Ilíada tem muito sobrenatural.
Os deuses descem para lutar junto com os humanos, às vezes tomam porrada dos humanos também. É muito Ilíada, é completamente misturado.
E o tempo inteiro eles estão tramando as situações também nos bastidores dos deuses, tem as rixas entre eles. Então Tudo. E você pega os filmes mais antigos desses de mitologia, de capa espada, né, filmes de capa espada, tipo o Fúria de Titãs antigo, o Jasão e os Argonautas. Esses filmes, eles colocam os deuses de forma explícita assim, e são deuses bastante humanizados mesmo. Se você pegar aí, você digitar aí Zeus Jasão e os Argonautas, você vai ver como é que é o Zeus, que é assim assim, eu, a gente vai discutir depois a parte mais assim do que o Nolan fez especificamente.
Mas uma coisa que já dá para antecipar assim, um spoiler: o Nolan, ele coloca os deuses sem colocar muito. Assim, você pode falar que os deuses estão lá, mas não tem quem que interpreta Zeus, quem que interpreta Poseidon.
Percepção humana do que é Deus, do que como Deus se manifesta naquilo.
Não, não é isso não.
É Fúria Titãs, esse é o recente.
Não, Fúria Titãs não, Jasão e os Argonautas.
E Zeus no Jasão e os Argonautas. E esse nem é o que eu tenho na memória do Fúria Titãs, é antigão, cara.
Esse recente é ruim para caramba, mas tem o Liam Neeson, que eu acho que é Zeus. Eu não vi, tem que ser Zeus, tem que ser sempre o poderoso nos negócios.
E tem o ator do Avatar que ninguém lembra o nome, mas assim, são personagens centrais na obra e é muito difícil fazer sem. Tem coisas que fazem muito pouco sentido sem os deuses. E aí no Troia, quando eles tiram tudo, fica assim, eu acho inverossímil.
Você tenta ser realista, tentaram fazer quase um Gladiador ali em Troia, é que era mais ou menos próximo, fazer esses alguns anos que tinha sucesso.
Caramba, tentaram replicar o Gladiador, que diga dizendo isso de passagem, é um chupinhado da Odisseia, assim, essa história também de retorno, da memória da mulher. Tem muito de Odisseia no Gladiador, é uma das várias coisas que foram influenciadas pela Odisseia, né?
Pois é.
Mas o Nolan optou por fazer os deuses de uma forma diferente, e eu achei que funcionou muito bem, assim.
Eu também achei.
A gente chega lá nos spoilers, mas só para eu começar a falar isso por causa dessa questão de que os deuses são personagens centrais tanto na Ilíada quanto na Odisseia, principalmente nas duas. Como o Reinaldo falou, tem um episódio da Ilíada que a própria deusa Afrodite desce para proteger o filho dela, que é o Enéas, porque tem isso também, não é o Enéas Carneiro.
Meu nome é Enéas.
Esse não é o Zeus, deve ser o Poseidon.
Ô Homer, tá difícil aí hoje, hein? O rapaz tá dentro da água, cara. Zezé, parece o Homer, inclusive, de barba aí, ó.
Não é? Nolan faz um Zio, é isso aí, velho. O público atual não vai comprar, não vai matar nunca. Então achei que ele encontrou uma solução muito boa.
Eu não sei se foi a intenção dele e tal, provavelmente não, mas existe um debate que é mais contemporâneo, apesar de que Luciano de Satanás vai também brincar com isso, se realmente Homero tava contando uma perspectiva de um narrador confiável, não confiável. Porque é engraçado, quando a gente vai lendo A Odisseia, Odisseu é um mentiroso, ele só mente, ele somente é patológico, é patológico, dá raiva. Porque daí tem sessões inteiras que ele começa, pergunta quem você é, ele começa do nada a inventar uma história tão mirabolante.
Velho, eu não quero perder tempo com essa história mirabolante que você tá inventando. Eu sei quem você é, por que que você tá dizendo? E ele inventa para cada um. E como é só através dele na Odisseia que a gente sabe das coisas absurdas que aconteceram, da sereia, do ciclope, tá aí uma referência no Coringa do Nolan também, que ele para cada pessoa ele conta uma história diferente da boca, né, da cicatriz, da Então esse é um debate mais recente, até porque na Rádio Novelo, mas dá para questionar se ele não tava querendo justamente mostrar assim: será que se eu mostrar especificamente Zeus, aí eu já tô dizendo aconteceu?
Mas como eu tô mostrando ele contando essa história, eu vou usar os elementos naturais, uma perspectiva humana de como os seres humanos, os seres humanos comuns da Grécia, interpretavam a religião. Então eles olhavam um trovão, trovão é Zeus, tá lá trovão. Tempestade no mar, olha lá o Poseidon. Eles não viam, ó, Poseidon ali com um tridente e tal, sei lá. Não, eles simplesmente interpretavam os fenômenos ao seu redor e daí contavam histórias onde eles faziam esse antropomorfismo, davam características humanas para esses deuses.
Mas aí quando se colocam semideuses ou um ciclope, uma sereia, uma, aí ele representa. Eu tava nessa dúvida também, se ele ia representar ou não.
Ele representou e representou muito bem, muito bem, várias criaturas.
Imagino que ele passou pela cabeça dele também como fazer isso, né?
Por exemplo, na questão do Polifemo, que é o ciclope, que é um ciclope específico, né? Então quando ele chega nessa ilha, tem vários, na verdade.
Ah, são vários?
É um povo, é uma tribo de ciclopes?
É uma tribo.
E é uma semitribo, porque é um, eles são meio individualistas, cada um rege a sua casa como quer. Ou seja, é uma contraposição a um estado, né, assim complexo.
Eles não interagem entre si?
Como eles interagem, mas cada um cuida de si e tem as suas próprias regras. Então não é uma sociedade, não tem um líder, nada.
Então quando ele chega ali, tem essa criatura E Odisseu na Odisseia, ele é extremamente arrogante. Essa é a perspectiva que eu tenho. Ele é um cara com uma arrogância gigante e ele demanda.
Eu não senti isso no filme.
Não, no filme foi tirado muito disso, mas na Odisseia ele demanda que ele seja bem recebido por onde é que ele vai. Não, essa criatura aqui, esse bichão aqui tem que receber bem a gente, tem que alimentar a gente. Aí o Polifemo lá, que não era muito amigável, falou: não apenas não darei comida, como comelosei. Então aí ele começa a pegar, muito gênio quadros do filme. Aí ele começa a devorar mais ali. Era uma tribo, não uma tribo, né, eram várias, era uma espécie.
E tem até um truque que não aparece no filme, mas que é muito legal no livro, que quando eles conversam, Polifemo pergunta para Odisseu qual que é o seu nome. Odisseu fala ninguém. Qual seria a palavra aí?
O Tis.
Ninguém. Por quê? Porque na hora que fura o zoinho do bicho, o bicho começa a gritar: ninguém está me atacando, ninguém está me atacando.
Aí os ciclopes ao redor: tá bom, tá bom então, beleza, tranquilo, sossegado, fica quieto aí então.
E assim, o bicho grita louco, né?
Foi adoecido pelos deuses.
E muito louco que o Nolan, para fazer, ele disse que esse foi o primeiro momento fantástico do do filme que ele tinha que retratar. E ele queria colocar isso mais realista e íntimo possível, porque ele queria que o Polifemo fosse relacionável. Ele não queria que— porque no livro é só uma criatura cruel para caramba, você fica pensando, mas por que vai comer os cara, velho? Agora, ele queria— aí ele conversou com quem? Ele conversou com Guilherme del Toro, de quem ele é muito amigo.
E o del Toro é conhecido por humanizar monstros. Todo filme do del Toro, os monstros são bonzinhos no final. E daí o del Toro falou para ele, Lembre-se que monstros não são apenas monstros. Então ele quis dar uma camada de humanidade que eu achei maravilhosa para cena do Polifemo, que a gente sente dó do Polifemo nesse filme. A gente fica, cara, tadinho desse cara, pô, que maldade que você fez. E ele fez uma maquete, uma maquete não, uma marionete.
Ah, é?
18 metros de altura. O Polifemo é uma marionete.
É o cubo dos efeitos práticos isso, cara.
18 metros de altura combinado com miniatura, com sobreposição composição de imagem para fazer o máximo possível de realismo naquilo. Então assim, chega num nível absurdo de gastar muito dinheiro, mas para justamente isso, para os personagens estão ali, os atores estarem olhando para aquela criatura e reagindo e terem aquele momento íntimo naquela caverna ali, íntimo até demais.
O Pedro Sampaio falando: mas o monstro não é nada humanizado, nem sequer há diálogo com ele.
Então não é humanizado, cara, tanto que na hora que ele fala, da rotina dele com as ovelhinhas Faz queijo, né? Faz queijo, que é um monstro mineiro. Esse monstro, onde tá o trem lá?
Cadê os trem?
Ovelhinha lá. E na hora que ele é ferido e ele chora daquele jeito, e o grito dele é assustador naquela caverna, na hora que ele chora a gente sente empatia, cara. Quando ele começa a clamar para o pai Poseidon, pai Poseidon, me feriram, muita dor, tô sentindo muita dor, me ajuda, pai Poseidon, pô. E daí o Odisseu ainda dá uma, qual que é aquela flechadinha lá de Foi de sacanagem, porque assim, no livro ele fala o nome ao invés de— mas ali ele quer assim, eu não entendi muito bem, pareceu só que foi uma vingança.
O Polifemo comeu uma galera, joga um capacetezinho dele lá, de um dos que ele comeu, e o Odisseu fica p da vida e dá uma flechada de raiva. Então eu acho que foi o único momento, inclusive durante toda adaptação do Nolan, e que eu senti esse orgulho, esse comportamento, esse descontrole que causa tantos problemas. É, tanto é que depois a motim e tal, é a arrogância desmedida. Mas o Odisseu do livro é extremamente arrogante, você acha até chato em algum momento, mas pelo amor de Deus, cara, fica na tua.
Ele faz questão de gritar: Ciclope, sabe quem te feriu? Eu, Odisseu, filho de Laertes de Ítaca.
CPF, pode anotar o CPF. Então vê, o cara gasta todo um trabalho, tem um plano genial de vou enganar para não ser pego. Quando ele consegue, fui eu, meu nome aí, guarda.
Isso é uma coisa que não fica muito claro também no filme, o quanto ele é estrategista, inteligente. Nos livros parece que é super maquiavélico mesmo assim.
É, no livro, o livro ele tá num mundo, ele foi escrito por um mundo e para o mundo em que tinham valores diferentes dos nossos. Assim, né? Então tem, por exemplo, a questão da hospitalidade, que o, como o Jordi falou, o Odisseu, todo lugar que ele vai, ele quer ser bem recebido.
Da lei de Zeus, né? Xenia.
Exatamente, que é a chamada xenia, que é um costume, uma forma de agir esperada dos gregos, que consiste em você receber qualquer estranho ali, estrangeiro, mesmo antes de saber quem ele é, mesmo antes de perguntar o nome, você deve alguns favores básicos de acolhimento E, mas isso não pode ser abusado também. Isso é garantido pelos deuses, sobretudo Zeus Xenios, que é o Zeus dos, do que protege os estranhos, os estrangeiros, né?
Porque acontecia com frequência nas mitologias gregas, né, dos deuses aparecerem de forma humana e tal, e eles gostarem, né?
Você pode estar, isso até aparece em contos medievais, depois incorporado pela tradição cristã. De você agir mal com um desconhecido e aquele desconhecido ser um deus disfarçado. Até na Bíblia tem, a obra com os 3 anjos, a interpretação que hebreus faz de Gênesis.
É, o filme todo é meio baseado nessa lei de Zeus, né?
A construção do filme é o tema central da Odisseia também.
Não é tão declarado na Odisseia quanto no filme.
O filme declara muito mais.
No filme ficou bem claro isso, porque os pretendentes da Penélope violam justamente isso, né? Eles querem lá, todos aquele monte de macho lá atrás da Penélope comendo a comida do Odisseu, deslapidando os bens da família. Eles estão justamente abusando desse princípio, né?
E a vingança final do Odisseu é justamente um restabelecimento da ordem de coisas tal como deveria ser, que no filme é diferente. A gente vai entrar depois no spoiler. É difícil esse negócio de spoiler, mas assim, E o personagem do Ciclope, 48 minutos, vamos combinar que quando chegar, bater uma hora, a gente spoiler free, beleza?
Então vamos.
Mas o Ciclope, aí sem dar spoiler do filme, isso aí é a história do livro, né? O Ciclope é fundamental que ele receba mal o Odisseu justamente porque ele é o espelho invertido da acsenia. Ele ilustra, ele é um contra-exemplo de civilidade, ele é o incível, né? Ele é aquele que desrespeita os costumes. Inclusive, o próprio Ciclope fala no texto que nós não damos a mínima para Zeus, né? Que ele, quando ele invoca o nome de Zeus, né, ele fala assim: aqui nessa terra nós não, nós vivemos à revelia de Zeus.
Então é uma, é a imagem invertida do que o Homero, né, do que o texto da Odisseia propõe como a civilidade, hospitalidade.
Mas me ajuda a lembrar uma coisa: quando Odisseu tá narrando que ele sai de Troia, o primeiro lugar onde ele para, ele saqueia, né? São como tá no filme, né? O fato dele tá saqueando já é uma quebra da xenia, né?
Mas vamos mais ou menos, porque como eu não li os livros, vamos pelo atacar primeiro.
Assim, é uma coisa meio legalista, eu acho. Se ele atacar primeiro, se ele atacar primeiro, se não, se ele não chegou e os caras começaram a oferecer para ele, a rigor tá valendo. Se ele já partiu direto pro ataque.
E a cerimônia é peronomútil, assim, porque é um código de cavalheiros. Então se dá principalmente entre aristocratas. Então nem todo mundo nas interpretações desse costume antigo era digno de hospitalidade. Você não precisava respeitar o espaço de todos, você precisa respeitar o espaço de alguns.
Mas o mendigo, né, o que eles falam que pode ser o Zeus Também acontece no livro também deles falarem, daí o cara até zomba no filme, ah, esse daí não é Zeus.
Mas isso é bem mais historicamente, isso é mais excepcional assim, né? É uma, já é uma coisa de um comportamento talvez virtuoso, quase de um santo no contexto da Grécia Antiga, o cara que de fato estende esse direito até para um mendigo sem qualquer tipo de origem aristocrática, porque tem isso também. Um escravo, um fugitivo, um criminoso poderia ser um aristocrata que foi escravizado por uma situação de guerra, uma situação de dívida.
Então, só que ele permanece sendo, o status permanece, ele permanece. Quando o porqueiro Eumel, por exemplo, que é um personagem fantástico da Odisseia, tanto do Nolan, ficou muito bom, achei, no filme e no livro também, que é o um servo, né, do ali na Ítaca, que é o reino de Odisseu. Ele é um porqueiro. Aí você pode pensar assim, é um funcionário comum. Não, ele tem toda uma linhagem dinástica também que ele fala no livro, de reis de terras distantes.
Acho que da região do que seria mais ou menos a Fenícia, algo assim. Então é uma, essa Xenia é isso assim, é um negócio meio direitos humanos para humanos direitos, sabe?
Mas uma coisa que eu queria entender, se o Nolan trouxe para valores atuais e na época eram valores diferentes, porque me parece que o fato dele ter usado o cavalo de Troia seria uma artimanha, venceu, mas tipo não foi tão legal quanto se vencesse mesmo na porrada. Tem isso naquela época? Os deuses não aceitariam esse tipo de vitória e vem daí toda a tragédia e toda a maldição começa daí ou não tem essa essa leitura?
Não, o Cavalo de Troia, ele não aparece nem em Lídia nem na Odisseia de forma descrita, né? Não, é alusões. Porque, de novo, é um tipo de história que era contada para quem já conhecia a história. O Homero, ele não precisa explicar quem são muito bem os personagens. Era um personagem, é como se você fosse fazer um filme hoje do Homem-Aranha, depois já tiveram tanto, todo ano tem um filme do Homem-Aranha, radioativa. Mas quando teve o filme do Tobey Maguire, o primeiro Homem-Aranha recente, né, precisava explicar tudo do inicinho bonitinho, pontinho, para quem não conhece a história do Homem-Aranha, né.
Então é como se a Grécia Antiga fosse um local, um contexto cultural em que todo mundo, o Homem-Aranha passava todo ano. Então o Homem-Aranha não precisava explicar.
Entendi.
