1776 - GUERRA TOTAL NO ORIENTE MÉDIO: PROFESSOR HOC
HENI OZI CUKIER, o PROFESSOR HOC é cientista político. Ele vai bater um papo sobre os ataques dos EUA e Israel no Irã e os seus desdobramentos. O Vilela é muito bom em desdobramentos, mas horrível em origamis.
- Objetivos Guerra EUA-IsraelDestruição de programa nuclear iraniano · Eliminação de capacidade de mísseis balísticos · Destruição da marinha iraniana · Possível mudança de regime · Superioridade aérea no Oriente Médio
- Ataque aéreo a líderes iranianosMorte do líder supremo Khamenei · Operação de decapitação bem-sucedida · Destruição de instalações de defesa aérea · Participação de 200 aviões israelenses · Ataque durante o dia como tática inovadora
- Conflito EUA-IrãPosição de barganha melhor que negociação · Impossibilidade de ceder enriquecimento nuclear · Possibilidade de contexto novo para acordo · Identidade ideológica e martirio · Elemento suicida do líder supremo
- Continuidade institucional do IrãEstrutura ideológica permanente · Revolução Islâmica como base constitucional · Conselho de Especialistas para sucessão · Regime mais sólido que ditaduras pessoais · Diferença com Putin e Rússia
- Terceira Guerra MundialInevitabilidade histórica de guerras globais · Papel da China como catalisador · Movimento com Taiwan como ponto crítico · Comparação com WWII · Outros riscos existenciais (IA, pandemia, clima)
- Relacoes Ira-Golfo PersicoDrones Shahed em massa · Impacto econômico no turismo e aviação · Fechamento parcial do Estreito de Hormuz · Ataques a infraestrutura de petróleo e gás · Pressão nos países árabes para acordos
- Mudanca Regime IraImpossibilidade com força aérea só · Necessidade de forças terrestres · Rebelião popular improvável durante guerra · Sucessão do vácuo de poder · Cenários de transição política
- Impacto EconômicoQueda do Estreito de Hormuz por um quinto do petróleo mundial · Redução de produção do Catar e Arábia Saudita · Preço anormalmente baixo apesar da crise · Impacto na inflação e economia global · Competição entre produtores por mercado
- Conflito Irã-EUAEnfraquecimento do Irã e colapso do arco de influência · Ascensão da Turquia como potência regional · Acordo de Abraão e normalização Israel-árabes · Rivalidade Arábia Saudita vs Emirados · Nova ordem de coalizões na região
- Antissemitismo e ideologia wokeTrês manifestações históricas do antissemitismo · Anti-judaísmo religioso · Racismo étnico nazista · Antissionismo como forma mascarada · Aliança esquerda-islamismo radical
- Regime Politico IraMaioria xiita sob controle americano pós-2003 · Ponte terrestre para Síria e Líbano · Conexão sectária religiosa · Consequência da derrubada de Saddam Hussein · Reconfiguração do equilíbrio regional
- Defesa Aerea IraDestruição de 50% dos lançadores · Estoque de 2.500 mísseis balísticos · Radares não performam bem · Capacidade de retaliação reduzindo · Infiltração do Mossad nas estruturas
- India GeopoliticaAliança com Israel · Defesa contra terrorismo do Paquistão · Fornecimento de armas entre os países · Presença estratégica no Golfo Pérsico · Rivalidade com China e Paquistão
- Politica IraMontanhas como proteção natural · Iraque como plataforma de lançamento · Arco de influência através da Síria · Conexão com Líbano e Gaza · Importância da Mesopotâmia para império persa
- Sucessao Lideranca IraMorte do segundo líder supremo em 46 anos · Conselho interino governando · Possível sucessor do ex-presidente · Risco de morte de candidatos durante guerra · Processo histórico de continuidade
Olá, terráqueos, como é que vocês estão? Eu sou o Rogério Vileira e está começando mais um Inteligência Limitada, o programa onde a limitação da inteligência acontece somente por parte do apresentador que vos fala. Sempre terá com pessoas mais inteligentes, mais interessantes e com a vida muito mais geopoliticamente por dentro do que a minha e do que a sua. É isso aí, muito mais. Hoje a gente vai ficar por dentro do que está acontecendo naquela região que é tão complicada e tão difícil de entender, não é? É isso aí. E o que o pessoal de casa pode fazer?
a galera que acabou de chegar nessa live já vai chegar deixando o seu like, tá certo? É obrigatório. Obrigatório, né? A moeda de troca é o like. É o like, exatamente. Não paga nada, é de graça. Não paga nada, é de graça, rapidinho, né? Então deixa aí o seu like, se inscreva no canal. A gente tá pertinho da marca dos 6 milhões. Isso. Então ajuda a gente aí, tá certo? Tá certo. E pra você participar da live, você vai mandar a sua pergunta via superchat.
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E você falou, pode ser essa semana, pode ser na próxima. E a gente, no mundo inteiro, acredito que estava nesse suspense. Mas você estava bem informado. Você mandou mensagem bem nos dias críticos. Não, eu estou acompanhando. Foram duas semanas. Teve um dia antes que eu falei, agora chegamos perto. Aí você me mandou mensagem. Aí eu falei, se não for amanhã, não é agora. Mas aí o Gerald Ford, que é o porta-aviões, não tinha chegado.
semana você me mandou um dia antes. Um dia depois começou. Você vê que eu tenho informações talvez que você não tenha. Você está aprendendo. Eu estou aprendendo a ver o reconhecimento de padrões. Em falar em padrões, o que a gente pode saber olhando para a história? Falam que a história não se repete, mas ela rima. O que a gente tem da história de experiência para saber o que vai dar desse conflito? É parecido com alguma coisa que está acontecendo? Parecido em alguns aspectos.
sei lá, Estados Unidos quer derrubar o regime. O Trump diz que sim, mas algumas das ações não indicam isso totalmente. Ah, mas não matou o líder supremo? Matou, mas o líder supremo é uma só figura do regime. Os ataques às lideranças têm que ser ainda maiores, não só as lideranças, mas também a infraestrutura de segurança. Enfim, onde está localizado os guardas,
todas, da guarda revolucionária, entendeu? Quartéis generais de gente que... Vai ter que atacar algumas dessas instituições. Claro, estamos no segundo dia do conflito, né? Então isso pode, ainda pode vir a acontecer, não é o primeiro alvo. O primeiro alvo já foi ultra bem sucedido nesse sentido. Isso não é igual a nada do que a gente já assistiu. Começar a guerra e no primeiro dia um ataque de decapitação desse porte
ser bem sucedido. Isso é um êxito militar. Inclusive, dentro da estratégia militar, a gente fala que qual é o centro de gravidade de uma força. O que é o centro de gravidade? O centro de gravidade é aquele lugar para onde o Clausewitz falou disso. É o grande pensador da guerra e da estratégia ocidental. Você tem o Sun Tzu, que é o oriental, e você tem o Clausewitz. Esses dois são os pais da guerra. São os caras que escreveram. O Sun Tzu é muito mais focado em levar a guerra em todas as situações
e ser muito eficiente. Ou seja, eu ganho a guerra antes dela começar. Eu não preciso entrar em combate para vencer o meu inimigo. O ápice da estratégia para o Sun Tzu é vencer a guerra antes dela começar. Entendi. O Clausewitz não. O Clausewitz já é um cara focado em concentração de força massiva. É mais metódico. Isso. Na hora que você vai entrar na guerra, você entra com tudo que você tem. E aí, óbvio que ele criou esse conceito de distinção,
de identificar, entra com tudo que eu tenho aonde? Contra quem? Nesse centro de gravidade. Aí ele chamou isso de centro de gravidade. Não adianta você atacar beiradas ou coisas aleatórias. E aí tem uma discussão importante, interessante, dentro do campo de estudos da estratégia militar, que é o que é o centro de gravidade? O seu lugar de fortaleza ou o seu lugar de fraqueza? Eu vou explorar a sua força ou vou explorar
esmagar a sua fraqueza. Essa é a primeira discussão. É claro que o Clausewitz não deixou isso em aberto. Ao contrário, ele virou e falou. Ele fez uma listinha. E atacar o cabeça, o líder, está lá na lista dos primeiros alvos dele de centro de gravidade. Foi a mesma coisa que os Estados Unidos fizeram na primeira guerra do Golfo contra o Saddam Hussein. Desculpa, na segunda, que o ataque inicial foi para matar o Saddam Hussein em 2003.
O alvo foi esse, ou seja, entendem que ele é algum centro de gravidade. Eu diria que ele é importante, óbvio. Primeiro que ele está há 46 anos no poder. Ele é o topo. Ele não é só uma figura alegórica. Não, ele é uma figura que constitui o poder, um cara centralizador. Ele mudou a essência e a natureza do regime, de muitas maneiras.
Ele foi concentrando o poder nele e foi isolando todos os outros apoiadores, inclusive os religiosos. Inclusive todos os outros ayatolás, ele foi colocando ou em prisão domiciliar, ou não pode falar na mídia, ou você não pode fazer isso, ou você não pode se envolver com aquilo. Então todos eles foram ficando de lado e ele foi se consolidando. Mesmo assim, ele ainda estava dentro desse regime, dessa ideia do que é a Revolução Islâmica.
E é claro que tem um ponto importante aí nessa história dele, que ele foi ganhando espaço com a guarda revolucionária. E ele foi colocando a guarda revolucionária como seu grande apoiador. E isso foi tirando um pouco da natureza religiosa do regime e trazendo uma natureza mais militar. E aí ele foi dando espaço para a guarda revolucionária de múltiplas maneiras. Por exemplo, ele permitiu que eles controlassem todas as atividades econômicas.
do país. Então, de construção à área militar, está tudo na mão da guarda revolucionária. Até mesmo as atividades ilícitas dentro do país, como a venda de bebida alcoólica, que é proibido, quem é que vende a bebida contrabandeada? A guarda revolucionária. Então, a guarda revolucionária se torna uma peça central do regime. Por isso que decapitá-lo não é resolver o problema. Mas era necessário. Necessário, mas não o suficiente.
E é necessário no sentido que ele é uma figura simbólica, ele é o líder religioso, é uma revolução islâmica. Só tivemos dois ayatollahs, o primeiro e ele. Mas tem um outro elemento que também a gente não pode tirar dessa equação, que é o fato dele já estar velho. 86 anos, já estava doente. Talvez já preparando a sucessão. Já tinha preparado. Ele já tinha preparado todo o processo de sucessão.
dele não necessariamente é uma destruição do regime. Muito ao contrário. E isso está ficando claro. Porque o governo iraniano não parou de lutar a guerra contra os Estados Unidos e Israel porque o seu líder máximo foi morto. Nós estamos assistindo o oposto disso. O Irã continua funcionando, continua lutando. O Irã tem um novo conselho que governa o país hoje, que é composto por três figuras. O presidente, o chefe do judiciário e o representante
legislativo. E esse é um conselho interino que está governando o país até que o novo líder supremo seja escolhido. Eu estava dizendo isso ontem, esses dias aí na minha rede, que o fato do Irã ser um regime que foi construído em cima de uma ideologia, isso mostra que existe um projeto de poder de longo prazo. Existe algo muito mais sólido, consistente. Você está querendo dizer, só para tentar traduzir,
ao contrário da maioria dos países, ele foi construído em cima de uma ideologia. Quando o normal é um caminho diferente. É isso. É um pouco mais forçado quando é em cima de uma ideologia. É mais sólido. É mais sólido? Isso. Porque é o seguinte. Imagina o Putin. O Putin é um ditador, chegou no poder. E o ponto aqui é que nenhum ditador chega e se mantém no poder sozinho. Isso é uma premissa básica da vida. Ninguém chega em lugar nenhum sozinho e nem se mantém em lugar nenhum sozinho. Ainda mais quando
quer dominar um país inteiro. Só que o Putin não vendeu um projeto de poder institucionalizado, com uma ideologia. Ele é muito mais um líder oportunista que viu a chance, chegou lá, dominou o poder com seus amigos, com seu grupo, mas não a ponto dele criar um mecanismo de perpetuação daquele projeto dele. Tanto que se o Putin cair, a Rússia pode se tornar um país relativamente diferente de hoje.
ela está hoje, dependendo da nova figura que tomar o poder. Mas uma coisa é certa, um novo líder que assuma o poder na Rússia, ele não vai continuar a guerra contra a Ucrânia, por exemplo. Entendeu? Então, é diferente. Agora, no Irã, como na China, você tem instituições, você tem um projeto muito maior, pensado, ideológico. Na China, você tem um partido comunista que tem um monopólio do poder.
Tem uma ideologia por trás desse partido, que ok, ela pode se transformar ao longo do tempo e se adequando, mas tem toda uma estrutura. Por mais que o Xi Jinping seja um líder personalista e centralizador, ele ainda assim tem essa estrutura por trás dele. Se ele morrer hoje, a China funciona normalmente, a não ser que o regime seja derrubado. Sim, uma revolução, alguma coisa. Isso, e é isso que eu quero dizer sobre o Irã, entendeu? O Irã é a mesma coisa.
quebra muito brusca, ele vai continuar da mesma forma. Vai, porque ele está enraizado. E não é enraizado só porque ele tem uma ideologia, ele tem uma constituição, ele tem os órgãos, ele tem uma máquina imensa. E essa máquina já lidou com uma transição de poder do líder supremo. E isso é importante por quê? Porque isso gera precedente. Isso gera um histórico de continuidade funcional. Entende? A gente já passou pelo processo. Morreu o líder supremo,
Vamos escolher o próximo, ele assume. Isso é institucionalidade para o mal ou para a destruição do país, mas é institucionalidade. E isso dá uma vantagem para o regime iraniano. Então, matou o líder supremo, o Irã continua funcionando. Ele está mais fraco hoje do que estava antes? Sem dúvida. Mas eles vão escolher, estão no processo para escolher o novo líder supremo. Ninguém vai fazer isso, certamente, enquanto está no meio da guerra.
Porque qualquer líder escolhido é um alvo. O que aconteceu, inclusive. Isso. E, inclusive, todos os outros são alvos nesse momento. Mas a guerra não vai durar para sempre. Esse é o? Esse é o Kamenem. É o Kamenem. Ah, tá. E o que estava na sucessão foi morto também ou não? O que ia substituir ele? Não, a gente não sabe, não tinha definido quem era. Ah, não? Não. Tem uma discussão, por exemplo, uma das figuras possíveis era o filho dele. Antes, lá atrás, se dizia que a preferência dele era o ex-presidente.
que morreu num acidente de helicóptero em 24. Ninguém sabe se foi um acidente, se foi um atentado, aquela história. Aí todo mundo estava mirando no filho dele. A gente não tem informações, pelo menos eu não vi nada até agora concreto, de que o filho dele esteja vivo. Existe a possibilidade de que o filho dele também tenha morrido. E aí tem uma discussão, então quem vai ser o próximo. Desse trio aí que está nesse conselho, tem um deles que é o potencial, todo mundo acha que ele é um dos grandes candidatos para ser o próximo.
líder supremo, já tentou ganhar a eleição, não conseguiu, mas ele era um queridinho, alguém que o Caminei protegia e mantinha por perto. Então a gente só teve dois. Só dois. O Komeini e o Caminei. E o nome parecido tem alguma coisa a ver ou não? Uma coincidência. E o Ayatollah, pra quem a gente não entende, é tipo de um rei. É um clérigo, não é um rei. Ele tá mais próximo pra um líder religioso do que... É mesmo?
