Episódios de Inteligência Ltda.

1780 - LÉO LINS

06 de março de 20262h47min
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LÉO LINS é comediante. Ele vai bater um papo sobre a liberdade de expressão e sua absolvição do processo criminal que poderia tê-lo colocado na cadeia por mais de 8 anos. O Vilela não tem medo de processo, pois só faz piadas do tiozão do pavê.

Assuntos15
  • Liberdade de Expressãopiada como transgressão simbólica · direito do palco versus rua · contexto ambiental importa · Estado intervindo em arte · diferença entre empresa privada reclamar e Estado punir
  • Humor Negroconstrução técnica de piadas · quebra de expectativa · contexto importa mais que conteúdo · evolução do humor ao longo da carreira · diferença entre piada e opinião
  • Absolvição e processo criminalcondenação em primeira instância (8 anos) · recurso ao TRF · vitória 2x1 em segunda instância · Impactos Psicológicos e Sociais · Humor e Censura
  • Contexto ambiental determina limites do humorpiaza de shopping vs festival vs TV aberta · público infantil presente · restrições por ambiente · respeito a edital de contratação · diferença entre censurar e recusar
  • Cancelamento Culturaldivisão entre comediantes · apoio acima do esperado · amigos que criticaram · diferença entre boicote e prisão · impacto na carreira
  • Persona cômica versus personagempersona é parte sua amplificada · unidade visual e discursiva · construção artística no palco · diferença entre ser no palco vs fora · importância para comediantes
  • Humor e Mudança Socialpiada reflete vs desenha sociedade · humor como termômetro · exemplos da União Soviética · leftivismo (ativismo do riso) · poder político do riso
  • Acidente de queimadura com cuspir fogoTreino de Pirofagia · acidente durante apresentação · Acidente de queimadura com cuspir fogo · Descanso e Recuperação · Impactos Psicológicos e Sociais
  • Punch up vs punch down no humormito de bater para cima · múltiplos critérios de poder · hipocrisia na aplicação · exemplos contraditórios · como decidir o que é válido
  • Humor e Comédiagiro temporal superior (codificação) · córtex pré-frontal medial (julgamento) · resposta emocional vs racionalização · circuito dopaminérgico · gelotofobia (estudo do riso)
  • História da comédia ocidentalcomédia grega (486 a.C.) · Festival das Dionísicas · bobo da corte medieval · Lenny Bruce nos EUA · origem do termo humorista (século XVIII-XIX)
  • Experiência em televisão (SBT)11 anos como apresentador · liberdade editorial · demissão após piada resgatada · Mini Léo Lins (quadro viral) · comparação com Band
  • Stand-up Comedysetup e punch · regra de três · inversão de expectativa · construção de piada · timing e inflexão
  • Politica e Humorpêndulo entre extremos · esquerda com politicamente correto · direita conservadora · movimento natural de contra-reação · humor menos bom em situações extremas
  • Carreira multidisciplinar antes do stand-upmágica · capoeira · acrobacia · malabarismo · pirofagia (cuspir fogo) · ator e roteirista em TV
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Terráqueos, como é que vocês estão? Eu sou o Rogério Galera e está começando mais um Inteligência Limitada. O programa onde a limitação da inteligência acontece somente por parte do apresentador que vos fala. Sempre trago pessoas mais inteligentes, mais interessantes e com a vida muito mais complicada do que a minha e do que a sua. Tão complicada que ele hoje falou que não pode vir. É verdade. Porque tem um oficial de justiça na frente da casa dele e ele ficou impedido de vir aqui.

Exatamente. Então a gente vai fazer remotamente, talvez, com ele dentro da cadeia. Ele ficou com medo das câmeras de segurança reconhecerem. Que nada.

Olha só. E aí, tudo bom, pessoal? E aí, meu velho? Ficou preso, foi no trânsito só. Cara, levou duas horas. Peço desculpas aí o atraso, mas antes ficar preso no trânsito que na cadeia. Exatamente. De certa forma, foi um alívio pra mim. Tá de boa, tá de boa. Mas você ainda deve ter levado uma multa de marronzinho ainda. Não duvido, não duvido. Ô, Lene, como vai ser? Hoje queremos a participação muito agitada da galera aí, mandando perguntas, piadas e tudo mais. Precisamos da sua ajuda com perguntas. Então, ó, já manda.

pra cá. O cara que manda a melhor piada de humor negro ganha. Não pode ser começando com. Por que que não existe flor preta? Exatamente. O Lênin estava aqui naquele dia. O cara estava aqui e olhou, contou olhando pra ele. Face to face. Esse episódio é um negócio antológico. A presença do palhaço amendoim pra mim foi... Ele ficou chocado. Ele ficou chocado. Deixaram o palhaço amendoim chocado.

A Pony Cat rindo e depois ela se ligou. Só ela tava rindo e parou. O amendoim quase chorou aquele dia. E eu falando, tem que cortar, tem que cortar. É uma cena The Office, né? Eu olhando pra câmera. Isso, é The Office, total. Aquele silêncio, eu olhando pra câmera. E ele, o pessoal lá gostou, lá do bar onde eu contei, gostou. E eu, é, tem que cortar, tem que cortar. O mais legal foi ele pedir desculpa pra mim, cara. Ele virou pra mim assim...

No ar ou depois ele pediu desculpa? No ar, no ar. Ele falou, desculpa aí, cara. Não é nada com você.

do que tinha acontecido. Não, não, não. Cara, mas tu pega o maluco, ele passou a vida toda treinando um time de futebol no interior. Mas sabe que veio errado, né? Quando me ofereceram, achei que era o narrador que falava, bora Bill. Eu não sabia que era o cara. O narrador que é engraçado. Exato. Fala Bill, bora Bill, filho do Bill, não sei o quê. Mas olha, eu acho que esse aí corria risco igual, viu? Também. Tanto que agora eu não faço mais ao vivo esse.

Quando o cara não é da internet, eu não faço. Não dá, cara. Não dá. Tu vai pegar um maluco que tá vivendo na década de

e botar um microfone. Meu pai, cara. Meu pai, quando eu vou gravar, eu morro de medo. Meu pai tem 80 anos. É isso, cara. Ele não tem noção das coisas que ele fala. Não dá, não dá, velho. Tem cidade que você vai e você fala, é, aqui ainda tá em 1970. Vamos falar dessas coisas também. Vamos, vamos. Ô, Lenis, então já pede pro pessoal mandando as coisas. É isso aí. Já deixa seu like, já se inscreve no canal, aproveita e já se torna membro também.

E aí, já pega o link dessa live e compartilha aí com alguém que você goste ou alguém que você desgoste. Exato. Manda pros inimigos também. Exato. Manda pra todo mundo.

Aproveita pra mandar pros inimigos, pra sogra, pra todo mundo. Tô feliz demais porque o Léo é meu amigo pessoal e a gente se vê pouco. Acaba se vendo ou no podcast, ou antes quando tinha festival e tudo mais. E agora estamos aqui. Vamos conversar, tirar esse atraso aí, certo? Exato. Quero ver umas piadas suas também. É, eu quero tirar o atraso também com o pessoal aí de casa. Todo mundo quer um trabalho tranquilo, um bom salário e mais qualidade de vida, não é mesmo?

Mas poucos sabem que tudo isso pode estar a um concurso de distância. Olha só, Lene. Nos próximos meses, mais de 100 mil vagas

Olha só, tem muito concurso bom e com salário inicial de mais de R$ 25 mil. O Lênero ganha isso em dois dias, cara. Rapaz... Fecha os ouvidos e tapa os ouvidos. A questão é, você vai continuar esperando ou vai agir agora? Ser aprovado em concurso público, ao contrário do que muita gente pensa, não é sorte, é estratégia. Por isso, o Estratégia Concurso é escolhido por 70% dos aposentados.

E está com até 42% de desconto nos cursos para concursos. Descontos muito especiais durante a Semana do Consumidor, só aqui no Inteligência. Então estude com quem mais aprova no Brasil, não é, Lênis? Exatamente. Olha só, eles têm uma metodologia que foca exatamente no que cai nas provas e encurta seu caminho até a estabilidade financeira. Acesse o QR Code que está na tela ou o link na descrição. É isso aí. Ô, Lênis. Diga. Você vai ficar com a gente, você está há tanto tempo aqui comigo.

do navio já, né? Já tô ali, tipo, quando você vai embora, eu já encosto na parede e fico grudado assim. Você fica aqui, né? Tipo patrimônio, sabe? Aquela etiquetinha de patrimônio já. Quero falar também de G4 Educação. Galera, eu vou dar um recado pra quem carrega o piano nesse país, que é o empresário. Eu sou empresário e vou falar pra vocês, ó, muita gente acha que ser dono de empresa é só glamour, mas a gente sabe que na vida real o cara tá muitas vezes sozinho, tomando decisão no escuro e arriscando tudo que tem. É um isolamento que

Ninguém conta. E o G4 está com a gente porque eles entenderam exatamente essa dor. Eles deixaram de ser apenas uma escola de negócios para se tornarem a plataforma completa de quem lidera no Brasil. O G4 agora é a bússola que te dá o norte quando o mercado parece um caos. Eles criaram um ecossistema, olha que legal, que une um método e conhecimento aplicado para dar direção, voz e poder aos empresários que fazem o Brasil avançar. Mas, ó, o papo lá é reto. O G4 é para quem quer mais.

Você tá satisfeito com o mais ou menos? Nem clica, já vou te falando. Mas se você busca dominância e quer direção real pra crescer, os caras são a autoridade máxima. Chega de tentar inventar a roda sozinho. Escaneie o QR Code que tá agora na tela ou clica no link na descrição. Conheça o novo G4 e alinhe sua rota com quem entende de execução no mundo real. G4 pra quem quer mais. Vamos pra cima! É isso aí. É isso? É isso aí. Valeu, Leni. Total. Vamos pro papo agora? Bora pro papo.

Léo Lins, vai que tem alguém que não te conhece, dá um oi pro pessoal e se apresenta. Como você se apresenta pro pessoal que não te conhece? Ah, cara... Você se define como comediante? Comediante, eu sou comediante, né? Comediante, cara. É que normalmente a minha apresentação, quando é no tribunal, já vem feita, né? Alguém lê pra você. A minha apresentação é... Você confirma que seu nome é Leonardo Lima Borges Lins? Sim, essa é a minha apresentação, cara. E, aliás, acabei de ser absolvido agora de cadeia.

só entrar na polícia? Vocês estão aproveitando? Teve algum gancho aí? Os caras pegaram um gancho aí. Eu peguei, eu peguei essa mensagem subliminar aí. Comediante, né, cara? Mas relembrando aí, você já foi roteirista, trabalhou em TV. Já, já trabalhei como ator, trabalhei como escritor, mágico, cuspidor de fogo, malabarista. Você cuspia fogo? Foi, cara. Eu tive uma CD que eu peguei fogo uma época também. É sério, velho.

eu não sabia, né? Onde foi isso? Cara, isso aí foi na faculdade, maluco, na educação física, salvei pra galera da... Tem que fazer graça? O FPR lá, é, a gente tinha um time que era de zoeira, tinha um time que era sério, mas meu negócio era zoeira, de futebol, campeonato de futebol lá. Salão? Isso, isso. Aí, depois eu falei, porra, os caras tão querendo ganhar, meu negócio é a zoeira, porra. E aí, a gente fez um time que o negócio era só pra tocar o horror mesmo, e a gente levava fumaça, fazia umas entradas, eu montava a entrada do tia,

Estratégia do jogo não tinha, mas a gente montava a entrada do jogo. Aquelas coisas de pirotecnia. Isso, isso. Entrava de moto. Aí depois perdia de 5 a 0. Entrava de moto? Entrava de moto. Não, o nosso time, realmente, esse time aí a gente perdeu todos os jogos, mas empatamos a despedida. Então, porra, terminou com a glória. Num desses dias foi fazer pirotecnia. Cara, eu já tinha feito várias vezes. Eu cuspia fogo durante o jogo.

Ficava, acendia as tochas lá, puf, cuspia fogo. Já tinha virado um marco disso daí.

E aí, nesse dia que deu o acidente, eu lembro que nesse dia eu nem queria cuspir fogo. Acho que não foi nenhum pressentimento, mas é porque você fica com... Eu estava usando gasolina, que nem é o ideal também. Nem vou falar o que é o ideal, porque... É, galera vai... Se você for fazer, eu uso querosene. Não use gasolina. E aí, cara, quando você vai aprender, você toma todos os cuidados. Essa é a verdade. Por que eu entrei nessa?

Artística fazendo mágica. Aí fazia capoeira, então sabia acrobacia por causa da capoeira. Entrei na escola de circo, aí aprendi malabarismo, fiz um pouco de perna de pau, fiz tecido, fiz não sei o quê. Perna de pau? É, andei, andei. Cara, ainda ando, ainda ando de perna de pau. Não é uma coisa que eu domino pra caramba. Não é tão fácil, não. Não é tão fácil, não. Monociclo, então, foi um que... Não, monociclo para. Cara, esse aí acho que talvez foi o mais difícil que eu tentei, mas deve...

Eu ando com monociclo elétrico. Ah, não. É difícil, mas não é aquele que você tem que pedalar.

Aquele é difícil pra caramba, velho. É muito... Difícil pra caramba. Eu até tenho um, mas nunca mais treinei em monociclo. E aí eu falei, pô, quero aprender mais coisas de circo. Universitário, quebrado, cuspir fogo não custa nada. Exato, né? Uma garrafa de álcool, uma caixa de fósforo. Que é um período pra quem tá cagado. Pô, isso aí, com dois reais você inicia nessa profissão. Você viu a lista, o que é mais fácil? Isso daqui é um pouquinho de gasolina, sei lá o que, e fósforo. É, trapézio. Como é que eu vou montar um trapézio?

cuspir fogo é barato. Aí a primeira vez foi isso. Comprei uma caixa de fósforo, comprei uma garrafa de álcool, fui no banheiro da kitnet que eu morava, falei, se der problema, eu abro o chuveiro. É. Porra. Ah, tá. É, fogo, água. Eu falei, vou no oposto aqui, né? Aí risquei o fósforo, botei numa tampinha, velho, lembro até hoje. Que era, falei, pô, não vou beber 15ml de álcool. Botei numa tampinha, segurei ali. Álcool Zulu mesmo assim?

Foi, foi, foi. Aí fez aqui, pum, deu um... Falei, pô, uma grama da hora pra caralho, velho.

muito foda, velho. Olha só as ideias, velho. Eu achei impressionante. Cara, coisa de... Claro que é da merda. É pronto o corte cômico de você ver. Não, vou tomar cuidado. Vou botar na tampinha. Fósforo. Deixa eu ver. Corta pra você. Corta pra uma semana depois eu tô com a tocha na janela de casa. Pum! Cuspindo fogo, parecendo a caverna do dragão. Saindo fogo da janela de casa. Retardado. Quando juntava os mosquitos na luz... Os bombeiros passando e falando, não, velho. Quando juntava os mosquitos na luz... Vai dar trabalho pra gente, cara.

A gente tá de boa aqui. Vai dar beoma, velho. Aí eu comecei, um dia tava aqueles bandos de mosquitos, verão. Ah, não. Eu fiquei olhando e falei, porra, velho. Pra que raquete elétrica? É, eu falei, vou tentar de um jeito diferente. Porra. Perdi a noção. Os mosquitos avisando. Perdi a noção. Não vai naquela casa. O cara é louco, velho. Ele mata no fogo. O retardado cospe o fogo na gente. Yoga Flame. Depois falando, o videogame não influencia. Pode crer. Olha aí. E aí,

Obviamente, depois de um tempo, não foi nem depois de um tempo. Confiança. Isso. Essa é a merda. Aquela frase, só morre afogado quem sabe nadar. E aí, realmente, eu parei de tomar todos os cuidados cada vez mais, porque falei, agora já sei. Já sabe. Já sei. Sou tocha humana. Exatamente. E aí, no dia do acidente, eu nem queria fazer por causa do gosto da gasolina, que ele demora um pouco a sair. Porque, como eu às vezes cuspia fogo lá dentro da quadra, eu não ia ficar, botava gasolina,

cuspir uma vez, duas, três, e aí ficava um pouco, eu não ia ficar cuspindo na quadra, porque, sei lá, dá um acidente, ninguém vai estar fumando ali dentro, mas enfim, para evitar problemas, para evitar acidentes. Então eu acabava engolindo um pouco de gasolina. Que deve fazer um bem também, né? É, já não é o ideal também. E acabava demorando a passar o gosto. Pô, se você tomar um shotzinho de gasolina... Os caras morreram de metanol, ele fala...

Fracos. Porra, um shotzinho de gasolina. Cara, ficava assim. Eu cuspia fogo de manhã. Ficava até o dia seguinte, velho. Ficava até o dia seguinte. Então... E aí, às vezes, ficava isso aí. Levava uns dois dias, às vezes, pra passar. E aí, eu ia fazer de novo. E aí, mais dois dias. Então, eu falava... Pô, pra quê, né? Passando a semana com um gol de gasolina na boca. Aí, nesse dia, eu falei... Não, eu não vou fazer, não, velho. Hoje, eu não vou fazer, não.

Não namorava nessa época, né? Oi? Não namorava nessa época. Não, não. Dá uns beijos à mina.

bebe um álcool aí, pelo amor de Deus. Chega com cachaça, mas não chega com um bom de gasolina, né? Ela só não podia ser fumante, né? Pum. Nossa, que beijo. Uma vem com a braça, outra com a gasolina. Beijo explosivo, né? É. E aí eu falei, não, não vou fazer, não vou fazer. Mas porra, mano. Aí o nego me via, e aí vai ter fogo, e aí vai ter fogo. Galera já botando. Falei, não, hoje não. Aí eu chegava na cantina, e aí vai ter fogo.

Mas não, hoje não. Passava no corredor, e aí vai ter fogo. Ah, vai, velho. Tá bom, vai. Hoje vai. Aí eu falei,

Vamos fazer o seguinte, então. A sorte é que muita gente ali não viu o acidente, acidente. Porque a gente tinha a quadra e aí tinha o vestiário. Mas tinha uma plateia assistindo. Tinha, tinha. Tinha uma galera, tinha uma galera. A gente tinha, tipo, a quadra. Arquibancada. Arquibancada. E aí tinha um vestiário aqui. Onde eu ia estar dentro do vestiário, a gente fazia o quê? A gente botou uma música e aí soltava uma bateria de tiro na saída do vestiário. Cabeção de negro. Barulho alto mesmo.

Era alto, era alto. Os dias que tinha jogo, eu levava tudo isso daí na minha mochila, o pessoal falava, não passa fumando perto dele, o cara tá cheio de fogo de artifício na mochila. E aí a gente soltava essa bateria de tiro, ficava uma puta barulho e fumaça, cobria tudo com fumaça, a fumaça cobria toda a parede, e aí como eu tava dentro do vestiário, do meio da fumaça saia aquele fogo. A galera nem te via. Não, só vi o fogo saindo do meio da fumaça, cara, era foda. Era foda, era foda.

Nossa, vamos tomar um pau desse time. Era foda, era foda. O negócio foi, caralho, padrão mesmo. E aí foi isso, eu fiquei ali dentro, só que aí nesse dia, o bastão você acende ele de um lado, né? Você pega, porra, isso aqui é a tocha. A gente enrola aqui, bota aqui, aí segura aqui e cospa o fogo. Só que aí nesse dia, eu ia cuspir o fogo e depois um outro amigo meu ia sair fazendo o chama Devil Stick, aquele bastãozinho que você segura dois bastões e fica jogando um terceiro no meio.

entre isso daí com fogo também. Eu ia cuspir o fogo e depois ele ia sair fazendo isso. Aí o nego acendeu dos dois lados, em vez de acender de um só. O bastão. É, porque a minha ideia era eu cuspir o fogo, depois acende o outro e o cara sai fazendo. Ah, tá, tá. Não dos dois lados. Assim, foram todas as coisas erradas. É isso, eu tava num corredor, o ideal é você fazer num espaço aberto, porque o fogo bateu nas paredes e recuou mais que o normal.

O ideal não é usar gasolina, porque ela é muito explosiva. Eu tava usando gasolina. Tava num ambiente meio...

fechado, acenderam o bastão dos dois lados, não passei um óleo, tem alguns artifícios que ajudam a proteger, não passava porra nenhuma, tudo errado, tudo errado, tudo errado, e a gasolina tava na garrafinha de Gatorade, maluco, eu virei assim, e a gente, você controla ali pra fazer duas, três cuspidas, quatro, nesse dia, não foi minha intenção, mas saiu tudo, saiu um fogo assim,

não deve ter saído exatamente tudo, mas boa parte. Foi um fogo muito grande. Realmente, daquele jeito, nunca mais vou fazer. Foi um negócio absurdo. Cara, de verdade, foi assim uns 5 metros, cara. Cara, a língua de fogo. É, porque eu estava dentro do vestiário, tinha um espaço do vestiário, tinha um corredor antes do vestiário e a quadra, o negócio passou da grade da quadra. Então, assim, foi realmente muito fogo. Porque também, é isso aí, bateu nas paredes, potencializou ele para ir para fora. Então, isso ajudou ele tanto ir para frente quanto para trás.

Ah, vem pra trás também? Ele recua, porque quando você pulveriza o líquido, e cospe ele pra ir pra longe. Então, a hora que ele chega no fogo, ele inflama e vai indo pra longe, só que as partículas que ainda não chegaram, elas vêm queimando também. Caramba! Então você cospe e afasta um pouco. Só que como foi muito, o bagulho voltou, voltou, e aí pegou na minha cara. E aí a minha cara começou a pegar fogo. O quê? Cabelo?

Cara, motoqueiro fantasma. Nossa, velho. Motoqueiro fantasma. Cara pegando fogo. Aí, na hora, eu larguei o bastão. Aí, cara, é tudo muito rápido, mas que, obviamente, lembro vividamente cada detalhe disso. Eu fiquei uns sete segundos com a cara pegando fogo. Pouco tempo, mas para o que é muito tempo. É muito tempo. Porque foi o tempo de eu largar. Comecei a bater no rosto para tentar apagar. Foi reflexo. E aí eu pensei. E assim mesmo?