Agora, o que se sabia sobre muito tempo depois o Homem-Aranha já tinha passado já tinha um tempo. Então quando Virgílio escreve a Eneida, que é um autor romano, ele no segundo livro da Eneida, que é uma poesia épica também, que fala de Enéas, um soldado, de um herói da Guerra de Troia do lado dos troianos, né, que é um fundador mítico de Roma. Nessa história da ida de Enéas para a região que se tornaria Roma, aí você tem uma narrativa completa, um livro inteiro, o livro 2 da Eneida dedicado ao episódio do cavalo de madeira.
E aí lá você tem um personagem que é o Sinon, que aparece no filme, né, que é o Elliot Page. Você tem, e aí não vou entrar no filme, né, porque o spoiler ainda não liberou, mas entrando no livro, no livro, na Eneida, Atena, a própria deusa Atena, tá por trás do esquema do cavalo de Troia. É algo aprovado pelos os deuses. Então não, a punição que acontece de fato, os guerreiros de Troia, os gregos vencedores da guerra, no retorno para casa quase todos são mortos ou passam, se perdem.
E por quê? Abusos.
Então eles não simplesmente vencem os troianos, que seria razoável dentro daquela expectativa de valores daquele mundo, você, os gregos invadirem Troia e matarem o rei matarem o rei, matarem os principais soldados, tava do jogo, né? Tá dentro do jogo.
Aí tem episódio do Ajax com a Cassandra que dá uma zoada, né?
Só que tem violar as mulheres, inclusive da nobreza, que são violadas dentro de templos. Você tem um rei, o Príamo, que é super digno, que é o pai de Heitor, né, que é um personagem que aparece na Ilíada principalmente. Heitor, inclusive, e Eneias são mais dignos até na boca do próprio Homero do que os gregos em geral, né? Esses príncipes, né, troianos. E o Príamo, ele é morto— spoiler da Eneida, tá, não é do filme— o Príamo nem parece o primo do filme.
O Príamo, ele é morto pelo filho do Aquiles, que é o Neoptólemo, de uma forma totalmente covarde, porque é um ancião assim usando uma armadura e empunhando uma espada que não tem nem corte, não tem nem gume, né. Então esses abusos Aí sim, isso é punido pelos deuses. E quem desenvolve mais essas histórias são textos posteriores, posteriores à Odisseia, né, mas anteriores à Virgem.
Pensei que o próprio Cavalo de Troia teria sido um abuso assim, tipo, quiseram acelerar a vitória.
Uma coisa que eu queria até perguntar para vocês aí sobre a questão desse apoio que a Atena dá ao Odisseu. Atena paga muito pau para Odisseu, né, cara?
Quase como se ela fosse apaixonada por ele.
É o tempo todo.
Não chega às vias de fato, mas às vezes parece que ela quer. É um bromance. É um bromance.
Odisseu mente.
Porque ela também é guerreira, ela é virgem, quer dizer, ela não transa, mas ela admira ele.
Quando Odisseu mente para ela, não sabe que ela, mas mente, começa a inventar toda uma história, ela fala: você é incrível mesmo, olha como que você consegue mentir, você é muito incrível.
E a Thê mente também, né?
Então, ela também mente.
Elas se identificam nisso.
Será que é por isso que ela se identifica com Odisseu?
É astúcia, é o lance da astúcia. Da astúcia, dessa coisa de achar o ardil certo para você conseguir o que você quer, assim. Isso, em vez de ir para porrada, para força bruta.
Acho que isso que gera admiração dele, porque ela como deusa da guerra, né, as guerras são vencidas por inteligência, estratégia.
Pois é, o Áries é o deus da porrada irracional, Atena não, ela é da guerra racional, estratégica, pensada.
No filme, não, ela quase não tem fala, né? Ela fala bem pouco e não tem uma participação tão ativa como no livro, né?
Foi totalmente modificado.
É um motivo que eu gostei bastante também, o plot twist que tem. Daqui a pouco a gente chega, mas o plot twist que chega para explicar porque a Zendaya interpretando ela, para daí o povo entender, ah, Zendaya, pô! Mas o motivo é genial, é a melhor parte do filme. Parte.
Para mim foi doido.
E a figura do herói que você falou que até serviu de base para essa ideia da jornada do herói, ela é construída de uma maneira parecida com o que a gente vê hoje do herói, dessa jornada, dos desafios?
Tem um mentor, né? No caso do mentor, a Atena é bastante a figura do mentor do herói Odisseu, né?
O mentor existe mesmo? Ele é Atena? Eu fiquei nessa dúvida. Ele é, ele existe, o mentor, ou é só Atena?
Parece que o personagem existe, Só que Atena assume a forma e o nome do cara que é do tipo, né, do Paul Ganger, né.
Os deuses frequentemente eles fazem essas metamorfoses, né, e Atena acontece o tempo inteiro, do deus disfarçar como um guerreiro troiano, um guerreiro grego, direto assim também.
Então eu tenho, é, mas narrativamente você vê muito da estrutura do herói de hoje, né, aquele cara que vai passar por várias Provações, várias provações. Ele tem uma jornada a ser cumprida para ele conseguir. Quando você pensa na jornada do herói, se você pegar a versão simplificada, que é o círculo da história do Dan Harmon, o objetivo é ele sair de casa, é conquistar algo e retornar transformado com elixir. É, quando ele volta, ele é uma pessoa diferente.
Mas esse processo é o chamado, a recusa ao chamado, aí Depois tem um mentor, tem as provações, a descida ao inferno lá do Zao, e aí ele volta.
E aí ele consegue, ele vai conseguindo as vitórias, passa por derrotas também, quase perde a caverna escura e tal, até que ele volta transformado. Então quando você vê assim, poucas histórias que se encaixam perfeitamente na jornada do herói. A jornada do herói é meio arquetípica e você consegue pegar cenas e encaixar ali. Mas é o caso também, esse daí é a da do Dan Harmon, né, o Círculo da História. Então quando você pensa, começa ali no you, né, que é você.
O Odisseu sai de Ítaca, ele precisa, precisa, é a necessidade que é apresentada para ele, nesse caso é lutar uma batalha que nem é dele. No filme é apresentado como ele não querendo ir, não tem essa coisa toda de que ele tinha um compromisso, que não é uma guerra com motivações falsas. Isso aqui é uma guerra com motivações falsas, que daí já é uma discussão acadêmica que existe existe hoje sobre se a Guerra de Troia realmente existiu, com certeza não foi pela beleza de uma mulher, com certeza foi por outros motivos muito mais políticos e econômicos, né?
E daí ele vai passar por todo esse processo, vai, vai procurar, vai encontrar aquilo que ele tava querendo, vai tomar, vai retornar. Nesse processo ele muda até que ele chega transformado em casa. Essa é uma versão simplificada. E quando você vai pensar, toda boa história é isso, é a transformação desse personagem passando passando por provações, enfrentando desafios e voltando. E nesse caso, de forma fantástica, né? Então quando você pensa em fantasia, pensa Senhor dos Anéis.
Esse daqui é o supra-sumo da fantasia. Muitas das histórias mitológicas que influenciam a fantasia. Tolkien bebeu muito dessas fontes mitológicas. Tolkien, acho que ele é grego, né?
Ele, cara, ele é muito louco. Tem ele vestido de Hermes numa peça da escola que eles apresentavam apresentavam as peças gregas.
Tem foto, tem a foto, existe a foto.
E eles apresentavam as peças gregas falando em grego, a peça inteira, Sófocles, Eurípides, inteirinha em grego.
Assim, isso é uma coisa até que eu falo sempre para os meus alunos, pessoal que quer escrever sobre fantasia. Eu falo, cara, o escritor de fantasia, se quer chegar no nível de Tolkien da vida, não pode só ler fantasia. Tolkien, ele primeiro, ele lia grego, ele ia lá para os poemas épicos, ele sobre tudo. O cara tinha um conhecimento tão vasto que daí ele consegue criar um mundo complexo como esse. E uma das influências, sem dúvida, está aqui.
A Odisseia influencia muitas histórias hoje em dia, né? Continua influenciando bastante.
Bateu uma hora, então fique à vontade aí quem não quer ouvir spoiler. Penélope não era Penélope, na verdade.
Ela tira a máscara, na verdade era o Ronaldinho Gaúcho.
Então, a partir de agora, vamos dar spoilers leves e mais para o final spoiler pesado, mas para quem já assistiu o filme, que também é a mesma história. A história todo mundo conhece, então não tem mistério, né, cara? Não tem muito spoiler, né?
O Nolan, ele tentou ser o máximo possível fiel à história original, mas ele tirou vários pedaços, né? Ele tirou ali, depois que sai da ilha com a Calypso, ele tira a ida para os feáceos. O que que é que acontece lá? Conta melhor para gente.
Os reacios são fazer uma linha temporal então.
É melhor, você já fez no canal, refaça aqui agora.
Vamos tentar fazer essa linha temporal.
Então acabou a Guerra de Troia, você começa a querer voltar para casa.
10 anos.
10 anos. Então ele ficou 10 anos, já tá 10 anos fora de casa, né, por causa da guerra. Aí acabou a guerra, ele começa a voltar para casa. Só que você começa a voltar para casa E bom, tô passando aqui numa terra um pouco menos protegida, vamos ali pilhar uma, levar uns escravos, levar uma comida, levar uns vinhos. Então eles param numa terra que é a dos Cícones, que é um povo normal, mortais. E aí eles começam a pilhagem e tudo tranquilo.
O Odisseu conduz muito bem esse ataque, só que os soldados, o Odisseu, ele tá conduzindo, se eu não me engano, 12 naus, né, 12 embarcações.
E aí os soldados ali do Odisseu, eles, terminada a guerra, eles não saem todo mundo junto, saem grupos separados. Aparentemente, porque no filme tem isso, né? É porque vai com a gente? Não, eu vou aqui, vai indo que eu já vou.
É porque não tem um exército dos gregos, porque é uma coalizão, né?
É uma coalizão, entendi.
O Odisseu é o rei de Ítaca, o Agamêmnon é o rei de Micenas, o Menelau, rei de Esparta, cada um foi para o um pepilo, são vários reinos que são todos eles gregos, porque falam a língua grega, cultuam deuses comuns, participam nos jogos panhelênicos, Olimpíadas, esse tipo de coisa. Eles têm uma identidade cultural, mas é como se fosse mais uma América Latina, por assim dizer, do que um país. Mas eles fazem essa coalizão para atacar Troia e cada um volta mais ou menos.
Tem alguns trechos que eles vão juntos, aí se separam, mas aí o Odisseu então começa a voltar, ele para nessa terra do Sícones faz esse saque, o saque tá indo bem, só que os soldados dele começam a ficar, querer demais ainda, e demoram a embarcar para ir embora. E aí dá tempo dos Sícones chamarem reforços, eles já começam a ter algumas perdas. Reforços dos próprios Sícones, chama outro grupo, isso. E aí eles seguem, e depois dos Sícones eles já vão para ele, para o Polifemo, não é?
Não, acho que é antes, antes é Lotófagos, não é? Primeiro Lotófagos, depois Lestrigões, depois Polifemo. Acho que a ordem é essa.
Não, o Lestrigões é depois do Polifemo, não? Porque os Lestrigões depois perdem todas.
Posso ter confundido.
Então, de fato, tem os Lotófagos que não aparecem no filme, que é um povo que come o fruto do lótus. Não é o lótus botânico, não é uma planta mística, mas usou essa palavra.
Que no filme é o lótus mesmo, né?
Tipo, traduz como chapadó. Acrópole, que o pessoal fica lá chapado o tempo todo.
Quem come esse fruto fica sem vontade de voltar para casa, fica totalmente entorpecido. É o pessoal da origem lá, o pessoal do ópio consumindo ópio no filme Origem, se perdendo nos sonhos. E aí o próprio Odisseu não consome o lótus e tem que arrastar os seus caras para eles voltarem para embarcação. E aí eu acho que eles vão para a terra dos ciclopes Ciclopes. Lá ele entra, a gente já falou dos ciclopes aqui, né, tem um problema com ciclopes.
A questão da flechada, vamos para a questão da flechada. Na história original, assim, original de novo entre aspas, né, não necessariamente Homero que inventou isso, mas a gente conhece por Homero, né. Na história do ciclope na Odisseia de Homero, o ciclope, depois que o Odisseu consegue vencer essa criatura formidável, grande, forte, ele faz questão de marcar esse feito, de que todo mundo saiba que isso aconteceu. Isso aí é o chamado, o chamado kleos, é a glória, que é essa, essa é uma forma de imortalização.
Porque os gregos não têm muito essa ideia de ir para o paraíso, por exemplo, de viver uma, de ter uma continuidade da existência pela sua própria individualidade em outra dimensão. A continuidade da vida para os gregos era algumas vias. Uma delas era você ter o seu nome lembrado para sempre. Então o Odisseu persegue isso, como Aquiles persegue isso, como todos os heróis gregos perseguem isso. E é por isso que quando ele consegue vencer o Ciclope, acha que ele já tá longe o suficiente, ele arrogantemente, pensando na glória totalmente pessoal, ele fala: não foi ninguém, não é, não é que não foi ninguém que derrotou foi, aí ele fala o nome dele, Odisseu, e sou filho de Laertes, rei de Ítaca, dá o endereço, CPF dele todo.
E o Polifemo então invoca o pai dele, que é o Poseidon, que rege os mares, fazendo uma maldição que se for possível, ele fala, ele faz uma oração: Pai, se possível, aniquile completamente essa essa turma aí. Mas se não for possível, se for o destino do Odisseu voltar para casa, pelo menos que seja muito difícil e sofrido e que todo o resto da turma morra. E é exatamente, já algo spoiler, é exatamente isso que acontece. Só o Odisseu volta para casa e todo mundo tava acompanhando ele morre.
Só que eles vão morrendo aos poucos. Então depois do Polifemo é os Lestrigões. Então, né, os Lestrigões são os caras gigantescos que são imediatamente hostis, também representa Que essa é bem diferente no Nolan, né? Os cara com armadura, muito feio inclusive.
Os cara com armadura ficou estranho.
Das escolhas visuais dele, acho que foi a pior.
Ali não fez muito sentido para mim não. Ali eu fiquei, mas por quê, cara? Esses cara com armadura. Eu achei muito legal na hora que menino, menina, não sei que criatura é aquela lá, na hora que levantou e você viu que era do tamanho deles, era uma criança. Daí eu, caraca, isso foi muito legal.
Como é que são os pais então?
Como que são os pais? A criança já tem o tamanho deles, mas a escolha visual não corresponde à história original e não fez muito sentido não.
São, são, tem uma armadura completa assim que é bem característica da Idade Média. Muita gente achou ruim por essa parte histórica, eu não me importo com isso, mas eu achei feio simplesmente.
Mas é assustador ainda assim, aquela cena ainda foi assustadora, ele correndo atrás dele.
Eu achei assim meio, eu acho que eles foram mais esquisitos assim.
Hoje reassistindo eu notei uma coisa que eu não sei se tá na Odisseia, Mas reassistindo o vídeo hoje, o filme hoje à tarde, eu vi as árvores se mexendo. Quando você for reassistir, dá uma olhada, as árvores se mexem, cara. Verdade, eles ficam desesperados. Tanto que tem um grupo que fica preso entre algumas árvores, e daí tem uma hora que mostra a árvore mexendo e o Odisseu assim meio, a árvore andando assim meio que para cercá-los.
Então, cara, é uma coisa especial dos entes.
Do Senhor dos Anéis ali do mal.
Eu lembro disso sim, cara.
É, eu primeiro pensei, na primeira vez que eu assisti, eu pensei, ah, deve ter sido alguma ilusão de ótica por conta de posicionamento de câmera. Aí hoje vendo de novo, não, tá mexendo mesmo, e eles reagem a esse movimento das árvores, que é mais uma invenção. Mas não ficou muito claro ali que eles iam comer, que eram canibais e tal. Ficou meio estranho. Por que que eles estão atacando o Odisseu do nada? Não fez nada ali.
É, assim, no Homero também é um negócio meio aleatório, mas é da natureza deles, né?
Então é explicado, né, pelo menos o que que eles são, tal.
É porque no Nolan eles estão de armadura, estão de espada. Inclusive na cena no filme eles encontram primeiro essa criancinha, que você descobre que é uma criança bem grande. É, criança grita e os pais aparecem, e os pais aparecem muito rápido já de armadura, espada na mão. O que que esses caras estão fazendo? E aí já sai arregaçando. Na Odisseia não tem uma descrição visual dos Lestrigões, mas dá a entender que eles são tipo selvagens, são pessoas dos confins da terra, de novo, que representam essa incivilidade, que não tem nada de quixenia, que não são aristocratas.