O rei, o monarca, é o Shah, a ideia do reza-palave, que era o antigo monarca quando a Revolução Islâmica derrubou ele e trouxe para o poder uma teocracia, um regime religioso no poder. E aí quem manda a partir daí é o Ayatollah. Isso. O órgão que vai escolher o novo Ayatollah chama Conselho de Especialistas. E ele tem um pouco mais de 80 líderes religiosos.
que foram escolhidos pela população numa eleição. Só que aí, calma, não é uma eleição normal. É uma eleição onde, para você ser o candidato, eu, líder supremo, tenho que deixar você ser o candidato. Então, eu só deixo ser candidato quem eu já quero que seja eleito. Não é qualquer um. Então, as cartas já são marcadas. Mas a população escolhe entre os que foram dados para ela. E esses caras do Conselho Especialista, de Especialistas,
eles basicamente só escolher um novo líder supremo. E eles estão se reunindo e falando sobre isso. Claro que eles não conseguem se reunir do jeito certo porque eles são alvos também. Todo mundo é alvo agora. Se a ideia é mudança de regime, eu acho que... Eu sempre digo isso aqui e falo disso em todos os lugares. Nós temos que fazer uma distinção entre a retórica política e a prática.
política é inflamada, ela tem um viés político, um objetivo político, ela quer mexer com as pessoas, mostrar força, mostrar poder, mostrar ambição, sucesso, realização, um monte de coisa. Dá um recado para o mercado financeiro. Isso, é recado para isso, para aquele, para todo mundo. Não necessariamente é a verdade, ela é a narrativa, ela é a retórica. A gente viu muito isso na questão do Maduro. O discurso era um e o que a gente viu foi outra coisa. Isso.
o tempo inteiro assiste isso numa escala até maior com o Trump. Por isso, não podemos esquecer ou deixar de lado esse fator. Ah, mas o Trump não disse que é mudança de regime? O secretário não disse? É, disse, mas não disse. A gente não tem... Pode ser que seja, na cabeça deles, talvez falar que é. E se conseguir, maravilha. Mas se não conseguir, vamos falar, não, mas não era, mudamos de ideia, sei lá. Então, eu não acho que
está claro, se puder mudar o regime, vão mudar. Mas, talvez, para mudar o regime, essa guerra terá que ser bem mais longa. E bem mais longa não parece que é o objetivo, ou é o caminho para o Trump. O Trump já falou várias coisas. Pode demorar quatro ou cinco semanas, ele pode ficar lá o tempo que for necessário, o que for preciso. Essa é uma das perguntas que ninguém sabe. Quanto tempo vai durar a guerra?
É difícil, né? Principalmente se pensar várias das guerras de mudança de regime que aconteceram. Vai na Líbia, no Iraque, no Afeganistão. Todas essas guerras acabaram se tornando guerras civis de décadas, mais de 10 anos de guerra. Então existe essa preocupação também nessa discussão dentro do Irã. O Irã vai cair numa guerra civil? Derrubar o regime tem esse risco. E esse risco é uma preocupação para todo mundo. Uma preocupação para os Estados Unidos,
preocupação para os países vizinhos, é uma preocupação para a região. O Irã é um país gigantesco, 92 milhões de pessoas e um país desse tamanho se tornar uma guerra civil ou um caos é bastante impactante. Olha o que já está acontecendo ali no Estreito de Hormuz, no Golfo no geral, nos países do lado. Então, não é tão simples, muda o regime. E ninguém nunca conseguiu,
inicial foi. Essa guerra é diferente das outras? Essa é uma parte importante para a gente olhar. É possível mudar um regime somente com força aérea, com ataques aéreos, com uma operação aérea? E a resposta é não. Até hoje não. Ninguém conseguiu fazer isso. Tem que ter exército em terra. E nem mesmo com o exército é uma operação fácil. Com certeza. E se não for o exército, a população tem que se rebelar. E a população agora não vai se rebelar, porque ela está
correndo risco de vida se ela sair na rua. E quando não corria o risco de vida de uma guerra com bombardeios, ela também correu o risco de ser morta pelo regime. 7 mil pessoas, segundo alguns dados aí. Então, se não tiver uma mobilização das pessoas ou alguma outra força terrestre, é difícil. Por que eles vão entender que eles têm que ceder o poder? E ceder para quem? Imagina que vai morrendo todo mundo, todos os líderes.
O segundo escalão está lá. E aí o segundo escalão fala, tá bom, e agora? Não tem protesto na rua e não tem exército de ninguém, nem tem forças de ninguém. O segundo escalão fala, não, tá bom, eu abdico do poder. Para quem? Entendeu? Não tem ninguém ali. Tem que aparecer essa força de resistência para eles desistirem de lutar ou desistirem de continuar no poder. Aí vem a questão do que está acontecendo agora. O que a gente já sabe? A gente sabe que Israel está junto.
Foi um ataque conjunto. Como está a Europa nisso? A reação do mundo? E o que foi destruído? O que aconteceu? Não sei se se esperava que o Irã ia atacar prédios e alvos civis em Doha ou em outros lugares que não estão relacionados com a guerra. Qual é a intenção de tudo isso? Por que o Irã atacou os outros países árabes e do Golfo? Por duas razões. Primeiro, eles são aliados dos Estados Unidos.
Eles têm bases americanas no seu território e são amigos e aliados. Segundo, porque se ele provocar um pânico nesses países, esses países vão colocar pressão nos Estados Unidos para acabar com a guerra. Entendi. Então ele está contando com medo deles e é isso que ele está fazendo. Dubai, Duha, Kuwait, Iraque, Jordânia, Bahrein, Qatar, até Oman.
Tem o lado negativo também de alguns países que eram mais neutros se virarem definitivamente contra o Irã ou já eram contra o Irã? Já eram contra, mas não queriam. Eles tinham uma certa resistência. Não vai usar minha base para lançar ataque direto ao Irã. Eles colocaram uma série de restrições. O ataque não aconteceu em janeiro porque eles colocaram pressão. Falaram, não, não, a gente não quer, não quer, não queremos que ataque, não queremos guerra aqui. Agora eles estão em um impasse.
neste momento, que eles estão mais, agora estão irritados com o Irã e querem retaliar. Mas eles podem mudar de ideia a qualquer momento. Eu já vi várias notícias diversas. Ah, não, agora os países árabes vão entrar. E já ouvi outra movimentação dizendo, ah, eles estão pressionando o Trump para chegar num acordo e não cessar fogo e parar com a guerra logo. Não faz sentido eles recuarem, porque deixar o Irã fortalecido ali vai dar um sinal para o Irã que eles são
e qualquer minuto que o Irã lance alguns drones contra eles, eles vão acabar recuando e vão ter que ceder. Então, eles mostraram uma fraqueza para o Irã, mostrarão uma fraqueza se escolherem simplesmente apaziguar o Irã ou ficar com medo e acabar a guerra agora. Por outro lado, a retaliação iraniana está causando um monte de impactos em todos esses países, principalmente os do Golfo, porque eles são um hub de logística,
Dependem da aviação, do comércio marítimo, das exportações de petróleo, de gás natural. Tudo isso está sendo impactado com o fechamento do estreito. Tudo isso está sendo impactado com todas as coisas que o Irã está danificando. O Qatar parou a sua produção de gás natural. Ele desligou. Isso fez o preço do gás natural na Europa aumentar em 50%. O Qatar é um dos maiores fornecedores do mundo de gás natural.
parou porque um drone iraniano acertou uma das suas instalações e ele achou melhor desligar as outras todas e ele parou de produzir. E a mesma coisa aconteceu com a Arábia Saudita. Então o Irã agora está atacando não só as rotas por onde passa todas essas commodities, essa energia, mas ele está atacando também a infraestrutura desses países. Então esses países estão perdendo muito. Eles perdem com o turismo, as companhias aéreas deles todas estão paralisadas.
voos começaram a voltar, alguns poucos, e perdem com a sua principal fonte de receita, que é o petróleo e o gás natural. Tudo isso faz a economia deles ficar numa situação complicada, a imagem deles ser arranhada. Será que esses lugares são seguros? Será que Dubai é seguro? Será que Qatar, Abu Dhabi, todos esses lugares são seguros agora? Está todo mundo questionando isso. Está todo mundo experimentando. A gente está assistindo os vídeos, hotéis sendo atacados,
um monte de coisa. Então, nesse sentido, o Irã está tentando usar eles como uma forma. Por outro lado, a gente está vendo outros países também se mobilizando e falando, se essa retaliação indiscriminada do Irã contra todo mundo, isso não é aceitável. Então, os europeus também estão dizendo que vão apoiar o conflito porque o Chipre foi atacado, que faz parte da União Europeia.
Então atacou o território europeu. Os europeus estão dizendo, pode usar nossas bases. Estamos aqui, estamos dispostos a participar e ajudar a fazer o Irã parar. Conforme o Irã avança na tentativa de fechamento total do Estreito de Hormuz, aí sim nós vamos entender o quanto que os outros países vão ficar incomodados. Porque aí vai afetar muito a economia. Vai. É estranho que o preço do barril do petróleo,
ainda não tenha explodido. Porque quando a Rússia invadiu a Ucrânia, o preço do barril chegou a 130, 140. E naquele momento, sem o petróleo, nós estamos falando de uma retirada por volta de 5 milhões de barris de petróleo do mercado. Hoje, com o fechamento como está, tanto da produção de gás quanto de petróleo e de todos esses países combinados, porque são muitos países ali até,
O mapa está ali. Emirados Árabes, Qatar, Bahrein, Kuwait, Arábia Saudita, Iraque. Pelo menos um, dois, três, quatro, cinco grandes produtores, mais o Irã. Seis grandes produtores no mundo não conseguem vender o seu petróleo para o mundo. Isso é muito superior a tirar a Rússia do mercado. Com certeza. E como que o barril do petróleo ainda não explodiu. Ou os traders.
dos mercados sabem de alguma coisa que ninguém sabe, ou espere para ver porque vai vir uma explosão no preço do petróleo, que seria o natural, a não ser que eles achem que tem petróleo para substituir tudo isso de algum outro lugar. E não, não é o petróleo da Venezuela, porque a Venezuela não produz essa quantidade de petróleo, a Venezuela está sucateada, o petróleo venezuelano é pior, é ruim, precisa de muito investimento,
produção se elevar e tal, vai demorar. Então não vai vir da Venezuela. E isso tudo mexe com o mercado. É estranho que o mercado não para de subir o preço do barril, ouro, está tudo indo na direção de problema, guerra, caos. Todo mundo esperando. Mas poderia ser pior. Vamos falar então o que aconteceu. Foi sábado, né? O que aconteceu sábado? Qual foi a primeira ação?
Qual foi a seção coordenada? O primeiro ataque começou às nove da manhã. Do sábado? É. Horário deles, né? Não nosso. E isso é uma novidade. E foi uma... Porque normalmente é à noite? Tem algum motivo por ser à noite? Ah, é mais camuflado. É mais... As pessoas estão dormindo. Ninguém passa a noite acordada. Tá todo mundo... As coisas não estão funcionando normalmente, né? É um momento mais apropriado.
mais inesperado, mais difícil de enxergar. A luz do dia, estamos de dia, estamos vendo. E eles decidiram fazer o ataque de dia, propositalmente para pegar a liderança no contrapé. E conseguiram, porque eles atacaram e mataram o ministro da defesa, o chefe da guarda revolucionária, outras figuras importantíssimas e o líder supremo. Quem fez esses ataques, o Israel ou os Estados Unidos? Israel. Claro, com a ajuda dos Estados Unidos, enfim, é um ataque conjunto.
a participação de Israel não foi tímida nem secundária. Mais de 200 aviões israelenses caças participaram disso. É um contingente imenso. Se você colocar toda a força aérea europeia, eles não têm essa capacidade de conduzir uma operação com 200 aviões simultaneamente. E não é por um acaso que os Estados Unidos escolheram algum tempo tirar a Israel de posicionada,
como o comando da Europa, os Estados Unidos tem vários comandos militares que organizam a distribuição de forças pelo mundo. E passaram a colocar Israel no comando central, que é o comando que cuida do Oriente Médio. Para os Estados Unidos contar com uma força dessa, com um apoio desse, e não é só Israel, tem todos os outros, os Estados Unidos tem base na Jordânia, base no Iraque, base no Kuwait, base na Arábia Saudita, base da quinta frota americana no Bahrein,
e a base central do comando central, que é esse comando que cuida
da região do Oriente Médio, está no Catar. E também tem base nos Emirados. Então, tem muita base e tem a ajuda de Israel. E Israel tem uma penetração, uma infiltração interna com inteligência dentro do Irã. E isso faz toda a diferença. Por isso que Israel, na guerra, no ano passado, no meio do ano passado, conseguiu matar figuras tão importantes. E agora, de novo. E até matou o Ahmadinejad. Lembra dele? Sim.
e foi morto também. Não era uma figura que tinha mais influência, esse é o ministro da defesa e o comandante da guarda. Não era uma figura que tinha influência no regime, mas ele criou muitos problemas para Israel, ele tinha um discurso de negação de holocausto, antissemita, e foi morto também. Então, essas operações são mais cirúrgicas. Pegaram ele de dia, o Ayatollah, ele achava,
Ele não achava, senão ele estaria no bunker escondido. E ele não estava exatamente pelo horário, pelo momento. E essa foi a inovação da operação para tentar atacar. O que mais? Atacaram um monte de instalações. O objetivo é destruir toda a capacidade de defesa aérea do Irã para que os Estados Unidos e Israel tenham superioridade aérea e controle do espaço aéreo. É sempre esse o primeiro passo.
E, com isso, destruir os lançadores. E não só os mísseis que o Irã está lançando, mas os lançadores. Israel diz que 50% de todos os lançadores iranianos já foram destruídos. Ainda tem bastante. Na guerra, no meio do ano, contra Israel, o Irã lançou por volta de 500 mísseis. E agora, alguns dados da inteligência de Israel falam que o Irã tem um estoque de 2.500 mísseis.
O Irã tem, no começo, atacou muitos seguidos para saturar, sobrecarregar a defesa aérea israelense. E agora ele está diminuindo um pouco do volume. Provavelmente está ficando mais difícil. Cada vez que lança, consegue identificar de onde está lançando. E aí vão lá e destroem, atacam. Então, os americanos e os israelenses estão trabalhando para que eles consigam destruir. O objetivo da guerra é destruir a capacidade do Irã de construir uma bomba.
destruir a marinha iraniana e destruir o estoque e a capacidade do Irã de construir mísseis balísticos. E aí o quarto possível é a mudança de regime, tirar esse regime do poder. E eu vi também que o Irã tinha um plano de infiltrar agentes dentro do Mossad e esse cara era do Mossad, parece. Não teve uma história assim? Essa específica eu não vi. Tem um monte de história que o Irã estava tentando recrutar,
informações de inteligência. Aí colocaram também agentes do Mossad como dentistas e médicos para cuidar desse alto escalão. É o maior tempo para... E é um trabalho de muito tempo. É uma coisa para daqui a um ano dar certo. Os caras estão infiltrando há muito tempo. Você tem que ter os ativos ali infiltrados, colocados, ganhando a confiança, prestando um serviço, criando uma conexão.
Uma dessas histórias fascinantes é do ministro da defesa da Síria, era um agente do Mossad. Caramba. Que é aquela série que tem no Netflix, que chama The Spy. É? Você nunca assistiu? Não. Nossa, vai amar, amar. A história é sobre isso? Amar, amar. O que é? É demais, é isso. É o cara, anos e anos, se infiltrando na sociedade síria. Subindo nos escalões. Subindo, subindo, até que ele vira o ministro da defesa. Cara. E ele era um espião. Ele era um espião do Mossad, ministro da defesa do outro país. Que absurdo.