É, eu comecei a bater, porra, minha cara acesa. Aí eu pensei, porra, água, né? Aí eu fui em direção à pia. Tinha uma pia, tava dentro do vestiário, né? Fui em direção à pia, mas minha mão não respondia pra... Porque, porra, tô com a cara acesa. Como é que eu vou parar e ficar abrindo a pia? Então minha mão não respondia. Eu pensava uma coisa e meu corpo fazia outra. Aí, por nada, teve gente que veio com camisa tentar abafar, mas nem conseguia também.

Não adianta? Porque eu não ia parar, me abafa aqui. É. Não ia. Aí fui em direção ao chuveiro. Falei, porra, vou tentar ir no chuveiro ali.

mim e tal. E aí, nisso, andar pra um canto, andar pro outro, andar até o chuveiro, apagou. Foram esses sete segundos. Que eu acho que foi o tempo que o combustível que caiu na minha cara queimou. Deu pra sentir dor ou a adrenalina não deixou? Demorou uns cinco minutos, cara. Até a dor absurda. Mas nesses cinco primeiros minutos, zero, velho. Zero, zero, zero. Não doeu nada, nada. Até assim, depois, várias vezes que eu vi em filme as pessoas pegando fogo, obviamente, eu lembrava do que aconteceu comigo.

E a gente pensa, cara, essa morte aí, você pegar fogo, obviamente, é uma coisa muito ruim. Mas,

cara, não tem dor. Não tem dor. Na hora ali, o pico de adrenalina... Eu acho que o corpo trava, né? Zero de dor. Eu acho que quem fica com o corpo inteiro e uma hora apaga, a própria fumaça que entra pro pulmão, você uma hora apaga. Então, assim, zero de dor. Quando apagou, eu lembro que apagou, tava com o rosto abaixado aqui, tentando apagar. Primeira coisa que eu fiz foi passar a mão e pensar, bom, tá o formato do meu rosto.

Foi a primeira coisa mesmo, porque eu pensei, velho, sei lá, na dessa eu enfio aqui, o dedo já atravessa na boca. Não fazia ideia de como

que eu ia estar. Aí, ok. Falei, cara, é normal. Tinha. Tinha uma galera ali. Eu levantei, tava todo mundo com a pupila dilatada pra caralho. Desenho animado, todo mundo. Pessoal, caralho, vai pro hospital, vai pro hospital. E como eu não tava sentindo dor nenhuma, e na hora acho que era até eu tentando me acalmar também, meu inconsciente, eu falei, cara, tá tranquilo, velho. Porra, vacilei, vacilei. Traz um gelo. Traz um gelo aí que eu vou botar um gelo e relaxa, relaxa.

Você não foi no espelho? Tá de boa. Ainda não. O pessoal vai pro hospital. Não, tá de boa. E aí...

Como estava rolando esse bagulho lá, ia ser a entrada do jogo. E aí eu falei, vai, entra, entra, porque daqui a pouco vai vir todo mundo aqui, vai querer saber o que houve e tal. Entra, entra lá. Aí o pessoal entrou para jogar, ficou eu e mais um outro amigo meu ali. Cara, eu falei, não, traz um gelo aí, traz um gelo aí. Aí ele saiu, eu fiquei sozinho ali nessa hora, aí que eu fui olhar no espelho, falei, deixa eu ver como é que está, né?

Cara, não estava tão ruim para o que tinha acabado de acontecer. Para a cena que acabou de acontecer, eu estava esperando algo pior. Você foi pesquisar por quê?

Na hora, o que aconteceu? Também. Mas na hora estava como se fosse uma queimadura de praia, mas já muito acentuado. Mas não estava já retorcido, pele caindo. A verdade é assim, essa parte aqui queimou muito. Aqui um pouco do pescoço também. A pele já estava toda descascando, tudo soltando. Sobrancelha foi embora. Também. Cílio, tudo. E essa parte do lábio, que é onde é mais vascularizado e também é onde estava com o líquido na boca.

botou também essa parte do lábio aqui. Esse acho que foi talvez o mais chocante, assim. E o resto, a pele tudo meio soltando. Aí, próximo que entrou... Já fui para debaixo do chuveiro depois também, abri o chuveiro, entrei debaixo, que aí começou... Aí é dor ou é alívio? Aí começou a arder. Não, aí começou a arder. Começou a arder. O próximo que entrou lá, eu falei, me deram para o hospital. Saí de lá, fomos para um hospital que tinha perto da faculdade, me deram as injeções para dor, jogaram pano na minha cara, botaram soro fisiológico e tal, e me encaminharam para um outro que tinha uma ala especializada em queimados. E aí,

no trajeto até lá, eu falei, tá chegando? Eu falei, joga mais soro, joga mais soro. O soro dava um alívio. Ah, tá. O pano com o líquido, porque aí tava ardendo. Aí tava começando a arder pra caralho. Começou a doer pra caramba. Aí quando chegamos lá, entrei, porra, entrei correndo no hospital com a cara toda fodida. O nego, peraí, calma. Eu falei, preciso ser atendido. Calma, o que que houve? Antes de mais nada. Eu falei, então, vamos fazer uma anamnese.

Deixa eu sentar aqui. Falei, cara, eu acabei de pegar fogo. Aí, ok, me levaram pro médico até de fato. Pô, foi lá em Curitiba.

o atendimento foi bom. Me deram também mais umas injeções pra dor. Passa alguma pomada, alguma coisa? Então aí, cara, eu dei algumas sortes e cuidei muito com tudo que aconteceu. É, porque não tem nenhuma marca, né? É, é. Aí o que houve foi, na hora lá até a gente tinha um extintor que a gente usava pra fazer figura também e tentaram usar em mim, ainda bem que não funcionou. Porque era pó químico. Ai, cara. E aí esse pó, ele ia grudar. Aí o que eu tive que fazer lá?

houve nada, eu só joguei água e não houve nada, não passei nada, tiraram as peles que soltaram e colocaram um negócio chamado biofilme. É tipo um papel contact que você coloca e aonde você perdeu a camada superficial de pele, ele adere e ele ajuda na cicatrização. Então eu fiquei com esse bagulho na cara, enfaixaram minha cabeça. E pode pegar a infecção também, sei lá. Na orelha ele não pega, jogaram uns sprays de ouro, enfaixaram minha cabeça, enfaixaram a orelha,

e botaram toda essa pele na cara. Ah, então, e a orelha? Como ficou? A orelha queimou também um pouco. Queimou também. E aí foi isso. Mas se tivesse pego pó químico, eu ia ter que raspar. Cara, aí ia ser pior. Aí ia ser pior. Então, se eu tivesse passado a pomada, se alguém falasse, não, passa isso aqui que vai ajudar na dor, ia ter que raspar. Então, pelo menos não houve nada disso. Você que está querendo se queimar em casa já sabe o que fazer depois.

Não passe pomada, não passe nada. Vai direto para o hospital. E aí eu tomei todos os cuidados, porque

eu fiquei uns dois meses só saindo de casa pra ir no hospital. Pele de tilapia ajuda também? Os caras aqui, os caras estão inventando ou se é verdade. Não sei não. Cara, eu ouvi um milhão de coisa, velho. Nessa época eu lembro. Eu lembro de ouvir um milhão de coisa também. Pele de porco. Já ouvi um milhão de coisa. E eu tomei todos os cuidados, cara. Todos os cuidados. Eu só saí, eu fiquei dois meses. Mas cara, deve ter travado na hora, né?

Não, e assim, cara, teve um momento que eu tava no primeiro hospital deitado na maca, que o nego tava me levando de uma sala pra outra.

que deram injeção em uma, sei lá, levaram pra outra, eu tava deitado com esse pano na cara. Por um momento eu pensei, isso não tá acontecendo. Tá acontecendo, é porque... De absurdo, você tá falando? É, sei lá, de ser um... É muito irreal, cara, porque... É aquelas coisas que meio que pausa. Você fica num estado suspenso, assim. É que nem batida de carro, você já teve batida de carro? Não, não, não. É meio estranho. Depois que passa, você não entende direito se aconteceu.

É, então. Porque parece coisa de filme. A batida mesmo em câmera lenta, depois você tá em outro lugar,

já. Deve ser essa sensação mesmo, cara. Não sabe como sair do carro, alguém te atendeu e tal. Não, e pra mim era assim, era tipo, cara, 11 da manhã eu tava na faculdade, trocando ideia com meus amigos e tal, e uma hora depois eu tava deitado na maca de um hospital, pensando assim, minha cara vai ficar igual do Deadpool. É isso. Porque eu não sabia como é que eu ia ficar. E pra mim, eu ia ficar com a cara toda fodida. É o que eu imaginei.

E é o que poderia ter acontecido, né? Vamos falar a verdade. É, não, total. Você vê pessoal que é vítima de incêndio, essas

parada, né? A pele estica, mesmo faz enxerto depois. Exato, exato. Pra mim era isso. Pra mim era isso. E, assim, sequela ia ficar. E por uma... Sequela ia ficar. Por uma besteira, né? Pensa. Por uma... Exatamente. Exato. Exatamente. Por uma idiotice, né, cara? Então eu pensei, cara, fodeu, velho. Você correu mais risco na sua vida, assim? Tipo, passou já perigo de vida? Cara, acho que de drama, assim. Perigo de morte. Acho que esse foi o...

Acho que esse foi o mais, assim. É... Mais marcante. E aí, tomei todos os cuidados

Fiquei dois meses só saindo de casa pra ir no hospital. Tinha quantos anos nessa época? Uns 22, cara. Não, 21. Acho que foi no último ano de faculdade. Os médicos falaram, olha, zero sol. Zero, zero, zero. Um dia nublado. Zero, zero. Porque isso ajuda a ficar uma marca. Isso ajuda a ficar uma marca. A pele fica mais sensível. Então, qualquer... Se eu tivesse saído um pouco mais pra rua e tal, eu poderia ter ficado com um desenho.

Exatamente. Então, assim, eu não saí de casa. Não saí mesmo. Fiquei dois meses e eu só saí.

saía de capuz para ir no hospital e voltava para casa. Fiquei uns seis meses usando um protetor, faltou 70 vezes por dia, porque depois mesmo saindo de casa, o cara fala, cuida disso aí seis meses. Então eu tomei todos os cuidados necessários para cicatrização ser o melhor possível. O cabelo depois foi implante. Não, eu sei, mas o cabelo queimou na frente? Queimou também. Tudo ou só? Não, tudo não, mas queimou, queimou a parte também.

Você falando isso, eu lembro uma vez... No começo não podia tomar banho direito,

Cabeça toda enfaixada. E o lábio? O primeiro dia não tava tão ruim, como eu te falei. Quer dizer, na hora lá. O segundo dia tava horrível, velho. Era canudinho? Horrível. Minha boca, eu abri isso aqui. Nossa, velho. Era o mindinho. Não abria mais. Porque aí tava tudo com essa pele. Se eu fosse abrir, ia rasgar a pele, né? Eu só podia beber e tomar uma sopa. É isso. Consegue assistir Quarteto Fantástico hoje em dia? O cara tem trauma. Não, não, não. Tô chorando, não. Traumatizado.

Não, cara, o pior é que eu... Os caras vão torturar ele na prisão, né? Ficar passando o toche humano em looping. Eu tinha que sair na prisão, velho. Acende um fogo ali que eu me defendo, caralho. Acende um fogo que eu me defendo. Mas foi... Também nunca mais depois fez, né? Fiz, velho, fiz. Ah, não, velho. Não, não, não, não. Você tá zoando. Fiz e comecei a passar no corpo também. Porque eu falei, eu não vou parar por medo, velho.

Eu não quero ficar com esse trauma. É, eu não quero ficar com esse trauma. Eu vi os caras... O dublê, os caras passaram o negócio na roupa, né? Pra o fogo não pegar.

Tem os cuidados. Se você fizer todo... Óbvio que é um risco. Mas você consegue minimizar muito isso. E aí depois eu fiz mais controlado, mais de boa. Por isso eu falei, eu não quero parar por medo. E aí fiz e... Aí depois eu parei porque... Porra, as vezes que eu trabalhei com isso, eu lembro, uma vez eu fiz isso aí num hotel, colônia de férias e tal, por causa da educação física. Porra, 30 contos, velho. Vai ganhar 30 contos.

Eu falei, porra, velho. Tô bebendo gasolina. Aí não dá, né, cara? Aí não dá, aí não dá.

Deixa quieto, deixa quieto. O que mais que você fez? Mágica, cuspir fogo? Mágica, cuspir fogo, malabarismo. Malabarismo eu treinei bastante, cara. Você era bom, não? É, não. Porra, eu cheguei a jogar com cinco, eu jogava. Ainda jogo. Você chegou a usar essas coisas no stand-up em algum momento? Não, cara. Malabarismo eu usei uma vez quando a gente estava no... Agora é tarde, cara. A gente foi fazer um... Rolou de fazer um quiz de fim de ano. Sei.

Um programa que a gente ia sortear. Sortear no ganhador ia ganhar um carro velho pra caramba. Era um negócio assim. E era isso. Tinha as perguntas, o pessoal ia participando. E uma hora o Murilo entrava pra fazer um negócio. Uma hora eu entrava também pra fazer algum número. Tipo o artista que vai lá apresentar algo. E eu fiz malabarismo, cara. Que legal. Então eu cheguei a fazer malabarismo lá na Band. Com isso daí. Acho que tecido, algum outro.

Não lembro se eu cheguei a fazer em TV e tal. Mas em stand-up, não. Bom, mágica eu cheguei.

Na verdade, a minha primeira apresentação de stand-up foi num festival de mágica, né? A mágica foi uma porta de entrada. Fazendo mágica e aí entra uma mágica e outra fazendo piada. É, eu fui MC do festival e aí eu entrava e chamava a cada hora um mágico. E aí nas minhas entradas, em cada uma delas eu fui fazendo uma coisa. Em uma delas eu fiz mágica cômica, então era um número cômico, mas que o número sustentava o humor, né? Ajudava a sustentar. Na outra eu contei uma anedota, anedota mesmo, piada de salão,

digamos assim. E uma delas eu fiz um stand-up de três minutinhos que eu escrevi ali sobre mágica, né? Era um festival de mágica. E eu nem considero essa minha estreia no stand-up porque isso aí foi... Eu era um MC e fiz três minutos. Mas seria um open mic. Claro, claro. Teria sido meu open mic. É que eu voltei a fazer stand-up depois, só um ano depois. Tá. O stand-up tava começando. Que ano? Isso aí que eu fui MC do festival foi em 2004, cara. Nossa. É, não. Tinha conhecido Steve Martin, por exemplo? Sabia que... Cara,

Eu sabia do Eddie Murphy. Mas o lance dele de fazer mágica, também de fazer umas coisas. Não, não. Pior que não. Não sabia. Mas depois você foi ler o livro dele.

E é legal, né? A própria Judy Carter, que escreveu um livro também, que muita gente... Ela também fazia mágica. Eu sabia. Ela também fazia mágica. E ela diz que começou meio que no stand-up um dia que ela tinha que se apresentar num lugar, a mala não chegou. E o pessoal, pô, mas tem que fazer o show. Aí ela começou a contar o que rolou. Eu ia fazer isso aqui, ia fazer aqui. Nessa hora ia parecer um negócio, mas aí a empresa, não sei o que...

E o pessoal deu risada e esse foi meio o caminho dela pra ir pro stand-up. Era uma muleta pra ela, né, de repente. E pra quem não sabe, Judy Carter,

meio que formou metade do pessoal da primeira e segunda geração aqui, né? Era um livro que a gente passava em PDF pra todo mundo, né? É, total. Só tinha isso. Antes de você escrever seus livros era só isso que tinha. Sim, sim. Não, me ajudou muito. Como chamava o... É, Stand Up Comedy The Book. É. Era isso. E era bom, né, cara? Bom, muito bom, cara. Foi ali que eu aprendi setup, punch. Você também não sabia, né? Ninguém sabia, né?

Regra de três, né? Vamos falar algumas coisas assim, por exemplo, regra de três. Às vezes a pessoa vê isso, acha engraçado e não sabe, né? É. Você fala duas coisas e a terceira é a engraçada. Exato, exato.

E por que três? Por que não quatro ou dois? Pelo seguinte, porque você precisa ter duas para estabelecer o padrão. E depois você quebra o padrão. Se você fala um e aí vem a quebra, vamos supor que estou falando azul, verde, papagaio. O papagaio quebrou o padrão. Eu estava falando cores e agora falei de um animal. Se eu falo azul, papagaio... Tá bom, são coisas aleatórias. Exatamente. Se eu falo azul, verde, amarelo, vermelho, papagaio... Já ficou too much.

é muito. Perdeu o timing. Então, e a ideia pode até funcionar, não é que não possa, mas como a ideia no stand-up é você ser o maior número de risadas no menor tempo possível, então o mínimo possível, você pode até fazer quatro, só que alguém vai falar, não precisa de quatro. Você está falando azul, vermelho, roxo, preto, papagaio, fala azul, vermelho e papagaio. Porque com dois, você já estabeleceu o quê? Estou falando de cores. Certo. Você falou uma, duas, estabeleceu, aí agora o público vai pensar, tá,

qual é a próxima coisa? Papagaio. Aí você quebrou e aí vem a risada, porque ela é uma quebra de expectativa. Então, por isso, é a regra de três, porque é o mínimo possível para estabelecer um padrão e aí o terceiro quebra. Tem aquele lance também de você falar duas coisas absurdas e desmente uma delas. Eu também. Sou maconheiro e dou a bunda. Brincadeira, né? Nem fumo maconha, cara. Exatamente, exatamente. Aí a galera ri, cara.

É o negócio mais velho que existe. É muito óbvio e a galera ri, cara. É incrível, né? Cara, tem uma galera... Assim,

que o público vai se renovando também. Então eu acho que, do mesmo jeito que pra mim, tem piadas que hoje eu vejo e falo, puta, essa piada eu não posso fazer. E a galera rir? Eu sei que vai funcionar. Tem piada que eu falo, eu sei que essa piada funciona, mas puta, eu não posso fazer essa. Essa aqui não dá pra fazer. É porque é uma carreira que você tá fazendo. E assim, eu não condeno, obviamente, eu acho que tem pessoas que tem que fazer essa piada.

Passar por isso. Até porque tem público que vai ter que rir dessa piada. Porque tá vindo, assim como

vem uma geração nova de comediante, vem uma geração nova de plateia. Então... Se você for comparar com um pintor, por exemplo, o Picasso, você já foi no museu do Picasso? Ele fazia pintura realista até ele começar a destruir e fazer aquele negócio maravilhoso. Ou seja, ele entendeu todo o negócio, passou por toda a parte clássica de aprender, de proporção, ele falou, pô, entendi, agora qual que é o meu estilo? Eu vou pra isso daqui.

E o humor é a mesma coisa. Exato. Você faz as piadas clássicas com regra de três, com inversão de expectativa,

ativa setup e punch, depois você começa, pô, e se eu contar uma história assim? E se eu fizer não sei o quê? Aí você começa a achar seu estilo, né? Exatamente. Isso é muito legal. Se eu vou fazer piada mais humor negro, vou fazer uma piada mais boba. E aí a gente fala também de persona, né? Que teve muito... Eu já vi você explicando, muita gente não entende isso, a diferença entre personagem, persona. Ah, mas não é humor de cara limpa?

Não é você lá? Vamos explicar, então, o que é o stand-up? Quem é aquela pessoa que tá lá? É o Léo Lins ou não é o Léo Lins? Cara...

você tá assistindo aí. Tem um oficial agora assistindo isso. Cuidado que isso vai ser usado contra você, né? Exatamente. Cara, o curioso é que os comediantes que eu já vi falarem que não tem personagem, que é ele mesmo ali no palco, nenhum tem sucesso. Justamente por isso. Cara, tá aí. Por isso você não tem sucesso. Você não entendeu o básico. Você está em cima de um palco. Um local pra performance artística. E você não tem um trabalho artístico. Porque senão qualquer um da plateia

aí a sobe e é ele mesmo e conta piada de salão. É isso aí. Então, está explicado o motivo do seu fracasso. É óbvio que você está num palco, há uma performance artística, sem sombra de dúvida. E leva um tempo para você encontrar a sua voz e lapidar a sua persona. É óbvio que a primeira vez que alguém sobe no palco, a minha persona... Cara, você ainda não tem uma persona formada, mas você já iniciou um processo para.