Então quando você chega naquela terra dele, quando o Odisseu e a tripulação dele chega naquela terra dos Lestrigões, Eles já começam a jogar pedra nos navios e o Odisseu perde ali quase que— ele perde todos os navios menos o dele.
A gente sabe o que significa lestrigão?
Cara, eu não sei.
É uma palavra muito específica. Será que tem lestriguinho? Porque tem lestrigão.
Mas eu acho que esse -ão é do universal.
É a contração para o português.
Mas aí agora o Odisseu tá só ele e os seus imediatos ali, né? Na nau capitânia, digamos assim, no navio principal. E eles, dos Lestrigões, eles chegam na Ilha de Circe, né?
A gente pulou o Elo, não pulou? Então tá esquecendo do Elo e depois das vacas. É verdade, depois das vacas. É, mas teve o Elo aí no meio.
O Elo também não aparece no filme, é o rei dos ventos, né? Ele controla todos os ventos. E quando o Odisseu chega lá, ele é muito bem recebido. Elo representa muito bem a Xenia, dá um banquete para ele, não pergunta quem ele é e o recebe muito bem mesmo assim. E dá um presente que também faz parte dessa questão de troca de presentes. Ele dá um presente para Odisseu que é todos os ventos desfavoráveis ensacados.
É muito legal isso.
Então Odisseu vai poder voltar para casa sem nenhum vento desfavorável, que estão todos presos dentro de um saco. E aí O Taino, tudo bem, estão quase chegando em Ítaca.
Dá pra ver a fumaça de Ítaca de longe.
De longe, né?
Essa vista, né?
É muito legal, porque assim, você pensa, ah, que legal, vai acabar a jornada. Não.
E aí os companheiros do Odisseu ficam olhando ali pra aquele presente e falam assim, só ele recebeu isso, eu acho que ele recebeu alguma coisa que ele não quer compartilhar com a gente. E aí, num momento de distração do Odisseu, Eles abrem o saco e todos vêm desfavoráveis. É meio um momento da bexiga abrindo. Os caras levam eles de volta para o mesmo duelo.
E daí ele fala: já dei, né?
Agora acabou. Vocês devem ser de fato povos totalmente amaldiçoados pelos deuses. Não, não vou me misturar com vocês, vocês ouvam aí sozinhos a situação. Aí eles, aí a partir disso, aí eles chegam em algum lugar que talvez a gente tenha pulando pro lado, mas eles eventualmente chegam na terra da Circe, que no filme ficou maravilhoso, que eu achei fantástico também. É uma adaptação muito diferente do original. É, no original, entre aspas de novo, na Odisseia do Homero, a Circe ela é uma mulher muito bela, uma deusa também.
Então ela é uma mulher muito bem, uma das belas tranças, é o epíteto dela.
Isso. E ela vive com as suas servas numa ilha própria, no seu tear, como todas as mulheres na Odisseia, Calípsio fica no tear.
No Mediterrâneo Antigo inteiro, né? Só que elas faziam, coitadas.
A Penélope sempre no tear. E a Circe, ela é uma figura que transforma, ela é uma senhora das feras. É uma coisa que mitologicamente também tem uma profundidade muito grande no tempo, que é representações de deusas pisando com os pés em cima de leões ou serpentes, ou apoiada sobre leões ou íbex, que são aquelas tipo umas cabras assim com aquele um chifre muito grande que apresenta essa selvageria, um vigor selvagem, né? E você tem deusas femininas, são chamadas de senhora das bestas, ou tem masculinos também senhores das bestas.
A versão do não tão, não tão bela quanto desse, uma mulher mais velha, é uma mulher sofrida, mais agonizada. Ali no Homero.
A Circe é quem toma a iniciativa de atacar os soldados do Odisseu. O Odisseu, ele separa o grupo. No filme, o Odisseu não sobe porque ele tá zicado, né?
O pessoal meio que coloca ele de lado.
Nossa, tá dando azar, tá dando tudo errado. Eles falam: não, o problema é com você, os deuses estão insatisfeitos com você, a gente vai separado para a gente não tomar fogo aqui.
Eu senti também que era assim: você é muito arrogante, você tá dando problema, fica atacando flechada no olho dos os outros fica parando ali em lugar onde tem gigante. Melhor fica quietinho ali, deixa a gente resolver dessa vez.
E aí, e aí, no Homero, o grupo que o Odisseu não tá sobe e eles são transformados em animais, em porcos, em porcos. E tem vários outros animais na ilha que são animais selvagens, mas em situação doméstica, como no filme aparece também, tigre, leão, Isso, mas que no filme ficou que são pessoas que chegaram antes e foram transformadas naqueles animais. Não é uma interpretação necessária do texto de Homero, né, mas é uma interpretação interessante.
É até o momento que o Udsel vai caçar, ele atira, né, e aí é uma pessoa, né. E aí ele já começa a desconfiar. Inclusive, como é que os caras não desconfiaram quando eles chegam na cabana dele, tem um monte de escudo e armaduras do lado de fora? Mas tudo bem, no filme, né? Mas no Homero então assiste essa feiticeira, ela tem esses poderes semidivinos, né? E ela transforma parte da turma do Odisseu em porcos. E quando o Odisseu vai subir para ver o que que aconteceu, ele é alertado pelos deuses que sempre intervêm na história. No caso é o Hermes, né, o deus mensageiro.
Inclusive é bisavô do Odisseu, ele é bisneto do do Hermes, bisneto materno. Poderia ter ajudado mais, né, cara?
Porque Hermes só intervém quando Zeus fala. Podia ter ajudado mais, bisneto.
Já é 3 gerações já, já tá cagando, né?
Se fosse filho ainda, mas eu nem sei se talvez para Homero ele fosse, né?
É bom, tem que ver exatamente essas linhagens também. São sempre muito incertas.
Mas o Hermes intervém e traz uma planta que protege o Odisseu dos encantamentos da Circe. E ele vai com essa planta. Quando ela tenta transformar ele em porco, ele usa— ele não é transformado, ele é por causa dessa planta. E ele cumpre uma instrução muito enigmática do Hermes, que é de levantar a espada para Circe ameaçar e fazer uma certa postura. E aí a Circe curva diante do Odisseu e o convida para coabitar, compartilhar sua cama.
E aí ele novamente— ele já tinha passado 7 anos com a Não, ele ainda não foi depois.
Ele já passou por esse tempo, mas cronologicamente não, porque é tudo misturado.
O Odisseu deu um migué também, né?
Quero voltar para casa, mas também no caso da Circe foi muita sacanagem, porque ele fica um ano, né? Ele fica um ano e precisa soldados irem para ele. Você lembra que você tem uma mulher fiel lá em casa esperando você?
E falam justamente, vou tirar você desse lugar.
E daí ele, ah é, tem a Penélope, né? A Circe devia ser bonita, pessoa, gente boa, agradável, companhia agradável.
Mas aí fica, cara, vê se tem imagem dela transformando, uma das melhores imagens, cara.
Horror corporal de primeira, cara. Ficou maravilhoso aquilo. É porque ela vai amacetando a cara e formando uma massa, né, cara? É muito legal. E para transformar de volta também, mas Eu não lembro, na Odisseia ela também transforma de volta ou quem se transforma porco fica porco mesmo?
Ela transforma de volta também, tá? Mas no filme é muito bom porque quando ela começa a transformar de volta, ela começa a falar assim: voltem para os seus disfarces, voltem para a verdadeira— isso é uma interpretação antiga já, que Circe ela manifesta a verdadeira natureza da pessoa. Isso não tá no Homero. Mas Homero foi lido por mais de 3.000 anos, então muita gente interpretou muita coisa. E essa é uma interpretação tradicional que eu acho muito interessante.
Muito legal, porque a gente tá falando de guerra, de são soldados, e ela tá falando justamente: você acha que eles não são isso? Eles são exato, é isso que você precisa para uma guerra. Pessoas insaciáveis, cruéis, violentas, são porcos. Isso que é a natureza deles. Você não consegue vencer uma guerra sem isso. Isso é soldado. Então ela só tá revelando para ele, por mais nobre que ele pareça ser e aquele muito mais culpado, né, no Nolan, uma figura que carrega essa ferida moral, né.
E o pássaro é a irmã dela?
É irmã dela, não tem nome.
No filme tem o Scooby, que eu achei muito bom.
Eu tenho uns parentes que eu também queria transformar em bicho, que eu me daria melhor com eles transformados em bicho.
O Homer é um urso, né, cara? Ia transformar num urso aí.
Depende, né?
O Lenny, o Lenny, o Grilhinho, né?
Grilhinho!
Nossa, Lenny, caramba, velho! Mas no livro, como que ele descobre que os deuses avisam para ele?
Hermes avisa. Ela é sem-vergonha.
No filme não, né?
No filme ele adivinha, né? Porque ele chega, os porcos ficam eufóricos, ele já percebe. Bom, ele já sabia que o cervo tinha virado humano depois que ele matou, então ele já ficou ressabiado. Aí ele passa por leão, tigre e animais selvagens, passarinho na gaiola, fica quietinho ali. Chega, os porcos estão desesperados, ela fala para matar um porco para comer, ela serve um negócio bem estranho lá, ele já começa a entender. Daí ele vê o anel, né?
Ele vê o anel de um dos soldados ali dele, aí cai a ficha, você transformou eles em porcos.
Verdade, tem um lance do anel.
E essa parte é interessante porque é uma subversão total no filme, porque a Circe no filme ela não é— ela tem poderes, né, mas ela não é uma deusa, não é chamada de deusa, nem apresentado uma deusa, não tem esse apelo sexual, não tem essa questão. É o contrário, ela parece ter sido vítima de violência, de abuso. Ela fala isso, que representa muito bem.
Vocês vêm aqui, tiram o que quer, deve ter pegado, sabe de onde?
Da Circe, da Madeline Miller, do— talvez a ideia, talvez tenha, que é uma adaptação muito boa do Homero, que em livro, que a Circe tem esse histórico de violência sexual para cima dela.
Eu não É um filme cujo nome é Circe? Não, é um livro. Um livro cujo nome é Circe, né?
Essa autora, ela escreveu A Canção de Aquiles e depois Circe.
A Canção de Aquiles e Circe, verdade.
Circe é fantástico, livraço, inclusive. Quem quer ir para o topo—
Comprei no livro, você acredita? Porque eu tava muito interessado.
Eu não comprei no livro. Livraço, livraço.
E o Nolan puxa muita coisa de vários seres antigos, né? Mas com certeza ele puxa de alguns modernos também que eu não peguei. Referência. Mas essa da— então a Circe, ela representa essa fragilidade da acsenia, mais uma vez, da hospitalidade do mundo que é hostil. E no caso das mulheres que vivem, principalmente as mulheres que vivem sozinhas, que vivem sem a proteção de um patriarca, da figura masculina, é uma vulnerabilidade em todos os sentidos: física, política. Isso é muito bom.
Muito, muito bom.
Eu achei muito legal a interpretação dessa mulher, é fantástica. Uma das cenas, essa é uma assim, é uma das cenas que ajudam a gente a entender a essência do que o Nolan tá querendo costurar em toda essa história, né? O colapso, é, do colapso da civilização e tal, e de como que ele se sente responsável por isso, como tendo quebrado a Xenia, porque ele interpreta apresenta como sendo uma quebra da acsenia, né, Troia.
No filme é o cavalo de ponta a ponta, né, é não só o cavalo, mas o que eles fazem depois, que tem as cenas também que a gente vai chegar lá da Atena e tal, da Atena barra não Atena. É, mas então tem a Circe, e aí, e a Circe, ela assim como no filme, ela dá instrução de consultar um adivinho que é o Tirésias. Vai lá no que é muito importante você ouça o que ele tem para te dizer. O problema é que o Tirésias está morto, né?
Exato.
Então você tem que ir no mundo dos mortos.
É, tem esse detalhe.
WhatsApp tá desabilitado do Tirésias.
Ele é cego. Ah, tudo bem, mas eu só preciso conversar com ele. Mas ele tá morto também. Tá bom, beleza, vai lá para o Hades.
E aí ele vai para o Hades e não entra, né? O tanto no livro quanto no filme não é uma catábase completa.
Na catábase é o termo na Não é como na Divina Comédia, que vai descer lá no inferno. Não, ele chega na bordinha.
Ele chega no limiar do mundo dos vivos e dos mortos, no livro As Terras dos Cimérios, que é um lugar assim além do oceano, então é os confins da terra, né? E lá ele consegue fazer um rito de sangue, eles fazem um sacrifício e invoca ali a presença dos mortos, né? E aí isso eu achei que foi visualmente muito bom no filme também.
Muito bom.
Eu só não gosto do H-Man em nenhum ponto, nem nessa. Achei muito exagerado, muito exagerado.
Mas eu entendo a intenção de mostrar como essa figura imponente, mas não ficou bem.
Mas não usou ele para nada, né? Você esperava alguma coisa acontecer?
Nada. Assim, eu gostei muito quando tem a cena dele entrando dentro, é quando abre os portões, aquela figura.
Então, mas aí você espera que ele vai chegar e arregaçar com todo mundo, mas ele só chega lá andando.
Pronto, vai lá.
Essa é a cena mais Darth Vader de todas do Agamemnon. É a primeira aparição do Darth Vader no que toca a Imperial Death March, que é o momento em que abrem o portão, os portões, né, de Troia. E aí tá tudo escuro, mas o Agamemnon tá lá no meio de todo mundo esperando o portão abrir. Ele tem uma armadura que é fosca geralmente, mas nessa situação, ela tá bem reluzente. E eu achei meio— eu tava muito naquele momento, até comentei no vídeo que eu fiz falando as minhas impressões, eu tava assim carregado na imersão narrativa.
Na hora que abriu o portão e eu vi o Robocop assim esperando para entrar, eu falei, pera, pô, não precisava.
Tem um cara com uma lanterna só iluminando esse babaca aí, né, cara? Podia estar no escuro, né?
Mas a gente não chegou em Troyes ainda, né? Então ali, quer dizer, a gente não chegou nessa parte do filme ainda, mas então aí eles consultam os mortos lá no Hades, que aqui no Nolan não vai mostrar Aquiles nem a mãe do Odisseu.
Mas eu achei que foi uma escolha, porque até o Heracles aparece para ele no livro, até o Heracles.
Mas eu acho, algumas pessoas reclamaram, não vai aparecer Aquiles, mas eu acho que Aquiles é importante que só colocar ele como uma pontinha ali aparecendo rápido, para mim, ia ser tosco. Então acho que ele tinha que cortar algumas coisas que não seriam necessárias.
E o Aquiles nessa cena, na Odisseia de Homero, ele cumpre um papel muito importante para mensagem de Homero, que não é a mensagem do Noah. Exato, é outra, porque Homero tá discutindo a questão da lembrança, da glória, dessa imortalização que é a Cléos. E o Aquiles, que é muito celebrado, apontado o maior guerreiro da Guerra de Troia, ele aparece em pessoa e fala: eu preferiria ser o servo de um homem comum, ou até um homem assim dos mais pobres vivo, do que um rei entre os mortos.
Então isso cria uma complexidade dessa, dessa meta de imortalização. Então de fato vale a pena, porque o Aquiles decidiu por isso, ou aceitou esse destino pelo menos, né? A mãe dele, Tétis, né, que é uma maravilhosa. Ela fala: você pode ter uma vida curta, mas com glória, e consequentemente eterna de outra forma, ou você pode ter uma vida longa, banal, e que você será esquecido. E ele tem a vida curta, mas no inferno ele parece não ter, não bancar tanto essa decisão.
Então isso dá uma tensão interessante para o tema da glória, que não é o tema da Odisseia do Nolan. Isso não aparece, esse desejo individual de imortalização não aparece na figura do Odisseu. Aqui vai ficar fora de lugar.
Aqui vai colocar muito mais essa questão da ferida moral. É que não é necessariamente, porque existem duas coisas diferentes, que é o transtorno pós-traumático. Muita gente tá falando que aqui o Odisseu é uma figura com transtorno pós-traumático, é como um veterano de guerra que volta da guerra com transtorno pós-traumático. Tem um pesquisador, se não me engano é Jonathan Shay, que é um médico psiquiatra que cuida justamente de pessoas com transtorno pós-traumático.