E a reação do mundo em relação a esses ataques? O Brasil repudiou, né? É, esperado, né? O Brasil sempre tomalado, mas também repudiou, falou uma coisa, não vi mais nada. Eu também, só vi isso. Falou uma vez e ficou quieto, do mesmo jeito que foi com a Venezuela. Falou uma vez e ficou quieto. Acho que o Lula está aprendendo que não dá para ficar... Se metendo nesses... É, cutucando o Trump, discutindo, criando problemas toda hora para o Brasil,
custar caro. Em 2025 custou caro. Sanção, tarifa, crise diplomática, crise política, muita coisa aconteceu. Então, agora acho que ele está mais consciente. Sem falar nisso, além disso, é ano de eleição. Pois é. Então, ele acho que não quer criar um tumulto agora. Não sabe dos resultados. E também com guerra, hoje em dia, hoje em dia não, há um tempo já, a guerra de informação é tão
importante quanto à guerra em si, né? Como está essa guerra de informação? Olha, acho que... Irã falando que está vencendo... É, mas assim, também não tem muito como ele... Não tem, né? É, eles tiveram que admitir publicamente a morte do líder supremo, que é uma bela de um reconhecimento que eles... que aconteceu. Mas também reconheceram, então mostrando que está tudo normal. Ó, então o Conselho Interino assumiu o controle do
país, o poder. E isso é um sinal de que eles estão no comando. Que eles estão com as rédeas controladas para onde as coisas estão indo. O Irã está ousado. Eu diria que o Irã queria a guerra. Porque a posição de barganha do Irã para um acordo com os Estados Unidos era ruim. Para o Irã. Imagina que eu sou o Irã. Estou sentado aqui do lado do Irã.
Qual era a demanda e a exigência dos Estados Unidos? Para o plano... Zero enriquecimento. Zero. O Irã não quer abdicar disso. Que moeda de barganha ele tem? Nenhuma. Por quê? Porque ele já tinha um programa nuclear que foi bombardeado, porque ele financia o terrorismo, porque ele está em choque contra os Estados Unidos há muito tempo. Então ele não tem nada para mostrar.
o acordo, ele teria que ceder e deixar que os Estados Unidos exigisse comprovações que ele não está enriquecendo. E ele sabe que ele não queria entregar isso. Não só não queria, como não ia dar para engambelar o Trump. O Trump não ia cair numa desculpa qualquer ou não, eu vou fazer. Não, vai fazer e eu quero ver. Eu quero ver direito. E se você não fizer direito, eu rasgo o acordo na hora. Porque o Trump tem menos preocupação com esses apresos
do que é construído. Se os aliados dele, ele destrói o que ele construiu, imagina com os adversários. Nesse sentido, o Irã não conseguiria entregar e não tinha o que oferecer. Só que aí o cálculo do Irã é se eu for para a guerra, o custo dessa guerra vai ser muito alto para os Estados Unidos, para os aliados americanos. E eles vão reclamar e todo mundo vai querer acabar com a guerra. E aí na hora de acabar com a guerra, abre-se um novo
Novo contexto de negociação. E a posição de barganha do Irã melhora. Eu entendo que era do interesse. E isso é bem engraçado nessa guerra. Engraçado no sentido de curioso. Tanto os Estados Unidos quanto Israel e quanto o Irã, os três criaram a guerra. Então é tipo uma guerra por consenso velado. Cada um com seus interesses. Cada um com seus interesses acha que não tinha nenhum para outro lugar para ir.
para a guerra. Isso é meio que uma visão... Os Estados Unidos retira um pouco o foco dos arquivos Epstein. É, retira. O Trump acha que é uma vitória fácil, que ele vai mostrar que ele é durão, manda mais um recado para o mundo. Eu faço de novo se precisar, eu refaço, eu vou ter êxito, não tem muito como dar errado. Claro, partindo das premissas da visão dele. Israel também, eu tenho que derrubar esse regime, tem que estragar
ainda mais os mísseis balísticos, tem que destruir o programa nuclear ainda mais, vamos tentar derrubar o regime, vamos enfraquecer o Irã. Tá tudo bem. E o Irã? Ah, eu não consigo negociar, eu não quero ceder o que eles estão pedindo, então eu vou para a guerra também, porque na guerra o desfecho, o término da guerra pode me dar uma chance que eu não tenho hoje. Óbvio que tem um risco em tudo isso para cada um deles, mas é curioso entender e as pessoas pensarem sobre essa ótica, porque todo mundo
que absurdo, meu Deus, que triste, para onde vai parar o mundo? Não. Os três queriam a guerra. Os três queriam lutar. E está tudo bem. Então está tudo bem. As pessoas têm que aceitar que essa é uma realidade da vida, não é? Nossa, que mundo louco. Os três querem lutar, eles querem a guerra. Isso é quase que a gente voltando para os clássicos, onde a guerra estava sendo esperada, a guerra estava sendo combinada, a guerra estava sendo marcada.
Tipo, é meio isso. A guerra foi quase que marcada. Tá bom, que dia então nós vamos guerrear? Trump está há um tempo já avisando. Está avisando. E aí o Irã também começou a falar, tá bom, vamos me preparar. Não vou assinar acordo nenhum. Não vai ter acordo nenhum. Então vamos para a guerra. E a gente nunca pode retirar o elemento suicida do próprio Ayatollah. Claro, a gente fala desses líderes. Eles vendem essa ideologia terminal, fatalista, destrutiva.
dispostos a se suicidar. Eles convencem os outros a morrer pela causa, se tornarem mártires e tal. Mas com 86 anos, ali, não vou baixar a cabeça. Quem sabe eu não viro um mártir? Melhor do que eu morrer de um outro jeito. Então melhor é morrer contra os meus grandes inimigos, contra aqueles países que eu passei 50 anos demonizando literalmente. Essa é a palavra. Que são o satã e tal.
É exatamente isso que talvez possa ter passado na cabeça do Ayatollah. Eu vou morrer como mártir agora e está tudo bem. Contra o meu maior inimigo. É, e eu lutei até o final contra eles. E que isso sirva de exemplo para quem sobrou aqui do regime, para as próximas gerações, que é possível a gente se dedicar, dar a vida, já que ele estava no final da vida dele, entendeu? Então, para quem está tão chocado assim, tem que repensar um pouco mais. E a população do Irã, como que está? Está feliz?
Porque já tinha uma série de manifestações que comemoraram muito. Estão felizes, mas também estão ansiosos. Sem um rumo, claro. Com medo de serem abandonados. O que vai acontecer? Chegou mais um pouco, avançou mais um pouco e não derrubou? Pode ser que isso aconteça. Essa é uma possibilidade. Tem que ser muito efetivo. Vai ter que matar muito mais lideranças. Como eles destruíram toda a oposição?
você coloca alguém que não seja do próprio regime pra governar lá se não tem oposição? Ou tem? Não tem. Nem fora do país? Fora do país tem o herdeiro, que é o filho do Shah, o Reza, mas ele tá fora, ele não tem um contato. Não é que isso é determinante, porque o próprio Komeini, ele também tava fora quando ele veio. Ele voltou. Então ele pode voltar e se tornar uma figura dessa transição, que é o que
quer, inclusive. Mas ele precisa ter legitimidade, ele precisa ser percebido como a solução. Isso pode acontecer também, porque não vai ter outra opção. Você vê como uma possibilidade real? Se o regime não estiver ali, acho que ele é alguém que pode aparecer e todo mundo, ah, tá bom, vamos ver o que esse cara tem a dizer, vamos ver como ele se comporta. E aí se ele fizer um, dois, três, cinco discursos direito, pode ser que ele caia nas graças da população e fale, é, tá bom, não temo ninguém. Ele parece um cara
diferente, moderno, fala direito, sei lá. Óbvio que vai depender da capacidade dele também de conseguir construir tudo isso. Mas também pode existir a opção de surgir uma figura. Não é tão simples porque é muito tempo de repressão. Mas se você tiver um vácuo de poder, aí alguém com mais habilidade pode aparecer. O segundo caminho é meio que uma mescla disso. Essas figuras aí,
ou o herdeiro do trono, se juntar com alguém de dentro, que é alguém mais moderado. Mas continua sendo uma teocracia? Não. Para reformar. Se junta com alguém de dentro e fala, vamos fazer uma transição. A hora de vocês acabou. Mas não é melhor? Você não acha que é melhor? Para o bem do país, você ajudar a gente a conduzir isso, você pegar a galera que está com você, fazer eles te seguirem e aceitarem isso daqui. Não é uma equação
muito simples, Vilá e Lá. E não é uma equação muito óbvia. É um país muito grande, muito diverso. O Irã não é composto só de persas, como as pessoas pensam. Ah, não? Não, tem várias outras etnias. Você tem uma ideia? 25% da população do Irã, 20 a 25, a gente nem tem senso direito demográfico disso, porque o regime iraniano não quer. Na verdade, nem a monarquia antiga do Shah queria isso, porque existe uma
paranoia dentro do Irã, que o país vai se fragmentar. De 20% a 25% da população do Irã não são persas, são Azeris, que é o povo do Azerbaijão, a etnia do Azerbaijão. E você tem o Azerbaijão que faz fronteira com o Irã, no norte, próximo do Cáspio, do Mar Cáspio. E acho que vale... Vou colocar um mapa pra gente ver. Se você juntar toda essa população ali, esses 25, com o resto do Azerbaijão, você cria,
o grande Azerbaijão. E por que eles vão querer morar no Irã ou viver com o Irã, se eles podem ter a terra deles? Além disso, você tem os curdos, que é o maior povo apátrida do mundo. O maior povo que não tem um Estado, que não tem uma nação. E aí tem curdo também na Síria, na Turquia, no Iraque, e todos querem construir o seu Estado. E tem também dentro do Irã. Você tem os baluxes,
mais ali do Afeganistão. Você tem árabes iranianos, não persas. Você tem várias outras etnias ainda menores. Então, é que o Irã está ali embaixo. Tem que ser um mapa maior. Não só o Azerbaijão, mas a região ali do Cáucaso. E o relevo do país, como que é? Muito montanhoso? Muito, mas é interessante a história do relevo porque o relevo explica uma posição
Porque o que o Irã se tornou tão importante? Primeiro porque ele é um país grande, muito populoso. E depois porque ele começou a ficar muito forte, muito poderoso nos últimos 20 anos. E isso aconteceu por causa de uma ação americana. Qual? A guerra no Iraque. Segunda Guerra do Iraque, 2003. Fortaleceu o Irã? É, porque historicamente, geopoliticamente falando, a geografia do Irã, por ser um país todo montanhoso,
são muito protegidas, com montanhas intransponíveis. E aí, para o Irã projetar poder, ele está protegido dentro dessa fortaleza, mas ao mesmo tempo ele também não consegue sair da fortaleza. Para ele sair da fortaleza e projetar poder para fora, ele precisa de uma base, uma plataforma externa da fortaleza. E essa plataforma é um território estratégico que determinou quando o Irã se tornaria um grande império. Esse território é a Mesopotâmia,
Onde? É o Iraque. Ah. Sempre que o Irã se torna um grande império, ele tem o controle. Vamos ver lá. O Irã. O Iraque do lado. Isso. O Kuwait mais embaixo aqui. Mas aí para cima, o Azerbaijão, Armênia. Turquia aqui. Isso. O Iraque serve para o quê para ele? O Iraque é essa plataforma de lançamento para fora da sua fortaleza. E qual a relação Iraque-Iran hoje em dia? Então.
A composição étnica do Iraque é a seguinte, a maioria da população do Iraque é xiita, que era dominada pelo Saddam Hussein, que era sunita. Então, um ditador que detinha a minoria da população dominava a outra maioria. E esse mesmo ditador declarou guerra ao Irã, que a maioria é xiita.
esfera de influência do Irã, por uma afinidade étnica, sectária, religiosa. Quando os Estados Unidos derrubam o Saddam Hussein, eles quebram esse domínio e esse poder que ele tem sobre o país. E aí a equação se inverte, aí a maioria dos chiítas passam a governar o Iraque. E nesse momento, então, o Iraque cai dentro da esfera de poder iraniana. E aí se a gente puder voltar para o mapa, aquele mapa
Aquele mesmo. Porque quando você tem o controle do Iraque ou a influência sobre o Iraque, você cria uma ponte terrestre, uma conexão terrestre do Irã com Síria e Líbano. Então o Irã cria um grande arco de influência que ele atravessa o Iraque, a Síria e chega no Líbano. E esse arco de influência foi se expandindo tanto, se fortalecendo tanto,
para dentro de Gaza, com o Hamas. Então veja, imagina que você faz uma linha ali, você vai pintando. Pinta o Irã de amarelo, o Iraque de amarelo, a Síria de amarelo, o Líbano de amarelo, Gaza de amarelo. É muito poder. Ele sai das montanhas do Afeganistão até o Mediterrâneo. Só que aí o ápice desse poder é o ataque de 7 de outubro contra Israel, com o Hamas. E dali para frente,
esse arco de influência começa a colapsar, porque vem a retaliação. Tipo, você exagerou, o Irã exagerou, e Israel falou, não, você exagerou agora. Agora eu vou contra-atacar. E aí Israel começa a contra-atacar e vai destruindo um a um. Hamas, Hezbollah, a Síria cai, e ele vai perdendo toda essa esfera de influência e ele vai enfraquecendo. Aí Israel parte para o ataque direto contra o Irã, algo que nunca tinha acontecido,
que a gente acompanhou aqui, falamos em 2025, 2024. E aí nós chegamos no ponto que o Irã está muito enfraquecido. Muito mais enfraquecido. E essa é a hora que eles estão tentando mudar isso para sempre. Eles, Estados Unidos, Israel. Entendi. Manda uma pergunta aí para ver dentro do que a gente falou antes de eu perguntar também de futuro aqui. Vamos lá. O Felipe Hoffman, ele mandou o seguinte. Gostaria que o professor explicasse um pouco
a relação Trump com Israel? E por que o Biden tem se distanciado dessa relação? Teria se? É, teria se distanciado. É, na verdade, os Estados Unidos sempre foram muito aliados de Israel. E o Biden, ele se afastou, mas não se afastou assim, não é uma coisa, ah, se afastou. Quando teve o 7 de outubro, o Biden enviou dois porta-aviões americanos
para o lado, para apoiar Israel. Ele não dava tudo que Israel queria 100%, mas ele entregou e ajudou demais. Só que a base democrata começou a exigir dele uma outra postura, porque junto com a questão de Israel veio uma conexão, uma fusão entre a ideologia woke e o antissemitismo.
No sentido de também antissemitismo? Não, assim, porque nós tivemos uma união do islamismo com o woke. Sim, sim. Mas isso não acontece em todos os temas. Tem um assunto e uma área específica onde isso acontece, que é qual? Israel. Os wokes não estão abraçados com os fundamentalistas islâmicos na questão da política.
feminista, ou LGBT. Muito pelo contrário. Exato. Mas fecha o olho pra essas coisas também. Fecha, não bate de frente toda hora, mas eles não se abraçaram. Mas onde que eles se abraçaram? Na questão de Israel. Entendi. Então, contra Israel, surge uma ideologia, uma união desses dois grupos ideológicos, que é uma ideologia antissemita. Mas quem que construiu essa ideologia lá atrás? Foi a União Soviética. É?
é o seguinte, depois da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto, não dava, não tinha justificativa para ninguém. Ser contra judeus. Era politicamente incorreto, era feio. É um negócio que não tinha cabimento mais depois do que tinha acontecido ser contra os judeus. E aí, o que a União Soviética, qual que é o drible que a União Soviética
Quando ela está no auge da Guerra Fria contra os Estados Unidos, ela começa a ter uma presença dentro do Oriente Médio e começa a trazer todos esses países árabes para o seu lado. Para a sua influência. Isso. Para combater a influência americana nos outros países. Dá uns exemplos. Que guerras que ela se meteu ou quem ela armou lá? Egito, Síria. Ela começou a ajudar todos eles, vendendo arma para todos. Ela estava do lado desses países. E aí... Contra os Estados Unidos e Israel?
Isso, contra os Estados Unidos e Israel. Na verdade, os Estados Unidos se aproximam do Israel porque a União Soviética está se aproximando dos outros. Porque até então, até esse momento da Guerra Fria, os Estados Unidos não eram aliados de Israel. Os primeiros aliados de Israel foi o Reino Unido, depois a França, e aí só depois é que vem os Estados Unidos. Os Estados Unidos não teve com Israel sempre. Entendi, porque viu esse movimento.