Então o processo para, você está num palco. Você tem uma performance, é isso? Qualquer comediante, você pega o Chris Rock. Cara, olha ele conversando, olha ele no palco. É igual. Você acha que ele conversando, ele vai ficar falando. Não, não. Isso é uma performance. Uma performance artística. Até o Seyfried, que é mais parecido a persona com ele falando, é diferente. A pausa, a inflexão das coisas.

uma persona, e tem gente que depois fica tão preso na persona que leva pra vida. Leva pra vida, é. Ah, você tá no palco, velho. Para de ser assim, né? É. Não é? Tem gente que fala, cara, saiu do palco, velho. Exato. Já deu, já deu. Não tem camarim que você fala assim, porra, o cara saiu do palco e continua. É, fala, pô, velho, estão trocando ideia aqui, cara. Não precisa, pode desligar aí, cara. O cara quer performar, né? É, não, tem, tem, tem também. Não estamos falando de você, Pablo Marçal. Cara,

O personagem... É uma parte de você exagerada, é isso? É, a persona é isso, né? Ela é uma parte sua amplificada. Ou seja, você... Ela é meio que uma... Ela é uma película, porque o personagem... Se eu coloco uma roupa da NASA, entro com um capacete e falo, acabei de voltar da Lua, não sei o que... Isso é um personagem. Deixa eu entender, é um astronauta e ele vai falar da experiência dele. Ok, entendi. Isso, isso. Como tinha no Terça Insana, lembra? Sim.

uma dondoca, e aí, putz, entendi o personagem dela, ela é snob e tal. Chegava outro que era um motoqueiro que era da periferia, tá? Isso, exatamente. E assim, tudo comunica. Tipo, realmente, o cara entra com a roupa de motoboy e aí, fimose, mano. Cara, nessa entrada do Marco Luke, que aliás é um cara, pô, ele é excelente fazendo personagem, excelente. Cara, o público já entendeu. Ah, tá, o cara é um motoboy, o cara, pô, vai falar uns bagulho e ele é meio humano, ele é da... É isso. Você tem que,

aproveitar. Vai ter exagero, vai ter inversão de expectativa, vai ter tudo. Aquilo ali já comunica. É isso. O seu trabalho ele tem que ter unidade. Isso é uma das coisas que ajuda não só comediantes, mas qualquer trabalho em geral. Isso você pode extrapolar até para uma empresa. Mas você tem que ter uma unidade. O ideal é que tudo esteja conversando. Se você é um cara que você é muito

tímido e tal, e não sei o que, você fala meio baixo e tal, e aí você... Olha pra baixo. É, mas tu se apresenta de, porra, de regata, todo musculoso. Cara, tá rolando uma dissonância aí. Vai demorar um tempo até o pessoal entender qual é a tua. A sua aparência transmite uma coisa, a sua fala transmite outra, isso é meio incongruente. Você pega, por exemplo, sei lá, uma menina muito bonita vai fazer stand-up falando sobre a dificuldade que ela tem de arrumar alguém pra

ficar com ela. O galera fala, não, querida. Não é verdade. Eu não tô comprando muito isso. Então tudo tem que conversar. O seu texto, a sua aparência, o seu modo de vestir, tudo. Se tudo estiver convergindo, melhor. Tudo. Você pega o meu trabalho. Tudo eu fui trabalhando e ao longo... Eu não sei em qual do seu trabalho que você tá na capa ou na abertura com uma camisa de força. Sim, é o bullying arte.

já comunica alguma coisa, tipo, hospício. O cara vai falar... O cara é diferente... Exato. O cara é maluco. O cara tá com a cara de doido ali amarrado. O cenário é um hospício. Exato. Tem duas celas e a do meio é a pior, com mancha de sangue ali. Então, cara, o que você vai ver aqui é como... Imagina o seguinte, o cara saindo da cela do hospício... E tá contando história pra ele. Cara, ele vai falar umas coisas absurdas. Exato, exato. Ele vai falar umas coisas absurdas. Tudo comunica. Exatamente. E você pega...

Não só, o cartaz do show. Aí você pega, pô, o livro de história que eu lancei. O que você acha esses cartazes aí, por favor? O livro de história que eu lancei. Qual deles? O Sapo Césio. É. Que não é nem o livro do insulto, foi antes. Pô, é a história de um sapo que nasceu com oito patas por causa do acidente radioativo com o Césio 137. Então, até isso, também comunica a minha persona cômica. Sim. Porque é uma extensão do meu trabalho.

É uma história que eu escrevi. Então, tudo isso foi pra ir acimentando. E quem me conhece fala, é, o cara faz piada pesada.

faz umas piadas escrotas mesmo e tal. Tanto que tem um escritor que quando quer comunicar diferente, usa heterônimo. Sim. Fernando Pessoa. Um cara vai falar do campo, é esse cara. Outro que fala é mais romântico, é esse e tal. Porque ele, pra dar vazão pra aquela persona dele, ele coloca um nome até diferente. Sim, sim. Eu acho que a ideia é isso. Tudo tem que convergir, cara. O seu avatar na rede social. O ideal é que o avatar na rede social, como você se

Eu já vi, porra, amigos nossos aí, comediantes, que uma vez falou pra mim, tem um tempo, eu postava as piadas, isso aí é mais ácida, ele, porra, eu queria poder postar essas piadas que você posta. Mas, no dia a dia dele, compartilhava muita coisa com os filhos, com criança pequena. Cara, não dá. Não dá. Você não pode postar um vídeo fofinho com uma criança de 4 anos e na semana seguinte uma piada de pedofilia. Claro. Você não pode fazer isso. Vai gerar um ruído absurdo, vai gerar uma...

de ódio e ataque em você que é completamente justificável, porque é o que eu sempre falo, o humor não tem limite, o ambiente sim. Olha o ambiente que você está construindo. Explica isso daí. Você está construindo um ambiente onde você mostra um cotidiano de crianças fofas. Mas explica esse lance do ambiente, né? Sim, sim. Para mim é a resposta definitiva para essa questão do humor. Qual o limite do humor? Velha pergunta. E para mim a resposta definitiva é o humor não tem limite, o ambiente sim.

Porque qualquer tentativa de você impor limite no humor vai ser a imposição de uma ou ideologia ou de uma moralidade de um grupo em cima dos outros. Não tem como. Tem um experimento de um sujeito chamado, acho que foi o Alan Dershowitz. Ele escreveu um livro sobre a cultura do cancelamento. Bom? Bom, interessante. Muito bom, muito bom. Amadá escreveu também um, né? Também, também. Cancelando o cancelamento.

É, alguma coisa assim. Ele dá aula de direito e ele falou, tá, vocês são a favor da liberdade de expressão? Sim, ok. Liberdade de expressão, então a gente tem que poder debater isso. Aí ia para um a um para os alunos, mas você acha que tem algum tópico que não? Esse aqui não dá, esse aqui não pode. Aí um falava, é, pô, acho que... Holocausto não, Holocausto não pode, ok. Você, eu acho que Kuklus Klan, racismo, não, ok. Você, eu acho que feminicídio, não, ok.

Você, não, eu acho que religião, não. Ok. Morte. No fim das contas, uma sala onde todos são a favor da liberdade de expressão terminou com 40 tópicos. Claro. Que ninguém pode falar. No fim das contas, vai ser isso. Vai acabar virando a imposição de um grupo sobre o outro. Por isso que eu falo, humor não tem limite. O ambiente, sim. Posso... E tudo isso tem que ser... Tem muitas nuances. Tem muito terreno cinza. Por exemplo, comediante em cima do palco. Ele é um comediante, ele tá no palco. É.

Pode fazer a piada que quiser? Depende. Aonde é esse palco? É. Depende. É um palco na praça de alimentação de um shopping? Como a gente já fez muito. Como a gente já fez muito. Que o shopping resolveu fazer um mês da comédia e bota um palco lá e você vai contar a piada. A gente já fez. Aí começa um cara, abre assim, zofilia. Exato. Aí tá a família lá na frente, como é que Donalds abrir? Não dá. O Lulu da Pomerânia. Não dá. Não tem como, cara. Então, assim, depende. Depende. Nesse caso, obviamente que não

Cabe você fazer uma piada de cunho sexual, uma piada com tema sensível, porque tem gente que não está ali para ver o show, tem menor de idade, tem família passeando com o filho. É fácil. Um evento de uma empresa que te contará. Eles mesmos já falam. Exato. Não fala de nome de concorrente, não fala de marca. Quando você vai fazer em televisão, você chegou a fazer Record? Record? Não, acho que stand-up lá, não. Eu fiz stand-up no Record.

Não podia falar santo, nome de santo. Não podia falar, tipo, Virgem Maria, essas coisas. Esse é do... Não, esse é peste branca, né?

O oficial está atrás até, o oficial. O oficial é aquele que está amarrado na primeira. Mas você olha também, olha, o próprio nome do show, Peste Branca. Cara, você acha que vai vir piada leve ou pesada? Exato. Ouvindo esse nome. Você já foi no show dele? Não, eu não fui no show. Cara, você tem que ir, velho. Eu fui no que estava gravando o DVD, eu estava na primeira fileira e os caras me filmando. Eu falei, não me filme, eu não posso estar rindo dessa piada, velho. Porque, cara, você vai ficando

constrangido. E o público vai meio assim, né? Porque você começa mais leve e vai ficando pesado, pesado, pesado. Exato, exato. E tem essa preocupação também, né? Também, também. O show, hoje eu falo que o meu humor é mais crítico. Ele nem é... Ah, o humor ácido, ele tem piadas ácidas. Já fez isso, né? Já. Já passou dessa fase. Exato, exato. Aquele terreno onde tá a placa e não pise na grama, eu já sapatiei. É, já foi lá. Eu sapatiei lá.

Eu já gastei a grama lá. Então ele é um humor mais crítico hoje. Eu acho que... Aliás, o Peste Branco eu lancei

Pô, tem três dias, a gente já tá quase batendo um milhão com ele, cara. Foi no YouTube, meu canal do YouTube. Pô, terminando a live, fica com a gente aqui, mas terminando a live, assiste lá. E comenta lá, né? Isso. Fala, pô, vim da live. Peste Branca, tá? Assista lá, porque não sei até quando fica no ar. É, tem essa também, né? Baixa! Não sei até quando fica no ar. Leilão do Peste Branca. Pô, esse aí eu fiz no lançamento. Aí eu leiloei página de processo, leiloei várias coisas.

com quase 900 mil views. Pô, entrou agora, cara. Tem três dias tá fazendo agora, eu acho. Quem que fez o cartaz aqui de trás, que tem essa coisa meio de peste negra, aquela coisa dos caras queimando cartaz e tal. Cara, o cartaz, a ilustração é do Kilber, que já trabalhou comigo fazendo What the Hell. O trabalho dele é sensacional. E as cores da Chimeris, que já fez as cores do Perturbador também. O Perturbador. O próximo agora, quem fez foi o Will Conrad. O do Peste Branca foi o

o Kilber, o perturbador foi o Luke Ross. O Luke. O Bullying Art, o Mauro Souza. O Luke Ross, que é um cara que faz quadrinho pros Estados Unidos. É, o Piadas Secretas, o Mike Deodato. Então eu sempre peguei ilustradores aí que eu acompanho o trabalho deles. Pô, e fico muito honrado que eles tenham topado fazer esse trabalho aí comigo em cada um desses cartazes. Então, aí volta naquilo da unidade. Você pega o nome dos shows. Pô, Bullying Art, Perturbador, Peste Branca, agora Enterrado Vivo, é o que eu tô viajando agora. Então, cara... Enterrado Vivo? É, Enterrado Vivo.

Eu acho que... Joga meu nome no Google, vê as matérias. Eu acho que é auto-explicativo. Eu ia perguntar por quê, né? É auto-explicativo. Então, porra, cara, eu tô deixando claro o que eu faço. Tô deixando claro o que eu faço. Olha a minha roupa. Porra, cara, transmite algo. Transmite algo também. Você tinha uma época uma roupa meio de charada ou coringa, né? É, do perturbador. Era do perturbador. É uma coisa meio profônica também. Cada show também tem uma unidade com roupa.

É tudo, é tudo pensado. O cartaz tem easter eggs, o meu show tem referências a shows anteriores. Quem acompanha tem coisas que é pro fã hardcore, que é pro cara olhar e falar puto, isso daqui, caralho, é uma referência lá de dois shows atrás. Acha a imagem dele no Faustão que você vê. E você passou pelo stand-up tradicional de piadas sobre Olimpíadas, sobre bancos, sobre avião, todo aquele trajeto. Porque o pessoal acha que você já começou fazendo humor negro, né?

Humor, assim, ácido. Não, e eu sempre recomendo pra todo mundo, comece falando de tudo. Não comece a... Porque, assim, tem uma galera que vem nessa de... Que, aliás, se você vai fazer... Os caras falam, o enterrado vivo não tá no Itoba. O que ele tá fazendo esse show, cara? Não, esse eu tô viajando agora, cara. Calma, depois que ele passar... Essa é a continuação do Peixe Branca. Continuação do Peixe Branca. Eu sempre recomendo, cara, começa falando de tudo, porque você não sabe pra onde você vai gravitar, entende?

você vai... Às vezes você pode achar que é um cara pesado, de humor ácido, e na verdade o seu humor é comentar sobre o seu cotidiano morando com sua mãe. É. Olha lá. Cadê? Coloca ele lá. Olha ele. Quantos anos você tinha aí? Que ano é mais ou menos? Cara, isso aí foi 2008. Como chamava esse quadro? Esse era o Quem Chega Lá. Ah, era o Quem Chega Lá. Foi a primeira edição do Quem Chega Lá, né? Eu fui três vezes lá, cara. Piada do pastel? Tinha, é. Piada de Olimpíada.

Justamente porque, pô, não pode. Lá também tinha um crivo também. Também tinha um crivo. Ó, não faz isso, palavra não pode. Também, também. Tinha que passar o texto antes. Obviamente, você não vai falar palavrão. Passar texto antes é muito estranho, né? Um advogado, alguém assim, o diretor na sua frente fala, fala aí. Não, era três pessoas. Fala aí, conta a piada. Aí você mostra. Era os produtores ali. Eu pensei em falar isso, isso.

Não, essa palavra aí não pode não. Troca, troca. E às vezes você tem que trocar em cima da hora. É, porque passava ali 40 mil.

Minuto antes. Aí eu transei. Não, transar, essa palavra não pode. É namorar. É isso. Namorar não vai ter a mesma coisa, né? É. Estava lá namorando com a minha namoração. Exato. E é assim, né? Não, era os caras parados. Vai lá. Eu fui lá no banco Itaú. Não, não. Não pode falar Itaú. E não podia mesmo. Não pode. Não pode mesmo. Então, justamente, é o ambiente. Se você falar, mas eu quero poder falar. Mas aqui não pode. Então, vai fazer na sua casa. Melhorou bastante a lata, hein? Os caras mandando pra você.

Depois que pegou fogo, deu uma... O fogo deu aquela... O fogo deu uma... Ficou mole, né? Aí deu uma... Vai falar isso e os caras vão meter fogo pra ficar parecido, né? Exatamente. Deu pra dar... Ficou mole? Aí deu pra dar uma... Deu pra dar uma ajeitada, velho. Cara, tem um personagem que era assim, que ele... Dos quadrinhos, eu não vou lembrar quem, mas ele moldava o rosto porque era meio mole. Alguém aqui no chat vai lembrar aqui.

Pô, isso aí não tô lembrando. É do Batman. É o vilão do Batman. Ah, pô, o cara de lama. É ele, exatamente. Isso, o cara de lama, o cara de lama, que ele virava várias coisas.

virou o cara de lama. Exatamente, cara. Então, ali, pô, tinha um limite. Você não quer seguir a regra? Então você não vem. A empresa vai te contratar. Eu não quero que você fale disso, disso, disso. Ah, mas eu não posso mudar isso no meu texto. Então eu vou contratar outro molista. E acontece. Tem muita gente que não faz evento porque não consegue adaptar o texto, né? Não, se alguém me chamar e, pô, quiser cortar 80% do meu material, eu falo, cara, tá boa. Eu acho que... Tem que chamar outra pessoa.

Você tá chamando o cara errado. Você tá chamando o cara errado. Você tá querendo tomar um suco de limão e reclamar que ele é meio amargo, azedo. É a história do King Kong. Você sabe a sua história? Não, não. Ah, não te contei? O cara que escreveu o King Kong, o roteiro, indo em estúdio, estúdio e ninguém aceitava. O cara com o começo de carreira, pô, eu tenho essa ideia. Não, o cara nada a ver. O estúdio falou, cara, sabe que eu gostei da sua história?

Vamos fazer. Eu queria só uma mudançazinha, pode ser? Aí o cara falou, tá, tira o macaco. Você entendeu? É assim.

Adora o seu trabalho, cara. Adora o seu trabalho, mas faz um mundo, mas leve. É tipo, o cara não entende, né? E, cara... Vilela, eu queria te contratar pra fazer podcast aqui na minha empresa, mas tinha que ser curto, 15 minutos. Conversinha... Aliás, você vai receber. A gente tá fazendo, né, Leni? Um prêmio. É o nosso logotipo. E, assim, eu sobrevivi ao cativeiro do Vilela pra todos os convidados aqui. Ele já participou de alguns cativeiros aqui.

Eu tenho um que é quase recorde. O primeiro aqui a gente ficou mais de 5 horas, eu acho, cara.

Sério, foi quase cinco. O Lene já passou os apuros. Deve ser top 3 aí, velho. Deve ser top 3. Teve umas loucuras aqui de 11 horas. Mas aí foi um debate também, um debate criacionista. Você não tava nessa. Eu não tava, mas nas do Pirula eu tava em todas. Você tava? Quando o Pirula vinha aqui, no final a galera já fazia revezamento. Era um pessoal até meia-noite e da meia-noite pra vir. Porque sabia assim, Pirula, cara, esquece.

Menos cinco horas ele não faz, ele não consegue. Pirula virou uma medida de tempo, né? É, Pirula é medida de tempo.

pirula de tempo. Mas é, cara, você é um dos mais, foi o mais comprido mesmo. O Marcelo Taz, ele veio aqui, ele não sabia, era o começo do podcast, não sabia, era uma entrevista, beleza. 20 minutos. Chega 3 horas, 4 horas de entrevista, toca o celular, a mulher dele, onde você tá, pelo amor de Deus? Ele falou, liga o YouTube. Não, não é possível, ela ligou, ele tava achando já que ele tinha sofrido assim. É, lógico, lógico, aconteceu alguma coisa. Mas que doideira. É, mas tem isso, cara, de adaptação. É, total, total.

Quantos anos de carreira, então? 20. Completei 20 agora, cara. 20 anos de carreira. 20 anos de stand-up. E aí, na visão da justiça, de algumas pessoas, deixando bem claro, tudo isso é um disfarce para eu poder ser preconceituoso. Eu passar anos ali... Porque no começo é uma merda, você sabe? A gente não tem salário. Quantas vezes não fechou sem cachê? Quantas vezes não fechou ganhando 30 contos? 50 contos, né? Você faz para ganhar comida do camarim.

o começo de todo mundo. Calote, quantos calotes ele tomou, né? Exatamente. Então, assim, cara, você pega o número de comediantes hoje no Brasil, entre amadores e profissionais, vou chutar um número aí, mais de 3 mil, entre amadores e profissionais, deve dar por aí. Hoje em dia, sim. Hoje em dia, sim. Viajando, fazendo turnê pelo Brasil, enchendo show, é 1%. Porra. Acho que nem é isso. Não, vamos falar que 5, 10 no máximo. É, então dá 0,5%. 0,4%. Verdade. Então, assim,

É sério que na sua cabeça eu vou entrar num meio onde 0,4% está conseguindo se manter exclusivamente disso. Onde você passa um bom tempo sem ganhar dinheiro, sem ter salário, indo a pé porque não tem dinheiro para o ônibus para você poder se apresentar e depois voltar a pé para casa. E aí agora um monte de problema com justiça. Além disso, escrevi livro, gravei filme, trabalhei em programa de televisão,

Você acha que tudo isso foi uma fachada para ser preconceituoso sem sofrer consequências? Pô, pelo amor de Deus. E outra, tem incrível, né, cara? Eu tive especial no Netflix, Amazon não sei o quê, YouTube. Pô, tem tudo isso. E eu acho engraçado porque em outras profissões não tem esse jogamento que tem com comediante. Fala, ah, você se acha comediante, eu coloco comediante. Ninguém fala isso para o médico. Ah, falou lá o médico. Ah, falou o coveiro. Não, o cara ganha dinheiro com isso, então ele é.

diante, o cara fala, não, você não é como... Ele decide se você é ou não. Vive disso. O cara sofre por exercer o seu trabalho. É. No ambiente adequado. Exato. Cara, é surreal, velho. É absurdo. E assim, eu entendo que possam se ofender, eu entendo que possam se machucar. Eu acho que, cara, protesto, boicote, eu sempre falo pro meu irmão, sou a favor de tudo isso, velho. Tudo isso. Eu só acho que não tem que o Estado

intervir num show de comédia, num ambiente de humor contado pra quem sabe o que tá consumindo e paga o ingresso pra entrar pra ver, cara. Eu acho isso. Entende? Eu não sou a favor de um humor irrestrito e liberdade carta branca pro comediante contar o que ele quiser, onde ele quiser. Não, obviamente que não. Obviamente que não. Se você tá jantando num restaurante, você levanta e começa a fazer piada com as pessoas lá, não é um ambiente pra isso, cara. Obviamente que tá errado. E, aliás, acontece

muito essa falsa equivalência de você pegar autores, às vezes pessoas formadas, um doutorado, o cara lança um livro, onde ele coloca a desculpa de é só uma piada. E aí ele cita casos onde, olha só, não podemos aceitar essa desculpa de é só uma piada. Bom, tudo isso eu vou abordar com muita profundidade no livro que eu estou escrevendo, a gente estava trocando ideia antes. Aliás, quem quiser...

A princípio, ele seria o livro do humor negro, mas ele foi se alterando, né? A minha ideia era que ele... Eu lancei o livro do insulto, que tem um início teórico, e depois várias piadas. A minha ideia do livro do humor negro era a mesma coisa, era ter uma introdução teórica, né? Por que esse termo, onde surgiu, não sei o quê, e depois várias piadas. Mas acabou invertendo. Ficou... Cara, tá um tratado, assim, sobre humor. E nos Estados Unidos, o humor negro, qual é o termo que eles usam pra esse humor mais? Black humor e dark humor.

humor. É, dark humor. Usam os dois. Aqui a gente usa o Mornegro e o Morácido, né? Eu não acho ruim o Morácido, eu gosto também. E a galera não conhece, mas tem comediantes nos Estados Unidos que você parece uma criança perto deles. Não é? Jesse Unique aqui, cara, se a galera for traduzir o texto dele, velho. Mas aí tem comediantes daqui que aí ele é genial. Aí ele é brilhante. Eu sou só grosseiro. Exato, eu já vi comediantes que te critica e acha ele genial.

Isso. Ô, Lene, ele perdeu um programa, sabe por que ele perdeu um programa? Ah, isso é muito bom. Não sei, me conta. Vou pedir, ó, até se tiver mais um café. Eu também, vamos no café. Ele comemorava toda vez que alguém era morto por um tubarão. Caramba. Aí morreu alguém na Austrália, entrava umas gostosas, aquelas que você tem de palco, vestida de tubarão, e eles faziam a dança, celebrando o tubarão por ter comido uma pessoa. Ele perdeu o programa por causa disso.