E ele faz a diferença entre transtorno pós-traumático e ferida moral. O transtorno pós-traumático é quando você volta carregado com o medo daquilo que você passou, do que fizeram com você. Me atacaram, me agrediram, me sequestraram, tal. Esse é o transtorno pós-traumático. Ele fala que o que afeta mais os soldados é a ferida moral, que não é o que fizeram comigo, mas o que eu fiz com os outros. Eu quebrei o meu um código moral.
E eu, se você for pensar, por exemplo, ele trata, tratava principalmente pessoas que vinham da Guerra do Vietnã, e ele escreveu um livro, Aquiles no Vietnã e Odisseu na América. As pessoas mataram crianças, fizeram coisas horríveis. Então o que machucava a mente do soldado é o que eu fiz com os outros. E o que a gente vê aqui, Odisseu, não é o Odisseu da Odisseia de Homero. Ele é chateado e revoltado pelo que fazem com ele, não é transtorno nem nada, mas ele Só é revoltada, que é vingança com o que fizeram com ele.
O Odisseu do Nolan, ele tem essa ferida do que ele fez. O que eu fiz me magoa, que é aquilo que a gente já vê que é o tema do Oppenheimer. Oppenheimer termina o filme falando: o cavalo é a bomba atômica, né? O cavalo é a bomba atômica. E esse é um tema recorrente já que a gente percebe na obra do Nolan, que ele trata essa culpa da pessoa que tem tanto poder, consegue uma vitória, só que o o custo para essa vitória é tão alto que essa pessoa agora se arrepende, assombrada, não necessariamente se arrepende, mas é assombrada pela culpa que isso traz.
Então aquela cena do Hades serve justamente para reforçar isso, porque vai aparecer o Sinon, que é interpretado pelo Elliot Page ali, e o Sinon vai reforçar isso justamente, como que você mentiu para mim, me deixou para trás, eu fui morto acreditando numa mentira e tal, e E olha a situação que a gente vive. Daí tem todos os soldados que não foram sepultados, não foram adequadamente sepultados, estão revoltados. É engraçado que no trailer todo mundo ficou revoltado com a cena dele falando let's go, né?
Todo mundo achando que era uma cena de indo para batalha. Let's go, vamos lutar! Aí você chega no filme, não, é let's go, vamos fugir, que tá vindo um monte de morto-vivo atrás de mim agora. Let's go, vamos vazar! Let's go, let's get out!
E esse negócio de não sepultar é muito muito sério para cultura mediterrânea antiga e grega. Assim, é uma coisa muito— se você não sepulta a pessoa, você vai virar uma alma penada. Tipo, o ritual de sepultamento, ele é essencial para o ciclo de morte da pessoa se fechar, porque senão é um horror assim. Então, engraçado ter esse lance. Isso é bem, isso é bem a mentalidade antiga.
O Nolan, ele pesquisou, ele pesquisa muito para os filmes dele, ele pesquisou. E o que eu vejo assim que ele fez Quem tá procurando uma Odisseia de Homero não vai encontrar. Vai encontrar uma Odisseia que é uma reinterpretação que pega de várias fontes. Ele vai para a Eneida, ele vai para interpretações contemporâneas, ele vai para vários lugares para conseguir compor aquilo que ressoe mais com o nosso tempo. O Henrique falou que é o que sempre fizeram com os poemas, sempre fizeram.
É a lógica, porque a forma como as pessoas viam o mundo naquela época, enxergavam até mesmo a ética É totalmente diferente, a moral é totalmente diferente de nós. Então só apresentar exatamente como é na Odisseia de Homero gera um distanciamento muito grande. Nós não pensamos como eles, nós não valorizamos as mesmas coisas que eles. Nós, serviria apenas para nós entendermos como eles pensavam. Mas o Nolan, e nesse sentido ele é muito criticado por críticos liberais, que eles dizem que ele é muito conservador no sentido moral, e ele sempre tenta dar uma lição de moral.
Então o final de Oppenheimer, lição de moral. Final de quase todo filme dele é uma lição de moral, tem discurso moral. E nesse filme ele queria fazer um discurso moral que fosse aplicável para nossa época, para o nosso tempo, para nossa reflexão. Então por isso que ele faz toda uma adaptação. Então essa seria uma Odisseia à imagem e semelhança de Nolan, é a reflexão que Nolan faz, e tá tudo certo. E quem quer ver a Odisseia original, lê o livro.
Ele não foi em todas as livrarias do mundo e botou fogo no livro original.
Por exemplo, que ele usou a tradução da Emily Wilson. Eu tinha lido há muito tempo A Odisseia na tradução original, daí eu recentemente ouvi o audiobook da Emily Wilson. Achei maravilhoso porque ela é boa, nossa, deixa muito mais moderna.
Tem algumas coisas que talvez sejam colocais demais, mas ela manja muito.
Mas ela aproximou para o público de hoje. O público de hoje consegue ler com muito— porque assim, ler A Odisseia não é tão fácil. Agora você lê na versão dela parece um romance moderno, é uma linguagem muito mais próxima. Então ele quis aproximar do público de hoje justamente para gerar identificação, e tá tudo certo. Se você reclama da tradução dela, eu recomendo que aprenda grego, né? Pois é, vai ler no grego. E mesmo assim você vai ver que nem os gregos conseguem chegar, porque o grego de hoje não é o mesmo grego.
O grego de hoje é como a diferença do espanhol para o latim, do português para o latim.
Você tem que fazer uma situação do grego para entender. Essa palavra naquela época época significava o quê? Hoje ela significa isso. Naquela época, qual que era? É complicado para caramba fazer a tradução de um texto antigo desse.
Já se sabe o que que os gregos acharam do filme?
Que eu tô querendo, os gregos atuais, a gente tem que ir até a terra dos cimérios, sacrificar uma ovelha, dá o sangue para os gregos mortos beberem para saber o que. Senão a gente não vai saber.
A Grécia se manifestou, os caras tão ofendidos.
Eles têm grego bravo por falta de representatividade grega no elenco. Eles queriam que tivessem gregos no elenco.
Aí eu peço que o pessoal grego, arroz a grega, enfim, o nome de um ator grego que eles queriam que tivesse no filme. Fala o nome de um ator grego e pronto. Pessoal não sabe nem se existe, sabe o nome de nenhum ator grego. Existe, mas é o necessário.
É que a história deixa os gregos de hoje, eles, para o bem e para o mal, eles não são mais donos essa história. Essa história, ela transcendeu muito qualquer etnia.
Eles podem fazer o filme deles também, né?
Também, se eles quiserem, façam deles, consigam orçamento e façam. E assim, gente reclamando, por exemplo, da linguagem que é usada, que é muito moderna, tá? Aí comparando, não, mas porque o Mel Gibson, ele fez A Paixão de Cristo fazendo em aramaico, em hebraico, em latim e tal, tá, meu amigo? Mas ele também não usou nenhum personagem Nenhum ali eram atores americanos, você está ligado, não eram atores realmente romanos, não eram atores realmente palestinos ou judeus dali daquela região.
O Jesus inclusive dele não tem a mesma cor do Jesus original, não sei se você tá ligado.
Jesus do The Chosen, que já é só meio árabe, que já veio aqui.
O Jesus já esteve aqui nessa mesa sentado onde você está.
Verdade, Jonathan Rouman. Rapaz, agora eu tô em outro nível.
Falei, falei para ele assim, você sabe que hoje em dia a galera, quando muita gente quando ora para Jesus pensa em você, escuta sua voz, Jesus respondendo.
Lê a Bíblia lá, vai ouvir Jesus falando.
Cuidado com o que você faz aí na sua vida pessoal, hein?
Cuidado com o filme que você vai escolher daí, porque pode dar ruim. Então muito dessas tretas que aconteceram na internet, bom, quer falar?
Vamos. Não, eu acho que dá para emendar muito bem com o comentário de Jesus. E a treta é a questão de que, da mesma forma que hoje o pessoal vê muito Jesus, pensa em Jesus e ora pensando no Jonathan Roumie, eu acho que é isso, o Odisseu do Nolan pensa em Atena, fala com Atena, interage com Atena como uma menina troiana interpretada pela Zendaya, né? O que a sacada ali é o seguinte: o único, a única deusa que você vê no filme com alguém interpretando de forma humana é a Atena.
E é uma figura assim meio, ela mais influenciada de alguma forma, diretamente de nada assim, pode ser meio que uma coisa da cabeça dele. E aí quando acontece o momento ali da da invasão de Troia e começa a ver esse excesso de violência, né, essa coisa que não tá só uma briga entre soldados que concordaram, por assim dizer, nos termos, né, da luta, vai para pessoas inocentes, mulheres, os civis começam a ser massacrados. O Odisseu percebe o que que ele fez, o momento Oppenheimer total, né, ele percebe as consequências do estratagema dele, a inteligência dele, qual que foi a consequência disso, a inteligência em si positiva, mas levou a efeitos negativos.
E isso é personificado numa figura que é executada, e é assim que o Odisseu passa a ver a Atena. Então a interação de Odisseu com Atena é pelo rosto de uma mortal que marcou a experiência da guerra, né? A cabeça da estátua caindo, e no mesmo momento em que a o Templo de Atena é profanado, né? Então essa profanação, ela sobrevive no Odisseu na forma daquela que foi efetivamente profanada, né? Que simboliza os que foram os humanos profanados dentro do Templo da Deusa.
Ele é um momento, e é assim, eu achei lindo assim, funcionou esteticamente, é tipo assim, é tão bem, é para além da racionalidade. Eu acho que não uma simples análise do negócio falando, ah, tem esse elemento aqui, a forma como o Nolan articulou tudo, som, imagem, a construção antes, a construção que está sendo contado, o Odisseu contando isso para Penélope e Atena do lado dele, e Atena começa a chorar. Quando Atena começa a derramar, começa a marejar os olhos, eu estranhei, eu falei assim, por que que Atena estaria sensibilizando com esse momento, né?
Mas você percebe essa identificação do divino com o mortal, que é quase assim uma teologia da encarnação.
Sim, é uma ideia que na verdade tá muito mais próxima de uma ideia cristã no fundo, né? Por você identificar o divino com quem sofre.
O Nolan, ele é muito influenciado pelo catolicismo, ele foi criado católico e ele já deu entrevista falando que o catolicismo, cristianismo influencia muito na forma como ele constrói as narrativas, porque essa é a cosmovisão na qual ele foi criado. Tanto que essa cena é uma cena de confessionário. Você tem o Odisseu de um lado, a Penélope do outro, separados por uma telinha que é igual de um confessionário de um padre. Então ele tá ali confessando os seus pecados para Penélope, ele tá ali do lado com aquela vítima que acompanha ele em toda a jornada para lembrá-lo do custo do que ele fez.
E para mim, a ideia que o Nolan tá trazendo é que que a jornada de retorno foi uma penitência que Odisseu teve que sofrer para ele conseguir chegar em casa. Ele fez algo tão horrível que ele precisou passar por essa penitência para se purificar, para ter o direito de voltar para casa. Então o Nolan, para mim, a perspectiva que eu tive dessa história é que ele fez uma cristianização da figura do Odisseu. Não é o Odisseu segundo a mitologia grega, é o Odisseu segundo a ótica ocidental informada pelo cristianismo.
Uma moral diferente, uma moral que não enxerga as mentiras do Odisseu como sendo coisas virtuosas, como acontece no livro, que ele é elogiado por ser mentiroso. O cristianismo fala que não. No livro ele é elogiado por ter perspicácia para enganar e conseguir vencer batalhas. O cristianismo vê isso como sendo algo como sendo não virtuoso, como sendo pecaminoso. Então eu vejo muito da informação do cristão criando uma versão de Odisseu para os dias atuais.
Com certeza. E assim, aí alguém poderia falar assim, mas ele tirou a Odisseia do mundo grego e da religião antiga e passou isso para uma religião moderna. Sim, mas ao mesmo tempo ele preserva algo que já estava na discussão teológica antiga entre os próprios gregos, filosófica, e interpretações da Odisseia que não veem o Odisseu, não glorificam também as mentiras de Odisseu, que fazem uma nova moralização, uma adaptação moral.
Até leitura alegórica, né?
Até leitura alegórica, estóricos, neoplatônicos, neoptagóricos, que leem a Odisseia e veem em Odisseu o arquétipo da mente do homem racional, que, por exemplo, quando ele escapa de Circe e Calipso, ele tá resistindo à tentação da carne. Isso é, isso são temas morais debatidos entre os gregos, na filosofia grega também, né? Então assim, se você mostrasse isso nos tempos de Homero, talvez eles estranhassem muito. Mas se você mostrasse isso a partir ali, talvez do 3º, 2º século antes de Cristo, para eus, eles achassem uma interpretação ok da Odisseia e da atuação dos deuses ali no enredo.
Eu achei super válido. Acho que a reinterpretação é para isso. Eu acho que se você for fazer uma adaptação cinematográfica que vai ser 100% fiel ao livro, a qualquer livro, leia o livro, porque é para isso que existe o livro. Para que que você vai fazer? É bom ler o livro. O livro é sempre melhor qualquer filme, por várias questões. Agora, se você vai adaptar, a mesma coisa aconteceu com O Senhor dos Anéis, a mesma coisa acontece com qualquer livro famoso.
Quando você vai adaptar, você vai tomar liberdades criativas. E no caso do Nolan, aí ele teve liberdades criativas também no elenco, e isso foi o que gerou o maior burburinho. E daí o pessoal tá falando que é woke, sei lá e tal. E daí é legal porque é legal porque que fazer.
Brutal.
Eu vejo agora duas verdades concorrentes que essa galera que defende essa ideia precisa agora eliminar uma, porque uma verdade que eles afirmam, na percepção deles, é quem lacra não lucra. A outra verdade que eles dizem é Nolan lacrou. Bom, mas Nolan tá lucrando. Então ou quem lacra lucra ou Nolan não lucrou. Não lacrou, não lacrou. Uma das duas coisas, o Nolan Vai lucrar bastante.
É o Nolan de Schrödinger, é isso.
Ele ao mesmo tempo lacra e lucra.
Lacra e lucra ao mesmo tempo.
Você abre a caixa que você vai ver se lacrou ou lucrou.
Existem vários debates, tá? Por que que colocou esse casting diverso? Alguns dizem que é por causa do Oscar. E assim, as regras do Oscar não se limitam a isso. Para você concorrer a melhor filme, com certeza esse filme, se esse filme não ganhar melhor filme, é porque vai aparecer alguma coisa muito melhor, porque até o momento não aconteceu. Não vai ter, dificilmente vai ter alguma coisa melhor do que esse.
Parece ser o Titanic de nossos tempos, né?
Parece ser muito, muito improvável que não vá ganhar. Mas a regra de melhor filme para o Oscar, ela contém alguns padrões. O padrão A1, que é o padrão ouro, digamos, para concorrer ao Oscar, seria ter um casting diverso, você ter um percentual do casting que inclui pessoas negras, mulheres, pessoas de gêneros diferentes, enfim. O segundo padrão, que também dá super para encaixar, é você ter diversidade na produção.
Pode ser, às vezes não permite, é passado na África no século retrasado, sei lá, só tinha um tipo de raça lá.
O próprio Andy Serkis, que vai fazer a adaptação nova dos Fast and Furious, também ia ter problema, né? Ele deu uma declaração essa semana dizendo que estão querendo diversidade filme dele, falou assim, não, não vai ter, não vai ser igual o Anéis de Poder. Ele falou que no Senhor dos Anéis vai ser do jeito que ele imagina, que ele vai seguir o padrão da primeira trilogia mesmo.
Na verdade, era mais bonito ele ter falado isso, ficava tudo bem.
Mas enfim, mas não é necessariamente por isso que o Nolan fez essa troca de gênero, de etnias ali. Ele poderia simplesmente colocar colocar no próprio, na própria equipe, um diretor de fotografia, poderia colocar uma pessoa trabalhando na mixagem de som. Existem várias formas. Bom, primeiro a gente tem que entender que a Odisseia, como o Henrique bem falou, ela já é de domínio mundial público. Uma ilustração que eu gosto de usar é que algumas pessoas não conseguem entender, mas ela é tão clara, é o seguinte: eu sou formado em teologia, já fui pastor inclusive.
E quando a gente vai pensar em missões, você sempre tem que adaptar o máximo possível para aquela região.
Inculturação, o conceito de inculturação, de inculturar.