Isso, porque tinha um mundo bipolar, tinha uma divisão, e aí os Estados Unidos, então,
tomou o lado de Israel. E claro, existiam uma série de fundamentos para essa aliança. O fato de Israel ser uma democracia, a presença de judeus americanos terem uma relevância dentro dos Estados Unidos e uma demografia importante eleitoral, tem um monte de coisas. E até uma conexão depois religiosa com os evangélicos e com os outros cristãos.
A União Soviética tenta aproximar a esquerda do Islã e ela começa a dizer que ela não tem problema com os judeus, ela tem problema ou o problema é o Estado de Israel, é o sionismo. E quando a União Soviética faz isso, ela coloca essa semente e ela cria essa narrativa de que dá uma desculpa para as pessoas poderem,
Odiar. Isso, odiar, só que de uma forma mascarada. Claro. Por que é mascarado? E aí, na verdade, essa é a terceira manifestação do antissemitismo na história. Eu digo que o antissemitismo se manifestou em três grandes períodos, em três formas. A primeira manifestação do antissemitismo era anti-judaísmo. O problema era com a religião judaica. Então, aí, isso vem dos católicos, vem de...
a morte de Cristo. Isso. Ou de todos os outros povos que viravam e falavam assim, peraí, como que vocês acham que vocês só tem um Deus? Por que vocês são escolhidos? Isso, como que vocês só acreditam num Deus? Tipo, os romanos queriam... Põe aqui as estátuas, aqui não, não vou pôr. Só tem o meu Deus. Um Deus e o meu Deus. Então, isso criou um problema com todo mundo, com o planeta inteiro, porque não existia monoteísmo. Existia politeísmo. O judaísmo é a primeira religião monoteísmo.
E alguns imperadores ou líderes criam serviços como deuses também. E eles não se curvavam. Então tudo isso criou a primeira onda de antissemitismo, que era anti-judaísmo. Era um problema com a religião. A segunda onda vem na forma de um racismo purista étnico, que vem com o nazismo. Vem um pouco antes.
Com as doenças na Europa e os judeus. É, ali é a raiz. Lembra que por que esses caras pegam menos as doenças? Eles devem ter algum pacto. Porque eles tinham alguns hábitos por causa da religião que impediam também que as pragas chegassem. Por que eles estivessem assim? Ali começa o DNA dessa ideologia, desse raciocínio de limpeza étnica. E aí o problema...
a isso também, o fato de como eles eram expulsos ou eram sempre a margem de ter bancos ou guardar algumas coisas pra poder ser expulso daqui. Eu vou pra outro lugar, eu tenho joias, tenho coisas. E isso foi usado também pelo nazismo como esse. Os caras são donos de tudo. Eles são o problema da nossa pobreza. O ponto que aqui isso foi manifestado numa forma contra o judeu.
Primeiro era contra o judaísmo, primeira fase.
Contra o judeu, o indivíduo, o DNA dele. Como povo. Isso. Aí começou a pegar mal depois do holocausto, de tudo o que aconteceu. Isso. E aí nós vamos para a terceira manifestação, que não é mais contra a religião, não é mais contra o povo. Isso são narrativas. São manifestações de antissemitismo. E aí a terceira é, é contra o Estado. Eu sou anti-semitismo.
Eu não acho que vocês têm o direito de ter um Estado, de ter uma terra. Eu não sou antissemita, eu sou antisionista. Sionismo é um movimento nacionalista. De autodeterminação. Acho que eu já falei isso várias vezes aqui, mas só para completar o raciocínio. Todo movimento nacionalista é exclusivista. Por quê? Ele não é universal. Ele é nacional. Qual é o posto de universal?
O nacional. O universal é tudo. O particular é só um grupo. O movimento nacionalista brasileiro, ele não é universal. Ele é excludente, correto? Porque ele é o movimento nacionalista dos brasileiros. Ele não é o movimento nacionalista dos argentinos. E nem dos franceses. E o movimento nacionalista americano, ele é americano, não é mexicano. E nem canadense, e assim por diante. Então, todos os povos têm movimentos nacionalistas. Que tratam dos seus interesses.
de ter a sua terra e serem soberanos na sua terra. Esse é o objetivo de todos os povos. Todos querem isso. Então, se você vira e fala assim, este povo não tem o direito a isso, enfaticamente, obsessivamente, focado e dedicado a isso, isso não é uma coisa normal. Ainda mais dado o contexto que o holocausto acontece, porque o povo não tem uma terra dele. Está numa terra num outro lugar que ele migrou e está vivendo. Então, eles precisam ter
terra deles. E aí as pessoas usaram e usam o antisionismo como uma desculpa para exercer o seu antissemitismo. E isso tem a ver com essa ideologia que a União Soviética se junta com o islamismo. Óbvio que o movimento islâmico, o que ele quer? Tirar Israel dali. Não só isso. É. É extermínio, né? Sim, sim. Não só dos judeus. Eventualmente eles também querem exterminar o ocidente e os cristãos.
Não todo mundo, claro, mas os grupos... Ou você se converte... É, então é um projeto maior. E tudo bem. E a esquerda decidiu abraçar isso. No final das contas, eles têm poucas coisas em comum, esses dois grupos. É só o pensamento de um inimigo do meu inimigo é meu amigo. Em um assunto só. Porque em todos os outros eles vão divergir. E a loucura é que uma hora essa aliança rompe e quem é que provavelmente
vai ser massacrado. É a própria esquerda. Isso, é a esquerda. São os wokes e não os islamistas. Assim como aconteceu em 7 de outubro com os kibbutz, que eram mais à esquerda do que à direita e foram mortos do mesmo jeito lá pelos terroristas. Porque essa não é uma diferença importante pra ele. Hoje esses islamistas radicais que pregam isso, eles estão lá aprisionando, escravizando,
violentando as mulheres no Afeganistão, nos países deles. Quando eles puderem, eles vão fazer isso em todos os outros lugares. Então, basicamente, e isso era a pergunta que foi feita, por que o Biden se afastou de Israel? Expliquei que ele não se afastou, mas ele tinha uma base política e eleitoral dos democratas. Óbvio, nós vivemos um período de
de radicalização e polarização. Então, a esquerda se torna muito mais radical e a direita também. Então, o que aconteceu? O Biden teve que ceder alguns espaços para essa parcela do eleitorado democrata que se torna muito mais radical e que dá as mãos com o movimento político fundamentalista islâmico,
E aí, então, ele é mais restrito. O Trump não tem esse problema. Mas isso não quer dizer que dentro do movimento MAGA do Trump não existam os radicais da direita que também deram a mão para outros grupos para manifestar o seu antissemitismo. E esses caras são conhecidos como Nick Fuentes, Candace Owens, Steve Bannon.
série deles. São figuras do movimento maga, muito mais à direita, extremamente radicais, que também são antissemitas. Então a resposta era mais ou menos essa. Manda bigoda. O Marcos mandou assim. Acredita que o ataque dos Estados Unidos tem o objetivo de abafar o caso do Epstein? É a grande pergunta. Eu não sei. O caso do Epstein é tão antigo. Ele está no ar há tanto tempo.
Acho que uma guerra de curta duração vai abafar esse caso. Depois as atenções voltam de novo. Isso, vai vir uma nova investigação, basta uma nova notícia cair no jornal, todo mundo começar a falar. Isso daqui não é uma guerra do Iraque. As pessoas não entenderam. Ainda estão batendo nessa tecla. Não é guerra do Iraque. É um novo Iraque. Esse daqui é um negócio minúsculo, vai durar pouco tempo. Não corre o risco. Não, não tem nada a ver. Os americanos mandaram dois porta-aviões para essa guerra.
Na guerra do Iraque, eles mandaram cinco. E mandaram mais de 120 mil soldados para entrar no país. Não tem soldados para entrar no país. Não tem forças terrestres prontas para entrar. E o Trump não vai fazer isso. É uma guerra curta. É uma operação militar curta. E eu não sei, eu não acho que isso vai acabar com a história do Epstein. Acho que é uma distração momentânea. Então o que ele ganha com uma distração momentânea? Só um respiro, né? É, se for. Sim, mas não acho que...
que é suficiente. Economicamente, o que os Estados Unidos podem ganhar com essa queda de regime? Ele pode trazer o Irã para longe do eixo das ditaduras. E o preço do petróleo também abaixar ou não tem nada a ver? Pode abaixar se o Irã vir a produzir mais, se tornar um lugar estável, que é a mesma coisa da Venezuela. Estamos longe disso acontecer. Mas o preço do petróleo está muito baixo.
uma oferta imensa, muito maior do que o consumo. E essa oferta é imensa porque nós temos muita gente fabricando. Nós temos muitas descobertas. Os Estados Unidos se tornou autossuficiente em petróleo com a descoberta do cheio, do xisto. O Brasil está produzindo cada vez mais. A Guiana descobriu um monte de petróleo e não produzia nada. Hoje já produz um pouco mais de um milhão de barris. É uma grande sensação, é um boom do petróleo.
O mundo inteiro está produzindo mais. Antigamente estava muito na mão do Oriente Médio. É, e isso acabou. E além disso, normalmente o PEP, que é um cartel, eles combinavam a produção e o preço. E eles não estão fazendo isso. Eles estão produzindo mais. Você fala, mas se já tem tanta oferta e você produz mais, você oferta mais ainda, o preço vai cair mais ainda. Não faz sentido eles fazerem isso.
Mas eles estão fazendo, porque eles estão apostando no quê? Eles estão imaginando que eles vão conquistar o mercado. Então eu produzo mais e quero vender para você, para ele, para o outro. Falo, para de comprar da Arábia Saudita, eu tenho condição de entregar mais. Entendi. E esperando que num momento lá na frente o preço vá subir. Mas eles estão tentando crescer o tamanho dos seus mercados. Então tem uma competição entre os produtores para produzir mais, para abocanhar mais mercado. Isso está custando dinheiro para eles.
Fazia tempo que a geopolítica não tinha um efeito direto no petróleo. É que essa guerra está no olho do furacão. Um quinto do petróleo do mundo passa pelo Estreito de Hormuz. Não só o petróleo, como fertilizantes, como gás natural, como um monte de coisas. Então o impacto em tudo vai ser grande. E aí o petróleo tem um impacto direto na inflação. Porque tudo que a gente usa precisa do petróleo. É o plástico, é todos os equipamentos,
todas as coisas. Eu vou pedir para o Bigoda colocar o mapa e para a gente ir vendo país por país o papel dele nessa guerra. Vamos começar com o Egito. O Egito não se mete muito. Qual é a posição do Egito atual? É um país quebrado? É um país que tem crises internas e não tem tempo para cuidar da política externa? É isso? O que está acontecendo? Olha, o Egito tem um monte de problema econômico, um monte de dificuldade, passou por vários golpes e tal, contra-golpes.
Está tentando se reerguer. Ele está um pouco de fora dessa confusão toda. Ele é aliado de quem? Dos Estados Unidos. Assumidamente? Assumidamente. Estados Unidos dá dinheiro para o exército do Egito. E é aliado do Israel também. E é aliado hoje da Arábia Saudita bastante também. Tem uma relação bem boa. E a Arábia Saudita? A Arábia Saudita está num projeto de transição econômica, querendo se tornar um país do Golfo, um Emirado.
diversificar a sua economia, atrair muitos turistas, muitos outros negócios, se tornar um hub logístico também, um hub imobiliário, um centro financeiro, essas mega construções que eles estão fazendo. Está se abrindo aos poucos, tentando se modernizar. O Mohammed bin Salman, que é o monarca, está querendo modernizar o país.
E a Arábia Saudita, a grande expectativa dela nesse jogo geopolítico mais recente era que ela migrasse para o Acordo de Abraão. Sim. Para fazer um acordo com Israel. Antes dos ataques do Hamas. A gente estava próximo de ter esse acordo. E aí veio os ataques do Hamas e acabou o acordo. Esse acordo era para quê? Para normalizar as relações entre Israel e os países árabes. E aí o Acordo de Abraão, os acordos,
os países árabes, mas não tem a Arábia Saudita, que é o principal. E todo mundo estava esperando que isso ia acontecer agora. E não parece que vai acontecer. Não estamos tendo sinais de que isso vai acontecer. Então a Arábia Saudita está indo num caminho diferente. E com esse enfraquecimento do Irã, na verdade o que a gente está assistindo é um surgimento de um novo Oriente Médio. Com novas coalizões, novos grupos, novos países ali brigando.
ou disputando por influência. Mas não uma mudança de regime, por exemplo, eleições democráticas na Arábia Saudita. Isso não. Vai continuar... E hoje ninguém mais acredita que isso seja o caminho. Porque as monarquias absolutistas da região, tipo Jordânia, Arábia Saudita, os Emirados, Catar, são mais estáveis do que os Egitos, Síria,
os outros. Que são eleições. É, que não são eleições, são ditaduras militares, seculares. Só que elas tiveram revoluções. Teve revolução no Egito, teve revolução e guerra civil na Síria, e os outros países, as monarquias absolutistas, elas ficaram seguras. O tumulto não tomou conta delas. Então, hoje, quem está de fora, olha com muito mais clareza. Não vale a pena, talvez, mudar esses regimes.
Porque não tem cultura política para ter democracia. Então é melhor que tenha uma ordem benéfica do que uma desordem caótica. Entendi. Turquia. A Turquia está despontando como um país que quer ser o líder do Oriente Médio. Ah, é? É, porque quem que queria ser? Era o Irã. E o Irã é o Império Persa, tem um histórico. Quais são os três maiores países? Turquia, Irã e Egito.
é uma civilização que está adormecida e decadente. A persa estava fortalecendo, crescendo de um jeito torto e errado, mas estava ficando forte. E agora está enfraquecendo de novo. E aí volta, sobra para a Turquia ocupar esse espaço que não é de hoje que ela quer, que é a civilização otomana, o Império Otomano. Então os turcos querem ter um papel mais forte na região.
Síria, eles estão influenciando o que acontece ali na África, Etiópia, Somália, a Turquia está presente. Está próximo da Ucrânia e da Rússia lá em cima. Isso. A Turquia é um grande elo de conexão entre o Ocidente e o Oriente, uma ponte terrestre que junta os dois lados. E a Turquia também está mais próxima da Arábia Saudita. E está cada vez mais contra Israel. Contra Israel? Isso. Mas assim, explicitamente
progressivamente, é um país posicionado, hostil a Israel. Então você tem de um lado... Mas não tem o perigo de uma teocracia lá. Não, mas já é um regime bem mais religioso. Desde que o Erdogan chegou no poder, ele resgatou essa identidade religiosa islâmica. A Turquia se desenvolveu, cresceu, se modernizou, porque o Ataturk fez questão de tirar a religião da equação. Falou, não vai ter religião aqui, nós vamos ser seculares.
E por isso que a Turquia queria estar próximo do Ocidente, da União Europeia. Mas aí a chegada do Erdogan no poder é um movimento contrário a isso. Ele resgata uma identidade religiosa. E ele flerta com as paixões e com esse aspecto da religião. Então a Turquia está se aproximando da Arábia Saudita e estão também próximos do Paquistão. Então de um lado você tem Paquistão, Arábia Saudita e Turquia,
por controles ou influências em países menores, tipo Síria, tipo Iêmen, tipo Etiópia não é menor, mas Sudão do Sul, Etiópia, Somália, todos ali ao lado. Do outro lado, qual que é a aliança que está surgindo? Israel, Grécia, que é muito rival da Turquia. Eles têm uma hostilidade, uma animosidade em os dois lados imensa. Histórica.