Cara, eu ri demais. Shark Party. É, Shark Party. Shark Party. Aí as meninas dançando,

dançando. Eu ri demais com isso, velho. Cara! Eu ri demais com isso. Esse cara, ele não tem limite mesmo. Foi muito bom, velho. Muito bom. Muito bom. E ele também tem uma persona que é inabalável, né? Ele tem aquela cara, o jeito dele. Você olha o jeito também, o nome dos... Tudo comunica isso, cara. Tudo comunica isso. E assim, se alguém fala, ah, mas tá vendo como é que tem consequência? Ele perdeu o emprego. É uma empresa. Eu também perdi o emprego.

E o cara sabe que tá arriscando, né? Agora, o Estado americano não foi condenar ele à cadeia. É. Porque ele fez isso. Entende? Ele perdeu o emprego.

isso. A empresa tem anunciante, recebe reclamação. Vários comediantes lá já perderam o emprego também. E eu nunca, quando eu saí do SBT, nunca fiz uma crítica ao SBT, é uma empresa privada. Agora foi o Kimmel que quase perdeu o emprego por causa de piada com o Trump. E aí se for uma intervenção do Estado, sou completamente contra. E aí voltaram atrás. Voltou, exatamente. No fim das contas não houve nada. Mas ele perdeu o emprego porque

fez piada do presidente, completamente contra. Não existe, não existe. Não existe, sou completamente contra isso. Mas tem essa falsa equivalência, cara. Como eu te falei, eu tô fazendo um... Acabou virando um estudo muito grande e a minha grande faísca pra fazer... Tem link já? Cara, entrando na fábrica do Mor, eu vou fazer o seguinte... Pô, Lenny, vê se pega isso e deixa num comentário fixado depois, tá? Pode deixar. Pode botar o livro do Mor Negro.

Primeira mão, eu não falei isso ainda. Então, em primeira mão. A minha ideia era lançar esse livro junto com a sentença, que eu acabei de...

deu uma absolvição agora. Foi, foi. Na segunda-feira. Fez um chá revelação? Fiz um chá revelação na Paulista. E eu não sabia, não sabia mesmo. Sério? Não, não sabia. Podia ser uma notícia ruim. Podia, podia. Assim, eu estava confiante pelo trabalho dos advogados, por acreditar na justiça, por saber o tamanho que, aos meus olhos... O precedente que é abrir, né? Exatamente. Perigosíssimo, perigosíssimo. E, além de tudo, meu irmão é tarólogo profissional,

Eu fui lá jogar e ele falou que ia dar tudo certo. É mesmo? É, não, mas já pra caramba. Real mesmo. Real, não é zoeiro, não é piada não. Então isso também me ajudou a dar uma confiança. Já teve muita coisa que... Que bateu. É, pra caramba.

pra caramba, de verdade. E eu fico assustado com essas paradas, cara. Como que dá certo essas coisas aí, cara. Falando sério, já teve muita coisa que, tipo, seis meses depois, bateu exatamente o bagulho, sabe? E era algo que até então pra mim... Você lembra o que ele virou? Quais cartas ele virou? Não vai lembrar, né? Não vou lembrar, não vou lembrar. Porque foi um pouco antes. Porque tem uma combinação, tem um lance... É, não, não, aí tem várias maneiras.

Não é assim, o enforcado sempre é ruim, depende da carta que você vai ver. Exatamente, exatamente. É muito louco, cara, esse estudo. Ele que manja, porra, um dia eu voltando aqui,

trago ele pra gente. Fechou. Pô, fazer aqui, né? Acho que ele toparia. Meu irmão não se expõe assim, mas acho que ele viria. Acho que ele viria, cara. Fechou, fechou. Aliás, quem quiser, às vezes posto, ele faz consulta online também, então podem entrar lá. E aí, em primeira mão, cara, como eu não consegui terminar o livro pra sentença... Ele e o seu irmão se vão baixar o imposto de renda. Joga tarô, né? Joga lá e pergunta. Não precisa nem colocar tarô, não.

Essa aí vai virar a carta do diabo. Então, quem quiser comprar, eu estou fazendo um lote de mil livros. Pré-venda? É, pré-venda. Acho que 998. Dois já vai ficar para mim. Um na minha casa, um para ficar rodando. E esses outros eu vou vender autografado. Quem comprar agora? Ainda não. Mas é pré-venda mesmo. A entrega em junho. Eu já estou no processo final do livro. Estamos em março. A minha ideia é em abril, maio ele está rodando. Em junho você vai receber a partir de mil unidades.

não vai autografado. É só essa primeira edição de mil unidades quem garantir agora. Não sei se você consegue aí, se não eles passam depois, mas se conseguir o link a gente já coloca... Coloca no chat e depois a gente coloca no... Fechou, eu tô com o link na mão aqui, já vou jogar. Cara, honestamente é um... Preço que o pessoal tá falando. Cara, eu acho que tá 189, 199, alguma coisa assim. Cara, é um estudo que modéstia a parte, no Brasil, cara, eu ainda não vi sendo feito. Sério mesmo.

Tem um livro, você lançou dois sobre stand-up, né? Sim, sim. O primeiro eu li, o segundo me roubaram, emprestei pro... Piong? Piong? Cadê o livro? Puta merda, velho. Te hipnotizou e... Me hipnotizou, falou, vou pegar... Cara, por isso que eu não empresto o livro, os caras não... Eu também não gosto, eu prefiro dar. É, melhor dar, porque os caras não vão te entregar. Não, não vai, não vai devolver. Tem coisa que não dá pra emprestar, não dá.

Não vai devolver. E, cara, pra quem é da comédia, pra quem acompanha a comédia, pra quem...

além do humor. Porque é você parar pra pensar, pô, por que eu rio disso? Por que eu não rio disso? Por que isso pra mim me ofende e não ofende ele? Então tem muitas questões ali que elas vão refletir você. Você entendendo, porque assim, muitas vezes você se entender, muitas vezes não, você se entender é algo muito positivo pra você como ser humano, né? Na sua vida. Isso vai te ajudar muito, em geral. Só que você se entender, pô, não é tarefa

fácil. Tem gente que passa a vida inteira e não chega nem perto disso. Então, em vez de você, às vezes, tentar se entender como um todo, você pegar o humor, ele é um fragmento seu, como se fosse um pedaço do seu DNA que contém muita informação sua. Cara, eu posso... Por favor. Vamos aprofundar nesse tema que eu me interesso muito, assim. O riso, cara, você chegou a pesquisar, porque imagino que o ser humano é aquela história até do história do mundo do Mel Brooks, né? Tipo, desde a época da

tipo, um cara caiu, alguém riu, eu acho que é do ser humano essa coisa de... Como que é a evolução do riso? Por que a gente ri? Qual é a função? Porque eu acho que tem uma função libertadora, tem uma função de você se enturmar, você se sentir parte de um grupo. O que você estudou? O que é o riso? Cara, é um campo de pesquisa muito grande, né? Porque você pode rir de alívio, você pode rir de nervoso, você pode rir de medo, tem...

N motivos. Você pode ter um sorriso silencioso, uma gargalhada, um riso de canto de boca, um riso... Tem toda uma semiótica do riso. Mas o mais louco é que, na maioria das vezes, eu acho que 99%, ele é algo que você não controla. Você pode até tentar segurar, mas tipo... É, ele é quase que um reflexo, né? Exato, exato, exato. Ele é uma resposta a um... Ele é uma resposta a um... Quase que um curto circuito no seu cérebro ali, né? Um conflito interpretativo.

Exatamente. Tá no velório. Você não pode rir, não pode rir, não pode rir. E esse cara, por que que eu tô rindo? Porque aí, quando você cria uma tensão de não posso rir, aí torna até mais difícil segurar o riso, né? Exato. Como eu falei, tem toda uma semiótica do riso, tem um campo de estudo que se chama gelotofobia. Você inventou essa palavra agora. Não, não, não, cara. É o... O que que é? É o estudo do riso, cara. Sério? É, tem um estudo do riso, cara. Que vem de... O termo humorista, por exemplo, ele começou a ser usado

usado para quem faz alguém rir só no século XVIII, XIX. É uma coisa muito recente. Muito recente. Mas ele surgiu, por exemplo, um parêntese aqui, então, de curiosidades da comédia. A palavra humor vem do latim humorem, que significa líquido. Líquido? Por quê? Porque eram humores que a gente tem no corpo. Eram quatro líquidos. Era sangue, fleuma, bilis negra, bilis amarela. Então, o equilíbrio desses humores, você tinha que estar com ele

equilibrado para estar saudável. Isso aí em século IV a.C. lá na Grécia. Um pouco tempo depois, só lá no século II d.C., começaram a associar isso com um estado emocional. Por exemplo, se você está muito melancólico, é porque você está com muita bilis negra no seu corpo. Se você está com muito comportamento irritadiço, você está com mais sangue no seu corpo. O termo enfesado. O termo enfesado vem de você. Você está com muitas fezes presas, então você fica mais nervoso. Exatamente.

Eu já ouvi falar que é isso. Isso eu não pesquisei, mas eu já ouvi falar que é isso. O do humor é isso. O Lênin tá sempre enfesado. Não é? Mais ou menos. Mais ou menos. Mas você não fica enfesado. Porque ele tem um problema. Eu tô falando isso porque ele tem um problema. Você não chega a ficar enfesado. Não, não. Na verdade, o meu desenfeza. Desenfeza demais. Vai rápido. Exato. Inclusive, esse início aí dele ser equilíbrio desses líquidos...

o pai da medicina, era adepto disso. Então essa palavra surgiu há muito tempo. Só lá, quando ela começou a ter uma relação com alguém que faz rir, teve uma peça, em 1598, chamada Every Man Out of His Humor. Todos os homens fora do seu humor. Aonde você tinha, você olha curioso, a pessoa que estava com humor em desequilíbrio, ela agia de forma não convencional. Ela quebrava regras.

ela estava humorista, porque ela está com seus humores em desequilíbrio. O humorist era o cara que está com os humores desbalanceados. Então ele agia de forma não convencional, quebrava regras fora do padrão. E nessa peça, o sujeito que fazia alguém rir imitando ele era o man of humor, o homem do humor. Então não era exatamente, era alguém interpretando ele. Aí foi o começo da associação do humorista com quem faz rir.

E aí só depois, lá no século 18, 19, que começou-se realmente a humorista é quem faz rir. A pessoa que faz rir é o humorista. Então você vê quanto tempo levou para ela ser associada a alguém que faz riso. A comédia surge também, a gente falou da gelotofobia, porque quem fazia o sujeito rir... A comédia é institucionalizada. Estou me zoando aqui. Falou que o Vilela ria antes de inventarem um termo. Os caras falam que eu sou velho.

A comédia institucionalizada, ela surge ali na Grécia, se eu não me engano também 486 a.C. O que você chama de institucionalizada? Institucionalizada, porque até então, se você falar que a comédia surge aqui, não, porque já tinham situações de riso, você já tinha... Tinha a figura do bobo da corte? Não, né? O bobo da corte vem depois. O bobo da corte vem depois, mas você já tinha... Você tinha o quê? Se alguém fala, pô, mas no Egito você já tinha pessoas que o faraó tinha lá para alegar.

era ele. Tinha? Tinha. Tem uma pesquisa sobre anões. Tá brincando? É. Fazia umas graças. Tem artigo que os faraós gostavam de ter anões. Fazia alguns exercícios, malabarismo. Ele achava engraçado. É mesmo? É. Então tinha alguns anões já no Egito. Só que não era uma figura institucionalizada, porque não é que ele era o bobo da corte. Não é que ele morreu, precisa vir um anão substituir ele. Não, ele morreu, morreu. Acabou. Você pode arrumar outro.

Tinha anóstico, acrobata, tinha pessoas que divertiam, mas você não tinha uma figura institucionalizada. Isso aí surge só depois. A institucionalização vem ali na Grécia, quando você tinha o Festival das Dionísicas, que era um festival onde se celebrava, tinha comida, bebida do Deus Dionísio. E aí tinha concursos de teatro com peças de drama. E em 486 a.C., a comédia entrou ali também. Então, a partir desse momento, você tem a comédia institucionalizada.

Que era falando... Peças de humor aonde se entendia que você podia, inclusive, criticar os deuses. É mesmo? Eles acreditavam. Ou seja, porque entendiam que o que está acontecendo ali, o sujeito não está falando aquilo porque ele acredita naquilo. Entendia-se que aquilo é um espaço de transgressão simbólica, não real. E aí você pega e fala, porra, pelo amor de Deus,

de dois mil anos atrás, as pessoas andavam a pé ou a cavalo, elas tinham discernimento cognitivo de entender que aquela performance no palco é uma transgressão simbólica. E aí a gente vem pra hoje. 2026, o ser humano consegue voar, mas a porra do raciocínio anda a cavalo. O cara olha um sujeito vestido de palhaço em cima de um palco e acha que aquilo é o que ele quer fazer na vida. Mas por que esse tipo de cobrança não tem com outras artes? Não tem na música?

na pintura, não tem na escultura. Eu até acho que deve ter. Eu não vou dizer que não tem. Eu acho que deve ter gente que, ah, mas isso aí, essa pintura... Não, mas é diferente. A perseguição é diferente. Esse pintura tem que ser preso. Olha só, o cara pintou uma mulher pelada. Realmente, aqui no Brasil, eu não me recordo de... Mas em música, você pegar aquele ditador... É porque eu acho que talvez chame mais atenção. Eu não investiguei tanto.

para ver se, mas olhando uma repercussão superficial, de fato, a comédia, talvez pelo seu alcance, acaba sofrendo muito com isso. E aí você pega o sujeito que fazia rir nessa época, era o Comoedos, que vem de Comoidos, que era um desfile, uma procissão para o Comus. E aí você tinha também a figura do, chamavam também de Gelotopoiós, que é o fazedor de riso. Então daí vem o termo da gelotofobia, vem lá da Grécia.

que eu puxei. Então, cara, eu estou fazendo uma pesquisa muito extensa, muito extensa, onde tem uma parte histórica, meio que de arqueologia do riso, uma parte de psicologia, uma parte de sociologia, científica, e até terminar com uma teoria que é uma proposta autoral minha. Como eu te falei, eu acho que... Por que eu fiz isso? Eu acho que tudo que eu tenho hoje, cara, eu conquistei por causa do humor. Então, eu sou muito grato ao humor.

ele me deu não só hoje eu por me sustentar, sustentar meus pais, eu ter uma boa condição, mas até além disso, a maneira, por os amigos que eu fiz na comédia, as pessoas que eu conheci. Não, te encontrar na vida também, achar alguma coisa que te tenha propósito. Exato, exatamente. Então, assim, eu sou extremamente grato a tudo que o humor fez por mim na minha vida e ele está sendo mal julgado, cara. Porque um julgamento como esse, que aconteceu comigo, o humor está sendo mal julgado.

ele não está sendo compreendido. E eu acho que aí cabe também uma reflexão que é, quando você precisa explicar uma piada, o problema pode estar na piada. Quando você precisa explicar o humor, o problema está na sociedade. Porque não estamos falando de uma piada. Tem gente que não está entendendo o que é humor, o conceito de humor. E ele está sendo muito mal julgado. E eu acho que precisa aprofundar esse debate.

muito frescor para esse debate da comédia, que é esse, ah, mas o cara está no palco, não, mas tem gente que se ofende, mas essa piada, eu acho que o debate fica muito no lugar comum. Vou falar duas coisas, eu quero que você explique direitinho todo esse processo que aconteceu contigo, mas eu vou ressaltar também que eu entendo porque o pessoal tem tanto medo do humor da comédia, porque ele tem um poder absurdo, um político, um líder ser ridicularizado, uma coisa é você fazer um discurso,

fazer uma crítica. Outra coisa é um apelido, uma piada, uma caricatura pegar. Esse cara vai ficar marcado pro resto da vida com aquilo. Ele perde toda a moral. Tanto que a galera morre de medo. É tipo o Haddad, por exemplo. Grudou nele o negócio de taxade, dessas coisas. É muito pior do que qualquer articulista ou economista fazer uma crítica séria. Porque virou isso. Lembra do Rubinho Barrichello? Grudou nele algum meme, alguma coisa. Cara, isso é poderosíssimo. Tem muito mais poder

do que críticas e críticas. Então o pessoal morre de medo do humor, né? Tem muito essa discussão. Eu pesquisei muito a respeito disso também. Se é... O humor provoca mudança social? E aí? Tem... O que você acha? Eu acho que sim. Você acha que sim? Sim, uma charge, ele pode dar um gatilho, uma caricatura. Fazer um cara sempre com a roupa de presidiário, um cara que tem um nariz grande porque ele é mente, não sei o quê.

e esse cara vai ficar marcado com aquilo e ele não ganha a próxima eleição. Mudou alguma coisa. É um exemplo bem básico. Sim, sim. Tem argumentos pra ambos os lados. Tem argumentos pra ambos os lados. Tem gente que defende que sim, o humor pode provocar mudança social e tem gente que fala, não, o humor não vai provocar mudança social. Ele pode aliviar uma tensão, ele pode fazer mais... O humor tá à frente ou ele é um reflexo do que já tá estabelecido?

Tem essa discussão, né? Porque pra mim, é isso. O humor, se alguém falar, ah, mas não pode confundir

não pode se confundir liberdade de expressão com liberdade de opressão e não sei o que. Cara, pra mim é o seguinte. O humor, ele não desenha a sociedade. Ele reflete. É. Tanto que... Se a gente começar a fazer piada... Ah, o humor, esse comediante está há 10 anos à frente do seu tempo. Ninguém vai no show dele, então. Porque ele não está falando dos problemas, não tem comunicação com... Exato. Não é? Exatamente. Exatamente. Se a gente começar a fazer piada, vamos combinar. Pô, a gente é comediante, junto uns outros, a gente fala, ó, é o seguinte.

fazer piada que... Porra, japonês é porco, é sujo. Não recolhe lixo, espalha as coisas na rua. Todo mundo fazendo piada sobre isso, tá bom? Alguém vai achar que daqui 10 anos o Japão vai virar um lugar sujo? Não. Impossível. Impossível. A gente vai começar a fazer piada que todo japonês é sujo? Não vai rolar, porque não reflete a realidade. O que vai acontecer? Você vai contar uma piada, ninguém vai rir. Se você não vai insistir, vai contar a segunda, ninguém vai rir.

Ou seu show vai ser uma porcaria e você vai abandonar a piada. A verdade é essa. O pessoal não entende que é assim que funciona. A verdade é essa. É tentativa e erro. Quantas piadas você abandona porque simplesmente a galera não ri?

A gente é refém da risada, né? Se você contar uma piada sobre o japonês ser mal educado, você vai jogar essa piada no lixo. Ela não vai funcionar. E acabou. Agora, se o japonês... A não ser que você esteja falando com ironia e querendo dizer o contrário do que você está falando. Sim, sim, sim. Exato. Mas esse é um ponto. E aí cabem argumentos... Por exemplo, você pega um dos argumentos fortes sobre a incapacidade do humor de ter esse poder é a União Soviética. Tá. Que, pô, tem...

Milhões de piadas sobre o comunismo. Piadas muito boas. Tem uma que é... Dá pra estabelecer o comunismo no deserto? Até dá, mas daqui a um tempo vai ter que começar a importar areia. Sim. Cara, tem muita piada boa. Muita piada boa. É, boa essa piada. E as piadas não provocaram mudança. Pelo contrário, até quando... Se você pegar assim no... Não tem aquela que o cara fala assim... Eu sou... Eu acho que o mundo tinha que ser socialista.

e tal, e por exemplo, todo mundo tem três cavalos, tem que dividir os cavalos. Ah, eu sou contra isso daí, por que eu vou dar meu cavalo, não sei o que? Ah, se for assim também vamos fazer com cabra. Não, cabra eu não quero. Por quê? Porque eu tenho cabra. Cavalo eu não tenho, então tudo bem. Aí eu sou cabra, eu sou inimigo. Agora cabra não, eu tenho cabra. Tem uma frase até que falam que quando acabou o comunismo, tudo melhorou, menos as piadas. As piadas pioraram muito, cara. Essa frase não é minha, essa frase está

um livro. E, de fato, porque tinha mais tensão. Tinha opressão. Tinha mais tensão. Então, realmente, eu acho que as piadas vão ser melhores. Se você pegar uma sociedade onde tudo é permissivo e uma outra onde nada pode, essa é muito melhor pra fazer humor. Muito melhor. Imagina uma sociedade também que pode tudo, que tudo é liberado também. É muito difícil fazer humor. É, é mais difícil. Todo mundo é feliz, tudo dá certo. Ah, não.