O jeito errado de fazer missão é justamente você querer jogar tudo que você acredita lá e enfiar água lá embaixo, fazer a pessoa acreditar. Qual é o jeito correto que a maioria faz de representação, inclusive em missão? Quando você vai na Ásia, você vai ver Jesus sendo representado como japonês, como chinês. Você vai na África, você vai ver o Jesus negão. Você vai ver inclusive igrejas americanas, que são aquelas igrejas de pessoas negras, que vai ter na parede tal Jesus negão.
Então é muito comum, arte sacra etíope, que aliás é mais antiga que a maior parte da arte sacra europeia, né?
Jesus é negro, vai ter o Jesus negro. Então é muito comum fazer essa adaptação desse personagem para que rompa a barreira étnica, justamente para que Bom, eu sou um asiático que agora estão querendo me enfiar um cara brancão lá, que nem o Jesus original, cara, olho azul lá, europeu, para eu acreditar. Não, vamos adaptar. Porque a ideia que se tem ao fazer isso em misciologia é: a mensagem é muito mais importante do que a aparência disso daqui.
Até porque Jesus é Deus, tanto faz a aparência que ele vai ter nessa representação. Então Eu acredito que o que o Nolan quis fazer aqui é semelhante com o que o Lin-Manuel Miranda fez em Hamilton. Hamilton é um dos musicais mais maravilhosos, completamente viciado nas músicas. E quando Hamilton foi lançado, que é uma história sobre os pais fundadores dos Estados Unidos, Lin-Manuel Miranda foi super criticado. Como assim vai ter negão ali no meio?
Vai ter rap? Vai ter não sei o que lá? Que bagunça é essa que você vai fazer com os pais dessa nação era todo mundo branco, rapaz, você não sabia? Aí ele falou, justamente porque hoje a América não é todo mundo branco, a América é extremamente diversa, eu quero comunicar com esse público diverso. E deu super certo e calou a boca dos críticos. E hoje até mesmo muitos críticos reconhecem, cara, maravilhoso. Então eu vejo muito mais como, cara, a gente vive em um mundo completamente diferente hoje, eu vou adaptar a história eu vou adaptar a aparência dessa história, a forma dessa história para um público contemporâneo.
E ele tem liberdade de fazer isso. E quem não gosta é só não assistir. O problema é que o pessoal fala assim: não assisti, não gostei. E daí tem um monte de gente falando assim, ah, que passou meses falando: não vai lucrar, vai dar hate, todo mundo vai odiar. Vendo lá os dislikes, ah, tem muito dislike no trailer, que é uma coisa meio curiosa, porque você vai ver, de contar dislike em trailer, desculpa, isso é coisa de onanista, meu amigo.
Me perdoe, apenas onanistas perdem tempo fazendo isso.
Eu acho uma coisa também muito curiosa, porque assim, quando você vai ver o caso da Branca de Neve, teve muito dislike, isso se refletiu na bilheteria. Não tá sendo o caso do Nolan. Quando eu fui ver, eu fui até fazer essa comparação nos trailers da Branca de Neve, desses filmes que sempre ganham muito dislike, os comentários sempre são muito negativos. No do Nolan, muito dislike e comentários muito positivos. Então, e salas de cinema lotadas. Aí me permite meu momento teoria da conspiração?
Vamos lá, tá.
Teoria da conspiração, colocar o chapeuzinho aqui. Não tem como provar nada disso, óbvio, mas todo esse burburinho existia assim de uma forma muito superficial, mas explodiu apenas quando um cara falou sobre esse assunto. Quem? Elon Ele falou, quando o Elon Musk, lá pelo mês de maio, se eu não me engano, publicou no Twitter que o Nolan tava traindo a Odisseia e que era um absurdo que ele tinha se vendido. Se você for ver os vídeos falando sobre esse assunto, só pesquisar no histórico do YouTube, eles começam principalmente, antigamente nem tinha quase, começam a partir de maio, há uma enxurrada, canais inteiros que são canais praticamente dedicados a só falar que lacração e tal, canais inteiros falando só sobre isso o tempo todo, só sobre o tempo todo.
Então foi uma coisa inflada, inflada, porque essa figura que é icônica, que é admirada no mundo moderno, principalmente nessa rede de ódio que é o Twitter, né, que serve só para isso, que é dele, né, que é dele, é esse pessoal gosta de dar dislike, esse pessoal gosta de, o hate ele rende muito clique, claro. E tem canais que são dedicados só para isso, só para hate, só para falar mal de filme só para criticar e tal. Então esses canais ganharam muito dinheiro falando mal, levaram uma galera só para ficar dando dislike, uma galera que não viu o filme, não faz ideia de se o filme é bom ou não.
E daí eu vi esses dias uma live inclusive de um canal desses, esse final de semana, e o pessoal colocou lá um comentário pago lá que apareceu na tela: ah, vocês estão chateados porque o filme tá sendo elogiado pela crítica, elogiado pelo público? Que tá dando dinheiro. A pessoa, é, acho que o público não entendeu ainda que é ruim e tal. Então, primeiro, o filme é ruim, agora o público não entendeu que é ruim.
Eu não acompanhei o hate, eu não acompanhei os trailers, eu fui da maneira que eu gosto de ir para o cinema, preparado para o que viria acontecer, para experimentar, para ter essa experiência. Fui no IMAX. Vamos falar também sobre essa diferença em ver em IMAX e no cinema normal. E saí, cara, eu tava com sono porque eu não tinha dormido direito. Eu falei, Puts, um filme de 3 horas, será que eu vou aguentar? Cara, eu não vi o tempo passar.
É o primeiro filme longo desse jeito que eu não senti. Eu comecei a perceber, falei, cara, ainda tem muita coisa para acontecer, porque ele não chegou em Itacaí e tal. E aí? E cara, ainda tem uma boa parte do filme e você fica— O filme, no final, ele ganha um gás, né? Aquele filme, quando ele chega em Itacaí, ainda ganha um gás ainda que você fala, cara, podia ter mais ainda.
Aí quando ele puxa a cordinha, ele faz o tom, daí você dá, vamos lá, mano.
De que o ritmo foi até acelerado demais. Assim, parece um trailer.
Você começa a falar, cara, pera aí, pera aí, calma, eu não tô entendendo.
Eu acho que o grande erro para mim que o Nolan cometeu, que eu gostaria que ele tivesse feito diferente, seria transformar isso no, pelo menos em 2 filmes ou em 3, sério, explorar melhor essa, porque é uma história que tem muitos elementos e que poderia render 2 filmes, porque ele tira algumas coisas do jogo e realmente passam tanto.
Assim, eu amei a forma como ele Mas eu acho que eu ficaria frustrado se terminasse o filme no meio e não tivesse.
Eu nunca me esqueço, mas eu acho que o primeiro Senhor dos Anéis, e as pessoas terminar o filme, como assim acabou? As pessoas chegaram sem saber.
Mas eu não acho que ele conseguiria fazer esse filme dessa forma. Ele teria que incluir a Ilíada. Não, ele teria que incluir a Ilíada, porque esse filme é difícil, porque a narração é não linear. Então você já pega spoiler e tal, vira uma baguncinha ali. Mas só um adendo também sobre sobre essa questão racial, eu até comentei no vídeo que eu fiz, Helena de Troia foi interpretada por uma mulher negra em 1950. Orson Welles fez o casting de uma Helena de Troia para uma peça que rodou assim entre as tropas americanas, inclusive foi extremamente famosa em 1950, durante o período da Lei de Monroe nos Estados Unidos, e não teve o mesmo hate.
Eu não consegui achar uma crítica qualquer pessoa falando sobre o fato dela tinha Twitter, não tinha Twitter. Tá aí que pronto, o Twitter é o mal da nossa geração.
Tem um filme para TV da Odisseia de 96, comparação zero.
Perfeito. É o nome dessa mulher que fez a Mulher-Gato depois, inclusive a Mulher-Gato do Batman.
O Nolan se lembra disso, né?
Provavelmente, com certeza ele foi buscar todas as adaptações que já tiveram disso. E assim, o pessoal: ah, mas a Lupita Nyong'o não é tão bela para lançar mil navios. Meu amigo, tá na verdade, porque você pega a mulher para caralho.
Eu sei que você falou, você passa o rodo, né?
O cara quer casar com uma deusa, né? Casado com a Calypso. Na verdade, não é que mil navios com milhares de soldados estavam empolgadíssimos para defender a honra e a beleza dessa mulher. Os caras, os coitados, soldado, são pau-mandado, são um monte de soldado pau-mandado. Sequestraram aí os caras que tinham feito uma aliança, falaram: vocês vão lutar. Eles não têm opção, são soldados. Não é que eles estão indo lutar pela beleza dela.
Quem tá lutando pela beleza dela é o marido, os caras lá que queriam pegar a mulher e não pegaram. Mas na versão de Nolan não é a beleza dela que importa. Então não precisava também ser uma atriz bela. Mas muito dessa coisa de falar que ela não é bela, pô, para mim é eivada racismo. Claro, porque que ela não é bela? Ah, daí compara com a Daiane, maravilhosa, gente, maravilhosa. A Daiane Krieger, que fez o Bastardos Inglórias, fez o Troia, fez o Troia.
A Daiane Krieger é linda, loira, olhos azuis, o padrão de beleza europeu que a gente tanto admira, né, hoje em dia. Mas como atriz ela não chega aos pés, aos pés da Lupita Nyong'o. E aí vai escalar escalar pela beleza que as pessoas consideram como sendo a padrão e a ideal, ou vai escalar pela capacidade da pessoa?
Tem aquela coisa no rosto dela das marcas, né?
Então, que no livro não existe isso, mas no filme fez com que a Mirella desse uma castigada. Porque assim, o livro não deixa claro, e a gente não sabe se ela foi sequestrada ou se ela foi por livre e espontânea vontade, né? Isso é uma coisa meio dúbia. Será que ela foi porque foi sequestrada?
É a captura do Homero.
E Menelau fica com essa dúvida no filme. Então ela tá— a gente não sabe se ela tá desfigurada por um castigo dele ou se foi de algum acidente de navio, porque ele fala que teve percalços e tal no retorno. Mas provavelmente foi um castigozinho dele para— agora ela não movimenta mais mil navios, ele fala, talvez 500, só 500, porque metade do rosto só que tá valendo.
Mas daí, tão pouco tempo também, né? Uma personagem de 5 minutos que ela aparece. Um ano de rendendo esse assunto de Helena ser negra, do Aquiles ser trans, que nem é o Aquiles do Nicolas Cage. Um ano a conversa foi só essa. Aí você assiste o filme, eu acho que assim, o momento que você sai, se alguém te lembra que existiu isso, você pensa, quão pequeno foi essa conversa, né?
Mas eu percebi que a Nola nem prestou nem se preocupou muito em desmentir ou desmentir.
Primeiro que o Lula não tem nem celular. Isso é uma coisa que o pessoal já sempre comenta, que é uma coisa absurda. Assim, ele não tem celular, ele não acessa internet, ele não tem rede social. Quando ele vai chamar o pessoal para atuar, ele liga ou vai na casa da pessoa, manda o celular, liga lá e fala que eu tô indo.
Manda uma carta, né?
Ele chega com o roteiro. O roteiro dele é impresso, página vermelha e letra preta, que é para não conseguirem copiar. Ele chega, entrega o roteiro na mão e fala: lê que eu vou esperar.
O quê?
Ele fica lá esperando, ele coloca o roteiro na mão, ele senta e espera. Ele senta e espera. Isso para os principais, né? Os coadjuvantes, faz de conta que eu não tô aqui, né?
Aí tem um Nolan andando na sua casa, né?
Diz aí se você não gostaria. Os PTBs, tá em qual parte? Calma aí, eu leio devagar. Calma aí, pô. Então ele é esse cara que é totalmente offline. Então ele nem tá, ele nem, ele tá por dentro assim, provavelmente pessoas que contam para ele, contam, mas ele tá nem aí para isso. Porque as salas de iMac já estavam esgotadas há um ano nos Estados Unidos. Há um ano abriu, há um ano, e esgotou. O iMac 70mm original esgotou. E hoje é sessões 2 da madrugada lá para conseguir atender.
Só um parênteses, porque o pessoal já colocou a relação dos filmes, os tamanhos e proporção para o pessoal ter uma ideia.
Deixa eu só fazer um parênteses, porque internet é reino de pessoas que às vezes não conseguem interpretar direito. Quando eu falei, quando eu falo que esses comentários sobre a Lupita Nyong'o são eivados de racismo, eu em nenhum momento tô querendo dizer que quem acha Lupita achar a Lupita Nyong'o feia é racista, tem direito de achar qualquer pessoa feia. Mas a partir do momento em que atrelam beleza à cor da pele, e a partir do momento em que fizeram vários recortes, pegaram a Lupita Nyong'o interpretando uma escrava em 12 Anos de Escravidão, totalmente maltratada, com uma cara batida, toda zoada, interpretando uma escrava, pegaram a imagem dela interpretando uma escrava e fizeram uma montagem do lado da Daiane como a Helena de Troia toda bela.
Pô, você tá fazendo uma comparação que é completamente injusta, completamente desonesta. Então assim, esse debate todo teve muito. E assim, ah, é assustador para mim, é assustador tudo isso que tá acontecendo.
Ele mostrou aí, coloca esse aí. Ele mostrou de um filme, mas tem também desse do Itaí. Eu já vi também a proporção. Mostra aí.
Assim, a diferença entre você assistindo uma tela de IMAX com uma tela comum. Que você colocou, mas ele vai mostrar que vai coropar, né?
É, você perde, é mais ou menos um formato de televisão antiga, né? Quando você vai no IMAX, esse da direita é o 70mm, que tem essa proporção.
É, você acaba cortando muito da imagem, é brutal, né? Se você não assiste, se você assistir no IMAX sendo 70mm, ou que tem no Brasil aqui, você já tá pegando uma qualidade muito absurda. Você vai para um cinema comum, ele vai cropar, vai cortar boa parte da imagem, você vai perder informação. Mas o Nolan, ele já filma pensando para aparecer nessas diversas telas diferentes. Diferente do que tá sendo—
chegar para o Nolan falando, Nolan, adorei seu filme, assisti no celular. O cara vai te matar, velho.
Tá acontecendo muito, o pessoal assistindo no Apple Watch, aquelas geladeiras que tem tela nos Estados Unidos, pessoal tem. Just as Nolan intended, né? O pessoal põe Como o dono queria que vocês fizessem.
Esse cara é muito troll, né?
Meu Deus do céu.
Tem um muito bom que é o cara na cozinha com o celularzinho encostado assim, lavando vasilha, passando a onça. É aquela onça filmada no cinema, esqueci, Betty, não sei o quê.
Ah, sei, tô ligado, aquelas que vem, nossa, aquelas com as pessoas passando na frente, né, cara?
Tem essa das piratarias.
Bom, mas É, a pessoa pede, mas eu nunca assisti, viu, esses filmes assim, tá?
Nunca, não. Me falaram que é assim, me falaram que coloca umas negócio de besta. Mas se você, o que tem à sua disposição é o cinema normal, ainda assim é uma experiência maravilhosa, melhor do que ver em casa. Se puder ir no IMAX, pessoal tá viajando, pessoal tá pegando sessão de madrugada, tá gastando uma fortuna para conseguir ver em IMAX, o que aumenta muito o ticket, que faz com que a bilheteria dele estoure pra caramba, porque o ticket médio é maior.
Mas esse é um tipo de filme que o pessoal já tem a noção, cara, eu tenho que ver no cinema porque em casa não vai ser a mesma emoção. O cara fez pensando. E assim, vamos falar do trabalho de som. O Ludwig Göransson, que fez a trilha sonora, ele é um cara genial, cara, é um dos melhores na área dele para fazer trilha sonora de filme. Ele fez a trilha do Pantera Negra, ele fez a trilha do Oppenheimer, do Tenet. O cara é genial. E ele Nessa trilha teve um desafio especial porque o Nolan falou: só use instrumentos que estavam disponíveis na época de Homero.
Aí ele lascou, então ele teve que procurar professores de faculdade para interpretar quais eram os instrumentos. Achou pessoas assim no buraquinho do Judas, longe para caramba. Quem toca esse instrumento, meu Deus? Teve que trazer gente de tudo quanto é lugar do mundo para tocar os instrumentos para fazer uma trilha sonora que Flash, como que isso era acompanhado pelos bardos daquela época e tal, a trilha que acompanhava. E assim, ela não é tão memorável quanto a trilha de Oppenheimer, que é linda.
Então, o que eu senti, dá para ser uma coisa orquestral, por exemplo, né?
São os instrumentos intimistas um a um e tal.