Israel, a Grécia está ficando do lado de Israel. Você tem os Emirados do lado de Israel, porque eles estão brigando demais com a Arábia Saudita. Acharam ou perceberam que eles querem ter posição própria, não querem só fazer o que a Arábia Saudita manda. Eles assinaram o acordo de Abraão. A Arábia Saudita acha que eles estão próximos demais de Israel. Tem toda uma discussão ali. E Índia. A Índia está vindo para a
um dia antes de começar a guerra, o Modi, que é o primeiro-ministro da Índia, estava em Israel, falando no Knesset, que é o parlamento. E ele estava lá, e o Modi é o primeiro líder indiano a visitar o território de Israel. A gente tem que lembrar que a Índia tem mais de 10% da sua população de muçulmanos. E tem como grande rival e inimigo o Paquistão, que é o único país islâmico que tem a bomba atômica.
Índia visita então Israel, passa a reconhecer Israel e se aproximando de Israel na administração do governo do Modi. E aí quando tem o 7 de outubro, a Índia se solidariza demais, ela se identifica com a história, porque o Paquistão usa essa estratégia de terrorismo, ataques terroristas contra a Índia. Então a Índia começa a tomar mais lado e agora ela está percebendo que tem Paquistão e tal, e ela
está se aproximando de Israel. Israel hoje é o terceiro maior fornecedor de armas para a Índia. Primeiro a Rússia, depois a França, depois Israel. E o maior cliente de Israel é a Índia. Então, os laços estão crescendo. E óbvio que a Índia é muito importante nessa estratégia toda, porque ela está na saída ali do Golfo Pérsico, o Estreito de Hormuz, e é um lugar importante. A Índia depende também
energia que vem do Oriente Médio, ela quer estar presente, quer ter um papel. Tem algum elemento com a China, a Índia? A China com quem? Com a Índia. Ah, sim, são rivais, inimigos. Inimigos, não tem um... É, não tem relação, não são inimigos, mas já travaram guerras recentes, a última delas foi na pandemia, disputam, tem território que eles estão disputando que não foi solucionado, a Índia reivindica, diz que é dela, a China está ocupando esses territórios, tem a questão do Tibete,
Dalai Lama, a China acha que a Índia quer usar isso como uma forma de influenciar o que acontece lá dentro. Então, tem uma rivalidade muito grande entre a Índia e a China e a Índia precisa começar a participar de outras coisas. Ela está participando ali, agora está mais próxima de Israel e do Oriente Médio. E isso é importante, porque é a maior população do mundo. Então, a Índia entrou na equação e está do lado de Israel.
Afeganistão e Paquistão que você começou a falar. Então, por quê? Qual é o motivo? Bom, o Afeganistão é um lugar onde aconteceu 11 de setembro. Não aconteceu dali, mas a Al-Qaeda estava ali. E ela estava ali porque ela tinha uma organização amiga, aliada, que é o Talibã. E o Talibã é um grupo fundamentalista islâmico que controla o Afeganistão. Controlava naquela época, às vezes invadiu o Afeganistão para derrubar o Bin Laden. E o Talibã derrubou, mas a guerra continuou.
ficou ali resistindo. Só que o Talibã não está presente só no Afeganistão. Existe o Talibã do Paquistão. Ah, é? Que é uma filial do Talibã. Talibã do Paquistão. E aí o Talibã do Paquistão, ele ajudava o Talibã do Afeganistão quando os americanos estavam dentro do Afeganistão. E o Paquistão permitia isso. O Paquistão era aliado do Talibã. Nossa. Porque ele queria destruir os Estados Unidos ali. Queria criar problemas.
Tanto que onde que o Bin Laden foi encontrado? No Paquistão. Só que agora essa história se voltou, a ironia da história é que ela se voltou contra o Paquistão. Porque uma vez que o Talibã do Afeganistão não está mais lutando com os americanos e o Talibã do Paquistão não está mais ajudando o Talibã do Afeganistão, o que o Talibã do Paquistão quer? Derrubar o governo no Paquistão. Então é uma insurgência,
de resistência interno que quer derrubar o governo do Paquistão. O Talibã do Paquistão está atacando o Paquistão. E aí ele foge e pede abrigo dentro do Afeganistão. Afeganistão, o Talibã do Afeganistão ajuda o Talibã do Paquistão. E aí o Paquistão virou e falou chega dessa história, eu vou começar a atacar o Afeganistão. E começou a atacar, o ministro da Defesa disse esses dias que antes de começar a guerra do Irã que o Paquistão está em guerra
guerra aberta contra o Afeganistão. Então, eles estão em guerra. E aconteceu antes do ataque ao Irã. Dois dias antes. Fala, Bigoda. O Henry Games, ele mandou uma aqui, ele fez uma brincadeira no começo, ele falou, professor Xavier, acha que a China pode aproveitar que os Estados Unidos estão ocupados com o Irã e tentar algo com o Taiwan? A China pode aproveitar e tentar... Não, eu não acho que a China vai tentar porque... Ah, é porque tem uma janela de oportunidade. Ela tem que estar pronta.
acho que a China está pronta. Na verdade, o Xi Jinping disse que ela tem que estar pronta a partir de 27. Não chegamos em 27 e não me parece que talvez em 27 ela esteja pronta. Mas a decisão de aproveitar uma oportunidade só pode vir se ela estiver pronta. Está pronta militarmente? Essa é a escolha, a vontade do Xi Jinping. Eu não acho que ela vai
aproveitar isso e não é assim. A entrevista coletiva de imprensa do chefe das Forças Armadas Americanas, do Estado Maior, ele virou e falou assim, aos nossos adversários e inimigos, não entendam errado, nós temos capacidade de projetar poder no mundo inteiro na velocidade que a gente quiser, com a intensidade que a gente quiser, nós temos jogo de cintura para readequar a distribuição das nossas forças a qualquer momento.
para os outros falarem, não acha que porque eu tenho dois porta-aviões aqui e eu estou numa guerra aqui, que eu não consigo parar essa guerra e mobilizar todo mundo e ir para outro lugar em 5, 10 dias. Não acho que a China vai fazer isso agora. Eu acho que ela vai fazer um dia, não agora. Pois é. O Vinícius Vitalino perguntou o seguinte, tudo isso seria um movimento dos Estados Unidos para enfraquecer a China? Eu não acho que para enfraquecer a China, mas eu acho que pode enfraquecer a China,
indiretamente. Não enfraquecer, mas criar problemas para a China. Por causa do petróleo? É, por causa do petróleo. A China compra um petróleo iraniano bem mais barato. Como acontecia na Venezuela. Isso. Então a China está perdendo as suas fontes de petróleo barata. Petróleo com desconto. Por que com desconto? Porque tem sanções. E aí o Irã não pode vender para ninguém, só pode vender para a China. E a China fala assim, China não é boba, né?
Ela vira e fala assim, tá, eu compro, mas é sancionado. É sancionado, né? Eu não quero...
e não quero pegar mal aqui para mim. Então, eu pago menos. Se quiser, eu compro. Eu pago menos. E aí, a China paga menos. E o Irã vende todo o petróleo exportado, basicamente, quase que todo, para a China. Então, nesse sentido, cria problemas. Um outro sentido mostra que a Rússia e a China não são patrões, ou patronos, ou tipo,
aliados confiáveis. Por quê? Simplesmente eles não vêm salvar os amigos deles. Não salvaram o Maduro na Venezuela, não salvaram o Irã da primeira vez, não estão salvando o Irã da segunda vez, não foram salvar o Hamas. Então, no final das contas, é meio que uma aliança de papel. A Rússia se mostra, nesse sentido de aliança, um urso de papel e a China, no sentido de aliança, se mostra um dragão de papel.
armas que eles entregam também não performam, não performaram na Venezuela. Os radares, baterias antiaéreas e também não estão performando no Irã. O Irã está basicamente sobrevivendo ou retaliando com a sua tecnologia, com a sua indústria. São os shaheds, os drones iranianos que são usados pela Rússia na Ucrânia que estão causando uma boa parte do estrago. Eu não acho que o objetivo...
fazer isso só para prejudicar a China. Eu acho que o objetivo principal é outro. Mas, sim, acaba respingando e abalando a confiança, a credibilidade dessa ideia de uma aliança, de você proteger os seus amigos, e acaba afetando a China indiretamente. Entendi. O Leandro Bass, ele mandou aqui no chat, é verdade que a Al-Qaeda declarou apoio a Israel contra o Irã?
disso. E acho estranho. Não acho que ela precisaria declarar apoio a Israel. Acho que ela só poderia ser contra o Irã sem declarar apoio. Voltando na guerra de informação, você viu aquele ataque à escola no Irã que foi colocada a culpa em Israel e agora o próprio Irã falou que foi um míssel deles com defeito que destruiu uma... Eu só vi a chamada, mas eu nem dei sequência na história.
Muita coisa ainda que não dá para se saber quem é o culpado, o que está rolando. O Irã está atacando hotel civis. É muito estranho isso. É guerra. As pessoas querem moralizar a guerra. Eu acho complicado. É difícil. Estou dizendo que a guerra não tem que ter regras, mas guerra pressupõe uma coisa destrutiva. Não pressupõe ser comedido.
ser controlado. Senão não chamava guerra. Chamava outra coisa. Ah, estamos brigando. Pô, você não está em guerra comigo. Calma, né? Manera aí. Estamos discutindo, estamos brigando. Estamos em conflito. Não, estamos em guerra. O que é guerra? Guerra no sentido máximo. E como eu disse aqui no começo, uma guerra que os três envolvidos queriam. Queriam, pediram. Estão felizes, satisfeitos. Estão seguindo o caminho que era funcional para eles. Para os três. Cada um com seus objetivos.
E os três também não querem uma guerra longa, né? Não querem. É ruim para todo mundo. Ou para o Irã é bom que ela se arraste? Ela pode se arrastar, mas o Irã também vai começar a acabar
sua munição. Vai acabar os mísseis, capacidade de retaliação. E aí o negócio vai ficando estranho. Vai ficando mais fraco. Ele vai correndo perigo. O Putin ou Zelensky ganha alguma coisa com essa guerra? Ou é ruim para eles? Ou não tem nada a ver? Olha, a única coisa que pode ser boa para o Putin é o preço do petróleo subindo. Porque aí ele tem mais dinheiro. Parte do problema que ele está sofrendo é porque o petróleo está caindo, caindo, caindo.
E ele está perdendo recursos para continuar alimentando a sua guerra contra a Ucrânia. E, nesse sentido, um petróleo caro dá caixa e munição para o Putin. Que é uma coisa que o Trump está tentando fazer o contrário. O Trump está, a todo custo, tentando fazer o preço do petróleo cair. Porque ele sabe que isso vai ter um impacto na capacidade do Putin continuar lutando. E ele quer fazer um acordo com a Ucrânia, ou na guerra da Ucrânia.
o Putin para fazer esse acordo. Ele colocou pressão e fez a Índia parar de comprar o petróleo da Rússia. Ou seja, ele está estrangulando o Putin no recurso, no dinheiro. Ele também está perseguindo a frota clandestina de navios que vende o petróleo sancionado do Irã, da Venezuela e da Rússia. E tudo isso vai abalando a capacidade financeira do Putin sustentar a guerra. Agora, um preço do barril alto,
aí ele volta a ganhar fôlego. Entendi. Nesse sentido, sim. Mas isso é ruim para o Trump. O Trump não quer o preço do barril alto. Isso vai afetar a economia americana, pode trazer inflação. Se trouxer inflação, aí os juros não caem. Os juros não caem, ele está num ano de eleição. Isso não vai ser bom para ele. Ele está querendo quase que interferir no Banco Central a força para fazer a coisa ficar do jeito que ele quer.
E agora o preço do barril alto pode afetar a inflação. Por isso que eu não acho que ele vai levar a guerra por muito tempo. Fala, bigoda. Gustavo Pena perguntou assim. Primeiro a Venezuela, agora o Irã. Se pudesse chutar o próximo alvo do Trump, quem seria? Cuba. Mas eu não acho que vai fazer uma intervenção militar. Ele falou alguma coisa sobre Cuba? Falou um monte de coisas, mas nada de tipo vou usar a força.
Ele está fazendo um bloqueio, basicamente, não econômico, mas naval. Onde ele não deixa combustível chegar, nem energia. Então o Cuba está... Estrangulado. É. Mas é difícil o regime cair. Ele quer trocar o regime. E ter alguma coisa do lado dele. Não, ele só quer trocar o regime porque Cuba é muito estratégico para os Estados Unidos. Na localização, na saída do Golfo do México. Pertinho de Miami.
Cuba, historicamente, geograficamente, ela dita o comportamento americano em relação a Cuba. Ela tem a possibilidade de fechar o Golfo do México. Quem controlar Cuba consegue fazer um bloquinho naval. Coloca, por favor, que vai aparecer Cuba e o Golfo do México. Que agora é o Golfo das Américas. Não, da América. O mapa ainda vai estar errado. Errado segundo o Trump. E Cuba, Taiwan, Estados Unidos não vai se meter também.
Talvez os Estados Unidos tenha que ajudar, né? Não, eu sei, mas no horizonte próximo... Não, não vai se meter contra ele. Ele tem que ir lá se meter para salvar Taiwan. Se acontecer algo. É, se ele não salvar Taiwan, aí... Coreia do Norte se manifestou? Está quieta? Não, está quietinha. Ninguém lembrar dela é bom para eles. Ele está ensaiando a troca de poder. Mas a coisa mais louca, Roque, é que esse ano tem Copa nos Estados Unidos, cara. No meio do ano. Como vai ser essa doida?
Essa briga com imigrantes, guerras rolando e uma Copa do Mundo nos Estados Unidos, México e Canadá. E você acha que alguém vai lembrar dos outros problemas? Você acha que vai ser normal? Acho que as pessoas vão olhar e vão ligar a chave de Carnaval, novela, Copa do Mundo. Sei lá qual é o circo do momento. Olha lá. Cara, é muito mais próximo do que eu imaginava.
até Cuba, fechou aquele lado. Certo. Aí você faz uma linha do outro lado ali, da outra costa de Cuba para cima e passando por Key West até a ponta da Flórida, Miami. Você fechou o outro lado. Fechou total. Você faz um bloqueio naval. É um território muito estratégico. Cuba é para os Estados Unidos, o que Taiwan é para a China. Simples assim. Por isso que essa obsessão no passado, no presente e no futuro sempre existirá
a Cuba. Mas Cuba já teve muito mais forte por conta da União Soviética, né? Claro. E da Venezuela. E também da Venezuela? É, porque ela era sustentada pela Venezuela. Ah, não sabia. Depois da União Soviética. E agora, sem a Venezuela e sem a União Soviética e sem a Rússia, a situação está feia. Entendi. Mas o problema ali é que a situação é tão feia e a população envelhecendo e aqueles que tinham alguma disposição de lutar já fugiram do país. Já não moram mais lá. Então,
Você ter, assim, uma situação de extremo desespero. Insatisfação. Não. E uma... Assim, cara, você é de uma outra geração. Os jovens não estão mais ali. Não vai sair um monte de... A gente vai pra rua que nem... Idoso na rua. Tem que ter os jovens ali. Não tem mais isso. E o nível de problema é tão grande que o cara, assim, ele não consegue fazer todas as refeições num dia. Tem limite do que ele pode dar. É, ele não tá, sabe...