E por mais que seja também um descontrole total, é mais difícil. Tipo assim, você fez um tema aqui,

é um tema obviamente sensível, estupro. Você fez uma piada sobre estupro, mas todo dia tem 90% da população sendo abusada. Essa piada não é nada. Nada perto da realidade. Nada. A tensão que ela provoca é zero. Zero. Então, seja num lugar muito bom ou num lugar de completo descontrole e caos, a piada, você tem menos material pra fazer piada do que numa sociedade onde, não, isso não pode, isso aqui não pode, que é o caso da União Soviética. E aí, uma das,

os argumentos é, pô, se a piada... Aí você tem a linha que fala, não, a piada ajuda. A piada ajuda. Ajuda o quê? A provocar uma mudança. Tem um sujeito que ele... Acho que é Popovic o nome dele. Ele criou algo chamado leftivism. É um ativismo do riso. Onde ele procurava justamente cutucar figuras políticas de uma maneira cômica. Em uma das ocasiões, ele colocou um barril na praça e o pessoal tinha um porrete pra... Ele dava um porrete pra você bater na foto do...

presidente lá, e aí dava uma moeda pra quem fosse lá fazer isso. A polícia chega, cara, e agora? Não pode fazer isso, não pode. Aí terminaram prendendo o barril. Que é pra parar com isso. E aí você mesmo passou sendo de ridículo. É isso. Então essa era a ideia dele, que é muito legal. É muito legal, muito interessante. E ele é um dos caras que defende que, pô, o humor pode provocar uma mudança social. Muita gente que fala que não fala isso. Pô, se o humor provocasse algo,

teria, na época da União Soviética, teria acontecido alguma coisa. E ele não provocou nada. A União Soviética, quando cai, ela não cai por causa da piada. Ela cai por questões muito mais fortes, econômicas, sociais. A piada é o termômetro. Por isso que eu falo, você querer... A piada desenha a sociedade, ela não reflete. Você querer proibir piada sob a alegação de tornar

o meio, um lugar melhor, é o mesmo que você olhar um termômetro, ele mostra que você tá com febre, e aí pra curar a enfermidade, tu vai lá e quer o termômetro. Tá pronto. Agora resolvi a febre. Não, você continua com febre. Você só não tem mais algo indicando que você tá com febre. Mas o teu corpo continua com todos os sintomas, cara. A piada é isso. Ela vai refletir. Ela não vai construir a sociedade. Ah, mas e nesse caso do leftivismo? Eu acho que assim, o humor até pode, mas se ele estiver sendo utilizado

por uma força maior, uma força política, uma força social. É isso, você tem um partido político pegando a piada, impulsionando, ah, peraí, então não é só uma piada. Você tem algo mais orquestrado e mais forte por trás. Você tem, às vezes, você tem veículos de mídia para fazer sair lá, para fazer repercutir. Então você tem mídia, você tem partidos políticos, você tem... Não é a piada. A piada está sendo uma ferramenta ali nisso. Mas ela sozinha é uma força muito fraca.

particularmente acredito nisso também. É uma força muito fraca, velho. A gente voltando na história da comédia e colocando a esquerda e a direita, vamos colocar assim, mas a esquerda e a direita, eu acho que até a esquerda era mais. No começo da comédia, ela era totalmente a favor da comédia quebrando todos os... Lembra? Os caras eram presos porque contavam piadas com cunho sexual, com palavrões. Os caras eram policiais na plateia e prendiam os caras. E a esquerda comprava. Não, é isso. Comédia é isso. Tem que ser...

Transgressora. E de repente você vem com politicamente correto e fala, não, peraí, temos limites. Isso não pode? Isso não pode? Isso não pode? Isso pode. Ou só a gente pode. Ou então, é aquele negócio. Racismo é errado. Mas se for racismo contra um cara de direita, pode. Posso chamar ele de capitão do mato. Entendeu? Mas a mulher que não é de esquerda e que tá enchendo o saco, eu posso falar que ela deve ser estuprada. Então, assim, essa hipocrisia que a esquerda...

a esquerda começa a colocar com piada, com opinião e com tudo, começa com politicamente correto, você acha? E isso é de quando? Você sentiu essa diferença? Porque no começo estava todo mundo junto e todo mundo testando os limites da comédia, né? Sim. Eu lembro disso, no camarim todo mundo testando, pô, essa piada deu certo, elas vão dar cuidado com isso e não sei o quê. Quando começou a mudar? Cara, essa mudança aqui, eu acho que naturalmente no começo era muito pouca gente fazendo também, né?

E todo mundo queria só fazer rir. Eu acho que em qualquer meio, conforme ele vai crescendo, naturalmente,

você vai tendo rachaduras ali. Eu acho que isso acontece em qualquer lugar. E eu acho que tem que ter gente fazendo piada para todos os lados mesmo. Tem que ter humor de todos os tipos. Eu não vejo problema nenhum em quem faz humor, seja com A, com B ou com C, enfim. Mas eu acho que foi a partir desse momento que começou a crescer muito. O Brasil vive uma polarização muito grande. Não só o Brasil. Você pega o próprio Estados Unidos também.

Eu falei da esquerda. A direita também, quando começou a incomodar, também cresceu. É, também.

Ah, não, não. O quê? Vai falar do meu mito, vai falar de não sei o quê, vai falar contra a família, contra a religião. Também entrou nessa onda que eles criticavam, né? Cara, eu não sou partidário. Muita gente fala, ah, bom, eram os anos 80, podia tudo, anos 80, 90. Eu não sou partidário disso, cara. Era uma outra época também. Eu não sou partidário. Eu acho que se você perguntar, porra, pra pessoas trans, pra gays, pra negros, era melhor a década de 80?

Eu acho que a maioria vai falar não. Claro que não. Não, não era não. Porque a gente, infelizmente, ainda tem preconceito na sociedade,

Era muito maior. Era muito maior. Você tem entrevista na Rede Globo, tem uma que eu vi circulando esses dias, o cara perguntando duas da tarde. Globo Repórter, assim, duas da tarde. Tinha assassinado alguns travestis e aí perguntava, pô, o que você tá achando dessa onda de crime? Pô, tiveram alguns travestis assassinados? Ah, acho que tá certo mesmo, né? Sair na rua. Isso ia pro ar. Isso duas da tarde. Assim, é um completo absurdo. Completo absurdo. Entrevista de Jô Soares, da Marília Gabriela, com trans e,

Você assiste hoje e fala, meu, olha o que eles estão falando, cara. Para ela. Era outra época mesmo. Total. Então, assim, eu acho que várias pautas ali realmente precisavam evoluir, sem sombra de dúvida. Eu já vi, eu sempre falo isso, eu já vi cristão conservador que fala, eu não vejo problema... Hoje está todo mundo muito sensível, muito mimimi. Eu não vejo problema em piada com minoria. É só não mexer com religião. É. Mas aí o travesti ateu discordo de você. Exato. É isso. Ou seja, no fundo,

Segundo, cada um quer o quê? Quer que o seu limite seja da sociedade. E aí não vai funcionar nunca. Porque se você escolhe qual censura que é válida... Pode fazer tudo, mas não brinca com Deus. Não tem como, cara. Se você escolhe qual censura é válida, você está contra a liberdade de expressão. Não vai funcionar. Se você riu de uma piada aqui, você já perdeu a... Não pode falar, mas essa não pode. Exatamente, exatamente. E aí quem está no poder vai sempre tentar proteger os seus sagrados, os seus símbolos que te colocam ali.

Se for uma direita conservadora, se for a igreja católica apostólica romana, ela não vai permitir piada com nenhum símbolo sagrado. Se for uma... Um exemplo de tipo de censura que a direita tentou é o filme do Danilo Gentili. Onde confundiu um personagem que era pedófilo falando que o filme era pró-pedofilia. E queriam proibir. Sendo que o filme mostrou um personagem e ridicularizava esse personagem. Exato. Ele é um personagem

Ele é um vilão ali no negócio. Ele é um vilão. E isso entra outro detalhe também, que é a pessoa julgar o todo pelo fragmento. Cara, não faça isso. Tirando do contexto. Exato. Não faça isso. Procura olhar tudo. Veja tudo. Porque isso cabe em obra artística em geral. Mas você pega o meu caso. Cara, você quer julgar? Veja o meu show. Veja o show todo. Veja tudo. Veja o começo. Veja o discurso final. Veja tudo. Não pega...

É um show de 75 minutos. Esse agora tem 86. Pô, não pega um minuto e meio e me condena por causa disso. Porque se você pegar... E outra, pegar um texto onde você está interpretando, está falando, tem pausa, e escrever friamente no documento é outra coisa. Não tem um comediante americano que fala isso. O Rick Gervais, cara. O Bill Burr. O Bill Burr fala do... Da mulher que ele fala assim, ó não, pare! Ó não, pare! Aí o juiz assim, ó. Ela falou, ó não, pare! Ó não, pare! Não foi assim!

Não, foi assim. Essa piada é muito boa. Essa piada é muito boa. O Rick Gervais, tem um momento do show dele, não sei se foi o último ou penúltimo agora, que ele fala, e a pedofilia é uma salva de palmas, professores pedófilos. Cara, se sou eu, contando a piada do Rick Gervais, eu tava sendo investigado. Eu tava sendo investigado. Porque tá lá, ó. Veja a opinião de Léo Lins. Ele pede aplausos para pedófilos. Não, cara. Mas aí o Rick Gervais faz, tá lá no streaming e não tem problema nenhum, cara. E é tão absurdo

a galera sente constrangida. Claro, porque é absurdo, cara. Quando você falou até, porra, eu tava lá no show, no bullying, sei lá. Porra, eu não devia estar rindo disso. Tem uma construção de frase que até exemplifica isso melhor. Porque a gente tende a falar isso, porra, eu sei que eu não devia estar rindo disso. Isso é muito errado. Eu não devia estar rindo disso. E uma construção semântica mais correta até é eu sei que isso é errado, por isso eu estou rindo. Exato. Essa é a leitura certa. É isso.

tá rindo justamente porque você sabe que aquilo é errado. É isso. Isso mostra até que eu não estou apoiando. Imagina, você conta uma piada absurda e eu falo, não, normal, eu concordo com esse cara. Isso é mais assustador. Aí é o problema. Todo mundo rindo e o cara fala, o que vocês estão rindo? Isso que ele tá falando é minha realidade. O cara conta sobre ter um date com uma pessoa de 10 anos e fala, mas qual que é o problema nisso? Peraí, peraí, peraí. Caramba, velho.

vermelho aqui. Quando você rir, você tá rindo porque você fala, cara, isso é muito errado. Que bom que você sabe que é errado, por isso você tá rindo disso. É o que a gente falou, a sociedade completamente caótica, você não vai ter esse peso, velho. Se você contar uma piada de canibalismo pra uma aldeia onde isso é o dia a dia, não vai ter transgressão. Podem até rir se ela for bem construída, mas não vai ter o valor de transgressão, não vai ter esse peso de tá subvertendo a norma, porque aquilo é o padrão. E, cara, e com piada você consegue falar coisas que você não falaria

O Gervais falava do Epstein no Globo de Ouro lá atrás e você cortava pra galera rindo constrangido porque sabia que era verdade o que ele tava falando. Sim, sim. E a gente nem entendia direito. Fala, pô, tá, os caras são amigos do Epstein, não sei o quê. Vocês não tem moral pra vir aqui dar discurso. Fala, cara, eu não entendi. Hoje em dia você fala, caralho,

Muito bom. Esse discurso é muito bom. Vem aqui, pega o prêmio e vai embora. Vocês não tem que dar lição de moral a ninguém. Aquilo é transgressor. Aquilo é transgressor. Você está indo contra... É o que eu falo. Se alguém falar... As pessoas confundem, cara. As pessoas confundem. Vamos lá. Você... Acho que foi em 2013. Você teve uma... Que fala... Eu já vi muitos jornalistas. Às vezes falam... Por que não faz piada com o poder? Por que não faz piada com o poder? É sério, velho. É sério.

o quantos por cento disso é burrice ou quanto é mal-caratismo? É um dos dois. É um dos dois. Você pega uma pessoa que, se eu não me engano, 2013 ou 15, acho que foi 2015, Marcha das Vadias, era um movimento feminista. Uma pessoa pegou um crucifixo e introduziu no Anos, se eu não me engano. Na rua. Ou na vagina. Na rua. É, ou na vagina. Partes íntimas. Na rua. Na rua. Aconteceu alguma coisa? Nada. Aí você pega... Pô, teve na Avenida Paulista,

não lembro também a data, 18 ou 20, que foi uma pessoa transcrucificada, que vários cristãos também se escandalizaram, não pode, é vilipendio de um símbolo sagrado, problema nenhum. Os especiais do Porta dos Fundos, todo ano tem um especial diferente, fazendo piada, eu sou a favor, sempre defendi o Porta dos Fundos, sempre, todos os casos, quando foram atacar, quer reclamar, cancela sua assinatura na Netflix, faz um boicote, mas sempre estive do lado deles,

que tem o direito de fazer. Fizeram os especial... O que aconteceu? Aconteceu que no ano seguinte ganhou outro especial. Aí você faz uma piada sobre minoria num palco. Eu recebi oito anos de cadeia em primeira instância. Eu fiquei quase um ano proibido de sair de São Paulo, sem autorização judicial. Suspenderam minhas redes sociais quase um ano, o que me traz prejuízo até hoje. Bloquearam conta no banco. Eu tive dificuldade para...

Bloquearam? Bloquearam minha conta no banco. Eu tive um prejuízo de mais de meio milhão num processo que eu ganhei agora. Mesmo ganhando?

ganhando, mesmo ganhando. Mas as custas não ficam pra quem perde? Aí é o estado, né? Aí é o estado. E aí, é sério que ainda vai vir um jornalista falar, então faça piada com poder. Cara, se eu fizer piada de Jesus, eu ganho especial na Netflix, cara. É o que eu falei. O quantos por cento é burrice e o quanto é mau caratismo? Não é possível. Não é possível, velho. Não é possível. E assim, aí, eu repito, não vejo problema em

reclamarem, boicotarem. Mas, pô, não o Estado intervir nisso. Não é o Estado que tem que intervir nisso. E, ah, mas tu falou da minoria. Você pega todas as minorias que estavam presentes no meu julgamento, na primeira instância, todos que estavam no tribunal, estavam a meu favor. Você tinha lá mulher negra, homem negro, pessoa com deficiência, pessoa que tentou suicídio. Você tinha diversas minorias representadas ali, todos do meu lado. E, no entanto, a figura da justiça representada por uma pessoa branca,

que é de classe alta, fala pra essas minorias que a opinião delas não vale de nada, porque foi o que aconteceu, ignoraram solenemente, é como se o Estado falasse, não me importa o que você gosta, eu sei o que é melhor pra você, eu vou decidir o que você pode rir ou não rir. Porra! É sério! Sob uma suposta proteção a essas minorias. E aí eu não tenho como achar certo isso, cara. Eu quero o Estado cumprindo o papel de Estado, não de pai.

Eu tenho um pai, eu tenho uma família que vai me dar uma educação e eu vou escolher do que eu rir, do que eu não

um rio, que tipo de música eu gosto ou não gosto. Eu não quero o Estado fazendo papel da minha família. Exato. Eu quero o Estado fazendo papel de Estado. Eu quero que ele construa uma boa situação econômica do país para que as pessoas consigam arrumar emprego e dar uma vida digna para a sua família. Eu quero que o Estado dê segurança para eu poder andar na rua sem medo de roubarem meu celular ou me darem um tiro. Eu quero que o Estado dê uma saúde para se o cara for no hospital não precisar ficar 4, 5 meses na fila para conseguir um exame. Eu quero que ele dê meio de transporte

pra tu não ficar uma hora no ônibus correndo o risco de ser assaltado e se tomar um tiro vai ficar 4, 5 meses esperando pra conseguir fazer um exame. Eu quero o Estado fazendo papel de Estado, não curadoria de obra de arte. Pô, isso pra mim não é papel do Estado. Eu já vi também um comentário tipo, ah, se o Léo Lins falar isso pra mim na rua, toma porrada. Eles acham que você sai na rua contando piada pras pessoas, assim. Também, também.

E outra coisa, ameaça de receber um monte, aliás, estou recebendo novas agora que lancei o

também. E aí não tem problema. Aí não tem problema. Eu acho que é o seguinte. Eu contei uma piada. O sujeito riu. Um ficou indiferente. O outro se irritou. E aí ele vai lá te bater. Que já aconteceu comigo. Andando na rua lá. Tomei um soco na nuca. O cara veio pelas costas. Soco na minha cabeça. E aí isso é mais aceito do que a piada. Que inversão de valores é essa, cara? A reação agressiva...

Ele fala, não, mas também, olha o que você falou. Não, não, não, mas peraí, cara. Vamos falar do tapa do Will Smith no Chris Rock. Exato. Lá nos Estados Unidos, todo mundo condenou o Will Smith e aqui a galera do lado dele, cara. Não, tá certo. Exato, exato. E aí você tem gente falando que... A carreira do Will Smith, cara, foi pro buraco, velho. Teve gente falando que o Will Smith tá certo. Mesmo o Will Smith aparecendo depois falando, eu errei. E tem gente no Brasil falando, tu não errou, não.

te dar a mão na cara mesmo. O cara foi contratado pra fazer humor. Tem roteiro. Tem tudo, não sei o que. A galera sabe que vai ser zoada e tal. E ele pirou. A galera não entende isso. Não entende, cara. E ele também é comediante. Tem uma frase do outro autor que se chama Christ Davis que ele fala, cara, ninguém precisa de piada pra expor violência. Tem coisa muito mais eficiente que isso. Por exemplo, ideologia. Isso vai te fazer sair na rua e dar um soco na cabeça de alguém pelas costas. Com certeza.

Não, cara. Aliás, a piada, ela encerra ali. A piada você ouviu, riu. Ela não tem um ato sequencial. Você riu... Puta merda, velho. Guerras já foram feitas por ideologia. Acabou. Por causa de religião. Mas nenhuma guerra por causa de piada. Vamos atacar a Espanha porque eles fizeram uma piada. Exatamente, cara. Portugal atacando a gente. Não aguentamos mais piadas de português. Vamos atacar o Brasil. É isso. E se Portugal emitir um... Porra, um posicionamento...

público agora que é um absurdo o Brasil fazer piada que português é burro. O que vai acontecer? Mais piada. Que ali quase nem tem, né? Ninguém faz piada português burro. Porque já foi. Mas se eles fizerem isso, vai criar uma tensão. E aí vai acontecer o que agora? Agora mesmo. As piadas vão aumentar exponencialmente. Agora vai ter um milhão de piadas que português é burro. Porque vocês estão emitindo um documento oficial proibindo esse tipo de piada? Porra, pela

de Deus, cara. Mas vamos falar do teu caso, o caso do Danilo, de alguns... Dá um histórico de comediantes que tiveram problemas com a justiça e como foi, e se mudou alguma coisa no teu caso. Nenhum desses era cadeia, era só dinheiro? Como que é o histórico disso? Cara, comediante preso por exercer sua atividade no local apropriado, a gente tem exemplos na Alemanha Oriental, na União Soviética. É, onde, né? Em locais onde o forte não era a liberdade de expressão. O forte não era esse.

próprio Estados Unidos, né? O Lenny Bruce ali, década de 50 e 60, várias vezes. Vamos ver um paralelo. Qual a foto do Lenny Bruce, cara? E aí o documentário sobre a vida dele é muito bom, né? Tem uma piada dele, ele fazia muita piada de religião. Por quê? E se alguém falar, sim, porque na época a tensão era com isso. Ele fez piada de religião, ele não ganhou um especial na televisão, não. Não. Não chamaram ele pra ir pra ter...

O que aconteceu com ele pra fazer piada de religião? Foi preso e banido de vários lugares. Ele não podia se apresentar, é uma porrada

de lugar. É isso. Diga-se de passagem, o que aconteceu comigo aqui? Fui condenado à prisão e tem um monte de teatro que não me recebe. Vários teatros que eu tento marcar. Não, o show dele não. Não, ele não. Tem a data de 25? Tem. Aí manda o show do Léo Lynch. Ah, não vai dar. Acabei de lembrar que tá ocupado. E aí vem o jornalista, faça piada com o poder. Porra, pelo amor de Deus, cara. Tem uma do Lenny Bruce que ele falava que se Cristo, em vez de ser crucificado, tivesse sido morto lá na cadeira, todo mundo tava usando um cordão com cadeia.

em elétrica e tal, não sei o que. Isso aí deu problema pra ele. Isso, isso deu problema pra ele. Entre outros, falar palavrão deu problema pra ele. O Carlin também, o Jorge Carlin. Ele escreveu o texto lá, as sete palavras que não podem ser ditas, que era fuck, motherfucker. Isso aí era passível de falar, não, tem que prender ele porque está ofendendo a moralidade pública. O argumento é sempre esse. O que usam no meu caso é estar ofendendo a moralidade. Se alguém falar, não, não é ofensa à moralidade.

É preconceito. E todas as pessoas com deficiência, todos os negros que vão no meu show, todas as minorias que vão no meu show. E aí? Porque no mínimo era para ver pelo menos uma unanimidade muito forte. É o que eu falei, eu não tenho dados para provar, mas, por exemplo, pessoas com deficiência, acho que o meu show deve ser o que mais recebe. De verdade, vai muito, muito. E aí a opinião dessas pessoas não vale de nada. Então, você tem alguns lugares, o Jorge Carlin, o Lenny Bruce,

algumas vezes. Ele era detido, pagava fiança e saía, né? Acontecia isso. Aqui no Brasil, eu não me recordo até então. Não sei se Chico Anísio já teve problema. Eu tinha que mostrar... Porque naquela época era censura, né? Se não podia falar dos generais... Exato. Que, olha, se for o caso, se for o caso de alguém falar, olha, eu não me considero um privilegiado nem acima de ninguém. Se o estádio chegar e falar, olha, é o seguinte... As palavras, as coisas que são proibidas. Isso aqui,

Ninguém pode. Ninguém. Quem falar, cadeia. Ok. Consegui. Ok. Tá claro. Tá claro. Aí se alguém falar, mas é isso. Não, não é isso. Não é isso. Porque tem piada. Que eu estou com o processo de um show lançado em 2015 e recebi uma condenação ano passado. Que eu fui condenado a pagar 100 mil. E tinha pedido de prisão de 2 a 5 anos. Multa de 2 milhões. E aí eu fui condenado a pagar 100 mil por causa de um show que teve na Netflix. Esse show ficou lá 2 anos e nunca deu problema. Qual que era? O Piadas Secreta.

Tive que tirar também do meu canal. O perturbador também tirei do meu canal. Vários vídeos que eu tinha antes da suspensão do meu canal. Nenhum eu consigo voltar hoje. Se eu pegar o vídeo e voltar, ele não entra no ar. Caramba. Porque foi proibido no Brasil por documento do Estado. Só dá pra acessar com VPN do exterior. Nossa. E aí, eu já vi outro comediante fazendo a mesma piada. Igual. Igual. E não tem problema. Tá no ar, tá no YouTube. O Danilo sempre fala que não é o que você diz.

É quem diz, né? Isso vale pra tudo, né? Tem, tem. Isso vale pra tudo. Isso vale tanto pra esquerda quanto pra direita, né? Não é o que se fala, é quem fala. E tem explicação neurológica pra isso. Por isso que eu falei que eu acho que eu precisava aprofundar essa questão do humor pra quando for necessário você ter as devidas ferramentas pra fazer uma análise mais apurada. Quando você ouve uma piada, eu fui ver o que acontece no cérebro da pessoa,

para a gente ou rir, ou se irritar, ou agir de forma indiferente. Bem resumidamente, para não virar uma aula de neurociência, mas bem resumidamente, você escuta a piada, ela passa pelo seu canal auditivo, tem uma área chamada área de Wernicke, enfim. Aí você tem uma parte do cérebro chamada giro temporal superior, que é o que vai pegar aquela informação que está ali e vai codificar ela. E aí tem uma parte do cérebro que é o córtex pré-frontal medial, que ele é o fiscal da piada.