Eu não sabia dessa parte vocal, tem também, tem bastante. Eu não sabia dessa limitação que ele impôs ao cara, mas quando eu assisti o filme, ok, Depois eu fiquei pensando, pô, não tem aquele tema, aquela coisa, uma melodia que te lembra do filme, como tem Interstellar, como tem em Oppenheimer, A Origem, entendeu? Talvez não tenha isso, que fica uma coisa na sua cabeça, ah, bateu a trilha, você fala, é do Odisseia. Mas tem essa proposta, né?
Mas tem essa proposta. E assim, não quer dizer que o trabalho dele tenha sido mal feito. Teve uma restrição muito grande do trabalho dele. Ele fez um trabalho genial.
Você assistiu pela segunda vez?
Segunda vez hoje.
O que você achou da trilha da segunda vez?
O que eu senti é o seguinte: ela serve para te ambientar.
Ó, minha mãe, minha mãe é cinéfila absurda. Acabei de assistir Odisseia, excelente.
Aí, ó, como que é o nome dela?
Manda um áudio aí, Dona Iraí, porque estamos fazendo um programa ao vivo agora sobre Odisseia. Quero saber a sua— não fala palavrão, tá? Que estamos ao vivo aqui. Não vai falar é do caralho, porra, filha da puta. Não fala essas coisas, quem tá ao vivo aqui. Não fala esses palavrões, tá?
Utilizar esse canal. Exato. Mas eu acredito que a trilha dele, foi o que eu senti, é muito mais para te ambientar. Então você mergulha na cena, não é para você ficar decorando com uma música e tal, você mergulha na cena com muito mais profundidade. Você pensa na cena da invasão de Troia, meu amigo, aquela batida que vai aumentando, eu tava com palpitação no coração já com aquele negócio. Então ela te ambienta muito mais, te coloca na cena.
E a forma como ele interage com os sons ambientes, quando ele puxa a cordinha, e a explicação que ele dá no filme, porque no livro também fala dele puxar a corda e tal, é fazer o sonzinho, né, com a corda do arco. E no filme dá toda uma explicação, né, de que ele quer dar a chance para que a caça fuja, para que ela lute, né, para que tenha uma luta por igual, o que casa com o tema do princípio da luta justa que ele Ele é muito lindo, porque o que ele fala no final é que a gente transformou a guerra numa caça.
E era justamente isso que ele não fazia com os animais, ele transformava a caça numa guerra, ele dava chance para os animais lutarem. E lá ele não deu a chance para os homens lutarem, ele simplesmente transformou a guerra numa caça.
Vamos ver aqui o que que a Dona Irailton— pera aí, primeiro sair aqui da live, né?
Acabei de sair da sala, fui a última que eu fico aqui ao final. A música no final, meu Deus, excelente! E como professora aposentada de literatura, você imagina ver na tela dessa forma, é um espetáculo muito bom. Você não vê passar 3 horas, excelente!
Professora, o Dona Iraíde, não era para se exaltar, ficar falando de seus feitos tal como Odisseu, você foi agora, foi prepotente falando eu como professor. Não, era só para dar opinião. Mas obrigado, Dona Iraíde, você participou aqui da nossa. Fica na linha que a nossa produção vai entrar em contato contigo, tá bom? E tem um presentinho para você, não é que eu ganhei? Eu ganhei um presente aí, me mandaram. Vê se pega lá no elevador, tá lá a caixinha que mandaram. Eu vou deixar para você, tá bom? Obrigado. E você é professora, né?
Você falou, porque eu queria o Iraídes, né, que é Iraídes e Ariadne, né?
Ela e irmã dela, os nomes.
A gente não teve, né, o negócio de pipoca do Cavalo de Troia ou da maquinazinha do IMAX. Não teve, pô. Eu queria, mas nos Estados Unidos dizem que tá caro.
Imagina quanto que seria no Brasil.
Ah, teve lá fora?
Teve lá fora. São dois potes de pipoca diferentes, uma caixa de IMAX desse tamanho e o Cavalo de Troia desse tamanho de pipoca. Eles estão dizendo que é uma fortuna, mas já tá esgotando lá e no Brasil nem chegou, porque não sei se vai ter lucro aqui no Brasil.
Ó, que agradeceu o pessoal que me mandou aí, nem abri direito.
Aí, ó, por isso que você tá elogiando, você foi, você é vendido, rapaz, você foi de graça lá assistir.
Eita, vamos ver o que que tem aqui.
Todos os Ventos Desfavoráveis.
Camiseta aqui que não cabe no Homer, graças a Deus, senão ele ia pegar aqui de mim. E os broches, ó.
O Homer é Homer mesmo? Não.
Ah tá, cara, eu nem sei, eu nem lembro mais o nome dele, tanto que eu chamo de Homer.
Como que é seu nome?
Que bom é o nome dele, ó.
É o cavalo e o capacete do Agamenon.
Que legal, olha que legal.
Eles fizeram inclusive uma brincadeira com o casting para adivinhar qual frase era de Homero e qual era do Homer Simpson. E aqui eles erraram várias negativas.
Tem um teste desse que é Jesus Cristo e Karl Marx, né, cara? Karl Marx é clássico também.
Um filme de IMAX, não é de IMAX, né, porque ele é menorzinho, mas os fotogramas aqui, que legal, muito bacana, bem legal. E, cara, o material todo, eu só vi o material, eu não vi material de trailer, né, antes do filme, mas o material impresso eu achei que foi legal, que ele foi soltando aos poucos, bem minimalista, né? Né, o material antes de lançar o filme.
Fizeram uma divulgação bem cara, tanto é que o filme ele custou 250 milhões de dólares mais 150, se eu não me engano, 125 alguma coisa milhões de divulgação. O que quer dizer que para ele tá indo bem na bilheteria, tá, mas para ele ter lucro ele precisa ter bilheteria de 600. A partir de 650 milhões de bilheteria, o que vier é lucro, tá? Porque a bilheteria você tem que dividir por 2, metade do cinema, metade da produtora. Ele fez 260 agora no final de semana de estreia, que é um absurdo, é um valor assustador.
Mas é 130 milhões, ainda falta 200 aí para cobrir. Vai, vai tranquilo. Estão estimando aí que vai passar de 1 bilhão.
E vai bater, eu pensei, em cartaz, provavelmente, porque as salas lotadas, né, o pessoal não consegue assistir, deve se estender muito aí.
Vai manter muito tempo, pessoal. O dono de cinema tá doido com isso, tendo que— ai, que trabalho ter que abrir 2 horas da madrugada o cinema para ganhar mais dinheiro. Os cara ficou feliz para caramba. Cinemas que estavam fechando aí, o cinema, Hollywood tá entendendo que o foco agora é cinema como experiência, é porque para o pessoal investir pesado e assistir inclusive numa tela de IMAX, que é uma experiência diferente. Então a tendência é que os cineastas comecem a filmar mais para IMAX.
Duna também já tá com os ingressos para 70mm esgotado, Duna 3, que vai ter esse ano. Então o foco é isso, a experiência cinematográfica. Dune IMAX também, ele não foi filmado 100%, ali fala filmado para IMAX, que é diferente, pensando na razão de aspecto. Ele foi filmado para IMAX, às vezes eles usam a câmera do IMAX para uma cena ou outra. O Nolan fazia isso, né? Então você via às vezes a mudança inclusive de formato. Quem assistiu no IMAX via que de repente cropava e mudava porque nem toda cena era filmada em IMAX, mas ele já filma pensando E é uma coisa interessante que o pessoal tá vendo, que é uma tendência que ele não segue, obviamente, é que os filmes de hoje eles são filmados para pensar no corte vertical.
Então toda fotografia centralizada, todos os personagens são extremamente— aquele filme Obsessão, que eu gostei para caramba, ele é todo pensado no corte vertical. Obsessão é da namorada, do cara que faz o desejo, quebra o negocinho, faz desejo para namorar, para menina amar ele. É todo pensado para pessoal conseguir cortar facinho e deixar vertical para colocar nas redes sociais. Para o Nolan tem trabalho, porque não é feito dessa forma.
Ele tem operado nessa lógica?
Ele aguenta? O Nolan não tá nem aí para como isso vai ser feito nas redes sociais. Se virem, problema é de vocês.
TikTok, TikTok, TikTok o quê?
Imagina o Nolan tentando.
Nossa, cara, que bizarro, que bizarro.
O Cillian Murphy também assim também, totalmente desconectado.
Sabia que você virou um meme? Meme? O que é meme?
Um para falar com o outro.
Você tem que mandar um arauto, né?
Uma mensagem, anunciar, um batedor, né? Para ver onde que é.
Mandar um combo. Ah, tem um sinal de fumaça lá na Irlanda onde tá o Kylian, acho que é para você.
O Homer, o que que o pessoal quer saber aí?
Vamos lá, tem a primeira pergunta aqui.
Deixa eu só pegar ela aqui, que quando você procura eu vou ao banheiro. A Amanda dos Santos, ela quer saber quais foram as mudanças que o Nolan fez na adaptação que destoa a história de Diego Sueli Romero.
Já falamos de muita coisa, né?
A gente falou da Circe. Eu não sei qual que foi, ela falou que destoam. Eu acho que é o tema, né, que você falou É o tema em geral, né? É porque na Odisseia do Nolan a gente não chegou nisso, né?
Tem o tema, a gente até chegou, mas a questão do colapso da civilização, do povo do mar, do povo do mar, que não é o responsável único, mas participou da queda da Era de Bronze.
Supostamente foi a tal da tempestade perfeita, né? Vários, vários fatores concorrendo, entre eles essas invasões esses povos do mar.
Que esses povos do mar, só para, porque o Nolan ele colocou isso no filme textualmente, né? Mas eu achei, teve muita gente falou assim, não é meio anacrônico assim, meio aleatório o Odisseu se referir à própria era como era a Idade do Bronze?
Mas isso já não tá em Exílio? O Exílio já não faz essa divisão?
Mas não nesse, tem a raça, né, de bronze que que tem outra coisa, né?
Outra coisa.
Mas assim, eu acho que dá para defender o Nolan, porque ele não— quando o Odisseu fala, ele não fala— ele fala assim: this age of bronze of ours, essa era de bronze nossa. Ele poderia fazer essa referência, tipo assim, essa era brilhante, radiante, rica, vai passar.
Não necessariamente a periodização histórica, Idade do Bronze, como sendo uma referência, igual como a gente falaria, essa era de ouro, porque o ouro para gente é valioso e representa algo poderoso. Para ele, o que era poderoso era o bronze, porque eram feitas armas, armadura, tudo.
Exato. Eu acho que dá para não entender Cidade do Bronze com a periodização histórica, que aí ficaria muito esquisito mesmo. Ele se referia como se alguém durante a Grande Guerra falasse: estamos na Primeira Guerra Mundial. Quando não teve outra, ninguém chamava de Primeira Guerra Mundial, né? Mas isso aparece Waxington no final do filme, até num discurso que eu achei didático demais, como é meio característico inclusive do Nolan, né, falando da, de como que o colapso da civilização não são os estrangeiros nos destruindo, são os nossos próprios valores que não estão sendo honrados, que é o caso da lei de Zeus, a oxenia, o acolhimento, e que tá provocando essa fragmentação.
Então ele, porque os povos do mar historicamente são povos que ninguém sabe muito bem quem eram. Eles são nomeados em dois documentos, principalmente egípcios, e talvez os próprios micênicos, os aqueus, os gregos fossem alguns desses povos.
Acho que falamos de fenícios aqui também, né?
Não, fenícios seriam os nomes, tem uns nomes engraçados, tipo Peleset, que talvez fossem os filisteus, Shardana, que talvez viessem da da Sardenha.
Eu confundi, eu tava pensando nos filisteus.
Ou Sekelesh, que talvez fosse da Sicília.
Mas seria os aqueus.
Exato.
E os filisteus acreditavam-se, acreditava-se que eles eram inclusive de certa forma vindo da região da Grécia.
Na Bíblia, Jeremias e Amós falam que os filisteus vêm de Cafthor, que é a ilha de Creta.
E arqueologicamente é interessante essa conexão que ele faz de nós nós mesmos somos o povo do mar, quando existe essa evidência arqueológica dos filisteus também que poderiam ser parte do povo do mar e que também eram dali daquela região.
Tem até evidência genômica ultimamente, tem alguns dados já genômicos também indicando que dos primeiros acertamentos filisteus, ligação com Grécia.
Mas então existia esse medo naquela época do povo do mar que tá chegando para destruir a civilização?
Os egípcios colocam isso textualmente, né, nos tempos de Merneptah, que é o filho de Ramsés II e Ramsés III, eles se gloriam de terem derrotado os povos, esses povos invasores que estavam assolando ali todo o Mediterrâneo Oriental, basicamente. Então tem a cidade de Ugarit, por exemplo, o reino de Ugarit, que colapsa por volta de 1200. Tem vários locais, começam a mudar sua configuração política. A Grécia micênica, por isso de Grécia continental, né, Micenas é o reino de Agamêmnon, que é o tirano que aparece no filme, né?
Era muito mais unido sob uma figura muito poderosa de um rei que ele chamava de Anax, que é um rei nesse sentido mesmo de alguém que domina muito território, tem muita autoridade. E depois do período do colapso da Idade do Bronze, você tem poderes locais, não são reis propriamente no sentido forte, né? Então tem uma mudança estrutural muito forte ali nessa essa região que ninguém sabe explicar muito bem. E entra como um fator os povos do mar.
Por muito tempo, na arqueologia, na historiografia, acreditava-se que era realmente a causa principal desse colapso algum povo que veio de alguma região, talvez por uma grande seca, algum problema na região deles, e foram destruindo tudo. Então é um debate também sobre a questão de imigrantes, de estrangeiros. Acho que isso entra muito assim, o pessoal da da woke, inclusive, fica maluco, né? Se ele quisesse explorar isso daí, porque a mensagem final do Nolan é que o problema, se alguém identifica algum colapso civilizacional no presente, e parece ser o que o Nolan identifica, tipo assim, estamos, estamos os Estados Unidos, estamos a Europa Central, estamos caminhando para um colapso, estamos vendo outras regiões do mundo assumirem a liderança e tal, não é culpa de um invasor, é culpa nossa, o que nós fizemos.
Então tem, eu acho que assim, eu não tenho, não sei o que que passa na cabeça da gente do Lula, mas eu vi um pouco disso e ele usando essa história do colapso da Idade do Bronze para fazer essa crítica ao colapso do, sei lá, do Ocidente ou da civilização, do Império Americano, qualquer coisa nesse sentido.
Eu não duvido que tenha esse aspecto até de intencionalidade dele, porque enquanto você tava falando eu fiquei pensando num um filme horrível que tentou fazer algo semelhante, falar do colapso e também utilizando, só que nesse caso Roma, que foi o Megalópolis. Megalópolis, aquela coisa horrível do Francis Ford Coppola. E ele tentou fazer uma alegoria dele, tentou trazer para América atual e tal e mostrar como que a América ia colapsar, justamente esse colapso que é interno, né, sempre de dentro para fora, que é uma coisa que também é apresentada no Apocalipto do Mel Gibson, né.
Eu gosto, maravilhoso. Maravilhoso, né? Várias coisas erradas do ponto de vista histórico, mas como é um filme maravilhoso e que mostra justamente isso: nenhum povo é destruído externamente se primeiro ele não é destruído internamente, não tá dividido internamente. E que é isso que você falou da tempestade perfeita, né? Internamente tá fragilizado, então agora quem vem já vai conseguir com mais facilidade destruir isso daí, que é algo que tá totalmente ausente no Homero.
Especificamente, talvez seja a coisa mais específica do filme, a mensagem mais específica do filme seja essa.
Agora, uma coisa que a gente pode até dizer que a gente vê no Homero é ele fazer essa diferenciação muito grande entre a época dele, enquanto ele tá narrando, e como era a era dos heróis. Ele enxerga esse abismo que, tipo, acho que mais na Ilíada, né, ele fala, a hora que o Diomedes pega uma rocha gigante, fala, ó, os homens de hoje jamais conseguiriam jogar uma pedra desse tamanho tão longe, mas naquela época, naquela época, de hoje seriam capazes de levantar.
Então ele vê esse hábito, essas coisas hoje em dia, pois é, jogador de futebol, né?
Essa nostalgia.
Mas enfim, tem esse aspecto. Agora, de destoar mesmo, eu não sei se eu vou falar aqui meio de orelhada, porque eu sou a única pessoa que ainda não viu o filme na mesa, que é uma vergonha, né?