Não tem palpa higiênica em casa. É, então, é nesse nível, você viu. Só o banheiro antes da gente fazer prognósticos do que vai acontecer aqui pra frente, então escolha bem a pergunta. É isso aí. O Giovanni, ele falou assim, detalha um pouco a Revolução Islâmica e como os ayatollahs tomaram o controle do Irã. Bom, esse assunto é grande, Giovanni, mas assim, eles tomaram conta porque existe uma insatisfação muito grande com o Shah, apesar dele ser um cara que estava modernizando
ele ainda assim era muito repressor, muito mesmo. Então ele foi perdendo o apoio. E a coalizão que o derrubou não era só de fundamentalista islâmico. Você tinha comunistas, você tinha os comerciantes, você tinha um monte de gente que se voltou contra ele. E os ayatollahs, os religiosos, se mostraram, se apresentaram,
apresentaram, apareceram como os mais organizados depois que ele caiu. Então eles foram capazes de acabar meio que vencendo, mas teve uma resistência para não se tornar ou não ir na direção de uma revolução islâmica, não deixar os religiosos tomarem o país. Mas eles estavam muito mais bem organizados. O Khomeini escrevia muitos discursos, ele foi criando um exército de jovens doutrinistas
com um discurso muito anti-americano, anti-Ocidente, com até uma justificativa, porque a influência dos ingleses e dos americanos na indústria do petróleo e tal colocou, favorecia esses líderes que estavam no poder e a população foi ficando incomodada. E aí esse é um campo fértil para esse tipo de ideologia salvadora da pátria, nacionalidade,
nacionalista. Mas aí eles recriaram a identidade nacional iraniana com uma roupagem religiosa. E esse foi o problema. Hoje o Irã vai ter que se redefinir o que é ser iraniano. E eu sei que existe um resgate ou uma conexão milenar com a civilização persa. Mas o que é persa? Persa é um xiita,
O regime islâmico fundiu a noção do persa com o chiísmo. Então as expressões dessa identidade precisam ser recriadas. E claro que a pergunta vai ser como se abarca os outros povos se é uma civilização persa em um país multiétnico. A religião serviu em algum momento para ser esse elo de conexão. Mas para aqueles que não são religiosos, o país deles foi sequestrado por uma opressão.
Isso por uma doutrina religiosa, completamente fanática, obcecada, paranoica com inimigo externo. Só pensar nisso tudo é planejado por alguém de fora. Todo mundo é inimigo do projeto, da revolução, do Estado. Todo mundo é supervigiado. É uma coisa, claro, retrógrada, anti-direitos, liberdades individuais e tudo mais. Falar nisso de liberdades individuais,
de opressão em relação às mulheres. Uma mulher foi morta porque um cacho saiu e apareceu e várias outras questões que a gente fica sabendo. A gente fez um programa especial só com iranianos, duas iranianas e dois iranianos aqui. E o que a gente vê é um distanciamento tão grande entre o povo iraniano e o que a esquerda, principalmente, aqui no Brasil e no mundo, entende do que é melhor para eles. Eles estão falando uma coisa
E as pessoas falam, não, vocês não sabem de nada. Quem sabe é a gente. Então, esse anti-americanismo parece que está acima de coisas... Um pouco do que a gente falou do woke, do que eles defendem, que é as mulheres sendo iguais e tal. E parece que... Por que existe esse distanciamento e não está todo mundo junto em relação à queda de um regime tão opressor em relação aos gays, às mulheres, a qualquer liberdade?
todo mundo contra o regime. Eu não vejo isso nas redes sociais. Aqui no Brasil. Sim, é isso que eu estou falando. O que a gente vê é a gente lamentando a morte do líder supremo. Lá sim, a gente vê a galera indo para a rua. Eu estou falando aqui e eu não sei como é nos outros países, mas eu acho que é parecido aqui. De uma parte da população simplesmente lamentando a influência de outro país em relação ao que está acontecendo.
a queda do líder supremo, que se não faz isso, e isso é discutível, é claro, mas e a situação? E as pessoas que estavam sendo mortas porque estavam saindo na manifestação? Por que isso não entra nesse peso? É porque as pessoas são escravas da ideologia, né? A ideologia, ela deixa as pessoas cegas, burras, elas não conseguem raciocinar, elas não conseguem ter coerência. Elas recebem uma cartilha e elas seguem a cartilha. E a cartilha não é diz, defenda
mulheres. A cartilha é lute contra os inimigos. Quem define quem são os inimigos? Aqueles que escreveram a cartilha. Se fosse uma luta só pelos valores ou princípios... Que deveria ser, né? Isso. Aí existiria coerência e consistência. Aí você vai lutar pela defesa das mulheres em todos os lugares, em todas as condições. Por que eu estou falando isso? Porque eu estou vendo mulheres iranianas ou mulheres em defesa das mulheres iranianas,
atacadas porque estão defendendo as mulheres, com o discurso de que elas não sabem nada, que na verdade é um imperialismo que está instituindo um governo e não sei o que e tal, e um discurso que não sustenta. E até ontem, a grande justificativa, vocês viram que o Israel destruiu um prédio ou uma escola e matou não sei quantos civis, e tudo que o Irã está fazendo, atacando prédios civis,
e civis, alvos civis, não é levado em conta. Então, é uma discussão que eu não sei se você entra, mas eu nem entro nas redes sociais, porque não tem um ganho. Eu não sei como que se discute isso. Se uma pessoa tem um argumento como esse... Exato. Você vai para onde a partir daí? O raciocínio... É errado um país entrar e matar um líder de outro país? É. Agora, veja o contexto. Você não pode tirar o contexto. As premissas...
entrando nessa discussão, porque pra mim essa discussão é morta. Qual discussão? Que se isso pode ser um desrespeito ao direito internacional ou não. De novo essa história. Não existe mais direito internacional. As pessoas não entenderam. Todos os dias, todos os noticiários, todos os eventos do mundo só falam de uma coisa. É o colapso da ordem internacional. Todos os economistas, todos os escritores, todos os pensamentos.
O que significa dizer que é o colapso da ordem internacional? A ordem como nós conhecíamos, e a palavra ordem tem um sentido aí. Qual é o oposto de ordem? Desordem, caos. Se acabou a ordem internacional, a gente está vivendo num lugar de quê? De desordem. E de acomodação de novas regras. Isso, e que não foram criadas e que não existem. Mas isso começa com a invasão em 2014 da União Soviética ou vem um pouco mais anterior?
A minha análise é a seguinte, o direito internacional sempre foi e sempre será frágil. Por quê? Porque nós não temos valores universais, estabelecidos, confirmados. O que é um valor universal estabelecido e confirmado? O que eu acredito que é um direito é o que você acredita que é um direito. Mas aí você vira para 8 bilhões de pessoas e fala assim, está todo mundo de acordo? Mulher tem o mesmo direito que homem?
pode votar. Não, não, não. Ei, todo mundo tem direito a cultuar o Deus que quiser. Não, só tem um Deus. Todo mundo tem direito a votar e mudar. Não, não é assim. E aí, como você vai entrar no acordo? Não existe direitos universais. Não existe. Aquela ideia de levar a democracia para o mundo. Existe um sonho, um ideal de se alcançar, se descobrir e se falar. Talvez ontologicamente... Até a igualdade, a ideia de igualdade é diferente?
Isso, talvez assim, do ponto de vista filosófico, ontologicamente, é possível você identificar a existência de direitos universais. Mas, para você aplicar isso, codificar e fazer todo mundo aceitar, esquece. Então, não tem. Se não tem, como é que você vai falar em direito internacional? O que é o direito se você não tem a regra que todo mundo aceitou? Ninguém nunca concordou com nenhuma regra internacionalmente. Pois é.
As regras são aceitadas desde que não seja no quintal dele. Isso não é uma regra legítima. Vocês podem fazer o que você quiser, mas aqui no meu país é assim. Isso. Crianças de 12 anos podem casar com... Isso é um milhão de coisas, sem fim. Então essa é a primeira coisa. Segunda coisa, ninguém codificou isso. Não tem constituição do mundo. Não tem lei universal. Não. Tem tratado. Mas o tratado é igual a uma lei? Não. Por quê?
Uma lei sem poder de aplicação é uma lei que não pega. No Brasil a gente conhece bem isso. Lei que não pega. O que é uma lei que não pega? É uma lei que não é fiscalizada, que não é cumprida e que não é aplicada. Para a lei pegar no Brasil, você precisa de autoridade exercendo coerção para que a lei pegue. Certo? No caso do mundo, não existe uma polícia do mundo. Isso. Então tá bom. Estamos vendo como o negócio é muito frágil. O negócio é voluntário.
É voluntário. É você voluntariamente falar, tá bom, Roque, nós vamos combinar que eu não faço isso, você não faz isso. Até o jatal. Outro dia você acordou, meu, virado... Pô, a Segunda Guerra teve vários acordos sobre guerra. Isso. O que pode e o que não pode. Mas aí basta alguém descumprir para não valer. Por quê? Porque não tem aplicação da lei. Porque a regra foi criada de um jeito voluntário. Basta você não querer mais participar.
então ela cada vez é menos relevante. Como a Liga das Nações fracassou e nós chegamos na Segunda Guerra. O processo de decomposição da ordem internacional é um indicador de que nós estamos próximos de um grande conflito mundial. Vem do passado. Já aconteceu isso no passado. Isso. Ok, antes foi a Liga das Nações, agora pode ser a ONU. E outros momentos foram outros arranjos de ordem diferentes.
entre impérios, entre equilíbrios de poder, ordens que foram estabelecidas com outros mecanismos de força e de poder. Essa ordem foi uma ordem liberal no sentido do direito, do Estado de direito. Mas é um Estado de direito diferente do Estado de direito nacional na esfera doméstica de um país. É um Estado muito frágil, porque não tem governo do mundo. E não dá para ter governo do mundo
todo mundo é tão diferente. Pois é. Os Estados Unidos tentou ser essa polícia do mundo. É, mas aí é uma outra discussão. Mas assim, quando povos são tão diferentes, normalmente eles não ficam juntos. Não é isso que acontece com todo mundo. Você tem uma relação. Isso vale no núcleo da gente mesmo. Isso, do indivíduo. Duas pessoas se casam. E aí a relação, elas começam a perceber que elas são muito diferentes. O que elas fazem?
Se separam. Povos querem se separar. Os catalãos querem se separar da Espanha. E vários outros, os escoceses querem se separar. Isso. Então, como é que a gente acha, se tem um monte de gente querendo se separar, aliás, até para fazer uma analogia, nunca nós tivemos tantos divórcios no mundo. Imagina se o indivíduo quer se separar tanto, cada vez mais, como é que as pessoas estão sonhando que o mundo inteiro, coletivamente,
vai caminhar para uma união, sendo que o contexto político, geopolítico, econômico, social, todo leva a gente para mais separação. É a rede social criando os nichos isolados, é a polarização, é a economia do mundo, a globalização, é a guerra comercial, são as tarifas, é o fim da globalização, é o fim do livre comércio, são as guerras todos os momentos, são as rivalidades,
as incertezas, as forças são todas de separação, não são de união. Num contexto desse, tudo que não vai acontecer é ordem. Então, não sei por que essa conversa existe. A não ser que um ataque alienígena. Isso, de novo, essa é a única saída. Talvez, né? É, mas dado o estado, o status e estado que nós estamos hoje... Acho que nem isso unia as pessoas. Certamente, um grupo de humanos iria trair
os outros humanos para ganhar uma vantagem com os alienígenas. Com certeza. E iriam se associar aos alienígenas. E aí a possibilidade de um grupo de humanos fazer isso faria com que outros grupos pensassem, é melhor eu fazer antes, porque senão eu vou me dar mal. Então é melhor eu chegar primeiro. Teoria dos jogos. Isso. E oferecer alguma coisa para esses alienígenas e falar que eu estou do lado deles.
para que eu me dê bem antes que o outro se dê bem. Pois é. Não tem solução. Manda aí, bigoda. Eu tenho aqui mais duas perguntas. A próxima delas é do Jox John. Ele falou, se os três queriam realmente a guerra, o que o Irã ganharia com a guerra? É, eu expliquei. O que o Irã ganharia com a guerra? Ele estaria numa posição de barganha. Ele teria uma posição de barganha melhor porque ele tem algo a oferecer. Hoje ele não tem nada a oferecer. O que os Estados Unidos querem?
construa mísseis, um arsenal balístico. O Irã não quer nem deixar de fazer um nem o outro. Depois da guerra, ele vai falar assim, olha, eu paro a guerra. Ele está contando com a opinião pública também. Olha, eu abro o Estreito de Hormuz. Ele vai falar um monte de coisas que não eram opções. Ele vai falar, eu paro com a guerra. Então, a guerra traz o Irã para uma posição de barganha melhor em relação aos Estados Unidos e os objetivos do Irã. Vamos falar do Estreito de Hormuz?
Coloca lá na tela o mapa. Estratégicamente... O Rubio acabou de dizer que... Ele está alertando o Irã, né? Que os ataques mais pesados nem começaram. Dos Estados Unidos. É? É, porque realmente, né? São dois dias. São coisas pontuais. E o que o Irã pode fazer com esse estreito e o que os Estados Unidos... Ele está fazendo. Já está fazendo? Está.
obstruindo o estreito. Como que faz isso? Ele ataca um ou outro, não legalmente, mas agora parece que a notícia veio que legalmente, hoje, ele declarou, estou até vendo aqui, o estreito é aquele para cima de Dubai, lá é aquele estreito, aquela curvinha. Isso. Espera aí que eu queria ver aqui qual foi a notícia exatamente. Então, ele pode explodir ou fazer alguma coisa?
fazer um soft closing. Que é? Que é tipo assim, ele vai lá e fala, eu vou atacar qualquer navio que vai passar aqui. Quer arriscar? Tenta aí. Aí o que acontece? Com o preço do seguro. Explode. Explode. E aí nenhum cargueiro que transporta fala, eu não vou gastar esse dinheiro. Não dá. Não vale a pena. Fora que tem um risco, de verdade. Não é o seguro vai me pagar ou não. Eu vou perder o meu navio? Não importa que você receba o dinheiro. Eu vou perder o navio? Quanto tempo demora para eu comprar?
outro, construir outro e tal. Então tem esse problema. Tem uma outra coisa acontecendo. Todos os GPS da região não estão funcionando direito. Por quê? Porque é uma guerra. E no meio da guerra você tem todos os equipamentos de jamming eletrônicos. Para atrapalhar o inimigo. Isso. Todos os mísseis, os drones precisam. Então a navegação desses navios, o GPS desses navios não está funcionando direito. Não dá para eles navegarem um navio desse tamanho a olho nu sem o GPS.
Ele tem que saber exatamente onde ele está indo. Então prejudica ainda mais. Existe esse fechamento parcial. O que eu estava tentando ouvir aqui, que eu vi uma notícia aqui, que a Guarda Revolucionária disse que o Estreito de Jormuz está fechado. Isso não é eu vou atacar, não passe. Isso é eu fechei. O Irã? Isso, o Irã dizendo isso. E que ele vai colocar fogo em qualquer navio que passe.
Foi atingido já. Já. Então, se ele fecha o estreito... Estados Unidos tem que intervir para abrir. Tem que abrir. Todo mundo quer que abra. Então, essa é uma discussão. Mas o poder de fogo deles não está lá. É distante. É, ele tem botes, barquinhos, embarcações pequenas. E tem uma outra coisa que ele pode fazer, que é muito mais severa, que é eliminar o estreito. Nossa. Minas marítimas.
Isso aí é um outro nível de complexidade para retirar as minas. Com certeza. Por isso que um dos objetivos americanos nessa guerra é destruir a marinha iraniana. E conseguiu algo? Não, mas está afundando. Mas um dos quatro objetivos é destruir a marinha para que o Irã não possa mais exercer influência no Estreito, no Golfo e atrapalhar todos os outros países da região. Caramba. Porque ele não precisa atacar só um país. Ele simplesmente fecha um lugar por onde todo mundo passa.
essa é a discussão. E aí tem níveis de discussão do que é fechamento, entendeu? Reduzir o fluxo em quanto a gente pode considerar um fechamento. Isso já foi feito em algum momento da história? Não. Um quinto do petróleo do mundo passa por ali. Por isso que o preço, o dado que o Irã está fazendo, o preço está muito baixo. Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, o petróleo bateu 130.