É a moral? Esse é o fiscal da... É ele que vai olhar. Você chegou com a piada lá. Codificaram. Córtex prefrontal medial. Vai olhar e falar. Essa é só piada. Pode passar. E segue adiante. Ou vai olhar. Isso aqui é um absurdo. Isso aqui é uma ofensa. Isso aqui é uma agressão. Temos que fazer alguma coisa. É ele que vai dar esse julgamento. Se passar, é só uma piada. Beleza. Passou. Vai pra... Você vai passar por algo que é o circuito dopaminérgico. Você vai rir. Vai terminar rindo. Libera dopamina.

neurotransmissores que você vai se sentir bem e ficar feliz. E se não passar, se ele interpretar como uma ofensa, uma agressão, um ataque, aí vai entrar o córtex pré-frontal dorso lateral, que é uma parte do cérebro que racionaliza. Porque até então a resposta foi mais emocional. Foi instintiva. É, é emocional. Ah, e baseado em quê? Aí cada um tem o seu, baseado em seu sexo, gênero, onde você nasceu, que cultura você foi criado, sua religião, se tem, se não tem, ideologia,

se tem, se não tem. Tudo isso vai formar o seu senso de humor que vai influenciar esse julgamento. Que primeiro é emocional. E aí quando for racionalizar isso, perceba que a racionalização é pós. Sim. É como se fosse um advogado advogando a seu favor. Ele agora vai justificar o porquê você se ofendeu. Eu me ofendi porque isso aqui ele está menosprezando minorias, não pode, são pessoas fragilizadas. Ou vai falar isso aqui é uma religião, merece respeito, é um símbolo sagrado.

Ele vai racionalizar e aí você vai agir de forma, vamos cancelar, vamos bater, vamos protestar, entende? E assim, isso é do ser humano. Isso é do ser humano. Agora, cabe ter pelo menos essa noção, porque é o que eu falei, eu entendo. Às vezes o cara se ofender com a piada e ter uma reação agressiva porque é do ser humano. Agora, não pode a justiça agir na emoção.

O juiz ali é um ser humano. Ele está sujeito a isso também. E de fato, não é um robô. Ele pode também ler ali a sentença e acontecer isso. Ter uma racionalização em cima de uma emoção. Só que, se você pelo menos tiver a ciência que é assim que funciona, para você pelo menos dar um passo atrás e falar... Tá, peraí. Deixa eu ver se é assim ou se eu estou racionalizando uma resposta emocional.

pelo menos ter a ciência pra conseguir ter um julgamento mais justo. É isso. Na participação que você teve no Jornal da Gente, falando sobre a sentença semana passada, você deu um exemplo bom do carinha do Seinfeld, né? Sim. Ele tava fazendo um show, aí começou a trocar a bate-boca com o cara da plateia e foi racista com esse cara. Aí ele saiu da persona dele e aí virou pessoa física, ele simplesmente não sendo racista com o cara.

É diferente isso. O público percebeu. O público percebeu. Tanto que ele levantou e começou a ir embora. Ninguém ficou rindo.

Ah, que legal. As pessoas viram que houve uma quebra e o cara começou a xingar, a ofender e tal. E as pessoas levantaram ele e foram embora, protestaram. E assim, e ainda assim, o Estado não fernado contra ele. Mas a carreira dele acabou. Exato. A carreira dele acabou. Verdade. O Kramer, né? Porque perceberam. O ator é o Michael Richards. Porque perceberam. Então assim, cara, não precisa. Não precisa. Se as pessoas perceberem que você foi um preconceituoso, racista,

Capacitista. Porra, machista. Seja lá o que for. Se perceberem que... Não, isso aí é o sujeito mesmo. Aí vai ter gente que vai falar... Até parece. Cara, até parece. Chega e fala um absurdo. E deixa as pessoas perceberem que aquilo é real. Caso seja real. E as pessoas percebam. Não, ele está falando real mesmo. Isso aí não é... O exemplo do Michael Richards. É isso. Esse é um exemplo claro. Se acontecer isso aqui... Cara, a pessoa não vai ter público. Não vai ter público. Não vai... Ah, então você está dizendo...

que não tem preconceituosos no Brasil. Pô, pode ter, mas tu não vai marcar um show num teatro e vai encher. Não vai acontecer isso. Pois é. O próprio meio vai selecionar, cara. Não tem como. E, aliás, pra quem acha, ah, é só subir lá e ofender. Cara, vai lá, faz isso. Faz isso. Você vai ver que... Cara, tem uns vídeos de uns comedores... Você vai ver que não é assim, não, cara. Tem, tem. Já me mandaram uns. Eu acho que o Albani me mandou uma vez e falou, ó, isso aí é culpa tua, mas eu rindo em tempo. Cara, é horrível. Horrível. Ninguém tá rindo.

progressivo, constrangedor. Não tem construção, não tem persona, não tem nada. Exato. Antes de saber exatamente do processo dele, eu quero perguntas sobre o que a gente já falou, Lênio, ou seguimos aqui. O que você acha? Vamos lá. Eu separei aqui, na verdade, umas piadas que fizeram com o Léo aqui, tá? O Dudu Sagaz... Tem uma piada aqui. Posso falar do nosso palteiro, nosso roteirista aqui, do Fábio? Pode, pode. Léo Lins é o herói da comédia. Tá sempre com a mesma roupa. Mandou aqui no particular.

Acho que eu não ia ler. Aliás, deixa eu aproveitar então. Mais um lançamento. Vou dizer que eu estou sempre com a mesma roupa. Eu só estou com esse aqui. Acabamos de lançar. Olha que legal. Esse aqui ficou top, velho. Ficou top mesmo, cara. Camisa de força. O bolso é invertido, que é para ficar de camisa de porra. Isso aí sensacional. Mais uma vez, o bolso é invertido. Cara, a roupa que eu lanço tem a ver também com... É unidade, velho. É unidade no seu trabalho. Com certeza. Fala, Lenis.

Dudu Sagaz mandou aqui o seguinte. O Léo Lins é melhor que o Roudini. Ele conseguiu sair da cadeia. Escapar da cadeia. O Roudini usava camisa de força. O Andrei, ele mandou aqui o seguinte. Rapaz, esse Léo Lins é fogo, hein? Léo Lins é tão amigo dos outros. É fogo, entendeu? Eu peguei. Ele falou, é tão amigo dos outros que não coloca nem a mão no fogo pelos outros. Põe logo a cara toda. Então, ele tava preparando a piada. Exatamente.

Paulo Steroy. Ele mandou o seguinte. Léo, obrigado pelo Sapo Césio e a foto. Topzeira. O Sapo Césio é o livro e a foto deve ser a foto que ele tirou. Sim, sim. Qual que é o nome? É o Paulo Steroy. Ah, acho que eu sei que é Paulo Steroy. Eu sei quem é. Eu sei quem é. Ele já tem... Pô, imagina. Obrigado. Aliás, agradeço todo mundo. Cara, tem uma galera que me acompanha muito fiel. Aliás, é... Cara, eu sempre falo pra minha plateia que eles me dão muita força pra seguir em frente porque é isso. Acho que o verdadeiro cancelamento, cara, é...

Eu já fui proibido de sair do Estado. Conta no banco suspenso. Suspenderam a rede social. Uma multa milionária. Já tive um monte de coisa. Mas eu marco o show em duas sessões. Três sessões. E eu poderia não ter nada acontecendo comigo. Nada. Oleni, em dois dias, 800 mil views. É um recado que a galera está falando. Tem público para isso. Sim. E modéstia à parte, cara. Se você não assistiu, assista. Porque uma coisa que me deixa muito contente também, cara, no meu show, muitas vezes vai alguém arrastado.

Tipo, ah, tá indo pra ir com o grupo, ou acompanhar a namorada ou o marido, mas tipo, não gosta de mim, sabe? E aí termina o show, essa pessoa fica na fila pra tirar fotos. Cara, pra mim é muito gratificante, porque é uma mudança de sentimento numa graduação muito grande, cara. A pessoa entrou lá me odiando, não é que ela entrou neutra, ela entrou me odiando, tipo, tá, vê esse otário aí. E saiu ficando na fila pra tirar uma foto. E eu fico sabendo porque a maioria fala, ó, porra, eu te odiava,

gostava de você, porque eu vi as matérias sobre você. E eu sempre falo, quem me conhece só por notícia não tem como gostar de mim. Não tem como. E aí eu aproveito e falo pra pessoa, agora pensa quantas outras opiniões a mídia não manipulou na sua cabeça. Por isso, é muito importante, cara, ouça sempre os dois lados. Eu falo isso no final do Peste Branca. Eu não escuto uma coisa e saio repetindo. Escuto e falo, peraí, deixa eu ouvir o outro lado.

Isso aí vai pra tudo, cara. Relacionamento, política. Escuta um lado e fala, peraí, deixa eu ouvir o outro. Aí você,

essas informações, porque assim você está pensando e tendo a sua opinião ao invés de repetir uma que estão enfiando na sua cabeça. Então isso é algo que eu falo no final do meu show, que olha, que belo discurso de ódio que eu dou no final do show, não? Pô, belo discurso de ódio de promover a violência contra o próximo. Cara, é... Olha, sem palavras, velho. Sem palavras. E eu já vi gente julgando o teu público. Ah, o público do Léo Lins é só de racista. Cara, você não tem ideia. Vai no show e vê quem está lá.

Porque a galera acha que é nazista, racista que vai lá. Pelo contrário. É gente mais normal possível. Aí já não digo. Eu vi. Meu público é cheio de nerd. É mesmo? Muito nerd? Tem gente que às vezes fala, pô, cara, eu vim aqui, eu não saía do meu quarto tem dois anos. Cara, meu público é muito tranquilo, velho. Muito tranquilo. Tem gente que às vezes vai no show e fala, pô,

isso é parte também do que me faz seguir adiante, né? Um é que eu realmente amo o que eu faço. Não comecei a fazer stand-up por causa de dinheiro. Aliás, ninguém começa. Se alguém começa, desiste. Tá na profissão errada. Exato. Se alguém, ah, vou fazer isso aí que dá dinheiro. Vai ficar quatro, cinco meses e vai desistir. Não vai ficar. Porque é difícil e na maioria dos casos não dá dinheiro. Então eu comecei por fazer o que eu gosto mesmo.

E às vezes, cara, tem gente que vai no show e fala, cara, eu não quero nem foto, me dá só um abraço e tal, você me ajudou muito.

Então, pô, pra mim é muito gratificante esse tipo de coisa, sabe? Receber um retorno que... Eu sempre falo que pra mim seria muita presunção da minha parte falar, não, eu estou aqui pra transformar vidas. Pô, pelo amor de Deus. Alguém vai falar, querido, você conta piadinha, tá? Sobe lá e conta sua piadinha. Faz sua gracinha. Então seria algo muito presunçoso da minha parte. Mas tem gente que tem essa presunção mesmo. Ah, eu faço humor pra transformar, pra transgredir. Aí você vai ver as piadas e fala, só falta ter graça, né?

Parece um TED ruim. Um TED Talk ruim. Tem uma galera nessa vibe aí. É, o pessoal não entende que às vezes o aplauso que ele tá recebendo, não risada, porque é aplauso. É porque, ah, eu concordo contigo, ah, tal. E aí não é isso a comédia, né, cara? Você vai lá pra sair de lá de uma lavada e fala, cara, que coisa legal. É que, aliás, cara, alguém acha que a minha intenção num show é irritar pessoas? É. Cara, a minha ideia num show é fazer que a pessoa ria o maior número de vezes possível.

Eu quero que o cara saia do meu show falando, cara, eu nunca ri tanto na minha vida. Puta, eu tô passando mal, cara, eu não aguento. Eu ri demais. É isso que eu quero. Quantas pessoas que perderam alguém importante na vida foram no show de comédia e falaram, por duas horas eu esqueci dos meus problemas e tal. Sim. E aí, eu entendo, eu entendo que, isso eu falo até num outro show também, eu entendo que uma piada pra uma pessoa, ela pode agir como um alívio e ajudar, às vezes, a superar a perda do antiquírito, um trauma, uma dificuldade,

do emprego. E às vezes a mesma piada, igual pra outra pessoa, ela funciona como um gatilho. E aí faz o cara ter uma sensação ruim. Só que o que eu digo é, eu acho injusto a dor opcional de uma pessoa, e até egoísta, a dor opcional de uma pessoa servir de justificativa pra impedir o sorriso da outra. Opcional porque você tem opção. Não consome. Tem carro que atropela alguém. O cara atropela e ninguém tá proibindo os carros. Você tem alergia a amendoim? Não come amendoim. Ponto.

Só que aí o que as pessoas hoje fazem? Juntam um grupo de alérgicos a amendoim pra lutar pelo fim do amendoim, porque aí ele não vai precisar mais olhar se aquele molho da comida tem amendoim. Ele vai poder viver tranquilo. É que a galera que não tá dentro do universo da comédia não sabe os absurdos que acontecem. Teve comediante que foi perseguido porque fez piada com o motociclista. Outro que foi o de Lopes, o negócio de capoeira, que ele zoou capoeira, não foi?

Foi. Os capoeiristas ficaram putos assim. Aí você fala, cara, parece ridículo, parece, mas é verdade. E é isso. Se você for,

Se você for levando... Ah, então tá bom. Então eu não vou falar... Então não se fala de nenhuma minoria. Ok. Aí o pessoal da religião. Ah, então tá bom. Então não falamos também de nenhuma religião. Aí o ciclista também. Então também não falamos de ciclismo. Capoeira, né? Então também capoeirista também não. O cara do judô. Então não fala de capoeira. Também não fala do judô. Então não falamos de arte marcial. Aí o do futebol vai falar arte marcial.

Mas aí o esporte. Então também não pode esporte. Então também não pode jogo. Então também... Não vai poder nada. Pois é. Não vai poder nada. É isso.

Uma outra metáfora que eu uso é... Cara, você deu um remédio pra uma pessoa. Que realmente, o humor muitas vezes é um alívio. Você deu um remédio pra uma pessoa. Salvou a vida dela. Deu pra outra. Salvou a vida dela. Deu pra outra, ela morreu. Putz, esse remédio é uma porcaria. Proíbe o remédio. Pô, mas salvou aquelas duas. É, mas matou a minha mãe. Vamos fazer o seguinte. Que tal descrever os componentes do medicamento e quem tem alergia não toma?

É. Porque ele tá salvando algumas vidas. Pô, mas tá matando outras. Mas aí pra quem vai morrer a gente não dá o remédio. Exato. É muito simples, velho. É. É muito simples, mas... É o que eu falei.

Eu entendo quando vem essa reação emocional. Mas aí cabe, pelo menos, a quem está numa posição de dar um passo atrás e falar, ah, não. Tanto que é isso. Eu não me incomodo que me xingue, que reclame, que proteste. Isso eu não me incomodo, não. Até um espaço privado não me receber. Nunca reclamei também. Eu posso tentar e falar, pô, mas qual o problema? Vamos tentar fazer. Mas eu não vou chegar para um espaço privado e falar, está me censurando.

Não, é um espaço privado. É um espaço privado. O cara é dono do bagulho e não quer me receber. Pronto. Agora um teatro municipal.

É, exato, exato. Ou, já aconteceu também, é um espaço privado, o cara ia me receber, mas aí a prefeitura vai lá e fala, não é para receber ele. Se receber... Exatamente. Então não vou receber. Então não quero. Aí começa a dificultar para eu fazer show na cidade, porque não deixa nem espaços privados. Quantas cidades você teve problema? 52. Está aumentando esse número. 52, velho. Porra, é. E aí, é porque eu não faço piada com quem tem poder. É. É porque eu sou...

O cara consegue me banir de uma cidade. O cara bloqueia minha conta no banco. O cara me proíbe de sair do Estado. Mas é que não tem poder nenhum. Mas vamos falar do teu caso. O que aconteceu? Qual piada? Qual show? Por quê? Quem foi que entrou com essa ação? Cara, é uma denúncia anônima até então. Vou saber de quem partiu. Não sei se foi do próprio Ministério Público. Mas aí eu lancei o show em 2022. O Perturbador. Ficou três meses no ar. E aí eu recebi uma intimação que ele teria que tirar.

sobre pena de multa diária. E aí tirei o show, óbvio, porque iria começar uma investigação do Ministério Público sobre os crimes cometidos ali no palco. E aí começou-se essa investigação sob a alegação de ele não para de cometer crimes. Temos que fazer algo agora, porque ele não para. Ele está enlouquecido. É um serial killer do humor. Exatamente, um serial laffer. E aí, via liminar, entrou aquela série de medidas na qual recebi uma lista de vários temas

não podia fazer piadas, a suspensão do banco, não podia sair de São Paulo e tudo aquilo. Que ficou válido quase um ano, foram 10 meses. A gente conseguiu derrubar isso com uma ação no STF, a gente entrou e caiu para o André Mendonça julgar, e aí ele deu a nosso favor para derrubar, eliminar e seguir o devido processo legal, ao qual a primeira sentença saiu no dia 3 de junho, que aí saiu a condenação de 8 anos, 3 meses e 9 dias, que eu tenho quase certeza que esse 3 meses e 9 dias,

eu nasci dia 3 do 9. Foi uma piadinha. É uma ironia. Mas aí é o lugar de fazer piada. Ali pode. Palco de teatro é que não dá para usar ironia. Ali é o lugar de falar sério. Nesse caso foi uma ironia. Caso não entendo. E mais a multa de 2 milhões. Aí nós entramos para o TRF, para o Tribunal Regional Federal, recorrendo dessa condenação. E aí fica suspenso até o julgamento que saiu agora. Menos de uma semana.

ao qual a gente conseguiu uma vitória por 2x1

O voto decisivo foi do relator Ali Maslum, que é um muçulmano. Eu acordo de manhã falando Alan Dooli lá. Porque teve um dos votos para reduzir a sentença, que era tipo oito anos é muito. Cinco e meio tá bom. Tá brincando. É isso. E aí por um voto. Se fosse para o outro lado, cadeia. Periga mais você ir preso contando uma piada do que agredindo uma pessoa na rua, né? Cara, não precisa ir muito longe.

Eu peguei outras penas que foram inferiores a mim em primeira instância. Você tem um sujeito que matou a esposa, ele pegou 7 anos e 2 meses. Você tem o Gilmar Mendes, no caso do Mensalão, que pegou um dos maiores casos de corrupção do Brasil, mas a gente sempre se supera. Ele pegou 7 anos e 11 meses. Você tem um caso de abuso de vulnerável menor de idade, pessoa com 13 anos de idade, o sujeito pegou 7 anos e 4 meses.

pegou oito anos. Você tem o caso do Fernandinho Beramar, que ele pegou sete anos e oito meses. Todos tiveram a pena inferior à minha, que foi de oito anos, três meses e nove dias. A gente está falando de estupro, pedofilia, homicídio, feminicídio, que seja, corrupção, um dos maiores casos de corrupção do Brasil, tudo com pena inferior a contar a piada no palco. Essa é a piada. Se não é um sinal que tem algo errado. Essa é a piada. Fala, Leny.

mensagem aqui. Como disse o David Chapelle, comédia não é sobre punch up ou punch down. É sobre punchline. No palco, o comediante explora ideias e contradições. Piada não é manifesto moral ou opinião. É humor, provocação e construção cômica. Explica o punch down, punch up. Tem essa frase hoje em dia que é o humor tem que bater pra cima, né? Punch up. Isso é uma coisa que surgiu relativamente recente. Eu não vou conseguir traçar exatamente onde surgiu, mas é

relativamente recente, aí falam isso, ó, o mundo tem que bater pra cima. E, pô, tem algumas reflexões acerca disso também. Se eu falo pra você, quem tá em cima? O leão ou o diamante? Como assim? Quem tá em cima? O leão ou o diamante? Não dá pra saber. Depende do critério. É. Critério é o que? Mobilidade? Então, na escala de mobilidade, o leão tá em cima. Isso. Se o critério é resistência, acho que o diamante tá em cima. É. O equívoco desse bater pra cima é presumir que tem um único critério, que é o nível

ocuí unânime e que todo mundo concorda. Esse é o problema. E tem vários critérios. A partir do momento que você pega um símbolo religioso e enfia ele nas partes íntimas e não acontece nada, e você tem uma pessoa que conta uma piada de minoria e recebe oito anos de cadeia, quando o critério é a proteção do Estado, quem está em cima? É isso. Então esse é o problema do bater pra cima. O problema do bater pra cima é esse, é achar que tem um critério.

E não tem só um critério. É isso. Fala, Aline. E se fosse Records, ele mandou aqui o seguinte. Ele falou assim, não me incomoda,

É a mesma coisa que tu tá falando. É isso. É a mesma coisa. Eles acham que se você não fizer com humor compoderoso, você tá sendo preguiçoso. É, porque, cara, você pega assim, o meu primeiro show, Piada Secreta, a Piada de Gorno. A Piada de Gorno é uma coisa que tinha na televisão, assim, né? Não tinha uma tensão nisso. Se você pegar o meu primeiro especial,

Deve ter 40 segundos. Quatro piadas. Três piadas. Trinta segundos de piada de gordo. É isso? Aí falaram. Piada de gordo não é legal. Começou a criar uma tensão. Opa. Agora, ao invés de 40 segundos, tem um minuto e meio. Tem um minuto e meio. Piada de gordo é errado. Isso é moralmente... Agora vai ter dois minutos e meio. Porque a gordofobia. Agora tem três minutos. Gordofobia. Vocês estão criando tensão. É Portugal falando. Não se fala que português é burro. Eu nem falava sobre isso.