É uma vergonha.
Mas enfim, eu tenho, enfim, não teve como, né? Mea maxima culpa. Mas eu acho que o que talvez mais destoe seja a própria personalidade do Odisseu. Vocês não acham? Isso é, em relação aos poemas homéricos, é realmente, é bem, tem elementos de contato, mas parece que tá bem diferente, tá bem diferente.
E eu acho que isso é fundamental para o filme do Nolan funcionar, porque se você tem um Odisseu fiel ao Homero, não dá para se relacionar com esse camarada, porque é um saqueador, é um adultério safado, sem vergonha, é um Tony Soprano.
E aí é um Tony Soprano.
Poderia fazer então como uma figura anti-herói, que tal? Mas ainda assim dá muito mais trabalho de fazer relacionado.
Só que ele não tem essa carga do Homero. Ele faz tudo isso na Odisseia, mas não tem essa carga. A audiência original do Homero não falava: não, o Odisseu é bonachão demais, o Odisseu tá sendo infiel com a mulher dele. A preocupação é com a fidelidade de Penélope. Nenhuma preocupação com a fidelidade.
Ninguém questiona, né, o safado ficar no passeio sem um ano.
Então se você fosse fiel, entre aspas, Se você fizesse a história linha a linha da Odisseia para o público contemporâneo, seria totalmente infiel ao Homero no fim das contas, porque você comunicaria coisas para o público totalmente diferentes do que ele comunicava. Entende o que eu quero dizer? Sim. Às vezes, para manter a coisa igual— não foi o que o Nolan fez em relação à Odisseia, mas às vezes, para você manter a essência da coisa, você tem que mudar completamente os elementos.
Permita-me então colocar palavras na sua boca, Henrique. Você está dizendo então que a Odisseia é uma obra patriarcal que retrata da perspectiva masculina e que não tá interessada no empoderamento feminino? Porque muita gente, sem a menor dúvida, porque muita gente criticou a Lupita Nyong'o porque ela falou isso numa entrevista. Ela falou que Homero não tá preocupado com a perspectiva das mulheres, não tá nem aí se o que que tava passando na cabeça de Helena, como que seria depois Helena de volta para casa do lado de Menerau sentada ali do ladinho de Menerau.
Como é que ia ser essa dinâmica? Ele não tá interessado, ele só quer: é fiel, pronto, isso que importa, tá bonitinho ali.
É, eu, eu tenho muita gente nos estudos de literatura e tal que eu acho que forçam até um pouco a barra para defender assim uma complexidade feminina no Homero. E eu sinceramente não vejo assim, pode ser eu que não vejo, mas também não é o foco.
Todas as mulheres estão no teatro.
Todas as mulheres têm que ter a fidelidade. O lugar das mulheres é privado, à exceção de uma deusa que não é exatamente uma mulher, né, mas é uma personagem feminina, que é Atena. Aí tudo bem, ela tem uma posição pública e tal. Mas em geral, as personagens femininas de Homero são tão ruins quanto as personagens femininas do Nolan. Exato, ele é bem fiel.
E foi uma coisa que eu falei lá atrás num vídeo onde eu comentei esse assunto. Falei, gente, vocês estão preocupados com a Helena? O Nolan não sabe escrever mulher. Ela nem vai aparecer direito nesse filme, fica tranquilo. Ela nem é importante na Odisseia, ela aparece rapidinho no livro, não se preocupa.
E eu não tô falando que Helena, Penélope, todas essas personagens que aparecem na Odisseia, as personagens sejam desinteressantes. Elas não são trabalhadas com profundidade no texto de Homero. Elas são trabalhadas em profundidade em gregos e turqueses antigos, em peças astroianas, por exemplo. Eurípides, Sófocles, tem sobre Ifigênia, por exemplo, a filha sacrificada de Agamêmnon, que aparece no filme, não aparece na Odisseia. Inclusive é fundamental que Ifigênia não apareça na Odisseia.
Só para contextualizar, tem uma história antiga que é que o Agamêmnon, líder dos gregos, ele precisa sacrificar a filha.
Aí isso que eu ia perguntar, é verdade, acontece, porque no filme mostra. Eu fiquei pensando Eu não li na Odisseia, não li isso na Ilíada também, acho que não tem, né? Onde que aparece isso?
Isso aparece posteriormente em peças, por exemplo, Ifigênia em Áulis, que é um texto específico sobre Ifigênia. Caralho, o Lula deve ter lido muita poesia pra fazer esse filme, cara.
Sim, cara. Você tá doido.
Porque no filme, o Agamêmnon é morto pela esposa, e isso é justificado pelo fato do Agamêmnon antes ter matado a filha dela.
A filha sacrificada por ventos favoráveis.
Isso. Caraca! Então isso aparece no filme. Isso não aparece na Odisseia porque a Clitemnestra, que é a mulher do Agamêmnon, que no original não é irmã gêmea da Helena, mas no filme é, não é assim, não gêmea idêntica necessariamente, mas são gêmeos.
Ah, tá bom.
Porque a mãe da Helena gera dois pares de gêmeos, a Clitemnestra e a Helena, e o Cástor e o Pólox.
Ah, legal! Não achei que não fosse.
E dos pares, um é filho de de Zeus, o outro é 100% humano. Então é, devem ser, por isso deve ser bivitelina, né? Não tem lugar nem para ser idêntico desse jeito.
Nasce em ovo, né? Então é bagunça, sei lá, ovo.
Exatamente, são ovos.
Mas o, mas então você tem essa justificativa de por que que ela mataria, ou pelo menos articularia com o amante ali, o Egisto, é para matar o Agamêmnon. Na Odisseia isso não aparece, e é muito importante que não apareça, porque a Clitemnestra é o espelho invertido da Penélope. Então a Penélope é a esposa fiel arquetípica e a Clitemnestra é a esposa infiel arquetípica.
Inclusive é prima delas também, é todo mundo, tá tudo em família ali. Ela é prima de primeiro grau.
E o Egisto, que é o amante da Cliteminésia, é primo do Agamêmnon. É tudo em família, né? Exatamente.
Mas eu não sei como não aparecer uns Habsburgo lá, todo mundo meio torto.
Família do barulho.
Exatamente.
Uma odisseia muito louca. Podia ser, né? Os anos 80 ia chamar Uma Odisseia Muito Louca.
Deixa eu te fazer uma pergunta. Você vai vir pergunta ali, mas deixa eu te fazer uma rapidinho.
Só esse negócio da Helena, do pessoal falar assim, da— você falar do personagem feminino Se a gente quisesse fazer uma coisa fiel assim às representações gregas, a gente teria que ter colocado um homem para interpretar Helena.
Aí sim, porque no teatro grego só os homens interpretavam as mulheres, assim como no teatro shakespeariano também, mesmo modelo, só homem. Pega um mocinho ali, pega um rapaz de 15, 14, 15 anos, esqueci minha pergunta, depois eu volto.
Desculpa.
Qual que é o autor de novela que sempre coloca uma Helena? É o Manuel lá, né?
Sempre tem uma Helena, sempre tem Helena na nave.
Fala, o Homer, você assistiu o filme, o seu safado?
Ainda não, né?
Vai assistir um dia? Um dia eu vou esperar aí para você ver.
Não tô sozinho, não tô sozinho.
O cara reclinando a cabeça toda hora.
E assisti duas partes, na ida eu assisto metade, na volta assisto a outra metade.
E tudo cortado, né, para caber no tempo de voo. Que a pergunta aqui da Jaqueline Silva Silva, ela tá perguntando: e a história do cachorro que obceou quando voltou para casa?
É verdade, tem gente que chorou, né, nessa parte.
Eu já fiquei triste no começo, que mostra ele jogando os cachorrinhos, né? Você parou, matou o cachorrinho, nem avisaram. Porque tem que avisar, né? Hoje em dia tem o site, né, Does the Dog Die? Acho que alguma coisa. Pessoal quer saber se vai ter cachorrinho morrendo. Tem cachorrinho morrendo. Nesse filme.
Se prepare, deixa eu ver se eu acho enquanto isso a passagem do poema sobre o Argus, porque acho que vale a pena até ler, porque é muito bonitinho.
Enquanto isso, mas eu achei que foi muito rápido assim. Eu cheguei a marejar os olhos assim, mas não cheguei a verter lágrimas como eu verti na cena da Atena. Mas eu achei que foi muito rápido. Tem um, ele faz um carinho ali e o cachorrinho dá uma balançadinha de de Rabin e apaga. Achei muito rápido, assim como naquele filme O Retorno. Você assistiu esse do Ralph Fiennes, né?
Ah, não, não assisti.
Que essa também é uma adaptação, é uma adaptação da segunda parte do Odisseia, que é só o retorno mesmo do Odisseia, sem Deus e sem nada sobre humano. É boa, tem bons momentos assim, mas não me pegou muito não.
Achei. Posso ler?
Claro.
E a tradução do Frederico Lourenço, que é um helenista português, cara, é fantástico, cara. Traduziu também os Evangelhos, A Bíblia em grego. É um cão que ali já— e um cão que ali jazia arrebitou as orelhas. Era Argos, o cão do infeliz Odisseu, o cão que ele próprio criara, mas nunca dele tirou proveito, pois antes disso partiu para a sagrada Ilho, né, que é Troia. Em dias passados, os mancebos tinham levado o cão à caça para perseguir cabras selvagens, veados e lebres, mas agora jazia e ninguém lhe ligava.
Pois o dono estava ausente, jazia no imenso esterco de mulas e bois que se amontoava junto às portas, até que os escravos de Odisseu o levassem como estrume para o campo. Aí jazia o cão Argos, coberto das carraças dos cães. Mas quando se apercebeu de que Odisseu estava perto, começou a abanar a cauda e baixou ambas as orelhas. Só que já não tinha força para se aproximar do dono. Então Odisseu olhou para o lado e limpou uma lágrima, escondendo-a discretamente de Eumeu.
Assim lhe disse: Eumeu, que coisa estranha que este cão esteja aqui no esterco, pois é um lindo cão. Embora não consiga perceber ao certo, você tem rapidez que condiga com o seu belo aspecto.
É muito bom.
E é um cão de caça, né? É um animal aristocrático, né? Assim como o cavalo, o cão era muito relacionado à caça, esse hábito aristocrático. E o Argus era um cão que era para ser de caça, seria um galgo inclusive, né, aqueles cachorros assim com um casco.
No filme colocaram vira latinha e tal, mas ficou muito bonitinho.
Mas eles colocam ele no esterco, né? Mas aí esse cão que tinha todo esse potencial é abandonado com a—
uma coisa que também alteraram é que ali no final Odisseu não deixa que ninguém lute além dele, no caso o filho, né? Não deixa que que o filho lute junto. Mas no livro tem uma galerinha que ajuda, né, lutando. Porque daí faz sentido para a narrativa que o Nolan tava criando, né. O Nolan queria criar essa narrativa de que agora o Odisseu precisa ir para uma terra distante para poder honrar os mortos que ele não tinha honrado. E ele quer fazer esse romance dele com a Penélope indo ao sol poente, né, uma cena muito bonita que ele faz ali no final.
E também de passar para agora Telemaco vai, vai, o filho não poderia ajudar, porque senão ele seria exilado, né?
Isso, porque como ele constrói essa questão da lei de Zeus um pouco diferente do livro, né, da hospitalidade, é o, se o Telemaco participasse, o filho do Odisseu participasse do massacre, ele estaria violando a hospitalidade e portanto deveria sofrer as consequências disso.
Então Odisseu recebe para si meio Jesus também, assim, sacrificial, sendo espetado de tudo quanto é lado. Tem uma lança que pega bem aqui do ladinho, se você for prestar atenção, ele é bem uma figura.
Ele levanta com umas flechas nas costas, várias flechas.
São Sebastião, problemas de copyright.
Exato. Mas no livro não é um problema o Odisseu matar os pretendentes porque eles abusaram da hospitalidade.
Não é um problema, ele não acha assim, ele não vê como problema, mas os pais e tal ficam p da vida.
Atena tem que apagar a memória dos caras, vem de Men in Black, tipo, apaga a memória dos caras.
É o deus ex machina mesmo, né? Atena aparece, levanta a égide, que é o escudo terrível com a face da Medusa, e o pessoal fala assim: não, beleza, tá valendo, fica assim mesmo, tem problema não, a gente volta para casa. E ficaria muito estranho isso no filme. Então tem muitas adaptações, muita coisa, o pessoal fala assim: ah, deveria ter sido igual o livro.
Tem muitas coisas que Ah, lembrei qual que era a pergunta, que é justamente sobre isso. Mas porque tem gente que quer falar, não, porque eu acho que tá relacionado com que você vai falar, porque tem muita gente que tá falando, ah, o Nolan alterou tanto, por que que chama de Odisseia? Chama de outra coisa. Faz sentido chamar de assim? São alterações tão significativas para a gente dizer que é uma outra história, que não deveria nem chamar de Odisseia?
De jeito nenhum. Se a gente fosse por essa linha, é porque eu acho que tem assim muita afetação de intelectualidade, ostentação de gosto nessa gente que nunca leu, não sabe nem o tamanho, nunca criticou a Odisseia, que não lê nem bula de remédio, né, velho?
Pelo amor de Deus. Tipo assim, não, eu, eu leio a obra no original, né, no grego, no grego, mas já é essa adaptação, já é adaptação, popular, tá?
É porque ele é mais popular, tá?
Mas eu acho que tem muito isso, tipo assim, o pessoal tomando muito o partido da Odisseia de Homero para se colar na valorização que é feita de Homero. Homero originalmente era a canção para divertir, entretenimento. Os aedos tocavam, como os próprios aedos, né, os cantores aparecem nos textos de Homero em cenas de banquete, É entretenimento. É claro que o entretenimento educa, o entretenimento passa valores, entretenimento não é só, nunca é mero entretenimento, como filme da Marvel também não é.
Sim, mas assim, o Homero era uma, o texto originalmente aconteceu numa situação de entretenimento. E autores antigos, até citou um que eu gosto muito, que é o Luciano de Samosta, né, que é um escritor autor sírio de cultura grega ali do 2º século depois de Cristo, ele é, ele faz uma crítica de Homero como ridículo. É mais ou menos uma crítica de uma intelectualidade aos filmes da Marvel hoje, assim, tipo assim, como é absurdo.
E eu não sou fã dos filmes da Marvel assim, mas eu acho também que o pessoal fica pegando no, não entende também o que que é cada tipo de expressão cultural, né, que é que tudo seja shakespeariano ou homérico, né? Mas assim, se a gente for por esse lado, mudou tanto que não é Homero mais. E a interpretação que os filósofos neopitagóricos— eu quero ver se o pessoal vai, ou neoplatônico, se vai atacar Porfírio. Porfírio faz interpretações de Homero muito mais distantes do original do que o Nolan faz.
Será que o pessoal vai falar que o Porfírio não estava lendo a Odisseia, estava lendo outra coisa?
Queria falar é o seguinte, é o registro, ele meio que mata o processo de transformação. Porque quando a gente pensa na Odisseia, na Ilíada, isso daí já era cantado há muito tempo. E muitos estudiosos cogitam assim: existe uma história original verdadeira, por telefone sem fio isso foi ganhando aspectos absurdos e fantásticos que foram transformando essa história. Talvez ela fosse muito mais simples, muito mais pequena. Isso. E daí, quando Homero vai registrar, é essa história.
Mas se Homero não tivesse registrado e essa história continuasse sendo transmitida oralmente como estava sendo, a gente estaria contando uma outra história completamente diferente. A história que Homero registra provavelmente é uma história bem diferente da que era contada 200 anos antes.
Ela é uma fotografia de uma fase do desenvolvimento da tradição.
E daí eu acho que o que a gente pode fazer hoje, né, dessas interpretações é colocar uma nova fase. Porque com certeza, quando Homero vai registrar essa história, ela reflete os elementos culturais da sua época, ela reflete a ética e a moral da sua época. Com certeza isso evoluiu para uma forma de ver o mundo da época de Homero. Eu não imagino que tivesse algum chato na época de Homero: Homero, mas essa sua versão, o original de 200 anos que o tal canta ali naquele boteco ali, que ele fica contando é diferente.
Não ia ter esse chato, mas hoje em dia tem o chato que nem leu e fica: é, mas a Mero não é, meu amigo, o negócio transformou. É muito conto de fada que refletia, eram contos violentos para botar nas crianças, completamente diferente.
Chapéuzinho Vermelho e a Trucidada, é, virando bolha de sabão.