Isso daqui é bem pior do que a Rússia invadiu a Ucrânia para a indústria do petróleo. Com certeza. Essa é uma discussão interessante. Todo mundo tentando prever o futuro. Então, vamos falar sobre isso. Eu acho que todo mundo, economista, gente de geopolítica, políticos estão... Inclusive o Brasil. O que eu posso ganhar ou perder com essa guerra? E a gente, como pessoa física ou jurídica, também preocupado. Para onde a gente vê isso daí? É muito recente?
Existe algum tipo de previsão baseado em alguns dados? Tem gente que estuda isso? Como que é? É, tipo... Não é simplesmente um chute, né? O campo do conhecimento da previsão é um campo difícil. Sim. A gente assiste isso todo dia com pesquisa de opinião de eleição que não funciona. Inclusive com a pesquisa de opinião influenciando a eleição. Influencia a eleição e influencia... Porque o pessoal não leva isso em conta também. Errado. Mas hoje...
hoje todo mundo já tem bastante preconceito. Você fala, a pesquisa falou isso. A pesquisa é roubada, a pesquisa é mal feita. Ah, esse instituto é comprado. Tem todo esse ceticismo. E por que tem esse ceticismo? Porque, pensa, não é que o instituto necessariamente tem malandragem. Mas se ele pergunta para você alguma coisa, se ele pergunta para você, por exemplo, em quem você vai votar? O que você vai fazer?
você não tem, tipo, problema algum em fazer o quê? Em falar qualquer coisa, certo? Certo. Tipo, você não tem risco em falar ou não. É...
Agora, quando existe um outro meio, e isso é uma coisa nova, não é tão novo assim, mas agora que o mundo redescobriu isso, são os mercados de previsão. O que é isso? Mercados de previsão são lugares, mercados, onde as pessoas compram contratos de eventos futuros. Comprar contratos de eventos futuros? Dá um exemplo. Por exemplo, dentro do mercado de commodities e do mercado financeiro, existe isso há muito tempo.
Imagina que você é um exportador. Você vende soja. E o preço da soja está atrelado ao dólar. Sim. Então, você tem um contrato em dólar. Mas esse contrato, o preço do dólar pode variar. Como você se protege disso? De eu não quebrar. Isso. Porque você tem um contrato que você tem que fornecer um negócio em dólar. E o dólar pode se pencar. E se o preço do dólar mudar demais, pode te destruir. Você pode ganhar dinheiro, mas você pode perder tudo.
Exato. Pode inviabilizar o meu negócio. Mercados futuros foram criados para isso.
Então você compra o dólar no futuro, certo? Isso já existe. Você compra um contrato de dólar falando, olha, eu acho que o dólar no futuro vai valer tanto. E imagina que você vendeu o dólar no contrato hoje do seu produto a um valor. Só que você tem medo que o dólar suba demais ou caia demais. Mas eu coloco no contrato. Acontece o que acontecer, o dólar vai valer tanto? Não, não. É um outro contrato. Você está vendendo soja, tipo soja, em dólar.
De um jeito. Pronto. Esse é um contrato seu. De soja em dólar. E aí, você tem um medo. Porque o seu contrato é em dólar. Tá bom? Então, você precisa de um outro futuro do que vai acontecer com o dólar. E aí, você compra um contrato futuro de dólar. Aonde? Existem mercados que já fazem isso. Há anos, décadas. Tipo, é uma coisa muito antiga. São os mercados futuros. A Bolsa Futura. BMF no Brasil. Tipo,
E a bolsa de Chicago, nos Estados Unidos. Que são bolsas que vendem ativos futuros. Contratos futuros. Quanto que vai valer a soja daqui um ano? Quanto que vai valer o dólar daqui um ano? E como é muito dinheiro envolvido, a taxa de acerto dos caras é maior. Não, mas calma. Eu não estou falando de previsão. Estou te mostrando o que é a essência desse negócio. Entendeu? Então, veja. Isso existe e não é de agora.
futuro. Mercados financeiros. Eles não estão tentando prever, mas você está comprando um contrato de um valor no futuro daquele negócio que vai afetar o seu negócio. Por que você faz isso? Para se proteger. Então, é uma espécie de seguro. É um hedge. Você compra o dólar lá na frente num preço, ou tal preço, porque você vendeu a tanto em outro preço. E se subir, se você perder dinheiro aqui, você tem o dinheiro que você ganha ali, e aí você compensa as suas perdas e diminui as suas perdas. Então,
Isso serve como seguro. Isso já existe há muito tempo. É um mercado futuro. Eu vou dar um exemplo porque eu não sei se é assim. A gente ganha em dólar aqui no YouTube. Eu posso chegar no meu banco e falar assim, eu vou travar o dólar nisso e eu vou receber lá. Mas eu estou travando nisso. Eu posso ganhar ou perder. Mas a operação para você travar o dólar aqui é o seguinte. O banco vai virar e falar assim, compra um contrato de dólar futuro X.
É assim que ele fala. É exatamente isso. Só que eu estou te dizendo na prática o que o banco
pra você travar o que ele vai falar pra você. Ele vira pra você e fala assim, tá, então pra gente travar nesse preço que você quer, vamos comprar um contrato futuro de dólar, sei lá quanto. Entendeu? Ele quer uma contrapartida. Isso. E essa contrapartida existe num mercado, que é o mercado derivativo. Entendi. Que é um mercado que comercializa o futuro das coisas, de ativos, commodities, dólar, ouro, sei lá, tudo. O que é o mercado de previsão? Ele é igual a isso, só que em vez da gente falar,
Só, ele também fala dessas coisas, isso que é interessante. Mas em vez da gente falar só dessas coisas, ouro, dólar, soja, vamos falar de eventos. Eventos também? Isso. O que vai acontecer? Porque assim, a gente está falando, qual vai ser o preço do dólar? Sim. É o preço de uma coisa. Vamos falar do evento X? Por exemplo, guerra, pandemia também? Isso. Vamos ter uma pandemia em 2026? Qual é a porcentagem de chance de ter uma nova pandemia?
a chance de ter uma guerra. É isso? Na verdade, a pergunta não é essa. A pergunta é... Ô, Vilela, você acha que vai ter uma pandemia em 2026? Pra mim? Isso. Eu te pergunto. Eu não sei. Tudo bem, você não tem uma opinião. É, eu não tenho opinião. Então você não entra no mercado. E quem tem essa opinião? As pessoas têm. As pessoas têm opiniões. Ah, mas não necessariamente especialistas. As pessoas têm uma sensibilidade. Todo mundo tem a sua opinião. E aí ela pega e entra no mercado. Eu tenho. Eu não falei porque
Eu acho que vai ter uma outra pandemia, mas eu não tenho base nenhuma, eu só tenho... Tudo bem, pelo que eu escuto aqui. Talvez se eu virar para você e falar assim, você acha que existe a chance de nascer um outro podcast no Brasil que vai ter 10 milhões de seguidores? Eu acredito que sim. Em 2026? Não. Mas por que você acha isso? Porque você é o cara que fez isso, você vive nesse mundo, entendeu? Então, aí você opina, você entende.
de se opina. O que as pessoas estudam, se informam, trazem conhecimento, entendem, acompanham a coisa, elas têm opiniões. E o mercado de previsão vai te perguntar, vai colocar um contrato dizendo o seguinte, você acredita que teremos pandemia em 2026? Uma pandemia? Sim ou não? Só tem duas opções. Sim ou não? Você acha que sim? Aí você vai lá e compra o contrato do sim.
O outro acha que não. Comprar o contrato do não. O que vai acontecendo? Muita gente vai entrando. E todo mundo tem a sua opinião, a sua informação e o seu conhecimento. Quando você agrega toda essa opinião de todo mundo junto, isso tem um valor e um poder de previsão gigantesco. Maior do que qualquer outra coisa. Caramba. Por quê? É o que a gente chama de sabedoria do coletivo.
A sabedoria do grupo. Wisdom of the crowds. Por quê? Porque você tem uma informação que eu não tenho. Eu tenho uma outra informação que você não tem. Quando vai juntando todas as informações de todo mundo, ela passa a ser expressada ou representada na probabilidade... Desse denominador. Isso, do mercado de previsão, do evento. Por que os caras inventaram isso? Mas tudo claro é uma amostragem sempre. Do quê?
Do total. É sempre uma amostragem. Ou é muita gente que é entrevistada e... Não é entrevistada. Você entra lá pra comprar um contrato. Ah, é só quem compra. Isso. Não é... Se eu perguntar pra você, a sua opinião é diferente de você entrar lá. É, uma coisa é eu colocar dinheiro e outra coisa... Isso, isso. Quando você coloca dinheiro, você realmente acredita nas coisas. Então, você entendeu a força, a diferença. Estamos tentando fazer uma comparação aqui entre...
Aí não tem ideologia, não tem nada. É onde eu tô colocando o meu dinheiro. Isso. Você pode ser de esquerda. Meu amigo,
Mas você acha que vai acontecer? Você acha que o Lula não vai ser candidato? Você queria que o Lula fosse candidato, vamos supor. Esse não é um bom exemplo. Não, vou dar um exemplo que o pessoal vai entender. Eu sou corintiano. Isso. O Corinthians está muito mal. E eu vou apostar quem vai ser o campeão desse ano, sendo que o Palmeiras está muito forte. Onde eu vou colocar meu dinheiro? No time de coração, onde eu acho que vai ter retorno.
Esquece o esporte. Não vamos usar o esporte, mas vamos imaginar. Eu não estou colocando no que eu queria, eu estou colocando no que eu acho que vai dar. Isso. O seu exemplo do esporte,
é para mostrar uma coisa que as pessoas têm uma paixão. É um desprendimento. E é isso que eu estou querendo. Quando você pergunta em uma pesquisa de opinião, quem você acha que vai ser eleito, o que a pessoa responde? O candidato que ela gosta. Que ela gostaria que ganhasse. Que ela gostaria. É o que ela realmente acha que vai acontecer? Não. Não. A pesquisa de opinião, ela tem uma deficiência exatamente porque o cara fala qualquer coisa, meu. Você não está perdendo nada na sua vida. A hora que você está...
colocou o seu dinheiro num contrato, aí você só coloca... Eu te perguntei, você acha que vai ter pandemia? Você falou, cara, não tenho opinião sobre isso. Você não vai botar. Mas se eu te perguntar sobre podcast... Sim, eu coloco dinheiro. Aí você coloca, você entende do assunto, da sua área, você respira isso. Cara, quantos anos você está fazendo isso? Qual o tamanho do seu canal? O que você está aqui fazendo? Você tem conhecimento, você tem informação, é alienado. Então, é um mercado
contratos de eventos. O evento vai acontecer ou não? Sim ou não? Quanto mais gente fala que vai acontecer, o preço e a probabilidade do negócio aumentam. Porque não tem interferência da plataforma, entendeu? É um mercado real. Tipo, você quer vender seu carro, tem 10 caras querendo comprar, o que você faz com o preço? O preço aumenta. Por quê? A probabilidade de alguém comprar são 10. Ninguém está querendo, vou ter que baixar o preço.
o preço. Então a probabilidade do evento cai também. Então o preço está sempre atrelado à probabilidade do que as pessoas acham que vai acontecer. Mas o ponto aqui, o mais interessante disso tudo, para quem trabalha com conhecimento, com informação, com notícia, com uma discussão que a gente tem o tempo inteiro aqui, você passa o tempo inteiro me perguntando, mas o que você acha que vai acontecer? Para onde a gente vai? Pesquisa de opinião não vai te dar essa resposta. Ninguém vai te dar essa resposta tão bem. Não quer dizer que sempre vai estar
Mas na maioria das vezes, os mercados de previsão são capazes de dar a resposta mais certa. Por quê? Porque ele é um agregador coletivo de uma imensidão de opiniões de todo mundo. E aí isso fica evidente. Talvez você tenha uma informação privilegiada e isso vai ser transparecido no mercado. Então a gente vai conseguir saber. Isso existe nos Estados Unidos há muito tempo.
A Universidade de Iowa criou um Iowa Electronic Market. Lá atrás, que era um mercado de previsão. Agora, esse negócio tomou uma outra dimensão e explodiu. Primeiro com a Polymarket, que é uma empresa americana que não está sediada nos Estados Unidos e faz isso. E depois com a Cauchy, que é de uma brasileira. Todo mundo viu essa notícia. A mais jovem bilionária brasileira. E são as duas grandes.
E essas duas têm contratos de eventos. E os eventos, a plataforma, o mercado de previsão, ele nos ajuda a entender para onde o mundo vai. Ele é uma fonte confiável de informação. Por quê? Porque ele coleta a informação de todo mundo. E aí você pergunta para mim, nós vamos fechar o estreito de homus? Vamos olhar. Tem como ver? Tem, porque a gente tem uma... Tem tempo real. A gente tem, agora que está abrindo aqui no Brasil, a Voxify,
plataforma de um mercado de previsão. E ali, por exemplo, o regime iraniano... Ele vai achar a tela certa. E aí tem os contratos. Qual o contrato de evento? Hoje, na guerra. O que todo mundo quer saber? Petróleo. Isso, vai fechar o estreito ou não? Ah, de evento você está falando. Evento. Como funciona? O regime iraniano cairá até 30 de junho.
36% sim? 65% não? Isso. O que que quer dizer 36% sim? Quer dizer que 36% das pessoas compraram contratos dizendo que o regime vai cair. E 65% dizendo que não. O que que isso é pra nós, que a gente trabalha com informação, com conhecimento, com notícia? É um baita do indicador. É o norte. Por quê? De novo, isso daí é uma agregação, agregar,
coletar muita informação de muita gente junta de uma forma muito mais fidedigna do que uma pesquisa de opinião. Entendi. Se eu fizer uma pesquisa de opinião, tipo, você vai falar, você vai dar qualquer resposta. Você não vai falar pra mim, que nem você disse, cara, não sei se vai ter pandemia. Você só vai falar do que você entende. Você só vai entrar nisso sem entender da coisa, entendeu? Não é um entretenimento isso. Aí olha o outro aí, ó. O Irã vai fechar o Estreito de Hormuz
março, 60% já está... Isso está conectado com os contratos lá de fora, porque a plataforma não está ainda operacional. Então, isso é um espelho de outros contratos lá fora no mundo inteiro. Então, isso é o mundo inteiro achando isso. E não é só sobre a guerra. Os Estados Unidos comprarão a Groenland em 2026? 86%? Acha que não.
fogo entre a Rússia e a Ucrânia até a 30 de junho? 80% acho que não. Não. Sobe ali, tinha um outro ali. As forças dos Estados Unidos entrarão no Irã até 31 de março? 77% não. Acho que não. Tem mais gente que acha que não. Entendeu? Então, esse daqui é uma maneira inteligente da gente entender o que está acontecendo no mundo, para onde o mundo está indo. E uma curiosidade, por que isso foi inventado? Um dos caras estava lidando com
reinventada, porque como eu disse, isso já tinha um tempão. Mas ele estava lidando com o Brexit. E aí ele era um investidor. A saída da Inglaterra. E aí você tem empresas lá compradas na Inglaterra. E se tiver o Brexit, o que vai acontecer com essas empresas? Elas vão perder dinheiro? Elas vão cair? Provavelmente, né? Por exemplo, o que vai acontecer com as empresas de tecnologia de Taiwan se a China invadir Taiwan? O negócio dessas empresas será afetado e abalado por esse evento. Qual o evento?