É isso. Você está criando tensão. E a tensão é combustível para o humor. E quando você faz piada sobre isso, a risada é muito forte, porque é catártico. É na União Soviética você fazer piada do Estado. Aliás, você tinha um humor oficial também. O Estado não fazia piada? Fazia, o Estado fazia piada também. Você tinha revista de humor autorizada pelo Estado. Você tinha um humor clandestino e um humor oficial. Quando eles faziam piada sobre o mesmo tema, por exemplo, baixa qualidade de produtos,

Os produtos são uma porcaria. Quando o humor clandestino fazia piada sobre isso, ele botava que a culpa é do Estado, que é incompetente. E por isso o produto é uma porcaria. O humor oficial, quando fazia piada que o produto é ruim, a culpa é de quem? Do funcionário. Porque ele não trabalha direito. Os dois estão atacando o mesmo tema, mas sob óticas diferentes. Só que um é sancionado pelo Estado e o outro a piada você não pode contar.

É isso. Então é a mesma coisa aqui. Tem uma frase que é muito simples, cara. Você quer saber quem faz

piada com o poder, olha pra quem apanha do poder. Ponto. É isso. Simples. Fala, Leni. Preciso ir ao banheiro. Manda aí. Ó, a Adriana mandou um comentário aqui. Ela fala assim, ó. Muitos anos acompanhando o Léo e convencendo as pessoas ao meu redor a assistir os shows dele. Todos sempre se convertem pro lado negro da força. Pô, obrigado. Muito obrigado. Eu agradeço todo mundo que faz esse trabalho de conversão, trazendo gente aí pro meu lado.

Porque, como eu disse, eu fico muito feliz, cara, em ver as pessoas que, às vezes, vão

lá arrastadas e a grande esmagadora maioria sai com a opinião mudada. Porque deu uma chance para ouvir o outro lado. Eu sempre deixo claro, eu entendo que quem me conhece só pela notícia, não vai gostar de mim. Não vai, não vai gostar de mim. Não tem como. É só parte da mídia, não toda. Tem muita gente fazendo um trabalho jornalístico, sério. Eu acho isso. Você tem que fazer um trabalho

jornalística. Olha, o sujeito fez uma piada, tem gente que se irritou, vão investigar, é isso. Agora, quando a notícia sai, o sujeito foi preconceituoso. Não, não, peraí. Aí você já está dando a notícia de forma tendenciosa. Você já está manipulando o leitor de uma maneira emocional. E aí esse recorte e descontextualização prejudica muito a interpretação da piada. A gente tem aqui no Brasil, tem uma pesquisa que saiu que a maioria das pessoas que postam a notícia sequer leu o conteúdo

a grande maioria lê o título e encaminha. É isso. Então, assim, chegando num valor de 75%. Isso é uma pesquisa que foi feita. Então, assim, você tem a cada... Cara, é muito alto, velho. É muito alto. A gente tem 3 quartos das pessoas que encaminham notícia sem ler a notícia, lendo o título. E muitas vezes o corpo do texto é o contrário do que está dizendo ali. Porque o cara usa um título sensacionalista para te chamar atenção. E aí fica essa... A gente vive uma...

epidemia maior que a do Covid, que é de ignorância. E aí é difícil, cara. Lutar contra a ignorância é bem difícil, cara. Eu acho que nesse ponto eu sou um soldado numa batalha perdida. Vamos falar de um assunto sensível. Acho que você viu aqui o debate que a gente teve sobre você com comediantes, porque a comédia se dividiu a partir do momento que você, Danilo Gentili e outros começaram a receber processos e teve muita gente que falou, não,

Tá errado, tem que acontecer alguma coisa, mas prisão também é demais. Teve gente, comediantes que falaram, não, tem que ir preso mesmo. E teve comediantes que falaram que é um absurdo. Como que você viu esse racha na comédia? E como você sentiu, inclusive, de amigos pessoais fazendo campanha contra? Sim, sim. Eu já esperava. Esperava? Esperava que fosse ter a gente a favor e a gente contra, né? É isso. A gente tem muitas arquiteturas neurológicas.

variadas aí nos seres humanos que tem vários fatores, como a gente já falou aqui, ambiente, cultura, religião, ideologia, tem vários fatores que vão gerar uma determinada arquitetura e nem todo mundo vai ter a mesma opinião, sem sombra de dúvida. Então eu já esperava que fosse ter gente a favor, gente contra, nunca foi minha pretensão ser unanimidade. Alguns, realmente, tem um ou outro que eu não esperava. Tem um ou outro que me surpreendeu porque

eu tinha como amigo. Amigo mesmo, sabe? De já ter frequentado casa e tal. E a pessoa me conhecer, saber da minha índole. Exato, exato. Eu só não vou falar o nome. Deixa quieto. Não tem problema nenhum. Não desejo nada, nada, nada. Só fiquei decepcionado. Mas é isso. Não é raiva. É uma decepção. E nem entender. É isso. É falar, puta, velho. Porra. E não acompanho o trabalho, mas até onde eu conheço, acho um bom comediante.

Acho um bom comediante. Não vou misturar as coisas, não. Eu acho um bom comediante. Eu já vi alguns comediantes também que vêm e falam é o pior humorista que tem que me achorrir. E eu, ok, sua opinião. E eu não acho essa pessoa também um mau comediante, porque já tem um trabalho há um tempo. É saber diferenciar as coisas, cara. É isso, não vou agir na emoção. Então eu já imaginei que ia ter gente a favor e ter gente contra. Um ou outro que me surpreendeu. Foi isso.

Eu não esperava e fiquei decepcionado. Imagino você, né? É isso. Mas eu tive um apoio muito grande, cara. Acima do que eu esperava. Acima do que eu esperava. Ao ponto de ter pessoas falando, porra, não gosto dele, não vejo graça no que ele fala. Mas é absurdo. Porra, mas aí não. É absurdo. É absurdo. Então, fico muito feliz de ter tido um apoio desse. E pra quem fala, às vezes, também, porra, não gosto das piadas que ele fala.

Eu acho que a grande maioria, você fala, mas você já viu o show dele? Pelo menos emitiu uma opinião.

com fundamento. Você viu o show? Ah, eu vi a piada que... Você vê um recorte, principalmente escrito no jornal, ou que seja um recorte, aonde você já está emocionalmente manipulado para não gostar daquilo que o senhor fala para você. Guilherme, irmão, o tamanho da imbecilidade que esse cara falou. Cara, você não vai olhar e falar, porra, eu achei bom pra caralho. Eu já estou te manipulando. Eu já estou te manipulando. Então, assim, tudo bem, pode criticar meu trabalho, não tem problema nenhum.

Mas é que isso é uma dica não só para o meu trabalho, para tudo. É o que eu falei, você vai comentar algo, procura conhecer.

É isso. Eu não tenho como falar se alguém falar, mas você gosta do fulano. Eu não conheço o trabalho. Eu não vou emitir minha opinião sem saber, sem conhecer. Deixa eu conhecer, aí tudo bem. Aí eu vou emitir minha opinião. Mas sem conhecer, sem estudar, sem pesquisar. Mas a grande maioria não faz isso. O pessoal vê a pedra voando, quer só catar a pedra e joga na cabeça também, que é muito mais legal. Mas e o pessoal, comediantes que te criticaram, mas que aí foram buscar nas piadas deles também, tinham piadas problemáticas em cima do que eles acham.

problemático também. É o famoso eu mudei, não sou mais essa pessoa. Cara, a justificativa na minha sentença coloca 100% na cadeia. É. 100% na cadeia. Se procurar bem, todo mundo vai preso. 100%, cara. 100%. Porque é aquilo. Você pegar uma piada contada num palco e interpretar como uma declaração no meio da rua, 100% vai pra cadeia. Se o Rick Gervais vai fazer show aqui, ele vai pra cadeia. Um aplauso aos professores. Cadê? Cadê? Ele não pode vir fazer show aqui no Brasil, porque ele vai ser preso.

Se o Chapelle vier fazer show aqui, vai ser preso. Se o Bill Burr vier fazer show aqui, vai ser preso. Iria, né? Iria, porque aí conseguimos essa absolvição, que é algo muito bom para todos os comediantes, inclusive os a favor da minha prisão, porque quando eles forem processados por fazer piada com algum tema que desagrade um determinado grupo e que, porventura, possa ter uma posição que lhes dê algum poder do Estado para intervir judicialmente nisso, o meu caso vai servir para absolver ele.

E que bom, porque eu não acho que ele tem que ser condenado pra contar a piada num palco, seja lá com que tema for. Eu também acho. Fala, Lenin. Ó, o Matheus Rocha tá perguntando o seguinte. Léo, o cancelamento mexe muito com a cabeça da pessoa. Teve algum momento que você ficou realmente mal psicologicamente ou pensou em parar com o stand-up? É, a gente nunca comentou sobre isso, eu não cheguei a falar contigo. Te abalou em algum momento pra valer?

Cara, eu acho que eu tenho uma... É chuva? É chuva isso? Pô, tá zoando, velho. Sério?

chovendo pra caralho, então, velho. Eu levei duas horas pra vir pra cá, eu vou levar quatro horas pra ir embora agora com chuva, velho. É, parece chover. É o que? Ah... Não, sério, eu pensei, velho, eu levei duas horas pra vir pra cá, mas eu vou levar quatro horas pra ir embora, velho. Esse cooler aí tá meio... Tem que trocar esse cooler aí, porque pode barulho, cara. Que coolerzão tá... Que coolão, velho.

A gente achou que é chuva, velho. Tá ventilando aí, velho. E o Luciano veio todo tiozão. O cooler achou o Jago fazendo uma piada. Fez. Cara, vamos lá. Sobre... Ficar mal, se te abalou psicologicamente. Cara, eu acho que é uma coisa minha de... Tem uma casca já, né? Conseguir ter um distanciamento emocional. Que é algo importante até pro que eu faço. Eu acho que se eu não...

se eu não tivesse isso, eu não conseguiria de fato seguir em frente. Eu já vi pessoas que às vezes sofrem um probleminha, realmente a pessoa perde um pouco o equilíbrio, fica mal, perde um pouco o chão. Eu acho que eu tenho esse distanciamento emocional aí, ou psicopatia, chamando o que quiser, mas que me ajuda, me ajuda a não me afetar tanto. Óbvio que é algo assim, você sentir,

é você sentir uma força invisível mudando a sua vida. É um sentimento de injustiça, de impotência. É isso, é algo, é como se fosse uma força invisível, é uma canetada de uma pessoa, é o que eu falei. E tem pesquisas sobre isso também, de às vezes o julgamento, sei lá, às vezes o juiz, é um ser humano, às vezes ele teve um problema, está com a cabeça alterada, ou às vezes está com fome, tem uma pesquisa sobre isso, sobre sentenças antes ou pós e depois do almoço.

o humor. É, então assim, tem vários fatores, né? Só que, cara, você tá mudando a vida de uma pessoa de uma maneira muito drástica, né? Porque se eu fico oito anos na cadeia, não sou só eu que me prejudico. Tem todo um ecossistema ali ao meu redor, as pessoas que trabalham comigo, os meus pais que eu sustento, que dependem de mim, né? São pessoas de idade. Então tem um monte de gente que você vai jogar pro buraco, porque às vezes você pode ter apenas racionalizado uma justificativa com uma reação emocional.

emocional. E aí você joga 30 pessoas na vala. É um poder muito grande. Mas a gente tem um devido processo legal onde a gente pode recorrer. Fomos para outra instância. Então não é que foi uma canetada e foi resolvido. É por isso até que você tem outras instâncias. Por isso que nessa segunda instância agora foram três desembargadores, que é para você não ter opinião de uma pessoa. Então tem um devido processo

legal, o qual eu continuei sempre acreditando na justiça e que bom que a gente teve essa vitória. Agradeço a atuação dos advogados que tiveram trabalhando com muito empenho nisso, o doutor Carlos Eduardo, o doutor Lucas Gilberto e o doutor Cury, que teve... Ah, você não está com o Bunazar também? Não, não, não. Eu troco ideia com ele também, mas acho que ele já é muito ocupado com o Danilo. Exato, ele não tem mais tempo, não dá conta.

Não dá, não dá. Mas o Rogério Cury teve com a gente nessa também. Agradeço muito todo o empenho deles. Já me ajudou também, porque eu também já tive problema.

Por coisas que eu nem falei, que o convidado falou. Você acredita? É. Em programa ao vivo, eu tenho que ser responsável porque alguém fala ao vivo. É menor de idade. É uma pessoa de 10 anos e você que era o responsável. Eu fiz um teste aqui, Léo. Pedi para o chat GPT contar uma piada curta no estilo do Léo Lins. Por que o livro de matemática estava triste? Porque tinha muitos problemas. Aí eu falei, não. Pô, recebeu o estilo? Conte uma piada.

curta no estilo de humor negro do Léo Linza. Aí mudou. Porque o cemitério está sempre cheio. Porque as pessoas não param de morrer. Espaço de rir. Ele viu o oficial chegando. Ele viu o oficial chegando. Ele está com medo de contar piada aqui. Vão me suspender, o pessoal vai para o Grock. Exato. Fala aí, Lene. Tem um comentário aqui do Parabellium Brasil que é mais ou menos parecido com isso. Ele falou assim, se o Brasil é uma piada, política é piada, economia é piada, se tudo é uma piada,

faz uma piada, logo está falando sério porque já vivemos numa piada. Faz sentido, hein? Boa análise. Um político não precisa se explicar. Agora um comediante precisa se explicar. Está muito estranho o negócio. Os caras falam sério, absurdos e está tudo bem. E aí tem imunidade para tudo. O Danilo fala que ele quer que tenha imunidade cidadã, que é para você ter o direito de xingar. Se não gostou, quer xingar o cara, xinga. Aliás, teve um debate do André Mendonça,

com o Flávio Dino, se não me engano, né? O Flávio Dino... Eu não admito que me chame de ladrão. O André Mendonça falou, mas é a opinião de uma pessoa? Mas é que eu não admito que fale isso de mim, não sei o que. O Monark estava para ser preso porque chamou de gordola alguém aí. Então, não dá para deixar chegar nisso. Não dá para deixar chegar nisso. É que aqui no Brasil o pessoal fala... E assim, você tem os mecanismos, é aquilo.

Se eu vou fazer o show, pego uma foto de uma pessoa aleatória, meto no telão e começo a ficar fazendo piada com ela. Não precisa nem ser humilhando, mas peraí,

uma foto de uma pessoa anônima, enfiou num telão, fez piada e jogou na internet, essa pessoa pode processar, usa o devido de imagem e tem grande chance de ganhar. Provavelmente vai ganhar. E tá certo, a gente tem mecanismos pra isso. Mentir, né, sobre uma pessoa? Também. Fala, Lenny. Ó, o Gustavo Ribeiro... O que você tá comendo? Você mastigando aí, Lenny. É um chicletinho que me deram aqui. Ah, tá certo. É que quando me dão chiclete, pode ser que estão querendo me agradar ou estão dizendo pra mim que estou com mau álito.

É, Lenny. Então tem que tomar cuidado. Ó, o Gustavo Ribeiro falou o seguinte, Léo, depois da

que te absorveu, você sente alívio ou ainda vive com medo de que isso volte a acontecer? Nada impede que volte a acontecer, né? É, cara, exato. Nada impede que volte a acontecer. Que resgate algum show, alguma piada. Eu já tive mais duas audiências depois dessa absorvição. Já tem outra marcada agora também, em breve. Continua, cara. Continua. Claro que é uma grande vitória. É uma grande vitória, né? A audiência que eu tive logo na sequência dessa, que aliás,

Ganhei também. Foi uma de Três Rios. Nem lembrava o que era. E eu falei, pô, eu acabei de ganhar Libertadores da América. Eu vou jogar o estadual. Falei pro advogado, toca aí, eu vou ficar no banco. Acabamos de ganhar Libertadores. Eu não vou jogar o estadual contra o Três Rios. O 15 de Piracicaba. Acabamos de ganhar do Paris Saint-Germain. É isso. Mas vai continuar, cara.

E assim, não é que... Eu me preocupo com a pessoa... Quando eu dei o exemplo que uma piada pode ajudar alguém e às vezes servir de gatilho para um outro, eu me preocupo com essa pessoa, cara. Eu não quero que ninguém saia machucado do meu show. Por isso eu deixo claro o que eu faço. Por isso eu deixo claro os componentes que tem no medicamento que eu vou oferecer. Que é para se você tiver alergia, não consome, cara. Eu não quero que você consuma.

É isso. Se você é uma pessoa que está muito sensível com determinados temas, não vai no meu show. Eu prefiro. Vai ser melhor para você. Vai ser melhor para mim. Vai ser melhor para o público.

Porque se tiver um monte de gente que emburra a cara no show, pode afetar o humor das pessoas que estão do lado. Então é melhor pra todo mundo. Todo mundo. Eu procuro tomar cuidado com essas pessoas também. Eu sei que tem piadas que só ela solta é mais fácil que dê problema. É mais fácil. E aí por isso tem piadas que nem corte ou subo. Nem corte ou subo. Falando, essa piada aqui é pra ser vista no todo. No meio de outras piadas. Ela tem que ser vista no todo. Ela não pode entrar só ela.

Porque facilita que dê problema. Então, se eu quisesse a polêmica, eu pegava uma piada de violência doméstica, postava, marcando a delegacia da mulher, marcando não sei o que. Amanhã eu estava em todas as páginas. É muito fácil. Se eu quiser sair em toda a mídia, assim eu consigo. É só eu pegar uma piada polêmica, marcar todo mundo que vai se machucar com isso. Amanhã eu estou em todas as páginas de fofoca. Só que eu não faço isso.

Nunca fiz. Quem faz isso? Alguém que vai lá, pega, manda para o outro e aí acontece isso. Mas eu tomo os cuidados para que não aconteça.

estádio e quando é o privado, né? No caso do SBT, por exemplo. Foi por causa de piada no final das contas? A sua demissão teve a ver com isso ou não? Te deram justificativa? No princípio foi uma piada que já estava no ar, né? Estava no YouTube há quatro anos. Era do show do Bullying Art. O show estava lá, acho que desde 2018. Aí alguém resgatou e viralizou? Foi isso? É. Pegaram, mandaram lá. Alguém do SBT não gostou. Não vou saber exatamente quem foi, que aí eu realmente não tenho como saber.

Talvez só a própria pessoa que vai saber. Porque quando começa a ligação, nem o outro vai saber quem que... Mas alguém não gostou e mandou demitir e tá no seu total direito. É uma empresa privada. Pode contratar ou demitir quem quiser. A OSBT, sempre falei que tem uma grande gratidão ao tempo que eu tive lá. A casa é incrível de trabalhar. Fiquei 11 anos fazendo talk show. Cara, problema nenhum. Nunca teve censura? Não. Acho que teve

liberdade até demais. Eu também. Eu lembro dos programas que eu participei lá. Falei, cara, isso vai pro ar mesmo? Acho que teve liberdade até demais, cara. Se tivessem puxado um pouquinho o freio, eu teria ficado mais tempo. E podem resgatar os programas antigos lá. Não, sempre foi uma casa incrível, velho. Incrível. Aliás, esse foi um dos pontos até a liberdade. Teve mais liberdade lá do que na Band, né? Acho que até mais. Acho que até mais mesmo.

Mas a Band, a gente teve também uma boa liberdade. Isso foi uma coisa que o Danilo, por ser da comédia, do stand-up, também sempre brigou muito por isso. Quando a gente foi

o SBT, essa foi uma das brigas também, essa questão da liberdade editorial, até pra não descaracterizar o programa, o pessoal disse que foi lá e os caras agora, porra, eles estavam metendo a quinta marcha no carro lá, metendo, pegam tudo e agora tá andando com o freio de mão puxado. Não, é... Continuou com a mesma essência e acho que por isso que o programa deu certo, né, cara? E tá no ar até hoje aí, porra, ficando várias vezes.

Acabou de ser renovado. É, várias vezes em primeiro lugar de audiência. Você voltou lá depois, né? Sim, sim, já fui lá várias vezes já, até gravei Roda Solta,

gravar quadro, já fui fazer monólogo, já fui várias vezes lá também. Já fui no Ratinho, já fui em outros programas da casa também, do SBT, mesmo depois de ter saído. Então, a casa continua me recebendo e é o que eu falei, tem um carinho muito grande pelo SBT. Lá você tomou um tombaço, né? No passo a repassa. Já viu isso? Ele vai tentar dar um mortal pra trás, é isso? Foi, foi, porra. Mano! O chão cheio de torta, velho! Porra, na hora que eu fui... Ele falou, devia ter trazido a pirofagia pra

fazer aqui, ó. Porra, aí o Luiz Ricardo já fez esse número de pegar fogo no ratinho. É verdade, verdade, verdade. Foi a mesma coisa, foi aquilo ali, foi aquilo ali, é. Quando eu encontrei o Luiz Ricardo uma vez, eu tive que trocar, a gente trocou muita ideia sobre isso, porque, pô, duas pessoas que pegaram fogo, né, cara, se encontrar, a gente se encontrou na China, velho. Aliás, em breve, em breve, vamos falar. Vamos lá, em abril estaremos lá na China.