Esses contos vão sendo passados de geração em geração, vão ficando mais suaves, vão refletir outros tempos.
E mesmo com a estabilização relação textual.
Minha mãe me espancou de apanhar e eu nunca encostei no meu filho.
Exato, a história vai se vendo.
Olha a Híbridos mais uma vez aí, foi que é o nome dela.
Ela vai ligar daqui a pouco: é mentira!
Uma flechada no olho.
Quem apanha não esquece, quem bate esquece. Aquela baiana voadora que fazia curva no corredor, eu lembro.
Virou até uma série de animação de tão traumático que foi.
Minha mãe só fala assim: Em casa a gente conversa. Você já sabia que chegar em casa, colocar 3 moletons em cima do outro, porque ia apanhar, cara.
Essa técnica de 3 moletons eu não conhecia.
Você não fazia isso?
Nossa, que burrice!
Passa aqui. Não, mãe, passa. Você ia passar e ela ia tentando te acertar enquanto você corria, cara.
Mas mesmo com essa estabilização do texto texto de Homero, Homero escreve, o pessoal mantém essa versão. Você lendo aquele texto, a interpretação é diferente. Você pode manter exatamente letra a letra, que as pessoas leram ao longo da história Odisseias diferentes, muito diferentes. E a gente não precisa ficar na subjetividade, na imaginação para isso. A gente pega comentários à Odisseia posteriores, que a gente tem isso registrado historicamente, e você vê uma interpretação que cada autor fez.
São Odisseias diferentes no sentido, sim, se foi esse o sentido, a do Nolan é outra Odisseia? Sim, como todas as Odisseias. A própria Odisseia foi muitas Odisseias, como a Odisseia de Homero é várias Odisseias. Agora, falar assim que não mudou tanto que não pode mais ser chamado de Odisseia, eu acho muito exagerado.
Homer, tem pergunta boa? Se não tiver, não faz.
Olha, vamos ver se são boas. Olha, olha, a Tatiana Sales, ela mandou: a Odisseia de Romero, não a do Nolan, está mais próxima dos Lusíadas de Camões ou da poesia popular dos repentistas do Nordeste?
Assim, é difícil, mas eu acho que tá um pouco mais próximo dos repentistas, mas também já é uma coisa que é bastante artificial também. Uma coisa legal e que é difícil a gente perceber sem olhar original, e mesmo quem olha tem que ser muito especialista, mas ele é uma colagem de diferentes dialetos gregos, é uma linguagem que tem formas muito especializadas de palavras que não são as palavras muitas vezes do dia a dia, e tem o lance das fórmulas, que isso é muito louco.
Então, como é muito comprido para o cara conseguir lembrar aquilo ao longo do tempo, ele tinha frasezinhas feitas que tinha exatamente o tamanho para aquele espaço que tal do verso. Então eles só iam montando o Lego. Então é Aquiles de Pés Ligeiros, né, e ia montando.
Então são vários epítetos diferentes, né, esses títulos, né, que algum, cada um num metro diferente, que é o que você encaixa ali no momento, né. São estruturas, é como se fosse uma estrutura pré-montada que funciona por improviso, né.
Isso, isso. E aí tem, lógico que não é o texto inteiro assim, tem coisas que são muito mais livres, mas tem essa coisinha que vai mantendo aquele ritmo. Porque a gente tem que pensar que é ritmo diverso mesmo, com um tamanho para funcionar, para você falar oralmente. Tem esse aspecto oral que é muito forte.
Mas então era uma linguagem popular que o povão ia entender, ou era uma coisa mais—
no geral o povão ia entender, embora não fosse a linguagem do dia a dia, mas é uma coisa que tá tão ligada à transmissão e fazia tanto sentido para a língua que as pessoas ouviam que acabava funcionando mesmo para o povão. Nesse ponto, de novo, se aproxima um pouco do Shakespeare, que era teatro popular originalmente também, embora também tem uma linguagem muito elevada. É uma misturona das duas coisas, eu acho, no fundo.
E no caso de Homero, todo mundo conhecendo a história fica mais, muito mais fácil de acompanhar.
É uma coisa que eu não sei, ninguém se preocupava com spoiler porque a história todo mundo conhecia, ou pelo menos alguma da história.
Isso era entoado, cantado, declamado? Em quais situações? Quais eram os ambientes onde isso acontecia? Era teatro mesmo, ou era como aparece no filme, por exemplo, no palácio, o cara lá fazendo, batendo cajadinho e falando, declamando?
Podia ser palácio, podia ser festival religioso muitas vezes. Teatro, teatro, aí são outros textos, é outra coisa. Mas tem, acho, pera aí, acho que já fizeram estimativa de quanto tempo, por exemplo, acho que para Ilíada, não sei se para Odisseia, mas aí vai ser um pouquinho mais curto, que ali acho que é 15 mil versos, Odisseia 12 mil versos. Mas se você é Ilíada, você precisaria de 3 dias de apresentação para você falar tudo.
Então tipo num festival, o áudio do que dá Odisseia são 8 horas, numa kermesse inteiro, 8 horas.
Eu vi uma estimativa de 12.
Ou até mais.
Eu vi um estimativo, que é mais enxuto, seriam 3 ou 4 dias.
A Odisseia seriam 3 ou 4 dias de performance, cerca de 8 horas cada dia. Isso porque é outra também, outro ritmo, né? Não é uma leitura como se lê em prosa, tal.
Teria que ser cantado ou no mínimo entoado, né? Quase um certo canto chão, canto gregoriano. Senão o cantado mesmo.
No caso da Eneida, a gente conhece algumas melodias até que se enquadram no metro da Eneida, que o pessoal usava para cantar a Eneida, né, de Virgílio. No caso da Ilíada, Odisseia, eu acho que a gente não tem tipo notação musical nesse sentido.
Tem notação musical grega, mas não para Ilíada e Odisseia.
Tem o Epítafe de Ceiclos, né, mas isso é muito legal.
Essa é bem depois, já é helenística, né, já é bem depois.
Tem aqui a pergunta do Fábio Oliveira. O Fábio Oliveira, cara, Fábio Oliveira, ele quer saber qual as chances de ter uma sequência história da Telegonia. Eu acho que é baixa, baixa. A Telegonia é uma, porque a Telegonia, a história de Telégono, Telégono, Telégono, Telégono, que é filho de Odisseu com Circe, e isso não faz, nem tem nenhum sentido na Odisseia do Nolan.
Não, mas eu nem sabia. Aconteceu mesmo? Gerou um filho?
Uma das mil versões, sim.
Ah, caramba!
Numa das versões, ele tem vários filhos com a Circe. Não sei como, né? Sei lá, mas bipartição, cissiparidade.
Mas tem um mito fundacional de Roma que os romanos contavam, além desse de que Eneias teria fundado Roma, além do Rômulo e Remo também, que é outro mito fundacional de Roma, tem uma história de que foi um descendente de Odisseu, filho de Circe, filho de Odisseu e Circe, né, que fundou Roma também. Então, e tem vários spin-offs, porque a própria ideia já é meio esdraga.
Lisboa seria Olícipo, cidade de Ulisses, né, cidade de Ulisses.
Caramba, sempre as cidades buscavam essa legitimidade, pedigree, né, pegar um pedigree.
Exatamente.
Os espartanos eram da linhagem de O que o Nolan vai fazer depois disso?
Pois é, né? Ele tá escalando, né?
Porque assim, para mim, uma coisa totalmente minimalista, ele foi crescendo cada vez mais. E para mim, pô, ele chegou no ápice. Que tipo de história que ele vai contar depois?
Porque essa história não vai contar a história de Cristo, por exemplo, porque o Mel Gibson vai fazer.
Mas eu acho que seria muito legal ele pegar alguma história bíblica. Imagina ele fazendo a travessia do Mar Vermelho com efeito prático.
É que esse do tão pouco batido Bíblico, mas outras histórias bíblicas, tem muitas histórias bíblicas que eu queria fazer, mas seria muito legal.
Mas a Odisseia tava meio batida também, você pega as adaptações mais antigas e o Nolan inovou bastante. Talvez ele conseguisse. E como é que Nolan faria Deus, né?
Então, cara, eu fico pensando justamente porque parece que o jogo dele era sempre escalar para um nível maior, e eu não consigo enxergar um nível maior do que isso de escala, de produção, de mega produção. Então ou ele vai fazer uma coisa menor, voltar para o minimalismo, ou ele vai apostar qual que seria a maior história além dessa. Pô, vamos para épicos mais antigos ou vamos para Bíblia? E seria muito legal ele fazer alguma coisa, representar o Apocalipse, Apocalipse só com efeitos práticos, Noé, a besta, vai contratar 300 mil gafanhotos, ele vai atrás do anticristo, gente.
Gente, eu quero o anticristo mesmo, não me venha.
Não, não quero o anticristo, não me venham atores aqui, dragões de verdade feitos com engenharia genética.
Manda aí, Romer.
Aqui foi, senhores.
Pontas soltas, alguma coisa para finalizar?
Certo, só assista.
Só assista. E assim, eu sei que exige mais, exatamente, exige mais paciência, mas vale a pena encarar, encarar.
Vale a pena, cara. Ainda é única Não tem como você replicar em casa, né? É uma coisa, você tá com uma galera no escuro tendo uma mesma sensação. É meio, é meio, parece uma coisa meio onírica. Quando você sai do cinema, você sai meio desnorteado, parecendo, não sabe se sonhou.
É uma catálise, é uma catálise, cara.
Qual a diferença de catálise para catarsis?
Catálise é literalmente você é descida, então é descida. Aí catarsis é purificação, né? Originalmente purificação.
Mas é uma experiência única. Não substitui a leitura da obra, porque você vai pegar uma outra história, um outro tema, outros elementos que não estão presentes. Mas o filme é assim, tá no nível absurdo. Não é à toa que tá salas lotadas. Se você conseguir achar uma vaguinha numa sala de IMAX— nosso querido Henrique não viu no IMAX, vai tentar achar aqui.
Se alguém quiser doar um ingresso de IMAX, se a Universal Pictures quiser me levar para para Fort Lauderdale assistir a Odisseia, eu agradeço. Muito específico, Fort Lauderdale, é um lugar que eu sei que tem IMAX nos Estados Unidos.
Ah, sim, que tem IMAX 70mm. Mas é uma experiência maravilhosa. E assim, tem as suas diferenças para obra de Homero, mas como a gente falou aqui, é uma, é uma versão que faz jus à obra de Nolan. Quem curte Nolan vai gostar dessa história. Quem curte cinema, quem curte cinema vai gostar muito. É um filme muito bom, muito bem feito.
E faltou falar assim de questões de relação com outros filmes do Nolan, né? Elementos, aqueles objetinhos, a Atenazinha e a Sortezinha também do Sinão. Lembra muito o peãozinho do Inception. A questão da reconstrução de memória e da possibilidade de um escapismo de um casal, que é a história do Inception também, né? Da mulher vivendo num sonho, acreditando que é a realidade e se perdem nesse sonho. É a situação do Odisseu com a Circe nessa versão.
Verdade, muitas autorreferências, né, que a gente não sabe até que ponto foi Inception que influenciou agora a Odisseia, ou se a Odisseia que já tinha influenciado Inception e agora isso só replica na nova Odisseia, que é o jogo do Nolan. Mas tem muitas referências ali autorreferências da obra dele, né?
O Homer, eu queria agora a tua avaliação sem ter assistido o filme, só com os comentários. O que que você achou do filme?
Porque tem muita gente fazendo isso também, né, cara? Excelente, maravilhoso.
Não, não, não, aí você tá plagiando a mãe do Vilela.
Exatamente, eu que sou professor, não, eu que piloto helicóptero, é uma análise como se você tivesse assistindo e como crítico de cinema de YouTube.
Vamos lá, bom, eu Acho que ele poderia ser um pouquinho mais fiel à história.
Já foi para o lado oposto.
Ele gravou de novo, não gostei. Aquele que eu fui, não vi, não gostei.
Maravilhoso. Não, não gostei.
O que seja, era para desagradar.
Opinião dele para desagradar gregos e troianos, né?
Queridos, obrigado demais por esse papo. Fiquei muito feliz de reunir os três. E agora, serviços aí, onde o pessoal acha vocês?
Jurandir Gouveia, o nome do canal. Jurandir Jorandir Gouveia, procura lá para ver minhas críticas, críticas elogiosas ou destrutivas, dependendo da obra, mas sempre tentando enxergar as camadas a mais que essas obras nos ensinam e o storytelling por trás dessas histórias. Jorandir Gouveia no YouTube, Jorandir Gouveia no Instagram.
Em breve aqui um programa semanal, né, de literatura e cinema, e cinema, diálogo entre teatro e cinema.
Muito bom. Em geral é @renaldozelopes, em todas as redes aí e tal. E vamos voltar para falar de Tolkien, chamando, me for para o gol, me chama que eu vou, como dizia antigamente aquele narrador. E quem quiser ouvir também sobre Tolkien, tem o Passo pela Terra-média. Em breve o TocaCast sobre literatura também. Legal, é isso aí.
Estranha História, meu caso, YouTube principalmente, tem uma coisinha no Instagram também, tem Spotify, estamos fazendo adaptação de alguns episódios do YouTube YouTube, para o Spotify. Então em qualquer rede é Estranha História. Para história antiga, para vídeo sobre a Odisseia, lá tem um resumo da Odisseia em 35 minutos, eu acho, a história de ponta a ponta. Tem uma história da recepção da Odisseia, conexão inclusive de interpretação da Odisseia relacionada a métodos de interpretação da Bíblia antigos, uma outra forma de pensar sobre esse texto como um texto sagrado e Homero como um teólogo, como foi de fato chamado por antigos.
E tem um vídeo também das minhas impressões também sobre outras. Vocês já ouviram muito aqui, mas talvez tenha algum outro ponto adicional lá no canal Estranha História.
E você, Homer, onde o pessoal te acha?
McDonald's da Zona Oeste, vai achar no Madeiro.
E vocês me encontram, me encontrem lá no Instagram, @vilela. Vou fazer mais conteúdos lá e eu tô perto de 1 milhão, né? Então me ajudem seguindo lá. Vocês puderem também me indicar, porque eu faço pouca coisa no Instagram, preciso fazer mais coisa. Eu acabo assim, sair da Odisseia e falar, pô, vou fazer um videozinho, me dá uma preguiça de fazer, cara.
Eu sou assim com Instagram também, cara, preciso fazer mais coisa.
E tem algumas experiências que quando você fala você diminui aquilo. Então é melhor não falar.
E todo mundo, o que você achou? O que você achou? Aí você tem que fazer alguma coisa e fala o básico lá, mas tem que falar.
Ou então você fala demais também também, quando você vai assistir, já tá pensando em que que eu vou falar. E aí já começa a pensar como produtor de conteúdo aí.
Pois é, eu fui por isso. Se eu fosse ter que fazer material sobre o filme, eu ia assistir de outra maneira, ia estar racionalizando muito mais a parada. Como eu vou agora, era segunda vez depois desses papos que eu tô fazendo sobre a Odisseia, vou assistir outro filme, né?
Eu preciso ver também por isso assim. Fui com expectativa de produtor de conteúdo e quero assistir o filme de outra forma.
É a mesma praga isso, né, cara?
Inclusive, quem ainda tiver no episódio, né, nesses 45 segundos, tempo, vai lá, @universalpictures, leve o Estranho História para Fort Lauderdale. Ele não consegue assistir em Belo Horizonte.
Ou coloca um IMAX 70mm em Belo Horizonte, que vocês acharem mais fácil.
Uma das duas alternativas aí.
Fazer airdrop de IMAX.
Obrigado demais. Então dê like, compartilhe o canal. Agradecer aos nossos patrocinadores, né, Rômer? É isso aí, temos G4 e também a Contabilizei patrocinando o episódio de hoje com links e QR codes na tela durante o episódio. E agora é hora de você brilhar, o nosso Homer, que vem de Homero, né? O Homer, você tá sabendo, né?
Sim, sim, sim.
Que que você tem que falar para o pessoal para escreverem nos comentários para provar que chegou até o final desse papo?
Olha, para provar que você chegou ao final desse papo maravilhoso, coloca aí Wokseia.
Céia, com 2 S de preferência, mas se quiser colocar com C também, pode ser.
Com W, você falou woke com H.
Eu falei com H de homem. Eu pensei em roxeira, aí eu falei é woke com W. Então fiquem com Deus ou com Zeus, beijo no cotovelo e tchau. E que bom que vocês vieram, valeu, valeu!
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