A China invadir Taiwan. Correto? Claro. Então, eu preciso me proteger desse evento. Mas não existe um contrato seguro contra a China invadir Taiwan. Existe o que, então? Existe o evento. Se a China não invadir Taiwan, está tudo bem. As minhas empresas estão lá, as empresas que eu comprei de tecnologia, eu não vou perder dinheiro. Agora, se ela invadir, eu vou perder. Eu vou perder dinheiro na empresa. Então, como é que eu recompenso o equilíbrio que eu perco na empresa? Eu supostamente,
compra um contrato ou contratos na invasão. Porque aí se tiver invasão, eu perco na empresa. E ganho do outro lado. E aí eu faço o quê? Seguro, hedge. Eu faço um equilíbrio, entendeu? Os caras inventaram, pensaram nisso, porque eles precisavam lidar com assuntos que vão impactar o negócio, as empresas que eles estavam investindo. Então, isso é um mercado, como um mercado derivativo daquele que eu te expliquei, do dólar, da soja,
É como se fosse. Só que ele é de previsão de eventos. Então, para quem quer entender para onde o mundo vai, olhar para esse indicador é uma maneira muito assertiva, apurada. É uma ferramenta de análise muito poderosa. E cada vez mais as pessoas estão usando. Porque tem cada vez mais gente utilizando o mercado. E aí, mais informação agregada. E se a gente vive na era da informação, poder usar essa informação,
é um poder. Sim. Você está à frente de quem não está usando essa informação. Isso, porque você consegue enxergar quais são as chances de uma coisa acontecer. Mais do que se você usasse outras ferramentas, como pesquisa de opinião pública. Sim. Ou conversar com um especialista. É. Que vai dar a opinião dele. É, ele tem o viés dele. Ok, ele é um especialista. É que nem eu perguntar para você, vai ter podcast de 10 milhões de seguidores no YouTube em 2026? Você vai falar, não. Imagina se eu pudesse conversar com
todos os grandes podcasts do Brasil, perguntar para todos, perguntar para você, para o Igor, para não sei o que, para todo mundo e falar, e aí, vai ter? Aí eu coletar o que todos vocês disseram, aí eu vou falar, meu, desculpa, não vai ter. Entendeu? Entendi. Então, é isso que o mercado de previsão faz. Entendi. Então, a VoxFi, ela ajuda a gente a medir. Então, se você me perguntar, se você me perguntar agora, vai acontecer o seu quê? Eu ia perguntar isso, a chance de derrubar o regime. Lá está falando que a
parte acho que não. E a minha opinião analista e estudioso do assunto foi o que no começo da nossa conversa? Pois é. Difícil. É difícil, não é? Assim, assado, não sei o que. Comparei com a China, expliquei. Tem todas umas instituições, tem toda uma estrutura colocada, a guerra tem que durar muito mais tempo. Óbvio que tudo isso pode mudar. Amanhã, imagina se morrem mais três caras. Começa protesto na rua. Novos eventos, na realidade,
mudando para onde as coisas estão andando. Isso que é dinâmico nessa nossa conversa. Você me pergunta uma coisa hoje, eu falo hoje, amanhã amanhece sei lá, o Irã jogou uma bomba suja, que é uma bomba uma bomba com elementos radioativos, não é uma bomba atômica uma dirty bomb, que você pega elemento radioativo e coloca dentro de uma bomba e vai ter contaminação radioativa não vai ter uma explosão nuclear mas vai ter uma uma explosão, uma
Contaminação. Imagina que o Irã faz isso. Eu vou dizer para você, o regime iraniano vai cair agora. Porque... O mundo não vai aceitar isso. Pronto. Entendeu? E a chance de alguém ceder a bomba nuclear para o Irã? Não tem ninguém que daria. Nem a Rússia, nem a China. Não, o Paquistão não se dá bem com o Irã e não vai entrar nessa briga. Então... Mas entendeu? A lógica é, como é que a gente identifica o que vai acontecer? Tem muita gente falando que se o Irã já tivesse a bomba nuclear,
não teria tido esse ataque. Você concorda com isso? Concordo. É, né? Ninguém ia arriscar. Não. Por isso que ele quer ter a bomba. E por isso que os outros não querem que ele tenha a bomba. Fala, Bigoda. Ó, eu tenho mais duas perguntas aqui. A próxima é do Samuel. Ele falou assim, Professor, num cenário de guerra generalizada, considerando a posição neutra do Brasil, seríamos um dos países mais seguros do mundo hoje? Fala de novo, se fosse um cenário de guerra com o quê?
É, se fosse um cenário de guerra generalizada, considerando a posição neutra do Brasil,
é se a gente seria um dos países mais seguros do mundo hoje. Acho que generalizada é a guerra se expandir, não ficar só no Oriente Médio e ela crescer. A gente está distante e tudo isso pode ser arrastado para ela de alguma forma. Não, acho que a gente está no lugar mais seguro do mundo. O Brasil é o lugar mais isolado do mundo. Acho que nós estamos no melhor lugar. O Brasil está longe de todos os problemas. O Brasil tem que errar muito politicamente, diplomaticamente, para convidar a guerra para vir para cá. Nossa.
Óbvio que se nós estamos falando de um cenário onde uma guerra mundial acontece, aí desculpa. Aí não dá para o Brasil estar neutro. O Brasil eventualmente vai ter que tomar um lado e eventualmente a gente vai participar da guerra de algum jeito indireto, distante. Não é que nós vamos mandar um milhão de soldados, entendeu? Ou mandar avião, ou mandar navio, alguma coisa. Isso, não é nada disso. Mas a gente pode dar recursos, um monte de outras coisas.
Entende. E essa é uma pergunta de um milhão de dólares também, né? Terceira Guerra Mundial vem aí ou não, né? É, vocês já sabem a minha resposta, né? Eu sei. Mas como foi em outros programas para quem está assistindo agora aqui. É inevitável. Inevitável é uma palavra forte, né? Mas... Diante de todos os eventos que estão acontecendo. Não, assim, vamos refrasear para ser o mais preciso possível. Eu não acho que a humanidade
Terá a terceira guerra mundial. Em alguma hora. Isso. Por quê? Porque a gente teve... A história da humanidade é uma história de guerras. E nós tivemos já duas guerras mundiais quando a gente se tornou... Quando a humanidade se tornou capaz de acessar o mundo. Antes a guerra não era mundial. Era local. Porque o mundo era local. É. A hora que o mundo virou global, a guerra virou global. A partir do momento que a gente virou global, ou seja, tivemos acesso a todos os cantos do mundo,
coisa aconteceu. Então, eu diria, não tem como a gente ter estagnado na nossa decadência e falado, não, já foi, duas já está bom. Isso não existe. O que pode evitar isso acontecer? A gente tem um outro problema muito maior do que uma guerra mundial e aí não vai precisar ter guerra mundial ou não vai dar tempo de ter guerra mundial porque a gente vai ser destruído antes ou vai se matar antes. A gente pode se matar com um evento ambiental,
climático. A gente pode se matar com um vírus, com uma pandemia, com uma contaminação. A gente pode se matar com um meteoro que cai na Terra. A gente pode se matar com visita de alienígenas. E a gente pode se matar ou ser morto pela inteligência artificial. Então existem alguns outros cenários que podem criar uma destruição que inviabilize a necessidade ou a capacidade da gente ter uma terceira guerra mundial.
Antes. Mas dado o histórico, é questão de tempo que a humanidade se envolva numa batalha que envolva vários países. E para ser considerada guerra mundial, vai ter que envolver China, Rússia, Índia, Estados Unidos, Europa. Se não envolver esses todos, não é mundial. Põe o Japão também na história. É pequeno, mas é importante. Não tem como. Não vai ser uma guerra mundial se não tiver a China e a Índia. Não é mundial.
maiores países do mundo, os mais poderosos, as maiores populações. Alguns se envolvendo mais ou menos, mas vai estar todo mundo envolvido. Eu não acho que nós estamos longe disso. Nós estamos progredindo em direção a isso. Isso não quer dizer que essa guerra vira mundial. O estopim não é desse jeito. É uma progressão contínua. As peças vão sendo encaixadas. Estamos caminhando pra isso. No meio do caminho, outras coisas podem ser mais rápidas. A inteligência artificial pode ser mais rápida.
O surgimento de uma super inteligência, para mim, as chances deles serem destrutivos são maiores do que uma terceira guerra mundial. E talvez a super inteligência seja criada antes da gente chegar no estágio de que as peças estão colocadas para a terceira guerra mundial. E tem aquele relógio do apocalipse, o relógio do fim do mundo que está próximo da meia-noite. Mas quando eu falo isso, não é que cada guerra,
que acontece... Deixa a gente mais próximo. Não, deixa, mas não que cada guerra, tipo, pode ser a terceira guerra, entendeu? Porque quando acontece uma guerra, eu recebo trilhões de mensagens, você acha que nós estamos caminhando para a terceira guerra mundial? Estou com medo, estou muito preocupado, estou muito ansioso, estou com muito medo. Não, não está colocado. Se essa guerra fosse a invasão da China a Taiwan, aí eu diria sim, estamos correndo. Pelos interesses envolvidos. Pelas forças?
As forças envolvidas pelos indígenas. O Irã não é a China. O Irã não é nada perto da China. Quando a China fizer um movimento militar, aí sim, é a segunda maior potência do mundo fazendo um movimento militar. É natural que a primeira maior potência faça um contramovimento. Se a primeira potência não fizer um contramovimento... Ela está dando um sinal de fraqueza. Exato. E dando um espaço para a segunda maior potência assumir o posto de primeira maior potência. E isso não acontece.
Indigavelmente. O que significa dizer que para a gente estar à beira de uma terceira guerra mundial, a gente precisa ter um movimento da China. A hora que a gente sentar aqui, o ano que vem, 1h28, e eu vier aqui porque a China fez um bloqueio naval a Taiwan, aí você vai me fazer essa pergunta e a minha resposta vai ser sim, estamos próximos da terceira guerra mundial. Faz todo sentido com essa última explicação agora. Ficou bem claro. Que bom. Vamos.
O Danilo falou assim, o tribunal de Haia ou a OTAN podem punir os Estados Unidos se entenderem que o ataque foi um crime de guerra? O tribunal de Haia podem punir... Ou a ONU. Ou a ONU podem punir quem? Estados Unidos e... É só Estados Unidos, né? Se entender que foi um crime de guerra. Contra o Irã? Podem punir, mas o que é a punição? Nada. É inóculo. É simbólico. É simbólico. É política, entendeu? O tribunal de Haia pode punir...
condenar o Irã? Pode, vai fazer? Não vai, mas se fizer também, o que vai mudar? Nada. Quantas inspeções da ONU, da Agência Atômica Internacional são feitas contra o Irã e o Irã está em descumprimento com o tratado que ele mesmo assinou? E nada acontece. Acontece o que os países contra o Irã querem que aconteça. São as sanções. Os países que gostam do Irã não fazem nada contra o Irã. Isso não é direito. O direito não funciona na base
de aliança. Eu sou o juiz, você é meu amigo. Então a lei não serve pra você. Isso não é Estado de Direito. Isso não é Justiça. Isso se chama política. Política é baseada e construída em cima de aliança, de amizade, de gente que eu gosto. E aí eu aplico o que eu gosto pros meus aliados e o que eu não gosto pros outros. Agora pra finalizar, professor, vamos colocar um tabuleiro de war, daquele joguinho war,
Qual é o arsenal dos Estados Unidos? O que ele está colocando dentro desse tabuleiro? Tanto na pesquisa lá quanto a sua, não acreditam que os Estados Unidos vão desembarcar um exército terrestre, pelo menos nos próximos dias ou meses. O que tem de arsenal? O que pode ser colocado? Porta-avião, míssil? Qual é a estratégia dos Estados Unidos e do Israel?
e do Irã. Olha, Estados Unidos aumentar os ataques... Tudo aéreo. Tudo aéreo. Só aéreo. O Trump quer dar a entender que ele não vai dizer que ele não tem limitação. Isso é um blefe. Ele não vai mandar tropas terrestres. Não vai. Porque isso pode mudar a opinião interna. Se tiver muita baixa... Isso. E tipo assim, quantas tropas, quantos soldados ele tem que entrar num país... Pra fazer o que exatamente? Os objetivos até agora, eles são
claros, mas eles são claros quais são. Mas eles são abstratos ou amplos demais para você colocar soldados americanos em solo. Destruir a capacidade do Irã ter um programa nuclear. Isso é vasto. Isso é amplo. Destruir o estoque, destruir a marinha. Eles são tangíveis, porém são amplos. Você colocar tropas envolvidas nisso é um pouco complicado. Então é aéreo. Aéreo.
aéreo. E a pergunta mais crítica é quanto tempo vai durar. Exato. Duas semanas? Vamos ver se tem algum mercado de previsão. Quanto tempo vai durar? Trump falou alguma coisa sobre tempo? Falou. Pode durar quatro ou cinco semanas, mas se quiser pode durar muito mais. Aí outra hora ele fala, não, não vai ser uma guerra longa. Tipo, é dias. Cada hora ele fala uma coisa. Então fica aí o convite pra você voltar se a gente tiver uma alteração grande aí no dia a dia. Obrigado demais, Rocky. Valeu, cara.
Redes sociais, cursos, sites, o que você tem para falar? Professor Rock, HOC, YouTube, Instagram, TikTok, vídeos, aulas longas no meu canal do YouTube sobre todos esses assuntos aprofundados. Geopolítica de Israel, geopolítica do Irã, geopolítica dos Estados Unidos, geopolítica da Turquia e, claro, o meu aplicativo, que é o Rock Academy, que se você quiser ir ainda mais fundo em todos esses assuntos,
dá uma olhada no meu aplicativo. É uma assinatura anual, vários cursos exclusivos. Eu não sou o único professor, tem vários outros professores. E tem um feed de notícias em tempo real para você acompanhar tudo o que está acontecendo no mundo já digerido, já mastigado. O que eu vou assinar, o que eu vou ler? Lá no bunker do Rock, que é uma parte do aplicativo do Rock Academy, você consegue acessar tudo isso. Você encontra esses links aí na minha página,
Acho que nós vamos deixar aqui também o link. Vai deixar o link aí. E tem também a minha pós-graduação com a PUC do Paraná, que chama Dinâmica Global. E é tudo online. Você não precisa ter feito relações internacionais. Você pode ter estudado uma série de outras coisas. Você está vendo que ter uma compreensão do mundo é um diferencial na sua educação, na sua formação, na sua carreira. Vai fazer a pós de Dinâmica Global da PUC do Paraná. E você vai aprender um monte sobre
Não é só geopolítica pura, questão militar. As disciplinas são economia internacional, finanças internacional, comunicação internacional, tecnologia. São uma série de disciplinas, todas com um olhar para o mundo e para a geopolítica. Então você sai com uma percepção muito mais profunda, apurada, vai te dar uma vantagem bem única nesse mundo de hoje. E o teu canal, você já falou, mas é muito ativo.
Acontece qualquer coisa, eu grudo no seu canal. Fiz uma live no dia, sábado. Sábado e domingo também. Eu acho que eu vi no domingo. Aconteceu alguma coisa, eu já vou para o seu canal que eu sei que você está trabalhando lá. Então fiquem ligados. A qualquer momento ele pode estar falando sobre as novidades da guerra e de geopolítica. Obrigado, agradecer ao nosso parceiro que é Insider. Isso aí. Tem link na descrição QR Code aí.
QR Code na tela. Que dá 20% off para novos clientes e 15% off para os recorrentes. Exatamente.
É isso daí. E você tem que brilhar agora, cara. É isso aí, meu amigo. O que você vai falar agora pro pessoal? Primeiro, agradecer a todo mundo que chegou até aqui, né? Até o final dessa live. Mas tem que ter dado like, senão a gente não agradece. Se você não deixou o like lá no início, na verdade, aproveita e deixa agora, tá bom? E também a sua inscrição, que é muito importante pra gente. Exato. Fechou? E o que o pessoal escreve nos comentários pra provar que chegou até o final desse papo, bigoda?
Pra você provar que chegou até aqui, digita aí. Professor Xavier. Professor Xavier nos comentários e a gente sabe que você chegou até o final. Fiquem com Deus. Beijo no que tu viu ali. Tchau. Que bom que vocês vieram. Valeu. Fui.
E se necessário, editar o conteúdo para garantir a precisão e o respeito a todos.
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