É isso aí. Cara, o chão tava cheio de torta, e na hora eu me empolguei ali, falei, porra, eu saí pra Idão Mortal, aí eu li assim,

falei, caralho, o anjo veio do lado e falou, não faz, vai dar merda, aí do outro lado veio o Celso Portioli, vai lá, vai lá, vai lá, e eu fui, cara, vê se acha, não sei se acha só a imagem dele caído, na hora que eu giro, eu bati o pé no chão, subi pra dar um mortal, eu subi e fui girar, não é que faltou altura ou girou baixo, eu giro e boto o pé no chão, só que quando eu boto a ponta do

pé no chão, ele tá com corriga torta, eu boto o pé e ele vai pra trás. Ele não firma, porque escorregou. Aí, bati de joelho, fuça no chão, me fudi todo. Porra, tava o Yud lá, o Yud veio me ajudar a levantar, maluco. É, eu acordei vendo Playstation, mas porra. Não, foi engraçado, foi engraçado. Não, ficou também já pra história da televisão. Total, total, total. Foi sensacional, sensacional. Foi muito bom isso também. Fala, Leni. Ó, como vocês estão falando

do SBT, o Dudu Sagaz perguntou se você volta com um novo contrato com o Danilo. Não, não teve nenhuma proposta dessa, isso aí não rolou, não rolou não. Bom, eu tô bem ocupado agora também, tô terminando o livro agora, tô trabalhando o dia inteiro fazendo isso, cara, já há um bom tempo, muito tempo já, acho que deu pro pessoal ver que, caralho, o cara virou um retardado completo da comédia, mergulhou em livro, artigo científico, cara, eu li coisa de tudo, até canto,

faz muito tempo que eu tô... Cara, eu não fiz nada do carnaval virada do ano. Nada, nada. Eu tô trabalhando escrevendo. Preciso até ter um tempo, velho. Eu tô só fazendo isso, cara. E aí, terminando o livro, eu já tô com alguns... Eu vou lançar um curso de stand-up esse ano. Mais de vídeo, né? É, é. Porque é uma coisa que eu já tô pra fazer há muito tempo também. Tipo masterclass, assim? É, exato. E muita gente já me pede há muito tempo isso.

E desde que eu lancei o Notas de um Comediante e os Segredos da Comédia, minha ideia sempre foi uma trilogia.

eu acho que ainda tem mais alguma coisa a ser abordada ali. Tem comediante hoje que acha que não tem persona cômica no palco. Então tem que ser... É sinal que algo precisa ser ensinado. Pois é, pois é. Fala, Lenny. Quando achar o vídeo, coloca aí pra gente ver. Eu tô tentando achar o ponto aqui, eu já encontrei. Não, tranquilo. Tem uma pergunta aqui da Ela Zulis. Ah, pô, abraços aí pra Ela Zulis. Me acompanha sempre, cara. Todo lugar que eu vou é lá do Amapá, cara.

Já fechou no Brasil inteiro, né? Já, já. Rodou pra caramba. O Peste Branca foram, acho que, 350 apresentações que eu lancei agora. Então, você meio que já falou algumas coisas que ela tá perguntando aqui, mas eu vou pagar a pergunta dela. Ela falou aqui o seguinte, Léo, eu quero saber duas coisas. Como foi sua reação a receber o primeiro processo da sua carreira? Aí depois ela fala assim, você parece calmo, já brigou na rua? Abraços, kkkkk.

Eu sou muito tranquilo, cara. Sou muito tranquilo. Pra me tirar do sério, você tem que se esforçar.

Não, brigar sério não. Eu gosto muito de arte marcial. Eu dei aula de capoeira, treinei capoeira há muito tempo. Depois treinei boxe também há alguns anos. Mai Tai também um pouco. Hoje em dia eu continuo correndo, treinando e fazendo jejum. Corro, estou correndo bastante. Quem sabe um jejum de quantas horas? 80 horas? Eu cheguei a fazer 80 horas. 80 horas são quantos dias? Eu entrei no quarto dia, cara. Cara, eu vi alguém falando disso e eu fiz a mesma coisa. Foi o cara lá do MMA, não foi ele que falou isso? Chefão lá.

Dan White? Ah, eu vi que ele falou algum bagulho de jejum também. Aí eu falei, vou tentar essa parada e fiz, cara. É bom pra caramba, né? Tu fez quanto tempo? Eu fiz o tempo que ele falou. Falei, vou tentar, queria emagrecer e fiz. Não, ajuda pra caramba. Eu não sei se eram três dias, quatro dias. Coisa pra caramba também. Não, cara, é muito bom. E cara, parece que o organismo dá um reset, né? Ah, é muito bom. Faz tempo que muitas vezes eu tenho feito uma refeição só no dia.

Hoje a emenda pra 24, 48 horas. Você fez com algum objetivo? Primeiro foi pra baixar o percentual de gordura, porque eu queria... Ah, deixa eu ver.

de onde meu corpo vai. Você tava com quanto? Ah, tava com tipo 12, 11.

Pouco já. É, pouco. E queria baixar. É, eu cheguei cinco. O quê? É de maratonista, essas coisas. É, eu devo estar com sete agora, porque eu continuo. Só uma pausa, vamos colocar o vídeo aí. Cadê? Ih, Lênin, será que vai rolar? Ah lá. Aí foi o mini Léo Lins. Aí que eu me empolguei. Ah, o mini Léo Lins. Eu tô achando estranho. Aí você vai ver que eu começo a limpar o pé no chão. Cadê você? Tô lá atrás. Ah, tá. Tá o Yudi dançando.

Acho que eu já limpei o pé. Aí, ó. Ah lá. Ó. É, já tava vendo. Eu tava escorradinho. Eu tô tentando tirar as tortas da sola.

Aí vai bater o pé, escorregou. Não chegou nem a fixar. Você viu que eu tava até esfregando o pé antes, porque eu falei, porra, tá com torta, velho. E o Mini Leo Lins te deu a coragem, então, né? Também, também. Ele te provocou lá. Claro, claro. Cara, o Mini Leo Lins era a cara dele, velho. Quem que achou a ideia? Andando lá no SBT, cara. Isso aí foi o Alex que começou com essa ideia da mini opinião do Mini Leo Lins. Abraço aí pro Alex, porra, parceiro também. Aí ele veio com esse ideia, o quadro bombou pra caralho, velho,

com isso. Mini Léo Lins, com a sua mini opinião. E aí ele entrava e dava opinião. Não gostei. Aí entrava a vinheta. Mini Léo Lins. Era um puta bagulho tonto, velho. Já fizeram altas coisas lá no programa. Já fizemos muita coisa. E você fazia muita coisa séria, né? Muita entrevista com o diretor de cinema, com o ator. Ali era ser... O negócio era ser informativo, leve e divertido. Não é uma revista de cinema pra ser um negócio...

E com que câmeras vocês usaram? O terceiro que é a paleta de cores? Não, não era isso.

Mas não é só um bagulho escrachado também, porque não queriam. Mas o que vai fazer? Não, eu vou chegar aqui e trazer uma bacia. Não pode. Não pode. Não dá. E aí o que eu falei, cara, é você entender o ambiente. Eu nunca tive problema em nada, velho. Eu entrevistei metade de Hollywood e não tive problema. Lá no SBT, por algo feito lá. Fui no Teleton, fui no Passa ou Repassa, fui no Ratinho, nunca tive problema em lugar nenhum. Porque eu sei onde eu tô e eu sei o que dá pra ser feito nesse lugar.

É que nem aqui, você não vai contar uma piada que você conta no final do show. É isso, é isso. E aí que você quer ver a piada? Peste branco, assista lá no YouTube. Aí tem esse argumento, mas aí postou o show no YouTube. Cara, mas tá muito claro que aquilo é um show de comédia. Tá muito claro. Todos os elementos que sinalizam que é um show de comédia estão perfeitamente visíveis. Ali você está clicando, porque eu não tô entrando com um projetor enfiando pela janela de alguém e começando a passar meu show.

Falar do Partoba, vai. O Partoba. Você assiste lá, tem os caras se quebrando. Você vai ficar puto. Já tá... É um vídeo cacetada. Exato. Mundo Caribal também. Tinha muita gente que fala, pô, mas lá é violento. Cara, é um desenho animado. Mas se você entrar no X-Video da vida, você vai ver conteúdo pornográfico. Aí você vai pegar e denunciar pra tentar dar pudor. Pô, mas tu entrou lá e clicou. O exemplo que você dá, né? Você vai numa luta de MMA e fala, os caras estão se batendo.

Os caras estão dando porrada lá. Faz alguém, faz alguma coisa. Vai denunciar agressão física.

Ali no ringue é pra isso, cara. Na rua, não. Na rua, não. Aí, se alguém falar, mas então você pode contar uma piada que o sujeito vai olhar e falar, essa piada é preconceito. E aí, só porque tá no palco, você quer poder, então, dar um soco na cara de alguém? Vira um lutador. Vira um lutador, suba no palco, mas treine bastante, porque senão tem grande chance de você só apanhar. Exato. É isso. Se você acha que é só subir no palco e ofender, você vai se ferrar. Se você quer bater em alguém pra botar sua raiva pra fora

subir no ringue, você vai apanhar. Pois é. Você vai apanhar. Os caras que estão ali treinam muito pra fazer aquilo, pra não apanhar. E sempre um apanha. Pois é. Lembra do Rapture Friends também? Que eram os bichinhos morrendo. Eu lembro, eu lembro. Cara, aquilo é pesado. Fala, Lenis. Ó, tem uma pergunta do Ricardo Alves aqui. Ele tá falando o seguinte. Léo, o cancelamento te mudou como pessoa ou você continua exatamente o mesmo cara de antes de tudo isso? Não, cara. Na verdade, acho que

me torna uma pessoa até melhor, no sentido de, por exemplo, esse livro que eu estou escrevendo, a condenação foi o gatilho. Foi a grande lenha ali para colocar a locomotiva se movendo. Eu já estava pesquisando, lendo a respeito sobre o humor, mas isso aí foi uma... Você tomar uma condenação de mais de oito anos de cadeia, uma multa de dois milhões, pode te dar um incentivo em algumas áreas. Pois é.

Então, pô, eu fiz uma investigação muito grande sobre humor, né? Em várias áreas. E tudo que eu li, acho que me trouxe mais conhecimento. Me proporcionou ter algumas... Conseguir, às vezes, isso daí dar um passo atrás e entender diferentes pontos de vista. Então, acho que as dificuldades... Em geral, as dificuldades fazem a gente crescer, né, cara? Eu acho que é isso. Se alguém falar, pô, que momento na sua vida que você percebe que por você saiu maior? É dificuldade. É. É dificuldade.

A grande maioria das vezes é dificuldade. Não vai ser o dia que você se deu bem pra caramba. Tudo deu certo. É, é. Normalmente quando você melhora é, porra, aquele dia que eu me ferrei ali, eu falei, chega, chega, eu preciso. Normalmente é na dificuldade que você acaba indo pra cima. É, falam que no fundo do poço tem uma mola. É, é, exato, exato. Outro exemplo que a gente não deu também é do Fritada, né? Se você for olhar o Fritada sem saber qual é a intenção do programa, você fala, nossa, o pessoal tosse. Todo mundo se ofendendo, eles se odeiam,

Mas tem regra. Qual é a regra de lá? É que todo mundo tem que se ofender. Exato. É para isso. É uma homenagem ao contrário. Claro, claro. Se for muito levinho, vai ser frustrante para quem está indo. Se você ficar, não. O cara que está sendo fritado, ele já sabe que vai ser ofendido e tudo mais. E mesmo nessas circunstâncias, tanto nos Estados Unidos, quanto aqui, quanto em outros lugares, é um formato que hoje tem Portugal, tem Angola, não sei quantos lugares.

Se a pessoa falar, olha, eu topo ir lá ser homenageado, mas isso aqui... Não fala da minha filha que sofreu um acidente. Isso eu não quero que comente. Os caras respeitam. Respeito. Respeito. Se falarem, ah, não, mas isso aí a gente não pode respeitar, que é para falar de tudo. Então tá bom, mas então eu prefiro noite. É isso. É um acordo, cara. É um acordo. Chegou num acordo? Ok. Se o cara também chegar e der 18 restrições, você não entendeu o espírito do negócio. É melhor não. Então vamos procurar outra pessoa. É isso, cara. Pois é.

É que nem quando o político vem aqui, cara. Se ele começar a falar, não falo disso, não falo disso, fala assim, tudo bem. Só que eu vou ter que avisar o pessoal que você passou esse monte de restrição, porque você é uma pessoa pública que está vindo aqui. Sim, senão vão falar para o Vilela. É, não perguntou tal coisa. Todas as polêmicas ele não abordou nenhum. Exato. Fala, Lenis. Tem uma pergunta aqui do Bill Mask. Que susto. Ele está perguntando o que o Léo acha do desmotivacional, o nosso desmotivacional. Ah, eu mandei para ele.

Muito bom, velho. Muito bom. Aliás, o Gorilla Cash lá é sensacional também, velho. O Gorilla e o Albinão lá. O Albinão é muito engraçado. Salve aí pro Gorilla e pro Albinão, viu? Tô sempre acompanhando. E aí ele completa a pergunta se você acha que esse tipo de humor... Torcendo pro Albinão, tunar o up TSI dele. E aí ele tá perguntando se você acha que esse tipo de humor pode sofrer censura. Tudo pode, né? É. Mas, modéstia à parte, realmente eu acho que

A vitória que a gente teve aí na Justiça foi, como eu falei, é um passo muito importante, não só para mim, mas para a comédia principalmente, por ser um processo envolvendo um comediante, mas para a arte em geral e para a liberdade de expressão. Porque realmente, se essa condenação fosse mantida, aí era um precedente muito perigoso, no lado contrário. Pois é. E para terminar, eu acho que... Vamos fazer esse balanço. Você acha que a balança...

Porque é sempre uma balança, né? Muita recessão, muita censura, daqui a pouco pega mais leve.

A gente está onde nisso? Eu acho que teve um limite e a gente está voltando um pouco ou ainda está lá em cima? Eu acho que está voltando um pouco. O pessoal cansou um pouco, né? É, eu acho. Eu acho que está começando a voltar. Esse movimento pendular, ele já acontece de tempos em tempos. E é meio que um... Esse que é o problema, né? É meio que um pêndulo também. Se você puxa o pêndulo até aqui e larga, ele não vai parar aqui quando voltar. Ele vai até esse outro extremo, né? Pois é, esse é o perigo.

Então, esse é o problema. Então, precisa, a hora que tiver voltando, pera, pera, pera, tem que começar a puxar o pêndulo pra cá agora, que é pra diminuir, pelo menos, essa oscilação, né? É isso, porque senão vai ficar indo de um extremo pro outro. É o que tem acontecido na política, né? É, exato. Vai de um extremo, vai pro outro extremo. Exato. É natural, se aparecer uma posição extrema desse lado, vai aparecer do outro. Não tem como. Realmente, você começou a ter uma posição muito extrema

uma esquerda. E aí, depois de um tempo, começou a vir um cara também com posição extrema na direita. É natural. É natural. Isso vai surgir por conta dessa arquitetura social que acabou desenhando isso. E eu acho que o ideal é você... Por isso que eu falei. Eu não acho que tem que voltar para os anos 80. Ah, tem que poder xingar todo mundo onde quiser, fazer o que quiser. Não, não, não. Eu acho que eu prego até mais o bom senso mesmo. Eu acho que não tem tema proibido, né? Não, não. Pode falar disso.

Tu, pode falar de aborto? Pode. E aí? Você vai querer pagar o preço? Você tá preparado? Você vai fazer uma piada boa? É tudo. Exato. Você vê o show do Chapéu, ele bate em cima dos LGBTs e já tentaram cancelar ele e todo o show ele vai lá e faz piada. Sim, sim. Ele brinca com o cancelamento, né? Sim, e aí você tem o cabeça lá da Netflix que bancou do lado dele. Teve protesto dos funcionários LGBTs, pessoas trans, teve protesto. E ele falou, não, o show vai continuar aqui.

bancou e continuou. Ele falou, e eu sou negro, eu já estou nessa luta antes de vocês, eu sei que, então relaxa. É isso, cara, é isso. Eu acho que é uma pena que aqui ainda, mas é isso também, o stand-up lá já tem há muito mais tempo, eu acho que a própria democracia política lá, o debate lá já está mais avançado. Mas também tem problema, tem muito comediante que nem mais faz show em universidade porque falou, não dá. É, é.

Um ambiente muito politizado. Também, também. Essa polarização política lá também é muito grande. Também é muito grande. Mas estão diminuindo. Não sei se lá está aqui. Aqui a gente quase exterminou os problemas de humor da televisão, né? Acabou, né? Eu acho. Sobrou a Praça Nossa, o The Noite, que é um talk show de humor, assim. A Globo, cara, o que que tem? Tem mais nada. Mais nada, cara. Mais nada. Lá fora também tem esse movimento? Os filmes de humor também diminuaram. Os talk shows lá acho que estão numa...

entrando em baixa também, mas é que eu acho que aí é natural também, né? Porque lá também não era tipo dois, aí é vinte. Ainda tem o SNL. É, um monte. Então, naturalmente, com o tempo, eu acho que é aí que tá, velho. Por exemplo, você tinha o que a gente falou, piada de gordo, você tinha várias piadas com o negro que aconteciam em rede nacional, em horário nobre. E por que que não tem mais? Porque houve uma grande conscientização moral da população falando isso não é legal. Não, não.

A sociedade mudou. E como eu falei, o humor não desenha a sociedade. Ele reflete. Então o que precisa ter são políticas públicas. A sociedade mudando, o humor muda junto. É isso. Ponto. É só você ter uma mudança na sociedade que o humor muda junto. Tem uma pesquisa, uma grande pesquisa também, comparando histórias e piadas étnicas, onde nos Estados Unidos diziam que os poloneses sofriam muito preconceito com isso e tal.

Davis fez uma pesquisa muito grande a respeito disso, aonde ele destrincha uma explicação de como é que nascem os estereótipos. O cara fez uma pesquisa olhando quem que é o estereótipo no Estados Unidos, na Polônia, na Argentina, na Espanha, na Nigéria. É muito interessante. Cara, que legal. Isso aí fica pro meu livro. Compre em junho. Você vai falar sobre isso? Tá lá, tá lá. Tá tudo isso lá também, cara. Você não vai falar do que o Douglas perguntou pra você? E o passeio? Qual passeio? Passeio! Ah, vou processar, hein?

Eu não acredito. Você ouviu essa pergunta aqui? Valeu, velho. Terminando com quinta série aqui. Aí sim, aí sim. Fala, Lene. Aqui foi. Foi? Foi. Obrigado demais. Imagina, velho. Também, cara. Também. É contigo. Fala o que você tem que divulgar, a rede social. Já falamos pra caralho. O pessoal deve estar cansado. Assista o Peste Branca. Fico muito agradecido pra todo mundo que assistiu. Acabou de estrear. Acabou de estrear. Já estamos quase batendo um milhão aí. Porra, também foi acima da minha expectativa.

Hoje à noite já bate um milhão aqui. Maravilha. Principalmente por isso aí. Minhas contas ficaram suspensas um tempo. Prejudicou muito o algoritmo de diversas redes minhas. Meu TikTok, por exemplo, matou. Acabou. Jogaram no lixo. Não funciona mais. Então, obrigado aí. Mas o importante é estar utilizando o tempo de funcionários aí, não todos, da justiça para algo que realmente preocupa o Brasil, que é contar piada. Porque o resto está tudo muito ótimo. Então assistam aí o Peixe.

branca, quem quiser adquirir esse livro, que será lançado em junho, voltando, saindo daqui, vou voltar a trabalhar no livro. Separa um pra mim. É, pode deixar. Quando eu lançar, eu mostro aqui. Você vai gostar bastante, cara. Não, volta pra falar sobre ele, porque, pô, deve dar um programa só sobre ele. Tem muita coisa, velho. Tem muita coisa. Prazer você, o Danilo e mais alguém. Muita coisa. E que, assim, é o que eu falei, Modéstia à parte, tem muita pauta ali que eu nunca vi ser abordada aqui. Vai trazer muita coisa nova pra esse debate do humor,

já tava num terreno muito desgastado. Então, mas quem quiser, um lote aí de 998 unidades à venda já, pra ser entregue em junho. E o casaco do Bulliart que a gente lançou, o lançamento já tá quase esgotando. E link aí tá no primeiro comentário fixado aqui, ó. Casaco, a blusa, né? Um moletom, sei lá, alguma coisa assim. E acompanha minha agenda aí no Instagram. Amanhã eu tô em Botucatu, depois São Carlos e já tem agenda pra um bando de lugar aí também. Belém. Toda a sorte do mundo, cara. Talentoso pra caramba.

ou não gostar, isso faz parte. É, claro. Mas prender, eu acho que é um pouco demais, né? Ele é um escroto, sim. Ele é preconceituoso, mas prender... É, eu acho que aí é um perigo de... Porque aí a gente também pode ser preso, né? Total. Nessa esteira aí. Imagina, alguém fala do meu cabelo. Porra. Exato. Vou me perder por causa do cabelo. Valeu, valeu, Léo. Valeu, Vilela. Ô, Lene, é contigo aí, mano. É isso aí, ó. Se você chegou até aqui e não deixou seu like ainda, corre que ainda dá tempo de desistir seu like. Aproveita, já se inscreve no canal,

torna membro, né? E vamos agradecer aqui também os nossos parceiros, né? Estratégia, concursos. É, o G4. G4 também. Com a gente e... Hora de você brilhar, hein? Cuidado com a palavra. O que o pessoal escreve nos comentários pra provar que chegou até o final? Escreve aí, tocha humana. Tocha humana. Muito bom, muito bom. Achei preconceituoso também. Preconceituoso. Foi brincar com o acidente. Exatamente. Brincou com o acidente que aconteceu nele, criou marcas. Negócio que me traumatizou.

Melhorou o rosto, pelo que falou. É aquele famoso pegou fogo, apagou com o tamanco. Eu só uso fogão de indução agora, por causa do meu trauma, e você agora veio me dar gatilho. Você falou, cara, minha irmã, ela explodiu o forno. Você sabe quando deixa ligado o maior tempo? Esse de indução? Ah, o forno. Quando eu era criança, eu lembro que queimou a sobrancelha. É, ele desce estoura. Valeu demais, valeu vocês que estiveram aqui.

Fiquem com Deus. Beijo no Cotovelli. Tchau, que bom que vocês vieram. Valeu. Fui.

Declarações feitas pelos entrevistados do Inteligência Limitada são de exclusiva responsabilidade deles e não refletem necessariamente a posição do apresentador, da produção ou do canal. O conteúdo aqui exibido tem caráter informativo e opinativo, não sendo vinculado a qualquer compromisso com a veracidade ou exatidão das falas dos participantes. Caso você se sinta ofendido ou tenha qualquer questionamento sobre as declarações feitas neste vídeo, por favor, entre em contato conosco para esclarecimentos.

Estamos abertos a avaliar e, se necessário, editar o conteúdo para garantir a precisão e o respeito a todos.

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